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Pode ser algo bem complicado, o oceano.
E pode ser algo bem complicado, o que é a saúde humana.
E juntá-los pode parecer uma tarefa intimidadora. Mas o que vou tentar dizer é que mesmo nessa complexidade, há alguns assuntos simples que creio que, se entendermos, podemos avançar.
E esses assuntos não são na verdade temas sobre a complexa ciência do que está acontecendo, mas de coisas que são bem conhecidas.
E vou começar com essa. Se a mamãe não está feliz, ninguém está feliz.
Sabemos disso, certo? Passamos por isso.
E se pegarmos isso e construirmos a partir disso, então podemos ir ao próximo passo, que é se o oceano não está feliz, ninguém está feliz.
Esse é o tópico da minha palestra.
E estamos deixando o oceano muito infeliz de diversas maneiras.
Essa é uma foto de Cannery Row em 1932.
Cannery Row, nessa época, tinha a maior indústria de enlatados da costa oeste.
Nós liberamos enormes quantidades de poluição no ar e na água.
Rolf Bolin, que era um professor universitário na Hopkin's Marine Station, onde trabalho, escreveu na década de 40 que, "Os gases da espuma que flutuava na enseada da baía eram tão ruins que encardiram tintas á base de chumbo de preto."
Trabalhadores dessa indústria dificilmente ficavam ali o dia todo por causa do cheiro. Mas sabem o que eles diziam?
Eles diziam, "Sabe o que você respira?
Você respira dinheiro."
A poluição era renda para a comunidade. E essas pessoas lidaram com a poluição e a absorveram na pele e em seus corpos porque precisavam do dinheiro.
Deixamos o oceano infeliz; deixamos pessoas muito infelizes, e as deixamos enfermas.
A ligação entre a saúde do oceano e a saúde humana é na verdade baseada em alguns poucos e simples provérbios. E quero chamá-la de "belisque um peixinho, machuque uma baleia."
A pirâmide da vida no oceano.
Agora, quando um ecologista olha para oceano, tenho de lhes dizer, olhamos para o oceano de uma maneira muito diferente, e vemos coisas distintas das que uma pessoa normal vê nele. Porque quando um ecologista olha para o oceano, vemos todas essas interconexões.
Vemos a base da cadeia alimentar, os plânctons, as coisas pequenas, e vemos como esses animais são comida para os animais do meio da pirâmide, e assim por diante no diagrama.
E esse fluxo, esse fluxo de vida, desde a base até o topo, é o fluxo que os ecologistas vêem.
E isso é o que estamos tentando preservar quando dizemos, "Salve o oceano. Cure-o."
É essa pirâmide.
Agora por que isso importa para a saúde humana?
Porque quando introduzimos algo na base da pirâmide que não devia estar lá, coisas muito assustadoras acontecem.
Poluentes, alguns criados por nós, moléculas como os PCBs que não podem ser desfeitos em nosso organismo.
E eles vão para a base dessa pirâmide, e eles flutuam, vão sendo transmitidos, para predadores e vão para o topo da pirâmide. E assim, eles acumulam.
Agora pra se familiarizar com isso, eu inventei um jogo.
Nós não precisamos jogá-lo. Podemos apenas pensar sobre ele.
É o jogo do isopor e do chocolate.
Imagine que quando chegamos a esse barco, nós recebemos dois flocos de isopor.
Não se pode fazer muito com eles a não ser guardar no bolso.
Porque as regras são: toda vez que você oferece uma bebida a alguém, você dá a bebida a ela, e lhe dá um floco de isopor também.
O que acontecerá é que os flocos de isopor vão se espalhar por essa sociedade. E vão acumular nas pessoas mais bêbadas e pão-duras.
Não tem mecanismo nesse jogo para eles irem em algum lugar senão um maior e maior monte de indigestos flocos de isopor.
E é exatamente isso que acontece com os PCBs nessa pirâmide alimentar. Eles acumulam no topo dela.
Agora suponha que ao invés de isopor, nós pegássemos esses bonitos pequenos chocolates que ganhamos e os tivéssemos.
Bem, alguns de nós os comeriam ao invés de dá-los a outros. E ao invés de acumulá-los, eles apenas ficariam em nosso grupo e não em outros. Porque eles são absorvidos por nós.
E essa é a diferença entre o PCB e, vamos ver, algo natural como o omega-3, algo que queremos obter da cadeia alimentar marinha.
PCBs acumulam.
Temos ótimos exemplos disso, infelizmente.
PCBs acumulam em golfinhos na Baía de Sarasota, no Texas, na Carolina do Norte.
Eles entram na cadeia alimentar.
Os golfinhos comem peixes que tem PCBs obtidos dos plânctons, e esses PCBs, sendo solúveis na gordura, acumulam nesses golfinhos.
Agora, um golfinho, golfinho mãe, qualquer um -- só há uma maneira de o PCB ser expelido de seu organismo.
E qual é?
No leite materno.
Aqui está um gráfico da quantidade de PCB em golfinhos na baía de Sarasota.
Machos adultos, uma enorme quantidade.
Jovens, uma enorme quantidade.
Fêmeas após ter seu primeiro filhote desmamado, uma quantidade menor.
Essas fêmeas, elas não estão tentando.
Essas fêmeas estão transmitindo os PCBs na gordura do seus próprios leites para sua cria. E sua cria não sobrevive.
A taxa de mortalidade nesses golfinhos, para o primeiro filhote de cada golfinho fêmea, é de 60 a 80 por cento.
Essas mães bombeiam sua primeira cria cheia desse poluente. E a maioria morre.
Agora, a mãe pode reproduzir normalmente, mas que terrível preço a se pagar pelo acúmulo desse poluente nesses animais -- a morte do primeiro filhote.
Há outro grande predador no oceano, parece.
Esse predador, é claro, somos nós.
E também estamos comendo carne que vem de alguns desses mesmos lugares.
Essa é a carne de baleia que eu fotografei em um supermercado em Tokyo -- ou não é?
De fato, o que fizemos alguns anos atrás foi aprender como manipular um laboratório de biologia molecular em Tokyo e usá-lo para testar genéticamente o DNA de amostras de carne de baleia e identificar quais realmente eram.
E algumas dessas amostras realmente eram carne de baleia.
Algumas delas eram carnes ilegais, falando nisso.
Essa é outra história.
Mas algumas delas não eram de baleia.
Apesar de estarem rotuladas como tal, eram de golfinho.
Algumas delas eram fígado de golfinho. Algumas eram banha de golfinho.
E essas partes de golfinhos tinham enorme quantidade de PCBs, dioxinas e metais pesados.
E essa enorme quantidade estava sendo transmitida a pessoas que comiam essa carne.
Acontece que muitos golfinhos estão sendo vendidos como carne no mercado de carne de baleia ao redor do mundo.
É uma tragédia para essas populações. Mas também é uma tragédia para quem as está comendo porque eles não sabem que essa carne é tóxica.
Tínhamos essas informações alguns anos atrás.
Me lembro de sentar à minha mesa sendo a única pessoa no mundo que sabia que carne de baleia estava sendo vendida nesses mercados na verdade era de golfinho, e era tóxica.
Tinha duas a três a 400 vezes a quantidade de toxinas permitidas pela EPA.
E eu lembro de sentar à minha mesa pensando, "Bem, eu sei disso. É uma grande descoberta científica." Mas era tão terrível.
E pela primeira vez na minha carreira científica eu quebrei o protocolo, que é pegar os dados e publicá-los em periódicos científicos, e então falar sobre eles.
Mandamos uma carta educadíssima para o ministro da saúde no Japão e apenas apontamos que essa é uma situação intolerável, não para nós, mas para as pessoas no Japão. Porque mães que podem estar amamentando, que podem ter crianças pequenas, estariam comprando algo que pensam ser saudável, mas na verdade é tóxico.
Isso levou a uma série de outras campanhas no Japão. E tenho orgulho de dizer que agora é muito difícil comprar algo no Japão que está rotulado errôneamente, apesar deles ainda venderem carne de baleia, o que acredito que eles não deveriam.
Mas pelo menos ela está rotulada corretamente, e você não mais comprará carne de golfinho tóxica.
Não é apenas lá que isso acontece, mas na dieta natural de algumas comunidades no ártico Canadense, nos Estados Unidos e no ártico Europeu, uma dieta natural de focas e baleias leva a uma acumulação de PCBs que foram reunidos de todos os cantos do mundo e acabaram nessas mulheres.
Essas mulheres tem leite tóxico.
Elas não podem amamentar sua prole, suas crianças, o leite de seu peito por causa do acúmulo dessas toxinas em sua cadeia alimentar, na sua parte da pirâmide oceânica mundial.
Isso significa que o sistema imunológico delas está comprometido.
Isso quer dizer que o desenvolvimento de suas crianças pode estar comprometido.
E a atenção mundial nisso na última década têm reduzido o problema para essas mulheres, não por mudar a pirâmide, mas por mudar o que elas comem de cada animal.
As tiramos de sua pirâmide natural para resolver esse problema.
Isso é algo bom para esse problema em particular, mas não adianta nada resolver o problema da pirâmide.
Há outras maneiras de quebrar essa pirâmide.
A pirâmide, se introduzirmos coisas em sua base, pode voltar como em um esgoto entupido.
E se introduzirmos nutrientes, esgoto, fertilizantes na base dessa pirâmide, eles podem voltar em toda sua extensão.
E terminaremos com coisas que já ouvimos antes: marés vermelhas, por exemplo, que são o crescimento de algas tóxicas flutuando pelos oceanos causando danos neurológicos.
Também podemos ter o crescimento de bacterias, crescimento de vírus no oceano.
Essas são duas fotos de uma maré vermelha invadindo a costa e uma bactéria no gênero vibrião, que inclui o gênero que tem cólera.
Quantas pessoas viram uma placa de "praia interditada"?
Por que isso acontece?
Acontece porque introduzimos tantas coisas na base dessa pirâmide natural oceânica que essas bactérias se entupiram e encheram as nossas praias.
Frequentemente o que nos enche é o esgoto.
Agora quantos de vocês já foram a um parque estadual ou nacional onde havia uma grande placa na frente dizendo, "Fechado porque o esgoto humano está tão espalhado pelo parque que não se pode usá-lo"?
Não com frequência. Não toleraríamos isso.
Não toleraríamos nossos parques sendo entupidos de esgoto. Mas muitas praias estão fechadas em nosso país.
Elas estão fechadas mais e mais ao redor do mundo pelo mesmo motivo. E acredito que não devíamos tolerar isso também.
Não é apenas uma questão de higiene. É também uma questão de como esses organismos se transformam em doenças.
Esses vibriões, essas bactérias, podem na verdade infectar pessoas.
Elas podem penetrar na sua pela e criar infecções.
Esse é um gráfico da iniciativa de saúde oceânica e humana do NOAA, mostrando o crescimento de infecções por vibriões nas pessoas nos últimos anos.
Surfistas, por exemplo, inacreditavelmente sabem disso.
E se você puder ver alguns sites de surf, de fato, você não apenas vê como são as ondas ou o clima, mas nos sites de alguns surfistas você vê um pequeno alerta de excrementos.
Isso significa que essa praia pode ter ótimas ondas, mas é um lugar perigoso para surfistas porque eles podem pegar, mesmo depois de uma ótima surfada, esse legado de uma infecção que pode levar muito tempo para curar.
Algumas dessas infecções são na verdade resistentes à antibióticos. E isso as faz ainda mais difíceis de combater.
Essas mesmas infecções criam crescimentos de algas nocivas.
Esses crescimentos geram outros tipos de agentes químicos.
Essa é apenas uma simples lista de alguns tipos de venenos que surgem do crescimento dessas algas nocivas: envenenamento por molusco, ciguatera, envenenamento diarréico por molusco -- vocês vão querer saber disso -- envenenamento neurotóxico e envenenamento paralítico por moluscos.
Essas são coisas que estão na nossa cadeia alimentar por causa desses crescimentos exagerados.
Rita Calwell traçou muito famosamente uma história interessantíssima de cólera em comunidades humanas, levada lá, não por um vetor humano normal, mas por um vetor marinho, esse copépode.
Copépodes são pequenos crustáceos.
Eles medem uma minúscula fração de um centímetro. E podem levar nas suas pequenas patas algumas das bactérias da cólera que então leva a doença humana.
Isso acendeu a epidemia de cólera em portos ao redor do mundo e levou a uma preocupação crescente para tentar ter certeza de que o correio não levasse esses vetores de cólera pelo mundo.
Então o que fazer?
Temos grandes problemas em ecossistemas com fluxo interrompido que a pirâmide pode não estar funcionando bem, que o fluxo da base até o topo está sendo bloqueado e entupido.
O que você faz quando tem esse tipo de fluxo interrompido?
Bem, tem algumas coisas que podem ser feitas.
Você pode chamar o Encanador Joe, por exemplo.
E ele pode vir e consertar o fluxo.
Mas de fato, se você olhar pelo mundo, existem não só lugares em que ainda há esperança onde podemos ser capazes de consertar esse problema, mas há lugares onde isso já foi consertado, onde pessoas agarraram essas questões e começaram a transformá-las.
Monterey é um desses lugares.
Comecei mostrando quanto tínhamos afligido o ecossistema da baía de Monterey com poluição e a indústria de enlatados e todos os problemas relacionados.
Em 1932 essa é a foto.
Em 2009 a foto é notavelmente diferente.
As indústrias se foram. A poluição foi controlada.
Mas há um sentido maior aqui sobre o que as comunidades precisam são ecossistemas que funcionam.
Elas precisam de uma pirâmide funcional da base ao topo.
E essa pirâmide em Monterey, agora, por causa do esforço de muitas pessoas, está funcionando melhor do que nunca nos últimos 150 anos.
Isso não aconteceu por acaso.
Aconteceu porque muitas pessoas investiram seu tempo e esforço e seu espírito pioneiro nisso.
A esquerda, Julia Platt, a prefeita da minha cidade natal em Pacific Grove.
Aos 74 anos, se tornou prefeita porque algo tinha de ser feito para proteger o oceano.
Em 1931, ela produziu a primeira área marinha da califórnia protegida pela comunidade, bem próxima a indústria que mais poluía porque Julia sabia que quando as fábricas se fossem, o oceano precisava de um lugar para crescer, que o oceano precisava de um lugar para plantar uma semente. E ela queria fornecer essa semente.
Outras pessoas, David Packard e Julie Packard, que foram fundamentais na produção do aquário da baía de Monterey para fixar na mente das pessoas que o oceano e a saúde de seu ecossistema eram tão importantes para a economia dali quanto comer.
Essa mudança de pensamento levou a uma mudança drástica, não só nas fortunas da baía de Monterey, quanto em outros lugares pelo mundo.
Bem, quero deixá-los com um pensamento que, o que estamos mesmo querendo fazer aqui é proteger a pirâmide oceânica. E essa pirâmide se conecta a nossa própria pirâmide da vida.
É um planeta oceânico, e nos imaginamos como espécies terrestres. Mas a pirâmide da vida no oceano e nossas vidas na terra estão fortemente ligadas.
E é apenas através de um oceano saudável que podemos permanecer saudáveis.
Muito obrigado.
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Vamos começar com o dia e noite.
A vida se desenvolveu sob condições de luz e escuridão, luz e escuridão.
Então plantas e animais desenvolveram seus própios relógios internos para que estivessem prontos para estas mudanças de luminosidade.
Estes são relógios químicos, e são encontrados em todos os seres conhecidos que têm duas ou mais células e em alguns com apenas uma célula.
Te darei um exemplo. Se você pegar um caranguejo-ferradura na praia, e levá-lo para o outro lado do continente, e soltá-lo em uma gaiola inclinada, ele irá subir a inclinação da gaiola enquanto a maré sobe nas sua praia de origem, e ele vai deslizar de novo assim que a água estiver recuando, a milhares de quilômetros de distância.
Ele fará isso por semanas, até gradualmente perder a vontade.
E é incrível assistir, mas não há nada psíquico ou paranormal acontecendo; é que simplesmente estes caranguejos têm ciclos internos que correspondem, normalmente, com o que está acontecendo em volta dele.
Então, temos essa habilidade também.
E nos humanos, chamamos isto de relógio biológico
Você pode ver isso mais claramente quando tira o relógio de uma pessoa e você a tranca numa casamata, subterrânea, por dois meses.
Alguns até são voluntários para isso e eles saem na verdade impressionados com a sua produtividade no buraco.
Então, não importa o quão atípico estes sujeitos tem que ser, todos eles mostram a mesma coisa.
Eles acordam um pouco mais tarde todos os dias - por volta de15 minutos - e ficam flutuando em volta do relógio assim durante três semanas.
Portanto, dessa forma, sabemos que estão trabalhando através de seus próprios relógios biológicos, e não ao sentir o dia lá fora.
Certo, então temos um relógio biológico, e por acaso, ele é incrivelmente importante nas nossas vidas.
É uma enorme determinante cultural, e acredito ser a força mais subestimada de nosso comportamento.
Nós evoluímos como espécie perto do equador, e estamos bem equipados para lidarmos com 12 horas de luz e 12 horas de escuridão.
Mas, claro, nós nos espalhamos por todos os cantos do globo, e no Ártico Canadense, onde eu moro, temos luz perpétua no verão e 24 horas de escuridão no inverno.
Assim a cultura, a cultura indígena do norte, tradicionalmente tem sido altamente sazonal.
No inverno, se dorme muito. Você desfruta da sua família em casa.
E no verão, é quase uma caça louca e atividade por horas muito longas, muita atividade.
Então, como seria o nosso ritmo natural?
Quais seriam nossos padrões de sono no sentido ideal?
Bem, acontece que, quando as pessoas vivem sem qualquer tipo de luz artificial, elas dormem duas vezes por noite.
Elas vão dormir às 20: 00 horas.
até meia noite e voltam a dormir das 2: 00 até o amanhecer
E no meio tempo, têm duas horas de um silêncio meditativo na cama.
E durante esse tempo, há um aumento da prolactina, coisa que não se vivencia em um dia moderno.
As pessoas nesses estudos dizem estarem tão acordadas durante o dia, que percebem que estão vivenciando um verdadeiro estado de vigília pela primeira vez em suas vidas.
Então, direto aos dias de hoje.
Estamos vivendo uma cultura de jet lag, viagens globais, negócios 24 horas trabalho em turnos.
E você sabe, nosso jeito moderno de fazer as coisas tem suas vantagens, mas eu acredito que devemos entender os custos.
Obrigada.
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Adrian Kohler. Bem, nós estamos aqui hoje para falar sobre a evolução do cavalo marionete.
Basil Jones: Mas na verdade nós vamos começar esta evolução com a hiena.
AK. A ancestral do cavalo.
Ok, nós vamos fazer alguma coisa com ela.
Risos Hahahahahahahahaha
A hiema é a ancestral do cavalo porque ela era parte de uma produção chamada "Faustus na África." uma produção da Handspring de 1995 onde ela teve que jogar damas com Helena de Troia.
Esta produjção foi dirigida pelo artista sul africano e diretor de teatro, William Kentridge.
Então ela precisava de uma pata frontal bem articulada.
Mas como todas as marionetes, ela tem outros atributos.
BJ: Um deles é a respiração, e ela meio que respira.
AK: Haa haa haa
BJ: Respiração é mesmo importante para nós.
É um tipo de movimento original para qualquer marionete para nós no palco
É a coisa que distingue a marionete - AK: Oops
BJ: de um ator.
Marionetes sempre têm que tentar ganhar vida.
É o seu tipo de estória no palco aquele desespero para viver
AK: Sim, isto é basicamente um objeto sem vida, como vocês podem e ele somente vive porque você o faz viver.
Um ator se esforça para morrer no palco, mas uma marionete tem que lutar para viver.
E de uma maneira que é uma metáfora para a vida.
BJ: Então a cada momento que ela está no palco, ela faz aquele esforço.
Então nós chamamos isto uma peça de engenharia emocional que utiliza tecnologia do século 17 bastante atualizada - Risos para tornar substantivos em verbos.
AK: Bem na verdade eu prefiro dizer que isto é um objeto construído com madeira e pano com movimento interno para persuadir vocês a acreditar que ele tem vida.
BJ: Ok então.
AK: E ele tem orelhas que se movem passivamente quando a cabeça se movimenta.
BJ: E ele tem este anteparo feito de madeira compensada, coberta com tecido - curiosamente semelhante, de fato, às canoas de madeira compensada que o pai de Adrian costumava fazer na sua oficina quando ele era um garoto
AK: em Porto Elizabeth, a vila do lado de fora de Porto Elizabeth, na África do Sul
BJ: Sua mãe era uma marionetista.
E quando nós nos conhecemos na escola de arte e nos apaixonamos em 1971. eu detestava as marionetes.
Eu realmente pensava que elas eram tão insignificantes para mim.
Eu queria me tornar um artista de vanguarda e Punch e Judy não eram cerrtamente onde eu queria ir
E de fato, levou cerca de 10 anos. para descobrir as marionetes de Bamaro bambano do Mali, no oeste da África onde há uma fabulosa tradição de marionetes, para aprender um renovado, ou um novo, respeito a esta forma de arte.
AK: Então em 1981, eu convenci Basil e alguns amigos meus a formar uma companhia de marionetes.
E 10 anos depois, milagrosamente, nós colaboramos com uma companhia de Mali, o Grupo Sogoton Marionete, de Bamako, onde nós fizemos uma peça sobre uma girafa alta.
Ela era chamada "Cavalo Alto" que era uma girafa de tamanho natural.
BJ: E aqui de novo, vocês veem a mesma estrutura.
Os anteparos agora se transformaram em aros de bengala, mas é em última instância a mesma estrutura.
Ela leva duas pessoas no seu interior sobre pernas de pau, as quais lhes dão a altura, e alguém na frente que usa um tipo de roda de direção para mover a cabeça.
AK: A pessoa nas patas traseiras também controla a cauda, à semelhança da hiena - o mesmo mecanismo, só um pouco maior.
E ele controla o movimento das orelhas.
BJ: Então esta produção foi vista por Tom Morris do Teatro Nacional em Londres.
E por aquela época, sua mãe tinha dito, "Você viu este livro de Michael Morpurgo chamado 'Cavalo de Guerra'?"
AK: É sobre um garoto que se apaixona por um cavalo.
O cavalo é vendido para a Primeira Guerra Mundial, e ele se alista para encontrar o seu cavalo.
BJ. Então Tom nos ligou e disse, "Vocês acham que podem construir para nós um cavalo para um show que irá acontecer no Teatro Nacional?"
AK: Aquilo parecia uma adorável ideia.
BJ: Mas ele tinha que cavalgar. Ele tinha que ter um cavaleiro.
AK: Ele tinha que ter um cavaleiro, ele tinha que participar de cargas de cavalaria.
Risos Uma peça sobre a tecnologia de arar do início do século 20 e cargas de cavalaria foi um pequeno desafio para o departamento de contabilidade no Teatro Nacional de Londres
Mas eles concordaram em continuar com isto por um tempo.
Então nós começamos com um teste.
BJ: Este é Adrian e Thys Stander. quem na verdade projetou o sistema de armação para o cavalo e a nossa vizinha de porta Katherine, subindo em uma escada.
O peso é realmente difícil quando está acima da sua cabeça.
AK: E uma vez que Katherine passou por essa experiência do inferno, nós soubemos que poderíamos ser capazes de constuir um cavalo que pudesse ser cavalgado.
Então nós construímos um modelo.
Este é um modelo de papelão um pouco menor do que a hiena.
Vocês podem notar que as pernas são de compensado e a estrutura de canoa ainda está lá.
BJ: E os dois manipuladores estão no interior.
Mas nós não percebemos naquela ocasião que na verdade nós precisaríamos de um terceiro manipulador, porque nós não poderíamos manipular o pescoço de dentro e fazer o cavalo andar ao mesmo tempo.
AK: Nós começamos a trabalhar no protótipo depois que o modelo foi aprovado, e o protótipo demorou um pouco mais do que havíamos previsto.
Nós tivemos que descartar as pernas de compensado e fazer uma nova armação.
E nós construímos um contêiner para isso.
Ele teve que ser embarcado para Londres.
Nós iriamos fazer um teste-drive para ele na rua em frente a nossa casa na Cidade do Cabo, e chegou a meia-noite e nós não tinhamos feito isso ainda.
BJ. Então nós pegamos a câmera, e nós colocamos a marionete em várias posições de galope.
E a enviamos para o Teatro Nacional, esperando que eles acreditassem que tinhamos criado algo que funcionasse.
Risadas AK: Um mês depois, nós estavámos em Londres com esta grande caixa e um estúdio cheio de pessoas prestes a trabalhar conosco.
BJ: Cerca de 40 pessoas,
AK: Nós estávamos aterrorizados.
Nós abrimos a tampa e tiramos o cavalo para fora, e ele funcionou, ele caminhou e era capaz de ser cavalgado.
Aqui eu tenho um clipe de 18 segundos da primeira caminhada do protótipo.
Este é o estúdio do Teatro Nacional, o lugar onde eles elaboram novas ideias.
Ele não tinha conseguido a aprovação ainda.
O coreógrafo, Toby Sedgwick, inventou uma linda sequência onde o potrinho, que era feito de varas e pedaços de galhos cresceu e se tornou o grande cavalo.
E Nick Starr, o diretor do Teatro Nacional, viu aquele momento em particular - ele estava próximo a mim - ele quase chorou.
E então nos foi dada a permissão para o show.
E nós voltamos à Cidade do Cabo e redesenhamos completamente o cavalo.
Aqui está o plano.
Risos E aqui é nossa fábrica na Cidade do Cabo onde nós fazemos cavalos.
Vocês podem ver vários esqueletos lá nos fundos.
Os cavalos são feitos completamente a mão
Há muito pouca tecnologia do século 20 neles.
Nós usamos um pouco de laser para o corte do compensado e algumas peças de alumínio.
Mas como eles têm que ser leves e flexíveis e cada um deles é diferente, eles não podem ser produzidos em massa, infelizmente.
Então aqui estão alguns cavalos semi-acabados prontos para serem trabalhados em Londres.
E agora nós gostaríamos de apresentar vocês a Joey.
Você está aí, garoto Joey?
Joey
Aplausos Aplauss Joey
Joey, vem aqui.
Não, não eu ainda não o peguei.
Ele tem no seu bolso.
BJ: Joey
AK: Joey, Joey, Joey, Joey
Vem aqui. Fique aqui onde as pessoas possam vê-lo.
Circule. Vem.
Eu gostaria de descrever- Eu não vou falar muito alto. Ele poderia se irritar.
Aqui. Craig está trabalhando a cabeça.
Ele tem cabos de freio de bicicleta descendo para controle principal na sua mão.
Cada um deles opera cada orelha, separadamente, ou a cabeça para cima e para baixo.
Mas ele também controla a cabeça diretamente usando sua mão.
As orelhas são obviamente um indicador emocional muito importante do cavalo.
Quando elas apontam diretametne para trás o cavalo esta amedontrado ou irritado, dependendo do que está acontecendo na frente dele ou ao redor dele.
Ou, quando ele está mais relaxado, a cabeça baixa e as orelhas ouvem de ambos os lados.
A audição dos cavalos é muito importante,
É quase mais importante do que sua visão.
Aqui Tommy fez o que vocês chamam de a posição do coração.
Ele está trabalhando a perna.
Vocês veem o cordão do tendão da hiena a pata frontal da hiena automaticamente puxa o aro para cima
Risadas Cavalos são tão imprevisíveis
Risadas A maneira como o casco levanta no cavalo imediatamente dá a vocês o sentimento de que é realmente uma ação do cavalo.
As patas traseiras têm a mesma ação.
BJ: E Mikey também tem, nos seus dedos, a habilidade de mover a cauda da esquerda para a direita, e para cima e para baixo com a outra mão.
E juntas, há várias e complexas possibilidades de mover a cauda.
AK: Você quer dizer alguma coisa sobre a respiração?
BJ. Nós tivemos um grande desafio com a respiração.
Adriam pensou que ele teria que separar o peito da marionete em dois e fazê-la respirar daquele jeito - porque é como um cavalo respiraria, com um peito expandido.
Mas nós compreendemos que, se aquilo acontecesse vocês na plateia não poderiam ver a respiração.
Então ele fez um canal aqui, e o peito se move para cima e para baixo naquele canal.
Então é anti-natural na verdade, o movimento de subir e descer mas ele parece como a respiração.
E é muito, muito simples porque tudo que acontece é que a marionete respira com os seus joelhos.
AK: Outro material emocional.
Se eu fosse tocar o cavalo aqui na sua pele, o marionetista principal pode sacudir o corpo por dentro e fazer a pele tremer.
Vocês notam, sem dúvida que a marionete é feita de varetas atadas.
E eu gostaria que vocês acreditassem que isto foi uma escolha estética, que eu estava fazendo um desenho tridimensional de um cavalo que de alguma forma se move no espaço.
Mas sem dúvida, era a vareta, ela é leve a vareta é flexivel, durável, e a vareta é moldável.
E então foi uma razão muito prática o por quê ela foi feita de varetas.
A pele é feita de uma malha de nylon transparente, a qual, se a projetista de iluminação quiser que o cavalo quase desapareça ela pode iluminar a parte dos fundos e o cavalo se torna um fantasma.
Vocês veem a estrutura do esqueleto dele.
Ou se você o ilumina de cima, ele se torna mais sólido.
De novo, isto foi uma consideração prática.
Os caras dentro do cavalo têm que ser capazes de ver fora.
Eles têm que ser capazes de atuar na produção junto com seus companheiros atores.
E é uma atividade muito de momento na qual eles estão engajados.
São três dirigentes interpretando um personagem.
Mas agora nos gostariamos que vocês colocassem o Joey para caminhar.
E ficar em duas patas.
Whinny Obrigado
A agora Aplausos Da ensolarada Califórnia nós temos Zem Joaquin quem irá cavalgar o cavalo para nós.
Aplausos Aplausos Música Então nós gostaríamos de enfatizar que a atuação que vocês veem no cavalo são três caras que estudaram o comportamento de equinos incrivelmente bem.
BJ: Sem serem capazes de conversar um com o outro enquanto estão no palco porque eles usam um pequeno microfone.
O som que aquele peito largo do cavalo faz - o relincho e os ruídos e tudo o mais que começam geralmente com um intérprete, continuam com uma segunda pessoa e terminam com a terceira.
AK: Mikey Brett de Leicestershire.
Aplausos Mikey Brent, Craig Leo, Zem Joaquim e Basil e eu
Aplausos Muito obrigado. Muito Obrigado
Aplausos
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Eu quero ajudá-los a reconsiderar o que é filantropia, o que poderia ser, e o que vocês têm a ver com isso.
E dessa forma, quero oferecer a vocês uma visão, um futuro imaginado, se preferirem, de como, nas palavras do poeta Seamus Heaney, "Uma vez na vida, sobe a tão esperada maré da justiça, trazendo a rima entre a esperança e a história."
Gostaria de começar com estes pares de palavras.
Todos sabemos em qual dos dois lados gostaríamos de estar.
Quando a filantropia foi reinventada há um século, quando o formato de fundação foi realmente inventado, também não achavam que estavam do lado errado dessas duas colunas.
Na verdade, eles nunca teria achado que eram fechados e irredutíveis, lentos em responder a novos desafios, pequenos e aversos a riscos.
E, na verdade, não o eram. Naquela época estavam reinventando a caridade. Era o que Rockefeller chamou "O negócio da benevolência".
Mas ao final do século 20, uma nova geração de críticos e reformadores passou a ver a filantropia desta forma.
Devemos estar atentos, à medida em que surge o setor da filantropia global, e isto é exatamento o que está acontecendo, é como a aspiração irá revirar estas velhas assunções. Para a filantropia tornar-se aberta e grande, e rápida e conectada, a serviço do longo prazo.
Esta energia empreendedora está surgindo de muitos cantos.
É levada e impulsionada por novos líderes, como muitas das pessoas aqui presentes, por novas ferramentas, como as que vimos aqui, por novas pressões.
Tenho acompanhado e participado desta mudança por algum tempo.
Este relatório é o principal relatório público.
Ele conta que a história de hoje pode ter o impacto histórico dos eventos de 100 anos atrás.
Gostaria de compartilhar com vocês algumas das coisas mais bacanas que estão acontecendo com você.
Para fazer isso, não vou gastar muito tempo falando sobre a parte grande da filantropia que todo mundo já conhece, como os Gates, o Soros e a Google.
Pelo contrário, o que eu gostaria de fazer é falar sobre a filantropia de todos nós. A democratização da filantropia.
Este é o momento da história em que uma pessoa comum jamais teve tanto poder.
Vou falar sobre cinco categorias de experimentos, cada um dos quais desafia uma velha premissa sobre filantropia.
A primeira é colaboração em massa, aqui representada pela Wikipedia.
Sei que isto pode surpreender vocês.
Mas lembrem-se, filantropia significa dar tempo e talento, não apenas dinheiro.
Clay Shirky, o grande cronista de tudo em rede, captou a premissa desafiada por este conceito de uma forma linda.
Ele disse, "Temos vivido neste mundo onde pequenas coisas são feitas por amor e grandes coisas por dinheiro.
Temos agora a Wikipedia.
De repente, grandes coisas podem ser feitas por amor."
No início do próximo ano, fiquem atentos ao novo livro de Paul Hawken. Um autor e empreendedor que muitos de vocês devem conhecer.
Seu livro é chamado "Abençoada Inquietação".
Quando for publicado, uma série de sites wiki, sob o rótulo WISER [mais sábio], será lançada simultaneamente.
Em inglês, WISER significa Índice Mundial de Responsabilidade Social e Ambiental.
WISER se propõe a documentar, associar e dar autonomia ao que Paul chama o maior movimento, e o movimento de crescimento mais rápido na história humana. É a resposta do sistema imunológico coletivo da humanidade às ameaças atuais.
Nem todas essas grandes coisas feitas por amor terão sucesso.
Mas aquelas que alcançarem o sucesso serão a maior, a mais transparente, a mais rápida, a mais conectada forma de filantropia na história da humanidade.
A segunda categoria é a dos mercados filantrópicos online.
Obviamente, isto representa para filantropia o que a eBay e a Amazon representam para o comércio.
Pensem nisso como filantropia peer-to-peer.
E isto desafio outra premissa, a de que a filantropia organizada é apenas para as pessoas muito ricas.
Se ainda não o fizeram, visitem DonorsChoose.
Omidyar Network fez um grande investimento em DonorsChoose.
Este é um dos sites mais conhecidos nesse novo mercado nos quais o doador pode ir diretamente à sala de aula e conectar-se com o que o professor diz que está precisando.
Visitem Changing the Present, fundada por um TEDster, na próxima vez que precisarem de um presente de casamento ou de viagem.
O site GiveIndia é para todo um país.
E assim por diante.
A terceira categoria é representada por Warren Buffet. O que eu chamo de doação agregada.
Warren Buffet não foi apenas tremendamente generoso em seu histórico gesto do verão passado.
O interessante é que ele desafiou outra premissa, a de que cada doador deveria ter seu próprio fundo ou fundação.
Atualmente, existem tantos novos fundos que estão agregando doações e investimento, reunindo pessoas em torno de um objetivo comum, pensar maior.
Um dos mais conhecidos é o Acumen Fund, dirigido por Jacqueline Novogratz, uma TEDster que ganhou um grande impulso aqui no TED.
Mas existem muitos outros. New Profit, em Cambridge, o Venture Fund da New School, no Vale do Silício, o Venture Philanthropy Parners, em Washington, o Global Fund for Women, em San Francisco.
Vejam esses fundos.
Esses fundos representam para a filantropia, o que capital de risco, investimento privado e até fundos mútuos representam para investimento. Mas com algo diferente, porque muitas vezes formam-se comunidades ao redor desses fundos, como aconteceu com a Acumen e em outros lugares.
Agora imaginem estes três primeiros tipos de experimentos -- colaboração em massa, mercados online e doação agregada.
E entendam como eles nos ajudam a re-perceber o que é filantropia organizada.
Não é necessariamente uma questão de fundações; é uma questão de nós todos.
Agora imaginem uma combinação de tudo isso no futuro, quando essas coisas são reunidas em experimentos do futuro -- imaginem alguém doar -- digamos -- 100 milhões de dólares, para algum objetivo inspirador. No ano passado nos EUA, houve 21 doações de 100 milhões de dólares ou mais. Portanto, não é impossível. Mas a doação será feita apenas se for acompanhada de milhões de pequenas doações ao redor do mundo. Envolvendo assim muitas pessoas, criando visibilidade e envolvimento das pessoas na meta firmada.
Vou rapidamente analisar a quarta e a quinta categorias, que são inovação, competições e investimento social.
Estão apostando que uma competição de alta visibilidade, um prêmio, pode atrair talento e dinheiro para algumas das questões mais difíceis, agilizando, assim, a solução.
Isto aborda uma outra premissa, a de que o doador e a organização estão no centro, quando o problema deveria estar no centro.
Podemos buscar esses inovadores, especialmente para ajudar-nos com coisas que exigem soluções tecnológicas e científicas.
Isto nos deixa com uma última categoria, a de investimento social, que, na verdade, é a maior delas. Aqui representada pela Xigi. net.
E, claro, isto aborda a maior premissa de todas, de que negócios são negócios, e que a filantropia é o veículo de pessoas que querem promover mudanças no mundo.
Xigi é um novo site de comunidades, construído pela comunidade, associando e mapeando este novo mercado de capital social.
Já conta com 1. 000 entidades, que estão oferecendo dívidas e participações em empreendimentos sociais.
Podemos examinar essas inovações para ajudar-nos a lembrar que se conseguirmos alavancar mesmo que seja uma pequena parcela do capital buscado como retorno, os benefícios gerados podem ser surpreendentes.
O que é realmente interessante é que não estamos transformando nosso pensamento em uma nova forma de agir. Estamos transformando nossos atos em uma nova forma de pensar.
A filantropia está se reorganizando aos nossos olhos.
E mesmo se todos os experimentos e todos os grandes doadores ainda não atendem esta aspiração, Penso que este é um sinal de um novo tempo: livre, grande, rápido e conectado. E, esperamos, duradouros.
Precisamos ter consciência de que tudo isso leva tempo.
Se não desenvolvermos a força para perseverarmos -- o que quer que você escolha, persevere -- tudo isso não será mais que uma moda passageira.
Mas tenho grande esperança.
E tenho esperança porque não é apenas filantropia que está se reorganizando. São diversas áreas do setor social, e dos negócios, que estão ocupados desafiando a rotina dos negócios.
Onde quer que eu vá, incluindo aqui no TED, sinto que há uma nova fome moral, que está crescendo.
O que estamos vendo são pessoas lutando para descrever o que está acontecendo.
Palavras como "filantrocapitalismo", e "capitalismo natural", "filantroempreendedor" e "filantropia de risco".
Ainda não temos uma linguagem para isto.
O que quer que chamemos, é novo, está começando, e penso que será bem significativo.
E é aqui que entre o futuro que imagino. Vou chamá-lo de singularidade social.
Muitos de vocês sabem que estou roubando um pouco do que o escritor de ficção científica Vernor Vinge chamou de singularidade tecnológica, na qual um número de tendências se aceleram e convergem, reunindo-se para criar, realmente, uma nova e chocante realidade.
Pode ser que a singularidade social que está por vir seja aquele que mais tememos. Uma convergência de catástrofes, de degradação ambiental, de armas de destruição em massa, de pandemias, de pobreza.
Isto tudo porque nossa capacidade de enfrentar os problemas que nos confrontam não acompanhou nossa capacidade de criá-los.
Conforme já ouvimos aqui, não é um exagero afirmar que temos o futuro da civilização em nossas mãos, como jamais tivemos.
A pergunta é: existe uma singularidade social positiva?
Existe uma fronteira para nós de como convivemos?
Nosso futuro não precisa ser imaginado.
Podemos criar um futuro no qual esperança e história rimam.
Mas temos um problema.
Nossa experiência até o momento, individualmente e coletivamente, não nos preparou para o que precisaremos fazer, ou quem precisaremos ser.
Vamos precisar de uma nova geração de líderes cidadãos, dispostos a comprometerem-se a crescer, a mudar e a aprender o mais rapidamente possível.
É por isto que tenho uma última coisa a mostrar-lhes.
Esta é uma foto tirada a cerca de 100 anos. Mostra meu avô e meu bisavô.
Um dono de um jornal e um banqueiro
E ambos eram ótimos líderes comunitários.
E, sim, eram grandes filantropistas.
Deixo esta foto sempre próxima. Está em meu escritório. Porque sempre senti uma conexão mística com estes dois homens, nenhum dos quais conheci.
E assim, em sua homenagem, quero oferecer-lhes este slide em branco.
Quero que imaginem que esta é uma foto de vocês.
E quero que pensem sobre a comunidade que querem ajudar a criar.
Não importa o que isto significa para vocês.
E quero que imaginem 100 anos no futuro, e seus netos, bisnetos, ou sobrinhos ou afilhados, estão olhando para esta foto de vocês.
Qual é a história que mais querem que eles contem?
Muito obrigada.
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Acredito que há tensões novas e escondidas que estão ocorrendo entre pessoas e instituições -- instituições que são as que as pessoas frequentam no seu dia-a-dia: escolas, hospitais, locais de trabalho, fábricas, escritórios, etc.
E o que vejo acontecendo é uma coisa que eu gostaria de chamar de um tipo de "democratização da intimidade".
E o que eu quero dizer com isso?
Quero dizer que o que as pessoas estão fazendo é, de fato, através de seus canais de comunicação, quebrando um isolamento imposto por essas instituições.
Como eles estão fazendo isso? Eles estão fazendo isso de uma maneira muito simples, ligando do trabalho para suas mães, mandando dos seus escritórios mensagens instantâneas para seus amigos, digitando embaixo de suas mesas.
As imagens que vocês estão vendo atrás de mim são pessoas que eu encontrei nos últimos meses.
E eu pedi que viessem com a pessoa com quem mais se comunicam.
E alguns trouxeram namorados, outros um pai.
Uma jovem trouxe seu avô.
Por 20 anos, eu estive observando como as pessoas usam canais como email, celulares, mensagens de texto, etc.
O que vamos ver é que fundamentalmente, as pessoas estão se comunicando de forma regular com cinco, seis, sete individuos de sua esfera de amizades mais íntima.
Agora, vamos ver alguns dados. Facebook.
Recentemente alguns sociológos do Facebook -- Facebook é o canal que você esperaria que fosse o maior dos canais de comunicação.
E um usuário médio disse Cameron Marlow, do Facebook, tem por volta de 120 amigos.
Mas, na verdade ele conversa com mais ou menos de 4 a 6 pessoas de forma regular, dependendo do sexo.
Pesquisas acadêmicas sobre mensagens instantâneas também mostram que mesmo a lista de amigos tendo 100 pessoas, as pessoas fundamentalmente conversam com duas, três, quatro -- menos que cinco pessoas.
Minha pesquisa sobre celulares e chamadas de voz mostram que 80% das chamadas são na verdade realizadas para quatro pessoas. 80%.
E se você considerar o Skype, isto cai para duas pessoas.
Muitos sociólogos estão bastantes desapontados na verdade.
Quero dizer, eu tenho ficado um pouco desapontada também algumas vezes quando vejo os dados e todo esse aparato tecnológico para usarmos somente com cinco pessoas.
E alguns sociólogos verdadeiramente sentem que isto é um afastamento, um isolamento, que estamos desconectando das pessoas em geral.
E eu na verdade, eu gostaria de mostrar que se olharmos para quem está fazendo isso, e de onde estão fazendo isso, realmente veremos que há uma incrível transformação social.
Há três histórias que eu acho que são exemplos muito bons.
A primeira pessoa é um padeiro.
E ele começa a trabalhar toda manhã às quatro da manhã.
E por volta das oito horas ele foge um pouco do seu forno, limpa suas mãos sujas de farinha, e liga para sua esposa.
Ele somente quer desejar a ela um bom dia, porque naquele momento é o começo do dia dela.
E eu escutei esta história várias vezes.
Um jovem trabalhador de uma fábrica que trabalha no turno noturno, que dá um jeito de escapar do chão de fábrica, onde à proposito, há um circuito de monitoração fechado, e encontra um canto, onde às 11 horas da noite liga para sua namorada apenas para dizer boa noite.
Ou uma mãe que, às quatro horas, rapidamente dá um jeito de achar um canto no banheiro para checar se suas crianças estão bem em casa.
E ainda há um outro casal, um casal brasileiro.
Eles moram na Itália já há vários anos.
Eles conversam pelo Skype com suas familias algumas vezes por semana.
Mas, a cada quinze dias, eles colocam seu computador na mesa de jantar, ligam a câmera e jantam com sua familia em São Paulo. E ficam muito felizes com isso.
E eu escutei uma história pela primeira vez alguns anos atrás sobre uma família muito modesta de imigrantes de Kosovo na Suiça.
Eles colocaram um grande tela em sua sala de estar e toda manhã tomam café com sua avó.
Mas Danny Miller, que é um ótimo antropologista e que está trabalhando na migração de mulheres filipinas que deixam suas crianças para trás nas Filipinas, estava me contando como a criação dos filhos está ocorrendo através do Skype, e o quanto estas mães estão envolvidas com seus filhos através do Skype.
E então ainda há a terceira dupla. Eles são dois amigos.
Eles conversam entre si todos os dias, algumas vezes ao dia, na verdade.
e finalmente, finalmente eles conseguiram colocar mensagens de texto nos seus computadores do trabalho.
E agora, obviamente eles tem o aplicativo aberto o tempo todo.
Toda vez que eles tem uma chance, eles conversam entre si.
E é exatamente isto que temos visto com adolescentes e crianças mandando mensagens para seus amigos por debaixo de suas mesas nas escolas
Então, nenhum desses casos são únicos.
Quero dizer, você pode contar uma centena deles.
Mas o que é realmente excepcional é o ambiente onde ocorre.
Então, pense nas três situações que mencionei antes: fábrica, imigração e escritório.
Mas poderia muito bem sem em uma escola, em uma administração, em um hospital.
Três locais que se você olhar para 15 anos atrás, se você pensar em 15 anos atrás, quando você batia seu ponto, quando você batia o ponto no escritório, quando você batia o ponto na fábrica, não havia mais contato durante o resto do tempo não havia contato com sua vida privada.
Se você tivesse sorte, haveria um telefone público no corredor ou em algum lugar.
Se você fosse na gerência, ah, aí era uma outra história.
Talvez você tivesse uma linha direta.
Se você não fosse, talvez tivesse que ter suas ligações via telefonista.
Mas basicamente, quando você entrava naqueles edifícios, sua vida pessoa era deixada para trás.
E isso virou um padrão em nossas vidas profissionais, padrão e expectativa também.
E não tem nada a ver com capacidade técnica.
Havia telefones lá. Mas assim que você entrava no ambiente de trabalho seu comprometimento para com sua tarefa era total, total às pessoas que lhe cercam.
Era nisto que seu foco tinha que estar.
E isso se tornou um padrão cultural de tal forma que nós colocamos nossos filhos na escola para que sejam capazes de fazer essa divisão.
Se você pensar em maternal, jardim e primeiros anos de escola verá que são dedicados a separar as crianças, acostumá-los a ficar longas horas afastados de suas famílias.
E é aí que a escola age perfeitamente bem,
imitando perfeitamente todos os rituais que iniciaremos nos escritórios, rituais de entrada, rituais de saída, os horários, os uniformes neste país, coisas que lhe identificam, atividades formadoras de times, atividades de time que irão permitir que basicamente você seja de um grupo aleatório de crianças, ou de um grupo aleatório de pessoas com que você terá que conviver inúmeras vezes.
E com certeza, o principal: aprender a prestar atenção, a se concentrar e focar sua atenção.
Isto começou não mais do que 150 anos atrás.
Somente começou com o nascimento da burocracia moderna, e da revolução industrial.
Quando pessoas tiveram que basicamente ir a algum lugar para trabalhar e realizar o trabalho.
E com a burocracia moderna, havia uma abordagem muito racional, onde havia uma distinção clara entre a esfera privada e a esfera pública.
Até então, basicamente as pessoas viviam em cima de seus negócios.
Viviam na terra onde trabalhavam.
Viviam nas oficinas onde trabalhavam.
E se você pensar, verá que isto permeou toda nossa cultura, até nossas cidades.
Se você pensar nas cidades medievais e seus arredores todos tem os nomes das organizações e profissões dos que moravam lá.
Agora temos suburbios residenciais vastos que são bem distintos das áreas de produção e áreas comerciais.
E na verdade, durante estes 150 anos, houve também o surgimento de um sistema de classes bem claro.
Assim, quanto mais baixo for o status do trabalho e da pessoa que o executa, mais afastada de sua esfera de relacionamento pessoal ela será.
As pessoas tomaram para si essa incrível possibilidade de realmente se manter em contato o dia todo ou em todos os tipos de situações.
E eles estão fazendo isso massivamente.
The Pew Institute, que produz bons dados de forma regular, por exemplo, nos EUA, diz que -- e eu acho este número conservador -- 50% de qualquer pessoa que tenha e-mail no trabalho, está na verdade usando-o para assuntos pessoais.
Eu realmente acho que este número é conservador.
Na minha pesquisa, vimos que o pico de e-mails pessoais é na verdade às 11 horas da manhã, não importa o país.
75% das pessoas admitem usar seus celulares para conversas pessoais no trabalho.
100% usam mensagens de texto.
O ponto é que esta reapropriação da esfera pessoal não tem tanto sucesso em todas as instituições.
Eu sempre fico surpresa ao ver os sociólogos do Exército Americano discuting o impacto por exemplo, dos soldados no Iraque terem contato diário com suas famílias.
Mas, há muitas instituições que na verdade bloqueiam este acesso.
E todo dia, todo santo dia, eu leio notícias que me deixam envergonhada, como a multa de 15 dólares dada a garotos no Texas, cada vez que utilizam seus celulares na escola.
Demissão sumária de motoristas de ônibus em Nova Iorque, se vistos com um celular na mão.
Empresas bloqueando acesso a mensagens instantâneas ou ao Facebook.
Por trás de problemas de segurança, que sempre tem sido o argumento para controle social, de fato o que está acontecendo é que essas instituições estão tentando decidir quem, de fato, tem o direito de determinar por si mesmo seu foco de atenção, decidir, se eles devem ou não, serem isolados.
E eles estão na verdade tentando bloquear, de um certo modo, este movimento que significa uma maior possibilidade de intimidade.
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Hoje, eu vou contar-lhes sobre algumas pessoas que não se mudaram de sua vizinhança.
O primeiro esta acontecendo bem aqui em Chicago.
Brenda Palms-Farber foi contratada para ajudar ex-presidiários a se reintegrar a sociedade e afastá-los de voltar a prisão.
Normalmente, os contribuintes gastam cerca de $60. 000 por ano mandando uma pessoa à prisão.
Sabemos que dois terços deles irão retornar.
Achei curioso que, para cada dólar que gastamos, na educação infantil, como Head Start, economizamos $17 em coisas como encarceramento no futuro.
Ou -- pense -- que $60. 000 é mais do que custa mandar uma pessoa a Harvard.
Mas Brenda, não intimidada por esse tipo de coisa, olhou para seu desafio e chegou com uma solução não-tão-óbvia: criou um negócio que produz produtos para a pele a base de mel.
OK, isso pode ser trivial para alguns de vocês; mas não para mim.
É a base para o lançamento de uma forma de inovação social que tem potencial real.
Ela contratou homens e mulheres aparentemente desempregados para cuidar das abelhas, colher o mel e fazer produtos com valor agregado que eles próprios comercializam, e que posteriormente são vendidos na Whole Foods.
Ela combinou experiência profissional e formação com as habilidades para a vida que eles precisavam, como a gestão da raiva e o trabalho em equipe, e também como falar com futuros empregadores sobre como suas experiências realmente demonstram as lições que eles absorveram e sua vontade de aprender mais.
Menos de quatro porcento das pessoas que entraram no programa voltaram para a prisão.
Então, esses jovens, homens e mulheres, aprenderam que pró-atividade e habilidades para viver cuidando das abelhas e se tornando cidadãos produtivos no processo.
É um bom começo.
Agora, vou levá-los a Los Angeles. E muitos sabem que L. A. tem seus problemas.
Mas vou me referir aos problemas com as águas de L. A.
Eles não tem água suficiente atualmente e muita água para lidar quando chove.
Normalmente, 20 porcento do consumo de energia da Califórnia é usada para bombear água especialmente para o sul da Califórnia.
Eles gastam montes e montes para canalizar as águas da chuva para o oceano quando chove e alaga.
Andy Lipkis esta trabalhando para ajudar L. A. reduzir os custos com infraestrtura associados à gestão de águas e as ilhas urbanas de calor -- ao juntar árvores, pessoas e tecnologia para criar uma cidade mais habitável.
Todo o verde naturalmente absorve a água de chuva, também ajuda a manter nossas cidades mais frias.
Pense o seguinte: você quer na verdade um ar-condicionado, ou uma sala mais fria? O que você quer?
Como você chega a isso - não faz tanta diferença.
Assim, a alguns anos atrás a cidade de L. A. decidiu que eles precisavam gastar 2, 5 bilhões de dólares para reformar as escolas da cidade.
E Andy e sua equipe descobriram que teriam que gastar 200 milhões destes dólares para asfaltar o entorno das escolas.
E para apresentar um caso de economia realmente forte eles convenceram o governo de L. A. a trocar o asfalto por árvores e outras vegetações, para que assim as escolas economizassem para o sistema, trocando gastos de energia por infraestrutura de horticultura.
Assim por fim, 1, 85 milhões de m2 de asfalto foram trocados ou evitados, e o consumo de energia elétrica de ar-condicionado diminuiu, enquanto o emprego para as pessoas para a manutenção dos jardins aumentou, resultando em uma rede de economia para o sistema, mas também em estudantes e empregados das escolas mais saudáveis.
Agora Judy Bonds, é filha de um mineiro de carvão.
Ela vem de oito gerações que moram em uma cidade chamada Whitesville, West Virginia.
E se alguém deve estar agarrada a antiga glória da história da mineração de carvão e da cidade, deve ser Judy.
Mas a forma como o carvão é minerado hoje, é diferente das profundas minas que seu pai e o pai de seu pai desciam e que empregavam essencialmente milhares e milhares de pessoas.
Agora, duas dúzias de homens podem rasgar a montanha em alguns meses, e apenas por cerca de alguns anos de carvão.
Esse tipo de tecnologia é chamado de remoção do topo da montanha.
Transforma a montanha, desse jeito para isso aqui em poucos meses.
Apenas imagine que o ar ao redor destes lugares -- esteja cheio de resíduos de explosivos e carvão.
Quando visitamos, algumas pessoas que nos acompanhavam pegou essa tossinha estranha em apenas algumas horas de sua chegada -- e todos sentem isso, não é só os mineiros.
E Judy viu sua paisagem ser destruída e sua água envenenada.
E as mineradoras de carvão vão embora após esvaziarem a montanha, deixando em seu rastro, ainda mais desemprego.
Mas ela também viu a diferença no potencial de energia eólica em uma montanha intacta, e em uma que teve redução de elevação de mais de 610 m.
Três anos de energia suja sem muitos empregos, ou séculos de energia limpa com o potencial de desenvolver conhecimento e melhoria na eficiência baseados em habilidades técnicas, e desenvolvendo o conhecimento local para conseguir o melhor dos ventos da região.
Ela calculou os custos iniciais e o tempo de retorno, e teve um saldo positivo em muitos níveis para a economia local, nacional e global.
Tem um retorno maior que a remoção da montanha, e a energia eólica continua rendendo para sempre.
Atualmente a remoção da montanha rende muito pouco para a região, gerando muita miséria.
A água se transforma em gosma.
Muitas pessoas estão ainda desempregadas, sendo levados à maioria dos mesmos problemas sociais que os desempregados urbanos experimentam -- abuso de drogas e álcool, abuso doméstico, gravidez precoce e saúde degradada.
Agora Judy e eu -- devo esclarecer -- estamos totalmente relacionadas uma com a outra.
Uma aliança muito óbvia.
Literalmente, sua cidade natal é Whitesville [Vilabranca], West Virginia.
Eu digo, eles não são [isso] -- Eles não estão disputando o título de berço do hip hop ou qualquer coisa assim.
Mas nas costas de minha camiseta, uma que ela me deu, diz:"Salvem os caipiras em perigo."
Então, garotas urbanas e as caipiras se juntaram e entenderam bem do que tudo isso se trata.
Mas apenas a alguns meses atrás, Judy foi diagnosticada com câncer de pulmão em estágio três.
Sim.
E desde então já alcançou seus ossos e seu cérebro.
Eu acho isso tão bizarro ela estar sofrendo do mesmo mal que tão bravamente tentou proteger as pessoas.
Mas seu sonho para Coal River Mountain Wind é seu legado.
E ela pode não chegar a ver o topo da montanha.
Mas mais do que escrever algum tipo de manifesto ou coisa parecida, ela esta deixando um plano de negócios para que isso aconteça.
É o que esta garota urbana está fazendo.
Estou tão orgulhosa.
Mas essas três pessoas não se conhecem, porém têm muita coisa em comum.
São todos resolvedores de problemas, e são apenas alguns dos muitos exemplos que tive o privilégio de ver, conhecer e aprender com seus exemplos no meu trabalho atual.
Eu tive muita sorte de ter todos eles em minha empresa para um programa na Rádio Pública chamado "ThePromisedLand. org" [ATerraPrometida. org]
Agora são todos visionários muito experientes.
Eles olham as demandas que existem -- produtos de beleza, escolas saudáveis, eletricidade -- e como o dinheiro flui para essas demandas.
E quando a solução mais barata representa reduzir o número de empregos, você acaba ficando com pessoas desempregadas, e essas pessoas não são baratas.
Na verdade, eles fazem parte do grupo que chamo de cidadãos mais caros - incluindo a geração empobrecida; veteranos traumatizados retornando do Oriente Médio; pessoas saindo da prisão.
E para os veteranos em particular, a Associação V. A. disse que há um aumento em seis vezes no uso de medicamentos para saúde mental para veteranos desde 2003.
Eu acho que esse número provavelmente irá aumentar.
Eles não são o maior grupo de pessoas, mas eles são dos mais caros. Em termos de probabilidade de abuso doméstico e abuso de álcool e drogas, baixo desempenho de seus filhos na escola e saúde debilitada como resultado do estresse.
Essas três pessoas entenderam como canalizar dolares eficientemente usando a economia local para alcançar as demandas existentes dos mercados, reduzir os problemas sociais que temos agora e prevenir novos problemas no futuro.
E há muitos outros exemplos como esses.
Um problema: tratamento de resíduos e desemprego.
Mesmo quando pensamos ou falamos sobre reciclagem, muitas coisas recicláveis acabam incineradas ou no aterro e deixando muitos municípios, de diversas formas, com muito para reciclar.
E onde se coloca esse lixo? Quase sempre em comunidades pobres.
Nós sabemos que os negócios eco-industriais, esse modelo de negócio -- existe um modelo na Europa chamado parque eco-industrial, onde o resíduo de uma empresa é a matéria prima de outra, ou você usa materiais reciclados para fazer produtos para usar no cotidiano ou vender.
Podemos criar mercados locais e incentivos para materiais reciclados para serem usados como matéria prima para a manufatura.
Em minha terra natal, nós tentamos um destes no Bronx, mas nosso prefeito decidiu que ele queria ver mesmo era uma prisão naquela mesma localidade.
Felizmente -- porque queríamos criar centenas de empregos -- depois de muitos anos, a cidade tentando construir uma prisão,
abandonou finalmente o projeto, graças a Deus.
Outro problema: sistema alimentar não saudável e desemprego.
Os americanos da classe trabalhadora e urbanos pobres não estão se beneficiando economicamente do nosso atual sistema de alimentação.
Ele é dependente de muito transporte, fertilização química, grande uso de água e também da refrigeração.
Mega operações agrícolas geralmente são responsáveis por envenenar nossos cursos d'água e nossa terra, para nos dar um produto incrivelmente não saudável, que nos custa bilhões em assistência a saúde, e em perda de produtividade.
Assim sabemos que a agricultura urbana é um tópico quente nessa época do ano, mas é confundido com jardinagem, que tem algum valor na selva de pedras -- ou muito -- mas não em termos de criação de empregos ou para produção de comida.
Os números não estão lá.
Parte do meu trabalho agora é preparar o terreno para integrar a agricultura urbana com o sistema de produção rural para apressar o fim da salada de 3. 000 milhas [de transporte] criando uma marca nacional de produção urbana e que em cada cidade use o poder de crescimento regional em complemento com instalações internas de cultivo, mantido e operado por pequenos produtores, onde hoje só encontramos consumidores.
Isso pode manter fazendeiros sazonais ao redor das áreas metropolitanas que estão sumindo porque eles não podem manter a demanda anual de produção.
Não é uma competição com a fazenda rural, é na verdade um reforço.
Ele alia em um sistema realmente positivo e economicamente viável de produção.
O objetivo é atender as demandas institucionais das cidades para hospitais, centros de idosos, escolas, creches, e produzir uma rede para empregos regionais também.
Isso é uma pequena infraestrutura.
E como nós gerenciamos nosso meio ambiente construído afeta a saúde e o bem estar das pessoas todos os dias.
Nossos municípios, rural e urbano, desempenham o curso operacional da infraestrutura -- coisas como disposição de lixo, demanda de energia, bem como custos sociais do desemprego, índices sem-escola, encarceramento e os impactos dos vários custos da saúde pública.
Uma infraestrutura inteligente pode prover formas de economizar para que os municípios enfrentem as necessidades, tanto de infraestrutura como sociais.
Nós queremos trocar os sistemas por outros que abrem portas para as pessoas que antes eram encargos fiscais para se tornarem parte da base de contribuíntes.
Imagine um modelo de negócio nacional que crie empregos locais e uma infraestrutura inteligente para melhorar a estabilidade da economia local.
Eu espero que vocês possam ver um tema aqui.
Este exemplo demonstra uma tendência.
Eu não inventei, e não aconteceu por acidente.
Eu digo que está acontecendo em todo o país, e a boa notícia é que está crescendo.
Todos nós temos que investir nisso.
Esse é um pilar essencial para a reconstrução do país.
Eu o chamo de segurança do lar.
A recessão tem-nos atordoado e amedrontado, e há algo no ar nesses dias que também é muito poderoso.
É a conscientização de que somos a chave de nossa recuperação.
Agora é o tempo de agirmos em nossas comunidades onde pensamos localmente e agimos localmente
E quando fizermos isso, nossos vizinhos -- estejam eles na porta ao lado, ou no outro estado, ou no outro país -- tudo estará bem.
A soma do local é o global.
A segurança do lar significa recriar nossas defesas naturais, colocando as pessoas para trabalhar, restaurando nosso sistema natural.
A segurança do lar significa criar saúde aqui em casa, ao invés de destruir além mar,
Enfrentar os problemas sociais e ambientais ao mesmo tempo, com a mesma solução produz grandes economias, gera saúde e segurança nacional.
Muitas soluções geniais e inspiradoras tem sido geradas pela América.
O desafio para nós agora é identificar e apoiar muitas mais.
Agora, a segurança do lar é sobre cuidar dos nossos, mas não como o velho ditado, caridade começa em casa.
Recentemente li o livro "Love Leadership" [Liderança de Amor] de John Hope Bryant.
É sobre liderar em um mundo que realmente parece estar operando com base no medo.
Ler esse livro me fez reexaminar essa teoria porque preciso explicar o que eu quero com isso.
Veja, meu pai foi um grande, grande homem por diversas razões.
Ele cresceu no sul segregado, fugiu de linchamento e tudo mais durante um tempo muito duro, e ele providenciou uma casa estável para mim e meus irmão e para um monte de gente que passou por tempos difíceis.
Mas, como todos nós, ele tem alguns problemas.
Ele é um jogador, compulsivo.
Para ele a frase, "Caridade começa em casa", significava que meu salário -- ou de qualquer um -- sempre coincidia com seu dia de sorte.
Assim tinhamos que ajudá-lo.
E algumas vezes eu tive que lhe emprestar dinheiro recebido de meus empregos parciais ou de férias e ele sempre teve a boa intenção de me pagar com juros claro, depois de ganhar uma bolada.
Ele conseguiu algumas vezes, acreditem ou não, em pistas de corridas em Los Angeles -- uma das razões que eu amo L. A. -- na década de 1940.
Ele ganhou $15. 000 em dinheiro e comprou a casa em que eu cresci.
Assim eu não estou tão triste com isso.
Mas escutem, eu me sentia pressionada por ele e eu cresci -- então eu cresci.
E sou uma mulher adulta agora. Eu aprendi algumas coisas nesse tempo.
Para mim, caridade é sempre sobre dar, porque supõe-se que você vá, ou porque é o que você sempre faz, ou é dar até ferir.
Eu estou provendo os meios para construir algo que irá crescer e intensificar o investimento original e não só requer uma doação maior no próximo ano -- Eu não estou tentando alimentar um hábito.
Eu gastei alguns anos observando como boas intenções para o fortalecimento da comunidade, que achávamos estaria lá para manter a comunidade e fortalecê-la. na verdade acabou deixando as pessoas na mesma posição, se não em pior, que estavam antes.
Nos últimos 20 anos, gastamos quantidades recordes de dólares filantrópicos em problemas sociais, e ainda os resultados educacionais, má nutrição, número de prisões, obesidade, diabetes, disparidade salarial, todos cresceram com algumas exceções, particularmente, a mortalidade infantil entre as pessoas na pobreza -- mas no fundo é para um grande mundo que os estamos criando.
Eu conheço um pouco desses problemas, porque, por muitos anos, eu passei muito tempo num complexo industrial sem fins lucrativos. Eu era uma diretora-executiva de recuperação, dois anos limpa.
Mas naquela época, eu percebi que os projetos e o desenvolvimento deles no nível local é o que realmente dá certo em nossas comunidades
Mas eu brigava por suporte financeiro.
Quanto maior nosso sucesso, menos dinheiro chegava das fundações.
E digo, estar no palco do TED e ganhar um [prêmio] MacArthur no mesmo ano dá a impressão a qualquer um de que eu cheguei lá.
E quando eu dei sequencia, na verdade estava cobrindo um terço do déficit do orçamento de minha agência com cobranças de minhas apresentações.
E acho que porque antes, francamente, meus programas foram apenas um pouco à frente de seu tempo.
Mas desde então, o parque que era um depósito e foi apresentado em uma palestra TED2006 se tornou algo.
Mas eu de fato me casei nele.
Bem aqui.
Lá vai o meu cachorro que me levou para o parque em meu casamento.
O South Bronx Greenway foi também apenas um desenho sobre os bastidores em 2006
Desde então, conseguimos cerca de 50 milhões de dólares em pacotes de estímulo para vir e chegar aqui.
Nós amamos, porque agora nós amamos construções, porque vemos essas coisas acontecendo agora.
Eu gostaria que todos entendessem a importância crítica de levar a caridade para as empresas.
Eu criei minha empresa para ajudar as comunidades pelo país afora descobrir seu próprio potencial para melhorar toda a qualidade de vida destas pessoas.
A segurança do lar é o próximo na minha lista de afazeres.
O que precisamos são de pessoas que vejam o valor de investir nesse tipo de empreendimento local, em parcerias com pessoas como eu para identificar as tendências de crescimento e adaptação climática bem como entender o crescimento dos custos sociais de um negócio comum.
Nós precisamos trabalhar juntos para abraçar e recuperar nossa terra, reparar nosso sistema de poder e reparar a nós mesmos.
É hora de parar de construir shopping centers, prisões, estádios e outras referências à todas as nossas falhas coletivas.
É hora de começar a construir monumentos vivos de esperança e possibilidade.
Muito obrigado.
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A maior parte das pessoas não sabe que quando eu estava no ensino médio neste país, eu me inscrevi para a universidade em uma época em que estava convencido que eu seria um artista e um escultor.
E eu tive uma formação muito privilegiada. Tive muita sorte.
Minha família era rica, e meu pai acreditava numa coisa, que era nos dar toda a educação que quiséssemos.
E eu disse que queria ser escultor em Paris.
E ele era um homem esperto. Ele meio que disse, "Bem, tá legal, mas você foi muito bem nos testes de matemática do SAT."
De fato, eu tirei 800, e ele achou que eu tivesse ido muito bem -- e eu pensei também -- nas artes. Essa era minha paixão.
Então ele disse "Se você for para o MIT," para onde eu havia ganho admissão prévia "Eu pago por todos os anos em que você estiver no MIT, na graduação ou antes de você se formar -- o quanto você quiser -- Eu vou pagar pelo número equivalente de anos para que você more em Paris."
E eu pensei que aquele era o melhor negócio da cidade, então eu aceitei imediatamente.
E eu decidi que se eu era bom em arte e era bom em matemática, Eu estudaria arquitetura, que era uma combinação dos dois.
Eu fui e falei com o diretor do curso pré-vestibular.
E eu disse a ele o que eu estava fazendo, que eu iria estudar arquitetura porque era uma mistura de arte e matemática.
Ele me disse algo que logo ficou na minha cabeça.
Ele disse, "Sabe, eu gosto de ternos cinzas e gosto de ternos risca-de-giz, mas eu não gosto de ternos cinza risca-de-giz."
E eu pensei, "Que cara patético," e fui para o MIT.
Eu estudei arquitetura e, em seguida, fiz uma pós-graduação em arquitetura, então rapidamente eu percebi que não era a arquitetura.
Que realmente, a combinação de arte e ciência eram os computadores. E aquele era realmente o lugar para combinar os dois, e eu aproveitei uma carreira fazendo isso.
E provavelmente, se eu fosse preencher a balança de Jim Citrin, Eu colocaria 100% ao lado da equação onde você passa um tempo tornando possível que outros sejam criativos.
E depois de fazer isso por muito tempo, e ver o Laboratório de Mídia passando o bastão, Eu pensei, "Bem, talvez seja hora de eu fazer um projeto,
algo que seria importante, mas também algo que tiraria vantagem de todos esses privilégios que poucos têm."
E no caso do Laboratório de Mídia, conhecendo várias pessoas. Conhecendo pessoas que eram executivos ou ricos, e também não tendo mais, em meu próprio caso, uma carreira para se preocupar.
Minha carreira, eu quero dizer, eu fiz minha carreira.
Não tinha que me preocupar em ganhar dinheiro.
Não tinha que me preocupar com o que as pessoas pensavam de mim.
E eu disse, "Garoto, vamos fazer de verdade algo que tire vantagem de todas essas características," e pensei que se nós pudéssemos endereçar a educação investindo nas crianças, e trazendo ao mundo o acesso a computadores, era isso o que a gente realmente tinha que fazer.
Nunca mostrei esta foto antes, e provavelmente serei processado por isso.
Foi tirada às três horas da manhã sem a permissão da empresa.
Tem cerca de duas semana. Aqui estão elas, pessoal.
Se você olhar a foto, você vai ver que eles estão empilhados.
Aqueles são dispositivos de transferência que vão em volta.
Este é um dos dispositivos de transferência com o negócio passando por ele, então vocês vão ver eles mais acima,
O que acontece é que eles colocam o programa em memória flash, e então testam elas por algumas horas.
Mas você precisa ter o negócio movendo na linha de montagem, pois é constante.
Então eles vão em volta deste círculo, e é por isso que vocês o veem lá em cima.
Então isso foi ótimo para a gente, pois foi um verdadeiro marco. Mas isso volta para o início.
Essa foto foi tirada em 1982, pouco antes do PC da IBM ter sido anunciado.
Seymour Papert e eu estávamos trazendo computadores para escolas e desenvolvendo nações em uma época muito mais adiantada do que ela mesma.
Mas uma coisa que nós aprendemos foi que essas crianças podem absolutamente pular nisso da mesma forma que as nossas crianças fazem aqui.
E quando as pessoas me dizem, "Quem vai ensinar os professores a ensinar as crianças?"
Eu digo para mim mesmo, "De que planeta você vem?"
Ok, não tem uma pessoa nesta sala -- Eu não me importo o quão tecnológico você é -- não tem uma pessoa nesta sala que não dê seu laptop ou celular para uma criança para que elas o ajudem consertá-lo. Ok?
Todos nós precisamos de ajuda, até mesmo aqueles entre nós que são muito polidos
Esta foto de Seymour -- 25 anos atrás. Seymour fez uma simples observação em 1968, e então praticamente a apresentou em 1970 -- 11 de abril para ser preciso -- chamada "Ensinando Crianças a Pensar"
O que ele observou era que crianças que escrevem programas de computador entendem as coisas de forma diferente, e quando elas consertam os programas, eles se aproximam da aprendizagem de aprender.
Aquilo era muito importante, e em algum sentido nós perdemos isso.
Crianças não programam o suficiente e, garoto, se tem algo que eu espero que isso traga de volta, é uma programação para crianças.
É muito importante. Usar aplicações é ok, mas programar é absolutamente fundamental.
Isso está sendo lançado com três línguas: Squeak, Logo, e uma terceira, que eu nunca tinha visto antes.
O ponto é, isso vai ser muito, muito intensivo do lado da programação.
Esta fotografia é muito importante pois é muito mais tarde.
Isso é no início dos anos 2000. Meu filho, Dimitri -- que está aqui, muitos de vocês conhecem Dimitri -- nós fomos ao Camboja, montamos essa escola que nós construímos, justamente quando a escola se conectou à internet.
E essas crianças tinham seus laptops. Mas foi justamente o que encorajou isso, mais a influência de Joe e outros, nós iniciamos o Um Laptop por Criança.
Estas são as mesmas vilas no Camboja, apenas dois meses atrás.
Estas crianças são verdadeiras profissionais. Havia apenas sete mil máquinas por lá sendo testadas por crianças. Ser uma sem fins lucrativos é absolutamente fundamental.
Todo mundo me aconselhou a não ser uma sem fins lucrativos. Mas todos eles estavam errados.
E a razão de não ter fins lucrativos é importante por dois motivos.
Existem vários motivos, mas os dois que merecem um pouco de tempo são: um, a objetividade do propósito está ali. O propósito moral é claro.
Eu posso encontrar qualquer chefe de Estado, qualquer executivo que eu quero, a qualquer momento, pois eu não estou vendendo laptops. Ok? Eu não tenho acionistas.
Se nós vendemos, não faz diferença alguma --
A claridade do propósito é absolutamente crítica. E a segunda é muito contrária à intuição -- você pode conseguir as melhoras pessoas do mundo.
Se você olhar para nossos serviçoes profissionais, incluindo as firmas de buscas, incluindo comunicações, incluindo serviços legais, incluindo bancários, todos eles trabalham sem cobrar. E isso não é para economizar dinheiro.
Nós temos dinheiro no banco. É porque você tem as melhores pessoas.
Você consegue as pessoas que estão fazendo isso pois eles acreditam na missão e eles são os melhores.
Nós não tínhamos dinheiro para contratar um CFO. Nós anunciamos uma vaga para CFO com salário zero, e nós tivemos uma fila de candidatos.
Isso permite com que você forme uma equipe com pessoas. A ONU não será nossa parceira se nós tivemos fins lucrativos. Então anunciar isso com Kofi Annan foi muito importante, e a ONU nos permitiu a basicamente alcançar todos os países. E esta era a máquina que nós estávamos mostrando antes de eu encontrar Yves Behar.
E enquanto esta máquina é, de alguma forma, tola, em retrospecto, ela na verdade serviu para um propósito muito importante.
Essa manivela amarela era lembrada por todo mundo.
Todo mundo lembrava da manivela amarela. É diferente.
Ele estava ganhando poder de forma diferente. É algo meio que pueril.
Mesmo esta não sendo a direção que fomos por causa da manivela -- é muito tê-la na estrutura, falando nisso.
Apesar de que algumas pessoas da imprensa não a captavam, não a entendiam, não foi que nós não a tiramos porque nós não queríamos -- tê-la no laptop não é realmente o que se quer.
Você quer ela como algo separado, como o adaptador AC.
Eu não trouxe um comigo, mas eles realmente funcionam bem melhor fora da estrutura.
E então eu poderia lhes dizer muita coisa sobre o laptop, mas eu vou lhes contar apenas quatro aspectos.
Apenas guarde em mente -- pois existem outras pessoas, incluindo Bill Gates, que disseram, "Nossa, você tem um computador de verdade."
Aquele computador é diferente de tudo que você já teve, e faz coisas -- existem quatro delas -- que você não usa. E é muito importante que o consumo de energia seja baixo, e eu espero que isso seja mais entendido pela indústria.
Que a razão que você quer que seja abaixo de dois watts é que é aproximadamente o que você pode gerar com a parte superior de seu corpo.
Tela duas mode -- essa tela é fantástica quando exposta à luz solar.
Nós estávamos usando ela hoje no almoço, na luz do sol, e quanto mais luz solar, melhor.
E aquilo era realmente crítico. As redes de malha se tornarão lugar-comum.
E, é claro, nem precisa dizer que ela é "irregular".
E a razão pela qual eu acho que o design é importante não é por que eu queria ir para a escola de arte.
E, falando nisso, quando eu graduei no MIT, eu pensei que a pior e mais estúpida coisa a fazer seria ir a Paris por seis anos.
Então eu não fiz isso. Mas design é importante por inúmeras razões.
A mais importante que existe é que é a melhor maneira de fazer um produto barato.
A maioria das pessoas fazem produtos baratos aceitando design de baixo custo, trabalho barato, componentes baratos e fazendo um laptop de baixo valor.
E em inglês, a palavra "barato" tem um duplo significado, o que é realmente apropriado. Porque é barato no sentido pejorativo, como ser de baixo custo.
Mas se você tiver uma abordagem diferente e pensar em uma integração em grande escala, com materiais muito avançados e produção muito avançada, então você está entornando químicos em um lado, iPods estão sendo emitidos do outro, e um design muito atraente, é isso que nós queríamos fazer.
E eu posso acelerar esse processo e salvar um bom tempo porque Yves e eu obviamente não comparamos notas.
Estes são os slides dele, então eu não tenho que falar sobre eles.
Mas era realmente, para nós, muito importante como uma estratégia.
Não era para apenas fazê-lo parecer bonitinho, porque alguém -- você sabe, bom design é muito importante.
Yves mostrou um dos dispositivos geradores de energia.
A rede de malha, a razão pela qual eu -- e eu não vou entrar nisso com grandes detalhes -- mas quando nós entregamos laptops a crianças nas mais remotas e pobres partes do mundo, elas estão conectadas. Não são apenas laptops.
Então nós temos que instalar antenas via satélite. Nós colocamos em geradores.
São várias coisas que vão por trás disso. Elas se comunicam entre si.
Se você está em um deserto, eles podem se comunicar entre si com até cerca de dois quilômetros de distância.
Se você está na selva, é por volta de 500 metros. Então se uma criança vai de bicicleta até sua casa, ou anda poucas milhas, eles vão estar fora da rede, assim dizendo.
Eles não vão estar perto de outro laptop, então você precisa pregá-los em uma árvore, e de certa forma, alcançá-la.
Você não liga para a Verizon ou a Sprint. Você constrói sua própria rede.
E isso é muito importante, a interface do usuário.
Nós estamos lançando com 18 teclados. Inglês é de longe a minoria.
Latim é relativamente raro também. Você apenas olha para alguns dos idiomas.
Suspeito que alguns de vocês nunca tenha ouvido falar deles antes.
Tem alguém na sala, uma pessoa, a menos que você trabalhe com OLPC, tem alguém na sala que pode me dizer em que idioma está o teclado que aparece na tela? Tem apenas uma mão -- então vocês vão entender.
Sim, você está certo. Ele está certo. É aramaico, É etíope. Na Etiópia nunca existiu um teclado.
Não há um padrão de teclado pois não tem mercado.
E essa é a grande diferença.
Mais uma vez, quando você não tem fins lucrativos, você vê as crianças como uma missão, não como um mercado.
Então fomos à Etiópia, e os ajudamos a fazer um teclado.
E este vai se tornar o teclado etíope padrão.
Então eu quero terminar com o que nós estamos fazendo para dar continuidade a isso.
E nós mudamos completamente de estratégia. Eu decidi no começo -- era algo ótimo para se decidir no começo, não é o que estamos fazendo agora -- é ir para seis países.
Países grandes, um deles não tão grande, mas rico.
Aqui estão eles. Nós fomos aos seis, e em cada caso, o chefe de Estado disse que ele faria, ele faria um milhão.
No caso do Khadafi, ele faria 1, 2 milhões, e eles os lançariam.
Nós pensamos, essa é exatamente a estratégia correta, por para fora, para que os pequenos países pudessem se aproveitar desses países grandes.
Então eu fui para cada um destes países pelo menos seis vezes, encontrei com os chefes de Estado provavelmente duas ou três vezes.
Em cada caso, junto com os ministros, passamos por muitas etapas.
Foi um período na minha vida em que eu estava viajando 330 dias por ano.
Não é algo que você tem inveja ou quer fazer.
No caso da Líbia, foi muito divertido encontrar o Khadafi na sua tenda.
O cheiro de camelo era inacreditável.
E estava 45 graus centígrados. Quero dizer, isso não era algo que você chamaria de experiência refrescante. E antigos países -- digo antigos pois nenhum deles resistiu a esse verão. Havia uma enorme diferença entre escolher um chefe de Estado para ter a chance de tirar uma foto, fazer um press release,
então nós fomos aos menores. Uruguai, abençôe seus corações.
País pequeno, não muito rico. O Presidente disse que ele o faria, e adivinha só?
Ele fez. A proposta não tinha nada relacionada a nós, nada específico sobre a rede de malha acessível com luz solar, baixo consumo de energia, mas apenas a proposta de um laptop baunilha.
E adivinhem só? Nós ganhamos sem levantar as mãos.
Quando foi anunciado que eles chegariam a cada criança no Uruguai, os primeiros 100 mil, boom, foram para a OLPC.
No dia seguinte -- no dia seguinte, não havia passado nem 24 horas -- no Peru, o presidente do Peru disse, "Nós vamos fazer 250.". E boom, um pequeno efeito dominó.
O presidente da Ruanda topou também, e disse que faria.
O presidente da Etiópia também disse que faria.
E boom, boom, boom. O presidente da Mongólia.
Então o que aconteceu foi que isso começou a acontecer com esses países. Ainda não era suficiente.
Adicionar todos esses países ainda não tinha chegado ao objetivo, então nós dissemos, "Vamos começar um programa nos Estados Unidos." Então, no fim de agosto, começo de setembro, nós decidimos fazer isso. Nós fizemos o anúncio perto do meio, fim -- bem quando a iniciativa Clinton estava acontecendo.
Nós pensamos que aquela era uma boa hora para fazer o anúncio.
Lançamos o projeto em 12 de novembro.
Dissemos que seria por um curto período até dia 26. Até que nós extendemos até dia 31.
E o programa "Dê Um, Leve Um" é muito importante pois ele conseguiu atrair muitas pessoas absolutamente interessadas.
O primeiro dia foi selvagem. Então nós dissemos, "Bom, vamos fazer com que as pessoas deem vários. Não apenas um e leve um, mas talvez dê 100, dê 1. 000." E é aí que você entra.
E é aí que eu penso que é muito importante. Eu não quero que todos vocês saiam e comprem o equivalente a US$ 400 em laptops. Ok? Faça isso, mas isso não vai audar. Ok?
Se todo mundo nesta sala sair hoje à noite e pedir um desses por 400 dólares, seja quanto for, 300 pessoas na sala fazendo isso, sim, ótimo.
Eu quero que você faça outra coisa.
E não é sair e comprar 100 ou 1. 000, mas eu convido você a fazer isso, e 10. 000 seria melhor ainda.
Falem às pessoas sobre isso! Vai se tornar algo viral, ok?
Use suas listas de contatos. Pessoas nesta sala têm listas de contatos extraordinárias.
Chame seus amigos para dar um, levar um.
E se cada um de vocês enviar isso para três ou 400 pessoas, seria fantástico.
Eu não vou insistir na venda de forma alguma.
Só para dizer que quando você participa do "Dê Um, Leve Um," muitos da imprensa vão dizer, "Eles não conseguiram, é US$ 188, e não US$ 100."
Será US$ 100 em dois anos. Será abaixo de US$ 100.
Nós nos comprometemos a não adicionar funções, mas sim a baixar o preço.
Mas foram os países que queriam que subisse, e nós deixamos eles aumentarem por diversas razões. Então o que você pode fazer -- Eu acabei de dizer. Não apenas "Dê um, Leve Um."
Eu só quero terminar com mais um. Esse não tem nem 24 horas, ou talvez tenha 24 horas.
As primeiras crianças receberam seus laptops. Elas os receberam por navios, e eu estou falando agora de cerca de 7 ou 8 mil de uma vez, que saíram esta semana
Eles foram para o Uruguai, Peru, México.
E estão chegando lentamente, e nós estamos fazendo apenas 5 mil por semana, mas nós esperamos, esperamos em algum momento do ano que vem talvez no meio do ano, atingir um milhão por mês. Agora, coloque este número, e um milhão não é muito. Não é um número grande.
Estamos vendendo um bilhão de telefones celulares no mundo inteiro este ano.
Mas um milhão de laptops por mês um uma terra de laptops é um grande número.
E a produção mundial hoje em dia, todo mundo junto fazendo laptops, é de 5 milhões por mês. Então eu estou em pé aqui dizendo que em que algum período no próximo ano, nós vamos produzir 20% da produção mundial.
E se nós fizermos isso, existirão várias crianças sortudas por aí.
E nós esperamos se vocês tiverem EG daqui a dois anos ou quando vocês o tiverem novamente, eu não vou estar com mau hálito e eu serei convidado de volta, e terei, espero que até lá, talvez 100 milhões por aí para as crianças.
Obrigado.
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Eu, como muitos de vocês, sou uma das duas bilhões de pessoas na Terra que vive em cidades.
E há dias -- eu não sei quanto a vocês -- mas há dias em que eu sinto concretamente o quanto dependo de outras pessoas para praticamente tudo na minha vida.
E tem dias que isto é até um pouco assustador.
Mas eu estou aqui hoje para falar sobre como essa mesma interdependência é na verdade uma infraestrutura social extremamente poderosa que podemos usar para ajudar a resolver algumas das mais profundas questões cívicas, se usarmos colaboração de código aberto.
Uns dois anos atrás, eu li um artigo do escritor do New York Times Michael Pollan em que ele dizia que plantar ao menos algumas de nossas comidas é uma das melhores coisas que podemos fazer pelo meio ambiente.
Agora, eu estava lendo este artigo em pleno inverno e eu definitivamente não tinha espaço para um monte de terra no meu apartamento em Nova York.
Então eu basicamente me contentava em ler a próxima edição da revista Wired e ver como os especialistas iriam descobrir como resolver todos esses problemas para nós no futuro.
Mas esse era exatamente o argumento de Michael Pollan em seu artigo -- é precisamente quando entregamos a responsabilidade por essas coisas aos especialistas que causamos os tipos de confusões que vemos em nosso sistema alimentar.
Acontece que eu sei, por causa do meu trabalho, que a NASA vem usando hidroponia para explorar o cultivo de comida no espaço.
E é possível ter-se uma ótima produção nutricional passando um tipo de solo líquido de alta qualidade sobre os sistemas das raízes das plantas.
Agora, para uma hortaliça, meu apartamento é tão alienígena quanto o espaço sideral.
Mas eu posso oferecer alguma luz natural e controle climático por todo o ano.
Avançando dois anos: nós agora temos 'fazendas de janelas', que são plataformas hidropônicas verticais para o cultivo de alimentos em ambientes fechados.
E funciona com uma bomba na parte inferior, que periodicamente manda um pouco desta solução líquida nutriente para o topo, que então cai em gotículas pelos sistemas de raízes das plantas que estão suspensas em bolinhas de argila -- portanto não envolve terra.
A luz e a temperatura variam com o microclima de cada janela, então uma fazenda de janela requer uma agricultora e ela deverá decidir que tipos de plantas ela irá colocar em sua fazenda de janela, e se ela vai nutrir sua comida de forma orgânica.
Na época, uma fazenda de janela não era mais do que uma ideia tecnicamente complexa que iria precisar de muitos testes.
E eu realmente queria que fosse um projeto aberto, porque hidroponia é uma das áreas de maior registro de patentes nos Estados Unidos agora e possivelmente poderá vir a ser uma outra área como a Monsanto, onde temos muita propriedade intelectual das empresas na forma de alimentos para pessoas.
Então eu decidi que em vez de criar um produto, o que eu iria fazer seria oferecer isto a um monte de co-desenvolvedores.
Os primeiros sistemas que criamos de certo modo funcionaram.
Conseguimos cultivar cerca de uma salada por semana numa janela típica dos apartamentos de Nova York.
E conseguimos cultivar tomates cereja e pepinos, todo tipo de coisa.
Mas os primeiros sistemas eram estes beberrões de energia barulhentos vazando que Martha Stewart definitivamente nunca iria aprovar.
Então, para trazermos mais co-desenvolvedores, o que fizemos foi criar um site de mídia social. no qual publicamos os projetos, explicamos como funcionavam, e chegamos até a mostrar tudo que estava errado nestes sistemas.
E depois convidamos pessoas do mundo inteiro para construir e experimentar conosco.
Então, atualmente neste website, nós temos 18. 000 pessoas.
E temos fazendas de janelas no mundo inteiro.
O que estamos fazendo é o que a NASA ou uma grande empresa chamaria de R&D ou pesquisa e desenvolvimento.
Mas nós chamamos isto de R&D-I-Y, ou pesquise e desenvolva você mesmo.
Então por exemplo, Jackson veio e sugeriu que usássemos bombas de ar em vez de bombas d’água.
Tivemos que montar um monte de sistemas até acertarmos, mas uma vez que acertamos, pudemos reduzir nossa pegada de carbono pela metade.
Tony em Chicago fez experimentos de cultivo, como muitos outros agricultores de janela, e conseguiu com que seus morangueiros dessem frutos por 9 meses do ano em condições de pouca luz simplesmente trocando os nutrientes orgânicos.
E agricultores de janela na Finlândia customizaram suas fazendas de janelas para os dias escuros do inverno na Finlândia equipando-as com luzes LED para cultivo que agora colocam em código aberto e parte do projeto.
Então as fazendas de janelas têm-se desenvolvido através de um processo de versionamento rápido semelhante ao software.
E em todos os projetos de código aberto, o verdadeiro benefício é a interação entre os específicos problemas das pessoas customizando seus sistemas para resolver seus próprios problemas e os problemas universais.
Então minha equipe principal e eu podemos nos concentrar nos melhoramentos que realmente beneficiam a todos.
E podemos prestar atenção às necessidades dos novatos.
Então para os ‘fazem vocês mesmos’, nós oferecemos instruções, muito bem testadas, de graça para que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, possa construir um desses sistemas de graça.
E há um pedido de patente desses sistemas pendente também requerido pela comunidade.
E para financiar o projeto, nós nos associamos para criar produtos que então vendemos para as escolas ou pessoas que não têm tempo para construir seus próprios sistemas.
Agora, dentro da nossa comunidade, apareceu uma certa cultura.
Em nossa cultura o melhor é ser um testador que apoia a ideia de uma outra pessoa do que ser apenas o cara com as ideias.
O que obtemos com este projeto é o apoio ao nosso próprio trabalho, como também temos a experiência de realmente contribuir com o movimento ambientalista de uma forma que não seja apenas enroscando lâmpadas novas.
Mas acho que Eileen exprime melhor, o que realmente obtemos com isto, que é a alegria da colaboração.
Aqui ela explica o que é ver alguém no outro lado do mundo que pegou sua ideia, construiu baseando-se nela e depois lhe agradece pela sua contribuição.
Se realmente quisermos ver este tipo de mudança extensiva no comportamento do consumidor sobre a qual estamos falando com ambientalistas e pessoas da alimentação, talvez apenas precisemos nos desfazer do termo “consumidor” e apoiar aqueles que estão fazendo coisas.
Projetos de código aberto tendem a ter um impulso próprio.
E o que estamos vendo é que R&D-I-Y foi além das fazendas de janela e os LED para painéis solares e sistemas aquapônicos.
E estamos construindo nos baseando nas inovações das gerações que nos antecederam.
E estamos pensando nas próximas gerações que realmente precisam agora que re-equipemos nossas vidas.
Assim pedimos a vocês que juntem-se a nós para redescobrir o valor de cidadãos unidos, e declarar que todos nós ainda somos pioneiros.
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O que quero lhes dizer hoje é como vejo os robôs invadindo nossas vidas em vários aspectos, em múltiplos momentos.
E quando olho para o futuro, não consigo imaginar um mundo, daqui a 500 anos, em que nós não tenhamos robôs em todos os lugares,
presumindo, apesar de todas as más previsões que muitos fazem sobre o futuro, que estaremos por aqui, não consigo imaginar o mundo não-populado por robôs.
A questão é, se eles estiverem por aqui em 500 anos, será que estarão em todo lugar mais cedo que isso?
Eles estarão por aí em 50 anos?
Sim, acho que isso é bem provável. Haverá muitos robôs em todos lugares.
De fato, acho que será muito mais cedo do que isso.
Acho que está bem próximo dos robôs se tornarem comuns, e acho que estamos próximos de 1978 ou 1980 em termos de computadores pessoais, em que os primeiros robôs estão começando a aparecer.
Os computadores meio que vieram através de jogos e brinquedos.
O primeiro computador que as pessoas tiveram em casa pode ter sido um computador para jogar Pong, com um pequeno microprocessador embutido, e alguns jogos que vieram depois disso.
E estamos começando a ver o mesmo tipo de coisa com os robôs: Lego Mindstorms, Furbies. Quem aqui teve um Furby?
Sim, foram vendidos 38 milhões deles pelo mundo.
Eles são bem comuns, e eles são pequenos robozinhos, um simples robô com alguns sensores. É uma atuação de pequeno processamento.
Na direita há uma boneca-robô que você podia comprar há uns anos.
E da mesma maneira que, nos primórdios, havia muita interação amadora acerca de computadores, hoje é possível conseguir vários kits e livros sobre hacking.
À esquerda há uma plataforma da Evolution Robotics, você a conecta num computador para programá-la com uma GUI para que ela ande pela sua casa e faça várias coisas.
E há também alguns tipos de brinquedos-robôs mais caros, o Aibo da Sony. E à direita, o robô desenvolvido pela NEC, o PaPeRo, que acho que não lançarão.
Mas apesar disso, esse tipo de coisa está por aí.
E vimos, nos últimos dois ou três anos, robôs que cortam a grama, o Husqvarna embaixo, e o Friendly Robotics em cima, de uma companhia Israelense.
E nos últimos 12 meses começaram a surgir um monte de robôs que limpam a casa.
O de cima, à esquerda, é um robô bem legal que limpa a casa feito pela Dyson, no Reino Unido. Mas era tão caro, 3. 500 dólares, que nem o lançaram.
Porém, logo abaixo, à esquerda, há o Electrolux, que está à venda.
O outro é da Karcher.
Abaixo, à direita, há um que construí em meu laboratório há cerca de 10 anos, e finalmente o transformamos em um produto.
Vou mostrar como ficou.
Daremos um desse para alguém depois da palestra.
Este é um robô que já está nas lojas, ele limpará seu chão.
Ele começa zanzando por aí e vai percorrendo círculos cada vez maiores.
Se ele tocar alguma coisa -- vocês viram isso?
Agora está seguindo paredes, está andando em volta do meu pé para limpar ao meu redor. Vamos ver. Oh, quem roubou meu Rice Krispies? Roubaram meu Rice Krispies.
Não se preocupem, relaxem, é um robô, é esperto.
Crianças de três anos de idade não se preocupam com isso.
São os adultos que ficam irritados.
Vamos colocar algumas porcarias aqui.
OK.
Não sei se conseguem ver, coloquei alguns Rice Krispies ali, algumas moedas, vamos colocá-lo lá e ver se ele limpa tudo.
Sim, OK. Vamos deixar isso para depois.
Parte do truque foi construir um mecanismo de limpeza melhor, na verdade; a inteligência interna é razoavelmente simples.
E ocorre o mesmo com um monte de robôs.
Todos nós, imagino, nos tornamos um pouco chauvinistas computacionais, e pensamos que computação é tudo, mas a mecânica ainda importa.
Aqui está outro robô, o PackBot, que estamos construindo já há alguns anos.
É um robô militar de vigilância, que vai à frente das tropas, procurando cavernas, por exemplo.
Porém, tivemos que fazê-lo mais robusto, muito mais que os robôs que construímos em nossos laboratórios.
Esse robô é um PC rodando Linux.
Ele aguenta um choque de 400G. O robô tem uma inteligência local: ele se vira sozinho, e coloca a si mesmo no alcance da comunicação, consegue subir escadas por si só, etc.
Ali ele está fazendo navegação local.
Um soldado dá um comando para subir escadas, e ele o faz.
Não foi uma caída planejada.
Agora ele irá partir.
Esses robôs realmente se sobressaíram no 11 de Setembro.
Nós tínhamos robôs no World Trade Center tarde da noite.
Não dava para fazer muita coisa nas principais pilhas de escombros, as coisas estavam muito -- não havia nada que pudesse ser feito.
Mas fomos a todos os edifícios que haviam sido evacuados ao redor, e procuramos por possíveis sobreviventes nos prédios que eram muito perigosos de se entrar.
Vamos ao vídeo.
Repórter. companheiros de guerra estão ajudando a reduzir os riscos de combate.
Nick Robertson cobriu a história.
Rodney Brooks: Podemos mostrar mais outro?
Tudo certo.
Então, este é um cabo que havia visto um robô duas semanas antes.
Ele está enviando robôs a cavernas, vendo o que se passa.
O robô é totalmente autônomo.
A pior coisa que aconteceu na caverna até agora foi que um dos robôs caiu dez metros.
Há um ano, o exército dos EUA não tinha esses robôs.
Agora eles estão cumprindo seu dever no Afeganistão todos os dias.
E é por isso que dizem que está ocorrendo uma invasão de robôs.
A maré está mudando quanto aos rumos que a tecnologia está tomando.
Obrigado.
E nos próximos meses, vamos enviar robôs que estão na linha de produção a poços de petróleo para extrair os últimos anos de petróleo da terra.
Ambientes muito hostis, 150 graus centígrados, pressão de 690 atmosferas.
Robôs autônomos indo e fazendo esse tipo de trabalho.
Mas robôs desse tipo são um pouco difíceis de programar.
Como iremos programar nossos robôs no futuro e torná-los mais fáceis de usar?
Vou usar um robô de verdade aqui, um robô chamado Chris, levante-se. Sim. Certo.
Venha aqui. Percebam, ele pensa que robôs devem ser meio duros.
Ele faz assim. Eu irei -- Chris Anderson: Eu sou apenas inglês. RB: Oh.
Eu mostrarei a esse robô uma tarefa. Uma tarefa muito complexa.
Percebam, ele assentiu com a cabeça, me dando uma indicação de que estava entendendo o fluxo da comunicação.
E se eu tivesse dito algo completamente bizarro ele me olharia de rabo de olho e regularia a conversa.
Agora coloco isso na frente dele.
Olho nos olhos dele, e noto que ele observou a tampa da garrafa.
Estou realizando esta tarefa, e ele está observando.
Os olhos dele passam por ali e por mim, para ver o que estou olhando, logo temos uma atenção compartilhada.
Realizo essa tarefa, ele vê, e olha para mim para ver o que acontecerá em seguida. E agora lhe darei a garrafa, e veremos se ele consegue realizar a tarefa. Consegue?
Ok. Ele é muito bom. Sim. Bom, bom, bom.
Eu não te mostrei como fazer isso.
Vejamos se consegue colocar de volta no lugar.
Ele acha que robôs precisam ser bem lentos.
Bom robô, isso é bom.
Acabamos de ver um monte de coisas.
Quando nós interagimos, tentamos mostrar como fazer algo, direcionamos a atenção visual do outro.
Este outro nos comunica seu estado interno, se está entendendo ou não, regula uma interação social.
Houve uma atenção compartilhada quando olhamos para a mesma coisa, e reconhecemos reforço na comunicação social no final.
Estamos tentando colocar isso em nossos robôs, no laboratório, pois achamos que é assim que vamos interagir com robôs no futuro.
Gostaria de mostrar a vocês apenas um diagrama técnico.
A coisa mais importante ao construir um robô capaz de interagir socialmente é seu sistema de atenção visual.
Porque ele presta atenção naquilo que estiver vendo e interagindo, e no seu entendimento das ações que ele realiza.
Então nos videos que mostrarei a vocês, verão o sistema de atenção visual em um robô que observa o tom de pele quanto a matiz, saturação e luminosidade, e que funciona, portanto, com todas as colorações de pele.
Ele procura cores altamente saturadas, de brinquedos.
E procura objetos que se movem.
Ele pesa todo esse conjunto em uma janela de atenção, e procura o elemento com a maior pontuação, aquele no qual os eventos mais interessantes estão ocorrendo. E é naquela direção que ele irá focar seu olhar.
Ele olha pra lá em cheio.
E ao mesmo tempo, uma abordagem "de cima para baixo" talvez decida que ele se sente solitário e procure por tons de pele, ou talvez fique entediado e vá procurar algum brinquedo.
Então esses pesos mudam.
E aqui, à direita, está o que chamamos de módulo de memória Steven Spielberg.
Já viram o filme "Inteligência Artificial"? Plateia: Sim.
RB: É, foi muito ruim, mas se lembram de quando Haley Joel Osment, o pequeno robô, ficou olhando a fada azul por 2. 000 anos sem descolar os olhos dali?
Isto aqui se livra daquele problema, pois é uma curvatura gaussiana que se torna negativa e cada vez mais intensa à medida que olha para uma única coisa.
E ela fica entendiada, então ela passa a olhar pra outra coisa.
Quando se tem isso -- eis aqui um robô, o Kismet, procurando um brinquedo. Percebe-se para onde ele olha.
Pode-se estimar a direção de seu olhar pelos globos oculares que cobrem a câmera e percebe-se quando ele está olhando para o brinquedo.
E ele tem uma pequena resposta emotiva.
Mas ele ainda presta atenção se algo mais significante adentrar seu campo de visão, como Cynthia Breazeal, a construtora deste robô, pela direita.
Ele a vê e presta atenção nela.
Kismet tem um espaço emocional tridimensional subjacente, um espaço vetorial de onde ele se encontra emocionalmente.
E nos diferentes lugares deste espaço ele expressa -- podemos aumentar o volume?
Conseguem ouvir de onde estão? Plateia: Sim.
Kismet: Acha mesmo? Acha mesmo?
Acha mesmo?
RB: Ele está expressando suas emoções em seu rosto e na prosódia de sua voz.
Quando eu estava lidando com o meu robô, Chris, o robô, estava medindo a prosódia em minha voz, e nós fizemos o robô medir a prosódia de quatro mensagens básicas que as mães passam aos filhos pré-linguisticamente.
Aqui temos sujeitos de teste ingênuos elogiando o robô, Voz: Robô bonito.
Você é um robô tão bonitinho.
E o robô reage de acordo.
Voz. muito bom, Kismet.
Voz: Olhe o meu sorriso.
RB: Ele sorri. Ela imita o sorriso. Isso ocorre bastante.
Estes são sujeitos de teste ingênuos.
Aqui pedimos que atraíssem a atenção do robô e indicassem quando a tivessem.
Voz: Ei, Kismet, ah, aí está.
RB: Ela percebe que tem a atenção do robô.
Voz: Kismet, você gosta do brinquedo? Oh.
RB: Agora pedimos que proíbam o robô de fazer algo, e a primeira mulher realmente o deixa bem sensibilizado.
Voz: Não. Não pode fazer isso. Não.
Voz: Não é certo. Não.
RB: Vou parar por aqui.
Fizemos assim. E depois com alternações na fala.
Quando falamos com alguém, nós falamos
e depois levantamos as sobrancelhas, movimentamos os olhos, e damos a entender que é a vez da outra pessoa falar.
E aí ela fala, e ficamos nos alternando sempre de um para o outro.
Então colocamos isso no robô.
Chamamos alguns sujeitos de teste ingênuos, não dissemos a eles nada acerca do robô, colocamo-los de frente com o robô e pedimos que conversassem com ele.
O que eles não sabiam era que o robô não entendia uma palavra do que diziam, e que o robô não falava inglês.
Ele apenas dizia fonemas do inglês ao acaso.
E quero que prestem bastante atenção no início, esta pessoa, o Ritchie, que acabou conversando por 25 minutos com o robô -- -- diz: "Quero te mostrar uma coisa.
Quero te mostrar meu relógio."
E ele leva o relógio ao centro do campo de visão do robô, aponta para o relógio, espera alguma resposta emocional, e o robô olha para o relógio com bastante êxito.
Não sabemos se ele entendeu ou não que o robô -- Reparem nas alternações.
Ritchie: Quero te mostrar uma coisa. Este é um relógio que minha namorada me deu.
Robô: Oh, que legal.
Ritchie: Ele tem uma luz azul dentro dele. Eu quase o perdi essa semana.
RB: Ele está fazendo contato visual, seguindo seus olhos.
Ritchie: Você consegue fazer o mesmo? Robô: Sim, claro.
RB: E eles têm esse tipo de comunicação com êxito.
Há ainda outro aspecto do tipo de coisa que Chris e eu estávamos fazendo.
Este é outro robô, Cog.
Primeiro, eles fazem contato visual, e então Christie olha para o brinquedo, o robô estima a direção para onde ela olha e olha a mesma coisa que ela está olhando.
Então veremos cada vez mais desse tipo de robô nos próximos anos, em laboratórios.
Porém, as grandes perguntas, duas grandes perguntas que me fazem são: se fizermos os robôs cada vez mais parecidos com humanos, será que os aceitaremos, será que eles precisarão de direitos, eventualmente?
E a outra pergunta que me fazem é: "Eles irão querer dominar o mundo?"
Quanto à primeira, isso tem sido um tema hollywoodiano em muitos filmes. Vocês provavelmente reconhecem esses personagens, em cada um desses casos, os robôs querem mais respeito.
É necessário mesmo respeitar os robôs?
Afinal de contas, são apenas máquinas.
Mas penso que também temos de aceitar que nós somos apenas máquinas.
Afinal, é exatamente isso que a biologia molecular moderna diz a nosso respeito.
Não se vê uma descrição de como a molécula A se junta a uma outra molécula.
E ela passa adiante, impulsionada por vários impulsos, e então a alma chega e mexe nas moléculas para que elas se interliguem.
É tudo mecanizado, nós somos um mecanismo.
Se nós somos máquinas, então pelo menos em princípio, deveríamos ser capazes de construir máquinas com outros materiais, que seriam tão vivas como somos.
Mas acho que para admitirmos isso, temos de renunciar ao fato de que somos, de certa forma, "especiais".
E nos distanciamos dessa condição de "especiais" por conta da ciência e da tecnologia por muitas vezes nesses últimos séculos, pelo menos.
Há 500 anos tivemos de desistir da ideia de que éramos o centro do universo quando a terra passou a girar em torno do sol; Há 150 anos, com Darwin, tivemos de desistir da ideia de que éramos diferentes dos animais.
E imaginar que -- é sempre algo difícil para nós.
Recentemente fomos atingidos pela ideia de que, talvez, nem tenhamos tido nosso evento de criação aqui na Terra, e as pessoas não gostaram muito. E então o genoma humano disse que talvez tivéssemos apenas 35. 000 genes. E foi algo bastante -- as pessoas não gostaram daquilo, nós temos mais genes do que isso.
Não gostamos de renunciar à nossa condição de "especiais", então a ideia de que robôs poderiam, de fato, ter emoções, ou de que robôs poderiam ser serer vivos -- acho que será difícil para nós aceitarmos.
Mas é algo que iremos aceitar nos próximos 50 anos, é a estimativa.
A segunda pergunta é: "As máquinas irão querer dominar o mundo?"
E aí o cenário geralmente é o de que nós criamos estas coisas, elas crescem, nós as nutrimos, elas aprendem bastante conosco, e então decidem que somos muito entediantes e lentos.
E querem tomar o mundo da gente.
E aqueles que têm filhos adolescentes sabem como é.
Mas Hollywood extende isso aos robôs.
E a pegunta é: "Será que alguém construirá, por acidente, um robô que tomará o mundo?"
É o tipo de coisa parecida com o cara solitário no quintal que diz: "Eu construí um 747 por acidente."
Sabem, acho que não vai acontecer.
E acho que não -- -- Acho que não iremos construir, deliberadamente, robôs com os quais não nos sentimos confortáveis.
Eles não vão fazer um robô super mau de uma vez.
Antes disso farão um robô só meio mau, e antes disso um robô que nem é tão mau assim.
Não deixaremos que as coisas tomem esse rumo.
Acho que vou parar por aqui, então: os robôs estão a caminho, não temos muito com o que nos preocupar, será bem divertido, e espero que todos vocês aproveitem a jornada pelos próximos 50 anos.
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Quando eu era pequeno -- aliás, eu já fui pequeno -- meu pai contou uma história sobre um relojoeiro do século 18.
E o que este cara fazia: ele produzia estes relógios fabulosamente bonitos.
E um dia, um dos seus clientes chegou em sua oficina e pediu a ele para limpar o relógio que trazia.
E o cara o abriu, e uma das coisas que saltou fora foi uma das engrenagens.
Enquanto ele abria, o cliente percebeu que no verso da engrenagem havia uma inscrição, havia palavras.
E falou para o cara: "Por que colocar algo onde ninguém irá ver?"
E o relojoeiro virou-se e disse: "Deus pode ver."
Não sou nem um pouco religioso, tampouco era meu pai, mas nessa hora, percebi algo acontecendo aqui.
Eu senti algo neste plexo de vasos sanguíneos e nervos, e deve haver alguns músculos por ali, eu acho.
Mas eu senti algo.
E era uma resposta fisiológica.
Desse ponto em diante, a partir daquela idade, comecei a pensar nas coisas de modo diferente.
Quando iniciei minha carreira como designer, comecei a me perguntar: Na verdade nós pensamos a beleza, ou a sentimos?
Vocês provavelmente já sabem a resposta.
Provavelmente pensam, bem, não sei qual vocês acham que é, mas eu acho que sentimos a beleza.
Assim eu segui na minha carreira de design e comecei a descobrir algumas coisas empolgantes.
Um dos primeiros trabalhos foi em design automotivo -- trabalho muito animador era feito na área.
E durante muito deste trabalho, encontramos algo, ou eu encontrei algo, que me fascinou de verdade, e talvez vocês se lembrem.
Lembram quando as luzes só ligavam e desligavam, clique clique, quando se fechava a porta em um carro?
E alguém, acho que da BMW, introduziu uma luz que se apagava lentamente.
Lembram disso?
Eu lembro claramente.
Lembram da primeira vez de estar em um carro que fazia isso?
Lembro de ficar sentado pensando, isto é fantástico.
De fato, nunca encontrei alguém que não goste da luz que se apaga devagar.
Pensei, mas por que diabos acontece isso?
Comecei a me perguntar a respeito disso.
E em primeiro lugar, perguntaria a outras pessoas: "Gosta disso?" "Sim."
"Por quê?" E diriam: "Ah, parece tão natural," ou: "É legal."
Pensei, só isso não basta.
Podemos ir mais fundo, porque como projetista, preciso do vocabulário, do teclado, de como realmente funciona.
Então fiz alguns experimentos.
E subitamente percebi que havia algo que fazia exatamente isso -- da luz à escuridão em 6 segundos -- exatamente isso.
Vocês sabem o que é? Alguém?
Sabe, usando essa parte, a parte pensante, a parte lenta do cérebro -- usando isso.
Isso não é pensamento, é sentir.
Fariam um favor?
Nos próximos 14 minutos, ou o que for, vocês sentiriam as coisas?
Não preciso que pensem tanto quanto quero que sintam.
Senti um relaxamento misturado com antecipação.
E aquilo que descobri era o cinema ou o teatro.
Na verdade aconteceu aqui -- das luzes à escuridão em 6 segundos.
E quando isso acontece, se você estava sentado e ia sair: "Não, o filme vai começar," ou se estava indo: "Fantástico, já estava na hora.
Senti que ia acontecer"?
Não sou um neurocientista.
Nem mesmo sei se existe algo chamado reflexo condicionado.
Mas deve ter.
Porque as pessoas com as quais falo no hemisfério norte acostumadas ao cinema entendem isto.
E algumas das pessoas com quem falo que nunca viram um filme ou foram ao teatro não sentem do mesmo modo.
Todos gostam, mas alguns mais do que os outros.
Isto me leva a pensar de um modo diferente.
Não estamos sentindo. Pensamos a beleza no sistema límbico -- se não for uma ideia obsoleta.
São esses pontos, os centros de prazer, e talvez o que eu veja, e perceba e sinta desvie do meu pensamento.
A rede que vai do seu aparato sensorial a estes pontos é menor que os pontos que passam pela minha parte pensante, o córtex.
Eles chegam primeiro.
Como fazemos para que funcione?
E quanto do aspecto da reação é devido ao que já sabemos, ou que vamos aprender sobre algo?
Isto é uma das coisas mais bonitas que conheço.
É um saco plástico.
Quando olhei pela primeira vez, pensei, não, não há beleza nisso.
Então descobri, pós-exposição, que este saco plástico, se colocado em um poça ou riacho cheio de coliformes e todo tipo de coisa repugnante, que essa água imunda migraria através da parede do saco por osmose e terminaria dentro dele como água pura e potável.
E assim de repente, este saco plástico era extremamente bonito para mim.
Agora pedirei a vocês de novo para ligarem a parte emocional.
Poderiam deixar a mente de lado, e eu gostaria que sentissem algo.
Olhem pra isso. O que sentem em relação a ele?
É bonito? É animador?
Estou observando seus rostos cuidadosamente.
Alguns cavalheiros parecem bem entediados e algumas senhoras ligeiramente atentas que estão captando algo disso.
Talvez exista inocência nisso.
Agora vou lhes dizer o que é. Prontos?
Este é o último ato nesta Terra de uma menininha chamada Heidi, 5 anos, antes de morrer de câncer da coluna.
É a última coisa que fez, o último ato físico.
Olhem esta imagem.
Vejam a inocência. Vejam a beleza que está ali.
É bonito agora?
Para. Para. Como se sentem?
Onde vocês estão sentindo isso?
Eu estou sentindo aqui. Eu sinto aqui.
E estou observando seus rostos, porque seus rostos me dizem algo.
A senhora ali está chorando, aliás.
Mas o que vocês estão fazendo?
Eu observo o que as pessoas fazem.
Eu observo rostos.
Observo reações.
Porque tenho de saber como as pessoas reagem às coisas.
E uma das expressões mais comuns quando se defronta com a beleza, deliciosamente estupefaciente, é o que chamo de "Meu Deus".
A propósito, não há prazer nessa expressão.
Não é um "que maravilha!".
As sobrancelhas fazem isto, os olhos perdem o foco, e a boca fica aberta.
Essa não é uma expressão de alegria.
Tem algo mais nisso.
Tem algo estranho acontecendo.
O prazer parece ser moldado por uma série de diferentes coisas acontecendo.
Pungência é uma palavra que amo sendo um designer.
Significa algo que dispara uma grande resposta emocional, muitas vezes uma resposta triste, mas que é parte do que fazemos.
Que nem sempre é simpático.
Este é o dilema, o paradoxo, da beleza.
Sensorialmente, nós recebemos todo tipo de coisas -- misturas de coisas que são boas, ruins, empolgantes, assustadoras -- que surgem com essa exposição sensorial, essa sensação de que algo está acontecendo.
Pathos aparece obviamente como parte do que você viu no desenho da menininha.
E também triunfo, a sensação de transcendência, este "Nunca vi isso. Isso é algo novo."
E está tudo incluído no mesmo pacote.
E quando montamos estas ferramentas, de um ponto de vista de design, ficou muito empolgado, porque essas são coisas, como já falamos, que vão chegando ao cérebro, dariam a impressão, antes da cognição, antes que possamos manipulá-las -- truques das partes eletroquímicas.
O que também me interessa é: será possível separar a beleza intrínsica e a extrínsica?
Quero dizer coisas intrinsicamente bonitas, algo que seja admiravelmente bonito, universalmente bonito.
Difícil de descobrir. Talvez vocês tivessem alguns exemplos.
Muito difícil de achar algo que, para todos, é algo muito bonito, sem uma certa quantidade de informação inserida antes.
Muito disso tende a ser extrínsico.
É regulado pela informação antes da compreensão.
Ou a informação adicionada ao fundo, como o desenho da menininha que mostrei a vocês.
Quando falamos sobre beleza não podemos deixar de lado o fato de que muitos experimentos têm sido feitos assim com rostos e o que lhe serve.
Um dos mais tediosos, eu acho, era dizer que beleza tinha a ver com simetria.
Bom, obviamente não tem.
Este é um dos mais interessantes no qual meios rostos são apresentados a algumas pessoas, e então adicionados a uma lista dos mais bonitos aos menos bonitos e depois mostrando o rosto completo.
E o que encontraram foi uma coincidência quase exata.
Mas a questão não era a simetria.
De fato, esta senhora tem um rosto bem assimétrico, no qual ambos os lados são bonitos.
Mas ambos diferentes.
Como designer, não posso evitar de me intrometer, então separei-o em partes e fiz algo como isto, e tentei compreender quais eram os elementos individuais, mas sentindo como sinto.
Agora tenho uma sensação de deleite e beleza se eu olhar para esse olho.
Não fico comovido com a sobrancelha.
E o ouvido não faz nada comigo.
Não sei o quanto isto me ajuda, mas está ajudando a me guiar pelos lugares de onde os sinais estão vindo.
Como eu disse, não sou um neurocientista, mas compreender como se começa a montar coisas que rapidamente desviam a parte pensante e levam aos adoráveis elementos precognitivos.
Anais Nin e o Talmude nos contaram repetidas vezes que vemos coisas não como elas são, mas como nós somos.
Vou descaradamente revelar algo a vocês, que para mim é bonito.
E esta é a F1 MV Agusta.
Ahhhh.
Ela é mesmo -- digo, não sei como dizer o quão extraordinário é este objeto.
Mas também sei o porquê é extraordinário para mim, porque é um palimpsesto de coisas.
São dezenas e dezenas de camadas.
Isto é só a porção que sobressai em nossa dimensão física.
É algo muito maior.
Camada após camada de lenda, esporte, detalhes que ressoam.
Digo, se eu passar por alguns deles agora -- sei sobre o fluxo laminar quando se fala de objetos que perfuram o ar, o que ele faz muito bem, como podem ver.
Isso me deixa entusiasmado.
E sinto isso aqui.
Esta parte, o grande segredo do design automotivo -- o controle da reflexão.
Não se trata das formas, é como as formas refletem a luz.
Agora isso, a luz pisca quando você se move, assim, ela se torna um objeto cinético, mesmo estando parada -- controlada pelo brilho que é feito no reflexo.
O pequeno apoio para os pés, aliás, para um motorista significa que algo está acontecendo lá embaixo -- no caso, provavelmente a correia do motor a mais de 400 km por hora, recebendo a força vinda do motor.
Estou ficando incrivelmente entusiasmado enquanto minha mente e meus olhos passam por coisas assim.
Verniz de titânio nisto.
Nem sei dizer que maravilha isto é.
Isso é como se para os doidos chegando em alta velocidade no volante.
Estou bem envolvido com isto agora.
Lógico, uma moto de corrrida não tem um apoio, mas neste caso, como é de estrada, ele vai assim e se encaixa neste pequeno espaço.
E desaparece.
Nem sei dizer como é difícil fazer esse radiador, que é curvo.
Por que se faria isso?
Porque eu sei que precisamos afastar o volante por causa da aerodinâmica.
É mais caro, mas é maravilhoso.
E por cima de tudo, a marca da realeza -- Agusta, Conde Agusta, de onde vêm grandes histórias.
A parte que não podem ver é o gênio que a criou.
Massimo Tamburini.
Ele é chamado de "O Encanador" na Itália, e também de "Mestre", porque ele é, na verdade, engenheiro, artesão e escultor ao mesmo tempo.
Há tão pouco comprometimento nisto, nem se vê.
Infelizmente, tipos como eu e pessoas iguais a mim têm de lidar com o ajuste da beleza todo o tempo.
Temos que lidar com isso.
Tenho de trabalhar com uma rede de fornecimento, e tive de trabalhar com tecnologias, e tive de trabalhar com tudo mais o tempo todo, e os ajustes começaram a aparecer.
Olhem para ela.
Tive que fazer um pequeno ajuste ali.
Tive que mover essa parte, mas somente um milímetro.
Ninguém percebeu, não é mesmo?
Viram o que eu fiz?
Movi três coisas por um milímetro.
Bacana? Sim.
Bonito? Talvez menos.
Mas claro, o consumidor diz que não tem importância.
Então está bom, não é?
Mais um milímetro?
Ninguém vai perceber essas linhas tracejadas e as mudanças.
É fácil assim perder beleza, porque a beleza é incrivelmente difícil de ser feita.
E poucas pessoas conseguem.
Um grupo focado não consegue.
Uma equipe raramente consegue.
Precisa que um córtex central, se preferirem, seja capaz de orquestrar todos aqueles elementos ao mesmo tempo.
Esta é uma bonita garrafa d'água -- alguns a conhecem -- feita por Ross Lovegrove, o designer.
Está bem próxima da beleza intrínsica, Esta aqui, enquanto souberem como a água é, vocês podem sentir isso.
É adorável porque incorpora algo refrescante e delicioso.
Eu posso gostar mais do que vocês, porque sei como é difícil de se fazer.
É de uma dificuldade estupefaciente fazer algo que reflita a luz assim, que saia corretamente da ferramenta, que siga a linha de produção sem cair.
Por trás disso, como na história do cisne, tem um milhão de coisas difíceis de serem feitas.
Então todos saúdam o feito.
É um exemplo fantástico, um simples objeto.
E aquele que mostrei antes, claro, era algo massivamente complexo.
E eles trabalham na beleza de modos ligeiramente diferentes por causa disso.
Todos vocês, eu acho, como eu, apreciam assistir a uma bailarina dançar.
Parte da alegria disto é que sabem da dificuldade.
Podem também levar em conta o fato de que é incrivelmente doloroso.
Alguém já viu os dedos do pé de uma bailarina quando saem das sapatilhas?
Enquanto fazem estes arabescos graciosos e 'plies' e tudo mais, algo horrível acontece lá embaixo.
Esta compreensão nos leva à um senso maior e mais aprofundado da beleza do que está realmente acontecendo.
Estou usando estes microssegundos erradamente, por favor me ignorem.
O que eu quero fazer agora, sentindo de novo, o que quero agora é ser capaz de fornecer o suficiente daquelas enzimas, dos gatilhos para algo bem no início do processo, para que vocês peguem, não através do pensamento, mas sim do sentimento.
Assim faremos um pequeno experimento.
Certo, prontos? Vou mostrar algo por um breve, muito breve instante.
Prontos? Certo.
Pensaram que era uma bicicleta quando mostrei no primeiro piscar?
Não é.
Digam-me, acharam que foi rápido assim que viram? Sim, acharam.
Pensaram que era moderno? Sim, pensaram.
Essa piscada, essa informação, veio a vocês antes.
E porque a partida do motor cerebral de vocês começou ali, agora têm de lidar com isso.
E o incrível disso é que, essa motocicleta foi projetada assim especificamente para gerar um senso de que é tecnologia verde e isso é bom pra você e que é leve e que faz parte do futuro.
Isso é errado?
Nesse caso não, porque é uma obra de tecnologia que soa muito ecológica.
Mas vocês são escravos da primeira informação.
Nós somos escravos das primeiras reações em um segundo -- e é aí que muito do meu trabalho é bem sucedido ou fracassa, na prateleira de um loja.
Ele ganha ou perde nesse ponto.
Você pode ver 50, 100, 200 coisas em uma prateleira enquanto passa por ela, mas eu tenho que trabalhar nestes domínios, pra garantir que chegue a vocês primeiro.
Finalmente, a camada que adoro, do conhecimento.
Alguns de vocês, tenho certeza, vão estar familiarizados com isto.
O que é incrível a respeito disto, e o modo como adoro repetir isto, é pegar algo que você odeie ou lhe chateie, dobrar roupas, e se você pode mesmo fazer isto -- quem consegue? Alguém tenta fazer isto?
Não é?
É fantástico, não é?
Olha só. Querem ver de novo?
Sem tempo. Só tenho mais 2 minutos, então não tem como.
Mas veja na Internet, YouTube, digite, "dobrando camiseta".
É assim que jovens mal pagos têm que dobrar a camiseta de vocês.
Talvez vocês não soubessem.
Como se sentem a respeito?
É fantástico quando você faz, você vai atrás disso para fazer, e quando fala a alguém sobre isso -- como provavelmente fazem -- vocês parecem bem espertos.
A bolha de conhecimento que está lá fora, aquilo que não custa nada, porque esse conhecimento é grátis -- embrulhe tudo e onde chegamos?
Forma servindo a função?
Só às vezes. Só às vezes.
Forma é função. Forma é função.
Ela informa, ela nos diz, fornece respostas antes que nós pensemos a respeito.
Assim, eu parei de usar palavras como "forma", e parei de usar palavras como "função" enquanto designer.
O que persigo agora é a funcionalidade emocional das coisas.
Porque se eu entender isso direito, posso fazê-las maravilhosas, e fazê-las repetidamente maravilhosas.
E vocês sabem o que estes produtos e serviços são, porque possuem alguns deles.
São as coisas que vocês agarram primeiro em um incêndio.
Formar um laço emocional entre esta coisa e você é um truque da parte eletroquímica que ocorre antes mesmo que você pense.
Muito obrigado a vocês.
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Uma das maneiras mais comuns de dividir o mundo é entre os que acreditam e os que não acreditam -- os religiosos e os ateus.
E na última década, tem ficado bastante claro o que significa ser um ateu.
Temos ateus na vizinhança muito francos que indicaram, não só que a religião está errada, mas que também é ridícula.
Estas pessoas, muitas delas vivem no norte de Oxford, argumentam -- argumentam que acreditar em Deus é semelhante a se acreditar em fadas e, que, essencialmente tudo isto é uma brincadeira de criança.
Agora, acho isto fácil demais.
É fácil demais desconsiderar a religião como um todo desse jeito.
É fácil como roubar doce de criança.
E, o que gostaria de inaugurar hoje é uma nova maneira de ser um ateu -- Se quiserem, uma nova versão de ateísmo poderíamos chamá-la de Ateísmo 2. 0.
Agora, o que é Ateísmo 2. 0?
Bom, ele começa com uma premissa muito básica: com certeza, Deus não existe.
com certeza, não existem divindades ou espíritos supernaturais ou anjos, etc.
Agora, vamos prosseguir; isto não é o final da historia, este é só o comecinho.
Estou interessado no tipo de eleitorado que pensa algo assim: que pensa, “Não posso acreditar em nada dessas coisas.
Eu não consigo acreditar em doutrinas.
Penso que elas não são corretas.
Mas há um porém, muito importante, amo canções de Natal.
Eu realmente gosto da arte de Mantegna.
Eu na verdade gosto de olhar para as igrejas antigas.
Eu realmente gosto de virar as páginas do Antigo Testamento.”
Seja lá o que for, você sabe sobre o que estou falando -- pessoas que se sentem atraídas pelo lado ritualista, o lado moralista, o lado comunitário da religião, mas detestam a doutrina.
Até agora, estas pessoas se deparavam com uma escolha bem desagradável.
É quase que, se aceitamos a doutrina aí então podemos ter todas as coisas agradáveis, mas se a rejeitamos vivemos numa espécie de deserto espiritual sob a orientação da CNN e da Walmart.
Logo esta é uma escolha meio dura.
Eu não acho que temos que fazer uma escolha.
Acho que há uma alternativa.
Acho que existem maneiras -- e estou sendo bem respeitoso e completamente ímpio -- de se roubar das religiões.
Se você não tem fé numa religião, não há nada de errado em escolher e combinar, em tirar as melhores partes da religião.
E para mim, ateísmo 2. 0 é sobre ambos, digo, um jeito respeitoso e um ímpio que vasculha as religiões dizendo, “O que poderíamos usar aqui?”
O mundo secular é cheio de buracos.
Nós nos secularizamos mal, eu diria.
E um estudo profundo sobre religião poderia nos dar todos os tipos de compreensão nas áreas da vida que não andam lá muito bem.
E hoje eu gostaria de reiterar algumas delas.
Eu gostaria de começar pela educação.
Bom, a educação é um campo no qual o mundo secular realmente acredita.
Quando pensamos em como iremos fazer do mundo um lugar melhor, pensamos educação; que é onde nós investimos muito dinheiro.
Educação nos dará, não só as habilidades comerciais, industriais, também fará de nós pessoas melhores.
Você sabe o tipo de coisa que é um discurso de formatura, uma formatura, aquelas declarações líricas que a educação, o processo da educação -- especialmente o ensino superior -- nos fará mais nobres e seres humanos melhores.
É uma ideia encantadora.
Interessante saber de onde ela vem.
No início do século XIX, a frequência à igreja na Europa Ocidental começou a cair de forma muito, muito acentuada e as pessoas entraram em pânico.
Eles se questionaram o seguinte:
Disseram, onde é que as pessoas irão encontrar princípios morais, onde encontrarão orientação e onde encontrarão fontes de consolação?
E as vozes de influência elaboraram uma resposta.
Disseram: cultura.
É na cultura que deveríamos procurar orientação, consolação, moralidade.
Vejamos as peças de Shakespeare, os diálogos de Platão, os romances de Jane Austen.
Neles encontraremos muitas das verdades que poderíamos previamente encontrar no Evangelho de São João.
Agora, penso que esta é uma ideia muito bonita e muito verdadeira.
Eles queriam substituir a escritura sagrada pela cultura.
E esta é uma ideia muito plausível.
É também uma ideia que esquecemos.
Se você frequentou uma universidade de prestígio -- digamos que você estudou em Harvard ou Oxford ou Cambridge -- e disse, “Vim para cá porque estou em busca da moralidade, orientação e consolação; quero saber como viver,” eles iriam lhe internar num hospício.
Isto simplesmente não é o que nossos grandes, os melhores institutos de ensino superior oferecem.
Por quê? Eles não acham que precisamos disso.
Eles não acham que necessitamos urgentemente de orientação.
Eles nos veem como adultos, adultos racionais.
O que precisamos é de informação.
Precisamos de dados, não precisamos de ajuda.
As religiões partem de um lugar, de fato, muito diferente.
Todas as religiões, as grandes religiões, em vários pontos nos chamam de crianças.
E sendo crianças, elas acreditam que precisamos seriamente de orientação.
Nós mal estamos nos aguentando.
Talvez seja só eu, talvez você.
Mas de qualquer forma, mal estamos nos controlando.
E precisamos de ajuda. Claro que precisamos de ajuda.
Precisamos de orientação e aprendizagem didática.
Sabe, no século XVIII no Reino Unido, o maior pregador religioso era um homem chamado John Wesley, ele viajou pelo país inteiro fazendo sermões, aconselhando pessoas sobre como viver.
Ele pregou sobre os deveres dos pais para com seus filhos e dos filhos para com seus pais, os deveres dos ricos para com os pobres e dos pobres para com os ricos.
Ele tentava dizer às pessoas como elas deveriam viver por meio de sermões, o meio clássico de transmissão das religiões.
Nós agora desistimos da ideia dos sermões.
Se você dissesse a um individualista liberal moderno, “Ei, que tal um sermão?”
ele diria, “Não, não. Não preciso disso.
Sou uma pessoas independente, um indivíduo.”
Qual é a diferença entre um sermão e a nosso modo moderno de ensino secular, a palestra?
Bom, um sermão quer mudar sua vida e uma palestra quer lhe dar um pouco de informação.
E eu penso que precisamos retornar àquela tradição do sermão.
A tradição de sermonizar é imensamente valiosa, porque necessitamos de orientação, moralidade e consolação -- e as religiões sabem disso.
Uma outra questão na educação: tendemos acreditar, no mundo secular moderno, que se você diz algo às pessoas uma vez, elas se lembrarão.
Coloque-as sentadas na sala de aula, fale sobre Platão aos 20 anos, direcione-as numa carreira em consultoria de gestão por 40 anos, e aquela lição ficará gravada nelas.
As religiões dizem, “Tolice.
Você precisa repetir a lição 10 vezes por dia.
Então, ajoelhe-se e repita a lição.”
É isto que todas as religiões nos mandam fazer: “Ajoelhe-se e repita a lição 10 ou 20 ou 15 vezes por dia.”
Senão nossas mentes funcionam como peneiras.
Então, as religiões são culturas de repetição.
Elas circundam as grandes verdades repetidamente.
Nós associamos repetição com tédio.
“Dê-nos o novo,” estamos sempre dizendo.
“O novo é melhor do que o velho.”
Se eu dissesse a você, “OK, não vamos ter um novo TED.
Vamos simplesmente verificar todos aqueles antigos e assisti-los cinco vezes porque são tão verdadeiros.
Nós vamos assistir Elizabeth Gilbert cinco vezes porque o que ela diz é tão bem pensado,” você se sentiria enganado.
Mas não se estivermos adotando um pensamento religioso.
A outra coisa que as religiões fazem é organizar o tempo.
Todas as grandes religiões nos dão calendários.
O que é um calendário?
Um calendário é uma forma de assegurar que durante o ano você irá esbarrar com certas ideias muito importantes.
Na cronologia católica, o calendário católico, no final de março você irá pensar em São Jerônimo e suas qualidades de humildade e bondade e sua generosidade para com o pobre.
Você não o fará por acaso; fará porque é guiado para fazer isto.
Nós não pensamos desta maneira.
No mundo secular pensamos, “Se uma ideia é importante, eu vou cruzar com ela.
Vou simplesmente me deparar com ela.”
Tolice, diz a visão religiosa mundial.
A visão religiosa diz que precisamos de calendários, de tempo estruturado, nós precisamos sincronizar os encontros.
Isto também se revela na forma na qual as religiões estabelecem rituais em torno dos sentimentos importantes
A lua. É realmente importante se olhar para a lua.
Sabe, quando você olha para a lua, você pensa, “Sou realmente pequeno. Que problemas tenho?”
Isto coloca as coisas em perspectiva, etc.
Todos nós deveríamos olhar para a lua com frequencia. Não o fazemos.
Por que não? Bom, não há nada nos dizendo, “Olhe para a lua.”
Mas, se você é um Zen budista em meados de setembro, você será posto fora da sua casa, terá que subir em uma plataforma canônica e terá que comemorar o festival de Tsukimi, quando lhe dão poemas para ler em veneração à lua e à passagem do tempo e a fragilidade da vida que isto nos faz lembrar
Você receberá bolinhos de arroz.
E a lua e o reflexo da lua terão um lugar seguro em seu coração.
Isto é muito bom.
O outro elemento que as religiões estão cientes é o de se falar bem -- Eu não estou me expressando muito bem aqui -- mas a oratória é absolutamente fundamental nas religiões.
No mundo secular você pode passar anos na universidade sendo um péssimo orador e ainda ter uma grande carreira.
Mas as religiões não pensam assim.
O que dizemos deve ser apoiado por uma maneira realmente convincente de dizê-lo.
Então, se você vai a uma igreja pentecostal afro-americana no sul dos EUA e ouve como eles falam, meu Deus, eles falam bem.
Após cada ponto convincente as pessoas exclamam, “Amém, amém, amém.”
Ao final de um parágrafo vibrante, eles todos ficam de pé e dizem, “Obrigado Jesus, obrigado Cristo, obrigado Salvador.”
Se estivéssemos fazendo como eles fazem -- não vamos fazer isto, mas se fôssemos fazer -- eu diria algo assim: “A cultura deveria substituir a escritura sagrada.”
E vocês diriam, “Amém, amém, amém.”
E no final da minha palestra vocês todos ficariam de pé e diriam, “Obrigado Platão, obrigado Shakespeare, obrigado Jane Austen.”
E saberíamos que estávamos atingindo um ritmo real.
Tudo bem, tudo bem. Estamos chegando lá. Estamos chegando lá.
Outra coisa que as religiões sabem é que não somos somente cérebro, somos corpo também.
E quando elas nos ensinam uma lição, o fazem por meio do corpo.
Por exemplo, tomemos o conceito judaico do perdão.
Os judeus têm muito interesse no perdão e como devemos começar de maneira nova.
Eles não fazem apenas sermões sobre isto.
Não nos dão só livros ou palavras sobre isto.
Eles nos mandam tomar um banho.
Nas comunidades ortodoxas judaicas, toda sexta-feira você vai ao Mikveh.
Você submerge na água e uma ação física dá apoio a uma ideia filosófica.
Não costumamos fazer isso.
Nossas ideias estão em uma área e nosso comportamento físico em outra.
As religiões são fascinantes porque tentam unir essas duas áreas.
Agora vamos olhar para a arte.
A arte é algo que no mundo secular temos em alta estima. Pensamos que a arte é realmente importante.
Grande parte do excedente da nossa riqueza vai para museus, etc.
Às vezes ouvimos dizer que os museus são as catedrais modernas ou as nossas novas igrejas.
Você já deve ter ouvido isto.
Agora, acho que o potencial existe, mas nós nos desapontamos completamente.
E a causa deste desapontamento é que não estamos estudando adequadamente como as religiões lidam com a arte.
Duas ideias ruins que estão pairando no mundo moderno que inibem nossa capacidade de extrair força da arte: A primeira ideia é que arte deve ser uma auto-expressão individual -- uma ideia ridícula -- uma ideia que a arte deve permanecer numa bolha hermética e não deve tentar fazer nada sobre este mundo problemático.
Não concordo mesmo.
A outra coisa que acreditamos é que arte não deve ser auto-explicativa, que os artistas não deveriam revelar o que fazem, porque se falam, isto pode destruir a magia e poderemos achar isto fácil demais.
Por isso, uma experiência muito comum quando estamos num museu -- admitamos -- é, “Não sei do que se trata.”
Mas se somos pessoas sérias não vamos admitir isto.
Mas este senso de perplexidade é estrutural à arte contemporânea.
As religiões têm uma atitude muito mais sã com a arte.
Elas não têm nenhum problema em nos dizer que função tem a arte.
Nas religiões principais a arte é sobre duas coisas
Primeiro, ela tenta lhe fazer lembrar do que há para se amar.
Segundo, ela tenta lhe fazer lembrar do que há para se temer e odiar.
E isto é a arte.
A arte é um encontro visceral com as ideias mais importantes da sua fé.
Quando você anda dentro de uma igreja, uma mesquita ou uma catedral, o que você tenta absorver, o que está ingerindo é, através dos seus olhos, seus sentidos, verdades que, caso contrário, vêm a nós pela mente.
Em essência, é propaganda.
Rembrandt é um propagandista na perspectiva cristã.
Agora, a palavra “propaganda” dispara alarmes.
Pensamos em Hitler, Stalin. Não necessariamente.
A propaganda é uma maneira de sermos didáticos em veneração a algo.
E se é algo bom, não há problema nenhum.
Sou de opinião que museus deveriam aprender com os livros de religião.
E deveriam assegurar que quando entramos num museu -- se eu fosse um curador de museu, faria uma sala para o amor, uma sala para generosidade.
Todos os trabalhos de arte nos falam sobre coisas.
E se fôssemos capazes de arrumar espaços onde pudéssemos nos deparar com obras que nos dissessem, usem estas obras de arte para consolidar estas ideias em sua mente, aprenderíamos muito mais da arte.
A arte cumpriria a obrigação que costumava ter, que negligenciamos por causa de certas ideias mal-fundadas.
A arte deveria ser uma das ferramentas com a qual melhoramos nossa sociedade.
A arte deve ser didática.
Vamos pensar em outra coisa.
As pessoas no mundo moderno, no mundo secular, que se interessam pelas questões do espírito, em questões da mente, em questões elevadas da alma, tendem a ser pessoas isoladas.
São poetas, filósofos, fotógrafos, cineastas.
E tendem a ficar sozinhos.
Eles são nossas indústrias artesanais. São pessoas vulneráveis, solteiros
Ficam deprimidos e tristes a sós.
E eles não mudam muito.
Agora pense nas religiões, nas religiões organizadas.
O que elas fazem?
Elas se agrupam, formam instituições.
E isso tem todo tipo de vantagens.
Primeiramente, a escala, a força.
A igreja católica angariou 97 bilhões de dólares no ano passado segundo o Wall Street Journal.
Elas são máquinas gigantescas.
São colaborativas, têm marcas, são multinacionais, e são altamente disciplinadas.
Estas são todas qualidades muito boas.
Nós as reconhecemos em relação às corporações.
E as corporações se parecem com as religiões de várias formas, exceto que elas estão na parte baixa da pirâmide das necessidades.
Elas nos vendem sapatos e carros.
Enquanto que quem nos vende o material elevado -- os terapeutas, os poetas -- estão sozinhos e não têm poder. eles não têm força.
Então, as religiões são o melhor exemplo de uma instituição que luta pela pelas coisas da mente.
Podemos não concordar com o que as religiões tentam nos ensinar, mas podemos admirar o modo institucional como elas agem.
Apenas livros, livros escritos por indivíduos solitários, não mudarão nada
Nós precisamos nos agrupar.
Se quisermos mudar o mundo, temos que agrupar-nos, temos que colaborar.
E isto é o que fazem as religiões.
Elas são multinacionais, elas têm marcas, elas têm uma identidade clara, assim não se perdem num mundo ocupado.
Isto é algo que podemos aprender.
Quero finalizar.
Na verdade, o que eu quero dizer é que, para muitos de vocês que operam em diversos campos, há algo para aprender do exemplo da religião -- mesmo que não acreditem em nada disso.
Se você está envolvido com qualquer coisa comunitária que envolve muita gente se reunindo, há coisas para você na religião.
Se está envolvido, digamos, no setor de viagens, observe a peregrinação.
Observe bem a peregrinação.
Mal começamos a investigar o potencial de viajar porque ainda não observamos o que as religiões fazem com as viagens.
Se você faz parte do mundo artístico, observe o exemplo do que as religiões fazem com a arte.
E se você é um educador, de qualquer modo, novamente, observe como as religiões difundem ideias.
Você pode não concordar com as ideias, mas minha nossa, são mecanismos altamente eficazes para assim fazer.
Então, meu ponto conclusivo é que você pode não concordar com religião mas no final das contas, as religiões são tão sutis, tão complicadas, tão inteligentes em muitos aspectos que não devem ser deixadas só para os religiosos; elas são para todos nós.
Muitíssimo obrigado.
Chris Anderson: Esta é verdadeiramente uma palestra corajosa, porque, de certa forma, você está se colocando em uma situação para ser ridicularizado em alguns setores.
AB: Você pode levar um tiro dos dois lados.
Pode levar um tiro dos ateus pragmáticos, e outro tiro dos que acreditam piamente.
CA: Mísseis do norte de Oxford chegando a qualquer momento.
AB: Certamente.
CA: Mas você deixou de fora um aspecto da religião que muita gente poderia dizer sua agenda poderia pegar emprestado, que é este sentido -- que é provavelmente a coisa mais importante para qualquer religioso -- da experiência espiritual, de alguma forma de conexão com algo que é maior do que você.
Há algum espaço para esta experiência no Ateísmo 2. 0?
AB: Com certeza. Eu, como muito de vocês, encontro pessoas que dizem, “Mas não existe algo maior do que nós, uma outra coisa?”
E eu digo, “Claro.” E eles dizem, “Então, você é meio religioso?”
E eu digo, “Não.” Por que este senso de mistério, este senso de escala vertiginosa do universo, precisa ser acompanhado de um sentimento místico?
A ciência e a pura observação nos dão aquele sentimento, então, não sinto a falta.
O universo é vasto e nós somos minúsculos, sem a necessidade de uma super-estrutura religiosa adicional
Então pode-se ter os chamados momentos espirituais sem a crença no espírito.
CA: Deixe-me lhe fazer uma pergunta.
Quantas pessoas aqui presente você diria que a religião para elas é importante?
Existe um processo equivalente pelo qual há uma espécie de ponte entre o que você está falando e o que você diria a eles?
AB: Eu diria que há muitas e muitas lacunas na vida secular e elas podem ser conectadas.
Não se trata, como tento sugerir, não se trata de você ou ter uma religião e ter que aceitar todo tipo de coisas, ou você não tem uma religião e então você é cortado de todas estas coisas muito boas.
É muito triste que digamos constantemente, “Eu não acredito por isso não tenho comunidade, então sou isolado da moralidade, não posso sair em peregrinação.”
Gostaríamos de dizer, “Tolice, Por que não?”
E este é realmente o espírito da minha palestra.
Há tanto que podemos absorver.
O ateísmo não deve isolar-se das fontes ricas da religião.
CA: Parece-me que há muitas pessoas na comunidade do TED que são ateus.
Mas provavelmente a maioria na comunidade certamente não pensa que religião irá desaparecer a qualquer momento e quer encontrar a linguagem para ter um diálogo construtivo e sentir que, na realidade, podemos falar um com o outro e pelo menos compartilhar as coisas em comum.
Será que somos tolos por sermos otimistas com a possibilidade de um mundo em que, em vez da religião ser a grande exortação de divisão e guerra, ela poderia ser a ponte?
AB: Não, nós precisamos ser tolerantes com as diferenças.
A cortesia é uma virtude muito ignorada.
É tida como hipocrisia.
Mas precisamos chegar à fase em que você é um ateu e alguém diz, “Bem, sabe, um dia eu rezei,” você educadamente ignora o fato.
Você segue em frente.
Porque você concordou com 90 por cento das coisas, porque você tem uma visão comum em tantas coisas, e você, educadamente, difere.
E eu penso que foi isto que as últimas guerras das religiões ignoraram.
Ignoraram a possibilidade de um desacordo harmonioso.
CA: E, para finalizar, esta coisa nova que você está propondo isto não é uma religião mas algo diferente, precisa de um líder, e você está se candidatando para ser o papa?
AB: Bem, uma coisa que todos nós somos muito desconfiados é dos líderes individuais.
Não há necessidade disso.
O que tentei estabelecer foi uma estrutura básica e espero que as pessoas simplesmente a completem.
Esbocei uma espécie de estrutura básica geral.
Mas onde quer que esteja, se faz parte do setor de viagens, faça aquela parte da viagem.
Se está no setor de comunidades, olhe para a religião e faça aquela parte da comunidade.
Então é um projeto ‘wiki’.
CA: Alain, obrigado por provocar tantas conversas para mais tarde.
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Precisamos colocar o que temos de melhor ao alcance das nossas crianças.
Se não o fizermos, teremos a próxima geração que merecemos.
Eles vão aprender com o que quer que tenham ao seu redor.
E nós, como a elite atual, pais, bibliotecários, profissionais, o que for, um monte de nossas atividades são, de fato, tentar colocar o melhor que temos a oferecer ao alcance daqueles ao nosso redor ou o mais abrangente que pudermos.
Vou começar e terminar esta palestra com algumas coisas que estão gravadas em pedra.
Uma está na Biblioteca Pública de Boston.
Talhado acima da porta está escrito "Grátis para Todos."
É uma declaração inspiradora, voltarei a falar sobre isso em um instante.
Eu sou um bibliotecário e o que estou tentando fazer é levar todos os trabalhos do conhecimento a tantas pessoas quanto quiserem lê-los.
E a ideia de usar tecnologia é perfeita para nós.
Creio que temos a oportunidade de superar os gregos.
Não é fácil superar os gregos. Mas com a engenhosidade dos egípcios, eles foram capazes de construir a Biblioteca de Alexandria -- a ideia de uma cópia de cada livro de todos os povos do mundo.
O problema era, você tinha que ir a Alexandria para tê-la.
Por outro lado, se você fosse, grandes coisas aconteciam.
Creio que podemos superar os gregos e alcançar algo.
E eu vou tentar provar apenas um ponto hoje: o de que o acesso universal a todo o conhecimento está ao nosso alcance.
Então, se me sair bem, vocês vão sair daqui pensando, é, nós poderíamos de fato alcançar a grande visão de tudo que já foi publicado, tudo que tinha como propósito a distribuição, disponível para qualquer um no mundo que quisesse ter esse acesso.
Sim, há questões sobre como o dinheiro deveria ser distribuído e isso ainda está sendo repensado.
Mas eu diria que há bastante dinheiro e bastante demanda, então podemos conseguir isso.
Mas vou me deter sobre o tecnológico, social e aonde estamos como um todo tentando chegar a essa visão em particular.
E a forma como vou fazer isso é do jeito do site Amazon. com -- os livros, música, vídeo e seguir adiante, tipo de mídia por tipo de mídia, simplesmente pensar e dizer, certo, como estamos indo com isto?
Então, se começarmos com livros, sabe, tipo aonde estamos?
Bem, primeiro você tem que, como um engenheiro, mapear o problema. Quão grande ele é?
Se você quiser colocar todos os trabalhos publicados online para que qualquer um possa tê-los disponíveis, bem, quão grande é o problema?
Bem, não sabemos de verdade, mas a maior biblioteca impressa do mundo é a Biblioteca do Congresso -- com 26 milhões de volumes, 26 milhões de volumes
É de longe a maior biblioteca impressa no mundo.
E um livro, se você tiver um livro, tem aproximadamente um megabyte, então -- sabe, se você o tiver em Microsoft Word.
Então um megabyte, 26 milhões de megabytes são 26 terabytes, vai de mega, giga, tera, 26 terabytes.
26 terabytes cabem num sistema de computador que é desse tamanho, rodando em drives de Linux, e custam aproximadamente 60. 000 dólares.
Então pelo preço de uma casa -- ou por aqui, uma garagem -- você pode por -- você tem rodando todos os documentos da Biblioteca do Congresso.
Isso é muito legal.
Então a questão é: o que você ganha?
Sabe, vale a pena chegar lá?
Realmente se quer isso online?
Algumas das primeiras coisas que as pessoas fazem é criar leitores de livros que lhes permitem procurar dentro dos livros, e isso é divertido.
E você pode baixar essas coisas e fuçá-las de formas novas e diferentes.
E você pode tê-las em lugares remotos, se você por acaso tiver um laptop.
Estão começado a aparecer essas interfaces para virar páginas que se parecem muito com os livros de verdade de certa forma, e você pode pesquisá-las, fazer pequenas anotações, é bonitinho -- parecido com um livro de verdade -- no seu laptop.
Mas não sei, lendo coisas num laptop -- sempre que abro meu laptop me sinto como se estivesse trabalhando.
Acho que essa é uma das razões pelas quais o Kindle é tão legal.
Não tenho que sentir que estou trabalhando quando leio um Kindle;
está começando a ser um pouco mais específico.
Mas devo dizer que há tecnologias mais antigas que tendo a gostar.
Eu gosto do livro físico.
E acho que podemos usar nossa tecnologia para digitalizar coisas --- colocá-las na net e depois baixá-las, imprimi-las e encaderná-las e chegar aos livros novamente.
Então dissemos, bem, quão difícil é isto?
E acontece que não é muito difícil.
Nós criamos um livromóvel.
E um livromóvel -- do tamanho de uma van com uma antena de satélite, uma impressora, um encadernador e cortador, e crianças fazem seus próprios livros.
Custa aproximadamente três dólares para baixar, imprimir e encadernar um livro.
E eles acabam ficando bem bonitinhos.
Você pode acabar com livros muito atraentes pela grandeza de um centavo por página, mais o menos o custo de fazer isto.
Então a ideia desta tecnologia pode acabar colocando livros nas mãos das pessoas novamente.
Há outros livromóveis circulando por aí.
Este é Eric Eldred fazendo livros no Walden Pond, as obras de Thoreau.
Isto é pouco antes de ele ter sido expulso pelas autoridades locais. por competir com a livraria local.
Na Índia eles tem outro par de livromóveis circulando.
E este é a inauguracão da Biblioteca de Alexandria, a nova Biblioteca de Alexandria, no Egito.
Foi bastante visitada.
E essas crianças estão começando a fazer os seus próprios livros, e um garoto feliz com o primeiro livro que já possuiu.
Então a ideia de ser capaz de usar esta tecnologia para chegar no papel, que eu posso manusear, soa um pouco retrô, mas creio que ainda tem o seu lugar.
E sendo um pouco do Vale do Silício, meio Utopia, e, meio, sabe, do mundo pensamos que, se podemos fazer funcionar esta tecnologia na Uganda rural, então temos algo em nossas mãos.
Então recebemos financiamento do Banco Mundial para tentar.
E descobrimos em aproximadamente 30 dias que poderíamos pegar uns caras do Vale do Silício mandá-los a Uganda, comprar um carro, arrumar a primeira conexão de internet na Biblioteca Nacional de Uganda, descobrir o que eles queriam, e fazer o programa funcionar produzindo livros na Uganda rural.
E de fato -- então tecnologicamente funciona.
O que descobrimos com isto é que não tínhamos os livros apropriados.
Os livros estavam na biblioteca. Poderíamos levá-los às pessoas se estivessem digitalizados, mas não sabíamos exatamente como digitalizá-los.
Todo mundo pensou que a resposta seria mandar as coisas para a Índia e China.
Então tentamos isso, que vou detalhar em um instante.
Há outras tecnologias mais novas para fazer isso que já deram certo e são na verdade bastante animadoras também.
Uma delas é uma máquina que imprime sob demanda cuja aparência é a de uma máquina de Rube Goldber.
Temos uma dessas agora. É muito legal.
É uma esteira rolante e ela cria um livro.
E é chamada "Máquina Expresso de Livros," e em cerca de 10 minutos você pode apertar um botão e fazer um livro.
Outra coisa com a qual estou muito animado neste domínio em particular, além desses quiosques onde você pode fazer livros sob demanda, é uma dessas novas telinhas que estão aparecendo.
E uma das minhas favoritas é o laptop de 100 dólares.
E não quero roubar a atenção de ninguém, mas eu usei uma dessas coisas como um leitor de e-books.
Então aqui está uma das unidades betas e você pode -- no fim se transforma num leitor muito bonito de e-books.
E existe um hack que fizemos para tentar colocar um de nossos livros nele, e ele conta com 200 pixels por polegada o que significa que você pode colocar livros scaneados neles que ficam muito bonitos.
200 pontos por polegada é mais ou menos o equivalente a uma impressora laser de 300 pontos
Está de bom tamanho.
Você pode de fato ler livros scaneados muito facilmente.
Então a idéia de livros eletrônicos está começando a se espalhar.
Mas como você faz todo esse scaneamento?
Então pensamos, ok, bom, vamos tentar mandar livros para a Índia.
E lá havia um projeto -- financiado pela National Science Foundation, que mandou um monte de scaners, e as bibliotecas americanas deviam mandar livros.
Bom, elas não mandaram -- não queriam mandar seus livros.
Então nós compramos 100. 000 livros e os mandamos para a Índia.
E então descobrimos por que você não deve mandar livros para a Índia.
A lição aprendida disto é, scaneie seus próprios livros.
Se você realmente se importa com livros, você vai scaneá-los melhor, principalmente se são livros valiosos.
Se eles são livros novos e você pode, sabe, despedaçá-los porque você poderia simplesmente comprar outro exemplar, não é tão importante no que diz respeito a fazer scaning de boa qualidade.
Mas faça coisas que você ame.
Mas os indianos tem scaneado muitos de seus próprios livros. cerca de 300, 000 agora -- indo muito bem.
Os chineses fizeram mais de um milhão e os egípcios tem cerca de 30, 000.
Mas nós mandamos -- ok, se formos fazer isso, que o façamos dentro da bibloteca.
Como fazemos isso e como resolvemos a questão de forma que seja um custo com o qual poderíamos arcar?
Então estabelecemos o preço de 10 centavos por página.
É basicamente o custo de uma xerox para digitalizar, fazer o OCR, armazenar, e fazê-lo de forma que você possa baixar, imprimir e encadernar, a coisa toda, então teríamos chegado a algum lugar.
Então começamos a pensar, como conseguimos os 10 centavos?
E tentamos estes robôs, e eles funcionaram bastante bem -- eles viram as páginas automaticamente.
Se a gente tem robôs em Marte, nós conseguimos robôs pra virar páginas.
Mas a verdade é que é bem difícil virar páginas, e o trabalho não rende.
De qualquer forma -- acabamos inventando o nosso próprio scanner de livros. E com duas câmeras digitais profissionais de alta definição, luz de museu controlada -- para que mesmo que seja um livro em preto e branco, você possa conseguir o tom apropriado.
Para que você basicamente faça um trabalho bonito e respeitoso.
Não é um fax -- a ideia é fazer um trabalho bonito enquanto percorremos todas estas bibliotecas.
E temos conseguido chegar aos 10 centavos por página quando trabalhamos em volumes.
É assim que funciona na Universidade de Toronto.
E acontece que, sabe, você acaba pagando um salário.
As pessoas parecem amar isso.
Sim, é um pouco tedioso, mas algumas pessoas parecem entrar no lado zen disso.
E especialmente quando se trata do tipo de livros interessantes pelos quais você se interessa em idiomas que você pode ler,
Na verdade temos feito um bom trabalho em conseguir 10 centavos por página.
Então 10 centavos por página, 300 páginas em média por livro, 30 dólares por livro.
A Biblioteca do Congresso, se você fizesse a coisa toda -- 26 milhões de livros -- dá mais ou menos 750 milhões de dólares, certo?
Mas um milhão de livros -- na verdade penso que esse seria um bom começo, e isso custaria 30 milhões de dólares. Esse não é um custo tão alto.
E o que temos sido capazes é de entrar nas bibliotecas.
Temos agora oito desses centros de scanning em três países, e as bibliotecas tem concordado em ter seus livros scaneados.
O Getty aqui está mudando seus livros para a UCLA, que é onde temos um de nossos centros de scaning, e estamos scaneando os livros sem direito autoral, o que é fabuloso.
Por isso estamos começando a ter responsabilidade institucional.
O que nos falta é os 10 centavos.
Se conseguimos os 10 centavos, todo o resto flui.
Já scaneamos cerca de 200. 000 livros.
Estamos agora scaneando aproximadamente 15. 000 livros por mês, e está começando a aparecer mais coisas a partir disso.
No fim das contas, está indo muito bem.
E estamos começando a expandir não só para livros sem restrições autorais mas também para livros com edição esgotada.
Então se você pensar -- estamos meio que indo dos livros sem restrição autoral e a Amazon. com está vindo do mundo dos livros impressos,
e penso que nos encontraremos no meio em algum lugar e ter a coisa clássica que se tem, que é um sistema de publicação e um sistema de biblioteca trabalhando em paralelo.
Por isso estamos começando um programa para fazer livros com edições esgotadas, mas emprestando-os.
Exatamente o que emprestar siginifica não tenho muita certeza.
Mas em todo caso, emprestar trabalhos de edições esgotadas da Biblioteca Pública de Boston, da Woods Hole Oceanographic Institute e algumas outras bibliotecas que estão começando a participar deste programa, para tentar este modelo em que uma biblioteca termina e onde a livraria assume o trabalho.
No fim das contas é possível fazer isto em grande escala.
Nós também estamos trabalhando com microfilme e colocando tudo online.
Então podemos fazer 10 centavos por página, estamos fazendo 15. 000 livros por mês e temos cerca de 250. 000 livros online, continuando todos os outros projetos que estão começando para somar.
Então o que queria provar é que os livros estão ao nosso alcance.
A ideia de aceitar esse desafio não é tão grande assim.
Sim, custa dezenas de milhões, centenas de milhões, mas é uma vez só e basicamente teremos online a história da literatura impressa.
E temos questões sobre os modelos de negócio e como tentar efetivamente comercilizar e fazer chegar às pessoas.
Mas é possível tanto tecnologica, quanto legalmente, pelo menos no que diz respeito a obras em copyright e cujas edições estejam esgotadas sugerimos, para sermos capazes de colocar a coisa toda online
Agora vamos ver o áudio, e vou me deter sobre estes
Quanto há por aí?
Bom, pelo melhor que podemos contar, há cerca de dois a três milhões de discos publicados -- 78 polegadas, LPs e CDs -- ou pelo menos isso é o maior arquivo de material publicado que fomos capazes de identificar.
Custa cerca de 10 dólares por disco para colocá-lo online se for feito em grande volume
Mas descobrimos que as questões de direito autoral são espinhentas.
Esta é uma área altamente litigiosa, então descobrimos que há nichos no mundo da música que não são bem servidas pelo sistema clássico de publicação comercial.
E nós começamos a tornar essas coisas disponíveis oferecendo espaço na internet.
Nos Estados Unidos não custa nada doar algo. Certo?
Se você doa algo para a caridade ou para o público em geral, recebe um tapinha nas costas e uma isenção de impostos -- exceto na internet, onde você pode se dar mal.
Se você disponibiliza um vídeo de sua banda de garagem e ele começa a ser muito acessado, você pode perder suas guitarras ou a sua casa.
Isso não faz nenhum sentido.
Então nós oferecemos armazenagem ilimitada, banda ilimitada permanente, gratuita, para qualquer um que queira dividir materiais que tenham espaço em uma biblioteca.
E temos recebido muitas respostas. Uma é dos roqueiros.
Os roqueiros tem tradição de compartilhamento, contanto com que ninguém ganhe dinheiro em cima. Você poderia -- Gravações de shows, não gravações comerciais, mas gravações de shows, que começaram com o Grateful Dead.
E temos cerca de duas ou três bandas se associando por dia.
Eles dão permissão, nós recebemos 40 ou 50 shows por dia.
Temos cerca de 40, 000 shows, tudo o que o Grateful Dead já tocou, disponível na net para que as pessoas possam ver e ouvir esse material.
Então o áudio é plausível de colocar na net, mas as questões de direito autoral são bastante delicadas.
Temos muitas coleções agora -- cerca de 200. 000 itens -- e crescendo com o tempo.
Imagens em movimento: se você pensar nos lançamentos cinematográficos, não há tantos assim.
Pelo que pudemos contar, há cerca de 150. 000 a 200. 000 filmes feitos com o objetivo de serem distibuidos em grande escala pelos cinemas do mundo. Não é tanto assim.
Mas metade desses são indianos.
Em todo caso, é plausível, mas encontramos apenas cerca de mil dessas coisas que -- não tem direito autoral.
Então digitalizamos e os fizemos disponívies.
Mas descobrimos que há muitos tipos de outros filmes que nunca viram a luz do dia -- filmes de arquivo.
Encontramos, também, muitos filmes políticos, muitos filmes amadores, todo tipo de coisa que precisa, basicamente, uma casa, uma casa permanente.
Então começamos a disponibilizar essas coisas e estão crescendo em popularidade.
Não chega a ser um YouTube;
nos focamos em coisas de longo prazo e também coisas que as pessoas possam reutilizar e transformar em filmes próprios, o que tem sido muito divertido.
Televisão é muito maior.
Começamos gravando 20 canais de TV 24 horas por dia.
É como a maior aparelho de TiVo que já se viu.
Tem cerca de um pedobyte, até agora, de televisão mundial -- Russa, chinesa, japonesa, iraquiana, Al Jazeera, BBC, CNN, ABC, CBS, NBC -- 24 horas por dia.
A gente colocou -- só colocamos uma semana no ar, basicamente devido a custos, que é a semana do 11 de setembro tipo 11/9/2001: por uma semana, o que o mundo viu?
A CNN dizia que os palestinos dançavam nas ruas.
E dançavam? Vamos dar uma olhada na televisão palestina e descobrir.
Como podemos ter pensamento crítico sem poder citar e ter capacidade de comparar o que aconteceu no passado?
E a televisão é assustadoramente sem registro e impossível de citar, a não ser por Jon Stewart, que faz um trabalho fabuloso.
Em todo caso, a televisão está, eu sugeriria, ao nosso alcance.
Então 15 dólares por hora de vídeo e também cerca de 100 a 150 dólares por hora de celulóide, e podemos por online material de maneira muito barata e tê-las rodando na net.
E temos, hoje, muito desse material.
Temos creca de 100. 000 obras rodando.
Então livros, música, software -- há apenas 50. 000 títulos deles.
Na maior parte as questões são legais e sobre quebra de direito autoral.
Mas conseguimos trabalhar com algumas dessas questões, Mas ainda temos problemas de verdade em Washington.
Bem, ainda somos melhor conhecidos como a World Wide Web.
Estamos arquivando a World Wide Web desde 1996.
Tiramos uma foto de todo website e todas as suas páginas a cada dois meses.
Na verdade, a experiência foi iniciada por Alexa Internet, que doa a sua coleção para o Internet Archive.
E tem crescido nos últimos 11 anos e tem sido um recurso fantástico.
Criamos uma "Way Back Machine" na qual você pode ver websites como eles costumavam ser.
Se você vai procurar por alguma coisa, este é o Google. com, as diferentes versões dele que temos, esta é a cara que tinha quando era um lançamento alpha e essa era a sua cara em Stanford.
Enfim, dá para se ter uma ideia de onde as coisas surgiram.
A maioria das pessoas quer ver suas coisas antigas.
Se há uma coisa que queremos aprender da Biblioteca de Alexandria versão um, que é provavelmente mais conhecida por ter queimado, é: não tenha apenas uma única cópia.
Então começamos -- Fizemos uma cópia de tudo isto e estamos colocando de volta na Biblioteca de Alexandria.
Esta é uma foto do Internet Archive na Biblioteca de Alexandria.
E temos uma outra cópia sendo construída em Amsterdam.
Devemos colocá-la na San Andreas Fault Line, em São Francisco, área de alagamento em Amsterdam e no Oriente Médio. Certo, então.
estamos nos resguardando.
Se colocarmos cópias em mais alguns lugares creio que estaremos bem.
Há uma questão política e social por trás disto.
Que é, tudo isto, digitalizado, será público ou privado?
Há grandes companhias que perceberam isso, que estão fazendo digitalização em larga escala, mas estão bloqueando o acesso público.
A questão é: este é o mundo em que queremos vive?
Qual o papel do público contra o privado enquanto estas coisas se desenvolvem?
Como fazemos para ter um mundo em que tenhamos tanto bibliotecas e publicações pagas no futuro, como tivemos enquanto crescíamos?
O acesso universal a todo conhecimento -- Creio que pode ser um dos grandes marcos da humanidade, como o homem sobre a Lua ou a Bíblia de Gutenberg ou a Biblioteca de Alexandria.
Pode ser algo pelo qual seremos lembrados pelo milênio por termos conseguido.
Como disse antes, terminarei com algo que está gravado sobre a Biblioteca Carnegie --
Carnegie -- um dos grandes capitalistas deste país -- gravado sobre o seu legado: "Grátis para o Povo."
Muito obrigado.
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Eu gostaria de falar hoje sobre o que eu penso ser uma das maiores aventuras em que os seres humanos já embarcaram, que é a busca pelo entendimento do universo e nosso lugar nele.
Meu próprio interesse neste assunto, e minha paixão por isso, começou meio que por acidente.
Eu havia comprado uma cópia do livro "O Universo e o Dr. Einstein" - um livro de segunda mão de uma loja de livros usados em Seattle.
Alguns anos depois, em Bangalore, eu estava tendo problemas para dormir uma noite, e eu peguei esse livro, pensando que iria me fazer dormir em 10 minutos.
E o que aconteceu foi que eu li o livro da meia-noite às 5 da manhã de uma vez.
E eu fique com um sentimento intenso de veneração e euforia com o universo e nossa própria habilidade de entender o quanto entendemos.
E esse sentimento ainda não desapareceu.
Esse sentimento foi o que causou a minha mudança de carreira - de engenheiro de software para escritor de ciência - para que eu pudesse participar da alegria da ciência, e também da alegria de comunicá-la a todos.
E esse sentimento também me levou a uma peregrinação literalmente aos confins da terra para ver telescópios, detectores, instrumentos que as pessoas estão construindo, para estudar o cosmos e cada vez mais detalhes.
Então eu fui a lugares como o Chile - o Deserto do Atacama no Chile - a Sibéria, as minas subterrâneas, os Alpes Japoneses, a América do Norte, até a Antártida e até mesmo o Polo Sul.
E hoje eu gostaria de compartilhar algumas imagens e algumas histórias dessas viagens.
Eu basicamente passei os últimos anos documentando os esforços de alguns homens e mulheres extremamente intrépidos que estão colocando suas vidas em risco, às vezes literalmente, trabalhando em lugares muito remotos e hostis para que possam conseguir os mais fracos sinais do cosmos para que nós possamos entender este universo.
Vou começar com um gráfico pizza. E eu prometo que este é o único gráfico pizza em toda a apresentação. Mas estabelece o estado do nosso conhecimento do cosmos.
Todas as teorias em física que temos hoje explicam bem o que é chamado de matéria normal - a coisa da qual todos nós somos feitos - e isso é 4% do universo.
Astrônomos e cosmólogos e físicos pensam que há algo chamado matéria escura no universo, o que representa 23% do universo, e algo chamado energia escura, que permeia o espaço-tempo, e forma os outros 73%.
Então, se olharem para esse gráfico, 96% do universo, neste ponto em nossa exploração, é desconhecido ou não muito bem entendido.
E a maioria dos experimentos e telescópios que fomos ver estão de alguma forma lidando com essa questão, esses dois mistérios de matéria escura e energia escura.
Eu vou levá-los primeiro a uma mina subterrânea no norte de Minnesota onde as pessoas estão procurando algo chamado matéria escura.
E ideia aqui é que elas estão procurando por um sinal de uma partícula de matéria escura aparecendo em seus detectores.
A razão pela qual tem que ser subterrâneo é que, se esse experimento fosse feito na superfície da Terra, o mesmo experimento seria atolado por sinais que poderiam ser causados por raios cósmicos, atividade de rádio ambiente, até mesmo nossos corpos. Talvez vocês não acreditem, mas nossos corpos são radioativos o suficiente para estragar o experimento.
Então eles vão no fundo das minas para achar um ambiente silencioso que permitirá ouvir o barulho de uma matéria escura tocar no detector.
E eu fui ver um desses experimentos, e isso é - vocês mal conseguem ver, e isso porque é totalmente escuro lá dentro. Esta é uma caverna que foi deixada para trás pelos mineiros em 1960.
E os físicos vieram e começaram a usá-la em alguma parte dos anos 80.
E os mineiros no início do século passado trabalhavam, literalmente, a luz de velas.
E hoje, vocês veem isso dentro da mina, 800 metros embaixo da terra.
Este é um dos maiores laboratórios subterrâneos do mundo.
E entre outras coisas, eles estão procurando por matéria escura.
Há outra maneira de procurar por matéria escura, que é indiretamente.
Se matéria escura existe em nosso universo, em nossa galáxia, então essas partículas deveriam estar se chocando e produzindo outras partículas que nós conhecemos - uma delas sendo neutrinos.
E neutrinos podem ser detectados pela assinatura que deixam quando colidem com moléculas de água.
Quando um neutrino colide com uma molécula de água emite uma espécie de luz azul, um raio de luz azul, e ao procurar por essa luz azul, é possível entender algo sobre o neutrino e então, indiretamente, algo sobre a matéria escura que talvez tenha criado esse neutrino.
Mas é preciso volumes de água enormes para se fazer isso.
Precisamos de algo como dezenas de megatons de água - quase um gigaton de água - para conseguir pegar esse neutrino.
E onde no mundo se acharia essa quantidade de água?
Bem, os russos têm um tanque no próprio quintal.
Este é o Lago Baikal.
É o maior lago do mundo. Tem 800 km de distância.
Mais ou menos 40 km a 50 km de largura na maior parte, e de 1 km a 2 km de profundidade.
E o que os russos estão fazendo é construir detectores e submergi-los cerca de 1 km da superfície do lago para que possam observar esses raios de luz azul.
E esta foi a cena que vi quando eu cheguei lá.
Este é o Lago Baikal no auge do inverno siberiano.
O lago está totalmente congelado.
E a linha de pontos pretos que vocês veem no fundo, este é o campo de gelo onde os físicos estão trabalhando.
A razão pela qual eles têm que trabalhar no inverno é porque eles não têm dinheiro para trabalhar no verão e primavera, e se eles o fizessem, eles precisariam de navios e submersíveis para fazer o seu trabalho.
Então eles esperam até o inverno - o lago está completamente congelado - e eles usam esse gelo de um metro de espessura como uma plataforma onde estabalecem o seu campo e fazem o seu trabalho.
Isso são os russos trabalhando no gelo no auge do inverso siberiano.
Eles precisam abrir buracos no gelo, mergulhar na água - água muito gelada - para pegar o instrumento, trazer para cima, fazer qualquer reparo e manutenção necessários, colocar de volta e sair antes do gelo derreter.
Porque essa fase do gelo sólido dura dois meses e é cheia de rachaduras.
E vocês têm que imaginar que há um lago feito um oceano embaixo, se movendo.
Eu ainda não entendo esse cara russo trabalhando sem camisa, mas isso mostra o quanto ele trabalhava.
E essas pessoas, um punhado de pessoas, têm trabalhado por 20 anos, procurando por partículas que podem ou não existir.
E eles dedicaram a vida toda a isso.
E só para dar uma ideia, eles gastaram 20 milhões ao longo de 20 anos.
São condições bem difíceis.
Eles trabalham com um orçamento mínimo.
Os banheiros lá são literalmente buracos no chão cobertos por madeira.
E é bem básico, mas eles fazem isso todos os anos.
Da Sibéria para o Deserto do Atacama no Chile, para ver algo chamado O Telescópio Muito Grande.
O Telescópio Muito Grande é uma dessas coisas que os astrônomos fazem - eles dão nomes sem imaginação aos seus telescópios.
Eu falo que de fato, o próximo que eles planejam é chamado O Telescópio Extremamente Grande.
E vocês não acreditariam, mas um depois desse será chamado O Telescópio Arrebatadoramente Grande.
Mas enfim, é uma obra de engenharia extraordinária.
Há quatro telescópios de 8, 2 metros.
E esses telescópios, entre outras coisas, estão sendo usados para estudar como a expansão do universo está mudando com o tempo.
E quanto mais se entende isso, melhor se entende o que é essa energia escura - da qual o universo é feito.
E uma obra de engenharia que eu quero mencionar sobre esse telescópio é o espelho.
Cada espelho, existem quatro deles, é feito de um único pedaço de vidro, uma peça monolítica de cerâmica hi-tech, que foi triturada e polida com tanta precisão que a única maneira de entender o que é isso é imaginar uma cidade como Paris, com todos os seus edifícios e a Torre Eiffel, Se vocês triturassem Paris com a mesma precisão, ficariam com pedacinhos de um milímetro de altura.
E este é o tipo de polimento pelo qual esses espelhos passaram.
Um grupo extraordinário de telescópios.
Aqui tem outra imagem dele.
A razão pela qual você precisa construir esses telescópios em lugares como o Deserto do Atacama é por causa do deserto em grande altitude.
O ar seco é muito bom para os telescópios, e também as nuvens ficam abaixo do cume da montanha e o telescópio tem cerca de 300 dias de céu aberto.
Finalmente, quero levá-los para a Antártida.
Eu quero passar a maior pate do meu tempo nesta parte do mundo.
Esta é a fronteira final da cosmologia.
Alguns dos experimentos mais incríveis, alguns dos experimentos mais extremos, estão sendo feitos na Antártida.
Eu estava lá para ver algo chamado voo de balão de longa duração, que basicamente leva telescópios e instrumentos até a atmosfera superior, a estratosfera superior, 40 km para cima.
E é aí que eles fazem experimentos, e então o balão, a carga útil, é trazida para baixo.
Então aqui estamos pousando na Plataforma de Gelo Ross na Antártida.
Este é um avião de carga americano C-17 que nos voou da Nova Zelândia para McMurdo na Antártida.
E aqui estamos embarcando no ônibus.
E eu não sei se vocês conseguem ler as palavras, mas diz, "Ivan, o Terríbus."
E está nos levando para McMurdo.
E esta é a cena que nos saúda em McMurdo.
E talvez vocês mal consigam ver esta cabana aqui.
Esta cabana foi construída por Robert Falcon Scott e seus homens quando eles chegaram na Antártida na primeira expedição ao Polo Sul.
Por ser tão frio, tudo que está naquela cabana está como deixaram, com os restos da última refeição que eles cozinharam ainda lá.
É um lugar extraordináio.
Esta é McMurdo. Cerca de mil pessoas trabalham aqui no verão, e cerca de 200 no inverno quando é completamente escuro por seis meses.
Eu estava lá para ver o lançamento de um tipo de instrumento específico.
Este é um experimento de raio cósmico que foi lançado até a estratosfera superior a uma altitude de 40 km.
Eu quero que vocês imaginem duas toneladas de peso.
Estão usando um balão para carregar algo de duas toneladas até uma altitude de 40 km.
E os engenheiros, os técnicos, os físicos tiveram que se reunir na Plataforma de Gelo Ross, porque a Antártida - não entrarei nos detalhes do por quê - mas é um dos lugares mais favoráveis para se esses lançamentos, exceto pelo clima.
O clima, como podem imaginar, isto é verão, e estão sobre 60 metros de gelo.
E tem um vulcão atrás, que tem geleiras bem no topo.
E o que eles têm que fazer é montar todo o balão - o tecido, o paraquedas e tudo mais - no gelo e então enchê-lo com hélio.
E o processo leva cerca de duas horas.
E o clima pode mudar enquanto eles montam todo o aparato.
Por exemplo, aqui eles estão esticando o tecido do balão atrás, que será enchido com hélio.
Os caminhões que vocês veem lá no fundo carregam cada um 12 tanques de hélio comprimido.
Agora, caso o clima mude antes do lançamento, eles têm que guardar tudo de volta nas caixas e levar de volta para a estação McMurdo.
E este balão específico, por ter que levar duas toneladas de peso, é um balão gigantesto.
Só o tecido pesa duas toneladas.
Para minimizar o peso, é muito fino, é tão fino quanto papel de embrulho.
E se eles tiverem que levar de volta, eles têm que colocá-lo em caixas e pisoteá-lo para caber na caixa de novo - mas quando eles fizeram isso pela primeira vez, foi no Texas.
Aqui, eles não podem fazer isso com o tipo de sapatos que usam, então eles têm que tirar os sapatos, ficar de pés descalços no frio e fazer o trabalho.
Este é o tipo de dedicação dessas pessoas.
Aqui está o balão sendo enchido com hélio, e podem ver que é uma linda vista.
É uma cena que mostra o balão e a carga útil por inteiro.
Então o balão está sendo enchido com hélio na parte esquerda, e o tecido se estende até o meio onde há um pedaço de eletrônicos e explosivos sendo conectados ao paraquedas e o paraquedas é então conectado à carga útil.
E lembrem que tudo isso está sendo feito por pessoas no frio extremo, em temperaturas abaixo de zero.
Eles estão vestindo cerca de 15 kg de roupas, mas eles têm que tirar as luvas para fazer isso.
E eu gostaria de mostrá-los um lançamento.
Rádio: OK, lancem o balão, lancem o balão, lancem o balão.
Anil Ananthaswamy: E finalmente gostaria de deixá-los com duas imagens.
Este é um observatório no Himalaia, em Ladakh, na Índia.
E o que eu quero que vocês olhem é o telescópio no lado direito.
E bem na esquerda está o monastério budista de 400 anos.
Este é um close do monastério budista.
E eu fiquei maravilhado com a justaposição dessas duas enormes disciplinas do ser humano.
Uma explora o cosmos do lado de fora, e a outra explora o nosso ser interior.
E ambas necessitam de algum tipo de silêncio.
E o que me afetou foi que em cada lugar que eu fui ver esses telescópios, os astrônomos e cosmólogos estão procurando um certo tipo de silêncio, seja o silêncio de uma poluição de rádio ou poluição de luz ou o qualquer outra coisa.
E ficou óbvio que, se destruirmos esses lugares silenciosos da Terra, ficaremos presos em um planeta sem a habilidade de olhar para fora, porque não seremos capazes de entender os sinais que vêm do espaço.
Obrigado.
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Eu amo um desafio, e salvar a Terra é provavelmente um bom desafio
Todos nós sabemos que a Terra está em apuros.
Nós agora entramos na 6X-- a sexta maior extinção neste planeta.
Às vezes imagino se houvesse uma Organização dos Organismos Unidos -- também conhecida como "Oh-Oh" -- -- e cada organismo tivesse direito a voto, votariam para ficarmos ou sairmos do planeta?
Eu acho que esta votação está ocorrendo exatamente agora.
Eu gostaria de apresentar a vocês um pacote de 6 soluções micológicas, usando fungos, e estas soluções são baseadas no micélio.
O micélio infunde todos as paisagens, ele mantém o solo unido, é extremamente firme.
Isto segura até 30. 000 vezes sua massa.
Eles são os grandes desarmadores da natureza -- os mágicos do solo.
Eles geram os solos férteis por toda a massa terrestre.
Nós já descobrimos que há uma transferência multi-direcional de nutrientes entre plantas, facilitada pelo micélio -- então o micélio é a mãe que está dando nutrientes de amieiros e bétolas para cicutas, cedros e pinheiros.
Dusty e eu, gostamos de dizer, no domingo é aqui que vamos à Igreja.
Estou apaixonado pela floresta anciã, e sou um Americano patriota porque nós as temos.
A maioria de vocês conhece os cogumelos portobello
E francamente, eu enfrento um grande obstáculo
quando menciono cogumelos a alguém, eles imediatamente pensam em portobellos ou cogumelos mágicos, seus olhos brilham, e eles pensam que sou um pouco louco.
Então espero quebrar este preconceito para sempre com este grupo.
Nós chamamos isso de micofobia, o medo irracional do desconhecido em se tratando de fungos
Cogumelos são muito rápidos em seu crescimento.
Dia 21, dia 23, dia 25
Cogumelos produzem potentes antibióticos.
De fato, nós estamos mais intimamente relacionado a fungos do que a qualquer outro reino.
Um grupo de 20 microbiologistas eucarióticos publicou um artigo dois anos atrás elevando opisthokonta -- um super-reino que une animalia e fungi.
Nós temos em comuns os mesmos patógenos
Fungos não gostam de apodrecer por causa de bactérias, e então nossos melhores antibióticos vêm de fungos.
Mas aqui temos um cogumelo que passou sua aurora
Depois de esporular, eles apodrecem.
Mas eu te proponho que a sequência de micróbios que ocorrem em cogumelos apodrecendo são essenciais para a saúde da floresta.
Eles geram as árvores, eles criam os campos de detritos que alimentam o micélio
E portanto vemos um cogumelo aqui esporulando.
E os esporos estão germinando, e o micélio vai ao subsolo
Em uma única polegada cúbica de solo, pode existir mais de oito milhas destas células
Meu pé está cobrindo aproximadamente 300 milhas de micélio
Esta microfotografia é de Nick Read e Patrick Hickey.
Note que enquanto o micélio cresce, ele conquista território e então começa uma rede.
Eu fui um microscopista eletrônico de varredura por muitos anos. Tenho milhares de micrografias eletrônicas e quando estou olhando para o micélio eu percebo que eles são membranas microfiltrantes.
Nós exalamos dióxido de carbono, e o micélio também.
Ele inala oxigênio, assim como nós.
Mas estes são, em essência, estômagos e pulmões externalizados.
E eu apresento a vocês um conceito de que estes são extensões de membranas neurológicas
E nestas cavidades, estas microcavidades se formam, e enquanto elas fundem solos, elas absorvem água.
São pequenos poços
E dentro destes pequenos poços, pequenas comunidades microbiais se formam
E então o solo esponjoso não apenas resiste à erosão, Mas propicia um universo microbial que traz à tona uma pluralidade de outros organismos
Eu propus inicialmente, no começo dos anos 90, que o micélio é a internet natural da Terra
Quando você olha para o micélio, eles são altamente ramificados
E se há um ramo danificado, então muito rapidamente, por causa dos nós que se cruzam -- Engenheiros da internet podem chamar-lhes pontos-chave -- existem caminhos alternativos para canalizar nutrientes e informação
O micélio é consciente
Ele sabe que você está lá
Quando você anda por paisagens, ele se levanta logo depois de seus passos tentando pegar detritos.
Então eu acredito que a invenção da internet é uma consequência inevitável de um modelo biológico previamente provado e bem sucedido
A Terra inventou a internet para seu próprio benefício, e nós agora, sendo os organismos superiores deste planeta, estamos tentando distribuir recursos para proteger a biosfera.
Indo bem longe, a matéria escura corresponde ao mesmo arquétipo micelial.
Eu acredito que matéria produz vida, vida se torna células isoladas, células se tornam cadeias, cadeias se tornam sequências, sequências viram redes
E isto é o paradigma que vemos através de todo o universo
Muitos de vocês podem não saber que fungos foram os primeiros organismos à surgir na terra
Ele surgiram no solo 1, 3 bilhões de anos atrás, e plantas seguiram várias centenas de milhares de anos depois.
Como isto é possível?
É possível porque micélio produz ácidos oxálicos e muitas outras substâncias e enzimas, marcando rochas e pegando cálcio e outros minerais e formando oxalatos de cálcio
Faz a rocha se desfazer, o primeiro passo na geração do solo
Ácido oxálico são duas moléculas de dióxido de carbono unidas
Então fungos e micélio sequestram dióxido de carbono na forma de oxalatos de cálcio
E todos os outros oxalatos também estão sequestrando dióxido de carbono através dos minerais que estão se formando e sendo removidos da matriz rochosa
Isto foi inicialmente descoberto em 1859
Esta é uma fotografia de Franz Hueber
Esta fotografia foi tirada nos anos 50 na Arabia Saudita
420 milhões de anos atrás, este organismo existiu
Ele se chamava Prototaxites
Prototaxites tinha cerca de três pés de altura
As plantas mais altas naquela época tinham menos de dois pés
Dr. Boyce, na Universidade de Chicago, publicou um artigo no Journal of Geology no ano passado, determinando que o Prototaxites era um fungo gigante, um cogumelo gigante
Estes cogumelos gigantes estavam pontuados através das paisagens terrestres
Por todas as grandes massas terrestres
E eles existiram por dezenas de milhões de anos
Agora nós tivemos várias extinções em massa, e conforme progredimos -- 65 milhões de anos atrás -- a maioria de vocês sabe -- tivemos o impacto de um asteróide
A Terra foi atingida por um asteróide uma montanha enorme de detritos foi dispersa na atmosfera
A luz do sol foi bloqueada, e fungos herdaram a Terra
Os organismos que pareavam com fungos foram recompensados, porque fungos não necessitam de luz
Mais recentemente, na Universidade Einstein, eles determinaram que fungos usam radiação como fonte de energia, assim como plantas utilizam luz
Então a possibilidade de fungos existindo em outros planetas, eu acho, é uma conclusão inevitável pelo menos na minha cabeça
O maior organismo do mundo está no Oregon Leste
Eu não podia perder essa. Ele tinha 2200 acres de tamanho 2200 acres de tamanho, 2000 anos de idade
O maior organismo do mundo é uma rede micelial, com espessura de apenas uma célula
Como pode este organismo ser tão grande, mas ter apenas uma célula de espessura, enquanto nós temos cinco ou seis camadas de pele que nos protegem?
O micélio, nas condições certas, produz um cogumelo -- ele brota com tamanha ferocidade que pode quebrar asfalto
Nós estivemos envolvidos em vários experimentos
Vou mostrar seis soluções, se eu conseguir, para ajudar a salvar o mundo
Os Laboratórios Battele e eu nos juntamos em Bellingham, Washington,
onde haviam quatro pilhas saturadas com diesel e outros lixos petrolíferos Uma era a pilha controle, uma pilha foi tratada com enzimas, uma foi tratada com bactérias e nossa pilha foi inoculada com micélio de cogumelos
O micélio absorve o óleo
O micélio está produzindo enzimas -- peroxidases -- que quebram as ligações de carbono e hidrogênio
Estas são as mesmas ligações que mantém os hidrocarbonetos unidos
Então o micélio fica saturado de óleo, e então, quando retornamos seis semanas depois, todas as ceras foram removidas e todas as outras pilhas estavam mortas, escuras, e fedidas
Voltamos à nossa pilha, estava coberta com centenas de libras de cogumelos oyster e a cor ficou mais clara
As enzimas remanufaturaram os hidrocarbonetos em carboidratos -- açúcares fúngicos
Alguns destes cogumelos são cogumelos muito felizes
Eles são grandes
Eles estão mostrando quanta nutrição poderiam obter
Mas algo diferente aconteceu, que foi uma epifania em minha vida
Eles esporularam, os esporos atraem insetos, os insetos colocam ovos, ovos se tornam larvas,
Pássaros então vêm, trazendo sementes, e nossa pilha se tornou um oásis de vida
Enquanto as outras pilhas estavam mortas, escuras e fedidas, e os PAHs -- os hidrocarboentos aromáticos - foram de 10000 partes por milhão para menos de 200 em oito semanas
A última imagem nós não temos --
a pilha inteira estava coberta de verde com vida
Estas espécies são portais Espécies de vanguarda que abrem a porta para outras comunidades biológicas
Então inventei estes sacos -- reservatórios de combustíel -- e colocando micélio -- usando detritos de tempestades você pode pegar estes sacos e colocar após uma fazenda que está produzindo E. coli, ou outros lixos, ou uma fábrica com toxinas químicas, e eles propicaim restauração do habitat
Então preparamos um local em Mason County, Washington, e vimos uma diminuição drástica na quantidade de coliformes
E vou mostrar um gráfico aqui
Esta é uma escala logarítimica, 10 à oitava potência
A mais de 100 milhões de colônias por grama, e 10 à terceira potência é por volta de 1000
Entre 48 e 72 horas, estas três espécies de cogumelo reduziram a quantidade de bactérias coliformes em 10000 vezes
Pense nas implicações
Este é um método conservador de espaço que usa detritos de tempestade -- e podemos estar seguros que teremos tempestades todos os anos
Então este cogumelo, em particular, chamou nossa atenção ao longo do tempo
Esta é minha esposa Dusty com um cogumelo chamado Fomitopsis officinalis -- Agárico
É um cogumelo exclusivo da floresta antiga, que Dioscorides descreveu pela primeira vez em 65 A. C.
como tratamento contra tuberculose pulmonária
este cogumelo cresce no estado de Washington, Oregon Carolina do Norte, Colúmbia Britânica, e acredita-se que esteja extinto na Europa
Pode não parecer tão grande -- vamos chegar mais perto
Este é um fungo extremamente raro
Nossa equipe -- e nós temos uma equipe profissinal que nos acompanha -- nós fomos 20 vezes à floresta antiga no último ano
Achamos uma amostra que conseguimos cultivar
Preservando o genoma destes fungos na antiga floresta Eu acho que é absolutamente crítico para a saúde humana
Estive envolvido com o programa Bioshield do Departamento de Defesa dos E. U. A.
Submetemos mais de 300 amostras de cogumelos que foram fervidos em água quente, e o micélio colhendo estes metabólitos extracelulares
E alguns anos atrás recebemos os resultados
Nós temos três tipos diferentes de cogumélos agáricos que eram altamente ativos contra vírus da sífilis
Dr. Earl Kern, que é um especialista em sífilis do Departamento de Defesa dos E. U. A, diz que quaisquer compostos que têm índice de seletividade dois ou mais são ativos
10 ou mais é considerado mutio ativo
Nossas espécies de cogumelos estavam na faixa muito ativos
Aqui tem uma notícia de imprensa revisada, que vocês podem ler -- é avaliada pela DOD, se você procurar "Stamets" e "varíola" no google
Ou você pode ir ao NPR. org e escutar uma entrevista
Então, encorajados por isso, naturalmente fomos aos vírus da gripe
E então estou mostrando isso pela primeira vez
Nós temos três diferentes espécies de cogumelos agáricos altamente ativos contra vírus da gripe
Aqui estão os índices de seletividade -- contra varíola, era 10 ou 20 -- mas contra gripe, comparando com os controles com ribavirina, nós temos uma atividade extraordinariamente alta
E estamos usando um extrato natural com a mesma janela de dosagem que o farmacêutico puro
Nós testamos contra vírus A da gripe -- H1N1, H3N2 -- assim como vírus da gripe B
E depois testamos uma mistura, e na mistura testamos contra H5N1, e conseguimos índice de seletividade maior que 1000
Então acho que podemos argumentar que devemos salvar as antigas florestas como uma questão de segurança nacional
Eu me interessei em fungos entomopatogênicos -- fungos que matam insetos
Nossa casa estava sendo destruída por formigas carpinteiras
Então fui até a página principal da EPA, e eles recomendavam estudos com espécies metarhizium de um grupo de fungos que matam formigas carpinteiras, assim como cupins
Eu fiz algo que ninguém tinha feito antes
Na verdade eu cacei os micélios quando eles pararam de produzir esporos
estes são esporos -- isto é dentro dos esporos
Eu consegui fazer uma mudança na cultura e torná-la não esporulenta
Então a indústria gastou mais de 100 milhões de dólares especificamente em estações isca para prevenir os cupins de comerem sua casa
Mas os insetos não são estúpidos e eles evitariam os esporos quando chegam perto então tranformei as culturas para não esporularem
E peguei o prato da Barbie da minha filha Eu coloquei bem onde um bando de formigas carpinteiras estavam fazendo áreas de sujeira, todo dia na minha casa, e as formigas foram atraídas pelo micélio porque não há esporos
elas o deram à rainha
Uma semana depois, não vi mais nenhuma pilha de sujeira
E então -- uma delicada dança dentre jantar e morte -- o micélio é consumido pelas formigas, elas se tornam mumificadas e, tchan, um cogumelo brota de suas cabeças
Depois da esporulação, os esporos repelem
Então a casa não é mais adequada para invasão
Então temos uma quase permanente solução para re-invasão de cupins
Então minha casa caiu, eu recebi minha primeira patente contra formigas carpinteiras, cupins e formigas fogo
Então testamos extratos, e contemple, nós podemos guiar insetos para diferentes locais
Isto tem implicações imensas
Eu então recebi minha segunda patente -- desta vez uma grande
Tem sido chamada de patente Alexander Graham Bell --
Cobre mais de 200000 espécies
É a tecnologia mais perturbadora, disseram-me os executivos da indústria de pesticidas, que eles jamais testemunharam.
Isto poderia refazer toda a indústria de pesticidas no mundo
Poderíamos alavancar 100 estudantes de doutorado sob este conceito porque minha suposição é de que fungos entomopatogênicos, antes da esporulação, atraem os insetos que de outra maneira são repelidos por estes esporos
Então criei a Caixa da vida porque necessitava um sistema de entrga
A caixa da vida -- você receberá um DVD das conferências TED -- você adiciona solo, adiciona água, você tem fungos micorrizais e endofíticos assim como esporos, como do cogumelo agárico
As sementes são então criadas por estes micélios
E então você coloca sementes aqui dentro e você termina criando -- potencialmente -- uma antiga floresta partindo de uma caixa de papelão
Eu quero reinventar o sistema de entrega, e o uso da ciaxa de papelão ao redor do mundo, para que virem pegadas ecológicas
Se houver um site tipo YouTube que você possa colocar, poderíamos fazer isto interativo, com código específico com CEP -- onde pessoas poderiam se juntar, e através de satélites de imageamento, através do Virtual Earth ou Google Earth, você poderia confirmar que créditos de carbono estão sendo seqüestrados pelas árvores que estão crescendo das caixas da vida
Você poderia pegar uma caixa de sapatos poderia adicionar água -- eu desenvolvi isso para comunidades de refugiados -- milho, feijão, abóbora e cebolas
Eu peguei vários containeres -- minha esposa disse que seu consigo fazer isso, qualquer um consegue -- e terminei crescendo um jardim de sementes
Então você colhe as sementes -- e obrigado a você, Eric Rasmussen, por sua ajuda nisso -- e então você está colhendo o jardim de sementes
Você pode colher as sementes, e você precisa de algumas poucas --
Eu adicionei micélio, e então inoculei a espiga do milho
Agora, três espigas, nenhuma outra semente -- Muitos cogumelos começam a se formar
Muitas retiradas do banco de carbono, e então esta população será desligada
Mas assista o que ocorre aqui
Os cogumelos então são colhidos, mas muito importante, o micélio converteu a celulose em açúcares fúngicos
Então pensei, como poderíamos resolver a crise energética nesse país?
E inventamos o Econol
gerando etanol da celulose usando micélio como um intermediário -- e você ganha todos os benefícios que eu já descrevi
Mas ir de celulose para etanol não é ecologicamente inteligente e eu acho que devemos ser ecologicamente inteligentes sobre a geração de combustíveis
Então criamos os bancos de carbono no planeta, renove os solos --
estas são espécies com as quais que temos que nos unir
Eu acho que se empenharmos o micélio podemos ajudar a salvar o mundo
Muito Obrigado
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Imaginem, por favor, um presente.
Gostaria que vocês fizessem uma imagem mental.
Não é muito grande -- mais ou menos do tamanho de uma bola de golfe.
Então visualizem como ele ficaria bem embrulhado.
Mas, antes que eu mostre a vocês o que está dentro, vou dizer-lhes, ele vai fazer coisas inacreditáveis para vocês.
Ele vai unir todas as suas famílias.
Vocês vão se sentir amados e apreciados como nunca antes e vão reencontrar amigos e conhecidos dos quais nem ouvem falar há anos.
Adoração e admiração vão cobrir vocês.
Isso vai recalibrar o que é mais importante nas suas vidas.
Isso vai redefinir suas percepções de espiritualidade e fé.
Vocês terão um novo entendimento e confiança nos corpos de vocês.
Vocês terão vitalidade e energia insuperáveis.
Vocês vão expandir seus vocabulários, encontrar pessoas diferentes, e vão ter um estilo de vida mais saudável.
E vejam isto, vocês terão férias de oito semanas fazendo absolutamente nada.
Vocês vão fazer refeições de gourmets sem conta.
Flores vão chegar às bateladas.
As pessoas dirão a vocês, "Você está ótima. Você fez alguma plástica?"
E vocês terão um suprimento, por toda a vida, de bons remédios.
Vocês serão desafiados, inspirados, motivados e humilhados.
A vida de vocês terá um novo significado.
Paz, saúde, serenidade, felicidade, nirvana.
O preço?
55 mill dólares. E isso é um ótimo negócio.
Sei que agora vocês estão doidos para saber o que é isso e onde vocês podem conseguir um.
Será que a Amazon tem?
Será que tem o logotipo da Apple?
Será que tem uma lista de espera?
Provavelmente não.
Esse presente chegou para mim há seis meses.
Tinha essa aparência quando estava embrulhado -- não era muito bonito.
E isto. E então isto.
Era uma jóia rara, um tumor cerebral, hemangioblastoma, o presente que continua dando.
E apesar de estar bem agora, não desejaria esse presente para vocês.
Não estou certa se vocês o desejariam.
Mas eu não gostaria de mudar minha experiência.
Ela alterou profundamente minha vida de maneiras que eu não esperava de todas as maneiras que acabei de compartilhar com vocês.
Então, na próxima vez que vocês enfrentarem alguma coisa que seja inesperada, indesejada e incerta, considerem que isso simplesmente pode ser um presente.
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Eu tive o prazer distinto de viver em 2 biosferas.
É claro que todos nós aqui nesta sala vivemos na Biosfera 1.
Eu também vivi na Biosfera 2.
E a melhor parte disso é que eu posso comparar as biosferas.
E estou esperançosa que vou aprender algo com isso.
Então o que aprendi? Bem, aqui estou dentro da Biosfera 2, fazendo pizza.
Estou colhendo trigo, para fazer a massa.
E é claro que tive de ordenhar as cabras e as alimentar para fazer o queijo.
Demorou 4 meses para eu fazer uma pizza na Biosfera 2.
Aqui na Biosfera 1, eu demoro uns 2 minutos. Porque pego o telefone e digo, "Ei, você pode entregar pizza?"
A Biosfera 2 é em essência um mundo em miniatura de 3 acres, totalmente isolado onde vivi por dois anos e 20 minutos.
A parte de cima é selada com aço e vidro. Abaixo é selado com aço. Inteiramente isolado.
Então tínhamos nossa floresta em miniatura, uma praia particular com um recife de corais.
Tínhamos uma área gramada, pântano, deserto.
Tínhamos nosso próprio meio acre que tínhamos de plantar de tudo.
E claro que tínhamos nosso habitat humano, onde vivíamos.
Nos anos 80 quando estávamos planejando a Biosfera 2 Tínhamos de perguntar a nós mesmos coisas bem básicas.
Quero dizer, o que é uma biosfera?
Acho que nós todos sabemos que é essencialmente uma esfera de vida em torno da Terra, certo?
Bem, você deve ser mais específico que isso caso for construir uma.
E então decidimos que na realidade é que é materialmente fechada, isto é, nada sai nem entra, nenhum material, mas é energeticamente aberta. Que é basicamente o que o planeta Terra é.
Isto é uma câmara 400 vezes menor que a Biosfera 2 que era nosso módulo de testes.
E logo no primeiro dia, John Allen, entrou para passar alguns dias ali, com todas as plantas e animais e bactérias que colocamos lá esperando mantê-lo vivo. Os médicos estavam incrivelmente preocupados que ele fosse sucumbir a alguma toxina letal, ou que seus pulmões iriam ficar infestados de bactérias ou fungos.
Mas claro que nada disso ocorreu.
E nos próximos poucos anos, houve grandes sagas no planejamento da Biosfera 2.
Mas em 1991 nós finalmente tínhamos ela construída.
E era a hora de nós entrarmos e fazer o teste.
Tínhamos que saber, será que a vida é tão maleável?
Podemos pegar esta biosfera, que evoluiu em escala planetária, colocar dentro duma garrafa, e será que vai sobreviver?
Grandes perguntas.
E queríamos saber isso tanto para podermos ir a algum outro lugar no universo, se formos para Marte por exemplo, poderíamos levar uma biosfera para viver dentro?
Também queríamos saber mais sobre a Terra em que todos vivemos.
Bem, em 1991 era finalmente hora de entrarmos e testar esta coisa
Vamos fazer uma viagem inaugural.
Será que vai funcionar? Ou algo irá acontecer que não podemos entender e consertar? Assim negando o conceito de biosferas feitas pelo homem.
Então 8 pessoas entraram. Quatro homens e 4 mulheres.
Mais sobre isso depois.
E este é o mundo em que a gente viveu.
Então em cima tínhamos estas belas florestas e um oceano. E abaixo tínhamos esta tecnosfera, como a chamávamos. Onde estava todas as bombas e válvulas e tanques de água e tubos de ar e essas coisas.
Um dos biosferistas chamava isso de "Jardim do Éden no topo de um porta-aviões."
E é claro que também tínhamos nosso habitat humano, com os laboratórios e coisas do tipo.
Esta é a agricultura.
Era basicamente uma fazenda orgânica.
No dia em que entrei na Biosfera 2, Eu estava, pela primeira vez, respirando uma atmosfera completamente diferente de todos no mundo exceto sete outras pessoas.
E naquele momento me tornei parte daquela biosfera.
E não digo num sentido abstrato. é no sentido literal.
Quando eu exalava ar, meu CO2 alimentava as batatas doces que eu estava cultivando.
E nós comemos um monte horrível de batatas doces.
E essas batatas doces se tornaram parte de mim.
Na verdade, comemos tantas batatas doces, que fiquei alaranjada de batata doce.
Eu estava literalmente comendo o mesmo carbono várias e várias vezes.
Estava comendo eu mesma de uma maneira estranha e bizarra.
Quanto à nossa atmosfera, entretanto, não foi tão divertido no longo prazo. Pois começamos a perder oxigênio.
E sabíamos que estávamos perdendo CO2.
E então trabalhamos para sequestrar carbono.
Meu Deus, agora conhecemos este termo.
Estávamos cultivando plantas feito loucos.
Pegávamos suas biomassas, guardávamos elas no depósito, cultivamos plantas, de novo e de novo e de novo, tentando tirar todo aquele carbono da atmosfera.
Estávamos tentando impedir aquele carbono de ir pra atmosfera.
Nós paramos de irrigar nosso solo, o quanto podíamos.
Paramos de arar o solo para não emitir gases do efeito estufa.
Mas o oxigênio estava diminuindo mais rápido do que subia nosso CO2, o que foi bem inesperado. Porque tínhamos visto no módulo de teste que iam juntos.
E era como um esconde-esconde atômico
Nós perdemos sete toneladas de oxigênio.
E não tínhamos nenhuma pista de onde ele estava.
E digo a vocês, quando você perde muito oxigênio -- e nosso oxigênio caiu bastante, ele passou de 21% pra 14. 2% -- Meu Deus, você fica com muito medo.
Nós estávamos nos arrastando pela biosfera.
E tínhamos apnéia do sono de noite.
Quando você acorda engasgado sem ar. Porque a química do seu sangue mudou.
E você realmente faz isso. Para de respirar e então você – -- respira novamente e isso te acorda. É muito irritante.
E todos do lado de fora pensavam que estávamos morrendo.
Quero dizer, a mídia fez parecer que estávamos morrendo.
E eu tive de ligar para minha mãe várias vezes pra dizer "Não mãe, está tudo bem.
Não estamos mortos. Estamos bem."
E o médico estava de fato nos examinando para ter certeza de que estávamos bem.
Mas na verdade era ele que estava mais suscetível ao oxigênio.
E um dia ele não conseguiu alinhar umas figuras.
E era então hora de nós colocarmos oxigênio.
E você pode pensar, bem, "Seu sistema de suporte de vida estava falhando. Não era assustador?"
Sim, de uma certa forma era aterrorizante.
Exceto que eu sabia que eu poderia sair pela porta a qualquer momento, se ficasse muito ruim. Mas quem iria dizer "Não aguento mais?"
Eu não, isso é certeza.
Mas por outro lado isso era o objetivo científico do projeto. Porque realmente podíamos decifrar isso, como uma ferramenta científica, e ver se podíamos, de fato, encontrar onde as sete toneladas de oxigênio foram parar.
E de fato as encontramos.
No concreto.
Aconteceu algo muito simples.
Colocamos muito carbono no solo como composto.
Ele se quebrou e retirou oxigênio do ar. Colocou CO2 no ar e foi absorvido pelo concreto.
Realmente bem direto.
Então ao final de dois anos quando saímos, estávamos extasiados. Porque, na verdade, embora possam dizer que descobrimos algo meio ruim, quando seu oxigênio está diminuindo, parou de funcionar nosso sistema de suporte de vida, e isso é uma falha muito grave.
Exceto que sabíamos o que era. E sabíamos como consertar.
E mais nada apareceu que fosse tão sério quanto isso.
E provamos o conceito, mais ou menos.
As pessoas, por outro lado, era um tópico diferente.
Nós estávamos -- não sabia que éramos consertáveis.
Nós todos ficamos meio malucos, eu diria.
E chegou o dia que saí da Biosfera 2 Estava emocionada que iria ver minha família e meus amigos.
Passei dois anos vendo as pessoas pelo vidro.
e todos correram para mim.
E eu recuei. Elas fediam!
As pessoas fedem!
Fedem a spray de cabelo e desodorante, e todos os tipos de coisas.
Tínhamos coisas na Biosfera pra nos mantermos limpos. Mas nada com perfume.
E como fedemos aqui fora.
E não só isso, mas perdi a noção de onde vem minha comida.
Eu plantava toda minha comida.
Eu não tinha mais noção do que tinha na minha comida, de onde vinha.
Eu nem reconhecia metade dos nomes dos alimentos que eu comia.
Na verdade, eu ficava horas no mercado, lendo os nomes de todas as coisas.
As pessoas devem ter pensado que eu era louca.
Foi realmente impressionante.
E eu lentamente perdi a noção. de onde eu estava nessa grande biosfera, onde todos vivemos.
Na Biosfera 2 eu entendia que eu tinha um grande impacto na minha biosfera, todo dia, e ela tinha impacto em mim, muito visceralmente, literalmente.
Então segui com trabalho. Paragon Space Development Corporation, uma pequena firma que iniciei enquanto estava na Biosfera, porque eu não tinha mais nada para fazer.
E uma das coisas que fizemos foi tentar descobrir quão pequenas podem ser estas biosferas. E o que você pode fazer com elas?
E então enviamos uma para a Estação Espacial Muir.
Tínhamos uma na nave e outra na Estação Espacial Internacional, por 16 meses. Conseguimos produzir os primeiros organismos a completar múltiplos ciclos de vida no espaço. Realmente um avanço no entendimento de quão maleável nossos sistemas de vida são.
E estou orgulhosa de anunciar, que vocês vão ter uma prévia -- vamos anunciar na sexta feira que estamos formando uma equipe para desenvolver um sistema para cultivar plantas na Lua. o que será bem divertido.
E o legado disto é que estamos desenvolvendo um sistema. totalmente isolado para cultivar plantas em Marte.
E como parte disso tivemos que modelar Uma circulação muito rápida de CO2, oxigênio e água através desse sistema de plantas.
E como resultado dessa modelagem Eu acabei indo para vários lugares, na Eritrea, no Chifre da África.
Eritrea, antes parte da Etiópia, é um desses lugares incrivelmente bonitos, incrivelmente severo, e não entendo como as pessoas sobrevivem ali.
É tão seco.
Isto é o que eu vi.
Mas também vi isto.
Vi uma companhia que tinha pego água do mar, e areia, e eles estavam cultivando um tipo de planta que cresce em água salgada sem ter de tratá-la.
e ela produz alimento.
Neste caso eram sementes oleosas.
Fiquei deslumbrada. Eles também estavam produzindo manguezais em uma plantação.
E os manguezais forneciam madeira e mel, e folhas aos animais, então podiam produzir leite e coisas assim, como tínhamos na Biosfera.
E tudo vindo disto, fazendas de camarão.
Fazendas de camarão são uma praga na terra, do ponto de vista ambiental.
Eles jogam quantidades absurdas de poluentes nos oceanos.
Também poluem os vizinhos próximos. Estão todos cagando uns nos outros.
Literalmente.
E o que este projeto estava fazendo, era pegar esses poluentes, e transformar eles em alimento.
Eles estavam basicamente transformando poluição em fartura para as pessoas do deserto.
Criaram um ecossistema industrial, de certa maneira.
Eu estava lá porque tentava modelar a parte dos manguezais para um programa de crédito, sob o sistema
do Protocolo de Kyoto da ONU.
E enquanto eu modelava este manguezal, Eu pensava comigo mesma "Como encaixotar isso?"
Quando estou modelando uma planta numa caixa, eu sei onde estão as bordas, os limites.
Numa floresta de mangue como essa eu não tenho a menor idéia.
Claro, você tem que desenhar a borda ao redor de todo o planeta.
E entender suas interações com a Terra toda.
E colocar seu projeto neste contexto.
Estamos vendo transformações incríveis ao redor do planeta. Do que eu chamo de uma espécie biocida, que intencionalmente ou não intencionalmente planejou sistemas para matar a vida, a maioria das vezes.
Na verdade, esta linda foto, é acima da Amazônia.
E aqui as áreas claras são áreas de grande desmatamento.
E aquelas nuvens finas Na verdade são queimadas.
Estamos no processo de transformar isto, no que chamo de sociedade biofílica, onde aprenderemos a nutrir a sociedade.
Pode não parecer, mas estamos.
Está acontecendo em todo o planeta, em todos os tipos de lugares, e de carreiras e de indústrias que você puder pensar.
E acho que às vezes as pessoas ficam perdidas com isso.
Elas pensam "Como posso encontrar minha parte disto?"
É algo tão gigantesco.
E eu digo que as coisas pequenas contam. Realmente contam.
Esta é a história de um rastelo no meu quintal.
Este era o meu quintal, no começo, quando comprei o lugar.
E no Arizona, claro, todos colocam pedras e areias no chão.
E gostam de deixar tudo maravilhosamente arrumado. Retiram todas as folhas.
e nas manhãs de domingo, os vizinhos saem com seus removedores de folhas, e eu quero enforcá-los.
É um certo tipo de estética.
Somos muito desconfortáveis com a desordem.
Mas eu joguei meu rastelo fora.
E deixei todas as folhas cair das árvores que tinha ali.
E com o tempo, o que eu estava fazendo, em essência?
Eu estava criando uma camada superior de terra.
E agora todos os pássaros vem. E tenho águias.
e um oasis.
Isto é o que ocorre toda primavera. Por seis semanas, seis a oito semanas, eu tenho este oasis verde.
Esta é na verdade uma zona ribeirinha.
E toda Tucson poderia ser assim se todos se revoltassem e jogassem fora o rastelo.
As coisas pequenas contam.
A revolução industrial e Prometeus, nos deram isso, a habilidade de iluminar o mundo
E também nos deram isso, a habilidade de olhar o mundo por fora.
Mas nem todos têm outra biosfera pra ir, e comparar com esta biosfera.
Mas podemos olhar o mundo, e tentar entender onde estamos neste contexto, e como escolhemos interagir com ele.
E se você perder seu lugar nesta biosfera, ou talvez estiver tendo dificuldades de se conectar com o seu lugar nesta biosfera, Eu diria a você, para respirar fundo.
Os yogues tinham razão.
Respirar, de fato, conecta todos nós literalmente.
Respire fundo agora.
E enquanto respira, pense sobre o que está na sua respiração.
Talvez tenha CO2 da pessoa ao lado.
Talvez um pouco de oxigênio de alguma alga na praia não muito distante.
E também nos conecta no tempo.
Deve haver algum carbono na sua respiração que veio dos dinossauros.
Também pode haver carbono que você está exalando agora, que estará na respiração dos seus tataranetos.
Obrigado.
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O que eu gostaria que vocês fizessem, rapidamente, é acenar com a cabeça para a pessoa à sua direita, e agora para a pessoa à sua esquerda.
É bem possível que neste último inverno, se vocês fossem uma colméia, vocês ou uma das duas pessoas para as quais acenaram teria morrido.
Isso é muita, muita abelha.
E este é o segundo ano seguido em que perdemos mais de 30% das colônias, ou estimamos que perdemos 30% das colônias durante o inverno.
Isso é muita, muita abelha, e é extremamente importante.
A maior parde dessas perdas são provocadas por fatores que conhecemos.
Sabemos que existe esse ácaro varroa, que foi introduzido e causou muitas perdas. Temos também esse novo fenômeno, sobre o qual falei no ano passado, o Distúrbio do Colapso das Colônias.
Aqui vemos uma foto do alto de uma colina no Vale Central da Califórnia, em dezembro passado.
Abaixo, vemos todas essas áreas de armazenamento, ou áreas temporárias, para onde as colônias são trazidas até fevereiro, para então serem transportadas até as plantações de amendoeiras.
O autor de um documentário, que veio até este local e viu isso dois meses depois que eu estive aqui, descreveu as áreas não como colméias, mas como um cemitério, com caixas brancas vazias, sem quaisquer abelhas.
Agora, vou resumir um ano de trabalho em duas sentenças, para dizer que estamos tentando desvendar qual é a causa de tudo isso.
E o que sabemos que é como se as abelhas tivessem contraído uma gripe.
E esse gripe dizimou a população de abelhas.
Em alguns casos, na verdade, na maioria dos casos em um ano, essa gripe foi causada por um vírus novo para nós, ou recém identificado por nós, chamado de vírus israelense de paralisia aguda.
Tem esse nome porque um cara em Israel foi o primeiro a descobri-lo, e agora ele se arrepende profundamente de ter-lhe dado esse nome, porque, claro, tem essa implicação,
embora achemos que o vírus é bem comum.
Também sabemos que abelhas por vezes contraem outros vírus. ou outras gripes. Portanto, a pergunta que nos intriga, e que tem provocado nossa insônia, é o motivo das abelhas subitamente terem ficado suscetíveis a essa gripe. E por que estão tão suscetíveis a essas outras doenças?
Ainda não temos a resposta para esta pergunta, e temos dedicado muito tempo para descobrir essa resposta.
Achamos que talvez seja uma combinação de fatores.
Através do trabalho de uma equipe muito numerosa e dinâmica, estamos encontrando muitos diferentes pesticidas nas colméias. Surpreendentemente, as vezes são as colméis mais saudáveis que têm mais pesticidas. Assim, estamos descobrindo todas essas coisas estranhas que ainda não entendemos.
E isso abre toda essa questão de olhar para a saúde da colônia.
Se muitas colônias são perdidas, é possível, claro que os apicultores as substituam muito rapidamente.
E é por este motivo que conseguimos nos recuperar de muitas perdas.
Se, digamos, perdêssemos uma vaca em cada três no inverno, o exército estaria nas ruas.
Mas, o que os apicultores podem fazer é, se tiverem uma colônia sobrevivente, podem dividi-la em dois.
E para a metade dessa colônia que não tem uma rainha, eles podem comprar uma.
A rainha é enviada pelo correio; pode vir da Austrália, do Havaí ou da Flórida, e é possível introduzir essa rainha.
Na verdade, os EUA foram o primeiro país que passou a entregar rainhas pelo correio e, na verdade, é parte das regras postais a determinaçāo de que rainhas devem ser entregues pelo correio, para certificar que tenhamos abelhas suficientes neste país.
Se você não quiser apenas uma rainha, você pode comprar, na verdade, um pacote de um quilo e meio de abelhas, que é entregue pelo correio, e claro, o correio sempre fica preocupado quando recebe você sabe, seu pacote de um quilo e meio de abelhas.
E você pode instalar isso em sua colméia e substituir as que morreram.
Então isso significa que os apicultores são muito bons na substituição das abelhas mortas, e portanto conseguem compensar essas perdas.
Assim, apesar de termos perdido 30% das colônias a cada ano, ainda existe o mesmo número de colônias neste país, ou 2, 4 milhões de colônias.
Agora, essas perdas são trágicas sob muitos aspectos, e um desses aspectos é para o apicultor.
E, é muito importante primeiramente falar sobre os apicultores, porque os apicultores estão entre as pessoas mais fascinantes que vocês podem um dia conhecer.
Se este fosse um grupo de apicultores, teríamos todos os tipos de pessoas, daqueles que carregam um cartão de membro da NRA que, você sabe, viva livre ou morradas mais conservadoras, aos, você sabe, liberais de São Francisco que acreditam na auto expressão, tipo criadores de porcos no quintal.
E é possível reunir todas essas pessoas na mesma sala, e todas estão envolvidas e se entendendo maravilhosamente, e todas estão aqui porque compartilham a paixão por abelhas.
Agora, existe uma outra parte dessa comunidade, que são os apicultores comerciais, aqueles que sobrevivem apenas criando abelhas.
Esses estão entre as pessoais mais independentes, obstinadas, intuitivas e inventivas que alguém pode conhecer.
E são fascinantes. E são assim em todas as partes do mundo.
Tive o privilégio de trabalhar no Haiti por apenas duas semanas no início do ano.
E se vocês já foram ao Haiti, devem saber que é uma tragédia.
Deve haver pelo menos 100 explicações de porque o Haiti é o país pobre que é, mas não há desculpas para isso tipo de esqualidez.
Mas você conhece esse apicultor, e eu conheci esse apicultor aqui, e ele é um dos apicultores com o maior conhecimento que eu já conheci.
Não tem educação formal, mas tem muito conhecimento.
Precisávamos de cera de abelhas para um projeto nosso; ele era tão capaz, que conseguiu produzir o melhor bloco de cera de abelhas que já vi, a partir de estrume, latas e sua tela, que ele usou para se proteger, nesse campo. Esse tipo de engenhosidade é inspiradora.
Também temos Dave Hackenberg, que é o símbolo do DCC.
Ele foi o primeiro a identificar essa condição e soar os alarmes.
E ele tem um histórico com esses caminhões, transportando abelhas para cima e para baixo na costa.
Muitas pessoas falam sobre caminhões e transporte de abelhas, e como isso é danoso, mas já fazemos isso há milhares de anos.
Os antigos egípcios costumavam transportar abelhas acima e abaixo do Nilo, em jangadas. Portanto, o conceito de uma força móvel de abelhas não é novidade.
Uma das nossas principais preocupações com o Distúrbio do Colapso das Colônias é o alto custo de substituição das colônias mortas.
E você pode fazer isso por um ano, você pode tentar fazer isso por dois anos.
Mas se você estiver perdendo de 50% a 80% das suas colônias, você não consegue sobreviver três anos seguidos. Nós estamos muito preocupados com a possibilidade de perdermos este segmento da nossa indústria.
E isso é importante para muitas frentes, e uma delas é porque essa cultura está na agricultura.
Esses apicultores migratórios são os últimos nômades da América.
Eles pegam suas colméias, mudando-se com suas famílias uma ou duas vezes por ano.
E se você observar a Flórida, Dade City, na Flórida, é o destino de todos os apicultores da Pennsylvania.
Groveland fica 20 milhas mais abaixo, e é o destino de todos os apicultores de Wisconsin.
Se algum dia vocês estiverem no Vale Central da Califórnia em fevereiro, e forem a esse café Kathy and Kate´s, às 10 da manhã.
É para lá que vão todos os apicultores, após uma noite de transporte de abelhas para os pomares de amêndoas.
Eles tomam o seu café da manhã e se queixam de todos, bem ali. É uma ótima experiência. Recomendo que visitem esse restaurante nessa hora, porque é uma grande experiência americana.
Vemos essas famílias, famílias nômades, de pai para filho, de pai para filho, e esse pessoal está sofrendo.
E não é gente que gosta de pedir ajuda, apesar de serem extremamente solícitos.
Se um deles perder todas as suas abelhas por causa de um problema no seu caminhão, todos colaboram e doam 20 colméias, para ajudá-lo a substituir as colônias perdidas.
É uma comunidade muito dinâmica, e eu acho, que é uma comunidade histórica e entusiasmada para nos envolvermos.
Claro, a verdadeira importância das abelhas não é o mel.
Recomendo a todos que usem mel.
Quero dizer, é o adoçante mais ético, e, você sabe, é um adoçante dinâmico e divertido.
Mas estimamos que uma de cada três mordidas de alimentos que ingerimos é polinizada direta ou indiretamente por abelhas melíferas.
Agora, eu gostaria de ilustrar esse fato, que se olharmos para o café da manhã de comi ontem -- suco de amora, frutas, granola, sei que deveria ter comido pão integral, tudo bem, geléia no meu pão de forma branco e café -- se removermos todos os ingredientes -- exceto as amêndoas, que não daria para tirar da granola -- se removermos todos os ingredientes polinizados direta ou indiretamente pelas abelhas, não sobraria muito no prato.
Não morreríamos de forme, se não tivéssemos as abelhas, mas nossa dieta seria reduzida.
Dizem que para as abelhas, as flores são a fonte da vida, e para as flores, as abelhas são as mensageiras do amor.
E essa é uma frase ótima, porque na verdade, as abelhas de fato são as trabalhadoras do sexo das flores. Elas são, você sabe -- são pagas pelos seus serviços.
São pagas em pólem e nectar, para transportar o esperma masculino, o pólem, de flor em flor.
Existem flores que são auto-inferteis. Isso quer dizer que não conseguem -- o pólem em sua florada não consegue fertilizá-las.
Assim, em um pomar de macieiras, por exemplo, existem fileiras de 10 maçãs de um tipo, e então outro tipo de maçã, que tem um tipo diferente de pólem.
E as abelhas são muito fiéis.
Quando estão polinizando, ou coletando pólem de uma flor, ficam somente nessa cultura, para ajudar a gerar.
E claro, elas foram feitas para carregar esse pólem.
Elas acumulam uma carga elétrica estática que atrai o pólem, ajudando a distribuir o pólem de flor em flor.
Contudo, abelhas melíferas são uma minoria.
Abelhas melíferas não são nativas da América; foram introduzidas junto com os colonizadores.
Existem mais espécies de abelhas que todas as espécies de mamíferos e aves juntas.
Apenas na Pennsylvania, estudamos abelhas há 150 anos, e muito intensamente nos últimos três anos.
Já identificamos mais de 400 espécies de abelhas na Pennsylvania.
32 espécies não foram identificadas ou encontradas no estado deste 1950.
Talvez isso seja porque não estamos coletando as amostras certas, mas eu acho que isso sugere que há algo errado com a força de polinização. Essas abelhas são fascinantes.
No topo, temos as mamangabas.
Mamangabas são o que chamamos eusociais: não são realmente sociais, porque apenas a rainha o é, durante o inverno.
Temos também as abelhas halictidae, que são pequenas jóias voadoras.
São como pequenas moscas e voam muito.
E temos ainda outro tipo de abelha, chamada cleptoparasita, que é uma forma elegante de dizer que são perversas, assassinas -- que palavra estou procurando? Assassinas -- Público: Abelhas?
Dennis vanEngelsdorp: Abelhas, OK, obrigado.
O que essas abelhas fazem é, elas ficam ai. São solitárias, elas fazem um buraco no chão ou em um galho, coletam pólem e transformam-o em uma bola, e botam um ovo na bola.
Bom, essas abelhas ficam em volta do buraco, e elas esperam a mãe sair voando, e então vão e comem o ovo, e botam seu próprio ovo lá. Não têm nenhum trabalho.
E, na verdade, se você sabe que você tem essas abelhas cleptoparasitas, você sabe que o meio ambiente está saudável, porque essas abelhas ficam no topo da cadeia alimentar.
Existe agora uma lista vermelha de polinizadores, os quais achamos que tenham desaparecido e no topo dessa lista, existem muitos cleptoparasitas e também as mamangabas.
E na verdade, se alguns de vocês morarem na costa oeste dos EUA, visitem esses sites, porque estão procurando gente para identificar algumas dessas mamangabas, porque acreditamos que algumas foram extintas. Em outras, a população caiu.
Portanto, não são apenas as abelhas melíferas que estão em perigo, mas não entendemos esses polinizadores nativos, ou todas essas outras partes de nossa comunidade.
Claro, abelhas não são o único fator importante.
Existem outros animais polinizadores, como morcegos. E morcegos também estão em perigo.
Fico feliz de ser um cara de abelhas e não um cara de morcegos, porque não há verba para pesquisar problemas de morcegos.
E morcegos estão morrendo muito rápido.
A síndrome do nariz branco dizimou populações de morcegos.
Uma caverna em Nova York que tinha 15 mil morcegos, hoje tem apenas mil. É algo como São Francisco se tornar a população de metade desse condado em três anos.
Isso é inacreditável. E não há verba para pesquisa.
Fico contente em dizer que acho que sabemos a causa de todas essas condições, e a causa é DDN: Distúrbio do Déficit da Natureza.
Penso que o que aconteceu em nossa sociedade é que esquecemos nossa ligação com a natureza.
Penso que se nos religarmos à natureza, teremos os recursos e o interesse para resolver esses problemas.
Penso também que existe uma cura fácil para o DDN.
Basta plantarmos campos, invés de gramados.
Penso que perdemos nossa ligação, e essa é uma forma maravilhosa de nos ligarmos novamente ao meio ambiente.
Tive o privilégio de morar junto a um campo nos últimos tempos, e é muito instigante.
Se olharmos para a história dos gramados, é trágica.
Há 200 ou 300 anos, um gramado era um símbolo de prestígio, e apenas os muito ricos tinham condições de manter esses desertos verdes; é isso: são totalmente estéreis.
Os Americanos gastaram, em 2001 -- 11 por cento de todo o uso de pesticidas foi em gramados.
5% dos nossos gases de efeito estufa são produzidos aparando nossos gramados.
É incrível o volume de recursos que gastamos mantendo nossos gramados, que são biosistemas inúteis.
Precisamos repensar esse conceito.
Na verdade, a Casa Branca costumava ter ovelhas no gramado para ajudar a custear a II Guerra Mundial -- penso que não é má idéia. Não seria uma má idéia.
Gostaria de dizer isso não porque sou completamente contrário a aparar gramados.
Penso que há algumas vantagens em ter um gramado em uma escala limitada, e somos incentivados a fazê-lo.
Mas gostaria também de enfatizar algumas das idéias que ouvimos aqui, porque manter uma campo, ou viver junto a um campo, é transformacional.
É surpreendente a ligação que temos com aquilo que está lá.
Essa serralha cresceu no meu campo, ao longo dos últimos quatro anos. Acrescente-se observar as diferentes plantas, insetos que vêm para essas flores, observar tudo isso -- e ouvimos falar sobre o relacionamento que podemos ter com o vinho, esse companheiro que vai amadurecendo, e tem essas diferentes fragrâncias.
Esse campo é um companheiro, e representa um relacionamento que nunca termina.
Você nunca perde esse companheiro à medida que você toma esse vinho.
Recomendo que vocês analisem isso.
Nem todos nós podemos ter campos, ou gramados a serem convertidos, e portanto sempre dá para plantar um campo em um vaso.
Abelhas podem ser uma porta para outras coisas.
Não estou dizendo que devem plantar um campo de maconha, mas colocar um vaso em um campo.
É possível também ter essa ótima comunidade de apicultores urbanos ou de terraço, apicultores que vivem -- Isso é Paris, onde vivem esses apicultores.
E todos devem abrir uma colméia, porque é uma coisa surpreendente, incrível.
Se queremos nos curar do DDN, Distúrbio do Déficit da Natureza, penso que isso é uma ótima forma de fazê-lo.
Compre uma colméia e plante um campo, e veja a vida voltar para a sua vida.
Penso que assim, se pudermos fazê-lo, podemos assegurar que nosso futuro -- nosso futuro mais perfeito -- inclua apicultores e abelhas e campos.
E essa jornada -- a jornada da transformação que ocorre ao plantarmos um campo ou cuidar de abelhas ou observar essas abelhas nativas -- é extremamente animadora.
Espero que tenham essa experiência. E espero que me contem sobre ela algum dia.
Muito obrigado por estarem aqui. Muito obrigado.
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As vezes folheio revistas muito antigas.
Encontrei este teste de observação sobre a estória da arca.
E o artista que desenhou isso cometeu erros, tem alguns enganos. Algo em torno de 12 erros.
Alguns são muito simples.
Há uma chaminé, uma parte aérea, uma lâmpada e um mecanismo de corda na arca.
Alguns erros são sobre os animais, o número.
Mas há um erro muito mais fundamental na estória toda da arca que não aparece aqui.
E o problema é: onde estão as plantas?
Então agora temos Deus que irá submergir a Terra permanentemente, ou pelo menos por um período bem longo, e ninguém está cuidando das plantas.
Noé tinha que levar dois de cada tipo de pássaro de cada tipo de animal, de cada tipo de criatura que se move, mas não há qualquer menção sobre plantas.
Porquê?
Em outra parte da mesma estória, todas as criaturas vivas são apenas aquelas que saíram da arca, então pássaros, gado e animais selvagens.
Plantas não são criaturas vivas. Este é o ponto.
Este é um argumento que não saiu da Bíblia, mas é algo que sempre acompanhou a humanidade.
Vamos ver este belo código presente em um livro da Renascença.
Aqui temos a descrição da ordem da natureza.
É bacana por que começa da esquerda -- temos as pedras -- imediatamente depois as pedras, as plantas que são apenas capazes de viver.
Depois os animais, que vivem mas também sentem, e, no topo da pirâmide, temos o homem.
Este não é o homem comum.
É o "homo estudiosus" - o homem estudioso.
Isto é bem reconfortante para pessoas como eu -- Sou um professor -- isto deveria estar encerrado ali, no topo da criação.
Mas é algo completamente errado.
Vocês conhecem muito bem sobre professores.
Mas também está errado sobre plantas, por que as plantas não são capazes apenas de viver; elas são capazes de sentir.
São muito mais sofisticadas em perceber que os animais.
Apenas para dar um exemplo, todo ápice de raiz é capaz de detectar e monitorar simultânea e continuamente pelo menos 15 parâmetros químicos e físicos.
E também são capazes de realizar comportamentos maravilhosos e complexos que podem ser descritos apenas com o termo inteligência.
Bem, mas isto é algo -- esta subestimação das plantas é algo que sempre esteve conosco.
Vamos ver este pequeno filme agora.
Com David Attenborough.
Ele é realmente um amante das plantas. Fez alguns dos mais belos filmes sobre comportamento das plantas.
Quando ele fala sobre plantas, tudo está em correto.
Quando fala de animais, ele tende a esquecer o fato de que plantas existem.
"A baleia azul, a maior criatura que existe no planeta." Isto está errado, totalmente errado.
A baleia azul é um anão se comparado com a maior criatura de verdade que existe no planeta -- que é, essa maravilhosa, magnífica Sequoiadendron giganteum.
E isto é um organismo vivo que pesa pelo menos 2. 000 toneladas.
Agora, a estória de que plantas são organismos pouco desenvolvidos foi formalizada muito tempo atrás por Aristóteles, que em "De Anima" -- um livro muito influente pra civilização ocidental -- escreveu que as plantas estão no limiar entre o vivo e o não vivo.
São apenas um tipo bem baixo de alma.
Se chama alma vegetativa, porque não se movem, e então não precisam sentir.
Vejamos.
Ok, alguns movimentos das plantas são bem conhecidos.
Este é um movimento rápido.
Esta é Dionaea, uma Venus pega-mosca caçando lesmas. Pobre lesma.
Isto foi negado por séculos, apesar da evidência.
Ninguém podia dizer que uma planta poderia comer um animal, porque seria contra a ordem da natureza.
Mas plantas também são capazes de realizar muitos movimentos.
Alguns são bem conhecidos, como o florescimento.
É apenas uma questão de usar algumas técnicas como acelerar vídeos.
Alguns são muito mais sofisticados.
Veja este jovem feijão que se move para captar luz o tempo todo.
E é tão gracioso. É como um anjo dançarino.
Elas também são capazes de brincar. Estão realmente brincando.
Estes são pequenos girassóis, e o que estão fazendo não pode ser descrito com nenhum outro termo além de brincadeira.
Eles estão realmente se treinando, como muitos pequenos animais fazem, para a vida adulta, quando serão capazes de rastrear o sol o dia todo.
Elas são capazes de responder à gravidade, claro, então os brotos estão crescendo contra o vetor de gravidade e as raízes crescem a favor do vetor de gravidade.
Mas elas também são capazes de dormir.
Esta é uma Mimosa pudica.
Então durante a noite, elas dobram e fecham as folhas e reduzem o movimento, e durante o dia abrem as folhas -- há muito mais movimento.
Isto é interessante porque, esta maquinaria do sono, é perfeitamente conservada.
É a mesma nas plantas, em insetos e em animais.
E então se você precisa estudar este problema do sono, é mais fácil estudar em plantas, por exemplo, do que em animais, e é mais condizente com a ética.
É um tipo de experimento vegetariano.
Plantas também são capazes de se comunicar. São comunicadoras extraordinárias.
Se comunicam com outras plantas.
Podem distinguir as que são semelhantes ou não.
Elas se comunicam com plantas e outras espécies, e também com animais produzindo voláteis químicas, por exemplo, durante a polinização.
Polinização é um assunto muito sério para as plantas, porque move o pólen de uma flor para outra, entretanto, elas não podem mover este pólem entre suas flores.
Então precisam de um vetor, e este vetor, normalmente é um animal.
Muitos insetos foram usados pelas plantas como vetores para o transporte de pólen, mas não apenas insetos; até pássaros, répteis, e mamíferos como ratos e morcegos são normalmente usados para transportar pólen.
É um negócio sério.
As plantas fornecem aos animais um tipo de substância doce -- muito energética -- ganhando em troca o transporte de pólen.
Mas algumas plantas estão manipulando animais, como no caso das orquídeas que prometem sexo e néctar e não dão nada em troca pelo transporte de pólen.
Mas há um grande problema por trás de todo este comportamento que vimos.
Como é possível fazer isso sem cérebro?
Tivemos de esperar até 1880, quando este grande homem, Charles Darwin, publicou este maravilhoso, incrível livro que começou uma revolução.
O título é "O Poder do Movimento em Plantas".
Ninguém podia falar de movimento em plantas antes de Charles Darwin.
Neste livro, em colaboração com seu filho, Francis -- que foi o primeiro professor de fisiologia de plantas no mundo, em Cambridge -- eles levaram em consideração cada movimento por 500 páginas.
E no último parágrafo do livro, como uma marca estilística, porque normalmente Darwin reservava, no último parágrafo de um livro, a mensagem mais importante.
Ele escreveu que, "Não é exagero dizer que a ponta da radícula atua como um cérebro de um dos animais mais primitivos."
Isso não é uma metáfora.
Ele escreveu cartas muito interessantes a um amigo que era presidente da Royal Society na época, portanto autoridade científica máxima na Inglaterra falando sobre o cérebro de plantas.
Então, esta é a ponta de uma radícula crescendo em uma rampa.
Voce pode reconhecer este tipo de movimento, o mesmo movimento que minhocas, cobras e qualquer animal que se mova pelo chão sem pernas é capaz de realizar.
E não é um movimento simples, porque para realizá-lo, você precisa mover diferentes partes e regiões da raiz e sincronizá-las sem ter um cérebro.
Então nós estudamos a ponta da radícula, e encontramos esta região específica que está aqui, representada em azul -- vamos chamá-la de zona de transição.
E esta região, é bem pequena. Menor que um milímetro.
Nessa pequena região acontece a maior taxa de consumo de oxigênio nas plantas, e mais importante, você tem este tipo de sinal aqui.
Os sinais que vocês estão vendo são potenciais de ação, os mesmos sinais que os neurônios do meu cérebro, do nosso cérebro, usam para trocar informações.
Agora sabemos que ápice da radícula contém apenas algumas centenas de células que possuem este tipo de característica, mas sabemos quão grande é a quantidade de radículas numa planta, como um centeio por exemplo.
Temos praticamente 14 milhões de radículas.
Temos 11, 5 milhões de ápices de radículas e um comprimento total de 600 Km ou mais e uma área de superfície enorme.
Agora vamos imaginar que cada ápice de radícula esteja trabalhando em rede com os demais.
Temos, a esquerda, a internet e a direita, o aparato da raiz.
Trabalham da mesma maneira.
São uma rede de pequenas máquinas computacionais, trabalhando em rede.
E porque são tão similares?
Porque evoluíram pela mesma razão: sobreviver a predação.
Trabalham do mesmo modo.
Então você pode remover 90% das raízes e as plantas ainda continuam a trabalhar.
Você pode remover 90% da internet e ela continua a trabalhar.
Então, uma sugestão para as pessoas trabalhando com redes: plantas são capazes de dar boas sugestões sobre como evoluir redes.
E outra possibilidade é tecnológica.
Imaginem que podemos construir robôs inspirados por plantas.
Até agora, o homem foi inspirado apenas por ele mesmo e outros animais para fazer robôs.
Nós temos o animalóide -- os robôs típicos inspirado em animais, insetóides etc.
Temos os andróides que são inspirados no homem.
Por que não ter um plantóide?
Se você quer voar, é bom olhar para os pássaros, se inspirar em pássaros.
Mas se você quer explorar solos, ou se quer colonizar novos territórios, a melhor coisa que pode fazer é se inspirar em plantas que são mestras em fazer isso.
Temos ainda outra possibilidade que estamos trabalhando em nosso laboratório, que é construir híbridos.
é muito mais fácil construir híbridos.
Híbridos significa algo metade vivo metade máquina.
É muito mais fácil trabalhar com plantas do que com animais.
Elas tem capacidade computacional. Tem sinais elétricos.
A conexão com a máquina é muito mais simples, e mais éticamente possível.
E estas são três possibilidades que estamos trabalhando atualmente para construir híbridos, movidos por algas ou pelas folhas, ou pela parte mais poderosa das plantas, as raízes.
Bem, obrigado pela atenção.
E antes de terminar, Eu gostaria de assegurar que nenhuma lesma foi machucada pra fazer esta apresentação.
Obrigado.
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Obrigado.
Muitíssimo obrigado.
Isso foi assobiar.
Estou tentando fazer isso em inglês.
O que um cara gordinho e de cabelo crespo da Holanda - por que ele está assobiando?
Na verdade, eu assobio desde os quatro anos de idade.
Meu pai sempre assobiava pela casa, e eu achava que isso era parte da comunicação na família.
Então eu assobiava com ele.
E até os 34 anos, eu sempre incomodei e irritei as pessoas com meu assobio. Porque, para ser honesto, meu assobio é meio que um comportamento depravado.
Eu assobiava sozinho, eu assobiava na sala de aula,
eu assobiava na minha bicicleta, eu assobiava em todos os lugares.
E eu também assobiava na festa de Natal da família da minha esposa.
E eles tinham, na minha opinião, músicas de Natal horríveis.
E quando eu escuto música que eu não gosto, eu tenho melhorá-la.
Então "Rudolph the Red-nosed Reindeer" - sabem?
Mas também pode soar assim.
Mas durante uma festa de Natal - no jantar - é muito irritante.
Então minha cunhada me pediu algumas vezes, "Por favor, pare de assobiar."
E eu não conseguia.
E a certa altura - eu tinha bebido vinho, tenho que admitir - a certa altura eu disse, "Se tivesse uma competição, eu participaria."
E duas semanas depois, Eu recebi um torpedo: "Você vai para os Estados Unidos."
OK, eu vou para os Estados Unidos.
Eu adoraria, mas por quê?
Eu imediatamente liguei para ela, claro.
Ela procurou no Google e achou um campeonato mundial de assobio nos Estados Unidos, claro.
Ela não esperava que eu fosse.
E eu teria "perdido a minha cara."
Não sei se essa é uma frase possível em inglês.
Mas os holandeses aqui vão entender.
Eu perdi minha cara.
E ela pensou, "Ele nunca irá lá."
Mas eu fui.
Eu fui para Louisburg, Carolina do Norte, sudeste dos Estados Unidos, e entrei no mundo do assobio.
E também entrei no campeonato mundial, e venci em 2004.
Isso foi - Foi super divertido, é claro.
E para defender meu título - assim como judocas e esportistas fazem - eu pensei, 'Bem vamos voltar em 2005,' e eu venci de novo.
Então eu não pude participar por alguns anos.
E em 2008 e eu competi de novo no Japão, Tóquio, e venci de novo.
Então o que aconteceu é que estou aqui na linda cidade de Rotterdam, neste grande palco, e estou falando sobre assobiar.
E na verdade eu ganho dinheiro assobiando, no momento.
Eu larguei meu trabalho como enfermeiro.
E eu tento viver o meu sonho - bem, na verdade nunca foi meu sonho, mas soa bem.
OK, eu não sou o único assobiando aqui.
Vocês dizem, "Hum, o que quer dizer?"
Bem, vocês vão assobiar comigo.
E então sempre as mesmas coisas acontecem: as pessoas olham umas para as outras e pensam, "Oh, meu Deus.
Por quê? Posso ir embora?"
Não, não podem.
É bem simples, na verdade.
A música que vou assobiar é chamada "Fête de la Belle."
Tem mais ou menos 80 minutos.
Não, não, não. Só tem 4 minutos.
E eu quero primeiro ensaiar o assobio de vocês.
Então eu assobio o tom.
Desculpe, esqueci de algo.
Vocês assobiam o mesmo tom que eu.
Eu ouvi uma grande variedade de tons.
Isso é muito promissor.
Isso é muito promissor.
Vou pedir para os técnicos iniciarem a música.
E quando começar, eu indico onde vocês assobiam comigo, e vamos ver o que acontece.
Oh, hah.
Desculpem, técnicos.
Estou tão acostumado com isso.
Eu mesmo começo.
Ok, aqui está.
OK.
É fácil, não?
Agora vem o solo. Eu proponho fazer isso sozinho.
Max Westerman: Geert Chatrou, o campeão mundial de assobio.
Geer Chatrou: Obrigado. Obrigado.
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Eu comecei Improv Everywhere cerca de 10 anos atrás quando eu me mudei para a cidade de Nova York com o interesse de atuar em comédias.
Como eu era novo na cidade, eu não tinha acesso aos palcos, então eu decidi criar o meu próprio em espaços públicos.
Então o primeiro projeto que nós vamos dar uma olhada é a primeira "Corrida de Metrô sem Calças".
Isto aconteceu em janeiro de 2002.
E esta mulher é a estrela deste vídeo.
Ela não sabe que está sendo filmada.
Ela está sendo filmada com uma câmera escondida.
Este é no sexto trem na cidade de Nova York.
E esta é a primeira parada ao longo da linha.
Estes dois caras são dinamarqueses que vieram e sentaram próximo à câmera escondida.
E aquele lá sou eu com um casaco marrom.
Está cerca de -1 grau Celsius do lado de fora.
Eu estou usando um chapéu. Eu estou usando um cachecol.
E a garota vai me ver lá.
Risos E como vocês podem ver agora, eu não estou usando calças.
Risos Então nesse ponto - nesse ponto ela está me observando mas em Nova York existem esquisitões em qualquer vagão de trem.
Uma pessoa não chega a ser tão incomum.
Ela volta a ler o seu livro, que infelizmente tem o título de "Estupro".
Risos Então ela notou esta coisa incomum, mas ela volta a sua vida normal.
Nesse meio tempo, eu tenho seis amigos que estão esperando nas próximas seis estações consecutivas só com suas roupas de baixo também.
Eles irão entrar nesse vagão um por um.
Nós iremos agir como se não conhecessemos um ao outro.
E iremos agir como se isto fosse apenas um erro infeliz que tivessemos cometido, esquecendo nossas calças neste dia frio de janeiro.
Risos Então nesse ponto, ela decide guardar o livro de estupro.
Risos E resolve ficar um pouco mais atenta aos seus arredores.
Agora nesse meio tempo, os dois dinamarqueses a esquerda da câmera, eles estão dando gargalhadas.
Eles pensam que isto é a coisa mais engraçada que já viram.
E observem ela fazendo contato visual com eles agora.
Risos E eu adoro este momento neste vídeo, porque antes dele se tornar uma experiência compartilhada, foi algo que talvez tenha sido um pouquinho assustador, ou algo que foi, pelo menos, confuso para ela.
E então, uma vez que isto se tornou uma experiência compartilhada, se tornou engraçado e alguma coisa que ela pode rir.
Então o trem está entrando agora na terceira parada da linha 6.
Risos O vídeo não vai mostrar tudo
Isto continua por mais quatro estações.
Um total de sete caras entram anonimamente de roupas íntimas.
Na oitava parada, uma garota entra com uma enorme mochila e anuncia que tem calças para vender por um dolar - como se vendem pilhas ou doces no trem.
Nós todos muito naturalmente compramos um par de calças, vestimos e falamos, "Muito obrigado. Era exatamente o que eu estava precisando hoje". e então descemos sem revelar o que tinha acontecido e seguimos em direções diferentes.
Aplausos Obrigado.
Então esta é uma cena do vídeo.
E eu gosto muito da reação daquela garota.
E olhando aquele vídeo mais tarde naquele dia me inspirou a continuar fazendo o que eu faço.
E na verdade, um dos pontos do Improv Everywhere é provocar uma cena num espaço público que seja uma experiência positiva para outras pessoas.
É uma brincadeira, mas é uma brincadeira que proporciona à alguém uma grande história para contar.
E a reação dela me inspirou a fazer a segunda "Corrida anual Sem Calças no Metrô".
E nós a temos feito continuamente todos os anos.
Neste janeiro, nós fizemos a 10a. "Corrida anual de Sem Calças no Metrô" onde um grupo diverso de 3. 500 pessoas viajaram de trem só com suas roupas de baixo em Nova York - praticamente em todas as linhas de trem na cidade
E também em outras 50 cidades ao redor do mundo, pessoas perticiparam.
Risos Quando eu comecei a tomar aulas de improvisação na Upright Citizens Brigade Theater e encontrando outras pessoas criativas, outros atores e comediantes, eu comecei a formar uma lista de endereços de pessoas que queriam fazer estes tipos de projetos.
Então eu pude fazer projetos de maior escala.
Um dia eu estava caminhando na Union Square, e eu vi este edifício, que recém havia sido construído em 2005.
E havia uma garota em uma das janelas e ela estava dançando.
E isto era muito peculiar, porque estava escuro fora, mas ela estava iluminada por trás com luz fluorescente, e ela estava como que em um palco, e eu não podia imaginar porque ela estava fazendo isso.
Depois de cerca de 15 segundos, a amiga dela apareceu - ela estava se escondendo atrás de uma tela - e elas riram e se abraçaram e saíram correndo.
Então isto parecia como se talvez ela tivesse sido desafiada a fazer isto.
Então aquilo me inspirou.
Olhando a fachada inteira - havia um total de 70 janelas - e eu sabia o que eu tinha que fazer.
Risos Este projeto eu chamei "Procure Mais". Nós tinhamos 70 atores vestidos de preto.
Isto foi completamente sem autorização.
Nós não informamos as lojas que nós iríamos fazer aquilo.
E eu fiquei no parque fazendo sinais.
O primeiro sinal foi para todos levantarem estas grandes letras de 1, 32 metros que soletravam "Procure mais", o nome do projeto.
O segundo sinal era para todos fazerem saltos de polichinelo juntos.
Vocês verão isso começar agora.
Risos E então nós temos a dança. Todos dançando.
E então nós temos a dança individual onde somente uma pessoa dançava e todos apontavam para eles.
Risos E então eu fiz um novo sinal, que sinalizava o próximo solista abaixo no Forever 21, e ele dançou.
Houveram outras diversas atividades.
Nós tinhamos pessoas pulando, pessoas caindo no chão.
E eu estava lá anonimamente de suéter colocando e tirando minha mão de uma lixeira para sinalizar o avanço das atividades.
E porque isto era na Union Square Park, próximo a uma estação de metrô, havia centenas de pessoas por perto que paravam e olhavam para cima e observavam o que nós estavamos fazendo.
Aí está uma foto melhor disso.
Então esse evento especial foi inspirado por um momento que aconteceu comigo por acaso.
O próximo projeto que eu quero mostrar foi dado para mim por um e-mail de um desconhecido.
Um garoto da escola secundária no Texas escreveu para mim em 2006 e disse, "você deveria conseguir o maior número de pessoas possível e vesti-las em camisas pólo azuis e calças cáqui e entrar em uma Best Buy e caminhar por lá".
Risos Aplausos Então eu imediatamente respondi a este garoto de escola secundária, e eu disse, "Sim, você está certo.
Eu acho que vou tentar fazer isto neste final de semana. Obrigado".
Então aqui está o vídeo.
De novo, isto é em 2005.
Esta é a Best Buy na cidade de Nova York.
Nós tinhamos cerca de 80 pessoas que apareceram para participar, entrando uma a uma.
Havia um garota de oito anos de idade, uma de 10 anos de idade.
Também havia um senhor de 65 anos de idade que participaram.
Então, um grupo bem diverso de pessoas.
E eu disse as pessoas. "Não trabalhem. Na verdade não façam nenhum trabalho.
Mas também não comprem.
Apenas fiquem por lá e não olhem os produtos".
Agora vocês podem ver os funcionários normais são aqueles que tem uma etiqueta amarela nas suas camisas.
Todos os outros são os nossos atores.
Risos Os funcionários do baixo escalão acharam que isto foi muito divertido.
E, de fato, muitos deles foram pegar suas câmeras da sala de descanso e tiraram fotos conosco.
Muitos deles fizeram brincadeiras tentando nos levar para os fundos para pegar televisores pesados para os clientes.
Os gerentes e guardas de segurança, por outro lado, não acharam isto particularmente divertido.
Vocês podem vê-los nesta tomada.
Eles estão usando camisa amarela ou preta.
E nós estivemos lá provavelmente por 10 minutos antes que os gerentes decidissem ligar para o 190.
Risos Então eles começaram a circular dizendo a todos que os policiais estavam vindo, cuidado, os policiais estão vindo.
Vocês podem ver os policiais nesta tomada bem aqui.
Há um policial vestido de preto lá, sendo filmado com uma câmera escondida.
Por fim, a polícia teve que informar à gerência da Best Buy que, na verdade, não era ilegal vestir camisa pólo azul e calça cáqui.
Risos Aplausos Obrigado.
Aplausos Então nós estivemos lá por 20 minutos, nós estavamos felizes ao deixar a loja.
Uma coisa que os gerentes estavam tentando fazer era descobrir nossas câmeras.
E eles pegaram alguns do grupo que estavam com câmeras escondidas nas suas mochilas.
Mas o cara com uma câmera que eles nunca pegaram foi o cara que entrou com uma fita em branco e foi ao setor de câmeras da Best Buy e colocou a sua fita em uma das câmeras deles e simulou que estava comprando.
Eu gostei do conceito de usar a tecnologia deles contra eles mesmos.
Risos Eu acho que os nossos melhores projetos são aqueles com lugar específico e acontecem em um determinado lugar por uma razão.
E uma manhã, eu estava andando no metrô.
Eu tinha que fazer uma baldeação na parada 53rd St. onde há estas duas enormes escadas rolantes.
E é um lugar muito deprimente pela manhã. É muito lotado.
Então eu decidi tentar e encenar alguma coisa que pudesse torná-lo tão alegre quanto possível por uma manhã.
Isto foi no inverno de 2009 - 8: 30 da manhã.
É a hora do rush da manhã,
Está muito frio do lado de fora.
Pessoas estão vindo do Queens, passando do trem E para o trem 6.
E eles estão subindo nesta escada rolante gigante no seu caminho para o trabalho.
Risos Risos Aplausos Obrigado.
Há uma fotografia que ilustra isto um pouco melhor.
Nós demos 2 mil "High Fives" aquele dia e ele lavou suas mãos antes e depois e não ficou doente.
E aquilo também foi feito sem permissão embora ninguém parecia se importar.
Então eu diria ao passar dos anos uma das críticas mais comuns que eu vejo do Improv Everywhere deixada anonimamente nos comentários do YouTube é: "Estas pessoas tem muito tempo disponível".
E vocês sabem, não são todos que vão gostar de tudo que você faz, e eu certamente fiquei calejado graças aos comentários da internet, mas aquele sempre me aborreceu, porque nós não temos muito tempo disponível.
Os participantes dos eventos do Improv Everywhere tem o mesmo tempo para o lazer do que qualquer outro morador de Nova York, eles apenas ocasionalmente escolhem gastá-lo de uma maneira incomum.
Vocês sabem, todos os sábados e domingos, centenas de milhares de pessoas cada outono se reunem em estadios de futebol para assistir os jogos
E eu nunca vi ninguém comentar, olhando um jogo de futebol, dizendo. "Todas estas pessoas nas arquibancadas, eles tem muito tempo disponível".
E sem dúvida eles não tem.
É uma maneira perfeita e maravilhosa de passar uma tarde de fim de semana, olhando uma partida de futebol no estádio.
Mas eu acho que também é uma maneira perfeita e válida passar uma tarde congelando com 200 pessoas no terminal Grand Central ou vestindo-se como um caça-fantasma e correndo através da Biblioteca Pública de Nova York
Risos Ou ouvindo o mesmo MP3 que outras 3. 000 pessoas e dançando silenciosamente em um parque ou explodindo em uma música em uma mercearia como parte de um musical espontâneo ou mergulhando no oceano em Coney Island vestido formalmente
Vocês sabem, como crianças, nós somos ensinados a brincar.
E nunca nos deram uma razão por que nós deveríamos brincar.
É simplesmente aceitável que brincar é uma coisa boa.
E eu acho que isto é de certa forma o objetivo do Improv Everywhere.
É que não há um objetivo e que não tem que ter um objetivo.
Nós não precisamos de um motivo.
Desde que seja divertido e que pareça que vai ser uma ideia engraçada e se parecer que as pessoas que virem também se divertirão, então isto é o suficiente para nós.
E eu acho, como adultos, nós precisamos aprender que não há maneiras certas ou erradas para brincar.
Muito obrigado.
Aplausos.
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É maravilhoso estar de volta.
Eu amo este maravilhoso encontro.
E vocês devem estar se perguntando:
"Que diabos? Colocaram o slide errado?"
Não, não.
Olhem para esta besta magnífica e se perguntem - quem a projetou?
Isto é TED.
Isto é Tecnologia, Entretenimento, Design e eis uma vaca leitera.
É um animal maravilhosamente bem projetado.
E eu estava pensando: como vou apresentar isto?
E pensei, bem, talvez aquele velha trova de Joyce Kilmer vocês conhecem: "Poemas são feitos por idiotas como eu, mas só Deus pode fazer uma árvore."
E vocês poderiam dizer: "Bem, Deus projetou a vaca."
Mas, é claro, Deus teve um bocado de ajuda.
Este é ancestral dos bovinos.
Este é o Oryx.
E ela foi projetada pela seleção natural, o processo de seleção natural, através de milhões de anos.
E então foi domesticada há milhares de anos atrás.
E os seres humanos tornaram-se seus serviçais, e, mesmo sem saber o que estavam fazendo, eles gradativamente a redesenharam e redesenharam e redesenharam.
E então, mais recentemente, eles realmente começaram a fazer um tipo de engenharia reversa nesta besta e a descobrir examente que partes eram, como elas funcionavam e como podiam ser otimizadas - como podiam ser melhoradas.
Por que estou falando sobre vacas?
Porque quero dizer que o mesmo vale para as religiões.
Religiões são fenomenos naturais.
Tão naturais quanto vacas.
Têm evoluído através dos milênios.
Têm uma base biológica, exatamente como o Oryx.
Têm se tornado domesticadas, e os seres humanos vem redesenhando as religiões por milhares de anos.
Isto é TED, e quero falar sobre design.
Porque o que temos feito nos últimos quatro anos, na verdade, desde a primeira vez que me viram - alguns me viram no TED quando falava sobre religião, e nos últimos quatro anos tenho trabalhado incessantemente neste tópico.
E poderiam dizer que é a engenharia reversa das religiões.
Essa idéia, acho, causa terror a muitas pessoas, ou raiva, ou ansiedade de uma jeito ou de outro.
E esse é o encanto que quero quebrar.
Quero dizer, não, as religiões são um fenômeno natural importante.
Deveríamos estudá-las com a mesma intensidade que estudamos todos os outros fenômenos naturais, como o aquecimento global, como ouvimos eloquentemente Al Gore ontem à noite.
As religiões atuais são brilhantemente planejadas. brilhantemente projetadas.
São instituições sociais imensamente poderosas e muitas de suas características podem ser rastreadas até características antigas as quais fazem realmente sentido a partir da engenharia reversa.
E, assim como a vaca, há uma mistura de projeto evolutivo, planejada pela própria seleção natural, e design inteligente - mais ou menos inteligente - redesenhadas pelos seres humanos que estão tentando redesenhar suas religiões.
Não se faz bate-papos literários no TED, mas colocarei só um slide sobre meu livro, porque há uma mensagem nele que acho que este grupo precisa realmente ouvir.
E ficaria bastante interessado em suas respostas a isto.
É a proposta de política única que faço no livro, neste momento quando declaro não saber o suficiente sobre religião para saber quais outras propostas políticas fazer.
E esta é a única que ecoou as críticas que vocês ouviram hoje.
Eis minha proposta.
Levarei alguns minutos para explicá-la: educação em religiões mundiais para todas as nossas crianças no ensino fundamental, no médio, em escolas públicas, em particulares e na educação domiciliar.
Então o que proponho é, exatamente como necessitamos ler, escrever, aritmética, história, então deveríamos ter um currículo sobre fatos sobre todas as religiões do mundo, sobre suas histórias, seus credos, seus textos, sua música, seus simbolismos, suas proibições, seus requisitos.
E deveria ser apresentado factualmente, diretamente sem volteios, para todas as crianças no país.
E desde que se ensine isto, pode-se ensinar qualquer coisa a mais que quiserem.
Isso, eu acho, é a tolerãncia máxima para a liberdade religiosa.
Desde que tenham informado às nossas crianças sobre outras religiões então poderão - e tão cedo quanto quiserem e o que quer que queiram - ensiná-las quaisquer credos que quiserem que aprendam.
Mas também as deixem saber sobre outras religiões.
Mas por que digo isso?
Porque democracia depende de uma cidadania informada.
Consentimento informado é o alicerce exato do nosso entendimento de democracia.
Consentimento mal informado não vale a pena.
É como um cara e coroa - na verdade, não vale nada.
Democracia depende do consentimento informado.
Este é o caminho para tratar as pessoas como adultos responsáveis.
Agora, crianças abaixo da idade do consentimento são um caso especial.
Vou usar a palavras que o Pastor Rick acabou de usar: os pais são os serviçais de seus filhos.
Eles não os possuem.
Vocês não podem possuir seus filhos.
Vocês têm uma responsabilidade com o mundo, com o Estado, com eles, de cuidar corretamente deles.
Vocês podem ensiná-los qualquer credo que achem ser o mais importante, mas digo que vocês têm a responsabilidade de deixá-los ser informados sobre todos os outros credos do mundo também.
O motivo pelo qual usei este tempo é que fico fascinado ao ouvir algumas reações a isto.
Um colunista do jornal Roman Catholic chamou de "totalitário".
Isso acaba comigo enquanto um quase libertário.
É totalitário exigir leitura, escrita e aritmética?
Acho que não.
Tudo que estou dizendo é. fatos. Só fatos.
Sem valores, somente fatos sobre todas as religiões do mundo.
Outro colunista chamou de "hilário".
Bem, ficou realmente chateado pelo fato que alguém possa achar hilário.
Parece-me ser tão plausível, extensão natural dos princípios democráticos que já temos, que estou chocado em pensar que alguém poderia achar ridículo.
Sei que muitas religiões estão bem ansiosas em preservar a pureza de sua fé entre suas crianças que estão determinadas a manter suas crianças ignorantes sobre outras fés.
Não acho que seja defensável, mas ficaria agradecido em ter as respostas sobre isso - qualquer reação a isto - mais tarde.
Mas agora vou mudar de assunto.
De volta à vaca.
Esta figura, que eu capturei da internet. o companheiro da esquerda é uma parte importante desta figura.
Eis o serviçal.
As vacas não podem viver sem os serviçais humanos - estão domesticadas.
É um tipo de ectossimbionte.
Elas dependem de nós para sobreviver.
E o Pastor Rick estava justamente falando sobre ovelhas.
Falarei sobre ovelhas também.
Há um bocado de convergência oportunista aqui.
Como foram espertas as ovelhas em adquirir pastores!
Pensem no que elas conseguiram com isto.
Elas puderam terceirizar seus problemas: proteção de predadores, busca por comida, manutenção da saúde.
O único custo para a maioria dos rebanhos é a perda do livre acasalamento.
Bom negócio.
"Que esperteza das ovelhas!" poderão dizer.
Exceto, claro, isso não foi esperteza das ovelhas.
Todos sabemos que ovelhas não são cientistas espacias. não são tão espertas.
Não foi esperteza das ovelhas de jeito nenhum.
Elas eram ignorantes.
Mas foi uma jogada de mestre.
De quem foi a jogada de mestre?
Foi uma jogada de mestre da própria seleção natural.
Francis Crick, o co-descobridor da estrutura do DNA com Jim Watson, fez uma piada sobre o que chamou de Segunda Regra de Orgel.
Leslie Orgel ainda é um biologo molecular, um cara brilhante, e a Segunda Regra de Orgel é: A evolução é mais esperta que você.
Aquilo não é design inteligente. não vindo de Francis Crick.
A evolução é mais esperta que vocês são.
Se entendem a Segunda Regra de Orgel, então vocês entendem por que o movimento pelo design inteligente e basicamente um boato.
Os projetos descobertos pelo processo de seleção natural são brilhantes, inacreditavelmente brilhantes.
Cada vez mais os biólogos ficam fascinado com o brilhantismo do que descobrem.
Mas o processo em si é sem propósito, sem planejamento, sem projeto.
Quando estive aqui quatro anos atrás, contei a história sobre um formiga escalando uma folha de grama.
E por que a formiga estava fazendo isso?
Bem, é porque seu cérebro havia sido infectado por um protozoário parasita que precisava chegar dentro da barriga de uma ovelha ou vaca a fim de se reproduzir.
Era uma história meio assustadora
E acho que algumas pessoas podem não ter entendido direito.
Dicrocoelium dendriticum não são espertos.
Eu sugiro que a inteligência de um dicrocoelium está lá embaixo em algum lugar entre a petúnia e a cenoura.
Eles realmente não são brilhantes. Eles não têm que ser.
A lição que tiramos disto é vocês não tem que ter uma mente para serem beneficiários.
O projeto está lá na natureza, não na cabeça de alguém.
Não tem que estar.
É assim que a evolução funciona.
A pergunta: a domesticação foi boa para as ovelhas?
Foi fantástica para sua saúde genética.
E aqui gostaria de lembrar-lhes de uma idéia maravilhosa que Paul MacCready contou no TED há 3 anos atrás.
Eis o que ele disse.
Há 10. 000 anos atrás na aurora da agricultura, a população humana, mais os estoques de víveres e animais domésticos, era aproximadamente 1/10 de 1% da área ocupada pelos vertebrados terrestres.
Isto foi apenas a 10. 000 anos atrás.
Foi ontem em termos biológicos.
Quanto é isto hoje? Alguém se lembra do que ele disse?
98 porcento.
É o que fizemos neste planeta.
Convesei com Paul depois.
Queria checar como ele chegou a este cálculo, obter as fontes e tudo mais.
E ele me entregou um ensaio que escreveu sobre isto.
Havia uma passagem que ele não apresentou aqui e acho que é tão boa que vou ler para vocês.
"Através dos bilhões de anos sobre uma esfera única, o acaso pintou uma fina cobertura viva: complexa, improvável, maravilhosa e frágil.
Repentinamente, nós humanos, uma espécie recém chegada não mais sujeita às sortes e revezes inerentes à natureza, crescemos em população, tecnologia e inteligência para uma posição de extremo poder.
Nós, agora, empunhamos o pincel."
Ouvimos falar da atmosfera como uma camada fina de verniz.
A vida em si é apenas uma camada fina de tinta neste planeta.
E somos os que seguram o pincel.
E como podemos fazê-lo?
A chave para nossa dominação do planeta é a cultura, e a chave para a cultura é a religião.
Suponhamos que cientistas marcianos viessem à Terra.
Eles ficariam intrigados por várias coisas.
Alguém sabe o que é isto?
Direi-lhes o que é.
É um milhão de pessoas reunidas à margem do Ganges em 2001, talvez a maior reunião de seres humanos jamais vista, a partir de foto de satélite.
Aqui está uma grande multidão.
Outra grande multidão em Mecca.
Marcianos ficariam impressionados com isto.
Iriam gostar de saber como surgiu, para que servia e como se perpetuava.
Na verdade, vou ignorar isto.
A formiga não está sozinha.
Existem vários tipos de casos maravilhos de espécies.
Neste caso, um parasita infecta um rato e necessita chegar à barriga de um gato.
E ele transforma o rato no Super Mouse. tornando-o destemido, aí ele sai correndo desprotegidamente, aonde ele será comido pelo gato.
História real.
Em outras palavras, temos estes sequestradores - vocês já viram este slide antes, há quatro anos atrás - um parasita que infecta o cérebro e induz a um comportamento suicida em favor de uma causa, nada menos que a própria saúde genética.
Será que isto sempre acontece a nós?
Sim, acontece. bastante maravilhosamente.
A palavra árabe "Islam" significa submissão.
Significa rendição do próprio interesse em prol da vontade de Alá.
Mas não estou falando somente sobre o Islam.
Estou falando também sobre o Cristianismo.
Isto é um pergaminho com uma partitura musical que encontrei em um sebo de Paris há 50 anos atrás.
E nele está escrito, em latim:
"A palavra de Deus é a semente e o semeador é Cristo."
A mesma idéia! Bem, nem tanto.
Mas de fato os Cristãos também se vangloriam do fato de terem se rendido a Deus.
Farei umas poucas citações:
"A essência da veneração é a rendição.
Um povo rendido obedece às palavras de Deus, mesmo se elas parecem não fazer sentido."
São as palavras de Rick Warren.
Estas são do livro "Uma Vida com Propósitos".
E quero me direcionar agora, brevemente, para falar desse livro que li.
Todos vocês têm uma cópia.
Vocês ouviram o cara.
E o que quero agora é falar sobre este livro do ponto de vista do design, porque acho, de verdade, um livro brilhante.
Antes de tudo, a meta.
E vocês acabaram de escutar qual é a meta.
É trazer propósito às vidas de milhões, e ele teve sucesso.
É uma boa meta?
Em si mesmo, tenho certeza que concordamos, é uma meta maravilhosa.
Ele está absolutamente certo.
Tem muita gente lá fora que não tem propósito em suas vidas, e trazer propósito à suas vidas é uma meta maravilhosa.
Nota 10 com louvor nisto.
A meta foi atingida?
Sim.
30 milhões de cópias deste livro.
Al Gore, morra de inveja.
Exatamente o que Al está tentando fazer, Rick está fazendo.
Isto é uma tremenda façanha.
E, os métodos -- como ele faz?
É um redesenho brilhante dos temas religiosos tradicionais, atualizando-os, silenciosamente descartando itens obsoletos, fazendo novas interpretações em outros itens.
Esta é a evolução da religião que tem acontecido por milhares de anos, e ele é somente o derradeiro e brilhante praticante.
Não tenho que lhes dizer isto.
Vocês ouviram o cara.
Entendimentos excelentes de psicologia humana, conselhos sábios em cada página.
Além disso, ele nos convida a olhar os detalhes.
Eu gostei disso de verdade.
Por exemplo, tem um apêndice onde ele explica sua escolha por traduções de diferentes versos bíblicos.
O livro é claro, vivo, acessível, belamente formatado.
Repetições, só o suficiente.
Isso é realmente importante.
Toda vez que vocês lêem ou falam, gravam uma cópia no cérebro.
Toda vez que vocês lêem ou falam, gravam uma cópia no cérebro.
Todos comigo: "Toda vez que vocês lêem ou falam, gravam uma cópia no cérebro."
Obrigado.
E agora chegamos a um novo problema.
Porque sou absolutamente sincero em minha apreciação de tudo que disse sobre este livro.
Mas desejaria que fosse melhor.
Tenho alguns problemas com o livro.
E seria insinceridade minha não me referir a esses problemas.
Gostaria que ele os considerasse na revisão, uma versão 2 de seu livro.
"A verdade os libertará", é o que diz na Bíblia, e é algo em que baseio minha vida também.
Meu problema é: algumas partes não são verdade.
Algumas são opiniões diferentes, e essa não é minha reclamação principal.
Eis o que vale a pena mencionar.
Aqui está uma passagem, é bem o que ele diz, de qualquer modo.
"Se Deus não existe todos nós existimos por acidente, o resultado de uma chance estatística astronômica no universo.
Você poderia parar de ler este livro porque a vida não teria propósito ou sentido ou significado.
Não haveria certo ou errado ou esperança além dos seus breves anos na Terra."
Simplesmente não acredito nisso.
À propósito, eu achei que o filme de Homer Groening apresentou uma alternativa maravilhosa a esta grande questão.
Sim, existe sentido e razão para o certo e o errado.
Não precisamos acreditar em Deus para sermos bons ou ter sentido em nós.
Mas isso é só uma diferença de opinião.
Não estou realmente preocupado com isto.
Que tal isto: "Deus projetou o meio ambiente deste planeta de modo que pudéssemos viver nele."
Receio que muitas pessoas levem isso para o sentido de que não temos que fazer o tipo de coisa que Al Gore está tentando tanto nos convencer.
Não fico feliz com esse sentimento de jeito nenhum.
E aí me deparo com isto: "Todas as evidência disponíveis nas ciências biológicas suportam a proposição central de que o cosmos foi especialmente projetado repleto de vida e a espécie humana como seu objetivo e propósito fundamentais, um todo no qual todas as facetas da realidade têm seu sentido e explicação neste fato central."
Bem, isso foi Michael Denton. Ele é criacionista.
E aqui pensei: "Espere aí."
Eu li de novo.
Eu li umas 3 ou 4 vezes e penso, "Ele está realmente endossando o design inteligente?
Está endossando o criacionismo aqui?"
E não se consegue afirmar.
Aí eu penso: "Bom, não sei, não sei se quero me chatear com isto agora."
Mas então continuei e li isto: "Primeiro, Noé nunca havia visto chuva, porque antes do dilúvio Deus irrigava a terra a partir do subsolo."
Gostaria que essa sentença não estivesse lá, porque acho-a falsa.
E acho que pensar desta maneira sobre a história do planeta, após termos acabado de ouvir sobre a história do planeta através de milhões de anos, desencoraja as pessoas do entendimento científico.
Agora, Rick Warren usa termos científicos e factoídes e informações de uma maneira bastante interessante.
Aqui vai uma: "Deus deliberadamente moldou e formou você para serví-lo de uma maneira que torna seu sacerdócio único.
Ele cuidadosamente misturou o coquetel de DNA que criou você."
Acho falso.
Agora, talvez queiramos tratar isto com uma metáfora.
Aqui vai outra: "Por exemplo, seu cérebro pode armazenar 100 trilhões de fatos.
Sua mente pode lidar com 15. 000 decisões por segundo."
Bem, seria interessante achar a interpretação onde eu aceitaria isso.
Deve existir alguma maneira de tratar isso como verdade.
"Antropólogos têm notado que a adoração é uma compulsão universal, programada por Deus bem no interior de nosso ser, uma necessidade inata a se conectar com Deus."
Bem, existe um sentido no qual concordo com ele, exceto que acho que existe uma explicação evolucionária.
E o que acho profundamente preocupante neste livro é que ele parece estar discutindo que se vocês querem ter moral, se querem ter sentido em suas vidas, vocês têm que ser um projetista inteligente. vocês têm que negar a teoria da evolução a partir da seleção natural.
E penso, ao contrário, que é muito importante para resolver os problemas mundiais que levemos a biologia da evolução a sério.
Vamos ouvir a verdade de quem?
Bem, isto saiu de "Uma Vida com Propósitos": "A Bíblia precisa se tornar a autoridade padrão em minha vida, a bússola em que confio minha orientação, o conselho que escuto ao tomar decisões sábias e o ponto de referência que uso para comparar tudo."
Bem talvez, OK, mas o que vem a seguir?
E aqui está uma coisa que me preocupa.
Se lembram que o citei antes com esta linha: "Um povo rendido obedece a palavra de Deus, mesmo que ela não faça sentido."
E aqui temos um problema.
"Nunca discuta com o Diabo.
Ele é melhor em argumentar que você, tendo milhares de anos de prática."
Agora Rick Warren não inventou esta jogada inteligente.
É uma velha tática.
É uma adaptação bem inteligente das religiões.
É um coringa para desarmar qualquer crítica razoável.
"Você não gosta da minha interpretação?
Você tem uma objeção razoável a isto?
Não escute, não escute.
É o diabo falando."
Isto desencoraja um tipo de cidadania racional que me parece que queremos ter.
Tenho mais um problema, então temino.
E realmente gostaria de ter uma resposta se Rick consegue fazê-lo.
"Em sua grande instrução, Jesus disse: 'Ide a todos os povos de todas as nações and fazei deles meus discípulos, batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinai a eles tudo que lhes disse." A Bíblia diz que Jesus é o único que pode salvar o mundo.
Agora aqui vimos mapas maravilhosos do mundo nos últimos dias.
Aqui está um, não tão bonito quanto os outros.
Simplesmente mostra as religiões do mundo.
E eis um que mostra um tipo de rompimento de corrente de diferentes religiões.
Agora queremos realmente nos comprometer a absorver todas as outras religões enquanto seus livros sagrados estão dizendo a eles: "Não escute o outro lado, é somente Satanás falando!"
Me parece que isso é um navio bastante problemático para embarcarmos para o futuro.
Me deparei com esta placa enquanto dirigia para Maine recentemente, em frente a uma igreja: "O bom sem Deus se torna zero."
Que fofo.
Um meme pequeno e muito inteligente.
Não acredito nisto e acho esta idéia, popular como é -- não na aparência mas em geral -- é nela mesma um dos maiores problemas que encaramos.
Se vocês são como eu, conhecem muitos maravilhosos, comprometidos, engajados ateístas, agnósticos, que são pessoas boas sem Deus.
E também conhecem muitos religiosos que se escondem por trás de sua santidade ao invés de realizar boas obras.
Então, gostaria de poder derrubar este meme.
Gostaria que este meme se extinguisse.
Muito obrigado por sua atenção.
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Cólera foi relatada no Haiti pela primeira vez em 50 anos no último outubro.
Não havia como prever como iria se espalhar pelas reservas de água e quão ruim a situação ficaria.
E não saber onde a ajuda seria necessária sempre causou escassez de ajuda nas áreas mais necessitadas.
Ficamos bons em prever e nos preparar para tempestades antes que elas levem vidas inocentes e causem danos irreversíveis, mas ainda não podemos fazer isso com água, e aqui está o porquê.
Atualmente, se você quiser testar água em uma região, vai precisar de um técnico, equipamentos caros como estes, e deve esperar cerca de um dia para que haja reações químicas e apareçam resultados.
É muito demorado avaliar as condições da região antes que elas mudem, muito caro para implantar em todos os locais necessários.
E ignora o fato de que, no processo, as pessoas precisam beber água.
A maioria da informação que coletamos no surto de cólera não veio de testes da água; veio de formulários como este, que registraram todas as pessoas que falhamos em ajudar.
Incontáveis vidas têm sido salvas por canários em minas de carvão -- um modo simples para mineiros saberem se estão ou não seguros.
Eu me inspirei por esta simplicidade enquanto trabalhava neste problema junto com as pessoas mais inteligentes e eficientes que conheço.
Imaginamos que havia uma solução simples -- uma que poderia ser usada por pessoas que enfrentam situações assim todos os dias.
Está em seu estágio inicial, mas é assim que se parece agora.
Nós chamamos de Canário da Água.
É um aparelho rápido, barato que responde uma questão importante: a água está contaminada?
Não necessita de treinamento especializado.
E, ao invés de esperar reações químicas acontecerem, ele usa luz.
Signficando que não há esperas por reações químicas se completarem, sem reagentes que podem acabar e sem a necessidade de ser um especialista para conseguir informação específica.
Para testar a água, simplesmente coloca-se uma amostra e, em alguns segundos, ele mostra ou uma luz vermelha, indicando contaminação, ou uma luz verde, indicando que a amostra é segura.
Isto tornará possível para qualquer um coletar dados que salvam vidas e monitorar a qualidade da água à medida que surjam problemas.
Também estamos, junto com isso, integrando rede sem fio em um aparelho barato com GPS e GSM.
O que significa que cada leitura pode ser automaticamente transmitida para ser mapeada em tempo real.
Com vários usuários, mapas como este serão possíveis para haver ações preventivas, contendo perigos antes que eles se tornem emergências que levam anos para se recuperar.
E assim, em vez de levar dias para disseminar esta informação aos necessitados, ela pode acontecer automaticamente.
Estamos vendo como redes distribuídas, dados e informação podem transformar uma sociedade.
Acho que é tempo de aplicarmos isso à água.
Nosso objetivo, no próximo ano, é levar o Canário da Água ao público e transformá-lo em código aberto para que qualquer um possa contribuir no desenvolvimento e testes, para que possamos combater o problema juntos.
Obrigado.
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Os hindus dizem, "Nada brahma," que pode ser traduzido como "O mundo é sonoro."
E, de certo modo, é verdade, porque tudo é víbratório.
De fato, todos vocês estão vibrando enquanto estão aqui.
Cada parte do seu corpo está vibrando em frequências diferentes.
Logo, vocês são, na verdade, um acorde. Cada um de vocês é um acorde individual.
Podemos definir a saúde como um acorde que esteja em total harmonia.
Seus ouvidos não conseguem ouvir este acorde. Eles podem ouvir coisas incríveis. Seus ouvidos podem ouvir 10 oitavas.
A propósito, só conseguimos ver uma oitava.
Seus ouvidos estão sempre ligados. Mas não têm pálpebras como os olhos.
Eles funcionam, mesmo enquanto vocês dormem.
O menor som que alguém pode detectar move seu tímpano quatro diâmetros atômicos.
O som mais alto que alguém consegue ouvir é um trilhão de vezes mais poderoso do que isso.
Os ouvidos não são feitos para ouvir, mas para escutar.
A escuta é uma habilidade ativa. Enquanto ouvir é passivo, a escuta é algo que temos que trabalhar. É uma relação com o som.
E, no entanto, é uma habilidade que não nos ensinam.
Por exemplo, vocês já pensaram que existem posições para escutar, lugares de onde podemos escutar?
Aqui temos dois tipos de escuta.
A escuta redutora é escutar "para"
Ela reduz tudo ao que é relevante e descarta aquilo que não é.
É típico dos homens escutar dessa maneira.
Logo, ele está dizendo: "Eu tenho este problema."
E o outro diz: "Eis a solução. Muito obrigado. O próximo."
É assim que conversamos, certo, rapazes?
A escuta abrangente, por outro lado, é escutar "com", e não escutar "para."
Ela não tem um objetivo. Apenas aprecia o seu trajeto.
É tipico das mulheres escutar de forma abrangente.
Se vocês observarem essas duas, olhos nos olhos, de frente uma pra outra, provavelmente estão falando ao mesmo tempo.
Senhores, se vocês não entenderem mais nada desta palestra, pratiquem a escuta abrangente, e poderão transformar suas relações.
O problema da escuta é que muito do que ouvimos é ruído, que nos rodeia o tempo todo.
Esse tipo de ruído, de acordo com a União Europeia, está reduzindo a saúde e a qualidade de vida de 25% da população da Europa.
2% dessa população - o equivalente a 16 milhões de pessoas - têm seu sono prejudicado por ruídos desse tipo.
O ruído mata 200. 000 pessoas por ano na Europa.
É um problema grave.
Quando vocês eram pequenos, se havia algo que não queriam ouvir, tapavam os ouvidos e cantarolavam.
Hoje podem fazer algo parecido, sendo um pouco mais atraente.
Parece um pouco com isto.
O problema do uso desenfreado de fones de ouvido é que eles levantam três questões graves relacionadas à saúde.
A primeira vem de um termo que Murray Schafer criou: "esquizofonia."
É a desvinculação entre o que vemos daquilo que ouvimos.
Assim, convidamos a entrar em nossas vidas vozes de pessoas que não estão conosco.
Acho que é algo extremamente doentio viver o tempo todo na esquizofonia.
O segundo problema que aparece com o uso abusivo de fones de ouvido é a compressão.
Nós esmagamos a música pra caber no nosso bolso. E isso tem um custo.
Ouça isto. É uma melodia sem compressão.
E agora a mesma melodia com menos 98% dos dados.
Espero que pelo menos alguns de vocês possam sentir a diferença entre elas.
A compressão tem um custo.
A pessoa fica cansada e irritada se tem que inventar todos esses dados.
Tem que imaginar o que falta.
A longo prazo isso não é bom pra ninguém.
O terceiro problema com os fones de ouvido é este: surdez - transtorno auditivo provocado por ruído.
10 milliões de americanos por esta ou outra razão já apresentam este problema, e, o que é mais preocupante, 16%, cerca de um em cada seis adolescentes americanos sofre de transtorno auditivo provocado por ruído como resultado do uso abusivo de fones de ouvido.
Numa universidade americana, um estudo constatou que 61% dos calouros universitários tinham a audição prejudicada pelo uso abusivo de fones de ouvido.
Podemos estar criando uma geração inteira de surdos.
E isso é um problema muito sério.
Vou dar 3 dicas rápidas para proteger seus ouvidos, e gostaria que transmitissem aos seus filhos:
Os protetores auditivos profissionais são ótimos; Eu os uso o tempo todo.
Se vocês utilizarem fones de ouvido, comprem os melhores que puderem, porque qualidade não quer dizer alta potência.
Se alguém falar com você num tom elevado e você não ouvir, é porque está alto demais.
E, em terceiro lugar, se estiver num lugar barulhento, tente tapar os ouvidos ou simplesmente saia dali.
Proteja seus ouvidos desse jeito.
Vamos sair do barulho e apreciar uns amigos que eu os incentivo a procurar.
VAP - Vento, água, pássaros - sons naturais estocásticos - compostos de uma série de eventos aleatórios individuais todos extremamente saudáveis. Sons para os quais evoluímos através dos anos.
Procurem esses sons; são bons pra vocês, e também este.
O silêncio é belo.
Os Elizabetanos descreviam a línguagem como o enfeite do silêncio.
Convido vocês a saírem do silêncio intencionalmente e a desenharem paisagens sonoras como se fossem obras de arte.
Criem um primeiro plano, um fundo, tudo numa bela proporção.
É divertido integrar desenho e som.
Se não conseguirem fazer sozinhos, chamem um profissional para ajudar.
O traçado do som é o futuro, e acho que assim daremos ao mundo um som diferente.
Vou discorrer rapidamente sobre 8 modalidades, 8 maneiras de melhorar sua saúde através do som.
A primeira, pelo ultrasom: estamos familiarizados com ele na fisioterapia. E está sendo utilizado também para o tratamento do câncer.
Litotripsia - salvando dos bisturis milhares de pessoas por ano. ao pulverizar cálculos com som de alta-intensidade.
A cura pelo som é maravilhosa.
Ela está por aí há milhares de anos.
Incentivo vocês a explorar isso.
Grandes coisas têm sido feitas por aí, para o tratamento do autismo, da demência e de outros problemas.
E a música, é claro. O simples fato de ouvir música faz bem. isso se a música é produzida com boas intenções, geralmente feita com amor.
A música religiosa é boa, Mozart é bom.
Existem vários tipos de música que são muito saudáveis.
E quatro modalidades para as quais vocês precisam tomar algumas medidas e se envolverem.
Em primeiro lugar, escutem com consciência.
Espero que depois dessa palestra vocês façam isso.
É uma dimensão inteiramente nova em suas vidas, e é maravilhoso ter essa dimensão.
Em segundo lugar, entrem em contato com algum som. Criem um som.
A voz é nosso instrumento, e, no entanto, quantos de nós são treinados para usar a voz? Treine sua voz. Aprendam a cantar. Aprendam a tocar um instrumento.
É verdade que os músicos são mais inteligentes.
Isso pode ser feito em grupo também.
É um fantástico antídoto para a esquizofonia, fazer música e som em grupo, qualquer que seja o seu estilo.
E vamos assumir um papel ativo com os sons que nos rodeiam.
Proteger os ouvidos? Com certeza.
Desenhem lindas paisagens sonoras ao seu redor em casa e no trabalho.
E vamos começar a levantar a voz quando as pessoas estiverem nos atacando com os ruídos que falei no início.
Então vou falar de 7 medidas que podem ser tomadas agora mesmo para melhorar sua saúde auditiva.
Minha visão é a de um mundo que soa maravilhoso, e se nós começarmos a fazer isso, daremos um grande passo nessa direção.
Portanto, incentivo vocês a tomar esse caminho.
Vou deixar vocês com um canto de pássaros, que será muito bom para todos.
Desejo-lhes uma audição saudável.
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Quero pedir a todos que considerem por um segundo o simples fato de que, de longe, a maioria do que sabemos sobre o universo vem através da luz.
Nós podemos estar na Terra e olhar para o céu à noite e ver estrelas a olhos nus.
O Sol queima a nossa visão periférica,
vemos a luz refletida na Lua,
e desde que Galileu apontou o seu telescópio rudimentar para os corpos celestes, o universo que conhecemos chega até nós através da luz, em vastas eras da história cósmica.
E com todos os nossos telescópios modernos, fomos capazes de montar este filme mudo impressionante do universo - estas séries de instantâneos que voltam até o momento do Big Bang.
Mas o universo não é um filme mudo, porque o universo não é silencioso.
Eu gostaria de convencê-los de que o universo tem uma trilha sonora, e que essa trilha sonora é tocada no próprio espaço. Porque o espaço pode oscilar como um tambor.
Ele pode tocar um tipo de gravação através do universo de alguns dos acontecimentos mais dramáticos que se vão desenrolando.
Agora nós gostaríamos de poder de adicionar a este tipo de composição visual gloriosa que temos do universo uma composição sonora.
E embora nunca fomos capazes de ouvir os sons do espaço, nós deveríamos, nos próximos anos, começar a aumentar o volume do que está acontecendo lá fora.
Então, com essa ambição de capturar as músicas do universo, voltamos nosso foco para os buracos negros e a promessa que eles têm, porque os buracos negros podem bater no espaço-tempo como marretas sobre um tambor e têm uma música muito característica, e eu gostaria de tocar para vocês algumas das nossas previsões de como tal música pode ser.
Agora, os buracos negros são escuros contra um céu escuro.
Nós não podemos vê-los diretamente.
Eles não são trazidos a nós com luz, pelo menos não diretamente.
Podemos vê-los indiretamente, porque os buracos negros causam estragos em seu ambiente.
Eles destroem as estrelas ao seu redor.
Eles trituram os detritos pelo caminho.
Mas eles não chegam diretamente a nós através da luz.
Poderemos um dia ver uma sombra um buraco negro pode se moldar em um fundo muito brilhante, mas isso ainda não aconteceu.
Mas buracos negros podem ser ouvidos mesmo que não possam ser vistos, e isso é porque batem no espaço-tempo como um tambor.
Nós devemos a ideia de que o espaço pode soar como um tambor a Albert Einstein, a quem devemos muito.
Einstein percebeu que se o espaço fosse vazio, se o universo fosse vazio, seria esta figura, exceto talvez pela grade desenhada nela.
Mas se estivéssemos em queda livre no espaço, mesmo sem esta grade útil, poderíamos ser capazes de pintá-la nós mesmos, porque iríamos perceber que viajávamos em linha reta, caminhos totalmente retos através do universo.
Einstein também percebeu - e esta é a parte importante - que se você colocar energia ou massa no universo, curvaria o espaço. E um objeto em queda livre passaria, digamos, pelo sol e seria desviado ao longo das curvas naturais do espaço.
Foi a grande teoria geral da relatividade de Einstein.
Até mesmo a luz vai ser dobrada por esses caminhos.
E você pode ser tão dobrado que você é pego na órbita ao redor do Sol, como a Terra é, ou a Lua em torno da Terra.
Estas são as curvas naturais do espaço.
O que Einstein não percebeu foi que, se você pegasse o nosso Sol e o esmagasse para seis quilômetros - então se você pegasse um milhão de vezes a massa da Terra e a esmagasse para seis quilômetros de diâmetro, você faria um buraco negro, um objeto tão denso que se a luz chegasse muito perto, ela nunca escaparia - uma sombra escura contra o universo.
Não foi Einstein que percebeu isso, foi Karl Schwarzchild que foi um judeu alemão na Primeira Guerra Mundial - entrou para o exército alemão quando já era um cientista realizado, trabalhando no fronte russo.
Gosto de imaginar Schwarzchild na guerra, nas trincheiras calculando trajetórias balísticas dos tiros de canhão, e ao mesmo tempo calculando as equações de Einstein - como feito nas trincheiras.
E ele estava lendo a teoria geral da relatividade recentemente publicada por Einstein, e ele ficou entusiasmado com ela.
E ele rapidamente elaborou uma solução matemática exata que descrevia algo extraordinário: curvas tão fortes que o espaço "choveria" sobre elas, o próprio espaço se curvaria como uma cachoeira que desce pela garganta de um buraco.
E mesmo a luz não poderia escapar desta corrente.
A luz seria arrastada buraco abaixo assim como todo o resto, e tudo o que sobraria seria uma sombra.
Ele escreveu para Einstein, e disse: "Como você vai ver, a guerra tem sido boa o suficiente para mim
apesar da artilharia pesada. Eu fui capaz de fugir de tudo e andar pelo terreno de suas ideias. "
E Einstein ficou muito impressionado com a sua solução exata, e eu espero que também com a dedicação do cientista.
Este é o cientista esforçado em condições adversas.
E ele levou idéia de Schwarzchild para a Academia Prussiana de Ciências na semana seguinte.
Mas Einstein sempre pensou que os buracos negros fossem uma esquisitice matemática.
Ele não acreditava que eles existiam na natureza.
Ele achava que a natureza nos protegeria de sua formação.
Só depois de muitas décadas é que o termo buraco negro foi cunhado e as pessoas perceberam que os buracos negros são objetos astrofísicos reais - na verdade, eles estão o estado de morte de estrelas muito maciças que se destroem catastroficamente no final de suas vidas.
Mas o nosso Sol não irá se transformar em um buraco negro.
Na verdade, ele não é grande o suficiente.
Mas se nós fizéssemos uma experiência mental - como Einstein gostava muito de fazer - poderíamos imaginar o Sol esmagado para seis quilômetros, junto com uma Terra minúscula em sua órbita, talvez 30 km fora do sol-buraco negro.
E ela seria auto-iluminada, porque agora o sol já era não temos outra fonte de luz - então vamos fazer a nossa Terra auto-iluminada.
E poderíamos colocar a Terra em uma órbita feliz mesmo a 30 km fora deste buraco negro esmagado.
Este buraco negro esmagado se encaixaria dentro de Manhattan, mais ou menos.
Poderia passar um pouco para o Rio Hudson antes de destruir a Terra.
Mas basicamente é disso que estamos falando.
Estamos falando de um objeto que você pode esmagar até a metade da área de Manhattan.
Então movemos a Terra bem perto - 30 km para fora - e percebemos que está perfeitamente normal orbitando o buraco negro.
Há uma espécie de mito, que os buracos negros devoram tudo no universo, mas na verdade você tem que chegar muito perto para cair dentro.
Mas o impressionante é que, do nosso ponto de vista, sempre podemos ver a Terra.
Ela não pode se esconder atrás do buraco negro.
A luz da Terra, um pouco cai no buraco, mas parte dela faz a volta e é trazida de volta para nós.
Então não dá para esconder nada trás de um buraco negro.
Se isso fosse Battlestar Galactica e você está lutando contra os Cylons, não se esconda atrás do buraco negro.
Eles podem vê-lo.
Agora, nosso Sol não se transformará em um buraco negro; não é grande o suficiente, mas existem dezenas de milhares de buracos negros na nossa galáxia.
E se algum causasse um eclipse da Via Láctea, seria mais ou menos assim.
Nós veríamos uma sombra do buraco negro contra a cem bilhões de estrelas na Via Láctea e suas faixas de poeira luminosa.
E se caíssemos nesse buraco negro, veríamos toda essa luz fazendo a volta torno dele, e poderíamos até mesmo começar a cruzar a sombra e realmente não perceber que algo dramático tinha acontecido.
Seria ruim se nós tentássemos lançar nossos foguetes e sair de lá porque nós não poderíamos, mais do que a luz pode escapar.
Mas, apesar do buraco negro ser escuro pelo lado de fora, não é escuro por dentro, porque toda a luz da galáxia pode cair atrás de nós.
E mesmo que, devido a um efeito relativístico conhecido como dilatação do tempo, nossos relógios iriam parecer desacelerar em relação ao tempo galáctico, pareceria como se a evolução da galáxia tivesse sido acelerada e atirada em nós, momentos antes de sermos esmagados até a morte pelo buraco negro.
Seria como uma experiência de quase-morte onde você vê a luz no fim do túnel, mas é uma experiência de morte total.
E não há maneira de contar para alguém sobre a luz no fim do túnel.
Agora, nós nunca vimos uma sombra como essa de um buraco negro, mas os buracos negros podem ser ouvidos, mesmo que eles não sejam vistos.
Imaginem agora a uma situação astrofisicamente realista - imagine dois buracos negros que viveram uma vida longa juntos.
Talvez eles começaram como estrelas e se transformaram em dois buracos negros - cada um com 10 vezes a massa do Sol.
Então agora nós vamos esmagá-los até 60 km de diâmetro.
Eles podem girar centenas de vezes por segundo.
No final de suas vidas, eles se movem em torno de cada um muito perto da velocidade da luz.
Então, eles cruzam milhares de quilômetros em uma fração de segundo. E à medida que o fazem, eles não só curvam o espaço, mas eles deixam para trás um toque de espaço, uma onda real no espaço-tempo.
O espaço se aperta e se estica à medida que emana desses buracos negros batendo sobre o universo.
E eles viajam no cosmos na velocidade da luz.
Esta simulação por computador é de um grupo de relatividade na NASA Goddard.
Demorou quase 30 anos para uma pessoa no mundo solucionar este problema.
Este foi um dos grupos.
Ela mostra dois buracos negros orbitando um ao outro, novamente, com essas curvas prestativamente pintadas.
E se vocês podem ver - está meio fraco - mas se vocês podem ver as ondas vermelhas emanando para fora, estas são as ondas gravitacionais.
Elas são, literalmente, o espaço fazendo som, e elas viajam desses buracos negros na velocidade da luz à medida que vão abaixando o som e se aglutinam em um buraco negro giratório e silencioso no fim do dia.
Se você estivesse perto o suficiente, seu ouvido ressoaria com a compressão e alongamento do espaço.
Você literalmente ouviria o som.
Mas é claro que sua cabeça seria espremida e estendida, então você poderia não entender o que estava acontecendo.
Mas eu gostaria de tocar para vocês o som que especulamos.
Este é do meu grupo - um modelo de computador ligeiramente menos glamuroso.
Imaginem um buraco negro mais leve caindo em um buraco negro muito pesado.
O som que estão ouvindo é o buraco negro leve batendo no espaço cada vez que se aproxima.
Se fica longe, é um pouco quieto.
Mas vem como um martelo, e literalmente fissura o espaço, balançando-o como um tambor.
E nós podemos prever como será o som.
Sabemos que, enquanto cai no buraco, ele fica mais rápido e mais alto.
E finalmente, vamos ouvir o menor cair dentro do maior.
Então ele desaparece.
Eu nunca ouvi ele tão alto - é mais dramático.
Em casa soa como um anticlímax.
É uma espécie de ding, ding, ding.
Este é um outro som do meu grupo.
Eu não estou mostrando as imagens porque os buracos negros não deixam para trás trilhas úteis de tinta, e o espaço não é pintado, mostrando as curvas.
Mas se você flutuasse no espaço por um feriado no espaço e ouvisse isso, é hora de se mandar.
Sair de perto do som.
Ambos os buracos negros estão se movendo.
Ambos os buracos negros estão ficando mais próximos.
Neste caso, ambos estão oscilando muito.
E então eles vão se fundir.
Desapareceu.
O chilro é muito característico dos buracos negros se fundindo - que chilra no final.
Essa é a nossa previsão para o que vamos ver.
Felizmente estamos a uma distância segura em Long Beach, Califórnia.
E, certamente, em algum lugar do universo dois buracos negros se fundiram.
E, certamente, o espaço que nos rodeia está fazendo som depois de ter viajado talvez um milhão de anos-luz, ou um milhão de anos, na velocidade da luz para chegar até nós.
Mas o som é muito baixo para qualquer um de nós ouvir.
Há experiências muito diligentes sendo feitas na Terra - uma chamada LIGO - que vai detectar desvios na compressão e alongamento do espaço a menos do que a fração de um núcleo de um átomo em cerca de quatro quilômetros.
É uma experiência extremamente ambiciosa, e vai estar na sensibilidade avançada dentro dos próximos anos - para captá-lo.
Há também uma missão proposta para o espaço, que espero que seja lançada nos próximos dez anos, chamada LISA.
E LISA será capaz de ver super-buracos negros - buracos negros milhões ou bilhões de vezes a massa do Sol.
Nesta imagem do Hubble, vemos duas galáxias.
Eles parecem que estão congeladas em um abraço.
E cada uma provavelmente comporta um super-buraco negro em seu núcleo.
Mas elas não estão congeladas, elas estão na verdade se fundindo.
Estes dois buracos negros estão colidindo, e eles irão se fundir em uma escala de tempo bilhões de anos.
Está além de nossa percepção humana captar uma música com essa duração.
Mas LISA poderá ver os estágios finais de dois super-buracos negros anteriormente na história do universo, os últimos 15 minutos antes de se juntarem.
E não são só buracos negros, mas também qualquer perturbação grande no universo - e a maior de todas é o Big Bang.
Quando essa expressão foi cunhada, ela era debochada - como, "Oh, quem acreditaria em um Big Bang?"
Mas agora ele realmente pode ser mais tecnicamente preciso, porque ele poderia "bater";
poderia fazer um som.
Esta animação dos meus amigos da Proton Studios mostra o Big Bang visto pelo lado de fora.
Nós nunca vamos querer fazer isso; queremos estar dentro do universo, porque não é possível estar fora do universo.
Então imagine que você está dentro do Big Bang.
Está em toda parte, está ao seu redor, e o espaço está balançando caoticamente.
14 bilhões de anos se passam e essa música ainda está tocando ao nosso redor.
Galáxias se formam, e gerações de estrelas se formam nessas galáxias. E em volta de uma estrela, pelo menos uma estrela, existe um planeta habitável.
E aqui estamos, freneticamente fazendo essas experiências, fazendo cálculos, escrevendo códigos de computador.
Imaginem um bilhão de anos atrás, dois buracos negros colidiram.
Essa música vem tocando no espaço por todo esse tempo.
Nós nem estávamos aqui.
Fica cada vez mais perto - 40. 000 anos atrás, nós ainda pintávamos cavernas.
É como 'Depressa! Montem seus instrumentos.
Está ficando cada vez mais perto, e em 20.'
qualquer que seja o ano que nossos detectores estejam finalmente em sensibilidade avançada - nós vamos construí-los, vamos ligar as máquinas e, bang, nós vamos capturá-lo - a primeira música do espaço.
Se fosse o Big Bang que captássemos, soaria assim.
É um som terrível.
É literalmente a definição de ruído.
É um ruído branco, é um toque tão caótico.
Mas está ao nosso redor e em toda parte, presumidamente, se não tiver sido eliminado por algum outro processo no universo.
E se conseguirmos capturá-lo, ele vai ser música para nossos ouvidos, porque ele vai ser o eco silencioso do momento da nossa criação, do nosso universo observável.
Então, nos próximos anos, nós seremos capazes de aumentar um pouco a trilha sonora, mostrar o universo em áudio.
Mas se detectarmos os primeiros momentos, isso nos trará muito mais perto de compreender o Big Bang, o que nos traz muito mais perto de perguntar algumas das questões mais difíceis e esquivas.
Se tocarmos um filme do nosso universo de trás para frente, sabemos que houve um Big Bang no nosso passado, e podemos até ouvir o som cacofônico do mesmo, mas foi o nosso Big Bang o único Big Bang?
Nós temos que nos perguntar se isso aconteceu antes.
Será que vai acontecer de novo?
Quero dizer, no espírito de encarar o desafio do TED reacender a maravilha, podemos fazer perguntas, pelo menos neste última minuto, que honestamente pode nos abandonar para sempre.
Mas temos que perguntar: É possível que nosso universo seja apenas uma pluma fora de uma história maior?
Ou, é possível que nós sejamos apenas um ramo fora de um multiverso - cada ramo com o seu próprio Big Bang em seu passado - talvez alguns deles com buracos negros tocando tambores, talvez alguns sem - talvez alguns com vida consciente, e talvez alguns sem - não em nosso passado, não em nosso futuro, mas de algum modo fundamentalmente ligados a nós?
Então temos que nos perguntar se, existindo um multiverso, em alguma outra parte desse multiverso, existem criaturas?
Aqui está minhas criaturas do multiverso.
Existem outras criaturas no multiverso, perguntando sobre nós e perguntando sobre suas próprias origens?
E se existem, posso imaginá-las como nós somos, calculando, escrevendo códigos de computador, construindo instrumentos, tentando detectar qualquer som de suas origens e querendo saber quem mais está lá fora.
Obrigada. Obrigada.
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As árvores são um exemplo de equilíbrio.
Elas estão enraizadas em um lugar por muitas gerações humanas. Mas se mudarmos nossa visão do tronco para os galhos, as árvores se tornam entidades muito dinâmicas, se movendo e crescendo.
E eu decidi explorar esse movimento transformando-as em artistas.
Eu apenas amarrei um pincel em um galho.
E esperei o vento vir e segurei um quadro. E isso produziu arte.
Esse pedaço de arte que vêem à esquerda foi pintado por uma tuia gigante vermelha, e à direita por um pinheiro. E o que aprendi foi que espécies diferentes tem diferentes assinaturas, como um Picasso frente a um Monet.
Mas eu também estava interessada no movimento das árvores e como essa arte me deixaria capturá-lo e quantificá-lo. Então para medir a distância que uma árvore -- que fez essa pintura -- percorreu em um ano, eu apenas medi e somei cada uma dessas linhas.
Eu as multipliquei pelo número de ramos por galho e o número de galhos por árvore e então dividi isso pelo número de minutos por ano.
E então fui capaz de calcular quão longe uma árvore se moveu em um ano.
Vocês devem ter um palpite.
A resposta é 298. 464 quilômetros, ou sete voltas ao redor do globo.
E então ao simplesmente mudar nossa perspectiva de um para vários galhos dinâmicos, fomos capazes de ver que árvores não são apenas entidades estáticas, pelo contrário, são muito dinâmicas.
E eu comecei a pensar em maneiras que nos faria considerar essa lição das árvores, a considerar outras entidades que também são estáticas e imutáveis, mas que imploram por mudanças e flexibilidade. E uma delas são nossos presídios.
Presídios, é claro, são lugares onde infratores ficam presos, confinados atrás de barras.
E nosso sistema carcerário está encalhado.
Os Estados Unidos tem mais de 2, 3 milhões de presos, homens e mulheres.
Esse número está crescendo.
De cada 100 presos que são liberados, 60 vão retornar aos presídios.
Verbas para educação, treinamento e reabilitação estão diminuindo. Então esse ciclo desesperador continua.
Eu decidi perguntar se a lição que tinha aprendido de árvores como artistas poderia ser aplicada à uma instituição estática como nossos presídios. E eu acho que a resposta é sim.
No ano de 2007 comecei uma parceria com o Departamento de Reeducação Estadual de Washington,
trabalhando com quatro presídios, começamos a levar ciência e cientistas, sustentabilidade e projetos de preservação para quatro presídios estaduais.
Damos palestras científicas. E os homens aqui estão escolhendo vir às palestras ao invés de assistir televisão ou malhar.
Isso, eu acho, que é um progresso.
Nos associamos com o órgão de preservação da natureza para que presos no centro de reeducação de Stafford Creek cultivassem plantas em extinção nas planícies para a restauração de áreas arruinadas no estado de Washington.
Isso, acredito, é progresso.
Trabalhamos com o Departamento de Peixes e Vida Marinha do estado de Washington para criar sapos em extinção, o sapo Oregon spotted, para soltá-los em reservas.
Isso, acredito, é progresso.
E recentemente, começamos a trabalhar com esses homens que estão isolados no que chamamos de instalações Supermax
Eles realizaram infrações graves por se tornarem violentos com os guardas e com outros presidiários.
Eles são mantidos em celas simples como essa 23 horas por dia.
Quando eles tem encontro com seus psicólogos ou avaliadores, eles são colocados em cabines imóveis como essa.
Uma hora por dia eles são trazidos a esses sombrios e desinteressantes pátios para exercícios.
E embora não possamos levar árvores e plantas das planícies e sapos a esses ambientes, levamos imagens da natureza para esses pátios, colocando-as nas paredes, para que eles pelo menos tenham contato com imagens da natureza.
Esse é o Sr. Lopez, que esteve na solitária por 18 meses. E ele está fornecendo informações sobre as imagens que acredita que fariam ele e seus companheiros mais serenos, mais calmos, menos aptos à violência.
E então o que vemos, creio, é que pequenos e coletivos movimentos de mudança podem talvez mover uma entidade como nosso sistema carcerário em direção à esperança.
Sabemos que árvores são estáticas quando olhamos seus troncos.
Mas se elas podem criar arte, se elas podem percorrer o mundo sete vezes em um ano, se presidiários podem cultivar plantas e criar sapos, então talvez há outras entidades estáticas que mantemos dentro de nós, como mágoas, vícios, racismo, que também podem mudar.
Muito Obrigado.
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Uma criança nasce e por um longo tempo ela é dependente.
Ela não é um contribuinte consciente.
Ela é indefesa.
Ela nem mesmo sabe como sobreviver embora ela seja dotada de um instinto de sobrevivência;
ela necessita de uma mãe, ou uma mãe adotiva, para sobreviver.
Ela não se pode dar ao luxo de duvidar da pessoa que cuida da criança.
Ela tem que se entregar totalmente. como alguém que se entrega a um anestesiologista.
Ela tem que se entregar totalmente.
Isso implica em muita confiança.
Isso implica que a pessoa confiada não viole esta confiança.
Enquanto a criança cresce, ela começa a descobrir que aquela pessoa está violando a confiança.
Ele nem mesmo conhece ainda o significado da palavra violação.
Portanto, ela culpa a si mesma. Uma culpa sem palavras, o que é mais difícil de realmente resolver; Uma auto-culpa silenciosa.
Enquanto a criança cresce e torna-se um adulto. Até agora, ela tem sido uma dependente, mas o crescimento de um ser humano, reside na sua capacidade de contribuir, de ser um contribuidor.
Não se pode contribuir a menos que a pessoa se sinta segura, se sinta um adulto. Que sinta: eu tenho o suficiente.
Ser compassivo não é uma piada.
Isto não é simples.
Há de se descobrir uma certa grandeza em si mesmo.
Essa grandeza precisa ser centrada em si mesmo, não em termos de dinheiro, nem em termos do poder que exercem, ou em termos do status que você tenha na sociedade, mas deve ser centrado em si mesmo.
Você ter o auto conhecimento.
Deve ser centralizado, na grandeza, na totalidade,
caso contrário, a compaixão é apenas uma palavra e um sonho.
Você pode ser compassivo, ocasionalmente, mais movido pela empatia do que pela compaixão.
Graças a Deus nós somos empáticos.
Quando alguém está sofrendo, nós sentimos essa dor.
Numa partida em Winbledon, uma final, dois caras lutam pela vitória;
cada um tem a sua estrategia.
Este é um jogo decisivo.
O que eles suaram até agora não tem nenhum significado.
Uma pessoa ganha.
A etiqueta do tênis diz que ambos os jogadores têm de subir à rede e apertar as mãos.
O vencedor salta no ar e beija o chão, joga sua camiseta como se alguém estivesse esperando por isto.
E esse cara precisa vir à rede.
Quando ele chega à rede, você vê seu rosto mudar completamente.
Parece que ele desejava não ter ganhado.
Por quê? Empatia.
Assim é o coração humano.
Nenhum coração humano é capaz de negar esta empatia.
Nenhuma religião pode destruir isso com doutrinação.
Nenhuma cultura, nenhuma nação, e nem o nacionalismo, nada pode mudar isso porque isso é a empatia.
E essa capacidade de ter empatia, é a janela através da qual você toca as pessoas, você faz a diferença na vida de alguém. Não há palavras, ou momento ideal.
A compaixão não tem receita.
A compaixão não é indiana.
A compaixão não é americana
Ele transcende nações, sexo, idade.
Por quê? Porque ele está em todo mundo.
É experimentada por pessoas ocasionalmente.
Então não estamos falando dessa compaixão ocasional. Ela não pode se manter ocasional.
Não se pode fazer uma pessoa compassiva.
Você não pode dizer: "Por favor me ame."
O amor é algo que você descobre.
Não se trata de uma ação, mas no idioma Inglês, ela é também uma ação.
Eu voltarei a isso mais tarde.
Portanto, é preciso descobrir uma certa plenitude.
Vou citar a possibilidade de ser inteiro, que está dentro de nossa experiência, da experiência de todos.
Apesar de ter uma vida muito trágica, alguém é feliz em momentos que são raros ou distantes entre si.
E quem está feliz, mesmo vivendo uma comédia pastelão, aceita-se, e também a situação em que se encontra.
Isso significa todo o universo; todas as coisas conhecidas e desconhecidas.
Todos eles são totalmente aceitos porque você descobriu a plenitude em si mesmo.
O sujeito, eu, e o objeto, no esquema das coisas, fundem-se em unidade. Uma experiência que ninguém pode dizer que lhe foi negada, uma experiência comum a toda a gente.
Essa experiência confirma que, apesar de todas as suas limitações, todas as suas vontades, desejos insatisfeitos, e os cartões de crédito, e demissões, e, finalmente, a calvície, Você pode ser feliz.
Mas a extensão da lógica disto é que você não precisa cumprir o seu desejo para ser feliz.
Você é a própria felicidade, a plenitude que deseja ser.
Não há escolha nesta matéria. Isso só confirma a realidade que a totalidade não pode se separar de você, não pode ser menos você.
Tem que ser você.
Você não pode ser uma parte da totalidade e ainda ser inteiro.
Seu momento de felicidade revela essa realidade, essa realização, esse reconhecimento. Talvez eu seja o todo.
Talvez o Swami esteja certo.
Talvez o Swami esteja certo. Você começa sua nova vida.
Então, tudo se torna claro.
Não tenho mais razão para me culpar.
Se alguém culpa a si mesmo, tem um milhão de motivos além destes,
mas se eu disser que, apesar do meu corpo ser limitado, se ele é preto, não é branco, se é branco, não é preto. O corpo é limitado de qualquer maneira que você olha para ele. Limitado.
Seu conhecimento é limitado, a saúde é limitada, e a potência é limitada, por conseguinte, e a alegria vai ser limitada.
Compaixão vai ser limitada.
Tudo vai ser ilimitado.
Você não pode comandar a compaixão a menos que você se torne ilimitado, e ninguém pode ser ilimitado, Ou você é ou você não é. Ponto final.
E não há maneira de não ser ilimitado também.
Sua própria experiência revela, apesar de todas as limitações, você é o todo.
E a totalidade é a sua realidade quando você se relaciona com o mundo.
É o primeiro amor.
Quando você se relaciona com o mundo, a manifestação dinâmica da totalidade é, aquilo que chamamos amor.
E isto se torna compaixão se o objeto com que você se relaciona evoca essa emoção.
Então isto novamente se transforma em doação, em partilha.
Você se expressa porque você tem compaixão.
Para descobrir a compaixão, você precisa ser compassivo.
Para descobrir a capacidade de dar e compartilhar, você precisa dar e compartilhar.
Não há nenhum atalho. É como nadar numa piscina.
Você aprende a nadar, nadando.
Você não pode aprender a nadar em um colchão de espuma e entrar na água.
Você aprende a nadar, nadando. Você aprende a andar de bicicleta, andado de bicicleta.
Você aprende a cozinhar, cozinhando, tendo algumas pessoas simpáticas em torno de você para comer o que você cozinha.
E, portanto, o que eu digo, você tem que fingir que sabe fazer.
Você precisa.
Meu antecessor falava isso.
Você tem que fingir.
Você tem que agir com compaixão.
Não há verbo para a compaixão, mas você tem um advérbio para a compaixão.
Isso é interessante para mim.
Você age com compaixão.
Mas então, como agir com compaixão, se você não tem compaixão?
Aqui é onde você finge.
Você finge e torna-se. Este é o mantra dos Estados Unidos da América.
Você finge e se transforma.
Você age com compaixão como se você tivesse compaixão, trave os dentes, use todo o tipo de apoio;
se você sabe rezar, reze.
Peça para ter a compaixão.
Permita-se agir com compaixão.
Faça isso.
Você vai descobrir a compaixão e também lentamente certa compaixão, e lentamente, talvez se você receber o ensinamento correto, você vai descobrir a compaixão é uma manifestação dinâmica da realidade de si mesmo, que é unidade, integridade, e é isto o que você é.
Encerro com estas palavras, muito obrigado.
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A história que eu quero dividir com vocês hoje é meu desafio como artista do Irã, como uma mulher artista iraniana, como uma mulher artista iraniana vivendo no exílio.
Bem, tem seus prós e seus contras.
No lado escuro, a política não parece escapar de pessoas como eu.
Todo artista iraniano, de um jeito ou de outro, é político.
A política definiu nossas vidas.
Se você vive no Irã, você enfrenta censura, assédio prisão, tortura -- algumas vezes, execução.
Se você vive fora, como eu, você enfrenta a vida no exílio -- a dor da espera ansiosa e a separação das pessoas que você ama e de sua família.
Então, não achamos espaço moral, emocional, psicológico e político para nos distanciar da realidade da responsabilidade social.
Estranho o bastante, uma artista como eu se encontra também em uma posição de ser porta voz, uma fala para o meu povo, mesmo se eu estiver, realmente, sem acesso ao meu próprio país.
E, pessoas como eu, nós lutamos duas batalhas em diferentes solos.
Nós criticamos o Ocidente, a percepção do Ocidente sobre a nossa identidade -- a imagem que é construída sobre nós, sobre nossas mulheres, nossa política, sobre nossa religião.
Estamos lá para exibir orgulho e insistir por respeito.
E ao mesmo tempo, lutamos outra batalha.
Esse é o nosso regime, nosso governo -- nosso governo atroz, que cometeu cada crime para permanecer no poder.
Nossos artistas estão em risco.
Nós estamos em perigo.
Nós somos uma ameaça à ordem do governo.
Mas, ironicamente, esta situação deu poder a todos nós, porque somos considerados, como artistas, referência para a cultura, a política, o discurso social no Irã.
Estamos lá pra inspirar, para provocar, para mobilizar, para trazer esperança para nossa gente.
Somos os repórteres de nossa gente, e somos os comunicadores para o mundo exterior.
A arte é a nossa arma.
A cultura é nossa forma de resistência.
Às vezes eu invejo os artistas do Ocidente por sua liberdade de expressão --
pelo fato de poderem se distanciar das questões políticas --
do fato de eles estarem servindo apenas uma audiência, principalmente a cultura ocidental.
Mas também, eu me preocupo com o Ocidente, porque frequentemente neste país, nesse mundo ocidental que temos, existe o risco da cultura ser uma forma de entretenimento.
Nossa gente depende de nossos artistas, e a cultura está acima da comunicação.
Minha jornada como artista começou de um lugar muito, muito pessoal.
Eu não comecei para fazer comentários sociais sobre meu país.
O primeiro que vocês veem é, na verdade, a primeira vez que retornei ao Irã depois de ficar separada por bons 12 anos.
Foi depois da Revolução Islâmica de 1979.
Enquanto eu estava fora do Irã, a Revolução Islâmica se abateu sobre o Irã e transformou completamente o país da cultura persa para a islâmica.
Eu fui principalmente para me reunir a minha família e me reconectar de um jeito que eu achasse meu lugar na sociedade.
Mas, ao invés disso, achei um país que era totalmente ideológico e que eu não reconhecia mais.
Eu fiquei muito interessada, enquanto enfrentava meus dilemas pessoais e questionamentos, fiquei imersa no estudo da Revolução Islâmica -- como, realmente, ela transformou de maneira incrível as vidas das mulheres iranianas.
Eu achei o tema da Mulher Iraniana imensamente interessante, na maneira que a mulher iraniana, historicamente, pareceu personificar a transformação política.
Então, de uma certa maneira, estudando as mulheres, você pode ler a estrutura e a ideologia do país.
Fiz um grupo de trabalho que ao mesmo tempo que confrontava meus próprios questionamentos na vida, ainda assim levou meu trabalho a um discurso mais amplo -- o tema do mártir, a questão daqueles que por vontade própria ficam na interseção entre amor a Deus, fé, e violência e crime e crueldade.
Para mim, isso se tornou incrivelmente importante.
E ainda, eu vivi uma posição diferenciada nisso.
Eu era uma forasteira que tinha voltado ao Irã para achar meu lugar, mas eu não estava em posição de criticar o governo ou a ideologia da Revolução Islâmica.
Isso mudou lentamente quando achei minha voz e descobri coisas que eu não sabia que ia descobrir.
Então minha arte se tornou ligeiramente mais crítica.
Minha faca ficou um pouco mais afiada.
E eu mergulhei numa vida de exílio.
Eu sou uma artista nômade.
Eu trabalho no Marrocos, na Turquia, no México.
Eu vou a todos os lugares para fingir que é o Irã.
Agora estou fazendo filmes.
Ano passado, eu terminei um filme chamado "Mulheres sem Homens".
"Mulheres sem Homens" retorna à história, mas outra parte da nossa história iraniana.
Vai pra 1953 quando a CIA americana deu um golpe e removeu um líder eleito democraticamente, Dr. Mossadegh.
O livro é escrito por uma mulher iraniana, Shahrnush Parsipur.
É um romance realista mágico.
Este livro está banido, e ela ficou cinco anos na prisão.
Minha obsessão por este livro, e a razão pela qual eu fiz este filme, é porque em princípio foi dirigido à questão de ser mulher -- tradicionalmente, historicamente no Irã -- e à questão de quatro mulheres que estão procurando por uma ideia de mudança, liberdade e democracia -- enquanto o Irã, igualmente, como se fora outro personagem, também lutasse por uma idéia de liberdade e democracia e independência das intervenções estrangeiras.
Eu fiz este filme porque julguei importante que fosse contada aos ocidentais nossa história como país.
Que todos vocês parecem lembrar do Irã depois da Revolução Islâmica.
Que o Irã foi um dia uma sociedade secular, e tínhamos uma democracia, e essa democracia foi roubada de nós pelo governo americano, pelo governo britânico.
Esse filme também fala para o povo do Irã pedindo a eles para voltar à sua história e olhar para si mesmos antes de se tornarem tão islamizados -- como era a nossa aparência, como ouvíamos música, como tínhamos uma vida intelectual.
E, acima de tudo, como lutamos pela democracia.
Essas são algumas das cenas do meu filme.
Essas são algumas imagens do golpe.
E fizemos esse filme em Casablanca, recriando todas as cenas.
Esse filme tentou fazer um balanço entre contar uma história política mas também uma história feminina.
Sendo uma artista visual, realmente, eu sou acima de tudo interessada em fazer arte -- em fazer arte que transcenda política, religião, a questão do feminismo, e se torne uma importante, atemporal obra de arte universal.
O desafio que tenho, é como fazer isso --
como contar uma história política com uma história alegórica --
como mobilizar você com suas emoções, mas também fazer sua mente funcionar.
Estas são algumas imagens e personagens do filme.
Agora chega o movimento verde -- o verão de 2009, enquanto meu filme é lançado -- o levante começa nas ruas de Teerã.
O que é inacreditavelmente irônico é o período que tentamos retratar no filme, o grito pela democracia e justiça social, que se repete agora novamente em Teerã.
O movimento verde inspirou o mundo de forma significativa.
Trouxe muita atenção a todos aqueles iranianos que lutam por direitos humanos básicos e por democracia.
O que foi mais significante pra mim foi, novamente, a presença das mulheres.
Elas são absolutamente inspiradoras pra mim.
Se na Revolução Islâmica as imagens das mulheres retratadas eram submissas e não tinham voz, agora vimos uma nova ideia de feminismo nas ruas de Teerã -- mulheres que foram educadas, pensamento moderno, não tradicional sexualmente abertas, corajosas e seriamente feministas.
Essas mulheres e esse jovens homens iranianos unidos no mundo todo, dentro e fora.
Eu então descobri porque eu me inspiro tanto nas mulheres iranianas.
Que, apesar das circunstâncias, elas foram além dos limites.
Elas confrontaram a autoridade.
Elas quebraram todas as regras de todas as maneiras - da mínima à máxima
E mais uma vez, elas se provaram.
Eu estou aqui pra dizer que as mulheres iranianas acharam uma nova voz, e a voz delas está me dando minha voz.
E é uma grande honra ser uma mulher iraniana e uma artista iraniana, mesmo se eu tiver que operar no Ocidente por agora.
Muito obrigada.
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Nós vemos com os olhos. Mas também vemos com o cérebro.
E ver com o cérebro é geralmente chamado de imaginação.
E estamos familiarizados com os cenários de nossa própria imaginação, nossos cenários internos. Vivemos com eles por toda vida.
Mas também existem alucinações. E alucinações são completamente diferentes.
Elas não parecem ser criadas por nós.
Elas não parecem estar sob controle.
Elas parecem vir do exterior. e imitar a percepção.
Então vou falar sobre alucinações. E um tipo particular de alucinação visual que eu observo em meus pacientes.
Alguns meses atrás recebi um telefonema de uma enfermaria onde eu trabalho.
me informaram que um dos pacientes, uma senhora na casa dos 90 anos, estava vendo coisas. E eles se perguntavam se ela estava senil. Ou, por ela ser uma senhora idosa, se ela teve um derrame, ou se ela estava com Alzheimer.
E então me perguntaram se eu poderia ir e ver a Rosalie, a senhora idosa.
Eu fui vê-la.
Era evidente de início que ela estava perfeitamente sã e lúcida e com boa inteligência. Mas ela estava muito assustada, e muito desconcertada porque ela estava vendo coisas.
E ela me disse -- as enfermeiras não tinham mencionado isso -- que ela era cega, que ela tinha se tornado completamente cega, por degeneração macular, havia cinco anos.
Mas agora, nos últimos dias, ela estava vendo coisas.
Então eu disse, "Que tipo de coisas?"
E ela disse, "Pessoas com roupas orientais, em vestes, subindo e descendo escadas.
Um homem que se vira para mim e sorri.
Mas ele tem dentes enormes num lado da boca.
Animais também.
Eu vejo um prédio branco. Está nevando, uma neve suave.
Eu vejo esse cavalo, com um arreio, dragando a neve.
Então, uma noite, a imagem muda.
Eu vejo gatos e cachorros andando na minha direção.
Eles chegam até um certo ponto e param.
Então a cena muda de novo.
Eu vejo um monte de crianças. Elas sobem e descem escadas.
Elas vestem cores brilhantes, rosa e azul, como vestidos orientais."
Algumas vezes, ela disse, antes das pessoas entrarem ela podia alucinar quadrados rosas e azuis no chão, que pareciam subir até o teto.
Eu disse, "É como se fosse um sonho?"
E ela disse, "Não, não é como um sonho. É como um filme."
Ela disse, "Ele tem cor. Tem movimento
Mas é completamente silencioso, como um filme mudo."
E ela disse que parecia como um filme muito entediante.
Ela disse, "Todas essas pessoas com vestidos orientais, subindo e descendo, tão repetitivos, tão limitados."
E ela tinha senso de humor.
Ela sabia que aquilo era uma alucinação.
Mas ela estava assustada. Ela tinha vivido 95 anos e nunca teve uma alucinação antes.
Ela disse que as alucinações não eram relacionadas com nada que ela estivesse pensando, sentindo ou fazendo. Que elas pareciam chegar ou desaparecer por elas mesmas,
Ela não tinha controle sobre as alucinações
Ela disse que não reconhecia nenhuma das pessoas ou lugares nas alucinações.
E nenhuma das pessoas ou dos animais, eles pareciam todos insignificantes para ela.
E ela não sabia o que estava acontecendo.
Ela se perguntou se ela estava enlouquecendo, ou perdendo a cabeça.
Bem, eu a examinei cuidadosamente.
Ela era um senhora idosa brilhante. Perfeitamente sã. Ela não tinha problemas médicos.
Ela não tomava nenhuma medicação que pudesse produzir alucinações.
Mas ela estava cega.
E então eu disse a ela, "Eu acho que eu sei o que você tem."
Eu disse, "Existe um tipo especial de alucinação visual que pode surgir com a deterioração da visão, ou a cegueira."
"Ela foi originalmente descrita" eu disse, "no século 18, por um homem chamado Charles Bonnet.
E você tem a síndrome de Charles Bonnet.
Não há nada de errado com seu cérebro. Não há nada de errado com sua mente.
Você tem a síndrome de Charles Bonnet."
E ela ficou muito aliviada com isso, que não havia nada sério para se preocupar, e também muito curioso.
Ela disse, "Quem é esse Charles Bonnet?"
Ela disse, "Ele também teve isso?"
E ela disse, "Diga a todas as enfermeiras que eu tenho a síndrome de Charles Bonnet."
"Eu não estou louca. Não estou demente. Tenho a síndrome de Charles Bonnet."
Bem, então eu contei pras enfermeiras.
Agora isso, para mim, é uma situação comum.
Eu trabalho em casas para idosos, basicamente.
Eu vejo um monte de pessoas idosas que têm perda auditiva ou perda visual.
Cerca de 10 por cento das pessoas com perda auditiva apresentam alucinações musicais.
E cerca de 10 por cento das pessoas com perda visual têm alucinações visuais.
Você não precisa estar completamente cego, apenas suficientemente prejudicado.
Agora com relação à descrição original no século 18, Charles Bonnet não as tinha.
Seu avô tinha essas alucinações.
Seu avô era um magistrado, um homem idoso.
Ele havia feito uma cirurgia de catarata.
Sua visão era bastante pobre.
E em 1759 ele descreveu para seu neto várias coisas que ele estava vendo.
A primeira coisa que ele disse foi que viu um lenço pairando no ar.
Era um grande lenço azul com quatro círculos laranjas.
E ele sabia que aquilo era uma alucinação.
Você não encontra lenços pairando no ar.
E então ele viu uma grande roda em pleno ar.
Mas às vezes ele não estava certo se estava alucinando ou não. Pois as alucinações poderiam encaixar no contexto das visões.
Então uma vez, quando suas netas foram visitá-los, ele disse, "E quem são esses jovens bonitos com vocês?"
E elas disseram, "Mas, vovô, não tem nenhum jovem bonito."
E então os jovens bonitos desapareceram.
Isso é típico dessas alucinações que elas podem surgir e desaparecer instantaneamente
Elas geralmente não aparecem e desaparecem gradualmente.
Elas são mais repentinas. E elas mudam repentinamente.
Charles Lullin, o avô, via centenas de figuras diferentes, paisagens diferentes de todos os tipos.
Em uma ocasião ele viu um homem com roupão fumando cachimbo, e percebeu que era ele mesmo.
Essa foi a única figura que ele reconheceu.
Numa ocasião que ele andava pelas ruas de Paris, ele viu -- isso foi real -- um andaime.
Mas quando voltou para casa ele viu uma miniatura do andaime de 15 cm de altura, na sua mesa de estudo.
Essa repetição de percepção é às vezes denominada palinopsia.
Com ele, e com Rosalie, o que parece acontecer -- e Rosalie disse, "O que está acontecendo?" -- e eu disse que quando você perde a visão, como as partes visuais do cérebro não recebem mais sinais, elas se tornam hiperativas e excitáveis. E elas começam a disparar espontaneamente.
E você começa a ver coisas.
As coisas que você vê podem ser muito complexas.
Em outra paciente minha, que tinha alguma visão, a visão que ela tinha podia ser perturbadora.
Numa ocasião ela disse que viu um homem com uma camisa rasgada num restaurante.
E ele se virou. E então ele se dividiu em seis figuras idênticas com camisas rasgadas, que começaram a andar na direção dela.
E então as seis figuras se juntaram novamente, como uma concertina.
Certa vez, quando ela estava dirigindo, ou melhor, seu marido estava dirigindo, a estrada se dividiu em quatro. E ela se sentiu indo simultaneamente em quatro estradas.
Ela tinha muitas alucinações móveis também.
Várias delas tinham relação com um carro.
Algumas vezes ela via um adolescente sentado no capô do carro.
Ele era muito persistente e se movia graciosamente quando o carro virava.
E então quando eles paravam num semáforo, o garoto fazia um vôo vertical súbito, 30 metros para cima, e então desaparecia.
Outra paciente minha tinha um tipo diferente de alucinação.
Essa mulher não tinha problemas nos olhos, mas nas partes visuais do cérebro. Um pequeno tumor no córtex occipital.
E, acima de tudo, ela via desenhos animados.
Esses desenhos eram transparentes e cobriam metade do campo visual, como uma tela.
Ela via especialmente desenhos do sapo Caco.
Agora, eu não assisto Vila Sésamo. Mas ela fez uma observação dizendo, "Por que o Caco? Sapo Caco não significa nada pra mim."
Sabe, eu esperava determinantes freudianos.
Por que o Caco?
Sapo Caco não significa nada para mim."
Ela não ligava muito para desenhos.
Mas o que a preocupava era que ela tinha imagens ou alucinações de faces e como Rosalie, as faces eram geralmente deformadas, com dentes muito grandes, ou olhos grandes.
E isso a assustava.
Bem, o que está acontecendo com essas pessoas?
Como médico, eu tenho de tentar definir o que está acontecendo, e confortar essas pessoas. Especialmente assegurá-las que elas não estão ficando loucas.
Algo em torno de 10 por cento, como eu dizia, de pessoas com perda visual têm essas alucinações.
Mas não mais que um por cento das pessoas as percebem. Porque elas têm medo que pareçam loucas, ou algo do tipo.
E se elas não as mencionam para seus médicos elas podem ser mal diagnosticadas.
Em particular, a noção é que se você ver coisas ou ou ouvir coisas, você está ficando louco. Mas as alucinações psicóticas são bem diferentes.
As alucinações psicóticas, sejam visuais ou vocais, se referem a você. Elas acusam você.
Elas seduzem você. Elas humilham você.
Elas zombam de você.
Você interage com elas.
Não há nenhuma qualidade de referência nessas alucinações de Charles Bonnet.
Há um filme. Você assiste um filme que não tem nada a ver com você. Ou é assim que as pessoas pensam disso.
Há também uma coisa rara chamada epilepsia do lobo temporal. E às vezes, se um indivíduo sofre disso, ele pode se sentir transportado de volta a um momento ou lugar no passado.
Você está num cruzamento de estrada particular.
Você cheira castanhas tostando.
Você ouve o tráfego. Todos os sentidos estão envolvidos.
E você espera por sua namorada.
E isso é aquela tarde de terça em 1982.
E as alucinações do lobo temporal são todas alucinações multisensoriais, cheias de sentimento, cheias de familiaridade, localizadas no espaço e tempo, coerentes, dramáticas.
As de Charles Bonnet são bem diferentes.
Então nas alucinações de Charles Bonnet, você têm de todos os tipos, desde alucinações geométricas, os quadrados rosas e azuis que a mulher tinha, até alucinações bem elaboradas com figuras e especialmente rostos.
Rostos, e às vezes rostos deformados, são as únicas coisas em comum nessas alucinações.
E das mais comuns é o desenho animado.
Então, o que está acontecendo?
Fascinantemente, nos últimos anos, foi possível fazer neuroimagem funcional, fazer fMRI em pessoas que estão alucinando.
E de fato, descobrir que diferentes partes do cérebro visual são ativadas enquanto elas estão alucinando.
Quando pessoas têm essas alucinações geométricas simples, o córtex visual primário é ativado.
Isso é a parte do cérebro que percebe bordas e padrões.
Você não forma imagens com seu córtex visual primário.
Quando imagens são formadas, um parte superior do córtex visual é envolvido no lobo temporal.
E em particular, uma área do lobo temporal chamada de giro fusiforme.
E é sabido que se pessoas têm lesões no giro fusiforme, elas talvez percam a habilidade de reconhecer rostos.
Mas se há uma atividade anormal no giro fusiforme, elas podem alucinar rostos. E isso é exatamente o que você encontra em algumas dessas pessoas.
Há uma área na parte anterior desse giro onde dentes e olhos estão representados. E essa parte do giro é ativada quando pessoas têm essas alucinações deformadas.
Há uma outra parte do cérebro que é especialmente ativada quando alguém vê desenhos animados.
Ela é ativada quando alguém reconhece desenhos, quando os desenha e quando alucina com eles.
É muito interessane que isso seja específico.
Há outras partes do cérebro que estão especificamente envolvidas com o reconhecimento e alucinação de edifícios e paisagens.
Por volta de 1970 foi descoberto que não havia apenas partes particulares do cérebro, mas células particulares.
"Células de rosto" foram descobertas por volta de 1970.
E agora sabemos que há centenas de outros tipos de células, que podem ser muito específicas.
Então você pode não ter apenas células de "carro", você pode ter células de "Aston Martin".
Eu vi um Aston Martin essa manhã.
Eu tinha de falar disso.
E agora ele está em algum lugar.
Agora, nesse nível, no que é chamado de córtex inferotemporal, há apenas imagens visuais, figmentos ou fragmentos.
É apenas nos níveis superiores que os outros sentidos se juntam e há conexões com a memória e emoção.
E na síndrome de Charles Bonnet você não vai até esses níveis superiores.
Você está nesses níveis do córtex visual inferior onde você tem milhares e dezenas de milhares e milhões de imagens, ou figmentos, ou figmentos fragmentários, todos codificados neuralmente, em células ou pequenos grupos de células particulares.
Normalmente todas elas fazem parte do fluxo integrado de percepção, ou imaginação. E não há consciência delas.
Só se alguém tiver perda de visão, ou for cego, que o processo é interrompido.
E ao invés de ter uma percepção normal, você está tendo uma estimulação anárquica e convulsiva, ou liberação, de todas essas células visuais, no córtex inferotemporal.
Então, de repente você vê uma face. De repente você vê um carro.
De repente isso, e de repente aquilo.
A mente faz o possível para se organizar, e dar algum tipo de coerência para isso. Mas não é bem sucedida.
Quando elas foram descritas pela primeira vez pensou-se que podiam ser interpretadas como sonhos.
Mas de fato as pessoas dizem, "Eu não reconheço as pessoas. Eu não posso formar nenhuma associação."
"Caco não significa nada para mim."
Você não chega a lugar nenhum pensando nelas como sonhos.
Bem, eu disse mais ou menos o que eu queria.
Eu acho que quero apenas recapitular e dizer que isso é comum.
Pense no número de pessoas cegas.
Deve haver centenas ou milhares de pessoas cegas que têm essas alucinações, mas estão muito assustadas para mencioná-las.
Então esse tipo de coisa precisa ser divulgada, para os pacientes, para os médicos, para o público.
Finalmente, eu penso que elas são infinitamente interessantes, e valiosas, por nos oferecer alguns indícios de como o cérebro funciona.
Charles Bonnet disse, 250 anos atrás -- ele se perguntava de que forma, pensando sobre essas alucinações, de que forma, como ele colocou, o teatro da mente podia ser gerado pela maquinaria do cérebro.
Agora, 250 anos mais tarde, eu acho que estamos começando a vislumbrar como isso é feito.
Muito obrigado.
Chris Anderson: Isso foi esplêndido. Muito obrigado.
Você fala sobre essas coisas com tanto discernimento e empatia com seus pacientes.
Você mesmo experimentou algumas das síndromes que você descreveu?
Oliver Sacks: Eu temia que você perguntasse isso.
Bem, sim, um monte delas.
E na verdade eu mesmo tenho perda de visão.
Eu sou cego de um olho, e o outro não está muito bom.
E eu vejo alucinações geométricas.
Mas elas param por aí.
C. A: E elas não incomodam você?
Pois você entende o que está acontecendo. Isso não deixa você se preocupar?
O. S: Bem, elas não me incomodam mais do que meu zumbido. Que eu ignoro.
Elas me interessam ocasionalmente. E eu tenho vários desenhos delas nos meus cadernos.
Eu fiz uma fMRI em mim mesmo para ver como meu córtex visual está dominando.
E quando eu vejo todos esses hexágonos e coisas complexas, que eu também tenho, com enxaqueca visual, eu me pergunto se todo mundo vê coisas assim, e se coisas como arte rupestre, ou arte ornamental podem ter sido derivadas disso.
C. A: Essa foi uma palestra absolutamente fascinante.
Muito obrigado por compartilhá-la.
O. S: Obrigado. Obrigado.
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A Khan Academy é mais conhecida por sua coleção de vídeos, então antes que eu vá mais adiante, deixem-me mostrar uma parte de uma edição.
Salman Khan: Então a hipotenusa vai ser cinco.
Os fósseis de animais são encontrados apenas nessa área da América do Sul – uma bonita faixa aqui – e nessa parte da África.
Nós podemos integrar sobre a superfície, e a notação geralmente é um sigma maiúsculo.
Assembléia Nacional: Eles criaram o Comitê de Segurança Pública, que soa com um comitê bem simpático.
Percebam, isso é um aldeído, e isso é um álcool.
Começa a diferenciar-se em células efetoras e de memória.
Uma galáxia. Ei, lá está outra galáxia.
E veja, mais uma galáxia.
E em dólares, é seus 30 milhões, mais os 20 milhões de dólares que vieram do fabricante americano.
Se isso não deixar você de boca aberta, então você não tem emoção.
SK: Agora nós temos cerca de 2. 200 vídeos cobrindo tudo desde aritmética básica até chegar em cálculo vetorial e algumas das coisas que vocês viram aqui.
Nós temos um milhão de estudantes por mês usando o site, assistindo a cerca de 100 a 200 mil vídeos por dia.
Mas o que nós vamos conversar sobre isso é como vamos chegar ao próximo nível.
Mas antes que eu faça isso, eu quero falar um pouco sobre como eu comecei realmente.
E alguns de vocês devem saber, há cinco anos atrás eu era um analista de um fundo de investimento. E eu estava em Boston, e estava tutorando meus primos em Nova Orleans, remotamente.
E comecei a colocar os primeiros vídeos no YouTube apenas como uma coisa legal de ter, apenas como um suplemento para meus primos – algo que podia dar a eles um lembrete.
E assim que coloquei os vídeos no YouTube, algo interessante aconteceu – na verdade um monte de coisas interessantes aconteceram.
A primeira foi o retorno dos meus primos.
Eles me disseram que eles me preferiam no YouTube do que em pessoa.
E depois que você supera o lado ruim disso, havia algo realmente muito profundo ali.
Eles disseram que eles preferiam a versão automática do seu primo a seu primo.
No começo, é muito contra intuitivo, mas quando você pensa sobre isso no ponto de vista deles, isso faz muito sentido.
Você tem essa situação onde agora eles podem pausar e repetir seu primo, sem sentir que estão me fazendo perder tempo.
Se eles tivessem de revisar algo que eles deviam ter aprendido duas semanas atrás, ou talvez dois anos atrás, eles não precisam ficar envergonhados e perguntar ao seu primo.
Eles podem apenas ver os vídeos. Se se entediarem eles podem ir para adiante.
Eles podem assistir no seu próprio horário, no seu próprio ritmo.
E provavelmente o aspecto menos apreciado disso é a noção de que a primeira vez, a primeiríssima vez que você tenta fazer seu cérebro entender um novo conceito, a última coisa de que você precisa é outro ser humano perguntando: "Você entendeu isso?"
E isso é o que estava acontecendo com a interação com meus primos antes. E agora eles podem fazer isso apenas na intimidade de seu próprio quarto.
A outra coisa que aconteceu foi – eu coloquei no YouTube – eu não vi razão para fazer isso particular, então eu deixei outras pessoas assistirem. E então as pessoas começaram a esbarrar nisso. E eu comecei a receber alguns comentários e algumas mensagens de todos os tipos de retorno de pessoas aleatórias de todo o mundo.
E esses eram apenas alguns.
Isso é na verdade de um dos vídeos de cálculo originais.
E alguém escreveu no YouTube – era um comentário no YouTube: "Primeira vez que sorri fazendo uma derivada."
E vamos pausar aqui.
Essa pessoa fez uma derivada e então ela sorriu.
E depois em resposta ao mesmo comentário – isso está na discussão.
Você pode ir aos vídeos no YouTube e ver esses comentários – alguém escreveu: "Mesma coisa aqui,
na verdade eu fiquei de bom humor o dia inteiro.
Desde que me lembro de ver todas essas matrizes na escola, e aqui estou tipo: 'Eu sei kung fu'." E recebemos bastante retorno ao longo dessas linhas.
Isso estava claramente ajudando as pessoas.
Mas depois, enquanto a audiência continuava crescendo e crescendo, eu comecei a receber cartas de pessoas, e começou a ficar claro que isso era mais do que uma coisa legal de ter.
Esse é apenas um trecho de uma dessas cartas.
"Meu filho de 12 anos tem autismo e teve uma péssima experiência com matemática.
Nós tentamos de tudo, vimos de tudo, compramos de tudo.
Nós esbarramos no seu vídeo sobre decimais e ele entendeu.
Depois fomos para as temidas frações. De novo, ele entendeu.
Nós não podíamos acreditar.
Ele está tão entusiasmado.
E como vocês podem imaginar, lá estava eu, analista de um fundo de investimento,
Era muito estranho para mim fazer algo com valor social.
Mas eu estava entusiasmado, então continuei.
E depois comecei a me dar conta de algumas outras coisas.
De que isso não só ajudava meus primos agora, ou essas pessoas que estavam enviando cartas, mas que esse conteúdo nunca vai envelhecer, que isso podia ajudar seus filhos ou seus netos.
Se Isaac Newton tivesse feito vídeos no YouTube sobre cálculo, eu não precisaria ter feito.
Supondo que ele fosse bom. Nós não sabemos.
A outra coisa que aconteceu – e mesmo nesse ponto, eu disse: "Ok, talvez seja um bom suplemento.
É bom para estudantes motivados.
É bom talvez para quem estuda em casa."
Mas eu não achava que seria algo que penetraria de alguma forma na sala de aula.
Mas então comecei a receber cartas de professores.
E os professores escreviam dizendo: "Nós usamos seus vídeos para mudar a aula.
Você deu as explicações, agora o que a gente faz." E isso pode acontecer em qualquer sala de aula nos Estados Unidos amanhã: ". o que eu faço é passar os vídeos das aulas como lição de casa. e o que costumava ser lição de casa, agora os alunos estão fazendo na sala de aula."
E eu quero pausar aqui para – Eu quero pausar aqui por um segundo, por causa de duas coisas interessantes.
A primeira, quando professores fazem isso, há o benefício óbvio – o benefício de que agora seus alunos podem curtir os vídeos da maneira como meus primos curtiram.
Eles podem pausar, repetir no seu próprio ritmo, no seu próprio ritmo.
Mas a coisa mais interessante é – e isso é a coisa contra intuitiva quando se fala sobre tecnologia em sala de aula – ao remover a palestra de tamanho padrão para toda classe e deixar os alunos terem sua matéria auto ritmada em casa, e depois quando você vai à sala de aula, deixando-os fazer a lição, com o professor rondando, fazendo com que os colegas realmente interajam entre si, esses professores usaram a tecnologia para humanizar a sala de aula.
Eles tomaram uma experiência fundamentalmente desumanizante – 30 garotos com seus dedos nos lábios, proibidos de interagir entre si.
Um professor, não importa o quanto seja bom, precisa dar essas palestras tamanho padrão para 30 alunos – rostos inexpressivos, quase antagonísticos – e agora é uma experiência humana.
Agora eles estão realmente interagindo entre si.
Então uma vez com a Khan Academy – eu saí do meu emprego. e nos tornamos uma organização de verdade – somos uma organização sem fins lucrativos – a questão é: como trazemos isso para o próximo nível?
Como trazemos o que os professores estão fazendo para sua conclusão natural?
E isso é o que estou mostrando aqui, esses são exercícios reais que comecei a escrever para meus primos.
Os que eu comecei eram muito mais primitivos.
Isso é uma versão mais competente disso.
Mas o paradigma aqui é, nós vamos gerar tantas questões for necessárias até que você entenda o conceito, até você dar 10 respostas certas seguidas.
E os vídeos da Khan Academy estão aí.
Você tem dicas, os passos para aquele problema, se você não sabe como fazer isso.
Mas o paradigma aqui, parece como uma coisa bem simples: 10 exercícios bem feitos seguidos, você segue em frente.
Mas é fundamentalmente diferente do que está acontecendo nas salas de aula agora.
Numa sala de aula tradicional, você tem duas lições de casa, lição de casa, palestra, lição de casa, palestra, e depois você tem um exame pontual.
E naquele exame, quer você obtenha 70 por cento, 80 por cento, 90 por cento, ou 95 por cento, a classe segue para o próximo tópico.
E mesmo aquele aluno com 95 por cento, o que era aquele 5 por cento que não sabia?
Talvez ele não soubesse o que acontece quando você eleva algo à potência zero.
E depois você vai agregar isso no próximo conceito.
Isso é análogo a imaginar aprender a andar de bicicleta, e talvez eu dê a vocês uma palestra adiantada, e dê uma bicicleta por duas semanas.
E então eu volto depois de duas semanas, e digo: "Bem, vamos ver. Você está tendo problemas com curvas à esquerda.
Você não pode parar.
Você é um ciclista 80 por cento."
Então eu coloco um grande C na sua testa e digo: "Este é um uniciclista."
Mas por mais ridículo que isso soe, isso é exatamente o que está acontecendo em nossas salas de aula agora.
E a ideia é que mais para frente bons alunos começam a errar álgebra de repente e começam a errar cálculo de repente, apesar de ser espertos, apesar de ter bons professores. E isso frequentemente porque eles têm esses buracos de queijo suíço que continuaram a construir sobre sua fundação.
Então nosso modelo é aprender matemática da maneira que você aprende qualquer coisa, como você aprenderia a andar de bicicleta.
Fique na bicicleta. Caia da bicicleta.
Faça isso o quanto for necessário até você ter domínio.
No modelo tradicional, ele penalizaria você por experimentar e falhar, mas ele não espera domínio.
Nós encorajamos você a experimentar. Nós o encorajamos a falhar.
Mas nós esperamos domínio.
Isso é apenas mais um dos módulos.
Isso é trigonometria.
Isso é aumentar e refletir funções.
E todos eles combinam juntos.
Nós temos cerca de 90 desses agora.
E você pode ir ao site agora. É tudo de graça. Não tento vender nada.
Mas a ideia geral é que todos eles combinam nesse mapa do conhecimento.
A ponta do topo aqui, é literalmente a soma de um algarismo.
É como 1 mais um é igual a 2.
E o paradigma é, uma vez que você tem nota 10 nisso, ele continua a levá-lo adiante para módulos mais e mais avançados.
Então se você continuar no mapa do conhecimento, você vai chegar em aritmética mais avançada.
Mais para frente, você começa a entrar em pré-álgebra e álgebra inicial.
Mais para frente, você começa a entrar em álgebra um, álgebra dois, um pouco de pré cálculo.
E a ideia é, a partir disso nós podemos ensinar tudo – bem, tudo que pode ser ensinado nesse tipo de estrutura.
Então você pode imaginar – e isso é no que estamos trabalhando – é a partir do mapa do conhecimento que você tem lógica, tem programação de computador, você tem gramática, genética, tudo baseado nesse princípio, se você sabe isso e aquilo, agora você está pronto para esse próximo conceito.
Agora isso pode funcionar bem para um aprendiz individual, e eu encorajo, por um lado, a vocês fazerem isso com seus filhos, mas também encorajo todo mundo na platéia a experimentar por si mesmo.
Isso vai mudar o que acontece na sala de jantar.
Mas o que nós queremos fazer é usar a conclusão natural da inversão da sala de aula que aqueles professores me falaram.
E isso que estou mostrando a vocês, isso são dados reais de um piloto no distrito de Los Altos, onde eles pegaram duas classes de quinta série e duas de sétima série e engoliram completamente seu velho currículo de matemática.
Essas crianças não estão usando livros-texto, elas não estão tendo palestras de tamanho padrão.
Elas estão fazendo a Khan Academy, elas estão usando aquele programa, para quase metade das aulas de matemática.
E quero deixar claro, não vemos isso como a educação completa de matemática.
O que isso faz é – e isso é o que acontece em Los Altos – é aumentar o tempo livre.
Isso é o básico, assegurando que você saiba como lidar com um sistema de equações, e isso aumenta o tempo livre para simulações, para os jogos, para a mecânica, para a construção de robôs, para estimar o quanto é alta aquela colina baseado na sua sombra.
Então o paradigma é o professor entra todo dia, cada garoto trabalha no seu próprio ritmo – e isso é um painel vivo do distrito escolar de Los Altos – e eles olham para esse painel.
Cada fileira é um aluno.
Cada coluna é um desses conceitos.
Verde significa que o aluno já é proficiente.
Azul quer dizer que ele está trabalhando nisso – não precisa se preocupar.
Vermelho quer dizer que está travado.
E o que o professor faz é literalmente dizer: "Deixe-me intervir nos garotos vermelhos."
Ou ainda melhor: "Deixe-me pegar um dos garotos verdes que já é proficiente nesse conceito para ser a primeira linha de ataque e realmente tutorar seu colega."
Agora eu venho de uma realidade muito focada em dados, então não queremos nem mesmo que o professor intervenha e faça perguntas constrangendoras ao aluno: "Oh, o que você não entendeu?" ou "O que você entendeu?"
e todo o resto.
Nosso paradigma é armar os professores com a maior quantidade de dados possível – dados que, em quase qualquer outro campo, são esperados, se você trabalha com finanças ou propaganda ou fabricação. E assim o professores podem realmente diagnosticar o que está errado com os alunos de maneira que podem fazer suas interações mais produtivas possível.
Agora os professores sabem exatamente o que os alunos têm feito, quanto tempo eles gastam todo dia, a quais vídeos assistiram, quando pausaram os vídeos, o que fez que parassem de ver, quais exercícios estavam fazendo, no que eles estavam se focando?
O círculo externo mostra em quais exercícios estavam se focando.
O círculo interno mostra em quais vídeos estavam se focando.
E os dados se tornam bem finos de forma que pode-se ver o problema exato que o aluno faz certo ou errado.
Vermelho é errado, azul é certo.
A questão à esquerda é a primeira que o aluno tentou.
Ele assistiu ao vídeo até aqui.
E então você pode ver, eventualmente, eles puderam acertar 10 perguntas seguidas.
É quase como se você pudesse vê-los aprender esses 10 problemas.
Eles também se tornam mais rápidos.
A altura é quanto tempo eles levaram.
Então quando fala-se em aprendizagem auto-ritmada, isso faz sentido para todo mundo – na chamada aprendizagem diferenciada – mas é meio maluco quando você vê isso na sala de aula.
Porque toda vez que fizemos isso, em cada sala de aula que fizemos, repetidas vezes, depois de cinco dias nisso, há um grupo de garotos que está adiantado e há outro grupo de garotos um pouco atrás.
E num modelo tradicional, se você fizesse uma avaliação pontual, diria: "Esses são garotos inteligentes, aqueles são garotos lerdos.
Talvez eles devessem ser acompanhados de forma diferente.
Talvez devêssemos coloca-los em salas diferentes."
Mas quando você deixa cada aluno trabalhar em seu próprio ritmo – e vemos isso repetidas vezes – você vê alunos que tomam um tempo extra em um conceito ou outro, mas uma vez que adquirem esse conceito, eles apenas vão adiante.
E assim os mesmos garotos que você pensava que eram lerdos semanas atrás, agora você pensa que são inteligentes.
E vemos isso repetidas vezes.
E isso faz você se perguntar quantos estereótipos que talvez vários de nós recebemos eram apenas devido a uma coincidência de tempo.
Agora por mais valioso que algo assim seja num distrito como Los Altos, nosso objetivo é usar a tecnologia para humanizar, não apenas em Los Altos, mas em escala global, o que está acontecendo na educação.
E realmente, isso meio que traz um ponto interessante.
Muito do esforço em humanizar a sala de aula é focada na relação aluno-professor.
Em nosso pensamento, a métrica relevante é a relação aluno-tempo-valioso- com-o-professor.
Num modelo tradicional, a maior parte do tempo do professor é gasto dando matérias e avaliando e assim por diante.
Talvez cinco por cento de seu tempo seja sentar com os alunos e realmente trabalhar com eles.
Agora 100 por cento do tempo é.
Então de novo, usando tecnologia, não apenas invertendo a sala de aula, você humaniza a sala de aula, eu diria, por um fator de cinco ou dez.
E por mais que isso seja valioso em Los Altos, imagine o que isso representa ao aprendiz adulto que está envergonhado em voltar e estudar o que eles deviam ter tido antes, antes de voltar para a universidade.
Imagine o que isso representa para um garoto de rua em Calcutá que precisa ajudar sua família durante o dia, e essa é a razão pela qual ele ou ela não pode ir à escola.
Agora eles podem gastar duas horas por dia e se recuperar, ou se atualizar e não ficar envergonhado sobre o que eles sabem ou não.
Agora imaginem o que acontece – nós falamos sobre colegas ensinando uns aos outros dentro da sala de aula.
Mas isso é tudo um sistema.
Não há razão para que não possa haver esse tutoramento colega-colega além dessa sala de aula específica.
Imagine o que acontece se o aluno de Calcutá de repente pode tutorar seu filho, ou seu filho pode tutorar esse garoto em Calcutá?
E penso que isso que vocês verão surgir é a noção de uma sala de aula global.
E isso é essencialmente o que estamos tentando construir.
Obrigado.
Bill Gates: Eu vi algumas coisas que vocês fazem no sistema que tem a ver com motivação e retorno – pontos de energia, medalhas de mérito.
Me diga o que vocês pensam disso?
SK: Sim. Nós temos uma equipe incrível trabalhando nisso.
E eu preciso deixar claro, não é mais apenas eu.
Eu ainda faço todos os vídeos, mas nós temos uma equipe de estrelas fazendo o programa.
Sim, nós colocamos um bocado de mecânica de jogos lá onde você ganha essas medalhas, nós vamos começar a ter tabelas de classificação, por área, e você ganha pontos.
É bem interessante na verdade.
Só ao mencionar as medalhas ou quantos pontos você ganha por fazer algo, nós observamos numa base ampla do sistema, cerca de dezenas de milhares de alunos de 5ª e 6ª séries indo em uma direção ou outra, dependendo em qual medalha você oferece.
BG: E a colaboração que você faz com Los Altos, como isso aconteceu?
SK: Los Altos, foi meio maluco.
Mais uma vez, eu não esperava que isso fosse usado em salas de aula.
Alguém da área de educação veio e disse: "O que você faria se tivesse carta branca em uma sala de aula?"
E eu respondi: "Bem, eu deixaria cada aluno trabalhar no seu ritmo em algo como isso e ofereceríamos um painel."
E eles disseram: "Isso é meio radical. Precisamos pensar sobre isso."
E eu e o resto da equipe ficamos tipo: "Eles nunca vão querer fazer isso."
Mas no dia seguinte eles perguntaram: "Você pode começar em duas semanas?"
BG: Então matemática da quinta série é que está ocorrendo agora?
SK: São duas classes de 5ª série e duas classes de 7ª série.
E eles estão fazendo isso no nível do distrito.
Acho que eles estão animados porque agora podem acompanhar esses garotos.
Não é uma coisa só-dentro-da-escola.
Até mesmo, no Natal, vimos alguns dos garotos fazendo isso.
E nós podemos acompanhar tudo.
Então eles podem acompanha-los enquanto vão por todo o distrito.
Durante as férias de verão, quando passam de um professor para outro, você tem essa continuidade de dados que mesmo no nível distrital eles podem ver.
BG: Então algumas dessas visualizações que vimos eram para o professor ir e acompanhar o que estava acontecendo com essas crianças.
Você tem um retorno dessas visualizações do professor para ver o que eles acham que significam?
SK: Sim. A maioria delas foram sugeridas pelos professores.
Nós fizemos algumas para os estudantes para que pudessem ver seus dados, mas temos uma supervisão de desenho detalhada com os próprios professores.
E eles dizem literalmente: "Ei, isso é bonito, mas." Como aquele gráfico de foco, muitos professores disseram: "Eu tenho a impressão que muitas crianças estão pulando e não se focando num tópico."
Então fizemos esse diagrama de foco.
Isso é tudo guiado por professores.
Isso foi bem maluco.
BG: Isso está pronto para o público em geral?
Você não acha que muitas classes no próximo ano deviam tentar isso?
SK: Sim, está pronto.
Nós já temos um milhão de pessoas no site, então nós podemos aguentar mais alguns.
Não, não há razão para isso não poder acontecer em todas as classes dos Estados Unidos amanhã.
BG: E a visão do tutoramento.
A ideia que há, se estou confuso sobre um tópico, de algum jeito na interface do usuário eu vou encontrar pessoas que se voluntariam, talvez ver sua reputação, e eu posso agendar e me conectar com essas pessoas?
SK: Absolutamente. E isso é algo que recomendo para todo mundo na audiência a fazer.
Esses painéis que os professores têm, você pode acessar agora mesmo e pode essencialmente se tornar um técnico para seus filhos, seus sobrinhos ou primos, ou talvez algumas crianças do Clube "Boys and Girls".
E sim, você pode começar a se tornar um mentor, um tutor, realmente imediatamente.
Mas sim, isso está tudo lá.
BG: Bem, isso é incrível.
Eu acho que você teve um vislumbre do futuro da educação.
Obrigado.
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Então, eu quero levá-los numa jornada para um mundo alienígena.
E não é uma jornada que viajamos anos-luz, mas é para um lugar que é definido pela luz.
Então, um fato pouco apreciado é que a maioria dos animais em nosso oceano produz luz.
Eu passei a maior parte da minha carreira pesquisando este fenômeno chamado bioluminescência.
Eu faço isto porque penso que seu entendimento é essencial para o entendimento da vida do oceano, onde a maior parte da bioluminescência ocorre.
Também uso isto como uma ferramenta para visualizar e rastrear a poluição.
Mas, acima de tudo, sou fascinada por isso.
Desde meu primeiro mergulho num submersível, em que desci e desliguei as luzes e vi espetáculos de fogos de artifício, fiquei viciada em bioluminescência.
Porém, eu voltava destes mergulhos e tentava compartilhar a experiência com palavras, e eram completamente inadequadas.
Eu precisava de um modo de dividir a experiência diretamente.
E a primeira vez que vi como poderia fazer isto foi neste pequeno submersível para um tripulante só chamado Deep Rover.
No próximo clipe de vídeo, vocês irão assistir como estimulamos a bioluminescência.
E a primeira coisa que vão ver é uma tela de ‘transecto’ cerca de um metro na diagonal.
Narrador: À frente do submersível, uma tela de malha entrará em contato com as criaturas de corpo mole do mar profundo.
Com as luzes do submersível desligadas, é possível se ver a bioluminescência delas – a luz produzida quando elas colidem com a malha.
Esta é a primeira vez que algo assim foi filmado.
Edith Widder: Então eu filmei aquilo com uma câmera de vídeo intensificada que possui quase que a sensibilidade do olho humano completamente adaptado à escuridão.
O que significa que isto é realmente o que veriam se fizessem um mergulho num submersível.
Mas, para tentar provar este fato para vocês, eu trouxe comigo alguns plânctons bioluminescentes que em si, sem dúvida, é uma tentativa imprudente em uma demonstração ao vivo.
Então, vamos desligar as luzes para que aqui fique o mais escuro possível, Eu tenho plânctons bioluminescentes dentro de um frasco.
E irão notar que neste momento não há luz vindo deles, ou porque morreram – ou porque eu preciso agitá-los de alguma forma para vocês verem como a bioluminescência realmente se parece.
Opa. Desculpem.
Passo a maior parte do tempo trabalhando no escuro; estou acostumada com isto.
Ok.
Então, aquela luz foi produzida por um dinoflagelado bioluminescente, uma alga unicelular.
Então, por que uma alga unicelular precisa ser capaz de produzir luz?
Bom, ela usa luz para se defender dos seus predadores.
O flash é como um grito de ajuda.
É conhecido como um alarme anti-roubo bioluminescente. É como o alarme dos seus carros ou das suas casas, a sua função é detectar o intruso indesejado, portanto, levando-o a sua captura ou o amedrontando.
Há muitos animais que usam este truque, por exemplo este 'dragonfish' preto.
Ele tem um órgão luminoso debaixo do olho.
Tem uma barba presa ao queixo.
Possui muitos outros órgãos luminosos que não podem ver, mas verão em seguida.
Então, tivemos que persegui-lo no submersível durante muito tempo, porque a velocidade máxima deste peixe é de um nó, o que era a velocidade máxima do submersível.
Mas valeu a pena, porque o pegamos em um dispositivo de captura especial, o trouxemos para o laboratório do barco, e, então, tudo neste peixe se ilumina.
É inacreditável.
Os órgãos luminosos debaixo dos olhos estão piscando.
Aquela barba no queixo está piscando.
Os órgãos luminosos na sua barriga estão piscando, luzes das nadadeiras.
É um grito de socorro; é feito para chamar atenção.
É fenomenal.
E normalmente vocês não conseguem ver isto, porque nós esgotamos a luminescência quando os trazemos nas redes.
Existem outras maneiras de se defenderem usando luz.
Por exemplo, este camarão lança suas substâncias químicas bioluminescentes na água do mesmo jeito que a lula e o polvo soltam um jato de tinta.
Isto cega ou distrai o predador.
Esta lula pequena é chamada de ‘lança-fogo’ por causa desta sua capacidade.
Agora, isto pode parecer um delicioso petisco, ou uma cabeça de porco com asas – porém, se for atacada, ele ergue uma barragem de luz – aliás, uma barragem de torpedos de fótons.
Consegui que as luzes se apagassem bem a tempo para vocês poderem ver estas quantidades de luz atingindo a tela de ‘transecto’ e então simplesmente brilhando.
Isto é fenomenal.
Existem muitos animais no oceano aberto – a maioria deles produz luz.
E temos uma boa noção do porquê, para a maior parte deles.
Eles a usam para encontrar comida, para acasalar, para defender-se contra os predadores.
Mas quando chegam ao fundo do oceano, é aí que as coisas ficam realmente estranhas.
E alguns destes animais são provavelmente a inspiração para o que viram no filme ‘Avatar’, mas não precisam viajar para Pandora para os verem.
Eles são assim.
Este é um coral dourado, um arbusto.
Cresce muito devagar.
Aliás, acredita-se que alguns deles têm cerca de 3. 000 anos, uma das razões que pesca de arrasto não deveria ser permitido.
Uma outra razão é que este arbusto maravilhoso brilha.
Então, se esbarrarem nele, em qualquer parte que vocês esbarraram nele, vão ver esta luz azul esverdeada piscando que é simplesmente emocionante.
E vocês veem coisas assim.
Isto parece ter sido tirado de um dos livros Dr. Seuss – simplesmente todo tipo de criaturas em cima desta coisa.
E estas são as anêmonas ‘flytrap’.
Quando vocês tocam seus tentáculos ela os retraem.
Todavia, se a continuarem tocando, ela começa a produzir luz.
E ela acaba se parecendo com uma galáxia.
Isto produz estas sequências de luz, provavelmente como uma forma de defesa.
Existem estrelas-do-mar que podem produzir luz.
E existem os ofiuróides que produzem faixas de luz que dançam ao longo dos seus braços.
Isto parece uma planta, mas na realidade é um animal.
E ancora-se na areia ao encher um balão na ponta final da sua haste.
Assim ele pode se firmar nas correntes muito fortes, como podem ver aqui.
Mas, se o pegamos cuidadosamente e o trazemos ao laboratório e o apertamos na base da haste, ele produz esta luz que se propaga desde a haste até a pluma, mudando de cor quando se move, do verde para o azul.
Colorização e efeitos sonoros acrescentado para o seu prazer visual
Mas não fazemos a menor ideia porque ele faz isto.
Aqui está um outro. Este também é um ‘sea pen’.
Ele está dando carona a uma estrela frágil.
É um sabre verde de luz.
E, como aquele outro que acabaram de ver, ele pode produzir estas faixas de luz.
Então, se eu apertar a base, as faixas vão da base para o topo.
Se aperto o topo, elas vão do topo para a base.
Então, o que acham que vai acontecer se eu apertar no meio?
Seria muito interessante para mim ouvir as suas teorias sobre isto.
Então, existe uma linguagem da luz no oceano profundo, e estamos apenas começando a entendê-la. E uma maneira que estamos abordando isso é imitar muitos destes espetáculos.
Esta aqui é uma atração óptica que usei.
Chamamos isto de água-viva eletrônica.
São apenas 16 LEDs azuis que podemos programar para fazer diversos tipos de espetáculos.
E vemos isto usando um sistema de câmeras que desenvolvi o 'Eye-in-the-Sea‘ que usa luz vermelha distante, invisível à maioria dos animais, assim é imperceptível.
Então, eu apenas quero lhes mostrar algumas das reações que obtivemos dos animais das profundezas do mar.
A câmera é preto e branco,
sem alta-resolução.
E o que estão vendo aqui é uma caixa de isca com um monte de – como as baratas marinhas – isópodes por toda a parte.
E, bem na frente encontra-se a água-viva eletrônica.
E quando ela começa a piscar, vai ser apenas um dos LEDs que vai piscar muito rápido.
Mas, assim que começa a piscar – e isto vai parecer grande porque ele fica maior na câmera – Quero que observem isto aqui.
Ali tem algo pequeno que reage.
Estamos falando com alguma coisa.
Parece com um pequeno cordão de pérolas, aliás, três cordões de pérolas.
E isto foi muito consistente.
Isto aconteceu nas Bahamas a cerca de 600 metros de profundidade.
Basicamente, aqui nós temos uma sala de bate-papo, porque quando um começa, todos acabam falando.
Eu acho que isto é, na realidade, um camarão soltando produtos químicos bioluminescentes na água.
Mas a coisa legal é que estamos falando com ele.
Não sabemos o que estamos dizendo.
Pessoalmente, eu acho que é algo sexy.
E para finalizar, eu gostaria de lhes mostrar as reações que filmamos com a primeira webcam do mundo em mar profundo, que instalamos no Cânion de Monterey no ano passado.
Só agora começamos a analisar todos esses dados.
Primeiro é uma fonte de brilho, que é como uma bactéria bioluminescente.
E há um indício óptico de que há carniça no fundo do oceano.
Então, esse necrófago chega, um tubarão gigante de 6 guelras.
E não posso dizer com certeza, que foi a fonte óptica que o trouxe aqui, porque lá tem isca.
Mas se ele estivesse seguindo a trilha do cheiro, ele teria vindo da outra direção.
E, de fato, ele parece estar tentando comer a água-viva eletrônica.
É um tubarão de 6 guelras de 3, 5 metros.
OK, a próxima foi filmada com a webcam, e vai ser este espetáculo de cata-vento.
E isto aqui é um alarme anti-roubo.
E aquilo era uma lula de Humboldt, uma lula de Humboldt adolescente, com cerca de 1 metro.
Isto aqui é a 900 metros de profundidade no Cânion de Monterey.
Mas se é um alarme anti-roubo, não se esperava que ele atacasse as águas-vivas diretamente.
Ele deveria atacar o que está atacando a água-viva.
Mas vimos muitas reações como esta.
Este cara é um pouco mais contemplativo.
“Ei, espera aí.
Ali deveria ter uma outra coisa.”
Ele está pensando sobre isto.
Mas ele é persistente.
Ele continua voltando.
Ele afasta-se por alguns segundos para pensar mais um pouco, e pensa, “Talvez, se eu tentar de um outro ângulo.”
Não.
Então, estamos começando a entender isto, mas isto é apenas o início.
Precisamos de mais olhos no processo.
Então, se alguém tiver a oportunidade de fazer mergulho num submersível, claro que sim, subam a bordo e mergulhem.
É algo que deveria estar na lista de desejos de antes de morrer de todos, porque vivemos num planeta oceânico.
Mais de 90 por cento, 99%, do espaço habitado no nosso planeta é oceano.
É um lugar [tão] mágico, cheio de empolgantes espetáculos de luz, e criaturas bizarras e assombrosas, formas de vida alienígenas que vocês não precisam ir a um outro planeta para as verem.
Mas se vocês toparem a parada mesmo, por favor, lembrem-se de apagar as luzes.
Mas vou lhes prevenir, Isto é viciante.
Obrigada.
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O que vou mostrar-lhes são máquinas moleculares admiráveis que criam o tecido vivo de seu corpo.
Moléculas são realmente, verdadeiramente minúsculas.
E por minúsculas, quero dizer muito minúsculas.
Elas são menores que o comprimento de onda da luz, assim, não temos forma de observá-las diretamente.
Mas, através da ciência, temos uma ideia razoavelmente boa do que acontece na escala molecular.
Portanto, o que podemos fazer, na verdade, é contar a vocês sobre as moléculas, mas não temos realmente uma forma direta de mostrar-lhes as moléculas.
Uma forma de fazer isso é desenhar figuras.
E essa ideia, de fato, não é nada nova.
Os cientistas sempre criaram figuras como parte de seu processo de raciocínio e descoberta.
Eles desenham figuras daquilo que estão observando com seus olhos, através de tecnologias como telescópios e microscópios, e também daquilo sobre o que estão refletindo em suas mentes.
Escolhi dois exemplos bem conhecidos, porque são famosos por expressar a ciência através da arte.
E começo com Galileu que usou o primeiro telescópio do mundo para observar a Lua.
E ele transformou nossa compreensão da Lua.
A percepção, no século XVII, era que a Lua era uma esfera celeste perfeita.
Mas o que Galileu viu foi um mundo rochoso, árido, que ele expressou através de sua aquarela.
Um outro cientista com grandes ideias, estrela da Biologia, é Charles Darwin.
E com este famoso registro em seu caderno, ele começa no topo do canto esquerdo com "Eu penso", então rascunha a primeira árvore da vida, que é a percepção dele de como todas as espécies, todas as coisas vivas na Terra, estão conectadas através da história da evolução -- a origem das espécies através da seleção natural e a divergência de uma população ancestral.
Mesmo sendo cientista, costumava ir a palestras de biólogos moleculares e achava-as completamente incompreensíveis, com toda aquela linguagem técnica e jargões extravagantes que usavam na descrição de seus trabalhos, até que encontrei os trabalhos de arte de David Goodsell, que é um biólogo molecular no Instituto Scripps.
E seus desenhos, tudo é preciso e está em escala.
E seu trabalho iluminou para mim como é o mundo molecular dentro de nós.
Esta é uma transeção do sangue.
No canto superior esquerdo, você tem essa área verde-amarela.
A área verde-amarela são os fluidos do sangue, que é predominantemente água, mas há também anticorpos, açúcares, hormônios, esse tipo de coisas.
E a região vermelha é um corte de uma célula de sangue vermelho.
E essas moléculas vermelhas são hemoglobina.
Elas são realmente vermelhas, é o que dá ao sangue sua cor.
E a hemoglobina atua como uma esponja molecular que absorve o oxigênio em seus pulmões e o carrega para outras partes do corpo.
Fui muito inspirado por esta imagem muitos anos atrás, e imaginava se poderíamos usar computação gráfica para representar o mundo molecular.
Como seria ele?
E foi assim que eu comecei realmente. Portanto, comecemos.
Isto é o DNA em sua forma clássica de dupla espiral.
E vem da cristalografia de raio X, portanto é um modelo preciso de DNA.
Se desenrolamos a espiral dupla e separamos os dois filamentos, você vê essas coisas que parecem dentes.
Essas são as letras do código genético, os 25. 000 genes que você tem escritos em seu DNA.
Tipicamente, é disto que falam -- o código genético -- é sobre isto que estão falando.
Mas quero falar sobre um aspecto diferente da ciência do DNA, que é a natureza física do DNA.
São esses dois filamentos que correm em direções opostas por razões que não vou comentar agora.
Mas, fisicamente eles correm em direções opostas, o que cria uma série de complicações para suas células vivas, como vão ver, mais especificamente quando o DNA está sendo copiado.
O que vou mostrar a vocês é uma representação precisa da verdadeira máquina de replicação do DNA que está ocorrendo agora dentro de seu corpo, no mínimo, biologia 2002.
Assim, o DNA está entrando na linha de produção do lado esquerdo, e ele atinge este conjunto, essas máquinas bioquímicas em miniatura, que estão rompendo o filamento de DNA e fazendo uma cópia exata.
Dessa forma o DNA entra e atinge esta estrutura azul em forma de rosquinha e é separado em dois filamentos.
Um filamento pode ser copiado diretamente, e você pode ver essas coisas se enrolando aqui na base.
Mas as coisas não são tão simples para o outro filamento porque ele deve ser copiado de trás para frente.
Assim ele é lançado fora repetidamente nesses laços e copiado uma parte por vez, criando duas novas moléculas de DNA.
Você tem bilhões dessas máquinas trabalhando exatamente agora dentro de você, copiando seu DNA com primorosa fidelidade.
É uma representação precisa, e está muito próxima da velocidade correta para aquilo que está ocorrendo dentro de você.
Deixei de lado a correção de erros e um punhado de outras coisas.
Isto foi trabalho de vários anos atrás.
Obrigado.
Isto foi trabalho de vários anos atrás, mas o que vou mostrar a seguir é ciência atualizada, é tecnologia atualizada.
Então, novamente, começamos com o DNA.
E está se balançando e movimentando ali por causa da sopa de moléculas ao redor, que tirei fora a fim de que vocês pudessem ver alguma coisa.
O DNA tem aproximadamente dois nanômetros, o que é realmente muito pequeno.
Mas em cada uma de suas células, cada filamento do DNA tem a extensão de aproximadamente 30 a 40 milhões de nanômetros.
Assim, para manter o DNA organizado e regular o acesso ao código genético, ele é envolvido por essas proteínas roxas -- ou eu as rotulei de roxas aqui.
Ele é embalado e empacotado.
Todo esse campo de visão é um único filamento de DNA.
Esse enorme pacote de DNA é chamado de cromossomo.
E voltaremos aos cromossomos em um minuto.
Estamos partindo, estamos saindo através de um poro nuclear, que é o acesso a esse compartimento que contém todo o DNA, chamado núcleo.
Todo esse campo visual vale aproximadamente um semestre de biologia, e eu levei sete minutos.
Então não vamos conseguir fazer isso hoje?
Não, disseram-me: "Não".
Esta é a forma como uma célula viva parece à luz do microscópio.
E está sendo filmada em aceleração, por isso é que você pode vê-la mover-se.
O envoltório nuclear se rompe.
Essas coisas em forma de salsicha são os cromossomos, e vamos focar neles.
Eles passam por essa movimentação impressionante que está focada nesses pequenos pontos vermelhos.
Quando a célula sente que está pronta, ela rasga o cromossomo.
Um conjunto de DNA vai para um lado, o outo lado fica com o outro conjunto de DNA -- cópias idênticas de DNA.
Então a célula se separa no meio.
Novamente, você tem bilhões de células sendo submetidas a esse processo agora dentro de você.
Agora vamos rebobinar e focar apenas nos cromossomos e olhar para sua estrutura e descrevê-la.
Novamente, aqui estamos no momento da divisão.
Os cromossomos se alinham.
E isolamos apenas um cromossomo, vamos extraí-lo e dar uma olhada em sua estrutura.
Esta é uma das maiores estruturas moleculares que você tem, pelo menos até onde descobrimos até agora dentro de nós.
Este é um único cromossomo.
E você tem dois filamenteos de DNA em cada cromossomo.
Um é empacotado em uma salsicha.
O outro filamento é empacotado na outra salsicha.
Essas coisas que parecem bigodes esticados para fora de cada lado são as estrururas dinâmicas de sustentação da célula.
Elas são chamadas microtúbulos. Esse nome não é importante.
Mas o que vamos focar é essa região vermelha -- eu a rotulei de vermelha aqui -- e ela é a interface entre a estrutura dinâmica de sustentação e os cromossomos.
Obviamente ela é fundamental para o movimento dos cromossomos.
Não temos ideia realmente de como ela está realizando esse movimento.
Temos estudado essa coisa que eles chamam de orbe cinética por mais de cem anos com estudos intensos, e ainda estamos só começando a descobrir o que é isso.
Ela é feita de cerca de 200 tipos diferentes de proteínas, milhares de proteínas no total.
É um sistema de transmissão de sinais.
Ela transmite através de sinais químicos dizendo para o restante da célula quando está pronta, quando ela sente que tudo está alinhado e pronto para a separação dos cromossomos.
Ela é capaz de unir-se aos microtúbulos que estão crescendo e encolhendo.
Ela está envolvida com o crescimento dos microtúbulos, e é capaz de transitoriamente juntar-se a eles.
É também um sistema de sensoriamento de atenção.
É capaz de perceber quando a célula está pronta, quando o cromossomo está posicionado corretamente.
Está se tornando verde aqui porque percebe que tudo está correto.
E vão ver, há este último pedacinho que ainda permanece vermelho.
E ele é encaminhado para fora dos microtúbulos.
Esse é o sistema de transmissão de sinais enviando o sinal de parada.
E ele é encaminhado para fora. Quero dizer, mecânico assim mesmo.
É a máquina molecular.
Isso é como você trabalha na escala molecular.
Então com um pouquinho de atração molecular, temos cinesina, que são aquelas laranja.
Saõ pequenos mensageiros que caminham em uma direção.
E aqui está a dineína. Carregam o sistema de transmissão.
E têm essas pernas longas para que possam ultrapassar obstáculos e coisas assim.
Novamente, isso tudo é precisamente derivado da ciência.
O problema é que não podemos mostrar isso a vocês de nenhuma outra maneira.
Explorar na fronteira da ciência, na fronteira da compreensão humana, é alucinante.
Descobrir esta matéria é certamente um incentivo agradável para trabalhar em ciência.
Mas muitos pesquisadores médicos -- descobrir a matéria é simplesmente um passo ao longo do caminho para as grandes metas, que são erradicar doenças, eliminar sofrimento e miséria que a doença causa e tirar as pessoas da pobreza.
Obrigado.
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Estou aqui para convocá-lo a ajudar a reconstruir a história de como os humanos e outras criaturas fazem as coisas acontecer.
Primeiro a história antiga. Já ouvimos um pouco sobre isso. Biologia é uma guerra onde só os mais ferozes sobrevivem. Negócios e Nações só tem sucesso ao derrotar, destruir e dominar a concorrência. A Política tem a ver com o seu lado vencedor, custe o que custar.
Mas acho que podemos ver uma nova história começando a emergir.
É uma narrativa que se espraia ao longo de diferentes disciplinas, na qual a cooperação, a ação coletiva e interdependências complexas protagonizam um papel ainda mais importante.
E aquela questão central, mas que não é de importância absoluta, da concorrência e sobrevivência do mais apto, se encolhe um pouco, para dar lugar no palco.
Eu comecei pensando sobre a relação entre comunicação, mídia e ação coletiva, quando escrevi Smart Mobs, e percebi que após terminar o livro, eu continuava a pensar no assunto.
Na verdade, se olharmos para trás, a mídia de comunicação humana e as formas como nos organizamos socialmente, tem evoluido por um bom tempo.
Os humanos tem vivido por muito, muito mais que os 10. 000 anos aproximados da civilização agrícola estabelecida. Em pequenos grupos familiares os caçadores nômades abatiam os coelhos para se alimentarem.
A forma de riqueza daqueles tempos era ter comida suficiente para sobreviver.
Mas chegaram a um ponto em que se juntaram para fazer da caça um jogo maior.
E não sabemos ao certo como eles fizeram isso. Apesar que eles devem ter resolvido alguns dos problemas inerentes à ação coletiva. Só faz sentido você não se dispor a caçar mastodontes por estar brigando com os outros grupos.
E de novo, não temos como saber por certo, mas está claro que uma nova forma de riqueza emergiu.
Mais proteínas que a família do caçador pudesse comer antes que estragasse.
Então se levantou uma questão social que acredito ter obrigado a criação de novas formas sociais.
Será que as pessoas que comeram da carne daquele mastodonte deviam algo para os caçadores e suas famílias?
Neste caso, como acertar as coisas?
Novamente não sabemos, mas podemos concluir que alguma forma de comunicação simbólica foi envolvida no processo.
E é claro, com a agricultura, vieram as primeiras grandes civilizações, as primeiras cidades construídas de lama e tijolo, os primeiros impérios.
E foram os administradores desses impérios que começaram a contratar pessoas para fiscalizar o trigo, as ovelhas e o vinho que se devia. E as taxas devidas a eles, colocando marcas, naquele tempo, marcas sobre a argila.
Não muito tempo depois o alfabeto foi inventado.
E esse poderoso instrumento foi realmente reservado ao longo de milhares de anos para a elite dos administradores que mantinham os registros das contas dos impérios.
E então, outra tecnologia de comunicação disponibilizou uma nova mídia. A imprensa foi criada e, em décadas, milhões de pessoas se tornaram alfabetizadas.
E das populações de leitores, novas formas de ação coletiva emergiram no campo do conhecimento, religião e política.
Vimos as revoluções científicas, a Reforma Protestante, e as democracias constitucionais tornando-se reais onde no passado não seriam possíveis.
Não foram criados pela imprensa, mas se tornaram possíveis graças a ação coletiva que emergia da alfabetização.
E mais uma vez novas formas de riqueza emergiram.
Agora o comércio é antigo. Mercados são tão velhos como as estradas que se cruzam.
Mas o capitalismo como conhecemos tem somente poucas centenas de anos, se tornou possível pelos arranjos cooperativos e tecnológicos, como a empresa de propriedade mista, o seguro em grupo, a contabilidade de dupla partida.
No presente, é claro, as tecnologias transformadoras estão baseadas na Internet. E na era do 'muitos para muitos', cada computador é uma pequena gráfica, uma estação de 'broadcast', uma comunidade ou um mercado.
A evolução está acelerando as coisas.
Mais recentemente, esse poder está se desdobrando e saindo dos computadores. E muito, muito rapidamente, nós veremos numa proporção significativa, se não em sua maioria, a raça humana andando por aí carregando em suas mãos ou vestindo supercomputadores conectados a velocidades ainda maiores do que aquilo que consideramos banda larga de hoje.
Quando eu comecei a estudar a ação coletiva, a literatura de referência era baseada no que os sociólogos chamam de "dilemas sociais".
E há algumas narrativas míticas dos dilemas sociais.
Eu vou compartilhar duas delas: O dilema do prisioneiro e a tragédia dos comuns.
Quando conversei sobre isso com Kevin Kelly, ele me garantiu que todos neste auditório conhecem em detalhes o dilema do prisioneiro. Então eu vou passar rapidamente sobre o assunto.
Se você tiver dúvidas, pergunte ao Kevin Kelly depois.
O dilema do prisioneiro é, na verdade, uma história sobre uma matriz matemática, resultado da teoria de jogos nos anos iniciais do planejamento de um embate nuclear: dois jogadores que não poderiam confiar um no outro.
Deixe-me afirmar que toda a transação não segura é um bom exemplo do dilema do prisioneiro.
Uma pessoa com bens, uma pessoa com dinheiro, porque sem confiança mútua - elas não vão realizar troca alguma.
Ninguém quer ser o primeiro, porque ninguém quer bancar o trouxa. Mas ambos perdem, é claro, porque não conseguem o que querem.
Se eles pudessem concordar, se eles pudessem transformar o dilema do prisioneiro numa matriz diferente de resultados, a que chamamos de jogo seguro, eles continuariam.
Há 20 anos atrás, Robert Axelrod usou o dilema do prisioneiro para investigar uma questão biológica: Se estamos aqui porque nossos ancestrais eram competidores tão ferozes, como é que a cooperação sempre existiu?
Ele iniciou um torneio por computador para que pessoas se submetessem às estratégias do dilema do prisioneiro, e descobriu para sua surpresa, que uma estratégia muito, muito simples, é campeã. Ganhou o primeiro torneio, e mesmo depois que todos descobriram que ela era a vencedora, ela também ganhou o segundo torneio. Isso é conhecido como reciprocidade.
Outro jogo econômico que pode não ser tão conhecido como o dilema do prisioneiro, é o jogo do ultimato. E é uma prova muito interessante das nossas premissas sobre como as pessoas fazem transações econômicas.
Veja como o jogo acontece. São dois competidores. Eles nunca jogaram esse jogo antes. Eles não poderão jogar uma segunda vez. Eles não se conhecem. E na verdade eles estão em salas separadas.
Ao primeiro jogador é dado 100 dolares e ele tem que propor uma divisão: seja 50/50, 90/10. Ele pode propor qualquer divisão. O segundo jogador ou aceita a divisão proposta, e daí os dois recebem o dinheiro, e o jogo se encerra. Ou o segundo jogador rejeita a divisão. Daí nenhum dos jogadores recebe dinheiro e o jogo se encerra.
Agora, a base fundamental da economia neoclássica lhe diria que é irracional rejeitar um dolar só porque alguém - que você não conhece lá da outra sala vai receber 99.
Mesmo assim, em milhares de testes com estudantes americanos, europeus e japoneses, uma significativa porcentagem rejeitava qualquer oferta que não se aproximasse dos 50/50
E mesmo tendo sido filtrados, e sem saber sobre o jogo, e de nunca antes terem jogado, os que acertavam pareciam conhecer de maneira inata porque na média suas propostas chegavam perto de 50/50.
Agora, a parte mais interessante vem de algo mais recente em que antropólogos levaram esse jogo a outras culturas e descobriram, surpresos, que os pecuaristas das queimadas da Amazonia, ou os pastores nômades da Ásia Central, ou uma dúzia de diferentes culturas - cada uma delas tem uma idéia diferente do conceito do que é justo.
O que nos sugere que ao invés de se ter um sentido inato de justiça, o que de certa forma influencia a base de nossas transações econômicas pode ser definido pelas nossas insitituições sociais - quer saibamos ou não.
A outra grande narrativa dos dilemas sociais é a tragédia dos comuns.
Garrett Hardin costumava falar sobre a explosão demográfica do final dos anos 60.
Ele usava um exemplo de uma área de pastagem comum em que cada pessoa, ao maximizar o seu próprio rebanho, gerava uma demanda adicional de pasto que consumia todo o recurso.
Ele chegou à sombria conclusão que os humanos inevitavelmente destroem qualquer recurso de uma base comum sempre que as pessoas não são impedidas de fazê-lo.
Agora, Eleanor Ostrom, uma cientista política, em 1990 fez uma pergunta realmente interessante - do tipo que um bom cientista deve fazer: "será que é realmente verdade que os humanos sempre destruirão o que tem em comum?"
Então ela pesquisou nos dados disponíveis.
Ela olhou nos milhares de casos de humanos que compartilham bacias hidrográficas, recursos florestais, pescas, e descobriu que - em caso após caso - os humanos destruiam os recursos comuns dos quais dependiam.
Mas ela também descobriu em muitos casos em que as pessoas escapavam do dilema do prisioneiro. Na verdade a tragédia dos comuns é um dilema do prisioneiro com múltiplos jogadores.
E ela diz que as pessoas só são prisioneiras se assim se considerarem.
Elas escapam ao criar instituições para a ação coletiva.
E ela descobriu algo ainda mais interessante, que entre as instituições que davam certo, havia um número de princípios desenhados para os comuns. E que esses princípios pareciam estar faltando naquelas instituições que não davam certo.
Estou passando por cima de várias disciplinas. Em biologia, as noções de simbiose, seleção de grupos, psicologia evolucionária são ainda contestadas, por certo.
Mas não há, de fato, nenhum grande debate sobre o fato que arranjos cooperativos sairam do periférico e vieram para uma função central em biologia, do nivel da célula ao nível da ecologia.
E novamente, nossas noções de indivíduos como seres econômicos foram derrubadas.
O auto interesse racional não é sempre um fator dominante.
Na verdade, as pessoas vão agir para punir os trapaceiros, mesmo que isso lhes custe a própria vida.
E mais recentemente, medições neurofisiológicas tem mostrado que as pessoas que punem os trapaceiros nos jogos econômicos tem mostrado atividade nos centros de recompensa de seus cérebros.
O que fez um cientista declarar que a punição altruística deve ser a cola que mantém as sociedades unidas.
Eu falei sobre como no passado as novas formas de comunicação e a nova mídia tem ajudado a criar as novas formas econômicas.
O comércio é antigo. Mercados são igualmente velhos. O capitalismo é bem novinho. O socialismo emergiu como uma reação a isso.
E ainda assim nós vemos pouca gente discutindo sobre como será a nova forma a emergir.
Jim Surowiecki mencionou rapidamente a monografia de Yochai Benkler sobre o código aberto, apontando para uma nova forma de produção: a produção dos pares.
Eu simplesmente quero enfatizar para você que no passado, novas formas de cooperação permitiram que as novas tecnologias criassem novas formas de riqueza, então podemos estar indo para ainda uma nova forma econômica que é significativamente diferente das anteriores.
Rapidamente, vamos olhar para algumas empresas. IBM, HP, Sun - são alguns dos mais ferozes competidores no mundo de TI e estão liberando o código fonte de seus sistemas, e permitindo porfolios de patentes para os comuns.
Eli Lilly - mais um feroz competidor do mundo farmacêutico - criou um mercado de soluções para problemas farmacêuticos.
Toyota, ao invés de tratar seus fornecedores como sendo do mercado, trata-os como uma rede, treinando-os a produzir melhor, mesmo que o treinamento resulte que produzam melhor para a concorrência.
Agora, nenhuma dessas empresas está fazendo isso por altruísmo. Eles fazem isso porque aprenderam que um certo tipo de compartilhamento funciona pelo interesse próprio.
A produção do código aberto nos mostrou que softwares de classe mundial, como Linux e Mozilla, podem ser criados sem ter a estrutura burocrática da empresa, e sem ter os incentivos do mercado como os conhecemos.
A Google enriquece a si mesma ao enriquecer milhares de blogueiros com o AdSense.
A Amazon abriu sua Interface de Aplicativos de Programas para 60. 000 desenvolvedores, inúmeras lojas Amazon.
Eles estão enriquecendo outros, não por causa de altruísmo, mas como uma forma de enriquecer a si mesmos.
Ebay solucionou o dilema do prisioneiro e criou um mercado, onde ninguém teria existido, ao criar um mecanismo de feedback que transforma o dilema do prisioneiro num jogo de segurança.
Ao invés de "nenhum de nós pode confiar um no outro, então nossas ações são medíocres," vamos para "prove a mim que você é merecedor de confiança e eu vou cooperar."
A Wikipédia aproveitou milhares de voluntários para criar uma enciclopédia gratuita com um milhão e meio de artigos em 200 línguas, em apenas alguns anos.
Temos visto que o ThinkCycle viabilizou ONGs em países em desenvolvimento ao trazer os problemas que podem ser resolvidos por alunos de design do mundo inteiro, incluindo algo que está sendo usado de imediato para dar alívio às vitimas do tsunami. É um mecanismo para a reidratação de vítmas do cólera que é tão simples de usar que gente analfabeta pode ser treinada a usá-lo.
Bit Torrent transforma quem baixa arquivos, numa pessoa que sobe arquivos, fazendo o sistema ser mais eficiente quanto mais é usado.
Milhões de pessoas tem contribuido com seus computadores pessoais quando não estão em uso, permitindo que estejam ligados à internet num coletivo para a super computação que ajuda a fazer simulações de enrolamentos de proteína para pesquisas médicas. Essa é a Folding@Home de Stanford. Para quebrar códigos. Para pesquisar a vida no espaço sideral.
Não creio que saibamos o suficiente ainda.
Eu acredito que nós ainda nem começamos a descobrir quais são os princípios básicos. Mas acho que já podemos começar a nos debruçar sobre eles.
Eu não tenho tempo suficiente para falar sobre todos eles. Mas pense sobre o interesse próprio.
Isto tudo é sobre interesse próprio com uma soma para mais.
Em El Salvador, os dois lados que pararam com a guerra civil tomaram iniciativas que provaram ser um espelhamento da estratégia do dilema do prisioneiro.
Nos Estados Unidos, Filipinas, Quênia, no mundo todo, os cidadãos realizam protestos políticos auto organizados e campanhas para arregimentar eleitores usando terminais móveis e SMS.
Será que é possível um Projeto Apollo de cooperação?
Um estudo transdisciplinar de cooperação?
Creio que os ganhos serão muito grandes.
Penso que precisamos iniciar o desenvolvimento de mapas desse território para que possamos conversar sobre isso através das disciplinas.
Não estou dizendo que entender a cooperação vai nos tornar pessoas melhores. E algumas vezes, as pessoas cooperam entre si para fazer coisas ruins. Mas deixe-me lembrar-lhes que algumas centenas de anos atrás, as pessoas viam seus queridos morrerem de doenças que eles pensavam tinham sido causadas por pecados, por estrangeiros ou por espíritos do mal.
Descartes disse que precisávamos de uma inteira nova forma de pensamento.
Quando o método científico trouxe essa nova maneira de se pensar e a biologia mostrou que bactérias causavam doenças, os sofrimentos foram aliviados.
Quais tipos de sofrimento poderiam ser alividados, que formas de riquezas poderiam ser criadas se conhecessemos um pouco mais sobre cooperação?
Eu não penso que esse discurso transdisciplinar vai acontecer de maneira automática. Vai exigir esforço.
Então eu convoco você para que me ajude a iniciar esse projeto de cooperação.
Muito obrigado.
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Cerca de um ano e meio atrás Stephen Lawler que também deu uma palestra aqui no TED em 2007 sobre o Virtual Earth me levou para ser arquiteto do Bing Maps, que é o esforço da Microsoft em mapeamento online.
Nos últimos dois anos e meio, nós trabalhamos duro para redefinir a forma como os mapas funcionam online.
E nós realmente estamos vendo isto em termos bastante diferentes da forma como mapas e sites de direção a que se está acostumado.
Então, a primeira coisa que você irá notar sobre o site de mapas, é a fluidez do zoom e da movimentação que se, você está familiarizado com o Seadragon, é dele que isso vem.
Mapeamento, é claro, não envolve apenas cartografia, envolve também imagem.
Então, enquanto nós aproximamos além de um certo nível ele se converte em um tipo de Sim City com uma visão virtual em 45 graus.
Isto pode ser visto em qualquer uma das direções cardinais para mostrar a vocês a estrutura 3D da cidade, todas as fachadas.
Agora, nós vemos esse espaço, este ambiente tridimensional como sendo uma tela na qual todo tipo de aplicações podem ser incorporadas. E mapas de direcionamentos são apenas uma delas.
Se você clicar nisto você irá ver algumas aplicações que disponibilizqamos, apenas nos últimos dois meses, desde que lançamos.
Então, por exemplo, dois dias depois do desastre no Haiti, tivemos um mapa de terremotos que mostrava imagens do céu antes e depois.
Este é maravilhoso mas não tenho tempo para mostrá-lo a vocês está pegando blogs em tempo real e mapeando essas histórias, essas entradas aos lugares que são citados nos blogs.
É maravilhoso.
Mas eu vou mostrar a vocês algo mais agradável.
Então, vemos a imagem, é claro, não parando no céu.
Essas pequenas bolhas verdes representam photosynths que usuários fizeram.
Eu não vou entrar neles também, mas photosynths são integrados ao mapa.
Tudo que está destacado em azul é uma área em que tiramos imagens do solo também.
Então, quando voamos para baixo -- Obrigada. Quando você voa para o solo, e você vê esse tipo de imagem panorâmica, a primeira coisa que você pode perceber é que esta não é apenas uma imagem, ela é um entendimento o mais tridimensional possível deste ambiente assim como a cidade tridimensional vista de cima, então se eu clicar em algo para ter uma vista dele, então, o fato dessa transição se parecer desta maneira, é devido a uma função de toda esta geometria, de todo entendimento 3D por trás deste modelo.
Agora, irei mostrar a vocês uma aplicação divertida na qual estamos trabalhando em colabração com nossos amigos do Flickr.
Isto pega imagens georegistradas no Flicker e usa um processo semelhante ao photosynth para conectar esta imagem com a nossa imagem, então -- Eu não tenho certeza se está é a que eu queria mostrar, mas -- Mas reparem -- este, é claro, é um site de turismo popular, e tem muitas fotos por aqui, e estas fotos foram todas tiradas em diferentes momentos.
Então esta foi tirada por volta das cinco.
Esta é uma foto do Flickr, esta é a nossa imagem.
Você realmente vê como esse tipo de imagem vinda da multidão está integrando, de uma forma profunda, o mapa em si.
Obrigado.
Existem várias razões pelas quais isto é interessante e uma delas, é claro, é a viagem no tempo.
E eu não vou mostrar a vocês algumas das maravilhosas imagens históricas aqui, mas existem algumas com cavalos e carruagens e assim vai.
Mas o legal sobre isso é que não apenas está aumentando a representação visual do mundo com coisas que estão vindo dos usuários, mas também é a base para a realidade aumentada, e isto é algo que eu irei mostrar mais a vocês daqui a pouco.
Agora eu apenas fiz a transição para o interior. Isto é algo interessante.
Ok, reparem que agora temos um teto sobre nós.
Estamos dentro do Mercado Pike Place.
E isto é algo que somos capazes de fazer com uma câmera de mochila, por isso, nós não estamos apenas registrando as imagens da rua com a câmera no topo dos carros, mas estamos também capturando imagens internas.
E daqui, nós somos capazes de fazer o mesmo tipo de registro, não apenas de imagens paradas, mas também de vídeo.
Então isto é algo que nós vamos agora tentar pela primeira vez, ao vivo, e isto é realmente muito assustador.
Ok.
Tudo certo, pessoal, vocês estão aí?
Tudo certo. Eu estou acertando. Estou clicando play.
Estou ao vivo. Tudo certo. Lá vamos nós.
Assim, estes são nossos amigos no Mercado Pike Place, o laboratório.
Então eles estão transmitindo isto ao vivo.
Ok, George, você pode fazer uma pan para o canto do mercado?
Porque eu quero mostrar pontos de interesse.
Não, não. Para o outro lado.
Isso, isso. Volte para o canto. Volte para o canto.
Eu não quero ver você ainda.
Ok. Ok. Volte para o canto. Volte para o canto. Volte para o canto.
Ok, deixa pra lá.
O que eu queria mostrar eram esses pontos de interesse aqui no topo da imagem porque isto dá a você um senso de que este é o caminho, se você está realmente no local. você pode pensar sobre isso -- isto está dando um passo adiante para a realidade aumentada.
Onde diabos estão vocês rapazes -- oh, desculpe.
Nós estamos fazendo dois diferentes. Ok, eu vou desligar agora.
Nós estamos fazendo duas coisas diferentes aqui.
Uma delas é pegar esta real.
Tudo bem, deixem-me apenas tirar um momento para agradecer a equipe.
Eles fizeram um trabalho fantástico organizando tudo isso.
Agora vou abandoná-los e andar novamente para fora.
E enquanto eu ando para fora, vou apenas mencionar isto aqui, nós estamos usando isto para telepresença, mas você pode igualmente usar isto no local, para realidade aumentada.
Quando você usa isso no local, isso significa que você poderá trazer todos esses dados e informações sobre o mundo para você.
Então aqui, nós estamos dando um passo além e também estamos transmitindo.
Isto foi transmitido, por sinal, em uma rede 4G a partir do mercado.
Tudo bem, e agora tem apenas uma última palestra do TED que a Microsoft deu nos últimos anos.
E é a de Curtis Wong, sobre o WorldWide Telescope.
Então, nós vamos em direção à zona de descarga onde é tradicional, depois de um longo dia no mercado, para dar uma pausa, mas também para olhar para o céu.
Esta é a integração do WorldWide Telescope em nossos mapas.
Este é o presente -- obrigado -- Este é o tempo presente, mas se nós navegarmos no tempo, então nós poderemos ver como o céu aparecerá em diferentes épocas, e nós podemos ter isso bem detalhado com informações sobre tempos diferentes, datas diferentes. Vamos mover a lua um pouco para cima no céu, talvez a data mude.
Eu gostaria de dar um zoom na lua.
Então, isto é astronomicamente falando uma completa representação do céu integrada com a Terra.
Tudo certo agora, eu excedi meu tempo, então eu tenho que parar.
Muito obrigado a todos.
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Eu geralmente dou cursos de como reconstruir estados após guerras.
Mas hoje tenho uma história pessoal para compartilhar.
Esta é uma foto da minha família, meus quatro irmãos, minha mãe e eu, tirada em 1977.
Nós somos cambojanos.
E esta foto foi tirada no Vietnã.
Como uma família cambojana foi parar no Vietnã em 1977?
Para explicar isso, eu tenho um video clip que explica o regime do Khmer Vermelho entre 1975 e 1979.
Vídeo: 17 de abril de 1975.
O Khmer Vermelho comunista entra em Phnom Penh para libertar seu povo do crescente conflito no Vietnã, e dos bombardeios americanos.
Liderado pelo camponês Pol Pot, o Khmer Vermelho evacua pessoas para os campos para criar uma utopia rural comunista, assim como a Revolução Cultural de Mao Tse-tung na China.
O Khmer Vermelho fecha as portas para o resto do mundo.
Mas depois de quatro anos, a verdade cruel vem à tona.
Num país de somente sete milhões de habitantes, um milhão e meio foram assassinados por seus próprios líderes, seus corpos empilhados nas covas coletivas dos campos de matança.
Sophal Ear: Então, apesar da narração dos anos 70, em 17 de abril de 1975 nós morávamos em Phnom Penh.
E o Khmer Vermelho mandou que nós deixássemos a cidade por causa do iminente bombardeio americano por três dias.
Aqui está uma foto do Khmer Vermelho.
Eram soldados jovens, geralmente soldados crianças.
E isto é muito normal agora, nos conflitos modernos. Porque é muito fácil levá-los para a guerra.
A razão que eles deram para os bombardeios americanos não era tão absurda.
De 1965 a 1973, mais bombas caíram no Camboja do que no Japão na Segunda Guerra Mundial, incluindo as duas bombas nucleares de agosto de 1945.
O Khmer Vermelho não acreditava em dinheiro.
Então o equivalente ao Banco Central no Camboja foi bombardeado.
Mas não só isso, eles literalmente baniram o dinheiro.
Acho que foi a única vez que dinheiro parou de ser usado.
E sabemos que o dinheiro é a razão de todos os males, mas não impediu que mal acontecesse no Camboja, de fato.
Minha família foi movida de Phnom Penh para a província de Pursat.
Esta é uma foto para dar uma ideia de como o Pursat é.
é na verdade uma área muito bonita no Camboja, onde as plantações de arroz predominam.
E eles foram forçados a trabalhar nos campos.
Então meus pais foram parar num tipo de campo de concentração, um campo de trabalho.
E foi nesta época que minha mãe ficou sabendo através de um chefe do grupo que os vietnamitas estavam pedindo que seus cidadãos voltassem para o Vietnã.
Ela falava um pouco de viatnamês como uma criança que cresce com amigos viatnamitas.
E ela decidiu, apesar da opinião dos vizinhos, que ela arriscaria tudo e iria declarar-se viatnamita para que tivesse uma chance de sobreviver. Porque a esta altura todos eram forçados a trabalhar.
E eles davam -- hoje em dia, uma dieta de restrição calórica, eu acho -- davam mingau de aveia e alguns grãos de arroz.
E mais ou menos nesta época meu pai ficou muito doente.
E ele não falava viatnamita.
E ele morreu, na verdade, em janeiro de 1976.
E isso tornou possível, de fato que nós executássemos o plano.
Então o Khmer Vermelho nos levou de um lugar chamado Pursat para Koh Tiev. Isso fica do outro lado da fronteira do Vietnã.
E lá eles tinham um campo de detenção onde os supostos viatnamitas seriam testados, testados no idioma.
E o viatnamês da minha mãe era tão ruim que para tornar nossa história mais verossímel ela nos deu novos nomes viatnamitas.
Mas ela deu para os meninos nomes de meninas e para as meninas nomes de meninos.
Até ela conhecer uma senhora viatnamita, que lhe falou isso e então a ajudou no idioma por dois dias intensamente e então ela foi fazer o exame e é claro, esse era o momento da verdade.
Se ela falhasse, iríamos direto para a forca. Se passasse, poderíamos deixar o Vietnã.
E ela -- é claro, eu estou aqui -- ela passou.
E fomos para Hong Ngu, do lado viatnamita.
E dali fomos para Chau Doc.
E esta é uma foto de Hong Ngu, Vietnã, hoje em dia.
Um lugar bastante pitoresco no delta do Mekong.
Mas para nós isto era liberdade.
E liberdade da perseguição do Khmer Vermelho.
Ano passado, o tribunal do Khmer Vermelho, o qual a ONU está ajudando o Camboja a conduzir, começou, e decidi que para constar eu deveria entrar com uma Ação Civil no tribunal sobre a morte do meu pai.
E fiquei sabendo mês passado que a ação foi oficialmente aceita pelo tribunal do Khmer Vermelho.
E para mim é uma questão de justiça para a história e responsabilidade para o futuro. Porque o Camboja continua sendo uma terra sem lei, ainda.
Cinco anos atrás minha mãe e eu voltamos a Chau Doc.
E ela conseguiu voltar para o lugar que para ela significou liberdade, mas também medo, porque tínhamos acabado de sair do Camboja.
E estou muito feliz em poder apresentá-la.
Ela está aqui conosco na platéia.
Obrigado, mãe.
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Quero lhes contar uma história, uma história encorajadora, sobre como lidar com desespero e depressão no Afeganistão, o que aprendemos com isso, e como ajudar as pessoas a superarem experiências traumáticas, e como ajudá-las a recobrarem alguma confiança no que vem pela frente -- no futuro -- e como participarem de novo da vida do dia a dia.
Eu sou uma psicanalista junguiana, e fui para o Afeganistão em janeiro de 2004, por acaso, numa missão da Medica Mondiale.
Jung no Afeganistão -- vocês podem imaginar.
O Afeganistão é um dos países mais pobres do mundo e 70% das pessoas são analfabetas.
A guerra e a desnutrição matam as pessoas assim como a esperança.
Vocês podem saber disso através da mídia. Mas o que vocês podem não saber é que a média da idade do povo afegão é de 17 anos, o que significa que eles crescem num ambiente tal e -- eu repito -- são 30 anos de guerra.
Então isso se traduz em violência contínua, interesses externos, corrupção, drogas, conflitos étnicos, má saúde, vergonha, medo, e experiências traumáticas cumulativas.
Militares locais e estrangeiros deveriam construir a paz junto com os doadores e organizações governamentais e não governamentais.
E as pessoas tinham esperança, sim, até elas perceberem que sua situação piora a cada dia -- seja porque estão sendo mortas, ou porque, de alguma maneira, estão mais pobres que há oito anos.
Um número para isso: 54% das crianças abaixo dos cinco anos de idade sofrem de desnutrição.
Ainda assim, há esperança.
Um dia um homem me disse: "Meu futuro não parece brilhante, mas quero um futuro brilhante para meu filho."
Esta uma foto que tirei em 2005, caminhando às sextas feiras nos morros de Kabul. E para mim é uma foto simbólica de um futuro aberto à geração dos jovens.
Então, médicos receitam remédios.
E doadores deveriam trazer a paz construindo escolas e estradas.
Soldados coletam armas e a depressão continua intocada.
Por que?
Porque as pessoas não têm ferramentas para lidar com isso, para superar isso.
Então, logo após minha chegada, Eu confirmei algo que já sabia antes, meus instrumentos vêm do coração da Europa moderna, sim.
Contudo, o que pode nos ferir, e nossa reação a esses ferimentos -- são universais.
E o grande desafio era como entender o significado do sintoma nesse contexto cultural específico.
Depois de uma sessão de aconselhamento, uma mulher me disse: "Porque você me sentiu, eu posso me sentir novamente, e quero participar de novo da vida de minha família."
Isso era muito importante porque a família é o centro do sistema social afegão.
Ninguém pode sobreviver sozinho.
E quando as pessoas se sentem usadas, sem valor e envergonhadas, porque algo horrível aconteceu com elas, então elas se retraem e caem no isolamento social, e não ousam contar essa coisa ruim para outras pessoas ou para pessoas queridas porque não querem sobrecarregá-las.
E muitas vezes a violência é um modo de lidar com isso.
Gente traumatizada também perde o controle facilmente -- os sintomas são hiper-sensibilidade e flashbacks de memória -- então as pessoas estão constantemente com medo de que as sensações horríveis daquele evento traumático possam voltar inesperadamente, de repente, e elas não consigam controlar isso.
Para compensar essa perda de controle interno, elas tentam controlar o mundo exterior, compreensivelmente -- principalmente a família -- e, por azar, isso combina muito bem com o lado tradicional, o lado regressivo e repressivo, o lado restritivo do contexto cultural.
Assim, maridos começam a espancar esposas, pais e mães batem em seus filhos, e depois, se sentem muito mal.
Eles não queriam fazer isso. Simplesmente aconteceu. Eles perderam o controle.
A tentativa desesperada de restaurar a ordem e a normalidade, e se não formos capazes de quebrar esse círculo de violência, ele se transferirá com certeza para a próxima geração.
Em parte isso já está acontecendo.
Então todos precisam de um sentido para o futuro. E o sentido afegão do futuro está destruído.
Deixem-me repetir as palavras da mulher.
"Porque você me sentiu, eu posso me sentir novamente."
Então a chave aqui é a empatia.
Alguém tem que ser uma testemunha do que aconteceu com você.
Alguém tem que sentir o que você sentiu.
E alguém tem que olhar para você e escutar.
Todos têm que ser capazes de saber que o que experimentaram foi real. E isso só acontece com outra pessoa.
Assim todos devem poder dizer: "Isso aconteceu comigo e fez isso comigo, mas sou capaz de viver com isso, de lidar com isso. e aprender com isso.
E quero me engajar num futuro feliz para meus filhos e para os filhos de meus filhos, e eu não vou casar minha filha de 13 anos " -- o que acontece demais no Afeganistão.
Então algo pode ser feito, até em ambientes tão hostis quanto o Afeganistão.
E comecei a pensar sobre um programa de aconselhamento.
Mas, é claro, eu precisava de ajuda e de recursos.
E uma noite, eu estava sentada ao lado de um homem muito simpático em Kabul e ele me perguntou o que eu achava que seria bom no Afeganistão.
E eu expliquei para ele rapidamente, eu iria treinar conselheiros psicossociais, eu abriria centros, e expliquei a ele o porquê.
No fim daquela noite esse homem me disse como contatá-lo e disse: "Se você quiser fazer isso, me ligue."
Na época, ele era o dirigente da Caritas na Alemanha.
Então pude lançar um projeto de 3 anos com a Caritas alemã. e nós treinamos 30 homens e mulheres afegãos, e abrimos 15 centros de aconselhamento em Kabul.
Este era nosso símbolo. É pintado à mão. E tínhamos 45 espahados por Kabul.
11. 000 pessoas vieram -- mais do que isso.
E 70% retomaram suas vidas.
Foi uma época muito emocionante, desenvolver isso com minha maravilhosa equipe afegã.
E eles estão trabalahndo comigo até hoje.
Criamos uma abordagem de aconselhamento psicossocial sensível à cultura.
Assim, de 2008 até hoje, uma mudança substancial e um passo adiante têm acontecido.
A delegação da União Européia em Kabul entrou nisso e me contratou para trabalhar dentro do Ministério da Saúde Pública, para defender essa abordagem. Nós conseguimos.
Revisamos o componente de saúde mental dos serviços básicos de saúde acrescentando cuidados psicossociais e conselheiros psicossociais ao sistema.
Isso implica no retreinamento de todo o pessoal de saúde.
Mas para isso, já temos manuais de treinamento, aprovados pelo Ministério e, além disso, essa abordagem agora faz parte da estratégia de saúde mental do Afeganistão.
Assim já implementamos isso em algumas clínicas selecionadas em três províncias, e vocês são os primeiros a ver os resultados.
Queríamos saber se o que estava sendo feito era eficaz.
E aqui vocês podem ver, os pacientes todos tinham sintomas de depressão, moderada e severa.
a linha vermelha é o tratamento normal -- remédios com um médico.
E todos os sintomas persistiram ou até pioraram.
E a linha verde é o tratamento somente com aconselhamento psicossocial sem medicação.
E vocês podem ver que os sintomas acabaram quase por completo e o stress psicossocial diminuiu significativamente, o que é explicável, porque você não pode acabar o stress psicossocial, mas você pode aprender a lidar com ele.
Isso nos fez muito felizes, porque agora já temos alguma prova de que está funcionando.
Aqui vocês vêm, este é um centro de saúde no norte do Afeganistão, e todas as manhãs fica assim por toda a parte.
E os médicos normalmente têm de 3 a 6 minutos por paciente. Mas agora isso vai mudar.
Eles vão para as clínicas, porque querem curar seus sintomas imediatos, e encontrarão alguém para conversar e discutir suas questões e falar sobre o que os aflige e encontrar soluções, desenvolver seus recursos, aprender o ferramental para resolver seus conflitos familiares e ganhar confiança no futuro.
Eu gostaria de compartilhar uma historinha
Um hazara disse a seu conselheiro pashtun, "Se nós nos encontrássemos uns anos atrás, nós iríamos nos matar.
E agora você está me ajudando a retomar alguma confiança no futuro."
E outro conselheiro me disse após o treinamento, "Sabe, eu nunca entendi porque sobrevivi às matanças em minha vila, mas agora eu sei, porque sou parte de um núcleo de uma nova sociedade pacífica no Afeganistão."
Então acredito que isso me deu forças.
E isso é uma contribuição real emancipatória e política à paz e à reconciliação.
E também, eu acho, sem terapia psicossocial, e sem considerar isso em todos os projetos humanitários, não podemos construir sociedades civis.
Achei que essa seria uma idéia que vale a pena espalhar e acho que deve ser, pode ser e poderia ser replicada em outros lugares.
Obrigada por sua atenção.
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Vamos agora assistir o extraordinário discurso que filmamos há algumas semanas.
Jose Antonio Abreu: Queridos amigos, senhoras e senhores, é com muita satisfação que estou hoje recebendo o Prêmio TED em nome de todos os notáveis professores de música, artistas e educadores da Venezuela que leal e generosamente me acompanharam por 35 anos na fundação e desenvolvimento do Sistema Nacional de Orquestras e Coros de Jovens e Crianças.
Desde criança, desde a mais tenra infância, eu sempre quis ser músico e, graças a Deus, eu consegui.
De meus professores, minha família e minha comunidade, recebi todo o apoio para me tornar um músico.
Toda a vida sonhei que todas as crianças venezuelanas tivessem a mesma oportunidade que eu tive.
Desse desejo e de meu coração surgiu a ideia de fazer com que a música se tornasse uma realidade em meu país.
Desde o primeiro ensaio vislumbrei um futuro brilhante,
visto que o ensaio já foi um grande desafio para mim.
Eu recebi uma doação de 50 estantes de partitura que seriam usadas no ensaio por 100 crianças.
Quando eu cheguei ao ensaio, havia apenas 11 crianças, e eu disse a mim mesmo, "Acabo com esse programa ou multiplico esse número?"
Decidi encarar o desafio e, naquela mesma noite, prometi àquelas 11 crianças que transformaria nossa orquestra em uma das melhores orquestras do mundo.
Há dois meses eu me lembrei da promessa que fiz quando um famoso crítico inglês publicou um artigo no London Times analisando quem seria o vencedor da Copa Mundial das Orquestras.
Ele citou quatro grandes orquestras do mundo, e a quinta foi a Orquestra Sinfônica Jovem da Venezuela.
Pode-se dizer hoje que a arte na América Latina não é mais um monopólio das elites e que se tornou um direito social, um direito de todos.
Menina: Aqui não há distinção de classes, não importa se você é branco ou negro, se tem ou não dinheiro.
Se você tiver talento, se tiver vocação e vontade de estar aqui, você entra, participa e faz música.
JA: Numa recente turnê da Orquestra Jovem Venezuelana Simon Bolivar nos Estados Unidos e na Europa, vimos o quanto nossa música comovia as platéias jovens no fundo de suas almas, como crianças e adolescentes corriam ao palco para tentar pegar os casacos dos músicos, como os aplausos de pé, às vezes de 30 minutos, pareciam durar para sempre, e como o público, depois do fim do concerto, saíam às ruas para cumprimentar entusiasticamente nossos jovens.
Isso significava não só o triunfo artístico, mas também uma profunda empatia emocional entre o público das nações mais avançadas do mundo e a juventude musical da América Latina, como a da Venezuela, que proporcionou a esse público uma mensagem de música, vitalidade, energia, entusiasmo e força.
Em sua essência, a orquestra e o coro são muito mais que estruturas artísticas.
São exemplos e escolas de vida social, porque tocar e cantar juntos significa conviver intimamente buscando a perfeição e a excelência, seguindo uma disciplina rígida de organização e coordenação para buscar a interdependência harmônica de vozes e instrumentos.
É assim que eles criam um espírito de solidariedade e fraternidade entre eles, que desenvolvem sua autoconfiança e cultivam valores éticos e estéticos relacionados à música em todos os sentidos.
Por isso a música é tão importante para o despertar da sensibilidade, para a formação de valores e para o treinamento dos jovens para ensinar outros jovens.
Menino: Depois de todo esse tempo aqui, a música é minha vida.
Nada mais.
Música é vida.
JA: Toda criança e adolescente do Sistema tem sua própria história, e todas são muito importantes e significativas para mim.
Vou citar o caso de Edicson Ruiz.
Ele é um rapaz de uma paróquia em Caracas que estudava com fervor em suas aulas de contrabaixo na Orquestra Juvenil de San Agustin.
Com seu esforço e com o apoio de sua mãe, de sua família e de sua comunidade, ele se tornou o membro principal da fila de contrabaixos da Orquestra Filarmônica de Berlim.
Temos outro caso bastante conhecido - Gustavo Dudamel.
Ele começou como membro da orquestra de meninos em sua cidade, Barquisimeto.
Lá se desenvolveu como violinista e regente.
Tornou-se o regente das orquestras jovens da Venezuela, e hoje rege as melhores orquestras do mundo.
É o diretor musical da Filarmônica de Los Angeles, e continua sendo o líder geral das orquestras jovens da Venezuela.
Foi o regente da Orquestra Sinfônica de Gothenburg, e é o melhor exemplo para jovens músicos da América Latina e do mundo.
A estrutura do Sistema se baseia num estilo novo e flexível de gerenciamento adaptado às características de cada comunidade e região, e hoje atende a 300. 000 crianças das classes baixa e média de toda a Venezuela.
É um programa de resgate social e de profunda transformação cultural elaborado para toda a sociedade venezuelana sem quaisquer distinções, mas com ênfase nos grupos sociais mais vulneráveis e ameaçados.
O efeito do Sistema já pode ser sentido em três esferas fundamentais: na esfera pessoal/social, na esfera familiar e na esfera da comunidade.
Na esfera pessoal/social, as crianças das orquestras e coros desenvolvem seu lado intelectual e emocional.
A música se torna uma fonte de desenvolvimento das dimensões do ser humano, elevando o espírito e levando ao desenvolvimento integral da personalidade.
Então, os benefícios emocionais e intelectuais são enormes - a aquisição de princípios de liderança, de ensino e capacitação, o senso de comprometimento, de responsabilidade, de generosidade e dedicação aos outros, e a contribuição individual para o alcance de objetivos coletivos maiores.
Isso leva ao desenvolvimento da autoestima e da confiança.
A Madre Teresa de Calcutá insistia em uma coisa que sempre me impressionou - a pior e mais trágica parte da pobreza não é a falta de comida ou teto, mas sim o sentimento de não ser ninguém, sentir que não é ninguém, a falta de identidade, a falta de estima social.
Por isso o desenvolvimento da criança na orquestra e no coro lhe dá uma identidade nobre e a torna um exemplo para sua família e para sua comunidade.
Faz com que seja melhor aluno porque inspira nela um senso de responsabilidade, de perseverança e de pontualidade que a ajuda muito na escola.
Na esfera familiar, o apoio dos pais é incondicional.
A criança se torna um modelo para seus pais, e isso é muito importante para uma criança pobre.
Quando a criança percebe que é importante para sua família, ela começa a buscar novos meios de melhorar e deseja melhorar a si mesma e a comunidade.
Ela também deseja melhorias sociais e econômicas para sua família.
Tudo isso constrói uma dinâmica social ascendente.
Como eu já mencionei, a maioria das nossas crianças pertence às camadas mais vulneráveis da Venezuela.
Isso aqui as encoraja a abraçar novos sonhos, objetivos, e progresso nas várias oportunidades que a música tem a oferecer.
Por fim, na esfera comunitária, as orquestras mostraram que são espaços culturais criativos e fontes de trocas e novos significados.
A espontaneidade da música faz com que ela deixe de ser um item de luxo e passe a ser patrimônio da sociedade.
É o que faz uma criança tocar violino em casa, enquanto seu pai faz trabalhos de carpintaria.
É o que faz um menina tocar sua clarineta em casa, enquanto sua mãe se ocupa dos afazeres domésticos.
A ideia é que as famílias participem com orgulho e alegria nas atividades das orquestras e coros que seus filhos frequentam.
O imenso universo espiritual que a música produz, de forma inerente, acaba por transcender a pobreza material.
A partir do momento que uma criança aprende a tocar um instrumento, ela deixa de ser pobre.
Ela passa a ser uma criança no caminho da profissionalização, e mais tarde um cidadão responsável.
Nem é preciso dizer que a música é a maior prevenção contra a prostituição, a violência, os maus hábitos, e tudo o mais que degrada a vida de uma criança.
Há alguns anos, o historiador Arnold Toynbee disse que o mundo estava sofrendo de uma enorme crise espiritual.
Não uma crise econômica ou social, mas espiritual.
Eu acredito que, para confrontar essa crise, somente a arte e a religião podem dar as respostas à humanidade, às aspirações mais profundas dos homens, e às demandas históricas de nossos tempos.
Com a educação como síntese da sabedoria e do conhecimento, como meio para lutar por uma sociedade mais perfeita, mais consciente, mais nobre e mais justa.
Com paixão e entusiasmo nós respeitosamente saudamos o TED por seu destacado humanismo, pela abrangência de seus princípios, por sua ampla e generosa promoção de jovens valores.
Esperamos que TED possa contribuir de maneira fundamental na construção dessa nova era no ensino da música, na qual os objetivos sociais, comunitários, espirituais e sustentáveis da criança e do adolescente se transformem em inspiração e meta para uma missão social maior.
Não mais colocando a sociedade a serviço da arte, e muito menos a serviço das elites monopolizadoras, mas sim a arte a serviço da sociedade, a serviço do mais fraco, a serviço das crianças, a serviço dos doentes, a serviço dos mais vulneráveis, e a serviço daqueles que clamam por justiça através do espírito de humanidade e do despertar de sua dignidade.
CA: Agora vamos ao vivo a Caracas.
Estamos ao vivo em Caracas para ouvir o pedido do Maestro Abreu ao Prêmio TED.
JA: Esse é o meu pedido ao Prêmio TED. Eu gostaria que vocês ajudassem a criar e documentar um program especial de treinamento para 50 talentosos jovens músicos, apaixonados por sua arte e por justiça social, e empenhados em levar "El Sistema" aos Estados Unidos e outros países.
Muito obrigado.
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Nesta apresentação bastante longa, uma espécie de maratona, Tentei dividi-la em três partes: sendo a primeira parte um conjunto de exemplos, de como pode ser um pouco mais agradável lidar com um computador e realmente abordar as qualidades da interface humana.
E estas serão algumas das qualidades do design simples, e eles também serão algumas das qualidades, se você quiser, da interação inteligente.
Em seguida, a segunda parte vai realmente ser apenas sobre exemplos de novas tecnologias: novos meios de comunicação caem muito rápido em desuso.
Mais uma vez, vou passar por elas o mais rápido possível.
E então por fim darei alguns exemplos Eu tenho colecionado, do que acho - deixe-me dizer, ilustram, pelo menos da melhor forma que posso, o mundo do entretenimento.
As pessoas têm essa crença, e compartilho a maior parte dela, que nós estaremos usando as telas de TV, ou seus equivalentes, para livros eletrônicos do futuro. Mas então você pensa, "Meu Deus, que imagem terrível você tem quando você olha fotos na TV."
Bem, ele não tem de ser terrível.
E isto, novamente, é um slide tirado de um aparelho de TV. E foi pré-processado para ser simpático para o meio televisivo, e nele, ele parece absolutamente lindo.
Bem, o que aconteceu? Como as pessoas fizeram esta bagunça?
Onde você está agora, de repente, sentado na frente de computadores pessoais, texto e vídeo, sistemas de teletexto, fica um pouco horrorizado com o que você vê na tela?
Bem, você tem que lembrar que a TV foi projetada para ser olhada a um distância de oito vezes o comprimento da diagonal da tela.
Assim, tendo uma de 13 polegadas, 19 polegadas, seja qual for a TV. E então você deverá multiplicar por oito, e essa é a distância que você deve sentar-se da televisão.
Agora, de repente, nós colocamos as pessoas à 18 polegadas da frente de uma TV e todos os artefatos que nenhum dos criadores originais esperava ver, de repente se você olhar de cara. A máscara de sombra, as linhas de varredura, de tudo isso.
E eles podem ser tratados com muita facilidade. Na verdade, existem maneiras de se livrar deles. Na verdade, existem maneiras de fazer fotos absolutamente lindas.
Eu estou falando um pouco sobre tecnologias de exibição.
Deixe-me falar sobre como você pode inserir informações.
E o meu exemplo favorito é sempre os dedos.
Estou muito interessado em telas sensíveis ao toque.
High-tech, high-toque. Não é isso que alguns de vocês dizem?
É certamente um meio muito importante para a entrada. E um monte de gente pensa que os dedos tem uma resolução muito baixa comparado uma caneta para entrar dados no monitor.
Na verdade, eles não são. São realmente, um meio de entrada de dados com alta resolução. Você tem que fazê-lo apenas duas vezes. Você tem que tocar a tela e gire o dedo ligeiramente. E você pode mover um cursor com grande precisão.
E assim, quando você vê no mercado, estes sistemas que têm apenas alguns diodos emissores de luz na lateral, e são de muito baixa resolução - É bom que eles existam porque isto ainda é melhor do que nada.
Mas em certo sentido, perdeu o sentido: ou seja, os dedos são um muito, muito preciso meio de entrada.
Quais são algumas das outras vantagens?
Bem, a única vantagem é que você não tem que buscá-las. E as pessoas não percebem o quão importante isto é, não ter que pegar os dedos para usá-los.
Quando você pensa por um segundo no mouse do Macintosh - e não criticarei o mouse demais - quando você está digitando o que você precisa e você quer agora alterar alguma coisa, Primeiro de tudo você tem que encontrar o mouse.
Você tem que parar, provavelmente, talvez não chega a ser uma parada forte mas você tem que achar o mouse. Quando você encontra o mouse e você vai ter que mexe-lo um pouco para ver onde está o cursor na tela.
E então quando você finalmente vê onde ele está, então você tem que movê-lo para que o cursor se dirija para lá, e, em seguida, bang, você tem que apertar um botão e fazer o que quer.
São quatro etapas separadas versus digitação e, em seguida, tocar e digitar e apenas a fazer tudo isso em um movimento, ou um-e-meia, dependendo de como você deseja contar.
Novamente, o que eu estou tentando fazer é apenas ilustrar os tipos de problemas que eu acho que enfrentam os designers de novos sistemas computacionais e sistemas de entretenimento e sistemas de ensino, do ponto de vista da qualidade da interface.
E outra vantagem, é claro, de usar os dedos é que você tem dez deles.
E nós nunca soubemos como fazer isso tecnicamente. Portanto, este slide é um slide falso.
Nunca conseguimos usar os dez dedos, mas há certas coisas que você pode fazer, obviamente, com mais de uma entrada de dedo, o que é muito fascinante.
O que fizemos foi tropeçar em alguma coisa,
novamente, o que é típico no campo computacional, é quando você tem um bug que não se consegue livrar e transformá-o em um recurso.
E talvez -
- Talvez um mouse seja um novo tipo de bug.
Mas o bug no nosso caso estava em telas sensíveis ao tato. Queríamos ser capaz de desenhar, sabe, esfregar o dedo através da tela de entrada de pontos contínuos. E não havia atrito demais criada entre o dedo e o vidro - Se o vidro for o substrato, o que é o habitual.
E assim que descobrimos que na verdade era uma característica no sentido de que poderia construir uma tela sensível a pressão.
E quando você toca com o dedo, você realmente pode, então, introduzir todas as forças na face dessa tela, e que realmente tem uma certo valor.
Deixe-me ver se eu posso colocar outro disco e lhe mostrar rapidamente um exemplo.
Certo. Agora imagine uma tela que não é sensível ao toque só por agora é sensível à pressão.
E é sensível à pressão de forças, em ambos os planos da tela - X, Y e Z, pelo menos em uma direção. Nós não poderíamos descobrir como entrar em outra direção.
Mas deixe-me livrar do slide. E vamos ver se este se aproxima.
OK. Portanto, há a pressão do visor sensível em operação.
A pessoa esta só, se quiser, empurrando a tela.
Mas esta é a parte interessante.
Agora, OK. Agora, eu quero parar por um segundo porque o filme é muito mal feito.
E esta exibição especial foi feita cerca de seis anos atrás, e quando nos mudamos de uma sala para outra sala uma pessoa enorme sentou sobre ela e ela foi destruída.
Portanto, tudo que nós temos é esse registro.
Mas imagine esta tela com uma porção de objetos nela. E a pessoa tenha tocado um objeto, um de N, como ele fez lá. E então empurrado para ele.
Agora, imagine um programa onde alguns desses objetos são fisicamente pesados e alguns são leves. Um deles é uma bigorna sobre um tapete felpudo e a outra é uma bola de ping-pong sobre uma folha de vidro.
E quando você toca, você tem que realmente empurrar com muito dificuldade, para mover a bigorna através da tela. E ainda, você tocar a bola de ping-pong muito levemente e ele corre pela tela.
E o que você pode fazer - oops, eu não queria fazer isso - o que você pode fazer é realmente permitir ao usuário a sensação das propriedades físicas.
Então, novamente, elas não têm que ter peso. Elas poderiam ser um general tentando mover tropas, e ele tem que mover um porta-aviões contra um pequeno barco.
Na verdade, eles são financiados por essa mesma razão.
A noção de conjunto, então, é um que na interface existem propriedades físicas em que o transdutor - neste caso, é a pressão e o toque - que lhe permitem apresentar as coisas para o usuário da forma como nunca se poderia apresentar antes.
Portanto, não é simplesmente a olhar para a qualidade, ou, se quiserem, o luxo da interface. Mas é verdade, olhando para a idéia de apresentar as coisas que antes não poderiam ser apresentadas.
Eu quero passar para outro exemplo. que é um de uma espécie diferente, onde estamos tentando usar o computador e tecnologia de disco de vídeo agora para chegar a um novo tipo de livro.
A idéia é que você vai ter este livro, se você quiser, e ele vai vir pronto.
Você vai dar vida a ele.
Nos acostumados fazer monólogos.
Cineastas, por exemplo, são especialistas em fazer monólogo. Você faz um filme e ele tem um início bem-delineado, meio e fim. E, em certo sentido, a arte é isso.
E então você diz: "Bem, você sabe, há uma oportunidade para fazer filmes de conversação. "Bem, o que isso significa?
E é espécie de mordidelas no cerne de toda a profissão e todas as suposições de que a médio prazo.
Então, escrevendo livro é a mesma coisa.
Então o que eu vou mostrar-lhe muito rapidamente, é um novo tipo de livro onde todos os tipos de coisas existem nele, mas você tem que manter algumas coisas em mente.
Uma delas é que este livro se conhece.
OK. Cada quadro do filme tem a informação sobre ele mesmo.
Então, ele sabe - ou pelo menos não há informações legíveis no computador no próprio meio. Não é apenas um quadro do filme estático.
Isso é uma coisa. A outra é que você tem que perceber que é um meio de acesso aleatório, e você pode de fato expandir e elaborar e encolher.
E aqui mais uma vez, o meu exemplo favorito é o livro de receitas, A Larousse Gastronomique.
E eu acho que usei o exemplo, muitas vezes, mas é um grande, porque há um final clássico neste pequeno livro-enciclopédia de receitas que lhe diz como fazer algo como um pingüim, e ao chegar no final da receita e ele diz: "Cozinhe até estar pronto."
Agora que seria, se quiserem, a faixa superior verde, o que não significa muito. Mas você teria que explicar para mim ou para alguém que não é especialista, e diz: "Asse em 380 graus por 45 minutos."
E então para um iniciante você precisa ser um pouco mais claro. e explicar mais. Diga: "Abrir o forno, pré-aquecimento, esperar a luz acender para tira-lo, abrir a porta, não deixá-la aberta enquanto, colocar o pingüim dentro e feche a porta, "seja o que for.
E isso é um muito mais elaborado do que driblar de costas.
Isso é um tipo de utilização de acesso aleatório.
E o outro é onde você quer explicar a mesma coisa de formas diferentes.
Se você está em uma situação de sala de aula e alguém faz uma pergunta, a última coisa que você deve fazer é repetir o que acabei de dizer.
Você pensa uma maneira diferente de dizer a mesma coisa, ou se você conhece o aluno em particular e qual é o estilo cognitivo do aluno, então você pode dizer isso de uma maneira que você pensa ser uma boa forma de ultrapassar a impedância deste aluno.
Há todos os tipos de técnicas que você vai usar - e, novamente, este é um tipo diferente de ramificação.
Então o que eu lhe mostrarei é um livro bastante aborrecido, mas receio, às vezes você tem que fazer livros chatos porque os patrocinadores não estão necessariamente interessados em ficção e entretenimento. E este é um livro sobre como reparar uma transmissão.
Agora, eu não sei mesmo o que vindimar a transmissão significa, mas deixe-me mostrar-lhe muito rapidamente alguns deles, e nós vamos seguir em frente.
Agora este é o seu índice de conteúdo, OK?
Apenas um retrato do transporte, e como você esfregar o dedo na transmissão, destaca as várias partes.
Narrador: Quando eu encontrar um capítulo que eu quero ver, Acabei de tocar o texto e o sistema formatará as páginas para eu ler.
As palavras ou frases que são grafadas em vermelho são palavras de glossário, para que eu possa obter uma definição diferente, apenas toco a palavra e a definição aparece, sobreposta sobre a ilustração.
Nicolas Negroponte: Trata-se da bandeja de óleo. Ou o filtro de óleo e tudo isso.
Isso é relativamente importante, pois define o -
Narrador: Este é outro exemplo de uma página com palavras glossário, destacada em vermelho.
Posso obter uma definição destas palavras só as tocando, e a definição aparecerá no canto da ilustração.
Eu posso voltar para a ilustração, mas neste caso não é uma única figura. Mas é realmente um filme de alguém que vem para a figura e faz o reparo que é descrita no texto.
As duas cabeças deslizantes são um controle de velocidade que me permite ver o filme em várias velocidades, para frente ou para trás.
E o filme é exibido como um filme quadro a quadro.
Eu posso voltar para o começo, e reproduzir o filme em velocidade máxima.
Aqui está outro procedimento passo a passo, apenas neste caso - NN: Você vê, todo mundo ouviu o som de filmes em sincronia. Esta é uma sincronia entre filme e texto. Assim enquanto passa o filme, o texto fica destacado,
destacamos o texto enquanto nós passamos o filme. Não muito longe. dos pólos, de preferência.
Não solte os demais. Se você soltá-los demais, você fará uma grande bagunça.
Eu suspeito que alguns de vocês pode até não entendam esse idioma.
Certo. Vamos para a terceira e última parte, o que eu disse que faria uma tentativa de, pelo menos, dar-lhe alguns exemplos que podem ser mais diretamente relacionadas com o mundo do entretenimento.
E, claro, uma boa educação tem que ser um bom entretenimento. Então o meu primeiro exemplo será elaborado a partir de uma experiência muito recente que estamos fazendo - neste caso, no Senegal, onde temos tentado usar computadores pessoais como um meio pedagógico, mas não como máquinas de ensino de todo. Quer dizer, todo o conceito é usar isso como um instrumento onde há uma completa inversão de papéis. A criança é, se você preferir, o professor, e a máquina é o aluno. E a arte da programação de computadores é um veículo que aproxima pensar do pensar.
Mas a programação ensinando as crianças, por si só, é totalmente irrelevante.
E há apenas alguns slides que quero passar. Mas há uma história que eu gostaria de dizer, e que foi quando, antes de nós fizemos isto em todos os países em desenvolvimento - nós estamos fazendo, de fato, em três países em desenvolvimento agora: Paquistão, Colômbia e Senegal. Fizemos isso em algumas áreas bastante aproximas na cidade de New York.
E uma criança, cujo nome eu esqueci, com cerca de sete ou oito anos, considerada absolutamente deficiente mental, não sabia ler, nem fazer as mais fáceis atividades na classe. E quase não estava na escola, embora fisicamente estivesse lá.
Mas penduraram, a citação, "sala de informática", onde havia muito poucos computadores, e ele aprendeu esta linguagem particular chamada Logo. E aprendeu isso com grande facilidade e achou muito divertido. Foi muito interessante. E um dia, por acaso, alguns visitantes do NIE vieram com seus ternos de duas fileiras de botões olhando para esta instalação. E nenhuma das crianças que estavam lá, normalmente, exceto para essa criança,
E ele disse: "Deixe-me mostrar-lhe como isto funciona." E eles fez uma descrição absolutamente genial, e maravilhosa do Logo.
E a criança era apenas dando uma pincelada sobre isto, mostrando-lhes todo o tipo de coisas, até que lhe perguntaram como fazer algo que ele não podia explicar. E assim ele folheou o manual, encontrou a explicação e digitei o comando e consegui fazer o que eles pediram.
Eles ficaram encantados, e na hora de ver o diretor, quem eles realmente vieram ver - e não sala de informática. Eles foram lá em cima e eles disseram: "Sabe, isso é absolutamente notável.
Essa criança, sabe, era muito articulada e nos mostrou, e sabe, até mesmo lidar com as coisas que ele não podia fazer automaticamente com esse manual. Era apenas absolutamente fantástico ".
O diretor disse: "Sabe, ocorreu um erro terrível, porque essa criança não pode ler.
E você, obviamente, deve ter sido ludibriado ou falou com outra pessoa. "
E todos eles levantaram e desceram as escadas e a criança ainda estava lá. E eles fizeram algo muito inteligente - eles perguntaram à criança: "Você sabe ler?"
E o menino disse: "Não, eu não sei."
E então eles disseram: "Mas espere um minuto. Você estava olhando nesse manual e encontrou - " E ele disse: "Ah, mas isso não é leitura."
E assim eles disseram, "Bem, o que é leitura, então?"
Ele diz: "Ora, a leitura é aquele lixo que me dão em pequenos livros para ler.
É absolutamente irrelevante, e eu não ganho nada com isso. certo?
Mas aqui, com um pouco de esforço, eu recebo um monte de retorno ".
E isso realmente significa algo para a criança.
A criança lê lindamente, ela se concentra, e foi realmente muito competente. Então, isto realmente significou algo.
E como essa história tem muitas outras histórias semelhantes, Mas, uau, a chave para o futuro dos computadores na educação está aí. E é - quando isso significa alguma coisa para uma criança.
Existe um mito, e ele realmente é um mito: acreditamos - e tenho certeza que muitos de vocês acreditam nesta sala - que é mais difícil de ler e escrever do que aprender a falar.
E não é. Mas achamos que a fala - meu Deus, as criancinhas pegam isto e de alguma maneira. E com dois anos de idade elas fazem um trabalho medíocre. E aos três e quatro estão falando razoavelmente bem.
E ainda você tem que ir à escola para aprender a ler. E você tem que sentar em uma sala de aula e alguém tem que ensinar,
Por isso, deve ser mais difícil. Bem, não é difícil.
A verdade é que, se falar tem grande valor para uma criança. A criança acredita ter feito um grande negocio ao falar com você.
Ler e escrever é totalmente inútil.
Não há nenhuma razão para uma criança a ler e escrever, exceto a fé cega, e no que isto vai ajudá-lo.
Então o que acontece é, é você ir para a escola e as pessoas dizem "Sabe, basta acreditar em mim, sabe, você vai gostar.
E você vai gostar de ler e apenas ler por ler. "
Por outro lado, você dá a uma criança - de três anos - um computador. E eles digitam um pequeno comando, e puf, algo acontece.
E de repente - você não pode não chamar isto de leitura e escrita, mas um certo tipo de digitação e visualização de coisas na tela tem uma recompensa enorme, e é muito divertido.
E, na verdade é um poderoso instrumento de ensino.
Bem, no Senegal, descobrimos que esta era a sala de aula tradicional: 120 crianças, três por mesa. Um professor, um pouco de giz.
Este aluno foi um dos nossos primeiros alunos, e é a menina à esquerda encostado com o seu quadro. E ela veio no prazo de dois dias - Eu quero mostrar-lhe o programa, que ela escreveu, e lembre-se o penteado, OK? E esse é o programa que ela fez.
Isso é o que significava algo para ela, é fazer o padrão de cabelo, e realmente o fez no prazo de dois dias, uma hora a cada dia, e achou que era, para ela, absolutamente a parte mais significativa.
Mas enraizada em que, a pouco ela sabia quanto conhecimento ela foi adquirindo sobre geometria e apenas a matemática e a lógica e todo o resto.
E, novamente, eu poderia falar por três horas sobre este assunto.
Eu passarei para o meu último exemplo,
e meu último exemplo - como alguns dos meus ex-colegas quem eu vejo na sala pode imaginar o que será.
Sim, é. É o nosso trabalho, Foi há um tempo atrás, e ainda é meu projeto favorito, teleconferência.
E a razão dele continuar a ser um projeto favorito é que fomos convidados a fazer um sistema de teleconferência onde você terá a seguinte situação: você tem cinco pessoas em cinco locais diferentes. Eles são pessoas conhecidas. E você tinha que ter estas pessoas em teleconferência de forma que cada um estava totalmente convencido que os outros quatro estavam presentes fisicamente.
Agora, isso é o suficiente, sabe, ridículo que nós, obviamente, mordemos a isca, e nós fizemos.
E o fato de que sabíamos que as pessoas, tínhamos que ter uma página fora da história de Walt Disney. Na verdade, foi tão difícil construir CRTs com as formas dos rostos das pessoas.
Então, se eu queria chamar o meu amigo Peter Sprague no telefone, minha secretária começaria com a cabeça e acabaria por defini-lo sobre a mesa. E isso seria a TV utilizada para a ocasião.
E é estranho. Não há nenhuma maneira que eu posso explicar para vocês a quantidade de contato oculares que você tem com aquela face física projetadas em um monitor CRT 3D desse tipo.
A próxima coisa que tínhamos a fazer é convencê-los que precisava haver correspondência espacial. Qual é óbvio, Mas, novamente, é algo que não caiu naturalmente de telecomunicações ou do estilo de pensamento computacional. Foi mais, se quiserem, o conceito arquitetônico ou espacial,
e que era reconhecido quando você se sentar ao redor da mesa, a localização real das pessoas se torna muito importante.
E quando alguém se levanta, de fato, para ir atender um telefone ou usar o banheiro ou algo assim, o lugar vazio torna-se, se você vir, essa pessoa. E você aponta frequentemente para o assento vazio e você diz: "Ele ou ela não concorda." E a cadeira vazia é essa pessoa. E a espacialidade é crucial.
Então nós dissemos: "Bem, eles devem estar em mesas-redondas e a ordem em torno da mesa tinha que ser a mesma. Assim seria o local, se quisermos, de verdade. E depois na do outro lado você teria que estas cabeças de plástico.
E os chefes de plástico - às vezes você quer projetá-los,
e há uma série de programas, que eu não quero insistir. Mas isso é o que nós finalmente utilizamos, onde projetamos o material na tela traseira que foi moldada na cara, literalmente, na cara da pessoa.
E eu vou mostrar-lhe mais um slide onde isto é realmente feito de uma coisa chamada fotografia sólida, e é a tela
Agora, nós seguimos na cabeça da pessoa, os movimentos da cabeça. Então nós transmitimos um vídeo com as posições da cabeça. E assim que este se move a cabeça em torno de dois eixos.
Então, se eu me volto repentina para à pessoa, à minha esquerda, e começar a falar com essa pessoa, então a pessoa do meu lado direito, ele vai ver essas duas cabeças de plástico falando uns com os outros.
E então, se essa pessoa interrompe então essas duas cabeças podem virar.
E isto realmente está reconstruindo, com bastante precisão, a teleconferência.
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Se pensarmos no telefone. e muito do que vou mostrar foi usado em testes feitos pela Intel nos últimos 10 anos em 600 famílias de idosos -- 300 na Irlanda e 300 em Portland -- a fim de entender como medir e monitorar o comportamento de uma forma clinicamente significativa.
O telefone, por exemplo, é algo que podemos usar de formas inacreditáveis para ajudar as pessoas a tomarem a medicação certa na hora certa.
Estamos testando um tipo de tecnologia de rede de sensores espalhados pela casa para que qualquer telefone com o qual um idoso esteja acostumado possa ajudá-lo a controlar sua medicação.
E tudo o que eles precisam fazer é pegar o telefone e o nosso sistema vai sussurrar qual pílula tomar, como se estivessem conversando com um amigo.
Sem o constragimento de um carrinho de medicamentos que guardam na cozinha e que diz: "Sou velho. Estou doente."
É uma tecnologia muito discreta que os ajuda a realizar a simples tarefa de tomar o comprimido certo na hora certa.
Bem, também podemos fazer coisas incríveis com esses telefones.
Cada vez que o telefone é tirado do gancho uma prova cognitiva é produzida.
Vejamos. Vou atender o telefone de três formas distintas.
"Alô? Oi!"
Certo? Essa é a primeira vez.
"Alô? É. oi!"
"Alô? Hum. Quem?
Ah. oi!"
São diferenças muito grandes na forma como atendi o telefone nas três vezes.
E conforme monitoramos o uso do telefone por idosos durante um longo período, em questão de microsegundo, que é o momento de reconhecimento em que eles vão checar se quem está do outro lado é um amigo e assim poderem falar com ele na hora, ou se precisam questionar o interlocutor usando frases como: "Mas quem está falando? Ah." Entendem?
A espera pelo momento do reconhecimento pode ser o melhor indicador prematuro da aparição de um problema do que qualquer exame médico possa comprovar.
Chamamos isso de marcadores comportamentais.
Existem muitos outros. Quando o telefone toca. essa pessoa o atende tão rápido como antes?
É um problema auditivo ou físico?
Sua voz ficou mais fraca? Temos trabalhado muito com pessoas com mal de Alzheimer e principalmente com mal de Parkinson, em que aquela voz mais fraca que o normal nos pacientes com Parkinson pode ser o melhor indicador prematuro 5 a 10 anos antes de ser diagnosticado clinicamente.
Mas essas mudanças repentinas na voz depois de um longo período são difíceis para você ou sua esposa perceberem até que sua voz fica comprometida. Por isso, esses sensores
estão atentos a esse tipo de voz.
Quando você atende o telefone sua mão treme muito? E o que acontece depois de um tempo?
Você tem mais dificuldade de discar o telefone do que antes?
É um problema motor? Artrite?
Você tem usado o telefone? Está menos sociável do que antes?
Seguindo essa premissa, o que esse declínio na saúde social significa como um indicador da saúde no futuro?
E então, nossa! Que ideia genial, poder, menos nos Estados Unidos, utilizar essa nova tecnologia para poder interagir com uma enfermeira ou um médico no outro lado da linha.
Será maravilhoso quando pudermos fazer esse tipo de coisa!
Bem, isso é o que chamo marcadores comportamentais.
É justamente isso que estamos tentando fazer na Intel nos últimos 10 anos.
Como colocar simples tecnologias disruptivas na primeira das cinco frases que vou falar nessa palestra?
Os marcadores comportamentais são importantes.
Como mudamos o comportamento?
Como medimos mudanças no comportamento de forma significativa que nos ajude a previnir doenças, identificá-las precocemente e acompanhar a progressão de uma doença por um longo período?
Agora, por que a Intel me deixaria gastar tempo e dinheiro, nesses 10 anos, tentando entender as necessidades dos idosos e começar a estudar esses tipos de marcadores comportamentais?
Esse é um pouco do trabalho que temos feito.
Temos vivido com 1000 famílias de idosos em 20 países nos últimos 10 anos.
Estudamos pessoas em Rochester, Nova Iorque.
Moramos com elas no inverno devido ao que fazem no inverno, o acesso à assistência médica e como muitas delas se socializam é muito diferente de como fazem no verão.
Se elas têm uma fratura no quadril, nós as acompanhamos e estudamos a experiência médica do início ao fim.
Se tiverem um membro da família que é uma peça-chave nos cuidados delas, nos deslocamos e o estudamos também.
Dessa forma, estudamos a experiência médica de 1000 idosos do início ao fim, nos últimos 10 anos em 20 países diferentes.
Por que a Intel estaria interessada em investir nisso?
Devido ao segundo slogan do qual quero falar.
Há 10 anos, quando comecei a tentar convencer a Intel a me deixar investigar tecnologias disruptivas que pudessem ajudar a ter uma vida independente, eu batizei o projeto como: "Ano 2000 + 10."
Nos anos 2000 estávamos tão obcecados prestando atenção no envelhecimento dos nossos computadores e se eles sobreviveriam ou não ao famoso Bug do Milênio que nos esquecemos de algo que só os demógrafos estavam prestando atenção.
Era época de Ano Novo.
E a virada de ano aconteceria quando pela primeira vez na história o número de idosos era maior que o número de jovens.
Pela primeira vez na história, a não ser por visitas alienígenas ou grandes pandemias, essa é a expectativa dos demógrafos daqui para frente.
10 anos atrás parecia que eu tinha muito tempo para convencer a Intel disso, não é?
"Ano 2000 + 10" estava chegando e a geração pós-guerra começando a se aposentar.
Bem amigos, é como se conhecêssemos esses dados demográficos.
Aqui está o mapa-múndi.
É como se a luz estivesse acesa, mas ninguém estivesse em casa nesse problema demográfico de "Ano 2000 + 10". Certo?
Quero dizer que temos algo aqui mas não aqui. E não fazemos nada a respeito.
A lei de reforma da saúde ignora a realidade dos grupos de idosos que tem aumentado e as implicações do que precisamos fazer para mudar não apenas como pagamos pela saúde, mas também como oferecer cuidados de maneiras totalmente diferentes.
E com certeza é nosso dever.
Você deve ter visto essas manchetes. Essa é Catherine Casey: a primeira "baby boomer" a se aposentar.
Na verdade aconteceu nesse ano. Ela se aposentou precocemente.
Nascida um segundo depois da meia-noite de 1946.
Uma professora aposentada. Aqui está ela com o administrador da Previdência Social.
A primeira "boomer" sequer esperou até 2011, o ano que vem.
Nós já começamos a ver a aposentadoria precoce nesse ano.
Bem, aqui está. O problema "Ano 2000 + 10" bate à nossa porta.
São 50 tsunamis agendados no calendário. Mas parece que não podemos alertar o governo e as forças inovadoras para que façam algo a respeito. Vamos esperar até que haja mais uma catástofre em vez de nos prepararmos para isso.
Por isso, um dos motivos de tamanho desafio em se preparar para o problema "Ano 2000" é que temos o que eu chamaria "envenamento do sistema central".
Andy Grove nem deve se lembrar, mas há uns 6 ou 7 anos ele usou em um artigo da Fortune Magazine o termo "sistema central de assistência médica", e eu tenho expandido esse conceito desde então.
Ele leu isso em algum lugar e me disse: "Eric esse é um conceito muito bom".
E eu o lembrei: "Na verdade, a ideia foi sua.
Você disse isso na Fortune. Eu só ampliei."
Esse é o sistema central.
Essa mentalidade de sistemas de saúde grandes e caros na verdade começou em 1787.
Esse é o primeiro Hospital Geral de Viena.
E foi no segundo Hospital Geral de Viena, por volta de 1850, onde começou-se a construir um programa de estudos baseado em especialidades.
Foi onde começou-se a desenvolver a arquitetura que literalmente dividiu o corpo, dividindo a saúde em departamentos e especialidades.
E isso refletiu na nossa arquitetura. Refletiu no modo como ensinávamos os estudantes. E essa mentalidade de sistema central ainda existe.
Eu não sou do tipo anti-hospital.
Com meus problemas de saúde eu me submeti a terapias contra drogas, e estive nesses hospitais várias vezes.
Mas colocamos o Hospital Geral num altar, não é?
E esse é o sistema médico central.
Há 30 anos não podíamos imaginar que poderíamos ter um computador do tamanho de uma sala em nossas bolsas e cintos como temos hoje em dia. E de repente, o computador, que era restrito aos experts, se tornou um sistema pessoal que usamos diariamente. Essa mudança do sistema central ao PC é o que temos que fazer no sistema de saúde.
Temos que mudar essa mentalidade de centralizar o sistema de saúde fazendo um modelo pessoal.
Estamos obcecados com esse pensamento.
Quando a Intel realiza pesquisas pelo mundo dizemos: "Pense rápido: assistência médica."
A primeira palavra que vem é médico.
A segunda é hospital. E a terceira é doença. Não é?
Somos predispostos a pensar na assistência médica e na inovação nessa assistência como algo que entra nesse conceito.
A discussão em torno da reforma na saúde, informatização da saúde, quando falamos com os políticos significa: como vamos fazer com que os médicos usem registros eletrônicos?
Não estamos pensando sobre como mudar do sistema central para a residência.
E o problema está no nosso conceito de assistência médica, não é?
É um sistema muito reativo e influenciado pelas crises.
Estamos fazendo exames de 15 minutos nos pacientes.
É baseado na população.
Coletamos várias informações biológicas num ambiente artificial. Então os curamos com pó de pirlimpimpim, e os mandamos para casa, esperando que com um folheto ou website nas mãos eles sigam nossas orientações e não voltem ao sistema central.
O problema é que não podemos arcar com isso hoje, pessoal.
Não podemos arcar de forma que o sistema de saúde de hoje inclua não segurados.
E agora queremos fazer o mesmo com o grupo de idosos que está chegando?
As coisas na assistência médica não mudaram; precisamos mudar isso.
Precisamos focar nas casas.
Focar no paradigma de assistência médica pessoal que leva os cuidados em casa. Como ser mais pró-ativo e e preventivo?
Como reconhecer sinais vitais e outras informações 24 horas por dia?
Como identificar o que vai funcionar para você?
Como coletar dados não apenas biológicos mas comportamentais, psicológicos, relacionais, dentro, fora e em volta de casa?
E como levar um plano de cuidado personalizado que usa toda a alta tecnologia à disposição para mudar nosso comportamento?
É o que precisamos fazer para nosso modelo de saúde pessoal.
Quero dar alguns exemplos. Essa é Mimi, de um de nossos estudos. Aos 90 anos, precisou se mudar de casa porque sua família estava preocupada com quedas.
Levante sua mão se você ou um ente querido ou seus pais já tiveram uma queda séria em casa.
É clássico. Fraturas no quadril leva um idoso para o hospital.
É o que acontecia à Mimi. E a família estava tão preocupada com isso, que a levaram para um centro de apoio à pessoas com necessidades especiais.
Ela tropeçou no seu tanque de oxigênio.
Muitos dessa geração não apertariam o botão, mesmo se tivessem um sistema de alerta por telefone, porque não querem incomodar, ainda que pagassem 30 dólares por mês por esse serviço.
Os "baby boomers" apertariam o botão. Com certeza.
Apertariam o botão sem parar, não é mesmo?
Mimi fraturou a pelvis e ficou caída durante todo o dia e a noite até que a encontraram e a levaram para o hospital.
Eles trataram suas costas mas ela não podia voltar ao centro de ajuda, por isso a colocaram num asilo.
Na primeira noite no asilo, dentro do mesmo centro de apoio, a trocaram de cama; praticamente a jogaram, fraturando sua pelvis mais uma vez. Então a mandaram de volta ao hospital de onde tinha vindo. Ninguém leu a prancheta. Aplicaram Tylenol, ao qual ela é alérgica. Ela começou a passar mal, teve problemas de coração e morreu em decorrência das quedas, complicações e dos erros.
Agora, a coisa mais assustadora é que era a avó da minha esposa.
Vejamos: eu sou Eric Dishman. Falo inglês. Trabalho para a Intel. Tenho um bom salário. Sei o que fazer em casos de quedas. É uma área de pesquisa na qual trabalho.
Tenho acesso a senadores e executivos.
E não posso evitar que isso aconteça.
O que acontece se você não tem dinheiro, não fala inglês, ou não tem como lidar com problemas recorrentes como esses?
Como podemos evitar que essas quedas aconteçam?
Vou dar um exemplo rápido do trabalho que estou fazendo em relação a isso.
Tenho usado uma tecnologia chamada Shimmer.
É uma plataforma de pesquisa.
Tem acelerômetro. Você pode conectar um eletrocardiograma
de 3 derivações. Tem todo tipo de entrada e saída como se fossem Legos que podem ser montados para captarem situações no mundo real como tremores, passos, comprimento dos passos, coisas assim.
O problema é a nossa concepção de quedas como a de Mimi. Três meses depois da queda, nos chegou uma carta do Estado, dizendo: "O que você estava fazendo quando caiu?"
Isso é o que há de mais avançado.
Mas com algo como Shimmer, ou como o "Magic Carpet" com sensores incorporados, ou sistemas de câmeras como os usados na medicina esportiva, pela primeira vez nessas 600 famílias de idosos, começamos a coletar dados reais de movimentos cinemáticos para entender quais as mudanças mínimas que ocorrem que possam nos mostrar se "mamãe" corre risco de queda.
Na maioria das vezes podemos fazer duas intervenções: trocar de medicamento.
Sou um pesquisador qualitativo, mas quando vejo os dados vindos dessas casas, eu os vejo e posso te dizer se um médico lhes receitou algo que ninguém mais sabia que eles estavam tomando. Percebemos pelas mudanças nos padrões domésticos. Entendem?
Essas descobertas dos marcadores e mudanças comportamentais mudam tudo, assim como a descoberta do microscópio graças ao nosso fluxo de dados, coisa que nunca havíamos feito antes.
Esse é um exemplo da Clínica Trill, na Irlanda do. na verdade o que vocês estão vendo é. ela está olhando os dados recebidos do tapete mágico.
Então temos um pequeno tapete que revela o movimento postural e as mudanças no movimento postural ao longo de vários meses.
Aqui temos uma amostra de como os dados se apresentam.
Esses são os sensores ativados.
São dois pontos diferentes em nosso estudo.
Referem-se a dados de mais ou menos um ano.
A cor representa diferentes cômodos da casa.
Essa pessoa à esquerda mora na própria casa.
A da direita mora em um centro de apoio.
Eu sei disso pela forma como o horário da refeiçoes é apresentado quando eles não estão mais em quartos particulares. Entendem?
Talvez isso não signifique muito para vocês
mas quando olhamos esses ciclos de dados durante um longo período e nos atentamos para tudo desde os movimentos nos diferentes cômodos da casa, a micro movimentos que o Shimmer possa captar, como o tamanho dos passos, esses fluxos de dados começam a nos dizer coisas sobre padrões comportamentais que não entendíamos antes.
Para saber mais, acessem ORCATech. org. Não tem nada a ver com baleias, é o Centro de Envelhecimento e Tecnologia de Oregon.
O problema é que a Intel ainda é uma das maiores investidoras do mundo em pesquisa de tecnologia de vida independente.
Não que eu queira me gabar dos investimentos, é que poucas pessoas realmente prestam atenção no envelhecimento e nas intervenções para inovação no gerenciamento de doenças crônicas e na vida independente em casa.
Por isso, meu mantra aqui, meu quarto slogan é: 10 mil famílias ou nada.
Precisamos direcionar ao Framingham Heart Study um estudo nacional, ou até internacional, sobre tecnologias de vida independente em que tenhamos 10 mil domícilios de idosos conectados à banda larga, com assistência médica adequada e uma plataforma na qual possamos começar a experimentar e transformar esses 20 estudos empíricos financiados pelas universidades, em grandes estudos clínicos que comprovem o valor dessas tecnologias.
Por isso, 10 mil famílias ou nada.
Esses são apenas alguns dos domícilos que temos usado nos estudos da Intel.
Minha quinta e última frase: Tenho tentado por dois anos, e em alguns momentos estivemos bem perto de fazer essa reforma na saúde de forma efetiva. De um velho modelo a um modelo de saúde pessoal que vá além de um debate sobre a opção pública e formas de financimento.
Não importa como vamos financiar.
Vamos descobrir algo nos próximos 10 anos e tentar.
Não importa quem vá pagar por isso. É melhor começarmos a encarar de forma diferente e tratar a casa, o paciente, o membro da família e os enfermeiros como parte dessas equipes de cuidados coordenados e usar as tecnologias disruptivas existentes para tratar a saúde de forma muito diferenciada.
O presidente precisa se levantar e dizer, no final de um debate sobre reforma na saúde: "Nosso objetivo como país é mover, em 10 anos, 50% da assistência das instituições, clínicas, hospitais e enfermarias para as casas."
É viável. Devemos fazê-lo com economia. Com moral. E devemos fazê-lo pela qualidade de vida.
Mas não existe alvo nessa reforma da saúde.
Hoje está uma bagunça.
Então essa é minha última mensagem para você.
Como definir um alvo para lidar com o problema "Ano 2000 + 10" que está chegando?
Não que inovação e tecnologia sejam uma pílula mágica que cura tudo, mas é parte da solução.
E se não criarmos um sistema de saúde pessoal -- algo que todos nós esperamos na reforma, então não chegaremos a lugar nenhum.
Por isso, espero que vocês transformem essa conferência em um tipo de movimento progressista.
Muito obrigado.
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Quando eu estava crescendo em Montana, Eu tinha dois sonhos.
Eu queria ser paleotologista, um paleontólogo de dinossauros, E eu queria ter um dinossauro como animal de estimação.
E é para isso que eu venho me esforçando toda a minha vida.
Eu fui muito afortunado no começo da minha carreira.
Eu fui afortunado em achar coisas.
Eu não era muito bom em ler coisas.
Na verdade, eu não leio praticamente nada.
Eu sou extremamente disléxico, e ler é uma das coisas mais difíceis que eu faço.
Mas ao invés disso, eu saio e acho coisas.
Entáo eu as recolho.
Eu basicamente pratico para encontrar dinheiro na rua.
E eu vagueio nas colinas. E eu achei algumas coisas.
E eu tenho sido afortunado o suficiente para achar coisas como os primeiros ovos no hemisfério ocidental e os primeiros filhotes de dinossauros em ninhos, o primeiro embrião de dinossauro e uma grande quantidade de ossos.
E isto aconteceu em um período onde as pessoas estavam começando a perceber que dinossauros nao eram répteis grandes, estúpidos e verdes que as pessoas tinham em mente por tanto anos.
As pessoas estavam começando a ter um idéia de que os dinossauros eram especiais.
E então, naquele tempo, Eu pude fazer algumas hipoteses interessantes. juntamente com meus colegas.
Nos fomos capazes de até dizer que dinossauros -- baseados na evidência que tínhamos -- que dinossauros construíram ninhos e viviam em colônias e cuidavam dos filhotes, traziam comida para os filhotes e viajavam em rebanhos gigantes.
Então, era uma coisa bem interessante.
Eu fui à busca de mais coisas e descobri que os dinossauros eram muito sociáveis.
Nós achamos muitas evidências que os dinossauros mudavam de quando eles eram jovens para quando eles eram adultos.
A aparência deles teriam sido diferente -- o que ocorre em todos os animais sociáveis.
Em todos os grupos sociais de animais, os jovens sempre parecem diferente dos adultos.
Os adultos podem reconhecer os jovens, os jovens podem reconhcer os adultos.
E assim nós estamos criando uma melhor imagem de como os dinossauros eram.
E eles não ficavam só perseguindo jeeps.
Mas é essa coisa social que eu acho que atraiu Michael Crichton.
E em seu livro, ele fala sobre animais sociais.
E aí Steven Spielberg, é claro, retrata esses animais como sendo criaturas muito sociáveis.
O tema dessa história e construindo um dinossauro, então a gente chega na parte do "Jurassic Park."
Michael Crichton realmente foi uma das primeiras pessoas a discutir sobre trazer dinossauros de volta à vida.
Vocês todos sabem essa história, certo.
Eu quero dizer, eu suponho que todos aqui já assistiram "Jurassic Park."
Se você quer fazer um dinossauro, você sai à procura, você tem que achar um pedaço de seiva de árvore petrificada -- também conhecido com âmbar -- que contenha alguns insetos sugadores de sangue, alguns bons, você pega esse inseto e faz um buraco nele e suga o DNA, porque obviamente todos os insetos que chupavam sangue naquele tempo chupavam o DNA de dinossauros.
E você leva esse DNA para o laboratório e o clona.
E você injeta o DNA em um ovo de avestruz, ou algo parecido. E então você espera, e eis que um bebê dinossauro eclodirá.
E todo mundo está feliz com isso.
E eles estão felizes novamente.
Eles continuam a fazer isso; eles continuam a fazer esse processo.
E depois, depois, depois e depois.
E então os dinossauros, sendo sociais, começam a sua sociabilidade. E eles se juntam, e eles conspiram.
E, é claro, isso que ocorre no filme de Steven Spielberg -- dinossauros conspirando para pegar as pessoas.
Então eu suponho que todos sabem que se você realmente tem um pedaço de âmbar e ele contém um inseto, e se você furá-lo, e tirar algo de dentro desse inseto, e clonar, e refazer esse processo várias vezes, você terá uma sala cheia de mosquitos.
E provavelmente um monte de árvores também.
Agora se você quer o DNA de um dinossauro eu digo, vá até o dinossauro.
Então foi isso que fizemos.
Em 1993 quando o filme foi lançado, Nós tínhamos uma bolsa da Fundação Nacional da Ciência para tentar extrair o DNA de um dinossauro. E nós escolhemos o dinossauro à esquerda, um Tiranossauro Rex, que era uma espécie muito agradável.
E um dos meus ex-alunos de doutorado, Dra. Mary Schweitzer, na prática, tinha o conhecimento para fazer este tipo de coisa.
Então ela olhou dentro do osso desse T. rex, um dos ossos da coxa, e ela realmente encontrou algumas estruturas muito interessantes.
Eles encontraram esses objetos vermelhos circulares. E eles pareciam para todos como células vermelhas sanguíneas.
E eles estavam dentro do que parecia ser canais sanguíneos que vão para os ossos.
E então ela pensou, que diabos.
Então ela retirou uma amostra.
Isso não era DNA; ela não achou DNA.
Mas ela achou heme, que é a base biológica da hemoglobina.
E isso foi muito legal.
Isso foi interessante.
Isso era -- nós tínhamos um heme de 65 milhões de anos.
Bem, nós tentamos e tentamos mas não conseguíamos tirar nada mais disso.
Então alguns anos se passaram, e nós começamos o projeto Hell Creek.
E esse projeto tinha um empreendimento gigantesco de pegar o máximo de dinossauros que pudéssemos encontrar, e esperançosamente encontrar alguns dinossauros que tivessem mais material interno.
E no leste de Montana tem um monte de espaço, um monte de terras áridas, e não tem muita gente. Então você pode ir lá e encontrar um monte de coisa.
E nós encontramos um monte de coisa.
Nós encontramos vários Tiranossauros, mas nós encontramos um Tiranossauro em especial, e nós o apelidamos de B-rex.
E B-rex foi encontrado sob mil metros cúbicos de rocha.
Não era um T. rex muito completo, e não era um T. rex muito grande, mas era um B-rex muito especial.
Eu e meus colegas cortamos até ele, e nós fomos capazes de determinar, olhando para as linhas de interrupção de crescimento, que B-rex tinha morrido aos 16 anos de idade.
Nós não sabemos por quanto tempo os dinossauros viveram, porque não achamos o mais antigo ainda.
Mas esse morreu aos 16 anos.
Nós entregamos amostras para Mary Schweitzer, e ela foi capaz de determinar que o B-rex era uma fêmea baseado no tecido medular encontrado dentro do osso.
Tecido medular é um acúmulo de cálcio, basicamente um armazenamento de cálcio, quando o animal está prenhe, quando uma ave está prenhe.
Aqui então estava a característica que ligava as aves aos dinossauros.
Mas Mary foi além.
Ele pegou o osso e o despejou em ácido.
Todos nós sabemos que ossos são fossilizados, então se você despejá-los em ácido, não sobrará nada.
Mas sobrou algo.
Sobrou vasos sanguíneos.
Eles eram vasos sanguíneos transparentes, flexíveis.
E aqui estava o primeiro tecido mole de um dinossauro.
Foi extraordinário.
Mas ela tambem achou osteócitos, que são células que constituem os ossos.
E por mais que tentássemos, não conseguíamos encontrar DNA, mas ela encontrou evidência de proteínas.
Mas nós pensamos que talvez -- bem, nós pensamos que talvez o material estava se decompondo depois que era retirado do solo.
Nós pensamos que talvez o material deteriorava-se rapidamente.
Então nós montamos um laboratório na traseira de um trailer de 18 rodas, e levamos o laboratório para o campo onde nós pudéssemos obter melhores amostras.
E nós obtemos. Nós obtemos um material melhor.
As células pareciam melhor.
Os vasos pareciam melhor.
Em seguida, o colágeno.
Quero dizer, era um material maravilhoso.
Mas não era DNA de dinossauro.
Então nós descobrimos que DNA de dinossauro, e todo DNA, decompõe-se rapidamente.
Nós não vamos ser capazes de fazer o que eles fizeram em "Jurassic Park."
Nós não seremos capazes de fazer um dinossauro baseado em um dinossauro.
Mas aves são dinossauros.
Aves são dinossauros vivos.
Na realidade nós classicamos as aves como dinossauros.
Atualmente nós os chamamos de dinossauros não-aviários e dinossauros aviários.
Então os dinossauros não-aviários são os grandes e desajeitados que foram extintos.
Dinossauros aviários são as aves modernas.
Então nós não temos que fazer um dinossauro; porque não já temos.
Eu sei, vocês são tão ruins quanto alunos da sexta série.
Os alunos da sexta série olham para isso e dizem, "Não."
"Vocês pode chamar de dinossauro, mas olhem para o Velociraptor: Velociraptors são legais."
"Mas galinhas não são."
Então esse é o nosso problema, como vocês podem imaginar.
Galinhas são dinossauros.
Eu digo, realmente são.
Você não pode argumentar contra isso, porque nós somos os classificadores e nós classificamos dessa maneira.
Mas os alunos da sexta série exigiram.
"Consertem a galinha."
Então é para isso que eu estou aqui: para dizer-lhes nós vamos consertar a galinha.
Nós temos várias maneiras para consertar a galinha.
Porque a evolução funciona, nós realmente temos algumas ferramentas evolucionárias.
Nós vamos chamá-las de ferramentas biológicas modificadas.
Temos seleção.
E nós sabemos que a seleção funciona.
Nós começamos com uma criatura parecida com um lobo e terminamos com um Maltês.
Eu digo, isso -- é definitivamente modificação genética.
Ou qualquer outra raça de aparência engraçada.
Nós também temos trangênese.
Transgênese também é muito legal.
Isso é quando você retira o gene de um animal e coloca em outro.
É assim que GloFish é feito.
Você pega um gene de brilho de um coral ou de uma água-viva e coloca em um pexie-zebra, e, pronto, eles brilharão.
E isso é muito legal.
E, obviamente, eles fazem muito dinheiro com isso.
E agora eles estão fazendo coelhos brilhantes e todo tipo de coisa.
Eu acho que nós podemos fazer uma galinha brilhante.
Mas eu não acho que iria satisfazer os alunos da sexta série.
Mas há outra coisa.
É o que chamamos de ativação de atavismo.
E ativação de atavismo é basicamente -- um atavismo é uma característica ancestral.
Vocês já ouviram falar que ocasionalmente crianças nascem com cauda, e isso ocorre devido a uma característica ancestral.
Então há um número de atavismos que podem ocorrer.
Cobras ocasionalmente nascem com pernas.
E aqui está um exemplo.
Essa é uma galinha que nasceu com dentes.
Um sujeito chamado Matthew Harris da Universidade de Wisconsin em Madison descobriu um jeito de estimular o gene para dentes, e foi capaz de ativar o gene para dentes e produzir dentes em galinhas.
Agora essa é uma boa característica.
Nós podemos salvar essa.
Nós sabemos que podemos usar essa característica.
Nós podemos fazer uma galinha com dentes.
Nós estamos chegando perto.
Isso é melhor do que fazer uma galinha brilhante.
Um amigo, um colega meu, Dr. Hans Larsson da Universidade McGill está pesquisando atavismos.
E ele está pesquisando sobre eles olhando a gênese do embrião das aves e pesquisando sobre como elas se desenvolvem. E ele está interessado em como as aves perderam a cauda.
E ele também está interessado na transformação do braço, da mão, para a asa.
Ele está procurando esses genes também.
E eu disse, "Bem, se você achar esses genes, eu posso revertê-los e fazer o que eu preciso fazer para os alunos da sexta série."
E então ele concordou.
E é isso que nós estamos pesquisando.
Se voce olhar para as mãos de um dinossauro, um velociraptor tem aquelas mãos maneiras com garras
Archaeopteryx, que é um pássaro, uma ave primitiva, ainda tem aquela mão primitiva.
Mas como vocês pode ver, o pombo, ou a galinha ou qualquer outra coisa, qualquer outro pássaro, tem aquela estranha mão, porque a mão é uma asa.
Mas o legal é que se você olhar para o embrião, quando o embrião estiver se desenvolvendo, a mão realmente parece muito com a mão de um archaeopteryx.
Tem três dedos, de três dígitos.
Mas um gene se ativa e se funde com todos esses.
Então estamos procurando esse gene.
Estamos tentando fazer esse gene não se ativar, fundir com os genes das mãos, para que tenhamos uma galinha que choque com uma mão de três dedos, como um archaeopteryx.
E o mesmo para a cauda.
Aves têm basicamente caudas rudimentares.
E nós sabemos que no embrião, quando o animal está se desenvolvendo, eles realmente têm uma longa cauda.
Mas quando o gene se ativa e reabsorve a cauda, livra-se dela.
Então esse e outro gene que estamos procurando.
Nós queremos parar a cauda de reabsorver.
Então o que nós estamos tentando fazer na verdade e pegar uma galinha, modificá-la e fazer uma galinhassauro.
E uma galinha mais legal.
Mas é apenas o básico.
Então é isso que estamos tentando fazer.
E as pessoas dizem, "Por que fazer isso?
Por que fazer essas coisas?
É bom para quê?"
Bem, essa é um boa pergunta.
Na verdade, eu acho que é uma boa maneira de ensinar as crianças sobre biologia evolucionária e biologia do desenvolvimento e todos os tipos de coisas.
E, francamente, eu acho se o coronel Sanders fosse cuidadoso sobre como ele redigisse isso, ele poderia anunciar uma peça extra.
Enfim -- Quando nossa galinha dino chocar, será, obviamente, nosso garoto-propoganda, ou o que você chamaria de garoto propaganda, para tecnologia, entretenimento e design.
Obrigado.
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Falarei aqui sobre segredos.
Obviamente a melhor maneira de divulgar um segredo é dizer a alguém para não contar a ninguém.
Segredos. Estou usando o PowerPoint este ano só porque, sabem, estou interessado no TED.
E quando se usam estas coisas não tem de se fazer assim.
É só pressionar.
Pois. Sim.
Sim, tenho certeza! Simplesmente mude!
O Bill Gates está aqui?
Mude! Vá lá! O quê?
Ah! Ok.
Estes não são os meus slides, mas não faz mal.
Como podem ver, isto tudo são mapas.
E mapas são instrumentos importantes na transferência de informação, especialmente se tiverem capacidade cognitiva humana.
Podemos ver que todas as fórmulas são na realidade mapas.
Agora, enquanto humanos, fazemos mapas de lugares aos quais raramente vamos. O que parece um pouco de desperdício de tempo.
Isto, é claro, é um mapa da lua.
Existem alguns nomes encantadores.
Tranquilacalitis, [imperceptível]. O meu favorito é Frigoris.
No que essas pessoas estavam pensando? Frigoris?
Que Frigoris você está fazendo? Os nomes são importantes.
Frigoris? Isto é a Lua. As pessoas poderão viver lá um dia.
Encontro contigo em Frigoris. Não. Acho que não.
Aqui vemos Marte, novamente com diversos nomes.
E a propósito, isto é tudo feito pela União Astronômica Internacional.
Isto é um grupo real de pessoas, que se sentam e dão nomes a objetos planetários.
Isto é de um livro atual deles.
Estes são alguns dos nomes que eles escolheram, senhoras e senhores.
Vou ler alguns deles. Bolotnitsa.
Que é, obviamente, a sereia dos pântanos eslava.
Ora, eu acho que todo o conceito de sereia não fica lá muito bem no ambiente do pântano.
"Olha! A sereia saiu do pântano. Meu Deus!
Está na hora de Bolotnitsa!"
Djabran Fluctus.
Se isso não sai naturalmente da sua língua, o que sai?
Eu quero dizer, crianças estão estudando essas coisas e eles têm a palavra "fluctus" lá em cima. Isso está errado.
Uma criança com dislexia e isso arruinaria sua vida.
''É fluctus, mãe.''
Hikuleo Fluctus.
Essa é um pouco mais fluente. Hikuleo soa como Leonardo DiCaprio palavra de 17 sílabas.
E esse é o submundo Tonga.
E um dos meus favoritos é o Itoki Fluctus, que é a deusa nicaraguense dos insetos, estrelas e dos planetas.
Agora, se você fosse uma deusa das estrelas e planetas você não relegaria insetos para alguma outra pessoa?
"Não, não, realmente, eu estou muito ocupado com as estrelas.
Você se importaria em tomar conta dos insetos? Obrigado, querido.
Tome conta das aranhas também. Eu sei que elas não são insetos, mas eu não me importo.
Macacos, chimpanzés, apenas livre-se das criaturas peludas."
Agora, nós estaremos indo para Marte um dia. E quando o fizermos Será injusto para as pessoas que morarão lá um dia ter que viver com esses nomes ridículos.
Então, você estará em Marte, e estará Hellespointica Depressio o qual tem que ser um lugar bem ''alto''.
Sim, Eu estou no Depressio, e eu quero ir para Amazonis então eu ligo o mapa de Marte, e clico em um botão e ai está o meu caminho.
Eu vou para Chrysokeras.
À esquerda para Thymiamata.
Em seguida para Niliacus Lacus, o que não é um palavrão.
Niliacus Lacus, para tentar obter a prática, slick-a-tick-a-bacus.
Esse é o nome legal. Eu concordo.
Então, eu vou guardar um pouco do meu veneno para as más interpretações astronômicas.
E é claro Arnon de Thoth.
E, claro, haverá anúncios.
Isso vem do livro de regras da União Astronômica Internacional.
E você sabe que eles são internacionais porque eles colocam ''en francais'' também.
L'Union Astronomique International, para aqueles que não falam francês.
Eu pensei em traduzir para vocês.
Do livro de regras: nomeclatura é uma ferramenta.
A primeira consideração, deixar claro, simples e inequívoca.
E eu penso que Djabran Fluctus, é o melhor exemplo.
Essa é simples, a deusa das cabras, muito simples.
Djabran Fluctus.
"Agora, Frank isso está claro para você, Djabran Fluctus?"
"Sim, essa é a deusa das cabras, certo? A Abacazanian?
É claro para mim."
"Preste atenção, eu vou voltar para a sereia do pântano. Você pode me chamar daqui a pouco?"
Também, desse documento Eu destaquei uma parte que pode ser de interesse.
Qualquer pessoa pode sugerir uma mudança de nome.
Então, eu olho para vocês, caros cidadãos da comunidade da Terra.
Nós temos que mudar essa coisa rápido.
Então, esse são nomes de pessoas que trabalham lá.
Eu fiz uma investigação.
Essas são pessoas que trabalham para esse grupo.
E, como vocês podem ver, eles não usam seus primeiros nomes.
Essas são pessoas nomeando planetas, e eles não usam seus primeiros nomes.
Algo é questionável aqui.
Isso porque o nome é mesmo Jupiter Blunck?
Essa é Ganymede Andromeda Burba?
Aquele é Mars Ya Marov?
Eu não sei. Mas é um material passível de investigação, sem dúvida.
Há pessoas que mapeiam as pessoas que usam seus nomes.
Testemunhas por favor, Eugene Shoemaker, que, diligentemente, desde pequeno decidiu que o que ele queria era fazer mapas de corpos celestiais.
Deve ter sido um dia interessante na casa da família Shoemaker.
"Mãe, eu quero fazer mapas."
"Isso é lindo Eugene. Você pode fazer mapas de Toronto"
"Não, eu quero fazer mapas de planetas.
"Ahh, vá para o seu quarto."
Marcianos, Venusianos, Jovianos.
Nós temos nomes para lugares onde pessoas não existem.
Isso parece um pouco tolo para mim.
Não existem jovianos.
Voltando para a minha premisa, eu usei selos, a propósito, porque você não tem que pagar ninguém pelos direitos autorais.
Há obviamente Einstein, Neils Bohr, o último teorema de Fermat, e eu não tenho certeza se isso é James Coburn ou Richard Harris.
É definitivamente um dos dois. Eu não tenho certeza qual dos dois.
Mas obviamente o ponto é que números são mapas.
E dentro dos números, há algum segredo básico para o universo?
Essa é a premissa dessa apresentação.
A propósito, aquela é uma fotografia natural de Saturno, sem ajustes. Quer dizer, é simplesmente lindo.
Tão lindo que eu até desisti de uma gargalhada para explicar o meu amor por este planeta em particular, e o Sábado, maravilhosamente denominado em sua honra.
Então, as formas relacionam os números com formas.
Este é Euler, a sua fórmula foi uma das inspirações que levou ao inicio da teoria das supercordas o que é bastante curioso, não muito engraçado, mas curioso.
Ele também era famoso por não ter corpo.
E muitos de vocês estão "Como é que ele descobriu isso?"
Ele não tem corpo, não é um homem, só uma cabeça a flutuar no alto.
Aqui vem Euler.
E isto é um icosaedro, que é um dos cinco sólidos sagrados, formas bastante importantes.
Podem ver o icosaedro novamente
O dodecaedro, o seu contra-parte.
Este é um dodecaedro que eu tive de fazer no meu quarto ontem à noite.
Os cinco sólidos sagrados, como podem ver aqui.
Que não devem ser confundidos com as cinco saladas sagradas.
Queijo azul, rancho, azeite e vinagre, mil ilhas e da casa.
Eu sugiro a da casa.
A realidade, e isto é importante.
O que é importante acerca disto é que estas formas são contra-partes umas das outras.
E podem ver como o icosaedro regride para um dodecaedro e depois fundem-se um no outro.
Então, todo o conceito de membranas no universo, se o universo for da forma de um dodecaedro isto é um bom mapa do que poderia ser.
E isso é, claro, do que estamos aqui para falar.
Que coincidência!
Nove de Outubro, França, Jean-Pierre Luminet disse que o universo é provavelmente da forma de um dodecaedro, baseado em informação recolhida por esta sonda.
Este seria um padrão de ondas normal.
Mas o que vemos, bem lá no fundo nos confins do fundo de microondas, é este tipo estranho de ondulação.
Não corresponde ao universo plano que eles suspeitavam ser.
Por isso, podem tirar uma ideia disto extrapolando que atrás desta enorme imagem, então conseguimos esta ideia do que o universo primário pareceria.
E julgando por isto, parece um cheeseburger.
Por isso, penso que o universo ou é um dodecaedro ou um cheeseburguer.
E para mim isso é uma situação em que só se sai a ganhar.
Tod mundo diz: "Estou feliz".
É melhor apressar-me.
Só meti isto aqui no meio porque por mais importantes que todas as nossas capacidades intelectuais sejam, sem coração e sem amor é só -- é tudo sem sentido.
E isso, para mim, é realmente lindo.
Exceto aquele sujeito esquisito no fundo.
Voltando ao cerne da minha apresentação, Kepler, um dos meus grandes heróis, que percebeu que estes cinco sólidos, dos quais falei anteriormente, estavam de certa forma relacionados com os planetas, mas ele não o conseguia provar. Isso o deixava maluco.
Mas levou à descoberta da gravidade por Newton.
Por isso, mapas de coisas a levar a compreensões organizadas do universo de onde emergimos,
Agora, este é o Isaac de um selo Vietnamita.
Não estou de todo a sugerir que todos os meu irmãos e irmãs Vietnamitas talvez pudessem beneficiar de umas aulas de arte aqui e ali. Mas.
esta não é uma boa imagem.
Não é uma boa imagem. Agora, os meus amigos na ilha de Nevis são um pouco melhores. Olhem para isto! Isto é Isaac Newton.
Aquele cara é demais.
Que rapaz jeitoso.
Mais uma vez, Nicarágua, desapontou-me.
E Copérnico parece o Johnny Carson, o que é realmente esquisito.
Não consigo entender de jeito nenhum.
Mais uma vez, estes caras são demais.
O Isaac está na maior. Parece uma estrela rock.
Isto é demasiado esquisito.
Este é da Serra Leoa.
Têm ali bebês, a flutuar ali.
Nem preciso comentar esta.
Mas não sabia que o Isaac Newton fazia parte dos Moody Blues. Vocês sabiam?
Quando é que isto aconteceu?
Um rumo diferente. Tem cinco maçãs?
Quero dizer, estes rapazes estão a extrapolar em planos que não são necessariamente válidos.
Embora cinco seja um bom número, claro.
Equador, o meu amigo Kepler, como podem ver chamam-lhe Juan.
Juan? Não! Johan e não Juan.
Não era Carlos Chaplain. Está errado.
René Descartes, claro. Mais uma vez. este pessoal de Granada, isto é demasiado doentio para a imaginação de alguém.
Ele está todo sombrio. Tem crianças pequenas encostadas na sua perna, pequenos fantasmas a voar em volta. Temos de limpar isto rapidamente, senhoras e senhores.
Isto são, claro, as coordenadas Cartesianas.
Uma vez mais, Serra Leoa.
Isto indica novamente como os números se relacionam com o espaço, com a forma, mapas do universo.
Porque é por isso que estamos aqui, mesmo, penso que para descobrir as coisas e amarmos uns aos outros.
Descartes.
Antes do cavalo.
Agora, Mônaco pegou em Descartes e o virou pelo avesso.
Mônaco é problemático para mim e mostrarei porquê.
Aqui está um mapa. Tudo o que tem nele é um cassino.
E o motivo pelo que Franklin Delano Roosevelt está no mapa deles nem quero tentar adivinhar.
Mas diria que ele tinha ido a Hellespointica Depressio recentemente.
Esta é a bandeira de Mônaco. Senhoras e senhores, a bandeira da Indonésia. Por favor examinem.
Não tenho a certeza de como isto aconteceu, mas não está certo.
Em Mônaco, "Não, do que você está falando?
São tão diferentes.
Vejam, a nossa é mais vermelha, mais comprida.
Eles roubaram nossa bandeira! Eles roubaram nossa bandeira!"
A lei de Bode nem era a lei dele. Era de um rapaz chamado Titus.
E a razão pela qual refiro o assunto é porque é uma lei que nem funciona.
Este é o Jude Law e alguns filmes dele recentemente não deram certo.
Só uma correlação que indica a forma como as coisas são mal interpretadas.
E imagino se o fotógrafo disse, "Ok, Jude, você poderia tocar no seu dente? Está bom."
Um conselho, se está a ser fotografado para este tipo de fotografias de imprensa, não toque nos dentes.
Números primos, Gauss, um dos meus favoritos.
Seção de ouro, sou obcecado com isto desde antes de ter nascido.
Sei que isto assusta a maioria de vocês, mas este era o meu propósito.
Aqui podemos ver os números de Fibonacci relacionados com a Seção de ouro, porque Fibonacci e a Seção de ouro se relacionam com o desenrolar do metro medido da matéria, como eu lhe chamo.
Se o Fibonacci estivesse a tomar Paxil, Esta seria a série de Fibonacci.
"10 miligramas, 20 miligramas."
"Leonardo, o jantar está pronto, deixe os livros e tome os seus comprimidos."
"Sim mamãe."
Muito bem, onde quero chegar com isto? É uma boa pergunta.
Aqui está a premissa com que comecei há 27 anos atrás.
Se os números podem expressar as leis deste incrível universo onde vivemos, racionalizo, que através de um processo de engenharia inversa poderíamos extrapolar deles alguns elementos estruturais básicos deste universo.
E foi o que fiz. Há 27 anos atrás comecei a trabalhar nisto.
E tentei construir um acelerador de partículas.
E isso não funcionou muito bem
Então, pensei que a calculadora é uma metáfora.
Posso simplesmente dividir números, é como colidir átomos.
E foi o que fiz. Foi assim que descobri os Moleeds.
Moleeds são o que acredito a coisa que permitirá provar a teoria das supercordas.
São os nodos nas supercordas, padrões e relações, 27, 37.
Este foi o primeiro gráfico que gerei.
Podem ver, mesmo que não olhem para os números, a beleza da simetria.
Os números de 1 a 36, divididos em seis grupos.
Simetria, pares.
Cada topo soma 37.
No fundo, todos 74.
Existem tantas relações intrincadas que nem vou aprofundar agora, porque vocês diriam, "Hei, volta para a parte do Fluctus."
Circulo dos Quintos, harmonia acústica, simetria geométrica.
eu sabia que esses dois estavam relacionados.
Novamente, o tipo de cruzamento Cartesiano.
Então eu disse, vou colocar um círculo, ver que tipo de padrões obtenho, boom, o Sistema Vermelho.
Olhem para isto. Não se pode simplesmente inventar isto, senhoras e senhores.
Não podem simplesmente andar por aí, "Oh, vou pôr triângulos num circulo e vão ser simétricos. E todos eles vão chegar ao somatório, e vai ser, ah sim, eu descobri isto."
Isto é para além de qualquer coisa que alguém pudesse simplesmente inventar.
Há o Sistema Laranja.
E vão ver aqui, estes são múltiplos do número 27.
E recapitulam aquela forma, mesmo este sendo um circulo de nove e este um circulo de 36. É louco.
Este é o Sistema Verde. Tudo se dobra a meio no Sistema Verde, mesmo entre 18 e 19.
O Sistema Azul. O Violeta. Está tudo aqui.
Olhem para isto! Quer dizer, não se pode simplesmente inventar isto.
Isto não cai duma árvore, senhoras e senhores.
27 anos da minha vida!
E estou a apresentar aqui no TED. Porquê?
Porque este é o lugar que, se os extraterrestres aterrissem, eu espero que eles venham aqui.
"Vamos destruir a Terra. Hmmm. talvez não."
Neste último ano tenho descoberto estes sistemas subsequentes que permitem as possibilidades matemáticas das variedades de Calabi-Yau de uma forma que não necessita das pequenas dimensões escondidas.
Que funciona matematicamente, mas que não me parece Divino.
Parece simplesmente que não é sexy nem elegante, é escondido.
Não quero escondido, quero ver.
Descobri que outros pares todos têm simetria, mesmo que, ao contrário do principal, a sua simetria seja dividida.
Inacreditável. Isto é loucura.
Sou o único que vê isto?
Sabem, eu não cheguei e desenhei isto num dia, a propósito.
Sabem, tentem fazer gráficos deste gênero em casa.
Têm de ser precisos! Envolve medidas, incrementos.
A propósito, isto são mapas.
Não são selos, mas um dia.
Ok, estou a chegar à questão. Razão de Ouro, maluquice.
E vejam isto, inserido bem dentro está a razão de Ouro.
Comecei a olhar para isto, e a olhar para eles outra vez.
Começaram a parecer planetas.
Vou ao JPL.
Olho para as órbitas dos planetas.
Encontro 18 exemplos disto no nosso sistema solar.
Nunca contei a ninguém. É a primeira vez. Isto pode ser história.
Kepler estava certo.
18 e 19, o meio dos Moleeds, 0. 618 é a secção de ouro.
Multipliquem-nos, 18. 618 x 19. 618 é 365. 247.
Que é. 005 diferente do número de dias num ano.
Oi, não se pode inventar isto.
Muito obrigado.
Obrigado
Obrigado
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Boa tarde.
Se vocês têm acompanhado as notícias diplomáticas nas últimas semanas, talvez tenham ouvido falar de um tipo de crise entre China e Estados Unidos,
relacionada a ciberataques contra a empresa americana Google.
Disseram muita coisa sobre isso.
Alguns a chamam de ciberguerra o que, na verdade, pode ser, apenas uma operação de espionagem -- bem desajeitada, obviamente.
No entanto, esse episódio revela a crescente ansiedade no mundo ocidental em face dessas emergentes armas cibernéticas.
Acontece que essas armas são perigosas.
Elas têm uma nova natureza: podem levar o mundo a um conflito digital que poderá se converter numa luta armada.
Essas armas virtuais também podem destruir o mundo físico.
Em 1982, em meio a Guerra Fria na Sibéria soviética, houve a explosão de um gasoduto com uma potência de 3kt, o equivalente a um quarto da bomba de Hiroshima.
Agora sabemos -- isso foi revelado por Thomas Reed, antigo Secretário da Força Aérea dos Estados Unidos -- essa explosão foi na verdade o resultado de uma operação de sabotagem da CIA, na qual eles conseguiram se infiltrar nos sistemas de gerenciamento de TI daquele gasoduto.
Mais recentemente, o governo dos Estados Unidos revelou que em setembro de 2008, mais de 3 milhões de pessoas no estado do Espírito Santo, no Brasil ficaram na escuridão, vítimas de uma chantagem de piratas cibernéticos.
Ainda mais preocupante para os americanos, em dezembro de 2008, o mais sagrado de todos, o sistema de informações do CENTCOM, o comando central que controla as guerras no Iraque e no Afeganistão, pode ter sido infiltrado por hackers, que utilizaram essas simples porém infectadas chaves USB,
e graças a essas chaves, talvez tenham sido capazes de entrar nos sistemas do CENTCOM, para ver e ouvir tudo, e talvez até mesmo infectar alguns dos sistemas.
Como consequência, os americanos levam a ameaça muito a sério.
Citarei o General James Cartwright, Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, que disse em um relatório ao Congresso que os ciberataques poderiam ser tão poderosos quanto armas de destruição em massa.
Além disso, os americanos decidiram investir mais de 30 bilhões de dólares nos próximos cinco anos para aumentar sua capacidade de ciberguerra.
E pelo mundo atualmente, vemos uma espécie de corrida às armas cibernéticas, com unidades de ciberguerra desenvolvidas por países como a Coréia do Norte ou até mesmo o Iran.
o que você nunca ouvirá dos porta-vozes do Pentágono ou do Departamento de Defesa da França é que a questão na verdade não é quem é o inimigo, mas de fato a real natureza das armas cibernéticas.
E para entender o motivo, devemos ver como, através dos tempos, tecnologias militares têm mantido ou destruído a paz mundial.
Por exemplo, se tivéssemos o TEDxParis 350 anos atrás, teríamos falado sobre a inovação militar do dia -- o sólido estilo Vauban de fortificações -- e poderíamos ter predito um período de estabilidade no mundo ou na Europa,
o que foi, de fato, o caso na Europa entre 1650 e 1750.
Similarmente, se tivéssemos tido essa conversa 30 ou 40 anos atrás, teríamos visto como o aumento do armamento nuclear, e a ameaça de destruição assegurada mutuamente que ele traz, impede uma luta direta entre os dois superpoderes.
Contudo, se tivéssemos tido essa conversa há 60 anos, teríamos visto como o surgimento de novas tecnologias de aeronaves e tanques, que dão vantagem ao atacante, tornam a doutrina Blitzkrieg verossímil e desse modo cria a possibilidade de guerra na Europa.
Então tecnologias militares podem influenciar o curso do mundo, podem fazer ou acabar com a paz mundial -- e é onde está o problema das armas cibernéticas.
Primeiro problema: imaginem um inimigo potencial anunciando que está construindo uma unidade de ciberguerra, mas somente para a defesa de seu próprio país,
OK, mas o que a distingue de uma unidade ofensiva?
Fica ainda mais complicado quando as doutrinas de utilização tornam-se ambíguas.
Há apenas 3 anos, Estados Unidos e França diziam que estavam investindo militarmente no ciberespaço, exclusivamente para defender seus sistemas TI.
Mas hoje ambos os países dizem que a melhor defesa é o ataque.
Então, eles estão se juntando a China, cuja doutrina de utilização por 15 anos tem sido tanto defensiva como ofensiva.
Segundo problema: seu país poderia estar sob ciberataque com regiões inteiras imersas na mais completa escuridão, e vocês podem nem saber quem está fazendo o ataque.
Armas cibernéticas têm essa peculiaridade: elas podem ser usadas sem deixar rastros.
E isso dá uma vantagem considerável ao agressor, porque o defensor não sabe a quem contra-atacar.
E se ele se retalia contra o adversário errado, ele se arrisca a fazer mais um inimigo, e de acabar isolado diplomaticamente.
Isso não é apenas um problema teórico.
Em maio de 2007, a Estônia foi vítima de ciberataques que prejudicaram seus sistemas de comunicação e bancário.
A Estônia acusou a Rússia.
Porém a OTAN, que apesar de defender a Estônia, mostrou-se muito prudente. Por quê?
Porque a OTAN não poderia estar 100% segura de que o Kremlin estivesse efetivamente por trás desses ataques.
Então para resumir, de um lado, quando um potencial adversário anuncia que está desenvolvendo uma unidade de ciberguerra, não sabemos se é para ataque ou defesa.
Por outro lado, nós sabemos que essas armas dão vantagem ao ataque.
Em um documento importante de 1978, o professor Robert Jervis da Universidade de Columbia em Nova York descreveu um modelo para compreender como os conflitos poderiam emergir.
Nesse contexto, quando não se sabe se o inimigo potencial está se preparando para defesa ou ataque, e se as armas dão vantagem ao ataque, então esse ambiente é mais suscetível de deslanchar um conflito.
Esse é o ambiente que está sendo criado por armas cibernéticas atualmente, e historicamente, foi o cenário na Europa no começo da Primeira Guerra Mundial.
Assim as 'ciberarmas' são perigosas por natureza, além do mais, elas estão emergindo em um ambiente muito mais instável.
Se vocês se lembram da Guerra Fria, ela foi um jogo muito duro, porém um jogo relativamente estável, com dois jogadores, onde podíamos ver uma forma de coordenação entre os dois super poderes.
Hoje estamos caminhando para um mundo multipolar, cuja coordenação é muito mais complicada, como vimos em Copenhague.
E essa coordenação pode tornar-se mais complicada devido a adoção das ciberarmas.
Por quê? Porque nenhuma nação sabe com certeza se seu vizinho está a ponto de atacar.
Então nações podem viver sob a ameaça do que o Prêmio Nobel de economia, Thomas Schelling chamou de "medo recíproco do ataque-surpresa," como não sei se meu vizinho está ou não a ponto de me atacar -- Pode ser que eu jamais saiba -- então talvez eu me garanta e ataque primeiro.
Semana passada, num artigo de 26 de janeiro de 2010 do New York Times, foi revelado pela primeira vez que oficiais da Agência Nacional de Segurança estavam considerando a possibilidade de ataques preferenciais em casos em que os Estados Unidos estivessem a ponto de ser 'ciberatacado'.
E esses ataques preferenciais podem não ficar restritos ao ciberespaço.
Em maio de 2009, o general Kevin Chilton, comandante das forças nucleares americanas, anunciou que em caso de ataques eletrônicos contra os Estados Unidos, todas as opções estariam sobre a mesa.
O 'ciberarmamento' não substitui armas convencionais ou nucleares -- ele apenas soma uma nova camada ao sistema de terror existente.
Mas ao fazer assim, ele também adiciona seu próprio risco de acionar um conflito -- como já vimos, um risco muito importante -- e um risco de que devemos nos confrontar com uma solução coletiva de segurança que compreende a todos nós: aliados europeus, membros da OTAN, nossos amigos americanos e aliados, nossos outros aliados do ocidente, e talvez, forçando um pouco mais, nossos parceiros russos e chineses.
As tecnologias de informação mencionadas por Joël de Rosnay, que nasceram historicamente das pesquisas militares, estão hoje no limite de desenvolver uma capacidade ofensiva de destruição que poderá amanhã, se não formos cautelosos, destruir completamente a paz mundial.
Obrigado.
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Cartuns são, basicamente, histórias curtas.
Tentei achar um que não tivesse um monte de palavras.
Nem todos têm finais felizes.
Então, como comecei a fazer cartuns?
Eu rabiscava um bocado quando era garoto, e se a gente passa bastante tempo rabiscando, cedo ou tarde, alguma coisa acontece: todas as opções de carreira da gente vão embora.
Então a gente tem que ganhar a vida fazendo cartuns.
Na verrdade, eu me apaixonei pelo oceano quando era um garotinho, quando tinha uns oito ou nove anos.
E fiquei especialmente fascinado pelos tubarões.
Estes são alguns dos meus primeiros trabalhos.
Eventualmente, minha mãe levou embora meu lápis vermelho, foi assim [confuso].
Mas gostaria de relatar a vocês uma de minhas experiências de infância que realmente me fez ver o oceano de modo diferente, e isso tornou-se a base do meu trabalho porque sinto-me de modo que, se um dia consiguir ver o oceano de modo diferente, então serei capaz de evocar esse mesmo tipo de mudança em outros, especialmente crianças.
Antes daquele dia, é assim que eu via o oceano.
Era apenas uma vasta superfície azul.
E é assim que estamos vendo o oceano desde o princípio dos tempos.
É um mistério.
Houve muito folclore criado ao redor do oceano, na maior parte, negativo.
E isso induziu as pessoas a fazerem mapas como esse, com todos os tipos de detalhes maravilhosos na terra, mas quando a gente chega às margens da água, o oceano parece uma poça gigante de tinta azul.
E era assim que eu via o oceano na escola -- como se dissesse, "Todas as aulas de geografia e ciências para à margem da água.
Esta parte não vai cair na prova."
Mas naquele dia eu sobrevoei as ilhas a baixa altitude -- foi uma viagem da família ao Caribe, e eu voei baixo, num pequeno avião, sobre as ilhas.
Isso foi o que eu vi. Vi montes e vales.
Vi florestas e pastagens.
Vi grutas e jardins secretos e lugares onde adoraria me esconder como garoto, se ao menos conseguisse respirar debaixo d água.
E o melhor de tudo, vi os animais.
Vi uma arraia gigante que parecia tão grande como o avião em que eu estava voando.
E voei sobre uma laguna com um tubarão nela, e foi nesse dia que nasceu minha tirinha cômica sobre um tubarão.
Daí, a partir daquele dia, eu era um garoto comum andando na terra firme, mas minha cabeça estava lá embaixo, sob a água.
Até aquele dia, esses eram os animais mais comuns na minha vida.
Esses eram os que eu gostava de desenhar -- tods as variações sobre quatro pernas e pelos.
Mas quando se chega ao oceano, minha imaginação não era capaz de competir com a natureza.
Todas as vezes que eu esboçava na prancheta de desenho um personagem doido de cartum, eu encontrava uma criatura no oceano que era anida mais doida.
E as diferenças de escala entre este minúsculo dragão marinho e esta enorme baleia corcunda eram como alguma coisa que saiu de um filme de ficção científica.
Sempre que falo a crianças, gosto de dizer a elas que o maior animal que jamais existiu ainda está vivo.
Não é um dinossauro, é uma baleia, animais do tamanho de prédios de escritórios ainda estão nadando lá fora, nos nossos oceanos.
E por falar em dinossauros, os tubarões são basicamente o mesmo peixe que eram há 300 milhões de anos.
Então, se vocês jamais tiveram a fantasia de voltar no tempo e ver como era um dinossauro, um dinossauro era assim.
Portanto, temos dinossauros vivos e alienígenas espaciais, animais que evoluíram na gravidade zero, em condições severas.
É simplesmente incrível; nenhum desenhista de Hollywood conseguiria conceber uma coisa mais interessante do que isso.
Ou este peixe-ogro. As partículas na água faz ele parecer que está flutuando no espaço sideral.
Vocês podem imaginar como seria se olhássemos pelo Telescópio Hubble e víssemos isso?
Daria início a uma nova corrida espacial.
Mas, em vez disso, enfiamos uma câmera no oceano profundo, e vemos um peixe, e isso não captura nossa imaginação como sociedade.
Dizemos a nós mesmos, "Talvez possamos fazer empanadinhos de peixe com isso, ou coisa semelhante."
Assim, o que gostaria de fazer agora é tentar um pequeno desenho.
Então, vou tentar desenhar esse peixe-ogro aqui.
Adoro desenhar os peixes do mar profundo, porque eles são tão feios, mas belíssimos à maneira deles.
Talvez possamos dar-lhe um pouco de bioluminescência aqui -- dar-lhe um farol, talvez uma luz de freios, setas.
Mas é fácil ver porque esses animais tornam-se personagens de cartum tão extraordinários, as formas e tamanhos deles.
Então alguns deles realmente parecem ter poderes como super-heróis numa revista em quadrinhos.
Por exemplo, considerem essas tartarugas marinhas.
Elas possuem uma espécie de sexto sentido como a visão de raios-X do Superhomem.
Elas conseguem sentir os campos magnéticos da terra.
E elas conseguem usar esse sentido para navegar centenas de milhas no oceano aberto.
E dou as minhas tartarugas uma espécie de mãos só para fazer que elas sejam personagens de quadrinhos mais fáceis de trabalhar.
Ou considerem esse pepino marinho.
Não é o tipo de animal que desenhamos em quadrinhos o que desenhamos de algum modo.
Ele parece um Homem Aranha submarino.
Ele atira essas teias pegajosas para embaraçar seus inimigos.
É claro, os pepinos marinhos as atiram pelos traseiros deles, o que, na minha opinião, os torna muito mais interessantes como super-heróis.
Ele não consegue tecer uma teia a qualquer hora; ele precisa baixar suas calças primeiro.
Ou o baiacu.
O baiacu é como o incrível Hulk.
Ele consegue transformar seu corpo em um peixe grande, intimidante numa questão de segundos.
Vou desenhar este baiacu desinflado.
E então vou tentar animação na tela aqui.
Vamos ver.
Tentem inflá-lo.
"Vocês estão falando comigo?" Vejam, ele consegue inflar-se quando quer ser intimidante.
O considerem este peixe-espada.
Vocês conseguem imaginar como é nascer com uma ferramenta no nariz?
Vocês pensam que ele acorda a cada manhã, olha no espelho, e diz "Alguém vai ser apunhalado hoje."
Ou este peixe-leão, por exemplo.
Imaginem como seria tentar fazer amigos coberto com barbatanas venenosas afiadas como navalhas.
Não é uma coisa que vocês gostariam de colocar na página do Facebook de vocês, certo?
Meus personagens são -- meu principal personagem é um tubarão chamado Sherman.
Ele é um grande tubarão branco.
E eu rompi um pouco com o modelo do Sherman.
Eu não queria ficar com essa impiedosa imagem do predador.
Ele simplesmente está ali, ganhando a vida.
Ele é uma espécie de Homer Simpson com nadadeiras.
E então o companheiro dele é uma tartaruga marinha, como mencionei anteriormente, chamado Filmore.
Ele usa sua maravilhosa habilidade de navegação para percorrer os oceanos, procurando uma namorada.
E ele consegue encontrá-las, mas apesar da formidável habilidade de navegação, ele tem péssimas cantadas.
Ele nunca parece se ajeitar com nenhuma garota.
Tenho um caranguejo eremita chamado Hawthorne, que não impõe muito respeito como caranguejo eremita, e assim ele gostaria de ser um grande tubarão branco.
E então vou apresentar a vocês mais um personagem, este cara, Ernest, que é basicamente um delinquente juvenil no corpo de um peixe.
Então, com personagens, a gente pode fazer histórias.
Às vezes fazer uma história é tão fácil como colocar dois personagens em uma sala e ver o que acontece.
Então, imaginem um grande tubarão branco e uma lula gigante no mesmo banheiro.
Ou, às vezes, eu os levo a lugares dos quais as pessoas nunca ouviram falar, porque eles ficam embaixo d'água.
Por exemplo, levei-os para esquiar na Cordilheira Meso-Atlântica, que é essa cordilheira de montanhas no meio do Atlântico.
Eu os levei ao mar do Japão, onde eles encontraram águas-marinhas gigantes.
Levei-os para acampar nas florestas de algas da Califórnia.
Este próximo aqui, fiz uma história sobre o censo da vida marinha.
E isso foi muito divertido porque, como a maioria de vocês sabe, é um projeto de verdade, do qual ouvimos falar.
Mas foi para mim uma chance de apresentar aos leitores um monte de estranhos personagens marinhos.
Então começamos a história com o Ernest, que se apresentou como recenseador voluntário.
Ele desce e encontra este famoso tamboril.
Então ele encontra o caranguejo yeti, a famosa lula-vampiro -- arredia, difícil de encontrar -- e o polvo-Dumbo, tão parecido com um desenho animado na vida real que realmente não precisei mudar nada quando o desenhei.
Fiz uma outra história sobre destroços marinhos.
Eu estava conversando com vários amigos meus no negócio de preservação, e eles -- perguntei-lhes, "E daí, qual é um problema que vocês gostariam que todos conhecessem mais?"
E eles disseram -- esse amigo meu disse, "Tenho uma palavra para você, plástico."
E eu disse a ele, "Bem, preciso uma coisa um pouco mais sexy que isso.
Plástico simplesmente não vai dar certo."
Nós planejamos algumas coisas.
Ele queria que eu usasse palavras como cloreto de poolivinila, que realmente não funcionam bem em balões de voz.
Eu não conseguia encaixá-las.
Então o que eu fiz foi uma historinha de aventuras.
Basicamente, essa garrafa faz uma longa viagem.
O que estou tentando dizer aos leitores é que o plástico realmente não desaparece, ele simplesmente continua a ser arrastado pela corrente.
E um bocado dele acaba sendo arrastado ao oceano, o que é uma grande história se você coloca alguns personagens nele, especialmente se eles não suportam um ao outro, como esses dois.
Daí, eu os mandei a Bose, Idaho, onde eles jogaram uma garrafa plástica na rede de esgoto de Bose.
E ela acabou no Rio Bose e então no Rio Columbia e então para a foz do Columbia e para o oceano Pacífico e então para esse lugar chamado a Grande Mancha de Lixo do Pacífico -- que é essa gigantesco redemoinho no Pacífico Norte, onde uma grande quantidade desse plástico chega e fica flutuando -- e então de volta à laguna.
Então essa foi basicamente um história de companheiros com uma garrafa plástica acompanhando.
Assim muitas pessoas lembram-se da garrafa plástica, de algum modo, mas nós realmente estávamos falando de lixo marinho e plástico no decorrer dela.
A terceira série de histórias que fiz há um ano e meio provavelmente foi a mais difícil para mim.
Foi sobre o remoção de barbatanas de tubarões, foi difícil falar sobre essa questão.
E senti que, como meu personagem principal era um tubarão, os quadrinhos eram um veículo perfeito para contar ao público sobre isso.
Pois bem, remoção de barbatanas de tubarões ou "finning" é o ato de pegar um tubarão, cortar as valiosas barbatanas, e jogar o animal vivo de volta na água.
Isso é uma crueldade, é um desperdício.
Não há nada de engraçado nem divertido nisso, mas eu realmente queria tratar desse problema.
Eu precisava matar meu principal personagem, que é um tubarão.
Começamos com Sherman num restaurante chinês, onde recebe uma sorte dizendo que ele vai ser apanhado por um pesqueiro, o que efetivamente acontece.
E então ele morre.
Cortam as barbatanas dele, e então ele é jogado fora.
Ostensivamente, agora ele está morto.
E assim matei um personagem que esteve no jornal durante 15 anos.
Por isso recebi muitas reações de leitores.
Enquanto isso, os outros personagens estavam falando sobre sopa de barbatana de tubarão.
Fiz mais três ou quatro tirinhas depois disso nas quais explorei o problema do "finning" e a barbatana de tubarão na sopa.
Sherman está lá no paraíso dos tubarões.
Isso é o que eu adoro nos quadrinhos, vocês sabem como é.
A gente não precisa se preocupar que a audiência suspenda seu senso de incredulidade porque, se a gente começa com um tubarão falante, os leitores deixam para trás a incredulidade deles logo na entrada.
A gente pode fazer qualquer coisa.
Aquilo se torna uma experiência de quase-morte para Sherman.
Enquanto isso, Ernest encontra as barbatanas dele na internet.
Havia um website de verdade com base na China que realmente vendia barbatanas de tubarão, e foi como se eu expusesse isso.
E ele clica no botão "compre agora."
E pronto, entrega aérea no dia seguinte, elas aparecem, e eles fazem um cirurgia de reimplante.
Acabei essa série com uma espécie de petição pelo correio que encorajava nosso Serviço Nacional de Pesca Marinha, a forçar outros países para serem mais severos em relação a gestão de tubarões.
Obrigado.
Gostaria de encerrar aqui com uma metáfora.
Tenho tentado imaginar uma metáfora para representar a Missão Azul, e isso é o que eu consegui.
Imaginem que vocês estão numa sala enorme, e está escuro como uma caverna.
E vocês podem conseguir qualquer coisa naquela sala, qualquer coisa que vocês desejem, mas vocês não podem ver nada.
Vocês receberam uma ferramenta, um martelo.
E então vocês andam no escuro, e vocês esbarram em alguma coisa, e parece que ela é feita de pedra.
É grande, é pesada. Vocês não conseguem carregá-la, então vocês batem nela com o martelo, e quebram um pedaço.
E vocês levam esse pedaço para a luz do dia.
E vocês vêem que conseguiram uma bela peça de alabastro branco.
Então vocêss dizem a si mesmos, "Bem, isso vale alguma coisa."
Então vocês voltam à sala, e vocês quebram aquela coisa em pedaços, e a levam embora.
E vocês encontram outras coisaas, e vocês as quebram, e as levam para fora.
E vocês estão conseguindo um monte de coisas legais.
E vocês ouvem outras pessoas fazendo a mesma coisa.
Então vocês ficam com uma sensação de urgência, como se precisassem encontrar a maior quantidade de coisas com a maior rapidez possível.
E daí alguém grita, "Parem!"
E eles acendem as luzes.
E vocês percebem onde estavam; vocês estavam no Louvre.
E vocês pegaram toda essa complexidade e beleza, e transformaram isso numa mercadoria barata.
E isso é o que estamos fazendo com o oceano.
E uma parte da razão de ser da Missão Azul é gritar, "Parem!"
de modo que cada um de nós -- exploradores, cientistas, cartunistas, cantores, chefs -- possamos ligar as luzes, cada um a seu modo.
E isso é o que espero que meus quadrinhos realizem, numa pequena parte.
é por isso que gosto do que faço.
Obrigado por me ouvirem.
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Bem, bom-dia, senhoras e senhores.
Meu nome é Art Benjamin, e eu sou um "matemágico".
Isto significa que eu combino minhas paixões por matemática e mágica para fazer algo que eu chamo de "matemágica".
Mas, antes de começar, eu tenho uma pergunta rápida para a plateia.
Por acaso, alguém trouxe consigo, esta manhã, uma calculadora?
Sério, se você tem uma calculadora com você, levante a mão.
Eu. foi sua mão que levantou?
Agora traga-a, traga-a. Alguém mais?
Eu vejo, eu vejo uma mão lá no fundo.
Você senhor, já são três, E alguém nesse lado de cá?
Certo, você aí no corredor. Vocês quatro com calculadoras, por favor, tragam suas calculadoras e juntem-se a mim no palco.
Vamos dar uma bela salva de palmas a estes voluntários.
Muito bem. Agora, uma vez que eu não tive a oportunidade de trabalhar com estas calculadoras, eu preciso me certificar de que elas estão funcionando corretamente.
Alguém poderia começar nos dando um número de dois dígitos, por favor?
Que tal um número de dois dígitos?
Plateia: 22.
Arthur Benjamin: 22. E outro número de dois dígitos, senhor?
Plateia: 47.
AB: Multipliquem 22 por 47, e tratem de achar 1. 034, ou as calculadoras não estão funcionando. Todos vocês acharam 1. 034?
Mulher: Não.
AB: 594. Vamos dar uma bela salva de palmas a três deles.
Você prefere tentar uma calculadora mais simples, só para ter certeza?
Certo, ótimo.
O que eu vou tentar fazer, então. Eu percebi que alguns de vocês levaram algum tempo para obter suas respostas.
Tudo bem. Eu vou lhes ensinar um atalho para multiplicar mais rápido ainda na calculadora.
Há algo chamado o quadrado de um número, que a maioria de vocês conhece por pegar um número e multiplicá-lo por ele mesmo.
Por exemplo, cinco ao quadrado daria?
Plateia: 25.
AB: 25. A maneira que podemos elevar um número ao quadrado em muitas calculadoras. deixe-me demonstrar com esta. é pegar um número, como o cinco, digitar "vezes" e então "igual". Na maioria das calculadoras, isso vai lhes dar o quadrado.
Em algumas destas calculadoras antigas que utilizam notação pós-fixada, há um botão de "x ao quadrado", que lhes permitirá fazer o cálculo ainda mais rápido.
O que eu vou tentar fazer agora é calcular, de cabeça, o quadrado de quatro números de dois dígitos mais rápido do que eles conseguirão fazer com as calculadoras, mesmo usando o atalho que eu ensinei.
Desta vez, vou usar a segunda fileira, e eu vou escolher quatro de vocês -- um, dois, três, quatro -- para cada um gritar um número de dois dígitos, e você irá calcular o quadrado do primeiro número, e você o do segundo, o terceiro, e o quarto, e eu vou tentar chegar ao resultado primeiro. Certo?
Então, rapidamente: um número de dois dígitos, por favor.
Plateia: 37.
AB: 37 ao quadrado, certo.
Plateia: 23.
AB: 23 ao quadrado, certo.
Plateia: 59.
AB: 59 ao quadrado, certo, e finalmente?
Plateia: 93.
AB: 93 ao quadrado. Vocês podem cantar seus resultados, por favor?
Mulher: 1369. AB: 1369.
Mulher: 529.
AB: 529.
Homem: 3481.
AB: 3481.
Homem: 8649.
AB: Muito obrigado.
Agora vou tentar dar um passo além.
Desta vez, vou tentar elevar ao quadrado números de três dígitos.
Não vou nem escrevê-los. Só vou cantar os resultados conforme os números forem falados para mim.
Qualquer um a quem eu apontar, diga um número de três dígitos.
Qualquer um aqui na nossa equipe, verifique a resposta.
Só dê algum sinal indicando se a resposta está correta.
Um número de três dígitos, senhor, sim?
Plateia: 987.
AB: 987 ao quadrado é 974. 169.
Certo? Ótimo.
Outro, outro de três dígitos. outro número de três dígitos, senhor?
Plateia: 457.
AB: 457 ao quadrado é 205. 849.
205. 849?
Certo?
Certo. Outro número de três dígitos, senhor?
Plateia: 321.
AB: 321 é 103. 041. 103. 041.
Certo? Mais um número de três dígitos, por favor.
Plateia: Hum, 722.
AB: 722 é 500. ô, esse é um difícil.
É 513. 284?
Mulher: Sim.
AB: Sim? Oh, mais um, mais um número de três dígitos, por favor.
Plateia: 162.
162 ao quadrado é 26. 244.
Muito obrigado.
Agora eu vou tentar ir mais um passo além.
Eu vou tentar calcular o quadrado de um número de quatro dígitos, dessa vez.
Agora vocês podem fazer sem pressa. Não vou fazer mais rápido que vocês, dessa vez, mas eu vou tentar obter uma resposta correta.
Para tornar isto um pouco mais aleatório, agora vamos pegar a quarta fileira, digamos: um, dois, três, quatro.
Cada um de vocês diga um dígito entre zero e nove. Esse será o número de quatro dígitos que eu vou elevar ao quadrado.
Plateia: Nove.
AB: Nove.
Plateia: Sete. AB: Sete.
Plateia: Cinco. AB: Cinco.
Plateia: Oito. AB: Oito.
9. 758. Esse vai me tomar algum tempo, então tenham paciência.
95. 218. 564?
Mulher: Sim.
AB: Muito obrigado.
Agora, eu poderia tentar elevar ao quadrado um número de cinco dígitos. E eu consigo. Mas, infelizmente, a maioria das calculadoras não consegue.
Limite de oito dígitos. Vocês não odeiam isso?
Então, como atingimos o limite de nossas calculadoras. O quê? A sua vai. Mulher: Eu não sei.
AB: A sua vai além?
A sua vai?
Homem: eu provavelmente consigo fazer.
AB: eu falo com você mais tarde.
Enquanto isso, deixem eu concluir a primeira parte do meu show mostrando algo um pouco mais complicado.
Vamos pegar o maior número aqui no quadro, 8649.
Cada um de vocês digite isso na sua calculadora.
E, em vez de elevar ao quadrado, eu quero que vocês peguem o número e o multipliquem por qualquer número de três dígitos que vocês queiram, mas não me falem pelo que vocês estão multiplicando. Apenas multipliquem por qualquer número aleatório de três dígitos.
Então vocês terão como resultado ou um número de seis dígitos, ou, provavelmente, um de sete dígitos.
Quantos dígitos você tem, seis ou sete?
Sete, e você? Mulher: Sete.
AB: Sete? Sete?
E, incerto.
Homem: Isso!
AB: Sete. De alguma maneira eu poderia saber quais sete dígitos vocês tem? Digam "não".
Bom. Então eu vou tentar o impossível. Ou, pelo menos, o improvável.
O que eu gostaria que cada um de vocês fizesse é cantar para mim quaisquer seis dos seus sete dígitos, quaisquer seis, em qualquer ordem que vocês queiram.
Um dígito por vez, eu vou tentar determinar o dígito que vocês deixaram de fora.
Então, começando com o seu número de sete dígitos, cante quaisquer seis deles, por favor.
Mulher: 1. 197042.
AB: Você deixou de fora o número 6?
Mulher: Sim, AB: Bom, já foi um.
Você tem um número de sete dígitos. Cante quaisquer seis deles para mim, por favor.
Mulher: 44875.
AB: Eu acho que só ouvi cinco números. Eu, espere, 44875. você deixou de fora o número 6?
Mulher: Sim. AB: O mesmo que ela, certo. Você tem um número de sete dígitos. Cante quaisquer seis deles em tom alto e claro.
Homem: 079044.
AB: Eu acho que você deixou de fora o número 3?
Já temos três. A probabilidade de eu acertar todos os quatro por chute seria uma em 10. 000. 10 elevado à quarta potência.
Certo, quaisquer seis deles.
Por favor, embaralhe de verdade, desta vez.
Homem: 263972.
AB: Você deixou de fora o número 7?
E vamos dar uma bela salva de palmas aos quatro.
Muito obrigado.
Para o meu próximo número. enquanto eu mentalmente recarrego minhas baterias, eu tenho mais uma pergunta para a plateia.
Por acaso, alguém aqui sabe o dia da semana em que nasceu?
Se você acha que sabe seu dia de nascimento, levante a mão.
Vejamos. Vamos começar com um cavalheiro primeiro. Certo, senhor. Primeiro, em que ano foi? É por isso que eu começo com um cavalheiro.
Que ano?
Plateia: 1953.
AB: 1953, e o mês?
Plateia: Novembro. AB: Que dia de novembro?
Plateia: 23.
AB: 23. Era uma segunda-feira? Plateia: Sim.
Sim, bom. Alguém mais? Quem mais gostaria. Vejam, eu não vi a mão de nenhuma mulher levantar.
Certo, e você, que ano?
Plateia: 1949. AB: 1949, e o mês?
Plateia: Outubro. AB: Que dia de outubro?
Plateia: Cinco.
AB: Cinco. Era uma quarta-feira?
Sim. Eu vou lá para o fundão agora, e você?
Grite, que ano? Plateia: 1959.
AB: 1959, certo. E que mês?
Plateia: Fevereiro.
AB: Que dia de fevereiro? Plateia: Seis.
AB: Seis. Era uma sexta-feira? Plateia: Sim.
Bom, e a pessoa atrás dela?
Cante, que ano foi?
Plateia: 1947. AB: 1947, e que mês?
Plateia: Maio. AB: Que dia de maio?
Plateia: Sete. AB: Sete. Seria uma quarta-feira?
Plateia: Sim.
AB: Muito obrigado.
Alguém aqui gostaria de saber o dia da semana em que nasceu?
Nós podemos fazer desse jeito.
Claro, eu poderia inventar uma resposta e vocês não saberiam, então eu vim preparado para isso.
Eu trouxe comigo um livro de calendários.
Ela volta ao passado até 1800, porque nunca se sabe.
Eu não quis olhar para você, senhor, você só estava sentado aí.
Enfim, Chris, você pode me ajudar aqui, se você não se importa.
Este é um livro de calendários, e eu vou perguntar. quem é que queria saber o dia do seu nascimento? Você, senhor? Certo.
Em que ano foi, em primeiro lugar?
Plateia: 1966.
AB: 66. Vá para o calendário de 1966. E que mês?
Plateia: Abril. AB: Que dia de abril?
Plateia: 17. AB: 17. Eu acho que era um domingo.
Você pode confirmar, Chris?
Chris Anderson: Sim. AB: Isso! Certo. Eu vou te falar uma coisa, Chris: aproveitando que você está com o livro na sua frente, faça-me um favor, vá para um ano fora dos 1900, ou nos 1800 ou bem na frente, nos 2000. Isso será um desafio muito maior para mim.
Que ano, Chris, você gostaria?
CA: 1824.
AB: 1824, certo.
E que mês? CA: Junho.
AB: Que dia de junho? CA: Seis.
AB: Seis. Era um domingo?
CA: Era. AB: E estava nublado.
Bom, muito obrigado.
Eu gostaria de concluir tudo agora voltando a algo que apareceu mais cedo na apresentação.
Havia um cavalheiro aqui que tinha uma calculadora de 10 dígitos.
Onde ele está? Você poderia levantar-se, cara dos 10 dígitos?
Certo. Levante-se para mim por um segundo, para que eu possa ver onde você está.
Certo. Você tem uma calculadora de 10 dígitos, senhor, também?
Certo. Eu vou tentar elevar ao quadrado, de cabeça, um número de cinco dígitos, que demanda uma calculadora de 10 dígitos.
Mas, para tornar meu trabalho mais interessante para vocês, assim como para mim, eu vou resolver este problema pensando em voz alta.
Para que vocês possam, de verdade, sinceramente, ouvir o que está se passando pela minha cabeça enquanto eu faço um cálculo desta magnitude.
Agora, eu peço desculpas ao nosso amigo mágico Lennart Green.
Eu sei que, como mágicos, nós não devemos revelar nossos segredos, mas eu não tenho muito medo que outras pessoas comecem a copiar o meu show na semana que vem, então acho que estamos bem.
Então, vejamos, vamos pegar uma. vamos pegar uma fileira diferente de pessoas, começando com você.
Eu quero cinco dígitos: um, dois, três, quatro. Ops, eu já usei essa fileira. Vamos fazer com a fileira de trás, começando com o senhor: um, dois, três, quatro, cinco.
Cantem um único dígito. Esse será o número de cinco dígitos que eu vou tentar elevar ao quadrado. Vão em frente.
Plateia: Cinco. AB: Cinco.
Plateia: Sete. AB: Sete.
Plateia: Seis. AB: Seis.
Plateia: Oito. AB: Oito.
Plateia: Três. AB: Três.
57. 683 ao quadrado. Ai.
Deixem-me explicar para vocês como eu vou tentar resolver este problema.
Eu vou dividir o problema em três partes.
Eu vou fazer 57. 000 ao quadrado, mais 683 ao quadrado, mais 57. 000 vezes 683 vezes dois.
Vou somar todos esses números, e, com alguma sorte, chegar na resposta.
Deixem-me "fechar".
Obrigado.
Enquanto eu explico outra coisa -- -- eu sei, essa você pode usar, certo?
Enquanto eu faço estes cálculos, vocês podem ouvir certas palavras, ao invés de números, aparecerem nos cálculos.
Deixem-me explicar o que isto é.
Isto é um código fonético, um recurso mnemônico que eu uso, que me permite converter números em palavras.
Eu os armazeno como palavras, e mais tarde os recupero como números.
Eu sei que parece complicado, mas não é. Só não quero que vocês pensem que estão vendo um autista aqui.
Com certeza, há um método na minha loucura. Com certeza, com certeza. Desculpem-me.
Se vocês quiserem conversar comigo sobre DDA depois, vocês podem falar. Pois bem. A propósito, uma última instrução. Para meus juízes com as calculadoras -- vocês sabem quem vocês são -- há uma chance de pelo menos 50% de que eu cometa um erro aqui.
Se eu errar, não me falem onde está o erro. Apenas digam "está perto", ou algo assim, e eu vou tentar corrigir a resposta, o que pode ser bastante divertido por si só.
Se, entretanto, eu estiver certo, não importa o que façam, não guardem isso com vocês, certo?
Garantam que todos saibam que eu acertei, porque este é o meu gran finale.
Então, sem mais delongas, aqui vamos nós.
Eu vou começar o problema pelo meio, com 57 vezes 683.
Agora, 57 vezes 68 é 3. 400, mais 476 é 3876, isso é 38. 760 mais 171, 38. 760 mais 171 é 38. 931.
38. 931. Dobre isso para ter 77. 862.
77. 862 se torna fissão do biscoito, fissão do biscoito é 77. 822.
Parece certo, eu vou continuar. Fissão do biscoito.
Em seguida, eu faço 57 ao quadrado, que é 3. 249, então posso dizer, três bilhões. Pegue o 249, some isso ao biscoito, 249. Ops, mas eu vejo um "vai um" aparecendo. 249. Some isso ao biscoito, 250 mais 77. É 327 milhões. Fissão, fissão, certo. Finalmente, fazemos 683 ao quadrado. Isso é 700 vezes 666, mais 17 ao quadrado. É 466. 489, aumente se preciso, aumente, pegue o 466, some isso à fissão, para obter, meu Deus, 328. 489.
Plateia: Sim!
AB: Bom.
Muito obrigado.
Eu espero que vocês tenham gostado da matemágica. Obrigado.
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Eu estou encantado por estar aqui.
Estou honrado com o convite, e obrigado.
Eu adoraria falar sobre coisas que eu estou interessado, mas infelizmente eu desconfio que aquilo que me interessa não vai interessar muitas outras pessoas.
Antes de tudo, meu crachá diz que sou um astrônomo.
Eu adoraria falar sobre meus trabalhos na astronomia, mas desconfio que o número de pessoas interessadas em transferência radiativa em atmosferas não-cinzas e polarização da luz na atmosfera superior de Júpiter é o número de pessoas que caberia em um ponto de ônibus.
Então eu não vou falar sobre isso.
Seria também divertido falar sobre algumas coisas que aconteceram em 1986 e 1987, quando um hacker invadiu nossos sistemas nos laboratórios da Lawrence Barkeley.
E eu peguei os caras, e descobri que eles estavam trabalhando para a antiga KGB, e roubando informação e as vendendo.
E eu adoraria falar sobre isso -- seria divertido -- mas, 20 anos depois.
Eu acho segurança de computadores, sinceramente, um pouco chato.
É entediante.
Eu. A primeira vez que você faz alguma coisa, é ciência.
Na segunda vez, é engenharia.
Na terceira vez, está apenas sendo um técnico.
Eu sou um cientista. Uma vez que eu faça algo, eu faço outra coisa.
Então eu não vou falar sobre isso.
Nem vou falar sobre o que eu acredito ser declarações óbvias em meu primeiro livro, Silicon Snake Oil, ou meu segundo livro, nem irei falar sobre a razão de eu acreditar que os computadores não pertecem às escolas.
Eu sinto que existe uma idéia massiva e bizarra no ar de que nós precisamos levar mais computadores até as escolas.
Minha idéia é: Não! Não!
Tirem-os das escolas e mantenham-os fora das escolas.
E eu adoraria falar sobre isso, mas penso que o argumento é tão óbvio para qualquer um que conhece uma sala da quarta série que não é necessário falar muito sobre -- mas eu acho que eu posso estar bem errado sobre isso, e todas as outras coisas que eu já disse.
Então não volte atrás para ler minha dissertação.
Ela provavelmente contêm mentiras também.
Dito isso, eu resumi em tópicos minha fala há cinco minutos atrás.
E se você olhar aqui, a principal coisa que escrevi no meu dedão foi futuro
É pra eu falar sobre o futuro, certo?
Oh, certo. E meu sentimento é: pedir a mim, que fale sobre o futuro, é bizarro, porque eu tenho cabelos brancos, então é um pouco bobo para mim falar sobre o futuro.
Na verdade, eu acredito que se você realmente quer saber como o futuro será, se você realmente quer saber sobre o futuro, não pergunte a um tecnologista, um cientista, um físico.
Não! Não pergunte a alguém que está programando computadores.
Não, se você quer saber o que a sociedade será em 20 anos, pergunte a um professor de jardim da infância.
Eles sabem.
Na verdade, não pergunte para qualquer professor de jardim da infância, pergunte a um experiente.
Eles são os que sabem o que a sociedade vai ser em outra geração.
Eu não. Nem, eu suspeito, sabem muitas outras pessoas que estão falando sobre o que futuro irá trazer.
Certamente, todos nós podemos imaginar essas coisas novas interessantes que estarão lá.
Mas para mim, coisas não são o futuro.
O que eu me pergunto é, o que a sociedade será, quando as crianças de hoje são fenomenalmente boas em mensagens de celular e passam bastante tempo na frente de telas, mas nunca foram jogar boliche juntas.
Uma mudança está acontecendo, e a mudança que está acontecendo não é a que está nos softwares.
Mas não é sobre isso que eu vou falar.
Eu adoraria falar sobre isso, seria divertido, mas eu quero falar sobre o que eu estou fazendo agora. O que eu estou fazendo agora?
Oh - a outra coisa que eu acho que gostaria de falar está aqui. Bem aqui.
Está visível? O que eu gostaria de falar é sobre coisas com um lado só.
Eu gostaria muito de falar sobre coisas que possuem um lado.
Porque eu amo fitas de Mobius. Não apenas eu amo fitas de Mobius, mas eu sou umas das poucas pessoas, se não a única pessoa no mundo, que faz garrafas de Klein.
Agora mesmo, eu espero que todos os seus olhos desfoquem.
Isso é uma garrafa de Klein.
Para vocês na audiiência que já conhecem, você vira os olhos e diz, é. Eu sei tudo sobre isso.
Possui um lado. É uma garrafa que possui o lado interno do lado de fora.
Possui volume zero. E é não-orientável.
Possui propriedade fantásticas.
Se você pegar duas fitas de Mobius e costurar sua junção comum, você terá uma dessas, e eu as crio utilizando vidro.
E eu adoraria falar sobre isso, mas eu não tenho muita -- coisa a dizer porque -- Entretanto, o "D" de "TED" claro, representa design.
Apenas duas semanas atrás eu criei -- bem, eu tenho feito garrafas de Klein pequenas, médias e grandes para trocar.
Mas o que eu acabei de fazer -- e estou encantando de mostrar a vocês, primeira vez em público.
Essa é uma garrafa de Klein de vinho, que, embora em 4 dimensões não deveria ser capaz de conter qualquer fluído, ela é perfeitamente capaz de conter porque nosso universo possui apenas três dimensões espaciais.
E já que nosso universo é tridimensional, ela pode conter fluidos.
Então é altamente -- essa é a mais legal.
Isso levou um mês da minha vida.
Mas apesar de que eu gostaria de falar sobre topologia com você, eu não irei.
Em vez disso, eu vou mencionar minha mãe, que faleceu no último verão.
Ela colecionou fotos minhas, como as mães fazem.
Alguém pode mostrar esse cara?
E eu olhei em seu álbum e ela havia guardado uma foto minha, de pé -- bem, sentado, em 1969, na frente de uma porção de mostradores.
E eu olhei para aquilo, e disse, meu deus, esse era eu quando eu trabalhava no estúdio de música eletrônica!
Como um técnico, consertando e dando manutenção no estúdio de música eletrônica em SUNY, Buffalo. E uau!
Túnel do tempo. E eu disse a mim mesmo, sim!
E fui enviado de volta.
Logo depois disso, eu descobri outra foto que ela tinha, uma foto minha.
Esse cara aqui, claro que sou eu.
Esse homem é Robert Moog, o inventor do sintetizador Moog, que faleceu agosto passado.
Robert Moog era uma pessoa generosa, doce, um engenherio extraordinariamente competente.
Um músico que perdeu tempo de sua vida para me ensinar, um aluno de segundo ano, um calouro da SUNY Buffalo.
Ele vinha de Trumanburg para me ensinar não apenas sobre o sintetizador Moog, mas ficávamos lá sentados -- Eu estudava física naquela época. Isso foi em 1969, 70, 71.
Nós estudávamos física, eu estudava física, e ele dizia, "Isso é bom.
Não fique obcecado com a música eletrônica se você faz física".
Me aconselhando. Ele chegaria e passaria horas e horas comigo.
Ele escreveu uma carta de recomendação para eu ingressar na pós-graduação.
No fundo, minha bicicleta.
Eu percebi que essa foto foi tirada na sala da casa de um amigo.
Bob Moog apareceu e trouxe uma pilha de equipamentos para mostrar a Greg Flint e a mim coisas sobre eles.
Nós sentamos por ali, conversando sobre transformadas de Fourier. funções de Bessel, funções de modulação de transferência, coisas desse tipo.
A morte de Bob nesse último verão foi uma perda para todos nós.
Qualquer músico foi profundamente influenciado por Roberto Moog.
E eu digo o que farei. O que eu farei -- Eu espero que vocês reconheçam aqui uma onda sinoidal distorcida, quase uma onda triangular sobre esse osciloscópio da HP.
Ah legal. Eu posso chegar até esse ponto aqui, certo?
Crianças. Crianças é sobre o que eu irei falar -- tudo bem?
Está escrito crianças aqui, é sobre isso que eu falarei.
Eu decidi que, pelo menos para mim, eu não tenho uma grande mente.
Então eu penso localmente e ajo localmente.
Eu sinto que a melhor maneira que eu posso contribuir é atuando bem, bem localmente.
Então Ph. D. isso, e diploma aquilo, e blá blá blá.
Eu estava falando sobre essas coisas para alguns professores cerca de um ano atrás.
E um deles, vários deles vieram até mim pra dizer, "Bom, por que você não está lecionando?"
E eu disse, "bem, eu lecionei para os graduandos -- Eu tive alunos de pós-gradução, eu dei aula na graduação".
Não, eles disseram, "Se você é tão preocupado com as crianças e todas essas coisas, por que você não está aqui na linha de frente?
Mostre do que é capaz".
É verdade. É verdade. Eu leciono ciências para a oitava série quatro dias por semana.
Não apenas aparecendo de vez em quando.
Não, não, não, não. Eu marco presença.
Eu tiro uma hora de almoço.
Isso não -- não, não, não, não tem motivo para aplausos.
Eu sugiro firmemente que isso é uma coisa para cada um de vocês fazerem.
Não apenas aparecer na turma de vez em quando.
Dê aula a semana inteira. Certo, eu dou aulas três-quartos do tempo, mas é suficiente.
Uma das coisas que eu faço com meus alunos de ciências é dizer a eles, "Vejam, eu vou ensinar a você física de nível universitário.
Nada de cálculo, isso eu excluo.
Vocês não vão precisar saber trigonometria.
Mas vocês vão precisar saber álgebra de oitava série, e nós iremos fazer experiências.
Nada desse "abra o capítulo sete e faça todos os conjuntos de problemas".
Nós iremos praticar a física genuína."
E essa é uma das coisas que eu pensei em fazer agora.
Ah, antes de eu ligar isso, uma das coisas que nós fizemos cerca de três semanas atrás em sala de aula --- isso é através de lentes, e uma das coisas em que aplicamos lentes foi para medir a velocidade da luz.
Meus estudantes em El Cerrito - com minha ajuda, claro, e com a ajuda de um osciloscópio bem gasto mediram a velocidade da luz.
Nós erramos cerca de 25 por cento. Quando alunos de oitava série vocês conhecem que mediram a velocidade da luz?
Além disso, nós medimos a velocidade do som.
Eu adoraria medir a velocidade da luz aqui.
Eu estava preparado para fazer isso e pensei, "Pô cara", Eu estava prester a me aproveitar da chance, e medir a velocidade da luz.
E eu estou preparado. Estou preparado mas acontece que para fazer aqui, seriam necessários 10 minutos de preparação!
E não há tempo para isso.
Então, na próxima vez, talvez, nós mediremos a velocidade da luz!
Mas enquanto isso, vamos medir a velocidade do som!
Bem, a maneira óbvia de medir a velocidade do som e rebater o som em algum obstáculo e verificar o eco.
Mas, provavelemente - um dos meus estudantes, Ariel, disse "Nós poderíamos medir a velocidade da luz usando a equação de ondas?"
E todos vocês sabem que a equação de ondas é: a frequência vezes o comprimento da onda, de qualquer onda.
é uma contante. Quando a frequência aumenta, o comprimento diminui. O comprimento da onda aumento, a frequência diminui. Então se nós temos uma onda aqui -- aqui, isso é algo interessante -- Conforme o tom aumenta, as coisas se aproximam, o tom diminui, as coisas esticam.
Certo? Isso é física simples.
Todos vocês lembram disso da oitava sério, não lembram?
O que eles não lhes contaram na física - na física da oitava série -- mas eles deveriam -- e eu gostaria que eles tivessem -- é que se você multiplicar a frequência vezes o comprimento de onda do som ou luz, você têm uma constante.
E essa constante é a velocidade do som.
Então para que se possa medir a velocidade do som, tudo o que eu preciso é conhecer a sua frequência. Bem, isso é fácil.
Eu tenho um medidor de frequência bem aqui.
Ajustemos para Lá sobre Lá sobre Lá. Temos um Lá, mais ou menos.
Agora, eu conheço a frequência.
É 1. 76 kilohertz. Eu meço o comprimento da onda.
Tudo o que eu preciso agora é ligar outro feixe, e o feixe de baixo sou eu falando, certo?
Então toda vez que falo, você vê na tela.
Vou colocar aqui, e conforme eu me afasto da fonte, você vai perceber a espiral.
O gráfico se movimento. Nós estamos verificando diferentes pedaços da onda, vindo nesta direção.
Vocês que são físicos, eu ouço vocês virando os olhos, mas continuem comigo.
Para medir o comprimento da onda, tudo o que eu preciso é medir a distância daqui, uma onda completa, até aqui.
Daqui até aqui é o comprimento da onda do som.
Então, eu colocarei uma trena aqui, trena aqui, me afasto para cá.
Eu movi o microfone 20 centímetros.
0. 2 metros daqui, até aqui, 20 centímetros.
Ok, vamos voltar ao sr. Elmo.
E nós dizemos que a frequência é 1. 76 kilohertz, ou 1760.
O comprimento da onda é de 0. 2 metro.
Vamos ver o quanto é isso.
1. 76 vezes 0. 2 aqui é igual a 352 metros por segundo.
Se você verificar no livro, é mesmo 343.
Mas aqui, com gambiarras, e bebida nojenta -- nós fomos capazes de medir a velocidade do som em -- Nada mal. Muito bom.
Tudo isso para chegar ao que eu gostaria de falar.
Voltemos a essa minha foto de milhões de anos atrás.
Era 1971, acontecia a Guerra do Vietnã, e eu estou tipo, "Oh meu Deus!"
Eu estou estudando física: Landau, Lipschitz, Resnick e Halliday.
Estou indo de férias para casa. Há uma motim no campus.
Há um motim no campus! Ei, o Elmo acabou. Desliga.
Está acontecendo um motim no campus, e a polícia está atrás de mim, certo?
Eu estou cruzando o campus. Policial se aproxima, me olha e diz, "Você! Você é um estudante".
Saca uma arma. E boom!
E uma lata de gás lacrimogêneo do tamanho de uma lata de Pepsi passa pela minha cabeça. Whoosh!
Eu inalo um pouco do gás e não consigo respirar.
Esse policial me persegue com um rifle.
Ele quer me acertar na cabeça!
Eu digo, "Eu preciso cair fora daqui!"
Eu corro pelo campus o mais rápido que posso. Eu me escondo no Hayes Hall.
É um daqueles prédio com torre e sino.
O policial está me caçando.
Atrás de mim no primeiro andar, segundo andar, terceiro andar.
Me persegue dentro de uma sala.
A porta de entrada para a torre do sino.
Eu bato a porta atrás de mim, subo, pulo para trás desse lugar aonde eu vejo um pêndulo balançando.
E eu penso, ah sim, a raiz quadrada do comprimento é proporcional ao seu período.
Eu continuo subindo, volto.
Eu vou até um lugar aonde uma cavilha se rompe.
Têm um relógio, relógio, relógio, relógio.
O tempo está indo ao contrário porque eu estou na parte de dentro do relógio.
E eu penso nas contrações de Lorenz e na relatividade Einsteniana.
Eu escalo, e tem esse lugar, bem ao fundo, que você escala uma escada de madeira.
Eu abro a parte de cima, e há uma abóboda.
Uma cúpula, uma dessas cúpulas de 3 metros.
Eu olho para fora e vejo os policiais quebrando as cabeças dos estudantes, atirando gás lacrimogêneo, e vendo os estudante jogando tijolos.
E eu me perguntando, O que estou fazendo aqui? Por que estou aqui?
Então eu me recorderi que meu professor de inglês no ginásio disse.
Que, quando eles fundem os sinos, eles imprimem inscrições sobre eles.
Então, eu tirei o cocô dos pombos de um dos sinos, e olhei para ele.
Eu estou me perguntando, por que estou aqui?
Então, neste momento, eu gostaria de dizer a vocês as palavras inscritas. sobre o sino da torre de Hayes Hall: "Toda verdade é uma só.
Sob esta luz, deverão a ciência e a religião empreenderem aqui para a constante evolução da humanidade, das trevas à luz, da estreiteza à amplitude mental, do preconceito à tolerância.
É a voz da vida, que nos convida a entrar e aprender".
Muito obrigado.
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O que há na caixa?
O que quer que seja, deve ser muito importante, porque eu viajei com ela, me mudei com ela de um apartamento para outro, e mais outro.
Soa familiar?
Vocês sabiam que nós americanos temos hoje três vezes mais espaço do que tínhamos 50 anos atrás?
Três vezes.
Era de se imaginar que, com todo esse espaço extra, nós teríamos espaço mais do que suficiente para todas as nossas coisas.
Não.
Há uma nova indústria no pedaço, uma indústria de 22 bilhões de dolares e mais de 2 mil km2: a do 'armazenamento pessoal'.
Então, nós temos o triplo do espaço, mas nos tornamos consumidores tão bons que nós precisamos de ainda mais espaço
Então, aonde isso leva?
Muita dívida no cartão de crédito, uma pegada ecológica enorme, e talvez não por coincidência, os nossos níveis de felicidade se mantiveram estáveis nesse mesmo período de 50 anos.
Bem, eu estou aqui para sugerir que há um caminho melhor, que menos pode, na verdade, significar mais.
Eu aposto que a maioria de nós já experimentou, em algum momento, a felicidade do menos: na faculdade - na moradia estudantil, viajando - em um quarto de hotel, acampando - equipado com quase nada, talvez um barco.
O que quer que tenha sido para você, eu aposto que, entre outras coisas, isso lhe deu um pouco mais de liberdade, um pouco mais de tempo.
Então eu vou sugerir que menos coisas e menos espaço serão iguais a uma pegada ecológica menor.
Na verdade, é uma forma maravilhosa de economizar dinheiro.
E vai lhe proporcionar um pouco mais de tranquilidade na sua vida.
Então eu comecei um projeto chamado Vida Editada no site lifeedited. org para levar essa discussão adiante e encontrar algumas soluções maravilhosas nessa área.
A primeira: dividir eu apartamento de 40 metros quadrados em Manhattan com meus colegas Mutopo e Jovoto. com.
Eu queria tudo - home office, lugar para um jantar com 10 pessoas, quarto de hóspedes, e todo o meu equipamento de kitesurfing.
Com mais de 300 sugestões do mundo todo, Eu consegui, minha própria caixinha de jóias.
Comprando um espaço de 40 m2
ao invés de 56, eu economizei de cara 200 mil dólares.
Um espaço menor pede móveis e equipamentos menores - então eu economizei mais algum dinheiro aí, mas também deixei uma pegada ecológica menor.
E porque foi realmente projetado para uma quantidade reduzida de coisas - minhas coisas favoritas - e realmente projetado para mim, Eu fico muito animado de estar lá.
Então, como você pode viver com menos?
Três abordagens principais.
Primeiro, você tem que cortar sem piedade.
Você tem que limpar as artérias da sua vida.
E aquela camisa que você não usa há anos?
É hora de se livrar dela.
Nós temos que cortar o excesso de nossas vidas, e temos que aprender a cortar o que entra nela.
Nós temos que pensar antes de comprar.
Perguntar a nós mesmos, "Isso vai realmente me fazer mais feliz? De verdade?"
É claro que nós devemos comprar e possuir algumas coisas espetaculares.
Mas nós queremos coisas que vamos amar por anos, não apenas coisas.
Em segundo lugar, nosso novo mantra: pequeno é sexy.
Nós queremos eficiência de espaço.
Nós queremos coisas que sejam projetadas para o propósito para o qual são usadas a maior parte do tempo, não para um evento raro.
Para que ter um fogão de seis bocas quando nós raramente usamos três?
Então, nós queremos coisas que se aninhem, nós queremos coisas que possamos empilhar e digitalizar.
Nós podemos pegar a papelada, livros, filmes, e podemos fazê-los desaparecer - é mágica.
Por fim, nós queremos espaços e utensílios multifuncionais - uma pia combinada com uma privada, uma mesa de jantar que se transforme em uma cama - o mesmo espaço, uma pequena mesa de canto se desdobra para dar lugar para dez pessoas sentadas.
No esquema vencedor do Life Edited apresentado aqui, nós combinamos uma parede que se move com móveis que se transformam para tirar o máximo do espaço.
Olhe para esta mesa de centro - ela aumenta em altura e largura para receber 10 pessoas.
Meu escritório se dobra, e é facilmente escondido.
Minha cama sai da parede com apenas dois dedos.
Hóspedes? É só mover a parede móvel, e temos algumas camas para hópedes.
E é claro, meu cinema particular.
Eu não estou dizendo que todos nós temos que viver em 40 m2.
Mas considere os benefícios de uma vida editada.
Vá de 300 m2 para 200, de 150 para 100.
Muitos de nós, talvez todos nós, estamos aqui, muito felizes por alguns dias com algumas malas, talvez um espaço pequeno, um quarto de hotel.
Então quando vocês forem para casa e cruzarem a sua porta da frente, reserver um tempo e se perguntem, "Será que eu poderia editar um pouco a minha vida?
Isso me daria um pouco mais de liberdade?
Talvez um pouco mais de tempo?"
O que há na caixa?
Na verdade não interessa.
Eu sei que não preciso disso.
O que há na sua caixa?
Talvez, só talvez, menos possa significar mais.
Então vamos abrir espaço para as coisas boas.
Obrigado.
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Então, aqui vamos nós. Uma visão panorâmica do ato de brincar.
Tem que ser sério, se o New York Times colocou uma matéria de capa sobre brincar na revista de domingo de 17 de fevereiro.
Em essência, ela diz, "É mais profundo do que gênero.
Seriamente, mas perigosamente divertido.
E um tanque de areia para novas ideias sobre evolução."
Nada mal, exceto quando você olha para a capa, o que está faltando?
Você vê algum adulto?
Bem, vamos voltar ao século 15.
Isto é um pátio na Europa, e uma mistura de 124 tipos diferentes de brincadeira.
Todas as idades, brincadeiras individuais, atividades físicas, jogos, provocação.
E aí está. Eu acho que é uma imagem típica de como um pátio era naquela época.
Creio que perdemos algo em nossa cultura.
Então vou conduzi-los por uma sequência que eu considero excepcional.
Ao norte da cidade de Churchill, em Manitoba, em outubro e novembro, não há gelo na Baía do Hudson.
E este urso polar que você está vendo, este macho de 550 kg, ele é selvagem e está bem faminto.
E Norbert Rosing, um fotógrafo alemão, está na cena, tirando uma série de fotos desses huskies, que estão presos.
E de longe, vem esse urso polar, macho e selvagem, com seu olhar predador.
Para os que já estiveram na África, ou tiveram que fugir de um cão de guarda, há um olhar fixo de predador que você sabe que significa que está em apuros.
Mas do outro lado desse olhar de predador há uma fêmea husky em posição de brincar, abanando o rabo.
E alguma coisa muito estranha acontece.
Aquele comportamento fixo -- que está registrado e estereotipado e que termina com uma refeição -- se transforma.
E esse urso polar fica parado perto da husky. Sem garras à mostra, sem presas de fora.
E eles iniciam um balé incrível.
Um balé de brincadeira.
Isto está na natureza: a brincadeira supera uma natureza carnívora e o que, de outro modo, teria sido uma briga curta até a morte.
Se você prestar atenção, verá que a husky está expondo seu pescoço ao urso polar, e se olhar mais perto ainda, verá que eles estão em um estado alterado.
Estão em um estado de brincar.
E é este estado que permite a essas duas criaturas explorar o possível.
Eles estão começando a fazer algo que nenhum deles teria feito sem os sinais de brincadeira.
E esse é um exemplo maravilhoso de como uma diferença em poder pode ser sobrepujada por um processo da natureza que reside em nós todos.
Agora, como eu me envolvi com isso?
John mencionou que fiz algumas pesquisas com assassinos, e eu fiz.
O assassino do Texas Tower abriu meus olhos, -- em retrospecto, quando estudamos esse trágico assassinato em massa, -- para a importância de brincar, pois descobriu-se, através de profundos estudos, que este indivíduo tinha uma severa carência de brincadeiras.
Charles Whitman era seu nome.
E nosso comitê, que consistia de vários cientistas sérios, se convenceram, ao final desse estudo que a ausência de brincadeiras, e a crescente supressão de brincadeiras normais para o desenvolvimento, o tornaram mais sucetível à tragédia que ele causou.
E tal conclusão tem resistido à prova do tempo -- infelizmente, ainda mais recentemente na Virgina Tech.
E outros estudos sobre populações em risco me sensibilizaram sobre a importância de brincar, mas eu ainda não tinha entendido exatamente o que era.
E levou muitos anos ouvindo histórias pessoais sobre brincadeiras até que eu começasse a perceber que na verdade eu não entendia muito sobre isso.
E não acredito que algum de nós tenha um entendimento completo sobre isso.
Mas há maneiras de se observar isso que creio serem capazes de fornecer -- a todos nós -- uma taxonomia, uma maneira de pensar nisso.
E esta imagem é, para nós humanos, o ponto inicial da brincadeira.
Quando a mãe e a criança cruzam seus olhares, e a criança é grande o suficiente para sorrir socialmente, o que acontece -- espontaneamente -- é uma explosão de alegria por parte da mãe.
E ela começa a balbuciar e sorrir, e assim também faz o bebê.
Se os tivéssemos conectados a um eletroencefalograma, veríamos o lado direito do cérebro de ambos em sintonia, de forma que o surgimento desta primeira cena de brincadeira e sua fisiologia é algo que estamos começando a tentar entender.
E gostaria que vocês pensassem que cada pedacinho das brincadeiras mais complexas é construída sobre esta base para nós humanos.
Então agora vou conduzir vocês através de uma maneira de observar o ato de brincar, mas não é nunca uma coisa única.
Vamos observar as brincadeiras com o corpo, que é um desejo espontâneo de escapar da gravidade.
Este é um bode montanhês.
Se você estiver num dia ruim, tente isso: salte para cima e para baixo, chacoalhe-se; você se sentirá melhor.
E você poderá se sentir como este personagem, que também só está fazendo isso para si mesmo.
Não tem nenhum propósito específico, e isso que é formidável na brincadeira.
Se o propósito for mais importante que o ato de fazê-lo, então provavelmente não é brincadeira.
E há outro tipo completamente diferente de brincadeira: brincar com objetos.
E essa macaquinha japonesa fez uma bola de neve, e aqui ela a está rolando ladeira abaixo.
E -- eles não a jogam uns nos outros, mas essa é uma parte fundamental de ser brincalhão.
A mão humana, ao manipular objetos, é a mão em busca de um cérebro. O cérebro está em busca de uma mão, e a brincadeira é o meio através do qual esse dois se conectam da melhor forma possível.
Esta manhã ouvimos sobre o JPL; o JPL é um lugar incrível.
Eles localizaram dois consultores, Frank Wilson e Nate Johnson. Que são -- Frank Wilson é um neurologista, e Nate Johnson é um mecânico.
Ele ensinava mecânica em um colegial em Long Beach, e percebeu que seus alunos não eram mais capazes de resolver problemas.
E ele tentou descobrir o porquê. E concluiu, por si mesmo, que os alunos que não podiam mais resolver problemas, tais como consertar carros, não tinham trabalhado com suas mãos.
Frank Wilson tinha escrito um livro chamado "A Mão".
E eles se juntaram -- o JPL os contratou.
Agora o JPL, a NASA e a Boeing, antes de contratarem um solucionador de problemas de pesquisa e desenvolvimento, mesmo que eles tenham se graduado com nota máxima em Harvard ou Cal Tech -- se eles não tiverem consertado carros, se não tiverem feito coisas com as mãos no princípio de suas vidas, brincado com suas mãos, eles não conseguem resolver problemas tão bem.
Portanto, brincar é útil e muito importante.
Outro fato sobre brincar, é que ele nasce da curiosidade e da exploração.
Mas tem que ser exploração segura.
Isto, por acaso, está ok -- ele é um garotinho interessado em anatomia e essa é sua mãe. Outras situações poderiam não ser tão boas.
Mas curiosidade e exploração são parte do cenário da brincadeira.
Se você quer fazer parte de um grupo, você precisa brincar socialmente.
E brincadeiras sociais são parte do porquê estamos aqui hoje, e é um sub-produto do cenário de brincadeira.
Brincar de lutar.
Essas leoas, vistas de longe, parecem estar lutando.
Mas se olharmos mais de perto, elas são como o urso polar e o husky: sem garras, pelos abaixados, olhares suaves, boca aberta sem presas, movimentos de balé, movimentos curvilíneos -- todos característicos do ato de brincar.
E brincar de luta é um ótimo meio de aprendizado para todos nós.
Crianças pré-escolares, por exemplo, deveriam poder mergulhar, bater, assobiar, gritar, serem caóticas, e desenvolverem através disso muito de sua regulação emocional e muitos outros sub-produtos sociais -- cognitivos, emocionais e físicos -- que fazem parte das brincadeiras de lutar.
Brincadeira de espectador, brincadeira de ritual -- nós estamos envolvidos em algo assim.
Os que são de Boston sabem que este foi o momento -- raro -- quando o Red Sox ganhou o campeonato de beisebol.
Mas veja as feições e a linguagem corporal de todos nesta imagem difusa, e pode-se perceber que eles estão todos brincando.
Brincar de imaginação.
Adoro essa imagem porque minha filha, que agora tem quase 40 anos, está nela, mas ela me lembra das histórias que ela contava e da imaginação dela; sua habilidade de tecer narrações nesta idade, ainda na pré-escola.
Uma parte muito importante de saber brincar é a brincadeira imaginativa individual.
E adoro essa, porque também é por isso que existimos.
Nós todos temos uma narrativa interna que é a nossa própria história.
A unidade de inteligibilidade da maior parte dos nossos cérebros é a história.
Hoje eu estou lhes contando uma história sobre brincar.
Bem, este aborígene, eu acho, está falando sobre o peixe que fugiu que era desse tamanho, mas isso é uma parte fundamental do cenário da brincadeira.
Então, o que o brinquedo faz no cérebro?
Bem, muitas coisas.
Nós não sabemos muito sobre o que ele faz para cérebro humano, porque os recursos não são exatamente abundantes para pesquisas sobre brincadeiras.
Eu fui a Carnegie pedir uma bolsa.
Eles haviam me dado uma bolsa grande quando eu era um acadêmico para um estudo sobre crimes de motoristas embriagados, então eu achava que tinha um bom histórico. E após gastar mais de meia hora falando sobre brincadeiras, ficou óbvio que eles não achavam que brincar era um assunto sério.
Creio que -- isso foi há alguns anos -- creio que essa onda passou, e que a onda da brincadeira está crescendo, porque há boa ciência envolvida.
Nada ilumina o cérebro tanto quanto brincar.
Brincadeiras tridimensionais ativam o cerebelo, mandam vários impulsos para o lobo frontal -- a parte executiva -- ajuda o desenvolvimento da memória contextual, e. etc, etc, etc.
Para mim, tem sido uma aventura acadêmica extremamente frutífera, examinar a neurociência que está associada ao ato de brincar, e reunir pessoas que em seus campos específicos, não haviam pensando sobre isso dessa maneira.
E isso é parte da razão da existência do Instituto Nacional para o Brincar.
E esta é uma das maneiras como se pode estudar o ato de brincar -- é fazer um eletroencefalograma de 256 canais.
Peço desculpas por não ter um sujeito com aparência brincalhona, mas isso permite mobilidade o que tem limitado o estudo atual do brincar.
Aqui temos um cenário de brincadeira entre mãe e criança que esperamos completar, no momento estamos trabalhando nisso.
A razão pela qual coloco isso aqui é para alinhar minhas idéias sobre como objetificar o que brincar pode fazer.
O mundo animou objetificou o ato de brincar.
No mundo animal, se vocês pegarem ratazanas, que têm -- são programadas para brincar num certo período da sua infância e vocês eliminarem a brincadeira -- elas guincham, elas se engalfinham, elas imobilizam umas às outras, isso é parte da brincadeira delas.
Se vocês impedem esse comportamento em um grupo com o qual estão experimentando, e o permitirem em outro grupo com o qual estão experimentando, e então apresentam a essas ratazanas uma coleira saturada de cheiro de gato, elas estão programadas para fugirem e se esconderem.
Bem esperto -- elas não querem ser mortas por um gato.
Então, o que acontece?
Ambos os grupos se escondem.
As que não brincaram jamais saem do esconderijo -- elas morrem.
As que brincaram, lentamente exploram o ambiente, e começam novamente a testar as coisas de fora.
Isso revela para mim, pelo menos nas ratazanas -- e creio que elas possuem os mesmos neurotransmissores que nós e uma arquitetura cortical semelhante -- que brincar pode ser muito importante para nossa sobrevivência.
E, e, e, -- há muitos outros estudos de animais dos quais eu poderia falar.
Bem, isso é uma consequência de privação de brincar.
Isto levou muito tempo -- Tive que pegar o Homer e submetê-lo a fMRI e SPECT e múltiplos EEGs, mas como uma batata de sofá, seu cérebro encolheu.
E sabemos que em animais domésticos e outros, quando são provados de brincar, eles -- assim como as ratazanas -- eles não desenvolvem um cérebro normal.
Pois bem, o programa diz que o oposto de brincar não é trabalhar, é depressão.
E creio que se vocês pensarem sobre a vida sem as brincadeiras -- nada de humor, nada de flerte, nada de filmes, nada de jogos, nada de fantasia -- e, e, e.
Tentem imaginar uma cultura ou uma vida, adulta ou não sem brincadeira.
E a coisa que é tão peculiar sobre nossa espécie é que somos realmente concebidos para brincar ao longo de todo nosso tempo de vida.
E todos nós temos a capacidade de sinalizar a brincadeira.
Ninguém ignora aquele cão que eu fotografei numa praia de Carmel há umas duas semanas.
O que vem a seguir daquele comportamento é o brincar.
E vocês podem confiar nisso.
A base da confiança humana é estabelecida através de sinais de brincar.
E nós começamos a perder esses sinais, culturalmente e de outros modos, como adultos.
Isso é uma lástima.
Acho que temos muito a aprender.
Agora, Jane Goodall tem aqui uma cara de brincar com um dos chimpanzés favoritos dela.
Assim, parte dos sistema de sinalização do brincar tem a ver com voz, rosto, corpo, gestos.
Vocês sabem como é, vocês percebem -- e penso que quando entramos na brincadeira coletiva, é realmente importante para os grupos adquirirem um senso de segurança através do compartilhamento de sinais de brincadeira por eles.
Vocês podem não conhecer esta palavra. Mas ela deveria ser o nome e o sobrenome biológico de vocês.
Pois neotenia significa a retenção de qualidades imaturas na fase adulta.
E nós somos, segundo os antropologistas físicos, segundo muitos e muitos estudos, as mais neotênicas, as mais juvenis, as mais flexíveis, as mais plásticas de todas as criaturas.
E portanto, as mais brincalhonas.
E isso nos dá uma ajuda em matéria de adaptabilidade.
E daí, existe uma maneira de observar a brincadeira que também pretendo enfatizar aqui, que é o histórico das brincadeiras.
Seu próprio histórico pessoal de brincadeiras é único, e frequentemente não é algo em que pensemos particularmente.
Este é um livro escrito por um brincalhão consumado cujo nome é Kevin Carroll.
Kevin Carroll tem origens extremamente carentes: mãe alcoólatra, pai ausente, centro velho de Filadélfia, negro, teve que cuidar de um irmão mais novo.
Descobriu que, quando ele olhava um playground de uma janela à qual ele tinha sido confinado, ele sentia alguma coisa diferente.
E assim ele continuou com isso.
E a vida dele -- a transformação da vida dele da carência e o que seria de se esperar -- potencialmente, prisão ou morte -- ele tornou-se linguista, treinador dos 76ers e agora é um palestrante motivacional.
E ele apresenta a brincadeira como uma força transformadora em toda a sua vida.
E agora, há uma outra história de brincadeira que no meu entendimento é uma obra em construção.
Aqueles de vocês se lembram de Al Gore, durante o primeiro mandato e então durante sua triunfante mas derrotada candidatura à presidência, podem lembrar dele como sendo rígido e não completamente ele mesmo. Pelo menos em público.
E observando o histórico dele, que é comum na imprensa, parece-me, pelo menos, observando do ponto de vista de um psiquiatra, que uma grande parte da vida dele foi programada.
Os verões foram duros, trabalho duro, no calor dos verões de Tennessee.
Ele tinha as expectativas de seu pai senador e Washington, D. C.
E apesar de achar que ele certamente tinha a capacidade de brincar -- porque tenho algumas informações sobre isso -- ele não estava tão capacitado, creio eu, quanto ele está agora por prestar atenção ao que é sua própria paixão e sua própria motivação interna, a qual, creio eu, em todos nós, tem sua base em nosso histórico de brincadeira.
Assim, o que eu encorajaria vocês a fazerem individualmente é explorar os próprios antecedentes tão longe quanto puderem até a mais clara, alegre, brincalhona das imagens que vocês recordem. Seja com um brinquedo, um aniversário ou umas férias.
E começar a construir a partir da emoção daquilo até como aquilo se conecta à vida de vocês agora.
E vocês vão descobrir, vocês podem mudar de emprego -- o que aconteceu a muitas pessoas quando eu as levei a fazer isso de modo a se tornarem mais capacitadas através da brincadeira delas.
Ou vocês conseguirão enriquecer suas vidas priorizando isso e prestando atenção a isso.
A maioria de nós trabalha com grupos, e digo isso porque a d. school, a escola de design de Stanford, graças a David Kelley e muitos outros que foram visionários na sua fundação, permitiram que nosso grupo se reunisse e criasse um curso chamado "Da Brincadeira à Inovação."
E vocês verão que esse curso pretende investigar o estado humano de brincadeira, que é mais ou menos como o estado do urso polar com o husky e a importância dele para o pensamento criativo. Explorar o comportamento de brincar, seu desenvolvimento e suas bases biológicas. Aplicar esses princípios, através de ideias de design, para promover inovações no mundo dos negócios. E os alunos vão trabalhar com parceiros do mundo real em projetos de design com aplicações amplas.
Esta é nossa primeira viagem nessa área.
Estamos nisso há dois e meio ou três meses, e está sendo realmente divertido.
Aí está a estrela de nossos alunos, esse Labrador, que ensinou a muitos de nós o que é um estado de brincadeira, e um professor extremamente velho e decrépito responsável de lá.
E Brendan Boyle, Rich Crandall -- e na ponta da direita está uma pessoa que na minha opinião estará conspirando com George Smoots por um Prêmio Nobel -- Stuart Thompson, em neurociência.
Assim, tivemos Brendan, que é da IDEO, e nós outros sentados ao lado e observando esses estudantes enquanto eles colocam em prática princípios de brincadeira na sala de aula.
E um dos projetos deles era ver o que torna as reuniões enfadonhas, e tentar fazer alguma coisa a respeito.
Então o que vem a seguir é um filme feito pelo aluno sobre exatamente isso.
Narrador: Fluxo é o estado mental de aparição no qual a pessoa está completamente imersa no que ele ou ela está fazendo.
Caracterizado por uma sensação de foco energizado, envolvimento completo e sucesso no processo da atividade.
Uma compreensão fundamental que aprendemos em relação às reuniões é que as pessoas as enfiam, uma após a outra, interrompendo o dia.
Os participantes das reuniões não sabem quando vão voltar às tarefas que eles deixaram em suas mesas.
Mas não precisa ser assim.
Um grupo de sábios e repetitivos monges peludos neste lugar chamado d. school concebeu uma reunião da qual você pode literalmente sair fora quando ela acaba.
Tire a reunião, e fique com a mente tranquila pois você pode voltar para mim.
Porque quando você precisar dela novamente, a reunião estará literalmente pendurada no seu armário.
A Reunião de Vestir.
Porque quando você a veste, você imediatamente consegue tudo que precisa para ter uma reunião divertida, produtiva e útil.
Mas quando você a tira. daí é que a ação de verdade acontece.
Stuart Brown: Assim, gostaria de estimular vocês todos a se engajarem não no diferencial trabalhar-brincar -- no qual você separa tempo para brincar -- mas em que sua vida se infunde minuto a minuto, hora a hora, com corpo, objeto, social, fantasia, tipos transformacionais de brincadeiras.
E creio que vocês terão uma vida melhor e mais realizadora.
Obrigado.
John Hockenberry: Desse modo parece que o que você está dizendo é que pode haver alguma tentação da parte das pessoas de ver seu trabalho e ir -- Acho que ouvi isso, no meu tipo de entendimento psicológico popular do brincar, que alguma coisa, a maneira como os animais e humanos lidam com o brinquedo, é que ele é uma espécie de ensaio para atividades adultas.
Seu trabalho parece sugerir que isso é completamente errado.
SB: Sim, não acho que isso seja correto, e acho que provavelmente porque os animais nos ensinaram isso.
Se você impede um gato de brincar -- o que você pode fazer, e todos nós vimos como os gatos jogam as coisas -- eles são predadores tão bons como eles seriam se não tivessem brincado.
E se você imagina um garoto fingindo que é King Kong, ou piloto de carro de corrida, ou bombeiro, nem todos eles tornam-se pilotos de corrida ou bombeiros.
Vocês sabem, assim, há uma desconexão entre preparação para o futuro -- que é o que as pessoas se sentem confortáveis ao pensar sobre o que é brincar -- e pensar nele como uma entidade biológica separada.
E isso é onde minha busca atrás dos animais por quatro, cinco anos realmente mudou minha perspectiva de um clínico para o que sou agora, a saber, que o brinquedo tem um lugar biológico, assim como o sono e os sonhos.
E se você observa o sono e os sonhos biologicamente, os animais dormem e sonham, e eles ensaiam e fazem algumas outras coisas que ajudam a memória e que são uma parte muito importante do dormir e do sonhar.
O próximo passo da evolução dos mamíferos e criaturas com neurônios divinamente supérfluos será brincar.
E o fato de que o urso polar com o husky ou o corvo com o urso ou vocês e eu e nossos cães somos capazes de avançar e ter essa experiência coloca o brincar à parte, como algo separado.
E é tremendamente importante na aprendizagem e capacitação do cérebro.
Portanto não é apenas uma coisa para fazer no tempo de folga.
JH: Como você previne -- e eu sei que você faz parte da comunidade de pesquisa científica, e você precisa justificar as doações e propostas como qualquer outro -- como você evita -- e alguns dos dados que você produziu, a boa ciência que você está dizendo que produziu, é um assunto polêmico.
Como você evita tanto a interpretação do seu trabalho pela mídia quanto a interpretação das implicações do seu trabalho pela comunidade científica, como aconteceu com a metáfora de Mozart, na qual, "Oh, as imagens de ressonância magnética demonstram. que brincar desenvolve a inteligência.
Muito bem, vamos pegar essas crianças, colocá-las em chiqueirinhos e fazer que elas brinquem por vários meses de uma vez. Eles vão ser gênios e irão para Harvard.
Como você evita que as pessoas tomem ações desse tipo com base nos dados que você está desenvolvendo?
SB: Bem, creio que a única maneira que sei para fazer isso é ter reunido os conselheiros que tenho: que vão desde os praticantes -- que são capazes de estabelecer através de brincadeiras improvisadas ou palhaçadas ou seja o que for -- um estado de brincadeira.
Assim, as pessoas sabem que isso está presente.
Então a gente consegue um especialista de ressonância magnética funcional, e a gente consegue Frank Wilson, e consegue outros cientistas bastante sérios, incluindo neuroendocrinologistas.
E os coloca em um grupo focado no ato de brincar, então fica difícil não levar o assunto a sério.
Infelizmente, isso ainda não foi feito o suficiente para que a Fundação Nacional da Ciência, o Instituto Nacional de Saúde Mental, ou quaisquer outros possam olhar para o ato de brincar de forma séria.
Quero dizer que não se sabe de nenhuma coisa semelhante a câncer ou doenças cardíacas que estejam associadas ao ato de brincar
Mas eu o vejo como algo tão básico para a sobrevivência -- a longo prazo -- quanto aprender o básico sobre saúde pública.
JH: Stuart Brown, muito obrigado.
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Como as notícias influenciam a maneira que vemos o mundo?
Aqui está o mundo baseado na maneira como ele se parece -- baseado na massa da terra.
E aqui podemos ver como as notícias mudam a forma como os Americanos o veem.
Esse mapa -- -- esse mapa mostra o número de segundos que a rede Americana e as organizações de notícias a cabo dedicam a notícias, por país, em Fevereiro de 2007 -- há um ano.
Este mês a Coréia do Norte concordou em desativar seus estabelecimentos nucleares.
Teve uma inundação massiva na Indonésia.
E em Paris, o IPCC divulgou um estudo confirmando o impacto do homem no aquecimento global.
Os EUA correspondem a 79% do total da cobertura de notícias.
E quando nós tiramos os EUA e olhamos os 21% restantes, nós vemos muita coisa do Iraque -- é essa grande área verde aqui -- e quase nada de outras coisas.
A cobertura da Rússia, China e Índia, juntas, por exemplo, alcança apenas 1%.
Quando nós analisamos todas as notícias e removemos apenas uma, é assim que o mundo se parece.
Qual foi a história? A morte de Anna Nicole Smith.
Essa história foi menos importante em todos os países menos no Iraque, e recebeu 10 vezes a cobertura o relatório IPCC.
E o ciclo continua; como todos nós sabemos, a Britney está gordinha.
Então por que nós não ouvimos mais sobre o mundo?
Uma razão é que as redes de notícias reduziram pela metade seus correspondentes internacionais.
Com exceção dos mini-departamentos da ABC, formados por uma pessoa em Nairobi, Nova Délhi e Mumbai, não existe correspondentes jornalísticos em toda a África, Índia ou América do Sul - lugares em que moram mais de dois bilhões de pessoas.
A realidade é que cobrir a Britney é mais barato.
E essa falta de cobertura global é ainda mais preocupante quando vemos onde as pessoas procuram por notícias.
Grande preocupação ocorre com os noticiários de TV local, que têm grande audiência e, infelizmente, só dedicam 12% de cobertura para notícias internacionais.
E a internet?
Os sites mais populares não são muito melhor.
Ano passado, Pew e a Columbia J-School analisaram as 14. 000 notícias que apareceram na primeira página do Google News.
E elas, na verdade, cobriam os mesmos 24 fatos.
Similarmente, um estudo do conteúdo eletrônico mostrou que muitas das notícias sobre o mundo geradas nos EUA são histórias recicladas da AP e da Reuters, e elas não colocam as coisas em um contexto que as pessoas possam entender sua conexão com elas.
Então, se você juntar isso tudo, isso poderia ajudar a explicar porque os estudantes de hoje assim como os Americanos menos letrados sabem menos sobre o mundo que seus antepassados sabiam há 20 anos.
E se você acha que é apenas por que nós não nos interessamos, você pode estar enganado.
Nos últimos anos, os Americanos que dizem que acompanham de perto as notícias internacionais cresceu para mais de 50%.
A real questão: é essa visão distorcida do mundo que nós queremos para os americanos no nosso mundo cada vez mais interconectado?
Eu sei que nós podemos fazer melhor.
Mas, podemos pagar o preço de não o fazer? Obrigada.
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Ben Roche. Então eu sou Ben, a propósito.
Homaro Cantu. E eu sou Homaro.
BR. E nós somos chefs. Então quando Moto abriu em 2004, as pessoas na verdade não sabiam o que esperar. Muita gente pensava que ele era um restaurante japonês, e talvez isso fosse pelo nome, talvez fosse o logotipo, que era como um ideograma japonês, mas de qualquer maneira, nós tivemos todas estas solicitações para comida japonesa, o que na verdade não era o que nós fazíamos. E depois de cerca de dez mil pedidos para um maki roll nós decidimos dar as pessoas o que eles queriam. Então esta foto é um exemplo de comida impressa, e isto era a primeira incursão para o que nós gostamos de chamar transformação do sabor. Estes são todos os ingredientes, todos os sabores de, vocês sabem um maki roll padrão, impresso sobre um pequeno pedaço de papel
HC: Então os nossos clientes começaram a ficar cansados com esta idéia, e nós decidimos dar-lhes o mesmo pedido duas vezes, então aqui nós na verdade pegamos um elemento do maki roll e pegamos uma fotografia de um prato e então basicamente servimos aquela fotografia com o prato.
Então este prato em particular é basicamente champanha com frutos do mar.
As uvas de champanha que vocês vêem são na verdade uvas carbonatadas. Um pouco de frutos do mar e algum creme fraiche e a fotografia na verdade tem o mesmo gosto do prato.
BR: Mas isto não são somente fotografias comestíveis.
Nós decidimos fazer alguma coisa um pouco diferente e transformar sabores que são muito familiares - então neste caso, nós temos bolo de cenoura.
Então nós pegamos o bolo de cenoura, o colocamos num liquidificador, e nós temos um tipo de suco de bolo de cenoura, e então aquilo vai para dentro de um balão congelado em nitrogênio líquido para criar esta concha oca de sorvete de bolo de cenoura, eu acho, e isto sai parecendo como, vocês sabem, Jupiter flutuando ao redor do seu prato.
Então sim, nós estamos transformando coisas em alguma coisa que você não tem absolutamente nenhuma referência a respeito.
HC: E aqui alguma coisa que nós não temos referência para comer. Isto é um charuto, e basicamente é um charuto Cubano feito de um sanduíche de carne de porco cubano, então nos pegamos estes condimentos que vão dentro do ombro do porco, nós moldamos aquilo como cinzas, pegamos o sanduíche e o enrolamos em uma folha de couve, colocamos um rótulo comestível que não tem nenhuma semelhança com um rótulo de charuto Cohiba, e o colocamos em um cinzeiro de noventa e nove dólares e cobramos do cliente cerca de vinte dólares por isso.
HC: Delicioso.
Embora não seja isso.
Ao invés de fazer alimentos que pareçam coisas que você não comeria nós decidimos fazer ingredientes que pareçam pratos que você conhece.
Então isto é um prato de nachos.
A diferença entre os nossos nachos e os nachos de outros caras, é que isto é na verdade uma sobremesa.
Então as fritas são doces, o bife básico é feito de chocolate, e o queijo é feito de uma variedade de sorvete de manga picado em nitrogênio líquido para se parecer como queijo.
E depois de fazer toda essa desmaterialização e reconfiguração disso, desses ingredientes, nós compreendemos que isto era muito legal, porque quando nós o servíamos, nos aprendemos que o prato na verdade se comporta como a coisa real, onde o queijo começa a derreter.
Então quando você está olhando para esta coisa na sala de jantar, você tem a sensação que isto é na verdade um prato de nachos, e na verdade não é até que você comece a prova-lo e então você se dá conta que é uma sobremesa, e é como um tipo de ilusão mental.
Risos HC: Então nós viemos criando todos estes pratos de uma cozinha que era mais como uma oficina mecânica do que uma cozinha, e o próximo passo lógico para nós era instalar um laboratório de última geração, e é isto que nós temos aqui.
Então nós colocamos isto no porão, e nos tornamos realmente sérios sobre comida, como um experimento importante.
BR: Uma das coisas realmente legais sobre o laboratório, além do fato que temos um novo laboratório científico na cozinha, é que, vocês sabem, com este novo equipamento, e esta nova abordagem, todas estas diferentes portas para a criatividade que nós nunca soubemos onde elas começariam a abrir, e assim os experimentos a comida e os pratos que nós criamos, eles continuaram saindo cada vez mais longe de lá.
HC: Vamos falar sobre sabor e transformação, e vamos na verdade fazer algumas coisas legais.
Vocês vêem uma vaca com sua língua para fora.
O que eu vejo é uma vaca prestes a comer alguma coisa deliciosa. O que aquela vaca está comendo?
E por que é deliciosa?
Então a vaca, basicamente, come três coisas básicas na sua alimentação, milho, beterraba e cevada então o que eu faço na verdade desafiar a minha equipe com estas loucas idéias. Nós podemos pegar o que a vaca come, tirar a vaca, e então fazer alguns hamburguers daquilo?
E basicamente a reação tende a ser alguma coisa desse tipo
BR: Sim, aquele é o nosso chef de cozinha, Chris Jones. Este não é o único cara que fica maluco quando nós designamos uma tarefa ridícula, mas um monte dessas idéias, são difíceis de entender.
Elas são difíceis de se pegar automaticamente.
Há muita pesquisa e muitas falhas, tentativas e erros - eu quero dizer, mais erros - que acontece com cada um e todos os pratos, então nós nem sempre fazemos certo, e isto leva um tempo para nós sermos capazes de explicar aquilo para as pessoas.
HC: Então, depois de um dia onde o Chris e eu ficamos olhando um para o outro, nós viemos com alguma coisa que era muito próxima a empada de hamburguer, e como vocês podem ver isto basicamente se forma como carne de hamburguer.
Isto é feito de três ingredientes básicos: beterraba, cevada, milho e por isso na verdade cozinha como carne de hamburguer parece e tem o gosto de carne de hamburguer, e não só isso, mas ele basicamente tira a vaca da equação.
Então fazer uma cópia de alimento, leva-lo para o próximo nível é para onde nós vamos.
Aplausos BR: E isto é definitivamente o primeiro hamburguer sangrento de vegetais do mundo, que tem um efeito lateral muito legal.
E uma baga milagre, se vocês não são familiarizados com ela, é um ingrediente natural, e ela contem uma propriedade especial.
É uma glicoproteína chamada miraculina, uma coisa que ocorre naturalmente. Ela ainda me espanta cada vez que eu a como, mas ela tem uma habilidade única para disfarçar certos receptores de sabor na sua língua, assim primariamente os receptores para azedo, então normalmente coisas que teriam um gosto muito azedo ou ácido de alguma forma começam a ter um gosto muito doce.
HC: Você está prestes a comer um limão, e agora ele tem um gosto de limonada.
Vamos parar e pensar sobre os benefícios econômicos de alguma coisa como isso.
Nós poderíamos eliminar o açúcar de toda a linha de todos os produtos de confeitarias e refrigerantes, e nós podemos substituí-lo com todas as frutas frescas naturais.
BR: Então vejam-nos aqui cortando algumas melancias. A idéia com isto e que iremos eliminar toneladas de alimentos transportados, gasto de energia, e excesso de pesca de atum por criarmos atum ou qualquer produto exótico ou ítem de um lugar muito distante, com produção de orgânicos locais; então nós temos uma melancia de Wisconsin,
HC: Então se as bagas milagre pegam sabores azedos e os transformam em coisas doces, nós temos este outro pó mágico que colocamos na melancia, e ele faz passar do doce para o saboroso.
Então depois de fazer isto, nós o colocamos dentro de um saco a vácuo, adicionamos um pouco de alga algum condimento, o enrolamos, e isto começa a tomar a aparência de um atum.
Então a chave agora e faze-lo se comportar como um atum.
BR: E na sequencia depois de uma rápida mergulhada em algum líquido nitrogenado para conseguir a secagem perfeita, nós realmente temos alguma coisa que parece, tem gosto e se comporta como a coisa real.
HC: Então a coisa básica para lembrar aqui é, nós realmente não nos importamos o que este atum realmente é.
A medida que ele é bom para você e bom para o meio ambiente, isto não importa.
Mas para onde isto leva?
Como nós podemos levar esta idéia de enganar seus orgãos gustativos e pular para alguma coisa que nós possamos fazer hoje que pudesse ser uma tecnologia de alimentos contestadora?
Então aqui está o próximo desafio.
Eu disse a equipe, vamos pegar um punhado de plantas selvagens, pensar nelas como ingredientes de alimentos. Desde que elas não sejam venenosas para o corpo humano, vão dar uma volta nas calçadas de Chicago, colham-as, as misturem, cozinhem e então tenham todos uma viagem de sabor com elas no Moto.
Vamos cobrar uma boa quantia de dinheiro por isso e ver o que eles pensam.
BR: Sim, então vocês podem imaginar, um trabalho como isto - este é um outro daqueles compromissos pelo qual a equipe da cozinha nos odeia. Mas nós na verdade temos que quase reaprender como cozinhar em geral, porque estes são ingredientes, vocês sabem, plantas com as quais, primeiro, não estamos familiarizados e segundo, não temos nenhuma referência de como cozinhar estas coisa porque as pessoas não comem isto.
Então na verdade nós temos que pensar sobre novas e criativas maneiras de sabor, novas maneiras de cozinhar e mudar a textura - e isto era a questão principal com este desafio.
HC: Então aqui é onde nós pisamos no futuro e pulamos para a frente.
Então nações em desenvolvimento e nações do primeiro mundo, imaginem se vocês pudessem pegar estas plantas selvagens e consumi-las, quilômetros de transporte de alimentos basicamente se tornariam em passos de transporte de alimentos.
Este mentalidade dividida sobre o que é alimento iria essencialmente abrir a enciclopédia do que são ingredientes crús, mesmo se nós apenas trocássemos, digamos, um desses por farinha, o que iria eliminar grande quantidade de energia e muito desperdício.
E para lhes dar um simples exemplo de como nós na verdade alimentamos estes clientes há um bale de feno lá e algumas maçãs caranguejo.
E basicamente nós pegamos feno e maçãs caranguejo e fazemos molho de churrasco daqueles ingredientes.
As pessoas juram que eles estão comendo molho de churrasco, e isto é um alimento grátis.
BR: Obrigado, pessoal
Aplausos
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Quando a maioria das pessoas pensa sobre o início da AIDS, pensa na década de 1980.
E certamente, essa foi a década em que descobrimos a AIDS, e o vírus que a causa, o HIV.
Mas na verdade esse vírus passou para os humanos muitas décadas antes, de chimpanzés, onde o vírus se originou, para humanos que caçavam esses macacos.
Esta foto foi tirada antes da Grande Depressão em Brazzaville, Congo.
Naquele tempo, havia milhares de pessoas, nós acreditamos, infectadas com o HIV.
Tenho algumas perguntas muito importantes para vocês.
Se esse vírus estava em milhares de pessoas neste momento, por que nós demoramos até 1984 para sermos capazes de descobrir este vírus?
Mais importante ainda, se estivéssemos lá nos anos 40, 50 e 60, se tivéssemos visto essa doença e entendido exatamente o que estava acontecendo, como isso poderia ter mudado e completamente transformado a natureza da forma que essa pandemia evoluiu?
De fato, isso não é exclusivo do HIV. A grande maioria dos vírus vem dos animais.
E você pode pensar nisso como uma pirâmide, essa subida gradual de vírus vindo de animais para as populações de humanos.
Mas somente no topo desta pirâmide estas coisas realmente tornam-se humanas.
Apesar disso, nós gastamos a maior parte de nossa energia focados nesse nível da pirâmide, tentando atacar as coisas que já estão completamente adaptadas aos seres humanos, que serão muito, muito difíceis de resolver -- como vimos no caso do HIV.
Então, nos últimos 15 anos, Eu tenho trabalhado no estudo das interfaces anteriores -- que eu chamei de "conversa viral", que foi um termo inventado pelo meu mentor Don Burke.
Trata-se da idéia de que podemos estudar o tipo de passagem desses vírus para as populações humanas, o movimento desses agentes para os humanos, e ao capturar esse momento, nós podemos ser capazes de avançar para uma situação em que nós poderemos detê-los mais cedo.
Ok, essa é uma foto e eu vou mostrar pra vocês algumas fotos do campo.
Essa é uma foto de um caçador centro-africano.
É uma imagem bastante comum.
Uma das coisas que eu quero mostrar com isso é o sangue - que vocês vejam um enorme contato com sangue.
Isso é absolutamente chave pra nós. Isso é uma uma forma de conexão muito íntima.
Se nós vamos estudar a conversa viral, nós temos que pegar essas populações que têm contato intensivo com animais selvagens.
Então, nós temos estudado pessoas como esse indivíduo.
Nós coletamos sangue deles, outros espécimes.
Nós procuramos por doenças, que estão em animais bem como em humanos.
E idealmente, isso vai nos levar a pegar essas coisas antes, quando elas estão se movendo para as populações humanas.
E o objetivo básico desse trabalho não é apenas sair uma vez e procurar por esses indivíduos, mas encontrar milhares de indivíduos nessas populações que nós poderíamos monitorar continuamente em uma base regular.
Quando eles ficassem doentes, nós coletaríamos espécimes deles.
Nós os alistaríamos -- que nós fizemos agora - para coletar espécimes dos animais.
Nós damos a eles esses pequenos pedaços de papel filtro.
Quando eles pegam amostras de animais, eles coletam o sangue no papel filtro e isso permite identificar vírus ainda desconhecidos quando estão exatamente nos animais certos - aqueles que estão sendo caçados.
Narrador: Em uma região remota de Camarões, dois caçadores perseguem sua presa.
Seus nomes são Patrice e Patee.
Eles estão procurando por carne de caça - - animais selvagens que eles possam matar para alimentar suas famílias.
Patrice e Patee passam a maior parte dos dias fora caçando na floresta em volta de suas casas.
Eles têm uma série de armadilhas, que eles criaram para capturar porcos selvagens, cobras, macacos roedores, qualquer coisa que eles consigam, na verdade.
Patrice e Patee estão fora há horas mas não encontraram nada.
Os animais simplesmente se foram.
Nós paramos para beber água.
Então há um barulho no mato.
Um grupo de caçadores se aproxima. Seus pacotes carregados de caça.
Há pelo menos três vírus que vocês conhecem, que estão nesse macaco em particular.
Nathan Wolfe: Essa espécie, sim. E há muito, muito mais patógenos que estão presentes nesses animais.
Esses indivíduos estão em risco específico, particularmente se há contato com o sangue, eles estão em risco de transmissão e possivelmente infecção com novos vírus.
Narrador: Enquanto o caçador expõe suas vítimas, algo surpreendente acontece.
Eles nos mostram o papel filtro que usaram para coletar o sangue dos animais.
O sangue será testado para vírus zoonóticos, parte de um programa que Dr. Wolfe passou anos criando.
NW: Isso é deste animal aqui, Cercopithecus nictitans.
Cada pessoa que tem um daqueles papéis filtro passou pelo menos, no mínimo, pelo nosso curso básico de saúde sobre os riscos associados a essas atividades, que presumivelmente, na nossa opinião, dá a eles a habilidade de diminuir o próprio risco e então obviamente o risco dos seus familiares, da aldeia, do país e do mundo.
NW: Ok, antes que eu continue, eu acho importante pegar apenas um momento para falar sobre carne de caça. Carne de caça é derivada de animais selvagens.
Ok? E você pode considerar todo o tipo de diferentes carnes de caça.
Eu vou falar sobre isso.
Quando suas crianças e netos fizerem perguntas a você sobre esta época, uma das coisas que eles vão te perguntar, é como nós permitimos que alguns dos nossos parentes mais próximos, alguns das espécies mais valiosas e ameaçadas de extinção no nosso planeta, se extinguissem porque nós não fomos capazes de resolver algumas das questões de pobreza nessas partes do mundo.
Mas de fato essa não é a única questão que eles vão fazer a vocês sobre isso.
Eles também vão perguntar sobre a questão de que quando nós sabemos que essa foi a forma que o HIV entrou na população humana, e que outras doenças tinham o potencial de entrar, como ele, por que nós deixamos esses comportamentos continuarem?
Por que nós não encontramos outra solução para isso?
Eles vão dizer que em regiões de profunda instabilidade em todo o mundo, onde você tem pobreza intensa, onde populações estão crescendo e você não tem recursos sustentáveis, isso vai levar a insegurança alimentar.
Mas provavelmente eles também vão fazer uma pergunta diferente.
É uma que eu acho que nós precisamos nos fazer que é, por que nós pensamos que a responsabilidade estava com este indivíduo aqui.
Esse é o indivíduo - você pode ver aqui sobre o seu ombro direito - esse é o indivíduo que caçou o macaco da última foto que eu mostrei a vocês.
Ok, dê uma olhada em sua camisa.
Dê uma olhada em seu rosto.
Carne de caça é uma das crises centrais, que está ocorrendo em nossa população neste momento, na humanidade, no nosso planeta.
Mas isso não pode ser considerado erro de alguém como esse.
Ok? E a solução não pode ser sua responsabilidade sozinho.
Não há soluções fáceis, mas o que eu estou dizendo é que negligenciamos esse problema por nossa conta e risco.
Em 1998, juntamente com meu mentores Don Burke e Coronel Mpoudi-Ngole, nós começamos esse trabalho na África Central, para trabalhar com caçadores nessa parte do mundo.
E meu trabalho -- no tempo, eu era um estudante de pós-doutorado, e eu estava encarregado de fazer essa organização.
Então eu disse para mim mesmo: Ok, ótimo--- nós vamos coletar todo o tipo de espécimes. Nós vamos a todos esses diferentes locais. Isso vai ser maravilhoso."
Você sabe, eu olhei para o mapa, escolhi 17 lugares, eu pensei, sem problemas.
Desnecessário dizer, eu estava drasticamente errado.
Esse é um trabalho desafiador.
Felizmente, eu tive e continuo a ter uma equipe absolutamente maravilhosa de colegas e colaboradores e essa é a única forma de fazer esse trabalho realmente ocorrer.
Nós temos uma série de desafios nesse trabalho.
Um deles é justamente conquistar a confiança dos indivíduos com quem trabalhamos em campo.
A pessoa que você vê ao lado direito é Paul DeLong-Minutu.
Ele é um dos melhores comunicadores que eu já conheci.
Quando eu cheguei eu não falava uma palavra de Francês, e eu ainda assim parecia entender o que ele estava dizendo.
Paul trabalhou por anos na televisão e no rádio nacional de Camarões, e falou sobre questões de saúde. Ele foi um correspondente de saúde.
Então, pensamos que se nós o contratássemos, quando chegássemos ele seria um grande comunicador.
Quando chegamos a essas aldeias rurais, no entanto, o que nós descobrimos é que não havia televisão, então eles não reconheceram seu rosto.
Mas - quando ele começou a falar eles reconheceram sua voz do rádio.
E ele era alguém que tinha inacreditável potencial para espalhar aspectos de nossa mensagem, fosse em relação à conservação da vida selvagem ou prevenção de saúde.
Quase sempre nos deparamos com obstáculos. Isso somos nós voltando de um desses lugares muito rurais, com espécimes de 200 indivíduos que nós precisávamos trazer de volta ao laboratório dentro de 48 horas.
Eu gosto de mostrar essa foto - esse é Ubald Tamoufe, que é o pesquisador principal de nosso local em Camarões.
Ubald ri de mim quando eu mostro essa foto porque é claro que você não pode ver o rosto dele.
Mas a razão pela qual eu gosto de mostrar a foto é porque você pode ver que ele está prestes a resolver esse problema.
O que - o que ele fez. Ele fez.
Apenas umas fotos de antes e depois.
Esse era o nosso laboratório antes.
Isso é o que ele parece agora.
Antes, a fim de enviar nossas espécimes, nós tínhamos que ter gelo seco. Para conseguir gelo seco, nós tínhamos que ir às fábricas de cerveja - mendigar, pedir emprestado, roubar para conseguir que nos dessem.
Agora nós temos nosso próprio nitrogênio líquido.
Eu gosto de chamar o nosso laboratório do lugar mais frio da África Central - e pode ser.
E aqui uma foto minha, isso é a de mim antes.
Sem comentários.
O que aconteceu? Durante os 10 anos em que nós fizemos esse trabalho, nós surpreendemos a nós mesmos.
Nós fizemos várias descobertas.
E o que nós descobrimos é que se você procura no lugar certo, você pode realmente monitorar o fluxo desses vírus para populações humanas.
Isso nos dá uma esperança tremenda.
O que nós descobrimos é toda uma gama de novos vírus nesses indivíduos, incluindo novos vírus no mesmo grupo do HIV, então, novíssimos retrovírus.
E, convenhamos, qualquer novo retrovírus na população humana - é algo sobre o que nós deveríamos estar conscientes.
É algo que nós deveríamos estar acompanhando. Não é algo que deveria nos surpreender.
Desnecessário dizer que no passado esses vírus que entram nessas comunidades rurais poderiam muito bem ter sido extintos.
Isso não é mais o caso. As estradas fornecem o acesso às áreas urbanas.
E, de forma crucial, o que acontece na África Central não fica na África Central.
Uma vez que nós descobrimos que isso era realmente possível que nós poderíamos fazer esse monitoramento, nós decidimos mover isso da pesquisa para uma tentativa de monitoramento global.
Através de uma generosa parceria científica com Google. org e a Fundação Skoll, nós fomos capazes de começar a Iniciativa de Previsão Global de Vírus e começamos a trabalhar em quatro lugares diferentes na África e na Ásia.
Desnecessário dizer, populações diferentes de regiões diferentes do mundo tem diferentes tipos de contato.
Portanto, não são apenas caçadores na África Central.
É trabalhar também com o comércio de animais vivos -- esses mercados a céu aberto --- que é exatamente o local onde a SARS surgiu na Ásia.
Na verdade, esse é apenas o começo de nossa perspectiva.
Nosso objetivo agora, além de nos instalarmos esses locais e colocar tudo em movimento, é identificar novos parceiros porque nós sentimos como esse esforço precisa ser extendido a provavelmente 20 ou mais regiões em todo o mundo -- áreas de intensa atividade viral -- porque a idéia aqui é lançar uma rede extremamente ampla, de modo que possamos pegar essas coisas, idealmente, antes que eles cheguem nos bancos de sangue, nas redes sexuais, nos aviões. E esse é o nosso objetivo, na verdade.
Houve época, há não muito tempo atrás quando a descoberta de organismos desconhecidos era algo que causava grande espanto para nós.
Tinha potencial para mudar a forma como nós nos enxergávamos, e pensávamos sobre nós mesmos.
Muitas pessoas, eu acho, em nosso planeta nesse momento, se desesperam e pensam que nós chegamos em um ponto em que nós descobrimos a maioria das coisas.
Mas eu digo: por favor, não se desesperem.
Se um ser extraterrestre fosse encarregado de escrever a enciclopédia da vida em nosso planeta, 27 desses 30 volumes seriam devotados a bactérias e vírus, com apenas pouco dos volumes restantes para plantas, fungos e animais --- seres humanos em uma nota de rodapé --- interessante nota de rodapé, mas uma nota de rodapé apesar de tudo.
Esse é honestamente o período mais excitante para o estudo de formas de vida desconhecidas em nosso planeta.
As coisas dominantes que aqui existem sobre as quais nós não conhecemos nada.
Mas finalmente nós temos ferramentas, que nos permitirão realmente explorar esse mundo e entendê-los.
Muito obrigado.
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Oi! Meu nome é Golan Levin.
Eu sou um artista e um engenheiro O que é, crescentemente, uma forma mais comum de híbrido.
Mas eu ainda caio nesta estranha fenda onde as pessoas parecem não me entender.
E eu estava olhando por aí e encontrei esta imagem maravilhosa.
É uma carta do "Artforum" de 1967 dizendo "Nós nunca poderemos imaginar a realização de um número especial em eletrônica ou em arte computacional." E eles ainda não podem.
E por receio que pensem que vocês, como os digerati, são mais esclarecidos, eu fui a Apple iPhone app store outro dia.
Onde está a arte? Eu recebi produtividade. Eu recebi esportes.
E de alguma forma a idéia que alguém queira fazer arte para o iPhone, o que eu eu meus amigos estamos fazendo agora, ainda não é pensada em nosso entendimento de para que os computadores servem.
Assim, em ambas as direções, existe algo como, uma falta de entendimento sobre o que pode significar ser um artista que utiliza materiais do próprio cotidiano dele, ou do próprio cotidiano dela. O que eu considero que os artistas são obrigados a fazer, é realmente explorar o potencial expressivo das novas ferramentas que nós temos.
No meu próprio caso, eu sou um artista, e eu estou realmente interessado em expandir o vocabulário de ação humana, e basicamente dar possibilidade às pessoas através da interatividade.
Eu quero que as pessoas descubram a si mesmas como agentes, como agentes criativos, através de experiências interativas.
Muito do meu trabalho é sobre tentar sair disso.
Essa é uma fotografia da área de trabalho de um aluno meu.
E quando eu digo área de trabalho, eu não quero dizer apenas a mesa real onde seu mouse desgastou a superfície da mesa.
Se olhar atentamente, você pode até ver uma sugestão do Apple menu, aqui em cima à esquerda, onde o mundo virtual literalmente encontra o físico.
Então isto é, como Joy Mountford certa vez disse, "O mouse é provavelmente o canudo mais estreito pelo qual se poderia sugar toda a expressão humana."
E o que estou realmente tentando fazer é possibilitar que as pessoas tenham formas mais ricas de experiências interativas.
Como nós podemos nos livrar do mouse e usar nosso corpo inteiro como forma de explorar experiências estéticas, não necessariamente utilitárias.
Então eu escrevi um programa. E foi assim que fiz.
Muitas de minhas experiências assemelham-se a espelhos de alguma forma.
Porque este é, em algum sentido, a primeira maneira que as pessoas descobrem o seu próprio potencial como agentes, e descobrem sua própria função.
Dizendo "Quem é esta pessoa no espelho? Oh sou eu mesmo."
Então, para dar um exemplo, este é um projeto do ano passado. Que é chamdo de Processador de Fragmentos Interseccionais.
E ele permite que as pessoas explorem as formas negativas que elas criam no dia-a-dia.
Assim enquanto as pessoas fazem formas com suas mãos ou suas cabeças e assim por diante, ou utilizando umas as outras, essas formas literalmente produzem sons e caem no ar. Basicamente utilizando este certo espaço não visto, ou indetectável, e tornando-o algo real, que as pessoas podem apreciar e se tornar criativas.
Assim novamente, as pessoas descobrem sua função criativa dessa maneira.
E suas próprias personalidades surgem de maneiras totalmente únicas.
Assim em complemento ao uso do corpo todo como mecanismo de entrada, algo que venho explorando, há algum tempo, tem sido o uso da voz. Que é um sistema extremamente expressivo para nós, vocalização.
O canto é uma das mais antigas formas de nos fazermos escutar e entender.
E eu encontrei essa fantástica pesquisa de Wolfang Kohler, o tão chamado pai da psicologia gestalt, de 1927, que submeteu a uma audiência como vocês as duas seguintes formas.
E ele disse que uma delas se chama Maluma.
E a outra se chama Taketa. Qual é qual?
Alguém gostaria de tentar adivinhar?
Maluma está acima. Sim. Então.
Como ele diz aqui, a maioria das pessoas responde sem nenhuma hesitação.
Então o que nós realmente estamos vendo aqui é um fenômeno chamado fono-estesia. Que é uma forma de sinestesia que todos nós temos.
Assim, o Dr Oliver Sacks falou sobre como talvez uma pessoa em um milhão realmente possua verdadeira sinestesia, em que elas escutam as cores e sentem o gosto das formas, e coisas deste tipo. Fono-estesia é algo que todos podemos experimentar até certo ponto.
É como fazer um mapeamento de diferentes domínios perceptivos. como duro, afiado, claro e escuro, e os fonemas com os quais podemos falar.
Assim 70 anos após, aconteceram algumas pesquisas nas quais psicólogos cognitivos realmente conseguiram perceber a extensão com a qual, L, M e B estão mais associadas com formas que se parecem com essas. e P, T e K estariam talvez mais associadas com formas como essas.
E de repente nós começamos a obter um mapeamento entre a curvatura que podemos explorar numericamente, mapeando relativamente entre a curvatura e a forma.
Assim me ocorreu, o que aconteceria se conseguissemos rodá-los de trás para frente?
E assim nasceu o projeto chamado Remark. Que é uma colaboração com Zachary Lieberman e o Ars Electronica Futurelab.
E está é uma instalação interativa que apresenta a ficção de que a fala cria sombras visíveis.
Assim a idéia é que você vá em direção um tipo de luz mágica.
E enquanto você o faz, você vê as sombras de sua própria fala.
E elas meio que voam, para fora da sua cabeça.
Com um sistema de reconhecimento de fala por computador é possível reconhecer o que você está dizendo, para então expelir.
E se este não for o caso ele produz uma forma que é fono-esteticamente associada aos sons que você fez.
Então vamos trazer um vídeo sobre isso.
Obrigado. Então. Nesse projeto aqui, eu estava trabalhando com o grande vocalista abstrato, Jaap Blonk.
E ele é um expert mundial em interpretar "A Ursonate", que é um poema nonsense de meia hora de Kurt Schwitters, escrito na década de 1920. Ele é meia hora de muito nonsense rebuscado.
E é quase impossível de interpretá-lo.
Mas Jaap é um dos grandes experts do mundo a interpretá-lo.
E neste projeto nós desenvolvemos uma forma inteligente de legendas em tempo real.
Então estas são nossas legendas, que estão sendo produzidas por um computador que conhece o texto "A Ursonate" felizmente Jaap também o conhece, muito bem. E ele está exibindo o texto ao mesmo tempo em que Jaap fala.
Assim, todo o texto que vocês irão ver foram gerados em tempo real pelo computador, visualizando o que ele está fazendo com sua voz.
Aqui vocês podem ver a cena onde tem uma tela com as legendas atrás dela.
Ok. Então.
O vídeo na íntegra está online caso vocês estejam interessados.
Obtive reações distintas durante a performance ao vivo. Porque tem algumas pessoas que entendem que legendas ao vivo são um tipo de oximoro. Porque normalmente tem alguém os produzindo subsequentemente.
E então um grupo de pessoas estavam tipo, "O que tem demais?
Eu vejo legendas o tempo todo na televisão."
Vocês percebem? Eles não imaginam a pessoa no compartimento, digitando tudo.
Assim em acréscimo ao corpo inteiro, e em acréscimo à voz, outra coisa que tem me interessado muito, mais recentemente, é o uso dos olhos, ou do olhar intenso, em termos de como as pessoas relacionam-se umas com as outras.
É realmente uma grande quantidade de informação não verbal que é comunicada com os olhos.
E é um dos mais interessantes desafios tecnológicos ativo atualmente na ciência da computação. Ter uma câmera capaz de entender de uma distância realmente considerável, como essas pequenas bolas estão realmente apontando em uma direção ou em outra, revelando se você está interessado, e quando sua atenção é direcionada.
Então existe muita comunicação emocional acontecendo aí.
E então eu comecei, com uma variedade de diferentes projetos, a entender como as pessoas podem relacionar-se com as máquinas com os seus olhos.
E basicamente a fazer as perguntas, E se a arte estivesse atenta que nós estamos olhando para ela?
Como ela responderia, de certa forma, para conhecer ou subverter o fato de que nós estamos olhando para ela?
E o que ela faria se pudesse olhar de volta para nós?
E então estas são as questões que estão acontecendo nos próximos projetos.
No primeiro, que eu vou mostrar a vocês, chamado Eyecode, é uma peça de programa interativo na qual, se lermos neste pequeno círculo, o caminho deixado pelo olhar do observador anterior olha para o caminho deixado pelo observador anterior.
A idéia é de uma imagem inteiramente construída pela sua própria história de ser vista por diferentes pessoas em uma instalação.
Assim deixe-me apenas trocar para que possamos fazer uma demonstração ao vivo.
Então vamos rodar isto e ver se funciona.
Ok. Ah, e tem muitos vídeos bons e claros.
Este é apenas um pequeno teste que mostra que está funcionando.
E o que eu fazer agora é esconder isto.
E vocês poderão ver aqui que o que está sendo feito é uma gravação dos meus olhos toda vez que eu pisco.
Olá? E eu posso. olá. ok.
E não importa onde eu esteja, o que realmente está acontecendo aqui é que esse sistema de rastro de olhos tenta localizar meus olhos.
E seu fico muito afastado eu fico desfocado.
Você sabe, você terá locais desfocados como este que talvez assemelhem-se a olhos de uma forma muito muito abstrata.
Mas se eu chego muito perto e encaro diretamente a câmera neste laptop aí vocês verão esses bons e definidos olhos.
Você pode pensar nisso como uma forma de, um tipo de, digitação, com seus olhos.
E o que você está digitando são gravações dos seus olhos como se você estivesse olhando para os olhos de outras pessoas.
Assim cada pessoa está olhando para o olhar de todos aqueles antes dele.
E isso existe em instalações maiores onde há milhares e milhares de olhos que as pessoas podem encarar, enquanto você vê quem está olhando para as pessoas olhando e as pessoas que olharam antes delas.
Então eu vou apenas adicionar alguns mais. Pisca. Pisca.
E você pode ver, mais uma vez, como ele tenta encontrar os meus olhos fazendo o melhor para estimar quando estou piscando.
Tudo bem. Vamos deixar isto.
Então este foi um tipo de sistema de observação repetitivo.
Obrigado.
As duas últimas peças que vou mostrar estão basicamente no novo domínio da robótica, para mim, novo para mim.
É chamado Opto-Isolator.
E eu vou mostrar um vídeo de uma versão mais antiga dele. Possui apenas um minuto de duração. Ok.
Neste caso, o Opto-Isolator está piscando em resposta à piscada de outro.
Assim ele pisca um segundo depois de você piscar.
Este é um aparato que objetiva reduzir o fenômeno do olhar em outra direção aos materiais mais simples possíveis.
Apenas um olho, olhando para você, e eliminando todo o resto do rosto. Mas apenas considerando o olhar intenso de uma forma isolada. algo como um elemento.
E ao mesmo tempo, ele tenta se engajar naquilo que você pode chamar de comportamento familiar psico-social de olhar intenso.
Como olhar para outro lado se você o ficar encarando por muito tempo pois ele fica tímido. Ou coisas desse tipo.
Ok. Então o último projeto que eu vou mostrar é novo e chama-se Snout.
Ele é uma tromba de 2 metros e meio, com um olho saliente.
E dentro dele está um braço robô de 300 kilos que eu peguei emprestado, de um amigo.
Ajuda ter bons amigos.
Eu estou em Carnegie Mellon. Nós temos um ótimo instituto de robótica lá.
Eu gostaria de mostrar a vocês o chamado Snout, que é -- A idéia por trás deste projeto é fazer um robô que parece continuamente surpreso ao ver você.
A idéia é basicamente -- como se ele estivesse constantemente tipo "Huh. Huh?"
É por isto que o outro nome dele é Doubletaker, Observador Surpreso.
Ele está sempre olhando para você com surpresa: "O quê?"
E a idéia é basicamente, se ele pode olhar para você e fazer você se sentir como, "O quê? São os meus sapatos?"
"Tenho algo no meu cabelo?" Aqui vamos nós. Tudo certo.
Checando ele.
Para vocês nerds, aqui está um pouquinho dos bastidores.
Ele possui um sistema de visão por computador. E ele tenta olhar para as pessoas que estão se movimentando mais.
Estes são seus alvos.
Aqui em cima é o esqueleto. Que é exatamente o que ele está tentando fazer.
É realmente sobre tentar criar uma nova forma de linguagem corporal para esta nova criatura.
Hollywood faz isso o tempo todo, é claro.
Mas também deixar a linguagem corporal comunicar algo. para a pessoa que está olhando para ele.
Está linguagem está comunicando que está surpreso em ver você, e está interessado em olhar para você.
Muito obrigada. Isso é tudo que tenho para hoje.
Eu estou muito feliz de estar aqui. Muito obrigado a todos.
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Quatro anos atrás, no palco do TED Eu apresentei a empresa que eu estava trabalhando naquela ocasião chamada Odeo.
E, em função daquela apresentação, nós conseguimos um artigo de destaque no New York Times, que resultou em mais cobertura da imprensa, que resultou em mais exposição e me levou a decisão de me tornar o CEO daquela companhia onde eu era apenas um conselheiro resultando em mais um round de Capital de Risco e na contratação de mais profissionais
Um dos sujeitos que eu contratei foi um engenheiro chamado Jack Dorsey, e um ano depois quando estávamos tentando decidir que caminho seguir com a Odeo, Jack apresentou uma idéia que estava na sua cabeça ha alguns anos e que se baseava no envio de mensagens simples de atualização de status para seus amigos
Naquela epoca nós estavamos trabalhando com SMS na Odeo então nós decidimos juntar as duas coisas, e no início de 2006 nós lançamos o Twitter como um projeto paralelo na Odeo
Vejam bem, um projeto paralelo é uma coisa difícil de se justificar em uma startup, onde manter o foco é tão importante, mas, eu havia lançado o Blogger como projeto paralelo na minha empresa anterior com o pensamento de que seria apenas aquela "coisinha" que faríamos nas horas vagas e ele acabou não apenas se tornando o principal produto da empresa, como também tomando a minha vida por cinco ou seis anos.
Portanto, eu aprendi que se deve seguir os seus instintos mesmo quando você não consegue necessariamente justificá-los ou mesmo saber onde eles vão te levar.
E foi mais ou menos isso que aconteceu com o Twitter, por várias vezes.
Portanto, para aqueles de vocês que não conhecem, Twitter se baseia em um conceito extremamente simples e trivial.
Você diz o que está fazendo em 140 caracteres ou menos, e as pessoas que se interessam por você recebem essas atualizações.
Caso elas estejam realmente interessadas, elas recebem as atualizações através de uma mensagem de texto nos seus celulares,
Por exemplo, eu posso twittar agora mesmo que eu estou ministrando uma palestra no TED.
uma coisa normal, cotidiana.
E no meu caso, quando eu aperto o botão enviar, mais de 60 000 pessoas irão receber essa mensagem em uma questão de segundos.
A idéia fundamental é que o Twitter permita às pessoas compartilhar momentos de suas vidas quando elas quiserem, sejam eles momentos grandiosos ou coisas mundanas.
E o compartilhamento desses momentos, enquanto eles estão acontecendo permite às pessoas sentirem-se mais próximas e conectadas, apesar da distância, e em tempo real.
Esse foi o uso primário para o Twitter que imaginamos no começo, e isso nos deixou excitados.
Mas o que não conseguimos antecipar foram as várias e várias utilizações distintas que iriam evoluir com base nesse sistema muito simples.
Uma das coisas que nos demos conta foi o quão importante o Twitter poderia ser durante eventos de tempo-real.
Quando um incêndio florestal aconteceu em San Diego, em Outubro de 2007, as pessoas utilizaram o Twitter para informar o que estava acontecendo e para encontrar informação sobre os seus vizinhos e sobre o que estava acontecendo próximo a eles.
Mas não foram apenas indivíduos.
O jornal L. A. Times também utilizou o Twitter para buscar informações, e colocou seu feed do Twitter na sua página inicial, e o Corpo de Bombeiros de L. A e a Cruz Vermelha usaram o Twitter para coletar e publicar informações da mesma maneira.
Aqui nesse evento dezenas de pessoas estão Twitando e milhares de pessoas estão seguindo as atualizações porque eles querem saber como seria estar aqui e o que está acontecendo.
Entre outras coisas interessantes que apareceram estão várias relacionadas ao mundo dos negócios, variando do marketing e comunicação e coisas previsíveis, até um incrivelmente popular caminhão de churrasco coreano que dirige em L. A. twitando onde vai parar gerando assim uma fila ao redor do quarteirão.
Políticos recentemente começaram a Twitar.
Atualmente existem 47 membros do Congresso que possuem contas no Twitter.
e eles estão twitando, em alguns casos, de dentro de sessões de portas fechadas com o Presidente.
Nesse caso, o sujeito não está gostando do que está ouvindo.
O próprio presidente é um dos nossos usuários mais populares, ainda que seus tweets tenham diminuido bastante recentemente, enquanto os do Senador McCain aumentaram.
Bem como os desse sujeito.
Twitter foi originalmente projetado como um meio de broadcast. Você envia uma mensagem e ela vai para todo mundo, e você recebe as mensagens que você está interessado.
Um dos muitos meios pelos quais os usuários definiram a evolução do Twitter foi através da inveção de uma maneira de responder a uma pessoa específica ou a uma mensagem específica.
Assim, esta sintaxe "@nomedousuário" que Shaquille O'Neal está usando aqui para responder a um de seus fãs foi completamente inventada pelos usuários, e nós não implementamos no sistema até que já estivesse se tornado popular e então nós a tornamos mais fácil.
Essa é uma das inúmeras maneiras pelas quais os usuários moldaram o sistema.
Outra é através das APIs.
Nós construímos uma Interface de Programação de Aplicativos, que basicamente significa que os programadores podem programar o software que interage com o Twitter.
Atualmente, sabemos de mais de 2000 interfaces de software capazes de enviar atualizações via Twitter, interfaces para Mac, Windows, seu iPhone, seu BlackBerry. bem como coisas como um dispositivo que permite a um bebê que ainda não nasceu, twitar quando chuta ou uma planta twitar quando precisa de água.
Provavelmente, o mais importante desenvolvimento por terceiros veio de um pequena empresa na Virgínia chamada Summize.
Summize construiu uma ferramenta de busca para o Twitter.
E eles se deram conta do fato de que se existem milhões de pessoas ao redor do mundo falando sobre o que estão fazendo e o que há ao redor deles, você tem um recurso incrível para se informar sobre qualquer tópico ou evento enquanto ele está acontecendo.
Isso realmente mudou a maneira com a qual percebemos o Twitter.
Por exemplo, aqui está o que as pessoas estão falando sobre o TED.
Isso foi mais uma coisa que mudou a nossa cabeça, mostrando que o Twitter não era o que nós pensávamos.
E gostamos tanto disso que acabamos comprando essa empresa e integrando a busca no produto principal.
Isso não apenas nos permite ver o Twitter de maneiras diferentes, mas introduz novas aplicações também.
Uma das minhas favoritas apareceu a alguns meses atrás quando a gasolina estava em falta em Atlanta.
Alguns usuários se deram conta que eles poderiam usar o Twitter para encontrar gasolina onde havia, e quanto custava, e então eles adicionavam a palavra chave "#atlgas" para as outras pessoas que procurassem pudessem encontrar gasolina.
E essa tendência de pessoas utilizando essa rede de comunicação para ajudarem umas às outras vai muito além da idéia original de apenas se mander em contato com amigos e parentes.
E isso está acontecendo mais e mais recentemente, seja para levantar dinheiro para pessoas desabrigadas ou para construir poços na África ou para ajudar uma família em dificuldades.
As pessoas levantaram dezenas de milhares de dolares através do Twitter, em muitas ocasiões em questão de dias.
Me parece que quando você provê para as pessoas meios mais fáceis de compartilhar informações, mais coisas boas acontecem.
Eu não tenho idéia do que acontecerá com o Twitter no futuro.
Mas eu aprendi a seguir meus instintos, e nunca presumir onde isso nos levará.
Obrigado.
Chris Anderson: Nós não terminamos aqui ainda.
Então, se puderem colocar a imagem dessa tela ao vivo no telão.
Essa é a coisa mais assustadora que um palestrante pode fazer depois de participar de um evento.
É totalmente intimidador
Bom, essa é a tela de busca do Twitter
Vamos digitar algumas palavras aleatórias no Twitter.
Por exemplo: "Evan Williams."
". dê às pessoas mais informação e siga os seus instintos @#TED."
". ouvindo ao Evan Williams agora."
Oh.
". Evan Williams está morrendo aqui no palco do TED."
"A pior palestra de todos os tempos!"
Evan Williams: Legal, Obrigado.
CA: Estou brincando.
Mas, literalmente, nos oito minutos em que ele estava falando, Aconteceram mais ou menos cinquenta tweets sobre a palestra.
Então ele verá todo o tipo de reação: ao fato de que Barack Obama é o mais popular Twitteiro, ao fato de que isso veio à tona no TED.
Eu não acredito que exista uma outra maneira de receber feedback instantâneo como esse.
Você criou algo muito fascinante, e parece que o melhor ainda está por vir.
Portanto, Muito obrigado, Evan.
Foi muito interessante.
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Eu sou uma contadora de histórias
e gostaria de contar a vocês algumas histórias pessoais sobre o que eu gosto de chamar "o perigo de uma história única."
Eu cresci num campus universitário no leste da Nigéria.
Minha mãe diz que eu comecei a ler com 2 anos, mas eu acho que 4 é provavelmente mais próximo da verdade.
Então, eu fui uma leitora precoce. E o que eu lia eram livros infantis britânicos e americanos.
Eu fui também uma escritora precoce. E quando comecei a escrever, por volta dos 7 anos, histórias com ilustrações em giz de cera, que minha pobre mãe era obrigada a ler, eu escrevia exatamente os tipos de histórias que eu lia. Todos os meus personagens eram brancos de olhos azuis. Eles brincavam na neve. Comiam maçãs. E eles falavam muito sobre o tempo, em como era maravilhoso o sol ter aparecido.
Agora, apesar do fato que eu morava na Nigéria.
Eu nunca havia estado fora da Nigéria.
Nós não tínhamos neve, nós comíamos mangas. E nós nunca falávamos sobre o tempo porque não era necessário.
Meus personagens também bebiam muita cerveja de gengibre porque as personagens dos livros britânicos que eu lia bebiam cerveja de gengibre.
Não importava que eu não tinha a mínima ideia do que era cerveja de gengibre.
E por muitos anos depois, eu desejei desesperadamente experimentar cerveja de gengibre.
Mas isso é uma outra história.
A meu ver, o que isso demonstra é como nós somos impressionáveis e vulneráveis face a uma história, principalmente quando somos crianças.
Porque tudo que eu havia lido eram livros nos quais as personagens eram estrangeiras, eu convenci-me de que os livros, por sua própria natureza, tinham que ter estrangeiros e tinham que ser sobre coisas com as quais eu não podia me identificar.
Bem, as coisas mudaram quando eu descobri os livros africanos.
Não havia muitos disponíveis e eles não eram tão fáceis de encontrar quanto os livros estrangeiros,
mas devido a escritores como Chinua Achebe e Camara Laye eu passei por uma mudança mental em minha percepção da literatura.
Eu percebi que pessoas como eu, meninas com a pele da cor de chocolate, cujos cabelos crespos não poderiam formar rabos-de-cavalo, também podiam existir na literatura.
Eu comecei a escrever sobre coisas que eu reconhecia.
Bem, eu amava aqueles livros americanos e britânicos que eu lia.
Eles mexiam com a minha imaginação, me abriam novos mundos.
Mas a consequência inesperada foi que eu não sabia que pessoas como eu podiam existir na literatura.
Então o que a descoberta dos escritores africanos fez por mim foi: salvou-me de ter uma única história sobre o que os livros são.
Eu venho de uma família nigeriana convencional, de classe média.
Meu pai era professor.
Minha mãe, administradora.
Então nós tínhamos, como era normal, empregada doméstica, que frequentemente vinha das aldeias rurais próximas.
Então, quando eu fiz 8 anos, arranjamos um novo menino para a casa.
Seu nome era Fide.
A única coisa que minha mãe nos disse sobre ele foi que sua família era muito pobre.
Minha mãe enviava inhames, arroz e nossas roupas usadas para sua família.
E quando eu não comia tudo no jantar, minha mãe dizia: "Termine sua comida! Você não sabe que pessoas como a família de Fide não tem nada?"
Então eu sentia uma enorme pena da família de Fide.
Então, um sábado, nós fomos visitar a sua aldeia e sua mãe nos mostrou um cesto com um padrão lindo, feito de ráfia seca por seu irmão.
Eu fiquei atônita!
Nunca havia pensado que alguém em sua família pudesse realmente criar alguma coisa.
Tudo que eu tinha ouvido sobre eles era como eram pobres, assim havia se tornado impossível pra mim vê-los como alguma coisa além de pobres.
Sua pobreza era minha história única sobre eles.
Anos mais tarde, pensei nisso quando deixei a Nigéria para cursar universidade nos Estados Unidos.
I tinha 19 anos.
Minha colega de quarto americana ficou chocada comigo.
Ela perguntou onde eu tinha aprendido a falar inglês tão bem e ficou confusa quando eu disse que, por acaso, a Nigéria tinha o inglês como sua língua oficial.
Ela perguntou se podia ouvir o que ela chamou de minha "música tribal" e, consequentemente, ficou muito desapontada quando eu toquei minha fita da Mariah Carey.
Ela presumiu que eu não sabia como usar um fogão.
O que me impressionou foi que: ela sentiu pena de mim antes mesmo de ter me visto.
Sua posição padrão para comigo, como uma africana, era um tipo de arrogância bem intencionada, piedade.
Minha colega de quarto tinha uma única história sobre a África. Uma única história de catástrofe.
Nessa única história não havia possibilidade de os africanos serem iguais a ela, de jeito nenhum. Nenhuma possibilidade de sentimentos mais complexos do que piedade. Nenhuma possibilidade de uma conexão como humanos iguais.
Eu devo dizer que antes de ir para os Estados Unidos, eu não me identificava, conscientemente, como uma africana.
Mas nos EUA, sempre que o tema África surgia, as pessoas recorriam a mim.
Não importava que eu não sabia nada sobre lugares como a Namíbia.
Mas eu acabei por abraçar essa nova identidade. E, de muitas maneiras, agora eu penso em mim mesma como uma africana.
Entretanto, ainda fico um pouco irritada quando referem-se à África como um país. O exemplo mais recente foi meu maravilhoso voo dos Lagos 2 dias atrás, não fosse um anúncio de um voo da Virgin sobre o trabalho de caridade na "Índia, África e outros países."
Então, após ter passado vários anos nos EUA como uma africana, eu comecei a entender a reação de minha colega para comigo.
Se eu não tivesse crescido na Nigéria e se tudo que eu conhecesse sobre a África viesse das imagens populares, eu também pensaria que a África era um lugar de lindas paisagens, lindos animais e pessoas incompreensíveis, lutando guerras sem sentido, morrendo de pobreza e AIDS, incapazes de falar por eles mesmos, e esperando serem salvos por um estrangeiro branco e gentil.
Eu veria os africanos do mesmo jeito que eu, quando criança, havia visto a família de Fide.
Eu acho que essa única história da África vem da literatura ocidental.
Então, aqui temos uma citação de um mercador londrino chamado John Locke, que navegou até o oeste da África em 1561 e manteve um fascinante relato de sua viagem.
Após referir-se aos negros africanos como "bestas que não tem casas", ele escreve: "Eles também são pessoas sem cabeças, que têm sua boca e olhos em seus seios."
Eu rio toda vez que leio isso,
e alguém deve admirar a imaginação de John Locke.
Mas o que é importante sobre sua escrita é que ela representa o início de uma tradição de contar histórias africanas no Ocidente. Uma tradição da África subsaariana como um lugar negativo, de diferenças, de escuridão, de pessoas que, nas palavras do maravilhoso poeta, Rudyard Kipling, são "metade demônio, metade criança".
E então eu comecei a perceber que minha colega de quarto americana deve ter, por toda sua vida, visto e ouvido diferentes versões de uma única história. Como um professor, que uma vez me disse que meu romance não era "autenticamente africano".
Bem, eu estava completamente disposta a afirmar que havia uma série de coisas erradas com o romance, que ele havia falhado em vários lugares. Mas eu nunca teria imaginado que ele havia falhado em alcançar alguma coisa chamada autenticidade africana.
Na verdade, eu não sabia o que era "autenticidade africana".
O professor me disse que minhas personagens pareciam-se muito com ele, um homem educado de classe média.
Minhas personagens dirigiam carros,
elas não estavam famintas.
Por isso elas não eram autenticamente africanos.
Mas eu devo rapidamente acrescentar que eu também sou culpada na questão da única história.
Alguns anos atrás, eu visitei o México saindo dos EUA.
O clima político nos EUA àquela época era tenso. E havia debates sobre imigração.
E, como frequentemente acontece na América, imigração tornou-se sinônimo de mexicanos.
Havia histórias infindáveis de mexicanos como pessoas que estavam espoliando o sistema de saúde, passando às escondidas pela fronteira, sendo presos na fronteira, esse tipo de coisa.
Eu me lembro de andar no meu primeiro dia por Guadalajara, vendo as pessoas indo trabalhar, enrolando tortilhas no supermercado, fumando, rindo.
Eu me lembro que meu primeiro sentimento foi surpesa.
E então eu fiquei oprimida pela vergonha.
Eu percebi que eu havia estado tão imersa na cobertura da mída sobre os mexicanos que eles haviam se tornado uma coisa em minha mente: o imigrante abjeto.
Eu tinha assimilado a única história sobre os mexicanos e eu não podia estar mais envergonhada de mim mesma.
Então, é assim que se cria umaúnica história: mostre um povo como uma coisa, como somente uma coisa, repetidamente, e será o que eles se tornarão.
É impossível falar sobre única história sem falar sobre poder.
Há uma palavra, uma palavra da tribo Igbo, que eu lembro sempre que penso sobre as estruturas de poder do mundo, e a palavra é "nkali".
É um substantivo que livremente se traduz: "ser maior do que o outro."
Como nossos mundos econômico e político, histórias também são definidas pelo princípio do "nkali". Como são contadas, quem as conta, quando e quantas histórias são contadas, tudo realmente depende do poder.
Poder é a habilidade de não só contar a história de uma outra pessoa, mas de fazê-la a história definitiva daquela pessoa.
O poeta palestino Mourid Barghouti escreve que se você quer destituir uma pessoa, o jeito mais simples é contar sua história, e começar com "em segundo lugar".
Comece uma história com as flechas dos nativos americanos, e não com a chegada dos britânicos, e você tem uma história totalmente diferente.
Comece a história com o fracasso do estado africano e não com a criação colonial do estado africano e você tem uma história totalmente diferente.
Recentemente, eu palestrei numa universidade onde um estudante disse-me que era uma vergonha que homens nigerianos fossem agressores físicos como a personagem do pai no meu romance.
Eu disse a ele que eu havia terminado de ler um romance chamado "Psicopata Americano" - - e que era uma grande pena que jovens americanos fossem assassinos em série.
É óbvio que eu disse isso num leve ataque de irritação.
Nunca havia me ocorrido pensar que só porque eu havia lido um romance no qual uma personagem era um assassino em série, que isso era, de alguma forma, representativo de todos os americanos.
E agora, isso não é porque eu sou uma pessoa melhor do que aquele estudante, mas, devido ao poder cultural e econômico da América, eu tinha muitas histórias sobre a América.
Eu havia lido Tyler, Updike, Steinbeck e Gaitskill.
Eu não tinha uma única história sobre a América.
Quando eu soube, alguns anos atrás, que escritores deveriam ter tido infâncias realmente infelizes para ter sucesso, eu comecei a pensar sobre como eu poderia inventar coisas horríveis que meus pais teriam feito comigo.
Mas a verdade é que eu tive uma infância muito feliz, cheia de risos e amor, em uma família muito unida.
Mas também tive avós que morreram em campos de refugiados.
Meu primo Polle morreu porque não teve assistência médica adequada.
Um dos meus amigos mais próximos, Okoloma, morreu num acidente aéreo porque nossos caminhões de bombeiros não tinham água.
Eu cresci sob governos militares repressivos que desvalorizavam a educação, então, por vezes, meus pais não recebiam seus salários.
E então, ainda criança, eu vi a geleia desaparecer do café-da-manhã, depois a margarina desapareceu, depois o pão tornou-se muito caro, depois o leite ficou racionado.
E acima de tudo, um tipo de medo político normalizado invadiu nossas vidas.
Todas essas histórias fazem-me quem eu sou.
Mas insistir somente nessas histórias negativas é superficializar minha experiência e negligenciar as muitas outras histórias que formaram-me.
A única história cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas que eles sejam incompletos.
Eles fazem um história tornar-se a única história.
Claro, África é um continente repleto de catástrofes. Há as enormes, como as terríveis violações no Congo. E há as depressivas, como o fato de 5. 000 pessoas candidatarem-se a uma vaga de emprego na Nigéria.
Mas há outras histórias que não são sobre catástrofes. E é muito importante, é igualmente importante, falar sobre elas.
Eu sempre achei que era impossível relacionar-me adequadamente com um lugar ou uma pessoa sem relacionar-me com todas as histórias daquele lugar ou pessoa.
A consequência de uma única história é essa: ela rouba das pessoas sua dignidade.
Faz o reconhecimento de nossa humanidade compartilhada difícil.
Enfatiza como nós somos diferentes ao invés de como somos semelhantes.
E se antes de minha viagem ao México eu tivesse acompanhado os debates sobre imigração de ambos os lados, dos Estados Unidos e do México?
E se minha mãe nos tivesse contado que a família de Fide era pobre E trabalhadora?
E se nós tivéssemos uma rede televisiva africana que transmitisse diversas histórias africanas para todo o mundo?
O que o escritor nigeriano Chinua Achebe chama "um equilíbrio de histórias."
E se minha colega de quarto soubesse do meu editor nigeriano, Mukta Bakaray, um homem notável que deixou seu trabalho em um banco para seguir seu sonho e começar uma editora?
Bem, a sabedoria popular era que nigerianos não gostam de literatura.
Ele discordava. Ele sentiu que pessoas que podiam ler, leriam se a literatura se tornasse acessível e disponível para eles.
Logo após ele publicar meu primeiro romance, eu fui a uma estação de TV em Lagos para uma entrevista. E uma mulher que trabalhava lá como mensageira veio a mim e disse: "Eu realmente gostei do seu romance, mas não gostei do final.
Agora você tem que escrever uma sequência, e isso é o que vai acontecer."
E continuou a me dizer o que escrever na sequência.
Agora eu não estava apenas encantada, eu estava comovida.
Ali estava uma mulher, parte das massas comuns de nigerianos, que não se supunham ser leitores.
Ela não tinha só lido o livro, mas ela havia se apossado dele e sentia-se no direito de me dizer o que escrever na sequência.
Agora, e se minha colega de quarto soubesse de minha amiga Fumi Onda, uma mulher destemida que apresenta um show de TV em Lagos, e que está determinada a contar as histórias que nós preferimos esquecer?
E se minha colega de quarto soubesse sobre a cirurgia cardíaca que foi realizada no hospital de Lagos na semana passada?
E se minha colega de quarto soubesse sobre a música nigeriana contemporânea? Pessoas talentosas cantando em inglês e Pidgin, e Igbo e Yoruba e Ijo, misturando influências de Jay-Z a Fela, de Bob Marley a seus avós.
E se minha colega de quarto soubesse sobre a advogada que recentemente foi ao tribunal na Nigéria para desafiar uma lei ridícula que exigia que as mulheres tivessem o consentimento de seus maridos antes de renovarem seus passaportes?
E se minha colega de quarto soubesse sobre Nollywood, cheia de pessoas inovadoras fazendo filmes apesar de grandes questões técnicas? Filmes tão populares que são realmente os melhores exemplos de que nigerianos consomem o que produzem.
E se minha colega de quarto soubesse da minha maravilhosamente ambiciosa trançadora de cabelos, que acabou de começar seu próprio negócio de vendas de extensões de cabelos?
Ou sobre os milhões de outros nigerianos que começam negócios e às vezes fracassam, mas continuam a fomentar ambição?
Toda vez que estou em casa, sou confrontada com as fontes comuns de irritação da maioria dos nigerianos: nossa infraestrutura fracassada, nosso governo falho. Mas também pela incrível resistência do povo que prospera apesar do governo, ao invés de devido a ele.
Eu ensino em workshops de escrita em Lagos todo verão. E é extraordinário pra mim ver quantas pessoas se inscrevem, quantas pessoas estão ansiosas por escrever, por contar histórias.
Meu editor nigeriano e eu começamos uma ONG chamada Farafina Trust. E nós temos grandes sonhos de construir bibliotecas e recuperar bibliotecas que já existem e fornecer livros para escolas estaduais que não tem nada em suas bibliotecas, e também organizar muitos e muitos workshops, de leitura e escrita para todas as pessoas que estão ansiosas para contar nossas muitas histórias.
Histórias importam.
Muitas histórias importam.
Histórias tem sido usadas para expropriar e tornar malígno. Mas histórias podem também ser usadas para capacitar e humanizar.
Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas histórias também podem reparar essa dignidade perdida.
A escritora americana Alice Walker escreveu isso sobre seus parentes do sul que haviam se mudado para o norte.
Ela os apresentou a um livro sobre a vida sulista que eles tinham deixado para trás. "Eles sentaram-se em volta, lendo o livro por si próprios, ouvindo-me ler o livro e um tipo de paraíso foi reconquistado."
Eu gostaria de finalizar com esse pensamento: Quando nós rejeitamos uma única história, quando percebemos que nunca há apenas uma história sobre nenhum lugar, nós reconquistamos um tipo de paraíso.
Obrigada.
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É segunda de manhã.
Em Washington, o presidente dos Estados Unidos está sentado sala oval, avaliando se ataca Al Qaeda ou não no Iêmen.
Na Rua Downing número 10, David Cameron tenta decidir se vai cortar mais empregos no setor público a fim de evitar uma dupla recessão.
Em Madri, Maria Gonzalez está de pé na porta, ouvindo o seu bebê chorando e chorando, tentando decidir se deveria deixá-lo chorar até ele adormecer ou pegá-lo no colo.
E eu estou sentada na beira da cama do meu pai, no hospital tentando decidir se devo deixá-lo beber um litro e meio de água de garrafa que os médicos disseram, “Hoje você tem que forçá-lo a beber.” – meu pai não havia ingerido nada durante uma semana – ou se, ao lhe dar água, eu posso na verdade o matar.
Nós temos que encarar decisões momentâneas com consequências importantes durante toda nossa vida. E temos estratégias para lidar com essas decisões.
Nós conversamos com nossos amigos, pesquisamos na internet, buscamos nos livros.
Mas ainda, até nesta era de Google e TripAdvisor e as recomendações da Amazon, ainda são os experts com quem mais contamos – especialmente quando os riscos são altos e a decisão é realmente importante.
Porque em um mundo de inundação de dados e extrema complexidade, nós acreditamos que os experts são mais capazes de lidar com informação do que nós – que são mais hábeis nas conclusões do que as nossas próprias conclusões.
E em uma época que as vezes é assustadora, ou confusa, nos sentimos tranquilos com a autoridade quase paternalista dos experts que nos dizem claramente o que podemos e não podemos fazer.
Mas eu acredito que isto seja um grande problema, um problema com consequências de potencial perigoso para nós como uma sociedade, como uma cultura e como indivíduos.
Não é que os experts não tenham contribuído para o mundo – é claro que contribuíram.
O problema somos nós; nos tornamos viciados em experts.
Ficamos viciados na convicção deles, na asseguração, na definitividade, e neste processo, nós cedemos nossa responsabilidade, substituímos nosso intelecto e inteligência pelas supostas palavras sábias deles.
Nós rendemos nosso poder, cambiando nosso desconforto com a incerteza pela ilusão da certeza que eles oferecem.
Isto não é exagero.
Em um experimento recente, um grupo de adultos tiveram seus cérebros escaneados em uma máquina RM ao mesmo tempo que escutavam os experts falando.
Os resultados foram extraordinários.
Enquanto eles ouviam as vozes dos experts, as partes dos seus cérebros que tomam decisões independentes se desligaram.
Literalmente, uma linha reta.
E eles prestavam atenção a tudo que os experts diziam e seguiam as suas indicações, certas ou erradas.
Mas os especialistas erram.
Vocês sabiam que estudos mostram que em 10 diagnósticos os médicos erram em quatro?
Sabiam que se vocês mesmo fizerem as suas declarações do imposto de renda, estatisticamente essas estariam mais corretas do que quando um contador faz o imposto para vocês?
E então tem, é claro, o exemplo que todos nós somos muito cientes: os experts em finanças erraram tanto que estamos passando pela pior recessão desde os anos 1930.
Pelo bem da nossa saúde, nossa riqueza e nossa segurança coletiva, é incontestável que mantenhamos independente a parte do nosso cérebro que toma as decisões. ligada.
E isto afirmo como uma economista que, nos últimos anos, tem focalizado sua pesquisa em o que pensamos, em quem confiamos e porque. Mas também – e estou ciente da ironia aqui – como uma expert, como uma catedrática, como alguém que aconselha primeiros-ministros, diretores de empresas de grande porte, organizações internacionais, mas uma expert que acredita que o papel do expert precisa mudar, que precisamos ser mais mente-aberta, mais democráticos, e mais abertos às pessoas que se rebelam contra nossos pontos de vista.
Assim que para ajudar vocês a entenderem de onde estou vindo, deixem-me trazê-los ao meu mundo o mundo dos experts.
Agora, é claro que existem exceções, maravilhosas, exceções que engrandecem a civilização.
Mas o que a minha pesquisa mostra é que de forma geral os experts tendem formar campos muito rígidos, que dentro desses campos, uma perspectiva dominante surge que muitas vezes silencia a oposição, que os experts movem-se com a maré, muitas vezes adorando heróis, os gurus deles.
As declarações de Alan Greenspan de que os anos de crescimento econômico iriam continuar sem parar, não foram desafiadas pelos seus pares, até depois da crise, é claro.
Vejam, nós também aprendemos que os experts estão situados, são governados, pelas normas sociais e culturais da época deles – tanto seja os médicos na Inglaterra vitoriana, digamos, que mandava as mulheres para os hospícios por expressarem desejos sexuais, ou os psiquiatras nos Estados Unidos que, até 1973, ainda classificavam a homossexualidade como uma doença mental.
E o que tudo isto significa é que os paradigmas levam muito tempo para mudar, que a complexidade e a sutileza são ignoradas, e que o dinheiro fala mais alto – porque todos nós vimos a evidência das empresas farmacêuticas financiando pesquisas de remédios que convenientemente excluem seus piores efeitos colaterais, ou estudos financiados pelas empresas de alimentos das suas novas linhas de produtos, que massivamente exageram os benefícios para a saúde dos produtos que estão por ser lançados no mercado.
O estudo mostra que as empresas de alimentos exageram 7 vezes mais do que uma pesquisa independente.
E também precisamos estar cientes que os experts, sem dúvida, também erram.
Eles erram todos os dias – cometem erros porque são descuidados.
Um estudo recente na revista Arquivos da Cirurgia mostra os cirurgiões removendo ovários saudáveis, operando no lado errado do cérebro, fazendo intervenções cirúrgicas na mão errada, cotovelo, olho, pé, e também cometendo erros oriundos de erros de raciocínio.
Um erro de raciocínio comum dos radiologistas, por exemplo – quando eles olham para um scan TC – é que eles são influenciados em demasia por que quer que seja que o médico que pediu o exame tenha dito; que ele suspeita qual é o problema do paciente.
Se um radiologista olha para o scan do paciente com suspeita de pneumonia, digamos, o que acontece é que, se ele notar evidência de pneumonia no scan, ele literalmente vai parar de investigar o scan – e assim não nota o tumor posicionado 8 centímetros abaixo dos pulmões do paciente.
Até agora, compartilhei alguns insights no mundo dos especialistas.
Estes não são, claro, os únicos insights que poderia compartilhar, mas espero que pelo menos tenham feito algum sentido de porque nós temos que parar de nos prostrar diante deles, de porque temos que nos rebelar, e porque temos que ligar nossas habilidades de tomar decisões independentes.
Mas como?
Bom, como temos pouco tempo, eu gostaria de focalizar em apenas 3 estratégias.
Primeiro, precisamos estar prontos e dispostos a assumir os especialistas e dispensar esta noção que eles são os apóstolos dos tempos modernos.
Isto não significa que precisamos ter um Ph. D.
em todos os assuntos, podem ficar tranquilos.
Mas temos que persistir perante a inevitável irritação deles quando por exemplo, queremos que eles expliquem coisas para a gente num linguajar que realmente podemos entender.
Por que é que quando eu fui operada, meu médico disse para mim, “Fique atenta, dona Noreena, com a hiperpirexia,” quando ele poderia simplesmente ter dito cuidado com a febre alta?
Vejam bem, assumir os especialistas é estarmos dispostos a cavar nos diagramas deles, suas equações, previsões, suas profecias, e estarmos armados de perguntas – perguntas como: Quais são as premissas que sustentam isso?
Em que se baseia essa evidência?
Sua investigação foi focalizada em que?
E o que foi ignorado?
Recentemente veio à tona que os especialistas que testam os remédios antes deles entrarem no mercado, geralmente testam os remédios primeiro, principalmente em animais machos e depois principalmente em homens.
Parece que eles de alguma forma omitiram o fato de que mais da metade da população mundial é de mulheres.
E ficou ruim para as mulheres, porque agora sabe-se que muitos desses remédios não funcionam tão bem para as mulheres como funcionam para os homens – e esses remédios que funcionam bem, funcionam tão bem que são ativamente prejudiciais para as mulheres ingerirem.
Ser rebelde é reconhecer que as premissas dos experts e suas metodologias podem ser facilmente enganosas.
Segundo, precisamos criar o espaço o que chamo de dissidência dirigida.
Se formos mudar os paradigmas, se formos fazer avanços, se formos acabar com os mitos, temos que criar um ambiente no qual debatem-se as ideias dos experts, no qual trazemos visões novas, diversas, discordantes e heréticas para o debate, sem medo, sabendo que progresso acontece, não só da criação de ideias, mas também da sua destruição – e também do entendimento que, ao nos cercar de ideias divergentes, discordantes, e heréticas,
todas as pesquisas nos mostram que elas na realidade nos fazem mais espertos.
Encorajar dissidência é uma noção rebelde porque isso vai contra nossos próprios instintos, os quais usamos para nos cercarmos de opiniões e conselhos que já acreditamos ou que queremos que sejam verdadeiros.
E é por isso que falo sobre a necessidade de dirigir a dissidência de forma ativa.
Eric Schmidt, o Diretor Executivo do Google, é um praticante prático dessa filosofia.
Em reuniões, ele procura pela pessoa na sala – braços cruzados, parecendo meio confuso – e o puxa para dentro do debate, tratando de ver se ele é realmente a pessoa com uma opinião diferente, pois assim eles têm dissidência na reunião.
Dirigir dissidência é reconhecer o valor do desacordo, discórdia e diferença.
Mas temos que ir mais adiante ainda.
Fundamentalmente temos que redefinir quem é que são os experts.
A noção convencional é que os experts são pessoas com cursos universitários avançados, títulos de classe, diplomas, livros best-sellers – indivíduos de alta-importância.
Mas simplesmente imaginem se jogássemos fora essa noção de especialismo como uma espécie de corpo de elite e em vez disso adotar a noção do um especialismo democratizado – pelo qual especialismo não é só o domínio dos cirurgiões e dos diretores executivos, mas também das assistentes de lojas – sim.
Best Buy, a empresa de produtos eletrônicos, recruta todos os seus funcionários – os faxineiros, assistentes de lojas, o pessoal no fundo do escritório, não só a equipe de previsão – para fazer apostas. Sim, apostas em coisas tais como se o produto vai vender bem antes do natal, ou não, se as ideias inéditas dos fregueses deveriam ser adotadas pela empresa, se um projeto virá na hora certa.
Ao influenciar e ao adotar o especialismo dentro da empresa, Best Buy conseguiu descobrir, por exemplo, que a loja que estava por abrir na China – sua grande, grandiosa loja – não iria ser inaugurada a tempo.
Porque quando pediram aos seus funcionários, todos os funcionários, para fazer as suas apostas em se eles achavam que a loja abriria a tempo ou não, um grupo no departamento de finanças colocou todos as suas fichas em que a loja não abriria.
Ficou claro que estavam cientes, como ninguém na empresa sabia, que havia um desvio de tendência tecnológica que nem os experts de previsão e nem os experts na China, estavam cientes disso.
As estratégias que discuti nesta tarde – adotar a dissidência, assumir os experts, democratizar o especialismo, estratégias rebeldes, são estratégias que penso nos fariam bem a todos abraçar ao tentarmos lidar com os desafios destes muito confusos, complexos, tempos difíceis.
Porque se deixarmos a parte do nosso cérebro que toma as decisões independentes ligada, se desafiarmos os experts, se formos céticos, se delegarmos autoridade, se formos rebeldes, mas também se nos sentirmos muito mais confortáveis com a sutileza, a incerteza e as dúvidas, e se deixarmos os experts se expressarem usando esses termos também nós vamos ficar preparados, bem mais, para os desafios do século XXI.
Pois agora, mais do que nunca, não é o momento para se seguir cegamente, aceitar cegamente, cegamente confiar.
Agora é a hora de encarar o mundo com os olhos muito abertos – sim, usando os experts para nos ajudar a entender, com certeza – Eu não quero fazer-me completamente redundante – mas estando consciente das limitações deles e, é claro, das nossas próprias limitações.
Obrigada.
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Essa música esplêndida, a música de entrada, "A Marcha do Elefante" de Aida, é a música que escolhi para o meu funeral e vocês podem ver por quê. É triunfante.
Eu vou -- Não vou sentir nada, mas se pudesse, me sentiria triunfante apenas por ter vivido, e por ter vivido neste planeta esplêndido, e por ter tido a oportunidade de entender algo sobre o porquê de estar aqui em primeiro lugar, em vez de não ter estado.
Vocês conseguem entender o meu estranho sotaque Inglês?
Como qualquer pessoa, eu fiquei maravilhado ontem pela sessão sobre animais.
Robert Full e Frans Lanting e outros -- a beleza das coisas que eles mostraram.
A única nota dissonante ocorreu quando Jeffrey Katzenberg falou do mustangue, "as criaturas mais esplêndidas que Deus pôs na terra."
Claro, nós sabemos que ele não quis realmente dizer isso, mas hoje neste país, todo o cuidado é pouco.
Eu sou um Biólogo, e o teorema central do nosso assunto, é a teoria do design, a teoria da evolução por seleção natural de Darwin.
Em círculos profissionais em todo o mundo, é claro que ela é universalmente aceita.
Em meios não-profissionais fora dos EUA, ela é largamente ignorada.
Mas em círculos não profissionais dentro dos EUA, é fonte de tanta hostilidade que é justo dizer que biólogos Americanos estão em estado de guerra.
A guerra é tão preocupante no momento, com processos judiciais aparecendo em vários estados, que eu senti que tinha de falar algo sobre o assunto.
Se querem saber o que eu tenho a falar sobre Darwinismo em si, Sinto dizer que vocês terão de ler meus livros, que não se encontram na livraria lá fora.
Processos judiciais contemporâneos geralmente dizem respeito à uma suposta nova versão de criacionismo chamada design inteligente ou DI.
Não se enganem. Não há nada de novo no DI.
É apenas criacionismo com outro nome. "Rebatizado" -- escolho a palavra deliberadamente -- -- por razões táticas e políticas.
Os argumentos dos chamados teóricos de DI são os mesmo velhos argumentos que foram refutados muitas vezes, desde os tempos de Darwin até hoje.
Há um lobby evolucionista muito eficiente coordenando a luta pelo lado da ciência, e eu tento fazer tudo o que posso para ajudá-los. mas eles ficam muito aborrecidos quando pessoas como eu se atrevem a mencionar que somos ateus, além de evolucionistas.
Eles acham que estamos indo longe demais, e vocês entendem por quê.
Os criacionistas, uma vez que não possuem nenhum argumento científico coerente, apelam para a fobia popular contra ateus.
"Ensine a evolução para as suas crianças na aula de biologia, e logo elas vão virar adeptas à drogas, apropriação indébita e perversão sexual.
Na verdade, é claro, teólogos instruídos desde o Papa são firmes quanto ao seu suporte à evolução.
Este livro, "Finding Darwin's God,", de Kenneth Miller, é um dos ataques mais eficientes ao Design Inteligente que conheço, e é ainda mais eficiente porque é escrito por um Cristão devoto.
Pessoas como Kenneth Miller poderiam ser chamados de "dádivas de deus" ao lobby evolucionista -- -- porque eles expõe a mentira de que evolução é, na verdade, equivalente ao ateísmo.
Pessoas como eu, por outro lado, vão longe demais.
Mas aqui, gostaria de dizer algo bom sobre criacionistas.
Não é algo que faço com frequência, então prestem atenção.
Acho que eles estão certos sobre uma coisa.
Acho que estão certos de que a evolução é fundamentalmente hostil à religião.
Eu já disse que muitos indivíduos evolucionistas, como o Papa, também são religiosos, mas eu acho que eles estão se iludindo.
Acredito que um verdadeiro entendimento sobre Darwinismo é profundamente corrosivo à fé religiosa.
Então, pode parecer que estou pregando o ateísmo, e que assegurá-los de que isto não é o que irei fazer.
Em uma plateia tão sofisticada quanto esta, seria como "ensinar o padre a rezar a missa".
Não, o que eu quero é pregar a vocês -- -- ao invés quero pregar a vocês o ateísmo militante.
Mas colocar desta forma é muito negativista.
Se eu quisesse -- se eu fosse uma pessoas interessada em preservar a fé religiosa, eu teria muito medo do poder positivo da ciência da evolução, e qualquer ciência em geral, mas da evolução em particular, de inspirar e encantar, precisamente por ser ateísta.
O problema difícil para qualquer teoria do design biológico é explicar a massiva improbabilidade estatística das coisas vivas.
Improbabilidade estatística na direção de um bom design -- complexidade é outra palavra para isto.
O argumento criacionista padrão -- existe apenas um, todos se resumem a este -- parte de uma improbabilidade estatística:
criaturas vivas são muito complexas para terem surgido por acaso, portante devem ter tido um criador.
Este argumento é claro, é um 'tiro no pé'.
Qualquer criador capaz de criar algo realmente complexo tem de ser ainda mais complexo, e isto sem falar sobre as outras coisas que esperamos que ele faça, como perdoar pecados, abençoar casamentos, ouvir preces, favorecer o nosso lado na guerra, recriminar a nossa vida sexual e assim por diante.
A complexidade é o problema que qualquer teoria na biologia tem que resolver, e não se pode resolvê-lo através de um agente que é ainda mais complexo, o que apenas aumenta o problema.
A seleção natural de Darwin é tão incrivelmente elegante porque ela resolve o problema de explicar a complexidade em termos de nada além da simplicidade.
Essencialmente, explica ao fornecer uma rampa suave de incrementos graduais, passo a passo.
Mas aqui, eu quero comentar, que a elegância do Darwinismo é corrosiva à religião precisamente porque ele é tão elegante, tão parcimonioso, tão poderoso, tão economicamente poderoso.
Tem a vigorosa economia de uma bela ponte pênsil.
A teoria de deus não é apenas uma teoria ruim.
Na verdade, em princípio, é incapaz de resolver o problema que deveria.
Então, voltando à tática e ao lobby evolucionista, quero argumentar que ir longe demais pode ser a coisa certa a fazer.
Minha abordagem ao atacar o criacionismo é diferente da do lobby evolucionista.
Minha abordagem ao atacar o criacionismo é atacar a religião como um todo. Agora eu preciso comentar o incrível tabu contra falar mal de religião. Farei isto com as palavras do falecido Douglas Adams, um querido amigo que, se nunca veio ao TED, certamente deveria ter sido convidado.
Richard Saul Wurman: Ele foi. Dawkins: Ele foi, que bom. Eu achei que sim.
Ele começa o seu discurso, que foi gravado em Cambridge um pouco antes de sua morte,
começa explicando como a ciência funciona através do teste de hipóteses que são formuladas para serem vulneráveis à refutação, e então continua,
"Religião não parece funcionar desta maneira.
Ela possui certas ideias no seu centro, que são chamadas sagradas ou divinas. O que significa é: "Aqui está uma ideia ou uma noção sobre a qual você não pode falar mal.
Simplesmente não pode. Por que não? Porque não pode."
"Por que é que é perfeitamente legítimo apoiar Republicanos ou Democratas, um modelo de economia e não outro, Macintosh ao invés do Windows, mas ter uma opinião sobre como o universo começou, sobre quem criou o universo? Não, isto é sagrado.
Então estamos acostumados a não desafiar as ideias religiosas e é muito interessante o furor que Richard cria quando ele as desafia." Ele se referiu à mim, não à ele.
"Todos ficam absolutamente frenéticos, porque você não tem a permissão para falar estas coisas, ainda assim, quando se olha para isto racionalmente não há razão para estas ideias não serem abertas ao debate tanto quanto qualquer outra, exceto porque concordamos que não deveriam." E este é o fim da citação de Douglas.
Na minha opinião, não apenas a ciência é corrosiva à religião, religião é corrosiva à ciência.
Ela ensina as pessoas a se satisfazerem com explicações falsas, triviais e sobrenaturais que cegam-nas às maravilhosas explicações reais que possuímos ao nosso alcance.
Ela as ensina a aceitar a autoridade, revelação e fé, ao invés de sempre insistir na evidência.
Aí está Douglas Adams, magnífica foto do seu livro, "Last Chance to See."
Então, aqui está uma típica revista científica, a "Quarterly Review of Biology."
E eu vou montar, como um editor convidado, uma edição especial na pergunta, " Um asteroide matou os dinossauros?"
E o primeiro artigo é um artigo científico padrão apresentando evidências, "Camada de irídio na fronteira K-T, da cratera de Yucatán datada com Potássio - Árgon, indica que um asteroide matou os dinossauros."
Artigo científico perfeitamente normal.
Agora, o próximo, "O presidente da 'Royal Society' Foi Iluminado pela Graça de uma Forte Convicção Interior" -- -- ". de que um Asteroide Matou os Dinossauros."
"Foi Secretamente Revelado ao Professor Huxtane que um Asteroide Matou os Dinossauros."
"O Professor Hordley Foi Educado para Ter uma Fé Total e Inquestionável" -- de que um asteroide matou os dinossauros."
"O Professor Hawkins Promulgou um Dogma Oficial Comprometendo Todos os Hawkinsianos leais Que um Asteroide Matou os Dinossauros."
Isto é inconcebível, é claro.
Mas suponham -- -- em 1987, um repórter perguntou a George Bush
se ele reconhecia a mesma cidadania e patriotismo aos americanos que são ateus.
A resposta do Sr. Bush foi vergonhosa.
"Não, eu não acho que os ateus devam ser considerados cidadãos, nem deveriam eles serem considerados patriotas.
Esta é uma nação sob Deus."
A intolerância de Bush não foi um erro isolado, cometido no calor do momento, a depois desculpado.
Ele manteve a posição frente a repetidos pedidos de clarificação e retração.
Ele realmente quis dizer aquilo.
Mais relevante, ele sabia que o comentário não imporia nenhuma ameaça a sua reeleição, pelo contrário.
Democratas e Republicanos ostentam suas religiosidades se querem ser eleitos. Ambos os partidos invocam uma nação sob deus.
O que Thomas Jefferson teria dito?
A propósito, normalmente não tenho muito orgulho de ser Britânico, mas não é possível evitar a comparação.
Na prática, o que é um ateu?
Um ateu é alguém que pensa de Jeová o mesmo que qualquer cristão decente pensa sobre Thor ou Baal ou o bezerro de ouro.
Como foi dito antes, somos todos ateus sobre a maioria dos deuses que a humanidade já acreditou. Alguns de nós vão um deus além.
E seja como for que definimos ateísmo, é certamente um tipo de crença acadêmica que uma pessoa tem o direito de ter sem ser desprezado como pouco patriota, inelegível não-cidadão.
Ainda assim, é um fato inegável que admitir que é ateu é equivalente a introduzir-se como Sr. Hitler ou Sra. Belzebu.
E tudo isto vem da percepção de que ateístas são um tipo de estranha e excluída minoria.
Natalie Angier escreveu um artigo triste no New Yorker, dizendo como ela se sentia sozinha como ateísta.
Ela certamente se sente parte de uma minoria sitiada, mas na verdade, como os ateus dos EUA se saem numericamente?
A última pesquisa trás resultados surpreendentemente encorajadores.
Cristianismo, é claro, toma a grande maior parte da população, com quase 160 milhões.
Mas qual você pensaria é o segundo maior grupo, convincentemente superando Judeus com 2, 8 milhões, Muçulmanos com 1, 1 milhão, e Hindus, Budistas e todas as outras religiões juntas?
O segundo maior grupo, com quase 30 milhões, é o descrito como não-religioso ou secular.
É impossível não se perguntar por que os políticos são tão proverbialmente intimidados pelo poder do, por exemplo, lobby judeu
-- o estado de Israel parece dever a sua própria existência ao voto judeu norte-americano -- enquanto que ao mesmo tempo condenam os não religiosos ao desamparo político.
Estes votos seculares não-religiosos, se devidamente mobilizados, são nove vezes mais numeroso que os votos judeus.
Por que esta minoria muito mais significativa não se movimenta para exercitar a sua musculatura política?
Bom, chega de quantidade. E quanto a qualidade?
Existe alguma correlação, positiva ou negativa, entre inteligência e tendências religiosas?
A pesquisa que eu citei, que é a pesquisa ARIS, não separou os seus dados por classes socio-econômicas ou educação, QI ou qualquer outra coisa.
Mas um artigo recente por Paul G. Bell na revista Mensa fornece algumas dicas.
A Mensa, como vocês sabem, é uma organização internacional para pessoas com QI muito alto.
E a partir da metanálise da literatura, Bell conclui que, eu cito, "Dos 43 estudos feitos desde 1927 sobre a relação de crença religiosa e inteligência ou nível educacional, todos menos quatro encontraram uma relação inversa.
Ou seja, quanto maior a inteligência ou nível educacional do indivíduo, menor a chance dele ser religioso."
Bem, eu não vi os 42 estudos originais e não posso comentar na Metanálise mas gostaria de ver mais estudos feitos nessa linha.
E sei que existem -- se me permitem comentar -- existem pessoas na plateia capazes de financiar uma pesquisa massiva para resolver a questão, e coloco a sugestão, pelo que vale.
Permitam-me agora mostrar uns dados que foram devidamente publicados e analisados em um grupo especial, os cientistas de topo.
Em 1998, Larson e Witham questionaram a nata dos cientistas norte-americanos, aqueles que foram honrados democraticamente à Academia Nacional de Ciências. entre este grupo seleto, crença em um deus pessoal despencou para sete por cento.
Uns vinte por cento são agnósticos, e o resto pode ser chamado ateu.
Números semelhantes são encontrados para a crença na imortalidade.
Entre cientistas biólogos, os números são ainda menores, somente 5, 5 por cento acredita em deus. Para cientistas físicos é 7, 5 por cento.
Não vi números correspondentes para a elite acadêmica de outras áreas, como história ou filosofia, mas eu ficaria surpreso se elas fossem diferentes.
Então, chegamos em uma situação realmente incrível, uma discrepância grotesca entre a elite intelectual norte-americana e o eleitorado americano.
Uma opinião filosófica sobre a natureza do universo, que é mantida pela grande maioria dos melhores cientistas americanos e provavelmente a maioria intelectual em geral, é tão abominável para o eleitorado americano que nenhum candidato a eleições populares se atreve a afirmar em público.
Se estou certo, isto significa que os altos cargos políticos do maior país do mundo são barrados para as pessoas melhor qualificadas, a elite intelectual. A menos que elas estejam dispostas a mentir sobre suas crenças.
Colocando de forma direta, as oportunidades políticas americanas são pesadamente contrárias àqueles que são simultaneamente inteligentes e honestos.
Eu não sou cidadão deste país, então espero que eu não seja inconveniente se sugerir que alguma atitude deva ser tomada.
E já dei a dica do que isto deveria ser.
Do que vi sobre o TED, acho que este é o lugar ideal para lançar isto.
Novamente, temo que irá custar dinheiro.
Precisamos de uma campanha de 'saída do armário' e elevação de consciência para ateus americanos.
Esta poderia ser semelhante à campanha organizada por homossexuais alguns anos atrás. Mas que deus nos proíba de forçar a exposição pública de pessoas contra a sua vontade.
Na maior parte dos casos, as pessoas que se expõe irão ajudar a destruir o mito de que existe algo de errado com os ateus.
Pelo contrário, irão demonstrar que os ateus são muitas vezes as pessoas que serviriam de bons modelos para seus filhos. O tipo de pessoa que um publicitário usaria para recomendar seu produto. O tipo de pessoa que está sentada aqui nesta sala.
Irá ocorrer um efeito em cascata, um resultado positivo, de tal forma que quanto mais nomes tivermos, mais conseguiremos.
Poderão existir não-linearidades, efeitos de limiar.
Quando um número crítico for conseguido, ocorrerá uma aceleração abrupta no recrutamento.
E novamente, será preciso dinheiro.
Eu suspeito que a palavra "ateu" em si contém ou se mantém como um obstáculo com proporções muito maiores do que realmente significa, um obstáculo para pessoas que de outra forma se exporiam com felicidade.
Então, que outras palavras poderiam ser usadas para facilitar o caminho, lubrificar as rodas, adoçar a pílula? O próprio Darwin preferia agnóstico -- e não somente por lealdade a seu amigo Huxley, que inventou o termo.
Darwin disse, "Eu nunca fui um ateu no sentido de negar a existência de deus.
Acho que de forma geral um agnóstico seria a descrição mais correta para meu estado de espírito."
Ele chegou a se irritar com Edward Aveling.
Aveling era um ateu militante que falhou em persuadir Darwin a aceitar a dedicatória do seu livro sobre ateísmo --- incidentalmente, dando origem a um mito fascinante que Karl Marx tentou dedicar "O Capital" à Darwin, o que ele não fez. Na verdade foi Edward Aveling.
O que aconteceu foi que a amante de Aveling era a filha de Marx, e quando ambos Darwin e Marx tinham morrido, os artigos de Marx se misturaram com os de Aveling e uma carta de Darwin dizendo, "Senhor, muito obrigado, mas eu não quero que o senhor dedique seu livro para mim," foi erroneamente endereçada para Marx, e isto deu origem a todo este mito, que vocês provavelmente ouviram.
É um tipo de mito urbano, que Marx tentou dedicar O Capital para Darwin.
De qualquer forma, foi Aveling, e quando eles se encontraram, Darwin desafiou Aveling, "Por que vocês se auto denominam ateus?"
"Agnóstico," respondeu Aveling, "é simplesmente ateu respeitável, e ateu é simplesmente agnóstico agressivo."
Darwin reclamou, "Mas por que ser tão agressivo?"
Darwin pensou que ateísmo poderia ser bom para a elite intelectual, mas que pessoas normais não estariam, eu cito, "preparadas para o termo".
Que é, é claro, o nosso velho amigo, o argumento do "não vá longe demais".
Não há registro de se Aveling disse à Darwin para que fosse mais humilde.
De qualquer forma, isto foi a mais de 100 anos atrás.
É de se esperar que nós teríamos amadurecido desde lá.
Um amigo inteligente, outrora judeu, que incidentalmente respeita o Sabá por razões de solidariedade cultural, se descreve como um "fada-madrinha-agnóstico."
Ele não se diz ateu porque é, em princípio, impossível provar uma negação, mas agnóstico pode sugerir que a existência de deus possui a mesma probabilidade que a inexistência de deus.
Então, meu amigo é estritamente agnóstico sobre a fada madrinha, mas sua existência não é muito provável, é? Assim como deus.
Daí a frase, "fada-madrinha-agnóstico."
Mas Bertrand Russel fez o mesmo comentário usando um bule de chá hipotético orbitando Marte.
Você deveria ser estritamente agnóstico sobre a existência de um bule orbitando Marte, mas isto não significa que você considera a probabilidade de sua existência igual a probabilidade de sua inexistência.
A lista de coisas sobre as quais nós deveríamos ser estritamente agnósticos não pára em fadas madrinhas e em chaleiras. É infinita.
Se você quiser acreditar em algum deles em particular, unicórnios, fadas madrinhas, bules de chá ou Jeová, o ônus está em você para dizer o porquê.
O ônus não está no resto de nós para dizer porque não.
Nós, que somos ateus, também somos 'a-fadas' e 'a-bules.'
Mas não nos preocupamos em afirmar isto, e é por isto que meu amigo usa fada-madrinha-agnóstico como um rótulo para o que a maior parte das pessoas chamaria de ateu.
Ainda assim, se quisermos atrair ateus a se expressarem publicamente, teremos de encontrar algo melhor para colocar na nossa bandeira do que fada madrinha ou bule agnóstico.
Então, que tal humanista?
Este termo possui a vantagem de uma rede mundial de associações bem organizadas e jornais e outras coisas já no lugar.
Meu único problema com humanista é o aparente antropocentrismo.
Uma das coisas que aprendemos com Darwin foi que a espécie humana é apenas mais uma entre milhões de primos, alguns próximos, alguns distantes.
E existem outras possibilidades como naturalistas. Mas isto também gera confusão, porque Darwin teria pensado que naturalista -- naturalista significa, é claro, o oposto de supernaturalista, e é usado às vezes -- Darwin ficaria confuso pelo outro sentido de naturalista, que ele era, é claro, e eu suponho existam outros que confundiriam com nudismo.
Estas pessoas devem pertencer ao bando britânico de linchamento que ano passado atacou um pediatra ao confundi-lo por pedófilo.
Acho que a melhor alternativa para ateus é simplesmente não-teístas.
Evita a forte conotação que definitivamente não existe um deus, e poderia facilmente ser adotado por bule ou fadas agnósticos.
É completamente compatível com o deus dos físicos.
Quando pessoas como -- quando ateus como Stephen Hawking e Albert Einstein usam a palavra "deus," eles usam, é claro, como uma metáfora para aquela profunda, misteriosa parte da física que ainda não entendemos.
Não-teístas serviria para tudo isto, ainda assim, ao contrário de ateístas, não possui as mesmas reações fóbicas e histéricas.
Mas eu acho, na verdade, a solução é se agarrar na palavra ateísta mesmo, precisamente por ser um tabu que carrega a excitação da fobia histérica.
A grande massa pode ser mais difícil de atingir com a palavra ateísta do que com a palavra não-teísta, ou alguma outra palavra não confrontativa.
Mas se conseguíssemos alcançar a massa com esta palavra, ateísta, o impacto político seria ainda maior.
Então, eu disse que se fosse religioso, teria muito medo da evolução. Iria além.
Eu temeria a ciência em geral se propriamente entendida.
E isto é porque a visão científica do mundo é tão mais excitante, mais poética, mais cheia de puro esplendor do que qualquer coisa no pobre arsenal da imaginação religiosa.
Como Carl Sagan, outro herói recentemente falecido, colocou, "Como é possível que quase nenhuma grande religião olhou para a ciência e concluiu, 'Isto é melhor do que nós pensamos!'
'O Universo é tão maior do que o nosso profeta falou, mais grandioso, mais sutil, mais elegante.'? Ao invés eles dizem, 'Não, não, não!
Meu deus é um deus pequeno, e eu quero que ele continue assim.' Uma religião, velha ou nova, que enfatiza o esplendor do universo, como é revelado pela ciência moderna, poderia atrair estoques de reverência e admiração sequer tocados pelas fés convencionais."
Agora, esta é uma plateia de elite, portanto espero que dez por cento de vocês sejam religiosos.
Muitos de vocês provavelmente concordam com a nossa educada crença cultural de que devemos respeitar a religião. Mas eu também suspeito que um grande número secretamente despreza a religião tanto quanto eu.
Se você é um deles, e é claro que muitos de vocês podem não ser, mas se você é um deles, estou lhes pedindo para pararem de ser educados. Venham a tona e se expressem, e se você for rico, pense em formas as quais poderia fazer uma diferença.
O lobby religioso neste país é massivamente financiado por fundações -- sem mencionar as isenções de impostos -- por fundações como a Templeton Foundation e o Instituto Discovery.
Precisamos de uma anti-Templeton para andarmos para frente.
Se meus livros vendessem tão bem quanto os de Stephen Hawkings, ao invés de apenas tão bem quanto os de Richard Dawkins, eu mesmo faria isto.
As pessoas estão se perguntando, "Como o 11 de Setembro mudou você?"
Bem, aqui está como ele me mudou:
Vamos parar de ser tão detestavelmente respeitosos.
Muito obrigado.
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Então, como você dirigiria um país inteiro sem petróleo?
Eis a questão que me apareceu numa tarde em Davos na Suiça uns quatro anos atrás.
E nunca mais ela saiu da minha mente.
E começei a brincar com ela como se fosse um quebra-cabeça.
Primeiramente, achei que a resposta seria o etanol.
E começei a pesquisar o etanol. E descobri que todo país precisaria de uma Amazônia em seu quintal.
Uns seis meses depois, achei que fosse o hidrogênio. até que um cientista me contou uma verdade infeliz, a que se usa mais elétrons pra fazer o hidrogênio do que você consome dirigindo o carro.
Então esse não seria o caminho a seguir.
E então em um processo aleatório de pensamento, cheguei a conclusão de que se você poderia converter um país inteiro a carros elétricos, numa maneira melhor e acessível, você poderia chegar a uma solução.
Então começei do ponto de vista que teria que ser algo em alta escala.
Não como você poderia construir um carro, mas como você poderia expandir o conceito até que este tornar-se algo usado or 99 % da população.
E o pensamento que me veio a mente é que teria que ser tão bom quanto qualquer outro carro que existe hoje.
Primeiramente, teria que ser tão fácil de usar quanto um carro comum.
E segundo, tem que ser mais barato que os carros de hoje.
E barato não é um sedan de 40. 000 dolares.
Correto? Isso não é algo que podemos financiar ou comprar hoje.
E fácil de usar não é algo que você dirija por 1 hora e recarregue por 8.
Então, estamos presos as leis da física, e as leis econômicas.
E então eu comecei com o pensamento sobre como conseguir isso, dentro das limitações da ciência que temos hoje, sem tempo para a feira de ciências, sem tempo para brincar e sem tempo para a bateria mágica ser inventada.
Como você consegue isso dentro da economia de hoje?
E como você consegue isso a partir do consumidor,
E não a partir de uma determinação do governo?
Em uma visita a Tesla Motores numa tarde, descobri que a resposta nasce da idéia de separar a propriedade do carro da propriedade da bateria.
de certa forma, este seria o caso clássico das "baterias não incluídas"
Agora, se você separa os dois, a resposta de um carro mais fácil de usar aparece com a criação de uma rede, antes de criarmos os carros.
A rede tem dois componentes,
O primeiro é que você recarrega o carro em qualquer lugar em que você estacionar, afinal, os carros são utilizados de forma estranha pois são dirigidos por 2 horas e ficam estacionados por 22.
Se você dirige um carro de manhã e a tarde a relação recarga/tempo de uso seria de 1 minuto por 1 minuto.
Então o primeiro pensamento que me veio a mente, foi que em qualquer lugar que estacionamos temos energia elétrica.
Isso parece loucura, mas em alguns lugares do mundo, como a Escandinávia, já temos isso.
Se você estaciona o seu carro e não liga o aquecedor, quando você voltar você não tem um carro. Simplesmente não funciona.
Então este fim da viagem, de certa forma, é o primeiro passo da infraestrura.
O segundo componente para a infraestrutura trata-se de da extensão de autonomia.
Estamos limitados hoje a tecnologia de baterias, que dá 194 quilomêtros de rodagem usando espaço e peso aceitáveis.
194 quilomêtros é o suficiente para muitas pessoas.
Mas é claro que ninguém quer ficar parado na rua.
Então adicionamos a nossa rede um sistema de troca de baterias.
Você dirige. Para e troca sua bateria que acabou
por uma carregada. E continua dirigindo.
Você não faz isso você mesmo. Uma máquina o faz.
Parece com um lava-rápido. Você entra no lava-rápido,
E um prato mecânico levanta sua bateria, tira-a, e coloca uma nova. Dentro de dois minutos você está de volta as ruas. E você pode ir novamente.
Se você tiver pontos de recarga pra todos lados, e tambem estações de troca pra todos lados, com que frequência você pararia? E o resultado é que você trocaria menos baterias do que você para hoje pra abastecer.
Por sinal nós adicionamos uma claúsula no contrato.
Se parar mais que 50 vezes por ano para trocar sua bateria, nós começamos a te pagar porque não seria fácil e sim um inconveniente.
Depois analisamos a questão econômica.
O que acontece quando a bateria é disconectada do carro.
Qual o custo da bateria?
Todo mundo diz que o preço é altíssimo.
O que descobrimos, que ao trocarmos moléculas por elétrons, algo interessante acontece.
Podemos reavaliar aos conceitos econômicos do carro.
A bateria não é o tanque de gasolina, de certa forma.
Lembre-se seu carro tem um tanque de gasolina.
Existe o petróleo bruto,
e existem o refinamento e a entrega do petróleo na forma de gasolina.
A bateria nesse sentido é o petróleo bruto.
Temos um compartimento de bateria no carro. Ele custa 100 dolares como o tanque de gasolina.
Mas o petróleo é substituído por uma bateria.
Mas ela não queima. Ela é consumida, passo por passo por passo.
Ele tem 2. 000 ciclos de vida hoje em dia.
É uma espécie de poço miniatura.
Sempre nos pediram para comprar um carro elétrico e pagar também pelo custo do poço inteiro, durante a vida útil do carro.
Ninguem quer comprar um mini poço com o carro.
De certa forma criamos um novo bem de consumo.
Hoje compramos quilometragem de gasolina.
Nós criamos quilometragem elétrica.
E o preço do quilômetros elétrico é um número interessante.
Hoje, em volume, o preço é de 8 centavos de dólar a cada 1, 6 quilomêtros.
Para vocês que tem dificuldades em calcular isso, no território comercial que vivemos hoje nos EUA
20 milhas por galão, 1, 50 -1, 60 o galão.
É mais barato do que gasolina hoje em dia, mesmo aqui nos EUA.
Na Europa onde há impostos, isso é equivalente a um barril de petróleo custando -60 dólares.
Mas os E-Km respeitam a Lei de Moore.
Elas caem de 8 centavos em 2010, para 4 centavos em 2015, pra 2 centavos em 2020.
Porque? Porque o ciclo de vida das baterias melhoram -- uma pequena melhora na densidade da energia reduz o preço.
E esses preços são de elétrons limpos.
Nós não utilizamos elétron que vêm de carvão.
Então num sentido temos combustível com zero de emissões de carbono e zero vindo de fontes fósseis, a 2 centavos a cada 1, 6 quilomêtros em 2020.
Mesmos que a média nacional chegue a 16 quilomêtros por litro em 2020, que é o sonho,
Imagine que teremos apenas carros de 16 quilomêtros por litro em circulação.
Isso é 0, 21 centavos de dólar por litro.
E 0, 21 centavos de dólar por litro significa que se o oceano pacífico se convertesse em petróleo, e se qualquer empresa de petróleo pudesse refiná-lo, Eles ainda não poderiam competir com 3 centavos por quilomêtro.
Isso é um novo fator econômico, que fascina a maioria das pessoas.
Esta seria uma maravilhosa tese universitária.
E foi esta tese que governos receberam em suas mãos.
Alguns me disseram que é incrível que esta nova geração esteja de fato pensando sobre tais coisas.
Até que consegui chegar a um verdadeiro jovem líder global, Shimon Peres, Presidente de Israel. E ele me propôs o seguinte:
Primeiro me levou ao primeiro ministro que me disse, se você conseguir o dinheiro pra fazer esta rede, 200 milhões de dólares, e se você achar a empresa que vai produzir em massa o carro, eu te dou o país pra você investir os 200 milhões.
Peres achou que esta era uma grande idéia.
E daí fomos dar uma olhada nas indústrias automobilísticas.
Mandamos cartas pra todas as empresas automobilísticas.
3 delas nem apareceram. Uma nos disse que que se fizéssemos um carro híbrido eles nos dariam um desconto.
mas Carlos Ghosn, CEO Brasileiro da Nissan-Renault quando indagado sobre os híbridos ele disse algo incrível.
Ele disse que híbridos são como sereias.
Se você quer um peixe você tem um mulher e quando você precisa de uma mulher você tem um peixe.
E Ghosn disse, "Eu tenho seu carro, Sr. Peres, eu faço os carros pra ti."
E a verdade é que a Renault investiu 1. 5 bilhões de dólares construido 9 protótipos que encaixam-se neste modelo que serão produzidos em larga escala -- Sendo que larga escala significa no primeiro ano, 100 mil carros.
Será o primeiro carro elétrico produzido em larga escala no mercado, e com emissão zero.
Eu estava concorrendo, como Chris disse para ser o CEO da empresa de software SAP E Peres disse, " E porque você não preside este projeto?"
E eu disse "Estou pronto pra ser CEO" E ele disse, " Na na ni na não. Me explique qual tarefa é mais importante do que salvar o seu país e o mundo?"
Então desisti do emprego e abri a empresa A Better Place.
E decidimos expandir nossas operações.
Visitamos outros países, como a Dinamarca.
Eles criaram esta lei maravilhosa chamada de teste de IQ.
É inversamente proporcional aos impostos.
Colocaram 180% de imposto em carros a gasolina e imposto zero para carros de emissão zero.
Lá, se você quiser comprar um carro a gasolina ele custará 60 mil Euros.
E nosso carro custará 20 mil.
E se você não passar o teste de IQ você é expulso do país.
Fomos rotulados como uma empresa que só funciona em "pequenas ilhas".
A maioria não vê Israel como uma ilha. Mas é. É uma ilha em termos de transporte.
Se seu carro estiver sendo guiado fora de Israel, ele foi roubado.
Se estiver pensando em termos de ilhas, decidimos ir a maior ilha que encontramos e chegamos a Austrália. Fora terceiro país que anunciamos uma parceria.
Lá existem 3 centros -- Brisbane, Melbourne e Sydney -- E uma rodovia elétrica que conecta os três.
A próxima ilha foi facil de encontrar, o Havaí.
Decidimos entrar no mercado dos EUA
e escolher lugares onde não precisássemos de autonomia extendida.
No Havaí, você pode dirigir uma ilha inteira numa bateria.
Num dia bem longo, pode-se trocar a bateria e continuar a dar voltas se quiser.
A segunda região foi a baía de São Francisco onde Gavin Newsom criou uma lei maravilhosa entre todas as prefeituras.
Ele decidiou que vai dominar o Estado não oficialmente e depois oficialmente, e criou a lei Região 1.
A baía de São Francisco tem a maior concentração de Toyota Prius e também o melhor extensor de autonomia:
Conhecido como "o segundo carro".
E continuamos a expandir nosso raio de ação e tentamos imaginar qual seria o problema aqui nos EUA.
Por que isso é um problema?
O que aprendemos de mais fascinante é que quando temos problemas no patamar individual, como o preço da gasolina,
não notamos que quando o valor agregado aparece o fim é dado como certeito. Não é?
Então o preço do petróleo, como outros tipos de curvas que conhecemos, segue uma curva de esgotamento.
A base para esta idéia é que poços rasos estão se esgotando
E cada vez mais perfuramos poços mais profundos.
E é cada vez mais caro perfurar estes poços.
E o preço sobe, desce sobe e desce e continuará nessa.
E o problema é que a 147 dólares o barril, que era o preço a 6 meses, os EUA gastaram muito pra comprar petróleo.
E agora quebramos e o preço voltou a 47. As vezes é 40 e as vezes é 50.
E agora criamos um pacote econômico,
chamado de estímulo de 1 trilhão.
Iremos reanimar a economia espero eu, entre 2010 e 2015.
O que acontecerá quando a economia recuperar-se?
Até 2015 teremos 250 milhões de carros novos nas ruas, mesmo na economia atual.
É um aumento de 30% na demanda de petróleo.
25 milhões de barris a mais por dia.
É o que os EUA usa por dia.
Em outras palavras, depois da recuperação vem o pico na curva.
E com este pico vem o pacote pra OPEC também chamado de 200 dólares o barril.
Pegamos o nosso dinheiro e damos pra OPEC.
E o que acontece?
O preço cai de novo. E a ciranda continua.
E as baixas serão cada vez mais longos e as altas cada vez mais curtas.
Esta é a diferença entre problemas de ordem adicional como o CO2, que sobe devagar até transbordar, e problemas de esgotamento onde perdemos o que temos, e que faz o preço oscilar até perdermos tudo.
Procuramos por respostas.
Lembra da campanha, um milhão de híbridos ate 2015.
Isso é 0. 5% do consumo total de petróleo.
Isso é "zero ponto zero sei lá porcento" do mundo inteiro.
Não faz muita diferença.
Olhamos num estudo feito pelo MIT: 10 milhões de carros elétricos nas ruas do mundo.
10 milhões dos 500 milhões que serão produzimos ate lá.
Esta é a estimativa mais pessimista.
É também o número mais otimista, pois diz que a indústria irá de 100 mil carros em 2011 a 10 milhões em 2016 -- crescendo 100x em menos de 5 anos.
Lembre-se que o mundo produz hoje muitos carros.
Temos 10 milhões de carros por região.
Um número enorme.
China está comprando estes carros -- Índia, Rússia, Brasil.
E várias outras regiões.
A Europa resolveu o problema com impostos sobre a gasolina.
Eles serão os primeiros a se esquivar do problema pois seus preços são altos.
China resolverá por decreto, simplesmente declarando que carros a gasolina não mais poderão rodar.
Indianos não conseguirão entender porque isso é um problema pois a maioria da população usa 10 ou 12 litros de cada vez.
Pra eles, uma bateria que roda 194 quilomêtros é uma extensão de autonomia e não uma redução.
Nós somos os únicos que não temos o preço correto.
Não temos a indústria correta.
Não temos incentivo algum para resolver o problema.
E qual a posição da indústria automobilística?
Eles estão focados apenas neles mesmos.
Eles olharam o problema e disseram "o carro versão 1. 0 resolverá o problema por sí."
Nada de olhar a infraestrutura.
Esquecemos de toda a rede em nossa volta.
As coisas que acontecem a nosso redor.
Estamos presenciando a surgimento do carro 2. 0 -- um mercado e modelo de negócios novo.
Neste modelo, no qual o dinheiro que entra, para dirigir o carro, os minutos ou quilomêtros se preferir, que todos estamos acostumados subsidiam o preço do carro, igual a um celular. Você paga pelos quilomêtros.
E um pouco do lucro vai pro produtor do carro.
Um pouco vai pro seu próprio bolso.
Nossos carros serão mais baratos que os a gasolina.
Estamos num mundo que produzirá carros a medida que constróem-se usinas de vento.
Na dinamarca, todos dirigirão carros movidos a energia produzida pelo vento.
Em Israel, pedimos para instalarem um campo solar no sul do país.
E nos disseram: "mas esta é uma área muito grande que pedes".
E dissemos: "E se provarmos que na mesma área encontramos óleo pra durar 100 anos?"
E disseram: "nos tentamos, não tem nada lá"
E dissemos: Não, e se provarmos o contrário?"
E disseram "Ok, podem cavar". E decidimos cavar para cima, ao invés de para baixo.
Eles são perfeitamente compatíveis.
Agora só precisamos de 10% da energia gerada lá.
Imagine este projeto extendendo-se por 10 anos.
Isso é 1% por ano.
E quando estamos tentando resolver grandes problemas, Temos que pensar em 2 números.
E estes não são 20% em 2020.
Estes 2 números são zero, de impacto zero ou petróleo zero expandido até o infinito.
E quando formos a COP15 no final do ano, Não podemos parar de pensar sobre como reduzir emissões.
Temos que pensar em dar incentivos a países que estão dispostos a pensar nestas dimensões.
1 carro emite 4 toneladas de CO2.
Os 700 e poucos milhões de carros de hoje emitem 2. 8 bilhões de toneladas.
Na equação de ordem adicional, isso é 25% do problema.
Carros e caminhões geram 25% das emissões.
Temos que atacar o problema de forma focada, com uma força tarefa que diz, que iremos reduzir emissões a zero antes do fim do mundo.
Compartilhei estas idéias com alguns políticos americanos.
Falei com Bobby Kennedy Jr, um de meus ídolos.
Disse pra ele que um dos motivos pelos quais seu tio é tão lembrado é porque disse que iríamos colocar um homem na lua e o faríamos até o final da década.
Não dissemos que iríamos enviar o homem 20% até a lua.
e que havia 20% de chance dele voltar.
Ele compartilhou comigo uma história antiga.
200 anos atrás, durante uma seção parlamentar na Inglaterra Ouve uma longa troca de argumentos sobre a economia versus a moralidade.
25% era o número, igual as emissões de 25% que vem de carros. 25% da energia da indústria inglesa
vinha de uma fonte que era imoral: a escravidão humana.
E o argumento era: devíamos parar de usar escravos?
E o que isso faria com a nossa economia?
E o povo disse: Devemos fazer isso em fases.
Não podemos fazê-lo imediatamente. Talvez libertamos crianças, e mantemos os escravos.
Depois de 1 mês de argumentos decidiram acabar com a escravidão. E a revolução industrial começou um ano depois,
e a Inglaterra teve 100 anos ininterruptos de crescimento.
Temos que tomar a decisão moral.
E temos que tomá-la imediatamente.
Para isso, precisamos ter liderança presidencial como a que tivemos em Israel, que vai acabar com sua dependência do óleo
E temos que fazer isso não em 20 ou 50 anos. mas dentro deste termo presidencial porque se não o fizermos, perderemos nossa economia, logo após perdermos nossa moralidade.
Muitíssimo obrigado a todos.
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Muito obrigada, Chris. Todos que subiram aqui se disseram assustados. Não sei se estou assustada, mas é a minha primeira vez falando a uma audiência como essa.
E eu não tenho nenhum tipo de tecnologia para apresentar.
Não tenho slides, então vocês terão de se contentar comigo.
Eu gostaria de compartilhar algumas histórias com vocês e falar sobre uma África diferente.
Algumas alusões à África já foram feitas nesta manhã que vocês já conhecem: a África do HIV/AIDS, a África da malária, a África da pobreza e a África dos conflitos, E a África dos desastres.
Embora seja verdade que essas coisas estão acontecendo existe uma África da qual não se ouve muito frequentemente.
E me encontro perplexa, e me pergunto porquê.
Essa é a África que está mudando, mencionada pelo Chris.
Essa é África da oportunidade.
Essa é a África em que as pessoas querem ser donas do seu próprio futuro, do seu destino.
E essa é a África em que as pessoas estão buscando parcerias para fazer isso. É sobre isso que quero falar hoje.
E eu quero começar contando a vocês uma história sobre essa mudança na África.
No dia 15 de setembro de 2005, o Sr. Diepreye Alamieyeseigha, governador de um dos estados ricos em petróleo da Nigéria, foi preso pela Polícia Metropolitana de Londres em uma visita a Londres.
Ele foi preso devido a transferências no valor de 8 milhões de dólares feitas para algumas contas inativas pertencentes a ele e a sua família.
Essa prisão ocorreu porque houve cooperação entre a Polícia Metropolitana de Londres e a Comissão de Crimes Econômicos e Financeiros da Nigéria -- liderada por uma das nossas pessoas mais capazes e corajosas: Sr. Nuhu Ribadu.
Alamieyeseigha foi indiciado em Londres.
Mas devido alguns deslizes, conseguiu escapar vestido de mulher, e fugiu de volta para Nigéria onde, de acordo com nossa constituição, os eleitos governadores e presidentes -- como em muitos países -- têm imunidade e não podem ser processados. Mas algo aconteceu: as pessoas ficaram tão indignadas com esse comportamento que foi possível para a a legislação do seu estado cassar o seu mandato e tirá-lo do poder.
Hoje, Alams -- como o apelidamos -- está na cadeia.
Essa é a história sobre o fato de que as pessoas na Africa não estão mais dispostas a tolerar líderes corruptos.
Essa é a história das pessoas que querem seus recursos administrados adequadamente para o seu bem, e não levados para locais onde eles beneficiarão somente poucos da elite.
E então, quando vocês ouvirem sobre a África corrupta -- corrupção o tempo todo -- Eu quero que saibam que o povo e os governos estão dando duro para combater isso em alguns países, e que algum sucesso está emergindo.
Isso significa que o problema está resolvido? A resposta é não.
Ainda há um longo caminho a percorrer, mas há vontade para fazê-lo.
E estamos alcançando êxito nessa luta tão importante.
Assim, quando vocês ouvirem falar de corrupção, não pensem que não se está fazendo nada a esse respeito – que não se pode trabalhar em nenhum país africano por causa da corrupção extrema. Isso não é verdade.
Há uma vontade de lutar e, em muitos países, essa luta é contínua e está sendo ganha. Em outros, como o meu, a Nigéria, onde há uma longa história de ditaduras, a luta está em curso e temos um longo caminho a percorrer.
Mas a verdade é que isto está ocorrendo.
Os resultados mostram que: o monitoramento independente pelo Banco Mundial e outras organizações mostra que em vários casos a tendência é declinante em termos de corrupção e a governança está melhorando.
Um estudo conduzido pela Comissão Ecnonômica para a África mostrou uma clara tendência ascendente em governos de 28 países africanos.
Deixem-me dizer só mais uma coisa antes de deixar este tópico de governo.
As pessoas falam de corrupção, corrupção.
Sempre que falam disso, imediatamente, pensa-se na África.
Essa é a imgem: países africanos. Mas deixe-me dizer isto: se Alams conseguiu exportar 8 milhões de dólares para uma conta em Londres – se as pessoas que aceitaram o dinheiro tivessem estimado que entre 20 a 40 bilhões de fundos de países em desenvolvimento estão entesourados no exterior, em países desenvolvidos – se são capazes disso, o que é isso então? Não é corrupção?
Neste país, se você recebe um bem roubado, não será processado?
Então, quando falamos nesse tipo de corrupção, pensemos também no que está ocorrendo na outra parte do planeta -- onde o dinheiro está indo e o que pode ser feito para isso acabar.
Agora estou trabalhando em um plano com o Banco Mundial, sobre o resgate de ativos, tratando de fazer o que podemos para recuperar o dinheiro que foi levado ao exterior -- dinheiro dos países em desenvolvimento - para trazer esse dinheiro de volta.
Porque se conseguirmos trazer de volta esses 20 bilhões de dólares, poderia haver muito mais para alguns desses países do que toda ajuda que estamos recebendo.
A segunda questão que quero discutir é a vontade para reforma.
Os africanos, depois -- estão cansados, estamos cansados de ser objeto de caridade e ajuda de todo mundo.
Somos gratos, mas sabemos que podemos tomar conta de nosso próprio destino se tivermos a determinação de reformar.
O que está acontecendo em muitos países africanos é que entendem que ninguém pode fazer nada por nós. Somos nós que temos que agir.
Podemos convidar sócios que nos apoiem, mas nós temos que começar.
Temos que reformar nossas economias, trocar nossos líderes, nos tornarmos mais democráticos, estar mais abertos à mudança e à informação.
E é isso que começamos a fazer em um dos maiores países do continente, a Nigéria.
Na verdade, se você não está na Nigéria, você não está na África.
Tinha de dizer isso.
Um em quatro africanos subsaharianos é nigeriano, e o país tem 140 milhões de pessoas dinâmicas - gente caótica, mas gente muito interessante. Você não se entediará.
O que começamos a fazer foi nos dar conta de que tínhamos que assumir responsabilidade e nos reformar.
E com o apoio de um líder que, na época, estava disposto a fazer reformas, apresentamos um extenso programa de reformas que nós mesmo desenvolvemos.
Não o Fundo Monetário Internacional. Nem o Banco Mundial, onde trabalhei durante 21 anos e cheguei a ser vice-presidente.
Ninguém pode fazer isso por você. Você mesmo tem que fazê-lo.
Iniciamos um programa que retirava o estado das empresas nas quais não tinham função alguma -- que não eram de sua competência.
O estado não deve se envolver com os negócios de produção de bens e serviços porque é ineficiente e incompetente.
Assim decidimos privatizar várias de nossas empresas.
Como resultado, liberalizamos vários de nossos mercados.
Vocês acreditam que antes dessa reforma -- que começou no fim de 2003, quando saí de Washington para assumir o cargo de Ministra da Fazenda -- tínhamos uma companhia de telecomunicações com capacidade de fornecer apenas 4. 500 linhas em seus 30 anos de vida.
Possuir um telefone me meu país era um grande luxo.
Não se conseguia. Você tinha que subornar.
Fazíamos de tudo para conseguir um telefone.
Quando o presidente Obasanjo apoiou e lançou a liberalização do setor de telecomunicações, passamos de 4. 500 para 32 milhões de linhas GSM e continuamos aumentando.
O mercado de telecomunicações na Nigéria é o segundo mais rápido em expansão do planeta depois da China. Recebemos investimentos na área de 1 bilhão de dólares por ano em telecomunicações. E ninguém sabe disso, exceto uns espertos.
A primeira mais esperta a entrar foi a empresa MTN da África do Sul.
Nos três anos em que fui Ministra da Fazenda, a MTN teve uma média anual de lucro de 360 milhões de dólares.
360 milhões em um mercado, em um país que é pobre, com uma média de renda per capita um pouco abaixo de 500 dólares.
Então, o mercado existe.
Eles o esconderam, mas outros o reconheceram rápido.
Os próprios nigerianos começaram a criar algumas empresas de telecomunicações sem fio, e outras três ou quatro já surgiram.
Mas existe um mercado imenso lá fora, e as pessoas não estão sabendo, ou não querem saber.
Então, privatização foi uma das coisas que fizemos.
Outra coisa que também fizemos foi administrar melhor nossas finanças.
Porque ninguém vai lhe ajudar ou apoiar se você não está administrando bem suas próprias finanças.
E a Nigéria, com o setor petrolífero, tinha a reputação de ser corrupta e de não administrar bem suas próprias finanças públicas.
Então, o que fizemos? Introduzimos uma lei fiscal que desvinculava nosso orçamento do preço do petróleo.
Antes fazíamos um orçamento baseado em qualquer ganho do petróleo, porque o petróleo é o maior setor, o maior gerador de receita. na economia: 70% dos nossos rendimentos provêm do petróleo.
Tão logo os desvinculamos, começamos a fazer um orçamento com um preço um pouco abaixo do preço do petróleo e economizar tudo que estava acima daquele preço.
Não sabíamos se teríamos sucesso; era muito controverso.
Mas o resultado imediato foi que a volatilidade que estava presente em termos do nosso desenvolvimento econômico -- onde, mesmo se o preço do petróleo estivesse alto, cresceríamos muito rápido.
Quando eles colapsam, nós colapsamos.
E nessa economia mal podíamos pagar nada, nenhum salário.
Aquilo estabilizou. Conseguimos economizar, pouco antes de ir-me, 27 bilhões de dólares. Ao passo que – e isso foi paras as nossas reservas – quando começei em 2003, tínhamos 7 bilhões de dólares em reservas.
Quando saí, tínhamos subido para quase 30 bilhões de dólares. E neste momento, temos quase que 40 bilhões de dólares em reservas devido a uma administração financeira adequada.
E isto fortalece a nossa economia, a faz estável.
Nossa taxa de câmbio que costumava flutuar o tempo todo está bem estável e está sendo controlada, assim os empresários têm uma previsibilidade dos preços na economia.
Baixamos a inflação de 28% para 11%.
E o nosso PIB cresceu de uma média de 2. 3% na década passada para aproximadamente 6. 5% agora.
Então todas as mudanças e reformas que conseguimos fazer mostram-se nos resultados que são mensuráveis na economia.
E o que é mais importante, porque queremos nos distanciar do petróleo e diversificar – e existem tantas oportunidades nesse país grande, como em muitos países na África – o que surpreende é que grande parte desse crescimento veio não só do setor petrolífero, mas do não-petrolífero.
A agricultura cresceu mais de 8%.
Como nas telecoms, os setores de habitação e construção também cresceram, eu poderia continuar falando. Isso é para ilustrar que uma vez que se coloque a macro-economia em ordem, as oportunidades em vários outros setores são enormes.
Nós temos oportunidades em agricultura, como mencionei.
Nós temos oportunidades em minérios sólidos. Temos muito minério que ninguém ainda fez investimentos ou explorou. E sabemos que sem uma legislação adequada para isso ser possível, isso não aconteceria. Então agora temos um código de minas que é comparável com alguns dos melhores no mundo.
Temos oportunidades em habitação e bens imóveis.
Não havia nada num país com 140 milhões de habitantes – nenhum shopping comercial como se tem aqui.
Isso era uma oportunidade de investir para alguém que estimulasse a imaginação das pessoas.
E agora, temos uma situação em que o movimento nesse shopping está quatro vezes além do volume de negócios projetado.
Então, há grande movimento em construção, imóveis, mercados de hipotecas. Serviços financeiros: Tínhamos 89 bancos. Muitos sem fazer negócios reais.
Fundimos os bancos de 89 para 25 exigindo que aumentassem o capital – capital social.
E isso foi de cerca de 25 a 150 milhões de dólares.
Os bancos – esses bancos agora estão fundidos, e esse reforçamento do sistema bancário tem atraído muito investimento de fora.
O Banco Barclays da Grã-Bretanha está trazendo 500 milhões.
O Banco Standard Chartered: 140 milhões.
E posso continuar sem parar. Mais e mais dólares no sistema.
Estamos fazendo o mesmo no setor de seguro.
Então, em serviços financeiros, uma grande oportunidade.
No turismo, em muitos países africanos, uma grande oportunidade.
O que muita gente conhece sobre a África Oriental são os animais e plantas selvagens, os elefantes, etc.
Mas organizar o mercado de turismo de uma forma que traga benefícios reais para o povo é muito importante.
Então o que estou tentando dizer? Estou tentando lhes dizer que existe uma nova onda no continente.
Uma nova onda de abertura e democratização em que, desde 2000, mais de dois-terços dos países africanos tiveram eleições democráticas com vários partidos políticos.
Nem todos tem sido perfeitos, ou serão, mas a tendência é muito evidente
Estou tentando lhes dizer que nos últimos três anos, a taxa média de crescimento no continente mudou de cerca de 2. 5% para quase 5% ao ano.
Isso é melhor do que o performance de muitos países da OCDE.
Então é óbvio que as coisas estão mudando.
Conflitos no continente diminuíram; Há uma década atrás, aproximadamente 12 conflitos, Agora caíram para 3 ou 4 conflitos, Um dos mais terríveis, sem dúvida nenhuma, é Darfur.
E, vocês sabem, tem-se o efeito dos países vizinhos onde se algum problema ocorre numa parte do continente, é como se o continente inteiro tivesse sido afetado.
Mas você deveria saber que esse continente não é – é um continente com muitos países, não um país só.
E se os conflitos diminuiram para 3 ou 4, isso significa que existe uma pletora de oportunidades para investir numa economia estável, em crescimento, excitante onde existem muitas oportunidades.
Eu gostaria de fazer uma observação sobre esse investimento.
A melhor maneira de ajudar os africanos nos dias de hoje é os ajudar a se tornarem independentes.
E a melhor maneira de fazer isso é ajudar a criar empregos.
Não vejo problema em querer combater a malária e doar dinheiro para salvar vidas de crianças. Não é isso que estou dizendo. Isso é bom.
Mas imaginem o impacto em uma família, se os pais puderem trabalhar e assegurar que seus filhos irão para a escola, que eles mesmos podem comprar remédios para combater as doenças.
Se pudermos investir em lugares onde pode-se ganhar dinheiro enquanto criamos empregos e ajudamos as pessoas a serem independentes, não é isso uma oportunidade maravilhosa? Não é essa a trilha a percorrer?
E gostaria de dizer que algumas das melhores pessoas para se investir no continente são as mulheres.
Eu tenho um CD aqui. Desculpe se não disse nada antes.
Pena, teria gostado se tivessem visto isso.
O CD diz “África: Aberta para Negócios.”
Na verdade esse vídeo recebeu o prêmio como o melhor documentário do ano.
A mulher que fez o vídeo estará na Tanzânia, onde haverá uma sessão em junho.
O vídeo nos mostra os africanos, mulheres africanas, que contra todas as expectativas criaram negócios, alguns de classe mundial.
Umas das mulheres no vídeo, Adenike Ogunlesi, fabricando roupas para crianças – que começou como um hobby e cesceu em uma empresa.
Misturando nossos tecidos africanos, com tecidos de outras partes.
Então, ela faz uma jardineirinha de veludo cotelê, misturado com tecido africano. Designs muito criativos. Chegou ao ponto de receber uma encomenda da Wal-Mart.
De 10. 000 peças.
Então isso mostra que temos pessoas capazes.
E que as mulheres são diligentes; são focadas; são trabalhadoras.
Eu poderia continuar dando exemplos: Beatrice Gakuba de Rwanda, que começou um negócio vendendo flores e agora, exporta para “Dutch Auction” em Amsterdam diariamente, e emprega 200 mulheres e homens para trabalharem com ela.
Porém, muitos deles estão sem capital para expandir, porque ninguém tem fé em outros países que podemos fazer o que for preciso. Ninguém pensa em termos de mercado.
Ninguém pensa que as oportunidades existem.
Mas aqui estou eu, alertando a todos, se perderem a barca agora, perderão para sempre.
Então, se quiserem ir na África, pensem em investimento.
Pensem nas Beatrices, pensem nas Adenikes desse mundo, que estão fazendo coisas incríveis que as trazem para dentro da economia global, e ao mesmo tempo elas garantem empregos para os seus companheiros, homens e mulheres, e que as crianças nessas famílias recebam uma educação porque seus pais estarão ganhando um salário adequado.
Então eu os convido para explorar as oportunidades.
Quando vocês forem a Tanzânia, escutem bem, pois tenho certeza que vão ouvir falar sobre as várias possibilidades que terão para se envolverem em algo que poderá fazer bem para o continente, para o povo e para vocês.
Muito obrigada.
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Um dos problemas de escrever, trabalhar e buscar na Internet é que é muito difícil separar modismos de mudanças profundas
E para começar a ajudar nisso, eu quero nos levar de volta para 1835
Em 1835, James Gordon Bennet fundou o primeiro jornal de circulação de massa na cidade de Nova Iorque.
E custou cerca de 500 dólares para começá-lo, o que seria algo equivalente a 10. 000 dólares de hoje.
Quinze anos mais tarde, em 1850, fazer a mesma coisa -- começar o que era vivenciado como um jornal diário de circulação de massa -- chegaria a custar dois milhões e meio de dólares.
10. 000, dois milhões e meio, 15 anos.
É essa mudança crítica que está sendo invertida pela rede.
E é sobre isso que eu quero falar hoje, e como isso se relaciona com a emergência de uma produção social.
Começando com jornais, o que vimos era o alto custo como um requisito para fazer informação, conhecimento e cultura, o que leva a uma bifurcação extrema entre produtros -- os quais tinham que ser capazes de levantar capital financeiro, assim como qualquer outra organização industrial -- e consumidores passivos que poderiam escolher a partir de um conjunto de coisas que esse modelo industrial podia produzir.
Os termos "sociedade da informação", "economia da informação", são usados há muito tempo como coisas posteriores à Revolução Industrial. Mas na verdade, para os propósitos de entender o que está acontecendo hoje, isso está errado. Porque por 150 anos nós tivemos uma economia da informação.
Mas ela é apenas industrial. O que significa que aqueles que estavam produzindo tinham que ter um meio de levantar dinheiro para pagar aqueles dois milhões e meio de dólares e, depois, mais para o telégrafo e o transmissor de rádio, e a televisão, e eventualmente a central de rede.
E isso significava que eles eram baseados no mercado, ou que eles eram propriedade governamental, dependendo do tipo de sistema em que ele estava. E isso caracterizou e ancorou o modo como a informação e o conhecimento foram produzidos pelos próximos 150 anos.
Agora, deixe-me contar uma história diferente. Por volta de junho de 2002, o mundo dos supercomputadores teve uma bomba.
Os japoneses criaram pela primeira vez o supercomputador mais rápido -- o Earth Simulator da NEC -- tirando a primazia dos EUA, e cerca de dois anos mais tarde -- isso, aliás, mede os trilhões operações pontuais flutuantes que o computador é capaz de rodar por segundo. Suspiro de alívio: IBM Blue Gene acaba de passar à frente do Earth Simulator da NEC.
Tudo isso ignora o fato de que durante todo esse período, havia outro supercomputador rodando no mundo -- o SETI@Home
-- quatro milhões e meio de usuários pelo mundo, contribuindo com suas sobras de processamento, sempre que seus computadores não estiverem trabalhando, rodando um protetor de tela, e juntos dividindo seus recursos para criar um computador massivo em que a NASA põe arreios para analisar os dados oriundos dos telescópios a rádio.
O que essa imagem sugere para nós é que nós tivemos uma mudança radical no modo como a produção e troca de informação é capitalizada. Não que ela tenha se tornado menos intensa em capital -- que haja menos dinheiro do que é requerido -- mas que a titularidade do capital, a maneira como o capitalismo acontece, está radicalmente distribuída. Cada um de nós, nessa economia avançada, tem um desses, ou algo parecido com ele -- um computador.
Eles não são radicalmente diferentes de roteadores no centro da rede.
E computação, armazenamento e capacidade de comunicação estão nas mãos de praticamente toda pessoa conectada - e esses são os meios físicos basicos de que o capital necessita para produzir informação, conhecimento e cultura, nas mãos de algo como 600 milhões a um bilhão de pessoas pelo planeta.
O que isso significa é que pela primeira vez desde a Revolução Industrial, os meios mais importantes -- os componentes mais importantes das atividades econômicas centrais -- lembrem, nós estamos em uma economia da informação -- das economias mais avançadas, e aqui mais do que em qualquer outro lugar, estão nas mãos da população em geral. Isso é completamente diferente do que vimos desde a Revolução Industrial. Então nós temos capacidade de comunicação e computação nas mãos da população inteira, e nós temos criatividade humana, sabedoria humana, experiência humana -- a outra experiência maior, a outra entrada. O que é diferente de um simples trabalho -- fique aqui girando essa manivela o dia todo -- não é algo que seja o mesmo ou emprestável entre as pessoas.
Qualquer um que tenha pegado o trabalho de alguém ou tentado dar o seu a outra pessoa, não importa quão detalhado o manual, você não pode transmitir o que você sabe, o que você irá intuir sob um certo conjunto de circunstâncias.
Nisso nós somos únicos, e cada um de nós detém essa entrada crítica na produção quando nós temos essa máquina.
Qual é o efeito disso? A história que a maioria conhece é a história dos softwares livres ou de código livre.
Essa é a fatia do mercado do servidor Apache Web -- uma das aplicações críticas das comunicações baseadas na internet.
Em 1995, dois grupos de pessoas disseram, "Uau, isso é realmente importante, a rede. Nós precisamos de um servidor de rede muito melhor.
Um era uma coleção de voluntários diversos que tinham acabado de decidir, quem realmente precisava disso, quem deveria escrever, e o que nós iremos fazer com isso -- nós vamos compartilhá-lo! E outros serão capazes de desenvolvê-lo.
O outro era a Microsoft.
Agora, se eu dissesse a vocês que 10 anos depois o grupo de pessoas que não controlavam nada que eles produziram adquiriram 20% do mercado e é a linha vermelha, isso seria incrível, certo?
Pense nisso em minivans. Um grupo de engenheiros de automóveis estão competindo com a Toyota nos seus fins de semana
Mas na verdade, é claro, a história é que são os 70%, incluindo os principais sites de comércio eletrônico -- 70% de uma aplicação crítica na qual comunicações baseadas na internet e trabalho de aplicações são produzidas dessa forma em competição direta com a Microsoft, não em uma questão lateral -- em uma decisão estratégica para tentar capturar um componente da rede.
Software permite isso de uma maneira bem clara ela é mensurável. Mas a coisa a ver é que isso na verdade acontece através da internet.
Então a NASA, em algum ponto, fez um experimento no qual eles tiraram imagens de Marte que eles estavam mapeando. E eles disseram que em vez de ter três ou quatro PhDs completamente treinados fazendo isso o tempo todo, vamos quebrar isso em componentes pequenos, por na internet, e ver se as pessoas, usando uma interface muito simples, irão realmente gastar cinco minutos aqui, 10 minutos ali, clicando. Depois de seis meses, 85. 000 pessoas usaram isso para gerar um mapeamento a uma taxa mais alta que as imagens estavam entrando, o que era, abre aspas "praticamente indistinguível das marcas de um PhD completamente treinado," uma vez que você mostrou isso a um número de pessoas e computou a média.
Agora se você tem uma garotinha, e ela vai e escreve para -- bem, não tão "inha", meio "inha" -- tentar fazer pesquisa sobre a Barbie.
E ela chega à Encarta, uma das principais enciclopédias online,
isso é que ela irá encontrar sobre Barbie. É isso, não há nada mais para a definição, incluindo "produtores" -- plural -- "agora mais comumente produzem bonecas diversas etnicamente, como essa Barbie negra." O que é vastamente melhor que o que você irá encontrar na encyclopedia. com, que é Barbie, Klaus.
Por outro lado, se elas forem para a Wikipédia, elas encontrarão um artigo genuíno -- e eu não vou falar muito sobre a Wikipédia, porque Jimmy Wales está aqui -- mas grosseiramente equivalente ao que você iria encontrar na Britannica, diferentemente escrito, incluindo as controvérsias sobre a imagem do corpo e a comercialização, as reclamações sobre o meio no qual ela é um bom modelo, etc.
Outra parte é não só como o conteúdo é produzido, mas como a relevância é produzida.
A reivindicação de fama da Yahho! era "nós contratamos pessoas para ver" - originalmente, não mais -- nós contratamos pessoas para ver sites e dizer a vocês -- que se eles estão no índice, eles são bons. Isso, por outro lado, é o que 60. 000 voluntários passionais produzem no Open Directory Project. Cada um disposto a gastar um hora ou duas em algo que eles realmente se importam quer dizer, isso é bom. Então esse é o Open Directory Project, com 60. 000 voluntários, cada um gastando um pequeno tempinho, em oposição a poucas centenas de empregados completamente pagos. Ninguém é dono disso, ninguém é dono das saídas, ele é livre para qualquer um usar e é a saída de pessoas agindo por motivações sociais e psicológicas para fazer algo interessante.
Isso não está apenas fora dos negócios. Quando você pensa sobre o que é a inovação crítica do Google, a inovação crítica é a terceirização da coisa mais importante -- a decisão sobre o que é relevante -- para a comunidade da rede como um todo, fazendo o que quer que eles queiram fazer. Daí vem o ranking de páginas
A inovação crítica aqui é que em vez de nossos engenheiros ou nosso pessoal dizendo o que é mais relevante, nós vamos ir lá fora e contar o que vocês, pessoas por aí na internet, por quaisquer razões -- vaidade, prazer, produziram link e amarram uns aos outros. Nós iremos contá-los e elevá-los.
E de novo, aqui, você vê Barbie. com, mas também, muito rapidamente, Adiosbarbie. com, a imagem do corpo para cada tamanho. Um objeto cultural contestado, o qual você não irá encontrar em breve à venda, que é o mecanismo clássico baseado no mercado. Quem pagar mais é o mais alto na lista.
Então tudo isso está na criação de conteúdo, de relevância, expressões humanas básicas.
Mas lembrem, os computadores também eram físicos. Apenas materiais físicos -- nossos PCs, nós os compartilhamos juntos. Nós também vemos isso no sem fio.
O sem fio costumava ser de uma pessoa que transmitia numa área, e tinha que ser decidido se eles iriam licenciar ou se basear na propriedade.
O que nós estamos vendo é que computadores e rádios estão se tornando tão sofisticados que nós estamos deenvolvendo algorítmos que permitem às pessoas ter máquinas, como dispositivos wi-fi e cobri-los com um protocolo de compartilhamento que iria permitir uma comunicação como essa construir sua própria rede banda larga sem fio meramente a partir do simples princípio: Quando eu estou ouvindo, quando eu não estou usando, eu posso ajudar você a transferir suas mensagens. E quando você não está usando, você irá me ajudar a transferir as suas.
E isso não é uma versão idealizada. Esses são modelos operantes que ao menos em alguns lugares dos Estados Unidos estão sendo implementados, pelo menos para segurança pública.
Se em 1999 eu lhes dissesse, vamos construir um sistema de armazenamento de dados e recuperação.
Ele tem que armazenar terabytes. Ele tem que estar disponível 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele tem que estar disponível de qualquer lugar do mundo.
Ele tem que suportar mais de 100. 000. 000 usuários a qualquer dado momento. Ele tem que ser robusto contra ataques, incluindo fechamento a página principal, injeção de arquivos maliciosos, acesso armado a alguns sítios principais. Você diria que isso levaria anos.
Poderia levar milhões. Mas é claro, o que estou descrevendo é o compartilhamento de arquivos P2P.
Certo? Nós sempre pensamos nele como roubo de música, mas fundamentalmente ele é um sistema distribuído de armazenamento de dados e recuperação, onde pessoas, por razões muito óbvias, estão querendo compartilhar sua banda e seus arquivos para criar algo.
Então essencialmente o que estamos vendo é a emergência de uma quarta opção comercial. Costumava haver duas dimensões primárias em torno das quais você poderia dividir as coisas. Elas poderiam ser baseadas no mercado ou não elas poderiam ser descentralizadas ou centralizadas.
O sistema de preços era um sistema baseado no mercado e descentralizado.
Se as coisas funcionassem melhor porque você realmente tinha alguém as organizando, você tinha firmas se você quisesse estar no mercado -- ou você tinha governos ou às vezes grandes não-lucrativos no não mercado.
Era caro demais ter produção social descentralizada, ter ação descentralizada na sociedade -- que não fosse sobre a própria sociedade.
Isso era um fato em economia.
Mas o que estamos vendo agora é a emergência desse quarto sistema de compartilhamento e troca social.
Não que seja a primeira vez que nós fazemos coisas legais uns aos outos, ou pelos outros, como seres sociais. Nós fazemos isso o tempo todo.
É que é a primeira vez que estamos tendo maior impacto econômico.
O que os caracteriza é a autoridade descentralizada.
Você não tem que pedir permissão, como você precisa num sistema baseado na propriedade.
Eu posso fazer isso? É aberto para qualquer um criar e inovar e compartilhar, se eles quiserem, sozinhos ou com outros, porque a propriedade é um mecanismo de coordenação.
Mas não é o único.
Em vez disso, o que nós vemos são estruturas sociais para todas as coisas críticas que usamos como propriedade e contrato no mercado. A informação flui para decidir o que são problemas interessantes, quem está disponível e é bom para algo, estruturas motivacionais -- lembrem, dinheiro não é sempre o melhor motivador.
Se você deixa um cheque de 50 dólares depois de jantar com amigos, você não aumenta a probabilidade de ser convidado de volta.
E se o jantar não for inteiramente óbvio, pense em sexo.
Isso também requer certas novas abordagens organizacionais.
E em particular o que nós vemos é organização das tarefas.
Você tem que contratar pessoas que saibam o que estão fazendo.
Você tem que contratá-las para gastar muito tempo.
Agora, pegue o mesmo problema, despedace em pequenos módulos, e as motivações se tornam triviais.
Cinco minutos, em vez de ver TV?
Cinco minutos que vou gastar só porque algo é interessante. Só porque é divertido.
Só porque ele me dá certa sensação de significado, ou, em locais que são mais envolvidos, como Wikipédia, me dá um certo conjunto de relações sociais.
Então um novo fenômeno social está emergindo.
Ele está criando, e isso é mais visível quando nós o enxergamos como uma nova forma de competição
Redes ponto-a-ponto agredindo a industria fonográfica; programas livres e de código aberto tirando fatias de mercado da Microsoft; Skype potencialmente ameaçando telecoms tradicionais; Wikipédia competindo com encyclopédias online.
Mas também uma nova oportunidade para negócios.
Ao ver um novo conjunto de relações sociais e comportamentos emergindo, você tem novas oportunidades. Algumas delas são produtoras de ferramentas.
Em vez de construir aparelhos bem comportados -- coisas que você sabe antes o que elas irão fazer -- você começa a construir ferramentas mais abertas. Há um novo conjunto de valores, um novo conjunto de coisas que as pessoas valorizam.
Você constrói uma plataforma de auto-expressão e colaboração.
Como Wikipédia, como o Open Directory Project, você está começando a construir plataformas e você as vê como modelos.
E você vê internautas, pessoas que observam isso acontecendo, e de alguma forma construída em uma cadeia de abastecimento que é muito curiosa. Certo?
Você tem uma crença: as coisas surgirão de seres humanos conectados.
Isso vai me dar algo que eu possa usar, e eu vou fazer contrato com alguém.
Eu vou entregar algo baseado no que acontecer. É muito assutador -- é o que o Google faz, essencialmente.
É o que a IMB faz em serviços de software, e eles o fazem razoavelmente bem.
Então a produção social é um fato real, não um modismo.
É a mudança crítica de longo prazo causada pela internet.
Relações e trocas sociais se tornaram significativamente mais importantes do que elas jamais foram como um fenômeno econômico. Em alguns contextos, é até mais eficiente por causa da qualidade da informação, a capacidade de achar a melhor pessoa, os custos de transação mais baixos. É sustentável e está crescendo rápido.
Mas -- e essa é a parte obscura -- isso é ameaçado pelos -- da mesma forma que isso ameça -- sistemas industriais incumbentes.
Então a próxima vez que você abrir o jornal e ver uma decisão de propriedade intelectual, uma decisão de uma telecom, ela não é sobre algo pequeno e técnico.
É sobre o futuro da liberdade de existir como ser social uns com os outros, e a forma como a informação, conhecimento e cultura serão produzidos.
Porque isso está no contexto em que vemos uma batalha sobre quão fácil ou difícil será para a economia da informação industrial simplesmente seguir como ela segue, ou começar a desenvolver o novo modelo de produção em paralelo ao tradicional e mudar o modo nós começamos a ver o mundo e reportar o que é isso que nós vemos.
Obrigado.
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Você se preocupa com o que vai lhe matar?
Doença do coração, câncer, acidente de carro?
A maioria de nós se preocupa com coisas que não podemos controlar como guerra, terrorismo, o terremoto trágico que ocorreu recentemente no Haiti.
Mas o que realmente ameaça a humanidade?
Há alguns anos, o catedrático Vaclav Smil tentou calcular a probabilidade de desastres repentinos suficientemente fortes que mudariam a história.
Ele chamou-os de "descontinuidades massivamente fatais", o que significa que poderiam matar até 100 milhões de pessoas nos próximos 50 anos.
Ele estudou as chances de: uma outra guerra mundial, uma erupção massiva de vulcões e até mesmo de um asteroide atingindo a terra.
Mas ele situou a probabilidade de um evento acima de todos os demais, perto de 100%: uma severa pandemia de gripe.
Agora, você pode pensar em gripe como se fosse um resfriado realmente forte. Mas ela pode trazer a sentença de morte.
A cada ano, 36 mil pessoas nos EUA morrem de gripe sazonal.
Nos países emergentes, os dados são muito incompletos, mas o número de mortes é quase que certo mais alto.
Vocês sabem, o problema é se esse vírus, às vezes, sofre mutação tão dramaticamente, ele essencialmente se torna um novo vírus. E aí temos uma pandemia.
Em 1918, um novo virus apareceu que matou algo entre 50 a 100 milhões de pessoas.
Se espalhou como fogo de queimada. E alguns morreram logo após a manifestação dos sintomas.
Estamos mais confiantes hoje?
Bem, parece que nós escapamos da pandemia mortal deste ano que muitos de nós temia, mas essa ameaça pode voltar a qualquer momento.
As boas notícias são que vivemos em uma era em que a ciência, a tecnologia, a globalização se convergem para criar uma possibilidade sem precedente, a possibilidade de se fazer história prevenindo doenças contagiosas que ainda são responsáveis por um quinto das mortes e por uma miséria incalculável na Terra.
Podemos fazer isso.
Já estamos prevenindo milhões de mortes com as vacinas existentes. E se pudermos levá-las para mais pessoas, certamente poderemos salvar mais vidas.
Mas com as novas ou melhores vacinas para malária, tuberculose, HIV, pneumonia, diarréia, gripe, poderíamos terminar com o sofrimento que existe na Terra desde o início dos tempos.
Então, estou aqui para anunciar as vacinas para vocês.
Mas primeiro, eu vou explicar por que elas são tão importantes. Acontece que as vacinas, o poder das vacinas, é como um sussurro.
Quando funcionam, podem fazer história, mas após um tempo, quase não se ouve mais a respeito delas.
Agora, alguns de nós temos idade suficiente para termos uma pequena cicatriz arredondada nos braços da inoculação que recebemos quando crianças.
Mas quando foi a última vez que você se preocupou com sarampo, uma doença que matou meio bilhão de pessoas no século passado e hoje não se encontra mais entre nós?
Ou pólio -- quantos de vocês se lembram do pulmão de ferro?
Não vemos hoje cenas como essas, por causa das vacinas.
Agora, sabem, é interessante porque existem umas 30 doenças que podem ser tratadas com vacinas hoje, mas ainda somos ameaçados por HIV, gripes e assemelhados.
E por que isso?
Bem, revelo um segredo maroto.
Até recentemente, não era necessário saber exatamente o que funcionava na vacina.
Sabíamos que funcionava pelo antigo método de tentativa e erro.
Pega-se um patógeno, modifica-se, injeta-se numa pessoa ou num animal, e observa-se o que acontece.
Isso funcionava para a maioria dos patógenos, desde germes até gripes, mas de modo nenhum para HIV, para o qual os humanos não possuem imunidade natural.
Então vamos explorar como as vacinas funcionam.
Elas basicamente criam um armazenamento de armas para o nosso sistema imunológico que podem ser utilizadas quando necessário.
Agora, quando pega-se uma infecção viral, normalmente leva alguns dias ou semanas para o corpo se defender em força total, e isso pode ser tarde demais.
Quando você está pré-imunizado, o que acontece é que você tem forças no seu corpo pré-treinadas para reconhecer e destruir inimigos específicos.
Então, assim funcionam as vacinas.
Agora, vamos ver neste video que está estreando no TED, pela primeira vez, como uma vacina HIV eficaz pode funcionar.
Narrador: A vacina treina o corpo por antecipação em como reconhecer e neutralizar um invasor específico.
Após o HIV penetrar nas barreiras das mucosas do corpo, ele infecta as células imunes para se reproduzir.
O invasor chama atenção das tropas de linha de frente do sistema imunológico.
As células dendríticas ou os macrófagos, capturam o vírus e exibem pedaços dele.
As células de memória geradas pela vacina do HIV são ativadas quando elas aprendem que o HIV está presente nas tropas de linha de frente.
Essas células de memória imediatamente liberam as armas certas para a demanda.
Células de memória B se transformam em células plasma, que produzem onda após onda de anticorpos específicos que se prendem ao HIV para preveni-lo de infectar as células enquanto os esquadrões das células assassinas T vão na busca e destroem células que já estão infectadas pelo HIV.
O vírus é derrotado
Sem a vacina, essas reações levariam mais de uma semana.
A essa altura, a batalha contra o HIV já teria sido perdida.
Seth Berkley: Um vídeo muito legal, não?
Os anticorpos que vocês acabaram de ver no vídeo, em ação, são aqueles que fazem a maioria das vacinas funcionarem.
Então pergunta-se o seguinte: Como podemos nos assegurar que o corpo produz os anticorpos exatos que precisamos para nos proteger contra gripes e HIV?
O desafio mais importante para ambos os vírus é que eles estão sempre em mutação.
Então vamos dar uma olhada no vírus da gripe.
Nessa exposição do vírus da gripe, essas projeções em pontas coloridas são as usadas para lhes infeccionar.
E também, são o que os anticorpos utilizam como um gancho que essencialmente agarra e neutraliza o vírus.
Quando esses sofrem uma mutação, a sua forma muda, e os anticorpos não sabem mais o que estão vendo.
É por isso que, todo ano, pega-se uma cepa de gripe ligeiramente diferente.
Também é por isso que, na primavera, temos que fazer uma conjetura: qual das três cepas vão predominar no ano próximo; colocá-las em uma só vacina e apressar em produzi-las para o outono.
Pior ainda, a gripe mais comum, a gripe A, também infecta os animais que vivem muito próximos aos humanos, e eles podem recombinar nesses animais.
Além disso, pássaros aquáticos selvagens carregam todas as cepas conhecidas da gripe.
Então, essa é a situação. Em 2003, tivemos a gripe H5N1 [aviária] que passou das aves para os humanos em alguns casos isolados com uma taxa de mortalidade de 70%.
Felizmente agora, aquela específica gripe, apesar de na época ser assustadora, não transmitiu de pessoa para pessoa tão facilmente.
A ameaça da H1N1 neste ano foi na verdade uma mistura de humana, aviária e suína que surgiu no México.
Essa foi facilmente transmitida, mas, felizmente, foi fraca.
E assim, de certo modo, nossa boa sorte se mantém firme, mas a qualquer momento uma outra ave selvagem poderá sobrevoar
Agora vamos dar uma olhada no HIV.
Por mais variável que a gripe seja, HIV faz a gripe parecer com o Rochedo de Gibraltar.
O vírus que causa AIDS é o patógeno mais traiçoeiro que os cientistas já se confrontaram.
Ele sofre mutação furiosamente. Tem armadilhas para evadir o sistema imunológico. Ele ataca as próprias células que tentam combatê-lo E rapidamente se esconde em seu genoma.
Aqui está um slide mostrando a variação genética da gripe e comparando isso ao HIV, um alvo muito mais descontrolado.
Um pouco antes no vídeo, vocês viram frotas de vírus novos sendo lançadas das células infectadas.
Bem, entendam que em uma pessoa recentemente infectada, existem milhões desses navios, sendo que cada um é um pouco diferente.
Encontrar uma arma que reconheça e que afunde todos eles faz a tarefa muito mais difícil.
Agora, nos 27 anos desde que o HIV foi identificado como o causador da AIDS, nós desenvolvemos mais fármacos para tratar HIV do que todos os outros vírus juntos.
Esses fármacos não são curas, mas representam um triunfo enorme na ciência, porque eles removem a sentença de morte automática do diagnóstico do HIV, pelo menos para os que tem acesso a eles.
O trabalho com a vacina, na verdade, é bem diferente.
As grandes empresas se afastaram disso porque achavam que a ciência era difícil demais e as vacinas foram vistas como um negócio sem lucro.
Muitos pensaram que era impossível se fazer uma vacina para AIDS, mas hoje, a evidência nos diz o contrário.
Em setembro, tivemos resultados inesperados, mas empolgantes de um ensaio clínico feito na Tailândia.
Pela primeira vez, vimos uma vacina da AIDS funcionar em humanos, embora, modestamente. E essa vacina foi feita quase uma década atrás.
Conceitos novos e testes iniciais agora mostram grandes promessas nos nossos animais modelo.
Mas nos últimos meses, pesquisadores também isolaram vários novos anticorpos neutralizantes de amplo espectro do sangue de uma pessoa com HIV.
Agora, o que isso significa?
Vimos antes que o HIV é altamente variável, que um anticorpo neutralizante de amplo espectro agarra-se e incapacita variações múltiplas do vírus.
Se os pegarem e os colocarem no melhor dos nossos macacos modelos, eles dão proteção completa contra infecções.
Além disso, os pesquisadores encontraram um novo local em HIV onde os anticorpos podem se agarrar e esse é um local especial porque ele se modifica muito pouco enquanto o vírus sofre a mutação.
É como se, apesar de muitas vezes o vírus trocar de roupa, ainda está usando as mesmas meias, e agora nossa tarefa é assegurar que o corpo realmente deteste essas meias.
Então, o que temos é uma situação.
Os resultados tailandeses nos dizem que podemos fazer uma vacina da AIDS. E os resultados do anticorpo nos diz como podemos fazer isso.
Essa estratégia, trabalhando de trás para a frente de um anticorpo criar uma possível vacina, nunca foi feito antes em pesquisas de vacinas.
Isso se chama retro-vacinologia, e suas implicações estendem-se muito além do HIV.
Então pensem assim.
Temos esses novos anticorpos que identificamos, e sabemos que eles se agarram nas muitas variações do vírus.
Sabemos que eles têm que se agarrar a uma parte específica, então se pudermos descobrir a estrutura precisa desta parte, apresentar isso através de uma vacina, esperamos poder incitar o sistema imunológico a produzir anticorpos correspondentes.
E isso criaria uma vacina universal para HIV.
Isso soa mais fácil do que realmente é porque, na verdade, a estrutura se parece mais com esse diagrama do anticorpo azul anexado ao seu local de fixação amarelo. E como podem imaginar, essas estruturas tridimensionais são muito mais difíceis de se trabalhar.
E se alguém aí tiver ideias de como resolver isto, adoraríamos ouvir sobre isso.
Mas, sabem, a pesquisa relacionada com o HIV, agora, tem realmente ajudado com a inovação parar outras doenças.
Por exemplo, uma empresa de biotecnologia encontrou anticorpos neutralizantes de amplo espectro para gripe assim como um novo alvo para os anticorpos no vírus da gripe.
Atualmente eles estão fazendo um coquetel, um coquetel de anticorpos, que pode ser usado para tratar graves, massivos casos de gripes.
Agora, num prazo maior, o que eles podem fazer é usar essas ferramentas da retro-vacinologia para fabricar uma vacina da gripe preventiva.
Agora, a retro-vacinologia é somente uma técnica dentro do âmbito do chamado design de vacina racional.
Vou dar-lhes um outro exemplo.
Falamos antes das projeções H e M na superfície do vírus da gripe.
Notem essas outras, protuberâncias menores.
Essas estão escondidas do sistema imunológico.
Acontece que essas marcas também não se modificam muito quando o vírus sofre mutação.
Se pudermos os mutilar com específicos anticorpos, poderíamos mutilar todas as versões da gripe.
Até agora, os testes em animais indicam que esse tipo de vacina poderia prevenir doenças graves, embora possa-se ter um caso leve.
Então, se isso funciona para os humanos, o que estamos discutindo é uma vacina da gripe universal, que não precisa ser trocada todo ano e remove o perigo de morte.
Realmente poderíamos pensar em gripe como somente um forte resfriado.
É claro, a melhor vacina imaginável só é válida na medida em que a levamos a todos que precisam.
Para isso, temos que combinar designs inteligentes de vacinas com métodos de produção inteligentes e, é claro, métodos de distribuição inteligentes.
Gostaria que relembrassem um acontecimento uns meses atrás.
Em junho, a Organização Mundial de Saúde declarou a primeira pandemia global da gripe em 41 anos.
O governo americano prometeu 150 milhões de doses de vacina para 15 de outubro para o pico da gripe.
Prometeram vacinas para os países emergentes.
Centenas de milhões de dólares foram gastos e circulados a fim de acelerar a produção das vacinas.
Então, o que aconteceu?
Bom, primeiramente resolvemos como fazer as vacinas da gripe, como fabricá-las, no início da década de 1940.
Foi um processo lento e problemático que dependia de ovos de galinha, milhões de ovos de galinha.
Os vírus somente crescem em seres vivos, então aconteceu que, para a gripe, ovos de galinha funcionavam muito bem.
Para a maioria das cepas, conseguia-se uma ou duas doses de vacina por ovo.
Felizmente, vivemos em uma era de avanços biomédicos espetaculares.
Hoje em dia, fazemos nossas vacinas da gripe de. ovos de galinha, centenas de milhões de ovos de galinha.
Sabem, quase nada mudou,
Sabem, o sistema é sólido. Mas o problema é que, nunca se sabe como uma cepa irá se desenvolver.
A cepa da gripe suína deste ano cresceu muito pouco na produção inicial, basicamente 0. 6 doses por ovo.
Aí surge um pensamento alarmante.
E se aquela ave selvagem sobrevoasse outra vez?
Veríamos uma cepa aviária que iria infeccionar bandos de aves, e não teríamos os ovos para as nossas vacinas.
Então, Dan [Barber], se você quiser bilhões de excrementos de galinha para a sua fazenda de peixes, eu sei onde consegui-los.
Hoje em dia, o mundo pode produzir em torno de 350 milhões de doses de vacinas da gripe para as três cepas. E podemos aumentar para 1. 2 bilhão de doses, se quisermos atingir uma variante única como a gripe suína.
Mas isso presume que as nossas fábricas estão super ativas porque, em 2004, a provisão americana foi cortada pela metade por causa de contaminação em uma fábrica.
E o processo ainda leva mais de meio ano.
Então, estamos melhor preparados do que em 1918?
Bem, com as novas tecnologias que emergem, Eu espero que possamos dizer, “Sim.”
Imaginem se pudéssemos produzir vacinas da gripe para todos no mundo inteiro por menos da metade do que gastamos atualmente nos Estados Unidos.
Com uma série de tecnologias novas, poderíamos.
Um exemplo: A empresa com que trabalho descobriu uma peça específica da projeção da gripe H que estimula o sistema imunológico.
Se a cortamos e a prendemos na cauda de uma bactéria diferente que produz uma reação imunológica vigorosa, ela cria um antigripal muito potente.
Essa vacina é tão pequena, que pode ser cultivada em uma bactéria comum, a E. coli.
Como já sabem, bactérias se reproduzem rápido. É como se faz iogurte. Então poderíamos fabricar vacinas suficientes para a gripe suína para o mundo inteiro em algumas fábricas, em poucas semanas, sem ovos, por uma fração do custo dos métodos atuais.
Então aqui está uma comparação das novas tecnologias para vacinas.
E, além de um aumento radical na produção e uma redução de custos imensa, por exemplo, o método E. coli que acabei de comentar, olhem o tempo ganho – isso salva vidas.
O mundo em desenvolvimento, quase todo omitido da reação atual, vê o potencial dessas tecnologias alternativas, e está superando o Ocidente.
A Índia, o México e outros países já estão fazendo vacinas experimentais para gripe e poderão vir a ser os primeiros lugares onde essas vacinas entrarão em uso.
Porque essas tecnologias são tão eficientes e relativamente baratas, bilhões de pessoas terão acesso às vacinas que salvam vidas, se pudermos descobrir como as distribuir.
Agora pensem onde isso nos leva.
Doenças infecciosas novas surgem e ressurgem a cada número de anos.
Um dia, brevemente talvez, teremos um vírus que venha ameaçar a todos nós.
Reagiremos rapidamente antes que milhões morram?
Felizmente, a gripe deste ano foi relativamente leve.
Eu digo “felizmente” em parte porque virtualmente ninguém nos países emergentes foi vacinado.
Então, se tivermos o planejamento político e financeiro para sancionar nossos investimentos, teremos domínio dessas e das novas ferramentas de vacinologia. E com essas ferramentas, podemos produzir vacinas suficientes, para todos, a baixo custo e assegurar vidas saudáveis e produtivas.
Gripes não devem mais matar um milhão e meio de pessoas por ano.
AIDS não deve mais matar dois milhões por ano.
Doenças infecciosas não devem mais ameaçar o pobre e vulnerável ou, deveras, ninguém.
Ao invés de termos as "descontinuidades massivamente fatais" de Vaclav Smil, podemos assegurar a continuidade de vida.
O que o mundo precisa agora são essas novas vacinas, e nós podemos fazer isso acontecer.
Muito obrigado.
Chris Anderson: Obrigado.
Obrigado.
Então, a ciência está mudando.
Na sua mente, Seth – Digo, você deve sonhar com isto – Qual é a escala de tempo em, vamos começar com HIV, para uma vacina revolucionária ficar disponível?
SB: O avanço pode vir a qualquer momento porque atualmente o problema é que demonstramos que podemos ter uma vacina para os humanos, só precisamos é de uma ainda melhor.
E com esses tipos de anticorpos, nós sabemos que elas podem ser feitas.
Então, se descobrirmos o como, então temos a vacina. O interessante é que já se tem algum indício de que o problema está sendo resolvido.
O desafio está em velocidade máxima.
CA: Instintivamente, você acha que provavelmente ainda levarão mais 5 anos?
SB: Todo mundo diz 10 anos, mas tem sido 10 anos todos os 10 anos.
Então detesto usar a linha do tempo em inovações científicas, mas os investimentos agora estão pagando dividendos.
CA: E isso é também o caso para com a vacina da gripe universal?
SB: Com a gripe é diferente. Acho que o que aconteceu com a gripe foi que nós temos um monte – acabei de mostrar alguns deles – um monte de tecnologias muito legais que já podem ser usadas.
Elas parecem boas. O problema é que, investimos nas tecnologias tradicionais porque nos sentíamos mais a vontade com elas.
Pode-se usar adjuvantes, que são produtos químicos que se mistura.
E é isso o que se faz na Europa, então poderíamos ter diluído a nossa provisão de vacinas e aumentar sua disponibilidade mas, voltando ao que Michael Specter dizia, o movimento antivacina realmente não quer ver isso acontecer.
CA: E a malária está ainda mais atrasada?
SB: Não, a malária, tem um candidato que realmente demonstrou eficácia num teste anterior e está atualmente na fase três dos testes.
Provavelmente, essa não é a vacina perfeita, mas está em movimento.
CA: Seth, quase todos nós trabalhamos onde todo mês tipo assim, sabe, produz-se alguma coisa. Nós sentimos um tipo de satisfação.
Você vem penando nisso há mais de uma década, e eu o saúdo e os seus colegas pelo que fazem.
O mundo precisa de pessoas como vocês. Obrigado.
SB: Obrigado.
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Resumindo, está acontecendo um evento demográfico de grande importância.
E pode ser que ao passarmos de 50 por cento de população urbana haja um ponto de descendência econômica. O mundo hoje é um mapa todo conectado.
Antigamente Paris, Londres e Nova York eram as maiores cidades.
O que temos agora é o fim do crescimento do Ocidente. Isso acabou.
Os números totais são impressionantes.
E o que realmente está acontecendo? Bem, cidades de todo o mundo estão se esvaziando.
A pergunta é: por quê?
E aqui esta a verdade nada romântica -- "e o ar da cidade faz você livre", diziam na Alemanha do Renascimento. Algumas pessoas vão para lugares como Shangai, mas a maioria vai para favelas.
E estas não são pessoas exatamente reprimidas pela pobreza.
São pessoas que tentam sair da pobreza o mais rápido possível.
São os principais construtores e, em grande medida, os principais designers.
Eles têm infraestrutura caseira e uma vida urbana super movimentada.
Um sexto do PIB da Índia vem de Bombaim.
Eles estão evoluindo constantemente e, em alguns casos, o governo os ajuda.
Educação é a principal mudança que ocorre nas cidades.
O que acontece nas ruas de Bombaim?
Al Gore sabe. Acontece de tudo.
Não há desemprego nas favelas. Todos trabalham.
Um sexto da população mundial está ali. Logo será mais que isso.
Aqui vai a primeira moral da historia: As cidades desarmaram a bomba populacional.
E a segunda moral:
Estas são as novidades da cidade. Um panorama geral.
Durante bilhões de anos as estrelas enviaram seu brilho para Terra.
Agora nós estamos brilhando de volta.
Obrigado.
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Bem, primeiramente, gostaria de agradecer Emeka - na verdade - TED Global - por organizar essa conferência conjuntamente.
Essa conferência vai ser uma das mais importantes no começo do século 21.
Será que governos africanos organizariam uma conferência como essa?
Você acha que a U. A. organizaria uma conferência como essa?
Mesmo antes de organizar, eles pediriam por ajuda estrangeira.
Eu gostaria também de prestar homenagem e honras aos companheiros do TED, June Arunga, James Shikwati, Andrew, entre outros.
Eu os chamo de Geração Chita.
A Geração Chita é uma nova casta de africanos que não têm tolerância para com a corrupção.
Eles entendem o que a responsabilidade e a democracia são.
Eles não vão esperar que o governo faça as coisas por eles.
Essa é a Geração Chita. E a salvação da África está nas costas desses Chitas.
Em contraste, é claro, nós temos a Geração Hipopótamo.
A Geração Hipopótamo são as elites que governam.
Elas estão presas ao seus emblemas intelectuais.
Reclamando sobre o colonialismo e o imperialismo - mas não movem um pé para resolver.
Se você pedir a eles para reformar a economia, eles não reformaram, pois eles são beneficiados pelo podre status quo.
No momento, existem muitos africanos que estão com muita raiva, raiva pela condição da África.
No momento, nós estamos falando sobre um continente que não é pobre.
Que é rico em recursos mineiras, recursos minerais naturais.
Mas a riqueza mineral da África não está sendo utilizada para tirar as pessoas da pobreza.
É isso deixa muitos africanos com muita raiva.
De um certo modo, a África é mais que uma tragédia, é uma tragédia em vários modos.
Existe outra resistente tragédia, e essa tragédia é que muitas pessoas, muitos governantes, muitas organizações, que querem ajudar os africanos -
não entendem.
Nós não estamos dizendo, não ajude a África.
Ajudar a África é nobre.
Mas ajudar a África tem se tornado um teatro do absurdo.
É como o cego guiando o ignorante.
Há certas coisas que nós devemos reconhecer.
A tigela africana que pede ajuda vaza.
Vocês sabiam que 40% de toda riqueza criada na África, não é investida na África?
É retirada da África.
Isso é o que o Banco Mundial diz.
Olhe para a tigela africana.
Ela vaza horrivelmente.
Há pessoas que acham que nós devemos despejar mais dinheiro, mais ajuda dentro desta tigela, que vaza.
Quais são os vazamentos dessa tigela?
Somente a corrupção custa a África 148 bilhões de dólares por ano.
Sim, ponha isso aparte.
Fuga de capitais da África, 80 bilhões por ano.
Ponha isso de lado.
Vamos falar sobre importação de alimentos.
Todo ano, África gastar 20 bilhões de dólares para importar alimentos.
Só adicione mais esse vazamento a todos os outros.
Isso é muito mais que os 50 bilhões que Tony Blair quer angariar para a África.
Agora, vamos voltar para a década de 60, o continente não só se alimentava, como também exportava alimentos.
Não mais.
Nós sabemos que algo saiu fundamentalmente errado.
Você sabe, eu sei, mas não vamos perder tempo, nosso tempo, falando sobre esse erros pois nós gastaríamos o dia inteiro aqui.
Vamos seguir em frente, e mover para o próximo capítulo, e é isso que essa conferência se trata - o próximo capítulo.
O próximo capítulo começa com, primeiramente, perguntando a nós mesmos esta questão fundamental, "Quem nós queremos que ajude a África?"
Existem as pessoas, e existe também o governo e os líderes.
Agora, o palestrante antes de mim, o palestrante que falou antes de mim, Idris Mohammed, disse que nós temos um abismo de liderança na África.
Essa caracterização, no meu ver, e ainda mais caridosa.
Eu pertenço a um fórum de discussão na internet, um fórum africano de discussão na internet, e eu perguntei aos outros membros, "desde 1960, nós tivemos, exatamente, 204 chefes de estado africanos, desde 1960".
E depois eu perguntei para eles me dizerem o nome de somente 20 bons líderes, somente 20 bons líderes - talvez você pode participar desse desafio de liderança
Eu perguntei para me dizerem somente 20.
Todos mencionaram Nelson Mandela, é claro.
Kwame Nkrumah, Nyerere, Kenyatta - alguém mencionou Idi Amin.
Eu deixei essa passar.
Meu ponto é, eles não passariam de 15.
Mesmo se eles tivessem mencionado o nome de 20, o que isso quer dizer a vocês?
20 de 204 significa que a maioria, a vasta maioria do líderes africanos, falharam com seus conterrâneos.
E se você olhar para eles, a camada de líderes pós-coloniais - são uma variedade de inepto líderes militares. Socialistas de banco suíços, libertadores crocodilianos, elites vampiras, revolucionários charlatões.
Agora, essa liderança está longe dos tradicionais líderes que os africanos têm conhecido por séculos.
A segunda falsa premissa que nós fazemos quando estamos tentando ajuda a África, é que às vezes nós pensamos que tem uma coisa chamada governo africano que se importa com seus governados, que servem os interesses de seus povos, e representa o povo.
Há uma citação - um chefe Lesoto uma vez disse que "Aqui em Lesoto, nós temos dois problemas, ratos e governo".
O que eu e você entendemos como governo não existe em muitos países africanos.
Na verdade, o que, o que nós chamamos de governos são estados-vampiros.
Vampiros porque eles sugam a vitalidade da economia de seu povo.
Governo é um problema na África
Um estado-vampiro é o governo - - que foi sequestrado por uma falange de bandidos e criminosos que usa os poderes estatais para enriquecerem-se, seus companheiros, membros de suas tribos, e excluir todos os outros.
As pessoas mais ricas na África são chefes de estado e ministros, e muito frequentemente o chefe dos bandidos é o próprio chefe de estado.
Onde eles conseguem dinheiro?
Criando riqueza?
Não.
As juntam às custas do sofrimento das pessoas.
Isso não é criação de riqueza - é redistribuição de riqueza.
O terceiro problema fundamental que nós temos que reconhecer é que se nós queremos ajudar os africanos, nós precisamos saber onde os africanos estão.
Pegue como exemplo qualquer economia africana.
Uma economia africana pode ser dividida em três setores.
Há o setor moderno, há o setor informal e há o setor tradicional.
O setor moderno é a moradia das elites.
É o trono do governo.
Em muitos países africanos, o setor moderno está perdido.
É disfuncional
É uma ordinária prostituição de sistemas importados, o qual as elites não entendem.
Essa é a origem de muitos problemas africanos onde as lutas pelo poder político emana e depois se espalham para os setores informais e tradicionais, reivindicando vidas inocentes.
Agora, o setor moderno, é claro, é onde muito da ajuda ao desenvolvimento e os recursos entraram.
Mais de 80% do desenvolvimento da Costa do Marfim veio do setor moderno.
Os outros setores, o informal e o tradicional, é onde se encontra a maior parte dos africanos. Os verdadeiros africanos - é lá que você encontra-os.
Agora, obviamente, faz todo sentido, que se você quiser ajudar as pessoas, você vai onde as pessoas se encontram.
Mas não é isso que nós fizemos.
Na verdade, nós temos negligenciado o setor informal e o tradicional.
Agora, o setor tradicional é onde se encontra a produção agrocultural, e essa é uma das razões pela qual a África não consegue se alimentar, e é por isso que nós devemos importar alimentos.
Tudo bem, você não pode desenvolver a África ignorando o setor informal e o tradicional.
E você não pode desenvolver os setor informal e tradicional sem entender como operacionalmente esses dois setores funcionam.
Esses dois setores, deixe-me descrevê-los, têm suas próprias instituições locais.
A primeira é o sistema político.
Tradicionalmente, os africanos odeiam governos - eles odeiam tirania.
Se você olhar dentro de seus sistemas tradicionais, os africanos organizam seus estados de duas formas.
O primeiro forma pertence àquelas sociedades étnicas que acreditam que o estado foi necessariamente tirânico, então eles não queriam ter nada com uma autoridade centralizada.
Essas sociedades são a Ibo, os Somalis, os Kibuyus, por exemplo, elas não têm chefes.
Os outros grupos étnicos, que tinham chefes, faziam questão em cercar seus chefes com conselhos sobre conselhos sobre conselhos, para prevenir o abuso de poder.
Na tradição Ashanti, por exemplo, o chefe não pode tomar nenhuma decisão sem a cooperação do conselho de anciãos.
Sem o conselho, o chefe não pode criar nenhuma lei, e se o chefe não governar de acordo com a vontade do povo ele será destituído.
Se não, o povo irá abandonar o chefe, irão para outro lugar e criarão um novo assentamento.
E mesmo se vocês olharem para os antigos impérios africanos, eles era todos organizados sob um princípio especial - o princípio confederativo, o qual é caracterizado por uma grande delegação de autoridade, descentralização de poder.
Agora, é isso que eu descrevi para vocês,
isso é parte da herança política local da África
Agora compare com os sistemas modernos as elites dominantes que se estabeleceram na África.
Isso é totalmente diferente.
No sistema econômico tradicional da África, os meios de produção são propriedades privadas.
É propriedade de famílias estendidas.
Veja bem, no Ocidente, a base econômica e a unidade social é o indivíduo.
Os americanos dizem: "Eu sou porque eu sou, e eu posso fazer o que eu bem entender, a qualquer hora".
A ênfase é no "eu."
Na África, os africanos dizem: "Eu sou, porque nos somos."
O "nós" tem idéia de comunidade - uma extensão do sistema familiar.
A extensão do sistema familiar concilia os recursos conjuntamente.
Ele são donos de fazendas. Eles decidem o que fazer, o que produzir.
Ele não acatam nenhuma ordem de seus chefes
eles que decidem o que fazer.
E quando eles produzem suas colheitas, eles vendem o excedente em mercados.
Quando eles fazem algum lucro, eles guardam, não para o chefe separar o lucro dos que produziram.
Então, em poucas palavras, o que nós tínhamos na África tradicional era um sistema livre de mercado.
Existiam mercados na África antes dos colonizadores chegarem ao continente.
Timbuktu era uma grande cidade mercantil
Kano, Salaga - elas também eram.
Mesmo se vocês fossem para o oeste africano, vocês veriam que atividades mercantis no oeste africano sempre foi dominado por mulheres.
Então, é bem apropriado que essa seção seja chamado um mercado.
Mercados não eram estranhos para a África.
O que os africanos praticavam era um tipo diferente de capitalismo, mas aí, depois da independência, de repente, mercados, capitalismo tornou-se uma instituição ocidental, e os líderes disseram que os africanos estavam prontos para o socialismo.
Tolice.
E mesmo se estivessem, qual tipo de socialismo eles praticaram?
O socialismo que eles praticaram é uma forma peculiar de socialismo de banco suíço, o que permitiu que chefes de estado e os ministros roubassem e pilhassem os depósitos africanos, tesouros que era depositados em banco na Suíça.
Esse não é o tipo de sistema que os africanos conhecem a séculos.
O que nós faremos agora?
Voltar as instituições locais africanas, e este é o lugar onde nós declaramos que os Chitas devem ir, no setores informais, nos setores tradicionais -
e lá onde encontramos os reais africanos.
E eu gostaria de mostrar um pequeno vídeo sobre o setor informal, sobre a construção de barcos o que eu, pessoalmente, tento mobilizar os africanos na Diáspora a investir.
Você poderia por favor mostrar isso?
Os homens vão pescar nesses pequenos barcos.
Sim, é uma empresa.
Isso é feito por um empresário ganês, usando seu próprio capital.
Ele não tem nenhuma assistência do governo, e ele está construindo um segundo, um barco maior.
Um barco maior significará mais peixes pescados e desembarcados.
Isso significa que poderemos empregar mais ganenses.
Isso também significa que seremos capazes de gerar riqueza.
E aí terá o que os economistas chamam de efeitos externos em uma economia local.
E tudo que vocês precisam fazer, tudo o que as elites precisam fazer, avançar com esse processo fechado para que a operação possa ser mais eficiente.
Agora, não é só o setor informal -
há também a medicina tradicional.
80% dos africanos ainda dependem da medicina tradicional.
O moderno setor de assistência médica entrou em colapso.
Agora, essa é uma área - quero dizer, há um rico tesouro na área da medicina tradicional.
Essa é a área onde temos que mobilizar os africanos, especialmente na Diáspora, em investir nessa área.
Nós temos também que mobilizar os africanos na Diáspora, não só ir para os setores tradicionais, mas para ir para a agricultura e instigar mudanças a partir de dentro.
Nós somos capazes de mobilizar ganenses na Diáspora para incitar mudanças em Gana e trazer a democracia para Gana.
E eu sei que com os Chitas, nós podemos trazer a África de volta uma vila por vez.
Muito obrigado.
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Muito obrigado, Chris. É realmente uma grande honra ter a oportunidade de estar neste palco pela segunda vez. Estou muito agradecido.
Eu fui muito aplaudido por esta conferência e quero agradecer a todos pelos muitos comentários delicados sobre o que eu tinha a dizer naquela noite.
E quero dizer sinceramente, porque eu preciso eu preciso disso
Coloquem-se no meu lugar!
Eu voei no Força Aérea 2 por oito anos.
E hoje tenho que tirar meus sapatos ou botas para entrar num avião!
Eu vou contar uma rápida história para mostrar o que isso significa para mim.
É uma história verdadeira - cada molécula é verdade.
Logo depois que Tipper e eu deixamos a Casa Branca estávamos na estrada de nossa casa em Nashville para uma pequena fazenda que temos 80 quilômetros ao leste de Nashville -- dirigindo.
Eu sei que parece uma pequena coisa para vocês, mas. Eu olhei no retrovisor e de repente percebi.
Não havia uma fila de carros atrás de nós.
Já ouviu falar da dor do membro amputado?
Estávamos neste Ford Taurus alugado. Era hora do jantar, e começamos a procurar um lugar para comer
Estávamos na I-40. Chegamos à 238, Lebanon, Tennessee.
Assim que entramos na saída e começamos a procurar, encontramos um Shoney.
Uma rede de restaurantes familiares barateiros, para quem não conhece.
Entramos, sentamos num reservado e uma garçonete veio, e ficou muito perturbada ao ver Tipper.
Ela anotou nosso pedido e foi atender um casal no outro reservado. e ela baixou tanto a voz que eu realmente tive que fazer força para escutar o que disse.
Ela disse "Sim, é o ex-vice presidente Al Gore e sua esposa Tipper".
E o homem disse "Ele desceu bastante, não foi?"
Tenho tido uma série de epifanias.
No dia seguinte, continuando a nossa história realmente verdadeira, Eu entrei num G-5 para chegar à África e fazer um discurso na Nigéria, em Lagos, sobre energia.
E comecei contando a história que havia acabado de acontecer no dia anterior em Nashville.
E eu contei a eles, quase a mesma coisa que eu compartilhei com vocês. Tipper e eu dirigindo sozinhos, o Shoney, rede de restaurantes familiares barateiros, o que o homem disse - e eles riram.
Eu fiz o meu discurso, voltei para o aeroporto para voltar para casa.
Dormi no avião, até que no meio da noite, aterrisamos nos Açores para reabastecer.
Acordei, eles abriram a porta, eu saí para respirar ar fresco, e vi um homem correndo na pista.
Ele agitava um pedaço de papel e gritava, Ligue para Washington! Ligue para Washington!
E pensei comigo mesmo, no meio da noite, no meio do Atlântico o que poderia haver de errado em Washington?
E então lembrei que poderia haver um punhado de coisas.
Mas não era isso - minha equipe ficou muito preocupada porque uma das agências nigerianas já havia publicado uma história sobre o meu discurso.
E ela já estava impressa em cidades de todos os Estados Unidos já estava em Monterey, eu verifiquei. E a história começava. "O ex-vice presidente Al Gore anunciou ontem na Nigeria "Eu e minha esposa Tipper abrimos um restaurante familiar barateiro, chamado Shoney, e eles estão tocando o negócio eles mesmos". Antes de eu chegar a solo americano David Letterman e Jay Leno já tinham começado a história - e um deles me colocou com um enorme chapéu de chef branco, enquanto Tipper dizia "Mais um hambúrguer com fritas!"
Três dias depois, recebi uma deliciosa carta manuscrita de meu amigo e companheiro e colega Bill Clinton, dizendo "Parabéns pelo novo restaurante, Al!"
Nós gostamos de celebrar os nossos sucessos nesta vida.
E eu iria falar sobre a informação ecológica.
Mas eu pensei que como eu estou planejando voltar habitualmente ao TED, talvez eu possa falar sobre isso numa outra ocasião.
Chris Anderson: Está fechado!
Al Gore: Eu quero focar no que muitos de vocês disseram que gostariam que eu elaborasse.
O que vocês podem fazer sobre a crise climática? Eu quero começar com --- Eu vou mostrar-lhes algumas novas imagens e vou recapitular só quatro ou cinco.
Agora, o slide show. Eu o atualizo a cada apresentação.
E coloco novas imagens porque eu aprendo mais sobre isso a cada apresentação.
É como catar conchas, sabem? A cada maré que vem e vai, você encontra mais conchas.
Nos últimos dois dias, tivemos novos recordes de temperatura para Janeiro.
Este é válido só para os Estados Unidos. A média histórica para Janeiro é 0 graus Celsius. No último mês foi de 4, 1 graus Celsius.
Eu sei que vocês querem mais más notícias sobre o meio ambiente - estou brincando - mas estes são os slides de recapitulação e então eu vou mostrar novos achados sobre o que você pode fazer.
Mas eu quero trabalhar sobre alguns destes.
Antes de mais nada, esta era a projeção da contribuição dos EUA para o aquecimento global, com os negócios como sempre. Eficiência no uso final da eletricidade e o uso final de toda energia é a fruta mais baixa. Eficiência e conservação: não é custo, é lucro. O sinal está errado.
Não é negativo, é positivo. Estes são investimentos que se pagam.
Mas também são muito eficientes para nos tirar de nossa trilha.
Carros e caminhões - Eu falei sobre isso no slideshow. mas quero colocar isso em perspectiva.
É um alvo fácil e visível, e é assim que deve ser, mas há mais poluição que causa aquecimento de construções do que de carros e caminhões.
Carros e caminhões são muito importantes, e nós temos os piores padrões do mundo, e devemos tratar disso. Mas é apenas uma parte do quebra-cabeças.
Outras formas de transporte e sua eficiência são tão importantes quanto os carros e caminhões!
Energias renováveis, nos atuais níveis de eficiência tecnológica podem fazer este tanto de diferença, e com isso o que Vinod e John Doerr e outros, muitos de vocês aqui -- muitas pessoas diretamente envolvidas nisso -- esta cunha vai crescer muito mais rápido do que as projeções nos mostram.
Captura e sequestro de carbono -- é o que CCS significa -- e deve se transformar numa aplicação matadora que nos permitirá continuar a usar os combustíveis fósseis de uma forma segura.
Ainda não cheguei lá.
OK. O que você pode fazer? Reduzir as emissões em sua casa.
A maior parte destes gastos também são rentáveis.
Isolamento, melhor design, comprar eletricidade verde onde você puder.
Eu falei de automóveis. Compre um híbrido. Use o trem elétrico.
Encontre outras opções que são melhores. Isso é importante.
Ser um consumidor verde. Você pode escolher em tudo o que você compra, entre coisas que têm um efeito duro ou muito menos impacto. impacto duro na crise climática global.
Pense nisso. Tome a decisão de viver uma vida neutra em consumo de carbono.
Aqueles de vocês que são bons em construir marcas, Eu adoraria ter seu aconselhamento e ajuda em como dizer isso de forma a me conectar com mais pessoas.
É mais fácil do que você imagina. Realmente é.
Muitos de nós tomamos esta decisão e é realmente fácil.
Reduzir suas emissões de carbono em todas as escolhas que você faz, e então comprar ou adquirir o que faltar do que você não conseguiu reduzir completamente. E o que isso significa está dito no climatecrisis. net
Esta é uma calculadora de carbono. Participant Productions reuniu, com o meu envolvimento ativo, os melhores programadores do mundo nesta ciência arcana de calcular o carbono para construir uma calculadora de carbono que seja amigável para o consumidor.
Com ela, você pode calcular precisamente suas emissões de CO2, e então você recebe opções para reduzi-las.
E quando o filme for lançado em Maio, ela será atualizada para a versão 2. 0 e nós teremos a possibilidade de neutralizar através de cliques.
Próximo. Você já pensou em neutralizar o seu negócio? De novo, alguns de nós o fizemos, e não é tão difícil quanto parece. Integrar soluções climáticas em todas as suas inovações, não importa se você trabalha com tecnologia ou diversão, ou design e arquitetura comunitária.
Invista em sustentabilidade. Majora falou isso.
Escute, se você investir dinheiro com administradores que você compensa baseado na sua performance anual, nunca mais haverá reclamações sobre o relatório trimestral do CEO.
Através do tempo, as pessoas fizeram o que você as pagou para fazer. E se eles julgarem quanto eles vão receber pelo seu capital investido, baseados no retorno a curto prazo, você terá que tomar decisões de curto prazo.
Há muito mais a ser dito sobre isso.
Transforme-se num catalizador de mudança. Ensine, aprenda, fale sobre isso.
O filme será lançado - e o filme é uma versão do slideshow que eu apresentei há duas noites atrás, mas há mais diversão. E ele estará no ar em Maio.
Muitos de vocês aqui têm a oportunidade de assegurar que muitas pessoas assistam.
Pense em enviar alguém a Nashville. Escolha bem.
E eu vou pessoalmente treinar pessoas a fazer esta apresentação, re-colocada com algumas histórias pessoais trocadas por uma abordagem genérica, e -- não são apenas as imagens, é o que elas significam. E é como elas se relacionam.
E eu vou oferecer um curso neste verão para um grupo de pessoas que foram indicadas por diferentes pessoas para vir e aprender, em massa, em comunidades em todo o país, e nós vamos atualizar este slideshow para todos eles toda semana para mantê-lo exato e apurado.
Trabalhar com Larry Lessig, isso virá em algum momento deste processo, atualizado com ferramentas e copyright que controle o seu uso, para que os jovens possam remixar e fazer isso de seu próprio jeito.
De onde foi que saiu a idéia que você tem que ficar distante dos políticos?
Isso não significa que se você é um Republicano eu estou te convencendo a ser um Democrata. Nós precisamos dos Republicanos. Esta era uma questão bipartidária, e eu sei que neste grupo ela realmente é. Torne-se ativo politicamente.
Faça a nossa democracia funcionar do jeito que ela deveria funcionar.
Apóie a idéia de acabar com as emissões de carbono, com a poluição que causa o aquecimento global, e venda isso. Aqui está a razão: enquanto os Estados Unidos estão fora do sistema mundial, ele não é um sistema fechado.
Quando ele se tornar um sistema fechado, com a participação dos EUA, Então todos que estão num conselho diretor -- quantas pessoas aqui estão nos conselhos de empresas?
Uma vez que conseguirmos um sistema fechado, você terá uma questão legal se não instigar o seu CEO a trazer o máximo de renda reduzindo e negociando as emissões de carbono isso pode ser evitado. O mercado vai trabalhar para resolver este problema se nós conquistarmos isso.
Ajude com uma campanha de persuasão em massa que vai começar na primavera.
Nós temos que mudar as mentes do povo americano. Porque atualmente os políticos não têm permissão de fazer o que precisa ser feito.
E em nosso país moderno, o papel da lógica e da razão não inclui mais mediação entre riqueza e poder da forma como já aconteceu.
Agora será a repetição de pequenos, importantes, anúncios de 30 ou 28 segundos na TV
Nós temos que comprar muitos destes anúncios.
Vamos criar uma nova marca para o aquecimento global, como muitos de vocês sugeriram.
Eu prefiro crise climática em vez de colapso climático mas, de novo, aqueles que são bons em marcas, nós precisamos de ajuda nisso.
Alguém disso que o teste que enfrentamos agora, um cientista me disse, é se a combinação do polegar opositor com o neocortex é uma combinação viável.
É a mais pura verdade. Eu disse da outra vez, vou repetir: esta não é uma questão política.
De novo, para os Republicanos aqui, isso não deve ser partidário.
Vocês têm mais influência do que nós Democratas.
Esta é a oportunidade. Não apenas esta, mas conectados com as idéias que estão aqui, para fazê-las mais coerentes.
Nós somos um.
Muito obrigado. Eu gostei muito.
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Este é o oceano que eu conhecia.
E acho que desde que estive no Golfo algumas vezes, fiquei meio traumatizado pois, para qualquer lugar do oceano que eu olhe agora, não importa onde eu esteja, mesmo onde eu sei que o óleo não chegou, eu vejo manchas. E acho que estou ficando muito assombrado com isso.
Mas o que eu quero falar para vocês hoje são coisas que tentam colocar tudo isso em contexto, não somente sobre a erupção do óleo, mas o que isso significa e porque isso aconteceu.
Primeiro, um pouco sobre mim.
Eu sou simplesmente um cara que gosta de pescar desde criança. E por causa disso, eu acabei estudando pássaros marinhos para ficar perto dos habitats costeiros que eu tanto amava.
E agora eu escrevo livros sobre como o oceano está mudando. E o oceano certamente está mudando rapidamente.
Nós vimos um gráfico um pouco antes. Que vivemos numa bola de gude que tem só um pouco de umidade nela.
É como se você molhasse uma bola de gude na água.
E a mesma coisa com a atmosfera. Se vocês pegassem toda a atmosfera e a enrolassem na forma de uma bola, vocês teriam aquela pequena esfera de gás à direita.
Então vivemos na bolha de sabão mais frágil que se pode imaginar, uma bolha de sabão muito sagrada, mas muito, muito fácil de afetar.
E toda a queima de óleo e carvão e gás, todos os combustíveis fósseis, mudaram a atmosfera consideravelmente.
Níveis de dióxido de carbono aumentam mais e mais.
Estamos deixando o clima mais quente.
Então o que aconteceu no Golfo é só uma parte de uma problema muito maior que temos com a energia que usamos para gerenciar a civilização.
Além do aquecimento, temos o problema dos oceanos ficarem mais acidificados. E isso já pode ser medido, e já afeta animais.
Agora no laboratório, se vocês pegarem um molusco e colocarem num pH que é -- não de 8, 1 que é o pH normal da água do mar -- mas 7, 5, ele se dissolve em três dias.
Se tirarem uma larva de ouriço do mar de 8, 1 e colocarem-na num pH 7, 7 -- o que não é uma mudança grande -- ela se deforma e morre.
E larvas de ostras comerciais já estão morrendo em grande escala em alguns lugares.
Corais estão crescendo mais devagar em alguns lugares por causa desse problema.
Então isso é importante.
Agora, vamos fazer uma pequena excursão rapidamente ao redor do Golfo.
Uma das coisas que realmente me impressiona nas pessoas do Golfo é que elas são realmente pessoas aquáticas de verddade.
E elas sabem lidar com água.
Elas lidam com furações que vêm e vão.
Quando a água abaixa, eles sabem o que fazer.
Mas quando é algo diferente da água, e o habitat aquático deles muda, eles não têm muitas opções.
Na verdade, aquelas comunidades inteiras não têm muitas opções.
Eles não têm outra coisa para fazer.
Eles não podem trabalhar nos hotéis locais pois não existem [hotéis] na comunidade deles.
Se vocês forem ao Golgo e olharem ao redor, vocês veem muito óleo.
Veem muito óleo no oceano.
Veem muito óleo na costa.
Se vocês forem forem ao lugar da explosão, é inacreditável.
Parece que vocês esvaziaram o cárter dos seus carros e simplesmente despejaram tudo no oceano.
E uma das coisas mais incríveis, creio eu, é que não há ninguém lá tentando coletar o óleo no local onde é mais denso.
Partes do oceano lá parecem absolutamente apocalípticas.
Vocês percorrem a costa, vocês o encontam em todos os lugares.
Uma tremenda sujeira.
Se forem a lugares onde ele acabou de chegar, como a parte leste do Golfo, no Alabama, ainda há pessoas usando a praia enquanto há pessoas limpando a praia.
E eles têm uma maneira muito estranha de limpar a praia.
Eles não podem colocar mais do que 4, 5kg de areia em um saco plástico de 200 litros.
Eles têm milhares e milhares de sacos plásticos.
Não sei o que eles vão fazer com toda essa coisa.
Ao mesmo tempo, ainda há pessoas tentando usar a praia.
Elas não veem o minúsculo aviso que diz: "Fique longe da água."
Seus filhos estão na água; estão com piche por toda a roupa e sandálias. Uma imundície.
Se forem a um lugar onde o óleo está há algum tempo, é uma imundície muito maior.
E basicamente ninguém mais está lá, umas poucas pessoas tentando continuar usando a praia.
Vocês veem pessoas que estão realmente chocadas.
São pessoas que trabalham duro.
Tudo o que eles sabem da vida é acordar de manhã, e se os motores dão a partida, eles vão ao trabalho.
Eles sempre sentiram que poderiam confiar na segurança que a natureza trazia para eles através do ecossistema do Golfo.
E agora veem o seu mundo entrar em colapso.
E vocês podem ver, literalmente, sinais do seu choque, sinais da sua indignação, sinais da sua fúria, e sinais da sua dor.
Essas são as coisas que podem ser vistas.
Mas também há muito que não se vê, embaixo d'água.
O que está acontecendo embaixo d'água?
Bem, alguns dizem que há colunas de óleo.
Alguns dizem que não há colunas de óleo.
E o congressista Markey pergunta: "Será que vamos precisar um passeio de submarino para realmente constatar se há colunas de óleo?"
Mas eu não pude pegar o submarino, especialmente entre o dia em que soube que viria aqui e o dia de hoje -- então tive que fazer um pequeno experimento por mim mesmo para ver se havia óleo no Golfo do México.
Este é o Golfo do México, um lugar cintilante cheio de peixes.
E eu criei um pequeno vazamento de óleo no Golfo do México.
E verifiquei que -- na verdade eu confirmei a hipótese que água e óleo não se misturam até você adicionar um dispersante. E então eles começam a se misturar.
E você coloca um pouco de energia do vento e das ondas. E o resultado é uma grande sujeira tão grande que não se pode limpar, não se pode tocar, não se pode extrair e, para mim o mais importante -- isso é o que eu penso -- não se pode ver.
Acho que isso está sendo escondido de propósito.
Isso é uma catástrofe e uma confusão tão grandes que muita coisa está vazando pelas beiradas do fluxo de informação.
Mas como muitas pessoas falaram, há uma grande tentativa de abafar o que está acontecendo.
Pessoalmente, penso que os dispersantes são a maior estratégia para esconder o corpo, pois colocamos o assassino para tomar conta da cena do crime.
Mas podem ver.
Vocês podem ver onde o óleo está concentrado na superfície, e então ele é atacado, pois eles não querem a evidência, na minha opinião.
OK.
Ouvimos que bactérias comem óleo?
As tartarugas também.
Quando ele [o petróleo] se quebra, ainda tem um longo caminho a percorrer antes de chegar às bactérias.
Ele é comido pelas tartarugas. Fica preso nas guelras dos peixes.
Estes caras têm que nadar através dele.
Ouvi uma história incrível hoje quando estava no trem vindo para cá.
Um escritor chamado Ted Williams me ligou. Ele me perguntava umas questões sobre o que eu vi, pois está escrevendo uma reportagem para a revista Audubon.
Ele disse que tinha estado no Golfo há pouco tempo -- mais ou menos uma semana -- e um cara que tinha sido um guia de pesca recreativa levou-o para mostrar o que estava acontecendo.
Toda a agenda anual daquele guia está com as reservas canceladas.
Ele não tem mais reservas.
Todos quiseram a devolução do depósito. Todos estão fugindo.
Esta é a história de milhares de pessoas.
Mas ele contou ao Ted que no último dia que saiu, um golfinho apereceu de repende ao lado do barco. E estava espirrando óleo pelo espiráculo.
E ele se afastou porque era sua última viagem de pesca, e ele sabia que os golfinhos espantam os peixes.
Então ele se afastou do local. Deu a volta alguns minutos depois, o golfinho estava de novo ao lado do barco.
Ele disse que em 30 anos de pesca ele nunca viu um golfinho fazer isso.
E ele sentiu que -- Sentiu que ele vinha para pedir ajuda. Desculpe.
Agora, no vazamento da Exxon Valdez, cerca de 30 % das baleias assassinas morreram nos primeiros meses.
A população delas jamais se recuperou.
Então a taxa de recuperação disso tudo vai ser variável.
Vai levar mais tempo para algumas coisas.
E outras coisas provavelmente voltarão mais rapidamente.
Outra coisa sobre o Golfo que é importante é que há muitos animais que se concentram no Golfo em certas partes do ano.
Então o Golfo é uma região de água muito importante -- mais importante do que um volume similar no mar aberto do Oceano Atlântico.
Atuns nadam por todo o oceano.
Eles chegam à corrente do Golfo. Vão até a Europa.
Quando chega o momento da desova, eles entram. E esses dois atuns que foram marcados, vocês podem vê-los na área de desova bem na área da mancha.
Eles provavelmente estão tendo, no mínimo, uma temporada de desova catastrófica este ano.
Espero que talvez os adultos estejam evitando a água suja.
Eles geralmente não gostam da ir na água que está muito suja mesmo.
Mas estes são animais muito atléticos.
Não sei que tipo de coisa vai acontecer às guelras.
Não sei se vai afetar os adultos.
Se isso não acontecer, certamente vai afetar seus ovos e larvas, estou certo disso.
Mas se olharem para o gráfico que cai e cai e cai, foi isso que fizemos com esta espécie através da pesca indiscriminada por décadas.
Ao mesmo tempo que a mancha, o vazamento, a erupção, é uma catástrofe, acho que é importante ter em mente que fizemos muito para afetar o que há no oceano por muito, muito tempo.
Não é como se estivéssemos começando com algo que estava bem.
Estamos começando com algo que passou por vários estresses e muitos problemas desde o início.
Se vocês olhares para os pássaros, há vários pássaros no Golfo que se concentram no Golfo em certas partes do ano, e depois vão embora.
E eles ocupam áreas maiores.
Por exemplo, a maioria dos pássaros na foto são migratórios.
Todos estavam no Golfo em maio, quando o óleo começava a chegar nas praias em alguns lugares.
Abaixo na parte esquerda estão a rola-do-mar e o maçarico-branco.
Eles acasalam no alto ártico, e no inverno vão para o sul da América do Sul.
Mas eles se concentram no Golfo e se espalham ao longo do ártico.
Eu vi pássaros que acasalam na Groenlândia lá no Golfo. Então é uma questão hemisférica.
Os efeitos econômicos são no mínimo nacionais em vários aspectos.
Os efeitos biológicos são certamente hemisféricos.
Acho que este é um dos exemplos mais inacreditáveis de total falta de preparo que consigo pensar.
Até mesmo quando os japoneses bombardearam Pearl Harbor, pelo menos ele revidaram.
E parecemos ser incapazes de descobrir o que fazer.
Não havia nada preparado. E, como vocês sabem, como podemos perceber pelo que eles estão fazendo.
O que eles estão usando são principalmente bóias e dispersantes.
As bóias não foram feitas para o mar aberto.
Elas não conseguem conter o óleo onde ele está mais concentrado.
Elas chegam perto da praia. Olhem esses dois barcos.
O da direita é chamado Fishing Fool [bobo pesqueiro].
E acho que é um ótimo nome para barcos que acreditam que vão fazer alguma coisa que faça alguma diferença nisso ao arrastar uma bóia entre eles, onde há literalmente centenas de milhares de quilômetros quadrados no Golfo com óleo na superfície.
Os dispersantes fazem o óleo ir para baixo das bóias.
As bóias têm cerca de 30 centímetros de diâmetro.
Portanto isso é absolutamente insano.
Aqui estão os barcos de camarões que são usados.
Há centenas de barcos de camarões usados para arrastar bóias em vez de redes.
Aqui estão eles trabalhando.
Vocês podem ver que toda a água com óleo simplesmente vai para trás da bóia.
O que estão fazendo é mexê-la.
É simplesmente ridículo.
Além disso, por toda extensão de costa que tem bóias -- centenas e centenas de quilômetros de costa -- por toda a extensão de costa que tem bóias, existem extensões de costa adjacentes que não têm bóias.
Há grande oportunidade para que o óleo e aágua suja passem por trás delas.
E a foto de baixo, é uma colônia de pássaros que foi cercada de bóias.
Todo mundo está tentando proteger as colônias de pássaros ali.
Bem, como um ornitologista, posso dizer que pássaros voam, e que -- E que cercar de bóias uma colônia de pássaros não adianta, não adianta.
Estes pássaros sobrevivem mergulahndo nas águas.
Na verdade, o que eu realmente acho que eles deveriam fazer, se é que vale a pena -- estão tentando com tanto empenho proteger aqueles ninhos -- se eles destruíssem cada um dos ninhos alguns pássaros iriam embora, e isso seria melhor para eles, num ano como este.
Quanto à limpá-los, Não quero insultar as pessoas que limpam os pássaros.
É muito importante expressar nossa compaixão.
Acho que essa é a coisa mais importante que as passoas têm, compaixão.
É importante capturar essas imagens e mostrá-las.
Mas na realidade, onde esses pássaros vão ser soltos?
É como pegar alguém de um prédio em chamas, tratar a inalação de fumaça que eles sofreram e mandá-los de volta ao prédio, pois o óleo ainda está vazando.
Eu me recuso e reconhecer isso como um acidente.
Acho que é o resultado de completa negligência.
Não só da BP.
A BP operava de maneira deleixada e descuidada porque eles podiam.
E permitiram que eles fizessem isso por causa da completa falta de fiscalização pelo governo que deveria ser nosso governo, nos protegendo.
Acontece que -- vocês encontram esta placa em quase todos os barcos comerciais nos EUA -- vocês sabem, se derramarem alguns litros de óleo, estarão numa grande encrenca.
E vocês ficam pensando para quem as leis são feitas, e quem ficou acima da lei.
Mas há coisas que podemos fazer no futuro.
Poderíamos ter os equipamentos realmente necessários.
Não levaria muito tempo para prever que depois de fazer 30 mil poços no fundo do mar do Golfo do México procurando por óleo, o óleo poderia começar a vazar de um deles.
E você teria alguma ideia do que fazer.
Isso é certamente uma das coisas que precisamos fazer.
Mas acho que precisamos entender onde esse vazamento realmente começou.
Começou com a destruição da ideia de que o governo está lá porque é o nosso governo, que deveria proteger o interesse público.
Então acho que a explosão do óleo, o socorro aos bancos, a crise das hipotecas e tudo isso são sintomas da mesma causa.
Ainda parecemos entender que ao menos precisamos da polícia para nos proteger de alguns caras maus.
E mesmo que a polícia seja meio incômoda algumas vezes -- nos dando multas e coisas do gênero -- ninguém diz que devemos nos livrar dela.
Mas todo o resto do governo agora e nos últimos 30 anos, tem essa ideia de desregulamentação que é causada diretamente pelas pessoas das quais precisamos ser protegidas, pagando para tirar o governo debaixo de nós.
Isso vem sendo um problema por muitos e muitos anos.
Vocês podem ver que as corporações eram ilegais na fundação dos EUA. E mesmo Thomas Jefferson reclamou que elas já estavam desafiando as leis do nosso país.
Pois bem, as pessoas que dizem que são conservadoras, se elas realmente quisessem ser realmente conservadoras e realmente patrióticas, essas pessoas diriam a essas corporações que fossem para o inferno.
Isso é o que significaria ser conservador. de verdade.
Então o que realmente precisamos fazer é retomar a ideia de que esse é o nosso governo salvaguardando nossos interesses e retomar o sendo de unidade e causa comum em nosso país que foram perdidos.
Acho que há sinais de esperança.
Acho que estamos acordando um pouco.
O Ato Glass-Steagall -- que deveria nos proteger do tipo de coisa que causou a recessão, e o colapso dos bancos e tudo o que precisou de socorro -- que entrou em vigor em 1933, foi sistematicamente destruído.
Mas agora há uma disposição para colocar algumas dessas coisas de volta no lugar. Mas os lobistas já estão todos lá tentando enfraquecer as regulamentações pouco depois que a legislação passou.
Então é uma luta que continua.
Agora é um momento histórico.
Ou teremos uma catástrofe absolutamente sem proporções com esse vazamento de óleo no Golfo, ou faremos o que precisamos com isso, como muitas pessoas já falaram hoje.
É certamente um tema comum a necessidade de fazer acontecer a partir deste momento.
Nós já passamos por isso com outras modalidades de perfuração em alto mar.
Os primeiros poços no oceano eram chamados de "baleias."
As primeiras perfurações eram chamadas de "arpões."
Nós acabamos com as baleias naquela época.
Como é que agora estamos atados a isso?
Desde que vivemos em cavernas, toda vez que queríamos energia colocávamos fogo em algo, e ainda é isso que estamos fazendo.
Ainda estamos colocando fogo em algo toda vez que queremos energia.
E as pessoas dizem que não podemos ter energia limpa porque é muito caro.
Quem disse que é muito caro?
As pessoas que nos vendem combustíveis fósseis.
Já estivemos assim antes em relação a energia, e as pessoas dizendo que a economia não iria suportar a mudança, porque a energia mais barata era a escravidão.
A energia é sempre uma questão moral.
É uma questão que é moral agora mesmo.
É uma questão de certo e errado.
Muito obrigado.
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Mark Zuckerberg, um jornalista fazia-lhe uma pergunta sobre os 'feeds' de notícias.
E o jornalista perguntou: "Por que isto é tão importante?"
E Zuckerberg respondeu: "Um esquilo morrendo no seu jardim pode ser mais relevante para os seus interesses, neste momento, do que pessoas morrendo na África."
E eu quero falar sobre como seria o aspecto de uma 'web' baseada nesta ideia de relevância.
Então, quando eu estava crescendo em uma área realmente rural, no Maine, a internet significava algo muito diferente para mim.
Ela significava uma conexão para o mundo.
Significava algo que nos ligaria a todos.
E eu tinha certeza que ela seria ótima para a democracia e para a nossa sociedade.
Mas aconteceu este tipo de mudança em como a informação está fluindo 'on-line', e ela é invisível.
E se não prestarmos atenção nisto, poderá vir a ser um grande problema.
Pois bem, eu notei isto a primeira vez em um lugar onde passo muito tempo -- na minha página do Facebook.
Sou um progressista, politicamente -- grande surpresa -- mas sempre saí dos meus caminhos para encontrar os conservadores.
Eu gosto de ouvir sobre o que eles estão pensando; Eu gosto de ver para quais 'links' eles apontam; Eu gosto de aprender uma ou duas coisas.
E então, fiquei surpreso quando percebi certo dia que os conservadores haviam desaparecido do meu 'feed' do Facebook.
E o que estava acontecendo era que o Facebook observava em quais 'links' eu clicava, e ele notava que, na verdade, Eu clicava mais nos 'links' dos meus amigos liberais do que nos 'links' dos meus amigos conservadores.
E, sem me consultar sobre isto, ele os deletou.
Eles desapareceram.
Pois bem, o Facebook não é o único lugar que está fazendo este tipo de invisível, algorítmica edição da 'web'.
O Google o faz também.
Se eu busco por algo e você busca este mesmo algo, ainda que no mesmo instante, nós talvez tenhamos resultados de busca muito diferentes.
Mesmo que você não esteja "logado", um engenheiro contou-me, que existem 57 sinais que o Google olha -- desde o tipo de computador no qual você está ao tipo de navegador que você usa até onde você se localiza -- que ele usa para filtrar os seus resultados de busca.
Pense sobre isto por um segundo: não há mais um Google padrão.
E sabe de uma coisa, o engraçado sobre isto é que é difícil de ver.
Você não consegue ver quão diferentes são os seus resultados de busca dos das demais pessoas.
Mas algumas semanas atrás, eu pedi para um grupo de amigos 'googlear' a palavra "Egito" e me enviarem as telas com os resultados que obtiveram.
Então, eis aqui a tela do meu amigo Scott.
E aqui, a tela do meu amigo Daniel.
Quando você as coloca lado a lado, você nem mesmo precisa ler os 'links' para ver quão diferentes estas duas páginas são.
Mas quando você lê os 'links', de fato, é realmente muito marcante.
O Daniel não obteve nada sobre os protestos no Egito em sua primeira página de resultados do Google.
Os resultados do Scott estavam cheios deles.
E esta era a manchete do dia, naquele momento.
Isto é o quão diferentes estes resultados estão se tornando.
E também não é apenas o Google e o Facebook.
Isto é algo que está varrendo a rede.
Há toda uma série de empresas que estão fazendo esse tipo de personalização.
O 'Yahoo News', o maior site de notícias da internet, é agora personalizado -- pessoas diferentes obtêm diferentes notícias.
o 'Huffington Post', o 'Washington Post', o 'New York Times' -- todos estão flertando com a personalização, de várias formas.
E isto no leva muito rapidamente para um mundo no qual a internet nos mostra aquilo que ela pensa que queremos ver, mas não necessariamente o que precisamos ver.
Como Eric Schmidt disse: "Será muito difícil para as pessoas assistirem ou consumirem algo que não tenha, em algum sentido, sido feito sob medida para elas."
Então, eu realmente penso que isto é um problema.
E eu acho que, se você pegar todos estes filtros juntos, você pega todos estes algoritmos, você tem o que eu chamo de filtro-bolha.
E o seu filtro-bolha é o seu próprio, pessoal e único universo de informação com o qual você vive 'on-line'.
E o que está no seu filtro-bolha depende de quem você é, e depende do que você faz.
Mas a questão é que você não decide o que entra.
E mais importante, você, na verdade, não vê o que fica de fora.
Então, um dos problemas com o filtro-bolha foi descoberto por alguns pesquisadores da Netflix.
E eles estavam olhando as listas de dados da Netflix e notaram algo engraçado que muitos de nós provavelmente já notaram, que existem alguns filmes que aparecem, e logo desaparecem de nossas casas.
Eles entram na lista e simplesmente desaparecem, em seguida.
Então, "Homem de Ferro" logo desaparece enquanto que "Esperando pelo Super-homem" pode esperar por um tempo realmente longo.
O que eles descobriram foi que em nossas listas do Netflix há esta épica batalha em curso entre nossas futuras aspirações pessoais e nosso presente mais impulsivo e íntimo.
Vocês sabem que todos queremos ser alguém que assistiu ao "Rashomon", mas, neste exato momento, nós queremos assistir "Ace Ventura" pela quarta vez.
Então, a melhor edição nos dá um pouco de ambos.
Ela nos dá um pouco de Justin Bieber e um pouco sobre o Afeganistão.
Ela nos dá algumas informações "vegetarianas", ela nos dá algumas informações do tipo sobremesa.
E o desafio com estes tipos de filtros algorítmicos, estes filtros personalizados, é que, pelo fato de que eles olham principalmente para aquilo que você clica em primeiro lugar, eles podem comprometer o equilíbrio.
E, ao invés de uma dieta balanceada de informação, você pode acabar rodeado por informações do tipo "porcariada alimentar".
O que isto sugere é que, na verdade, obtenhemos talvez a história equivocada sobre a internet.
Em uma sociedade de transmissão -- é assim que o 'mito de origem' acontece -- em uma sociedade de transmissão, existiam estes porteiros, os editores, e eles controlavam os fluxos de informação.
E veio a internet e os varreu para fora do caminho, e ela permitiu que nos conectássemos, e era ótimo!
Mas não é isso que, na verdade, está acontecendo agora.
O que estamos vendo é mais uma passagem do bastão dos porteiros humanos para os algorítmicos.
E a questão é que os algoritmos não possuem ainda o tipo ética arraigada que os editores possuiam.
Então, se os algoritmos serão os curadores do mundo para nós, se eles decidirão o que veremos e o que não veremos, então precisamos ter certeza de que eles não estarão atados apenas à relevância.
Precisamos ter certeza que eles também nos mostrarão coisas que são desconfortáveis ou desfiadoras ou importantes -- isto é o que o TED faz, correto? -- outros pontos de vista.
E a questão é que já passamos por isso antes como sociedade.
Em 1915, não era que os jornais se esforçavam muito sobre suas responsabilidades civis.
Então, as pessoas perceberam que eles faziam algo realmente importante.
Que, de fato, você não poderia ter uma democracia funcionante se os cidadãos não conseguissem um bom fluxo de informação. Por isso que os jornais foram fundamentais, pois eles atuaram com um filtro e assim a ética jornalística se desenvolveu.
Ela não era perfeita, mas nos conduziu pelo último século.
E agora então, estamos como que de volta a 1915, na web.
E precisamos de novos porteiros para registrarem aquele tipo de responsabilidade no código que eles estão escrevendo.
Eu sei que temos aqui muitas pessoas do Facebook e do Google -- Larry e Sergey -- pessoas que ajudaram a construir a web como ela é, e eu sou grato por isso.
Mas realmente precisamos que vocês se certifiquem que estes algoritmos tenham codificados neles um senso de vida pública, um senso de responsabilidade cívica.
Precisamos que vocês assegurem que eles sejam transparentes o bastante do modo que possamos ver quais são as regras que determinam o que passa pelos nossos filtros.
E precisamos que vocês nos dêem algum controle, para que possamos decidir o que passa e o que não passa.
Pois eu penso que realmente precisamos que a internet seja aquela coisa que todos sonhamos que ela fosse.
Precisamos que ela conecte a todos nós.
Precisamos que ela nos introduza em novas ideias, novas pessoas e diferentes perspectivas.
E ela não fará isso se nos deixar isolados em uma "rede de um".
Obrigado.
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Vivemos em uma época incrível, a era da Genômica.
Seu genoma é toda a sequência do seu DNA.
A sua sequência e a minha são ligeiramente diferentes.
É por isso que somos diferentes.
Tenho olhos castanhos. Você pode ter azul ou cinza.
Mas não é apenas superficial.
As manchetes nos dizem que os genes podem causar doenças apavorantes, podem até moldar nossa personalidade, ou provocar transtornos mentais.
Nossos genes parecem ter um poder incrível sobre nossos destinos.
E ainda assim, prefiro pensar que sou mais do que meus genes.
O que vocês acham?
Vocês são mais do que seus genes. Sim?
Eu acho que algumas pessoas concordam comigo.
Eu acho que devemos fazer um manifesto.
Eu acho que devemos dizer todos juntos.
Certo; "Sou mais do que meus genes" -- todos juntos.
Todo mundo: Sou mais do que meus genes.
Sebastian Seung: O que eu sou?
Eu sou meu conectoma.
Agora, já que vocês são ótimos, talvez possam entrar no clima e dizer isso juntos também.
Certo. Todos juntos agora.
Todo mundo: Eu sou meu conectoma.
SS: Isso ficou ótimo.
Sabe, vocês são ótimos, nem sabem o que é um conectoma, e estão brincando junto comigo.
Eu já posso ir para casa.
Bom, até agora só um conectoma é conhecido, o desse verme minúsculo.
Seu modesto sistema nervoso é composto por apenas 300 neurônios.
E nos anos 70 e 80, uma equipe de cientistas mapeou todas as 7. 000 conexões entre cada neurônio.
Neste diagrama, cada nódulo é um neurônio, e cada linha é uma conexão.
Este é o conectoma do verme C. elegans.
O conectoma de vocês é muito mais complexo do que este, porque seu cérebro contém 100 bilhões de neurônios e 10 mil vezes mais conexões.
Há um diagrama como este no seu cérebro, mas não há como ele caber neste eslaide.
Seu conectoma contém um milhão de vezes mais conexões do que seu genoma tem letras.
Isso é muita informação.
O que há nessa informação?
Não sabemos ao certo, mas há teorias.
Desde o século XIX, os neurocientistas especulam que talvez suas memórias -- a informação que torna você você -- talvez suas memórias estejam armazenadas nas conexões entre os neurônios do seu cérebro.
E talvez outros aspectos de sua identidade pessoal -- talvez sua personalidade e seu intelecto -- talvez também estejam codificados nas conexões entre seus neurônios.
E agora vocês podem ver por que eu propus essa hipótese: Eu sou meu conectoma.
Eu não lhes pedi para recitar porque é verdade, eu apenas quero que se lembrem disso.
E, de fato, não sabemos se essa hipótese é correta, porque nunca tivemos tecnologias poderosas o suficiente para testá-la.
Descobrir o conectoma daquele verme levou mais de dez anos de trabalho tedioso.
E para descobrir os conectomas de cérebros como o nosso, precisamos de tecnologias mais sofisticadas, automatizadas, que acelerem o processo de descobrir conectomas.
E nos próximos minutos, falarei sobre algumas dessas tecnologias, que estão atualmente sendo desenvolvidas no meu laboratório e nos laboratórios de meus colaboradores.
Provavelmente já viram imagens de neurônios antes.
Podem reconhecê-los instantaneamente por suas formas fantásticas.
Têm ramificações longas e delicadas, em resumo, parecem árvores.
Mas esse é apenas um único neurônio.
A fim de encontrar conectomas, temos que ver todos os neurônios ao mesmo tempo.
Então vamos conhecer Bobby Kasthuri que trabalha no laboratório de Jeff Lichtman na Universidade de Harvard.
Bobby está segurando fatias extremamente finas de um cérebro de camundongo.
E estamos ampliando em um fator de 100. 000 vezes para obter a resolução, de forma que possamos ver as ramificações dos neurônios todos ao mesmo tempo.
Salvo que ainda não podem reconhecer de fato, e é por isso que temos de trabalhar em três dimensões.
Se pegarmos muitas imagens de muitas fatias do cérebro e as empilharmos, obtemos uma imagem tridimensional.
E ainda, não podem ver as ramificações.
Então começamos no topo, e colorimos a secção de uma ramificação de vermelho, E fazemos isso com a próxima fatia e com a próxima.
E continuamos a fazê-lo, fatia após fatia.
Se continuarmos por toda a pilha, podemos reconstruir a forma tridimensional de um pequeno fragmento de uma ramificação de um neurônio.
E podemos fazê-lo com outro neurônio em verde.
E vocês podem ver que o neurônio verde toca o neurônio vermelho em dois locais, e isso é o que chamamos de sinapses.
Vamos ampliar uma sinapse. Mantenham seus olhos no interior do neurônio verde.
Vocês devem ver pequenos círculos. São chamados de vesículas.
Contêm uma molécula conhecida como neurotransmissor.
E então quando o neurônio verde quer se comunicar, quer enviar uma mensagem para o neurônio vermelho, expele neurotransmissores.
Na sinapse, diz-se que os dois neurônios estão conectados como dois amigos falando ao telefone.
Então veem como encontrar uma sinapse.
Como podemos encontrar todo um conectoma?
Bom, pegamos essa pilha de imagens tridimensionais e a tratamos como um livro de colorir tridimensional gigante.
Colorimos cada neurônio com uma cor diferente, e então olhamos através de todas as imagens, encontramos as sinapses e observamos as cores dos dois neurônios envolvidos em cada sinapse.
Se pudermos fazê-lo em todas as imagens, podemos encontrar um conectoma.
Até agora aprenderam o básico sobre neurônios e sinapses.
Então acho que estamos prontos para lidar com uma das questões mais importantes na neurociência: qual a diferença entre os cérebros de homens e mulheres?
De acordo com este livro de autoajuda, os cérebros do homens são como waffles; eles mantêm suas vidas compartimentalizadas em caixas.
Os cérebros das garotas são como espaguete; tudo em suas vidas está conectado a tudo o mais.
Vocês estão rindo, caras, mas, sabem, esse livro mudou minha vida.
Mas, sério, o que há de errado nisso?
Vocês já sabem o suficiente para me dizer. O que há de errado nesta afirmação?
Não importa se você é homem ou mulher, os cérebros de todos são como espaguete.
Ou podem ser capellinis muito muito finos com ramificações.
Assim como um espaguete toca em muitos outros no seu prato, um neurônio toca em muitos outros neurônios através de suas ramificações entrelaçadas.
Um neurônio pode estar conectado a muitos outros neurônios, porque pode haver sinapses nesses pontos de contato.
Por ora, vocês podem ter meio que perdido a perspectiva do quão grande esse cubo de tecido cerebral é de fato.
Então faremos uma série de comparações para mostrar a vocês.
Vou mostrar. Isso é muito pequeno. Tem apenas seis microns de um lado.
Então, eis como se empilha contra todo um neurônio.
E se pode dizer que, de fato, somente os menores fragmentos de ramificações estão contidos dentro deste cubo.
E um neurônio, bem, é menor do que o cérebro.
E isso é só o cérebro de um camundongo. É muito menor que um cérebro humano.
Então, quando mostro isto aos meus amigos algumas vezes eles me dizem: "Sabe, Sebastian, você deveria desistir.
Neurociência não tem jeito."
Porque se olhar para um cérebro a olho nu, você na verdade não vê como é complexo, mas quando você usa um microscópio, finalmente, a complexidade oculta é revelada.
No século XVII, o matemático e filósofo Blaise Pascal falou do seu medo do infinito, seu sentimento de insignificância ao contemplar a vastidão do espaço sideral.
E, como cientista, não devo falar sobre meus sentimentos. Muita informação, professor.
Mas me permitem?
Sinto curiosidade, e me sinto maravilhado, mas às vezes também me sinto desesperado.
Por que escolhi estudar esse órgão que é tão incrivel em sua complexidade que pode muito bem ser infinito?
É absurdo.
Como podemos até mesmo ousar pensar que podemos sequer compreender isso?
E ainda assim, persisto nessa empreitada quixotesca.
E na verdade, ultimamente abrigo novas esperanças.
Algum dia, uma frota de microscópios irá capturar cada neurônio e cada sinapse em um vasto banco de dados de imagens.
E algum dia, supercomputadores com inteligência artificial irão analisar as imagens sem assistência humana para resumi-las em um conectoma.
Eu não sei, mas espero viver para ver esse dia. Porque descobrir todo um conectoma humano é um dos maiores desafios tecnológicos de todos os tempos.
Terá o trabalho de muitas gerações para ser bem sucedido
No momento, meus colaboradores e eu, o que estamos almejando é muito mais modesto -- apenas encontrar conectomas parciais de pequenos blocos de cérebro de camundongo e humano.
Mas mesmo isso será o suficiente para os primeiros testes dessa hipótese de que eu sou meu conectoma.
Por ora, deixe-me tentar convencê-los da plausibilidade dessa hipótese, que realmente vale a pena levar a sério.
A medida que vocês crescem na infância e envelhecem na idade adulta, sua identidade pessoal muda lentamente.
Da mesma forma, cada conectoma muda com o tempo.
Que tipos de mudanças acontecem?
Bem, neurônios, como árvores, podem ter novas ramificações e podem perder velhas.
Sinapses podem ser criadas e podem ser eliminadas.
E sinapses podem ficar maiores e podem ficar menores.
Segunda pergunta: o que causa essas mudanças?
Bem, é verdade.
Em alguma medida, são programadas por seus genes.
Mas essa não é a história toda, porque há sinais, sinais elétricos, que viajam pelas ramificações dos neurônios e sinais químicos que pulam de galho em galho.
Esses sinais são chamados de atividade neural.
E há muitas evidências de que a atividade neural está codificando nossos pensamentos, sentimentos e percepções, nossas experiências mentais.
E há muitas evidências de que a atividade neural pode fazer com que suas conexões mudem.
E se juntar esses dois fatos, significa que suas experiências podem mudar seus conectomas.
E essa é a razão porque cada conectoma é único, mesmo aqueles de gêmeos geneticamente idênticos.
O conectoma é onde a natureza encontra a nutrição.
E é verdade que apenas o mero ato de pensar pode mudar seu conectoma -- uma ideia que pode ser poderosa.
O que há nessa foto?
Um córrego de água fria e refrescante, vocês dizem.
O que mais?
Não esqueçam dessa fenda na Terra chamada de leito do córrego.
Sem ela, a água não saberia qual direção seguir.
E com o córrego, eu gostaria de propor uma metáfora para o relacionamento entre a atividade neural e a conectividade.
A atividade neural está mudando constantemente
É como a água do córrego; nunca fica parada.
As conexões da rede neural do cérebro determinam os caminhos pelos quais cada atividade neural flui.
E assim o conectoma é como o leito do córrego. Mas a metáfora é mais rica do que isso. Porque é verdade que o leito do córrego orienta o fluxo da água, mas no longo prazo, a água também reformula o leito do córrego.
E como eu lhes disse há pouco, a atividade neural pode mudar o conectoma.
E se vocês me permitirem ascender a alturas metafóricas, lembrarei que a atividade neural é a base física -- ou assim pensam os neurocientistas -- dos pensamentos, sentimentos e percepções.
E assim podemos até falar de fluxo de consciência.
A atividade neural é a água e o conectoma o leito.
Então voltemos das alturas da metáfora e retornemos à Ciência.
Suponha que nossas tecnologias para encontrar conectomas realmente funcionem.
Como testaremos a hipótese "eu sou meu conectoma"?
Bem, eu proponho um teste direto.
Vamos tentar ler nossas memórias de conectomas.
Considerem a memória de longas sequências temporais de movimentos, como um pianista tocando uma sonata de Beethoven.
De acordo com uma teoria do século XIX, essas memórias estão estocadas como cadeias de conexões sinápticas dentro do seu cérebro.
Porque, se os primeiros neurônios na cadeia forem ativados, através de suas sinapses eles enviam mensagens para os segundos neurônios, que são ativados, e assim toda a fila, como uma cadeia de dominós caindo.
E há a hipótese de que essa sequência de ativação neural é a base neural dessa sequência de movimentos.
Então uma forma de testar a teoria é olhar para essas cadeias dentro dos conectomas.
Mas não será fácil, porque não vão se parecer com isso.
Vão estar embaralhadas.
Então teremos que usar nossos computadores para tentar desembaralhar a cadeia.
E se podemos fazer isso, a sequência dos neurônios que recuperamos dessa desembaralhada será uma previsão do padrão de atividade neural que é retomado no cérebro durante o chamado da memória.
E se isso for bem sucedido, seria o primeiro exemplo de ler uma memória de um conectoma.
Que bagunça. Já tentaram conectar um sistema tão complexo quanto este?
Espero que não.
Mas se fizeram, sabem que é muito fácil cometer um erro.
As ramificações de neurônios são como os filamentos do cérebro.
Alguém adivinha qual é a extensão total de filamentos no nosso cérebro?
Vou dar uma dica. É um número grande.
Eu estimo, milhões de quilômetros. Tudo dentro do seu crânio.
E se observarem esse número, podem ver facilmente que há um grande potencial para conectar o cérebro de forma errada.
E de fato, a imprensa popular adora manchetes como: "Cérebros anoréxicos são conectados de forma diferente." ou, "Cérebros de autistas são conectados de forma diferente."
Essas são afirmações plausíveis, mas na verdade, não podemos ver a fiação do cérebro de forma clara o suficiente para nos dizer se isso é realmente verdade.
E então as tecnologias para ver conectomas vão nos permitir finalmente ler a conexão errada do cérebro para ver as desordens mentais em conectomas.
Algumas vezes a melhor forma de testar uma hipótese é considerar sua implicação mais extrema.
Filósofos conhecem bem este jogo.
Se acreditarem que eu sou meu conectoma, vocês também devem aceitar a ideia de que a morte é a destruição de seu conectoma.
Eu menciono isso porque há profetas hoje em dia que afirmam que a tecnologia irá alterar fundamentalmente a condição humana e talvez até mesmo transformar a espécie humana.
Um de seus sonhos mais queridos é enganar a morte pela prática conhecida como criogenia.
Se pagarem 100. 000 dólares, podem conseguir que seus corpos sejam congelados após a morte e o armazenem em nitrogênio líquido em um desses tanques em um depósito no Arizona, esperando uma civilização futura que seja avançada para ressuscitá-los.
Devemos ridicularizar os buscadores modernos da imortalidade, chamando-os de tolos?
Ou eles irão algum dia rir sobre nossos túmulos?
Não sei. Prediro testar suas crenças, cientificamente,
proponho que tentemos encontrar um conectoma de um cérebro congelado.
Sabemos que o dano ao cérebro ocorre após a morte e durante o congelamento.
A pergunta é: o cérebro danificado apagou o conectoma?
Se apagou, não há forma de nenhuma civilização futura conseguir recuperar as memórias desses cérebros congelados.
A ressureição pode até ser bem sucedida para o corpo, mas não para a mente.
Por outro lado, se o conectoma ainda estiver intacto, não podemos ridicularizar os desejos da criogenia tão facilmente.
Descrevi uma busca que começa no mundo do muito pequeno, e nos impulsiona ao mundo do futuro distante.
Conectomas irão marcar um ponto de mutação na história humana.
Conforme evoluíamos dos nossos ancestrais semelhantes a macacos na savana africana, o que nos distinguia eram nossos cérebros grandes.
Usamos nossos cérebros para moldar tecnologias cada vez mais impressionantes.
Eventualmente, essas tecnologias se tornarão tão poderosas que iremos usá-las para nos conhecer ao desconstruir e reconstruir nossos cérebros.
Eu acredito que esta viagem de autodescoberta não é só para cientistas mas para todos nós.
E sou grato pela oportunidade de compartihar essa viagem com vocês hoje.
Obrigado.
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Zach Kaplan: Keith e eu dirigimos uma equipe de pesquisa.
Nós investigamos materiais e tecnologias que tem propriedades inesperadas. Durante os últimos três anos, nós econtramos mais de 200 dessas coisas, e olhamos em nossa biblioteca e selecionamos seis que achamos quer seriam as mais surpreendentes para o TED.
Destes seis, a primeira de que vamos falar está nas costas do envelope que vocês estão segurando.
Vem de uma empresa no Japão chamada GelTech. Agora vá em frente e o abra.
Keith Schacht: Agora assegure-se de separar as duas partes.
O que é inesperado sobre ele é que ele é mole, mas também é um forte imã.
Zach e eu sempre ficamos fascinados observando coisas inesperadas como esta.
Nós passamos um longo tempo pensando sobre o porque disso, e só recentemente compreendemos: que quando vemos algo inesperado, isso muda o nosso entendimento de como as coisas funcionam.
Como vocês estão vendo este gel magnético pela primeira vez, se você assumir que todos os imãs devem ser duros, e então ver isso surpreendeu você e mudou o seu entendimento de como os imãs podem funcionar.
ZK: Agora, é importante entender o que as propriedades inesperadas são.
Mas para realmente pensar sobre as implicações do que a tornam possível, nós descobrimos que ajuda pensar em como isso pode ser aplicado no mundo.
Então, a primeira idéia é usar isso em portas de armários.
Se você fizer bordas nos lados da porta usando o material em gel, se a porta bater ao fechar não faria barulho, e além disso, os imãs iriam manter a porta fechada.
Imagine pegando o mesmo material, e colocando isso no solado de um tênis.
Sabe, desta forma você poderia ir para uma loja de materiais e comprar uma daquelas placas de metal que se pendura atrás da porta do quarto e você poderia literalmente grudar os seus tênis lá ao invés de usar prateleiras.
Para mim, eu realmente amei esta idéia.
Se você vier aomeu apartamento e ver meu armário, tenho certeza que entenderá o porque. É uma bagunça.
KS: Vendo as propriedades inesperadas e então vendo algumas aplicações, ajuda você a ver porque ela é significante, que tipo de potencial tem.
Mas nós percebemos que a maneira com que apresentamos nossas idéias, faz uma diferença imensa.
ZK: Mais ou menos seis meses atrás Keith e eu estávamos em LA, e nós estávamos na Starbucks tomando um café com Roman Coppola.
Ele trabalha em grande parte em clips musicais e comerciais com a sua empresa, The Directors Bureau.
Mas enquanto conversávamos, Roman nos falou que ele é uma espécie de inventor nas horas vagas.
E estávamos mostrando a ele o mesmo gel magnético que vocês estão segurando em suas mãos e sabe, nós trocamos as mesmas idéias. E podia se ver no rosto dele. Roman ficou realmente animado e ele tira um envelope bege. Ele abre o envelope e Keith e eu olhamos dentro dele, e ele começa a nos mostrar os conceitos em que ele está trabalhando.
Essas coisas o deixam realmente muito animado. E então olhávamos todos esses conceitos, e estávamos tipo, uau, esse cara é bom.
Porque a maneira com que ele apresentou o conceito, sua abordagem foi totalmente diferente da nossa. Ele nos vendeu tudo como se já estivesse pronto para vender agora.
E então nós estávamos voltando de acarro para o aeroporto, e estávamos pensando, por que isso tinha sido tão poderoso?
E enquanto pensávamos mais nisso, percebemos que isso deixa a pessoa preencher os detalhes sobre a experiência quase como se tivesse visto na TV. Então, para o TED, decidimos trazer a nossa idéia favorita para o gel magnético e trabalhar com o Roman e sua equipe no Escritório de Diretores para criar um comercial para um produto do futuro: Você precisa de velocidade?
Aventuras Aquáticas Inventivas o desafia a lançar-se em uma prancha com levitação magnética em uma corredeira tão rápida, tão alta, que quando você chega no chão, usa freios para parar.
Aqua Rocket. Disponível neste verão.
KS: Agora, mostramos esse conceito para algumas pessoas antes, e eles nos perguntaram, quando estará disponível?
Eu apenas queria que você soubesse, não será realmente disponível, são apenas conceitos.
ZK: Então agora, quando sonhamos com esses conceitos, isso é importante para nós se assegurar que eles irão funcionar de um ponto de vista técnico.
Então eu queria explicar rapidamente como isso funcionaria.
Essa é a prancha com levitação magnética que é mencionada no comercial.
O gel que você está segurando estaria cobrindo a parte inferiror da prancha.
Isso é importante por duas razões.
Uma, é que as propriedades macias do magneto que fazem com que ele, se acertar alguém na cabeça, não o machuque.
Além disso, você pode ver no diagrama à direita, que na parte de baixo da corrente d'água teria um eletromagneto.
Então ele iria realmente repelir a pessoa um pouco enquanto estiver descendo.
A força da água descendo, adicionada à força de repulsão, faria com que a descida fosse a mais rápida do mercado.
Isso é o motivo pelo qual precisamos de um sistema de freios magnéticos.
Quando você chegar bem no fundo da corredeira -- -- a pessoa passa por um tubo de alumínio.
E eu vou passar para o Keith para mostrar como isso é importante de um ponto de vista técnico.
KS: Creio que todos os engenheiros sabem que mesmo o alumínio sendo um metal, não é magnético. Mas uma coisa inesperada acontece quando você lança um imã dentro de um tubo de alumínio.
Então fizemos um experimento rápido para mostrar-lhes.
Agora, veja o imã descer bem devagar.
Eu não vou entrar na física disso tudo, mas tudo o que você precisa saber é que quanto mais rápido o imã cair, maior a força de parada.
ZK: Nossa próxima tecnologia é na verdade uma vara de 3 metros, e eu a tenho no meu bolso.
Há várias versões diferentes para isso.
KS: Algumas delas se desenrolam automaticamente como esta.
Elas podem ser feitas para enrolar automaticamente, ou podem ser feitas estáveis, como a de Zach, para manter qualquer posição intermediária.
ZK: Agora, enquanto estávamos conversando com a empresa que vende para aprender sobre como podemos aplicar isto ou como eles estão sendo aplicados atualmente, ele nos falou que os militares usam esta aqui para que soldados possam mantê-las escondidas no peito, e quando eles estão em campo, são usadas como antena para enviar sinais claros de volta à base.
Em nossos brainstorms, pensamos na idéia de usá-los para fazer uma trave de futebol, de forma que no fim do jogo, você pudesse enrolar a trave e colocá-la na mala de ginástica.
KS: Agora, o interessante sobre isso é que você não precisa ser um engenheiro para apreciar porque uma vara de 3 metros que cabe no bolso é tão interessante.
Então decidimos sair às ruas em Chicago e perguntar a algumas pessoas na rua sobre o que poderiam fazer com isto: Eu limparia meus ventiladores de teto e tiraria as teias de aranha da minha casa, faço isso dessa forma.
Eu faria minha própria bengala.
Eu criaria uma escada para chegar ao topo das árvores.
Um cortador de olivas.
Um tipo de extensor, como o que os pintores usam.
Eu faria uma lança para que quando você fosse mergulhar em profundidade, pudesse pegar um peixe muito rápido e então enrolá-la e você poderia nadar mais tranquilo, yeah.
ZK: Agora, para a nossa próxima tecnologia faremos uma pequena demonstração, e precisamos de um voluntário da platéia.
Você senhor, venha aqui em cima.
Suba. Diga a todos o seu nome.
Steve Jurvetson: Steve.
ZK: É Steve. Tudo bem Steve, agora, siga-me.
Nós precisamos que você fique parado bem na frente da placa do TED.
Bem ali. Isso, perfeito.
E segure-se aqui. Boa sorte pra você.
KS: Não, não ainda.
ZK: Eu queria que todos soubessem que essa apresentação foi trazida para vocês pela Target.
KS: Só um pouquinho -- está perfeito, perfeito!
Agora, Zach, nós vamos demonstrar uma arma d'água do futuro.
Então aqui, venha mais para frente. Tudo certo, agora se vocês olharem aqui -- não, não, está OK.
Então, descreva ao público a temperatura da sua camisa. Vá em frente.
SJ: Está fria.
KS: A razão pela qual é fria é que não é realmente água que está carregada nessas armas. É um líquido seco desenvolvido pela 3M.
É perfeitamente transparente, inodoro e incolor.
É tão seguro que você poderia beber esse negócio.
E a razão pela qual ela é fria é por que ela evapora 25 vezes mais rápido do que a água.
Tudo bem, obrigado por vir aqui em cima.
ZK: Espere, espere Steven -- antes que você vá, nós echemos isso com o líquido seco então durante o intervalo você poderá atirar em seus amigos.
SJ: Excelente, obrigado.
KS: Obrigado por subir aqui. Vamos dar a ele uma salva de palmas.
Então qual a significância desse líquido seco?
Versões mais antigas deste fluido foram realmente usadas num Supercomputador Cray.
Agora, o inesperado sobre isso é que Zach pode ficar de pé no palco e molhar um membro da platéia perfeitamente inocente sem nenhuma preocupação que danificaríamos aparelhos eletrônicos, que molharíamos ele, que danificaríamos livros ou computadores. Isso por que ele não é condutivo.
Como vocês podem ver aqui, você pode imergir toda uma placa de circuito impresso nisso e não causaria nenhum dano.
Você pode circular ele para tirar o calor.
Mas atualmente isto é mais usado em prédios de escritório -- no sistema de sprinklers como um fluido de supressão de fogo.
Novamente, ele é perfeitamente seguro para as pessoas. Ele apaga o fogo, não danifica nada.
Mas nossa idéia favorita para ele seria usá-lo num jogo de basquete. De forma que durante o intervalo, ele poderia cair como chuva sobre os jogadores, resfriar todos, e em questão de minutos estaria seco. Não danificaria a quadra.
ZK: Nossa próxima tecnologia vem de uma empresa do Japão chamada Sekisui Químicos. Um dos engenheiros de P&D deles estava trabalhando numa maneira de fazer um plástico mais duro.
E enquanto fazia isso, ele precebeu uma coisa inesperada.
Nós temos um vídeo para mostrar para vocês.
KS: Como vocês podem ver aqui, ele não voltou. Isso foi um efeito colateral não-intencional de alguns experimentos que estávamos fazendo.
É chamado tecnicamente de "propriedade de retenção de forma".
Agora, pense nas suas interações com papel alumínio.
Retenção de forma é comum em metais. Você dobra um pedaço de papel aluminio, e ele mantem a sua posição. E contraste com isso com uma lixeira de plástico, se você apertar os lados ela sempre vai voltar.
ZK: Por exemplo, você poderia fazer um relógio que envolvesse seu pulso mas não usasse um fecho
Indo além, se você tecer essas fitas juntas, como num pequeno cesto, você poderia fazer uma folha que retém a forma, e então você poderia colocar num tecido de forma que poderia fazer uma mesa de piquenique que envolve a mesa, para que num dia com muito vento ela não saia voando.
Na nossa próxima tecnologia, é difícil de observar as propriedades inesperadas em si, porque é uma tinta.
Então eu preparei um vídeo para mostrá-la aplicada a um papel.
KS: Como este papel está dobrando, a resistência da tinta muda.
Então com uma eletrônica simples, você pode detectar quanto o papel está dobrado.
Agora, para pensar no potencial para isto, pense em todos os lugares em que tinta é aplicada. Em cartões de visita, no fundo de caixas de cereal, jogos de tabuleiro. Qualquer lugar que você usa tinta você pode mudar a maneira com que você interage.
ZK: Então minha idéia favorita para isto é aplicar a tinta num livro.
Isto poderia mudar totalmente a maneira com que você interage com o papel.
Vocês vêem a linha escura ao lado e em cima. Conforme você vira as páginas do livro, ele pode realmente detectar a página em que você está baseado na curvatura das páginas.
Além disso, se você dobrasse uma das pontas, você poderia programar o livro para mandar um email com o texto da página para suas anotações.
KS: A nossa última tecnologia, nós trabalhamos novamente com Roman e sua equipe no Directors BuREAU para desenvolver um comercial do futuro para explicar como isso funciona: Ahhh sim, isso cheira bem.
Quem é você?
Eu sou o Novo Leite.
Eu costumava cheirar como você.
Sempre Fresco das Fazendas Leiteiras Inventivas.
A embalagem que muda de cor quando o seu leite estragou.
Não deixe o leite estragar a sua manhã.
ZK: Esta tecnologia foi desenvolvida por estes dois caras -- Professores Ken Suslick e Neil Rakow da Universidade de Illinois.
KS: Agora como isso funciona: há uma matriz de tintas coloridas.
E estas tintas mudam de cor em resposta a odores.
Então o cheiro de baunilha, pode mudar as quatro no marrom da esquerda e uma no amarelo à direita, de forma que esta matriz pode produzir milhares de combinações de cores diferentes para representar milhares de cheiros diferentes.
Mas como o leite no comercial, se você sabe que odor quer detectar, então eles podem formular uma tinta específica apenas para aquele odor.
ZK: Certo. Isso é o que iniciou uma conversa entre o Professor Suslick e eu, e ele estava explicando para mim as coisas que tornam isto possível. O significado disso se encontra além de apenas detectar comida estragada.
Esta empresa, na verdade, fez uma pesquisa com bombeiros de todo o país para tentar aprender, como eles estão testando o ar atualmente quando eles chegam a uma emergência?
E ele, meio que comicamente, explicou que vez após vez o que o que um bombeiro diria é, que chegam correndo à cena do crime. Eles olham envolta. Se não houver policiais mortos, está OK para ir.
Eu quero dizer, é uma história real. Eles estão usando policiais como canários.
Mas sério mesmo, eles determinaram que você poderia desenvolver um aparelho que pode sentir cheiros melhor que os humanos, e imagine se isso for seguro para bombeiros.
E ainda, ele criou uma empresa à partir da Universidade chamada ChemSensing, onde eles estão trabalhando em equipamentos médicos
de forma que um paciente pode chegar e assoprar no dispositivo.
Ao detectar o odor de uma bactéria particular, ou vírus, ou mesmo câncer pulmonar, os pontos vão mudar e eles podem usar um software para analisar os resultados.
Isto pode radicalmente melhorar o meio pelo qual os médicos diagnosticam os pacientes.
Atualmente, eles estão usando um método de tentativa e erro, mas isso poderia dizer precisamente que doença você tem.
KS: Assim, esta é a sexta que tínhamos para vocês hoje, mas espero que voCês estejam começando a ver porque nós achamos essas coisas tão fascinantes.
Porque cada uma dessas seis mudou o nosso entendimento do que era possível no mundo. Antes de ver essas coisas, nós assumíamos que uma vara de 3 metros não poderia caber nos seus bolsos. Que uma coisa barata como tinta não poderia detectar a maneira como o papel é dobrado. Cada uma dessas coisas. E nós estamos constantemente tentando encontrar mais.
SK: Isto é uma coisa que Keith e eu realmente gostamos de fazer.
Tenho certeza que isso está óbvio para vocês agora, mas na verdade foi ontem que eu fui lembrado do por que. Eu estava tendo uma conversa com Steve Jurvetson lá em baixo perto das escadas rolantes, e ele estava me dizendo que quando Chris mandou aquela caixinha, um dos items nela era uma areia hidrofóbica -- e a areia não fica molhada. Ele falou que estava brincando com isso com o seu filho.
E sabe, o seu filho ficou atônito, porque ele iria jogar isso na água, ele iria então tirá-la e estaria seca. Algumas semanas depois, seu filho disse que estava brincando com uma mecha de cabelo de sua mãe e ele notou que haviam algumas gotas d'água no cabelo.
E ele olhou para a isso e olhou para o Steve e falou: "Olha, um fio hidrofóbico."
Digo, depois de escutar essa história, tudo fez sentido para mim.
Muito obrigado.
KS: Obrigado.
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Eu fui à Espanha há poucos meses e experimentei o melhor foie gras da minha vida.
A melhor experiência culinária da minha vida.
Porque o que eu vi, estou convencido, é o futuro da culinária.
Ridículo, não?
Foie gras e o futuro da culinária.
Não existe uma comida hoje mais maldita que o foie gras, certo?
Digo, foi crucificado.
Foi banido de Chicago durante um tempo.
Está para ser banido aqui na Califórnia, e recentemente em Nova Iorque.
Do tipo, se você for um chef e colocá-lo em seu menu, corre o risco de ser atacado.
Sério, aconteceu aqui em San Francisco a um famoso chef.
Não estou dizendo que é irracional se opor ao foie gras.
As razões normalmente se resumem à gavage, que é a alimentação forçada.
Basicamente você pega um ganso ou pato e força uma tonelada de grãos garganta abaixo.
Mais alimento em duas semanas do que ele jamais teria em uma vida.
Seu fígado fica oito vezes maior.
Desnecessário dizer -- não é a cena mais bonita do cultivo sustentável.
O problema para nós chefs é que é tão maravilhosamente delicioso.
Cara, eu adoro essa coisa.
É gorduroso, doce, aveludado, untuoso.
Torna incrível o sabor de qualquer acompanhamento.
Podemos produzir um menu delicioso sem foie gras?
Sim, claro.
Você também pode terminar a Tour de France sem esteróides, não é?
Não tem muita gente fazendo o mesmo.
E por uma boa razão.
Então, vários meses atrás, um amigo me mandou um link para esse cara, Eduardo Sousa.
Eduardo faz o que ele chama de foie gras natural.
Foie gras natural.
O que tem de natural em foie gras?
Aproveitar que, quando a temperatura cai no Outono, gansos e patos se enchem de comida para preparar-se para a dura realidade do inverno.
E durante o resto do ano eles ficam soltos pela propriedade de Eduardo e comem o que quiserem.
Então não há alimentação forçada, nenhuma linha de montagem, nenhuma crueldade.
E, pasmem, não é uma idéia nova.
Iniciou com seu tataravô -- Patria de Sousa -- em 1812.
E eles vêm fazendo o mesmo sem alarde desde então.
Quer dizer, até o ano passado, quando Eduardo ganhou o Coup de Coeur, o cobiçado prêmio gastronômico francês.
É como as Olimpíadas dos produtos alimentícios.
Ele foi o primeiro com seu foie gras.
Grande, grande problema.
Como ele me disse, ele realmente irritou os franceses.
Ele me disse com certa alegria.
Apareceu em todos os jornais.
Eu li. Estava no Le Monde.
"Chef espanhol acusado. " -- e os franceses o acusavam.
"Chef espanhol acusado de fraude."
Acusaram-no de subornar os juízes.
Por incrível que pareça, implicaram até o governo espanhol.
É, impressionante.
Um escândalo enorme por algumas semanas.
Não puderam achar nenhuma evidência.
Agora, olhem pro cara.
Ele não parece alguém que suborna juízes franceses por seu foie gras.
Então isso esfriou, e pouco tempo depois, uma nova controvérsia.
Ele não deveria ganhar porque não era foie gras.
Não era foie gras porque não era gavage.
Não era alimentação forçada.
Então, por definição, ele estaria mentindo e deveria ser eliminado.
Ironicamente, articulando o assunto agora e lendo sobre ele -- na verdade, se discutíssemos isso antes desta controvérsia, eu teria dito, não é foie gras.
Sabe, foie gras, por definição, é alimentação forçada, é gavage, e é isso o que você tem que fazer se quiser foie gras.
Isto é, até que eu visitei Eduardo em Extremadura, 50 milhas ao norte de Sevilla, logo na fronteira com Portugal.
Vi em primeira mão um sistema incrivelmente complexo e, ao mesmo tempo, como tudo de belo na natureza, absolutamente simples.
E ele me disse, desde o primeiro momento, o dever da minha vida é dar aos gansos o que eles querem.
Ele repetiu isso cerca de 50 vezes nos dois dias em que estive com ele.
Só estou aqui para dar aos gansos o que eles querem.
Na verdade, quando cheguei, ele estava deitado junto aos gansos com seu celular tirando fotos deles como crianças na grama.
Impressionante.
Ele é realmente apaixonado -- ele se sintoniza aos -- ele é o encantador de gansos.
E quando eu estava falando com ele, sabe, eu pensei, como eu estou falando com vocês agora, certo, mas meio que no meio das perguntas, minhas perguntas empolgadas, porque quanto mais eu conhecia a ele e a sua irmã, mais empolgante a idéia toda me parecia.
Ele continuava a fazer assim.
E eu pensei, OK, um judeu novaiorquino empolgado, certo?
Estou falando um pouco agressivamente, sei lá, então, sabe, eu peguei leve.
E finalmente, no final do dia eu estava, E-du-ar-do, sabe, assim?
Mas ele continuava fazendo assim.
Eu entendi.
Eu estava falando muito alto.
Então eu diminuí minha voz.
Eu meio que fazia perguntas e conversava com ele através de um tradutor em um tipo de meio sussurro.
E ele parou de fazer isso.
E impressionantemente, os gansos que estavam longe quando eu cheguei -- "Se afastem desse doido!" Quando eu baixei o tom da minha voz, eles chegaram bem perto de nós.
Bem perto, tipo, aqui.
Bem ao lado da cerca.
E a cerca era impressionante por si só.
A cerca -- tipo, comparada à nossa concepção de cerca é totalmente o oposto.
A eletricidade nesta cerca de fibra de vidro fica apenas para fora.
Ele inverteu a fiação. Ele a inventou.
Eu nunca vi uma dessas. Vocês já?
Você cerca os animais. Você eletrifica o interior.
Ele não.
Ele eletrifica o exterior.
Por quê?
Porque ele me disse que sentia como se os gansos -- e ele provou, na verdade, não é só um conceito, é provado -- os gansos se sentem manipulados quando presos em pequenos cercados.
Apesar de aprisionados neste Jardim do Éden com figos e tudo.
Ele sentia que eles se sentiam manipulados.
Então se livrou da eletricidade, se livrou da corrente interna e a manteva do lado de fora, para protegê-los de coiotes e outros predadores.
Agora, o que aconteceu?
Eles comeram, e ele me mostrou em um gráfico, como eles comiam cerca de 20% a mais para encher seus fígados.
A paisagem é incrível.
Digo, a fazenda é incrível.
É realmente um Jardim do Éden.
Há figos e todo o resto à vontade.
E a ironia das ironias é que Extremadura, o lugar -- o que significa Extremadura?
Extremadura significa sólo rígido, não?
Muito difícil. Muito duro.
Mas através de quatro gerações, ele e sua família literalmente transformaram esta terra extremamente dura em um suculento menu.
Melhorando a vida desses gansos.
E eles podem pegar quanto quiserem.
Outra ironia, ironia dupla é que vendendo os figos e as olivas, Eduardo poderia ganhar mais dinheiro do que na venda do foie gras.
Ele não se importa.
Ele deixa que eles comam o quanto quiserem, e diz "Normalmente é cerca de 50%. Eles são justos."
Os outros 50%, ele colhe e vende, fazendo algum lucro.
Parte da renda de sua fazenda.
Uma grande parte da renda de sua fazenda.
Mas ele nunca a controla.
Eles pegam o quanto querem, eles deixam o resto pra mim e eu vendo.
Seu maior obstáculo, na verdade, foi o mercado, que atualmente demanda foie gras de cor amarela.
Foi como eu fui treinado.
Se você quer reconhecer como é o bom foie gras, ele tem que ser amarelo brilhante.
É a indicação de que é o melhor foie gras.
Bem, porque ele não forçou a alimentação, porque ele não fez gavage com toneladas de milho, seus fígados são bem cinzas.
Ou eram.
Mas ele achou este arbusto selvagem chamado Tremoço.
Os arbustos de Tremoço estão em todo canto de Extremadura.
Ele deixou que florescesse, pegou as sementes, plantou ao redor de seus 30 acres.
E os gansos adoram o arbusto de Tremoço.
Não pelo arbusto, mas pelas sementes.
E quando eles comem as sementes, seu foie gras fica amarelo.
Amarelo radioativo.
Amarelo brilhante.
De um amarelo de foie gras da melhor qualidade que eu já vi.
Então eu estou escutando tudo isso, sabe, e ficando, Esse cara é de verdade? Ele está inventando isso?
Será que, sabe -- porque ele pareceu saber a resposta de tudo, e ela era sempre a natureza.
Nunca era ele.
E eu estava, sabe, eu sempre fico, tipo, paranóico com pessoas que afastam as causas das coisas de si mesmas.
Porque, de verdade, eles querem ser o centro das atenções, certo?
Mas ele afastou os motivos de sua genialidade ao trabalhar sua terra.
Então era tipo, aqui estou, não sei o que pensar sobre esse cara, mas cada vez mais, engolindo cada palavra sua.
E ele está sentado lá, e eu ouço [palmas] ao longe, então eu me viro pra ver.
E ele pega a mim e ao tradutor pelo braço, nos abaixa sob um arbusto e diz, "Vejam isso."
"Shh", ele me diz pela 500ª vez.
"Shh, vejam isso."
E este esquadrão de gansos apareceu.
[Palmas] E foi ficando alto, alto, alto, tipo muito alto, bem acima de nós.
E como o controle de tráfego do aeroporto, quando eles começaram a nos passar foram chamados de volta -- chamados e chamados de novo.
Então eles fizeram a volta.
E seus gansos estão agora chamando os gansos selvagens.
[Palmas] E os gansos selvagens estão respondendo.
[Palmas] Está cada vez mais alto e eles circulam e circulam e eles pousam.
E eu digo, "Tá brincando?"
De jeito nenhum.
E eu olho pra Eduardo, que está quase chorando ao ver isso, e digo, "Você quer dizer que seus gansos chamam os gansos selvagens para fazer uma visita?"
E ele diz, "Não, não, não.
Eles vieram pra ficar."
Eles vieram pra ficar?
Tipo, o DNA de um ganso manda ele voar pro sul no inverno, certo?
Eu disse a ele. Disse "Não é pra isso que eles nascem?
Voar pro sul no inverno e pro norte quando esquenta?"
Ele disse, "Não, não, não.
Seu DNA manda acharem condições favoráveis à vida.
À felicidade.
E eles as acham aqui.
Eles não precisam de mais nada."
Eles param. Procriam com os seus gansos domesticados, e seu bando continua.
Pensem nisso por um minuto.
Brilhante, não?
Imaginem -- Não sei, imaginem uma fazenda de porcos em, tipo, Carolina do Norte, e um porco selvagem passa pela fazenda e decide ficar.
Então como era o sabor?
Eu finalmente pude provar antes de ir embora.
Ele me levou ao restaurante da vizinhança e me serviu um pouco de seu foie fras, confit foie gras.
Era incrível.
E o problema de dizer isso, claro, é que sabe, a essa altura eu me arrisco a exagerar facilmente.
E eu gostaria de fazer uma metáfora, mas não tenho uma.
Eu estava tão envolvido na conversa desse cara, que ele poderia ter servido penas de ganso e eu ficaria, esse cara é um gênio, sabe?
Eu estou realmente apaixonado por ele, a essa altura.
Mas foi realmente o melhor foie gras da minha vida.
Tanto que eu não acho que realmente comi foie gras até aquele momento.
Eu comia algo que chamavam de foie gras.
Mas foi uma experiência transformadora. Realmente transformadora.
E eu vos digo, posso até mudar de idéia, mas eu não acho que vou servir foie gras em meu menu novamente devido àquela degustação com Eduardo.
Era doce, untuoso.
Tinha todas as qualidades do foie gras. mas sua gordura tinha muita integridade e honestidade.
E você saboreava ervas, temperos.
E eu continuava -- Digo, sabe, posso jurar que senti Estrela-de-anis.
Eu tinha certeza.
E eu não sou um super degustador, sabe?
Mas eu consigo sentir as coisas.
Eu tenho certeza de que tinha Estrela-de-anis ali.
E ele me disse, "Não."
E eu acabei citando todos os temperos, e finalmente, chutei, OK, sal e pimenta, pensando que ele poderia ter salgado e apimentado o fígado.
Mas não.
Ele tira o fígado, quando colhe o foie gras, coloca dentro de um vidro e ele faz o confit.
Sem sal, nem pimenta, nem azeite, nem temperos.
O quê?
Saímos para a última volta na fazenda, e ele me mostrou os pés de pimenta selvagens e as plantas que ele plantava pela sua salinidade.
Ele não precisa de sal e pimenta.
E não precisa de tempero, porque ele tem essa miscelânea de ervas e sabores da qual seus gansos adoram se empanturrar.
Eu me virei para ele ao final da refeição, e esta é uma pergunta que já fiz muitas vezes, e ele não tinha me respondido diretamente, mas eu disse, "Veja, você está na Espanha, alguns dos melhores chefs do mundo estão -- Ferran Adria, o proeminente chef do mundo hoje, não está longe daqui.
Como você pode não oferecer isto a ele?
Como é que ninguém realmente lhe conhece?"
E pode ter sido culpa do vinho, ou por conta da minha empolgação, ele respondeu diretamente, "Porque chefs não merecem meu foie gras."
E ele estava certo.
Ele estava certo.
Chefs se apropriam do foie gras e o tornam seu.
Eles criam um prato onde todos os vetores apontam para nós.
Com Eduardo a importância é na expressão da natureza.
E como ele disse, e eu concordo, é um presente divino, com Deus dizendo, você trabalhou bem.
Simples.
Voei para casa, estou no avião com meu caderninho preto e tomei, sabe, páginas e mais páginas de notas.
Eu estava realmente comovido.
E no canto de uma das notas, estava esta anotação, quando perguntado, o que você acha do foie gras tradicional?
O que você acha do foie gras que 99, 99999% do mundo come?
Ele disse, "Acho um insulto à história."
E eu anotei, insulto à história.
Estou no avião e começo a arrancar meus cabelos.
Tipo, por que eu não insisti nisso?
O que diabo isso quer dizer?
Insulto à história.
Então fiz uma pesquisa quando voltei, e eis o que achei.
A história do foie gras.
Judeus inventaram o foie gras.
Verdade.
Verdade.
Acidentalmente.
Eles procuravam uma alternativa ao schmaltz.
Enjoaram da gordura de galinha.
E buscaram uma alternativa.
E perceberam que no outono, havia esta natural, bela, doce, deliciosa gordura dos gansos.
E eles os abateram, usaram a gordura através do inverno para cozinhar.
O Faraó soube disso -- É tudo verdade, direto da internet.
O Faraó soube -- Juro por Deus.
O Faraó soube disso e quis provar.
Ele provou e apaixonou-se.
Ele continuou a exigir.
E ele não queria apenas no outono, mas durante o ano inteiro.
E ele exigiu que os judeus suprissem o bastante para todos.
E os judeus, temendo por suas vidas, tiveram que criar a engenhosa idéia, ou ao menos tentar satisfazer os desejos do Faraó, é claro.
E o que inventaram? Gavage.
Eles inventaram a gavage em um momento de grande medo, e abasteceram o Faraó de fígado alimentado à força, e mantiveram a melhor parte pra si mesmos.
Supostamente, entretanto. Eu acredito nessa.
Esta é a história do foie gras.
E se vocês pensarem sobre ela, é a história da agricultura industrial.
É a história do que comemos hoje.
Maior parte do que comemos hoje.
Mega-fazendas, currais de alimentação, alterações químicas, viagens de longa distância, comida processada.
Todo ele, nosso sistema alimentar.
É também um insulto à história.
É um insulto às leis básicas da natureza e da biologia.
Estejamos falando sobre gado de abate ou sobre galinhas, ou sobre brócoli ou couve de buxelas, ou no caso do assunto do New York Times de hoje, bagres -- cujos atacadistas estão indo à falência.
O que quer que seja, é um modelo copiado da General Motors.
Baseado na extração.
Pegue mais, venda mais, desperdice mais.
E não vai nos servir no futuro.
Jonas Salk uma vez disse.
Ele disse, "Se todos os insetos desaparecessem, a vida na Terra como a conhecemos desapareceria em 50 anos.
Se os humanos desaparecessem, a vida na Terra floresceria."
E ele está certo.
Precisamos adotar um novo conceito de agricultura.
Realmente novo.
Em que paremos de tratar o planeta como se fosse uma loja em liquidação.
E paremos de degradar os recursos usando a desculpa de comida barata.
Podemos começar a procurar fazendeiros como Eduardo.
Fazendeiros que confiam na natreza para trazer soluções e respostas, ao invés de impor soluções à natureza.
Ouvindo, como Janine Benyus, uma de minhas escritoras e pensadoras favoritas no assunto, diz, "Ouvindo às instruções de operação da natureza."
É o que Eduardo faz, e o faz tão brilhantemente.
E o que ele me mostrou, e pode mostrar a todos, eu acho, é que a coisa mais importante para os chefs, a grande bênção, e para as pessoas que se importam com alimentação e culinária, é que a escolha mais ecológica de comida é também a mais ética.
Estejamos falando sobre couve de bruxelas ou foie gras.
E também quase sempre, e não achei exemplo em contrário, mas quase sempre, a escolha mais deliciosa.
Essa é uma sublime coincidência.
Obrigado.
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Vocês não entenderão nada com esse meu Inglês.
Mas isso é bom para vocês, porque aí vocês têm um intervalo depois dessas pessoas fantásticas.
Devo dizer que eu estou assim, não muito a vontade. Porque geralmente, na minha vida, eu acho que meu trabalho é absolutamente inútil.
Quero dizer, eu me sinto inútil.
E agora, depois de Carolyn e todos os outros, eu me sinto como bosta.
E definitivamente, eu não sei por que estou aqui, mas -- vocês sabem aquele pesadelo que você tem, como um impostor, você chega na ópera e eles empurram você, "Você deve cantar!"
Eu não sei.
Então, porque não tenho nada para mostrar, e nada para falar, Tentarei falar sobre alguma outra coisa,
Podemos começar, se vocês quiserem, por entender -- É só para começar, não é interessante, mas -- como eu trabalho.
Quando alguém chega e me pergunta pelo que eu sou conhecido, Quero dizer, sim, expremedor de limão, escova de banheiro, palito de dentes, lindos assentos sanitários, e porque não -- uma escova de dentes.
Eu não tento projetar uma escova de dentes.
Eu não tento dizer, "Oh, esse será um objeto lindo," ou algo no estilo.
Isso não me interessa.
Porque existem diferentes tipos de design.
O que chamamos de design cínico, que significa o Design inventado por Raymond Loewy nos anos 50, que disse que o que é feio é uma má venda, "la laideur se vend mal", o que é terrível.
que quer dizer que o Design deve ser apenas uma arma para o marketing, para o produtor tornar o produto mais sexy, e assim, eles vendem mais, é uma merda, é obsoleto, é ridículo.
Eu chamo isso de Design Cínico.
Depois, está o Design Narcisista: é um Designer fantástico que cria apenas para outros fantásticos Designers.
Depois estão as pessoas como eu, que tentam merecer existir, e que se envergonham de ter este trabalho inútil, que tentam fazê-lo de outra forma, e então tentam, eu tento, não fazer o objeto pelo objeto mas pelo resultado, para o benefício do ser humano, a pessoa que o utilizará.
Se considerarmos a escova de dentes -- eu não penso na escova de dentes.
Eu penso, "Qual será o efeito da escova na boca?"
E para entender qual será o efeito da escova de dentes na boca, Eu devo imaginar: Quem é o dono dessa boca?
Qual é a vida do dono dessa boca? Em que sociedade essa pessoa vive?
Que civilização cria essa sociedade?
Que espécie animal cria essa civilização?
Quando eu chego lá -- e eu demoro um minuto, eu não sou tão inteligente -- quando eu chego no nível das espécies animais, torna-se realmente interessante.
Eu, eu não possuo poder algum para mudar qualquer coisa.
Mas quando eu retorno, eu consigo entender porque eu não farei isso, porque atualmente, não fazer é mais positivo do que fazer, ou como o farei.
Mas para voltar, quando estou nas espécies animais, há coisas para ver.
Há coisas para ver, eis o grande desafio.
O grande desafio a nossa frente.
Porque não existe uma produção humana que existe fora do que eu chamo "a grande imagem"
A grande imagem é nossa história, nossa poesia, nosso romanticismo.
Nossa poesia é nossa mutação, nossa vida.
Devemos nos lembrar, e podemos ver isso no livro do meu filho de 10 anos, que a vida aparece 4 bilhões de anos atrás, aproximadamente -- 4, 2 bilhões?
Voz na platéia: Quatro vírgula cinco.
Sim, vírgula cinco, OK, OK, OK! Eu sou um Designer, só isso, de presentes de Natal.
E antes, existia essa sopa, chamada "soupe primordiale," a primeira sopa -- bloop bloop bloop -- uma espécie de lama suja, sem vida, nada.
E então -- pshoo-shoo -- luz -- pshoo -- chega -- pshoo-shoo -- cria-se a vida -- bloop bloop -- e isso morre.
Alguns milhões de anos depois -- pshoo-shoo, bloop-bloop -- ah, acorda!
Ao final, finalmente, isso acontece, e a vida aparece.
Nós eramos tão, tão estúpidos. A mais estúpida das batérias.
Até mesmo, eu acredito, nós copiamos nosso modo de reproduzir, se vocês me entendem, e um pouco de -- oh não, esqueça.
Depois, nos tornamos um peixe; depois, nos tornamos um sapo; depois, nos tornamos um macaco; depois, nos tornamos o que somos hoje: um super-macaco, e o engraçado é que, o super-macaco que somos hoje, é a metade da história.
Conseguem imaginar? Daquela estúpida bactéria até nós, com um microfone, com um computador, com um iPod -- 4 bilhões de anos.
E nós sabemos, e especialmente Carolyn, que quando o sol implodir, a terra vai queimar, explodir, não sei o que, e isso está agendado para quatro, quatro bilhões de anos?
Sim, ela disse, algo no estilo. OK, isso significa que estamos na metade da história.
Fantástico! É uma beleza!
Conseguem imaginar? É muito simbólico.
Porque a bactéria não tinha ideia do que seríamos hoje.
E hoje, não temos ideia do que podemos ser daqui a 4 bilhões de anos.
E esse território é fantástico.
Essa é nossa poesia. Essa é nossa linda história.
É nosso romanticismo. Mu-ta-ção. Nós somos mutantes.
E se não entendemos profundamente, se não integramos que somos mutantes, perdemos completamente a história.
Porque cada geração acha que é a última.
Temos um jeito de olhar para a Terra dessa forma, vocês sabem, "Eu sou o cara. O último cara.
Vocês sabem, mudamos durante 4 bilhões de anos antes disso, mas agora, porque sou eu, nós paramos. Fin.
Para o final, para a eternidade, será alguém com uma jaqueta vermelha."
Algo no estilo. Não tenho certeza disso.
Porque essa é nossa inteligência de mutação e coisas parecidas.
Existem tantas coisas para fazer, está tão fresco.
E aqui há algo: ninguém é obrigado a ser um gênio, mas estão todos obrigados a participar.
E para participar, para um mutante, há um mínimo de exercício, um mínimo de esporte.
Podemos dizer isso.
Primeiro, se vocês quiserem -- existem tantos -- mas um que é muito fácil de se fazer, é o dever da visão.
Eu posso explicar para vocês. Vou tentar.
Se andamos assim, tá OK, tá OK, nós conseguimos caminhar, mas talvez, se você andar com os olhos assim, você não verá, ok, que há um buraco.
E você cairá, e morrerá. Perigoso.
Por isso, quem sabe, você tentará ter este ângulo de visão.
OK, eu consigo ver, se eu acho algo, sobe, sobe, e eles continuam, sobe sobe sobe.
Eu aumento meu ângulo de visão, mas ainda é muito -- egoísta, egoísta, egoiste -- sim, egoísta.
Você, você sobrevive. Tudo bem.
Se você aumenta o nível dos seus olhos um pouco mais você vai, "Eu vejo vocês, oh meu Deus vocês estão aqui, como vocês estão, eu posso ajudar vocês, Eu posso projetar para vocês uma nova escova de dentes, nova esova de banheiro," algo assim.
Eu vivo em uma sociedade, eu vivo em uma comunidade.
Está bem. Você começa a estar no território da inteligência, podemos dizer.
A partir deste nível, quanto mais você elevar este ângulo de visão, mais você será importante para a sociedade.
Quanto mais você aumenta, mais importante você será para a civilização.
Quanto mais você aumenta, para ver longe e alto, assim, mais você será importante para a história da nossa mutação.
Isso significa que pessoas inteligentes estão neste ângulo. Isso é inteligência.
Disso até aqui, isso é ser gênio.
Ptolomeu, Aristóteles, Einstein, coisas no estilo.
Ninguém é obrigado a ser um gênio.
É melhor, mas ninguém.
Cuidado, neste treinamento, para ser um bom mutante.
Existe perigo, algumas armadilhas. Uma armadilha: a vertical.
Porque na nossa vertical, se você olha assim, "Oh! Meu Deus, lá está Deus. Ah! Deus!"
Deus é uma armadilha. Deus é a resposta quando não sabemos a resposta.
Isso significa, quando seu cérebro não é grande o suficiente, quando você não entende, você vai, "Ah, é Deus, é Deus." Isso é ridículo.
Por isso -- pule, assim? Não, não pule.
Volte. Porque, depois, há outra armadilha.
Se você olha assim, você olha para o passado, ou você olha para dentro se você é muito flexível, dentro de você.
É chamado esquizofrenia, e você também está morto.
Por isso que toda manhã, agora, porque você é um bom mutante, você eleverá seu ângulo de visão.
Para fora, mais na horizontal. Você é um ser inteligente.
Nunca esqueça -- assim, assim.
É muito, muito, muito importante.
O que, o que mais podemos dizer sobre isso. Por que fazer isso?
É porque nós -- se olhamos a distância, vemos nossa linha de evolução.
Essa linha de evolução é claramente positiva.
De longe, essa linha é bem suave, assim.
Mas se você coloca uma lente, assim, essa linha é ack, ack, ack, ack, ack. Assim.
É feita de luz e sombra.
Podemos dizer que a luz é a civilização, a sombra é a barbárie.
E é muito importante saber onde estamos.
Porque em alguns ciclos, há um ponto no ciclo, e você não tem o mesmo dever em partes diferentes do ciclo.
Isso significa, podemos imaginar -- Eu não disse que era fantástico, mas nos anos 80, não havia muita guerra, assim, era -- podemos imaginar que a civilização pode se tornar civilizada.
Nesse caso, pessoas como eu são aceitáveis.
Podemos dizer, "É tempo de luxúria"
Temos tempo para pensar, temos tempo para não sei o que, falar sobre arte e coisas no estilo.
Está bem. Estamos na luz.
Mas algumas vezes, como hoje, nós caímos, caímos tão rápido, tão rápido para a sombra, caímos rápido para a barbárie.
Com muitas, muitas, muitas, muitas faces da barbárie.
Porque não é, a barbárie que temos hoje, e talvez não a barbárie que pensamos.
Existem diferentes tipos de barbárie.
Por isso devemos nos adaptar.
Isso significa, quando a barbárie volta, esqueçam as lindas cadeiras, esqueçam os lindos hotéis, esqueçam Design, e até mesmo -- desculpem-me dizer -- esqueçam a Arte.
Esqueçam tudo isso. Existem prioridades, existem urgências.
Devemos voltar para a política, devemos voltar à radicalização, Desculpem-me se isso não é muito Inglês.
Devemos voltar à luta, à batalha.
Por isso que hoje me sinto tão envergonhado de fazer este trabalho.
Por isso estou aqui, para tentar fazê-lo o melhor possível.
Mas eu sei que mesmo eu fazendo o melhor possível -- por isso eu sou o melhor -- não é nada.
Porque não é o tempo certo.
Por isso digo. Eu digo que, porque, eu repito, nada existe se não há uma boa razão, a razão para nosso belo sonho, dessa civilização.
E porque todos devemos trabalhar para terminar essa história.
Porque o cenário dessa civilização -- sobre amor, progresso, e coisas assim -- está bem, mas existem tantos outras diferenças, outros cenários de outras civilizações.
Este cenário, dessa civilização, era sobre tornar-se poderoso, inteligente, como essa ideia que inventamos, esse conceito de Deus.
Nós somos Deuses agora. Nós somos. Está quase pronto.
Temos apenas que terminar nossa história.
Isso é muito, muito importante.
E quando não entendemos realmente o que aconteceu, não conseguimos ir, e brigar e trabalhar e construir e coisas assim.
Vamos ao futuro pra trás, trás, trás, trás, dessa forma.
E podemos cair, e é muito perigoso.
Não, devemos realmente entender isso.
Porque quase terminamos, eu vou repetir essa história.
E a beleza disso, talvez em 50 anos, 60 anos, podemos terminar completamente esta civilização, e oferecer a nossas crianças a possibilidade de inventar uma nova história, uma nova poesia, um novo romaticismo.
Com bilhões de pessoas que nasceram, trabalharam, viveram e morreram antes de nós, essas pessoas que trabalharam tanto, agora trouxemos coisas lindas, presentes lindos, sabemos tantas coisas.
Podemos dizer a nossas crianças, OK, pronto, essa foi nossa história. Isso passou.
Agora vocês tem um dever: inventar uma nova história. Inventar uma nova poesia.
A única regra é, nós não podemos ter qualquer ideia sobre a próxima história.
Nós lhe damos páginas brancas. Inventem.
Nós lhe damos as melhores ferramentas, as melhores ferramentas, e agora, façam.
Por isso eu continuo trabalhando, mesmo que seja para uma escova de banheiro.
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Eu quero que vocês deem uma olhada neste bebê.
O que os está atraindo são seus olhos e uma pele que vocês adoram tocar.
Mas hoje eu vou falar sobre algo que vocês não podem ver, o que está acontecendo no pequeno cérebro dela.
As ferramentas modernas da neurociência estão nos demonstrando que o que está acontecendo lá não é nada menos que a ciência do foguete.
E o que estamos aprendendo vai lançar alguma luz no que os escritores e poetas românticos descreveram como a "abertura celestial" da mente da criança.
O que vemos aqui é uma mãe na Índia, e ela está falando Koro, que é uma linguagem recém-descoberta.
E ela está conversando com seu bebê.
O que esta mãe - e as 800 pessoas que falam Koro no mundo - entendem que, para preservar essa língua, eles precisam falar para os bebês.
E aí reside um enigma crítico.
Por que é que você não pode preservar a língua falando com você e eu, para os adultos?
Bem, isto tem a ver com o seu cérebro.
O que vemos aqui é que a linguagem tem um período crítico para a aprendizagem.
A forma de ler este slide é olhar para a sua idade no eixo horizontal.
E você vai ver na vertical sua habilidade em adquirir uma segunda língua.
Bebês e crianças são gênios até completarem sete anos, e depois há uma queda sistemática.
Após a puberdade, caímos fora do mapa.
Não há cientistas que contestem isso, mas os laboratórios em todo o mundo estão tentando descobrir por que isso funciona dessa maneira.
O trabalho em meu laboratório está focado no primeiro período crítico para o desenvolvimento - e esse é o período em que bebês tentam dominar quais sons são utilizados na sua língua.
Nós pensamos que ao estudar como os sons são aprendidos, vamos ter um modelo para o resto da linguagem, e talvez por períodos críticos que possam existir na infância para o social, emocional e desenvolvimento cognitivo.
Então, temos estudado os bebês usando uma técnica que está sendo usada em todo o mundo e os sons de todas as línguas.
O bebê se senta no colo de um dos pais, e nós os treinamos para virarem a cabeça quando um som muda - como de "a" para "i".
Se o fizerem no tempo certo, a caixa preta acende e um urso panda toca um tambor.
Um bebe de seis meses adora a tarefa.
O que aprendemos?
Bem, os bebês em todo o mundo são como eu gosto de dizer como cidadãos do mundo;
podem discriminar todos os sons de todas as línguas, não importa em que país estamos testando e que linguagem estamos usando. E isso é notável porque você e eu não podemos fazer isso.
Somos ouvintes ligados à cultura.
Nós podemos discriminar os sons da nossa língua, mas não os de línguas estrangeiras.
Então surge a pergunta: quando é que os cidadãos do mundo transformam-se em ouvintes vinculados a sua língua?
E a resposta: antes de seu primeiro aniversário.
O que você vê aqui é que o desempenho na tarefa de virar a cabeça para bebês testados em Tóquio e nos Estados Unidos, aqui em Seattle, enquanto ouviam "ra" e "la" - sons importantes no Inglês, mas não no japonês.
Até seis a oito meses, os bebês são totalmente equivalentes.
Dois meses depois, algo incrível acontece.
Os bebês nos Estados Unidos ficam muito melhores, bebês no Japão ficam muito piores, mas ambos os grupos de bebês estão se preparando exatamente para a língua que eles vão aprender.
Então a questão é, o que está acontecendo durante esse período crítico de dois meses?
Este é o período para o desenvolvimento do som, mas o que está acontecendo lá?
Há duas coisas acontecendo.
A primeira é que os bebês estão nos ouvindo atentamente, E eles estão fazendo as estatísticas do que nos ouvem falar - eles estão tomando estatísticas.
Então ouça duas mães falando "mamanhês" - a linguagem universal que usamos quando falamos com as crianças - primeiro em Inglês e, em seguida, em japonês.
Mãe Inglesa: Ah, eu adoro seus grandes olhos azuis - tão bonitos e agradáveis.
Mãe japonesa: [Japonês] Patricia Kuhl: Durante a produção da fala, quando os bebês ouvem, o que eles estão fazendo é estatísticas sobre a linguagem que eles ouvem.
E essas distribuições crescem.
E o que aprendemos é que os bebês são sensíveis às estatísticas, e as estatísticas de Inglês e Japonês e são muito, muito diferentes.
Inglês tem um monte de R's e L's
mostra a distribuição.
E a distribuição do japonês é totalmente diferente, onde vemos um grupo de sons intermediários, que é conhecido como o R. japonês
Assim, os bebés absorvem as estatísticas da língua e isso muda seus cérebros; muda-os de cidadãos do mundo para os ouvintes ligados à cultura que somos.
Mas nós, como adultos já não absorvemos essas estatísticas.
Nós somos regidos pelas representações na memória que se formaram no início do desenvolvimento.
Então o que estamos vendo aqui está mudando os modelos do que é o período crítico.
Estamos discutindo do ponto de vista matemático que a aprendizagem da língua material pode diminuir quando nossas distribuições estabilizam.
Isso levanta muitas questões sobre as pessoas bilíngues.
Bilíngues devem manter dois conjuntos de estatísticas na mente de uma só vez e alternar entre eles, um após o outro, dependendo de com quem eles estão falando.
Então nós nos perguntamos, os bebês podem ter estatísticas sobre uma língua nova?
E nós testamos isso expondo os bebês americanos que nunca tinham ouvido uma segunda língua ao mandarim pela primeira vez durante o período crítico.
Sabíamos que, quando monolíngues foram testados em Taipei e Seattle, nos sons do Mandarim, eles mostraram o mesmo padrão.
Aos seis, oito meses, eles são totalmente equivalentes.
Dois meses depois, algo incrível acontece.
Mas os bebês de Taiwan melhoraram, e não os bebês americanos.
O que fizemos foi expor os bebês americanos durante este período ao mandarim.
Era como ter parentes que falam mandarim os visitando por um mês e se mudaram para sua casa e conversaram com os bebês por 12 sessões.
Aqui está como se parecia o laboratório.
Palestrante Mandarim: [Mandarim] PK: Então o que fizemos para seus pequenos cérebros?
Tivemos de criar um grupo de controle para nos certificar de que apenas os que entram no laboratório não melhoraram suas habilidades em Mandarim.
Assim, um grupo de bebês entrou e ouviu Inglês.
E podemos ver no gráfico que a exposição ao Inglês não melhorou seu Mandarim.
Mas olha o que aconteceu com os bebês expostos ao mandarim por 12 sessões.
Eles eram tão bons quanto os bebês em Taiwan que tinham ouvido durante 10 meses e meio.
O que isso demonstra é que os bebês fazem estatísticas sobre uma nova língua.
Tudo o que você colocar na frente deles, eles vão fazer estatísticas.
Mas nós nos perguntamos qual o papel do ser humano fazer este exercício de aprendizagem.
Então nós testamos um outro grupo de bebês em que as crianças tiveram a mesma dose de 12 sessões, mas de um aparelho de televisão e outro grupo de bebês foram expostos apenas ao áudio enquanto olhavam para um ursinho de pelúcia na tela.
O que fizemos aos seus cérebros?
O que vocês vêem aqui é o resultado do áudio - sem qualquer tipo de aprendizagem - e o resultado do vídeo - sem qualquer aprendizagem.
Depende de um ser humano para os bebês fazerem suas estatísticas.
O cérebro social está sob controle quando as crianças estão fazendo suas estatísticas.
Queremos chegar no interior do cérebro e ver essa coisa que está acontecendo como os bebês na frente dos televisores, diferem dos na frente dos seres humanos.
Felizmente, temos uma nova máquina, magnetoencefalografia que nos permite fazer isso.
Parece um secador de cabelo de Marte.
Mas é completamente segura, totalmente não-invasiva e silenciosa.
Nós estamos olhando com precisão milimétrica no aspecto espacial e com precisão de milisegundos utilizando 306 SQUIDs - que são dispositivos supercondutores de interferência quântica - para captar os campos magnéticos que mudam à medida que temos o nosso pensamento.
Nós somos os primeiros no mundo a registrar bebês em um equipamento MEG enquanto eles estão aprendendo.
Portanto, a pequena Emma.
Ela tem seis meses.
E ela está ouvindo várias línguas nos fones que estão em seus ouvidos.
Você pode ver, ela pode se mover.
Estamos rastreando sua cabeça com pequenas bolinhas em um capuz, ela está completamente livre para se mover.
É um tour técnico.
O que estamos vendo?
Estamos vendo o cérebro do bebê.
Como o bebê ouve uma palavra em sua língua as áreas auditivas acendem, e então as áreas que a rodeiam que achamos que estão relacionados com a coerência, ficando o cérebro coordenado com suas diferentes áreas, e o nexo de causalidade, uma área do cérebro provocando a ativação de outra.
Estamos embarcando em uma idade grande e dourada de conhecimento sobre o desenvolvimento do cérebro da criança.
Nós vamos ser capazes de ver o cérebro de uma criança enquanto experimentam uma emoção, enquanto elas aprendem a falar e a ler, enquanto resolvem um problema de matemática, enquanto elas têm uma idéia.
E vamos ser capazes de inventar intervenções baseadas no cérebro para as crianças que têm dificuldade de aprendizagem.
Assim como os poetas e escritores descreveram, nós vamos ser capazes de ver, penso eu, a abertura maravilhosa, total e completa abertura, da mente de uma criança.
Ao investigar o cérebro da criança, nós vamos descobrir verdades profundas sobre o que significa ser humano, e no processo, poderemos ser capazes de ajudar a manter nossa mente aberta para aprender para a nossa vida inteira.
Obrigada.
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Essa é a revolução 2. 0.
Ninguém foi um herói. Ninguém foi um herói.
Porque todo mundo foi herói.
Todo mundo fez alguma coisa.
Todos nós usamos a Wikipedia.
Se você pensar sobre o conceito da Wikipedia em que todos estão colaborando no conteúdo, e no fim do dia você construiu a maior enciclopédia do mundo.
A partir de apenas uma ideia que parecia maluca, você tem a maior enciclopédia do mundo.
E na revolução egípcia, a revolução 2. 0, todo mundo contribuiu com alguma coisa – pequena ou grande, eles contribuiram com alguma coisa – para nos trazer uma das histórias mais inspiradoras da história da humanidade em termos de revolução.
Foi realmente inspirador ver todos os egípcios mudando completamente.
Se você visse a cena, Egito, por 30 anos, esteve ladeira abaixo – descendo uma ladeira.
Tudo estava mal.
Tudo estava indo errado.
Nós só ganhávamos quando se tratava de pobreza, corrupção, falta de liberdade de expressão, falta de ativismo político.
Essas foram as conquistas de nosso grande regime.
No entanto, nada estava acontecendo.
E não é porque as pessoas estavam felizes ou porque não estavam frustradas.
Na verdade, as pessoas estavam extremamente frustradas.
Mas razão pela qual todo mundo estava quieto é o que chamo de barreira psicológica do medo.
Todo mundo estava amedontrado.
Nem todos. Na verdade tinham alguns egípcios corajosos a quem eu preciso agradecer por terem sido tão corajosos – indo a protestos em duzentas pessoas, sendo espancados e presos.
Mas na verdade, a maioria estava amedontrada.
Ninguém queria realmente entrar em encrenca.
Um ditador não pode viver sem a força.
Eles querem fazer as pessoas viver com medo.
E essa barreira psicológica de medo funcionou por muitos anos, e aqui entra a Internet, a tecnologia, BlackBerry, SMS.
Isso está nos ajudando a nos conectar.
Plataformas como YouTube, Twitter, Facebook nos ajudaram bastante, porque isso basicamente nos deu a impressão de "Opa, não estou sozinho.
Há muita gente que está frustrada."
Há muitas pessoas que estão frustradas.
Há muitas pessoas que realmente compartilham o mesmo sonho.
Há muita gente que se importa com sua liberdade.
Elas provavelmente têm a melhor vida no mundo.
Elas estão vivendo com alegria. Elas estão vivendo nas suas vilas.
Elas são felizes, elas não têm problemas.
Mas elas ainda estão sentindo a dor dos egípcios.
Muitos de nós, não estamos realmente felizes quando vemos um vídeo de um egípcio que está comendo lixo enquanto outros estão roubando bilhões de libras egípcias da riqueza do país.
A Internet executou um grande papel, ajudando essas pessoas a expressar suas mentes, a colaborar juntos, a começar a pensar juntos.
Isso foi uma campanha educacional.
Khaled Saeed foi morto em junho de 2010.
Eu ainda me lembro da foto.
Eu ainda me lembro de cada detalhe daquela foto.
A foto era horrível.
Ele foi torturado, brutalmente torturado até a morte.
Mas então qual foi a resposta do regime?
Ele se sufocou com um ensopado. Essa foi sua resposta: "Ele é um criminoso.
Ele é alguém que fugiu de todas essas coisas ruins."
Mas as pessoas não pensaram assim.
As pessoas não acreditaram nisso.
Por causa da Internet, a verdade prevaleceu e todo mundo soube a verdade.
E todo mundo começou a pensar que "esse rapaz podia ser meu irmão."
Ele era um rapaz de classe média.
Sua foto foi lembrada por todos nós.
Uma página foi criada.
Um administrador anônimo estava basicamente convidando pessoas a se juntar na página, e não havia plano algum.
"O que vamos fazer?" "Eu não sei."
Em poucos dias, havia dezenas de milhares de pessoas – egípcios raivosos que estavam questionando o Ministério do Interior: "Basta.
Peguem aqueles que mataram esse rapaz
para trazê-los à justiça."
Mas claro, eles não escutaram.
Era uma história impressionante – como cada um começou a sentir a propriedade.
Cada um era dono dessa página.
As pessoas começaram a contribuir ideias.
Na verdade, uma das ideias mais ridículas era, ei, vamos fazer um protesto de silêncio.
Vamos fazer as pessoas irem às ruas, encarar o mar, de costas parar as ruas, vestidos de preto, de pé silenciosamente por uma hora, sem fazer nada e depois indo embora, de volta para casa.
Para algumas pessoas, era como: "Uau, protesto de silêncio.
E na próxima vez vai ser de vibração."
As pessoas faziam graça da ideia.
Mas na verdade quando as pessoas foram às ruas – a primeira vez que foram milhares de pessoas em Alexandria – isso parecia – era maravilhoso. Era ótimo. Porque isso conectou as pessoas do mundo virtual, trazendo-as para o mundo real, compartilhando o mesmo sonho, a mesma frustração, a mesma raiva, o mesmo desejo por liberdade.
E elas estavam fazendo essa coisa.
Mas o regime aprendeu alguma coisa? Na verdade não.
Eles as estavam atacando.
Eles estavam abusando delas, apesar da pacificidade dessas pessoas – elas não estavam nem mesmo protestando.
E as coisas se desenvolveram até a revolução da Tunísia.
Essa página inteira foi, novamente, gerenciada pelas pessoas.
Na verdade, o trabalho do administrador anônimo era coletar ideias, ajudar as pessoas a votar nelas e contar a elas o que elas estavam fazendo.
As pessoas estavam fazendo videos e fotos. As pessoas estavam divulgando as violações dos Direitos Humanos no Egito. As pessoas estavam sugerindo ideias, elas estavam realmente votando nas ideias, e depois elas estavam executando as ideias, as pessoas estavam fazendo vídeos.
Tudo era realizado pelas pessoas para as pessoas, e esse é o poder da Internet.
Não havia líder.
O líder era todo mundo naquela página.
O experimento da Tunísia, como Amir estava dizendo, inspirou a todos nós, nos mostraram que havia um caminho.
Sim, nós podemos. Nós podemos fazer isso.
Nós temos os mesmos problemas, nós podemos ir às ruas.
E quando eu vi as ruas no dia 25, eu voltei e disse, "O Egito antes do dia 25 jamais será o Egito de depois do dia 25.
A revolução está acontecendo.
Isso não é o fim, isso é o começo do fim."
Eu fui detido na noite do dia 27.
Graças a Deus eu anunciei os locais e tudo mais.
Mas eles me deteram.
E não vou falar sobre minha experiência, porque isso não é sobre mim.
Eu fui detido por 12 dias, vendado, algemado.
E eu não escutei nada, eu não sabia de nada.
Eu não tinha permissão de falar com ninguém.
E eu saí.
No dia seguinte eu estava em Tahrir.
Falando sério, com a quantidade de mudanças que eu percebi nessa praça, eu pensei que fossem 12 anos.
Em minha mente eu nunca tinha visto esses egípcios, os egípcios incríveis.
O medo não era mais medo.
Isso era força – era poder.
As pessoas estavam tão poderoas.
Era incrível como todo mundo estava poderoso e agora demandava seus direitos.
Completamente o oposto.
O extremismo se tornou tolerância.
Quem poderia imaginar isso antes do dia 25, se eu dissesse a vocês que centenas de milhares de cristãos vão orar e dezenas de milhares de muçulmanos vão protegê-los, e então centenas de milhares de muçulmanos vão orar e dezenas de milhares de cristãos vão protegê-los – isso é incrível.
Todos os estereótipos que o regime estava tentando nos impor através da sua chamada propaganda, ou mídia dominante, foram comprovados errados.
Essa revolução inteira nos mostrou como o regime era feio e como é grande e incrível o homem egípcio, a mulher egípcia, como essas pessoas eram simples e incríveis sempre que elas têm um sonho.
Quando eu vi isso, eu voltei e escrevi no Facebook.
E isso era uma crença pessoal, não importa o que acontecesse, não importa os detalhes.
Eu disse que "Nós vamos vencer.
Nós vamos vencer porque não compreendemos políticos.
Nós vamos vencer porque não jogamos seus jogos sujos.
Nós vamos vencer porque nós não temos um compromisso.
Nós vamos vencer porque as lágrimas que vêm de nossos olhos na verdade vêm de nossos corações.
Nós vamos vencer porque nós temos sonhos.
Nós vamos vencer porque nós queremos defender nossos sonhos."
E isso foi o que realmente aconteceu. Nós vencemos.
E isso não foi por causa de nada, mas porque nós acreditamos em nosso sonho.
A vitória aqui não são todos os detalhes do que vai acontecer no cenário político.
A vitória é a vitória da dignidade de cada egípcio.
Na verdade, um motorista de táxi me disse: "Escute, eu estou respirando liberdade.
Eu sinto que tenho a dignidade que eu perdi por tantos anos."
Para mim isso é vitória, não importam os detalhes.
Minha última palavra a vocês é uma declaração que acredito, que os egípcios provaram ser verdadeira, que o poder das pessoas é muito mais forte que as pessoas no poder.
Muito obrigado.
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Quero abordar a questão da compaixão.
A compaixão tem muitas faces.
Algumas são ferozes, outras cheias de ira; algumas são suaves; outras têm sabedoria.
Uma frase que o Dalai Lama disse uma vez, ele disse que "O amor e a compaixão são necessidades.
Não são artigos de luxo.
Sem eles, a humanidade não pode sobreviver."
E vou sugerir, que não é só a humanidade que não vai sobreviver, mas todas as espécies do planeta, como ouvimos hoje.
São os grandes felinos, e é o plâncton.
Há duas semanas eu estava em Bangalore, na Índia.
Tive o grande privilégio em uma instituição para pacientes terminais na periferia de Bangalore.
E de manhã cedo, entrei na enfermaria.
Naquela instituição, havia 31 homens e mulheres que estavam agonizantes.
E me aproximei do leito de uma mulher idosa que estava respirando bem rápido, frágil, claramente na última fase, à beira da morte.
Olhei bem seu rosto.
Olhei bem o rosto de seu filho, sentado ao seu lado, e seu rosto estava dilacerado pela dor e confusão.
E me lembrei de uma frase do Mahabharata, o grande épico indiano: "Qual é a coisa mais assombrosa do mundo, Yudhisthira?"
E Yudhisthira respondeu, "A coisa mais assombrosa do mundo é que ao redor de nós as pessoas podem estar morrendo e não percebemos que isso pode acontecer conosco."
Olhei pro alto.
Cuidando daquelas 31 pessoas morrendo estavam mulheres jovens de vilarejos próximos a Bangalore,
Olhei bem o rosto de uma dessas mulheres, e vi em seu rosto a força que surge quando a compaixão natural está realmente presente.
Observei suas mãos enquanto ela dava banho num homem velho.
Meu olhar se voltou para outra jovem que enxugava as lágrimas de outra pessoa agonizante.
E isso me fez lembrar de algo que tinha acabado de presenciar.
A cada ano, tenho o privilégio de sair em algumas missões pelo Himalaia e o planalto tibetano.
E organizamos clínicas nestas regiões tão remotas onde não existe qualquer atendimento médico.
E no primeiro dia em Simikot em Humla, extremo oeste do Nepal, a região de maior pobreza do Nepal, um homem velho chegou segurando um monte de trapos.
Ele entrou, e alguém lhe disse algo, e percebemos que ele era surdo, e olhamos o que havia nos trapos, e ali estava um par de olhos.
Desenrolamos os trapos em volta de uma garotinha cujo corpo estava gravemente queimado.
Novamente, os olhos e as mãos de Avalokiteshvara.
Foram as mulheres jovens, as agentes de saúde, que limparam as feridas daquele bebê e fizeram curativos.
Conheço aquelas mãos e aqueles olhos; eles também me tocaram.
Tocaram-me lá então.
E têm me tocado ao longo dos meus 68 anos.
Tocaram-me quando eu tinha 4 anos e perdi a visão e fiquei parcialmente paralizada.
E minha família mandou vir uma mulher cuja mãe havia sido escrava para tomar conta de mim.
E aquela mulher não tinha compaixão sentimental.
Ela tinha uma força fenomenal.
E foi esta força, eu creio, que se tornou o tipo de diretriz que tem sido a luz que guia minha vida.
Daí podemos perguntar: Do que é composta a compaixão?
E existem várias facetas.
Existe a compaixão referencial e não referencial.
Mas primeiro, a compaixão é composta pela capacidade de ver com clareza o que há dentro da natureza do sofrimento.
É a capacidade de realmente se manter forte e também de reconhecer que não estou separado deste sofrimento.
Mas isto não basta, porque a compaixão, que ativa o córtex motor, significa que aspiramos, nós, de fato, apiramos a transformar o sofrimento.
E se somos assim abençoados, nos envolvemos em atividades que tranformam o sofrimento.
Mas a compaixão tem outro componente, e esse componente é realmente essencial.
Esse componente é que não podemos nos apegar ao resultado.
Bem, eu trabalhei com pessoas morrendo por mais de 40 anos.
Tive o privilégio de trabalhar no corredor da morte numa prisão de segurança máxima por 6 anos.
E percebi tão claramente ao trazer minha própria experiência de vida, de trabalhar com pessoas morrendo, e treinar cuidadores, que qualquer apego ao resultado iria distorcer profundamente minha própria capacidade de estar plenamente presente à catástrofe por inteiro.
E quando trabalhei no sistema prisional, isto ficou claro para mim: que muitos de nós nesta sala, e quase todos os homens com quem trabalhei no corredor da morte, as sementes de sua própria compaixão nunca foram regadas.
Na verdade essa compaixão é uma qualidade humana inerente.
Está lá, dentro de cada ser humano.
Mas as condições para que a compaixão seja ativada, seja despertada, são condições específicas
Eu tinha essa condição, até certo ponto, pela minha própria doença na infância.
Eve Ensler, a quem ouviremos mais tarde, teve essa condição ativada surpreendentemente para ela através de várias águas de sofrimento por que ela passou.
E o que é fascinante é que a compaixão tem inimigos, e esses inimigos são coisas como a pena, indignação moral, medo.
E sabem, temos uma sociedade, um mundo, que está paralisado pelo medo.
E nessa paralisia, é claro, nossa capacidade de ter compaixão também está paralisada.
A própria palavra terror é global.
O próprio sentimento de terror é global.
Então nosso trabalho, de certo modo, é abordar este imago, este tipo de arquétipo que permeia a psique de todo o nosso globo.
Agora sabemos pela neurociência que a compaixão tem agumas qualidades bem extraordinárias.
Por exemplo: Ao cultivar a compaixão, quando na presença do sofrimento, as pessoas sentem aquele sofrimento muito mais do que muitas outras pessoas.
No entanto, elas retornam à linha de base bem mais rápido.
A isso chamamos resiliência.
Muitos de nós pensamos que a compaixão nos esgota, mas eu garanto a vocês que é algo que verdadeiramente nos anima.
Outra coisa sobre a compaixão é que ela realmente aumenta o que chamamos de integração neural.
Ela conecta todas as partes do cérebro.
Uma outra coisa, que foi descoberta por vários pesquisadores em Emory e em Davis, etc. é que a compaixão fortalece nosso sistema imunológico.
Opa, nós vivemos num mundo muito nocivo.
A maioria de nós está encolhendo diante de venenos psico-sociais e físicos, das toxinas do nosso mundo.
Mas a compaixão, a geração de compaixão, de fato mobiliza nossa imunidade.
Sabem, se a compaixão é tão boa para nós, eu tenho uma pergunta.
Por que é que não treinamos nossas crianças na compaixão?
Se a compaixão é tão boa para nós, por que é que não treinamos nossos cuidadores na compaixão para que eles possam fazer o que devem fazer, que é transformar realmente o sofrimento?
E se a compaixão é tão boa para nós, por que não votamos na compaixão?
Por que não votamos em pessoas para nosso governo com base na compaixão? Para que possamos ter um mundo que se importe mais.
No budismo, dizemos, "é preciso ter as costas fortes e a frente suave."
É necessária uma força tremenda nas costas para se sustentar em meio às condições.
E esta é a qualidade mental da equanimidade.
Mas também é preciso ter a frente suave -- a capacidade de estar realmente aberto ao mundo como ele é, de ter o coração não defendido.
E o arquétipo disso no budismo é Avalokiteshvara, Kuan-Yin.
É um arquétipo feminino. aquela que percebe os gritos de sofrimento do mundo.
Ela está de pé com 10 mil braços, e em cada mão, há um instrumento de liberação, e na palma de cada mão, estão olhos, e estes são olhos de sabedoria.
Eu digo que, por milhares de anos, as mulheres têm vivido, têm exemplificado, encontrado na sua intimidade, o arquétipo de Avalokiteshvara, de Kuan-Yin, aquela que percebe os gritos de sofrimento do mundo.
As mulheres têm manifestado há milhares de anos a força que vem da compaixão, sem filtro ou mediação na percepção do sofrimento do modo como é.
Elas têm infundido sociedades com bondade, e temos realmente sentido isso quando mulher após mulher esteve neste palco no último dia e meio.
E elas concretizaram a compaixão pela ação direta.
Jody Williams chamou isso de: É bom meditar.
Sinto muito, você tem que fazer isso um pouquinho, Jody.
Dá um passo atrás, dá um tempo pra sua mãe, ok?
Mas o outro lado da equação é que você tem sair da sua caverna.
Você tem que entrar no mundo como Asanga o fêz, que estava olhando para perceber o Buda Maitreya depois de 12 anos sentado em sua caverna.
Ele disse, "Fui."
Ele vai descendo o caminho.
Ele vê alguma coisa lá.
Ele olha, é um cachorro, ele cai de joelhos.
Ele vê que o cachorro tem uma grande ferida na perna.
E a ferida está cheia de larvas.
Ele põe a língua pra fora para tirar as larvas, sem feri-las.
E naquele momento, o cão se tranformou no Buda de amor e bondade.
Eu acredito que mulheres e meninas hoje têm que ser poderosas parceiras dos homens -- de seus pais, de seus filhos, de seus irmãos, dos bombeiros hidráulicos, construtores de estradas, de cuidadores, de médicos, de advogados, do nosso presidente, e de todos os seres.
As mulheres nesta sala são flores de lótus num mar de fogo.
Que possamos concretizar essa capacidade para mulheres de todo lugar.
Obrigada
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Eu fui um dos membros fundadores da Turnê de Comédia Eixo do Mal.
Os outros membros fundadores incluiam Ahmed Ahmed, que é um egípcio-americano, e quem, na verdade, teve a ideia de ir ao Oriente Médio e experimentar.
Antes de sairmos em turnê, ele foi sozinho e se apresentou primeiro.
Tinha o Aron Kader, que era o palestino-americano.
E tinha eu, o iraniano-americano do grupo.
Agora, ser iraniano-americano tem lá os seus problemas, como sabem.
Os dois países não estão se dando bem atualmente.
Então isso causa muitos conflitos internos, tipo, parte de mim gosta de mim, parte de mim me odeia.
Uma parte pensa que eu deveria ter um programa nuclear, a outra pensa que eu não sou confiável com um.
São dilemas que eu tenho todos os dias.
Mas eu nasci no Irã; sou agora um cidadão americano, o que significa que tenho passaporte americano, e significa que posso viajar.
Pois, se você só tem o passaporte iraniano, você fica limitado aos países que pode ir de braços abertos, tipo Síria, Venezuela, Coreia do Norte.
Então qualquer um que tenha o passaporte americano te dirá: quando você consegue o passaporte, ele ainda mostra o país em que você nasceu.
Então eu me lembro de ter recebido o passaporte americano.
Eu disse: "U-huu! Eu vou viajar."
Eu abri o passaporte e dizia "Nascido no Irã." Eu fiquei tipo, "Ah, qual é, cara."
"Estou tentando viajar."
Mas o interessante é que eu nunca tive problemas ao viajar para outros países ocidentais com meu passaporte americano, mesmo que diga, "Nascido no Irã." Sem problemas.
Mas onde eu tive problemas foi em alguns países árabes, porque acho que alguns países árabes também não se dão bem com o Irã.
Eu estive no Kuwait recentemente, me apresentando com alguns outros comediantes americanos.
Todos eles passaram, e então o controle de fronteira viu meu passaporte americano.
"Ah ha! Americano, ótimo."
Então ele abriu o passaporte. "Nascido no Irã? Espera aí."
E ele começou a me fazer perguntas.
Ele disse, "Qual o nome do seu pai?"
Eu disse, "Bem, ele já faleceu, mas seu nome era Khosro."
E então, "Qual é o nome do seu avô?"
Eu disse, "Ele faleceu há muito tempo.
Seu nome era Jabbar."
Ele diz, "Você espera. Eu já volto," e então se afasta.
E eu comecei a pirar, porque eu não sei em que tipo de coisa meu avô estava metido.
Eu achei que o cara iria voltar e dizer "Estamos te procurando há 200 anos."
"Seu avô tem uma violação de estacionamento. Está vencida há tempos.
Você nos deve dois bilhões de dólares."
Mas como podem ver, quando eu falo, eu falo com sotaque americano, e você pode pensar que sendo um ator iraniano-americano, eu devo ser capaz de fazer qualquer papel, bom, mau, o que aparecer.
Mas muitas vezes em Hollywood, quando diretores de elenco descobrem que você tem descendência do Oriente Médio, eles dizem, "Oh, você é iraniano. Ótimo.
Pode dizer 'Eu vou te matar em nome de Alá?'" "Eu poderia dizer isso, mas e se eu dissesse 'Oi. Eu sou seu médico?'" Eles dizem, "Ótimo. E então você sequestra o hospital."
Tipo, eu acho que você não entendeu.
Não me leva a mal, eu não me importo de fazer o bandido.
Eu quero fazer o bandido. Eu quero roubar o banco.
Eu quero roubar o banco no filme. Eu quero roubar o banco no filme, mas com uma arma, uma arma, não uma bomba amarrada em mim.
Porque eu imagino o diretor: "Maz, acho que seu personagem roubaria o banco com uma bomba amarrada nele."
"Por que eu faria isso?"
Se eu quero o dinheiro, por que eu me mataria?"
Certo.
"Passa todo o dinheiro, ou eu vou me explodir!"
"Bem, então se exploda.
Mas faz isso lá fora, por favor."
Mas o fato é que existem pessoas boas em todo lugar.
É isso que tento mostrar no meu show. Tem gente boa em todo lugar.
Só precisa de uma pessoa para atrapalhar tudo.
Como há dois meses atrás em Times Square, Nova York, um muçulmano paquistanês tentou explodir um carro-bomba.
Eu por acaso estava em Times Square aquela noite me apresentando.
E alguns meses antes disso, um branco americano em Austin, Texas jogou seu avião contra o prédio do IRS [Receita Federal], e por acaso eu estava em Austin naquele dia me apresentando.
Agora, vou te dizer que, como um cara do Oriente Médio, quando você está por perto de todas essas atividades, você começa a se sentir culpado a certa altura.
Eu estava vendo as notícias e pensei "Será que estou metido nisso?"
"Eu não recebi o memorando. O que está acontecendo?"
Mas o interessante foi que mulçumano paquistanês. ele dá uma má reputação aos muçulmanos e pessoas do Oriente Médio e do Paquistão em todo o mundo.
E uma coisa que também aconteceu foi que o Talibã paquistanês se responsabilizou pelo carro-bomba que falhou.
Minha perqunta é: por que você levaria o crédito por um carro-bomba que falhou?
"Só queríamos dizer que tentamos."
"E além disso, é a intenção que conta."
"E concluindo, um dia da caça, outro do caçador."
Mas acontece que quando o cara branco jogou o avião no prédio, eu sei que todos os meus amigos do Oriente Médio e muçulmanos nos EUA assistindo TV pensaram, "Por favor, não seja do Oriente Médio.
Não seja Hassan. Não seja Hussein."
E o nome era Jack. Eu pensei, "Eeei!
Esse não é um de nós."
Mas eu continuei assistindo no caso de eles falarem "Antes de cometer o ato, ele se converteu ao islamismo."
"Droga! Por que Jack? Por quê?"
Mas o fato é que eu tive sorte de me apresentar por todo o mundo, e fiz muitos shows no Oriente Médio.
Acabei de fazer uma turnê solo por sete países.
Estive em Omã, e na Arábia Saudita.
Estive em Dubai.
E é ótimo, tem gente boa em todo lugar.
E você aprende coisas ótimas sobre esses lugares.
Eu sempre incentivo as pessoas a visitarem esses lugares.
Por exemplo, Dubai. Lugar legal.
São obcecados em ter os maiores, mais altos, mais longos, como todos sabem.
Eles têm um shopping, o Shopping Dubai.
É tão grande que eles têm táxis dentro do shopping.
Eu estava andando e ouvi "Biii, biii."
Perguntei, "O que você está fazendo aqui?"
Ele diz, "Estou indo para a loja Zara. Fica a uns cinco quilômetros.
Sai do caminho. Sai do caminho. Sai do caminho."
E o que é louco - estamos em recessão, até mesmo em Dubai, mas você não diria pelos preços.
No Shopping Dubai, eles vendem iogurte por grama.
É como tráfico.
Eu estava caminhando. Um cara diz, "Psst. Habibi, meu amigo."
"Você quer um iogurte?"
Vem cá. Vem cá. Vem cá.
Eu tenho um grama, cinco gramas, dez gramas. Quantos gramas você quer?"
Eu comprei cinco gramas. 10 dólares. 10 dólares! Eu perguntei, "O que tem nisso?"
Ele diz, "Coisa boa, cara. Colombiana. Top de linha. Top de linha."
Outra coisa que você aprende quando viaja para esses países do Oriente Médio, às vezes em países Latino Americanos, Sul Americanos, muitas vezes quando eles constroem coisas não há regras ou regulamentações.
Por exemplo, levei meu filho de dois anos ao playground do Shopping Dubai.
E eu levei meu filho de dois anos a playgrounds por todo os Estados Unidos.
E quando você põe seu filho de dois anos num escorregador nos Estados Unidos, eles colocam algo no escorregador para que eles escorreguem mais devagar.
Não no Oriente Médio.
Botei meu filho de dois anos no escorregador; ele foi zuuuum! Levantou voo.
Eu desci e perguntei, "Cadê meu filho?"
"No terceiro andar, senhor. No terceiro andar."
"Pegue um táxi. Vá até a Zara. Pegue a esquerda."
"Prove o iogurte. É muito bom. Pouco caro."
Mas uma coisa que eu tento fazer com meu show é quebrar estereótipos.
E já fui culpado por estereotipar também.
Estava em Dubai. E há muitos indianos trabalhando em Dubai.
E eles não são muito bem pagos.
E eu pus na cabeça que todos os indianos lá devem ser trabalhadores.
E esqueci que obviamente existem indianos bem sucedidos em Dubai.
Eu estava fazendo um show, e disseram, "vamos mandar um motorista para te pegar."
Eu desci para a recepção e vi esse cara indiano.
pensei, "Ele deve ser meu motorista."
Por que ele estava parado lá, vestindo um terno barato, bigode fininho, me encarando.
Cheguei perto e perguntei, "Com licença, senhor, você é meu motorista?"
Ele diz, "Não, senhor. Sou dono do hotel."
Eu disse, "Desculpe. Mas por que você estava me encarando?"
Ele disse, "Eu pensei que você fosse meu motorista."
Vou deixá-los com isso: nos meus shows, eu tento quebrar estereótipos, mostrar positivamente as pessoas do Oriente Médio, dos muçulmanos, e espero que nos anos vindouros, mais filmes e programas de TV sejam produzidos em Hollywood nos apresentando de maneira positiva.
Nunca se sabe, talvez um dia tenhamos nosso próprio James Bond, certo?
"Meu nome é Bond, Jamal Bond."
Até lá, vou continuar contando piadas. Espero que continuem rindo.
Tenham um bom dia. Obrigado.
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Bom, o tipo de mágica que eu gosto, e eu sou um mágico, é a mágica que usa a tecnologia para criar ilusões.
Desta forma, gostaria de mostrar algo em que estou trabalhando.
É um aplicativo que acredito será útil para os artistas -- em particular os artistas multimídia.
Ele sincroniza os vídeos de várias telas de celulares.
Eu pedi emprestado estes três iPods de pessoas aqui do auditório para mostrar o que quero dizer.
Vou usá-los para contar para vocês um pouco sobre meu assunto favorito: a ilusão.
Um dos meus mágicos favoritos é Karl Germain.
Ele tinha um maravilhoso truque no qual um galho de roseira floresce em frente da audiência.
Mas era o fazer surgir de uma borboleta que era o mais lindo.
Apresentador: Senhoras e senhores, a criação da vida.
Marco Tempest: Se perguntado sobre a ilusão, ele dizia: Apresentador: Mágica é a única profissão honesta.
Um mágico promete enganá-los -- e ele assim o faz.
MT: Eu gosto de pensar que sou um mágico honesto.
Eu uso muitos truques, o que significa que algumas vezes eu tenho de mentir para vocês.
E sinto-me mal por isso.
Mas as pessoas mentem todos os dias.
Aguarde.
Moça ao telefone: Oi, onde está você?
MT: Preso no tráfego. Estarei logo aí.
Todos vocês fizeram isto.
Senhora: Estarei pronta em um minuto, querido.
Rapaz: É tudo que eu sempre quis.
Moça: Você está ótimo.
MT: A ilusão é uma parte fundamental da vida.
As pesquisas mostram que os homens contam duas vezes mais mentiras que as mulheres -- presumindo que as mulheres que fizeram a pesquisa tenham falado a verdade.
Nós enganamos para tirar vantagem e para esconder nossas fraquezas.
O general chinês Sun Tzu disse que toda guerra era baseada em ilusão.
Oscar Wilde disse o mesmo do romance.
Algumas pessoas enganam por dinheiro.
Vamos jogar um jogo.
Três cartas, três chances.
Apresentador: Um 5 lhe dará 10, 10 lhe dará 20.
Onde está a senhora?
Onde está a rainha?
MT: Esta?
Desculpe-me. Você perdeu.
Bom, eu não o enganei.
Você enganou-se a si mesmo.
Auto-engano.
Neste ponto nos convencemos que uma mentira é a verdade.
Algumas vezes é muito difícil separar as duas.
Jogadores compulsivos são especialistas em auto-engano.
Eles acreditam que podem ganhar.
Eles se esquecem das vezes em que perderam.
O cérebro é muito bom em esquecer.
As más experiências são rapidamente esquecidas.
As más experiências desaparecem rapidamente.
Daí a razão para neste vasto e solitário cosmos, sermos maravilhosamente otimistas.
Nosso auto-engano torna-se uma ilusão positiva -- por que os filmes conseguem nos levar a aventuras extraordinárias; por que acreditamos em Romeo quando ele diz que ama Julieta; e por que as notas musicais, quando tocadas juntas, tornam-se uma sonata e ganham um significado.
Aqui está 'Claire de Lune.'
Seu compositor, Debussy disse que arte era a maior das ilusões.
Arte é uma ilusão que cria emoções reais -- uma mentira que cria uma verdade.
E quando você se entrega a essa ilusão, acontece a mágica.
Obrigado. Muito obrigado.
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Eu vou mostrar a vocês como o terrorismo interage com nossa vida cotidiana.
Há 15 anos atrás eu recebi uma ligação de um amigo.
Naquela época ele defendia os direitos de presos políticos nas prisões italianas.
Ele me perguntou se eu queria entrevistar as Brigadas Vermelhas.
Como muitos de vocês devem se lembrar, as Brigadas Vermelhas eram uma organização marxista terrorista que esteve muito ativa na Itália dos anos 60 até meados dos anos 80.
Como parte de sua estratégia, as Brigadas Vermelhas nunca falavam com ninguém, nem mesmo com seus advogados.
Eles se sentavam em silêncio no tribunal, e acenavam ocasionalmente para familiares e amigos.
Em 1993 eles declararam o fim de sua luta armada.
E fizeram uma lista de pessoas com quem falariam e contariam sua estória.
E eu era uma destas pessoas.
Quando perguntei ao meu amigo por que as Brigadas Vermelhas queriam falar comigo, ele disse que as mulheres na organização tinham apoiado meu nome.
Uma pessoa em particular tinha me sugerido.
Era uma amiga minha de infância.
Ela havia entrado para as Brigadas Vermelhas e se tornara uma das líderes da organização.
Naturalmente, eu não sabia de nada disso até o dia em que ela foi presa.
Na verdade, eu fiquei sabendo pelos jornais.
Quando recebi o telefonema, eu tinha acabado de ter bebê, eu tinha completado com sucesso a aquisição das ações da compania com a qual estava trabalhando, e a última coisa que eu queria era voltar para o meu país e fazer uma turnê por prisões de segurança máxima.
Contudo, isto é exatamente o que fiz porque eu queria saber o que havia transformado minha melhor amiga numa terrorista e por que ela nunca tinha tentado me recrutar.
Então, isso é exatamente o que fiz.
Agora, a resposta eu encontrei rapidamente:
eu não tinha o perfil psicológico de um terrorista.
O comitê central das Brigadas Vermelhas tinha me considerado muito determinada e muito teimosa para ser uma boa terrorista.
Minha amiga, por outro lado, era uma boa terrorista porque ela era muito boa em seguir ordens.
E também aceitava a violência,
pois ela acreditava que a única maneira de desbloquear o que na época se julgava uma democracia bloqueada, Itália, um país governado pelo mesmo partido por 35 anos, era a luta armada.
Ao mesmo tempo, enquanto eu entrevistava as Brigadas Vermelhas, descobri que sua existência não era regida pela política ou ideologia mas sim pela economia.
Eles constantemente estavam sem dinheiro.
Eles constantemente procuravam dinheiro.
Agora, ao contrário do que muita gente acredita, o terrorismo é na realidade um negócio muito caro.
Só prá lhes dar uma idéia:
nos anos 70, o volume de negócios das Brigadas Vermelhas por ano era de sete milhões de dólares.
Isto corresponde a aproximadamente entre 100 e 150 milhões nos dias de hoje.
E vocês sabem que, quando se vive clandestinamente, é muito difícil produzir essa quantidade de dinheiro.
E isso explica por que, quando entrevistei as Brigadas Vermelhas, e, mais tarde, outras organizações armadas, incluindo membros do grupo de al-Zarqawi no Oriente Médio, todos relutavam fortemente em falar sobre ideologia ou política:
era porque eles não tinham a menor idéia sobre esses assuntos.
A visão política de uma organização terrorista é decidida pela liderança, a qual, geralmente, não inclui mais que entre cinco e sete pessoas.
Tudo o que os outros membros fazem, dia após dia, é procurar por dinheiro.
Uma vez, por exemplo, eu estava entrevistando um colaborador em tempo parcial das Brigadas Vermelhas.
Era um psiquiatra que adorava navegar.
Era um marinheiro bem treinado e tinha um barco bonito.
E me contou que a melhor época de sua vida foi quando era membro das Brigadas Vermelhas e ele navegava, todo verão, ida e volta para o Líbano, onde apanhava armas soviéticas da OLP e, em seguida, as levava até a Sardenha onde as outras organizações armadas da Europa iam pegar a sua parte das armas.
Por este serviço as Brigadas Vermelhas recebiam um pagamento que servia para financiar a organização.
Como sou uma economista treinada e penso em termos econômicos, de repente pensei: talvez haja algo aqui.
Talvez haja uma conexão, uma conexão comercial, entre estas organizações.
Mas só quando entrevistei Mario Moretti, o líder das Brigadas Vermelhas, o homem que sequestrou e matou Aldo Moro, ex-primeiro ministro italiano, foi que me dei conta finalmente de que o terrorismo é na realidade um negócio.
Eu estava almoçando com ele numa prisão de segurança máxima na Itália.
E, enquanto comíamos, tive a nítida sensação de que eu estava de volta à cidade de Londres, almoçando com um colega banqueiro ou com um economista.
O cara pensava da mesma forma que eu.
Foi aí que decidi que queria investigar a economia do terrorismo.
Naturalmente, ninguém queria financiar minha pesquisa.
De fato, eu acho que muitas pessoas pensaram que eu estava um pouco maluca.
Sabem, eu era aquela mulher que ia às fundações pedindo dinheiro, pensando sobre a economia do terrorismo.
Então, no final, eu tomei uma decisão que, em retrospecto, mudou a minha vida.
Vendi minha empresa e financiei a pesquisa eu mesma.
E o que descobri foi essa realidade paralela, um outro sistema econômico internacional que funciona em paralelo com o nosso, que foi criado por organizações armadas após o fim da Segunda Guerra Mundial.
E o que é mais surpreendente é que este sistema seguiu, passo a passo, a evolução do nosso sistema, do nosso capitalismo ocidental.
E há 3 etapas principais.
A primeira é o Estado patrocinando o terrorismo.
A segunda é a privatização do terrorismo.
E a terceira, claro, é a globalização do terrorismo.
Bem, o Estado patrocinando o terrorismo -- característica da Guerra Fria.
Este foi o período quando as duas superpotências estavam travando uma guerra por procuração, na periferia de suas esferas de influência, totalmente financiando organizações armadas.
Utilizavam uma mistura de atividades legais e ilegais.
Assim, o link entre o crime e o terrorismo é estabelecido desde muito cedo.
E aqui está o exemplo mais claro: os Contras na Nicarágua, criados pela CIA, legalmente financiados pelo congresso americano, ilegamente financiados pela administração Reagan através de operações secretas, como por exemplo, o caso Irã-Contras.
Nesse ponto, chega o fim dos anos 70 e o início dos anos 80 e alguns grupos conseguem executar a privatização do terrorismo.
Tornam-se independentes de seus patrocinadores e começam a se auto-financiar.
Novamente nós vemos uma mistura de atividades legais e ilegais.
É assim que Arafat recebia uma porcentagem do contrabando de haxixe do Vale de Bekáa, que é o vale que fica entre o Líbano e a Síria.
E o IRA, controlando o sistema de transporte privado na Irlanda do Norte, fazia exatamente a mesma coisa.
Dessa maneira, toda vez que alguém pegava um taxi em Belfast, sem saber, na realidade, estava financiando o IRA.
Mas a grande mudança aconteceu, é claro, com a globalização e a desregularização.
Foi nesse período que as organizações armadas conseguiram conectar-se também financeiramente umas com as outras.
Mas, acima de tudo, elas começaram a negociar seriamente com o mundo do crime organizado.
E juntos lavavam o dinheiro resultado de seus negócios sujos usando o mesmo canal.
Este é o momento em que vemos o nascimento da organização armada transnacional Al Qaeda.
Esta é uma organização capaz de arrecadar dinheiro além de suas fronteiras.
E também capaz de realizar ataques em mais de um país.
Bem, uma coisa que a desregularização trouxe de volta foi a economia subterrânea.
E o que é a economia subterrânea?
A economia subterrânea é uma força que constantemente se oculta nos bastidores da história.
Ela reaparece em momentos de grande transformação -- e a globalização é um desses momentos de transformação.
É em momentos como esse que a política perde controle sobre a economia e a economia se torna uma força subterrânea que trabalha contra nós.
Isso já aconteceu em outros momentos da história.
Aconteceu com a queda do Império Romano.
Aconteceu com a Revolução Industrial.
E aconteceu novamente com a queda do muro de Berlim.
Bem, eu calculei quão grande era esse sistema econômico internacional composto pelo crime organizado, pelo terrorismo e pela economia ilegal antes dos ataques de 11 de setembro.
Ele correspondia à impressionante cifra de 1. 5 trilhões de dólares.
São trilhões, não bilhões.
Isso equivale ao dobro do produto interno bruto do Reino Unido -- e em breve vai ser mais dada a maneira como o país vai indo.
Bem, até o onze de setembro, a maior parte desse dinheiro entrou na economia americana porque a maior parte do dinheiro estava denominado em dólares americanos e a lavagem de dinheiro acontecia dentro dos Estados Unidos.
A porta-de-entrada de todo esse dinheiro, obviamente, eram instituições financeiras baseadas no exterior.
E essa era uma injeção de fundos vital para a economia americana.
Quando examinei os números da liquidez dos Estados Unidos -- a liquidez dos Estados Unidos é a quantidade de dólares que o Banco Central imprime todo ano para satisfazer o aumento da demanda por dólares, a qual, obviamente, reflete o crescimento da economia.
Assim, quando examinei esses números, notei que desde o fim dos anos 60 uma parcela crescente desses dólares estava na verdade saindo dos Estados Unidos para nunca mais voltar.
Este era o dinheiro levado em maletas ou contêineres, dinheiro vivo, claro.
Este era o dinheiro levado por criminosos e lavadores de dinheiro.
Este era o dinheiro levado para financiar o crescimento do terrorismo e da economia illegal e criminosa.
Vocês percebem, então, qual é a relação?
Os Estados Unidos são, na verdade, o país que é a reserva de moeda do mundo.
O que isso significa? Significa que possuem um privilégio que outros países não têm.
Podem pegar empréstimos respaldados pelo total de dólares em circulação no mundo.
Este privilégio é chamado de senhoriagem.
Nenhum outro país pode fazer o mesmo.
Todos os outros países, o Reino Unido por exemplo, somente podem pegar empréstimos respaldados pela quantidade de dinheiro em circulação dentro de suas fronteiras.
Então, eis aqui a conexão entre os mundos do crime, do terrorismo e da economia ilegal e a nossa economia.
Os Estados Unidos, nos anos 90, estavam obtendo empréstimos respaldados pelo crescimento do terrorismo e da economia ilegal e criminosa.
Estamos muito perto desse mundo.
A situação se modificou depois dos ataques de onze de setembro, obviamente, porque George Bush lançou a guerra contra o terrorismo.
Parte da guerra contra o terrorismo foi a introdução do Ato Patriótico.
Muitos de vocês sabem que o Ato Patriótico é uma legislação que reduz consideravelmente as liberdades dos americanos a fim de protegê-los do terrorismo.
Mas há uma seção do Ato Patriótico que se refere especificamente a finanças.
Se trata, de fato, de uma legislação contra a lavagem de dinheiro.
O que o Ato patriótico fez foi proibir os bancos americanos e o bancos estrangeiros registrados nos Estados Unidos de negociar com instituições financeiras baseadas no exterior.
Ele fechou a passagem entre a lavagem de dinheiro em dólares e a economia americana.
Ele também deu às autoridades fiscais americanas o direito de monitorar qualquer transação em dólar acontecendo em qualquer lugar do mundo.
Agora, imaginem a reação do sistema financeiro e bancário internacional.
Todos os banqueiros disseram a seus clientes: "Deixem o dólar e invistam em outro lugar."
O euro, uma moeda recém criada, era uma ótima oportunidade para negócios e, claro, para investimento.
E foi isso que as pessoas fizeram.
Ninguém quer as autoridades fiscais americanas analizando sua relação, analizando sua relação com os clientes.
O mesmo aconteceu com o mundo do crime e do terrorismo.
As pessoas simplesmente transferiram suas atividades de lavagem de dinheiro dos Estados Unidos para a Europa.
Por que isto ocorreu? Isto ocorreu porque o Ato Patriótico foi uma legislação unilateral.
Ela foi introduzida somente nos Estados Unidos.
E ela foi introduzida somente para o dólar americano.
Na Europa, uma legislação similar não foi introduzida.
Por isso, num prazo de seis meses a Europa se tornou o epicentro das atividades de lavagem de dinheiro no mundo.
Então, essa é a incrível relação entre o mundo do crime, o mundo do terrorismo e a nossa própria vida.
Por que contei esta estória prá vocês?
Lhes contei esta estória porque vocês precisam entender que existe um mundo que vai muito além das manchetes de jornal, incluindo as relações pessoais que vocês têm com amigos e familiares.
Vocês precisam questionar tudo que lhes é dito, inclusive o que acabei de lhes contar hoje.
Essa é a única maneira de vocês conseguirem pisar dentro do lado negro para observá-lo.
E acreditem, vai ser assustador.
Vai ser terrível, mas vai também ser esclarecedor.
E, acima de tudo, não vai ser entediante!
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Oi, meu nome é Roz Savage e cruzo oceanos a remo.
Quatro anos atrás, cruzei o Atlântico a remo sozinha, e desde então, já completei dois dos três estágios para cruzar o Pacífico, de São Francisco ao Havaí e do Havaí para Kiribati.
E amanhã, vou deixar este barco e voar de volta para Kiribati para continuar o terceiro e último estágio da minha travessia do Pacífico a remo.
Cumulativamente, terei remado mais de 14. 800 km dado mais de 3 milhões de remadas e passado mais de 312 dias sozinha no oceano, em um barco a remo 7 metros.
Isso fez com que eu desenvolvesse um relacionamento especial com o oceano.
Temos algo de amor/ódio acontecendo.
Sinto um pouco como me sentia em relação a uma professora de matemática muito severa que tive na escola.
Eu nem sempre gostava dela, mas tinha muito respeito. E ela me ensinou um monte de coisas.
Então, hoje eu gostaria de dividir com vocês algumas das minhas aventuras no oceano e contar um pouquinho sobre o que elas me ensinaram, e como penso que talvez possamos tomar algumas dessas lições e aplicá-las ao desafio ambiental que enfrentamos atualmente.
Então, alguns de vocês devem estar pensando, "Espera aí. Ela não se parece muito com uma remadora que cruza oceanos.
Ela não deveria ser assim de alta e deste tamanho, e talvez se parecer um pouco mais com um desses caras?"
Vocês vão notar, todos eles têm algo que eu não tenho.
Bem, não sei o que vocês estão pensando, mas estou falando das barbas.
E não importa quanto tempo eu passe no oceano, Ainda não consegui fazer crescer uma barba decente. E espero que continue assim.
Por muito tempo, eu não acreditei que poderia viver uma grande aventura.
O que eu me dizia é que aventureiros se pareciam assim.
Eu parecia não me encaixar.
Eu pensava lá estavam eles e lá estávamos nós, e eu não era um deles.
Então por 11 anos eu me conformei.
Fiz o que as pessoas com a minha experiência tinham que supostamente fazer.
Eu estava trabalhando em um escritório em Londres como consultora em administração.
E acho que eu já sabia desde o primeiro dia que não era o trabalho certo para mim.
Mas aquele tipo de condicionamento simplesmente me mantinha lá por tantos anos, até que cheguei aos meus trinta e poucos anos e pensei, "Vocês sabem, não estou ficando mais jovem.
Sinto que tenho um propósito nesta vida, e não sei o que é, mas estou certa de que consultoria em administração não é.
Então, avançando rapidamente alguns anos.
Eu passei por algumas mudanças.
Tentando responder a questão sobre o que eu deveria estar fazendo com a minha vida,
Eu me sentei um dia e escrevi duas versões do meu próprio obituário, uma que eu queria, uma vida de aventura, e outra, relativa à vida que eu estava levando que era legal, normal, uma vida agradável, mas que não era onde eu gostaria de estar no fim da minha vida.
Ei queria viver uma vida da qual tivesse orgulho.
E eu me lembro olhando aquelas das duas versões do meu obituário e pensando, "Oh, não, estou no caminho totalmente errado aqui.
Se continuo vivendo como vivo agora, simplesmente não vou terminar onde quero em 5, ou 10 anos, ou no final da minha vida.
Fiz algumas mudanças, afrouxei algumas amarras da minha antiga vida, e com um pouco de pensamento lógico, decidi cruzar o Oceano Atlântico a remo.
A travessia a remo do Atlântico vai das Ilhas Canárias até Antigua. São cerca de 5. 556 km. E isso acabou sendo a coisa mais difícil que eu já fiz.
Claro, eu queria sair da minha zona de conforto, mas o que eu de certa não conseguia perceber era que sair da sua zona de conforto é, por definição, extremamente desconfortável.
E meu tempo também não era ótimo. Em 2005, quando fiz o Atlântico, foi o ano do Furacão Katrina.
Houve mais tempestades tropicais no Atlântico Norte que em qualquer outro momento, desde que começaram os registros.
E muito cedo essas tempestades começaram a se fazer notar.
Todos meus quatro remos quebraram antes que eu alcançasse metade da travessia.
Remos não devem ter essa aparência.
Mas o que você pode fazer? Você está no meio do oceano.
Remos são seu único meio de propulsão.
Então a única coisa que eu podia fazer era dar uma olhada pelo barco e imaginar o que ia usar para consertar esses remos e poder continuar.
Então descobri um gancho do barco e minha confiável fita adesiva e adaptei o gancho do barco aos remos para reforçá-los.
Então, quando isso deixou de funcionar, Serrei os eixos das rodas do meu assento sobressalente e os usei.
E quando deixaram de funcionar, eu canibalizei um dos remos quebrados.
Eu nunca foi muito boa em consertar coisas quando vivia minha outra vida. Mas é impressionante como você pode se tornar uma pessoa versátil quando está no meio do oceano e só existe uma maneira de chegar ao outro lado.
E os remos como que se tornaram um símbolo de simplesmente de quantas maneiras eu fui além do que pensei serem meus limites.
Sofri de tendinite em meus ombros e feridas pela água salgada no meu traseiro.
Eu lutei psicologicamente, totalmente tomada pela escala do desafio, percebendo que se eu continuasse a me mover a 3. 704 km por hora 5. 556 km me levariam muito, muito tempo.
Houve tantos momentos em que pensei haver chegado ao limite, mas eu não tinha escolha a não ser continuar e insistir e pensar em como eu ia fazer para chegar ao outro lado sem enlouquecer.
E finalmente depois de 103 dias no mar, cheguei em Antigua.
Acho que nunca me senti tão feliz em toda minha vida.
Era como terminar uma maratona e sair do confinamento solitário e ganhar um Oscar, tudo junto.
Eu estava eufórica.
E ver todas aquelas pessoas vindo me cumprimentar em pé, ao longo dos arrecifes e aplaudindo e torcendo, me senti realmente como uma estrela de cinema.
Foi absolutamente maravilhoso.
E eu realmente aprendi que, quanto maior o desafio maior seu senso de conquista quanto você chega ao final.
Então este deve ser um bom momento para para fazer uma pausa e responder algumas perguntas frequentes sobre remar pelos oceanos que podem estar passando pela cabeça de vocês.
A pergunta número um que me fazem é: o que você come?
Algumas poucas refeições desidratadas e congeladas, mas em geral tento comer muito mais comida não processada.
Então cultivo meus próprios brotos de feijão.
Como frutas e barras de cereais, muitas castanhas,
e geralmente chego cerca de 14 quilos mais magra ao final.
Segunda pergunta: como você dorme?
Com meus olhos fechados. Risos.
Creio que o querem dizer é: O que acontece com o barco enquanto estou dormindo?
Bem, eu planejo minha rota enquanto estou à deriva de acordo com os ventos e as correntes enquanto estou dormindo.
Em uma boa noite, acho que a minha melhor foi 20. 372 km na direção correta.
A pior de todas, 24. 076 km na direção errada.
Este é um dia ruim no escritório.
O que visto?
Basicamente, um boné de basebol, luvas de remo e um sorriso, ou uma cara feia, dependendo se fui para trás na noite anterior. E muito protetor solar.
Tenho um barco de apoio?
Não, não tenho. Sou totalmente auto-suficiente lá.
Não vejo ninguém durante todo o tempo que estou no mar, em geral.
E finalmente: sou louca?
Bem, essa eu deixo para o julgamento de vocês.
Então, como você cruza o Atlântico remando?
Bem, naturalmente você decide cruzar o Pacífico a remo.
Bem, eu pensava que o Atlântico era grande, mas o Pacífico é muito, muito grande.
Acho que tendemos a fazer um pequeno desserviço em nossos mapas normais.
Eu não tenho certeza se foram o britânicos que inventaram esta visão particular do mundo, mas suspeito que devem ter feito porque lá estamos, bem no meio. E cortamos o Pacífico ao meio e colocamos cada metade nos cantos do mundo,
enquanto que, se você olha através do Google Earth, é assim que o Pacífico aparece.
Ele praticamente cobre metade do planeta.
Você pode ver apenas um pedacinho da América do Norte bem aqui e uma parte da Austrália lá embaixo.
Ele é realmente grande. 120 milhões de metros quadrados. E remar em uma linha reta através dele, seriam cerca de 14. 816 km.
Infelizmente, barcos a remo muito raramente seguem em linha reta.
Quando chegasse à Austrália, se chegasse à Austrália, Eu teria provavelmente remado 16. 6 ou 18. 52 km no total.
Então, como ninguém com a cabeça no lugar remaria passando diretamente pelo Havaí sem parar, decidi dividir este grande desafio em três partes.
A primeira tentativa não foi tão boa.
Em 2007 fiz um treino de capotagem involuntário 3 vezes em 24 horas.
Um pouco como estar em uma máquina de lavar.
O barco ficou meio avariado, e eu também.
Eu escrevi em meu Blog sobre isso. Infelizmente, alguém com um certo complexo de herói decidiu que a donzela em apuros precisava ser salva.
A primeira vez que fiquei sabendo disso foi quando um avião da Guarda Costeira apareceu sobre a minha cabeça.
Tentei dizer a eles para irem embora.
Tivemos uma luta de vontades.
Eu perdi e fui resgatada.
Terrível, realmente terrível.
Foi uma das piores sensações da minha vida. Enquanto me puxavam por aquele cabo até o helicóptero eu olhava para baixo, para meu confiável barquinho rolando entre ondas de 6 metros e pensando se algum dia eu o veria novamente.
Então tive que lançar uma operação bastante cara de salvamento e depois esperar por mais nove meses antes que pudesse voltar ao oceano.
Mas, o que você faz?
Cai 9 vezes e se levanta 10.
Então, no ano seguinte, saí novamente e, felizmente, desta vez cheguei segura até o Havaí.
Mas não foi sem algum incoveniente.
Meu transformador de água quebrou, simplesmente a parte mais importante do equipamento que tenho no barco.
Movido por energia solar, ele suga água salgada e a transforma em água potável.
Mas ele não reage muito bem quando imerso no oceano, e foi o que aconteceu.
Felizmente, havia ajuda por perto.
Havia outro barco não convencional por lá ao mesmo tempo, fazendo o que eu estava fazendo, trazendo consciência ao Pacífico Norte sobre o lixo encontrado, aquela área no Pacífico Norte tem cerca de duas vezes o tamanho do Texas, com uma quantidade estimada em 3, 5 milhões de toneladas de lixo, circulando no centro do do Giro do Pacífico Norte.
Então, para transmitir sua mensagem, esses caras tinham de fato construido seu barco com plástico do lixo, 15. 000 garrafas de água vazias amarradas em forma de duas plataformas.
Eles iam bem devagar.
Em parte, porque tiveram um certo atraso.
Eles tiveram que aportar nas Ilhas Catalinas logo após partirem de Long Beach pois as tampas de todas garrafas de água estavam se desfazendo, e eles começaram a afundar.
Então tiveram que aportar e refazer todas as tampas.
Mas, como eu me aproximava do fim das minhas reservas de água, por sorte, nosso cursos estavam convergindo.
Eles estavam ficando sem comida; eu estava ficando sem água.
Então fizemos contato por telefone via satelite e combinamos de nos encontrar.
E levou cerca de uma semana para realmente nos encontrarmos.
Eu estava indo a uma velocidade ridiculamente devagar de cerca de 1. 3 nós, e eles estavam fazendo algo ridiculamente menos lento, como 1. 4. Era como dois caracóis fazendo uma dança de acasalamento.
Mas, finalmente, conseguimos nos encontrar e Joel subiu a bordo, nos pescou um lindo e grande mahi mahi, que foi a melhor refeição que tive em, ooh, pelo menos três meses.
Felizmente, o que pescamos naquele dia estava melhor do que um que eles haviam pescado algumas semanas antes.
Quando abriram este, encontraram seu estômago cheio de plástico.
E isso realmente é uma má notícia porque o plástico não é uma substancia inerte.
Ele libera química na carne do pobre peixe que o comeu e depois nós comemos o pobre peixe, e algumas toxinas ficam acumuladas em nossos corpos também.
Então há implicações reais para saúde humana.
Finalmente cheguei ainda viva ao Havaí.
E, no ano seguinte, parti na segunda etapa do Pacífico, do Havaí para Tarawa.
E vocês vão perceber algo sobre Tarawa; ela está num nível muito baixo.
É aquela pequena linha verde no horizonte, o que faz com que eles fiquem muito tensos quanto ao aumento das águas dos oceanos.
Isso é um grande problema para eles.
Eles não têm um local de terra que esteja a mais de 1. 82 metros do nível do mar.
E, ainda mais, com o aumento das condições extremas em relação às mudanças climáticas, eles estão esperando que mais ondas cheguem aos seus recifes costeiros, o que vai causar a contaminação de seus reservatórios de água potável.
Tive um encontro com o presidente lá, que me falou sobre sua estratégia de evacuação para o país.
Ele espera que dentro dos próximos 50 anos, as cem mil pessoas que vivem lá terão que ser relocadas para Nova Zelândia ou Austrália.
E isso fez com que eu pensasse sobre como me sentiria se a Grã-Bretanha fosse desaparecer sob as ondas. Se os lugares onde eu nasci e fui para escola e me casei, se todos esses lugares fossem simplesmente desaparecer para sempre,
como, literalmente, isso faria eu me sentir sem chão.
Então, brevemente, vou iniciar a travessia e tentar chegar à Austrália. E se for bem sucedida, serei a primeira mulher a remar sozinha através do Pacífico.
E eu tento usar isso para trazer consciência sobre essas questões ambientais, e trazer uma face humana para o oceano.
Se o Atlântico foi sobre minha viagem interior, descobrindo as minhas capacidades. talvez o Pacífico seja sobre minha viagem exterior, descobrindo como posso usar esta minha interessante escolha de carreira para que seja útil ao mundo, e levar algumas das coisas que aprendi lá e aplicá-las na situação em que a raça humana se encontra agora.
Acho que há provavelmente três pontos chaves aqui.
O primeiro é sobre o que dizemos a nós mesmos.
Por muito tempo, eu dizia a mim mesma que não poderia participar de uma aventura poruqe não tinha 1. 80 metros de altura e era atlética e barbada.
E então, essa estória mudou.
Descobri que outras pessoas haviam cruzado oceanos.
Eu mesma conheci uma delas e ela tinha exatamente meu tamanho.
Então, mesmo sem ter ficado mais alta, não ter desenvolvido uma barba, algo tinha mudado, meu diálogo interior havia mudado.
Neste momento, a estória que todos nós nos contamos é que precisamos de todas essas coisas, que precisamos de petróleo.
Mas e se nós simplesmente mudássemos essa estória?
Nós realmente temos alternativas, e temos o poder do livre arbítrio de escolher alternativas, aquelas que sejam sustentáveis para criar um futuro mais verde.
O segundo ponto é sobre o acumulado de pequenas ações.
Podemos pensar que o que fazemos como indivíduos é apenas uma gota no oceano, que não tem como fazer diferença.
Mas faz. Geralmente, não entramos nessas situações por causa de grandes desastres.
Sim, houve Exxon Valdezs e Chernobyls, mas na maioria das vezes se trata de um acúmulo de decisões mau feitas por bilhões de pessoas dia após dia e ano após ano.
E, da mesma forma, podemos mudar essa maré.
Podemos começar a fazer melhor, tomar decisões mais sábia e mais sustentáveis.
E quando fizermos isso, não seremos apenas uma pessoa.
Qualquer coisas que fizermos terá repercussões.
Outras pessoas verão, se você estiver na fila do supermercado e tirar sua bolsa de mercado reutilizável.
Talvez se todos comerçarmos a fazer isso, podemos transformá-lo em algo socialmente inaceitável dizer sim para as sacolas de plástico ao fazer as compras.
Este é apenas um exemplo.
Estamos em uma comunidade global.
O outro ponto: é sobre ser responsável.
Por muito tempo em minha vida, eu queria algo que me fizesse feliz.
Eu pensei que se tivesse a casa certa, o carro certo, ou o homem certo na minha vida, então eu poderia ser feliz,
mas quando fiz o exercício e escrevi meu obituário, eu realmente cresci um pouco naquele momento e percebi que precisava criar meu próprio futuro.
Não podia simplesmente esperar passivamente até que a felicidade me encontrasse.
Creio que sou uma ambientalista egoista.
Planejo estar por aí por muito tempo, e quando tiver 90 anos, Quero ser feliz e saudável.
E é muito difícil ser feliz em um planeta que está destruído pela fome e seca.
É muito difícil ser saudável em um planeta onde envenenamos a terra, o mar e o ar.
Então, resumidamente, vou lançar uma nova iniciativa chamada Eco-Heroes.
E a idéia aqui é que todos nossos Eco-Heroes vão praticar pelo menos uma ação ecológica por dia.
A idéia é que seja uma espécie de jogo.
Vamos criar um aplicativo para iPhone.
Temos a intenção de criar consciência, pois, certamente, mudar uma lâmpada não vai mudar o mundo, mas a atitude, a consciência que leva todos a mudarem suas lâmpadas ou levar sua própria xícara de café, isso é o que pode mudar o mundo.
Eu realmente acredito que estamos em um momento histórico muito importante.
Temos escolha. Somos abençoados, ou amaldiçoados, com livre arbítrio.
Podemos escolher um futuro mais ecológico. E podemos chegar lá se todos fazemos força juntos, dando uma remanda por vez.
Obrigada.
Aplausos
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Essa canção é uma das fovoritas do Thomas, chamada "O que você faz com o que tem."
♫ Você deve conhecer alguém como ele ♫ ♫ Ele era alto e forte e esbelto ♫ ♫ Com o corpo de um galgo ♫ ♫ E a mente tão afiada e sagaz ♫ ♫ Mas seu coração, como um loureiro ♫ ♫ cresceu e se enrroscou em si ♫ ♫ Até que quase tudo que fazia ♫ ♫ trazia dor a outra pessoa ♫ ♫ Não é com o que você nasce ♫ ♫ é o que você escolhe aceitar ♫ ♫ Não é quão grande é sua parte ♫ ♫ é quanto você pode dividir ♫ ♫ Não são as lutas com que sonhou ♫ ♫ São as que lutou ♫ ♫ Não é o que recebeu ♫ ♫ É o que você faz com o que recebeu ♫ ♫ De que adianta duas pernas fortes ♫ ♫ se você somente foge? ♫ ♫ E de que adianta a mais bela voz ♫ ♫ se não tem nada a dizer ♫ ♫ De que adianta resistência e músculos. ♫ ♫ se você somente empurra e empurra ♫ ♫ E de que adianta dois bons ouvidos ♫ ♫ se não consegue ouvir quem você ama ♫ ♫ E de que adianta duas pernas fortes ♫ ♫ se você somente foge ♫ ♫ E de que adianta a mais bela voz ♫ ♫ se você não tem nada a dizer ♫ ♫ E de que adianta resistência e músculos ♫ ♫ se você somente empurra e empurra ♫ ♫ E de que adianta dois bons ouvidos ♫ ♫ se não consegue ouvir quem você ama ♫ ♫ Entre os que usam seus vizinhos ♫ ♫ e os que usam suas bengalas ♫ ♫ Entre aqueles que estão constantemente no poder ♫ ♫ e aqueles que estão constantemente em dor ♫ ♫ Entre aqueles que correm por glória ♫ ♫ e aqueles que não podem correr ♫ ♫ Me diga quem são os aleijados ♫ ♫ e quais tocam o sol ♫ ♫ Quais tocam o sol ♫ ♫ Quais tocam o sol ♫
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Esta música é sobre um lugar em Londres chamado Kiteflyer's Hill onde eu costumava passar horas pensando "Quando ele vai voltar? Quando ele vai voltar?"
Então esta é mais uma dedicada para aquele cara.
do qual já dei a volta por cima.
Mas esta é "Kiteflyer's Hill".
Esta é uma música belíssima escrita por um cara chamado Martin Evan, na verdade, para mim.
Boo Hewerdine, Thomas Dolby. Muito obrigada por me convidar. É um prazer enorme cantar para vocês.
Muitíssimo obrigada.
♫ Você se lembra quando costumávamos ir ♫ ♫ a Kiteflyer's Hill ♫ ♫ Aquelas noites de verão, tão quietas ♫ ♫ com toda a cidade em baixo de nós ♫ ♫ e toda a nossa vida pela frente ♫ ♫ antes que palavras cruéis e insensatas ♫ ♫ fossem cruel e insensatamente ditas ♫ ♫ Algumas noites eu penso em você ♫ ♫ e então subo ♫ ♫ a Kiteflyer's Hill ♫ ♫ embrulhada contra o frio do inverno ♫ ♫ e em algum lugar na cidade em baixo de mim ♫ ♫ você está dormindo na sua cama ♫™ ♫ e imagino se ainda que brevemente ♫ ♫ eu apareço nos seus sonhos de vez em quando ♫® ♫ Onde está você agora? ♫ ♫ Meu amor selvagem de verão ♫ ♫ Onde você está agora? ♫ ♫ Os anos te trataram bem? ♫ ♫ E você pensa em mim de vez em quando ♫ ♫ lá em Kiteflyer's Hill? ♫ ♫ Ahh, rezo pra que um dia você vá. ♫ ♫ Não diremos uma palavra ♫ ♫ Não precisaremos delas ♫ ♫ Às vezes o silêncio é melhor ♫ ♫ Apenas ficaremos no silêncio da noite ♫ ♫ e suspirar depedida para a solidão ♫ ♫ Onde você está agora? ♫ ♫ Meu amor selvagem de verão ♫ ♫ Onde você está agora? ♫ ♫ Você pensa em mim de vez em quando? ♫ ♫ E você já fez aquela escalada alguma vez? ♫ ♫ Onde está você agora? ♫ ♫ Meu amor selvagem de verão ♫ ♫ Onde você está agora? ♫ ♫ Os anos te trataram bem? ♫ ♫ E você já fez aquela escalada alguma vez ♫ ♫ a Kiteflyer's Hill? ♫ ♫ Kiteflyer's. ♫ ♫ Onde você está agora? Onde você está agora? ♫ ♫ Onde você está agora? ♫ ♫ Kiteflyer's. ♫ Gracias. Muitíssimo obrigada.
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Estar pela primeira vez no TED -- é como ser o último virgem da escola.
Você sabe que todas as pessoas legais estão lá, fazendo acontecer.
E você está de fora, em casa --
você é como os irmãos Raspyni, com o saco de molho na água gelada. E -- Risos você apenas brinca com seus dedos, o dia todo. Então você é convidado.
E você está dentro, e tudo é como você esperava.
É empolgante e há música tocando o tempo todo e, de repente, termina. E levaram apenas cinco minutos
E você quer voltar e fazer novamente,
mas eu realmente aprecio estar aqui. Obrigado, Chris, e obrigado támbem, Deborah Patton, por tornar isto possível.
Então, iremos falar de arquitetura um pouco, no campo da criação e do otimismo.
E se juntarmos criação e otimismo, restarão duas opções sobre as quais falar.
Podemos falar de criacionismo – o que acredito, não faria muito sucesso com esta platéia, especialmente se você for um propontente dele -- ou poderíamos falar sobre "otimisações", escrito da maneira britânica, com um "s", em vez de "z".
E acho que é sobre isto que gostaria de falar hoje.
Mas qualquer tipo de conversa sobre arquitetura, o que de fato acontecia aqui há pouco, quando da organização do TED, arquitetura em pequena escala no atual momento não poderia realmente acontecer sem uma conversa sobre isto, o World Trade Center, e o que está acontecendo por lá, o que isto significa para nós.
Porque se a arquitetura é o que acredito que ela seja, isto é, a forma concreta das nossas ambições culturais, o que você faz quando é confrontado com uma oportunidade de retificar uma situação que representa as ambições culturais de outros, em relação a nós,
e a nossa própria oportunidade de fazer algo novo lá?
Este tem sido um problema realmente excitante por muito tempo.
Acho que o World Trade Center, de forma um tanto lamentável, trouxe o foco para a arquitetura de uma maneira que eu acho que as pessoas não pensavam há muito tempo, e a tornou um objeto de discussões corriqueiras.
Não me lembro, nos meus vinte anos de carreira, praticando e escrevendo sobre arquitetura, uma época em que cinco pessoas sentaram-me numa mesa e interrogaram-me sobre coisas tão sérias como zoneamento, saída de incêndio, medidas de segurança e se carpete queima.
Simplesmente, não eram coisas que conversávamos frequentemente.
Mas agora, fala-se sobre isso o tempo todo.
A ponto de ser possível “equipar com armas” suas edificações, você precisa, de repente, pensar a arquitetura de uma maneira bem diferente.
E agora então, pensemos a arquitetura de um modo muito diferente, Vamos refletir da seguinte maneira.
Quantos de vocês viram a USA Today hoje? Aqui está.
Este é o World Trade Center, na primeira página.
Eles fizeram uma seleção.
Escolheram um projeto do Daniel Libeskind, o "enfant terrible" do momento, na arquitetura.
Criança prodígio pianista, ele começou no acordeão, e passou para um tópico um pouco mais sério, um instrumento maior, e agora, para um instrumento ainda maior, sobre o qual trabalha sua particular marca de mágico desconstrucionista, como vemos aqui.
Ele era um dos seis convidados para participar desta competição depois de seis firmas serem descartadas por coisas tão estúpidas e banais que até mesmo a cidade de Nova Iorque foi forçada a ir, ahh, desculpem-me, nós erramos feio.
Certo. Podemos fazer isso de novo, a partir do topo, exceto por usar pessoas com uma vaga idéia de talento, Em vez de seis babacas, como os que trouxemos da última vez: picaretas imobiliários do tipo que normalmente planejam nossas cidades.
Vamos trazer alguns arquitetos de verdade, para quebrar a rotina.
E então fizemos isto, ou tivemos esta escolha. Ahh, parem de aplaudir.
É muito tarde. Esta, “já era”.
Este era o esquema de um time chamado THINK, um time de Nova Iorque, e então havia aquele do esquema de Libeskind.
Este aqui, isto será o novo World Trade Center. Um buraco gigante no chão, com grandes construções caindo nele.
Agora, não sei o que vocês pensam, mas eu acho isso uma decisão totalmente estúpida porque o que se fez foi apenas um permanente memorial à destruição ao fazer parecer que a destruição continuará para sempre.
Mas é isto que construiremos.
Mas eu quero que vocês pensassem sobre estas coisas em termos de que tipo de luta esta arquitetura americana representa, e sobre o que estas duas coisas falam muito especificamente.
E que esta é a divergência inata com a qual escolhemos nossos arquitetos. Na tentativa de decidir se queremos uma arquitetura do tipo: solução tecnocrática para tudo -- que há uma ampla resposta técnica que pode resolver todos os problemas, sejam eles sociais, físicos, químicos -- ou algo que é mais como uma solução romântica.
Agora, não quero dizer romântico como um lugar ideal para levar um namorado.
Digo romântico no sentido de que existem coisas maiores e mais grandiosas do que nós.
Então, na tradição americana, a diferença entre o tecnocrático e o romântico, seria a diferença entre a malha cartesiana de Thomas Jefferson se espalhando pelos Estados Unidos, o que nos dá basicamente o formato completo de cada um dos estados orientais nos Estados Unidos, como uma solução verdadeiramente tecnocrática, uma reverência à época de Jefferson -- a atual filosofia popular do racionalismo.
Ou da maneira que passamos a descrevê-la mais tarde -- manifestação do destino
Agora, o que você preferiria ser? Uma malha, ou uma manifestação do destino?
Destino manifesto.
É um negócio e tanto. Parece grande, parece importante, parece sólido, parece americano. Corajoso, sério, masculino.
E este tipo de disputa tem ido e voltado na arquitetura o tempo todo.
Quero dizer, o mesmo acontece em nossas vidas pessoais também, todo santo dia.
Todos nós queremos sair e comprar um Audi TT, não é mesmo?
Todo mundo aqui tem de ter um, ou pelo menos desejaram um no momento em que viram o primeiro.
E, então, pularam nele, viraram a chavinha eletrônica pequena, em vez da verdadeira chave, e se mandaram para casa na nova auto-estrada, e foram direto para uma garagem que parece um castelo Tudor.
Por que? Por que? Por que vocês querem fazer isto?
Por que todos nós queremos fazer isto? Eu mesmo já tive uma dessas “coisas-Tudor”, uma vez.
Está em nossa natureza ricochetear, para frente e para trás, entre a solução tecnocrática e uma imagem maior, como se mais romântica de onde estamos.
Então vamos direto ao ponto.
Podem desligar as luzes por um instante?
Vou falar de dois arquitetos muito, muito brevemente que representam a atual divisão, arquitetonicamente, entre estas duas tradições de uma solução tecnocrática ou tecnológica e a solução romântica.
E estas são duas das principais práticas arquitetônicas nos Estados Unidos atualmente,
uma muito jovem, a outra um pouco mais madura.
Esta é uma obra de uma firma chamada SHoP e o que vocês estão vendo aqui, são os desenhos isométricos deles, daquilo que será uma enorme câmera obscura em um parque público.
Todo mundo sabe o que é uma câmera obscura?
Certo, é como uma máquina fotográfica, mas gigante que fotografa o mundo exterior – é como um pequeno filme, imóvel -- projetado em uma página, e você pode ver o mundo lá fora, à medida em que anda em torno dela.
Estes são apenas os esboços, e vocês podem ver, isto se parece com uma obra regular? Não.
Na verdade, ela não é ortogonal, não é para cima e para baixo, quadrada, retangular, nada disso, que veríamos no formato normal de um edifício.
A revolução do computador, a revolução tecnocrática, tecnológica, permitiu-nos “Jettissonizar” edifícios comuns, edifícios com formas tradicionais; em favor de edificações não-ortogonais como esta.
O que é interessante aqui não é o formato.
Mas como ela é feita. Como ela é fabricada.
Uma forma novinha em folha de unir as coisas -- algo chamado customização em massa. Não, isto não é um oximoro.
O que torna a obra cara, no sentido tradicional, é fabricar partes individuais personalizadas que você não pode refazer continuamente.
É por isso que todos nós moramos em cadas planejadas.
Eles todos querem economizar construindo a mesma coisa 500 vezes.
Simplesmente porque é mais barato.
Customização em massa funciona com um arquiteto alimentando um computador, um programa que diz, fabrique estas partes.
O computador então se comunica com uma máquina -- uma máquina operada por computador, uma máquina com uma câmera de CAD que pode fabricar zilhões de mudanças diferentes, é só pedir. Porque o computador é apenas uma máquina.
Ele não se importa, simplesmente fabrica as partes.
Ele não vê excesso de custo, não gasta tempo extra.
Ele não é um trabalhador, simplesmente um escravo eletrônico, de tal forma que as partes possam ser cortadas simultaneamente.
Enquanto isso, em vez de enviar para alguém os desenhos trabalhados, que são aquelas pilhas enormes de projetos que vocês viram suas vidas inteiras, o arquiteto poderá mandar o conjunto de instruções de montagem, como aqueles que vocês recebiam quando criança, quando compravam pequenos modelos dizendo, "parafuse o A ao B, e o C ao D".
E então, o empreiteiro receberá separadamente cada pedaço previamente fabricado, de modo personalizado e entregue por um caminhão, ao empreiteiro, no canteiro de obras, junto com as instruções de montagem.
Simples como "parafuse A a B" e eles serão capazes de montar --
este é um pequeno desenho mostrando como isto funciona -- e isto é o que acontecerá ao final do processo.
Vocês estão por baixo dela, olhando para cima, através das lentes da câmera obscura.
Para que vocês não pensem que isto é tudo ficção, para que não pensem que é fantasia, ou romance, estes mesmos arquitetos que foram contratados para produzir algo para o pátio central do PS1, que é um museu no Brooklyn, Nova Iorque, como parte da série de verão destes jovens arquitetos.
E eles disseram, bem, é verão, o que fazemos?
No verão, vamos à praia.
E quando vamos à praia, o que vemos? Vemos dunas.
Então façamos dunas e uma cabana de praia.
Então eles modelaram -- no computador -- uma duna.
Fotografaram e inseriram as fotografias no software deles, e o programa moldou a duna e depois, pegaram a forma da duna e transformaram-na -- de acordo com as instruções, usando softwares padrões, com pequenas modificações -- em um conjunto de instruções para pedaços de madeira.
E estes são pedaços de madeira. Estas são as instruções.
Estes são os pedaços, e aqui está um "zoom" deles.
O que podemos ver é, há cerca de seis cores diferentes, onde cada cor representa um tipo de madeira a ser cortada, um tipo de corte na madeira.
Sendo que cada um deles foi entregue por um caminhão, e montados manualmente em 48 horas por um time de oito pessoas, dentre as quais, apenas uma, havia visto as plantas anteriormente.
apenas uma havia visto as plantas antes.
E aqui estão as dunas, brotando do pátio, e aqui está, completamente pronta.
São apenas 16 diferentes pedaços de madeira. Aqui são apenas 16 diferentes peças de montagem.
Por dentro, parece uma bela caixa acústica de piano.
Ela tem sua própria piscina, muito, muito legal.
É um excelente lugar para festas. Era, pois ficou montada apenas durante seis semanas,
tinha pequenos vestiários e cabanas, onde muitas coisas interessantes aconteceram, durante todo o verão.
Agora, para que não pensem que isto é apenas para ilustrar, ou apenas instalações temporárias, esta é a mesma firma trabalhando no World Trade Center, substituindo a ponte que costumava passar pela West Street, aquela conexão pedestre muito importante entre a cidade de Nova Iorque e o redesenvolvimento do lado oeste.
Eles foram solicitados a projetar e substituir aquela ponte em seis semanas, construí-la, incluindo todas as partes, fabricada.
E eles foram capazes de fazê-la. Este foi o projeto deles, usando aquele mesmo sistema computacional de modelagem e apenas cinco ou seis partes diferentes, um par de suportes, como este, algum material de revestimento e um sistema de molduras, muito simples e tudo foi fabricado em outro local e entregue por um caminhão.
Eles foram capazes de criar aquilo.
Foram capazes de criar algo maravilhoso.
Agora estão construindo um prédio de 16 andares em Nova Iorque, usando a mesma tecnologia.
Aqui, cruzaremos a ponte à noite,
ela é auto-iluminada, não há necessidade de iluminação adicional, de forma que os vizinhos não reclamarão de iluminação excessiva.
Aqui, é ao longo da ponte, e agora, pelo outro lado, e você vê o mesmo tipo de grandiosidade.
Agora, vou mostrar-lhes rapidamente, o contrário, se puder
Ahhh, lindo, hein? Este é o outro lado da moeda.
Este é a obra de David Rockwell da cidade de Nova Iorque, cujo trabalho você pode ver hoje, lá fora.
O atual rei do romantismo, que aborda sua obra de uma maneira muito diferente.
Não é para criar uma solução tecnológica, é para seduzi-lo em algo que você pode fazer, em algo que lhe dá prazer, algo que elevará vossos espíritos, algo que fará vocês se sentirem como em outro mundo, tal como seu restaurante "Nobu", em Nova Iorque, que supostamente transporta vocês, do tumulto de Nova Iorque, para a simplicidade do Japão e a elegância da tradição japonesa.
"No final, tem de se parecer com algas marítimas", disse o dono.
Ou seu restaurante Pod, na Filadélfia, Pensilvânia.
Quero que saibam que, a sala que estão vendo é completamente branca.
Cada uma das superfícies deste restaurante é branca.
A razão pela qual se apresenta tão colorida, decorre da mudança de iluminação.
É toda sensualidade, é toda transformação.
Olhem isto -- não estou tocando nenhum botão, senhoras e senhores.
Tudo acontece automaticamente.
Transforma-se pela mágica da iluminação.
É toda sensualidade. Tudo sobre toque.
Rosa Mexicano, restaurante onde ele transporta-nos à praias de Acapulco, até o mais alto lado oeste, com este penhasco, onde mergulhadores – lá se vai, gostam disso?
Vejamos novamente.
Ok, só pra ter certeza que vocês gostaram.
E finalmente, é tudo sobre conforto, sobre fazer você sentir-se bem em lugares nos quais vocês não se sentiriam bem antes.
É sobre trazer a natureza para dentro.
Na Guardian Tower de Nova Iorque, convertida em uma W Union Square -- Estou certo que estou me apressando -- onde temos que mostrar os melhores horticultores do mundo para assegurar que o interior disto trouxe o espaço do jardim da Union Square para dentro do próprio prédio.
É estimulação pura.
Esta é uma experiência de compra de vinhos, simplificada pela visão e paladar –
espumantes, frescos, macios, deliciosos, suculentos, suaves, grandes e doces vinhos, todos explicados a vocês pelas cores e texturas das paredes.
E finalmente, entretenimento puro, como nesta instalação do Cirque du Soleil, Orlando, Flórida, na qual você é convidado a adentrar o teatro grego, ao olhar embaixo da tenda, e juntar-se ao mundo mágico do Cirque du Soleil.
Vou deixá-los com isto. Muito obrigado.
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Nós vamos falar sobre minha nova apresentação feita para a TED – e eu vou lhes mostrar algumas ilusões que nós criamos para a TED, e eu vou tentar relacionar isto com felicidade. O que eu estava pensando sobre felicidade é o que traz a felicidade – ou felicidade que eu equiparo a alegria em minha área particular, e eu penso que há algo muito fundamental. E eu estava pensando sobre isto. tanto em termos de ilusões e filmes que nós assistimos e piadas, e shows de mágica é que há algo nestas coisas onde nossas expectativas são contrariadas, de alguma forma agradável. Você vê um filme. E ele tem uma surpreendente reviravolta – algo que você não estava esperando – e você acha isto uma experiência agradável. Você olha para esses tipos de ilusões no meu livro e não é o que o que você esperaria. E há algo agradável nisto. E é a mesma coisa com piadas e todas as coisas do gênero. Então, o que eu vou experimentar e fazer em minha apresentação é ir um pouco além e ver se consigo contrariar suas expectativas de uma maneira agradável. Quero dizer, algumas vezes expectativas que são contrariadas não são agradáveis, mas eu vou tentar fazê-lo de uma maneira agradável, de uma maneira bem primitiva de maneira que eu possa fazer a platéia aqui feliz.
Então eu vou lhes mostrar algumas maneiras em que nós podemos contrariar suas expectativas. Primeiro, eu quero lhes mostrar uma ilusão particular aqui. E quero que vocês primeiro, quando isto aparecer na tela, notem que os dois orifícios são perpendiculares um em relação ao outro. Estes são todos truques de percepção. Estes são objetos reais que eu vou mostrar. Agora vou mostrar como isto é feito. Eu fiz o filme voltar aqui de maneira que vocês terão uma experiência muito interessante. Eu quero que vocês vejam como esta ilusão é construída, e ela irá girar de maneira que vocês vejam que está pelo avesso. Agora, prestem atenção, à medida que ela gira de volta, quão rapidamente nossa percepção se ajusta. Agora tudo bem.
Vejam-na à medida que ela gira de volta mais uma vez. E esta é uma platéia esperta, certo? Vejam se vocês podem impedir que isto aconteça, mesmo que vocês saibam 100% que é verdade que – bang! Você não consegue evitá-lo. O que isto lhes diz sobre vocês mesmos? Nós vamos fazê-lo mais uma vez. Sem dúvidas sobre isto. Vejam se vocês conseguem impedir que aconteça. Não. É difícil.
E nós podemos contrariar suas expectativas em toda uma variedade de formas sobre representação, formas, cores e assim por diante, e é muito primitivo. E é uma questão interessante a ponderar. Por que estas coisas. nós achamos estas coisas agradáveis. Por que nós as acharíamos agradáveis? Então, há algo que Lionel fez há um tempo atrás. Eu gosto de pequenas coisas como esta.
Uma vez mais, isto não é um truque de ótica. Isto é o que você veria. Em outras palavras, não é um jogo de câmera É um truque de percepção.
Muito bem. Nós podemos contrariar suas expectativas sobre formas.
Nós podemos contrariar suas expectativas sobre representação – sobre o que uma imagem representa. O que vocês vêem aqui?
Quantos de vocês aqui podem ver golfinhos? Levantem a mão se vocês virem golfinhos. Muito bem, aquelas pessoas que ergueram suas mãos – depois, o resto da platéia procure falar com eles, certo? Na realidade, este é o melhor exemplo de estimulação subliminar por experiência que eu conheço.
Se você for uma criança com menos de dez anos, que ainda não tenha sido arruinada, você vai olhar para esta imagem e verá golfinhos. Agora, alguns de vocês aqui, adultos, estão dizendo: “Que golfinhos? Que golfinhos?”
Mas, de fato, se você invertesse a figura – em outras palavras, as áreas escuras aqui – eu me esqueci de pedir um apontador – mas se você a invertesse, você veria toda uma série de pequenos golfinhos. Aliás, se você também for um estudante no CalTech – eles também têm a tendência a ver somente os golfinhos. Agora, algo como isto pode ser usado porque isto afinal de contas é uma apresentação sobre design. Isto foi feito por Saatchi e Saatchi, e eles, na verdade, “passaram” com esta propaganda na Austrália. Se você olhar para esta propaganda de cerveja, todas aquelas pessoas estão como que em posições provocativas. Mas eles conseguiram “passá-la”, e na verdade, ganharam o prêmio Clio, então é engraçado fazer estas coisas.
Lembram-se daquela espécie de. hum. Esta é a brincadeira que eu fiz quando a votação na Flórida estava acontecendo. Você sabe, conte os pontos para Gore, conte os pontos para Bush. Conte-os novamente.
Você pode contrariar suas expectativas sobre experiência. Aqui está um fonte de água que eu criei com alguns amigos meus, mas você pode parar a água em gotas e – na verdade fazer todas as gotas levitarem. Isto é algo que nós construímos para, vocês sabem, parques de diversão e este tipo de coisa.
Agora vamos tomar uma imagem estática. Vocês podem perceber isto?
Vocês podem ver a seção do meio movendo-se para baixo e as seções exteriores movendo-se para cima? É completamente estático.
É uma imagem estática. Quantas pessoas percebem esta ilusão? É completamente estática.
Certo. Agora, quando – é interessante que quando nós olhamos para uma imagem nós vemos, você sabe, cor, profundidade, textura. E vocês podem olhar para toda esta cena e analisá-la. Vocês podem ver que a mulher que está mais próxima do que a parede e assim por diante. Mas a coisa toda é na verdade plana. Está pintada. É um trompe l'oeil.
E é um trompe l'oeil tão bom que as pessoas se irritavam quando elas tentavam conversar com a mulher e ela não respondia.
Agora, você pode cometer erros de design. Como este edifício em Nova York. De maneira que quando você o vê deste lado, a impressão é que as sacadas estão inclinadas para cima, e quando você caminha para o outro lado, a impressão é de que as sacadas vão para baixo. Então há casos em que há erros em design que incorporam ilusões.
Ou, você toma esta fotografia não retocada. Agora, o interessante é que eu recebo um monte de emails de pessoas que dizem, “Existe alguma diferença perceptual entre homens e mulheres?”
E eu na realidade digo: “Não”. Quero dizer, mulheres podem navegar pelo mundo tão bem quanto os homens – e por que elas não poderiam? Entretanto, esta é uma ilusão na qual as mulheres consistentemente se dão melhor que os homens: em saber que cabeça pertence a quem. porque elas se baseiam em pistas da moda. Elas podem combinar o chapéu.
Bem, agora indo para uma parte – eu quero mostrar design em ilusões. Eu acredito que o primeiro exemplo de ilusões sendo usadas de propósito foi por da Vinci nesta imagem anamórfica de um olho. De maneira que quando você visse por um ângulo agudo se pareceria com isto. E esta pequena técnica se tornou popular no século 16 e no século 17 para disfarçar significados ocultos, onde você poderia virar a imagem e vê-la de um ângulo como este.
Mas estas são as primeiras incorporações de ilusões trazidas para – algo como o ponto alto com “Os Embaixadores” de Hans Holbein. E Hans Holbein trabalhou para Henrique VIII. Este foi pendurado em uma parede onde você podia descer a escada e ver esta caveira escondida.
Tudo bem, agora eu vou lhes mostrar alguns designers que trabalharam com ilusões para criar aquele elemento-surpresa. Um dos meus favoritos é Scott Kim Eu trabalhei com Scott para criar algumas ilusões para a TED que espero que vocês gostem. Nós temos uma aqui sobre TED e felicidade.
Arthur ainda não falou, mas a apresentação dele vai ser interessante e ele tem algumas de suas máquinas fantásticas lá fora. E então, nós – Scott criou este maravilhoso tributo a Arthur Ganson.
Bem, existe o analógico e o digital. Pensei que seria apropriado aqui.
E “FIGURE” vai para o fundo.
E para os músicos.
E é claro, como felicidade – nós queremos “alegria para o mundo”.
Agora, um outro grande designer – ele é muito conhecido no Japão – Shigeo Fukuda. E ele constrói estas coisas fantásticas. Isto é simplesmente maravilhoso. Isto é uma pilha de sucatas, mas quando você a vê de um ângulo em particular, você vê sua reflexão no espelho como um piano perfeito.
E o pianista se transforma em violinista.
Isto é realmente animal. Esta montagem de garfos, facas, colheres e vários utensílios, soldados juntos, produzem a sombra de uma motocicleta. Você aprende uma coisa nesta coisa que eu faço, que: há pessoas por aí com um monte de tempo livre nas mãos.
Ken Knowlton faz mosaicos maravilhosos. Como criar Jacques Cousteau a partir de conchas do mar – conchas do mar não retocadas, mas apenas rearranjando-as. Ele fez Einstein a partir de dados porque, afinal de contas, Einstein disse: “Deus não joga dados com o universo”. Bert Herzog a partir de teclados não retocados. Will Shortz, palavras cruzadas. John Cederquist faz estes maravilhosos trompe l'oeils de gabinetes.
Agora, eu vou pular para a frente uma vez que eu estou atrasado. Eu quero lhes mostrar rapidamente o que eu criei. Alguns novos tipos de ilusões. Eu fiz algo tomando as ilusões do tipo Pixar. Então você vê estas crianças de mesmo tamanho aqui. Correndo pelo hall. Os dois tampos de mesa têm o mesmo tamanho.
Elas estão olhando para duas direções ao mesmo tempo. Você tem uma peça maior se encaixando em uma menor. E isto é algo para vocês pensarem, certo? Então vocês vêem peças maiores se encaixando dentro de peças menores aqui. Todo mundo vê isso? O que é impossível. Você pode ver duas crianças que estão olhando simultaneamente para direções distintas ao mesmo tempo. Agora você pode acreditar que estes dois tampos de mesa têm o mesmo tamanho e forma? Eles têm.
Então, se você os medisse, eles teriam. Como eu digo, estas duas figuras são idênticas em tamanho e forma.
E é interessante, fazendo isto nesta forma de interpretação, quão fortes são estas ilusões. De qualquer forma, eu espero que isto lhes tenha trazido um pouco de alegria e felicidade, e se vocês estão interessados em observar mais efeitos legais, me procurem lá fora. Seria meu prazer lhes mostrar um monte de coisas.
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Este é o momento mais estimulante para se conhecer a nova arte indiana.
Os artistas indianos contemporâneos estão conversando com o mundo como nunca antes.
Achei que seria interessante, mesmo para colecionadores de longa data hoje conosco aqui no TED, colecionadores locais, dar uma olhada em 10 jovens artistas indianos que eu gostaria que todos no TED conhecessem.
A primeira é Bharti Kher.
O tema central da arte de Bharti é o bindi vendido em loja, que milhões de mulheres indianas usam na testa todos os dias, num ato associado à instituição do casamento.
Mas, originalmente, o bindi simbolizava o terceiro olho - um portal entre o mundo espiritual e o religioso.
Bharti procura libertar esse lugar-comum do dia-a-dia, como ela o chama, tornando-o algo espetacular.
Ela também cria esculturas em fibra de vidro, muitas de animais em tamanho natural, e as reveste totalmente com bindis, geralmente com forte simbolismo.
Ela diz que começou com 10 pacotes de bindis, e então pensou no que poderia fazer com 10 mil pacotes.
Nosso próximo artista, Balasubramaniam, se situa na intersecção entre escultura, pintura e instalação, fazendo maravilhas em fibra de vidro.
Já que o próprio Bala irá falar aqui no TED, não vou me deter muito nele hoje, a não ser para dizer que ele realmente consegue tornar visível o invisível.
Chitra Ganesh, estabelecida no Brooklyn, é conhecida por suas colagens digitais, em que usa revistas em quadrinhos indianas, as "amar chitra kathas", como sua principal matéria-prima.
Essas histórias são um canal fundamental pelo qual as crianças, principalmente as que emigraram, conhecem as lendas mitológicas e religiosas de seu povo.
Eu, por exemplo, cresci lendo essas histórias.
Chitra basicamente reconfigura esses ícones e reescreve os textos, trazendo à tona parte da política sexual e sexista contida nessas histórias que sempre exerceram tanta influência.
E ela usa essa linguagem também em suas instalações.
Jitish Kallat atua com sucesso nas áreas da fotografia, escultura, pintura e instalações.
Como podem ver, ele é altamente influenciado pelo grafite e pela arte de rua, e sua cidade natal, Mumbai, é um elemento sempre presente em seu trabalho.
Ele realmente consegue captar essa aura de densidade e energia que caracteriza a Bombaim urbana moderna.
Ele também cria esculturas fantasmagóricas feitas de ossos moldados em resina.
Aqui, sua representação da carcaça de um riquixá motorizado que viu ser queimado em uma manifestação.
Este próximo artista, N. S. Harsha, tem estúdio bem aqui em Mysore.
Ele está dando um enfoque contemporâneo à tradição das miniaturas.
Ele cria essas belas e delicadas imagens e depois as reproduz em grande escala.
Ele utiliza escalas para efeitos cada vez mais espetaculares, seja no telhado de um templo em Cingapura, ou em suas ambiciosas instalações. Aqui, 192 máquinas de costura em funcionamento confeccionam as bandeiras de cada um dos membros das Nações Unidas.
Dhruvi Acharya, em Mumbai, trabalha em cima de sua paixão por história em quadrinho e arte de rua para comentar os papéis e expectativas da mulher indiana moderna.
Ela também explora a riqueza das "amar chitra kathas", mas de maneira muito diversa da de Chitra Ganesh.
Neste trabalho em especial, ela some com as imagens e deixa apenas o texto original para revelar algo provocativo e não vislumbrado anteriormente.
Raqib Shaw nasceu em Calcutá cresceu na Caxemira, e estudou em Londres.
Ele também está reinventando a tradição da miniatura.
Ele cria esses grandiosos painéis inspirados em Hieronymus Bosch, e também nos padrões têxteis da Caxemira da sua juventude.
Ele aplica tintas metálicas industriais ao seu trabalho usando cerdas de porco-espinho para obter esse efeito rico em detalhes.
Estou meio que trapaceando com o próximo artista, já que o Coletivo Raqs Media são na verdade três artistas trabalhando juntos.
Provavelmente os mais famosos artistas multimídia na Índia hoje, eles trabalham com fotografias, vídeos e instalações.
Exploram com frequência temas da globalização e da urbanização, e sua cidade, Déli, é um elemento recorrente em seu trabalho.
Aqui, eles convidam o público a analisar um crime procurando evidências e pistas contidas em cinco narrativas em cinco telas diferentes, onde a própria cidade pode ser a culpada.
Este próximo artista é provavelmente o homem mais importante da arte contemporânea indiana, Subodh Gupta.
Ele ficou conhecido por criar telas gigantescas com pinturas fotorrealistas de objetos do dia-a-dia, os potes e objetos de cozinha feitos de aço inoxidável, conhecidos de todos os indianos.
Ele celebra esses objetos locais e banais em âmbito global e em escala cada vez mais grandiosa, incorporando-os a esculturas e instalações de dimensões cada vez mais colossais.
E finalmente a número 10, última mas certamente não menos importante, Ranjani Shettar, que vive e trabalha aqui no estado de Karnataka. Ela cria esculturas e instalações etéreas que fundem o orgânico e o industrial e transforma, assim como Subodh, o local em global.
As formas que vemos aqui são fios de arame envolvidos em musselina e mergulhados em corantes vegetais.
Ela as dispõe de forma a fazer com que o público tenha que navegar pelo espaço e interagir com os objetos.
Luz e sombra são partes importantes de seu trabalho.
Ela também aborda consumismo e meio-ambiente, como neste trabalho, onde essas peças, que parecem cestaria orgânica, são na verdade tecidas com tiras de aço reaproveitado de carros encontrados num ferro-velho de Bangalore.
10 artistas em seis minutos. Eu sei que é muita informação.
Mas espero ter despertado em vocês a vontade de sair daqui e ver e conhecer mais as coisas maravilhosas que estão acontecendo na arte indiana hoje em dia.
Obrigado pela atenção.
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Você já se sentiu completamente sufocado quando se deparou com um problema complexo?
Bem, eu espero mudar isso em menos de três minutos.
Espero convencê-los de que o complexo nem sempre é igualmente complicado.
Assim, para mim, um baguete fresco bem feito, recém saído do forno, é complexo, mas um pão de curry, cebola, azeitonas verdes, sementes de papoila e queijo é complicado.
Eu sou um ecologista, e eu estudo complexidade. Eu amo complexidade.
E eu estudo isso no mundo natural, a interconectividade das espécies.
Esta é uma cadeia alimentar, ou um mapa com os vínculos alimentares entre as espécies que vivem nos lagos alpinos das montanhas da Califórnia.
E isso é o que acontece com essa rede alimentar quando é abastecida com peixes não nativos e que nunca viveram lá antes.
Todas as espécies marcadas em cinza desaparecem.
Alguns deles estão, atualmente, à beira da extinção.
E lagos com peixes possuem mais mosquitos, mesmo sendo comidos por eles.
Esses efeitos foram todos inesperados, e ainda assim estamos descobrindo que eles são previsíveis.
Eu quero compartilhar com vocês alguns conceitos importantes sobre complexidade que estamos aprendendo ao estudar a natureza e que pode ser aplicado em outros problemas.
Primeiro é o simples poder de boas ferramentas de visualização para ajudar a desvendar a complexidade e encorajá-los a fazer perguntas que não tinham pensado antes.
Por exemplo, você pode traçar o fluxo de carbono através de cadeias de abastecimento em um ecossistema corporativo, ou as interconexões de manchas de habitat para espécies ameaçadas de extinção no Parque Nacional Yosemite.
A próxima coisa é que, se você quiser prever os efeitos de uma espécie em outra, se você focar apenas nesta ligação, e então excluir o resto, ele na realidade fica menos previsível do que se você der um passo para trás e considerar todo o sistema -- todas as espécies, todos os vínculos -- e deste lugar, aprimorar a esfera de influência que mais importa.
E estamos descobrindo com nossa pesquisa, que isso é muitas vezes uma particularidade do nódulo que você se importa dentro de um ou dois graus.
Então quanto mais você voltar e abranger a complexidade, melhorES as chances de você ter ou encontrar respostas simples, e muitas vezes ela é diferente da resposta simples que você começou.
Então vamos mudar o ritmo e observar um problema realmente complexo, cortesia do governo dos EUA.
Esse é o diagrama da estratégia de contrainsurgência dos EUA no Afeganistão.
Ela foi capa do New York Times há alguns meses --
instantâneamente ridicularizado pela mídia por ser absurdamente complicado.
E o objetivo estabelecido era aumentar o apoio popular ao governo afegão.
Claramente um problema complexo, mas ele é complicado?
Bem, quando eu vi isso na capa do Times, pensei, "Ótimo, finalmente algo que posso me direcionar.
Vou afundar meus dentes nisso."
Então vamos fazê-lo. Pela primeira vez, exibir mundialmente esse diagrama espaguete como uma rede ordenada.
O nódulo circulado é o que estamos tentando influenciar -- suporte popular ao governo.
E então agora podemos olhar um grau, dois graus, três graus além deste nódulo e eliminar três-quartos do diagrama que está fora da esfera de influência.
Dentro dessa esfera, a maioria destes nódulos não são ativos, como a dureza do terreno, e uma minoria que são ações militares.
A maioria são não-violentas e elas se enquadram em duas categorias amplas: envolvimento ativo com as rivalidades étnicas e crenças religiosas; e prestação justa e transparente de serviços de desenvolvimento econômico.
Eu não sei sobre isso, mas é o que posso decifrar deste diagrama em 24 segundos.
Quando vocês virem um diagrama como este, eu não quero que vocês tenham medo.
Quero que vocês se animem. Quero que fiquem aliviados.
Porque podem surgir respostas simples.
Estamos descobrindo na natureza que a simplicidade muitas vezes se encontra do outro lado da complexidade.
Assim, para qualquer problema, quanto mais você desfocá-lo e abranger a complexidade, melhor a chance de focar nos detalhes simples e que mais importam.
Obrigado.
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Estou aqui hoje, como disse June, para falar sobre um projeto que eu e minha irmã gêmea temos feito nos últimos três anos e meio.
estamos fazendo um recife de coral em crochê.
E é um projeto que tem realmente unido centenas de pessoas ao redor do mundo que têm feito conosco. Realmente milhares de pessoas estão envolvidas neste projeto neste momento, em muitos aspectos diferentes.
É um projeto que no momento atravessa três continentes. Suas raízes vêm da área da matemática, biologia marinha, artesanato feminino e ativismo ambiental.
É verdade.
É também um projeto que de um modo muito bonito, seu desenvolvimento tem na realidade um paralelo com a evolução da vida na terra, que é algo particularmento lindo de ser dito exatamente aqui em Fevereiro de 2009 -- que, como disse um dos palestrantes anteriores, é o 200 ducentésimo aniversário do nascimento de Charles Darwin.
Tudo isso eu vou abordar nos próximos 18 minutos, eu acho.
Mas primeiro deixe-me iniciar mostrando-lhes algumas fotos do que isso parece.
Só para dar-lhes uma idéia de escala, esta instalação tem aproximadamente seis pés na transversal. E o modelo mais alto tem cerca de dois ou três pés de altura.
Estas são mais algumas imagens.
Aquela à direita tem aproximadamente cinco pés de altura.
O trabalho envolve centenas de diferentes modelos de crochês.
E há atualmente milhares e milhares de modelos que as pessoas contribuiram de todas as partes do mundo.
A totalidade deste projeto envolve dezenas de milhares de horas de trabalho humano -- 99 por cento feito por mulheres.
No lado direito, aquele pedaço lá é parte de uma instalação que tem cerca de 12 pés de comprimento.
Minha irmã e eu começamos este projeto em 2005 porque naquele ano, pelo menos na imprensa científica, havia muita conversa sobre o aquecimento global, e o efeito que este aquecimento global estava causando nos recifes de corais.
Corais são organismos muito delicados. E são devastados por qualquer aumento na temperatura do mar.
Causa este vasto descoramento que é o primeiro sinal de os corais estarem doentes.
E se esse branqueamento não acabar, se a temperatura não baixar, os recifem começam a morrer.
Uma grande demonstração disto está acontecendo na Grande Barreira de Recifes, particularmente nos recifes de corais de todo o mundo.
Esta é nossa invocação em crochê dos recifes embraquecidos.
Temos uma nova organização junto chamada The Institute For Figuring, que é uma pequena organização que começamos para promover, fazer projetos sobre as dimensões estéticas e poéticas da ciência e matemática.
E eu coloquei um pequeno anúncio em nosso site, pedindo a pessoas para se unirem a nós nesse empreendimento.
Para nossa surpresa, uma das primeiras pessoas a chamar foi o Museu Andy Warhol.
E disseram que estavam fazendo uma exibição sobre a resposta dos artistas ao aquecimento global. e queriam que o nosso recife de coral fizesse parte dela.
Eu ri e disse, 'Bem nós acabamos de começar, vocês podem ter só um pedacinho dele.'
Então em 2007 tivemos uma exposição, uma pequena exposição deste recife de crochê.
E aí algumas pessoas de Chicago vieram e disseram, 'No final de 2007, o tema do Festival Humanitário de Chicago é aquecimento global. E tivemos 3. 000 pés quadrados de galeria e queríamos preenchê-los com seu recife.'
E eu, ingenuamente nesta fase, disse, 'Oh, sim. Claro.'
Agora eu digo 'ingenuamente' porque na realidade minha profissão é de escritora científica.
O que faço é escrever livros sobre a história cultural da física.
Escrevi livros sobre história do espaço, história da física e religião, e escrevo artigos para pessoas como New York Times, e L. A. Times.
Portanto não tinha idéia o que significava preencher 3. 000 pés quadrados de galeria.
Então disse sim a esta proposta.
E fui para casa, e disse a minha irmã Christine.
E ela quase teve um colapso porque Christine é uma professora de uma das maiores escolas de arte de L. A, CallArts, e ela sabia exatamente o que significava preencher 3. 000 pés quadrados de galeria.
Ela achou que eu estava fora de mim.
Mas ela se jogou no crochê.
E para encurtar a estória, oito meses depois preenchemos o Centro Cultural de Chicago com 3. 000 pés quadrados de galeria.
Nesta fase o projeto tomou uma dimensão viral por si próprio, que estava completamente além de nós.
As pessoas de Chicago decidiram que assim que exibíssem nossos recifes, eles queriam que a população local fizesse um recife.
Então fomos e ensinamos as técnicas. Fizemos oficinas e palestras.
E o povo de Chicago fez seu próprio recife.
E foi exibido em seguida do nosso.
Haviam centenas de pessoas envolvidas.
Fomos convidados a fazer tudo em New York, e em Londres, e em Los Angeles.
E cada país, o cidadãos locais, centenas e centenas deles, fizeram recifes.
e muitas e muitas pessoas se envolveram nisto, a maioria nós nunca encontramos.
Então tudo foi como se tivesse transformado nesta orgânica, e tão envolvente criatura, que realmente saiu além de Christine e eu.
Agora alguns de vocês estão sentados aqui pensando, 'De que planeta são estas pessoas?
Por que nesta terra vocês estão fazendo um recife de crochê?
Lã e umidade não são exatamente dois conceitos que estão juntos.
Por que não esculpir um recife de coral do mármore?
Impresso em bronze.'
Mas se olharmos de fora existe uma boa razão para estarmos fazendo em crochê porque muitos organismos em recifes de corais têm um tipo muito particular de estrutura.
Os ornamentos crepos que você vê nos corais, e esponjas, e ramificações, é uma forma geométrica conhecida como geometria hiperbólica.
E a única forma que a matemática conhece de modelar esta estrutura, é com crochê. Isto é um fato.
É praticamente impossível modelas esta estrutura de outro modo. E é quase impossível fazê-lo em computadores.
Então o que é geometria hiperbólica que os corais e lesmas do mar encorporam?
Nos próximos minutos, vamos todos alcançar o nível de uma lesma do mar.
Este tipo de geometria revolucionou a matemática quando foi descoberta no século 19.
Mas até 1997 os matemáticos não entendiam realmente como poderiam modelar isto.
Em 1997 uma matemática em Cornell, Daina Taimina, fez a descoberta que esta estrutura só poderia ser feita em tricô ou crochê.
A primeira que ela fez foi em tricô.
Mas tem muitos pontos nas agulhas. Então ela logo percebeu que crochê era a melhor coisa.
Mas ela estava realmente fazendo era uma modelo de uma estrutura matemática, que muitos matemáticos pensavam que seria impossível de modelar.
Eles realmente pensavam que qualquer coisa com esta estrutura seria inpossível de fazer.
Alguns dos melhores matemáticos levaram centenas de anos tentando provar que esta estrutura era impossível.
Então o que seria esta estrutura hiperbólica impossível?
Antes da geometria hiperbólica, os matemáticos conheciam cerca de dois tipos de espaço, O espaço euclidiano e o espaço esférico.
E eles tinham diferentes propriedades.
Matemáticos gostam de caracterizar coisas sendo formais.
Vocês todos têm noção do que um lugar plano é, é um espaço Euclidiano.
Mas os matemáticos formalizam isto de um modo particular.
E o que fazem, é feito através de conceito de linhas paralelas.
Então temos uma linha e um ponto fora da linha.
Euclides disse, 'Como posso definir linhas paralelas?
Eu pergunto, quantas linhas posso desenhar de um ponto mas nunca encontrar a linha original?'
E vocês todos sabem a resposta. Alguém gostaria de gritar?
Uma. Certo. Okay.
Esta é nossa definição de linha paralela.
Esta é uma definição realmente Euclidiana do espaço.
Mas há outra possibilidade que todos sabem -- o espaço esférico.
Pense na superfície de uma esfera -- como uma bola de praia, a superfície da Terra.
Eu tenho uma linha reta na minha superfície esférica.
E tenho um ponto fora da linha. Quantas linhas retas posso desenhar através do ponto mas nunca encontrar a linha original>
O que significa que estamos falando de uma linha reta num espaço curvo?
Agora os matemátivos responderam esta questão.
Eles entenderam que há um conceito generalizado de reta. É conhecido como geodésico.
E na superfície de uma esfera, uma linha reta é o maior círculo possíbel que você consegue desenhar.
É como o equador ou as linhas de longitude.
Então fazemos a pergunta novamente, 'Quantas linhas eu posso desenhar de um ponto, mas nunca encontrar a linha original?'
Alguém quer adivinhar?
Zero. Muito bom.
Agora os matemáticos pensaram que era a única alternativa.
É um pouco suspeito não? Há duas respostas para a questão tão distantes, Zero e um.
Duas respostas? Há possivelmente uma terceira alternativa.
Para um matemático se há duas respostas, e as primeiras são zero e um, há outro número que imediatamente se auto sugere, como a terceira alternativa.
Alguém quer adivinhar?
Infinito. Estão todos corretos. Exatamente.
Há uma terceira alternativa.
Isto é o que parece.
Há uma linha reta, e há um número infinito de linhas que sai de um ponto e nunca encontra a linha original.
Este é o desenho.
Isto quase deixou os matemáticos malucos porque, como você, eles estão lá sentados se sentindo abalados.
Pensando, como isso pode ser? Vocês argumentam. As linhas são curvas.
Mas isto só porque estou projetando-a sobre uma superfície plana.
Matemáticos por centenhas de anos tiveram realmente que lutar com isto.
Como poderiam ver isso?
O que significava realmente ter um modelo físico que se parecesse com isso?
É mais ou menos assim: imagine que nós temos somente o espaço Euclidiano.
Então nossos matemáticos vêm e dizem, 'Há uma coisa chamada esfera, e as linhas vêm juntas dos polos norte e sul.'
Mas você não sabe o que uma esfera se parece.
E alguém vem e diz, 'Olhe aqui tem uma bola.'
Você diz, 'Ah! Posso ver. Posso sentir.
Posso tocá-la. Posso brincar com ela.'
E foi exatamente isso que aconteceu quando Daina Taimina em 1997, mostrou que se pode fazer modelos em crochê do espaço hiperbólico.
Aqui está este diagrama em crochê.
Eu 'crochetei' o postulado das paralelas Euclidianas em uma superfície.
E as linhas ficaram curvas.
Mas vejam, posso provar a vocês que elas s"ao retas porque posso pegar cada uma dessas linhas, e esticá-las.
É uma linha reta.
Então aqui, em lã, através de uma arte dompestica feminina, é a prova que o postulado mais famoso em matemática está errado.
Você pode coser todo tipo de teorema matemático nestas superfícies.
A descoberta do espaço hiperbólico iniciado nos campos da matemática que são chamados de geometria não-Euclidiana.
Este é realmente o campo da matemática que permeia a relatividade geral e estã realmente nos mostrando a respeito da forma do universo.
Então há esta linha direta entre o artesanato feminino, Relatividade geral e Euclidiana.
Agora, digo que os matemáticos pensavam que isto era impossível.
Há duas criaturas que nunca ouviram sobre o postulado das paralelas de Euclides -- não sabiam que era impossível violar, e simplesmente fizeram isto.
Eles têm feito isso por centenhas de milhões de anos.
Uma vez perguntei a um matemático por que os matemáticos pensaram que esta estrutura era impossível quando até as lesmas do mar fizeram isso desde a era Siluriana.
Suas respostas foram interessantes.
Disseram, 'Bem, imagino que não haviam muitos matemáticos sentados ao redor observando as lesmas do mar.'
E isto é verdade. Mas também é mais profundo que isso.
Também quer dizer muitas outras coisas sobre o que matemáticos pensavam, matemática era. O que eles pensavam podia ou não ser. O que eles pensavam podia ou não ser representado.
Até matemáticos, que de alguma forma são os mais livres de todos os pensadores, literalmente não podiam ver não só as lesmas do mar ao redor deles, como o alface em seus pratos porque alfazer, e todos aqueles vegetais curvos, são também a encorporação da geometria hiperbólica.
De alguma forma eles literalmente -- eles tinham como uma simbólica visão da matemática -- não podiam realmente ver o que estava acontecendo na alface em frente deles.
Que mostra que o mundo natural está repleto de maravilhas hiperbólicas.
E também, descobrimos que há uma infinita taxonomia de criaturas hiperbólicas de crochê.
Nós começamos, Chrissy e eu e nossos contribuidores, fazendo esses simples modelos matemáticos perfeitos.
Mas percebemos que quando desviamos do conjunto do código matemático o que permeia é o algorítimo simples, crochê três, aumenta um. Quando desviamos disto e embelezamos o código, os modelos começam imediatamente a parecer mais naturais.
E todos os nossos contribuidores, que são uma coleção de pessoas incríveis em todo o mundo, fazem seus próprios embelizamentos.
E assim temos esta envolvente, taxonômica árvore da vida em crochê.
Assim como a morfologia e a complexidade da vida na terra nunca acaba, pequenos embelezamentos e complexificações no código do DNA, levam a novas coisas como girafas ou orquídeas. Então, pequenos embelezamentos no código do crochê levam a novas e surpreendentes criaturas na evolucionária árvore de crochê da vida.
Portanto este projeto realmente tomou suas proporção orgânica interna por si próprio.
Há a totalidade de todas as pessoas que vieram a ele.
E suas visões individuais, e seus comprometimentos com este modo matemático.
Temos esta tecnologia. Usamos ela.
Mas por que? Qual é o jogo? O que importa?
Para Chrissy e eu, uma das coisas que importa aqui é que essas coisas sugerem a importância e valor de um conhecimento incorporado.
Vivemos em uma sociedade que tende completamente a valorizar formas simbólicas de representação -- representação algébrica, equações, códigos.
Vivemos em uma sociedade obcecada em representar informação desta forma, ensinando informação deste modo.
Mas através deste tipo de modalidade, crochês, outras formas plásticas de mostrar, pessoas podem estar envolvidas com as mais abstratas, poderosas, idéias teóricas -- tipos de idéias que normalmente você tem que ir a universidade estudar alta matemática, que onde onde eu aprendi pela primeira vez sobre espaço hiperbólico.
Mas você pode fazer isso brincando com objetos materiais.
Uma das formas que pensamos sobre isso é que o que estamos tentando fazer com o Institute for Figuring, e projetos como este, é tentar fazer um jardim de infância com adultos.
Jardim de infância era realmente um sistema bem formal de educação, estabelecido por um homem chamado Friedrich Froebel, que era um cristalógrado no século 19.
Ele acreditava que o cristal era o modelo de todos os tipos de representação.
Ele desenvolveu um sistema alternativo radical de envolver crianças muito pequenas com as idéias mais abstratas através de formas físicas de jogos.
Ele merece um tema inteiro com todo direito.
O valor da educação é uma coisa que Froebel defendeu, através de formas plásticas de brincar.
Vivemos em uma sociedade agora onde temos muitos centros de pensamento, onde grandes mentes vão para pensar sobre o mundo.
Eles escrevem estes grandes tratados simbólicos chamados de livros, e papéis, e artigos.
Queremos propor, Chrissy e eu, através do Institute For Figuring, outra forma alternativa de fazer as coisas, que é um centro de brincadeiras.
O centro de brincar, como o centro de pensar, é um lugar onde as pessoas podem ir e se envolver com grandes idéias.
Mas o que queremos propor, é que o mais alto nível de abstação, coisas como matemática, computação, lógica, etcetera -- tudo isso poder estar envolvido, não só através da pura álgebra cerebral dos métodos simbólicos, mas literalmente, brincando com as idéias.
Muito obrigada a todos.
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Bom, como Chris falou, eu estudo o cérebro humano -- as funções e estrutura do cérebro humano
E quero que você pense por um minuto o que isso significa
Aqui está essa massa gelatinosa -- 1, 4kg de massa gelatinosa você pode segurá-la na palma da mão e ela pode contemplar o vasto espaço interestelar
Pode contemplar o significado do infinito e pode contemplar ela mesma contemplando o significado do infinito
E essa qualidade peculiar e recursiva que chamamos autoconsciência que acho que é o Santo Graal da neurociência, da neurologia, e espero, algum dia, que entenderemos como isso ocorre.
OK, então como estudar este órgão misterioso?
Quero dizer, você tem 100 bilhões de células nervosas, pequenos filamentos de protoplasma, interagindo, e dessa atividade emerge todo o espectro de abilidades que chamamos natureza humana e consciência
Como isto ocorre?
Há muitas maneiras de se estudar o cérebro humano
Uma abordagem, a que usamos mais, é olhar para pacientes com danos duradouros em pequenas regiões do cérebro onde ocorreu uma mudança genética em uma pequena região
O que acontece não é uma redução geral em todas as suas capacidades mentais, um tipo de deficiência de sua habilidade cognitiva
O que acontece é uma perda muito específica de uma função com outras funções sendo preservadas intactas, e isso dá confiança em dizer que aquela parte do cérebro está de alguma maneira envolvida naquela função
Então podemos mapear função sobre as estruturas e descobrir o que aquele circuito faz para gerar aquela função
Então é isto que estamos tentando fazer
Vou dar alguns exemplos fascinantes
Na verdade, vou dar três exemplos nesta palestra, de seis minutos cada,
O primeiro exemplo é uma síndrome extraordinária chamada Síndrome de Capgras
Se você olhar para o primeiro slide aqueles são os lobos temporais, frontais, parietais, OK -- os lobos do cérebro
E se olahrmos escondido dentro dos lobos temporais -- você não pode vê-lo ali -- é uma estrutura chamada giro fusiforme
E é chamada a área da face no cérebro porque quando é danificada, você não pode mais reconhecer a cara das pessoas
Você ainda pode reconhecê-los pela voz e dizer, ah é, é o Joe mas você não pode olhar no rosto e saber quem é
Você sequer pode se reconhecer no espelho
Quero dizer, você sabe que é você porque você se mexe e o reflexo se mexe, e você sabe que é um espelho, mas você realmente não se reconhece como você mesmo
Agora sabemos bem que esta síndrome é causada por dano ao giro fusiforme
Mas há outra síndrome rara, que na verdade, poucos médicos ouviram falar, mesmo neurologistas
Esta é chamada delírio de Capgras, e este é um paciente completamente normal que teve um lesão na cabeça, sai do coma, aparentemente completamente normal e diz, "Isto se parece exatamente minha mãe, esta mulher, mas ela é uma impostora --
ela é alguma outra mulher fingindo ser minha mãe"
Por que acontece isso?
Por que alguém iria -- e esta pessoa é perfeitamente lúcida e inteligente em todos os outros quesitos, mas quando vê sua mãe, o delírio aparece e ele diz não é minha mãe
A interpretação mais comum que você encontra em textos psiquiátricos, é a visão Freudiana, e diz que esse cara -- e o mesmo argumento é usado para mulheres, por acaso, mas irei falar só dos homens --
quando você é um pequeno bebê, você tinha uma atração sexual pela sua mãe
Este é o chamado complexo de édipo de Freud
Não estou dizendo que acredito nisso, mas é a visão tradicional Freudiana
E então quando você cresce, o córtex se desenvolve, e inibe esse impulso sexual latente pela sua mãe
Graças a Deus, senão vocês estariam todos excitados quando vêem suas mães
E então o que acontece é, há uma batida na sua cabeça, danificando o córtex, permitindo esses desejos latentes emergirem, inflamando a superfície, e de repente e inexplicavelmente você fica sexualmente atraído pela sua mãe
E então você diz "Meu Deus, se esta é minha mãe, como posso estar excitado?
É alguma outra mulher. Ela é uma impostora"
É a única interpretação que faz sentido pro seu cérebro danificado
Este argumento nunca fez muito sentido pra mim
É muito engenhoso, como são todos os argumentos Freudianos -- -- mas não fazia muito sentido pra mim porque vi o mesmo delírio, um paciente tendo o mesmo delírio sobre seu cachorro poodle
Ele dizia "Doutor, esse não é Fifi, é igualzinho Fifi, mas é algum outro cachorro" Certo?
Tente usar a explicação Freudiana aqui
E você começará a falar sobre a bestialidade latente em todos os humanos, ou coisas desse tipo, que é claro que são absurdos.
Então, o que realmente ocorre?
Para explicar esta desordem curiosa, olhamos para a estrutura e função das vias visuais normais no cérebro
Normalmente, sinais visuais entram pelos olhos, vão até as áreas visuais do cérebro
Há na verdade 30 áreas na parte de trás do seu cérebro apenas para visão, e após processar tudo isso, a mensagem vai para uma pequena estrutura chamada giro fusiforme, onde você percebe rostos
Há neurônios ali que são sensíveis a faces
Você pode chamá-la área da face, lembra?
Falei sobre isso antes
Então quando essa área é danificada, você perde a habilidade de ver rostos, certo?
Mas dessa área a mensagem segue para uma estrutura chamada amígdala no sistema límbico, o centro emocional do cérebro, e esta estrutura, a amígdala, avalia o significado emocional do que você está olhando
É presa? É predador? É parceiro?
Ou é algo trivial, como um pedaço de tecido, ou de coral, ou -- não quero apontar para aquilo mas -- ou um sapato, ou algo assim? OK?
Isso você poderia ignorar
Então se a amígdala é excitada, e isto é bem importante, a mensagem então vai para o sistema nervoso autônomo
Seu coração acelera
você começa a suar para dissipar o calor que você irá gerar -- com atividade muscular
E isso é oportuno, porque podemos colocar dois eletrodos na palma da sua mão e medir a mudança na resistência elétrica da pele por caua do suor
Então posso determinar quando você está olhando para algo, se você está excitado ou atento ou distraído
E chegarei nisso em um minuto
Então minha idéia foi, quando esse cara olha um objeto, quando ele olha pra sua -- qualquer objeto, isso vai pelas vias visuais e -- então é processado pelo giro fusiforme e você reconhece como uma planta, uma mesa, ou sua mãe OK?
E então a mensagem vai pra amígdala, e depois pro sistema nervoso autônomo
Mas talvez nesse cara, esse fio que vai da amígdala pro sistema límbico -- o centro emocional do cérebro -- é cortado pelo acidente
Então como o fusiforme está intacto, ele pode reconhecer sua mãe, e diz "Ah é, se parece com minha mãe"
Mas como a ligação com o centro emocional está cortada, ele diz, "Mas como, se é a minha mãe, eu não sinto nada?"
Ou pânico, pode ser?
E então, ele diz, "Como posso explicar essa falta de emoção?
não pode ser minha mãe
É alguma mulher estranha fingindo ser minha mãe
Como você testa isso?
Bem, o que você faz é, você coloca a pessoa em frente de uma tela, e mede a resposta galvânica da pele, e mostra fotos na tela, Podemos medir quanto você sua quando vê um objeto como uma mesa ou um guarda-chuva, você não sua
Se te mostro um leão, tigre ou uma pin-up, você sua
E, acredite ou não, se eu mostrar uma foto de sua mãe -- Estou falando de pessoas normais -- você começa a suar
Nem precisa ser Judeu
Então, o que ocorre -- se você mostrar a foto pra esse paciente?
Você pega o paciente e mostra fotos na tela e mede a reposta galvânica da pele
Mesas e cadeiras, nada acontece, como em pessoas normais, mas quando você mostra uma foto da mãe dele, a resposta galvânica é zero
Não há resposta emocional porque aquele fio das áreas visuais pros centros emocionais está cortado
Então sua visão é normal porque as áreas visuais são normais, as emoções são normais - ele ri, chora etc mas o fio da visão pras emoções foi cortado e então o delírio de que a mãe é uma impostora
É um ótimo exemplo do tipo de coisa que fazemos pegue um caso bizarro, aparentemente incompreensível, uma síndrome neuropsiquiátrica e dizemos que a visão Freudiana está errada, que na verdade você pode dar uma explicação precisa em termos da conhecida neuroanatomia do cérebro
Por acaso, se este paciente então telefonar pra sua mãe da sala ao lado - telefone toca -- e ele atende e diz "Oi Mãe, como está você? Onde você está?"
Não há delírio no telefone
Então ela se aproxima após uma hora, ele pergunta "Quem é você?"
"Você parece igual a minha mãe"
A razão é que há uma via separada indo dos centros auditivos do cérebro pros emocionais, e que não foi cortada no acidente
Então isto explica porque ele reconhece a mãe no telefone, não há problema
Mas quando vê em pessoa, diz que é uma impostora
Então como está organizado este complexo circuito no cérebro?
É natureza, genes, ou ambiente?
E estudamos esta questão considerando outra síndrome curiosa chamada membros fantasmas
E vocês sabem o que são membros fantasmas
Quando um braço é amputado, ou uma perna, por gangrena, ou você perde na guerra, na guerra do Iraque -- agora é um problema sério -- você continua a sentir vividamente a presença daquele braço perdido, e isto é chamado braço ou perna fantasma
Na verdade podem ocorrer fantasmas com quase qualquer parte do corpo
Acredite ou não, até com vísceras internas
Tive pacientes com o útero removido - histerectomia -- que tem um útero fantasma, incluindo menstruações fantasmas na época apropriada do mês
E uma estudante me perguntou outro dia, Elas têm TPM fantasma?
Um tema válido para investigação científica, mas não fui atrás disso
Então a próxima pergunta é, o que podemos aprender sobre membros fantasmas fazendo experimentos?
Uma das coisas que descobrimos foi, metade dos pacientes com membros fantasmas dizem que podem mover o fantasma
Podem dar batidinhas no ombro do irmão atender o telefone quando ele toca, acenar tchau
Sensações muito vívidas e convincentes
Não é um delírio
Ele sabe que o braço não está lá mas, entretanto, é uma sensação vívida
Mas para outra metade, isto não ocorre
O membro fantasma -- eles dizem, "Bem doutor, o membro fantasma está paralisado.
Está fixo num espasmo e é excruciantemente doloroso
Se eu pudesse mexer, a dor seria aliviada
Mas por que um membro fantasma estaria paralisado?
Parece um paradoxo
Mas analisando os prontuários, descobrimos que nas pessoas com membros fantasmas paralisados, o braço original estava paralisado por dano ao nervo periférico,
o nervo que ia para aquele braço estava danificado, tinha sido cortado, digamos, em um acidente de moto
Então o paciente teve um braço real, que sentia dor, por alguns meses ou um ano, e então, numa tentativa errônea de aliviar a dor, o cirurgião amputou o braço, e então você ganha um braço fantasma com a mesma dor
E este é um problema clínico sério
Pacientes ficam depressivos
Alguns tentam suicídio, OK?
Como tratar essa síndrome?
Como mesmo que se ganha um membro fantasma paralisado?
Quando olhei pro prontuário e vi que eles na verdade tiveram o braço real, e o dano no nervo, e a paralisia do braço real pendurado numa tipóia por meses esperando a amputação e essa dor vai parar no braço fantasma
Por quê isso acontece?
Quando o braço estava intacto, mas paralizado, o cérebro manda comandos para o braço, a parte frontal do cérebro diz "Mexa" mas recebe um retorno visual dizendo "Não"
Mexa. Não. Mexa. Não. Mexa. Não.
E isso fica conectado nos circuitos do cérebro e chamamos isso paralisia aprendida OK?
O cérebro aprende, porque há um elo associativo Hebbiano de que o mero comando para mover o cérebro cria uma sensação de braço paralisado
e então, quando você amputa o braço, essa paralisia aprendida vai para a sua imagem corporal e para o seu fantasma, OK?
Como ajudar esses pacientes?
Como desaprender a paralisia aprendida para aliviar a dor excruciante, o espasmo forte do braço fantasma?
Bem, dissemos, e se agora você enviar comandos ao fantasma, mas der retorno visual ao cérebro de que o braço obedece seus comandos?
Talvez você possa aliviar a dor fantasma, o espasmo fantasma
Como fazer isso? Realidade virtual
Mas isto custa milhões de dólares
Então tive uma idéia de três dólares mas não digam para meus financiadores
OK, O que fizemos foi criar uma caixa de espelhos
Você tem uma caixa de papelão com um espelho no meio e quando você põe o fantasma -- então meu primeiro paciente, Derek, entrou
Ele tinha o braço amputado há dez anos
Teve uma avulsão braquial, então os nervos foram cortados e o braço foi paralisado, pendurado numa tipóia por um ano, e então amputado
Ele tinha uma dor fantasma insuportável, e não podia movê-lo
Era um braço fantasma paralisado
Então ele veio e lhe dei um espelho como aquele, numa caixa, que chamo de caixa-espelho certo?
E ele coloca seu braço esquerdo fantasma que está preso no espasmo, do lado esquerdo da caixa, e a mão normal do lado direito do espelho, e faz a mesma postura, a postura do espasmo, e olha no espelho, e o que vivencia?
Ele vê o fantasma renascer, porque está olhando para o reflexo do braço normal no espelho, e parece que o fantasma foi ressucitado
"Agora", eu disse,"balance o fantasma -- seus dedos reais, ou mexa os dedos reais olhando para o espelho"
Ele terá a sensação visual de que o fantasma está se mexendo certo?
É óbvio, mas a coisa impressionante é que, o paciente diz "Meu Deus, o fantasma se mexe de novo, e a dor, o espasmo, aliviou"
E lembre-se, meu primeiro paciente que veio -- Obrigado.
Meu primeiro paciente veio, e olhou no espelho, e eu disse "Olhe para o reflexo do fantasma"
E ele deu risos, dizia "Posso ver meu fantasma"
Mas ele não é estúpido. Sabe que não é real
Ele sabe que é um reflexo, mas é uma sensação vívida
Agora, eu disse, "Mexa sua mão normal e o fantasma"
Ele disse "Oh, eu não posso mexer o fantasma. Você sabe. Dói"
Disse, "Mova sua mão normal"
E ele diz "Meu Deus, meu fantasma se mexe de novo, não acredito nisso!
E a dor some também"
E então disse "Feche os olhos"
Ele fechou
"Mova sua mão normal"
Oh, nada -- está paralisado de novo"
"OK, abra seus olhos"
"Meu Deus, meu Deus, se mexe de novo!"
Então era como uma criança numa loja de doces
Então disse OK, isto prova minha teoria sobre paralisia aprendida, e o papel crucial do estímulo visual mas não vou ganhar um Prêmio Nobel por fazer alguém mover seu fantasma
É uma habilidade inútil, se você pensar sobre isso
Mas então percebi, talvez outros tipos de paralisia que existem na neurologia, como derrame, distonias focais -- pode haver um componente aprendido que você pode superar com um simples espelho
Então eu disse, "Veja Derek -- bom, em primeiro lugar o cara não pode ficar carregando um espelho pra aliviar a dor -- Eu disse, "Derek, leve para casa e pratique um pouco por uma semana ou duas
Talvez, depois de um período de prática, você possa dispensar o espelho, desaprender a paralisia e começar a mover o braço paralisado e se libertar da dor"
Ele disse OK e levou para casa
Eu disse, "Veja, afinal de contas, são só dois dólares. Leve para casa"
Então ele levou para casa e me ligou duas semanas depois, e disse "Doutor, você não vai acreditar nisso"
Eu disse "O que?"
Ele disse "Se foi"
Eu disse "O que se foi?"
Pensei que a caixa já era
Ele disse, "Não não não, sabe este fantasma que tive por 10 anos?
Desapareceu"
E eu disse - fiquei preocupado, meu Deus Eu mudei a imagem corporal deste rapaz, e sobre ética, pesquisas com humanos etc?
E perguntei "Derek, isso te incomoda?"
Ele disse "Não, nos últimos três dias não tive um fantasma e portanto não há dor, sem espasmos, sem dor no antebraço, todas as dores se foram
Mas o probelma é que eu ainda tenho os dedos fantasmas pendurados no ombro, e sua caixa não alcança"
"Então você pode mudar o design e colocar na minha testa para que possa, você sabe, fazer isso e eliminar meus dedos fantasmas?
Ele pensou que eu era um tipo de mágico
Agora por que isso ocorre?
Porque o cérebro está lidando com um tremendo conflito sensorial
Está recebendo mensagens da visão dizendo que o fantasma está de volta
Mas por outro lado, não há percepção adequada, sinais dos músculos estão dizendo que não há fantasmas, certo?
E seu comando motor dizendo que há braço e por causa desse conflito, o cérebro diz, que diabos, não há fantasma, não há braço, certo?
Vai por uma espécie de negação, nega os sinais
E quando o braço desaparece, o bônus é a dor desaparecer porque você não pode ter dor desencoporada, flutuando por aí
Então este é o bônus
Esta técnica foi testada em dúzias de pacientes por outros grupos em Helsinki então podem provar ser valiosas para tratar dor fantasma, e também foi testada para reabilitação de derrame
Derrame, você normalmente pensa em dano nas fibras, nada que você possa fazer
Mas acontece que alguns componentes da paralisia do derrame também são aprendidos e talvez possam ser resolvidos com espelhos
Isto também está em testes clínicos ajudando muitos pacientes
OK, vou mudar de assunto para a terceira parte da palestra que é sobre outro curioso fenômeno chamado sinestesia
Foi descoberto por Francis Galton no séc. 19
Um primo de Charles Darwin
Ele mostrou que algumas pessoas na população, que são totalmente normais em outros aspectos, toda vez que vêem um número, é colorido
Cinco é azul, sete amarelo, oito verde água nove é azul escuro
Lembrem, são completamente normais em todos outros aspectos
Ou dó #. As vezes notas musicais evocam cores
Dó # é azul, Fá # é verde, Outra nota pode ser amarelo
Por que?
É chamado sinestesia -- Galton chamou sinestesia Uma mistura dos sentidos
Em todos nós, os sentidos são distintos
Estas pessoas misturam os sentidos
Por quê?
Um dos aspectos desse problema é muito intrigante
Sinestesia ocorre com frequência em famílias então Galton disse que tinha base hereditária, genética
O outro, é que sinestesia é -- e isso me leva ao ponto central o mais importante nessa palestra, que é sobre criatividade -- sinestesia é oito vezes mais comum entre artistas, poetas e romancistas e outras pessoas criativas do que na população em geral
Por que será?
Vou responder esta pergunta
Nunca foi respondida antes
então, o que é sinestesia? Qual a causa?
Há muitas teorias
Uma teoria é simplesmente de que são loucos
Mas isto não é realmente uma teoria científica, então esqueça
Outra teoria é que são loucos de ácido e maconheiros, certo?
Bom, pode haver alguma verdade sobre isso porque é muito mais comum aqui na baía de San Francisco que em San Diego
OK, então a terceira teoria é que -- bem, nos perguntamos o que realmente ocorre na sinestesia
Então descobrimos que a área de cor e de números são vizinhas no cérebro, no giro fusiforme
Então pensamos que havia um cruzamento acidental entre cores e números no cérebro
Então cada vez que você vê um número, você vê uma cor correspondente e por isso tem sinestesia
mas lembre -- porque isto ocorre?
Por que haveria cruzamento acidental em algumas pessoas?
Lembra que ocorre em famílias?
Essa é a dica
Há um gene anormal um mutação genética, que causa esse cruzamento anormal
Em todos nós, acontece que nascemos com tudo conectado a todo o resto
Então cada região cerebral está conectada a todas as outras e estas conexões são podadas para criar a característica modular do cérebro adulto
Então se há um gene que causa essa poda e esse gene sofre mutação você ganha uma poda inadequada entre áreas adjacentes,
e se é entre número e cor, você tem sinestesia de número e cor
se é entre som e cor, você tem sinestesia de som e cor
Até aqui tudo bem
Mas e se esse gene for expresso no cérebro todo, e tudo fique com conexões cruzadas?
pense sobre o que artistas, romancistas e poetas tem em comum, a habilidade de pensamento metafórico, ligando idéias aparentemente relacionadas, como por ex. "é o leste, e Julieta é o sol"
Bem, você não diz que Julieta é o sol -- isso significa que ela é uma bola de fogo?
Quero dizer, esquizofrênicos fazem isso, mas não é o caso
pessoas normal diriam que ela é quente como o sol, radiante como o sol,
Instantaneamente você vẽ o elo
Mas se assumirmos que estes cruzamentos adicionais e que conceitos também estão em diferentes partes do cérebro, então haverá uma propensão maior para pensamento metafórico e criatividade em pessoas com sinestesia
E portanto a proporção de sinestesia oito vezes mais comum entre poetas, artistas e romancistas
OK, é uma visão bem frenológica da sinestesia
A última demonstração -- posso demorar mais um minuto?
Vou mostrar que todos vocês são sinestésicos, mas vocês negam isso
Aqui temos o que chamo alfabeto marciano, parecido com o de vocês A é A, B é B, C é C,
formas diferentes, fonemas diferentes, certo?
Aqui temos um alfabeto marciano
Um é Kiki, outro é Buba
Quem é Kiki, quem é Buba?
Quantos de vocês acham que este é Kiki e este é Buba? Levantem as mãos
Bom, temos um ou dois mutantes
Quantos acham que este é Buba e este é Kiki? Levantem as mãos
99%
Mas ninguém aqui é marciano, como vocês sabiam isto?
É porque todos vocês fizeram uma associação cruzada -- uma abstração sinestética -- ou seja, você está dizendo que aquela coisa pontuda, Kiki, no seu córtex auditivo, as células sendo excitadas, Kiki, lembram sua experiência visual -- pontas anguladas -- parecidas com o k
Isso é muito importante. Porque lhe diz que o seu cérebro se põe a um primitivo -- é apenas -- parece uma ilusão boba mas estes fótons no seu olho fazem esta forma, e células no seu ouvido estão ativando as vias auditivas, mas o cérebro está construindo um denominador comum
É uma forma primitva de abstração, e sabemos agora que ocorre no giro fusiforme porque quando este é danificado, estas pessoas perdem a habilidade de diferenciar Buba e Kiki mas também perdem a capacidade de entender metáforas
se você perguntar a esse cara "Nem tudo que reluz é ouro" "O que significa?"
O paciente diz, "Bem, se é metálico e brilha, não significa que é ouro"
Você tem que medir a gravidade específica, certo?
Então eles deixam de perceber totalmente o significado metafórico
Esta área é oito vezes maior em tamanho especialmente em humanos, comparado a primatas inferiores
Algo muito interessante acontece no giro angular porque é o encontro de audição, visão e tato, e se tornou enorme em humanos -- e algo incrível acontece
E acho que é a base de muitas habilidades exclusivamente humanas como abstração, metáforas e criatividade
Estas questões que têm sido estudadas por filósofos por milênios Nós cientistas podemos explorar com imagens cerebrais, e estudando pacientes fazendo as perguntas certas
Obrigado
Desculpem por isso
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Se escolhermos 10. 000 pessoas ao acaso, 9. 999 têm algo em comum: seus interesses estão focados sobre ou perto da superfície da Terra
O que sobra é um astrônomo, e eu pertenço a essa raça estranha.
A minha palestra será dividida em duas. Primeiro, falarei como astrônomo, e depois como um membro preocupado da raça humana.
Mas vamos começar lembrando que Darwin mostrou como somos o resultado de 4 bilhões de anos de evolução.
E o que tentamos fazer na astronomia e cosmologia é recuar além do início simples de Darwin, para colocar a Terra em seu contexto cósmico.
Permitam-me mostrar alguns slides.
Esse foi o impacto que ocorreu semana passada em um cometa.
Se tivessem enviado uma bomba atômica, teria sido muito mais espetacular que o que realmente aconteceu nesta Segunda-feira.
Então esse é mais um projeto para a NASA
Isto é Marte, visto pela European Mars Express e,
na virada do ano, essa visão artística tornou-se realidade quando um para-quedas pousou em Titã, a lua gigante de Saturno.
Ele pousou na superfície. Essas são imagens tiradas em sua descida
Aquilo parece uma praia,
e de fato é, mas o oceano é de metano líquido -- à temperatura de -170 ºC
Se formos além de nosso sistema solar, veremos que as estrelas não são pontinhos de luz piscante.
Cada uma é como o Sol, com uma comitiva de planetas à sua volta,
e podemos ver lugares onde se formam estrelas, como a Nebulosa da Águia. Vemos estrelas morrendo.
Em 6 bilhões de anos, o Sol ficará assim.
E algumas estrelas morrem espetacularmente em uma explosão de supernova, deixando resíduos como estes.
Em uma escala ainda maior, vemos galáxias inteiras de estrelas.
Vemos ecossistemas completos onde gás é reciclado.
E para o cosmologista, essas galáxias são como átomos, por assim dizer, em um universo imenso.
Essa foto mostra um pedaço do céu tão pequeno que seriam necessários 100 pedaços como este para cobrir a lua cheia no céu.
Em um telescópio normal, veríamos uma área vazia, mas vemos aqui centenas de manchas pequenas e apagadas.
Cada uma é uma galáxia, assim como a nossa ou Andrômeda, que parecem tão pequenas e apagadas porque sua luz levou 10 bilhões de anos para chegar a nós.
As estrelas nessas galáxias provavelmente não têm planetas em suas órbitas.
Há poucas chances de vida lá -- porque não houve tempo para a fusão nuclear nas estrelas fabricar silício e carbono e ferro, os elementos básicos para planetas e para a vida.
Acreditamos que tudo isso surgiu de um Big Bang -- um estado quente e denso. Então como um Big Bang amorfo transformou-se em nosso complexo cosmos?
Vou mostrar uma simulação em vídeo 10^16 vezes mais rápido que o tempo real que mostra um pedaço do universo onde as expansões tiveram início.
Com o tempo avançando em bilhões de anos, você verá estruturas evoluírem, enquanto a gravidade alimenta pequenas variações de densidade, e estruturas se desenvolvem.
E após 13 bilhões de anos, teremos algo que se parece muito com nosso universo.
E nós comparamos universos simulados como este -- eu mostrarei uma simulação melhor ao final desta palestra -- com o que nós vemos de fato no céu.
Bem, nós podemos retroceder até os estágios iniciais do Big Bang, mas ainda não sabemos o que explodiu, nem por quê.
Esse é um desafio para a ciência do século XXI
Se meu grupo de pesquisa tivesse uma logotipo, seria este: um uróboro, onde se vê o micro-mundo à esquerda -- o mundo quântico -- e à direita a imensidão do universo com planetas, estrelas e galáxias.
Entretanto, sabemos que esses universos são unidos -- há ligações entre esquerda e direita.
O mundo quotidiano é determinado por átomos, e como eles se unem para formar moléculas.
Estrelas são alimentadas pelas reações entre os núcleos desses átomos.
E como aprendemos recentemente, galáxias mantêm-se unidas pela força gravitacional da assim chamada "matéria escura" partículas em enormes enxames, muito menores que os núcleos atômicos.
Mas queremos compreender a síntese representada no topo.
O mundo quântico é compreendido.
Do lado direito, a gravidade governa. Einstein nos explicou isso.
Mas a missão inacabada para a ciência do século XXI é unir o cosmos e o mundo quântico com uma teoria unificada -- simbolizada aqui, gastronomicamente, no topo da figura.
E até termos essa síntese, não seremos capazes de compreender o início de nosso universo porque quando nosso universo era do tamanho de um átomo, efeitos quânticos podiam perturbar tudo.
Assim, precisamos de uma teoria que unifique o muito grande e o muito pequeno, o que não temos ainda.
Uma ideia, a propósito -- e eu assumo o risco de dizer que irei especular daqui em diante -- é que nosso Big Bang não foi o único.
Uma ideia é que nosso universo tridimensional pode estar inserido em um espaço com mais dimensões, assim como você pode imaginar nessas folhas de papel.
Você pode imaginar formigas sobre elas pensando que estão em um universo bidimensional, sem se dar conta que há outra população de formigas na outra folha.
Então pode haver outro universo a apenas um milímetro do nosso, mas não o percebemos porque esse milímetro é medido em alguma quarta dimensão espacial, e nós estamos presos em nossas três.
Assim acreditamos que a realidade física pode ser muito mais que o que nós normalmente chamamos de nosso universo -- o rescaldo de nosso Big Bang. E aqui está outra imagem.
Abaixo, à direita, está representado o nosso universo, que no horizonte não está além disso, mas mesmo isso é apenas uma bolha, por assim dizer, em uma realidade mais ampla.
Muitas pessoas suspeitam que, tal como passamos de acreditar em um sistema solar para zilhões de sistemas solares, de uma galáxia para muitas galáxias, temos que passar de um Big Bang para muitos Big Bangs. Talvez esses muitos Big Bangs mostrando uma imensa variedade de propriedades.
Bem, voltemos a essa imagem.
Há um desafio simbolizado no topo, mas há outro desafio para a ciência simbolizado na parte inferior.
Queremos não apenas sintetizar o muito grande e o muito pequeno, mas queremos compreender o muito complexo.
E as coisas mais complexas somos nós mesmos. no meio do caminho, entre átomos e estrelas.
Dependemos das estrelas para criar os átomos de que somos feitos.
Dependemos da química para determinar nossa estrutura complexa.
Claramente, temos que ser grandes, comparados aos átomos, para termos camadas sobre camadas de estruturas complexas.
Também temos claramente que ser pequenos, comparados a estrelas e planetas -- caso contrário seríamos esmagados pela gravidade. E de fato, estamos no meio.
Seriam necessários tantos humanos para fazer um sol quanto há átomos em nós.
A média geométrica entre a massa de um próton e a massa do sol é 50 kg, em um fator de 2, a massa de cada pessoa aqui.
Bem, da maioria de vocês, ao menos.
A ciência da complexidade é provavelmente o maior desafio de todos, maior que a do muito pequeno, à esquerda e a do muito grande, à direita.
E é esta ciência, que não apenas ilumina nossa compreensão do mundo biológico, mas também transforma nosso mundo mais rápido que nunca.
E mais que isso, está provocando novas formas de mudanças.
E eu agora passo para a segunda parte de minha palestra, e o livro "Our Final Century" foi citado.
Se eu não fosse um britânico modesto, mencionaria o livro eu mesmo. e diria ainda também que está disponível em brochura.
E que nos EUA foi chamado "Our Final Hour" ["Hora Final", no Brasil] porque os americanos gostam de retorno imediato.
Mas meu tema é que neste século, não apenas a ciência mudou o mundo mais rápido que nunca, mas em novas e diferentes formas.
Medicamentos, modificações genéticas, inteligência artificial, talvez implantes em nossos cérebros, podem mudar os seres humanos, em si. E os seres humanos, corpo e características, não mudaram por centenas de anos.
Isso pode mudar neste século.
Isso é novo em nossa história.
E o impacto humano no meio-ambiente -- efeito estufa, extinções em massa, e assim por diante -- não tem precedentes, também.
E assim, esse século traz um desafio.
Bio- e ciber- tecnologias são ambientalmente benignas pois oferecem propostas maravilhosas, enquanto, além disso, reduzem a pressão por energia e recursos.
Mas terão um lado sombrio.
Em nosso mundo interconectado, novas tecnologias podem permitir que apenas um fanático, ou um maníaco, com a mentalidade de quem atualmente cria virus de computador, possa causar algum tipo de desastre.
De fato, uma catástrofe pode surgir de um simples acidente técnico -- erro, em vez de terror
E mesmo uma pequena probabilidade de uma catástrofe é inaceitável quando o prejuízo pode ter consequências globais.
De fato, alguns anos atrás, Bill Joy escreveu um artigo expressando grande preocupação sobre robôs nos dominando, etc,
eu não vou seguir nessa linha, mas é interessante que ele tinha uma solução simples
que ele chamou de renúncias por partes.
Ele queria desistir das partes perigosas da ciência e manter as partes boas. Isso é absurdamente ingênuo por duas razões.
Primeiro, qualquer descoberta científica tem consequências benignas assim como malignas.
E também, quando um cientista faz uma descoberta, normalmente não tem noção de quais aplicações poderão surgir.
Assim isso significa que temos que aceitar os riscos se desejamos usufruir dos benefícios da ciência.
Temos que aceitar que haverá riscos.
E eu penso que teremos que retornar ao que aconteceu no pós-guerra, após a 2ª Guerra Mundial, quando cientistas nucleares envolvidos no desenvolvimento da bomba atômica estavam, muitos deles, preocupados em fazer todo o possível para alertar o mundo sobre seus perigos.
E eles se inspiraram não no jovem Einstein, que fez o grande trabalho com a Relatividade, mas no velho Einstein, o ícone dos posteres e camisetas, que falhou em seus esforços para unificar as leis da Física.
Ele foi prematuro, mas foi a bússola moral -- inspiração para os cientistas preocupados com o controle de armas
E talvez a maior pessoa viva é talvez alguém que tive o privilégio de conhecer: Joe Rothblatt.
Também em seu escritório bagunçado, como podem ver
Ele tem 96 anos, e fundou o movimento Pugwash.
Ele persuadiu Einstein, em seu último ato, a assinar o famoso memorando de Bertrand Russell.
E tornou-se um exemplo de cientista preocupado.
E penso que para conduzir a ciência perfeitamente, para escolher quais portas abrir, e quais deixar fechadas, precisamos de personalidades como Joseph Rothblatt.
Não precisamos apenas de Físicos engajados, mas também de biólogos, especialistas em computação, assim como ambientalistas.
E acho que acadêmicos e empresários independentes têm uma obrigação especial porque eles têm mais liberdade que os governantes, ou empregados sujeitos a pressões comerciais.
Escrevi meu livro, "Hora Final", como um cientista, apenas um cientista qualquer. Mas há um aspecto, penso, no qual, sendo um cosmologista, ofereço uma perspectiva especial, que é oferecer consciência sobre o imenso futuro.
A estupenda extensão do tempo do passado evolucionário é agora parte de nossa cultura comum -- fora do Cinturão Bíblico americano, pelo menos -- mas a maioria das pessoas, mesmo os familiarizados com a evolução, não têm consciência de quanto tempo há pela frente.
O Sol tem brilhado por 4, 5 bilhões de anos, mas ainda restam 6 bilhões antes que seu combustível acabe.
Nesse diagrama, um tipo de diagrama atemporal, estamos no meio.
E haverá 6 bilhões de anos antes que isso aconteça, e toda a vida restante na Terra seja vaporizada.
Há uma tendência irracional de imaginar que os humanos estarão lá, testemunhando a morte do Sol, mas qualquer vida e inteligência que exista então será tão diferente de nós, como somos das bactérias.
Os desdobramentos da inteligência e complexidade ainda têm um longo caminho, aqui na Terra, e provavelmente muito além.
Assim, ainda estamos no início do surgimento da complexidade de nossa Terra, e além.
Se representarmos a existência da Terra em um ano, de Janeiro, quando foi formada, a Dezembro, o século XXI seria ¼ de segundo em Junho -- uma pequena fração do ano.
Mas mesmo nesta abrangente perspectiva cósmica nosso século é muito, muito especial. O primeiro em que humanos podem mudar a si mesmos e ao seu planeta.
Como mostrei antes, não serão os humanos as testemunhas do fim do Sol, serão criaturas tão diferentes de nós quanto somos das bactérias.
Quando Einstein morreu, em 1955, um tributo marcante a sua importância global foi essa gravura por Herblock, no Washington Post.
A placa diz "Albert Einstein viveu aqui".
E gostaria de finalizar com uma vinheta, por assim dizer, inspirada nessa imagem.
Estamos familiarizados por 40 anos com essa imagem a beleza frágil de terra, oceanos e nuvens, contrastada com a paisagem estéril da Lua na qual os astronautas deixaram suas pegadas.
Mas suponha que alguns alienígenas estejam observando nosso pálido ponto azul no cosmos há muito tempo, não apenas por 40 anos, mas por todos os 4, 5 bilhões de anos de história de nossa Terra.
O que eles teriam visto?
Por quase todo esse imenso tempo, a aparência da Terra teria mudado muito gradualmente.
As únicas mudanças globais abruptas seriam impactos de grandes asteróides ou super erupções vulcânicas.
Além desses breves traumas, nada acontece repentinamente.
As massas continentais movem-se à deriva,
calotas polares aumentam e diminuem,
sucessões de novas espécies surgem, evoluem e extinguem-se.
Mas em um brevíssimo momento na história da Terra, na última milionésima parte, algumas centenas de anos, os padrões de vegetação se alteraram mais rápido que antes.
Isso sinalizou o início da agricultura.
A mudança acelerou à medida que a população humana cresceu.
Então outras coisas aconteceram ainda mais rapidamente.
Em apenas 50 anos -- isso é apenas um centésimo de milionésimo da idade da Terra -- a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera começou a aumentar, de modo ameaçadoramente rápido.
O planeta tornou-se um intenso emissor de ondas de rádio -- o total emitido por todas as TVs e telefones celulares e emissões de radar. E algo mais aconteceu:
Objetos metálicos -- ainda que muito pequenos, poucas toneladas, se muito -- escaparam para a órbita da Terra,
alguns viajaram por luas e planetas.
Uma raça de extraterrestres avançados observando nosso sistema solar de longe poderia prever com certeza o fim da Terra em mais 6 bilhões de anos.
Mas poderiam eles prever essas transformações profundas a menos da metade da existência da Terra?
Essas transformações induzidas pelo homem ocupando ao todo menos que um milionésimo do tempo decorrido e aparentemente ocorrendo com uma velocidade fora de controle?
Se eles continuarem sua vigília, o que esses alienígenas hipotéticos vão testemunhar nas próximas centenas de anos?
alguma convulsão encerrará o futuro da Terra?
Ou sua biosfera se estabilizará?
Ou alguns desses objetos metálicos lançados da Terra gerarão novos oasis, uma existência pós-humana, em algum outro lugar?
A ciência praticada pelo jovem Einstein continuará assim como nossa civilização. Mas para a civilização sobreviver, necessitaremos da sabedoria do velho Einstein -- humano, global, visionário.
O que acontecer nesse século único e crucial irá repercutir pelo futuro remoto, e talvez muito além da Terra, muito além da Terra, como mostrada aqui.
Muito obrigado
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Eu trabalho com uma espécie chamada bonobo.
E eu sou feliz a maior parte do tempo, porque eu penso que esta é a espécie mais feliz no planeta.
É como se fosse um segredo bem guardado.
Esta espécie vive somente no Congo.
E eles não estão presentes em muitos zoológicos por causa do comportamento sexual deles.
O comportamento sexual deles é muito humano para muitos de nós nos sentirmos confortáveis.
Mas – na verdade, nós temos muito a aprender com eles, porque eles possuem uma sociedade muito igualitária e eles formam uma sociedade com bastante empatia.
E o comportamento sexual não está confinado a um aspecto da vida deles de modo que eles o coloquem de lado.
Isto permeia toda a vida deles.
E é usado para comunicação.
E é usado para resolução de conflitos.
E eu penso que, talvez, em algum lugar em nossa história, nós como que, dividimos nossas vidas em um monte de partes.
Nós dividimos nosso mundo em muitas categorias.
De maneira que tudo tenha que ter um lugar para se encaixar.
Mas eu não penso que, inicialmente, nós fomos desta maneira.
Há muitas pessoas que pensam que os animais sejam autômatos e que haja algo muito, muito especial a respeito do homem.
Talvez seja sua habilidade em ter pensamento causal,
talvez seja algo especial em seu cérebro que lhe permita ter linguagem.
Talvez seja algo especial em seu cérebro que lhe permita fazer ferramentas ou possuir a matemática.
Bem, eu não sei. Houve tasmanianos que foram descobertos por volta dos 1600s que não tinham fogo.
Eles não tinham ferramentas de pedra.
Pelo que sabemos, eles não tinham música.
Então quando você os compara com o bonobo. Hum, o bonobo é um pouco mais peludo.
Ele não fica em pé tão ereto.
Mas há muitas similaridades.
E eu acho que quando nós olhamos para a cultura, nós, como que, viemos a entender como nós chegamos onde estamos.
E eu não penso realmente que esteja em nossa biologia, eu penso que nós o atribuímos a nossa biologia, mas eu não penso que esteja lá.
Então o que eu quero fazer agora é lhes apresentar a uma espécie chamada bonobo.
Este é Kanzi.
Ele é um bonobo.
Neste momento, ele está em uma floresta na Geórgia.
Sua mãe veio originalmente de uma floresta da África.
E ela veio até nós quando ela era uma – apenas na puberdade, com cerca de seis ou sete anos de idade.
Agora isto mostra um bonobo a sua direita, e um chimpanzé a sua esquerda.
Claramente, o chimpanzé tem um pouco mais de dificuldade em caminhar.
O bonobo, apesar de menor que nós e com braços ainda mais longos, é mais ereto, assim como nós.
Isto mostra um bonobo comparado a um australopiteco como Lucy.
Como vocês podem ver, não há muita diferença, entre a maneira com que o bonobo caminha e a maneira como um australopiteco primitivo caminharia.
À medida que eles tornam em nossa direção, vocês verão que a área pélvica do australopiteco primitivo é um pouco mais plana e não tem que rebolar tanto de lado a lado.
Então o – o caminhar bípede é um pouco mais fácil.
E agora nós vemos todos os quatro.
Vídeo: Os bonobos selvagens vivem na África central, na floresta delimitada pelo rio Congo.
As árvores com copas tão altas quanto 40 metros, 130 pés, crescem densamente na área.
Foi um cientista japonês quem primeiro realizou sérios estudos de campo dos bonobo, quase três décadas atrás.
Os bonobos têm compleição ligeiramente menor que um chimpanzé.
De compleição esbelta, os bonobos são, por natureza, criaturas muito gentis.
Longos e cuidadosos estudos reportaram muitas novas descobertas sobre eles.
Uma descoberta foi que os bonobos selvagens frequentemente andam de maneira bipedal.
E mais: eles são capazes de caminhar eretos por longas distâncias.
Primeiro vamos dizer alô para Austin, e depois vamos para a área A.
Susan Savage-Rumbaugh: Estes somos Kanzi e eu, em uma floresta.
Nenhuma das coisas que você verá neste vídeo foi ensaiada.
Nenhuma delas representa truques.
Elas foram capturadas em filme espontaneamente, pela NHK do Japão.
Nós temos oito bonobos.
Vídeo: Veja toda esta coisa aqui para a nossa fogueira.
SS: Uma família inteira em nosso centro de pesquisa.
Vídeo: Você vai ajudar a pegar alguns gravetos?
Legal.
Nós precisamos mais gravetos também.
Eu tenho um isqueiro em meu bolso se você precisar de um.
Isto é um ninho de vespas.
Você pode tirá-lo daí.
Eu espero que eu tenha um isqueiro.
Você pode usar o isqueiro para começar o fogo.
SS: Kanzi é muito interessado em fogo.
Ele ainda não o produz, sem um isqueiro, mas eu penso que se ele visse alguem fazê-lo, ele seria capaz de fazê-lo – produzir fogo sem um isqueiro.
Ele está aprendendo a manter o fogo aceso.
Ele está aprendendo os usos para o fogo, apenas olhando o que fazemos com o fogo,
Isto é um sorriso na face de um bonobo.
Estas são vocalizações felizes.
Vídeo: Você está feliz.
Você está muito feliz sobre esta parte.
Você tem que colocar um pouco de água no fogo. Você vê a água?
Bom trabalho.
SS: Esqueci-me de fechar o zíper em sua mochila.
Mas ele gosta de carregar coisas de um lugar para o outro.
Vídeo: Austin. Eu ouço você dizer Austin.
SS: Ele conversa com outros bonobos no laboratório, longa distância, além do que nós podemos ouvir.
Esta é sua irmã.
Esta é a primeira tentativa dela dirigindo um carro de golfe.
Vídeo: Goodbye.
SS: Ela pisou nos pedais, mas ainda não pegou a direção.
Ela muda as marchas, de ré para a frente, e ela se segura na direção, ao invés de girá-la.
Como nós, ela sabe que aquele indivíduo no espelho é ela.
Vídeo: Criando bonobos em uma cultura que é, ao mesmo tempo, bonobo e humana, e documentando o desenvolvimento deles por duas décadas, os cientistas estão explorando a maneira como as forças culturais devem ter operado durante a evolução humana.
O nome dele é Nyota.
Significa estrela em Swahili.
Panbanisha está tentando cortar o pelo de Nyota com uma tesoura.
Na selva, os bonobos são conhecidos por aparar o pelo de seus filhotes.
Aqui Panbanisha usa uma tesoura ao invés das mãos, para aparar os pelos de Nyota.
Muito impressionante.
Requerem-se manobras sutis para executar tarefas delicadas como esta.
Nyota tenta imitar Panbanisha usando a tesoura ele mesmo.
Vendo que Nyota poderia se machucar, Panbanisha, como qualquer outra mãe humana, cuidadosamente puxa para ter a tesoura de volta.
Ele pode agora cortar peles duras de animais.
SS: Kanzi aprendeu a fazer ferramentas de pedra.
Vídeo: Kanzi agora faz suas ferramentas, tal como nossos ancestrais as poderiam ter feito, 2, 5 milhões de anos atrás – segurando rochas em ambas as mãos, para bater uma contra a outra.
Ele aprendeu que usando ambas as mãos e aplicando seus golpes em ângulo, ele pode fazer lascas maiores e mais afiadas.
Kanzi escolhe uma lasca que ele pensa ser afiada o suficiente.
O couro duro é difícil de ser cortado, mesmo com uma faca.
A pedra que Kanzi está usando é extremamente dura e ideal para fazer ferramentas de pedra, mas difícil de manusear, exigindo grande habilidade.
A pedra de Kanzi vem de Gona, Etiópia e é idêntica àquela usada por nossos ancestrais africanos 2, 5 milhões de anos atrás.
Estas são as rochas que Kanzi usou e estas são as lascas que ele fez.
As faces afiadas são como lâminas de facas.
Comparem-nas com as ferramentas que nossos ancestrais usavam, elas têm uma incrível semelhança com as de Kanzi.
Panbanisha está saudosa de uma caminhada no campo.
Ela se mantém olhando pela janela.
SS: Isto é – deixe-me mostrar-lhes algo que nós não achávamos que eles pudessem fazer.
Vídeo: Por vários dias agora, Panbanisha não tem saído.
SS: Eu normalmente falo sobre a linguagem.
Vídeo: Então Panbanisha faz algo inesperado.
SS: Mas como eu fui aconselhada a não fazer o que normalmente faço, eu não disse a vocês que estes macacos possuem linguagem.
É uma linguagem geométrica.
Vídeo: Ela toma um pedaço de giz e começa a escrever algo no chão.
O que ela estará escrevendo?
SS: Ela está dizendo o nome daquilo, com a voz dela.
Vídeo: Agora ela vem para Dr. Sue e começa a escrever novamente.
SS: Estes são os símbolos dela no seu teclado.
Eles falam quando ela os toca.
Vídeo: Panbanisha está comunicando a Dr. Sue aonde ela deseja ir.
Uma armação representa uma toca nas matas.
Comparem a escrita a giz com o lexicograma no teclado,
Panbanisha começou escrevendo os lexicogramas no chão da mata,
Muito bem. Lindo, Panbanisha.
SS: Inicialmente nós não sabíamos o que ela estava fazendo, até que nós nos afastamos e olhamos para aquilo e o viramos.
Vídeo: Este lexicograma também se refere a um lugar na mata.
A linha curva é muito similar ao lexicograma.
O próximo símbolo que Panbanisha escreve representa um colar.
Ele representa o colar que Panbanisha deve usar quando ela sai.
SS: Isto é um requisito institucional.
Vídeo: Este símbolo não é tão evidente quanto os demais, mas nota-se que Panbanisha está tentando produzir uma linha curva e várias linhas retas.
Os pesquisadores começaram a gravar o que Panbanisha dizia, escrevendo lexicogramas no chão com giz.
Panbanisha observava.
Logo ela começou a escrever também.
As habilidades dos bonobos surpreenderam cientistas ao redor do mundo.
Como eles se desenvolveram?
SS: Nós descobrimos que a coisa mais importante para permitir que os bonobos adquiram uma linguagem não é ensinar.
É simplesmente utilizando a linguagem ao redor deles, porque a força motora na aquisição da linguagem é entender o que os outros, que são importantes para você, estão lhe dizendo.
Uma vez que você tenha esta capacidade, a habilidade para produzir uma linguagem vem de maneira livre e natural.
Então nós queremos criar um ambiente no qual os bonobos queiram bem a todos os indivíduos que interagem com eles. Nós queremos criar um ambiente no qual eles se divirtam, e um ambiente no qual os outros sejam indivíduos importantes para eles.
Este ambiente traz um potencial inesperado para Kanzi e Panbanisha.
Panbanisha está gostando de tocar sua harmônica, até que Nyota, agora com um ano de idade, a rouba dela.
Então ele procura ansiosamente na boca de sua mãe.
Estaria ele procurando saber de onde vem o som?
Dr. Sue acha que é importante permitir que esta curiosidade aflore.
Agora Panbanisha está tocando no piano elétrico.
Ela não foi forçada a aprender piano, ela viu um pesquisador tocando o instrumento e ficou interessada.
Vá em frente. Vá em frente. Eu estou ouvindo.
Toque aquela parte realmente rápida que você tocou. Sim, aquela parte.
Kanzi toca o xilofone, usando ambas as mãos, ele acompanha, com entusiasmo, Dr. Sue cantando.
Kanzi e Panbanisha são estimulados por este ambiente carregado de alegria, o qual promove o aparecimento destas capacidades culturais.
Muito bem, agora pegue os monstros. Pegue-os.
Pegue as cerejas também.
Agora tome cuidado, fique longe deles agora.
Agora você pode caçá-los novamente. Hora de caçá-los.
Agora você tem que correr. Corra.
Corra para longe daí. Corra.
Agora você pode caçá-los novamente. Vá pegá-los.
Oh, não!
Kanzi, você é bom. Muito bem. Muito obrigado.
Nenhum de nós, bonobo ou humano, pode possivelmente até mesmo imaginar?
SS: Então nós temos um ambiente bi-espécie, nós o chamamos panhomocultura.
Nós estamos aprendendo como nos tornamos como eles.
Nós estamos aprendendo a comunicar com eles, em tons bem agudos.
Nós estamos aprendendo que eles provavelmente possuem uma linguagem na natureza.
E eles estão aprendendo a se tornar como a gente.
Porque nós acreditamos que não seja biológico, é cultural.
Então nós estamos compartilhando ferramentas, e tecnologia, e linguagem com outra espécie.
Obrigada.
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No ano passado aqui no TED pedi que vocês me dessem seus dados, colocassem seus dados na internet, considerando que se as pessoas colocassem dados na rede, dados dos governos, dados científicos, dados das comunidades, quaisquer que fossem, seriam usados por outras pessoas para fazer coisas maravilhosas, de maneiras que eles jamais poderiam imaginar.
Assim, hoje estou de volta só para mostrar a vocês algumas coisas, para mostrar, de fato, que existe um movimento de dados abertos a caminho, agora ao redor do mundo.
O grito por "dados brutos agora,"
que eu fiz as pessoas darem no auditório, foi ouvido ao redor do mundo.
Assim, vamos rodar o vídeo.
História clássica, a primeira que muitas pessoas pegaram foi quando em Março, na verdade 10 de março, logo depois do TED, Paul Clarke, do governo da Inglaterra postou em seu blog, "Oh, acabo de obter alguns dados brutos. Aqui estão eles, são sobre acidentes de bicicletas."
Levou dois dias para o Times Online fazer um mapa, uma mapa de mixagem, chamamos essas coisas de "mashups", um mashup, é uma interface de usuário que permite a vocês entrar lá dar uma olhada e descobrir se sua rota de bicicleta para o trabalho foi afetada.
Existem mais dados, dados de pesquisas de tráfego, novamente, disponibilizados pelo governo da Inglaterra, e como eles os colocaram usando os padrões de dados relacionados então um usuário poderia simplesmente fazer um mapa, só clicando.
Será que esses dados influenciam as coisas? Bem, então vamos voltar para 2008.
Vejam Zanesville, Ohio.
Aqui está um mapa feito por um advogado, disponibilizado pela concessionária de água, vendo que casas estão lá, quais casas foram ligadas à água?
E ele conseguiu, de outras fontes de dados, informações para mostrar quais casas são ocupadas por pessoas brancas.
Bem, havia uma correlação muito evidente, ele percebeu, entre quais casas eram ocupadas por brancos e quais casas tinham água, e o juiz não ficou impressionado também.
O juiz não ficou impressionado com a quantia de 10, 9 milhões de dólares.
Esse é o poder de pegar um pacote de dados, outro pacote de dados, juntar os dois, e mostrar o resultado.
Vamos ver alguns dados da Inglaterra agora.
Estes são dados do governo da Inglaterra, um site completamente independente, Para Onde Vai Meu Dinheiro,
permite a qualquer um entrar lá e pesquisar.
Vocês podem pesquisar por um tipo particular de gasto ou vocês poder passar por todas as diversas regiões e compará-las.
Então, isso está acontecendo na Inglaterra, com os dados do governo inglês.
Sim, vocês certamente podem fazer isso por aqui.
Aqui está um site que permite a vocês observar os gastos em recuperação na California.
E peguem um exemplo arbitrário, Long Beach, na Califórnia, vocês podem ir lá e ver o dinheiro de recuperação que eles andaram gastando em várias coisas, como energia.
De fato, este é o gráfico do número de conjuntos de dados nos repositórios de data. gov, e data. gov. uk.
E tenho a satisfação de ver uma grande competição entre a Inglaterra -- em azul -- e os Estados Unidos -- em vermelho.
Como vocês podem usar essa coisa?
Bem, por exemplo, se vocês tiverem um bocado de dados sobre lugares vocês podem, pegar, a partir de um código postal, que é como um CEP, para um determinado grupo de casas, vocês podem produzir relatórios, imprimir um relatório que tem coisas muito, muito específicas sobre as paradas de ônibus, as coisas especificamente perto de vocês.
Numa escala maior, este é um mashup dos dados que foram disponibilizados sobre as eleições Afegãs.
Permitem que vocês estabeleçam seus próprios critérios para os tipos de coisas que vocês querem observar.
Os círculos vermelhos são locais de votação, selecionados pelos seus critérios.
E então vocês podem selecionar outras coisas no mapa para ver quais outros fatores, como o nível de ameaças.
Assim, esses foram os dados do governo.
Falei também sobre dados produzidos por comunidades -- de fato eu editei --
este é o mapa wiki, este é o mapa aberto das ruas.
O Teatro Terrace, eu efetivamente coloquei no mapa porque ele não estava no mapa antes do TED do ano passado.
Eu não fui a única pessoa editando o mapa aberto das ruas.
Cada piscada nesta visualização montada pela ITO World mostra uma edição em 2009 feita ao mapa aberto das ruas.
Vamos agora girar o mundo durante o mesmo ano.
Cada piscada é uma edição. Alguém, em algum lugar olhando para o mapa aberto das ruas, e percebendo que ele poderia ser melhorado.
Vocês podem ver a Europa fervendo com as atualizaçãoes.
Alguns lugares, talvez não tanto quanto deveriam.
Aqui focalizando o Haiti.
O mapa de Port-au-Prince no final de 2009 não era tudo que poderia ser, não tão bom como o mapa da Califórnia.
Felizmente, logo depois do terremoto, GeoEye, uma empresa comercial, liberou imagens de satélite com uma licença que permitiu que a comunidade de fonte-aberta as usasse.
Isto é o período de Janeiro, pessoas editando, isso é o terremoto.
Depois do terremoto, imediatamente pessoas em todo o mundo, mapeadores que queriam ajudar, e podiam, observaram as imagens, fizeram o mapa, construindo rapidamente.
Agora focalizamos Port-au-Prince.
O azul são os campos de refugiados que esses voluntários identificaram de cima.
Assim, agora temos, imediatamente, um mapa em tempo real mostrando onde existem campos de refugiados, logo tornou-se o melhor mapa para ser usado se vocês estão fazendo serviços de ajuda em Port-au-Prince.
Reparem no fato de que está aqui neste dispositivo GPS da Garmin sendo usado pela equipe de resgate.
E Haiti, aí está o mapa mostrando ali do lado esquerdo, aquele hospital, na verdade é um navio hospital.
Esse é um mapa em tempo real que mostra estradas bloqueadas prédios danificados, campos de refugiados. Ele mostra as coisas que são necessárias.
Assim, se vocês estiveram envolvidos nisso de algum modo, Gostaria simplesmente de dizer, qualquer coisa que vocês tenham feito, caso vocês tenham feito mapeamento de dados brutos agora,
ou caso vocês tenham colocado dados governamentais ou científicos online, só quero aproveitar esta oportunidade para dizer-lhe, muito obrigado, e nós só estamos começando.
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A cinquenta anos na antiga União Soviética, um time de engenheiros transportava em segredo um grande objeto para uma área isolada no interior.
Com este objeto, eles esperavam obter a atenção de todas as pessoas sendo os primeiros a conquistar o espaço sideral.
O foguete era enorme.
E preso em seu nariz estava uma bola de prata com dois rádios dentro.
Em 4 de Outubro de 1957, eles lançaram seu foguete.
Um dos cientistas russos escreveu na época: "Nós estamos prestes a criar um novo planeta que nós chamaremos de Sputnik.
Nos tempos antigos, exploradores como Vasco da Gama e Colombo tiveram a sorte de descobrir o globo terrestre.
Agora nós temos a sorte de descobrir o espaço.
E isto é para aqueles - no futuro - invejarem a nossa alegria."
Vocês estão assistindo trechos de "Sputnik", meu quinto documentário, que está quase finalizado.
Este conta a história do Sputnik, e a história do que aconteceu na America como resultado.
Por vários dias após o lançamento, o Sputnik foi uma curiosidade maravilhosa.
Uma lua feita pelo homem visível aos cidadãos comuns, inspirou admiração e orgulho que os humanos tinham finalmente lançado um objeto no espaço.
Mas em apenas três dias, um dia que foi chamado de Segunda-Feira Vermelha, a mídia e os políticos nos contaram, e nós acreditamos, que o Sputnik era a prova que nosso inimigo havia nos derrotado na ciência e tecnologia, e que eles poderiam então nos atacar com bombas de hidrogênio, utilizando seu foguete Sputnik com um míssil balístico intercontinental.
Foi então o caos.
O Sputnik tornou-se rapidamente um dos três grandes choques a atingir a America -- historiadores apontam assim como Pearl Harbor e 11 de Setembro.
Isto fez perceber a desvantagem americana em mísseis.
Explodiu a corrida armamentista.
Iniciou a corrida espacial.
Em uma ano, o Congresso financiou aumentos em armamentos, e nós fomos de 1. 200 armas nucleares para 20. 000.
E a reação ao Sputnik foi muito maior que apenas o aumento do armamento.
Por exemplo, alguns aqui devem lembrar deste dia, Junho de 1958, a "Simulação Nacional de Defesa Civil", onde dezenas de milhões de pessoas em 78 cidades refugiaram-se no subsolo.
Ou a pesquisa do Gallup que mostrou que 7 em cada 10 americanos acreditavam que uma guerra nuclear iria acontecer, e que no mínimo 50% da nossa população seria aniquilada.
Mas o Sputnik provocou também maravilhosas mudanças.
Por exemplo, alguns nesta sala foram para a escola com bolsa de estudos devido ao Sputnik.
Suporte para engenharia, matemática e ciências -- educação de maneira geral - explodiram.
E Vint Cerf aponta que o Sputnik nos dirigiu para a ARPA, e a internet, e obviamente, a NASA.
O meu documentário mostra como uma sociedade livre pode ser pisoteada por aqueles que sabem como usar a mídia.
Mas isto também demonstra como podemos transformar o que parece inicialmente ser uma situação ruim, em algo que foi muito bom para a America.
"Sputnik" será lançado em breve.
Encerrando, eu gostaria de um momento para agradecer um dos meus investidores: um TEDster a muito tempo, Jay Walker.
E gostaria de agradecer a todos vocês.
Muito obrigado, Chirs.
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Eu estava tentando pensar sobre como sincronização está conectada à felicidade, e me ocorreu que por alguma razão, nós sentimos prazer em sincronizar.
Nós gostamos de dançar juntos, cantar juntos.
E, se vocês concordarem, eu gostaria de contar com a ajuda de vocês, para um primeiro experimento. Este experimento é-- eu noto, a propósito, que quando vocês aplaudiram, vocês o fizeram de uma forma tipicamente americana, ou seja, barulhenta e incoerente.
Vocês não se organizaram. Não passou pela cabeça de vocês aplaudir em uníssono.
Vocês acham que o conseguem? Eu gostaria de ver se esta audiência poderia- -não, vocês não praticaram, tanto quanto eu sei- vocês poderiam aplaudir em sinc?
Uau! Isto é o que eu chamo de comportamento emergente!
Eu não esperava por isto- quer dizer, eu esperava que vocês conseguiriam sincronizar.
Mas não me ocorreu que vocês aumentariam a frequência.
É interessante.
Portanto, o que nós concluímos disto? Primeiramente, nós sabemos que vocês todos são brilhantes.
Este auditório está cheio de pessoas inteligentes, altamente sensíveis.
Há alguns músicos aqui.
Foi isto que os habilitou a sincronizar?
Para colocar a questão um pouco mais seriamente, vamos nos perguntar quais são os requerimentos mínimos para o que vocês acabam de fazer, para sincronização espontânea.
Vocês precisam, por exemplo, de ser espertos como vocês são?
Vocês precisam mesmo de um cérebro, para simplesmente sincronizar?
Vocês precisam estar vivos? Quero dizer, esta é uma idéia estranha, não?
Objetos inanimados que podem espontaneamente sincronizar a si mesmos.
É real. Na verdade, vou tentar explicar hoje que a sinc é talvez uma das, se não for A mais, força ubíqua em toda a natureza.
Ele estende-se da escala subatômica até os confins mais extremos do cosmos.
É uma tendência profunda em direção à ordem na natureza, que se opõe a tudo que nos ensinaram sobre entropia.
Quero dizer, não estou sugerindo que a lei da entropia está errada- ela não está.
Mas há uma força de contrapartida no universo- - uma tendência em direção a ordem espontânea. E este é o nosso tema.
Agora, para entrar neste assunto, começarei com o que deve ter ocorrido imediatamente à vocês, quando ouviram que nós falaríamos sobre sincronismo na natureza, que é o glorioso exemplo de um bando de pássaros que voam juntos, ou peixes nadando em cardumes organizados.
Estas criaturas não são particularmente inteligentes, no entanto, como vamos ver, elas exibem balés lindos.
Isto é de um show da BBC, chamado "Predadores", e o que nós estamos vendo são exemplos de sincronismo que tem a ver com defesa.
Quando você é pequeno e vulnerável, como estas andorinhas, ou como os peixes, ajuda estar em bando para evitar predadores, para confundir predadores.
Deixem-me ficar em silêncio por um segundo, pois isto é tão belo.
Por muito tempo os cientistas ficaram perplexos com este comportamento, pensando em como isto era possível.
Nós estamos tão acostumados com coreografia dando origem ao sincronismo.
Estas criaturas não são coreografadas.
Elas estão criando sua própria coreografia.
E apenas recentemente a ciência começou a entender como isto funciona.
Vou mostrar a vocês um modelo criado num computador, por Ian Kuzan, um pesquisador de Oxford, que mostra como estas ondas funcionam.
Existem apenas 3 regras simples.
Primeiro, os indivíduos percebem apenas os seus vizinhos mais próximos.
Segundo, todos os indivíduos tem uma tendência a se alinhar.
Terceiro, eles são atraídos um ao outro, mas eles tentam manter uma pequena distância entre eles.
E quando você incorpora estas 3 regras, automaticamente você começa a ver estas ondas que se parecem muito com os cardumes e os bandos de pássaros.
Agora, peixes gostam de ficar bem juntos, a cerca de um corpo de distância.
Aves tendem a ficar a 3 a 4 corpos de distância.
Mas excetuando-se estas diferenças, as regras são as mesmas para ambos.
Tudo isto muda quando um predador entra em cena.
Há uma quarta regra: quando um predador se aproxima, saia do caminho.
Aqui no modelo vocês podem ver um predador atacando.
As presas se movem evitando-o, em direções aleatórias, e aí a regra da atração os traz de volta, para ficar juntos; portanto há este constante separar e se juntar novamente.
E vocês vêem isto na natureza.
Percebam que, apesar de cada indivíduo parecer estar cooperando, o que realmente ocorre é uma espécie de comportamento Darwiniano egoísta.
Cada um esta se separando de forma aleatória, para tentar salvar suas escamas ou penas.
Ou seja, motivados pelo desejo de se salvar, cada criatura está seguindo estas regras, e isto leva a algo que é seguro para todos eles.
Mesmo que pareça que elas estão agindo como um grupo, elas não estão.
Vocês podem se perguntar qual é a vantagem de estar num grupo de animais, e vocês podem pensar em várias.
Como eu disse, se você é parte de um bando, sua chance de ser o azarado são reduzidas, comparado com um grupo menor.
Há vários olhos para ver o perigo,
e vocês verão no exemplo com as andorinhas, com as aves, quando este falcão peregrino está prestes a atacá-las, há estas ondas de pânico que se propagam, enviando mensagens a grandes distâncias.
Vocês vêem- vamos ver, acho que aparece no fim- talvez não.
A informação pode ser enviada a um kilometro de distância, em um tempo muito curto, através deste mecanismo.
Sim, esta acontecendo agora.
Vejam se vocês conseguem ver estas ondas se propagando através do bando.
É lindo. As aves são, nós achamos, ou pensamos, a partir daquele modelo de computador, sabemos o que se passa.
E como eu disse, são apenas 3 regras simples, mais aquela sobre ter atenção aos predadores.
Não parece haver nada místico a respeito disto.
Nós não entendemos realmente, no entanto, a nível matemático.
Eu sou matemático. Nós gostaríamos de ser capazes de entender isto melhor.
Quero dizer, eu mostrei um modelo de computador, mas isto não é entender.
Um computador é, de certa forma, apenas outro experimento.
Nós realmente gostaríamos de ter um entendimento mais profundo sobre como isto funciona. E entender exatamente de onde esta organização se origina.
Como regras dão origem a estes padrões?
Há um caso que começamos a entender melhor, o caso dos vagalumes.
Vocês vêem vagalumes na América do Norte, e como muitas coisas norte-americanas, eles tendem a ser operadores independentes. Eles ignoram um ao outro.
Cada um faz suas próprias coisas, piscando e apagando, sem prestar atenção aos seus vizinhos.
Mas na Ásia do sudoeste, em lugares como a Tailândia, Malásia ou Bornéo, eles tem um comportamento cooperativo lindo, que ocorre entre os vagalumes machos.
Vocês podem vê-lo todas as noites, nas margens dos rios,
As árvores, árvores ribeirinhas, estão cheias de vagalumes comunicando-se com luzes.
Especificamente, são os vagalumes machos piscando juntos em perfeita sintonia, em perfeito sincronismo, para reforçar a mensagem dirigida às fêmeas.
E a mensagem como vocês podem imaginar, é "por favor venha aqui acasalar comigo".
Em um segundo, eu mostrarei a vocês o movimento de um vagalume em câmera lenta, para vocês poderem perceber. Isto é um único fotograma.
E aí, liga e desliga - um trigésimo de segundo, aqui.
E agora vejam esta margem de rio, e quão precisa é a sincronia.
Liga, liga de novo, e desliga.
A luz combinada deste besourinhos- eles são na verdade pequenos besouros- é tão brilhante que os pescadores que estão longe no mar podem usá-la como faróis para orientar a navegação de volta às suas casas nas margens dos rios. É surpreendente.
Por um longo tempo não se acreditou, quuando os primeiros navegadores ocidentais, como Sir Francis Drake, foram à Tailândia e voltaram com estas histórias sobre este espetáculo incrível.
Ninguém acreditou neles.
Nós não vemos nada parecido com isto na Europa ou no ocidente.
E por muito tempo, mesmo após isto ser documentado, pensou-se que era uma espécie de ilusão ótica.
Artigos científicos foram publicados dizendo que era devido a um tremor das pálpebras. Isto explicava o observado ou, vocês sabem, a tendência humana de ver padrões onde não há nenhum padrão.
Mas eu espero que vocês tenham se convencido, com este vídeo noturno, que os vagalumes estavam de fato muito bem sincronizados.
Ok, a questão agora é, precisamos estar vivos para ver este tipo de comportamento espontâneo? Eu já dei uma dica de que a resposta é "não".
Bem, não precisam ser criaturas inteiras.
Basta ser uma simples célula.
Por exemplo, as células marca-passo do seu coração, agora mesmo,
estão mantendo vocês vivos.
cada batida do seu coração depende desta região crucial, o nódulo sino-atrial, a qual tem cerca de 10 000 células independentes, e cada uma se ativa, e tem um ritmo elétrico- uma voltagem que aumenta e diminui- para enviar um sinal aos ventrículos, fazendo-os bombearem.
Agora, o seu marca-passo não é uma célula única.
É uma democracia de 10 000 células que precisam disparar em uníssono para que o marca-passo funcione corretamente.
Eu não quero dar a voces a idéia de que sincronismo é sempre uma boa idéia.
Se vocês tem epilepsia, há um evento em que bilhões de células cerebrais, ou pelo menos milhões, descarregam, como em um concerto musical patológico.
Portanto esta tendência ao sincronismo nem sempre é uma coisa boa.
Vocês não precisam estar vivos. Vocês não precisam nem de ser uma célula única.
Se vocês olharem, por exemplo, como os lasers funcionam, este é um caso de sincronismo atômico.
Num laser, o que faz a luz do laser ser tão diferente da luz acima da minha cabeça aqui, é que a luz aqui é incoerente- há várias cores e frequências diferentes, parecido com a maneira como vocês inicialmente aplaudiram- mas se vocês fossem um laser, seria um aplauso rítmico.
Seria todos os átomos pulsando em uníssono, emitindo luz de uma cor, uma frequência.
Agora vem a parte muito arriscada de minha conferência, que é demonstrar que coisas inanimadas podem sincronizar.
Segurem sua respiração para mim.
O que eu tenho aqui são duas garrafas d'água vazias.
Isto não é o Keith Barry fazendo mágica.
isto é só um cara brincando com umas garrafas d'água.
Eu tenho uns metrônomos aqui.
Vocês conseguem ouvir isto?
Tudo bem então; eu tenho um metrônomo, e é o menor metrônomo do mundo, o - bom, eu não devo fazer propaganda.
De qualquer forma, este é o menor metrônomo do mundo.
Eu o programei para sua frequência mais rápida, e agora vou pegar um outro conjunto igual, e fazer a mesma coisa.
Vocês podem tentar isto primeiro. Se eu somente os colocar na mesa juntos, não há razão para que eles sincronizem, e eles provavelmente não o farão.
Melhor que vocês os escutem. Eu vou me afastar um pouco.
O que eu espero é que eles se separem pouco a pouco porque suas frequências não são exatamente a mesma.
Certo? Eles se separaram.
Eles estavam em sinc por um momento, e então se separaram.
E a razão disto é que eles não podiam se comunicar.
Agora, vocês podem pensar que esta idéia é bizarra.
Como podem metrônomos comunicar-se?
Bom, eles podem se comunicar através de forças mecânicas.
Portanto eu vou dar uma chance à eles de fazer isto.
Eu também quero salientar um pouco isto. Como eles podem se comunicar?
Eu vou colocá-los em uma plataforma móvel, que é o "Guia para estudos de graduação em Cornell". OK? Portanto aqui está.
Vamos ver se nós conseguimos fazer isto funcionar.
Minha esposa disse que funcionaria melhor se eu os colocasse ao mesmo tempo na plataforma, porque senão a coisa toda pode se desmontar.
Certo. Aqui vamos nós. Vamos ver. OK, eu não estou tentando enganar- deixem-me começar fora de sinc. Não, é mesmo dificil fazer isto.
Certo. Antes que algum saia de sinc, eu vou colocá-los aqui.
Agora, isto pode parecer um capricho do acaso, mas a ubiquidade desta tendência à ordem espontânea algumas vezes tem consequências inesperadas.
E um caso claro disto é algo que aconteceu em Londres no ano 2000.
A Ponte do Milênio deveria ser o orgulho de Londres, uma bela ponte nova, erigida entre as margens do rio Tâmisa. A primeira nova ponte em 100 anos, em Londres.
Houve uma grande competição para o desenho desta ponte, e a proposta vencedora foi apresentada por um time fora do usual- no espírito TED, realmente- por parte de um arquiteto- talvez o maior arquiteto do Reino Unido, o Lord Norman Foster- que trabalhou com um artista, um escultor, o Sir Anthony Caro, e uma firma de engenharia, Ove Arup.
E juntos eles submeteram o desenho baseado na visão do Lord Foster, a qual foi- ele se lembrava de quando criança ler os quadrinhos do Flash Gordon, e ele disse que quando o Flash Gordon chegava num abismo, ele disparava o que hoje em dia seria uma espécie de sabre de luz.
Ele disparava este sabre de luz através do abismo, fazendo uma lamina de luz, e aí corria através desta lamina de luz.
Ele disse, "esta é a visão que eu quero dar a Londres".
Eu quero uma lamina de luz atravessando o Tâmisa.
E portanto eles construíram a lamina de luz; e esta é uma fita muito fina de aço - provavelmente a mais fina e chata ponte suspensa que existe, com cabos que saem das laterais.
Vocês estão acostumados com pontes suspensas que tem grandes cabos caindo a partir do topo.
Estes cabos estava nas laterais da ponte, como se vocês pegassem elásticos e os esticassem bem através do Tâmisa- isto era o que segurava esta ponte.
Agora, todo mundo estava excitado para usa-la.
No dia de abertura, milhares de londrinos vieram, e algo aconteceu.
E em 2 dias a ponte foi fechada ao público.
Eu quero primeiramente mostrar a vocês umas entrevistas com pessoas que estava sobre a ponte, no dia de abertura, e que descreverão o que aconteceu.
Homem: Ela realmente começou a se mover lateralmente, e ligeiramente para cima e para baixo, bastante parecido com estar num barco.
Mulher: Sim, ela dava a sensação de instabilidade, e estava ventando muito, e eu lembro que havia muitas bandeiras movendo-se para cima e para baixo e para os lados, portanto a gente podia definitivamente- -havia algo movendo-se lateralmente, podia-se sentir.
Entrevistador: Não era para cima e para baixo? Menino: Não.
Entrevistador: E não era para frente e para trás? Menino: Não.
Entrevistador: Somente para os lados. E quanto você acha que se movia?
Menino: Um tanto assim- Entrevistador: Quero dizer, um tanto assim, ou assim?
Menino: como a segunda distância.
Entrevistador: Tanto assim? Menino: Sim.
Homem: Eu penso que era ao menos seis, seis a oito polegadas
Entrevistador: Certo, então ao menos um tanto assim? Homem: Ah, sim.
Mulher: Eu lembro que queria sair dali.
Entrevistador: Você queria? Mulher: Sim. Parecia estranho.
Entrevistador: Então era o suficiente para assustar? Mulher: Sim, mas achei que era só eu.
Entrevistador: Ah! Agora me diga porque você tinha que fazer isto.
Menino: Eu tinha que fazer isto porque eu precisava manter o equilíbrio, se você não fizesse isto se desequilibrava, e simplesmente caia, tipo, caia para a direita ou esquerda, num angulo de 45 graus.
Entrevistador: Mostre-me somo você anda normalmente. Certo.
E agora me mostre como foi quando a ponte começou a se mexer. Certo.
Portanto você precisou de deliberadamente movimentar seus pés para os lados e- -ah, com passinhos curtos?
Homem: Isto mesmo. E me pareceu óbvio que era provavelmente o número de pessoas sobre a ponte.
Entrevistador: Eles estava deliberadamente acertando o passo, ou algo similar?
Homem: Não, eles apenas tinham que se adaptar ao movimento da ponte.
Steven Strogatz volta: Ok, isto dá à vocês uma dica do quê ocorreu.
Pensem na ponte como sendo similar a esta plataforma.
Pensem nas pessoas como metrônomos.
Vocês podem não estar habituados a pensar em vocês mesmos como metrônomos, mas afinal, nós caminhamos mesmo como - quero dizer, nós oscilamos para frente e para trás, quando caminhamos.
E especialmente se começarmos a caminhar como estas pessoas, certo?
Todos eles mostraram este tipo de marcha estranha que eles adotaram quando a ponte começou a se mover.
E agora deixem-me mostrar um filme da ponte.
Mas também, após ver a ponte no dia de abertura, vocês verão um vídeo-clip interessante, do trabalho feito por um engenheiro de Cambridge, chamado Allan McRobbie, que entendeu o que se passou na ponte, e construiu um simulador de ponte para explicar exatamente qual foi o problema.
Foi uma espécie de feedback positivo não intencional entre a maneira como as pessoas caminharam naquele dia, e a maneira como a ponte começou a se mover, e algo sobre o qual os engenheiro não sabiam nada.
Na verdade, acho que a primeira pessoa que vocês verão é o jovem engenheiro encarregado deste projeto. OK.
Entrevistador: alguém se machucou? Engenheiro: não.
-Entrevistador: Certo. Portanto foi um efeito pequeno.-Engenheiro: Sim. -Entrevistador: Mas bem real?
-Engenheiro: Certamente. -Entrevistador: você pensou, "que chateação".
-Engenheiro: Eu me senti desapontado em relação ao problema.
Nós passamos muito tempo desenhando esta ponte, nós a analisamos, nós a checamos em relação a regulamentação - e a cargas superiores às da regulamentação - e lá estava ela fazendo algo sobre o qual nós não sabíamos nada.
-Entrevistador: Você näo esperava. -Engenheiro: Exatamente.
Narrador: "O filme mais dramático e chocante mostra toda uma secção da multidão - centenas de pessoas- aparentemente se balançando de um lado para o outro em uníssono, não somente uns com os outros, mas com a ponte também.
Este movimento sincronizado parece estar comandando a ponte.
Mas como pode a multidão se sincronizar?
Havia algo especial, na ponte do Milênio, que causou este efeito?
Este será o foco da investigação."
Entrevistador: bom, finalmente o simulador da ponte esta pronto, e eu posso fazê-lo balançar.
Agora, Allan, isto é tudo culpa sua, não é? Allan McRobbie: sim.
Entrevistador: Você desenhou isto, sim, esta ponte simulada, e isto, você supõe, mimetiza a ação na ponte de verdade?
AM: Sim, isto captura boa parte da física.
Entrevistador: Certo. Se nós subirmos nela, seremos capazes de fazê-la balançar, não é?
Allan McRobbie é um engenheiro de pontes, de Cambridge, que me escreveu sugerindo que um simulador da ponte deveria balançar da mesma maneira que a ponte de verdade- se nós a pendurássemos em pêndulos que tivessem exatamente o comprimento correto.
AM: Esta aqui tem só umas 2 toneladas, portanto é bem fácil de faze-la começar a se mexer.
Basta caminhar. -Entrevistador: Certamente está começando agora.
AM: Não precisa de ser um balanço forte. Basta caminhar. Ela começa a mexer.
Entrevistador: É bem difícil caminhar, na verdade.
Você precisa cuidar onde põe seus pés, não é? Porque se você pisa errado, ela te joga fora de equilíbrio.
AM: Certamente ela afeta a maneira de caminhar, sim. Você não consegue caminhar normalmente sobre ela.
Entrevistador: Não. Se você tenta colocar um pé em frente ao outro, ela mexe seus pés, embaixo de você. AM: sim.
Entrevistador: Portanto você precisa movimentar seus pés para os lados.
O simulador já esta me fazendo caminhar exatamente da maneira que nossas testemunhas, sobre a ponte real.
AM. andar como se patinasse no gelo. Não há toda esta forma de caminhar serpenteando.
Entrevistador: para um experimento mais convincente, Eu queria minha própria multidão de dia de abertura, o time do som.
As instruções para eles são: caminhem normalmente.
É realmente curioso, pois nenhuma destas pessoas está tentando provocar o movimento.
Todos eles estão tendo alguma dificuldade para caminhar.
E a única maneira de caminhar confortavelmente é acertar o passo.
Mas é claro, todos estão provocando o movimento.
Você não consegue evitar. Você é forçado pelo movimento da ponte a acertar o passo, e com isto você a faz mexer-se mais ainda.
Certo. Bem, com esta do do Ministério das Bobagens para Caminhar, é melhor que eu termine agora. Vejo que passei do tempo.
Mas eu espero que vocês sairão daqui e verão o mundo de uma nova forma; verão todo maravilhoso sincronismo em torno de nós. Obrigado.
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Eu sou fascinado com a diversidade de cultivos há 35 anos, desde quando eu esbarrei com um artigo acadêmico meio obscuro de um cara chamado Jack Harlan.
Ele descreveu a diversidade nas plantações -- todos os diferentes tipos de trigo, arroz e afins -- como uma reserva genética.
E disse, "Essa reserva genética," -- eu nunca esquecerei as palavras -- "se coloca entre nós e fome catastrófica numa escala que não podemos imaginar."
E eu pensei: ou ele está muito certo, ou é algum desses acadêmicos malucos.
Então, eu estudei mais a fundo, e percebi que ele não era um louco.
Era o cientista mais respeitado da área.
O que ele percebeu foi O que ele percebeu foi que a diversidade biológica -- diversidade de cultivo -- é o alicerce biológico da agricultura.
É o material não trabalhado, a matéria prima, da evolução nos nossos cultivos agrícolas.
Não é algo trivial.
E ele também percebeu que o alicerce estava se desintegrando, literalmente se desintegrando.
Que, de fato, uma extinção em massa estava em andamento em nossos campos, nosso sistema de agricultura.
E que essa extinção em massa estava acontecendo sem quase ninguém perceber e menos pessoas ainda se importando.
Eu sei que muitos de vocês não param para pensar sobre diversidade nos sistemas agrícolas e, vamos ser honestos, é lógico.
Não se vê nos jornais todo dia.
E quando você vai ao supermercado, certamente não encontra muitas opções por lá.
Você encontra maçãs vermelhas, amarelas e verdes, e só.
Então, deixem-me mostrar-lhes uma foto de uma forma de diversidade.
Aqui estão alguns feijões. Há 35 ou 40 variedades de feijão nesta foto.
Agora, imagine que cada uma dessas variedades é diferente da outra do mesmo modo que um poodle é diferente de um dogue alemão.
Se eu quisesse mostrar-lhes uma figura de todas as raças de cachorro do mundo, e colocasse 30 ou 40 delas em cada slide, seriam cerca de 10 slides, pois há cerca de 400 raças de cachorro no mundo.
Mas existem de 35 a 40 mil variedades diferentes de feijão.
Então, se eu fosse mostrar-lhes todos os feijões do mundo, e tivesse um slide como esse, e trocasse um a cada segundo, demoraria a minha palestra inteira do TED. E eu não teria que dizer nada.
Mas o interessante -- e trágico -- é que essa diversidade está sendo perdida.
Nós temos cerca de 200 mil variedades de trigo, e de 200 a 400 mil variedades de arroz, mas isso está sendo perdido.
E quero dar um exemplo disso.
É um exemplo um pouco pessoal, na verdade.
Nos Estados Unidos, no séc. 19 -- é onde temos os melhores dados -- fazendeiros e jardineiros estavam cultivando 7100 variedades de maçãs catalogadas.
Imagine só. 7100 maçãs com nomes.
Hoje, 6800 delas estão extintas, não existem mais para serem vistas.
Eu tinha uma lista dessas maçãs extintas, e quando ia fazer uma palestra, eu passava a lista para o público.
Eu não dizia a eles o que era, mas estava em ordem alfabética, e pedia que procurassem os seus nomes, sobrenomes, nome de solteira da mãe.
E no final da palestra, eu perguntava: "Quantas pessoas acharam um nome?"
E nunca menos do que 2/3 do público levantava a mão.
Aí eu dizia: "Sabem de uma coisa? Essas maçãs vêm dos seus ancestrais, e seus ancestrais lhes deram a maior honra que podiam dar.
Deram o próprio nome.
A má notícia é que elas estão extintas.
A boa notícia é que 1/3 de vocês não levantou a mão. Sua maçã ainda está por aí.
Encontre-a. Garanta que ela não entre na lista."
Então, quero dizer-lhes que um trecho da boa notícia é que a maçã Fowler ainda existe.
Tem este velho livro aqui, de que eu quero ler um trecho.
Este livro foi publicado em 1904.
Ele se chama "As Maçãs de Nova Iorque" e esse é o segundo volume.
Vejam, a gente tinha muitas maçãs.
E a maçã Fowler é descrita aqui -- espero que não se surpreendam -- como "uma belíssima fruta."
Não sei se nós demos o nome à maçã, ou se ela nos deu o nome, mas.
Mas, para ser honesto, a descrição continua e diz que: "não é de boa qualidade, contudo."
E vai ainda mais longe.
Parece que foi escrito por uma antiga professora minha.
"Crescida em Nova Iorque, a fruta normalmente falha em desenvolver devidamente o tamanho e a qualidade e é, no geral, insatisfatória."
E acho que há uma lição a ser aprendida aqui, e a lição é: Por que guardá-las?
Me perguntam isso a toda hora. Por que não guardamos apenas a melhor?
E há algumas respostas a essa pergunta.
Primeiramente não existe algo como "a melhor".
A melhor variedade de hoje é o almoço de amanhã para insetos, pestes ou doenças.
A outra coisa é que talvez aquela maçã Fowler ou talvez a variedade de trigo que não é economicamente viável agora tenha resistência a essa doença ou peste, ou alguma qualidade, que será necessária na mudança climática, que as outras não tenham.
Não é necessário, graças a Deus, que a maçã Fowler seja a melhor do mundo.
Só é necessário ou interessante que ela tenha ao menos uma particularidade boa.
E por essa razão, é conveniente que a guardemos.
Por quê? Podemos usá-la no futuro como matéria prima, por sua peculiaridade.
Pense na diversidade como um leque de opções.
E opções, claro, são exatamente o que precisamos numa era de mudança climática.
Quero mostrar-lhes dois slides, mas, primeiro quero contar que nós estamos trabalhando no "Banco Global da Diversidade de Culturas" com um número de cientistas -- de modo particular em Stanford e na Universidade de Washington -- para responder a uma questão: O que vai acontecer com a agricultura em uma era de mudança climática e que tipo de traços e características nós precisamos em nossos cultivos agrícolas para sermos capazes de nos adaptar a isso?
Resumidamente, a resposta é que no futuro, em muitos países, as estações de crescimento mais frias ficarão mais quentes do que essas plantações jamais viram no passado.
As estações de crescimento mais frias do futuro serão mais quentes do que a mais quente do passado.
A agricultura está adaptada a isso?
Não sei não. Um peixe pode tocar piano?
Se a agricultura nunca viveu essa experiência, como ela pode estar adaptada?
Hoje, a maior concentração de pessoas pobres e famintas do mundo, e o lugar onde a mudança climática, ironicamente, será pior é o sul da Ásia e a África sub-Sahariana
Então escolhi dois exemplos aqui, e quero mostrar a vocês.
No histograma à sua frente agora, as barras azuis representam a faixa histórica de temperaturas, desde que temos dados sobre temperatura.
E você pode ver que há uma diferença entre uma estação de crescimento e outra.
Algumas são mais frias, algumas são mais quentes e é uma curva em forma de sino.
A barra mais alta é a temperatura média da maioria das estações de crescimento.
No futuro, mais tarde neste século, irá se parecer com a vermelha, totalmente fora dos limites.
O sistema agrícola, e mais importante, as plantações ativas na Índia nunca passaram por isso antes.
Aqui está a África do Sul. A mesma história.
Mas o mais interessante é que na África do Sul não é preciso esperar até 2070 para ter problemas.
Em 2030, se as atuais variedades de milho, que são a plantação dominante -- 50% da nutrição -- na África do Sul ainda estiverem ativas em 2030, nós teremos uma queda de 30% na produção de milho porque o clima já terá mudado em 2030.
30% de queda na produção, com a população crescendo, é uma crise alimentícia. É de natureza global.
Nós iremos assistir crianças morrendo de inanição na TV.
Bem, você pode dizer que 20 anos é um longo caminho.
São dois ciclos de reprodução para o milho.
Nós temos duas chances para resolver isso.
Nós precisamos ter plantações ativas prontas para o clima, e temos que fazer isso bem rápido.
Agora, a boa notícia é que nós conservamos.
Nós coletamos e conservamos uma grande quantidade de diversidade biológica, diversidade agrícola, na maioria em forma de semente, e as colocamos em bancos de semente, um nome bonito para um freezer.
Se você quer conservar semente a longo prazo e deixá-la disponível a pesquisadores e melhoristas de plantas, você a seca e a congela.
Infelizmente, esses bancos de semente estão espalhados pelo mundo em prédios e são vulneráveis.
Aconteceram desastres. Recentemente perdemos o banco genético, o banco de sementes no Iraque e Afeganistão. Vocês podem imaginar o porquê.
Em Ruanda, nas ilhas Salomão.
Acontecem desastres nesses prédios diariamente, problemas financeiros, má administração, falhas de equipamento, todo tipo de coisa, e algo sempre acontece, isso significa extinção. Nós perdemos diversidade.
E não estou falando sobre perder diversidade da mesma maneira que se perde a chave do carro.
Estou falando sobre perdê-la do mesmo modo que se perderam os dinossauros, perdendo de verdade, para nunca mais ver.
Então alguns de nós se reuniram e decidiram que já basta! Precisamos tomar alguma atitude, precisamos de uma instalação que pode realmente oferecer proteção para nossa diversidade biológica -- talvez não a diversidade mais carismática.
Você não olha nos olhos de uma semente de cenoura do mesmo modo que faz com um urso panda, mas é uma diversidade muito importante.
Então precisamos de um local realmente seguro, e fomos bem longe ao norte para encontrá-lo.
Até Esvalbarda, para ser mais exato.
Fica acima da região central da Noruega. Você pode ver a Groelândia ali.
Está a 78° N.
É o mais longe que se pode chegar em um vôo comercial.
É uma paisagem notavelmente belíssima. Não consigo nem começar a descrever para vocês.
Não há palavras. Lindo.
Nós trabalhamos com o governo norueguês, com o NorGen, o Programa de Recursos Genéticos Norueguês, para projetar esta instalação.
O que vocês vêem é uma concepção artística dessa instalação que foi construída em uma montanha na Esvalbarda.
Escolhemos a Esvalbarda porque ela é fria, então temos temperaturas congelantes naturalmente.
Mas é remoto. É remoto e acessível, então é seguro e não dependemos de refrigeração mecânica.
É mais do que um sonho de artista, agora é realidade.
A próxima foto a mostra no contexto, na Esvalbarda.
Aqui é a porta da frente dessa instalação.
Quando você abre a porta da frente você vê isto aqui. É bem simples. Um buraco no chão.
É um túnel, você entra no túnel, esculpido em rocha sólida, cerca de 130 metros.
Agora tem algumas portas de segurança, então vocês não a encontrarão exatamente assim.
Novamente, quando você chega ao fundo, chega na área que é a minha favorita.
O que é isso? Eu penso como um tipo de catedral.
E sei que isso me rotula meio como nerd, mas.
Alguns dos dias mais felizes da minha vida aconteceram.
neste lugar aqui.
Se vocês entrassem em uma dessas salas, veriam isso.
Não é muito empolgante, mas se você sabe o que tem lá, é muito emocionante.
Nós temos cerca de 425 mil amostras de variedades de cultivo distintas.
Há 70 mil amostras de variedades distintas de arroz nessa instalação agora mesmo.
Daqui a um ano teremos mais de meio milhão de amostras.
Chegaremos a mais de um milhão e, um dia, teremos basicamente amostras -- cerca de 500 sementes -- de cada variedade de cultivo agrícola que pode ser armazenada congelada, nesta instalação.
É um backup da agricultura mundial.
É um sistema de backup de todos os bancos de semente. O armazenamento é gratuito.
Ele opera como uma poupança/seguro.
A montanha e a instalação pertencem à Noruega, mas as sementes pertencem aos depositantes.
E se alguma coisa acontecer, eles podem voltar e pegar.
Esta foto aqui que vocês podem ver mostra a coleção nacional dos Estados Unidos, do Canadá, e de uma instituição internacional da Síria.
Eu acho interessante que essa instalação, acredito, é quase a única coisa que consigo imaginar nos dias de hoje onde países, literalmente todos os países do mundo -- porque temos sementes de todos os países do mundo -- todos os países do mundo se reuniram para fazer algo que é ao mesmo tempo a longo prazo, sustentável e positivo.
Não consigo pensar em mais nada que tenha acontecido nesse sentido durante minha vida.
Não posso olhar nos seus olhos e dizer que encontrei a solução para a mudança climática, para a crise da água.
A agricultura utiliza 70% dos recursos de água doce da terra.
Não posso olhar nos seus olhos e dizer que há uma solução para essas coisas, ou a crise energética, ou a fome mundial, ou a paz nos conflitos.
Não posso olhar-lhes nos olhos e dizer que tenho uma solução simples para isso, mas posso olhar em seus olhos e dizer que não podemos resolver nenhum desses problemas se não tivermos diversidade de cultivos.
Porque eu desafio vocês a pensarem em uma solução efetiva, eficiente e sustentável para a mudança climática, sem diversidade de cultivos.
Porque, literalmente, se a agricultura não se adaptar à mudança climática, nós também não iremos nos adaptar.
E se as plantações não se adaptarem à mudança climática, a agricultura também não irá, e nem nós.
Então, isso não é só algo bonitinho a se fazer.
Há muitas pessoas que adorariam que esta diversidade existisse somente pelo seu valor existencial.
Concordo que é uma coisa bonita de se fazer.
Mas é uma coisa necessária de se fazer.
Então, na realidade, eu acho que nós, como uma comunidade internacional, devíamos nos organizar para completar a tarefa.
O "Cofre de Sementes da Esvalbarda" é um presente maravilhoso que a Noruega e outros nos deram, mas não é a resposta completa.
Nós precisamos coletar a diversidade remanescente que está por aí.
Precisamos colocá-la em bons bancos de semente que podem servir aos pesquisadores no futuro.
Precisamos catalogá-la. É uma biblioteca da vida, mas no momento eu diria que não temos um índice para ela.
E nós precisamos sustentá-la financeiramente.
Minha idéia grandiosa é que, assim como encaramos como normal patrocinar um museu de arte, ou patrocinar uma cadeira em uma universidade, nós deveríamos pensar em patrocinar trigo.
30 milhões de dólares em doação dariam conta de preservar toda a diversidade de trigo para sempre.
Então precisamos pensar um pouco nesses termos.
E minha idéia final é que nós, claro, conservando trigo, arroz, batatas, e as outras culturas, acabemos talvez conservando a nós mesmos.
Obrigado.
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O que vamos ver hoje é a continuação da Verdade Inconveniente.
É hora de voltarmos a falar sobre a Verdade Inconveniente, uma verdade que preocupa a todos, mas da qual ninguém quer falar.
Alguém tem que tomar a iniciativa, e eu resolvi fazê-lo.
Se você está assustado com o aquecimento global, espere até saber sobre o aquecimento local.
É disso que vamos falar hoje, aquecimento local.
Importante comunicado da saúde: manter um blog pode ser prejudicial à saúde, especialmente para os homens.
Esse é um comunicado de utilidade pública.
Escrever blogs afeta sua postura.
Esta é a postura de mulheres que não blogam; e esta é a postura de mulheres que blogam.
Esta é a postura natural de um homem sentado, de cócoras para fins de ventilação.
E esta é a postura natural de um homem em pé. Acho que foi esta imagem que inspirou Chris a me colocar na sessão dedicada a Pensamento Lateral.
Esta é a posição de uma homem sentado quando está blogando - o resultado é que, "Para um maior conforto, homens naturalmente se sentam com as pernas mais afastadas que mulheres quando usam laptops.
Entretanto, adotarão uma postura menos natural para equilibrar o laptop no colo, resultando em um aumento significativo do calor corporal entre as coxas." É esse o problema do aquecimento local.
Esse é um jornal bastante sério, é o Times da Inglaterra - muito sério. Isso é muito. senhores e senhoras, sem brincadeira.
Essa é uma pesquisa muito séria, e vocês deveriam ler o trecho em destaque.
Atenção, seus genes correm perigo.
Será que os "nerds" vão entrar para a lista de espécies ameaçadas?
Fato: crescimento populacional em países com alta penetração de laptops - Preciso que Hans Rosling me forneça um gráfico disso.
O lado bom do aquecimento global.
Mas guardemos as devidas proporções.
Como cuidar-se em cinco passos fáceis. Em primeiro lugar, você pode usar ventilação natural. Pode usar respiração corporal.
Deve manter-se fresco usando roupas adequadas.
Deve cuidar da sua postura -- isso não está certo.
Podem me conseguir com Chris mais um minuto e meio? porque tem um vídeo que eu tenho que mostrar pra vocês.
Vocês são ótimos. Esta é a postura correta.
Outro benefício do wi-fi - ontem vimos os benefícios do wi-fi -
Com a tecnologia Wi-Fi, você não precisa de processador. E existem algumas medidas de proteção avançadas que gostaria de mostrar a vocês, e quero agradecer a Philips pela ajuda.
Esta é uma pesquisa de 1986, mas ainda é válida.
A temperatura escrotal reflete a temperatura intratesticular e pode-se baixá-la por meio de depilação.
Aliás, devo admitir, meu inglês não é tão bom - eu não sabia o que é escrotal - só escroto.
Talvez seja o plural, como em "medium" e "media".
"Scrotum" digital, mídia digital.
E só ano passado me dei conta de que sou um feliz proprietário de um "scrotum".
Essa está sendo apoiada pelo governo do Estados Unidos, daí você pode ver que seus impostos estão sendo usados em boas causas.
Vídeo: Homem: O aparador de pêlos Philips Bodygroom tem um design elegante e ergonômico, que permite aparar de forma fácil e segura aqueles pelos eriçados do sovaco, aquelas fios desgrenhados sobre e ao redor do [bip], bem como aqueles pelos enrolados de difícil acesso sob o [bip] e [bip]. Quando você usa o Bodygroom, o mundo muda.
E seu [bip] também. Com as costas lisinhas, os pêlos dos ombros bem aparados e um ganho ótico de uma polegada no meu [bip], bem, digamos que a vida agora é um deleite.
Esse é um dos comerciais virais mais populares do ano passado, conhecido como o "ganho ótico" da Philips. Palmas para a Philips por esse gesto humanitário.
E é assim que estão promovendo o produto. Eu não editei o anúncio -- é original.
Uso de laptop deve conter superpopulação. E se tudo mais falhar, existem aplicações secundárias.
Nossa próxima apresentação, se me convidarem para uma próxima TED, será sobre por que não se deve carregar o celular no bolso.
E isto é o que diz a nova geração.
E quero mostrar que não estou só pregando, mas que também ponho essas idéias em prática.
às 4 da manhã.
Vocês não têm permissão para usar essa foto.
Agora, alguns mini prêmios TED. Aqui tem um Philips Bodygroom - um para nosso líder.
Alguém se sente ameaçado? Alguém precisa realmente de um?
Alguma senhora, alguma senhora? Muito obrigado.
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Quero começar dizendo: Houston, temos um problema.
Estamos entrando em uma segunda geração sem progressos em termos de vôo humano no espaço. De fato, regressamos.
Temos uma grande chance de perder a habilidade de inspirar nossos jovens a continuar essa coisa importantíssima que nós, como espécie, sempre fizemos.
E isto é, instintivamente fomos lá fora e escalamos lugares difíceis, fomos a lugares mais hostis, e mais tarde descobrimos, talvez para nossa surpresa, que foi por isso que sobrevivemos.
E sinto fortemente que não é bom termos gerações de jovens cuja expectativa é uma versão melhor de um telefone celular com vídeo.
Eles precisam ter a expectativa da exploração, a expectativa da colonização, eles precisam ter a expectativa do descobrimento. Eles precisam.
Precisamos inspirá-los, pois eles precisam nos liderar e nos ajudar a sobreviver no futuro.
Estou particularmente preocupado com o que a NASA está fazendo com esta nova doutrina do Bush de, nesta década e meia. droga, estraguei tudo.
Temos instruções específicas aqui para não falar de política.
Nossa expectativa é. nossa expectativa é não só a inspiração de nossos filhos, mas o plano atual nem mesmo está permitindo que as pessoas mais criativas deste país, os engenheiros espaciais da Boing e Lockheed, vão lá fora e arrisquem-se e tentem coisas novas.
Vamos voltar à lua, 50 anos depois,
e vamos fazer isto planejando especificamente não aprender nada de novo.
Isto me preocupa muito. Mas de qualquer forma, a base do que quero compartilhar com vocês hoje, está na volta ao ponto de onde inspiramos as pessoas que mais tarde serão nossos grandes líderes.
Este é o tema dos meus próximos 15 minutos aqui.
E acho que a inspiração começa quando se é bem jovem: três anos, até os 12, 14 anos.
Para onde eles olham é o mais importante.
Tomemos um instantâneo da aviação.
E houve este maravilhoso curto período de quatro anos onde coisas sensacionais aconteceram.
Começou em 1908, quando os irmãos Wright voaram em Paris, e todos disseram, "Oh, posso fazer isso." Apenas umas poucas pessoas tinham voado no começo de 1908. Em quatro anos, 39 países tinham centenas de aviões, milhares de pilotos. Aviões foram inventados por seleção natural.
Você pode dizer que Design Inteligente projeta nossos aviões hoje, mas não havia Design Inteligente projetando aqueles aviões.
Tentou-se provavelmente 30. 000 coisas diferentes, e quando eles caíam e o piloto morria, não tente isso novamente.
Os que voavam e pousavam bem, já que não haviam pilotos treinados, tinham boa qualidade de vôo por definição.
Então, fazendo um monte de tentativas, milhares de tentativas, naquele período de quatro anos, inventamos os conceitos dos aviões que voamos hoje. E é por isso que são tão seguros, demos muita chance para encontrar-se o que é bom.
Isto não está acontecendo no vôo espacial.
Somente dois conceitos foram testados -- dois pelos Estados Unidos e um pelos russos.
Bom, quem foi inspirado durante aquele período?
A Aviation Week me pediu para fazer uma lista de quem foram, para mim, as grandes figuras dos primeiros 100 anos da aviação.
Escrevi a lista e descobri depois que todos eles eram meninos naquela maravilhosa "Renascença" da aviação.
Bom, o que aconteceu quando eu era um garoto foi -- coisas bem pesadas também.
A época dos jatos começava, a época dos mísseis começava. Von Braun estava lá mostrando como ir a Marte -- antes do Sputnik.
E nessa época, Marte era muito mais interessante do que agora. Pensávamos que haveriam animais lá, sabíamos que haviam plantas lá, as cores mudam, certo?
Mas, sabe, a NASA estragou tudo mandando esses robôs e eles só pousaram nos desertos.
Se você olha o que aconteceu -- essa linha preta é o mais rápido que o homem já voou e a linha vermelha são jatos militares topo de linha e a linha azul é o transporte aéreo comercial.
Note aqui um grande salto. Quando eu era garoto, e acho que teve algo a ver com me dar coragem de sair e tentar algo que outras pessoas não estavam tendo coragem de tentar.
Bom, o que eu fiz quando garoto?
Não gostava dos carrões e garotas e bailes. E, bem, não tínhamos drogas naquele tempo. Mas eu fazia aeromodelos de competição.
Passei mais ou menos sete anos durante a guerra do Vietnam como piloto de testes para a Força Aérea.
E então eu fui e me diverti à beça construindo aviões que as pessoas podiam construir em suas garagens.
E tem uns 3. 000 deles voando. Claro, um deles é o Voyager que fez a volta ao mundo. Fundei outra empresa em 82 que é a minha empresa agora.
E desenvolvemos mais de um novo tipo de avião todo ano desde 1982.
E há vários deles que não posso mostrar nesse gráfico.
O avião mais impressionante do mundo, para mim, foi projetado apenas doze anos depois do primeiro jato operacional.
Ficou em serviço até estar enferrujado demais para voar, e foi tirado de serviço.
Regressamos em 98 a algo que foi desenvolvido em 56. Quê?
A espaçonave mais impressionante, para mim, foi o Módulo Lunar Grumman. Pousou na lua, decolou da lua, não precisava de manutenção -- foi bem legal.
Perdemos esta capacidade. Abandonamos em 72.
Essa coisa foi projetada três anos depois do primeiro vôo espacial de Gagarin em 1961.
Três anos, e não podemos fazê-lo agora.
Loucura. Falar brevemente de ciclos de inovação, coisas que crescem, têm muita atividade, e morrem quando são substituídas.
Estas coisas tendem a acontecer a cada 25 anos.
40 anos no máximo, com uma sobreposição. Pode-se afirmar isso para vários tipos de tecnologias. O interessante -- a velocidade aqui, desculpe, "Viagens mais velozes" é o título destes ciclos de inovação. Não há nenhum aqui.
Estes dois aviões têm a mesma velocidade que o DC8 que foi feito em 1958.
O grande fato é, não há ciclos de inovação se é o governo que os desenvolve e usa.
Um bom exemplo é a rede DARPA.
Computadores eram usados para artilharia primeiro, depois imposto de renda.
Mas agora que nós os temos, há todo este nível de atividade, todo este benefício. Tem que ser feito pelo setor privado.
Tenham isto em mente. Procurei ciclos de inovação no espaço, e não encontrei nenhum.
No primeiro ano, começando com Gagarin indo ao espaço, e algumas semanas depois Alan Shepherd, houveram cinco vôos espaciais tripulados no mundo; no primeiro ano.
Em 2003, todos os que os Estados Unidos mandaram para o espaço morreram.
Houveram somente três ou quatro vôos em 2003.
Em 2004, houveram somente dois: dois vôos do Soyuz russo para a estação espacial internacional. E eu tive que voar três em Mojave com meu pequeno grupo de duas dúzias de pessoas para chegar a um total de cinco, que é o mesmo número de 1961.
Não há crescimento. Não há atividade. Não há nada.
Esta foto foi tirada a partir da SpaceShipOne.
É uma foto tirada em órbita.
Nosso objetivo é que você possa ver esta imagem e realmente desfrutá-la.
Sabemos agora como fazê-lo para vôo sub-orbital, fazê-lo com segurança suficiente -- pelo menos tão seguro quanto as primeiras linhas aéreas -- então, pode ser feito.
E acho que quero falar um pouco sobre porquê tivemos a coragem de ir lá e tentar fazer isso como uma pequena empresa.
Bom, primeiro, o que vai acontecer depois?
A primeira indústria terá um grande volume, muitos participantes.
Aqui está outra anunciada semana passada.
E será sub-orbital. E a razão porquê terá que ser sub-orbital é que não há soluções adequadas de segurança para mandar o público para órbita. O governo tem feito isso -- três governos têm feito isso por 45 anos, e, ainda, quatro por cento das pessoas que deixaram a atmosfera morreram.
Ninguém quer ter um negócio com esse tipo de histórico de segurança.
O volume será bem grande; achamos que 100. 000 pessoas vão ter voado em 2020.
Não posso dizer quando vai começar, pois não quero que a concorrência saiba do meu calendário.
Mas acho que uma vez começado, vamos achar soluções. E rapidamente você verá hotéis e resorts em órbita.
E aquela coisa bem fácil, que é uma volta ao redor da lua para você ter esta vista legal. Será bem legal.
Como a lua não tem atmosfera, você pode fazer uma órbita elíptica e passar a 3 metros se quiser.
Oh, vai ser tão divertido.
Ok. Meus críticos dizem: "Rutan está só gastando um monte de dinheiro desses bilionários em diversão para bilionários.
O que é isto? Não é um sistema de transporte, é só para diversão."
E isso me incomodava, e então comecei a pensar, espere um pouco. Comprei meu primeiro computador Apple em 1978 e foi para poder dizer, "Tenho um computador na minha casa e você não.
'Para que você usa ele?' Venha ver. Ele roda o Frogger." Ok.
Não o computador dos bancos ou da Lockheed, mas aquele computador caseiro era para jogos.
Por uma década inteira era por diversão. Nem sabíamos para quê era.
Mas o que aconteceu, o fato de que tínhamos essa grande indústria, grande desenvolvimento, grandes melhorias e capacidade e assim por diante, e eles estavam lá em casas suficientes, estávamos prontos para uma nova invenção.
E o inventor está nesta platéia.
Al Gore inventou a Internet e por causa disso, algo que usamos por um ano inteiro -- desculpe, por uma década inteira por diversão, tornou-se tudo -- nosso comércio, nossa pesquisa, nossa comunicação, e se deixarmos os caras do Google pensarem por mais um fim de semana, podemos adicionar uma dúzia de coisas à lista.
E não estamos longe de não sermos mais capazes de convencer as crianças que nem sempre tínhamos computadores em nossas casas.
Então, diversão é defensível.
Vou mostrar um gráfico complicado, mas nele está minha previsão do que vai acontecer.
E nele está um outro ponto, bem aqui.
Há um grupo de pessoas que apareceram -- e vocês não conhecem todos -- mas os que apareceram foram inspirados quando crianças, essa idade dos 3 aos 15 anos, por nós entrando em órbita e indo à lua aqui, bem nessa época.
Paul Allen, Elan Musk, Richard Branson, Jeff Bezos, a família Ansari, que agora estão financiando o negócio sub-orbital dos russos, Bob Bigelow, uma estação espacial privada, e Carmack.
Estas pessoas estão pondo dinheiro em uma área interessante, e acho que é muito melhor que pô-lo na área de um melhor telefone celular ou algo assim -- mas estão pondo em uma área que nos vai levar a esse tipo de capacidade, e nos vai levar à próxima grande coisa e nos permitirá explorar. E acho que, no final das contas, nos permitirá colonizar e evitar que nos tornemos extintos.
Eles foram inspirados por grande progresso. Mas vejam o progresso que está acontecendo depois.
Há um par de exemplos aqui.
Os caças militares tiveram o -- avião militar de mais alta performance era o SR71. Teve um ciclo de vida inteiro, ficou enferrujado demais para voar, e foi tirado de serviço. O Concorde dobrou a velocidade de viagens aéreas comerciais.
Teve um ciclo de vida inteiro sem competição; foi tirado de serviço. E estamos empacados de volta aqui com a mesma capacidade para caças militares e linhas aéreas comerciais que tínhamos nos anos 50.
Mas algo está lá fora para inspirar nossos jovens agora.
Estou falando de se você tem um bebê agora, ou uma criança de 10 anos.
O que está lá fora é algo realmente interessante que vai acontecer aqui.
Relativamente logo, você será capaz de comprar uma passagem e voar mais alto e mais rápido que o avião militar operacional de melhor performance. Nunca aconteceu antes.
O fato de que eles empacaram aqui com esta performance tem sido, bem, você sabe, ganha-se a guerra em 12 minutos, por quê precisamos de algo melhor?
Mas acho que quando vocês começarem a comprar passagens e a fazer vôos sub-orbitais ao espaço, logo -- espere aí um minuto, com o que está acontecendo aqui, teremos caças militares com capacidade sub-orbital, e acho que em logo.
Mas o interessante é que os caras comerciais irão primeiro.
Estou na expectativa de uma nova corrida espacial capitalista, vamos chamá-la assim.
Lembre que a corrida espacial nos anos 60 era por prestígio nacional, porque tínhamos perdido as primeiras duas etapas.
Não as perdemos tecnicamente. O fato de que tínhamos o equipamento para pôr algo em órbita quando deixamos Von Braun voá-lo, pode-se argumentar que não foi uma derrota técnica.
O Sputnik não foi uma derrota técnica, mas foi uma derrota em prestígio.
O mundo viu a América não sendo os líderes em tecnologia, e foi uma coisa muito forte.
E então mandamos Alan Shepherd algumas semanas depois de Gagarin, não meses ou décadas, o que seja. Então, tínhamos a capacidade.
Mas a América perdeu. Perdemos. E por isso, demos um grande salto para recuperar.
De novo, o que é interessante aqui é que já perdemos para os russos nas duas primeiras etapas.
Não se pode comprar uma passagem comercialmente para voar ao espaço na América, não se pode. Pode-se comprá-la na Rússia.
Pode-se voar com equipamento russo. Está disponível porque o programa espacial russo está faminto, e é bom para eles conseguir 20 milhões aqui e ali por um assento.
É comercial. Pode ser definido como turismo espacial. Estão também oferecendo uma viagem para ir nessa volta ao redor da lua, como fez a Apollo 8.
100 milhões de dólares -- ei, posso ir à lua.
Mas, sabe, quem teria pensado nos anos 60, durante a corrida espacial, que a primeira coisa comercial e capitalista para se comprar uma passagem para ir à lua seria em equipamento russo?
E quem teria pensado, teriam os russos pensado que quando eles forem à lua pela primeira vez em seu equipamento, os caras lá dentro não seriam russos? Talvez provavelmente será um bilionário japonês ou americano. É estranho, realmente.
De qualquer forma, acho que devemos vencê-los de novo.
Acho que o que veremos é uma bem sucedida, muito bem sucedida, indústria privada de vôos espaciais. Se somos os primeiros ou não, não importa.
Os russos na verdade voaram um transporte supersônico antes do Concorde.
E voaram alguns vôos de carga, e o tirarm de serviço.
Acho que você verá o mesmo paralelo quando a coisa comercial for oferecida.
Vamos falar um pouco de desenvolvimento comercial para vôo espacial humano.
Essa coisinha diz que há cinco vezes mais do que a NASA está fazendo até 2020. Quero contar para vocês, já há um investimento de 1, 5 a 1, 7 bilhão de dólares em vôo espacial privado que não tem nada a ver com o governo; já, no mundo todo. Se você lê ou busca no Google, você encontra metade desse dinheiro, mas tem duas vezes isso sendo comprometido -- não gasto ainda, mas comprometido e planejado para os próximos anos. Ei, isso é bem grande.
Mas estou prevendo que, mesmo sendo tão lucrativa, essa indústria -- e é lucrativa com certeza quando você lança as pessoas a 200. 000 dólares em algo que você pode operar a um décimo do custo, ou menos -- será muito lucrativo.
Minha previsão, também, é que o investimento que fluirá para isso será mais ou menos metade do que o cidadão americano gasta em impostos para o programa de vôo humano da NASA.
E cada dólar será gasto mais eficientemente por um fator de 10 a 15. E o que isso significa é que, antes que pensemos, o progresso em vôo espacial humano, sem dinheiro de impostos, estará num nível cinco vezes maior do que o orçamento atual da NASA para vôo espacial humano.
E é porque somos nós. É a indústria privada.
Você nunca deve depender do governo para esse tipo de coisa -- e fizemos isso por um tempo longo. A NACA, antes da NASA, nunca desenvolveu um avião de linha aérea, nunca teve uma linha aérea.
Mas a NASA está desenvolvendo a linha espacial, sempre esteve, e dirige a única linha espacial. Ok. E evitamos isso porque tínhamos medo. Mas começando em Junho de 2004, quando mostrei que um pequeno grupo lá fora pode fazê-lo, pode dar a partida nisso, tudo mudou.
Ok, muito obrigado.
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Boa tarde.
Há uma revolução na área médica acontecendo ao nosso redor, uma revolução que nos ajudará a dominar algumas das doenças mais temidas pela sociedade, inclusive o câncer.
A revolução se chama angiogênese, e baseia-se no processo que nosso corpo usa para fazer crescer os vasos sanguíneos.
Então por que deveríamo preocupar-nos com os vasos sanguíneos?
Bem, o corpo humano está literalmente cheio deles, são cerca de 96. 560 km em um adulto.
De uma ponta a outra, formaria uma linha que circularia a Terra duas vezes.
Os vasos sanguíneos menores são chamados capilares. Nós temos 19 bilhões deles em nosso corpo.
E esses são os vasos da vida, e como mostrarei, eles também podem ser os vasos da morte.
Pois bem, a coisa mais extraordinária a respeito dos vasos sanguíneos é que eles têm esta habilidade de se adaptar a qualquer ambiente no qual estejam crescendo.
Por exemplo, no fígado eles formam canais para desentoxicar o sangue. No pulmão, eles cobrem os sacos de ar para a troca de gases. Nos músculos, eles ficam em forma de saca-rolha assim os músculos podem contrair-se sem cortar a circulação. E nos nervos, eles correm ao longo como linhas de energia, mantendo vivos esses nervos.
E nós obtemos a maioria desses vasos sanguíneos quando nós ainda estamos no útero, na verdade. E o que isso significa é que, quando adultos, os vasos sanguíneos normalmente não crescem,
com exceção de poucas circunstâncias particulares. Nas mulheres, os vasos sanguíneos crescem todos os meses para construir o revestimento interno do útero. Durante a gestação, eles formam a placenta, que conecta a mãe com o bebê.
E após uma lesão, os vasos sanguíneos realmente devem crescer sob a casca para cicatrizar o ferimento.
E é esta a aparência deles. Centenas de vasos sanguíneos todos crescendo para o centro da ferida.
Portanto, o corpo tem a habilidade de regular a quantidade de vasos sanguíneos presentes em um dado momento.
E faz isso por meio de um elaborado e elegante sistema de verificação e ajustes, estimuladores e inibidores da angiogênese, de maneira que, quando precisamos de um breve aumento de vasos sanguíneos, o corpo pode fazer isto ao liberar estimuladores, proteínas chamadas fatores angiogênicos que atuam como fertilizantes naturais e estimulam o crescimento de novos vasos sanguíneos.
E quando esses vasos sanguíneos excedentes não são mais necessários, o corpo os reduz ao normal usando os inibidores naturais da angiogênese.
Pois bem, há outras situações nas quais estamos abaixo do normal, e precisamos fazer crescer mais vasos sanguíneos apenas para voltar aos níveis normais. Por exemplo, após uma lesão. E o corpo também pode fazer isso, mas apenas para voltar ao nível normal, aquele ponto específico.
Mas o que sabemos agora é que, para algumas doenças, há defeitos no sistema, quando o corpo não consegue podar os vasos sanguíneos excedentes ou não pode gerar novos vasos sanguíneos no momento e no lugar certos.
E nessas situações, a angiogênese está desequilibrada.
E quando a angiogênese se desequilibra, resulta em uma miríade de doenças.
Por exemplo, angiogênese insuficiente, quando não há vasos sanguíneos suficientes, leva a feridas que não cicatrizam, ataques cardíacos, falta de circulação nas pernas, morte por AVC, danos neurológicos.
De outro lado, angiogênese excessiva, quando há muitos vasos sanguíneos, leva a doenças. E nós vemos isso com câncer, cegueira, artrite, obesidade, mal de Alzheimer.
No total, há mais de 70 doenças graves que afetam mais de um bilhão de pessoas no mundo todo, que parecem, na superfície, ser diferentes umas das outras, mas, na verdade, todas têm a angiogênese anormal como denominador comum.
E dar-nos conta disso nos permite reavaliar o modo pelo qual nós realmente enfocamos essas doenças ao controlar a angiogênese.
Agora vou enfocar no câncer porque a angiogênese é uma marca do câncer, de todos os tipos de câncer.
Então vamos lá.
Este é um tumor, massa escura, cinza, ameaçadora que cresce dentro de um cérebro.
E, no microscópio, é possível ver centenas desses vasos sanguíneos como manchas marrons, capilares que alimentam as células de câncer, que lhes levam oxigênio e nutrientes.
Mas o câncer não começa assim.
E, na verdade, os cânceres não vão adiante sem o suprimento de sangue.
Eles começam como ninhos microscópicos de células que podem crescer apenas meio milímetro cúbico. Isto equivale à ponta de uma caneta esferográfica.
Eles não podem crescer mais que isso porque não têm suprimento de sangue, assim, não têm oxigênio ou nutrientes suficientes.
E, de fato, provavelmente formamos esses tipos de câncer microscópico o todo tempo em nosso corpo.
Os estudos de autópsias de pessoas que morrem em acidentes de trânsito têm demonstrado que 40% das mulheres entre 40 e 50 anos têm cânceres microscópicos nas mamas. Cerca de 50% dos homens entre 50 e 60 anos têm câncer de próstata microscópico. E praticamente 100% das pessoas, quando chegarem aos 70 anos, terão câncer microscópico na tireóide.
Entretanto, sem o suprimento de sangue, a maioria desses tipos de câncer nunca será perigosa.
O Dr. Judah Folkman, que foi meu mentor, e foi o pioneiro no campo da angiogênese, chamou isso de "câncer sem doença".
Assim, a habilidade do corpo de equilibrar a angiogênese, quando está funcionando bem, evita que os vasos sanguíneos alimentem o câncer.
E isto se revela como um dos nossos mais importantes mecanismos de defesa contra o câncer.
De fato, se a angiogênese for bloqueada e os vasos sanguíneos não alcançarem as células cancerosas, os tumores simplesmente não poderão crescer.
Mas quando ocorre a angiogênese, os cânceres crescem exponencialmente.
E, na verdade, é assim que um câncer vai de inofensivo a letal.
As células do câncer são mutantes e ganham a habilidade de liberar vários desses fatores angiogênicos, fertilizantes naturais, que inclinam a balança em favor dos vasos sanguíneos invadindo o câncer.
E uma vez que esses vasos invadem o câncer, ele pode expandir, pode invadir o tecido local.
E os mesmos vasos que estão alimentando os tumores, permitem que as células do câncer entrem na circulação e causem metástases.
E, infelizmente, este último estágio do câncer é quando mais ocorre o diagnóstico, quando a angiogênese já aconteceu, e as células do câncer estão crescendo de forma desenfreada.
Então, se a angiogênese é o ponto de inflexão entre um câncer inofensivo e um nocivo, então uma grande parte da revolução da angiogênese é a nova forma de tratar o câncer ao cortar o suprimento de sangue.
Nós chamamos de terapia antiangiogênica, e é completamente diferente da quimioterapia porque visa seletivamente os vasos sanguíneos que estão alimentando o câncer.
E podemos fazer isso porque os vasos sanguíneos do tumor são diferentes dos vasos normais e saudáveis que encontramos em outras partes do corpo. Eles são anormais, mal formados, e, por causa disso, são muito vulneráveis aos tratamentos que os atacam.
Com efeito, quando damos aos pacientes com câncer a terapia da antiangiogênese -- aqui, uma medicação experimental para glioma, que é um tipo de tumor cerebral -- podem ver que há mudanças dramáticas quando se corta a alimentação do tumor.
Aqui há uma mulher com câncer de mama que é tratada com a medicação antiangiogênica chamada Avastin, aprovada pela FDA.
E vocês podem ver que aquele halo de fluxo sanguíneo desaparecer após o tratamento.
Bem, acabei de mostrar dois tipos muito diferentes de câncer que responderam à terapia antiangiogênica.
Então, há poucos anos, eu me perguntei "Podemos dar um passo adiante e tratar outros tipos de câncer, até mesmo em outras espécies?"
Então aqui está um boxer de nove anos chamado Milo que tinha um tumor muito agressivo no ombro, chamado neurofibroma maligno.
Tinha atingido seus pulmões.
Seu veterenário tinha dado três meses de vida.
Então criamos um coquetel de medicações antiangiogênicas que poderia ser misturado à sua ração e também um creme antiangiogênico que poderia ser aplicado na superfície do tumor.
E em poucas semanas de tratamento, conseguimos diminuir o ritmo de crescimento do câncer de tal modo que, por fim, conseguimos prolongar a sobrevida de Milo em seis vezes mais daquela que o veterinário havia previsto, tudo com muito boa qualidade de vida.
E, posteriormente, tratamos mais de 600 cachorros.
Temos uma taxa de resposta em torno de 60% e melhoramos a sobrevida desses animais que seriam sacrificados.
Portanto, deixem-me mostrar alguns exemplos ainda mais interessantes.
Esta é um golfinho fêmea de 20 anos que vive na Flórida, ela teve estas lesões na boca que, no decorrer de três anos, se converteram em carcinoma de células escamosas invasivas.
Então criamos uma pasta antiangiogênica.
Ela foi aplicada em cima do câncer três vezes por semana.
E depois de sete meses, os cânceres tinham desaparecido completamente, e as biópsias deram normal.
Isto é um câncer que cresce no lábio de um cavalo quarto de milha chamado Guiness.
É um tipo de câncer muito, muito letal chamado angiossarcoma.
Já havia atingido os gânglios linfáticos, então utilizamos um creme antiangiogênico para o lábio e um coquetel oral, dessa forma trataríamos por dentro e por fora.
E no decurso de seis meses, ele teve uma remissão completa.
E aqui está ele, seis anos depois, Guiness, com sua sorridente proprietária.
Pois bem, obviamente, a terapia antiangiogênica pode ser usada para uma grande variedade de tipos de câncer.
E, na verdade, os tratamentos pioneiros, tanto para pessoas como para cães, já começam a estar disponíveis.
Há 12 tipos diferentes de medicamentos, 11 diferentes tipos de câncer,
mas a verdadeira pergunta é: Como é que funcionam na prática?
Aqui estão os dados de sobrevida de pacientes de oito tipos diferentes de câncer.
As barras representam o tempo de sobrevida da época em que só havia quimioterapia, ou cirurgia ou radiação.
Mas a partir de 2004, quando as terapias antiangiogênicas apareceram pela primeira vez, bem, vocês podem ver que tem havido de 70 a 100% de aumento de sobrevida para pessoas com câncer de fígado, mieloma múltiplo, câncer coloretal e tumores estromais gastrointestinais.
É impressionante.
Mas para outros tumores e tipos de câncer, as melhorias têm sido apenas modestas.
Então comecei a me perguntar: "Por que não estamos sendo capazes de melhorar?"
E a resposta, para mim, é óbvia: nós estamos tratando o câncer muito tarde no jogo, quando já se estabeleceu, e, muitas vezes, já se espalhou ou surgiram metástases.
E, como médico, eu sei que, uma vez que a doença chega a um estágio avançado, conseguir a cura pode ser difícil, quando não impossível.
Então eu voltei para a biologia da angiogênese e comecei a pensar: Poderia ser que a resposta para o câncer fosse impedir a angiogênese, combatendo o câncer no seu próprio jogo de forma que o câncer nunca se tornasse perigoso?
Isto pode ajudar pessoas saudáveis assim como as pessoas que já combateram o câncer uma ou duas vezes e querem encontrar uma maneira de evitar que retorne.
Assim, ao buscar uma maneira de prevenir a angiogênese no câncer, fui atrás das causas do câncer.
E o que realmente me intrigou foi quando vi que a dieta representa de 30 a 35% dos cânceres causados pelo ambiente.
Ora, a coisa mais óbvia é pensar a respeito do que nós poderíamos retirar da nossa dieta, o que eliminar, tirar.
Mas eu, na verdade, adotei um enfoque completamente oposto e comecei a perguntar: O que poderíamos adicionar à nossa dieta que seja naturalmente antiangiogênico, que pudesse aumentar o sistema imunológico e aniquilar os vasos sanguíneos que alimentam os cânceres?
Em outras palavras, podemos comer para que o câncer morra de fome?
Bem, a resposta é sim. E eu vou mostrar como.
Nossa pesquisa nos levou ao mercado, à fazenda e ao armário de temperos porque o que descobrimos é que a mãe natureza ligou um grande número de alimentos e bebidas e ervas com inibidores naturais da angiogênese.
Este é um sistema de análise que desenvolvemos.
No centro há um anel do qual centenas de vasos sanguíneos crescem igual a explosões estelares.
E nós podemos utilizar este sistema para testar fatores dietéticos em concentrações que se obtem ao comer.
Então deixem-me mostrar o que acontece quando inserimos um extrato de uvas roxas.
O ingrediente ativo é o resveratrol. Ele também é encontrado no vinho tinto.
Isto inibe a angiogênese anormal em 60%.
Vejam o que acontece quando adicionamos extrato de morango. Ele inibe poderosamente a angiogênese.
E extrato de soja.
E aqui está uma lista crescente de nossos alimentos e bebidas antiangiogênicos que nos interessa estudar.
E para cada tipo de alimento, acreditamos que há diferentes potências entre diferentes tipos e variedades.
E nós queremos mensurar isto porque, bem, enquanto você come um morango ou bebe chá, por que não selecionar aquele que seja mais potente para prevenir o câncer?
Tenho aqui quatro tipos diferentes de chá que já foram testados.
Todos eles são comuns: jasmim chinês, sencha japonês, Earl Grey e uma mistura especial que preparamos.
E podem ver claramente que os chás variam de menos a mais potente.
Mas o que é bem legal é quando combinamos os dois menos potentes, a combinação, a mistura, é mais potente que cada um sozinho.
O que significa que há sinergia nos alimentos.
Aqui estão mais alguns dados do nosso experimento.
Em laboratório, simulamos a angiogênese do tumor representada aqui por uma barra preta.
E ao usar este sistema, conseguimos testar a potência das medicações contra o câncer.
Então quanto menor a barra, menor a angiogênese, o que é bom.
E aqui estão algumas medicações comuns que estão associadas à redução do risco de câncer nas pessoas.
As estatinas, fármacos anti-inflamatórios não esteróides, e alguns outros, também inibem a angiogênese.
E aqui estão alguns fatores dietéticos que estão lado a lado com esses medicamentos.
Podem ver que claramente se igualam e, em alguns casos, são mais potentes que os fármacos reais.
Soja, salsa, alho, uvas, frutas vermelhas, eu poderia ir para casa e preparar uma refeição saborosa com estes ingredientes.
Então imagine se nós pudéssemos criar o primeiro sistema de classificação do mundo em que pudéssemos pontuar os alimentos de acordo com suas propriedades antiangiogênicas na prevenção do câncer.
E é isso o que estamos fazendo agora.
Já lhes mostrei uma monte de dados de laboratório e a verdadeira pergunta é: Nas pessoas, qual é a evidência de que o consumo de certos alimentos pode reduzir a angiogênese no câncer?
Bem, o melhor exemplo que conheço é um estudo com 79. 000 homens acompanhados durante 20 anos em que se descobriu que os homens que consomem tomates cozidos duas ou três vezes na semana têm uma redução de até 50% do risco de desenvolver câncer de próstata.
Sabemos que o tomate é uma boa fonte de licopeno, e licopeno é antiangiogênico.
Mas o que é ainda mais interessante neste estudo é que dentre aqueles que desenvolveram câncer de próstata, os que comeram mais porções de molho de tomate, na verdade, tinham menos vasos sanguineos que alimentavam o câncer.
Assim que, esse estudo em seres humanos é um bom exemplo de como as substâncias antiangiogênicas presentes nos alimentos e consumidas em níveis razoáveis podem ter um impacto sobre o câncer.
E agora estamos estudando o papel de uma dieta saudável com Dean Ornish, UCSF e a Universidade de Tufts sobre o papel dessa dieta saudável nos referenciais da angiogênese que podemos encontrar na corrente sanguínea.
Ora, o que compartilhei com vocês tem obviamente algumas implicações de longo alcance, além da pesquisa sobre o câncer.
Porque, se estivermos corretos, poderia ter impacto na educação dos consumidores, nos serviços relacionados à alimentação, na saúde pública e inclusive no setor de seguros.
E, de fato, algumas companhias de seguro já estão começando a pensar dessa forma.
Vejam este anúncio da Blue Cross Blue Shield de Minnesota.
E para muitas pessoas em todo o mundo, a prevenção do câncer por meio da dieta pode ser a única solução prática porque nem todos podem permitir-se tratamentos caros contra o câncer em estágio terminal, mas todos poderiam beneficiar-se de uma dieta saudável, baseada em produtos locais sustentáveis e antiangiogênicos.
Pois bem, já falei sobre alimentos, já falei sobre câncer, então, há mais uma doença sobre a qual eu gostaria de falar: é a obesidade.
Porque provou-se que o tecido adiposo, a gordura, é altamente dependente da angiogênese.
E, como um tumor, a gordura cresce quando os vasos sanguineos crescem.
Então a pergunta é: Podemos encolher a gordura ao cortar o suprimento de sangue dela?
A curva superior mostra o peso corporal de um rato geneticamente obeso que come sem parar, até ficar tão gordo quanto esta bola de tênis peluda.
E a curva de baixo é o peso de um rato normal.
Se pegar o rato obeso e dar um inibidor de angiogênese, ele perde peso.
Ao parar o tratamento, recupera o peso de antes.
Recomeça o tratamento, perde o peso novamente.
Para o tratamento, volta a ganhar peso.
E, na verdade, pode-se alternar o peso em alto e baixo simplesmente ao inibir a angiogênese.
Então esta abordagem sobre a prevenção do câncer pode também ser aplicada para a obesidade.
A coisa realmente, verdadeiramente interessante disso é que não podemos pegar esse rato obeso e fazê-lo perder mais peso do que o deveria ser o peso de um rato normal.
Em outras palavras, nós não podemos criar ratos supermodelos.
E isto fala a respeito do papel da angiogênese na regulação dos níveis de controle saudáveis.
Albert Szent-Gyorgi disse certa vez que, "a descoberta consiste em ver o que todos viram, e pensar o que ninguém pensou."
Espero tê-los convencido de que, para doenças como o câncer, a obesidade e outras, pode ser bastante potente atacar seu denominador comum, a angiogênese.
E isso é o que eu acho que o mundo necessita agora. Obrigado.
June Cohen: Então estas medicações não são exatamente --
elas não estão sendo usadas para o tratamento convencional do câncer no momento.
Para alguém, aqui, que tenha câncer, o que recomendaria?
Recomendaria seguir estes tratamentos agora à maioria dos pacientes?
William Li: Há tratamentos antiangiogênicos que são aprovados pela FDA. E se você tem câncer ou trabalha ou advoga para alguém que tenha, você deve informar-se a respeito.
E há muitas testes clínicos.
A Andrew [ininteligível] Foundation está acompanhando quase 300 turmas, e há em torno de 100 mais medicamentos a serem lançados.
Então já se consideram aprovados, procure testes clínicos, mas aí, entre o que o seu médico pode fazer por você, precisamos nos perguntar o que nós podemos fazer por nós mesmos.
E este é um dos temas dos quais estou falando nós mesmos temos o poder de fazer coisas que os médicos não podem fazer por nós, que é usar o conhecimento para agir.
E se a mãe natureza nos deu algumas pistas, nós achamos que deve haver um novo futuro em valorizar o que comemos.
E o que comemos é uma verdadeira quimioterapia três vezes ao dia.
JC: Certo. Nesse sentido, para as pessoas que poderiam ter fatores de risco para o câncer recomendaria fazer algum tipo de tratamento preventivo ou simplesmente seguir a dieta adequada com grande quantidade de molho de tomate?
WL: Bem, como sabem, há uma grande evidência epidemiológica.
E eu penso que na era da informação, não se precisa de muito para chegar a uma fonte segura como Pubmed, a Biblioteca Nacional de Medicina, em busca de estudos epidemiológicos para a redução do risco de câncer com base em dietas e medicamentos comuns.
E isso é certamente algo que qualquer um pode fazer.
JC: OK. Bem, muito obrigada.
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Nos últimos 20 anos eu tenho desenhado quebra-cabeças.
E estou aqui hoje, para levar vocês a uma breve viagem, começando pelo primeiro quebra-cabeças que desenhei, até ao que estou fazendo agora.
Tenho desenhado quebra-cabeças para livros, coisas impressas.
Sou o colunista de quebra-cabeças da revista "Discover Magazine"
Tenho trabalhado com isso por 10 anos.
Tenho um calendário mensal de quebra-cabeças.
Faço brinquedos. A maior parte do meu trabalho é em jogos de computador
Fiz alguns para a "Bejeweled"
Eu não inventei o "Bejeweled". Não posso levar crédito por isso.
Então, primeiríssimo quebra-cabeças, sexta série, meu professor falou, "Ah, vamos ver, aquele cara, ele gosta de fazer coisas.
Eu vou dar a ele letras cortadas em uma cartolina para usar no quadro"
Eu achei aquela uma excelente tarefa.
E aqui está o que aconteceu. Comecei a brincar com ela.
E surgiu esta letra. Esta é uma letra do alfabeto que foi dobrada apenas uma vez.
A questão é, que letra é essa quando desdobrada?
Uma dica: Não é um "L".
Poderia até ser um "L", certamente.
Enfim, o que mais poderia ser?
Isso, muitos de vocês acertaram
Isso mesmo. Esperto.
Agora, este foi o meu primeiro quebra-cabeças. Fiquei fascinado.
Eu criei algo novo. Estava super empolgado porque, você sabe, eu fiz palavras cruzadas, mas é como entrar na matriz de outra pessoa.
Isso foi algo absolutamente original. Eu estava seduzido.
Eu lí a coluna do Martin Gardner's na "Scientific American"
Prossegui e finalmente, decidi me dedicar, em tempo integral, a fazer isso.
Agora, eu devo parar e dizer, o que eu chamo de quebra-cabeças?
Um quebra-cabeças é um problema que é divertido de resolver e tem uma resposta correta.
Divertido de resolver, em oposição aos problemas diários, que, diga-se de passagem, não são quebra-cabeças bem desenhados.
Você sabe, eles podem até ter uma solução.
E ela pode levar muito tempo a ser encontrada. As regras não foram escritas claramente.
Quem desenhou isso?
É como se, você sabe, a vida não é uma história muito bem escrita então temos que contratar roteiristas para fazer filmes.
Bem, eu pego os problemas do dia-a-dia, e faço quebra-cabeças com eles.
E a resposta certa, certamente poderá existir mais de uma resposta correta; muitos quebra-cabeças podem ter mais de uma.
Mas ao contrário de outras poucas formas de jogar, brinquedos e jogos, e por brinquedo entendam, algo que se brinca sem ter um objetivo específico.
Você pode criar um de Legos.
Você sabe, pode fazer o que quiser.
Ou jogos de competição como xadrez, onde bem, você não está tentando resolver. Você pode fazer um quebra-cabeças de xadrez, mas o objetivo é efetivamente derrotar o outro jogador.
Eu considero quebra-cabeças uma forma de arte.
Eles são muito antigos. Vem de tão longe quanto a história escrita.
É uma forma muito pequena, como uma anedota, um poema, um truque de mágica ou uma música, uma forma muito compacta.
Na pior das hipóteses, são descartáveis, são para diversão.
Mas os melhores podem alcançar algo mais e criar uma impressão memorável.
A progressão da minha carreira que vocês verão está na busca pela criação de quebra-cabeças que tenham um impacto memorável.
Então, uma coisa que aprendí cedo, quando comecei a fazer jogos de computador é que eu poderia criar quebra-cabeças que iam alterar a sua percepção.
Vou mostrar como. Este é um bastante famoso.
Enfim, podem ser dois perfís em preto, ou um vaso branco no meio.
São chamadas de ilusão de figuras e chão.
O artista M. C. Escher explorou isso em algumas das suas maravilhosas imagens.
Aqui nós temos Dia e Noite.
Aqui está o que eu fiz com a figura e chão.
Aqui nós temos um figura em preto,
e aqui uma figura em branco,
e são ambas parte do mesmo desenho.
O fundo de uma é a outra.
Originalmente eu tentei fazer as palavras "Figura" e "Chão"
Mas percebí que não poderia fazer isso. Mudei o problema.
São ambas figura.
Algumas poucas mais. Aqui está o meu nome.
E ele se transforma no título do meu primeiro livro, "Inversões".
Estes tipos de desenhos são agora conhecidos por "ambigrama".
Vou mostrar a vocês alguns mais. Aqui nós temos os números até dez, os dígitos de zero a nove, na verdade.
Cada letra aqui é um desses dígitos.
Não é estritamente um ambigrama no senso convencional.
Eu gosto de forçar o que um ambigrama pode significar.
Aqui está a palavra "espelho". Não, não é o mesmo de cabeça para baixo.
É o mesmo nesta direção.
E um colega maravilhoso do media lab que acabou de se tornar diretor da Rhode Island School of Design, é John Maeda.
Então eu fiz este para ele. É um tipo de canhão visual.
E recentemente na revista "Magic" Eu fiz alguns ambigramas com nomes de mágicos.
Aqui temos Penn e Teller, o mesmo de cabeça para baixo.
Este aparece no meu calendário de quebra-cabeças.
OK, vamos voltar aos slides.
Muito obrigado.
Agora, este são engraçados de olhar para eles.
Agora como você poderia fazê-lo interativamente?
Por algum tempo eu fui um designer de interface.
Assim, eu pensei muito sobre interação.
Bem, vamos inicialmente simplificar a ilusão dos vasos e fazê-las à direita.
Agora você pode pegar o vaso preto, Irá parecer com a figura no topo.
Se você pegar a área branca irá parecer-se com a figura embaixo.
Bem, você não pode fazer isso fisicamente, mas num computador você pode fazer isso. Vamos mudar para um PC.
E aqui está. Ilusão de ótica.
O objetivo aqui é pegar as peças à esquerda e fazê-las parecer do mesmo jeito como as formas à direita.
E isso segue as regras que acabei de falar, qualquer área preta que é rodeada por branca pode ser pega.
Mas isso também é verdadeiro para qualquer área branca.
Então, nós temos uma área branca no meio, e você pode pegá-la.
Eu vou apenas seguir um passo adiante.
E aqui está -- aqui está um par de peças. Mova-as em conjunto, e agora esta é uma peça ativa.
Você pode realmente entrar na percepção de alguém, e fazê-los experimentar algo.
É como a velha máxima de que pode-se contar algo a alguém, pode-se até mostrar, mas se eles fizerem, aí irão realmente aprender.
Aqui está outra coisa que vocês podem fazer.
Existe um jogo chamado "Hora do rush".
Esta é uma das verdadeiras obras-primas em desenho de quebra-cabeças depois do "cubo-mágico" de Rubick.
Aqui nós temos um estacionamento lotado com carros em todo o lugar
O objetivo é tirar o carro vermelho. É um quebra-cabeças de movimentação de blocos.
É feito pela companhia "Think Fun".
Foi muito bem feito. Eu adoro este quebra-cabeças.
Bem, vamos jogar um. Aqui. Então, aqui é um quebra-cabeças muito simples.
Bem, este é simples demais, vamos adicionar outra peça.
OK, então como vocês resolverão este?
Bem, mova o azul para fora do caminho.
Aqui, vamos fazê-lo um pouco mais difícil. Ainda está muito fácil.
Agora mais difícil, um pouquinho mais.
Agora, este já é um pouquinho mais complicado.
Vocês sabem? O que vocês fariam aqui?
Qual será o primeiro movimento?
Vocês iriam mover o azul para cima de maneira que o bege fosse para a direita.
E vocês podem fazer quebra-cabeças como este que não podem ser resolvidos.
Estes quatro são presos num cata-vento; você não pode separá-los.
Eu queria fazer uma sequência.
Não surgi com a idéia original. Mas a outra maneira, como trabalho como inventor foi criar sequências.
E acabei por criar este. Este é o "Hora do rush ferroviário".
É o mesmo jogo excetuando-se que introduzí uma nova peça, uma peça quadrada que pode mover-se em ambas as direções, horizontal e vertical.
No outro jogo, os carros só poderiam mover-se para a frente ou para trás.
Criei um monte de níveis para isso.
Agora estou tornando disponível para escolas.
E isso inclui exercícios que mostram não apenas como resolver quebra-cabeças, mas como extrair os princípios que permitem que sejam resolvidos enigmas matemáticos ou problemas na ciência, em outras áreas.
Então, eu estou realmente interessado em que você aprenda a fazer seus próprios quebra-cabeças senão sou apenas eu quem os está criando.
Gary Trudeau se auto-denomina um cartunista investigativo.
Você sabe, ele faz muita pesquisa antes de elaborar um cartoon.
Na "Discover Magazine", eu sou um criador de quebra-cabeças investigativo.
Me interessei por sequenciamento de genes.
E falei, "Bem, como é possível se chegar à uma sequência de emparelhamento de bases do DNA?
Corte o DNA, sequencie-o em peças individuais, e então procure por sobreposições. E basicamente combine-os nos extremos. E eu disse, "Isto é meio parecido com o quebra-cabeças tradicional, exceto pela sobreposição de peças"
Assim, aqui está o que eu criei para a "Discover Magazine".
e isso é para se resolver na revista.
Não dá para cortar as peças e troca-las de lugar.
Então aqui temos nove peças. E você deverá colocá-las nesta grade.
E você deverá escolher as peças que se sobrepões nos extremos.
Haverá apenas uma solução. Não é tão difícil.
Mas exige persistência.
E quando se resolve, tem este desenho, que, se você olha quase vesgo, tem a palavra "helix".
Esta é a forma do quebra-cabeças vindo do conteúdo, e não o contrário.
Aqui estão mais alguns. Este é um quebra-cabeças baseado em física.
De que forma as peças irão cair?
Elas têm 50 libras, 30 libras e 10 libras.
E dependendo de qual delas tem qual desses pesos, elas cairão em direções diferentes.
E aqui está um quebra-cabeças baseado em mistura de cores.
Separei esta imagem em azul, vermelho, amarelo, preto as cores básicas da impressão, e então misturei as imagens, e você tem estas figuras peculiares.
Quais imagens foram misturadas para fazer estas figuras?
Faz você pensar sobre as cores.
Finalmente, o que estou fazendo agora. O shufflebrain. com, um site na web que vocês podem visitar, iniciei com a minha esposa, Amy-Jo Kim.
Ela poderia facilmente estar aqui apresentando o seu trabalho.
Nós estamos fazendo jogos inteligentes para mídia social.
Vou explicar o que isso significa. Estamos olhando para três tendências.
Isto é o que está acontecendo na indústria de jogos atualmente.
Primeiro de tudo, vocês sabem, por muito tempo jogos de computador significavam coisas como Doom, onde você ia por aí atirando em coisas, jogos muito violentos, muito rápidos, feitos para um público jovem. Correto? São eles que jogam jogos de computador.
Bem, adivinhe? Isto está mudando.
"Bejeweled" é um grande sucesso. Foi o jogo que realmente abriu espaço para o que chamamos "jogos casuais"
E os principais jogadores estão acima dos 35, e são mulheres.
Então, recentemente "Rock Band" tem sido um grande sucesso.
E é um jogo que se joga com outras pessoas.
É muito físico. Nâo se parece em nada com um jogo tradicional.
Isto está se tornando uma forma dominante de jogos eletrônicos.
Agora, entre esses três algo interessante está acontecendo.
Há também uma tendência a jogos que são bons para vocês.
Porque? Bem, nós somos da velha geração - envelhecendo, como 'Baby Boomers', comemos a nossa comida saudável, estamos nos exercitando. Mas e as nossas mentes?
Ah não, nossos pais estão tendo Alzheimer. Melhor fazermos alguma coisa.
Fazer palavras cruzadas pode afastar alguns dos efeitos do Alzheimer
Então nós tivemos jogos como "Brain Age" saindo para Nintendo DS, enorme sucesso.
Um monte de gente gosta de Sudoku. De fato alguns médicos o receitam.
E então, existe a mídia social, sobre o que acontece na internet.
Agora todos se auto consideram criadores, e não apenas visitantes passivos.
E o que isso adiciona?
Aqui está o que veremos por aí.
São jogos que se encaixam no estilo de vida saudável.
São parte da nossa vida. Não são necessariamente uma coisa separada.
E eles são ambos, algo bom para vocês e são divertidos.
Eu sou um cara de quebra-cabeças. Minha esposa é especialista em mídia social.
E nós decidimos combinar as nossas habilidades.
Nosso primeiro jogo é chamado de "Photo Grab". O jogo leva cerca de 1 minuto e 20.
Esta é a primeira vez que você joga o meu jogo. OK.
Vamos ver quão bem nós podemos fazer. Nós temos três imagens.
E temos aproximadamente 24 segundos em cada uma delas.
Onde está isso?
Eu vou jogar o mais rápido que eu posso.
Mas quem puder ver, grite a resposta.
Vocês pegam mais -- embaixo, ok, sim onde está isso?
Ah sim. Tem, ok. J-O e -- Acho que é esta parte. Nós pegamos o arco. Esse arco ajuda.
Este é o cabelo. Vocês terão um monte de problemas de ilusão de ótica.
Sim, este aqui é fácil. OK. Então, ahhh! OK para o próximo.
OK, então essas são as lentes.
Alguém?
Parece com uma forma preta. Então, onde está?
Este é o canto da coisa.
Sim, eu joguei esta imagem antes, Mas mesmo quando faço meus próprios quebra-cabeças -- E você pode colocar as suas próprias imagens aqui.
E nós temos pessoas em todo o mundo fazendo isso agora mesmo.
Aqui estamos. Visite o shufflebrain. com Se você quiser tentar você mesmo. Obrigado.
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Namaste. Bom dia.
Estou muito feliz de estar aqui na Índia.
Venho pensando muito sobre o que aprendi nesses últimos 11 anos com a organização V-Day e os "Monólogos da Vagina," viajando pelo mundo, reunindo mulheres e meninas de todo o planeta tentando acabar com a violência contra as mulheres.
Hoje quero falar sobre essa pequena célula, ou grupo de células, que há em cada um de nós.
Gostaria de chamá-la de célula menina.
Está tanto nas mulheres quanto nos homens.
Gostaria que vocês imaginassem que esse grupo de células é o núcleo da evolução de nossa espécie e da continuação da raça humana.
Gostaria que imaginassem que em algum ponto da história um grupo poderoso que tentava controlar o mundo descobriu que a supressão dessa célula, a opressão desse grupo de células, a re-interpretação dessas células, o desgaste dessas células, fazer com que acreditemos que essas células são fracas e que a aniquilação, a erradicação, a destruição, a redução dessas células, basicamente iniciou o processo de matar a célula menina; a propósito, foi o patriarcado.
Quero que imaginem que a menina é um chip no imenso macrocosmo da consciência coletiva.
E é essencial equilibrar, repensar, e balancear o futuro de todos nós.
Gostaria então que imaginassem que essa célula menina é a compaixão, é a empatia, é a própria paixão, é a vulnerabilidade, é a sinceridade e a intensidade, e também a associação, o relacionamento, e é a intuição.
Vamos ver como a compaixão pode transmitir sabedoria, e como a vulnerabilidade pode ser nossa maior fortaleza, e que as emoções têm uma lógica inerente, que levam a ações radicais, apropriadas e salvadoras.
Vamos lembrar que nos foi ensinado exatamente o oposto pelas forças dominantes, que a compaixão turva o pensamento, que atrapalha, que a vulnerabilidade é fraqueza, que não devemos seguir as emoções, que não devemos levar nada para o lado pessoal; esse é um de meus favoritos.
Acredito que o mundo tenha sido criado para não ser feminino.
Como criamos os meninos? Como é ser um menino?
Ser um menino é essencialmente não ser uma menina.
Ser um homem é não ser uma menina.
Ser uma mulher é não ser uma menina.
Ser forte significa não ser uma menina.
Ser um líder significa não ser uma menina.
Eu realmente acredito que há tanto poder em ser uma menina que precisamos treinar as pessoas a não serem meninas.
Queria também dizer que a ironia, claro, é que negar a menina, suprimir a menina, suprimir a emoção, recusar o sentimento, nos trouxe até aqui.
Passamos a viver nesse mundo onde as mais extremas formas de violência, a pobreza mais assoberbante, o genocídio, os estupros, a destruição da Terra, tudo está completamente fora de controle.
E porque suprimimos nossas células meninas, suprimimos nossa meninice, não percebemos o que está acontecendo.
Por isso não nos é cobrada uma resposta adequada ao que está acontecendo.
Gostaria de falar um pouco sobre a República Democrática do Congo.
Foi um momento decisivo em minha vida.
Passei bastante tempo lá nos últimos três anos.
Sinto como se já tivesse visto de tudo no mundo, muita violência.
Basicamente vivi em vários campos de estupro nos últimos 12 anos.
Mas a república democrática do Congo foi realmente o momento decisivo em minha alma.
Passei um tempo num local chamado Bukavu, num hospital chamado Panzi, com um médico que pode ser considerado um santo.
Seu nome é Dr. Denis Mukwege.
Para quem não sabe, o Congo está em guerra há 12 anos, uma guerra que já matou aproximadamente seis milhões.
Estima-se que entre 300 mil a 500 mil mulheres foram violentadas lá.
Em minhas primeiras semanas no hospital Panzi eu conversei com mulheres que se reuniam todos os dias para me contar suas estórias.
Suas estórias eram tão brutais e avassaladoras, tão contrárias à definição de existência humana, que eu fiquei totalmente arrasada.
Eu vou contar para vocês porque fiquei tão arrasada ouvindo as estórias de meninas cujas partes íntimas foram violadas, com armas e baionetas e outras coisas enfiadas nelas criando, literalmente, buracos dentro delas onde apenas xixi e cocô deveriam sair.
Ouvindo as estórias de mulheres de 80 anos que eram amarradas e acorrentadas, e hordas de homens vinham periodicamente para estuprá-las, e tudo isso em nome da exploração econômica, do roubo de minérios para que o Ocidente possa aproveitar.
Minha mente ficou absolutamente arrasada.
Mas para mim essa devastação na verdade me deu forças, e eu me senti encorajada como nunca antes.
Essa devastação, que desobstruiu minha célula menina, esse tipo de ruptura intensa no meu coração me transformou numa pessoa mais corajosa e muito mais inteligente como jamais havia sido antes.
Quero aqui dizer que acho que os poderosos sabem que os sentimentos realmente interferem na construção de impérios.
Os sentimentos interferem na massa do planeta, na escavação da Terra, na destruição das coisas.
Eu me lembro quando meu pai, que era muito violento, me espancava.
E ele dizia, enquanto me espancava, "Não chore. Não se atreva a chorar."
Porque o meu choro de certa forma expunha sua brutalidade.
Mesmo durante a surra ele não queria ser lembrado do que estava fazendo.
Só sei que nós sistematicamente aniquilamos a célula menina.
Nós a aniquilamos tanto nos homens quanto nas mulheres.
E acho que de certa forma fomos muito mais severos com os homens na destruição de suas células meninas.
Eu vejo como os meninos são criados, em qualquer parte do mundo, para serem fortes, resistentes, para se distanciarem de sua ternura, para não chorarem.
Uma vez em Kosovo eu percebi, ao ver um homem romper em choro, que as balas na verdade são lágrimas endurecidas, que quando não permitimos aos homens acesso a sua menina interior, a sua vulnerabilidade, a sua compaixão, ao seus corações, eles se tornam embrutecidos, ofensivos e violentos.
Nós ensinamos aos homens que eles devem parecer seguros quando estão inseguros; que devem fingir saber tudo mesmo quando não sabem, ou não teríamos chegado a esse ponto, não é mesmo?
Fingindo que não estão abalados quando estão.
Vou contar uma estória engraçada.
Quando vinha para cá, fiquei andando de um lado para o outro no corredor do avião.
E vários homens, pelo menos uns 10, estavam sentadinhos assistindo filmes água-com-açúcar.
Estavam todos desacompanhados, e eu pensei: "É a vida secreta dos homens."
Como eu disse, já viajei para vários países, e se fazemos o que fazemos com a menina dentro de nós, é estarrecedor pensar no que fazemos com as meninas em todo o mundo.
Ontem ouvimos a Sunitha e a Kavita falando sobre o que fazemos com as meninas.
Eu gostaria apenas de dizer que conheci meninas com marcas de facadas e queimaduras de cigarros, que são tratadas como se fossem cinzeiros.
Já vi meninas tratadas como lixo.
Já vi meninas que foram espancadas por suas mães, e irmãos e pais e tios.
Já vi meninas na América deliberadamente passando fome, tentando ser a versão idealizada delas mesmas.
Vi que machucamos e controlamos meninas, que as mantemos analfabetas, ou fazemos com que se sintam mal por serem inteligentes.
Nós as silenciamos. Nós fazemos com que elas se sintam culpadas por serem inteligentes. Fazemos com que se comportem, que sejam suaves, não sejam muito intensas.
Nós as vendemos, nós as matamos ainda no embrião. Nós as escravizamos. Nós as violentamos.
Estamos tão acostumados a tirar das meninas tudo aquilo que as torna humanas que acabamos por torná-las objetos, transformando-as em mercadorias.
A venda de meninas é uma realidade implacável em todo o mundo.
E em muitos lugares elas valem menos que cabras e vacas.
Mas eu também gostaria de dizer que, se uma em cada oito pessoas no planeta é uma menina com idade entre 10 e 24 anos, elas então são a chave, não só no mundo em desenvolvimento como no mundo todo, para o futuro da humanidade.
E essas meninas enfrentam uma série de desvantagens que as mantém onde a sociedade quer que elas estejam, incluindo a falta de cuidados médicos, de educação, de comida saudável, de participação na força de trabalho.
O fardo dos afazeres domésticos em geral recai nas meninas e nos irmãos mais novos. Isso serve para assegurar que elas nunca superarão essas barreiras.
É o estado, a condição das meninas que, como acreditam a menina dentro de nós e todas as meninas do mundo, vão determinar se a espécie sobreviverá.
Eu gostaria de sugerir, já que, após conversas com meninas, eu acabei de escrever um livro "Sou uma Criatura Emocional: A Vida Secreta de Meninas em Todo o Mundo", então depois de conversar com meninas por uns cinco anos, uma das coisas que percebi como uma verdade universal é que o verbo que é imposto a todas as meninas é o verbo "agradar".
Meninas são treinadas para agradar.
Eu quero mudar esse verbo.
Quero que todos nós mudemos de verbo.
Quero que o verbo seja "educar", ou "ativar" ou "ocupar-se", ou mesmo "confrontar", "desafiar" ou "criar".
Se ensinarmos às meninas a mudar de verbo, nós vamos fortalecer a menina dentro de nós e a menina dentro delas.
Agora quero contar algumas estórias de meninas em várias partes do mundo que fortaleceram sua menina interior, que abraçaram sua menina interior apesar de todas as circunstâncias contrárias.
Conheço uma menina de 14 anos na Holanda que quer pegar um barco e fazer a volta ao mundo sozinha.
Há uma adolescente que recentemente achou que precisava tatuar 56 estrelas no lado direito do rosto.
Há também essa menina, Julia Butterfly Hill, que passou um ano morando numa árvore porque ela queria proteger os carvalhos.
Há essa menina que conheci há 14 anos no Afeganistão, que eu acabei adotando porque sua mãe foi morta. Era uma revolucionária.
Essa menina, quando tinha 17 anos, vestia uma burca no Afeganistão, e ia aos estádios documentar as atrocidades contra as mulheres, com uma câmera de vídeo dentro da burca.
Esse foi o vídeo que foi transmitido a todo o mundo depois de 11/9 para mostrar o que estava acontecendo no Afeganistão.
Gostaria de falar sobre Rachel Corrie, que era uma adolescente quando se postou na frente de um tanque israelense para pedir o "fim da ocupação."
Ela sabia do risco que corria e foi literalmente abatida e atropelada pelo tanque.
E queria falar sobre uma menina que conheci recentemente em Bukavu, que engravidou de seu estuprador.
Ela estava segurando seu bebê.
E eu perguntei se ela amava aquele bebê.
Então ela olhou nos olhos do bebê e disse: "Claro que amo meu bebê. Como poderia não amá-lo?
É o meu bebê e ele me ama."
A capacidade dessas meninas de superar situações e ultrapassar limites é espantosa.
Há uma menina chamada Dorcas. Conheci-a no Quênia.
Dorcas tem 15 anos e tem treinamento em defesa pessoal.
Há alguns meses ela foi abordada na rua por três homens mais velhos.
Eles a sequestraram e a colocaram num carro.
Com seu treinamento, ela os agarrou pelo pescoço, deu socos em seus olhos e se conseguiu sair do carro.
No Quênia, em agosto, eu visitei um abrigo para meninas da V-Day, um abrigo que abrimos há sete anos junto com uma mulher incrível chamada Agnes Pareyio.
Agnes foi mutilada quando era criança, sofreu mutilação genital feminina.
E ela decidiu, assim como muitas outras mulheres em todo o mundo, que o que aconteceu com ela não aconteceria mais com outras mulheres e meninas.
Durante anos Agnes caminhou pelo vale Rift
mostrando às meninas como era uma vagina saudável e como era uma vagina mutilada.
Ela salvou muitas meninas. Quando nós a conhecemos, perguntamos o que poderíamos fazer por ela, e ela disse: "Bem, se eu tivesse um Jeep poderia viajar mais rápido."
Então demos a ela um Jeep. E ela salvou mais 4. 500 meninas.
Nós perguntamos, "O que mais você precisa?"
Ela respondeu: "Agora preciso de uma casa."
E há sete anos Agnes construiu o primeiro abrigo V-Day em Narok, Quênia, na zona Masai.
Era a casa para onde as meninas fugiam, onde podiam salvar seus clítoris, onde não seriam cortadas, onde poderiam frequentar a escola.
Desde que Agnes fundou essa casa, ela já mudou a situação local.
Ela se tornou vice-prefeita
e mudou algumas regras.
A comunidade comprou a ideia dela.
Quando estivemos lá ela estava fazendo um ritual de reconciliação de meninas que haviam fugido com suas famílias.
Havia essa menina chamada Jaclyn.
Jaclyn tinha 14 anos e morava com sua família Masai, e havia uma seca terrível no Quênia.
As vacas estavam morrendo, e vacas são bens inestimáveis.
Jaclyn ouviu seu pai falando com um senhor mais velho que pretendia vendê-la para comprar vacas.
Ela sabia que isso significava ser mutilada.
Ela sabia que isso significava não ir à escola.
Ela sabia que isso significava não ter futuro.
E ela sabia que teria que casar com aquele velho, e ela tinha apenas 14 anos.
Como ela tinha ouvido falar do abrigo, um dia ela saiu da casa de seu pai e caminhou por dois dias pela terra Masai.
Dormiu com as hienas. Se escondia à noite.
Ela ficava imaginando que o pai a mataria enquanto pensava na recepção de Mama Agnes, na esperança que ela a recepcionaria quando chegasse ao abrigo.
E quando chegou foi recepcionada.
Agnes a recebeu e deu amor e proteção. Agnes deu seu apoio durante todo o ano.
Ela foi para a escola e encontrou sua voz, sua identidade e seu coração.
E chegou o momento em que ela teve que falar com seu pai sobre reconciliação, um ano depois.
Eu tive o privilégio de estar presente quando ela e seu pai se reconciliaram.
Nós entramos naquela cabana, e o pai dela e suas quatro esposas estavam sentados, e suas irmãs que também retornavam porque haviam fugido junto com ela, e sua mãe verdadeira, que havia sido surrada por defendê-la contra os mais velhos.
E quando seu pai a viu e percebeu que ela havia se tornado uma menina completa, ele a abraçou e rompeu em lágrimas.
E disse: "Você está linda. Você se tornou uma linda mulher.
Nós não a mutilaremos.
E eu dou minha palavra, aqui e agora, que tampouco mutilarei suas irmãs."
O que ela disse para ele foi: "Você ia me vender por quatro vacas, um bezerro e alguns cobertores.
Mas eu prometo, agora que terei uma educação, que sempre cuidarei de você, e voltarei para construir uma casa para você.
E estarei sempre por perto até o fim de sua vida."
Para mim, esse é o poder das meninas.
É o poder da transformação.
Eu gostaria de finalizar com um trecho novo de meu livro.
E queria fazer isso em homenagem à menina em cada um de vocês aqui.
Quero fazer isso por Sunitha.
Quero fazer isso pelas meninas que Sunitha falou ontem, as meninas que sobrevivem, que se tornam alguém.
Mas quero mesmo fazer isso por cada pessoa aqui, para que valorizem a menina dentro de nós, para que valorizem o lado que chora, o lado que é emocional, o lado que é vulnerável, para que entendam que o futuro é isso.
O trecho é intitulado "Sou Uma Criatura Emocional."
Isso porque conheci uma menina em Watts, L. A.
Perguntei para as meninas se elas gostavam de ser meninas, e todas elas responderam: "Não, odeio. Não suporto.
É muito ruim, meus irmãos é que têm tudo."
E essa menina levantou-se e disse: "Eu adoro ser menina.
Sou uma criatura emocional!"
Isso é para ela. Eu adoro ser menina.
Eu sinto o que você está sentindo enquanto você sente o sentimento anterior.
Sou uma criatura emocional.
Para mim nada vem em forma de teorias intelectuais ou ideias pré-concebidas.
Tudo pulsa através de meus órgãos e pernas e queimam minhas orelhas.
Eu sei quando sua namorada está irritada, mesmo quando ela faz tudo do jeito que você quer.
Sei quando uma tempestade se aproxima.
Posso sentir as vibrações no ar.
Sei quando ele não vai ligar. É uma sensação que tenho.
Sou uma criatura emocional.
Adoro levar tudo muito a sério.
Tudo é muito intenso para mim, minha maneira de andar, o jeito que minha mãe me acorda, a dor insuportável da perda, a maneira como encaro más notícias.
Sou uma criatura emocional.
Estou conectada a tudo e a todos. Nasci assim.
Não diga que isso é negativo, que é coisa de adolescente, que é coisa de menina.
Esses sentimentos fazem de mim uma pessoa melhor.
Uma pessoa presente. Uma pessoa preparada. Uma pessoa forte.
Sou uma criatura emocional.
É um jeito especial de saber das coisas,
que as mulheres mais velhas parecem ter esquecido.
Eu fico feliz de ainda ter isso em mim.
Eu sei quando o coco está para cair.
Sei quando a Terra chega a seu limite.
Sei que meu pai não vai voltar, e que ninguém está preparado para enfrentar o fogo.
Sei que batons são mais importantes que parecem, que meninos são muito inseguros, que terroristas são formados, não nascem terroristas.
Sei que um beijo pode destruir toda a minha capacidade de decisão.
E sabe do que mais? Às vezes é o certo.
Nada disso é extremado. É coisa de menina, o que todos seríamos se deixássemos as portas abertas.
Não me diga para não chorar, para me acalmar, para não ser tão exagerada, para ser razoável.
Eu sou uma criatura emocional.
Foi assim que a terra foi criada, que o vento continua a polinizar.
Não há como dizer ao Oceano Atlântico para se comportar.
Sou uma criatura emocional.
Por que você deveria me magoar ou me derrotar?
Eu sou a sua memória.
Posso levá-lo lá.
Nada se diluiu.
Nada vazou.
Eu adoro, entendem, adoro poder sentir o que você está sentindo, mesmo que me matem, mesmo que machuquem meu coração, mesmo que me desvirtuem, ou que me forcem a ser responsável.
Eu sou uma criatura emocional, incondicional, devotada.
E eu adoro, repito, eu adoro, adoro, adoro ser uma menina.
Repitam uma vez comigo?
Eu adoro, adoro, adoro ser uma menina!
Muito obrigada.
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Eu quero começar minha estória pela Alemanha, em 1877, com um matemático chamado Georg Cantor.
Cantor resolveu pegar uma linha e apagar 1/3 dela, pegar essas duas partes restantes, e repetir o mesmo processo, um processo recursivo.
Assim ele começa com uma linha, depois duas, e então quatro, dezesseis, assim por diante.
E se ele fizesse isso um número infinito de vezes, o que você pode fazer em matemática, ele terminaria com um número infinito de linhas, em que cada uma tem um número infinito de pontos nela.
Então ele se deu conta que tinha um conjunto que era maior que o infinito.
E isso o enlouqueceu. Literalmente, ele foi parar num sanatório.
E então, quando ele saiu do sanatório, estava convencido de que havia sido posto na terra para descobrir a teoria dos conjuntos transfinitos, porque o maior conjunto infinito poderia ser o próprio Deus.
Ele era um homem bem religioso.
Era um matemático numa missão.
E outros matemáticos fizeram o mesmo tipo de coisa.
O matemático suéco, von Koch, decidiu que ao invés de subtrair linhas, ele iria adicioná-las.
Então ele obteve esta bela curva.
E não há uma razão particular pela qual devamos iniciar com este formato de uma semente; nós podemos utilizar qualquer formato de semente que gostarmos.
Eu irei rearranjar isto e colocar noutro lugar - aqui em baixo, Ok - e agora sob interação, aquela forma-semente meio que desdobra-se numa estrutura bem diferente.
Assim todas elas têm a propriedade da auto-semelhança: a parte assemelha-se ao todo.
É o mesmo padrão em escalas diferentes.
Agora, os matemáticos acharam isso muito estranho, porque a medida que você encolhe uma régua, você mede um comprimento cada vez maior.
E desde que passassem por iterações um infinito número de vezes, a medida que a régua encolhe para o infinito, o comprimento vai ao infinito.
Isso não fez sentido algum, então eles colocaram essas curvas no final dos livros de matemática.
Eles disseram "estas são curvas patológicas e não temos que discuti-las."
E isto funcionou por cem anos.
Então, em 1977, Benoit Mandelbrot, um matemático francês, percebeu que se você usa computação gráfica com formas que ele chamou de fractais você obtém as formas da natureza.
Você tem os pulmões humanos, tem as árvores acácias, as samambaias, você tem essas belas formas naturais.
Se você pega seu dedo polegar e o indicador e olha direto onde eles se encontram - vamos lá e façam agora - e relaxe sua mão, você têm uma ruga, e então uma ruga no enrugamento, e uma ruga num enrugamento. Certo?
Seu corpo é coberto com fractais.
Os matemáticos que diziam que estas formas eram patológicas e sem uso?
Estavam respirando aquelas palavras com pulmões fractais.
É muito irônico. E mostrarei uma pequena recursão natural aqui.
De novo, nós apenas pegamos as linhas e as substituímos recursivamente com a forma inteira.
Então há uma segunda iteração, e uma terceira, quarta e assim por diante.
Então a própria natureza tem esta estrutura dita auto-semelhante.
A natureza usa sistemas ditos auto-organizados
Mas em 1980, ocorreu de eu perceber que se você pega uma fotografia aérea de uma vila africana, você vê fractais.
E eu pensei: "Isso é fabuloso! E me perguntei, por quê?"
E, naturalmente, eu tive que ir a África perguntar as pessoas porque.
Então ganhei uma bolsa de estudos Fulbright para viajar pela África por um ano perguntando as pessoas porque construiam fractais, o que é um ótimo trabalho, se você pode tê-lo.
E então finalmente cheguei nessa cidade, e tinha feito um pequeno modelo fractal da cidade só para ver como ela se desdobrava - Mas quando cheguei lá, eu estava no palácio do chefe, e meu francês não é muito bom, eu disse algo como, "Eu sou um matemático e gostaria de subir no seu telhado."
Mas ele foi muito legal e me levou até lá em cima, e nós conversamos sobre fractais.
E ele disse, " Ah, Sim! Nós conheciamos isso: um retângulo dentro de um retângulo, nós já sabíamos tudo sobre isso."
E ocorre que a própria insígnia real tinha um retângulo dentro de um retângulo, e o caminho internos pelo palácio é de fato como essa espiral.
E a medida que você segue pelo caminho, você precisa ser mais e mais refinado.
Então eles mapeiam a escala social numa escala geométrica; é um padrão consciente. Não é inconsciente como o fractal de um formigueiro.
Esta é uma vila no sul da Zambia.
Os Ba-Ila construíram esta vila com cerca de 400 metros de diâmetro.
Você tem um imenso anel.
Os anéis que representam os cercados familiares ficam mais e mais largos à medida que você vai para trás e ai você tem o anel do chefe aqui em direção ao fundo e o anel da família do chefe neste anel.
Então aqui está um pequeno modelo disso.
Aqui há uma casa com um altar sagrado, aqui a "casa das casas" o cercado familiar, com os humanos aqui onde o altar sagrado deveria estar e aqui a vila como um todo - um anel de anéis de anéis, com a família agregada do chefe aqui, a família do chefe aqui, e aqui há uma minúscula vila desse tamanho.
Bem, mas você deve perguntar: "como as pessoas cabem nessa vila desse tamanho?"
Isto é porque eles são espíritos. São os ancestrais.
E, naturalmente, os espíritos têm uma miniatura da vila, na vila deles, certo?
Então assim como Georg Cantor disse, a recursividade continua para sempre.
Esta é nas montanhas de Madra, próximo à borda nigeriana com os Camarões, Mokoulek.
Eu vi esse diagrama desenhado por um arquiteto francês, e pensei: "Puxa! Mas que fractal bonito!"
Então eu tentei reproduzir essa forma-semente, a qual, sob iteração, iria se desdobrar nessa coisa.
E terminei com essa estrutura aqui.
Vamos ver, primeira iteração, segunda, terceira, quarta.
Mas, depois que realizei a simulação, eu me dei conta que a vila toda se espirala ao redor, desse jeito aqui, e aqui essa linha se replica, uma linha auto-replicante que desdobra-se em fractal.
Bem, notei que a linha era apenas onde o prédio quadrado na vila estava.
Então, quando cheguei ao povoado, eu disse: " vocês podem me levar até o edifício quadrado?
Eu penso que tem algo acontecendo lá."
E eles disseram: "Bem, nó podemos te levar até la, mas você não pode entrar porque é um altar sagrado, onde nós fazemos sacrifícios todos os anos para manter os ciclos de fertilidade de nossos campos."
E comecei a me dar conta que aqueles ciclos de fertilidade eram como os ciclos recursivos do algoritmo geométrico que constrói a aldeia.
E que a recursividade em algumas dessas aldeias continuava até escalas bem pequenas.
Então, aqui é a aldeia Nankani no Mali.
E vocês podem ver, você vai dentro do cercado da família você vai lá e aqui potes na lareira, empilhados recursivamente.
Aqui estão as cabaças que Issa estava nos mostrando, e elas estão empilhadas recursivamente.
Agora, a menor cabaça aqui contém a alma da mulher.
E quando ela morre, eles têm uma cerimônia aonde eles quebram essa pilha chamada zalanga e sua alma sai em direção à eternidade.
Mais uma vez, infinidade é importante.
Agora, vocês devem se perguntar três questões à essa altura.
Esses padrões são universais para todas as arquiteturas indígenas?
E essa era de fato minha hipótese original.
Quando eu vi pela primeira vez os fractais africanos, Eu pensei, "Uau! Então qualquer povo indígena que não tem uma sociedade estatal, ou aquele tipo de hierarquia, deve ter um tipo de arquitetura de "baixo para cima."
Mas isso não se mostrou verdadeiro.
Eu comecei a coletar fotografias aéreas das arquiteturas dos Índios Norte-americanos e do Sul do Pacífico; Apenas as africanas eram fractais.
E se você pensa nisso, todas essas diferentes sociedades têm padrões geométricos distintos que elas usam.
Então os Índios norte americanos têm uma combinação de simetria circular e quadrangular.
Vocês podem ver isso na cerâmica e nas cestaria.
Aqui é uma foto aérea de uma das ruínas Anasazi; vocês podem ver que ela é circular em grande escala, mas é retangular em escala menor, certo?
não se trata do mesmo padrão em duas escalas diferentes.
Segundo, vocês podem perguntar, Bom, Dr. Eglash, o senhor não está ignorando a diversidade das culturas africanas?
E, por três vezes, a resposta é não.
Primeiro, eu concordo com o maravilhoso livro de Munmdibe, " A invenção da África", que "África" é uma invenção artificial, primeiro do colonialismo, e depois dos movimentos oposicionistas.
Não, porque uma prática de design largamente compartilhada, não te dá necessariamente uma unidade de cultura e definitivamente não está no DNA.
E finalmente, fractais têm auto-similaridade -- pois são semelhantes em si, mas não necessariamente similares entre si - você vê diferentes usos de fractais.
É uma tecnologia compartilhada na África.
E, finalmente, bem, isso não é apenas intuição?
Isso não é realmente conhecimento matemático.
Não é possível que africanos usem realmente geometria fractal, certo?
Não tinha sido inventada até os anos setenta.
Bem, é verdade que alguns fractais africanos são, até onde eu saiba, apenas intuição.
Então algumas dessas coisas, de quando andei pelas ruas de Dakar perguntado as pessoas "Qual é o algoritmo? Qual é a regra para fazer isto?"
e elas diziam, Bom, nós apenas fazemos isso porque parece bonito, seu bobo.
Mas algumas vezes, não era este o caso.
Em alguns casos, de fato, havia algoritmos, e algoritmos sofisticados.
Então numa escultura Manghetu, você verá essa geometria recursiva.
Nas cruzes etíopes, você vê maravilhosos desdobramentos dessa forma.
Em Angola, o povo Chokwe desenha linhas na areia, e isso é o que o matemático alemão Euler chamou de grafo; nós o chamamos agora um caminho Euleriano - você nunca levanta seu graveto da superfície e nunca pode passar duas vezes sobre a mesma linha.
Mas eles fazem isso recursivamente, e o fazem com um sistema graduado por idade, ai os pequenos aprendem esse aqui, os mais velhos aprendem esse outro, então no próximo grau de iniciação, você aprende esse daqui.
E com cada iteração do algoritmo, você aprende as iterações do mito.
Você aprende o próximo nível de conhecimento.
E finalmente, por toda África, você vê este jogo de tabuleiro.
É chamado de Owari em Gana, onde eu o estudei; é chamado de Mancala na costa leste, Bao no Quênia, Sogo em outros lugares.
Bem, você vê padrões auto-organizados que espontaneamente ocorrem nesse jogo de tabuleiro.
E as pessoas em Gana conheciam estes padrões auto-organizados e usavam eles estrategicamente.
Então isso é um conhecimento altamente consciente.
Aqui temos um maravilhoso fractal.
Em qualquer lugar que você vá em Sahel, você verá essa tela contra o vento.
E, naturalmente, cercas em todo mundo, são todas cartesianas, tudo muito linear.
Mas aqui na África, você tem essas escalas não-lineares nas cercas.
Então eu segui uma dessas pessoas que faz estas coisas, um cara em Mali nos arredores de Bamako, e perguntei a ele, Como você faz essas cercas fractais? Porque ninguém mais faz.
E a resposta dele foi muito interessante.
Ele disse: " Bom, se eu morasse na selva, eu usaria apenas gravetos longos, porque são mais rápidos e muito baratos.
não leva muito tempo, não precisa de muitos gravetos."
Ele disse:" Mas vento e poeira passam através facilmente.
Agora, as colunas estreitas no topo, realmente seguram vento e poeira.
Mas leva muito tempo, e são necessários muitos gravetos, porque eles estão realmente muito apertados."
"Agora, " ele disse: " nós sabemos por experiência que quanto mais longe do chão você vai, mais forte o vento sopra."
Certo? É apenas uma análise de custo-benefício
Então eu medi o comprimento dos gravetos, coloquei isso numa tabela, obtive a escala exponencial, e isso encaixa quase exatamente na escala exponencial da relação entre velocidade do vento e altura nos livros de engenharia eólica.
Ou seja, estes caras acertaram no alvo em termos de uso prático dessa tecnologia de escala.
O mais complexo exemplo de uso algoritmo numa abordagem fractal que eu achei foi, de fato, não em geometria, mas em código simbólico, e este foi na adivinhação de areia Bamana.
E a mesma adivinhação é encontrada por toda a África.
Você pode achá-la tanto na costa leste quanto oeste, e geralmente os símbolos são bem preservados, então cada um desses símbolos têm quatro bits - é uma palavra de quatro bits - você desenha essas linhas na areia randomicamente, e então começa a contar e se é um número par, você coloca um traço, e se for ímpar, você põe embaixo dois traços.
E eles faziam isso muito rápido, e não pude entender de onde estavam pegando -- eles fizeram a parte aleatória apenas quatro vezes. Eu não entendia onde eles estavam pegando os outros 12 símbolos.
E eles não estavam me contando.
Disseram:" não, não, eu não posso te contar sobre isso"
E eu disse" Bom, olha, eu vou te pagar, você se torna meu professor, eu virei aqui a cada dia e lhe pago"
Eles disseram:" Não é uma questão de dinheiro, é uma questão religiosa"
E finalmente, já em desespero, eu disse, "Bom, deixa eu te explicar Georg Cantor, em 1877."
Eu comecei a explicar porque eu estava lá na África, e eles ficaram muito interessados quando viram o conjunto de Cantor.
E um deles disse: " Venha aqui. Eu penso que posso ajudá-lo nisso"
E então ele me conduziu ao ritual de iniciação de um sacerdote Bamana.
E naturalmente, eu estava interessado apenas na matemática, então todo o tempo, ele sacudia a cabeça, Você sabe, eu não aprendi desse jeito.
Mas tive que dormir com uma semente de Cola próximo da minha cama, ser enterrado na areia, e dar sete moedas para os sete leprosos e assim por diante.
E finalmente, ele revelou o assunto que interessava.
E acontece que se trata de um gerador de números pseudo-randômicos usando caos determinístico.
Quando você tem um símbolo de quatro bits, você então põe junto com outro do lado.
Então par mais ímpar te dá ímpar.
Ímpar mais par te da ímpar.
Par mais par te dá par. Ímpar mais ímpar te da par.
É uma adição de módulo 2, exatamente como a paridade de bit em seu computador.
E então você toma esse símbolo e o coloca de volta então é um auto-gerador de diversidade dos símbolos.
Eles estão verdadeiramente usando caos determinístico ao fazerem isso.
Agora, porque isso é um código binário, você pode de fato implementar isso em máquinas - que fantástica ferramenta de ensino isto deveria ser nas escolas de engenharia africanas.
E a coisa mais interessante que eu achei sobre isso foi histórica.
No século 12, Hugo Santalla trouxe isso dos místicos islâmicos para a Espanha.
E lá isso entrou na comunidade dos alquimistas como geomancia: adivinhação através da terra.
Esta é uma carta geomântica desenhada pelo rei Richard II em 1390.
Leibniz, o matemático alemão, falou sobre geomancia na sua dissertação intitulada "De Combinatoria."
E ele disse:" Bom, vamos, ao invés de usar um ou dois traços, vamos usar um e zero, e assim nós podemos contar em base 2."
Certo? Uns e zeros, o código binário.
Georg Boole pegou o código binário de Leibniz e criou a álgebra booleana, e John von Neumann pegou a álgebra booleana e criou o computador digital.
Então todos esses pequenos PDAs e laptops - cada circuito digital no mundo - começou na África.
E eu sei que Brian Eno disse que não há muito de África nos computadores; vocês sabem, eu penso que não há muito de história da África em Brian Eno.
Então deixe-me terminar com apenas algumas palavras sobre as aplicações que achei para isto.
E vocês podem ir até nosso website, os aplicativos são todos grátis, eles rodam apenas no navegador.
Qualquer um pode usá-los.
O programa para a Ampliação na Computação da Fundação Nacional para a Ciência recentemente nos premiou com uma bolsa para fazermos uma versão programável dessas ferramentas de design, então esperamos que em três anos, qualquer um seja capaz de ir até a web e criar suas próprias simulações e seus próprios artefatos.
Nós focamos nos Estados Unidos nos estudantes Afro-americanos, bem como nos Indígenas e Latinos.
Nós achamos uma melhora estatisticamente significativa com crianças que usaram o software nas aulas de matemática em comparação com um grupo controlado que não teve acesso ao software.
É realmente um sucesso ensinar crianças que elas têm uma herança que é sobre matemática que não é apenas sobre cantar e dançar.
Nós iniciamos um programa piloto em Gana,
tivemos uma pequena ajuda, apenas para ver se as pessoas queriam trabalhar conosco nisso; nós estamos muito animados sobre as possibilidades futuras para isso.
Nós estivemos também trabalhando com design
Eu não citei seu nome aqui - meu colega, Kerry, no Quênia, surgiu com essa grande idéia para usar estruturas fractais para os endereços postais nas vilas que têm estrutura fractal, porque se você tenta impor um sistema de grade de código postal numa vila fractal, ele não encaixa bem.
Bernard Tschumi na Universidade de Columbia terminou usando isso para o design de um museu de arte africana.
David Hughes na Universidade de Ohio escreveu uma cartilha sobre arquitetura afrocêntrica na qual ele usou algumas dessas estruturas fractais.
E, finalmente, eu queria apenas apontar que essa idéia de auto-organização, como nós ouvimos mais cedo, está no cérebro.
está no motor de busca do Google.
De fato, a razão pela qual o Google foi um sucesso é porque eles foram os primeiros a obter vantagem das propriedades auto-organizativas da web.
Está na sustentabilidade ecológica.
Está no poder de desenvolvimento do empreendedorismo, na força ética da democracia.
Está também em algumas coisas ruins.
Auto-organização é o porque da AIDS espalhar-se tão rápido.
E se vocês não pensam que capitalismo, o qual é auto-organizado, pode ter efeitos destrutivos, vocês não abriram seus olhos o suficiente.
Então precisamos pensar, como foi falado antes, nos métodos africanos tradicionais de auto-organização.
Estes são algoritmos robustos.
Estes são modos de se realizar auto-organização - de se fazer empreendedorismo que não são agressivos, são igualitários.
Então se queremos achar melhores maneiras de fazer este tipo de trabalho, não precisamos procurar mais longe que na África para achar esses robustos algoritmos de auto-organização.
Obrigado.
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♫ Elas estavam juntas ♫ ♫ sob a árvore, na grama alta ♫ ♫ na TV ♫ ♫ contando ao mundo ♫ ♫ sua história ♫ ♫ Seremos deixadas a vagar ♫ ♫ e desaparecer ♫ ♫ Os soldados chegaram e nossos maridos levaram ♫ ♫ ao amanhecer ♫ ♫ Seguiremos vivendo ♫ ♫ e logo desaparecemos ♫ ♫ Os soldados chegaram e nossos filhos mataram ♫ ♫ ao amanhecer ♫ ♫ Mulheres de esperança ♫ ♫ Mulheres de mudança ♫ ♫ Mulheres de guerra e dor ♫ ♫ Eu creio ♫ ♫ Creio que o Todo Poderoso conhece cada uma de vocês ♫ ♫ pelo nome ♫ ♫ Mulheres de esperança ♫ ♫ Mulheres de mudança ♫ ♫ Mulheres de amor, alegria, sem desonra ♫ ♫ Vocês têm algo que esta breve vida ♫ ♫ nunca poderá tirar ♫ ♫ Correndo no escuro da noite ♫ ♫ com um filho a seu lado ♫ ♫ Ó Senhor, não lhes dará ♫ ♫ uma brilhante armadura de luz? ♫ ♫ Ó Senhor, não lhes dará ♫ ♫ uma brilhante armadura de luz? ♫ ♫ O amanhecer traz um sinal de vida nova ♫ ♫ com a força de resistir ♫ ♫ Atravessando a fronteira ♫ ♫ ela disse, "Você crescerá livre nesta terra" ♫ ♫ Mulheres de esperança ♫ ♫ Mulheres de mudança ♫ ♫ Mulheres de guerra e dor ♫ ♫ Posso sentir sua força ♫ ♫ nessas palavras por ela ditas ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Ninguém realmente sabe ♫ ♫ até onde elas irão ♫ ♫ para continuar a viver ♫ ♫ Ninguém realmente sabe ♫ ♫ até onde elas irão ♫ ♫ para continuar a dar ♫ ♫ e perdoar ♫ ♫ Aung San Suu Kyi ♫ ♫ vivendo em prisão domiciliar ♫ ♫ por seu protesto de paz ♫ ♫ em prisão domiciliar ♫ ♫ por seu protesto de paz ♫ ♫ Quando seu povo pediu-lhe uma mensagem ♫ ♫ ela disse ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ Agora que sabemos a letra, cantemos.
♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Se você se sente desamparado ♫ ♫ ajude alguém ♫ ♫ Gente de esperança ♫ ♫ Gente de mudança ♫ ♫ Gente de amor, alegria, sem desonra ♫ ♫ Creio que o Senhor ♫ ♫ conhece cada um de vocês ♫ ♫ pelo nome ♫ Obrigada.
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♫ Em uma conferência em Monterey ao lado do grande tanque de água-vivas, ♫ ♫ Eu te vi e fiquei tão tímida. ♫ ♫ Sabe, eu estava um pouco paranóica porque talvez eu estava drogada. ♫ ♫ E eu não tinha feito aquilo em anos e não vou fazer denovo. ♫ ♫ Mas isto é uma outra estória. ♫ ♫ Sempre amei você e tenho sido uma grande fã, ♫ ♫ os shows de uma mulher, até aluguei "Pat."♫ ♫ Criei coragem para chegar até você, ♫ ♫ mas eu mal sabia que um ano mais tarde estaríamos apresentando esse show. ♫ ♫ Eu canto. Juila Sweeney: Eu conto estórias. Juntas: O show da Jill e da Julia. ♫ ♫ Sobule: Às vezes dá certo. Sweeney: Às vezes não. ♫ ♫ Juntas: O show da Jill and da Julia. ♫ ♫Sweeney: Em uma conferência em Monterey, próximo ao grande tangue de água-vivas, ♫ ♫ A vi primeiro e não estava tão tímida. ♫ ♫ Fui direto ao ponto e te disse que eu era um grande fã. ♫ ♫ Desde que eu estava escrevendo aquele piloto para a Fox, e a Wendy ♫ e eu queríamos que você gravasse a música de abertura.
E depois o piloto não foi ao ar e eu fiquei tão triste, mas continuei sendo sua fã.
E depois, quando eu passei por aquela grande, bem grande, separação com Carl e eu não conseguia levantar do sofá, ouvi a sua música, ♫ "Agora que não tenho você" várias, várias, várias vezes ♫
E não consigo acreditar que você está aqui e eu estou com você aqui no TED.
E também, eu não acredito que estamos comendo sushi em frente ao tanque de água-vivas, que pessoalmente eu acho que é realmente inadequado.
E muito poco eu sabia que um ano mais tarde. ♫ Estaríamos gravando este show. ♫ ♫ Sobule: Eu canto. Sweeney: Eu conto estórias. Juntas: O show da Jill e da Julia. ♫ Sobule: Ei, nos chamaram de volta! Sweeney: Você aguenta?
♫ Juntas: O show da Jill e da Julia, da Jill e da Julia, da Jill e da Julia. ♫ ♫ Sobule: Por que todos os nossos heróis são tão imperfeitos? ♫ ♫ Por que eles sempre me desapontam? ♫ ♫ Por que todos os heróis são tão imperfeitos? ♫ ♫ A estátua no parque perdeu sua coroa. ♫ ♫ William Faulkner, bêbado e em depressão. ♫
♫ Dorothy Parker egoísta, bêbada e em depressão. ♫
♫ E aquele cara, sete anos no Tibete, acabou sendo um nazista. ♫
♫ Todos os pioneiros tinham escravos. ♫
♫ Os exploradores chacinaram os bravos. ♫ Sweeney: Horrível.
♫ Sobule: Meu Deus, o Antigo Testamento pode ser tão bonito ♫ Sweeney: não me faça começar a falar sobre isso.
♫ Sobule: Paul McCartney ciumento do John, ainda mais agora que ele se foi. ♫ ♫ Dylan era tão mesquinho com o Donovan naquele filme. ♫ ♫ Pablo Picasso, cruel com suas esposas. ♫ Sweeney: Horrible.
♫ Sobule: Meus poetas favoritos se suicidaram. ♫ ♫ Orson Welles adoeceu aos 25 e observou com seus próprios olhos. ♫ ♫ E ele vendia vinho ruim. ♫ ♫ Juntos: Por que todos nossos heróis são imperfeitos, hein? ♫ ♫ Por que eles sempre me desapontam? ♫ ♫ Sobule: Ouvi que Babe Ruth era cheia de malícia. ♫
♫ Tenho certeza que Lewis Carroll pegou a Alice. ♫
♫ Platão na caverna com aqueles garotos bem jovens. ♫ Sweeney: Opa.
♫ Sobule: Hillary apoiou a guerra. ♫ ♫ Sweeney: Até mesmo Thomas Friedman a apoiou. ♫ ♫ Sobule: Colin Powell acabou se mostrando -- Juntos: -- tão bundão. ♫ ♫ Sobule: William Faulkner, bêbado e em depressão, ♫ ♫ Tennessee Williams, bêbado e em depressão. ♫
Sobule: Tome, Julia. Sweeney: Ok. Oprah nunca foi minha heroína.
Quero dizer, eu assisto Oprah mais quando estou em casa em Spokane visitando minha mãe. E para a minha mãe, Oprah é uma autoridade moral maior que o Papa, o que somente quer dizer alguma coisa porque ela é uma católica devota.
De qualquer forma, eu gosto da Oprah, gosto da amizade dela com as mulheres. Eu gostos dos problemas dela com peso. Gosto como ela transformou os programas de entrevista da televisão. E como ela fez os americanos lerem mais. Mas há algo que aconteceu nas últimas duas semanas que foi -- Chamo isso de momento Soon-Yi. É o momento em que eu não posso mais continuar apoiando ninguém.
E foi o fato de ela ter feito dois shows inteiros promovendo aquele filme "O Segredo."
Você conhecem este filme, "O Segredo"?
Ele faz "Quem Somos Nós?" parecer uma tese de doutorado de Harvard em mecânica quântica --- pra ver quão ruim ele é.
E faz o "Código de da Vinci" parecer Guerra e Paz.
Aquele filme é tão horrível. Ele promove tão terrível pseudo-ciência.
E a ideia básica é que há essa "Lei da Atração", e seus pensamentos têm esta energia vibrante e viajam pelo universo e depois você atrai coisas boas.
Cientificamente, isso é mais que apenas "Poder do Pensamento Positivo¨ -- ela tem um lado negro horrível, horrível. Como se você ficasse doente porque você tem tido pensamentos ruins.
Sim, coisas como estas estavam no filme. E ela o está promovendo.
E tudo o que eu estou dizendo é que eu realmente queria que Murray Gell-Mann fosse na Oprah e simplesmente a explicasse que a "Lei da Atração" não é, de fato, uma lei.
Então isto é o que tenho a dizer.
♫ Sobule: Eu canto. Sweeney: Eu conto estórias. Juntas: O show da Jill e da Julia. ♫ Sobule: Às vezes funciona. Sweeney: Às vezes não. ♫ ♫ Juntos: O show da Jill e da Julia, da Jill e da Julia, da Jill e da Julia. ♫
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Bem-vindos. Poderia passar o primeiro slide, por favor?
Ao contrário dos cálculos feitos por engenheiros, abelhas podem voar, golfinhos podem nadar, e lagartos podem escalar as superfícies mais lisas. Com o pouco tempo de que disponho, quero fazer com que cada um de vocês experimente, de certa maneira, o prazer de descobrir o design da natureza.
Eu faço isso o tempo todo, e é incrível.
Gostaria de compartilhar um pouco disto com vocês nesta palestra.
O desafio de perceber o design da natureza -- e eu vou contar o jeito como nós o percebemos, e como o usamos.
O desafio, é lógico, é responder a esta questão: O que faz com que estes animais tenham este desempenho a ponto de irem onde quer que queiram?
E se nós descobríssemos um jeito de implementar estes designs?
Bem, muitos biólogos dirão a engenheiros e outros, que os organismos levaram milhões de anos até chegarem a este ponto, que são espetaculares, e que podem fazer qualquer coisa espetacularmente bem,
e que a resposta é biomímica -- copiar diretamente a natureza.
Sabemos, de nosso trabalho com animais que, na verdade, isto é exatamente o que você não deve fazer. Porque a evolução trabalha sob o princípio do "bom-o-bastante", e não num princípio de aperfeiçoamento.
E as limitações em construir um organismo, quando você olha para ele, são muito severas. As tecnologias naturais têm limitações incríveis.
Pense a respeito. Se você fosse um engenheiro e eu dissesse que você teria que construir um automóvel, mas que ele teria que ser pequenininho, e que ele teria que crescer até ficar grande e que teria que funcionar durante todo o processo.
Pense que se você construisse um automóvel, que você também teria que, dentro dele, colocar uma fábrica que permitiria construir outros automóveis.
Você nunca poderia, nunca, por causa do passado e da configuração herdada, começar por uma 'tabula rasa'.
Então, organismos têm este passado importante.
Na verdade, a evolução trabalha mais como um funileiro que como um engenheiro.
E isto é muito importante quando você começa a prestar atenção nos animais.
Ao invés disto, acreditamos que você precisa ser inspirado pela biologia.
Você precisa descobrir os princípios gerais da natureza. e usar as analogias quando são vantajosas.
E isto é um desafio e tanto, porque quando você começa a prestar atenção nos animais, ele parecem ser inacreditavelmente complexos. Não existe um memorial detalhado dos projetos anteriores, e você não pode consultá-lo em lugar nenhum.
Eles têm movimentos demais nas suas juntas, músculos demais,
mesmo o animal mais simples que podemos imaginar, algo como um inseto, tem mais neurônios e conexões que você pode imaginar.
Como você pode racionalizar isto? Bem, acreditamos -- e formulamos hipóteses -- que eles poderiam funcionar de forma simples, se fizéssemos com que o controle de seus movimentos fosse construído junto com seus próprios corpos.
Descobrimos que animais de duas, quatro, seis e oito pernas todos produzem as mesmas forças no chão quando se movimentam.
Eles todos fazem como o canguru, eles pulam.
E podem ser modelados através de um sistema de oscilador-massa, que chamamos de sistema de oscilador-massa porque somos bio mecânicos, na verdade é um pula-pula.
Eles sempre produzem o padrão do pula-pula. Como assim?
Bem, num humano, uma de suas pernas funciona como duas pernas de um cachorro trotando ou como três de um inseto no trote, ou quatro de um carangueijo trotando.
E elas alternam na propulsão, mas os padrões são sempre os mesmos. Quase todos os organismos que estudamos -- vocês verão na próxima semana -- Vou dar uma dica, haverá um artigo saindo que diz que coisas grandes como o T. Rex provavelmente não podiam fazer isto, mas vocês verão na semana que vem.
O que é interessante é que os animais que mencionamos pulam no plano vertical deste modo, e em colaboração com a Pixar em "Vida de inseto", discutimos a natureza bípede dos personagens das formigas.
E dissemos que elas se movem no outro plano também,
e nos fizeram a seguinte pergunta. "Por que modelar somente o plano sagital, quando está nos dizendo que se movem no plano horizontal?" Esta é uma boa questão.
Nenhum biólogo modelou deste jeito antes.
Aceitamos o conselho e modelamos o animal se movendo no plano horizontal também. Pegamos três pernas, agrupamos em uma só,
chamamos os melhores matemáticos no mundo de Princeton para resolver a questão.
E conseguimos criar um modelo no qual os animais não só pulam para cima e para baixo, mas também de um lado para o outro ao mesmo tempo.
E muitos organismos se encaixam neste padrão.
Mas por que é importante chegar a este modelo?
Porque é interessante. Quando pegamos este modelo e o perturbamos, damos um empurrão, quando ele bate em alguma coisa, ele se auto-estabiliza, sem cérebro, ou sem reflexos, apenas por sua estrutura.
É um modelo bonito. Vamos dar uma olhada na matemática.
Pronto!
Os animais, quando olhamos eles correndo parecem se auto-estabilizar assim, usando basicamente pernas elásticas. Isto é, as pernas podem processar por si mesmas, os algoritmos de controle estão inseridos de certo modo, na forma do próprio animal.
Por que não nos inspiramos na natureza e por este tipo de descoberta mais frequentemente?
Bem, eu diria que as tecnologias humanas são realmente diferentes das tecnologias naturais, ao menos têm sido até agora.
Pense no típico robô que você vê.
Tecnologias humanas tendem a ser grandes, planas, com ângulos retos, duras, feitas de metal. Elas têm rolamentos e eixos. Existem poucos motores, poucos sensores.
Enquanto a natureza tende a ser pequena, e curva, e ela se curva e torce e têm pernas em vez de apêndices, e tem muitos músculos e muitos e muitos sensores.
Portanto, é um design muito diferente. E no entanto, o que está mudando -- e eu vou mostrar para vocês em breve -- é que quanto mais a tecnologia humana tomar emprestado características da natureza, mais a natureza pode se tornar um professor eficiente.
E aqui está um exemplo que é muito interessante.
Esta é uma colaboração que temos com Stanford.
E eles desenvolveram uma técnica chamada Produção de Deposição de Formas.
É uma técnica na qual eles podem misturar materiais e moldar qualquer forma que queiram, e colocar as propriedades do material.
Podem colocar sensores e atuadores dentro de própria forma.
Por exemplo, aqui está uma perna -- a parte transparente é dura, a parte branca é adaptável, e você não precisa de nenhum eixo ou coisa parecida.
Ela simplesmente se curva de forma elegante.
Portanto, você pode por estas propriedades lá. Isto os inspirou a mostrar este design produzindo um robozinho batizado de Sprawl.
Nosso trabalho também inspirou outro robô, um robô pulador, inspirado pela biologia, da Universidade do Michigan e McGill batizado de RHex, por ser um robô hexápode, e ele é autônomo.
Vamos ver o vídeo e deixem-me mostrar alguns destes animais se movendo. Então, estes são alguns dos robôs mais simples que foram inspirados em nossas descobertas.
Isto é o que alguns de vocês fizeram hoje pela manhã, embora tenham feito ao ar livre e não na esteira ergométrica.
Aqui é o que nós fazemos.
Esta é uma barata -- do tipo americana que você pensa que não tem em sua cozinha.
Este é um escorpião de oito pernas, uma formiga de seis pernas e um centípede de quarenta e quatro pernas.
Eu disse que estes animais são como pula-pulas -- eles estão pulando enquanto se movem e você pode ver isto neste carangueijo Maria-farinha das praias do Panamá e da Carolina do Norte.
Ele chega a quatro metros por segundo quando corre.
Na verdade, ele pula no ar e tem fases aéreas quando pula, como um cavalo, e você pode ver ele pulando aqui.
Descobrimos que não importa se você olha para uma perna de um humano como o Richard, ou uma barata, ou um carangueijo, ou um canguru, a rigidez relativa daquela mola é a mesma para todos os que estudamos até agora.
Mas será que as pernas elásticas são mesmo boas, o que elas podem fazer?
Bem, nós queríamos descobrir se elas davam maior estabilidade e capacidade de manobra aos animais.
Então fizemos um terreno que tinha três vezes o tamanho da coxa dos animais que estávamos estudando,
e estávamos certos que eles não conseguiriam vencer os obstáculos. E isto foi o que fizeram.
O animal correu sobre eles e nem mesmo diminuiu sua velocidade.
Ele não diminuiu sua velocidade em nada.
Não acreditávamos que ele pudesse fazer isto. Isto nos dizia que se você pudesse cunstruir um robô com pernas elásticas muito simples, poderíamos fazê-lo tão manobrável quanto qualquer outro construído até hoje.
Este é o primeiro exemplo disto, este é o robô da Produção de Deposição de Formas de Stanford, chamado Sprawl.
Ele tem seis eprnas -- estas são as pernas elásticas ajustáveis.
Ele se move num andar típico de um inseto, e aqui está ele numa esteira. O que é importante a respeito dele, quando comparado com outros, é que ele não pode ver nada, não pode sentir nada, não tem um cérebro, e mesmo assim ele pode manobrar por cima destes obstáculos sem a menor dificuldade.
Este é o resultado desta técnica de inserir propriedades na própria forma.
Este é um estudande de gradução, e isto é o que ele está fazendo à sua tese, muito resistente, se um estudante faz isto à sua tese!
Isto é da McGill e da Universidade do Michigan, é o RHex, saindo pela primeira vez, numa demo.
É o mesmo princípio. Ele tem só seis partes móveis. Seis motores, mas tem pernas elásticas. Se move com o andar de um inseto
e sincroniza o andar da perna do meio com a da frente e a de trás do lado oposto. Uma espécie de tripé alternado, e eles podem administrar obstáculos exatamente como um animal.
Ele pode andar em superfícies diferentes, aqui está areia, embora ainda não tenhamos aperfeiçoado os pés, mas eu falo disto depois.
Aqui está o RHex entrando na floresta.
Novamente este robô não pode ver ou sentir nada, e não tem cérebro. Está trabalhando apenas com um sistema mecânico ajustado, com partes muito simples. Mas inspirado na mecânica fundamental de um animal.
Ah, eu adoro ele Bob. Aqui vai ele descendo um caminho.
Eu o apresentei ao laboratório de propulsão a jato da NASA, e disseram que eles não tem habilidade de descer crateras para procurar gelo, e, em última análise, vida em Marte. Especialmente com robôs com pernas porque eles são muito complicados.
Nada pode fazer isto. E eu falei depois. Mostrei este video com o design simples do RHex aqui, e os convenci que nós devemos ir à Marte em 2011, pintei o video de laranja para dar a impressão de que estávamos em Marte.
Outro motivo que faz com que animais tenham um desempenho extraordinário e possam ir onde quiserem, é que eles têm uma interação efetiva com o ambiente. O animal que vou mostrar agora que estudamos para isso é a lagartixa.
Temos uma aqui. percebam a sua posição. Está se segurando.
Agora vou lançar um desafio. Vou mostrar o vídeo.
Um dos animais vai estar correndo em nível, e outro vai estar subindo uma parede. Qual é qual?
Eles correm a um metro por segundo. Quantos de vocês pensam que o da esquerda é o que está subindo a parede?
Ok. A verdade é que é muito difícil dizer, não é? É incrível, vemos os estudantes fazerem isto e eles mesmos não sabem dizer.
Eles podem subir uma parede a um metro por segundo, quinze passos por segundo, e parece que estão andando em nível, Como eles conseguem?
É fenomenal. O da direita é o que está subindo.
Como eles conseguem -- eles têm dedos estranhos -- têm dedos que desenrolam como uma lingua-de-sogra quando alguém assopra, e descolam da superfície como uma fita.
Como se tivéssemos um pedaço de fita e fôssemos descolá-la.
Eles fazem isso com os dedos. É estranho. Este descolamento inspirou a iRobot com a qual trabalhamos, a construir Mecho-Geckos.
Aqui temos uma versão com pernas e outra sem, parecida com um trator.
Vamos ver como as lagartixas se movem com um vídeo. e depois vou mostrar um pouco dos robôs.
temos a lagartixa subindo uma superfície vertical, aí vai ela, em tempo real, olha ela aí de novo. Obviamente temos que ver em câmera lenta.
não podemos usar câmeras comuns.
Temos que filmar a 1000 quadros por segundo para ver isto.
E aqui vemos o vídeo com 1000 quadros por segundo.
Gostaria de olhassem para as costas do animal.
Vocês vêem como ela se dobra? Nós não conseguimos explicar -- é um mistério ainda. Não sabemos como funciona.
Se você tem um filho ou filha que quer vir para Berkeley, venha ao meu laboratório e vamos descobrir isto juntos. Ok, mande-os para Berkeley porque esta é a próxima pesquisa que quero fazer. Esta é a esteira da lagartixa.
É uma esteira transparente com uma cinta também transparente, para que possamos assistir aos pés do animal, e gravar em vídeo através da esteira, para ver como eles se movem.
Aqui vemos o animal que temos aqui, correndo numa superfície vertical,
escolha um pé e tente ver o dedo, e veja se consegue ver o que o animal está fazendo.
Veja ele desenrolar e descolar os dedos.
Ele pode fazer isto em 14 milisegundos. É inacreditável.
Estes são os robôs que ele inspirou, os Mecho-Geckos, da iRobot.
Primeiro vamos ver os dedos dele descolando - veja isto!
E aqui o descolamento do Mecho-Gecko
ele usa um adesivo sensível à pressão para fazer isto.
Descolamento no animal, descolamento no Mecho-Gecko, que permite com que possa escalar de forma autônoma, pode andar numa superfície lisa, numa transição para uma parede, e depois andar pelo teto.
Esta é a versão trator. Ela usa cola sensível a pressão.
O animal não usa.
Mas estamos limitados a esta solução no momento.
O que o animal usa? Ele tem dedos estranhos,
e se você olha para os dedos, eles têm estas folhas, E se você amplia a imagem você vai ver que existem estrias pequenas nas folhas.
e se você amplia 270 vezes, você vê que se parece com um tapete.
E se você amplia mais ainda, 900 vezes, você vai ver que existem pelos ali, pequenos, e se você olhar com cuidado estes pelinhos têm estrias. E se você amplia 30. 000 vezes, vai descobrir que cada pelo tem várias pontas.
E se amplia mais, vai ver que existem pequenas estruturas no final.
O menor pedaço parece com uma espátula e um animal como este têm cerca de 1 bilhão destas pontas para ficar muito perto da superfície. Na verdade, este é o diâmetro do seu cabelo, uma lagartixa tem 2 milhões destes e cada um tem entre 100 e 1. 000 pontas.
Pense no contato que é possível com isto.
Tivemos a chance de trabalhar com outro grupo de Stanford que construiu um sensor especialmente para nós e pudemos medir a força de cada pelo.
Este é um pelo individual com várias pontas,
quando medimos as forças, elas eram enormes,
elas eram tão grandes que um grupo de pelos deste tamanho, que o pé da lagartixa poderia suportar o peso de uma criança -- por volta de 18 quilos, facilmente. Como eles funcionam?
Descobrimos isto recentemente. Será que eles usam fricção?
Não, a força é muito pequena. Usam eletrostática?
Não, se mudamos a carga eles ainda funcionam.
Eles usam aquele efeito de adesão como o do Velcro?
Não, podemos coloca-los em superfícies lisas -- eles não usam.
Que tal sucção? Eles se grudam mesmo no vácuo.
E que tal adesivos? Ou adesão capilar?
Eles não usam nenhum tipo de cola, e funcionam mesmo debaixo d'água.
Se você põe os pés deles debaixo d'água eles continuam grudados.
Como eles conseguem então? Acredite ou não, eles aderem através de forças intermoleculares, pela força de van der Waals.
Você provavelmente estudou isto há muito tempo, em Química quando você tem dois átomos, um perto do outro, e os elétrons se movem em volta. Esta pequena força é suficiente para que eles façam isto, porque ela é somada muitíssimas vezes com estas estruturas minúsculas.
Agora estamos pegando esta inspiração dos pelos, e com outro colega de Berkeley, estamos entrando em produção.
E recentemente tivemos uma descoberta com a qual acreditamos que seremos capazes de criar o primeiro adesivo seco, sintético e auto-limpante. Muitas companhias estão interessadas nisto.
Até apresentamos para a Nike.
Vamos ver até onde isto vai. Estamos tão otimistas neste caso que notamos que nesta escala tão pequena, e onde tudo tende a aderir, e a gravidade não importa mais, precisamos olhar para os pés das formigas, porque um dos meus colegas em Berkeley, construiu um robô de silício de 6 milímetros com pernas. Mas ele prende e não se move muito bem.
Mas as formigas se movem, e nós vamos descobrir o porquê, de modo que mais tarde vamos fazer ele funcionar. E, imagine, você vai poder ter enxames destes robôs de 6 milímetros andando por aí.
Mas pra onde isto vai? Acho que você já sabe.
Obviamente a internet já tem olhos e ouvidos, você tem web cams e tudo mais. Mas ela terá pernas e mãos.
Você poderá fazer trabalhos programáveis usando estes tipos de robôs, então você poderá correr, voar e nadar em qualquer lugar. Vimos David Kelly no começo com seu peixe.
em conclusão, a mensagem é clara.
Se você precisa de uma mensagem, se a natureza não é o bastante, se você se importa com buscas e resgates, ou se livrar de minas terrestres, ou se importa com medicina, ou as várias coisas com as quais trabalhamos, precisamos preservar o design da natureza, pois, de outra forma estes segredos vão se perder para sempre.
Obrigado.
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Então para cada um de nós nessa sala hoje, vamos começar admitindo que somos sortudos.
Não vivemos no mundo que nossas mães viviam, que nossas avós viviam, onde as escolhas de carreira pelas mulheres eram tão limitadas.
E se você está nessa sala hoje, a maioria de nós cresceu em um mundo onde tínhamos direitos civis básicos. E incrivelmente, ainda vivemos em um mundo onde algumas mulheres não os tem.
Mas deixando isso de lado, ainda temos um problema, e é um problema real.
E o problema é esse: mulheres não estão alcançando o topo de suas profissões em nenhum lugar do mundo.
Os números contam a história claramente.
190 chefes de estado -- 9 são mulheres.
De todas as pessoas nos parlamentos pelo mundo, 13 por cento são mulheres.
No setor corporativo, mulheres no topo, empregos de nível C, diretoria -- chegam no máximo a 15, 16 por cento.
Os números não se mexeram desde 2002 e estão indo na direção errada.
E até no mundo não rentável um mundo que ás vezes pensamos ser liderado por mulheres, mulheres no topo: 20 por cento.
Também temos outro problema, é que as mulheres enfrentam escolhas mais difíceis entre sucesso profissional e realização pessoal.
Um estudo recente nos EUA
mostrou que, dos gerentes sênior, dois terços dos homens tem filhos e apenas um terço das mulheres casadas tem filhos.
Há dois anos, eu estava em Nova Iorque, e eu estava expondo um acordo, e eu estava em um desses luxuosos escritórios privados de Nova Iorque que vocês podem imaginar.
E eu estou na reunião -- é uma reunião de cerca de 3 horas -- e após duas horas, há meio que uma necessidade daquela pausa biológica, e todos se levantam, e o sócio que conduz a reunião começa a observar tudo envergonhado.
E eu percebi que ele não sabia onde era o toilette feminino de seu escritório.
Então eu começo a procurar o banheiro químico, achando que eles tinham acabado de se mudar, mas não o vi.
Então eu disse, "Então vocês acabaram de se mudar para esse escritório?"
E ele disse, "Não, estivemos aqui por cerca de um ano."
E eu disse, "E você está me dizendo que eu sou a única mulher que expôs um acordo nesse escritório em um ano?"
E ele olhou para mim, e ele disse, "É. Ou talvez você seja a única que teve de ir ao banheiro."
Então a questão é, como vamos consertar isso?
Como mudamos esses números no topo?
Como fazemos isso diferente?
Quero começar dizendo, eu falo sobre isso -- sobre manter mulheres no mercado de trabalho -- porque eu realmente acho que essa é a resposta.
Na parte da mão de obra de alta renda, nas pessoas que terminam no topo -- Emporegos de CEO da Fortune 500, ou o equivalente em outras indústrias -- o problema, e estou certa disso, é que as mulheres estão saindo.
Pessoas falam muito sobre isso, e elas falam sobre coisas como tempo flexível e orientação e programas que as companhias deveriam ter para treinar mulheres.
Eu não quero falar sobre nada disso hoje -- apesar de isso também ser importante.
Hoje quero focar no que podemos fazer individualmente.
Quais são as mensagens que temos de nos dizer?
Quais são as mensagens que passamos as mulheres que trabalham com e para nós?
Quais são as mensagens que contamos às nossas filhas?
Agora, a princípio, quero ser bem clara que esse discurso não tem nenhum julgamento
eu não tenho a resposta certa,
eu não a tenho nem para mim.
Eu sai de São Francisco, onde eu moro, na Segunda, e eu estava pegando o avião para essa conferência.
E minha filha, de três anos, quando a deixei no maternal, fez aquilo de abraçar a perna, chorando, "Mamãe, não entre naquela avião".
Isso é difícil. Eu me sinto culpada às vezes.
Não sei de nenhuma mulher, esteja ela em casa ou esteja ela no mercado de trabalho, que não sinta isso às vezes.
Então não estou dizendo que permanecer no mercado é a coisa certa para todos.
Minha fala hoje é sobre o que as mensagens são se você quer mesmo ficar no mercado. E eu acho que há três.
Um, sente à mesa.
Dois, faça do seu parceiro um parceiro verdadeiro.
E três -- olhem para isso -- não saiam antes de saírem.
Número um: Sente à mesa.
Duas semanas atrás, no Facebook, nós recebemos um oficial do governo muito velho, e ele veio para se encontrar com executivos sêniores de todo o Vale do Silício.
E todos meio que sentaram à mesa.
E ele tinha essas duas mulheres que estavam viajando com ele que eram muito experientes no seu departamento. E eu as disse, "Sentem se à mesa. Venham, sentem-se." E elas se sentaram no lado da sala.
Quando eu estava no último ano da universidade eu fiz uma matéria chamado História Intelectual da Europa.
Vocês não amam esse tipo de coisa da universidade.
Eu queria poder fazer isso agora.
E eu a fiz com minha colega de quarto, Carrie, que era na época uma estudante literária brilhante -- e acabou se tornando uma erudita literária brilhante -- e meu irmão -- cara esperto, um jogador de pólo aquático que seria médico, e que estava no segundo ano.
Nós três fizemos essa matéria juntos.
E então a Carrie lia todos os livros originais em Grego e Latim -- ia para todas as apresentações --
eu li todos os livros em Inglês e ia à maioria das apresentações.
Meu irmão era meio ocupado;
e lia um dos doze livros e ia a umas duas apresentações, caminha até o nosso quarto uns dois dias antes da prova para que nós o ensinássemos.
Nós três fomos à prova juntos, e nos sentamos.
E nos sentamos lá por três horas -- e nossos pequenos notebooks azuis -- sim, eu sou velha esse tanto.
E saímos de lá, e olhamos uns para os outros e dissemos, "Como vocês foram?"
E a Carrie diz, "Cara, eu sinto como se eu não tivesse realmente exposto o ponto principal da dialética Hegeliana."
E eu digo, "Deus, eu realmente deseja que eu tivesse conectado a teoria da propriedade privada do John Locke com os filósofos seguintes."
E meu irmão diz, "Eu tirei a nota mais alta da sala."
"Você tirou a nota mais alta da sala?
Você não sabe nada."
O problema dessas histórias é que elas mostram o que os dados mostram: as mulheres subestimam sistematicamente suas habilidades.
Se você testar homens e mulheres, e os fizer perguntas totalmente objetivas como as do GPA os homens erram por pouco, e as mulheres erram por muito.
As mulheres não negociam por elas mesmas no mercado.
Um estudo nos últimos dois anos de pessoas que entram no mercado ao saírem da universidade mostrou que 57 por cento dos garotos entrando -- ou homens, eu acho -- estão negociando seu primeiro salário, e apenas 7 por cento das mulheres fazem o mesmo.
E o mais importante, os homens atribuem seu sucesso a eles mesmos, e as mulheres o atribuem a fatores externos.
Se você perguntar aos homens por que eles fizeram um bom trabalho, eles dirão, "Sou demais.
Obviamente. Por que você está perguntando?"
Se você perguntar o mesmo às mulheres, elas dirão que alguém as ajudou, que elas tiveram sorte, que trabalharam duro.
Por que isso importa?
Cara, importa muito porque ninguém chega ao escritório principal sentando ao lado, não à mesa. E ninguém é promovido se não acreditar que merece o sucesso, ou se não entender o próprio sucesso.
Eu queria que as respostas fossem fáceis.
Eu queria poder dizer a todas as jovens mulheres para quem trabalho, todas essas mulheres fabulosas, "Acreditem em vocês e negociem por vocês.
Adquiram seu próprio sucesso."
Eu queria poder dizer isso à minha filha.
Mas não é tão simples assim.
Porque o que os dados mostram, acima de tudo, é uma coisa, que o sucesso a simpatia estão positivamente correlacionados para os homens e negativamente correlacionados para as mulheres.
E todos estão concordando, porque todos sabemos que isso é verdade.
Há um estudo muito bom que mostra isso muito bem.
Há um estudo muito famoso da Escola de Negócios de Harvard de uma mulher chamada Heidi Roizen.
E ela é uma operadora em uma empresa no Vale do Silício, e ela usa seus contatos para se tornar uma capitalista empreendedora bem sucedida.
Em 2002 -- há pouco tempo -- um professor que então estava na Universidade de Columbia pegou esse case e o fez Heidi Roizen.
E deu os cases -- ambos -- para dois grupos de estudantes.
Ele mudou exatamente uma palavra: Heidi para Howard.
Mas essa palavra fez muita diferença.
Ele então fez uma pesquisa com os alunos. E a boa notícia foi que seus alunos, tanto homens quanto mulheres, pensaram que tanto Heidi quanto Howard eram competentes e isso é bom.
A má notícia é que todos gostavam de Howard.
Ele é um cara legal, você quer trabalhar para ele,
você quer passar um dia pescando com ele.
Mas a Heidi? Acho que não.
Ela está um pouco fora por si. Ela é um pouco política.
Você não tem certeza que quer trabalhar para ela.
Essa é a complicação.
Temos de dizer às nossas filhas e nossos colegas, temos de dizer a nós mesmos para acreditarmos que ganhamos um A, para alcançar a promoção, para sentar à mesa. E temos de fazer isso em um mundo onde, para eles, há sacrifícios que eles farão para isso, que para seus irmãos eles não fariam.
A coisa mais triste sobre isso tudo é que é muito difícil se lembrar disso.
E estou para contar uma história que é muito vergonhosa para mim, mas que acho importante.
Dei essa palestra no Facebook não faz muito tempo para cerca de 100 empregados. E duas horas depois, havia uma mulher que trabalha lá sentada à frente da minha mesa, e ela queria falar comigo.
Eu disse, tudo bem, e ela se sentou, e conversamos.
E ela disse, "Aprendi algo hoje.
Aprendi que tenho de deixar minha mão levantada."
Eu disse, " O que você quer dizer?"
Ela disse, "Bem, você deu essa palestra, e disse que responderia mais duas perguntas.
E eu tinha minha mão levantada junto com muitas pessoas, e você respondeu às duas perguntas.
E eu abaixei minha mão e percebi que todas as mulheres o fizerem, e então você respondeu a mais perguntas, apenas dos homens."
E eu pensei, wow, se sou eu -- que se importa com isso, obviamente -- dando essa palestra -- durante essa palestra, eu nem posso notar que as mãos dos homens ainda estão erguidas, e as mãos das mulheres ainda estão erguidas, quão bons somos como gerentes de nossas companhias e organizações ao ver que os homens estão alcançando mais oportunidades do que mulheres?
Temos de levar às mulheres à sentarem à mesa.
Mensagem número dois: faça do seu parceiro um parceiro verdadeiro.
Eu fiquei convencida que temos feito mais progresso no mercado de trabalho do que o temos feito em casa.
Os dados mostram isso claramente.
Se uma mulher e um homem trabalham em tempo integral e têm um filho, a mulher faz duas vezes mais trabalho doméstico do que o homem, e a mulher cuida três vezes mais da criança do que o filho.
Então ela tem três empregos, ou dois, e ele têm um.
Quem você acha que pede demissão quando alguém precisa ficar em casa mais.
As causas disso são realmente complicadas, e não tenho tempo para explorá-las.
E eu não acho que as causas sejam o futebol de domingo ou a preguiça.
Acho que a causa é mais complicada.
Eu acho que, como uma sociedade, colocamos mais pressão em nossos garotos para terem sucesso do que colocamos em nossas garotas.
Eu conheço homens que ficam em casa e trabalham em casa para ajudar esposas com suas carreiras e é difícil.
Quando eu vou para o Mommy and Me e eu vejo o pai lá, eu percebo que as outras mães não mexem com ele.
E esse é um problema, porque temos de tornar isso tão importante quanto um emprego -- porque é o emprego mais difícil do mundo -- trabalhar em casa para pessoas de ambos os sexos, se vamos igualar as coisas e deixar as mulheres trabalharem.
Estudos mostram casais com rendas iguais e responsabilidades iguais também tem metade da taxa de divórcio.
E como se isso não fosse motivação o bastante para todos, eles também têm mais -- como devo dizer isso no palco? -- eles se conhecem mais no sentido bíblico também.
Mensagem número três: não saia antes de sair.
Eu acho que realmente há uma ironia profunda no fato das ações que as mulheres tem tomado -- e eu vejo isso o tempo todo -- com o objetivo de permanecer no mercado, na verdade as levam à eventual saída.
Aqui está o que acontece: estamos todos ocupados; todos estão ocupados; uma mulher está ocupada.
E ela começa a pensar em ter um filho. E a partir do momento em que ela começa a pensar nisso, ela começa a pensar em onde encaixar essa criança na rotina
"Como eu vou encaixar isso à tudo que estou fazendo?"
E, literalmente, a partir desse momento, ela não levanta sua mão mais, ela não corre atrás de uma promoção, ela não pega um novo projeto, ela não diz, "Eu, eu quero fazer isso."
Ela começa a se afastar.
O problema é que -- vamos dizer que ela engravidou naquele dia -- nove meses de gravidez, três meses de licença maternidade, seis meses para recuperar o fôlego -- dois anos passados, com frequência -- e como tenho visto -- mulheres começam a pensar dessa maneira cada vez mais cedo -- quando elas ficam noivas, quando elas se casam, quando elas começam a pensar em ter um filho, o que pode levar muito tempo.
Uma mulher veio me ver sobre isso, e eu meio que olhei para ela -- ela parecia muito jovem.
E eu disse, "Então você e seu marido estão pensando em ter um bebê?"
E ela disse, "Não não, eu não sou casada."
Ela nem tinha um namorado.
Eu disse, "Você está pensando nisso muito cedo."
Mas a questão é o que acontece quando você começa a se afastar sorrateiramente?
Todos que já passaram por isso -- e estou aqui para dizê-los, a partir do momento que se tem uma criança em casa, seu trabalho tem de ser muito bom para que você volte, porque é difícil deixar a criança em casa -- seu trabalho tem de ser desafiador.
Tem de ser recompensador.
Você tem de sentir que está fazendo diferença.
E se dois anos atrás você não foi promovida e um cara próximo a você foi, se três anos atrás você parou de procurar novas oportunidades, você ficará entediada, porque você deveria ter mantido o pé no acelerador.
Não saia antes de sair.
Fique lá.
Mantenha seu pé no acelerador, até o dia em que você precise sair para ter um tempo de ter um filho -- e então faça decisões.
Não tome decisões muito precipitadas particularmente as que você não sabe se está tomando certo.
Minha geração realmente, infelizmente, não mudará os números no topo.
Eles não estão se mexendo.
Não chegaremos a um lugar onde 50 por cento da população -- na minha geração, não haverá 50 por cento das pessoas no topo das indústrias.
Mas estou esperançosa de que as futuras gerações podem.
Acho que o mundo que for liderado onde metade de nossos países e metade de nossas empresas foram comandadas por mulheres, seria um mundo melhor.
E não apenas porque as pessoas saberiam onde os banheiros femininos são, apesar de isso ser muito útil.
Acho que seria um mundo melhor.
Eu tenho dois filhos.
Eu tenho um menino de cinco anos e uma menina de dois.
Eu quero que meu filho tenha a escolha de contribuir completamente no trabalho doméstico, e eu quero que minha filha tenha a escolha para não apenas exceder, mas para ser admirada por suas realizações.
Obrigada.
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Olá para todos. Eu sou Sirena.
Eu tenho 11 anos e sou de Connecticut.
Bem, eu realmente não estou certa porque estou aqui.
Quero dizer, o que isso tem a ver com tecnologia, entretenimento e design?
Bem, eu considero meu iPod, celular e computador como tecnologia mas isso não tem nada a ver com isso.
Então eu fiz uma pequena pesquisa sobre isto.
Bem, isso é o que eu encontrei.
Claro, eu espero que eu possa memorizá-lo.
O violino é feito basicamente de uma caixa de madeira e quatro cordas principais.
Ao tocar a corda, a corda vibra e produz uma onda sonora.
Som passa através de um pedaço de madeira chamado de braço e vai até a caixa de madeira e fica ampliado mas. Deixe-me pensar.
Certo. Por outro lado colocando o dedo em uma posição diferente sobre a escala ela muda o tamanho da corda que muda a freqüência da onda sonora.
Oh, meu Deus!
Certo. Este é um tipo de tecnologia mas eu devo chamá-la de uma tecnologia do século 16.
Mas, na verdade, a coisa mais fascinante que eu encontrei era que o sistema de áudio ou transmissão de ondas de hoje ainda são fundamentalmente baseados no mesmo princípio de produção e projecção do som.
Isto não é fantástico?
Design -- Eu adoro o seu design.
Eu me lembro quando eu era pequena minha mãe me perguntou. gostaria de tocar violino ou o piano?
Eu olhei para aquele monstro gigante e disse a mim mesma -- Eu não vou deixar me prenderem neste banco o dia todo.
Este é pequeno e pesa pouco.
Eu posso tocar em pé, sentada ou caminhando.
E você sabe o quê?
O melhor de tudo é que se eu não quiser praticar Eu posso esconde-lo.
O violino é muito bonito.
Algumas pessoas dizem que tem a forma de uma senhora mas se você goste ou não Tem sido assim há mais de 400 anos, e ao contrário de coisas modernas, que facilmente parecem ultrapassadas.
Mas eu acho que ele é muito pessoal e único, Embora cada violino seja muito semelhante não há dois violinos com o mesmo som.
Ainda que do mesmo fabricante ou com base no mesmo modelo.
Entretenimento - Eu amo o entretenimento mas, na verdade, o próprio instrumento não é muito divertido.
Quer dizer, quando eu comecei com meu violino e tentei tocar foi de fato, realmente mau, porque não soava da mesma maneira que eu tinha ouvido de outras crianças tão horrível e tão arranhada por isso não foi divertido de jeito nehum.
Além disso, meu irmão achava isso muito engraçado.
vupt, vupt, vupt.
Poucos anos depois, eu ouvi uma piada da famosa violinista, Jascha Heifetz.
Após o concerto do Sr. Heifetz uma senhora aproximou-se e cumprimentou, Oh, Sr. Heifetz, seu violino soou tão magnífico esta noite.
E o Sr. Heifetz era uma pessoa muito legal então ele pegou seu violino e disse: engraçado, eu não ouço nada.
E agora, eu percebo que, como musicista. nós, seres humanos, temos uma grande mente, coração artístico e habilidade que pode mudar a tecnologia do século 16 e um design legendário em entretenimento maravilhoso.
Agora, eu sei porque eu estou aqui.
No começo apenas pensei que estaria aqui para fazer uma performance mas, inesperadamente, aprendi e aproveitei muito.
Embora. alguns deles sejam um pouco complicados para mim.
Tal como aquela história de multi-dimensão.
Quer dizer, honestamente, eu ficaria bastante feliz se conseguisse acertar meu plano bi-dimensional na escola.
Mas, na verdade, a coisa mais impressionante para mim é que. Bem, na verdade, também gostaria de dizer isto por todas as crianças quer dizer, obrigada a todos os adultos por realmente cuidar de nós tanto assim e para tornar o nosso mundo futuro muito melhor.
Obrigada.
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Eu irei falar para vocês sobre como podemos abordar um recurso sub-utilizado na saúde pública, que é o paciente, ou -- como gosto de usar o termo científico -- pessoas.
Porque nós todos somos pacientes, nós todos somos pessoas.
Mesmo os médicos são pacientes em um certo ponto.
Portanto, eu quero falar sobre isso como uma oportunidade com a qual nós realmente temos falhado em nos engajar bem nesse país e, de fato, no mundo todo.
Se você quiser atingir um âmbito maior -- Quer dizer, do ponto de vista de saúde pública, de onde vem meu treinamento -- você está olhando para problemas comportamentais,
você está olhando para coisas nas quais as pessoas estão realmente provendo informação, e elas não estão utilizando essa fonte de informação.
É um problema que se manifesta em diabetes, obesidade, em muitas formas de doenças cardíacas, até mesmo em algumas formas de câncer -- quando você pensa em fumo.
Esses são comportamentos em que as pessoas sabem o que devem fazer.
Elas sabem o que deveriam estar fazendo, mas, não o estão fazendo.
Agora mudança de comportamento é uma coisa um problema antigo em medicina.
Que nos leva lá trás de volta a Aristóteles.
E os médicos odeiam, correto.
Quero dizer, eles reclamam sobre isso o tempo todo.
Nós falamos sobre isso em termos de envolvimento, ou não-conformidade,
quando as pessoas não tomam suas pílulas, quando as pessoas não seguem as ordens dos médicos. Esses são problemas de comportamento.
Porém por mais que a medicina clínica agonize em relação a mudança de comportamento, não existe muito trabalho feito em termos de tentar reparar esse problema.
Portanto, o ponto crucial disso recai sobre a noção de tomada de decisão -- em prover informação às pessoas de uma forma que não apenas as eduque ou as informe, mas que na realidade as leve a tomar melhores decisões, melhores escolhas em suas vidas.
Uma parte da medicina, no entanto tem encarado muito bem o problema de mudança de comportamento, e é a odontologia.
Odontologia pode parecer -- e eu acho que seja -- muitos dentistas teriam que reconhecê-la como sendo de certa forma um campo atrasado da medicina.
Não estão acontecendo um monte de coisas legais e sexy na odontologia.
Mas eles têm realmente abordado esse problema de mudança de comportamento solucionando-o.
É um grande sucesso em prevenção de saúde que temos em nosso sistema de saúde.
As pessoas escovam os dentes e usam fio dental.
Elas não o fazem tanto quanto deveriam, mas o fazem.
Então, eu vou falar sobre um experimento que alguns dentistas em Connecticut fizeram há 30 anos atrás.
Portanto, isso é um experimento antigo, mas realmente é muito bom, porque era muito simples, portanto é uma estória fácil de contar.
Então, esses dentistas de Connecticut decidiram que queriam fazer com que as pessoas escovassem seus dentes e usassem fio dental com mais frequência. E eles usariam uma variável: Eles queriam assustá-las.
Eles queriam dizer-lhes o quanto seria ruim se elas não escovassem os dentes e não usassem o fio dental.
Eles tinham uma grande população de pacientes.
Eles os dividiram em dois grupos.
Eles tinham uma população com pouco medo, onde eles basicamente deram uma apresentação de 13 minutos, toda baseada em ciência, mas disseram a eles que, se não escovassem os dentes e não usassem fio dental, poderiam adquirir doença de gengiva. Se adquirissem doença de gengiva, perderiam seus dentes, mas poderão usar dentadura o que não seria tão ruim.
Então esse era o grupo com pouco medo.
Para o grupo com mais medo, eles pegaram pesado.
Eles mostraram gengivas sangrando,
eles mostraram pus escorrendo por entre os dentes,
eles contaram que seus dentes cairiam,
eles disseram que poderiam ter infecções que se espalhariam de suas mandíbulas para outras partes do corpo, e finalmente, sim, eles perderiam seus dentes.
Eles usariam dentaduras, e se usassem dentaduras, não seriam capazes de comer milho no sabugo, não seriam capazes de comer maçãs, não seriam capazes de comer bife;
comeriam coisas pastosas pelo resto de suas vidas.
Portanto vão escovem seus dentes e usem fio dental.
Essa foi a mensagem; esse foi o experimento.
Agora eles mediram uma outra variável.
Eles queriam capturar uma outra variável, que era o senso de eficiência dos pacientes.
Isso era a noção de como os pacientes sentiram e se eles realmente iriam escovar os dentes e usar fio dental.
Então os pacientes foram questionados no começo, "Vocês acham que serão capazes de persistirem nesse programa?"
E as pessoas que disseram "Sim, sim. Eu sou muito bom nisso", foram caracterizadas como alta eficiência, e as pessoas que disseram, "Eh, eu nunca tive o hábito de escovar e usar o fio dental tanto quanto deveria," eles as caracterizaram como baixa eficiência.
Então o resultado foi isso.
O resultado desse experimento foi que medo não era realmente o fator determinante primário do comportamento.
As pessoas que escovam os dentes e usam o fio dental não eram necessariamente as pessoas que estavam realmente assustadas sobre o que aconteceria -- eram as pessoas que simplesmente sentiam que tinham a capacidade de mudar seu comportamento.
Portanto o medo mostrou não ser realmente o fator determinante;
este era o senso de eficiência.
Então eu quero isolar isso, porque foi uma grande observação -- 30 anos atrás, correto, 30 anos atrás -- e isso é que não é enfatizado na pesquisa.
Isto foi a noção que realmente surgiu do trabalho de Albert Bandura, que estudou se pessoas poderiam adquirir um senso de capacitação.
A noção de eficiência basicamente converge para, se alguém acredita em sua capacidade de mudar seu próprio comportamento.
Em termos de tratamento de saúde, você poderia caracterizar isso como se alguém pudesse sentir ou não se veriam um caminho voltado para uma melhor saúde, que eles pudessem realmente se orientar em direção a uma saúde melhor. E isso é uma noção muito importante.
É uma noção impressionante.
Porém, nós não sabemos realmente como lidar com ela muito bem.
Exceto que, talvez nós possamos.
Então medo não funciona, correto, medo não funciona.
E isso é um grande exemplo de como nós não temos aprendido essa lição de jeito nenhum.
Esta é a campanha da Associação Americana de Diabetes.
Essa ainda é a maneira como nós comunicamos mensagens sobre saúde.
Quero dizer, mostrei para meu filho de 3 anos esse slide na noite passada, e ele disse, "Papai, porque tem uma ambulância na casa dessas pessoas?"
E eu tive de explicar, "Eles estão tentando assustar as pessoas."
E eu não sei se isso funciona.
Agora isto é o que funciona, informação personalizada funciona.
Novamente, Bandura reconheceu isso anos atrás, décadas atrás.
Quando você dá às pessoas informação específica sobre sua saúde, onde elas se posicionam, e para onde querem ir, como devem chegar lá, essa direção, essa noção de direção, tende a funcionar como mudança de comportamento.
Então me deixe elaborar isso um pouco.
Então você começa com dados personalizados, informação personalizada, que vem do indivíduo, E aí você precisa conectá-la à vida deles.
Você precisa conectá-la à vida deles, espera-se que não de maneira baseada no medo, mas de forma que eles entendam.
Ok, eu sei onde estou. Eu sei onde estou situado.
E isso não funciona somente para mim em termos de números abstratos, essa sobrecarga de informações sobre saúde pela qual somos inundados,
mas realmente nos atinge pessoalmente.
Não apenas nos atinge em nossas cabeças, nos atinge em nossos corações.
Existe uma conexão emocional com informação porque vem de nós.
Aquela informação então precisa ser conectada às alternativas, precisa ser conectada a uma variedade de opções, direções que nós podemos seguir -- trocas, benefícios.
Finalmente, nós precisamos que nos apresentem uma linha de ação clara.
Nós precisamos conectar a informação sempre com a ação, e aí essa ação dá um feedback uma informação diferente, e isso cria, obviamente, um ciclo de feedback.
Agora esta é uma noção bem-observada e bem-estabelecida de mudança de comportamento.
Mas o problema é que coisas naquele canto superior direito, dados personalizados, têm sido bem difíceis de preparar.
é um artigo difícil e caro, até agora.
Então, eu vou dar um exemplo, um exemplo bem simples de como isso funciona.
Então nós todos já vimos isso. Essas são placas de "limite de velocidade".
Você as têm visto no mundo inteiro, especialmente hoje em dia que os radares estão mais baratos.
E aqui está como eles funcionam em um ciclo de feedback.
Então você começa com dados personalizados onde o limite de velocidade na estrada em que você está naquele ponto é de 25, e, claro, você está indo mais rápido que isso.
Nós sempre estamos. Nós sempre estamos acima do limite de velocidade.
A escolha nesse caso é bem simples.
Ou nós continuamos indo rápido, ou desaceleramos.
Nós provavelmente deveríamos desacelerar, e o momento de ação é provavelmente agora.
Nós devemos retirar nosso pé do acelerador nesse momento. E geralmente nós o fazemos; essas coisas se mostram bem efetivas em termos de conseguir com que as pessoas desacelerem.
Elas reduzem velocidade em cinco a 10%.
Elas mantêm por cerca de 5 milhas, e nesse caso colocamos nosso pé de volta no pedal.
Mas isso funciona, e até mesmo tem repercussões sobre a saúde.
Sua pressão arterial deve diminuir um pouco.
Talvez existam menos acidentes, então existem benefícios em saúde pública.
Mas de maneira geral, isso é um ciclo de feedback isso é tão bom e muito raro.
Porque em tratamento de saúde, em sua maioria, os dados são muito desconectados da ação.
É muito difícil alinhar as coisas tão perfeitamente.
Mas nós temos uma oportunidade.
Então quero conversar sobre isso, quero mudar de assunto para pensar sobre como provemos informação sobre saúde nesse país, como nós realmente obtemos informação.
Isso é um anúncio farmacêutico.
Na verdade, isso é uma paródia; não é realmente um anúncio farmacêutico.
Ninguém teve a idéia brilhante de chamar sua droga de Havidol ainda.
Mas ele parece completamente correto.
Então é exatamente a maneira como nós obtemos informação de saúde e informação farmacêutica, e simplesmente parece perfeito.
E então nós mudamos a página da revista, e nós vemos isso, correto, nós vemos isso. Agora essa é a página que o FDA requisita as companhias farmacêuticas de colocar em seus anúncios, ou após seus anúncios. E para mim, isso é uma das práticas cínicas em medicina.
Porque nós sabemos.
Quem entre nós realmente diria que as pessoas leêm isso?
E quem entre nós realmente diria que as pessoas que tentam ler isso realmente tiram algo disso?
Isso é um esforço falido em comunicar informação de saúde.
Não existe boa fé nisso.
Então isso é uma abordagem diferente.
Essa é uma abordagem que tem sido desenvolvida por uma dupla de pesquisadores da escola de medicina Dartmouth, Lisa Schwartz e Steven Woloshin.
E eles criaram essa coisa que foi chamada de quadro de fatos sobre remédios.
Eles obtiveram inspiração, sobre todas as coisas, Capitão Crunch.
Eles foram no quadro de informação nutricional e viram que o que funciona para o cereal, funciona para nossa comida, na verdade ajuda as pessoas a entenderem o que existe em suas comidas.
Deus nos livre que tenhamos de usar aqueles mesmos parâmetros pelos quais fazemos Capitão Crunch existir e os aplicamos para companhias farmacêuticas.
Então permita-me apenas caminhar através disso rapidamente.
É dito muito claramente para o que o remédio é usado, especificamente para que ele é bom, então você pode começar a personalizar seu conhecimento sobre se a informação é relevante para você ou se o remédio é relevante para você.
Você pode entender exatamente quais são os benefícios.
Não é esse tipo de promessa vaga que isto irá funcionar de qualquer modo, mas você obtém a estatística de como ele é efetivo.
E finalmente, você entende o que aquelas escolhas são.
Você pode começar a destrinchar as alternativas envolvidas por conta dos efeitos colaterais.
Cada vez que você toma remédio, você está se expondo a um possível efeito colateral.
Então ele soletra isso claramente. E isso funciona.
Então eu amo isso. Eu amo esse quadro de fatos sobre o remédio.
E então eu estava pensando sobre, qual é a oportunidade que eu poderia ter para ajudar as pessoas a entenderem a informação?
Que outra massa latente de informação está lá fora que as pessoas não estão realmente usando.
E então eu cheguei a conclusão: resultados de teste de laboratório.
Resultado de testes sanguíneos são grandes fontes de informação.
Eles estão apinhados de informação.
Elas simplesmente não são para nós; não são para as pessoas; não são para os pacientes.
Elas vão direto para os médicos.
E Deus nos livre -- Acho que muitos médicos, se você realmente perguntasse a eles, também não entendem todas essas coisas.
Essa é a pior informação apresentada.
Você pergunta a Tufte, e ele diria, "Sim, essa é a pior apresentação possível de informação."
O que fizemos na Wired foi que conseguimos que nosso departamento de desenho gráfico re-formulasse esse relatórios de laboratório.
Então isso é no quero guiar vocês passo a passo.
Então esse é o teste geral de sangue antes, e esse é o depois, essa é a conclusão que chegamos.
O depois pegou o que eram quatro páginas -- o slide prévio era na realidade a primeira das quatro páginas de dados isso é só o exame geral de sangue.
Que continua, continua, todos esses valores, todos esses números que você não conhece.
Esse é o nosso sumário de uma página.
Nós usamos a noção de cor.
É uma noção impressionante de que cor pode ser usada.
Então acima você tem os resultados em geral, as coisas que devem chamar sua atenção saltam numa bela impressão.
Então você pode analisar com mais detalhe e entender como na realidade nós colocamos o seu resultado em um contexto, e nós utilizamos cor para ilustrar exatamente onde o seu resultado recai.
Nesse caso, esse paciente está um pouco sob risco de desenvolver diabetes por conta de seu nível de glucose.
Da mesma forma, você pode avaliar seus lipídeos e, novamente, entender o que o seu nível de colesterol total é e aí diferenciá-lo em HDL e LDL se você optar.
Mas de novo, sempre usando cor e personalizando o máximo possível aquela informação.
Todos os outros valores, todas as outras páginas e páginas de resultados que estão cheias de nada, nós resumimos.
Nós dissemos que você está ok, você está normal.
Mas você não tem que olhar tudo. Você não tem que avaliar todo esse lixo.
E aí nós fazemos duas outras coisas muito importantes esse tipo de ajuda preenche o ciclo de feedback. Nós ajudamos pessoas a entenderem com um pouco mais de detalhe o que esses valores são e o que eles devem indicar.
E aí damos um passo a frente: Nós dizemos a elas o que podem fazer.
Nós damos alguma orientação quanto as escolhas que podem tomar, quais ações podem seguir.
Então esse é o nosso exame geral de sangue.
Aí vamos ao exame CRP.
Nesse caso, é um pecado de omissão.
Eles tem essa enorme quantidade de espaço, e eles não o usam para nada, mas nós o usamos.
Agora o exame CRP é frequentemente realizado após um exame de colesterol, ou em conexão com um exame de colesterol.
Então nós adotamos um passo inusitado de colocar a informação do colesterol na mesma página, que é a maneira de como o médico vai avaliar o exame.
Então nós pensamos que o paciente deve também querer saber sobre o contexto.
É a proteína que aparece quando seus vasos sanguíneos podem estar inflamados, o que pode ser um risco para doença cardíaca.
O que você está realmente medindo está soletrado em linguagem clara.
Daí usamos a informação que já está no relatório do laboratório.
Nós usamos a idade e o sexo da pessoa para começar a preencher os riscos de forma personalizada.
Então começamos a usar os dados que temos para fazer um cálculo muito simples disponível em todos os tipos de calculadoras online para se ter uma idéia de qual é o risco real.
O último que eu mostrarei a vocês é o exame PSA.
Aqui está o antes, e aqui está o depois.
Agora muito do nosso esforço nesse -- como muitos de vocês provavelmente sabem, o exame PSA é um exame muito controverso.
É usado para testar câncer de próstata, mas existem várias razões diferentes pelas quais sua próstata poderia estar alargada.
E então nós gastamos uma boa parte do nosso tempo indicando isso.
Nós novamente personalizamos os riscos.
Então esse paciente está nos seus 50 anos, então podemos na verdade dar a ele uma estimativa muito precisa de qual é o seu risco de câncer de próstata.
Nesse caso é cerca de 25%, baseado nisto.
E aí de novo, as ações a serem seguidas.
Então o nosso custo para isso foi menos que $10. 000, correto.
Isto foi o que a revista Wired gastou nisso.
Por que a revista Wired está fazendo isso?
Quest Diagnostics e LabCorp, as duas maiores companhias de testes laboratoriais: Ano passado, tiveram lucros de mais de 700 milhões de dólares e mais de 500 milhões de dólares respectivamente.
Agora isso não é um problema de recursos, isso é um problema de incentivos.
Nós precisamos reconhecer que o alvo dessa informação não deve ser o médico, não deve ser a companhia de seguro;
deve ser o paciente.
É a pessoa que na realidade, no final, vai ter de mudar sua vida e aí começar a adotar um novo comportamento.
Isso é uma informação incrivelmente poderosa.
É um cataclisma incrivelmente poderoso para se mudar.
Mas nós não o estamos usando; está sentado ali.
Está se perdendo.
Então eu quero oferecer apenas quatro perguntas que todo paciente deveria perguntar, porque eu não espero realmente que as pessoas comecem a desenvolver esses relatórios nos exames laboratoriais.
Mas vocês podem criar seu próprio ciclo de feedback.
Qualquer um pode criar seu ciclo de feedback perguntando essas simples questões: Posso ter meus resultados?
E a única resposta aceitável é -- -- sim.
O que isso significa? Ajude-me a entender o que esses dados são.
Quais são as minhas opções? Quais as opções tenho a minha frente?
E aí, qual o próximo passo?
Como eu integro essa informação a longo prazo em minha vida?
Então quero finalizar mostrando que as pessoas têm a capacidade de entender essa informação.
Isso não está acima do entendimento de pessoas comuns.
Você não precisa ter o nível de educação acadêmica das pessoas desse auditório.
Pessoas comuns são capazes de entender essa informação, se apenas nos esforçarmos em apresentar a informação a elas em uma forma que elas possam se envolver.
E envolvimento é essencial aqui, porque não é apenas dar a informação, é dar a elas a oportunidade de agir.
Isso é envolvimento; que é diferente de conformidade.
Isto funciona de maneira totalmente diferente de como falamos sobre comportamento na medicina atualmente.
E essa informação está la fora.
Hoje eu falei sobre informação latente, toda essa informação que existe no sistema que nós não estamos usando.
Mas existe todo tipo de massa de informação que está vindo online. E nós precisamos reconhecer a capacidade dessa informação para engajar as pessoas, para ajudar as pessoas a mudar o curso de suas vidas.
Muito obrigado.
Aplausos
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