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Eu irei falar sobre algumas de minhas descobertas acerca do mundo através do meu trabalho.
Estas não são descobertas de planetas ou novas tecnologias ou ciência.
São descobertas de pessoas e da forma que as pessoas são e sobre novas lideranças.
Este é Benki.
Benki é líder da Nação Ashaninka.
Seu povo vive no Brasil e no Peru.
Benki vem de uma vila tão remota no alto do Amazonas que para chegar lá, ou você tem que voar e aterrisar na água, ou ir de canoa por muitos dias.
Eu conheci Benki três anos atrás em São Paulo quando eu trouxe ele e outros líderes de populações indígenas para se encontrarem comigo e com líderes de todo mundo, porque queríamos aprender uns com os outros.
Queríamos compartilhar nossas estórias uns com os outros.
O povo Ashaninka é conhecido por toda América do Sul por sua dignidade, seu espírito e sua resistência, começando com os Incas e continuando através do século 19 com os seringueiros.
Atualmente a maior ameaça ao povo Ashaninka e para Benki vem da extração ilegal de madeira -- as pessoas que entram na maravilhosa floresta e cortam antigas árvores de mogno, as levam rio abaixo aos mercados mundiais.
Benki sabia disso.
Ele podia ver o que estava acontecendo em sua floresta, em seu meio ambiente, porque ele foi criado por seu avô desde que tinha apenas dois anos de idade para aprender sobre a floresta e sobre a forma de vida de seu povo.
Seu avô morreu quando ele tinha apenas 10 anos.
E nesta tenra idade, aos 10 anos, Benki tornou-se pajé de sua comunidade.
Agora, na tradição e cultura Ashaninka, O pajé é a mais importante pessoa da comunidade.
É a pessoa que traz consigo todo o conhecimento, toda a sabedoria, de séculos e séculos de vida, e não apenas sobre seu povo, mas sobre tudo aquilo de que depende a sobrevivência de seu povo: árvores, pássaros, água, terra, a floresta.
Então quando ele tinha apenas 10 e tornou-se pajé, ele começou a liderar seu povo.
Ele começou a falar com eles sobre a floresta que eles precisavam proteger, a forma de vida que eles precisavam ter para proteger.
Ele explicou a eles que não era uma questão de sobrevivência do melhor adaptado; era uma questão de compreensão daquilo que eles precisavam para sobreviver e para protegê-la.
Oito anos depois, quando ele era um jovem homem de 18, Benki deixou a floresta pela primeira vez.
Ele viajou 3000 milhas em uma odisséia até o Rio de Janeiro para a cúpula da Terra para contar ao mundo o que estava acontecendo em seu pequenino cantinho.
E ele foi porque ele esperava que o mundo ouvisse.
Alguns ouviram, mas não todos.
Mas se conseguirem imaginar este jovem com seu cocar e seu manto fluido, aprendendo uma nova língua, português, sem mencionar o inglês, indo para o Rio, construindo uma ponte para alcançar pessoas que ele nem conhecia -- um mundo bastante hostil.
Mas ele não ficou desiludido.
Benki voltou para sua vila cheio de ideias -- novas tecnologias, nova pesquisa, novas formas de entender o que estava acontecendo.
Desde então, ele continuou a trabalhar com seu povo, mas não apenas com a Nação Ashaninka, mas todos os povos do Amazonas e além.
Ele construiu escolas para ensinar as crianças a cuidar da floresta.
Juntos, ele os levou a reflorestação de mais de 25% da terra que havia sido destruída pelos cortadores de madeira.
Ele criou uma cooperativa para ajudar as pessoas a diversificar sua subsistência.
E ele trouxe internet e tecnologia via satélite para a floresta -- ambas para que as próprias pessoas pudessem monitorar o desmatamento, mas também para que ele pudesse falar da floresta para o resto do mundo.
Se você fosse conhecer Benki e perguntasse a ele, "Por que você está fazendo isso?
Por que você está se colocando em risco?
Por que você está se fazendo vulnerável em um mundo normalmente hostil?"
Ele lhe diria, como ele me disse, "Eu perguntei e mim mesmo", ele disse, "O que meus avós e tataravós fizeram para poteger a floresta antes de mim?
E o que eu estou fazendo?"
Então quando penso nisso, eu imagino o que nossos netos e nossos tatara-netos, quando se perguntarem a mesma questão, eu imagino como eles irão respondê-la.
Para mim, o mundo está mudando em direção a um futuro que nós não queremos quando realmente pensamos sobre isso profundamente.
É um futuro que não sabemos os detalhes, mas é um futuro que tem sinais, assim como Benki viu os sinais a sua volta.
Sabemos que estamos esgotando o que precisamos.
Estamos acabando com a água fresca.
Estamos acabando com os combustíveis fósseis.
Estamos acabando com a terra.
Sabemos que a mudança climática irá afetar todos nós.
Não sabemos como, mas sabemos que irá.
E sabemos que existirão mais pessoas do que nunca -- cinco vezes mais pessoas que em 40 anos do que em 60 anos atrás.
Estamos acabando com o que precisamos.
E também sabemos que o mundo mudou de outras formas, que, desde 1960, existe 1/3 a mais de novos países do que existem entidades independentes no planeta.
Egos, sistemas de governos -- imaginem -- mudança em massa.
E em adição a isto sabemos que outros cinco grandes países terão uma voz no futuro, uma voz que ainda nem sequer começamos a ouvir -- China, India, Rússia, África do Sul e o próprio Brasil de Benki. onde Benki conseguiu seus direitos civis apenas com a constituição de 1988.
Mas vocês sabem tudo isso.
Vocês sabem mais do que Benki sabia quando ele deixou sua floresta e viajou 3. 000 milhas.
Você também sabe que nós não podemos continuar fazendo o que sempre fizemos porque teremos os resultados que sempre tivemos.
E isto me lembra de algo que eu entendo Lord Salisbury disse à Rainha Victoria a mais de 100 anos atrás, quando ela o pressionava, "Por favor mude."
Ele disse, "Mudar?
Por que mudar?
As coisas já estão ruins o suficiente como estão."
Precisamos mudar.
É imperativo para mim quando vejo em todo mundo, que precisamos mudar a nós mesmos.
Precisamos de novos modelos do que significa ser um líder.
Precisamos de novos modelos de como ser um líder e humano no mundo.
Eu comecei minha vida como bancária.
Agora não admito isso a ninguém a não ser meus amigos mais íntimos.
Mas nos últimos 8 anos, Eu fiz algo completamente diferente.
Meu trabalho me levou ao mundo todo, onde tive o verdadeiro privilégio de conhecer pessoas como Benki e muitos outros que estão fazendo a mudança acontecer em suas comunidades -- pessoas que vêm o mundo diferente, que estão perguntando questões diferentes, que possuem diferentes respostas, que entendem os filtros que usam quando saem pelo mundo.
Este é Sanghamitra.
Sanghamitra vem de Bangalore.
Eu conheci Sanghamitra 8 anos atrás quando estive em Bangalore organizando um workshop com líderes de diferentes ONG's que trabalhavam com alguns dos aspectos mais duros da sociedade.
Sanghamitra não começou a vida como líder de ONG, ela começou sua carreira como professora de universidade, ensinando Literatura inglesa.
Mas ela percebeu que estava muito distante do mundo fazendo isso.
Ela adorava, mas ela estava muito distante.
E então em 1993, muito tempo atrás, ela decidiu começar uma nova organização chamada Samraksha focada em uma das mais duras áreas, um dos mais duros problemas da India -- em qualquer lugar do mundo atualmente -- HIV/AIDS.
Desde aquela época, Samraksha cresceu de força para força e é agora uma das ONG's líderes em saúde na India.
Mas se você apenas pensar no estado do mundo e do conhecimento sobre HIV/AIDS em 1993 -- na India daquela época era de arranhar o céu e ninguém entendia por que, e todo mundo tinha muito, muito medo.
Atualmente ainda existem 3 milhões de pessoas soropositivas na India.
Esta é a segunda maior população do mundo.
Quando perguntei a Sanghamitra, "Como você foi da Literatura inglesa para HIV/AIDS?"
não foi um caminho óbvio, ela me disse, "Está tudo conectado.
Literatura nos deixa sensíveis, sensíveis às pessoas, aos seus sonhos e suas ideias."
Desde aquela época, sob sua liderança, Samraksha tem sido pioneira em todas as áreas relacionadas a HIV/AIDS.
Eles tinham retiros, o primeiro, os primeiros centros de saúde os primeiros serviços de aconselhamento -- e não apenas na urbana população de 7 milhões de Bangalore, mas nas vilas mais difíceis de alcançar no estado de Karnataka.
Até isso não era suficiente.
Ela queria mudar a política a nível governamental.
10 dos programas que ela foi pioneira são agora política governamental e fundados pelo governo.
Eles cuidam de cerca 20. 000 pessoas atualmente em mais de 1. 000 vilas em Karnataka.
Ela trabalha com pessoas como Murali Krishna.
Murali Krishna vem de uma dessas vilas.
Ele perdeu sua mulher para a AIDS alguns anos atrás, e ele é HIV-soropositivo.
Mas ele viu o trabalho, o cuidado, a compaixão que Sanghramitra e seu time trouxeram para a vila, e ele quis fazer parte disto.
Ele é um amigo da Leaders' Quest, e isto o ajuda em seu trabalho.
Ele foram os pioneiros de diferentes abordagens nas vilas.
Ao invés de entregar panfletos com informações, como quase sempre acontece, ele trazem grupos de teatro, canto, música, dança.
E eles se sentam, e eles falam sobre seus sonhos.
Sanghamitra me contou na semana passada -- que ela havia acabado de voltar de 2 semanas nas vilas -- e ela fez uma verdadeira descoberta.
Eles estavam sentados em círculos, falando de seus sonhos para a vila.
E as jovens mulheres da vila levantaram e disseram, "Nós mudamos nosso sonho.
Nosso sonho é que nossos parceiros, ou maridos, não sejam designados a nós pelo horóscopo, mas que sejam dados a nós porque foram testados e estão livres do HIV."
Se você for sortudo o bastante para conhecer Sanghamitra e perguntar a ela por que e como, como você conquistou tanto?
Ela irá olhar para você e muito calmamente, irá dizer lentamente, "Apenas aconteceu.
É o espírito aqui dentro."
Este é Dr. Fan Jianchuan.
Jianchuan vem da província de Sichuan no sudeste da China.
Ele nasceu em 1957, e você pode imaginar como foi sua infância como lhe pareceu, como sentiu e como sua vida tem sido nestes últimos 50 tumultuados anos.
Ele foi soldado, professor, político, vice-prefeito e homem de negócios.
Mas se você sentar-se e perguntar a ele, "Quem realmente você é, e o que você faz?"
Ele lhe diria, "Sou um colecionador, e curador de um museu."
Eu tive sorte; ouvi sobre ele por anos, e finalmente o conheci no início deste ano em seu museu em Chengdu.
Ele tem sido colecionador por toda sua vida, começando quando tinha 4 anos no início da década de 1960.
Agora pense como era a década de 1960 na China.
Através de uma vida, passando por tudo, passando pela Revolução Cultural e tudo que veio depois, ele continuou colecionando, até que hoje ele tem 8 milhões de peças em seus museus documentando a história contemporânea chinesa.
Estas são peças que você não encontrará em nenhum outro lugar do mundo, em parte porque eles documentam partes da história, que os chineses escolheram esquecer.
Por exemplo, ele possui 1 milhão de peças documentando a Guerra Sino-Japonesa, uma guerra que não é muito falada na China e cujos heróis não são honrados.
Por que ele fez tudo isso?
Porque ele pensou que uma nação não deve jamais repetir os erros do passado.
Assim de encomendas de estátuas de bronze maiores que o real dos heróis da Guerra Sino-Japonesa, incluindo aqueles chineses que lutaram uns contra os outros e deixaram o território da China para ir para Taiwan, para comemorar todos os desconhecidos, os soldados comuns que sobreviveram solicitando a eles que fizessem impressões de suas mãos, ele garantia -- um homem estava garantindo -- que a história não fosse esquecida
Mas não é apenas com os heróis chineses que ele se preocupa.
Este prédio contém a maior coleção do mundo de documentos e artefatos comemorando o papel dos EUA em lutar ao lado dos chineses naquela longa guerra -- os "Tigres Voadores".
Ele possui nove outros prédios -- que já estão abertos ao público -- repleto até às vigas com artefatos documentando a história contemporânea chinesa.
Dois dos mais sensíveis prédios incluem a coleção de uma vida sobre a Revolução Cultural, um período em que a maioria dos chineses preferiria esquecer.
Mas ele não quer que sua nação se esqueça nunca.
Estas pessoas me inspiraram, e elas me inspiraram porque nos mostraram o que é possível quando se olha para o mundo, muda-se a forma como se olha para o seu lugar no mundo.
Eles olharam para fora, e então mudaram o que acontecia dentro.
Eles não foram a escolas de administração.
Eles não leram o manual, "Como ser um Bom Líder em 10 fáceis passos."
Mas eles tinham qualidades que todos nós reconhecemos.
Eles têm motivação, paixão, compromisso.
Eles deixaram para trás, aquilo que faziam antes, e foram em direção a algo que eles não conheciam.
Eles tentaram conectar mundos que não sabiam que existiam antes.
Eles contruíram pontes, e eles andaram através delas.
Eles tinham um senso do grande arco do tempo e de seu pequeno lugar nele.
Eles sabem que pessoas vieram antes deles e que terão sucessores.
e eles sabiam que eram parte de um todo, e que dependiam de outras pessoas.
Não é sobre eles, eles sabem disso, mas não foi iniciado por eles.
E eles têm humildade.
Apenas acontece.
Mas nós sabemos que não "apenas" acontece, não sabemos?
Sabemos que leva tempo para fazer acontecer, e sabemos a direção que o mundo está indo.
Então acredito que precisamos de planos de sucessão em nível global.
Não podemos esperar que as próximas gerações, os novos membros, cheguem e aprendam como ser os bons líderes que precisamos.
Eu acho que tem que começar conosco.
E sabemos, assim como eles sabiam, como isto é difícil.
Mas a boa notícia é que não precisamos descobrir enquanto fazemos, temos modelos, temos exemplos, como Benki e Sanghamitri e Jianchuan.
Podemos olhar para o que eles fizeram, se olharmos.
Podemos aprender com o que eles aprenderam.
Podemos mudar a forma como nos vemos no mundo.
E se tivermos sorte, podemos mudar a forma que nossos tatara-netos irão responder a questão de Benki.
Obrigada.
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Para entender o ramo da mitologia e quais são as tarefas de um "Executivo Principal de Crenças" você precisa escutar uma estória de Ganesha, O deus com cabeça de elefante que é o escrivão dos contadores de estórias, e seu irmão, o chefe guerreiro dos deuses, Kartikeya
Os dois irmãos um dia decidiram competir em uma corrida, dando 3 voltas ao mundo.
Kartikeya montou em seu pavão e voou pelos continentes e pelas montanhas e pelos oceanos.
Ele deu uma volta, duas voltas, ele deu três voltas.
Mas seu irmão, Ganesha, simplesmente deu três voltas ao redor de seus pais uma, duas, três, e disse, "ganhei."
"Como assim?" disse Kartikeya.
E Ganesha disse, "Você deu uma volta no mundo." Eu dei uma volta "no meu mundo."" E que importa mais?
Se você entende a diferença entre "o mundo" e "meu mundo" você entende a diferença entre logos e mythos.
"O mundo" é objetivo, lógico, universal, factual, científico.
"Meu mundo" é subjetivo.
É emocional. É pessoal.
É sobre percepções, pensamentos, sentimentos, sonhos.
É o sistema de crenças que carregamos.
É o mito em que vivemos.
"O mundo" nos diz como o mundo funciona, como o sol nasce, como nascemos.
"Meu mundo" nos diz porque o sol nasce, porque nascemos,
Toda cultura tenta se entender, "Por que nós existimos?"
E toda cultura inventa sua própria compreensão da vida, sua própria versão personalizada da mitologia
Cultura é uma reação à natureza, e esta compreensão de nossos ancestrais é transmitido de geração a geração na forma de estórias, símbolos e rituais, que são sempre indiferentes a razão.
E quando você a estuda, você se dá conta de que diferentes povos do mundo tem uma compreensão diferente do mundo.
Pessoas diferentes vêm coisas de forma diferente. têm pontos de vista diferentes.
Há o "meu mundo" e há o "seu mundo", e meu mundo é sempre melhor que seu mundo, porque meu mundo, veja bem, é racional, e o seu é um de superstição.
O seu é de fé,
o seu é ilógico.
Esta é a raiz do conflito de civilizações.
Aconteceu uma vez, no ano de 326 A. C.
as margens de um rio chamado de Indus hoje no Paquistão.
A Índia tem este nome por conta deste rio.
Índia. Indus.
Alexandre, um jovem Macedônio, conheceu lá o que ele chamou de "gimnosofista," o que siginifica " o homem sábio, nu."
Não sabemos quem ele foi.
Talvez era um monge jainista como Bahubali, aqui, o Gommateshvara Bahubali cuja imagem não esta longe da cidade de Mysore.
Ou talvez ele era apenas um iogue, sentado numa pedra, olhando para o céu, para o sol e para a lua.
Alexandre perguntou, "O que você estã fazendo?"
e o gimnosofista respondeu, "estou experienciando o nada."
Então o gimnosofista perguntou, "O que você está fazendo?"
E Alexandre, o Grande, disse, "Estou conquistando o mundo."
E ambos riram.
Cada um pensou que o outro fosse um tolo.
O gimnosofista disse, "Por que ele esta conquistando o mundo?
Não tem sentido."
E Alexandre pensou, "Por que ele está sentado por aí, sem fazer nada?
Que desperdício de uma vida."
Para entender esta diferença entre pontos de vista temos que entender a verdade subjetiva de Alexandre: seu mito, e a mitologia que o construiu.
A mãe de Alexandre, seus pais e Aristóteles seu professor contaram a ele a estória llíada de Homero
Contaram a ele a estória de um grande herói, Aquiles, que, quando participava de uma batalha, a vitória era garantida, e quando ele se retirava de de uma batalha, a derrota era inevitável.
"Aquiles foi um homem que podia moldar a história, um home de destino, e isso que você deve ser, Alexandre."
Foi isso que ele escutou.
"O que você não deveria ser?"
Você não deve ser como Sísifo, que rola uma pedra montanha acima o dia inteiro apenas para descobrir que a pedra rolou montanha abaixo a noite.
Não viva uma vida de monotonia, medíocre e sem significado.
Seja espetacular! -- como os heróis Gregos, como Jasão, que atravessou o oceano com os Argonautas para buscar o velo de ouro.
Seja espetacular como Teseu, que entrou no labirinto e matou o Minotauro.
Quando você entrar numa corrida, vença! -- porque quando você vence, a satisfação da vitória é o mais próximo que você chegará a ambrosia dos deuses."
Porque, veja bem, os Gregos acreditavam que você vivia apenas uma vez e quando você morre, você tem que atravessar o rio Styx,
e se você viveu uma vida extraordinária será bem vindo ao Campos Elísios ou o que franceses chamam de "Champs-Élysées" -- -- o paraíso dos heróis.
Mas estas não foram as estórias que o gymnosofista escutou.
Ele escutou uma estória muito diferente.
Ele escutou a estória de um homem chamado Bharat, raiz da palavra Bhārata, como a Índia é chamada.
Bharat também conquistou o mundo.
E então foi ao pico mais alto da maior montanha do centro do mundo chamada Meru.
E ele queria hastear sua bandeira e proclamar, "Eu fui o primeiro."
mas quando chegou ao topo da montanha, ele o encontrou repleto de inúmeras bandeiras de inúmeros conquistadores antes dele, cada um proclamando que "fora o primeiro.
isso foi o que eu pensei até chegar aqui."
E de repente, com o visual infinito da montanha ao fundo, Bharat se sentiu insignificante.
Esta era a mitologia do gymnosofista.
Ele tinha hérois como Ram -- Raghupati Ram e Krishna, Govinda Hare.
Mas eles não eram dois personagens em duas aventuras diferentes.
Eles eram duas vidas do mesmo herói.
Quando o Ramayana acaba, começa o Mahabharata.
Quando Ram morre, Krishna nasce.
Quando Krishna morre, eventualmente ele voltará como Ram.
Veja, os Indianos também tinham um rio que separa a terra dos vivos da terra dos mortos.
mas você não o atravessa uma vez.
Você vai e volta eternamente.
Era chamado de Vaitarna.
Você vai de novo, de novo, e de novo.
Porque, você vê, nada dura para sempre na Índia, nem mesmo a morte.
Então, você tem esses grandes rituais onde enormes imagens de deusas-mãe são construídas e adoradas por 10 dias.
E o que é feito no final dos 10 dias?
Joga-se a estátua no rio.
Porque tudo termina.
E no ano que vem, ela voltará.
"Faça aos outros o que quer que façam a você", esta regra aplica-se não apenas aos homens, mas também aos deuses;
Os deuses tem que voltar várias e várias vezes como Ram, como Krishna.
Não apenas eles vivem vidas infinitas, mas a mesma vida é vivida infinitas vezes até você entender o significado de tudo.
Duas mitologias diferentes.
Qual está certa?
Duas mitologias diferentes, duas formas de enxergar o mundo.
Uma é linear, a outra cíclica.
Uma acredita que esta é a única vida.
A outra acredita que esta é uma de muitas vidas.
Então, o fator denominador da vida de Alexandre era um.
Então o valor da vida dele era a soma total de suas conquistas.
O fator denominador da vida do gymnosofista era o infinito.
Então, não importa o que ele fizesse, o resultado era sempre zero.
Eu acredito que foi este paradigma mitológico que inspirou matemáticos Indianos a descobrir o número zero.
Vai saber!
E isso nos traz para a mitologia nos negócios.
Se a crença de Alexandre influenciou seu comportamento, se a crenças do gymnosofista influenciou seu comportamento, então era óbvio que elas influenciaram seus negócios.
O que são negócios se não os resultados de como o mercado se comporta e de como a organização se comporta?
E se você observar culturas mundo afora, tudo o que você tem que fazer é entender a mitologia e você verá como eles se comportam e como fazem negócios.
Dêem uma olhada.
Se você vive apenas uma vez, nas "culturas de uma vida" mundo afora, você verá uma obsessão com a lógica binária, verdades absolutas, padronização, absolutismo, padrões lineares em design.
Mas se observar culturas que possuem ciclos de vida e são baseadas em vidas infinitas, vocês vão ver um conforto com lógica pouco clara, com opinião, com pensamentos contextuais, onde tudo é relativo, mais ou menos. geralmente.
Vejamos as artes. Vejamos uma bailarina. Como é linear sua forma de de apresentar.
E observe uma dançarina de dança clássica Indiana, a dançarina de Kuchipudi, a dançarina de Bharatanatyam, "cheia de curvas."
E vejamos os negócios.
Modelo de negócios padrão: visão, missão, valores, processos.
Soa muito parecido com a jornada pela natureza selvagem até a terra prometida com os mandamentos na mão de seu líder.
e se aceitá-los, você irá para o céu.
But na Índia, não há "a" terra prometida.
Há muitas terras prometidas, dependendo da sua posição na sociedade, dependendo do estágio de vida em que se encontra.
Você vê, negócios não são gerenciados como instituições, pelas idiossincrasias dos indivíduos.
O que importa é o gosto.
É sempre sobre meu gosto.
A música indiana, por exemplo, não tem o conceito de harmonia.
Não há um condutor da orquestra.
Temos um artista de pé e todos os outros o seguem.
e é impossível repetir a mesma apresentação duas vezes.
Não é sobre documentação e contrato.
É sobre uma conversa e fé.
Não é sobre obediência. É sobre o ambiente, ter o trabalho feito, modificando ou quebrando as regras -- Apenas observem Indianos aqui, vocês vão ver eles sorrindo; eles sabem do que estou falando.
E então olhe para as pessoas que fizeram negócios na Índia, você vê seus semblantes desesperados.
Essa é a Índia de hoje. A realidade é baseada numa visão de mundo cíclica.
Assim, ela está mudando rapidamente, de enorme diversidade, caótica, ambígua e imprevisível.
E o povo não se importa com isso.
E a globalização está entrando aqui.
E as demandas do pensamento institucional moderno estão chegando,
que tem raizes na cultura de "uma vida"
E um conflito vai acontecer, como o das margens do rio Indus.
É inevitável.
Já tive tal experiência. Eu sou médico.
Não quis estudar pra ser cirurgião. Não me perguntem por que.
Amo mitologia demais.
Queria aprender sobre mitologia. Mas não há nenhum lugar em que você possa estudar.
Então tive que ser autodidata.
E mitologia não dá lucros. bem. até agora.
Então tive que trabalhar. E trabalhei na indústria farmacêutica.
E trabalhei na indústria da saúde.
E trabalhei como um cara do marketing, e um cara das vendas, e o cara da informação, o cara da redação, e o cara do treinamento.
Fui até mesmo consultor, trabalhando em estratégia e táticas de negócios.
E eu via o desespero entre meus colegas Americanos e Europeus, em seus negócios com a Índia.
Exemplo: nos explique o processo para faturas de hospitais.
Passo A, Passo B, Passo C. Por aí.
Como criar parâmetros para o "por aí"?
Como você coloca isso em um pequeno software? Não tem jeito.
Eu daria meus pontos de vista para as pessoas.
mas ninguem estava interessado. até que um dia conheci Kishore Biyani do Grupo Future.
Ele é o fundador da maior rede varejista da Índia, o Big Bazaar.
São mais de 200 formatos de lojas em mais de 50 cidades da Índia.
E ele estava trabalhando com mercados dinâmicos e diversificados.
Mas ele sabia muito intuitivamente que as melhores práticas e processos desenvolvidas no Japão, China, Europa e América não funcionarão na Índia.
Ele sabia que o pensamento institucional não funciona na Índia. O pensamento Individual sim.
Ele tinha uma compreensão intuitiva da estrutura mítica da Índia.
Assim ele me pediu pra ser o ``Principal Executivo de Crenças" e disse, "Tudo que quero que você faça é alinhar as crenças."
Parece tão simples.
mas crenças não são mensuráveis.
Não tem como medi-las ou gerenciá-las.
Então como você constrói crenças?
Como você aumenta a sensibilidade das pessoas para a "Indialidade".
Mesmo se você é um Indiano, isso não é muito explícito, não é muito óbvio.
Então tentei trabalhar com o modelo padrão de cultura, que é desenvolver estórias, símbolos e rituais.
E vou compartilhar um destes rituais com vocês.
Ele é baseado no ritual hindu do Darshan
Os Induístas não tem o conceito dos mandamentos.
Assim não há o certo ou o errado no que você faz em vida.
Então não se sabe o que faz, quando você fica frente a frente com Deus.
Então quando você visita um templo, tudo o que você procura é uma reunião com Deus.
Você quer ver Deus.
E você quer que Deus o veja, e por isso os Deuses têm olhos muito grandes, olhos grandes que não piscam, as vezes feitos de prata, assim eles olham pra você.
Porque você não sabe se está certo ou errado, e assim tudo que você procura é empatia divina.
Apenas saiba de onde venho, e porque fiz essas coisas."
"Porque eu defini o ambiente, porque eu não me importo com os processos, apenas me entenda, por favor."
E baseado nisso nós criamos um ritual para líderes.
Depois que um lider completa seu treinamento e está próximo de assumir a loja, nós o deixamos de olhos vendados, nós o cercamos com as partes interessadas, o cliente, sua família, seu time, seu chefe.
Você lê suas funções, seus indicadores de performance, você entrega a ele as chaves, e então você retira as vendas dos olhos.
E invariavelmente, presenciamos lágrimas, porque a ficha caiu.
Ele percebe que para ter sucesso, ele não tem que ser um profissional, ele não tem que suprimir suas emoções, ele tem que incluir todas essas pessoas em seu mundo para ter sucesso, para fazê-los feliz para fazer o chefe feliz, para fazer todos felizes.
O cliente está feliz, porque o cliente é Deus.
Essa sensibilidade é o que nós precisamos. Quando temos esta crença, o comportamento acontece, o negócios acontece.
E tem acontecido.
Assim, então nós voltamos a Alexandre o Grande e o gimnosofista.
E todos perguntam: qual é o melhor jeito então, este ou aquele?
E esta é uma pergunta muito perigosa, porque ela nos leva ao caminho do fundamentalismo e da violência.
Assim, eu não vou responder a questão.
O que eu ofereço a você é uma resposta Indiana, o balanço de cabeça Indiano.
Dependendo do contexto, dependendo dos resultados, escolha seu paradigma.
Pois ambos os paradigmas são construções humanas.
Eles são criações culturais, não fenômenos naturais.
E assim da próxima vez que você conhecer alguém, um estranho qualquer tenho um pedido: entenda que você vive dentro de uma verdade subjetiva, assim como ele.
Entenda isso.
E quando entender isso descobrirá algo espetacular.
verá que dentro desta infinidade de mitos mora a verdade eterna.
Quem vê tudo?
Varuna tem nada menos que 1000 olhos.
Indira tem 100.
Eu e você, apenas dois.
Obrigado.
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Eu sou crítico de tecnologia da coluna semanal do New York Times.
Eu avalio eletrônicos e coisas do tipo.
O que os bons pais deveriam estar fazendo nesta época do ano é aconchegar-se com seus filhos e decorar árvores de natal.
O que eu mais faço nesta época é ligar a TV a cabo e responder à mesma pergunta: "Quais são as tendências tecnológicas para o próximo ano?"
E eu penso, "A gente já não fez isso no ano passado?"
Mas eu vou escolher o que mais me interessa, que é o casamento perfeito entre telefone celular e internet.
Sabe, eu encontrei aquele vulcão no Google Images, sem perceber como me faz parecer com a capa do Dianética.
Enfim, isso tudo começou há alguns anos, quando eles começaram a transmitir a sua voz pela internet em vez de fazê-lo pelo telefone, e desde então, evoluímos muito.
Mas isso foi interessante por si só. Quero dizer em empresas como a Vonage.
Basicamente, você pega o telefone convencional, pluga nessa pequena caixa que eles fornecem e a caixa pluga no modem.
Funciona como um telefone normal.
Você pode atender o telefone, você ouve um tom de discagem, mas é tudo falso. É um arquivo WAV de tom de discagem, apenas para assegurá-lo que o mundo ainda não acabou.
Poderia ser qualquer coisa. Poderia ser salsa ou uma comédia rotineira, não importa.
A caixinha tem seu número de telefone.
Isso é muito legal. Você pode levá-lo para Londres ou Sibéria, e o seu vizinho pode discar seu número de casa e o seu telefone vai tocar, porque ele tem tudo na caixa.
Eles colocaram lá dentro todos os recursos que a humanidade conhece, porque é apenas um software.
Como resultado do Voice Over IP -- odeio esse termo, "Voice Over Internet "-- o serviço de telefonia fixa caiu 30% nos últimos três anos.
Quero dizer, nenhum estudante universitário que se dê o respeito tem telefone em casa.
É isso que universitários têm. É o mais popular O serviço VOIP mais popular no mundo é o Skype.
É um programa gratuito que você baixa para o seu Mac ou PC, e faz chamadas gratuitas para qualquer lugar do mundo. O aspecto negativo é que você tem que usar fones de ouvido como um nerd.
Não é o seu telefone -- é seu computador.
No entanto, se você é um universitário e não tem dinheiro, acredite em mim, é melhor do que tentar usar seu celular.
É tão bonitinho ver o pessoal de meia idade, como eu, tentar usar o Skype pela primeira vez, o que normalmente acontece quando os filhos viajam para estudar fora durante um semestre.
Eles não querem pagar as taxas internacionais, aí ficam assim: "Timmy! É você?"
É muito bonitinho.
Mas eu - ao menos foi assim comigo - Eu acho que o VOIP realmente vai ficar interessante quando eles começarem a colocá-lo nos celulares.
Imagine se você tivesse um celular comum, e sempre que estivesse em um local com conexão wireless -- chamadas grátis para qualquer lugar do mundo, e nunca pagar um centavo à empresa de telefonia.
Isso seria, muito, muito legal, e mesmo que essa tecnologia esteja disponível há cinco anos, por incrível que pareça, o número de celulares comuns oferecido por prestadoras de serviço americanas com VOIP grátis é zero!
Não consigo entender porque!
Na verdade, preciso atualizar essa informação. Há, sim, um agora.
E é tão legal que pensei em falar sobre ele pra vocês.
É da T-Mobile.
Não sou pago pela T-Mobile.
Não estou usando o T-Mobile.
O New York Times tem políticas muito rígidas sobre isso.
Desde que aquele idiota do Jayson Blair estragou tudo.
Basicamente, o motivo pelo qual vocês nunca ouviram falar desse programa é que ele só foi apresentado no ano passado, em 29 de junho.
Alguém lembra o que mais aconteceu em 29 de junho do ano passado?
O IPhone aconteceu. Ele foi lançado nesse dia.
E eu pensei: "Você consegue imaginar como é ser a assessora de imprensa da T-Mobile?" Você sabe?
"Oi, nós temos um anúncio a - AAAAAHHHHHH!"
Mas na verdade isso é muito, muito legal. Você pode escolher o telefone, e nós não estamos falando de smartphones, e sim, telefones normais, incluindo um Blackberry, que tem Wi-Fi.
Funciona assim: toda vez que você estiver em uma zona Wi-Fi, todas as suas ligações são gratuitas.
E quando estiver fora da zona, você estará na rede de celulares comum.
E você pensa: "Bom, com que frequência estou em uma zona livre?"
A resposta é: "Sempre!"
Porque eles fornecem um roteador sem-fio que funciona com o telefone, para a sua casa.
O que é muito engenhoso, porque todos sabemos que a T-Mobile é a operadora de celular mais patética.
A cobertura deles é do tamanho da minha unha.
Mas custa cem milhões de dólares para instalar uma daquelas torres. Correto?
Eles não têm tanto dinheiro assim. Em vez disso, eles nos dão uma caixa de sete dólares e 95 centavos. Elas são como uma torre discreta que funcionam com um programa de instalação.
E estamos colocando isso em nossas casas para eles.
Então, eles têm telefones Wi-Fi na Europa.
Mas o que a T-Mobile fez que ninguém mais havia feito é que quando você está em uma ligação e muda de uma zona Wi-Fi para uma de alcance de sinal de celular, a chamada muda de rede Wi-Fi para rede de celular entre sílabas, sem que você note. Vou mostrar a vocês as tecnologias avançadas que usamos no New York Times para testar esse mecanismo.
Este sou eu com uma filmadora em um telefone fazendo assim.
Enquanto saio da rede Wi-Fi da minha casa para a rede de celulares, em uma chamada para minha esposa, olhe para o lado esquerdo superior. Ali está o sinal Wi-Fi: Jennifer Pogue: Alô?
David Pogue: E aí, gatinha, sou eu.
JP: Ah, oi querido, como você está?
DP: Você está no Wi-Fi. Como está o som?
JP: Ah, o som está bom.
DP: Agora vou sair da casa. Vou passear -- você se incomoda?
JP: Não, imagina. Estou tendo um ótimo dia com as crianças.
DP: O que vocês estão fazendo?
Pronto!
Ele acabou de mudar para a torre do celular no meio da chamada.
Não sei por que a minha esposa diz que eu nunca escuto o que ela diz. Não entendo.
No final das contas, os limites, por conta do celular pela Internet, estão desaparecendo.
O legal dos telefones da T-Mobile é que, apesar de essa tecnologia de troca de rede ser algo bem avançado, a tecnologia de cobranças não acompanhou.
O que quero dizer é que você pode começar uma ligação na sua casa, em uma zona Wi-Fi, entrar no carro e falar até acabar a bateria, o que ocorreria em mais ou menos 10 minutos, E a chamada continua sendo de graça.
Porque eles não, eles não têm. bem, não, espera! Não tão rápido.
Também funciona da outra maneira.
Se você começar uma chamada pela sua rede de celular, e vier para casa, você continua sendo cobrado.
Esse é o motivo pelo qual a maioria das pessoas com esse serviço, adquirem o hábito de dizer, "Olha, acabei de chegar em casa. Posso te ligar daqui a pouco?"
Agora você entendeu.
Também é verdade que se você usar um desses telefones fora do país ele não identifica a zona de Internet que você está.
Na Internet ninguém sabe que você é um cão. Certo? Ninguém sabe que você está no Paquistão.
Você pode fazer ligações ilimitadas para casa nos EUA com esses telefones. Então é muito, muito interessante.
Essa é outra coisa de que gosto muito.
Alguém aqui tem um celular funcionando ligado, com cobertura, que possa fazer uma ligação agora, sem muitas complicações?
Ok. Você poderia me ligar agora? E não me liguem às três da manhã pedindo para eu consertar a impressora!
Eu tenho dois celulares, então isso vai ser estranho, se funcionar.
Eu não deveria fazer demonstrações tecnológicas em frente a um público. É simplesmente absurdo!
Esse está tocando e. ah, ele está para vibrar! Pffftt! Ótimo!
De qualquer maneira, esse também está tocando. Então ambos estão tocando ao mesmo tempo.
Me dêem licença por um segundo.
Alô?
Ah. De onde você está ligando?
Não, estou brincando. Aí está. Obrigado por fazer isso.
Eu nem sabia que era você. Eu estava olhando para aquele cara.
Ah, ótimo! Ok, você já pode parar de ligar!
Tá bom. Já convencemos!
Pronto. Sem som. Todo mundo quer participar.
Esta é a Grand Central trabalhando -- é uma -- ah, pelo amor de Deus!
Agora tenho os seus números!
Vocês vão se ver comigo.
Grand Central é uma ideia brilhante em que eles te dão um novo número de telefone, e então, em certo momento, um número de telefone faz todos os seus telefones tocarem ao mesmo tempo.
Seu telefone residencial, o comercial, o celular, o do iate. Essa é a platéia-modelo.
O interessante é que você nunca deixa de receber uma chamada.
Sei que muitos de vocês estão pensando: "Ah, mas eu não quero que me liguem a qualquer hora."
Mas o legal é que tudo acontece pela internet, aí você tem todos esses recursos muito legais, e pode dizer: "Eu quero que essas pessoas possam falar comigo apenas nesses horários."
E eu quero que essas pessoas recebam a seguinte mensagem: "Oi chefe, estou fora ganhando mais dinheiro para nós. Deixe um recado."
E aí a sua esposa liga e, "Oi querida, deixe um recado".
Extremamente personalizável.
A Google comprou, e eles vêm trabalhando nele há um ano.
Eles devem lançá-lo em breve com um método público.
Por sinal, isso é algo que me incomoda profundamente.
Não sei se vocês perceberam, mas quando você disca 411 no seu celular, eles te cobram dois dólares.
Vocês sabiam? É um absurdo.
Eu até consegui uma foto do funcionário da Verizon bem no flagra.
Eu vou lhe dizer como evitar isso agora.
O que você vai usar é o Google Cellular.
É completamente grátis. Não tem nem propaganda.
Se você souber como enviar uma mensagem, você conseguirá obter as mesmas informações de graça.
Estou prestes a mudar a sua vida. Estou fazendo isso agora.
Você envia uma mensagem de texto com a palavra "Google", O que em números é 46645.
Deixe o último "e" para poupança
De qualquer forma, vamos dizer que você precisa de uma farmácia perto de Chicago.
Você digita "farmácia Chicago" ou o CEP.
Aperta enviar e, em cinco segundos, eles vão te mandar de volta as duas farmácias mais próximas. Completas, com nome, endereço e telefone.
Aqui vai.
E já está escrito -- então, se você estiver dirigindo, você não precisa fazer essas coisas, "Uh huh, uh huh, uh huh."
E funciona com a previsão do tempo também.
Você pode falar "previsão do tempo" e o nome da cidade que você vai.
E então, em cinco segundos, eles te mandam a informação com a previsão do tempo completa para aquela cidade.
Em breve eu vou dizer a vocês porque eu estava em Milão.
Aí está. E isso é apenas o começo
Essas são todas as coisas diferentes que você pode enviar por SMS para o Google e eles vão -- Isso! Vocês estão todos tentando anotar isso.
Que gracinha. Eu tenho um endereço de email. Vocês podem apenas me perguntar.
É fenomenal. A única parte ruim é que você precisa saber como mandar um SMS -- enviar uma mensagem de texto. Ninguém acima dos 40 sabe como fazer isso.
Então eu vou ensinar algo ainda melhor para vocês.
Isso se chama Google Info.
Eles acabaram de lançar uma versão ativada por voz desse mesmo serviço.
É reconhecimento de fala como você nunca viu antes.
Vamos dizer que estou em Monterey e quero o que?
O que eu quero encontrar? Bagels. Ok.
Google: Diga o tipo de estabelecimento, a cidade e estado.
DP: Bagels, Monterey, Califórnia
Caí na linha chinesa.
Google: Bagels, Monterey, Califórnia.
Oito melhores resultados: Número um, Bagel Bakery na Rua El Dorado.
Para selecionar o número um, você pode digitar 1 ou falar "número um".
Número dois: Bagel Bakery, departamento especializado.
Numero dois. Número dois. Dois
Porque eu ouço as pessoas da platéia?
Bem, de qualquer forma -- opa! Aqui vai!
Google. departamento especializado na Avenida McClellan, Monterey.
Eu farei a ligação para você, ou então fale "detalhes", ou "voltar".
DP: Ele está fazendo a ligação! Ele nem me fala o número que está discando.
Está ligando diretamente. É como ter seu próprio manobrista.
Google: Espere.
DP: Oi, gostaria de 400 com propina, por favor?
Não não não não - só estou brincando, não não nao.
Então, você nunca nem vai saber o número.
Isso é tão fantástico.
E é muito, mas muito apurado
Isso é ainda mais fantástico. Coloque isso na sua discagem rápida
Nesse você pode fazer qualquer pergunta por voz.
Quem ganhou a Série Mundial de 1958?
Qual a receita para um certo coquetel?
É fantástico - e eles te mandam por texto a resposta.
Eu tentei isso esta manhã só para ter certeza de que ainda estava funcionando.
Quais atores já interpretaram James Bond?
Eles me mandaram isso por texto: Sean Connery, George Lazenby, Roger Moore, Timothy Dalton, Pierce Brosnan, Daniel Craig.
Certo! E eu então eu tentei fingir que era uma patricinha.
E falei: "Qual o significado da palavra, você sabe, tipo quando o sol, a lua e a terra estão, tipo, todos em uma linha?"
Só para ver como seria o reconhecimento de voz
Eles me mandaram a mensagem: "Se chama syzgy"
O que eu sabia, pois foi com essa palavra que eu ganhei o concurso de soletrar do Ohio, em 1976.
Vocês sabem, tem muita gente pensando, "Como eles vão fazer dinheiro com isso?" E a resposta é: olhe a última linha.
Eles colocam esse minúsculo anúncio, com uns 10 caracteres.
E um monte de gente também quer saber, "Como isso funciona?"
Como pode ser tão bom? É como se houvesse um ser humano do outro lado da linha."
É porque tem um!
Eles têm 10, 000 pessoas que recebem 20 centavos por resposta.
E como você pode imaginar, são universitários e pessoas velhas.
Que são os que topam fazer isso.
Mas é um ser humano na linha. E isso me tirou de várias situações difíceis, "Quando é o último vôo para sair de Chicago?"
Pois é. É absolutamente fantástico.
Outra coisa que realmente me incomoda sobre celulares hoje em dia -- essa é provavelmente a minha maior birra em toda a tecnologia.
Quando eu ligo para deixar uma mensagem para você, eu recebo 15 segundos de instruções de uma professora de terceira série que tomou Ambien!
"Para mandar uma mensagem para o pager dessa pessoa." Pager? Quando é isso, 1975?
Ninguém mais tem pagers.
"Você pode começar a falar após o tom.
Quando você terminar a gravação, você pode desligar." Não!
E aí piora: qaundo eu ligo para pegar minhas mensagens, primeiro de tudo: "Você tem 87 mensagens.
Para ouvir suas mensagens…" Por que outro motivo eu ligaria?
É claro que eu quero ouvir as mensagens!
Ah! Todos vocês também têm celulares.
Então no ano passado eu fui para Milão, na Itália, e falei para uma platéia de executivos de operadoras de celular de 200 países.
E eu disse como uma piada -- como uma piada, eu disse, "Eu fiz os cálculos. Verizon tem 70 milhões de clientes.
Se você verificar o seu correio de vos duas vezes por dia, são 100 milhões de dolares por ano.
Aposto que vocês fazem isso apenas para aumentar o nosso tempo na ligação, certo?"
Sem brincadeira. Eles ficaram assim -- Onde está a revolta, pessoal? Rebelem-se!
Desculpem. Eu não guardo ressentimento.
Então agora eu vou mostrar para vocês como se livrar disso.
Há os serviços que transcrevem o seu correio de voz para texto.
E eles te mandam ou para o seu email ou como mensagens de texto para o seu telefone.
É um divisor de águas na vida.
Por falar nisso, não é sempre que eles entendem as palavras corretamente, porque é pelo telefone e tudo mais.
Então eles anexam o arquivo de áudio no final do email para você ouvir e checar novamente.
Esses serviços são chamados de Spinvox, Phonetag -- esse é o que eu uso -- Callwave. Muitas pessoas falam, "Como eles fazem isso?
Eu não quero pessoas ouvindo minhas ligações."
Os executivos dessas companias me falaram, "Nós usamos uma própria 'B-to-B', a melhor do tipo, de colega para colega --", você sabe.
Eu acho que deve ser como aqueles caras com fones de ouvido na India, escutando tudo.
O motivo que eu acho isso é que no primeiro dia que eu testei um desses serviços, Eu recebi duas mensagens de correio de voz. Uma de um cara chamado Michael Stevenson, que não deveria ser tão difícil de transcrever, mas estava escrito errado.
O outro foi do meu produtor de video no New York Times, cujo nome é Vijaiy com um "h" mudo. E ele acertou esse.
Julguem vocês.
De qualquer forma, esse serviço, Callwave, promete que é apenas software - ninguém está ouvindo suas mensagens.
E eles também afirmam que vão transcrever apenas a essência das suas mensagens.
Pensei em ver como isso funciona.
Esse sou eu testando: Olá, aqui é o Michael.
Espero que você esteja bem. Eu estou bem por aqui. Está tudo bem.
Ei, eu estava andando na rua e o céu estava azul.
E a sua filha quebrou a perna no treino de futebol.
Eu vou comer um sanduíche no almoço.
Ela está na sala - na sala de emergência 53W.
OK, falo com você mais tarde - tchau.
Eu amo meu trabalho.
Alguns minutos depois, eu recebo isso por email.
É uma transcrição muito boa. Mas alguns minutos depois disso, Eu recebi a versão em mensagem de texto. Lembrem-se que uma mensagem de texto só pode ter até 160 caracteres.
Era melhor ser apenas a essência da essência. Certo?
Eu não estou brincando. A mensagem dizia, "Estava andando pela rua" e "o céu estava azul" e "emergência"!
Que po*#% é essa?
Acho que essa era a essência.
Finalmente, eu só tenho que falar desse aqui.
É o meu favorito de todos os tempos. Chama-se Popularitydialer. com
Basicamente, você vai a um encontro ou uma reunião com potencial de ser ruim.
Então você vai e digita seu telefone, e o minuto exato que você quer ser chamado. E nesse momento o seu telefone vai tocar.
E você vai falar algo como: "Desculpe. Eu tenho que atender essa."
A beleza da coisa é, você sabe que quando alguém está sentado ao seu lado, as vezes eles podem ouvir um pouco quem está te ligando.
Então eles te dão uma opção do que você quer ouvir no outro lado.
Essa é a namorada.
Telefone: Ei, o que você está fazendo?
DP: Eu estou meio que fazendo uma apresentação agora.
Telefone: Bem, isso é bom.
DP: O que você está fazendo?
Telefone: Eu estava imaginando o que você estava aprontando.
DP: Eu não posso falar agora.
Essa é a - eu adoro essa - a ligação do chefe.
Telefone: Ei, aqui é o Sr Johnson ligando do escritório.
DP: Oh, olá, senhor.
Telefone: Você completou aquela coisa há mais ou menos um mês? Aquele treinamento da fotocopiadora?
DP: Oh -- sinto muito, eu esqueci.
Telefone: Sei, então quando foi a última vez que você usou a fotocopiadora?
DP: Foi umas três semanas atrás.
Phone: Bem, não sei se você soube, talvez o Lenny tenha contado, mas -- Eu acho que a maior mudança quando a internet encontrou o telefone foi com o iPhone.
Não é o meu melhor momento no jornalismo do New York Times.
Foi no outono de 2006. Eu expliquei porque a Apple nunca faria um telefone celular.
Eu parecia um idiota. Entretanto, minha lógica era boa. Porque eu não sei se vocês notaram, mas até a chegada do iPhone, as operadoras -- Verizon, AT&T, Cingular -- tinham o poder de vetar qualquer aspecto de qualquer design de qualquer telefone.
Conheço as pessoas que trabalharam no Treo.
Eles foram até as operadoras e disseram, "Olhem que legal esses recursos." E a Verizon respondeu, "Hmmmm, não.
Acho que não."
Não eram muito a favor da inovação.
O que eu não imaginei era que Steve Jobs iria até eles e diria, "Deixa eu te dizer -- eu te ofereço cinco anos de exclusividade se você me deixar desenvolver esse telefone em paz -- e você não o verá até que ele esteja pronto."
E, mesmo assim, a Verizon e outras operadoras o rejeitaram.
Até que a Cingular disse OK.
Eu vou falar sobre o efeito do iPhone.
Por favor, não me venha hoje à noite na festa e pergunte, "O que você é? Um fã da Apple?"
- vocês sabem. Eu não sou.
Você pode ver que o que falei sobre ele. É uma peça de arte falha.
Tem coisas ruins e coisas boas. Vamos todos reconhecer isso agora.
Mas ele mudou algumas coisas. A primeira coisa que mudou foi que todas as operadoras viram que eles venderam 10 milhões desses aparelhos em um ano.
E falaram, "Ai meu Deus, talvez estamos fazendo isso errado.
Talvez devessemos deixar os designers de telefone fazerem o design dos telefones."
Outra coisa foi que ele permitiu com que 10 milhões de pessoas, pela primeira vez, experimentassem estar online o tempo todo.
Não usando esses cartões de 60 dólares por mês nos seus laptops
Eu não entendo porque nós ainda não estamos lá.
Quando eu for velho, vou falar para os meus netos, "Quando eu tinha a sua idade, se eu quisesse checar meu email, eu tinha que sair de carro pela cidade à procura de um café. E eu ia!"
"Nós tínhamos estações sem fio que podiam transmitir -- é, por uns 50 metros."
É um absurdo. Nós temos tomadas em todos os cômodos de todos os prédios. Nós temos água corrente.
Qual é o problema?
De qualquer forma -- mas isso ensina as pessoas como é.
Você tem que ir no YouTube e procurar "iPhone Shuffle".
Esse cara fez um vídeo parodiando um que tem apenas uma polegada quadrada, como o iPod Shuffle real.
É como, "Tem apenas um botão.
Aperte e ele disca um número aleatório."
"Quem é essa pessoa?"
Mas a outra coisa que ele fez foi abrir a idéia de uma loja de aplicativos.
Você baixa direto para o telefone.
E você pode usar o sensor de inclinação para dirigir esse carro durante o jogo.
Esses programas podem usar todos os componentes do iPhone -- a tela sensível ao toque.
Esse é o programa Etch-A-Sketch -- o tema do EG 2008.
Você sabe como você o apaga?
Claro. Você sacode ele.
Certo, claro. Nós o sacodimos para apagar. Assim.
Eles tem 10 mil desses programas.
Esse é um tradutor. Eles têm para todos os idiomas do mundo.
Você digita o que quer e ele te dá a tradução.
Esse é fantástico. Esse é Midomi.
Uma música está na sua cabeça -- você a canta no aparelho: du du du du du, da da da da da da da.
OK, você clica, "Feito", ele vai descobrir a música e tocá-la para você.
É, eu sei. É insano, certo?
Essa é a Pandora. Uma rádio gratuita na internet. Não apenas uma rádio gratuita na internet -- Você digita o nome de uma banda ou de uma música.
E a rádio vai tocar imediatamente essa música ou banda.
Tem uma maneira de você avaliar.
Você diz se gostou ou não da música.
Se você gostar, ela tenta outra música de uma banda diferente, com a mesma instrumentação, vocais, tema e tempo.
Se você gostar ou não dessa, você avalia. Com o tempo, a rádio modela as músicas para que não toque mais músicas ruins.
E toque apenas as músicas que você gosta.
Esse é o Urbanspoon. Você esá numa cidade. Ele sabe, através do GPS, onde você está.
Você quer descobrir um lugar para comer. Você balança ele.
Ele propõe um restaurante.
Ele te dá o preço, o local e a nota dada por usuários: Eu não vou até Flushing.
De qualquer forma, é fantástico, tem coisas fantásticas.
Claro que não é só sobre o iPhone.
O iPhone abriu a porteira, quebrou a barreira.
Mas agora são todos. E o Google fez o seu próprio sistema operacional, o Android que em breve estará em telefones de 34 companhias
Com tela sensível ao toque -- legal, muito legal.
E também com a sua própria loja de aplicativos onde você pode baixar programas.
Isso é fantástico. E quando isso tudo começou, Verizon, a mais engessada, corporativa e conservativa de todas as operadoras disse: "Vocês podem usar qualquer telefone que quiserem na nossa rede."
Eu amo a manchete da Wired: Porcos voam, o inferno congelou e a Verizon abriu sua rede. -- Não. Sério.
Então tudo está mudando. Nós entramos em um novo mundo da inovação, onde o telefone celular se torna o seu laptop personalizado do jeito que você quiser.
Todo telefone celular é único. Há softwares que você pode adicionar.
Posso fazer apenas mais uma música de um minuto? Obrigado.
Apenas para fechar -- Esse é o novo Apple Power Music Stand
Pesa apenas 1, 3 kg, ou 5, 4 kg se você instalar o Microsoft Office.
Desculpem, essa foi maldade.
Essa é a música que fiz para o site do New York Times como um videoclipe.
Senhoras e senhores, por sete horas esse foi o vídeo número um do YouTube.
E agora o fim está próximo.
Estou cansado deste celular velho.
Som ruim, o sinal é fraco o software é ruim.
um telefone feito no inferno.
Ouvi dizer que há algo novo -- um milhão de vezes mais irado que o meu telefone.
Eu também vou me unir ao culto.
Eu quero um iPhone.
Preocupações -- eu tenho algumas. Ele tem algumas falhas; podemos encará-las.
Sem teclado, sem cartão de memória, a bateria é selada -- você não pode substituí-la.
Mas, Deus, essa coisa é legal.
Um celular com multitouch, iPod e WiFi.
Vocês me ganharam no "Olá".
Eu quero um iPhone.
Eu quero tocar essa tela preciosa.
Eu quero limpar as marcas de gordura.
Eu quero que meus amigos olhem e babem.
Eu quero dizer, "Olhem -- Agora eu sou cool" Eu fiquei na fila e vou conseguir o meu.
Eu quero um iPhone.
Para que serve um homem?
O que ele tem? Se não tem um iPhone, ele não tem nada.
Ele é todas as coisas que um telefone deve ser.
Quem liga se é da AT&T?
Eu tomei partido, paguei 500 dólares!
Eu tenho um iPhone!
Obrigado. Obrigado mesmo.
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Há dois grupos de mulheres quando se trata de mamografias: mulheres nas quais a mamografia funciona muito bem e já salvou milhares de vidas e mulheres nas quais ela não funciona bem mesmo.
Você sabe qual é o seu grupo?
Se não sabe, você não é a única.
Porque o seio tornou-se um órgão político.
A verdade se perdeu em toda a retórica vinda da imprensa, dos políticos, radiologistas e empresas de imagens médicas.
Eu farei o melhor esta manhã para contar o que eu acho que é a verdade.
Mas antes, minhas informações.
Eu não sou uma sobrevivente do câncer de mama.
Eu não sou radiologista.
Eu não tenho quaisquer patentes, e eu nunca recebi dinheiro de empresas de imagens médicas. Eu não estou atrás do seu voto.
Eu sou uma doutora de medicina interna e me tornei extremamente interessada neste tópico há cerca de 10 anos quando uma paciente me fez uma pergunta.
Ela veio me ver depois de descobrir um caroço no seio.
Sua irmã tinha sido diagnosticada com câncer de mama aos 40 e poucos anos.
Ela e eu estávamos grávidas na época, e senti um aperto no coração por ela, imaginando o quanto ela estava assustada.
Felizmente, o seu tumor era benigno.
Mas ela me perguntou: o quão confiante eu era de achar um tumor inicial na sua mamografia se ela desenvolvesse um tumor?
Então eu estudei a sua mamografia, e revisei a literatura em radiologia, e fiquei chocada ao descobrir que, no caso dela, nossas chances de achar um tumor no estágio inicial eram menores do que um "cara ou coroa".
Talvez vocês lembrem no ano passado do furor causado depois que a Força Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos revisou a literatura mundial do processo de mamografias e estabeleceu diretrizes recomendando contra a mamografia em mulheres em seus 40 anos.
Todos correram para criticar a força tarefa, mesmo que a maioria não tivesse conhecimento algum em estudos de mamografia.
O Senado levou apenas 17 dias para banir o uso das diretrizes ao determinar a cobertura dos seguros.
Radioligistas ficaram indignados com as diretrizes.
As pessoas proeminentes em mamografia nos EUA deram este depoimento para o Washington Post.
Os radiologistas foram criticados por protegerem os próprios interesses financeiros.
Mas ao meu ver, os radiologistas são heróis.
Há uma falta de radiologistas qualificados em analisar mamografias, e isso porque as mamografias são uma das coisas mais complexas de se interpretar nos estudos radiológicos, e porque os radiologistas são processados com mais frequência por não verem o câncer de mama do que qualquer outra causa.
Mas esse fato nos diz que
onde há muita fumaça "jurídica", é provavel que haja fogo.
O fator mais responsável por esse fogo é a densidade do seio.
A densidade do seio se refere à quantidade relativa de gordura - nesta imagem em amarelo - versus tecidos conjuntivos e epiteliais - mostrados em rosa.
E esta proporção é principalmente determinada geneticamente.
Dois terços das mulheres em seus 40 anos têm tecidos dos seios densos, e é por isso que a mamografia não funciona tão bem com elas.
E embora a densidade do seio geralmente caia com a idade, até um terço das mulheres continuam com tecido denso por anos após a menopausa.
Então como você sabe se os seus seios são densos?
Bem, você precisa ler os detalhes da sua mamografia.
Os radiologistas classificam a densidade do seio em quatro categorias baseadas na aparência do tecido na mamografia.
Se o seio tem menos do que 25% de densidade, é chamado tecido gorduroso substituído.
A próxima categoria é densidades fibroglandulares espalhadas, seguida por tecido heterogeniamente denso e extremamente denso.
E o seio que fica numa dessas duas categorias são considerados densos.
O problema com a densidade do seio é que realmente é um lobo em pele de cordeiro.
O tumor e o tecido do seio denso aparecem brancos na mamografia, e o raio-X geralmente não distingue entre os dois.
Então é fácil ver este tumor na parte superior do seio gorduroso.
Mas imagine como seria difícil achar aquele tumor neste seio denso.
É por isso que as mamografias encontram mais de 80% dos tumores em seios gordurosos, mas não mais que 40% em seios extremamente densos.
Já é ruim quando a densidade do seio dificulta a localização do câncer, mas acontece que isso pode ser uma poderosa previsão do seu risco de ter câncer de mama.
É um fator de risco mais forte do que ter uma mãe ou uma irmã com câncer de mama.
Na época em que minha paciente me fez essa pergunta, densidade do seio era um tópico obscuro na literatura radiológica, e muito poucas mulheres fazendo mamografias, ou médicos pedindo o exame, sabiam disso.
Mas o que mais eu poderia oferecer a ela?
Mamografias estão presentes desde os anos 60. E mudaram muito pouco.
Houve surpreendentemente poucas inovações, até que a mamografia digital foi aprovada em 2000.
Mamografia digital ainda é um raio-X do seio, mas as imagens podem ser guardadas e manipuladas digitalmente, assim como fazemos com uma câmera digital.
Os EUA investiram quatro bilhões de dólares convertendo equipamentos para mamografia digital. E o que ganhamos com esse investimento?
Num estudo de mais de 25 milhões de dólares financiado pela população, foi descoberto que a mamografia digital não apresentou melhorias comparada com a tradicional. E na verdade era pior em mulheres mais velhas.
Mas foi melhor para um grupo, o de mulheres abaixo dos 50 que estavam na pré-menopausa e tinham seios densos. E nestas mulheres, a mamografia digital achou duas vezes mais câncer, mas mesmo assim encontrou apenas 60%.
Então a mamografia digital foi um grande salto para os fabricantes de equipamento para mamografia digital, mas foi um passo muito pequeno para as mulheres.
E o ultrassom?
O ultrassom gera mais biópsias que são desnecessárias em relação a outras tecnologias, então não é muito usado.
E resonância magnética é extremamente sensível para encontrar tumores, mas também é muito cara.
Se pensarmos em tecnologia perturbadora, vemos quase que um padrão predominante de tecnologia ficando menor e mais barata.
Pense nos iPods comparados aos estéreos.
Mas acontece exatamente o oposto na saúde.
As máquinas são cada vez maiores e muito mais caras.
Examinar uma mulher com resonância magnética é como dirigir para o supermercado num Hummer.
É simplesmente equipamento demais.
Um exame de resonância magnética custa 10 vezes mais do que uma mamografia digital.
E cedo ou tarde teremos que aceitar o fato de que inovação na assistência médica não pode acontecer com um preço muito alto.
Malcolm Gladwell escreveu um artigo na revista The New Yorker sobre inovação, e ele apontou que as descobertas científicas raramente são o produto do gênio individual.
Ao contrário, grandes ideias podem ser orquestradas se você simplesmente juntar pessoas com diferentes perspectivas e fazê-las falar sobre coisas que elas geralmente não falam.
É como a essência do TED.
Ele menciona um inovador que diz: "A única vez que um médico e um físico se juntam é quando o físico fica doente."
Isso não faz sentido, porque médicos têm todos os tipos de problemas os quais eles não percebem que têm soluções.
E físicos têm todos os tipos de soluções para coisas as quais eles não percebem que são problemas.
Agora, vejam este desenho que acompanhava o artigo de Gladwell, e me digam se veem algo perturbador sobre esta imagem de pensadores inovadores.
Então se me permitirem um pouco de criatividade, vou contar a história da incrível colisão do problema da minha paciente com a solução de um físico.
Pouco depois da sua visita, eu conheci um físico nuclear na [clínica] Mayo chamado Michael O'Conner, que era um especialista em imagens cardíacas, algo que não tinha nada a ver comigo.
E ele me contou sobre uma conferência da qual ele recém tinha voltado em Israel, onde falaram sobre um novo tipo de detector gama.
Imagens gama estão presentes há muito tempo sendo usadas no coração, e até mesmo foram testadas no seio.
Mas o problema era que os detectores gama eram tubos enormes e volumosos, com cristais cintilantes dentro, e não era possível fazê-los ficar perto o suficiente do seio para encontrar tumores pequenos.
Mas a vantagem em potencial era que raios gama, diferente dos raios-X, não são influenciados pela densidade do seio.
Mas essa tecnologia não conseguia achar tumores pequenos. E achar um tumor pequeno é crucial para sobrevivência.
Se você acha um tumor quando é menor que um centímetro, a sobrevivência ultrapassa os 90%, mas cai rapidamente à medida que o tumor cresce.
Mas Michael me falou sobre um novo tipo de detector gama que ele tinha visto, e é isto.
Não é feito com um tubo volumoso, mas com uma camada fina de um material semicondutor que serve como um detector gama.
E eu falei com ele sobre o problema de densidade do seio, e percebemos que talvez pudéssemos fazer com que este detector chegasse perto o suficiente do seio para realmente achar tumores pequenos.
Então depois de montar uma grade destes cubos com fita adesiva Michael tirou a placa de raio-X de uma máquina de mamografia que estava para ser descartada. E anexamos o novo detector, e decidimos chamar esta máquina "Imagem de Seio Molecular", ou ISM.
Esta é uma imagem de nossa primeira paciente.
E podem ver que, usando a velha tecnologia gama, tudo parecia um borrão.
Mas usando o novo detector, começamos a ver o esboço de um tumor.
Então cá estávamos, um físico nuclear, uma médica, logo com a ajuda de Carrie Hruska, uma engenheira biomédica, e dois radiologistas, e tentamos desafiar o mundo enredado da mamografia com uma máquina que foi montada com fita adesiva.
Dizer que encaramos altas doses de descrença naqueles primeiros anos é um grande eufemismo. Mas estávamos tão convencidos de que poderíamos fazer funcionar que seguimos com modificações incrementadoras no sistema.
Este é o nosso detector atual.
E podem ver que parece muito diferente.
A fita adesiva já era, e adicionamos um segundo detector em cima do seio, o que aumentou a detecção de tumores.
Como isso funciona?
A paciente recebe uma injeção de rastreador de rádio que é absorvida pelas células cancerígenas que se espalham rapidamente, mas não pelas células normais. E esta é a diferença chave da mamografia.
A mamografia baseia-se nas diferenças da aparência do tumor com o tecido ao fundo, e vimos que essas diferenças podem ser cobertas num seio denso.
Mas ISM explora o diferente comportamento molecular dos tumores, e portanto é insensível à densidade do seio.
Depois da injeção, o seio da paciente é posicionado entre os detectores.
E se você já fez uma mamografia - se você tem idade suficiente para ter feito uma - você sabe o que vem depois: dor.
Você pode se surpreender ao saber que a mamografia é o único estudo radiológico que é regulado por lei federal, e que a lei requer que o equivalente a uma bateria de carro de quase 20 quilos desça sobre o seu seio durante o estudo.
Mas com ISM, usamos compressão leve e sem dor.
E o detector então transmite a imagem para o computador.
Vou dar um exemplo.
Vocês podem ver à direita, uma mamografia mostrando um tumor fraco, os cantos dele estão embaçados pelo tecido denso.
Mss a imagem da ISM mostra o mesmo tumor muito mais claramente, assim como um segundo tumor, o que muda profundamente as opções de cirurgia da paciente.
Neste exemplo, embora a mamografia tenha achado um tumor, nós conseguimos demonstrar três tumores discretos - um tão pequeno quanto três milímetros.
Nossa grande chance veio em 2004.
Depois de demonstrarmos que conseguimos achar tumores pequenos, usamos essas imagens para conseguir um auxílio financeiro da Fundação Susan G. Komen.
E ficamos eufóricos quando eles resolveram apostar numa equipe de investigadores completamente desconhecida e nos financiaram para estudarmos mil mulheres com seios densos, comparando uma mamografia comum com a ISM.
Dos tumores que nós achamos, a mamografia achou apenas 25% deles.
IMS achou 83%.
Aqui vai um exemplo do estudo.
A mamografia digital foi interpretada como normal e mostra muitos tecidos densos, mas a IMS mostra uma área de intenso destaque, correlacionada com um tumor de dois centímetros.
Neste caso, um tumor de um centímetro.
E neste caso, uma secretária médica de 45 anos da Mayo, que perdeu sua mãe para o câncer de mama quando era bem jovem, queria fazer parte do nosso estudo.
E sua mamografia mostrou uma área de tecido muito denso, mas a ISM mostrou uma área de destaque preocupante, que também podemos ver em cores.
E isso correspondeu a um tumor do tamanho de uma bola de golfe.
Mas felizmente foi removido antes de atingir seus nódulos linfáticos.
Então agora que sabíamos que esta tecnologia poderia achar três vezes mais tumores em seios densos, tínhamos que resolver um problema muito importante.
Tínhamos que descobrir como baixar a dose de radiação. E passamos os últimos três anos modificando todos os aspectos do sistema de imagem para permitir isso.
E estou muito feliz em dizer que agora estamos usando uma dose de radiação que é equivalente à dose eficaz de uma mamografia digital.
E a esta dose baixa, continuamos nossos estudos, e esta imagem de três semanas atrás de uma mulher de 67 anos mostra uma mamografia digital normal, mas uma imagem ISM mostrando um destaque provando ser um grande câncer.
Então não são somente mulheres jovens que se beneficiam.
Mas também mulheres mais velhas com tecido denso.
E agora estamos usando um quinto da dose de radiação que é usada em qualquer outro tipo de tecnologia gama.
ISM gera quatro imagens por seio.
A ressonância gera mais de mil.
Um radiologista leva anos de treinamento especializado para tornar-se um expert em diferenciar o detalhe anatômico normal do achado preocupante.
Mas eu suspeito que mesmo os não-radiologistas presentes conseguem achar o tumor na imagem ISM.
Mas é por isso que a ISM é tão potencialmente perturbadora. É tão precisa quanto uma ressonância, é muito menos complexa de se interpretar, e é uma fração do custo.
Mas vocês podem entender por que podem haver forças no mundo da imagem do seio que preferem o status quo.
Depois de atingirmos o que pensamos ser resultados surpreendentes, nosso manuscrito foi rejeitado por quatro publicações da área.
Depois da quarta rejeição, pedimos reconsideração do manuscrito, pois suspeitávamos que um dos revisores que tinham rejeitado o trabalho tinha um conflito de interesse financeiro numa tecnologia concorrente.
Nosso manuscrito foi então aceito e será publicado ainda este mês na publicação Radiology.
Ainda temos que completar o estudo usando a dose baixa, e então nossos achados terão que ser replicados em outras instituições. E isso pode levar cinco anos ou mais.
Se essa tecnologia for largamente adotada, eu não terei qualquer benefício financeiro. E isso é muito importante para mim, porque vai permitir que eu continue falando a verdade para vocês.
Mas eu reconheço - Eu reconheço que a adoção desta tecnologia vai depender tanto de forças econômicas e políticas quanto da solidez da ciência.
A unidade de ISM já foi aprovada pelo FDA, ainda não está amplamente disponível.
Então até que algo esteja disponível para mulheres com seios densos, há coisas que vocês deveriam saber para se protegerem.
Primeiro, conheça sua densidade.
90% das mulheres não conhecem, e 95% das mulheres não sabem que isso aumenta o seu risco de câncer de mama.
O estado de Connecticut tornou-se o primeiro e único estado que obrigou que mulheres sejam notificadas da sua densidade de seio depois de uma mamografia.
Eu estive numa conferência com 60 mil pessoas da área de imagem do seio semana passada em Chicago. E fiquei chocada que havia um debate caloroso sobre se deveríamos dizer às mulheres qual era a sua densidade de seio.
É claro que devemos.
E se você não sabe, por favor pergunte para o seu médico ou leia os detalhes da sua mamografia.
Segundo, se você está na pré-menopausa, tente agendar sua mamografia nas primeiras duas semanas do seu ciclo menstrual, quando a densidade do seio é relativamente mais baixa.
Terceiro, se você notar uma mudança persistente no seu seio, insista nas imagens adicionais.
E quarto e mais importante, o debate da mamografia vai esquentar, mas eu acredito que todas as mulheres de 40 anos para cima deveriam fazer uma mamografia anual.
A mamografia não é perfeita, mas é o único teste que foi provado ter reduzido a mortalidade por câncer de mama.
Mas esta bandeira da mortalidade é uma espada, que os mais ardentes defensores da mamografia usam para impedir a inovação.
Algumas mulheres que desenvolvem câncer de mama morrem da doença muitos anos depois. E muitas mulheres, felizmente, sobrevivem.
Então leva 10 anos ou mais para qualquer método de exame demonstrar uma redução na mortalidade por câncer de mama.
A mamografia é a única que está presente tempo o bastante para ter uma chance de fazer essa reivindicação.
É tempo de nós aceitarmos os sucessos extraordinários da mamografia mas também suas limitações.
Nós temos que individualizar o exame baseado em densidade.
Para mulheres sem seios densos, a mamografia é a melhor escolha.
Mas para mulheres com seios densos, não devemos abandonar o exame completamente, temos que oferecer-lhes algo melhor.
Os bebês que carregávamos quando minha paciente me fez aquela pergunta estão agora no ensino fundamental, e a resposta tem levando tanto tempo para vir.
Ela me deu a permissão de compartilhar sua história com vocês.
Depois de fazer biópsias que aumentaram seu risco de câncer e perder sua irmã para o câncer, ela tomou uma decisão difícil de fazer uma mastectomia profilática.
Nós podemos e temos que fazer mais, não só na época das suas netas e minhas filhas, mas na época de vocês.
Obrigada.
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Em uma manhã do ano 1957, O neurocirurgião Walter Penfield viu a si mesmo desta forma: Um louco com mãos enormes, boca gigante, e um pequeno traseiro.
De fato esta criatura é o resultado da pesquisa de Penfield.
Ele o batizou "homunculus".
Basicamente o homunculus é a visualização de um ser humano onde cada parte do corpo é proporcional à superficie utilizada pelo cérebro.
Então, claro, o homunculus definitivamente não é um louco.
É você. Sou eu.
É nossa realidade invisível.
Esta visualização pode explicar, por exemplo, porque recém nascidos, ou fumantes, colocam, instintivamente, os dedos na boca.
Infelizmente não explica o porquê de tantos designers continuarem interessados em desenharem cadeiras.
De qualquer forma, mesmo que eu não entenda a ciência completamente, para meu design, eu essencialmente refiro a ela.
Sou fascinado pela sua habilidade em investigar profundamente o ser humano, sua maneira de trabalhar, sua forma de sentir.
E isso realmente me ajuda a entender Como vemos, como escutamos, como respiramos, como nosso cérebro pode informar ou nos enganar.
É uma excelente ferramenta para mim entender o que podem ser nossas reais necessidades.
O pessoal do Marketing nunca conseguiu fazer isso.
O marketing reduz as coisas, simplifica.
Cria grupos de usuários.
E cientistas admitem complexidade, flutuação e unicidade.
Quais seriam as nossas necessidades reais?
Talvez o silêncio.
Em nossa vida diária somos continuamente perturbados por sons agressivos.
E você sabe que todos estes tipos de sons nos deixam em um estado de estresse, e nos previnem de sermos quietos e focados.
Então eu queria criar um tipo de filtro de som, capaz de nos preservar da poluição sonora.
Mas eu não queria fazê-lo através do isolamento das pessoas, sem protetores de ouvido ou coisas deste tipo.
Ou mesmo utilizar tecnologias complexas.
Eu só queria, usando a complexidade e tecnologia do cérebro, do cérebro humano.
Então eu trabalhei com "ruído branco"
O D. B. é basicamente -- O D. B. é o nome do produto, é basicamente um difusor de ruído branco.
Isto é o ruído branco.
O ruído branco é a soma de todas as frequências que são audíveis pelo ser humano, trazidas à mesma intensidade
e este barulho é como um "shhhhhh", assim,
É o barulho mais neutro.
É o som perfeito para nossos ouvidos e nosso cérebro
Então quando você ouve este som, você se sente como que num abrigo, preservado da poluição sonora.
E quando você ouve o ruído branco seu cérebro imediatamente se foca nele.
E não é incomodado por nenhum outro som agressivo.
Parece mágica.
Mas é apenas fisiologia. Está aí no seu cérebro.
E no meu, espero.
Então para deixar este ruído branco um pouco ativo e reativo, Eu criei uma bola, uma bola que rola capaz de analisar e encontrar de onde o som agressivo vem, e rola, em casa ou no trabalho, de encontro ao esse barulho, emitindo ruído branco para neutralizá-los.
Funciona.
Você sente a influência do ruído branco?
Está também em silêncio.
Se você faz algum barulho, pode sentir o efeito.
Então mesmo que este objeto, mesmo que este produto inclua alguma tecnologia, inclua alguns alto-falantes, alguns microfones, e alguns equipamentos eletrônicos, este objeto não é um objeto muito inteligente.
E eu não quero torná-lo um objeto muito inteligente.
Não quero criar um objeto perfeito, como um robô perfeito.
Quero criar um objeto como você e eu.
Então, definitivamente, imperfeito.
Então imagine, por exemplo, você está em casa.
Uma amorosa discussão com sua namorada ou namorado.
Você grita. Você diz, "Blá blá blá, blá blá blá. Quem é este cara?"
E o D. B. provavelmente rolará ao seu encontro.
E girando ao seu redor fica soando "shhhhhhh", assim.
Definitivamente imperfeito. Então você provavelmente chuta ele, à essa altura.
De qualquer forma, neste mesmo tipo de abordagem eu desenhei K.
K é um receptor transmissor de luz do dia.
Então este objeto deverá ser exposto em sua mesa, ou em seu piano, onde você normalmente passa a maior parte do tempo em um dia.
E este objeto será capaz de saber exatamente a quantidade de luz que você recebe durante o dia, e capaz de te dar a quantidade de luz que você necessita.
Este objeto é completamente coberto por fibras óticas
e a ideia destas fibras óticas é informar o objeto, com certeza, mas cria a ideia de uma sensibilidade ao olho do objeto.
Eu quero, com este design, sentir, quando você o vir, você vê, instintivamente, que este objeto parece ser muito sensível, muito reativo.
E este objeto sabe, melhor que você, e provavelmente antes de você, o que você realmente precisa.
Você deveria saber que a falta de luz do dia pode provocar alguns problemas de energia, ou problemas de libido.
Então, um problema enorme.
A maioria dos projetos que trabalho -- Eu vivo em colaboração com cientistas.
Sou apenas um designer. Então preciso deles.
Podem ser alguns biólogos, psiquiatras, matemáticos e por aí vai.
E eu envio minhas intuições para eles, minhas hipóteses, ideias iniciais.
E eles reagem. Me dizem o que é possível, o que é impossível.
E juntos melhoramos o conceito original.
E construímos o projeto até o fim.
E este tipo de relação entre designer e cientista começou quando eu estava na escola.
Cedo nos meus estudos eu fui uma cobaia para a indústria farmacêutica.
E a ironia para mim foi claro, eu não o fiz para o progresso da ciência.
Eu fiz apenas para ganhar dinheiro.
De qualquer forma, este projeto, ou esta experiência, me fez começar um novo projeto de design para a medicina.
Você deveria saber que hoje, cerca de uma em duas pílulas não é tomada corretamente.
Então mesmo que os princípios ativos em produtos farmacêuticos fizeram progresso constante em termos de química, objetivo, estabilidade, o comportamento dos pacientes se tornou mais e mais instável.
Então tomamos muitos remédios.
Tomamos doses irregulares.
Não seguimos as instruções. E por aí vai.
Então eu queria criar uma nova forma de medicina, de forma a criar um novo tipo de relacionamento entre paciente e tratamento.
Então transformei pílulas normais nisso.
Darei a vocês alguns exemplos.
Este é um antibiótico.
E sua função é ajudar o paciente a ir até o final do tratamento.
E o conceito é criar um tipo de cebola, um tipo de estrutura em camadas.
Então você começa com a mais escura.
E você é ajudado a visualizar a duração do tratamento,
visualizar a diminuição da infecção.
Para o primeiro dia, temos o grandão.
E você deve descascar e tomar uma camada por dia.
E seu antibiótico passa a ser menor e mais claro
E você está esperando se recuperar como você espera o Natal.
E você segue seu tratamento desta maneira, até o finalizá-lo.
E aqui você atinge o núcleo branco.
E significa, certo, que você está se recuperando.
Obrigado.
Este é um "terceiro pulmão", um equipamento farmacêutico para tratamento de asma a longo prazo. Eu o desenhei para ajudar crianças a seguir o tratamento.
Então a ideia deste projeto é criar uma relação entre paciente e tratamento, mas uma relação de dependência.
Mas neste caso não é o medicamento que depende do paciente.
É assim que as crianças sentirão que o objeto terapêutico precisa delas.
Então a ideia é, durante toda a noite, a pele elástica do terceiro pulmão se inflará devagar, incluindo ar e moléculas, com certeza.
E quando as crianças acordarem, Poderão ver o objeto precisando delas. E respirarão o ar que ele contém.
Então desta forma, a criança, para se cuidar, tem que tomar conta deste objeto "vivo".
E ela não sente mais que precisa do tratamento contra asma, é o tratamento de asma que precisa dela.
Ainda nesta abordagem de objetos vivos, Eu gosto da ideia de um tipo de design invisível. Como se a função do objeto existisse num tipo de campo invisível bem ao redor dos objetos.
Poderíamos falar de um tipo de alma, de um fantasma os envolvendo.
E quase que um tipo de efeito "Poltergeist".
Então quando um objeto passivo como este parece ter vida, porque está começando a se mover.
E eu me lembro de uma exposição de design que fiz para John Maeda, e para a Fundação Cartier em Paris.
John Maeda deveria apresentar várias animações gráficas nesta exposição.
E minha ideia para esta exposição era criar um jogo "Pong" real, como este.
E a ideia era criar alguns bancos que se movem sozinhos na sala principal de exibição.
Então estes bancos "vivos" seriam exatamente como a bola.
E John ficou muito entusiasmado com a ideia. Ele disse: "OK, vamos nessa!".
Me recordo no primeiro dia da exposição.
Eu estava um pouco atrasado.
Quando trouxe os 10 bancos que se moviam sozinhos na sala de exibição, John estava ao meu lado, e murmurou, "Hmm. Hmm."
E ele me disse, depois de um longo silêncio, "Eu fico imaginando, Mathieu, se as pessoas não ficarão mais fascinadas pelos seus bancos que pelos meus videos."
Seria uma grande honra, um grande reconhecimento para mim, Se ele não tivesse decidido retirar todos os bancos duas horas antes da abertura.
Então, uma tragédia imensa.
Imagino que você não ficará surpreso se eu te disser que Pinóquio é uma de minhas grandes influências
Pinóquio é provavelmente um de meus produtos de design preferidos, meu favorito.
Porque é um tipo de objeto com consciência, capaz de ser modificado pelos seus arredores, e capaz de modificá-los também.
A outra grande influência é o "canário da mina".
Em minas de carvão, este canário deveria estar perto dos mineradores.
E cantava o dia todo. E quando parava significava que ele acabara de morrer.
Então este canário era um alarme vivo, e muito eficiente.
Uma tecnologia muito natural, de forma a dizer aos mineradores, "O ar está muito ruim. Você deve sair. É uma emergência."
Então é, para mim, um grande produto.
E eu tentei projetar um tipo de canário.
Andrea é um.
Andrea é um filtro de ar vivo que absorve gases tóxicos do ar, ar interior contaminado.
Então usa algumas plantas para fazer seu trabalho, selecionadas pelo seu potencial em filtrar gases.
Você deveria saber, ou você provavelmente sabe que a poluição interna é mais tóxica que a externa.
Então enquanto converso com vocês. o assento que você está sentado está emitindo algum tipo de gás invisível e sem odor. Me desculpe por isso.
Então se você está respirando formaldeídos agora,
É o mesmo para mim com este tapete.
E da mesma forma em casa.
Porque todos os produtos que adquirimos constantemente exalam o componente volátil de que são feitos.
Então olhemos para sua casa.
Então seu sofá, sua cadeira de plástico, os brinquedos das crianças dão sua própria realidade invisível. E está é muito tóxica.
Esta é a razão pela qual Criei, com David Edward, um cientista da Universidade de Harvard, um objeto capaz de absorver estes elementos tóxicos utilizando este tipo de plantas.
Mas a ideia é forçar que o ar vá para a parte eficaz das plantas.
Porque as raízes das plantas não são muito eficazes.
Bill Wolverton da NASA analisou isso sabiamente nos anos 70.
Então a ideia é criar um objeto capaz de forçar o ar, e se manter em contato na velocidade correta no local correto, em toda parte eficaz da planta.
Então este é o objeto final.
Será lançado em Setembro
Este é um tipo de abordagem semelhante porque incluí, em um produto como Andrea, algumas plantas.
E neste as plantas são utilizadas pela capacidade em filtrar água.
E inclui alguns peixes também.
Mas aqui, diferentemente de Andrea, aqui eles devem servir de alimentação.
Este objeto é uma fazenda doméstica, para peixes e plantas.
Então a ideia deste objeto é poder ter, em casa, comida extremamente local.
Os "locavores" Usados para conseguir comida trazida em um raio de 100 milhas
O Rio Local é capaz de te prover comida diretamente de sua sala de estar.
Então o princípio deste objeto é criar um ecossistema chamado "Aquaponics".
E "aquaponics" é a água suja dos peixes através de uma bomba de água, alimenta as plantas acima.
E as plantas filtrarão, por suas raízes, a água suja dos peixes,
que volta depois para o tanque dos peixes.
Depois disso você tem duas opções.
Ou você se senta em frente como você faria com sua TV.
Um canal incrível.
Ou você começa a pescar.
E você faz sushi com um peixe e as plantas aromáticas acima.
Porque você pode cultivar algumas batatas.
Não, não batatas, mas tomates. plantas aromáticas, etc.
Então agora podemos respirar com segurança.
Agora podemos comer comida local.
Agora podemos ser tratados por medicina inteligente.
Agora podemos ser bem balanceados em nosso bio-ritmo com luz do dia.
Mas era importante criar um lugar perfeito, então eu tentei, para trabalhar e criar.
Então desenhei, para um cientista americano baseado em Paris, um escritório estimulante, que estimula o cérebro;
Eu queria criar um lugar perfeito onde você pode trabalhar e brincar e onde seu corpo e seu cérebro podem trabalhar juntos.
Então, neste escritório, você não trabalha mais em sua mesa, como um político.
Você senta, você dorme e você brinca em uma grande ilha geodésica feita de couro.
Vocês veem, como esta?
Neste escritório você não trabalha e escreve e desenha em uma folha de papel, mas você faz isso diretamente num tipo de caverna-lousa enorme, como um cientista pré-histórico.
Então você, desta forma, pode fazer um pouco de esporte durante seu trabalho.
Neste escritório você não precisa sair para estar em contato com a natureza.
Você inclui, diretamente, a natureza no chão de seu escritório.
Você pode ver isso lá.
Esta é uma imagem inspiradora para guiar este projeto do escritório.
Me ajudou bastante a desenhá-lo.
Eu nunca mostrei para meu cliente. Ele ficaria tão ofendido.
Apenas para minha palestra.
Eu imagino que seja a vingança do rato de laboratório que eu era.
Mas talvez seja a convicção como macacos e homunculus que somos.
Todos temos que ser levados em consideração de acordo com nossa natureza real.
Muito obrigado.
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Poder.
Esta é a palavra que vem à mente.
Nós somos os novos tecnólogos.
Nós temos uma grande quantidade de informação, então temos uma grande quantidade de poder.
Quanto poder nós temos?
Cena do filme "Apocalypse Now" -- excelente filme.
Nós temos que levar o nosso heroi, Capitão Willard, para a foz do Rio Nung na perseguição ao Coronel Kurtz.
A forma que faremos isso é levá-lo e deixá-lo em solo seguro.
Então a cena começa: o céu está coberto de helicópteros transportando o nosso heroi.
E ao fundo há aquela música estrondosa, excitante e selvagem.
♫ Dum da ta da dum ♫ ♫ Dum da ta da dum ♫ ♫ Da ta da da ♫ Isto é muito poder.
Este é o tipo de poder que sinto nesta sala.
Este é o tipo de poder que nós é dado por causa de toda a informação que temos.
Vejamos um exemplo.
O que podemos fazer com a informação de apenas uma pessoa?
O que podemos fazer com a informação deste cara?
Posso analisar seus rastros bancários.
Posso dizer se você paga suas contas em dia.
Sei se você pode receber um empréstimo.
Posso observar seus registros médicos, posso ver se seu coração continua batendo -- ver se vale a pena oferecer um seguro a você.
Posso observar seu padrão de navegação.
Quando você vem a meu site, eu já sei o que você vai fazer, pois já vi você visitar milhões de sites anteriormente.
E sinto muito em dizer a você, você é como jogador de poker, você tem uma forma de se expressar.
Posso falar, com análise da informação, o que você vai fazer antes mesmo que o faça.
Eu sei o que você gosta. Eu sei o que você é. Mesmo antes de checar o seu e-mail ou o seu telefone.
Estas são coisas que podemos fazer com todas as informações que temos.
Mas eu não estou aqui para falar sobre o que podemos fazer.
Estou aqui para falar sobre o que deveriamos fazer.
Qual a coisa certa a fazer?
Agora vejo algumas pessoas intrigadas como, "Porque você está nos perguntando qual a coisa certa a fazer?
Nós apenas estamos criando essas coisas. Outras pessoas estão usando."
Bastante justo.
Mas isto faz com que eu relembre.
Penso a respeito da Segunda Guerra Mundial -- alguns de nossos maiores tecnólogos da época, alguns de nossos maiores físicos, estudando fissão e fusão nuclear -- apenas assuntos nucleares.
Nós reunimos aqueles físicos em Los Alamos para ver o que eles construiriam.
Nós queremos pessoas construindo a tecnologia pensando no que deveriamos fazer com essa tecnologia.
Então, o que deveriamos fazer com as informações deste cara?
Devemos coletá-la e juntá-la para que possamos fazer a sua experiência online ainda melhor?
Podemos fazer dinheiro?
Podemos nos proteger se ele não era capaz de nada bom?
Ou devemos respeitar a sua privacidade, proteger a sua dignidade e deixá-lo em paz?
Qual dessas alternativas?
Como podemos descobrir?
Eu sei: crowdsource. Vamos fazer crowdsource disto.
Então, para aquecer todo mundo, vamos começar com uma simples questão -- algo que eu tenho certeza que todos tem uma opinião formada sobre o tema: iPhone contra Android.
Vamos levantar as mãos -- iPhone.
Aham.
Android.
Você poderia pensar que em um grupo de pessoas inteleligentes nós não seríamos tão tolos em escolher somente os telefones bonitos.
Próxima pergunta, um pouco mais complicada.
Deveríamos coletar a informação desta pessoa para tornar suas experiências ainda melhor e nos proteger em caso dela não capaz de nada bom?
Ou devemos deixá-lo em paz?
Coletar seus dados.
Deixá-lo em paz.
Você está segura. Está tudo bem.
Tudo bem, última pergunta -- uma pergunta mais difícil -- quando tentamos avaliar o que deveríamos fazer neste caso, deveríamos utilizar uma estrutura moral deontológica Kantiana ou devemos utilizar a ética consequencialista de Stuart Mill?
Kant.
Mill.
Sem muitos votos.
Sim, este é um resultado terrível.
Terrível pois temos opiniões mais fortes a respeito de nossos dispositivos portáteis do que a respeito da estrutura moral que deveríamos usar para guiar nossas decisões.
Como sabemos o que fazer com o poder que temos se não temos uma estrutura moral definida?
Sabemos muito sobre sistemas operacionais de celulares, mas o que nós realmente precisamos é um sistema operacional moral.
O que é um sistema operacional moral?
Todos nós sabemos o que é certo e errado, certo.
Você se sente bem quando faz alguma coisa correta, você se sente mau quando faz algo incorreto.
Nossos pais nos ensinam isso: enalteça os bons e repreenda os maus.
Mas como sabemos o que é certo ou errado?
No nosso dia a dia temos as técnicas que nós usamos.
Talvez nós apenas seguimos nossa razão interior.
Talvez nós apenas votemos -- nós fazemos crowd source.
Ou talvez nós jogamos -- pergunte ao departamento jurídico, veja o que eles dizem.
Em outras palavras, isto se dá aleatoriamente, meio ad hoc, a maneira como resolvemos o que deveríamos fazer.
E talvez, se nós queremos estar em terra firme, o que na verdade nós queremos é uma estrutura moral que nos guie, que nos diga que tipo de ações são certas ou erradas primeiramente, e o que nós faríamos em uma determinada situação.
Então vamos criar uma estrutura moral.
Nós somos pessoas que vivem com números.
Como podemos usar números como a base para a estrutura moral?
Conheço um cara que fez exatamente isso,
um cara brilhante -- que morreu a 2500 anos atrás.
Platão, exatamente.
Lembra-se dele -- velho fil
Você estava dormindo durante a aula.
Platão possuia várias preocupações parecidas com as nossas.
Ele estava preocupado sobre o certo e o errado.
Ele queria saber o que era justo.
Mas ele estava preocupado com o fato de que tudo o que parecíamos estar fazendo era trocar opiniões a respeito disto.
Ele diz que algo é justo. Ela diz que algo é justo.
É meio que convincente quando ele fala e quando ela fala, também.
Estou somente indo e voltando; Não estou indo a lugar algum.
Eu não quero opiniões, eu quero conhecimento.
Eu quero saber a verdade sobre a justiça -- como nós temos verdades na matemática.
Na matemática, sabemos os fatos exatos.
Pegue um número, qualquer número -- 2.
Número favorito. Adoro esse número.
Existem verdades sobre o número dois.
Se você tem duas unidades de alguma coisa, e você adiciona mais dois, você tem quatro.
Isto é verdade, não importando sobre o quê você está falando.
É uma verdade objetiva sobre o dois, a forma abstrata.
Quando você tem dois itens de algo -- dois olhos, duas orelhas, dois narizes, somente duas projeções -- todos parte do mesmo dois.
Eles todos fazem parte das verdades que o dois tem.
Todos tem as particularidades do dois.
E então, isto não diz respeito a opiniões de cada um.
E caso, Platão pensou, ética fosse como matemática?
E se existiesse a pura forma da justiça?
E se existissem verdades sobre a justiça, e você pudesse somente olhar o mundo ao seu redor e enxergar que coisas participam, são parte integrante desta forma de justiça?
Então você saberia o que de fato era justo e o que não era.
Isso não seria uma questão de mera opinião ou aparências.
Esta é uma visão impressionante.
Quero dizer, pense sobre isso. O quão grande. O quão ambicioso.
Isso é tão ambicioso quanto nós somos.
Ele quer solucionar a ética.
Ele quer verdades objetivas.
Se pensar dessa forma, você tem uma estrutura moral platônica.
Se você não pensa dessa forma, bem, você tem muita companhia na história da filosofia Ocidental, por causa dessa precisa ideia -- você sabe, as pessoas criticam isso.
Aristóteles, em particular, não era tão impressionado por isso.
Ele achava que isto era impraticável.
Aristóteles disse, "Só devemos buscar precisão em um determinado assunto até o ponto em que este assunto permite."
Aristóteles não achava que a ética era como a matemática.
Ele acreditava que a ética era uma questão de tomar decisões aqui e agora, utilizando nosso melhor julgamento para achar o caminho certo.
Se pensar assim, Platão não é o seu cara.
Mas não desista.
Talvez exista um outro caminho que possamos utilizar os números como base para a nossa estrutura moral.
Que tal isso: E se em qualquer situação você pudesse simplesmente calcular, observar as opções, mensurar qual a melhor e saber o que fazer?
Isso soa familiar?
Essa é uma estrutura moral utilitarista.
John Stuart Mill era um grande defensor disto -- um excelente cara -- e só morreu a cerca de 200 anos.
Então, à base do utilitarismo -- eu tenho certeza que você é familiar.
As três pessoas que votaram a favor de Mill anteriormente são familiares com isso.
Mas aqui está a forma que isso funciona.
E se a moral, e se o que faz com que algo seja moral, seja somente uma questão de maximizar o prazer e minimizar a dor?
Isso é algo intrínseco ao ato.
Não é algo relacionado a uma forma abstrata.
É só uma questão de saber as consequências.
Você somente observa as consequências e vê se, de maneira geral, isto é para melhorar algo ou para piorar.
Isso seria simples. Assim saberíamos o que fazer.
Vamos tomar um exemplo.
Digamos que eu levante e diga, "Vou pegar seu telefone."
Não somente porque ele tocou anteriormente, mas pegarei isso pois eu fiz um pequeno cálculo.
Eu pensei, esse cara parece suspeito.
E se ele está mandando mensagens para o esconderijo de Bin Laden -- ou quem quer que seja quem assumiu depois de Bin Laden -- e ele é, na verdade, um terrorista, um agente infiltrado.
Eu descobrirei isto e quando eu descobrir isto, eu evitaria uma grande quantidade de danos que ele poderia causar.
Esta foi uma ação muito útil para prevenir o dano.
E comparado ao pequeno dano que isso vai causar -- pois vai ser embaraçoso eu olhar seu telefone e ver que ele tem um problema na sua Farmville -- isso é superado pelo valor de olhar o telefone.
Se você se sente dessa forma, essa é uma escolha utilitarista.
Mas talvez você também não se sinta assim.
Talvez você pense, esse é o telefone dele.
É errado pegar seu telefone, pois ele é uma pessoa ele tem direitos e tem dignidade, e não podemos interferir nisto.
Ele tem autonomia.
Não interessa que cálculos eu fiz.
Existem coisas que são intrínsecamente erradas - como mentir é errado, como torturar crianças inocentes é errado.
Kant era muito bom nesse sentido, e ele disse um pouco melhor do que eu direi.
Ele disse que deveríamos utilizar nossa razão para enteder as regrar pelas quais nós deveríamos guiar a nossa conduta. E então seria o nosso dever seguir essas regras.
Isto não é uma questão de cálculo.
Então vamos parar.
Nós estamos no âmago disto, no núcleo filosófico disto.
E isto continua por milhares de anos, pois estas são questões difíceis, e só tenho 15 minutos.
Então vamos direto ao ponto.
Como deveríamos tomar nossa decisão?
Pelo pensamento de Platão, Aristóteles, Kant ou Mill?
O que deveríamos fazer? Qual a resposta?
Qual a fórmula que podemos utilizar em qualquer situação e determinar o que devemos fazer, se devemos utilizar os dados deste cara ou não?
Qual a fórmula?
Não há nenhuma fórmula.
Não há uma resposta simples.
Ética é difícil.
Ética requer pensamento.
E isto é desconfortável.
Eu sei; Eu gastei muito de minha carreira na intelgência artificial, tentando criar máquinas que poderiam fazer boa parte desse pensar por nós, que poderia nos dar respostas.
Mas elas não podem.
Você não pode pegar o pensamento humano e colocar uma uma máquina.
Nós que devemos fazer isto.
Felizmente, não somos máquinas, e podemos fazer isso.
Não apenas podemos, devemos.
Hannah Arendt disse, "A triste verdade é que a maioria do mal feito nesse mundo não é feito por pessoas que escolheram serem más.
Isso emerge do não pensar."
Isto é o que ela chamou de "banalidade do mal."
E a resposta a isso é que necessitamos do exercício do pensar de toda pessoa sã.
Então vamos fazer isto. Vamos pensar.
De fato, vamos começar agora mesmo.
Todos nesta sala façam isso: pense na última vez que você teve que tomar uma decisão, quando você estava preocupado em fazer a coisa certa, quando você pensou, "O que eu devo fazer?"
Traga isso à mente. Agora reflita sobre isso e diga, "Como cheguei a essa conclusão?"
O que eu fiz? Eu segui meu eu interior?
Fiz uma votação sobre isso? Ou eu apostei no que era legal?
Agora nós temos algumas outras opções.
"Eu avaliei o que traria as maiores vantagens, como Mill faria?
Ou como Kant, eu usei a razão para imaginar o que estava intrinsecamente correto?
Pense sobre isto. Traga isso à sua mente. Isto é importante.
Isto é tão importante que gastaremos 30 segundos valiosos do TEDTalk fazendo nada, somente pensando a respeito disto.
Está pronto? Vai.
Pare. Bom trabalho.
O que você acabou de fazer, este é o primeiro passo em direção a tomar responsabilidae para aquilo que podemos fazer com o nosso poder.
Agora o próximo passo -- tente isto.
Procure um amigo e explique a ele como você tomou essa decisão.
Não agora. Espere que eu termine a palstra.
Faça isso no almoço.
E não o faça com outro amigo da área de tecnologia. Ache alguém diferente de você.
Ache um artista ou escritor -- ou, que os céus proibam, ache um filósofo e fale com ele sobre isso.
Na verdade, ache alguém da área de humanas.
Porquê? Pois eles pensam sobre problemas diferente de como pensamos enquanto tecnólogos.
Alguns dias atrás, logo do outro lado da rua, havia centemas de pessoas juntas.
eram pessoas da área de tecnologia e humanas na gramde Conferência BiblioTech.
Eles estavam juntos pois os tecnólogos queriam aprender como seria pensar sobre a perspectiva da área humana.
Você tem alguém do Google conversando com alguém que faz literatura comparativa.
Você está pensando sobre a relevância do teatro francês do século XVII -- o que isto tem a ver com capital de risco?
Isso é interessante. Esta é uma diferente forma de pensar.
E quando você pensa dessa forma, você se torna mais sensível para as considerações humanas, que são cruciais para a tomada de decisões éticas.
Então imagine que agora mesmo você encontrasse seu amigo músico.
E você dissesse para ele sobre o que estamos falando, sobre nossa revolução de dados e tudo isso -- talvez até cantarolasse algo da nossa música tema.
♫ Dum ta da da dum dum ta da da dum ♫ Bem, seu amigo músico pararia e diria, "Sabe, a música tema de sua revolução de dados, é uma ópera escrita por Wagner.
É baseada nas lendas Nórdicas.
Seus deuses e criaturas míticas lutando por joias mágicas."
Isto é interessante.
É também uma linda ópera. E somos movidos pela ópera.
Somos movidos pois é sobre uma batalha entre o bem e o mal, entre o certo e o errado.
E nos importamos com o bem e o mal.
Nos importamos com o que acontece na ópera.
Nos importamos com o que acontece no "Apocalypse Now."
E com certeza nos importamos com o que acontece com nossas tecnologias.
Temos tanto poder hoje, e é nossa responsabilidade entender o que fazer. Essa é a boa notícia.
Nós somos as pessoas escrevendo a ópera.
Este é o nosso filme.
Nós dizemos o que acontecerá com essa tecnologia.
Nós determinamos como tudo isso irá acabar.
Obrigado.
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Vocês ficarão felizes em saber que não falarei sobre minhas próprias tragédias, mas da tragédia de outras pessoas.
É bem mais fácil se comover com a tragédia dos outros do que da sua própria, e eu quero manter o espírito da conferência.
Então, se você acredita nos meios de comunicação, ser um traficante de drogas durante o auge da epidemia de crack e cocaína significava ter uma vida bem glamurosa, nas palavras de Virginia Postrel.
Havia dinheiro, havia drogas, armas, mulheres, você sabe, qualquer coisa -- jóias, bling-bling -- tudo o que você pensar.
O que vou contar para vocês hoje é que, baseado em 10 anos de pesquisa, em uma oportunidade única de observar o interior de uma gangue -- de ver os livros, os registros financeiros de uma gangue -- que no fim das contas a resposta não é que ser de uma gangue é ter uma vida glamurosa.
Mas eu acho, de maneira mais realista, que ser de uma gangue -- vender drogas para uma gangue -- é talvez o pior emprego que existe nos Estados Unidos.
E é disso que eu gostaria de lhes convencer hoje.
Há três coisas que eu gostaria de fazer.
Primeiramente, gostaria de explicara como e por que o crack teve uma influência tão profunda em gangues de áreas centrais.
Em segundo lugar, eu quero contar para vocês como alguém como eu pode ver o funcionamento interno de uma gangue.
É uma história interessante, eu acho.
E em terceiro lugar, eu quero contar a vocês de modo bastante superficial sobre algumas coisas que encontramos quando realmente olhamos os registros financeiros -- os livros do caixa -- da gangue
Então, antes disso apenas um aviso, que essa apresentação tem avaliação R pela Motion Picture Association of America.
Ela contém temas adultos, linguagem adulta.
Em relação a quem está no palco, vocês terão prazer em saber que de fato não haverá nenhuma nudez, salvo -- -- falhas inesperadas de roupas à parte.
Então permitam-me começar a falar sobre o crack e como ele transformou a gangue.
E para fazê-lo, você tem que voltar um tempo antes do crack, no começo dos anos 80, e olhá-lo na perspectiva de um líder de gangue.
Ser um líder de gangue na zona central da cidade não era tão mal negócio em meados dos anos 80
No começo da década de 80, alguns diriam.
Olha, você tinha muito poder, e você batia em pessoas -- você tem muito prestígio, muito respeito.
Mas não havia dinheiro nisso, OK?
A gangue não tinha meios de ganhar dinheiro.
E eles não podiam cobrar contribuições de pessoas da gangue, porque elas não tinham dinheiro.
Você não conseguia ganhar dinheiro vendendo maconha.
Acontece que maconha é muito barato.
Você não pode ficar rico vendendo maconha.
Você não podia vender cocaína.
Sabe, cocaína é um ótimo produto -- cocaína em pó -- mas você tem de conhecer pessoas brancas e ricas.
E a maioria dos membros de gangues urbanas não conheciam nenhum branco rico -- eles não podiam vender para aquele mercado.
Você também não podia cometer pequenos delitos.
Os pequenos delitos são um horrível meio de se ganhar a vida.
Então, como resultado, como um líder de gangue, você tinha poder. É uma vida bem boa. Mas acontece que, no final, você estava morando em casa com sua mãe.
Então não era realmente uma carreira.
Era algo que -- é que havia limites de quão poderoso e importante você podia ser se você tinha que morar com sua mãe.
E então surge o crack.
E nas palavras de Malcolm Gladwell, o crack era a versão extra espessa de molho de tomate para o centro da cidade.
Porque o crack era uma inovação incrível.
Eu não tenho tempo de falar sobre isso hoje.
Mas se você pensar no assunto, eu diria que nos últimos 25 anos, de cada invenção ou inovação que houve neste país, a maior, em termos de impacto no bem-estar das pessoas que vivem no centro da cidade, foi o crack.
E para pior -- não para o melhor, mas para o pior.
Teve um impacto gigantesco na vida.
Então o que havia de especial no crack?
Era um modo brilhante de se drogar.
Porque você podia fumar crack -- você não pode fumar cocaína -- e fumar é um mecanismo muito mais eficiente para ficar drogado do que cheirar.
E acabou que havia um público que não sabia que queria crack, mas quando ele surgiu, realmente queria.
E era uma droga perfeita. Você podia vender por -- comprar a cocaína que entrava por um dólar, vendê-la por cinco dólares.
Altamente viciante -- o efeito durava muito pouco.
Então por quinze minutos você tem esse efeito ótimo.
E quando ele via embora, tudo que você quer fazer é se drogar de novo.
Isso criou um mercado maravilhoso.
E para as pessoas que estavam gerenciando a gangue, foi um ótimo modo, aparentemente, de gerar muito dinheiro.
Pelo menos para as pessoas no topo.
Então é aí que entramos em cena.
Não eu de fato -- Sou apenas um personagem secundário em tudo isso.
Meu co-autor, Sudhir Venkatesh, é o personagem principal.
Ele era um estudante de Matemática na faculdade que tinha um bom coração, e decidiu que queria obter um Ph. D. em Sociologia Veio para a Universidade de Chicago.
Mas, os três meses antes de ele vir para Chicago, ele passou seguindo o Grateful Dead
E, em suas palavras, "ele parecia bizarro."
Ele é do Sul da Ásia - e tem a pele escura.
Homem alto, e ele tinha cabelo, em suas palavras, "até a bunda."
Desafiou todos os tipos de limites: Ele era branco ou negro? Era homem ou mulher?
Ele realmente tem um tipo diferente.
Então ele apareceu na Universidade de Chicago.
E o famoso sociólogo, William Julius Wilson, estava fazendo um livro que envolvia pesquisas com pessoas em toda Chicago.
Ele olhou para o Sudhir, que iria fazer algumas pesquisas para ele e decidiu que sabia exatamente o local que iria mandá-lo -- que era um dos conjuntos habitacionais mais barra pesada.
E não só em Chicago, mas nos Estados Unidos inteiro.
Então Sudhir -- o garoto suburbano que nunca tinha ido a locais assim -- pegou sua prancheta e foi até esse conjunto habitacional.
Entra no primeiro prédio.
O primeiro prédio? Bem, não tem ninguém lá.
Mas ele ouve algumas vozes ali em cima, então ele sobe as escadas
E quando ele vira a esquina - acha um grupo de jovens negros jogando dados.
Isso era mais ou menos 1990 -- o pico da epidemia do crack.
Era um trabalho perigoso estar em uma gangue -- você não quer ser surpreendido.
Você não gostaria de ser surpreendido por pessoas quem vêm da esquina.
E o mantra na época era: atire primeiro, pergunte depois.
Mas o Sudhir era sortudo.
Ele era tão bizarro -- e aquela prancheta provavelmente salvou a sua vida, porque eles pensaram nenhum membro de uma gangue rival iria tentar atirar neles com uma prancheta.
Então as boas vindas não foram acolhedoras, mas eles disseram, bem, OK -- vamos ouvir as perguntas da sua pesquisa.
Então, sem brincadeira, a primeira pergunta que ele deveria fazer era "Como você se sente sendo pobre e negro na América?"
Te faz pensar sobre a academia, né?
E as opções de respostas eram: Muito bem, Bem, Mal e muito mal.
O que Sudhir descobriu foi que a resposta verdadeira foi a seguinte -- A pesquisa não seria, no fim, o que tiraria Sudhir dessa situação.
Ele foi mantido como refém a noite toda nas escadas do prédio.
Aconteceram muitos tiroteios -- E ele teve muitas discussões filosóficas com os membros da gangue.
De manhã, o líder da gangue chegou. Olhou para o Sudhir-- decidiu que ele não era uma ameaça e o mandou para casa.
Então ele foi para casa. Tomou banho, dormiu um pouco.
E se acontecesse comigo ou com vocês, nós pensaríamos, bem, eu acho que eu vou escrever minha dissertação sobre o Grateful Dead.
Eu já os segui nos últimos três meses.
Sudhir, por sua vez, voltou -- entrou no conjunto habitacional.
Foi até o segundo andar e falou: " Ei caras,
ontem eu me diverti tanto com vocês, pensei se poderíamos fazer a mesma coisa essa noite."
E esse foi o início do que se tornou um grande relacionamento e que levou Sudhir a morar no conjunto habitacional várias vezes por dez anos: ficando nas bocas de fumo, indo para a prisão com os membros das gangues, tendo a janela do seu carro baleada a polícia invadindo seu apartamento e roubando os discos do seu computador -- aconteceu de tudo.
Mas no final, a história teve um final feliz para Sudhir, que se tornou um dos sociólogos mais respeitados do país.
E especialmente para mim, que ficava no meu escritório com uma planilha de Excel aberta, esperando o Sudhir chegar e me entregar a última carga de dados -- -- que tinha conseguido da gangue.
Foi uma das mais desiguais relações de co-autoria de todos os tempos -- mas estou feliz de ser o beneficiário disso tudo.
E o que descobrimos? O que descobrimos com a gangue? Só falo uma coisa.
Nós realmente tivemos acesso a todos da gangue.
Olhamos a gangue por dentro, dos níveis mais baixos até o topo.
Eles confiavam no Sudhir -- de uma maneira inédita entre os acadêmicos -- ou de qualquer um, nenhuma pessoa de fora conquistou a confiança dessas gangues, até o ponto em que eles realmente abriram o que era o mais importante para mim: os seus livros de contabilidade.
E eles os disponibilizaram para nós.
E nós pudemos estudá-los e até perguntar sobre o que estava registrado neles.
Então se eu tiver que resumir rapidamente no pouco tempo que tenho que tipo de lição eu tirei da experiência com a gangue, é que se eu fizer um paralelo entre a gangue e qualquer outra organização teria que dizer que a gangue é como o McDonald's.
Em vários aspectos diferentes -- a lanchonete McDonald's.
Primeiro, de uma forma -- que provavelmente não é a mais interessante, mas é um bom começo - é na maneira em que é organizada. A hierarquia da gangue; a maneira que ela é.
O organograma de uma gangue é assim.
Eu não sei se vocês sabem muito sobre organogramas, mas se você tivesse que simplificar o organograma do McDonald's, ele seria exatamente como esse organograma aqui.
Agora, o que é fantástico é que no nível superior da gangue, eles se chamam de "diretoria."
E Sudhir diz que não é que esses caras têm uma visão sofisticada do negócio algo como, o que aconteceu na vida corporativa americana.
Mas eles viram filmes como "Wall Street -- Poder e Cobiça" e eles meio que aprenderam um pouco sobre como deveria ser no mundo real.
Agora, abaixo da diretoria, você tem essencialmente os que são os vice-presidentes regionais -- pessoas que controlam o sul de Chicago ou oeste de Chicago.
Agora, Sudhir conheceu o cara que tinha o triste trabalho de tentar tomar a franquia de Iowa.
O que para uma gangue negra não era uma das mais brilhantes empreitadas financeiras que eles teriam.
Mas o que realmente faz com que uma gangue se pareça com McDonald's são seus franqueados.
O cara que está gerenciando as gangues locais -- áreas de quatro quarteirões por quatro quarteirões -- eles são, de alguma maneira, como as pessoas que estão gerenciando o McDonald's.
Esses são os empreendedores.
Eles têm exclusividade territorial para controlar a venda de drogas.
Eles têm o nome da gangue por trás deles, para merchandising e marketing.
E são eles que basicamente têm lucro ou prejuízo, dependendo de quão bons eles são em gerenciar seus negócios.
Mas o grupo que eu quero que vocês pensem a respeito são os que estão na base, os soldados.
Geralmente são adolescentes, que ficam nas esquinas vendendo drogas.
Um trabalho extremamente perigoso.
E vale ressaltar que quase todas as pessoas nessa organização estão na base.
Exatamente como o McDonald's.
Então, de alguma maneira, os soldados são como as pessoas que te atendem no McDonald's.
E não é por acaso que eles são parecidos.
Nessas vizinhanças, elas são as mesmas pessoas.
Então os mesmos garotos que estão trabalhando na gangue eram ao mesmo tempo, os que poderiam trabalhar meio-período num lugar como o McDonald's.
O que já prenuncia o principal resultado que eu falei, sobre como o trabalho numa gangue é ruim.
Porque obviamente, se trabalhar numa gangue era um trabalho tão bom e lucrativo, por que esses caras também faziam bicos no McDonald's?
Como são os salários? Vocês ficarão surpresos.
Mas baseado no que conversamos com eles e vimos nos livros de contabilidade, isso é o que parecem ser os salários.
Um soldado ganhava 3, 50 por hora.
Isso abaixo do salário mínimo, ok? E isso é bem documentado.
É fácil de ver, os padrões de consumo que eles têm.
E não é ficção -- é um fato.
Havia pouco dinheiro na gangue, especialmente na base.
Agora se você conseguisse subir -- e ser o líder local, o que seria um franqueado do McDonald's -- você faria uns 100. 000 dólares por ano.
E esse era o melhor trabalho que você poderia alcançar se você fosse um jovem negro e estivesse crescendo em uma dessas vizinhanças.
Se você conseguisse subir até o topo, 200. 000 ou 400. 000 dólares por ano é o que você poderia ganhar.
E você seria uma história de grande sucesso.
E uma das partes ruins disso é que entre muitas outras ramificações de crack é que os indivíduos mais talentosos dessas comunidades -- era por isso que batalhavam.
Eles não estavam tentando de maneiras dentro da lei, porque não havia canais que os levassem para dentro da lei.
Essa era a melhor maneira para eles.
E parecia ser a escolha certa para tentar crescer dessa maneira.
Olhem só. O relação com o McDonald's acaba aqui.
O dinheiro é quase o mesmo.
E por que é um trabalho tão ruim?
Bem, a razão é porque sempre tem alguém atirando em você.
Então, com pessoas atirando em você, quais são as taxas de morte?
Nós descobrimos na nossa gangue, que isso não era o tipo de situação padrão. Esse era um momento de violência intensa, de muitas guerras de gangues -- e essa gangue se tornou bem sucedida. Mas houve custos.
E a taxa de mortes -- sem contar a taxa de pessoas detidas, enviadas para prisão, feridas -- a taxa de morte na nossa amostra era 7% por pessoa por ano.
Se você está numa gangue por quatro anos, a taxa aumenta para 25%.
E isso é bastante significativo.
Então apenas para comparar, vamos pensar em outras maneiras de vida que você imagina ser extremamente arriscada.
Vamos imaginar que você seja um assassino que foi condenado por assassinato e enviado para o corredor da morte.
No final, as taxas de morte do corredor da morte -- por todas as causas, incluindo execução -- 2% ao ano.
Então é bem mais seguro estar no corredor da morte do que vender drogas nas ruas.
Isso faz com que você pare e pense - aqueles de vocês que acham que a pena de morte vai reduzir muito a criminalidade.
Agora, para se ter noção de quão ruins eram esses locais durante o crack -- e não estou nem focando no lado negativo, existe outra história para contar -- se você olhar para taxas de mortalidade -- de jovens negros aleatórios crescendo nesses locais nos Estados Unidos -- a taxa de mortalidade durante o crack era mais ou menos 1%.
Isso é muito alto.
E isso é morte violenta -- é inacreditável.
Para colocar em perspectiva, se você comparar com soldados no Iraque, por exemplo, agora mesmo na guerra: 0, 5%.
Então, literalmente, os jovens negros crescendo neste país estavam vivendo em uma zona de guerra tanto quanto os soldados no Iraque.
Então você se pergunta, por que uma pessoa estaria disposta a ficar numa esquina vendendo drogas por 3, 50 a hora, com 25% de chances de morrer nos próximos quatro anos?
Por que eles fariam isso? E eu acho que há algumas respostas.
Acho que a primeira é que eles foram enganados pela história.
A gangue era um rito de passagem.
Que os jovens controlavam a gangue -- que quando você ficasse mais velho, você abandonava a gangue.
Então o que acontecia era que as pessoas que estavam no lugar certo na hora certa -- as pessoas que estavam liderando uma gangue no final dos anos 80 -- se tornaram muito, muito ricas.
E se tornou lógico pensar que "A próxima geração -- eles vão envelhecer e sair da gangue como os outros, e a próxima geração vai dominar e ficar rica."
Então há algumas semelhanças, eu acho, com o boom da Internet, certo?
As primeiras pessoas no Vale do Silício ficaram muito muito ricas.
E então todos os meus amigos falaram: "talvez devêssemos fazer isso também."
E eles estavam dispostos a trabalhar por pouco, por opções que nunca vieram.
De alguma maneira, foi exatamente o que aconteceu a esse grupo que estávamos acompanhando. Eles estavam dispostos a começar de baixo.
Como um advogado novo em um escritório de advocacia -- um advogado no primeiro ano está disposto a começar de baixo, trabalhar 80 horas por semana por pouco dinheiro, porque eles acham que se tornarão sócios.
Mas o que acontece é que as regras mudam e eles não se tornaram sócios.
E as mesmas pessoas que estavam gerenciando as maiores gangues no final dos anos 80 ainda estão gerenciando as grandes gangues de Chicago hoje.
Eles nunca repassaram qualquer parte da fortuna.
Então todos ficaram presos naquele emprego de 3, 50/hora e acabou sendo um desastre.
Outra coisa em que a gangue era muito, muito boa era no marketing e enganação.
E a propósito, uma coisa que a gangue fazia era -- vocês sabem que os líderes de gangues têm grandes comitivas, e eles têm carros e jóias extravagantes.
Então o que o Sudhir percebeu ao andar com eles foi que eles não compraram aqueles carros.
Eles simplesmente alugavam os carros porque não podiam pagar por eles.
E eles não tinha jóias de ouro - eles tinham jóias banhadas a ouro.
Isso volta para a questão do que é verdade e o que parece ser verdade
E eles fizeram todo o tipo de coisa para convencer os mais jovens que trabalhar para a gangue seria um grande negócio.
Então por exemplo, eles davam a um garoto de 14 anos -- eles davam a ele um bolo de dinheiro para guardar.
Esse garoto de 14 anos dizia "Bem…"
Ele dizia para os seus amigos, "Ei, olhem o dinheiro que ganhei na gangue."
O dinheiro não era dele, até ele gastar. Então essencialmente ele estava em débito com a gangue, e virava meio que um escravo por um tempo.
Ainda tenho alguns minutos.
Deixe-me fazer mais uma coisa. Achei que não teria tempo para falar sobre o que aprendemos em geral sobre economia nesse estudo sobre gangues.
Economistas geralmente usam um discurso técnico.
Frequentemente, nossas teorias falham feio quando vamos aos dados.
Mas o que é interessante é que nesse cenário algumas das teorias econômicas que geralmente não funcionam tão bem na economia do mundo real, funcionaram muito bem na economia da droga -- de alguma forma porque é o capitalismo irrestrito.
Aqui vai um princípio econômico.
Esse é uma das ideias básicas na economia do trabalho, chamada "o diferencial da compensação."
É a ideia de que o aumento de salário que um trabalhador demanda para deixá-lo indiferente entre fazer duas tarefas -- uma menos prazerosa que a outra -- é o que se chama de diferencial da compensação.
É por isso que pensamos que lixeiros devem receber mais do que pessoas que trabalham em parques, ok?
Então nas palavras de um dos membros da gangue que deixa isso claro.
No final -- estou antecipando algumas coisas.
No final, quando a gangue está em guerra, eles realmente pagam o dobro do salário para os soldados.
É exatamente esse o conceito.
Porque eles não estão dispostos a correr esse risco.
E as palavras de um membro da gangue expressa isso bem.
Ele disse: "Você ficaria aqui enquanto toda essa merda" -- ou seja, tiroteios - "com toda essa merda acontecendo? Não, certo?
Então se me chamarem para colocar minha vida em risco, então me adianta o dinheiro, cara."
Essencialmente, eu acho que o membro da gangue é bem mais articulado do que o economista sobre o que está acontecendo.
Aqui vai mais uma.
Economistas falam sobre uma teoria de jogos que todo jogo de duas pessoas tem um equilíbrio natural.
Aqui vai a tradução feita pelo membro da gangue.
Eles estavam falando sobre a decisão de por que eles não vão atirar -- o que acaba sendo uma grande tática de negócios na gangue, se você sair e atirar para cima -- apenas atirar no território de outra gangue -- todas as pessoas ficam com medo de comprar drogas lá.
Eles vão até a sua vizinhança.
Mas olha como ele explica por que eles não fazem isso.
Ele diz, "Se nós começarmos a atirar por lá,"-- no território de outra gangue -- "ninguém, quero dizer, ninguém vai pôr o pé lá.
Mas temos que ser cautelosos, porque eles podem vir atirar aqui também. E aí todos nós nos ferramos."
E é exatamente o mesmo conceito.
Mas, novamente, alguns economistas entendem errado.
Então uma coisa que observamos nos dados é que parecia, em termos de.
Líderes de gangue sempre são pagos, ok?
Não interessava o quão mal estavam economicamente, ele sempre era pago.
Então nós tivemos algumas teorias sobre o fluxo de caixa, e a falta de acesso ao mercado de capitais e coisas do gênero.
Mas quando perguntamos ao membro da gangue, "Por que você sempre é pago e os seus trabalhadores não são sempre pagos?"
Ele respondeu: "Você tem todos esses crioulos embaixo de você querendo o seu trabalho, sabe?
Se você começar a aceitar as perdas, eles te veem como fraco e tal."
E eu pensei sobre isso e disse, CEOs geralmente se pagam bonus milionários, mesmo que as companhias percam muito dinheiro.
E nunca ocorreu a um economista a ideia de que "fraco e tal" poderia ser realmente importante."
Mas talvez -- talvez "fraco e tal"-- talvez "fraco e tal" é uma hipótese importante e que precisa de mais análise.
Muito obrigado.
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Eu iniciei com paragliding
Paragliding é decolar de montanhas com um parapente, com a possibilidade de voar por grandes distâncias usando apenas o calor para voar.
O parapente também permite várias manobras acrobáticas.
A partir daí eu começei com paraquedismo
Nessa foto você pode ver essa é uma queda com 4 pessoas, 4 pessoas voando juntas e no lado esquerdo está o câmera voador. A câmera montada em seu capacete permitindo que ele filme toda a queda para o filme em si e também para os juízes.
A partir do paraquedismo normal eu fui paraquedismo estilo livre.
O estilo livre é mais como o paraquedismo em 3 dimensões.
Aqui você pode ver o paraquedista com a roupa vermelha, ele está em uma posição em pé.
Aquele com a roupa amarelo-verde está voando de cabeça para baixo.
Sou eu no fundo, ao redor de toda a formação, também em queda livre, com a câmera no capacete para filmar esse pulo,
Do estilo livre eu fui para o surfe no céu.
Surfe no céu é paraquedismo com uma prancha nos pés.
Você pode imaginar que com essa grande superfície que é a prancha de surfe no céu há muita força, muito poder.
Naturalmente você pode usar essa força, por exemplo, para rodar, nós chamamos de movimentos de helicóptero,
A partir daí eu fui para o vôo de wingsuit.
O wingsuit é um macacão que me permite voar apenas com meu corpo.
Se eu colocar um pouco de tensão no meu corpo, tensão no meu macacão eu o posso fazer voar. Como você pode ver a velocidade de queda é muito menor por causa da maior superfície.
Com uma posição adequada do corpo, eu posso me mover para frente e percorrer distâncias significativas.
Esse é um pulo que fiz no Rio de Janeiro.
Você pode ver Copacabana no lado esquerdo.
A partir daí como toda a habilidade e conhecimento do parapente e de todas as outras disciplinas de queda livre, eu fui para o pulo BASE.
Pulo BASE é a queda livre a partir de objectos fixos, como edifícios, antenas, pontes e Terra - significando montanhas e penhascos.
Com certeza, para mim, é a sensação derradeira de estar em queda livre, com todas as referências visuais.
O meu objetivo em descobrir novos lugares que ninguém havia pulado antes.
Então no verão de 2000 eu fui o primeiro a pular BASE a face norte Eiger na Suíca.
Dois anos após isso, eu fui o primeiro a pular BASE de Matterhorn uma montanha muito famosa que, provavelmente, todos aqui conheçem.
Em 2005 eu pulei BASE do Eiger, de Monk e de Jungfrau, 3 montanhas muito famosas na Suíca.
O especial nesses pulos foi que eu percorri as trilhas e escalei todas em apenas 1 dia.
Em 2008 eu pulei da Torre Eiffel em Paris.
Como todo esse conhecimento, eu também quis fazer coisas desafiadoras.
Com alguns amigos, começamos a fazer alguns truques, como esse pulo, por exemplo Eu pulei de um parapente.
Ou neste, onde todos estavam congelando, menos eu, porque na Áustria estava muito frio Onde fizemos essa filmagem.
Aqui todos estão sentados em uma cesta e eu estava sobre o balão, pronto para escorregar com minha prancha de surfe no ceú.
Ou nesse pulo a partir de um caminhão se movendo na estrada.
Esportes radicas de alto nível como este somente são possíveis se você pratica passo a passo, se você pratica muito suas habilidades e seu conhecimento.
Naturalmente você precisa estar em condições físicas muito boas, e por isso, tenho treinado muito.
Você precisa ter o melhor equipamento possível.
E, provavelmente o mais importante é que você precisa trabalhar nas suas habilidades mentais, sua preparação mental.
E tudo isso para se chegar o mais próximo possível ao sonho humano de ser apto a voar.
Então para 2009 Estou treinando para meus 2 novos projetos.
O primeiro é que eu quero estabelecer um novo recorde mundial de voar a partir de um penhasco com meu macacão.
E eu quero estabelecer um novo recorde de maior distância jamais voada.
Para meu segundo projeto Eu tenho uma idéia sensacional de um pulo que nunca foi feito antes.
Então agora, no filme a seguir você verá que eu sou muito melhor em voando de wingsuit do que falando inglês.
Divirtam-se e muito obrigado.
June Cohen: Eu tenho algumas perguntas
Eu acho que todos devemos ter algumas perguntas
Pergunta um: Então isso realmente se parece com o sonho de voar?
Porque parece que sim.
Ueli Gegenschatz: É bem parecido. Acredito que isso é provavelmente o mais próximo da possibilidade do sonho de ser apto a voar.
JC: Eu sei a resposta a isso mas, como você pousa?
UE: Paraquedas. Precisamos abrir um paraquedas alguns segundos antes, eu diria, do impacto.
Ainda não é possível pousar um wingsuit.
JC: Ainda. Mas as pessoas estão tentando. Você está entre aqueles - você não vai se comprometer - você está entre aqueles que estão tentando?
UE: É um sonho. É um sonho. Sim.
Ainda estamos trabalhando nisso e nós estamos desenvolvendo os macacões para ter um desempenho melhor, para ter mais conhecimento.
Acredito que em breve.
JC: Tudo bem. Nós vamos cobrir esse espaço. Mas eu tenho mais 2 questões.
O que é - havia uma fumaça saindo de trás do seu macacão. Você estava usando algum macacão com impulso?
UE: Não, era apenas fumaça.
JC: Saindo de você?
UE: Espero que não.
JC: Aquilo parece perigoso.
UE: Não, a fumaça é por 2 razões, você pode ver a velocidade, você pode ver o caminho por onde eu estava voando.
Essa é a razão número 1. E a razão número 2, é mais fácil para o cinegrafista filmar se eu estou usando a fumaça.
JC: Entendo, então o macacão é preparado para soltar fumaça para que você possa ser rastreado. Mais uma pergunta.
O que você faz para cobrir seu rosto?
Porque eu imagino que indo tão rápido você tem seu rosto esmagado para trás.
Você usa capacete? Você usa óculos de proteção?
UE: A mais pura e a melhor sensação seria com apenas óculos.
JC: E normalmente você voa apenas com isso?
UE: Normalmente eu uso um capacete. Nas montanhas eu estou sempre usando capacete por causa das aterrisagens - normalmente é difícil - não é como o paraquedismo normal onde você tem grandes áreas de pouso.
Então você precisa estar preparado.
JC: Entendo. Há algo que você não faz?
As pessoas trazem projetos e dizem: "Nos queremos que você faça isso!"
e você diz, "Não, eu não vou fazer isso."
UE: Claro, claro. Algumas pessoas tem idéias malucas e. JC. uma rodada de aplausos.
UE: Muito obrigado.
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Eu tenho um estúdio em Berlim -- deixa eu ligar aqui -- que fica aqui embaixo na neve, no último fim de semana.
No estúdio fazemos vários experimentos.
Eu consideraria o estúdio mais como um laboratório.
Eu tenho encontros ocasionais com cientistas.
E tenho um instituto, uma parte da Universidade de Belas Artes de Berlim.
Temos um encontro anual, que se chama Vida no Espaço
Vida no Espaço não é necessariamente sobre como fazemos as coisas, mas porque fazemos.
Vocês se importam de olhar, comigo, para aquela pequena cruz aqui no centro?
Então fiquem só olhando. Não se importem comigo.
Então vocês verão um círculo amarelo. E nós faremos um experimento de pós imagem.
Quando o círculo sumir vocês terão outra cor, a cor complementar.
Eu estou dizendo algo. E seus olhos e seu cérebro estão respondendo.
Toda essa idéia de troca, a idéia de constituir a realidade sobrepondo o que eu digo e o que vocês dizem -- pensem nisso como um filme.
Há dois anos, com um incentivo do ministro da ciência em Berlim, Eu tenho trabalhado nestes filmes onde nós produzimos um filme juntos.
Eu não necessariamente acho que o filme seja tão interessante.
Obviamente isso não é nem um pouco interessante do ponto de vista da narrativa.
Mas de qualquer jeito, o potencial é -- e apenas fiquem olhando pra lá -- o potencial é, obviamente, é mais ou menos mover a fronteira de quem é o autor, e quem é o receptor.
Quem é o consumidor, se você quiser, e quem é responsável por o que alguém vê?
Eu acho que existe uma dimensão social em, mais ou menos, mover essa fronteira.
Quem decide o que é realidade?
Esta é a Tate Modern em Londres.
A mostra foi, de alguma forma, sobre isso.
Foi sobre um espaço no qual eu coloquei metade de um disco amarelo semi circular.
Eu também coloquei um espelho no teto, e um pouco de neblina, uma fumaça.
E a minha idéia era fazer o espaço tangível.
Com um lugar tão grande, o problema é obviamente que existe uma discrepância entre o que o seu corpo pode acolher, e o que o espaço, neste sentido, é.
Então aqui eu tive esperança de que inserindo alguns elementos naturais, uma neblina, eu poderia torná-lo tangível.
E o que acontece é que as pessoas, elas começam a se ver neste espaço.
Então olhe para isso. Olhe pra menina.
É claro que eles tem que olhar através da droga da câmera num museu. Certo? É como os museus funcionam hoje.
Mas olhe pro rosto dela ali, enquanto ela está conferindo, se olhando no espelho.
"Oh! Aquilo era o meu pé ali!"
Ela não sabia ao certo se estava se vendo ou não.
E [a pergunta é]: como configurar a relação entre o nosso corpo e o espaço?
Como configuramos isso?
Como sabemos que estar em um espaço faz diferença?
Vocês perceberam no início quando eu disse, é sobre porque, mais do que como?
O porque significava na verdade, "Que consequências existem quando eu dou um passo?"
"O que importa?"
"Importa se eu estou no mundo ou não?"
E importa se o tipo de ação que eu tomar se transforma em um senso de responsabilidade?
A arte é sobre isso?
Eu diria que sim. Obviamente não é apenas sobre decorar o mundo, e fazer ele parecer ainda mais bonito. Ou ainda pior, se você me perguntar.
É obviamente também sobre tomar responsabilidades, como eu fiz aqui, jogando um pouco de pigmento verde no rio em Los Angeles, Estocolmo, Noruega e Tókio, entre outros lugares.
O pigmento verde não é perigoso para o meio ambiente, mas obviamente parece realmente assustador.
E é por outro lado também, eu acho, bem bonito. De alguma forma mostra a turbulência nesse tipo de áreas centrais, nesses diferentes lugares do mundo.
O "Rio Verde", como uma idéia ativista, não como parte de uma exposição, foi realmente sobre mostrar às pessoas, nesta cidade, enquanto elas caminham, que o espaço tem dimensões. Um espaço tem tempo.
E a água corre pela cidade com o tempo.
A água tem habilidade de fazer a cidade negociável, tangível.
Negociável querendo dizer que faz uma diferença se você faz alguma coisa ou não.
Faz diferença se você diz, "Eu sou parte dessa cidade.
E se eu voto, faz diferença.
Se eu tomar uma posição, faz diferença"
Toda essa idéia da cidade não ser uma fotografia é, eu acho, algo que a arte, de alguma maneira, sempre esteve trabalhando.
A idéia de que a arte pode mensurar a relação entre o que significa estar em uma fotografia, e o que significa estar em um espaço. Qual é a diferença?
A diferença entre pensar e fazer.
Então esses são diferentes experimentos com isso. Eu não entrarei em detalhes sobre eles.
Islândia, canto esquerdo embaixo, meu lugar preferido.
Esses tipos de experimentos, se transformam em modelos arquitetônicos.
Eles são experimentos em andamento.
Um é um experimento que eu fiz para a BMW, uma tentativa de fazer um carro.
É feito de gelo.
Um princípio empilhável cristalino no centro em cima, que eu estou tentando transformar em uma sala de concertos na Islândia.
Um tipo de faixa de corrida ou uma faixa para caminhada, no terraço de um museu na Dinamarca, que é feito de vidro colorido, percorrendo toda a volta.
Então o movimento das suas pernas mudará a cor do seu horizonte.
E [dois verões atrás], no Hyde Park em Londres, com a Serpentine Gallery: Um tipo de pavilhão temporário onde se mover era o único jeito de ver o pavilhão.
Esse verão, em Nova Iorque: Existe algo sobre a água caindo que é muito sobre o tempo que a água leva pra cair.
É muito simples e fundamental.
Eu andei muito nas montanhas na Islândia.
E quando você chega a um novo vale, quando você chega a um novo cenário, você tem uma certa visão.
Se você ficar parado, o cenário não necessariamente diz o quão grande ele é.
Não diz realmente para o que você está olhando.
No momento em que você começa a se mexer a montanha começa a se mexer.
As grandes montanhas lá longe, elas movem menos.
As pequenas montanhas, na frente, elas movem mais.
E se você parar de novo, você se pergunta, "Será um vale de uma hora?"
Ou será uma caminhada de três horas, ou estarei olhando para um dia inteiro?
Se existir uma cachoeira lá, lá no horizonte, você olha pra cachoeira e diz: "Oh, a água está caindo realmente devagar."
E você diz, "Meus Deus é muito longe e é uma cachoeira gigante."
Se a cachoeira estiver caindo mais rápido é uma cachoeira menor que está mais próxima -- porque a velocidade da água caindo é bem constante em toda parte.
E seu corpo de alguma forma sabe disso.
Então isso significa que uma cachoeira é uma maneira de medir espaço.
Claro que sendo uma cidade icônica como Nova Iorque, que tenha tido um interesse em de alguma forma brincar com o senso de espaço, você poderia dizer que Nova Iorque quer parecer o maior possível.
Adicionar uma medida a isso é interessante: a água caindo de repente te dá um senso de, "Oh, Brooklyn é exatamente esse tanto -- a distância entre Brooklyn e Manhattan, neste caso o rio lower East é deste tamanho."
Então não foi necessariamente sobre colocar natureza dentro das cidades.
Também foi sobre dar a cidade um senso de dimensão.
E porque nós quereríamos fazer isso?
Porque eu acho que faz diferença se você tem um corpo que se sente parte de um espaço ao invés de ter um corpo que está apenas na frente da fotografia.
E "Ha-ha, existe uma foto e aqui estou eu. E o que importa?
Existe um senso de consequência?
Então se eu tenho um senso de espaço, eu sinto que o espaço é tangível, se eu sinto que existe tempo, se houver uma dimensão que eu possa chamar tempo, Eu também sinto que eu posso mudar o espaço.
E subitamente isso faz diferença em termos de fazer o espaço acessível.
Poderiam dizer que isso é sobre comunidade, coletividade.
É sobre estar junto.
Como nós criamos espaços públicos?
O que a palavra "público" significa hoje afinal?
Então, perguntado neste sentido, Eu acho que surgem ótimas coisas sobre idéias parlamentares, democracia, espaço público, estar junto, estar sozinho.
Como criamos uma idéia que seja ao mesmo tempo tolerante à individualidade, e também à coletividade, sem polarizar as duas em dois lados opostos?
É claro que as agendas políticas no mundo tem sido bem obcecadas, polarizando as duas uma contra outra em diferentes idéias muito normativas.
Eu diria que arte e cultura, e esta é a razão pela qual arte e cultura são incrivelmente interessantes nos tempos que estamos vivendo agora, provaram que é possível criar um tipo de espaço que sensibilize da mesma forma a individualidade e a coletividade.
É muito sobre essa causalidade, consequências.
É muito sobre o modo como ligamos pensar e fazer.
Então o que está entre pensar e fazer?
E bem no meio de pensar e fazer, Eu diria, está a experiência.
E a experiência não é apenas um tipo de entretenimento de um jeito não compromissado.
Experiência é sobre responsabilidade.
Ter uma experiência é tornar-se parte do mundo.
Tornar-se parte do mundo é realmente sobre dividir responsabilidade.
Então a arte, neste sentido, Eu acho que ganha uma incrível relevância no mundo para o qual estamos nos movendo. Particularmente neste momento.
É tudo o que eu tenho. Muito obrigado.
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♪ ♫ ♪ Minha idade é 300 ♫ ♪ e 72 ♫ ♪ Eu lembro com o mais profundo remorso ♫ ♪ em como eu costumava pegar ♫ ♪ e avidamente devorar ♫ ♪ os queridos garotinhos ♫ ♪ que encontrei ♫ ♪ eu os comi crus ♫ ♪ em seus trajes de passeio ♫ ♪ os comi ♫ ♪ temperados, com arroz ♫ ♪ eu os comi assados ♫ ♪ em suas jaquetas e botas ♫ ♪ e os achei demasiadamente bons ♫ ♪ Mas agora minhas mandíbulas ♫ ♪ estão muitas frágeis para tal tarefa ♫ ♪ penso que é cada vez mais rude ♫ ♪ fazer tal coisa ♫ ♪ quando estou completamente consciente ♫ ♪ garotinhos não apreciam ♫ ♪ serem devorados ♫ ♪ Garotinhos não apreciam ♫ ♪ serem devorados ♫ ♪ ♫ ♪ Assim, eu agora alegremente vivo apenas de enguias ♫ ♪ e tento nada fazer errado ♫ ♪ e passo todo o tempo ♫ ♪ que consigo poupar de minhas refeições ♫ ♪ em um torpor inocente como este ♫ ♪ torpor inocente ♫ ♪ como este ♫ Creio que devo uma explicação a vocês
Venho trabalhando em um projeto nos últimos 6 anos adaptando a poesia infantil para a música
E este é um poema de Charles Edward Carryl, que foi corretor de valores na cidade de Nova Yorque por 45 anos, porém, à noite, ele escrevia coisas nonsense para seus filhos
E este livro foi um dos mais famosos livros dos Estados Unidos da America por 35 anos.
"O Gigante Adormecido", que é a canção que acabo de entoar, é um de seus poemas.
Agora, nós vamos executar outros poemas para você. E eis aqui uma prévia de alguns dos poetas.
Esta é Rachel Field, Robert Graves, um muito jovem Robert Graves, Christina Rossetti.
Fantasmas, claro,
não tem o que dizer a nós. Obsoleto. Já era. Não mesmo.
O que eu realmente apreciei neste projeto foi reviver as palavras destas pessoas,
tirando-as das páginas mortas, vazias,
trazendo-as à vida, trazendo-as para a luz.
Assim, o que vamos fazer a seguir é um poema escrito por Nathalia Crane.
Nathalia Crane era uma garotinha do Brooklin.
Quando ela tinha 10 anos, em 1927, ela publicou seu primeiro livro de poemas chamado "O Filho do Zelador"
Aqui está ela.
E aqui está seu poema.
♪ ♫ ♪ Oh, eu estou apaixonada ♫ ♪ pelo filho do zelador ♫ ♪ e o filho do zelador ♫ ♪ está apaixonado por mim ♫ ♪ Oh, eu estou apaixonada ♫ ♪ pelo filho do zelador ♫ ♪ e o filho do zelador ♫ ♪ está apaixonado por mim ♫ ♪ Ele vai procurar por uma ilha deserta ♫ ♪ na nossa geografia ♫ ♪ Uma ilha deserta ♫ ♪ com uma mata encantadora ♫ ♪ em algum lugar de Sheepshead Bay ♫ ♪ O lugar perfeito ♫ ♪ feito para dois ♫ ♪ onde poderemos viver para sempre ♫ ♪ Oh, eu estou apaixonada ♫ ♪ pelo filho do zelador ♫ ♪ e o filho do zelador ♫ ♪ se dedica o quanto pode ♫ ♪ Lá no celeiro, ele constrói uma balsa♫ ♪ a partir de um velho sofá ♫ ♪ Ele vai me levar pra longe ♫ ♪ Eu sei que ele vai ♫ ♪ seu cabelo é exageradamente ruivo ♫ ♪ e a única coisa ♫ ♪ que me ocorre ♫ ♪ é rigorosamente tiritar na cama ♫ ♪ E quando então velejarmos ♫ ♪ Eu deixarei um pequeno bilhete ♫ ♪ para meus pais, odeio chateá-los, ♫ ♪ Eu voei para uma ilha ♫ ♪ na baía ♫ ♪ com meu ruivo ♫ ♪ filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ Eu vou velejar pra longe ♫ ♪ vou para Sheepshead Bay ♫ ♪ com meu ruivo filho do zelador ♫ ♪ Em um antigo sofá ♫ ♪ o meu garoto ruivo e eu ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ ♪ O ruivo filho do zelador ♫ O próximo poema é de E. E. Cummings, "Maggie and Milly and Molly and May."
♪ ♫ ♪ Maggie and Milly ♫ ♪ Molly and May ♫ ♪ foram para a praia ♫ ♪ um dia para brincar ♫ ♪ E Maggie então descobriu ♫ ♪ uma concha que cantava ♫ ♪ tão suavemente que ela não conseguia recordar ♫ ♪ seus problemas ♫ ♪ Maggie and Milly ♫ ♪ Molly and May ♫ ♪ Maggie and Milly ♫ ♪ Molly and May ♫ ♪ Milly fez amizade ♫ ♪ com uma estrela aprisionada ♫ ♪ cujos raios ♫ ♪ cujos raios ♫ ♪ cinco lânguidos dedos ♫ ♪ eram ♫ ♪ ♫ ♪ Maggie and Milly ♫ ♪ Molly and May ♫ ♪ Maggie and Milly ♫ ♪ Molly and May ♫ ♪ ♫ ♪ Molly foi perseguida ♫ ♪ por uma coisa horrível ♫ ♪ que movia-se rápido ♫ ♪ de lado, assoprando ♫ ♪ assoprando ♫ ♪ assoprando ♫ ♪ May voltou pra casa ♫ ♪ com uma pedra lisa e arredondada ♫ ♪ pequena como o mundo ♫ ♪ e tão grande quanto sozinha ♫ ♪ ♫ ♪ O que quer que nós percamos ♫ ♪ como um "você" ou um "eu" ♫ ♪ sempre nós mesmos ♫ ♪ é que encontraremos ♫ ♪ em pleno mar ♫ Obrigada!
O poema a seguir é "If No One Ever Marries Me."
Foi escrito por Laurence Alma-Tadema
Ela era a filha de um pintor holandês muito, muito famoso, que tornou-se famoso na Inglaterra.
Ele se mudou para lá após a morte de sua esposa, por varíola, e levou consigo suas duas crianças.
Uma era sua filha, Laurence.
Ela escreveu este poema quando tinha 18 anos, em 1888, e eu entendo isto como tipo de um doce manifesto feminino tingido por uma certa insolência e um pouco de resignação e arrependimento.
♪ ♫ ♪ Bem, se ninguém um dia se casar comigo ♫ ♪ E eu não vejo por que deveriam ♫ ♪ A enfermeira diz que não sou bonita ♫ ♪ e você sabe, raramente sou bondosa ♫ ♪ raramente bondosa ♫ ♪ Bem, se ninguém um dia se casar comigo ♫ ♪ Eu deveria não me importar muito ♫ ♪ comprar um esquilo na gaiola ♫ ♪ e uma casinha de coelho ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Ninguém se casar comigo ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Eu terei uma cabana junto a um bosque ♫ ♪ e um pequeno cavalinho meu ♫ ♪ e um pequeno cordeiro limpo e domesticado ♫ ♪ que poderei levar para a cidade ♫ ♪ e quando eu estiver de fato envelhecendo ♫ ♪ com 28 ou 29 ♫ ♪ adquirirei para mim uma pequena orfãzinha ♫ ♪ a criarei como sendo minha ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Ninguém se casar comigo ♫ ♪ Ninguém se casar comigo ♫ ♪ Bem, se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Casar-se comigo ♫ ♪ Bem, se ninguém se casar comigo ♫ ♪ Casar-se comigo ♫ ♪ Bem, se ninguém se casar comigo. ♫ Obrigada!
Eu fiquei muito curiosa sobre os poetas, depois de passar seis anos com eles, e de ter começado a pesquisar as suas vidas, e então decidi escrever um livro sobre isso.
A pergunta que não queria calar sobre Alma-Tadema era: Ela se casou?
E a resposta era "Não", que eu encontrei que eu encontrei nos arquivos do London Times.
Ela morreu solitária em 1940 na companhia de seus livros e seus queridos amigos.
Gerard Manley Hopkins um santo homem.
Ele se tornou um Jesuíta
Tendo se convertido de sua fé Anglicana,
A qual foi levado pelo movimento Tractariano, também conhecido como o movimento Oxford e se tornou um padre Jesuíta.
Ele queimou toda sua poesia quando tinha 24 anos e nunca mais escreveu por pelo menos sete anos porque ele não conseguia conciliar a vida de um poeta com a vida de um sacerdote.
Ele morreu de febre tifóide aos 44 anos de idade, creio, 43 ou 44.
Naquele tempo, ele lecionava os clássicos No Trinity College em Dublin.
Alguns anos antes de ele morrer, depois de retomar escrever poesia, porém em segredo, ele confessou a um amigo numa carta que encontrei enquanto fazia minha pesquisa "Eu escrevi um verso
é para explicar a morte para uma criança e merece seu lugar em uma canção com uma simples parte musical"
Então meu sangue congelou ao ler aquilo porque eu tinha escrito a parte musical da canção 130 anos depois que ele tinha escrito a carta
E o poema é chamado "Primavera e Outono."
♪ Margaret ♫ ♪ você está sofrendo ♫ ♪ por Goldengrove ♫ ♪ não partir, em breve? ♫ ♪ Parte, como as coisas ♫ ♪ do homem, você ♫ ♫ com seus pensamentos frescos se preocupa ♫ ♪ Você consegue? ♫ ♪ Mas assim como o coração amadurece ♫ ♪ ele surgirá a tais vistas ♫ ♪ muito mais frio ♫ ♪ Em breve, ♫ ♪ nem poupando a vista ♫ ♪ Embora mundos de ♫ ♪ de pálidas folhas secas se espalhem ♫ ♪ e ainda assim você irá lacrimejar ♫ ♪ e você sabe por quê ♫ ♪ Não importa a criança, o nome ♫ ♪ Os lamentos da primavera são sempre os mesmos ♫ ♪ Eles são sempre os mesmos ♫ ♪ Nem se tivesse boca ♫ ♪ Nem se nenhuma mente expressasse ♫ ♪ o que o coração ouviu ♫ ♪ aparições tinham adivinhado ♫ ♪ é o flagelo ♫ ♪ para o qual o homem nasceu ♫ ♪ É Margaret ♫ ♪ para quem você está de luto ♫ Muito obrigada!
Eu quero agradecer a todos! Todos os cientistas, os filósofos, os arquitetos, os inventores, os biólogos, os botânicos, os artistas,
todos os que me maravilharam esta semana.
Muito obrigada!
♪ Oh, La li la li la la la ♫ ♪ La li la la li la la la la la la ♫ ♪ La li la la la ♫ ♪ La li la la la la ♫ ♪La li la la la la la la ♫ ♪ La la la li la la la la la ♫ ♪ Vocês têm sido tão carinhosos ♫ ♪ e generosos ♫ ♪ Eu não sei como vocês continuam doando-se ♫ ♪ E por sua gentileza ♫ ♪ Estou em dívida com vocês ♫ ♪ E por seu altruísmo ♫ ♪ minha admiração ♫ ♪ E por tudo o que fizeram ♫ ♪ você sabe que estou muito dedicada ♫ ♪ Estou dedicada a agradecer por isso ♫ ♪ La li la li la la la ♫ ♪ La li la la li la li la la la ♫ ♪ La li la la la ♫ ♪ La li la la la la ♫ ♪ La li la li la la la ♫ ♪ La li la la li la li la la ♫ ♪ Obrigada! ♫ ♪ Vocês têm sido tão gentis e. ♫ Moderem o entusiasmo, só um pouquinho.
Apenas abaixem um pouco
É a minha vez!
Eu ainda tenho 2 minutos!
OK, vamos recomeçar aquele verso de novo.
♪ Bem, vocês têm sido -- ♫ Isto é inovador, não é?
Acalmando a platéia. Eu deveria estar levando vocês a um louco frenesi! Eu gosto disso. Ok, basta! Psss.
♪ Agora, vocês têm sido tão gentis e ♫ Cantarei isso para Bill Gates.
Eu tenho muita admiração por ele.
♪ Agora, vocês têm sido tão gentis e ♫ ♪ generosos ♫ ♪ Eu não sei como vocês continuam doando-se ♫ ♪ E por sua gentileza ♫ ♪ Estou em dívidas com vocês ♫ ♪ E eu nunca poderia ter chegado ♫ ♪ assim tão longe sem vocês ♫ ♪ Então, por tudo o que fizeram ♫ ♪ você sabe que estou dedicada ♫ ♪ Eu estou dedicada a agradecer vocês por isso ♫ ♪La li la la li la la la ♫ ♪ La li la la li la la la ♫ ♪ La li la la la ♫ ♪ La li la la la la ♫ ♪ La li la la li la la la ♫ ♪ La li la la li la li la la la ♫ ♪ La li la la la ♫ ♪ Eu quero agradecer lhes por tantos presentes ♫ ♪ que vocês me deram com amor e ternura ♫ ♪ Obrigada ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes♫ ♪ Por sua generosidade ♫ ♪ o amor e a honestidade que vocês me deram ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes ♫ ♪ mostrar minha gratidão, o meu amor ♫ ♪ e meu respeito por vocês ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Obrigada, obrigada ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Obrigada, obrigada ♫ Sabem o quê?
Mostrarei a vocês como bater palmas para esta canção.
♪ Eu quero agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Obrigada, obrigada ♫ ♪ Obrigada, obrigada ♫ ♪ Obrigada, obrigada ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes, obrigada ♫ Funciona melhor, não?
♪ Eu quero agradecer-lhes, obrigada ♫ ♪ Eu quero agradecer-lhes ♫ ♫ Uuh-húúú ♪ ♫ Uuh-húúú ♪ ♫ Uuh-húúú ♪ ♫ Uuh-húúú ♪ Abaixemos um pouquinho.
Diminuindo.
Aos poucos, baixando o tom. baixando o tom.
♫ Eu quero agradecer a vocês, muito obrigada! ♪ Marionetes. Eu não vou parar.
Muito obrigada mesmo!
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O debate público sobre arquitetura normalmente fica apenas na contemplação do resultado final, do objeto arquitetônico em si.
A mais nova torre em Londres é um pepino, uma salsicha ou um vibrador?
Então, recentemente nos perguntamos se poderiámos inventar uma forma que pudesse realmente contar a história por trás dos projetos. Talvez combinando imagens, desenhos e palavras para, de fato, contar a história sobre a arquitetura.
E descobrimos que nós não tínhamos que criar essa forma, pois ela já existia na forma de gibis.
Então, basicamente, copiamos o formato do gibi. Assim, contamos as histórias dos bastidores, como nossos projetos evoluem através da adaptação e improviso.
Meio que através da confusão, das oportunidades e incidentes do mundo real.
Nós chamamos esse gibi de "Sim é Mais". O que, obviamente, é uma evolução das ideias de alguns de nossos herois.
Nesse caso é o "Menos é Mais" de Mies van der Rohe.
Ele deu início à revolução modernista.
Depois dele veio a contra-revolução pós-moderna. Robert Venturi disse: "Menos é chato".
Logo após, Philip Johnson introduziu, digamos, a promiscuidade ou ao menos a abertura a novas ideias com "Sou uma puta".
Recentemente, Obama introduziu o otimismo em meio à crise financeira global.
E o que gostaríamos de dizer com "Sim é Mais" é basicamente levantar a questão de que a vanguarda da arquitetura é quase sempre definida negativamente, como quem ou o que enfrentamos.
O clichê do arquiteto radical é o tipo de jovem nervoso se rebelando contra o sistema.
Ou essa ideia de gênio incompreendido, frustrado pelo mundo não se encaixar em suas ideias.
Ao invés de revolução, estamos mais interessados em evolução. Essa ideia que coisas evoluem gradualmente pela adaptação e improviso frente às mudanças do mundo.
Na verdade, eu acho que Darwin é uma das pessoas que melhor explica nosso processo de projetar.
Sua famosa árvore evolucionária quase que pode ser o diagrama do modo que trabalhamos.
Como você pode ver, um projeto evolui através de uma série de gerações de reuniões de desenho.
A cada reunião temos uma porção de ideias.
Apenas as melhoras sobrevivem.
E através de um processo de seleção arquitetônica podemos escolher um modelo realmente lindo. Ou podemos escolher um modelo muito funcional.
Nós os unimos. Eles tem esse tipo de resultado mutante.
E através desse tipo de gerações de reuniões de desenho chegamos a um projeto.
Um modo bem literal de mostrar, é um projeto que fizemos para uma biblioteca e um hotel em Copenhagen.
O processo de desenho foi realmente duro quase que uma luta pela sobrevivência. Mas a ideia gradualmente evoluiu. Esse tipo de ideia, de uma torre inteligente que se funde com a cidade ao seu redor. Meio que expandindo o espaço público no que nos referimos como uma versão escandinava da Praça da Espanha em Roma. Mas com o público tanto no interior quanto no interior junto à biblioteca.
Porém, Darwin não explica apenas a evolução de uma única ideia.
Como vocês podem ver, algumas vezes uma subespécie surge.
E frequentemente numa reunião de desenho descobrimos que ali há uma grande ideia.
Ela não funciona exatamente neste contexto.
Mas para outro cliente em outra cultura pode ser realmente a melhor resposta a uma questão diferente.
Então como resultado, nós nunca jogamos nada fora.
Mantemos o escritório como um tipo de arquivo de biodiversidade arquitetônica.
Nunca se sabe quando pode precisar.
E o que gostaria de fazer agora, em um ato de contar história a jato, é contar o caso de como dois projetos evoluíram pela adaptação e improviso até a maior coincidência do mundo.
O primeiro caso começa ano passado quando fomos a Xangai para a competição para o Pavilhão Nacional Dinamarquês para a World Expo em 2010.
E nós vimos esse cara, Haibao.
Ele é o mascote da exposição. E ele nos pareceu muito familiar.
Na verdade parecia-se com um edifício que havíamos projetado para um hotel no norte da Suécia.
Quando o inscrevemos para a competição sueca, pensamos que era um esquema muito legal. Mas não parecia exatamente algo do norte da Suécia.
O júri sueco também não achou. Então perdemos.
Mas então tivemos uma reunião com um executivo chinês que viu o projeto e disse: "Uau, esse é o caracter chinês para a palavra povo" Aparentemente é assim que se escreve povo, lá na República Popular da China.
Nós checamos duas vezes.
E ao mesmo tempo, fomos convidados a nos apresentar na Semana de Criação Industrial de Xangai.
Então pensamos, tipo, essa é uma grande oportunidade. E aí contratamos um mestre em feng shui.
Triplicamos a construção para proporções chinesas e fomos à China.
Assim, o Edifício do Povo, como o chamamos.
Esses são nossos interprétes, meio que lendo a arquitetura.
O edifício foi capa do jornal Wen Wei Po. O que levou o prefeito de Xangai, Liang Yu Chen, a visitar a exibição.
E tivemos a chance de explicar-lhe o projeto.
E ele disse: "Xangai é a cidade, no mundo todo, com mais arranhacéus". Mas para ele era como se a ligação com as raízes houvesse se perdido.
E com o Edifício do Povo ele via uma arquitetura que poderia ser a ponte entre a antiga sabedoria da China e seu futuro progressivo.
É óbvio que nós concordamos profundamente.
Infelizmente o Sr. Chen está preso por corrupção agora.
Mas como eu disse, Haibao parecia familiar. Pois ele é de fato o caracter chinês para povo.
E eles escolheram esse mascote porque o tema da exposição é "Cidade Melhor, Vida Melhor".
Sustentabilidade.
E nós pensamos em como a sustentabilidade se tornou nessa ideia neo-protestante que deve machucar para fazer o bem.
Sabe, você não deve tomar longos banhos quentes.
Você não deve viajar de avião em feriados pois é ruim ao meio-ambiente.
Gradualmente, você terá a ideia que a vida sustentável é menos divertida que a normal.
Então pensamos que, talvez, seria interessante focar exemplos onde a cidade sustentável na verdade aumenta a qualidade de vida.
Também nos perguntamos: "O que a Dinamarca poderia mostrar à China que seja relevante?"
Sabemos que é um dos maiores países do mundo. Um dos menores.
O símbolo da China é um dragão.
Na Dinamarca, temos uma ave como símbolo, o cisne.
A China tem muitos grandes poetas. Mas descobrimos que na República Popular, no curriculum da escola pública, eles tem três contos de fada de An Tu Shung, ou Hans Christian Andersen, como o chamamos.
Isso signfica que todos os 1, 3 bilhão de chineses cresceram com "A Roupa Nova do Rei", "A Pequena Vendedora de Fósforos" e "A Pequena Sereia".
É quase um fragmento da cultura dinamarquesa integrada à cultura chinesa.
A maior atração turística da China é a Grande Muralha.
A Grande Muralha é a única coisa que pode ser vista da lua.
A maior atração turística da Dinamarca é a Pequena Sereia.
Que mal pode ser vista nos passeios pelo canal.
Isso meio que mostra a diferença entre essas duas cidades.
Copenhagen, Xangai, moderna, europeia.
Mas então olhamos ao desenvolvimento urbano recente. E notamos que isso é como era uma rua em Xangai, há 30 anos. Só bicicletas, sem carros.
Isso é como é hoje. Tudo engarrafado.
Bicicletas foram proibidas em muitos lugares.
Enquanto em Copenhagen estamos expandindo as ciclovias.
Um terço das pessoas locomovem-se de bicicleta.
Temos um sistema gratuito chamado de "Bicicleta Urbana", onde você a pode emprestar se visitar a cidade.
Então pensamos: "Porque não reintroduzimos a bicicleta à China?"
Doamos mil bicicletas a Xangai.
Então se você vier à exposição, ir ao pavilhão dinamarquês, pegue uma bicicleta dinamarquesa. E continue visitando os outros pavilhões.
Como eu disse, Xangai e Copenhagen são cidades portuárias. Mas em Copenhagen a água se tornou tão limpa que pode-se realmente nadar ali.
Um dos primeiros projetos que fizemos foi um parque aquático em Copenhagen. Meio que expadindo o espaço público até o mar.
Nós pensamos que essas exposiçãos normalmente contam com propaganda estatal, imagens, declarações, mas não têm experiências reais.
Então, como com as bicicletas, não falamos a respeito.
Você pode usá-las
Como com a água, ao invés de falar a respeito nós vamos levar um milhão de litros da água do parque de Conpenhagen até Xangai. Então os chineses que tiverem coragem podem mergulhar e sentir quão limpa é a água.
Aqui é onde as pessoas dizem que não é muito sustentável trazer água de Copenhagen para a China.
Mas, na verdade, os conteinêres vão cheios de produtos chineses à Dinamarca. E quando voltam, estão vazios.
Então geralmente usa-se água como lastro.
Assim, podemos pegar carona de graça.
E no meio desse tipo de parque aquático iremos colocar a Pequena Sereia original.
Então a Sereia verdadeira, a água verdadeira e as bicicletas verdadeiras.
E quando ela se for, vamos convidar um artista chinês para reinterpretá-la.
A arquitetura do pavilhão é esse tipo de ciclo de exibição e bicicletas.
Quando você for à exibição, verá a Sereia e a piscina.
Você pode caminhar, procurar por uma bicicleta no telhado, montar em uma e então continuar pelo resto da exposição.
Aí, quando realmente ganhamos a competição tivemos que fazer uma apresentação na China explicando o projeto.
E para nossa surpresa recebemos uma das pranchas de volta com correções da censura do estado chinês.
Para começar, no mapa da China não tinha Taiwan.
É uma questão política séria na China. Nós vamos adicionar.
A segunda coisa, nós comparamos o cisne ao dragão. E então o estado chinês disse: "Sugerimos mudar para um panda".
Bem, quando souberam na Dinamarca que iríamos mover nosso monumento nacional, o Partido Popular da Nação meio que se rebelou contra.
Eles tentaram passar uma lei contra a remoção da Sereia.
Então pela primeira vez eu fui convidado a falar no Parlamento.
Foi meio interessante pois de manhã das nove às onze eles estavam discutindo o pacote anti-crise para saber quantos bilhões investir para salvar a economia.
E então, às onze, eles pararam a discussão desse assunto menor.
E das onze à uma da tarde eles debateram se permitiriam ou não o envio da Sereia à China.
Mas, concluindo, se você quiser ver a Sereia de maio a dezembro do ano que vem, não venha a Copenhagen. Pois ela estará em Xangai.
Se você vier a Copenhagen provavelmente verá uma instalação de Ai Weiwei, o artista chinês.
Mas se o governo chinês intervir, pode até mesmo ser um panda.
Bem, a segunda história que quero contar começa, na verdade, em minha casa.
Esse é meu apartamento.
Essa é a vista a partir dele. Através desse tipo de paisagem de sacadas triangulares que nosso cliente chamou de sacada Leonardo de Caprio.
E eles formam esse tipo de quintal vertical. Onde, em um belo dia de verão, você pode se apresentar a todos vizinhos em um raio de dez metros.
A construção é uma distorção de um quarteirão.
Tentando um zig zag para que todos os apartamentos tenham as mesmas vistas, ao invés de ver um ao outro.
Até recentemente esta era a vista do meu apartamento. Aí um cliente nosso comprou esse terreno vizinho.
E ele disse que iria construir um prédio de apartamentos próximo a uma garagem.
E nós pensamos que ao invés de empilhar os apartamentos como de costume, com vista para um bloco entediante de carros, porque não transformamos todos apartamentos em coberturas, e colocamos sobre os carros?
E como Copenhagen é totalmente plana, se você quiser um bela inclinação com vista para o sul, basicamente tem que fazer você mesmo.
Então nós meio que cortamos o volume, para que não bloqueasse a vista do meu apartamento.
E essencialmente o estacionamento ocupa o espaço abaixo dos apartamentos.
Recebendo a luz solar, você tem uma única camada de apartamentos, que combinam o esplendor do estilo de vida suburbano, em uma casa com jardim com uma vista metropolitana, e um tipo de adensamento urbano.
Esse é nossa primeira maquete.
Esta é uma foto aérea tirada no verão passado.
E, essencialmente, os apartamentos escondem o estacionamento.
Eles são acessados por elevadores diagonais.
É um produto comum na Suiça. Mesmo porque na Suíça há uma necessidade natural por elevadores diagonais.
E a fachada do estacionamento, nós queríamos que fosse naturalmente ventilada. Então precisamos perfurar a parede.
E descobrimos que ao controlar o tamanho dos furos poderíamos transformar a fachada toda em uma gigantesca e naturalmente ventilada, imagem rasterizada.
E como sempre nos referimos ao projeto como A Montanha, nós demos uma comissão ao fotógrafo do Himalaia Japonês para que nos desse essa linda foto do Monte Everest, fazendo do prédio inteiro uma obra de arte de 3. 000 m2.
Então se você caminhar pelo estacionamento, pelos corredores, é quase como viajar a um universo paralelo de carros e cores, nesse tipo de oásis urbano.
O piso do apartamento continua e se torna a fachada.
Se você for mais além nesse jardim verde.
E toda a água da chuva que cai sobre A Montanha é acumulada, na verdade.
E há um sistema de irrigação automático que garante que esse tipo de paisagem de jardins em um ou dois anos meio que se transforme em ruínas de templo cambojano, completamente cobertos de verde.
Então a Montanha é nosso primeiro exemplo do que queremos dizer com alquemia arquitetônica.
Essa ideia que você pode realmente criar, se não ouro, ao menos agregar valor ao misturar ingredientes tradicionais, como apartamentos normais e estacionamento normal, e, nesse caso, oferecer às pessoas a chance que eles não tem, de escolher entre uma vida com jardim, ou uma vida na cidade.
Elas pode realmente ter ambas.
Como arquiteto é muito difícil criar uma agenda.
Você não pode simplesmente dizer que agora quer construir uma cidade sustentável na Ásia Central. Pois não é a forma de se conseguir um trabalho.
Você deve sempre se adaptar e improvisar às oportunidades e acidentes que acontecem, e o tipo de confusões do mundo.
Um último exemplo é que recentemente, no último verão, ganhamos uma competição para projetar um banco nacional nórdico.
Esse é o diretor do banco, enquanto ainda estava sorrindo.
Era bem no meio da capital, e estávamos empolgados com a oportunidade.
Infelizmente era o banco nacional da Islândia.
Ao mesmo tempo recebemos uma visita de um ministro do Azerbaijão que veio ao escritório.
Nós o levamos para ver a Montanha. E ele se empolgou pela ideia de poder realmente criar montanhas através da arquitetura. Pois o Azerbaijão é conhecido como os alpes da Ásia Central.
Então ele perguntou se poderíamos imaginar um super plano urbano de uma ilha fora da capital que recriasse a silhueta das sete montanhas mais significativas do Azerbaijão.
Então pegamos o trabalho.
E fizemos esse pequeno filme que eu gostaria de mostrar.
Geralmente nós fazemos esses filminhos.
Nós sempre discutimos sobre a trilha sonora, mas nesse caso foi muito fácil escolher a música.
Bem, basicamente, Baku é um tipo de baía arredondada com vista para a ilha de Zira, a ilha que estamos planejando. Quase como o desenho em sua bandeira.
E nossas principais ideias foram meio que tirar amostras das montanhas mais importantes da topografia do Azerbaijão. E reintrepetá-las em estruturas arquitetônicas urbanas, habitáveis à vida humana.
Então colocamos essas montanhas na ilha, ao redor desse vale central verde. Quase como um parque central.
E o que torna interessante é que a ilha atualmente é apenas um pedaço de deserto. Não tem vegetação.
Não tem água, nem energia ou recursos.
Então nós meio que projetamos toda a ilha como um único ecosistema, usando energia eólica para mover usinas de desalinização, e as propriedades térmicas da água para aquecer e resfriar os edifícios.
E todo tipo de excesso de água potável descartada é filtrada organicamente na paisagem, transformando aos poucos a ilha desértica nesse tipo de paisagem verde e rica.
Pode-se dizer que enquanto o desenvolvimento urbano normalmente ocorre às custas da natureza, nesse caso está de fato criando natureza.
E os edifícios não se limitam a apenas evocar a imagem das montanhas. Eles também atuam como montanhas.
Eles criam abrigo para o vento.
Acumulam a energia solar.
Acumulam a água.
Então eles realmente transformam a ilha toda em um único ecosistema.
Apresentamos recentemente esse super plano. E ele foi aprovado.
Nesse verão iremos levantar a documentação da construção das duas primeiras montanhas, no que será a primeira ilha de carbono zero na Ásia Central
Sim, talvez apenas para terminar.
De algum modo você pode ver como a Montanha em Copenhagen meio que evoluiu para os Sete Picos do Azerbaijão.
Com um pouco de sorte e mais evolução talvez em 10 anos seja as Cinco Montanhas de Marte.
Obrigado.
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Eu gostaria de falar a respeito de quais realmente são os maiores problemas do mundo.
Eu não vou falar sobre "O Ambientalista Cético" provavelmente também é uma boa escolha.
Mas o que eu vou falar a respeito é: quais são os maiores problemas do mundo?
E eu devo dizer que, antes de continuar, preciso pedir a cada um de vocês que tentem pegar papel e caneta pois eu vou pedir a vocês que me ajudem a ver como fazemos isso.
Então, peguem o papel e a caneta.
Em resumo, existe um monte de problemas mundo afora.
Eu vou apenas listar alguns deles.
Existem 800 milhões de pessoas famintas.
Existe 1 bilhão de pessoas sem água potável para beber.
2 bilhões de pessoas sem saneamento básico.
Existem milhões de pessoas morrendo de HIV e AIDS.
A lista vai muito adiante.
Existem 2 bilhões de pessoas que serão gravemente afetadas pela mudança climática e por aí vai.
Existem muitos, muitos problemas por aí.
Em um mundo ideal nós resolveríamos todos, mas não resolvemos.
Nós, na verdade, não resolvemos todos os problemas.
E se não resolvemos, a questão que eu acho devemos nos perguntar – e por isso fica na sessão de economia – é dizer, se não resolvemos todas as coisas, devemos começar a nos perguntar quais problemas devemos resolver primeiro?
E essa é a questão que gostaria de perguntar a vocês.
Se nós tivessemos, digamos, US$ 50 bilhões para gastar nos próximos 4 anos para fazer o bem nesse mundo, onde deveríamos investí-los?
Nós identificamos 10 dos maiores desafios no mundo e vou listá-los, rapidamente. Mudança climática, doenças transmissíveis, conflitos, educação, estabilidade financeira, governança e corrupção, desnutrição e fome, migração da população, saneamento básico e água e subsídios e barreiras comerciais.
Nós acreditamos que esses, em muitas formas, englobam os maiores problemas no mundo.
A questão óbvia a ser feita é: quais você acha que são as maiores coisas?
Por onde devemos começar a resolver esses problemas?
Mas essa é a questão errada a levantar.
Esse foi o problema proposto em Davos em janeiro.
Mas, claro, existe um problema em pedir às pessoas para focar em problemas.
Porque não podemos resolver problemas.
Claramente o maior problema que temos no mundo é que todos morremos.
Mas nós não temos a tecnologia para solucionar isso, certo?
Então o ponto é não priorizar problemas, mas, sim, priorizar as soluções para os problemas.
E isso seria algo assim – claro que fica um pouco mais complicado.
Para mudança climática seria como o protocolo de Kyoto.
Para doenças transmissíveis, seriam clínicas de saúde ou redes de mosquito.
Para conflitos, seria a força de paz da ONU e assim por diante.
O ponto que eu gostaria que vocês tentassem resolver, em apenas 30 segundos – e eu sei que é de certa forma uma tarefa impossível – tentassem escrever o que vocês acham que sejam algumas das prioridades máximas.
E também – e isso, claro, é onde a economia se torna cruel – colocar o que são as coisas que não devemos fazer primeiro.
O que deve estar no fim da lista?
Por favor, tirem 30 segundos, talvez fale com o vizinho, e apenas imagine o que deve estar no topo e no fim da lista de prioridades de solução que temos para os maiores problemas mundiais.
A parte incrível desse processo – e é claro que, digo, eu adoraria – eu só tenho 18 minutos, já lhes dei uma parte substancial do meu tempo, certo?
Eu adoraria me aprofundar e fazê-los pensar sobre esse processo e isso é exatamente o que fizemos.
E eu recomendo bastante que vocês, e tenho certeza nós teremos discussões mais tarde, pensem a respeito de como nós podemos priorizar exatamente?
Claro, você deve se perguntar, porque diabos essa lista nunca foi feita antes?
E uma razão é que a priorização é incrivelmente desconfortável.
Ninguém quer fazer isso.
Claro, toda organização gostaria de estar no topo dessa lista.
Mas toda organização também odiaria não estar no topo dessa lista.
E como existem muito mais vagas "não número um" na lista do que vagas "número um", faz todo o sentido não querer fazer uma lista dessas.
Nós já temos a ONU há quase 60 anos, ainda assim nunca fizemos, de fato, uma lista fundamental de todas as coisas que precisamos fazer no mundo, e dissesse: qual deles devemos resolver primeiro?
Então isso não significa que não estamos priorizando – qualquer decisão é uma priorização, então claro que estamos priorizando ainda que implicitamente – e isso é improvável que seja tão bom quanto se nós realmente fizéssemos essa priorização, e nos envolvêssemos e falássemos a respeito.
Então o que estou propondo é realmente falar que temos a bastante tempo, uma situação onde temos um menu de opções.
Existem tantas, tantas coisas que podemos fazer por aí, mas nós nunca soubemos o preço, nem o tamanho delas.
Nós não tinhamos uma ideia.
Imagine ir a um restaurante e receber um cardápio enorme, mas você não tem ideia dos preços.
Sabe, tem lá uma pizza, mas você não faz ideia do preço dela.
Pode ser 1 dólar, podem ser 1. 000 dólares.
Pode ser uma pizza tamanho família. Pode ser uma pizza individual, pequena, certo?
Nós gostaríamos de saber dessas coisas.
E isso é o que o Consenso de Copenhagen está tentando fazer – tentar colocar preços nessas questões.
E esse, basicamente, tem sido o processo do Consenso de Copenhagen.
Nós temos 30 dos melhores economistas do mundo, 3 em cada área,
Então temos 3 dos melhores economistas escrevendo sobre mudança climática.
O que podemos fazer? Qual será o custo? E qual será o benefício disso?
Da mesma forma com doenças transmissíveis.
3 dos maiores experts do mundo dizendo: o que podemos fazer?
Qual será o preço?
O que devemos fazer a respeito e qual será o resultado?
E assim por diante.
Depois tivemos alguns dos melhores economistas do mundo, 8 dos melhores economistas do mundo, incluindo 3 ganhadores do Nobel, reunidos em Copenhagen em maio de 2004.
Nós os chamaamos de "dream team".
Os magistrados da Universidade de Cambridge decidiram chamá-los de Real Madrid da economia.
Isso funciona na Europa, mas não muito bem por aqui.
E, basicamente, o que eles fizeram foi eleger uma lista de prioridades.
E então você pergunta: porque economistas?
E, claro, fico muito feliz que vocês tenham perguntado – – pois essá é uma boa pergunta.
O ponto é, claro, se você quer saber sobre malária, pergunte a um expert em malária.
Se você quer saber sobre o clima, pergunte a um climatologista.
Mas se você quer saber com qual dos dois devemos lidar primeiro, você não pode perguntar a nenhum deles, pois não é isso que fazem.
Isso é o que um economista faz.
Eles priorizam.
Eles tem essa tarefa um tanto desagradável de dizer qual devemos resolver primeiro e qual devemos resolver depois?
Então, essa é a lista e eu gostaria de compartilhá-la com vocês.
Claro, você pode vê-la também na Internet, e nós iremos falar mais a respeito, tenho certeza, durante o dia.
Eles basicamente montaram uma lista onde dizem existem maus projetos – basicamente projetos onde, se você investir um dólar, terá menos de um dólar de retorno.
Depois tem os projetos razoáveis, bons e muito bons.
E, claro, são pelos projetos muito bons que devemos começar.
Eu vou começar ao contrário para que possamos terminar com os melhores projetos
Esses são os maus projetos.
Como vocês podem ver no fim da lista está a mudança climática.
Isso ofende bastante gente e essa é uma das coisas que fará as pessoas dizer que eu também não devo voltar.
E eu gostaria de falar sobre isso, porque é realmente curioso.
Porque é que isso surgiu?
E eu vou tentar voltar a isso também porque é provavelmente uma das coisas que iremos discordar da lista que vocês escreveram.
A razão pela qual eles levantaram a questão de que Kyoto – ou alguma coisa ainda maior que Kyoto – é um mau negócio é simplesmente porque é muito ineficiente.
Não é dizer que o aquecimento global não está ocorrendo.
Não é dizer que isso não é um grande problema.
Mas é dizer que o que podemos fazer a respeito é muito pouco a um custo muito alto.
O que eles nos mostram, basicamente, na média dos modelos macroeconômicos, é que Kyoto, se todos concordassem, deve custar cerca de US$ 150 bilhões por ano.
É uma quantia substancial de dinheiro.
Isso é duas ou três vezes a ajuda global para desenvolvimento que nós damos para o Terceiro Mundo todo ano.
Ainda asim seria um pequeno bem.
Todos os modelos mostram que iria-se adiar o aquecimento em 6 anos em 2100.
Para que o cara em Bangladesh não receba a inundação em 2100 e espere 2106.
O que é um pequeno bem, mas não um grande bem.
Então a ideia aqui é dizer, bem, nós gastamos um monte de dinheiro fazendo um pequeno bem.
E apenas para dar uma certa referência, a ONU atualmente estima que por metade dessa quantia, por cerca de US$ 75 bilhões por ano, nós poderíamos resolver todos os maiores problemas básicos do mundo.
Nós podemos fornecer água limpa, saneamento, assistência médica e educação para todo ser humano no planeta.
Então devemos nos perguntar: nós queremos gastar duas vezes o valor para trazer muito pouco benefício?
Ou metade do valor para trazer um enorme benefício?
E isso é porque se torna realmente um mau projeto.
Não é dizer que se tivéssemos todo o dinheiro do mundo, não gostaríamos de fazer.
Mas é dizer que, como não temos, simplesmente não é nossa primeira prioridade.
Os projetos razoáveis – notem que não vou comentar sobre todos – doenças transmissíveis, melhora dos serviçoes de saúde – só entram aqui porque, sim, melhora dos serviços de saúde é uma grande coisa.
Faria um bem enorme, mas é também muito, muito custoso.
Novamente, o que nos diz é que de repente começamos a pensar sobre os dois lados da equação.
Se olharmos os bons projetos, veremos que projetos em saneamento básico aparecem.
De novo, saneamento básico é incrivelmente importante, mas custa também um bocado de infraestrutura.
Então, eu gostaria de mostrar as quatro principais prioridades que deveriam ser, ao menos, as primeiras a lidarmos, quando falamos sobre como devemos resolver os problemas do mundo.
O quarto melhor problema é a malária – lidar com a malária.
A incidência de malária é de aproximadamente 2 bilhões de pessoas infectadas por ano.
Isso pode consumir até um ponto percentual do PIB a cada ano nas nações infectadas.
Se nós investíssemos US$ 13 bilhões pelos próximos 4 anos, poderíamos reduzir essa incidência pela metade.
Nós conseguiríamos prevenir que 500 mil pessoas morresem, mas talvez mais importante, poderíamos impedir 1 bilhão de pessoas de serem infectadas a cada ano.
Nós iríamos aumentar significativamente a capacidade delas de lidar com muitos outros problemas que elas têm para lidar. Claro, a longo prazo, também lidar com o aquecimento global.
O terceiro melhor foi o livre comércio.
Basicamente, o modelo demonstrou que se tivéssemos acesso ao livre comércio e espeficicamente cortar subsídios nos EUA e Europa, nós poderíamos reanimar a economia global com o surpreendente número de cerca de US$ 2, 4 trilhões por ano, metade dos quais seriam recebidos pelo Terceiro Mundo.
De novo, o ponto é dizer que podemos tirar, de fato, até 300 milhões de pessoas da pobreza, radicalmente rápido, entre 2 a 5 anos aproximadamente.
Isso seria a terceira melhor coisa a se fazer.
A segunda melhor coisa seria focar a desnutrição.
Não apenas desnutrição em geral, mas existe uma forma muito barata de ligar com desnutrição, ou seja, a falta de nutrientes.
Basicamente, metade da população do mundo tem falta de ferro, zinco, iodo e vitamina A.
Se nós investíssemos cerca de US$ 12 bilhões, poderíamos atacar severamente esse problema.
Isso seria o segundo melhor investimento que poderíamos fazer.
E o melhor projetos de todos seria nos focar no HIV/AIDS.
Basicamente, se nós investíssemos US$ 27 bilhões nos próximos 8 anos, nós poderíamos evitar 28 milhões de novos casos de HIV/AIDS.
De novo, o que isso faz e o que foca é em dizer que existem duas formas muito diferentes de lidarmos com HIV/AIDS.
Uma é o tratamento, a outra é a prevenção.
E, de novo, em um mundo ideal nós faríamos ambas.
Mas em um mundo onde não fazermos nenhuma, ou não tão bem, temos de ao menos nos perguntar onde devemos investir primeiro.
E tratamento é muito, muito mais caro que prevenção.
Então, basicamente, o que isso foca é dizer que podemos fazer muito mais ao investir na prevenção.
Basicamente para a quantia de dinheiro que gastamos, nós podemos fazer uma quantia X de bem em tratamento, e 10 vezes essa quantia de bem em prevenção.
Então, de novo, o que nós focamos é na prevenção ao invés de tratamento, em primeiro lugar.
O que isso realmente faz é nos botar para pensar sobre nossas prioridades.
Eu gostaria que vocês olhassem suas listas de prioriedades e digam, vocês acertaram?
Ou chegaram perto dessa que nós concluímos aqui?
Bem, claro, uma dessas coisas é mudança climática de novo.
Eu acho que muita gente acha muito improvável que façamos isso.
Nós deveríamos também resolver a mudança climática, se não por outra razão, apenas porque é um grande problema.
Mas claro, nós não resolvemos todos os problemas.
Existem muitos problemas pelo mundo afora.
E o que eu quero assegurar é que, se nós realmente focarmos os problemas, que foquemos nos problemas certos.
Aqueles onde nós podemos fazer muitos benefícios ao invés de poucos.
E eu acho, na verdade Thomas Schelling, um dos participantes no "dream team", ele coloca muito, muito bem.
Uma das coisas que as pessoas esquecem, é que em 100 anos, que é quando falamos que a maioria das mudanças climáticas vão ocorrer, as pessoas serão muito mais ricas.
Até os cenários de impacto mais pessimistas da ONU
estimam que a média das pessoas dos países em desenvolvimento em 2100 serão tão ricas quanto nós somos hoje.
Muito mais provável que elas sejam de 2 a 4 vezes mais ricas que nós.
E, é claro, nós seremos ainda mais ricos que isso.
Mas a questão é dizer, quando falamos sobre salvar as pessoas, ou ajudar as pessoas em Bangladesh em 2100, nós não estamos falando de um bangladeshiano pobre.
Falamos, na verdade, de um holandês razoavelmente rico.
E então o ponto, claro, é dizer queremos gastar um monte de dinheiro para ajudar um pouquinho, daqui a 100 anos, um holandês razoavelmente rico?
Ou queremos ajudar pessoas realmente pobre, hoje mesmo, em Bangladesh que realmente precisam de ajuda e a quem podemos ajudar bem baratinho?
Ou como Schelling coloca, imagine se vocês fosse um rico – como serão – um chinês rico, um boliviano rico, um congolês rico em 2100 pensando lá trás em 2005 e dizendo: "Que estranho que eles se preocuparam tanto em me ajudar um pouquinho através da mudança climática, e se importaram tão pouco em ajudar meu avô e meu bisavô, a quem eles poderiam ter ajudado muito mais, e que precisava muito mais dessa ajuda?"
Então eu acho que isso nós diz porque é que nós precisamos ajustar as nossas prioridades.
Mesmo que não esteja de acordo com a forma que vemos o problema.
É claro, isso ocorre principalmente porque a mudança climática dá boas imagens.
Nós temos, sabe, "O Dia Depois de Amanhã" – tem um belo visual, certo?
É um bom filme no sentido de que eu certamente quero vê-lo, certo? Mas não espererm que Emmerich escolha o Brad Pitt para seu próximo filme abrindo latrinas no chão na Tanzânia ou algo assim –
Isto simplesmente não dá um bom filme.
Então, de muitas formas, eu acho que o Consenso de Copenhagen e toda a discussão de prioridades é uma defesa para os problemas mais chatos.
Para certificar que entendamos que não é para nos fazer sentir melhor,
não é para fazer as coisas que atraem mais atenção da mídia, e sim para ir aos lugares onde possamos fazer o máximo de bem.
E outras objeções, eu acho que são importantes de dizer, é que eu estou de alguma forma – ou nós estamos – propondo uma falsa escolha.
É claro, nós deveríamos fazer todas as coisas, em um mundo ideal – eu certamente concordo.
Eu acho que devemos fazer todas as coisas, mas não fazemos.
Em 1970, os países desenvolvidos decidiram que iríamos gastar duas vezes o que se gasta, hoje em dia, do que em 1970 nos países em desenvolvimento.
Desde então nossa ajuda caiu pela metade.
Então, não me parece que estejamos a caminho de, de repente resolver todos os grandes problemas.
Igualmente, as pessoas também dizem: mas e a guerra no Iraque?
Vocês sabem, nós gastamos US$ 100 bilhões. Porque não gastamos isso em fazer algum bem no mundo?
Eu sou a favor.
Se algum de vocês puder convencer o Bush a fazer isso, tudo bem.
Mas, claro, o ponto ainda é dizer se conseguíssemos mais US$ 100 bilhões, ainda gostaríamos de gastá-los da melhor forma possivel, não é?
Então a verdadeira questão aqui é pararmos um pouco para pensar sobre quais são as prioridades corretas.
Eu devo mencionar rapidamente, essa que temos é realmente a lista correta?
Sabem, quando perguntamos aos melhores economistas do mundo, inevitavelmente acabamos perguntando a homens brancos e americanos.
E eles não são necessariamente, sabem, a melhor forma de se olhar para o mundo todo.
Então nós convidamos 80 jovens de toda parte do mundo para vir e resolver o mesmo problema.
Apenas dois requisitos eram necessários, eles deveriam estudar numa universidade e falar inglês.
A maioria deles eram, em primeiro lugar, de países em desenvolvimento.
Eles tinham o mesmo material mas podiam se extender fora dos escopos da discussão, e certamente o fizeram, para propor sua própria lista.
E a coisa surpreendente foi que a lista era muito similar, com desnutrição e doenças no topo e mudança climática no final.
Nós fizemos isso muitas outras vezes.
Houve muitos outros seminários, estudantes universitários e outras coisas.
Todos eles chegavam, praticamente, à mesma lista.
E isso me dá grande esperança, de verdade, em dizer que acredito que existe um caminho a frente que nos leva a começar a pensar sobre as prioridades. E dizer: qual é a coisa mais importante do mundo?
Claro que em um mundo ideal, de novo, adoraríamos fazer tudo.
Mas se não fazemos, então podemos começar a pensar onde devemos começar?
E vejo o Consenso de Copenhagen como um processo.
Nós o realizamos em 2004 e esperamos mobilizar muito mais pessoas, levantar informações muito melhores em 2008, 2012.
Mapear os caminhos certos para o mundo. Mas também começar a pensar sobre urgências políticas.
Começar a pensar a respeito de dizer: "Vamos fazer, não as coisas onde podemos fazer muito pouco a um alto custo, não as coisas que não sabemos como fazer, mas, sim, as coisas grandes onde nós podemos fazer uma enorme quantia de benefícios a um custo muito baixo, imediatamente.
No final do dia, você pode discordar com a discussão de como realmente priorizar essas coisas, mas nós temos que ser honestos e francos sobre dizer, se há algumas coisas que fazemos, há outras que não fazemos.
Se nos preocupamos demais sobre algumas coisas, acabamos não nos preocupando com outras.
Então, eu espero que isso nos ajude a priorizar melhor as coisas, e pensar sobre como trabalharemos melhor para o mundo.
Obrigado.
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Eu passei boa parte do ano passado trabalhando em um documentário sobre a minha própria felicidade -- tentando ver se, na verdade, eu consigo treinar minha mente de uma forma particular, como eu consigo treinar meu corpo, de forma que eu consiga um sentimento aprimorado de completo bem-estar.
Então, em janeiro deste ano, minha mãe faleceu, e a produção de um filme como esse apenas parecia a última coisa que seria interessante para mim.
Assim, de uma forma muito característica, como uma brincadeira de design, após anos de trabalho, praticamente tudo o que eu tenho para mostrar são os títulos para este filme.
Eles foram feitos ainda quando eu estava de licença com minha companhia na Indonésia.
Nós podemos ver aqui a primeira parte que foi desenhada por porcos.
Era um pouco bizarro demais. e nós queríamos um ponto de vista mais feminino e empregamos um pato que fez isso de uma forma bem mais adequada -- fashion.
Meu estúdio em Bali fica somente a 10 minutos de distância de uma selva de macacos. E macacos, obviamente, são supostamente os mais felizes dentre todos os animais.
Então nós os treinamos para serem capazes de fazer três coisas separadas, para mostrá-lo apropriadamente.-
Vocês podem ver, ainda há um pequeno problema de legibilidade aqui.
A letra não está exatamente no lugar.
Então é claro, o que você não faz da maneira certa nunca é considerado feito realmente.
Aqui estamos nós subindo nas árvores E pendurando sobre o Vale Sayan na Indonésia.
Naquele ano, o que eu realmente fiz muito foi olhar todos os tipos de pesquisas, buscando muitos dados para este assunto.
E aconteceu que homens e mulheres relataram níveis muito, muito semelhantes de felicidade.
Esta é uma rápida amostra de todos os estudos que eu pesquisei.
Que o clima não interfere.
Se você mora sob a melhor condição climática, em San Diego nos Estados Unidos, or na pior condição, em Búfalo, Nova Iorque, você será igualmente feliz em qualquer um dos lugares.
Se você ganha mais de 50. 000 por ano nos EUA, qualquer aumento salarial que você tenha terá apenas uma pequena, pequena influência no seu bem-estar geral.
Pessoas negras são tão felizes quanto pessoas brancas.
Se você é velho ou jovem isso realmente não faz diferença.
Se você é feio ou se você é muito, muito bonito não faz qualquer diferença.
Você se adaptará e se acostumará a isso.
Se você possui problemas de saúde administráveis isso verdadeiramente não importa.
Agora isso realmente importa.
Agora a mulher da direita está na verdade tão feliz quanto o rapaz da esquerda -- significando que, se você tem muitos amigos, e você tem amizades significativas, isso faz muita diferença.
Assim como ser casado -- você provavelmente será mais feliz do que se fosse solteiro.
Um camarada palestrante de TED, Jonathan Haidt, veio com esta linda pequena analogia entre mente consciente e inconsciente.
Ele diz que a mente consciente é este pequenino cavaleiro sobre este elefante gigante, a inconsciência.
E o cavaleiro pensa que ele pode dizer ao elefante o que fazer. mas o elefante, de fato, possui suas próprias ideias.
Se eu olhar para a minha vida, Eu nasci em 1962 na Austria.
Se eu tivesse nascido 100 anos antes, as grandes decisões da minha vida teriam sido tomadas para mim -- significando que eu teria ficado na cidade em que eu nasci; Eu teria muito provavelmente abraçado a mesma profissão que o meu pai teve; e teria muito provavelmente me casado com uma mulher que minha mãe teria escolhido.
Eu, é claro, e todos nós, somos muito responsáveis por essas grandes decisões em nossas vidas.
Nós vivemos onde nós queremos estar -- pelo menos no Ocidente.
Nós nos tornamos o que de fato nos interessa.
Nós escolhemos nossa profissão. e escolhemos nossos parceiros.
E então é bastante surpreendente que muitos de nós deixem nosso incosciente influenciar aquelas decisões de maneira que nós não ficamos completamente de acordo.
Se olharem as estatísticas você verá que o rapaz chamado George, quando ele decide sobre onde ele quer viver -- é na Flórida ou na Dakota do Norte? ele vai e mora na Georgia.
E se você olhar o rapaz chamado Dennis, quando ele decide sobre o que quer ser -- ser um advogado, ou querer se tornar um médico ou um professor? a maior chance é que ele queira se tornar um dentista.
E se a Paula decide se ela se casa com Joe ou Jack, de alguma forma o Paul parece mais interessante.
E mesmo se nós fazemos daquelas decisões muito importantes baseadas em razões muito tolas, permanece estatisticamente verdadeiro que há mais Georges morando na Georgia e que há mais Dennis se tornando dentistas e que há mais Paulas que se casaram com Paul que de uma forma estatisticamente viável.
Agora eu, obviamente, pensei bem, isto é um dado Americano. E eu pensei, bem, esses americanos tolos.
Eles se influencaim por coisas que eles nem percebem.
Isto é completamente ridículo.
E então, é claro, olhei para minha mãe e meu pai -- Karolinal e Karl e vovó e vovô, Josefine e Josef.
E eu ainda estou procurando por minha Stephanie.
Vou achar alguem assim.
Se eu tornar tudo isso um pouco mais pessoal e ver o que me faz feliz como designer, a resposta mais fácil, é claro, é fazer mais das coisas que eu gosto de fazer e muito menos das coisas que eu não gosto de fazer -- para isso ajudaria saber o que é que eu realmente gosto de fazer.
Eu sou um grande fazedor de listas, então eu fiz uma lista.
Um dos itens é pensar sem pressão.
Este é um projeto em que estamos trabalhando agora com um prazo muito saudável.
É um livro sobre cultura, e, como vocês podem ver, a cultura se espalha rapidamente.
Fazendo coisas como a que eu estou fazendo agora -- viajando para Cannes.
O exemplo que eu tenho aqui é uma cadeira que foi construída por causa do ano em Bali - claramente influenciada pela fabricação e cultura local, não ficar preso atrás de uma simples tela de computador o dia todo e estar aqui e lá.
Totalmente consciente de projetos de design que necessitam de uma quantidade incrível de várias técnicas, apenas basicamente para combater a adaptação simples.
Estando próximo ao conteúdo -- que é o conteúdo que realmente está em meu coração.
Este é um ônibus, ou veículo, para uma caridade para uma ONG que quer dobrar o orçamento de educação nos Estados Unidos -- cuidadosamente elaborado, assim, por duas polegadas, ainda limpa viadutos.
Tendo resultado final -- as coisas que voltam bem da impressora, como este pequeno cartão de ônibus para uma empresa de animação chamada Sideshow em folhas lenticulares.
Trabalhando em projetos que na verdade possuam impactos visiveis, como um livro para um falecido artista alemão cuja viúva nos procurou com a solicitação de tornar seu falecido esposo famoso.
Isto aconteceu há seis meses. e está ganhando uma força inacreditável agora na Alemanha.
E acho que a viúva dele terá seu pedido atendido.
E por fim, estar envolvido em projetos onde eu conheço cerca de 50% do projeto conhecimento técnico e os outros 50% seria novidade.
então neste caso, É uma projeção fora de Singapura nessas gigantescas telas do tipo Times Square.
E eu, é claro sabia das coisa, como um designer, sobre tipografia, mesmo que o trabalhao não tenha sido bem sucedido com aqueles animais.
Mas eu não sabia tão bem assim sobre movimento ou filme.
E partindo deste ponto de vista nós o transformamos em um lindo projeto.
Mas também porque o conteúdo era muito próximo.
Neste caso, manter um diário apoia o desenvolvimento pessoal. Eu tenho diários desde que eu tinha 12 anos.
E descobri que isto influenciou minha vida e trabalho de uma forma muito intrigante.
Neste caso também porque é parte de um de muitos sentimentos que construimos toda a série em -- que todos os sentimentos originalmente saíram de um diário.
Muito obrigado.
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Como designer de moda, sempre tive a tendência de pensar em materiais como algo assim, ou assim, ou talvez desta forma.
Mas, então, encontrei um biólogo, e agora penso em materiais desta maneira -- chá verde, açúcar, alguns microorganismos e um pouco de tempo.
Essencialmente estou usando uma receita de kombuchá que é uma mistura simbiótica de bactéria, levedura e outros microorganismos que tecem celulose num processo de fermentação.
Com o tempo, estas linhas finas se dispõem em camadas no líquido e produzem um tapete na superfície.
Então, começamos fazendo o chá.
Preparo mais ou menos 30 litros de chá cada vez, e quando ainda está quente, adiciono alguns quilos de açúcar.
Mexemos até que esteja completamente dissolvido e despejamos em uma banheira de crescimento.
Precisamos verificar se a temperatura baixou a menos de 30°C.
E então estamos prontos para acrescentar os organismos vivos.
E junto com eles, um pouco de ácido acético.
E, uma vez que você deu andamento ao processo, pode realmente reciclar o líquido previamente fermentado.
Necessitamos manter uma temperatura ótima para o crescimento.
Uso uma manta aquecida sobre a qual coloco a banheira e um termostato para regulá-lo.
Na verdade, em climas quentes, posso cultivá-lo em áreas abertas.
Então esta é a minha mini-fazenda de tecidos.
Aproximadamente três dias depois, as bolhas aparecerão na superfície do líquido.
E isto nos indica que a fermentação está a pleno vapor.
E as bactérias estão se alimentando dos nutrientes do açúcar no líquido.
E elas estão tecendo estas finas "nanofibras" de pura celulose.
E estão colando-se umas às outras, formando camadas e criando um lençol na superfície.
Depois de duas a três semanas aproximadamente olhamos para algo que tem mais ou menos a grossura de uma polegada.
A banheira à esquerda, cinco dias após, à direita, depois de 10.
E esta é uma cultura estática.
Não temos que fazer nada para isso; literalmente, você só tem que vê-la crescer.
Ela não precisa de luz.
E quando está pronta para ser colhida, você a retira da banheira e lava com água fria e sabão.
Neste momento, ela é realmente pesada.
Contém mais de 90 por cento de água, e precisamos deixar que evapore.
Eu a estendo em uma superfície de madeira.
Novamente, você pode fazer isso em área aberta e apenas deixar que seque no ar.
E enquanto seca, está se comprimindo, de forma que o que resta, dependendo da receita, é algo que pode parecer papel, leve e transparente, ou algo que é muito parecido com couro vegetal flexível.
E então você pode recortá-lo e costurá-lo convencionalmente, ou pode usar o material úmido em formas tridimensionais.
E, à medida que evapora, ele se unirá, formando as costuras.
A cor nesta jaqueta vem exclusivamente do chá verde.
Acho também que se parece um pouquinho com a pele humana, o que me intriga.
Uma vez que é orgânico, estou realmente propensa a minimizar a adição de químicos.
Posso alterar a cor sem utilizar tingimento através de um processo de oxidação do ferro.
Usando pigmentos de frutas e vegetais, cria-se padronização orgânica.
E usando índigo, podemos torná-lo antimicrobiano.
E realmente, o algodão precisaria de 18 imersões no índigo para apresentar esta coloração escura.
Em razão da super-absorvência deste tipo de celulose, ela precisaria de apenas uma, e bastante rápida neste caso.
O que ainda não posso fazer é torná-lo resistente à água.
Se eu tivesse que caminhar sob a chuva usando essa vestimenta hoje, começaria imediatamente a absorver enormes quantidades de água.
A roupa se tornaria realmente pesada, e, por fim, as costuras provavelmente romperiam -- deixando-me completamente nua.
Possivelmente uma peça de bom desempenho, mas definitivamente não ideal para uso cotidiano.
Aquilo que estou procurando é uma forma de dar ao material as qualidades que necessito.
E o que quero fazer é dizer para um futuro microorganismo, "Teça uma linha.
Alinhe-a nesta direção.
Faça-a repelir água.
E enquanto faz tudo isso, assuma este formato tridimensional."
A celulose de bactérias já está realmente sendo usada na cura de ferimentos, e possivelmente no futuro para veias biocompatíveis, possivelmente também na reposição de tecido ósseo.
Mas com a biologia sintética, podemos realmente imaginar uma engenharia que leve esta bactéria a produzir algo que nos dê a qualidade, a quantidade e o formato do material que desejamos.
Obviamente, como designer, isto é realmente excitante. Porque então comecei a pensar, uau, podemos realmente imaginar o cultivo de produtos de consumo.
O que me entusiasma sobre o uso de microorganismos é a eficiência deles.
Então cultivamos apenas o que precisamos.
Não há desperdício.
E, de fato, podemos fazer isso a partir do fluxo do desperdício -- por exemplo, fluxo de desperdício de açúçar de uma fábrica de processamento de alimentos.
Finalmente, findo o uso, poderíamos biodegradá-lo naturalmente junto com as cascas de vegetais.
O que não estou sugerindo é que a celulose microbiana vá ser um substituto para algodão, couro e outros materiais têxteis.
Mas realmente acho que poderia ser um acréscimo bem inteligente e sustentável aos nossos cada vez mais preciosos recursos naturais.
Enfim, talvez não seja na moda que veremos esses microorganismos causarem impacto.
Podemos, por exemplo, imaginar o cultivo de um abajur, uma cadeira, um carro ou talvez uma casa.
Então penso que minha pergunta para vocês é: no futuro, o que você escolheria cultivar?
Muito obrigada.
Bruno Giussani: Suzanne, apenas rapidamente, o que você está usando não é aleatório.
Esta é uma das jaquetas que você cultivou?
SL: Sim, é.
Provavelmente -- parte do projeto ainda está em processo, porque esta realmente está biodegradando-se diante de seus olhos.
Está absorvendo meu suor, e está se alimentando dele.
BG: Okay, então deixaremos você ir e cuidar dela.
Suzanne Lee.
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Dois anos atrás aqui no TED eu mostrei que nós havíamos descoberto em Saturno, com a nave Cassini uma região anormalmente quente e geologicamente ativa no extremo da região sul da pequena lua de Saturno Enceladus, mostrada aqui.
Esta região foi vista pela primeira vez em uma imagem da Cassini tirada em 2005. Esta é a região polar sul. Com as famosas fraturas que lembram uma pele de tigre cruzando o pólo sul.
E vistas bem recentemente no final de 2008, aqui está aquela região novamente, agora metade na escuridão porque o hemisfério sul está no início de Agosto, no início do inverno.
E eu também mostrei que nos fizemos esta sensacional descoberta, esta descoberta única, de jatos torrenciais saindo destas fraturas no pólo sul, consistindo de finos cristais de gelo acompanhados por vapor de água e compostos orgânicos simples como dióxido de carbono e metano.
E naquela vez, há dois anos, eu mencionei que nós especulávamos que estes jatos poderiam ser realmente geisers em erupção de bolsões ou câmaras de água líquida sob a superfície. Mas nós não tinhamos certeza.
Contudo, as implicações destes resultados, de um possível ambiente dentro desta lua que poderia suportar química pré-biótica, e talvez mesmo vida, eram tão sensacionais que, nos dois anos seguintes, nós focamos mais em Enceladus.
Nós sobrevoamos com a nave Cassini esta lua diversas vezes Voando mais próximo e mais fundo nestes jatos, nas regiões mais densas destes jatos, de modo que agora nós temos algumas medições de composição muito precisas.
E nós descobrimos que os compostos orgânicos vindos desta lua são de fato mais complexos do que informamos anteriormente.
Apesar de não serem aminoácidos, nós estamos encontrando agora coisas como propano e benzeno, cianeto de hidrogênio, e formaldeídos.
E os pequenos cristais de água aqui agora aparecem para todo o mundo como sendo gotas congeladas de água salgada. O que é uma descoberta que sugere que não apenas os jatos vêm de bolsões de água líquida, mas que esta água está em contato com rochas.
E que isto é uma circunstância que pode fornecer a energia química e os componentes químicos necessários para sustentar vida.
Então, estamos bem animados com estes resultados
e estamos muito mais confiantes do que estávamos dois anos atrás, de que realmente podemos, ter nesta lua, sob o pólo sul, um ambiente ou uma zona que é habitável por organismos vivos.
Se há ou não organismos lá, é lógico, é uma questão inteiramente diferente.
E que terá de aguardar a chegada de volta da Enceladus. Tomara que em um futuro próximo, existam naves especificamente equipadas para estudar esta questão em particular.
Mas, enquanto isto, eu convido vocês para imaginar o dia em que nós poderemos viajar ao sistema Saturnino, e visitar o parque interplanetário de geisers de Enceladus, só porque podemos.
Obrigada.
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Hoje, eu quero que vocês vejam crianças que viram homens-bomba por uma perspectiva completamente diferente.
Em 2009, ocorreram 500 atentados à bomba no Paquistão.
Eu passei o ano trabalhando com crianças que estavam treinando para se tornarem homens-bomba e com recrutadores do Talebã, tentando entender como o Talebã estava convertendo essas crianças em munição viva e porque essas crianças se juntavam a essa causa ativamente.
Eu quero que vocês assistam a um pequeno trecho de meu mais recente documentário: "Crianças do Talebã".
O Talebã agora dirige suas próprias escolas.
Ele tem como alvo famílias pobres e convence os pais a enviarem seus filhos.
Em troca, oferece comida e abrigo grátis e às vezes paga um salário mensal às famílias.
Nós conseguimos um filme de propaganda feito pelo Talebã.
São ensinadas, a meninos pequenos, justificativas para ataques suicida e para a execução de espiões.
Eu contatei uma criança de Swat que estudou em uma madrassa como essa.
Hazrat Ali vem de uma família pobre e rural de Swat.
Ele se juntou ao Talebã há um ano, quando tinha 13 anos.
Como o Talebã da sua área consegue recrutar pessoas?
Hazrat Ali: Eles primeiro nos chamam para a mesquita e pregam.
Então nos levam a uma madrassa e nos ensinam coisas do Corão.
Sharmeen Obaid Chinoy: Ele diz que as crianças recebem então meses de treinamento militar.
HA: Eles nos ensinam a usar metralhadoras, Kalishnikov, lança-foguetes, granadas, bombas.
Eles nos dizem para usar apenas contra os infiéis.
Então nos ensinam a fazer um ataque suicida.
SOC: Você gostaria de fazer um ataque suicida?
HA: Se Deus me der força.
SOC: Eu, em minha pesquisa, vi que o Talebã aperfeiçoou a forma como recruta e treina crianças. E penso ser um processo em cinco passos.
O passo um é que o Talebã preda famílias grandes que sejam pobres e vivam em áreas rurais.
Eles separam os pais dos filhos prometendo fornecer comida, roupas, abrigo a essas crianças.
Eles então as enviam para muito longe, para escolas fundamentalistas que seguem a linha do Talebã.
Passo dois: Eles ensinam às crianças o Corão, o livro mais sagrado do Islã, em árabe, língua que essas crianças não entendem e não sabem falar.
Elas dependem muito de professores os quais eu vi pessoalmente distorcendo a mensagem para as crianças como e quando lhes convém.
Essas crianças são expressamente proibidas de ler jornais, ouvir rádio, ler quaisquer livros que os professores não tenham indicado.
Qualquer criança encontrada violando essas regras é severamente punida
Efetivamente, o Talebã criou um blecaute completo de qualquer outra fonte de informação para essas crianças.
Passo três: o Talebã quer que essas crianças odeiem o mundo onde elas atualmente vivem.
Então eles batem nas crianças. Eu vi. Eles as alimentam duas vezes por dia com pão seco e água. Elas raramente têm permissão para brincar. Eles dizem a elas que só o que devem fazer, por oito horas seguidas, é ler o Corão
As crianças são prisioneiras mesmo. Elas não podem sair; não podem ir para casa.
Seus pais são tão pobres que não têm recursos para trazê-las de volta.
Passo quatro: os membros mais velhos do Talebã, os guerreiros, começam a falar com os garotos mais novos sobre as glórias do martírio.
Eles lhes dizem como, quando morrerem, eles serão recebidos no céu com lagos de mel e leite, como haverá 72 virgens lhes esperando no paraíso, como haverá comida sem fim e como essa glória os levará a se tornarem heróis em suas vizinhanças.
Esse é, realmente, um processo de lavagem cerebral que já começou.
Passo cinco: eu creio que o Talebã tenha um dos meios mais eficientes de propaganda.
Os vídeos que eles usam são entremeados de fotos de homens, mulheres e crianças morrendo no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão.
E a mensagem básica é que as potências ocidentais não ligam para mortes de civis, então as pessoas que moram em áreas e apoiam governos que trabalham com potências ocidentais são alvos legítimos.
É por isso que civis paquistaneses, os quais mais de 6. 000 foram mortos apenas nos dois últimos anos, são alvos legítimos.
Essas crianças são preparadas para se tornarem homens-bomba.
Elas estão prontas para sair e lutar porque lhes foi dito que essa é, efetivamente, a única maneira de glorificar o Islã.
Quero que vocês assistam a outro trecho do filme.
Este menino se chama Zenola.
Ele se explodiu, matando seis pessoas.
Este menino se chama Sadik.
Ele matou 22.
Este menino se chama Messoud.
Ele matou 28.
O Talebã está dirigindo escolas de suicídio, preparando uma geração de meninos para atrocidades contra civis.
Você quer realizar um ataque sucida?
Menino: Eu adoraria.
Mas só se eu conseguir permissão do meu pai.
Quando vejo homens-bomba mais novos que eu, ou da minha idade, fico muito inspirado por seus ataques incríveis.
SOC: Que benção você teria por realizar um ataque suicida?
Menino: No dia do julgamento, Deus me perguntará: "Por que você fez aquilo?"
E eu direi: "Meu Senhor! Apenas para fazê-lo feliz!
Eu entreguei minha vida combatendo infiéis".
Então Deus verá minha intenção.
Se minha intenção foi erradicar o mal pelo Islã, então eu serei recompensado com o paraíso.
Cantando: ♫No dia do julgamento♫ ♫Meu Deus me chamará♫ ♫Meu corpo será reconstruído♫ ♫E Deus perguntará por que fiz aquilo♫ SOC: Eu lhes deixo com esse pensamento. Se você tivesse crescido nessas condições, enfrentando essas escolhas, você escolheria viver neste mundo ou no glorioso pós-vida?
Como um recrutador do Talebã me disse, "Sempre haverá cordeiros de sacrifício nesta guerra".
Obrigada.
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É uma realidade hoje que você pode baixar produtos da Web -- produtos em forma de dados, melhor dizendo, da Web -- talvez modificar e personalizar conforme sua preferência e gosto, e enviar esta informação para um máquina de mesa que irá fabricar a peça para você no local.
Nós podemos construir para você, muito rapidamente, um objeto material.
E a razão de podermos fazer isto é através de uma tecnologia emergente chamada fabricação aditiva, ou impressão 3D.
Esta é uma impressora 3D.
Elas apareceram há quase 30 anos, o que é um tanto fantástico de se pensar, mas elas estão apenas começando a se infiltrarem na área pública.
E normalmente, nós pegaríamos dados, como os dados de uma caneta aqui, que seriam a representação geométrica desse produto em 3D, e nós poderíamos passar esses dados com o material para uma máquina.
E um processo que poderia acontecer na máquina construiria o produto camada a camada.
E podemos pegar o objeto físico, pronto para usar, ou talvez, para montar outro objeto.
Mas se estas máquinas existem há quase 30 anos, por que não sabemos delas?
Porque basicamente elas têm sido ineficientes, inacessíveis, não suficientemente rápidas, e muito caras.
Mas hoje, está se tornando realidade que elas agora estão tendo êxito.
Muitas barreiras estão caindo.
Isto significa que vocês logo terão acesso a uma destas máquinas, se não já.
Isto mudará e romperá o panorama da manufatura, e certamente nossas vidas, nossos negócios e a vida de nossas crianças.
Então, como isso funciona?
Tipicamente lê os dados CAD que são dados do modelo do produto criado por programas profissionais de design.
Veja um engenheiro -- poderia ser um arquiteto ou um projetista profissional -- criando um produto em 3D.
E estes dados são enviados para uma máquina que fatia os dados em representações bidimensionais do produto todo -- quase como fatiar um salame.
E esses dados, camada por camada, passam pela máquina, começando pela base do produto depositando o material, camada sobre camada, fundindo a nova camada na camada anterior num processo aditivo.
E este material que é depositado ou vem na forma líquida ou na forma de pó.
e o processo de junção pode acontecer por fundição e depósito ou depósito e fundição.
Aqui podemos ver uma máquina de sinterização a laser desenvolvida pela EOS.
Ela está, na verdade, usando um laser para fundir a nova camada de material sobre a antiga camada.
E com o passar do tempo -- bem rápido, em algumas horas -- podemos construir o produto físico, pronto para ser retirado da máquina e usado.
Esta é uma idéia extraordinária, mas é uma realidade hoje.
Portanto todos estes produtos que vemos na tela foram feitos da mesma forma.
Todos foram impressos em 3D.
Como podem ver, variam de sapatos, anéis feitos de aço inoxidável, capas de telefones de plástico, até implantes de coluna, por exemplo, que foram feitos de titânio para uso médico e partes de um motor.
Mas o que notarão em todos estes produtos é que são muito, mas muito detalhados.
O projeto é extraordinário.
Pois estamos tomando estes dados em 3D, fatiando os antes passar na máquina, podemos na verdade criar estruturas que são mais complexas do que qualquer outra tecnologia de fabricação -- ou, de fato, são impossíveis de serem construidas de outra forma.
E podemos criar partes com componentes móveis, dobradiças, partes dentro de partes.
Em alguns casos, podemos abolir totalmente a necessidade de trabalho manual.
Parece ótimo.
É ótimo.
Podemos ter impressoras 3D hoje que constroem estruturas como estas.
Isto tem quase três metros de altura.
e foi construido depositando arenito artificial camada sobre camada em camadas de mais ou menos 5 a 10mm de espessura -- construindo aos poucos essa estrutura.
Isto foi criado por uma firma de arquitetura chamada Shiro.
Na verdade você pode andar dentro dela.
No outro extremo temos esta microestrutura.
Criada por depósito de camadas de mais ou menos 4 microns.
Realmente a resolução é inacreditável.
O detalhe que se consegue hoje é espantoso.
Então, quem está usando isto?
Principalmente, porque podemos criar produtos rapidamente, está sendo usado por projetistas, ou qualquer um que queira criar protótipos de produtos e rapidamente criar ou repetir um modelo.
Realmente o que é espantoso sobre esta tecnologia é que você pode criar produtos sob medida em massa.
Há pouca economia de escala.
Daí você pode criar peças únicas facilmente.
Arquitetos, por exemplo, eles querem criar um protótipo de um prédio.
Novamente podem ver, este é um prédio da Universidade Livre de Berlim E foi projetada por Foster e Associados.
De novo, impossível de ser construído de outra jeito.
e muito difícil de ser criado mesmo a mão.
Agora isto é um componente do motor.
Foi desenvolvido por uma companhia chamada Within Technologies e 3T RPD.
É um projeto muito, muito detalhado por dentro.
Agora a impressão 3D pode quebrar muitas barreiras em projetos que desafiam as restrições da produção em massa.
Se nós fatiamos este produto que aqui está, vocês podem ver uma série de canais de refrigeração que passam através dele, o que significa que é um produto mais eficiente.
Não conseguimos criá-lo com as técnicas usuais de fabricação mesmo que tentemos fazê-lo a mão.
É mais eficiente porque podemos criar todas estas cavidades dentro do objeto que refrigeram o fluído.
E é usado por aeronaves e automotivos.
É uma peça mais leve e gera menos resíduos.
Daí seu desempenho e eficiência geral excede o padrão dos produtos produzidos em massa.
Então pegando esta ideia da criação de uma estrutura muito detalhada, nós podemos pôr-la em estruturas parecidas com favos de mel e usá-las em implantes.
Normalmente um implante é mais eficiente dentro do corpo se for mais poroso, pois os tecidos de nosso corpo vão envolvê-lo.
Haverá uma chance menor de rejeição.
Mas é muito difícil criar isso de forma convencional.
Com a impressão 3D, vemos hoje que podemos criar implantes muito melhores.
De fato, como podemos criar produtos sob medida em massa, exclusivos, podemos criar implantes que são específicos para cada indivíduo.
Como podem ver, esta tecnologia e a qualidade do que é produzido pelas máquinas é fantástico.
Estamos começando a vê-la em uso para produtos finais.
De fato, como os detalhes estão aumentando, a qualidade está aumentando, o preço das máquinas está caindo e estão ficando mais rápidas.
Elas também estão ficando pequenas o suficiente para serem colocadas em mesas.
Vocês podem comprar uma máquina hoje por $300 que você pode criar você mesmo, o que é inacreditavel.
Mas então fica uma pergunta, por que todos nós não temos uma em casa?
Porque, simplesmente, a maioria de nós aqui hoje não sabemos como criar os dados que a impressora 3D lê.
Se eu lhe desse uma impressora 3D, vocês não saberiam como comandá-la a fazer o que vocês desejam.
Mas há mais e mais tecnologias, software e processos hoje em dia que estão derrubando essas barreiras.
Acredito que estamos em um ponto crítico onde isso agora é algo que não podemos evitar.
Esta tecnologia irá romper o panorama da manufatura e, acredito, causar uma revolução na manufatura.
Então hoje, vocâ pode baixar os produtos da Web -- qualquer coisa que tiver na sua mesa, como canetas, apitos, espremedores de frutas.
Podem usar software como Google SketchUp para criar produtos do zero facilmente.
A impressão 3D também pode ser usada para baixar peças sobressalentes da Web.
Imagine que tenha, digamos, um aspirador Hoover em casa e ele quebrou. Voce precisa de uma peça sobressalente, mas descobre que a do Hoover não é mais fabricada.
Você imagina em ficar online -- isto é uma realidade -- e achar a tal peça em uma base de dados de geometrias de um produto descontinuado e baixando essa informação, esse dado, e assim fazer o produto em sua casa, pronto para usar, a seu pedido?
De fato, porque podemos criar essas peças, as máquinas estão literalmente criando elas mesmas.
Você tem máquinas que se fazem.
Essas são peças de uma máquina RepRap, que se parece com uma impressora de mesa.
Mas o que mais interessa para a minha empresa é que vocês possam criar produtos únicos em massa.
Não há necessidade de produzir milhares de milhões ou enviar o produto para ser moldado por injeção na China.
Você pode tê-lo fisicamente bem ali.
O que significa que nós podemos apresentar ao público o futuro da personalização.
Isto é algo que agora é possível, que você pode personalizar diretamente a aparência de seus produtos,
Estamos todos familiarizados com a idéia de adaptar ou personalizar.
Marcas como a Nike estão fazendo isto.
Por toda Web.
De fato, todo grande fabricante está permitindo que você interaja com seus produtos diariamente -- desde os carros Smart a Prada até Ray Ban, por exemplo.
Mas isto não é realmente personalização em massa; isto é conhecido como produção variante, variações de um mesmo produto.
O que você pode fazer agora é realmente influir e manipular o formato de seu produto.
Não sei vocês, mas eu tive experiências de entrar numa loja sabendo exatamente o que eu queria e revirar a loja a procura da luminária perfeita que eu sabia onde colocar em casa e não consegui encontrar o que desejava, ou a jóia perfeita para dar de presente ou para mim.
Imagine que agora você pode entrar em contato com uma marca, e interagir, de forma a passar seus atributos pessoais aos produtos que você está comprando.
Você pode hoje baixar um produto com um software deste, ver o produto em 3D.
Esse é o tipo de dados 3D que a máquina lerá.
Esta é a luminária.
Você pode começar a copiar o projeto.
Você pode escolher a cor do produto, talvez o material.
E também, você pode manipular o formato do produto, dentro de limites seguros.
Pois as pessoas obviamente não são projetistas profissionais.
O software tomará conta para que o projeto fique dentro dos limites do realizável.
E quando alguém estiver pronto para comprar o produto do seu projeto personalizado, ele clica em 'Enter' e é feita a conversão dos dados no formato que a impressora 3D lê passando-os para a impressora 3D, Talvez já na mesa de alguém.
Mas não pense que é assim imediato.
Não acho que isto acontecerá logo.
O que deve acontecer, e o que vemos hoje, é que os dados são enviados para um centro de manufatura local.
Isto quer dizer menos pegadas de carbono.
Nós agora, em vez de enviarmos um produto pelo mundo, estamos enviando dados pela Internet.
Aqui está o produto sendo feito.
Você pode ver, isso saiu da máquina em uma peça e a eletrônica é instalada depois.
Esta é a luminária, como vocês podem ver.
Portanto desde que tenham os dados, vocês pode criar a peça conforme a necessidade.
E você não precisa usar isto só por questões estéticas, você pode usar para questões funcionais, escaneando partes do corpo e criando coisas que se encaixem.
Podemos usar isto em próteses, altamente especializadas para uma deficiência.
Ou podemos criar próteses bem específicas para aquele indivíduo.
Escaneamento de dentes hoje, seus dentes podem ser escaneados e uma jaqueta ou coroa feita dessa forma para você.
Enquanto você espera no dentista, a máquina vai criando isto para você pronta para ser colocada no dente.
A ideia de criar implantes, escaneando os dados, em uma ressonância magnética de alguém pode ser convertida em dados 3D e podemos criar implantes bem específicos.
E usar isto com o objetivo de construir o que temos em nossos corpos.
Você sabe, este é um par de pulmões e os brônquios.
É muito intricado.
Não conseguiríamos criar ou simular isto de outra forma.
Mas com os dados da ressonância magnética, podemos construir o produto, como podem ver, com muito detalhe.
Usando este processo, os pioneiros da área estão criando camadas de células hoje.
Um dos pioneiros, por exemplo, Dr. Anthony Atala, tem trabalhado em depositar células para criar partes do corpo -- bexigas, válvulas, rins.
Agora isto não é algo pronto para o público, mas está progredindo.
Para finalizar, somos todos indivíduos.
Temos preferências únicas, necessidades diferentes.
Gostamos de coisas diferentes.
Temos tamanhos diferentes e nossas empresas também.
Negócios querem coisas diferentes.
Sem dúvida nenhuma, acredito que esta tecnologia irá causar uma revolução na manufatura e mudará o panorama da manufatura como o conhecemos.
Obrigada.
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Eu tenho trabalhado com questões de pobreza por mais de 20 anos, e é tão irônico que o problema e a questão que eu mais lido é como você define a pobreza. O que ela significa?
Muitas vezes, nós olhamos em termos de dinheiro -- pessoas que ganham menos de um dólar ou dois ou três por dia.
E ainda a complexidade da pobreza tem que realmente olhar para a renda, apenas como uma única variável.
Porque realmente, ela é uma condição de escolha, e a falta de liberdade.
E eu tive uma experiência que realmente aprofundou e esclareceu para mim o entendimento que eu tenho.
Foi no Quênia, e eu quero compartilhar isso com você.
Eu estava com minha amiga Susan Meiselas, a fotógrafa, nas favelas de Mathare Valley.
Agora, Mathare Valley é uma das favelas mais antigas da África.
Esta a cerca de quatro quilometros de Nairobi, e tem 1, 6 quilômetro de comprimento e cerca de trezentos metros de largura, onde mais de meio milhão de pessoas vivem apertadas nesses barracos de lata, geração após geração, alugando-as, geralmente de oito ou 10 pessoas por quarto.
E é conhecido pela prostituição, violência, drogas. Um lugar difícil de crescer.
E quando estávamos caminhando pelas ruas estreitas, era literalmente impossível não pisar no esgoto e no lixo ao lado das casas pequenas.
Mas, ao mesmo tempo, foi também impossível não ver a vitalidade humana, a aspiração e a ambição das pessoas que vivem ali. Mulheres lavando seus bebês, lavando suas roupas, pendurando-as para secar.
Eu conheci essa mulher, Mama Rose, que alugou seu barraco de lata por 32 anos, onde ela vive com os seus sete filhos.
Quatro dormem em uma cama de solteiro, e três dormem na lama e piso de linóleo.
E ela mantém todos na escola com a venda de água daquele quiosque, e da venda de sabão e pão de uma loja pequena no interior.
Foi também um dia depois da posse, e eu fui lembrada como Mathare ainda está conectado ao mundo
E eu viria as crianças nas esquinas, e eles diziam " Obama, ele é nosso irmão!"
E eu dizia: "Bem, Obama é meu irmão, isso faz com que você seja meu irmão também."
Eles olhavam com desconfiança e, em seguida, estavam assim, "High five!"
E foi aqui que conheci Jane.
Fiquei imediatamente impressionada com a bondade e gentileza em seu rosto, e eu pedi que me contasse sua história.
Ela começou me contando sobre o seu sonho. Ela disse: "Eu tinha dois.
Meu primeiro sonho era ser uma médica, e o segundo era de casar com um homem bom que iria ficar comigo e minha família. Porque a minha mãe era uma mãe solteira, e não tinha recursos para pagar as taxas escolares.
Então eu tive que desistir do primeiro sonho, e me concentrei no segundo."
Ela se casou quando tinha 18 anos, teve um bebê imediatamente.
E quando ela completou 20 anos, descobriu-se grávida do segundo filho, sua mãe morreu e seu marido a deixou - foi se casar com outra mulher.
Então, ela estava novamente em Mathare, sem renda, nenhuma educação, sem dinheiro.
E assim como último recurso ela foi para a prostituição.
Não foi organizado na forma como muitas vezes nós pensamos
Ela iria para a cidade à noite, com cerca de 20 meninas, procurava trabalho, e às vezes voltavam com alguns xelins ou algumas vezes com nada.
Ela disse: "Você sabe, a pobreza não era tão ruim assim. Era a humilhação e a vergonha de tudo. "
Em 2001, sua vida mudou.
Ela tinha uma amiga que tinha ouvido falar sobre esta organização, Jamii Bora que empresta dinheiro a pessoas pobres não importa o quão pobre seja, contanto que você reserve uma quantia proporcional na poupança.
E assim ela passou um ano para economizar 50 dólares, e começou a tomar emprestado, e com o tempo ela foi capaz de comprar uma máquina de costura.
Ela começou a costurar.
E isso se transformou no que ela faz agora que é para ir para a roupa de segunda mão nos mercados e por cerca de três dólares e 25 centavos, ela compra um vestido de baile
Alguns deles podem ser aqueles que você deram.
E ela os adapta com babados e fitas, e faz com que essas confecções espumosas venda para as mulheres para a sua filha querida para os 16 anos ou para a Primeira Comunhão para esses marcos de uma vida que as pessoas querem celebrar juntamente com o espectro econômico.
E ela sabe fazer negócios muito bem. Na verdade, eu a assisti andando pelas ruas e vendendo. E antes de você perceber, havia uma multidão de mulheres à sua volta, comprando esses vestidos.
E eu pensei, quando eu estava observando-a vender os vestidos, e também para as bijouterias que ela faz que agora Jane ganha mais do que quatro dolares por dia.
E que por definição ela não é mais pobre.
Mas ela ainda vive no Mathare Valley.
E assim, ela não pode crescer.
Ela vive com toda essa insegurança e, de fato, em janeiro, durante os motins étnicos, Ela foi expulsa de sua casa e teve que encontrar um novo barraco no qual ela pudesse viver.
Jamii Bora entende isso. E entende que quando estamos falando sobre pobreza, temos que olhar para todas as pessoas ao longo do seu espectro econômico.
E assim, com o capital da paciência da Acumen e outras organizações, empréstimos e investimentos irão, a longo prazo estar com eles, Eles construíram um conjunto habitacional de baixo custo, cerca de uma hora fora de Nairóbi
E eles desenharam o projeto a partir da perspectiva de clientes como a Jane, insistindo na responsabilidade e prestação de contas.
Então, ela tem que dar 10 por cento das hipotecas do valor total, ou cerca de 400 dólares em economias.
E então eles combinam a sua hipoteca com o que ela paga de aluguel no seu pequeno barraco.
E nas próximas duas semanas, ela vai ser uma dentre as primeiras 200 famílias a mudar para esse empreendimento.
Quando eu perguntei se ela temia algo, ou se ela iria sentir saudades de Mathare, ela disse, "do que posso temer da qual eu já não tinha confrontado?
Eu sou HIV soropositiva. Eu lidei com tudo isso."
E ela disse, "O que eu poderia sentir saudades?
Você pensa que eu iria sentir falta da violência ou das drogas? A falta de privacidade?
Você acha que eu vou sentir falta de não saber se meus filhos vão voltar para casa no final do dia?" Ela disse "Se você me desse 10 minutos minhas malas estariam prontas".
Eu disse, "bem e quanto aos seus sonhos?"
e ela disse, "Bom, você sabe, meus sonhos não se parecem exatamente como o que eu pensava que seria quando eu era uma garotinha.
Mas se eu pensar sobre isso, eu pensava que queria um marido, mas na verdade eu realmente queria uma familia que fosse carinhosa. E eu amo os meus filhos ferozmente, e eles me amam de volta. "
Ela disse, " Eu pensei que eu queria ser uma médica, mas o que eu realmente queria era ser alguém que sirva e sara e cura.
E assim eu me sinto tão abençoada com tudo o que eu tenho, que dois dias por semana eu vou aconselhar os pacientes de HIV.
E eu digo: "Olhe para mim. Você não está morto.
Você ainda está vivo. Se você ainda estiver vivo você tem que servir" E ela disse: "Eu não sou uma médica que dá pílulas.
mas talvez eu dê algo melhor porque eu dou esperança para eles"
E no meio dessa crise econômica, onde tantos se inclinam a se deixar viver com medo, eu acredito que nós estamos bem preparados para seguir o exemplo da Jane e estender a mão, reconhecendo que o fato de ser pobre não significa ser qualquer pessoa.
porque quando os sistemas são demolidos, como os que estamos vendo no mundo, é uma oportunidade para invenção e para inovação.
É uma oportunidade para construir realmente um mundo onde poderemos oferecer serviços e produtos para todos os seres humanos, para que eles possam tomar decisões e escolhas para eles mesmos.
Eu verdadeiramente acredito que isso é onde dignidade começa.
Nós devemos isso às Janes do mundo.
E o mais importante, devemos isso a nós mesmos.
Muito obrigada.
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A primeira vez que me interessei por energia solar eu tinha 15 anos.
Minha família mudou-se de Fort Lee para a Califórnia. nós mudamos da neve para muito calor - e linhas de gás.
Houve o racionamento de gás em 1973.
A crise energética estava em seu máximo.
Eu comecei a ler a revista Ciência Popular e fiquei muito entusiasmado com o potencial da energia solar para tentar solucionar aquela crise.
Eu havia acabado de aprender trigonometria no colegial, e já entendia a parábola e sabia que ela podia concentrar os raios de luz em um único foco
Aquilo me deixou muito entusiasmado.
E eu realmente sabia que ali havia o potencial para construir algum tipo de sistema que pudesse concentrar a luz
Então eu fundei esta empresa chamada Solar Devices.
E nela eu construia parábolas, Eu fiz o curso de mecânica no colégio e me lembro de entrar neste curso construindo parábolas e mecanismos Stirling.
E estava construindo este Stirling no torno e todos os motoqueiros vieram ver e disseram "Você está construindo um narguilé, não está?"
E eu respondia "Não, isto realmente é um Stirling!"
Ninguém acreditou em mim.
Eu vendi os planos para este mecanismo e projeto para as páginas da revista Ciência Popular, a quatro dólares cada.
E ganhei dinheiro suficiente para o meu primeiro ano na Caltech
Foi uma enorme alegria para mim ser aceito na Caltech.
E no meu primeiro ano na Universidade, eu continuei o negócio.
Porém, no segundo ano da Calltech, eles começaram a dar notas
O primeiro ano inteiro era graduado apenas com "passou ou não", porém no segundo ano adotaram o sistema de notas.
E eu não consegui manter o meu negócio. E eu terminei com um desvio de 25 anos.
Meu sonho se transformou em conseguir converter energia solar com baixo custo Mas então eu tive este grande desvio
Primeiro, o curso na Caltech
Quando eu me formei pela Caltech, o IBM PC foi lançado eu fiquei viciado no IBM PC em 1981.
E então em 1983, o Lotus 1-2-3 foi lançado, e eu fiquei completamente entusiasmado com o Lotus 1-2-3.
Eu comecei a gerenciar os meus negócios com o 1-2-3, comecei a desenvolver extensões para o 1-2-3. Desenvolvi uma interface de linguagem natural para o sistema
Fundei uma empresa de software educacional depois que eu comecei a trabalhar para a Lotus E então fundei a Idealab Com ela eu poderia ter um grande suporte onde eu poderia construir diversas empresas sucessivamente Muitos anos depois, em 2000, com a nova crise energética da Califórnia ou aquilo que era supostamente uma grande crise energética, estava chegando.
E eu estava tentando pensar se existia algum jeito de nós construirmos algo que lucrasse com aquilo e tentamos conseguir para as pessoas energia de reserva. para o caso da crise realmente chegar.
E eu então eu comecei a pesquisar como nós poderíamos construir sistemas de backup de energia armazenados em baterias Estes sistemas dariam às pessoas cinco horas, dez horas, talvez um dia inteiro ou mesmo três dias inteiros de energia reserva.
Estou contente que vocês já escutaram hoje que as baterias são uma fonte inacreditável de energia - mas com baixa densidade em comparação com o combustível
Podemos armazenar muito mais energia com combustível do que com baterias.
Você teria que encher toda a sua garagem apenas para ter umas quatro horas de energia de reserva proveniente de baterias.
E então eu concluí, após pesquisar todas as outras tecnologias que nós poderíamos construir uma solução para armazenamento de energia com flywheels e fórmulas diferentes de baterias Não era prático armazenar energia
E se nós pudéssemos produzir energia?
Talvez nós pudéssemos produzir energia
Eu tentei descobrir se a energia solar realmente se tornou atraente
Eu já fazia isto há 25 anos. Pesquisando o que tinha acontecido com as placas solares neste tempo
Percebi que o preço caiu de 10 dolares para quatro ou cinco por watt mas o preço se estabilizou
E eu precisava que este preço baixasse bem mais para que este sistema fosse efetivo.
Eu estudei todas as novas coisas que aconteceram com as placas solares e estava tentando buscar maneiras onde pudéssemos inovar e fazer placas solares mais baratas.
Existem várias coisas novas que estão acontecendo para tornar isto possível porém, fundamentalmente o processo requer uma quantia tremenda de energia
Algumas pessoas até dizem que é necessária mais energia para fazer uma placa solar Do que esta placa vai fornecer em toda a sua vida útil.
Se nós pudéssemos reduzir a quantidade de energia necessária para fazer as placas este processo se tornará mais prático.
Mas agora, você basicamente tem que pegar silício, e colocar em um forno a 871 graus celsius por 17 horas, para fazer estas placas
Um monte de gente está trabalhando em maneiras de reduzir isto, mas eu não tinha nada para contribuir nesta área.
Então, eu tentei imaginar de qual outra maneira nós poderíamos tentar e produzir energia solar com baixo custo.
Então eu tive uma ideia - e se nós coletássemos o sol com um refletor grande - exatamente como eu havia pensado lá atrás, quando eu estava no colegial porém com tecnologia moderna nós poderiamos fazer um coletor mais barato e maior concentrar isto em um conversor pequeno, e então o aparelho de conversão não precisaria ser tão caro pois é bem menor, ao invés de usar placas solares, que precisam cobrir a superfície inteira de onde você quer obter a luz solar
Isto parecia prático agora, pois um monte de novas tecnologias foram desenvolvidas nos 25 anos que se passaram desde a última vez que pesquisei isto
Primeiro, existem diversas novas técnicas de produção isto sem mencionar os minúsculos e baratos motores motores de corrente, rotação e compressão que são usados em impressoras, scanners e coisas assim
Então, isto é um avanço revolucionário
É claro, microprocessadores baratos e então uma inovação muito importante - algorítimos genéticos
Vou falar brevemente sobre algorítmos genéticos.
É uma maneira poderosa de resolver problemas insolucionáveis usando seleção natural
Você pega um problema que você não consegue resolver com a resposta matemática pura, você constrói um sistema evolutivo que efetua múltiplas tentativas de acerto e erro você adiciona sexo - onde você pega metade de uma solução, metade de outra e faz novas mutações e você usa a seleção natural para matar todas as soluções imprestáveis.
Geralmente, com um algorítimo genético em um computador hoje com um processador de três gigahertz você pode resolver muitos problemas que anteriormente eram insolúveis em uma questão de minutos.
Nós tentamos pensar em uma maneira de usar algorítimos genéticos para criar um novo tipo de concentrador.
E eu vou mostrar para vocês qual foi a nossa ideia.
Tradicionalmente, concentradores se parecem com isto.
Estas formas são parábolas
Elas pegam todos os raios solares paralelos e foram em um ponto único
Elas tem que rastrear o sol, pois elas tem que ser apontadas diretamente para ele.
Elas geralmente têm um ângulo de erro de apenas um grau, isto quer dizer que quando elas estão mais de 1 grau fora do ângulo nenhum raio solar vai atingir o foco.
Então nós tentamos pensar em uma maneira de fazer um coletor sem um sistema de rastreamento um coletor que conseguiria coletar bem mais do que 1 grau de luz, sem partes móveis.
Então, nós criamos este algorítmo genético para fazer esta tentativa, Nós fizemos um modelo grande de um refletor multi-faces e uma coisa fantástica evoluiu, literalmente evoluiu, de tentar um bilhão de ciclos, um bilhão de tentativas diferentes com um função de ajuste que definia como você pode coletar a maior quantidade de luz do sol da maior quantidade de ângulos, durante o dia
E este é o formato que não evoluiu
Isto é um coletor sem rastreamento com seis dispositivos em formato de tuba e cada um deles coletando luz solar da seguinte maneira se a luz do sol bate aqui ela poderá rebater e refletir no centro, o ponto focal, diretamente porém se o sol não coincide com o depositivo e vem pela lateral isto poderá atingir dois lugares e rebater duas vezes
Então para luz direta, isto provoca apenas uma rebatida para luz não coincidente, isto poderá provocar duas, e para luzes não coincidentes extremas, isto levará três
Sua eficiência cai com mais rebatidas, pois você perde aproximadamente 10% com cada rebatida. Mas isto permitiu a coleta de luz de um ângulo de 25 graus ou menos.
Então, por duas horas e meia por dia, nós poderíamos coletar com um componente estacionário.
Painéis solares coletam luz por quatro horas e meia
em um dia perfeitamente normal, uma placa solar por conta do movimento do sol no céu a placa solar tem uma queda de performance nos ângulos com luz não coincidente.
A placa coleta aproximadamente quatro horas e meia de luz solar por dia
Mas, apesar disto ser ótim sem as partes móveis nós conseguiamos alcançar altas temperaturas - e não era o sufiicente.
Nós precisavamos superar as placas solares
Então nós pensamos em outra idéia
Pensamos em um jeito de quebrar uma parábola em pequenas pétulas individuais que poderiam rastrear o sol
E então o que vocês vêem aqui são 12 pétalas separadas, cada uma pode ser controlada com microprocessadores individuais que custariam apenas um dólar
Você pode comprar um microprocessador de dois megahertz por um dólar hoje em dia.
E podemos comprar motores de passo que nunca quebram porque eles não tem escovas, por apenas um dólar.
Nós podemos controlar todas as 12 pétalas com menos de 50 dólares e isto permitiria que não tivéssemos que mover o ponto focal, mas apenas mover as pétalas
O sistema inteiro ficaria bem mais simples e com isto nós poderíamos coletar luz solar de seis a sete horas por dia.
E agora que nós temos luz solar concentrada, O que nós vamos colocar no centro para converter luz do sol para eletricidade?
Então nós pesquisamos todos os mecanismos de calor já criados para tentar converter a luz do sol para eletricidade, ou calor para eletricidade.
E um dos melhores mecanismos de todos os tempos É o motor a vapor criado em 1788 por James Watt, uma grande inovação.
Na verdade, James Watt não criou o motor a vapor, ele apenas o aperfeiçoou.
Porém, estes aperfeiçoamentos foram incríveis
Ele adicionou guias de movimentos lineares nos pistões, ele adicionou um condensador para resfriar o vapor fora do cilindro, ele duplicou a capacidade do mecanismo para que este tivesse que duplicar a força.
Estas foram inovações gigantes
Quer dizer, com todos os aperfeiçoamentos que ele desenvolveu é justificavel que a nossa medida de energia, o watt, é nomeada em homenagem a ele
Então nós olhamos este mecanismo e isto tinha algum potencial
Motores a vapor são perigosos e eles tiveram um impacto tremendo no mundo, como vocês já sabem revolução industrial, barcos e locomotivas.
Eles são normalmente ótimos para serem grandes portanto eles não são bons para a geração distribuída de energia.
Eles também concentram uma pressão muito alta, por isto são perigosos.
Outro tipo de mecanismo é o motor de ar quente
E o motor de ar quente não foi inventado pelo Robert Stirling Mas Robert Stirling o melhorou radicalmente em 1816
Este mecanismo era interessante porque trabalhava apenas com ar, sem vapor, e isto gerou centenas de designs criativos que usam o princípio do mecanismo Stirling
Depois do Stirling, veio Otto e ele também não inventou o motor de combustão, apenas o aperfeiçoou.
Ele mostrou o motor em Paris em 1867 e foi uma grande conquista pois isto aumento a densidade da força do mecanismo
E assim tivemos um monte de energia em um espaço bem menor que permitiu que o mecanismo fosse usado para aplicações móveis
E então, agora que tinhamos mobilidade poderíamos fazer um monte de mecanismos porque temos um monte de unidades, ao invés de barcos a vapor ou grandes fábricas onde você não está fazendo muitas unidades, então este mecanismo se beneficiou da produção em massa onde todos os outros mecanismos não se beneficiaram.
Então, porque isto foi para a produção em massa, os custos foram reduzidos, 100 anos de aperfeiçoamentos, emissões foram reduzidas, com um tremendo valor de produção.
Centenas de milhares de motores de combustão interna foram criados em comparação com milhares de mecanismos Stirling
E os pequenos mecanismos não estão mais sendo construídos apenas os grandes, para operações enormes.
E então, após analisar estes três e 47 outros, nós concluímos que o melhor para usar era o Stirling.
Eu quero explicar brevemente como nós pensamos e como isto funciona.
Nós olhamos para o mecanismo Stirling de um jeito diferente, pois era prático - o peso não importava mais para a nossa aplicação O mecanismo de combustão interna decolou porque o peso importava pois você estava se movendo
Mas se você está tentando gerar energia solar em um lugar estático O peso não importa tanto.
Outra coisa que descobrimos é que a eficiência não importa tanto Se a sua fonte de energia é grátis.
Normalmente, eficiência é crucial. Pois o custo do combustível para o seu mecanismo em sua vida supera o custo do mecanismo.
Mas se a sua fonte de combustível é grátis A única coisa que importa é o custo de seus mecanismos.
Então você não quer otimizá-lo para ser eficiente. Você quer otimizá-lo para melhor custo benefício.
Usando este novo critério, Nós pensamos que poderíamos reavaliar o mecanismo Stirling, e também trazer algorítimos genéticos para ele.
Basicamente, Robert Stirling não teve Gordon Moore antes dele para dar a gente poder de processamento de três gigahertz.
Então nós pegamos o mesmo algoritmo genético que nós usamos antes para fazer o concentrador, o qual não funcionou para a gente, otimizar o mecanismo Stirling. e fazer o design de tamanho certo com todas as dimensões a melhor situação para conseguir a maior quantidade de energia por dólar, desprezando o peso e o tamanho, para conseguir o máximo de conversão de energia solar, pois o sol é grátis.
E este foi o nosso processo - Vou mostrar como o mecanismo funciona
Os mais simples mecanismos de calor, ou de ar quente, de todos os tempos seriam assim - pegue uma caixa, uma lata de aço, com um pistão.
Coloque no fogo e o pistão subirá
Tire do fogo e coloque água, ou deixe resfriar, o pistão abaixa
Este é um mecanismo de calor.
Este é basicamente o mais simples mecanismo de calor que você pode ter.
O problema é a eficiência de 0, 001%. pois você está aquecendo todo o metal do compartimento e então resfriando todo o metal do compartimento todas as vezes.
E você está pegando energia apenas do ar que está aquecendo ao mesmo tempo, Mas você está gastando toda a energia aquecendo o metal e resfriando.
E então alguém teve uma idéia brilhante, ao invés de aquecer o cilindro inteiro e resfriá-lo, e se você colocasse um dispositivo auxiliar dentro - uma pequena coisa que joga o ar de um lado para outro.
Você move este dispositivo para cima e para baixo com um pouco de energia mas você está apenas jogando o ar pra baixo no canto quente e pra cima no canto frio para cima e pra baixo, frio e quente.
Você não está alternando o aquecimento e o resfriamento do metal Você está apenas alternando o aquecimento e o resfriamento do ar
E isto permite aumentar a eficiência de 0, 001% para 2%.
Aí Robert Stirling teve esta idéia genial, que foi, bem eu não estou aquecendo o metal agora, mas com este tipo de mecanismo, eu ainda estou reaquecendo todo o ar.
Eu ainda estou aquecendo o ar e resfriando o ar todas as vezes.
E se eu colocar uma esponja térmica no meio, na passagem entre o lugar onde o ar tem que se mover entre o frio e o quente?
Então ele usou fios finos e vidro esmigalhado, e vários tipos diferentes de material para fazer uma esponja quente.
e então o ar sobe do canto quente para o canto frio e aquece a esponja.
depois que o ar volta, após ser resfriado ele pega o calor novamente.
Então, você está re-usando sua energia cinco ou seis vezes. E isto aumenta a sua eficiência para algo entre 30 e 40%. É uma invenção pouco conhecida, mas brilhante, de Robert Stirling que transforma o mecanismo de ar quente de uma coisa impraticável - como eu pensava quando eu fiz a versão simples no colégio - para algo com grande potencial. quando você aumenta a eficiência, você pode melhorar o design para que ele seja de baixo custo.
Então nós definimos um caminho para tentar fazer isto com o menor custo possível.
Nós construímos um modelo matemático gigante de como uma Stirling funciona.
Aplicamos o algorítmo genético.
E obtivemos os resultados para aquele mecanismo otimizado.
Nós construímos cem diferentes mecanismos nos últimos dois anos.
Medimos cada um deles, reajustamos o modelo para aquilo que medimos, e então conseguimos o protótipo atual.
Um mecanismo muito compacto e barato. E então é assim que este mecanismo é.
Deixe eu mostrar como ele é na vida real.
Então, este é o mecanismo.
É apenas um cilindro pequeno que segura o gerador dentro e todo o cabeamento e este é o chapéu quente - o cilindro quente no topo - esta parte fica quente, esta parte é fria, e a eletricidade sai.
a conversão exata também acontece.
Se você colocar eletricidade, isto ficará quente e isto ficará frio, você terá refrigeração.
É um ciclo completamente reversível, um ciclo muito eficiente, e uma coisa muito simples de se fazer.
Então nós colocamos as duas coisa juntas.
E temos o mecanismo, agora, e se as pétalas e o mecanismo combinarem no meio?
As pétalas rastreiam e o mecanismo recebe a luz do sol concentrada, o calor é coletado e transformado em eletricidade.
Este é o nosso primeiro protótipo junto com as pétalas e o mecanismo no centro.
Isto está sendo colocado para acompanhar o sol, e agora eu quero mostrar para vocês como o mecanismo real é.
Obrigado
Então, esta é uma máquina com 12 pétalas estas pétalas custam um dólar cada - leves, plástico injetado, alumínio.
O mecanismo para controlar cada pétala está aqui com um microprocessador em cada.
Existem pequenos sensores térmicos nesta máquina que detectam o calor quando a luz do sol os atingem.
Cada pétala se ajusta separadamente para manter a maior temperatura possível.
Quando o sol nasce, as pétalas vão procurar o sol, e o encontram durante a busca pela temperatura mais alta Depois de 1 ou 2 minutos, depois que os raios já atingiram o topo quente a máquina estará quente o suficiente para ligar e a máquina gerará eletricidade por seis horas e meia por dia - seis a sete horas, enquanto o sol se move no céu. Uma parte crítica da qual nós podemos tirar alguma vantagem é que nós temos estes microprocessadores baratos e cada uma destas pétalas são autônomas, e cada uma delas consegue identificar onde o sol está sem nenhuma configuração.
Você não precisa dizer a latitude e a longitude de onde você está, você não precisa falar o ângulo do seu teto, não precisa dizer a orientação.
Pois não importa.
A máquina procura pelo ponto mais quente, E procura novamente meia hora depois, um dia depois, um mês depois.
Ela sabe aonde você está no planeta apenas analisando a direção que o sol se move então você não precisa fornecer nenhum destes dados.
Esta máquina funciona assim, quando o sol sai a máquina vai ligar e você terá eletricidade daqui
Temos e isto pode ser usado para certas aplicações
Nós temos um inversor aqui, para conseguir 117 volts AC
e você ainda consegue água quente.
A água quente é opcional.
Você não precisa usar a água quente, ela se resfriará.
Mas você pode esquentar água e isto aumenta ainda mais a eficiência porque algum do calor que você normalmente rejeitaria, agora pode ser usado como energia útil, para uma piscina ou qualquer outra coisa.
Vejam um pequeno vídeo de como a máquina funciona.
Este é o primeiro teste quando a levamos para fora e cada uma das pétalas estavam procurando individualmente.
E o que elas fazem é pisar muito grosseiramente no inínio, E muito finamente depois.
Quando o sensor térmico indica que elas encontraram o sol, elas diminuem a velocidade e fazem uma busca, e todas as pétalas movem para as suas posições e a máquina ligará
Nós trabalhamos nisto nos últimos 2 anos.
Nós estamos muito contentes com o progresso, mas ainda temos muito a melhorar, deixem-me contar um pouco sobre isto.
Isto é como nós achamos que uma instalação residencial seria você provavelmente teria mais de 1 unidade no seu teto.
poderia ser no seu teto, no seu jardim ou qualquer outro lugar
Você não precisa ter unidades suficientes para eletrificar sua casa inteira você economizará dinheiro a cada unidade que você adicionar.
E estará usando esta grade potencialmente neste tipo de aplicação para ser seu suprimento de energia de backup. Claro, você não pode usar à noite e em dias nublados.
Mas reduzindo seu uso de energia nos horários de pico - normalmente quando o ar condicionado está ligado - Ele gerará seu pico de energia no mesmo horário do pico de uso, Então eles se complemental.
E assim nós pensamos uma aplicação residencial.
Nós também achamos que tem um grande potencial para fazendas de energia especialmente em terras remotas onde tem um monte de sol
é uma boa combinação destes dois fatores
Existe um monte de luz poderosa do sol pelo mundo, obviamente, mas em lugares especiais onde seria bastante barato para colocar estas máquinas e em vários outros lugares onde temos bastante vento
Por exemplo, aqui está o mapa dos Estados Unidos
Todos os lugares que não são verdes ou azuis são ideais, mas mesmo as áreas verdes e azuis são boas, mas não tão boas quanto as vermelhas, laranjas e amarelas.
Este ponto quente perto em torno de Las Vegas e do Death Valley é muito bom.
E tudo que ele faz é impactar o período de retorno do investimento, não significa que você não pode usar energia solar, você pode usar energia solar em qualquer lugar do planeta
Apenas afeta o período de retorno de investimento se você está comparando com eletricidade fornecida por grade.
Mas se você não tem eletricidade fornecida por grade, a questão do retorno do investimento é diferente.
É apenas quantos watts você consegue por dolar, e de como você pode se beneficiar usando aquela energia para mudar a sua vida de alguma forma.
este é o mapa dos Estados Unidos.
Este é o mapa do planeta e novamente, você pode ver um enorme espaço no meio de onde grande parte da população está, que tem chances enormes para energia solar.
E claro, olhem para a Africa.
É inacreditável o tamanho do potencial para a energia solar por lá eu estou realmente feliz por falar sobre novas formas de ajudar com isto
Apenas para concluir, eu diria que a minha jornada me mostrou que você pode revisitar velhas ideias com uma nova perspectiva e algumas vezes, ideias que foram descartadas no passado podem ser práticas agora se você colocar novas tecnologias
Nós acreditamos que nós estamos chegando muito perto do prático e barato
Nosso objetivo a curto prazo é que custe metade do preço das placas solares nosso objetivo a longo prazo é que seja um investimento recuperável em cinco anos
Com de cinco anos de retorno, este equipamento se torna bem econômico Então nós temos que ter uma atitude positiva sobre energia elétrica para querer possuir um destes.
Faz sentido econômico.
O retorno do investimento de energia solar está entre 30 e 50 anos
Se conseguirmos reduzir para menos de 5, ficará quase de graça por causa do interesse para possuir isto - alguém financiará isto para você e você poderá economizar dinheiro deste o primeiro dia.
Este é o nosso objetivo para a empresa.
duas outras coisas que eu aprendi que me surpreenderam muito uma é perceber o quanto não nos importamos com energia
Eu saí do elevador aqui, E mesmo olhando para o palco agora existem provavelmente 20. 500 watt de luzes agora.
Existem 10. 000 watts de luz no palco, 1 cavalo é 756 watts, energia máxima.
Então existem basicamente 15 cavalos correndo na velocidade máxima apenas para manter a luz do palco
Sem mencionar os 200 cavalos que estão correndo agora para manter o ar condicionado
Entre no elevador e existem luzes
Claro, eu fico muito incomodado em casa quando deixamos as luzes acesas por acidente.
Mas, em todos os lugares nós temos este uso insaciável de energia porque é barato.
e é barato porque nós somos subsidiados pela energia que tem sido concentrada pelo sol.
basicalmente, petróleo é energia solar concentrada.
E tem sido triturado por um bilhão de anos com um monte de energia para fazer com que toda a energia concentrada.
E nós não temos o direito de usar isto rapidamente, eu penso.
Seria sensacional se nós encontrassemos uma maneira de fazer nosso uso de energia renovável, para criar e usar energia ao mesmo tempo, eu realmente espero que nós consigamos
Muito obrigado, vocês foram uma grande platéia!
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Estou sempre pensando no tema desta sessão, que é a simplicidade.
Eu poderia, quase poderia, dizer que é ter uma mente simples, mas no melhor sentido possível.
Estou tentando compreender duas coisas muito simples: como viver e como morrer, ponto final.
É tudo o que eu tenho tentado fazer, o dia todo.
Também tento fazer algumas refeições e lanches além de, claro, gritar com meus filhos e fazer todas as coisas normais que nos mantém com os pés no chão.
Tive a sorte de ter nascido uma criança muito sonhadora.
Minha irmã mais velha estava ocupada torturando meus pais, e eles, ocupados torturando-a.
Tive muita sorte de ser completamente ignorada - o que, quero dizer a vocês, foi uma coisa fabulosa.
Então, eu pude fantasiar o meu caminho pela vida.
Por fim, fantasiei meu caminho até a Universidade de Nova York em época muito boa - 1967, onde encontrei um homem que estava tentando explodir o prédio da Matemática,
enquanto eu escrevia poemas terríveis e tricotava suéteres para ele,
As feministas nos odiavam, e tudo era uma miséria, do começo ao fim.
Mas continuei escrevendo poemas terríveis, ele não explodiu o prédio da Matemática, mas foi para Cuba.
Dei o dinheiro a ele, porque eu vinha de Riverdale, e tinha mais dinheiro do que ele.
E foi uma boa coisa, sabem, ajudar a causa.
Então, ele voltou, e as coisas foram acontecendo, e decidi que realmente odiava o que escrevia, uma prosa pretensiosa e horrível. Horrível.
Decidi que eu queria contar, que ainda queria narrar algo, e contar as minhas histórias.
Então decidi que começaria a desenhar. Não seria muito difícil.
Então, o que aconteceu foi que comecei como ilustradora editorial, apesar da minha, sabem, da minha completa ignorância.
Abrimos um estúdio -
na verdade, Tibor abriu um estúdio, chamado M & Company.
A premissa da M & Company era: não sabemos nada mas tudo bem, vamos fazer de qualquer jeito.
E na verdade, é melhor não saber nada porque se você sabe muito, você fica bloqueado.
Então, a premissa no estúdio era: sem fronteiras, não há medo.
E, em tempo integral, eu consegui o melhor trabalho do mundo era fantasiar, e ter idéias absurdas que, por sorte, havia pessoas o suficiente lá - e era um time, era um coletivo, não era apenas eu tendo idéias malucas.
Mas a questão é que eu estava lá como eu mesma, como uma sonhadora.
E então, algumas das coisas - quero dizer que a M & Company teve uma longa história, e lógico que nós precisávamos ganhar algum dinheiro, então decidimos criar uma série de produtos.
E alguns dos nossos relógios, numa tentativa de serem bonitos e bem-humorados - tentando e conseguindo, eu espero -
eram capazes de falar sobre conteúdo, e de romper com o que normalmente esperamos, usando o humor e a surpresa, elegância e humanidade em seu trabalho eram realmente importante para nós.
Era uma época muito impessoal no design e nós queríamos dizer que o conteúdo era o que importava, não o pacote, não a embalagem.
Temos que ser jornalistas, temos que ser inventores, temos que usar a imaginação, que é mais importante do que tudo.
Então, a boa notícia é que eu tenho um cachorro e, apesar de não saber se acredito em sorte - eu não sei no que acredito, isso é uma questão muito complicada - mas eu sei que antes de sair, eu rodo o rabo dele sete vezes.
Então, toda vez que ele vê uma mala em casa porque sempre tem alguém, sabem, saindo, lá ele está, rodando sua linda cauda, e correndo para outra sala.
Mas eu sou capaz de fazer a transição entre trabalhar para crianças e - entre trabalhar para adultos, e de um para o outro, porque, sabem, posso dizer que sou imatura, de uma certa forma, é verdade.
Na verdade - quer dizer, posso dizer que não entendi - não tenho orgulho disso, mas eu não entendi - digamos, 95 por cento das palestras dessa conferência.
Mas eu tomei belas notas através de desenhos e eu tenho uma linda cebola sobre a apresentação de Murray Gell-Mann.
E uma linda página de rabiscos sobre a palestra de Jonathan Woodham.
Então, coisas boas vêm da, sabe, incompreensão - -da qual eu farei uma pintura, e que acabará no meu trabalho.
Estou aberta às possibilidades de não saber e encontrar algo novo.
Escrever para crianças parece simples, e é.
Você tem que condensar a história em 32 páginas, normalmente.
E o que você tem realmente tem que fazer é cortar palavras daquilo que você quer dizer,
e não usar uma fala infantilizada e não escrever de um jeito, sabem, que você não suportaria reler depois de algum tempo.
Então, espero estar escrevendo livros que são bons para crianças e adultos.
Mas as pinturas refletem, eu não penso diferente quando trabalho para crianças ou para adultos.
Tento usar o mesmo tipo de imaginação, o mesmo tipo de comicidade, o mesmo tipo de amor pela linguagem.
Então, sabem, eu tenho muitos amigos maravilhosamente bonitos.
Esse é Andrew Gatz, e ele saiu pela porta e eu disse, "Você, senta ai", e tirei montes de fotos.
E a cadeira Bertoia no fundo é a minha favorita.
Então, eu consegui juntar todas as coisa que eu amo,
e espero que ocorra um diálogo entre crianças e adultos, em muitos níveis diferentes, e espero que diversos tipos de humor saiam dai.
Os livros são realmente diários da minha vida.
Eu nunca - eu não gosto de enredos.
Eu nunca sei o que um enredo significa.
Não aguento a idéia de uma coisa que começa no começo, sabem, começo, meio e fim, isso relamente me assusta, porque a minha vida é tão aleatória e confusa, e eu gosto que ela seja assim.
Enfim, eu estava, estávamos em Veneza, e esse é o nosso quarto, e eu tive esse sonho no qual eu estava vestindo esse lindo vestido verde, e estava olhando pela janela, e foi uma coisa realmente bonita.
E eu consegui colocar isso nessa história, que é um alfabeto, e que, espero, evolua para outra coisa.
A letra C tem outras coisas nela.
Tive sorte, também, ao encontrar o homem que está sentado na cama, apesar de que ele tem cabelo aqui, e na verdade ele não tem cabelo -
bem, ele tem um pouco de cabelo mas, bem, ele costumava ter cabelo.
E com ele eu pude concretizar um projeto que é realmente fantástico.
Eu trabalho pra a [revista] New Yorker, e aconteceu o 11 de setembro e foi, sabem, um completo fim do mundo, tal como o conhecíamos.
E Rick e eu estávamos indo para uma festa no Bronx, e alguém falou Bronxtão, e alguém falou Fareerristão, e nós fizemos essa capa para a New Yorker, na qual nós conseguimos - nós não sabíamos o que estávamos fazendo,
não estávamos tentando ser engraçados, não estávamos querendo ser - bom, na verdade nós estávamos tentando ser engraçados, isso não é verdade.
Nós esperávamos ser engraçados, mas não sabíamos que seria uma capa, e não sabíamos que aquela imagem, no momento em que tudo aconteceu, seria algo tão maravilhoso para tantas pessoas.
E na verdade se tornou - eu não sei, vocês sabem, foi um daqueles momentos em que as pessoas começaram a rir do que estava acontecendo.
E de, sabe, Fattushis, a Taxistão, a Fashtoonks, Botoxia, Pashmina, Khlintunésia, sabe, nós fomos capazes de pegar a cidade e fazer graça com esses estrangeiros completos - o que está acontecendo por ai?
Quem são essas pessoas? Que tribos são essas?
E David Reminick, que foi realmente maravilhoso, tinha um problema: ele não gostou de Al Zheimer, Al Zheimers, porque ele achava que isso iria insultar as pessoas que têm Alzheimer.
Mas, sabem, nós dissemos, "David, quem vai saber?"
Eles, não.
Então eu mantive assim e foi, sabem, uma coisa boa.
Sabe, durante a minha vida eu nunca soube o que ia acontecer e essa é meio que a parte bela.
Estávamos em Cape Cod, um lugar muito inspirador, obviamente, e eu peguei esse livro, "Elementos de Estilo", em uma venda de garagem,
e eu não - eu nunca o tinha usado na escola, porque eu estava muito ocupada escrevendo poemas e repetindo de ano e não sei mais o que, ficando sentada em cafés.
Mas eu o peguei e comecei a lê-lo, e eu pensei, esse livro é incrível.
Falei - as pessoas precisam conhecer esse livro.
Então eu decidi que ele precisava de algumas - ele precisava de uma renovação, precisava de algumas ilustrações.
E basicamente, eu liguei para, sabem, eu convenci o espólio White e que mistura de, sabem, judeus poloneses, principalmente famílias WASP [brancos, anglo saxões, protestantes], e eu falei, gostaria de fazer algo com esse livro.
E eles concordaram, e me deixaram completamente sozinha, o que foi uma coisa linda, maravilhosa.
E eu peguei os exemplos que eles me deram, e fiz basicamente 56 pinturas.
Então, é isso, não sei se vocês podem ler aqui.
"Bem, Susan você está no meio de uma bela bagunça!".
E quando você está lidando com gramática, que é, vocês sabem, incrivelmente árida, E. B. White escreveu algo tão maravilhoso, caprichoso - na verdade, foi Strunk - e então você chega nas regras e, sabem, há muitas coisas de gramática - "Você se importa se eu fizer uma pergunta?"
"Você se importa que eu faça uma pergunta?"
"Faria, poderia, deveria, ou faria, deveria, poderia.
E "faria" é o amante de Coco Chanel, "deveria" é Edith Sitwell, e "poderia" é um sujeito de August Sander.
E, "Ele notou uma grande mancha no centro do tapete".
Então, existe um tipo de atmosfera britânica, um tema de assassinato-mistério de que eu realmente gosto muito.
E então, "Seja obscuramente clara! Seja selvagem com a linguagem de um modo que possamos entender".
E. B. White escreveu várias regras, que podem paralizá-lo, ou fazê-lo odiar pelo resto da vida, ou você pode ignorá-las, que é o que eu faço, ou você pode, sei lá, comer um sanduíche.
Então, o que eu fiz quando estava pintado foi começar a cantar porque eu realmente adoro cantar. e eu acho que a música é a mais alta forma de arte.
Então, eu contratei um compositor maravilhoso, Nico Muhly, que escreveu nove canções, usando o texto, e nós nos apresentamos nessa noite maravilhosa de - ele escreveu músicas tanto para amadores quanto para profissionais.
Eu toquei xícaras e um brinquedo de mola na sala de leitura principal da Biblioteca Pública de Nova Iorque, onde supostamente devemos ficar quietos, muito quietos, e foi um evento fenomenalmente maravilhoso que, espero, vamos fazer novamente.
Quem sabe? O New York Times Select [suplemento eletrônico do jornal New York Times] pediu que eu escrevesse uma coluna, e eles dizem que você pode fazer o que quiser.
Então, uma vez por mês durante o último ano eu escrevo uma coluna chamada Os Princípios da Incerteza, que, sabem, eu não sei quem é Heisenberg, mas sei que posso falar disso agora, sabem, são os princípios da incerteza, então,
eu vou ler rapidamente - e provavelmente vou editar alguns, porque o meu tempo está acabando - um pouco das colunas.
E, basicamente, eu estava tão, sabe, era tão interessante porque eu disse, "Bom, quanto espaço eu tenho?"
E eles responderam, "Bom, você sabe, é a Internet".
E eu disse, "Sim, mas quanto espaço eu tenho?"
E eles disseram, "É ilimitado, é ilimitado".
OK. Então, no início eu fiquei muito tímida, e comecei
"Como posso dizer tudo o que eu tenho no meu coração?
É impossível começar. Pronto. Não. Comece com o azarado pássaro dodo".
E eu falei sobre o dodo, e de como ele foi extinto, e então eu falei sobre Spinoza.
"Enquanto o último dodo estava morrendo, Spinoza procurava por uma explicação racional para tudo, chamada eudemonia.
E então ele deu seu último suspiro cercado por pessoas amadas, e eu sei que ele tomou uma sopa de galinha como última refeição!".
Por acaso eu sei isso.
E quando ele morreu, e não havia mais Spinoza, extinto.
E nós não temos um Spinoza empalhado mas temos o cachorro de Pavlov empalhado, e eu o visitei no Museu de Higiene em São Petersburgo, na Rússia.
E aqui está ele, com essa horrível caixa elétrica no seu traseiro naquele palácio fantástico e decrépito.
"E eu acho que o dia devia estar muito, muito escuro quando os bolcheviques chegaram.
Talvez entre eles, tenham dado algumas boas risadas, mas Stalin era paranóico, ainda mais do que o meu pai".
Nunca se sabe.
"E decidiu que as pessoas do alto escalão tinham que ser extintas."
Acho que eu entendi, o que é uma coisa boa.
E assim, esse é um mapa de, sabe, apenas um pequeno mapa, porque esse mapa de todas as pessoas que foram mortas continuaria para sempre.
Então, mortos com tiros, com as cabeças esmagadas, atirados fora.
"A família de Nabokov fugiu da Rússia. Como o jovem Nabokov poderia, sentado inocente e elegantemente em uma cadeira vermelha, folheando um livro e borboletas, imaginar tanto deslocamento, tantas perdas."
E eu quero contar a vocês que esse é um mapa.
Então, "A família de minha bela mãe fugiu da Rússia também,
tantos pogroms.
Deixando a cabana, as matas de frutos selvagens, os gansos, o rio Sluch, foram para a Palestina, depois para a América do Norte".
E a minha mãe desenhou esse mapa dos Estados Unidos da América para mim, e esse é o meu DNA, porque essa pessoa com a qual eu cresci não se importava com os fatos, de maneira nenhuma.
Os fatos foram banidos de nossa casa, na realidade.
E então, se você olhar que o Texas - sabe, Texas e Califórnia estão bem abaixo do Canadá, e a Carolina do Sul está acima da Carolina do Norte, esse é o lar no qual cresci, OK?
Então, é um milagre que eu esteja aqui hoje.
Mas, na verdade, não é, na verdade é uma coisa maravilhosa.
Mas então ela fala de Tel Aviv e Lenin, que é a cidade de onde eles vieram e, desculpem, o resto é desconhecido, muito obrigado.
Mas no seu vocabulário, desculpe, o resto é desconhecido significa, desculpe, o resto é desconhecido, vá pro inferno, por que ela não poderia ligar menos para isso,
A impossibilidade de fevereiro, é que fevereiro é um mês realmente miserável em Nova Iorque e as imagens, para mim, conjuram essas coisas realmente horríveis -
bem, não só horríveis.
Recebi uma caixa pelo correio e ela estava embrulhada em jornal e havia uma fotografia de um homem no jornal, e ele estava morto.
E eu falei, "Espero que ele não esteja realmente morto, apenas deitado, aproveitando o frescor da neve, mas a legenda diz que ele está morto".
E nã verdade, ele estava, eu acho que estava morto, apesar de eu não saber, talvez ele não esteja morto.
"E essa mulher se inclina angustiada, não por causa desse homem mas por causa de todas as coisas tristes que frequentemente acontecem em fevereiro".
Isso é consolador.
Esse homem está bravo porque alguém atirou cebolas na escadaria, e basicamente - sabem, acho que cebolas são um tema aqui -
e ele diz, "É impossível não mentir.
É fevereiro, e não mentir é impossível".
E eu passei um bom tempo imaginando, quanta verdade nós falamos?
O que estamos realmente - qual é a história que realmente estamos contando?
Como sabemos quando somos nós mesmos?
Como sabemos na verdade que as frases que saem de nossas bocas são histórias reais, sabem, frases reais?
Ou são frases falsas que nós achamos que devemos dizer?
Eu vou passar por isso rapidamente.
Um citação de Bertrand Russell, "Todo o trabalho de todas as eras, toda a devoção, toda a inspiração, todo o brilho do gênio humano estão destinados à extinção.
Então, meus amigos, se isso é verdade, e é verdade, qual é a finalidade?"
Uma pergunta complicada.
E então, sabem, eu converso com meus amigos e vou a peças de teatro onde eles cantam música russas -
Meu Deus, vocês sabem duma coisa?
Se pudéssemos - não, não temos tempo.
Eu gravei a minha tia, gravei minha tia cantando uma música em russo - Sabem, podemos ouvir por um segundo?
Vocês a têm?
OK. Eu gravei minha - minha tia costumava nadar no mar todos os dias do ano até aproximadamente os 85 anos.
Então, e essa é uma música sobre como todos são infelizes porque, sabem nós somos da Rússia.
Fui visitar Kitty Carlisle Hart, ela tem 96 anos, e quando eu levei para ela uma cópia de "Os Elementos do Estilo", ela disse que iria guardá-la como um tesouro.
E então eu disse, oh, ela estava falando sobre Moss Hart, e eu disse, sabem, quando você o encontrou você sabia que era ele,
e ela disse, eu sabia que era ele.
Então, era eu quem deveria ter guardado o livro mas foi um momento realmente maravilhoso.
E ela namorou George Gershwin, então, sabem, sai daqui!
Gershwin morreu com 38 anos.
Ele está enterrado no mesmo cemitério que o meu marido.
Não quero falar sobre isso agora.
Eu quero falar - a cereja do bolo desse cemitério é o mausoléu da família Barricini.
Acho que a família Barricini deveria abrir uma loja lá e vender chocolates.
E eu trabalharia lá para eles.
E eu fui visitar Louise Bourgeois, que ainda trabalha, e eu olhei a sua pia, que é realmente incrível, e fui embora.
E então fotografei e pintei um sofá na rua.
E uma mulher que mora na nossa rua, Lolita.
E então eu tomei chá.
E então a minha tia Frances morreu, e antes dela morrer ela tentou pagar seu bagel com pacotes de adoçante.
E eu imagino qual é o objetivo e então eu sei, e vejo que Hy Meyerowitz, o pai de Rick Meyerowitz, um vendedor de materiais para lavagem a seco do Bronx, ganhou o concurso de sósia de Charlie Chaplin em 1931.
Esse é Hy.
E eu olho para uma bela travessa com frutas, e eu olho para um vestido que fiz para minhas amigas.
E ele diz, Ich habe genug, que é uma cantata de Bach, que eu achei que significasse, já deu, não aguento mais, dá um tempo, mas eu estava errada.
Significa, eu tenho o suficiente - e isso é a mais pura verdade.
Por acaso estou viva, fim de discussão. Obrigada!
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Quero falar a vocês hoje sobre a magnitude do esforço científico necessário para fazer as manchetes que vocês lêem nos jornais.
Manchetes que aparecem assim quando se referem à mudança do clima. E manchetes que parecem assim quando se referem a qualidade do ar ou poluição.
Esses são dois ramos do mesmo campo da ciência atmosférica.
recentemente as manchetes ficaram assim quando o Painel Intragovernamental sobre Mudanças Climáticas, ou IPCC, emitiu seu relatorio sobre o estado do entendimento sobre o sistema atmosférico
Aquele relatório foi elaborado por 620 cientistas de 40 países.
Eles escreveram quase mil páginas sobre o assunto.
E todas aquelas páginas foram revisadas por outros mais de 400 cientistas e revisores, de 113 países.
É uma grande comunidade. Na verdade, é uma comunidade tão grande que nosso encontro anual é o maior evento científico do mundo.
Mais de 15. 000 cientistas vão a São Francisco a cada ano para isso.
E cada um desses cientistas faz parte de um grupo de pesquisa. E cada grupo de pesquisa estuda uma ampla variedade de tópicos.
Para nós, em Cambridge, e tão diversificado como a oscilação do El Nino, que afeta o tempo e o clima, até a correlação de dados de satélites, a emissões de colheitas que produzem biocombustíveis. Que é minha própria área de estudo.
E em cada uma dessas áreas de pesquisa, das quais há muitas mais, existem estudantes de doutorado, como eu. E nós estudamos tópicos incrivelmente especializados, coisas tão específicas como uns poucos processos ou algumas poucas moléculas.
E uma das moléculas que eu estudo chama-se isopreno, e aqui está ela. É uma pequena molécula orgânica. Vocês provavelmente jamais ouviram falar dela.
O peso de um clipe de papel equivale aproximadamente a 900 zeta-lhões -- 10 à 21ª potência -- moléculas de isopreno.
Mas apesar de seu peso bem pequeno, a quantidade emitida durante um ano na atmosfera equivale ao peso de todas as pessoas neste planeta.
É uma enorme quantidade de matéria. É igual ao peso do metano.
E como a quantidade é tão grande, é realmente importante para o sistema atmosférico.
Como é importante para o sistema atmosférico, não medimos esforços para estudar esta coisa.
Nós explodimos o isopreno e observamos todas as partes
Esta é a Câmara de Fumaça Euphore na Espanha.
Explosões atmosféricas, ou queima de combustíveis, levam mais ou menos 15. 000 vezes mais tempo do que acontece no seu automóvel.
Mas ainda nós estudamos os detalhes.
Processamos modelos enormes em supercomputadores. E isto é o que eu faço.
Nossos modelos têm centenas de milhares de matrizes calculando centenas de variáveis cada uma, em tempos muito reduzidos.
E levam semanas para completar nossas integrações.
E fazemos dezenas de integrações para entender o que está acontecendo.
Também voamos por todo o mundo para observar isso.
Recentemente participei de uma campanha de campo na Malásia. Existem outras.
Encontramos uma torre de observação atmosférica global lá, no meio da floresta tropical, e instalamos centenas de milhares de dólares em equipamentos científicos nessa torre, para observarmos o isopreno, e, é claro, outras coisas, enquanto estávamos lá.
Esta é a torre no meio da floresta tropical, vista de cima.
E esta é a torre vista de baixo.
E em parte dessa campanha de campo até trouxemos um avião conosco.
E esse avião, modelo BA146, que é operado pela FAM, normalmente voa com 120 a 130 pessoas.
Assim, é possível que vocês tenham chegado aqui, hoje, num avião como esse.
Mas nós não voamos simplesmente. Nós voamos 100 metros acima do topo das árvores para medir essa molécula. Uma coisa extremamente perigosa.
Precisávamos voar num plano específico para fazermos as medições.
Contratamos militares e pilotos de teste para fazerem as manobras.
Precisamos obter autorizações de vôo especiais.
E quando se contornam as encostas nesses vales, as forças podem chegar a 2g.
E os cientistas precisam ficar completamente amarrados para fazerem as medições enquanto estão a bordo.
Assim, como vocês podem imaginar, o interior desse avião não se parece em nada com os aviões em que vocês viajam nas férias.
É um laboratório voador que nós usamos para medir essa molécula naquela região.
Nós fazemos tudo isso para entendermos a química de uma única molécula.
E quando um estudante como eu tem alguma espécie de inclinação ou compreensão sobre essa molécula, eles escrevem um artigo científico sobre o assunto.
E a partir daquela campanha de campo nós provavelmente obteremos algumas dúzias de artigos sobre algumas dúzias de processos ou moléculas.
E à medida que um corpo de conhecimento vai sendo construído, ele vai formar uma sub-seção, ou sub-subseção de uma avaliação como o IPCC, entre outras que nós temos.
E cada um dos 11 capítulos do IPCC tem seis a dez sub-seções.
Assim vocês podem avaliar a magnitude do esforço.
Em cada uma dessas avaliações que escrevemos, sempre incluímos um sumário. E o sumário é escrito para um público não-científico.
E nós distribuímos esse sumário aos jornalistas e formuladores de políticas, para produzir manchetes como essas.
Muito obrigada.
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Bem, onde estão os robôs?
Há 40 anos que nos dizem que eles estão chegando.
Que em breve eles estarão fazendo tudo para nós:
vão cozinhar, limpar, fazer compras, construir. Mas eles não estão aí.
Por enquanto temos imigrantes ilegais fazendo todo o trabalho, mas não temos nenhum robô.
Como podemos resolver isso então? O que temos para dizer?
Bem, eu quero mostrar de uma perspectiva diferente como podemos talvez olhar para estas coisas de um outro modo.
E esta é uma foto de raio X de um besouro de verdade e de um relógio suiço de 1988. Olhando para isto o que era verdade continua sendo verdade hoje em dia.
Nós ainda somos capazes fazer as peças, podemos fazer as peças certas,
podemos fazer o circuito com o poder computacional correto, mas ainda não somos capazes de colocar tudo junto para fazer algo que realmente funcione e seja tão adaptativo como estes sistemas.
Vamos tentar olhar para isso de um outro ângulo.
Vamos convocar o melhor designer, o pai de todos os designers:
vamos ver o que a evolução pode fazer por nós.
Nós colocamos -- nós criamos uma sopa primordial com muitas peças de robôs: barras, motores, neurônios.
Colocamos tudo junto, sob um certo tipo de seleção natural, sob mutação, e recompensamos as coisas por andarem bem para frente.
Uma tarefa muito simples, e é interessante ver as coisas que saíram de lá.
E se vocês olharem, poderão ver um monte de máquinas diferentes que saíram daí. Elas se locomovem,
todas elas rastejam de diversos modos, e vocês podem ver à direita, que nós construímos de verdade algumas dessas coisas, e elas funcionam na realidade. Não são robôs muito fantásticos, mas eles evoluíram para fazer exatamente aquilo pelo qual os recompensamos: por andar para frente. Isso tudo foi feito em simulação, mas podemos fazer numa máquina real também.
Aqui está um robô físico com vários cérebros, concorrendo, ou evoluindo na máquina.
É como uma festa de rodeio: todos eles têm direito à uma volta na máquina, e são recompensados por quão rápido, ou quão longe eles podem fazer a máquina andar para frente.
E como vocês podem ver, estes robôs não estão prontos para dominar o mundo ainda, mas eles aprendem pouco a pouco como andar para frente, e o fazem com autonomia.
Bem, nestes dois exemplos basicamente temos máquinas que aprenderam a caminhar em simulação, e também máquinas que aprenderam a caminhar na realidade.
Mas eu quero mostrar a vocês uma abordagem diferente, e este aqui é um robô que tem quatro pernas,
ele tem oito motores, quatro nos joelhos e quatro no quadril.
Ele também tem dois sensores de inclinação que dizem à máquina em qual direção ela está se inclinando.
Mas esta máquina não sabe como ela é.
Vocês olham e veem que ela tem quatro pernas. O robô não sabe se ele é uma cobra, ou uma árvore, ele não tem a menor ideia de como se parece, mas ele vai tentar descobrir.
Inicialmente, ele faz alguns movimentos aleatórios, e então tenta imaginar como ele seria --
vocês veem um monte de coisas passando pela sua cabeça, um monte de modelos de si mesmo que tentam explicar a relação entre impulso e sentidos -- e então tenta uma segunda ação que contradiz os prognósticos destes modelos alternativos, como um cientista num laboratório. Então ele faz isto, tenta achar explicações, e descarta os modelos de si mesmo que não servem.
Este é o último ciclo, e vocês podem ver que ele fez um bom trabalho descobrindo como se parece, e uma vez tendo um modelo de si próprio, pode usá-lo para desenvolver um padrão de locomoção.
O que vocês veem aqui são algumas máquinas -- um padrão de locomoção.
Nós esperávamos que ela tivesse um andar meio maléfico, como uma aranha, mas ao invés disso, ela criou este jeito bem manco de andar para frente.
Mas ao olhar para isso, lembrem-se que esta máquina não fez nenhum teste físico de como mover-se para frente, nem tinha um modelo de si mesma.
Ela meio que tentou descobrir como se parecia, e como se mover para frente, e só então tentou na realidade.
Bom, vamos prosseguir para uma ideia diferente.
Isso é o que aconteceu, quando tínhamos alguns -- isso é o que aconteceu quando haviam alguns -- OK, OK, OK -- -- eles não se dão muito bem. Então aqui está um robô diferente.
Isto é o que aconteceu quando os robôs são recompensados por fazer alguma coisa.
O que acontece se você não os recompensa por nada, somente os larga lá?
Temos estes cubos, como mostrado no diagrama aqui.
O cubo pode girar, ou virar para o lado, e nós simplesmente jogamos 1. 000 destes cubos em uma sopa -- isso é uma simulação -- e não os recompensamos por nada, apenas deixamos eles se virarem. Nós bombeamos energia nisso e observamos o que acontece depois de algumas mutações.
Inicialmente nada acontece, eles estão apenas virando pra lá e pra cá.
Mas não demora muito e vocês podem ver que estes azulzinhos na direita começam a dominar.
Eles começam a se autorreplicar. Na ausência de qualquer recompensa, a recompensa intrínseca é a autorreplicação.
E nós construímos alguns destes de verdade, e isso é parte de um robô maior feito destes cubos,
é um vídeo acelerado, onde vocês podem ver o robô realizando algumas de suas replicações.
Ele está sendo alimentado com mais material -- cubos, no caso -- e mais energia, e ele pode fazer outro robô.
Claro que esta é uma máquina muito simples, mas estamos trabalhando em uma versão em micro escala, e esperamos que os cubos sejam como um pó a ser despejado.
O que podemos aprender? Claro que estes robôs não são muito úteis em si, mas eles podem nos ensinar algo sobre como construir robôs melhores, e, talvez, como humanos, animais, criam modelos de si próprio e aprendem.
E uma das coisas que julgo importante é que temos que fugir desta ideia de desenhar as máquinas manualmente, mas sim deixá-las se desenvolver e aprender, como crianças, e talvez este seja o jeito que chegaremos lá. Obrigado.
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Tyler Dewar: A forma como me sinto agora é como se todos os outros palestrantes tenham dito exatamente o que eu queria dizer.
E parece que a única coisa que sobrou para dizer é agradecê-los por toda sua gentileza.
TD: Mas talvez no espírito de apreciação da gentileza de vocês, eu possa compartilhar com vocês uma pequena história sobre mim mesmo.
TD: Do tempo em que eu era muito jovem e em diante, foram-me dadas muitas responsabilidades diferentes, e sempre me parecia, quando eu era jovem, que tudo estava determinado diante de mim.
Todos os planos para mim já estavam feitos.
Foram-me dadas as roupas que eu deveria usar e foi-me dito onde eu deveria estar, recebi estes preciosos e sagrados mantos para usar, com o entendimento de que era algo sagrado ou importante.
TD: Mas antes que este estilo de vida formal me acontecesse, eu estava vivendo no leste do Tibete com minha família.
E quando eu tinha sete anos, de repente, um grupo de busca chegou em minha casa.
Eles estavam procurando pelo próximo Karmapa, e percebi que eles falavam com meus pais, e a novidade veio até mim com eles dizendo que eu era o Karmapa.
E nestes dias, as pessoas me perguntaram muito, como me sentia.
Como me senti quando eles vieram e me levaram, e meu estilo de vida mudou completamente?
E o que eu normalmente digo é que, naquela época, era uma ideia muito interessante para mim.
Eu pensava que as coisas seriam bem divertidas e que teria mais coisas para brincar.
TD: Mas acabou não sendo tão alegre e divertido, como eu pensava que seria.
Fui colocado em um ambiente extremamente controlado.
E imediatamente, muitas responsabilidades diferentes, em termos da minha educação e assim por diante, foram amontoadas sobre mim.
Eu fui separado, em grande parte, da minha família, incluindo minha mãe e meu pai.
Eu não tinha muitos amigos pessoais para passar tempo comigo, mas esperavam que eu atuasse nesses deveres prescritos.
Então acabou que minha fantasia sobre uma vida divertida sendo o Karmapa não se tornaria realidade.
Mais parecia para mim estar sendo tratado como uma estátua, e eu tinha que me sentar em um lugar como uma estátua faria.
TD: Ainda assim, eu sentia que, mesmo tendo sido separado dos meus entes amados -- e, é claro, agora eu estou ainda mais longe.
Quando tinha 14 anos, eu fugi do Tibete e tornei-me ainda mais distante de minha mãe e meu pai, meus parentes, meus amigos e de minha terra natal.
Mas ainda assim, não tenho um sentimento real de separação em meu coração, em termos do amor que sinto por estas pessoas.
Eu sinto, ainda, uma conexão muito forte de amor por todas essas pessoas e pela terra.
TD: E eu ainda mantenho contato com meus pais, ainda que não tão frenquentemente.
Eu falo com minha mãe, ainda que muito raramente, ao telefone.
E minha experiência é que, quando falo com ela, com o passar de cada segundo durante nossa conversa, o sentimento de amor que nos liga nos traz mais e mais perto um do outro.
TD: Bom, estas foram apenas algumas observações sobre a minha formação pessoal.
E em termos de outras coisas que quero compartilhar com vocês, em termos de ideias, eu acho maravilhoso ter uma situação como esta, em que tantas pessoas de formações e lugares tão diferentes possam se aproximar, trocar suas ideias e formar relações e amizades umas com as outras.
E eu acho isso simbólico de como estamos vendo o mundo no geral, que o mundo está se tornando menor e menor, e que todas as pessoas no mundo estão aproveitando mais as oportunidades de se conectarem.
Isso é maravilhoso, mas nós devemos também nos lembrar que devemos ter um processo similar acontecendo em nosso interior.
Junto com o desenvolvimento externo e o aumento da oportunidade, deve ter o desenvolvimento interno e aprofundamento das conexões de nossos corações assim como nossas conexões externas.
Então nós falamos e ouvimos sobre design esta semana.
Eu acho que isso é importante para nos lembrar que precisamos continuar avançando na busca do design do coração.
Ouvimos muito sobre tecnologia esta semana, e é importante para nós lembrar de investir muito de nossa energia em melhorar a tecnologia do coração.
TD: Então, ainda que eu esteja de certo modo feliz sobre o maravilhoso desenvolvimento que está acontecendo no mundo, ainda sinto um sentimento de impedimento, quando é sobre a habilidade que temos de nos conectar uns com os outros em nível de coração-a-coração, ou mente-a-mente.
Eu sinto que existem certas coisas que estão atrapalhando o caminho.
TC: Minha relação com este conceito de conexão coração-a-coração, ou mente-a-mente, é interessante, porque, como líder espiritual, estou sempre tentando abrir meu coração aos outros e me entregar a uma conexão coração-a-coração e mente-a-mente de uma forma genuína com outras pessoas, mas ao mesmo tempo, eu sempre fui aconselhado a enfatizar a inteligência sobre a conexão coração-a-coração, porque, sendo alguém em uma posição como a minha, se eu não me basear primeiramente na inteligência, então algo perigoso pode acontecer comigo.
Então, aqui está um paradoxo interessante.
Mas eu tive uma experiência realmente arrebatadora certa vez, quando um grupo do Afeganistão veio me visitar, e tivemos uma conversa realmente interessante.
TD: Então nós acabamos falando sobre os Budas de Bamiyan, que como vocês sabem, foram destruídos alguns anos atrás no Afeganistão.
Mas a base da nossa conversa foi a diferente abordagem espiritual por parte dos muçulmanos e das tradições budistas.
É claro, na muçulmana, devido aos ensinamentos em torno do conceito de idolatria, você não encontra tantas representações físicas de divindades ou de liberação espiritual como se encontra na tradição budista, onde, é claro, existem muitas estátuas de Buda que são altamente reverenciadas.
Então, estávamos falando sobre as diferenças entre as tradições e o que muitas pessoas entendiam como a tragédia da destruição dos Budas de Bamiyan, mas eu ofereci a sugestão de que talvez pudéssemos olhar isto de uma forma positiva.
O que vimos na destruição dos Budas de Bamiyan foi a redução da matéria, de uma substância sólida caindo e se desintegrando.
Talvez pudéssemos olhar isto de forma mais similar com a queda do Muro de Berlim, onde uma divisão que manteve dois tipos de pessoas separadas entrou em colapso e abriu uma porta para um aumento da comunicação.
Então penso isso, desta forma, é sempre possível para nós derivar para algo positivo que pode melhor nos ajudar a entender uns aos outros.
TD: Então, no que diz respeito ao desenvolvimento que nós estamos falando aqui nesta conferência, eu realmente acho que o desenvolvimento que fazemos não deveria criar mais um fardo para nós seres humanos, mas deveria ser usado para melhorar nosso estilo de vida fundamental de como vivemos no mundo.
TD: É claro, eu me regozijo do desenvolvimento e do crescimento e ascensão da nobre terra da India, o grande país India, mas ao mesmo tempo, eu penso, como alguns de nós reconhecemos, que devemos estar atentos que alguns aspectos dessa ascensão estão vindo a custo da própria terra em que estamos.
Então, enquanto subimos a árvore, algumas das coisas que estamos fazendo para conseguir subir na árvore estão realmente enfraquecendo a própria raiz dessa árvore.
E então, o que penso resume-se a uma questão de, não apenas ter a informação sobre o que está acontecendo, mas prestar atenção deixando isso mudar nossa motivação para que ela torne-se mais sincera e genuinamente positiva.
Ouvimos, esta semana, sobre os horríveis sofrimentos, por exemplo, que tantas mulheres do mundo estão passando dia-a-dia.
Nós temos esta informação, mas o que frequentemente acontece conosco é que na realidade não optamos por prestar atenção nisto.
Nós realmente não escolhemos permitir que isso seja a causa para uma mudança em nossos corações.
Então eu penso que a forma de avançar o mundo -- uma que trará o caminho do desenvolvimento externo em harmonia com a real raiz da felicidade -- é que nós possamos permitir que a informação que temos possa realmente mudar nossos corações.
TD: Então acredito que uma motivação sincera é muito importante para o nosso bem-estar futuro, ou senso profundo de bem-estar como humanos, e eu acho que isso significa se dedicar a qualquer coisa que se esteja fazendo agora.
Qualquer trabalho que esteja tentando fazer para beneficiar o mundo, dedique-se a ele, tenha uma experiência completa dele.
TD: Então, nessa semana que aqui estivemos nós respiramos milhões de vezes, coletivamente, e talvez ainda não tenhamos testemunhado nenhuma mudança acontecendo em nossas vidas, mas frequentemente não percebemos as mudanças mais sutis.
E eu acho que às vezes nós desenvolvemos grandes conceitos sobre como a felicidade deve se parecer para nós, mas isto, se prestarmos atenção, poderemos ver que existem pequenos símbolos de felicidade em cada vez que respiramos.
TD: Então, cada um de vocês que veio aqui é tão talentoso, e você tem tanto a oferecer ao mundo, que acho que uma boa nota de conclusão seria apenas parar um momento para apreciar como somos afortunados de ter chegado juntos nesta forma de troca de ideias e realmente formar uma forte aspiração e energia dentro de nós mesmos que levará a bondade que veio desta conferência, o momentum, a positividade, e iremos espalhar e plantar isto em todos os cantos do mundo.
Sua Santidade o Karmapa: Amanhã é minha palestra.
TD: Lakshmi tem trabalhando muito duro, até em me convidar, deixou de lado tudo o que ela estava fazendo para fazer isto acontecer, e eu fui de certa forma resistente às vezes, e eu também estava muito nervoso durante esta semana.
Eu estava me sentindo mal e tonto e assim em diante, e as pessoas me perguntavam, por que.
Eu dizia a eles, "É porque eu tenho que falar amanhã."
E então Lakshmi teve que passar por tudo isso comigo, mas eu apreciei muito a oportunidade que ela me deu de estar aqui.
E a vocês todos, muito obrigado.
HH: Muito obrigado.
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Então, a primeira pergunta é: Por que nós devemos sequer nos preocupar com uma ameaça pandêmica?
O que é isso com o que estamos nos preocupando?
Quando eu digo "nós", eu estou falando do conselho de relações internacionais.
Nós estamos preocupados na comunidade de segurança nacional, e obviamente na comunidade de biologia e na comunidade de saúde pública.
Enquanto a globalização aumentou as viagens, fez com que seja necessário que todos estejam em todos os lugares, o tempo todo, em todo o mundo.
E isso significa que seus caroneiros microbianos estão viajando com você.
Então a deflagração de uma praga em Surat, Índia se torna não um evento obscuro, mas um evento globalizado -- uma preocupação global que mudou o cálculo da estimativa de risco.
Katrina nos mostrou que nós não podemos depender completamente do governo para reagirmos de imediato, para sermos capazes de lidar com as coisas.
De fato, a deflagração de uma praga seria vários Katrinas de uma vez só.
Nossa maior preocupação no momento é um vírus chamado gripe H5N1. Alguns de vocês o chamam de gripe aviária, que surgiu inicialmente no sul da China, na metade da década de 90. Mas nós não o conhecíamos até 1997.
Até o último natal, apenas 13 países haviam visto o H5N1.
Mas agora são cerca de 55 países no mundo todo onde esse vírus emergiu, em pássaros, pessoas, ou ambos.
Na explosão da gripe aviária, nós observamos que praticamente o mundo todo tomou contato com o vírus, exceto as Américas.
E eu já vou explicar porque nós fomos poupados em um momento.
Em aves domésticas, especialmente frangos, o vírus é 100% letal.
É um dos vírus mais letais que já vimos em circulação no mundo nos séculos recentes.
E nós lidamos com isso exterminando muitas e muitos frangos, e infelizmente freqüentemente sem reembolsar os camponeses, o que faz com que os casos sejam escondidos.
Ele é também transportado em padrões migratórios de pássaros selvagens migratórios aquáticos.
E houve este evento localizado em um lugar chamado Lago Chengai, China.
Dois anos atrás, os pássaros migratórios tiveram um evento múltiplo onde milhares morreram por causa de uma mutação que ocorreu no vírus, que aumentou dramaticamente o número de espécies afetadas.
Desta forma, os pássaros indo para a Sibéria, Europa, Ásia transportaram o vírus de um modo que antes não era possível.
Agora nós estamos observando epidemias em populações humanas. Até o momento, felizmente, foram eventos pequenos, infecções restritas, ocasionalmente em pequenos grupos.
O vírus sofreu mutações dramáticas nos últimos dois anos para formar duas famílias distintas, se quiserem, da árvore viral do H5N1 com ramificações, e diferentes características que são preocupantes.
Então, o que está nos preocupando? Primeiramente, nunca na história nós conseguimos produzir em tempo hábil, uma vacina específica para mais de 260 milhões de pessoas.
Isso não nos ajudará em uma pandemia global.
Vocês ouviram falar da vacina que estamos armazenando.
Mas ninguém acredita que ela será particularmente efetiva se nós tivermos uma verdadeira pandemia.
Então uma idéia é que depois de 11 de setembro quando os aeroportos fecharam nossa temporada de gripe foi adiada em duas semanas.
A idéia é que talvez o que nós devemos fazer é imediatamente - já que sabemos que o H5N1 está se espalhando de pessoa para pessoa o vírus mutou para ser um transmissor de pessoa para pessoa - vamos fechar os aeroportos.
No entanto, análises computacionais complexas tentando definir a provável eficácia disso, concluíram que não nos daria muito mais tempo.
E as preparações necessárias seriam extremamente caóticas
Por exemplo, todas as máscaras são feitas na China.
Como você as distribuiria pelo mundo se todos os aeroportos fossem fechados?
Como você distribuiria as vacinas pelo mundo e os medicamentos, ou qualquer coisa que funcionasse que poderia não estar disponível.
Então percebe-se que fechar os aeroportos seria contra-produtivo.
Nós estamos preocupados porque este vírus, diferente de qualquer outra gripe que nós já estudamos, pode ser transmitida pela ingestão de carne mal passada dos animais infectados.
Nós observamos transmissão para gatos selvagens e domésticos, e agora também para cachorros domésticos.
Em experimentos com roedores e furões, nós descobrimos que os animais apresentaram sintomas nunca antes vistos em casos de gripe, convulsões, desordem do sistema nervoso central, paralisia parcial,
Esta não é uma variedade normal de gripe.
Ela mimetiza o que nós agora compreendemos reconstruindo o vírus da gripe de 1918, a última grande pandemia, que também pulou diretamente das aves para os homens.
Nós evoluímos com o passar do tempo, e temos esta inacreditável taxa de mortalidade entre os seres humanos. 55% das pessoas que foram infectadas com o H5N1, de fato, sucumbiram.
E nós não temos um enorme número de pessoas que foram infectadas e nunca desenvolveram a doença.
Em experimentos com a alimentação de macacos você pode observar que o vírus induz a sub-expressão de um modulador específico do sistema imunológico.
O resultado é que o que mata não é o vírus diretamente, mas a reação exagerada do seu sistema imunológico, dizendo "Seja isso o que for, é tão estranho, que eu estou ficando doido"
O resultado, a maioria das mortes ocorreram em pessoas abaixo dos 30 anos jovens adultos robustamente saudáveis.
Nós observamos transmissão de pessoa para pessoa em pelo menos 3 grupos - felizmente envolvendo contato altamente íntimo o que ainda não expõe o mundo em geral a qualquer tipo de risco.
Certo, então eu lhes deixei nervosos.
Agora você provavelmente imagina que os governantes irão fazer alguma coisa.
E nós gastamos um monte de dinheiro.
A maioria dos gastos na administração Bush foi na verdade relacionado aos resultados do Anthrax e ameaça bio-terrorista.
Um monte de dinheiro foi jogado fora em nível local e federal para investigar as doenças infecciosas.
Resultado final, somente 15 estados foram certificados e estão aptos a realizar distribuição em massa de vacinas e medicamentos em uma pandemia.
Metade dos estados ficariam sem leitos hospitalares na primeira semana, talvez duas semanas.
E 40 estados já estão em carência aguda de enfermeiras.
Adicione uma ameaça pandêmica, e você terá um grande problema.
Então, o que as pessoas estiveram fazendo com este dinheiro?
Exercícios, simulações, por todo o mundo.
Vamos fazer de conta que há uma pandemia.
Vamos todos nos mexer e fazer a nossa parte.
Resultado principal é que teremos uma tremenda confusão.
A maioria destas pessoas não sabe de fato qual será o seu papel.
E o pior, algo muito importante que surgiu em cada uma das simulações, ninguém sabe quem é o responsável.
Ninguém conhece a cadeia de comando.
Se fosse em Los Angeles, seria o prefeito, o governador, o presidente dos Estados Unidos, ou o chefe da Segurança Nacional?
Na verdade, o governo federal diz que é um cara chamado o Chefe de Gabinete Federal que vem a estar com TSA.
O governo diz que a responsabilidade federal será basicamente tentar evitar a entrada do vírus, o que todos sabemos ser algo impossível, e então atenuar o impacto primeiramente em nossa economia.
O resto cabe a sua comunidade local.
Tudo está relacionado com a sua cidade, onde você vive.
Bem, quão bom é o seu conselho municipal? Quão bom é o seu prefeito, é ele que vai estar encarregado.
A maioria das instalações locais estaria competindo para tentar pegar o seu pedaço do estoque federal de uma droga chamada Tamiflu que pode ou não ser útil -- eu vou chegar lá -- das vacinas disponíveis, e qualquer outro tratamentos, máscaras, e tudo que foi estocado.
E você terá competição massiva.
Agora nós compramos uma vacina, vocês todos provavelmente já ouviram falar sobre ela, feita pela Sanofi-Aventis.
Infelizmente, é feita contra a forma atual de H5N1.
Nós sabemos que o virus sofrerá mutação. Será um vírus diferente.
A vacina provavelmente será inútil.
Então é aqui que entram as decisões.
Você é o prefeito da sua cidade.
Vamos ver, deveríamos ordenar que todos os bichinhos de estimação ficassem dentro de casa?
A Alemanha fez isso quando o H5N1 apareceu no país ano passado, para diminuir a contaminação entre famílias, através dos gatos, cachorros da casa, etc.
O que nós fazemos quando não temos nenhum quarto de contenção com ar contrário, que irá permitir aos profissionais da saúde cuidarem dos pacientes?
Esses são em Hong Kong. Nós não temos nada parecido com isso aqui.
E quanto à quarentena?
Durante a epidemia da SARS em Beijing, quarentena pareceu ajudar bastante.
Nós não temos nenhuma política uniforme sobre a quarentena nos Estados Unidos.
E alguns estados tem políticas diferenciadas, condado por condado.
Mas e quanto às coisas que podem ser resolvidas facilmente? Deveríamos fechar todas as escolas?
Bem, então, e quanto a todos os trabalhadores? Ele não irão trabalhar se seus filhos não estiverem na escola
Encorajar o trabalho em casa? O que funciona?
Bem, o governo britânico fez um modelo de trabalho em casa.
Em seis semanas eles tiveram todas as pessoas na indústria bancária fingindo que uma pandemia estava a caminho.
O que eles descobriram foi que as funções principais. sabem, você ainda tinha bancos, mas você não tinha pessoas para colocar dinheiro nas máquinas de auto-atendimento.
Ninguém estava processando os cartões de crédito.
Os seus pagamentos do seguro não eram compensados.
E basicamente a economia estaria em um estado catastrófico.
E isso foi somente com trabalhadores de escritório, bancários.
Nós não sabemos o quanto o lavar as mãos é importante para a gripe -- chocante. A gente acredita que é uma boa idéia lavar bastante as mãos.
Mas na verdade, na comunidade científica existe um grande debate sobre qual é a porcentagem de transmissão de gripe entre as pessoas que é através de espirros e tosse e qual a porcentagem que é através das mãos.
O Instituto de Medicina tentou olhar para a questão das máscaras.
Nós podemos pensar em uma maneira, uma vez que nós sabemos que nós não temos máscaras suficientes porque nós não fabricamos mais as máscaras na América. Elas são todas feitas na China. Nós precisamos de N95? Uma máscara de primeira linha, que deve ser ajustada ao seu rosto?
Ou a gente pode usar outros tipos diferentes de máscaras?
Na epidemia de SARS, nós aprendemos em Hong Kong que a maioria das transmissões era porque as pessoas estavam removendo suas máscaras inadequadamente.
E suas mãos ficaram contaminadas com o exterior da máscara, e depois eles esfregaram seus narizes. Bingo! Eles pegaram SARS.
Não foram micróbios do ar.
Se você for online agora você vai encontrar tanta informação errada.
Que você vai acabar comprando -- isto é chamado de máscara N95. Ridículo.
Nós na verdade não temos um padrão para o que deveria ser o equipamento de proteção para os primeiros respondentes, as pessoas que na verdade estarão na linha de frente.
E o Tamiflu. Você provavelmente já ouviu falar deste medicamento, medicamento patenteado, feito pela Hoffmann - La Roche.
Existem indicações de que ele pode lhe dar algum tempo no meio de uma epidemia.
Se você tomar Tamiflu por um longo período de tempo, bem, um dos efeitos colaterais são pensamentos suicidas.
Uma pesquisa de saúde pública analisou o efeito que o uso em larga escala de Tamiflu teria, e na verdade mostra que seria contra produtivo para as medidas de saúde pública, fazendo com que a situação seja pior.
E aqui está a outra coisa interessante: quando um ser humano ingere o Tamiflu, apenas 20 por cento é metabolizado apropriadamente para ser um composto ativo no ser humano.
O resto se transforma em um composto estável, que sobrevive à filtragem nos sistemas de água, expondo os mesmos pássaros aquáticos que carregariam a gripe e dando a eles uma chance de desenvolver estirpes resistentes.
E nós agora temos visto estirpes resistentes de Tamiflu no Vietnam, na transmissão de pessoa a pessoa, e no Egito na transmissão de pessoa a pessoa.
Então eu pessoalmente acredito que a expectativa de vida do Tamiflu como um medicamento efetivo é muito limitada -- muito limitada mesmo.
Mesmo assim a maioria dos governos basearam toda sua política de combate a gripe em acumular pilhas de Tamiflu.
A Russia tem acumulado o suficiente para 95 por cento de todos os Russos.
Nós armazenamos o suficiente para 30 por cento.
Quando eu digo o suficiente, isso é a conta para duas semanas.
E aí é cada um por si porque a pandemia irá durar por 18 a 24 meses.
Alguns dos países mais pobres que tiveram mais experiência com a H5N1 armazenaram pilhas, que já expiraram. Elas já passaram da data de validade.
O que nós sabemos de 1918, da última grande pandemia?
O governo federal abdicou da maioria da responsabilidade.
E então nós acabamos com essa colcha de retalhos de regulamentação em toda a America.
Cada cidade, condado, estado fez a sua própria coisa.
E as regras e os sistemas de credos eram completamente diferentes.
Em alguns casos todas as escolas, todas as igrejas, todas os estabelecimentos públicos foram fechados.
A pandemia circulou três vezes em 18 meses na ausência de viagens aéreas comerciais.
A segunda onda foi a onda mutante super assassina.
E na primeira onda nós tivemos trabalhadores da saúde suficientes.
Mas quando a segunda onda chegou atingiu de tal forma os trabalhadores da saúde que nós perdemos a maioria de nossos médicos e enfermeiras que estavam nas linhas de frente.
Ao todo nós perdemos 700 mil pessoas.
O vírus era 100 por cento letal para mulheres grávidas. E nós na verdade não sabemos porquê.
A maioria dos mortos estava entre 15 e 40 anos de idade -- adultos jovens de saúde robusta.
Foi comparada à praga.
Nós na verdade não sabemos quantas pessoas morreram.
A estimativa mais baixa é de 35 milhões.
Isto foi baseado em dados Europeus e Norte Americanos.
Um novo estudo feito por Chris Murray em Harvard mostra que se você olhar nos bancos de dados que foram mantidos pelos Britânicos na ĺndia, houve uma taxa de mortalidade 31 vezes maior entre os Indianos.
Então acredita-se fortemente que em locais de pobreza a taxa de mortalidade foi muito maior.
E que uma taxa mais razoável foi alguma coisa entre 80 a 100 milhões de pessoas antes de termos viagens aéreas comerciais.
Então, nós estamos prontos?
Como uma nação, não, não estamos.
E eu acho que mesmo aqueles na liderança diriam que este é o caso, que nós ainda temos um longo caminho para percorrer.
Então o que isso significa para você? Bem, a primeira coisa é eu não começaria adquirindo estoques pessoais de nada, para você, para sua família ou para seus funcionários, a não ser que você tenha realmente feito a tarefa de casa.
Que máscara funciona? Que máscara não funciona.
De quantas máscaras você precisa?
O estudo do Instituto de Medicina viu que você não pode reciclar máscaras.
Bem, se você acha que a gripe irá durar 18 meses, Você vai comprar máscaras suficientes para 18 meses para cada pessoa da sua família?
Nós não sabemos, mais uma vez, com o Tamiflu, o principal efeito colateral do Tamiflu são sintomas de gripe.
Então, como você pode dizer quem em sua família tem a gripe se todos estiverem tomando o Tamiflu?
Se você expandir esse pensamento para pensar em toda uma comunidade, ou em todos os funcionários da sua empresa você começa a perceber o quão limitada a opção do Tamiflu pode ser.
Todo mundo veio até mim e disse, nós vamos estocar água, ou, eu vou estocar comida ou o que você tem.
Mas na verdade? Você realmente tem um local para estocar alimentos suficientes para 18 meses? alimentos suficientes para 24 meses?
Você quer ver a ameaça de pandemia da mesma maneira que em 1950 as pessoas viam o problema da defesa civil, e construir o seu próprio abrigo anti-bombas para a pandemia de gripe?
Eu não acho que isso é racional.
Eu acho que isto é sobre termos que estar preparados como comunidades, não como indivíduos, estando preparados como uma nação, estando preparados como um estado, estando preparados como uma cidade.
E agora a maioria do nosso preparo está extremamente deficiente.
E eu espero que eu tenha convencido vocês disto, o que significa que o trabalho real é sair e dizer para os seus líderes locais e para os seus líderes nacionais, "Por quê você ainda não resolveu estes problemas?
Por quê vocês ainda estão pensando que as lições do Katrina não se aplicam à gripe?"
E colocar a pressão onde a pressão precisa ser colocada.
Mas eu acho que a outra coisa a adicionar é se você tem funcionários, e se você tem uma empresa, eu acho que você tem algumas responsabilidades para demonstrar que você está pensando no futuro para eles, e que você está tentando planejar.
No mínimo o plano dos bancários Britânicos mostrou que o trabalho em casa pode ajudar.
Ele provavelmente reduz a exposição porque as pessoas não estão indo ao escritório e tossindo umas nas outras, ou tocando objetos comuns, e dividindo as coisas usando as mãos.
Mas você pode sustentar sua empresa dessa maneira?
Se você tiver uma empresa ponto com, talvez você possa.
De outra maneira, você terá problemas.
Podem fazer suas perguntas agora.
Audiência: Que fatores determinam a duração de uma pandemia?
Laurie Garret: Que fatores determinam a duração de uma pandemia, nós não sabemos na verdade.
Eu poderia dar a vocês um monte de opções, isto, aquilo, e outra coisa.
Mas eu diria que honestamente, nós não sabemos.
Claramente o princípio básico é o vírus eventualmente se atenua, e deixa de ser um vírus letal para a humanidade, e encontra outros hospedeiros.
Mas nós não sabemos na verdade como e porque isso acontece.
É uma ecologia muito complicada.
Audiência: Que tipo de gatilhos vocês estão procurando?
Você sabe muito mais do que qualquer um de nós.
Para dizer, se isso acontecer então nós vamos ter uma pandemia?
LG: O momento que você perceber qualquer evidência de transmissão séria de humanos para humanos.
Não apenas intimamente entre membros da mesma família que cuidaram de um irmão ou irmã doente, mas uma comunidade infectada -- transmissão dentro de uma escola, transmissão dentro de um dormitório, algo dessa natureza.
Então eu acho que haveria uma concordância universal de QUEM em todo a cadeia. Envia o alerta.
Audiência: Alguns pesquisadores indicaram que as estatinas podem auxiliar.
Você pode falar sobre isso?
LG: Sim. Existe alguma evidência de que tomar Lipitor e outras estatinas comuns para o controle do colesterol podem diminuir a sua vulnerabilidade à influenza.
Mas nós não entendemos completamente porquê.
O mecanismo não está claro.
E eu não sei se existe alguma maneira responsável para alguém começar a medicar seus filhos com o seu suprimento pessoal de Lipitor ou algo desta natureza.
Nós não temos absolutamente nem idéia do que isto iria fazer.
Você pode estar causando alguns resultados muito perigosos em suas crianças, fazendo uma coisa dessas.
Audiência: A que ponto estamos de poder determinar se alguém está carregando, se alguém tem a doença antes que os sintomas estejam plenamente manifestados?
LG: Certo. Então eu tenho dito por um longo tempo que o que nós realmente precisamos é de um rápido diagnóstico
e os nossos Centros para o Controle de Doenças têm registrado um teste que eles desenvolveram -- um diagnóstico rápido.
Demora 24 horas em um laboratório altamente desenvolvido, em mãos altamente habilidosas.
Eu estou pensando em papéis indicadores.
Você poderia fazer em seu próprio filho. Pode mudar de cor.
Isso lhe diz se você tem H5N1.
Em termos de onde estamos na ciência com capacidade de identificação de DNA e assim por diante, não estamos muito longe.
Nós não estamos lá. E ainda não houve o tipo de investimento para nos levar até lá.
Audiência: Na gripe de 1918 eu acredito que eles teorizaram que havia alguns atenuantes do vírus quando ele deu o salto para humanos.
Isso pode ter acontecido, você acha, aqui?
Eu quero dizer 100 por cento de taxa de mortalidade é bem alto.
LG: Um, é. Então nós atualmente sabemos qual era a taxa de mortalidade da estirpe de 1918 para pássaros selvagens antes que desse o salto de pássaros para humanos.
É curioso que não existe nenhuma evidência de mortalidade em massa de frangos ou de pássaros domésticos pela América antes da pandemia humana acontecer.
Isso pode ser porque esses eventos estavam ocorrendo do outro lado do mundo onde ninguém estava prestando atenção.
Mas o vírus claramente deu uma rodada no mundo em uma forma suave o suficiente que o exército Britânico na I Guerra Mundial na verdade certificou que não era uma ameaça e que não iria afetar os resultados da guerra.
E depois de circular pelo mundo voltou em uma forma que era extremamente letal.
Que percentagem de pessoas infectadas foi morta pelo vírus?
Mais uma vez, nós realmente não sabemos com certeza.
Está claro que se você fosse malnutrido por exemplo, você tinha um sistema imunológico enfraquecido, você vivia na pobreza na ĺndia ou na África, a chance de você morrer era muito maior.
Mas nós realmente não sabemos.
Audiência: Uma das coisas que eu escutei foi que a causa real da morte quando você pega a gripe é a pneumonia associada a ela. E que uma vacina para a pneumonia pode lhe dar 50 por cento a mais de chance de sobrevivência.
LG: Por um longo tempo, os pesquisadores de doenças emergentes deram pouca importância para a ameaça de uma pandemia de gripe baseados em que em 1918 não existiam antibióticos.
E que a maioria das pessoas que morreu de gripe normal, que nos anos da gripe normal é cerca de 360 mil pessoas no mundo todo, a maioria delas, cidadãos mais velhos. E que eles morreram não da gripe, mas por que a gripe ataca seu sistema imunológico.
E que junto com ela vem o pneumococcus, ou outra bactéria, streptococcus, e bum, eles tinham uma pneumonia bacteriana.♫
Mas acontece que em 1918 esse não era o caso.
E até agora nos casos de H5N1 em pessoas, infecções bacterianas similares não têm sido um problema.
Nesta ruptura fenomenal do sistema imunológico, esta é a chave do porquê as pessoas morrem com este vírus.
E eu apenas adicionaria que nós vimos a mesma coisa com SARS.
Então o que está acontecendo aqui é que seu corpo diz, seu sistema imunológico manda todas as suas sentinelas para fora e diz, "Eu não sei que diabos é isso.
Nós nunca vimos nada remotamente parecido com isso antes."
Não fará nenhum bem trazer a artilharia pesada porque esses anticorpos não estão aqui.
E não fará nenhum bem trazer os tanques e a artilharia porque essas células T não reconhecem a ameaça também.
Então nós vamos ter que usar a resposta termonuclear, estimular toda a cascata de citocina.
Todo o sistema imunológico invade os pulmões.
E sim, eles morrem, se afogando em seu próprio fluido, de pneumonia.
Mas não é pneumonia bacteriana.
E não é uma pneumonia que responderia a uma vacina.
E eu acho que meu tempo acabou. Eu agradeço a todos pela atenção.
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Árvores são maravilhosos espaços para descobertas por causa de sua grande estatura, de sua estrutura complexa, da biodiversidade que elas promovem e de sua beleza silenciosa.
Eu costumava trepar em árvores para me divertir, o tempo todo, e agora, que sou adulto, tomei como profissão entender as árvores e florestas, através da ciência.
A parte mais misteriosa das florestas é a cobertura superior das árvores.
E o Dr. Terry Erwin, em 1983, denominou esta coberturade "a última fronteira biótica."
Gostaria de levar todos vocês em uma jornada até a cobertura da floresta, e compartilhar com vocês o que os pesquisadores desta cobertura estão questionando e também como eles estão se comunicando com outras pessoas fora do mundo da ciência.
Vamos começar nossa jornada no solo da floresta em um de meus locais de estudo na Costa Rica.
Por causa das folhas e galhos suspensos, vocês vão notar que a parte inferior é muito escura, é muito parada.
E eu gostaria de levá-los ao alto, para a cobertura, não através do uso de cordas e ganchos, mas mostrando-lhes um trecho bem curtinho de um filme da National Geographic chamado "Heróis da Fronteira Elevada."
Isto foi filmado em Monteverde, na Costa Rica e penso que nos dá a melhor impressão de como é trepar numa figueira estranguladora gigante.
Assim, o que vocês verão lá em cima é que é realmente como a atmosfera de um campo aberto, e existe um enorme número de plantas e animais que se adaptaram para percorrê-lo e viver na cobertura da floresta.
Grupos comuns, como a esta preguiça aqui, têm adaptações evidentes para a cobertura da floresta, suspensas com suas garras muito fortes.
Mas eu gostaria de descrever para vocês um tipo mais sutil de diversidade e falar a respeito das formigas.
Existem 10. 000 espécies de formigas que os taxonomistas -- pessoas que descrevem os animais e lhes dão nomes -- reconheceram.
4. 000 dessas formigas vivem exclusivamente na cobertura das florestas.
Uma das razões pelas quais falo a vocês sobre formigas é por causa do meu marido, que é de fato um taxonomista de formigas e quando nos casamos, ele prometeu dar meu nome a uma formiga, e ele fez isso mesmo -- Procryptocerus nalini, uma formiga da cobertura das florestas.
Temos dois filhos, August Andrew e Erika e de fato ele batizou formigas com os nomes deles.
É possível que a nossa família seja a única que tem uma formiga com o nome de cada um de nós.
Mas minha paixão, além de Jack e meus filhos, são as plantas, as chamadas epífitas, essas plantas que crescem nas árvores,
elas não possuem raízes que penetrem nos troncos nem no solo da floresta.
Em vez disso, são as folhas delas que se adaptaram para interceptar os nutrientes diluídos que chegam a elas na forma de orvalho e névoa.
Essas plantas ocorrem numa grande diversidade, mais de 28. 000 espécies pelo mundo todo.
Elas crescem em florestas tropicais como esta e elas também crescem em florestas temperadas, que encontramos no Estado de Washington.
Entre essas epífitas, predominam os musgos.
Uma coisa que quero destacar é que, sob essas epífitas vivas, à medida que elas morrem e se decompõem, elas efetivamente constroem um solo arbóreo, tanto na zona temperada como nos trópicos.
E esses musgos, gerados pela decomposição, principalmente musgos são como a turfa do jardim de vocês,
eles têm uma tremenda capacidade de reter nutrientes e água.
Uma das coisas surpreendentes que descobri é que se vocês levantarem comigo essas esteiras de epífitas o que vocês encontrarão embaixo são conexões, redes daquilo que chamamos raízes da cobertura das florestas.
Essas não são raízes de epífitas essas são raízes que emergem dos troncos e dos galhos das próprias árvores hospedeiras.
E desse modo essas epífitas estão efetivamente pagando a seus senhorio uma espécie de aluguel em troca de serem suportadas no alto, acima do solo da floresta.
Eu estava interessada, e meus colegas pesquisadores da cobertura das florestas estavam interessados na dinâmica das plantas que vivem na cobertura das florestas.
Fizemos experimentos de remoção, nos quais removemos esteiras de epífitas e observamos as velocidades de recolonização.
Tínhamos previsto que elas cresceria novamente bem depressa e que elas viriam invadindo pelos lados.
O que encontramos, porém, foi que elas levaram um tempo extremamente grande, mais de 20 anos, para regenerar-se, começando de baixo e então crescendo para cima.
E mesmo agora, depois de 25 anos, elas ainda não chegaram lá, não recolonizaram completamente.
E eu uso esta pequena imagem para dizer isto é o que acontece com os musgos.
Se eles foram embora, adeus, e se você tiver muita sorte, pode ser que consiga alguma coisa crescendo de volta a partir do fundo.
Assim, a recolonização é mesmo muito lenta.
Essas comunidades da cobertura das florestas são frágeis.
Bem, quando olhamos, vocês e eu, por sobre a cobertura da floresta primária intacta o que vemos é este enorme carpete de carbono.
Um dos desafios que os pesquisadores desta cobertura estão atacando hoje é tentar entender a quantidade de carbono que está sendo sequestrada.
Sabemos que é bastante, mas não temos as respostas em relação a quanto e através de que processos o carbono está sendo extraído da atmosfera, retido na biomassa, e transferido através do ecossistema.
Assim, espero ter mostrado a vocês que os habitantes da cobertura das florestas não são apenas insignificantes porções de verde lá em cima da cobertura nos quais Tarzan e Jane estavam interessados mas que eles sustentam a biodiversidade contribuem para os ciclos de nutrientes do ecossistema, e também ajudam a manter nosso clima global estável.
Lá em cima da cobertura das florestas, se vocês estivessem lá ao meu lado, se vocês olharem em volta desses ecossistemas florestais primários, vocês também veriam cenas como esta.
Cenas de destruição de florestas, colheita de florestas e fragmentação de florestas, desse modo tornando aquela tapeçaria intacta da cobertura incapaz de funcionar das maneiras maravilhosas que ela fazia, quando não era perturbada por humanos.
Também olhei para locais urbanos como este e pensei nas pessoas que estão isoladas das árvores em suas vidas.
Pessoas que cresceram em lugares assim não tiveram a oportunidade de trepar em árvores e formar um relacionamento com as árvores e florestas, como eu fiz quando era uma menininha.
Isso me perturba.
Aqui em 2009, vocês sabem, não é uma coisa fácil ser um ecologista de florestas, debatendo-se como esses tipos de questões e tentando imaginar como podemos respondê-las.
E especialmente, vocês sabem, como uma pequena mulher parda numa pequena universidade, no noroeste superior de nosso país, muito longe das áreas do poder e dinheiro, eu realmente preciso perguntar a mim mesma, "O que posso fazer a respeito disso?
Como posso reconectar as pessoas com as árvores?"
Bem, acho que posso fazer alguma coisa.
Sei que, como cientista, tenho informações e como ser humano, sou capaz de me comunicar com qualquer pessoa, dentro ou fora do ambiente acadêmico.
E assim, isso é o que comecei a fazer, e assim eu gostaria de divulgar a International Canopy Network aqui.
Prestamos consultoria aos meios de comunicação sobre questões da cobertura das florestas, temos um boletim da cobertura das florestas, temos um email LISTSERV,
e assim estamos tentando disseminar informações sobre a importância da cobertura das florestas, a beleza da cobertura das florestas, a necessidade de coberturas florestais intactas, para pessoas fora do meio acadêmico.
Também reconhecemos que muitos dos produtos que nós fazemos, aqueles vídeos e assim por diante, vocês sabem, eles não atingem todas as pessoas, e assim estivemos estimulando projetos que atinjam pessoas fora da academia, e fora daqueles grupos aos quais a maioria dos ecologistas pregam.
A Barbie das Árvores é uma grande exemplo disso.
O que fazemos, meus estudantes do laboratório e eu, é comprarmos Barbies da Goodwill e da Value Village, nós as vestimos com roupas que foram feitas por costureiras e as enviamos com um manual da cobertura das florestas.
E minha impressão é -- Obrigada.
-- que tomamos esse ícone pop e apenas a modificamos um pouco para transformá-lo num embaixador que pode levar a mensagem de que se uma mulher cientista estudando os topos das árvores é realmente uma coisa formidável.
Também fizemos parcerias com artistas, com pessoas que entendem e são capazes de comunicar a beleza estética das árvores e das coberturas das florestas.
E gostaria de falar a vocês de apenas um de nossos projetos, que é a realização das Confluências da Cobertura das Florestas.
O que eu faço é reunir cientistas e artistas de todos os tipos, passamos uma semana na floresta nessas pequenas plataformas, e observamos a natureza, observamos as árvores, observamos a cobertura, e nos comunicamos, e compartilhamos, e expressamos o que vemos juntos.
Os resultados têm sido fantásticos.
Vou dar-lhes apenas uns poucos exemplos.
Esta é uma fantástica instalação do Bruce Chao que é catedrático do Departamento de Escultura e Sopro de Vidro da Escola de Design de Rhode Island.
Ele viu ninhos na cobertura da florestas em uma de nossas Confluências da Cobertura das Florestas no noroeste do Pacífico, e criou esta linda escultura.
Tivemos artistas da dança na cobertura da floresta.
Jodi Lomask e seu maravilhoso grupo Capacitor me acompanharam na cobertura da floresta no meu sítio da Costa Rica.
Eles criaram um balé maravilhoso chamado "Biome."
Eles dançaram na floresta, e estamos levando esse balé, meus trabalhos de divulgação científica, e também ligando a grupos ambientais para ir a diferentes cidades e apresentar a ciência, a dança e a divulgação ambiental esperando que isso venha a fazer diferença.
Trouxemos músicos à cobertura da florestas, e eles criaram a música deles, é uma música fantástica.
Tivemos flautistas, tivemos oboístas, tivemos cantores de ópera, tivemos guitarristas, e tivemos cantores de rap.
E eu trouxe um pequeno trecho para mostrar a vocês do "Canopy Rap" de Duke Brady.
Aí está o Duke!
Esta experiência de trabalhar com o Duke também me levou a iniciar um programa chamado Ciência do Som.
Percebi o poder da canção de Duke com a juventude urbana, uma audiência que, vocês sabem, como uma professora de meia idade, eu não tenho chance de atingir em termos de convencê-los da importância dos territórios selvagens.
Assim eu engajei Caution, este cantor de rap, com um grupo de jovens da cidade de Takoma.
Saímos para a floresta, eu pegava um galho, Caution fazia um rap sobre ele, e de repente esse galho tornava-se uma coisa legal.
E então os estudantes vieram aos nossos estúdios de som, eles fizeram suas próprias canções de rap com as batidas deles.
Eles acabaram fazendo um CD que eles levaram para casa, para suas famílias e amigos, expressando desse modo suas experiências com a natureza através de seus próprios meios.
O último projeto de que vou falar é um muito caro a meu coração, e ele envolve um valor econômico e social associado às plantas epífitas.
No Pacífico Noroeste existe toda uma indústria de colheita de musgo de velhas florestas.
Esses musgos são retirados da floresta eles são usados pelo setor de floricultura, pelos floristas, para fazerem arranjos e fazerem cestos.
É uma indústria de 265 milhões de dólares e está crescendo rapidamente.
Se vocês se lembram daquele senhor careca, vocês saberão que o que foi removido desses troncos na velha floresta do Pacífico Noroeste vai levar décadas e décadas para voltar.
Assim toda essa indústria é insustentável.
O que posso eu, como uma ecologista, fazer a respeito disso?
Bem, minha idéia era que eu poderia aprender como cultivar musgos e desse modo não precisaríamos tira-los da natureza.
E eu pensava, se tivesse alguns parceiros que pudessem me ajudar com isso isso seria formidável.
E assim, pensei que talvez homens e mulheres nos presídios que não têm acesso à natureza, que frequentemente têm bastante tempo, eles muitas vezes têm espaço, e não são necessárias ferramentas cortantes para trabalhar com musgos, seriam ótimos parceiros.
E eles se tornaram parceiros excelentes.
Os melhores que posso imaginar.
Eles ficaram muito entusiasmados.
Eles sentiram um entusiasmo incrível pelo trabalho,
eles aprenderam como reconhecer diferentes espécies de musgos, que, para dizer a verdade, é muito mais que os meus estudantes de graduação no Evergreen College são capazes de fazer.
E eles abraçaram a idéia de que poderiam ajudar a desenvolver um projeto de pesquisa para cultivar esses musgos.
Tivemos sucesso como parceiros ao reconhecer quais espécies crescem mais depressa, e acabo de ficar deslumbrada com o sucesso disso.
Como os carcereiros ficaram muito entusiasmados com isso também dei início a um Seminário de Ciência e Sustentabilidade nas prisões
levei meus colegas cientistas e agentes de sustentabilidade para a prisão,
demos palestras uma vez por mês, e isso realmente resultou na implementação de alguns surpreendentes projetos de sustentabilidade nas prisões -- jardins orgânicos, cultura de minhocas, reciclagem, coleta de água e cultivo de abelhas.
Nosso último empreendimento, com uma verba com uma verba do Departamento de Penitenciárias do Estado de Washington, eles nos pediram para expandir esse programa para mais três prisões.
E nosso novo projeto é fazer que os internos junto conosco aprendam como criar o Sapo Pintado do Oregon que é uma anfíbio ameaçado de extinção nos estados de Washington e Oregon.
Assim eles vão criá-los, em cativeiro, é claro, dos ovos aos girinos e adiante até os sapos.
E eles terão o prazer, muitos deles, de verem aqueles sapos que eles criaram desde os ovos e ajudaram a se desenvolverem, ajudaram a alimentar, irem para florestas protegidas para aumentar a população de espécies em risco lá na natureza.
E assim, penso que por várias razões -- ecológicas, sociais, econômicas e talvez mesmo espirituais -- esse foi um projeto extraordinário e estou realmente ansiosa para não apenas eu mesma e meus alunos que trabalham nele, mas também para promover e ensinar outros cientistas como fazer isso.
Como muitos de vocês sabem, o mundo acadêmico olha muito para dentro de si mesmo.
Estou tentando ajudar pesquisadores a se movimentarem mais para fora a terem suas próprias parcerias com pessoas de fora da comunidade acadêmica,
e assim tenho esperanças de que meu marido Jack, o taxonomista de formigas, possa trabalhar com a Mattel para criar o taxonomista Ken.
Talvez Ben Zander e Bill Gates possam unir-se e fazer uma ópera sobre AIDS.
Ou talvez Al Gore e Naturally 7 possam fazer uma canção sobre mudança climática que faça vocês realmente baterem palmas.
Assim, mesmo que seja um pouco de fantasia, creio que é também uma realidade.
Considerando os reveses ambientais que estamos sentindo nestes tempos é hora dos cientistas saírem a campo, e hora para aqueles fora da ciência procurarem a academia do mesmo modo.
Comecei minha carreira tentando entender os mistérios das florestas com os instrumentos da ciência.
Fazendo essas parcerias que descrevi a vocês realmente abri minha mente e, devo dizer, meu coração para ter uma maior compreensão, para fazer outras descobertas sobre a natureza e sobre eu mesma.
Quando olho para meu coração, vejo árvores -- isto é de fato uma imagem de um coração de verdade -- existem árvores em nossos corações, existem árvores nos corações de vocês.
Quando chegarmos a entender a natureza, estaremos tocando as mais profundas, as mais importantes partes de nós mesmos.
Nessas parcerias, aprendi também que as pessoas classificam a si mesmas em compartimentos como pessoal de TI, estrelas de cinema e cientistas, mas quando compartilhamos a natureza, quando partilhamos nossas perspectivas sobre a natureza, encontramos um denominador comum.
Finalmente, como cientista e como pessoa e agora, como parte da comunidade TED, sinto que tenho ferramentas melhores para ir até as árvores, ir à floresta, ir à natureza, para fazer novas descobertas sobre a natureza, e sobre o lugar dos humanos na natureza onde quer que estejamos e quem quer que sejamos.
Muito obrigada a vocês.
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Essa é a primeria de duas fotos fantásticas que vou mostrar-lhes hoje.
Ela foi tirada há 18 anos.
Eu tinha 19 anos na época.
Eu tinha acabado de voltar de um dos meus mergulhos mais profundos naquela época. de um pouco mais de 60 metros. E eu tinha pegado esse peixinho aqui,
e acontece que aquele foi o primeiro de sua espécie a ser capturado vivo.
Eu não sou só um ictiólogo, sou um genuíno louco por peixes.
E para um louco por peixe isto é uma coisa extremamente emocionante.
E o mais emocionante é que a pessoa que tirou essa foto foi um cara chamado Jack Randall, o maior ictiólogo vivo do mundo, o Grande Poobah dos loucos por peixes, se vocês quiserem.
E então, foi muito emocionante para mim participar deste momento. ele realmente mudou o curso da minha vida para sempre.
Mas realmente a coisa mais importante, a mais profunda em relação a essa foto é que ela foi tirada dois dias antes de eu ficar completamente paralizado do pescoço para baixo.
Eu cometi um erro verdadeiramente estúpido que a maioria dos homens de 19 anos cometem quando pensam que são imortais, e tive um problema sério de descompressão, e fiquei paralizado e fui removido de avião para tratamento.
Nesse dia, aprendi duas coisas realmente importantes.
A primeira coisa que aprendi - bem, sou mortal, essa é a maior lição.
E a segunda coisa que aprendi foi que eu soube com absoluta certeza, que isto é exatamente o que eu iria fazer pelo resto da minha vida.
Eu tive de focar todas as minhas energias para encontrar novas espécies nas profundezas dos recifes de corais.
Agora, quando você pensa em recife de coral, isto é o que a maioria das pessoas pensam - todos estes duros grandes, e elaborados corais e montes de peixes e coisas brilhantes e coloridas.
Mas isso é somente a ponta do iceberg.
Se você olhar para esse tipo de diagrama de um recife de coral, nós sabemos muito sobre aquela parte perto do topo, e o motivo de sabermos tanto sobre ele é que os mergulhadores podem muito facilmente descer até lá e ter acesso a eles.
Entretanto há um problema com os equipamentos de mergulho, no fato de imporem algumas limitações na profundidade que podem chegar e esse limite é de cerca de 60 metros.
Explico o porque disso em um minuto.
Mas o ponto é que geralmente os mergulhadores com equipamento permanecem a menos de 30 metros de profundidade e dificilmente vão mais fundo que isso, pelo menos não os que tiverem um pouco de juízo.
Por isso, para ir mais fundo, a maioria dos bíólogos optaram por submersíveis.
Agora, submersíveis são fantásticos, coisas maravilhosas. mas se você vai gastar 30 mil dólares por dia para usar uma dessas coisas, e ser capaz de descer a 600 metros, você com certeza irá querer ir mais longe do que isso, em apenas uma centena de metros, você irá cada vez mais, mais fundo.
Então, a linha de partida é que quase todas as pesquisas que usam submersíveis foram realizadas bem abaixo dos 150 metros.
Agora, é bem óbvio neste ponto que há esta zona aqui no meio e essa é a zona que realmente gravita a minha busca pessoal da felicidade.
Eu quero descobrir o que há nessa zona.
Nós não sabemos quase nada a respeito dela.
Os mergulhadores não podem chegar lá e os submarinos passam direto.
Levou um ano para eu aprender como andar novamente depois do meu acidente de mergulho em Palau e durante aquele ano eu passei muito tempo aprendendo sobre a física e a fisiologia do mergulho, e descobrindo como vencer essas limitações.
Então, vou mostrar a vocês apenas uma ideia básica.
Todos nós estamos respirando ar agora – ar é uma mistura de oxigênio e nitrogênio, há cerca de 20% de oxigênio e 80% de nitrogênio em nossos pulmões.
E há um fenômeno chamado "Lei de Henry" que diz que aqueles gases se dissolvem em um fluído na proporção das pressões parciais às quais você os está expondo.
Então basicamente o gás se dissolve em nosso corpo.
O oxigênio está vinculado ao metabolismo, nós o usamos como energia.
O nitrogênio simplesmente flutua no nosso sangue e tecidos, e está tudo bem, é como fomos projetados.
O problema acontece quando você vai para baixo da água.
Quanto mais fundo você vai, maior é a pressão.
Se você tiver que mergulhar a uma profundidade além de uns 40 metros – que é o limite recomendado para a maioria dos mergulhadores – você sente o efeito da pressão.
E o efeito dessa pressão é que você tem um aumento da densidade das moléculas de gás a cada inspiração.
E ao longo do tempo, aquelas moléculas de gás se dissolvem no seu sangue e tecidos e começam a te encher.
Agora, se você mergulhou uns 90 metros, você não tem cinco vezes mais moléculas de gás em seu pulmnão, você tem 10 vezes mais moléculas de gás em seus pulmões.
E, com certeza, elas se dissolvem no seu sangue e tecidos.
E, claro, se você descesse onde a pressão é 15 vezes maior, quanto mais fundo você, for mais grave o problema se torna.
E o problema, a limitação do mergulho com ar são todos aqueles pontos no seu corpo - todo o nitrogênio e oxigênio.
Há três limitações básicas no mergulho com equipamento.
A primeira limitação é o oxigênio – a toxicidade do oxigênio.
Todos conhecem a canção "O amor é como oxigênio. Se tiver demais você fica doidão. Sem o suficiente você morre."
Bem, no contexto de mergulho, se tiver muito você também morre.
Você também morre porque a toxicidade do oxigênio pode causar convulsões, fazer você ter convulsões embaixo da água, e não é uma boa coisa para acontecer debaixo d'água.
Isso acontece porque há muita concentração de oxigênio no seu corpo.
O nitrogênio apresenta dois problemas.
Um deles é o que Jacques Cousteau chamou "embriaguez das profundezas."
É a narcose de nitrogênio.
Ela te deixa alucinado.
Quanto mais fundo você for, mas alucinado fica.
Você não quer dirigir bêbado nem mergulhar bêbado, então isso é um problemão.
E, claro, o terceiro problema é o que eu descobri de modo dificil em Palau, que é a síndrome da descompressão.
Agora uma coisa que esqueci de mencionar, é que para prevenir o problema da narcose de nitrogênio – todos aqueles pontos azuis no seu corpo – você remove o nitrogênio e o substitui com Hélio.
O Hélio é um gás e há várias razões pelas quais o Hélio é bom. é uma molécula pequena, inerte, não te provoca narcose.
Então esse é o conceito básico que usamos.
Mas, a teoria é relativamente fácil.
A parte complicada é a implementação.
Então isto é como eu comecei, cerca de 15 anos atrás,
e vou admitir, não foi exatamente o mais inteligente dos começos, mas, vocês sabem, é preciso começar de algum ponto.
E, naquela época, eu não era o único que não sabia o que estava fazendo quase ninguém sabia.
E esse equipamento na verdade foi utilizado para um mergulho de 90 metros.
Mas, ao longo do tempo nós conseguimos melhora-lo um pouco, e chegamos a esse equipamento de aparência sofisticada com quatro tanques de mergulho e cinco reguladores com todas a misturas certas de gases e outras necessidades.
E era fino e elegante, e ele nos permitiu mergulhar e encontrar novas espécies.
Essa foto foi tirada a 90 metros de profundidade, capturando novas espécies de peixe.
Mas o problema era que ele não nos permitia muito tempo.
Apesar do seu volume e tamanho ele somente nos dava 15 minutos, no máximo, naquelas profundidades.
Nós precisávamos de mais tempo.´
Tinha que ter um jeito melhor.
E, de fato, há um jeito melhor.
Em 1994, tive a sorte de conseguir acesso a esses protótipos de respiradores de circuito fechado.
Certo, respiradores de circuíto fechado – o que há sobre eles que os torna diferente do equipamento padrão, e porque são melhores?
Bem, há três vantagens principais para um respirador.
Primeiro, eles são silenciosos, não fazem barulho nenhum.
Segundo, eles permitem que você fique debaixo d'água por muito tempo.
Terceiro, eles permitem a você ir mais fundo.
E, como eles fazem isso?
Bem, para realmente entender como eles fazem isso você terá que tirar a tampa e olhar embaixo para ver o que acontece.
Há três sistemas básicos para um respirador de circuíto fechado.
O mais importante deles é chamado respiração circular.
É respiração circular porque você respira fora dele, é uma respiração circular, e você respira o mesmo gás continuamente.
Então há uma peça que você coloca na boca, e há também um tanque de ar, ou nesse caso, dois tanques de ar.
Agora, os tanques não são de alta tecnologia, eles são somente sacos flexíveis.
Eles te permitem respirar mecanicamente ou ventilar mecanicamente.
Quando você expira o ar, ele vai para o tanque de expiração. quando você inspira o ar, ele vem do tanque de inspiração.
É mecânica pura, permitindo-lhe um ciclo de ar através dessa respiração circular.
E, o outro componente em um respirador circular é a embalagem absorvente de dióxido de carbono.
Agora, ao respirarmos, produzimos dióxido de carbono, e esse dióxido de carbono precisa ser expelido para fora do sistema.
Por isso há um filtro químico dentro dele, que retira o dióxido de carbono do gás que respiramos para que, ao voltar para nós, seja seguro para respirar de novo.
Então esse é o respirador circular em um receptáculo.
Agora o segundo componente principal de um respirador de circuíto fechado é o sistema de gás.
Agora, o propósito inicial do sistema de gás é fornecerr oxigênio, para repor o oxigênio que seu corpo consome.
Por isso o tanque principal, a parte crítica principal, é o cilindro fornecedor de oxigênio que temos aqui.
Mas, se apenas tivéssemos um cilindro fornecedor de oxigênio não seríamos capazes de ir muito fundo, porque rapidamente seriamos afetados pela toxidade do oxigênio.
Por isso precisamos de outro gás, alguma coisa que dissolva o oxigênio.
e aquilo, adaptado de forma adequada, e chamado de fornecedor de gás diluente
Agora, em nossas aplicações nós geralmente colocamos ar dentro desse fornecedor de gás diluente porque é uma fonte de nitrogênio muita barata e fácil.
É daí que tiramos nosso nitrogênio.
Mas, se quisermos ir mais fundo, é claro, precisamos de outro suprimento de gás.
Nós precisamos de Hélio, e o Hélio é o que realmente precisamos para ir mais fundo.
E geralmente nós teremos um cilindro ligeiramente maior. Ele é montado no exterior do respirador, como isto.
E é isso que usamos para injetar, assim que iniciamos nossos mergulhos profundos.
E nós também temos um segundo cilindro de oxigênio, que serve unicamente como reserva caso haja algum problema com o nosso primeiro fornecedor de oxïgênio, nós podemos continuar a respirar.
E a forma como você maneja todos esses diferentes gases, e todos esses diferentes fornecedores de gases é este bloqueador de gás, verdadeiramente sofisticado e de alta tecnologia, aqui na frente. onde é fácil alcançar.
Ele contém todas as válvulas e ligações e coisas que você precisa para injetar os gases certos na hora certa.
Agora, normalmente você não precisa fazer isso porque tudo é feito automaticamente para você Com os eletrônicos, o terceiro sistema de um respirador.
A parte mais crítica de um resplirador são os sensores de oxigênio.
Você precisa de três deles, então se um deles falhar, você saberá qual é.
Você precisa escolher logicamente.
Você também tem três microprocessadores,
qualquer um daqueles computadores pode executar o sistema inteiro então você pode perder dois deles. Também existem fornecedores de reserva.
E, claro, há múltiplos monitores para mostrar as informações ao mergulhador.
Estes são os equipamentos de alta tecnologia que nos permitem fazer o que fazemos. nesses tipos de mergulhos profundos.
E posso falar sobre isso o dia todo, perguntem à minha esposa. Mas eu quero falar de algo que é muito mais interessatne.
Eu vou levá-los a um mergulho profundo.
Eu vou mostrar-lhes como é fazer um desses mergulhos que nós fazemos.
Nós começamos aqui, no barco, com todo esse equipamento tecnológico, caro esta é ainda a melhor maneira de entrar na água - apenas tchbum! despenque do lado do barco.
Agora, conforme mostrei a vocês no diagrama anterior, esses recifes nos mergulhamos começam perto da superfície e eles vão quase verticalmente, completamente diretos para baixo.
Então, caímos na água e meio que vamos para a beira do penhasco, e então começamos a cair, cair, cair.
As pessoas me perguntam: "Demora muito para chegar lá?"
Não, leva só uns dois minutos para fazer toda a descida para 90 ou 120 metros que é o nosso alvo.
É como fazer paraquedismo em câmera lenta.
É realmente muito interessante -- vocês já assitiram "O Abismo" onde Ed Harris, vocês sabem, ele afunda ao longo da parede?
É uma sensação parecida. É fantástico.
Também, quando você chega lá, percebe que a água é muito, muito transparente.
A água muito transparente porque quase não há plâncton.
Mas quando você ilumina o local, você olha as cavernas ao redor, e de repente se depara com uma enorme diversidade, muito mais do que qualquer um poderia acreditar.
Mas nem tudo, nem todas são novas espécies, como aquele peixe que vocês vêem com listras brancas, aquela é uma espécie conhecida.
Mas se vocês olharem atentamente dentro das rachaduras e fendas, verão coisinhas correndo por toda parte.
É uma diversidade inacreditável.
Também não são apenas peixes.
Estes são crinóides, esponjas, corais negros - há também alguns peixes.
E esses peixes que vocês vêem agora são espécies novas.
Eles ainda são espécies novas porque eu tinha uma filmadora neste mergulho ao invés da minha rede, então eles ainda estão esperando lá embaixo que alguém os encontre.
Mas assim é como eles se parecem, e este tipo de habitat continua e por milhas e milhas.
Isto é Papua, Nova Guiné.
Agora peixes pequenos e invertebrados não são as únicas coisas que nós vemos lá embaixo.
Nós também vemos tubarões. muito mais regularmente do que eu esperaria.
E nós não estamos muito certos do porquê.
Mas o que eu quero que vocês façam agora é que se imaginem a 120 metros embaixo d'água. com todo este equipamento de alta tecnologia nas suas costas, vocês estão em um remoto recife em Papua, Nova Guiné, a milhares de quilometros de distância da câmara de descompressão mais próxima, e vc está completamente cercado por tubarões.
Vídeo. veja aqueles.
oh oh. ho ho
Eu acho que nós chamamos a atenção deles.
Richard Pyle. Quando você começa a falar como o Pato Donald, não há nenhuma situação no mundo que possa parecer tensa.
Risadas Então nós estamos lá embaixo - e isto é a 120 metros, olhando diretamente para cima, desse modo então vocês podem ter uma noção do quanto a superfície é longe.
E se você é um biólogo e conhece tubarões, e quer avaliar, você sabe, qual é o rísco que eu estou correndo aqui, há uma pergunta que certamente surge imediatamente na sua cabeça que é - Vídeo - Que tipo de tubarões?
Uh, tubarões prateados
Oh
Tubarões prateados - na verdade há três espécies de tubarões aqui.
Os prateados são os que tem bordas brancas nas nadadeiras, e há também tubarões cinza a alguns cabeça-de-martelo mais distantes.
E sim, é um pouco estressante
Vídeo. Hoo
Aquele carinha pequeno é brincalhão.
Agora, vocês já viram vídeos como este aos montes na TV, e é bastante assustador, e eu acho que isto dá uma impressão errada sobre os tubarões.
Na verdade os tubarões não são animais muito perigosos e é por isto que nós não estávamos muito preocupados, porque nós estávamos brincando lá embaixo.
Muitas pessoas são mortas por porcos, muitas são mortas por relâmpagos, muitas pessoas são mortas em partidas de futebol na Inglaterra.
Há uma infinidade de outras maneiras pelas quais você pode morrer.
E eu não estou fazendo loucuras.
Cocos. Você tem mais changes de ser morto por um coco do que por um tubarão.
Então tubarões não são tão perigodos quanto a maioria das pessoas pensa.
Agora, eu não sei se algum de vocês lê o U. S News e o World Report - Eu peguei esta edição recente.
Há um reportagem de capa sobre os grandes exploradores do nosso tempo.
O último artigo é entitulado "Não há novas Fronteiras".
Ele questiona se realmente há ou não alguma nova fronteira em algum lugar, se há alguma verdadeira e extraordinária descoberta que ainda possa ser feita.
E esta é a minha frase favorita do artigo.
Como um aficcionado por peixes eu tenho que rir, porque vocês sabem, eles não nos chamam de aficcionados por peixes de maneira nenhuma, nós realmente ficamos entusiasmados sobre a possibilidade de encontrar uma nova espinha dorsal em um lebiste.
Mas é muito mais do que isso.
E eu quero mostrar a vocês alguns dos lebistes que nós encontramos ao longo dos anos.
Este aqui - vocês sabem, vocês podem ver o quanto ele é feio.
Mesmo que vocês ignorem o valor científico desta coisa, olhem apenas para o valor monetário deles.
Alguns desses acabaram sendo negociados comercialmente pelo aquário do Japão, onde foram adquiridos por 15 mil dólares cada um.
Isso é meio milhão de dólares a libra.
Aqui um outro novo peixe-anjo que nós descobrimos.
Este aqui na verdade nós descobrimos primeiro, voltando aos tempos em que usavamos ar, os velhos e difíceis tempos do ar. como costumavámos dizer quando estavámos realizando este tipo de mergulho com ar,
nós estavamos a 109 metros.
E eu me lembro de voltar de um desses mergulhos profundos com uma espécie de neblina, e a narcose leva um tempo para se dissipar, vocês sabem.
É como ficar sóbrio.
E eu tinha esta vaga lembrança de ter visto estes peixes amarelos com um ponto preto, e eu pensei. "Caramba, eu devia ter apanhado um."
eu acho que é uma nova espécie".
E então, por acaso, eu me virei para olhar para o meu balde.
Com certeza, eu tinha apanhado um - Eu simplesmente tinha esquecido que eu tinha apanhado um.
E para este nós decidimos dar o nome de Centropyge narcosis.
Este é o nome científico dele, como referência ao seu habitat profundo.
E eset é outro novo.
Quando nós o encontramos, nós não sabiamos a que família esta coisa pertencia, então nós o chamamos de peixe Dr. Seuss porque ele se parecia de alguma forma com algum daqueles livros.
Agora, este aqui é muito legal.
Se você for a Papua, Nova Guine e mergulhar a 90 metros, você verá estes grandes montes.
Pode ser um pouco difícil de ver mas eles tem mais ou menos uns dois metros de diâmetro.
Se vocês olharem atentamente, poderão ver que há um pequeno peixe branco, um pequeno peixe branco e cinza que fica junto com eles.
Bem, acontece que este pequeno peixe branco constrói estes grandes montes, um seixo de cada vez.
É realmente extraordinário encontrar algo assim.
Não são somente novas espécies, são novos comportamentos, nova ecologia uma série de coisas novas.
Então, o que eu vou mostrar agora para vocês, muito rapidamente, é somente uma amostra de algumas das novas espécies que nós descobrimos.
O que é extraordinário sobre isto não é somente o simples número de espécies que estamos encontrando - embora como vocês podem ver é surpreendente, isto é apenas a metade do que nós temos achado -- o que é extraordinário é a rapidez com que os achamos.
Nós encontramos sete novas espécies a cada hora que permanecemos naquela profundidade.
Agora, se vocês forem à floresta Amazônica e vasculharem uma árvore, vocês podem encontrar um monte de insetos, mas para peixes, não há lugar nenhum no mundo onde vocês podem encontrar sete novas espécies a cada hora.
Agora, nós fizemos alguns cálculos nas costas do envelope, e estamos prevendo que há provavelmente cerca de 2. 000 a 2. 500 novas espécies somente no Indo-Pacífico.
Há somente cinco ou seis mil espécies conhecidas.
Então uma grande quantidade do que está lá não é verdadeiramente conhecida.
Nós pensamos que tínhamos o controle de toda a diversidade de peixes dos recifes, evidentemente não.
E eu vou terminar com uma nota sombria.
No começo eu disse que iria mostrar a vocês duas fotografias extraordinárias.
Esta é a segunda fotografia extraordinária que eu estou mostrando a vocês.
Esta foi tirada no exato momento que eu estava lá embaixo filmando aqueles tubarões,
esta foi tirada exatamente a 90 metros de água acima da minha cabeça.
E a razão pela qual esta fotografia é extraordinária é porque ela pega um momento no último minuto de vida de uma pessoa.
Menos de 60 segundos depois que esta foto foi tirada, esta cara estava morto.
Quando nós recuperamos seu corpo, nos tentamos entender o que tinha saido errado.
Ele tinha cometido um simples erro.
Ele girou a válvula errada quando ele encheu seu cilindro - ele tinha 80% de oxigênio no seu tanque quando ele deveria ter 40.
Ele teve uma convulsão por toxidade de oxigênio e se afogou.
A razão pela qual eu mostro isto - não é para deprimir tudo - mas eu somento quero usá-lo para fechar a minha filosofia de vida em geral, que é que todos nós temos dois objetivos.
O primeiro objetivo nós compartilhamos com todas as outras coisas vivas deste planeta, que é a sobrevivência - eu a chamo de perpetuação. A sobrevivência das espécies e a sobrevivência de nós mesmos, porque ambos se referem a perpetuação do genoma.
E o segundo objetivo é para aqueles que conseguiram dominar o primeiro, é - vocês sabem, vocês podem chamá-lo de satisfação espiritual, vocês podem chamá-lo de sucesso financeiro, vocês podem chamá-lo de uma infinidade de coisas diferentes.
Eu o chamo de busca da alegria - a procura da felicidade.
Então, eu acho que o meu tema nisso é que este cara viveu sua vida por completo, ele viveu absolutamente.
Vocês tem que equilibrar esses dois objetivos,
se vocês viverem toda sua vida com medo - eu quero dizer, vida é uma doença sexualmente transmissível com 100% de mortalidade.
Então, vocês não podem viver sua vida com medo.
Risadas Eu pensei que era uma antigo.
Aplausos Mas ao mesmo tempo vocês não querem ficar tão focados na regra número dois, ou focar no objetivo número dois de tal maneira que vocês negligenciem o objetivo número um.
Porque uma vez mortos, vocês não poderão verdadeiramente aproveitar nada depois.
Eu desejo a todos vocês a melhor sorte em manterem o equilíbrio nos seus futuros empreendimentos.
Obrigado.
Aplausos.
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Quando eu tinha 10 anos, um primo me levou para conhecer sua faculdade de medicina.
E de brinde ele me levou ao laboratório de patologia e pegou um cérebro humano de verdade de um vidro e colocou em minhas mãos.
E lá estava ele, a sede da conciência humana, a usina do corpo humano, repousando em minhas mãos.
E nesse dia eu soube que quando crescesse, eu seria uma neurologista ou neurocientista, um ou o outro.
Anos depois, quando eu cresci, meu sonho se realizou.
E foi enquanto eu fazia meu Ph. D.
sobre as causas neurológicas da dislexia em crianças que me deparei com um fato surpreendente que gostaria de mostrar para vocês hoje.
Estima-se que uma em seis crianças, isso é uma em seis crianças, sofre de algum distúrbio de desenvolvimento.
Este é um distúrbio que atrasa o desenvolvimento intelectual da criança e causa deficiências intelectuais permanentes.
O que significa que cada um de vocês aqui conhece pelo menos uma criança que sofre de um distúrbio de desenvolvimento.
Mas isto é que me mais me chocou.
Apesar de do fato de que cada um desses distúrbios se originar no cérebro, a maioria dos distúrbios são diagnosticados apenas com base na observação do comportamento.
Mas diagnosticar um distúrbio cerebral sem olhar para o cérebro é igual a tratar um paciente com um problema cardíaco com base nos sintomas físicos, sem ao menos fazer ECG ou raio-x do tórax para olhar o coração.
Me pareceu óbvio.
Para identificar e tratar um distúrbio cerebral com precisão, seria necessário olhar diretamente para o cérebro.
Ao olhar só o comportamento uma parte vital do quebra-cabeça pode faltar e oferecer um panorama incompleto, ou até enganador, dos problemas da criança
Ainda assim, apesar de todos avanços na tecnologia médica, o diagnóstico de distúrbios cerebrais de uma em seis crianças ainda permaneceu limitado assim.
Então encontrei uma equipe na Universidade Harvard que pegou uma dessas tecnologias médicas avançadas e enfim a aplicou, em vez de em pesquisa sobre o cérebro, no diagnóstico de distúrbios cerebrais em crianças.
Sua tecnologia pioneira grava o EEG ou a atividade elétrica do cérebro em tempo real, permitindo olharmos o cérebro conforme ele realiza várias funções e então detectar a menor anormalidade em qualquer dessas funções, visão, atenção, linguagem, audição.
Um programa chamado Brain Electrical Atividade de Mapeamento então triangula a fonte daquela anormalidade no cérebro.
E outro programa chamado Probalidade Estatística de mapeamento realiza cálculos matemáticos para determinar se alguma dessas anormalidades é clinicamente significativa, permitindo que façamos um diagnóstico neurológico muito mais preciso dos sintomas da criança.
Então me tornei a chefe de neurofisiologia da área clínica nessa equipe. E nós finalmente pudemos usar essa tecnologia de forma a realmente ajudar crianças com distúrbios cerebrais.
E fico feliz de dizer que estou no processo de implementar essa tecnologia aqui na Índia.
Eu gostaria de falar de uma criança, cuja história a ABC News cobriu.
Justin Senigar de sete anos chegou a nossa clínica com o diagnóstico de autismo muito severo.
Como muitas crianças autistas sua mente estava trancada em seu corpo.
Havia momentos em que ele se desligava do mundo por alguns segundos.
E os médicos disseram a seus pais que ele nunca seria capaz de se comunicar ou interagir socialmente e ele provavelmente nunca teria muita linguagem.
Quando usamos essa tecnologia pioneira de EEG para olharmos para o cérebro de Justin, os resultados foram surpreendentes.
Aconteceu que Justin não era, certamente, autista.
Ele sofria de convulsões cerebrais que eram invisíveis a olho nu, mas que estavam causando os sintomas que pareciam com os do autismo.
Após Justin receber remédio anti-convulsão, sua mudança foi fantástica.
Num período de 60 dias, seu vocabulário saltou de duas ou três palavras para 300 palavras.
E sua comunicação e interação social melhoraram tanto que ele foi matriculado em uma escola normal e até virou campeão de caratê.
Pesquisas mostram que 50 por cento das crianças, quase 50 por cento das crianças, diagnosticadas com autismo sofrem, na verdade, de convulsões cerebrais escondidas.
Esses são os rostos das crianças que eu testei com histórias parecidas com a de Justin.
Todas essas crianças chegaram à nossa clínica com o diagnóstico de autismo, distúrbio do déficit de atenção, atraso intelectual, problemas de linguagem.
Nossos exames de EEG mostraram problemas muito específicos escondidos em seus cérebros que não poderiam ser detectados em avaliações comportamentais.
Esses exames de EEG nos permitiram oferecer a essas crianças um diagnóstico neurológico muito mais preciso e um tratamento mais especializado.
Por muito tempo, crianças com distúrbios de desenvolvimento sofreram com diagnósticos errados enquanto seus problemas reais não eram detectados e pioravam.
E por muito tempo, essas crianças e seus pais sofreram frustração e desespero enormes.
Mas agora estamos em uma nova era na neurociência, uma em que podemos finalmente olhar diretamente às funções cerebrais em tempo real sem riscos ou efeitos colaterais, de forma não invasiva, e encontrar a verdadeira fonte de tantas deficiências em crianças.
Então, se eu pude inspirar mesmo uma fração de vocês na plateia hoje a compartilhar essa abordagem diagnóstica pioneira com ao menos um pai cujo filho sofre de distúrbio de desenvolvimento, então talvez mais um quebra-cabeça em mais um cérebro será resolvido.
Mais uma mente será destrancada.
E mais uma criança que foi diagnosticada erroneamente, ou mesmo não diagnosticada pelo sistema, finalmente atingirá seu potencial verdadeiro enquanto ainda há tempo para seu cérebro se recuperar.
E tudo isso apenas olhando para suas ondas cerebrais.
Obrigada.
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Eu gostaria de começar esta musica que eu escrevi sobre um anseio incessante e um desejo interminável com um poema dos populares paradoxos de Petrarca por Sir Thomas Wyatt o Ancião: "Não encontro paz, e toda minha luta já acabou; Eu temo e desejo, queimo e congelo como gelo; Vôo sobre o vento, e ainda não posso me erguer; E nada possuo, e de todo o mundo apodero-me."
♫ Eu quero o que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero. ♫ ♫ O que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero.♫ ♫ O que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero.♫ ♫ o que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero.♫ ♫ O que eu não posso ter, quero o que eu não posso querer ter,♫ ♫ mas eu não tenho ♫ ♫ Parece que tudo que tenho é uma perda em um volta ruim ♫ ♫ Que vai com a última chuva, querida não se preocupe ♫ ♫ Toda nuvem tem um resquício de esperança ♫ ♫ Só uma chuvinha, só uma chuvinha, só uma chuvinha ♫ ♫ Eu quero o que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero♫ ♫ O que não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que eu quero.♫ ♫ Minha mente não vai parar, e meu coração diz vai ♫ ♫ Ninguém sabe como me segurar ♫ ♫ Minha mente não vai parar, e meu coração diz -- ♫ ♫ Boas coisas vêm para aqueles que esperam ♫ ♫ E eu não consigo parar em. ♫ ♫ E não consigo ficar numa fila para sempre ♫ ♫ Aguentar o ar gelado ♫ ♫ fingindo estar numa boa. ♫ ♫ Enjoado e cansado de"Depois, talvez" ♫ ♫ Vida de pegar, finjir, pegar, pegar-ou-largar ♫ ♫ E eu tenho que te dizer ♫ ♫ Eu só preciso nomear ♫ ♫ Eu só preciso ver, então por favor, ó por favor, ó por favor, ó por favor ♫ ♫ Me agrade, por que ♫ ♫ Meu vento não vai parar ♫ ♫ E meu coração diz vai ♫ ♫ Ninguém sabe como me segurar ♫ ♫ Minha mente não vai parar -- e meu coração diz vai-iiiiiii ♫ ♫ Coisas boas têm de estar aqui -- sim, bem aqui ♫ ♫ Aqui, bem aqui, bem qui ♫ ♫ Não viverei para sempre ♫ ♫ Um volta é tudo que você vai ter ♫ ♫ Enjoado e cansado de "Depois, talvez" ♫ ♫ Vida de pegar, finjir, fazer, largar ♫ ♫ E só tenho que nomear, eu só tenho que reivindicar ♫ ♫ Eu só tenho que aproveitar ♫ ♫ Por favor, por favor, me agrade direito ♫ ♫ Eu quero o que não posso ter, Preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que quero♫ ♫ O que eu não posso ter, preciso do que não posso querer ter♫ ♫ mas eu não tenho -- você sabe disso ♫ ♫ Minha mente não vai parar, e meu coração diz vai ♫ ♫ Ninguém sabe como me segurar, não ♫ ♫ Minha mente não vai parar, e meu coração diz vai ♫ ♫ Porque eu quero o que não posso ter, preciso do que não posso querer ter ♫ ♫ mas eu -- tenho o que eu quero ♫ ♫ O que eu não posso ter, preciso do que não posso querer ter♫ ♫ O que eu não tenho, preciso do que não posso querer ter ♫ ♫ mas eu não tenho o que eu quero ♫ ♫ O que eu não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que quero ♫ ♫ O que eu não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que quero ♫ ♫ O que eu não posso ter, preciso do que não posso querer ter, ♫ ♫ mas não tenho o que quero ♫
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Então, minha questão é: estamos sós?
A história dos humanos é uma história de idéias-- idéias cientificas que jogam luz na escuridão, idéias que aceitamos racional e irracionalmente, idéias pelas quais vivemos, morremos, matamos e fomos mortos, Idéias que desapareceram na história, e as que se tornaram dogmas.
É uma história de nações, ideologias, territórios, e dos conflitos entre eles.
mas, cada momento da história humana, da idade da pedra à era da informação, da suméria e Babilônia ao iPod e revistas de fofocas, tudo foi vivenciado -- cada livro que você leu, cada poema, cada gargalhada, cada lágrima, tudo ocorreu aqui.
Aqui.
Aqui.
Aqui.
Perspectiva é uma coisa poderosa.
Perspectivas podem mudar.
Perspectivas podem ser alteradas.
De minha perspectiva, vivemos numa frágil ilha de vida, em um universo de possibilidades.
Por milênios, os seres humanos estiveram em uma jornada por respostas, respostas sobre naturalismo e transcendência, sobre quem somos e por que somos, e é claro, sobre quem mais pode estar lá fora.
Somos realmente só nós?
Estamos sós neste vasto universo de energia e matéria e química e física?
Bem, se estamos, é um grande desperdício de espaço.
Mas e se não estamos?
E se lá fora outros estão perguntando e respondendo questões similares?
E se eles olham o céu noturno, para as mesmas estrelas, mas do lado oposto?
A descoberta de uma civilização mais antiga lá fora inspiraria-nos na busca de meios para sobreviver à nossa crescente incerta adolescência tecnológica?
Poderia a descoberta de uma civilização distante e nossa origem cósmica comum fazer nos darmos conta da ligação entre todos os humanos?
Tanto faz, nascidos em São Francisco ou no Sudão, ou próximo ao coração da galáxia Via Láctea, somos resultado de um bilhão de anos de evolução de poeira cósmica.
Nós, todos nós, somos o que acontece quando uma mistura primordial de hidrogênio e hélio evolui tanto que começa a perguntar-se de onde veio.
Cinqüenta anos atrás, a jornada à procura por respostas pegou um caminho diferente e S. E. T. I, Busca por Inteligência Extra-Terrestre, iniciou.
Exatamente o que é o SETI?
Bem, o SETI usa ferramentas de astronomia na tentativa de encontrar evidências de outras tecnologias lá fora.
Nossas próprias tecnologias são perceptíveis a distâncias interestelares, e as deles podem ser também.
É possível que uma enorme rede de comunicação, ou um escudo contra impacto de asteróides, ou um enorme projeto de astro engenharia que nem imaginamos, possam gerar sinais em freqüências de rádio ou ópticas que um determinado programa de busca possa perceber.
Há milênios temos recorrido a padres e filósofos para nos orientarem na questão sobre a existência de vida inteligente lá fora.
Agora, podemos usar as ferramentas do século 21 para observar o que há ao invés de perguntarmos no que devemos acreditar.
SETI não presume a existência de inteligência extra-terrestre, apenas reconhece a possibilidade, se não a probabilidade neste vasto universo, que parece bastante uniforme.
Os números sugerem um universo de possibilidades.
Nosso sol é uma de 400 bilhões de estrelas em nossa galáxia, e sabemos que muitas outras estrelas tem sistemas planetários,
nós descobrimos mais de 350 nos últimos 14 anos, incluindo o pequeno planeta, anunciado esta semana, cujo raio é duas vezes o tamanho da Terra.
E, mesmo que todo sistema planetário de nossa galáxia seja desprovido de vida, ainda existem 100 bilhões de galáxias lá fora, no total 10 na 22 estrelas.
Agora, vou tentar um truque, e recriar um experimento de hoje pela manhã.
Lembram, um bilhão?
Mas, desta vez não um bilhão de dólares, mas um bilhão de estrelas.
Certo, um bilhão de estrelas.
Agora, ali, 20 pés acima do palco, seriam 10 trilhões.
Bem. que tal 10 na 22?
Onde esta a linha que marca isto?
Esta linha teria que estar 3. 8 milhões de milhas acima deste palco.
16 vezes mais longe do que a lua, ou 4 por cento da distância até o sol.
Então, existem muitas possibilidades.
E muito deste vasto universo, muito mais do que pensávamos pode ser habitável, à medida que estudamos extremófilos na Terra -- organismos que podem viver em condições totalmente inóspitas para nós, nas quentes, pressurizadas fontes termais no fundo do oceano, congeladas no gelo, no ácido de bateria, na água para refrigeração de reatores nucleares.
Estes extremófilos nos dizem que a vida pode existir em muitos outros ambientes.
Mas estes ambientes estariam largamente distanciados neste universo
Mesmo nossa estrela mais próxima, o Sol, suas emissões sofrem a tirania da velocidade da luz.
Leva 8 minutos para sua radiação chegar a nós.
E a próxima estrela esta ha 4. 2 anos luz de nós, isso significa que sua luz leva 4. 2 anos para chegar aqui.
e os limites de nossa galáxia estão ha 75. 000 anos luz de nós, e a galáxia mais próxima esta ha 2. 5 milhões de anos luz.
O que significa que qualquer sinal que detectarmos iniciou sua jornada há muito tempo atrás.
E um sinal ia nos dar uma olhadela em seu passado, não o seu presente.
Por isso Phil Morrison chama o SETI de "arqueologia do futuro."
Nos fala sobre o passado deles, mas a detecção de um sinal nos dirá que podemos ter um futuro longo.
Penso que isso foi o que David Deutsch quis dizer em 2005, Quando terminou sua palestra em TEDTalk Oxford ao dizer que tinha dois princípios de vida, e que ele gostaria de talhar em pedra.
O primeiro é que problemas são inevitáveis.
O segundo é que problemas são solúveis.
Então, no fim o que vai determinar o sucesso ou falha do SETI é a longevidade das tecnologias, e a distância entre as tecnologias no cosmos -- distância em termos de tempo e de espaço.
Se as tecnologias não persistirem e durarem, não teremos sucesso.
E nós somos uma tecnologia muito jovem, numa velha galáxia, e ainda não sabemos o quanto é possível uma tecnologia durar.
Então, até agora falamos sobre números realmente grandes
deixem-me falar sobre um número relativamente menor.
E este é o tamanho do período onde a Terra esteve sem vida.
Se examinarmos o zircão minerado em Jack Hills no oeste da Austrália, zircão extraído lá em Jack Hills no oeste da Austrália nos mostra que apenas algumas centenas de milhões de anos da origem do planeta houve abundância de água e talvez até vida.
Portanto, nosso planeta gastou a maior parte de seus 4. 56 bilhões de anos desenvolvendo a vida, não antecipando seu surgimento.
A vida surgiu muito rapidamente, e isso é um bom sinal para o potencial de vida em outras partes do cosmos.
E outra idéia da qual devemos nos livrar é o curto período de tempo durante o qual humanos podem afirmar ser a inteligência dominante do planeta.
Foram somente as últimas centenas de milhares de anos modernos humanos tem perseguido tecnologia e civilização.
Então, precisamos uma profunda apreciação da diversidade e da incrível escala da vida neste planeta como o primeiro passo para nos prepararmos para fazer contato com vida em alguma parte do cosmos.
Não somos o ápice da evolução.
Não somos o produto pronto de bilhões de anos de um plano evolutivo.
Somos resultado de um processo contínuo de adaptação.
Somos residentes de um pequeno planeta em um canto da galáxia Via Láctea.
E o Homo Sapiens é uma pequena folha de uma extensa árvore da vida, que é densamente populada por organismos aperfeiçoados para sobreviver ao longo de milhões de anos.
Usamos mal a linguagem e falamos sobre "a escalada do homem".
Nós entendemos as bases científicas da inter-relação da vida mas nosso ego ainda não se deu conta.
Então esta escalada do Homem, ápice da evolução, deve ser deixada de lado.
É um senso de privilégio que não é compartilhado pelo universo natural.
Loren Eiseley disse, que "Alguém não conhece a sim mesmo até ver-se refletido em um olhar outro que não o Humano.”
Um dia este olhar poder ser o de um alienígena inteligente, E quanto antes deixarmos de lado nossa visão estreita de evolução mais rápido poderemos explorar nossa real origem e destino.
Nós somos uma pequena parte da história da evolução cósmica, e seremos responsáveis pela continuidade de nossa participação nesta estória, e talvez SETI ajude também.
Ocasionalmente, através da história, este conceito dessa larga perspectiva cósmica venha a tona, e como resultado vemos descobertas profundas e transformadoras,
Em 1543, Nicholas Copérnico publicou "A Revolução das Esferas Celestes," e tirando a Terra do centro do nosso sistema solar, e colocando lá o Sol, ele abriu nossos olhos para um universo muito maior, do qual somos apenas uma pequena parte.
E aquela evolução Copérnica, continua hoje a influenciar ciência, filosofia, tecnologia e teologia.
Então em 1959, Giuseppe Coccone e Philip Morrison publicaram o primeiro artigo do SETI em uma revista científica, e trouxeram o SETI ao panorama científico.
E em 1960, Frank Drake conduziu a primeira observação SETI olhando para duas estrelas, Tau Ceti e Epsilon Eridani, por aproximadamente 150 horas.
Drake não descobriu inteligência extraterrestre, mas ele obteve uma importante lição de um avião que passava, descobriu que a tecnologia terrestre interfere na pesquisa por tecnologia extraterrestre,
Nós temos pesquisado desde então, Mas é impossível estimar a magnitude da pesquisa que ainda a ser feita.
Todo o esforço conjunto do SETI, nós últimos 40 e tantos anos, equivale a analisar um copo de água dos oceanos.
E ninguém decidiria que os oceanos não tem peixes com base na análise de um copo de água.
O século 21 nos permite construir copos maiores, copos muito maiores.
No norte da Califórnia estamos começando fazer observações a partir dos primeiros 42 telescópios do conjunto Allen -- e tenho a oportunidade de agradecer publicamente a Paul Allen e Nathan Myhvold e todos os membros do time SETI na comunidade TED que tão generosamente tem apoiado esta pesquisa.
O ATA é o primeiro telescópio composto por um grande número de pequenas antenas, conectados a computadores.
Isto esta tornando o Silício tão importante quanto o Alumínio, E vamos crescer no futuro para chegar a 350 antenas para mais sensibilidade e alavancando a lei de Moore para maior capacidade de processamento
Hoje, nossos algoritmos de detecção de sinais só detectam pequenos artefatos e ruídos.
Se olhar com muita atenção aqui você pode ver o sinal do Voyager 1, o mais distante objeto humano em todo o Universo, 106 vezes mais distante de nós do que o Sol.
E a esta longa distância, seu sinal chega a nós muito fraco.
Pode ser difícil para ver isso com seus olhos, Mas é facilmente identificável com nossos algoritmos.
Mas este é um sinal simples, e futuramente queremos estar aptos e detecção de sinais mais complexos.
Este é um ano muito bom.
2009 é o 400º aniversário do primeiro telescópio de Galileu, 200º aniversário do nascimento de Darwin 150º aniversário da publicação de "A Origem das Espécies," O 50º aniversário do SETI como ciência, o 25º aniversário do SETI como organização sem fins lucrativos, e é claro o 25º aniversário do TED
e mês que vem a nave Kepler será lançada e começará a nos dizer o quão freqüente são planetas como a Terra, os alvos da pesquisa do SETI.
A ONU declarou 2009 o Ano Internacional da Astronomia, uma festival global para ajudar a nós terráqueos a redescobrir-mos nossas origens cósmicas e nosso lugar no universo.
E em 2009, mudanças ocorreram em Washington, com a promessa de colocar a ciência em seu lugar de direito.
Então, o que mudaria tudo?
Bem, esta foi a questão que a fundação Edge lançou este ano, e 4 das respostas foram: "o SETI."
Por quê?
Bem, citando: "A descoberta de inteligência além da Terra erradicaria a solidão e solipsismo que atormentam nossa espécie desde seu início.
E isso não apenas mudaria tudo, isso mudaria tudo ao mesmo tempo."
Então, se é assim, porque capturamos somente 4 destas 151 mentes?
Imagino que é um problema de conclusão e entrega, porque as letras miúdas diziam, "Quais idéias inovadoras e avanços científicos você espera viver para ver?"
Então temos um problema de conclusão.
Precisamos de lentes maiores e mais mãos a obra, assim trabalhando juntos, talvez possamos todos viver para ver a detecção do primeiro sinal extraterrestre.
O que me traz ao meu desejo.
Eu desejo que vocês encorajem terráqueos do mundo todo a tornarem-se participantes ativos na busca definitiva por compania cósmica.
O primeiro passo seria conquistar a confiança de mentes ao redor do mundo para construir um ambiente onde dados crus pudessem ser armazenados, e onde estes dados pudessem ser acessados e manipulados, onde novos algoritmos pudessem ser desenvolvidos e os velhos tornados mais eficientes.
E este é um desafio técnico criativo, isso mudaria as perspectivas das pessoas que trabalhassem no projeto.
E então nós gostaríamos de aumentar a pesquisa automática com um olhar humano.
Nós gostaríamos de usar capacidade de reconhecimento de padrões do olho humano para detectar sinais, fracos e complexos, que nossos algoritmos não conseguem.
E é claro, gostaríamos de engajar e inspirar a próxima geração.
Gostaríamos que os materiais educacionais que desenvolvemos, fossem levados a estudantes em toda a parte, estudantes que não podem vir nos visitar no ATA.
Gostaríamos de contar nossa história melhor, e engajar jovens, e conseqüentemente mudar as suas perspectivas.
Sinto muito Seth Godin, mas ao longo de milênios, nós vimos a onde leva o tribalismo.
Nós vimos o que acontece quando dividimos um planeta já pequeno em ilhas ainda menores.
E no fim das contas, todos pertencemos a uma tribo, a dos terráqueos.
E o SETI é um espelho, um espelho que pode mostrar-nos a nos mesmos de uma perspectiva extraordinária, e pode ajudar a trivializar as diferenças entre nós.
Se o SETI não fizer nada além de mudar a perspectiva da humanidade neste planeta, já seria um dos mais profundos empreendimentos da história.
Então, neste início de 2009, um presidente visionário em pé nos degraus do Capitólio disse, "Não podemos deixar de acreditar que os velhos ódios, deverão passar um dia, que as fronteiras de tribos deverão em breve dissolver-se, que, a medida que o mundo fica pequeno, nossa humanidade em comum deverá revelar-se."
Portanto, estou ansiosa para trabalhar com a comunidade do TED e ouvir suas idéias de como realizar este desejo, e colaborar com vocês, antecipar o dia em que esta declaração visionária tornar-se realidade.
Muito obrigado.
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Uma coisa que queria dizer sobre a produção de filme é -- e sobre esse filme -- ao pensar sobre algumas das maravilhosas apresentações que tivemos aqui, Michael Moschen, e algumas falas sobre música, essa ideia de que existe um linha narrativa, e que a música existe no tempo.
Um filme também existe no tempo, é uma experiência que você precisa passar emocionalmente.
E ao fazer esse filme, eu percebi que dos muitos documentários que já vi eram sobre aprender algo, ou conhecimento, ou trazido por pensadores, ou movido por ideias.
E eu queria que esse filme fosse movido por emoções, e assim realmente seguir minha jornada.
Então em vez de fazer filme cabeça, ele é feito de cenas, e as pessoas que encontramos no caminho.
Somente uma vez as encontramos.
Elas não voltam várias vezes, para fazer as crônicas da jornada.
É como a vida, uma vez você a absorve você não pode mais tirá-la.
São dois clips que vou compartilhar com vocês, o primeiro é um tipo de mistura, são três singelos momentos, quatro momentos com três pesoas que estão aqui hoje à noite.
Não estão da forma como aparecem no filme, porque fazem parte do quadro maior de cenas.
Cada um se apresenta de maneira maravilhosa.
E ao final termina com um pequeno clip de meu pai, de Lou, falando sobre algo que é muito querido a ele, que são os acidentes da vida.
Penso que ele concluiu que as coisas mais grandiosas da vida eram acidentais, e talvez nem sequer planejadas.
E esses três clips terão na sequencia a cena de talvez o que, para mim, é a mais importante construção que é o prédio em Dhaka, Bangladesh.
Ele construiu a capital lá.
E penso que vocês vão apreciar esse prédio, pois nunca antes foi visto, somente com fotografias, mas nunca antes filmado por uma equipe.
Fomos a primeira equipe de filmagem por lá.
Então vocês verão imagens desse prédio impressionante.
E mais umas coisas para se lembrar, ao ver o filme, é que foi construído inteiramente a mão, eu creio que só no ano passado pegaram um guindaste.
Foi construído inteiramente a mão apoiados em andaimes de bambu, os trabalhadores carregando esses cestos de concreto em suas cabeças, e despejando nas formas.
É a capital do país, e levou 23 anos para construí-la, algo que parece que eles tem muito orgulho por lá.
Levou tanto tempo como o Taj Mahal.
Infelizmente o longo tempo não permitiu que Lou o visse terminado.
Ele morreu em 1974.
A construção foi terminada em 1983.
Ela continuou por muito anos após sua morte.
Pense sobre isso ao ver a construção, pois às vezes, aquelas coisas que tanto lutamos na vida, nós nunca vemos terminada.
E isso foi algo que me impactou sobre meu pai, no sentido de que ele tinha essa crença que de alguma forma, fazendo essas coisas dando de si, como ele fez, que algo de bom poderia se tornar real, mesmo no meio de uma guerra, pois havia uma guerra com o Paquistão no meio disso, e a construção parou totalmente mas ele continuou trabalhando, porque ele sabia: "Bem, a guerra quando terminar eles vão precisar da construção."
Então aqui são dois clips que vou lhes apresentar.
Pode soltar.
Richard Saul Wurman: Eu lembro ouvindo ele falar em Penn.
E voltei para casa e disse ao meu pai e à minha mãe, "Acabei de conhecer esse homem, não tem muito trabalho, e ele é meio feio, tem uma voz esquisita, e é o professor na escola.
Eu sei que vocês nunca ouviram falar dele, mas guardem este dia pois algum dia vocês vão ouvir sobre ele, porque ele é um homem realmente fantástico."
Frank Gehry: Eu ouvi que ele teve um caso com Ingrid Bergman. É verdade?
Nathaniel Kahn: Se sim, ele foi um homem de muita sorte.
NK: você ouviu isso, de verdade?
FG: Sim, quando ele esteve em Roma.
Moshe Safdie: Ele era um verdadeiro nômade.
E você sabe, conheci quando ele estava no escritório, e ele voltava de uma viagem, e ele ficava no escritório por dois ou três dias intensamente, e daí fazia as malas e partia.
Você sabe ele ficava no escritório até as três da manhã trabalhando com a gente e havia nele esse sentido de nômade.
Eu digo que tão trágico como sua morte na estação de trem, foi a consistência com sua vida, entende?
Eu quero dizer penso muitas vezes que vou morrer num desastre aéreo, ou morrerei num aeroporto, ou morrer correndo sem ter meus documentos comigo.
Não sei porque tenho esse tipo de cisma desde que lembro da forma como ele morreu.
Mas ele era um nômade no coração.
Louis Khan: Quão acidentais nossas existencias realmente são e como estão repletas de influências pelas circunstâncias.
Homem: Somos os trabalhadores da manhã que passam aqui sempre, e apreciam o andar, a beleza da cidade e a atmosfera e esse é o lugar mais bonito de Bangladesh.
Temos orgulho dele.
NK: Você se orgulha dele?
Homem: Sim, é a imagem nacional de Bangladesh.
NK: Você conhece alguma coisa sobre o arquiteto?
Homem: Arquiteto? Ouvi algo sobre ele, que é um arquiteto [inaudivel]
NK: Bem na verdade, estou aqui porque sou o filho do arquiteto, ele foi meu pai.
Homem: Ah! Pai é Louis Farrakhan?
NK: Sim. Mas não Louis Farrakhan, Louis Kahn.
Homem: Louis Kahn, sim!
Homem: Seu pai, ele está vivo?
NK: Não, morreu já faz 25 anos.
Homem: Muito contente de recebê-lo de volta.
NK: Obrigado.
NK: Ele nunca viu terminado, meu pai.
Não, ele nunca viu isso.
Shamsul Wares: Era algo quase impossível, construir para um país como o nosso,
50 anos atrás, não havia nada, só campos de arroz, e como nós o convidamos para vir para cá, ele sentia que tinha uma responsabilidade.
Ele queria ser um Moisés aqui, ele nos deu democracia.
Ele não era um homem político, mas do seu jeito ele nos deu a instituição da democracia, de onde podemos nos levantar.
Nesse sentido é tão relevante.
Ele não se preocupou por quanto dinheiro o país tem, ou se ele poderia terminar a construção, mas de alguma maneira ele possibilitou, essa construção aqui.
E esse é o maior projeto dele, ele trouxe aqui, no mais pobre dos países do mundo.
NK: Custou a sua vida.
SW: Sim, ele pagou. Pagou com sua vida por isso, e é por isso que ele é grande e nós vamos lembrar dele.
Mas ele também é humano,
agora sua falha em satisfazer a vida da família, é uma associação inevitável de pessoas grandiosas.
Mas penso que seu filho vai compreender isso, e não terá mágoa alguma, nem sentir-se negligenciado, penso eu.
Ele cuidava de uma maneira muito diferente, mas leva muito tempo para se entender isso.
No aspecto social de sua vida ele era como uma criança, não era nem um pouco amadurecido.
Ele não conseguia dizer não para nada, e é por isso que ele não pode dizer não para as coisas, que hoje temos essa construção.
Você entende, só desse jeito, você poderá entendê-lo.
Não há atalho, nenhuma outra forma para realmente entendê-lo.
Mas penso, ele nos deu essa construção e sentimos em todos os momentos por ele, é por isso, ele deu amor para nós.
Pode ser que ele provavelmente não lhe deu o amor certo para você, mas para nós, ele deu para as pessoas o amor certo, que é importante.
Você tem que entender isso.
Ele tinha uma enorme quantidade de amor, ele amava a todos.
Amar a todos, ele às vezes não via os mais próximos, e isso é inevitável para homens de sua estatura.
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A velha história sobre proteção climática é que ela custa muito caro, caso contrário isso já teria sido feito.
Então o governo precisa nos forçar a fazer coisas dolorosas para resolver o problema.
A nova história sobre proteção climática é que ela não é cara, mas sim lucrativa.
Este foi um simples erro de sinal, porque é mais barato economizar combustível do que comprar combustível, como como é bem sabido pelas empresas que fazem isso o tempo todo -- por exemplo, Dupont, SD micro electrônica.
Muitas outras firmas --- IBM -- estão reduzindo seus consumos de energia rotineiramente em 6% ao ano através da melhoria de suas fábricas, e eles conseguem o dinheiro de volta em 2 ou 3 anos.
Isso é chamado de lucro.
Agora, de forma similar, a velha história do petróleo é que se quisermos economizar muito, isso seria caro, ou já teriamos feito antes, pois os mercados são essencialmente perfeitos.
É claro que, se isso fosse verdade, não haveria nenhuma inovação, e ninguém conseguiria ganhar dinheiro.
Mas a nova história sobre o petróleo é que o governo não precisa nos forçar a fazer sacrifícios para substituirmos o petróleo -- não só incrementalmente, mas completamente -- muito pelo contrário. Os Estados Unidos, por exemplo, podem eliminar completamente sua utilização de petróleo e renovar a economia ao mesmo tempo, liderados por empresas em busca de lucro, porque é muito mais barato economizar e substituir petróleo do que continuar comprando.
Este processo será também catalisado pelos militares por suas próprias razões de efetividade de combate e prevenção de conflitos, particularmente osmotivados pelo petróleo.
Esta tese foi exposta num livro chamado "Winning the Oil Endgame" que quatro colegas e eu escrevemos, e disponibilizamos gratuitamente em Oilendgame. com -- até agora cerca de 170. 000 downloads.
Ele foi co-patrocinado pelo Pentágono -- é independente, foi revisado por colegas experts e todos os cálculos que provam isso estão publicados de forma transparente para vocês examinarem.
Bem, um pouco de história econômica, creio eu, pode ser útil aqui.
Por volta de 1850, uma das maiores indústrias dos EUA era a de caça à baleias.
E o óleo de baleia iluminava praticamente todas as casas.
Mas nos nove anos antes de Drake encontrar petróleo, em 1859, pelo menos cinco sextos daquele mercado de iluminação a óleo tinha desaparecido, graças a concorrentes fatais, principalmente óleo e gás extraídos do carvão, aos quais os baleeiros não tinham prestado atenção.
Assim, inesperadamente, eles ficaram sem consumidores antes de ficarem sem baleias.
A população remanescente de baleias foi salva por inovadores tecnológicos e capitalistas maximizando seus lucros.
E é engraçado -- isso é meio parecido com o petróleo agora.
Gastamos algumas das últimas décadas acumulando uma poderosa carteira de tecnologias para economizar e substituir o petróleo, e ninguém se preocupou em juntar todas elas antes.
Assim, quando fizemos isso, descobrimos coisas muito surpreendentes.
Bem, há duas grandes razões para nos preocuparmos com petróleo.
Tanto a competitividade nacional quanto a segurança nacional estão em risco.
No que diz respeito à competitividade, todos nós sabemos que a Toyota tem mais valor de mercado do que as três grandes juntas.
E há concorrência séria da Europa, da Coréia, e em seguida da China, que logo será um dos maiores exportadores de carros.
Quanto tempo você pensam que vai levar antes que você dirija para sua casa seu novo carrinho super-eficiente da Shangai automotiva?
Talvez uma década, de acordo com meus amigos de Detroit.
A China tem uma política energética baseada em eficiência energética radical e saltos tecnológicos.
Eles não vão exportar o Buick do seu tio.
E depois disso vem a India.
O ponto aqui é, esses carros serão desenhados para serem super-eficientes.
A questão é, quem vai fazê-los?
Será que nós, nos EUA, continuaremos a importar carros eficientes para substituir petróleo importado, ou fabricaremos carros eficientes para não importarmos mais nem o petróleo nem os carros?
Isso parece mais sensato.
Quanto mais continuamos a usar o petróleo, especialmente o petróleo importado, mais precisaremos enfrentar uma rede de problemas muito óbvios.
Nossa análise considera que todos eles não custam nada, mas nada não é o número certo.
Pode muito bem ser suficiente para dobrar o preço do petróleo, por exemplo.
E uma das piores coisas disso é o que isso faz com nosso prestígio no mundo se outros países pensam que tudo que nós fazemos é motivado por petróleo, se nós precisarmos tratar países que têm petróleo de maneira diferente dos países que não têm petróleo.
E nossos militares ficam bastante descontentes por serem obrigados a protegerem oleodutos lá no "Longistão" quando a missão com a qual eles realmente se comprometeram foi a de proteger cidadãos americanos.
eles não gostam de lutar por petróleo, eles não gostam de estar no deserto e eles não gostam do lugar para onde vai o dinheiro do petróleo e o tipo de instabilidade que ele cria.
Finalmente, para evitar esses problemas, qualquer que seja a importância que vocês dêem a eles, na verdade não é tão complicado.
Podemos economizar a metade do petróleo melhorando a eficiência do seu uso, a um custo de 12 dólares por barril economizado.
E então podemos substituir a outra metade com uma combinação de bio-combustíveis avançados e gás natural seguro.
E isso custa, na média, menos de 18 dólares por barril.
E comparando com a previsão oficial, de que o petróleo vai custar 26 dólares por barril em 2025, que é a metade do que temos pago ultimamente, isso vai economizar 70 bilhões de dólares por ano, começando em breve.
Agora, para fazer isso precisamos investir cerca de 180 bilhões de dólares. Metade disso para reequipar as indústrias de automóveis, caminhões e aviões. Metade disso para implantar a indústria de bio-combustíveis avançados.
Nesse processo, ganharemos cerca de um milhão de bons empregos, principalmente rurais.
E protegeremos outro milhão de empregos que agora estão em perigo, principalmente na indústria automotiva.
E também teremos retornos sobre investimentos de mais de 150 bilhões de dólares por ano.
Assim, é um belo retorno.
É financiável no mercado de capitais privado.
Mas se vocês quiserem, pelas razões que eu mencionei, que isso aconteça mais depressa e com maior probabilidade, então -- e ainda para ter mais opções e administrar o risco -- então vocês poderiam apreciar algumas políticas públicas moderadas que apóiem, em vez de distorcer ou contrariar, a lógica dos negócios.
E essas políticas funcionam muito bem sem impostos, subsídios ou regulamentações.
Elas proporcionam um bom resultado líquido para o tesouro.
Elas têm um amplo apelo trans-ideológico, e como nós realmente queremos que elas se tornem realidade, concebemos algumas maneiras de realizá-las que requerem pouco, ou nada, de legislação federal. E que pode, no final das contas, ser implementado administrativamente ou no nível estadual.
Só para ilustrar o que fazer sobre a essência do problema, a saber, veículos leves, eis aqui quatro carros-conceito ultra leves, de compostos de carbono, com baixo arrasto aerodinâmico, e todos, exceto o de cima à esquerda têm tração híbrida.
Vocês podem ter tudo que precisam com essas coisas.
Por exemplo, este de dois assentos da Opel faz 250 quilômetros por hora a 40 quilômetros por litro.
Este esportivo da Toyota: 408 cavalos em um ultra-leve que faz de zero a 100 em menos de 4 segundos, e ainda faz 13 quilômetros por litro. Voltarei a falar sobre isso logo mais.
E em cima à esquerda, um esforço pioneiro da GM de 14 anos atrás -- 36 quilômetros por litro sem usar nem mesmo um híbrido, num carro de quatro lugares.
Bem, economizando esse combustível, 69 por cento em veículos leves custa cerca de 15 centavos de dólar por litro.
Mas é um negócio ainda melhor para caminhões pesados, nos quais você economiza uma quantidade similar a 6 centavos por litro, com melhor aerodinâmica, pneus, motores, e assim por diante. E eliminando peso do veículo, de modo que pode aumentar a carga paga.
Assim pode-se dobrar a eficiência com um aumento de 60 por cento da taxa interna de retorno.
E daí você pode ir mais longe, quase triplicando a eficiência com algumas melhorias operacionais, dobrando a margem das grandes transportadoras.
E pretendemos usar esses números para criar pressão da demanda, e mudar o mercado.
No negócio da aviação, novamente é a mesma história na qual os primeiros 20 por cento de economia é de graça, como a Boeing está demonstrando agora com seu novo Dreamliner.
Mas então a próxima geração de aviões economiza cerca de metade.
Novamente, muito mais barato que comprar o combustível.
E se você passar, em cerca de 15 anos, para uma fuselagem integrada com a asa, uma espécie de asa voadora com propulsores internos, então você consegue um fator de melhoria de eficiência próximo de três a um custo comparável ou menor.
Deixem-me focalizar por um minuto os veículos leve, os automóveis e caminhões leves. Porque esses são os que nós conhecemos mais, provavelmente todos aqui dirigem um.
E mesmo assim nós não nos damos conta de que num sedan comum de toda a energia do combustível com que o carro é alimentado, sete oitavos nunca chegam às rodas, são perdidos, primeiro, no motor, em ponto morto a zero quilômetros por litro, a caixa de marchas e acessórios.
Então da energia que finalmente chega às rodas, que é apenas um oitavo do total, metade disso vai aquecer os pneus no pavimento, ou aquecer o ar que o carro empurra para os lados.
E apenas esta pequena parte, apenas seis por cento realmente acaba acelerando o carro e depois aquecendo os freios quando você para.
De fato, como 95 por cento do peso que você movimenta é do carro e não do motorista, menos de um por cento da energia do combustível acaba movimentando o motorista.
Isto não é muito gratificante depois de mais de um século de esforços devotados de engenharia.
Além disso, três quartos do consumo de combustível é causado pelo peso do carro.
E é óbvio, pelo diagrama, que cada unidade de energia que você economiza nas rods vai evitar o gasto de sete outras unidades de energia de fazer essa energia chegar às rodas.
Portanto, existe uma enorme alavancagem para fazer o carro um bocado mais leve.
E a razão porque isso nunca foi examinado seriamente antes é que havia uma suposição comum na indústria de que -- bem, daí não seria seguro se você fosse atingido por um carro pesado, e custaria muito mais para fabricar, porque a única maneira que conhecemos de fazer carros muito mais leves era usar metais leves de custo alto, como alumínio e magnésio.
Mas essas objeções estão desaparecendo agora graças aos avanços em materiais.
Por exemplo, usamos muitos compostos de fibra de carbono em artigos esportivos.
E verifica-se que estes são notáveis pela segurança.
Aqui está um carro McLaren de carbono feita a mão que foi atingido por um Golf.
O Golf foi completamente destruído.
O McLaren só ficou com o painel lateral afundado e riscado.
Eles só empurram de volta e consertam o risco mais tarde.
Mas se este McLaren batesse numa parece a 100 quilômetros por hora, toda energia do impacto seria absorvida por um par de cones trançados com compostos de fibra de carbono, pesando ao todo 7 quilos, escondidos na frente do carro.
Porque esses materiais realmente são capazes de absorver seis a doze vezes mais energia por quilo do que aço, e fazer isso muito mais suavemente.
E isso quer dizer que acabamos de resolver o quebra-cabeças de segurança e peso.
Podemos fazer os carros maiores, que protegem mais, e fazê-los mais leves.
Ao passo que se os fizermos pesados, eles serão ao mesmo tempo hostis e ineficientes.
E quando você os faz leves da maneira correta, isso pode ser mais simples e barato de fazer.
Você acaba economizando dinheiro, e vida, e petróleo, tudo ao mesmo tempo.
Eu mostrei aqui há dois anos um pouco sobre um projeto básico, sem compromissos, com eficiência quintuplicada, de um veículo de assalto suburbano -- -- e este é um projeto virtual completo que tem um cisto de produção viável.
E o processo necessário para fabricá-lo está efetivamente chegando ao mercado muito bem.
Nós concebemos uma espécie de impressora digital a jato de tinta para este material rígido e resistente, de compostos de carbono, e então maneiras de termoformá-lo porque ele é uma combinação de carbono e nylon, em qualquer forma complexa que desejemos, como aquelas recentemente exibidas na exposição de carros por um dos fornecedores de primeira linha.
E a manufatura que vocês podem fazer deste modo fica radicalmente simplificada.
Porque o chassis do carro tem, digamos, 14 partes, em vez de 100, 150.
Cada uma delas é formada por um conjunto de moldes razoavelmente barato, em vez de quatro dispendiosos moldespara aço.
Cada uma das partes pode ser facilmente erguida sem uma grua.
Elas se encaixam como um brinquedo de criança.
Desse modo vocês ficam livres da oficina de montagem de chassis.
E se quiserem, podem por cor nos moldes e ficarem livres da oficina de pintura.
Essas são as duas etapas mais difíceis e mais caras da manufatura de um carro.
De modo que vocês acabam reduzindo em pelo menos dois quintos a necessidade de capital do que a fábrica mais enxuta no setor, que é da GM em Lansing.
A fábrica também fica menor.
Então, quando você faz uma análise semelhante para cada um dos nossos usos do petróleo, incluindo construções, indústria, produção de alimentos e assim por diante, você descobre que dos 28 milhões de barris por dia que, segundo o governo, vamos precisar em 2025, bem, cerca de oito deles podem ser dispensados pela eficiência futura, com outros sete ainda sendo economizados à medida que os estoques de veículos giram, a um custo médio de 12 dólares o barril, em vez dos 26 para comprar o petróleo.
E então outros seis podem ser feitos facilmente, competitivamente, a partir do etanol de celulose e um pouco de bio-diesel, sem interferir de modo algum com a terra e a água necessárias para a produção de alimentos.
Há uma enorme quantidade de gás a ser economizada, cerca de metade do gás projetado a cerca de um oitavo de seu preço.
E aqui existem algumas substituições muito fáceis, que nos deixariam com grandes sobras.
Tão grandes, de fato, que depois de lidar com a previsão de petróleo doméstico de áreas já aprovadas, você tem apenas uma pequena parte, e vamos ver como podemos atendê-la, porque existe um menu bem flexível de escolhas.
Poderíamos, é claro, comprar mais eficiência.
Talvez se deva comprar eficiência a 26 dólares em vez de 12.
Ou esperar para conseguir a segunda metade dela.
Ou poderíamos, é claro, comprar essa pequena quantidade continuando a importar petróleo do México ou Canada, ou o etanol que os brasileiros gostariam de nos vender.
Mas eles venderão aos japoneses e chineses em vez disso, porque temos barreiras tarifárias para proteger nossos plantadores de milho, e eles não.
Ou nós poderíamos usar o gás que economizamos diretamente para cobrir todo esse balanço energético, ou se nós o usássemos como hidrogênio, que é muito mais lucrativo e eficiente, nós nos livraríamos do petróleo doméstico também.
E isso nem mesmo considera, por exemplo, que a terra disponível nas Dakotas pode, a custos viáveis gerar energia eólica suficiente para alimentar todos os veículos nas estradas do país.
Assim, temos muitas opções.
E a escolha do menu e dos prazos é bastante flexível.
Agora, para fazer isso acontecer mais depressa e com maior confiança, há algumas coisas em que o governo poderia ajudar.
Por exemplo, taxas-descontos, uma combinação de taxas e descontos em qualquer classe de tamanho de veículo que você possa desejar, pode aumentar o preço de veículos ineficientes e em correspondência pagar para vocês um desconto em veículos eficientes.
Você não é pago para mudar de classe de tamanho.
Você é pago para escolher eficiência dentro de uma classe de tamanho, de modo equivalente a considerar a economia de combustível em todos os catorze anos do ciclo de vida em vez de apenas os primeiros dois ou três.
Isto expande as escolhas no mercado rapidamente, e realmente vai dar mais dinheiro para os fabricantes de automóveis também.
Eu gostaria de lidar com a falta de acesso à mobilidade pessoal neste país, e tornar possível a custo barato para as famílias de baixa renda, a compra de carros novos eficientes, confiáveis, com garantia que elas não conseguiriam comprar de outro modo.
E para cada carro financiado desse modo, sucatear uma lata-velha, de preferência as mais poluidoras.
Isto cria um novo mercado de um milhão de carros por ano para Detroit de clientes que eles não conseguiriam conquistar de outra maneira, porque eles não conseguiriam crédito e nunca teriam dinheiro para comprar um carro novo.
E Detroit vai ganhar dinheiro em cada unidade.
Acontece que se, por exemplo, as famílias afro-americanas e brancas fossem proprietárias de carros na mesma proporção, isso cortaria a disparidade de emprego em cerca de metade por oferecer melhor acesso a oportunidades de trabalho.
Assim, este é um enorme ganho social, também.
Governos compram centenas de milhares de carros por ano.
Existem maneiras inteligentes de comprá-los e de agregar esse poder de compra para colocar veículos mais eficientes no mercado mais depressa.
E poderíamos até instituir um prêmio pela inovação, uma "cenoura de ouro" tipo XPrize que compense um esforço excepcional.
Por exemplo, um prêmio de um bilhão de dólares para o primeiro fabricante norte-americano a vender 200. 000 veículos realmente avançados, como os que vimos há pouco.
Acontece que as empresas aéreas tradicionais não conseguem comprar os novos aviões eficientes de que eles precisam desesperadamente para reduzir despesas de combustível, mas se você filosoficamente sente vontade de fazer alguma coisa a esse respeito, existem maneiras de financiar isso.
E ao mesmo tempo sucatear aviões antigos e ineficientes, pois se eles de algum outro modo voltassem a voar, eles desperdiçariam mais petróleo, e tomariam o lugar de aviões novos e eficientes.
Esses aviões ineficientes valem mais para a sociedade mortos do que vivos.
Deveríamos tirá-los fora e detoná-los, e colocar caçadores de recompensas atrás deles.
Então há um importante papel dos militares.
Criando a mudança para a produção comercial, em massa, a baixo custo desse tipo de material, ou, por falar nisso, aços ultra-leves que são uma boa tecnologia de reserva, os militares podem criar o mesmo efeito que fizeram quando transformaram a DARPAnet na Internet.
É só transferí-la ao setor privado, e temos uma Internet.
O mesmo que aconteceu com o GPS.
O mesmo com a indústria moderna de semicondutores.
Ou seja, a ciência e tecnologia necessária aos militares podem criar a cadeia industrial de materiais avançados capaz de transformar a economia civil e livrar o país da necessidade de petróleo. O que seria uma enorme contribuição para eliminar os conflitos pelo petróleo contribuindo para a segurança nacional e global.
Então precisamos reaparelhar a indústria automotiva e dar treinamento, e deslocar a convergência das cadeias de energia e valor agregado para mudar mais depressa dos hidrocarbonetos para os carbohidratos, e parar de bloquear a nós mesmos de vários modos.
E fazer com que a transição para veículos mais eficientes acelere.
Mas eis como tudo isso se encaixa num todo.
Ao invés das previsões oficiais de consumo de petróleo e de importação de petróleo subirem sempre, elas podem diminuir, para um nível de eficiência de 12 dólares por barril, e cair abruptamente adicionando a substituição do lado do suprimento a 18 dólares, tudo implementado mais lentamente do que já fizemos anteriormente quando nos preocupamos com isso.
E se começarmos a desenvolver segmentos de hidrgênio nisso aí, estaremos logo livres das importações e completamente livres do petróleo na década de 2040.
E quero destacar aqui que já fizemos isso antes.
No período de oito anos, 1977 a 85, da última vez que nos preocupamos, a economia cresceu 27 por cento, o consumo de petróleo caiu 17 por cento. As importações de petróleo caíram 50 por cento. As importações do Golfo Pérsico caíram 87 por cento.
Elas teríam acabado se tivéssemos continuado por mais um ano.
Bem, aquilo foi feito com tecnologia e métodos de distribuição muito antigos.
Nós somos capazes de fazer isso muito melhor agora.
E no entanto o que nós provamos na época foi que os EUA têm mais poder de mercado do que a OPEC.
O nosso lado é o da demanda.
Nós somos a Arábia Saudita dos "barris-negativos."
Nós somos capazes de reduzir o consumo de petróleo mais depressa do que eles podem reduzir a dependência da venda de petróleo.
Qualquer que seja a razão de vocês para querer fazer isso, estejam vocês preocupados com a segurança nacional ou com a volatilidade dos preços -- -- ou empregos, ou o planeta, ou seus netos, parece a mim que eta é a final do jogo do petróleo que todos nós deveríamos jogar para ganhar.
Por favor, façam o download de suas cópias, e obrigado a todos.
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Venham comigo ao fundo do mundo, Antártica, a mais alta, mais seca, mais batida pelo vento e sim, mais fria região da Terra -- mais árida do que o Saara em, em algumas partes, mais fria que Marte.
O gelo da Antártica brilha com uma luz tão ofuscante, que ele cega os olhos desprotegidos.
Os primeiros exploradores passavam cocaína nos olhos para aliviar essa dor.
O peso do gelo é tanto que todo o continente cede abaixo do nível do mar, sob seu peso.
Porém o gelo da Antártica é um calendário da mudança climática.
Ele registra a elevação e queda anual dos gases de efeito estufa e temperaturas desde antes do início das últimas eras do gelo.
Nenhum lugar na Terra nos oferece um registro tão perfeito.
E aqui os cientistas estão perfurando no passado de nosso planeta para encontrar indicações sobre o futuro das mudanças climáticas.
Em janeiro passado, viajei a um lugar chamado WAIS Divide [Divisor da Camada de Gelo da Antártica Oeste], a uns 1. 000 Km do Pólo Sul.
É o melhor lugar no planeta, como muitos dizem, para estudar a história das mudanças climáticas.
Lá, cerca de 45 cientistas da Universidade de Wisconsin, do Instituto de Pesquisas do Deserto em Nevada e outros têm trabalhado para responder uma questão essencial sobre o aquecimento global.
Qual é a relação exata entre os níveis de gases de efeito estufa e as temperaturas do planeta?
É um trabalho urgente. Sabemos que as temperaturas estão subindo.
O último mês de maio foi o mais quente registrado em todo o mundo.
E sabemos que os níveis dos gases de efeito estufa também estão subindo.
O que não sabemos é o impacto exato, preciso, imediato dessas mudanças sobre os padrões climáticos da natureza -- ventos, correntes oceânicas, taxas de precipitação, formação de nuvens, coisas que afetam a saúde e o bem estar de bilhões de pessoas.
Todo o acampamento deles, cada item de equipamento, foi transportado de barcco da Estação McMurdo, a principal base de suprimentos dos E. U. A. na costa da Antártica.
O próprio WAIS Divide, porém, é um círculo de tendas na neve.
Durante as ventanias de furacões, a equipe estende cordas entre as tendas de modo que as pessoas possam achar o caminho delas para a casa de gelo mais próxima e para o banheiro mais próximo.
A neve cai tão pesada lá que a instalação foi quase imediatamente sepultada.
Na verdade, os pesquisadores escolheram esse lugar porque o gelo e a neve se acumulam ali 10 vezes mais depressa do que em qualquer outro lugar da Antártica.
Eles precisam escavar a saída deles a cada dia.
Isso se torna um exótico e gelado trajeto diário ao trabalho.
Mas, sob a superfície, há uma colméia de atividades industriais centradas ao redor de um conjunto de perfuração de oito milhões de dólares.
Periodicamente, essa perfuradora, como uma agulha de biópsia, penetra no gelo a profundidades de milhares de pés para extrair um núcleo de gases e isótopos para análise.
10 vezes por dia, eles extraem o cilindro de 3 metros de comprimento de cristais de gelo comprimidos contendo o ar não contaminado e resíduos químicos depositados pela neve, estação após estação, ao longo de milhares de anos.
É realmente uma máquina do tempo.
No pico de atividade no início deste ano, os pesquisadores desceram a broca mais 30 metros de profundidade no gelo a cada dia e mais 365 anos mais fundo no passado.
Periodicamente, eles removem um cilindro de gelo, como guarda-caças extraindo um cartucho de espingarda usado do cano de uma perfuradora.
Eles o inspecionam, eles verificam rachaduras, danos na broca, fragmentos, lascas.
Mais importante, eles o preparam para inspeção e análise por 27 laboratórios independentes nos Estados Unidos e na Europa, que vão examiná-lo para 40 diferentes vestígios químicos relacionados ao clima, alguns em partes por quatrilhão.
Sim, eu disse isso com um Q, quatrilhão.
Eles cortam os cilindros em seções de 1 metro para facilitar o manuseio e transporte até esses laboratórios, a uns 13. 000 quilômetros do local da perfuração.
Cada cilindro é um doce em camadas do tempo.
Esse gelo formado pela neve há 15. 800 anos, quando nossos ancestrais estavam se lambuzando de tinta e considerando a tecnologia radicalmente nova do alfabeto.
Banhado pela luz polarizada e cortado em seções transversais, esse antigo gelo se revela como um mosaico de cores, cada uma mostrando como as condições na profundidade do gelo afetaram esse material em profundidades onde as pressões podem chegar a 150 quilogramas por centímetro quadrado.
A cada ano, isso começa com um floco de neve, e cavando na neve fresca, podemos observar como esse processo está acontecendo hoje.
Esta parede de neve intocada, iluminada por trás pela luz do sol, mostra as estrias das neves do inverno e do verão, camada sobre camada.
Cada tempestade lava a atmosfera arrastando a poeira, a fuligem, vestígios de substâncias químicas, e depositando isso no monte de neve ano após ano, milênio após milênio, criando ema espécie de tabela periódica dos elementos que nesta altura tem mais de 3. 400 metros de espessura.
A partir daí, podemos detectar um número extraordinário de coisas.
Podemos encontrar o cálcio dos desertos do mundo, fuligem de incêndios distantes, metano como indicador de uma monção no Pacífico, todos soprados por ventos de latitudes mais amenas a este lugar tão remoto e tão frio.
Mais importante, esses cilindros e essa neve retêm o ar.
Cada cilindro contém cerca de 10% de ar antigo, uma imaculada cápsula do tempo de gases de efeito estufa -- dióxido de carbono, metano, óxido nitroso -- todos inalterados desde o dia em que a neve se formou e caiu pela primeira vez.
E esse é o objeto da investigação deles.
Mas será que já não sabemos o que precisamos saber sobre os gases de efeito estufa?
Por que precisamos estudar isso ainda mais?
Será que já não sabemos como eles afetam as temperaturas?
Será que já não conhecemos as consequências de um clima em mudança sobre nossa civilização estabelecida?
A verdade é que só sabemos os esboços, e o que não entendemos completamente não conseguimos consertar adequadamente.
Efetivamente, corremos o risco de tornar as coisas piores.
Pensem no seguinte, o único mais bem sucedido esforço ambiental internacional do século XX, o Protocolo de Montreal, no qual as nações da Terra se uniram para proteger o planeta dos efeitos prejudiciais dos compostos químicos destruidores do ozônio usado naquela época em condicionadores de ar, refrigeradores e outros dispositivos de refrigeração.
Nós proibimos essas substâncias químicas, e nós as substituímos, sem saber, por outras substâncias que, molécula por molécula, são cem vezes mais poderosas como retentoras de calor, gases de efeito estufa do que dióxido de carbono.
Esse processo exige precauções extraordinárias.
Os cientistas precisam assegurar que o gelo não está contaminado.
Principalmente, nessa jornada de 13. 000 quilômetros, eles precisam garantir que esse gelo não derreta.
Imaginem como seria fazer malabarismos com uma bola de neve pelos trópicos.
Eles precisam, na verdade, assegurar que esse gelo jamais ultrapasse o limite de 20 graus abaixo de zero, de outro modo, os gases fundamentais dentro dele se dissipariam.
Assim, no lugar mais frio da Terra, eles trabalham dentro de uma geladeira.
Enquanto manipulam o gelo, de fato, eles conservam um par extra de luvas aquecendo-se num forno, de modo que, quando s luvas de trabalho deles congelam e os dedos deles endurecem, eles podem vestir um novo par.
Eles trabalham contra o relógio e contra o termômetro.
Até agora, eles já embalaram cerca de 1. 400 metros de núcleos de gelo para remessa aos Estado Unidos.
Na estação passada eles os carregaram manualmente através do gelo aos aviões que esperavam por eles.
A 109ª Guarda Aérea Nacional voou com a remessa mais recente de gelo de volta à costa da Antártica, onde ela foi embarcada num cargueiro, enviada através dos trópicos até a Califórnia, descarregada, colocada em um caminhão, que rodou através do deserto até o Laboratório Nacional de Núcleos de Gelo em Denver, Colorado, onde, neste momento em que falamos, os cientistas estão agora fatiando esse material para fazer amostras, para análise, para serem distribuídas aos laboratórios em todas as partes do país e na Europa.
Neste planeta, a Antártica foi o último lugar desabitado -- o ponto cego em nossa visão expandida do mundo.
Os primeiros exploradores velejaram das beiradas do mapa, e encontraram um lugar onde as regras normais de tempo e temperatura parecem estar suspensas.
Aqui, o gelo parece uma presença viva,
o vento que passa por ele dá-lhe voz.
É uma voz da experiência.
É uma voz que deveríamos ouvir com atenção.
Muito obrigado.
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Em 1992, eu comecei a trabalhar para uma empresa chamada Interval Research, que estava recém sendo fundada por David Lidell e Paul Allen como uma empresa de pesquisas comerciais no Vale do Silício.
Eu tive uma reunião com David para falarmos sobre o que eu poderia fazer na sua empresa.
Eu estava saindo de uma empresa falida que trabalhava com realidade virtual e trabalhando fazendo palestras e escrevendo livros depois de aproximadamente 20 anos na indústria de jogos computadorizados tendo idéias que as pessoas não acreditavam que elas poderiam vender.
E eu e David descobrimos que nós dois tínhamos uma dúvida em comum, que nós realmente gostaríamos de responder, e essa dúvida era, "Por que ninguém ainda desenvolveu nenhum jogo de computador para meninas?"
Por que isso?
Não pode ser simplesmente uma grande conspiração machista.
Essas pessoas não são assim tão inteligentes.
Seis bilhões de dólares estão em jogo.
E eles tentariam conseguir isso se soubessem como.
Então, qual era o problema?
E na medida que pensávamos sobre nossas metas -- Eu devo dizer que a Interval é realmente uma instituição humanista no sentido clássico da palavra que o humanismo, representado da melhor maneira, encontra um jeito de combinar a pesquisa empírica clara com um conjunto de valores fundamentais que fundamentalmente ama e respeita as pessoas.
A idéia básica do humanismo é a qualidade de vida que pode ser melhorada, que nós podemos fazer coisas boas, e que existem coisas que valem a pena serem feitas por que elas são boas coisas de se fazer e que o empirismo claro pode nos ajudar a entender como fazer essas coisas.
Assim, contrariando o senso comum, não existe um conflito de interesses entre o empirismo e valores fundamentais.
E a Interval Research é um exemplo vivo de como isso pode ser verdade.
Assim, David e eu decidimos descobrir, através da melhor pesquisa que nós pudéssemos fazer, o que levaria uma menina a usar um computador para conseguir o nível de conforto e facilidade com a tecnologia que meninos têm porque jogam videogames
Nós passamos dois anos e meio conduzindo pesquisas; e gastamos mais um ano e meio em desenvolvimento avançado.
E aí, nós formamos uma empresa subsidiária.
Para a fase de pesquisa do projeto na Interval, nós formamos uma parceria com uma empresa chamada Cheskin Research, e essas pessoas, Davis Masten e Christopher Ireland, mudaram meu pensamento completamente sobre o que era pesquisa de mercado, e o que poderia ser.
Eles me ensinaram como olhar e ver, e eles não fizeram a coisa mais incrivelmente estúpida de dizer para uma criança, "De todas essas coisas que nós já fazemos para você, qual você gosta mais?" o que não te dá nenhuma resposta aproveitável.
Então, o que nós fizemos nos primeiros dois anos e meio foi quatro coisas: Nós fizemos uma extensa revisão literária em áreas relacionadas como psicologia cognitiva, cognição espacial, estudos de gêneros, teoria dos jogos, sociologia, primatologia --
muito obrigada Franz de Waal, onde quer que você esteja, eu te amo e daria tudo para te conhecer.
Depois de termos feito isso com um grande time e descoberto o que achávamos que eram os pontos principais com meninos e meninas e jogando -- porque, no final, é realmente esse o assunto -- nós passamos para a segunda fase do nosso trabalho, onde entrevistamos experts adultos do ambiente acadêmico, algumas das pessoas que produziram a literatura que nós tínhamos achado relevante.
E nós também fizemos grupos focais com pessoas que lidavam com essas crianças todos os dias como por exemplo supervisores de parques de diversão, falamos com eles, confirmamos algumas hipóteses, identificamos algumas questões importantes sobre diferenças de sexo e jogos.
Daí nós fizemos o que eu considero ser o coração do trabalho -- entrevistamos 1. 100 crianças, meninos e meninas, com idades entre sete e 12 anos, em todos os Estados Unidos, exceto do Vale do Silício, Boston e Austin porque nós sabíamos que suas pequenas famílias teriam milhões de computadores e que eles não seriam uma amostra representativa.
E no final de todas essas conversas memoráveis com as crianças e seus melhores amigos em todo os Estados Unidos, depois de dois anos, nós agrupamos alguns dados de pesquisa de outras 10. 000 crianças determinamos um conjunto do que achávamos que eram as descobertas chave de nossa pesquisa e passamos outro ano transformando isso em eurística de desenvolvimento, para desenvolver produtos para computador e de fato, qualquer produto para meninas, com idade entre oito a 12 anos.
E nós passamos esse tempo desenvolvendo protótipos interativos para softwares de computador e testando esses softwares com meninas.
Em 1996, em novembro, nós criamos a empresa Purple Moon que era uma subsidiária da Interval Research, e nossos investidores principais eram a Interval Research, a Vulcan Northwest, a Institutional Venture Partners e a Allen e Company.
Nós lançamos um website em 2 de setembro, que hoje já abrigou 25 milhões de páginas, e que tem 42. 000 meninas registradas
que gastam uma média de -- elas visitam o site em média uma e meia vezes por dia, gastam uma média de 35 minutos por visita, e visualizam 50 páginas por visita.
Desta forma, acreditamos que construímos uma comunidade online de sucesso com meninas.
Nós lançamos dois títulos em Outubro -- "A Nova Escola de Rockett", que é o primeiro de uma série de produtos sobre uma personagem chamada Rockett começando seu primeiro dia na escola na oitava série em um lugar novo, com uma página em branco, que permite às meninas brincar com a pergunta " Como eu vou ser quando crescer?"
"Como será estar no colegial?"
"Quem são meus amigos?" para exercitar o amor à complexidade social e a inteligência narrativa que direciona a maior parte de seu comportamento de jogos, e que contém valores como perceber que nós temos várias escolhas em nossas vidas e a maneira que conduzimos nós mesmos.
O outro título que nós lançamos é chamado "Caminhos Secretos na Floresta," que é direcionado para a vida interior das meninas, mais orientadas para a fantasia.
Esses dois títulos ficaram na lista dos 50 melhores títulos no PC Data -- títulos de entretenimento no PC Data, em Dezembro, junto com "Futebol de John Madden", o que me empolga muito.
Então, somos reais, e tocamos a vida de várias centenas de meninas.
Agora, nós geramos meio milhão de impressões com marketing e relações públicas para essa marca, Purple Moon.
aproximadamente 96 por cento delas, foram positivas, quatro por cento delas não.
Eu quero falar das que não foram positivas, porque a política dessa empresa, de certa maneira, tem sido a parte mais fascinante, para mim.
Existem dois tipos de críticas negativas que nós recebemos.
Um tipo de crítico é um jogador do sexo masculino que acha que sabe como os jogos devem ser, e não irá mostrar o produto para meninas.
O outro tipo de crítico tem um quê de feminista que acha que sabe o que as meninas devem ser.
E é engraçado para mim, que esses companheiros interessantes e estranhos, têm uma coisa em comum. Eles não escutam as meninas.
Eles não olharam para as crianças e eles certamente não demonstram nenhum amor por elas.
Eu gostaria de mostrar para vocês algumas vozes de meninas dos dois anos e meio de pesquisas que nós fizemos -- na verdade algumas das vozes são mais recentes.
E essas vozes serão acompanhadas por fotografias que elas tiraram para nós de suas vidas, das coisas que elas valorizam e gostam.
Estas são fotos que essas próprias meninas nunca viram, mas nos deram. Este é o tipo de coisas que críticos não sabem e não estão escutando e este é o tipo de pesquisa que eu recomendo a vocês, que querem fazer um trabalho humanista.
Vídeo: Menina 1: É, meu personagem é geralmente uma capetinha
Ela gosta mais de meninos.
Menina 2: Umm, é.
Menina 1: Nós temos -- no comecinho do jogo nós sempre fazemos isso Cada uma de nós tem uma folha de papel, nós escrevemos nosso nome, nossa idade, e nós somos ricas, muito ricas, não somos ricas, pobres, classe média, milionárias, namorados, cachorros, animais de estimação --o que mais -- irmãs, irmãos, e tudo isso.
Menina 2: Divorciados -- pais divorciados, talvez.
Menina 3: Esse é o meu faz de conta.
Menina 4: Nós fazemos um jornal da escola no computador.
Menina 5: Para um jogo de meninas eles geralmente têm cenários bem bonitos com nuvens e flores.
Tipo, se você fosse uma menina e você gostasse muito de aventura, e fosse uma grande capetinha você ia achar que esses jogos de meninas são meio fru fru.
Menina 6: Eu corro, eu jogo futebol, eu jogo basquete, e eu amo ter um monte de coisas para fazer.
E às vezes eu sinto que eu não consigo me divertir a não ser que seja tipo nas férias, tipo, quando a segunda-feira e todos esses dias são feriado.
Menina 7: Bom, às vezes tem um monte de coisas acontecendo porque eu tenho aulas de música e eu estou no time de nado e tem todas essas coisas diferentes que eu tenho que fazer, e às vezes isso acaba sendo muita coisa.
Minha amiga Justine meio que pegou minha amiga Kelly, e agora elas estão sendo más comigo.
Menina 8: Bom, às vezes é irritante quando seus irmãos e irmãs, ou irmão ou irmã, quando eles te copiam e quando você tem sua idéia primeiro e eles pegam sua idéia e fazem eles mesmos.
Menina 9: Porque minha irmã mais velha, ela ganha tudo e, quando eu peço alguma coisa para minha mãe, ela fala "Não" o tempo todo.
Mas ela dá tudo para minha irmã.
Brenda Laurel: Eu quero mostrar para vocês, rapidinho, só um minuto da "Decisão Complicada de Rockett", que se transformou em ouro dois dias atrás.
Tomara que esteja estável.
Este é o segundo dia na vida de Rockett,
e o motivo que eu estou mostrando isso para vocês é porque eu espero que a cena que eu vou mostrar para vocês pareça familiar e soe familiar, agora que vocês escutaram as vozes de algumas meninas.
E vocês podem ver como nós tentamos incorporar todos esses assuntos que são importantes para elas no jogo que nós criamos.
Vídeo: Miko: Ei, Rockett! Vem aqui!
Rockett: Oi Miko! O que está acontecendo?
Miko: Você escutou alguma coisa sobre a festa do dia das bruxas da Nakilia neste final de semana?
Ela me pediu para te falar.
A Nakilia também convidou o Reuben, mas Rokett: Mas o quê? Ele não vai?
Miko: Eu acho que não.
Quer dizer, eu ouvi dizer que a banda dele está tocando em outra festa na mesma noite.
Rockett: Sério? Que outra festa?
Menina: A festa do Max, que vai ser muito legal, Whithey.
Ele convidou as pessoas mais legais.
BL: Eu vou avançar para o ponto de decisão porque eu sei que eu não tenho muito tempo.
Depois que esse terrível evento ocorre, a Rockett deve decidir como ela se sente sobre isso.
Vídeo: Rockett: E quem quer ir nessa festa?
Eu poderia ser convidada para essa festa qualquer dia, se eu quisesse.
Ah, eu duvido que eu vou estar na lista de pessoas mais legais do Max.
BL: OK, agora nós vamos navegar emocionalmente,
se nós estivéssemos jogando esse jogo, é isso que nós iríamos fazer.
Se, em qualquer momento, durante o jogo nós quisermos saber mais sobre os personagens nós podemos ir nesse corredor escondido, e eu vou rapidamente mostrar a interface para vocês.
Nós podemos, por exemplo, encontrar o armário da Miko e pegar mais informações sobre ela.
Oops, eu virei para o lado errado.
Mas vocês têm a idéia geral do produto.
Eu queria mostrar para vocês as maneiras, que parecem inócuas, pelas quais nós estamos incorporando o que nós aprendemos sobre meninas -- seus desejos de experimentar maior flexibilidade emocional, e de brincar com a complexidade social de suas vidas
Eu quero demonstrar que o que nós estamos dando para as meninas, eu acho, através destes esforços, é uma forma de validação, um sentimento de estar sendo vista.
E um senso das escolhas que estão disponíveis em suas vidas.
Nós as amamos.
Nós as enxergamos.
Nós não estamos tentando dizer a elas quem elas devem ser.
Mas, nos estamos muito, muito felizes com quem elas são.
Na verdade elas são ótimas.
Eu quero terminar mostrando para vocês um vídeo que é uma versão de um jogo futuro na série Rockett que nossos artistas gráficos e o pessoal do design preparou, que nós achamos que vai agradar aos quatro por cento dos críticos.
"Rockett 28"
Vídeo: Rockett: É como se eu estivesse acabando de acordar, sabe
BL: Muito obrigada.
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Hoje eu vou falar sobre os prazeres do dia-a-dia.
Mas eu quero começar com uma história de um homem incomum e terrível.
Este é Hermann Goering.
Goering era o imediato de Hitler na segunda grande guerra, o seu sucessor designado.
E como Hitler, Goering se via como um colecionador de arte.
Ele saiu pela Europa, durante a segunda guerra mundial, roubando, extorquindo e às vezes comprando várias pinturas para sua coleção.
E o que ele realmente queria era algo de Vermeer.
Hitler tinha dois e ele não tinha nenhum.
Então ele finalmente encontrou um vendedor de arte, um vendedor de arte holandês chamado Han van Meegeren, que vendeu para ele um Vermeer maravilhoso pelo equivalente hoje a 10 milhões de dólares.
E esta foi sua obra de arte preferida de todos os tempos.
A segunda guerra chegou ao fim, e Goering foi capturado, julgado em Nuremberg e finalmente sentenciado a morte.
Então as forças aliadas vasculharam suas coleções e encontraram as pinturas e foram atrás das pessoas que as venderam para ele.
E em algum ponto a polícia holandesa chegou em Amsterdam e prendeu Van Meegeren.
Van Meegeren foi acusado do crime de traição, que tem por pena a morte.
Seis semanas após sua sentença de prisão, Van Meegeren confessou.
Mas ele não confessou traição.
Ele disse, "eu não vendi uma grande obra de arte para aquele nazista.
Eu mesmo a pintei; eu sou um falsário."
Mas aí ninguém acreditou nele.
E ele disse, "Eu vou prová-lo.
Tragam-me uma tela e algumas tintas e eu vou pintar um Vermeer muito melhor do que o que vendi para aquele nazista nojento.
Eu também preciso de álcool e morfina, pois só assim eu consigo trabalhar."
Então eles lhe trouxeram.
Ele pintou um lindo Vermeer.
E então as acusações de traição foram retiradas.
Ele teve uma acusação mais branda de falsificação, foi sentenciado a um ano e morreu como um herói para os holandeses.
Há muito mais para se falar sobre Van Meegeren, mas eu quero voltar agora para Goering, que foi fotografado aqui sendo interrogado em Nuremberg.
Goering foi, por todos os meios, um homem terrível.
Até para um nazista, ele foi um homem terrível.
Os seus interrogadores americanos o descreveram como um psicopata amigável.
Mas você iria simpatizar com a reação que ele teve quando lhe disseram que sua pintura favorita era na verdade uma falsificação.
De acordo com o seu biógrafo, "Ele parecia como se pela primeira vez tivesse descoberto que há mal no mundo."
E se matou pouco tempo depois.
Afinal ele descobriu que a pintura que ele pensava ser esta era na verdade aquela.
Ela parecia a mesma, mas tinha uma origem diferente, era um outro trabalho de arte.
Não foi só ele que ficou em choque.
Assim que Van Meegeren entrou em julgamento, ele não parava de falar.
E se vangloriou de todas as grandes obras de arte que ele havia pintado e que foram atribuídas a outros artistas.
Em particular, "A Ceia em Emaús", que era vista como a mais bela obra de Vermeer, seu melhor trabalho -- gente do mundo inteiro vinha para vê-la -- era na verdade uma falsificação.
Ela não era aquela pintura, era aquela.
E quando isso foi descoberto, ela perdeu todo seu valor e foi retirada do museu.
Por que isso importa?
Vocês psicólogos, por que a origem importa tanto?
Por que a gente liga tanto para o fato de saber de onde vem alguma coisa?
Há uma resposta para isso que muitos dariam.
Muitos sociólogos como Veblen e Wolfe diriam que a razão pela qual a origem importa tanto para a gente é porque somos esnobes, porque focamos no status.
Dentre outras coisas, se você quer mostrar quão rico você é, quão poderoso, é sempre melhor possuir um original que uma falsificação porque sempre haverá menos originais que falsificações.
Eu não duvido de que isso seja um dos motivos, mas eu quero convencê-los hoje de que há mais do que isso acontecendo.
Eu quero convencê-los de que os humanos são, até certo grau, essencialistas naturais.
O que eu quero dizer com isso é que nós não reagimos às coisas ao vê-las, ou sentí-las, ou ouví-las.
Ao invés, nossa reação está condicionada às nossas crenças, mas o que realmente são, do que vieram, do que são feitas, qual é sua natureza oculta.
Eu quero sugerir que isso é verdade, não apenas ao pensarmos sobre as coisas, mas como reagimos a elas.
Portanto eu quero sugerir que o prazer é profundo -- e isto não é verdade somente para altos níveis de prazer como arte, mas até mesmo os prazeres aparentemente simples são afetados pelas nossas crenças acerca das essências ocultas.
Comida, por exemplo.
Você comeria isto?
Bem, uma boa resposta seria, "Depende. O que é isto?"
Alguns de vocês comeria se for carne de porco, mas não de vaca.
Alguns comeriam se for de vaca, mas não de porco.
Poucos comeriam se for m rato ou um ser humano.
Alguns de vocês só comeria se for um pedaço de tofu de cor estranha.
Isso não é surpresa nenhuma.
Mas o que é mais interessante é que o gosto que isso tem para você vai depender muito do que você pensa que está comendo.
E uma demonstração disso foi feita com crianças pequenas.
Como você deixa as crianças não apenas mais dispostas a comer cenoura e tomar leite, mas ter mais prazer comendo cenoura e tomando leite -- pensar que eles têm um gosto melhor?
É simples, você diz que eles vêm do McDonald's.
Elas acreditam que a comida do McDonald's é mais gostosa e isso faz com que elas sintam que é mais gostoso.
Como fazer um adulto realmente curtir vinho?
É muito simples: sirva-o de uma garrafa cara.
Há hoje dúzias, talvez centenas de estudos que mostram que se você acredita que está bebendo algo caro, isso lhe parece melhor.
Isso foi feito recentemente com uma visão neurocientífica.
Colocaram as pessoas em ressonância magnética, e enquanto elas estavam lá, através de um tubo, elas tinham que tomar vinho.
Na frente delas, em uma tela há informação sobre o vinho.
Todo mundo, claro, bebe exatamente o mesmo vinho.
Mas se você acredita que está bebendo algo caro, partes do seu cérebro associadas com o prazer e a recompensa acendem como uma árvore de natal.
Não é que você diga que é mais prazeroso, que você gosta mais, você realmente tem uma experiência diferente.
Ou sexo, por exemplo.
Esses são estímulos que usei em alguns de meus estudos.
E se você mostrar essas fotos para as pessoas, elas vão dizer que essas sãos pessoas razoavelmente atraentes.
Mas quão atraentes você as acha, quão movido sexual ou romanticamente você se sente por elas, está muito associado a quem você pensa que está vendo.
Você provavelmente pensa que na foto da esquerda está um homem, e na da esquerda uma mulher.
Se essa crença acabar sendo equivocada, isto fará diferença.
Fará diferença se eles forem muito mais novos ou muito mais velhos do que você pensa.
Vai fazer diferença se você descobrir que a pessoa para quem você está olhando com luxúria é na verdade uma versão disfarçada do seu filho ou filha, sua mãe ou pai.
Saber que alguém é seu parente geralmente mata a libido.
Talvez uma das mais comoventes descobertas da psicologia do prazer é que há mais na beleza do que sua aparência física.
Se você gosta de alguém, este lhe parece mais bonito.
É por isso que cônjuges em casamentos felizes tendem a achar que seu marido ou esposa é mais bonita do que qualquer outra pessoa acha.
Um exemplo particularmente dramático disso vem de um distúrbio neurológico conhecido por síndrome de Capgras.
A síndrome de Capgras é um distúrbio em que você tem uma alucinação específica.
Pessoas que sofrem da síndrome de Capgras acreditam que as pessoas a quem mais amam no mundo foram substituídas por cópias exatas.
Geralmente, o resultado da síndrome de Capgras é trágico.
Pessoas já assassinaram aqueles que amam, acreditando que estavam matando um impostor.
Mas há ao menos um caso em que a Síndrome de Capgras teve um final feliz.
Ele foi registrado em 1931.
"Pesquisadores descreveram uma mulher com síndrome de Capgras que reclamava do seu amante pobre e sexualmente inadequado."
Mas isso foi antes que ela tivesse a síndrome de Capgras.
Depois que ela teve, "Ela estava feliz em contar que descobriu que ele tinha um 'clone' que era rico, viril, bonito e aristocrático."
É claro, que o homem era o mesmo, mas ela o estava vendo de um jeito diferente.
Como um terceiro exemplo, considere consumidores de produtos.
Umas das razões pelas quais você pode gostar de algo é pela sua utilidade.
Você pode colocar sapatos nos pés; você pode jogar golfe com tacos; e chiclete mascado não lhe serve para nada.
Mas cada um desses três objetos tem um valor maior e além do que ele pode fazer por você baseado em sua história.
Os tacos de golfe pertenceram a John F. Kennedy e foam vendidos por 750 mil dólares num leilão.
O chiclete foi mascado pela Britney Spears e foi vendido por muitas centenas de dólares.
E de fato, há um mercado de sucesso de alimentos parcialmente comidos por pessoas queridas.
Os sapatos são, talvez, os mais valiosos de todos.
De acordo com uma fonte não confirmada, um milionário saudita ofereceu 10 milhões de dólares por esse par de sapatos.
Eles são os que foram atirados no George Bush numa coletiva de imprensa anos atrás.
Esta atração por objetos não funciona apenas em objetos de celebridades.
Cada um de nós, a maior parte das pessoas, tem algo na vida que é literalmente insubstituível, que tem valor por causa da sua história -- talvez sua aliança de casamento, talvez os sapatinhos do seu filho -- de tal modo que se perdê-los, você não vai conseguir de volta.
Você pode conseguir algo que pareça ou se comporte igual àquilo, mas você não vai conseguir o mesmo objeto de volta.
Com meus colegas George Newman e Gil Diesendruck, nós procuramos saber quais tipos de fatores, que tipo de história, conta para os objetos que as pessoas gostam.
Então em um de nossos experimentos, pedimos às pessoas para dizer um famoso a quem eles adoravam, uma pessoa viva que eles adoravam.
E a resposta foi George Clooney.
Então nós os perguntamos, "Quanto você pagaria por um suéter do George Clooney?"
E a resposta é uma quantidade razoável -- mais do que você pagaria por um suéter novo ou por um suéter que pertenceu a alguém que você não adora.
Então nós perguntamos a outros grupos -- nós criamos restrições diferentes e condições diferentes.
Por exemplo, nós dissemos a alguns, "Olha, você pode comprar este suéter, mas você não pode dizer a ninguém que você o tem e você não pode revendê-lo."
E isso diminui o seu valor, sugerindo que esta uma razão pela qual nós gostamos daquilo.
Mas o que realmente causa um efeito é dizer às pessoas, "Olha, você pode revendê-lo, você pode se vangloriar, mas antes de você recebê-lo, ele vai ser muito bem lavado."
Isso causa uma tremenda perda de valor.
Como disse minha mulher, "Você lavou os piolhos Clooney."
Então vamos voltar para arte.
Eu amaria um Chagall. Eu adoro o trabalho de Chagall.
Se alguém quiser me dar algo no final da conferência, você pode me comprar um Chagall.
Mas eu não quero uma cópia, mesmo que eu não possa notar a diferença.
Isso não porque ou não simplesmente porque eu sou um esnobe e eu quero me vangloriar de ter um original.
Mas sim porque eu quero algo que tenha uma história específica.
No caso de trabalhos de arte, a história é realmente especial.
O filósofo Denis Dutton no seu maravilhoso livro "Arte e Instinto" diz que, "O valor de um trabalho de arte tem raízes nas hipóteses sobre a performance por trás da sua criação."
E isso pode explicar a diferença entre um original e sua falsificação.
Eles podem parecer iguais, mas têm histórias diferentes.
O original é tipicamente o produto de um ato criativo, a falsificação não é.
Eu acho que esta abordagem pode explicar as diferenças no gosto das pessoas pela arte.
Este é um trabalho de Jackson Pollock.
Quem aqui gosta do trabalho de Jackson Pollock?
Ok. Quem aqui não liga para eles?
Eles apenas não gostam.
Eu não estou aqui para julgar quem está certo, mas eu vou fazer um julgamento empírico, sobre a intuição das pessoas, que é, se você gosta do trabalho de Jackson Pollock, você tenderá mais a acreditar do que as pessoas que não gostam, que esses trabalhos são difíceis de se criar, de que eles necessitam de tempo e energia, e energia criativa.
Eu uso Jackson Pollock com o propósito de um exemplo porque há uma jovem artista americana que pinta muito no estilo do Jackson Pollock, e seu trabalho valia muitas dezenas de milhares de dólares -- principalmente porque ela é uma artista muito jovem.
Está é Marla Olmstead que fez a maior parte do seu trabalho quando tinha três anos de idade.
O interessante sobre Marla Olmstead é que a sua família cometeu o erro de convidar um programa de televisão "60 minutos" à casa deles para filmá-la pintando.
E eles mostraram que seu pai a estava guiando.
Quando isto saiu na televisão, o valor de sua arte caiu para nada.
Era a mesma arte, fisicamente, mas a história havia mudado.
Eu estou focando agora em artes visuais, mas eu quero dar dois exemplos de música.
Este é Joshua Bell, um violinista muito famoso.
O reporter Gene Weingarten do Washington Post decidiu alistá-lo para um experimento audacioso.
A pergunta é: quanto as pessoas irão gostar de Joshua Bell, da música de Joshua Bell, se elas não souberem que estão ouvindo ao Joshua Bell?
E então ele fez com que Joshua Bell pegasse seu violino de um milhão de dólares e o levasse para uma estáção de metrô de Washington - DC e ficasse num canto para ver quanto dinheiro ele ganharia.
E aqui está um breve clipe disso.
Depois de ter ficado lá por 45 minutos, ele ganhou 32 dólares.
Nada mal. Mas também não é bom.
Aparentemente para realmente curtir a música de Joshua Bell, você tem que saber que está ouvindo ao Joshua Bell.
Ele na verdade ganhou 20 dólares mais do que isso, mas ele não contou isso.
Porque essa mulher chegou -- você vai ver no final do vídeo -- ela chega.
Ela o havia ouvido na biblioteca do congresso algumas semanas antes neste evento extravagante de gala.
E ela ficou estupefata que ele estava numa estação de metrô.
Então ela ficou com muita pena.
Ela pega sua bolsa e lhe dá uma nota de 20.
O segundo exemplo da música é de uma composição do modernista John Cage. "4: 33"."
Como muitos de vocês sabem, esta é a composição onde o pianista senta num banco, abre o piano o fica lá sem fazer nada por quatro minutos e 33 segundos -- este período de silêncio.
E as pessoas têm diferentes visões disso.
Mas o que eu quero mostrar é que você pode comprar isso no iTunes.
Por 1, 99 dólares, você pode ouvir este silêncio, que é diferente de outras formas de silêncio.
Eu falei até agora sobre prazer, mas eu quero sugerir que tudo que eu falei até agora, também vale para a dor.
E como você pensa sobre o que está experenciando, suas crenças sobre a essência disso, afeta como dói.
Um experimento adorável foi feito por Kurt Gray e Dan Wegner.
O que eles fizeram foi ligar graduandos de Harvard a uma máquina de choque elétrico.
E eles os deram uma série de choques elétricos doloridos.
Era uma série de cinco choques doloridos.
À metade deles foi dito que eles estavam levando choques por alguém em outra sala, mas a pessoa na outra sala não sabe que está dando choque neles.
Não há malevolência, eles estão apenas apertando um botão.
O primeiro choque é registrado como muito dolorido.
O segundo choque parece menos dolorido, porque você fica acostumado.
O terceiro menos, o quarto, o quinto.
A dor diminui.
Na outra condição, lhes dizem que a pessoa na outra sala está dando choque de propósito neles -- sabe que está dando choque neles.
O primeiro choque dói para diabo.
O segundo dói o mesmo tanto, e o terceiro e o quarto e o quinto.
Dói mais se você acreditar que alguém está fazendo de propósito.
O exemplo mais extremo disso é que em alguns casos, a dor sob determinadas circunstâncias pode se transformar em prazer.
Humanos têm essa propriedade extraordinária de procurar pequenas doses de dor sob circunstâncias controladas e ter prazer disso -- como comer pimentas picantes e andar em montanhas-russas.
O ponto foi bem colocado pelo poeta John Milton que escreveu, "A mente é seu próprio lugar, e por si pode fazer um céu do inferno, e um inferno do céu."
E com isso eu termino. Obrigado.
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Sou um médico, mas meio que escorreguei para o lado da pesquisa, e agora sou um epidemiologista.
E ninguém sabe realmente o que é epidemiologia.
Epidemiologia é a ciência de como sabemos no mundo real se algo é bom ou ruim para você.
E entende-se melhor através do exemplo, como a ciência dessas manchetes malucas, excêntricas no jornal.
E estes são apenas alguns dos exemplos.
Estes são do Daily Mail. Todo país no mundo tem um jornal como este.
Ele tem esse projeto filosófico bizarro de dividir todas as coisas inanimadas no mundo nas que causam e nas que previnem o câncer.
Então, aqui estão algumas das coisas que eles disseram recentemente que causam câncer: divórcio, Wi-Fi, artigos de higiene pessoal e café.
Aqui estão algumas das coisas que eles dizem previne o câncer: crostas, pimenta vermelha, alcaçuz e café.
Então, vocês já podem ver que há contradições.
Café causa e previne câncer.
E, à medida em que lê, você pode notar que talvez haja algum tipo de dissimulação política por trás disso.
Então para mulheres, trabalho doméstico previne câncer de mama, mas para homens, fazer compras pode torná-los impotentes.
Sabemos que precisamos começar a descosturar a ciência por trás disso.
E o que espero demonstrar é que descosturar alegações matreiras, descosturar a prova por trás das alegações matreiras, não é um tipo de atividade antipática, capciosa; é útil socialmente, mas é também uma ferramenta de explanação extremamente valiosa.
Porque a verdadeira ciência é inteiramente sobre avaliar criticamente a prova para o posicionamento de outra pessoa.
É o que acontece em revistas acadêmicas.
É o que acontece em conferências acadêmicas.
A sessões de perguntas e respostas depois que um pós-operatório apresenta dados é frequentemente um banho de sangue.
E ninguém se importa com isso. Incentivamos isso ativamente.
É como uma atividade consentida de sado-masoquismo intelectual.
O que vou demonstrar a vocês são as principais coisas, as principais características de minha disciplina -- medicina baseada em provas.
E vou falar sobre elas e demonstrar como elas funcionam, exclusivamente usando exemplos de pessoas que assumem as coisas erradamente.
Começaremos com a forma de evidência absolutamente mais fraca conhecida do homem, que é a autoridade.
Em ciência, não nos importamos com quantos títulos você tem depois de seu nome.
Em ciência, queremos saber quais são as razões para se acreditar em algo.
Como você sabe que algo é bom ou ruim para nós?
Também não somos impressionados pela autoridade, porque é tão fácil enganar.
Este é alguém chamado Dr. Gillian McKeith Ph. D, ou, para dizer seu título completo, Gillian McKeith.
Novamente, todo país tem alguém assim.
Ela é nosso guru de dieta na TV.
Tem programas em horário nobre na televisão, nos quais dá conselhos abundantes e exóticos sobre saúde.
Acontece que ela tem um curso de pós-graduação não credenciado por correspondência
de algum lugar na América.
Ela também ostenta uma certificação profissional de membro da Associação Americana de Consultores Nutricionais, que soa muito glamurosa e excitante.
Você consegue um certificado para todas as coisas.
Este pertence à minha gata morta Hetti. Era um gata horrível.
Você vai ao site na web, preenche o formulário, envia $60, e ele chega pelo correio.
Essa não é a única razão por que pensamos que essa pessoa é uma idiota.
Ela também diz coisas como: você deveria comer muitas folhas verde-escuras porque elas contêm muita clorofila, e isso realmente oxigenará seu sangue.
E qualquer um que estudou biologia na escola lembrará que clorofila e cloroplastos somente produzem oxigênio à luz do sol, e é bem escuro em suas entranhas depois que você comeu espinafre.
Precisamos de ciência adequada, prova adequada.
Então, "Vinho tinto pode ajudar a prevenir câncer de mama."
Esta é a manchete do Daily Telegraph no Reino Unido.
"Um copo de vinho tinto por dia pode ajudar a prevenir câncer de mama."
Então você encontra esse jornal e o que você acha é uma peça de ciência verdadeira.
É a descrição das alterações de uma enzima quando você goteja um químico extraído da casca de algumas uvas vermelhas em algumas células cancerosas, em uma lâmina sobre uma mesa, em um laboratório, em algum lugar.
E esta é realmente uma coisa útil de se descrever num jornal científico mas na questão de seu próprio risco pessoal de contrair câncer de mama se você toma vinho tinto, isso lhe diz absolutamente nada.
Na verdade, acontece que seu risco de câncer de mama aumenta levemente a cada quantia de álcool que você ingere.
O que queremos são estudos em pessoas humanas reais.
E aqui está outro exemplo.
Este é do nutricionista líder da Grã Bretanha, no Daily Mirror, que é nosso segundo maior jornal em vendas.
"Um estudo australiano, em 2001, descobriu que óleo de oliva em combinação com frutas, vegetais e grãos oferece proteção contra rugas na pele."
E então, eles lhe dão o conselho: "Se você comer óleo de oliva e vegetais, você terá menos rugas na pele."
E eles muito prestativamente lhe dizem como encontrar o jornal.
E você acha o jornal e o que encontra é um estudo de observações.
Obviamente ninguém foi capaz de voltar a 1930, juntar todas as pessoas nascidas em uma maternidade e metade delas come muitas frutas, vegetais e óleo de oliva, e a outra metade come comida do McDonald's, e depois observamos quantas rugas apareceram.
Você tem que tirar uma foto de como as pessoas são agora.
E o que você descobre, é claro, é que pessoas que comem vegetais e óleo de oliva têm menos rugas na pele.
Mas isso é porque pessoas que comem frutas, vegetais e óleo de oliva, elas são malucas, elas não são normais, elas são como vocês; elas vêm a eventos como este.
Elas são elegantes, são ricas, é menos provável que tenham empregos ao ar livre, é menos provável que façam trabalhos manuais, têm melhor apoio social, é menos provável que fumem -- então, por um completo e fascinante entrelaçamento de razões sociais, políticas e culturais, é menos provável que elas tenham rugas na pele.
Isso não significa que sejam os vegetais ou o óleo de oliva.
Então, idealmente, o que se quer fazer é uma experiência.
E todos acham que estão bastante familiarizados com a ideia de experiência.
Experiências são muito antigas. A primeira experiência está na Bíblia -- Daniel 1: 12.
É muito simples -- você pega um punhado de pessoas, separa-as em metades, você trata um grupo de uma maneira, trata o outro grupo de outra maneira, e pouco tempo depois, você as acompanha e observa o que aconteceu a cada uma delas.
Então vou contar-lhes sobre uma experiência que é provavelmente a experiência melhor relatada na mídia jornalística, no Reino Unido, na década passada.
E esta é a experiência das cápsulas de óleo de peixe.
E a alegação era de que capsulas de óleo de peixe melhoram o desempenho escolar e o comportamento da maioria das crianças.
E eles disseram: "Fizemos um experimento.
Todos os experimentos anteriores foram positivos, e sabemos que este também vai ser."
Isso deveria sempre fazer soar o alarme.
Porque se você já sabe a resposta para sua experiência, você não deveria estar fazendo uma experiência.
Ou você fraudou-a no planejamento, ou tem dados suficientes de modo que não há mais necessidade de submeter pessoas às variáveis.
Então isso é o que eles iriam fazer no experimento.
Eles pegariam 3. 000 crianças, dariam a elas essas enormes cápsulas de óleo de peixe, seis delas por dia, e, então, um ano depois, iriam medir seu desempenho em um exame escolar e comparar esse desempenho no exame escolar com o que eles tinham previsto que teria sido o desempenho no exame se eles não tivessem tomado as cápsulas.
Alguém pode apontar uma falha nesse projeto?
Nenhum professor de metodologia de experimentos clínicos pode responder esta questão.
Não há controle; não há grupo de controle.
Mas, soa realmente técnico.
É um termo técnico.
As crianças tomam as cápsulas, e então seu desempenho melhora.
O que mais poderia ser, senão as cápsulas?
Elas cresceram. Todos nos desenvolvemos com o tempo.
E, é claro, também há o efeito placebo.
O efeito placebo é um dos mais fascinantes em toda a medicina.
Não é apenas sobre tomar uma cápsula e melhorar nosso desempenho ou dor.
É sobre nossas crenças e expectativas.
É sobre o significado cultural de um tratamento.
E isso tem sido demonstrado numa grande quantidade de estudos fascinantes, comparando um tipo de placebo com outro.
Sabemos, por exempo, que duas pílulas de açúcar por dia são um tratamento mais eficaz para livrar-se de úlceras gástricas do que uma pílula de açúcar.
Duas pílulas de açúçar por dia superam uma pílula de açúcar por dia.
E esta é uma descoberta ultrajante e ridícula, mas é verdadeira.
Sabemos por três estudos diferentes em três tipos diferentes de dor que uma injeção de solução salina é um tratamento mais eficaz para a dor do que tomar uma pílula de açúcar, uma pílula falsificada que não contém medicamento -- não porque a injeção ou as pílulas façam qualquer coisa fisicamente ao corpo, mas porque uma injeção parece uma intervenção muito mais dramática.
Sabemos que nossas crenças e expectativas poderm ser manipuladas, e é por isso que fazemos experimentos que controlamos com um placebo -- nos quais uma metade das pessoas toma o tratamento verdadeiro e a outra metade toma o placebo.
Mas isso não é o bastante.
O que acabei de mostrar-lhes são formas muito simples e diretas com que jornalistas, vendedores de pílulas de suplemento alimentar e naturalistas podem distorcer provas para seus propósitos.
O que acho realmente fascinante é que a indústria farmacêutica usa exatamente os mesmos tipos de truques e dispositivos, mas em versões ligeiramente mais sofisticadas, para distorcer a evidência que fornecem a médicos e pacientes, e que usamos para tomar decisões extremamente importantes.
Primeiramente, experimentos com placebo: todos pensam que sabem que um experimento deveria ser uma comparação da nova droga com o placebo.
Mas, na verdade, em muitas situações isso está errado.
Porque frequentemente já temos um tratamento muito bom disponível, então não queremos saber que seu novo tratamento alternativo é melhor que nada.
Queremos saber que é melhor que o melhor tratamento disponível que temos.
E, mesmo assim, repetidamente, você vê pessoas fazendo experimentos ainda com o placebo.
E você pode obter licença para colocar seu medicamento no mercado apenas com dados demonstrando que ele é melhor que nada, o que é inútil para um médico como eu tentado tomar uma decisão.
Mas essa não é a única forma com que você pode alterar seus dados.
Você pode também alterar seus dados tornando aquilo que você compara com seu novo medicamento realmente um lixo.
Você pode aplicar a droga concorrente em uma dose muito baixa, então as pessoas não são tratadas adequadamente.
Você pode aplicar a droga concorrente em uma dose muito alta, então as pessoas têm efeitos colaterais.
E isto é exatamente o que aconteceu com a medicação antipsicótica para esquizofrenia.
Vinte anos atrás, uma nova geração de drogas antipsicóticas foi produzida e a promessa era que elas teriam menos efeitos colaterais.
Então começaram a fazer experimentos dessas novas drogas contra as drogas antigas, mas usaram as drogas antigas em doses ridiculamente altas -- 20 miligramas por dia de haloperidol.
E isso é uma conclusão antecipada, se você aplica uma droga em dose tão alta, terá mais efeitos colaterais e sua nova droga parecerá melhor.
Dez anos atrás, a história repetiu-se, interessantemente, quando a risperidona, que foi a primeiras das drogas antipsicóticas de nova geração, tornou-se pública, então qualquer um podia fazer cópias.
Todo mundo queria mostrar que sua droga era melhor que risperidona, então você vê um punhado de experimentos comparando novas drogas antipsicóticas com a risperidona a oito miligramas por dia.
Novamente, não uma dosagem insana, não uma dosagem ilegal, mas muito acima do normal.
E assim você tem certeza de fazer sua nova droga parecer melhor.
E não é surpresa que, no geral, experimentos financiados pela indústria são quatro vezes mais prováveis de dar um resultado positivo do que experimentos patrocinados independentemente.
Mas -- e é um grande mas -- acontece, quando você olha para os métodos usados por experimentos financiados pela indústria, que eles são realmente melhores que experimentos patrocinados independentemente.
E ainda, eles sempre conseguem o resultado que querem.
Como isso funciona?
Como podemos explicar esse estranho fenômeno?
Bem, sucede que o que acontece é que os dados negativos desaparecem; são sonegados a médicos e pacientes.
E este é o aspecto mais importante de toda a história.
Está no topo da pirâmide de evidência.
Precisamos ter todos os dados de um tratamento específico para saber se ele é ou não realmente eficaz.
E há duas diferentes maneiras de detectar se algum dado desapareceu.
Você pode usar estatística ou você pode usar histórias.
Pessoalmente, prefiro estatísticas, então é o que vou fazer primeiro.
Isto é algo chamado de diagrama de funil.
E um diagrama de funil é um modo bem hábil de detectar se pequenos experimentos negativos desapareceram, foram perdidos.
Este é um gráfico de todos os experimentos que foram feitos sobre um tratamento específico.
E à medida que você sobe em direção ao topo do gráfico, o que você vê é que cada ponto é um experimento.
E à medida em que você sobe, esses são os maiores experimentos, então eles contêm menos erros.
Então é menos provável que sejam aleatoriamente falso positivo, aleatoriamente falso negativo.
Todos se aglomeram.
Os grandes experimentos estão mais próximos da resposta verdadeira.
Então à medida que você desce para a margem, o que você vê, neste lado, são os falso-negativos espúrios, e, neste lado, os falso-positivos espúrios.
Se há tendenciosidade na publicação, se pequenos experimentos negativos desapareceram, você pode ver em um desses gráficos.
Então, aqui você pode ver que os pequemos experimentos negativos que deveriam estar na base esquerda desapareceram.
Este é um gráfico que demonstra a ocorrência de tendenciosidade na publicação em estudos de tendenciosidade na publicação.
E acho que esta é a piada de epidemiologia mais engraçada que vocês vão ouvir.
É desta maneira que se prova estatisticamente, mas, que tal as histórias?
Bem, elas são abomináveis, realmente são.
Esta é uma droga chamada reboxetina.
É uma droga que eu mesmo prescrevi a pacientes.
E sou um médico obstinado.
Espero fazer mais do que devo e tento ler e entender toda a literatura.
Li os experimentos sobre esta. Todos eram positivos. Foram bem conduzidos.
Não encontrei falhas.
Infelizmente, aconteceu que muitos desses experimentos foram sonegados.
De fato, 76 por cento de todos os experimentos que foram feitos com esta droga foram sonegados a médicos e pacientes.
Agora, se você pensar sobre isso, se eu jogasse uma moeda cem vezes, e posso esconder de você metade das respostas, então posso convencê-lo de que tenho uma moeda com duas caras.
Se removo metade dos dados, nunca poderemos saber qual é a verdadeira extensão do efeito dessas drogas.
E esta não é uma história isolada.
Cerca de metade de todos os dados em experimentos com antidepressivos tem sido sonegada, mas vai muito além disso.
O Grupo Nordic Cochrane estava tentando obter os dados sobre isso para reuni-los.
Os Grupos Cochrane são uma colaboração internacional sem fins lucrativos que produzem revisões sistemáticas de todos os dados que já tenham sido apresentados.
E eles precisam ter acesso a todos os dados do experimento.
Mas as companhias sonegam esses dados a eles, e assim fez a European Medicines Agency por três anos.
Este é um problema que necessita uma solução atualmente.
E para mostrar quão longe isso vai, esta é uma droga chamada Tamiflu, na qual governos do mundo todo gastaram bilhões e bilhões de dólares.
E eles gastaram esse dinheiro com a promessa de que esta era uma droga que reduziria a taxa de complicações com a gripe influenza.
Já temos os dados demonstrando que ela reduz a duração de sua gripe por poucas horas.
Mas, não me importo com isso. Governos não se importam com isso.
Sinto muito se você tem a gripe influenza, sei que é horrível, mas não vamos gastar bilhões de dólares tentando reduzir a duração de seus sintomas de gripe por meio dia.
Prescrevemos essas drogas, nós as estocamos para emergências na expectativa de que elas reduzirão o número de complicações, que significam pneumonia e que significam morte.
O Grupo Cochrane de doenças infecciosas, que está estabelecido na Itália, tem tentado conseguir os dados completos de forma usável das companhias de medicamentos para que possa tomar uma decisão cabal sobre se a droga é eficaz ou não, e não tem sido capaz de conseguir essa informação.
Este é indubitavelmente o maior problema ético que a medicina encara hoje.
Não podemos tomar decisões quando há falta de toda a informação.
Então é um pouco difícil a partir disso produzir algum tipo de conclusão positiva.
Mas eu diria isto: penso que a luz do sol é o melhor desinfetante.
Todas essas coisas estão acontecendo a olhos vistos e todos estão protegidos por um campo de força de tédio.
E acho, com todos os problemas em ciência, uma das melhores coisas que podemos fazer é abrir os olhos, agarrar-nos à mecânica e pesquisar.
Muito obrigado.
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A primeira metade do século XX foi um verdadeiro desastre nas relações humanas, uma catástrofe.
Tivemos a Primeira Guerra Mundial, a Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial, e o surgimento das nações comunistas.
E cada um desses eventos separou o mundo, rasgou o mundo, dividiu o mundo.
Barreiras foram erguidas, barreiras políticas, barreiras comerciais, barreiras de transportes, barreiras de comunicação, cortinas de ferro, que separaram povos e nações.
Foi apenas na segunda metade do século XX que lentamente começamos a emergir desse abismo.
Barreiras comerciais começaram a cair por terra.
Aqui estão alguns dados sobre as tarifas praticadas: começaram em 40%, e caíram para menos de 5%.
Nós globalizamos o mundo. Mas qual é o significado disso?
Significa que estendemos a cooperação para além dos limites nacionais. Tornamos o mundo mais cooperativo.
Barreiras de transporte caíram por terra.
Você sabia que em 1950 um navio típico transportava entre 5 e 10 mil toneladas de mercadorias?
Atualmente, um navio cargueiro pode transportar 150 mil toneladas. Ele pode operar com um pequena tripulação, e ser descarregado mais rápido do que nunca.
As barreiras de comunicação, nem preciso mencionar a internet, ruíram totalmente.
E claro que as cortinas de ferro, os muros políticos desmoronaram por completo.
Tudo isso foi fantástico para o mundo.
O comércio aumentou.
Aqui estão alguns dados sobre isso.
Em 1990, as exportações da China para os Estados Unidos eram de 15 bilhões de dólares.
Em 2007, ultrapassaram 300 bilhões de dólares.
Talvez mais notável ainda, no início do século XXI, de fato pela primeira vez na história moderna, o crescimento se estendeu por quase todas as partes do mundo.
A China, como já mencionei, começando em 1978, na época da morte de Mao, teve um crescimento de 10% ao ano.
Ano após ano, após ano, algo realmente incrível.
Nunca antes na história da humanidade tantas pessoas conseguiram sair da porbreza extrema como ocorreu na China.
A China é o exemplo do maior programa anti-pobreza no mundo nas últimas três décadas.
A Índia, que começou um pouco mais tarde, mas teve um crescimento gigantesco em 1990.
Os salários naquela época eram de menos de mil dólares anuais.
E nos 18 anos seguintes, praticamente triplicaram.
Um crescimento de 6% ao ano. Verdadeiramente inacreditável.
Agora a África Subsaariana, a África Subsaariana tem sido a região do mundo mais resistente ao crescimento.
Podemos observar a tragédia da Africa nas primeiras colunas aqui.
O crescimento foi negativo.
Na realidade, as pessoas estavam ficando mais pobres do que seus pais. E em alguns casos, mais pobres do que foram seus avós.
Mas no final do século XX e no início do século XXI observamos um crescimento na África.
Acredito, como vocês verão, que há motivos para otimismo. Pois acredito que o melhor ainda está por vir.
E agora as razões.
Na vanguarda de hoje são as novas ideias que estão estimulando o crescimento.
Me refiro aos produtos que têm alto custo de pesquisa e desenvolvimento, mas cujos custos de produção são baixos.
Mais do que nunca são esses tipos de ideias que estão impelindo o crescimento.
Ideias têm essa incrível característica.
Acho que Thomas Jefferson expressou isso muito bem.
Ele disse: " Aquele que recebe uma ideia minha recebe conhecimento, sem diminuir o meu.
Assim como aquele que acende sua vela na minha recebe a luz sem me escurecer."
Ou de uma forma ligeiramente diferente, uma maçã alimenta um homem, mas uma ideia pode alimentar o mundo.
Bem, isso não é novidade, sobretudo para os TEDistas.
Esse é basicamente o modelo do TED.
A novidade é que o maior emprego de ideias vai impulsionar o crescimento como nunca aconteceu antes.
Isso explica porque o comércio e a globalização são ainda mais importantes, mais poderosos do que nunca, e vão incrementar o crescimento ainda mais do que antes.
Para explicar por que isso é assim, tenho uma pergunta.
Vamos supor que haja duas doenças. Uma delas é rara, a outra comum. Mas se não tratadas, são igualmente graves.
Se você tivesse que escolher, qual das duas preferiria? A doença comum ou a rara?
Comum. A comum. Acho que é a decisão correta. Por quê? Porque há mais medicamentos para tratar doenças comuns do que para tratar doenças raras.
A razão para isso são os incentivos.
O custo de produzir uma nova droga é o mesmo, seja para tratar mil pessoas, cem mil ou um milhão de pessoas.
Porém, o faturamento será muito maior se a droga tratar um milhão de pessoas.
Logo, os incentivos são muito maiores para produzir drogas que tratem mais pessoas.
Dito de outra forma, grandes mercados salvam vidas.
Nessa caso, o infortúnio quer companhia.
Agora pense no seguinte: Se a China e a India fossem ricas como os Estados Unidos são atualmente, o mercado para drogas contra o câncer seria oito vezes maior do que é hoje.
Ainda não chegamos lá, mas estamos a caminho.
À medida que outros países enriquecem a demanda por esses medicamentos crescerá imensamente.
E isso significará um maior incentivo à pesquisa e desenvolvimento, que beneficiará a todos no mundo.
Mercados maiores aumentam o incentivo para produzir todos os tipos de ideias. Seja um software, um chip de computador ou um novo design.
Para as pessoas de Hollywood que estão na plateia, isso explica até mesmo por que filmes de ação tem orçamentos maiores do que comédias. É porque filmes de ação são mais facilmente compreendidos em outros idiomas e outras culturas. Logo, o mercado para esse tipo de filme é maior.
As pessoas se dispõem a investir mais, e os orçamentos são maiores.
Certo. Bem, se mercados maiores aumentam o incentivo para a produção de novas ideias, como então maximizar esse incentivo?
É criando um mercado mundial, globalizando o mundo.
Gosto de me referir a isso como uma ideia, ideias são criadas para serem compartilhadas, de forma que uma ideia possa servir a um mundo, a um mercado.
Uma ideia, um mundo, um mercado.
De que outra forma podemos criar novas ideias?
Aqui está uma razão.
Globalize, comercialize.
De que outra forma podemos criar novas ideias?
Bem, através de mais criadores de ideias.
Criadores de ideias vem de todos os campos.
Artistas e inovadores, muitas das pessoas que vocês viram neste palco.
Vou me focar nos cientistas e engenheiros pois tenho alguns dados sobre isso. Sou um homem de dados.
Atualmente menos de 1/10 de um porcento da população mundial são cientistas e engenheiros.
Os Estados Unidos têm sido um líder de ideias.
Uma grande parte dessas pessoas está nos Estados Unidos.
Mas o país está perdendo sua liderança nesse campo.
Fico muito satisfeito por isso.
Isso é muito bom.
É muito positivo que estejamos perdendo essa liderança porque por muito tempo os Estados Unidos, e vários outros países desenvolvidos, carregaram todo o fardo da pesquisa e desenvolvimento.
Mas considere o seguinte: Se o mundo todo fosse rico como os Estados Unidos são atualmente, haveria cinco vezes mais cientistas e engenheiros contribuindo com ideias que beneficiam todos, e que são compartilhadas por todos.
Penso no grande matemático indiano, Ramanujan.
Quantos Ramanujans há hoje na Índia labutando nos campos, mal conseguindo se alimentar, quando poderiam estar alimentando o mundo?
Ainda não chegamos lá.
Mas isso vai acontecer nesse século.
A verdadeira tragédia do século passado foi essa: Se pensarmos na população mundial como um computador gigante, um processador paralelo, então a grande tragédia foi que bilhões de processadores ficaram desconectados.
Mas nesse século a China está se conectando.
A Índia está se conectando.
A África está se conectando.
Veremos um Einstein na África neste século.
Vamos aos dados. Isso é a China.
1996, menos de um milhão de novos universitários na China, por ano. Em 2006, mais de cinco milhões.
Pense no significado disso.
Isso significa que todos nos beneficiamos quando outro país enriquece.
Não deveríamos temer o fato de outros países enriquecerem.
Isso é algo que deveríamos acalentar. Uma China, Índia e África ricas.
Precisamos de uma maior demanda por ideias, daqueles mercados maiores que mencionei anteriormente, e um maior suprimento de ideias para o mundo.
Agora vocês podem entender por que sou otimista.
A globalização está aumentando a demanda por ideias, o incentivo para criar novas ideias.
Investimentos em educação aumentam o suprimento de novas ideias.
Na realidade, analisando a história mundial pode-se encontrar motivos para otimismo.
Dos primórdios da humanidade até 1500 não houve crescimento econômico, zero.
de 1500 a 1800 talvez tenha havido um discreto crescimento econômico. Certamente menor em um século do que o crescimento que observamos atualmente em um ano.
Nos 1900, talvez 1%.
No século XX, pouco mais de 2 %.
Já no século XXI, poderia facilmente alcançar 3. 3% ou mais.
Mesmo nesse ritmo, em 2100, o PIB mundial médio per capita será de duzentos mil dólares.
Esse não é o PIB per capita americano, que deverá ser maior do que um milhão. Mas sim o PIB mundial per capita, de duzentos mil dólares.
Isso não está muito distante.
Nós não chegaremos a ver isso.
Mas alguns de nossos netos certamente conseguirão.
E devo dizer que, na minha opinião, esse é um prognóstico modesto.
Em termos Kurzweilianos isso é pessimista.
Em termos Kurzweilianos sou como o burrinho Bisonho do crescimento econômico.
Certo. E os problemas?
E a Grande Depressão?
Bem, vamos analisar a Grande Depressão.
Aqui está o PIB per capita de 1900 a 1929.
Agora vamos imaginar que você fosse um economista em 1929, tentando prever o crescimento futuro dos Estados Unidos, desconhecendo que a economia estava para cair num abismo. Sem saber que estávamos prestes a entrar certamente no que foi o maior desastre econômico do século XX.
Qual teria sido a sua previsão ignorando esse fato?
Se você tivesse baseado sua previsão no período de 1900 a 1929 você teria previsto algo assim.
Se tivesse sido um pouco mais otimista, digamos, baseado nos vibrantes anos 20, você teria previsto isso.
Mas o que de fato aconteceu?
Caímos num abismo mas nos recuperamos.
Na verdade, na segunda metade do século XX o crescimento foi ainda maior do que o previsto considerando a primeira metade do século XX.
Logo, o crescimento pode apagar até mesmo o que aparenta ser uma grande depressão.
Certo. E o que mais?
Petróleo. O petróleo era uma grande questão.
Quando estava fazendo minha anotações, o barril de petróleo estava a 140 dólares.
As pessoas estavam se perguntando. Estavam comentando, "Será que a China está bebendo nosso precioso néctar?"
Há um fundo de verdade nisso no sentido que nossos recursos são finitos. E um maior crescimento vai levar ao esgotamento.
Acho que não preciso dizer a esta plateia que a alta do petróleo não é necessariamente algo negativo.
Além do mais, como todos sabem, é a energia, e não o petróleo, que importa.
E petróleo mais caro significa um maior incentivo para investir em P&D de energia.
Você pode ver isso aqui nos dados.
À medida que a cotação do petróleo sobe, as patentes energéticas também aumentam.
O mundo hoje está muito mais preparado para superar uma alta do petróleo do que no passado, devido ao que eu tenho mencionado aqui.
Uma ideia, um mundo, um mercado.
Logo, sou otimista, desde que nos atenhamos a essas duas ideias: continuar a globalizar os mercados mundiais, continuar a estender a cooperação para além das fronteiras nacionais, e continuar a investir em educação.
Atualmente os Estados Unidos têm um papel extremamente importante a cumprir nesse cenário: manter nosso sistema educacional globalizado, manter nosso sistema educacional aberto a estudantes do mundo todo, pois nosso sistema educacional é a vela que outros estudantes usam para acender suas próprias velas.
Lembrem-se do que Jefferson disse.
Ele disse: " Quando eles vem e acendem suas velas nas nossas, eles ganham a luz, mas nós não ficamos na escuridão."
Jefferson não estava totalmente certo, estava?
Porque a verdade é que, quando eles acendem suas velas nas nossas há duas vezes mais luz disponível para todos.
Portanto, minha proposta é ser otimista.
Espalhe as ideias. Espalhe a luz.
Obrigado.
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Meus alunos sempre me perguntam "O que é sociologia?"
E eu digo a eles, "É o estudo da maneira com que seres humanos são moldados pelas coisas que eles não vêem."
E eles dizem, "Então como eu posso ser um sociólogo?
Como posso entender essas forças invisíveis?"
E eu digo. "Empatia.
Comece com empatia.
Tudo começa com empatia.
Saia da sua posição e coloque-se na posição de outra pessoa."
Vou dar um exemplo.
Imagine a minha vida, se 100 anos atrás a China tivesse sido a nação mais poderosa do mundo e eles viessem aos Estados Unidos para procurar carvão E eles achassem muito carvão bem aqui.
E logo depois começassem a enviar esse carvão, tonelada por tonelada, vagão por vagão, carga de barco a carga de barco, de volta para China e outros locais no mundo.
E eles ficassem muito, muito ricos fazendo isso.
E eles construíssem cidades lindas todas movidas por esse carvão.
E enquanto isso nos Estados Unidos nós vivêssemos um desespero econômico, privação
É isso que eu veria.
Veria pessoas batalhando para sobreviver, sem saber o que era o quê e o que viria a seguir.
E aí eu me perguntaria:
Digo, "Como é possível que sejamos tão pobres aqui nos Estados Unidos, porque o carvão é uma fonte tão rica, É tanto dinheiro?"
E eu percebo, porque os Chineses se firmaram com a pequena classe que comanda os Estados Unidos que roubou todo esse dinheiro e riqueza para eles próprios.
E o resto de nós, a maioria de nós, luta para sobreviver.
E os Chineses deram a essa pequena elite muitas armas militares e tecnologia sofisticada para garantir que pessoas como eu não se manifestariam contra essa relação.
Isso soa familiar?
E eles fizeram coisas como treinar americanos para ajudar a proteger o carvão.
E em todos os locais havia símbolos dos chineses -- em todo lugar, um lembrete constante.
E na China O que eles falam na China?
Nada. Eles não falam de nós. Eles não perguntam sobre o carvão.
Se você perguntar a eles, eles dirão, "Bem, vocês conhecem o carvão, nós precisamos de carvão.
Quero dizer, Eu não vou abaixar o meu termostato.
Você não pode contar com isso."
E eu fico com raiva, e eu fico irritado, assim como muitas pessoas comuns.
E nós revidamos e a coisa fica feia.
E os chineses respondem de uma maneira bem feia.
E antes de percebermos, eles mandam os tanques E eles mandam as tropas e um monte de pessoas está morrendo, e é uma situação muito, muito difícil.
Você consegue imaginar como se sentiria se estivesse no meu lugar?
Você consegue imaginar saindo desse prédio e vendo um tanque ali do lado de fora ou um caminhão cheio de soldados?
E só imagine como você se sentiria.
Porque você sabe que eles estão aqui e o que estão fazendo aqui.
E você sente apenas a raiva e o medo.
Se você consegue sentir, isso é empatia -- isso é empatia.
Então você se colocou no meu lugar.
E sentiu isso.
OK, esse é apenas o aquecimento.
Esse é o aquecimento.
Agora nós vamos para a experiência radical de verdade
E até o fim da minha palestra, o que eu quero que vocês façam é coloquem-se no lugar de um árabe muçulmano comum vivendo no Oriente Médio -- em particular, no Iraque.
E para ajudá-los, talvez você seja um membro dessa família de classe média em Bagdá e o que você quer é o melhor para os seus filhos.
Você quer que os seus filhos tenham uma vida melhor.
E você assiste o noticiário, presta atenção, lê o jornal, vai a uma cafeteria com seus amigos, e lê os jornais de outras partes do mundo.
E às vezes você até assiste por satélite o canal CNN dos Estados Unidos.
Então você tem uma ideia do que os americanos estão pensando.
Mas você só quer uma vida melhor para você.
É isso que você quer.
Você é um muçulmano árabe vivendo no Iraque.
Você quer uma vida melhor para você.
Então, deixe-me ajudá-lo
Deixe-me ajudá-los com algumas coisas que vocês devem estar pensando.
Um: essa incursão na sua terra nos últimos 20 anos, e antes disso, o motivo de qualquer um, especialmente os Estados Unidos, estarem interessados na sua terra É petróleo.
É tudo por causa do petróleo, Você sabe disso, todo mundo sabe disso
Pessoas aqui nos Estados Unidos sabem que é tudo por causa do petróleo.
É porque alguém tem um objetivo para o seu recurso.
Este recurso é seu e não de outras pessoas.
É a sua terra. É o seu recurso.
Outra pessoa tem um objetivo para ele.
E sabe por que eles têm um propósito para ele?
Sabe por que eles estão de olho nele?
Porque eles tem um sistema econômico inteiro que depende desse petróleo -- petróleo estrangeiro, petróleo de outras partes do mundo e que eles não possuem.
E o que mais você pensa sobre essas pessoas?
Os americanos, eles são ricos.
Eles moram em casas grandes, têm carros grandes, todos são loiros, têm olhos azuis, são felizes.
Você imagina isso. Não é verdade, claro, mas é a impressão da mídia, e é isso que chega a você.
Eles têm cidades grandes, e essas cidades são dependentes do petróleo.
E de volta para casa, o que você vê?
Pobreza, desespero, luta
Veja, você não mora em um país rico.
Isso é o Iraque.
Isso é o que você vê.
Você vê as pessoas lutando para sobreviver.
Quero dizer, não é fácil; você vê muita pobreza.
E você sente algo sobre isso.
Essas pessoas usam o seu recurso, e é isso que você vê?
Outra coisa que você vê e comenta -- Americanos não falam sobre isso, mas você fala.
Tem essa coisa, a militarização do mundo, e é baseada bem nos Estados Unidos.
E os Estados Unidos são responsáveis por quase a metade dos gastos militares do mundo -- quatro por cento da população mundial.
E você sente isso, você vê isso todo dia.
É parte da sua vida.
E você fala sobre isso com os seus amigos.
Você lê a respeito.
E quando Saddam Hussein estava no poder, os americanos não ligavam para os seus crimes.
Quando ele jogava gás nos curdos e no Irã, eles não ligavam para isso.
Quando o petróleo estava em risco, de alguma maneira, de repente as coisas começaram a importar.
E o que você vê, algo mais, os Estados Unidos, o centro de democracia do mundo, eles não parecem realmente estar apoiando os países democráticos ao redor do mundo.
Há muitos países, produtores de petróleo, que não são muito democráticos, mas são apoiados pelos Estados Unidos.
Isso é estranho.
Ah, essas incursões, essas duas guerras, os 10 anos de sanções, os oito anos de ocupação, a insurgência que foi liberada no seu povo, as centenas de milhares de mortes civis, tudo por causa do petróleo.
Você não pode se controlar ao pensar nisso.
Você fala a respeito.
É sempre a primeira coisa que vem à cabeça.
Você diz, "Como isso é possível?"
E esse homem, ele é qualquer homem -- seu avô, seu tio, seu pai, seu filho, seu vizinho, seu professor, seu aluno.
Era uma vez uma vida de felicidade e alegria e de repente dor e tristeza.
Todo mundo no seu país foi atingido pela violência, o derramamento de sangue, a dor, o horror, pessoal.
Não tem uma única pessoa no seu país que não tenha sido atingida.
Mas há algo mais.
Tem alguma coisa sobre essas pessoas, esses americanos que estão lá.
Tem algo sobre eles que você vê mas eles mesmos não vêem.
E o que você vê? Eles são cristãos.
Eles são cristãos.
Eles veneram o deus cristão, eles tem cruzes, eles carregam bíblias.
As bíblias deles têm uma pequena insígnia que diz "Exército dos Estados Unidos" nelas.
E seus líderes, seus líderes antes de mandarem seus filhos e filhas para a guerra no seu país -- e você sabe a razão -- antes de os mandarem, eles vão a uma igreja cristã e rezam para o seu deus cristão, e pedem pela proteção e orientação daquele deus.
Por que?
Bem, obviamente, quando as pessoas morrem na guerra, elas são muçulmanas, elas são iraquianas -- elas não são americanas.
Você não quer que americanos morram. Proteja as nossas tropas.
E você sentirá algo sobre isso -- claro que vai.
E eles fazem coisas maravilhosas.
Você lê sobre isso, você ouve sobre isso.
Eles estão aqui para construir escolas e ajudar as pessoas. É isso que eles querem fazer.
Eles fazem coisas maravilhosas, mas também fazem as coisas ruins, e você não consegue notar a diferença.
E esse cara, um cara como o tenente-general William Boykin.
Quero dizer, esse é um cara que diz que o seu deus é um deus falso.
Seu deus é um ídolo, o deus dele é que é o deus real.
A solução para o problema no Oriente Médio, de acordo com ele, é converter todos vocês ao Cristianismo -- só para se livrar da sua religião.
E você sabe disso. Americanos não lêem sobre esse cara.
Eles não sabem nada sobre ele, mas você sabe.
Voce espalha isso. Você espalha as palavras dele por aí.
Quero dizer, isso é grave
Ele foi um dos comandantes líderes da segunda invasão do Iraque.
E você está pensando, "Deus, se esse cara está realmente falando isso, então todos os soldados também estão falando isso."
E essa palavra aqui, George Bush chamou essa guerra de cruzada.
Cara, os americanos, eles são como, "Ah, Cruzada.
Tanto faz. Sei lá"
Você sabe o que isso quer dizer.
É uma guerra santa contra muçulmanos.
Olhe, invada, domine-os, pegue seus recursos.
Se eles não se submeterem, mate-os
É isso que quer dizer.
E você está pensando. "Meu Deus, esses cristãos estão vindo nos matar."
Isso é assustador
Você se sente assustado. Claro que você está assustado
E esse homem, Terry Jones: Esse é o cara que quer queimar o Alcorão.
E os americanos: "Ah, ele é um idiota
Ele era um gerente de hotel; ele tem três dúzias de membros da sua igreja."
Eles riem dele. Você não ri dele.
Por que no contexto geral, todas as peças se encaixam.
Quero dizer, é claro, é assim que americanos pensam e as pessoas por todo Oriente Médio, não só no seu país, estão protestando.
"Ele quer queimar o Alcorão, nosso livro sagrado"
Esse Cristãos, quem são esses Cristãos?
Eles são tão maus, tão malvados -- Eles são assim"
Isso é o que você está pensando como muçulmano árabe, como um iraquiano
Claro que você vai pensar assim.
E então o seu primo diz, "Ei, primo, olha só esse site.
Você tem que ver isso -- 'Boot Camp' da Bíblia
Esses cristãos são loucos.
Eles estão treinando suas crianças para serem soldados de Jesus.
E eles pegam essas crianças e fazem com que passem por isso até que aprendam a dizer, "Sim, Senhor." e coisas como arremessar granadas e manutenção e cuidado de armas.
E vão para o site
e lá tem: "Exército dos EUA" escrito.
Quero dizer, esses cristãos, são loucos. Como eles podem fazer isso com suas crianças?"
E você está lendo esse site.
E claro, cristãos nos Estados Unidos, ou qualquer um, diria, "Ah, isso é uma igrejinha no meio do nada."
Você não sabe disso.
Para você, todos os cristãos são assim.
Está em toda a internet. 'Boot Camp' da Bíblia.
E olha só Eles até ensinam às suas crianças -- eles as treinam da mesma maneira que os fuzileiros navais são treinados.
Isso não é interessante
E isso te assusta, e te amedronta
Então esses caras, você os vê
Veja só, Eu, Sam Richards, eu sei quem são esses caras.
Eles são meus alunos, meus amigos
Eu sei o que eles estão pensando: "Você não sabe."
Quando você os vê, eles são algo diferente, eles são diferentes
É isso que eles são para você.
Nós não vemos assim nos Estados Unidos mas você vê assim.
E aqui também.
E claro, você entendeu errado
Você está generalizando. Está errado.
Você não entende os americanos.
Não é uma invasão cristã.
Não estamos aqui pelo petróleo; estamos por muitas razões.
Você entendeu errado.
E claro, a maior parte de vocês não apoia a rebelião; você não apoia a morte de americanos; você não apoia os terroristas.
Claro que não. Poucas pessoas apoiam.
Mas alguns de vocês apoiam.
E essa é a perspectiva.
OK. Agora é isso que nós faremos.
Saia do ponto de vista que você está agora e volte para o seu ponto de vista normal.
Todo mundo de volta para essa sala, ok.
Agora vem a parte radical dessa experiência.
Voltamos para casa.
Essa foto: essa mulher, cara, eu a entendo
eu sinto o que ela sente
Ela é minha irmã minha esposa, minha prima, minha vizinha
Ela é qualquer um para mim
Esses caras ali, todo mundo nessa foto. Eu sinto essa foto, cara.
Eis o que gostaria que vocês fizessem.
Vamos voltar para o meu primeiro exemplo com os chineses.
Eu quero que vocês voltem lá.
Então é tudo sobre carvão, e os chineses estão aqui nos Estados Unidos
E o que quero que você faça é imaginá-la como uma mulher chinesa. recebendo a bandeira chinesa porque seu ente querido morreu na America. numa revolta do carvão.
E os soldados são chineses, e todo mundo é chinês.
Como um americano, como você se sente sobre essa foto?
O que você pensa sobre essa cena?
OK, tente isso. Traga de volta.
Essa é a cena aqui.
É uma americana, soldados americanos, mulher americana que perdeu seu ente querido no Oriente Médio -- no Iraque ou no Afeganistão.
Agora, ponha-se no lugar no ponto de vista de um muçulmano árabe vivendo no Iraque.
O que você está sentindo e pensando sobre essa foto sobre essa mulher?
OK. Agora pense comigo porque eu estou me arriscando aqui
E vou convidá-los a se arriscar comigo
Esses senhores aqui, eles são rebeldes.
Foram pegos por soldados americanos tentando matar americanos.
E talvez eles tenham tido sucesso. Talvez eles tenham tido sucesso.
Ponha-se no lugar deles dos americanos que os pegaram.
Você consegue sentir a raiva?
Você consegue sentir que só quer pegar esses caras e torcer seus pescoços?
Você consegue pensar assim?
Não deveria ser tão difícil.
Você simplesmente -- cara.
Agora, coloque-se novamente no lugar deles.
Eles são assassinos brutais ou defensores da pátria?
qual dos dois?
Você consegue sentir sua raiva, seu medo sua ira com o que acontece no país deles?
Você consegue imaginar que talvez um deles hoje de manhã se abaixou e abraçou seu filho e disse, "Filho, eu volto mais tarde.
Vou defender sua liberdade, suas vidas.
Eu vou olhar por nós pelo futuro do nosso país"
Você consegue imaginar isso?
Consegue imaginar dizendo isso?
Você consegue?
O que você acha que eles estão sentindo
Olha só, isso é empatia.
É também entender,
Agora você pode perguntar "Ok, Sam, por que você faz esse tipo de coisa?
Por que você usa esse exemplo entre tantos possíveis?"
E eu digo, porque. porque.
Você pode odiar essas pessoas
É permitido que você os odeie com toda força que tem.
E se eu puder te colocar no lugar dessas pessoas e viver assim um pouco um pouquinho então imagine o tipo de análise sociológica que você pode fazer em outros aspectos da sua vida?
Você pode avançar muito no que se refere a entender porque aquelas pessoas estão dirigindo a 65 por hora na pista de ultrapassagem ou o seu filho adolescente ou o seu vizinho que te incomoda ao cortar a grama nas manhãs de domingo.
O que quer que seja, você pode chegar lá.
E é isso que digo aos meus alunos: saia do seu pequeno mundinho.
E entre no pequeno mundinho de outra pessoa.
E então faça isso de novo e de novo.
E de repente todos esses pequenos mundinhos se juntam numa teia complexa.
E eles constroem um grande, complexo mundo.
E de repente, sem notar, você está vendo o mundo de maneira diferente.
Tudo mudou.
Tudo na sua vida mudou.
E é isso, claro, que importa.
Observe outras vidas, outras visões.
Ouça outras pessoas, esclareçam-se
Não estou dizendo que eu apoio os terroristas no Iraque, mas como um sociólogo, o que eu estou dizendo é que eu entendo
E talvez agora - talvez -- você também entenda.
Obrigado.
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Por toda minha vida imaginei o que "estupefação" singnificava.
Depois de dois dias aqui, eu me declaro estupefato, e enormemente impressionado, e sinto que vocês representam uma das grandes esperanças. Não apenas para realizações norte-americanas em ciência e tecnologia, mas para o mundo todo.
Eu venho, entretanto, em uma missão especial em favor dos meus cidadãos. Que são da décima à décima oitava potência -- isso é um milhão de trilhões -- insetos e outras pequenas criaturas, e fazer um pedido por elas.
se nós fôssemos eliminar os insetos apenas, só esse grupo, do planeta -- o que estamos tentando arduamente fazer -- o resto da vida e a humanidade praticamente desapareceriam junto da terra.
E dentro de poucos meses.
Agora, como eu cheguei a essa posição particular de defesa?
Como criança, e durante minha adolescência, Eu fiquei crescentemente fascinado pela diversidade da vida.
Eu tive um período de borboletas, um de cobras, um de pássaros, um de peixes, um de cavernas e finalmente e definitivamente, um período de formigas.
No início da faculdade, eu fui um devoto mirmecologista, um especialista na biologia das formigas. Mas minha atenção e pesquisa continuaram a seguir jornadas ao longo da grande variedade de vida na Terra em geral. Incluindo tudo que isto significava para nós como espécies, quão pouco a entendemos. e quão prementes perigos as nossas atividades criaram para ela.
Daquele estudo mais amplo emergiu uma preocupação e uma ambição, cristalizada no desejo que estou prestes a fazer a vocês.
Minha escolha é a culminação de um compromisso de toda uma vida que começou com a criação na costa do golfo no Alabama, na península da Flórida.
Tanto quanto posso lembrar, eu era encantado pela beleza natural daquela região e a quase tropical exuberância das plantas e animais que cresciam lá.
Um dia quando eu tinha apenas sete anos e estava pescando, eu fisguei um Sargo -- é como são chamados, com espinha dorsal afiada -- muito brusco e rápido. E me ceguei em um dos olhos.
Mais tarde descobri que tinha audição ruim, provavelmente congênita, nas notas altas.
Então ao planejar ser um naturalista profissional -- eu nunca me considerei outra coisa a vida inteira -- eu descobri que era ruim para observar pássaros e não podia ouvir o coaxar de sapos também.
Então me voltei para as abundantes pequenas criaturas que podem ser seguradas entre o polegar e o indicador. as pequenas coisas que compõe os fundamentos de nossos ecossistemas. As pequenas coisas, como gosto de dizer, que movem o mundo.
Ao fazer isso, eu atingi uma fronteira da biologia tão estranha, tão rica que parecia existir em outro planeta.
Na verdade, nós vivemos em um planeta quase inexplorado.
A grande maioria dos organismos da Terra permanece desconhecida da ciência.
Nos últimos 30 anos, graças às explorações em partes remotas do mundo e aos avanços em tecnologia, biólogos, por exemplo, acrescentaram um terço das espécies conhecidas de sapos, rãs e outros anfíbios, para o total atual de 5. 400. E outras continuam a ser acrescentadas.
Dois novos tipos de baleias foram descobertos, e dois novos antílopes, dúzias de espécies de macacos e um novo tipo de elefante. E mesmo um tipo diferente de gorila!
No extremo oposto da escala de tamanhos, a classe de bactérias marinhas, as Prochlorococci -- que estarão no exame final -- ainda que descobertas só em 1988, são agora reconhecidas como os organismos mais abundantes da Terra. E especialmente, responsáveis por boa parte da fotossíntese que ocorre no oceano.
Estas bactérias não foram descobertas mais cedo porque elas estão também entre os menores organismos da Terra -- tão pequenas que elas não podem ser vistas com a microscopia ótica convencional.
Ainda assim a vida marinha deve depender destas minúsculas criaturas.
Estes exemplos são apenas a primeira impressão de nossa ignorância sobre a vida neste planeta.
Considerem os fungos -- incluindo cogumelos, "ferrugens", mofos, e muitos organismos causadores de doenças.
60. 000 espécies são conhecidas pela ciência mas estima-se que existam mais de 1, 5 milhões.
Considere o nematelminto, o animal mais abundante.
Quatro de cada cinco animais na Terra são nematelmintos -- se todos os materiais sólidos exceto os nematelmintos fossem eliminados, você ainda poderia ver o contorno fantasmagórico de quase tudo como nematelmintos.
Em torno de 16. 000 espécies de nematelmintos foram descobertos e diagnosticados por cientistas; podem existir centenas de milhares delas, mesmo milhões, ainda desconhecidas.
Este vasto domínio de biodiversidade invisível é aumentado ainda mais pela matéria escura do mundo biológico das bactérias, das quais ainda durante os últimos anos eram conhecidas apenas em torno de 6. 000 espécies no mundo todo.
Mas esse número de espécies de bactéria pode ser encontrado em uma grama de terra. em apenas um punhado de terra, das 10 bilhões de bactérias que estariam lá.
Se estima que uma única tonelada de solo -- solo fértil -- contenha aproximadamente quatro milhões de espécies de bactérias, todas desconhecidas.
Então a questão é: o que todas elas estão fazendo?
O fato é, nós não sabemos.
Vivemos em um planeta com muita atividade, com relação a nosso ambiente habitado, contando com fé e palpites apenas.
Nossas vidas dependem destas criaturas.
Para dar um exemplo familiar: existem mais de 500 espécies de bactérias agora conhecidas -- bactérias amistosas -- vivendo simbioticamente em sua boca e garganta provavelmente necessárias para sua saúde e combatendo bactérias patogênicas.
A esta altura acho que temos um pequeno filme impressionista feito especialmente para esta ocasião.
E eu gostaria de lhes mostrar.
Ajudado aqui por Billie Holiday.
E isto pode ser apenas o começo!
Os vírus, estes semi-organismos dentre os quais estão as prophasias -- as tecedoras de genes que promovem evolução contínua nas vidas das bactérias -- são uma fronteira virtualmente desconhecida da moderna biologia, e um mundo em si mesmas.
O que constitui uma espécie viral ainda não está definido, ainda que elas sejam de enorme importância para nós.
Mas ao menos isto podemos dizer: a variedade de genes nos vírus do planeta excede ou é provável que exceda a de todo o resto da vida combinada.
Atualmente, ao interpretar a biodiversidade microbiana, cientistas são como exploradores em um barco a remo no Oceano Pacífico.
Mas isso está mudando rapidamente com a ajuda de uma nova tecnologia genômica.
Já é possível sequenciar o código genético inteiro de uma bactéria em menos de quatro horas.
Breve estaremos em posição de ir a campo com sequenciadores na mochila -- para caçar bactérias em minúsculas fissuras da superfície do habitat do mesmo modo que observamos pássaros com binóculos.
O que vamos encontrar quando mapearmos o mundo vivo, quando, finalmente, chegarmos ao fundo disso seriamente?
Quando deixamos de lado os relativamente gigantes mamíferos, pássaros, anfíbios e plantas para os mais discretos insetos e outros pequenos invertebrados e então além -- para os incontáveis milhões de organismos no mundo vivo invisível inseridos e vivendo dentro da humanidade.
O que por gerações se pensou serem bactérias descobriu-se que compunham em lugar disso dois grandes domínios de microorganismos: bactérias verdadeiras e organismos unicelulares, as archaea, que estão mais próximos que as outras bactérias dos eucariontes, o grupo de organismos dos quais nós pertencemos.
Alguns biólogos sérios, e eu me considero entre eles, começaram a imaginar que dentro da enorme e ainda desconhecida diversidade de microorganismos, alguém pode -- por acaso -- encontrar alienígenas dentre eles.
Alienígenas reais, variedades que vieram do espaço sideral.
Eles tiveram bilhões de anos para conseguir, mas especialmente durante o período inicial de evolução biológica neste planeta.
Nós sabemos que algumas espécies de bactérias que têm origens terrenas suportam quase inimagináveis extremos de temperatura e outras severas mudanças no ambiente. Incluindo radiação forte o suficiente e com duração suficiente para quebrar os recipientes de Pyrex que contêm a crescente população de bactérias.
Pode haver uma tentação de tratar a biosfera holisticamente e as espécies que a compõe como uma grande corrente de entidades que não vale a pena distinguir uma da outra.
Mas cada uma destas espécies, mesmo o mais minúsculo Prochlorococci, são obras-primas da evolução.
Cada uma persistiu por milhares a milhões de anos.
Cada uma é perfeitamente adaptada ao ambiente em que vive, interconectada com outras espécies para formar ecossistemas dos quais nossas próprias vidas dependem de modos que nós não começamos sequer a imaginar.
Nós vamos destruir estes ecossistemas e suas espécies ameaçando nossa própria existência -- e infelizmente estamos destruindo eles com engenhosidade e inesgotável energia.
Minha própria revelação como conservacionista veio em 1953, quando estudante de graduação em Harvard procurando por raras formigas nas florestas montanhosas de Cuba. Formigas que brilham ao sol -- verde metálico ou azul metálico e uma espécie, que descobri, dourada.
Eu encontrei minhas formigas mágicas, mas apenas depois de uma dura escalada nas montanhas onde o que resta das florestas cubanas nativas está, e estavam -- e ainda estão -- sendo derrubadas.
Eu percebi então que estas espécies e uma grande parte de outros únicos, maravilhosos animais e plantas naquela ilha -- e isto é verdade para praticamente todas as partes do mundo -- que demoraram milhões de anos para evoluir, estão em processo de desaparecer para sempre.
E o mesmo em qualquer lugar que se procure.
A investida humana está permanentemente erodindo a antiga biosfera da Terra por uma combinação de forças que podem ser resumidas pela sigla "HIPPO", o animal.
H é Habitat destruído, incluindo mudanças climáticas forçadas pelos gases estufa.
I é Invasão de espécies como as formigas-de-fogo, mexilhão-zebra, ervas daninhas e bactérias patogênicas e viroses que estão invadindo todos os países a uma taxa exponencial, isto é o I.
O P, o primeiro em "HIPPO", é Poluição.
O segundo é População contínua, expansão da população humana.
E a letra final é O, Ostensiva coleta -- levando espécies à extinção pela caça e pesca excessiva
A investida HIPPO que nós criamos, se não detida, está destinada -- de acordo com as melhores estimativas da pesquisa de biodiversidade em curso -- a reduzir metade dos ainda sobreviventes animais e plantas da Terra à extinção ou ameaça crítica até o final do século.
A mudança climática provocada pela humanidade sozinha -- novamente, se não detida -- pode eliminar um quarto das espécies sobreviventes durante as próximas cinco décadas
O que nós e todas as futuras gerações perderemos se a maior parte do ambiente vivo for assim degradada?
Enormes fontes potenciais de informação científica ainda a ser encontradas, muito da nossa estabilidade ambiental e novos tipos de medicamentos e novos produtos de inimagináveis forças e valores -- todos jogados fora.
A perda vai infligir um custo pesado em riqueza, segurança e sim, espiritualidade a todo o tempo por vir. Porque cataclismas anteriores deste tipo -- o último acabou com a era dos dinossauros -- demoram, ou consomem, normalmente, cinco a dez milhões de anos para se consertar.
Infelizmente, nosso conhecimento da biodiversidade é tão incompleto que arriscamos perder uma boa parte dele antes mesmo de descobrí-lo.
Por exemplo, mesmo nos Estados Unidos, as 200. 000 espécies atualmente conhecidas na verdade se descobriu ser apenas uma cobertura parcial; são na maioria desconhecidas de nós em biologia básica.
Apenas em torno de 15% das espécies conhecidas foram estudadas bem o suficiente para avaliar sua situação.
Dos 15% avaliados, 20% são classificados como "ameaçados." Ou seja, em perigo de extinção.
Isso nos Estados Unidos.
Estamos, em resumo, em vôo cego para nosso futuro ambiental.
Precisamos mudar isto urgentemente.
Precisamos ter a biosfera adequadamente explorada para que a possamos entender e gerenciar de modo competente.
Precisamos resolver isso antes de destroçar o planeta.
E precisamos desse conhecimento.
Isto deveria ser um grande projeto científico equivalente ao Projeto do Genoma Humano.
Deveria ser visto como uma viagem à Lua biológica, com um cronograma.
Então isto me leva ao meu desejo aos TEDsters, e a qualquer um em todo o mundo que assista a esta palestra.
Eu desejo que trabalhemos juntos para ajudar a criar as ferramentas fundamentais que precisamos para inspirar a preservação da biodiversidade da Terra.
E vamos chamá-la de "Enciclopédia da Vida."
O que é a "Enciclopédia da Vida" -- um conceito que já foi incorporado e está começando a se espalhar e ser visto com seriedade?
É a enciclopédia que existe na Internet e que recebe contribuições de milhares de cientistas de todo o mundo.
Amadores podem ajudar também.
Ela tem uma página infinitamente expansível para cada espécie.
Ela torna todas as informações-chave sobre a vida na Terra acessíveis a todos, quando se precisa, em qualquer lugar do mundo.
Eu escrevi sobre esta ideia antes, E eu sei que existem pessoas nesta sala que já gastaram esforço significativo nela no passado.
Mas o que me entusiasma é que desde que eu publiquei pela primeira vez esta ideia particular daquela forma, a ciência avançou.
A tecnologia avançou.
Hoje, os aspectos práticos de se fazer tal enciclopédia, a despeito da magnitude da informação que conterá, estão ao nosso alcance.
De fato, no ano passado um grupo de instituições científicas influentes começou a se mobilizar para realizar este sonho.
Eu desejo que vocês os ajudem.
Trabalhando juntos, podemos fazer isto realidade.
A enciclopédia vai rapidamente pagar seus custos em aplicações práticas.
Ela vai atender qualidades transcendentes de consciência humana, e senso de necessidade humana.
Ela vai transformar a ciência biológica em modos com benefícios óbvios para a humanidade.
E acima de tudo, ela pode inspirar uma nova geração de biólogos a continuar a busca que começou, para mim pessoalmente, 60 anos atrás: Procurar por vida, entendê-la e finalmente -- acima de tudo -- preservá-la.
Este é meu desejo. Obrigado.
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Eu amo teatro.
Amo a ideia de que você pode transformar, tornar-se outra pessoa e olhar a vida com uma perspectiva completamente nova.
Amo a ideia que as pessoas sentarão em uma sala por algumas horas e escutarão.
A ideia de que naquela sala naquele momento, todos, independente de suas idades, sexos, raças, cores ou religiões, se juntam.
Naquele momento, transcedemos o espaço e o tempo juntos.
O teatro desperta nossos sentidos e abre a porta de nossa imaginação.
E nossa habilidade de imaginar é o que nos torna exploradores.
Nossa habilidade de imaginar nos torna inventores e criadores e únicos.
Eu fui contratada em 2003 para criar um show original e comecei a desenvolver "Upwake."
"Upwake" conta a estória de Zero, um executivo modermo que vai trabalhar com sua vida em sua pasta, Preso entre sonho e realidade e incapaz de decifrá-los
Eu quiz que "Upwake" tivesse a mesma qualidade audiovisual que um filme teria
E quiz que minha imaginação corresse solta.
Começei desenhando a estória que movia em minha cabeça.
Se Antonie de Saint-Exupery, o autor de "O pequeno Príncipe" estivesse aqui, ele teria desenhado três buracos dentro da caixa e diria que sua ovelha estava ali dentro.
Porque, se olhar bem de perto, coisas aparecerão
Isso não é uma caixa; estas são ilustracões da minha imaginação da cabeça para o papel para a tela para a vida.
Em "Upwake" prédios usam ternos, Zero sapateia em um teclado gigante, se clona com um scanner, domina e chicoteia o mouse do computador, veleja para terra dos sonhos a partir de um pedaço de papel, e vai para o espaço.
Eu quiz criar cenários que movessem e mudassem como um ilusionista
Ir de um mundo para outro em um segundo.
Eu quiz que houvesse humor, beleza, simplicidade e complexidade e usar metáforas para sugerir ideias.
No ínicio do show, por examplo, Zero discoteia sonho e realidade.
Tecnologia é um instrumento que me permite manifestar minhas visões. em alta definição, ao vivo, no palco.
Então hoje, gostaria de falar sobre a relação entre teatro e tecnologia.
Vamos começar com tecnologia.
Tudo bem. Vamos começar com teatro.
Obrigada.
"Upwake" dura 52 minutos e 54 segundos.
Eu projeto animação 3-D nas quatro superfícies do palco com as quais interajo.
O uso de animação e projeção foi um processo de descoberta.
Não os usei como efeito especial, mas como um parceiro no palco.
Não há efeitos especiais em "Upwake", nenhum artifício.
É tão estravagante e intrincado como simples e mínimo.
349 quadros, quatro anos e meio e exigências mais tarde, o que começou como o show de uma única pessoa, virou um trabalho colaborativo de dezenove artistas muito talentosos.
E aqui vai uma amostra.
Obrigada.
Este é, relativamente, um novo show que iniciamos agora a fazer turnê.
E em Austin, Texas, me pediram para dar pequenas demonstrações em escolas.
Quando eu cheguei nas escolas, claro que não esperava isso: 600 crianças, lotavam um ginásio, esperando.
Estava um pouco nervosa por atuar sem animação, fantasia-- mesmo-- e maquiagem
Mas os professores me disseram depois que eles nunca viram as crianças prestando tanta atenção
E acho que o motivo foi por ter usado sua linguagem e sua realidade para tranportá-los para outra.
Algo aconteceu durante o caminho.
Zero se tornou em uma pessoa e não só um personagem em uma peça.
Zero não fala, não é homem nem mulher.
Zero é Zero. Um pequeno herói do século 21. E Zero pode tocar muito mais pessoas que eu possivelmente poderia.
É tanto quanto sobre trazer novas disciplinas para dentro dessa caixa como é sobre tirar o teatro dessa caixa.
Como um artista de rua, aprendi que todos querem se conectar.
E que normalmente, se você for um pouco diferente, se não tiver uma aparência humana, logo as pessoas se sentirão inclinadas a participar e sentir algo mais.
É como se você fizesse algo ressonar dentro delas.
É como se o mistério da pessoa com quem estão interagindo e conectando permitisse que fossem eles mesmos um pouco mais.
Porque através de sua máscara, eles podem tirar as deles.
Ser humano é uma forma de arte.
Sei que o teatro pode melhorar a qualidade de vida das pessoas, e sei que o teatro pode curar.
Trabalhei como doutora-palhaço em um hospital por dois anos.
Já vi crianças doentes e pais tristes e médicos serem levantados e transportados em momentos de pura alegria.
Sei que o teatro nos une.
Zero quer engajar a geração de hoje e de amanhã. Contar várias histórias através de diferentes médias.
Revista e quadrinhos. Video games de física quântica
E Zero que ir a lua.
Em 2007, Zero lançou uma campanha verde, sugerindo aos seus amigos e fãs para desligarem seus aparelhos elétricos todo domingo entre 19: 53 e 20: 00.
A ideia é simples, básica. Não é original, mas é importante, e é importante participar.
Há uma revolução.
É uma revolução humana e tecnológica.
É moção e emoção.
É informação.
É visual. É musical. É sensorial.
É conceitual. É universal. Está além de palavras e números.
Está acontecendo.
O progresso natural da ciência e da arte encontrando uma a outra para atingir melhor e definir a experiência humana.
Há uma revolução na forma que pensamos, na forma que compartilhamos, e da forma que expressamos nossas histórias, nossa evolução.
Chegou a hora da comunicação, conexão, e colaboração criativa.
Charlie Chaplin inovou o cinema e contou histórias através da música, silêncio, humor e poesia.
Ele foi social, e seu personagem, o Vagabundo, falou com milhões.
Ele nos deu entretenimento, prazer, alívio para tantos seres humanos Quando mais precisavam.
Não estamos aqui para questionar o possível; estamos aqui para desafiar o impossível.
Na ciência de hoje, nos tornamos artistas.
Na arte de hoje, nos tornamos cientistas.
Nós projetamos nosso mundo. Inventamos possibilidades.
Nós lecionamos, tocamos e movemos.
Agora podemos usar a diversidade de nossos talentos para criar trabalho inteligente, significativo e extraordinário. Supere-se.
Obrigada.
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Esta é uma foto de Maurice Druon, o Secretário Honorário Perpétuo de L'Académie française a Academia Francesa.
Ele está esplendidamente bem vestido em seu uniforme de 68 mil dólares, adequado ao papel da Academia Francesa de legislar o uso correto do Francês e perpetuar a língua.
A Academia Francesa tem duas tarefas principais: ela compila um dicionário oficial de francês --
eles estão trabalhando agora em sua nona edição, a qual começaram em 1930 e chegaram à letra P.
Eles também legislam sobre o uso correto, tal como qual seria o termo correto para o que os franceses chamam de "email", que deveria ser "courriel".
A World Wide Web, dizem aos franceses, deveria ser referida como "la toile d'araignée mondiale" -- a Teia de Aranha Global recomendações que o franceses alegremente ignoram.
Agora, este é um modelo de como a língua vem a ser: a saber, sendo legislada por uma academia.
Mas qualquer um que observa línguas percebe que isto é uma vaidade fútil, que a linguagem, em vez disso, emerge das mentes humanas ao interagir umas com as outras.
E isto é visivel na mudança irrefreável da linguagem no fato de que quando a Academia terminar seu dicionário, ele já estará bem desatualizado.
Nós o vemos na aparição constante de gírias e jargões, na mudança histórica das línguas, na divergência dos dialetos e na formação de novas línguas.
Então a linguagem não é tanto uma criadora ou modeladora da natureza humana o quanto é uma janela para a natureza humana.
Em um livro que estou atualmente trabalhando, espero utilizar a linguagem para jogar luz em um número de aspectos da natureza humana, incluindo a maquinaria cognitiva com a qual humanos conceitualizam o mundo e os tipos de relacionamento que governam a interação humana.
E irei dizer algumas palavras sobre cada um destes aspectos esta manhã.
Deixe-me começar com um problema técnico da linguagem com o qual estive preocupado por bastante tempo e espero que vocês me acompanhem na minha paixão por verbos e seu uso.
O problema é, que verbos vão com que construções?
O verbo é o chassi da oração.
É a armação onde as outras partes são parafusadas.
Deixem-me fazer um pequeno lembrete de algo que vocês já esqueceram há muito tempo.
Um verbo intransitivo, tal como "dine", por exemplo, não aceita objeto direto.
Você tem que dizer, "Sam dined," e não "Sam dined the pizza."
Um verbo transitivo obriga que haja um objeto lá: "Sam devorou a pizza". Você não pode simplesmente dizer, "Sam devorou".
Há um grande número de verbos deste tipo, e cada um dos quais molda sua oração.
Então, o problema de explicar como as crianças aprendem a língua, de ensinar uma língua a adultos de modo que não cometam erros gramaticais e de programar os computadores para a utilizarem é, quais verbos vão em quais construções.
Por exemplo, a construção dativa no inglês,
você pode dizer, "Dê um muffin a um rato", o dativo preposicional,
ou "Dê a um rato um muffin", o dativo de objeto duplo,
"Prometa qualquer coisa a ela", "Prometa a ela qualquer coisa" e assim por diante.
Centenas de verbos aceitam as duas maneiras.
Uma generalização tentadora para uma criança, para um adulto ou para um computador é que qualquer verbo que possa aparecer na estrutura "sujeito-verbo-coisa-para um recipiente" possa também ser expresso como "sujeito-verbo-recipiente-coisa".
É algo útil de se ter, pois a linguagem é infinita, e você não pode apenas papagaiar de volta as frases que ouviu.
Você tem que extrair generalizações assim você pode produzir e compreender novas frases.
Este seria um exemplo de como fazê-lo.
Infelizmente, parece haver exceções idiossincráticas.
Você pode dizer, "Biff dirigiu o carro a Chicago" mas não, "Biff dirigiu Chicago o carro"
Você pode dizer, "Sal deu a Jason uma dor de cabeça", mas é meio estranho dizer, "Sal deu uma dor de cabeça a Jason."
A solução é que essas construções, apesar da aparência inicial, não são sinônimas. Que quando você aponta o microscópio na cognição humana, você vê que há uma sutil diferença no significado delas.
Então, "Dê o X ao Y" esta construção corresponde ao pensamento, "Faça o X a ir ao Y". Em contraste, "Dê ao Y o X" corresponde ao pensamento, "faça Y ter X".
Agora, muitos eventos podem estar sujeitos a ambas interpretações, meio como as ilusões de ótica clássicas "Figure-Ground", nas quais você pode ou prestar atenção a um objeto particular, neste caso o espaço ao redor dele some da atenção, ou você pode ver faces no espaço vazio, em cujo caso o objeto some da consciência.
Como estas interpretações são refletidas na linguagem?
Bem, em ambos os casos, a coisa que é interpretada como sendo afetada é expressa como o objeto direto: o substantivo depois do verbo.
Então quando você pensa no evento como causar o muffin a ir a algum lugar quando você está fazendo algo ao muffin você diz, "Dê o muffin ao rato".
Quando você o interpreta como "cause o rato a ter alguma coisa", você está fazendo algo ao rato, e portanto, você o expressa como "Dê ao rato o muffin".
Então que verbos vão com quais construções o problema original com o qual eu comecei depende de se o verbo especifica um tipo de movimento ou um tipo de mudança de posse.
Dar algo envolve causar algo a ir e causar alguém a tê-lo.
Dirigir o carro causa apenas alguma coisa a ir, pois Chicago não é o tipo de coisa que pode possuir algo.
Somente humanos podem possuir coisas.
E dar dor de cabeça a alguém causa a elas terem dor de cabeça, mas não é como se você tivesse tirando a dor de sua cabeça e fazendo com que ela vá até outra pessoa, e então planejar fazê-la entrar na cabeça dela.
Você pode apenas estar falando alto ou sendo chato, ou de alguma outra forma fazendo com que tenham a dor de cabeça.
Então, este é um exemplo do tipo de coisa que eu faço no meu trabalho diário.
Então por que alguém deve se preocupar com isso?
Bem, há algumas conclusões interessantes, eu acho, disto e de muitos tipos similares de análises de centenas de verbos em inglês.
Primeiro, há um nível de estrutura conceitual de granularidade fina, o qual nós automaticamente e inconscientemente calculamos, cada vez que produzimos ou expressamos uma frase, que governa nosso uso da língua.
Você pode pensar nisso como a linguagem do pensamento, ou "mentalês".
Ela parece ser baseada num conjunto fixo de conceitos que governa dúzias de construções e milhares de verbos não apenas em inglês mas em todas as outras línguas conceitos fundamentais tais como espaço, tempo, causação e intenção humana -- do tipo, o que são os meios e o que são os fins?
Estes são reminiscentes dos tipos de categorias que Immanuel Kant argumentou serem a armação básica do pensamento humano, e é interessante que nosso uso inconsciente da linguagem parece refletir estas categorias Kantianas
e não se importa com qualidades perceptivas, tais como cor, textura, peso e velocidade, que virtualmente nunca diferenciam o uso de verbos em diferentes construções.
Um toque adicional é que todas as construções em inglês são usadas não apenas literalmente, mas de uma maneira quase metafórica.
Por exemplo, esta construção, o dativo, não é usado apenas para transferir coisas, mas também para a transferência metafórica de idéias, como quando dizemos, "Ela contou uma estória para mim" ou "me contou uma estória", "Max ensinou espanhol aos estudantes" ou "ensinou aos estudantes espanhol".
É exatamente a mesma construção, mas não há muffins, nem ratos. Nada se move.
Isso evoca a "metáfora do contêiner" da comunicação, na qual nós concebemos idéias como objetos, frases como contêineres, e comunicação como um tipo de envio
como quando dizemos nós "juntamos" nossas idéias e as "colocamos" "em" palavras, e se nossas palavras não forem "vazias" ou "ocas", nós podemos levar essas idéias "across" a um ouvinte que pode "desempacotar" nossas palavras para "extrair" aquele "conteúdo".
Este tipo de prolixidade não é a exceção, mas a regra.
É bastante difícil encontrar um exemplo de linguagem abstrata que não seja baseada em alguma metáfora concreta.
Por exemplo, você pode usar o verbo "ir" e as preposições "para" e "de" literalmente em um sentido espacial:
"O mensageiro foi de Paris para Istanbul".
Você também pode dizer, "Biff foi de doente para bom".
Ele não precisou ir a lugar algum. Ele poderia ter estado na cama o tempo todo, mas é como se sua saúde fosse um ponto num espaço de estados que você conceitualiza como se movendo.
Ou, "A reunião foi das 3 para as 4", na qual nós concebemos o tempo como esticado numa linha.
De maneira semelhante, nós usamos força para indicar não apenas força física, como em, "Rose forçou a porta para abri-la", mas também força interpessoal, como em, "Rose forçou Sadie a ir" -- não necessariamente empurrando ela, mas fazendo uma ameaça
ou "Rose se forçou a ir", como se houvesse duas entidades dentro da cabeça de Rose, envolvidas em uma guerra.
A segunda conclusão é que a habilidade de conceber um dado evento de duas maneiras diferentes, tal como, "causar algo a ir para alguém", e "causando alguém a ter algo", Creio que seja uma característica fundamental do pensamento humano, e é a base para muito da argumentação humana, na qual pessoas não discordam tanto quanto a interpretação dos fatos.
Só para dar alguns exemplos: "interrompendo uma gravidez" versus "matando um feto", "uma bola de células" versus "uma criança não nascida", "invadindo o Iraque" versus "libertando o Iraque", "redistribuindo a riqueza" versus "confiscando ganhos".
E acho que o maior panorama de todos tomaria seriamente o fato de que muito da nossa prolixidade sobre eventos abstratos é baseada numa metáfora concreta. Veria a inteligência humana ela mesma consistindo de um repertório de conceitos tais como objetos, espaço, tempo, causação e intenção os quais são úteis para uma espécie social, de uso intensivo do conhecimento, cuja evolução você pode muito bem imaginar, e um processo de abstração metafórica que nos permite lavar destes conceitos seu conteúdo conceitual original espaço, tempo e força e aplicá-los a novos domínios abstratos, e portanto permitindo a uma espécie que evoluiu para lidar com pedras e ferramentas e animais conceitualizar matemática, física, leis e outros domínios abstratos.
Bem, eu disse que falaria sobre duas janelas sobre a natureza humana: a maquinaria cognitiva com a qual nós conceitualizamos o mundo, e agora vou falar algumas palavras sobre os tipos de relacionamento que governam a interação social humana, novamente, como refletida na linguagem.
E vou começar com um problema: o problema dos atos de fala indireta.
Estou certo que a maioria de vocês viu o filme "Fargo".
E você pode lembrar da cena na qual o sequestrador é parado por um policial, e é pedido para que mostre a carteira de motorista e ele segura a carteira para fora do carro com uma nota de 50 dólares escapando um pouquinho para fora da carteira.
E ele diz, "Eu estava pensando que talvez nós pudéssemos resolver isso aqui em Fargo" o que todo mundo, inclusive a platéia, interpreta como um suborno velado.
Este tipo de fala indireta é abundante na linguagem.
Por exemplo, em pedidos educados, se alguém diz, "Se você pudesse passar a guacamole, seria fantástico", nós sabemos exatamente o que se quer dizer muito embora seja uma idéia estranha sendo expressa.
"Gostaria de entrar e ver minhas gravuras em metal?"
Acho que a maioria das pessoas entendem a intenção por trás disso.
E de modo similar, se alguém diz, "Loja legal que você tem aí. Seria horrível se alguma coisa acontecesse a ela" nós o entendemos como uma ameaça velada, ao invés de uma reflexão sobre possibilidades hipotéticas.
Então o problema é, por que subornos, pedidos educados, solicitações e ameaças são tão frequentemente sutis?
Ninguém é enganado
ambas as partes sabem exatamente o que o emissor quer dizer, e o emissor sabe que o ouvinte sabe que o emissor sabe que o ouvinte sabe, etc, etc.
Então o que é que está havendo?
Acho que a idéia chave é que a linguagem é uma maneira de negociar relacionamentos, e relacionamentos humanos se enquadram em um número de tipos.
Há uma taxonomia influente desenvolvida pelo antropólogo Alan Fiske, na qual relacionamentos podem ser categorizados, mais ou menos, em comunitariedade, o que funciona com o princípio "O que é meu é teu, o que é teu é meu" o tipo de raciocínio que opera dentro de uma família, por exemplo dominância, cujo princípio é "Não mexa comigo", reciprocidade: "Você coça minhas costas; Eu coço as suas". e sexualidade: nas palavras imortais de Cole Porter, "Vamos fazê-lo".
Agora, tipos de relacionamento podem ser negociados.
Muito embora haja situações padrão nas quais um destes tipos de raciocínio pode ser aplicado, eles podem ser esticados e extendidos.
Por exemplo, comunitariedade se aplica mais naturalmente dentro da família ou entre amigos, mas pode ser usado para tentar transferir a mentalidade do compartilhar a grupos que normalmemente não estariam dispostos a exercê-lo
por exemplo, em irmandades, organizações fraternais, grupos estudantis femininos, em dizeres como "a família do homem", você tenta fazer com que pessoas que não são parentes usem o tipo de relacionamento que seria comumente apropriado a pessoas próximas.
Mas confusões -- quando uma pessoa assume um tipo de relacionamento, e outra assume um diferente -- podem ser desconfortáveis.
Se você se levanta e pega um camarão do prato do seu chefe, por exemplo, essa seria uma situação desconfortável.
Ou se um convidado de um jantar, após a refeição, pegasse a carteira e oferecesse dinheiro pela refeição, seria bastante desconfortável também.
Em casos menos evidentes, ainda há um tipo de negociação que frequentemente acontece.
No local de trabalho, por exemplo, há com frequência uma tensão sobre se um empregado pode se socializar com o chefe, ou chamá-lo ou chamá-la pelo primeiro nome.
Se dois amigos têm uma transação recíproca, como a venda de um carro, é bem sabido que isso pode ser uma fonte de tensão ou desconforto.
Em encontros amorosos, a transição de amizade a sexo pode levar a, notoriamente, várias formas de desconforto, assim como como pode o sexo no local de trabalho, no qual chamamos o conflito entre um relacionamento dominante e sexual de "assédio sexual".
Bem, o que isso tem a ver com linguagem?
Bem, a linguagem, como interação social, tem que satisfazer duas condições.
Você tem que transportar o conteúdo real e aqui voltamos à metáfora do contêiner
Você quer expressar o suborno, o comando, a promessa, a solicitação e assim por diante mas você também tem que negociar e manter o tipo de relacionamento que você tem com a outra pessoa.
A solução, eu acho, é que nós usamos a linguagem em dois níveis: os signos de forma literal o relacionamento mais seguro com o ouvinte, e em contrapartida, o conteúdo implícito o "ler nas entrelinhas" que nós esperamos que o ouvinte faça permite que o ouvinte derive a interpretação que é mais relevante no contexto, o que possivelmente inicia um relacionamento modificado.
O exemplo mais simples disso está no pedido educado.
Se você expressa seu pedido de forma condicional: "Se você pudesse abrir a janela, seria ótimo", mesmo embora o conteúdo seja um imperativo, o fato de que você não está usando a voz imperativa significa que você não está atuando como se estivesse num relacionamento de dominância, onde você poderia pressupor a obediência da outra pessoa.
Por outro lado, você quer a maldita guacamole.
Expressando-o como "se-então", você transmite a mensagem sem parecer que quer mandar na outra pessoa.
E de uma maneira mais sutil, eu acho, isto funciona para todos os atos velados da fala envolvendo negabilidade plausível: os subornos, ameaças, proposições, solicitações e assim por diante.
Uma maneira de pensar sobre isso é imaginar como seria se a linguagem só pudesse ser usada literalmente.
E você pode pensar nisso em termos de uma matriz de ganhos da teoria dos jogos.
Ponha-se na posição do sequestrador querendo subornar o policial.
Há muito em jogo nas duas possibilidades de se ter um policial desonesto ou um policial honesto.
Se você não subornar o policial, então você vai levar uma multa ou, no caso de "Fargo", pior seja o policial honesto honesto ou desonesto:
quem não arrisca, não petisca.
Naquele caso, as consequências são bastante severas.
Por outro lado, se você oferece o suborno, e o policial for desonesto, você obtém um enorme ganho de ficar livre.
Se o policial for honesto, você toma uma grande penalidade de ser preso por suborno.
Então esta é uma situação bastante preocupante.
Por outro lado, com linguagem indireta, se você oferece um suborno velado, então o policial desonesto poderia interpretá-lo como um suborno, o que no caso você obteria o ganho de ficar livre,
o policial honesto não pode te prender por ser tentativa de suborno, e portanto, você fica com o incômodo da multa.
Então você tem o melhor dos dois mundos.
E uma análise similar, penso eu, pode ser aplicada ao desconforto potencial de uma solicitação sexual, e em outros casos onde a negabilidade plausível é uma possibilidade.
Acho que isso afirma algo que é conhecido há bastante tempo por diplomatas a saber, a qualidade vaga da linguagem, longe de ser um erro ou imperfeição, pode realmente ser uma característica da linguagem uma que usamos para tirar vantagem em interações sociais.
Então para resumir: a linguagem é uma criação coletiva humana, que reflete a natureza humana -- como nós conceitualizamos a realidade, como nós nos relacionamos uns com os outros
e em analisar os vários caprichos e complexidades da linguagem, acho que podemos obter uma visão sobre o que nos faz funcionar.
Muito obrigado.
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Olá! Gostaria de iniciar meu discurso com duas questões, e a primeira é: Quantos de vocês costumam comer carne de porco?
Por favor ergam as mãos. Oh, bastante gente!
E quantos aqui já viram um porco, vivo, produzindo esta carne?
No último ano?
Na Holanda, de onde eu venho, as pessoas nunca veem os porcos, o que é muito estranho, já que, em uma população de 16 milhões de pessoas, temos 12 milhões de porcos.
E é claro que os holandeses não comem todos esses porcos.
Eles comem cerca de um terço, e o resto é exportado para vários países na Europa e no resto do mundo.
Grande parte vai para o Reino Unido, Alemanha.
E isso me deixava curiosa. porque sempre disseram que qualquer parte do porco pode ser utilizada. para que nada seja desperdiçado. E eu fiquei curiosa para descobrir se isso era realmente verdade.
E eu passei uns três anos pesquisando.
E seguindo um porco, o número "05049" até o fim da sua vida e até cada produto a que ele deu origem.
E durante esses anos eu conheci vários tipos de pessoas, como, por exemplo, fazendeiros e açougueiros, o que parece lógico.
Mas eu também conheci fabricantes de moldes de alumínio, fabricantes de munição. e todos os tipos de pessoas.
E o que mais me deixou impressionada é que os fazendeiros não faziam idéia do que era feito com seus porcos mas os consumidores - nós mesmos - também nem imaginam que porcos estão nesses tipos de produtos.
Então o que eu fiz foi reunir toda essa pesquisa e transformá-la, basicamente, em um catálogo de produtos feito deste porco, e o catálogo tem uma réplica do seu identificador de orelha no verso.
E ele consiste em sete capítulos. Os capítulos são pele, ossos, carne, órgãos internos, sangue, gordura e diversos.
No total, pesam 103. 7 quilogramas.
E para mostrar a vocês o quanto se deparam com esse porco em um dia comum, Eu quero mostrar algumas imagens do livro.
Você provavelmente começa seu dia com um banho.
Então, no sabonete, ácidos graxos presentes na banha do porco são usados como agente de cura, e também para dar efeito perolado.
Se você olhar ao seu redor no banheiro, vai ver vários outros produtos como shampoo, condicionador, creme anti-rugas, loção hidratante, mas também creme dental.
Então, antes do café da manhã, você já encontrou o porco inúmeras vezes.
Então, no café da manhã, o porco que eu acompanhei, os pelos do porco, ou proteínas dos pelos extraídos do porco, foram utilizadas como melhorador da farinha.
Sim, é o que o fabricante diz: é "melhorador." Você entende, claro.
Em manteiga e vários outros produtos com baixo teor de gordura, quando você retira a gordura, acaba retirando também sabor e textura.
Então, eles adicionam gelatina para recuperar a mesma textura.
Bom, no caminho para o trabalho, no asfalto ou nos edifícios por onde passa, pode muito bem haver concreto celular, o que é um tipo de concreto bastante leve que é feito de proteínas de ossos e é totalmente reutilizável.
Nos freios de trens, ao menos nos alemães, há uma parte do freio feita de cinzas de ossos.
E em vários tipos de sobremesas, como mousse de chocolate, tiramissu, pudim de baunilha, todos aqueles produtos refrigerados do supermercado, adicionam gelatina para dar boa aparência.
Porcelana de ossos - essa é um clássico!
Pois é, o osso na porcelana de ossos confere transparência e também dureza, para possibilitar a produção dessas peças finas, como este veado.
Em decoração de interiores, o porco está em todo lugar.
É utilizado em tintas para conferir textura mas também para o brilho.
Em lixa de papel, é uma cola de ossos que cola a areia abrasiva sobre o papel.
E então nos pincéis, pelos são utilizados porque, aparentemente, são muito adequados devido a sua natureza de longa duração.
Eu não planejava mostrar carnes a vocês, porque, é claro, metade do que há no livro é carne, e você provavelmente conhece estas carnes.
Mas eu não queria que vocês deixassem de ver esta, porque esta, bem, é chamada "carne processada".
E é vendida na sessão de Congelados do supermercado.
E é, na verdade. um bife.
Bom, imagine uma vaca, o que acontece a ela quando ela é abatida - em um abatedouro industrial - acabam sobrando vários pedacinhos de carne que não podem ser vendidos como bifes, então eles colam esses pedacinhos todos juntos usando fibrina, do sangue do porco, transformando em uma grande salsicha, que é congelada, cortada em pequenas fatias e vendidas novamente como bifes.
Isso também é feito com atum e moluscos.
Bom, com o bife, você provavelmente vai beber uma cerveja.
Na fabricação da cerveja, aparecem muitos elementos turvos, e para se livrar dessas substâncias turvas, o que algumas companhias fazem é passar a cerveja por um tipo de peneira de gelatina eliminando essa turbidez.
Isso também é feito na produção de vinho e suco de frutas.
Existe uma empresa na Grécia fabricante de cigarros que adiciona nos filtros hemoglobina de porcos.
De acordo com eles, isso cria um pulmão artificial no filtro.
Portanto, temos um cigarro mais saudável.
Colágeno injetável - desde os anos 70, colágeno suíno - tem sido injetado em rugas.
Isso porque os porcos são muito parecidos com os seres humanos, portanto o seu colágeno também.
Certo, esta deve ser a coisa mais estranha que eu encontrei.
Este é um projétil produzido por um grande fabricante de munições dos Estados Unidos.
E enquanto eu estava escrevendo o livro, eu fiz contato com os fabricantes dos produtos, porque eu queria que eles me enviassem amostras e modelos reais.
Então, eu enviei um email para esta empresa dizendo "Olá. Eu sou Christien, e estou fazendo uma pesquisa.
Vocês poderiam me enviar um projétil?"
É, eu realmente não esperava que eles respondessem.
Mas eles responderam, dizendo "Obrigada por seu contato. É uma história interessante.
Você tem alguma relação com o governo Holandês?"
Isso foi realmente muito estranho, como se o governo holandês realmente enviasse emails por aí.
Bom, a coisa mais bonita que eu encontrei, a coisa mais bonita para mim, no livro, é esta válvula cardíaca.
É algo de muito baixa e muito alta tecnologia, ao mesmo tempo.
Baixa tecnologia porque é, literalmente, uma válvula cardíaca de um porco acoplada na parte mais tecnológica, que é um revestimento metálico.
Que faz com que ela possa ser implantada em um coração humano sem necessidade de cirurgia torácica,
e quando a válvula é posicionada, eles removem o revestimento, e a válvula toma a forma correta, e naquele momento, começa a bater, instantaneamente.
É realmente uma espécie de momento mágico.
O fabricante é uma companhia holandesa. Então, liguei para eles e pedi, "Posso pegar uma válvula cardíaca emprestada?"
E os fabricantes ficaram muito entusiasmados.
E disseram "Ok, nós vamos colocar em um recipiente com formol, e você pode pegá-la emprestada."
Perfeito. Porém, não tive notícias deles por semanas, então eu liguei, perguntando "O que houve com relação à válvula cardíaca?"
E a resposta foi "Bom, o diretor da companhia decidiu que não emprestará a válvula para você porque não quer ver seu produto associado a porcos."
Bom, o último produto que vou mostrar pra vocês é energia renovável - isso, para mostrar que a minha primeira pergunta, se cada parte do porco era utilizável, ainda era verdade.
E é, porque qualquer parte que não pode ser utilizada para outro fim é transformada em combustível que pode ser usado como fonte de energia renovável.
Eu encontrei um total de 185 produtos.
E o que eu percebi é que, primeiramente, é no mínimo estranho pensar que não tratamos estes porcos como verdadeiros reis e rainhas.
Além disso, percebi que não temos a menor idéia do que são feitos todos esses produtos que nos rodeiam.
E você pode pensar que eu sou aficionada por porcos, mas na verdade - bom, eu sou um pouquinho - eu sou mesmo aficionada por matérias-primas em geral.
E eu acho que, para termos o cuidado necessário com o que há por trás dos nossos produtos - as criações, sementes, plantas, os materiais não-renováveis, e também as pessoas que produzem esses materiais - o primeiro passo seria termos consciência de que essas coisas existem.
Muito obrigada!
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É emocionante estar aqui numa conferência que é dedicada a "Inspirados pela Natureza" -- vocês podem imaginar.
E eu também estou emocionada em estar na seção de preliminares.
Vocês notaram que esta seção é de preliminares?
Porque eu posso falar sobre uma de minhas criaturas favoritas, que é o mergulhão do oeste [Western Grebe]. Você não pode considerar que viveu até que os tenha visto fazer sua dança de acasalamento.
Eu estava no Lago Bowman no Parque Nacional Glacier que é um lago longo e fino, com umas espécies de montanhas de ponta cabeça, e meu companheiro e eu temos um barco a remo.
E então nós estávamos remando, e um destes mergulhões se aproximou.
E o que eles fazem na sua dança do acasalamento é, eles vão juntos, os dois, o casal, e eles começam a correr embaixo d'água.
Eles pedalam mais rápido, e mais rápido, até que estejam indo tão rápido que eles literalmente se erguem para fora da água, e eles ficam em pé, como que pedalando a superfície da água.
E um dos mergulhões se aproximou enquanto estávamos remando.
Como nós estavamos em uma escuna, e nos movíamos muito, muito rápido.
E este mergulhão, penso, nos confundiu com um possível parceiro, e começou a correr pela água próximo a nós, numa dança de acasalamento -- por milhas.
Ele parava, e então começava, e então parava, e então recomeçava.
Isso sim é que são preliminares.
Ok. Eu quase -- Eu estive bem perto de mudar de espécie naquele momento.
Obviamente, a vida pode nos ensinar alguma coisa no campo do entretenimento. A vida tem muito a nos ensinar.
Mas o assunto sobre o qual eu gostaria de falar hoje é o que a vida pode nos ensinar sobre tecnologia e sobre design.
O que aconteceu desde que o livro foi lançado -- o livro era principalmente sobre pesquisa em biomimética. E o que aconteceu desde então é que arquitetos, projetistas, engenheiros -- pessoas que fazem nosso mundo -- começaram a ligar e dizer, nós queremos um biólogo para participar das discussões sobre design para nos ajudar, em tempo real, a nos inspirar.
Ou -- e esta é a parte divertida para mim -- nós queremos que você nos leve para o mundo natural. Nós iremos propor um campeonato de design para encontrarmos os campeões da adaptação no mundo natural, que podem nos inspirar.
Então esta é uma foto de uma viagem que fizemos a Galápagos com alguns engenheiros de tratamento de águas; eles purificam água residual.
E alguns deles estavam lá a contragosto.
O que eles nos disseram no início foi, vocês sabem, nós já fazemos biomimética.
Nós usamos bacteria para limpar nossa água. E nós dissemos, bem, isso não é exatamente -- isso não é exatamente se inspirar na natureza.
Isso é bio-processamento, isso é tecnologia bio-assistida: usar um organismo para fazer seu tratamento da água é uma velha, velha tecnologia chamada "domesticação."
Isto é aprender alguma coisa, pegar uma idéia, de um organismo e então aplicá-la.
E então eles ainda não estavam entendendo.
Então nós fomos caminhar pela praia e eu disse, bem, digam-me qual é um dos seus maiores problemas. Deem-me um desafio de design, um empecilho que esteja atrapalhando vocês a se tornarem sustentáveis.
E eles responderam o acúmulo de cálcio, que é a acumulação de minerais dentro da tubulação.
E eles disseram, você sabe o que acontece é que, minerais -- exatamente como na sua casa -- minerais se acumulam.
E então a abertura se fecha, e nós temos que despejar toxinas nos tubos, ou temos que desentupí-los.
Se tivéssemos alguma maneira de impedir o acúmulo de cálcio -- então eu peguei algumas conchas na praia. E perguntei a eles, O que é esse acúmulo? O que está dentro dos tubos?
E eles responderam, carbonato de cálcio.
E eu disse, isto também é; isto é carbonato de cálcio.
E eles não sabiam disso.
Eles não sabiam o que é uma concha, seu formato é definido por proteínas, e então íons da água do mar se cristalizam para criar uma concha.
Então o mesmo tipo de processo, sem as proteínas, está acontecendo dentro dos tubos deles. Eles não sabiam.
Isso não é por falta de informação; é por falta de integração.
Vocês sabem, silos, pessoas em silos. Eles não sabiam que a mesma coisa estava acontecendo. Então um deles pensou e disse, ok, se isso é simplesmente cristalização, que acontece automaticamente com a água do mar -- auto-montagem -- então porque as conchas não crescem infinitamente? O que limita o acúmulo?
Por que elas não continuam acumulando?
E eu disse, bem, da mesma maneira que elas liberam uma proteína -- que elas secretam uma proteína que inicia a cristalização -- e então todos eles se inclinaram pra frente -- elas liberam um proteína que interrompe a cristalização.
Ela literalmente se cola à face do cristal que está crescendo.
E, de fato, há um produto chamado TPA que mimetizou aquela proteína -- a proteína de interrupção -- e é uma maneira ecológica de interromper acúmulo de cálcio na tubulação.
Isso mudou tudo. A partir de então, ficou impossível colocar aqueles engenheiros de volta no barco.
No primeiro dia eles fizeram uma caminhada, e foi, click, click, click. Cinco minutos depois, eles estavam de volta no barco.
Terminamos. Você sabe, já vimos essa ilha.
Depois disto, eles se espalharam por todos os lados. Eles não voltavam -- eles ficavam fazendo snorkel por tanto tempo quanto os deixávamos.
O que aconteceu é que eles perceberam que existem organismos por aí que já haviam resolvido os problemas que eles tentaram resolver por todas suas carreiras.
Aprender sobre o mundo da natureza é uma coisa, aprender a partir do mundo da natureza -- essa é a diferença.
Essa é uma diferença profunda.
O que eles perceberam é que as respostas para suas perguntas estão em toda parte; eles só precisavam mudar a lente com a qual eles viam o mundo.
3, 8 bilhões de anos de teste de campo.
10 a 30 -- Craig Venter provavelmente irá lhe dizer; Eu acredito que existam mais que 30 milhões -- soluções bem adaptadas.
O importante para mim é que estas são soluções criadas dentro de um contexto.
E o contexto é o planeta Terra -- o mesmo contexto em que estamos tentando solucionar os nossos problemas.
Portanto é a imitação consciente da genialidade da vida.
Não é um mimetismo cego -- apesar de que o "Al" está tentando aqui com o seu penteado -- não é um mimetismo cego. É pegar os fundamentos do design, a genialidade do mundo natural, e aprender alguma coisa com isso.
Agora, num grupo com tantas pessoas de TI, eu tenho que mencionar que -- sobre o qual eu não vou falar, é que o seu campo é um que tem aprendido uma quantidade enorme a partir das coisas vivas, na área de software. Portanto há computadores que se auto-protegem, como um sistema imunológico, e estamos apredendo a partir da regulação dos genes e do desenvolvimento biológico. E estamos aprendendo de redes neurais, algoritmos genéticos, computação evolucionária.
Tudo isso no lado do software. Mas o que é interessante para mim é que não olhamos tanto para isto. Quero dizer, estas máquinas não são tecnologia avançada, de verdade, com base nas minhas estimativas, pois há dezenas e dezenas de carcinogênios na água do Vale do Silício.
Então o hardware não está no nível do que a vida chamaria de sucesso.
Então o que podemos aprender sobre criar -- não somente computadores, mas tudo?
Os aviões em que vocês vieram, carros, as poltronas onde vocês estão sentados.
Como podemos redesenhar o mundo que criamos, o mundo feito pelos humanos?
Mais importante, o que deveríamos perguntar nos próximos 10 anos?
E há muitas tecnologias bacanas por aí afora que a vida possui.
E qual é o programa?
Três perguntas são chave para mim.
Como a vida cria as coisas?
Isso é o oposto; isso é como nós fazemos as coisas.
É chamado aquecer, golpear e manipular -- é assim que os cientistas de materias o chamam.
E consiste de esculpir as coisas de cima pra baixo, com 96% de desperdício e somente 4% de produto final. Você esquenta, golpeia com altas pressões, e usa produtos químicos. Ok. Aquecer, golpear, e manipular.
A vida não se pode dar ao luxo de fazer isso. Como a vida cria coisas?
Como a vida faz a maioria das coisas?
Isso é um pólen de gerânio.
E o seu formato é o que lhe dá a funcionalidade de ser capaz de flutuar pelo ar tão facilmente. Veja esse formato.
A vida acrescenta informação à matéria.
Em outras palavras: estrutura.
Ela fornece informação. Ao acrescentar informação à matéria, ela dá uma função que é diferente que sem essa estrutura.
E, em terceiro lugar, como a vida faz as coisas desaparecerem nos sistemas?
Porque a vida não divide realmente as coisas; Não há nada no mundo natural separado de seus sistemas.
Um resumo bem rápido.
Conforme mais eu tenho lido, e seguido a estória, mais eu vejo coisas fantásticas aparecendo nas ciências biológicas.
E ao mesmo tempo, eu tenho ouvido a vários tipos de negócios e procurado entender quais são os seus grandes desafios.
Os dois grupos não se falam.
Não mesmo.
O que do mundo da biologia pode nos ser útil neste momento, que nos atravessar esse nó evolucionário em que estamos?
Eu vou tentar passar por 12 idéias, bem rapidamente.
Ok, uma que é excitante para mim é auto-montagem.
Agora, vocês já ouviram sobre isso em termos de nanotecnologia.
De volta àquela concha: a concha é um material auto-montante.
No canto inferior esquerdo há uma imagem de madre-pérola sendo formada a partir de água do mar. É uma estrutura de camadas de minerais e depois polímeros, e isso a faz muito, muito resistente.
É duas vezes mais resistente que nossas cerâmicas de tecnologia avançada.
Mas o que é realmente interessante: diferente das nossas cerâmicas que estão em fornalhas, isso acontece na água do mar. Acontece próximo, dentro e próximo, dos corpos dos organismos.
Ok, pessoas estão começando a --
esse é o Laboratório Nacional da Sandia; um cara chamado Jeff Brinker encontrou uma maneira de obter um processo de codificação auto-montante.
Imagine ser capaz de criar cerâmicas à temperatura ambiente através da simples adição de algo dentro de um líquido, tirando tal coisa do líquido, e então deixando que a evaporação force as moléculas no líquido a se juntarem, para que elas se encaixem da mesma maneira que essa cristalização funciona.
Imagine criar todos os nossos materiais duros desta maneira.
Imagine pulverizar os precursores em uma célula fotovoltaica, em uma célula solar, em um telhado, e deixar qe ela se auto-monte em uma estrutura de camadas que colhem luz.
Aqui está uma interessante para o mundo de TI: bio-silício. Essa é uma diatomácea, que é feita de silicatos.
E então silício, que nós fabricamos hoje em dia -- é parte do nosso problema carcinogênico na fabricação de nossos chips -- esse é um processo de bio-mineralização que agora está sendo mimetizado.
Isso é na Universidade da California - Santa Bárbara. Olhe essas diatomáceas;
isso é do trabalho de Ernst Haeckel.
Imagine ser capaz de -- e, novamente, isso é um processo padronizado, que se solidifica a partir de um processo líquido -- imagine ser capaz de obter este tipo de estrutura à temperatura ambiente.
Imagine ser capaz de criar lentes perfeitas.
Na esquerda temos um ofiuro; ele é coberto por lentes que o pessoal da Lucent Technologies descobriram que não têm distorção alguma.
É uma das lentes mais livres de distorção de que temos conhecimento.
E há muitas delas, por todo o seu corpo.
O que é interessante, novamente, é que ele se auto-monta.
Uma mulher chamada Joanna Aizenberg, na Lucent, está aprendendo a fazer isso através de um processo de baixa temperatura para criar estes tipos de lentes. Ela também está olhando para fibras óticas.
Essa é uma esponja do mar que possui fibras óticas.
Bem na base dela, há fibras óticas que funcionam melhor que as nossas, na verdade, para transportar luz. Mas você pode dar um nó nelas; elas são incrivelmente flexíveis.
Aqui está uma outra grande idéia: CO2 como matéria prima.
Um cara chamado Geoff Coates, em Cornell, disse para si mesmo, as plantas não enxergam o CO2 como o maior veneno da nossa época.
Nós o vemos assim. As plantas estão ocupadas criando longas cadeias de amido e glicose a partir do CO2. Ele encontrou uma maneira -- ele encontrou um catalizador, e encontrou uma maneira de pegar CO2 e transformá-lo em policarbonatos. Plástico biodegradável a partir de CO2 -- parecido com a planta.
Transformações solares: a mais excitante.
Há pessoas que estão mimetizando os dispositivos de colheita de energia de dentro da bactéria roxa, as pessoas em ASU. Ainda mais interessante, recentemente, nas últimas semanas, as pessoas descobriram que há uma enzima chamada hidrogenase que é capaz de formar hidrogênio a partir de prótons e eléctrons. E é capaz de levantar o hidrogênio -- basicamente é isso que acontece numa célula combustível, no ânodo de uma célula combustível e em uma célula combustível reversível.
Nas nossas células combustível, nós o fazemos com platina. A vida o faz com um ferro bem comum.
E uma equipe acabou de conseguir mimetizar essa hidrogenase malabarista de hidrogênios.
Isso é bastante excitante para células combustível -- ser capaz de fazê-lo sem platina.
O poder da forma: aqui está uma baleia. Nós sabemos que as nadadeiras desta baleia tem tubérculos em si. E estas pequenas protuberâncias na verdade aumentam a eficiência, por exemplo, nas bordas de um avião -- aumenta a eficiência em 32% aproximadamente.
O que é uma economia fantástica de combustíveis fósseis, se colocarmos isso nas bordas da asa.
Coloração sem pigmentos: este pavão está criando cor através da forma.
A luz entra, rebate nas camadas; é chamado interferência da película. Imagine ser capaz de auto-montar produtos cujas últimas camadas brincam com a luz para criar o efeito de cor.
Imagine ser capaz de criar uma forma no exterior de uma superfície, tal que seja auto-limpante somente com água. Isso é o que uma folha faz.
Está vendo essa foto ampliada?
É uma esfera de água, e estas são partículas de sujeira.
E essa é uma foto ampliada de uma folha de lótus.
Há uma empresa fabricando um produto chamado Lotusan, que mimetiza -- quando a tinta da fachada de um prédio seca, ela mimetiza as protuberâncias de uma folha auto-limpante, e a água da chuva limpa o prédio.
Água será nosso maior desafio: saciar a sede.
Aqui estão dois organismos que absorvem água.
O da esquerda é um besouro da Namíbia absorvendo água do nevoeiro.
O da direita é um tatu-bolinha -- que absorve água do ar. Não toma água.
Absorver água a partir do nevoeiro de Monterey e a partir do ar úmido de Atlanta, antes que cheguem a um prédio, são tecnologias chave.
Tecnologias de separação serão extremamente importantes.
E se diséssemos: sem mais mineração em rochas duras?
E se tivéssemos que separar metais a partir de resíduos em correntes -- pequenas quantidades de metais presentes na água? Isso é o que micróbios fazem, eles criam quelatos de metais a partir da água.
Há uma empresa aqui em São Francisco chamada MR3 que está embutindo mimetismos das moléculas dos micróbios em filtros para garimpar correntes de resíduos.
Química verde é química na água.
Nós fazemos química em solventes orgânicos.
Essa é uma foto das glândulas fiandeiras de uma aranha, ok, e a teia sendo criada por uma aranha. Não é lindo?
A química verde está substituindo nossa química industrial pelo livro de receitas da natureza.
Não é fácil, porque a vida utiliza somente um sub-conjunto dos elementos da tabela periódica.
E nós usamos todos eles, inclusive os tóxicos.
Desvendar as elegantes receitas que pegam um pequeno sub-conjunto da tabela periódica, e criam materiais milagrosos como esta célula, é a tarefa da química verde.
Decomposição pré-agendada: embalagens que só duram até o momento em que você não quer que elas sirvam mais, e se dissolvam com a sua sugestão.
Esse é um mexilhão encontrado nas águas daqui. E os fios que o fixam às rochas tem tempo marcado -- em exatamente dois anos, eles começam a se dissolver.
Recuperação: essa é uma boa.
Esse carinha aí é um tardígrado.
Há um problema com vacinas ao redor do mundo: não chegar até os pacientes. E o motivo é que a refrigeração, de alguma maneira, é interrompida; a chamada "cadeia fria" é quebrada.
Um cara chamado Bruce Rosner analisou os tardígrados -- que se desidratam totalmente, e ainda continuam vivos por meses e meses e meses, e é capaz de se regenerar.
E ele encontrou uma maneira de desidratar vacinas completamente -- envolvê-las em cápsula de açúcar do mesmo tipo que os tardígrados possuem em suas céluas -- que significa que vacinas não precisam mais ser refrigeradas.
Elas podem ser colocadas no porta-luvas, ok.
Aprender a partir de organismos. Essa é uma sessão sobre água -- aprender sobre organismos que se viram sem água, para criar uma vacina que dura e dura e dura sem refrigeração.
Não vou conseguir passar por todas 12.
Mas o que eu vou fazer é lhes contar que a coisa mais importante, além de todas essas adaptações, é o fato que estes organismos descrobriram uma maneira de fazer as coisas fantásticas que fazem ao mesmo tempo em que cuidam do lugar que cuidará de seus descendentes.
Quando eles estão envolvidos em preliminares, eles estão pensando sobre alguma coisa muito, muito importante, é isso é fazer seu material genético perdurar, 10. 000 gerações à partir de agora.
E isso significa encontrar uma maneira de fazer o que eles fazem sem destruir o lugar que cuidará de seus descendentes.
Esse é o maior desafio do design.
Felizmente, há milhões e milhões de gênios dispostos a nos presentear com suas melhores idéias.
Boa sorte ao estabelecer um diálogo com eles.
Obrigado.
Chris Anderson: Falando de preliminares, eu -- nós temos que terminar as 12, mas bem rapidinho.
Janine Benyus: Sério?
CA: Sim. Você sabe, a versão resumida de 10 segundos das idéias 10, 11, e 12. Porque nós -- seus slides são tão maravilhosos, e suas idéias tão grandiosas, que eu não posso permitir que você vá embora sem ver as idéias 10, 11, e 12.
JB: Ok, colocar isso -- Ok, eu vou apenas segurar esse negócio. Ok, ótimo.
Ok, então essa foi sobre cura.
Sentir e reagir: feedback é uma coisa muito importante.
Este é um gafanhoto. É possível termos 80 milhões deles em um quilômetro quadrado, e mesmo assim eles não se chocam uns nos outros.
E mesmo assim, nós temos 3. 6 milhões de colisões de carros por ano.
Isso. Tem uma pessoa em Newcastle que descobriu que isto se deve a um neurônio bem grande.
E ela está investigando como criar um circuito que evite colisões baseado neste grande neurônio do gafanhoto.
Esta é grande e bastante importante, a número 11.
Cultivar a fertilidade.
Isso significa agricultura com aumento de fertilidade.
Nós deveríamos estar cultivando fertilidade. E, claro, obter comida também.
Porque nós temos que aumentar a capacidade deste planeta de criar mais e mais oportunidades para a vida.
E, na verdade, isso é o que outros organismos fazem bem.
Em conjunto, é isso que ecossistemas inteiros fazem: eles criam mais e mais oportunidades para a vida.
Nossa agricultura tem feito o oposto.
Então, agricultura baseada em como um prado gera o solo, fazendas baseadas em como um bando de ungulados nativos na verdade aumenta a vitalidade do pasto. Ou mesmo tratamento de água baseado em como um pântano não apenas purifica a água, mas também cria uma produtividade borbulhante incrível.
Este é um design simples. Isto é, parece simples porque o sistema, ao longo de 3. 8 bilhões de anos, se aprimorou.
Isto é, os organismos que não foram capazes de descobrir como melhorar ou amenizar seus locais, não estão mais por aí para nos contar a história.
Essa é a décima segunda.
A vida -- e este é o segredo; este é o truque mágico -- a vida cria condições favoráveis à vida.
Ela gera solo, ela purifica o ar, purifica a água, ela mistura o coquetel de gases que eu e você precisamos para viver.
E faz isso ao mesmo tempo em que tem ótimas preliminares e atende às suas necessidades. Portanto, não são mutuamente excludentes.
Nós temos que encontrar uma maneira de atender nossas necessidades, e ao mesmo tempo tornar este lugar um éden.
CA: Janine, muito obrigado.
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Não investimos em vítimas, investimos em sobreviventes.
E seja grande ou pequena, a narrativa da vítima formata o modo como vemos mulheres.
Você não pode contar o que você não vê.
E não investimos no que é invisível para nós.
Mas esse é o rosto da resiliência.
Seis anos atrás, comecei a escrever sobre mulheres empreendedoras durante e após conflitos.
Comecei a escrever uma história econômica convincente, uma que tinha grandes personagens, que ninguém estava contando, e uma que, pensei, importava.
E isso revelou mulheres.
Deixei o noticiário da ABC e uma carreira que eu amava, aos 30 anos, pela escola de administração, um caminho do qual eu sabia quase nada.
Nenhuma das mulheres com quem cresci em Maryland formou-se na faculdade, muito menos pensaram numa escola de administração.
Mas elas se esforçaram para alimentar suas crianças e pagar o aluguel.
E percebi, desde muito jovem, que ter um trabalho decente e ganhar um bom salário fazia a grande diferença para famílias que estavam lutando.
Assim, se você vai falar de empregos, você tem que falar de empreendedores.
E se você está falando de empreendedores em cenários de conflito ou pós-conflito, então você tem que falar de mulheres, porque elas são a população que restou.
Ruanda, logo em seguida ao genocídio, era 77 por cento feminina
Quero apresentar-lhes algumas dessas empreendedoras que encontrei e compartilhar algo do que elas me ensinaram ao longo dos anos.
Fui ao Afeganistão em 2005, para trabalhar num artigo do Financial Times, e lá conheci Kamila, uma mulher jovem que me contou que tinha acabado de recusar um emprego com a comunidade internacional, que lhe pagaria aproximadamente 2. 000 dólares por mês -- uma soma astronômica naquele contexto.
E ela o recusou, ela disse, porque ela ia começar seu próximo negócio, um empreendimento de consultoria que ensinaria habilidades negociais a homens e mulheres em todo o Afeganistão.
Negócios, ela disse, eram críticos para o futuro de seu país.
Porque muito depois que equipes internacionais partissem, os negócios ajudariam a manter seu país em paz e seguro.
E ela disse que negócios eram mais importantes ainda para mulheres porque, ao ter uma renda, ganhavam respeito e dinheiro era poder para mulheres.
Eu estava atônita.
Quero dizer, lá estava uma garota que nunca tinha vivido em tempos de paz e que, de alguma forma, soava como um candidato de "O Aprendiz".
Então, perguntei a ela: "Como é que você sabe tanto sobre negócios?
Por que é tão apaixonada?"
Ela disse: "Oh, Gayle, este na verdade é meu terceiro negócio.
Meu primeiro negócio foi uma confecção de roupas. Comecei sob o Taliban.
E, na verdade, aquele era um excelente negócio, porque províamos empregos para mulheres de toda nossa vizinhança.
E foi assim que eu realmente me tornei uma empresária."
Pense nisso: ali estavam garotas que desafiaram o perigo para se tornar chefes de família durante anos em que elas não poderiam nem mesmo estar nas ruas.
E num tempo de colapso econômico quando as pessoas vendiam camisolas, cadarços, janelas e portas apenas para sobreviver, essas garotas fizeram a diferença entre sobrevivência e fome para tantos.
Não pude deixar a história, e não pude deixar o tema também, porque todos os lugares a que fui encontrei mais dessas mulheres que ninguém parecia conhecer ou queria conhecer.
Fui à Bósnia, e no início de minhas entrevistas encontrei um funcionário da IMF que disse: "Sabe, Gayle, não penso que realmente tenhamos mulheres nos negócios na Bósnia, mas há uma senhora vendendo queijo nas redondezas, na beira da estrada.
Talvez você pudesse entrevistá-la."
Saí para fazer reportagens e dentro de um dia encontrei Narcisa Kavazovic, que naquele momento estava abrindo uma nova fábrica nas antigas linhas de frente da guerra em Sarajevo.
Ela tinha começado sua atividade ocupando uma garagem abandonada, costurando lençóis e fronhas que levava aos mercados da cidade toda para que pudesse sustentar os 12 ou 13 membros da família que contavam com ela para sobreviver.
À época em que nos encontramos, ela tinha 20 empregados, a maioria mulheres, que estavam mandando seus meninos e meninas para a escola.
E ela foi apenas o começo.
Encontrei mulheres administrando empresas de petróleo, adegas e até mesmo a maior agência de publicidade do país.
Assim essas histórias juntas tornaram-se a capa de negócios do Herald Tribune.
E quando esta história foi publicada, corri ao computador para enviá-la ao funcionário da IMF.
E acrescentei: "No caso de você estar procurando empreendedores para se apresentar na sua próxima conferência sobre investimentos, aqui está uma dupla de mulheres."
Agora, pensem sobre isso.
O funcionário da IMF mal é a única pessoa a automaticamente classificar mulheres como micro.
As tendenciosidades, sejam intencionais ou não infiltram-se, assim como as enganadoras imagens mentais.
Se você vê a palavra "microfinanças', o que vem à mente?
A maioria das pessoas diz mulheres.
E se você vê a palavra "empresário", a maioria das pessoas pensa em homens.
Por que é assim?
Porque miramos baixo e pensamos pequeno quando se refere a mulheres.
Microfinanças é uma ferramenta incrivelmente poderosa que conduz à auto-suficiência e respeito próprio, mas precisamos ir além de micro-esperanças e micro-ambições para mulheres, porque elas têm esperanças tão maiores para elas mesmas.
Elas querem ir do micro para o médio e além.
E em muitos lugares, elas estão lá.
Nos E. U. A, empresas de propriedade de mulheres criarão cinco milhões e meio de novos empregos em 2018.
Na Coreia do Sul e na Indonésia, as mulheres possuem aproximadamente meio milhão de firmas.
China, mulheres administram 20 por cento de todas as pequenas empresas.
E no mundo em desenvolvimento em geral, esse número é de 40 a 50 por cento.
Em quase todos os lugares a que vou, encontro empresárias incrivelmente interessantes que estão buscando acesso a financiamento, acesso a mercados e redes de negócios estabelecidas.
Elas são frequentemente ignoradas porque é mais difícil auxiliá-las.
É muito mais arriscado dar um empréstimo de 50. 000 dólares do que dar um empréstimo de 500 dólares.
E como notou o Banco Mundial recentemente, as mulheres estão emperradas numa armadilha de produtividade.
Aquelas em pequenas empresas não conseguem o capital de que precisam para expandir, e aquelas em microempresas não conseguem crescer além disso.
Recentemente eu estava no Departamento de Estado, em Washington, e encontrei uma empresária incrivelmente apaixonada, de Gana.
Ela vende chocolates.
E ela tinha vindo a Washington, não procurando uma doação, não procurando um microempréstimo.
Ela tinha vindo procurar um investimento sério, em dólares, para que pudesse construir a fábrica e comprar os equipamentos que precisava para exportar seus chocolates para a África, a Europa, o Oriente Médio e muito além -- capital que a ajudaria a empregar mais do que as 20 pessoas que ela já tem trabalhando para ela, e capital que estimularia a própria ascensão econômica de seu país.
A boa notícia é que já sabemos o que funciona.
A teoria e a evidência empírica já nos ensinaram.
Não precisamos inventar soluções porque nós as temos -- empréstimos para fluxo de caixa baseados na renda não em bens, empréstimos que usem contratos de seguro e não avalistas, porque as mulheres frequentemente não possuem terras.
E Kiva. org, o microfinancista, está realmente experimentando agora, com 'crowdsourcing', empréstimos para pequenos e médios.
E isso apenas para começar.
Recentemente, está muito na moda chamar as mulheres de "o mercado emergente do mercado emergente".
Acho isso incrível.
Sabe por quê?
Porque -- e digo isso como alguém que trabalhou em finanças -- 500 bilhões de dólares no mínimo foram para os mercados emergentes na década passada.
Porque os investidores viram o potencial de retorno numa época de crescimento econômico lento e assim eles criaram produtos financeiros e inovações financeiras talhadas para os mercados emergentes.
Quão maravilhoso seria se estivéssemos preparados para substituir todas nossas palavras imponentes por nossas carteiras e investir 500 bilhões de dólares liberando o potencial econômico das mulheres?
Pense apenas nos benefícios no que se refere a trabalho, produtividade, empregos, nutrição infantil, mortalidade das mães, alfabetização e mais, muito mais.
Porque, como notou o Fórum Econômico Mundial, lacunas menores entre os gêneros estão diretamente relacionadas com aumento da competitividade econômica.
E nem um país em todo o mundo eliminou sua lacuna na participação econômica -- nem um.
Então a ótima notícia é: esta é uma oportunidade incrível.
Temos tanto espaço para crescer.
Veja, isto não é sobre fazer o bem, isto é sobre crescimento global e trabalho global.
É sobre como investimos e é sobre como vemos as mulheres.
E as mulheres não podem mais ser ao mesmo tempo metade da população e um grupo de interesse especial.
Muitas vezes entro em discussões muito interessantes com repórteres que me dizem: "Gayle, essas são ótimas histórias, mas você está escrevendo realmente sobre as exceções."
Isso me faz pausar por duas razões somente.
Primeiro, exceções, há muitas delas e elas são importantes.
Segundo, quando falamos de homens que estão tendo sucesso, nós os consideramos, corretamente, ícones, pioneiros ou inovadores a ser emulados.
E quando falamos de mulheres, elas são exceções a ser desconsideradas ou aberrações a ser ignoradas.
E, finalmente, não há sociedade em nenhum lugar do mundo que não seja mudada a não ser pelo seu maior excepcional.
Assim, por que não celebraríamos e exaltaríamos essas fabricantes de mudanças e criadoras de trabalho ao invés de negligenciá-las?
Esse tópico da resiliência é muito pessoal para mim e de muitas maneiras deu forma à minha vida.
Minha mãe era uma mãe solteira que trabalhava em uma companhia telefônica durante o dia e vendia Tupperware à noite para que eu pudesse ter toda oportunidade possível.
Comprávamos com cupons de valor dobrado, a prazo e em lojas de consignação, e quando ela ficou doente com câncer de mama no quarto estágio e não pôde mais trabalhar, nós até mesmo nos candidatamos aos cartões de alimentação do governo.
E quando eu sentia pena de mim mesma como meninas de 9 ou 10 anos fazem, ela me dizia: "Querida, numa escala de tragédias mundiais maiores, a sua não é nem um três."
E quando me candidatei à faculdade de administração, e senti que não conseguiria fazê-la e ninguém que eu conhecia tinha feito, fui até minha tia que sobreviveu a anos de pancadas nas mãos do marido e escapou de um casamento de abusos com apenas sua dignidade intacta.
E ela me disse: "Nunca importe as limitações de outras pessoas."
E quando me queixei com minha avó, uma veterana da Segunda Guerra que trabalhou em filme por 50 anos e que me sustentou a partir dos 13 anos, que eu estava apavorada porque se eu recusasse uma oportunidade excelente na ABC por uma bolsa de estudos no exterior, eu nunca, nunca conseguiria outro emprego, ela disse: "Criança, vou lhe dizer duas coisas.
Primeiro, ninguém recusa uma bolsa Fullbright e, segundo, o McDonald's está sempre contratando."
"Você encontrará um emprego. Não perca esta oportunidade."
As mulheres em minha família não são exceções.
As mulheres nesta sala e assistindo em Los Angeles
e em todo o mundo não são exceções.
Não somos um grupo de interesse especial.
Somos a maioria.
E por um tempo muito longo, temos subestimado a nós mesmas e sido subavaliadas por outros.
É hora de nós mirarmos mais alto no que se refere a mulheres, investir mais e usar nossos dólares para beneficiar mulheres em todo o mundo.
Podemos fazer a diferença, e fazer diferença não apenas para as mulheres, mas para a economia global que desesperadamente precisa da contribuição delas.
Juntas podemos ter certeza de que as assim chamadas exceções comecem a ser a regra.
Quando mudarmos a forma como vemos a nós mesmas, outros seguirão.
É hora de todos nós pensarmos grande.
Muito obrigada
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Senhoras e senhores, juntem-se aqui em volta.
Gostaria de compartilhar com vocês uma história.
Uma vez, na Alemanha do século XIX, havia o livro.
Durante aquele tempo, o livro era o rei da arte de contar histórias.
Ele era venerável.
Ele era onipresente.
Mas era um pouquinho chato.
Porque em seus 400 anos de existência, os contadores de histórias nunca fizeram o livro evoluir como um instrumento de contar histórias.
Mas, então, um autor chegou e ele mudou o jogo para sempre.
Seu nome era Lothar, Lothar Meggendorfer.
Lothar Meggendorfer tomou uma posição, e ele disse: "Genug ist genug!"
Ele apanhou sua caneta, ele agarrou sua tesoura.
Esse homem recusou dobrar-se às convenções da normalidade e decidiu simplesmente dobrar.
A História conheceria Lothar Meggendorfer como -- quem mais? -- o primeiro inventor do mundo do livro pop-up para crianças.
Por causa desse prazer e por causa dessa maravilha, as pessoas rejubilaram.
Eles estavam felizes porque a história sobreviveu, e assim o mundo continuaria a girar.
Lothar Meggendorfer não foi o primeiro a fazer evoluir a maneira como uma história era contada, e ele certamente não foi o último.
Se os contadores de histórias perceberam ou não, eles estavam canalizando o espírito de Meggendorfer quando passaram da ópera para o vaudeville, da notícia no rádio para o teatro no rádio, do filme fotográfico para o cinema, para o filme com som, colorido, 3D, no VHS e no DVD.
Parecia não haver cura para essa 'Meggendorferite'.
E as coisas ficaram muito mais divertidas quando a Internet surgiu.
Porque as pessoas não apenas podiam espalhar suas histórias por todo o mundo mas também podiam fazer isso usando o que parecia ser uma quantidade infinita de dispositivos.
Por exemplo, uma companhia contaria uma história de amor através de seu próprio motor de busca.
Um estúdio de produção de Taiwan interpretaria a política americana em 3D.
E um homem contaria as histórias de seu pai, usando uma plataforma chamada Twitter, para comunicar a porcaria que seu pai gesticulasse.
E depois de tudo isso, todos fizeram uma pausa; eles deram um passo para trás.
Eles perceberam que, em 6. 000 anos de contar histórias, eles foram de representar caçadas em paredes de cavernas a representar Shakespeare nas telas do Facebook.
E isso foi motivo de celebração.
A arte de contar histórias permaneceu inalterada.
E na maior parte, as histórias são recicladas.
Mas a forma como os humanos contam as histórias tem sempre evoluído com pura inovação e consistência.
E eles se lembravam de um homem, um alemão surpreendente, toda vez que um novo instrumento de contar histórias surgia.
E por causa disso, a audiência -- a linda e adorável audiência -- viveria feliz para sempre.
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Primeiro de tudo, sou uma 'nerd'
Como comida orgânica diminuo minhas pegadas de carbono, acho o máximo cirurgia robótica,
e realmente quero construir verde, mas suspeito de todos esses artigos que fazem o bem, gente com muita autoridade moral mas com poucos dados me dizendo como fazer esse tipo de coisa
E então eu tenho que descobrir sozinha
Por exemplo: Isso é ruim?
Eu derrubei um pote de iogurte orgânico de vacas locais felizes e realizadas no balcão. e peguei uma toalha de papel e enxuguei.
Mas eu posso usar uma toalha de papel?
A resposta para isso pode ser encontrada na energia incorporada.
Essa é a quantidade de energia que vai em qualquer toalha de papel ou água incorporada. E todas as vezes que eu uso uma toalha de papel, eu estou usando esse tanto de energia virtual e água.
Limpe, jogue fora,
Agora, eu comparo a uma toalha de algodão que eu posso usar umas mil vezes, Eu não tenho um monte de energia incorporada até que eu lave a toalha com iogurte.
Isso agora é energia operacional
Então se eu jogar minha toalha na máquina de lavar, eu coloquei agora energia e água de volta na toalha,
a menos que eu use uma máquina de lavar de alta eficiência com abertura frontal, e então parece um pouco melhor.
Mas e aquelas toalhas de papel reciclado que vem nessas pequenas meias-folhas?
Bom, agora uma toalha de papel parece melhor.
Danem-se as toalhas de papel. Vejamos uma esponja.
Eu limpo com uma esponja, e coloco a esponja debaixo de água corrente, e tenho muito menos energia e muito mais água.
a menos que você seja como eu e deixe a torneira na posição de quente mesmo quando você a abre, e então você começa a usar mais energia,
ou pior, voce deixa a água correr até que esteja quente para lavar sua toalha.
E agora as apostas estão encerradas.
Então, o que isso nos diz é que algumas vezes as coisas que você menos espera, a posição em que você coloca a torneira, têm mais efetio do que qualquer dessas outras coisas que você estava tentarndo otimizar.
Agora imagine alguém 'torta' como eu tentando construir uma casa.
É o que meu marido e eu estamos fazendo agora.
E então, queríamos saber o quanto verdes conseguiríamos ser
E há mil e um artigos por aí nos dizendo como fazer todas essas trocas verdes.
E eles são tão suspeitos quanto ao nos dizer para otimizar essas coisinhas nas laterais e esquecer do elefante na sala de visitas.
Agora, a casa média tem cerca de 300 megawatts hora de energia incorporada nela. Essa é a energia necessária para fazê-la funcionar milhoes e milhões de toalhas de papel
Queriamos saber como poderíamos melhorar.
E então, como muita gente, começamos com uma casa num lote, e vou mostrar a vocês uma construção típica em cima e o que estamos fazendo embaixo.
Entao, primeiro demolimos.
Isso exige alguma energia, mas se você descontróoi, você separa tudo, você usa os pedaços e consegue ter um pouco daquela energia de volta.
Então cavamos um grande buraco para colocar um tanque de coleta de água da chuva para tornar nosso jardim independente.
E então fizemos uma grande fundação para energia solar.
Agora, você consegue reduzir a energia incorporada em cerca de 25 por cento usando concreto com cinzas volantes.
Colocamos então no suporte
Então este é o suporte, madeira, materiais compostos, e é meio difícil obter a energia incorporada disso mas pode ser um recurso sustentável se você usar madeira certificada.
Então vamos para a primeira coisa que foi muito supreendente.
Se colocarmos janelas de alumínio nessa casa, dobraríamos o uso de energia.
Agora, PVC é um pouco melhor, mas ainda não é tão bom quanto a madeira que escolhemos.
Então colocamos os encanamentos, fiação e aquecimento, ventilação e ar condicionado, e isolamento.
Agora, espuma é um excelente isolante, visto que preenche as rachaduras mas é energia altamente incorpoada. E celulose ou blue jeans é uma energia alternativa muito mais baixa.
Também usamos palha para nossa biblioteca que tem zero de energia incorporada.
Quanto ao reboco se você usar EcoRock, é cerca de um quarto da energia incorporada do reboque padrão.
E então você chega aos finalmentes o assunto de todos esses artigos "fique verde". E na escala de uma casa, eles quase não fazem diferença.
E no entanto, toda a mídia está focada nisso.
Exceto pelo chão.
Se você colocar carpete na sua casa. é cerca de um décimo da energia incorporada da casa toda, a menos que você use concreto ou madeira para uma energia incorporada muito mais baixa.
E agora quando somamos a energia final da construção, quando somamos tudo, e construimos uma casa por menos da metade da energia incorporada de construir uma cada como essa.
Mas antes de nos darmos tapinhas demais nas costas, usamos 151 megawatt horas de energia para construir essa casa. quando havia uma casa lá antes.
Então a pergunta é: Como podemos recuperar isso?
E então se eu tocar minha nova casa com energia eficiente em comparação com a casa antiga, nada eficiente em energia, recuperamos em cerca de seis anos.
Agora, eu provavelmente teria melhorado a casa antiga para ser mais eficiente em energia E nesse caso, eu levaria mais de 20 anos para ficar quites.
Agora, se eu não tivesse prestado atenção à energia incorporada, teríamos levado cerca de 50 anos para ficarmos quites em compração à casa melhorada.
Então, o que isso significa?
Na escala da minha porção da casa, isso equivale a cerca de quanto eu dirijo em um ano. é cerca de cinco vezes de que se eu tivesse me tornado totalmente vegetariana.
Mas meu elefante na sala de visitas voa.
Claramente, eu preciso ir para casa a pé do TED.
Mas todos os cálculos para energia incorporada estão no blog.
E lembrem-se, algumas vezes são as coisas que vocês não esperam que sejam as grandes mudanças é que são.
Obrigada
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Quem já assistiu o filme "Os Pássaros" de Alfred Hitchcock?
Alguém aqui ficou bem assustado com ele?
Talvez vocês queiram dar uma voltinha agora.
Bom, essa é uma máquina de venda automática para corvos.
E durante os últimos dias, muitos tem me perguntado, "De onde veio essa ideia? Como você começou a fazer isso?"
E começou, como em muitas grandes ideias, ou aquelas ideias que você não consegue tirar da cabeça, em um coquetel.
Há uns 10 anos, eu estava nessa festa com um amigo e nós estávamos sentados e ele reclamava dos corvos, ele os tinha visto andando pelo seu jardim e fazendo a maior bagunça.
E ele me dizia que nós deveríamos dar um jeito de eliminar essas coisas.
"Nós temos que matá-los porque eles estão atrapalhando tudo".
Eu disse que era besteira, melhor seria treiná-los para fazer algo de útil.
E ele disse que era impossível.
E eu tenho certeza que aqui não sou só eu que acha irritante -- quando alguém te diz "é impossível".
Então eu passei os 10 anos seguintes lendo sobre corvos no meu tempo livre.
E depois de 10 anos fazendo isso, minha esposa acabou falando, "Olha, você tem que agir sobre essa coisa da qual você tem falado e construir essa máquina para corvos."
E eu fiz.
Mas parte da razão do meu interesse é que eu comecei a perceber que nós estamos bastante informados sobre todas as espécies em extinção no planeta em decorrência da expansão humana, mas ningém parece prestar atenção em todas as espécies vivendo -- as que estão sobrevivendo.
Eu estou falando especificamente das espécies sinantrópicas, que são espécies que se adaptaram especificamente para ambientes humanos. Espécies como ratos, baratas e corvos.
E ao olhar atentamente, percebi que eles haviam se hiper-adaptado.
Eles se tornaram extremamente hábeis em viver conosco.
E em troca, nós simplesmente tentamos matá-los quando os vemos.
E ao fazê-lo, nós estamos selecionando-os para o parasitismo.
Nós estamos dando a eles os motivos para se adaptarem de formas diferentes.
Por exemplo, ratos se reproduzem a enormes velocidades.
E as baratas, como qualquer pessoa que já tentou matar uma sabe, se tornaram realmente immunes aos venenos que estamos usando.
Então pensei, vamo construir algo que tenha um benefício mútuo.
Vamos fazer alguma coisa com a qual ambos possam ganhar, e encontrar uma maneira de formar uma nova relação com essas espécies.
E então eu construi a máquina de venda automática.
Mas a história da máquina é um pouco mais interessante se você souber um pouco mais sobre os corvos.
Tudo indica que os corvos não estão apenas sobrevivendo com os seres humanos -- eles estão realmente prosperando.
Eles são encontrados em todo o planeta, com exceção do Ártico e da ponta sul da América do Sul.
E nessa área toda, eles raramente estão se reproduzindo a mais de 5 quilômetros dos seres humanos.
Então embora não pensemos neles, eles estão sempre por perto.
E sem surpresas, dado o crescimento populacional humano -- mais da metade da população humana está morando em cidades hoje.
E desses, nove décimos do crescimento populacional está ocorrendo nas cidades.
Nós estamos observando uma explosão populacional nos corvos também.
Os números indicam que estamos presenciando um crescimento exponencial na quantidade desse pássaros.
E isso não é de se surpreender.
Mas o que foi realmente interessante para mim foi descobrir que os corvos estão se adaptando de formas bastante inusitadas.
Vou dar um exemplo disso.
Essa é a Betty. Ela é um corvo da Nova Caledónia.
E esses corvos usam galhos na natureza para tirar insetos e outras coisas de troncos de árvore.
Aqui ela está tentando tirar um pedaço de carne de dentro de um tubo.
Mas os pesquisadores tiveram um problema.
Eles se atrapalharam e deixaram somente um pedaço de arame ali.
E ela nunca havia feito algo assim antes.
Percebam que não está dando muito certo.
Então ela se adaptou.
Vocês estão vendo algo espontâneo. Ela nunca havia visto isso ser feito antes.
Ninguém a ensinou a fazer um gancho, ou mostrou para ela como poderia ser feito.
Mas ela o fez por conta própria.
Tenham em mente, ela nunca tinha visto isso sendo feito.
Certo.
Isso. Muito bom.
E essa é a parte onde os pesquisadores se espantam.
E nós temos descoberto, cada vez mais, que os corvos são realmente muito inteligentes.
Seus cérebros estão na mesma proporção que os cérebros dos chimpanzés.
Existem muitos exemplos para as diferentes formas de inteligência deles.
Por exemplo, na Suécia, os corvos esperam os pescadores jogarem anzóis em buracos no gelo.
Quando os pescadores vão embora, eles pousam, puxam a linha e comem o peixe ou a isca.
É bem irritante para os pescadores.
Em uma linha completamente diferente, na Universidade de Washington, eles, a alguns anos atrás, estavam realizando um experimento em que eles capturavam alguns corvos no campus.
Os estudantes saiam e capturavam alguns corvos, os traziam, e ele então eram pesados, medidos e outras coisas, e após isso, eles eram soltos.
E ficaram fascinados ao descobrir que pelo resto da semana, esses corvos, sempre que esses alunos em particular andavam pelo campus, esses corvos grasnavam para eles, e voavam à sua volta, infernizando suas vidas.
Eles ficaram signicativamente menos fascinados quando isso continuou na semana seguinte.
E no mês seguinte e depois que eles voltaram das férias.
Até que eles se formaram e deixaram o campus -- felizes por se livrarem dos corvos, imagino -- Voltaram algum tempo depois e descobriram que as aves ainda lembravam deles.
Então, moral da história, não irrite corvos.
Como cosequência, estudantes da Universidade de Washington que estão estudando esses corvos o fazem usando uma peruca e uma máscara gigante.
É bem interessante.
Bom, sabemos que esses corvos são bem espertos, mas quanto mais eu mergulhava nisso mais eu descobria que eles desenvolveram adaptações ainda mais significativas.
Vídeo: Os corvos se tornaram altamente habilidosos em sobreviver nesses novos ambientes urbanos.
Nessa cidade japonesa eles desenvolveram uma forma de conseguir comer coisas que eles normalmente não conseguem -- jogá-la no meio do trânsito.
O problema agora é pegar os pedaços sem ser atropelado.
Espere o semáforo parar os carros.
Então, recolha sua noz aberta em segurança.
Joshua Klein: Sim, sim. Muito interessante.
O importante disso não é que os corvos estão usando carros para quebrar nozes.
Na verdade, isso é um truque velho para os corvos.
Isso aconteceu cerca de 10 anos atrás em uma cidade chamada Sendai, em uma escola de direção nos subúrbios de Tokyo.
E desde então, todos os corvos da vizinhança estão aprendendo esse comportamento.
E hoje, todos os corvos em dentro de um raio de 5 quilometros estão na calçada esperando para pegar seu almoço.
Eles estão aprendendo uns com os outros e pesquisas suportam isso.
Pais aparentemente estão ensinando seus filhos.
Eles aprenderam dos seus iguais; aprenderam dos seus inimigos.
Se der tempo, eu conto sobre um caso de infidelidade entre os corvos que ilustra bem isso.
A mensagem principal é que eles desenvolveram adaptação cultural.
E como ouvimos ontem, essa é a Caixa de Pandora que está colocando os seres humanos em apuros, e nós começamos a ver isso neles.
Eles são capazes de se adaptar muito rápida e flexivelmente aos novos desafios e recursos do seu ambiente, o que é muito útil se você vive em uma cidade.
Sabemos que existem muitos corvos.
Sabemos que eles são espertos, e que conseguem transmitir conhecimento.
Quando isso se tornou claro para mim, percebi que a coisa óbvia a se fazer era construir uma maquina de venda automática.
E foi isso que fizemos.
Essa é uma máquina de venda automática para corvos.
E ela usa treinamento Skinneriano para modelar o comportamento deles em 4 estágios.
É bem simples.
Basicamente nós colocamos isso em uma plantação ou em algum lugar com muitos corvos, e nós colocamos moedas e amendoins em volta da base da máquina.
E os corvos eventualmente vêm, comem os amendoins e se acostumam com a presença da máquina.
E em algum momento eles acabam com todos os amendoins.
Depois eles percebem que há amendoins nessa bandeja, eles pulam por lá e não fazem cerimônia.
Então eles saem, a máquina cospe mais moedas e amendoins, e a vida vira uma maravilha se você é um corvo.
Você pode voltar a qualquer hora e pegar um amendoinzinho.
Então quando eles se acostumam com isso, nós vamos para a parte em que eles voltam.
Agora eles estão acostumados com o barulho da máquina, e estão sempre voltando e procurando esses amendoins no meio da pilha de moedas que está lá.
E quando eles estão realmente felizes com isso, nós vamos adiante e atrapalhamos a vida deles.
Nós vamos para o terceiro estágio, em que damos apenas uma moeda para eles.
E, assim como nós quando nos acostumamos a uma coisa boa, isso os deixa irritadíssimos.
Então eles fazem o que eles fazem na natureza quando estão procurando algo -- eles tiram as coisas para fora do caminho com o bico.
E eles fazem isso aqui, e isso derruba a moeda na abertura, e quando isso acontece, eles ganham um amendoim.
E isso acontece durante algum tempo.
O corvos aprendem que tudo que eles precisam fazer é aparecer, esperar a moeda sair, colocar a moeda na abertura, e então ganhar um amendoim.
E quando eles estão realmente bons e confortáveis com isso, nós vamos para o estágio final, no qual eles aparecem e nada acontece.
E é aqui que nós vemos a diferença entre corvos e outros animais.
Esquilos, por exemplo, iriam chegar, procurar o amendoim e ir embora.
Voltar, procurar o amendoim e ir embora.
Eles fariam isso uma meia dúzia de vezes antes de se entediar e ir embora fazer alguma outra bobagem de esquilo.
Os corvos, por outro lado, aparecem e tentam entender o que está acontecendo.
Eles sabem que essa máquina esteve debochando deles durante três estágos de comportamento diferentes.
Eles imaginam que deve haver algum truque.
Então eles cutucam, bicam, fazem de tudo com a máquina.
Até que um corvo tem a brilhante idéia: "Bom, há várias moedas do primeiro estágio dando bobeira no chão" -- Desce, pega a moeda e a coloca na abertura.
E aí começa a brincadeira de verdade.
Esse corvo se aproveita do seu monopólio temporário nos amendoins até que os seus amigos descobrem como fazer o mesmo e nós conseguimos o que queríamos.
O importante disso para mim não é o fato que nós podemos treinar corvos para pegarem amendoins.
Tenham em mente que 216 milhões de dólares em moedas são perdidos todos os anos, mas acho que não posso contar com este retorno por parte dos corvos.
Ao invés disso, acho que devemos pensar grande.
Acredito que os corvos possam ser treinados para fazer outras coisas.
Por exemplo, porque não treiná-los para pegar lixo depois de eventos em um estádio?
Ou achar componentes caros de eletrônicos descartados?
Ou até ajudar em buscas e resgates.
A mensagem principal para mim é que nós podemos achar sistemas mutuamente benéficos para essas espécies.
Nós podemos descobrir formas de interageir com essas outras espécies que não envolvam exterminá-las, mas que envolvam entrar em equilíbrio com elas de alguma forma útil.
Muito obrigado.
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Então, meu avô me disse quando eu era bem pequena, "Se você repetir uma palavra muitas vezes, ela se torna você."
E tendo crescido em uma cidade segregada, Baltimore, Maryland Eu meio que uso essa idéia para viajar os EUA com um gravador -- graças a Deus pela tecnologia -- para entrevistar pessoas, achando que se eu andasse em suas palavras -- o que também explica porque fico descalça quando atuo -- se eu andasse em suas palavras, podería como que absorver os EUA.
Também me inspirei em Walt Whitman, que queria absorver os EUA e ser absorvido por ele.
Então esses quatro personagens vêm desse trabalho que já venho fazendo há muitos anos, são bem mais de -- não sei, milhares de pessoas que entrevistei.
Há alguém aqui com idade para conhecer Studs Terkel, o velho radialista?
Achei que ele seria perfeito para responder sobre um momento marcante na história dos EUA.
Vejamos, ele "nasceu em 1912, o ano em que o Titanic afundou, maior navio já construído. Bate na ponta de um iceberg, e bum, afunda. Afundou e eu subi. Nossa, que século."
Então essa é a sua resposta sobre um momento marcante da história dos EUA.
Momento marcante na história dos EUA, acho que não tem nenhum; não dá para dizer Hiroshima, esse foi dos grandes -- Não consigo pensar em nenhum momento específico que seja decisivo.
O desmoronamento gradual -- desmoronamento é a palavra usada pelas pessoas em Watergate, demoronamento moral -- é uma coisa gradual, uma combinação de coisas
Veja, também temos a tecnologia.
Acho que cada vez menos e menos temos o contato humano, o toque humano.
Ah, deixa eu contar uma história engraçada.
O aeroporto de Atlanta é um aeroporto moderno, e eles tinham que deixar o portão lá.
Esses trens levam você até um terminal e depois para um destino.
E esses trens são suaves, são quietos e eficientes.
E tem uma voz no trem, você sabe que a voz é humana.
Sabe, antigamente tinhamos robôs, os robôs imitavam os humanos.
Agora os humanos é que imitam robôs.
Então ouvimos essa voz nesse trem: Terminal 1: Omaha, Lincoln.
Terminal Dois: Dallas, Fort Worth. Mesma voz.
Quando o trem está para partir, um jovem casal entra correndo e eles estão prestes a fechar as portas.
Aí a voz, sem perder a cadência, diz, "Devido ao embarque tardio, a partida será atrasada em 30 segundos" Então todo mundo fuzila esse casal com os olhos e o casal vai, parece que vai encolhendo, sabe?
Bem, por acaso eu tinha tomados umas antes de embarcar -- faço isso para me acalmar -- então eu imito uma chamada no trem, com a mão na -- "George Orwell, sua hora chegou," sabe.
Bom, alguns de vocês estão rindo. Todos riem quando eu falo isso, mas não nesse trem. Silêncio.
E, de repente, eles estão me olhando.
Então eu estou com o casal, nós três encolhendo no pé do calvário prestes a subir, sabe.
Nesse momento vejo um bebezinho no colo da mãe.
Sei que são hispânicos porque ela fala espanhol com seu companheiro.
Então eu vou falar com o bebê. Digo para o bebê, com a mão sobre a boca porque devo estar com o maior bafo de pinga, Digo para o bebê, "Senhor ou senhora, qual é a sua opinião arrazoada sobre a espécie humana?" E o bebê olha, sabe, como bebês olham, claramente, e começa a rir, começa a se matar de rir uma risadinha louca.
Eu digo, "Graças a Deus ainda existem reações humanas, nós ainda não fomos derrotados." Mas, você sabe, o toque humano está desaparecendo.
Sabe, é preciso questionar a verdade oficial.
Sabe o que era tão bom sobre Mark Twain -- a gente adora Mark Twain, mas não o lemos.
Nós lemos Huck Finn, é claro que lemos Huck Finn.
Quro dizer, é claro que Huck era fantástico.
Lembra da cena na balsa, lembra o que ele fez?
Huck é um jovem analfabeto, sem instrução mas tem alguma coisa nele.
E a verdade oficial, a verdade era, a lei era que o negro era uma propriedade, uma coisa
E Huck sobe na balsa bote com uma propriedade chamada Jim, um escravo
E ele ouve que Jim vai buscar sua esposa e filhos e roubá-los de sua dona, e Huck diz: "Meu Deus -- aquela mulher nunca fez mal a ninguém.
Ele vai roubar, vai roubar, vai fazer algo terrível." Foi então que dois capatazes, que procuravam Jim, os alcançaram.
"Alguém na balsa com você?" Huck diz, "Sim." "É branco ou negro?" "Branco." E eles se vão.
E Huck disse, "Meu Deus, eu menti, eu menti, ai, fiz algo terrível -- Por que me sinto tão bem?" Mas é a bondade de Huck, o que ele é, foi tudo enterrado, está tudo enterrado.
O toque humano está desaparecendo.
Então você pergunta sobre um momento determinante. Para mim não há momento determinante na história americana.
Um somatório de momentos nos trouxe até aqui, onde banalidades viram notícias.
E cada vez mais, se é menos consciente do sofrimento ou do outro.
Não sei se você pode usar isso ou não, mas citando Wright Morris, um escritor de Nebraska, que diz, Nos importamos cada vez mais com as comunicações e cada vez menos com a comunicação. Muito bem crianças, vou embora, preciso ir ver meu cardiologista
e este foi Studs Terkel.
Então, falando sobre correr riscos. Eu vou fazer alguém que ninuém gosta.
A maioria dos atores gosta de fazer personagens que todos gostam -- bem, nem sempre, mas o conceito, especialmente em uma conferência como esta, eu gosto de inspirar as pessoas.
Mas como isto foi chamado de 'correndo riscos', Eu vou fazer alguém que eu nunca interpreto, porque ninguém gosta dela tanto que uma pessoa chegou a ir até o camarim e me disse para tirá-la do show da qual ela fazia parte.
E eu vou fazê-la porque acho que nós pensamos sobre risco, em uma conferência como esta, como uma coisa boa.
Mas existem outras conotações para a palavra risco, e a mesma coisa para a palavra natureza. O que é natureza?
Maxine Greene, que é uma filósofa maravilhosa, e tem a idade de Studs, e era chefe de filosofia -- de uma grande institutição de filosofia, Eu a procurei e perguntei quais as duas coisas que ela não sabia, mas que ainda queria saber.
e ela disse: "Bem, na esfera pessoal, eu ainda sinto que eu devo fazer reverência quando eu vejo o presidente da minha universidade.
e eu ainda sinto como seu eu tivesse que buscar café para os meus colegas homens, ainda que eu tenha vivido mais que a maioria deles."
e ela disse, "e, intelectualmente, eu não sei o suficiente sobre a imaginação negativa.
e o 11 de setembro certamente nos ensinou que esta é uma área que nós não investigamos."
então este quadro é sobre a imaginação negativa.
Ele levanta questões sobre o que é natureza, o que é a Mãe Natureza, e sobre o que risco pode ser.
E eu o obtive no Intituto Correcional para mulheres do estado de Maryland.
tudo o que eu falo é retirado palavra por palavra de uma fita.
e eu dou título às coisas porque eu acredito que as pessoas falam em poemas orgânicos, e este é chamado "Um espelho na sua boca."
e é uma de uma presa chamada Paulette Jenkins.
"Eu comecei a aprender como esconder, porque eu não queria que ninguém soubesse que isto estava acontecendo em minha casa.
Eu quero todo mundo pensando que nós eramos uma família normal.
Quer dizer, nós tínhamos todas as coisas materialísticas, mais isto não diminuía a dor dos meus filhos em nada; isto não aplacava os seus medos.
Eu fiquei sem desculpas sobre como nós ficamos de olho roxo. e lábios arrebentados e feridas. I não tinha mais nenhuma desculpa.
E ele me batia também. Mas isto não mudava o fato de que era um pesadelo para a minha família, era um pesadelo.
eu falhei com eles espetacularmente, porque eu deixei que continuasse e continuasse.
Mas na noite em que Myesha foi morta -- e a intensidade só cresceu e cresceu, até que uma noite, voltamos para casa depois de comprar drogras, e ele se zangou com Myesha, e ele começou a bater nela, e ele colocou ela em uma banheira. Oh, ele usava um cinto.
Ele tinha um cinto porque ele tinha esta coisa distorcida, pervertida de achar que Myesha estava fazendo sexo com o seu irmãozinho e que eles estavam se acariciando - este seria o seu motivo.
Eu estou falando apenas daquela noite que ela morreu em particular.
E então ela a colocou na banheira, e eu estava no quarto com o bebê.
E quatro meses antes disto acontecer, quatro meses antes de Myesha morrer, Eu pensei que eu poderia realmente consertar este homem. Então eu tive um filho dele -- loucura -- Pensando que se eu desse a ele um filho realmente dele, ele iria deixar os meus em paz.
E não funcionou, não funcionou.
E eu fiquei com três filhos, Houston, Myesha e Dominic, que tinha 4 meses quando eu vim para a cadeia.
E eu estava no quarto. Como eu disse, ele estava como ela no banheiro e ele -- ele -- toda a vez que ele batia nela, ela caia.
E ela baita com a cabeça na banheira. Aconteceu continuamente, repetidamente.
Eu podia ouvir, mas eu não ousei me mexer. Eu não me mexi.
Eu nem mesmo fui olhar o que estava acontecendo.
eu só fiquei lá sentada, escutando.
E então ela a colocou no corredor.
Ele disse a ela para ficar sentada lá. E então ela ficou sentada lá por quatro ou cinco horas.
E então ele disse a ela, levante-se.
E quando ela se levantu, ela diz que não pode ver.
Seu rosto estava machucado. Ela tinha um olho roxo.
Em volta de toda a sua cabeça estava inchado; sua cabeça tinha duas vezes o tamanho do seu próprio tamanho.
Eu disse a ele, deixe ela ir dormir. Ele deixou ela ir dormir.
Na manhã seguinte, ela estava morta.
Ele foi chamá-la para a escola, e ele ficou muito agitado
Ele disse, ela não respira Eu soube imediatamente que ela estava morta.
Eu não queria aceitar o fato dela estar morta, então eu entrei e coloquei um espelho na sua boca -- não havia coisa alguma, nada, saindo da sua boca.
Ele disse, ele disse, ele disse, nós não podemos, nós não podemos deixar ninguem descobrir isto. Ele diz, você tem que me ajudar. Eu concordo, eu concordo.
Quero dizer, eu guardei segredo por anos e anos e anos, então pareceu natural para mim, apenas continuar a guardar um segredo.
Então fomos ao shopping e contamos à polícia que nós, digamos, a perdemos, que ela estava desaparecida.
Contamos ao segurança que ela estava desaparecida. mas ela não estava desaparecida.
E contamos ao segurança o que nós tinhamos vestido nela e fomos para casa e a vestimos com exatamente as mesmas coisas que dissemos ao segurança que tinhamos vestido nela.
E então pegamos o bebê e meu outro filho, e saímos dirigindo, indo para, a estrada I-95.
Eu estava tão petrificada e anestesiada, e só podia olhar pelo espelho retrovisor.
E ele a colocou bem no acostamento da rodovia.
Minha própria filha, deixei isto acontecer com ela.
Então esta é uma investigação da imaginação negativa.
Quando iniciei este projeto chamado "Na estrada: uma busca por um personagem americano" como meu gravador cassete, eu achava que eu iria percorrer os EUA e encontrá-los em todos os seus aspectos -- peões de rodeio, vaqueiros, criadores de porcos, tocadoras de tambor -- mas, de certa forma, eu tropecei nas relações raciais, porque meu primeiro grande espetáculo foi um espetáculo sobre a revolta racial.
E eu foi às duas -- duas revoltas raciais, uma das quais foi a revolta de Los Angeles. E o próximo quadro é deste trabalho.
Porque isto é o que eu dizia que o máximo que aprendi sobre relações entre raças foi neste quadro.
É como uma ária, eu diria, e em muitas das fitas que eu tenho.
Todos sabem que as revoltas de Los Angeles aconteceram porque quatro policiais surraram um negro chamado Rodney King.
Foi filmado -- tecnologia -- e foi reproduzido por todo o mundo.
Todos pensavam que os quatro policiais iriam para a cadeia.
Eles não foram, então as revoltas aconteceram.
E o que muitos esquecem, é que houve um segundo julgamento, ordenado por Geroge Bush, pai.
E o julgamento terminou com dois guardas mandados para a cadeia e dois guardas declarados inocentes. Eu estava presente naquele julgamento.
E, quero dizer, o povo simplesmente dançava nas ruas porque eles tinham medo que houvesse uma outra revolta.
Uma explosão de alegria pelo veridito ter sido como foi.
Mas havia uma comunidade que não ficou feliz - os coreanos-americanos, cujas lojas haviam sido totalmente destruídas.
e assim esta mulher, Sra. Young-Soon Han, Imagino que ela tenha me ensinado a maior lição sobre raça que já aprendi.
E ela também faz uma pergunta sobre a qual Studs fala: esta noção de verdade oficial, de questionar a verdade oficial.
O que ela está questinando aqui, ela se arriscando e questionando o que a justiça na sociedade é.
e este quadro chama-se "Engolindo a amargura."
Eu costumava achar que os EUA eram o melhor.
Eu assitia na Coréia muitos filmes luxuosos com os estilo de Hollywood.
Eu nunca vi nenhum homem pobre, nenhum preto.
Até 1992, eu costumava achar que os EUA eram o melhor -- ainda acho, Eu não nego isto porque eu sou um vítima.
Mas, no final de '92, quando nós estávamos em tamanha confusão, e tendo todos os problemas financeiros, e todos os problemas mentais, E comecei a perceber de fato que os coreanos estão completamente deixados de fora desta sociedade e nós não somos nada.
Por quê? Por que nós temos que ficar de fora?
Nós não fomos aceitos para tratamento médico, sem auxílio-aliementação, sem auxílio local, sem auxílio do governo, nada. Muitos afro-americanos que nunca trabalham recebeu quantidade mínima de dinheiro para sobreviver.
Nós não recebemos nada porque nós temos um carro e uma casa.
E nós pagamos muito imposto. Onde eu acho justiça?
OK. OK. OK. OK.
Muitos afro-americanos provavelmente pensam que eles venceram por conta do julgamento.
Eu estava sentada aqui olhando-os na manhã seguinte ao veredito, e durante todo os dia eles festejaram, eles comemoraram, todo o bairro, todas as igrejas. E eles dizem, bem, finalmente a a justiça foi feita nesta sociedade. Bem, e quanto aos direitos das vítimas?
Eles tiveram os seus direitos destruindo inocentes lojistas coreanos.
Eles têm muito respeito, como eu tenho, pelo Dr. Martin King.
Ele é o único modelo para a comunidade negra. Não quero saber Jesse Jackson.
Ele é o modelo da não-violência, não violência -- e eles todos gostariam de estar em seu espírito.
Mas e quanto a 1992? Eles destruíram pessoas inocentes.
E eu imagino se isto é realmente justiça para eles, obter seus direitos desta maneira.
Eu estava engolindo a amargura, sentada aqui sozinha e os observando.
Ele ficaram tão engraçados, mas eu estava feliz por eles.
I estava contente por eles. Pelo menos eles conseguiram algo de volta, OK.
Vamos apenas esquecer das vítimas coreanas e as outras vítimas que foram destruídas por eles.
Eles lutaram pelos seus direitos por mais de dois séculos, e talvez porque eles sacrificam outras minorias, hispânicos, asiáticos, nós sofreríamos mais no mainstream.
É por isso que eu entendo, é por isso que eu sentimentos variados sobre o veredito.
Mas eu gostaria que, gostaria que, gostaria que eu pudesse fazer parte da satisfação.
Eu gostaria que eu pudesse conviver com as pessoas negras.
Mas depois da revolta, é muita diferença.
O fogo ainda está lá. Como se diz? [palavra não reconhecida]
acendendo, acendendo, acendendo o fogo.
Ainda está lá; Pode explodir a qualquer momento.
Sra. Young-Soon Han.
O outro motivo pelo qual eu não uso sapatos é para quando eu realmente sinto que eu tenho que me aninhar e entrar nos pés de alguém, realmente seguir os passos de alguem.
E eu falei que em -- bem, eu não disse a vocês o ano, mas em '79 eu pensava que eu fosse andar por aí e achar peões de boaideiro e craidores de porcos e pessoas assim, e eu foi tomada pela questão da raça.
Finalmente, eu encontrei um peão de boiadeiro, há dois anos.
E eut enho ido a rodeios com ele, e nós nos aproximamos.
E ele é o personagem principal em um texto que fiz sobre a convenção do partido republicano.
Ele é republicano -- eu não vou falar nada sobre o partido a que pertenço, mas de qualquer forma -- este é o meu querido Brent Williams, e este quadro é sobre ser forte, caso alguem precise saber como ser forte no trabalho que você realiza. Eu acho que há uma lição verdeira neste quadro.
e ele se chama "Ser forte."
Bem, eu sou um otimista. Quero dizer, basicamente eu sou um otimista.
Quero dizer, sabe, quero dizer, assim, minha esposa, Jolene, sua família está sempre dizendo, sabe, você sempre acha que ele é somente um perdedor de nascença,
parece que ele tem tanto azar, sabe.
Mas quando aquele touro pisou no meu rim, sabe, Eu não perdi meus rins -- Eu poderia ter perdido meu rim, Eu fiquei com meu rim, então eu não acho que eu seja um perdedor nato.
Eu acho que foi sorte.
E, quero dizer, coisas engraçadas como esta acontecem.
Eu estava em um consultário no última tomografia, e lá estava uma revista Seleções de outubro de 2002.
Era assim, sete maneiras de ter sorte. E dizia se você quer ter sorte, sabe, você tem que estar perto de pessoas positivas.
Quero dizer, como quando eu contei para minha esposa que você queria vir aqui e falar comigo, ela disse assim: ela diz isto da boca para fora, ela só está sendo gentil com você. Ela não vai fazer isto. E então você me ligou e você disse que você queria vir aqui e me entrevistar e ela foi e procurou por você na Internet.
Ela disse: veja quem ela é.
Você não vai conseguir nem sequer responder às perguntas dela. E ela foi dizendo que você vai me fazer parecer um idiota. porque eu nunca fui para faculdade, e eu não iria falar profissionalmente ou alguma coisa assim.
eu disse, veja, a mulher conversou comigo por quatro horas.
Sabe, se eu estava falando -- sabe, assim, sabe, ela queria que eu falasse, eu não achava que ela nem mesmo viesse para cá. Confiança? Bem, eu acho que eu monto mais com a determinação do que com a confiança.
Quero dizer, confiança é como, assim, você já montou naquele touro antes e sabe que pode montar nele.
Quero dizer, confiança é meio como ser metido, mas de um jeito bom.
Mas determinação, sabe, é assim, "Fodam-se as regras, agarre o chifre." Quem disse foi Tuff Hedeman, no filme "8 segundos". Quero dizer, Pat O'Mealeu sempre dizia quando eu era menino, ele dizia, sabe, você tem mais "tentar" do que qualquer garoto que eu tenha encontrado. E "tentar" e determinação são a mesma coisa.
Determinação é assim, você vai se segurar naquele touro, mesmo que você esteja montado de cabeça para baixo.
Determinação é assim, você vai montar até que a sua nuca bata no chão.
Liberdade? Tem que ser o rodeio.
Beleza? Eu acho que não sei o que é beleza.
Bem, sabe, acho que vai ter que ser o rodeio também.
Quero dizer, veja como somos, a família, conversando, e apertando as mãos, e lutando em volta de mim.
É assim, estourando o cartão de crédito em ingressos e gasolina.
Nós viajamos juntos, nós, sabe, comemos juntos. e dormimos juntos.
Quero dizer, eu não consigo nem mesmo imaginar como será o último dia de rodeio. Quero dizer, eu vou ficar bem.
Quero dizer, eu tenho o sítio e tudo o mais, mas eu realmente não quero pensar sobre o dia em que chegar.
Eu acho que será como -- eu acho que será como no dia em que meu irmão morreu.
Ser forte? Bem, nós estava em West Jordan, Utah, e este touro enfiou meu rosto através das barras de metal em um -- sabe, arrebentou meu rosto todo e tive que ir ao hospital.
E eles tiveram que me costurar e acertar meu nariz.
E eu tive que ir montar no rodeio naquela noite, portanto eu não queria que eles me dessem anestesia, ou seja lá como se chama. E assim eles costuram meu rosto.
E eles tiveram que acertar o meu nariz, e eles pegaram uns tubos e enfiaram nariz acima e atravessou meus miolos e eu senti como se estivessem saindo pelo topo da minha cabeça, e todo mundo disse que deveria ter me matado, mas não matou, porque, imagino, eu tenha uma alta tolerância para a dor.
Mas a boa notícia foi, depois que eles enfiaram os tubos e acertaram o meu nariz, eu podia respirar, e eu não tinha podido respirar desde que eu quebrei o meu nariz em um rodeio no segundo grau.
Obrigado.
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Os sabiás são irados.
Eles são.
Os sabiás -- isto é Mimus polyglottus -- são os MCs do reino animal.
Eles escutam, e imitam, e remixam o que quer que seja.
Eles apavoram no microfone fora da minha janela, todas as manhãs.
Eu posso ouví-los cantar o som do alarme dos carros como se fossem canções da primavera.
Quero dizer, se você pode falar, um sabiá pode piar isso.
Então veja, eu vou pegar alguns sabiás.
Eu vou capturar sabiás de toda a nação e colocá-los em jarros de barro como coquetéis Molotov de sabiás.
Sim, e conforme eu for dirigindo por algum bairro, digamos, com pessoas que têm de tudo, vou pegar um sabiá que peguei de um bairro onde as pessoas não têm nada e deixá-lo ir, sabe.
Enquanto ele sobe, vêm as palavras "Juanito, Juanito, viente a comer mi hijo!"
Ahhh, eu serei o Jhonny Appleseed do som.
Crusando ruas à esmo, num Cadillac conversível com um grande banco traseiro, levando umas 13 sacolas marrons de papel do Walmart cheias de sabiás engatilhados, e pegaria todos.
Eu pegarei os ingênuos dos noticiários falando "Voltaremos num momento com mais notícias sobre a crise."
Pegarei um maldito num poço perguntando de que marca o gelo é.
Vou pegar a senhora na lavanderia que parece sempre saber o que é ser legal.
Vou pegar o carteiro fazendo planos para o jantar.
Vou pegá-lo na sua última mentira.
Vou pegar, "Querida, só me dê a merda da revista da TV à cabo"
Vou pegar uma frase solitária com um erro de verdade, "Sim, acho que posso entrar, mas só por um minuto."
Vou pegar uma aula de inglês para estrangeiros em Chinatown aprendendo, "Está chovendo, está caindo o céu"
Vou colocar um sabiá num trem tarde da noite só pra pegar um velinho roncando.
Vou pegar seu ex-amante dizendo para outra pessoa, "Bom dia."
Vou pegar o bom dia de todo mundo.
Eu não me importo em como você os faz.
Aloha. Konichiwa. Shalom. Ah-Salam Alaikum.
Todo mundo significa todos, todo mundo aqui.
E assim acho que vou fazer uma gaiola dourada.
Vou cobrir o fundo com folhas velhas de cadernos.
Dentro, vou colocar um sabiá para -- resposta curta, pais hippies.
O que um violino tem a ver com tecnologia?
Pra onde o mundo está indo?
De um lado, barras douradas -- na outra, o planeta todo.
Estamos há 12 milhões de anos-luz da borda.
É um chute.
Espaço é comprimento e respiração indefinitivamente, mas você não pode comprar uma passagem comercial par ao espaço na América porque outros países estão começando a comer como nós, viver como sós e morrer como nós.
Você pode olhar para outro lado, porque é um tritão que vai regenerar seus membros, e dar as mãos para cumprimentar espalha mais germes que beijar.
Há uns 10 milhões de bactérias por trabalho.
É um mundo estranho dentro de um nanotubo.
Mulheres podem falar, negros de ski, brancos construindo prédios fortes, nós construímos sóis fortes.
A superfície da Terra está absolutamente cheia de buracos, e aqui estamos, bem no meio.
É a voz da vida que nos chama para vir e aprender.
Quando todos os sabiazinhos voam, eles vão parecer com os últimos quatro dias.
Vou pegar gurus do subúrbio, professores do centro, artistas quebrados e revendedores, pregadores Filipinos, catadores de folhas, garçons, médicos de peitos, hooligans, lixeiros, seu Congressista local em destaque, caras nos helicópteros.
Todos serão ouvidos.
Todos estão nessa, o sabiá honesto como testemunha.
E eu estou nessa.
Estou nessa até que isso espalhe, com salas de bate-papo e copiadores e mães colocando as crianças dormir cantando "Shhh, bebezinho, fique quietinho,
espere pelo cara do sabiá."
Sim. E então vem as equipes de reportagem, e as entrevistas de rua, cartas ao editor.
Todos perguntando, quem é responsável por toda cidade, todo país nessa cacofonia do sabiá e alguém finalmente vai colocar o Concelho Municipal de Monterey, Califórnia em minhas mãos, e vão me oferecer a chave da cidade.
Dourada, gigante, a chave para a cidade e isso é tudo que preciso, porque se eu conseguir isso, posso liberar o ar.
Vou ouvir o que está faltando e colocar lá.
Obrigado, TED.
Chris Anderson: Wow.
Wow.
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Eu vou apresentar um argumento hoje que pode parecer meio maluco: a mídia social e o fim do gênero.
Deixem-me ligar os pontos.
Eu vou explicar hoje que as aplicações da mídia social que todos conhecemos e amamos, ou amamos odiar, vão na verdade nos ajudar a nos libertar de alguns conceitos absurdos que temos, enquanto sociedade, sobre gênero.
Eu acho que a mídia social vai na verdade nos ajudar a desmantelar alguns dos estereótipos bobos e degradantes que vemos na mídia e propaganda sobre gênero.
Se vocês não perceberam, nosso clima midiático mostra geralmente um espelho muito distorcido de nossas vidas e nosso gênero. E acho que isso vai mudar.
Agora a maioria das companhias de mídia – televisão, rádio, publicidade, jogos, etc. – elas usam métodos muito rígidos de segmentação para compreender suas audiências.
Isso é a demografia tradicional.
Eles vêm com esses rótulos muito restritivos para nos definir.
Agora uma coisa bizarra é que as companhias de mídia acreditam que se você está dentro de uma determinada categoria demográfica então você é previsível em algumas maneiras. Você tem um certo gosto, você gosta de certas coisas.
E o resultado bizarro disso é que a maior parte de nossa cultura popular está na verdade baseada nessas presunções sobre nossa demografia.
Demografia de idade: A demografia dos 18 aos 49 tem um impacto enorme em toda programação de mídia de massa nesse país desde os anos 60, quando os 'baby boomers' ainda eram jovens.
Agora eles envelheceram além dessa demografia, mas ainda é o caso de grandes companhias de pesquisa como a Nielson não levarem em conta os espectadores de shows de televisão com mais de 54 anos.
Em nosso meio midiático, é como se eles nem mesmo existissem.
Agora se você assistir "Mad Men" com eu – é um show de TV popular nos Estados Unidos – a Dra. Faye Miller faz algo chamado psicografia, que surgiu nos anos 60, onde você cria esses perfis psicológicos complexos de consumidores.
Mas os psicógrafos não causaram um grande impacto no meio da mídia.
Sempre foi apenas a demografia básica.
Eu estou no Norman Lear Center no USC. E fizemos um monte de pesquisas dos últimos sete, oito anos sobre demografia e como ela afeta a mídia e entretenimento nesse país e no exterior.
E nos últimos três anos nós observamos especificamente a mídia social para ver o que mudou. E descobrimos algumas coisas muito interessantes.
Todas as pessoas que participam em redes de mídia social pertencem às mesmas categorias demográficas que as companhias de mídia e propaganda têm utilizado para compreendê-las.
Mas essas categorias significam ainda menos agora do que significaram antes. Pois com as ferramentas de rede online é muito mais fácil para nós escapar de algumas das nossas caixas demográficas.
Nós podemos nos conectar com pessoas livremente e nos redefinir a nós mesmos online.
E podemos mentir sobre nossa idade muito facilmente.
Nós podemos nos conectar com pessoas baseados em nossos próprios interesses específicos.
Nós não precisamos de uma companhia de mídia para ajudar a fazer isso para nós.
Então as companhias tradicionais de mídia, claro, estão prestando muita atenção a essas comunidades online.
Elas sabem que essa é a audiência em massa do futuro. Elas precisam desvendar isso.
Mas elas têm dificuldades em fazer isso porque elas ainda estão tentando usar a demografia para compreendê-los, porque é assim que os parâmetros de propaganda são determinados.
Quando eles monitoram seu fluxo de cliques – e você sabe que eles monitoram – eles têm dificuldades em descobrir sua idade, seu gênero e sua renda.
Eles podem fazer alguns palpites educados.
Mas eles têm muito mais informação sobre o que você faz online, do que você gosta, o que lhe interessa.
É mais fácil para eles descobrir isso do que quem você é.
E ainda que isso seja asqueroso, há um lado bom em ter seu gosto monitorado.
De repente seu gosto está sendo respeitado de um jeito que não era antes.
Ele era presumido antes.
Quando você olha online no jeito que as pessoas se agregam, elas não se agregam em idade, gênero ou renda.
Elas se agregam em coisas que elas adoram, as coisas elas gostam. E se você pensar sobre isso, valores e interesses compartilhados são um agregador muito mais poderoso de seres humanos que categorias demográficas.
Eu prefiro saber se você gosta de "Buffy a Caça-Vampiros" do que saber qual é a sua idade.
Isso me diria algo mais substancial sobre você.
Agora há outra coisa que nós descobrimos sobre a mídia social que é realmente surpreendente.
Acontece que as mulheres estão dirigindo a revolução da mídia social.
Se você olhar as estatísticas – essas são estatísticas globais – em cada categoria etária, as mulheres superam os homens no uso de tecnologias de rede social.
E se você olha na quantidade de tempo que elas gastam nesses sites, elas realmente dominam o espaço da mídia social, que é um espaço que está tendo um grande impacto na velha mídia.
A questão é, que tipo de impacto vai acontecer na nossa cultura e o que isso vai significar para as mulheres?
Se for o caso da mídia social estar dominando a velha mídia e as mulheres estão dominando a mídia social, então isso quer dizer que as mulheres vão dominar a mídia global?
De repente vamos ver um monte de personagens femininos em desenhos e em jogos e nos shows de TV?
Os próximos filmes arrasa-quarteirões serão filmes para garotas?
Será possível que de repente nosso panorama da mídia se tornará um panorama feminino?
Bem, eu realmente não acho que será esse o caso,
eu acho que a companhias de mídia vão contratar muito mais mulheres, pois elas perceberão que isso é importante para seu negócio. E eu acho que as mulheres também vão continuar a dominar a esfera da mídia social.
Mas eu acho que as mulheres serão – ironicamente – responsáveis por dar um golpe de misericórdia nas categorias de gênero clichê como os filmes para garotas e todas essas outras categorias que presumem que certos grupos demográficos gostam de certas coisas, como hispânicos gostam de certas coisas, que pessoas jovens gostam de certas coisas.
Isso é simplista demais.
A mídia de entretenimento do futuro que veremos vai ser muito dirigida por dados, e vai ser baseada na informação que nós estabelecemos a partir do gosto de comunidades online, onde as mulheres estão realmente dominando.
Então você pode perguntar, por que é importante que eu saiba o que entretem as pessoas?
Por que eu deveria saber isso?
É claro, as companhias da velha mídia e propaganda precisam saber isso.
Mas meu argumento é que, se você quer entender a aldeia global, provavelmente é uma boa idéia descobrir do que eles gostam, o que os divertem, o que eles escolhem para fazer no tempo livre.
Isso é uma coisa muito importante para saber sobre as pessoas.
Eu gastei a maior parte da minha vida profissional pesquisando a mídia e entretenimento e seu impacto na vida das pessoas.
E eu faço isso, não só porque é divertido – na verdade, é muito divertido – mas também porque nossa pesquisa tem mostrado mais de uma vez que o entretenimento e o lazer têm um grande impacto na vida das pessoas – por exemplo, em suas crenças políticas e em sua saúde.
E assim, se você tem algum interesse em entender o mundo, observar como as pessoas se divertem é uma boa maneira de começar.
Então imagine uma atmosfera de mídia que não é dominada por estereótipos incoerentes sobre gênero e outras características demográficas.
Você pode imaginar como será isso?
Eu não posso esperar para descobrir como será.
Muito obrigada.
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Certo. Eu vou mostrar para vocês algumas imagens de um estudo muito divertido da Revista do Ultra-som na Medicina.
Eu vou além e afirmo que este é o estudo mais divertido já publicado na Revista do Ultra-som na Medicina.
O título é "Observações de Masturbação Intra-Uterina"
Certo. Na esquerda pode-se observar a mão. Na seta grande. E o pênis à direita, a mão o sobrepõe.
E aqui nós temos, nas palavras do radiologista Israel Meisner: "A mão agarrando o pênis de forma análoga aos movimentos masturbatórios."
Não se esqueçam de que era um ultra-som. E, portanto, as imagens deveriam apresentar movimento.
O orgasmo é um reflexo do sistema nervoso autônomo,
a parte do sistema nervoso que lida com as atividades que nós não controlamos conscientemente. Como digestão, frequência cardíaca e excitação sexual.
O reflexo do orgasmo pode ser disparado por uma surpreendente variedade de estímulos.
Estimulação genital. Dãã.
Além disso, Kinsey entrevistou uma mulher que conseguia chegar ao orgasmo ao ter alguém acariciando sua sobrancelha.
Pessoas com lesões na medula espinhal, como os paraplégicos e tetraplégicos, desenvolvem frequentemente uma área muito sensível bem acima do nível da lesão. Onde quer que tenha acontecido.
Existem coisas como orgasmo de joelho na literatura.
Eu acho que o caso mais curioso que encontrei foi o caso de uma mulher que tinha um orgasmo toda vez que escovava os dentes.
Tinha algo na complexa ação sensorial e motora de escovar os dentes que estava incitando o orgasmo.
Ela foi ao neurologista, que ficou fascinado.
Ele conferiu se havia algo na pasta de dente. Mas não, acontecia com qualquer marca.
Eles estimularam a gengiva com um palito, para ver se essa era a causa.
Não. Era toda aquela. Movimentação.
O mais fascinante para mim é. Vocês devem pensar que essa mulher teria uma higiene oral excelente.
Infelizmente -- era o que estava escrito no artigo -- "Ela acreditava que estava possuída por demônios e passou a usar enxaguante bucal."
É tão triste.
Eu entrevistei, quando estava trabalhando no livro, uma mulher que atingia o orgasmo com o pensamento.
Ela era parte de um estudo da universidade de Rutgers.
Vocês vão adorar. Rutgers.
Eu a entrevistei em Okland, em um restaurante japonês.
Eu disse, "Então, você pode ter um aqui?"
E ela disse, "Sim, mas se você não se importar, prefiro terminar de comer."
Mas depois ela foi bondosa o bastante para demonstrar em um banco do lado de fora.
Foi incrível. Demorou cerca de um minuto.
Eu disse para ela: "Você faz isso o tempo todo?"
E ela disse: "Não, honestamente, quando chego em casa estou muito cansada."
Ela disse que a última vez tinha sido em um trenzinho na Disney.
A central de comando do orgasmo, ao longo da medula espinhal, é chamada de raiz do nervo sacral. Que é aqui atrás.
E se você excita, estimula com um eletrodo o ponto preciso, você incita o orgasmo.
É uma realidade que se pode instigar reflexos da medula em pessoas mortas. Em um certo tipo de morto, um cadáver com batimentos cardíacos.
Aquele que teve morte cerebral, legalmente morto, examinado, mas que é mantido vivo por máquinas, para que os órgãos se mantenham oxigenados para o transplante.
Em um paciente morto-encefálico, ao se incitar o ponto certo, veremos uma reação. De vez em quando
existe um reflexo chamado sinal de Lázaro.
E é algo. Vou demonstrar da melhor maneira que conseguir, já que estou viva.
É parecido com isso. Você estimula o local.
E o morto, ou morta, faz. algo assim.
Muito perturbador para quem trabalha em laboratórios de patologia.
Se você consegue provocar o sinal de Lázaro em um morto, por que não o reflexo do orgasmo?
Eu fiz essa pergunta para uma especialista, Stephanie Mann, que foi ingênua o bastante para retornar meus e-mails.
Eu disse: "Seria possível incitar um orgasmo em uma pessoa morta?"
Ela disse: "Sim, desde que o nervo sacral esteja oxigenado, teoricamente, poderia ser feito"
Obviamente não seria mais tão divertido para a pessoa.
Mas seria um orgasmo -- mesmo assim.
Na verdade eu sugeri para -- tem uma cientista na universidade do Alabama que pesquisa o orgasmo.
Eu disse a ela: "Você deveria realizar um experimento.
Você tem acesso aos cadáveres na universidade."
Eu disse: "Você deveria fazê-lo."
Ela disse: "Você consegue a autorização para o experimento."
Segundo um autor de um manual de casamento dos anos trinta, Theodoor Van de Velde, um pequeno odor seminal pode ser detectado no hálito da mulher até uma hora após a relação sexual.
Theodore Van de Velde era uma espécie de "connoisseur" de sêmen.
Isso é o que ele escreveu no livro "Casamento Ideal".
Um cara bem hétero.
Mas que escreveu esse livro, "Casamento ideal", em que diz saber diferenciar entre o sêmen de um rapaz, que, segundo ele, possui um cheiro fresco e encorpado e o sêmen de um homem maduro, que cheira, segundo ele: "Incrivelmente como as flores das castanheiras espanholas.
Às vezes tem um perfume floral, e às vezes é extremamente pungente."
Em 1999, em Israel, um homem começou a soluçar.
E era um daqueles casos que começam e não param.
Ele tentou todas as sugestões dos amigos.
Nada parecia adiantar.
Os dias passaram. Em um certo ponto, o homem, ainda com soluços, fez sexo com sua mulher.
E, acreditem, os soluços pararam.
Ele contou ao seu médico, que publicou um artigo em uma revista canadense de medicina com o título: "Relação Sexual como um Tratamento Potencial para Soluços Intratáveis."
Adoro esse artigo porque em uma parte ele sugere que os pacientes solitários poderiam tentar a masturbação.
Eu adorei porque a idéia tem um público alvo. Solitários com soluços.
Casado, solteiro e solitário com soluços.
Por volta de 1900, muitos ginecologistas acreditavam que quando a mulher tinha um orgasmo as contrações serviam para sugar o sêmen para dentro do colo uterino e o levar bem rápido ao óvulo. Aumentando as chances de concepção.
Ela foi chamada de teoria da "sucção".
Se você voltar a Hipócrates médicos acreditavam que o orgasmo feminino não era somente para ajudar a concepção, mas era necessário.
Naquela época, eles sempre diziam aos homens da importância de excitar as esposas.
O autor e cheirador de sêmen Theodore Van de Velde -- tem uma frase em seu livro.
Eu adoro esse sujeito. Ele está a milhas de distância na minha frente.
Ele tem essa frase no livro, que supostamente é da Monarquia de Habsburgo. Lá vivia a imperatriz Maria Tereza, que tinha problemas para engravidar.
Aparentemente o médico da corte disse à ela: "Eu sou da opinião que a vulva real de vossa majestade sagrada precisa ser friccionada por um tempo antes da relação."
Aparentemente. Eu não sei, deve estar escrito em algum lugar.
Masters e Jonhnson: agora estamos indo para os anos cinqüenta.
Masters e Jonhnson eram céticos da "sucção". O que é muito divertido de se falar.
Eles não acreditavam.
E decidiram, sendo eles Masters e Jonhnson, que chegariam ao fundo da questão.
Eles levaram mulheres para o laboratório. Acho que eram cinco. E puseram nelas diafragmas contendo sêmen artificial.
Esse sêmen artificial continha substâncias rádio-opacas, que podem ser vistas no aparelho de raio-X.
Isso é nos anos cinquenta.
Essas mulheres sentaram em frente do aparelho
e se masturbaram.
Masters e Jonhnson verificaram se o sêmen havia sido sugado.
Não encontraram nenhuma evidência de "sucção".
Você deve estar se perguntando: "Como se faz sêmen artificial?"
Eu tenho uma resposta, na verdade, duas.
Pode-se usar farinha e água ou maisena e água.
Na realidade eu encontrei três receitas na literatura.
A minha favorita é a que diz. Existe a lista de ingredientes e depois a receita diz, por exemplo: "Rendimento: 24 bolinhos."
Essa receita diz: "Rendimento: uma ejaculação."
Existe outra maneira em que o orgasmo aumenta a fertilidade.
Essa envolve os homens.
Esperma parado no corpo, por uma semana ou mais, começa a desenvolver anormalidades que o fazem menos efetivo nas estocadas necessárias para penetrar o óvulo.
O sexólogo britânico Roy Levin especulou que talvez seja por isso que os homens tem tanta motivação para se masturbarem com frequência.
Ele disse: "Se eu ejacular continuamente eu terei sempre esperma fresco."
Eu achei uma idéia interessante, na teoria.
Agora vocês têm uma desculpa evolucionária.
Certo.
Existem fortes evidências da teoria da sucção no reino animal. Porcos, por exemplo.
Na Dinamarca, o Comitê Nacional para a Produção de Porcos descobriu que estimulando sexualmente a porca durante a inseminação artificial, haverá um aumento de seis porcento no índice de parição, que é o número de leitões nascidos.
Por isso, eles tiveram a idéia do plano dos cinco pontos de estimulação das porcas.
Tiveraram que criar cartazes explicativos para os fazendeiros e um DVD também.
Eu tenho uma cópia do DVD.
Essa é minha revelação. Eu vou mostrar um trechinho.
Certo.
Agora vamos. Indo para o trabalho.
Tudo parece muito inocente.
Eles fará com as mãos coisas que o macho faria com o focinho, não tendo mãos.
É isso. O macho possui um repertório de cortejo muito estranho.
Isso é para imitar o peso do macho.
Saibam que o clitóris da porca é dentro da vagina.
Isso é apenas cócegas para ela. Agora vamos lá.
E o resultado feliz.
Eu adoro esse vídeo.
Tem uma parte do vídeo, logo no início, quando dão um close na mão, mostrando a aliança, como que dizendo: "É o seu trabalho. Ele gosta mesmo é de mulheres."
Quando eu estava na Dinamarca, minha anfitriã se chamava Anne Marie.
Eu perguntei: "Por que não se estimula somente o clitóris da porca?
Por quê os fazendeiros não poderiam fazer isso?
Esse não é um dos cinco passos."
Ela respondeu -- eu vou ter que ler porque eu adorei a resposta.
"Já foi uma grande dificuldade fazer os fazendeiros tocarem na parte de baixo da vulva.
Acreditamos que seja melhor nem mencionar o clitóris por enquanto."
Fazendeiros tímidos mas ambiciosos podem comprar -- isso é verdade -- um vibrador para porcas, que vibra o tubo contendo o esperma.
Porque, como eu mencionei, o clitóris é dentro da vagina.
Por isso, provavelmente, será mais estimulante do que parece.
Eu também disse a ela: "Eu notei que as porcas não parecem estar tendo muito prazer."
Ela disse: "Você não pode afirmar isso." Porque o animal não demonstra prazer ou dor nas feições, como nós fazemos.
Porcos, assim como os cães, tendem a
usar a metade superior da face. As orelhas são bastante expressivas.
Não dá para saber o que está acontecendo com a porca.
Primatas, por outro lado, usam mais a boca.
Essa é a cara de um macaco no momento da ejaculação.
É interessante que isso foi observado em macacos fêmeas. Mas somente quando estão com outras fêmeas.
Masters e Johnson decidiram nos anos cinquenta que teriam que entender todo o processo de respostas sexuais humanas. Da excitação inicial ao orgasmo, em homens e mulheres. Tudo que acontece no corpo humano.
Na mulher, muita coisa acontece interiormente.
Mas isso não desanimou Masters e Johnsnon.
Eles desenvolveram uma máquina de coito artificial.
Basicamente uma câmera em forma de pênis em um motor.
É um falo de acrílico transparente, com uma câmera e uma fonte de luz, conectadas ao motor que faz esse movimento.
E a mulher fazia sexo com o aparelho.
É o que elas faziam. Extraordinário.
Infelizmente, o aparelho foi desmontado.
Isso me mata, não por que eu queria utilizá-lo. Eu queria vê-lo.
Em um belo dia Alfred Kinsey decidiu calcular a distância média percorrida pelo sêmen ejaculado.
Não era só uma curiosidade boba.
O Dr. Kinsey escutou -- tinha uma teoria circulando na época, nos anos quarenta, dizendo que a força que o sêmen é arremessado contra o útero era um fator na fertilidade.
Kinsey achou que era bobagem e, então, começou a trabalhar.
Ele reuniu no seu laboratório 300 homens, um fita métrica e uma filmadora.
Ele descobriu que em três quartos dos homens o esperma só escorria para fora.
Não era disparado ou ejetado com grande pressão.
Entretanto, o recordista conseguiu atingir a marca de 2, 43 metros. Que é impressionante.
Sim, exatamente.
Infelizmente, ele é anônimo. O nome não é mencionado.
Em anotações no seu livro sobre o experimento Kinsey escreveu: "Dois lençóis foram postos no chão para proteger o carpete oriental."
Que é a minha segunda frase favorita em todo o trabalho de Alfred kinsey.
A favorita é: "Pedaços de queijo espalhados perto de ratos em acasalamento distrairão a fêmea, mas não o macho."
Muito obrigada.
Obrigada!
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O que as aparências mostravam era que tudo estava dando certo para o John.
Ele tinha acabado de assinar o contrato para vender seu apartamento em Nova York com um lucro de seis dígitos, e ele só tinha sido proprietário por cinco anos.
A faculdade onde ele havia feito seu mestrado tinha acabado de oferecer-lhe uma vaga de professor, o que significava não somente um salário mas também benefícios pela primeira vez em anos.
Mas, mesmo com tudo parecendo super bem para o John, ele estava lutando, lutando contra o vício e a depressão profunda.
Na noite do dia 11 de junho de 2003, ele subiu na beirada da grade da Ponte Manhattan e pulou nas águas traiçoeiras abaixo.
Incrivelmente - não, miraculosamente - ele viveu.
A queda destruiu seu braço direito, quebrou todas as costelas, perfurou seu pulmão, e sua consciência ia e vinha ao flutuar pelo Rio East, embaixo da Ponte do Brooklyn e a caminho da balsa Staten Island, onde os passageiros na balsa ouviram seus gritos de dor, contataram o capitão do barco que contatou a Guarda Costeira que o tirou do Rio East e o levou para o Hospital Bellevue.
E é aí que nossa história começa.
Pois, uma vez que John se comprometeu a reerguer sua vida novamente - primeiro fisicamente, depois emocionalmente, e então espiritualmente - ele descobriu que havia poucos recursos disponíveis para alguém que havia tentado acabar com a vida assim como ele tinha feito.
Pesquisas mostram que 19 entre 20 pessoas que tentam o suicídio vão falhar.
Mas as pessoas que falham têm 37 vezes mais chance de conseguir na segunda vez.
Isso é realmente uma população em risco com muito poucos recursos para apoiá-los.
O que acontece é que, quando as pessoas tentam juntar os pedaços, por causa dos nossos tabus em relação ao suicídio, não sabemos o que dizer, e muitas vezes não dizemos nada.
E isso aumenta o isolamento em que pessoas como o John se encontram.
Eu conheço a história do John muito bem porque eu sou o John.
E, hoje, esta é a primeira vez em qualquer ambiente público que eu estou contando a jornada pela qual passei.
Mas, depois de perder um querido professor em 2006 e um grande amigo ano passado para o suicídio, e estar presente no TEDActive ano passado, eu sabia que deveria sair do meu silêncio e esquecer meus tabus e falar sobre uma ideia que vale a pena espalhar - que as pessoas que fizeram a difícil escolha de voltar à vida precisam de mais recursos e da nossa ajuda.
Como o "Projeto Trevor" diz: vai melhorar.
Vai melhorar muito.
E eu decidi sair de um armário totalmente diferente hoje para encorajá-los, para pedir que se você é alguém que contemplou ou tentou o suicídio, ou você conhece alguém que tenha, fale sobre isso, busque ajuda.
É uma conversa que vale a pena ter e uma ideia que vale a pena espalhar.
Obrigado.
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Eu costumo pensar no público do TED como uma maravilhosa coleção de algumas das mais eficientes, inteligentes, intelectuais, experientes, globalizadas e inovadoras pessoas do mundo.
E acho que é verdade.
No entanto, eu também tenho motivo para acreditar que muitos, se não a maioria de vocês, na verdade, estão amarrando seus calçados incorretamente.
Agora, sei que isto pode parecer ridículo
Eu sei que parece ridículo.
E acreditem, eu vivi a mesma vida triste até cerca de três anos atrás.
E o que aconteceu comigo foi que comprei, o que para mim era um par de sapatos muito caro.
Mas eles vieram com cadarços de nylon redondos, e eu não conseguia mantê-los amarrados.
Então, eu voltei à loja e disse ao dono: “Eu amo o sapato, mas detesto os cadarços.”
Ele deu uma olhadela e disse: “Ah, você os está amarrando erradamente.”
Bom, até aquele momento, eu pensava que, aos 50 anos, uma das habilidades de vida que eu realmente dominava era a de amarrar meus sapatos.
Mas não – deixem-me demonstrar.
Este é o modo como a maioria de nós foi ensinada a amarrar nossos sapatos.
Agora o que acontece – obrigado.
Esperem, tem mais.
Acontece que existe um modo forte e um modo fraco de dar este nó, e fomos ensinados a dar o nó do modo fraco.
E aqui está como.
Se puxarem os cadarços na base do nó, verão que o laço irá se posicionar sobre o eixo longitudinal do sapato.
Esta é a forma fraca do nó.
Mas não se preocupem.
Se começarmos de novo e simplesmente formos na outra direção ao redor do laço, temos isto, a forma forte do nó.
E se puxarem os cadarços debaixo do nó, verão que o laço se posiciona ao longo do eixo transversal do sapato.
Este é um nó mais forte. Ele desamarrará menos frequentemente.
Menos desapontamentos. Não só isso, ele tem uma aparência melhor.
Vamos fazer isto novamente.
Inicia como de costume, vá no sentido contrário ao passar em torno do laço.
Isto é um pouco difícil para crianças, mas acho que vocês vão conseguir.
Puxem o nó.
Aqui está: a forma forte do nó de sapatos.
Agora, continuando dentro do tema de hoje, Gostaria de sublinhar – algo que já sabem – que, de quando em quando uma pequena vantagem, em algum ponto da vida, pode render resultados incríveis em algum outro lugar.
Vida longa e próspera.
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Meu nome é Ursus Wehri e eu gostaria de falar com vocês, nesta manhã, sobre o meu projeto, “Botando Ordem na Arte”.
Antes de mais nada, alguma pergunta até agora?
Primeiro, eu tenho que dizer que não sou daqui.
Eu venho de uma área cultural completamente diferente; talvez vocês tenham notado?
Quero dizer, primeiro, eu estou usando uma gravata. Segundo, eu estou um pouco nervoso porque eu estou falando em uma língua estrangeira, e eu quero me desculpar, de antemão, por quaisquer erros que eu venha a cometer,
porque eu venho da Suíça, e eu não espero que vocês pensem que seja alemão suíço que eu estou falando aqui agora. Isto é justamente como fica se nós, suíços, tentamos falar americano.
Mas não se preocupem – eu não tenho problemas com o inglês.
Quero dizer, não é problema meu, é a língua de vocês afinal de contas.
Eu estou bem. Depois desta apresentação aqui no TED, eu posso simplesmente voltar à Suíça, mas vocês terão que continuar falando desta maneira o tempo todo.
Então, os organizadores me pediram que eu lesse meu livro.
É chamado “Botando Ordem na Arte”; e é, como vocês podem ver, é mais ou menos como um livro de gravuras.
Portanto a leitura acabaria muito rapidamente.
Mas como eu estou aqui no TED, eu decidi conduzir a minha apresentação de uma maneira mais moderna, seguindo o espírito do TED, eu consegui preparar alguns slides para vocês aqui.
Eu gostaria de passá-los entre vocês de maneira que a gente possa. vocês entendem - Na realidade, eu consegui preparar para vocês algumas ampliações de pinturas – melhor ainda.
Então “Botando Ordem na Arte”, digo, tenho que afirmar, é um termo relativamente novo.
Vocês não estarão familiarizados com ele.
Quero dizer, é um hobby meu, ao qual tenho me entregado nos últimos anos, e tudo começou com esta pintura do artista americano Donald Baechler. Eu a tinha pendurada em casa. Eu tinha que olhar para ela todos os dias e depois de algum tempo, eu já não podia mais suportar a bagunça que este cara estava olhando o dia inteiro.
Sim, eu, como que, senti pena dele.
E me parecia que até mesmo ele se sentia muito mau encarando esta desorganização de quadrados vermelhos dia após dia.
Então eu decidi dar uma mãozinha a ele, e eu trouxe um pouco de ordem, cuidadosamente empilhando os blocos.
Sim. E eu acho que, agora, ele parece estar sofrendo menos.
E isto foi demais. Com esta experiencia, eu comecei a olhar com mais atenção para a arte moderna. Então eu percebi, vocês sabem, como o mundo da arte moderna está particularmente de pernas para o ar.
E eu posso lhes mostrar um exemplo muito bom.
É na verdade, um simples exemplo, mas é um bom para começar.
Esta é uma pintura de Paul Klee.
E nós podemos ver, muito claramente, que é uma confusão de cores.
Sim. O artista não parece realmente saber onde aplicar as diferentes cores.
As várias figuras aqui dos vários elementos da pintura - a coisa toda está sem estrutura.
Nós não o sabemos; talvez o Sr. Klee estaria, provavelmente, com pressa, quero dizer - – talvez ele estivesse para pegar um avião, ou algo assim.
Nós podemos ver que, aqui, ele começou com o laranja, e então, ele já ficou sem o laranja, e aqui nós podemos ver que ele decidiu tirar uma folga por um quadrado.
E eu gostaria de lhes mostrar aqui minha versão arrumada desta pintura.
Agora nós podemos ver o que só era ligeiramente reconhecível no original: 17 quadrados vermelhos e laranjas estão justapostos a apenas dois quadrados verdes.
Sim, excelente.
Então, eu quero dizer, isto é apenas “Botando Ordem.” para iniciantes.
Eu gostaria que vocês vissem uma pintura um pouco mais avançada.
O que se pode dizer? Que bagunça!
Quero dizer, tudo parece ter sido espalhado a esmo pelo espaço.
Se meu quarto lá em casa se parecesse com isto, minha mãe me deixaria de castigo por três dias.
Então eu gostaria – eu gostaria de reintroduzir alguma estrutura naquela pintura.
E isto é “Botando Ordem.” nível avançado.
Sim, vocês têm razão. Algumas vezes as pessoas aplaudem neste ponto porém, de fato, isto acontece mais lá na Suíça.
Nós, suíços, somos famosos pelos chocolates e queijos. Nossos trens são pontuais.
Nós só estamos satisfeitos quando as coisas estão em ordem.
Mas, continuando, aqui está um exemplo muito bom de se ver.
Esta é uma pintura de Joan Miró.
E sim, podemos ver que o artista desenhou umas poucas linhas e formas e as jogou de algum modo contra um fundo amarelado.
E, sim, este é o tipo de coisa que você faz quando está rabiscando ao telefone.
E esta é a minha – – você pode ver que, agora, a coisa toda ocupa muito menos espaço.
É mais econômica e mais eficiente também.
Com este método, o Sr. Miró poderia ter economizado telas para uma outra pintura.
Mas eu posso ver, pelas suas expressões, que vocês ainda estão um pouco céticos.
Então de maneira que vocês possam apreciar o quão sério eu sou sobre tudo isto, eu trouxe comigo as patentes e as especificações para alguns destes trabalhos, porque eu tive meus métodos de trabalho patenteados no Eidgenössische Amt für Geistiges Eigentum em Berna, Suíça.
Eu vou ditar a partir das especificações.
"Laut den Kunstprüfer Dr. Albrecht --" Não acabou ainda.
"Laut den Kunstprüfer Dr. Albrecht Götz von Ohlenhusen wird die Verfahrensweise rechtlich geschützt welche die Kunst durch spezifisch aufgeräumte Regelmässigkeiten des allgemeinen Formenschatzes neue Wirkungen zu erzielen möglich wird".
Sim, bem, eu poderia ter traduzido isto, mas, nem por isso, vocês o entenderiam.
Eu mesmo não estou certo do que isto significa, mas soa bom de qualquer forma.
Eu acabo de me dar conta da importância em como alguém introduz novas idéias às pessoas, é por isto que esta patente se faz necessária algumas vezes.
Eu gostaria de lhes aplicar um pequeno teste.
Todos aqui estão sentados de uma maneira razoavelmente ordenada nesta manhã.
Então eu gostaria de pedir a todos vocês que levantassem a mão direita. Sim.
A mão direita é a que a gente usa para escrever, exceto para os canhotos.
E agora, eu contarei até três. Quero dizer, ainda parece bastante ordenado para mim.
Agora, eu contarei até três, e no três. Eu gostaria que você cumprimentasse a pessoa atrás de você. Ok?
Um, dois, três.
Agora vocês podem ver. Este é um bom exemplo: mesmo comportando-se de uma maneira ordenada e sistemática pode, algumas vezes, levar a um completo caos.
Então nós podemos ver isto claramente nesta próxima pintura.
Esta é uma pintura da artista Niki de Saint Phalle.
E quero dizer, no original, não é completamente claro de se identificar o que este emaranhado de cores e formas deve representar.
Mas, na versão “Botando Ordem.”, está perfeitamente claro que se trata de uma mulher queimada de sol jogando voleibol.
Sim, é uma – esta aqui, está bem melhor.
Esta é uma pintura de Keith Haring.
Eu acho que não importa.
Então, quero dizer, esta pintura nem mesmo tem um título apropriado.
É chamada “Sem Título”, e eu acho que é apropriado.
Então, na versão arrumada, nós temos algo como uma loja de pecas de reposição de Keith Haring
Isto é Keith Haring sob um olhar estatístico.
A gente pode ver aqui muito claramente, você pode ver que nós temos 25 elementos verde-claros, dos quais, um é em forma de um círculo.
Ou aqui, por exemplo, nós temos 27 quadrados rosa com apenas uma curva rosa.
Quero dizer, isto é interessante. Alguém poderia estender esta forma de análise estatística para cobrir todas as várias obras do Sr. Haring. Para estabelecer em que período o artista preferia círculos verde-claro ou quadrados rosa.
E o artista também poderia beneficiar-se desta forma de listagem – deste procedimento – usando-o para estimar quantos potes de tinta ele provavelmente irá precisar futuramente.
Alguém pode, obviamente, fazer combinações também.
Por exemplo, com os círculos de Keith Haring e os pontos de Kandinsky.
Você pode somá-los a todos os quadrados de Paul Klee.
Ao final, a gente possui uma lista que alguém pode organizar.
Então você cataloga a lista, você a arquiva, coloca aquele arquivo em um fichário, põe o fichário em seu escritório e você pode fazer disto um meio de vida.
Sim, pela minha própria experiencia. Então eu sou – Na verdade, quero dizer, nós temos artistas que são um pouco mais estruturados. Não é assim tão ruim.
Este é Jasper Johns. Nós podemos ver que aqui ele estava praticando com sua régua.
Mas eu acho que ela ainda poderia ser melhorada por mais disciplina.
E eu acho que a coisa toda fica muito melhor se você fizer assim.
E aqui, este é um dos meus favoritos.
Botando ordem em René Magritte – isto é realmente divertido.
Você sabe, há um. Pergunta-se: o que me inspirou a embarcar nisto tudo?
Isto vem de um tempo em que eu me hospedava muito frequentemente em hotéis.
Então, certa vez eu tive a oportunidade de ficar em um luxuoso hotel cinco estrelas.
E você sabe, lá você tinha este pequeno aviso – Eu colocava este pequeno aviso na porta toda manhã, onde se lia: “Por favor, arrume o quarto”. Eu não sei se vocês os têm por aqui.
Então, efetivamente, meu quarto lá não era arrumado uma vez por dia, mas sim, três vezes ao dia.
Então, após algum tempo, eu decidi me divertir um pouco, e antes de deixar o quarto a cada dia, eu espalhava umas poucas coisas ao redor.
Como livros, roupas, escova de dentes, etc. E isto era demais.
Quando eu retornava, tudo havia sido meticulosamente retornado ao seu lugar.
Então, uma manhã, eu pendurei o mesmo aviso nesta pintura de Vincent van Gogh.
E a gente tem que dizer: este quarto não era arrumado desde 1888.
E quando eu retornei, ele se parecia com isto.
Sim, pelo menos agora é possível passar o aspirador.
OK, quero dizer, eu posso entender que sempre haverá pessoas que reagirão dizendo que esta ou aquela pintura não teria sido arrumada propriamente. Então nós podemos fazer um breve teste com vocês.
Esta é uma pintura de René Magritte, e eu gostaria que todos vocês, introspectivamente – isto é, na sua cabeça – arrumassem-na. Então, é possível que alguns de vocês o fariam desta maneira.
Sim? Eu preferiria, na verdade, fazê-lo mais assim.
Algumas pessoas gostariam de fazer uma torta de maçã com isto.
Mas este é um exemplo muito bom para perceber que todo o trabalho foi mais como um empenho artesanal que envolveu a demorada atividade de cortar os vários elementos, colando-os de volta em novos arranjos.
E isto não é feito, como muita gente imaginaria, com um computador, pois se fosse, ficaria assim.
Então, eu tenho conseguido arrumar as pinturas que eu desejava arrumar por um longo tempo.
Aqui está um bom exemplo. Tome Jackson Pollock, por exemplo.
É um – oh, não, é um – esta é difícil mesmo.
Mas depois de algum tempo, eu decidi ir até o fim e colocar a tinta de volta nas latas.
Ou você poderia ir para a arte tridimensional.
Aqui nós temos a obra “Café da Manhã em Pelos” de Meret Oppenheim.
Aqui eu apenas o trouxe de volta ao seu estado original.
Mas, sim, e é demais, você pode até mesmo ir, você sabe – Nós temos este movimento pontilhista para aqueles dentre vocês que estão por dentro da arte.
O movimento pontilhista é aquela espécie de pintura onde tudo é detalhado em pontos e “pixels”.
E então eu – este tipo de coisa é ideal para arrumação.
Então, uma vez eu me dediquei às obras do inventor daquele método, Georges Seurat, e coletei todos os seus pontos.
E agora estão todos aqui.
Você pode contá-los depois, se quiser.
Você percebe, esta é a coisa maravilhosa sobre a idéia de botar ordem na arte: É algo novo. Portanto não existe tradição nisto.
Não há livros-texto, quero dizer, de qualquer forma, ainda não.
Quero dizer, este é o “futuro que nós vamos criar”.
Mas para encerrar, eu gostaria de lhes mostrar apenas mais uma.
Esta é a praça de “A Luta entre o Carnaval e a Quaresma” de Pieter Bruegel, o velho.
É assim que a praça fica quando você manda todo mundo pra casa.
Sim, talvez vocês estejam se perguntando para onde foi toda aquela gente da pintura?
Claro, eles não se foram. Estão todos aqui.
Eu apenas os empilhei.
Então, eu estou – sim, na verdade, eu estou como que encerrando por aqui.
E para aqueles que desejarem ver mais, eu tenho meu livro lá embaixo, na livraria.
E será um prazer assiná-lo para vocês com qualquer nome de qualquer artista.
Mas antes de ir-me, eu gostaria de lhes mostrar, eu estou trabalhando em outra coisa – em algo relacionado com meu método de botar ordem na arte. Eu estou trabalhando em um campo relacionado.
E eu comecei por trazer certa ordem às bandeiras.
Aqui – esta é minha nova proposta para a bandeira da Inglaterra.
E então, talvez, antes de deixá-los.
sim, eu acho que, após vocês virem isto, eu tenho que ir-me de qualquer maneira.
Sim, esta foi uma das difíceis. Eu não conseguia achar uma maneira de arrumá-la propriamente então eu decidi torná-la um pouco mais simples.
Muito obrigado.
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Eu sou o Dr. David Hanson, e eu construo robôs com personalidade.
E com isso, quero dizer que eu desenvolvo robôs que são personagens, mas também robôs que eventualmente vão criar laços de empatia com você.
Então nós estamos começando com uma variedade de tecnologias que convergiram nestes robôs interativos com personalidade que conseguem ver rostos, fazer contato visual com você, fazer várias expressões faciais, entender discursos, e começam a modelar como você se sente, e quem é você, e construir uma relação com você.
Eu desenvolvi uma série de tecnologias que permitiram aos robôs fazerem as expressões faciais mais realistas do que antes alcançadas, com menos gasto de energia, que permitiu o andar dos robôs bípedes, os primeiros andróides.
Então, é um leque de expressões faciais simulando todos os principais músculos da face humana, usando baterias bem pequenas, extremamente leves.
O material que possibilitou as expressões faciais operadas por baterias é um material que nós chamamos de Frubber, e esse material tem três inovações principais que permitiram que isto acontecesse.
A primeira são os poros hierárquicos e a outra é a porosidade macro-molecular nanoescalar do material.
Ali está ele começando a andar.
Isto é no Instituto de Ciência e Tecnologia Avançada da Coréia do Sul.
Eu construí a cabeça. Eles construíram o corpo.
Então o objetivo aqui é alcançar a percepção emocional nas máquinas, e não só isso, mas também a empatia.
Nós estamos trabalhando com o Laboratório de Percepção das Máquinas da Universidade de San Diego
Eles têm essa excepcional tecnologia de expressão facial que reconhece expressões faciais, quais expressões faciais você está fazendo.
Também reconhece aonde você está olhando, o posicionamento da sua cabeça.
Nós estamos simulando todas as principais expressões faciais, e controlando-as com software o qual nós chamamos de Motor de Personalidade.
E aqui está um pouco da tecnologia que está envolvida nisto.
Na verdade, agora mesmo -- conecto isto daqui, e conecto-o aqui, e agora vamos ver se ele reconhece minhas expressões faciais.
Certo. Então eu estou sorrindo.
Agora estou franzindo a testa.
E estamos contra a luz.
Certo, aqui vamos nós.
Ah, está tão triste.
Certo, então sorri, franzindo a testa.
Então a percepção do seu estado emocional é muito importante para máquinas efetivamente se tornarem empáticas.
Máquinas estão se tornando devastadoramente capazes de coisas como matar. Certo?
Estas máquinas não podem ter empatia.
E hoje em dia gastam bilhões de dólares nisso,
A robótica de personalidade poderia plantar a semente para robôs que tenham empatia de verdade.
Então, se eles atingirem níveis de inteligência humanos ou, o que é possível, níveis de inteligência maiores do que os humanos, isto poderia ser uma semente de esperança para o nosso futuro.
Então, nós fizemos 20 robôs nos últimos oito anos, enquanto eu cursava o meu doutorado,
e então eu criei a empresa Hanson Robotics, que tem desenvolvido estas coisas para fabricação em série.
Este é um dos nossos robôs que nós mostramos na Wired NextFest há dois anos atrás.
E ele vê várias pessoas em uma cena, lembra de cada indivíduo, e olha de pessoa a pessoa, lembrando-se de cada um.
Então, nós estamos envolvendo duas coisas.
Primeira, a percepção de pessoas, e segunda, a interface natural, a forma natural da interface, de modo que seja mais intuitivo para você interagir com um robô.
Você começa a acreditar que ele está vivo e alerta.
E um dos meus projetos favoritos foi juntar tudo isso em uma manifestação artística de um retrato andróide do escritor de ficção científica Philip K. Dick, que escreveu ótimos trabalhos como, "O caçador de andróides"
que foi a base para o filme "Blade Runner, o caçador de andróides"
Nestas histórias, os robôs por vezes pensam que são humanos e de alguma forma eles vêm a vida.
Então colocamos seus escritos, cartas, entrevistas, correspondências, em uma grande base de dados com milhares de páginas, e usamos processamento natural de linguagem para permitir que você tenha uma conversa de verdade com ele.
E foi um pouco assustador, porquê ele dizia coisas que soavam como se ele entendesse você de verdade.
E este é um dos projetos mais divertidos que estamos desenvolvendo, com um pequeno personagem que é um robô falante com inteligência artificial amigável, inteligência artificial de máquina.
E nós o estamos preparando para fabricação em massa.
Nós o desenhamos para ser fabricável com uma lista de materiais de baixíssimo custo, então ele poderá se tornar um companheiro de infância das crianças.
Interagindo com a internet, ele fica mais inteligente com o passar dos anos.
Quando a inteligência artificial evolui, a inteligência dele também.
Chris Anderson: Muito obrigado, isso foi incrível.
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Atualmente há mais de mil TEDTalks no website TED.
E imagino que muitos de vocês aqui pensam que isso é fantástico -- exceto eu. Não concordo com isso.
Penso que temos um problema aqui.
Porque se você pensa sobre isso, 1. 000 TEDTalks, são mais de 1. 000 ideias que merecem ser divulgadas
Como, diabos, você vai espalhar mil ideias?
Mesmo se você tentasse captar todas essas ideias assistindo a todos esses mil vídeos TED, você, na verdade, levaria mais de 250 horas para fazer isso.
E fiz alguns cálculos com isso.
O prejuízo para a economia para cada um que fizesse isso seria em torno de 15. 000 dólares.
Assim, considerando esse risco para a economia, pensei, precisamos encontrar uma solução para esse problema.
Aqui está minha proposição para isso tudo.
Se você observa a situação atual, você tem mil TEDTalks.
Cada uma dessas TEDTalks tem uma extensão média de aproximadamente 2. 300 palavras.
Agora junte tudo isso e você acaba com 2, 3 milhões de palavras de TEDTalks, o que é mais ou menos o conteúdo de três Bíblias.
A questão óbvia aqui é, uma TEDTalk precisa realmente de 2. 300 palavras?
Não existe algo mais curto?
Quero dizer, se você tem uma ideia que merece ser divulgada, certamente você pode colocá-la em algo menor que 2. 300 palavras.
A questão é, quanto você consegue cortar?
Qual é a quantia mínima de palavras que você necessitaria para fazer uma TEDTalk?
Enquanto considerava essa questão, encontrei por acaso esta lenda urbana sobre Ernest Hemingway, que, alegam, disse que essas seis palavras aqui: "À venda: sapatinhos de nenê, nunca usados", foram o melhor romance que ele já tinha escrito.
E também encontrei um projeto chamado "Six-Word Memoirs" no qual pedem às pessoas, pegue sua vida inteira e, por favor, resuma-a em seis palavras, como estas aqui: "Encontrei amor verdadeiro, casei com outro."
Ou "Vivendo no vácuo existencial; é horrível."
Realmente gosto dessa.
Portanto, se um romance pode ser colocado em seis palavras e todas as memórias podem ser postas em seis palavras, você não precisa de mais que seis palavras para uma TEDTalk.
Poderíamos ir almoçar agora.
Quero dizer.
E se você fizesse isso para todas as mil TEDTalks, você iria de 2, 3 milhões para 6. 000 palavras.
Dessa forma, pensei que isso era bastante valioso.
Então comecei a pedir a todos os meus amigos, por favor, pegue sua TEDTalk predileta e coloque-a em seis palavras.
Aqui estão alguns dos resultados que recebi. Acho que são bem legais.
Por exemplo, a palestra de Dan Pink sobre motivação, que foi bastante boa, se não a viram: "Largue cenoura. Largue bengala. Traga significado."
É basicamente sobre o que ele está falando naqueles dezoito minutos e meio.
Alguns até mesmo incluíram referências aos palestrantes, como o modo de falar de Nathan Myhrvold, ou o de Tim Ferriss, que pode ser considerado um pouco enérgico às vezes.
O desafio aqui é: se eu tentasse fazer isso sistematicamente, provavelmente eu acabaria com muitos resumos, mas não com muitos amigos no final.
Então eu tinha que encontrar um método diferente, de preferência que envolvesse completos estranhos.
E, por sorte, existe um website para isso chamado Mechanical Turk, que é um website no qual você coloca tarefas que você mesmo não quer fazer, tais como "Por favor, resuma este texto para mim em seis palavras".
E eu não permitiria que nenhum país de baixo custo trabalhasse nisso, mas descobri que poderia obter um resumo de seis palavras por apenas 10 centavos, que, penso, é um preço muito bom.
Ainda assim, infelizmente, não é possível resumir cada TEDTalk individualmente.
Porque, se você faz as contas, você tem mil TEDTalks, ao custo de 10 centavos cada; você tem que fazer mais que um resumo de cada uma dessas palestras porque alguns deles provavelmente serão, ou são, realmente ruins.
Portanto, eu acabaria pagando centenas de dólares.
Assim, pensei numa forma diferente, imaginando, bem, as palestras giram sobre certos temas.
E se eu não permitisse que as pessoas resumissem TEDTalks individuais em seis palavras, mas desse a elas 10 TEDTalks ao mesmo tempo e dissesse: "Por favor, faça uma resumo de seis palavras para isto."
Poderia cortar meus custos em 90 por cento.
Assim, por 60 dólares eu poderia resumir mil TEDTalks em apenas 600 resumos, o que seria, na verdade, bem legal.
De fato, alguns de vocês podem estar pensando: é completa maluquice ter 10 TEDTalks resumidas em apenas seis palavras.
Mas, não é realmente, porque há um exemplo do professor de estatística, Hans Rosling.
Imagino que muitos de vocês viram uma ou mais de suas palestras.
Ele tem oito palestras online, e essas palestras podem basicamente ser resumidas em apenas quatro palavras, porque, basicamente, isso é tudo que ele está nos mostrando: nossa intuição é realmente ruim.
Ele sempre demonstra que estamos errados.
Então, as pessoas na Internet, algumas não foram muito bem.
Quero dizer, quando pedi a elas para resumir as 10 TEDTalks ao mesmo tempo, algumas foram pelo caminho mais fácil.
Apenas fizeram um comentário geral.
Houve outras, e achei isso muito atrevido.
Elas usaram as seis palavras para conversar comigo e perguntar se tenho ficado muito no Google ultimamente.
E finalmente também, nunca entendi isso, algumas pessoas de fato surgiram com suas próprias versões da verdade.
Não sei de nenhuma TEDTalk que contenha isso.
Mas, bem. No fim, contudo, e isso é realmente surpreendente, para cada bloco dessas 10 TEDTalks que eu entreguei, na verdade, recebi resumos significativos.
Aqui estão alguns dos meus preferidos.
Por exemplo, para todas as TEDTalks sobre comida, alguém resumiu isso em: "Comida modelando corpo, cérebros e meio ambiente", o que acho, é muito bom.
Ou felicidade: "Esforçar-se pela felicidade = direcionar-se para infelicidade".
Lá estava eu.
Tinha começado com mil TEDTalks e tinha 600 resumos de seis palavras para elas.
De fato, isso soou legal no começo, mas, quando você olha para 600 resumos, é muito.
É uma lista enorme.
Então pensei, provavelmente vou ter que dar um passo adiante aqui e criar resumos de resumos -- e foi exatamente isso que fiz.
Peguei os 600 resumos que tinha, coloquei-os em nove grupos, de acordo com as avaliações que as palestras receberam originalmente no TED. com e pedi às pessoas que fizessem resumos disso.
Novamente, houve alguns mal-entendidos.
Por exemplo, com o bloco de todas as palestras belas, alguém pensou que eu estava tentando encontrar a frase de efeito mais moderna.
Mas no final, espantosamente, de novo, as pessoas foram capazes de fazer isso.
Por exemplo, todas as TEDTalks corajosas: "Pessoas morrendo", ou "Pessoas sofrendo" eram também uma: "com solução fácil por perto".
Ou a receita para a mais recente TEDTalk surpreendente: "Fotos do Flickr de compositor clássico intergalático".
Quero dizer essa é a essência disso tudo.
Agora eu tinha meus nove grupos, mas, quero dizer, já é uma enorme redução.
Mas, é claro, já que você foi tão longe, você não está realmente satisfeito.
Eu queria percorrer todo o caminho, todo o caminho até a destilaria, começando com mil TEDTalks.
Queria ter mil TEDTalks resumidas em seis palavras -- que seria uma redução de 99. 9997 por cento no conteúdo.
E eu pagaria somente $99, 50 -- dessa forma, ficando até abaixo de cem dólares por isso.
Assim, eu consegui 50 resumos gerais.
Desta vez paguei 25 centavos porque achei que a tarefa era um pouco mais difícil.
E, infelizmente, quando recebi as respostas -- e aqui vocês veem seis das respostas -- fiquei um pouco desapontado.
Porque, penso que concordarão, todas elas resumiram algum aspecto do TED, mas para mim parecia um pouco insosso, ou tinham apenas determinado aspecto do TED nelas.
Assim, estava quase desistindo quando, uma noite, brincava com essas frases e descobri que, na verdade, há uma bela solução aqui.
Aqui está: um resumo 'crowd-sourced' com seis palavras de mil TEDTalks pelo valor de $99, 50: "Por que preocupação? Eu prefiro admiração."
Muito obrigado.
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Quando eu vi essa tecnologia chamada Kinect -- ela era chamada de Natal -- Eu fiquei inspirado e pensei por um momento, talvez seja possível resolver aquele problema de quando se contam histórias: criar um personagem que pareça vivo, que me perceba, que possa olhar nos meus olhos, e parecer real, e esculpir uma história sobre o nosso relacionamento.
E então, há um ano, Eu mostrei isto Em um evento de computadores chamado E3
E isto era uma tecnologia com alguém chamada Claire interagindo com esse garoto.
E havia um baita debate online sobre "Ei, isso não pode ser real."
E, então, eu esperei até agora para ter um demo de verdade da tecnologia de fato.
Então, essa tecnologia incorpora três grandes elementos.
O primeiro é uma câmera Kinect, que será lançada em Novembro, uma IA incrível que estava escondida em cofres empoeirados, acumulando poeira na Microsoft, mais as nossas rudimentares tentativas de IA em uma empresa chamada Lionhead, misturando todas essas coisas apenas para chegar a essa simples idéia: criar um ser vivo, de verdade, em um computador.
Agora, eu vou ser honesto com vocês e vou dizer que a maior parte é apenas um truque, mas é um truque que realmente funciona.
Então por que não vamos até ali e damos uma olhada no demo agora.
Esse é o Dimitri.
Dimitri, apenas mova o seu braço.
Então, vocês percebem que ele está sentado.
Não há controles, não há teclados, ou mouses, ou joysticks, ou joypads.
Ele vai usar apenas a sua mão, seu corpo e sua voz, assim como os seres humanos interagem com suas mãos, corpo e voz.
Então, vamos continuar,
Vocês vão conhecer o Milo pela primeira vez.
Nós tivemos que dar a ele um problema, porque quando nós recém tínhamos criado o Milo, nós percebemos que ele dava a impressão de ser meio pirralho para ser honesto com vocês.
Ele era um baita sabichão, e ele meio que queria fazer você rir.
Então o problema que demos a ele foi o seguinte: Ele acabou de se mudar.
Ele se mudou de Londres para Nova Inglaterra, na América.
Seus pais estão muito ocupados para escutar os seus problemas, e aí é quando ele começa a quase que conjurar você.
Então aqui está ele andando pela grama.
E você é capaz de interagir com o seu mundo.
E o legal é que o que nós estamos fazendo é mudar a mente do Milo constantemente.
Ou seja que o Milo de duas pessoas diferentes não poderão ser iguais.
Você está mesmo esculpindo um ser humano.
Então, ele está descobrindo o jardim.
Você está ajudando-o a descobrir o jardim com simplesmente apontar para estes caracóis.
Muito simples no começo.
A propósito, se você for um menino, são caracóis; se você for uma menina, são borboletas, porque nós descobrimos que garotas odeiam caracóis.
Então lembrem-se: essa é a primeira vez que vocês o encontram, e nós queremos muito atrair você e deixá-lo mais curioso.
O rosto dele, aliás, é totalmente conduzido pela IA.
Temos controle total sobre quando ele fica corado, o diâmetro das suas narinas para denotar estresse.
Nós, na verdade, fazemos algo chamado "equivalência corporal".
Se você estiver inclinado para frente, ele vai tentar mudar um pouco a natureza neurolingüística de seu rosto, porque nós fomos com essa idéia bem forte: como é que nós fazemos com que você acredite que é algo real?
Já utilizamos a mão.
A outra coisa a se usar é seu corpo.
Por que não, ao invés de mover para esquerda e direita com um mouse ou um joypad, por que não usar o seu corpo apenas para inclinar-se na cadeira - novamente, relaxado?
Você pode se inclinar para trás, mas a câmera vai mudar a sua perspectiva dependendo de pra que lado você estiver olhando.
Então, o Dimitri agora vai usar - ele usou sua mão; ele usou seu corpo.
Agora ele vai usar a outra coisa que é essencial, e essa é sua voz.
Agora, sobre a voz a nossa experiência com reconhecimento de voz é bem ruim, não é?
Nunca funciona.
Você pede uma passagem de avião e acabaindo parar em Timbuktu.
Então nós efrentamos esse problema, e bolamos uma solução que veremos em um segundo.
Eu posso simplesmente esmagá-lo.
O que você vai fazer, Dimitri?
Esmagar um caracol pode não parecer importante, mas lembre-se que mesmo essa escolha afetará como Milo se desenvolve.
Você quer que Milo o esmague?
Quando você ver o microphone, diga. sim para decidir.
Dimitri: Vai lá, Milo. Esmaga.
PM: Não. Isso é a coisa errada a se fazer.
Agora vejam a sua resposta.
Ele disse, "Vai lá, Milo. Esmaga."
O que nós estamos usando aqui é, estamos usando algo, uma tecnologia chamada Tellme.
É uma empresa que a Microsoft adquiriu há alguns anos.
Temos um banco de dados de palavras as quais reconhecemos.
Nós selecionamos essas palavras.
Também referenciamos isso com o banco de dados de tonalidade que montamos com a voz do Dimitri, ou com a voz do usuário.
Agora, precisamos ter um pouco mais de interação. E, novamente, o que podemos fazer é que podemos olhar para o corpo.
E vamos fazer isso em um momento.
Qual será a profundidade?
Fundo.
Ok. Então o que vamos fazer agora é ensinar Milo a lançar pedras.
Estamos realmente ensinando ele.
É muito, muito interessante. que homens, mais do que as mulheres, tendem a ser mais competitivos nisso.
Eles estão de boa ensinando Milo nos primeiros lances, mas aí eles querem vencer o Milo, enquanto que as mulheres, são mais carinhosas com isso.
Ok, isso é lançar pedras.
Como você lança as pedras?
Você se levanta, e você lança a pedra.
Simples assim.
Apenas reconhecendo seu corpo, reconhecendo os movimentos do corpo, a técnica, entendendo que você foi de sentado para de pé.
De novo, tudo isso é feito do jeito que nós humanos fazemos as coisas, e isso é crucial se quisermos que Milo pareça real.
Veja se você pode inspirá-lo a fazer melhor.
Tente acertar o barco.
Ahhh. Tão perto.
Esse é o Dimitri no seu estado mais competitivo.
Agora venceu uma criança de 11 anos. Muito bem.
Ok.
Então, Milo está sendo chamado de volta por seus pais, nos dando tempo para ficarmos sozinhos e ajudá-lo.
Basicamente -- o trecho que perdemos no inicio -- seus pais tinham pedido que ele arrumasse o seu quarto
e nós vamos ajudá-lo com isso agora.
Mas isto vai ser uma introdução, e isso tudo é sobre a psicologia profunda que estamos tentando usar.
Estamos tentando apresentar vocês ao que eu acredito ser a parte mais maravilhosa: você ser capaz de falar com sua voz normal com o Milo.
Agora, para fazer isso, precisávamos de uma preparação, como um truque de mágico.
E o que fizemos foi, precisávamos dar ao Milo este grande problema.
Então enquanto o Dimitri começa a arrumar, você pode escutar a conversa que o Milo está tendo com os seus pais.
Ah, você derrubou molho por todo o carpete.
Este carpete é novo.
Ele só derramou um prato de salsichas no chão, no carpete novo.
Todos nós já fizemos isso como pais; já fizemos isso como crianças.
Agora é uma chance pro Dimitri meio que consolar e acalmar o Milo.
Isso tudo foi demais para ele.
Ele acabou de se mudar. Ele não tem amigos.
Agora é a hora que nós abrimos aquele portal e deixamos você falar com Milo.
Por que você não tenta dizer algo encorajador para animar o Milo?
Vamos lá, Milo. Você sabe como é que os pais são.
Eles estão sempre se estressando.
De qualquer forma, por que eles vieram pra cá?
Nós não conhecemos ninguém.
Bem, você tem uma nova escola para ir.
Você vai conhecer um monte de amigos novos e legais.
Eu só estou com muita saudade da minha antiga casa, só isso.
Bem, esta é uma casa bem maneira, Milo
Você tem um jardim legal para brincar e um laguinho.
Jogar pedras foi legal.
Legal.
Você arrumou meu quarto.
Obrigado.
Então, depois de 45 minutos, ele o reconhece.
E eu garanto que, se vocês estiverem sentados em frente a esta tela, este é um momento realmente maravilhoso.
E estamos prontos agora para contar uma história sobre sua infância e sua vida, e assim vai, e ele tem, bem, muitas aventuras.
Algumas dessas aventuras são um pouco sombrias ou só um pouquinho mais escuras.
Algumas dessas aventuras são maravilhosamente encorajadoras -- ele tem que ir à escola.
O legal é que nós estamos fazendo isso à medida em que você interage com ele, você é capaz de colocar coisas no seu mundo, e ele reconhece objetos.
A mente dele é baseada em uma nuvem.
Ou seja que a mente do Milo, à medida em que milhões de pessoas a utilizarem, vai ficar mais esperta e inteligente.
Ele vai reconhecer mais objetos e assim entender mais palavras.
Mas para mim, essa é uma oportunidade maravilhosa na qual pode-se finalmente conectar-se com a tecnologia, na qual eu não estou mais limitado pelos dedos que tenho nas minhas mãos -- quanto aos jogos de computador -- ou pela chatice de não ser notado estando assistindo a um filme ou um livro.
E eu amo essas revoluções, e eu amo o futuro que o Milo trará.
Muito obrigado mesmo.
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Cada um de vocês possui o traço mais poderoso, perigoso e subversivo que a seleção natural já projetou.
É uma parte da tecnologia áudio-neural para reprogramar as mentes das outras pessoas.
Eu falo da linguagem, é claro, pois ela permite implantar um pensamento de sua mente diretamente na mente de outra pessoa, e elas podem tentar fazer o mesmo com você, sem que nenhum de vocês tenha que fazer uma cirurgia.
Em vez disso, quando você fala, está na realidade utilizando uma forma de telemetria não muito diferente do controle remoto da sua televisão.
Só que, este dispositivo utiliza pulsos de luz infravermelha, sua linguagem utiliza pulsos, pulsos discretos, de som.
E assim como você utiliza o controle remoto para alterar ajustes internos da televisão para ajustar-se à sua vontade, você utiliza sua linguagem para alterar os ajustes do cérebro de outra pessoa para ajustar-se aos seus interesses.
Linguagens são genes falando, conseguindo o que querem.
E imagine o senso de maravilha de um bebê quando descobre pela primeira vez, que só proferindo um som, ele pode conseguir que objetos se movam pelo quarto como por mágica, e talvez mesmo até sua boca.
Agora, o poder subversivo da linguagem é reconhecido através das eras na censura, em livros que não podemos ler, frases que não podemos usar e palavras que não podemos dizer.
Na verdade, a história bíblica da Torre de Babel é uma fábula e um aviso sobre o poder da linguagem.
Conforme essa história, os primeiros humanos desenvolveram o conceito que, utilizando sua linguagem para trabalharem juntos, eles poderiam construir uma torre que levaria todos até o céu.
Então Deus, irritado com essa tentativa de usurpar seu poder, destruiu a torre, e a seguir, para assegurar que ela nunca mais fosse reconstruída, ele espalhou as pessoas dando-lhes diferentes línguas -- Confundiu-as dando línguas diferentes.
E isso nos leva à maravilhosa ironia de que nossas línguas existem para evitar que nos comuniquemos.
Mesmo hoje, sabemos que existem palavras que não podemos usar, frases que não podemos dizer, porque se o fizermos, podemos ser criticados, presos, ou mesmo mortos.
E tudo isso por um sopro de ar emanando de nossas bocas.
Então, toda essa confusão sobre um só de nossos traços nos diz que é algo que vale a pena explicar.
E essas são as razões de como e porque esse notável traço evoluiu, e por que ele evoluiu somente em nossa espécie?
É um tanto surpreendente que para conseguir a resposta para essa pergunta, tenhamos que ir para a utilização de ferramentas pelos chimpanzés.
Então, esses chimpanzés utilizam ferramentas e tomamos isso como um sinal de sua inteligência.
Mas se fossem realmente inteligentes, por que eles utilizariam um graveto para extrair os cupins do solo em vez de uma pá?
E se eles fossem realmente inteligentes, por que eles quebrariam as castanhas com uma pedra?
Por que eles não vão a uma loja e compram um saco de castanhas que alguém já quebrou para eles?
Por que não? Quer dizer, isso é o que fazemos.
Então, a razão de os chimpanzés não fazerem isso é que eles não têm o que os psicólogos e antropólogos chamam de aprendizado social.
Parece que não têm a habilidade de aprender com os outros pela cópia ou imitação ou simplesmente pela observação.
Como resultado, eles não podem improvisar as idéias dos outros ou aprender com os erros dos outros -- beneficiarem-se da sabedoria dos outros.
E assim eles só fazem a mesma coisa todas as vezes.
De fato, podemos avançar um milhão de anos e voltar e esses chimpanzés estarão fazendo a mesma coisa com os mesmos gravetos para os cupins e as mesmas pedras para quebrar as castanhas.
Agora, isso pode parecer arrogante, ou mesmo cheio de presunção.
Como sabemos disso?
Porque era isso exatamente o que nossos ancestrais, os Homo Erectus, faziam.
Esses macacos eretos evoluiram na savana africana cerca de dois milhões de anos atrás, e fizeram machados manuais esplêndidos que se ajustam maravilhosamente às suas mãos.
Mas se verificarmos os registros fósseis, vemos que faziam o mesmo machado manual repetidamente por um milhão de anos.
Você pode verificar isso nos registros fósseis.
Agora, se fizermos algumas suposições de quanto tempo vivia um Homo Erectus, quanto tempo vivia sua geração, seriam aproximadamente 40. 000 gerações de pais e filhos, e outros indivíduos assistindo, e nas quais o machado manual não mudou.
Não fica nem mesmo claro se nossos parentes genéticos próximos, os Neandertais, possuiam aprendizado social.
Com certeza, suas ferramentas eram mais complicadas que aquelas do Homo Erectus, mas eles também mostraram pouquíssima mudança nos quase 300. 000 anos, aproximadamente que essa espécie, os Neandertais, viveram na Eurásia.
OK, então o que isso nos diz é que, ao contrário do velho provérbio, "macaco vê, macaco faz" A surpresa realmente é que todos os outros animais na verdade não podem fazer isso -- pelo menos não muito.
E mesmo nesta fotografia existe a suspeita de ser preparada -- como algo do circo Barnum & Bailey.
Mas por comparação, nós podemos aprender.
Podemos aprender por observar outras pessoas e copiar ou imitar o que elas podem fazer.
Podemos então escolher, dentre uma gama de opções, a melhor.
Podemos nos beneficiar das idéias dos outros.
Podemos construir por sobre sua sabedoria.
E como resultado, nossas idéias realmente se acumulam, e nossa tecnologia progride.
E essa adaptação cultural cumulativa, como chama os antropólogos essa acumulação de idéias é responsável por tudo ao nosso redor no seu movimentado e coletivo dia a dia.
Quero dizer que o mundo cresceu fora de qualquer proporção a qual possamos reconhecer mesmo 1. 000 a 2. 000 anos atrás.
E tudo isso por conta da adaptação cultural cumulativa.
As cadeiras que sentamos, as luzes desse auditório, meu microfone, os iPads e iPods que vocês levam consigo tudo é um resultado da adaptação cultural cumulativa.
Agora, para muitos comentaristas a adaptação cultural cumulativa, ou aprendizado social, aconteceu, fim da história.
Nossa espécie pode fazer coisas, por isso temos prosperado da maneira que nenhuma espécie fez.
De fato, nós podemos mesmo fazer as "coisas da vida" -- como disse, todas as coisas ao nosso redor.
Mas na verdade, verifica-se que em algum momento cerca de 200. 000 anos atrás quando nossa espécie surgiu e adquiriu o aprendizado social, foi realmente o começo de nossa história. não o fim de nossa história.
Pois nossa aquisição do aprendizado social criaria um dilema social e evolucional, em qual a resolução de cada um, é justo dizer determinaria não só o caminho futuro de nossa psicologia, como o caminho futuro do mundo inteiro.
E mais importante para isso, nos dirá porque temos a linguagem.
E o motivo pelo qual o dilema surgiu é que esse aprendizado social é roubo visual.
Se posso aprender observando você, eu posso roubar suas melhores idéias, e posso me beneficiar de seus esforços, sem ter que colocar o tempo e energia que você teve para desenvolvê-los.
Se eu puder ver que isca você usa para fisgar um peixe, ou ver como você lasca seu machado manual para torná-lo melhor, ou se eu seguí-lo secretamente para sua mata de cogumelos, posso me beneficiar de seu conhecimento, sabedoria e habilidades, e até talvez fisgue aquele peixe antes de você.
O aprendizado social é realmente um roubo visual.
E qualquer espécie que o adquira, faria com que o seu comportamento fosse esconder suas melhores idéias, antes que alguém as roube de você.
E em algum momento 200. 000 anos atrás, nossa espécie se confrontou com essa crise.
E nós realmente temos duas opções para lidar com esses conflitos que o roubo visual traria.
Uma dessas opções e que poderíamos nos retrair a pequenos grupos familiares.
Porque assim os benefícios e nossas idéias e conhecimento fluiriam somente para nossos parentes.
Se escolhessemos essa opção, em algum momento 200. 000 anos atrás, nós provavelmente ainda viveríamos como os Neandertais quando entraram inicialmente na Europa 40. 000 anos atrás.
E isso porque em pequenos grupos surgem menos idéias, há menos inovação.
E pequenos grupos são mais propensos a acidentes e má sorte.
Assim, se escolhessemos essa trilha, nosso caminho evolucionário nos levaria para a floresta -- e seria realmente muito curto.
A outra opção que poderíamos escolher seria desenvolver um sistema de comunicação que nos permitisse compartilhar idéias e cooperarmos uns com os outros.
Escolher essa opção, significaria que o grande depósito de conhecimento e sabedoria acumulado estaria disponível para qualquer indivíduo que surgisse de qualquer família individual ou uma pessoa por si própria.
Bem, escolhemos a segunda opção, e a linguagem é o resultado.
A linguagem evoluiu para resolver a crise do roubo visual.
A linguagem é uma peça da tecnologia social para aumentar os benefícios da cooperação -- para se fechar contratos, para fazer acordos e para coordenar nossas atividades.
E você pode ver isso, em uma sociedade em desenvolvimento que está começando a adquirir a linguagem, não ter uma linguagem seria como um pássaro sem asas.
Assim como a abertura das asas abre uma esfera de ar para os pássaros utilizarem, a linguagem abriu a esfera da cooperação para os humanos utilizarem.
E nós desprezamos completamente isso, pois somos uma espécie que está tão à vontade com a linguagem. Mas temos que perceber que mesmo os simples atos de troca que fazemos são completamente dependentes da linguagem.
E para vermos porque, considere dois cenários do ínício de nossa evolução.
Imaginemos que você seja muito bom em fazer pontas de flecha mais é incompetente para fazer o corpo da flecha em madeira com as penas colocadas.
Duas outras pessoas que você conhece são muito boas em fazer corpo da flecha, mas são muito ruins em fazer pontas de flecha
Então o que você faz é -- uma dessas pessoas ainda não adquiriu a linguagem.
E suponhamos que a outra seja boa nas habilidades de linguagem.
Então o que você faz um dia é pegar uma pilha de pontas de flecha, e caminhar até aquele que não consegue falar bem, e coloca as pontas de flecha aos pés dele, esperando que ele entenda a idéia que você quer trocar as pontas de flecha por flechas acabadas.
Mas ele olha para a pilha de pontas de flecha, pensando ser um presente, as apanha, sorri para você e vai embora.
Agora, você o persegue gesticulando.
Segue-se uma briga e você é esfaqueado com uma de suas próprias pontas de flecha.
OK, Repita essa cena agora, e você se aproxima daquele que possui uma linguagem.
Você coloca suas pontas de flecha e diz, "Gostaria de trocar essas pontas por flechas acabadas. Divido com você 50/50."
O outro diz, "Tudo bem. Para mim está bom.
Faremos isso."
Agora terminou a negociação.
Uma vez que possuimos a linguagem, nós podemos colocar nossas idéias e cooperar para alcançar a prosperidade que não poderíamos ter antes de adquirí-la.
E eis o porquê de nossa espécie ter prosperado ao redor do mundo enquanto os outros animais estão atrás das grades nos zoológicos, definhando.
Esse é o porquê de construirmos ônibus espaciais e catedrais enquanto o resto do mundo fura o chão com gravetos para extrair cupins.
Certo, se essa visão de linguagem e seu valor na resolução de crises de roubo visual é verdadeira, qualquer espécie que a adquira deve mostrar uma explosão de criatividade e prosperidade.
E isso é exatamente o que os registros arqueológicos mostram.
Se olharmos nossos ancestrais, os Neandertais e o Homo Erectus, nossos ancestrais imediatos, eles estão confinados a pequenas regiões do mundo.
Mas quando nossa espécie surgiu cerca de 200. 000 anos atrás, algum tempo depois nós rapidamente caminhamos para fora da África e nos espalhamos pelo mundo inteiro, ocupando quase todos os habitats na Terra.
Onde outras espécies estão confinadas a lugares para os quais seus genes se adaptaram, com aprendizado social e linguagem, pudemos transformar o ambiente para se ajustarem às nossas necessidades.
E então prosperamos de uma maneira que nenhum outro animal conseguiu.
A linguagem realmente é o mais potente traço que já evoluiu.
É o mais valoroso traço que temos para converter novas terras e recursos em mais pessoas e seus genes do que a seleção natural projetou.
A linguagem realmente é a voz dos nossos genes.
Agora, uma vez que a linguagem evoluiu, nós fizemos algo estranho, e mesmo bizarro.
Conforme nos espalhamos ao redor do mundo, desenvolvemos milhares de linguagens diferentes.
Atualmente, existem cerca de sete ou 8. 000 línguas diferentes faladas na Terra.
Você pode dizer, bem isso é natural.
Conforme divergimos, nossas linguagens naturalmente vão divergir.
Mas o real mistério e ironia é que a maior densidade de linguagens diferentes na Terra é encontrada onde as pessoas estão bem mais juntas.
Se formos à ilha de Papua Nova Guiné, podemos encontrar 800 a 1000 linguagens humanas distintas, línguas humanas diferentes, faladas somente na mesma ilha.
Há lugares nessa ilha que você pode encontrar uma nova língua a cada duas ou três milhas.
Agora, por incrível que pareça, eu certa vez encontrei um homem de Papua, e perguntei se isso poderia ser verdade.
E ele me disse, "Oh não.
Elas estão mais próximas do que isso."
E é verdade; Há lugares naquela ilha que se pode encontrar uma nova linguagem a menos de uma milha.
E isso também é verdade para algumas remotas ilhas oceânicas.
Então parece que usamos nossa linguagem, não só para cooperar, mas para desenhar anéis em torno de nossos grupos cooperativos e para estabelecer identidades, e talvez proteger nosso conhecimento, sabedoria e habilidades da curiosidade dos outros.
E sabemos disso pois, quando estudamos os diferentes grupos de linguagem e os associamos às suas culturas, vemos que diferentes linguagens reduzem o fluxo de idéias entre os grupos.
Elas reduzem o fluxo de tecnologias.
E mesmo reduzem o fluxo de genes.
Agora, eu não posso falar por vocês, mas parece que é o caso que não conseguimos ter sexo com pessoas que não conseguimos falar.
Mas temos que levar em conta, porém, contra as evidências que ouvimos que pode ter havido alguns desagradáveis encontros genéticos com os Neandertais e os Denisovanos.
OK, essa é uma tendência que temos, parece ser uma tendência natural que temos, para o isolamento, para nos mantermos para nós mesmos, se contradiz fortemente no mundo moderno.
Essa notável imagem não é um mapa do mundo.
Na verdade, é um mapa das amizades no Facebook.
E quando se marca essas ligações de amizade por sua latitude e longitude, literalmente se desenha o mapa do mundo.
Nosso mundo moderno está se comunicando consigo mesmo e com cada um mais do que já fez a qualquer tempo no passado.
E essa comunicação, essa conectividade em volta do mundo, essa globalização agora traz seu ônus.
Uma vez que essas diferentes linguagens impõem uma barreira, como acabamos de ver, na transferência de bens e idéias e tecnologias e sabedoria.
E elas impõem uma barreira de cooperação.
E em nenhum lugar se vê mais claramente do que na União Européia, cujos 27 países membros falam 23 línguas oficiais.
A União Européia gasta hoje mais de um bilhão de euros anualmente traduzindo entre suas 23 línguas oficiais.
É algo na ordem de 1, 45 bilhões de dólares somente em custos de tradução.
Agora, pense no absurdo desta situação.
Se 27 indivíduos desses 27 estados membros sentarem-se em volta da mesa, falando 23 línguas, uma simples matemática lhes dirá que será necessário um exército de 253 tradutores para atender cada par de possibilidades.
A União Européia emprega um corpo permanente de quase 2. 500 tradutores.
E somente em 2007 -- e estou certo que existem números mais recentes -- algo na ordem de 1, 3 milhões de páginas foram traduzidas somente para o inglês.
E então, a linguagem realmente é a solução para a crise de roubo visual. se a linguagem realmente é o conduite de nossa cooperação, a tecnologia que nossa espécie desenvolveu para promover o fluxo livre de idéias, em nosso mundo moderno, nos confrontamos com uma pergunta.
E a pergunta é se nesse mundo moderno e globalizado podemos realmente suportar ter todas essas diferentes linguagens.
Colocando de outra maneira, a natureza não conhece outra circunstância na qual traços funcionais equivalentes coexistem.
Um deles sempre leva o outro à extinção.
E vemos essa inexorável marcha para a padronização.
Existem muitas e muitas maneiras de medir as coisas -- pesá-las e medir seu comprimento -- mas o sistema métrico está ganhando.
Existem muitos e muitos meios de medir o tempo, mas um sistema realmente bizarro de base 60 conhecido como horas, minutos e segundos é quase universal ao redor do mundo.
Existem muitas, muitas maneiras de gravar CDs e DVDs, mas todas elas são padronizadas também.
E você provavelmente pensa em muitas, muitas mais em sua própria vida cotidiana.
E então nosso mundo moderno agora nos confronta com um dilema.
E esse dilema que esse homem chinês enfrenta, cuja lingua é falada pelo maior número de pessoas no mundo do que outra única língua, e ele está sentado em frente a um quadro negro, convertendo frases em chinês para frases em inglês.
E o que isso faz é aumentar a possibilidade para nós que nesse mundo no qual queremos promover cooperação e troca, e num mundo que deve ser mais dependente do que nunca da cooperação para manter nossos níveis de prosperidade, sua ação nos sugere que seja inevitável que tenhamos que confrontar a idéia de que nosso destino deve ser um mundo com uma linguagem.
Obrigado.
Matt Ridley: Mark, uma pergunta.
Svante descobriu que o gen FOXP2, que parece estar associado à linguagem, era também compartilhado da mesma forma com os Neandertais e nós.
Temos alguma idéia de como derrotamos os Neandertais se eles também possuiam linguagem?
Mark Pagel: Essa é uma pergunta muito boa.
Muitos de vocês conhecem a idéia que há um gen chamado FOXP2 que parece estar implicando de algumas maneiras com o controle motor fino associado com a linguagem.
A razão pela qual eu não acredito que isso nos diga que os Neandertais tivessem linguagem é -- aqui vai uma simples analogia: Ferraris são carros que têm motor.
Meu carro tem um motor, mas não é uma Ferrari.
Agora, a resposta simples para isso é que genes por si próprios, não determinam a característica de coisas muito complicadas como a linguagem.
O que sabemos desse FOXP2 e os Neandertais é que eles podiam ter controle motor fino em suas bocas -- quem sabe.
Mas isso não nos diz que necessariamente eles teriam uma linguagem.
MR: Muito obrigado, realmente.
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O desafio global do qual eu gostaria de falar hoje raramente é manchete de capa.
Porém, é enorme tanto em proporção quanto em importância.
Vejam, todos vocês já viajaram bastante; este é o TEDGlobal afinal de contas.
Mesmo assim espero levá-los a lugares aonde nunca estiveram antes.
Então, comecemos na China.
Esta foto foi tirada a duas semanas.
A prova é este garotinho nos ombros do meu marido que acabou de concluir o ensino médio.
Só que esta á a Praça da Paz Celestial.
Muitos de vocês já estiveram lá. Não é a verdadeira China.
Deixem-me levá-los à verdadeira China.
Esta foto é nas montanhas Dabian numa parte remota da província de Hubei na parte central da China.
Dai Munju tinha 13 anos quando a história começou.
Ela mora com seus pais, seus dois irmãos e sua tia-avó.
Eles moram numa cabana que não tem eletricidade, nem água corrente, e nada de relógio de pulso nem bicicleta.
E eles compartilham todo este esplendor com um porco bem grande.
Dai Manju estava na sexta série quando seus pais disseram, "Vamos tirar você da escola porque 13 dólares de mensalidade é demais para nós.
Você vai passar a sua vida na plantação de arroz.
Então, por que gastar na sua educação?"
É isto que acontece com meninas em áreas remotas.
Acontece que Dai Manju era a melhor aluna da turma.
Tinha que caminhar duas horas até a escola e tentava captar qualquer informação que escapasse pelas frestas das portas.
Escrevemos sobre ela no New York Times.
Tivemos uma enxurrada de doações -- a maior parte em cheques de 13 dólares, porque os leitores do New York Times são muito generosos para pequenas valores. Mas ai, tivemos uma transferência de 10 mil dólares -- que sujeito gentil.
Repassamos o dinheiro para aquele homem, o diretor da escola.
Ele ficou muito feliz.
Ele pensou, "Eu posso reformar a escola.
Posso dar bolsas para as meninas." Claro, se elas se esforçarem e ficarem na escola.
Então Dai Manju terminou o ensino fundamental
Ela foi para o ensino médio
Fez curso profissionalizante de contabilidade.
Procurou emprego na província de Guangdong, no sul.
Conseguiu emprego. Procurou trabalho para seus colegas de turma e amigos.
Enviava dinheiro para sua família.
Eles construíram uma casa, desta vez com água corrente, eletricidade, uma bicicleta, mas sem porco.
O que presenciamos foi uma experiência natural.
É raro receber um investimento externo na educação de meninas.
E ao longo dos anos acompanhando Dai Manju, podemos ver que ela conseguiu sair de um ciclo vicioso para um ciclo virtuoso.
Ela não só mudou sua dinâmica, mas também seu lar, sua família, sua vila.
A vila começou a se destacar.
Claro, a maior parte da China estava prosperando naquele momento, mas eles conseguiram achar um caminho que os ligava ao resto da China.
E isso me remete á minha primeira de duas máximas de "Half the Sky".
ela diz que o grande desafio moral deste século é a desigualdade de gênero.
No século dezenove, foi a escravidão.
No século vinte, foi o totalitarismo.
A causa do nosso tempo é a brutalidade que tantas pessoas do mundo todo sofrem por causa do seu sexo.
Alguns de vocês podem estar pensando, "Deus, que exagero.
Ela está exagerando".
Bem, deixem-me fazer uma pergunta.
Quem acha que há mais homens ou mulheres no mundo?
Vamos contar. Quem acha que tem mais homens no mundo?
Levantem as mão, por favor.
E quem acha que - alguns - E quem acha que tem mais mulheres?
Ok, a grande maioria.
Bom, o último grupo está errado.
Isso é verdade na Europa e nas Américas, quando ambos tiverem acesso igual a alimentos e cuidados médicos, vai haver mais mulheres, nós vivemos mais.
Mas na maior parte do resto do mundo, este não é o caso.
Na verdade, demógrafos têm mostrado que há entre 60 e 100 milhões de mulheres faltando na população atual.
Isto acontece por diversos motivos.
Por exemplo, nos últimos 50 anos, mais mulheres morreram por descriminação do que todas as pessoa em todos campos de batalha no século vinte.
Às vezes também é por causa do ultrassom.
Meninas são abortadas muito antes dos 9 meses quando há escassez de recursos.
Essa garota, por exemplo, está em um abrigo na Etiópia.
O centro está cheio de garotas como ela.
O que chama a atenção é que os irmãos dela estavam muito bem.
Na Índia, no primeiro ano de vida, de zero a um, bebês dos dois sexos têm a mesma taxa de sobrevivência porque ambos dependem do leite materno e o seio da mãe não tem preferência.
De um a cinco, garotas morrem a uma taxa 50 por cento maior do que garotos, em toda Índia.
A segunda máxima de "Half the Sky" é a seguinte: deixemos de lado a moralidade do certo ou errado. E de forma prática, nós achamos que uma das melhores formas de combater a pobreza e o terrorismo é educando garotas e incorporando as mulheres à força de trabalho formal.
Pobreza, por exemplo.
Há três razões para ser assim.
Primeiro, explosão demográfica é uma das mais comuns causas da pobreza.
Quando se educa um garoto, sua família tende a ter menos filhos, mas pouco menos.
Educando-se uma garota, ela tende a ter muito menos filhos.
A segunda razão tem a ver com os gastos.
Esse é o segredinho sujo por trás de pobreza, que é o seguinte: não bastasse o pobre ganhar pouco dinheiro, mas também, o pouco que ganham, não sabem gastar sabiamente. Infelizmente, a maior parte do dinheiro é gasta pelos homens.
Pesquisas mostram que, considerando pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia -- que é indicador de pobreza -- dois por cento dos gastos vão para esta cesta, que tem educação.
20 por cento vão para esta outra que é uma combinação de álcool, tabaco, bebidas doces e prostituição e festas.
Transferindo quatro por cento para a cesta da educação, teríamos uma grande transformação.
A terceira e última, tem a ver com as mulheres sendo a solução, não o problema.
Precisamos usar os recursos escassos.
É um desperdício não usar talentos como Dai Manju.
Bill Gates se colocou muito bem quando viajava pela Arábia Saudita.
Ela falava a um público como vocês.
Porém, a dois terços do auditório havia uma divisão.
Do lado maior estavam os homens, depois a divisão, e do lado menor, as mulheres.
E alguém do lado dos homens disse: "Senhor Gates, temos o objetivo na Arábia Saudita de sermos um dos 10 maiores países em tecnologia.
O senhor acha que chegaremos lá?"
Então Bill Gates, olhando para o público, disse: “Sem utilizar metade dos recursos que têm, jamais chegarão perto."
Aqui está o Bill da Arábia.
Então, como estes desafios se pareceriam?
Eu diria que no topo da lista está tráfico sexual.
Eu vou falar duas coisas sobre isso.
Quando o tráfico de escravos estava no seu auge nos anos 1780: havia aproximadamente 80 mil escravos transportados da África para o Novo Mundo.
Agora, escravidão moderna: De acordo com estatísticas do Departamento do Estado, há em torno de 800 mil - 10 vezes mais - que são transportados internacionalmente.
Sem falar naqueles que são transportados domesticamente, que é um número considerável.
Se atentarem para outro fator contrastante, um escravo naquela época custaria uns 40 mil dólares na economia atual.
Hoje, consegue-se comprar uma garota por poucos dólares, o que significa que ela é ainda mais descartável.
Mas há progresso acontecendo em lugares como Camboja e Tailândia.
Não temos que aceitar um mundo em que garotas são compradas, vendidas ou mortas.
Em segundo lugar está mortalidade materna.
Sabem. o nascimento de uma criança aqui é um evento maravilhoso.
Na Nigéria, 1 em cada 7 mulheres morrem durante o parto.
No mundo, uma mulher morre a cada minuto e meio durante o parto.
Sabem, o problema não é a falta de solução tecnológica, mas estas mulheres têm 3 fatores contra elas: são pobres, são camponesas e são mulheres.
Para cada mulher que morre, outras 20 sobrevivem mas terminam feridas.
E o ferimento mais devastador é a fístula obstétrica.
É uma fissura durante o parto obstruído que deixa a mulher com incontinência.
Deixem-me falar sobre Mahabuba.
Ela mora na Etiópia.
Casou contra a vontade aos 13.
Ela engravidou, foi para o mato para ter o bebê, mas seu corpo era muito imaturo, Então teve um trabalho de parto obstruído.
O bebê morreu e ela terminou com fístula obstétrica.
Significa que ela ficou com incontinência; não controlava seu intestino.
Resumindo: ela fedia.
O povo da vila pensava que ela era amaldiçoada; não sabiam o que fazer com ela.
Eles a colocaram num canto isolado da vila, em uma cabana.
Arrancaram a porta para que as hienas viessem pegá-la à noite.
Naquela noite, tinha um pau na cabana.
Ela afugentou as hienas com o pau.
De manhã, ela sabia que chegando à vila onde havia um missionário estrangeiro, estaria salva.
Por causa de um problema nos nervos, ela se arrastou 48 km até à porta, quase morta.
O missionário estrangeiro abriu a porta, sabia exatamente o que tinha acontecido. levou-a a um hospital de fístula próximo, em Addis Ababa, e ela foi curada com uma operação de 350 dólares.
Os médicos e enfermeiras perceberam que não era uma mera sobrevivente, era muito esperta, então a fizeram enfermeira.
Então agora, Mahabuba está salvando vidas de centenas, milhares de mulheres
Tornou-se a solução, não do problema.
Saiu do círculo vicioso para o círculo virtuoso.
Falei sobre alguns dos desafios, deixem-me falar sobre as soluções, e existem soluções previsíveis.
Eu já dei uma pista: educação e também oportunidade econômica.
Então, é claro que quando se educa uma garota, ela tende a casar mais tarde, a ter filhos mais tarde, e os filhos que tem, ela educa de uma forma mais esclarecida.
Com oportunidade econômica, pode haver transformação.
Deixem-me falar de Saima.
Ela mora numa pequena vila perto de Lahore, no Paquistão.
Tinha uma vida miserável.
era espancada todo dia pelo marido, que estava desempregado.
Era viciado em jogos - desempregado, portanto - e descarregava as frustrações nela.
Bem, quando teve sua segunda filha, sua sogra disse ao filho, "Você deveria arrumar uma segunda esposa.
Saima nunca vai lhe dar um filho."
Esta foto é de quando ela teve a segunda filha.
Na época, havia um grupo de microcrédito na vila, que emprestou 65 dólares a ela.
Saima pegou o dinheiro, e começou um negócio de bordados.
Os comerciantes gostaram dos bordados; vendia bastante, e pediam cada vez mais.
E quando não conseguia produzir o suficiente, ela contratou outra mulheres da vila.
Logo, havia 30 mulheres da vila trabalhando para ela.
Então, para transportar toda a mercadoria da vila até o mercado, ela precisava de alguém para ajudá-la no transporte, então contratou o marido.
Agora eles estão trabalhando juntos.
ela faz o transporte e distribuição, e ela faz a produção e aquisição dos produtos.
E agora eles já têm uma terceira filha, e todas estão estudando, pois Saima sabe o que realmente importa.
E isso me leva ao terceiro elemento, que é educação.
Larry Summers, quando era o economista-chefe do Bando Mundial, disse uma vez, "É bem provável que o investimento mais rentável nos países emergentes seja na educação de garotas."
Deixem-me falar sobre Beatrice Biira.
Beatris morava em Uganda perto da fronteira com o Congo, e, assim com Dai Manju, não frequentava a escola.
Na verdade, nunca havia frequentado uma aula, nem ao menos uma.
Seus pais disseram, "Para que gastar dinheiro com ela?
Ele vai passar a maior parte do tempo carregando água para lá e para cá."
Acontece que, naquela época, havia um grupo, em connecticut chamado Niantic Community Church Group in Connecticut.
Eles fizeram uma doação a uma organização sediada no Arcansas chamada Heifer International.
Heifer enviou duas cabras para a Africa.
Uma ficou com os pais de Beatrice. E esta cabra teve 2 filhotes.
Eles começaram a produzir leite.
Começaram a vender o leite.
O dinheiro começou a acumular, e em pouco tempo os pais dela disseram, "Já temos dinheiro suficiente. Vamos mandar Beatrice para a escola."
Então, aos 9 anos, Beatrice começou na primeira série -- afinal de contas ela nunca havia frequentado a escola -- com alunos de 6 anos.
Mas não importava, ela estava muito feliz de ir à escola.
Ela disparou para o topo da turma.
E continuou sendo a melhor da turma no resto do Fundamental 1 e 2, e no ensino médio, ela tirou uma nota brilhante no Exame Nacional, de forma que ela se tornou a primeira pessoa em sua vila a ir para os EUA com bolsa de estudos.
Há dois anos, ela se formou em Connecticut College.
No dia da formatura, ela disse, "Sou a pessoa mais sortuda do mundo por causa de uma cabra."
E a cabra custou 120 dólares.
Vêm a transformação causada por uma pequena ajuda.
Mas deixem-me citar um fato.
Vejam bem, US Aid, ajudando pessoas não é fácil. E existem livros criticando a US Aid.
Tem um livro de Bill Easterly.
Tem outro chamado "Dead Aid".
Sabem, a crítica é válida; ajudar não é fácil.
As pessoas comentam como metade dos projetos de poços d'água, 1 ano depois, fracassou.
Quando eu estava no Zimbabue, estávamos circulando num lugar com o chefe da vila -- ele queria levantar dinheiro para uma escola de Ensino Médio -- e tinha uma construção a alguns metros, e eu perguntei, "O que é isso?"
Ele só murmurou.
Era uma projeto de irrigação fracassado.
Mais adiante, havia um galinheiro sem sucesso.
Em um ano, todas as galinhas morreram, e ninguém quis por suas galinhas lá.
Verdade, mas achamos que não se deve condenar tudo; você evoluiu.
Aprende-se com os erros, e evolui constantemente.
Achamos que os indivíduos podem fazer a diferença, e deveriam mesmo, porque os indivíduos juntos, podemos criam um movimento.
E um movimento de homens e mulheres é o que precisamos para provocar mudanças sociais, mudanças direcionadas a este grande desafio moral.
Então, pergunto, o que vocês têm com isso?
Vocês devem está se perguntando. Por que me importa?
Vou deixar vocês com duas coisas.
Uma é que uma pesquisa mostra desde que tenha todas suas necessidades materiais satisfeitas -- que a maioria aqui, ou todos, têm -- a pesquisa mostra que há poucas coisas na vida que possam elevar o nível de felicidade.
Uma dessas coisas é contribuindo com uma causa maior que você.
E a segunda coisa. É uma anedota que quero contar.
É a história de uma humanitária em Darfur.
Aqui estava uma mulher que tinha trabalhado em Darfur, vendo o que ninguém deveria ver.
Durante seu tempo lá, ela foi forte e determinada.
Nunca se abateu.
Então, ela voltou para os Estados Unidos e deu uma parada para o Natal.
Ela estava no quintal da casa da avó, quando viu algo que a fez cair aos prantos.
O que viu foi um alimentador de pássaro.
Foi quando percebeu que tinha muita sorte em nascer em um país onde temos garantia de segurança, onde não apenas comemos, vestimos e moramos, mas damos comida a aves silvestres para que não tenham fome no inverno.
E percebeu que com essa grande sorte vem também grande responsabilidade.
Então, como ela, vocês, eu, ganhamos na loteria da vida.
Então a pergunta é: como usar essa responsabilidade?
Então, aqui está a causa.
Junte-se ao movimento.
Seja mais feliz ajudando a salvar o mundo.
Muito obrigada.
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Vocês já viram muitos artigos sobre mudança climática, e aqui temos mais um do New York Times, como qualquer outro que você já viu.
Ele diz as mesmas coisas que os outros artigos que você já viu.
Ele até traz a mesma manchete que todos os outros que você viu.
O que talvez seja incomum é que ele é de 1953.
E o motivo pelo qual eu estou dizendo isso é que você pode ter a impressão de que o problema seja relativamente recente.
Que as pessoas acabaram de começar a entendê-lo e agora com Kyoto, o "Governador Exterminador do Futuro" e as pessoas de fato começando a fazer algo, nós podemos estar em direção a uma solução.
O fato é que não.
Nós conhecemos esse problema há 50 anos, dependendo de como se conta.
Nós temos discutido isso infinitamente na última década.
E nós não realizamos quase nada.
Esta é a taxa de crescimento do CO2 na atmosfera.
Você já a viu de várias formas, mas talvez você não tenha visto desta.
O que ela mostra é que a taxa de crescimento de nossas emissões está acelerando.
E acelerando ainda mais rápido do que nós pensamos que o pior caso seria há apenas alguns anos.
Assim, esta linha vermelha era algo que muitos céticos diziam que os ambientalistas apenas colocavam nas projeções para fazer com que elas parecessem o pior possível. Que as emissões nunca cresceriam tão rapidamente quanto àquela linha vermelha.
Mas na verdade, elas estão crescendo mais rápido.
Temos aqui alguns dados de 10 dias atrás, os quais mostram que atingimos neste ano o mínimo de gelo no Mar Ártico, e é de longe seu nível mais baixo.
E a velocidade com a qual o gelo no Mar Ártico está desaparecendo é muito mais alta do que as projeções.
Então, apesar de todos os tipos de especialistas como eu voando ao redor do planeta e queimando combustível de avião e os políticos assinando tratados, na realidade você poderia alegar que o efeito líquido de tudo isso tem sido negativo porque isso somente levou ao consumo de muito combustível de avião.
Não, não! No que diz respeito ao que realmente precisamos fazer para frear essa coisa de alta inércia - nossa grande economia - nós na verdade mal começamos.
De fato, nós estamos fazendo isso basicamente. Realmente, não muito.
Eu não quero deprimí-los muito.
O problema pode, absolutamente, ser resolvido, e ainda de uma forma que é razoavelmente barata.
Barata no sentido do custo das forças armadas, não do custo da saúde pública.
Barata no sentido de uma pequena percentagem no PIB.
Não, isso é muito importante para ter essa noção de escala.
Então o problema pode ser resolvido e a forma como deveríamos fazê-lo é, digamos, lidando com a produção de eletricidade, a qual causa algo em torno de 43% da emissão de CO2.
E nós poderíamos fazer isso com coisas perfeitamente razoáveis como conservação, energia eólica, energia nuclear e carvão para capturar CO2, que são coisas que estão prontas para emprego em grandes escalas.
O que nos falta é a ação de realmente gastar o dinheiro para alocá-las.
Mas ao contrário, nós gastamos nosso tempo falando.
No entanto, não é sobre isso que eu vou falar esta noite.
Eu vou falar a vocês esta noite sobre coisas que nós poderíamos fazer se nós não fizéssemos nada.
E é essa coisa aqui no meio que se deve fazer se não pararmos as emissões com a rapidez suficiente.
E é preciso lidar - de alguma forma quebrar a ligação entre as ações humanas que mudam o clima, e a mudança climática em si. E isso é particularmente importante porque é claro, enquanto nós pudermos nos adaptar à mudança climática - e é importante que sejamos honestos aqui - haverá benefícios relacionados à mudança climática.
Ah sim, eu acho ela ruim. Eu passei minha vida inteira trabalhando para pará-la.
Mas um dos motivos pelos quais é policamente difícil é que há vencedores e perdedores - não apenas perdedores.
Mas é claro, o mundo natural, os ursos polares.
Eu passei um tempo esquiando pelo mar gelado por semanas no Alto Ártico.
Eles vão perder completamente.
E não há adaptação.
Então esse problema pode ser absolutamente resolvido.
Essa ideia de geo-engenharia, em sua forma mais simples, é basicamente a seguinte:
Você poderia colocar partículas carregadas, digamos partículas de ácido sulfúrico - sulfatos - na camada alta de atmosfera, a estratosfera, onde elas refletiriam a luz do sol e resfriariam o planeta.
E eu tenho certeza de que isso funcionará.
Não que não haja efeitos colaterais, mas eu tenho certeza de que isso funcionará.
E o motivo é: isso já foi feito.
E foi feito não por nós, não por mim, mas pela natureza.
Aqui está o Monte Pinatubo no início dos anos 90, que colocou um monte de enxofre na estratosfera com uma nuvem parecida com a de uma bomba atômica.
O resultado disso foi bastante dramático.
Depois disso, e de alguns vulcões anteriores, nota-se um resfriamento bastante acentuado da atmosfera.
Então essa barra mais baixa é a camada alta da atmosfera, a estratosfera, e ela aquece após esses vulcões.
Mas você perceberá pela barra mais alta, que é a camada baixa da atmosfera e a superfície, que ela resfria porque nós protegemos um pouco a amosfera.
Não nenhum grande mistério quanto a isso.
Há muito mistério nos detalhes, e há alguns efeitos colaterais ruins, por exemplo isso parcialmente destroi a camada de ozônio - e eu vou chegar lá em um minuto.
Mas isso claramente gera um resfriamento.
E outra coisa: é rápido.
É muito importante dizer isso. Muitas das outras coisas que nós deveriamos fazer, como desacelerar as emissões, são intrinsicamente devagares porque leva-se algum tempo para construir todo o equipamento que precisamos para reduzir as emissões.
E não só isso: quando você corta as emissões, você não corta as concentrações. Porque as concentrações, a quantidade de CO2 no ar, é a soma das emissões ao longo do tempo.
Então você não consegue pisar no freio muito rapidamente.
Mas se você fizer isso, é rápido.
E muitas vezes você pode querer fazer algo rápido.
Outra coisa que você pode estar se perguntando sobre isso é: isso funciona?
É possível atenuar a luz do sol e eficientemente compensar pelo CO2 adicionado, e produzir um clima meio que de volta ao que ele era antes?
E a resposta parece ser sim.
Então aqui estão os gráficos que você já viu muitas vezes antes.
O mundo é assim dentro de um modelo particular de clima com duas vezes mais CO2 no ar.
O gráfico mais abaixo tem duas vezes mais CO2 e 1, 8% menos luz do sol e você terá o clima original de volta.
E este gráfico de Ken Caldera. É importante dizer veio porque em uma reunião na qual eu acho que Marty Hoffart também estava em meados da década de 90 Ken e eu nos levantamos na reunião e dissemos "A geo-engenharia não vai funcionar".
E a pessoa que estava organizando a reunião disse: "A atmosfera é muito mais complicada".
Deu um monte de razões físicas explicando por que isso não valería a pena.
O Ken testou suas projeções e descobriu que sim.
Esse assunto também é antigo.
Aquele relatório que foi parar na mesa do Presidente Johnson quando eu tinha dois anos de idade. 1965.
Aquele relatório, na verdade, o qual tinha toda a ciência moderna do clima - a única coisa que eles falavam em fazer era geo-engenharia.
Ele nem falava sobre cortar emissões, o que é uma mudança incrível em nosso pensamento sobre este problema.
Eu não estou dizendo que nós não deveríamos cortar as emissões.
Nós deveríamos, mas este era o ponto.
Então, de uma forma, não há muita novidade.
A única coisa nova é este ensaio.
Então eu devo dizer, eu acho, que desde a época do relatório original do Presidente Johnson e dos vários relatórios da Academia Nacional de Ciência dos EUA - 1977, 1982, 1990 - as pesosas sempre falaram sobre esta idéia.
Não como algo que fosse infalível, mas como uma idéia para se pensar.
Mas quando o clima se tornou, politicamente, uma assunto "quente" - se é que posso fazer o trocadilho - nos últimos 15 anos, isso se tornou uma coisa tão politicamente incorreta que não podíamos falar sobre isso.
Ficou escondido sob a superfície. Não tínhamos permissão para falar sobre isso.
Mas no ano passado, Paul Crutzen publicou este ensaio dizendo basicamente o que já foi dito antes: que talvez, dada a nossa baixíssima taxa de progresso em resolver este problema, e os impactos incertos, nós deveríamos pensar em coisas como esta.
Ele disse basicamente o que já havia sido dito.
O negócio é que ele havia ganho o Prêmio Nobel pela química do ozônio.
E então as pessoas o levaram a sério quando ele disse que deveríamos pensar nisso, apesar de que haveria alguns impactos no ozônio.
E na verdade, ele teve algumas ideias para se livrar deles.
Houve todo tipo de cobertura pela imprensa no mundo todo chegando ao "Dr. Fantástico Salva a Terra" na revista The Economist.
E isso me fez pensar - eu trabalhei com esse assunto de forma intermitente, mas não tanto tecnicamente - e na verdade eu estava deitado na cama pensando uma noite.
E eu pensei nesse brinquedo de criança - daí o título da minha apresentação - e eu me perguntei se era pessível usar a mesma física que fazer esse negócio girar no radiômetro de criança para subir partículas para a camada alta da atmosfera e fazer com que elas ficassem lá.
Um dos problemas com sulfatos é que eles precipitam rapidamente.
O outro problema é que eles estão bem na camada de ozônio, e eu preferiria que eles estivessem acima dela.
E no fim das contas eu acordei no dia seguinte e comecei a calcular isso.
Foi muito difícil calcular a partir de primeiros princípios. Eu fiquei em um beco sem saída.
Mas aí eu descobri que havia vários trabalhos publicados que discutiam esse assunto porque isso já acontece na atmosfera natural.
Então parece que já há pequenas partículas que são levadas ao que nós chamamos de mesosfera, cerca de 100 km para cima, que já têm esse efeito.
Eu vou contar bem rapidamente como o efeito funciona.
Há muitas complexidades divertidas que eu adoraria passar a noite toda explicando, mas eu não farei isso.
Mas digamos que a luz do sol está atingindo alguma partícula e ela está aquecida de forma desigual.
Assim, o lado voltado para o sol está mais aquecido, e o outro lado, mais frio.
As moléculas de gás que saem do lado aquecido o fazem com velocidade extra por causa do aquecimento.
E aí se pode ver uma força resultante distante do sol.
Isso é conhecido por força fotoforética
Existem varias outras versões disso que eu e outros colaboradores pensamos em como explorar
E é claro, talvez estejamos errados isto ainda não foi revisado, mas estamos pensando nisso porém até o momento, parece uma boa
Aparentemente poderiamos alcançar uma maior sobrevida atmosférica -- muito mais longa do que antes, -- porque ela levita
Nós podemos mover coisas para fora da estratosfera até a mesosfera teoricamente resolvendo o problema do ozônio.
Eu tenho certeza que outros problemas virão acontecer
Finalmente, conseguiriamos mover as partículas para cima dos pólos consertando assim a engenharia climática para atuar nos polos.
Algo que traria mínimos impactos negativos no meio no planeta aonde vivemos e fazemos o trabalho que temos que fazer -- que e resfriar os polos em caso de um ermergência planetária, caso queira
Essa é uma nova ideia que pode ser, essencialmente uma ideia mais inteligente do que colocar sulfatos na atmosfera
Sendo essa ou outras ideias certas, E quase certo que iremos pensar em algo mais inteligente do que injetar sulfurico.
Caso engenheiros e cientistas foquem seu pensamento nisso, é impressionante como isso pode afetar o planeta.
Uma coisa sobre isso é o fato de que nos da uma influência extraordinária.
Esse ciência e engenharia melhoradas irão, queira-mos ou não, nos dar maior influência para afetarmos o planeta Para controlar o planeta Para nos dar controle sobre o clima -- não porque planejamos isso, não porque queremos, somente porque a ciência traz a nós pouco a pouco, com maior conhecimento da maneira com a qual o sistema funciona e melhores ferramentas de engenharia para realmente ter efeito
Agora suponha que extraterrestres cheguem na Terra --
talvez eles venham a pousar na sede das Nações Unidas aqui ao lado, ou talvez eles escolham um melhor lugar -- mas suponha que eles cheguem e te entreguem uma caixa.
E a caixa tem dois controles.
Um deles controla a temperatura mundial.
Talvez o outro seja um para controle das concentrações de CO2.
Você pode imaginar que uma guerra ocorreria por conta dessa caixa.
Porque nós não conseguimos concordar quanto ao ajuste dos controles.
Nos não temos governança global.
E diferentes pessoas terão diferentes ajustes para os controles.
Por hora eu não creio que isso venha a acontecer. Não parece possível.
Porém estamos construindo essa caixa.
Os cientistas e engenheiros no mundo estão construindo peça a peça, em seus laboratórios
Mesmo quando eles o estão fazendo por outras razões
Mesmo quando eles o estão fazendo pensando em proteger o meio ambiente.
Eles não tem interesse em ideias mirabolantes como remodelar todo o planeta.
Eles desenvolvem ciência que faz com que isso fique cada dia mais fácil de ser alcançado.
Sendo assim, eu acho que meu ponto de vista não é que eu quero fazer isso -- Eu não quero -- mas deveriamos trazer isso para as manchetes e conversar seriamente sobre isso.
Porque mais cedo ou mais tarde seremos desafiados com decisões relativas a esse tema e será melhor caso já tenhamos pensado sobre isso, mesmo que seja para pensarmos seriamente sobre razões sobre as quais nós não devemos o fazer.
Eu vou te dar duas linhas de raciocínio sobre esse problema que são o início de minha reflexão sobre como abordá-lo.
Porém o que precisamos não e um monte de ideias randomicas como eu pensando sobre isso
nós precisamos de uma discussão mais abrangente.
Um debate que envolva músicos, cientistas, filósofos, escritores, que estejam engajados com a engenharia climática e considerem seriamente suas implicações.
Aqui esta uma maneira de se pensar nisso, que é simplesmente fazer isso ao invés de reduzir as emissões porque é mais barato.
Eu acho que o que esqueci de mencionar sobre isso, e que é absurdamente barato.
É realista dizer que, usando o metodo dos sulfatos ou o método que sugiro, você possa criar uma era glacial ao custo de 0. 0001% do PIB.
É muito barato. Nós temos muita influência nisso.
Não é uma boa ideia, mas é importante.
Eu vou te contar quao grande é a alavanca. A alavanca é grande assim.
E o cálculo não está sendo discutido.
Você pode discutir quanto a sanidade disso, mas a influência é real.
Por causa disso, nós poderiamos lidar com o problema simplesmente se parássemos de reduzir as emissões. e assim que as concentrações subissem, nós podemos aumentar a quantidade de geo-engenharia.
Eu não creio que alguém leve isso a sério.
Porque nesse cenário, nós caminhamos para mais e mais longe do clima atual.
Nós temos vários tipos de problema, como a acidez dos oceanos que vem do CO2 atmosférico.
Ninguém a não ser um ou dois sujeitos do contra sugerem isso.
Mas aqui está um caso difícil de rejeitar.
Vamos considerar que não utilizemos geo-engenharia, façamos o que teríamos que fazer, que é levar a sério a redução de emissões.
Porém nós não sabemos quão rápido nós teríamos que reduzí-las.
Existe muita incerteza sobre quanto dessa mudança pode ser excessiva
Vamos imaginar que trabalhemos duro e que consigamos não somente dar um toque no freio, mas frear realmente duro e reduzir as emissões e eventualmente reduzir as concentrações.
E talvez um dia - quem sabe em 23 de Outubro de 2075 -- nós finalmente venhamos a alcançar o glorioso dia onde as concentrações chegaram no seu limite quase indo pro outro lado da folha.
E teremos celebrações globais, e nós teremos então começado a -- você sabe -- nós vimos o pior disso.
Mas talvez nesse dia nos talvez venhamos a descobrir que a camada de gelo da Groelândia está realmente derretendo a níveis inaceitavelmente rápidos, rápido o suficiente para subir o nível do mar em alguns metros nos próximos 100 anos, e varrer do mapa algumas das maiores cidades do mundo.
Esse cenário é absolutamente possível.
Nós temos que decidir em qual momento a geo-engenharia mesmo sendo incerta e moralmente infeliz, é muito melhor que a não-geo-engenharia.
E esse é um ponto de vista bem diferente do problema.
É usar isso como controle de risco, não ação e reação.
É dizer que você usa a geo-egenharia por um tempo para tirar o foco, não que você a usaria como um substituto para ação.
Porém há um problema nessa abordagem.
O problema é o seguinte: ter noção que a geo-engenharia é possível faz com que o impacto climático seja menos assustador. E faz com que o compromisso de redução de emissões se enfraqueça.
Isso é o que economistas chamam de perigo moral.
Essa é uma das razões pelas quais esse problema é tão difícil de ser discutido, e no geral, eu acredito que essa é a razão pela qual tem sido politicamente inaceitável falar sobre esse assunto.
Mas você não pode fazer boa política se escondendo atrás das cortinas.
Eu vou deixar para voces 3 perguntas, e uma citação final.
Deveríamos pesquisar seriamente esse assunto?
Deveríamos ter um programa nacional de pesquisa para isso?
Não somente para sabermos como vocês o fariam melhor, mas também para sabermos possíveis riscos e desvantagens.
Neste exato momento existem alguns entusiástas falando sobre isso, alguns do lado positivo, outros do negativo -- mas essa é uma situação perigosa de se estar porque há pouco conhecimento sobre o assunto.
Uma quantia pequena de dinheiro nos traria algum.
Muitos de nós -- talvez eu agora -- pensamos que devemos fazer isso.
Porém eu tenho algumas reservas.
Minhas reservas são principalmente relativas ao perigo moral do problema, e eu realmente não sei como poderíamos evitar o perigo moral.
Eu acho que existe um problema sério quando se fala sobre isso. As pessoas passam a acreditar que não é necessário trabalhar duro para reduzir as emissões
Outra coisa: talvez venhamos a necessitar de um acordo.
Um acordo que decide quem deve fazer isso.
Nesse momento nós podemos estar pensando em um grande e rico país como os EUA fazendo isso.
Mas pode ser que, de fato, a China acorde em 2030 e perceba que o impacto climático é simplesmente inaceitável, eles talvez não estejam muito interessados na conversação moral sobre como fazer isso, e eles talvez tenha decidido que prefeririam ter um mundo feito pela geo-egenharia do que um mundo não trabalhado por ela.
E nós não teremos um mecanismo internacional para decidir quem tomará a decisão.
Aqui fica um último pensamento, que foi dito muito, muito melhor 25 atrás no relatório da Academia Nacional Americana do que eu irei falar agora.
E eu acredito que realmente resume aonde estamos aqui.
Que o problema do CO2, os problemas climáticos que ouvimos falar, está incentivanto muitas coisas, inovações em tecnologia energética, quer irão reduzir emissões. Mas também, creio ser inevitável, irá nos levar a pensar sobre o clima e o controle dele, queiramos ou não.
E está na hora de começar a pensa nisso, mesmo que a razão que estejamos pensando seja a de construir argumentos pelos quais não devamos fazer isso.
Muito Obrigado.
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OK, então, 90% do meu processo fotográfico é, de fato, não fotográfico.
Ele envolve uma campanha de cartas escritas, pesquisas e chamadas telefônicas para acessar os meus participantes, que podem variar de líderes do Hamas em Gaza à um urso negro em hibernação em sua caverna na Virgínia Ocidental.
E, o estranho é que a carta de rejeição mais notável que já recebi veio do Mundo de Walt Disney, um local aparentemente inócuo.
E a carta lia assim. Vou ler apenas uma frase-chave, “Especialmente nessa época de violência, eu pessoalmente acredito que o feitiço mágico nas pessoas que visitam os nossos parques temáticos é muito importante e precisa ser protegido e isso nos ajuda a oferecer a eles uma fantasia importante na qual podem se refugiar.”
A fotografia ameaça a fantasia.
Eles não deixaram eu entrar com a minha câmera porque ela confronta realidades construídas, mitos e crenças, e proporciona o que parece ser evidência de uma verdade.
Mas existem verdades múltiplas afixadas em qualquer imagem, que depende da intenção do criador, do espectador e do contexto em que são apresentadas.
Durante um período de 5 anos após o 11 de setembro, quando a mídia e o governo americano procuravam em lugares escondidos e desconhecidos além de suas fronteiras, notadamente as armas de destruição em massa, Eu escolhi olhar introspectivamente aquilo que era parte integrante do alicerce dos EUA, sua mitologia e seu quotidiano.
Eu quis confrontar os limites do cidadão, auto-impostos e real, e confrontar a divisão entre o privilegiado e o acesso público ao saber.
Era um momento crítico na história dos EUA e na história global onde sentia-se que eles não tinham acesso a informação precisa.
E eu queria ver o centro com meus próprios olhos, mas o que eu vim embora mesmo foi com uma fotografia.
Que é simplesmente um outro lugar de onde se observa, e entende-se que bem-informados absolutos, oniscientes, não existem.
E o que está fora, na verdade, nunca consegue chegar na essência.
Vou lhes mostrar umas fotografias nessas séries.
Chama-se ‘Um Índice Americano do Escondido e Estranho’. E inclui perto de 70 imagens.
Neste contexto mostrar-lhe-ei algumas imagens.
Essa aqui é uma instalação de armazenamento de lixo nuclear em Hanford, no estado de Washington, onde se encontram mais de 1900 cápsulas de aço inoxidável com lixo nuclear submersos em água.
Uma pessoa em pé na frente de uma cápsula sem proteção morreria instantaneamente.
E entre tudo isso eu encontrei uma zona que, por acaso, se parece com o contorno dos Estados Unidos da América. Que vocês podem ver aqui.
E uma grande parte do projeto que está meio ausente nesse contexto é texto.
Então, eu criei esses dois polos.
Cada imagem contém um texto com fatos bem detalhados.
E o que mais me interessa é o espaço invisível entre um texto e a sua respectiva imagem, e como a imagem é transformada pelo texto, e o texto pela imagem.
Na melhor das hipóteses, a imagem deveria flutuar em abstração e múltiplas verdades e fantasia.
E então o texto funciona como esta âncora cruel aquele tipo que prega no chão.
Mas nesse contexto vou ler uma versão resumida dos textos.
Isso é um tanque metálico de criopreservação. E contém os corpos da esposa e da mãe de Robert Ettinger, o pioneiro em criônicas, que esperam um dia serem despertadas e terem uma vida prolongada, saudável, com os avanços da ciência e tecnologia. Tudo isso por 35. 000 dólares.
Esta é uma palestina de 21 anos submetida a uma himenoplastia.
A himenoplastia é uma operação cirúrgica que restaura a virgindade, que a permite satisfazer expectativas culturais no que diz respeito à virgindade e casamento.
Essencialmente, uma reconstituição do hímen, que possibilita o sangramento na relação sexual, para simular a perda da virgindade.
Esta é uma sala de simulação de deliberação de jurados, e você pode ver além do espelho nos dois sentidos conselheiros do júri de pé numa sala atrás do espelho.
E eles observam as deliberações após os processos simulados do julgamento para aconselhar clientes como usar estratégias durante o julgamento para que o resultado seja o que eles esperam.
Esse processo custa 60. 000 dólares.
Esta é a Alfândega e Proteção da Fronteira Americana, uma sala de contrabando no Aeroporto John F. Kennedy.
Podem ver nesta mesa o equivalente a 48 horas de mercadorias apreendidas de passageiros entrando nos EU.
Uma cabeça de porco e ratos-da-áfrica.
Parte do meu trabalho fotográfico não é meramente documentar o que está lá.
Eu tomo certas liberdades e intervenho.
E nisto eu realmente queria que se parecesse com uma pintura de natureza-morta antiga. Assim, por algum tempo, fiquei lá entre os cheiros e os artigos.
Essa é a arte sendo exibida nas paredes da CIA na sua sede em Langley, na Virginia.
E a CIA tem uma longa história de tentativas diplomáticas tanto secretas como públicas.
E existem especulações de que parte do seu interesse nas artes era criado para contra-atacar o comunismo soviético, e fomentar os pensamentos e a estética considerados pró-americano.
E uma das formas de arte que suscitou o interesse da agência, e portanto questionada, é o expressionismo abstrato.
Este é Instituto de Pesquisas de Antropologia Forense. E em um terreno de seis hectares há sempre, aproximadamente, 75 cadáveres, que estão sendo estudados por antropólogos forenses e pesquisadores interessados no monitoramento do tempo que um cadáver leva para decompor.
E nesta fotografia o corpo de um jovem tem sido usado para recriar uma cena de crime.
Este é o único lugar subsidiado pelo governo federal onde é o cultivo de cânabis é lícito para pesquisas científicas nos Estados Unidos.
É uma sala de pesquisa no cultivo da maconha.
E parte do trabalho que empenho a palavra em, é que há uma espécie de entropia desorientada onde não se encontra nenhuma formula discernível de como essas coisas – elas saltam tipo desajeitadas de governo para ciência de religião para segurança – e você não consegue entender como a informação está sendo divulgada.
Esses são cabos transatlânticos submarinos de comunicação que viajam pelo fundo do Oceano Atlântico, conectando a América do Norte a Europa.
Eles transmitem mais de 60 milhões conversas de voz simultâneas. E em muitos estabelecimentos do governo e de tecnologia havia uma vulnerabilidade muito aparente.
Esse aqui é meio cômico porque parece que eu poderia simplesmente parar toda essa conversa com um simples corte.
Mas a impressão que se tem é que isso poderia ter sido 30 ou 40 anos atrás, como se estivesse congelado na era da Guerra Fria e não tivesse progredido.
Este aqui é uma edição em Braille da revista Playboy.
E essa é. uma repartição da Biblioteca do Congresso que presta serviços da biblioteca nacional gratuitos para cegos e deficientes visuais. E as publicações que selecionam para publicar são baseados na popularidade entre os leitores.
E Playboy é sempre a favorita.
Mas você ficaria chocado, não tem fotos. É só texto.
Esse é um estabelecimento para quarentena de aves onde todas as aves importadas que entram nos EU são obrigadas a passar por uma quarentena de 30 dias, onde fazem testes para doenças incluindo a doença de Newcastle uma gripe aviária.
Esse filme mostra o teste de um novo ‘recheio’ explosivo em uma ogiva.
E o Centro de Armamento Aéreo na Base da Força Aérea de Eglin, na Flórida, é responsável pelo posicionamento estratégico e testes de todo armamento aéreo que vem dos Estados Unidos.
E o filme foi rodado em 72 milímetros, feito pelo governo.
E esse ponto vermelho é uma marca nos filmes feitos pelo governo.
Todos os tigres brancos vivos na América do Norte são o resultado de endogamia selecionada – isso seria mãe-filho, pai-filha, irmã-irmão – para dar condições genéticas para criar um tigre branco com valor comercial.
Significando pele branca, olhos azuis, um nariz cor-de-rosa.
E a maioria desses tigres brancos não nascem vendáveis, e são mortos quando nascem.
É um processo muito violento e pouco conhecido.
O tigre branco é obviamente notório em vários tipos de entretenimento.
Kenny nasceu. Ele, na realidade, chegou a idade adulta.
Ele morreu, mas era deficiente mental e sofria com severas anomalias ósseas.
Isto, num tom mais leve, está no arquivo pessoal de George Lucas.
Esta é a Estrela da Morte.
E está exibida em sua orientação real.
No contexto de “O Retorno de Jedi”, a sua imagem espelho é apresentada
Eles invertem o negativo.
E você pode observar o bronze fotogravado com detalhes, e a fachada pintada em acrílico
No contexto do filme, isso é uma estação espacial nos confins do Império Galáctico, capaz de aniquilar planetas e civilizações. E, na realidade, mede 1. 20m x 60cm.
Isso é no Forte Campbell em Kentucky.
É um lugar de Operações Militares em Terrenos Urbanizados.
Eles basicamente simularam uma cidade para combate urbano. E esta é de uma das estruturas existentes nessa cidade.
Chama-se a Igreja Mundial de Deus.
Supostamente um lugar genérico de adoração.
Depois que tirei essa foto eles construíram uma parede ao redor da Igreja Mundial de Deus para imitar as mesquitas no Afeganistão ou no Iraque.
Eu trabalhei com Mehta Vihar que cria simulações virtuais para o exército para a prática de táticas
e nós colocamos a parede ao redor da Igreja Mundial de Deus, e também usamos os personagens e veículos e explosões que são usados para jogos de vídeos para o exército.
E eu os coloquei nas minhas fotografias.
Esse é vírus vivo do HIV na Universidade de Medicina de Harvard, que trabalha com o governo americano desenvolvendo imunidades esterilizantes.
E Alhurra é uma rede de TV em árabe, patrocinada pelo governo dos EUA, que distribui notícias e informação para mais de 22 países no mundo árabe.
Ela está no ar 24 horas por dia, sem comerciais.
Porém, é ilegal transmitir Alhurra dentro dos Estados Unidos.
Em 2004 abriram um canal chamado Alhurra Iraque, que lida especificamente com eventos que ocorrem no Iraque e é transmitida para o Iraque.
Agora vou passar para um outro projeto que fiz.
Chama-se “Os Inocentes.”
E para os homens nessas fotos, a fotografia foi usada para criar uma fantasia.
Contradizendo sua função como evidência de uma verdade, nestes casos, favoreceu a fabricação de uma mentira.
Viajei pelos Estados Unidos fotografando homens e mulheres condenados injustamente por crimes que não cometeram, crimes violentos.
Investigo como a fotografia pode embaralhar verdade e ficção, e sua influência na memória, que pode ter consequências terríveis, letais.
Para os homens nessas fotos a causa principal da sua condenação injusta foi identificação incorreta.
Uma vítima ou testemunha identifica um suspeito através de imagens usadas pela polícia.
Mas os testemunhos feitos através de retratos falados, Polaroids, fotos policiais e paradas de identificação, podem mudar.
Vou lhes dar um exemplo.
Uma mulher foi violentada. A polícia apresentou uma série de fotos para ela identificar o agressor.
Em uma das fotos ela viu certas similaridades, mas não conseguia fazer uma identificação positiva.
Uns dias depois foi apresentada com uma nova série de fotos, todas novas. Exceto a foto que ela já tinha mais ou menos selecionado na série anterior, esta foto foi mostrada uma segunda vez.
Então uma identificação positiva é feita porque a foto substituiu a memória, se acaso houve uma memória verdadeira.
A fotografia oferece ao sistema de justiça criminal uma ferramenta que transforma cidadãos inocentes em criminosos. E esse sistema falha quando não reconhece suas limitações quando depende de uma identificação fotográfica.
Fredrick Day, fotografado no local de seu álibi, onde 13 testemunhas confirmaram seu paradeiro na hora do crime.
Foi condenado por um júri de pessoas brancas de estupro, rapto e roubo de carro.
E cumpriu 10 anos de uma sentença de prisão perpétua.
Agora DNA exonerou Fredrick e isso também envolveu um outro homem que estava na prisão.
Mas a vítima não quis mover uma ação judicial porque alegou que a polícia tinha alterado a sua memória permanentemente ao usar a foto de Fredrick.
Charles Faine foi condenado por rapto, estupro e assassinato de uma menina a caminho da escola.
Cumpriu 18 anos de uma pena de morte.
Eu o fotografei na cena do crime no Rio Snake em Idaho.
E fotografei todos os injustamente condenados nos lugares de grande significado no histórico dessas condenações injustas.
O lugar onde foram presos, o lugar onde houve identificação falsa o local do álibi.
E aqui, o local do crime, este é o lugar onde ele nunca esteve, mas que mudou sua vida para sempre.
Então, fotografando, eu tinha esperança de enfatizar o relacionamento ténue entre verdade e ficção, na vida dele e na fotografia.
Calvin Washington foi condenado por homicídio.
Cumpriu 13 anos de prisão perpétua em Waco, no Texas.
Larry Mays que fotografei no ato da prisão, onde ele se escondeu entre dois colchões em Gary, na Indiana foi neste quarto que se escondeu da polícia.
Acabou cumprindo 18 anos e meio de uma sentença de 80 anos por estupro e furto.
A vítima não conseguiu identificar Larry em duas paradas de identificação e, dois dias depois, fez uma identificação positiva, de uma vasta seleção de fotos.
Larry Youngblood cumpriu 8 anos de uma sentença de 10 anos e meio no Arizona por rapto e sodomização de um menino de 10 anos num carnaval.
Foi fotografado no local do seu álibi.
Ron Williamson, Ron foi condenado por estupro e assassinato de uma garçonete num clube, e cumpriu 11 anos de uma pena de morte.
Eu fotografei Ron num campo de beisebol porque foi selecionado para jogar beisebol profissionalmente para o “Oakland A's” um pouco antes da sua condenação.
E a testemunha chave da defesa no julgamento de Ron era, afinal, o próprio autor do crime.
Ronald Jones cumpriu 8 anos de uma pena de morte por estupro e assassinato de uma mulher de 28 anos.
Eu o fotografei quando era aprisionado em Chicago.
William Gregory foi condenado por estupro e furto.
Cumpriu 7 anos de uma pena de 70 anos em Kentucky.
Timothy Durham, que fotografei no local do seu álibi onde 11 testemunhas confirmaram seu álibi da hora do crime, cumpriu 3 anos e meio de uma pena de 3. 220 anos, acusado de vários crimes de estupro e furto.
Foi identificado erroneamente por uma vítima de 11 anos de idade.
Troy Webb foi fotografado aqui no lugar do crime em Virginia.
Foi condenado por estupro, rapto e furto, e cumpriu 7 anos de uma de pena de 47 anos.
A foto de Troy estava numa seleção de fotos que atraiu, tentativamente, a atenção da vítima, mas disse que ele parecia muito velho.
A polícia encontrou uma foto de Troy Webb de quando era 4 anos mais novo, uns dias depois a incluíram na seleção de fotos, e ele foi identificado positivamente.
Agora eu vou deixá-los com um auto-retrato.
E isso reitera que a distorção é uma constante, e que nossos olhos são facilmente enganados.
E isso é tudo. Obrigada.
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Isso é chamado Obcecado por um Sentimento: A Busca da Felicidade e Design Humano.
Eu coloquei um Darwin meio austero, mas um chimpanzé muito feliz.
Meu primeiro argumento é que a busca da felicidade é obrigatório.
O homem deseja ser feliz, somente deseja ser feliz, e não pode desejar não o ser.
Estamos programados para buscar felicidade, não somente desfrutá-la, mas querer mais e mais dela.
Considerando isso verdade, o quão bom somos em aumentar nossa felicidade?
Bem, certamente tentamos.
Se olharem no site da Amazon, há mais de 2. 000 títulos com conselhos sobre os sete hábitos, as nove escolhas, os dez segredos, os 14 mil pensamentos que supostamente tratão felicidade.
Agora, outro jeito de tentar aumentar nossa felicidade é que nos medicamos.
Há mais de 120 milhões de receitas médicas para antidepressivos.
O Prozac foi realmente a primeira droga campeã.
Era limpa, eficiente, não alucinava, realmente não havia perigo, não tinha valor de mercado.
Em 1995, o comércio das drogas ilícitas gerava 400 bilhões de dólares, representando 8% do comércio mundial, quase o mesmo que gás e petróleo.
Estas rotas para a felicidade, na verdade, não a aumentaram muito.
Um problema que temos agora é que, apesar de os graus de felicidade serem tão planos quanto a superfície da lua, depressão e ansiedade estão aumentando.
Há pessoas que dizem que isto é porque temos melhores diagnósticos, e mais pessoas estão sendo diagnosticadas.
Não é só isso. Estamos vendo isto no mundo inteiro.
Nos Estados Unidos, atualmente, têm mais suicídios do que homicídios.
Existe uma onda de suicídio na China.
e a Organização Mundial de Saúde prediz que pelo ano 2020 a depressão será a segunda maior causa da incapacidade.
Agora, a boa notícia é que se fizermos levantamentos em todo o mundo, vemos que cerca de três quartos das pessoas dirão que consideram-se bastante felizes.
Mas isso não segue nenhuma das tendências normais.
Por exemplo, estes dois mostram um alto aumento da renda, curvas de felicidade absolutamente planas.
Meu campo, a psicologia, não fez muito para nos ajudar a avançar no entendimento da felicidade humana.
Em parte temos o legado de Freud, um pessimista, que dizia que a busca da felicidade é uma procura malfadada, impulsionada por aspectos infantis do indivíduo que, na realidade, jamais poderá ser alcançada.
Ele disse: “A pessoa fica inclinada a dizer que a intenção de que o homem deveria ser feliz não está incluída no plano da criação.”
Assim que, o objetivo máximo da psicoterapia psicoanalítica era realmente o que Freud chamava de miséria ordinária.
E Freud em parte reflete a anatomia do sistema emocional humano -- que é que nós temos um sistema positivo e um negativo, e que nosso sistema negativo é extremamente sensível.
Por exemplo, temos uma amor inato pelo sabor doce e uma reação adversa ao sabor amargo.
Também sabemos que as pessoas têm mais aversão à perca do que ficam felizes quando ganham.
A fórmula para um casamento feliz é cinco comentários ou interações positivas, para cada interação negativa.
E isto é o poder que a negativa carrega.
Especialmente as expressões de desrespeito e repugnância, bem, precisamos de muita interação positiva para contrabalançar isto.
Eu também coloco aqui a resposta ao estresse.
Somos programados para os perigos imediatos, que são físicos, que são iminentes, e, então, nosso corpo tem uma reação incrível quando os opióides endógenos acionam.
Temos um sistema realmente muito antigo, que é realmente ajustado para os perigos físicos
E com o passar do tempo, isto torna-se uma resposta ao estresse com enormes efeitos no corpo.
O Cortisol inunda o cérebro; destrói as células hippocampal e a memória, e pode causar todos os tipos de problemas de saúde.
Mas infelizmente, nós precisamos, em parte, deste sistema.
se fôssemos somente governados pelo prazer nós não sobreviveríamos.
Na verdade nós temos dois postos de comando.
As emoções são reações intensas de pouca duração para o desafio e para a oportunidade.
E cada uma delas nos permite apresentar estados alternativos. que se sintonizam, se ligam, descartam os pensamentos, as percepções, os sentimentos e as memórias.
Pensamos em emoções como simples sentimentos.
Mas, de fato, as emoções são um alerta geral que modificam aquilo que lembramos, quais decisões tomamos, e como percebemos as coisas.
Então, vamos avançar para a nova ciência da felicidade.
Nós nos distanciamos da depressão Freudiana e as pessoas agora estão estudando isto de forma ativa.
E um dos pontos chaves na ciência da felicidade é que a felicidade e a infelicidade não são os extremos de um continuum singular.
o modelo freudiano é realmente um continuum no qual, quando nos sentimos menos tristes, sentimos que somos mais felizes.
E isto não é verdade -- quando nos sentimos menos tristes, ficamos menos tristes.
E que a felicidade é totalmente o outro lado do problema.
E isto está ausente. Está ausente na psicoterapia.
Quando os sintomas desaparecem, eles tendem a reaparecer, porque não há um senso da outra metade -- do prazer, da felicidade, da compaixão, da gratitude, que são as emoções positivas.
E, é claro, nós sabemos disso intuitivamente, que a felicidade não é somente a ausência da tristeza.
Mas, não sabemos por que, isto não foi apresentado até bem recentemente: considerando-os como dois sistemas paralelos.
Assim o corpo pode procurar as oportunidades como também pode, ao mesmo tempo, se proteger do perigo.
E eles são, mais ou menos, dois sistemas recíprocos e dinamicamente interativos.
As pessoas também quiseram deconstruir.
Nós usamos esta palavra “feliz”, que é este guarda-chuva enorme para um termo.
Há três emoções para as quais não existem palavras em inglês: ‘fiero’, que é o orgulho na realização de um desafio; ‘schadenfreude’, que é felicidade na miséria de outrem, um prazer malicioso e ‘naches’, que é um orgulho e alegria em nossos filhos.
Ausente nesta lista e ausente em quaisquer discussões sobre a felicidade, está a felicidade na felicidade do outro.
Parece que não temos um termo para isto.
Somos muito sensíveis quanto ao negativo mas isto, em parte, é compensado pelo fato de que temos uma positividade.
Também somos buscadores de prazeres inatos.
Bebês adoram o sabor doce e detestam o sabor amargo.
Eles adoram tocar mais as superfícies lisas do que as ásperas.
Eles gostam de olhar para rostos bonitos Em vez de de rostos pouco atraentes.
Eles gostam de ouvir melodias consonantes em vez de melodias dissonantes.
Os bebês realmente nascem com um monte de prazeres inatos.
Uma vez um psicólogo fez uma declaração dizendo que 80 por cento da busca da felicidade é, na verdade, sobre os gêneros, e ser mais feliz é tão difícil quanto se ser mais alto.
Isto é tolice.
Existe uma contribuição decente para a felicidade dos gêneros -- cerca de 50 por cento -- mas ainda há 50 por cento que não se pode explicar.
Vamos ir para dentro do cérebro por um momento, e ver de onde a felicidade surge na evolução.
Basicamente nós temos dois sistemas aqui, e são ambos muito antigos.
Um é o sistema recompensatório que se alimenta de dopamina química.
Ele começa na área tegmentar ventral.
Vai para o nucleus accumbens, até o córtex pre frontal, córtex pre frontal orbital, onde as decisões são tomadas a alto nível.
Ele era visto, originalmente, como um sistema de prazer, no cérebro.
Nos anos 50, Olds & Milner colocaram eletrodos dentro do cérebro de um rato.
E o rato simplesmente ficava pressionando aquela barra milhares e milhares e milhares de vezes.
Ele não comia. Não dormia. Não tinha relações sexuais.
Não fazia nada mais do que pressionar a barra.
Então eles presumiram que isto deve ser o ‘orgasmatron’ cerebral.
Verificou-se que não era, aquilo é realmente um sistema de motivação, um sistema dos desejos.
Ele dá objetos, o que chamamos de estímulo saliente.
Ele faz um algo parecer tão atraente que você não consegue resistir.
Isto é algo diferente do sistema do prazer, que simplesmente diz: “Eu gosto disso”
O sistema do prazer, como veem, que são os opiatos internos, tem um hormônio ocitocino, é distribuído em todo o cérebro.
O sistema da dopamina, ou seja, o sistema dos desejos, é muito mais centralizado.
O outro fator das emoções positivas é que elas possuem um sinal universal.
Vemos aqui o sorriso.
E o sinal universal não é somente o levantar do canto dos lábios ao zigomático maior.
É também o franzir do extremo canto do olho, o orbicular do olho.
Então veja, até os bebês de 10 meses, quando eles veem a mãe, irão mostrar este específico tipo de sorriso.
Os extrovertidos o usam mais do que os introvertidos.
Pessoas que superaram a depressão o demonstram mais depois do que demonstravam antes.
Se vocês quiserem desvendar um verdadeiro olhar de felicidade, estarão à procura desta expressão.
Nossos prazeres são realmente antigos
E aprendemos, sem dúvida, muitos, muitos prazeres, mas muitos deles são básicos. E um deles é biofilia -- que nós temos uma resposta para o mundo natural que é muito profunda.
Em estudos muito interessantes, feitos em pessoas se recuperando de cirurgias, descobriram que pessoas que encaram uma parede em contraste com pessoas que olham para árvores e natureza, aquelas que ficam olhando para a parede permaneciam no hospital mais tempo, precisavam de mais remédios, e tinham mais complicações médicas.
Existe algo muito restaurador na natureza, e é parte de como nos sintonizamos.
Os humanos em particular, nós somos criaturas de imitação.
E imitamos quase que desde o momento em que nascemos.
Aqui está um bebê de 3 semanas.
Se você mostra a língua a este bebê, ele fará o mesmo.
Somos seres sociais desde o início.
E até estudos de cooperação demonstram que a cooperação entre indivíduos estimula os centros de recompensa do cérebro.
Um problema que a psicologia tem encarado é que em vez de estudar esta intersubjetividade -- ou a importância do cérebro social para os humanos que nascem vulneráveis e precisam de tremendo suporte -- eles se focalizam no ser e auto-estima e não no auto-outro.
É tipo “eu”, não “nós”.
E eu penso que isto tem realmente sido um tremendo problema que vai contra nossa biologia e natureza e, de maneira nenhuma, nos fez mais felizes.
Porque quando pensamos sobre isto, as pessoas são mais felizes quando no fluxo, quando estão absortas em alguma coisa do mundo, quando estão com outras pessoas, quando são ativas, fazendo esporte, focados nos que amam, aprendendo, fazendo sexo, coisas deste tipo.
Elas não estão sentadas em frente a um espelho tentando entender quem são, ou pensando em si mesmas
Estes não são os períodos em que nos sentimos felicíssimos.
A outra questão é, uma parte da evidência é se você observa análises de texto informatizado das pessoas que cometem suicídio, ali você encontra, e isto é bem interessante, é o uso da primeira pessoa do singular -- “Eu”, “mim”, “meu”, não “nós” e “nos” -- e nas cartas, elas são menos desesperadas do que, na verdade, elas se sentem sós.
E estar só não é muito natural para o humano.
Existe uma necessidade profunda de se pertencer.
Mas há formas em que nossa história evolucionária pode nos enganar.
Porque, por exemplo, os genes não se importam se somos felizes, eles querem que nos reproduzamos, que passemos nossos genes adiante.
Então, por exemplo, nós temos três sistemas que é a base da reprodução, porque isto é tão importante.
A luxúria, que é apenas o se querer sexo.
E isto é mediado pelos hormônios sexuais.
A atração romântica, que entra no sistema do desejo.
E isto é mediada pela dopamina: “Eu tenho que possuir esta pessoa.”
Há o apego, que é a oxitocina, e os opiatos que dizem: “Esta é uma relação séria.”
Veja, o problema é que, como humanos, estes três sistemas podem separar-se.
Então, uma pessoa poderá estar em uma relação firme, apaixonar-se por um outro alguém, e querer sexo com uma terceira pessoa.
A outra forma em que nossos genes podem, às vezes, nos desencaminhar é no status social.
Somos muito conscientes do nosso status social e sempre procuramos melhorá-lo.
No mundo animal só existe uma maneira de se melhorar o status: a dominância.
Eu tomo o controle com a proeza física, e eu fico batendo no meu peito, e você faz gestos submissos.
Bom, o humano tem uma outra maneira de ir para o topo, a rota do prestígio, o qual é conferido livremente.
Uma pessoa tem especialismo e conhecimento e sabe como fazer as coisas nós damos status a esta pessoas.
E esta é, claramente, a forma para nós criarmos muito mais nichos de status para que as pessoas não precisem rebaixar seu status hierárquico como no mundo animal.
Os dados não suportam muito a noção de que dinheiro compra felicidade.
Mas não é irrelevante.
Então, se olharmos as questões desta maneira, satisfação na vida, vemos que satisfação na vida sobe com cada aumento de renda.
Vemos que angústia mental sobe com a renda baixa.
Então, claramente, tem algum efeito.
Mas o efeito é relativamente pequeno.
E um dos problemas do dinheiro é o materialismo.
O que acontece com as pessoas muito avidamente, é que elas esquecem os prazeres básicos da vida.
Temos aqui este casal.
“Você pensa que o menos afortunado tem melhor sexo?”
E esta criança aqui está dizendo: “Me deixa em paz com meus brinquedos.”
Então, uma das coisas que acontece é que isto realmente domina.
O sistema dopamina-desejo todo domina e descarrila do sistema do prazer.
Maslow teve esta ideia nos anos 50 que as pessoas, ao superar suas necessidades biológicas, à medida que o mundo se torna mais seguro e não precisamos nos preocupar com as necessidades básicas -- nosso sistema biológico, qualquer que seja nossa motivação, é satisfeito -- podemos superá-las, pensar além de nós mesmos em direção a auto-realização ou transcendência, e superar o materialismo.
Então, quero concluir com alguns dados que sugerem que isto pode ser assim.
Um é que pessoas que passaram pelo que chamamos de mudança quantum sentiram que suas vidas e todos os seus valores mudaram.
E, com certeza, se você olha para os tipos de valores acionados, você encontra riqueza, aventura, sucesso, prazer, diversão, respeito, antes da mudança, e, após a mudança, valores muito mais pós-materialista.
As mulheres tiveram uma de mudança de valores inteiramente diferente.
Mas, similarmente, o único a sobreviver foi a felicidade.
Passaram da beleza e a felicidade e a riqueza e o auto-controle para a generosidade e o perdão.
Termino com algumas citações.
“So existe uma pergunta: Como amar este mundo?”
E Rilke, “Se sua existência cotidiana parece pobre, não a culpe; culpe a si mesmo.
Diga a si mesmo que você não é poeta bastante para evocar suas riquezas.”
“Primeiro, diga a si mesmo o que você quer ser.
Depois faça o que deve fazer.”
Obrigada.
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Quero compartilhar com vocês uma jornada extraordinária -- jornada extraordinariamente recompensadora, na verdade -- que me levou a treinar ratos para salvar vidas humanas detectando minas terrestres e tuberculose.
Quando criança, eu tinha duas paixões.
Uma era a paixão por roedores.
Tinha todos os tipos de ratos, camundongos, hamsters, gerbos, esquilos.
Escolha um, eu o criava e o vendia em pet shops.
Também era apaixonado pela África.
Crescendo em um ambiente multicultural, tínhamos estudantes africanos em casa, eu aprendi suas histórias, suas formações tão diferentes, e sua dependência de conhecimento, bens e serviços importados, exuberante diversidade cultural.
África era muito fascinante para mim.
Tornei-me um engenheiro industrial -- Engenheiro de desenvolvimento de produtos -- e me foquei em tecnologias adequadas de detecção, na verdade as primeiras tecnologias adequadas para países em desenvolvimento.
Comecei trabalhando na indústria, mas não estava muito feliz em contribuir para uma sociedade de consumo materialista em um modo linear de extração e manufatura.
Larguei meu emprego para focar no problema real: minas terrestres.
Estamos falando de 1995.
Princesa Diana anuncia na TV que as minas formam uma barreira estrutural para qualquer desenvolvimento, o que é verdade.
Enquanto esses dispositivos estiverem lá, ou existir a suspeita de que estejam lá, você não pode entrar no terreno.
Houve um apelo mundial por novos detectores em ambientes sustentáveis onde sua produção seja necessária, que estão principalmente no mundo em desenvolvimento.
Nós escolhemos ratos.
Por que escolher ratos?
Eles não são animais considerados vérmina, animais daninhos?
Na verdade ratos são -- ao contrário do que muitos pensam -- ratos são criaturas altamente sociáveis.
Sendo, na verdade, nosso produto -- o que vocês vêem aqui.
Há um alvo em algum lugar.
Podem ver um operador, um Africano treinado com seus ratos à frente que na verdade estão à esquerda e à direita.
Então o animal acha uma mina.
Cava o solo.
E volta para recompensa de comida.
Muito, muito simples.
Muito sustentável neste ambiente.
Aqui o animal ganha a recompensa em comida.
É assim que funciona.
Muito, muito simples.
Mas por quê usar ratos?
Ratos têm sido usados desde os anos 50 em todos os tipos de experimentos.
Ratos possuem mais material genético alocado para olfato do que qualquer outro mamífero.
Eles são extremamente sensíveis ao cheiro.
Além disso, têm os mecanismos para mapear estes odores e para comunicar o fato.
Como nos comunicamos com ratos?
Bem, não falamos ratês, mas temos um clicador, um método padrão para treinamento animal, que vocês podem ver ali.
Um clicador, que produz um som característico com o qual podemos incentivar determinados comportamentos.
Antes de tudo, associamos o som do clique com uma recompensa em comida, que pode ser banana e amendoins amassados juntos em uma seringa.
Quando o animal sabe que clique, comida, clique, comida, clique, comida -- então clique é comida -- o trazemos em uma gaiola com um buraco, e na verdade os animais aprendem a esticar seu nariz no buraco sobre o qual um aroma alvo é colocado, e a fazer isso por cinco segundos -- cinco segundos, que é bastante para um rato.
Uma vez que o animal aprende isto, tornamos a tarefa um pouco mais díficil.
Ele aprende como achar o odor alvo em uma gaiola com vários buracos, até 10 buracos.
Então o animal aprende a caminhar com uma correia ao ar livre e a encontrar alvos.
No próxima passo, os animais aprendem a achar minas de verdade em campos de verdade.
Eles são testados e credenciados de acordo com os padrões internacionais de ações com minas como cães que passaram em um teste.
Isto consiste em 400 metros quadrados.
Há um número de minas colocadas às cegas. E a equipe do treinador e seus ratos têm que achar todos os alvos.
Se o animal consegue, ele recebe uma licença para ser um animal credenciado para ser operacional em campo -- igual aos cães, aliás.
Talvez uma ligeira diferença: podemos treinar ratos por um quinto do preço de treinar um cão farejador de minas.
Esta é nossa equipe em Moçambique. Um treinador da Tanzânia, que repassa seus conhecimentos para estes três moçambicanos.
Vocês deviam ver o orgulho nos olhos dessa gente.
Eles têm um conhecimento, que os torna bem menos dependentes de ajuda estrangeira.
Além disso, esta pequena equipe precisa, é claro, de veículos pesados e os desarmadores manuais na sequência.
Mas com este pequeno investimento na capacidade dos ratos, temos demonstrado em Moçambique que podemos reduzir o custo por metro quadrado em até 60 porcento, do que seria o normal -- 2 dólares por metro quadrado, fazemos com 1, 18, e podemos ainda reduzir mais.
É uma questão de escala.
Se você trouxer mais ratos, podemos até aumentar ainda mais a produção.
Temos um lugar para demonstração em Moçambique.
11 governos africanos já viram que podem se tornar menos dependentes usando esta tecnologia.
Eles assinaram o acordo pela paz e o tratado na região dos Grandes Lagos. E apoiaram os ratos heróis para eliminar minas nas fronteiras em comum.
Permitam-me apresentar um outro problema bem diferente.
Cerca de 6. 000 pessoas no ano passado pisaram em minas terrestres, só que em todo o mundo no ano passado, cerca de 1, 9 milhões morreram de tuberculose como causa primeira de infecção.
Especialmente na África onde tuberculose e HIV andam juntos, existe um grande problema em comum.
Microscopia, procedimento padrão da OMS, alcançou de 40 a 60 porcento de confiabilidade.
Na Tanzânia - os número não mentem - 45 porcento do povo - pacientes de tuberculose - foram diagnosticados com tuberculose antes de morrer.
Significa que, se você tiver tuberculose, você tem mais chance de não ser diagnosticado, mas irá morrer das infecções secundárias da tuberculose.
E se, porém, for diagnosticado bem cedo, o tratamento pode iniciar. Mesmo em HIV-positivos, vale a pena.
Você pode sim curar tuberculose, mesmo em HIV-positivos.
Em nossa linguagem do dia-a-dia, holandês, o nome para tuberculose
é 'tering'. a qual, etimologicamente, refere-se ao cheiro do breu.
Já os antigos chineses e os gregos, Hipócrates, tinham publicado, documentado, que a tuberculose pode ser diagnosticada baseado no que emana dos pacientes.
O que fizemos é coletar algumas amostras -- apenas como uma maneira de testar -- dos hospitais, ratos treinados com eles e ver se funciona e perguntar, bem, podemos alcançar 89 por cento de sensibilidade, 86 por cento especificamente usando múltiplos ratos em sequência.
É assim que funciona. Na verdade, é uma tecnologia genérica.
Estamos falando agora de explosivos, tuberculose, mas podem imaginar, podemos colocar tudo mesmo nisso.
Como que funciona?
Você tem um cartucho com 10 amostras.
Coloca essas 10 amostras juntas na gaiola.
Um animal só precisa de 2 centésimos de segundo para discernir o aroma, então é muito rápido.
Aqui ele já está na terceira amostra.
Esta é uma amostra positiva.
Ele ganha um som de clique e vem para a recompensa.
E assim fazendo, tão rápido, podemos ter tipo uma segunda opinião para ver quais pacientes são positivos, quais são negativos.
Só uma indicação, enquanto um microscopista pode processar 40 amostras em um dia, um rato pode processar a mesma quantidade de amostras em apenas sete minutos.
Uma gaiola como esta -- Uma gaiola como esta -- desde que você tenha ratos, e temos atualmente 25 ratos para tuberculose -- uma gaiola como esta, operando por um dia, pode processar 1. 680 amostras.
Podem imaginar as possíveis aplicações derivadas -- detecção ambiental de poluentes no solo, aplicações personalizadas, detecção de materiais ilícitos em containers e assim por diante.
Mas vamos nos deter na tuberculose.
Quero rapidamente destacar, as barras azuis são os resultados de microscopia somente nas cinco clínicas em Dar es Salaam em uma população de 500. 000 pessoas, onde 15. 000 compareceram para fazer o teste.
Microscopia para 1. 800 pacientes.
E somente apresentando as amostras uma vez mais aos ratos e retornando esses resultados, fomos capazes de aumentar os índices de detecção em mais de 30 por cento.
Durante o ano passado, estivemos -- dependendo do intervalo escolhido -- estivemos continuamente aumentando os índices de detecção de casos em 5 hospitais de Dar es Salaam entre 30 e 40 por cento.
É algo realmente considerável.
Sabendo que um paciente perdido pela microscopia infecta até 15 pessoas -- pessoas saudáveis -- por ano, podem ter certeza de que temos salvo muitas vidas.
Pelo menos nossos ratos heróis têm salvo muitas vidas.
Em nosso caminho agora está a padronização desta tecnologia.
Existem coisas simples como, por exemplo, temos um pequeno laser no orifício do cheiro onde o animal deve ficar por cinco segundos.
Temos que padronizar isto.
Padronizar também as pastilhas, as recompensas em comida, e tornar isto semi-automático para que replicá-lo em escala muito maior e afetar as vidas de muito mais pessoas.
Para concluir, existem outras aplicações surgindo.
Aqui está o primeiro protótipo de nossa câmera rato, que é um rato com uma mochila para rato com uma câmera que pode ir por debaixo dos entulhos e localizar vítimas após um terremoto e tudo mais.
Está em um estágio de protótipo.
Não temos um sistema funcional ainda.
Para concluir, eu queria muito dizer, vocês podem achar que isto é sobre ratos, estes projetos, mas no final se trata de pessoas.
Se trata de fortalecer comunidades vulneráveis para lidarem com tarefas humanitárias de detecção, difíceis, caras e perigosas, e fazendo isso com um recurso local -- plenamente disponível.
Algo completamente diferente é sempre desafiar nossa percepção sobre os recursos que nos cercam, sejam eles ambientais, tecnológicos, animal, ou humano.
E respeitosamente entrar em harmonia com eles com o objetivo de criar um trabalho sustentável.
Muito obrigado a vocês.
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Hoje gostaria de falar a vocês sobre o cérebro humano, o qual nós pesquisamos na Universidade da Califórnia.
Pensem apenas nesse problema por um segundo.
Eis aqui um pedaço de carne, cerca de 1, 4 kg, que vocês podem pegar na palma da mão.
Mas isso pode contemplar a vastidão do espaço interestelar.
Ele pode contemplar o significado do infinito, fazer perguntas sobre o significado de sua própria existência, sobre a natureza de Deus.
E na verdade isto é a coisa mais espantosa do mundo.
É o maior mistério que confronta os seres humanos: Como tudo isso pode ser assim?
Bem, como vocês sabem, o cérebro é feito de neurônios.
Estamos vendo neurônios aqui.
Existem 100 bilhões de neurônios no cérebro humano adulto.
E cada neurônio faz algo como 1. 000 a 10. 000 contatos com outros neurônios no cérebro.
E com base nisso, as pessoas calcularam que o número de permutações e combinações da atividade cerebral excede o número de partículas elementares do universo.
E então, como vocês fazem para estudar o cérebro?
Uma abordagem é observar pacientes que sofreram lesões em diferentes partes do cérebro, e estudar as mudanças em seus comportamentos.
Foi disso que eu falei no último TED.
Hoje vou falar de uma abordagem diferente que consiste em colocar eletrodos em diversas partes do cérebro, e efetivamente gravar a atividade das células nervosas individuais no cérebro.
É como bisbilhotar a atividade das células nervosas no cérebro.
Então, uma descoberta recente que foi feita por pesquisadores na Itália, em Parma, por Giacomo Rizzolatti e seus colegas, é um grupo de neurônios chamado neurônios espelho, que estão na frente do cérebro, nos lobos frontais.
E daí, acontece que há neurônios que são chamados neurônios de comando motor, na frente do cérebro, que já são conhecidos há mais de 50 anos.
Esses neurônios vão disparar quando a pessoa executa uma ação específica.
Por exemplo, se eu fizer isso, e alcançar e pegar uma maçã, um neurônio de comando motor na frente do meu cérebro vai disparar.
Se eu alcanço e puxo um objeto, outro neurônio vai disparar, comandando que eu puxe aquele objeto.
Esses são chamados neurônios de comando motor, que são conhecidos há bastante tempo.
Mas o que Rizzolatti descobriu foi um subconjunto desses neurônios, talvez uns 20 por cento deles, que também vão disparar quando estou olhando para outra pessoa desempenhando a mesma ação.
Assim, temos aqui um neurônio que dispara quando eu me estendo e pego alguma coisa, mas ele também dispara quando eu observo Joe se estendendo e agarrando alguma coisa,
E isto é verdadeiramente espantoso
porque é como se este neurônio estivesse adotando o ponto de vista da outra pessoa.
É quase como se ele estivesse executando uma simulação em realidade virtual da ação da outra pessoa.
Então, qual é a importância desses neurônios espelho?
Pelo menos eles devem estar envolvidos em coisas como imitação e emulação.
Porque imitar uma ação complexa exige que meu cérebro adote o ponto de vista da outra pessoa.
Então, isto é importante para imitação e emulação.
Bem, porque é tão importante?
Bem, vamos observar o próximo slide.
Então, como vocês fazem imitações? Porque a imitação é importante?
Neurônios espelho e imitação, emulação.
Agora, vamos considerar a cultura, o fenômeno da cultura humana.
Se voltarmos no tempo cerca de 75. 000 a 100. 000 anos no passado, considerando a evolução humana, verificamos que alguma coisa muito importante aconteceu por volta de 75. 000 anos atrás.
É que há uma emergência repentina e uma difusão rápida de uma quantidade de habilidades peculiares aos seres humanos como uso de ferramentas, uso do fogo, uso de abrigos e, é claro, linguagem, e a capacidade de ler a mente de outra pessoa e interpretar o comportamento dessa pessoa.
Tudo isso aconteceu relativamente depressa.
Mesmo que o cérebro humano já tivesse atingido seu tamanho atual quase trezentos ou quatrocentos milhares de anos antes disso, há 100. 000 anos tudo isso aconteceu muito, muito depressa.
E eu afirmo que o que aconteceu foi a súbita emergência de um sistema sofisticado de neurônios espelho, que nos permitiu emular e imitar as ações de outras pessoas.
De modo que quando havia uma súbita descoberta acidental por um membro do grupo, como o uso do fogo, ou um novo tipo de ferramenta, em vez de ser esquecida ela se espalhava rapidamente, horizontalmente por toda a população, ou era transmitida verticalmente, para as novas gerações.
Assim, isto fez que subitamente a evolução se tornasse Lamarckiana, em vez de Darwiniana.
A evolução Darwiniana é lenta; ela leva centenas de milhares de anos.
Um urso polar, para evoluir uma pelagem, precisa de milhares de gerações, talvez 100. 000 anos.
Um ser humano, uma criança, pode apenas observar seu pai matar outro urso polar, e retirar a pele, e colocá-la sobre seu corpo, pele sobre o corpo, e aprender, de uma só vez. O que o urso polar precisou de 100. 000 anos para aprender, ela pode aprender em cinco minutos, talvez dez minutos.
E então, uma vez que isso seja aprendido, isso se espalha em progressão geométrica através da população.
Esta é a base. A imitação de habilidades complexas é o que chamamos cultura e é a base da civilização.
E agora aqui está outro tipo de neurônio espelho, que está envolvido em uma coisa bem diferente.
Acontece que existem neurônios espelho, do mesmo modo como existem neurônios espelho para ação, existem neurônios espelho para o toque.
Em outras palavras, se alguém toca em mim, em minha mão, um neurônio no córtex somatossensorial na região sensorial do cérebro, dispara.
Mas o mesmo neurônio, em alguns casos, vai disparar quando eu simplesmente observo outra pessoa sendo tocada.
Assim, isso é empatizar com a outra pessoa sendo tocada.
Assim, a maior parte deles vai disparar quando eu sou tocado em lugares diferentes. Neurônios diferentes para lugares diferentes.
Mas um subconjunto deles vai disparar até quando eu observo outra pessoa sendo tocada naquele mesmo lugar.
Então, temos aqui novamente neurônios que estão envolvidos na empatia.
E agora, a questão que surge: Se eu simplesmente observo outra pessoa sendo tocada, como é que não fico confuso e sinto literalmente essa sensação de toque simplesmente por observar uma pessoa sendo tocada?
Quero dizer, eu empatizo com essa pessoa mas eu não sinto literalmente o toque.
Bem, isso é porque você tem receptores na sua pele, receptores de toque e de dor, que levam ao seu cérebro dizendo: "Não se preocupe, você não está sendo tocado.
Então, empatize, de qualquer modo, com a outra pessoa, mas não experimente realmente o toque pois de outro modo você ficará confuso e atrapalhado."
Muito bem, então existe um sinal de feedback que bloqueia o sinal do neurônio espelho evitando que você experimente conscientemente aquele toque.
Mas se você remover o braço, se você simplesmente anestesiar meu braço, daí você dá uma injeção no meu braço, anestesia o plexo braquial, então o braço fica insensível, e não existem mais sensações chegando, agora se eu observar você sendo tocado, eu sinto isso literalmente em minha mão.
em outras palavras, você dissolveu a barreira entre você e os outros seres humanos.
Daí, eu os chamo neurônios Gandhi, ou neurônios da empatia.
E isso não é em algum sentido metafórico,
tudo que está separando você dele, da outra pessoa, é sua pele.
Remova a pele e você vai experimentar o toque da outra pessoa na sua mente.
Você dissolveu a barreira entre você e outros seres humanos.
E isso, é claro, é a base de grande parte da filosofia oriental, de que não existe um verdadeiro eu independente, isolado de outros seres humanos, inspecionando o mundo, inspecionando outras pessoas.
Você está, na verdade, conectado, não apenas pelo Facebook e Internet, você esta realmente, literalmente mesmo, conectado pelos seus neurônios.
E existem cadeias inteiras de neurônios por toda esta sala, falando umas com as outras.
E não existe distinção real entre a sua consciência e a consciência das outras pessoas.
E isto não é filosofia supersticiosa.
Ela emerge de nosso entendimento da neurociência básica.
Assim, se vocês têm um paciente com um membro fantasma. Se o braço foi removido e você tem um fantasma, e você observa outra pessoa sendo tocada, você sente no seu membro fantasma.
Então a coisa espantosa é, se você sente dor no seu membro fantasma, você aperta a mão da outra pessoa, massageia a mão da outra pessoa, isso alivia a dor na sua mão fantasma, quase como se o neurônio estivesse obtendo alívio meramente ao observar outra pessoa sendo massageada.
Então, aqui está meu último slide.
Por um tempo muito longo as pessoas consideraram a ciência e as humanidades como sendo distintas.
C. P. Snow falou das duas culturas: ciência de um lado, humanidades do outro; jamais os dois poderiam se encontrar.
Assim, estou afirmando que o sistema de neurônios espelho é a base da interface permitindo que vocês reconsiderem assuntos polêmicos como a consciência, representação de si mesmo, o que separa vocês dos outros seres humanos, o que permite a vocês empatizarem com outros seres humanos, e também até coisas como a emergência da cultura e da civilização, que é peculiar aos seres humanos. Muito obrigado.
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Obrigado. Eu tenho duas missões aqui hoje.
A primeira lhes falar algo sobre o pólen, espero, e convencê-los de que ele é mais que apenas alguma coisa que irrita seu nariz.
E, segundo, convencê-los de que qualquer casa realmente deve ter um microscópio eletrônico.
O pólen é um meio para a flor gerar mais flores.
Ele transporta as células sexuais masculinas de uma flor para outra.
Isto nos provê diversidade genética, ou pelo menos dá as plantas diversidade genética.
E é realmente melhor não se acasalar com si mesmo.
Isso provavelmente também é verdadeiro para humanos, na maioria das vezes,
O pólen é produzido pelas anteras das flores.
Cada antera pode conter 100. 000 grãos de pólen. Assim, é um material bastante fértil.
E não são apenas flores coloridas que têm pólen; as árvores e a grama também têm.
E lembrem-se que todas as nossas safras de cereais são gramíneas também.
Aqui está uma microfotografia eletrônica de um grão de pólen.
Do orifício pequeno no meio nós iremos tratar daqui a pouco. Mas isso é para o tubo polínico que virá depois; um tubo muito pequeno.
Então, tem 20 micrômetros de diâmetro, esse grão de pólen aí.
Isso é cerca dois centésimos de milímetro.
Mas nem todo pólen tem visual tão simples.
Esta é a Morina. Esta é uma planta a qual eu sempre pensei ser sem graça, batizada em honra a Morin, que foi um jardineiro francês empreendedor, que lançou o primeiro catálogo de sementes, de fato, em 1621.
De qualquer modo, vejam este pólen.
Ele é maravilhoso, eu acho.
Aquele pequeno buraco no meio existe para o tubo polínico. E quando o pólen encontra o seu lugar especial na fêmea em outra flor Morina, apenas na espécie certa, o que acontece?
Como eu disse, o pólen carrega as células sexuais masculinas.
Se você realmente não percebeu que as plantas faziam sexo, elas têm sexo impulsivo, promíscuo, e mesmo bem interessante e curioso, realmente.
Minha história não é na verdade sobre proliferação de plantas, mas sobre o pólen em si.
Então, quais são as propriedades do pólen, vocês perguntam?
Primeiro, o pólen é minúsculo. Sim, já sabemos disso.
É também muito biologicamente ativo, como qualquer um com alergia sabe.
Agora, o pólen de plantas que são dispersadas pelo vento, como árvores e gramíneas e outras, tendem a causar mais alergia.
E a razão para isso é, elas têm de dispersar volumes enormes de pólen para ter qualquer chance de o pólen atingir outra planta da mesma espécie.
Aqui estão alguns exemplos. Eles são bem lisos se você olhar estas fotos de pólen de árvores que deve ser carregado pelo vento.
Novamente, desta vez Sicômoro, dispersado pelo vento.
Então, árvores, flores sem graça, não querem muito atrair insetos.
Mas o pólen é legal.
Gosto deste aqui em particular.
Este é o Pinho de Monterey, que tem pequenos sacos de ar para fazer o pólen ser carregado ainda mais longe.
Lembrem, esta coisa tem apenas 30 micrometros de diâmetro.
Mas é muito mais eficiente se você consegue que insetos façam o trabalho.
Esta é a perna de uma abelha. Com o pólen aderido a ela de um pé de malva.
E esta é a ultrajante e bela flor da palmeira Nipa.
Muito espalhafatosa, para atrair muitos insetos para fazer o trabalho.
O pólen tem pequenas garras nele, se observarmos.
Essas pequenas garras obviamente prendem nos insetos bem, mas existe algo mais que podemos dizer pela fotografia, e é que vocês podem ser capazes de ver uma fissura através do que seria a linha do equador disto, se esta fosse a terra.
Que me diz que foi de fato fossilizado, este pólen.
E estou bem orgulhoso de dizer que este foi encontrado bem perto de Londres, e que 55 milhões de anos atrás Londres estava cheio de palmeiras Nipa.
Não é legal?
OK, e esta é outra espécie que evoluiu para ser dispersada por insetos.
Vocês podem concluir pelas pequenas garras ali.
Todas essas fotos foram tiradas com um microscópio de varredura eletrônica no laboratório da Kew Laboratories.
Não é coincidência que foram tiradas por Rob Kessler, que é um artista. E eu acho que não é coincidência que alguém com um olho para design e arte como ele foi quem conseguiu obter o melhor do pólen.
Então, toda esta diversidade, significa que você pode mesmo olhar para um grão de pólen e dizer de que espécie ele veio. E isto é mesmo bem útil se você talvez tenha uma amostra e quer saber de onde ela veio.
Então, diferentes espécies de plantas crescem em diferentes lugares. E alguns pólens viajam mais longe que outros.
Portanto, se você tem uma amostra de pólen então, a princípio, você deve ser capaz de dizer de onde essa amostra veio.
E isto é onde fica interessante para a forênsica.
O pólen é minúsculo. Ele chega nas coisas e gruda nelas.
Então, não apenas cada tipo de pólen tem aparência diferente, mas cada habitat tem uma diferente combinação de plantas,
uma diferente assinatura de pólen, se preferir, ou uma diferente "impressão digital" de pólen.
Ao olhar para as proporções e combinações de diferentes tipos de pólen em uma amostra, você pode dizer muito precisamente de onde ela veio.
Este é um pouco de pólen contido em uma camisa de algodão, similar à que estou vestindo agora.
Agora, boa parte do pólen ainda estará lá depois de várias lavagens.
Onde ela esteve?
Quatro habitats muito diferentes podem parecer similares mas eles têm assinaturas de pólen muito diferentes.
Na verdade este foi bem fácil. Estas fotos foram todas tiradas em diferentes países.
Mas a forênsica do pólen pode ser bem sutil.
Ela está sendo usada agora para rastrear onde remédios falsificados foram fabricados, de onde cédulas de dinheiro vieram, para saber a procedência de antiguidades e ver se elas realmente vieram do lugar que o vendedor disse que vieram.
E suspeitos de assassinato são rastreados usando suas roupas. certamente no Reino Unido, para dentro de uma área que é pequena o suficiente que se pode enviar cães farejadores para localizar a vítima de assassinato.
Então, você pode dizer a partir de uma peça de roupa com precisão de um quilômetro mais ou menos, onde essa peça de roupa tem estado recentemente, e então enviar cães.
E finalmente, de uma forma bem soturna, os crimes de guerra na Bósnia. Algumas das pessoas levadas a julgamento o foram por causa das provas obtidas do pólen, que mostrava que corpos foram enterrados, exumados, e então reenterrados em outro lugar.
Eu espero ter aberto os seus olhos, se me desculparem o trocadilho visual, para alguns dos segredos do pólen.
Este é o Castanheiro-da-Índia, a propósito.
Existe uma beleza invisível em torno de nós, cada grão com uma história para contar,
cada um de nós, na verdade, com uma história para contar, a partir da assinatura do pólen que está em torno de nós.
Obrigado aos colegas da Kew. E obrigado aos palinólogos de todo o mundo.
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Uma a cada duas de vocês mulheres sofrerão de uma doença cardiovascular ao longo de sua vida.
Portanto este é o maior assassino de mulheres.
Este é um segredo mantido em círculos restritos por razões que desconheço.
Além disso, para ser pessoal nós conversaremos sobre sua relação com seu coração e toda a relação das mulheres com seus corações -- nós vamos relacionar à política.
Porque, o pessoal, como vocês bem sabem, é político.
E o que tem sido feito a respeito, não é suficiente.
E na medida em que assistimos as mulheres combatendo o câncer de mama através das campanhas de combate ao câncer de mama isto é o que precisamos fazer agora em relação ao coração
Desde 1984, mais mulheres morreram nos Estados Unidos do que homens.
Portanto, quando nos acostumamos a pensar na doença cardíaca como um problema basicamente masculino -- o qual nunca foi verdade, mas esta foi a maneira através da qual todos pensamos nas décadas de 50 e 60, e da qual foi descrita em todos os livros.
É certamente o que eu aprendi quando estava em treinamento.
Se nós nos mantivéssemos sexistas, e isto não está certo, mas se prosseguirmos em sermos sexistas, isto é realmente uma doença da mulher.
Então, agora, é uma doença da mulher.
E um dos pontos que você percebe é que as estatísticas masculinas, de mortalidade estão caindo, caindo, caindo, caindo, caindo.
E você vê as estatísticas femininas desde 1984, a distância está aumentando.
Mais e mais mulheres, duas, três, quatro vezes mais mulheres, morrendo de doenças cardíacas, que os homens.
E é um período de tempo curto demais para todos os fatores de risco que conhecemos mudem.
Então, o que isto realmente nos sugere no âmbito nacional é que as estratégias terapêuticas e de diagnóstico, as quais foram desenvolvidas em homens, por homens, para homens nos últimos 50 anos -- e que funcionam muito bem nos homens, não é mesmo? -- não são tão eficazes para as mulheres.
Então este foi o grande alerta para que todos acordassem nos anos 80.
Doenças cardíacas matam mais mulheres em todas as idades que o câncer de mama.
E a campanha de combate ao câncer de mama -- novamente, isto não é uma competição.
Nós tentamos ser tão bons quanto a campanha de combate ao câncer de mama.
Nós precisamos ser tão bons quanto a campanha de combate ao câncer de mama para resolver esta crise.
Agora, às vezes, quando as pessoas vêem isto, Eu ouço este suspiro.
Nós podemos todos pensar em alguém, geralmente uma mulher jovem, que sofreu com o câncer de mama.
Nós geralmente não conseguimos pensar em uma mulher jovem que teve uma doença cardíaca.
Eu vou lhes contar porque.
Doenças cardíacas matam pessoas, em geral, bem rapidamente.
Portanto, a primeira vez que uma doença cardíaca atinge mulheres e homens, metade dessas vezes é uma morte súbita -- nenhuma oportunidade de dizer adeus, nenhuma oportunidade de levá-la à quimioterapia, nenhuma oportunidade de ajudá-la a escolher uma peruca.
Câncer de mama, tem nível de mortalidade abaixo de quatro por cento.
E estes são os 40 anos que mulheres tem reinvidicado.
Betty Ford, Nancy Reagan levantaram-se e disseram, "Eu sou uma sobrevivente do câncer de mama", e era OK falar a respeito.
E então os médicos começaram a ajudar.
Nós realizamos pesquisas.
Nós temos terapias eficazes agora.
Mulheres estão vivendo mais do que nunca.
Isto tem de acontecer para as doenças cardíacas, já é tempo.
E não está acontecendo, já era tempo.
Nós temos um débito imenso de gratidão a essas mulheres.
Como Barbara descreveu em um de seus filmes maravilhosos, "Yentl", onde ela representou uma jovem mulher que queria educar-se.
E ela queria estudar o Talmud.
E como ela educou-se então?
Ela teve que se passar por um homem.
Ela teve que se parecer como um homem.
Ela teve que fazer com que as outras pessoas acreditassem que ela se parecia com um homem e que ela poderia ter os mesmos direitos que os homens tinham
Bernadine Healy, Dra. Healy, foi uma cardiologista.
E por volta daquela época, na década de 80, em que nós vimos o número de mortes por doenças cardíacas subirem, subirem, subirem, subirem, subirem, ela escreveu um editorial no Jornal de Medicina de New England e descreveu, a síndrome de Yentl.
Mulheres estão morrendo de doenças cardíacas, duas, três, quatro vezes mais que homens.
O nível de mortalidade não está caindo, está crescendo.
E ela questionou, ela especulou, será que é uma síndrome de Yentl?
E aqui está a história verdadeira.
E a razão deve-se ao fato de que as mulheres não se parecem com os homens, elas não adoecem no padrão das doenças cardiacas masculinas que passamos os últimos 50 anos compreendendo e obtendo diagnósticos realmente bons e terapias realmente boas, e consequentemente, elas não são reconhecidas como doenças cardíacas.
E elas apenas passam.
Elas não são tratadas, elas não são detectadas, e elas não se beneficiam dos remédios modernos.
Dra. Healy então tornou-se subequentemente a primeira diretora do Instituto Nacional de Saúde.
E esta é a maior pesquisa no mundo.
E financia muito das minhas pesquisas.
Financia pesquisa em praticamente todos os lugares.
Foi uma grande conquista para ela ter atingido o cargo de diretora.
E ela começou, frente a muita controvérsia, a Iniciativa para a Saúde da Mulher.
E toda mulher neste recinto beneficiou-se da Iniciativa para a Saúde da Mulher
Ela nos contou sobre a terapia de reposição hormonal.
E nos informou sobre a osteoporose.
E nos informou sobre o câncer de mama, câncer de colo nas mulheres.
Um tremendo repositório de conhecimento então a despeito, novamente, do fato que muitas pessoas disseram para ela não fazê-lo, que era muito caro.
E que as mulheres analfabetas não valem este esforço.
E ela, pelo contrário insistiu, "Não, desculpe-me. Mulheres valem o esforço."
Bem, este foi um pequeno resumo da Iniciativa para a Saúde da Mulher que foi para o Instituto Nacional de Coração, Pulmões e Sangue, que é o setor de cardiologia do NIH.
E nós temos de realizar o estudo WISE -- e WISE significa Diagnóstico da Síndrome de Isquemia Feminina -- e eu dirigi este estudo nos últimos 15 anos.
Foi um estudo para questionar especificamente, o que está errado com as mulheres?
Porque existem mais e mais mulheres morrendo de doença isquêmica do coração?
Então o WISE, quinze anos atrás, começou sua pesquisa e relatou, "Bem puxa, há um par de observações essenciais que provavelmente deveríamos acompanhar."
E nossos colegas da capital Washington.
recentemente publicaram que quando as mulheres tem ataque cardíaco e morrem, comparados aos casos de ataque cardíaco em homens seguido de morte -- e novamente, isto representa milhões de pessoas, acontecendo todos os dias -- mulheres, na sua contagem de gordura -- e isto é na sua artéria coronária, onde o fluxo principal de sangue vai até o seu músculo cardíaco -- nas mulheres se desmancha, nos homens explode.
Você achará algumas analogias interessantes na fisiologia.
Então eu descreverei primeiro o padrão masculino de ataque cardíaco.
Ataque cardíaco cinematrogáfico. Ughhhh.
Terrível dor no peito.
Pressão vascular sobe, então os médicos podiam ver um pico anormalmente grande no eletrocardiograma.
Havia um grande coágulo no meio da artéria.
E eles foram ao laboratório de cateterismo e bum, bum, bum se livraram do coágulo.
Esse é um ataque cardíaco de um homem.
Algumas mulheres tem esse tipo de ataque cardíaco, mas, a quase totalidade das mulheres tem um tipo de ataque cardíaco, onde ocorre a deterioração, que não se obstrue completamente com um coágulo, onde os sintomas são sutis, leituras do eletrocardiograma são diferentes -- padrão-feminino.
Então o que vocês acham que acontece com essas garotas?
Elas frequentemente não são diagnosticadas, enviadas de volta para casa.
Eu não tenho certeza do que foi. Pode ter sido gases.
Então nós nos concentramos nisso e nós concluimos, "Sabe, nós temos agora a capacidade de olhar dentro de seres humanos com esses cateteres especiais chamados IVUS: de ultrasom intravascular."
E nós dissemos, "Nós vamos especular que placas de gordura nas mulheres são provavelmente diferentes, e são depositadas diferentemente, do que nos homens."
E devido ao senso comum de como mulheres e homens engordam.
Quando assistimos a pessoas tornarem-se obesas, onde os homens acumulam gordura?
Aqui neste local, é somente um foco -- bem aqui.
Onde as mulheres acumulam gordura?
Em todos os lugares.
Celulite aqui, celulite ali.
Então nós dizemos, "Vejam, mulheres parecem que estão em uma posição melhor. em relação a se livrar do lixo, suavemente livrando-se dele.
Homens tem de depositá-lo em uma área única."
Então nós dizemos, "Vamos dar uma olhada nisso."
E então o amarelo é a placa de gordura, e no painel A está um homem.
E como você pode ver, é espessa.
Ele tem uma barriga de cerveja em suas artérias coronárias.
Painel B está uma mulher, muito suave.
Ela apenas a depositou organizadamente.
E se você realizou aquela angiografia, que é vermelha, você pode ver a doença desse homem.
Então, 50 anos de desenvolvimento e aprimoramento dessas angiografias, nós facilmente reconhecemos doenças de padrão-masculino.
Difícil é reconhecer a doença do padrão-feminino.
Então esta foi a descoberta.
Agora, quais são as implicações disso?
Bem, mais uma vez, mulheres passam pela angiografia e ninguém pode dizer que elas tem um problema.
Então nós estamos trabalhando em um processo não-invasivo -- novamente, todos esses estudos são invasivos.
Idealmente, você adoraria realizar tudo isso de forma não-invasiva.
E novamente, cinquenta anos de bons testes de fadiga não-invasivos, nós somos razoavelmente bons em reconhecer o padrão de doença masculino com testes de fadiga.
Então esse teste de ressonância magnética por imagem.
Nós estamos realizando no Instituto do Coração Cedars-Sinai no Centro do Coração da Mulher.
Nós selecionamos para esta pesquisa.
Este não é o hospital de sua comunidade, mas nós esperamos traduzir isto,
E nós estamos nisso há aproximadamente dois anos e meio de um estudo planejado para cinco anos.
Esta foi a única modalidade em que nós podemos ver o perfil interno do coração.
E se você olhar com mais cuidado, você poderá ver que há uma mancha negra bem ali.
E aquilo é uma obstrução microvascular.
A síndrome, o padrão-feminino que agora é chamada de disfunção coronária microvascular, ou obstrução.
A segunda razão que faz nós realmente gostemos de MRI é que não há radiação.
Então, diferente dos exames de tomografia axial computadorizada, radiografias, de contraste, para mulheres os seios estão no caminho ao examinarmos o coração, toda vez que nós pedimos algo que tem ao menos uma pequena quantidade de radiação nós dizemos, "Nós realmente precisamos deste teste?"
Então nós estamos realmente confiantes sobre o exame de ressonância magnética.
Você não pode pedi-lo ainda, mas, esta é uma área efetiva de estudo onde há realmente mulheres estudando e criando avanços neste campo para mulheres e homens.
Quais são os desdobramentos então, quando as doenças de padrão-feminino não são reconhecidas?
Esta é uma figura de um editorial publicado no Jornal Europeu do Coração no último verão.
E foi apenas um pictograma para mostrar porque mais mulheres estão morrendo de doenças do coração, a despeito dos bons tratamentos que nós conhecemos e temos trabalhado.
E quando a mulher tem o padrão-masculino da doença -- então ela parece como a Barbara no filme -- elas são tratadas.
E quando você tem o padrão-feminino e parece como uma mulher, como Barbara faz aqui com seu marido, elas não conseguem o tratamento.
Esses são nossos tratamentos salvadores.
E aquelas pequenas caixas vermelhas são mortes.
Então aquelas são as consequências.
E aquilo é o padrão feminino e o por quê nós pensamos a respeito da síndrome de Yentl na verdade está explicando grande parte dessas lacunas.
Notícias maravilhosas tem aparecido sobre estudos em mulheres, finalmente, em doenças do coração.
E uma das áreas de vanguarda em que nós estamos muito esperançosos é a terapia de células-tronco.
Se você perguntar, qual é a grande diferença entre um homem e uma mulher psicologicamente?
Por que há mulheres e homens?
Porque mulheres trazem nova vida ao mundo.
São todas as células-tronco.
Então nós especulamos que as células tronco femininas poderiam ser melhores em identificar o ferimento, fazendo reparos celulares e até produzindo novos orgãos, que é uma das coisas que nós estamos tentando fazer com a terapia de células-tronco.
Há células-tronco femininas e masculinas.
E se você possue um orgão ferido. se você tem um ataque cardíaco e quer reparar a área ferida, você quer aquelas robustas, numerosas células-tronco no topo?
Ou você quer esses caras, que parecem que estão fora almoçando?
E algumas das nossas equipes de investigação demonstraram que as células-tronco femininas -- e isso em animais e crescentemente, nós estamos demonstrando isso em humanos -- que células-tronco femininas, quando colocadas mesmo em um corpo masculino, tem um desempenho melhor que as células-tronco masculinas sendo injetadas em um corpo masculino.
Um das coisas que afirmamos sobre toda essa fisiologia feminina -- porque novamente, na medida em que nós estamos falando sobre mulheres e doenças do coração, mulheres, em média, possuem uma logevidade maior que a do homem -- e que descobrindo os segredos da fisologia feminina e a entendendo ajudará homens e mulheres.
Este não é um jogo onde alguns tem de perder para outros ganhar de maneira alguma.
Ok, então este é o ponto do qual partimos.
E lembrem-se, tendências cruzaram-se em 1984, e mais e mais mulheres morreram de doenças cardíacas.
O que ocorreu nos últimos 15 anos com este trabalho?
Nós estamos redirecionando a curva.
Nós estamos redirecionando a curva.
Então, da mesma forma que ocorreu com o câncer de mama, realizando pesquisas, promovendo a conscientização, funciona, você apenas tem de colocá-lo em prática.
Agora estamos satisfeitos com isso?
Nós ainda temos de duas a três mulheres a mais morrendo para cada homem.
E eu proporia, com maior longevidade que mulheres tem em geral, que mulheres deveriam teoricamente ter um melhor desempenho, se nós pudéssemos simplesmente termos tratamento.
Então, este é o ponto em que nós estamos, mas nós temos um longo caminho a percorrer.
Nós trabalhamos nisto há 15 anos.
E eu lhes disse, nós trabalhamos em doenças do coração de padrão masculino por 50 anos.
Então nós estamos 35 anos atrasadas.
E nós gostaríamos de pensar que não levará 35 anos.
E de fato, provavelmente não levará.
Mas nós não podemos parar agora.
Muitas vidas estão em risco.
Então o que precisamos fazer?
Vocês agora, espero, tem uma relação mais pessoal com seu coração.
As mulheres ouviram o chamado para o câncer de mama e elas se apresentaram para as campanhas de conscientização.
As mulheres são muito boas em passar por mamografias agora.
E mulheres levantam fundos.
Mulheres participam.
Elas colocaram o seu dinheiro onde estão seus interesses e elas promoveram reinvidicações e participaram de campanhas
Isto é o que nós precisamos agora para as doenças do coração.
E é político.
A saúde da mulher, do ponto de vista do financiamento federal, às vezes é popular, às vezes não é tão popular.
Então nós temos esses ciclos de falta e abundância.
Então eu lhes imploro a fazer parte da Campanha do Vestido Vermelho e de seu fundo de financiamento.
Câncer de mama, como dissemos, mata mulheres, mas doenças cardíacas matam muito mais
Então se formos tão bons quanto no combate ao câncer de mama e darmos às mulheres este novo desafio, nós temos muitas vidas para salvar.
Portanto, obrigado pela sua atenção.
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♫ Aonde nós vamos daqui?♫ ♫ Como prosseguimos?♫ ♫ Eu não consigo ir além das perguntas ♫ ♫ Se arrastando pelos restos ♫ ♫ nos fragmentos de nós dois, em colapso ♫ ♫ Que me cortam com cada "poderia ter sido" ♫ ♫ Dor em dor, constante, repetindo ♫ ♫ Com a vida substituta, improvisada, em espera ♫ Todo mundo diz ♫ ♫ que o tempo cura tudo ♫ ♫ E daí o miserável vazio? ♫ ♫ O infinito no meio? ♫ ♫ Nós vamos apenas esperar terminar? ♫ ♫ Não há nada para ver aqui agora ♫ ♫ Virando o sinal ♫ ♫ Estamos banidos da Terra até novo aviso ♫ ♫ Um caso clichê em ruínas ♫ ♫ Um rosto amassado e inchado ♫ ♫ morto no olhar espantado de mil milhas ♫ ♫ Tudo o que eu quero, apenas um milagre mundano ♫ ♫ Eu serei uma saída, nascer novamente ♫ ♫ de agora em diante, mais cínica ♫ ♫ Todo mundo diz ♫ ♫ que o tempo cura tudo ♫ ♫ E daí o miserável vazio? ♫ ♫ O infinito no meio? ♫ ♫ Nós vamos apenas esperar terminar? ♫ ♫ E sentar aqui com frio? ♫ ♫ Até lá, nós estaremos bem longe ♫ ♫ No opaco, ♫ ♫ Empoeirados deitamos em revistas velhas ♫ ♫ A iluminação fluorescente define a cena ♫ ♫ para tudo o que deveríamos e poderíamos ser ♫ ♫ na única vida que possuímos ♫ ♫ Todo mundo diz ♫ ♫ que o tempo cura tudo ♫ ♫ E daí o miserável vazio? ♫ ♫ O infinito no meio? ♫ ♫ Nós vamos apenas esperar terminar? ♫ ♫ Apenas eliminar pelo suor? ♫ ♫ Apenas eliminar pelo suor? ♫ ♫ Esperar ♫
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Imagine se você pudesse gravar sua vida - tudo que você disse, tudo que você fez, disponível em um perfeito banco de memória, ao alcance das mãos, então você poderia voltar e encontrar momentos memoráveis e revivê-los, ou examinar períodos de tempo e descobrir padrões em sua vida que não haviam sido descobertos antes.
Esta é exatamente a jornada que minha família começou há cinco anos e meio.
Esta é minha mulher e colaboradora, Rupal.
E neste dia, neste momento, entramos em casa com nosso primeiro filho, nosso lindo garotinho.
E entramos em uma casa com um sistema de gravação de vídeos caseiros muito especial.
Homem: OK.
Deb Roy: Este momento e milhares de outros momentos especiais para nós, foram captados em nossa casa porque em cada cômodo, se você olhasse para cima, veria uma câmera e um microfone, e se olhasse para baixo, teria uma visão panorâmica do cômodo.
Esta é nossa sala, o quarto do bebê, cozinha, sala de jantar e o resto da casa.
E tudo isto ia para uma série de discos desenvolvidos para uma captação ininterrupta.
Aqui estamos sobrevoando um dia em nossa casa à medida em que passamos de uma manhã de sol a uma noite incandescente e, finalmente, luzes apagadas.
Ao longo de três anos, gravamos de oito a dez horas por dia, coletando cerca de 250 mil horas de multi-faixas de áudio e vídeo.
Então, vocês estão vendo o que é certamente a maior coleção de vídeos caseiros já feita.
E o que esses dados representam para nossa família, pessoalmente, o impacto tem sido imenso, e ainda estamos aprendendo seu valor.
Inúmeros momentos de expressões naturais, não ensaiados, foram captados lá, e estamos aprendendo como descobri-los e encontrá-los.
Mas também há uma razão científica para este projeto, que era usar estes dados naturais e longitudinais para entender o processo de como uma criança aprende linguagem - essa criança sendo meu filho.
Então, com várias cláusulas de privacidade para proteger todos que foram gravados, nós disponibilizamos elementos dos dados para a minha confiável equipe de pesquisadores no MIT, para que pudéssemos separar padrões neste conjunto maciço de dados, tentando entender a influência de ambientes sociais na aquisição da linguagem.
Aqui, estamos vendo uma das primeiras coisas que fizemos.
Eu e minha esposa fazendo o café da manhã na cozinha. E à medida em que avançamos no espaço e no tempo, há um padrão de vida bem cotidiano na cozinha.
Para converter este vídeo opaco de 90 mil horas em algo que poderíamos começar a ver, usamos a análise de movimentos para selecionar, à medida em que avançamos no espaço e no tempo, o que chamamos de vermes do espaço-tempo.
E isso se tornou parte das nossas ferramentas para sermos capazes de olhar e ver onde estão as atividades nos dados e, com isso, traçar um padrão de onde meu filho se movia pela casa, para que pudéssemos focar nossos esforços de transcrição em todo o ambiente de fala em volta do meu filho - todas as palavras que ele ouviu de mim, minha esposa, nossa babá e, com o tempo, as palavras que ele começou a produzir.
Então, com essa tecnologia e aqueles dados e a habilidade de, com ajuda da máquina, transcrever as falas, nós já transcrevemos mais de sete milhões de palavras das nossas transcrições caseiras.
Com isso, deixem-me levá-los agora para uma primeira turnê pelos dados.
Tenho certeza de que todos já viram filmes com lapso de tempo, onde a flor desabrocha quando aceleramos o tempo.
Agora, eu gostaria que vocês presenciassem o desabrochar de uma fala.
Meu filho, logo após seu primeiro aniversário, dizia "gaga" significando "água".
E ao longo dos seis meses seguintes, ele lentamente aprendeu a aproximar-se da forma apropriada do adulto, "água".
Então vamos atravessar meio ano em cerca de 40 segundos.
Não há vídeo aqui, para que vocês foquem no som, na acústica, de uma nova trajetória: gaga para água.
Bebê: Gagagagagaga Gaga gaga gaga guga guga guga uada, gaga, gaga, gaga, gaga ága guga guga água água água água água água água água água.
DR: Ele pegou direitinho, não é?
Então ele não aprendeu só água.
Ao longo de 24 meses, os dois primeiros anos, que realmente focamos, este é um mapa de cada palava que ele aprendeu em ordem cronológica.
E como temos transcrições completas, identificamos cada uma das 503 palavras que ele aprendeu a produzir até seu segundo aniversário.
Ele aprendeu a falar cedo.
Então começamos a analisar o porquê.
Por que algumas palavras apareceram antes de outras?
Este é um dos primeiros resultados obtidos no nosso estudo há pouco mais de um ano que realmente nos surpreendeu.
A maneira de interpretar este gráfico aparentemente simples é na vertical, e é uma indicação do quão complexo é o discurso de quem cuida baseado na extensão do discurso.
E o eixo vertical é tempo.
E todos os dados, nós alinhamos baseado na seguinte ideia: Toda vez que meu filho aprendia uma palavra, nós rastreávamos e víamos toda a linguagem que ele escutou que continha a palavra.
E traçávamos o comprimento relativo de cada discurso.
E o que encontramos foram estes fenômenos curiosos, a fala de quem cuidava dele sistematicamente caía a um mínimo, fazendo linguagem da maneira mais simples possível, e então lentamente ascendendo de volta em complexidade.
E o incrível foi que este decréscimo, esta caída, se alinhou quase precisamente com quando cada palavra nasceu - palavra após palavra, sistematicamente.
Então parece que as três pessoas que tomavam conta - eu, minha esposa e nossa babá - estávamos sistematicamente e, eu pensaria, subconscientemente reestruturando nossa linguagem para encontrá-lo no nascimento da palavra e trazê-lo gentilmente para uma linguagem mais complexa.
E as implicações disso - existem muitas, mas eu gostaria de destacar uma, é que devem haver incríveis círculos de retorno.
É claro, meu filho está aprendendo com este ambiente linguístico, mas o ambiente está aprendendo com ele.
Esse ambiente, pessoas, estão nesses ajustados círculos de retorno e criando uma espécie de andaime que não tinha sido notado até agora.
Mas isso é olhando para o contexto do discurso.
Mas e o contexto visual?
Não estamos olhando para ele - pense nisto como uma casa de bonecas, réplica de nossa casa.
Nós pegamos as câmeras olho-de-peixe, e fizemos algumas correções óticas, e então podemos trazê-la para o mundo tridimensional.
Então bem-vindos à minha casa.
Este é um momento, um momento captado por várias câmeras.
Nós fizemos isso para criar a máquina de memória definitiva, onde você pode voltar no tempo e interagir e então aspirar a vida do vídeo neste sistema.
O que eu vou fazer será mostrar-lhes uma visão acelerada de 30 minutos, de novo, de vida na sala de estar.
Eu e meu filho no chão.
E há a análise de vídeo que está rastreando nossos movimentos.
Meu filho está deixando tinta vermelha, e eu tinta verde.
Agora estamos no sofá, olhando pela janela os carros passando.
E finalmente, meu filho brincando num andador sozinho.
Agora congelamos tudo, 30 minutos, transformamos o tempo em eixo vertical, e abrimos para uma vista desses traços interativos que recém deixamos para trás.
E nós vemos estas surpreendentes estruturas - estes pequenos nós de duas cores de filamentos que nós chamamos de pontos quentes sociais.
O fio espiral nós chamamos ponto quente único.
E nós pensamos que isto afeta a maneira como a linguagem é aprendida.
O que nós gostariamos de fazer é começar a entender a interação entre estes padrões e a linguagem a que o meu filho está exposto para ver se nós podemos prever como a estrutura de quando as palavras são ouvidas afeta quando elas são aprendidas - então em outras palavras, a relação entre palavras e o que elas significam no mundo.
Então aqui está como estamos abordando isto.
Neste vídeo, de novo, meu filho está sendo seguido
Ele está deixando tinta vermelha para trás.
E nossa babá está na porta.
Babá. Você quer água?
Babá. Tudo Bem.
DR. Ela oferece água, e lá vão os dois vermes até a cozinha para apanhar água.
E o que nós fizemos foi usar a palavra "água". para assinalar aquele momento, aquele ponto de atividade.
E agora nós pegamos o poder dos dados e pegamos todos os momentos em que meu filho ouviu a palavra água e o contexto no qual ele a viu e nós os usamos para penetrar através do vídeo e encontrar cada traço de atividade que ocorreu juntamente com um exemplo de água.
E o que esta informação deixa em sua esteira é uma paisagem.
Nós a chamamos de paisagens de palavras.
Esta é a paisagem de palavra para a palavra água e vocês podem ver que grande parte da ação é na cozinha.
É lá onde aqueles grandes picos estão à esquerda.
E apenas para contrastar, podemos fazer isto com qualquer palavra.
Nós podemos pegar a palavra "até" como em "até logo".
E nós agora estamos dando um zoom na entrada da casa.
E olhamos, e encontramos, como poderiam esperar, um contraste na paisagem onde a palavra "até" ocorre de uma maneira muito mais estruturada.
Então nós estamos usando estas estruturas para começar a prever a ordem de aquisição da linguagem e é no que estamos trabalhando agora.
No meu laboratório, onde estamos pesquisando, no MIT -- este é o laboratório de comunicação.
Isto se tornou a minha maneira favorita de videografar sobre qualquer espaço.
Três das principais pessoas neste projeto Philip DeCamp, Rony Kubat e Brandon Roy estão nesta fotografia.
Philip tem sido um colaborador muito próximo em todas as visualizações que vocês viram.
E Michael Fleischman era outro estudante de PH. D. no meu laboratório que trabalhou comigo na análise deste vídeo caseiro e ele fez a seguinte observação: que "a maneira pela qual nós estamos analisando como a linguagem se conecta com eventos os quais fornecem um campo comum para a linguagem, essa mesma idéia podemos pegar fora da nossa casa, Deb, e podemos aplicá-la ao mundo da comunicação pública.".
E então nosso esforço deu uma virada inesperada.
Pensem na comunicação de massa como fornecendo um campo comum e vocês têm a receita para levar esta idéia a um novo contexto.
Nós começamos a analisar o conteúdo televisivo usando o mesmo princípio - analizando a estrutura de um evento de um sinal de TV - episódios de shows, comerciais, todos os componentes que fazem a estrutura do evento.
E estamos agora, com discos de satélites, captando e analisando uma boa parte de toda a TV que é vista nos Estados Unidos.
E vocês não tem mais que instalar microfones em todas as salas de estar para captar a conversa das pessoas, basta sintonizarem no conteúdo público de comunicação social disponível.
Então estamos recebendo cerca de três bilhões de comentários por mês. E então a magia acontece.
Vocês têm a estutura do evento, o campo comum das palavras, vindos dos programas de televisão, vocês têm as conversas que são sobre aqueles tópicos; e através da análise semântica -- e essas são informações reais que vocês estão vendo do nosso processador de informações -- cada linha amarela está mostrando um elo sendo feito entre um comentário no ar e uma peça da estrutura de um evento vindo de um sinal de televisão.
E a mesma idéia agora pode ser construída.
E nós temos esta paisagem de palavra, exceto que agora as palavras não são montadas na minha sala.
Em vez disso, o contexto, o campo comum de atividades são o conteúdo na televisão que está dirigindo a conversa.
E o que nós estamos vendo aqui, estes arranha-céus agora são comentários que estão ligados ao conteúdo na televisão.
O mesmo conceito, mas olhando a dinâmica da comunicação em uma esfera diferente.
E então fundamentalmente, em vez de, por exemplo, medir o conteúdo baseado na quantidade de pessoas que está assistindo, isto nos dá a informação básica para procurar propriedades de conexão do conteúdo.
E assim como podemos olhar os ciclos de retorno e dinâmicas numa família, nós podemos agora abrir os mesmos conceitos e olhar para grupos muito maiores de pessoas.
Isto é um subconjunto de dados da nossa base de dados - apenas 50 mil de diversos milhões - e o gráfico social que os conecta através de fontes públicas disponíveis.
E se vocês os colocam em um plano, um segundo plano é onde está o conteúdo.
Então nós temos os programas e os eventos esportivos e os comerciais, e todas as estruturas que os conectam fazem um gráfico de conteúdo.
E então a importante terceira dimensão.
Cada uma das conexões que vocês vêem apresentadas aqui é uma conexão real feita entre alguma coisa que alguém disse e uma parte de conteúdo.
E existem, de novo, agora dezenas de milhões dessas ligações que nos dão o tecido conectivo do gráfico social e como ele se relaciona ao conteúdo.
E agora podemos começar a examinar a estrutura de maneiras interessantes.
Então se, por exemplo, delineamos o caminho de uma parte do conteúdo que conduz alguém a comentá-lo, então nós seguimos onde aquele comentário vai, vemos o gráfico social completo que se ativa e voltamos para ver a relação entre o gráfico social e o conteúdo, uma estrutura muito interessante se torna visível.
Nós chamamos isto uma co-visão fechada uma sala de estar virtual, se preferirem.
E existem dinâmicas fascinantes em jogo.
Não é um caminho único.
Uma parte do conteúdo, um evento, motiva pessoas a falar.
Eles falam com outras pessoas.
Isso conduz a um comportamento sintonizado de retorno aos meios de massa, e vocês têm estes ciclos que conduzem ao comportamento global.
Outro exemplo - bem diferente -- outra pessoa real em nossa base de dados -- e estamos encontrando pelo menos centenas, se não milhares delas.
E demos um nome a esta pessoa.
Esta é uma pró-amadora, ou pro-am, crítica de mídia que tem esta elevada taxa de assistência.
Então muita gente está seguindo esta pessoa - muito influente - e elas têm a propensão de falar sobre o que acontece na TV.
Então esta pessoa é um elo chave na conexão dos meios de massa e dos meios sociais juntos.
Um último exemplo destes dados. Às vezes, é na verdade, um segmento de conteúdo que é especial.
Então se olharmos este segmento de conteúdo, discurso do Presidente Obama na sessão de abertura do Congresso há algumas semanas, e olharmos o que encontramos neste mesmo conjunto de dados, na mesma escala, as propriedades de conexão deste segmento de conteúdo são verdadeiramente notáveis.
A nação explodindo em conversações em tempo real em resposta ao que acontece na transmissão.
E sem dúvida, através de todas estas linhas estão fluindo linguagens não estruturadas.
Podemos radiografar e conseguir em tempo real a pulsação de uma nação, percepção em tempo real das reações sociais nos diferentes circuitos no gráfico social sendo ativadas pelo conteúdo.
Resumindo, a ideia é esta: À medida que o nosso mundo se torna mais instrumentalizado e nós temos as capacidades de coletar e conectar os pontos entre o que as pessoas estão dizendo e o contexto no qual elas o estão dizendo, o que emerge é uma habilidade de ver novas estuturas sociais e dinâmicas que ainda não tinham sido vistas.
É como construir um microscópio ou telescópio e revelar novas estruturas sobre o nosso próprio comportamento em torno da comunicação.
E eu penso que as implicações aqui são profundas, quer sejam para a ciência, para o comércio, para o governo, ou talvez acima de tudo, para nós como indivíduos.
E então apenas para voltar ao meu filho, enquanto eu preparava esta apresentação, ele olhava sobre o meu ombro, e eu mostrei a ele os clips que iria apresentar a vocês hoje, e eu pedi permissão a ele - a sério.
E então eu comecei a refletir, "Não é fantástico, esta completa base de dados, todas estas gravações, vou entregar a você e a sua irmã," que chegou dois anos depois. "E vocês poderão voltar no tempo e re-experimentar momentos que vocês nunca poderiam, com sua memória biológica, possivelmente lembrar da maneira que agora podem".
E ele ficou quieto por um momento.
E eu pensei, "O que estou pensando?
Ele tem cinco anos de idade. Não vai entender isto."
E enquando eu estava tendo esse pensamento, ele olhou para mim e disse, "Então quando eu crescer, posso mostrar isto para os meus filhos?"
E eu pensei. "Uau, isto é uma coisa poderosa."
Então eu quero deixá-los com um último momento memorável da minha família.
Esta é a primeira vez que o nosso filho deu mais que dois passos de uma vez - captados em filme.
E eu quero que vocês se fixem nisso à medida que os conduzo.
É um ambiente desordenado, é vida real.
Minha mãe na cozinha, cozinhando e, de tantos lugares, no corredor, compreendi que ele estava pronto, a ponto de dar mais de dois passos.
E então vocês me ouvem encorajando-o, compreendendo o que estava acontecendo, e então a mágica acontece.
Ouçam com cuidado.
Por volta do terceiro passo, ele entende que alguma coisa mágica está acontecendo. E o mais surpreendente círculo de resposta acontece, e ele inspira, e murmura "uau" e instintivamente eu digo o mesmo.
E então vamos voar de volta no tempo àquele momento memorável.
DR. Ei.
Vem aqui.
Você pode fazer isto?
Meu Deus.
Você pode fazer isto?
Nenem: Sim.
DR. Mãe, ele está andando.
DR. Muito obrigado.
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No ano passado, na TED, nós decidimos tentar esclarecer a enorme complexidade e riqueza que nós experienciamos nesta Conferência, num projeto chamado Big Viz.
E Big Viz é uma coleção de 650 desenhos que foram feitos por 2 artistas visuais.
O David Sibbet, do "The Grove", e o Kevin Richards, do "Autodesk", fizeram 650 desenhos que tentam capturar a essência das idéias de cada apresentador.
E o consenso foi de que isto realmente funcionou.
Estes desenhos trouxeram à vida as idéias-chave, os retratos, os momentos mágicos que nós todos experienciamos no ano passado.
Este ano nós estávamos pensando, "por que isto funciona?"
O que é que há nos desenhos animados, gráficos, ilutrações, que cria um sentido à eles?
Esta é uma questão importante para se perguntar e responder. Porque, quanto mais nós entendermos como o cérebro cria sentido, melhor nós poderemos comunicar. E eu também penso, pensaremos melhor colaborando juntos.
Portanto, este ano nós vamos visualizar como o cérebro visualiza.
Os psicólogos cognitivos nos dizem agora que o cérebro na verdade não vê o mundo como ele é, e sim que ele cria uma série de modelos mentais através de uma série de momentos "Ah-ha!", ou momentos de descoberta, através de vários processos.
O processo, é claro, começa com os olhos.
A luz entra, bate na parte posterior da retina, e circula, e a maior parte é dirigida à parte posterior do cérebro, aonde fica o córtex visual primário.
E o cortéx visual primário vê somente geometria simples, só os mais simples formatos.
Mas ele também atua como uma espécie de estação de ligação, que re-irradia e redirige a informação para várias outras partes do cérebro.
Cerca de 30 outras partes, seletivamente, fazem mais sentido, criando mais significado através desta espécie de experiencia "Ah-ah!".
Nós só vamos falar sobre três delas.
A primeira é chamada de feixe ventral.
Fica neste lado do cérebro.
E esta é a parte do cérebro que vai reconhecer o que algo é.
É o detector de "o que".
Ver uma mão. Ver um controle remoto. Cadeira. Livro.
Portanto esta é a parte do cérebro que é ativada quando você nomeia algo.
A segunda parte do cérebro é chamada de feixe ventral.
O que ela faz é localizar o objeto no espaço físico.
Portanto, se você olhar em volta do palco aqui, você vai criar um mapa mental do palco.
E se você fechar os olho, poderá "navegar" mentalmente o palco.
Você estará ativando o feixe dorsal, se fizer isto.
A terceira parte da qual eu gostaria de falar é o sistema límbico.
E ese se situa profundamente dentro do cérebro. É muito antigo, do ponto de vista evolucionário,
e é a parte que sente.
É como a parte da intuição, quando você vê uma imagem, e sente algo como: "Oh! eu tenho uma sensação forte, ou emocional ao que estou vendo".
A atividade combinada destes 3 centros processadores nos auxilia a criar significado, de várias maneiras diferentes.
O que podemos aprender sobre isto? Como podemos aplicar este insight?
Novamente, a visão esquemática é que o olho interroga visulamente o que vemos.
O cérebro processa isto em paralelo, em pedaços de informação, perguntando uma série de questões, para criar um modelo mental unificado.
Por exemplo, quando você olha para esta imagem, uma boa imagem gráfica convida o olho a passear por ela, a seletivamente criar lógica visual.
Portanto, o ato de se engajar e olhar a imagem cria o sentido.
É a lógica seletiva.
Agora, nós aumentamos e colocamos esta informação numa forma espacial.
Vários de vocês lembrarão da parede mágica que nós construimos junto com a equipe da Perceptive Pixel, na qual nós literalmente criamos uma parede infinita.
E agora nós podemos comparar e contrastar grandes idéias.
Portanto o ato de se engajar e criar imagens interativas enriquece o significado.
Ele ativa uma parte diferente do cérebro.
E em seguida o sistema límbico é ativado quando vemos o movimento, quando vemos cor, e há detectores de formas primárias e padrões, sobre os quais nós ouvimos falar anteriormente.
Qual é o ponto importante disto?
Nós criamos sentido através da visão, através de um ato de interrogação visual.
As lições contidas são 3:
-primeiro, use imagens para clarificar o que você está tentando comunicar.
-segundo, faça com que estas imagens sejam interativas, de forma que nós nos engajemos muito mais completamente.
-terceiro, aumente a memória criando uma persistência visual.
Estas são técnicas que podem ser usadas para - que podem ser aplicadas a uma vasta gama de problemas.
A visão low-tech parece com isto.
E, a propósito, esta é a maneira como nós desenvolvemos e formulamos estratégias na Autodesk, em algumas das nossas organizações e divisões.
O que nós fazemos, literalmente, é que as equipes desenham todo o plano estratégico numa parede gigante.
E isto é muito poderoso, porque todo mundo consegue ver tudo.
Sempre há uma sala, um local onde se pode fazer sentido de todos os componentes do plano estratégico.
Isto é uma visão temporal.
Você pode perguntar, "quem é o chefe do grupo?"
Você poderá concluir quem ele é.
Portanto, o ato de contruir coletivamente e colaborativamente a construção da imagem, transforma a colaboração.
Não se usa nenhum Powerpoint durante 2 dias.
Ao invés disto, toda a equipe cria um modelo mental compartilhado sobre o qual todos estão de acordo, e prosseguem com ele.
E isto pode ser aumentado e melhorado com algumas das novas tecnologias digitais.
E isto é a nossa grande apresentação para hoje.
Isto é um conjunto de novas tecnologias que usam grandes telas com cálculo inteligente no pano de fundo fazendo com que o invisível se torne visível.
Aqui, o que nós podemos fazer é olhar a sustentabilidade, literalmente.
Uma equipe pode ver, de verdade, todos os componentes-chave que energizam a estrutura, e fazer escolhas, e ver o resultado final, que é visualizado na tela.
Portanto, fazer imagens com significado tem 3 componentes.
O primeiro é tornar as idéias claras, visualizando-as.
Segundo, fazê-las interativas.
E terceiro, fazê-las persistentes.
Eu acredito que estes 3 principios podem ser aplicados na resolução de alguns problemas muito difíceis que nós encontramos no mundo de hoje. Muito obrigado!
-aplauso-
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Muito obrigado.
Eu tenho algumas imagens, e irei falar um pouco sobre como pude fazer o que faço.
Todas essas casas foram construídas entre 70% e 80% de material reciclado, coisas que seriam processadas, enviadas a lixões, queimadas.
Estava tudo acabado.
Esta foi a primeira casa que construí.
Está porta de entrada dupla com três luzes transom, estava designado para o lixão.
Temos uma pequena torre aqui.
E estes botões aqui --
Bem aqui estes são nozes de nogueira.
E este botões aqui, estes são ovos de galinha.
É claro, primeiro você toma café da manhã, e então você enche a casca com resina e pinta e lixa, e então você tem um botão arquitetônico em uma fração de tempo.
Aqui é uma visão do interior.
Você pode ver as três luzes transom aqui com as janelas sombrancelhas -- certamente uma antiguidade arquitetural. Designada para o lixão.
Até o conjunto de fechadura deve valer $200.
Tudo na cozinha foi resgatado.
Tem um fogão O'Keefe & Merritt de 1952, se você gosta de cozinhar -- fogão legal.
Isto sobe até a pequena torre.
Consegui essa escada por 20, incluindo a entrega no meu terreno.
Então, olhando para cima na torre, você vê que tem saliências e furos e espaços e assim adiante.
Bem, se isto arruinará sua vida, então você não deveria viver aqui.
Esta é uma foto da lavanderia, e está à direita é um sapato usado.
E estas são aquelas coisas de ferro fundido que se vê em lojas de antiguidade.
Então eu tinha um destes, e então eu fiz uma invenção low-tech aqui em que você apenas pressiona o sapato usado e então a porta abre, você joga sua roupa suja.
E então se você for esperto, ela desce em uma cesta em cima da máquina de lavar.
Se não, pode ir para a privada.
Esta é uma banheira que fiz, feita de fragmentos 2 por 4 aqui.
Começou com uma beirada aqui e então colei e preguei na parte lisa, Fiz a volta e virei, então fiz os dois perfis deste lado.
É uma banheira para 2 pessoas.
Afinal, não é apenas uma questão de higiene, mas tem a possibilidade de recreação também.
Então esta torneira aqui é uma peça de osage orange.
Ela parece um pouco fálica, mas afinal, é um banheiro.
Então esta casa é baseada numa latinha de Budweiser.
Ela não se parece com uma lata de cerveja, mas o design decolagem é absolutamente inconfundível.
O escasso design sobe até o início do telhado, então o trabalho dental vem diretamente das latas vermelha, branca, azul e prata.
Então estes detalhes que descem embaixo das telhas são aquele pequeno design que sai da lata.
Eu apenas coloquei uma lata numa copiadora e fui aumentando até que ficasse do tamanho que queria.
Então, na lata diz, "Está e a famosa cerveja Budweiser, não sabemos de nenhuma outra cerveja, blá, blá, blá."
Então mudamos isto e colocamos, "Está e a famosa casa Budweiser.
Não sabemos de nenhuma outra casa," até então e assim vai.
E isto é uma fechadura. Tinha uma ferramenta de uma máquina de 1930, que é uma máquina de trabalho em madeira muito perigosa.
E eles me deram a ferramenta, mas eles não me deram a máquina, Então fizemos uma fechadura com ela.
Isto irá manter touros e elefantes fora, eu prometo.
E é claro, não tivemos problemas com touros e elefantes.
O chuveiro foi feito para simular um copo de cerveja.
Temos bolhas subindo aqui, e água com sabão nos azulejos com volume.
Onde se compra azulejos com volume? Bem, é claro, que não se compra.
Mas eu faço muitos banheiros, e você desmonta um banheiro com um martelo, e então você tem azulejos com volume.
E então a torneira aqui é uma torneira de cervejaria.
Então este painel de vidro é o mesmo painel de vidro que existe em toda porta da frente de classe média na América.
Estamos cansados disto; é um tipo de clichê atualmente.
Então se você a coloca na porta da frente, seu design falha.
Então não coloque na porta da frente, ponha em outro lugar.
É um bonito painel de vidro.
Mas quando você o coloca na porta da frente, as pessoas dizem, "Oh, você está tentando ser como aqueles caras, mas não conseguiu."
Então não coloque ali.
Então outro banheiro no andar de cima.
Está luz aqui é a mesma luz que está no foyer de toda classe média da América.
Não a coloque no foyer.
Coloque-a no chuveiro, ou no closet, mas não no foyer.
Então alguém me deu um bidê, então eu tinha um bidê.
Esta pequena casa aqui, estes galhos aqui são feitos de madeira d'arc ou osage orange, e estas imagens continuarão passando enquanto eu falo um pouco
Para fazer o que faço, você tem que entender o que causa o desperdício na indústria da construção.
Nossa construção tornou-se um commodity, e irei falar um pouco sobre isso.
Mas a primeira causa do desperdício está provavelmente enterrada em nosso DNA.
Seres humanos têm uma necessidade de manter consistência para a consciência da massa.
O que isso significa?
O que significa é, para cada percepção que temos, é preciso relacioná-la com a que gostávamos antes, ou não teremos uma continuidade, e nos tornamos um pouco desorientados.
Então posso lhe mostrar um objeto que você nunca viu.
Oh, isto é um celular.
Mas você nunca viu este antes.
O que você está fazendo é costurar o padrão estrutural apresentado aqui, e então você vai ao seu banco de dados -- brrrr, celular.
Oh, isto é um celular.
Se eu tirar um pedaço dele, você diria, "Espere um pouco.
Isto não é um celular.
Isto é daqueles novos celulares de chocolate."
E você tera´que criar uma nova categoria, entre celulares e chocolate.
É assim que processamos informação.
Então você traduz isto para a indústria da construção, se temos uma parede de painéis de vidro e um está rachado, dizemos, "Oh, querida. Está rachado. Vamos consertar.
Vamos tirá-lo, jogá-lo fora para ninguém usar e colocar um novo."
Porque isto é o que você faz com um painel rachado.
Não se preocupa se isto não afeta nossas vidas.
Isto apenas atrapalha aquele padrão estabelecido e a unidade estrutural aparente.
No entanto, se pegarmos um pequeno martelo, e adicionar rachaduras em todas as outras janelas, aí teremos um padrão.
Porque a psicologia gestalt enfatiza o reconhecimento de padrões em detrimento das partes que o compõem.
Diremos, "Ooh, isto é bom."
Então, isto me atende todos os dias.
Repetição cria padrões.
Se tenho cem deste, cem daquele, não faz diferença o que este ou aquele são.
Se consigo repetir algo, tenho a possibilidade de um padrão, de nozes de nogueira a ovos de galinha, fragmentos de vidro, ou galhos.
Não faz nenhuma diferença.
Isto causa muito desperdício na indústria da construção.
Segundo é, Friedrich Nietzsche ao longo de 1885 escreveu um livro chamado "O Nascimento da Tragédia."
E nele dizia que culturas tendem a balançar entre uma de duas perspectivas.
De um lado, temos a perspectiva de Apolo, que é muito precisa e premeditada e intelectualizada e perfeita.
De outro lado do espectro, temos a perspectiva de Dionísio, que é mais dada à paixão e intuição, tolerante em texturas orgânicas e gestos humanos.
Então a forma como a personalidade Apolônica tira uma foto, ou segura uma foto, é que eles tirarão um transferidor, um medidor de nível a laser e um micrômetro.
"Ok, querido. Alguns milímetros para a esquerda.
É aí que queremos o quadro. Certo. perfeito."
Estabelecido com um medidor de prumo, esquadro e centralizado.
A personalidade Dionísiaca tira uma foto e vai.
Esta é a diferença.
Eu realço o defeito.
Eu realço o processo orgânico --
ponto-morto John Dewey.
O modo de pensar Apolônico cria montanhas de desperdício.
Se algo não está perfeito, se algo não está de acordo com um modelo pre-estabelecido, lixão.
"Oops, arranhado, lixão.
Oops isto, oops aquilo. Aterro. Aterro. Aterro."
A terceira coisa é questionável -- a Revolução Industrial começou na Renascença com a ascensão do humanismo então aconteceu um salto durante a Revolução Francesa.
No meio do século 19, estava em pleno florescimento.
E temos geringonças e aparatos e engenhocas que fazem qualquer coisa que nós, até certo ponto, tínhamos que fazer com a mão.
Então agora temos materiais padronizados.
Bem, árvores não crescem 2 por 4 polegadas 8, 10 ou 12 pés de altura.
Criamos montanhas de desperdício.
E eles estão fazendo um bom trabalho lá na floresta, trabalhando todos os sub-produtos de sua indústria -- com compensados e aglomerados e assim por diante -- mas não adianta sermos responsáveis nos pontos de produção se consumidores estão desperdiçando essa produção no ponto de consumo, e é isto que está acontecendo.
Então, se algo não é padrão, "Oops, lixão. Oops isso. Oops, deformado."
Se você compra um 2 por 4 e não está reto, você pode devolvê-lo.
"Oh, sinto muito, senhor. Iremos lhe dar um reto."
Bem eu valorizo todas essas coisas deformadas, porque repetição cria um padrão, e é a partir de uma perspectiva Dionisíaca.
A quarta coisa é que trabalho é desproporcionalmente mais caro que materiais.
Bem isto é apenas um mito.
E aqui está uma história: Jim Tulles, um dos caras que treinei, Eu disse, "Jim, está na hora.
Eu consegui um trabalho para você como mestre de obras de uma fazenda. É hora de você ir."
"Dan, eu não acho que esteja pronto."
"Jim, agora é a hora. Você é o cara, oh."
Então nós contratamos.
E ele ficava lá fora com essa fita métrica indo para o amontoado de lixo, procurador por material -- qual é a tábua que vai sobre a porta -- achando que iria impressionar o chefe -- foi assim que o ensinamos.
E o superintendente apareceu e disse, "O que você está fazendo?"
"Oh, apenas procurando algum material," esperando por aquele momento de glória.
Ele disse, "Não, não. Eu não estou te pagando para revirar o lixo. Volte ao trabalho."
E ele teve a ousadia de dizer, ele disse, "Bem, se você estivesse me pagando 300 dólares a hora, eu entenderia porque disse isso, mas agora, eu estou economizando para você 5 dólares por minuto.
Faça as contas."
"Bem lembrado, Tulles. De agora em diante, vocês conferem essa pilha antes."
E a ironia é que ele nem era muito bom em matemática.
Mas de vez em quando você consegue acesso a sala de controle, e então você pode meio que bagunçar os discos.
E isto é o que aconteceu aqui.
A quinta coisa é que talvez após 2500 anos, Platão ainda nos influencia com sua maneira e noção das formas perfeitas.
Ele disse que temos em nossa cabeça a ideia perfeita do que queremos, e forçamos os recursos ambientais a acomodá-la.
Então todos temos em nossa cabeça a casa perfeita, o sonho Americano, que é uma casa -- a casa dos sonhos.
O problema é que não podemos sustentá-la.
Então temos o quase-sonho Americano, que é uma casa-móvel.
Agora isso tem se tornado uma contaminação no planeta.
É uma alienação fiduciária assim como móveis, assim como o carro.
Você assina o cheque, e instantaneamente ele deprecia 30%.
Depois de um ano, você não consegue seguro para tudo que tem, apenas em 70%.
Cabos de bitola 14 são comuns.
Nada de errado com isso, a menos que você queira que el faça o que cabos de bitola 12 fazem, e é isto que acontece.
Ele solta tantos gases formaldeído que existe uma lei federal em questão para avisar novos compradores de casas do perigo da atmosfera do formaldeído.
Estamos sendo apenas estupidamente insensíveis?
As paredes são grossas assim.
A coisa toda tinha o valor estrutural do milho.
"Então eu pensei que a vila Palm Harbor estava ali."
"Não, não. Tivemos vento na última noite.
Se foi agora."
Então quando eles se desintegram, o que fazem com eles?
Agora, tudo isso, o Apolônico, o modelo Platônico, é o que a indústria da construção tem como virtude, e existe um número de coisas que exacerbam isso.
Uma é que todos os profissionais, todos os comerciantes, vendedores, inspetores, engenheitos, arquitetos todos pensam assim.
E então isto volta para o consumidor que pede o mesmo modelo.
É uma profesia já incutida. Não conseguimos sair dela.
Então aqui entram os marketeiros e anunciantes.
"Woo. Woohooo."
Compramos coisas que nem sabíamos que precisávamos.
Tudo o que temos a fazer é olhar o que uma companhia fez com suco de ameixa com carbonato.
Que nojento.
Mas você sabe o que eles fizeram? Eles associaram uma metáfora a ele e disseram, "Eu bebo Dr. Pepper."
E logo, nós engolimos aquela coisa aos montes, bilhões de galões.
E a coisa nem tinha ameixas reais -- nem mesmo te mantinha regular.
Ai, ai ainda tornava pior.
E caímos nessa mais rápido que qualquer outra coisa.
Então um homem chamado Jean-Paul Sartre escreveu um livro intitulado "O Ser e o Nada."
É uma leitura bem rápida.
Você pode ler rapidinho em cerca de 2 anos, se ler por volta de oito horas por dia.
Lá ele falava sobre a divisão do eu.
Ele disse que seres humanos agem diferentemente quando sabem que estão sozinhos do que quando sabem que tem alguém em volta.
Então se estou comendo spaghetti, e sei que estou sozinho, Posso comer como uma escavadeira.
Posso limpar minha boca na manga -- guardanapo na mesa, mastigar com minha boca aberta, fazer barulhinhos, coçar onde quiser.
Mas assim que você entra. eu faço, "Ooh. Molho de spaghetti aqui."
Guardanapo no colo, pequenas mordidas, mastigo com minha boca fechada, não coço.
Agora o que estou fazendo é preencher suas expectativas sobre como devo viver minha vida.
Eu sinto essa expectativa, e então eu a acomodo, e eu vivo minha vida de acordo com o que você espera que eu faça.
Isto acontece na indústria da construção também.
É por isto que todas as nossas subdivisões parecem iguais.
Algumas vezes até temos estas expectativas formalizadas culturalmente.
Eu aposto que todos os seus sapatos combinam.
Com certeza, todos caimos nessa, e com condomínios, temos uma expectativa formalizada com uma associação de proprietários.
Às vezes esses caras são Nazistas, ai, meu Deus.
Isso exacerba e dá continuidade a esse modelo.
A última coisa é um gregarismo.
Seres humanos são espécies sociais.
Gostamos de andar em grupos, assim como gnus, assim como leões.
Gnus não andam com leões porque leões comem gnus.
Seres humanos são assim.
Fazemos o que o grupo faz aquilo que conseguimos identificar com eles.
E você vê muito isso no colegial.
Essas crianças, trabalham durante todo o verão, se matam, para que consigam comprar um par de jeans da moda,
assim até setembro ele podem entrar nele e ir, "Sou importante hoje.
Veja, olhe, não toque no meu jeans da moda.
Eu vejo que você não tem jeans da moda.
Você não faz parte das pessoas maravilhosas.
Veja, eu sou parte das pessoas maravilhosas. Viram meu jeans?"
Bem aí é motivo suficiente para se ter uniforme.
E então isso acontece na indústria da construção também.
Nós confundimos a hierarquia das necessidades de Maslow apenas um pouquinho.
Na camada de baixo temos as necessidades básicas -- abrigo, roupas, comida, água, acasalamento e assim vai.
Segundo, segurança. Terceiro, relações.
Quarto, status, auto-estima -- isto é vaidade.
E estamos pegando a vaidade e colocando-a aqui em baixo.
Então acabamos tomando decisões inúteis e nós nem podemos pagar nossa hipoteca,
nós nem podem comer outra coisa que não seja feijões.
Assim é, nossa residência se transformou em commodity,
e é preciso um pouco de coragem para mergulhar nessa primitiva e assustadora parte de nós mesmos e tomar nossas próprias decisões e não fazer nossa residência um commodity, mas fazê-la algo que borbulha de recursos seminais.
Isso precisa um pouco de coragem, e, droga, uma vez ou outra você falha.
Mas está tudo bem.
Se o fracasso te destruir, então você pode fazer isso.
Eu fracasso todo o tempo, todo dia, e tive alguns fracassos gritantes, eu juro, foram grandes, públicos, humilhantes, envergonhantes fracassos.
Todo mundo apontava e ria, e diziam, "Ele tentou pela quinta vez e ainda assim não funciona.
Que idiota."
Logo, os empreiteiros vieram e disseram, "Dan, você é um lindo coelhinho, mas você sabe, isto não está funcionando.
Por que você não faz assim, e porque não faz de outro jeito?"
E seu instinto quer dizer, "Porque você não vai chupar ovo."
Mas você não diz isso, porque eles são os caras que você está mirando.
E então o que fizemos -- e isto não é apenas na construção;
é no vestuário e na comida e em nossas necessidade de transporte e energia -- esticamos apenas um pouquinho.
E quando tenho algum tipo de visibilidade na imprensa, ouço pessoas de todo mundo.
E podemos ter inventado o excesso, mas o problema do desperdício é mundial.
Estamos em perigo.
E não estou usando cintos de munição até o meu peito e uma bandana vermelha. Mas estamos claramente em perigo.
E o que precisamos fazer é reconectar com as partes mais essenciais de nós mesmos e tomar algumas decisões e dizer, "Você sabe, eu acho que gostaria de colocar CD's naquela parede ali.
O que você acha, querida?"
Se não funcionar, tire-os.
O que precisamos fazer é nos reconectar com quem realmente somos, e isto é muito excitante.
Muito obrigado
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Há uns 10 anos, assumi a tarefa de ensinar desenvolvimento global a estudantes universitários suecos. Isto foi após ter passado cerca de 20 anos em instituições africanas estudando a fome na África, então esperava-se que eu soubesse um pouco sobre o mundo.
Iniciei na nossa faculdade de medicina, Karolinska Institute, um curso para universitários, chamado Saúde Global. Quando surge uma oportunidade dessas, fica-se um pouco nervoso. Estes estudantes que aqui chegam, pensei eu, têm as maiores notas que se pode obter nos sistemas educacionais suecos, então talvez já saibam tudo que lhes estou prestes a ensinar. Quando chegaram, fiz um pré-teste.
Um dos assuntos sobre os quais aprendi muita coisa foi: “Que país tem a maior taxa de mortalidade dentre estes cinco pares?”
Juntei-os de forma que em cada par de países, um tivesse o dobro da taxa de mortalidade do outro. Isto significa que a diferença é muito maior do que a incerteza quanto aos dados.
Não pretendo testá-los aqui, mas é a Turquia e depois Polônia, Rússia, Paquistão e África do Sul.
E estes foram os resultados dos estudantes suecos. Dessa forma obtive o intervalo de confiança, que é bem estreito, e fiquei feliz, claro: 1, 8 respostas certas dentre cinco possíveis. Significa que havia lugar para um professor de saúde internacional – e para meu curso.
Uma noite, bem tarde, quando eu compilava o relatório, compreendi realmente minha descoberta. Mostrei que os melhores estudantes sabiam, estatisticamente, muito menos sobre o mundo do que os chimpanzés.
Os chimpanzés acertariam a metade se eu lhes desse duas bananas com Sri Lanka e Turquia. Na metade dos casos estariam certos.
Mas os estudantes não estão lá. Para mim, o problema não era a ignorância: eram idéias preconcebidas.
Também fiz uma pesquisa não ética dos professores do Karolinska Institute -- que distribui o Prêmio Nobel de Medicina, e eles estão empatados com os chimpanzés.
Então entendi que havia realmente uma necessidade de comunicar, devido aos dados sobre o que acontecia no mundo e a saúde das crianças de que cada país tem consciência.
Fizemos este software que exibe os fatos assim: cada bolha é um país.
Este país aqui é a China. Este é a Índia.
O tamanho da bolha é a população e neste eixo aqui pus a taxa de fertilidade.
Por causa dos meus estudantes, pelo que disseram quando olharam para o mundo e lhes perguntei: “O que é que vocês realmente pensam sobre o mundo?”
Primeiro descobri que o livro texto era, principalmente, ficção.
Disseram: “O mundo ainda é sobre “nós” e “eles”. Somos o mundo ocidental e eles são o Terceiro Mundo.”
“E o que entendem por Terceiro Mundo?”, perguntei.
“Bem, temos vida longa e família pequena. O Terceiro Mundo tem vida curta e família grande.”
Foi o que pude exibir aqui. Pus a taxa de fertilidade aqui: número de filhos por mulher, um, dois, três, quatro, até oito filhos por mulher.
Temos bons dados desde 1962 ou 1960 sobre as famílias em todos os países.
A margem de erro é estreita. Aqui está a expectativa de vida no nascimento, desde 30 anos em alguns países até uns 70 anos.
Em 1962 havia um grupo grande de países aqui. Países industrializados, com famílias pequenas e vida longa.
E estes eram países em desenvolvimento: tinham famílias grandes e vidas relativamente curtas.
O que aconteceu desde 1962? Queremos ver a mudança.
Os estudantes estão certos? Ainda existem dois tipos de países?
Ou estes países em desenvolvimento tiveram famílias menores e vivem aqui?
Ou tiveram vidas longas e vivem ali?
Vejamos. Paramos o mundo. Estas são estatísticas das Nações Unidas que ficaram disponíveis. Vamos lá. Conseguem ver ali?
É a China ali, esforçando-se para melhorar a saúde, melhorando ali.
Os países verdes da América Latina tendem a ter famílias menores.
Os amarelos aqui são os países árabes, eles têm famílias maiores mas -- não, vida mais longa, mas não famílias maiores.
Os africanos são os verdes aqui em baixo. Ainda continuam aqui.
Isto é a Índia e a Indonésia, prosseguindo bem rápido.
E aqui, na década de 80, está Bangladesh, ainda entre os países africanos ali.
Mas agora Bangladesh – é um milagre o que acontece na década de 80: os imãs começam a promover o planejamento familiar.
Subiram para aquele canto. E nos anos 90 temos a terrível epidemia de HIV que reduz a expectativa de vida dos países africanos e o restante se desloca para cima, para o canto, onde temos vidas longas, famílias pequenas, e vemos um mundo totalmente novo.
Vamos fazer uma comparação direta entre os Estados Unidos e o Vietnã.
1964. Nos Estados Unidos as famílias são pequenas e a vida é longa, no Vietnã as famílias são grandes e a vida é curta. E acontece o seguinte: os dados durante a guerra indicam que, mesmo com todas as mortes, houve melhoria na expectativa de vida. Ao final do ano começou o planejamento familiar no Vietnã e o tamanho das famílias diminuiu.
Os Estados Unidos estão lá em cima, conseguindo vidas mais longas, mantendo o tamanho das famílias. E agora nos anos 80, desistiram do planejamento comunista e se viram para a economia de mercado, um movimento mais rápido do que a vida social. Hoje em dia temos aqui no Vietnã a mesma expectativa de vida e o mesmo tamanho de família, em 2003, como nos Estados Unidos em 1974, ao final da guerra.
Acho que nós – se não prestarmos atenção aos dados – subestimamos a tremenda mudança na Ásia, que passava por mudanças sociais antes de virmos a mudança econômica.
Vejamos outro modo para conseguirmos exibir a distribuição da renda no mundo. Esta é a distribuição da renda das pessoas no mundo.
Um dólar, dez dólares ou 100 dólares por dia.
Não existe mais intervalo entre rico e pobre. Isto é um mito.
Há uma leve subida aqui. Mas há pessoas na curva toda.
E se olharmos onde a renda termina – a renda -- isto é o total dos rendimentos anuais do mundo. E os 20 por cento mais ricos, tiram daí uns 74 por cento e os 20 por cento mais pobres, tiram uns dois por cento. Isto mostra que o conceito de países em desenvolvimento é extremamente duvidoso. Pensamos em ajuda, como se estas pessoas estivessem ajudando estas aqui. Mas no meio, temos a maioria da população mundial, e eles agora têm 24 por cento da renda.
Ouvimos de outras maneiras. Quem são eles?
Onde estão os países diferentes? Posso mostrar-lhes a África.
Isto é a África. Dez por cento da população e a maioria na pobreza.
Isto é a OCDE. O país rico. O "country clube" das Nações Unidas.
Nós estamos deste lado. Quase uma superposição entre a África e a OCDE.
Aqui está a América Latina. Ela tem de tudo neste planeta, do mais pobre ao mais rico, na América Latina.
Sobre tudo isto podemos colocar a Europa Oriental, podemos colocar a Ásia Oriental, e colocamos o Sul da Ásia. Se voltarmos no tempo, como ela era, lá por 1970? Naquela época a curva era maior.
E a maioria dos que viviam na pobreza era de asiáticos.
O problema no mundo era a pobreza na Ásia. Se eu agora deixar o mundo seguir em frente, vocês verão que embora a população aumente, há centenas de milhões na Ásia saindo da pobreza e alguns outros entrando na pobreza, e este é o padrão atual.
A melhor projeção do Banco Mundial é que isto acontecerá, e não teremos um mundo dividido. Teremos a maioria das pessoas no meio.
É claro que esta é uma escala logarítmica, mas nosso conceito de economia é desenvolvimento com percentagem. Consideramos isso uma possibilidade de aumento percentual. Se eu mudar isto e pegar o PIB per capita em vez da renda familiar e transformar estes dados individuais em dados regionais de produto interno bruto, e consider as regiões ali em baixo, o tamanho da bolha ainda se refere à população.
A ali está a OCDE, e ali a África Subsaariana, e tiramos os estados árabes ali, vindo da África e da Ásia e os colocamos separados, e podemos aumentar este eixo, e dar uma nova dimensão aqui, somando os valores sociais ali e sobrevivência infantil.
Agora temos dinheiro naquele eixo e a possibilidade de sobrevivências das crianças ali.
Em alguns países, 99, 7 por cento das crianças sobrevivem até os cinco anos de idade; em outros, apenas 70. E aqui parece haver uma lacuna entre a OCDE, a América Latina, a Europa Oriental e a Ásia Oriental, os estados árabes, o sul da Ásia e a África Subsaariana.
A linearidade é bastante forte entre sobrevivência infantil e dinheiro.
Mas vamos dividir a África Subsaariana. Ali está a saúde e ali em cima está uma saúde melhor.
Posso vir aqui e dividir a África Subsaariana em seus países.
Quando explode, o tamanho da bolha do seu país é do tamanho da população.
Lá em baixo está Serra Leoa. Maurício lá em cima. Maurício foi o primeiro país a acabar com as barreiras comerciais e poder vender seu açúcar. Podiam vender artigos têxteis nas mesmas condições que as pessoas na Europa e na América do Norte.
Há uma enorme diferença entre a África. Gana está aqui no meio.
Em Serra Leoa, ajuda humanitária.
Aqui em Uganda, ajuda para desenvolvimento. Aqui, tempo para investir, ali, pode-se ir nas férias. Há uma variação enorme na África que raramente percebemos. Achamos que é tudo igual.
Posso dividir o sul da Ásia aqui. A Índia é a bolha grande no meio.
Mas há uma grande diferença entre o Afeganistão e o Sri Lanka.
Posso dividir os estados árabes. Como eles são? Mesmo clima, mesma cultura, mesma religião. Diferenças enormes. Mesmo entre vizinhos.
No Iêmen, guerra civil. Nos Emirados Árabes Unidos, o dinheiro foi bem aplicado e com bastante igualdade.
Não como diz o mito. E isto inclui as crianças de trabalhadores estrangeiros que estão no país.
Muitas vezes os dados são melhores do que se imagina. Muitas pessoas dizem que os dados são ruins.
Existe uma margem de incerteza, mas podemos ver a diferença aqui: Camboja, Singapura. As diferenças são muito maiores do que a fraqueza dos dados. Europa Oriental: Por muito tempo, economia soviética, mas dez anos mais tarde surgem muito, muito diferentes. Aqui está a América Latina.
Hoje em dia não precisamos ir a Cuba para encontrar um país saudável na América Latina.
Em alguns anos a taxa de mortalidade infantil no Chile será menor do que a de Cuba.
E aqui temos os países de alta renda na OCDE.
E aqui temos o padrão mundial completo, mais ou menos como isto. Se o observarmos, como se parece – no mundo, em 1960, ele começa a se mover. 1960.
Este é Mao Tse-tung. Ele trouxe saúde à China. Depois morreu.
Então chegou Deng Xiaoping e trouxe dinheiro à China, e a levou novamente à corrente dominante.
Vimos como os países se movem em direções diferentes, assim, então é um pouco difícil conseguir um país de exemplo que mostre o padrão mundial.
Gostaria de trazê-los de volta para cá, mais ou menos a 1960.
Gostaria de comparar a Coréia do Sul, que está aqui, com o Brasil, que está aqui. Neste ponto a etiqueta fugiu de mim. Eu gostaria de comparar Uganda, que está ali. Posso seguir em frente, assim.
Observem que a Coréia do Sul está avançando com muita rapidez, enquanto que o Brasil vai muito mais devagar.
Se retornarmos de novo, aqui, e colocarmos rastros neles, assim, vocês podem ver que a velocidade de desenvolvimento é muito, mas muito diferente e que os países estão se movendo mais ou menos na mesma proporção do dinheiro e da saúde, mas parece que você pode se mover com muito mais rapidez se primeiro estiver saudável do que se for rico.
Para mostrar isto, podemos colocar os Emirados Árabes Unidos no caminho.
Eles vieram daqui, um país mineral. Venderam todo o petróleo, conseguiram todo o dinheiro, mas não se pode comprar saúde em supermercados.
É preciso investir em saúde. As crianças têm que ir à escola.
É necessário treinar equipes de saúde. Educar a população.
O Xeque Sayed o fez de um modo bastante bom.
Apesar da queda no preço do petróleo, ele trouxe este país aqui para cima.
Assim temos um aspecto muito maior de corrente dominante do mundo, onde todos os países tendem a usar melhor seu dinheiro do que usaram no passado. Isto se vê, mais ou menos, se observarem os dados médios dos países. Eles são assim.
Usar média de dados é perigoso, porque há muitas diferenças entre países. Se olharmos ali, podemos ver que hoje Uganda está onde a Coréia do Sul estava em 1960. Se dividirmos Uganda, vemos a grande diferença no país. Estes são os quintis de Uganda.
Os 20 por cento mais ricos de Uganda estão ali.
Os mais pobres estão ali em baixo. Se dividirmos a África do Sul, é assim.
Se descermos e observarmos a Nigéria, onde houve uma escassez terrível, é assim. Os 20 por cento mais pobres da Nigéria estão aqui, e os 20 por cento mais ricos da África do Sul estão ali, e ainda tendemos a discutir como solucionar os problemas da África.
Tudo neste mundo existe na África. E você não pode discutir acesso universal ao HIV [medicina] para aquele quintil ali em cima com a mesma estratégia daqui de baixo. A melhoria do mundo precisa ser altamente contextualizada e não é relevante tê-la em nível regional. Temos que ser mais detalhados.
Achamos que os estudantes ficam muito animados quando podem usar isto.
E cada vez mais elaboradores de políticas e o setor corporativo gostariam de ver como o mundo está mudando. Por que isto não ocorre?
Por que não estamos usando os dados que temos? Temos dados nas Nações Unidas, nas agências nacionais de estatística e em universidades e outras organizações não governamentais.
Porque os dados estão ocultos nos bancos de dados.
E o público está aí, e a Internet está aí, mas ainda não a usamos com eficiência.
Todas as informações que vimos mudando no mundo não incluem estatísticas patrocinadas publicamente. Há algumas páginas na Internet como esta, mas são alimentadas pelos bancos de dados, e as pessoas estabelecem preços para elas, senhas estúpidas e estatísticas enfadonhas. Isto não vai funcionar. Então, o que é necessário? Temos os bancos de dados.
Vocês não precisam de novos bancos de dados. Temos ferramentas de projeto maravilhosas, e a cada momento são acrescentadas outras. Então começamos um empreendimento sem fins lucrativos que chamamos de – vinculação de dados a projeto - chamamos de Gapminder, do metrô de Londres, onde alertam: “Cuidado com o vão.” Então pensamos que o nome era apropriado.
Começamos a desenvolver um software que poderia juntar os dados desta forma.
Não foi muito difícil. Demorou alguns anos, e produzimos animações.
Você pode pegar um conjunto de dados e inseri-lo lá.
Estamos liberando dados das Nações Unidas, de algumas poucas organizações.
Alguns países aceitam a divulgação de seus bancos de dados ao mundo, mas o que realmente precisamos é, evidentemente, de uma função de busca.
Uma função de busca que nos permita copiar os dados em um formato adequado e revelá-los ao mundo. E o que ouvimos durante nossa busca?
Fiz antropologia nas principais unidades estatísticas. Todos dizem: “É impossível. Isto não pode ser feito. Nossas informações são muito peculiares quanto aos detalhes, então não é possível pesquisá-las como as outras.
Não podemos dar os dados de graça aos estudantes, de graça aos empreendedores do mundo.”
Mas é o que gostaríamos de ver, não é mesmo?
Os dados patrocinados publicamente estão ali em baixo.
E gostaríamos de ver flores crescendo na Internet.
Um dos pontos cruciais é torná-los passíveis de pesquisa, assim as pessoas podem usar uma ferramenta de projeto diferente para animá-los ali.
Tenho boas notícias para vocês. E boas notícias de que o novo e atual chefe das Estatísticas das Nações Unidas não diz que é impossível.
Ele só diz: “Nós não podemos fazê-lo.”
É um sujeito bastante esperto, não é mesmo?
Então podemos ver muita coisa acontecendo nos dados nos próximos anos.
Poderemos analisar distribuições de renda de formas totalmente diferentes.
Esta é a distribuição da renda na China, 1970.
Esta é a distribuição da renda nos Estados Unidos, 1970.
Quase sem superposição. Quase sem superposição. O que aconteceu?
Aconteceu que a China está em crescimento, não será mais tão igual por muito tempo, e está aparecendo aqui, com vista para os Estados Unidos.
Quase como um fantasma, não é?
É bem assustador, mas considero muito importante ter tais informações.
Nós realmente precisamos vê-las. Em vez de olhar para isto, eu gostaria de acabar mostrando os usuários de Internet por 1000.
Neste software, acessamos cerca de 500 variáveis de todos os países com muita facilidade.
Demora um pouco para mudar disto, mas nos eixos vocês podem obter facilmente qualquer variável.
O problema seria obter os bancos de dados de graça, tornar possível a busca e, com um segundo clique, transformá-los em formatos gráficos, onde é possível entendê-los com facilidade.
Os estatísticos não gostam disso, porque dizem que não mostra a realidade; que precisamos de métodos estatísticos, analíticos.
Mas isto é geração de hipóteses.
Eu termino com o mundo. Ali, a Internet está chegando.
O número de usuários da Internet está aumentando assim. Isto é o PIB per capita.
É a chegada de uma nova tecnologia, mas é impressionante como se ajusta à economia dos países. É por isso que o computador de 100 dólares será tão importante. É uma bela tendência.
É como se o mundo estivesse se achatando, não é? Estes países estão subindo mais do que a economia e será mais interessante acompanhar isto durante o ano, como eu gostaria de poder fazer com todos os dados patrocinados publicamente. Muito obrigado.
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Bem, achei que teria um pódio, o que me deixou um pouco assustado.
Chris me pediu para contar novamente como descobrimos a estrutura do DNA.
E como vocês sabem eu obedeço as ordens dele, vou contar.
Mas isso me entedia um pouquinho.
E, vocês sabem, escrevi um livro. Então eu vou falar um pouco vou falar um pouquinho sobre como a descoberta foi feita, e porque Francis e eu descobrimos.
E então, espero ter ao menos 5 minutos para falar sobre o que me motiva hoje em dia.
Atrás de mim tem uma foto de quando tinha 17 anos.
Estava na Universidade de Chicago, no terceiro ano, e estava no terceiro ano porque a Universidade de Chicago deixa você entrar após dois anos de ensino médio.
Então. foi divertido ir embora do colégio. Porque eu era muito pequeno, e não era bom em esportes, ou qualquer coisa parecida.
Mas devo dizer que minha formação. meu pai foi, vocês sabem. criado para ser religioso e Republicano. Mas após um ano de universidade, ele virou ateu e Democrata.
E minha mãe era católica irlandesa. mas não levava religião muito a sério.
Por volta dos 11 anos, eu não ia mais a missa de domingo, passeava e observava pássaros com meu pai.
Assim, ainda cedo, ouvi falar de Charles Darwin.
Acho ele, vocês sabem, o grande herói.
E, vocês sabem, vocês entendem a vida através da evolução.
Na Universidade de Chicago eu me formei em zoologia. E eu pensei que ira acabar - se eu fosse brilhante o suficiente - obtendo um PhD em Cornell em ornitologia.
Então, em um jornal de Chicago, tinha uma resenha de um livro chamado "O que é a vida?" do grande físico Schrodinger.
E aquela, é claro, era a pergunta que eu queria saber.
Vocês sabem, Darwin explicou a vida após ela começar, mas qual era a essência da vida?
E Schrodinger disse que a essência era a informação presente nos cromossomas, e teria que estar presente numa molécula. Nunca havia pensado em moléculas antes.
Vocês conhecem os cromossomos, mas isto era uma molécula e de algum modo toda informação estava provavelmente presente em alguma forma digital. E esta era a grande questão: Como era copiada a informação?
Assim era o livro. Então, deste aquele momento Eu quis ser geneticista entender o gene e através dele, entender a vida.
Assim eu tinha um herói à distância.
Não era um jogador de basebal, era Linus Pauling.
Aí então me inscrevi em Caltech e eles recusaram.
Então fui para Indiana, que na verdade era tão boa quanto a Caltech em genética. além disso, eles tinha um bom time de basquete.
Assim eu tinha uma vida muito feliz em Indiana.
E foi em Indiana que tive a impressão de que provavelmente o gene era o DNA.
E assim, quando eu consegui meu PhD, Eu devia ir em busca do DNA.
Fui primeiro para Copenhagen porque pensei, bem, talvez eu possa virar um bioquímico. Mas descobri que bioquímica era muito chato.
Não estava chegando a lugar algum sobre o que o gene era. Era só ciência nuclear. E, oh, eis o livro, o livrinho.
Dá para ler em 2 horas.
E aí fui para um encontro na Itália.
E havia um palestrante inesperado que não estava no programa. e ele falou sobre DNA.
Era Maurice Wilkins. físico qualificado, e após a 2ª guerra ele queria estudar biofísica, e escolheu o DNA porque no Instituto Rockfeller haviam determinado que o DNA era possivelmente a molécula genética nos cromossomas.
A maioria das pessoas acreditava que eram as proteínas.
Mas Wilkins, vocês sabem, achava que o DNA era a melhor aposta, e ele mostrou esta chapa de raio X
Meio que cristalino. Assim, o DNA possuía estrutura embora moléculas diferentes provavelmente levavam diferentes conjuntos de instruções.
Assim havia algo de universal na molécula do DNA.
Assim queria trabalhar com ele, mas ele não queria um ex-observador de pássaros e fui parar em Cambridge na Inglaterra.
Então eu fui para Cambridge porque era na verdade o melhor lugar no mundo em cristalografia por raios X, hoje matéria dos departamentos de química.
Quero dizer, naquela época era domínio da física.
Assim, o melhor lugar em cristalografia era o Laboratório Cavendish em Cambridge.
E lá conheci Francis Crick.
Fui para lá sem conhecê-lo. Ele tinha 35. Eu tinha 23.
E, em um dia, decidimos que talvez pudéssemos pegar um atalho para descobrir a estrutura do DNA.
Não solucionar usando um método rigoroso, mas construindo um modelo. Um modelo elétrico usando algumas coordenadas de dimensão, e todo tipo de informação a partir das chapas de raio X.
Mas pergunte só o que a molécula -- como ela podia se dobrar?
E a razão para isto, no centro da foto, está Linus Pauling. Cerca de 6 meses antes, ele propôs a estrutura helicoidal alfa para proteínas. E ao fazer isto, ele baniu o homem da esquerda, Sir Lawrence Bragg, que era o Chefe do Deparmento de Cavendish.
Esta foto foi tirada vários anos depois, quando Bragg tinha motivos para sorrir.
Ele certamente não estava rindo quando eu cheguei lá, porque ele foi meio que humilhado pelo Pauling ter conseguido a hélice alfa, e o pessoal de Cambridge falhou por que não eram químicos.
E certamente, nem Crick nem eu éramos químicos, assim tentamos construir um modelo. E Francis conhecia Wilkins
Então Wilkins disse que achava que era a hélice.
Diagrama do raio X, ele pensava ser comparavel à hélice.
Assim, construímos um modelo com três tranças.
O pessoal de Londres apareceu.
Wilkins e este colaboradora, ou possível colaboradora, Rosalind Franklin apareceu e riu do nosso modelo.
Disse que era uma porcaria, e era.
Então nos disseram para não construirmos mais modelos, que éramos incompetentes.
E então não construímos mais modelos, e Francis meio que continuou a trabalhar nas proteínas.
E eu, basicamente, fazia nada. E. exceto ler.
Vocês sabem, no fundo, ler é uma coisa boa, obtem-se fatos.
E nós continuamos dizendo ao pessoal de Londres que Linus Pauling iria estudar o DNA.
Se o DNA é tão importante, Linus vai saber.
Ele construirá um modelo e ficaremos de mãos vazias.
E, de fato, ele escrevera ao pessoal em Londres se poderia ver a chapa de raio X?
E eles tiveram a sabedoria de dizer "não". Então ele não viu.
Mas existiam alguns na literatura.
Na verdade, Linus não observou atentamente.
Mas cerca de 15 meses após eu chegar em Cambridge, um rumor começou a se espalhar através do filho de Pauling que estava em Cambridge, disse que seu pai agora trabalhava no DNA.
E então, um dia Peter entrou e disse que era Peter Pauling. e me deu uma cópia dos manuscritos de seu pai.
Cara, eu estava apavorado em pensar que poderíamos ficar de mão vazias.
Eu não tinha nada para fazer, não tinha qualificação para nada.
E então, lá estava o paper, e ele propõs uma estrutura em três fitas.
Eu li e achei uma bosta.
E isto era, vocês sabem, inesperado vindo do mundialmente. e coisa e tal, se mantinham juntos através de ligações de hidrogênio entre grupos de fostato
Bem, se o pH máximo da células é em torno de 7, estas ligações de hidrogênio não poderiam existir.
Corremos para o departamento de química e falamos, "Tem jeito do Pauling estar certo?" Alex Hust respondeu "Não." Aí ficamos felizes.
Ainda estávamos no jogo, porém apavorados de que alguém em Caltech dissesse a Linus que ele estava errado.
E então Bragg disse, "Construa modelos."
E um mês após conseguirmos o manuscrito de Pauling. Devo dizer que levei para Londres o manuscrito e mostrei ao pessoal.
Bem, eu disse, Linus estava errado e ainda estávamos no jogo e que deveríamos começar imediatamente a construir modelos.
Mas Wilkins disse não, Rosanlind Franklin estava indo embora em dois mêses, E depois que ela fosse embora, ele começaria a construir modelos.
E aí voltei para Cambridge com estas novidades, e Bragg disse, "Construa modelos."
Bem, é claro, eu queria construir modelos.
E lá está a foto de Rosalind. Ela na realidade, de algum modo ela era química, mas na verdade ela teria estudado. ela não conhecia química orgânica ou quântica.
Ela era cristalógrafa.
E acho que, uma parte da razão dela não querer construir modelos era. que ela não era química, enquanto Pauling era.
E aí, Crick e eu, vocês sabem, começamos a construir modelos, e eu aprendera um pouco de química, mas não o suficiente.
Bem, conseguimos a resposta em 28 de fevereiro de 1953.
E tudo por causa de um ditado, para mim um bom ditado. Nunca seja o cara mais brilhante no salão, e não éramos.
Não éramos os melhores químicos no salão.
Fui lá e mostrei a eles um pareamento que tinha feito e Jerry Donahue, que era químico, disse: "Está errado."
"Você tem. os átomos de hidrogênio estão no lugar errado."
Apenas coloquei do jeito que estava nos livros.
Ele disse que estavam errados.
Então, no dia seguinte, após raciocinar, "Bem, Ele deve estar certo"
Aí, eu troquei as posições e então achamos o pareamento das bases. e Francis imediatamente disse que os elos encaixam na posição absoluta.
E soubemos que estávamos certos.
E aí, foi bem. vocês sabem, tudo aconteceu em cerca de 2 horas.
Do nada para alguma coisa.
E sabíamos que era grande, se você coloca A perto de T e G perto de C, você tem um mecanismo de cópia.
Assim vimos como a informação genética é transportada.
É na ordem das 4 bases.
De algum modo, é um tipo de informação digital.
E você copia separando as fitas.
Se não funcionasse desse jeito, era preciso acreditar, porque não havia outro esquema.
Mas não é desse jeito que a maioria dos cientistas pensam.
Muitos cientistas são realmente chatos.
Eles disseram: "Não vamos pensar nisto até sabermos que está correto."
Mas, achamos, bem, que estava pelo menos 95 a 99 porcento correto.
Então pense nisto. Nos 5 anos que seguiram, existiam essencialmente algo como 5 referências ao nosso trabalho na revista Nature, nada.
E assim fomos abandonados, tentanto fazer a última parte do trio: Como você. o que esta informação genética faz?
Era bastante óbvio que fornecia informações para uma molécula RNA. E então como se vai do RNA para proteína?
Por cerca de 3 anos nós somente. eu tentei solucionar a estrutura do RNA.
Não rendia. Não aparecia bem no raio X.
Eu estava definitivamente infeliz; uma garota não quis se casar comigo.
Na verdade, vocês sabem, foi um período de merda.
Aí uma foto de Francis e eu antes de conhecer a garota, assim eu ainda parecia feliz.
Mas eis o que a gente fez quando não soubemos para onde ir: formamos um clube com o nome Clube da Gravata de RNA.
George Gamow, também um grande físico, desenhou a gravata.
E ele era um dos membros. A pergunta era: Como se sai de um código de 4 letras para o código de 20 letras das proteínas?
Feynman era membro, e Teller, e amigos de Gamow.
Mas está é a única. não, fomos fotografados somente duas vezes.
E em ambas ocasiões, um de nós estava sem a gravata.
Francis está no lado direito em cima, e Alex Rich - o médico que virou cristalógrafo - perto de mim.
Foi tirada em Cambridge em setembro de 1955.
E estou sorrindo, meio forçado, eu acho, porque minha garota, cara, tinha ido embora.
E aí, não fiquei feliz até 1960, porque então nós descobrimos, basicamente, que existem 3 formas de RNA.
E sabíamos, basicamente, que o DNA fornece informações para o RNA.
RNA fornece informações para a proteína.
E isso permitiu Marshal Nirenberg, pegar o RNA sintético colocar num sistema produtor de proteínas. Ele fez poli-fenilalanina, poli-fenilalanina. Essa foi a primeira quebra do código genético, e foi completado em 1966.
Então, isto é o que Chris queria que eu fizesse. aí o que acontece desde então?
Bem, naquela época eu devia retornar.
Quando achamos a estrutura do DNA, dei minha primeira palestra em Cold Spring Harbor. O físico Leo Szilard olhou para mim e disse: "Você vai patentear isto?"
E. mas ele conhecia a lei de patentes e sabia que não poderíamos, porque não é possível. Não tem utilidade.
E então o DNA não se tornou uma molécula útil, e os advogados não entraram na equação até 1973, 20 anos depois, quando Boyer e Cohen em São Francisco, e Stanford apareceram com o método do DNA recombinante, e Stanford patenteou e ganhou muita grana.
Pelo menos patentearam algo que, vocês sabem, faz coisas úteis.
E aí, ele aprenderam como ler as letras do código.
E, bum, temos, como vocês sabem, a indústria de biotecnologia. mas ainda estávamos distantes de responder a questão que meio que dominou minha infância, que é: Como resolver o debate inato versus adquirido?
Então eu vou continuar. Meu tempo já está esgotado, mas este é Michael Wigler, um matemático muito, muito inteligente que virou físico. E desenvolveu uma técnica que essencialmente nos permitirá olhar uma amostra de DNA e, finalmente, um milhào de manchas ao longo dela.
Existe um chip lá, um convencional. Aí tem um feito por fotolitografia por uma companhia em Madison chamada NimbleGem, que está muito a frente da Affymetrix.
E nós usamos a técnica deles.
E o que se pode fazer é meio que comparar DNA de segmentos normais.
e pode-se ver no alto os cânceres que são malignos apresentam inserções ou deleções.
Assim o DNA fica realmente estragado, enquanto se existir chance de sobreviver, o DNA não está tão ruim assim.
Assim, achamos que isto no final levará ao que chamamos de "biópsia do DNA". Antes de ser tratado de câncer, deve-se realmente dar uma olhada nesta técnica, e ter uma impressão da cara do inimigo.
Não é. é somente um olhar parcial, mas é. acho que será muito, muito útil.
Assim, começamos com câncer de mama porque existe muita grana para isto, não grana do governo.
E agora tenho um tipo de interesse pessoal: quero fazer para o câncer de próstata. Aí, vocês sabem, não se trata se não for perigoso.
Mas Wigler, além de olhar para as células cancerígenas, olhou para as células sadias, e fez uma observação bastante surpreendente.
Qual seja, todos nós temos 10 lugares em nosso genoma onde perdemos ou ganhamos um gene ou outro.
Assim somos todos meio que imperfeitos. E a questào é, bem, se estamos por aqui, vocês sabem, estas pequenas perdas ou ganhos podem não ser tão ruins.
Mas se estas deleções ou amplificações ocorrem no gene errado talvez fiquemos doentes.
Assim, a primeira doença que olhou foi o autismo.
E a razão que olhamos para o autismo é que tínhamos dinheiro para isto.
Pesquisar um indivíduo custa cerca de US$ 3. 000. E o pai de uma criança com Síndrome de Asperger, o autismo de alta-funcionalidade, enviara o material à uma compania convencional; ele não fizeram.
Não poderia ser feito por genética convencional, mas apenas escaneando começamos a achar os genes do autismo.
E você pode observar aqui, tem muitos deles.
Assim, muitas crianças autistas são autistas porque perderam um grande pedaço de DNA.
Digo, um grande pedaço em termos moleculares.
Vimos uma criança autista, com cerca de 5 milhões de bases que simplesmente faltam a um de seus cromossomos.
Ainda não olhamos os pais, mas os pais provavelmente não tem essa perda, ou não seriam seus pais.
Assim, agora, nosso estudo sobre autismo está apenas começando. Temos 3 milhões de dólares.
Acho que custará de 10 a 20 antes que estejamos numa posição para ajudar pais de crianças autistas ou que acham que tem uma criança autista, e será que podemos achar a diferença?
Então esta mesmo técnica devia provavelmente ser usada para olhar em tudo.
É um jeito maravilhoso de achar genes.
E assim, concluirei dizendo observamos 20 pessoas com esquizofrênia.
E achamos que provavelmente teremos que observar várias centenas antes de concluirmos. Mas como podem ver, que de 20, 7 tinham uma alteração, o que é uma taxa bem alta.
E ainda, no grupo de controle, tinham 3.
O que significava isso no grupo de controle?
Seriam loucos também e não sabíamos?
Ou, vocês sabem, eram normais? Acho que eram normais.
E o que achamos sobre esquizofrênia é que existe predisposição genética, e se é o que predispõe. e então existe somente um sub-segmento da população capaz de ser esquizofrênica.
Agora, realmente não temos evidências disso mas acho, para dar-lhes uma hipótese, um bom chute é que se você for canhoto, terá tendências à esquizofrênia.
30 porcento dos esquizofrênicos são canhotos, e que esquizofrênia tem uma genética bem engraçada, que significa que 60 porcento das pessoas são geneticamente canhotas mas só metade demonstram. Não tenho mais tempo para falar.
Agora, algumas pessoas que pensam ser destras são geneticamente canhotas. OK. Só estou dizendo que, se você acha, Oh, eu não carrego o gene do canhoto, logo. meu filhos não correm o risco de serem esquizofrênicos. Você pode. OK?
Então é, para mim, uma época extraordinariamente excitante.
Precisamos ser capazes de achar o gene para bipolaridade, existe uma relação.
E se tivesse dinheiro suficiente, achariamos todos este ano.
Eu agradeço vocês.
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Houve um tempo na minha vida quando tudo parecia perfeito.
Em todos os lugares que eu ia, eu me sentia em casa.
Todos que eu encontrava, eu sentia como se os conhecesse há muito tempo.
E eu quero compartilhar com vocês como eu vim daquela situação e o que eu aprendi desde que eu a deixei.
Isto é onde tudo começou.
E levantou uma dúvida existencial, que é, se eu estou tendo esta experiência de conexão completa e plena consciência, por que eu não estou visível na fotografia, e onde é este tempo e lugar:
Isto é Los Angeles, California onde eu vivo.
Esta é uma foto policial. Aquele é o meu carro.
Nós estamos a menos de um 1, 5 quilômetros de um dos maiores hospitais em Los Angeles chamado Cedars-Sinai.
E a situação é que um carro cheio de paramédicos no seu caminho de volta para o hospital depois do trabalho passaram pelos destroços, e eles avisaram a polícia que não havia sobreviventes dentro do carro, que o motorista estava morto, que eu estava morto.
E a polícia esta esperando os bombeiros chegarem para cortarem a lataria e resgatarem o corpo do motorista.
E quando eles fizeram isto, eles encontraram além do parabrisas, eles me encontraram -
e o meu crânio esta esmagado minha clavícola está esmagada todas menos duas das minhas costelas, minha pelvis e meus dois braços. Tudo está esmagado, mas ainda há vida.
E eles me levaram aquele hospital mais próximo, Cedars-Sinai, onde naquela noite eu recebi, por causa da minha hemorragia interna, 45 unidades de sangue - o que significa a reposição total de todo o meu sangue - antes que eles pudessem estancar o fluxo.
Eu fui colocado numa UTI e eu tive um derrame maciço, e o meu cérebro entrou em coma.
Os estados de coma são medidos numa escala progressiva de 15 para três.
15 é coma suave. Três é a mais profunda.
E se vocês olharem, verão que há somente uma maneira que se chegar ao resultado de três.
È essencialmente não haver sinal de vida fora daquilo.
Eu passei mais de um mês numa escala Glasgow de coma três, e é dentro daquele mais profundo nível de coma, na beira entre minha vida e minha morte, que eu estou tendo a experiência da conexão total e consciência completa do espaço interior.
Para minha família olhando de fora o que eles estão tentando descobrir é um tipo diferente de dúvida existencial, que é, a que distância é possivel ir para passar da mente em coma potencial que eles estão olhando para uma mente real que eu defino simplesmente como o funcionamento do cérebro que ainda permanece dentro da minha cabeça.
Agora para colocar isto em um contexto mais amplo, eu quero que vocês imaginem que são um alien eterno observando a Terra do espaço sideral, e o seu show favorito na televisão do satelite intergalactico é o canal Terra, e o seu show favorito é o show humano.
E a razão que eu penso que isto seria tão interessante para vocês é porque consciência é tão interessante,
é tão imprevisível e tão frágil.
E assim é como nós começamos.
Nós todos começamos no Vale Awash, na Etiopia.
O show começa com tremendos efeitos espaciais, porque aconteceram mudanças climáticas catastróficas - que parece um interessante paralelo aos dias de hoje.
Por que a Terra se inclinou no seu eixo e aquelas mudanças climátics catastróficas, nós tivemos que resolver como encontrar melhor alimento, e nós tivemos que aprender - aquela é Lucy, é como todos nós começamos - nós tivemos que aprender como quebrar ossos de animais, usando ferramentas para fazer aquilo, para nos alimentarmos com a medula, para fazermos o nosso cérebro crescer.
Então na verdade nós aumentamos a nossa consciência em resposta a esta ameaça global.
Agora vocês continuem assistindo como a cosnciência evolui ao ponto que aqui na Índia, em Madhya Pradesh, há um dos dois mais antigos e conhecidos trabalhos de arte na rocha encontrados.
É uma cúpula que precisou de 40 a 50 mil golpes com uma ferramenta de pedra para ser criada, e é a primeira expressão de arte conhecida no planeta.
E a razão pela qual isto nos conecta a consciência hoje é que todos nós ainda hoje, a primeira forma que nós desenhamos como crianças é um círculo.
E então a próxima coisa que nós fazemos e colocar um ponto no centro do círculo.
Nós criamos um olho - e o olho que evolui através de toda a nossa história.
Há o deus egipcio Horus, que simboliza prosperidade, sabedoria e saúde.
E aquilo vem até o presente com a nota de um dolar nos Estados Unidos, que tem nela um olho da providência.
Então observando todo este show do espaço sideral vocês pensam nós o pegamos, nós entendemos que o mais precioso recurso do planeta azul é a nossa consciência.
Porque é a primeira coisa que nós desenhamos, nós nos cercamos com imagens dela; É provavelmente a imagem mais comum no planeta.
Mas nós não. Nós não levamos nossa consciência a sério.
Enquanto eu estava produzindo em Los Angeles, eu nunca pensei nisso por um segundo.
Até que eu fui despojado de mim mesmo, eu nunca pensei a respeito.
E o que eu aprendi desde aquele evento e durante a minha recuperação é que a consciência está sob ameaça neste planeta de maneiras que nunca esteve sob ameaça antes.
Estes são apenas alguns exemplos.
E a razão pela qual eu estou tão honrado de estar aqui para falar hoje na Índia é porque a Índia tem a triste distinção de ser a capital mundial do traumatismo craniano.
A estatística é tão triste.
Não há mais nenhuma drástica e súbita lacuna criada entre a mente potencial e real do que um sério traumatismo craniano.
Cada uma implicara em até uma década de reabilitação, o que significa que a Índia, a não ser que alguma coisa mude, está acumulando uma necessidade de um milênio de reabilitação.
O que vocês encontram nos Estados Unidos é um traumatismo a cada 20 segundos - o que significa um milhão e meio a cada ano - ataque cardíaco a cada 40 segundos, a cada 70 segundos alguém sucumbe da doença de Alzheimer.
Tudo isto representa lacunas entre a mente potencial e a mente real.
E aqui estão algumas das outras categorias, se vocês olharem o planeta inteiro.
A Organização Mundial da Saúde nos diz que a depressão é a doença número um da Terra em termos de anos vividos com incapacidade.
Nós descobrimos que a segunda fonte de incapacidade é a depressão no grupo de idade de 15 a 44.
Nossas crianças estão se tornando depressivas a uma taxa alarmante.
Eu descobri durante minha recuperação que a terceira principal causa de mortes entre adolescentes é o suicídio.
Se voces olharem a alguns desses outros itens - traumatismo craniano.
Metade das admissões de adolescentes em Atendimentos de Urgência são por traumatismo craniano.
Se eu falar sobre enxaqueca, 40 por cento da população sofre de dores de cabeça episódicas.
15 por cento sofrem de enxaqueca que os acometem por dias.
Tudo isto é liderado - pelo vício do computador apenas para encobrir que a coisa mais frequente que nós fazemos é usar dispositivos digitais.
O adolescente médio envia 3. 300 textos todos os meses.
Nós estamos falando sobre uma sociedade que está se retraindo para a depressão e dissociação quando nós estamos potencialmente confrontando a próxima grande catástrofe da mudança climática.
Então o que vocês estão se perguntando, observando o show humano é, nós vamos confrontar e conduzir a catastrófica mudança climática que poderá estar vindo em nossa direção pelo crescimento da nossa consciência, ou nós vamos continuar a nos retrair:
E isto então poderá levá-los um dia a assistir um episódio do centro médico Cedars-Sinai e uma consideração sobre a diferença entre a mente potencial e a mente real.
Isto é uma disposição densa de Eletroencefalograma e Imagem por Ressonância Magnética rastreando 156 canais de informação.
Não é o meu Eletroencefalograma no Cedars. É o seu Eletroencefalograma desta noite e da noite passada.
É o que a nossa mente faz todas as noites para digerir o dia e se preparar para atravessar da mente potencial quando nós estamos dormindo para a mente real quando nós acordamos na manhã seguinte.
Eu era assim quando sai do hospital depois de quase quatro meses.
A forma de ferradura que vocês vêem no meu crânio é onde eles operaram e entraram no meu cérebro para fazerem as cirurgias necessárias para salvar a minha vida.
Mas se vocês olharem para o olho da consciência, aquele simples olho que vocês podem ver, eu estou olhando para baixo, mas deixe-me dizer-lhes como eu me sentia naquele momento.
I não me sentia vazio, eu sentia todas as coisas simultâneamente.
Eu sentia o vazio e o cheio, o calor e o frio, eufórico e depressivo. Porque o cérebro é o primeiro e completo computador quântico funcional do mundo, ele pode ocupar multiplos estados ao mesmo tempo.
E com todas as regulagens internas do meu cérebro danificado, eu sentia tudo simultâneamente.
Mas vamos girar e olhar para mim de frente.
Isto agora é um avanço à época em que eu tive alta do sistema de saúde.
Olhem para aqueles olhos. Eu não sou capaz de focalizar aqueles olhos.
Eu não sou capaz de seguir uma linha de texto num livro.
Mas o sistema me dispensou porque como minha família começou a descobrir, não há um conceito de longo prazo no sistema de saude.
Dano neurológico, 10 anos de reabilitação, exige uma perspectiva de longo prazo.
Mas vamos dar uma olhada atrás dos meus olhos.
Isto é um espectro de escaneamento por radiação gama que usa radiação gama para mapear em três dimensões as funções dentro do cérebro.
Isto requer um laboratòrio para ver em três dimensões, mas em duas dimensôes eu acho que vocês podem ver a bela simetria e iluminação de uma mente normal trabalhando.
Aqui está o meu cérebro.
Isto é a consequência de mais de um terço do lado direito do meu cérebro sendo destruindo pelo derrame.
Então minha família, quando nós procuramos e descobrimos que o sistema de saúde nos tinha dispensado, teve que tentar encontrar soluções e respostas.
E durante aquele processo - que durou muitos anos - um dos médicos disse que a minha recuperação, meu grau de avanço devido ao volume de dano cerebral que eu tinha sofrido era milagroso.
E foi então que eu comecei a escrever um livro, porque eu não achava que aquilo era milagroso.
Eu penso que houve elementos milagrosos mas eu também não pensava que fosse certo que alguém devesse se esforçar e procurar por respostas quando isto é uma pandemia dentro da nossa sociedade.
Então dessa experiência de minha recuperação, eu quero compartilhar quatro aspectos distintos - eu os chamo de os quatro C's da consciência - que me ajudaram a aumentar meu potencial mental de volta a mente real com a qual eu trabalho todos os dias.
O primeiro C é o treinamento cognitivo
Diferente do vidro esmagado do meu carro a plasicidade do cérebro significa que sempre houve a possibilidade de tratamento de treinar o cérebro de forma que se pode recuperar e aumentar o nível de conscientizanção e consciência.
Plasticidade significa que sempre houve esperança para nossa razão - esperança para nossa habilidade de reconstruir aquela função.
De fato, a mente pode redefinir-se, e isto é demonstrado por dois especialistas chamados Hagen e Silva nos anos de 1970.
A perspectiva global é que até 30 porcento das crianças na escola tem um fraco aprendizado que não é auto-corrigido mas com o tratamento apropriado elas podem ser selecionadas detectadas e corrigidas e evitarem a falência acadêmica.
Mas o que eu descobri é que é quase impossível encontrara alguém que forneça aquele tratamento ou cuidado.
Aqui está o que o meu neurofisiologista forneceu para mim quando eu na verdade encontrei alguém a quem pudesse aplica-lo.
Eu não sou médico, então não vou falar sobre os vários sub testes.
Vamos apenas falar sobre a escala completa do Quociente de Inteligência.
Escala completa do Quociente de Inteligência é o processo mental - da velocidade que você pode receber informação, guarda-la e recupera-la - isto é essencial para o sucesso na vida hoje.
E vocês podem ver aqui há três colunas
Intestáveis - era quando eu estava em coma
E então eu rastejei até ponto em que consegui uma pontuação de 79, que é apenas abaixo da média
No sistema de saúde, se você atinge a média, você está fora.
Foi quando eu fui dispensado do sistema.
O que um Quociente de Inteligência média realmente significa:
Siginifica que quando eu tinha duas a duas horas e meia para fazer um teste que qualquer um aqui faria em 50 minutos, Eu poderia conseguir uma pontuação F.
Isto é um nível muito, muito baixo para ser chutado do sistema de saúde.
Então eu passei pelo treinamento cognitivo.
E deixe-me mostrar-lhes o que aconteceu com a coluna da direita quando eu fiz meu treinamento congnitivo em um período de tempo.
Isto não deveria acontecer
o Quociente de Inteligência supostamente se estabiliza e solidifica na idade de oito anos.
Agora o Jornal da Associação Médica Nacional deu ao meu livro de memória um revisão clínica completa, o que é muito incomum.
Eu não sou um médico, eu não tenho qualquer embasamento de médicina.
Mas eles perceberam as evidências que havia importantes e valiosas informações no livro, e eles comentaram isto quando fizeram a revisão completa dele.
Mas eles fizeram uma pergunta. Eles disseram, " isto é repetível? ":
Era uma pergunta clara porque minhas memórias eram simplesmente como eu havia encontrado soluções que funcionaram para mim.
A resposta é sim, e pela primeira vez, é um prazer para mim poder compartilhar dois exemplos.
Aqui alguém, o que ele fez quando passou pelo treinamento cognitivo nas idades de sete e 11 anos.
E aqui outra pessoa, digamos no segundo grau e na universidade.
E esta pessoa é particularmente interessante.
Eu não irei para os sub testes, mas eles ainda tinham um problema neurológico.
Mas aquela pessoa podia ser identifcada como tendo uma deficiência de aprendizagem.
E com a acomodação, eles foram para a universidade e tiveram uma vida plena em termos de suas oportunidades.
Segundo aspecto: Eu ainda tenho excruciantes enxaquecas e dores de cabeça.
Dois elementos que funcionaram para mim aqui são, o primeiro é 90 porcento, eu aprendi sobre dor de cabeça e pescoço são desequilíbrios músculo-esqueléticos.
O sistema crâniomandibular é sensível a isso.
E quando eu passei por isto, eu encontrei soluções, isto é a inter relação entre a junta temporomandibular e os dentes.
Cerca de 30 porcento da população tem uma doença, disfunção ou disturbio na mandibula que afeta o corpo inteiro.
Eu fui afortunado em encontrar um dentista que aplicou este completo universo de tecnologia que vocês irão ver para estabelecer que se ele reposicionasse minha mandíbula as dores de cabeça seriam resolvidas, mas então meus dentes não estavam nos lugares certos.
Ele então colocou minha mandibula na posição certa enquanto ortodonticamente colocou meus dentes no alinhamento correto.
Então na verdade meus dentes mantêm minha mandíbula na posição correta.
Isto afeta o meu corpo inteiro,
se isto soa como um coisa muito, muito estranha para se dizer e mais uma declaração ousada - Como a mandíbula pode afetar o corpo ineiro - deixe-me mostrar¨-lhes, se eu perguntar a voces amanhã para colocarem um grão de areia entre os seus dentes e sairem para um longa caminhada quanto tempo vocês aguentariam antes que tivessem que retirar o grão de areia:
Aquele pequeno desalinhamento.
Tenham em mente, não há nervos nos dentes.
É por isso o mesmo entre o antes e o depois que isto mostra, é difícil ver a diferençca.
Agora apenas tentem colocar uns poucos grãos de areia entre os seus dentes e vejam a diferença que isto faz.
Eu ainda tenho enxaquecas e dores de cabeça.
A próxima questão que foi resolvida foi que se 90% das dores de cabeça e pescoço são causadas por desequilíbrios, os outros 10% em grande parte - vocë coloca ao lado de aneurismas, câncer de cérebro e problemas hormonais - é a circulação.
Imagine o sangue fluindo através do seu corpo - me disseram no Centro Médico da Universidade da Califõrnia, Los Angeles - como um sistema fechado
Há um grande tubo com o sangue fluíndo através dele. E ao redor daquele tubo existem os nervos extraindo seus suprimentos de nutrientes do sangue.
É basicamente isto,
se vocë pressionar uma mangueira em um sistema fechado, ela vai inchar em algum outro lugar,
se aquele outro lugar onde ela inchar for dentro do maior nervo do seu corpo, seu cérebro, você fica com uma enxaqueca vascular.
Este é um nível de dor somente conhecido por pessoas que sofrem de enxaquecas vasculares.
Usando esta tencologia isto é mapeando em três dimensões.
Isto é uma RMI RMA, RMV um MRI volumétrico.
Usando esta tecnologia, os especialistas no Centro Médico da Universidade da Califórnia, Los Angeles foram capazes de identificar onde a compressão na mangueira estava ocorrendo.
Um cirurgião vascular removeu grande parte da primeira costela dos dois lados do meu corpo.
E nos meses e anos seguintes, Um senti o fluxo neurológico da vida retornando.
Comunicação, o próximo C. Isto é crítico.
Toda consciência é sobre comunicação.
E aqui, por muita sorte, um dos clientes do meu pai tinha uma esposa que trabalhava na Fundação Alfred Mann de Pesquisas Científicas.
Alfred Mann é um físico brilhante e inovador que é fascinado com a superação de lacunas na consciência seja para recupar a audição dos surdos, a visão dos cégos ou os movimentos dos paralíticos.
E eu vou lhes dar um exemplo hoje de movimentos para os paralíticos.
Eu trouxe comigo, do Sul da Califórnia, o dispositivo FM.
Isto é seguro na mão,
ele pesa menos que uma grama.
Então dois deles implantandos no corpo pesariam menos do que um centavo.
Cinco deles ainda pesariam menos do que uma rúpia.
Onde isto vai dentro do corpo:
Ele foi simulado e testado para durar no corpo livre de corrosão por mais de 80 anos.
Então ele é inserido e fica lá.
Aqui estão os lugares de implantação.
O conceito em que eles estão trabalhando - e eles tem protótipos de trabalho - é que nos os coloquemos através dos pontos motores do corpo onde eles são necessários.
A unidade principal então irá dentro do cérebro.
Um dispositivo FM no cortex cerebral, o cortex motor, irá enviar sinais em tempo real aos pontos motores nos musculos relevantes, de maneira tal que a pessoa será capaz de mover seu braço, digamos, em tempo real, se ela tiver peridido o controle do seu braço.
E outros dispositivos FM implantados nas pontas dos dedos, ao contato de uma superfície irá enviar uma mensagem de volta ao cortex sensorial do cérebro para que a pessoa sinta o senso do toque,
isto é ficção científica: Não. Porque eu estou usando a primeira aplicação desta tecnologia.
Eu não tenho a habilidade de controlar meu pé esquerdo.
Um dispositivo de rádio está controlando cada passo que eu dou. E um sensor levanta meu pé toda a vez que eu caminhar.
E finalizando, eu quero compartilhar a razão pessoal de por que isto significa tanto para mim e mudou o sentido da minha vida.
No meu estado de coma, uma das presenças que eu sentia era alguém que eu sentia ser um protetor.
E quando eu voltei do estado de coma, eu reconheci minha familia mas eu não lembrava meu próprio passado.
Gradualmente, eu lembrei que o protetor era minha esposa.
E eu sussurei as boas novas através da minha mandíbula quebrada, que estava imobilizada, para a minha enfermeira.
E na manhã seguinte, minha mãe veio para explicar que eu não tinha estado sempre nesta cama, neste quarto que eu tinha trabalhado no cinema e na televisão e que eu tinha sofrido um acidente e que, sim, eu era casado, mas Marcy havia morrido instantâneamente no acidente.
E durante meu tempo em coma, ela tinha sido sepultada em sua cidade natal de Phoenix.
Agora nos sombrios anos que se seguiram, eu tive que organizar o que havia me restado se todas as coisas que fizeram o dia de hoje especial não existiam mais.
E como eu descobri estas ameaças à consciência e como elas estão cercando o mundo e envolvendo as vidas de mais e mais pessoas todos os dias, eu descobri o que verdadeiramente permaneceu.
Eu acredito que nós podemos vencer as ameaças da nossa consciência, que o show humano pode permanecer no ar pelo próximo milênio.
Eu acredito que nós todos podemos crescer e brilhar.
Muito obrigado.
Aplausos Lakshmi Pratury: Só mais um segundo. Apenas fique aqui por um segundo.
Vocês sabem, quando eu ouvi o Simon - por favor sentem-se, eu apenas quero falar com ele por um segundo - quando eu lí o seu livro, eu fui a Los Angeles para encontra-lo.
E então eu estava sentado neste restaurante, esperando por um homen que viria o qual obviamente teria alguma dificuldade -
Eu não sei o que eu tinha na minha cabeça.
E ele estava caminhando,
eu não esperava que a pessoa que eu estava para encontrar fosse ele.
E então nós nos encontramos e conversamos, e eu quero dizer, ele não parece com alguém que foi reconstruido do nada.
E então eu fiquei perplexo do papel que a tecnologia desempenhou na sua recuperção.
E nós temos este livro lá na livraria.
A coisa que me espantou é o detalhe meticuloso com o quel ele escreveu cada hospital em que ele esteve cada tratamento pelo qual passou, cada situação de rísco que ele teve, e como acidentalmente ele tropeçou nas inovações.
Então eu penso que este detalhe único foi transmitido ás pessoas bem rápido.
Conte um pouco mais sobre o que você está usando na sua perna.
Simon Lewis. Eu sabia quando eu estava programando isto que não haveria tempo para eu falar qualquer coisa a respeito - Bem é isto. Esta é a unidade de controle.
E isto registra cada passo que eu dei pelos últimos, oh, cinco ou seis anos.
E se eu fizer isto, provaverlmente o microfone não vai ouvir.
Este pequeno som, seguido por dois sons esta ligado agora.
Quando eu pressiono de novo, ele vai soar três vezes. E isto significa que ele está armado e pronto para ir.
E isto meu amigo, eu quero dizer, eu o carrego todas as noites.
E ele funciona, ele funciona.
E o que eu adoraria acrescentrar porque eu não tive tempo.
O que eu faço. Bem na verdade, eu vou lhe mostrar aqui.
Esta parte de baixo aqui, se a câmera puder mostar, é uma pequena antena.
Sob o meu calcanhar, existe um sensor que detecta quando o meu pé deixa o solo - que é chamado de levantar o calcanhar.
Esta coisa pisca todo o tempo, eu vou deixa-la fora para vocês poderem ver.
Mas isto está piscando o tempo todo, esta mandando sinais em tempo real.
E se você andar rápido, se eu andar rápido isto detecta o que é chamado de intervalo de tempo, que é o intervalo entre cada levantada de calcanhar.
E isto acelera a quantidade e o nível da estimulação.
Outra coisa em que isto funciona - eu não tive tempo de dizer na minha conversa - é isto tem resturando a audição funcional para milhares de pessoas surdas.
Eu poderia lhes contar a história, isto iria ser uma tecnologia abandonada mas Alfred Mann encontrou o médico que iria se aposentar Dr. Schindler. E ele iria se aposentar - toda a tecnologia iria ser perdida, porque nenhuma empresa de produtos médicos iria produzi-la porque isto era um negócio pequeno.
Mas existem milhões de pesoas surdas no mundo, e o implante Cochear permitiu a audição a milhares de pessoas surdas.
Ele funciona.
E a outra coisa é que eles estão trabalhando em retinas artificiais para os cegos.
E estas, estas são as gerações implantáveis.
Porque o que eu não disse na minha palestra é que isto é na verdade exoesqueletical.
Eu tenho que esclarecer isto.
Porque a primeira geração é exoesqueletica, ela é enrrolada ao redor da perna ao redor do membro afetado;
Eu devo dizer-lhes, elas são um espanto - há uma centena de pessoas que trabalham naquele edifício - engenheiros, cientístas. e outros membros da equipe - todo o tempo.
Alfred Mann estabeleceu esta fundação para avançar nestas pesquisas porque ele viu não há maneira de como o capital de rísco participar de algo assim.
O público-alvo é tão pequeno.
Vocês pensariam, há muita gente paralizada no mundo, mas a o público-alvo é tão pequeno, e a quantidade de pesquisas, o tempo que ela leva as exigências do FDA, o retorno financeiro é muito longo para o capital de rísco se interessar.
Então ele viu uma necessidade e entrou em cena.
Ele á uma pessoa muito, muito notável.
Êle tem feito muito na ciência de ponta.
LP. Então quando você tiver uma chance, passe algum tempo com Simon.
Muito Obrigado. Muito obrigado.
Aplausos
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Quero compatilhar com vocês nos próximos 18 minutos uma ideia incrível.
Na verdade, é uma grande ideia.
Mas para começar, quero pedir que todos fechem os olhos por dois segundos e tentem pensar em uma tecnologia ou ciência que achem que tenha mudado o mundo.
Eu aposto que nesta plateia estão pensando em uma tecnologia realmente incrível, algo que eu nunca tenha ouvido. Tenho certeza absoluta.
Mas também tenho muita certeza, que absolutamente ninguém está pensando nisto.
Esta é a vacina da pólio.
E é ótimo que na verdade ninguém teve que pensar nela hoje, pois significa que a temos como algo garantido.
Esta é uma grande tecnologia.
Podemos contar como completamente garantida.
Mas nem sempre foi assim.
Mesmo aqui na Califórnia, se voltarmos alguns anos, era uma história muito diferente.
As pessoas estavam apavoradas com essa doença.
Elas estavam apavoradas com a pólio, e isso causava pânico público.
E era por causa de cenas como esta.
Nesta cena, as pessoas estão vivendo em um pulmão de ferro.
São pessoas que eram perfeitamente saudáveis dois ou três dias antes, e então, dois dias depois, elas não conseguem mais respirar, e o vírus da pólio paralizou, não somente seus braços e pernas, mas também seus músculos respiratórios.
E eles irião passar o resto de suas vidas, geralmente, com seus pulmões de ferro respirando por eles.
Essa doença era aterrorizante;
não tinha cura e não havia vacina.
A doença era tão horrível que o presidente dos Estados Unidos lançou um esforço nacional extraordinário para achar uma maneira de pará-la.
Vinte anos depois, conseguiram e foi desenvolvida a vacina contra a pólio.
Ela foi considerada um milagre científico no fim dos anos 50.
Finalmente, uma vacina que poderia acabar com essa doença terrível. E aqui nos Estados Unidos teve um impacto incrível.
Como podem ver, o vírus parou, e parou muito, muito rápido.
Mas este não foi o caso no resto do mundo.
No entanto, aconteceu tão rápido nos Estados Unidos, que mesmo no mês passado, Jon Stewart disse isto: Jon Stewart: Onde a pólio ainda existe?
Porque eu pensei que havia sido erradicada assim como a varíola foi erradicada.
Bruce Aylward: Opa. Jon, a pólio quase foi erradicada.
Mas a realidade é que a pólio ainda existe até hoje.
Fizemos este mapa para Jon, para tentar mostrá-lo onde a pólio ainda existe.
Esta é a imagem.
Não resta muito da pólio no mundo.
Mas a razão porque não resta muito é porque houve uma parceria público-privada extraordinária trabalhando nos bastidores, quase desconhecida, para a maioria de vocês aqui hoje.
Ela vem trabalhando há 20 anos para tentar erradicar essa doença. E diminuiu para esses poucos casos que vocês veem aqui neste gráfico.
Mas no ano passado, tivemos um choque incrível e percebemos que "quase" não é bom o suficiente com um vírus como a pólio.
E esta é a razão: em dois países que não tiveram essa doença por provavelmente mais de uma década, em lados opostos do globo, aconteceram de repente surtos terríveis de pólio.
Centenas de pessoas ficaram paralisadas.
Centenas de pessoas morreram – crianças e adultos.
Em ambos os casos, conseguimos usar a sequência genética para examinar os vírus da pólio. E identificamos que esses vírus não eram de tais países.
Eles vieram de milhares de quilômetros de distância.
E em um caso, originou-se em outro continente.
E não só isso, mas quando chegaram a esses países, eles provavelmente entraram em aviões comerciais e viajaram ainda mais longe para outros lugares como a Rússia, onde, pela primeira vez em mais de uma década no ano passado, crianças ficaram aleijadas e paralíticas por uma doença que não haviam visto por anos.
Agora, todos esses surtos que mostrei para vocês, estão sob controle, e parece que vão acabar muito rapidamente.
Mas a mensagem foi bem clara.
A pólio ainda é uma doença devastadora e explosiva.
Só que está acontecendo em outra parte do mundo.
E nossa grande ideia é que o milagre científico desta década deverá ser a erradicação completa da poliomielite.
Então quero falar a vocês um pouco sobre o que a parceria, a Parceria da Pólio, está tentando fazer.
Não estamos tentando controlar a pólio.
Não queremos reduzi-la a apenas alguns casos, porque essa doença é como incêndio florestal: pode explodir de novo se não acabarmos com ela completamente.
Então estamos procurando uma solução permanente.
Queremos um mundo onde cada criança, assim como vocês, possa contar como garantido um mundo livre da pólio.
Então procuramos por uma solução permanente. E é aí que temos sorte.
Este é um dos poucos vírus no mundo onde há rachaduras grandes o suficiente em sua armadura que podemos tentar fazer algo realmente extraordinário.
O vírus só sobrevive em pessoas.
Não consegue viver por muito tempo em pessoas.
Não sobrevive no ambiente.
E temos vacinas muito boas, como acabei de mostrar.
Então estamos tentando acabar com esse vírus completamente.
O que o programa de erradicação da pólio está tentando fazer é acabar com o vírus em si que causa pólio em todos os lugares da Terra.
Agora, não temos um grande registro em se tratando de algo assim, para erradicar doenças.
Tentou-se seis vezes no último século, e foi bem sucedido apenas uma vez.
E isso porque a erradicação de doenças ainda é o capital de risco da saúde pública.
Os riscos são enormes, mas os resultados – econômicos, humanitários, motivacionais – são absolutamente enormes.
Um congressista aqui nos Estados Unidos estima que o investimento total que os EUA colocaram na erradicação da varíola se paga a cada 26 dias – em custos com tratamento não gastos e custos com vacinação.
E se conseguirmos erradicar a pólio, os países mais pobres do mundo vão economizar mais de 50 bilhões de dólares somente nos próximos 25 anos.
Então são esses os resultados que estamos buscando.
Mas a erradicação da varíola foi difícil; foi muito, muito difícil.
E a erradicação da pólio, de muitas formas, é mais difícil. E há algumas razões para isso.
A primeira é que, quando começamos a tentar erradicar a pólio há cerca de 20 anos, mais que o dobro de países estavam infectados do que quando começamos com a varíola.
E havia mais de dez vezes o número de pessoas vivendo nesses países.
Então foi um esforço enorme.
O segundo desafio que tivemos foi – em contraste com a vacina da varíola, que era muito estável, e uma única dose protegia para sempre – que a vacina da pólio é extremamente frágil.
Ela se deteriora tão rapidamente nos trópicos que tivemos que colocar um monitor de vacina especial em cada ampola, para que ela mude rapidamente quando exposta a muito calor, e podemos saber se a vacina não é apropriada para usar em uma criança – não é potente; não irá protegê-las.
Ainda assim, as crianças precisam de várias doses da vacina.
Mas o terceiro desafio que tivemos – e provavelmente o maior deles, o maior desafio – é que, em contraste com a varíola onde é possível ver o seu inimigo – quase todas as pessoas infectadas com varíola tinham essa reveladora erupção.
Então era possível tratar a doença; era possível vacinar em torno da doença e cortá-la.
Com a pólio é quase totalmente diferente.
A grande maioria das pessoas infectadas com o vírus da pólio não mostra sinal algum da doença.
Não é possível ver o inimigo na maioria das vezes. E como resultado, precisávamos de uma abordagem diferente para erradicar a pólio do que foi feito com a varíola.
Tivemos que criar um dos maiores movimentos sociais da história.
Há mais de 10 milhões de pessoas, provavelmente 20 milhões de pessoas, na maioria voluntários, que vêm trabalhando nos últimos 20 anos no que agora foi chamado de a maior operação internacionalmente coordenada em tempos de paz.
Essas pessoas, esses 20 milhões de pessoas, vacinam mais de 500 milhões de crianças a cada ano, diversas vezes no pico de nossa operação.
Agora, dar a vacina da pólio é simples.
São somente duas gotinhas, assim.
Mas chegar a 500 milhões de pessoas é muito, muito mais difícil.
E esses vacinadores, esses voluntários, têm que mergulhar de cabeça em algumas das mais densas e perigosas áreas urbanas no mundo.
Eles têm que caminhar sob o sol escaldante até alguns dos lugares mais remotos e difíceis de se chegar no mundo.
E eles também têm que desviar de balas, porque temos que operar durante tréguas e cessar-fogo pouco confiáveis para tentar vacinar as crianças, mesmo nas áreas afetadas por conflito.
Um repórter que estava vendo nosso programa na Somália cerca de cinco anos atrás – um lugar que erradicou a pólio não uma, mas duas vezes, porque eles foram re-infectados.
Ele estava sentado fora da estarda, observando uma das campanhas de pólio acontecerem, e alguns meses depois escreveu: "Isto é ajuda estrangeira da mais heróica."
E estes heróis são pessoas que vêm de todos os cantos, com diferentes histórias.
Mas um dos mais extraordinários é o Rotary International.
Este é um grupo que tem um exército de um milhão de voluntários que vêm trabalhando para erradicar a pólio por mais de 20 anos.
Eles estão bem no centro de tudo.
Mas demorou anos para construir a infraestrutura para erradicação da pólio – mais de 15 anos, muito mais do que deveria ter sido – mas uma vez construída, os resultados foram incríveis.
Em poucos anos, todo o país que começou a erradicação da pólio rapidamente erradicou todos os três vírus da pólio, com exceção dos quatro países que vocês veem aqui.
E em cada um deles, foi somente parte do país.
E então, em 1999, um dos três vírus da pólio que estávamos tentando erradicar foi completamente erradicado no mundo – prova do conceito.
E hoje, houve uma redução de 99% – mais de 99% de redução – no número de crianças que são paralisadas por esta doença horrível.
Quando começamos, mais de 20 anos atrás, mil crianças eram paralisadas a cada dia por esse vírus.
No ano passado, foram mil.
E ao mesmo tempo, o programa de erradicação da pólio vem trabalhando para ajudar em muitas outras áreas.
Vem trabalhando para ajudar a controlar gripes pandêmicas, como a SARS.
Também tenta salvar crianças fazendo outras coisas – dando vitamina A, dando vacinas contra o sarampo, dando mosquiteiros contra a malária durante algumas dessas campanhas.
Mas a coisa mais empolgante que o programa de erradicação da pólio vem fazendo foi nos forçar, a comunidade internacional, a chegar a cada criança, a cada comunidade – as pessoas mais vulneráveis no mundo com os serviços de saúde mais básicos, independente da geografia, pobreza, cultura e mesmo conflito.
As coisas pareciam empolgantes e então há cerca de cinco anos, o vírus, o vírus antigo, começou a contra-atacar.
O primeiro problema que tivemos foi que, nesses últimos quatro países – as fortalezas desse vírus – simplesmente não conseguíamos erradicá-lo.
E para piorar ainda mais a situação, o vírus começou a se espalhar para fora desses quatro países, especialmente do norte da Índia e norte da Nigéria, para a África, a Ásia e mesmo para a Europa, causando surtos horríveis em lugares que não viam essa doença há décadas.
E então, em um dos mais importantes, tenazes e difíceis reservatórios do vírus da pólio no mundo, descobrimos que nossa vacina não estava funcionando nem a metade do que deveria.
Nessas condições, a vacina não conseguia alcançar a eficácia que precisava nas entranhas dessas crianças e protegê-las da maneira necessária.
Naquela época, como podem imaginar, havia uma grande frustração – vamos dizer frustração – que começou a crescer rapidamente.
E de repente, algumas vozes muito importantes no mundo da saúde pública começaram a dizer: "Espera aí.
Deveríamos abandonar a ideia de erradicação.
Vamos nos ater ao controle – isso é bom o suficiente."
Por mais sedutora que a ideia de controle pareça, é uma falsa premissa.
A verdade brutal é: se não tivermos vontade ou habilidade, ou mesmo o dinheiro que pecisamos para chegar às crianças – às crianças mais vulneráveis no mundo – com algo tão simples quanto a vacina oral da pólio, muito em breve, mais de 200 mil crianças vão novamente ser paralisadas por essa doença a cada ano.
Sem sombra de dúvida.
São crianças como Umar.
Umar tem sete anos de idade, e é do norte da Nigéria.
Ele mora com sua família, com seus oito irmãos e irmãs.
Umar também tem pólio.
Umar foi paralisado para sempre.
Sua perna direita foi paralisada em 2004.
Essa perna, a perna direita, agora sofre imensamente, porque ele tem que rastejar, pois é mais rápido se mover dessa maneira para acompanhar os amigos, acompanhar seus irmãos e irmãs, do que pegar muletas e andar.
Mas Umar é um aluno fantástico. É um garoto incrível.
Provavelmente vocês não consigam ver aqui, mas este é o seu boletim. E verão que ele tem notas excelentes.
Ele conseguiu 10 em todas as coisas importantes, como poesia infantil, por exemplo.
Mas eu adoraria poder ser capaz de dizer que Umar é um típico garoto com pólio hoje em dia, mas não é verdade.
Umar é um garoto excepcional em circunstâncias excepcionais.
A realidade da pólio hoje é algo muito diferente.
A pólio ataca as comunidades mais pobres no mundo.
Deixa as crianças paralíticas, e arrasta as famílias mais profundamente na pobreza, porque elas buscam deseperadamente e gastam o pouco das economias que têm tentando em vão achar a cura para suas crianças.
Acreditamos que as crianças merecem mais.
Então, quando os procedimentos ficaram mais difíceis no programa de erradicação da pólio, há cerca de dois anos, quando as pessoas diziam "Devemos parar com isso", a Parceria da Pólio decidiu arregaçar as mangas mais uma vez e tentar achar novas soluções inovadoras, novas maneiras de chegar às crianças que novamente não estávamos atendendo.
No norte da Índia, começamos a mapear os casos usando imagens de satélite como estas, para podermos guiar nossos investimentos e abrigos de vacinação, para chegarmos a milhões de crianças da bacia do Rio Koshi onde não há outros serviços de saúde.
No norte da Nigéria, os líderes políticos e os líderes tradicionais muçulmanos, envolveram-se diretamente com o programa para ajudar a resolver problemas de logística e confiança na comunidade.
E agora eles até começaram a usar esses dispositivos – falando em tecnologia incrível – estes pequenos dispositivos, rastreadores GIS como este, que colocam dentro dos contêineres de vacina dos vacinadores.
E então é possível rastreá-los. No fim do dia, eles olham e veem se esses caras chegaram a cada uma das ruas e casas.
Este é o comprometimento que estamos vendo para tentar chegar às crianças que não estávamos atendendo.
E no Afeganistão, estamos tentando novas abordagens – negociadores de acesso.
Estamos trabalhando em estreita colaboração com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para assegurar que podemos chegar a cada criança.
Mas à medida que tentamos essas coisas extraodinárias e pessoas fazem esforços para tentar estruturar suas táticas, voltamos para a vacina – é uma vacina de 50 anos – e acreditamos que com certeza poderíamos fazer uma vacina melhor, para que quando finalmente elas chegarem às crianças, possamos obter melhores resultados para nosso investimento.
E isso começou uma incrível colaboração com a indústria. E em seis meses, estávamos testando uma nova vacina da pólio que tinha como alvo, há apenas dois anos, os últimos dois tipos de pólio no mundo.
Em 9 de junho de 2009, tivemos os primeiros resultados do primeiro teste com esta vacina. E acabou sendo algo revolucionário.
A nova vacina tinha impacto duas vezes maior sobre os dois vírus do que a vacina antiga. E imediatamente começamos a usá-la.
Bem, em poucos meses, pois tivemos que produzi-las.
E começou a sair da linha de produção direto para as bocas das crianças pelo mundo.
Nós não começamos com os lugares fáceis.
O primeiro lugar onde a vacina foi usada foi no sul do Afeganistão, pois é em lugares como este que as crianças vão se beneficiar muito mais de tecnologias como esta.
Agora, aqui no TED, nos últimos dois dias, eu vi pessoas desafiando a plateia várias vezes a acreditar no impossível.
Então hoje de manhã, por volta das 7 horas, decidi que tentaríamos levar o Chris e a equipe de produção aqui à loucura ao fazer o download dos nossos dados da Índia novamente, para que vocês possam ver algo que está acontecendo hoje, o que prova que o impossível é possível.
E somente dois anos atrás, as pessoas diziam que isso era impossível.
Agora, lembrem que o norte da Índia é a "tempestade perfeita" em se tratando de pólio.
Mais de 500 mil crianças nascem nos dois estados que nunca acabaram com a pólio – Uttar Pradesh e Bihar – 500 mil crianças a cada mês.
O saneamento é terrível, e nossa vacina antiga, como lembram, tinha metade do resultado que deveria.
Mesmo assim, o impossível está acontecendo.
Hoje faz exatamente seis meses – e pela primeira vez na história, nenhuma criança sofreu paralisia em Uttar Pradesh ou Bihar.
A Índia não é a única.
Na Nigéria, país do Umar, houve uma redução de 95% no número de crianças paralisadas pela pólio no ano passado.
E nos último seis meses, tivemos menos lugares reinfectados pela pólio do que qualquer outra época na história.
Senhoras e senhores, com a associação de pessoas inteligentes, tecnologia inteligente e investimentos inteligentes, a pólio pode agora ser erradicada em qualquer lugar.
Temos desafios enormes, como podem imaginar, para terminar este trabalho, mas como também viram, é possível, tem grandes benefícios secundários, e a erradicação da pólio é um ótimo investimento.
E enquanto crianças em qualquer lugar ficarem paralíticas pelo vírus, é um lembrete importante de que estamos falhando, como sociedade, em chegar às crianças com os serviços mais básicos.
E por essa razão, a erradicação da pólio: é o máximo em patrimônio; e é o máximo em justiça social.
O enorme movimento social que tem sido feito para a erradicação da pólio está pronto para fazer muito mais por estas crianças.
Está pronto para chegar a elas com mosquiteiros, com outras coisas.
Mas aproveitar seu entusiasmo, aproveitar sua energia significa terminar o trabalho que começaram há 20 anos.
Erradicar a pólio é algo inteligente, e é a coisa certa para se fazer.
Estamos em tempos economicamente difíceis.
Mas como David Cameron do Reino Unido disse há cerca de um mês quando falava sobre a pólio, "Nunca há uma época errada para fazer a coisa certa."
Concluir a erradicação da pólio é fazer a coisa certa.
E estamos em uma encruzilhada agora neste grande esforço de mais de 20 anos.
Temos uma nova vacina, temos nova determinação e temos novas táticas.
Nós temos a chance de escrever um capítulo inteiro de pólio erradicada na história da humanidade.
Mas se hesitarmos agora, perderemos para sempre a chance de erradicar essa doença antiga.
Aqui vai uma boa ideia para se espalhar: Acabem com a pólio agora.
Ajudem-nos a contar a história.
Ajudem-nos a criar o impulso. Para que muito em breve cada criança, cada pai, em todo lugar, também possa contar como garantida uma vida para sempre sem pólio.
Obrigado.
Bill Gates: Bem, Bruce, quais lugares você acha que serão mais difíceis?
Onde você diria que precisamos ser mais inteligentes?
BA: Os quatro lugares que você viu, onde nunca foi erradicada – norte da Nigéria, norte da Índia, o canto sul do Afeganistão e as fronteiras do Paquistão – serão as mais difíceis.
Mas o interessante é que dessas três, a Índia está tendo progresso, como você viu nos dados.
E o Afeganistão, nós pensamos, provavelmente já acabou com a pólio várias vezes.
Acaba sendo reinfectado.
Então os mais difíceis: erradicar no norte da Nigéria e erradicar no Paquistão.
Esses serão os lugares mais difíceis.
BG: Mas e quanto ao dinheiro?
Diga quanto a campanha custa em um ano.
É fácil arrecadá-lo?
E como será nos próximos dois anos?
BS: É interessante.
Nós já gastamos entre 750 milhões e 800 milhões de dólares por ano.
Esse é custo de chegar a 500 milhões de crianças.
Parece ser muito dinheiro; e é muito dinheiro.
Mas quando se chega a 500 milhões de crianças diversas vezes – 20, 30 centavos por criança – não é muito dinheiro.
Mas agora nós não temos o suficiente.
Temos um grande déficit dessa quantia. Estamos economizando. E cada vez que economizamos, mais lugares que não deveriam acabam sendo infectados, e isso nos atrasa.
E o ótimo investimento acaba nos custando um pouco mais.
BG: Bem, esperamos que sejamos ouvidos, e os governos continuem com sua generosidade.
Então boa sorte. Estamos todos nessa com você.
Obrigado.
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Beverly Joubert: Somos verdadeiramente apaixonados pela selva Africana e pela proteção dela. Então o que temos feito é focar em gatos emblemáticos.
E eu sei, na luz do sofrimento e da pobreza dos humanos e até nas mudanças climáticas, alguém se perguntou, por que se preocupar com alguns gatos?
Bem hoje estamos aqui para compartilhar com vocês uma mensagem que aprendemos de um personagem muito importante e especial -- esse leopardo.
Dereck Joubert: Bem, nossas vidas tem sido, basicamente, como um episódio muito longo de "CSI" -- algo em torno de 28 anos.
Em essência, o que temos feito é que estudamos a ciência, temos olhado para o comportamento, vimos mais de 2. 000 mortes por esses animais incríveis.
Mas uma das coisas que a ciência realmente nos chamou atenção é essa personalidade, a personalidade individual que esses animais tem.
E aqui está um exemplo excelente.
Encontramos esse leopardo em um baobá de 2. 000 anos na África, na mesma árvore que encontramos sua mãe e sua avó.
E ela nos levou em uma jornada e revelou algo muito especial para nós -- sua própria filha, oito dias de idade.
E no minuto que encontramos esse leopardo, percebemos que deveríamos agir. Então nós basicamente permanecemos com esse leopardo pelos próximos 4 anos e meio -- seguindo-a diariamente, conhecendo-a, sua personalidade individual, e realmente conhecendo-a.
Agora estou destinado a passar muito mais tempo com algumas únicas, muito, muito especiais, individualistas e frequentemente sedutoras personagens femininas.
A Beverly é claramente uma delas, e esse pequeno leopardo, Legadema, é outro, e ela mudou nossas vidas.
BJ: Bom, nós certamente passamos muito tempo com ela -- de fato, mais tempo até do que sua mãe passou.
Quando sua mãe saia para caçar, nós ficávamos e filmávamos.
E mais cedo, um raio acertou uma árvore a 15 metros de nós.
Foi assustador. E fez chover em nós folhas com um cheiro repugnante.
E é claro, ficamos ali por um tempo, mas quando conseguimos voltar a nós mesmos, olhamos para aquilo e dissemos, "Meu Deus, o que acontecerá com aquele filhote?
Ela provavelmente irá associar para sempre aquele barulho ensurdecedor conosco."
Bem, não precisávamos ter nos preocupado.
Ela veio correndo da moita em nossa direção, sentou ao nosso lado, tremendo, com suas costas na direção do Dereck, e observando.
E, na verdade, daquele dia em diante, ela tem se sentido confortável conosco.
Então sentimos que aquele dia foi o dia que ela realmente ganhou seu nome.
Nós a nomeamos Legadema, que significa "luz do céu."
DJ: Agora temos encontrado esse individualismo em todo tipo de animal, em particular nos gatos.
Esse é chamado Eetwidomayloh, "ele quem sauda com fogo." E você pode apenas ver isso sobre ele, vocês sabem -- esse é seu personagem.
Mas apenas nos aproximando desses animais e passando tempo com eles podemos realmente alcançar e expor esses personagens pessoais que eles tem.
BJ: Mas através de nossa investigação, temos de procurar os lugares mais selvagens na África.
E, nesse exato momento, isso está no Okavango Delta em Botswana.
Sim, é um pântano. Vivemos num pântano em uma tenda. Mas eu tenho de lhes dizer, cada dia é revigorante.
Mas também, nossos corações ficam em nossas gargantas por muito tempo, porque estamos dirigindo pela água, e é um território desconhecido.
Mas realmente estamos lá procurando e vasculhando e filmando os gatos emblemáticos.
DJ: Agora uma das grandes coisas, é claro, todo mundo saber que gatos odeiam água. E então isso foi uma surpresa real para nós.
E apenas pudemos encontrar isso ao nos empurrar, indo onde nenhuma pessoa sã iria -- não sem alguma sugestão, falando nisso, da Beverly -- e apenas empurrando, indo para lá, empurrando nosso veículo, nos empurrando.
Mas conseguimos descobrir que esses leões são 15 por cento maior que os outros, e eles são especializados em caçar búfalos na água.
BJ: E então, é claro, o desafio é saber quando se virar.
Não conseguimos fazer isso sempre. E nesse dia em particular, nos subestimamos seriamente a profundidade.
Fomos mais fundo e mais fundo, até que estava na altura do peito do Dereck.
Então atingimos um buraco muito fundo, e nós realmente submergimos o veículo.
Na verdade conseguimos naufragar equipamentos de filmagem avaliados em 2 milhões de dólares.
Afogamos nosso orgulho, devo dizê-los, o que foi muito sério. e agarramos o motor.
DJ: E é claro que uma das regras que temos no veículo é que quem o afunda tem de nadar com os crocodilos.
Vocês também notarão que todas essas fotos aqui foram tiradas de cima pela Beverly -- de cima, na parte seca, falando nisso.
Mas todos os lugares em que ficamos presos tem grandes paisagens.
E não foi um momento, e esses leões vieram em nossa direção, e a Beverly foi capaz de tirar uma ótima foto.
BJ: Mas nós realmente passamos dia e noite tentando fazer filmagens únicas.
E 20 anós atrás, fizemos um filme chamado "Eternal Enemies" onde conseguimos capturar esse comportamento incomum perturbador entre duas espécies -- leões e hienas.
E surpreendentemente, isso se tornou um filme cult.
E apenas conseguimos entender isso como pessoas vendo paralelos entre o lado agressivo da natureza e a guerra de bandos.
DJ: Foi incrível, porque vocês podem ver que esse leão está fazendo exatamente o que seu nome, Eetwidomayloh, representa.
Ele está concentrado nessa hiena, e ele vai pegá-la.
Mas isso é, eu acho, o que isso representa, é que esse indivíduos tem essas personalidades e personagens.
Mas para nós os percebermos, não apenas temos de nos esforçar, mas temos de viver sob regras de compromisso, o que significa que não podemos interferir.
Esse tipo de comportamento tem ocorrido por três, quatro, cinco milhões de anos, e não podemos chegar lá e dizer, "Isso é errado, isso é certo."
Mas isso nem sempre é fácil para nós.
BJ: Então como o Dereck diz, temos de trabalhar nos extremos -- temperaturas extremas, nos arrastar à noite.
A privação do sono é extrema.
Estamos no limite a maior parte do tempo.
Por 10 anos, tentamos capturar leões e elefantes juntos -- e nunca conseguimos até essa noite em particular.
E tenho de lhes dizer que foi uma noite perturbadora para mim.
Eu tinha lágrimas descendo pelo meu rosto.
Eu estava tremendo de ansiedade. Mas eu sabia que para capturar algo que nunca havia sido visto, nunca havia sido documentado.
E eu acredito que vocês devem ficar conosco.
DJ: A coisa incrível desses momentos -- e esse é provavelmente o auge da nossa carreira -- é que você nunca sabe como vai acabar.
Muitas pessoas acreditam, de fato, que a morte começa nos olhos, não no coração, não nos pulmões. E é aí que as pessoas perdem as esperanças, ou onde qualquer forma de vida perde.
E você pode ver o início disso aqui.
Esse elefante, contra tudo e todos, simplesmente perde a esperança.
Mas do mesmo jeito, você pode recuperar sua esperança.
Então justo quando você pensa que tudo acabou, algo acontece, alguma faísca te desperta, alguma vontade de lutar -- aquela vontade de ferro que todos temos, que esse elefante têm, que a conservação têm, que os grandes felinos têm.
Todos tem uma vontade de sobreviver, de lutar, de atravessar aquela barreira mental e prosseguir.
E para nós, de muitas maneiras, esse elefante se tornou uma inspiração para nós, um símbolo dessa esperança enquanto prosseguimos com nosso trabalho.
Agora de volta ao leopardo.
Estávamos passando tanto tempo com esse leopardo e tentando entender seu individualismo, seu personagem pessoal, que talvez nós estivéssemos indo muito longe.
Estávamos talvez a considerando garantida, e talvez ela não goste disso muito.
Isso é sobre casais trabalhando juntos, então eu tenho de dizer que dentro do veículo nós temos territórios delimitados Beverly e Eu.
Beverly senta de um lado onde todo o equipamento está, e eu fico do outro lado onde é meu espaço.
Isso é precioso para nós, essa divisão.
BJ: Mas quando esse filhote viu que eu tinha saído do meu assento e voltado para pegar alguns equipamentos, ela veio como um gato curioso para investigar.
Foi fenomenal, e nos sentimos gratos de ela confiar tanto em nós.
Mas ao mesmo tempo, estávamos preocupados que se ela criasse esse hábito e pulasse no carro de outra pessoa, poderia não ter o mesmo resultado -- ela poderia levar um tiro por isso.
Então sabíamos que tínhamos de reagir rapidamente
E o único jeito que pensamos em fazer sem assustá-la era tentar simular um rosnado, como sua mãe faria -- um silvo e um som.
Então o Dereck ligou o aquecedor do carro -- muito inovador.
DJ: Foi a única maneira que encontrei para salvar o casamento, porque a Beverly sentiu que estava sendo substituída, sabe.
Mas realmente e verdadeiramente, era assim que esse pequeno leopardo estava exibindo sua personalidade individual.
Mas nada nos preparou para o que aconteceria a seguir na nossa relação com ela, quando ela começou a caçar.
BJ: E na primeira caçada, estávamos muito empolgados.
Eu me sentia como assistindo uma colação de grau.
Nos sentimos como pais adotivos.
E é claro, sabíamos agora que ela iria sobreviver.
Mas apenas quando vimos o pequeno bebê babuíno grudado no pelo da mãe percebemos que algo único estava acontecendo com Legadema.
E é claro, o bebê babuíno era tão inocente, ele não virou e correu.
Então o que assistimos pelas próximas duas horas foi único.
Foi absolutamente incrível quando ela o pegou por segurança, protegendo ele da hiena.
E pelas próximas cinco horas, ela cuidou dele.
Percebemos que nós, na verdade, não sabemos tudo, e que a natureza é tão imprevisível, que temos de estar de mente aberta todas as vezes.
DJ: Ok, então ela foi um pouco durona.
Mas de fato, o que estávamos vendo aqui era interessante.
Porque ela é um filhote querendo brincar, mas ela também era um predador precisando matar, e ainda confusa de alguma maneira, porque ela era também uma mãe prematura.
Ela tinha esse instinto maternal, muito parecido com uma menina no seu caminho para a vida de mulher. E isso realmente nos levou a esse novo level de compreensão dessa personalidade.
BJ: E, é claro, ao decorrer da noite, eles deitaram juntos.
Eles acabaram por dormir por horas.
Mas tenho de lhes dizer -- todo mundo sempre pergunta, "O que aconteceu com o bebê babuíno?"
Ele morreu mesmo. E suspeitamos que foi nas noites congelantes do inverno.
DJ: Então nesse ponto, eu acho, que tinhamos idéias muito, muito consistentes do que a conservação significava.
Tivemos de lidar com todas essas personalidades individuais.
Tivemos de lidar com elas com respeito e celebrá-las.
Então nós, com a National Geographic, formamos a iniciativa dos grandes felinos para rumar à conservação, cuidando dos grandes gatos que amamos -- e então tivemos uma oportunidade de olhar para trás, os últimos 50 anos para ver quanta bondade nós tínhamos feito em conjunto.
Então quando eu e Beverly nascemos, haviam 450. 000 leões, e hoje há 20. 000.
Os Tigres não estão muito melhores -- 45. 000 reduzidos a cerca de 3. 000.
BJ: E então os Guepardos foram reduzidos a pequena quantidade de 12. 000.
Leopardos saltaram de cerca de 700. 000 para meros 50. 000.
Agora no tempo extraordinário que trabalhamos com a Legadema, que é, na verdade, mais de cinco anos -- 10. 000 leopardos foram mortos legalmente por caçadores de safáris.
E não foram apenas os leopardos que foram mortos nesse período.
Há uma quantidade enorme de caça ilegal também. E mataram provavelmente a mesma quantidade.
É, simplesmente, insustentável.
Nós os admiramos, e os tememos. E mesmo assim, como homens, queremos roubar seus poderes.
Já foi o tempo onde apenas reis vestiam peles de leopardo, agora através de rituais e cerimônias, curandeiros e ministros.
E é claro, olhando para essa pata de leão que teve a pele retirada, sinistramente me lembro de uma mão humana. E é irônico, porque o destino deles está em nossas mãos.
DJ: Há um comércio de ossos em desenvolvimento.
A África do Sul acabou de soltar ossos de leões no mercado.
Ossos de leões e de tigres tem a mesma aparência, então em um golpe, a indústria de ossos de leão vai matar todos os tigres.
Então temos um problema real aqui, não maior do que os leões tem.
Então os 20. 000 leões que vocês viram são, na verdade, uma distração, porque devem ter talvez três ou 4. 000 leões, e eles estão todos, na verdade, infectados com a mesma doença.
Eu a chamo de condescendência -- nossa condescendência.
Porque há um esporte, há uma atividade acontecendo de que todos estamos cientes, que consentimos.
E isso porque ainda não a vimos como estamos hoje.
BJ: E vocês tem de saber que, quando um leão é morto, isso interrompe completamente o bando.
Um novo macho vem para a área e domina o bando, e, é claro, primeiro de tudo mata os filhotes e possivelmente algumas fêmeas que defendem seus filhotes.
Então estimamos que cerca de 20 a 30 leões são mortos quando um leão é pendurado na parede em algum lugar distante.
DJ: Então o que nossas investigações tem mostrado é que esses leões são essenciais.
Eles são essenciais para o habitat.
Se eles desaparacem, todo o ecossistema Africano desaparece.
Há uma economia de eco-turismo na África que rende 80 bilhões por ano.
Então essa não é uma preocupação apenas com os leões, é uma preocupação com as comunidades africanas também.
Se elas desaparecem, tudo isso vai embora.
Mas o que mais me preocupa de muitas maneiras e que, conforme nos desconectamos da natureza, conforme nos desconectamos espiritualmente desses animais, perdemos a esperança, perdemos a conexão espiritual, nossa dignidade, essa coisa dentro de nós que nos mantêm conectados ao planeta.
BJ: Então vocês tem de saber, olhando nos olhos dos leões e leopardos agora, que tudo se trata de consciência crítica.
Então o que estamos fazendo, em Fevereiro, estamos publicando um filme chamado "The Last Lion". E "The Last Lion" é exatamente o que está acontecendo agora.
Essa é a situação em que estamos -- os últimos leões.
Isso é, se não agirmos e fizermos alguma coisa, essas planícies serão completamente privadas de grandes gatos, e então, como consequência, tudo mais vai desaparecer.
E simplesmente, se não pudermos protegê-los, teremos de ter um emprego nos protegendo também.
DJ: E, de fato, essa coisa original sobre a qual falamos e sobre a qual construímos nossas vidas -- essa conservação era sobre respeito e celebração -- é provavelmente verdade; é realmente o que ela precisa.
Precisamos dela. Nós respeitamos e celebramos uns aos outros como um homem e uma mulher, como uma comunidade e como parte desse planeta, e temos de continuar isso.
E Legadema?
Bem podemos informar, de fato, que somos avós.
BJ/DJ: Muito obrigado.
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Meu título: "Mais estranho do que podemos imaginar: a estranheza da ciência."
"Mais estranho do que podemos imaginar" vem de J. B. S. Haldane, o famoso biólogo, que disse, "Agora, minha desconfiança é que o universo não é só mais estranho do que imaginamos mas mais estranho do que podemos imaginar.
Suspeito que haja mais coisas no céu e na terra que se sonha, ou que se possa sonhar, em qualquer filosofia."
Richard Feynman comparou a precisão da teoria quântica -- previsões experimentais -- a especificação da largura da América do Norte com a exatidão de um fio de cabelo.
Isso significa que de alguma forma a teoria quântica tem que ser verdadeira.
Ainda assim, as hipóteses que a teoria quântica precisa fazer para chegar a essas previsões, são tão misteriosas, que o próprio Feynman foi compelido a dizer: "Se você pensa que entende teoria quântica, você não entende teoria quântica."
Ela é tão estranha que os físicos recorrem a uma ou outra interpretação paradoxal da teoria.
David Deustsch escreveu em "A Essência da Realidade", que adota a interpretação quântica dos "múltiplos universos", porque a pior contestação possível é que ela é um grande desperdício.
A teoria postula um vasto e crescente número de universos existindo em paralelo -- mutuamente indetectáveis, exceto através da pequena janela dos experimentos da mecânica quântica.
Este é Richard Feynman.
O biólogo Lewis Wolpert acredita que a estranheza da física moderna é só um exemplo exagerado. Ciência, em contraste com a tecnologia, violenta o senso comum.
Toda vez que você bebe um copo d'água, ele explica, provavelmente engolirá pelo menos uma molécula que passou pela bexiga de Oliver Cromwell.
É apenas probabilidade elementar.
O número de moléculas de água por copo é muito maior que o número de copos, ou bexigas, no mundo -- e, claro, não existe nada de especial com Cromwell ou bexigas. Vocês acabaram de inspirar um átomo de nitrogênio que passou pelo pulmão direito do dinossauro à esquerda da grande palmeira.
"Mais estranho do que podemos imaginar."
O que é que nos faz capazes de imaginar qualquer coisa, e será que isso nos diz algo sobre o que podemos imaginar?
Existem coisas sobre o universo que estarão para sempre além da nossa compreensão, mas não além da compreensão de uma inteligência superior? Existem coisas sobre o universo que são, em princípio, incompreensíveis para qualquer intelecto, por mais superior que seja?
A história da ciência tem sido uma longa série de violentos brainstorms, que acompanham a aceitação das gerações com o nível crescente de estranheza no universo.
Nós estamos tão acostumados com a idéia da Terra girar -- em vez do Sol se movimentar -- que fica difícil compreender como essa idéia foi revolucionária.
Afinal de contas, parece óbvio que a Terra é grande e imóvel e que o Sol é pequeno e móvel. Mas é bom recordar a observação de Wittgenstein:
"Diga-me", perguntou a um amigo, "por que as pessoas alegam que foi natural ao homem supor que o Sol girava em torno da Terra em vez de que a Terra estava girando?"
Seu amigo respondeu: "Bem, obviamente, é porque parece que o Sol gira em torno da Terra."
Wittgenstein replicou: "E como pareceria se parecesse que a Terra estava girando?"
A ciência tem nos ensinado, contra-intuitivamente, que coisas aparentemente sólidas, como cristais e pedras, são compostas quase inteiramente de espaço vazio.
No exemplo usual, o núcleo do átomo é uma mosca no meio de um estádio de futebol e o próximo átomo está no estádio vizinho.
A conclusão é que a mais sólida rocha é na verdade composta de um vazio, interrompido apenas por pequenas partículas tão espaçadas entre si que não deveriam fazer diferença.
Então por que as pedras parecem sólidas, duras e impenetráveis?
Como biólogo evolucionista eu diria: nosso cérebro evoluiu para nos ajudar a sobreviver nas dimensões de tamanho e velocidade que nosso corpo opera. Nós não evoluímos para navegar no mundo dos átomos.
Se tivéssemos, nosso cérebro provavelmente enxergaria as pedras cheias de espaços vazios. Pedras parecem duras e impenetráveis para nossas mãos, precisamente porque pedras e mãos não conseguem se penetrar. É, portanto, útil para o cérebro construir noções de "solidez" e "impenetrabilidade", porque isso ajuda nosso corpo a navegar no mundo-mediano que temos que navegar.
No outro lado da escala, nossos ancestrais nunca tiveram que navegar pelo cosmos em velocidades perto da velocidade da luz. Se tivessem, nosso cérebro entenderia Einstein bem melhor. Quero dar o nome de "Mundo Médio" ao ambiente de tamanho médio no qual desenvolvemos a habilidade de agir -- nada a ver com Terra Média.
Mundo Médio.
Evoluímos no Mundo Médio, e isso limita o que somos capazes de imaginar. É intuitivo para você compreender a idéia de que um coelho que se move na velocidade média que um coelho se move no Mundo Médio se machuca se atingir outro objeto do Mundo Médio, como uma pedra.
Permitam-me apresentar o Major General Albert Stubblebine III, comandante da inteligência militar em 1983.
Ele olhou para sua parede em Arlington, Virginia, e decidiu agir.
Mesmo com um panorama assustador, ele iria até a sala ao lado.
Ele se levantou, e saiu de trás da mesa.
"Do que o átomo é feito?", ele pensou. "Espaço."
Começou a caminhar. "Do que eu sou feito?" Átomos.
Ele apressou o passo, quase correndo.
"Do que a parede é feita?" Átomos.
Eu só tenho que combinar os espaços.
Então, o General Stubblebine bateu forte o nariz contra parede de seu escritório. Stubblebine, que comandou 16 mil soldados, estava frustrado pelo seu fracasso em caminhar através da parede.
Ele não tem dúvida que um dia essa será uma ferramenta usual no arsenal militar. Quem se meteria com um exército capaz disso? A história é de um artigo da Playboy que eu estava lendo outro dia.
Eu tenho motivos para acreditar. Estava lendo a Playboy porque a revista tinha um artigo meu.
A intuição humana, treinada no Mundo Médio, acha difícil acreditar em Galileu quando ele diz que um objeto pesado e outro leve, desconsiderando o atrito do ar, atingem o chão ao mesmo tempo.
Isso acontece porque no Mundo Médio, o atrito está sempre presente.
Se tivéssemos evoluído no vácuo, esperaríamos que chegassem ao mesmo tempo. Se fôssemos bactérias, constantemente atormentadas por movimentos moleculares, seria diferente, mas somos grandes demais para notar o movimento browniano.
Do mesmo jeito, nossa vida é dominada pela gravidade mas é quase indiferente à tensão superficial.
Um inseto teria prioridades invertidas.
Steve Grand -- ele é o da esquerda, Douglas Adams é o da direita -- Steve Grand, em seu livro, "Criação: Como Fazer Uma Vida", é contundente ao falar da nossa preocupação com a própria matéria.
Temos a tendência de pensar que somente coisas sólidas são coisas de verdade. Ondas eletromagnéticas no vácuo parecem irreais.
No Séc. XIX pensava-se que as ondas viajavam em um meio -- o éter. Nós achamos a matéria reconfortante somente porque evoluímos para sobreviver no Mundo Médio, onde matéria é uma invenção útil.
Um redemoinho, para Steve Grand, é uma coisa tão real quanto uma pedra.
Num deserto da Tanzânia, ao pé do vulcão Ol Donyo Lengai, há uma duna feita de cinzas vulcânicas.
A beleza está no seu movimento em conjunto.
Ela é tecnicamente chamada de barcana, e a duna inteira se move pelo deserto na direção oeste a uma velocidade de 17 metros por ano.
Ela retém sua forma de meia-lua e se move na direção das pontas.
O vento sopra a areia declive acima até o outro lado, e quando os grãos de areia chegam ao cume, eles caem do outro lado da meia-lua, fazendo toda duna se mover.
Steve Grand comenta que nós mesmos parecemos mais com uma onda do que com algo duradouro.
Ele convida o leitor a "pensar numa experiência da infância -- alguma coisa clara na memória, que você possa ver, sentir, talvez até cheirar, como se estivesse lá de verdade.
Afinal, você realmente esteve lá, não esteve?
Como mais se lembraria?
Agora vem a bomba: você não esteve lá.
Nem um único átomo do seu corpo atual esteve lá quando o fato aconteceu. Matéria flui de lugar para lugar e momentaneamente se junta para ser você.
Seja o que for, portanto, você não é material do qual você é feito.
Se isso não faz você se arrepiar, leia novamente até que faça. É importante."
"Realmente" não é uma palavra a ser usada com convicção.
Se um neutrino tivesse um cérebro, que evoluiu de ancestrais do tamanho de um neutrino, ele diria que as pedras são sim compostas de espaço vazio.
Nosso cérebro evoluiu de ancestrais de médio porte que não podiam atravessar as pedras.
"Realmente", para um animal, é o que o cérebro necessita para auxiliar a sobrevivência, e como diferentes espécies vivem em mundos diferentes, haverá uma inquietante variedade de "realmentes".
O que enxergamos não é o mundo natural, mas um modelo do mundo, orientado por dados sensoriais usados de modo a nos ajudar a lidar com o mundo real.
A natureza do modelo depende do tipo de animal que somos.
Um animal voador precisa um modelo diferente de um animal terrestre, escalador ou aquático.
O cérebro de um macaco deve estar programado para simular o mundo tridimensional de galhos e troncos.
O software de uma toupeira constrói modelos personalizados para o uso subterrâneo.
Um inseto d´água não precisa de software 3D porque ele vive na superfície do lago, em uma Planolândia de Edwin Abbot.
Eu especulei que os morcegos vêm cores com os ouvidos.
O modelo de mundo necessário para navegar em 3D e caçar insetos deve ser similar ao modelo de uma ave. Uma ave diurna como a andorinha, precisa realizar os mesmos tipos de tarefas.
O fato do morcego usar ecos na escuridão para lidar com as variáveis do modelo, enquanto a andorinha usa luz, é acidental.
Morcegos, eu sugeri, utilizam cores, como vermelho e azul, como rótulos internos para algum aspecto útil dos ecos -- talvez a textura acústica das superfícies, peluda ou lisa, da mesma maneira que as andorinhas, ou, de fato, nós, usamos as cores -- vermelho, azul, etc. -- para rotular os comprimentos de onda.
"Vermelho" não é inerentemente uma onda longa.
A natureza do modelo é governada por como ele é usado, não pelo estímulo sensorial envolvido.
O próprio J. B. S. Haldane teceu comentários sobre os animais cujo mundo é dominado pelo olfato.
Cães conseguem distinguir dois ácidos graxos bem similares: ácido caprílico e ácido capróico.
A única diferença é que um deles tem um par a mais de átomos de carbono na cadeia.
Haldane supõe que um cachorro seria capaz de colocar os ácidos em ordem de peso molecular usando o cheiro, assim como um homem colocaria as cordas de um piano em ordem de comprimento baseado nas notas musicais.
Existe outro ácido graxo, o ácido cáprico, que é parecido com os outros dois, exceto por dois átomos de carbono a mais.
Um cachorro que nunca viu o ácido cáprico talvez não teria mais dificuldade em imaginar seu cheiro do que nós teríamos em imaginar um trompete tocando uma nota acima da nota que ouvimos antes.
Talvez cães, rinocerontes e outros animais com olfato apurado cheirem em cores. O raciocínio seria exatamente o mesmo para os morcegos.
Mundo Médio -- a faixa de tamanhos e velocidades na qual evoluímos e nos sentimos confortáveis -- é um pouco como a estreita faixa do espectro eletromagnético que enxergamos como luz de várias cores.
Somos cegos a todas as frequências além dessas, salvo se tivermos a ajuda de instrumentos.
O Mundo Médio é a estreita faixa da realidade que julgamos ser normal, em contraste com a estranheza do muito pequeno, muito grande e muito rápido.
Poderíamos criar uma escala similar de improbabilidades: nada é totalmente impossível.
Milagres são apenas eventos extremamente improváveis.
Uma estátua de mármore poderia acenar para nós. Os átomos que compõe sua estrutura cristalina já estão vibrando mesmo.
Por eles serem tantos, e porque não há concordância na direção preferida de movimento, o mármore, como o vemos no Mundo Médio, permanece imóvel.
Mas poderia acontecer dos átomos da mão se moverem na mesma direção ao mesmo tempo, repetidamente.
Nesse caso, a mão se moveria e veríamos um aceno aqui no Mundo Médio. A improbabilidade, claro, é tão grande que se você tivesse começado a escrever "zeros" na origem do universo, não teria até hoje escrito "zeros" o suficiente.
A evolução no Mundo Médio não nos preparou para lidar com eventos muito improváveis. Não vivemos tempo o bastante.
Na vastidão do espaço sideral e do tempo geológico, o que parece impossível no Mundo Médio, acaba sendo inevitável.
Um jeito de pensar sobre isso é contando planetas.
Não sabemos quantos planetas existem no universo, mas uma boa estimativa é que são 100 bilhões de bilhões.
Por aí conseguimos expressar nossa estimativa sobre a improbabilidade da vida.
Pode ser feita uma espécie de marcação ao longo do espectro de improbabilidades, semelhante ao espectro eletromagnético que vimos há pouco.
Se a vida surgiu só uma vez. Se a vida pudesse surgir uma vez por planeta seria muito comum, mas poderia surgir uma vez por estrela, ou uma vez por galáxia ou talvez uma vez no universo inteiro, e nesse caso seria aqui. Em algum lugar lá em cima existe a chance de um sapo se transformar num príncipe e outras mágicas acontecerem.
Se a vida surgiu somente em um planeta em todo universo, esse planeta tem que ser o nosso, porque estamos aqui comentando o assunto.
Se quisermos nos valer dessa situação, nos é permitido postular eventos químicos na origem da vida com probabilidades tão baixas como 1 em 100 bilhões de bilhões.
Não acho que devemos nos valer dessa situação, porque eu desconfio que a vida seja bastante comum no universo.
E quando eu digo comum, ainda assim seria tão rara a ponto de uma ilha de vida jamais encontrar outra. Uma tristeza.
Como vamos interpretar "mais estranho do que podemos imaginar?"
Mais estranho do que, em princípio, pode-se imaginar ou só mais estranho do que podemos imaginar, dadas as limitações do aprendizado do nosso cérebro no Mundo Médio?
Poderíamos nós, treinando e praticando, nos emanciparmos do Mundo Médio e alcançarmos um tipo de entendimento, intuitivo e matemático, do muito pequeno e do muito grande? Eu sinceramente não sei.
Eu imagino se poderíamos nos ajudar a entender a teoria quântica se colocássemos crianças para jogar no computador, desde cedo na infância, jogos de um mundo de faz-de-conta onde bolas passam por fendas numa tela, um mundo em que os caminhos estranhos da mecânica quântica fossem ampliados pelo mundo do computador, tornando-os conhecidos na escala do Mundo Médio.
Similarmente, um jogo relativista no qual objetos na tela manifestam a contração de Lorentz, para tentar nos incentivar a pensar -- incentivar as crianças a pensarem no assunto.
Quero finalizar aplicando a idéia de Mundo Médio às nossas percepções uns dos outros.
A maioria dos cientistas aceitam uma visão mecanicista da mente: somos do jeito que somos porque o cérebro é do jeito que é; os hormônios são do jeito que são.
Seríamos diferentes, nosso caráter seria diferente, se nossa neuroanatomia e química psicológica fosse diferente.
Mas nós cientistas somos inconsistentes. Se fôssemos consistentes, nossa resposta à uma pessoa mal-comportada, como um infanticida, seria algo como: "essa unidade tem um componente defeituoso; precisa de conserto." Não é o que fazemos.
O que dizemos -- incluindo o mais rígido mecanicista entre nós, provavelmente eu -- o que dizemos é: "Monstro malvado. Vá para prisão."
Ou pior, buscamos vingança, desencadeando uma nova fase no círculo-vicioso da vingança, hoje em dia visto no mundo todo.
Resumindo, quando pensamos como acadêmicos, vemos as pessoas como máquinas complexas, como computadores ou carros, mas quando voltamos a sermos humanos nós agimos mais como Basil Fawlty, que destruiu seu carro para lhe ensinar uma lição quando este não pegava.
Personificamos coisas como carros e computadores porque assim como macacos vivem nas árvores, toupeiras vivem no subterrâneo e insetos d'água vivem na Planolândia, nós vivemos num mundo social. Nadamos num mar de pessoas -- uma versão social do Mundo Médio.
Evoluímos para questionar o comportamento dos outros ao nos tornarmos brilhantes psicólogos.
Tratar pessoas como máquinas pode ser cientifica e filosoficamente correto, mas é uma grande perda de tempo se quisermos entender o ser humano.
O jeito economicamente viável de modelar uma pessoa é tratá-la como um agente com objetivos e aspirações, prazeres e dores, desejos e intenções, culpa, responsabilidades.
Personificar e atribuir propósito é um jeito tão brilhante de modelar pessoas, que não é surpreendente que o mesmo software frequentemente toma o controle quando tentamos pensar sobre coisas que não se aplicam ao modelo, como Basil Fawlty com seu carro ou os milhões de pessoas iludidas com o universo como um todo.
Se o universo é mais estranho do que podemos imaginar, é apenas porque somos naturalmente selecionados a imaginar somente o que precisamos para sobreviver no Pleistoceno africano?
Ou nosso cérebro é tão versátil e expansível que podemos nos treinar para sair das amarras da evolução?
Ou, finalmente, existem coisas no universo tão estranhas que nenhuma filosofia, mesmo avançadíssima, poderia sonhar?
Muito obrigado.
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Sou um tecnólogo criativo e o foco do meu trabalho são as instalações públicas.
E uma das minhas maiores paixões é a ideia de explorar a natureza e tentar encontrar nela informações escondidas.
E me parece que há esse potencial latente por toda parte ao nosso redor.
Tudo fornece algum tipo de informação: pode ser o som, o cheiro ou a vibração.
E através do meu trabalho tento encontrar formas de utilizar e desvelar isso.
E então, isso me levou ao campo da cimática.
Cimática é o processo de visualização do som somente pela vibração de um meio, como areia ou água, como vocês podem observar.
Olhemos rapidamente para a história da cimática, começando pelas observações da ressonância por Da Vinci, Galileu, o cientista inglês Ribert Hook, e depois Ernest Chladni.
Chladni fez um experimento usando uma lâmina de metal, a cobriu com areia e depois a curvou para criar os desenhos de Chladni, observados à direita.
A próxima pessoa a explorar esse campo foi um cavalheiro chamado Hans Jenny na década de 70.
E foi ele quem de fato criou o termo cimática.
E agora, nos remetendo ao presente, um colaborador do meu trabalho, e especialista em cimática, John Stewart Reed.
E ele gentilmente recriou para nós o experimento de Chladni.
O que podemos ver aqui agora é a lâmina de metal, conectada ao controlador de som, sendo abastecida por um gerador de frequência.
Quanto maior a frequência, maior a complexidade dos desenhos que aparecem na lâmina.
Podem observar com seus próprios olhos.
Então o que me atrai na cimática?
Para mim, a cimática é quase uma ferramenta mágica.
É como um espelho para um mundo escondido.
E, através das inúmeras formas de aplicar a cimática, podemos de fato começar a desvelar a essência daquilo que não vemos.
Aparelhos como "cimascópio", como vocês podem observar aqui, tem sido usados cientificamente para observar desenhos cimáticos.
E a lista de aplicações científicas cresce a cada dia.
Em oceanografia, por exemplo, está sendo criado um glossário da linguagem dos golfinhos basicamente pela visualização das ondas sonoras que os golfinhos emitem.
E espera-se que no futuro sejamos capazes de entender mais profundamente como eles se comunicam.
Também podemos utilizar a cimática para tratamentos e para a educação.
Essa é uma montagem desenvolvida com crianças em que elas deslizam suas mãos e podem controlar a posição dos desenhos cimáticos e os reflexos por eles causados.
Também podemos usar a cimática como uma linda forma de arte natural.
Essa imagem provém de um fragmento da nona sinfonia de Beethoven, que tocava com um aparelho cimático.
Parece que as coisas vão se movendo na superfície.
E esta é a "máquina" do Pink Floyd, ao vivo pelo "cimascópio".
Também podemos usar a cimática como um espelho da natureza.
Podemos de fato recriar formas prototípicas da natureza.
Aqui à esquerda, por exemplo, podemos ver um floco de neve natural.
E, à direita, vemos um floco de neve cimaticamente criado.
Aqui vemos uma estrela do mar e uma estrela do mar cimática.
Há muitos como esses.
Então o que tudo isso significa?
Bem, há ainda muito o que explorar. Ainda está recente e não há muitas pessoas trabalhando nesse campo.
Mas considere por um momento que o som tenha forma.
E já vimos que ele pode afetar a matéria e criar novas formas.
Então vamos dar um salto e pensar sobre a formação do universo.
Pense sobre o enorme som da formação do universo.
E se pensarmos nisso talvez a cimática tenha exercido influência sobre a formação do universo.
E agora um colírio para os olhos, de uma série de cientistas e artistas de toda parte do mundo.
A cimática é acessível a todos.
Gostaria de encorajá-los a aplicarem sua paixão, seu conhecimento e suas habilidades em áreas como a cimática.
E acho que coletivamente podemos construir uma comunidade global.
Podemos inspirar um ao outro.
Podemos desenvolver essa exploração da substância de coisas que não vemos. Obrigado.
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[ Uma vez por ano.] [. três indivíduos notáveis são recompensados com um prêmio único ] [ Cada um ganha $100. 000 mais algo muito maior ] [ Um desejo de mudar o mundo ] [ Qualquer um inspirado por este desejo pode ajudar a tornar realidade ] [. a partir de agora ] Eu era um estudante na década de 60, um tempo de grande agitação social e questionamentos, e num nível pessoal, um despertar para o senso de idealismo.
A guerra no Vietnã estava no auge; o movimento dos Direitos Civis estava se encaminhando e fotos tinham uma forte influência sobre em mim.
Nossos políticos e líderes militares estavam nos dizendo uma coisa and os fotógrafos nos diziam outra.
Acreditei nos fotógrafos assim como outros milhões de Americanos.
A imagens deles alimentaram a resistênca para a guerra e para o racismo.
Eles não apenas gravaram a história, eles ajudaram a mudar o curso da história.
Suas fotos se tornaram parte da nossa consciência coletiva e, como a consciência evoluiu para um senso de consciência compartilhada, a mudança se tornou não apenas possível, mas inevitável.
Ela põe uma face humana nos problemas que de longe podem parecer abstratos ou ideológicos ou monumentais no seu impacto global.
O que acontece no campo, longe das esferas do poder, acontece a cidadões comuns, um por um.
E eu compreendi que a documentação fotográfica tem a habilidade de interpretar eventos do ponto de vista deles.
Da uma grande voz para aqueles que de outra maneira não teriam voz.
Meu desejo TED. Existe uma história vital que precisa ser contada e eu desejo para TED a me ajudar a ganhar acesso a ela. e então me ajudar a criar formas inovadoras e emocionantes de usar fotografias de notícias na era digital.
Muito obrigado.
[ 03. Out. 08 - A história começa ] [ "Eu tenho sido uma testemunha, e essas fotos são o meu testemunho" ] [ África do Sul ] [ Isto est'a acontecendo agora ] [ Camboja ] [ Suazilândia ] [ Uma pessoa morre a cada 20 segundos ] [ Tailândia ] [ Uma doença antiga está tomando uma nova forma mortal ] [ Sibéria ] [ Lesoto ] [ Tuberculose: A próxima pandemia? ] [ Índia ] [ TB pode ser previnida e curada ] [ Mas está mutando devido ao tratamento inadequado] [ XDR-TB ] [ Tuberculose com extrema resistência a medicamentos ] [ Não há uma cura confiável ] [ Os pacientes frequentemente morrem com poucas semanas de diagnóstico] [ 49 países relataram XDR-TB ] [ XDR-TB é uma ameaça crítica à saúde global ] [ Manifestação extrema ] [ Sofrimento extremo ] [ Aflição extrema. Perdas extremas. Dor extrema. ] [ Pandemia extrema ] [ Extremamente prevenível ] [ XDR-TB ] [ Nós podemos parar isso agora ] [ Espalhe a história. Pare a doença ] [Visite agora XDR-TB. org ] XDR-TB. org: Nós somos o tratamento ] [ Nós somos o tratamento ] [ Possível pelo generoso suporte de BD ]
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Sou americano, então, geralmente, eu ignoro o futebol, a menos que envolva caras do meu tamanho, ou do Bruno, correndo velozmente um em direção ao outro.
Dito isso, tem sido bem difícil ignorar o futebol nas últimas semanas.
Vou ao Twitter e há essas palavras estranhas que nunca ouvi antes: FIFA, vuvuzela, piadas esquisitas sobre polvos.
Mas a coisa que tem realmente me estressado, que eu não consegui entender, é esta frase: "Cala a boca, Galvão."
Se você acessou o Twitter nas últimas semanas, provavelmente viu isso.
Tem sido um grande "trending topic".
Sendo um americano monolíngue, é claro que não sei o que significa.
Então, fui ao Twitter, e perguntei a algumas pessoas se elas podiam explicar o "Cala a boca, Galvão."
Felizmente, meus amigos brasileiros estavam bem dispostos a ajudar.
Eles explicaram que o pássaro Galvão é um papagaio raro e ameaçado, que corre um perigo terrível.
Na verdade, vou deixá-los explicar um pouco mais.
Narrador: um pouco sobre o Galvão, um tipo muito raro de pássaro nativo do Brasil.
Todo ano, mais de 300. 000 pássaros Galvão são mortos durante os desfiles de Carnaval.
Ethan Zuckerman: Obviamente, é uma situação trágica, e fica pior.
Acontece que, não só o papagaio Galvão é muito bonito, útil para cocares, como também tem certas propriedades alucinógenas, o que significa que há um problema terrível de maus tratos ao Galvão.
Algumas pessoas doentias encontraram-se cheirando Galvão.
E ele está ameaçado.
A boa notícia é que a comunidade global -- de novo, meus amigos brasileiros me disseram -- está se mobilizando para ajudar.
Acontece que Lady Gaga lançou uma nova música -- na verdade, cinco ou seis novas músicas, até onde sei -- chamadas "Cala a boca, Galvão."
E meus amigos brasileiros me dizem que se eu simplesmente twitar a frase "Cala a boca, Galvão," 18 centavos vão ser doados à campanha global para salvar este raro e belo pássaro.
Agora, muitos de vocês devem ter notado que isso foi uma "pegadinha", e, na verdade, uma muito, muito boa.
"Cala a boca, Galvão" significa algo bem diferente.
Em português, significa "Cala a sua boca, Galvão."
E refere-se, em específico, a esse cara, Galvão Bueno, que é o principal narrador esportivo da Rede Globo.
Pelo o que entendo dos meus amigos brasileiros, é que esse cara é uma máquina de clichês.
Ele pode arruinar a partida mais interessante simplesmente jorrando clichês de novo e de novo e de novo.
Então, os brasileiros foram à primeira partida, contra a Coreia do Norte, puseram este cartaz, começaram uma campanha no Twitter e tentaram nos convencer a twitar a frase: "Cala a boca, Galvão."
E, de fato, foram tão bem-sucedidos que ela ficou em destaque por duas semanas.
Agora, há algumas -- há algumas lições que você pode tirar disso.
E a primeira lição, que acho que é válida, é que não há como errar ao pedir às pessoas que sejam ativas online, contanto que ativismo signifique retwitar uma frase.
Enquanto o ativismo for simples assim, é bem fácil seguir com isso.
Outra lição é que, por sinal, existem muitos brasileiros no Twitter.
Há mais de cinco milhões deles.
Quanto a representação nacional, 11% dos internautas brasileiros estão no Twitter.
É um número muito mais alto do que nos EUA ou no Reino Unido.
Junto ao Japão, é o segundo país mais representado por população.
Se você usa o Twitter ou outras redes sociais, e você não percebeu que este é um espaço com muitos brasileiros, você é como muitos de nós.
Porque o que acontece numa rede social é que você interage com pessoas com as quais você escolheu interagir.
Se você é como eu, um americano branco, geek e grande, você tende a interagir com outros americanos geeks e brancos.
E você não percebe, necessariamente, que o Twitter é um espaço acentuadamente brasileiro.
E também é - para muitos americanos, surpreendentemente - um espaço acentuadamente afro-americano.
O Twitter recentemente fez uma pesquisa.
Eles olharam para sua população local.
Eles acreditam que 24% dos usuários americanos do Twitter são afro-americanos.
Cerca de duas vezes mais do que afro-americanos na população do país.
De novo, isso foi chocante para muitos usuários do Twitter, mas não deveria ser.
E a razão por que não deveria é que em qualquer dia você pode acessar os "trending topics."
E você tende a encontrar tópicos que são quase totalmente conversas afro-americanas.
Esta é uma visualização feita por Fernando Viegas e Martin Wattenberg, dois incríveis designers de visualização, que mapearam o tráfico do Twitter por um fim de semana e descobriram que muitos desses "trending topics" eram basicamente conversas segregadas -- e de maneiras que você não esperaria.
O derramamento de óleo é um assunto majoritariamente branco, e, churrasco, um assunto majoritariamente negro.
E o maluco disso é que, se você quisesse misturar quem você estivesse vendo no Twitter, estava a um clique de distância.
Você clica na tag churrasco e há uma conversa totalmente diferente com pessoas diferentes participando.
Mas, generalizando, muitos de nós não participam.
Ficamos dentro dessas bolhas de filtragem, como meu amigo Eli Pariser as chama, onde vemos as pessoas que já conhecemos e as pessoas parecidas com as que já conhecemos.
E tendemos a não ver o quadro mais amplo.
Estou surpreso com isso, porque a internet não deveria ser assim.
Se voltarmos aos primórdios da internet, quando ciberutopistas como Nicholas Negroponte escreviam livros como "A Vida Digital," a previsão era a de que a internet seria uma força incrivelmente poderosa para amenizar diferenças culturais, para nos colocar num campo comum de um tipo ou outro.
Negroponte começa seu livro com uma história sobre o quão difícil é criar conexões no mundo dos átomos.
Ele está numa conferência de tecnologia na Flórida.
E ele olha para algo realmente absurdo, garrafas de água Evian numa mesa.
E Negroponte diz que isso é loucura.
Isso é a antiga economia.
É a economia que leva esses átomos lentos e pesados por longas distâncias, que é muito difícil de realizar.
Rumamos ao futuro dos bits, onde tudo é veloz e sem peso.
Pode estar em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora.
E vai mudar o mundo como o conhecemos.
Negroponte estava certo sobre muitas coisas.
Mas está totalmente errado quanto a essa.
Acontece que, em muitos casos, átomos são muito mais móveis que bits.
Se eu entro numa loja nos Estados Unidos, é muito, muito fácil para eu comprar água engarrafada em Fiji, importada a altos custos para os EUA.
É surpreendentemente difícil que eu consiga assistir a um filme de Fiji.
É muito difícil que eu ouça música de Fiji.
É extremamente difícil que eu obtenha notícias de Fiji, o que é estranho, porque há muita coisa acontecendo em Fiji.
Há um golpe, um governo militar.
Há repressões na imprensa.
É, de fato, um lugar no qual provavelmente deveríamos estar prestando atenção, no momento.
Eis o que acho que está acontecendo.
Acho que tendemos a olhar para a infraestrutura da globalização.
Observamos a estrutura que torna possível viver no mundo conectado.
E é um sistema que inclui coisas como rotas aéreas.
Inclui coisas como cabos de internet.
Olhamos para um mapa como este e parece que o mundo inteiro é plano, porque tudo está a um pulo ou dois de distância.
Você pode pegar um voo em Londres e chegar a Bangalore no fim do dia.
Dois pulos, você está em Suva, capital de Fiji.
Está tudo aqui.
Quando você começa a ver o real fluxo nessas redes, você percebe um quadro bem diferente.
Você começa a ver como como os aviões movem, e, de repente, você descobre que o mundo não tem nada de plano.
Está cheio de protuberâncias.
Há partes do mundo que são muito, muito bem conectadas.
Há, basicamente, um caminho gigante no céu entre Londres e Nova York.
Mas olhe para este mapa, e você pode assistir a isso por, sei lá, dois ou três minutos.
Você não verá muitos aviões irem da América do Sul para a África.
E você descobrirá que há partes do globo que são sistematicamente isoladas.
Quando deixamos de olhar para a infraestrutura que possibilita a conexão, e olhamos para o que realmente acontece, passamos a perceber que o mundo não funciona do mesmo jeito que pensamos que ele funciona.
Então, este é o problema que tem me interessado na última década,
O mundo está, de fato, ficando mais global.
Está ficando mais conectado.
Existem mais problemas em escala global.
Mais da nossa economia é em escala global.
E nossa mídia é menos global a cada dia.
Se você tivesse assistido TV nos Estados Unidos na década de 1970, 35 a 40 por cento dela seria de notícias internacionais, nos noticiários diários de TV.
O número caiu para 12 a 15 por cento.
Isso tende a nos dar uma visão muito distorcida do mundo.
Este é um slide que Alisa Miller mostrou em outra "TED Talk."
Ela é presidente do "Public Radio International".
Ela fez um cartograma, que é, basicamente, um mapa distorcido baseado no que noticiários da televisão americana mostraram durante um mês.
Vê-se que, quando você distorce um mapa com base na atenção, o mundo, dentro do noticiário norte-americano, é basicamente reduzido a esses EUA gigantes,
e alguns outros países que invadimos.
E nossa mídia fala basicamente disso.
E, antes que vocês concluam que é assim apenas na TV -- o que é terrível, e concordo que é terrível -- tenho mapeado a mídia de elite como o " New York Times", e chego ao mesmo resultado.
Quando você olha para o "New York Times", olha para outra mídia de elite, e, geralmente, vê nações muito ricas e nações que invadimos.
O fato é que as novas mídias não estão necessariamente nos ajudando muito.
Este é um mapa feito por Mark Graham, que trabalha no “Oxford Internet Institute.”
Este é um mapa de artigos da Wikipédia que foram geo-codificados.
Vocês notarão que há um viés acentuado para a América do Norte e a Europa Ocidental.
Até mesmo dentro das Wikipédias, em que estamos criando seu próprio conteúdo online, há um viés acentuado para os lugares onde muitos dos autores da Wikipédia vivem, em vez de para o resto do mundo.
No Reino Unido, você pode se levantar, pegar seu computador, quando você sair desta sessão, você pode ler um jornal da Índia, ou da Austrália, do Canadá, ou, Deus queira que não, dos EUA.
Você provavelmente não lerá.
Se você olhar para o consumo de mídias online -- neste caso, nos 10 maiores usuários da internet -- mais de 95% da leitura de notícias é em sites noticiosos domésticos.
É um dos raros casos em que os EUA são um pouco melhores que o Reino Unido, porque nós gostamos de ler os veículos de vocês, mas não o contrário.
Tudo isso me leva a pensar que estamos num estado que chamo de cosmopolitismo imaginário.
Olhamos para a internet.
Pensamos que temos uma visão ampla do globo.
Às vezes, encontramos uma página em chinês, e decidimos que temos a melhor tecnologia já criada para nos conectar ao resto do mundo.
E esquecemos que, na maior parte do tempo, estamos conferindo o resultado do Boston Red Sox [time de beisebol].
Isso é um problema sério -- não só porque os Red Sox estão tendo um ano ruim -- mas é um problema porque, como temos discutido aqui no TED, os reais problemas do mundo, os problemas interessantes de resolver são globais em escala e escopo, eles requerem discussões globais para se chegar a soluções globais.
Este é um problema que temos que resolver.
Eis a boa notícia.
Durante seis anos, tenho estado com esses caras.
Este é um grupo chamado "Global Voices".
É um time de blogueiros de todo o mundo.
Nossa missão era consertar a mídia do mundo.
Começamos em 2004.
Vocês devem ter notado que não nos demos muito bem, até agora.
Também não penso que vamos, sozinhos, resolver o problema.
Mas, quanto mais penso sobre isso, mais acho que algumas coisas que aprendemos pelo caminho são lições interessantes para como nos reconectaríamos, se quiséssemos que a web tivesse um mundo mais amplo.
A primeira coisa a se considerar é que há partes do mundo que são pontos obscuros, em termos de atenção.
Nesse caso -- o mapa do mundo à noite, feito pela NASA -- são literalmente obscuros, devido à falta de eletricidade.
E eu pensava que um ponto escuro no mapa significava que não haveria notícias daquele lugar, já que haveria necessidades mais básicas.
Começo a perceber que você consegue notícias. É só um trabalho enorme, e você precisa de uma quantidade enorme de incentivo.
Um desses pontos obscuros é Madagascar, um país geralmente mais conhecido pelos filmes da "Dreamworks" do que conhecido pelas pessoas adoráveis que vivem lá.
Então, as pessoas que fundaram o "Foko Club" em Madagascar não estavam preocupadas em tentar mudar a imagem de seu país.
Estavam fazendo algo bem mais simples.
Era um clube para aprender inglês e aprender a usar o computador e a internet.
Mas o que aconteceu foi que Madagascar sofreu um Golpe de Estado violento.
A maior parte da mídia independente foi fechada.
E os estudantes de Ensino Médio que aprendiam a blogar no "Foko Club" de repente se viram falando para uma plateia internacional sobre as demonstrações, a violência, tudo o que estava acontecendo dentro do país.
Então um programa muito, muito pequeno, criado para pôr pessoas na frente de computadores, publicando seus pensamentos, publicando mídia independente, acabaram tendo um impacto enorme no que sabemos sobre o país.
Agora, o difícil disso é que eu suponho que muitas pessoas aqui não falam malgaxe.
Também suponho que muitos de vocês sequer falam chinês -- o que é meio triste, se pensarem bem, já que essa é a língua mais presente na internet.
Felizmente, tem gente pensando como resolver isso.
Se você usa o Google Chrome e vai a um site em chinês, você nota essa caixa bonitinha no topo, que detecta automaticamente que a página está em chinês e bem rápido, num clique de mouse, faz uma tradução da página.
Infelizmente, é uma tradução automática da página.
E, ainda que o Google seja muito bom com alguns idiomas, ele é muito ruim com o chinês.
E os resultados podem ser bem engraçados.
O que você realmente quer -- o que eu realmente quero, é a capacidade de apertar um botão e entrar na fila para que um ser humano possa traduzir.
E, se você acha isso absurdo, não é.
Há um grupo, agora mesmo, na China, chamado Yeeyan.
E o Yeeyan é um grupo de 150 mil voluntários que ficam online todo dia.
Eles procuram o conteúdo mais interessante em inglês.
Eles traduzem cerca de 100 artigos por dia de grandes jornais, grandes websites.
Eles os disponibilizam online de graça.
É o projeto de um cara chamado Zhang Lei, que vivia nos EUA durante as revoltas de Lhasa e não podia acreditar no quão tendenciosa era a cobertura da mídia americana.
E ele disse: "Se há algo que posso fazer, é começar a traduzir, para que as pessoas desses países possam entender uma à outra um pouco melhor."
E minha pergunta para vocês é: se o Yeeyan pode recrutar 150 mil pessoas para traduzir a internet em inglês para o chinês, onde está o Yeeyan da língua inglesa?
Quem está indo atrás do chinês, que tem 400 milhões de usuários de internet por aí?
Minha hipótese é que ao menos um deles tem algo interessante a dizer.
Mesmo que encontremos um jeito de traduzir do chinês, não há garantia que o encontremos.
Quando procuramos por informação online, usamos, basicamente, duas estratégias.
Usamos muita busca.
E a busca é ótima, se você sabe o que está buscando.
Mas se o que você está buscando é serendipitia, se você quer encontrar algo por acaso que você não sabia que precisava, nossa filosofia é olhar para nossas redes sociais, procurar nossos amigos.
O que eles estão vendo? Talvez, devêssemos ver o mesmo.
O problema disso é que, em essência, você acaba obtendo a sabedoria do bando.
Você se reúne com muitas pessoas que são, provavelmente, parecidas com você, que têm interesses similares.
E é muito, muito difícil conseguir informação dos outros bandos, das outras partes do mundo onde pessoas se reunem e conversam sobre seus próprios interesses.
Para fazer isso, num dado momento, você precisa que alguém lhe tire de um bando e lhe ponha em outro.
Você precisa de um guia.
Esta é Amira Al Hussaini. Ela é a editora do Oriente Médio para o "Global Voices".
Ela tem um dos trabalhos mais difíceis do mundo.
Não só ela tem que evitar que nossos contribuidores israelenses e palestinos se matem, ela também tem que pensar o que vai despertar seu interesse sobre o Oriente Médio.
E, no sentido de tirar vocês de sua órbita normal, e fazer com que vocês prestem atenção numa história sobre alguém que deixou de fumar no mês do Ramadã, ela tem que saber algo sobre uma audiência global.
Ela tem que saber sobre quais histórias estão disponíveis.
Basicamente, ela é uma DJ.
Ela é uma curadora com capacidade, que sabe que material está disponível para ela, que está apta a ouvir o público, e que é capaz de fazer uma seleção e fazer as pessoas avançarem, de uma forma ou outra.
Não acho que seja um processo algorítmico.
Acho que o legal da internet é que ela torna mais fácil que DJs cheguem a um público mais amplo.
Eu conheço Amira.
Posso perguntar a ela o que ler.
Mas, com a internet, ela está numa posição em que pode dizer a muitas pessoas o que ler.
E vocês podem ouvi-la, também, se for um modo que lhes interesse para ampliar sua rede.
Uma vez que você se abre assim, uma vez que você começa a iluminar vozes nos pontos obscuros, uma vez que você começa a traduzir, a editar conteúdo, você acaba em lugares bem estranhos.
Esta é uma imagem do meu blog favorito, o AfriGadget.
O AfriGadget é um blog que olha para a tecnologia num contexto africano.
Especificamente, está olhando para um ferreiro em Kibera, em Nairobi, que está transformando o eixo de uma Landrover num cinzel.
Quando você vê a imagem, pode pensar "Por que eu me importaria com isso?"
E a verdade é que esse cara pode explicar para você.
Esse é Erik Hersman. Vocês podem tê-lo visto pela conferência.
Ele atende pelo codinome Africano Branco.
Ele é um geek americano bem conhecido, mas também é queniano; ele nasceu no Sudão, cresceu no Quênia.
Ele é uma pessoa-ponte.
Ele é alguém que tem os pés em dois mundos -- um no mundo da comunidade tecnológica africana, um no mundo da comunidade tecnológica americana.
Então, ele é capaz de contar uma história sobre esse ferreiro em Kibera e torná-la uma história sobre um novo propósito para a tecnologia, sobre inovação a partir das limitações, sobre inspiração baseada na reutilização de materiais.
Ele conhece um mundo, e ele está encontrando um modo de comunicá-lo a outro mundo, ambos com os quais ele tem profundas conexões.
Essas pessoas-ponte, estou bem convencido, são o futuro de como tentamos tornar o mundo mais amplo por meio da web.
Mas a questão com pontes é que, no fim, você precisa de alguém para atravessá-las.
E aí começamos a falar de xenófilos.
Se eu estivesse na Liga Nacional de Futebol. Acho que passaria minha "off-season" tratando minhas lesões, curtindo minha casa e tal -- talvez gravando um álbum de hip-hop.
Dhani Jones, que joga na defesa dos Cincinnati Bengals, aproveita o período fora de temporada de outra maneira.
Dhani tem um programa de televisão.
Chama-se “Dhani Dribla o Globo.”
Toda semana, no seu programa, Dhani viaja para uma nação diferente do mundo.
Ele encontra um time de esporte local.
Ele treina com eles por uma semana, e joga uma partida com eles.
E sua razão para isso não é só querer dominar o boxe Muay Thai.
É porque, para ele, o esporte é a língua que o permite encontrar toda a vastidão e maravilha do mundo.
Para alguns de nós, pode ser a música. Para alguns, pode ser comida.
Para muitos de nós, pode ser a literatura, ou a escrita.
Mas existem todas estas técnicas diferentes que permitem que você saia e olhe para o mundo e encontre seu lugar nele.
O objetivo da minha palestra, aqui, não é persuadir as pessoas nesta sala a abraçar sua xenofilia.
Meu palpite -- dado que vocês estão numa conferência chamada "TEDGlobal" -- é que muitos de vocês são xenófilos, usem ou não usem o termo.
Meu desafio, em vez disso, é este.
Não é suficiente tomar a decisão pessoal de que você quer um mundo mais amplo.
Temos que descobrir como reconectar os sistemas que nós temos.
Temos que consertar nossa mídia.
Temos que consertar a internet. Temos que consertar nossa educação.
Temos que consertar nossa política de imigração.
Temos que procurar meios de criar serendipismo, de difundir a tradução, e precisamos encontrar formas de abraçar e celebrar as pessoas-ponte.
E precisamos descobrir como cultivar xenófilos.
É o que estou tentando fazer. Preciso de sua ajuda.
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Eu queria fazer mais ou menos o que fiz da 1a vez que foi escolher um tema leve.
Da última vez eu falei sobre morte e morrer.
Dessa vez eu queria falar sobre doença mental.
Mas tinha que ser tecnológico, então eu vou falar sobre terapia de eletrochoque. *RISOS*
Vocês sabem, desde que o homem sacou que as outras pessoas, seus colegas, podiam ser diferentes, podiam ser estranhos, podiam ficar seriamente deprimidos, ou como sabemos hoje esquizofrênicos, Ele tinha certeza que esse tipo de doença tinha que vir de maus espíritos entrando no corpo.
Então o jeito de tratar dessas doenças antigamente era, de alguma maneira, exorcizar esses maus espíritos, e isso continua assim, vocês sabem.
Mas não bastava acionar os padres.
Quando a medicina ficou um pouco mais científica por volta de 450 AC, com Hipócrates e aqueles caras, eles tentaram achar ervas, plantas, que literalmente purgassem os espíritos ruins para fora.
E então eles encontraram certas plantas que podiam causar convulsões.
E os herbáreos, os livros de botänica, até a idade média, O Renascimento, eram cheios de receitas para causar convulsões para botar os maus espíritos para fora.
Até que, perto do século XVI, um médico cujo nome era Theophrastus Bombastus Auricularis von Hohenheim, chamado de Paracelsus, um nome provavelmente familiar para alguns de vocês aqui *RISOS* - O Velho Paracelsus, sacou que ele podia prever o grau de convulsão de acordo com a medida de cânfora usada para causar a convulsão.
Imagine só, ir no seu armário, pegar uma naftalina e mastigá-la sempre que vc se sentir deprimido?
É melhor do que Prozac mas eu não recomendo.
Então o que vemos nos séculos XVII e XVIII é a busca contínua por outros medicamentos que não a cänfora que tivessem esse efeito.
Aí aparece o Benjamin Franklin, e ele quase se convulsiona com um raio de eletricidade saído da linha da sua pipa.
Aí as pessoas começaram a pensar em termos de eletricidade para causar as convulsões.
Então avançamos até perto de 1932, quando 3 psiquiatras italianos, que tratavam principalmente depressão, começaram a notar que alguns de seus pacientes que também eram epilépticos que se eles tivessem uma crise, uma série de crises epiléticas, um monte delas em seguida, que a depressão frequentemente passava.
Que não só passava como as vezes nem voltava mais.
Então eles ficaram muito interessados em produzir convulsões, convulsões do tipo que fossem medidas.
E eles pensaram: "Temos eletricidade, plugamos alguém na tomada.
Isso sempre faz os pelos arrepiarem e as pessoas chacoalham um bocado.
Então eles experimentaram em alguns porcos, e nenhum dos porcos morreu.
Aí eles foram a polícia e disseram: "Sabemos que nas estações de trem de Roma tem essas almas perdidas vagando para lá e para cá, murmurando besteira. Dá pra trazer alguns deles para nós?
Desses que os italianos chamam de "cagutis",
Então eles acharam um desses "cagutis", um homem de 39 anos que era um esquizofrênico perdido que era conhecido, já era conhecido há meses por viver literalmente defecando em si mesmo, falando coisas sem sentido, e eles o trouxeram para o hospital.
Então os 3 psiquiatras, depois de 2 ou 3 semanas de observação, deitaram o cara numa mesa, conectaram suas têmporas a essa pequena fonte de corrente elétrica.
Eles pensaram: "Bom, vamos tentar 55 volts por 2 décimos de segundo,
num vai fazer mal algum a ele".
Então eles fizeram isso.
Bom, eu obtive o depoimento a seguir de um observador em primeira mão, que me contou isso 35 anos atras, quando eu cogitava essas coisas para um projeto de pesquisa meu.
Ele disse: "Esse cara, - lembrem-se que ele sequer foi cedado - "depois dessa grande convulsão, sentou-se na mesa, olhou para os médicos e disse: "Que porra é essa que seus putos estão tentando fazer?" *RISOS* Ahh. se eu soubesse dizer isso em italiano.
Bem, eles ficaram super satisfeitos porque ele não tinha falado nada racional nas semanas de observação.
*RISOS* Então ele… eles plugaram ele novamente, só que dessa vez usaram 110 volts por meio segundo.
E para o espanto deles, depois que terminou, ele começou a falar como se estivesse perfeitamente são.
Ele teve uma pequena recaída, eles deram uma série de tratamentos, e ele foi praticamente curado.
mas, claro, sendo esquizofrênico, depois de algums meses a esquizofrênia voltou.
Mas eles escreveram uma monografia sobre isto, e todos no mundo ocidental começaram a usar eletricidade para convulsionar pessoas que fossem ou esquizofrênicas ou depressivas agudas.
Não funcionava muito bem em esquizofrênicos, mas ficou bem claro nos anos 30 e meados dos anos 40 que a terapia eletroconvulsiva era muito, muito eficaz no tratamento de depressão.
E, é claro, naquela época não tinha drogas anti-depressivas, e isso se tornou muito, muito popular.
Eles anestesiavam as pessoas, então convulsionavam-nas, mas o dificil era que não tinha um jeito de paralizar os músculos.
Portanto as pessoas tinham uns ataques
Ossos se quebravam e - especialmente em gente velha e frágil - não se podia usar isso.
Aí nos anos 50, final da década de 50, os chamados mio relaxantes foram desenvolvidos pelos farmacologistas, de tal forma que você agora podia induzir uma convulsão completa, uma convulsão eletroencefalográfica - podia-se vê-la nas ondas cerebrais -- sem causar a convulsão no corpo exceto por um pouquinho de espamos nos dedos dos pés,
E aí, novamente, isso ficou muito, muito popular, muito, muito útil.
Bom, vocês sabem, em meados dos anos 60, os primeiros anti-depressivos surgiram. Tofranil foi o primeiro.
No fim dos anos 70 e início dos 80 apareceram outros, e eles eram bastante eficazes.
E os grupos pelos direitos dos pacientes pareciam chateados com as coisas que eles viam acontecer aos pacientes.
De modo que toda a idéia da terapia eletroconvulsiva, eletrochoque, sumiu mas teve seu renascimento nos últimos 10 anos.
E o motivo desse renascimento é que provavelmente cerca de 10 por cento da população, depressivos agudos, não respondem ao tratamento, não importa o que for feito por eles.
Agora. porque eu estou contando essa história nessa conferência?
Estou contando essa história porque na verdade desde quando Richard me chamou e pediu para falar sobre - assim como ele pede a todos palestrantes - para falar sobre algo que fosse novidade para essa platéia, que nós nunca tenhamos falado a respeito, nunca tenhamos escrito a respeito, Eu venho planejando esse momento.
O motivo na verdade é que eu sou um homem que a quase 30 anos atras teve sua vida salva por duas longas séries de terapia de eletrochoque.
E deixem-me contar essa história.
Nos anos 60 eu estava num casamento. usar a palavra "ruim" talvez fosse o maior eufemismo do ano.
Era uma desgraça.
Tem bastante gente divorciada aqui nessa sala, tenho certeza, que sabem muito bem o que é a hostilidade, o ódio e sei lá mais o que.
Tendo sido alguém que teve uma infância muito dificil, uma adolescência muito dificil, eu tive que lidar, não exatamente com pobreza, mas perto disso.
Eu tive que lidar com crescer numa família na qual ninguem falava inglês, Ninguem sabia ler ou escrever em inglês.
Eu tive que lidar com morte, doenças e um monte de coisas.
Eu tinha uma certa tendência a depressão.
Então, a medida que as coisas foram piorando e nós começamos a nos odiar de verdade, eu fui aos poucos ficando mais depressivo ao longo de um par de anos, tentando salvar um casamento, que inevitavelmente não era para ser salvo.
Até que eu marcava todos meus casos de cirurgias maiores, Eu tava marcando-as para o meio-dia, 1 da tarde porque eu nao conseguia sair da cama antes das 11 da manhã.
Quem aqui já teve depressão, sabe o que é isso.
Eu não conseguia nem tirar as cobertas.
Bem, você está num centro médico universitário, onde todo mundo conhece todo mundo, e estava perfeitamente claro para meus colegas, assim os encaminhamentos começaram a parar de chegar
A medida que meus encaminhamentos diminuíam, eu claramente ficava mais deprimido até que eu pensei, Meu Deus, Não consigo mais trabalhar
e de fato, não fazia diferença porque eu já não tinha mais pacientes.
Aí, por conselho do meu médico, Eu me internei na unidade de tratamento psiquiátrico agudo do hospital universitário.
E meus colegas, que me conheciam desde a faculdade de medicina naquele lugar, disseram: ""Não se preocupe, meu velho, em 6 semanas, você estará de volta a sala de cirurgia. Tudo vai ficar bem."
Bem, vocês sabem o que é esterco bovino?
Eles provaram ser um bocado de esterco bonivo.
Eu conheço gente que conseguiu estabilidade lá com mentiras como essa.
*risos* Então eu fui um dos fracassos deles.
Mas não era assim tão simples. Porque na época em que saí daquela unidade, eu não servia para nada.
Eu mal podia enxergar a meio metro na minha frente.
Eu cambaleva quando andava, vivia curvado.
Eu raramente tomava banho e de vez em quando nem me barbeava. Era uma desgraça.
E estava claro, não para mim, porque nada mais era claro para mim naquela época, que eu precisava de uma internação mais longa naquele lugar terrível chamado "sanatório mental".
Então eu fui internado em 1973, primavera de 1973, no "Institute of Living" que antes se chamava "O Retiro Hartford".
Ele foi fundado no século XVIII, o maior hospital psiquiátrico do estado de Connecticut fora os outros grandes hospitais públicos que haviam naquela época,
E eles tentaram tudo que tinham.
Tentaram a psicoterapia usual.
Tentaram tudo quanto é medicamento que havia naquela época.
E eles tinham Tofranil e outras coisas, Mellaril, sabe-se lá mais o que.
Nada aconteceu exceto icterícia por causa de uns remédios.
Até que, devido a eu ser muito conhecido em Connecticut, eles decidiram que era melhor ter uma reuniao do conselho.
O conselho se reuniu e depois fiquei sabendo o que aconteceu.
Eles chegaram a um consenso e decidiram que nada mais havia a ser feito para esse cirurgião que essencialmente havia se isolado do mundo. que àquela época já estava tão transtornado - não apenas pela depressão e sentimentos de baixa auto-estima e desajuste - mas com pensamentos obsessivos. pensamentos obsessivos sobre coincidências.
E tinham certos números que toda as vezes que eu os via me deixavam chateado demais. Tudo um tipo de idéia fixa - terrível, terrível.
Vocês se lembram que, quando crianças, tinham que andar na linha?
Pois bem, eu era um homem crescido que tinha todas essas mesmas manias, e ficou de um jeito que latejava - um pavor feroz na minha cabeça.
Vocês já viram a pintura de Edvard Münch, "O Grito ". "O Grito". Cada momento era um grito.
Era impossível. Então eles concluiram que não tinha terapia, não havia tratamento. Mas havia UM tratamento, o qual, na verdade o Hospital Harford havia sido pioneiro nos anos 40 e vocês podem imaginar qual era. lobotomia pré-frontal.
Então eles decidiram - de novo eu não soube na época só descobri depois -- que a única coisa que podia ser feita com esse homem de 43 anos era uma lobotomia pré-frontal.
Pois bem, como em todos os hospitais, havia um médico residente designado para o meu caso. Ele tinha 27 anos, e ele me via 2 ou 3 vezes por semana.
e, é claro, eu já estava lá por. talvez 3 ou 4 meses por essa época.
e ele pediu uma reunião com o conselho e eles concordaram porque ele era bem considerado naquele lugar.
Eles achavam que ele tinha um futuro extraordinário.
Ele peitou os caras e disse, "Não, conheço esse homem melhor do que qualquer um de vocês. Eu encontro com ele o tempo todo.
Vocês só o veem de vez em quando. Vocês leem os relatórios e por aí vai.
Eu acredito honestamente que o problema fundamental aqui é depressão pura, e que todos os pensamentos obsessivos vem dela.
e vocês sabem, é claro, o que pode acontecer se fizerem a lobotomia pré-frontal.
Qualquer dos resultados ao longo do espectro, de muito ruim até muito terrível, terrível mesmo vai acontecer. Se o melhor acontecer, ele não terá mais obsessões, provavelmente não terá depressão, mas sua afetividade ficará dormente, ele nunca mais voltará a operar, ele não voltará a ser o pai amoroso que era para seus dois filhos, sua vida será mudada. Se ele tiver o resultado usual. ele vai acabar que nem o cara de "O estranho no ninho." E vocês sabem disso, num estado de estupor pelo resto da vida.
Bem, ele disse, "Não podíamos tentar uma série de terapia de eletrochoque?"
e sabe porque eles concordaram? Eles concordaram para agradar o residente.
Eles pensaram."bem, nós vamos dar uma série de 10.
mesmo que a gente perca um pouco de tempo, grande coisa. não vai fazer diferença
Então eles deram uma série de 10, e a primeira - a série normalmente tem 6 a 8 e ainda hoje tem 6 a 8 -
me plugaram nos fios, me botaram para dormir, me deram o relaxante muscular,
6 não funcionou. 7 não funcionou.
8 não funcionou. No 9 eu notei - é maravilhoso que podesse notar alguma coisa - eu notei uma mudança. No 10, eu notei uma mudança real.
E o residente voltou aos caras e eles concordaram em dar mais 10 sessões.
Novamente, nem um deles, - eu acho que tinha uns 7 ou 8 deles - pensou que isso ia dar certo. Eles pensaram que a mudança era temporária,
Mas, insistindo, lá pela 16 ou 17, haviam diferenças demonstráveis no jeito que eu me sentia.
Lá pela 18 e 19 eu conseguia dormir uma noite inteira.
Pela 20, eu tinha a sensação, eu realmente tive a sensação de que eu podia superar a depressão, Que eu estava forte o suficiente para, por um ato de determinação, me livrar do pensamento obsessivo.
Eu poderia afastar a depressão para longe.
E eu nunca esqueci e nunca esquecerei - estava na cozinha da unidade, era uma manhã de domingo, 4 de janeiro de 1973, em pé na cozinha sozinho pensando, "Agora eu tenho a força para fazer isso."
Era como se aqueles fios enrolados minha cabeça tivessem sido desconectados e agora eu podia pensar claramente.
Mas eu precisava de uma fórmula, algo para eu dizer a mim mesmo quando eu começava a pensar obsessivamente,
Bem, os fans de Gilbert and Sullivan nessa sala vão se lembrar de Ruddy Gore e vão se lembrar de Mad Margaret e vão se lembrar que ela era casada com um cara chamado Sir Despard Murgatroyd.
e ela costumava endoidar, a cada 5 minutos da peça teatral, então ele dizia a ela: "Nós temos que ter uma palavra que a traga de volta a realidade e a palavra, minha querida, será BASINGSTOKE." Então, toda vez que ela ia endoidar, ele dizia "BASINGSTOKE!" e ela respondia, "BASINGSTOKE, é isso" e ela ficava boazinha por um tempo.
Bem, vocês sabem, eu sou do Bronx. Eu não sei dizer "BASINGSTOKE"
Mas eu tinha algo melhor. E era bem simples.
Era "Ahhh FODA-SE!"
*risos* Muito melhor do que basingstoke, pelo menos para mim. E funcionava! Meu deus, isso funcionava.
Toda vez que eu começa a pensar obsessivamente - de novo, mesmo depois de 20 sessões de eletrochoque - eu dizia: "ahhh FODA-SE!"
E as coisas foram melhorando, melhorando, e depois de 3 ou 4 meses, eu tive alta daquele hospital e me juntei a um grupo de cirurgiões onde eu podia trabalhar com outras pessoas da comunidade, Não em New Haven, mas bem pertinho.
Fiquei lá por 3 anos.
Ao fim de 3 anos, voltei a New Haven. Tinha casado novamente nessa época.
Eu trouxe minha esposa comigo, na realidade, para me certificar que eu conseguiria passar por essa.
meus filhos voltaram a viver conosco.
Tivemos mais dois filhos depois disso.
Ressuscitei minha carreira, melhor ainda do que era antes.
voltei direto para a universidade e comecei a escrever livros.
Bem, vocês sabem, tem sido uma vida maravilhosa.
Tem sido por, como eu disse, quase 30 anos.
Eu parei de fazer cirurgias a cerca de 6 anos e me tornei um escritor em tempo integral, como muita gente sabe.
Mas tem sido muito excitante, muito feliz.
De vez em quando eu tenho que dizer um "Foda-se!"
De vez em quando eu fico um pouco deprimido, um tanto quanto obsessivo.
De modo que eu não estou completamente livre disso tudo. Mas funcionou. Sempre tem funcionado.
Por que eu escolhi, apesar de nunca jamais ter falado, falar sobre isso agora?
Bem, Para alguns de vocês que conhecem alguns dos meus livros, sabem que um deles é a respeito de morte e morrer, um é a respeito do corpo e do espírito humano, outro é a respeito dos pensamentos místicos e como estes estão contantemente em nossas mentes e eles sempre tinham algo a ver com as minhas experiências pessoais.
Alguém pode pensar, ao ler esses livros, - e eu recebo milhares de cartas a respeito deles - de pessoas que pensam o seguinte: que baseado na minha história pessoal, como retratada nos livros, a história do começo da minha vida, que eu sou alguém que superou as adversidades.
Que eu sou alguém que tinha bebido, -- bebeu. bebia -- a borra amarga da quase-desgraça na infância e emergiu não só intacto como fortalecido.
E que eu tinha sacado tudo, tanto que eu podia aconselhar as pessoas a respeito de morte e morrer, tanto que eu podia falar sobre misticismo e o espírito humano.
E eu sempre me senti culpado por isso.
Eu sempre me senti meio que um impostor porque meus leitores não sabem disso que eu acabei de contar a vocês.
Algumas pessoas em New Haven sabem disso, obviamente, mas não é de conhecimento geral.
Então umas das razões de eu ter vindo aqui hoje falar sobre isso foi para - francamente, egoisticamente - me aliviar disso e fazer saberem que não foi uma mente totalmente livre de problemas que escreveu esses livros.
Porém, mais importante, eu acho, é o fato de que uma porção significativa das pessoas nessa platéia ter menos de 30 anos, e ter muitos, é claro, com bem mais de 30.
Para as pessoas com menos de 30, e para mim parece que a maioria de vocês - eu diria todos vocês - estão ou a beira de uma magnífica e excitante carreira ou bem no meio de uma magnífica e excitante carreira; algo pode acontecer a você. As coisas mudam.
Acidentes acontecem. Algum fantasma da sua infância pode voltar para assombrá-lo.
Você pode sair dos eixos.
Eu espero que aconteça a nenhum de vocês, mas isto muito provavelmente vai acontecer a uma pequena percentagem de vocês.
E para os quais isso não acontecer, haverão adversidades.
Se eu, com minha fraqueza de espírito, sem espírito, que eu tinha nos anos 70 e sem possibilidade de recuperação. segundo o que aquele experiente grupo de psiquiatras pensava. Se eu consegui achar o caminho de volta acredite em mim, qualquer um pode achar seu caminho de volta de qualquer adversidade que existir em suas vidas.
E para aqueles que são mais velhos, que passaram por talvez nada tão ruim assim mas que passaram por tempos difíceis, quando talvez tenham perdido tudo, como eu perdi, e começaram do zero tudo de novo, algumas dessas coisas podem lhes parecer familiares.
Existe recuperação.
Existe redenção e existe ressureição.
Tem mitos de ressureição em todas as sociedades já estudadas, e isso não é só porque nós fantasiamos a respeito da possibilidade de ressureição e recuperação, mas porque isso acontece mesmo e acontece muito.
Talvez o mito de ressureição mais popular - fora dos temas religiosos - é aquele da Fênix, a antiga fábula da Fênix que, a cada 500 anos, ressurge das próprias cinzas para viver uma nova vida que é ainda mais bela do que a vida anterior. Richard, muito obrigado.
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Há mais restaurantes de comida Chinesa neste pais do que McDonald's, Burger King, Kentucky Fried Chicken e Wendy's somados -- na verdade tem 40. 000.
Restaurantes de comida chinesa têm feito um papel importante na história Americana, na realidade.
A crise dos mísseis de Cuba foi resolvida num restauarante de comida chinesa chamado Yenching Palace em Washington, D. C, que infelizmente se encontra fechado hoje, e prestes a virar um Walgreen's.
E a casa em que John Wilkes Booth planejou o assassinato de Abraham Lincoln virou também um restaurante de comida chinesa chamado Wok 'n Roll, na rua H em Washington.
E não é totalmente gratuito, porque wok e roll - comida chinesa e comida japonesa, então meio que funciona.
E os americanos amavam tanto suas comidas chinesas que até levaram para o espaço.
A NASA, por exemplo, serve porco agridoce térmicamente estabilizado no cardápio do ônibus espacial para os astronautas.
Então, deixar me fazer esta pergunta a vocês: Se a nossa referência para ser Americano for torta de maçã, você deve se perguntar, quantas vezes você come torta de maçã, versus quantas vezes você come comida chinesa. Certo?
E se você pensar bem, muitas das comidas em que você pensa ou nós ou os americanos pensam ser comida chinesa são quase irreconhecíveis para os chineses, por exemplo: carne com brócolis, rolinho de ovo, Frango de General Tso, biscoitos da sorte, chop suey, as caixinhas de delivery.
Por exemplo, eu levei um monte de biscoitos da sorte para a China, e dei para pessoas Chinesas para ver como elas reagiriam.
O que é isso?
Eu devo experimentar?
Experimente!
Como se chama isso?
Biscoito da sorte.
Tem um pedaço de papel dentro!
O que que é isso?
Você ganhou um prêmio!
O que é isso?
É uma profecia!
Gostoso!
Então, de onde eles são?
A resposta curta é que são do Japão.
E em Kyoto, e arredores, ainda há muitas pequenas padarias de família que fabricam biscoitos da sorte, como fizeram há mais de 100 anos, 30 anos antes de os biscoitos da sorte serem introduzidos nos EUA.
Se você olhar para um ao lado do outro, tem amarelo e marrom.
Os deles são temperados com missô e pasta de gergelim, portanto não são tão doces quanto a nossa versão.
Então, como eles chegaram aos EUA?
Bom, a resposta simples é que os imigrantes japoneses vieram, e uma cambada de padeiros os introduziu - incluindo pelo menos um em Los Angeles, e um aqui em San Francisco chamado Benkyo-do, na esquina da Sutter e Buchanan.
Na verdade, naquela época eles fizeram biscoitos da sorte usando ferros bastante similares aos que vimos em Kyoto.
Assim, a pergunta interessante é, como você pode ir de biscoitos da sorte a ser uma coisa japonesa a ser uma coisa chinesa?
Bom, a resposta simples é, que nós prendemos todos os japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, inclusive aqueles que fabricavam biscoitos da sorte, então este foi o momento em que os chineses entraram: viram uma certa oportunidade no mercado e conquistaram.
Então, biscoitos da sorte: inventados pelos japoneses, popularizados pelos chineses, mas fundamentalmente consumidos pelos americanos.
Eles são mais americanos do que qualquer outra coisa.
Um outro prato preferido meu: Frango do General Tso que, a propósito, na Academia Naval dos EUA, é chamado Frango do Almirante Tso.
Eu amo este prato.
O nome original do meu livro era na verdade A Longa Marcha do General Tso, e ele marchou muito longe mesmo, porque ele é doce, ele é frito, e ele é frango - todos as coisas que os Americanos adoram.
Ele marchou tão longe que o chef que originalmente inventou o prato não o reconhece; ele está meio horrorizado.
Ele está em Taiwan neste momento.
Ele é aposentado, surdo e joga muito Mahjong.
Então, ele -- depois que eu mostrei para ele, ele se levantou, e disse, "Mominqimiao," que significa, "Isto tudo é um absurdo." e voltou a jogar seu Mahjong durante a tarde.
Bom, outro prato. Um dos meus preferidos. Carne com brócolis.
Brócolis não é um vegetal chinês; na verdade, é originalmente um vegetal italiano.
Foi introduzido nos Estados Unidos no século 19, mas ficou popular nas décadas de 1920 e 1930.
Na verdade, os chineses tinham sua própria versão de brócolis, que é chamado de brócolis chinês, mas agora que -- eles agora descobriram brócolis americano, e estão importando como um tipo de iguaria exótica.
Eu garanto, General Tso nunca viu um talo de brócolis em sua vida -- e realmente, aquila era uma foto do General Tso.
Eu fui à cidade natal dele.
Isto é um outdoor que diz: "Bem-vindos ao local de nascimento do General Tso".
E eu fui procurar galinha.
Acabei achando uma vaca -- e achei galinha.
Acredite ou não, elas estavam atravessando a rua.
E -- Eu realmente achei um monte de parentes do General Tso que ainda moram na cidade pequena.
Este cara está agora cinco gerações mais novo que o General; este garoto tem uns sete anos.
Mostrei para eles todas as fotos de Frango do General Tso que mostrei para vocês, e eles disseram: nós não conhecemos este prato.
E depois eles falaram: isto é comida chinesa?
Porque para eles não parece comida chinesa.
Mas não ficaram surpresos que eu viajei pelo mundo para visitá-los, porque nos olhos deles ele é, no final das contas, um famoso herói militar da Dinastia Qing.
Ele teve um papel importante na rebelião de Taiping, que foi uma guerra começada por um cara que achou que era o filho de Deus e o irmão mais novo de Jesus Cristo.
E casou a guerra que matou 20 milhões de pessoas -- que continua sendo a guerra civil mais mortífera até hoje.
Então, eu percebi quando eu estive lá, que General Tso é como o Coronel Sanders nos EUA, em que ele é conhecido por frango e não por guerra.
Mas na China, este cara é conhecido por guerra e não por frango.
Mas o rei de todos os pratos sino-americanos do qual devemos falar é chop suey, que foi introduzido na virada do século vinte.
E de acordo com o New York Times, em 1904, teve uma explosão de restaurantes de chineses abrindo pela cidade e “a cidade ficou louca por ‘chop suey’”
Então demorou uns 30 anos para os americanos perceberem que, ei, chop suey não é conhecido na China.
E como este artigo mostra, “O nativo comum de qualquer cidade da China não conhece nada de chop suey.”
Naquela época foi um jeito de mostrar que você era sofisticado e cosmopolita: se você fosse um cara e quisesse impressionar uma garota, você podia levá-la para comer chop suey.
Eu gosto de dizer que chop suey é a maior piada culinária que uma cultura já fez com outra, porque chop suey, se você traduzir para chinês, significa tsap sui, que, se você traduzir novamente, significa “sobras e restantes.”
Então, essas pessoas estão viajando pela China pedindo chop suey, que é tipo um cara japonês vindo aqui e dizendo, Fiquei sabendo que vocês tem um prato muito popular no seu país chamado “sobras” e que é especialmente - - não é?
E não somente isso: este prato é especialmente popular depois daquele feriado que vocês chamam “Ação de Graças”.
Então, por que -- por que e de onde -- veio chop suey?
Vamos voltar para a metade do século 19 quando os chineses chegaram nos EUA.
Ora, naquela época, os americanos não estavam loucos para comer comida chinesa.
Na verdade, eles viam este povo que desembarcou nas suas terras como alieníginas.
Este povo não estava comendo cachorros -- comiam gatos -- e quando não comiam gatos -- comiam ratos.
Na verdade, o New York Times, meu empregador formidável publicou em 1883 um artigo que perguntou, “Chineses comem ratos?”
Uma pergunta não muito politicamente correta a ser feita hoje em dia, mas se você olhar para visão popular da época, não tão esdrúxulo.
Isto é uma propaganda verdadeira para veneno de rato do fim do século 19, e você pode ver, embaixo da palavra “Elimina” -- muito pequeno -- está escrito, “Eles precisam ir embora,” que se refere não somente aos ratos, mas também aos chineses no meio, porque o jeito que a comida foi vista foi que essas pessoas que comiam comidas diferentes que as nossas devem ser diferentes de nós.
E um outro jeito que se via, este tipo de antipatia contra os chineses e por documentos como este.
Isto se encontra na biblioteca do Congresso; é um panfleto publicado pelo Samuel Gompers, herói do movimento trabalhista americano, e é chamado, “Algumas Razões para a Exclusão dos Chineses: Carne versus Arroz: Machismo Americano contra os "Serviçais" Asiáticos: Qual sobreviverá?
E basicamente fez o argumento que homens chineses que comiam arroz necessariamente baixariam o nível dos homens americanos que comiam carne.
E na verdade, então, esta é uma das razões porque devemos excluí-los deste país. Então, com sentimentos como estes, o Ato de Exclusão Chinesa foi tipo proclamado entre 1882 e 1902, o único período na história da americana quando um grupo foi especificamente excluído por sua origem ou etnia.
Então, de alguma forma, porque os chineses foram atacados, e chop suey foi criado como mecanismo de defesa.
Agora, quem inventou a ideia do chop suey?
Há vários mistérios, várias lendas diferentes, mas daquelas que eu descobri e que achei mais interessante é este artigo de 1904.
Um cara chinês chamado Lem Sen aparece em chinatown, na cidade de Nova York, e diz, Quero que todos vocês parem de fazer chop suey, porque eu fui o criador original e sou o único proprietário do prato conhecido como chop suey.
E o jeito como ele conta, que teve um cara, teve um diplomata famoso chinês que apareceu, e mandaram ele criar um prato que pareceria muito popular e poderia “passar” como chinês.
E como ele falou -- nós nunca publicaríamos isto hoje -- mas basicamente, este homem americano ficou muito rico.
Lem Sen, quem é este cara: eu poderia ter ficado rica também, mas gastei todo este tempo procurando este americano que roubou minha receita.
Agora eu vim e o achei, e quero a minha receita de volta e quero que todo mundo pare de fazer chop suey, ou me pague pelo direito de fazer o mesmo.
Então foi um exercício primitivo de direitos de propriedade intelectual.
Mas o negocio é o seguinte, este tipo de ideia de comida sino-americana não existe somente nos Estados Unidos.
Na verdade, se você pensar bem, comida chinesa é a comida mais disseminanda no planeta, servida em todos os sete continentes, até mesmo na Antártida, porque segunda-feira é dia da comida chinesa na Estação McMurdo, que é a principal estação cientifica na Antártida.
Então, você vê diversas variedades de comida chinesa.
Por exemplo, há comida chinesa francesa, onde eles servem pernas de rã com sal e pimenta.
Existe comida chinesa italiana, onde eles não tem biscoito da sorte, portanto eles servem sorvete frito.
Minha vizinha de baixo, Alessandra, ficou completamente chocada quando falei pra ela, “Cara, sorvete frito não é chinês.”
Ela ficou, “Não é?
Mas eles o servem em todos os restaurantes chineses na Itália.”
E até os britânicos têm sua versão.
Este é um prato chamado “carne desfiada crocante”, que tem muito crocante, muito desfio, e não muita carne.
Tem comida chinesa das ilhas caribenhas há comida chinesa jamaicana, há comida chinesa do oriente medio, há comida chinesa da Mauritânia.
Este é um prato chamado Tigela Mágica que eu descobri.
Há comida chinesa indiana, Comida chinesa coreana, Comida chinesa japonesa onde eles pegam o bao, os pãezinhos, e fazem uma versão como pizza, e eles pegam -- e eles – tipo, completamente sem senso eles pegam todos os pratos chineses feitos de massas e refazem como Ramen.
Isto é uma coisa, que na versão chinesa não há sopa.
Há comida chinesa peruana, que não deve ser confundida com comina chinesa mexicana, onde eles simplesmente pegam coisas e fazem parecer como fajitas.
E então -- uma coisa: eles têm coisas tipo risoto chop suey.
Meu preferido de todos os restaurantes que já encontrei ao redor do mundo foi este no Brasil, chamado “Kung Food.”
Então, vamos dar uma passo para trás, e tipo, entender o que é ser apreciado nos Estados Unidos.
O McDonald’s tem, tipo, conseguido muita atenção, muito respeito, por padronizar o cardápio, a decoração e a experiência gastronômica nos Estados Unidos após a segunda Guerra Mundial.
Mas quer saber?
Eles fizeram isto por uma sede centralizada em Illinois, certo?
Restaurantes chineses fizeram mais ou menos a mesma coisa, com o cardápio e a decoração -- até o nome do restaurante -- mas sem a sede centralizada.
Então, isto na verdade ficou muito claro para mim com o resultado da loteria “Powerball” no dia 30 de Março de 2005 quando eles esperavam, baseado no número de jogos vendidos, ter três ou quatro ganhadores em segundo lugar -- que são as pessoas que conseguem cinco ou seis números do “Powerball”.
Em vez disso, tiveram 110, e ficaram completamente chocados.
Eles procuraram por todo o país, e descobriram que não era necessariamente uma fraude, porque aconteceu em vários estados, em vários sistemas de computadores diferentes.
Então seja o que foi causou o povo a se comportar em massa de uma forma sincronizada.
Então, OK, talvez teve a ver com as formas feitas nos papeizinhos -- foi um diamante, uma diagonal.
Não foi isso.
Não foi isso, então eles, OK, vamos ver na televisão, então eles olharam um episódio de Lost.
Eu não tenho uma TV, o que me faz esquisita, mas muito produtiva, e -- -- e este episódio de Lost, era sobre o número de sorte de algum cara branco que não era um número da sorte, que era o tempo que eles já estavam na ilha, mas eles olharam, e os números não eram iguais.
então eles olharam para The Young and The Restless, e não foi isto também.
Então, não foi até que o primeiro cara aparecer no dia seguinte, que eles o perguntaram, “De onde você tirou seus números?”
E ele: “Oh, peguei de um biscoito da sorte.”
Esta foi uma chance que só um dos ganhadores teve, porque os oficiais de segurança da loteria do Tennessee falaram: ah não -- isto não pode ser a verdade.
Mas foi a verdade, e daquelas 110 pessoas, umas 104 delas pegaram os números do biscoito da sorte.
Sim. Então eu comecei a procurar.
Atravessei o país, procurando os restaurantes de onde essas pessoas tinham pego seus biscoitos da sorte.
Sabe, tem um monte, incluindo Lee’s China em Omaha -- que na verdade é administrado por coreanos, mas essa é outra história -- e um monte chamado China Buffet.
Então, o que é interessante é que suas historias eram semelhantes, mas eram diferentes.
Teve almoço, delivery, teve à la carte, teve bufê, foram três semanas atrás, foram três meses atrás.
Mas em algum momento, todas essas pessoas tiveram uma experiência parecida com um biscoito da sorte e num restaurante de comida chinesa, e todos estes restaurantes serviam biscoitos da sorte, que, claro, nós sabemos, nem são chineses para começar.
Então é como se fosse uma parte do fenômeno que eu chamei de auto-organização espontânea, onde, como dentro de colônias de formigas onde pequenas decisões feitas -- no nível micro realmente têm um impacto grande no nível macro.
Então, um bom tipo de contraste seriam os Chicken McNuggets.
McDonald’s levou 10 anos para lançar um produto de frango.
Eles fizeram torta de frango, eles fizeram frango frito, e finalmente introduziram Chicken McNuggets.
E a inovação maravilhosa dos Chicken McNuggets não foram os nuggets, porque este é um conceito simples, mas o truque atrás dos Chicken McNuggets era que eles conseguiram tirar o frango do osso de uma forma rentável, e foi por isso que demorou tanto para outras pessoas os copiarem.
Demorou 10 anos, em dois meses, teve tanto sucesso que eles introduziram e espalharam pela rede inteira do McDonald’s no país.
Em contraste, nós temos o frango do General Tso, que começou em Nova York no início dos anos 70, quando eu também estava começando na universidade em Nova York no início dos anos 70, então.
E este logotipo!
Então eu, frango do General Tso e este logotipo somos todos cosmicamentes ligados.
Mas aquele prato também levou uns 10 anos para se espalhar pelos EUA de um restaurante qualquer de Nova York.
Alguém disse, ai meu Deus -- é doce, é frito, é frango: Os americanos vão amar.
Então, o que eu gosto de dizer, aqui sendo Área da Baía, Vale do Silício -- é que pensamos no McDonald’s como uma forma de Microsoft da experiência gastronômica.
Nós podemos pensar em restaurantes chineses como talvez o Linux: tipo uma fonte aberta, certo? onde as ideias de uma pessoa podem ser copiadas e propagadas pelo sistema inteiro; que pode ter versões especializadas de comida chinesa, dependendo da região.
Por exemplo, em Nova Orleans temos comida chinesa cajun, onde eles servem jacaré no estilo Sichuan e lagosta agridoce, certo?
E na Filadélfia, você tem o rolinho de cheesesteak da Filadélfia que parece um rolinho de ovo por fora, mas um cheesesteak por dentro.
Fiquei surpresa ao descobrir isso, não somente na Filadélfia mas também em Atlanta, porque o que aconteceu foi que uma família chinesa tinha se mudado de Atlanta -- desculpe, de Filadélfia para Atlanta, e levaram aquilo com eles.
Então, o negócio é o seguinte, nossa tradição histórica, por causa da maneira que gostamos de narrativas, cheias de personagens como, Howard Schultz do Starbucks e Ray Kroc do McDonald’s Asa Chandler com Coca-Cola.
Mas, sabe, é muito fácil negligenciar os personagens menores -- oops -- como, por exemplo, Lem Sen, que apresentou chop suey, Chef Peng, que introduziu o frango do General Tso e todos os padeiros japoneses que introduziram os biscoitos da sorte.
Então, o propósito da minha apresentação é fazer você pensar duas vezes, que aqueles cujos nomes foram esquecidos na história muitas vezes podem ter tido tanto, se não mais, impacto no que comemos hoje em dia.
Muito obrigada.
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Obrigado.
Estou emocionado por estar aqui.
Vou falar sobre um novo antigo material que continua a surpreender-nos, e poderá impactar a forma como pensamos sobre a ciência de materiais, alta tecnologia -- e, quem sabe, ao mesmo tempo, também fazer algo pela medicina, pela saúde global e ajudar o reflorestamento.
É uma afirmação meio ousada.
Contarei um pouco mais.
Este material tem atributos que o fazem parecer muito bom para ser verdade.
É sustentável; é um material sustentável totalmente processado em água e temperatura ambiente -- e é biodegradável, de forma programável, pode dissolver-se instantâneamente num copo de água ou manter-se estável por anos.
É comestível, implantável no corpo humano sem causar qualquer reação imunológica.
Ele consegue integrar-se ao corpo.
E é tecnológico, assim podemos fazer coisas como microeletrônicos, e, quem sabe, fotônicos também.
O material assemelha-se a isto.
De fato, este material é claro e transparente.
Os componentes deste material são apenas água e proteína.
Este material é seda.
É algo meio diferente de como estamos acostumados a pensar sobre a seda.
Então a pergunta é: como se reinventa algo que já está por aí há cinco milênios?
O processo de descoberta, geralmente, é inspirado pela natureza.
Por isso nos maravilhamos com os bichos-da-seda -- a lagarta que aqui vemos tecendo sua fibra.
O bicho-da-seda faz algo extraordinário: ele usa estes dois ingredientes, água e proteína, que estão em suas glândulas, para fazer um material excepcionalmente resistente para proteção -- algo comparável às fibras tecnológicas como o Kevlar.
Então, no processo de engenharia 'reversa' que conhecemos, e com o qual estamos familiarizados, para a indústria têxtil, a indústria têxtil desfaz o casulo e, depois, tece peças belíssimas.
Queremos saber como se vai de água e proteína a esse Kevlar líquido, a esse Kevlar natural.
Então a questão é como tecnicamente inverter esse processo e ir do casulo à glândula e obter água e proteína que são sua matéria-prima.
E isso foi descoberto há umas duas décadas por uma pessoa com quem tenho a sorte de trabalhar, David Kaplan.
Assim conseguimos este material inicial.
E este material inicial é a base de tudo.
E o usamos para fazer uma variedade de coisas -- como por exemplo, filmes.
E aproveitamos algo muito simples.
A receita para fazer esses filmes é aproveitar o fato de que proteínas são extremamente inteligentes no que fazem.
Elas encontram um meio de se auto-agruparem.
Por isso a receita é simples: despejamos a solução de seda, e esperamos as proteínas se auto-agruparem.
Depois, isolamos as proteínas e conseguimos este filme, à medida em que as proteínas se juntam ao evaporar a água.
Mas, mencionei que o filme também é tecnológico.
Então o que isso significa?
Significa que pode-se combiná-lo com algumas dessas coisas típicas de tecnologia, como microeletrônicos e nanotecnologia.
E a imagem deste DVD é só para ilustrar o fato de que a seda acompanha topografias muito sutis da superfície, significando que ela pode reproduzir elementos em nanoescala.
Deste modo poderia reproduzir as informações contidas no DVD.
E podemos armazenar informação que é filme com água e proteína.
Então testamos, e escrevemos uma mensagem num pedaço de seda, que está bem aqui, e a mensagem está lá.
E assim como no DVD, pode-se fazer uma leitura óptica.
E isto requer uma mão firme, e foi por isto que decidi fazê-lo no palco em frente de mil pessoas.
Vejamos.
Como se vê, o filme atravessa por aqui, e então.
E o mais incrível é que minha mão manteve-se firme por tempo suficiente.
Então desde que se tenha os atributos desse material, pode-se fazer muitas coisas.
Ele realmente não se limita a filmes.
E o material pode assumir muitos formatos.
E podemos inovar, e assim fazermos diversos componentes ópticos ou conjuntos de microprismas, como as tiras refletivas que existem nos tênis de corrida.
Ou vocês podem fazer coisas lindas que, se capturadas pela câmera, podemos produzir.
Vocês podem adicionar tridimensionalidade ao filme.
E se o ângulo estiver correto, podemos ver um holograma aparecer neste filme de seda.
Mas vocês podem fazer outras coisas.
Vocês podem imaginar a utilização da proteína pura para conduzir luz, e então criamos fibras ópticas.
Mas a seda é versátil e vai além da óptica.
E podemos pensar em diferentes formatos.
Por exemplo, se tiver medo de ir ao médico e tomar uma injeção, podemos fazer conjuntos de microagulhas.
O que vocês vêem na tela é um cabelo humano comparado a uma agulha feita de seda -- só para terem idéia do tamanho.
Podemos fazer coisas maiores.
Podemos fazer engrenagens, porcas e parafusos -- que se compra no "Whole Foods".
E as engrenagens funcionam na água também.
Podemos pensar em peças mecânicas alternativas.
E talvez possamos usar o Kevlar líquido se precisarmos de algo resistente para substituir veias periféricas, por exemplo. ou talvez um osso inteiro.
Então temos aqui um exemplo de um pequeno crânio -- demos o nome de mini Yorick.
Mas vocês podem fazer coisas como copos, por exemplo, e se adicionarmos um pouco de ouro, de semicondutores podemos fazer sensores que se fixam na superfície dos alimentos.
Podemos fazer peças eletrônicas que se dobram e se enrolam.
Ou se gostam de moda, umas tatuagens em LED de seda.
Há versatilidade, como vocês podem ver, nos formatos dos materiais, que podemos fazer com a seda.
Mas, ainda há algumas peculiaridades.
Quero dizer, por que quereríamos, de fato, fazer tudo isso?
Mencionei isso brevemente no início; a proteína é biodegradável e biocompatível.
Vemos aqui a imagem de um pedaço de tecido.
Então o que isso significa, que é biodegradável e biocompatível?
Podemos implantá-lo no corpo sem necessidade de reparar o que foi implantado.
Significando que todos os produtos já vistos, em todos os formatos, a princípio, podem ser implantados e desaparecer.
E o que vemos nesse pedaço de tecido, é, de fato, aquela fita refletora.
Assim, semelhante ao que vemos à noite num carro, então a ideia é que podemos ver, se iluminarmos o tecido, podemos ver partes mais profundas de tecido porque há essa fita refletiva lá que é feita de seda.
E como podemos ver, ela se reintegra ao tecido.
E reintegração no corpo humano não é a única coisa. Mas reintegração ao meio ambiente é importante.
Então há a biodegradação, as proteínas, e agora um copo feito de seda como este pode ser descartado sem culpa. Ao contrário dos copos de poliestireno que infelizmente lotam diariamente nossos aterros sanitários.
É comestível, então podemos fazer embalagens especiais para alimentos que podem ser cozidas junto com a comida.
O sabor não é bom, então precisarei de alguma ajuda nisso.
Mas, provavelmente o mais incrível é que fecha-se o ciclo.
Seda, durante seu processo de auto-agrupamento, age como um casulo por questões biológicas.
Então se mudamos a receita, e adicionamos coisas nessa fase -- assim acrescentamos coisas a sua solução líquida de seda tais como enzimas ou anticorpos ou vacinas, o processo de auto-agrupamento preserva a função biológica desses componentes.
Portanto faz os materiais ambientalmente ativos e interativos.
Desse modo, aquele parafuso que se pensou antes pode realmente ser usado para aparafusar um osso -- fixar um osso fraturado -- e administrar medicamentos ao mesmo tempo, enquanto o osso está se recuperando, por exemplo.
Ou podemos guardar os medicamentos na carteira e não na geladeira.
Assim fizemos um cartão de seda embebido com penicilina.
E armazenamos penicilina a 60º C, 140º Fahrenheit, por dois meses sem perda de eficácia da penicilina.
Então poderia ser -- poderia ser potencialmente uma boa alternativa aos camelos refrigerados a energia solar.
E claro, não há sentido em estocar se não puder usar.
E há outra característica única desses materiais, que é ser degradável de maneira programável.
E o que vocês vêem é a diferença.
Acima, há um filme programado para não degradar-se, e abaixo, um filme programado para degradar-se em água.
Observa-se que o filme abaixo libera o que há em seu interior.
Permitindo a recuperação do que estava armazenado.
E isso permite uma liberação controlada de medicamentos e uma reintegração ao meio ambiente em todos esses formatos que já vimos.
Portanto, a nossa descoberta é realmente um fio de esperança.
Estamos apaixonados pela ideia de que seja o que for que queiram fazer, seja substituir uma veia ou um osso, ou talvez ser mais sustentável em microeletrônica, talvez tomar café num copo e jogá-lo fora sem culpa, talvez carregar seus medicamentos no bolso, administrá-los em de seu corpo ou transportá-lo pelo deserto, a resposta pode estar num fio de seda.
Obrigado.
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Algumas das maiores inovações e desenvolvimentos do mundo acontecem com a intersecção de duas áreas.
Assim hoje eu gostaria de lhes contar sobre a intersecção com que eu estou mais animada neste momento, que é entre entretenimento e robótica.
Então, se estamos tentando fazer com que os robôs possam ser mais expressivos e que possam se conectar melhor com a sociedade, talvez devemos olhar para alguns dos humanos profissionais da emoção e personalidade artificial que trabalham nas artes dramáticas.
Eu também estou interessada em criar novas tecnologias para as artes e atrair pessoas à ciência e à tecnologia.
Algumas pessoas nas últimas décadas começaram a criar obras de arte com tecnologia.
Com o meu novo empreendimento, Marilyn Monrobot, Eu gostaria de usar a arte para criar tecnologia.
Então, estamos com nossa sede em Nova York.
E se você é um artista que quer colaborar com um adorável robô, ou se você tiver um robô que precisa de entretenimento, entre em contato comigo, a agente do "bot"
O bot, nossa mais nova celebridade, também tem a sua própria conta no Twitter: @robotinthewild.
Então, eu gostaria de lhes apresentar a um de nossos primeiros robôs, Data.
É o nome do personagem de Star Trek.
Eu acho que ele vai ser super popular.
Aqui temos o robô - sua cabeça é um banco de dados de piadas.
Agora, cada uma dessas piadas é marcada com determinados atributos.
Portanto, ele sabe o assunto, ele sabe a duração.
Ele sabe o quanto está se movendo.
E vai tentar ver sua resposta.
Eu não tenho ideia do que o meu robô vai fazer hoje.
Ele também pode aprender com você sobre a qualidade das suas piadas e oferecer as coisas -- algo como o Netflix -- a longo prazo a diferentes comunidades ou públicos -- crianças versus adultos, diferentes culturas.
Você pode aprender alguma coisa com o robô sobre a comunidade em que você está
E também posso usar cada um de vocês como um treinador para os nossos companheiros robôs do futuro.
Então, alguns de vocês nesta seção intermediária. Vocês com folhas vermelha/verde.
Se você esta gostando do que está acontecendo, mostre a verde.
Se você não gosta do assunto ou o desempenho, você pode segurar a vermelha.
Agora, não seja tímido.
É apenas um robô;
ele não tem sentimentos. ainda.
E o resto de vocês, vocês ainda contam, ainda são importantes.
Há também um microfone que capta os risos e aplausos e vaias -- Espero que não -- para ajudar a tomar algumas das suas próximas decisões.
Certo, então, que comece a comédia de stand-up do robô.
Data: Olá TEDWomen.
É uma honra estar aqui.
Vocês estão parecendo que estão bem.
Prontos para algumas piadas.
Aqui vai a primeira.
Certo, então, um médico diz ao seu paciente, "Eu tenho notícias más e péssimas.
A má notícia é que você só tem 24 horas de vida. "
"Isso é terrível", disse o paciente.
"Como pode a notícia ser pior?"
"Eu tenho tentado contactá-lo desde ontem."
Os suíços têm um exército interessante. Quinhentos anos sem uma guerra.
Heather Knight: Ele está falando sobre os suíços.
Data: muita sorte para eles.
Já viu aquele pequeno canivete suíço com que eles têm que lutar?
"Venha, amigo, eu tenho um cortador de unhas bem aqui.
Se você conseguir passar por mim, O cara atrás de mim tem uma colher. "
HK: Ele é um robô francês.
Data: Um casal de caçadores de Nova Jérsey está no mato.
Um deles cai no chão.
Ele não parece estar respirando.
O outro rapaz saca seu celular e liga para o 911.
Ele sussurra ao operador: "Meu amigo está morto.
O que posso fazer? "
O operador diz: "Acalme-se.
Eu posso ajudar.
Primeiro, vamos ter certeza que ele está morto. "
Há um silêncio, e o operador ouve um tiro.
A voz do cara volta na linha, "Ok, e agora?"
Pergunta: Por que a televisão é chamada de meio, ou no ponto?
Alguém se habilita?
Porque não é nem mal nem bem passada.
Mas, para ser completamente honesto com você, eu amo televisão.
Alguém gosta de televisão.
Acho que é extremamente educativa.
Na verdade, logo que alguém a liga, eu vou para a outra sala ler.
Isso é tudo.
Foi tudo bem na minha primeira vez?
Vocês foram uma ótima plateia.
Obrigado.
HK: Bom.
Esta é realmente a primeira vez que recebemos retorno ao vivo de uma plateia.
Então agradeço a todos por terem participado.
Há muito mais por vir.
E esperamos aprender muito sobre as expressões do robô.
Muitíssimo obrigada.
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Eu sou filha de um falsário, não apenas qualquer falsário.
Quando se ouve a palavra "falsário", normalmente entende-se "mercenário".
Entende-se "notas falsas", "fotos falsas".
Meu pai não é tal homem.
Por 30 anos de sua vida, ele falsificou documentos. Nunca para si mesmo, sempre para os outros, e para ajudar os perseguidos e oprimidos.
Permita-me apresentá-lo.
Este é meu pai aos 19 anos de idade.
Tudo começou durante a Segunda Guerra Mundial, quando aos 17 anos de idade ele encontrava-se numa fábrica de documentos falsos.
Ele rapidamente se tornou o expert em documentos falsos da Resistência.
E esta não é uma história banal. Depois da liberação, ele continuou a produzir documentos falsos até os anos 70.
Quando eu era criança, não fazia a mínima ideia disso, é claro.
Esta sou eu, no meio, fazendo caras.
Cresci no subúrbio de Paris e era a mais nova de três filhos.
Eu tinha um pai "normal", como todo mundo, sem falar no fato que ele era 30 anos mais velho que.
enfim, ele tinha idade suficiente para ser meu avô.
De qualquer forma, ele era um fotógrafo e um educador, e sempre nos ensinou a obedecer estritamente as leis.
E, é claro, ele nunca falava sobre sua vida passada, quando ele era um falsário.
Aconteceu, porém, um incidente sobre o qual vou lhes contar agora, que talvez deveria ter-me feito desconfiar de algo.
Eu estava no Ensino Médio e tirei uma nota baixa, um evento raro para mim, então eu decidi esconder o fato dos meus pais.
Para fazer isso, eu decidi falsificar suas assinaturas.
Comecei com a assinatura da minha mãe, porque a do meu pai era absolutamente impossível de falsificar.
Então, comecei o trabalho. Peguei algumas folhas de papel e comecei a praticar, praticar, praticar, até conseguir firmar bem a mão, e entrei em ação.
Depois, quando estava checando minha mochila, minha mãe pegou meu dever de casa e imediatamente viu que a assinatura era falsa.
Era gritou comigo como nunca havia feito antes.
Eu fui me esconder no meu quarto, embaixo das cobertas, e esperei meu pai voltar do trabalho com, pode-se dizer, muita apreensão.
Eu o ouvi entrando.
Permaneci embaixo das cobertas. Ele entrou no meu quarto, sentou no canto da cama. Ele estava calado, então eu puxei o cobertor da minha cabeça e quando ele me viu, pôs-se a rir.
Ele estava rindo tanto, que não conseguia parar. Ele estava segurando minha tarefa.
Então disse, "Mas sério, Sarah, você poderia ter feito um trabalho melhor! Não vê que ela é muito pequena?"
De fato, é bem pequena.
Eu nasci na Argélia.
Lá eu ouvia as pessoas dizerem que meu pai era um "moudjahid", que significa "lutador".
Mais tarde, na França, eu adorava escutar as conversas dos adultos e ouvia todo tipo de histórias sobre o passado do meu pai, especialmente que ele havia "participado" da Segunda Guerra Mundial, que ele havia "participado" da guerra da Argélia.
E, na minha cabeça, pensava que "participar" de uma guerra significava ter sido um soldado.
Mas, conhecendo meu pai, e como ele falava que era um pacifista e contra violência, eu não conseguia imaginar meu pai de capacete e fuzil.
E, de fato, eu estava completamente errada.
Um dia meu pai estava preparando a documentação para que obtivéssemos a nacionalidade francesa. Eu vi alguns dos documentos que chamaram a minha atenção.
Estes são os verdadeiros!
Estes são meus, eu nasci na Argentina!
Mas o documento que vi que ajudaria nosso processo com as autoridades era um documento do exército que agradecia meu pai pelo seu trabalho para o serviço secreto.
E, imediatamente, eu me espantei!
Meu pai, um agente secreto!
Era como o James Bond, enfim.
Eu queira perguntar, mas ele nunca dava pistas.
E depois eu cheguei a conclusão que um dia teria de questioná-lo.
E depois eu tive um filho, e finalmente decidi que era tempo, que ele teria de nos contar.
Eu me tornara mãe e ele estava celebrando 77 anos e, de repente, eu estava com muito, muito medo.
Eu temia que ele se fosse e levasse consigo o seu silêncio, e levasse consigo seus segredos.
Eu consegui convencê-lo que isto era importante para nós, mas possivelmente para outras pessoas também, que ele compartilhasse sua história.
Ele decidiu me contar e escrevi um livro, do qual vou ler algumas partes daqui a pouco.
Então, a história dele. Meu pai nasceu na Argentina.
Seus pais eram de origem russa.
A família inteira veio para a França na década de 30.
Seus pais eram judeus, russos e, acima de tudo, muito pobres.
De forma que com 14 anos meu pai teve de trabalhar.
E com o único diploma que tinha, seu certificado de ensino fundamental, ele conseguiu emprego como tintureiro.
Foi lá que ele descobriu algo totalmente mágico, e quando ele fala sobre isso, é fascinante. É a mágica da química da tintura.
Enquanto a guerra acontecia sua mãe foi morta quando ele tinha 15 anos.
Isto coincidiu com o tempo em que ele embarcou de corpo e alma na química, pois este era o único consolo para a sua tristeza.
Ele perguntava o tempo todo pro seu chefe muitas coisas, para aprender, para acumular mais e mais conhecimento, e, de noite, quando ninguém estava olhando, ele botava em prática sua experiência.
Ele se interessava mais por descoloração de tintas.
Tudo isso para contar-lhes que meu pai se tornou um falsário, na verdade, quase que por acidente.
Sua família era judia, então eles foram perseguidos.
Finalmente eles todos foram presos e levados pro campo de Drancy e conseguiram sair no último minuto por causa dos documentos argentinos.
Bem, foram soltos, mas sempre estavam em perigo. Sempre havia o enorme carimbo de "judeu" em seus documentos.
Foi meu avô que decidiu que eles precisavam de documentos falsos.
Meu pai tinha tanto respeito pela lei que muito embora ele estivesse sendo perseguido, ele nunca pensou em falsificar documentos.
Mas foi ele quem encontrou-se com um homem da Resistência.
Naquela época, documentos tinham capas duras, eles eram preenchidos a mão e constava sua profissão.
Para sobreviver, ele precisava trabalhar. Ele pediu ao homem para escrever "tintureiro".
De repente, o homem ficou muito muito interessado.
Como assim "tintureiro", você sabe como apagar tintas?
Claro que ele sabia.
E logo o homem explicou que de fato a Resistência inteira tinha um problema enorme: mesmo os melhores experts não tinham conseguido apagar uma tinta chamada "permanente" a tinta da "Mancha d'água" azul.
E imediatamente meu pai respondeu que sabia exatamente como apagá-la.
Agora, é claro, o homem estava impressionado com aquele jovem de 17 anos que poderia imediatamente dar a fórmula, então o recrutou.
E, de fato, sem saber, meu pai inventou algo que podemos encontrar em todo estojo de criança: o "corretivo".
Mas isto era apenas o começo.
Este é o meu pai.
Logo que chegou ao laboratório, embora ele fosse o mais novo, ele imediatamente viu que existia um problema em falsificar documentos.
Tudo se limitava a falsificar.
Mas a demanda só crescia e era difícil alterar os documentos existentes.
Ele então decidiu que era necessário confeccioná-los.
Começou a imprimir. Começou a trabalhar com fotografia.
Começou a fazer selos.
Inventou todo tipo de coisa, com alguns materiais, ele inventou uma centrífuga usando uma roda de bicicleta.
De qualquer forma, ele teve de fazer isso tudo porque ele era completamente obcecado com o resultado.
Ele fez um cálculo simples: Ele falsificava 30 documentos em uma hora.
Se ele dormisse uma hora, 30 pessoas morriam.
Este senso de responsabilidade pela vida de outras pessoas, quando ele ainda tinha 17 anos, e também sua culpa por ser um sobrevivente, já que havia escapado do campo quando seus amigos não haviam, ficou consigo sua vida inteira.
E talvez isso explique porque, por 30 anos, ele continuou a falsificar documentos a preço de todo tipo de sacrifício.
Eu gostaria de falar sobre estes sacrifícios, pois foram muitos.
Claro que houve sacrifícios financeiros, pois ele sempre se recusou a ser pago.
Para ele, ser pago significava ser um mercenário.
Se aceitasse pagamento, ele não seria capaz de dizer "sim" ou "não" dependendo no que ele julgasse ser um caso justo ou não.
Ele foi um fotógrafo durante o dia, e um falsário durante a noite, por 30 anos.
Ele estava na pior o tempo todo.
E também havia os sacrifícios emocionais: Como alguém podia viver com uma mulher tendo tantos segredos?
Como se pode explicar o que se faz no laboratório, todo santo dia?
É claro, existia um outro tipo de sacrifício envolvendo sua família, que eu entendi bem mais tarde.
Um dia meu pai me apresentou à minha irmã.
Ele também explicou que eu tinha um irmão e a primeira vez que eu os vi, eu devia ter três ou quatro anos de idade, e eles eram 30 anos mais velhos que eu.
Ambos estão com sessenta e poucos anos agora.
Para escrever o livro, eu interroguei a minha irmã. Eu queria saber quem meu pai era, quem era o pai que ela conhecia.
Ela me explicou que o pai que ela tinha tido lhes dizia que viria pegá-los no domingo para um passeio.
Eles se vestiam e esperavam por ele, mas ele quase nunca vinha.
Ele dizia, "Ligarei." Nunca ligava.
E depois ele não vinha.
Então um dia ele desapareceu completamente.
O tempo passou e eles achavam que ele os havia esquecido, inicialmente.
Depois o tempo passou e ao fim de dois anos, eles imaginaram, "Bem, talvez nosso pai falecera."
E depois eu entendi que fazer tantas perguntas ao meu pai estava mexendo num passado sobre o qual ele não queria falar, pois era doloroso.
E enquanto meu meio-irmão e meio-irmã achavam que tinham sido abandonados, ficado orfãos, meu pai estava fazendo documentos falsos.
E se ele não lhes contou, claro que foi para protegê-los.
Depois da liberação ele falsificou documentos para permitir aos sobreviventes dos campos de concentração emigrar para a Palestina antes da criação de Israel.
E como era um anticolonialista convicto, ele falsificou documentos para argelinos durante a Guerra Argelina.
Depois da Guerra Argelina, no coração dos movimentos internacionais de resistência, o nome dele circulou e o mundo inteiro veio bater na porta dele.
Na África, havia países lutando por independência: Guiné, Guiné-Bissau, Angola.
E então meu pai ligou-se ao partido contra o apartheid de Nelson Mandela.
Ele falsificou documentos para negros sul-africanos perseguidos.
Também havia a América Latina.
Meu pai ajudou aqueles que resistiam a ditaduras na República Dominicana, Haiti, e depois foi a vez do Brasil, Argentina, Venezuela, El Salvador, Nicarágua, Colômbia, Peru, Uruguai, Chile e México.
Depois veio a Guerra do Vietnã.
Meu pai falsificou documentos para os desertores americanos que não queriam lutar contra os vietnamitas.
A Europa não ficou de fora, não.
Meu pai falsificou documentos para os dissidentes contra Franco na Espanha, Salazar em Portugal, contra a ditadura dos coronéis na Grécia e mesmo na França.
Lá, aconteceu, apenas uma vez, em maio de 1968.
Meu pai assistiu, benevolentemente, é claro, às demonstrações do mês de maio, mas seu coração estava em outro lugar, tal como o seu tempo, pois ele tinha mais de 15 países para servir.
Uma vez, porém, ele concordou em falsificar para alguém que vocês reconheceriam.
Ele era muito mais jovem naquela época e meu pai concordou em falsificar para permiti-lo voltar e discursar em um encontro.
Ele me contou que aqueles documentos eram os mais relevantes para a mídia e o menos útil que ele fez a vida inteira.
Mas ele o aceitou fazer, embora a vida de Daniel Cohn-Bendit não estivesse em perigo, só porque era uma boa oportunidade de tirar sarro das autoridades e que não há nada mais poroso que fronteiras e que ideias não têm fronteiras.
Toda a minha infância, enquanto os pais dos meus amigos lhes contava contos de fadas, meu pai contava histórias de heróis discretos com utopias inabaláveis, que fizeram milagres.
E aqueles heróis não precisaram de um exército por trás deles.
De qualquer forma, ninguém os teriam seguido, exceto um punhado de homens e mulheres de convicção e coragem.
Mais tarde eu entendi que na verdade era a sua própria história que meu pai me contava para que eu dormisse.
Eu o perguntei se, considerando os sacrifícios que ele teve de fazer, ele tinha algum arrependimento.
Ele disse "Não!"
Ele me contou que seria incapaz de testemunhar ou submeter-se à injustiça sem fazer nada.
Ele foi persuadido, ele ainda está convencido que um outro mundo é possível. Um mundo em que ninguém jamais necessitará de um falsário.
Ele ainda sonha com isso.
Meu pai está aqui na sala hoje.
Seu nome é Adolfo Kaminsky e eu quero pedir que ele se levante.
Obrigada.
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Nós vivemos num planeta dominado por humanos, que coloca uma pressão sem precedentes nos sistemas da Terra.
Isso é uma má notícia mas, o que talvez surpreenda vocês, também é, em parte uma boa notícia.
Nós somos a primeira geração, graças a ciência, a ser informada de que podemos estar sabotando a estabilidade e a capacidade do planeta Terra para manter o desenvolvimento humano como o conhecemos.
Isso também é uma boa notícia, porque os riscos planetários que enfrentamos são tão grandes, que continuar fazendo as coisas como sempre fizemos não é uma opção.
De fato, estamos numa fase na qual são necessárias mudanças transformadoras, que abram a janela para a inovação, para novas idéias e novos paradigmas.
Isso é uma jornada científica sobre os desafios que a humanidade enfrenta na fase global da sustentabilidade.
Nessa jornada, eu gostaria de trazer, além de vocês, um bom amigo, um interessado, que sempre esteve ausente quando lidávamos com as negociações sobre problemas ambientais, um interessado que se recusa a fazer concessões -- o planeta Terra.
Então pensei que se o trouxesse comigo hoje, no palco, para tê-lo como testemunha de uma jornada incrível, que nos lembra humildemente do período de graça que tivemos nos últimos dez mil anos.
Essas são as condições de vida no planeta nos últimos cem mil anos.
É um período muito importante. É quase metade do período em que estivemos como humanos modernos no planeta.
Nós tínhamos praticamente as mesmas capacidades que as civilizações desenvolvidas conhecidas.
Essas são as condições ambientais no planeta.
Aqui, representando isso, temos a variação de temperatura.
Foi uma jornada agitada. 80. 000 anos atrás, numa crise, deixamos a África, colonizamos a Austrália em outra crise, há 60. 000 anos atrás, deixamos a Ásia pela Europa em outra crise, há 40. 000 anos atrás, e então entramos na fase extraordinariamente estável do Holoceno, o único período em toda a história do planeta, que nós conhecemos, que foi capaz de suportar o desenvolvimento humano.
Depois de mil anos nesse período, abandonamos nossos padrões de coletores e caçadores.
Passamos de uns dois milhões de pessoas para os sete bilhões de pessoas que somos hoje.
A cultura mesopotâmica: inventamos a agricultura, domesticamos os animais e as plantas.
Tivemos os romanos, os gregos e a história como a conhecemos.
A única fase, ao que sabemos, que é capaz de suportar a humanidade.
O problema é que estamos espremendo quatro vezes mais neste pobre planeta, espremendo quatro vezes, o que, como primeira espremida, há o crescimento da população, é claro.
Bem, isso não é apenas uma questão de números. A razão disso não é apenas que somos sete bilhões de pessoas a caminho de nove bilhões de pessoas, é também uma questão de equidade.
A maioria dos impactos ambientais sobre o planeta foi causada pela minoria rica, os 20 por cento que pularam no vagão da industrialização na metade do século XVIII.
A maioria do planeta, aspirando ao desenvolvimento, tendo o direito ao desenvolvimento, estão, de modo geral, aspirando por um estilo de vida insustentável, uma pressão monstruosa.
A segunda pressão sobre o planeta é, certamente, a agenda climática, o grande problema, em que a interpretação política do conhecimento científico é que seria suficiente estabilizar os gases de efeito estufa em 450 ppm [partes por milhão] para evitar que as temperaturas médias excedam dois graus, para evitar o risco de que podemos estar desestabilizando a camada de gelo da Antártica Oeste, detendo 6 metros de elevação de nível, o risco de desestabilizar a camada de gelo da Groenlândia, detendo outros sete metros de elevação do mar.
Daí, a gente gostaria que a pressão do clima atingisse um planeta forte, um planeta resiliente, mas, infelizmente, a terceira pressão é o declínio do ecossistema.
Nunca observamos, ao longo dos últimos 50 anos, um declínio tão acentuado das funções e serviços do ecossistema no planeta, sendo uma delas a capacidade de regular o clima a longo prazo, em nossas florestas, terra e biodiversidade.
A quarta pressão é a surpresa, a noção e a evidência de que precisamos abandonar nosso velho paradigma, de que os ecossistemas se comportam linearmente, previsivelmente, de modo controlável em nossos, por assim dizer, sistemas lineares, e que, de fato, a surpresa é universal, à medida que os sistemas mudam rapidamente, abruptamente e muitas vezes irreversivelmente.
Isso, caros amigos, impõe uma pressão humana sobre o planeta numa escala monumental.
Nós podemos, de fato, ter entrado em uma nova era geológica, o Antropoceno, na qual os humanos são o agente de mudança predominante num nível planetário.
E então, como cientista, qual é a evidência disso?
Bem, a evidência é, infelizmente, ampla.
Não é só dióxido de carbono que tem esse padrão de mudança acelerada que parece um bastão de hóquei.
A gente pode escolher virtualmente qualquer parâmetro que importa para o bem-estar humano -- óxido nítroso, metano, desmatamento, pesca predatória, degradação de terrenos, perda de espécies -- todos eles mostram o mesmo padrão ao longo dos últimos 200 anos.
Simultaneamente, eles disparam na metade da década de 50, 10 anos depois da segunda guerra mundial, mostrando claramente que a grande aceleração dos empreendimentos humanos começa na metáde dos anos 50.
Vejam vocês, pela primeira vez, uma pressão a nível global.
E posso afirmar a vocês, se vocês entrarem nas pesquisas disciplinares em cada um desses itens, vocês vão encontrar alguma coisa extraordinariamente importante, a conclusão de que podemos ter chegado ao ponto em que precisamos dobrar as curvas, de que podemos ter entrado na década mais desafiadora e excitante da história da humanidade no planeta, a década em que precisamos dobrar as curvas.
Então, como se isso não fosse suficiente -- simplesmente dobrar as curvas e entender a aceleração das pressões sobre o planeta -- também precisamos reconhecer o fato de que os sistemas possuem múltiplos estados estáveis, separados por limiares -- ilustrados aqui por este diagrama de bola e tigela, em que a profundidade da tigela é a resiliência do sistema.
Então, o sistema pode, gradualmente -- sob a pressão das mudanças climáticas, erosão, perda de biodiversidade -- perder a profundidade da tigela, a resiliência, mas parecer estar saudável e parecer que repentinamente, num limiar, está entornando. Upff.
Desculpem, Mudando de estado e literalmente despencando numa situação indesejada, na qual uma nova lógica biofísica assume o controle, novas espécies predominam, e o sistema fica travado.
Será que temos evidências disso? Sim, os sistemas de recifes de coral.
Sistemas sólidos de coral, biologicamente diversificados, com poucos nutrientes sob múltiplas pressões de excesso de pesca, turismo insustentável, mudanças climáticas.
Basta um gatilho e o sistema entorna, perde sua resiliência, corais macios predominam, e obtemos sistemas indesejados que não são capazes de suportar o desenvolvimento social e econômico.
O Ártico, um lindo sistema, um bioma regulador a nível planetário, levando golpe após golpe das mudanças climáticas, aparentando estar em bom estado.
Nenhum cientista poderia predizer que em 2007, repentinamente, o que poderia estar ultrapassando um limiar.
O sistema repentinamente, surpreendentemente, perde 30 a 40 por cento de sua cobertura de gelo no verão.
E o drama, é claro, é que quando o sistema faz isso, a lógica pode mudar.
Ele pode ficar retido em um estado indesejado, porque ele muda de cor, absorve mais energia, e o sistema pode ficar travado.
No meu entendimento, a maior bandeira vermelha de alerta para a humanidade é que estamos numa situação precária.
Como assunto relacionado, vocês sabem que a única bandeira vermelha que foi fincada aqui foi um submarino de um país sem nome que plantou uma bandeira vermelha no fundo do Ártico para ter o direito de controlar os recursos petrolíferos.
Então, se tivermos evidências, que agora temos, de que os alagados, as florestas, [confuso], as florestas tropicais, se comportam dessa maneira não linear.
Uns 30 cientistas de todo o mundo se reuniram e fizeram uma pergunta pela primeira vez, "Será que precisamos jogar o planeta numa aposta?"
Então precisamos perguntar a nós mesmos: será que estamos ameaçando este estado extraordinariamente estável do Holoceno?
Será que estamos nos colocando numa situação em que chegamos perto demais de limiares que podem levar a mudanças deletérias e muito indesejadas, senão catastróficas, para o desenvolvimento humano?
Vocês sabem, vocês não querem ficar alí.
Na verdade, não é nem mesmo permitido a vocês ficarem onde esse senhor está postado nas espumantes, escorregadias águas do limiar.
Na verdade, existe uma cerca bem a montante desse limiar, além da qual vocês estão numa zona de perigo.
E esse é o novo paradigma, que depreendemos há dois, três anos atrás, reconhecendo que nosso velho paradigma de simplesmente analisar e projetar e predizer parâmetro para o futuro, visando minimizar os impactos ambientais, é coisa do passado.
Precisamos agora perguntar a nós mesmos quais são os grandes processos ambientais dos quais precisamos ser protetores para nos mantermos com segurança no Holoceno?
E poderíamos até mesmo graças a grandes avanços nas ciências dos sistemas da Terra, identificar os limiares, os pontos onde podemos esperar mudanças não lineares?
E poderíamos até mesmo definir uma fronteira planetária, uma cerca, dentro da qual teríamos um espaço de funcionamento seguro para a humanidade?
Este trabalho, que foi publicado em "Nature" no final de 2009, depois de vários anos de análise, conduziu à proposição final, de que só podemos encontrar nove limites planetários com os quais, sob cuidados ativos, poderíamos permitir a nós mesmos um espaço seguro de funcionamento.
Eles incluem, é claro, o clima.
Pode surpreender vocês que não se trata apenas do clima.
Mas isso mostra que estamos interconectados, entre muitos outros sistemas do planeta, com os três grandes sistemas, mudanças climáticas, destruição do ozônio estratosférico e acidificação dos oceanos sendo os três grandes sistemas, em que a evidência científica de limiares em larga escala no registro paleolítico da história do planeta.
Mas também incluímos, como as chamamos, as variáveis lentas, os sistemas que, sob a tampa, regulam e amortecem a capacidade de resiliência do planeta -- a interferência dos grandes ciclos do nitrogênio e do fósforo no planeta, mudanças no uso da terra, taxa de perda de biodiversidade, utilização da água doce, funções que regulam a biomassa do planeta, o sequestro de carbono, a diversidade.
E então temos dois parâmetros que não fomos capazes de quantificar -- poluição do ar, incluindo gases de aquecimento, sulfatos e nitratos poluidores, mas também poluição química.
Juntos, eles formam um todo integrado para guiar o desenvolvimento humano no Antropoceno, entendendo que o planeta é um sistema auto-regulador complexo.
De fato, a maioria das evidências indica que esses nove podem se comportar como três mosqueteiros -- "Um por todos. Todos por um."
Se a gente degrada florestas, a gente ultrapassa o limite na terra, a gente solapa a capacidade do sistema climático de permanecer estável.
O drama aqui é, de fato, que isso pode mostar que o desafio do clima é o mais fácil, se a gente considera o desafio inteiro do desenvolvimento sustentável.
Então este é o equivalente do Big Bang em termos de desenvolvimento humano dentro do espaço de operação segura das limitações do planeta.
O que vocês vêem aqui na linha preta é o espaço de funcionamento seguro, os limites quantificados, conforme foram sugeridos por essa análise.
O ponto amarelo aqui no meio é nosso ponto de partida, o ponto pré-industrial, onde estamos com muita segurança no espaço seguro de funcionamento.
Na década de 50, começamos a escapar.
Já na década de 60, através da revolução verde e do processo Haber-Bosch de fixar o nitrogênio da atmosfera -- vocês sabem, os humanos atualmente tiram mais nitrogênio da atmosfera do que toda a biosfera naturalmente como um todo.
Nós não transgredimos o limite do clima até o início dos anos 90, na verdade, logo depois do Rio.
E hoje, estamos numa situação em que estimamos que transgredimos três limites, a taxa de perda de biodiversidade, que é o sexto período de extinção na história da humanidade -- sendo um deles a extinção dos dinossauros -- nitrogênio e mudança climática.
Mas ainda temos alguns graus de liberdade nos outros, mas estamos nos aproximando depressa em terra, água, fósforo e oceanos.
Mas isso oferece um novo paradigma para guiar a humanidade, para lançar uma luz sobre nosso, até agora, superaquecido veículo industrial, que funciona como se estivéssemos apenas numa estrada escura e reta.
Agora a questão é: até que ponto isso é macabro?
Será então que o desenvolvimento sustentável é uma utopia?
Bem, não há conhecimento científico para sugerir.
De fato existe muito conhecimento científico para indicar que podemos realizar essa mudança transformadora, que temos a capacidade de mudarmos agora para uma nova inovadora e transformadora marcha através das escalas.
O drama é, certamente, é que 200 países deste planeta precisam começar a mover-se simultaneamente na mesma direção.
Mas isso muda fundamentalmente nossos paradigmas de gestão e governança, dos atuais lineares, pensando em comando e controle, de olho nas eficiências e otimizações em direção de uma abordagem muito mais flexível, muito mais adaptativa, em que reconheçamos que a redundância, tanto nos sistemas sociais como ambientais, é a chave para sermos capazes de lidar com uma era turbulenta de mudanças globais.
Precisamos investir em persistência, na capacidade dos sistemas sociais e dos sistemas ecológicos de suportarem choques e ainda permanecerem na tigela desejada.
Precisamos investir na capacidade de transformações, movendo-nos das crises para as inovações, e na capacidade de nos erguermos depois de uma crise, e, é claro, nos adaptarmos a mudanças inevitáveis.
Este é um novo paradigma.
Não estamos fazendo isso em escala alguma em matéria de governança.
Mas será que está acontecendo em algum lugar?
Será que temos alguns exemplos de sucesso da aplicação dessa mudança mental no nível local?
Bem, sim, de fato temos, e a lista pode começar a ficar mais e mais longa.
Há boas notícias aqui, por exemplo, na América Latina, onde os sistemas de cultivo agrícola baseados no arado dos anos 50 e 60 levaram a agricultura, basicamente, a um beco sem saída, com produtividades menores e menores, degradando a matéria orgânica e problemas fundamentais ao nível da sobrevivência no paraguai, Uruguai, e alguns países, como o Brasil levando em direção à inovação e empreendedorismo entre os agricultores em parceria com cientistas para uma revolução agrícola de sistemas de aragem zero combinada com agricultura de resíduos orgânicos com tecnologias adaptadas localmente, que hoje, por exemplo, em alguns países, levaram a um tremendo aumento na área de plantio direto, sob resíduos de cultivo, com aragem zero, que não apenas produz mais alimentos mas também sequestra carbono.
A Grande Barreira de Recifes Australiana é outra história de sucesso.
Mediante a constatação dos operadores de turismo, dos pescadores, da Autoridade da Grande Barreira de Recifes Australiana e dos cientistas de que a Grande Barreira de Recifes está condenada sob o regime de governança atual.
Mudança global, embelezamento [confuso] cultura, excesso de pesca e turismo insustentável, tudo junto colocando esse sistema na constatação da crise.
Mas a janela de oportunidade era inovação e uma nova atitude mental, que hoje levou a uma estratégia de governança completamente nova para produzir resiliência, reconhecer a redundância e investir no sistema inteiro como um todo integrado, e então dar espaço a muito mais redundância no sistema.
A Suécia, o país de onde venho, tem outros exemplos, em que os alagados ao sul da Suécia eram encarados como -- como em outros países -- como transtornos poluídos e propensos a inundações nas periferias das regiões urbanas.
Mas novamente, uma crise, novas parcerias, agentes locais, transformando isso num componente essencial do planejamento urbano sustentável.
Portanto, a crise levando a oportunidades.
E agora, como será o futuro?
Bem, o futuro, com certeza, tem um enorme desafio, que é alimentar um mundo de nove bilhões de pessoas.
Precisamos nada menos que uma nova revolução verde, e os limites do planeta mostram que a agricultura precisa mudar de uma fonte de gases de efeito estufa para um sumidouro.
Ela precisa fazer isso basicamente com a terra em uso atualmente.
Não podemos expandir mais, porque isso causa erosão dos limites planetários.
Não podemos continuar consumindo água como fazemos hoje, com 25 por cento dos rios do mundo jamais chegando ao oceano.
E precisamos uma transformação.
Bem, curiosamente, com base no meu trabalho e outros, na África por exemplo, mostramos que mesmo aos mais vulneráveis sistemas de cultivo em pequena escala irrigados pela chuva, com inovações e irrigação suplementar para atravessar estiagens e secas, sistemas sanitários sustentáveis para fecharem o ciclo dos nutrientes das privadas de volta aos campos dos agricultores, e inovações nos sistemas de aragem, podemos triplicar, quadruplicar, os níveis de produtividade na terra que está em uso atualmente.
Elinor Ostrom, o último Prêmio Nobel de economia, claramente mostra empiricamente em todo mundo que podemos governar os recursos compartilhados se investirmos em confiança, parcerias locais, com base em ações e inovações institucionais integrando diferentes escalas, nas quais os agentes locais, unidos, podem lidar com os recursos globais comuns numa escala maior.
Mas mesmo na área difícil das políticas temos inovações.
Sabemos que precisamos escapar de nossa dependência de combustíveis fósseis muito rapidamente, na direção de uma economia de baixo carbono em tempo recorde.
E o que vamos fazer?
Todos falam sobre impostos de carbono -- isso não vai funcionar -- esquemas de emissão, mas por exemplo, uma medida política, tarifas de alimentação do sistema energético, que já está sendo aplicada, desde a China fazendo isso com sistemas a vento na plataforma continental, até os Estados Unidos,
onde se dá um preço garantido para investimento em energia renovável, mas pode-se subsidiar energia elétrica para as pessoas pobres.
A gente resgata as pessoas da pobreza.
A gente resolve o problema do clima em relação ao setor de energia, enquanto, ao mesmo tempo, se estimula a inovação -- exempos de coisas em que se pode aumentar a escala muito depressa ao nível planetário.
Assim existem, sem dúvida, oportunidades aqui, e podemos listar muitos, muitos exemplos de oportunidades transformadoras ao redor do planeta.
A chave, porém, em todas elas, a linha vermelha, é a mudança na atitude mental, saindo de uma situação em que estamos simplesmente empurrando a nós mesmos em direção a um futuro sombrio, onde nós em vez disso [confuso] nosso futuro, e dizemos, "Qual é o campo de jogo do planeta?
Quais são os limites planetários dentro dos quais podemos funcionar com segurança?"
e então rastrear as inovações dentro disso.
Mas, certamente, o drama é que isso claramente mostra que as mudanças incrementais não são opções.
então, há evidências científicas.
É como se elas nos dessem notícias desagradáveis, que estamos diante do maior desenvolvimento transformador desde a industrialização.
De fato, o que precisaremos fazer nos próximos 40 anos é muito mais dramático e mais excitante do que o que fizemos quando nos colocamos na situação em que estamos hoje.
Pois bem, a ciência indica que, sim, podemos realizar um futuro próspero dentro do espaço de funcionamento seguro, se nos movermos simultaneamente, colaborando a nível global, da escala local para a global, em opções transformadoras, que produzam resiliência num planeta finito.
Muito obrigado a vocês.
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Fui convidado a vir aqui e falar sobre criação.
Só tenho 15 minutos, e eles já estão contando.
E eu posso -- em 15 minutos, somente tocar em uma preferivelmente parte da zeladoria da criação, que eu chamo criatividade.
Criatividade é como nós nos nivelamos com a criação.
Enquanto a criação às vezes parece um pouco fora de alcance, ou mesmo despropositada, criatividade é sempre significativa.
Veja, por exemplo, esta foto.
Você sabe, criação é o que põe este cão nesta foto, e criatividade é o que nos faz ver uma galinha em seu traseiro.
Quando vocês pensam sobre isso -- vocês sabem, criatividade tem muito a ver com casualidade também.
Vocês sabem; quando eu era adolescente, eu era um criador.
Fazia coisas.
Então me tornei adulto e comecei a conhecer quem eu era, e tentei manter aquela persona -- me tornei criativo.
Não era até realmente fazer um livro e uma exibição retrospectiva, que pude descobrir exatamente -- parecia a coisa mais louca que já tinha feito, todas as minhas bebidas, todas as minhas festas -- seguiram uma linha direta que me trouxeram até este ponto em que estou falando a vocês neste momento.
Embora seja realmente verdade, vocês sabem, que a razão para eu estar falando a vocês neste momento é porque eu nasci no Brasil.
Se eu tivesse nascido em Monterey, provavelmente seria Brasil.
Sabem, nasci no Brasil e cresci nos anos 70, sob um clima de tensão política, e fui forçado a aprender a me comunicar numa forma muito específica -- num tipo de mercado negro semiótico.
Você não podia dizer o que realmente queria dizer, tinha que inventar modos de fazê-lo.
Não se confiava muito nas informações.
Isto me levou a outro passo do por que estou aqui hoje, é porque eu realmento gosto de mídias de todos os tipos.
Eu era um louco por mídia, e eventualmente estava envolvido com propaganda.
Meu primeiro trabalho no Brasil era desenvolver um jeito de melhorar a legibilidade de painéis, e baseado na velocidade, ângulo de aproximação e blocos de texto.
Era muito -- realmente, um estudo muito bom, e consegui um emprego numa agência de publicidade.
E eles decidiram que eu tinha que -- para me darem um troféu de plexiglass muito feio por isso.
E outra razão -- para estar aqui -- é que o dia que fui pegar este troféu de plexiglass, aluguei um smoking pela primeira vez em minha vida, peguei aquilo -- e não tinha nenhum amigo.
Na volta, tive que separar uma briga.
Alguém estava batendo em outra pessoa com um soco inglês.
Eles estavam com smokings, e brigando. Foi muito feio.
E também -- advertindo pessoas a fazerem isso sempre -- -- e eu -- bem, o que aconteceu é que quando voltei, na volta para meu carro, o rapaz que apanhou decidiu pegar um revolver -- não sei por que ele tinha um revolver -- e atirou na primeira pessoa que ele decidiu ser seu agressor.
A primeira pessoa usando um black tie, um smoking. Era eu.
Felizmente, não foi fatal, como podem ver.
E, ainda mais felizmente, o rapaz disse ter se arrependido e eu o subornei por uma compensação em dinheiro, de outra forma poria na imprensa.
E foi assim -- com este dinheiro eu paguei a passagem para os Estados Unidos em 1983. e esta é -- a razão básica para eu estar falando aqui hoje. Porque levei um tiro.
Bem, quando comecei a trabalhar no meu próprio trabalho, decidi que não deveria fazer imagens.
Sabem, eu me tornei -- peguei este estilo bem iconoclástico.
Porque quando decidi entrar na propaganda, eu queria -- queria aerografar pessoas nuas no gelo, para um comercial de whiskeys, era o que eu realmente queria fazer.
Mas eu -- eles não me deixaram fazê-lo, então -- vocês sabem, eles me deixariam fazer outras coisas.
Mas não estava vendendo whiskey, estava vendendo gelo.
Os primeiros trabalhos foram realmente objetos.
Foi um tipo de mistura de objeto encontrado, desenho de produto e propaganda.
E chamei de relíquias.
Foram mostrados em primeiro na Stux Gallery em 1983.
Este é o crânio do palhaço.
É um remanescente de uma raça de -- uma raça muito evoluída de animadores.
Eles viveram no Brasil, há muito tempo atrás.
Este é o joystick Ashanti.
Infelizmente, se tornou obsoleto porque foi desenhado para plataforma Atari.
Um Playstation II está em desenvolvimento, talvez no próximo TED eu o traga.
O pódio de balanço.
Esta é uma cafeteira pré-colombiana.
Realmente, a idéia veio de um raciocínio que tive no Starbuck. que insisti que eu não tinha um café colombiano, que o café era realmente pré-colombiano.
A mesa Bonsai.
A Enciclopédia Britânica unida em um único volume, para viagens.
E a meia lápide, para pessoas que ainda não morreram.
Quero trazer isso para o reino das imagens, e decidi fazer coisas que tinham o mesmo conflito de identidade.
Então decidi fazer trabalhos com nuvens.
Porque nuvens podem significar qualquer coisa que quiser.
Mas agora queria trabalhar num modo de baixa tecnologia, então alguma coisa que significaria ao mesmo tempo um tufo de algodão, uma nuvem e as mãos em oração de Durer -- embora isto parecesse muito mais com as mãos orando de Mickey Mouse.
Mas eu estava ainda, vocês sabem -- esta é uma nuvem gatinho.
Foram chamadas de Equivalentes, depois do trabalho de Alfred Stieglitz.
'O Caracol'.
Mas eu estava ainda trabalhando com escultura, e estava realmente tentando ficar mais calmo e monótono.
'O Bule'.
Tive a chance de ir a Florença, em -- acho que era 1994, e vi a 'Porta do Paraíso'de Ghilberti.
E ele fez uma coisa que era muito complicada.
Ele colocou juntos duas mídias diferentes de dois períodos de tempo.
Primeiro, ele conseguiu um jeito muito antigo de fazê-lo, que era o relevo, e ele trabalhou isto com três pontos de perspectiva, que era uma nova marca de tecnologia naquele tempo.
E é totalmente incrível.
E seu olho não sabe qual nível ler.
E você fica embaralhado neste tipo de apresentação.
E então decidi fazer estas renderizações simples, que primeiramente são tidas como desenhos de linhas. Vocês sabem, alguma coisa muito -- e então eu fiz com arame.
A idéia era -- porque todo mundo é atraído para o branco -- como desenhos a lápis, vocês sabem?
E vocês olham para isso -- ah, é um desenho à lápis.
Então você tem um duplo sentido e vê realmente que existe algo a tempo.
Tem uma fisicalidade, e você começa a se aprofundar e aprofundar nesta narrativa que vai para este lado, em direção da imagem. Então este é o 'Macaco com Leica.'
'Relaxamento.'
'Fiat Lux.'
E da mesma forma a história da representação evoluída do desenho da linha para o desenho da sombra.
E eu queria lidar com outros materiais.
Comecei a levar isto ao reino da paisagem, o que é algo como quase uma fotografia de nada.
Nomeei estas fotos de Fotos da Ameaça, e nomeei-as depois de muitas jardas que usei para representar cada foto.
Estas sempre acabaram sendo uma foto no fim, ou mais como uma água forte neste caso.
Este é um farol.
Esta é '6. 500 Jardas,'depois de Corot. '9. 000 Jardas,'depois de Gerhard Richter.
E não sei quantas jardas, depois de John Constable.
Partindo destas linhas, decidi marcar a idéia de pontos, mais como o tipo de representação que encontramos nas próprias fotografias.
Encontrei um grupo de crianças numa ilha caribenha Saint Kitts, e trabalhei e brinquei com elas.
Tirei fotos delas.
Assim que cheguei em New York, decidi -- que elas eram crianças de plantadores de açucar.
E manipulando açucar sobre papel preto, fiz retratos deles.
Aqui estão -- -- Obrigado. Esta é 'Valentina, a mais rápida.'
Era só o nome da criança, como uma pequena coisa que você sabe quando encontra alguém muito rapidamente.
'Valicia.'
'Jacinta.'
Mas outra camada de representação ainda foi introduzida.
Porque eu estava fazendo isto enquanto estava fazendo estas fotos, Percebi que podia adicionar mais alguma coisa Estava tentando fazer um assunto -- alguma coisa que interferisse com os temas, então chocolate é muito bom, porque tem -- me veio a mente idéias de um romance escatológico.
E então decidi fazer estas telas, e elas são muito grandes, então você tinha que se afastar para conseguir vê-las.
Então elas são chamadas Quadros de Chocolate.
Freud provavelmente explicaria chocolate melhor que eu. E era o primeiro assunto.
E Jackson Pollock também.
Fotos de multidões são particularmente interessantes, porque, vocês sabem, você faz parte -- você tenta imaginar a estrutura de alguma coisa que pode definir facilmente, como um rosto, vai se tornando um textura.
'Paparazzi.'
Eu usava a poeira do Whitney Museum para renderizar algumas peças de sua coleção.
E peguei peças minimalistas porque elas tinham algo específico.
E você renderiza isto com a maioria dos materiais não específicos, que é a poeira.
Como ter partículas de pele de cada único visitante do museu.
Eles fazem um scaneamento deste dna, e vem um grande lista de endereços.
Este é Richard Serra.
Comprei um computador, e me disseram que havia milhões de cores nele.
Vocês sabem a primeira questão de uma artista, quem contou isso? Vocês sabem?
E percebi que nunca tinha trabalhado com cor, porque tive um tempo defícil controlando a idéia de cores únicas.
Mas na maioria aplicada a estrutura numérica, então pode se sentir mais confortável.
Então a primeira vez que trabalhei com cores foi fazendo estes mosaicos com amostras de Pantone.
Eles terminaram em um quadro muito grande, e o fotografei com uma câmera muito grande -- uma câmera 8 x 10.
Então você pode ver a superfície de cada amostra -- como nesta foto de Chuck Close.
E você tem que ir muito longe para conseguir vê-lo.
Também, a referência a Gerhard Richter usa uma cartela de cores -- e a idéia também aciona outro reino da representação que é muito comum a nós hoje, que é o bit map.
Acabei por estreitar o tema para as telas de Monet.
Isto é uma coisa que usei para fazer uma brincadeira -- vocês sabem -- assim como -- o 'Spiral Jetty' de Robert Smithson -- e então deixando traços, como se tivesse sido feito no topo de uma mesa.
Tentei provar que ele não tinha feito aquilo em Salt Lake.
Mas então, fazendo os modelos, estava tentando explorar a relações entre o modelo e o original.
E senti que teria que realmente ir lá e fazer alguns trabalhos com argila eu mesmo.
Optei por linhas muito simples -- tipo um estilo estúpido.
E ao mesmo tempo, estava fazendo esta construção muito grande, com mais de 150 metros.
Agora eu faria uns muito pequenos, que seria como -- mas sob a mesma luz, e eu mostraria as juntas, então o observador teria que realmente imaginar o que ele estaria olhando.
Não estava interessado em coisas muito grandes, nem muito pequenas.
Estava mais interessado nas coisas entre eles, vocês sabem, porque se pode deixar uma grande parte de ambiguidade lá.
Isto é como vêem -- o tamanho de uma pessoa lá.
Isto é um cachimbo.
Um cabide.
E isto é outra coisa que fiz -- sabem, trabalhando -- todo mundo gosta de assistir alguém desenhando, mas poucas pessoas têm a chance de ver alguém desenhando -- muitas pessoas ao mesmo tempo, para provar um único desenho.
E eu adoro este trabalho, porque fiz estas nuvens em estilo cartoon sobre Manhattan por dois meses.
E foi maravilhoso, porque tive um interesse -- um novo interesse -- em teatro, isto justificou tudo.
No teatro, você tem o personagem e o ator no mesmo lugar, tentando negociar um como o outro em frente da platéia.
E assim, você teria como um -- alguma coisa que parece uma nuvem, e é uma nuvem ao mesmo tempo.
Então elas parecem atores perfeitos.
Meu interesse em atuação, especialmente maus atores, vêem de longe.
Realmente, uma vez paguei uns 60 dolares para ver um grande ator fazer uma versão do Rei Lear, e me senti realmente roubado, porque naquela época o ator tinha começado a fazer o Rei Lear, e parou de ser o grande ator que eu tinha pago para ver.
Por outro lado, vocês sabem, paguei tipo três dólares, eu acho -- e fui a um armazém em Queens para ver uma versão de Othello por um grupo amador.
E foi fascinante, porque vocês conhecem o rapaz -- seu nome era Joey Grimaldi - ele personificou o geneal mouro -- pelos primeiros três minutos ele foi realmente aquele general, e então ele voltou a ser um encanador, ele trabalhava como encanador, então -- encanador, general, encanador, general -- então por três dólares, vi duas tragédias pelo preço de uma.
Vejam, acho que não é realmente sobre impressão, fazendo pessoas cairem numa ilusão realmente perfeita, assim como fazer -- eu geralmente trabalho no limiar mais inferior da ilusão visual.
Porque não é sobre enganar alguém, é realmente dar a alguém uma proporção para sua própria crença: quanto você quer ser enganado.
Esta é a razão porque pagamos para ir a shows de mágica e coisas desse tipo.
Bem, eu penso assim.
Meu tempo está quase acabando.
muito obrigado.
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O que eu gostaria de falar a vocês é sobre o que podemos aprender ao estudar genomas de pessoas vivas e humanos extintos.
Mas antes de fazer isso, eu só gostaria de lembrá-los sobre o que já sabemos: que nossos genomas, nosso material genético, estão armazenados em quase todas as células de nossos corpos em cromossomos na forma de DNA, que é essa famosa molécula de dupla-hélice.
E a informação genética está contida na forma de uma sequência de quatro bases abreviadas pelas letras A, T, C e G.
E a informação está lá duas vezes -- uma em cada fita -- o que é importante, pois quando novas células são formadas, essas fitas se separam, novas fitas são sintetizadas com as antigas como moldes em um processo quase perfeito.
Mas, é claro, nada na natureza é totalmente perfeito, então às vezes um erro é feito e uma letra errada é inserida.
E nós podemos observar o resultado dessas mutações quando comparamos sequências de DNA entre nós aqui nessa sala, por exemplo.
Se compararmos meu genoma com o genoma de vocês, aproximadamente uma letra a cada 1. 200, 1. 300 será diferente entre nós.
E essas mutações se acumulam aproximadamente como uma função de tempo.
Então se incluimos um chimpanzé aqui, nós veremos ainda mais diferenças.
Aproximadamente uma letra a cada centena será diferente de um chimpanzé.
E se você estiver interessado na história de um pedaço de DNA, ou de todo o genoma, você pode reconstruir a história do DNA com essas diferenças que você observa.
E geralmente nós descrevemos nossas ideias sobre essa história na forma de árvores como essa.
Nesse caso, é muito simples.
As duas sequências de DNA humano descendem de um ancestral comum muito recente.
Mais para trás há um ancestral compartilhado com os chimpanzés.
E por essas mutações ocorrerem aproximadamente como uma função de tempo, você pode transformar essas diferenças em estimativas de tempo, onde os dois humanos, tipicamente, irão compartilhar um ancestral comum de cerca de meio milhão de anos atrás, e com os chimpanzés, ele será da ordem de cinco milhões de anos atrás.
Então o que aconteceu agora nos últimos anos foi o surgimento de tecnologias que permitem observar muitos fragmentos de DNA rapidamente.
Então em questão de horas podemos determinar um genoma humano completo.
Cada um de nós, é claro, contém dois genomas humanos -- um de sua mãe e outro de seu pai.
E eles têm cerca de 3 bilhões de letras.
E veremos que os meus dois genomas, ou um dos meus genomas que vamos usar, terá cerca de 3 milhões de diferenças nessa ordem.
Então o que você pode começar a fazer é dizer como essas diferenças genéticas estão distribuídas no mundo.
E se você fizer isso, você encontrará uma certa quantia de variação genética na África.
E ao olhar fora da África, você encontrará menos variação genética.
Isso é surpreendente, é claro, pois na ordem de 6 a 8 vezes menos pessoas vivem na África do que fora dela.
Mesmo assim as pessoas na África têm mais variação genética.
Além disso, quase todas as variantes genéticas que vemos fora da África têm sequências de DNA muito mais próximas do que as encontradas dentro da África.
Mas se você olhar dentro da África, há um componente de variação genética que não possui parentesco fora do continente.
Então o modelo para explicar isso é que uma parte da variação africana, mas não toda, migrou e colonizou o resto do mundo.
E com os métodos para datar essas diferenças genéticas, isso levou à reflexão de que humanos modernos -- humanos que são essencialmente idênticos a você e eu -- evoluíram na África há muito pouco tempo, entre 100 a 200 mil anos atrás.
E mais tarde, entre 100 a 50 mil anos atrás, saíram da África para colonizar o resto do mundo.
Então o que gosto de dizer com frequência é que, de uma perspectiva genômica, nós todos somos africanos.
Ou vivemos dentro da África hoje, ou vivemos um exílio muito recente.
Outra consequência dessa origem recente dos humanos modernos é que as variantes genéticas estão distribuídas pelo mundo, em muitos lugares, e eles tendem a variar como gradientes, ao menos numa perspectiva ampla.
E por haver tantas variantes genéticas, e terem esses gradientes diferentes, isso significa que se determinarmos uma sequência de DNA -- um genoma de um indivíduo -- nós podemos estimar com precisão de onde essa pessoa veio, desde que seus pais ou avós não tenham se mudado muito.
Mas será que isso quer dizer, como muitas pessoas pensam, que há grandes diferenças genéticas entre grupos de pessoas -- em continentes diferentes, por exemplo?
Nós podemos começar a responder essas questões também.
Por exemplo, há um projeto que está em andamento para sequenciar uma centena de indivíduos -- seus genomas -- de diferentes partes do mundo.
Eles sequenciaram 185 africanos de duas populações na África.
Eles sequenciaram mais ou menos o mesmo número de pessoas na Europa e na China.
E podemos começar a dizer quanta variância encontramos, quantas letras que variam em ao menos uma dessas sequências individuais.
E são muitas: 38 milhões de posições variáveis.
Mas podemos questionar: há alguma diferença absoluta entre africanos e não-africanos?
Talvez a maior diferença que muitos de nós imaginamos exista.
E com essa diferença absoluta -- e quero dizer uma diferença em que as pessoas na África tem num certa posição, onde todos os indivíduos -- 100 % -- têm uma letra, e todo mundo fora da África tem outra letra.
E a resposta para isso entre milhões de diferenças é que não existe essa posição.
Isso pode ser surpreendente.
Talvez um indivíduo esteja mal classificado.
Então podemos relaxar o critério um pouco e dizer: quantas posições encontramos onde 95% das pessoas na África têm uma variante, as outras 95% fora da África outra variante, e o número disso é 12.
Então isso é muito surpreendente.
Isso significa que quando observamos pessoas e vemos uma pessoa da África e uma pessoa da Europa ou Ásia, não podemos, para uma única posição do genoma com 100% de precisão, predizer o que essa pessoa carrega.
E apenas para 12 posições podemos estimar estarmos 95% corretos.
Isso pode ser surpreendente, porque podemos, é claro, observar essas mesmas pessoas e afimar com facilidade de onde elas ou seus ancestrais vieram.
Então o que isso significa agora é que essas características que observamos e vemos de imediato -- traços faciais, cor da pele, tipo de cabelo -- não são determinadas por genes únicos com grande influência, mas são determinadas por muitas variantes genéticas diferentes que parecem variar em frequência entre diferentes partes do mundo.
Há uma outra coisa sobre essas características que facilmente observamos entre nós que eu acho que vale a pena considerar, e que é, num sentido muito literal, que elas estão na superfície de nossos corpos.
Elas são apenas o que disse antes -- traços faciais, tipo de cabelo, cor da pele.
Há muitas características que variam entre continentes assim, que têm relação com como metabolizamos a comida que ingerimos, ou têm relação com como nosso sistema imune lida com micróbios que invadem nossos corpos.
Mas essas são todas partes de nossos corpos que interagem diretamente com nosso meio, em um confronto direto, se preferir.
É fácil imaginar como essas partes de nossos corpos foram rapidamente influenciadas pela seleção do ambiente e mudaram a frequência de genes que estão envolvidos nelas.
Mas se olharmos para outras partes de nossos corpos por onde não interagimos diretamente com o ambiente -- nossos rins, nossos fígados, nossos corações -- não há como afirmar, apenas olhando nesses orgãos, de onde eles vieram no mundo.
Então há uma outra coisa intessante que deriva dessa percepção de que humanos têm uma origem comum e recente na África, e que é que quando esses humanos surgiram a cerca de 100 mil anos atrás, eles não estavam sozinhos no planeta.
Havia outros tipos de humanos nas redondezas, os mais famosos talvez fossem os Neandertais -- esse tipo robusto de humanos, comparados ao da esquerda aqui com um esqueleto humano moderno à direita -- que existiu na Ásia Ocidental e Europa há muitas centenas de milhares de anos.
Então uma questão interessante é o que aconteceu quando nos encontramos?
O que aconteceu com os Neandertais?
E para começar a responder essas perguntas, meu grupo de pesquisa -- há mais de 25 anos agora -- trabalha com métodos de extração de DNA de restos de Neandertais e animais extintos que têm dezenas de milhares de anos de idade.
Então isso envolve um monte de questões técnicas sobre como se extrai o DNA, como se converte isso numa forma que se pode sequenciar.
É preciso trabalhar com muito cuidade para evitar contaminação de experimentos com seu próprio DNA.
E então, com esse conjunto de métodos que permitem que muitas moléculas de DNA sejam sequenciadas com rapidez, nos foi possível apresentar a primeira versão do genoma Neandertal, para que qualquer um de vocês possa olhar agora na Internet, para o genoma Neandertal, ou ao menos para 55% do que pudemos reconstruir até então.
E você pode começar a compará-lo com os genomas de pessoas que vivem atualmente.
E uma questão que vocês podem querer perguntar é o que aconteceu quando nos encontramos?
Nós nos misturamos ou não?
E a forma para responder essa questão é observar os Neandertais que vieram da Europa Austral e compará-los com genomas de pessoas que vivem atualmente.
Então nós procuramos fazer isso com pares de indivíduos, começando com dois africanos, olhando para os dois genomas africanos, encontrando lugares onde eles diferiam entre si, e em cada caso perguntamos: com quem o Neandertal se parece?
Isso é idêntico com o desse africano ou do outro?
Nós não esperávamos encontrar nenhuma diferença, porque os Neandertais nunca estiveram na África.
Eles deveriam ser iguais, sem razão para ser mais próximos de um africano do que de outro.
E esse é o caso de fato.
Estatisticamente falando, não há nenhuma diferença em quanto um Neandertal é mais parecido com um africano do que do outro.
Mas isso é diferente se nós olharmos para um indivíduo europeu e um africano.
Então, com significativamente mais frequência, um Neandertal é mais parecido com o europeu do que com o africano.
O mesmo é verdade se olharmos para um indivíduo chinês contra um africano: o Neandertal vai ser mais parecido com o chinês com mais frequência.
Isso pode também ser surpreendente porque os Neandertaus nunca foram à China.
Então o modelo que propusemos para explicar isso é que quando os humanos modernos vieram da África há cerca de 100 mil anos atrás, eles encontraram os Neandertais.
Supostamente, eles se encontraram primeiro no Oriente Médio onde havia Neandertais.
Se eles se misturaram entre si ali, então esses humanos modernos que se tornaram os ancestrais de todo mundo fora da África levou com eles esse componente Neandertal em seu genoma para o resto do mundo.
De forma que hoje, as pessoas que vivem fora da África têm cerca de 2, 5% de seu DNA vindo dos Neandertais.
Agora que temos um genoma Neandertal disponível como um ponto de referência e temos as tecnologias para observar restos ancestrais e extrair seu DNA, nós podemos começar a aplicá-las em qualquer lugar no mundo.
E o primeiro lugar que fizemos isso foi no sul da Sibéria nas Montanhas Altai num lugar chamado Denisova. Há uma caverna nessa montanha, onde os arqueólogos encontraram em 2008 um pedacinho de osso -- essa é uma cópia dele -- e eles descobriram que isso veio da última falange de um dedo mínimo de um humano.
E ele estava muito bem preservado de forma que pudemos determinar o DNA desse indivíduo, numa extensão maior do que dos Neandertais, e começamos a relacioná-lo com o genoma Neandertal e com o genoma de pessoas de hoje.
E descobrimos que esse indivíduo compartilha uma origem comum com os Neandertais a cerca de 640 mil anos atrás.
E mais além, há 800 mil anos atrás há uma origem comum com os humanos atuais.
Então esse indivíduo vem de uma população que compartilha uma origem com Neandertais, mas mais além tem uma longa história independente.
Nós chamamos esse grupo de humanos, que descrevemos pela primeira vez a partir desse pequeno pedacinho de osso, de Denisovanos, a partir do lugar onde foram descobertos.
Então nós podemos questionar dos Denisovanos as mesmas coisas que fizemos dos Neandertais: Eles se misturaram com ancestrais das pessoas de hoje?
Nós perguntamos essa questão, e comparamos o genoma Denisovano com de pessoas ao redor do mundo. Nós descobrimos de forma surpreendente que não há evidência de DNA Denisovano em nenhuma pessoa que vive perto da Sibéria hoje.
Mas a encontramos em Papua-Nova Guiné e em outras ilhas na Melanésia e no Pacífico.
Então isso supostamente significa que esses Denisovanos foram mais distribuídos no passado, pois não nós não acreditamos que os ancestrais dos Melanésios estiveram na Sibéria.
Então a partir do estudo desses genomas de humanos extintos, estamos começando a chegar numa imagem de como o mundo se parecia quando humanos modernos começaram a sair da África.
No Ocidente, onde havia Neandertais, no Oriente, onde havia Denisovanos -- talvez outros tipos de humanos também que nós não descrevemos ainda.
Nós não sabemos exatamente onde estavam as fronteiras entre esses povos, mas sabemos que no sul da Sibéria havia tanto Neandertais como Denisovanos em algum ponto no passado.
Então os humanos modernos surgiram em algum lugar da África, e saíram da África, supostamente para o Oriente Médio.
Eles encontraram os Neandertais, se misturaram com eles, continuaram a se espalhar pelo mundo, e em algum lugar no sudeste da Ásia, eles encontraram Denisovanos e se misturaram com eles e continuaram para o Pacífico.
E então esses tipos ancestrais de humanos desapareceram, mas eles vivem em uma parte hoje em alguns de nós -- nas pessoas fora da África que têm 2, 5% de seu DNA dos Neandertais, e as pessoas na Melanésia têm cerca de mais 5% dos Denisovanos.
Isso significa que há portanto alguma diferença absoluta entre pessoas fora da África e dentro da África? Dentro das pessoas fora da África há esse componente ancestral em seu genoma desses tipos de humanos extintos, enquanto os africanos não têm?
Bem, não acho que seja o caso.
Supostamente, os humanos modernos surgiram de algum lugar da África.
Eles se distribuiram pela África, é claro, e havia tipos mais antigos de humanos ali.
E como nós nos misturamos em outros lugares, eu tenho certeza de que um dia, quando nós teremos talvez um genoma desses tipos antigos na África também, nós descobriremos que eles também se misturaram com os primeiros humanos modernos.
Então para resumir, o que nós aprendemos com o estudo de genomas dos humanos de hoje em dia e humanos extintos?
Nós aprendemos talvez muitas coisas, mas uma coisa que eu acho que é importante mencionar é que eu penso que a lição é que sempre nos misturamos.
Nós nos misturamos com os tipos antigos de humanos, em todos os lugares que nos encontramos, e nós nos misturamos entre nós desde então.
Obrigado pela sua atenção.
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Dez anos atrás, numa terça-feira pela manhã, Eu conduzi um salto de pára-quedas em Fort Bragg, Carolina do Norte.
Era um rotineiro salto de treinamento, como muitos outros que já havia feito desde que me tornei um pára-quedista 27 anos antes.
Fomos para o campo de saltos -- cedo porque este é o Exército, e você sempre começa cedo.
Você relembra alguns procedimentos rotineiros, e depois, você veste seu pára-quedas e um colega o ajuda.
E você veste o pára-quedas parabólico T10.
E você é muito cuidadoso ao colocar as alças, particularmente as alças das pernas, pois elas vão entre as suas pernas.
E depois, você veste seu pára-quedas reserva e, em seguida, sua pesada mochila.
E aí, um instrutor-mestre vem, e ele é um oficial experiente em operações de pára-quedismo.
Ele checa você, ele pega suas alças de ajuste, e ele aperta tudo de forma que seu peito é esmagado, seu ombros são esmagados para baixo, e, claro, ele apertou tanto que sua voz sobe algumas oitavas também.
Depois, você assenta e aguarda um pouco, porque este é o Exército.
Em seguida, você embarca a aeronave, e depois, você fica de pé e vai, e você, como um esteio para a aeronave, assim -- em uma fila de indivíduos -- e você se senta nos assentos de lona das laterais da aeronave.
E você espera um pouco mais, pois esta é a Força Aérea ensinando ao Exército como esperar.
Depois, você decola.
E é doloroso o bastante agora -- e eu acho que é feito para ser assim -- é doloroso o suficiente para que você queira saltar.
Você não quer realmente saltar, mas você quer ficar livre daquilo.
Então, você entra na aeronave, você está voando, e 20 minutos depois, aqueles instrutores mestres começam a lhe dar ordens.
Eles dão 20 minutos -- é um aviso de tempo.
Você sentado lá, OK.
Depois, eles lhe dão 10 minutos.
E, claro, você responde a todos eles.
E isso é para aumentar a confiança de todos, para mostrar que você não está com medo.
Depois, eles dizem: "Fique pronto"
Em seguida, dizem: "Pessoal de 'fora-de-bordo', de pé."
Se você é um tripulante de 'fora-de-bordo', agora você levanta.
Se você é um tripulante de bordo, levanta também.
E aí, você se liga e se conecta à sua corda estática.
E neste momento, você pensa: "Ei, adivinha?
Eu provavelmente saltarei.
Não tem jeito de escapar disso nessa altura."
Você passa por algumas checagens adicionais e depois eles abrem a porta.
E esta era aquela manhã de terça, em setembro, e estava muito bonito lá fora.
Um brisa tão boa batendo.
Os instrutores começam a conferir a porta.
E quando é o momento de ir, uma luz verde acende e o instrutor diz: "Vá."
O primeiro rapaz vai, e você está logo atrás, e você, simplesmente como um alizar junto à porta.
Saltar é um eufemismo; você cai.
Você cai para fora da porta você é pego pelo vácuo.
A primeira coisa que você faz é trancar o corpo numa posição rígida -- cabeça junto ao peito, seus braços estendidos, sobre seu pára-quedas reserva.
Você faz assim porque, 27 anos antes, um sargento pára-quedista ensinou-me a fazer assim.
Eu não tenho ideia se faz qualquer diferença, mas ele parecia fazer sentido, e não seria eu a testar a hipótese de que ele estava errado.
E depois, você aguarda o choque da abertura do seu pára-quedas ao abrir.
Se você não sente um tranco de abertura, você não tem um pára-quedas -- você tem um cenário de problema totalmente novo.
Mas normalmente você sente; normalmente ele abre.
E claro, se as alças das pernas não foram ajustadas corretamente, nessa hora você tem outra pequena emoção.
Boom.
Então, você olha ao redor, seu subalterno está dizendo: "Isso é bom."
Agora, você se prepara para o inevitável.
Você vai atingir o solo.
Você não pode adiar isso muito.
E você, na verdade, não pode decidir muito onde aterrissará, pois eles fingem que você pode controlar, mas você está sendo despejado.
Então, você olha ao redor, onde você pousará, você tenta se preparar.
E assim, à medida em que você se aproxima, você abaixa sua mochila enfim, não está sob seu controle quando você aterrissará, e você se prepara para fazer um pouso de pára-quedas.
Agora, o Exército ensina você fazer cinco passos -- os dedos do seus pés, suas panturrilhas, suas coxas, suas nádegas e seus músculos dorsais.
É este o pequeno pouso elegante, gira e rola.
E não vai doer.
Em 30 e poucos anos de saltos, eu nunca fiz um.
Eu sempre aterrissei como uma melancia arremessada da janela do terceiro andar.
E tão logo bato no solo, a primeira coisa que sempre fiz foi conferir se quebrei algo de que precisava.
Eu balanço a cabeça, e pergunto a mim mesmo, em pensamento: "Por que não fui ser bancário?"
E olho ao redor, e aí, vejo outro pára-quedista, um jovem rapaz ou garota, e eles já retiraram seus fuzis M-4 e estão recolhendo seus equipamentos.
Eles devem fazer tudo aquilo que lhes ensinamos.
E eu percebi que, se eles tivessem que ir para o combate, eles fariam o que lhes ensinamos e seguiriam os líderes.
E percebi que, se eles voltassem do combate, seria porque nós os lideramos bem.
E eu estava vidrado novamente na importância daquilo que fiz.
Agora, eu fazia o salto daquela manhã de terça, mas não foi um salto qualquer -- era 11 de setembro, 2001.
E quando decolamos da pista, os EUA estavam em paz.
Quando aterrissamos na zona de pouso, tudo havia mudado.
E o que nós pensávamos sobre a possibilidade desses jovens soldados irem para o combate como sendo teórico era agora muito, muito real -- e a liderança parecia importante.
Mas as coisas tinham mudado -- Eu era um general de brigada com 46 anos de idade.
Eu tinha sido bem sucedido, mas as coisas mudaram tanto que eu teria que fazer algumas mudanças significativas -- e naquela manhã, eu não sabia disso.
Eu fui criado com histórias tradicionais de liderança: Robert E. Lee, John Buford em Gettysburg.
E eu também fui criado com exemplos pessoais de liderança.
Este era meu pai no Vietnã.
E eu fui criado para acreditar que soldados eram fortes e espertos e valentes e leais -- eles não mentem, trapaceiam, roubam ou abandonam seus companheiros.
E eu ainda acredito que os verdadeiros líderes são assim.
Mas nos meus primeiros 25 anos de carreira, eu tive um conjunto de experiências diferentes.
Um dos meus primeiros comandantes de batalhão, Eu trabalhei no seu batalhão por 18 meses e o único diálogo que ele teve com o tenente McChrystal foi no quilômetro 29 de uma marcha de 40 quilômetros, e ele me dando um esporro por uns 40 segundos.
E eu não sou convicto de que aquela foi uma interação de verdade.
Mas em seguida, alguns anos mais tarde, quando eu era um comandante de companhia, eu fui para o centro nacional de treinamento.
E nós fizemos uma operação, e minha companhia fez um ataque de madrugada -- vocês sabem, o clássico ataque da madrugada: você prepara a noite toda, desloca-se para a linha de partida.
E eu tinha uma divisão de blindados naquela ocasião.
Nós nos deslocamos adiante e fomos derrotados -- Quero dizer, imediatamente derrotados.
O inimigo não suou uma gota para fazê-lo.
E depois da batalha, eles trazem este teatro móvel e fazem o que chamam de "revisão depois da ação" para ensinar-lhe aquilo que você fez errado.
Um tipo de liderança através da humilhação.
Eles abrem uma grande tela e o conduzem através de tudo. ". e depois você não fez isto e nem aquilo etc."
Eu saí me sentindo tão rebaixado quanto uma barriga de uma cobra numa trincheira.
E fui ver meu comandante de batalhão, pois eu o tinha decepcionado.
E fui até ele para pedir desculpas, e ele disse: "Stanley, eu acho que você foi ótimo."
E com uma frase, ele me levantou, colocou-me de volta sobre meus pés, e ensinou-me que os líderes podem deixar você falhar e ainda assim não deixar você ser um fracasso.
Quando veio o 11 de setembro, o General de Brigada McChrsytal, de 46 anos, vê um mundo inteiramente novo.
Primeiro, as coisas que são óbvias, aquelas com as quais você é familiarizado: o ambiente mudou -- a velocidade, o escrutínio, a sensação de que tudo agora é tão rápido, algumas vezes as coisas evoluem mais rapidamente do que as pessoas são capazes de refletir sobre elas.
Mas tudo que fazemos está em um contexto diferente.
Mais importante, a força que eu liderava estava espalhada por mais de 20 países.
E ao invés de ser capaz de chegar aos líderes-chave para uma decisão conjunta em uma única sala e olhá-los nos olhos e transmitir-lhes confiança e receber o crédito deles, Eu agora lidero uma força que é dispersa, e eu tenho que usar outras técnicas.
Eu tenho que usar video teleconferências. Eu tenho que usar o 'chat', Eu tenho que usar o 'email', eu tenho que usar telefonemas -- Eu tenho que usar tudo o que eu posso, não apenas para comunicação, mas para a liderança.
Um indivíduo de 22 anos operando sozinho a milhares de quilômetros de mim tinha que se comunicar comigo com confidência.
Eu tinha que acreditar neles e vice-versa.
E eu também tinha que construir a confiança deles.
E esta é uma nova forma de liderança para mim.
Nós fizemos uma operação que nós tivemos que coordená-la a partir de vários lugares.
Surgiu uma oportunidade -- não havia tempo para reunir todos,
Então, tivemos que reunir uma complexa inteligência, e tivemos que alinhar a habilidade para agir.
Isso era delicado, nós tivemos que alavancar a corrente de comando, convencê-los de que aquela era a coisa certa a fazer, e fazer tudo isso em um meio eletrônico.
Nós falhamos.
A missão não deu certo.
E então, agora o que tínhamos que fazer é que eu teria que alcançar para tentar reconstruir a confiança daquela equipe, reconstruir a confiança deles -- eu neles e eles em mim e nossos superiores em nós, como uma força -- tudo, sem a possibilidade de colocar uma mão sobre um ombro.
Uma demanda totalmente nova.
Também, as pessoas mudaram,
Você provavelmente imagina que a força que eu liderava era toda de soldados de olhar compenetrado com grandes e fortes punhos carregando armas exóticas.
Na verdade, grande parte da força que eu liderava era exatamente como vocês.
Eram homens, mulheres, jovens, velhos -- não apenas militares; mas de diferentes organizações, muitos deles detalhados para nós por um simples aperto de mãos.
E então, ao invés de ficar dando ordens, você está agora construindo consensos e você constrói um senso de propósito comum.
Provavelmente a maior mudança foi entender que a diferença de gerações as gerações, mudaram muito.
Eu fui ficar com um pelotão Ranger em uma operação no Afeganistão, e naquela operação, um sargento do pelotão tinha perdido metade do seu braço ao arremessar uma granada de mão Talibã de volta para o inimigo assim que ela caiu junto à sua equipe de combate.
Nós conversamos sobre a operação, e depois, ao final, fiz o que geralmente faço numa equipe como aquela.
Eu perguntei: "Onde vocês estavam no 11 de setembro?"
E um jovem Ranger, do final da sala -- de cabelos desalinhados e com a face avermelhada pelo combate no vento frio Afegão -- disse: "Senhor, eu estava no sexta série."
E isto lembrou-me que estávamos operando uma força que deve ter um propósito comum e uma consciência comum, e ainda que tivesse diferentes experiências, em muitos casos, um vocabulário diferente, um conjunto de habilidades completamente diferentes em termos de mídia digital do que eu e muitos outros líderes superiores.
E ainda assim, nós precisamos ter aquele senso comum.
Isso também produziu algo que eu chamo de 'inversão da perícia', pois tínhamos tantas mudanças nos escalões inferiores na tecnologia e tática e coisas do gênero, que, de repente, as coisas que crescemos fazendo não eram mais aquelas que a força estava fazendo.
Então, como fazer um líder permanecer acreditável e legitimado quando eles nunca fizeram o que as pessoas que ele lidera fazem?
E isso é um novo desafio de liderança.
E isso forçou-me a tornar-me muito mais transparente, e muito mais disposto a ouvir, muito mais disposto a ser orientado de baixo, ao reverso.
E ainda, novamente, vocês não estão todos em uma única sala.
Depois, outra coisa.
Há um efeito sobre você e sobre seus líderes.
Há um impacto, ele é cumulativo.
Você não reinicia, ou recarrega, sua bateria todas as vezes.
Eu fiquei em frente a uma tela, uma noite, no Iraque com um dos meus oficiais superiores e assistíamos a um tiroteio de uma de nossas forças.
E eu lembrei que o filho dele estava em nossa força.
E eu disse: "John, onde está o seu filho? E como ele está?"
E ele disse: "Senhor, ele está bem. Obrigado por perguntar."
Eu disse: "Onde ele está agora?"
E ele apontou a tela e disse: "Ele está naquele tiroteio."
Imaginem estar assistindo ao seu irmão, pai, filha, filho, esposa em um combate em tempo real e você não pode fazer nada a respeito.
Imaginem saber isso ao longo do tempo.
E isso é uma nova pressão cumulativa sobre os líderes.
E você tem que assistir e cuidar uns dos outros.
Eu provavelmente aprendi o principal sobre relacionamentos.
Aprendi que eles são o tendão que mantem a equipe unida.
Eu passei grande parte da minha carreira no regimento Ranger.
E todas as manhãs no regimento Ranger, cada Ranger -- e são mais de 2. 000 deles -- recita uma estrofe de seis versos do credo Ranger.
Vocês devem conhecer um deles que diz: "Eu nunca deixarei um companheiro atingido cair nas mãos do inimigo."
E isso não é um mantra idiota e não é um poema.
É uma promessa.
Cada Ranger promete a cada outro Ranger não importa o que aconteça, não importa o que me custe, se você precisar de mim, eu estou indo.
E cada Ranger recebe a mesma promessa de cada um dos outros Rangers.
Pensem sobre isto. É extraordinariamente poderoso.
Isso é provavelmente mais poderoso do que os votos matrimoniais.
E eles viverão para isto, o que dá a isto um poder especial.
E então, o relacionamento organizacional que os conecta é simplesmente fantástico.
E eu aprendi que os relacionamentos pessoais eram mais importantes do que nunca.
Estávamos em uma difícil operação no Afeganistão em 2007, e um velho amigo meu, com o qual convivi por muitos anos ao longo de vários momentos da minha carreira -- sou padrinho de uma de suas crianças -- ele enviou-me uma nota, em um simples envelope, que tinha uma citação do Sherman para o Grant que dizia: "Eu sabia que, todas as vezes que eu estivesse encurralado, você viria, se vivo estivesse."
E mantendo este tipo de relacionamento, para mim, mostrou-se crítico em muitos pontos da minha carreira.
E eu aprendi que você tem que dar isso neste tipo de ambiente, pois isso é forte.
Esta foi minha jornada.
Eu espero que ela não tenha terminado.
Eu passei a acreditar que um líder não é bom pelo fato de estarem certos; eles são bons porque estão dispostos a aprender e acreditar.
Isso não é uma coisa fácil.
Isso não é como aqueles aparelhos eletrônicos abdominais nos quais, com 15 minutos por mês, você tem uma barriga "tanquinho".
E também não é sempre justo.
Você pode ser nocauteado, e isso dói e deixa cicatrizes.
Mas se você é um líder, as pessoas com as quais você contou ajudarão você a se levantar.
E se você é um líder, as pessoas que contam com você, precisam de você sobre seus pés.
Obrigado.
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A brilhante dramaturga, Adrienne Kennedy, escreveu um livro chamado "People Who Led to My Plays".
Se eu fosse escrever um livro, chamar-se-ia "Artistas Que Deram Origem A Minhas Exposições" porque o meu trabalho, na compreensão da arte e na compreensão da cultura, se desenvolveu no acompanhamento de artistas, na observação do que artistas dizem e do que eles fazem e de quem eles são.
Jay Jay do "Good Times," certamente importante para muitos por causa do "dyn-o-mite," mas, talvez, mais significativo como o primeiro -- efetivamente -- artista negro no horário nobre televisivo.
Jean-Michel Basquiat, importante para mim já que foi o primeiro artista negro, em tempo real, a me mostrar a possibilidade de onde e com quem eu estava prestes a me meter.
Meu projeto em geral é sobre arte, especificamente, sobre artistas negros, na maior parte do tempo sobre a maneira pela qual a arte é capaz de mudar o que pensamos sobre cultura e nós mesmos.
Interessam-me artistas que entendem e reescrevem a história, que pensam neles mesmos no interior da narrativa do extenso mundo da arte, mas que vêm criando novos lugares para nós vermos e compreendermos.
Estou mostrando dois artistas aqui, Glenn Ligon e Carol Walker, dois dos muitos que contribuíram para os questionamentos que quero trazer, como curadora, ao mundo.
Eu estava interessada no porque e como poderia criar uma nova história, uma nova narrativa na história da arte, e uma nova narrativa no mundo.
E, para fazer isso, eu sabia que teria que ver através da maneira que os artistas trabalham, entender o estúdio do artista como um laboratório. Imaginar então, reinventar o museu como um depósito de ideias, e olhar para a exibição como o derradeiro papel branco, indagando, oferecendo o espaço para olhar e pensar nessas respostas.
Em 1994, quando eu era uma curadora do Whitney Museum, fiz uma exposição chamada "Black Male".
Parecia uma intersecção de raça e gênero na arte contemporânea americana.
Ela procurou expressar as maneiras através das quais a arte pode oferecer espaço para diálogo, diálogo complexo, diálogo com muitos, muitos, pontos de entrada e como o museu pode ser o espaço para este concurso de idéias.
Essa exposição incluiu mais de 20 artistas de várias idades e raças, mas todos olhando para a masculinidade negra a partir de um ponto de vista muito particular.
O significante desta exposição é a forma que ela me absorveu na minha função como uma curadora, como uma catalisadora para este diálogo.
Uma particularidade que ocorreu de forma bem distinta no decorrer desta exposição foi o meu confronto com a ideia de quão poderosas as imagens podem ser, e o entendimento que as pessoas têm delas mesmas e dos outros.
Estou mostrando a vocês duas obras, na direita, por Leon Golub, e na esquerda por Robert Colescott.
E no decorrer dessa exposição, que foi objeto de argumentação e controvérsia, e no final, para mim, uma mudança de vida, no sentido do que a arte pode ser, uma mulher me abordou no térreo da galeria para expressar a sua preocupação sobre a natureza de quão poderosas as imagens podem ser e como nós entendemos uns aos outros.
E ela apontou para o trabalho na esquerda para comentar quão problemática a imagem era, já que ela o associava ao modo que os negros têm sido representados.
E ela apontou para a imagem na direita, como um exemplo, para mim, do tipo de diginidade que precisava ser retratada para combater as imagens da mídia.
Então ela atribuiu a essas obras identidades raciais, basicamente me dizendo que a da direita, certamente, foi criada por um artista negro, enquanto a da esquerda, certamente por um artista branco quando, na realidade, o caso era o contrário. Bob Colescott, artista Afro-Americano, Leon Golub, um artista caucasiano.
O meu ponto com isso foi dizer, naquele espaço, naquele momento, que eu realmente, mais do que tudo, queria entender como imagens podem trabalhar, como imagens realmente trabalham, e como artistas fornecem um espaço maior do que um que nós podemos imaginar nas nossas vidas diárias para trabalhar com essas imagens.
Avançando rápido e acabo no Harlem, lar de muitos americanos negros, o coração psíquico da experiência negra, sem dúvida o local no qual toda a Renascença do Harlem aconteceu.
O Harlem agora, meio que explicando e refletindo sobre si nessa parte do século, olhando tanto para frente como para trás.
Eu sempre disse que o Harlem é uma comunidade interessante porque, diferentemente de outros lugares, ele pensa em si mesmo no passado, presente e futuro, simultaneamente. Ninguém fala sobre ele apenas no agora.
É sempre o que foi e o que pode ser.
E, em se tratando disso, esse meu segundo projeto, meu segundo questionamento. Será que um museu pode ser um catalisador numa comunidade?
Será que um museu pode abrigar artistas e permitir que eles sejam agentes da mudança ao passo que as comunidades se reinventam?
Esse aqui é o Harlem em 20 de janeiro, se reinventando de uma forma incrível.
Agora eu trabalho no Studio Museum no Harlem, refletindo sobre as exposições lá, refletindo sobre o significado da descoberta das possibilidades da arte.
O que isso significa para vocês?
Eu sei que alguns de vocês estão envolvidos em diálogos interculturais, que estão interessados em ideias criativas e inovadoras.
Pensem no papel que os artistas podem desempenhar nisso. Esse é o tipo de promoção e apoio que eu estou visando ao trabalhar com artistas negros jovens.
Pensem nos artistas não como provedores de conteúdo, ainda que sejam brilhantes nisso, mas como verdadeiros catalisadores.
O Studio Museum foi fundado no final dos anos 60.
Estou mencionando isso porque acho importante localizar essa prática na história,
de voltar a 1968, naquele incrível momento histórico, e pensar na trajetória que aconteceu desde então, pensar nas possibilidades que todos nós temos o privilégio de ver hoje. E imaginar que esse museu, que foi criado num momento de intenso protesto, pode nos contar tanto sobre a história e o legado de importantes artistas afro-americanos para a história da arte nesse país, como Jacob Lawrence, Norman Lewis, Romare Beardon.
E então, claro, nos trazer aos dias de hoje.
Em 1975, Mohammed Ali deu uma palestra na Universidade de Harvard.
Depois da palestra, um aluno levantou-se e disse, "Queremos um poema."
E Mohammed Ali disse, "Eu, Nós."
Uma declaração intensa sobre o indivíduo e a comunidade,
esse espaço que hoje tenta, em meu projeto de descobertas, pensar sobre os artistas, tentar definir o que seria o movimento cultural e artístico negro do século 21.
O que isso poderia significar para movimentos culturais acontecendo nesse momento, o "Eu, Nós" soa como uma previsão incrível de importância única.
Para isso, o projeto específico que tornou isso possível, foi uma série de exposições, todas começadas com F, "Forma Livre", "Frequência" e "Fluxo", que se propuseram a descobrir e a definir os jovens artistas negros que estão despontando e que eu acredito que continuarão a trabalhar por anos e anos.
Esse série de exposições se destina especificamente a tentar questionar a ideia do que significaria agora, nesse ponto da história, ver a arte como um catalisador. E o que significaria agora, nesse ponto da história, quando definimos e redefinimos a cultura, a cultura negra, mais especificamente no meu caso, mas a cultura em geral.
Eu denominei esse grupo de artistas trabalhando em torno de uma ideia de pós-negro. Eu tentei defini-los como artistas que começaram a trabalhar agora, com uma visão da história, mas começando nesse momento da história.
E é nesse sentido de descoberta que eu desenvolvi novos questionamentos.
Esses questionamentos são: O que significa, agora, ser um afro-americano nos Estados Unidos?
O que uma obra de arte pode dizer sobre isso?
Onde pode existir um museu como local para todos nós termos este diálogo?
Na verdade, o mais interessante nisso tudo é pensar sobre a energia e o entusiasmo que os jovens artistas trazem consigo.
Suas obras de arte, para mim, não são simplesmente inovação estética que suas mentes imaginam e criam e jogam ao mundo, mas talvez mais importante, dentro do entusiasmo de toda a comunidade que eles criam com suas expressões, são o que nos permite entender nossa situação atual e vislumbrar o futuro.
Eu me surpreendo sempre pela maneira como o assunto 'raça' se posiciona em tantos lugares onde não imaginávamos que iria.
Eu me surpreendo sempre pela maneira que esses artistas se propõem a fazer isso através de seu trabalho.
É por isso que eu estudo a arte.
É por isso que eu questiono a arte.
É por isso que faço exposições.
Essa exposição, como já disse, são obras de 40 jovens artistas nos últimos oito anos, e para mim trata-se de pensar sobre suas implicações.
Considerar as implicações do que essa geração tem a dizer para nós.
Considerar o que significa para esses artistas estar expostos ao mundo, já que suas obras viajam, mas também estar em suas comunidades, como pessoas que veem e refletem sobre os assuntos que enfrentamos.
É também pensar sobre o espírito criativo e alimentá-lo. E imaginar, em especial nesse país urbanizado, sobre alimentar o espírito.
Aonde queremos chegar com isso?
Para mim, trata-se de reinventar esse discurso cultural no contexto internacional.
E a última iteração desse projeto se chama "Fluxo", que tem a ideia de criar uma grande rede de artistas de todo o mundo que não tenham apenas uma visão do Harlem para fora, mas além dele. E "Fluxo" se concentrou em artistas nascidos no continente africano.
E ao pensarmos numa visão desse continente e pensarmos no que ele significa para todos nós no século 21, eu comecei a fazer essa reflexão através dos artistas, através das obras de arte, pensando no que elas podem nos dizer sobre o futuro, no que elas dizem de nosso futuro, e no que elas criam no sentido de nos proporcionar essa excelente possibilidade de ver emergir esse continente como parte de um diálogo mais abrangente.
Então o que eu descubro quando vejo essas obras de arte?
O que eu penso a respeito quando penso na arte?
Eu penso que o privilégio que tive como curadora não é apenas descobrir novas obras, descobrir obras incríveis,
mas na verdade, trata-se do que eu descobri sobre mim mesma, e do que sou capaz de oferecer no espaço de uma exposição, falar sobre a beleza, falar sobre o poder, falar sobre nós mesmos, e dialogar e falar uns com os outros.
Isto é o que me faz acordar diariamente e pensar a respeito dessa geração de artistas negros e artistas ao redor do mundo.
Obrigada.
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O futuro que criaremos pode ser um futuro que nos orgulharemos.
Penso nisto todos os dias; Isto é quase que literalmente meu trabalho.
Sou co-fundador e colunista sênior no site Worldchanging. com.
Alex Steffen e eu fundamos o Worldchanging no final de 2003, e desde então nós e nosso crescente time global de colaboradores documentamos a sempre crescente gama de soluções que estão por aí, agora e em um horizonte próximo.
Em pouco mais de dois anos nós descrevemos algo como 4, 000 itens -- modelos que podem ser copiados, ferramentas tecnológicas, ideias emergentes -- todas disponibilizando um caminho para um futuro que será mais sustentável, mais igualitário e mais desejável.
Nossa ênfase em soluções é inteiramente intencional.
Há milhares de lugares para ir, online e offline, se o que você quer encontrar são as últimas notícias sobre o quão rapidamente as coisas podem não estar dando certo.
Nós queremos oferecer às pessoas uma ideia sobre o que elas podem fazer a respeito disso.
Nós focamos primeiramente no meio-ambiente, mas nós também nos direcionamos em questões sobre o desenvolvimento global, conflitos internacionais, uso responsável de tecnologias emergentes, e até mesmo o surgimento da tão aclamada Segunda Superpotência e muito, muito mais.
O escopo de soluções com que trabalhamos é, na verdade, bem abrangente, mas isto se reflete tanto na variedade de desafios que precisam ser encarados quanto nos tipos de inovações que isto nos permitirá fazer.
Uma rápida amostragem não chega nem perto de mostrar essa variedade, mas dará a vocês uma ideia sobre o que abordamos: ferramentas para redução de desastres rápidos, como esta cobertura de concreto inflável; usos inovadores da biociência, como por exemplo uma flor que muda de cor na presença de minas terrestres; designs ultra-eficientes para casas e escritórios; geração de energia utilizando-se de energia solar, energia eólica, energia gerada pelo oceano e outras fontes limpas de energia; veículos do futuro ultra, ultraeficientes veículos ultraeficientes que você pode ter agora mesmo; e com um melhor design urbano, para que você não tenha que dirigir muito; abordagens biônicas para o design, que visam aproveitar-se das eficiências de modelos naturais tanto em veículos como em prédios; projetos de computação colaborativa que irá nos auxiliar a modelar o futuro do clima.
Além disso, temos falado durante essa semana no TED a respeito de uma série de tópicos que abordamos há algum tempo no Worldchanging: design cradle-to-cradle, MIT´s Fab Labs, as consequências da longevidade extrema, o projeto Um Laptop por Criança, e até mesmo Gapminder.
Como um membro da geração X e nascido nos anos 60, voando rapidamente para o meu quadragésimo aniversário, sou naturalmente propenso ao pessimismo. Mas trabalhar no Worldchanging me convenceu, muito para minha própria surpresa, que respostas bem sucedidas aos problemas do mundo são, apesar de tudo, possíveis.
Além disso, percebi que o foco somente em resultados negativos pode realmente cegar para a possibilidade de sucesso.
Como a cientista social Evelin Lindner observou, "Pessimismo é um luxo dos tempos bons.
Em tempos difíceis, o pessimismo é dar a si mesmo sentença de morte."
A verdade é que podemos construir um mundo melhor, e podemos fazer isto agora mesmo.
Nós temos as ferramentas: nós vimos indícios disto a pouco tempo atrás, e estão surgindo novas ferramentas o tempo inteiro.
Nós temos o conhecimento, e nosso conhecimento sobre o mundo aumenta todos os dias.
Mais importante, nós temos um motivo: nós temos um mundo que precisa de conserto, e ninguém fará isso para nós.
Muitas das soluções que eu e meus colegas procuramos e descrevemos todos os dias, têm alguns aspectos em comum: transparência, cooperação, propensão para experimentos, e a apreciação pela ciência -- ou, mais apropriadamente, ciência!
A maioria dos modelos, ferramentas e ideias no Worldchanging contém combinações destas características, então quero dar a vocês alguns exemplos concretos de como estes princípios se combinam da maneira do Worldchanging.
Nós podemos ver os valores do Worldchanging no surgimento de ferramentas para tornar o invisível, visível -- isto é, para tornar visíveis as condições do mundo ao nosso redor e que estariam, de outra maneira, amplamente imperceptíveis.
Nós sabemos que muitas vezes as pessoas mudam o comportamento quando elas podem ver e entender o impacto de suas ações.
Um exemplo disso é o fato de muitos de nós já termos notado as mudanças no comportamento dos motoristas, no momento em que estes têm no seu display um odômetro que mostra precisamente como os hábitos de cada um afetam a eficiência dos veículos.
Todos temos visto, nos últimos anos, o surgimento de inovações sobre a forma de medirmos e mostrarmos perspectivas do mundo que podem ser muito grandes, ou intangíveis, ou muito instáveis para captar facilmente.
Tecnologias simples, como por exemplo aparelhos montados na parede que mostram o quanto de energia sua família está usando, e quais resultados virão se você desligar algumas lâmpadas -- estes podem, na verdade, ter um impacto positivo direto na sua conta de energia.
Ferramentas públicas, como mensagens de texto que podem dizer quando grãos de pólen estão no ar, níveis de fumaça estão aumentando, ou um desastre natural foi descoberto, podem dar a você a informação necessária para agir em tempo hábil.
Displays com riqueza de informação como mapas de contribuição de campanha, ou mapas de calotas polares, nos permitem entender o contexto e o fluxo dos processos que nos afetam.
Nós podemos ver os valores do Worldchanging em projetos de pesquisa que buscam conhecer a necessidade mundial de medicamentos através do acesso livre a informação e ação colaborativa.
Agora, algumas pessoas enfatizam os riscos dos perigos 'knowledge-enabled', mas estou convicto que os benefícios das soluções 'knowledge-enabled' são muito mais importantes.
Por exemplo, periódicos acadêmicos de livre acesso, como a Public Library of Science, tornam pesquisas científicas de vanguarda livres a todos -- todos no mundo.
E na verdade, um número crescente de editores científicos estão adotando este modelo.
No último ano, centenas de pesquisadores voluntários das áreas de biologia e química ao redor do mundo, trabalharam juntos para ordenar o genoma do parasita responsável por algumas das piores doenças do mundo em desenvolvimento: doença do sono, leishmaniose e doença de Chagas.
Esta informação sobre o genoma agora pode ser encontrada em bancos de dados genéticos públicos ao redor do mundo, e isto é uma enorme vantagem para os pesquisadores tentarem criar novas profilaxias.
Mas meu exemplo favorito tem que ser a responsabilidade global com a epidemia de SARS em 2003, 2004, que contou com acesso mundial à sequência completa de genes do vírus SARS.
O Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA em sua reportagem sobre a epidemia, citou particularmente a disponibilização aberta da sequência como uma das principais razões para que o tratamento da SARS pudesse ser desenvolvida tão rapidamente.
E podemos ver os valores do Worldchanging em algo como um humilde telefone celular.
Eu posso provavelmente contar nos dedos o número de pessoas nesta sala que não usa um telefone celular -- e onde está Aubrey? Pois sei que ele não usa.
Para muitos de nós, os telefones celulares se tornaram quase que uma extensão de nós mesmos, e estamos realmente começando a observar as mudanças sociais que o telefone celular pode viabilizar.
Você pode já conhecer alguns dos aspectos mais abrangentes: no ano passado, foram vendidos mais celulares com câmera no mundo que qualquer outro tipo de câmera fotográfica, e um número crescente de pessoas vive suas vidas mediadas através das lentes, e pela rede -- e às vezes registra livros de história.
Nos países em desenvolvimento, telefones celulares se tornaram promotores econômicos.
Um estudo no ano passado mostrou a correlação entre o crescimento do uso do telefone celular e o crescimento do PIB por toda a África.
No Quênia, minutos de telefones celulares tornaram-se moeda alternativa.
Os aspectos políticos dos telefones celulares também não podem ser ignorados, da enorme quantidade de mensagens de texto na Coreia que ajudaram a derrubar o governo até o projeto Blairwatch no Reino Unido, de olho nos políticos que tentam se esquivar da imprensa.
E isto está para se tornar ainda mais ousado.
Conexões sempre online, alta qualidade de som e vídeo, até mesmo aparelhos feitos para serem vestidos em vez de levados no bolso, transformarão como nós vivemos em uma escala que poucos realmente apreciam.
Não é exagero dizer que o telefone celular pode estar entre as mais importantes tecnologias do mundo.
E neste contexto de desenvolvimento alucinante, é possível imaginar um mundo no qual o telefone celular se torna algo muito maior que um mero meio de interação social.
Admiro de longa data o projeto Witness e Peter Gabriel nos falou mais detalhes sobre ele na quarta-feira, em sua apresentação profundamente emocionante.
Estou incrivelmente feliz de ver as notícias que o Witness vai abrir um portal na Web para permitir que usuários de câmeras digitais e câmeras de celulares enviem suas gravações através da Internet, em vez de levar o vídeo consigo em mãos.
Isto não somente adiciona uma nova e potencialmente segura via no relato de abusos, mas também abre o programa à crescente geração digital global.
Agora, imagine um modelo similar de rede para ecologistas:
imagine um portal da Web com gravações e evidências sobre o que está acontecendo no planeta: colocando matérias e dados nas pontas dos dedos de pessoas de todos os tipos, de ativistas e pesquisadores até homens de negócios e figuras políticas.
Isso iria destacar as mudanças que estão acontecendo, mas iria, de maneira ainda mais importante, dar voz para as pessoas que estão dispostas a trabalhar para ver um novo mundo, um mundo melhor, surgir.
Isso daria aos cidadãos uma chance de desempenhar um papel na proteção do planeta.
Isso seria, em essência, um projeto "Testemunhas da Terra".
Agora, só para ser claro, nesta palestra estou utilizando o nome "Testemunhas da Terra" como parte do cenário, simplesmente um termo rápido para o que esse projeto imaginário poderia aspirar, não para pegar carona no maravilhoso projeto Witness.
Este poderia ser facilmente chamado de "Projeto de Transparência Ambiental" "Organização a favor da Segurança Natural" mas "Testemunhas da Terra" é bem mais fácil de ser dito.
Hoje em dia, muitos dos que participariam do Testemunhas da Terra focariam em problemas ecológicos, causados pelo homem ou não, especialmente crimes ambientais e fontes de gases e emissões do efeito estufa.
Isso é compreensível e importante.
Nós precisamos de registros sobre o que está acontecendo ao planeta se um dia formos ter alguma chance de consertar o dano causado.
Mas o projeto Testemunhas da Terra não precisaria necessariamente ser limitado aos problemas.
Na melhor tradição do Worldchanging, poderia servir como uma vitrine para boas ideias, projetos de sucesso, e esforços para fazermos uma diferença que merece muito mais visibilidade.
O Testemunhas da Terra nos mostraria dois mundos: o mundo que deixaríamos para trás, e o mundo que estaríamos construindo para as gerações vindouras.
e o que faz este cenário ser particularmente atraente para mim é que podemos fazer isso hoje.
Os componentes chave já estão amplamente disponíveis.
Telefones com câmera, é claro, seriam fundamentais para este projeto.
E para muitos de nós, já temos amplamente disponíveis ferramentas de informação sempre ligadas.
Podemos não lembrar de trazer nossas câmeras digitais conosco aonde quer que formos, mas raramente esquecemos dos telefones.
Você poderia até mesmo imaginar um cenário no qual as pessoas na verdade constroem seus próprios telefones.
No ano passado, hackers de softwares de código aberto apareceram com múltiplos modelos para telefones com sistema Linux utilizáveis, e o Telefone da Terra poderia se basear nesses tipos de projetos.
E na outra extremidade, estariam servidores acessíveis para as pessoas mandarem mensagens e fotos pela Internet, combinando serviços de fotos compartilhadas, plataforma de rede social e um sistema de filtro colaborativo.
Hoje em dia, vocês que se utilizam da Internet 2. 0 sabem do que estou falando, mas para aqueles que acharam a última frase uma linguagem de outro mundo, quero simplesmente dizer que a parte online do projeto Testemunhas da Terra seria criada pelos usuários, trabalhando juntos e trabalhando publicamente.
Já estamos próximos de começar a construir uma crônica convincente sobre o que está acontecendo hoje ao nosso planeta, mas podemos fazer mais.
O site do projeto Testemunhas da Terra poderia servir como posto de coleta para todos os tipos de informações sobre condições ao redor do mundo recolhidas por sensores de ambiente que se acoplam aos celulares.
Hoje em dia você ainda não vê esses dispositivos acopláveis para os seus celulares mas estudantes e engenheiros ao redor do mundo já conseguiram acoplar sensores a bicicletas, computadores portáteis e robôs baratos e atrás de pombos -- este é um projeto que está, na verdade, em andamento agora mesmo na Universidade de Irvine, utilizar sensores acopláveis a pássaros, como uma forma de mensurarmos a poluição.
É possível nos imaginarmos colocando essa mesma coisa em um telefone que vai ser utilizado por uma pessoa.
A ideia de conectarmos um sensor ao seu telefone celular não é nova: fabricantes de telefones ao redor do mundo oferecem telefones que sentem mal cheiro, ou que nos dizem para nos preocuparmos com a exposição ao sol.
A empresa sueca Uppsala Biomedical, de maneira mais séria, desenvolve um dispositivo acoplável que pode processar teste de drogas nos campos, fazer upload de informações e mostrar resultados.
Até mesmo o Laboratório Nacional Lawrence Livermore entrou nesse meio, desenvolvendo um protótipo que tem sensores de radiação para achar bombas.
Hoje em dia podemos encontrar no mercado uma enorme variedade de sensores pequenos e baratos e podemos facilmente imaginar alguém inventando um telefone que pode medir temperatura, nível de CO2 ou nível de metano, na presença de algumas biotoxinas -- possivelmente, dentro de alguns anos, até mesmo o vírus da gripe aviária H5N1.
Você pode ver que um sistema como este se adaptaria muito bem com o projeto brilhante de Larry, o InSTEDD.
Agora, todas estas informações poderiam ser etiquetadas com informações geográficas e mescladas com mapas online para melhor visualizarmos e analisarmos.
E vale a pena mencionar este em particular.
O impacto de mapas online abertos publicamente nos últimos dois anos tem sido simplesmente fenomenal.
Produtores ao redor do mundo apareceram com uma incrível variedade de formas para disponibilizar informação em cima dos mapas de rotas de ônibus a estatísticas criminais até o progresso global da gripe aviária.
O Testemunhas da Terra levaria isto adiante, conectando o que você vê com o que milhares ou milhões de outras pessoas ao redor do mundo veem.
É empolgante pensar no que poderia ser alcançado se algo do gênero existisse.
Nós teríamos um conhecimento muito melhor do que está acontecendo ao nosso planeta do que poderia ser reunido com satélites e uma grande quantidade de sensores governamentais.
Isso seria uma abordagem colaborativa de baixo pra cima sobre conscientização ambiental e proteção, capaz de responder a preocupações emergentes através da tecnologia -- e se você precisar de um maior número de sensores, basta que mais pessoas apareçam.
E o mais importante, você não pode ignorar o quão importante os celulares são para a juventude global.
Este é um sistema que poderia colocar a próxima geração nas linhas de frente de acumulação de informações ambientais.
E enquanto trabalhamos para imaginar formas de mitigar os piores efeitos da mudança climática, qualquer pequena informação é importante.
Um sistema como o Testemunhas da Terra seria uma ferramenta para todos nós participarmos da evolução de nosso conhecimento e, em última análise, a evolução do nosso planeta em si.
Agora, como sugeri no princípio, existem milhares e milhares de boas ideias por aí, então por que gastei grande parte de meu tempo falando para vocês a respeito de algo que não existe?
Porque é assim que o amanhã pode ser: colaboração global de baixo para cima e tecnologia para gerenciar a maior crise que nossa civilização já enfrentou.
Nós podemos salvar o planeta, mas não sozinhos -- nós precisamos uns dos outros.
Ninguém consertará o mundo para nós, mas trabalhando juntos, fazendo uso de inovações tecnológicas e comunidades humanas similares, nós mesmos podemos ser capazes de concertarmos o mundo.
Nós temos nas pontas dos dedos modelos convincentes, ferramentas poderosas, e ideias inovadoras que podem fazer uma diferença substancial no futuro de nosso planeta.
Nós não precisamos esperar uma cura mágica para salvar a todos; nós já possuímos um arsenal de soluções esperando para serem usadas.
Há uma quantidade espantosa de maravilhas por aí, em diversas disciplinas, todas nos dizendo a mesma coisa: o sucesso pode ser nosso se estivermos dispostos a tentar.
E como dizemos no Worldchanging, um outro mundo não é só possível; um outro mundo está aqui.
Nós só precisamos abrir nossos olhos. Muito obrigado.
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Bem, esta é uma frase um pouco óbvia.
Comecei com aquela afirmação há doze anos, e comecei no contexto de países em desenvolvimento, mas vocês vieram de todos os lugares do mundo.
Se você pensar em um mapa de seus países, acho que vão perceber que para cada país na Terra podem marcar e dizer "Estes são lugares onde bons professores não vão."
Ainda por cima, são os lugares onde surgem os problemas.
Então temos um problema irônico. Bons professores não querem ir justamente para onde são mais necessários.
Comecei em 1999 neste problema com um experimento, bem simples em Nova Deli.
Basicamente embuti um computador em uma parede de um bairro pobre.
As crianças mal iam à escola. Não sabiam inglês. Nunca haviam visto um computador, e não sabiam o que era a internet.
Conectei internet banda larga -- a cerca de um metro do chão -- liguei e deixei lá.
Depois disso notamos coisas interessantes, vocês verão.
Repeti isso por toda a Índia e depois para uma grande parte do mundo e percebi que crianças irão aprender a fazer aquilo que quiserem aprender.
Foi o primeiro experimento que fizemos -- à direita um menino de oito anos ensinando sua aluna, de seis anos, e ele estava ensinando como navegar.
Este garoto, no meio da Índia central, na vila de Rajasthan, onde as crianças gravam suas músicas e depois tocam para os outros, e no processo, se divertiram o tempo todo.
Fizeram tudo isso quatro horas depois de verem um computador pela primeira vez.
Em outra vila do Sul, estes garotos aqui montaram uma câmera e estavam tentando fotografar uma abelha.
Fizeram o download da Disney. com, ou um site parecido, 14 dias depois do computador chegar na vila.
Então no fim nós concluímos que crianças podem aprender a usar computador e internet sozinhos, independente de quem são ou de onde estão.
Naquela altura, fiquei um pouco mais ambicioso e decidi ver o que mais as crianças fariam com o computador.
Começamos um experimento em Hyderabad, na Índia, com um grupo de crianças -- elas falavam inglês com um sotaque de Telugu.
Dei um computador a eles, com reconhecimento de voz, que agora vem de graça no Windows, e pedimos para falar com o computador.
Quando elas falaram o computador escreveu letras sem nexo, então falaram, "Ele não entende o que dizemos."
então eu disse, "Sim. Irei deixar aqui por dois meses.
Façam-se entender para o computador."
Então elas perguntaram, "Como faremos isso?"
E eu disse, "Na verdade, eu não sei."
E fui embora.
Dois meses depois -- e isto foi documentado no jornal de Informação e Tecnologia para o Desenvolvimento Internacional -- que os sotaques haviam mudado e ficaram parecidos com o sotaque britânico que eu tinha programado no reconhecedor.
Em outras palavras, eles falavam como o James Tooley
Eles conseguiram fazer tudo sozinhos.
Depois eu comecei experimentos com várias outras coisas que eles poderiam aprender sozinhos
Recebi uma ligação interessante de Colombo, do recém falecido Arthur C. Clarke, que disse, "Quero ver o que está acontecendo."
Ele não podia viajar, então fui até lá.
Ele disse duas coisas: "Um professor que pode ser trocado por uma máquina, deve ser trocado."
A outra coisa que ele disse foi: "Se crianças têm interesse, então a educação acontece."
Era o que eu estava fazendo, toda vez que eu via isso eu pensava nele.
Artur C. Clarke: E elas poderiam ajudar as pessoas, porque aprendem tão rápido a navegar e acham coisas que as interessam.
E quando você tem interesse, então a educação acontece.
Sugata Mitra: Levei o experimento para a África do Sul.
Este é um garoto de 15 anos.
Garoto: Gosto de jogos de animais, por exemplo, e ouço música.
SM: Perguntei a ele "Você envia emails?"
E ele disse, "Sim, e eles pulam o oceano."
Isto é no Camboja, área rural -- um jogo bem simples, que nenhuma criança iria querer jogar na escola ou em casa.
Elas devolveriam para você.
Diriam, "Isto é muito chato."
e deixariam no chão, e se todos os adultos saíssem, elas iriam se exibir umas às outras sobre o que elas podem fazer.
É o que esta criança está fazendo.
Deve estar tentando multiplicar.
Por toda a Índia, no final de dois anos, crianças começaram a usar o Google para lição de casa.
Como resultado, os professores notaram uma grande melhoria no inglês -- desenvolvimento rápido em um monte de coisas.
Eles falaram "As crianças estão se tornando grandes pensadores."
E de fato elas estavam.
Se está no Google, porque você precisa ter guardado na cabeça?
No fim de quatro anos, decidi que grupos de crianças poderiam navegar na internet para alcançar sozinhas seus objetivos educacionais.
Na época, uma grande quantidade de dinheiro tinha entrado na Universidade Newcastle para melhorar o ensino na Índia.
Me ligaram da universidade e eu disse "Farei daqui de Deli."
Eles responderam "Não tem como conseguir um milhão de libras da Universidade ficando em Deli."
Então, em 2006, comprei um sobretudo e me mudei para Newcastle.
Queria testar os limites do sistema.
O primeiro experimento que fiz em Newcastle foi feito na Índia.
Eu defini um objetivo impossível: Será que crianças de 12 anos que falam tamil em uma vila do Sul da Índia poderiam aprender biotecnologia em inglês sozinhas?
E pensei: Vou testá-las, elas vão tirar zero. Darei os materiais. Volto e testo novamente. Elas tiram outro zero. Eu volto e digo, "Sim, precisamos de professores para certas coisas."
Chamei 26 crianças,
e falei para elas que existem coisas bastante difíceis neste computador.
Não ficaria surpreso se vocês não entendessem nada.
Está tudo em Inglês, e eu estou indo embora.
Então eu as deixei com o computador.
Voltei após dois meses, e as 26 crianças entraram muito caladas.
Eu disse "Então, olharam em algo?"
Elas falaram "sim, olhamos."
"Entenderam alguma coisa?" "Não, nada."
Então eu disse, "Por quanto tempo vocês praticaram até saber que não entenderam nada?"
Elas falaram "Nós olhamos todos os dias."
Eu disse, "Olharam por dois meses e não entenderam?"
Então uma garota de 12 anos levanta a mão e diz, literalmente, "Além do fato da replicação incorreta da molécula de DNA causar doenças genéticas, nós não entendemos mais nada."
Precisei de 3 anos para publicar.
Acabou de ser publicado no Jornal Britânico de Educação e Tecnologia.
Um dos analistas que reviu o artigo disse, "É muito bom para ser verdade", o que não foi muito agradável.
Bem, uma das garotas aprendeu a ponto de se tornar a professora.
Ali está ela.
Lembrem-se, eles não estudam inglês.
Cortei a parte que eu pergunto "Onde está o neurônio?"
e ela responde, "O neurônio? O neurônio?" Então ela me olhou e fez isto.
Seja o que for, não foi muito simpático.
Assim a pontuação havia subido de zero para 30%. Que é uma impossibilidade educativa, dada as circunstâncias.
Mas 30% não dá para passar.
Então descobri que eles tinham uma amiga, uma jovem contabilista, com quem jogavam futebol.
Perguntei a ela "Você as ensinaria biotecnologia o suficiente para eles passarem?"
E ela disse "Como eu faria isso? Eu não entendo a matéria."
Respondi, "Não, use o método da avó."
E ela, "O que é isso?"
Falei, "Bem, o que você tem que fazer é ficar atrás delas e admirá-las o tempo todo.
Apenas diga, 'Que legal. Isso é fantástico.
O que é isso? Faz outra vez? Me mostra mais um pouco?'" Ela fez isso por dois meses.
A pontuação deles foi para 50, que é a mesma que uma escola boa de Nova Deli, com professores treinados, estavam conseguindo.
Voltei para Newcastle com estes resultados e decidi que algo estava acontecendo aqui e estava se tornando bem sério.
Tendo feito experimentos em lugares mais remotos, Vim para o lugar mais remoto que pude pensar.
Aproximadamente 8000 quilômetros de Deli existe a cidade Gateshead.
Em Gateshead, peguei 32 crianças, e comecei a melhorar meu método.
Organizei em grupos de quatro.
Eu disse, "Façam seus próprios grupos de quatro.
Cada grupo pode usar um computador, não quatro."
Lembram-se, do Buraco na Parede.
"Vocês podem trocar de grupos.
Podem andar de um grupo à outro, se não gostar do seu grupo etc.
Podem ir a outro grupo, olhar o que eles estão fazendo, voltar para seu próprio grupo e falar que é ideia sua."
E expliquei a elas que muitos cientistas fazem pesquisas usando este método.
As crianças vieram entusiasmadas e me falaram, "O que é que temos que fazer?"
Eu dei a elas seis questões do GCSE.
O primeiro grupo, o melhor, resolveu tudo em 20 miuntos.
O pior, em 45.
Eles usaram tudo que sabiam -- novos grupos, Google, Wikipedia, As Jeeves etc.
Os professores falaram, "Isso é aprendizado profundo?"
Eu disse, "Bem, vamos ver.
Voltarei em dois meses.
Darei a elas um teste no papel -- sem computadores, sem falar entre si etc."
A pontuação quando o teste foi feito com computadores e grupos foi 76 porcento.
Quando eu fiz o teste, depois de dois meses, a pontuação foi de 76 porcento.
Houve memória fotográfica dentro das crianças, E acho que é porque elas discutiram entre si.
Uma criança sozinha em frente a um computador não fará isso.
Tenho mais resultados, que são quase inacreditáveis, de pontuações que aumentam com o tempo.
Porque os professores dizem que após a sessão terminar, as crianças continuam a pesquisar no Google.
Aqui na Grã-Bretanha, fiz um pedido para as avós britânicas, após a minha experiência.
Bem, vocês sabem, as avós britânicas são pessoas muito vigorosas.
E 200 delas se ofereceram imediatamente.
O acordo era que elas me dariam uma hora de banda larga, dentro de suas casas, um dia por semana.
E foi o que elas fizeram. E nos últimos dois anos, mais de 600 horas de instrução aconteceram via Skype, usando o que meus alunos chamam de nuvem de avó.
A nuvem de avó está ali.
Posso enviar para qualquer escola que eu quiser.
Professora: Você não consegue me pegar.
Agora diz você.
Não consegue me pegar.
Criança: Você não consegue me pegar.
Professora: Sou o homem biscoito.
Criança: Eu sou o homem biscoito.
Professora: Ótimo. Muito bom.
SM: De volta a Gateshead, uma garota de 10 anos entra em contato com o Hinduísmo em 15 minutos.
Vocês sabem, coisas que eu não sei nada sobre.
Duas crianças veem uma TEDTalk.
Elas queriam ser jogadoras de futebol.
Após assistir a oito TEDTalks, elas querem se tornar Leonardo da Vinci.
São coisas bem simples.
Isto é o que estou construindo. São os SOLEs: Ambientes de Aprendizagem Auto-Organizados.
O design da mobília foi feito para que as crianças sentem-se em frente a telas grandes, conectadas à banda larga, mas em grupos.
Se elas quiserem, podem chamar a nuvem de avó.
Este é um SOLE em Newcastle.
O mediador é da Índia.
Quão longe podemos ir então? Só mais um pouco e eu paro.
Fui até Turin em maio.
Afastei todos os professores do meu grupo de estudantes de 10 anos.
Eu falo apenas inglês, elas falam apenas italiano, então não tínhamos como nos comunicar.
Comecei escrevendo questões em inglês no quadro.
As crianças olharam e falaram, "O quê?"
Eu disse, "Bem, façam."
Elas escreveram no Google, traduziram para o italiano, voltavam ao Google italiano.
15 minutos depois. Próxima questão: Onde fica Calcutá?
Eles precisaram apenas de 10 minutos.
Depois tentei uma bem difícil.
Quem foi Pitágoras e o que ele fez?
Fizeram silêncio por um tempo, depois falaram, "Você escreveu errado.
É Pitagora."
E depois, em 20 minutos, Os triângulos retângulos começaram a aparecer.
Isto me deu arrepios.
Estes têm 10 anos.
Texto: Em mais 30 minutos eles alcançam a Teoria da Relatividade. E depois?
SM: Sabem o que aconteceu?
Acho que acabamos de encontrar em um sistema auto organizável.
Um sistema auto organizável é aquele em que a estrutura aparece sem a influência do exterior
Sistemas auto organizável são sempre emergentes, que é quando o sistema começa a fazer coisas as quais não foram designados a fazer.
É por isso que vocês reagem dessa maneira, porque parece impossível.
Posso fazer uma suposição. Educação é um sistema auto organizável, onde aprender é um fenômeno emergente.
Irá demorar alguns anos para provar, experimentalmente, mas eu irei tentar.
Entretanto, o método está disponível.
Um bilhão de crianças, 100 milhões de mediadores -- existem muito mais que isso no planeta -- 10 milhões de SOLEs, 180 bilhões de dólares e 10 anos.
Nós podemos mudar tudo.
Obrigado.
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Estou muito honrada de estar aqui e, como disse Chris, já faz mais de 20 anos que eu comecei a trabalhar na África.
A primeira vez foi no aeroporto de Abidjan numa úmida manhã na Costa do Marfim.
Tinha acabado de sair de Wall Street, cortei o cabelo estilo Margaret Mead, doei quase tudo que tinha, e cheguei apenas com o básico - poemas, algumas roupas e, claro, um violão, porque eu ia salvar o mundo, e pensei em começar com o continente africano.
Mas apenas alguns dias depois algumas mulheres africanas me disseram, da forma mais clara possível, que não queriam ser salvas. Obrigada, mas não precisa. E muito menos por mim.
Eu era muito jovem, solteira, sem filhos, não conhecia bem a África e, além disso, meu francês era terrível.
Por isso foi uma época muito dolorosa de minha vida, mas me ensinou a ser humilde e a escutar.
Acho que o fracasso também pode ser uma motivação incrível, então mudei para o Quênia e trabalhei em Uganda, e conheci um grupo de mulheres de Ruanda, que me pediram, em 1986, a mudar para Kigali para ajudá-las a criar a primeira micro-instituição financeira.
E foi o que fiz, e nomeamos a empresa Duterimbere, que quer dizer "avançar com entusiasmo." Eu então percebi que não havia muitos negócios viáveis administrados por mulheres, então pensei em abrir um negócio também.
Comecei a procurar e ouvi falar dessa padaria administrada por 20 prostitutas.
Fiquei intrigada e fui conhecer o grupo. Encontrei 20 mães solteiras batalhando pela sobrevivência.
E foi então que realmente comecei a entender o poder da língua e como nossas escolhas de vocábulos podem distanciar as pessoas, ou torná-las medíocres.
Também descobri que a padaria não era um negócio, mas sim uma instituição de caridade de uma pessoa bem-intencionada que gastava 600 dólares por mês mantendo essas 20 mulheres ocupadas fazendo artesanato e assando pães, e ganhando 50 centavos por dia, vivendo na pobreza.
Então fiz um acordo com elas. Disse, "Nós largamos a caridade e tornamos isso um negócio; eu ajudarei vocês."
Elas relutaram mas concordaram e, claro, as coisas são sempre mais difíceis do que achamos que seriam.
Primeiro, pensei, precisamos de um time de vendas, e é óbvio que não somos especialistas, então - eu fiz um treinamento,
e o ponto alto dele foi quando saí pelas ruas de Nyamirambo, bairro mais popular de Kigali, com um pote, e vendi bolinhos para todo mundo, voltei e disse: "Viram?"
Elas disseram: "Jacqueline, quem em Nyamirambo deixaria de comprar bolinhos de um pote laranja de uma americana?" Boa pergunta.
Usei todo o estilo americano, competições individuais e por equipes. Fracasso total, mas com o tempo elas aprenderam a fazer a venda a sua maneira.
E passaram a prestar atenção no mercado, e surgiam ideias como petiscos de mandioca ou de banana e pão de sorgo, e de repente, o mercado de Kigali tinha se rendido a nós e as mulheres estavam ganhando três ou quatro vezes mais que a média nacional.
Estávamos confiantes, e pensei que deveríamos abrir uma padaria e fomos pintá-la. As mulheres disseram: "Excelente ideia."
"De que cor?" eu perguntei. "Você escolhe." Eu disse: "Não, quero apenas ouvir.
vocês escolhem. A padaria é de vocês, assim como a rua, o país."
Mas elas não responderam.
Passaram-se uma, duas, três semanas até que eu disse: "Que tal azul?"
Elas responderam: "Azul, azul, amamos azul. Vai ser azul."
Fui à loja com Gaudence, a mais teimosa de todas, e trouxemos tinta e tecidos para as cortinas. No dia da pintura nos reunimos em Nyamirambo e a ideia era pintar tudo de branco com detalhes azuis, como uma padaria francesa. Mas elas claramente preferiram pintar toda a parede de azul.
Então foi azul de cima a baixo;
paredes azuis, janelas azuis, a calçada na frente azul.
Ao som de Aretha Franklin cantando RESPECT, as mulheres dançando e crianças tentando pegar os pincéis, mas as mulheres não deixavam.
Quando acabamos, fomos para o outro lado da rua, olhamos nosso trabalho e eu disse: "Está linda!"
E as mulheres todas concordaram.
Eu disse: "Acho a cor perfeita," e todas elas concordaram, exceto Gaudence, e eu perguntei: "O que foi?"
Ela disse: "Nada," e eu insisti.
Aí ela disse: "É, está bonita, mas você sabe que nossa cor, na verdade, é verde." Eu aprendi então que a arte de ouvir não é só sobre paciência, mas também que, se você viveu e dependeu de caridade toda a sua vida, é muito difícil dizer o que realmente pensa.
Mais ainda porque ninguém nunca pergunta, ou, quando pergunta, não quer saber realmente a verdade.
Por isso digo que aprendi que ouvir não é só saber esperar, mas também aprender a fazer as perguntas certas.
Então fiquei em Kigali por dois anos e meio, fazendo essas duas coisas, e foi uma parte extraordinária da minha vida.
Me ensinou três lições que eu considero muito importante para nós, e com certeza para o trabalho que eu faço.
A primeira é que a dignidade é mais importante para o espírito que a riqueza.
Como disse Eleni, quando as pessoas têm renda, têm escolha, e isso é fundamental para a dignidade.
Mas como seres humanos também queremos ver um ao outro, queremos ser ouvidos, e não devemos nos esquecer disso nunca.
A segunda é que a caridade e a ajuda tradicionais nunca vão solucionar os problemas da pobreza.
Acho que Andrew já falou sobre esse assunto, então vou para a terceira lição, que é a que o mercado sozinho não vai solucionar os problemas da pobreza.
Claro, nós administramos um negócio mas alguém teve que dar o apoio filantrópico envolvido no treinamento e o apoio gerencial, o aconselhamento estratégico e talvez o mais importante, o acesso a novos contatos, redes e mercados.
Pois há, num nível micro, um papel importante dessa combinação de investimento e filantropia.
E num nível macro, alguns dos palestrantes inferiram que até a saúde deveria ser privatizada.
Mas como tive um pai com doença cardíaca, e que o que nossa família podia pagar não cobria todos os gastos que ele tinha, foi bom ter um bom amigo para ajudar. Eu realmente acredito que todas as pessoas precisam ter acesso à saúde a preços razoáveis.
Acho que o mercado pode nos ajudar a entender isso, mas há a necessidade do componente de caridade ou não vamos criar o tipo de sociedade que queremos para nós.
Foram essas as lições que me fizeram decidir criar o Fundo Acumen há seis anos.
É um fundo de capital de risco sem fins lucrativos destinado aos pobres. Há algumas contradições nessa frase.
Ele arrecada fundos de caridade de indivíduos, fundações e empresas, e então investe esses fundos em ações e empréstimos de instituições com e sem fins lucrativos que proporcionam saúde, moradia, energia e água potável a preços razoáveis para a população de baixa renda da Ásia Setentrional e da Áfica, de forma que eles possam fazer suas escolhas.
Já investimos cerca de 20 milhões de dólares em 20 empresas diferentes, criando assim aproximadamente 20. 000 empregos, e proporcionamos serviços a milhões de pessoas que não teriam como pagar por eles.
Gostaria de contar duas histórias, ambas passadas na África.
Ambas sobre investir em empresários comprometidos com o serviço, e que realmente conhecem os mercados.
Ambas vivem na confluência da saúde pública com o empreendedorismo, e ambas, por serem fabricantes, criam empregos diretos e geram renda indireta, porque elas trabalham na área da malária, e a África perde cerca de 13 bilhões de dólares por ano devido à malária.
Quanto mais saudáveis as pessoas, mais ricas elas ficam.
A primeira se chama Advanced Bio-Extracts Ltda.
É uma empresa construída no Quênia há uns sete anos por um empresário incrível chamado Patrick Henfrey e três colegas.
Eles são fazendeiros experientes que passaram pelos altos e baixos da agricultura no Quênia nos últimos 30 anos.
Essa aqui é a planta Artemísia, que é o componente básico da artemisinina, o tratamento mais conhecido para a malária.
Ela é originária da China e do Oriente mas, considerando que a malária predomina aqui na África, Patrick e seus colegas pensaram: "Vamos trazê-la para cá, porque é um produto de grande valia."
Os fazendeiros triplicam ou quadruplicam as colheitas comparando com o milho.
Assim, usando o capital paciente, o dinheiro que conseguiram para começar, que na verdade estava abaixo do valor de mercado, e com a vontade de ir até o fim e combinar isso com assistência gerencial e estratégica, eles criaram uma empresa que compra de 7. 500 fazendeiros.
São cerca de 50. 000 pessoas envolvidas.
Acho que alguns de vocês já visitaram. esses fazendeiros recebem auxílio da KickStart e da TechnoServe, que os ajudam a ser mais auto-suficientes.
Eles compram, secam e trazem para essa fábrica que foi comprada, mais uma vez, com capital paciente da Novartis, que tem interesse genuíno em conseguir o pó para que possam produzir o Coartem.
O Fundo Acumen vem trabalhando com a ABE há cerca de um ano e meio, ambos visando um novo plano de negócios, e essa expansão seria ajudar com o apoio gerencial e auxiliar a fazer os balancetes e a levantar o capital.
Eu realmente entendi o que o capital paciente significava emocionalmente agora nesse último mês, porque a empresa estava literalmente a 10 dias de provar que o produto que fabricava estava no nível de qualidade necessário para produzir o Coartem, justamente quando passavam pela maior crise financeira de sua história.
Ligamos para todos os investidores em causas sociais que conhecíamos.
Alguns desses investidores estão realmente interessados na África entendem a importância da agricultura, e ajudaram os fazendeiros.
Até quando explicamos que se a ABE sair, todos os 7. 500 empregos também acabam, mas às vezes temos essa bifurcação entre os negócios e o social.
Já é hora de pensarmos em como fundir essas duas coisas de forma criativa.
Então o Acumen fez dois empréstimos-ponte, e a boa notícia é que eles alcançaram a classificação de qualidade mundial e estamos fechando uma rodada de 20 milhões para seguir para o próximo nível; acho que essa será uma das empresas mais importantes da África Oriental.
Esse é o Samuel. Ele é fazendeiro.
Ele estava vivendo numa favela em Kibera quando seu pai falou com ele sobre a Artemísia e seu potencial valor agregado.
Ele voltou para a fazenda e, resumindo, eles agora têm sete acres de cultivo.
Os filhos de Samuel estudam em escolas particulares, e ele começou a ajudar outros fazendeiros da área a produzir a Artemísia. Dignidade é mais importante que riqueza.
A próxima, muitos já conhecem.
Falei sobre ela em Oxford há uns dois anos, e alguns de vocês visitaram a A to Z Manufacturing, que é uma das maiores empresas da África Oriental.
É outra que vive na confluência da saúde e do empreendedorismo.
É uma história de parceria público/privado que deu certo.
Começou no Japão. A Sumitomo desenvolveu uma tecnologia que impregna fibras de polietileno com inseticida orgânico, de forma a criar uma rede mosquiteira contra a malária que duraria por cinco anos sem precisar reaplicar.
Isso poderia alterar o vetor mas, como a Artemísia, só é produzido na Ásia, e como parte de sua responsabilidade social, a Sumitomo pensou: "Por que não tentamos produzir isso na África, para os africanos?"
A UNICEF se apresentou: "Compraremos a maioria das redes e as doaremos seguindo o compromisso do fundo global e das Nações Unidas com as mulheres grávidas e crianças, de graça."
O Fundo Acumen entrou com o capital paciente, e nós ajudamos a identificar o empresário com quem faríamos uma parceria na África, e a Exxon forneceu a resina.
Bem, estávamos procurando empresários, e não havia ninguém melhor que Anuj Shah, da empresa A to Z Manufacturing.
A empresa está no mercado há 40 anos, entende de produção.
Passou pela transição da Tanzânia de socialista a capitalista, e continuou crescendo. Tinha cerca de 1. 000 funcionários quando a encontramos.
Então, Anuj correu o risco empresarial aqui na África de produzir um bem público que um estabelecimento assistencial compraria para combater a malária.
Resumindo, eles foram muito bem sucedidos.
No primeiro ano, a primeira rede foi produzida em outubro de 2003.
Achávamos que o número máximo seria de 150. 000 por ano.
Este ano eles estão produzindo oito milhões e empregando 5. 000 pessoas, 90% mulheres, muitas sem especialização.
Trabalham em parceria com a Sumitomo.
Do ponto de vista empresarial africano, e do ponto de vista da saúde pública, são um verdadeiro sucesso.
Mas é só o começo se queremos acabar com a pobreza, porque isso não é sustentável a longo prazo.
É uma empresa com apenas um grande consumidor.
Se a gripe aviária se propagar, ou se por alguma razão decidirem que a malária não é mais uma prioridade, todos perdem.
Então o Anuj e o Fundo Acumen estão pensando em investir no setor privado, porque a suposição que o estabelecimento assistencial fez foi: Num país como a Tanzânia, 80% da população ganha menos de dois dólares por dia.
O custo de produção das redes é de seis dólares, e o custo de distribuição também é de seis dólares, então o preço de mercado seria 12 dólares por rede.
A maioria das pessoas não poderia comprá-las, então vamos distribuir de graça.
E pensamos: "Bem, há outra opção.
Vamos ouvir o mercado e saber quanto as pessoas pagariam para ter a dignidade da escolha.
Podemos começar com uma distribuição local e pode acabar custando muito menos para o setor público."
Então iniciamos uma segunda rodada de capital paciente com a A to Z, um empréstimo e também um subsídio, assim a A to Z podia mudar o preço e ouvir o mercado; e descobriram várias coisas.
Uma, que as pessoas se dispõem a pagar preços diferentes, mas a grande maioria estaria disposta a pagar um dólar por rede e assim fariam a compra.
Quando você os ouve, descobre que eles têm muito a dizer sobre o que gostam e o que não gostam,
e também que alguns dos canais com os quais trabalhamos não funcionam.
Mas por causa desse experimento e da possibilidade de reiteração devido ao capital paciente, nós descobrimos que custa cerca de um dólar ao setor privado para distribuir, e um dólar para comprar a rede.
De uma perspectiva política, quando você começa ouvindo o mercado, nós passamos a ter uma escolha.
Podemos manter o custo de 12 dólares por rede, e o consumidor não pagar, ou podemos tentar cobrar um dólar por rede, o setor público entrando com seis dólares por rede, e dar às pessoas a dignidade da escolha, criando um sistema de distribuição que poderia, com o tempo, ser auto-sustentável.
Precisamos falar mais sobre isso, e acho que não há nada melhor que usar o mercado, mas deveríamos também trazer outras pessoas para a discussão.
Sempre que visito a A to Z, lembro de minha avó Stella.
Ela era como uma dessas matronas sentadas à máquina de costura.
Ela cresceu numa fazenda na Áustria, muito pobre, não teve muito acesso à educação.
Mudou para os Estados Unidos, onde encontrou meu avô, que fazia transporte de cimento, e tiveram nove filhos. Três deles morreram ainda bebês.
Minha avó tinha tuberculose, e trabalhava numa loja de costura fazendo camisas, ganhando 10 centavos a hora.
Como muitas mulheres que vejo na A to Z, ela trabalhava duro todos os dias, entendia o sofrimento, tinha muita fé em Deus, amava seus filhos e nunca aceitaria esmolas.
Mas como ela teve a oportunidade do mercado, e vivia numa sociedade que proporcionava a segurança de acesso à saúde e à educação, seus filhos e netos puderam viver seus objetivos e perseguir sonhos reais.
Eu olho para meus irmãos e primos - e como já disse, somos muitos - e vejo professores e músicos, gerentes de investimentos, designers.
Uma irmã que realiza os sonhos de outras pessoas.
E meu desejo, quando vejo essas mulheres, esses fazendeiros, e quando penso em todas as pessoas desse continente que trabalham duro todos os dias, é que eles tenham esse senso de oportunidade e possibilidade, e que eles acreditem e tenham acesso a serviços para que seus filhos também tenham grandes objetivos.
Não deveria ser tão difícil.
Mas o que é preciso é um compromisso de cada um de nós basicamente para recusar as suposições triviais, sair de nossa visão ideológica fechada.
É preciso investir nos empresários comprometidos não só com o sucesso, mas com a assistência.
É preciso abrir bem os braços, e esperar muito pouco em troca, mas exigir responsabilidade, e trazer essa responsabilidade à tona também.
E acima de tudo, requer que todos tenhamos coragem e paciência, sejamos nós ricos ou pobres, africanos ou não, nativos ou imigrantes, de esquerda ou de direita, para realmente ouvirmos uns aos outros.
Obrigada.
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Olá.
Eu vou falar um pouco sobre música, máquinas e vida.
Ou, mais precisamente, o que aprendemos com a criação de uma máquina muito grande e complicada para um videoclipe.
Alguns vão reconhecer esta imagem.
É o quadro de abertura do clipe que criamos.
Vamos mostrar o clipe no fim, mas, antes disso, quero falar um pouco sobre o que eles queriam.
Quando começamos a conversar com a OK Go -- a música se chama "This Too Shall Pass" -- estávamos muito animados porque eles mostraram interesse em construir uma máquina com a qual pudessem dançar.
E estávamos muito animados com isso porque, é claro, eles têm um histórico de dança com máquinas.
Eles são responsáveis por este clipe, "Here It Goes Again."
Mais de 50 milhões de visualizações no YouTube.
Quatro caras dançando em esteiras, sem cortes, só uma câmera estática.
Um viral fantástico e um clipe maravilhoso.
Então, estávamos muito animados em trabalhar com eles.
E começamos a conversar sobre o que eles queriam.
Eles explicaram que queriam uma espécie de máquina Rube Goldberg.
Para quem não sabe, uma máquina Rube Goldberg é uma engenhoca complicada, um maquinário incrivelmente exagerado que realiza uma tarefa relativamente simples.
Estávamos animados com a ideia, e começamos a conversar sobre como ela pareceria, exatamente.
Nós definimos parâmetros que -- vocês sabem, construir uma máquina Goldberg tem limitações, mas também é algo bem amplo.
Queríamos nos certificar que fizéssemos algo que funcionaria num videoclipe.
Então, definimos uma lista de requisitos, os "10 mandamentos," que eram, em ordem crescente de dificuldade: O primeiro é "Nada de mágica."
Tudo que acontecesse na tela deveria ser facilmente entendido pelo espectador comum.
A regra de ouro era que, se minha mãe não pudesse entender, nós não poderíamos usar no clipe.
Eles queriam integração da banda, ou seja, a máquina atuando sobre os integrantes da banda, e não o contrário.
Queriam que a ação da máquina seguisse o espírito da canção.
Conforme a música ganhasse emoção, a máquina também deveria ficar mais grandiosa no processo.
Eles queriam que aproveitássemos o espaço.
Tínhamos um depósito de cerca de 930 m² dividido entre dois andares.
Incluía uma área de carga.
Usamos tudo isso e mais um buraco gigante no chão pelo qual descemos a câmera e o cinegrafista.
Eles queriam bagunça, e ficamos felizes em obedecer.
A própria máquina começaria a música.
A máquina seria acionada, percorreria alguma distância, reagindo ao longo do caminho, apertaria o play num iPod ou toca-fitas ou algo que começasse a canção.
E a máquina manteria a sincronização por todo o trajeto.
Falando em sincronização, eles queriam sincronia com o ritmo e que ela tocasse certas batidas ao longo do caminho.
Tudo bem.
Eles queriam que ela terminasse precisamente no tempo.
Certo, então o tempo do início e do fim teriam que ser perfeitos.
E eles queriam que a música sumisse em dado momento do clipe e que a máquina tocasse ao vivo parte da música.
E, como se não fosse o bastante, todas essas coisas complicadíssimas, eles queriam numa única tomada.
Certo.
Apenas algumas estatísticas sobre o que passamos no processo.
A máquina tem 89 interações distintas.
Foram necessárias 85 tomadas para filmá-la à nossa satisfação.
Destas 85 tomadas, apenas três completaram o trajeto com sucesso.
Nós destruímos dois pianos e 10 televisores no processo.
Fomos à Home Depot bem mais de cem vezes.
E perdemos um sapato de salto alto quando uma de nossas engenheiras, Heather Knight, deixou seu sapato -- depois de um belo jantar, e voltou à construção -- e o deixou numa pilha de coisas.
E outro engenheiro pensou, "Bem, isso seria algo bom para usar." E acabou o usando como um bom gatilho.
De fato, está na máquina.
E o que aprendemos com tudo isso?
Tendo completado isso, temos a oportunidade de olhar para trás e refletir sobre algumas das coisas.
Aprendemos que coisas pequenas não prestam.
Bolinhas em trilhos de madeira são muito suscetíveis à humidade, à temperatura e a um pouco de poeira, e elas caem dos trilhos, os ângulos exatos dificultam o acerto.
Por outro lado, uma bola de boliche seguirá sempre o mesmo caminho.
Não importa a temperatura, não importa o que há no caminho; ela vai chegar aonde precisa.
Mas, mesmo assim, precisávamos começar de algum lugar, para que tivéssemos um lugar para ir.
Então, tem-se que começar por aí. Focar nisso.
Coisas pequenas não prestam, mas, é claro, são essenciais.
O que mais? Planejamento é incrivelmente importante.
Passamos muito tempo idealizando e até construindo algumas destas coisas.
Já foi dito que "nenhum plano de batalha sobrevive ao contato com o inimigo."
Penso que nosso inimigo era a física, e ela é uma senhora cruel.
Frequentemente, tínhamos que eliminar algumas coisas por causa do tempo, da estética ou o que fosse.
Então, se planejamento é importante, flexibilidade também é.
Estas são todas coisas que não entraram na máquina final.
Além disso, ponha as coisas confiáveis por último, aquelas que vão funcionar sempre.
De novo, é relevante o "do pequeno ao grande".
O carrinho de Lego no início do clipe faz referência ao carro grande, de verdade, próximo ao fim do clipe.
O carro grande funciona sempre; não há problema com ele.
O pequeno tendia a fugir do trilho e isso é um problema.
Mas você não precisa recompor a máquina inteira porque o carro de Lego no fim não funciona, certo?
Você o coloca na frente para que, se falhar, ao menos você sabe que não tem que reiniciar a coisa toda.
A vida pode ser uma confusão.
Houve momentos muito difíceis na construção da máquina.
Meses foram passados neste depósito pequeno e frio.
Assim como o maravilhoso júbilo que tivemos quando finalmente terminamos.
É importante lembrar que, seja bom ou ruim, "Isso também passará."
Muito obrigado.
E, agora, para apresentar seu videoclipe, temos OK Go.
OK Go: Uma introdução. Olá, TEDxUSC.
Nós somos a OK Go.
O que estamos fazendo? Estamos aqui, com o nosso Grammy.
Acho que podemos fazer melhor. Olá, TEDxUSC.
Somos a OK Go. Vocês leram o "Gabinete Nacional da Curiosidade?"
Quero dizer, "Curiosidade" -- desculpem-me.
Deixem-me começar de novo.
Precisamos de coisas mais ridículas além de "O Gabinete de Curiosidades Naturais."
O chapéu de relógio de sol do Tim.
Vocês viram o novo trabalho que fizeram nas Waltz Towers?
Desculpa, começar de novo.
Cães.
Olá, TEDxUSC. Somos a OK Go, e este é nosso novo videoclipe, "This Too Shall Pass."
[indefinido] Kay, ainda podemos fazer uma melhor, eu acho.
Esta está bem boa. Está ficando melhor.
♫ Você sabe que não pode deixar isso lhe abater ♫ ♫ E você não pode continuar arrastando esse peso morto por aí ♫ ♫ Se não há muito para carregar por aí ♫ ♫ Melhor correr quando você chegar ao chão ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Você não pode impedir essas crianças de dançar ♫ ♫ Por que você iria querer? ♫ ♫ Especialmente quando você está ganhando as suas ♫ ♫ Pois, se sua mente não anda e seus joelhos não flexionam ♫ ♫ Bem, não vá culpar as crianças de novo ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Deixe pra lá ♫ ♫ Isso também passará ♫ ♫ Deixe pra lá ♫ ♫ Isso também passará ♫ ♫ Você sabe que não pode deixar isso lhe abater ♫ ♫ Não, você não pode deixar isso lhe abater ♫ ♫ Deixe pra lá ♫ ♫ Isso também passará ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫ ♫ Quando a manhã chegar ♫
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Esta é a era do meio ambiente, ou da Biologia, ou da Tecnologia da Informação.
bem, é a era de muitas coisas distintas, pelas quais estamos passando agora. Mas uma coisa é certa: essa é era da mudança. Há muito mais mudanças ocorrendo agora do que jamais ocorreram na história da vida humana na Terra.
E todos vocês sabem disso, mas é difícil perceber a coisa toda de forma que você realmente a entenda.
E tentei juntar algumas coisas que seriam um bom começo.
Eu tentei mostrá-las ali, embora a cor não apareça. Eu estou preocupado é com a pequena bolha de 50 anos onde vocês estão. A tendência é você se interessar em uma geração antes da sua, uma geração depois da sua; seus pais, filhos, coisas que você pode mudar nas próximas décadas, e essa bolha de 50 anos, que você acompanha, de certa forma. E nesses 50 anos, se você olhar a curva populacional, vai ver que a população de humanos sobre a Terra mais que duplica, e já aumentamos mais de três vezes e meia desde que eu nasci. E quando você tem um filho, pela época que ele sair do Ensino Médio mais gente será acrescentada do que existia na Terra quando eu nasci --
isso é sem precedentes, e é grande.
Onde isso vai parar no futuro, é questionável. Então, essa é a parte humana.
Agora, humanos comparados a animais: veja a parte à esquerda.
O que chamo de porção humana -- os humanos e seus rebanhos e animais de estimação -- versus a porção natural -- todos os outros animais selvagens e afins -- estes são os vetebrados e todos os pássaros, etc. na terra e no ar, não na água. Como fica o balanço?
Bem, com certeza, há uns 10. 000 anos, no inicio da civilização, a porção humana era inferior a um décimo de um por cento. Vamos dar uma olhada nela agora.
Siga essa curva e vai ver uma seção branca, no meio -- essa é a sua bolha de 50 anos. Pessoas, gado e animais de estimação. já são 97% dessa massa total, integrada na Terra e toda a Natureza, em seu estado original, 3%. Nós vencemos. A próxima geração nem precisa se preocupar com esse jogo -- acabou.
E o problema maior veio nos últimos 25 anos: subimos de 25% para 97%.
E essa é realmente uma imagem sensata ao constatar que nós, humanos, estamos encarregados da vida na Terra; somos como os deuses caprichosos dos antigos mitos gregos, como se brincássemos com a vida, e não com muita sabedoria aplicada no processo.
Agora, a terceira curva é a Tecnologia da Informação.
Essa é a lei de Moore plotada ali, que é relacionada à densidade da informação, mas tem servido muito bem para mostrar muitas outras coisas sobre a Tecnologia da Informação: computadores, seu uso, Internet, etc. E o importante nela é que ela sobe diretamente, através do topo da curva e não tem limites reais. Agora, compare estas duas:
Esse é o tamanho da Terra passando através daquela mesma -- -- reta. E para deixar bem claro, eu as coloquei todas em um mesmo gráfico --
vocês não precisam ler as palavras pequenas.
Aquela primeira é dos humanos versus a Natureza. Nós vencemos; não há mais o que ganhar. População humana.
E se você está procurando indústrias de crescimento para investir, não é uma boa -- proteção de criaturas naturais. A população humana está crescendo; vai continuar a crescer por um bom tempo.
O que é bom negócio para os obstetras, agentes funerários, fazendeiros, construtoras, etc -- todos eles lidam com corpos humanos que precisam ser alimentados, transportados, abrigados, e por aí vai. E a Tecnologia da Informação, que se conecta ao nosso cérebro não tem limites -- agora, essa é uma área maravilhosa para se estar. Se estiver procurando por oportunidades para crescer --
esta área vai crescer acima dos limites.
E então o tamanho da Terra. Fazer isso tudo ficar, de alguma forma, compatível com a Terra parece ser um negócio ruim para estar envolvido.
Então, essa é a cena atrás de tudo isso. Eu acho, por razões que não compreendo, que eu realmente tenho um objetivo.
E o objetivo é que o mundo seja desejável e sustentável quando meus filhos atingirem a minha idade. E penso que isso seja -- em outras palavras, a próxima geração. E penso que isso seja um objetivo que todos nós compartilhamos.
E acho que não há muita esperança para esse objetivo. É possível atingi-lo tecnicamente, economicamente também, mas politicamente, considerando os hábitos e as instituições das pessoas, é impossível.
As instituições do passado com toda sua inércia são simplesmente irrelevantes para o futuro, exceto pelo fato de estarem lá e de termos de lidar com elas. Eu passo cerca de 15% do meu tempo tentando salvar o mundo, e os outros 85% o trabalho de sempre. e qualquer coisa mais a qual nos dedicamos.
E nesses 15%. o foco são as habilidades da mente pensante humana, de alguma forma tentando libertar as crianças da camisa-de-força das escolas, que está enfiando informações e dogmas goela abaixo delas. Tento fazê-los pensar para valer, fazer questões difíceis, argumentar sobre assuntos importantes, e não acreditarem em tudo o que está nos livros, pensando grande e de forma criativa. Eles podem ser assim.
Nossos sistemas escolares tem muitas falhas e não recompensam pelas coisas que são importantes na vida ou para a sobrevivência da civilização. Eles só recompensam por conseguir meter um monte de coisas na cabeça.
Nós não podemos entrar nisso hoje porque não há tempo -- é um assunto abrangente. Uma coisa, com certeza, sobre o futuro, é que há um aspecto essencial -- necessário, mas não suficiente -- que é fazer mais com menos. Nós temos que fazer as coisas com mais eficiência, usando menos energia, menos material.
Seus tataravós faziam tudo através do trabalho braçal, apesar disso todos pensamos que toda essa energia é essencial para nosso estilo de vida. E com toda essa tecnologia maravilhosa que temos nós podermos fazer coisas muito mais eficientes: conservar, reciclar, etc.
Permitam-me abordar, por cima, bem rápido, algumas coisas que temos feito.
Aviões movidos à força humana -- A Gossamer Condor me iniciou nessa direção em 1976 e 1977, vencendo o prêmio Kremer da história da aviação seguido pelo Albatross. E começamos a construir vários aeroplanos e criaturas estranhas
Aqui temos uma réplica gigante voadora de um Pterossauro sem rabo.
Assim. fazê-lo voar direito foi como tentar atirar uma flecha com o lado das pens para a frente. Foi um trabalho difícil, e, rapaz, ele me fez ter um bocado de respeito pela Natureza.
Esse era do tamanho original da criatura.
Nós fizemos coisas para a terra, o ar, a água. Veículos de todos os tipos, geralmente envolvendo alguma eletrônica ou sistemas de energia elétrica neles. Eu os acho todos semelhantes. Eu não ligo para o quê -- se de terra, de ar ou de água.
Eu vou focalizar os de ar, aqui. Esse é um aeroplano movido à energia solar -- 265 quilômetros levando uma pessoa da França até a Inglaterra como uma demonstração de que a energia solar será uma parte importante do nosso futuro. Então, montamos o carro solar para a General Motors -- o Sunracer que venceu a corrida na Austrália.
Temos muita gente pensando sobre carros elétricos e o que poderíamos fazer com eles. Alguns anos depois, quando sugerimos à GM que seria a hora, e que poderíamos fazer uma coisa chamada o "Impact", eles o patrocinaram, e aqui está o "Impact" que desenvolvemos com eles com os programas deles. "The demonstrator". E eles se esforçaram bastante para transformá-lo em um produto comercial.
Com essa introdução, vamos assistir à primeira fita, de dois minutos, que mostra um pequeno aeroplano para vigilância e indo em direção à um aeroplano gigante.
Um pequenino aeroplano, o AV Pointer serve para vigiar: de fato, um par binóculos voadores. Um ótimo exemplo do que uma miniaturização pode fazer se o operador estiver longe do veículo. É possível carregá-lo, montá-lo e lançá-lo manualmente. Movido à baterias, é silencioso e raramente percebido.
Ele envia imagens de vídeo de alta resolução para o operador.
Com GPS a bordo, ele pode navegar sozinho, e é resistente o bastante para pousar sozinho, sem sofrer danos.
O moderno Planador é extremamente eficiente.
Alguns podem planar por até 60 metros por cada metro de descida.
Eles são movidos somente pela energia que extraem da atmosfera -- uma atmosfera que a Natureza agita através da energia solar.
Humanos e pássaros conhecem a generosidade da Natureza em prover energia renovável. Nossos planadores já voaram por mais de 1600 quilômetros e a altitude recorde está acima dos 15. 000 metros.
O Solar Challenger foi criado para servir de exemplo de que células fotovoltaicas podem produzir energia de verdade e farão parte da energia do futuro.
Em 1981, ele voou 262 quilômetros de Paris até a Inglarerra movido somente pela energia fornecida pelos raios solares e serviu de base para o Pathfinder.
A lição que aprendemos com todos esses veículos é que ideias e tecnologias podem ser combinadas para produzir grandes vantagens, por fazer mais com menos; vantagens que podem ajudar-nos a atingir um balanço desejável entre as tecnologias e a Natureza. O risco é grande quando corremos em direção a um futuro desafiador.
Buckminster Fuller disse com clareza: "não há passageiros na espaçonave Terra, somente há uma tripulação". Nós, a tripulação, podemos e devemos fazer mais, com menos; muito menos.
Se pudermos assistir ao segundo vídeo, de um minuto -- ponham o mais rápido que puderem -- ele lhes mostrará o aeroplano Pathfinder em alguns voos no último ano no Havaí, e lhes mostrará uma sequência da beleza por detrás disso, depois que ele voou a 21. 800 metros -- mais alto do que qualquer aeroplano com hélices jamais voou.
É incrível, por causa da pequena energia solar, mas conseguimos chegar lá, tendo um aeroplano levíssimo.
Isso é parte de um programa de longo prazo que a NASA patrocinou.
E nós nos envolvemos com a coisa toda, com trabalho de equipe, e com resultados maravilhosos como aquele voo.
Nós estamos trabalhando num aeroplano maior -- 67 metros de envergadura-- e em um de tamanho médio com uma célula de combustível regenerativa que pode armazenar a energia que sobra durante o dia, fornecê-la à noite, e permanecer no ar, a 19. 800 metros, por meses sem parar.
A voz de Ray Morgan vai entrar aqui.
Ele é o gerente de projeto naquela área. Tudo que eles fazem é, com certeza, um trabalho de equipe. Ele é responsável pelo programa. Essas são.
algumas coisas que ele mostrou numa celebração no encerramento.
Nós acabamos de concluir um desenvolvimento de sete meses no Havaí.
Para os que viviam no continente, foi difícil ficar longe de casa.
O apoio amigo, a confiança tranquila e a hospitalidade fraterna mostrados pelos nossos anfitriões havaianos e militares -- está começando -- fez a experiência agradável e inesquecível.
Nós obtemos varreduras de infravermelho em tempo real pela Internet enquanto o aeroplano está voando. E ele está explorando sem poluir a estratosfera. Esse é o objetivo: a estratosfera, a manta que realmente controla a radiação na Terra e permite que a vida na Terra seja o sucesso que é. Sondá-la é muito importante. E também a consideramos como uma espécie de satélite estacionário de pobre, porque ele pode ficar em voo por meses sem parar -- 2000 vezes mais perto do que o satélite síncrono GFC real.
Nós não pudemos trazê-lo aqui para mostrá-lo voando para vocês.
Agora, uma outra coisa. OK. Eu lhes mostrei --
no vídeo que vocês viram, aquele aeroplano Pointer de 3 ou 4 quilos para vigilância que o Keenan desenvolveu e que fez um excelente trabalho. Enquanto alguns servocontroles foram reduzidos a, ah, 18 ou 25 gramas, esse pesa um terço de grama. E o que ele vai apresentar agora é um veículo aéreo de vigilância que pesa cerca de 57 gramas -- isso incluindo a câmera, as baterias que o movem, a telemetria, o receptor, e o resto todo. E vamos fazê-lo voar, espero, com o mesmo êxito que tivemos na noite passada, quando o testamos.
Então, Matt Keenan, quando você estiver.-- certo. -- pronto para ligá-lo. Mas antes, vamos nos assegurar que a imagem está na tela, para que nós vejamos o que ele vê.
Você pode se imaginar como um ratinho, ou um mosca dentro dele, vendo através da sua câmera.
Está ligado.
Mas agora vamos ver o vídeo. Lá vamos nós.
Podem acender as luzes um pouco mais?
Sim, as luzes do recinto, para que possamos enxergar melhor. e sejamos capazes de pilotar melhor o aeroplano.
Certo, vamos tentar fazer algumas voltas e trazê-lo de volta.
Aqui vamos nós.
O vídeo funcionou no início, mas não sei porque, agora -- já está indo.
Ah, isso foi só por um minuto, mas eu acho que seria mais seguro fazer isso no fim do voo, talvez.
Vamos ter que fazer do jeito clássico.
Certo.
Se ele atingir vocês, não vai machucá-los.
OK.
Muito obrigado. Obrigado.
Mas agora, como dizem nos comerciais, temos uma coisa ainda melhor para vocês, na qual estamos trabalhando: aeroplanos de somente seis polegadas -- 15 centímetros -- de tamanho.
E o aeroplano de Matt esteve na capa da Popular Science, mês passado, mostrando aonde podemos chegar com isso. Daqui a um tempo algo com este tamanho vai ter GPS e vídeo-câmeras embutidos. Já fizemos um desses voar 14 quilômetros pelo ar a 56 quilômetros por hora somente com uma pequena bateria.
Mas há muita tecnologia sendo produzida.
Esses são somente alguns marcos num trajeto de coisas admiráveis.
Esse aqui não tem vídeo mas dá para sentir o que ele pode fazer.
Tudo bem, lá vamos nós.
Desculpem.
OK.
Você pode ir passando quando acabar. É, eu acho -- Eu perdi um pouco da orientação; eu olhei para a luz, mas
ele bateu na construção. E a construção estava má localizada, na verdade.
Mas vocês já podem prever o que se pode fazer.
Estamos atualmente trabalhando em alguns projetos, até coisas que agitam as asas do tamanho de mariposas, e contratos DARPA, trabalhando com o Instituto de Tecnologia da Univ. da Califórnia em LA.
Aonde isso vai nos levar, eu não sei. Tem utilidade prática? Não sei.
Mas é como em qualquer pesquisa básica, quando você é obrigado a fazer coisas que estão longe da tecnologia existente no momento, e você pode fazê-lo com microtecnologia, nanotecnologia.
Dá para fazer coisas incríveis quando você presta atenção ao que a natureza já fez. Quando se chega a essas escalas pequenas, você percebe que nós temos muito o que aprender com a Natureza -- não com os 747s -- mas quando se passa ao domínio da Natureza, ela tem uns 200 milhões da anos de experiência,
ela nunca comete um erro. Porque se você comete um erro, você não deixa descendentes.
Não vemos nada além de histórias de sucesso na Natureza, com vocês ou com os pássaros, e estamos aprendendo muito com esse assunto fascinante.
Concluindo, eu gostaria de voltar ao quadro geral e eu só tenho dois slides para mostrar numa perspectiva.
O primeiro, eu só vou ler. Enfim, colocarei em três sentenças o que eu quero dizer com tudo isso.
Por bilhões de anos num globo, o acaso pintou um frágil equilíbrio da vida: complexo, improvável, maravilhoso e frágil. De repente, nós, os humanos, uma espécie recém-chegada passamos a não nos submeter mais à contabilidade inerente na Natureza, e crescemos em população, tecnologia e inteligência até uma posição de poder terrível. Agora nós manejamos o pincel,
e isso é sério. Não somos muito espertos. Temos pouca sabedoria; temos muita tecnologia. Aonde isso vai nos levar?
Bem, inspirado pelas sentenças, decidi segurar o pincel, de verdade.
A cada 25 anos eu faço uma pintura. Aqui está uma -- que tenta mostrar que o mundo não está ficando maior.
Uma espécie de linha do tempo, uma escala bem não-linear, vida natural e trilobitas e dinossauros, e então vimos alguns humanos morando em cavernas. Pássaros começaram a voar, depois dos Pterossauros.
E então chegamos à civilização sobre a telinha de televisão, com uma arma nela. E aí, engarrafamentos, e sistemas de energia e alguns pontinhos, o digital -- onde isso vai parar, não faço ideia.
E eu coloquei algumas baratas robóticas e naturais ali, mas dá para preencher com qualquer coisa. Isso não é uma predição.
Isso é um aviso, e temos que pensar seriamente sobre isso.
E essa época em que isso vai acontecer não é daqui a 100 ou 500 anos.
Essas coisas estão para acontecer nessa década, na próxima década. O tempo é curto, e temos que decidir o que vamos fazer.
E se conseguirmos chegar a algum acordo sobre como queremos que o mundo fique -- desejável, sustentável quando seus filhos chegarem à sua idade -- eu acho que podemos conseguir. Agora, eu disse que isso foi um aviso e não uma predição. Isso foi antes -- eu pintei isso antes de começarmos a fazer versões robóticas de mariposas e baratas, e agora estou começando a me perguntar, seriamente: será que isso foi mais uma predição do que eu imaginava?
Eu, pessoalmente, acho que a vida inteligente na Terra não será feita de carbono; será de feita de silício.
Então, onde vamos parar, eu sei lá.
O que nós vamos, neste final, lhes mostrar aqui é um veículo de vôo que não é nada prático, um pequeno dispositivo ornitóptero batedor de asas que -- movido por uma tira de borracha que -- Bem, vamos lhes mostrar.
32 gramas. Perdão, um grama.
Chega. Ontem à noite fizemos que ele desse voltas demais e ele tentou rebentar o teto. Tem cerca de um grama.
Aquele tubo é oco, fino como papel.
E se ele pousar em você, eu garanto que não vai lhe machucar.
Mas se você se esticar para agarrá-lo, ou segurá-lo, vai destruí-lo.
Então, sejam delicados; como um índio de madeira ou algo do tipo.
E quando ele pousar -- bem, vamos ver como ele se sai.
Nós consideramos isto como parte do espírito do TED.
E vocês se perguntam: isso é útil? Acontece que se eu não tivesse. Infelizmente, vamos ter de trocar algumas lâmpadas.
Provavelmente nós podemos aterrissá-lo mas é possível que ele vá parar em algum destino maior lá em cima -- -- do que jamais teve. E eu gostaria de fazer -- -- alguns -- Mas eu gostaria de fazer apenas duas considerações. Uma, vocês podem achar frívola, que não tem nada de mais. Ainda assim, se eu não estivesse fazendo ornitópteros como esse, um pouco mais rústicos, em 1939 -- muito tempo atrás -- não haveria um Gossamer Condor, não haveria um Albatross, um Solar Challenger, não haveria um carro Impact, não haveria uma lei sobre carros com emissão zero de poluentes na Califórnia.
Muitas destas coisas - simliares -- teriam acontecido em algum momento, provavelmente uma década mais tarde. Eu não me dei conta na época que estava fazendo pesquisas, trabalhos de equipe, como estão tentando implementar nos sistemas educacionais.
Penso que o que isso simboliza é importante.
E acho que isso é importante mesmo. Vocês podem pensar nisso como uma espécie de símbolo para a. e o TED que de alguma forma faz pensar sobre a Tecnologia e a Natureza, e põe tudo isso junto nas coisas que. -- que fazem esta conferência, na minha opinião, mais importante do que qualquer outra que já aconteceu neste país, nesta década.
Obrigado.
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Todo mundo está familiarizado com o câncer, mas normalmente não pensamos no câncer como uma doença contagiosa.
O demônio da Tasmânia nos mostrou que o câncer não somente pode ser uma doença contagiosa mas também pode ameaçar toda uma espécie de extinção.
Em primeiro lugar, o que é um demônio da Tasmânia?
Muitos de vocês podem estar familiarizados com Taz, o personagem dos quadrinhos, aquele que rodopia, rodopia e rodopia.
Mas não muitas pessoas sabem que realmente existe um animal chamado demônio da Tasmânia, e que ele é o maior marsupial carnívoro do mundo.
Um marsupial é um mamífero com uma bolsa como um canguru.
O demônio da Tasmânia ganhou esse nome por causa do grito terrível que ele emite à noite.
O demônio da Tasmânia se alimenta predominantemente de restos em decomposição e usa suas mandíbulas poderosas e seus dentes afiados para mastigar os ossos de animais mortos em decomposição.
O demônio da Tasmânia é encontrado somente na ilha da Tasmânia, que é uma pequena ilha ao sul da Austrália.
E, apesar de sua aparência feroz, os demônios da Tasmânia são realmente pequenos animais adoráveis.
De fato, crescendo na Tasmânia, sempre foi incrivelmente excitante ter a chance de ver um demônio da Tasmânia na natureza.
Mas, a população de demônios da Tasmânia tem sido submetida a um declínio extremamente rápido.
E, na verdade, há uma preocupação de que a espécie possa estar extinta na natureza dentro de 20 a 30 anos.
E a razão para isso é o surgimento de uma nova doença, um câncer contagioso.
A história começa em 1996 quando um fotógrafo da vida selvagem tirou esta fotografia de um demônio da Tasmânia com um enorme tumor na face.
À época, isso foi considerado um caso isolado.
Animais, exatamente como os humanos, às vezes apresentam tumores estranhos.
Entretanto, hoje acreditamos que esta é a primeira imagem de uma nova doença, que é agora uma epidemia se espalhando pela Tasmânia.
A doença foi vista pela primeira vez no nordeste da Tasmânia em 1996 e se espalhou através da Tasmânia como uma onda gigantesca.
Agora existe apenas uma pequena parte da população que permanece não afetada.
A doença aparece primeiramente como tumores, geralmente na face ou dentro da boca dos demônios da Tasmânia afetados.
Esses tumores inevitavelmente transformam-se em tumores maiores, como estes aqui.
A próxima imagem que vou mostrar é bastante horrível.
Inevitavelmente, esses tumores crescem, tornam-se enormes, tumores ulcerosos como este.
Este em particular permanece em minha mente, porque este é o primeiro caso desta doença que eu vi.
E me lembro do horror de ver essa pequena fêmea com esse enorme tumor ulceroso e fétido dentro de sua boca que, na verdade, destruiu completamente sua mandíbula inferior.
Ela não tinha comido durante dias.
Suas entranhas estavam repletas de vermes parasitários.
Seu corpo estava crivado de tumores secundários.
Ainda assim, ela estava alimentando três pequenos filhotes em sua bolsa.
É claro que morreram com a mãe.
Eram muito novos para sobreviver sem a mãe.
De fato, na área de onde ela veio, mais de 90 por cento da população de demônios da Tasmânia já morreram desta doença.
Cientistas no mundo todo estavam intrigados com este câncer, este câncer infeccioso, que estava se espalhando pela população de demônios da Tasmânia.
E nossas mentes imediatamente se voltaram para o câncer cervical nas mulheres, que se espalha por meio de um vírus, e para a epidemia de AIDS, que é associada a um número de diferentes tipos de câncer.
Todas as evidências sugeriam que este câncer maligno se espalhou por meio de um vírus.
Entretanto, sabemos agora -- e já vou contar-lhes -- sabemos que este câncer não se espalha por vírus.
Na verdade, o agente infeccioso da doença neste câncer é algo totalmente mais sinistro, e algo em que realmente não tínhamos pensado antes.
A fim de explicar o que é isto, preciso de alguns minutos para falar mais sobre o câncer.
O câncer é uma doença que afeta milhões de pessoas no mundo todo ano.
Uma em três pessoas nesta sala desenvolverá um câncer em algum estágio de sua vida.
Eu mesma tive um tumor removido de meu intestino grosso quando tinha apenas 14 anos.
O câncer ocorre quando um única célula em nosso corpo adquire um conjunto de mutações aleatórias em genes importantes que faz com que essa célula comece a produzir mais e mais cópias de si mesma.
Paradoxalmente, uma vez estabelecida, a seleção natural realmente favorece o contínuo crescimento do câncer.
Seleção natural é a sobrevivência do melhor adaptado.
Quando você tem uma população de células cancerosas que se dividem rapidamente, se algumas delas apresentam novas mutações, que lhes permitem crescer mais rapidamente, conseguir nutrientes com maior sucesso, invadir o corpo, elas serão selecionadas pela evolução.
É por isso que o câncer é uma doença tão difícil de tratar.
Ele evolui.
Despeje uma droga sobre ele, e células resistentes crescerão em resposta.
Um fato impressionante é que, num meio ambiente adequado e com os nutrientes corretos, uma célula cancerosa tem o potencial de crescer para sempre.
Entretanto o câncer é restringido porque vive dentro de nossos corpos, e seu crescimento contínuo, seu espalhar-se por nossos corpos alimentando-se de nossos tecidos conduz à morte o paciente com câncer e também à morte o próprio câncer.
Então, o câncer poderia ser entendido como uma estranha forma de vida de curta duração e auto-destrutiva, um beco sem saída da evolução.
Mas é aqui que o câncer do demônio da Tasmânia adquiriu uma absolutamente espantosa adaptação evolucionária.
E a resposta veio do estudo do DNA do câncer do demônio da Tasmânia.
Este foi um trabalho de muitas pessoas, mas vou explicá-lo através de uma experiência de confirmação que fiz alguns anos atrás.
O próximo 'slide' vai ser horrível.
Este é Jonas.
É um demônio da Tasmânia que encontramos com um grande tumor na face.
E, sendo uma geneticista, estou sempre interessada em observar DNA e mutações.
Usei essa oportunidade para coletar algumas amostras do tumor de Jonas e também algumas amostras de outras partes de seu corpo.
Levei-as ao laboratório.
Extraí o DNA delas.
Quando olhei para a sequência do DNA e comparei a sequência do tumor de Jonas com as outras de seu corpo, descobri que elas tinham um perfil genético completamente diferente.
De fato, Jonas e seu tumor eram tão diferentes um do outro quanto você e a pessoa sentada ao seu lado.
O que isso nos contou foi que o tumor de Jonas não se originou das células de seu próprio corpo.
Na verdade, mais perfis genéticos nos contaram que esse tumor em Jonas provavelmente cresceu primeiro das células de um demônio da Tasmânia fêmea -- e Jonas era claramente um macho.
Então, como é que um tumor que se originou das células de um outro indivíduo está crescendo na face de Jonas?
Bem, a próxima descoberta veio do estudo de centenas de cânceres de demônios da Tasmânia de toda a Tasmânia.
Descobrimos que todos esses cânceres compartilhavam o mesmo DNA.
Pensem nisso por um minuto.
Isso significa que todos esses cânceres são realmente o mesmo câncer que se originou uma vez de um indivíduo, separou-se desse primeiro corpo e espalhou-se através de uma população inteira de demônios da Tasmânia.
Mas como pode um câncer espalhar-se em uma população?
Bem, a peça final do quebra-cabeças veio quando lembramos como os demônios se comportam quando se encontram na natureza.
Eles tendem a morder um ao outro, frequentemente com ferocidade e geralmente na face.
Pensamos que as células cancerosas realmente se desprendem do tumor, vão para a saliva.
Quando o demônio morde outro demônio, ele fisicamente implanta células de um câncer vivo no outro demônio, então o tumor continua a crescer.
Assim, esse câncer do demônio da Tasmânia é talvez o último câncer.
Não tem a limitação de viver dentro do corpo que deu origem a ele.
Espalha-se pela população, tem mutações que lhe permitem fugir do sistema imunológico, e é o único câncer que conhecemos que está ameaçando toda uma espécie de extinção.
Mas, se isso pode acontecer aos demônios da Tasmânia, porque não aconteceu em outros animais ou mesmo humanos?
Bem, a resposta é: aconteceu.
Este é Kimbo.
É um cachorro que pertence a uma família em Mombasa, no Quênia.
Ano passado, seu dono notou sangue gotejando da região genital.
Levou-o ao veterinário que descobriu algo muito desagradável.
E se vocês são sensíveis, por favor, olhem para outro lado agora.
Ele descobriu isto, um enorme tumor sangrento na base do pênis de Kimbo.
O veterinário diagnosticou isto como um tumor venéreo transmissível, um câncer transmitido sexualmente que afeta cães.
E exatamente como o câncer do demônio da Tasmânia é contagioso através da propagação de células cancerosas vivas, assim também é este câncer do cachorro.
Este câncer do cachorro é extraordinário, porque se espalha pelo mundo todo.
E, de fato, essas mesmas células que estão afetando Kimbo são também encontradas afetando cachorros na cidade de Nova York, em vilarejos montanhosos nos Himalaias e nos desertos da Austrália.
Também acreditamos que esse câncer pode ser muito velho.
Na verdade, perfis genéticos nos dizem que pode ter dezenas de milhares de anos, o que significa que esse câncer pode primeiro ter-se originado das células de um lobo que viveu juntamente com os neandertais.
Este câncer é extraordinário.
É a mais velha forma de vida derivada de um mamífero que conhecemos.
É uma relíquia viva de uma passado distante.
Vimos que isto pode acontecer em animais.
Poderiam os cânceres ser contagiosos entre pessoas?
Bem, esta é uma questão que fascinou Chester Southam, um médico de câncer nos anos 50.
Ele decidiu testar isso deliberadamente inoculando pessoas com câncer de outras.
E esta é uma fotografia do Dr. Southam, em 1957, injetando câncer em um voluntário, que neste caso era um prisioneiro na Penitenciária Estadual em Ohio.
A maioria das pessoas inoculadas pelo Dr. Southam não desenvolveram câncer das células injetadas.
Mas um pequeno número delas desenvolveu e elas eram principalmente pessoas que estavam doentes -- cujos sistemas imunológicos estavam provavelmente comprometidos.
O que isso nos diz, questões éticas à parte, é que.
provavelmente, é extremamente raro que cânceres sejam transferidos entre pessoas.
Entretanto, sob certas circunstâncias, isso pode acontecer.
E acho que isto é algo de que oncologistas e epidemiologistas deveriam ter consciência no futuro.
Finalmente, o câncer é uma consequência inevitável da habilidade de nossas células de dividir-se e adaptar-se ao seu meio ambiente.
Isso não significa que deveríamos desistir da esperança na luta contra o câncer.
Na verdade, acredito que com maior conhecimento dos complexos processos evolutivos que guiam o crescimento do câncer podemos derrotar o câncer.
Meu objetivo pessoal é derrotar o câncer do demônio da Tasmânia.
Vamos evitar que o demônio da Tasmânia seja o primeiro animal a ser extinto pelo câncer.
Obrigada.
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Vou falar sobre a recuperação pós-conflito e como podemos melhorar a recuperação pós-conflito
Os registros de recuperação pós-conflito não impressionam
40% de todas as situações de pós-conflitos, historicamente, reverteram novamente em conflitos em uma década
Na verdade, elas são responsáveis por metade de todas as guerras civis.
Por que esse registro tem sido tão pobre?
Bem, a abordagem convencional para as situações pós-conflito tem se apoiado, mais ou menos, em três princípios.
O primeiro princípio é que a política é que é importante.
Então a primeira coisa que é priorizada é a política.
Tente construir primeiro uma base política.
E o segundo passo é dizer: "A situação é reconhecidamente perigosa, mas só por um breve período."
Então coloque os soldados da paz lá, mas os traga para casa o mais rápido possível.
Então, soldados da paz de curto prazo.
E em terceiro lugar, qual é a estratégia de saída para os soldados da paz?
É uma eleição.
que produzirá um governo legítimo e responsável.
Então, essa é a abordagem convencional.
Eu acho que essa abordagem renega a realidade.
Nós temos visto que não existe nenhum remédio rápido.
E certamente também não existe remédio que seja rápido e seguro.
Eu tentei prestar atenção nos riscos de reversão para o conflito durante a nossa década pós-conflito.
E os riscos mantêm-se elevados ao longo da década.
E mantêm-se elevados independentemente das inovações políticas.
Será que uma eleição produz um governo responsável e legítimo?
O que a eleição produz é um vencedor e um perdedor.
E o perdedor fica inquieto.
A realidade é que nós precisamos de reverter a sequência.
Não é a política que vem primeiro; na realidade a política vem em último lugar.
A política torna-se mais fácil à medida que a década decorre se você a estiver construindo em uma base de segurança e desenvolvimento econômico. A reconstrução da prosperidade.
Porque é que a política se torna mais fácil?
E porque é que é tão difícil no início?
Porque depois de anos de estagnação e declínio a mentalidade da política é a de que é um jogo de soma-zero
Se a realidade é a estagnação, Eu só posso subir, se vocês descerem.
E isso não gera uma política produtiva.
Então, a mentalidade tem de mudar de soma-zero a soma positiva antes de se conseguir uma política eficaz.
Só é possível tornar positiva essa transição mental se a realidade for que a prosperidade está sendo construída.
E para construir a prosperidade, precisamos que a segurança esteja estabelecida.
Então, é isso que se obtém quando se encara a realidade.
Mas o objetivo de encarar a realidade é mudar a realidade.
E então agora, deixem-me sugerir duas abordagens complementares para mudar a realidade das situações.
A primeira é reconhecer a interdependência de três atores-chave, que são atores diferentes, e que no momento estão descoordenados.
O primeiro ator é o Conselho de Segurança.
O Conselho de Segurança tipicamente tem a responsabilidade de providenciar soldados da paz que constroem a segurança.
E precisa ser reconhecido, antes de mais nada, que a manutenção da paz funciona.
É uma abordagem de custo-efetivo.
E realmente aumenta a segurança.
Mas precisa ser feito a longo-prazo.
Precisa ser uma abordagem que perdure por uma década em vez de simplesmente alguns anos.
Esse é um ator, o Conselho de Segurança.
O segundo ator, uma seleção diversa de pessoas, seria os doadores.
Os doadores fornecem assistência pós-conflito.
Normalmente, no passado, os doadores ficavam interessados durante os primeiros dois anos, e depois aborreciam-se.
Seguiam para outra situação qualquer.
A recuperação econômica pós-conflito é um processo lento.
Não existem processos rápidos na economia à exceção do declínio.
Isso pode ser feito rapidamente.
Então os doadores têm de permanecer nesta situação por pelo menos uma década.
E a seguir, o terceiro ator-chave é o Governo pós-conflito.
existem duas coisas chave que ele deve fazer.
Uma delas é a reforma econômica, sem estardalhaço sobre a constituição política,
Tem de reformar a política econômica.
Por que? Porque durante o conflito a política econômica normalmente deteriora.
Os Governos agarram oportunidades a curto-prazo. E no fim do conflito, a cada cabeça sua sentença.
Por isso esta herança de conflito é uma política econômica muito ruim.
Então, há uma agenda de reforma e há uma agenda de inclusão.
A agenda de inclusão não tem origem nas eleições.
As eleições produzem um perdedor, que é então excluído.
Então a agenda de inclusão significa na verdade trazer pessoas para a causa.
Então são esses três atores.
E eles são interdependentes a longo prazo.
Se o Concelho de Segurança não se compromete com segurança no decurso de uma década, não se consegue a garantia que produz o investimento privado.
Se não se conseguir a reforma política e a assistência, não se consegue a recuperação econômica, que é a verdadeira saída estratégica para os soldados da paz.
Então, nós devemos reconhecer essa interdependência, através de compromissos mútuos formais.
As Nações Unidas até têm uma linguagem própria para estes compromissos, para reconhecimento de compromissos mútuos. É a chamada linguagem pactual.
E assim, precisamos de um pacto pós-conflito.
As Nações Unidas até têm uma agência que pode mediar estes pactos. Designa-se por Comissão para a Consolidação de Paz.
Seria ideal se houvesse um padrão de normas estabelecido. para que, quando surgisse uma situação pós-conflito, houvesse uma expectativa destes compromissos mútuos das três partes.
Então, essa é a primeira ideia. Reconhecer a interdependência.
E agora deixem-me voltar para a segunda abordagem, que é complementar.
E isto é para focar alguns objetivos críticos.
A situação típica de pós-conflito é um zoológico de diferentes atores com prioridades diferentes.
E na verdade, infelizmente, se nos deixarmos levar pelas necessidades acaba-se com uma agenda muito dispersa. Porque nestas situações, as necessidades estão por toda a parte. Mas a capacidade de implementar a mudança é muito limitada.
Então, temos de ser disciplinados e nos focarmos nas coisas que são críticas.
E eu quero sugerir que numa situação pós-conflito típica existem três coisas críticas.
Uma é empregos.
Outra é a melhoria dos serviços básicos. Especialmente a saúde, que é um desastre durante o conflito.
Então temos empregos, saúde e um governo limpo.
Essas são as três prioridades críticas.
Por isso vou falar um pouco sobre cada uma delas.
Empregos.
Qual será a abordagem distinta para gerar empregos em situações pós-conflito?
E por que é que os empregos são tão importantes?
Empregos para quem? Empregos especialmente para jovens do sexo masculino.
Em situações pós-conflito, a razão pela qual revertem com tanta frequência a conflito, não é porque as senhoras idosas se aborrecem.
É porque os rapazes se aborrecem.
E por que é que estão aborrecidos? Porque não têm nada para fazer.
Então, precisamos de um processo de geração de empregos, para rapazes comuns, rapidamente.
Ora, isso é difícil.
Os Governos em situação pós-conflito muitas vezes reagem inchando o serviço público.
Esta não é uma boa ideia.
Não é sustentável.
Na realidade, está a criar-se um endividamento de longo prazo através da inflação do serviço público.
Mas conseguir que o setor privado expanda também é difícil. Porque qualquer atividade que esteja aberta ao comércio internacional vai ser basicamente não competitiva numa situação pós-conflito.
Estes não são ambientes onde se possa criar manufaturas para exportação.
Existe um setor que não se encontra exposto ao comércio internacional, e o qual pode gerar muitos empregos. E é, de qualquer modo, um setor sensato para se expandir, num pós-conflito. E esse é o setor da construção civil.
O sector da construção civil tem um papel vital, obviamente, na reconstrução.
Mas tipicamente esse setor já enfraqueceu durante o conflito.
Durante o conflito as pessoas estão destruindo.
Não há nenhuma construção. Então o setor encolhe.
E depois quando se tenta expandi-lo, porque foi encolhido, encontram-se muitos obstáculos.
Basicamente, os preços sobem rapidamente e os políticos desonestos depois colhem rendimentos do setor. Mas não gera empregos alguns.
E assim a política prioritária é ultrapassar os obstáculos na expansão do setor da construção.
Que obstáculos poderão ser esses?
Pensem apenas no que têm de fazer para serem bem sucedidos na criação de uma estrutura, usando muita mão-de-obra.
Primeiro precisam de acesso a terras.
Muitas vezes o sistema legal está quebrado então nem se consegue sequer o acesso a terras.
Em segundo lugar, necessitam de habilidades, as habilidades usuais do setor da construção.
Em situações de pós-conflito nós não precisamos apenas de médicos sem fronteiras, precisamos de pedreiros sem fronteiras, para recontruir o jogo de habilidade.
Precisamos de firmas. As firmas desapareceram.
Então precisamos incentivar o crescimento de firmas locais.
Se fizermos isso, não só conseguimos os empregos, como também conseguimos as melhorias na infraestrutura pública, a restauração da infraestrutura pública.
Deixem-me mudar dos empregos para o segundo objetivo, que é melhorar os serviços sociais básicos.
até hoje, tem havido uma certa esquizofrenia na comunidade doadora, quanto a como constituir os serviços básicos nos setores de pós-conflito.
Por um lado presta retórica à ideia de reconstruir um estado efetivo à imagem da Escandinávia nos anos 50.
Vamos desenvolver ministérios disto, daquilo e do outro, que providenciam estes serviços.
E é esquizofrénico porque no fundo os doadores sabem que essa não é uma agenda realista. E assim o que também fazem é o bypass total. Basta financiar ONGs.
Nenhuma dessas abordagens é sensata.
Por isso o que eu sugiro o que eu chamo de Autoridades de Serviço Independentes.
Serve para dividir as funções de um ministério na linha de monopólio em três.
A função de planejamento e a função política mantêm-se no Ministério. Para o fornecimento de serviços no campo devem usar o que quer que funcione, igrejas, ONGs, comunidades locais. O que quer que funcione.
E no meio deve haver uma agência pública, a Autoridade de Serviço Independente, que canaliza os fundos públicos, e especialmente os fundos doados, para os fornecedores de vendas a varejo.
Então, as ONGs passam a fazer parte de um sistema de governo público, em vez de serem independentes dele.
Uma vantagem disso é que podem distribuir o dinheiro coerentemente.
Outra é que pode tornar as ONGs responsáveis.
Podem usar competição de gabarito. Assim eles têm de competir uns contra os outros pelos recursos.
As boas ONGs, como a Oxfam, são bastante apologistas desta ideia.
Eles querem possuir a disciplina e a responsabilidade.
Então essa é uma maneira de conseguir que os serviços básicos ampliem.
E porque o governo iria financiar, iria co-representar estes serviços.
Por isso eles não seriam fornecidos graças ao Governo dos Estados Unidos e a algumas ONGs.
Seriam co-representados como sendo realizados pelo governo pós-conflito, no país.
Então, trabalhos, serviços básicos, finalmente governo transparente.
Transparente significa seguir o seu dinheiro.
O Governo de pós-conflito típico tem tão pouco dinheiro que precisa do nosso apenas como sistema de subsistência.
Não podem ter as funções básicas de um estado estabelecidas a não ser que nós coloquemos dinheiro no orçamento central destes países.
Mas se colocarmos dinheiro no orçamento central, nós sabemos que não existem sistemas orçamentais íntegros, significando que o dinheiro será bem aplicado.
E se tudo o que fizermos for colocar dinheiro lá e fechar os nossos olhos não é apenas porque o dinheiro é desperdiçado, esse é o menor dos nossos problemas, mas porque o dinheiro é interceptado.
É interceptado pelos desonestos que estão no coração do problema político.
E desta forma, induzidos em erro, nós autorizamos as pessoas que são o problema.
Por isso construir um governo transparente significa, sim, providenciar dinheiro para o orçamento. Mas também providenciar muita análise. O que significa muita ajuda técnica que siga o dinheiro.
Paddy Ashdown, que foi o grande senhor da Bósnia para as Nações Unidas, no seu livro sobre a sua experiência, ele disse, "Eu percebi que o que eu precisava eram contadores sem fronteiras, para seguir esse dinheiro."
Então esse é o - deixem-me resumir, este é o pacote.
Qual é o objetivo?
Se seguirmos este critério, o que esperaramos alcançar?
Que ao fim de 10 anos, o foco no setor da construção terá produzido tanto empregos como, por conseguinte, segurança. Porque os jovens terão empregos. E terá reconstruido a infraestrutura.
Então é esse o foco no setor da construção.
O foco na prestação de serviço básico através destas autoridades de serviço independentes terá resgatado os serviços básicos dos seus níveis catastróficos. E terão passado para pessoas comuns o sentido de que o governo estava fazendo algo útil.
A ênfase no governo transparente teria gradualmente extraído por aperto os políticos intrujões. Porque não haveria dinheiro na participação política.
E assim gradualmente a seleção, a composição de políticos, mudaria de desonesto para honesto.
Em que ponto isso nos deixaria?
Gradualmente mudaria de uma política de saque para uma política de esperança. Obrigado.
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Vou falar sobre o poder no século XXI.
E, basicamente, o que eu gostaria de falar é sobre a mudança no poder. Há dois tipos de mudança que eu gostaria de discutir.
Um é o poder de transição, que é a mudança de poder entre os Estados.
E a versão simples da mensagem, o movimento do Ocidente para o Oriente.
O outro é o poder de difusão o modo pelo qual o poder está se movendo de todos os Estados, do Ocidente ou do Oriente, para atores não-estatais.
Essas duas coisas são as grandes mudanças de poder no nosso século.
Eu eu quero falar sobre cada uma separadamente e depois sobre como elas interagem e por que, no final, talvez haja uma boa notícia.
Quando falamos de transição de poder, com frequência falamos da ascensão da Ásia.
Na verdade deveria chamar-se a recuperação, ou o retorno, da Ásia.
Se olhássemos o mundo em 1800, encontraríamos mais da metade da população mundial morando na Ásia e eram responsáveis por mais da metade da produção mundial.
Agora, dando um salto para 1900: metade da população mundial -- mais da metade -- ainda vive na Ásia, mas produzem apenas 1/5 da produção mundial.
O que aconteceu? A Revolução Industrial, o que significou que, de repente, a Europa e os EUA tornaram-se o centro dominante do mundo.
Vamos ver que no século XXI é a Ásia que, aos poucos, volta a ter mais da metade da população mundial e mais da metade da produção mundial.
É importante, e é uma mudança importante.
Mas deixe-me falar um pouco sobre outra mudança, que é a difusão de poder.
Para entender difusão de poder tenham em mente o seguinte: o preço de produtos de computação e de comunicação ficaram mil vezes mais barato entre 1970 e o início deste século.
Isso é um número muito grande e abstrato,
mas para torná-lo mais real, se o preço de um carro caísse tão rápido quanto o preço da computação, hoje você poderia comprar um carro por cinco dólares.
Quando o preço de algo tecnológico baixa tão drasticamente, caem as barreiras para a entrada;
qualquer um pode entrar no jogo.
Então, em 1970, se alguém quisesse se comunicar de Oxford para Johannesburg para Nova Deli para Brasília e qualquer outro lugar simultaneamente, conseguiria fazê-lo,
havia tecnologia para isso.
Mas para conseguir, era preciso ser muito rico -- governo, empresa multinacional, talvez a Igreja Católica -- teria que se ter muito dinheiro.
Hoje qualquer um pode, o que antes estava restrito, em razão do preço, a poucos atores,
basta ter dinheiro para entrar em um cybercafé -- a última vez que eu vi custava algo como um libra a hora -- e se tiverem Skype, é de graça.
Então as capacidades que antes eram restritas agora estão disponíveis para todos.
Isso não significa que a era do poder do Estado tenha terminado.
O Estado ainda importa.
Mas o palco está cheio.
O Estado não está sozinho. Há muitos, muitos atores.
Em parte isso é bom. Oxfam, um bom ator não-governamental.
Em parte isso é ruim. Al Qaeda, outro ator não-governamental.
Mas pense em como isso afeta como pensamos em termos e conceitos tradicionais.
Pensamos em termos de guerra e guerra entre Estados.
E vocês podem voltar a 1941, quando o Japão atacou os EUA em Pearl Harbor.
Vale a pena notar que um ator não-estatal ao atacar os EUA em 2001 matou mais americanos que o Japão em 1941.
Vocês podem considerar isso como uma privatização da guerra.
Então estamos observando uma grande mudança em termos de difusão do poder.
O problema de agora é que nós não estamos pensando nisso de forma inovadora.
Então deixe-me voltar e perguntar: o que é poder?
Poder é simplesmente a capacidade de afetar os outros para conseguir os resultados desejados, e vocês podem conseguir de três maneiras.
Podem fazer ameaças, ou coerção -- chicotes, podem fazer utilizando pagamentos -- cenouras, ou podem fazer que os outros queiram o que você quer.
E essa capacidade de fazer com que os outros queiram aquilo que você quer, para obter os resultados que você deseja, sem coerção ou pagamento, é o que eu chamo de 'soft power'.
E o 'soft power' tem sido bastante negligenciado e bastante mal entendido. E mesmo assim é bastante importante.
De fato, se aprenderem a usar mais o soft power, podem poupar muitas cenouras e chicotes.
Tradicionalmente, o modo que as pessoas pensavam sobre poder era basicamente em termos militares.
Por exemplo, o grande historiador de Oxford que lecionou aqui nesta universidade, A. J. P. Taylor, definiu uma grande potência como sendo um país capaz de vencer a guerra.
Mas precisamos de uma nova narrativa se vamos entender o que é poder no século XXI.
Não é apenas ganhar a guerra, apesar de ainda haver guerras.
Não é qual o exército que vence; é qual a história que prevalece.
Precisamos pensar mais em termos de narrativas e quais dessas narrativas serão efetivas.
Bem, agora vou voltar à questão da transição de poder entre os Estados e o que está acontecendo lá.
As narrativas que usamos hoje tendem a falar da ascensão e queda das grandes potências.
E a narrativa atual é sempre sobre a ascensão da China e o declínio dos Estados Unidos.
Na verdade, com a crise financeira de 2008, muitas pessoas falaram que era o início do fim do poder americano.
As placas tectônicas do mundo político estão se deslocando.
O Presidente Medvedev, da Rússia, por exemplo, declarou, em 2008, que era o início do fim do poder dos Estados Unidos.
Mas, na verdade, esta metáfora do declínio é frequentemente enganosa.
Se observarem a história, a história recente, verão os ciclos da crença do declínio americano indo e vindo a cada 10 ou 15 anos, mais ou menos.
Em 1958, depois que os soviéticos lançaram o Sputnik, era: "Esse é o fim dos EUA."
Em 1973, com o embargo do petróleo e o fim do padrão dólar-ouro, era o fim dos EUA.
Na década de 1980, quando os EUA passavam por uma transição no governo Reagan, da economia do 'rust belt' no meio Oeste para a do Vale do Silício na Califórnia, esse era o fim dos EUA.
Mas, de fato, o que vimos é que nada disso era verdade.
Na verdade, as pessoas estavam muito entusiasmadas no início dos anos 2000, pensando que os EUA poderiam fazer qualquer coisa, o que nos levou a algumas desastrosas aventuras na política externa, e agora estamos novamente de volta ao declínio.
A moral da história é que todas essas narrativas sobre ascensão e queda nos falam mais sobre psicologia que sobre realidade.
Se tentarmos enfocar na realidade, teremos de centrar no que acontece realmente em termos de China e EUA.
A Goldman Sachs fez uma projeção que a China, a economia chinesa, vai superar os EUA
em 2027.
Então temos, o quê, 17 anos, mais ou menos, pela frente antes de a China nos ultrapassar.
Agora, um dia, com 1, 3 bilhão de pessoas ficando mais ricas, eles ficarão maiores que os Estados Unidos.
Mas tenham cuidado com essas projeções, tais como a da Goldman Sachs, se quiserem fazer uma imagem precisa da transição de poder neste século.
Deixe-me mencionar três razões do porquê de ser tão simples.
Primeiro, é uma projeção linear.
Vocês sabem, tudo diz: aqui está a taxa de crescimento da China, aqui está a dos EUA, aqui vai -- linha reta.
A história não é linear.
Com frequência há obstáculos no meio do caminho, acidentes na estrada.
A segunda razão é que a economia chinesa supere a economia dos EUA, digamos, em 2030, que é possível, considerando o tamanho da economia total, mas não da renda per capita -- não vai lhes dizer sobre como se compõe a economia.
A China ainda tem grandes áreas subdesenvolvidas. E a renda per capita é uma medida melhor da sofisticação da economia.
E isso os chineses não vão igualar ou superar os americanos até a última parte deste século, depois de 2050.
A outra questão que vale a pena ressaltar é que essa projeção é unidimensional.
Como vocês sabem, a base é o poder econômico medido pelo PIB.
Não fala muito sobre o poder militar, não fala muito sobre o 'soft power'.
É apenas unidimensional.
E mais, quando pensamos sobre a ascensão da Ásia, ou o retorno da Ásia, como eu chamei anteriormente, é importante lembrar que a Ásia não é uma coisa só.
Se estiver no Japão, ou em Nova Deli, ou em Hanói, sua perspectiva da ascensão da China será um pouco diferente se você estiver em Beijing.
Na verdade, uma das vantagens que os americanos terão em termos de poder na Ásia é que todos aqueles países querem a política de segurança americana contra a ascensão da China.
É como se o México e o Canadá fossem vizinhos hostis dos Estados Unidos, o que eles não são.
Então essas projeções simples do tipo da Goldman Sachs não nos dizem o que precisamos saber sobre transição do poder.
Mas vocês podem se perguntar, e aí?
O que importa? Quem se preocupa?
É apenas um jogo que os diplomatas e os acadêmicos utilizam?
A resposta é que isso importa bastante.
Porque, se acreditarem em declínio e tiverem as respostas incorretas, os fatos, não os mitos, terão políticas muito perigosas.
Deixe-me dar um exemplo histórico.
A Guerra do Peloponeso foi um grande conflito no qual o sistema de cidade-estado grego desmantelou-se há 2. 500 anos.
Qual foi a causa?
Tucídides, o grande historiador da Guerra do Peloponeso, disse que foi o aumento do poder de Atenas e o medo que isso criou em Esparta.
Notem as duas metades dessa explicação.
Muitas pessoas argumentam que o século XXI repetirá o século XX, onde a Primeira Guerra Mundial, a grande conflagração na qual o sistema de estado europeu desmantelou-se e destruiu a centralidade do mundo, que foi causada pela ascensão do poder da Alemanha e o medo que isso criou na Grã-Bretanha.
Então, há pessoas que nos dizem que isso será reproduzido nos dias de hoje, que vamos ver isso neste século.
Não. Eu acho que está errado.
É uma leitura ruim.
Por uma razão, a Alemanha superou a Grã-Bretanha no poderio industrial em 1900.
E, como disse antes, a China não superou os Estados Unidos.
Mas também, se acreditarem nisso e isso criar uma sensação de medo, pode levar a uma reação exagerada.
E o perigo maior que há em lidar com essa transição de poder da mudança para o Oriente é o medo.
Parafraseando Franklin Roosevelt, em um contexto diferente, a única coisa que devemos temer é o próprio medo.
Não devemos temer a ascensão da China ou o retorno da Ásia.
E, se tivermos políticas nas quais tomamos uma grande perspectiva histórica, seremos capazes de administrar esse processo.
Agora deixe-me falar um pouco sobre a distribuição de poder e como se relaciona com a difusão de poder e depois os dois conceitos.
Se perguntarem como o poder está distribuído no mundo de hoje, a resposta será: bem parecido com um jogo de xadrez tridimensional.
No topo: poder militar entre os Estados.
Os Estados Unidos são a única potência, e parece que vai continuar desse jeito por duas ou três décadas.
A China não vai substituir os EUA no tabuleiro militar.
No tabuleiro do meio desse jogo de xadrez tridimensional: o poder econômico entre Estados.
O poder é multipolar.
Há os que equilibram. Os EUA, a Europa, a China, o Japão podem manter o equilíbrio entre si.
A parte de baixo desse jogo tridimensional: a das relações transnacionais, coisas que cruzam as fronteiras sem o controle dos governos, coisas como mudança climática, tráfico de drogas, fluxos financeiros, pandemias, todas essas coisas que cruzam as fronteiras fora do controle dos governos, ninguém controla.
Não faz sentido chamar de unipolar ou multipolar.
O poder está distribuído de forma caótica.
E a única forma de resolver esses problemas -- e é aí que se localizam muitos dos grandes desafios deste século -- é mediante a cooperação, por meio do trabalho conjunto, que significa que o 'soft power' torna-se mais importante, essa habilidade de criar redes para lidar com esse tipo de problema e ser capaz de conseguir a cooperação.
Dito com outras palavras, é assim que pensamos em poder no século XXI, queremos fugir da ideia que o poder é sempre um jogo de soma zero -- meu ganho é a sua perda e vice-versa.
O poder também pode ser de soma positiva, no qual o seu ganho pode ser o meu ganho.
Se a China desenvolver uma melhor segurança energética e uma maior capacidade para lidar com seus problemas de emissão de carbono, é tão bom para nós como é para a China assim como é bom para todos os outros.
Portanto, fortalecer a China para lidar com seus próprios problemas de emissão de carbono é bom para todos, e isso não é soma zero -- eu ganho, você perde.
É um caso em que todos nós podemos ganhar.
Então, quando pensamos em poder neste século, queremos fugir dessa visão que é tudo: eu ganho, você perde.
Eu não quero ser Pollyana a respeito desse tema.
As guerras continuam. O poder persiste.
O poder militar é importante.
Manter o equilíbrio é importante.
Tudo isso permanece.
O 'hard power' está aí, e permanecerá.
Entretanto, somente se aprenderem a mesclar 'hard power' e 'soft power' nas estratégias que eu chamo de "smart power", poderão lidar com esses novos tipos de problemas que enfrentamos.
Então a pergunta-chave que precisamos fazer ao olhamos isso é como podemos trabalhar juntos para produzir bens públicos globais, coisas das quais todos nós possamos nos beneficiar?
Como definimos nossos interesses nacionais de forma a não ser um jogo de soma zero, mas um de soma positiva.
Nesse sentido, se definirmos nossos interesses, por exemplo, para os Estados Unidos do modo que a Grã-Bretanha definiu seus interesses no século XIX, mantendo um sistema comercial aberto, mantendo uma estabilidade econômica, mantendo a liberdade de navegação -- isso tudo foi bom para a Grã-Bretanha, e foi bom para os outros também.
E, no século XXI, devemos fazer algo análogo a isso.
Como produzir bens públicos globais, que sejam bons para nós, e, ao mesmo tempo, sejam bons para todos?
E essa vai ser a dimensão da boa notícia do que precisamos para refletir enquanto pensamos no poder no século XXI.
Há formas de definir nossos interesses nas quais, enquanto nos protegemos com o 'hard power', podemos criar redes para produzir, não apenas bens públicos, mas formas que ampliarão nosso 'soft power'.
Então, se olharem as declarações feitas a esse respeito. fiquei impressionado quando Hilary Clinton descreveu a política externa do governo Obama; ela disse que a política externa do governo Obama seria de 'smart power', como ela colocou, "usando todas as ferramentas da nossa caixa de ferramentas da política externa."
E, se formos lidar com essas grandes mudanças de poder que descrevi, a mudança de poder representada pela transição entre os Estados, a mudança de poder representada pela difusão do poder longe de todos os Estados, teremos de desenvolver uma nova narrativa do poder na qual combinamos 'hard' e 'soft power' com estratégias de 'smart power'.
E essa é a boa notícia. Podemos fazer isso.
Muito obrigado.
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Vamos falar sobre manias.
Comecemos com a Beatle mania. Adolescentes histéricas, gritando, berrando, pandemônio.
Esporte mania. Multidões ensurdecedoras. Todos com uma só ideia. Fazer a bola entrar na rede.
OK, mania religiosa. Há o êxtase. Há o choro. Há visões.
Manias podem ser boas.
Manias podem ser alarmantes.
Ou manias podem ser mortais.
O mundo tem uma nova mania.
Uma mania de aprender Inglês.
Ouçam como estudantes Chineses praticam seu Inglês gritando.
Professor: ". mude a minha vida!"
Estudantes: "Eu irei mudar a minha vida."
P: "Eu não quero decepcionar os meus pais."
E: "Eu não quero decepcionar os meus pais."
P: "Eu nunca quero decepcionar o meu País."
E: "Eu nunca quero decepcionar o meu País."
P: "Mais importante ainda. E: "Mais importante ainda."
P: "Eu não quero decepcionar a mim mesmo."
E: "Eu não quero decepcionar a mim mesmo."
Jay Walker: Quantas pessoas estão tentando aprender Inglês por todo o mundo?
Dois bilhões de pessoas.
Estudantes: "A t-shirt." "A dress"
JW: Na América Latina, na Índia, no Sudeste Asiático, e principalmente na China.
Se você é um estudante Chinês você começa a aprender Inglês na terceira série, por lei,
É por isso que este ano a China se tornará o maior país de língua Inglesa do mundo.
Por que Inglês? Numa só palavra: Oportunidade.
Oportunidade por uma vida melhor, um emprego, ser capaz de pagar pelos estudos, ou colocar melhores alimentos na mesa.
Imaginem uma estudante fazendo uma prova gigante por três dias completos.
A nota dela nesta única prova literalmente determina o seu futuro.
Ela estuda 12 horas por dia por três anos para se preparar.
25% da sua nota é baseada no Inglês.
A prova se chama Gaokao. E 80 milhões de estudantes Chineses já fizeram esta prova torturante.
A pressão para se aprender Inglês é quase inimaginável. A menos que você testemunhe isto.
Professor: "Perfect!" Estudantes: "Perfect!"
P: "Perfect!" E: "Perfect!"
P: "Eu quero falar um Inglês perfeito."
E: "Eu quero falar um Inglês perfeito."
P: "Eu quero falar" -- E: "Eu quero falar" -- P: "Inglês perfeito." E: "Inglês perfeito."
P: "Eu quero mudar a minha vida!"
E: "Eu quero mudar a minha vida!"
JW: "Então a English mania é boa ou ruim?"
O Inglês é um tsunami, varrendo outras línguas do mapa? É pouco provável.
O Inglês é a segunda língua do mundo.
A sua língua nativa é a sua vida.
Mas com o Inglês você pode se tornar parte de uma conversa mais ampla. Uma conversa global sobre problemas globais. Como mudança climática ou pobreza. Ou fome ou doenças.
O mundo tem outras línguas universais.
A Matemática é a língua da ciência.
A Música é a língua das emoções.
E agora o Inglês está se tornando a língua do solucionamento de problemas.
Não porque a América o está impondo. Mas porque o mundo o está procurando.
Então a English mania é um divisor de águas.
Assim como o uso da eletricidade em nossas cidades, ou a queda do Muro de Berlin. O Inglês representa a esperança de um futuro melhor. Um futuro onde o mundo tem uma língua comum para solucionar seus problemas em comum.
Muito obrigado.
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Eu tenho muita sorte de estar aqui.
Tenho muita sorte.
Fiquei tão impressionado com a gentileza manifestada.
Eu liguei para minha esposa Leslie, e disse, "Sabe, existem tantas pessoas boas tentando fazer tanto o bem.
Eu sinto como se tivesse aterrissado em uma colônia de anjos."
É um sentimento verdadeiro.
Mas eu vou começar a apresentação - o tempo está passando.
Sou professor de escola pública, e eu só quero compartilhar uma história da minha superintendente.
Seu nome é Pam Moran no Condado de Albemarle, Virgínia, aos pés das Montanhas Blue Ridge.
E ela é uma superintendente muito hi-tech.
Ela usa lousa digital, escreve um blog, usa o Twitter, o Facebook, ela faz todo tipo de coisas hi-tech.
Ela é uma líder em technologia e em instrução.
Mas no seu escritório existe uma mesa de cozinha velha de madeira, desgastada do tempo - tinta verde descolando, parece bem fraca.
E eu disse, "Pam, você é uma pessoa tão moderna e inovadora.
Por que esta mesa está no seu escritório?"
E ela me disse, "Sabe, eu cresci no sudoeste da Virgínia, nas minas e fazendas da Virgínia rural, e esta mesa estava na cozinha do meu avô.
E nós chegávamos das brincadeiras, chegávamos do trabalho e do arado, e sentávamos em volta da mesa todas as noites.
E eu cresci ouvindo tanto conhecimento e tanta perspicácia e sabedoria em volta desta mesa. Eu comecei a chamá-la de mesa da sabedoria.
E quando ele morreu, eu peguei esta mesa e trouxe para o meu escritório, e ela me lembra dele.
Ela me lembra do que acontece em um lugar vazio às vezes."
O projeto do qual eu vou falar hoje é chamado Jogo da Paz Mundial, e essencialmente também é um espaço vazio.
E eu gostaria de pensar nisso como uma mesa da sabedoria do século 21.
Tudo começou em 1977.
Eu era um jovem, e eu repetidamente havia entrado e saído da faculdade.
E meus pais eram muito pacientes, mas eu havia estado na Índia várias vezes em uma busca mística.
E eu lembro a última vez que voltei da Índia - em um manto branco, longo e esvoaçante e com uma barba grande e óculos do John Lennon, e eu disse para o meu pai, "Pai, eu acho que encontrei esclarecimento espiritual."
Ele disse, "Bem, tem mais uma coisa que você precisa encontrar."
Eu disse, "O que é, pai?" "Um trabalho."
Então eles me pediram que eu me formasse em algo.
E eu me formei e foi em educação.
Foi um programa de educação experimental.
Poderia ter sido odontologia, mas a palavra "experimental" estava ali, e foi isso que me atraiu.
E eu fui para uma entrevista de emprego na rede pública de educação em Richmond, na capital da Vigínia, comprei um terno - a minha concessão ao convencional, mantive minha barba longa e meu cabelo black power e meus sapatos de plataforma - na época eram os anos 70 - e eu entrei e me sentei e fiz a entrevista.
Eu acho que eles precisavam muito de professores, porque a supervisora, seu nome era Anna Aro, disse que eu iria ensinar crianças dotadas.
E eu fiquei tão chocado e assombrado, eu levantei e disse, "Bem, obrigado, mas o que eu faço?"
Educação de dotados ainda não era tão trabalhada.
Não havia muito material ou coisas para se usar.
E eu disse, "O que eu faço?"
E sua resposta me chocou, me surpreendeu.
Sua resposta foi o molde para a carreira que eu teria depois disso.
Ela disse, "O que você quer fazer?"
E aquela pergunta abriu o caminho.
Não havia diretriz de programa, não havia manual para seguir, não havia padrões em educação de dotados desta forma.
E ela abriu o caminho de tal forma, que eu me aventurei desde então em abrir o caminho para os meus alunos, um caminho vazio, por onde eles poderiam criar significado do seu próprio entendimento.
Isso aconteceu em 1978, e eu estava lecionando muitos anos depois, e um amigo meu me apresentou a este jovem diretor.
Seu nome é Chris Farina.
Chris Farina está aqui hoje por sua própria conta.
Chris, você poderia se levantar para todos poderem vê-lo - um diretor jovem e visionário que fez um filme.
O filme chama-se "Paz Mundial e Outras Conquistas do 4º Ano."
Ele me propôs o filme - o título é ótimo.
Ele me propôs o filme, e eu disse, "Sim, talvez apareça na TV local, e poderemos dizer "oi" para nossos amigos."
Mas o filme foi para outros lugares.
Agora ainda está em dívida, mas Chris conseguiu através do seu próprio sacrifício, lançar o seu filme.
Então fizemos o filme e é muito mais do que uma história sobre mim, mais do que uma história sobre o um professor.
É história que é um testamento ao ensino e aos professores.
E é uma coisa linda.
E o estranho é quando eu assisto ao filme - eu tenho essa sensação estranha ao assisti-lo - eu me vi literamente desaparecer.
O que eu vi foi meus professores aparecerem através de mim.
Eu vi meu professor de geometria no ensino médio, o sorriso sarcástico do Sr. Rucell embaixo do bigode em forma de guidom.
Este é o sorriso que eu uso - é o sorriso dele.
Eu vi os olhos com faíscas de Jan Polo.
E não tinham faíscas por raiva, tinham faíscas por amor, amor intenso pelos alunos.
E eu tenho essas faíscas de vez em quando.
E eu vi a Srta. Ethel J. Banks que usava pérolas e salto alto nas aulas do ensino infantil todos os dias.
E ela tinha aquela "encarada" de professora dos velhos tempos.
Vocês sabem qual.
"E eu nem estou falando de você atrás de mim, porque eu tenho olhos atrás da cabeça."
Sabem aquela professora?
Eu não usei a "encarada" muito seguido, mas eu tenho ela em meu repertório.
E a Srta. Banks foi uma grande mentora para mim.
E então eu vi meus pais, meus primeiros professores.
Meu pai, um pensador muito inventivo e especial.
Este é meu irmão Malcolm lá na direira.
E minha mãe, que lecionou para mim no 4º ano em uma escola segregada na Virgínia, que foi minha inspiração.
E realmente, eu sinto como. quando eu vejo o filme - eu tenho gesto que ela faz, assim - eu sinto que sou uma continuação do seu gesto.
Eu sou um dos seus gestos quando lecionava.
E a coisa linda foi que eu lecionei para minha filha Madeline no ensino infantil.
E aquele gesto da minha mãe continua por muitas gerações.
É um sentimento incrível ter essa linhagem.
E eu estou aqui graças ao trabalho de muitas pessoas.
Não estou aqui sozinho.
Há muitas pessoas neste palco neste instante.
E então, esse Jogo da Paz Mundial sobre o qual eu quero falar.
Começou assim: um tabuleiro de 1, 2m por 1, 5m de madeira compensada em uma escola do centro da cidade, em 1978.
Eu estava preparando uma aula sobre a África.
Colocamos todos os problemas do mundo ali, e eu pensei 'vou deixá-los resolver'.
Eu não queria lecionar ou fazer apenas leituras de livros.
Eu queria que eles fossem imersos e aprendessem o sentimento de aprender através dos seus corpos.
Então eu pensei, 'bem, eles gostam de jogos.
Eu vou fazer algo - eu não disse interativo. Nós não tínhamos esse termo em 1978 - mas algo interativo.
Então nós fizemos o jogo, e desde então evoluiu para uma estrutura de 1, 2m por 1, 2m por 1, 2m de Plexiglass.
E tem quatro camadas de Plexiglass.
Tem uma camada exterior com buracos negros e satélites e satélites de pesquisa e mineração de asteróides.
Tem um nível de ar e espaço com nuvens que são grandes bolas de algodão e espaços aéreos territoriais e forças aéreas, e chão e nível do mar com milhares de peças de tabuleiro - até mesmo um nível embaixo d'água com submarinos e mineração embaixo d'água.
Há quatro países no tabuleiro.
As crianças inventam os nomes dos países - alguns são ricos, outros pobres.
Eles têm recursos diferentes, comerciais e militares.
E cada país tem um gabinete.
Tem um primeiro ministro, secretário de estado, ministro da defesa e um chefe das finanças, ou controlador.
Eu escolho o primeiro ministro baseado na relação que tenho com eles.
Eu ofereço o trabalho, eles podem recusar, e então eles escolhem o seu gabinete.
Tem um Banco Mundial, indústrias de armas e uma Nações Unidas.
Há também uma deusa do tempo que controla uma bolsa de ações randômica e um clima randômico.
Isso não é tudo.
Há também um documento de crise de 13 páginas com 50 problemas entrelaçados.
Então se uma coisa muda, todo o resto muda.
Eu joguei eles nesta matriz complexa, e eles confiam em mim porque temos uma relação profunda e rica juntos.
E com todas essas crises, nós temos - vejamos - tensões étnicas e de minorias; temos vazamentos químicos e nucleares, proliferação nuclear.
Há vazamentos de óleo, desastres ambientais, disputas por direitos de água, repúblicas independentes, fome, espécies ameaçadas e aquecimento global.
Se Al Gore estiver aqui, eu vou mandar meus alunos de Agnor-Hurt e Venable para ensiná-lo porque eles resolveram o aquecimento global em uma semana.
E eles fizeram isso várias vezes.
E eu também tenho no jogo um sabotador - alguma criança - é basicamente um encrenqueiro - e eu uso o meu encrenqueiro pois, superficialmente, ele está tentando salvar o mundo e sua posição no jogo.
Mas ele também está tentando enfraquecer tudo no jogo.
E ele faz isso em segredo através de informações incorretas e ambiguidades e irrelevâncias, tentando fazer com que todos pensem mais.
O sabotador está lá, e também lemos "A Arte da Guerra" de Sun Tzu.
Alunos do 4º ano entendem - crianças de 9 anos - e eles lidão e usam isso para entender como não seguir - de início eles seguem - os caminhos do poder e destruição, o caminho da guerra.
Eles aprendem a ignorar reações imediatistas e pensamento impulsivo, para pensar a longo prazo e de forma consequente.
Stewart Brand está aqui, e uma das ideias para esse jogo partiu dele com um artigo na Coevolution Quarterly sobre força de paz.
E no jogo, às vezes os alunos formam uma força de paz.
Eu apenas controlo o tempo.
Eu sou apenas um esclarecedor, apenas um facilitador.
Os alunos comandam o jogo.
Eu não tenho chance de fazer qualquer política uma vez que eles começaram.
Mas eu vou compartilhar com vocês.
Garoto: O Jogo da Paz Mundial é sério.
Você consegue estudar algo do tipo como cuidar do mundo.
O Sr. Hunter está fazendo isso porque ele disse que a geração dele fez uma tremenda bagunça, e ele está tentando nos dizer como resolver o problema.
John Hunter: Eu ofereci. Na verdade, eu não posso dizer nada para eles pois eu não sei a resposta.
E eu admito desde o começo: eu não sei.
E como eu não sei, eles têm que desencavar a resposta.
E eu também peço desculpas para eles.
Eu digo, "Desculpem, meninos e meninas, mas a verdade é que nós deixamos esse mundo para vocês de uma forma tão triste e terrível, e esperamos que possam consertá-lo para nós, e talvez esse jogo ajude vocês a aprender como fazer isso."
São desculpas sinceras, e eles levam muito a sério.
Mas vocês devem estar imaginando como é toda essa complexidade.
Bem, quando começamos o jogo, isso é o que se vê.
JH: Muito bem, vamos começar as negociações agora. Comecem.
JH: Minha pergunta é: quem está no comando desta aula?
É uma pergunta séria: quem está realmente no comando?
Eu aprendi a entregar o controle da sala de aula para os alunos com o tempo.
Há uma confiança e um entendimento e uma dedicação a um ideal que eu simplesmente não tenho que fazer o que eu achei que teria que fazer como um professor iniciante: controlar cada conversa e resposta na sala de aula.
É impossível. Sua sabedoria coletiva é muito maior do que a minha, e eu admito isso para eles abertamente.
Então irei contar algumas histórias rapidamente sobre coisas mágicas que aconteceram.
Neste jogo havia uma menina, e ela era a ministra da defesa da nação mais pobre.
E a ministra da defesa - ela tinha os tanques e a força aérea e assim por diante.
E ela era vizinha de um país muito rico, abundante em petróleo.
Sem provocação, de repente ela atacou, contra as ordens do primeiro ministro, os campos de petróleo do país vizinho.
Ela marchou nos campos de reserva de petróleo, os cercou, sem disparar um tiro, os protegeu e os deteve.
E o vizinho não conseguiu fazer manobra militar alguma porque as fontes de combustíveis estavam presas.
Ficamos todos chateados com ela, "Por que você está fazendo isso?"
Este é o Jogo da Paz Mundial. O que há de errado com você?"
Esta é uma menina de 9 anos, ela manteve as peças e disse, "Eu sei o que estou fazendo."
Ela disse isso para as amiguinhas.
Há uma violação aqui.
E aprendemos com isso que nunca se pode irritar uma menina de 9 anos que tenha tanques.
Elas são as adversárias mais duronas.
E estávamos todos chateados.
Eu achei que estava falhando como professor. Por que ela faria isso?
Mas então eu descobri, alguns dias de jogo depois - e há vezes onde pegamos negociações de uma equipe - na verdade há um período de negociações com todas as equipes, e cada equipe tem a vez, então voltamos para negociações, em círculos, então cada volta completa é um dia de jogo.
Então alguns dias de jogo depois, descobrimos que este país rico estava planejando uma ofensiva militar para dominar o mundo todo.
Se eles tivessem o petróleo, eles o teriam feito.
Ela conseguiu ver os vetores e tendências e intenções muito antes do que nós e entender o que iria acontecer e tomou uma decisão filosófica de atacar em um jogo de paz.
Ela usou uma guerra menor para evitar uma guerra maior, então paramos e tivemos uma ótima discussão filosófica sobre se isso era certo, o bem condicional, ou errado.
É nesse tipo de pensamento que os colocamos, as situações.
Eu não poderia ter preparado isso em uma aula.
Isso ocorreu espontaneamente através da sua sabedoria coletiva.
Outro exemplo, uma coisa linda aconteceu.
Nós temos uma carta no jogo.
Se você é um comandante militar e conduz tropas - os brinquedinhos de plástico no tabuleiro - e você perde eles, eu coloco uma carta.
Você tem que escrever uma carta para os pais dos soldados - os pais fictícios dos soldados fictícios - explicando o que aconteceu e oferecendo seus pêsames.
Então você pensa um pouco mais antes de ir para o combate.
Então esse situação aconteceu - no último verão, na Escola Agnor-Hurt no Condado de Albemarle - e um dos nossos comandantes se levantou para ler a carta e uma das crianças disse, "Sr. Hunter, Vamos pedir - tem uma mãe ali."
Havia uma mãe visitando naquele dia, sentada no fundo da sala.
"Vamos pedir para aquela mãe ler a carta.
Vai ser mais real se ela ler."
E nós pedimos a ela, e ela no espírito do jogo pegou a carta.
"Claro." Ela começou a ler. Ela leu uma frase.
Ela leu duas frases.
Na terceira frase, ela estava chorando.
Eu estava chorando.
Todo mundo entendeu que quando perdemos alguém, os vencedores não estão exultantes.
Todos nós perdemos.
E foi um acontecimento incrível e um entendimento incrível.
Vou mostrar o que meu amigo David pensa sobre isso.
Ele esteve em muitas batalhas.
David: Já tivemos o número suficiente de pessoas atacando.
Digo, tivemos sorte [na maior parte] do tempo.
Mas agora eu me sinto muito estranho, porque estou vivendo o que Sun Tzu disse na outra semana.
Na outra semana ele disse, "Aqueles que vão ao combate e ganham vão querer voltar, e aqueles que perdem em combate vão querer voltar e ganhar."
Então eu tenho ganhado batalhas, e entro em mais e mais batalhas.
E acho meio estranho viver o que Sun Tzu disse.
JH: Eu tenho arrepios todo vez que vejo isso.
Esse é o tipo de engajamento que você queria que tivesse acontecido.
Eu não posso preparar ou planejar isso, e não posso nem testar.
Mas é uma avaliação auto-evidente.
Sabemos que isso é uma avaliação de aprendizagem autêntica.
Nós temos muitos dados, mas acho que às vezes vamos além dos dados com a verdade real do que está acontecendo.
Vou contar uma terceira história.
Ela é sobre meu amigo Brennan.
Nós jogamos uma rodada do jogo depois da aula por várias semanas, por umas sete semanas, e nós basicamente solucionamos as 50 crises interligadas.
O jogo é ganho se todos os 50 problemas são resolvidos e os recusos de cada país são maiores do que quando o jogo começou.
Alguns são pobres, alguns são ricos. Há bilhões.
O tivemos um aluno do 3º ano como presidente do Banco Mundial.
Ele disse, "quantos zeros existem em um trilhão? Eu tenho que calcular isso agora mesmo."
Ele fazia política fiscal no jogo para jogadores do ensino médio que jogavam com ele.
Então a equipe mais pobre ficou ainda mais pobre.
Não tinha jeito de eles ganharem.
Estávamos nos aproximando das 16h, nosso tempo limite - faltava mais ou menos um minuto - e o desespero tomou conta da sala.
Eu pensei, "estou falhando como professor.
Eu deveria ter agido para que eles pudessem ganhar.
Eles não poderiam falhar dessa maneira.
Eu falhei com eles."
E eu estava me sentindo tão triste e desanimado.
E de repente, Brennan veio até minha cadeira e agarrou o sino, o sino que eu toco para sinalizar uma mudança ou nova reunião de gabinetes, e voltou para o seu lugar, tocou o sino.
Todo mundo correu para perto dele, gritando, todos gritavam, balançando os dossiês.
Eles têm esses dossiês cheios de segredos.
Eles estavam gesticulando, correndo pela sala.
Eu não sabia o que eles estavam fazendo. Eu tinha perdido o controle da sala.
Se o diretor entra, eu sou despedido.
Os pais estavam olhando pela janela.
E Brennan corre para o seu lugar. Todos voltam para os seus lugares.
Ela toca o sino de novo. Ele diz, "Nós juntamos" - e restam 12 segundos para fim do tempo - "nós juntamos todos os fundos das nações.
E teremos 600 bilhões de dólares.
Nós vamos oferecer como doação para este país pobre.
E se eles aceitarem, aumentará seus recursos e podemos vencer o jogo.
Vocês aceitam?"
Restavam somente três segundos.
Todos olham para o primeiro ministro daquele país, e ele diz, "Sim."
E eles venceram o jogo.
Compaixão espontânea que não poderia ser planejada, que foi inesperada e imprevisível.
Cada jogo que jogamos é diferente.
Algumas partidas são mais voltadas para questões sociais, e outras para questões econômicas.
Alguns jogos são mais a respeito de guerra.
Mas eu não tento negá-los a realidade de serem humanos.
Eu permito que eles explorem e, através de suas próprias experiências, aprendam a sangue frio como não fazer o que eles consideram ser errado.
E eles descobrem o que é certo da sua própria maneira, através deles.
Então nesse jogo, eu aprendi muito com ele, mas eu diria que bem que eles poderiam pegar uma ferramenta de pensamento crítico ou ferramenta de pensamento criativo deste jogo e alavancar algo bom para o mundo. talvez eles nos salvassem.
Bem que eles poderiam.
E em nome de todos os meus professores cujo o trabalho me ajudou muito, obrigado. Obrigado. Obrigado.
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Chamo-me Arvind Gupta e faço brinquedos.
Tenho feito brinquedos nos últimos 30 anos.
No começo dos 70 eu estudava na universidade.
Era uma época muito revolucionária.
Existia uma fermentação política, maneira de dizer – os estudantes nas ruas de Paris, revoltando-se contra autoridade.
Os EU estavam abalados pelos movimentos anti-Vietnã e dos Direitos Civis.
Na Índia tínhamos o movimento Naxalita, o [obscuro] movimento.
Mas sabemos que quando existe agitação política na sociedade, ela exalta muita energia.
O Movimento Nacional da Índia foi testemunho disto.
Muitos se demitiram dos empregos bem pagos e juntaram-se ao Movimento Nacional.
Bom, no início dos 70, um dos grandes projetos na Índia foi a revitalização das ciências nas escolas rurais.
Havia uma pessoa, Anil Sadgopal que obteve um Ph. D do Caltech e regressou como uma bióloga molecular do instituto de pesquisa de vanguarda da Índia, o TIFR.
Aos 31 anos, ela não conseguia relacionar suas próprias pesquisas, com as vidas das pessoas comuns.
Então ela planejou e iniciou um projeto de ciências para escolas rurais.
Isto inspirou muitas pessoas.
No início dos 70 o slogan era “Vá às pessoas.
Viva com elas, ame-as.
Comece com o que elas já sabem. Parta do que elas têm.”
Isto era mais ou menos a definição do slogan.
Bom, eu esperei um ano.
Fui trabalhar para a Telco, fazendo caminhões Tata, perto de Pune.
Trabalhei lá durante dois anos e vi que não tinha nascido para fabricar caminhões.
É normal não se saber o que se quer fazer, mas é bom o suficiente saber o que não se quer fazer.
Tirei um ano de licença e juntei-me a este projeto de ciências.
E isto foi um ponto de viragem.
Era um povoado muito pequeno – [tinha] um bazar semanal onde, só uma vez por semana, as pessoas punham tudo à vista.
Então, eu disse, “Vou passar um ano aqui.”
Então, eu comprei um só item de tudo que estava a venda à beira da estrada.
E uma das coisas que encontrei foi esta borracha preta.
Isto é um tubo de pneu de bicicleta.
Quando você enche o pneu da bicicleta, você usa um pouco disto.
E alguns destes modelos. então você pega um pedaço do tubo de pneu de bicicleta, pode colocar dois fósforos aqui dentro e você tem uma junção flexível.
É uma junção de tubos. Você começa a ensinar os ângulos – um ângulo agudo, reto, obtuso e um ângulo raso.
É como seu próprio pequeno engate.
Com três deles você dá laçadas para juntá-los, bem, você faz um triângulo.
Com quatro, você faz um quadrado, você faz um pentágono, um hexágono, você faz todos estes tipos de polígonos.
E eles têm algumas propriedades maravilhosas.
Por exemplo, se você observar o hexágono, é como uma ameba constantemente mudando seu próprio perfil.
Você pode puxar isto para fora e torna-se um retângulo.
Você o empurra e torna-se um paralelogramo.
Mas isto está muito bambo.
Por exemplo, observa o pentágono, puxa isto para fora – fica um trapézio com o formato de barco.
Empurra e fica com o formato de uma casa.
Isto torna-se um triângulo isósceles – também muito bambo.
Este quadrado pode parecer um bom quadrado e certinho.
Dá um empurrãozinho – ele torna-se um losango.
Fica com o formato da pipa.
Mas se dermos um triângulo a uma criança, ela não sabe o que fazer com ele.
Por que usar os triângulos?
Porque eles são as únicas estruturas rígidas.
É impossível construir-se uma ponte com quadrados, porque o trem viria e a ponte começaria a se mover.
As pessoas comuns sabem disto, porque se você for a um povoado na Índia, as pessoas lá podem não ter estudado engenharia na universidade, mas nenhuma delas construiria um telhado assim.
Pois se puserem as telhas em cima, elas vão desmoronar.
Eles sempre constroem o telhado triangular.
Agora, isto é ciência popular.
Se você fizer um furo aqui e colocar um terceiro fósforo, vai obter um junção em T.
E se eu empurrase todos as 3 partes disto aqui nas 3 vértices deste triângulo, eu teria um tetraedro.
Assim você faz todas estas formas 3D.
Você faz um tetraedro assim.
E uma vez que isto tenha sido feito, você faz uma casinha.
Põe isto em cima.
Você pode fazer uma junção de quatro, ou fazer uma de seis.
Você precisa quantidades.
Agora isto – faz-se uma junta de seis, e se tem um icosaedro.
e se tem um icosaedro.
Isto faz um iglu.
Agora isto foi em 1978.
Eu era um jovem engenheiro de 24 anos.
E achava que isto era muito melhor do que fabricar caminhões.
A propósito, se você puser quatro bolas de gude dentro, você simula a estrutura molecular do metano, CH4.
Quatro átomos de hidrogênio, os quatro pontos do tetraedro, isto é, o pequeno átomo de carbono.
Bom, desde então, penso que sou mesmo afortunado por ter visitado mais de 2. 000 escolas em meu país – escolas rurais, escolas públicas, escolas municipais e escolas exclusivas. Fui convidado pela maioria das escolas.
Toda vez que visito uma escola, eu vejo um brilho nos olhos das crianças.
Vejo esperança. Vejo alegria em seus rostos.
Crianças querem fazer coisas. Elas querem ser ativas.
Agora isto, nós fazemos muitas bombas.
Esta aqui é uma bomba pequena com a qual você poderia encher um balão.
Esta é uma bomba real. Você poderia furar o balão.
E temos um slogan: A melhor coisa que a criança pode fazer com um brinquedo é quebrá-lo.
Então, tudo que você precisa – isto é uma declaração tipo provocante – é um tubo de bicicleta velho e este [obscuro] de plástico velho Esta tampa se ajustará perfeitamente no tubo velho da bicicleta.
E é assim que se faz uma válvula.
Coloca-se um pedaço pequeno de fita adesiva.
Isto é uma via única.
Bom, nós fazemos muitas e muitas bombas.
E esta é uma outra: pega-se um canudo e simplesmente coloca-se um palito dentro, faz-se dois cortes pequenos.
Agora, isto é que você faz: dobra os dois pontos para formar um triângulo, e cobre com um pouco de fita em volta.
E esta é a bomba.
Agora, esta bomba é como um esguicho excelente.
É como uma centrífuga.
Se você faz algo girar, a tendência é que voe.
Bom, em termos de – se você [obscuro]. ela faria isto com uma folha de palmeira-palmira.
Muitos dos nossos brinquedos folclóricos contém grandes princípios científicos.
Se você faz algo girar, a tendência disto é voar.
Se eu faço isto com as duas mãos, temos este Homem Voador divertido.
OK.
Este é uma brinquedo feito de papel. É fantástico.
Temos quatro figuras.
Vê-se insetos, sapos, cobras, águias, borboletas, sapos, cobras, águias.
Aqui está um papel que você poderia [obscuro] – um design feito por um matemático da Harvard em 1928, Arthur Stone, documentado em muitos livros do escritor Martin Gardner.
Mas isto é uma grande diversão para as crianças.
Todos estudam a cadeia alimentar:
Os insetos são comidos pelos sapos; os sapos pelas cobras e as cobras pelas águias.
E isto pode ser, se você tem uma fotocópia, em um papel A4 – você poderia estar em uma escola municipal, em uma escola pública – uma folha de papel, uma régua e um lápis, sem cola ou tesoura.
Em 3 minutos, você dobra isto.
E como isto pode ser utilizado só é limitado pelos limites da sua imaginação.
Se você pega uma folha de papel pequena, você faz um ‘flexágono’ pequeno.
Com uma folha de papel maior, faz um maior.
Agora, isto aqui é um lápis com alguns entalhes.
E você põe um pequeno leque aqui.
Isto é um brinquedo de 100 anos.
Seis pesquisas importantes foram feitas neste assunto.
Há algumas aberturas aqui, você poder ver.
E se eu pegar um junco – se o esfregar, algo muito incrível acontece.
Seis pesquisas importantes foram feitas no assunto.
A propósito, Feynman, quando criança, era fascinado por isto.
Ele escreveu um ensaio neste assunto.
E você não precisa de um Colisor de Hádron de 3 bilhões de dólares para fazer isto.
Isto é acessível a todas as crianças, e todas elas podem desfrutar disto.
Se quiser colocar um disco colorido, bom, estas sete cores se fundem.
E era sobre isto que Newton já falava 400 anos atrás, aquela luz branca é composta de sete cores, basta giramos isto bem depressa.
Aqui está um canudo.
O que fizemos aqui foi vedar os dois extremos com fita adesiva, e dar um corte na ponta direita e na ponta esquerda em baixo, assim há furos nas pontas opostas, tem um furo pequeno aqui.
Isto é uma espécie de canudo para assoprar.
Eu apenas coloquei isto dentro disto.
Tem um furo aqui e eu o tampo.
E isto é muito barato para se fazer – e muito divertido paras as crianças fazerem.
O que fazemos é construir um motor elétrico bem simples.
Bom, este é o motor mais simples do mundo.
A parte mais cara dele é a bateria.
Se você já tem a bateria isto só lhe custará 8 centavos para fazer.
Este é um tubo de pneu de bicicleta velho, que lhe dá uma faixa de borracha larga. Dois alfinetes de fralda.
Este é um ímã permanente.
Quando a corrente flui através da bobina ela se converte em um eletroímã.
É a interação entre estes dois ímãs que faz o motor girar.
Nós fizemos 30 mil.
Professores, vocês têm ensinado ciências faz séculos, elas simplesmente aprendem a definição de cor e a botam para fora.
Quando os professores criam, as crianças criam.
Pode-se ver um brilho nos olhos delas.
Elas ficam vislumbradas com o que a ciência oferece.
E esta ciência não é jogo para ricos.
Em um país democrático, a ciência precisa chegar aos mais oprimidos, às crianças mais marginalizadas.
Este projeto começou com 16 escolas e cresceu para 1. 500 escolas públicas.
Mais de 100 mil crianças aprendem ciências desta forma.
E estamos explorando possibilidades.
Veja, isto é a Tetra Pak – tudo feito com materiais do ponto de vista ambiental.
São 6 camadas – 3 camadas de plástico e alumínio – que são vedadas juntas.
Elas são fundidas juntas portanto não podem ser separadas.
Agora pode-se fazer uma pequena rede como esta cadeia e dobrar e colar umas às outras e fazer um icosaedro.
Portanto, algo que é tido como lixo, que sufoca todas as aves marinhas, simplesmente recicla-se em algo muito, muito divertido – todos os sólidos platônicos em ciências podem ser feitos com coisas assim.
Temos aqui um pequeno canudo, e você simplesmente dá um corte nestes cantos, e isto é como se fosse a boca de um bebê crocodilo.
Você coloca isto na sua boca e assopra.
Dizem que o prazer da criança é a inveja do professor.
Você não é capaz de ver como o som é produzido, porque aquilo que está vibrando vai dentro da minha boca.
Vou deixar isto por fora e soprar. Eu vou aspirar o ar.
Assim, ninguém precisa arruinar a produção do som com as vibrações do arame.
Você continua soprando, continua fazendo o som e continua o cortando.
E algo muito, muito bom acontece.
E quando você pega um bem pequeno – Isto é o que as crianças nos ensinam. Você também pode fazer isto.
Bom, antes de prosseguir, isto é algo que vale a pena compartilhar.
Isto aqui é um quadro tátil para crianças cegas.
Estas aqui são tiras de Velcro e este é o quadro de desenhar, e esta é a minha caneta para desenhar, basicamente é uma caixa de filme.
É como uma linha de pescadores, linha de pescar.
E isto é lã, aqui.
Se eu giro a manivela, toda a lã vai para dentro.
E o que a criança cega pode fazer é desenhar isto.
A lã agarra no Velcro.
Temos 12 milhões de crianças cegas em nosso país – que vivem no mundo da escuridão.
E isto veio a ser um grande benefício para elas.
Existe uma fábrica por aí fazendo com que nossas crianças fiquem cegas, ela é incapaz de lhes alimentar, incapaz de lhes prover de vitamina A.
Mas isto lhes proporcionou um grande benefício.
Não existem patentes. Qualquer um pode fazer isto.
Isto é muito, muito simples.
Veja, isto é um gerador. É um gerador a manivela.
Aqui estão dois ímãs.
Isto aqui é uma roldana grande feita com 2 CDs velhos recheados de borracha.
Uma roldana pequena e dois ímãs fortes.
E esta fibra faz virar um arame unido a um LED.
Se eu girar esta roldana, a menor vai mover-se muito mais rápido.
Teremos um campo magnético rotativo.
As linhas, certamente, seriam cortadas e a força gerada.
E pode se ver que o LED vai acender.
Então, este é um pequeno gerador a manivela.
Bem, isto é, outra vez, isto é apenas um anel com porcas de aço.
E o que pode-se fazer é simplesmente. se você o rodopia, bem, eles vão continuar rodando.
E imagina um grupo de crianças de pé em um círculo esperando que o anel de aço passe por elas.
E elas felizes da vida brincando desta maneira.
Bom, para terminar, o que podemos também fazer. nós usamos muito jornal velho para fazer bonés.
Este é digno de Sachin Tendulkar.
É um boné de cricket fantástico.
Quando pensamos em Nehru e Gandhi, este aqui é o quepe do Nehru – metade de uma folha de jornal.
Fazemos muitos brinquedos com jornal, e este é um deles.
E este – você pode ver – é um passarinho batendo suas asas
Nós cortamos nossos jornais velhos em quadradinhos.
E se você tem um passarinho destes. Há anos que as crianças no Japão fazem estes passarinhos.
Veja, este é um passarinho fantail.
Para terminar, vou contar uma história.
Chama-se “A História do Chapéu do Capitão”.
Um certo capitão navegava seu navio.
Ía muito devagar.
E havia muitos passageiros no navio, e sentiam-se entediados. Então o capitão os convidou para irem ao convés.
“Vistam suas roupas coloridas, cantem e dancem, e eu vou providenciar boa comida e bebidas.”
O capitão queria usar um chapéu todos os dias para ir para a festa.
No primeiro dia vestiu um enorme chapéu guarda-chuva, como um quepe de capitão.
Naquela noite, enquanto os passageiros dormiam, ele fez mais uma dobra no chapéu, e no segundo dia ele apareceu com um quepe de bombeiro – com uma aba pequena como um quepe de marca, porque isto protege a medula espinhal.
E na segunda noite, ele pegou o mesmo quepe e fez mais uma dobra.
E no terceiro dia, um quepe de safari – como um quepe de um aventureiro.
E na terceira noite ele fez mais duas dobras – e este é um quepe muito famoso,
se já assistiram algum dos nossos filmes de Bollywood, este é o que o policial sempre usa, é chamado de quepe ‘zapalu’.
Ele é de fama internacional.
E não podemos esquecer que ele era o capitão do navio.
Então, este é um navio.
E agora o final. Todos divertiam-se muito na viagem.
Cantavam e dançavam.
De repente veio uma tempestade e ondas gigantes.
E tudo que o navio podia fazer era dançar com as ondas.
Uma onda gigante veio e bateu na dianteira e a derrubou.
E uma outra onda veio e bateu na ré e a derrubou.
E aí veio uma terceira onda.
Esta engoliu a ponte e ela desmoronou.
E o navio afundou e o capitão perdeu tudo, menos um colete salva-vidas
Muito obrigado.
Muito obrigado.
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Eu gostaria de começar com dois rápidos exemplos.
Esta são glândulas fiadeiras no abdomên de uma aranha
Elas produzem seis deferentes tipos de seda, que são fiadas juntas em uma fibra, mais resistente do que qualquer fibra que já tenha sido produzida pelo homem.
O mais próximo que nós chegamos foi com a fibra aramida.
E para produzi-la são necessários extremos de temperatura, extremos de pressão e muita poluição.
E a aranha consegue produzi-la nas condições de temperatura e pressão ambientes, com material cru de moscas mortas e água.
Isto sugere que nós temos ainda muito para aprender.
Este besouro pode detectar um incêndio na floresta há 80 quilômetros de distância.
Isto é aproximadamente 10 mil vezes o intervalo de tempo dos detectores produzidos pelo homem.
E mais, este cara não precisa de uma antena conectada durante todo o percurso até a estação de força movida a combustíveis poluentes.
Então estes dois exemplos dão uma idéia do que a imitação da natureza pode trazer.
Se nós pudéssemos aprender a produzir coisas e fazer coisas da maneira que a natureza faz, nós poderiamos passar do fator 10 para o fator 100, e talvez mesmo um fator de economia 1. 000 no uso dos recursos e energia.
E se nós vamos fazer progressos com a revolução de sustentabilidade, eu acredito que existam verdadeiramente três grandes mudanças que nós temos que trazer.
Primeiramente, uma mudança radical na eficiência dos recursos.
Em segundo, mudar de uma linear, desperdíciosa e poluidora maneira de usar os recursos para um modelo de circuíto fechado.
E em terceiro, mudar de uma economia movida e energia fóssil para a energia solar.
E para cada uma dessas três, eu acredito imitar a natureza tem muitas das soluções que nós vamos precisar.
Vocês podem olhar a natureza como se fosse um catálogo de produtos, e todos eles foram beneficiados por um período de 3. 8 bilhões de anos de pesquisas e desenvolvimento.
E dado aquele nível de investimento, faz sentido usá-los.
Então eu vou falar sobre alguns projetos que tem explorado estas idéias.
E vamos começar com aumentos radicais na eficiência dos recursos.
Quando nós estavamos trabalhando no Projeto Eden nós tivemos que construir uma grande estufa em um local que não era apenas irregular, mas estava constantemente mudando porquê ainda estava sendo escavado.
Era um desafio dos infernos, e também era verdadeiramente exemplos da biologia que fornecia um monte de pístas.
Por exemplo, foram bolhas de sabão que nos ajudaram a gerar a forma da edificação que funcionaria independente do nível final do chão.
Estudando grãos de pólen a radiolaria e moléculas de carbono nos ajudaram a vislumbrar a solução estrutural mais eficiente usando hexágonos e pantágonos.
O próximo passo era o que nós queríamos para maximizar o tamano daqueles hexágonos
E para fazer aquilo nós tivemos que encontrar uma alternativa para o vidro, que é realmente muito limitado em termos de suas unidades de tamanho.
E na natureza há muitos exemplos de estruturas muito eficientes baseadas em membranas pressurizadas.
Então nós começamos a explorar este material chamado ETFE.
É um polímero extremamente forte.
E o que você faz é colocá-lo junto em três camadas soldá-lo ao redor das bordas, e então inflá-lo.
E o surpreendente sobre esta coisa é que você pode fazê-la em unidades de aproximadamente sete vezes o tamanho do vidro. E ela é somente um porcento do peso de um vidro duplo
Então isto é um fator de economia de 100.
E o que nós encontramos é que nós entramos em um ciclo positivo em que um avanço facilita outro.
Então com tais grandes e leves almofadas, nós usamos muito menos aço.
Com menos aço nós conseguimos mais luz solar dentro, o que significou que não precisamos colocar aquecedores extras no inverno.
E com menos peso geral na superestrutura, houve grande economia nas fundações.
E no final do projeto em que trabalhamos o peso daquela superestrutura era na verdade menos do que o peso do ar dentro do edifício.
Então eu acho que o Projeto Eden é um ótimo exemplo de como as idéias da biologia podem conduzir a aumentos radicais na eficiência dos recursos produzindo as mesmas funções, mas com uma fração dos recursos iniciais.
E na verdade há inúmeros exemplos na natureza que se poderia usar para soluções similares.
Então por exemplo, você poderia desenvolver uma estrutura super eficiente de teto baseado nos gigantes lírios aquáticos da Amazônia, edifícios inteiros inspirados por conchas de moluscos pontes super leves inspirados por células de plantas.
Há um mundo de beleza e eficiência para ser explorado aqui usando a natureza como uma ferramenta de projeto.
Então agora eu quero começar a falar sobre a idéia do linear para o circuíto fechado.
A maneira que nós tendemos a usar os recursos é nós os extraimos os transformamos em produtos de vida curta e então os usamos.
A natureza trabalha muito diferente.
Nos ecossistemas, o desperdício de um organismo se torna o nutriente para alguma coisa mais no sistema.
E existem alguns exemplos de plrojetos que tem deliberadamente tentado imitar os ecossistemas.
E um dos meus favoritos é chamado o Papelão para o Projeto Caviar por Graham Wiles.
E na área dele eles tem muitas lojas e restaurantes que estavam produzindo muitos residuos de almentos, papelões e plástico.
Que estavam terminando em aterros.
Agora a coisa verdadeiramente inteligente é o que eles fizeram com os residuos de papelão.
E eu vou falar disso através desta animação.
Eles foram pagos para fazer a coleta dos resíduos dos restaurantes.
Eles então picavam o papelaão e o vendiam a centros de equitação para serem usados como camas para cavalos.
Quando aquilo ficava sujo, eles eram pagos novamente para coletá-lo.
Eles o colocavam dentro de sistemas de compostagem com minhocas, o que produzia uma grande quantidade de minhocas que eles usavam para alimentar esturjões siberianos, que produziam caviar, que eles vendiam de volta para os restaurantes.
Então se transformou de um processo linear para um modelo de circuíto fechado, e criou-se mais valor no processo.
Graham Wiles continou a juntar mais e mais elementos ao processo tornando vertentes de resíduos em esquemas que criavam valor.
E exatamente como os sistemas naturais tendem a aumentar em diversidade e resistência ao longo do tempo, há um sentido real neste projeto que o número de possibilidades continue aumentando.
E eu sei que isto é um exemplo peculiar, mas eu penso que as implicações disto são bastante radicais, porque sugerem que nós poderiamos na verdade transformar um grande problema, os resíduos, em uma grande oportunidade.
E principalmente em cidades - nós poderiamos olhar todo o metabolismo das cidades, e olhar aquilo como opourtunidades.
E isto é o que nós vamos fazer no projeto sobre o qual vou falar agora, o Projeto Mobius, onde nos estamos tentando trazer junto um número de atividades, todas dentro de um edifício, de maneira tal que o resíduo de uma possa ser o nutriente da outra.
E o tipo de elementos sobre os quais eu estou falando são, primeiramente, nós temos um restaurante dentro de uma estufa produtiva, um pouco como este aqui em Amsterdam chamado De Kas.
Então nós teremos um digestor anaeróbico, o qual pode lidar com todo o resíduo biodegradável do local, e transformá-lo em calor para a estufa e eletricidade para alimentar de volta a grade.
Nós teremos um sisteme de tratamento de água tratando água usada, tornando-a novamente em água potável e gerando energia a partir dos sólidos usando apenas plantas e microorganismos.
Nós teremos um criatório de peixes alimentados com os resíduos dos vegetais da cozinha e minhocas da compostagem fornecendo peixes para o restaurante.
E nós teremos uma caféteria, e os resíduos dos graõs de café podem ser usados como um substrato para a plantação de cogumelos
Então vocês podem ver que nós estamos trazendo juntos ciclos de alimentos, energia e água e resíduos tudo dentro de um edifício.
E só por diversão, nós estamos propondo isto para um retorno no centro de Londres, o qual no momento é uma completa monstruosidade
Alguns de vocês podem reconhecer isto.
E apenas com um pouco de planejamento, nós poderemos transformar um espaço dominado pelo trânsito em um que vai proporcionar um espaço aberto para as pessoas, reconectar pessoas com alimentos e transformar resíduos em um circuíto fechado de oportunidades.
Então, o projeto final sobre o qual eu vou falar é o Projeto Florestal do Sahara, no qual estamos trabalhando no momento.
Ele pode ser uma surpresa para alguns de vocês ouvir que algumas vastas regiões do que é atualmente deserto, foram na verdade arborizadas há muito tempo atrás.
Por exemplo, quando Júlio Cesar chegou no Norte da África, grandes áreas do Norte da África eram cobertas com florestas de cedros e ciprestes.
E durante a evolução da vida na terra, foi a colonização da terra pelas plantas que ajudou a criar o clima benigno que nós atualmente desfrutamos.
O contrário também é verdadeiro.
Quanto mais vegetação nós perdemos, o mais que provável é que exacerbemos a mudança climática e nos dirigimos a uma futura desertificação.
Nesta animação, isto mostra a atividade fotosintética no curso de um número de anos. E o que vocês podem ver é que nos limites daqueles desertos eles mudaram bastante. E aquilo levanta a pergunta se nos podemos intervir nas condições limites para parar ou talvez mesmo reverter a desertificação.
E se vocês olharem a alguns ds organismos que evoluiram para viver nos desertos, há alguns que são exemplos surpreendentes de adaptação a escassez de água.
Este é o besouro da névoa da Namíbia, e ele evoluiu de uma maneira a colher sua água fresca no deserto.
A maneira como ele faz isto é ele sai à noite, se arrasta até o topo de uma duna, e porquê ele tem uma concha preta fosca, é capaz de irradiar calor no céu noturno e fica ligeiramente mais frio do que nos seus arredores.
Então quando a brisa umida sopra do oceano, você tem estas gotículas de água se formando na concha do besouro
E um pouco antes do nascer do sol ele levanta a ponta de sua concha e a água desce para a sua boca, ele consegue uma boa bebida, volta e se esconde pelo resto do dia.
E a engenhosidade, se você chamá-la assim, vai ainda mais longe.
Porque se você olhar mais atentamente a concha do besouro, há inúmeras pequenas reentrâncias naquela concha.
E aquelas reentrâncias são hidrofílicas, elas atraem água.
Entre elas, existem revestimentos de cera, os quais repelem água.
E o efeito diso é, a medida que as gotículas coméçam a se formar nas reentrâncias, elas permanecem em grânulos esféricos apertados, o que significa que elas são muito mais móveis do que elas seriam se fossem apenas uma película de água sobre a superfície da concha do besouro.
Então mesmo quando há apenas uma pequena quantidade de umidade no ar, ele ainda é capaz de colhe-la com muita eificiência e canalizá-la para sua boca.
Então um extraordinário exemplo de adaptação a um ambiente de recursos restritos - e naquele sentido, muito relevante para o tipo de desafio que nós iremos enfrentar ao longo dos próximos anos, das próximas décadas.
Nós estamos trabalhando com o cara que inventou a Estufa Marinha.
Esta é uma estufa projetada para as regiões costeiras, e a maneira como ela funciona é que se tem esta parede inteira de grades de evaporação, e se goteja água do mar sobre ela então quando o vento sopra através, ele apanha muita umidade e a resfria no processo.
Então no interior é frio e úmido, o que significa que as plantas necessitam menos água para crescer.
E então nos fundos da estufa, ela condensa muita daquela umidade como água fresca em um processo que é efetivamente idêntico ao do besouro.
E o que eles descobriram com a primera Estufa Marinha que foi construida foi que ela produzia ligeiramente mais água fresca do que o necessário para as plantas no interior.
Então eles começaram a espalhar o excesso de sobra para a terra ao redor. E a combinação daquilo e da elevada umidade teve um dramático efeito na área local.
Esta fotografia foi tirada no dia da conclusão e apenas um ano após, ela está assim.
Então é como um borrão de tinta verde se espalhando fora do edifício transformando terra estéril em terra biologicamente produtiva - e naquele sentido indo além do projeto de sustentabilidade para atingir um projeto de restauração.
Então nós estamos ansiosos para ampliar isto e aplicar as idéias de imitação da natureza para maximizar os benefícios
E quando você pensa sobre a natureza, frequentemente se pensa nela como se tudo fosse competição.
Mas na verdade nos ecossistemas maduros, você tem possibilidades de encontrar exemplos de relações simbióticas.
Então um princípio importante de imitação da natureza é encontrar maneiras de trazer as tecnologias juntas em encontros simbióticos.
E a tecnologia que nós estabelecemos como uma parceira ideal para a Estufa Marinha é a concetração de energia solar, que usa espelhos rastreadores para focar o calor solar e criar eletricidade.
E somente para lhes dar uma noção do potencial da concentração de energia solar, considerem que nós recebemos 10 mil vezes mais energia do sol cada ano do que nos usamos de energia de todas as outras formas - 10 mil vezes.
Então nossos problemas energéticos não são intratáveis.
São um desafio para a nossa engenhosidade.
E o tipo de sinergia das quais eu estou falando são, primeiramente, ambas estas tecnologias funcionam muito bem em ensolarados e quentes desertos.
A concentração de energia solar precisa de um suprimento de água fresca desmineralizada.
E isto é exatamente o que a Estufa Marinha produz.
A concetração de energia solar produz um excesso de calor.
Nós seremos capezes de usá-lo para evaporar mais água salgada e melhorar os benefícios restauradores.
E finalmente, na sombra sobre os espelhos, é possivel plantar todo o tipo de produtos que não cresceriam sobre luz solar direta.
Então isto é como este sistema vai parecer.
A idéia é criarmos esta comprida cerca de estufas contra o vento.
Nós teremos centrais de energia solar concentradas. em intervalos ao longo do trajeto.
Alguns de vocês podem estar perguntando o que nós faremos com todo o sal.
E com a imitação da natureza, se você conseguir um recurso subutilizado, você não pensa. "Como é que eu vou utilizar isto?".
Você pensa. "O que eu posso adicionar ao sistema para criar mais valor?"
E acontece que coisas diferentes se cristalizam em diferentes estágios.
Quando se evapora água salgada, a primeira coisa que se cristaliza é carbonato de cálcio.
E aquilo se acumula nos evaporadores - e é o que a imagem na esquerda mosrta - gradualmente se incrustando com o carbonato de cálcio
Então depois de um tempo, nos podemos extraí-lo e usá-lo como blocos de construção de peso leve.
E se vocês pensarem no carbono na medida em que, teria saido da atmosfera para o mar e então é utilizado como produto para construção.
O próximo produto é cloreto de sódio.
Também se pode comprimi-lo em um bloco para construção, como eles fazem aqui.
Este é um hotel na Bolívia.
E então depois há todo o tipo de componentes e elementos que nós podemos extrair, como fosfátos, que nós precisamos repor no solo desértico para fertilizá-lo.
E assim há todo o tipo de elemento da tabela periódica na água do mar.
Então deveria ser possível extrarir valiosos elementos como lítio para baterias de alta performance.
E em partes do Golfo Árabe, a água do mar, a salinidade aumenta constantemente devido a descarga de salmoura de plantas dessalinizadas.
E isto esta colocando o ecossistema próximo de um colapso.
Agora nós poderemos fazer uso de toda aquela salmoura desperdiçada.
Nós poderemos evaporá-la para aumentar os benefícios restauradores e capturar os sais transformando um problema urgente de resíduos em uma grande oportunidade.
Realmente o Projeto Florestal Sahara é um modelo de como nós podemos produzir alimentos sem provocar poluição, e energia abundante e renovável em algumas partes do planeta com sérios problemas hídricos. bem como reverter a desertificação em certas áreas.
Então voltando àqueles grandes desafios que eu mencionei no início: aumentos radicais na eficiência dos recursos, circuítos fechados e uma economia solar.
Eles não são apenas possíveis, eles são críticos.
E eu acredito firmemento que estudando a maneira como a natureza resolve problemas irá proporcionar um monte de soluções.
Mas talvez mais do que qualquer coisa que este pensamento proporcione é uma maneira verdadeiramente positiva de falar sobe projetos sustentáveis.
Muitas das palestras sobre o meio ambiente usam uma linguagem muito negativa.
Mas aqui é sobre sinergias e abundância e otimização.
E este e um ponto importante.
Antoine de Saint-Exupery disse uma vez, "se você quer construir uma frota de navios você não fica sentado falando sobre carpintaria.
Não, você precisa incendiar a alma das pessoas com visões de exploração de praias distantes".
E é isto que nós precisamos fazer, então vamos ser positivos e vamos fazer progresso com o que pode ser o mais excitante período de inovações que nós já vimos.
Muito obrigado
Aplausos
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