text
stringlengths 450
35.9k
| lang
stringclasses 1
value | text_id
int64 0
1.02k
|
|---|---|---|
Pode ser algo bem complicado, o oceano.
E pode ser algo bem complicado, o que é a saúde humana.
E juntá-los pode parecer uma tarefa intimidadora. Mas o que vou tentar dizer é que mesmo nessa complexidade, há alguns assuntos simples que creio que, se entendermos, podemos avançar.
E esses assuntos não são na verdade temas sobre a complexa ciência do que está acontecendo, mas de coisas que são bem conhecidas.
E vou começar com essa. Se a mamãe não está feliz, ninguém está feliz.
Sabemos disso, certo? Passamos por isso.
E se pegarmos isso e construirmos a partir disso, então podemos ir ao próximo passo, que é se o oceano não está feliz, ninguém está feliz.
Esse é o tópico da minha palestra.
E estamos deixando o oceano muito infeliz de diversas maneiras.
Essa é uma foto de Cannery Row em 1932.
Cannery Row, nessa época, tinha a maior indústria de enlatados da costa oeste.
Nós liberamos enormes quantidades de poluição no ar e na água.
Rolf Bolin, que era um professor universitário na Hopkin's Marine Station, onde trabalho, escreveu na década de 40 que, "Os gases da espuma que flutuava na enseada da baía eram tão ruins que encardiram tintas á base de chumbo de preto."
Trabalhadores dessa indústria dificilmente ficavam ali o dia todo por causa do cheiro. Mas sabem o que eles diziam?
Eles diziam, "Sabe o que você respira?
Você respira dinheiro."
A poluição era renda para a comunidade. E essas pessoas lidaram com a poluição e a absorveram na pele e em seus corpos porque precisavam do dinheiro.
Deixamos o oceano infeliz; deixamos pessoas muito infelizes, e as deixamos enfermas.
A ligação entre a saúde do oceano e a saúde humana é na verdade baseada em alguns poucos e simples provérbios. E quero chamá-la de "belisque um peixinho, machuque uma baleia."
A pirâmide da vida no oceano.
Agora, quando um ecologista olha para oceano, tenho de lhes dizer, olhamos para o oceano de uma maneira muito diferente, e vemos coisas distintas das que uma pessoa normal vê nele. Porque quando um ecologista olha para o oceano, vemos todas essas interconexões.
Vemos a base da cadeia alimentar, os plânctons, as coisas pequenas, e vemos como esses animais são comida para os animais do meio da pirâmide, e assim por diante no diagrama.
E esse fluxo, esse fluxo de vida, desde a base até o topo, é o fluxo que os ecologistas vêem.
E isso é o que estamos tentando preservar quando dizemos, "Salve o oceano. Cure-o."
É essa pirâmide.
Agora por que isso importa para a saúde humana?
Porque quando introduzimos algo na base da pirâmide que não devia estar lá, coisas muito assustadoras acontecem.
Poluentes, alguns criados por nós, moléculas como os PCBs que não podem ser desfeitos em nosso organismo.
E eles vão para a base dessa pirâmide, e eles flutuam, vão sendo transmitidos, para predadores e vão para o topo da pirâmide. E assim, eles acumulam.
Agora pra se familiarizar com isso, eu inventei um jogo.
Nós não precisamos jogá-lo. Podemos apenas pensar sobre ele.
É o jogo do isopor e do chocolate.
Imagine que quando chegamos a esse barco, nós recebemos dois flocos de isopor.
Não se pode fazer muito com eles a não ser guardar no bolso.
Porque as regras são: toda vez que você oferece uma bebida a alguém, você dá a bebida a ela, e lhe dá um floco de isopor também.
O que acontecerá é que os flocos de isopor vão se espalhar por essa sociedade. E vão acumular nas pessoas mais bêbadas e pão-duras.
Não tem mecanismo nesse jogo para eles irem em algum lugar senão um maior e maior monte de indigestos flocos de isopor.
E é exatamente isso que acontece com os PCBs nessa pirâmide alimentar. Eles acumulam no topo dela.
Agora suponha que ao invés de isopor, nós pegássemos esses bonitos pequenos chocolates que ganhamos e os tivéssemos.
Bem, alguns de nós os comeriam ao invés de dá-los a outros. E ao invés de acumulá-los, eles apenas ficariam em nosso grupo e não em outros. Porque eles são absorvidos por nós.
E essa é a diferença entre o PCB e, vamos ver, algo natural como o omega-3, algo que queremos obter da cadeia alimentar marinha.
PCBs acumulam.
Temos ótimos exemplos disso, infelizmente.
PCBs acumulam em golfinhos na Baía de Sarasota, no Texas, na Carolina do Norte.
Eles entram na cadeia alimentar.
Os golfinhos comem peixes que tem PCBs obtidos dos plânctons, e esses PCBs, sendo solúveis na gordura, acumulam nesses golfinhos.
Agora, um golfinho, golfinho mãe, qualquer um -- só há uma maneira de o PCB ser expelido de seu organismo.
E qual é?
No leite materno.
Aqui está um gráfico da quantidade de PCB em golfinhos na baía de Sarasota.
Machos adultos, uma enorme quantidade.
Jovens, uma enorme quantidade.
Fêmeas após ter seu primeiro filhote desmamado, uma quantidade menor.
Essas fêmeas, elas não estão tentando.
Essas fêmeas estão transmitindo os PCBs na gordura do seus próprios leites para sua cria. E sua cria não sobrevive.
A taxa de mortalidade nesses golfinhos, para o primeiro filhote de cada golfinho fêmea, é de 60 a 80 por cento.
Essas mães bombeiam sua primeira cria cheia desse poluente. E a maioria morre.
Agora, a mãe pode reproduzir normalmente, mas que terrível preço a se pagar pelo acúmulo desse poluente nesses animais -- a morte do primeiro filhote.
Há outro grande predador no oceano, parece.
Esse predador, é claro, somos nós.
E também estamos comendo carne que vem de alguns desses mesmos lugares.
Essa é a carne de baleia que eu fotografei em um supermercado em Tokyo -- ou não é?
De fato, o que fizemos alguns anos atrás foi aprender como manipular um laboratório de biologia molecular em Tokyo e usá-lo para testar genéticamente o DNA de amostras de carne de baleia e identificar quais realmente eram.
E algumas dessas amostras realmente eram carne de baleia.
Algumas delas eram carnes ilegais, falando nisso.
Essa é outra história.
Mas algumas delas não eram de baleia.
Apesar de estarem rotuladas como tal, eram de golfinho.
Algumas delas eram fígado de golfinho. Algumas eram banha de golfinho.
E essas partes de golfinhos tinham enorme quantidade de PCBs, dioxinas e metais pesados.
E essa enorme quantidade estava sendo transmitida a pessoas que comiam essa carne.
Acontece que muitos golfinhos estão sendo vendidos como carne no mercado de carne de baleia ao redor do mundo.
É uma tragédia para essas populações. Mas também é uma tragédia para quem as está comendo porque eles não sabem que essa carne é tóxica.
Tínhamos essas informações alguns anos atrás.
Me lembro de sentar à minha mesa sendo a única pessoa no mundo que sabia que carne de baleia estava sendo vendida nesses mercados na verdade era de golfinho, e era tóxica.
Tinha duas a três a 400 vezes a quantidade de toxinas permitidas pela EPA.
E eu lembro de sentar à minha mesa pensando, "Bem, eu sei disso. É uma grande descoberta científica." Mas era tão terrível.
E pela primeira vez na minha carreira científica eu quebrei o protocolo, que é pegar os dados e publicá-los em periódicos científicos, e então falar sobre eles.
Mandamos uma carta educadíssima para o ministro da saúde no Japão e apenas apontamos que essa é uma situação intolerável, não para nós, mas para as pessoas no Japão. Porque mães que podem estar amamentando, que podem ter crianças pequenas, estariam comprando algo que pensam ser saudável, mas na verdade é tóxico.
Isso levou a uma série de outras campanhas no Japão. E tenho orgulho de dizer que agora é muito difícil comprar algo no Japão que está rotulado errôneamente, apesar deles ainda venderem carne de baleia, o que acredito que eles não deveriam.
Mas pelo menos ela está rotulada corretamente, e você não mais comprará carne de golfinho tóxica.
Não é apenas lá que isso acontece, mas na dieta natural de algumas comunidades no ártico Canadense, nos Estados Unidos e no ártico Europeu, uma dieta natural de focas e baleias leva a uma acumulação de PCBs que foram reunidos de todos os cantos do mundo e acabaram nessas mulheres.
Essas mulheres tem leite tóxico.
Elas não podem amamentar sua prole, suas crianças, o leite de seu peito por causa do acúmulo dessas toxinas em sua cadeia alimentar, na sua parte da pirâmide oceânica mundial.
Isso significa que o sistema imunológico delas está comprometido.
Isso quer dizer que o desenvolvimento de suas crianças pode estar comprometido.
E a atenção mundial nisso na última década têm reduzido o problema para essas mulheres, não por mudar a pirâmide, mas por mudar o que elas comem de cada animal.
As tiramos de sua pirâmide natural para resolver esse problema.
Isso é algo bom para esse problema em particular, mas não adianta nada resolver o problema da pirâmide.
Há outras maneiras de quebrar essa pirâmide.
A pirâmide, se introduzirmos coisas em sua base, pode voltar como em um esgoto entupido.
E se introduzirmos nutrientes, esgoto, fertilizantes na base dessa pirâmide, eles podem voltar em toda sua extensão.
E terminaremos com coisas que já ouvimos antes: marés vermelhas, por exemplo, que são o crescimento de algas tóxicas flutuando pelos oceanos causando danos neurológicos.
Também podemos ter o crescimento de bacterias, crescimento de vírus no oceano.
Essas são duas fotos de uma maré vermelha invadindo a costa e uma bactéria no gênero vibrião, que inclui o gênero que tem cólera.
Quantas pessoas viram uma placa de "praia interditada"?
Por que isso acontece?
Acontece porque introduzimos tantas coisas na base dessa pirâmide natural oceânica que essas bactérias se entupiram e encheram as nossas praias.
Frequentemente o que nos enche é o esgoto.
Agora quantos de vocês já foram a um parque estadual ou nacional onde havia uma grande placa na frente dizendo, "Fechado porque o esgoto humano está tão espalhado pelo parque que não se pode usá-lo"?
Não com frequência. Não toleraríamos isso.
Não toleraríamos nossos parques sendo entupidos de esgoto. Mas muitas praias estão fechadas em nosso país.
Elas estão fechadas mais e mais ao redor do mundo pelo mesmo motivo. E acredito que não devíamos tolerar isso também.
Não é apenas uma questão de higiene. É também uma questão de como esses organismos se transformam em doenças.
Esses vibriões, essas bactérias, podem na verdade infectar pessoas.
Elas podem penetrar na sua pela e criar infecções.
Esse é um gráfico da iniciativa de saúde oceânica e humana do NOAA, mostrando o crescimento de infecções por vibriões nas pessoas nos últimos anos.
Surfistas, por exemplo, inacreditavelmente sabem disso.
E se você puder ver alguns sites de surf, de fato, você não apenas vê como são as ondas ou o clima, mas nos sites de alguns surfistas você vê um pequeno alerta de excrementos.
Isso significa que essa praia pode ter ótimas ondas, mas é um lugar perigoso para surfistas porque eles podem pegar, mesmo depois de uma ótima surfada, esse legado de uma infecção que pode levar muito tempo para curar.
Algumas dessas infecções são na verdade resistentes à antibióticos. E isso as faz ainda mais difíceis de combater.
Essas mesmas infecções criam crescimentos de algas nocivas.
Esses crescimentos geram outros tipos de agentes químicos.
Essa é apenas uma simples lista de alguns tipos de venenos que surgem do crescimento dessas algas nocivas: envenenamento por molusco, ciguatera, envenenamento diarréico por molusco -- vocês vão querer saber disso -- envenenamento neurotóxico e envenenamento paralítico por moluscos.
Essas são coisas que estão na nossa cadeia alimentar por causa desses crescimentos exagerados.
Rita Calwell traçou muito famosamente uma história interessantíssima de cólera em comunidades humanas, levada lá, não por um vetor humano normal, mas por um vetor marinho, esse copépode.
Copépodes são pequenos crustáceos.
Eles medem uma minúscula fração de um centímetro. E podem levar nas suas pequenas patas algumas das bactérias da cólera que então leva a doença humana.
Isso acendeu a epidemia de cólera em portos ao redor do mundo e levou a uma preocupação crescente para tentar ter certeza de que o correio não levasse esses vetores de cólera pelo mundo.
Então o que fazer?
Temos grandes problemas em ecossistemas com fluxo interrompido que a pirâmide pode não estar funcionando bem, que o fluxo da base até o topo está sendo bloqueado e entupido.
O que você faz quando tem esse tipo de fluxo interrompido?
Bem, tem algumas coisas que podem ser feitas.
Você pode chamar o Encanador Joe, por exemplo.
E ele pode vir e consertar o fluxo.
Mas de fato, se você olhar pelo mundo, existem não só lugares em que ainda há esperança onde podemos ser capazes de consertar esse problema, mas há lugares onde isso já foi consertado, onde pessoas agarraram essas questões e começaram a transformá-las.
Monterey é um desses lugares.
Comecei mostrando quanto tínhamos afligido o ecossistema da baía de Monterey com poluição e a indústria de enlatados e todos os problemas relacionados.
Em 1932 essa é a foto.
Em 2009 a foto é notavelmente diferente.
As indústrias se foram. A poluição foi controlada.
Mas há um sentido maior aqui sobre o que as comunidades precisam são ecossistemas que funcionam.
Elas precisam de uma pirâmide funcional da base ao topo.
E essa pirâmide em Monterey, agora, por causa do esforço de muitas pessoas, está funcionando melhor do que nunca nos últimos 150 anos.
Isso não aconteceu por acaso.
Aconteceu porque muitas pessoas investiram seu tempo e esforço e seu espírito pioneiro nisso.
A esquerda, Julia Platt, a prefeita da minha cidade natal em Pacific Grove.
Aos 74 anos, se tornou prefeita porque algo tinha de ser feito para proteger o oceano.
Em 1931, ela produziu a primeira área marinha da califórnia protegida pela comunidade, bem próxima a indústria que mais poluía porque Julia sabia que quando as fábricas se fossem, o oceano precisava de um lugar para crescer, que o oceano precisava de um lugar para plantar uma semente. E ela queria fornecer essa semente.
Outras pessoas, David Packard e Julie Packard, que foram fundamentais na produção do aquário da baía de Monterey para fixar na mente das pessoas que o oceano e a saúde de seu ecossistema eram tão importantes para a economia dali quanto comer.
Essa mudança de pensamento levou a uma mudança drástica, não só nas fortunas da baía de Monterey, quanto em outros lugares pelo mundo.
Bem, quero deixá-los com um pensamento que, o que estamos mesmo querendo fazer aqui é proteger a pirâmide oceânica. E essa pirâmide se conecta a nossa própria pirâmide da vida.
É um planeta oceânico, e nos imaginamos como espécies terrestres. Mas a pirâmide da vida no oceano e nossas vidas na terra estão fortemente ligadas.
E é apenas através de um oceano saudável que podemos permanecer saudáveis.
Muito obrigado.
|
pt
| 0
|
Vamos começar com o dia e noite.
A vida se desenvolveu sob condições de luz e escuridão, luz e escuridão.
Então plantas e animais desenvolveram seus própios relógios internos para que estivessem prontos para estas mudanças de luminosidade.
Estes são relógios químicos, e são encontrados em todos os seres conhecidos que têm duas ou mais células e em alguns com apenas uma célula.
Te darei um exemplo. Se você pegar um caranguejo-ferradura na praia, e levá-lo para o outro lado do continente, e soltá-lo em uma gaiola inclinada, ele irá subir a inclinação da gaiola enquanto a maré sobe nas sua praia de origem, e ele vai deslizar de novo assim que a água estiver recuando, a milhares de quilômetros de distância.
Ele fará isso por semanas, até gradualmente perder a vontade.
E é incrível assistir, mas não há nada psíquico ou paranormal acontecendo; é que simplesmente estes caranguejos têm ciclos internos que correspondem, normalmente, com o que está acontecendo em volta dele.
Então, temos essa habilidade também.
E nos humanos, chamamos isto de relógio biológico
Você pode ver isso mais claramente quando tira o relógio de uma pessoa e você a tranca numa casamata, subterrânea, por dois meses.
Alguns até são voluntários para isso e eles saem na verdade impressionados com a sua produtividade no buraco.
Então, não importa o quão atípico estes sujeitos tem que ser, todos eles mostram a mesma coisa.
Eles acordam um pouco mais tarde todos os dias - por volta de15 minutos - e ficam flutuando em volta do relógio assim durante três semanas.
Portanto, dessa forma, sabemos que estão trabalhando através de seus próprios relógios biológicos, e não ao sentir o dia lá fora.
Certo, então temos um relógio biológico, e por acaso, ele é incrivelmente importante nas nossas vidas.
É uma enorme determinante cultural, e acredito ser a força mais subestimada de nosso comportamento.
Nós evoluímos como espécie perto do equador, e estamos bem equipados para lidarmos com 12 horas de luz e 12 horas de escuridão.
Mas, claro, nós nos espalhamos por todos os cantos do globo, e no Ártico Canadense, onde eu moro, temos luz perpétua no verão e 24 horas de escuridão no inverno.
Assim a cultura, a cultura indígena do norte, tradicionalmente tem sido altamente sazonal.
No inverno, se dorme muito. Você desfruta da sua família em casa.
E no verão, é quase uma caça louca e atividade por horas muito longas, muita atividade.
Então, como seria o nosso ritmo natural?
Quais seriam nossos padrões de sono no sentido ideal?
Bem, acontece que, quando as pessoas vivem sem qualquer tipo de luz artificial, elas dormem duas vezes por noite.
Elas vão dormir às 20: 00 horas.
até meia noite e voltam a dormir das 2: 00 até o amanhecer
E no meio tempo, têm duas horas de um silêncio meditativo na cama.
E durante esse tempo, há um aumento da prolactina, coisa que não se vivencia em um dia moderno.
As pessoas nesses estudos dizem estarem tão acordadas durante o dia, que percebem que estão vivenciando um verdadeiro estado de vigília pela primeira vez em suas vidas.
Então, direto aos dias de hoje.
Estamos vivendo uma cultura de jet lag, viagens globais, negócios 24 horas trabalho em turnos.
E você sabe, nosso jeito moderno de fazer as coisas tem suas vantagens, mas eu acredito que devemos entender os custos.
Obrigada.
|
pt
| 1
|
Adrian Kohler. Bem, nós estamos aqui hoje para falar sobre a evolução do cavalo marionete.
Basil Jones: Mas na verdade nós vamos começar esta evolução com a hiena.
AK. A ancestral do cavalo.
Ok, nós vamos fazer alguma coisa com ela.
Risos Hahahahahahahahaha
A hiema é a ancestral do cavalo porque ela era parte de uma produção chamada "Faustus na África." uma produção da Handspring de 1995 onde ela teve que jogar damas com Helena de Troia.
Esta produjção foi dirigida pelo artista sul africano e diretor de teatro, William Kentridge.
Então ela precisava de uma pata frontal bem articulada.
Mas como todas as marionetes, ela tem outros atributos.
BJ: Um deles é a respiração, e ela meio que respira.
AK: Haa haa haa
BJ: Respiração é mesmo importante para nós.
É um tipo de movimento original para qualquer marionete para nós no palco
É a coisa que distingue a marionete - AK: Oops
BJ: de um ator.
Marionetes sempre têm que tentar ganhar vida.
É o seu tipo de estória no palco aquele desespero para viver
AK: Sim, isto é basicamente um objeto sem vida, como vocês podem e ele somente vive porque você o faz viver.
Um ator se esforça para morrer no palco, mas uma marionete tem que lutar para viver.
E de uma maneira que é uma metáfora para a vida.
BJ: Então a cada momento que ela está no palco, ela faz aquele esforço.
Então nós chamamos isto uma peça de engenharia emocional que utiliza tecnologia do século 17 bastante atualizada - Risos para tornar substantivos em verbos.
AK: Bem na verdade eu prefiro dizer que isto é um objeto construído com madeira e pano com movimento interno para persuadir vocês a acreditar que ele tem vida.
BJ: Ok então.
AK: E ele tem orelhas que se movem passivamente quando a cabeça se movimenta.
BJ: E ele tem este anteparo feito de madeira compensada, coberta com tecido - curiosamente semelhante, de fato, às canoas de madeira compensada que o pai de Adrian costumava fazer na sua oficina quando ele era um garoto
AK: em Porto Elizabeth, a vila do lado de fora de Porto Elizabeth, na África do Sul
BJ: Sua mãe era uma marionetista.
E quando nós nos conhecemos na escola de arte e nos apaixonamos em 1971. eu detestava as marionetes.
Eu realmente pensava que elas eram tão insignificantes para mim.
Eu queria me tornar um artista de vanguarda e Punch e Judy não eram cerrtamente onde eu queria ir
E de fato, levou cerca de 10 anos. para descobrir as marionetes de Bamaro bambano do Mali, no oeste da África onde há uma fabulosa tradição de marionetes, para aprender um renovado, ou um novo, respeito a esta forma de arte.
AK: Então em 1981, eu convenci Basil e alguns amigos meus a formar uma companhia de marionetes.
E 10 anos depois, milagrosamente, nós colaboramos com uma companhia de Mali, o Grupo Sogoton Marionete, de Bamako, onde nós fizemos uma peça sobre uma girafa alta.
Ela era chamada "Cavalo Alto" que era uma girafa de tamanho natural.
BJ: E aqui de novo, vocês veem a mesma estrutura.
Os anteparos agora se transformaram em aros de bengala, mas é em última instância a mesma estrutura.
Ela leva duas pessoas no seu interior sobre pernas de pau, as quais lhes dão a altura, e alguém na frente que usa um tipo de roda de direção para mover a cabeça.
AK: A pessoa nas patas traseiras também controla a cauda, à semelhança da hiena - o mesmo mecanismo, só um pouco maior.
E ele controla o movimento das orelhas.
BJ: Então esta produção foi vista por Tom Morris do Teatro Nacional em Londres.
E por aquela época, sua mãe tinha dito, "Você viu este livro de Michael Morpurgo chamado 'Cavalo de Guerra'?"
AK: É sobre um garoto que se apaixona por um cavalo.
O cavalo é vendido para a Primeira Guerra Mundial, e ele se alista para encontrar o seu cavalo.
BJ. Então Tom nos ligou e disse, "Vocês acham que podem construir para nós um cavalo para um show que irá acontecer no Teatro Nacional?"
AK: Aquilo parecia uma adorável ideia.
BJ: Mas ele tinha que cavalgar. Ele tinha que ter um cavaleiro.
AK: Ele tinha que ter um cavaleiro, ele tinha que participar de cargas de cavalaria.
Risos Uma peça sobre a tecnologia de arar do início do século 20 e cargas de cavalaria foi um pequeno desafio para o departamento de contabilidade no Teatro Nacional de Londres
Mas eles concordaram em continuar com isto por um tempo.
Então nós começamos com um teste.
BJ: Este é Adrian e Thys Stander. quem na verdade projetou o sistema de armação para o cavalo e a nossa vizinha de porta Katherine, subindo em uma escada.
O peso é realmente difícil quando está acima da sua cabeça.
AK: E uma vez que Katherine passou por essa experiência do inferno, nós soubemos que poderíamos ser capazes de constuir um cavalo que pudesse ser cavalgado.
Então nós construímos um modelo.
Este é um modelo de papelão um pouco menor do que a hiena.
Vocês podem notar que as pernas são de compensado e a estrutura de canoa ainda está lá.
BJ: E os dois manipuladores estão no interior.
Mas nós não percebemos naquela ocasião que na verdade nós precisaríamos de um terceiro manipulador, porque nós não poderíamos manipular o pescoço de dentro e fazer o cavalo andar ao mesmo tempo.
AK: Nós começamos a trabalhar no protótipo depois que o modelo foi aprovado, e o protótipo demorou um pouco mais do que havíamos previsto.
Nós tivemos que descartar as pernas de compensado e fazer uma nova armação.
E nós construímos um contêiner para isso.
Ele teve que ser embarcado para Londres.
Nós iriamos fazer um teste-drive para ele na rua em frente a nossa casa na Cidade do Cabo, e chegou a meia-noite e nós não tinhamos feito isso ainda.
BJ. Então nós pegamos a câmera, e nós colocamos a marionete em várias posições de galope.
E a enviamos para o Teatro Nacional, esperando que eles acreditassem que tinhamos criado algo que funcionasse.
Risadas AK: Um mês depois, nós estavámos em Londres com esta grande caixa e um estúdio cheio de pessoas prestes a trabalhar conosco.
BJ: Cerca de 40 pessoas,
AK: Nós estávamos aterrorizados.
Nós abrimos a tampa e tiramos o cavalo para fora, e ele funcionou, ele caminhou e era capaz de ser cavalgado.
Aqui eu tenho um clipe de 18 segundos da primeira caminhada do protótipo.
Este é o estúdio do Teatro Nacional, o lugar onde eles elaboram novas ideias.
Ele não tinha conseguido a aprovação ainda.
O coreógrafo, Toby Sedgwick, inventou uma linda sequência onde o potrinho, que era feito de varas e pedaços de galhos cresceu e se tornou o grande cavalo.
E Nick Starr, o diretor do Teatro Nacional, viu aquele momento em particular - ele estava próximo a mim - ele quase chorou.
E então nos foi dada a permissão para o show.
E nós voltamos à Cidade do Cabo e redesenhamos completamente o cavalo.
Aqui está o plano.
Risos E aqui é nossa fábrica na Cidade do Cabo onde nós fazemos cavalos.
Vocês podem ver vários esqueletos lá nos fundos.
Os cavalos são feitos completamente a mão
Há muito pouca tecnologia do século 20 neles.
Nós usamos um pouco de laser para o corte do compensado e algumas peças de alumínio.
Mas como eles têm que ser leves e flexíveis e cada um deles é diferente, eles não podem ser produzidos em massa, infelizmente.
Então aqui estão alguns cavalos semi-acabados prontos para serem trabalhados em Londres.
E agora nós gostaríamos de apresentar vocês a Joey.
Você está aí, garoto Joey?
Joey
Aplausos Aplauss Joey
Joey, vem aqui.
Não, não eu ainda não o peguei.
Ele tem no seu bolso.
BJ: Joey
AK: Joey, Joey, Joey, Joey
Vem aqui. Fique aqui onde as pessoas possam vê-lo.
Circule. Vem.
Eu gostaria de descrever- Eu não vou falar muito alto. Ele poderia se irritar.
Aqui. Craig está trabalhando a cabeça.
Ele tem cabos de freio de bicicleta descendo para controle principal na sua mão.
Cada um deles opera cada orelha, separadamente, ou a cabeça para cima e para baixo.
Mas ele também controla a cabeça diretamente usando sua mão.
As orelhas são obviamente um indicador emocional muito importante do cavalo.
Quando elas apontam diretametne para trás o cavalo esta amedontrado ou irritado, dependendo do que está acontecendo na frente dele ou ao redor dele.
Ou, quando ele está mais relaxado, a cabeça baixa e as orelhas ouvem de ambos os lados.
A audição dos cavalos é muito importante,
É quase mais importante do que sua visão.
Aqui Tommy fez o que vocês chamam de a posição do coração.
Ele está trabalhando a perna.
Vocês veem o cordão do tendão da hiena a pata frontal da hiena automaticamente puxa o aro para cima
Risadas Cavalos são tão imprevisíveis
Risadas A maneira como o casco levanta no cavalo imediatamente dá a vocês o sentimento de que é realmente uma ação do cavalo.
As patas traseiras têm a mesma ação.
BJ: E Mikey também tem, nos seus dedos, a habilidade de mover a cauda da esquerda para a direita, e para cima e para baixo com a outra mão.
E juntas, há várias e complexas possibilidades de mover a cauda.
AK: Você quer dizer alguma coisa sobre a respiração?
BJ. Nós tivemos um grande desafio com a respiração.
Adriam pensou que ele teria que separar o peito da marionete em dois e fazê-la respirar daquele jeito - porque é como um cavalo respiraria, com um peito expandido.
Mas nós compreendemos que, se aquilo acontecesse vocês na plateia não poderiam ver a respiração.
Então ele fez um canal aqui, e o peito se move para cima e para baixo naquele canal.
Então é anti-natural na verdade, o movimento de subir e descer mas ele parece como a respiração.
E é muito, muito simples porque tudo que acontece é que a marionete respira com os seus joelhos.
AK: Outro material emocional.
Se eu fosse tocar o cavalo aqui na sua pele, o marionetista principal pode sacudir o corpo por dentro e fazer a pele tremer.
Vocês notam, sem dúvida que a marionete é feita de varetas atadas.
E eu gostaria que vocês acreditassem que isto foi uma escolha estética, que eu estava fazendo um desenho tridimensional de um cavalo que de alguma forma se move no espaço.
Mas sem dúvida, era a vareta, ela é leve a vareta é flexivel, durável, e a vareta é moldável.
E então foi uma razão muito prática o por quê ela foi feita de varetas.
A pele é feita de uma malha de nylon transparente, a qual, se a projetista de iluminação quiser que o cavalo quase desapareça ela pode iluminar a parte dos fundos e o cavalo se torna um fantasma.
Vocês veem a estrutura do esqueleto dele.
Ou se você o ilumina de cima, ele se torna mais sólido.
De novo, isto foi uma consideração prática.
Os caras dentro do cavalo têm que ser capazes de ver fora.
Eles têm que ser capazes de atuar na produção junto com seus companheiros atores.
E é uma atividade muito de momento na qual eles estão engajados.
São três dirigentes interpretando um personagem.
Mas agora nos gostariamos que vocês colocassem o Joey para caminhar.
E ficar em duas patas.
Whinny Obrigado
A agora Aplausos Da ensolarada Califórnia nós temos Zem Joaquin quem irá cavalgar o cavalo para nós.
Aplausos Aplausos Música Então nós gostaríamos de enfatizar que a atuação que vocês veem no cavalo são três caras que estudaram o comportamento de equinos incrivelmente bem.
BJ: Sem serem capazes de conversar um com o outro enquanto estão no palco porque eles usam um pequeno microfone.
O som que aquele peito largo do cavalo faz - o relincho e os ruídos e tudo o mais que começam geralmente com um intérprete, continuam com uma segunda pessoa e terminam com a terceira.
AK: Mikey Brett de Leicestershire.
Aplausos Mikey Brent, Craig Leo, Zem Joaquim e Basil e eu
Aplausos Muito obrigado. Muito Obrigado
Aplausos
|
pt
| 2
|
Eu quero ajudá-los a reconsiderar o que é filantropia, o que poderia ser, e o que vocês têm a ver com isso.
E dessa forma, quero oferecer a vocês uma visão, um futuro imaginado, se preferirem, de como, nas palavras do poeta Seamus Heaney, "Uma vez na vida, sobe a tão esperada maré da justiça, trazendo a rima entre a esperança e a história."
Gostaria de começar com estes pares de palavras.
Todos sabemos em qual dos dois lados gostaríamos de estar.
Quando a filantropia foi reinventada há um século, quando o formato de fundação foi realmente inventado, também não achavam que estavam do lado errado dessas duas colunas.
Na verdade, eles nunca teria achado que eram fechados e irredutíveis, lentos em responder a novos desafios, pequenos e aversos a riscos.
E, na verdade, não o eram. Naquela época estavam reinventando a caridade. Era o que Rockefeller chamou "O negócio da benevolência".
Mas ao final do século 20, uma nova geração de críticos e reformadores passou a ver a filantropia desta forma.
Devemos estar atentos, à medida em que surge o setor da filantropia global, e isto é exatamento o que está acontecendo, é como a aspiração irá revirar estas velhas assunções. Para a filantropia tornar-se aberta e grande, e rápida e conectada, a serviço do longo prazo.
Esta energia empreendedora está surgindo de muitos cantos.
É levada e impulsionada por novos líderes, como muitas das pessoas aqui presentes, por novas ferramentas, como as que vimos aqui, por novas pressões.
Tenho acompanhado e participado desta mudança por algum tempo.
Este relatório é o principal relatório público.
Ele conta que a história de hoje pode ter o impacto histórico dos eventos de 100 anos atrás.
Gostaria de compartilhar com vocês algumas das coisas mais bacanas que estão acontecendo com você.
Para fazer isso, não vou gastar muito tempo falando sobre a parte grande da filantropia que todo mundo já conhece, como os Gates, o Soros e a Google.
Pelo contrário, o que eu gostaria de fazer é falar sobre a filantropia de todos nós. A democratização da filantropia.
Este é o momento da história em que uma pessoa comum jamais teve tanto poder.
Vou falar sobre cinco categorias de experimentos, cada um dos quais desafia uma velha premissa sobre filantropia.
A primeira é colaboração em massa, aqui representada pela Wikipedia.
Sei que isto pode surpreender vocês.
Mas lembrem-se, filantropia significa dar tempo e talento, não apenas dinheiro.
Clay Shirky, o grande cronista de tudo em rede, captou a premissa desafiada por este conceito de uma forma linda.
Ele disse, "Temos vivido neste mundo onde pequenas coisas são feitas por amor e grandes coisas por dinheiro.
Temos agora a Wikipedia.
De repente, grandes coisas podem ser feitas por amor."
No início do próximo ano, fiquem atentos ao novo livro de Paul Hawken. Um autor e empreendedor que muitos de vocês devem conhecer.
Seu livro é chamado "Abençoada Inquietação".
Quando for publicado, uma série de sites wiki, sob o rótulo WISER [mais sábio], será lançada simultaneamente.
Em inglês, WISER significa Índice Mundial de Responsabilidade Social e Ambiental.
WISER se propõe a documentar, associar e dar autonomia ao que Paul chama o maior movimento, e o movimento de crescimento mais rápido na história humana. É a resposta do sistema imunológico coletivo da humanidade às ameaças atuais.
Nem todas essas grandes coisas feitas por amor terão sucesso.
Mas aquelas que alcançarem o sucesso serão a maior, a mais transparente, a mais rápida, a mais conectada forma de filantropia na história da humanidade.
A segunda categoria é a dos mercados filantrópicos online.
Obviamente, isto representa para filantropia o que a eBay e a Amazon representam para o comércio.
Pensem nisso como filantropia peer-to-peer.
E isto desafio outra premissa, a de que a filantropia organizada é apenas para as pessoas muito ricas.
Se ainda não o fizeram, visitem DonorsChoose.
Omidyar Network fez um grande investimento em DonorsChoose.
Este é um dos sites mais conhecidos nesse novo mercado nos quais o doador pode ir diretamente à sala de aula e conectar-se com o que o professor diz que está precisando.
Visitem Changing the Present, fundada por um TEDster, na próxima vez que precisarem de um presente de casamento ou de viagem.
O site GiveIndia é para todo um país.
E assim por diante.
A terceira categoria é representada por Warren Buffet. O que eu chamo de doação agregada.
Warren Buffet não foi apenas tremendamente generoso em seu histórico gesto do verão passado.
O interessante é que ele desafiou outra premissa, a de que cada doador deveria ter seu próprio fundo ou fundação.
Atualmente, existem tantos novos fundos que estão agregando doações e investimento, reunindo pessoas em torno de um objetivo comum, pensar maior.
Um dos mais conhecidos é o Acumen Fund, dirigido por Jacqueline Novogratz, uma TEDster que ganhou um grande impulso aqui no TED.
Mas existem muitos outros. New Profit, em Cambridge, o Venture Fund da New School, no Vale do Silício, o Venture Philanthropy Parners, em Washington, o Global Fund for Women, em San Francisco.
Vejam esses fundos.
Esses fundos representam para a filantropia, o que capital de risco, investimento privado e até fundos mútuos representam para investimento. Mas com algo diferente, porque muitas vezes formam-se comunidades ao redor desses fundos, como aconteceu com a Acumen e em outros lugares.
Agora imaginem estes três primeiros tipos de experimentos -- colaboração em massa, mercados online e doação agregada.
E entendam como eles nos ajudam a re-perceber o que é filantropia organizada.
Não é necessariamente uma questão de fundações; é uma questão de nós todos.
Agora imaginem uma combinação de tudo isso no futuro, quando essas coisas são reunidas em experimentos do futuro -- imaginem alguém doar -- digamos -- 100 milhões de dólares, para algum objetivo inspirador. No ano passado nos EUA, houve 21 doações de 100 milhões de dólares ou mais. Portanto, não é impossível. Mas a doação será feita apenas se for acompanhada de milhões de pequenas doações ao redor do mundo. Envolvendo assim muitas pessoas, criando visibilidade e envolvimento das pessoas na meta firmada.
Vou rapidamente analisar a quarta e a quinta categorias, que são inovação, competições e investimento social.
Estão apostando que uma competição de alta visibilidade, um prêmio, pode atrair talento e dinheiro para algumas das questões mais difíceis, agilizando, assim, a solução.
Isto aborda uma outra premissa, a de que o doador e a organização estão no centro, quando o problema deveria estar no centro.
Podemos buscar esses inovadores, especialmente para ajudar-nos com coisas que exigem soluções tecnológicas e científicas.
Isto nos deixa com uma última categoria, a de investimento social, que, na verdade, é a maior delas. Aqui representada pela Xigi. net.
E, claro, isto aborda a maior premissa de todas, de que negócios são negócios, e que a filantropia é o veículo de pessoas que querem promover mudanças no mundo.
Xigi é um novo site de comunidades, construído pela comunidade, associando e mapeando este novo mercado de capital social.
Já conta com 1. 000 entidades, que estão oferecendo dívidas e participações em empreendimentos sociais.
Podemos examinar essas inovações para ajudar-nos a lembrar que se conseguirmos alavancar mesmo que seja uma pequena parcela do capital buscado como retorno, os benefícios gerados podem ser surpreendentes.
O que é realmente interessante é que não estamos transformando nosso pensamento em uma nova forma de agir. Estamos transformando nossos atos em uma nova forma de pensar.
A filantropia está se reorganizando aos nossos olhos.
E mesmo se todos os experimentos e todos os grandes doadores ainda não atendem esta aspiração, Penso que este é um sinal de um novo tempo: livre, grande, rápido e conectado. E, esperamos, duradouros.
Precisamos ter consciência de que tudo isso leva tempo.
Se não desenvolvermos a força para perseverarmos -- o que quer que você escolha, persevere -- tudo isso não será mais que uma moda passageira.
Mas tenho grande esperança.
E tenho esperança porque não é apenas filantropia que está se reorganizando. São diversas áreas do setor social, e dos negócios, que estão ocupados desafiando a rotina dos negócios.
Onde quer que eu vá, incluindo aqui no TED, sinto que há uma nova fome moral, que está crescendo.
O que estamos vendo são pessoas lutando para descrever o que está acontecendo.
Palavras como "filantrocapitalismo", e "capitalismo natural", "filantroempreendedor" e "filantropia de risco".
Ainda não temos uma linguagem para isto.
O que quer que chamemos, é novo, está começando, e penso que será bem significativo.
E é aqui que entre o futuro que imagino. Vou chamá-lo de singularidade social.
Muitos de vocês sabem que estou roubando um pouco do que o escritor de ficção científica Vernor Vinge chamou de singularidade tecnológica, na qual um número de tendências se aceleram e convergem, reunindo-se para criar, realmente, uma nova e chocante realidade.
Pode ser que a singularidade social que está por vir seja aquele que mais tememos. Uma convergência de catástrofes, de degradação ambiental, de armas de destruição em massa, de pandemias, de pobreza.
Isto tudo porque nossa capacidade de enfrentar os problemas que nos confrontam não acompanhou nossa capacidade de criá-los.
Conforme já ouvimos aqui, não é um exagero afirmar que temos o futuro da civilização em nossas mãos, como jamais tivemos.
A pergunta é: existe uma singularidade social positiva?
Existe uma fronteira para nós de como convivemos?
Nosso futuro não precisa ser imaginado.
Podemos criar um futuro no qual esperança e história rimam.
Mas temos um problema.
Nossa experiência até o momento, individualmente e coletivamente, não nos preparou para o que precisaremos fazer, ou quem precisaremos ser.
Vamos precisar de uma nova geração de líderes cidadãos, dispostos a comprometerem-se a crescer, a mudar e a aprender o mais rapidamente possível.
É por isto que tenho uma última coisa a mostrar-lhes.
Esta é uma foto tirada a cerca de 100 anos. Mostra meu avô e meu bisavô.
Um dono de um jornal e um banqueiro
E ambos eram ótimos líderes comunitários.
E, sim, eram grandes filantropistas.
Deixo esta foto sempre próxima. Está em meu escritório. Porque sempre senti uma conexão mística com estes dois homens, nenhum dos quais conheci.
E assim, em sua homenagem, quero oferecer-lhes este slide em branco.
Quero que imaginem que esta é uma foto de vocês.
E quero que pensem sobre a comunidade que querem ajudar a criar.
Não importa o que isto significa para vocês.
E quero que imaginem 100 anos no futuro, e seus netos, bisnetos, ou sobrinhos ou afilhados, estão olhando para esta foto de vocês.
Qual é a história que mais querem que eles contem?
Muito obrigada.
|
pt
| 3
|
Acredito que há tensões novas e escondidas que estão ocorrendo entre pessoas e instituições -- instituições que são as que as pessoas frequentam no seu dia-a-dia: escolas, hospitais, locais de trabalho, fábricas, escritórios, etc.
E o que vejo acontecendo é uma coisa que eu gostaria de chamar de um tipo de "democratização da intimidade".
E o que eu quero dizer com isso?
Quero dizer que o que as pessoas estão fazendo é, de fato, através de seus canais de comunicação, quebrando um isolamento imposto por essas instituições.
Como eles estão fazendo isso? Eles estão fazendo isso de uma maneira muito simples, ligando do trabalho para suas mães, mandando dos seus escritórios mensagens instantâneas para seus amigos, digitando embaixo de suas mesas.
As imagens que vocês estão vendo atrás de mim são pessoas que eu encontrei nos últimos meses.
E eu pedi que viessem com a pessoa com quem mais se comunicam.
E alguns trouxeram namorados, outros um pai.
Uma jovem trouxe seu avô.
Por 20 anos, eu estive observando como as pessoas usam canais como email, celulares, mensagens de texto, etc.
O que vamos ver é que fundamentalmente, as pessoas estão se comunicando de forma regular com cinco, seis, sete individuos de sua esfera de amizades mais íntima.
Agora, vamos ver alguns dados. Facebook.
Recentemente alguns sociológos do Facebook -- Facebook é o canal que você esperaria que fosse o maior dos canais de comunicação.
E um usuário médio disse Cameron Marlow, do Facebook, tem por volta de 120 amigos.
Mas, na verdade ele conversa com mais ou menos de 4 a 6 pessoas de forma regular, dependendo do sexo.
Pesquisas acadêmicas sobre mensagens instantâneas também mostram que mesmo a lista de amigos tendo 100 pessoas, as pessoas fundamentalmente conversam com duas, três, quatro -- menos que cinco pessoas.
Minha pesquisa sobre celulares e chamadas de voz mostram que 80% das chamadas são na verdade realizadas para quatro pessoas. 80%.
E se você considerar o Skype, isto cai para duas pessoas.
Muitos sociólogos estão bastantes desapontados na verdade.
Quero dizer, eu tenho ficado um pouco desapontada também algumas vezes quando vejo os dados e todo esse aparato tecnológico para usarmos somente com cinco pessoas.
E alguns sociólogos verdadeiramente sentem que isto é um afastamento, um isolamento, que estamos desconectando das pessoas em geral.
E eu na verdade, eu gostaria de mostrar que se olharmos para quem está fazendo isso, e de onde estão fazendo isso, realmente veremos que há uma incrível transformação social.
Há três histórias que eu acho que são exemplos muito bons.
A primeira pessoa é um padeiro.
E ele começa a trabalhar toda manhã às quatro da manhã.
E por volta das oito horas ele foge um pouco do seu forno, limpa suas mãos sujas de farinha, e liga para sua esposa.
Ele somente quer desejar a ela um bom dia, porque naquele momento é o começo do dia dela.
E eu escutei esta história várias vezes.
Um jovem trabalhador de uma fábrica que trabalha no turno noturno, que dá um jeito de escapar do chão de fábrica, onde à proposito, há um circuito de monitoração fechado, e encontra um canto, onde às 11 horas da noite liga para sua namorada apenas para dizer boa noite.
Ou uma mãe que, às quatro horas, rapidamente dá um jeito de achar um canto no banheiro para checar se suas crianças estão bem em casa.
E ainda há um outro casal, um casal brasileiro.
Eles moram na Itália já há vários anos.
Eles conversam pelo Skype com suas familias algumas vezes por semana.
Mas, a cada quinze dias, eles colocam seu computador na mesa de jantar, ligam a câmera e jantam com sua familia em São Paulo. E ficam muito felizes com isso.
E eu escutei uma história pela primeira vez alguns anos atrás sobre uma família muito modesta de imigrantes de Kosovo na Suiça.
Eles colocaram um grande tela em sua sala de estar e toda manhã tomam café com sua avó.
Mas Danny Miller, que é um ótimo antropologista e que está trabalhando na migração de mulheres filipinas que deixam suas crianças para trás nas Filipinas, estava me contando como a criação dos filhos está ocorrendo através do Skype, e o quanto estas mães estão envolvidas com seus filhos através do Skype.
E então ainda há a terceira dupla. Eles são dois amigos.
Eles conversam entre si todos os dias, algumas vezes ao dia, na verdade.
e finalmente, finalmente eles conseguiram colocar mensagens de texto nos seus computadores do trabalho.
E agora, obviamente eles tem o aplicativo aberto o tempo todo.
Toda vez que eles tem uma chance, eles conversam entre si.
E é exatamente isto que temos visto com adolescentes e crianças mandando mensagens para seus amigos por debaixo de suas mesas nas escolas
Então, nenhum desses casos são únicos.
Quero dizer, você pode contar uma centena deles.
Mas o que é realmente excepcional é o ambiente onde ocorre.
Então, pense nas três situações que mencionei antes: fábrica, imigração e escritório.
Mas poderia muito bem sem em uma escola, em uma administração, em um hospital.
Três locais que se você olhar para 15 anos atrás, se você pensar em 15 anos atrás, quando você batia seu ponto, quando você batia o ponto no escritório, quando você batia o ponto na fábrica, não havia mais contato durante o resto do tempo não havia contato com sua vida privada.
Se você tivesse sorte, haveria um telefone público no corredor ou em algum lugar.
Se você fosse na gerência, ah, aí era uma outra história.
Talvez você tivesse uma linha direta.
Se você não fosse, talvez tivesse que ter suas ligações via telefonista.
Mas basicamente, quando você entrava naqueles edifícios, sua vida pessoa era deixada para trás.
E isso virou um padrão em nossas vidas profissionais, padrão e expectativa também.
E não tem nada a ver com capacidade técnica.
Havia telefones lá. Mas assim que você entrava no ambiente de trabalho seu comprometimento para com sua tarefa era total, total às pessoas que lhe cercam.
Era nisto que seu foco tinha que estar.
E isso se tornou um padrão cultural de tal forma que nós colocamos nossos filhos na escola para que sejam capazes de fazer essa divisão.
Se você pensar em maternal, jardim e primeiros anos de escola verá que são dedicados a separar as crianças, acostumá-los a ficar longas horas afastados de suas famílias.
E é aí que a escola age perfeitamente bem,
imitando perfeitamente todos os rituais que iniciaremos nos escritórios, rituais de entrada, rituais de saída, os horários, os uniformes neste país, coisas que lhe identificam, atividades formadoras de times, atividades de time que irão permitir que basicamente você seja de um grupo aleatório de crianças, ou de um grupo aleatório de pessoas com que você terá que conviver inúmeras vezes.
E com certeza, o principal: aprender a prestar atenção, a se concentrar e focar sua atenção.
Isto começou não mais do que 150 anos atrás.
Somente começou com o nascimento da burocracia moderna, e da revolução industrial.
Quando pessoas tiveram que basicamente ir a algum lugar para trabalhar e realizar o trabalho.
E com a burocracia moderna, havia uma abordagem muito racional, onde havia uma distinção clara entre a esfera privada e a esfera pública.
Até então, basicamente as pessoas viviam em cima de seus negócios.
Viviam na terra onde trabalhavam.
Viviam nas oficinas onde trabalhavam.
E se você pensar, verá que isto permeou toda nossa cultura, até nossas cidades.
Se você pensar nas cidades medievais e seus arredores todos tem os nomes das organizações e profissões dos que moravam lá.
Agora temos suburbios residenciais vastos que são bem distintos das áreas de produção e áreas comerciais.
E na verdade, durante estes 150 anos, houve também o surgimento de um sistema de classes bem claro.
Assim, quanto mais baixo for o status do trabalho e da pessoa que o executa, mais afastada de sua esfera de relacionamento pessoal ela será.
As pessoas tomaram para si essa incrível possibilidade de realmente se manter em contato o dia todo ou em todos os tipos de situações.
E eles estão fazendo isso massivamente.
The Pew Institute, que produz bons dados de forma regular, por exemplo, nos EUA, diz que -- e eu acho este número conservador -- 50% de qualquer pessoa que tenha e-mail no trabalho, está na verdade usando-o para assuntos pessoais.
Eu realmente acho que este número é conservador.
Na minha pesquisa, vimos que o pico de e-mails pessoais é na verdade às 11 horas da manhã, não importa o país.
75% das pessoas admitem usar seus celulares para conversas pessoais no trabalho.
100% usam mensagens de texto.
O ponto é que esta reapropriação da esfera pessoal não tem tanto sucesso em todas as instituições.
Eu sempre fico surpresa ao ver os sociólogos do Exército Americano discuting o impacto por exemplo, dos soldados no Iraque terem contato diário com suas famílias.
Mas, há muitas instituições que na verdade bloqueiam este acesso.
E todo dia, todo santo dia, eu leio notícias que me deixam envergonhada, como a multa de 15 dólares dada a garotos no Texas, cada vez que utilizam seus celulares na escola.
Demissão sumária de motoristas de ônibus em Nova Iorque, se vistos com um celular na mão.
Empresas bloqueando acesso a mensagens instantâneas ou ao Facebook.
Por trás de problemas de segurança, que sempre tem sido o argumento para controle social, de fato o que está acontecendo é que essas instituições estão tentando decidir quem, de fato, tem o direito de determinar por si mesmo seu foco de atenção, decidir, se eles devem ou não, serem isolados.
E eles estão na verdade tentando bloquear, de um certo modo, este movimento que significa uma maior possibilidade de intimidade.
|
pt
| 4
|
Hoje, eu vou contar-lhes sobre algumas pessoas que não se mudaram de sua vizinhança.
O primeiro esta acontecendo bem aqui em Chicago.
Brenda Palms-Farber foi contratada para ajudar ex-presidiários a se reintegrar a sociedade e afastá-los de voltar a prisão.
Normalmente, os contribuintes gastam cerca de $60. 000 por ano mandando uma pessoa à prisão.
Sabemos que dois terços deles irão retornar.
Achei curioso que, para cada dólar que gastamos, na educação infantil, como Head Start, economizamos $17 em coisas como encarceramento no futuro.
Ou -- pense -- que $60. 000 é mais do que custa mandar uma pessoa a Harvard.
Mas Brenda, não intimidada por esse tipo de coisa, olhou para seu desafio e chegou com uma solução não-tão-óbvia: criou um negócio que produz produtos para a pele a base de mel.
OK, isso pode ser trivial para alguns de vocês; mas não para mim.
É a base para o lançamento de uma forma de inovação social que tem potencial real.
Ela contratou homens e mulheres aparentemente desempregados para cuidar das abelhas, colher o mel e fazer produtos com valor agregado que eles próprios comercializam, e que posteriormente são vendidos na Whole Foods.
Ela combinou experiência profissional e formação com as habilidades para a vida que eles precisavam, como a gestão da raiva e o trabalho em equipe, e também como falar com futuros empregadores sobre como suas experiências realmente demonstram as lições que eles absorveram e sua vontade de aprender mais.
Menos de quatro porcento das pessoas que entraram no programa voltaram para a prisão.
Então, esses jovens, homens e mulheres, aprenderam que pró-atividade e habilidades para viver cuidando das abelhas e se tornando cidadãos produtivos no processo.
É um bom começo.
Agora, vou levá-los a Los Angeles. E muitos sabem que L. A. tem seus problemas.
Mas vou me referir aos problemas com as águas de L. A.
Eles não tem água suficiente atualmente e muita água para lidar quando chove.
Normalmente, 20 porcento do consumo de energia da Califórnia é usada para bombear água especialmente para o sul da Califórnia.
Eles gastam montes e montes para canalizar as águas da chuva para o oceano quando chove e alaga.
Andy Lipkis esta trabalhando para ajudar L. A. reduzir os custos com infraestrtura associados à gestão de águas e as ilhas urbanas de calor -- ao juntar árvores, pessoas e tecnologia para criar uma cidade mais habitável.
Todo o verde naturalmente absorve a água de chuva, também ajuda a manter nossas cidades mais frias.
Pense o seguinte: você quer na verdade um ar-condicionado, ou uma sala mais fria? O que você quer?
Como você chega a isso - não faz tanta diferença.
Assim, a alguns anos atrás a cidade de L. A. decidiu que eles precisavam gastar 2, 5 bilhões de dólares para reformar as escolas da cidade.
E Andy e sua equipe descobriram que teriam que gastar 200 milhões destes dólares para asfaltar o entorno das escolas.
E para apresentar um caso de economia realmente forte eles convenceram o governo de L. A. a trocar o asfalto por árvores e outras vegetações, para que assim as escolas economizassem para o sistema, trocando gastos de energia por infraestrutura de horticultura.
Assim por fim, 1, 85 milhões de m2 de asfalto foram trocados ou evitados, e o consumo de energia elétrica de ar-condicionado diminuiu, enquanto o emprego para as pessoas para a manutenção dos jardins aumentou, resultando em uma rede de economia para o sistema, mas também em estudantes e empregados das escolas mais saudáveis.
Agora Judy Bonds, é filha de um mineiro de carvão.
Ela vem de oito gerações que moram em uma cidade chamada Whitesville, West Virginia.
E se alguém deve estar agarrada a antiga glória da história da mineração de carvão e da cidade, deve ser Judy.
Mas a forma como o carvão é minerado hoje, é diferente das profundas minas que seu pai e o pai de seu pai desciam e que empregavam essencialmente milhares e milhares de pessoas.
Agora, duas dúzias de homens podem rasgar a montanha em alguns meses, e apenas por cerca de alguns anos de carvão.
Esse tipo de tecnologia é chamado de remoção do topo da montanha.
Transforma a montanha, desse jeito para isso aqui em poucos meses.
Apenas imagine que o ar ao redor destes lugares -- esteja cheio de resíduos de explosivos e carvão.
Quando visitamos, algumas pessoas que nos acompanhavam pegou essa tossinha estranha em apenas algumas horas de sua chegada -- e todos sentem isso, não é só os mineiros.
E Judy viu sua paisagem ser destruída e sua água envenenada.
E as mineradoras de carvão vão embora após esvaziarem a montanha, deixando em seu rastro, ainda mais desemprego.
Mas ela também viu a diferença no potencial de energia eólica em uma montanha intacta, e em uma que teve redução de elevação de mais de 610 m.
Três anos de energia suja sem muitos empregos, ou séculos de energia limpa com o potencial de desenvolver conhecimento e melhoria na eficiência baseados em habilidades técnicas, e desenvolvendo o conhecimento local para conseguir o melhor dos ventos da região.
Ela calculou os custos iniciais e o tempo de retorno, e teve um saldo positivo em muitos níveis para a economia local, nacional e global.
Tem um retorno maior que a remoção da montanha, e a energia eólica continua rendendo para sempre.
Atualmente a remoção da montanha rende muito pouco para a região, gerando muita miséria.
A água se transforma em gosma.
Muitas pessoas estão ainda desempregadas, sendo levados à maioria dos mesmos problemas sociais que os desempregados urbanos experimentam -- abuso de drogas e álcool, abuso doméstico, gravidez precoce e saúde degradada.
Agora Judy e eu -- devo esclarecer -- estamos totalmente relacionadas uma com a outra.
Uma aliança muito óbvia.
Literalmente, sua cidade natal é Whitesville [Vilabranca], West Virginia.
Eu digo, eles não são [isso] -- Eles não estão disputando o título de berço do hip hop ou qualquer coisa assim.
Mas nas costas de minha camiseta, uma que ela me deu, diz:"Salvem os caipiras em perigo."
Então, garotas urbanas e as caipiras se juntaram e entenderam bem do que tudo isso se trata.
Mas apenas a alguns meses atrás, Judy foi diagnosticada com câncer de pulmão em estágio três.
Sim.
E desde então já alcançou seus ossos e seu cérebro.
Eu acho isso tão bizarro ela estar sofrendo do mesmo mal que tão bravamente tentou proteger as pessoas.
Mas seu sonho para Coal River Mountain Wind é seu legado.
E ela pode não chegar a ver o topo da montanha.
Mas mais do que escrever algum tipo de manifesto ou coisa parecida, ela esta deixando um plano de negócios para que isso aconteça.
É o que esta garota urbana está fazendo.
Estou tão orgulhosa.
Mas essas três pessoas não se conhecem, porém têm muita coisa em comum.
São todos resolvedores de problemas, e são apenas alguns dos muitos exemplos que tive o privilégio de ver, conhecer e aprender com seus exemplos no meu trabalho atual.
Eu tive muita sorte de ter todos eles em minha empresa para um programa na Rádio Pública chamado "ThePromisedLand. org" [ATerraPrometida. org]
Agora são todos visionários muito experientes.
Eles olham as demandas que existem -- produtos de beleza, escolas saudáveis, eletricidade -- e como o dinheiro flui para essas demandas.
E quando a solução mais barata representa reduzir o número de empregos, você acaba ficando com pessoas desempregadas, e essas pessoas não são baratas.
Na verdade, eles fazem parte do grupo que chamo de cidadãos mais caros - incluindo a geração empobrecida; veteranos traumatizados retornando do Oriente Médio; pessoas saindo da prisão.
E para os veteranos em particular, a Associação V. A. disse que há um aumento em seis vezes no uso de medicamentos para saúde mental para veteranos desde 2003.
Eu acho que esse número provavelmente irá aumentar.
Eles não são o maior grupo de pessoas, mas eles são dos mais caros. Em termos de probabilidade de abuso doméstico e abuso de álcool e drogas, baixo desempenho de seus filhos na escola e saúde debilitada como resultado do estresse.
Essas três pessoas entenderam como canalizar dolares eficientemente usando a economia local para alcançar as demandas existentes dos mercados, reduzir os problemas sociais que temos agora e prevenir novos problemas no futuro.
E há muitos outros exemplos como esses.
Um problema: tratamento de resíduos e desemprego.
Mesmo quando pensamos ou falamos sobre reciclagem, muitas coisas recicláveis acabam incineradas ou no aterro e deixando muitos municípios, de diversas formas, com muito para reciclar.
E onde se coloca esse lixo? Quase sempre em comunidades pobres.
Nós sabemos que os negócios eco-industriais, esse modelo de negócio -- existe um modelo na Europa chamado parque eco-industrial, onde o resíduo de uma empresa é a matéria prima de outra, ou você usa materiais reciclados para fazer produtos para usar no cotidiano ou vender.
Podemos criar mercados locais e incentivos para materiais reciclados para serem usados como matéria prima para a manufatura.
Em minha terra natal, nós tentamos um destes no Bronx, mas nosso prefeito decidiu que ele queria ver mesmo era uma prisão naquela mesma localidade.
Felizmente -- porque queríamos criar centenas de empregos -- depois de muitos anos, a cidade tentando construir uma prisão,
abandonou finalmente o projeto, graças a Deus.
Outro problema: sistema alimentar não saudável e desemprego.
Os americanos da classe trabalhadora e urbanos pobres não estão se beneficiando economicamente do nosso atual sistema de alimentação.
Ele é dependente de muito transporte, fertilização química, grande uso de água e também da refrigeração.
Mega operações agrícolas geralmente são responsáveis por envenenar nossos cursos d'água e nossa terra, para nos dar um produto incrivelmente não saudável, que nos custa bilhões em assistência a saúde, e em perda de produtividade.
Assim sabemos que a agricultura urbana é um tópico quente nessa época do ano, mas é confundido com jardinagem, que tem algum valor na selva de pedras -- ou muito -- mas não em termos de criação de empregos ou para produção de comida.
Os números não estão lá.
Parte do meu trabalho agora é preparar o terreno para integrar a agricultura urbana com o sistema de produção rural para apressar o fim da salada de 3. 000 milhas [de transporte] criando uma marca nacional de produção urbana e que em cada cidade use o poder de crescimento regional em complemento com instalações internas de cultivo, mantido e operado por pequenos produtores, onde hoje só encontramos consumidores.
Isso pode manter fazendeiros sazonais ao redor das áreas metropolitanas que estão sumindo porque eles não podem manter a demanda anual de produção.
Não é uma competição com a fazenda rural, é na verdade um reforço.
Ele alia em um sistema realmente positivo e economicamente viável de produção.
O objetivo é atender as demandas institucionais das cidades para hospitais, centros de idosos, escolas, creches, e produzir uma rede para empregos regionais também.
Isso é uma pequena infraestrutura.
E como nós gerenciamos nosso meio ambiente construído afeta a saúde e o bem estar das pessoas todos os dias.
Nossos municípios, rural e urbano, desempenham o curso operacional da infraestrutura -- coisas como disposição de lixo, demanda de energia, bem como custos sociais do desemprego, índices sem-escola, encarceramento e os impactos dos vários custos da saúde pública.
Uma infraestrutura inteligente pode prover formas de economizar para que os municípios enfrentem as necessidades, tanto de infraestrutura como sociais.
Nós queremos trocar os sistemas por outros que abrem portas para as pessoas que antes eram encargos fiscais para se tornarem parte da base de contribuíntes.
Imagine um modelo de negócio nacional que crie empregos locais e uma infraestrutura inteligente para melhorar a estabilidade da economia local.
Eu espero que vocês possam ver um tema aqui.
Este exemplo demonstra uma tendência.
Eu não inventei, e não aconteceu por acidente.
Eu digo que está acontecendo em todo o país, e a boa notícia é que está crescendo.
Todos nós temos que investir nisso.
Esse é um pilar essencial para a reconstrução do país.
Eu o chamo de segurança do lar.
A recessão tem-nos atordoado e amedrontado, e há algo no ar nesses dias que também é muito poderoso.
É a conscientização de que somos a chave de nossa recuperação.
Agora é o tempo de agirmos em nossas comunidades onde pensamos localmente e agimos localmente
E quando fizermos isso, nossos vizinhos -- estejam eles na porta ao lado, ou no outro estado, ou no outro país -- tudo estará bem.
A soma do local é o global.
A segurança do lar significa recriar nossas defesas naturais, colocando as pessoas para trabalhar, restaurando nosso sistema natural.
A segurança do lar significa criar saúde aqui em casa, ao invés de destruir além mar,
Enfrentar os problemas sociais e ambientais ao mesmo tempo, com a mesma solução produz grandes economias, gera saúde e segurança nacional.
Muitas soluções geniais e inspiradoras tem sido geradas pela América.
O desafio para nós agora é identificar e apoiar muitas mais.
Agora, a segurança do lar é sobre cuidar dos nossos, mas não como o velho ditado, caridade começa em casa.
Recentemente li o livro "Love Leadership" [Liderança de Amor] de John Hope Bryant.
É sobre liderar em um mundo que realmente parece estar operando com base no medo.
Ler esse livro me fez reexaminar essa teoria porque preciso explicar o que eu quero com isso.
Veja, meu pai foi um grande, grande homem por diversas razões.
Ele cresceu no sul segregado, fugiu de linchamento e tudo mais durante um tempo muito duro, e ele providenciou uma casa estável para mim e meus irmão e para um monte de gente que passou por tempos difíceis.
Mas, como todos nós, ele tem alguns problemas.
Ele é um jogador, compulsivo.
Para ele a frase, "Caridade começa em casa", significava que meu salário -- ou de qualquer um -- sempre coincidia com seu dia de sorte.
Assim tinhamos que ajudá-lo.
E algumas vezes eu tive que lhe emprestar dinheiro recebido de meus empregos parciais ou de férias e ele sempre teve a boa intenção de me pagar com juros claro, depois de ganhar uma bolada.
Ele conseguiu algumas vezes, acreditem ou não, em pistas de corridas em Los Angeles -- uma das razões que eu amo L. A. -- na década de 1940.
Ele ganhou $15. 000 em dinheiro e comprou a casa em que eu cresci.
Assim eu não estou tão triste com isso.
Mas escutem, eu me sentia pressionada por ele e eu cresci -- então eu cresci.
E sou uma mulher adulta agora. Eu aprendi algumas coisas nesse tempo.
Para mim, caridade é sempre sobre dar, porque supõe-se que você vá, ou porque é o que você sempre faz, ou é dar até ferir.
Eu estou provendo os meios para construir algo que irá crescer e intensificar o investimento original e não só requer uma doação maior no próximo ano -- Eu não estou tentando alimentar um hábito.
Eu gastei alguns anos observando como boas intenções para o fortalecimento da comunidade, que achávamos estaria lá para manter a comunidade e fortalecê-la. na verdade acabou deixando as pessoas na mesma posição, se não em pior, que estavam antes.
Nos últimos 20 anos, gastamos quantidades recordes de dólares filantrópicos em problemas sociais, e ainda os resultados educacionais, má nutrição, número de prisões, obesidade, diabetes, disparidade salarial, todos cresceram com algumas exceções, particularmente, a mortalidade infantil entre as pessoas na pobreza -- mas no fundo é para um grande mundo que os estamos criando.
Eu conheço um pouco desses problemas, porque, por muitos anos, eu passei muito tempo num complexo industrial sem fins lucrativos. Eu era uma diretora-executiva de recuperação, dois anos limpa.
Mas naquela época, eu percebi que os projetos e o desenvolvimento deles no nível local é o que realmente dá certo em nossas comunidades
Mas eu brigava por suporte financeiro.
Quanto maior nosso sucesso, menos dinheiro chegava das fundações.
E digo, estar no palco do TED e ganhar um [prêmio] MacArthur no mesmo ano dá a impressão a qualquer um de que eu cheguei lá.
E quando eu dei sequencia, na verdade estava cobrindo um terço do déficit do orçamento de minha agência com cobranças de minhas apresentações.
E acho que porque antes, francamente, meus programas foram apenas um pouco à frente de seu tempo.
Mas desde então, o parque que era um depósito e foi apresentado em uma palestra TED2006 se tornou algo.
Mas eu de fato me casei nele.
Bem aqui.
Lá vai o meu cachorro que me levou para o parque em meu casamento.
O South Bronx Greenway foi também apenas um desenho sobre os bastidores em 2006
Desde então, conseguimos cerca de 50 milhões de dólares em pacotes de estímulo para vir e chegar aqui.
Nós amamos, porque agora nós amamos construções, porque vemos essas coisas acontecendo agora.
Eu gostaria que todos entendessem a importância crítica de levar a caridade para as empresas.
Eu criei minha empresa para ajudar as comunidades pelo país afora descobrir seu próprio potencial para melhorar toda a qualidade de vida destas pessoas.
A segurança do lar é o próximo na minha lista de afazeres.
O que precisamos são de pessoas que vejam o valor de investir nesse tipo de empreendimento local, em parcerias com pessoas como eu para identificar as tendências de crescimento e adaptação climática bem como entender o crescimento dos custos sociais de um negócio comum.
Nós precisamos trabalhar juntos para abraçar e recuperar nossa terra, reparar nosso sistema de poder e reparar a nós mesmos.
É hora de parar de construir shopping centers, prisões, estádios e outras referências à todas as nossas falhas coletivas.
É hora de começar a construir monumentos vivos de esperança e possibilidade.
Muito obrigado.
|
pt
| 5
|
A maior parte das pessoas não sabe que quando eu estava no ensino médio neste país, eu me inscrevi para a universidade em uma época em que estava convencido que eu seria um artista e um escultor.
E eu tive uma formação muito privilegiada. Tive muita sorte.
Minha família era rica, e meu pai acreditava numa coisa, que era nos dar toda a educação que quiséssemos.
E eu disse que queria ser escultor em Paris.
E ele era um homem esperto. Ele meio que disse, "Bem, tá legal, mas você foi muito bem nos testes de matemática do SAT."
De fato, eu tirei 800, e ele achou que eu tivesse ido muito bem -- e eu pensei também -- nas artes. Essa era minha paixão.
Então ele disse "Se você for para o MIT," para onde eu havia ganho admissão prévia "Eu pago por todos os anos em que você estiver no MIT, na graduação ou antes de você se formar -- o quanto você quiser -- Eu vou pagar pelo número equivalente de anos para que você more em Paris."
E eu pensei que aquele era o melhor negócio da cidade, então eu aceitei imediatamente.
E eu decidi que se eu era bom em arte e era bom em matemática, Eu estudaria arquitetura, que era uma combinação dos dois.
Eu fui e falei com o diretor do curso pré-vestibular.
E eu disse a ele o que eu estava fazendo, que eu iria estudar arquitetura porque era uma mistura de arte e matemática.
Ele me disse algo que logo ficou na minha cabeça.
Ele disse, "Sabe, eu gosto de ternos cinzas e gosto de ternos risca-de-giz, mas eu não gosto de ternos cinza risca-de-giz."
E eu pensei, "Que cara patético," e fui para o MIT.
Eu estudei arquitetura e, em seguida, fiz uma pós-graduação em arquitetura, então rapidamente eu percebi que não era a arquitetura.
Que realmente, a combinação de arte e ciência eram os computadores. E aquele era realmente o lugar para combinar os dois, e eu aproveitei uma carreira fazendo isso.
E provavelmente, se eu fosse preencher a balança de Jim Citrin, Eu colocaria 100% ao lado da equação onde você passa um tempo tornando possível que outros sejam criativos.
E depois de fazer isso por muito tempo, e ver o Laboratório de Mídia passando o bastão, Eu pensei, "Bem, talvez seja hora de eu fazer um projeto,
algo que seria importante, mas também algo que tiraria vantagem de todos esses privilégios que poucos têm."
E no caso do Laboratório de Mídia, conhecendo várias pessoas. Conhecendo pessoas que eram executivos ou ricos, e também não tendo mais, em meu próprio caso, uma carreira para se preocupar.
Minha carreira, eu quero dizer, eu fiz minha carreira.
Não tinha que me preocupar em ganhar dinheiro.
Não tinha que me preocupar com o que as pessoas pensavam de mim.
E eu disse, "Garoto, vamos fazer de verdade algo que tire vantagem de todas essas características," e pensei que se nós pudéssemos endereçar a educação investindo nas crianças, e trazendo ao mundo o acesso a computadores, era isso o que a gente realmente tinha que fazer.
Nunca mostrei esta foto antes, e provavelmente serei processado por isso.
Foi tirada às três horas da manhã sem a permissão da empresa.
Tem cerca de duas semana. Aqui estão elas, pessoal.
Se você olhar a foto, você vai ver que eles estão empilhados.
Aqueles são dispositivos de transferência que vão em volta.
Este é um dos dispositivos de transferência com o negócio passando por ele, então vocês vão ver eles mais acima,
O que acontece é que eles colocam o programa em memória flash, e então testam elas por algumas horas.
Mas você precisa ter o negócio movendo na linha de montagem, pois é constante.
Então eles vão em volta deste círculo, e é por isso que vocês o veem lá em cima.
Então isso foi ótimo para a gente, pois foi um verdadeiro marco. Mas isso volta para o início.
Essa foto foi tirada em 1982, pouco antes do PC da IBM ter sido anunciado.
Seymour Papert e eu estávamos trazendo computadores para escolas e desenvolvendo nações em uma época muito mais adiantada do que ela mesma.
Mas uma coisa que nós aprendemos foi que essas crianças podem absolutamente pular nisso da mesma forma que as nossas crianças fazem aqui.
E quando as pessoas me dizem, "Quem vai ensinar os professores a ensinar as crianças?"
Eu digo para mim mesmo, "De que planeta você vem?"
Ok, não tem uma pessoa nesta sala -- Eu não me importo o quão tecnológico você é -- não tem uma pessoa nesta sala que não dê seu laptop ou celular para uma criança para que elas o ajudem consertá-lo. Ok?
Todos nós precisamos de ajuda, até mesmo aqueles entre nós que são muito polidos
Esta foto de Seymour -- 25 anos atrás. Seymour fez uma simples observação em 1968, e então praticamente a apresentou em 1970 -- 11 de abril para ser preciso -- chamada "Ensinando Crianças a Pensar"
O que ele observou era que crianças que escrevem programas de computador entendem as coisas de forma diferente, e quando elas consertam os programas, eles se aproximam da aprendizagem de aprender.
Aquilo era muito importante, e em algum sentido nós perdemos isso.
Crianças não programam o suficiente e, garoto, se tem algo que eu espero que isso traga de volta, é uma programação para crianças.
É muito importante. Usar aplicações é ok, mas programar é absolutamente fundamental.
Isso está sendo lançado com três línguas: Squeak, Logo, e uma terceira, que eu nunca tinha visto antes.
O ponto é, isso vai ser muito, muito intensivo do lado da programação.
Esta fotografia é muito importante pois é muito mais tarde.
Isso é no início dos anos 2000. Meu filho, Dimitri -- que está aqui, muitos de vocês conhecem Dimitri -- nós fomos ao Camboja, montamos essa escola que nós construímos, justamente quando a escola se conectou à internet.
E essas crianças tinham seus laptops. Mas foi justamente o que encorajou isso, mais a influência de Joe e outros, nós iniciamos o Um Laptop por Criança.
Estas são as mesmas vilas no Camboja, apenas dois meses atrás.
Estas crianças são verdadeiras profissionais. Havia apenas sete mil máquinas por lá sendo testadas por crianças. Ser uma sem fins lucrativos é absolutamente fundamental.
Todo mundo me aconselhou a não ser uma sem fins lucrativos. Mas todos eles estavam errados.
E a razão de não ter fins lucrativos é importante por dois motivos.
Existem vários motivos, mas os dois que merecem um pouco de tempo são: um, a objetividade do propósito está ali. O propósito moral é claro.
Eu posso encontrar qualquer chefe de Estado, qualquer executivo que eu quero, a qualquer momento, pois eu não estou vendendo laptops. Ok? Eu não tenho acionistas.
Se nós vendemos, não faz diferença alguma --
A claridade do propósito é absolutamente crítica. E a segunda é muito contrária à intuição -- você pode conseguir as melhoras pessoas do mundo.
Se você olhar para nossos serviçoes profissionais, incluindo as firmas de buscas, incluindo comunicações, incluindo serviços legais, incluindo bancários, todos eles trabalham sem cobrar. E isso não é para economizar dinheiro.
Nós temos dinheiro no banco. É porque você tem as melhores pessoas.
Você consegue as pessoas que estão fazendo isso pois eles acreditam na missão e eles são os melhores.
Nós não tínhamos dinheiro para contratar um CFO. Nós anunciamos uma vaga para CFO com salário zero, e nós tivemos uma fila de candidatos.
Isso permite com que você forme uma equipe com pessoas. A ONU não será nossa parceira se nós tivemos fins lucrativos. Então anunciar isso com Kofi Annan foi muito importante, e a ONU nos permitiu a basicamente alcançar todos os países. E esta era a máquina que nós estávamos mostrando antes de eu encontrar Yves Behar.
E enquanto esta máquina é, de alguma forma, tola, em retrospecto, ela na verdade serviu para um propósito muito importante.
Essa manivela amarela era lembrada por todo mundo.
Todo mundo lembrava da manivela amarela. É diferente.
Ele estava ganhando poder de forma diferente. É algo meio que pueril.
Mesmo esta não sendo a direção que fomos por causa da manivela -- é muito tê-la na estrutura, falando nisso.
Apesar de que algumas pessoas da imprensa não a captavam, não a entendiam, não foi que nós não a tiramos porque nós não queríamos -- tê-la no laptop não é realmente o que se quer.
Você quer ela como algo separado, como o adaptador AC.
Eu não trouxe um comigo, mas eles realmente funcionam bem melhor fora da estrutura.
E então eu poderia lhes dizer muita coisa sobre o laptop, mas eu vou lhes contar apenas quatro aspectos.
Apenas guarde em mente -- pois existem outras pessoas, incluindo Bill Gates, que disseram, "Nossa, você tem um computador de verdade."
Aquele computador é diferente de tudo que você já teve, e faz coisas -- existem quatro delas -- que você não usa. E é muito importante que o consumo de energia seja baixo, e eu espero que isso seja mais entendido pela indústria.
Que a razão que você quer que seja abaixo de dois watts é que é aproximadamente o que você pode gerar com a parte superior de seu corpo.
Tela duas mode -- essa tela é fantástica quando exposta à luz solar.
Nós estávamos usando ela hoje no almoço, na luz do sol, e quanto mais luz solar, melhor.
E aquilo era realmente crítico. As redes de malha se tornarão lugar-comum.
E, é claro, nem precisa dizer que ela é "irregular".
E a razão pela qual eu acho que o design é importante não é por que eu queria ir para a escola de arte.
E, falando nisso, quando eu graduei no MIT, eu pensei que a pior e mais estúpida coisa a fazer seria ir a Paris por seis anos.
Então eu não fiz isso. Mas design é importante por inúmeras razões.
A mais importante que existe é que é a melhor maneira de fazer um produto barato.
A maioria das pessoas fazem produtos baratos aceitando design de baixo custo, trabalho barato, componentes baratos e fazendo um laptop de baixo valor.
E em inglês, a palavra "barato" tem um duplo significado, o que é realmente apropriado. Porque é barato no sentido pejorativo, como ser de baixo custo.
Mas se você tiver uma abordagem diferente e pensar em uma integração em grande escala, com materiais muito avançados e produção muito avançada, então você está entornando químicos em um lado, iPods estão sendo emitidos do outro, e um design muito atraente, é isso que nós queríamos fazer.
E eu posso acelerar esse processo e salvar um bom tempo porque Yves e eu obviamente não comparamos notas.
Estes são os slides dele, então eu não tenho que falar sobre eles.
Mas era realmente, para nós, muito importante como uma estratégia.
Não era para apenas fazê-lo parecer bonitinho, porque alguém -- você sabe, bom design é muito importante.
Yves mostrou um dos dispositivos geradores de energia.
A rede de malha, a razão pela qual eu -- e eu não vou entrar nisso com grandes detalhes -- mas quando nós entregamos laptops a crianças nas mais remotas e pobres partes do mundo, elas estão conectadas. Não são apenas laptops.
Então nós temos que instalar antenas via satélite. Nós colocamos em geradores.
São várias coisas que vão por trás disso. Elas se comunicam entre si.
Se você está em um deserto, eles podem se comunicar entre si com até cerca de dois quilômetros de distância.
Se você está na selva, é por volta de 500 metros. Então se uma criança vai de bicicleta até sua casa, ou anda poucas milhas, eles vão estar fora da rede, assim dizendo.
Eles não vão estar perto de outro laptop, então você precisa pregá-los em uma árvore, e de certa forma, alcançá-la.
Você não liga para a Verizon ou a Sprint. Você constrói sua própria rede.
E isso é muito importante, a interface do usuário.
Nós estamos lançando com 18 teclados. Inglês é de longe a minoria.
Latim é relativamente raro também. Você apenas olha para alguns dos idiomas.
Suspeito que alguns de vocês nunca tenha ouvido falar deles antes.
Tem alguém na sala, uma pessoa, a menos que você trabalhe com OLPC, tem alguém na sala que pode me dizer em que idioma está o teclado que aparece na tela? Tem apenas uma mão -- então vocês vão entender.
Sim, você está certo. Ele está certo. É aramaico, É etíope. Na Etiópia nunca existiu um teclado.
Não há um padrão de teclado pois não tem mercado.
E essa é a grande diferença.
Mais uma vez, quando você não tem fins lucrativos, você vê as crianças como uma missão, não como um mercado.
Então fomos à Etiópia, e os ajudamos a fazer um teclado.
E este vai se tornar o teclado etíope padrão.
Então eu quero terminar com o que nós estamos fazendo para dar continuidade a isso.
E nós mudamos completamente de estratégia. Eu decidi no começo -- era algo ótimo para se decidir no começo, não é o que estamos fazendo agora -- é ir para seis países.
Países grandes, um deles não tão grande, mas rico.
Aqui estão eles. Nós fomos aos seis, e em cada caso, o chefe de Estado disse que ele faria, ele faria um milhão.
No caso do Khadafi, ele faria 1, 2 milhões, e eles os lançariam.
Nós pensamos, essa é exatamente a estratégia correta, por para fora, para que os pequenos países pudessem se aproveitar desses países grandes.
Então eu fui para cada um destes países pelo menos seis vezes, encontrei com os chefes de Estado provavelmente duas ou três vezes.
Em cada caso, junto com os ministros, passamos por muitas etapas.
Foi um período na minha vida em que eu estava viajando 330 dias por ano.
Não é algo que você tem inveja ou quer fazer.
No caso da Líbia, foi muito divertido encontrar o Khadafi na sua tenda.
O cheiro de camelo era inacreditável.
E estava 45 graus centígrados. Quero dizer, isso não era algo que você chamaria de experiência refrescante. E antigos países -- digo antigos pois nenhum deles resistiu a esse verão. Havia uma enorme diferença entre escolher um chefe de Estado para ter a chance de tirar uma foto, fazer um press release,
então nós fomos aos menores. Uruguai, abençôe seus corações.
País pequeno, não muito rico. O Presidente disse que ele o faria, e adivinha só?
Ele fez. A proposta não tinha nada relacionada a nós, nada específico sobre a rede de malha acessível com luz solar, baixo consumo de energia, mas apenas a proposta de um laptop baunilha.
E adivinhem só? Nós ganhamos sem levantar as mãos.
Quando foi anunciado que eles chegariam a cada criança no Uruguai, os primeiros 100 mil, boom, foram para a OLPC.
No dia seguinte -- no dia seguinte, não havia passado nem 24 horas -- no Peru, o presidente do Peru disse, "Nós vamos fazer 250.". E boom, um pequeno efeito dominó.
O presidente da Ruanda topou também, e disse que faria.
O presidente da Etiópia também disse que faria.
E boom, boom, boom. O presidente da Mongólia.
Então o que aconteceu foi que isso começou a acontecer com esses países. Ainda não era suficiente.
Adicionar todos esses países ainda não tinha chegado ao objetivo, então nós dissemos, "Vamos começar um programa nos Estados Unidos." Então, no fim de agosto, começo de setembro, nós decidimos fazer isso. Nós fizemos o anúncio perto do meio, fim -- bem quando a iniciativa Clinton estava acontecendo.
Nós pensamos que aquela era uma boa hora para fazer o anúncio.
Lançamos o projeto em 12 de novembro.
Dissemos que seria por um curto período até dia 26. Até que nós extendemos até dia 31.
E o programa "Dê Um, Leve Um" é muito importante pois ele conseguiu atrair muitas pessoas absolutamente interessadas.
O primeiro dia foi selvagem. Então nós dissemos, "Bom, vamos fazer com que as pessoas deem vários. Não apenas um e leve um, mas talvez dê 100, dê 1. 000." E é aí que você entra.
E é aí que eu penso que é muito importante. Eu não quero que todos vocês saiam e comprem o equivalente a US$ 400 em laptops. Ok? Faça isso, mas isso não vai audar. Ok?
Se todo mundo nesta sala sair hoje à noite e pedir um desses por 400 dólares, seja quanto for, 300 pessoas na sala fazendo isso, sim, ótimo.
Eu quero que você faça outra coisa.
E não é sair e comprar 100 ou 1. 000, mas eu convido você a fazer isso, e 10. 000 seria melhor ainda.
Falem às pessoas sobre isso! Vai se tornar algo viral, ok?
Use suas listas de contatos. Pessoas nesta sala têm listas de contatos extraordinárias.
Chame seus amigos para dar um, levar um.
E se cada um de vocês enviar isso para três ou 400 pessoas, seria fantástico.
Eu não vou insistir na venda de forma alguma.
Só para dizer que quando você participa do "Dê Um, Leve Um," muitos da imprensa vão dizer, "Eles não conseguiram, é US$ 188, e não US$ 100."
Será US$ 100 em dois anos. Será abaixo de US$ 100.
Nós nos comprometemos a não adicionar funções, mas sim a baixar o preço.
Mas foram os países que queriam que subisse, e nós deixamos eles aumentarem por diversas razões. Então o que você pode fazer -- Eu acabei de dizer. Não apenas "Dê um, Leve Um."
Eu só quero terminar com mais um. Esse não tem nem 24 horas, ou talvez tenha 24 horas.
As primeiras crianças receberam seus laptops. Elas os receberam por navios, e eu estou falando agora de cerca de 7 ou 8 mil de uma vez, que saíram esta semana
Eles foram para o Uruguai, Peru, México.
E estão chegando lentamente, e nós estamos fazendo apenas 5 mil por semana, mas nós esperamos, esperamos em algum momento do ano que vem talvez no meio do ano, atingir um milhão por mês. Agora, coloque este número, e um milhão não é muito. Não é um número grande.
Estamos vendendo um bilhão de telefones celulares no mundo inteiro este ano.
Mas um milhão de laptops por mês um uma terra de laptops é um grande número.
E a produção mundial hoje em dia, todo mundo junto fazendo laptops, é de 5 milhões por mês. Então eu estou em pé aqui dizendo que em que algum período no próximo ano, nós vamos produzir 20% da produção mundial.
E se nós fizermos isso, existirão várias crianças sortudas por aí.
E nós esperamos se vocês tiverem EG daqui a dois anos ou quando vocês o tiverem novamente, eu não vou estar com mau hálito e eu serei convidado de volta, e terei, espero que até lá, talvez 100 milhões por aí para as crianças.
Obrigado.
|
pt
| 6
|
Eu, como muitos de vocês, sou uma das duas bilhões de pessoas na Terra que vive em cidades.
E há dias -- eu não sei quanto a vocês -- mas há dias em que eu sinto concretamente o quanto dependo de outras pessoas para praticamente tudo na minha vida.
E tem dias que isto é até um pouco assustador.
Mas eu estou aqui hoje para falar sobre como essa mesma interdependência é na verdade uma infraestrutura social extremamente poderosa que podemos usar para ajudar a resolver algumas das mais profundas questões cívicas, se usarmos colaboração de código aberto.
Uns dois anos atrás, eu li um artigo do escritor do New York Times Michael Pollan em que ele dizia que plantar ao menos algumas de nossas comidas é uma das melhores coisas que podemos fazer pelo meio ambiente.
Agora, eu estava lendo este artigo em pleno inverno e eu definitivamente não tinha espaço para um monte de terra no meu apartamento em Nova York.
Então eu basicamente me contentava em ler a próxima edição da revista Wired e ver como os especialistas iriam descobrir como resolver todos esses problemas para nós no futuro.
Mas esse era exatamente o argumento de Michael Pollan em seu artigo -- é precisamente quando entregamos a responsabilidade por essas coisas aos especialistas que causamos os tipos de confusões que vemos em nosso sistema alimentar.
Acontece que eu sei, por causa do meu trabalho, que a NASA vem usando hidroponia para explorar o cultivo de comida no espaço.
E é possível ter-se uma ótima produção nutricional passando um tipo de solo líquido de alta qualidade sobre os sistemas das raízes das plantas.
Agora, para uma hortaliça, meu apartamento é tão alienígena quanto o espaço sideral.
Mas eu posso oferecer alguma luz natural e controle climático por todo o ano.
Avançando dois anos: nós agora temos 'fazendas de janelas', que são plataformas hidropônicas verticais para o cultivo de alimentos em ambientes fechados.
E funciona com uma bomba na parte inferior, que periodicamente manda um pouco desta solução líquida nutriente para o topo, que então cai em gotículas pelos sistemas de raízes das plantas que estão suspensas em bolinhas de argila -- portanto não envolve terra.
A luz e a temperatura variam com o microclima de cada janela, então uma fazenda de janela requer uma agricultora e ela deverá decidir que tipos de plantas ela irá colocar em sua fazenda de janela, e se ela vai nutrir sua comida de forma orgânica.
Na época, uma fazenda de janela não era mais do que uma ideia tecnicamente complexa que iria precisar de muitos testes.
E eu realmente queria que fosse um projeto aberto, porque hidroponia é uma das áreas de maior registro de patentes nos Estados Unidos agora e possivelmente poderá vir a ser uma outra área como a Monsanto, onde temos muita propriedade intelectual das empresas na forma de alimentos para pessoas.
Então eu decidi que em vez de criar um produto, o que eu iria fazer seria oferecer isto a um monte de co-desenvolvedores.
Os primeiros sistemas que criamos de certo modo funcionaram.
Conseguimos cultivar cerca de uma salada por semana numa janela típica dos apartamentos de Nova York.
E conseguimos cultivar tomates cereja e pepinos, todo tipo de coisa.
Mas os primeiros sistemas eram estes beberrões de energia barulhentos vazando que Martha Stewart definitivamente nunca iria aprovar.
Então, para trazermos mais co-desenvolvedores, o que fizemos foi criar um site de mídia social. no qual publicamos os projetos, explicamos como funcionavam, e chegamos até a mostrar tudo que estava errado nestes sistemas.
E depois convidamos pessoas do mundo inteiro para construir e experimentar conosco.
Então, atualmente neste website, nós temos 18. 000 pessoas.
E temos fazendas de janelas no mundo inteiro.
O que estamos fazendo é o que a NASA ou uma grande empresa chamaria de R&D ou pesquisa e desenvolvimento.
Mas nós chamamos isto de R&D-I-Y, ou pesquise e desenvolva você mesmo.
Então por exemplo, Jackson veio e sugeriu que usássemos bombas de ar em vez de bombas d’água.
Tivemos que montar um monte de sistemas até acertarmos, mas uma vez que acertamos, pudemos reduzir nossa pegada de carbono pela metade.
Tony em Chicago fez experimentos de cultivo, como muitos outros agricultores de janela, e conseguiu com que seus morangueiros dessem frutos por 9 meses do ano em condições de pouca luz simplesmente trocando os nutrientes orgânicos.
E agricultores de janela na Finlândia customizaram suas fazendas de janelas para os dias escuros do inverno na Finlândia equipando-as com luzes LED para cultivo que agora colocam em código aberto e parte do projeto.
Então as fazendas de janelas têm-se desenvolvido através de um processo de versionamento rápido semelhante ao software.
E em todos os projetos de código aberto, o verdadeiro benefício é a interação entre os específicos problemas das pessoas customizando seus sistemas para resolver seus próprios problemas e os problemas universais.
Então minha equipe principal e eu podemos nos concentrar nos melhoramentos que realmente beneficiam a todos.
E podemos prestar atenção às necessidades dos novatos.
Então para os ‘fazem vocês mesmos’, nós oferecemos instruções, muito bem testadas, de graça para que qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo, possa construir um desses sistemas de graça.
E há um pedido de patente desses sistemas pendente também requerido pela comunidade.
E para financiar o projeto, nós nos associamos para criar produtos que então vendemos para as escolas ou pessoas que não têm tempo para construir seus próprios sistemas.
Agora, dentro da nossa comunidade, apareceu uma certa cultura.
Em nossa cultura o melhor é ser um testador que apoia a ideia de uma outra pessoa do que ser apenas o cara com as ideias.
O que obtemos com este projeto é o apoio ao nosso próprio trabalho, como também temos a experiência de realmente contribuir com o movimento ambientalista de uma forma que não seja apenas enroscando lâmpadas novas.
Mas acho que Eileen exprime melhor, o que realmente obtemos com isto, que é a alegria da colaboração.
Aqui ela explica o que é ver alguém no outro lado do mundo que pegou sua ideia, construiu baseando-se nela e depois lhe agradece pela sua contribuição.
Se realmente quisermos ver este tipo de mudança extensiva no comportamento do consumidor sobre a qual estamos falando com ambientalistas e pessoas da alimentação, talvez apenas precisemos nos desfazer do termo “consumidor” e apoiar aqueles que estão fazendo coisas.
Projetos de código aberto tendem a ter um impulso próprio.
E o que estamos vendo é que R&D-I-Y foi além das fazendas de janela e os LED para painéis solares e sistemas aquapônicos.
E estamos construindo nos baseando nas inovações das gerações que nos antecederam.
E estamos pensando nas próximas gerações que realmente precisam agora que re-equipemos nossas vidas.
Assim pedimos a vocês que juntem-se a nós para redescobrir o valor de cidadãos unidos, e declarar que todos nós ainda somos pioneiros.
|
pt
| 7
|
O que quero lhes dizer hoje é como vejo os robôs invadindo nossas vidas em vários aspectos, em múltiplos momentos.
E quando olho para o futuro, não consigo imaginar um mundo, daqui a 500 anos, em que nós não tenhamos robôs em todos os lugares,
presumindo, apesar de todas as más previsões que muitos fazem sobre o futuro, que estaremos por aqui, não consigo imaginar o mundo não-populado por robôs.
A questão é, se eles estiverem por aqui em 500 anos, será que estarão em todo lugar mais cedo que isso?
Eles estarão por aí em 50 anos?
Sim, acho que isso é bem provável. Haverá muitos robôs em todos lugares.
De fato, acho que será muito mais cedo do que isso.
Acho que está bem próximo dos robôs se tornarem comuns, e acho que estamos próximos de 1978 ou 1980 em termos de computadores pessoais, em que os primeiros robôs estão começando a aparecer.
Os computadores meio que vieram através de jogos e brinquedos.
O primeiro computador que as pessoas tiveram em casa pode ter sido um computador para jogar Pong, com um pequeno microprocessador embutido, e alguns jogos que vieram depois disso.
E estamos começando a ver o mesmo tipo de coisa com os robôs: Lego Mindstorms, Furbies. Quem aqui teve um Furby?
Sim, foram vendidos 38 milhões deles pelo mundo.
Eles são bem comuns, e eles são pequenos robozinhos, um simples robô com alguns sensores. É uma atuação de pequeno processamento.
Na direita há uma boneca-robô que você podia comprar há uns anos.
E da mesma maneira que, nos primórdios, havia muita interação amadora acerca de computadores, hoje é possível conseguir vários kits e livros sobre hacking.
À esquerda há uma plataforma da Evolution Robotics, você a conecta num computador para programá-la com uma GUI para que ela ande pela sua casa e faça várias coisas.
E há também alguns tipos de brinquedos-robôs mais caros, o Aibo da Sony. E à direita, o robô desenvolvido pela NEC, o PaPeRo, que acho que não lançarão.
Mas apesar disso, esse tipo de coisa está por aí.
E vimos, nos últimos dois ou três anos, robôs que cortam a grama, o Husqvarna embaixo, e o Friendly Robotics em cima, de uma companhia Israelense.
E nos últimos 12 meses começaram a surgir um monte de robôs que limpam a casa.
O de cima, à esquerda, é um robô bem legal que limpa a casa feito pela Dyson, no Reino Unido. Mas era tão caro, 3. 500 dólares, que nem o lançaram.
Porém, logo abaixo, à esquerda, há o Electrolux, que está à venda.
O outro é da Karcher.
Abaixo, à direita, há um que construí em meu laboratório há cerca de 10 anos, e finalmente o transformamos em um produto.
Vou mostrar como ficou.
Daremos um desse para alguém depois da palestra.
Este é um robô que já está nas lojas, ele limpará seu chão.
Ele começa zanzando por aí e vai percorrendo círculos cada vez maiores.
Se ele tocar alguma coisa -- vocês viram isso?
Agora está seguindo paredes, está andando em volta do meu pé para limpar ao meu redor. Vamos ver. Oh, quem roubou meu Rice Krispies? Roubaram meu Rice Krispies.
Não se preocupem, relaxem, é um robô, é esperto.
Crianças de três anos de idade não se preocupam com isso.
São os adultos que ficam irritados.
Vamos colocar algumas porcarias aqui.
OK.
Não sei se conseguem ver, coloquei alguns Rice Krispies ali, algumas moedas, vamos colocá-lo lá e ver se ele limpa tudo.
Sim, OK. Vamos deixar isso para depois.
Parte do truque foi construir um mecanismo de limpeza melhor, na verdade; a inteligência interna é razoavelmente simples.
E ocorre o mesmo com um monte de robôs.
Todos nós, imagino, nos tornamos um pouco chauvinistas computacionais, e pensamos que computação é tudo, mas a mecânica ainda importa.
Aqui está outro robô, o PackBot, que estamos construindo já há alguns anos.
É um robô militar de vigilância, que vai à frente das tropas, procurando cavernas, por exemplo.
Porém, tivemos que fazê-lo mais robusto, muito mais que os robôs que construímos em nossos laboratórios.
Esse robô é um PC rodando Linux.
Ele aguenta um choque de 400G. O robô tem uma inteligência local: ele se vira sozinho, e coloca a si mesmo no alcance da comunicação, consegue subir escadas por si só, etc.
Ali ele está fazendo navegação local.
Um soldado dá um comando para subir escadas, e ele o faz.
Não foi uma caída planejada.
Agora ele irá partir.
Esses robôs realmente se sobressaíram no 11 de Setembro.
Nós tínhamos robôs no World Trade Center tarde da noite.
Não dava para fazer muita coisa nas principais pilhas de escombros, as coisas estavam muito -- não havia nada que pudesse ser feito.
Mas fomos a todos os edifícios que haviam sido evacuados ao redor, e procuramos por possíveis sobreviventes nos prédios que eram muito perigosos de se entrar.
Vamos ao vídeo.
Repórter. companheiros de guerra estão ajudando a reduzir os riscos de combate.
Nick Robertson cobriu a história.
Rodney Brooks: Podemos mostrar mais outro?
Tudo certo.
Então, este é um cabo que havia visto um robô duas semanas antes.
Ele está enviando robôs a cavernas, vendo o que se passa.
O robô é totalmente autônomo.
A pior coisa que aconteceu na caverna até agora foi que um dos robôs caiu dez metros.
Há um ano, o exército dos EUA não tinha esses robôs.
Agora eles estão cumprindo seu dever no Afeganistão todos os dias.
E é por isso que dizem que está ocorrendo uma invasão de robôs.
A maré está mudando quanto aos rumos que a tecnologia está tomando.
Obrigado.
E nos próximos meses, vamos enviar robôs que estão na linha de produção a poços de petróleo para extrair os últimos anos de petróleo da terra.
Ambientes muito hostis, 150 graus centígrados, pressão de 690 atmosferas.
Robôs autônomos indo e fazendo esse tipo de trabalho.
Mas robôs desse tipo são um pouco difíceis de programar.
Como iremos programar nossos robôs no futuro e torná-los mais fáceis de usar?
Vou usar um robô de verdade aqui, um robô chamado Chris, levante-se. Sim. Certo.
Venha aqui. Percebam, ele pensa que robôs devem ser meio duros.
Ele faz assim. Eu irei -- Chris Anderson: Eu sou apenas inglês. RB: Oh.
Eu mostrarei a esse robô uma tarefa. Uma tarefa muito complexa.
Percebam, ele assentiu com a cabeça, me dando uma indicação de que estava entendendo o fluxo da comunicação.
E se eu tivesse dito algo completamente bizarro ele me olharia de rabo de olho e regularia a conversa.
Agora coloco isso na frente dele.
Olho nos olhos dele, e noto que ele observou a tampa da garrafa.
Estou realizando esta tarefa, e ele está observando.
Os olhos dele passam por ali e por mim, para ver o que estou olhando, logo temos uma atenção compartilhada.
Realizo essa tarefa, ele vê, e olha para mim para ver o que acontecerá em seguida. E agora lhe darei a garrafa, e veremos se ele consegue realizar a tarefa. Consegue?
Ok. Ele é muito bom. Sim. Bom, bom, bom.
Eu não te mostrei como fazer isso.
Vejamos se consegue colocar de volta no lugar.
Ele acha que robôs precisam ser bem lentos.
Bom robô, isso é bom.
Acabamos de ver um monte de coisas.
Quando nós interagimos, tentamos mostrar como fazer algo, direcionamos a atenção visual do outro.
Este outro nos comunica seu estado interno, se está entendendo ou não, regula uma interação social.
Houve uma atenção compartilhada quando olhamos para a mesma coisa, e reconhecemos reforço na comunicação social no final.
Estamos tentando colocar isso em nossos robôs, no laboratório, pois achamos que é assim que vamos interagir com robôs no futuro.
Gostaria de mostrar a vocês apenas um diagrama técnico.
A coisa mais importante ao construir um robô capaz de interagir socialmente é seu sistema de atenção visual.
Porque ele presta atenção naquilo que estiver vendo e interagindo, e no seu entendimento das ações que ele realiza.
Então nos videos que mostrarei a vocês, verão o sistema de atenção visual em um robô que observa o tom de pele quanto a matiz, saturação e luminosidade, e que funciona, portanto, com todas as colorações de pele.
Ele procura cores altamente saturadas, de brinquedos.
E procura objetos que se movem.
Ele pesa todo esse conjunto em uma janela de atenção, e procura o elemento com a maior pontuação, aquele no qual os eventos mais interessantes estão ocorrendo. E é naquela direção que ele irá focar seu olhar.
Ele olha pra lá em cheio.
E ao mesmo tempo, uma abordagem "de cima para baixo" talvez decida que ele se sente solitário e procure por tons de pele, ou talvez fique entediado e vá procurar algum brinquedo.
Então esses pesos mudam.
E aqui, à direita, está o que chamamos de módulo de memória Steven Spielberg.
Já viram o filme "Inteligência Artificial"? Plateia: Sim.
RB: É, foi muito ruim, mas se lembram de quando Haley Joel Osment, o pequeno robô, ficou olhando a fada azul por 2. 000 anos sem descolar os olhos dali?
Isto aqui se livra daquele problema, pois é uma curvatura gaussiana que se torna negativa e cada vez mais intensa à medida que olha para uma única coisa.
E ela fica entendiada, então ela passa a olhar pra outra coisa.
Quando se tem isso -- eis aqui um robô, o Kismet, procurando um brinquedo. Percebe-se para onde ele olha.
Pode-se estimar a direção de seu olhar pelos globos oculares que cobrem a câmera e percebe-se quando ele está olhando para o brinquedo.
E ele tem uma pequena resposta emotiva.
Mas ele ainda presta atenção se algo mais significante adentrar seu campo de visão, como Cynthia Breazeal, a construtora deste robô, pela direita.
Ele a vê e presta atenção nela.
Kismet tem um espaço emocional tridimensional subjacente, um espaço vetorial de onde ele se encontra emocionalmente.
E nos diferentes lugares deste espaço ele expressa -- podemos aumentar o volume?
Conseguem ouvir de onde estão? Plateia: Sim.
Kismet: Acha mesmo? Acha mesmo?
Acha mesmo?
RB: Ele está expressando suas emoções em seu rosto e na prosódia de sua voz.
Quando eu estava lidando com o meu robô, Chris, o robô, estava medindo a prosódia em minha voz, e nós fizemos o robô medir a prosódia de quatro mensagens básicas que as mães passam aos filhos pré-linguisticamente.
Aqui temos sujeitos de teste ingênuos elogiando o robô, Voz: Robô bonito.
Você é um robô tão bonitinho.
E o robô reage de acordo.
Voz. muito bom, Kismet.
Voz: Olhe o meu sorriso.
RB: Ele sorri. Ela imita o sorriso. Isso ocorre bastante.
Estes são sujeitos de teste ingênuos.
Aqui pedimos que atraíssem a atenção do robô e indicassem quando a tivessem.
Voz: Ei, Kismet, ah, aí está.
RB: Ela percebe que tem a atenção do robô.
Voz: Kismet, você gosta do brinquedo? Oh.
RB: Agora pedimos que proíbam o robô de fazer algo, e a primeira mulher realmente o deixa bem sensibilizado.
Voz: Não. Não pode fazer isso. Não.
Voz: Não é certo. Não.
RB: Vou parar por aqui.
Fizemos assim. E depois com alternações na fala.
Quando falamos com alguém, nós falamos
e depois levantamos as sobrancelhas, movimentamos os olhos, e damos a entender que é a vez da outra pessoa falar.
E aí ela fala, e ficamos nos alternando sempre de um para o outro.
Então colocamos isso no robô.
Chamamos alguns sujeitos de teste ingênuos, não dissemos a eles nada acerca do robô, colocamo-los de frente com o robô e pedimos que conversassem com ele.
O que eles não sabiam era que o robô não entendia uma palavra do que diziam, e que o robô não falava inglês.
Ele apenas dizia fonemas do inglês ao acaso.
E quero que prestem bastante atenção no início, esta pessoa, o Ritchie, que acabou conversando por 25 minutos com o robô -- -- diz: "Quero te mostrar uma coisa.
Quero te mostrar meu relógio."
E ele leva o relógio ao centro do campo de visão do robô, aponta para o relógio, espera alguma resposta emocional, e o robô olha para o relógio com bastante êxito.
Não sabemos se ele entendeu ou não que o robô -- Reparem nas alternações.
Ritchie: Quero te mostrar uma coisa. Este é um relógio que minha namorada me deu.
Robô: Oh, que legal.
Ritchie: Ele tem uma luz azul dentro dele. Eu quase o perdi essa semana.
RB: Ele está fazendo contato visual, seguindo seus olhos.
Ritchie: Você consegue fazer o mesmo? Robô: Sim, claro.
RB: E eles têm esse tipo de comunicação com êxito.
Há ainda outro aspecto do tipo de coisa que Chris e eu estávamos fazendo.
Este é outro robô, Cog.
Primeiro, eles fazem contato visual, e então Christie olha para o brinquedo, o robô estima a direção para onde ela olha e olha a mesma coisa que ela está olhando.
Então veremos cada vez mais desse tipo de robô nos próximos anos, em laboratórios.
Porém, as grandes perguntas, duas grandes perguntas que me fazem são: se fizermos os robôs cada vez mais parecidos com humanos, será que os aceitaremos, será que eles precisarão de direitos, eventualmente?
E a outra pergunta que me fazem é: "Eles irão querer dominar o mundo?"
Quanto à primeira, isso tem sido um tema hollywoodiano em muitos filmes. Vocês provavelmente reconhecem esses personagens, em cada um desses casos, os robôs querem mais respeito.
É necessário mesmo respeitar os robôs?
Afinal de contas, são apenas máquinas.
Mas penso que também temos de aceitar que nós somos apenas máquinas.
Afinal, é exatamente isso que a biologia molecular moderna diz a nosso respeito.
Não se vê uma descrição de como a molécula A se junta a uma outra molécula.
E ela passa adiante, impulsionada por vários impulsos, e então a alma chega e mexe nas moléculas para que elas se interliguem.
É tudo mecanizado, nós somos um mecanismo.
Se nós somos máquinas, então pelo menos em princípio, deveríamos ser capazes de construir máquinas com outros materiais, que seriam tão vivas como somos.
Mas acho que para admitirmos isso, temos de renunciar ao fato de que somos, de certa forma, "especiais".
E nos distanciamos dessa condição de "especiais" por conta da ciência e da tecnologia por muitas vezes nesses últimos séculos, pelo menos.
Há 500 anos tivemos de desistir da ideia de que éramos o centro do universo quando a terra passou a girar em torno do sol; Há 150 anos, com Darwin, tivemos de desistir da ideia de que éramos diferentes dos animais.
E imaginar que -- é sempre algo difícil para nós.
Recentemente fomos atingidos pela ideia de que, talvez, nem tenhamos tido nosso evento de criação aqui na Terra, e as pessoas não gostaram muito. E então o genoma humano disse que talvez tivéssemos apenas 35. 000 genes. E foi algo bastante -- as pessoas não gostaram daquilo, nós temos mais genes do que isso.
Não gostamos de renunciar à nossa condição de "especiais", então a ideia de que robôs poderiam, de fato, ter emoções, ou de que robôs poderiam ser serer vivos -- acho que será difícil para nós aceitarmos.
Mas é algo que iremos aceitar nos próximos 50 anos, é a estimativa.
A segunda pergunta é: "As máquinas irão querer dominar o mundo?"
E aí o cenário geralmente é o de que nós criamos estas coisas, elas crescem, nós as nutrimos, elas aprendem bastante conosco, e então decidem que somos muito entediantes e lentos.
E querem tomar o mundo da gente.
E aqueles que têm filhos adolescentes sabem como é.
Mas Hollywood extende isso aos robôs.
E a pegunta é: "Será que alguém construirá, por acidente, um robô que tomará o mundo?"
É o tipo de coisa parecida com o cara solitário no quintal que diz: "Eu construí um 747 por acidente."
Sabem, acho que não vai acontecer.
E acho que não -- -- Acho que não iremos construir, deliberadamente, robôs com os quais não nos sentimos confortáveis.
Eles não vão fazer um robô super mau de uma vez.
Antes disso farão um robô só meio mau, e antes disso um robô que nem é tão mau assim.
Não deixaremos que as coisas tomem esse rumo.
Acho que vou parar por aqui, então: os robôs estão a caminho, não temos muito com o que nos preocupar, será bem divertido, e espero que todos vocês aproveitem a jornada pelos próximos 50 anos.
|
pt
| 8
|
Quando eu era pequeno -- aliás, eu já fui pequeno -- meu pai contou uma história sobre um relojoeiro do século 18.
E o que este cara fazia: ele produzia estes relógios fabulosamente bonitos.
E um dia, um dos seus clientes chegou em sua oficina e pediu a ele para limpar o relógio que trazia.
E o cara o abriu, e uma das coisas que saltou fora foi uma das engrenagens.
Enquanto ele abria, o cliente percebeu que no verso da engrenagem havia uma inscrição, havia palavras.
E falou para o cara: "Por que colocar algo onde ninguém irá ver?"
E o relojoeiro virou-se e disse: "Deus pode ver."
Não sou nem um pouco religioso, tampouco era meu pai, mas nessa hora, percebi algo acontecendo aqui.
Eu senti algo neste plexo de vasos sanguíneos e nervos, e deve haver alguns músculos por ali, eu acho.
Mas eu senti algo.
E era uma resposta fisiológica.
Desse ponto em diante, a partir daquela idade, comecei a pensar nas coisas de modo diferente.
Quando iniciei minha carreira como designer, comecei a me perguntar: Na verdade nós pensamos a beleza, ou a sentimos?
Vocês provavelmente já sabem a resposta.
Provavelmente pensam, bem, não sei qual vocês acham que é, mas eu acho que sentimos a beleza.
Assim eu segui na minha carreira de design e comecei a descobrir algumas coisas empolgantes.
Um dos primeiros trabalhos foi em design automotivo -- trabalho muito animador era feito na área.
E durante muito deste trabalho, encontramos algo, ou eu encontrei algo, que me fascinou de verdade, e talvez vocês se lembrem.
Lembram quando as luzes só ligavam e desligavam, clique clique, quando se fechava a porta em um carro?
E alguém, acho que da BMW, introduziu uma luz que se apagava lentamente.
Lembram disso?
Eu lembro claramente.
Lembram da primeira vez de estar em um carro que fazia isso?
Lembro de ficar sentado pensando, isto é fantástico.
De fato, nunca encontrei alguém que não goste da luz que se apaga devagar.
Pensei, mas por que diabos acontece isso?
Comecei a me perguntar a respeito disso.
E em primeiro lugar, perguntaria a outras pessoas: "Gosta disso?" "Sim."
"Por quê?" E diriam: "Ah, parece tão natural," ou: "É legal."
Pensei, só isso não basta.
Podemos ir mais fundo, porque como projetista, preciso do vocabulário, do teclado, de como realmente funciona.
Então fiz alguns experimentos.
E subitamente percebi que havia algo que fazia exatamente isso -- da luz à escuridão em 6 segundos -- exatamente isso.
Vocês sabem o que é? Alguém?
Sabe, usando essa parte, a parte pensante, a parte lenta do cérebro -- usando isso.
Isso não é pensamento, é sentir.
Fariam um favor?
Nos próximos 14 minutos, ou o que for, vocês sentiriam as coisas?
Não preciso que pensem tanto quanto quero que sintam.
Senti um relaxamento misturado com antecipação.
E aquilo que descobri era o cinema ou o teatro.
Na verdade aconteceu aqui -- das luzes à escuridão em 6 segundos.
E quando isso acontece, se você estava sentado e ia sair: "Não, o filme vai começar," ou se estava indo: "Fantástico, já estava na hora.
Senti que ia acontecer"?
Não sou um neurocientista.
Nem mesmo sei se existe algo chamado reflexo condicionado.
Mas deve ter.
Porque as pessoas com as quais falo no hemisfério norte acostumadas ao cinema entendem isto.
E algumas das pessoas com quem falo que nunca viram um filme ou foram ao teatro não sentem do mesmo modo.
Todos gostam, mas alguns mais do que os outros.
Isto me leva a pensar de um modo diferente.
Não estamos sentindo. Pensamos a beleza no sistema límbico -- se não for uma ideia obsoleta.
São esses pontos, os centros de prazer, e talvez o que eu veja, e perceba e sinta desvie do meu pensamento.
A rede que vai do seu aparato sensorial a estes pontos é menor que os pontos que passam pela minha parte pensante, o córtex.
Eles chegam primeiro.
Como fazemos para que funcione?
E quanto do aspecto da reação é devido ao que já sabemos, ou que vamos aprender sobre algo?
Isto é uma das coisas mais bonitas que conheço.
É um saco plástico.
Quando olhei pela primeira vez, pensei, não, não há beleza nisso.
Então descobri, pós-exposição, que este saco plástico, se colocado em um poça ou riacho cheio de coliformes e todo tipo de coisa repugnante, que essa água imunda migraria através da parede do saco por osmose e terminaria dentro dele como água pura e potável.
E assim de repente, este saco plástico era extremamente bonito para mim.
Agora pedirei a vocês de novo para ligarem a parte emocional.
Poderiam deixar a mente de lado, e eu gostaria que sentissem algo.
Olhem pra isso. O que sentem em relação a ele?
É bonito? É animador?
Estou observando seus rostos cuidadosamente.
Alguns cavalheiros parecem bem entediados e algumas senhoras ligeiramente atentas que estão captando algo disso.
Talvez exista inocência nisso.
Agora vou lhes dizer o que é. Prontos?
Este é o último ato nesta Terra de uma menininha chamada Heidi, 5 anos, antes de morrer de câncer da coluna.
É a última coisa que fez, o último ato físico.
Olhem esta imagem.
Vejam a inocência. Vejam a beleza que está ali.
É bonito agora?
Para. Para. Como se sentem?
Onde vocês estão sentindo isso?
Eu estou sentindo aqui. Eu sinto aqui.
E estou observando seus rostos, porque seus rostos me dizem algo.
A senhora ali está chorando, aliás.
Mas o que vocês estão fazendo?
Eu observo o que as pessoas fazem.
Eu observo rostos.
Observo reações.
Porque tenho de saber como as pessoas reagem às coisas.
E uma das expressões mais comuns quando se defronta com a beleza, deliciosamente estupefaciente, é o que chamo de "Meu Deus".
A propósito, não há prazer nessa expressão.
Não é um "que maravilha!".
As sobrancelhas fazem isto, os olhos perdem o foco, e a boca fica aberta.
Essa não é uma expressão de alegria.
Tem algo mais nisso.
Tem algo estranho acontecendo.
O prazer parece ser moldado por uma série de diferentes coisas acontecendo.
Pungência é uma palavra que amo sendo um designer.
Significa algo que dispara uma grande resposta emocional, muitas vezes uma resposta triste, mas que é parte do que fazemos.
Que nem sempre é simpático.
Este é o dilema, o paradoxo, da beleza.
Sensorialmente, nós recebemos todo tipo de coisas -- misturas de coisas que são boas, ruins, empolgantes, assustadoras -- que surgem com essa exposição sensorial, essa sensação de que algo está acontecendo.
Pathos aparece obviamente como parte do que você viu no desenho da menininha.
E também triunfo, a sensação de transcendência, este "Nunca vi isso. Isso é algo novo."
E está tudo incluído no mesmo pacote.
E quando montamos estas ferramentas, de um ponto de vista de design, ficou muito empolgado, porque essas são coisas, como já falamos, que vão chegando ao cérebro, dariam a impressão, antes da cognição, antes que possamos manipulá-las -- truques das partes eletroquímicas.
O que também me interessa é: será possível separar a beleza intrínsica e a extrínsica?
Quero dizer coisas intrinsicamente bonitas, algo que seja admiravelmente bonito, universalmente bonito.
Difícil de descobrir. Talvez vocês tivessem alguns exemplos.
Muito difícil de achar algo que, para todos, é algo muito bonito, sem uma certa quantidade de informação inserida antes.
Muito disso tende a ser extrínsico.
É regulado pela informação antes da compreensão.
Ou a informação adicionada ao fundo, como o desenho da menininha que mostrei a vocês.
Quando falamos sobre beleza não podemos deixar de lado o fato de que muitos experimentos têm sido feitos assim com rostos e o que lhe serve.
Um dos mais tediosos, eu acho, era dizer que beleza tinha a ver com simetria.
Bom, obviamente não tem.
Este é um dos mais interessantes no qual meios rostos são apresentados a algumas pessoas, e então adicionados a uma lista dos mais bonitos aos menos bonitos e depois mostrando o rosto completo.
E o que encontraram foi uma coincidência quase exata.
Mas a questão não era a simetria.
De fato, esta senhora tem um rosto bem assimétrico, no qual ambos os lados são bonitos.
Mas ambos diferentes.
Como designer, não posso evitar de me intrometer, então separei-o em partes e fiz algo como isto, e tentei compreender quais eram os elementos individuais, mas sentindo como sinto.
Agora tenho uma sensação de deleite e beleza se eu olhar para esse olho.
Não fico comovido com a sobrancelha.
E o ouvido não faz nada comigo.
Não sei o quanto isto me ajuda, mas está ajudando a me guiar pelos lugares de onde os sinais estão vindo.
Como eu disse, não sou um neurocientista, mas compreender como se começa a montar coisas que rapidamente desviam a parte pensante e levam aos adoráveis elementos precognitivos.
Anais Nin e o Talmude nos contaram repetidas vezes que vemos coisas não como elas são, mas como nós somos.
Vou descaradamente revelar algo a vocês, que para mim é bonito.
E esta é a F1 MV Agusta.
Ahhhh.
Ela é mesmo -- digo, não sei como dizer o quão extraordinário é este objeto.
Mas também sei o porquê é extraordinário para mim, porque é um palimpsesto de coisas.
São dezenas e dezenas de camadas.
Isto é só a porção que sobressai em nossa dimensão física.
É algo muito maior.
Camada após camada de lenda, esporte, detalhes que ressoam.
Digo, se eu passar por alguns deles agora -- sei sobre o fluxo laminar quando se fala de objetos que perfuram o ar, o que ele faz muito bem, como podem ver.
Isso me deixa entusiasmado.
E sinto isso aqui.
Esta parte, o grande segredo do design automotivo -- o controle da reflexão.
Não se trata das formas, é como as formas refletem a luz.
Agora isso, a luz pisca quando você se move, assim, ela se torna um objeto cinético, mesmo estando parada -- controlada pelo brilho que é feito no reflexo.
O pequeno apoio para os pés, aliás, para um motorista significa que algo está acontecendo lá embaixo -- no caso, provavelmente a correia do motor a mais de 400 km por hora, recebendo a força vinda do motor.
Estou ficando incrivelmente entusiasmado enquanto minha mente e meus olhos passam por coisas assim.
Verniz de titânio nisto.
Nem sei dizer que maravilha isto é.
Isso é como se para os doidos chegando em alta velocidade no volante.
Estou bem envolvido com isto agora.
Lógico, uma moto de corrrida não tem um apoio, mas neste caso, como é de estrada, ele vai assim e se encaixa neste pequeno espaço.
E desaparece.
Nem sei dizer como é difícil fazer esse radiador, que é curvo.
Por que se faria isso?
Porque eu sei que precisamos afastar o volante por causa da aerodinâmica.
É mais caro, mas é maravilhoso.
E por cima de tudo, a marca da realeza -- Agusta, Conde Agusta, de onde vêm grandes histórias.
A parte que não podem ver é o gênio que a criou.
Massimo Tamburini.
Ele é chamado de "O Encanador" na Itália, e também de "Mestre", porque ele é, na verdade, engenheiro, artesão e escultor ao mesmo tempo.
Há tão pouco comprometimento nisto, nem se vê.
Infelizmente, tipos como eu e pessoas iguais a mim têm de lidar com o ajuste da beleza todo o tempo.
Temos que lidar com isso.
Tenho de trabalhar com uma rede de fornecimento, e tive de trabalhar com tecnologias, e tive de trabalhar com tudo mais o tempo todo, e os ajustes começaram a aparecer.
Olhem para ela.
Tive que fazer um pequeno ajuste ali.
Tive que mover essa parte, mas somente um milímetro.
Ninguém percebeu, não é mesmo?
Viram o que eu fiz?
Movi três coisas por um milímetro.
Bacana? Sim.
Bonito? Talvez menos.
Mas claro, o consumidor diz que não tem importância.
Então está bom, não é?
Mais um milímetro?
Ninguém vai perceber essas linhas tracejadas e as mudanças.
É fácil assim perder beleza, porque a beleza é incrivelmente difícil de ser feita.
E poucas pessoas conseguem.
Um grupo focado não consegue.
Uma equipe raramente consegue.
Precisa que um córtex central, se preferirem, seja capaz de orquestrar todos aqueles elementos ao mesmo tempo.
Esta é uma bonita garrafa d'água -- alguns a conhecem -- feita por Ross Lovegrove, o designer.
Está bem próxima da beleza intrínsica, Esta aqui, enquanto souberem como a água é, vocês podem sentir isso.
É adorável porque incorpora algo refrescante e delicioso.
Eu posso gostar mais do que vocês, porque sei como é difícil de se fazer.
É de uma dificuldade estupefaciente fazer algo que reflita a luz assim, que saia corretamente da ferramenta, que siga a linha de produção sem cair.
Por trás disso, como na história do cisne, tem um milhão de coisas difíceis de serem feitas.
Então todos saúdam o feito.
É um exemplo fantástico, um simples objeto.
E aquele que mostrei antes, claro, era algo massivamente complexo.
E eles trabalham na beleza de modos ligeiramente diferentes por causa disso.
Todos vocês, eu acho, como eu, apreciam assistir a uma bailarina dançar.
Parte da alegria disto é que sabem da dificuldade.
Podem também levar em conta o fato de que é incrivelmente doloroso.
Alguém já viu os dedos do pé de uma bailarina quando saem das sapatilhas?
Enquanto fazem estes arabescos graciosos e 'plies' e tudo mais, algo horrível acontece lá embaixo.
Esta compreensão nos leva à um senso maior e mais aprofundado da beleza do que está realmente acontecendo.
Estou usando estes microssegundos erradamente, por favor me ignorem.
O que eu quero fazer agora, sentindo de novo, o que quero agora é ser capaz de fornecer o suficiente daquelas enzimas, dos gatilhos para algo bem no início do processo, para que vocês peguem, não através do pensamento, mas sim do sentimento.
Assim faremos um pequeno experimento.
Certo, prontos? Vou mostrar algo por um breve, muito breve instante.
Prontos? Certo.
Pensaram que era uma bicicleta quando mostrei no primeiro piscar?
Não é.
Digam-me, acharam que foi rápido assim que viram? Sim, acharam.
Pensaram que era moderno? Sim, pensaram.
Essa piscada, essa informação, veio a vocês antes.
E porque a partida do motor cerebral de vocês começou ali, agora têm de lidar com isso.
E o incrível disso é que, essa motocicleta foi projetada assim especificamente para gerar um senso de que é tecnologia verde e isso é bom pra você e que é leve e que faz parte do futuro.
Isso é errado?
Nesse caso não, porque é uma obra de tecnologia que soa muito ecológica.
Mas vocês são escravos da primeira informação.
Nós somos escravos das primeiras reações em um segundo -- e é aí que muito do meu trabalho é bem sucedido ou fracassa, na prateleira de um loja.
Ele ganha ou perde nesse ponto.
Você pode ver 50, 100, 200 coisas em uma prateleira enquanto passa por ela, mas eu tenho que trabalhar nestes domínios, pra garantir que chegue a vocês primeiro.
Finalmente, a camada que adoro, do conhecimento.
Alguns de vocês, tenho certeza, vão estar familiarizados com isto.
O que é incrível a respeito disto, e o modo como adoro repetir isto, é pegar algo que você odeie ou lhe chateie, dobrar roupas, e se você pode mesmo fazer isto -- quem consegue? Alguém tenta fazer isto?
Não é?
É fantástico, não é?
Olha só. Querem ver de novo?
Sem tempo. Só tenho mais 2 minutos, então não tem como.
Mas veja na Internet, YouTube, digite, "dobrando camiseta".
É assim que jovens mal pagos têm que dobrar a camiseta de vocês.
Talvez vocês não soubessem.
Como se sentem a respeito?
É fantástico quando você faz, você vai atrás disso para fazer, e quando fala a alguém sobre isso -- como provavelmente fazem -- vocês parecem bem espertos.
A bolha de conhecimento que está lá fora, aquilo que não custa nada, porque esse conhecimento é grátis -- embrulhe tudo e onde chegamos?
Forma servindo a função?
Só às vezes. Só às vezes.
Forma é função. Forma é função.
Ela informa, ela nos diz, fornece respostas antes que nós pensemos a respeito.
Assim, eu parei de usar palavras como "forma", e parei de usar palavras como "função" enquanto designer.
O que persigo agora é a funcionalidade emocional das coisas.
Porque se eu entender isso direito, posso fazê-las maravilhosas, e fazê-las repetidamente maravilhosas.
E vocês sabem o que estes produtos e serviços são, porque possuem alguns deles.
São as coisas que vocês agarram primeiro em um incêndio.
Formar um laço emocional entre esta coisa e você é um truque da parte eletroquímica que ocorre antes mesmo que você pense.
Muito obrigado a vocês.
|
pt
| 9
|
Uma das maneiras mais comuns de dividir o mundo é entre os que acreditam e os que não acreditam -- os religiosos e os ateus.
E na última década, tem ficado bastante claro o que significa ser um ateu.
Temos ateus na vizinhança muito francos que indicaram, não só que a religião está errada, mas que também é ridícula.
Estas pessoas, muitas delas vivem no norte de Oxford, argumentam -- argumentam que acreditar em Deus é semelhante a se acreditar em fadas e, que, essencialmente tudo isto é uma brincadeira de criança.
Agora, acho isto fácil demais.
É fácil demais desconsiderar a religião como um todo desse jeito.
É fácil como roubar doce de criança.
E, o que gostaria de inaugurar hoje é uma nova maneira de ser um ateu -- Se quiserem, uma nova versão de ateísmo poderíamos chamá-la de Ateísmo 2. 0.
Agora, o que é Ateísmo 2. 0?
Bom, ele começa com uma premissa muito básica: com certeza, Deus não existe.
com certeza, não existem divindades ou espíritos supernaturais ou anjos, etc.
Agora, vamos prosseguir; isto não é o final da historia, este é só o comecinho.
Estou interessado no tipo de eleitorado que pensa algo assim: que pensa, “Não posso acreditar em nada dessas coisas.
Eu não consigo acreditar em doutrinas.
Penso que elas não são corretas.
Mas há um porém, muito importante, amo canções de Natal.
Eu realmente gosto da arte de Mantegna.
Eu na verdade gosto de olhar para as igrejas antigas.
Eu realmente gosto de virar as páginas do Antigo Testamento.”
Seja lá o que for, você sabe sobre o que estou falando -- pessoas que se sentem atraídas pelo lado ritualista, o lado moralista, o lado comunitário da religião, mas detestam a doutrina.
Até agora, estas pessoas se deparavam com uma escolha bem desagradável.
É quase que, se aceitamos a doutrina aí então podemos ter todas as coisas agradáveis, mas se a rejeitamos vivemos numa espécie de deserto espiritual sob a orientação da CNN e da Walmart.
Logo esta é uma escolha meio dura.
Eu não acho que temos que fazer uma escolha.
Acho que há uma alternativa.
Acho que existem maneiras -- e estou sendo bem respeitoso e completamente ímpio -- de se roubar das religiões.
Se você não tem fé numa religião, não há nada de errado em escolher e combinar, em tirar as melhores partes da religião.
E para mim, ateísmo 2. 0 é sobre ambos, digo, um jeito respeitoso e um ímpio que vasculha as religiões dizendo, “O que poderíamos usar aqui?”
O mundo secular é cheio de buracos.
Nós nos secularizamos mal, eu diria.
E um estudo profundo sobre religião poderia nos dar todos os tipos de compreensão nas áreas da vida que não andam lá muito bem.
E hoje eu gostaria de reiterar algumas delas.
Eu gostaria de começar pela educação.
Bom, a educação é um campo no qual o mundo secular realmente acredita.
Quando pensamos em como iremos fazer do mundo um lugar melhor, pensamos educação; que é onde nós investimos muito dinheiro.
Educação nos dará, não só as habilidades comerciais, industriais, também fará de nós pessoas melhores.
Você sabe o tipo de coisa que é um discurso de formatura, uma formatura, aquelas declarações líricas que a educação, o processo da educação -- especialmente o ensino superior -- nos fará mais nobres e seres humanos melhores.
É uma ideia encantadora.
Interessante saber de onde ela vem.
No início do século XIX, a frequência à igreja na Europa Ocidental começou a cair de forma muito, muito acentuada e as pessoas entraram em pânico.
Eles se questionaram o seguinte:
Disseram, onde é que as pessoas irão encontrar princípios morais, onde encontrarão orientação e onde encontrarão fontes de consolação?
E as vozes de influência elaboraram uma resposta.
Disseram: cultura.
É na cultura que deveríamos procurar orientação, consolação, moralidade.
Vejamos as peças de Shakespeare, os diálogos de Platão, os romances de Jane Austen.
Neles encontraremos muitas das verdades que poderíamos previamente encontrar no Evangelho de São João.
Agora, penso que esta é uma ideia muito bonita e muito verdadeira.
Eles queriam substituir a escritura sagrada pela cultura.
E esta é uma ideia muito plausível.
É também uma ideia que esquecemos.
Se você frequentou uma universidade de prestígio -- digamos que você estudou em Harvard ou Oxford ou Cambridge -- e disse, “Vim para cá porque estou em busca da moralidade, orientação e consolação; quero saber como viver,” eles iriam lhe internar num hospício.
Isto simplesmente não é o que nossos grandes, os melhores institutos de ensino superior oferecem.
Por quê? Eles não acham que precisamos disso.
Eles não acham que necessitamos urgentemente de orientação.
Eles nos veem como adultos, adultos racionais.
O que precisamos é de informação.
Precisamos de dados, não precisamos de ajuda.
As religiões partem de um lugar, de fato, muito diferente.
Todas as religiões, as grandes religiões, em vários pontos nos chamam de crianças.
E sendo crianças, elas acreditam que precisamos seriamente de orientação.
Nós mal estamos nos aguentando.
Talvez seja só eu, talvez você.
Mas de qualquer forma, mal estamos nos controlando.
E precisamos de ajuda. Claro que precisamos de ajuda.
Precisamos de orientação e aprendizagem didática.
Sabe, no século XVIII no Reino Unido, o maior pregador religioso era um homem chamado John Wesley, ele viajou pelo país inteiro fazendo sermões, aconselhando pessoas sobre como viver.
Ele pregou sobre os deveres dos pais para com seus filhos e dos filhos para com seus pais, os deveres dos ricos para com os pobres e dos pobres para com os ricos.
Ele tentava dizer às pessoas como elas deveriam viver por meio de sermões, o meio clássico de transmissão das religiões.
Nós agora desistimos da ideia dos sermões.
Se você dissesse a um individualista liberal moderno, “Ei, que tal um sermão?”
ele diria, “Não, não. Não preciso disso.
Sou uma pessoas independente, um indivíduo.”
Qual é a diferença entre um sermão e a nosso modo moderno de ensino secular, a palestra?
Bom, um sermão quer mudar sua vida e uma palestra quer lhe dar um pouco de informação.
E eu penso que precisamos retornar àquela tradição do sermão.
A tradição de sermonizar é imensamente valiosa, porque necessitamos de orientação, moralidade e consolação -- e as religiões sabem disso.
Uma outra questão na educação: tendemos acreditar, no mundo secular moderno, que se você diz algo às pessoas uma vez, elas se lembrarão.
Coloque-as sentadas na sala de aula, fale sobre Platão aos 20 anos, direcione-as numa carreira em consultoria de gestão por 40 anos, e aquela lição ficará gravada nelas.
As religiões dizem, “Tolice.
Você precisa repetir a lição 10 vezes por dia.
Então, ajoelhe-se e repita a lição.”
É isto que todas as religiões nos mandam fazer: “Ajoelhe-se e repita a lição 10 ou 20 ou 15 vezes por dia.”
Senão nossas mentes funcionam como peneiras.
Então, as religiões são culturas de repetição.
Elas circundam as grandes verdades repetidamente.
Nós associamos repetição com tédio.
“Dê-nos o novo,” estamos sempre dizendo.
“O novo é melhor do que o velho.”
Se eu dissesse a você, “OK, não vamos ter um novo TED.
Vamos simplesmente verificar todos aqueles antigos e assisti-los cinco vezes porque são tão verdadeiros.
Nós vamos assistir Elizabeth Gilbert cinco vezes porque o que ela diz é tão bem pensado,” você se sentiria enganado.
Mas não se estivermos adotando um pensamento religioso.
A outra coisa que as religiões fazem é organizar o tempo.
Todas as grandes religiões nos dão calendários.
O que é um calendário?
Um calendário é uma forma de assegurar que durante o ano você irá esbarrar com certas ideias muito importantes.
Na cronologia católica, o calendário católico, no final de março você irá pensar em São Jerônimo e suas qualidades de humildade e bondade e sua generosidade para com o pobre.
Você não o fará por acaso; fará porque é guiado para fazer isto.
Nós não pensamos desta maneira.
No mundo secular pensamos, “Se uma ideia é importante, eu vou cruzar com ela.
Vou simplesmente me deparar com ela.”
Tolice, diz a visão religiosa mundial.
A visão religiosa diz que precisamos de calendários, de tempo estruturado, nós precisamos sincronizar os encontros.
Isto também se revela na forma na qual as religiões estabelecem rituais em torno dos sentimentos importantes
A lua. É realmente importante se olhar para a lua.
Sabe, quando você olha para a lua, você pensa, “Sou realmente pequeno. Que problemas tenho?”
Isto coloca as coisas em perspectiva, etc.
Todos nós deveríamos olhar para a lua com frequencia. Não o fazemos.
Por que não? Bom, não há nada nos dizendo, “Olhe para a lua.”
Mas, se você é um Zen budista em meados de setembro, você será posto fora da sua casa, terá que subir em uma plataforma canônica e terá que comemorar o festival de Tsukimi, quando lhe dão poemas para ler em veneração à lua e à passagem do tempo e a fragilidade da vida que isto nos faz lembrar
Você receberá bolinhos de arroz.
E a lua e o reflexo da lua terão um lugar seguro em seu coração.
Isto é muito bom.
O outro elemento que as religiões estão cientes é o de se falar bem -- Eu não estou me expressando muito bem aqui -- mas a oratória é absolutamente fundamental nas religiões.
No mundo secular você pode passar anos na universidade sendo um péssimo orador e ainda ter uma grande carreira.
Mas as religiões não pensam assim.
O que dizemos deve ser apoiado por uma maneira realmente convincente de dizê-lo.
Então, se você vai a uma igreja pentecostal afro-americana no sul dos EUA e ouve como eles falam, meu Deus, eles falam bem.
Após cada ponto convincente as pessoas exclamam, “Amém, amém, amém.”
Ao final de um parágrafo vibrante, eles todos ficam de pé e dizem, “Obrigado Jesus, obrigado Cristo, obrigado Salvador.”
Se estivéssemos fazendo como eles fazem -- não vamos fazer isto, mas se fôssemos fazer -- eu diria algo assim: “A cultura deveria substituir a escritura sagrada.”
E vocês diriam, “Amém, amém, amém.”
E no final da minha palestra vocês todos ficariam de pé e diriam, “Obrigado Platão, obrigado Shakespeare, obrigado Jane Austen.”
E saberíamos que estávamos atingindo um ritmo real.
Tudo bem, tudo bem. Estamos chegando lá. Estamos chegando lá.
Outra coisa que as religiões sabem é que não somos somente cérebro, somos corpo também.
E quando elas nos ensinam uma lição, o fazem por meio do corpo.
Por exemplo, tomemos o conceito judaico do perdão.
Os judeus têm muito interesse no perdão e como devemos começar de maneira nova.
Eles não fazem apenas sermões sobre isto.
Não nos dão só livros ou palavras sobre isto.
Eles nos mandam tomar um banho.
Nas comunidades ortodoxas judaicas, toda sexta-feira você vai ao Mikveh.
Você submerge na água e uma ação física dá apoio a uma ideia filosófica.
Não costumamos fazer isso.
Nossas ideias estão em uma área e nosso comportamento físico em outra.
As religiões são fascinantes porque tentam unir essas duas áreas.
Agora vamos olhar para a arte.
A arte é algo que no mundo secular temos em alta estima. Pensamos que a arte é realmente importante.
Grande parte do excedente da nossa riqueza vai para museus, etc.
Às vezes ouvimos dizer que os museus são as catedrais modernas ou as nossas novas igrejas.
Você já deve ter ouvido isto.
Agora, acho que o potencial existe, mas nós nos desapontamos completamente.
E a causa deste desapontamento é que não estamos estudando adequadamente como as religiões lidam com a arte.
Duas ideias ruins que estão pairando no mundo moderno que inibem nossa capacidade de extrair força da arte: A primeira ideia é que arte deve ser uma auto-expressão individual -- uma ideia ridícula -- uma ideia que a arte deve permanecer numa bolha hermética e não deve tentar fazer nada sobre este mundo problemático.
Não concordo mesmo.
A outra coisa que acreditamos é que arte não deve ser auto-explicativa, que os artistas não deveriam revelar o que fazem, porque se falam, isto pode destruir a magia e poderemos achar isto fácil demais.
Por isso, uma experiência muito comum quando estamos num museu -- admitamos -- é, “Não sei do que se trata.”
Mas se somos pessoas sérias não vamos admitir isto.
Mas este senso de perplexidade é estrutural à arte contemporânea.
As religiões têm uma atitude muito mais sã com a arte.
Elas não têm nenhum problema em nos dizer que função tem a arte.
Nas religiões principais a arte é sobre duas coisas
Primeiro, ela tenta lhe fazer lembrar do que há para se amar.
Segundo, ela tenta lhe fazer lembrar do que há para se temer e odiar.
E isto é a arte.
A arte é um encontro visceral com as ideias mais importantes da sua fé.
Quando você anda dentro de uma igreja, uma mesquita ou uma catedral, o que você tenta absorver, o que está ingerindo é, através dos seus olhos, seus sentidos, verdades que, caso contrário, vêm a nós pela mente.
Em essência, é propaganda.
Rembrandt é um propagandista na perspectiva cristã.
Agora, a palavra “propaganda” dispara alarmes.
Pensamos em Hitler, Stalin. Não necessariamente.
A propaganda é uma maneira de sermos didáticos em veneração a algo.
E se é algo bom, não há problema nenhum.
Sou de opinião que museus deveriam aprender com os livros de religião.
E deveriam assegurar que quando entramos num museu -- se eu fosse um curador de museu, faria uma sala para o amor, uma sala para generosidade.
Todos os trabalhos de arte nos falam sobre coisas.
E se fôssemos capazes de arrumar espaços onde pudéssemos nos deparar com obras que nos dissessem, usem estas obras de arte para consolidar estas ideias em sua mente, aprenderíamos muito mais da arte.
A arte cumpriria a obrigação que costumava ter, que negligenciamos por causa de certas ideias mal-fundadas.
A arte deveria ser uma das ferramentas com a qual melhoramos nossa sociedade.
A arte deve ser didática.
Vamos pensar em outra coisa.
As pessoas no mundo moderno, no mundo secular, que se interessam pelas questões do espírito, em questões da mente, em questões elevadas da alma, tendem a ser pessoas isoladas.
São poetas, filósofos, fotógrafos, cineastas.
E tendem a ficar sozinhos.
Eles são nossas indústrias artesanais. São pessoas vulneráveis, solteiros
Ficam deprimidos e tristes a sós.
E eles não mudam muito.
Agora pense nas religiões, nas religiões organizadas.
O que elas fazem?
Elas se agrupam, formam instituições.
E isso tem todo tipo de vantagens.
Primeiramente, a escala, a força.
A igreja católica angariou 97 bilhões de dólares no ano passado segundo o Wall Street Journal.
Elas são máquinas gigantescas.
São colaborativas, têm marcas, são multinacionais, e são altamente disciplinadas.
Estas são todas qualidades muito boas.
Nós as reconhecemos em relação às corporações.
E as corporações se parecem com as religiões de várias formas, exceto que elas estão na parte baixa da pirâmide das necessidades.
Elas nos vendem sapatos e carros.
Enquanto que quem nos vende o material elevado -- os terapeutas, os poetas -- estão sozinhos e não têm poder. eles não têm força.
Então, as religiões são o melhor exemplo de uma instituição que luta pela pelas coisas da mente.
Podemos não concordar com o que as religiões tentam nos ensinar, mas podemos admirar o modo institucional como elas agem.
Apenas livros, livros escritos por indivíduos solitários, não mudarão nada
Nós precisamos nos agrupar.
Se quisermos mudar o mundo, temos que agrupar-nos, temos que colaborar.
E isto é o que fazem as religiões.
Elas são multinacionais, elas têm marcas, elas têm uma identidade clara, assim não se perdem num mundo ocupado.
Isto é algo que podemos aprender.
Quero finalizar.
Na verdade, o que eu quero dizer é que, para muitos de vocês que operam em diversos campos, há algo para aprender do exemplo da religião -- mesmo que não acreditem em nada disso.
Se você está envolvido com qualquer coisa comunitária que envolve muita gente se reunindo, há coisas para você na religião.
Se está envolvido, digamos, no setor de viagens, observe a peregrinação.
Observe bem a peregrinação.
Mal começamos a investigar o potencial de viajar porque ainda não observamos o que as religiões fazem com as viagens.
Se você faz parte do mundo artístico, observe o exemplo do que as religiões fazem com a arte.
E se você é um educador, de qualquer modo, novamente, observe como as religiões difundem ideias.
Você pode não concordar com as ideias, mas minha nossa, são mecanismos altamente eficazes para assim fazer.
Então, meu ponto conclusivo é que você pode não concordar com religião mas no final das contas, as religiões são tão sutis, tão complicadas, tão inteligentes em muitos aspectos que não devem ser deixadas só para os religiosos; elas são para todos nós.
Muitíssimo obrigado.
Chris Anderson: Esta é verdadeiramente uma palestra corajosa, porque, de certa forma, você está se colocando em uma situação para ser ridicularizado em alguns setores.
AB: Você pode levar um tiro dos dois lados.
Pode levar um tiro dos ateus pragmáticos, e outro tiro dos que acreditam piamente.
CA: Mísseis do norte de Oxford chegando a qualquer momento.
AB: Certamente.
CA: Mas você deixou de fora um aspecto da religião que muita gente poderia dizer sua agenda poderia pegar emprestado, que é este sentido -- que é provavelmente a coisa mais importante para qualquer religioso -- da experiência espiritual, de alguma forma de conexão com algo que é maior do que você.
Há algum espaço para esta experiência no Ateísmo 2. 0?
AB: Com certeza. Eu, como muito de vocês, encontro pessoas que dizem, “Mas não existe algo maior do que nós, uma outra coisa?”
E eu digo, “Claro.” E eles dizem, “Então, você é meio religioso?”
E eu digo, “Não.” Por que este senso de mistério, este senso de escala vertiginosa do universo, precisa ser acompanhado de um sentimento místico?
A ciência e a pura observação nos dão aquele sentimento, então, não sinto a falta.
O universo é vasto e nós somos minúsculos, sem a necessidade de uma super-estrutura religiosa adicional
Então pode-se ter os chamados momentos espirituais sem a crença no espírito.
CA: Deixe-me lhe fazer uma pergunta.
Quantas pessoas aqui presente você diria que a religião para elas é importante?
Existe um processo equivalente pelo qual há uma espécie de ponte entre o que você está falando e o que você diria a eles?
AB: Eu diria que há muitas e muitas lacunas na vida secular e elas podem ser conectadas.
Não se trata, como tento sugerir, não se trata de você ou ter uma religião e ter que aceitar todo tipo de coisas, ou você não tem uma religião e então você é cortado de todas estas coisas muito boas.
É muito triste que digamos constantemente, “Eu não acredito por isso não tenho comunidade, então sou isolado da moralidade, não posso sair em peregrinação.”
Gostaríamos de dizer, “Tolice, Por que não?”
E este é realmente o espírito da minha palestra.
Há tanto que podemos absorver.
O ateísmo não deve isolar-se das fontes ricas da religião.
CA: Parece-me que há muitas pessoas na comunidade do TED que são ateus.
Mas provavelmente a maioria na comunidade certamente não pensa que religião irá desaparecer a qualquer momento e quer encontrar a linguagem para ter um diálogo construtivo e sentir que, na realidade, podemos falar um com o outro e pelo menos compartilhar as coisas em comum.
Será que somos tolos por sermos otimistas com a possibilidade de um mundo em que, em vez da religião ser a grande exortação de divisão e guerra, ela poderia ser a ponte?
AB: Não, nós precisamos ser tolerantes com as diferenças.
A cortesia é uma virtude muito ignorada.
É tida como hipocrisia.
Mas precisamos chegar à fase em que você é um ateu e alguém diz, “Bem, sabe, um dia eu rezei,” você educadamente ignora o fato.
Você segue em frente.
Porque você concordou com 90 por cento das coisas, porque você tem uma visão comum em tantas coisas, e você, educadamente, difere.
E eu penso que foi isto que as últimas guerras das religiões ignoraram.
Ignoraram a possibilidade de um desacordo harmonioso.
CA: E, para finalizar, esta coisa nova que você está propondo isto não é uma religião mas algo diferente, precisa de um líder, e você está se candidatando para ser o papa?
AB: Bem, uma coisa que todos nós somos muito desconfiados é dos líderes individuais.
Não há necessidade disso.
O que tentei estabelecer foi uma estrutura básica e espero que as pessoas simplesmente a completem.
Esbocei uma espécie de estrutura básica geral.
Mas onde quer que esteja, se faz parte do setor de viagens, faça aquela parte da viagem.
Se está no setor de comunidades, olhe para a religião e faça aquela parte da comunidade.
Então é um projeto ‘wiki’.
CA: Alain, obrigado por provocar tantas conversas para mais tarde.
|
pt
| 10
|
Precisamos colocar o que temos de melhor ao alcance das nossas crianças.
Se não o fizermos, teremos a próxima geração que merecemos.
Eles vão aprender com o que quer que tenham ao seu redor.
E nós, como a elite atual, pais, bibliotecários, profissionais, o que for, um monte de nossas atividades são, de fato, tentar colocar o melhor que temos a oferecer ao alcance daqueles ao nosso redor ou o mais abrangente que pudermos.
Vou começar e terminar esta palestra com algumas coisas que estão gravadas em pedra.
Uma está na Biblioteca Pública de Boston.
Talhado acima da porta está escrito "Grátis para Todos."
É uma declaração inspiradora, voltarei a falar sobre isso em um instante.
Eu sou um bibliotecário e o que estou tentando fazer é levar todos os trabalhos do conhecimento a tantas pessoas quanto quiserem lê-los.
E a ideia de usar tecnologia é perfeita para nós.
Creio que temos a oportunidade de superar os gregos.
Não é fácil superar os gregos. Mas com a engenhosidade dos egípcios, eles foram capazes de construir a Biblioteca de Alexandria -- a ideia de uma cópia de cada livro de todos os povos do mundo.
O problema era, você tinha que ir a Alexandria para tê-la.
Por outro lado, se você fosse, grandes coisas aconteciam.
Creio que podemos superar os gregos e alcançar algo.
E eu vou tentar provar apenas um ponto hoje: o de que o acesso universal a todo o conhecimento está ao nosso alcance.
Então, se me sair bem, vocês vão sair daqui pensando, é, nós poderíamos de fato alcançar a grande visão de tudo que já foi publicado, tudo que tinha como propósito a distribuição, disponível para qualquer um no mundo que quisesse ter esse acesso.
Sim, há questões sobre como o dinheiro deveria ser distribuído e isso ainda está sendo repensado.
Mas eu diria que há bastante dinheiro e bastante demanda, então podemos conseguir isso.
Mas vou me deter sobre o tecnológico, social e aonde estamos como um todo tentando chegar a essa visão em particular.
E a forma como vou fazer isso é do jeito do site Amazon. com -- os livros, música, vídeo e seguir adiante, tipo de mídia por tipo de mídia, simplesmente pensar e dizer, certo, como estamos indo com isto?
Então, se começarmos com livros, sabe, tipo aonde estamos?
Bem, primeiro você tem que, como um engenheiro, mapear o problema. Quão grande ele é?
Se você quiser colocar todos os trabalhos publicados online para que qualquer um possa tê-los disponíveis, bem, quão grande é o problema?
Bem, não sabemos de verdade, mas a maior biblioteca impressa do mundo é a Biblioteca do Congresso -- com 26 milhões de volumes, 26 milhões de volumes
É de longe a maior biblioteca impressa no mundo.
E um livro, se você tiver um livro, tem aproximadamente um megabyte, então -- sabe, se você o tiver em Microsoft Word.
Então um megabyte, 26 milhões de megabytes são 26 terabytes, vai de mega, giga, tera, 26 terabytes.
26 terabytes cabem num sistema de computador que é desse tamanho, rodando em drives de Linux, e custam aproximadamente 60. 000 dólares.
Então pelo preço de uma casa -- ou por aqui, uma garagem -- você pode por -- você tem rodando todos os documentos da Biblioteca do Congresso.
Isso é muito legal.
Então a questão é: o que você ganha?
Sabe, vale a pena chegar lá?
Realmente se quer isso online?
Algumas das primeiras coisas que as pessoas fazem é criar leitores de livros que lhes permitem procurar dentro dos livros, e isso é divertido.
E você pode baixar essas coisas e fuçá-las de formas novas e diferentes.
E você pode tê-las em lugares remotos, se você por acaso tiver um laptop.
Estão começado a aparecer essas interfaces para virar páginas que se parecem muito com os livros de verdade de certa forma, e você pode pesquisá-las, fazer pequenas anotações, é bonitinho -- parecido com um livro de verdade -- no seu laptop.
Mas não sei, lendo coisas num laptop -- sempre que abro meu laptop me sinto como se estivesse trabalhando.
Acho que essa é uma das razões pelas quais o Kindle é tão legal.
Não tenho que sentir que estou trabalhando quando leio um Kindle;
está começando a ser um pouco mais específico.
Mas devo dizer que há tecnologias mais antigas que tendo a gostar.
Eu gosto do livro físico.
E acho que podemos usar nossa tecnologia para digitalizar coisas --- colocá-las na net e depois baixá-las, imprimi-las e encaderná-las e chegar aos livros novamente.
Então dissemos, bem, quão difícil é isto?
E acontece que não é muito difícil.
Nós criamos um livromóvel.
E um livromóvel -- do tamanho de uma van com uma antena de satélite, uma impressora, um encadernador e cortador, e crianças fazem seus próprios livros.
Custa aproximadamente três dólares para baixar, imprimir e encadernar um livro.
E eles acabam ficando bem bonitinhos.
Você pode acabar com livros muito atraentes pela grandeza de um centavo por página, mais o menos o custo de fazer isto.
Então a ideia desta tecnologia pode acabar colocando livros nas mãos das pessoas novamente.
Há outros livromóveis circulando por aí.
Este é Eric Eldred fazendo livros no Walden Pond, as obras de Thoreau.
Isto é pouco antes de ele ter sido expulso pelas autoridades locais. por competir com a livraria local.
Na Índia eles tem outro par de livromóveis circulando.
E este é a inauguracão da Biblioteca de Alexandria, a nova Biblioteca de Alexandria, no Egito.
Foi bastante visitada.
E essas crianças estão começando a fazer os seus próprios livros, e um garoto feliz com o primeiro livro que já possuiu.
Então a ideia de ser capaz de usar esta tecnologia para chegar no papel, que eu posso manusear, soa um pouco retrô, mas creio que ainda tem o seu lugar.
E sendo um pouco do Vale do Silício, meio Utopia, e, meio, sabe, do mundo pensamos que, se podemos fazer funcionar esta tecnologia na Uganda rural, então temos algo em nossas mãos.
Então recebemos financiamento do Banco Mundial para tentar.
E descobrimos em aproximadamente 30 dias que poderíamos pegar uns caras do Vale do Silício mandá-los a Uganda, comprar um carro, arrumar a primeira conexão de internet na Biblioteca Nacional de Uganda, descobrir o que eles queriam, e fazer o programa funcionar produzindo livros na Uganda rural.
E de fato -- então tecnologicamente funciona.
O que descobrimos com isto é que não tínhamos os livros apropriados.
Os livros estavam na biblioteca. Poderíamos levá-los às pessoas se estivessem digitalizados, mas não sabíamos exatamente como digitalizá-los.
Todo mundo pensou que a resposta seria mandar as coisas para a Índia e China.
Então tentamos isso, que vou detalhar em um instante.
Há outras tecnologias mais novas para fazer isso que já deram certo e são na verdade bastante animadoras também.
Uma delas é uma máquina que imprime sob demanda cuja aparência é a de uma máquina de Rube Goldber.
Temos uma dessas agora. É muito legal.
É uma esteira rolante e ela cria um livro.
E é chamada "Máquina Expresso de Livros," e em cerca de 10 minutos você pode apertar um botão e fazer um livro.
Outra coisa com a qual estou muito animado neste domínio em particular, além desses quiosques onde você pode fazer livros sob demanda, é uma dessas novas telinhas que estão aparecendo.
E uma das minhas favoritas é o laptop de 100 dólares.
E não quero roubar a atenção de ninguém, mas eu usei uma dessas coisas como um leitor de e-books.
Então aqui está uma das unidades betas e você pode -- no fim se transforma num leitor muito bonito de e-books.
E existe um hack que fizemos para tentar colocar um de nossos livros nele, e ele conta com 200 pixels por polegada o que significa que você pode colocar livros scaneados neles que ficam muito bonitos.
200 pontos por polegada é mais ou menos o equivalente a uma impressora laser de 300 pontos
Está de bom tamanho.
Você pode de fato ler livros scaneados muito facilmente.
Então a idéia de livros eletrônicos está começando a se espalhar.
Mas como você faz todo esse scaneamento?
Então pensamos, ok, bom, vamos tentar mandar livros para a Índia.
E lá havia um projeto -- financiado pela National Science Foundation, que mandou um monte de scaners, e as bibliotecas americanas deviam mandar livros.
Bom, elas não mandaram -- não queriam mandar seus livros.
Então nós compramos 100. 000 livros e os mandamos para a Índia.
E então descobrimos por que você não deve mandar livros para a Índia.
A lição aprendida disto é, scaneie seus próprios livros.
Se você realmente se importa com livros, você vai scaneá-los melhor, principalmente se são livros valiosos.
Se eles são livros novos e você pode, sabe, despedaçá-los porque você poderia simplesmente comprar outro exemplar, não é tão importante no que diz respeito a fazer scaning de boa qualidade.
Mas faça coisas que você ame.
Mas os indianos tem scaneado muitos de seus próprios livros. cerca de 300, 000 agora -- indo muito bem.
Os chineses fizeram mais de um milhão e os egípcios tem cerca de 30, 000.
Mas nós mandamos -- ok, se formos fazer isso, que o façamos dentro da bibloteca.
Como fazemos isso e como resolvemos a questão de forma que seja um custo com o qual poderíamos arcar?
Então estabelecemos o preço de 10 centavos por página.
É basicamente o custo de uma xerox para digitalizar, fazer o OCR, armazenar, e fazê-lo de forma que você possa baixar, imprimir e encadernar, a coisa toda, então teríamos chegado a algum lugar.
Então começamos a pensar, como conseguimos os 10 centavos?
E tentamos estes robôs, e eles funcionaram bastante bem -- eles viram as páginas automaticamente.
Se a gente tem robôs em Marte, nós conseguimos robôs pra virar páginas.
Mas a verdade é que é bem difícil virar páginas, e o trabalho não rende.
De qualquer forma -- acabamos inventando o nosso próprio scanner de livros. E com duas câmeras digitais profissionais de alta definição, luz de museu controlada -- para que mesmo que seja um livro em preto e branco, você possa conseguir o tom apropriado.
Para que você basicamente faça um trabalho bonito e respeitoso.
Não é um fax -- a ideia é fazer um trabalho bonito enquanto percorremos todas estas bibliotecas.
E temos conseguido chegar aos 10 centavos por página quando trabalhamos em volumes.
É assim que funciona na Universidade de Toronto.
E acontece que, sabe, você acaba pagando um salário.
As pessoas parecem amar isso.
Sim, é um pouco tedioso, mas algumas pessoas parecem entrar no lado zen disso.
E especialmente quando se trata do tipo de livros interessantes pelos quais você se interessa em idiomas que você pode ler,
Na verdade temos feito um bom trabalho em conseguir 10 centavos por página.
Então 10 centavos por página, 300 páginas em média por livro, 30 dólares por livro.
A Biblioteca do Congresso, se você fizesse a coisa toda -- 26 milhões de livros -- dá mais ou menos 750 milhões de dólares, certo?
Mas um milhão de livros -- na verdade penso que esse seria um bom começo, e isso custaria 30 milhões de dólares. Esse não é um custo tão alto.
E o que temos sido capazes é de entrar nas bibliotecas.
Temos agora oito desses centros de scanning em três países, e as bibliotecas tem concordado em ter seus livros scaneados.
O Getty aqui está mudando seus livros para a UCLA, que é onde temos um de nossos centros de scaning, e estamos scaneando os livros sem direito autoral, o que é fabuloso.
Por isso estamos começando a ter responsabilidade institucional.
O que nos falta é os 10 centavos.
Se conseguimos os 10 centavos, todo o resto flui.
Já scaneamos cerca de 200. 000 livros.
Estamos agora scaneando aproximadamente 15. 000 livros por mês, e está começando a aparecer mais coisas a partir disso.
No fim das contas, está indo muito bem.
E estamos começando a expandir não só para livros sem restrições autorais mas também para livros com edição esgotada.
Então se você pensar -- estamos meio que indo dos livros sem restrição autoral e a Amazon. com está vindo do mundo dos livros impressos,
e penso que nos encontraremos no meio em algum lugar e ter a coisa clássica que se tem, que é um sistema de publicação e um sistema de biblioteca trabalhando em paralelo.
Por isso estamos começando um programa para fazer livros com edições esgotadas, mas emprestando-os.
Exatamente o que emprestar siginifica não tenho muita certeza.
Mas em todo caso, emprestar trabalhos de edições esgotadas da Biblioteca Pública de Boston, da Woods Hole Oceanographic Institute e algumas outras bibliotecas que estão começando a participar deste programa, para tentar este modelo em que uma biblioteca termina e onde a livraria assume o trabalho.
No fim das contas é possível fazer isto em grande escala.
Nós também estamos trabalhando com microfilme e colocando tudo online.
Então podemos fazer 10 centavos por página, estamos fazendo 15. 000 livros por mês e temos cerca de 250. 000 livros online, continuando todos os outros projetos que estão começando para somar.
Então o que queria provar é que os livros estão ao nosso alcance.
A ideia de aceitar esse desafio não é tão grande assim.
Sim, custa dezenas de milhões, centenas de milhões, mas é uma vez só e basicamente teremos online a história da literatura impressa.
E temos questões sobre os modelos de negócio e como tentar efetivamente comercilizar e fazer chegar às pessoas.
Mas é possível tanto tecnologica, quanto legalmente, pelo menos no que diz respeito a obras em copyright e cujas edições estejam esgotadas sugerimos, para sermos capazes de colocar a coisa toda online
Agora vamos ver o áudio, e vou me deter sobre estes
Quanto há por aí?
Bom, pelo melhor que podemos contar, há cerca de dois a três milhões de discos publicados -- 78 polegadas, LPs e CDs -- ou pelo menos isso é o maior arquivo de material publicado que fomos capazes de identificar.
Custa cerca de 10 dólares por disco para colocá-lo online se for feito em grande volume
Mas descobrimos que as questões de direito autoral são espinhentas.
Esta é uma área altamente litigiosa, então descobrimos que há nichos no mundo da música que não são bem servidas pelo sistema clássico de publicação comercial.
E nós começamos a tornar essas coisas disponíveis oferecendo espaço na internet.
Nos Estados Unidos não custa nada doar algo. Certo?
Se você doa algo para a caridade ou para o público em geral, recebe um tapinha nas costas e uma isenção de impostos -- exceto na internet, onde você pode se dar mal.
Se você disponibiliza um vídeo de sua banda de garagem e ele começa a ser muito acessado, você pode perder suas guitarras ou a sua casa.
Isso não faz nenhum sentido.
Então nós oferecemos armazenagem ilimitada, banda ilimitada permanente, gratuita, para qualquer um que queira dividir materiais que tenham espaço em uma biblioteca.
E temos recebido muitas respostas. Uma é dos roqueiros.
Os roqueiros tem tradição de compartilhamento, contanto com que ninguém ganhe dinheiro em cima. Você poderia -- Gravações de shows, não gravações comerciais, mas gravações de shows, que começaram com o Grateful Dead.
E temos cerca de duas ou três bandas se associando por dia.
Eles dão permissão, nós recebemos 40 ou 50 shows por dia.
Temos cerca de 40, 000 shows, tudo o que o Grateful Dead já tocou, disponível na net para que as pessoas possam ver e ouvir esse material.
Então o áudio é plausível de colocar na net, mas as questões de direito autoral são bastante delicadas.
Temos muitas coleções agora -- cerca de 200. 000 itens -- e crescendo com o tempo.
Imagens em movimento: se você pensar nos lançamentos cinematográficos, não há tantos assim.
Pelo que pudemos contar, há cerca de 150. 000 a 200. 000 filmes feitos com o objetivo de serem distibuidos em grande escala pelos cinemas do mundo. Não é tanto assim.
Mas metade desses são indianos.
Em todo caso, é plausível, mas encontramos apenas cerca de mil dessas coisas que -- não tem direito autoral.
Então digitalizamos e os fizemos disponívies.
Mas descobrimos que há muitos tipos de outros filmes que nunca viram a luz do dia -- filmes de arquivo.
Encontramos, também, muitos filmes políticos, muitos filmes amadores, todo tipo de coisa que precisa, basicamente, uma casa, uma casa permanente.
Então começamos a disponibilizar essas coisas e estão crescendo em popularidade.
Não chega a ser um YouTube;
nos focamos em coisas de longo prazo e também coisas que as pessoas possam reutilizar e transformar em filmes próprios, o que tem sido muito divertido.
Televisão é muito maior.
Começamos gravando 20 canais de TV 24 horas por dia.
É como a maior aparelho de TiVo que já se viu.
Tem cerca de um pedobyte, até agora, de televisão mundial -- Russa, chinesa, japonesa, iraquiana, Al Jazeera, BBC, CNN, ABC, CBS, NBC -- 24 horas por dia.
A gente colocou -- só colocamos uma semana no ar, basicamente devido a custos, que é a semana do 11 de setembro tipo 11/9/2001: por uma semana, o que o mundo viu?
A CNN dizia que os palestinos dançavam nas ruas.
E dançavam? Vamos dar uma olhada na televisão palestina e descobrir.
Como podemos ter pensamento crítico sem poder citar e ter capacidade de comparar o que aconteceu no passado?
E a televisão é assustadoramente sem registro e impossível de citar, a não ser por Jon Stewart, que faz um trabalho fabuloso.
Em todo caso, a televisão está, eu sugeriria, ao nosso alcance.
Então 15 dólares por hora de vídeo e também cerca de 100 a 150 dólares por hora de celulóide, e podemos por online material de maneira muito barata e tê-las rodando na net.
E temos, hoje, muito desse material.
Temos creca de 100. 000 obras rodando.
Então livros, música, software -- há apenas 50. 000 títulos deles.
Na maior parte as questões são legais e sobre quebra de direito autoral.
Mas conseguimos trabalhar com algumas dessas questões, Mas ainda temos problemas de verdade em Washington.
Bem, ainda somos melhor conhecidos como a World Wide Web.
Estamos arquivando a World Wide Web desde 1996.
Tiramos uma foto de todo website e todas as suas páginas a cada dois meses.
Na verdade, a experiência foi iniciada por Alexa Internet, que doa a sua coleção para o Internet Archive.
E tem crescido nos últimos 11 anos e tem sido um recurso fantástico.
Criamos uma "Way Back Machine" na qual você pode ver websites como eles costumavam ser.
Se você vai procurar por alguma coisa, este é o Google. com, as diferentes versões dele que temos, esta é a cara que tinha quando era um lançamento alpha e essa era a sua cara em Stanford.
Enfim, dá para se ter uma ideia de onde as coisas surgiram.
A maioria das pessoas quer ver suas coisas antigas.
Se há uma coisa que queremos aprender da Biblioteca de Alexandria versão um, que é provavelmente mais conhecida por ter queimado, é: não tenha apenas uma única cópia.
Então começamos -- Fizemos uma cópia de tudo isto e estamos colocando de volta na Biblioteca de Alexandria.
Esta é uma foto do Internet Archive na Biblioteca de Alexandria.
E temos uma outra cópia sendo construída em Amsterdam.
Devemos colocá-la na San Andreas Fault Line, em São Francisco, área de alagamento em Amsterdam e no Oriente Médio. Certo, então.
estamos nos resguardando.
Se colocarmos cópias em mais alguns lugares creio que estaremos bem.
Há uma questão política e social por trás disto.
Que é, tudo isto, digitalizado, será público ou privado?
Há grandes companhias que perceberam isso, que estão fazendo digitalização em larga escala, mas estão bloqueando o acesso público.
A questão é: este é o mundo em que queremos vive?
Qual o papel do público contra o privado enquanto estas coisas se desenvolvem?
Como fazemos para ter um mundo em que tenhamos tanto bibliotecas e publicações pagas no futuro, como tivemos enquanto crescíamos?
O acesso universal a todo conhecimento -- Creio que pode ser um dos grandes marcos da humanidade, como o homem sobre a Lua ou a Bíblia de Gutenberg ou a Biblioteca de Alexandria.
Pode ser algo pelo qual seremos lembrados pelo milênio por termos conseguido.
Como disse antes, terminarei com algo que está gravado sobre a Biblioteca Carnegie --
Carnegie -- um dos grandes capitalistas deste país -- gravado sobre o seu legado: "Grátis para o Povo."
Muito obrigado.
|
pt
| 11
|
Eu gostaria de falar hoje sobre o que eu penso ser uma das maiores aventuras em que os seres humanos já embarcaram, que é a busca pelo entendimento do universo e nosso lugar nele.
Meu próprio interesse neste assunto, e minha paixão por isso, começou meio que por acidente.
Eu havia comprado uma cópia do livro "O Universo e o Dr. Einstein" - um livro de segunda mão de uma loja de livros usados em Seattle.
Alguns anos depois, em Bangalore, eu estava tendo problemas para dormir uma noite, e eu peguei esse livro, pensando que iria me fazer dormir em 10 minutos.
E o que aconteceu foi que eu li o livro da meia-noite às 5 da manhã de uma vez.
E eu fique com um sentimento intenso de veneração e euforia com o universo e nossa própria habilidade de entender o quanto entendemos.
E esse sentimento ainda não desapareceu.
Esse sentimento foi o que causou a minha mudança de carreira - de engenheiro de software para escritor de ciência - para que eu pudesse participar da alegria da ciência, e também da alegria de comunicá-la a todos.
E esse sentimento também me levou a uma peregrinação literalmente aos confins da terra para ver telescópios, detectores, instrumentos que as pessoas estão construindo, para estudar o cosmos e cada vez mais detalhes.
Então eu fui a lugares como o Chile - o Deserto do Atacama no Chile - a Sibéria, as minas subterrâneas, os Alpes Japoneses, a América do Norte, até a Antártida e até mesmo o Polo Sul.
E hoje eu gostaria de compartilhar algumas imagens e algumas histórias dessas viagens.
Eu basicamente passei os últimos anos documentando os esforços de alguns homens e mulheres extremamente intrépidos que estão colocando suas vidas em risco, às vezes literalmente, trabalhando em lugares muito remotos e hostis para que possam conseguir os mais fracos sinais do cosmos para que nós possamos entender este universo.
Vou começar com um gráfico pizza. E eu prometo que este é o único gráfico pizza em toda a apresentação. Mas estabelece o estado do nosso conhecimento do cosmos.
Todas as teorias em física que temos hoje explicam bem o que é chamado de matéria normal - a coisa da qual todos nós somos feitos - e isso é 4% do universo.
Astrônomos e cosmólogos e físicos pensam que há algo chamado matéria escura no universo, o que representa 23% do universo, e algo chamado energia escura, que permeia o espaço-tempo, e forma os outros 73%.
Então, se olharem para esse gráfico, 96% do universo, neste ponto em nossa exploração, é desconhecido ou não muito bem entendido.
E a maioria dos experimentos e telescópios que fomos ver estão de alguma forma lidando com essa questão, esses dois mistérios de matéria escura e energia escura.
Eu vou levá-los primeiro a uma mina subterrânea no norte de Minnesota onde as pessoas estão procurando algo chamado matéria escura.
E ideia aqui é que elas estão procurando por um sinal de uma partícula de matéria escura aparecendo em seus detectores.
A razão pela qual tem que ser subterrâneo é que, se esse experimento fosse feito na superfície da Terra, o mesmo experimento seria atolado por sinais que poderiam ser causados por raios cósmicos, atividade de rádio ambiente, até mesmo nossos corpos. Talvez vocês não acreditem, mas nossos corpos são radioativos o suficiente para estragar o experimento.
Então eles vão no fundo das minas para achar um ambiente silencioso que permitirá ouvir o barulho de uma matéria escura tocar no detector.
E eu fui ver um desses experimentos, e isso é - vocês mal conseguem ver, e isso porque é totalmente escuro lá dentro. Esta é uma caverna que foi deixada para trás pelos mineiros em 1960.
E os físicos vieram e começaram a usá-la em alguma parte dos anos 80.
E os mineiros no início do século passado trabalhavam, literalmente, a luz de velas.
E hoje, vocês veem isso dentro da mina, 800 metros embaixo da terra.
Este é um dos maiores laboratórios subterrâneos do mundo.
E entre outras coisas, eles estão procurando por matéria escura.
Há outra maneira de procurar por matéria escura, que é indiretamente.
Se matéria escura existe em nosso universo, em nossa galáxia, então essas partículas deveriam estar se chocando e produzindo outras partículas que nós conhecemos - uma delas sendo neutrinos.
E neutrinos podem ser detectados pela assinatura que deixam quando colidem com moléculas de água.
Quando um neutrino colide com uma molécula de água emite uma espécie de luz azul, um raio de luz azul, e ao procurar por essa luz azul, é possível entender algo sobre o neutrino e então, indiretamente, algo sobre a matéria escura que talvez tenha criado esse neutrino.
Mas é preciso volumes de água enormes para se fazer isso.
Precisamos de algo como dezenas de megatons de água - quase um gigaton de água - para conseguir pegar esse neutrino.
E onde no mundo se acharia essa quantidade de água?
Bem, os russos têm um tanque no próprio quintal.
Este é o Lago Baikal.
É o maior lago do mundo. Tem 800 km de distância.
Mais ou menos 40 km a 50 km de largura na maior parte, e de 1 km a 2 km de profundidade.
E o que os russos estão fazendo é construir detectores e submergi-los cerca de 1 km da superfície do lago para que possam observar esses raios de luz azul.
E esta foi a cena que vi quando eu cheguei lá.
Este é o Lago Baikal no auge do inverno siberiano.
O lago está totalmente congelado.
E a linha de pontos pretos que vocês veem no fundo, este é o campo de gelo onde os físicos estão trabalhando.
A razão pela qual eles têm que trabalhar no inverno é porque eles não têm dinheiro para trabalhar no verão e primavera, e se eles o fizessem, eles precisariam de navios e submersíveis para fazer o seu trabalho.
Então eles esperam até o inverno - o lago está completamente congelado - e eles usam esse gelo de um metro de espessura como uma plataforma onde estabalecem o seu campo e fazem o seu trabalho.
Isso são os russos trabalhando no gelo no auge do inverso siberiano.
Eles precisam abrir buracos no gelo, mergulhar na água - água muito gelada - para pegar o instrumento, trazer para cima, fazer qualquer reparo e manutenção necessários, colocar de volta e sair antes do gelo derreter.
Porque essa fase do gelo sólido dura dois meses e é cheia de rachaduras.
E vocês têm que imaginar que há um lago feito um oceano embaixo, se movendo.
Eu ainda não entendo esse cara russo trabalhando sem camisa, mas isso mostra o quanto ele trabalhava.
E essas pessoas, um punhado de pessoas, têm trabalhado por 20 anos, procurando por partículas que podem ou não existir.
E eles dedicaram a vida toda a isso.
E só para dar uma ideia, eles gastaram 20 milhões ao longo de 20 anos.
São condições bem difíceis.
Eles trabalham com um orçamento mínimo.
Os banheiros lá são literalmente buracos no chão cobertos por madeira.
E é bem básico, mas eles fazem isso todos os anos.
Da Sibéria para o Deserto do Atacama no Chile, para ver algo chamado O Telescópio Muito Grande.
O Telescópio Muito Grande é uma dessas coisas que os astrônomos fazem - eles dão nomes sem imaginação aos seus telescópios.
Eu falo que de fato, o próximo que eles planejam é chamado O Telescópio Extremamente Grande.
E vocês não acreditariam, mas um depois desse será chamado O Telescópio Arrebatadoramente Grande.
Mas enfim, é uma obra de engenharia extraordinária.
Há quatro telescópios de 8, 2 metros.
E esses telescópios, entre outras coisas, estão sendo usados para estudar como a expansão do universo está mudando com o tempo.
E quanto mais se entende isso, melhor se entende o que é essa energia escura - da qual o universo é feito.
E uma obra de engenharia que eu quero mencionar sobre esse telescópio é o espelho.
Cada espelho, existem quatro deles, é feito de um único pedaço de vidro, uma peça monolítica de cerâmica hi-tech, que foi triturada e polida com tanta precisão que a única maneira de entender o que é isso é imaginar uma cidade como Paris, com todos os seus edifícios e a Torre Eiffel, Se vocês triturassem Paris com a mesma precisão, ficariam com pedacinhos de um milímetro de altura.
E este é o tipo de polimento pelo qual esses espelhos passaram.
Um grupo extraordinário de telescópios.
Aqui tem outra imagem dele.
A razão pela qual você precisa construir esses telescópios em lugares como o Deserto do Atacama é por causa do deserto em grande altitude.
O ar seco é muito bom para os telescópios, e também as nuvens ficam abaixo do cume da montanha e o telescópio tem cerca de 300 dias de céu aberto.
Finalmente, quero levá-los para a Antártida.
Eu quero passar a maior pate do meu tempo nesta parte do mundo.
Esta é a fronteira final da cosmologia.
Alguns dos experimentos mais incríveis, alguns dos experimentos mais extremos, estão sendo feitos na Antártida.
Eu estava lá para ver algo chamado voo de balão de longa duração, que basicamente leva telescópios e instrumentos até a atmosfera superior, a estratosfera superior, 40 km para cima.
E é aí que eles fazem experimentos, e então o balão, a carga útil, é trazida para baixo.
Então aqui estamos pousando na Plataforma de Gelo Ross na Antártida.
Este é um avião de carga americano C-17 que nos voou da Nova Zelândia para McMurdo na Antártida.
E aqui estamos embarcando no ônibus.
E eu não sei se vocês conseguem ler as palavras, mas diz, "Ivan, o Terríbus."
E está nos levando para McMurdo.
E esta é a cena que nos saúda em McMurdo.
E talvez vocês mal consigam ver esta cabana aqui.
Esta cabana foi construída por Robert Falcon Scott e seus homens quando eles chegaram na Antártida na primeira expedição ao Polo Sul.
Por ser tão frio, tudo que está naquela cabana está como deixaram, com os restos da última refeição que eles cozinharam ainda lá.
É um lugar extraordináio.
Esta é McMurdo. Cerca de mil pessoas trabalham aqui no verão, e cerca de 200 no inverno quando é completamente escuro por seis meses.
Eu estava lá para ver o lançamento de um tipo de instrumento específico.
Este é um experimento de raio cósmico que foi lançado até a estratosfera superior a uma altitude de 40 km.
Eu quero que vocês imaginem duas toneladas de peso.
Estão usando um balão para carregar algo de duas toneladas até uma altitude de 40 km.
E os engenheiros, os técnicos, os físicos tiveram que se reunir na Plataforma de Gelo Ross, porque a Antártida - não entrarei nos detalhes do por quê - mas é um dos lugares mais favoráveis para se esses lançamentos, exceto pelo clima.
O clima, como podem imaginar, isto é verão, e estão sobre 60 metros de gelo.
E tem um vulcão atrás, que tem geleiras bem no topo.
E o que eles têm que fazer é montar todo o balão - o tecido, o paraquedas e tudo mais - no gelo e então enchê-lo com hélio.
E o processo leva cerca de duas horas.
E o clima pode mudar enquanto eles montam todo o aparato.
Por exemplo, aqui eles estão esticando o tecido do balão atrás, que será enchido com hélio.
Os caminhões que vocês veem lá no fundo carregam cada um 12 tanques de hélio comprimido.
Agora, caso o clima mude antes do lançamento, eles têm que guardar tudo de volta nas caixas e levar de volta para a estação McMurdo.
E este balão específico, por ter que levar duas toneladas de peso, é um balão gigantesto.
Só o tecido pesa duas toneladas.
Para minimizar o peso, é muito fino, é tão fino quanto papel de embrulho.
E se eles tiverem que levar de volta, eles têm que colocá-lo em caixas e pisoteá-lo para caber na caixa de novo - mas quando eles fizeram isso pela primeira vez, foi no Texas.
Aqui, eles não podem fazer isso com o tipo de sapatos que usam, então eles têm que tirar os sapatos, ficar de pés descalços no frio e fazer o trabalho.
Este é o tipo de dedicação dessas pessoas.
Aqui está o balão sendo enchido com hélio, e podem ver que é uma linda vista.
É uma cena que mostra o balão e a carga útil por inteiro.
Então o balão está sendo enchido com hélio na parte esquerda, e o tecido se estende até o meio onde há um pedaço de eletrônicos e explosivos sendo conectados ao paraquedas e o paraquedas é então conectado à carga útil.
E lembrem que tudo isso está sendo feito por pessoas no frio extremo, em temperaturas abaixo de zero.
Eles estão vestindo cerca de 15 kg de roupas, mas eles têm que tirar as luvas para fazer isso.
E eu gostaria de mostrá-los um lançamento.
Rádio: OK, lancem o balão, lancem o balão, lancem o balão.
Anil Ananthaswamy: E finalmente gostaria de deixá-los com duas imagens.
Este é um observatório no Himalaia, em Ladakh, na Índia.
E o que eu quero que vocês olhem é o telescópio no lado direito.
E bem na esquerda está o monastério budista de 400 anos.
Este é um close do monastério budista.
E eu fiquei maravilhado com a justaposição dessas duas enormes disciplinas do ser humano.
Uma explora o cosmos do lado de fora, e a outra explora o nosso ser interior.
E ambas necessitam de algum tipo de silêncio.
E o que me afetou foi que em cada lugar que eu fui ver esses telescópios, os astrônomos e cosmólogos estão procurando um certo tipo de silêncio, seja o silêncio de uma poluição de rádio ou poluição de luz ou o qualquer outra coisa.
E ficou óbvio que, se destruirmos esses lugares silenciosos da Terra, ficaremos presos em um planeta sem a habilidade de olhar para fora, porque não seremos capazes de entender os sinais que vêm do espaço.
Obrigado.
|
pt
| 12
|
End of preview. Expand
in Data Studio
README.md exists but content is empty.
- Downloads last month
- 25