text
stringlengths
450
35.9k
lang
stringclasses
1 value
text_id
int64
0
1.02k
Começarei por aqui. Esta é uma placa escrita à mão que ficava à mostra numa pequena padaria em minha antiga vizinhança, no Brooklyn, alguns anos atrás. A loja possuía uma daquelas máquinas de imprimir em placas de açúcar. As crianças podiam levar seus desenhos à loja e imprimi-los numa placa de açúcar para pôr em cima do bolo de aniversário. Infelizmente, uma das coisas que elas gostavam de desenhar eram personagens de desenho animado. Elas gostavam de desenhar a Pequena Sereia, gostavam de desenhar Smurf, Mickey. Acontece que é ilegal imprimir um desenho de Mickey feito por criança, numa placa de açúcar. É violação de direitos autorais. E policiar violação de direitos autorais em bolos de aniversário de crianças era tão complicado que o College Bakery disse, "Querem saber, vamos sair desse negócio. Se vocês são amadores, não terão mais acesso à nossa máquina. Se quiserem um bolo com placa de açúcar, vocês terão que usar uma de nossas imagens prontas -- feitas por profissionais." Então, há dois projetos de lei no Congresso atualmente. Um chama-se SOPA, o outro PIPA. SOPA quer dizer "Stop Online Piracy Act", Proposto pelo Senado. PIPA é diminutivo para PROTECTIP, que é diminutivo de "Prevenção às Reais Ameaças Online à Criatividade Econômica e ao Furto de Propriedade Intelectual -- porque assessores do Congresso que nomearam essas coisas têm muito tempo disponível. E o que SOPA e PIPA querem fazer é o seguinte. Eles querem elevar o custo do cumprimento normativo de direitos autorais ao ponto de as pessoas simplesmente pararem de oferecer seus serviços aos amadores. Agora a forma como eles se propõem a fazer isso é identificando sites que estão infringindo a lei de direitos autorais -- mesmo que a forma como esses sites serão identificados não esteja clara nos projetos de lei -- e então eles querem removê-los do sistema de nomes de domínios. Querem tirá-los do sistema de nomes de domínios. O sistema de nomes de domínios é o que torna possível para humanos ler nomes, como Google. com, em endereços compreendidos por máquinas -- 74. 125. 226. 212. O problema com este modelo de censura, de identificar um site e depois tentar removê-lo do sistema de nomes de domínios, é que não funcionará. Vocês poderiam pensar que seria um grande problema para uma lei, mas parece que o Congresso não se incomoda muito com isso. Agora o motivo disso não funcionar é que você ainda pode digitar 74. 125. 226. 212 em seu navegador ou pode torná-lo um 'link clicável' e ainda assim acessar o Google. Então o nível de policiamento acerca do problema torna-se a real ameaça da lei. Para compreender como o Congresso chegou a um projeto de lei que não atenderá a seus objetivos, mas produzirá muitos efeitos colaterais nocivos, vocês devem entender um pouco do que está por trás disso. E a história por trás disso é esta: SOPA e PIPA, como legislação, foram amplamente elaboradas pelas empresas de mídia fundadas no século XX. O século XX foi uma época ótima para as empresas de mídia, porque realmente tinham a escassez a seu favor. Se vocês fizessem um programa de TV, ele não precisava ser melhor do que todos programas de TV já feitos; ele precisava apenas ser melhor do que os dois outros programas que estavam no ar no mesmo horário -- o que é um patamar muito baixo de dificuldade competitiva. Significando que se você tivesse um conteúdo mediano, você obtinha um terço do público americano de graça -- dezenas de milhões de usuários simplesmente por fazer algo que não era muito ruim. É como ter autorização para imprimir dinheiro e ter um barril de tinta grátis. Mas a tecnologia evoluiu, como é próprio da tecnologia. E lentamente, ao final do século XX, essa escassez começou a erodir -- e não foi pela tecnologia digital; foi pela tecnologia analógica Fitas cassete, gravadores de vídeo, mesmo a humilde máquina Xerox criaram novas oportunidades para que agíssemos de um jeito que impressionava as empresas de mídia. Porque isso mostrou que não éramos passivos. Não gostamos somente de consumir. Gostamos de consumir, mas toda vez que surge uma nova ferramenta, comprovamos que também gostamos de produzir e de compartilhar. E isso preocupou as empresas de mídia -- isso sempre as preocupou. Jack Valenti, que era lobista chefe da Associação Americana da Indústria Cinematográfica, uma vez comparou o feroz gravador de vídeo a Jack, o estripador, e a pobre, desamparada Hollywood à uma mulher em casa, sozinha. Esse era o nível da retórica. Então as empresas de mídia imploraram, insistiram, exigiram que o Congresso fizesse algo. E o Congresso fez. No início dos anos 90, o Congresso aprovou a lei que mudou tudo. E essa lei chamou-se Lei de Gravação de Áudio de 1992. A Lei de Gravação de Áudio de 1992 dizia o seguinte: se as pessoas estão gravando coisas do rádio e depois fazendo cópias para seus amigos, isso não é crime. Tudo bem. Gravar e remixar e compartilhar com os amigos, tudo bem. Se você faz muitas cópias de alta qualidade e as vende, não está nada bem. Mas este negócio de gravação, tudo bem, deixa pra lá. E eles pensaram ter esclarecido o assunto, porque estabeleceram uma distinção clara entre cópia legal e ilegal. Mas isso não era o que as empresas de mídia queriam. Elas queriam que o Congresso proibisse a cópia e ponto final. Então quando aprovaram a Lei de Gravação de Áudio de 1992, as empresas de mídia desistiram da ideia de distinção de legal e ilegal em relação às cópias porque estava claro que se o Congresso estava agindo em sua alçada, poderia, de fato, ampliar os direitos dos cidadãos de participar em nosso próprio ambiente de mídia. Assim eles seguiram para o plano B. Levaram um tempo para formular o plano B. O Plano B apareceu em sua primeira versão completa em 1998 -- algo chamado Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital. Era uma lei complicada, de interpretação muito ampla. Mas a principal questão da DMCA era a de ser legal venderem a vocês material digital não copiável -- exceto que não existe esse negócio de material digital não copiável. Seria, como Ed Felton, popularmente disse: "Como distribuir água não molhada." Bits são copiáveis. É o que computadores fazem. É um efeito colateral de seu funcionamento normal. Então, para simular que era possível vender bits não copiáveis, a DMCA também tornou isso legal para forçar-nos a usar sistemas que bloqueassem a função de copiar de nossos dispositivos. Todo aparelho de DVD e de vídeo game, televisão e computador que vocês levassem para casa -- não importando o que vocês pensassem estar levando ao comprar -- poderiam ser bloqueados pelas empresas de conteúdo, se elas quisessem pôr isso como condição ao vender-lhes o conteúdo. E para assegurarem-se de que vocês não notariam, ou que não desbloqueariam essas funções nos dispositivos de modo geral, elas também tornaram ilegal que vocês tentassem redefinir o recurso de copiar desse conteúdo. A DMCA marca o momento em que as empresas de mídia desistiram do sistema legal de distinguir entre cópia legal e ilegal e simplesmente tentaram impedir a cópia por meios técnicos. A DMCA causou e ainda causa muitas complicações, mas neste âmbito, de limitar o compartilhamento, não tem tido muito êxito. O principal motivo de não ter êxito é que a Internet tornou-se muito mais popular e poderosa do que imaginávamos. A fita cassete gravada, o fanzine, não são nada, comparados ao que vemos hoje com a Internet. Estamos num mundo em que grande parte dos cidadãos americanos acima de 12 anos compartilham coisas online. Compartilhamos textos, imagens, compartilhamos áudio e vídeo. Algumas coisas que compartilhamos são próprias. Outras coisas nós as encontramos. Algumas dessas coisas que compartilhamos são produto do que fazemos com o que encontramos, e tudo isso apavora essas empresas. Então PIPA e SOPA são a 2ª rodada. Mas, onde a DMCA foi cirúrgica -- queremos entrar em seu computador, queremos entrar em sua TV, entrar em seu vídeo game, e impedir que ele faça aquilo que na loja disseram que ele fazia -- PIPA e SOPA são nucleares e eles estão dizendo: queremos ir a qualquer lugar do mundo e censurar conteúdo. O mecanismo para fazer isso, como eu disse, é o de eliminar qualquer um que aponte para esses endereços IP. Vocês têm que tirá-los das ferramentas de busca, têm que tirá-los dos diretórios online, têm que tirá-los das listas de usuários. E porque os maiores produtores de conteúdo da Internet não são Google nem Yahoo, somos nós, somos o objeto do policiamento. Porque ao final, a real ameaça à aprovação de PIPA e SOPA é nossa capacidade de compartilhar coisas, uns com os outros. Então o que PIPA e SOPA podem fazer é pegar um conceito jurídico antiquíssimo: inocente até que se prove o contrário, e revertê-lo -- culpado até que se prove o contrário. Vocês não podem compartilhar até que nos demonstrem não estar compartilhando algo que nos desagrada. Subitamente, o ônus da prova legal versus ilegal recai sobre nós e sobre os serviços que poderiam oferecer-nos novos recursos. E mesmo se custar alguns centavos para policiar um usuário, isso destruiria um serviço de cem milhões de usuários. Então essa é a Internet que eles têm em mente. Imaginem essa placa em toda parte -- só que em vez de dizer College Bakery, imaginem que diz YouTube, Facebook e Twitter. Imaginem que diz TED, porque os comentários não podem ser policiados a um custo aceitável. Os efeitos reais de SOPA e PIPA serão diferentes dos efeitos propostos. De fato, a ameaça é essa inversão do ônus da prova, quando, subitamente, todos somos tratados como ladrões, a cada momento que nos derem liberdade para criar, produzir ou compartilhar. E as pessoas que nos fornecem esses recursos -- os YouTubes, os Facebooks, os Twitters e TEDs -- terão que se ocupar de policiar-nos, ou poderão sofrer punição legal. Há duas coisas que vocês podem fazer para ajudar a acabar com isto -- Uma coisa simples e uma complicada, uma fácil e outra difícil. A coisa simples, a coisa fácil, é esta: se vocês são cidadãos americanos chamem seus representantes, seus senadores. Quando olhamos as pessoas que co-assinaram o projeto de lei SOPA os que co-assinaram PIPA vemos que elas têm recebido cumulativamente milhões e milhões de dólares das empresas de mídia tradicionais, Vocês não têm milhões e milhões de dólares, mas podem chamar seus representantes, e lembrá-los que vocês votam, e podem pedir-lhes que não os tratem como ladrões, e sugerir-lhes que vocês preferem que a Internet não seja arruinada. E se não são cidadãos americanos, podem contatar os cidadãos americanos que vocês conhecem e encorajá-los a fazer o mesmo. Porque isto parece um assunto nacional, mas não é. Estas empresas não se contentarão em arruinar nossa Internet. Se arruinarem-na, farão isso a todo mundo. Essa é a parte fácil. Isso é o simples. A tarefa difícil é a seguinte: estejam prontos porque há mais. SOPA é simplesmente um retorno de COICA, proposta ano passado, que não foi aprovada. E tudo isso remonta ao fracasso da DMCA de impedir o compartilhamento como um meio técnico. E a DMCA remonta à Lei de Gravação de Áudio, que apavorou essas empresas. Porque todo esse assunto de sugerir que alguém está infringindo a lei e depois juntar provas e comprovar isso, é muito inconveniente. "Preferiríamos não fazer isso," dizem as empresas de conteúdos. Elas não querem ter que fazer isso. Não querem distinções legais entre compartilhamento legal e ilegal. Querem que o compartilhamento continue. PIPA e SOPA não são esquisitices, não são anomalias, não são incidentes. Eles são a próxima volta deste parafuso em especial, que tem girado por 20 anos. E se derrotarmos esses, como espero que aconteça, há de vir mais. Porque até que convençamos o Congresso de que o jeito de lidar com a violação de direitos autorais é o jeito com que Napster, YouTube lidaram com isso, que é ter um julgamento com apresentação de todas as provas e a confusão advinda dos fatos e a avaliação das soluções que acontecem em sociedades democráticas. Essa é a maneira de lidar com isso. Nesse ínterim, o difícil é estarmos preparados. Porque essa é a mensagem real de PIPA e SOPA. Time Warner quer que todos nós voltemos ao sofá, apenas consumindo -- não produzindo, nem compartilhando -- e deveríamos dizer "Não" Obrigado.
pt
400
Gostaria de levá-los a um outro mundo. E gostaria de compartilhar uma história de amor de 45 anos ao pobre, que vive com menos de 1 dólar por dia. Tive uma educação muito elitista, esnobe e cara, na Índia, que quase me destruiu. Era para eu ser um diplomata, professor, médico – estava tudo preparado. Vocês não diriam, mas fui o campeão nacional de squash da Índia. durante 3 anos. O mundo inteiro estava ao meu alcance. Tudo estava aos meus pés. Eu não poderia fazer nada de errado. E aí pensei, só de curiosidade eu gostaria de viver e trabalhar e simplesmente ver como era um povoado. Então em 1965, fui para o que chamaram de a pior crise de fome no estado de Bihar na Índia, e vi inanição, morte, pessoas morrendo de fome, pela primeira vez. Isto transformou minha vida. Eu voltei para casa e disse a minha mãe, “Eu gostaria de morar e trabalhar num povoado.” Minha mãe entrou em coma. “O que é isso? O mundo inteiro, os melhores empregos ao seu alcance e você quer ir trabalhar num povoado? quero dizer, há algo de errado com você?” Eu disse, “Não, eu tive a melhor educação possível. Isto me fez pensar. E queria retribuir à minha maneira.” “O que você quer fazer em um povoado? Sem emprego, sem dinheiro, sem segurança, sem oportunidades.” Eu disse, “Quero morar lá e cavar poços durante 5 anos.” “Cavar poços durante 5 anos?” Você frequentou a escola e a universidade mais caras da Índia, e você quer cavar poços durante 5 anos?” Ela não falou comigo durante muito tempo, pois achava que eu iria desapontar minha família. Mas então, descobri habilidades e conhecimento extraordinários que as pessoas muito pobres possuem, os quais nunca trouxemos ao público em geral – os quais nunca são identificados, respeitados, aplicados em grande escala. E pensei em começar uma universidade de pés descalços – uma universidade só para os pobres. O que o pobre considerasse importante seria refletido na universidade. Fui a esse povoado pela primeira vez. os anciãos vieram a mim e perguntaram, “Está fugindo da polícia?” Eu disse, “Não.” “Não passou nos exames?” Eu disse, “Não.” “Não conseguiu um cargo público? Eu disse, “Não.” “O que está fazendo aqui? Por que você está aqui? O sistema educacional na Índia faz com você olhe para Paris, Nova Delhi e Zurique; o que está fazendo neste povoado? Há algo de errado com você que está escondendo da gente?” Eu disse, “Não, na verdade eu quero começar uma universidade só para os pobres. O que o pobre pensava ser importante seria refletido na universidade.” Aí os anciãos me deram um conselho muito bom e profundo. Disseram, “Por favor, não traga ninguém com um curso universitário e diplomas para a sua universidade.” Assim, esta é a única universidade na Índia onde, se você tem um doutorado ou um mestrado, você é desqualificado. Você precisa ser um inconformado, um fracassado ou um desistente para vir para a nossa faculdade. Você tem que trabalhar com as mãos. Você tem que ter a dignidade do trabalho. Você precisa mostrar que tem uma habilidade que possa oferecer à comunidade e prestar um serviço à comunidade. Assim fundamos a Universidade de Pés Descalços, e redefinimos profissionalismo. Quem é um profissional? Um profissional é alguém que possui uma mistura de competência, confiança e convicção. Um vedor é um profissional. A parteira tradicional é uma profissional. Um oleiro tradicional é um profissional. Estes são profissionais no mundo inteiro. Nós os encontramos em qualquer povoado remoto no mundo inteiro. E achamos que eles deveriam ser levados ao conhecimento do público e mostrar que o conhecimento e as habilidades que eles possuem são universais. Isto precisa ser usado, aplicado, precisa ser mostrado ao mundo afora – que este conhecimento e habilidades são relevantes ainda hoje. Então a faculdade segue os estilos de vida e trabalho de Mahatma Gandhi. Comemos, dormimos e trabalhamos no chão. Não existem contratos, não há contratos formais. Você pode permanecer comigo 20 anos, ou partir amanhã. E ninguém pode ganhar mais de R$185 por mês. Só pelo dinheiro você não vem para a Universidade de Pés Descalços. Mas sim para o trabalho e o desafio, [por isso] você entra para a Universidade. Que é onde nós queremos que você tente criar as idéias. Qualquer ideia que você tenha, vem e experimenta. Não importa se fracassa. Maltratado, machucado, você começa novamente. É a única faculdade onde o professor é o aprendiz e o aprendiz é o professor. E é a única universidade onde não se confere diplomas. Você é certificado pela comunidade que serve. Você não precisa de um papel para pendurar na parede para mostrar que é um engenheiro. Então, quando eu disse isso, me disseram, “Bem, nos mostra o que é possível. O que você vai fazer? Isto não passa de conversa mole, se você não demonstra o que está falando.” Então construímos a primeira Faculdade de Pés Descalços em 1986. Foi construída por 12 arquitetos pés descalços que não sabem ler e escrever, construída com R$20. 80 por metro quadrado. Eram 150 pessoas morando e trabalhando lá. Eles receberam o Prêmio Aga Khan de Arquitetura em 2002. Mas depois suspeitaram que tinha havido um arquiteto por detrás disso. Eu disse, “Sim, eles projetaram as plantas, mas, na verdade, os arquitetos pés descalços construíram a faculdade.” Fomos os únicos a devolver o prêmio de R$93. 000, porque eles não acreditaram em nós, e pensamos, na verdade, eles estavam insultando os arquitetos pés descalços de Tilonia. Eu perguntei a um silvicultor – de alto poder, especialista qualificado – “O que podemos construir neste lugar?” Ele olhou para o solo e disse, “Esqueça. Não tem como. Não vale nem a pena. Não tem água e o solo é rochoso.” Minha situação ficou difícil. E eu disse, “Ok, eu irei ao ancião do povoado e perguntar: ‘O que devo plantar aqui neste lugar?’” Ele olhou para mim calmamente e disse, “Constrói isso, constrói aquilo, põe isto e dará certo.” É assim que se parece agora. Fui ao telhado, e as mulheres todas disseram, “Vai embora. Os homens têm que sair daqui porque não queremos partilhar esta tecnologia com eles. Estamos impermeabilizando o telhado.” É um pouco de açúcar mascavo, um pouco de ‘urens’ [uma planta] e um pouco de outras coisas que não conheço. Mas o fato é que o telhado não vaza. Não vaza desde 1986. Esta tecnologia as mulheres não vão partilhar com os homens. É a única faculdade completamente eletrificada com energia solar. Toda eletricidade vem do sol. Painéis de 45 quilowatts no telhado. E nos próximos 25 anos tudo funcionará com energia solar. Enquanto o sol brilhar, não teremos problemas com eletricidade. Mas a beleza disso é que foi instalado por um sacerdote hindu, que só frequentou a escola durante 8 anos – nunca foi a uma escola de ensino médio ou à faculdade. Ele sabe mais sobre energia solar do que qualquer outra pessoa que conheço, isto é garantido. A comida, quando as pessoas vêm a Barefoot, é preparada com energia solar. Mas as pessoas que fabricaram este fogão solar são mulheres, mulheres iletradas, elas realmente fabricam o mais sofisticado fogão solar. É um fogão solar parabólico Scheffler. Infelizmente, elas são quase metade alemães, elas são tão precisas. Você nunca encontrará mulheres indianas tão precisas. Absolutamente até o último centímetro, elas conseguem fabricar este fogão. Nós servimos 60 refeições duas vezes por dia preparadas na cozinha solar. Temos uma dentista – ela é uma avó, iletrada e é uma dentista. Ela de fato cuida dos dentes de 7. 000 crianças. Tecnologia pés descalços: isto foi em 1986 – nenhum engenheiro, nenhum arquiteto pensou nisso – mas captamos água de chuva dos telhados. Pouquíssima água é desperdiçada. Todos os telhados são conectados subterraneamente a uma cisterna de 400 mil litros, e água nenhuma é desperdiçada. Mesmo se tivermos 4 anos de seca ainda teremos água no campus, porque captamos a água da chuva. 60% das crianças não vão à escola, porque elas têm que tomar conta dos animais – ovelhas, cabras – afazeres domésticos. Então pensamos em abrir uma escola noturna para as crianças. Por causa das escolas noturnas de Tilonia, mais de 75 mil crianças já estudaram nelas. Porque isto é para a conveniência da criança e não para a conveniência do professor. E o que ensinamos nestas escolas? Democracia, cidadania, como deverão medir suas terras, o que fazer se forem presas, o que fazer quando um animal fica doente. Isto é o que ensinamos nas escola noturnas. Mas todas as escolas são iluminadas com energia solar. A cada 5 anos temos eleições. Crianças de 6 a 14 anos participam do processo democrático, e elegem um primeiro ministro. A primeira ministra tem 12 anos. Ela toma conta de 20 cabras pela manhã, mas de noite ela é a primeira ministra. Ela tem um gabinete: um ministro da educação, um ministro da energia e um ministro da saúde. E elas realmente monitoram e supervisionam 150 escolas com 7 mil crianças. Ela recebeu o Prêmio das Crianças do Mundo 5 anos atrás, e foi à Suécia. Foi a primeira vez que deixou sua comunidade. Nunca tinha ido a Suécia. Ela não ficou abismada com tudo que acontecia. E a rainha da Suécia, que estava presente, virou-se para mim e disse, “Pergunta a esta menina de onde ela ganhou esta autoconfiança? Ela tinha apenas 12 anos, e não ficou abismada com nada.” E a menina ao lado esquerdo dela, virou-se para mim e olhou para a rainha diretamente em seus olhos e disse, Por favor, diga-lhe que sou a primeira ministra.” Onde a porcentagem de analfabetismo é alta, nós usamos marionetes. Marionetes são uma maneira de nos comunicarmos. Temos Jokhim Chacha que tem 300 anos. Ele é meu psicanalista. Meu professor. Ele é meu médico. Meu advogado. Ele é meu doador. Ele de fato angaria fundos, resolve minhas disputas. Resolve meus problemas no povoado. Se há tensão na comunidade, se a assiduidade nas escolas diminui e se existe atrito entre professores e os pais, o marionete chama a professora e os pais em frente de toda a comunidade e diz, “Apertem as mãos. A assiduidade não pode cair.” Estes marionetes são feitos de relatórios reciclados do Banco Mundial. Então, com esta proposta descentralizada e demistificada para a eletrificação solar dos povoados, cobrimos toda a Índia de Ladakh até o Butão – todos povoados com eletrificação solar, [instalados] por pessoas treinadas. Fomos a Ladakh e dissemos a esta mulher – isto, a menos 40 graus, você tem que descer do telhado, porque não tinha lugar, estava tudo coberto de neve, nos dois lados – e perguntamos a ela, “Como você se beneficiou com a eletricidade solar?” E ela pensou um pouco e disse, “É a primeira vez que consigo ver o rosto do meu marido no inverno.” Fui ao Afeganistão. Uma lição que aprendemos na Índia foi que não dá para treinar os homens. Os homens são inquietos, os homens são ambiciosos, são compulsivamente móveis, e todos eles querem um diploma. Temos esta tendência no globo inteiro do homem querer um diploma. Por quê? Porque eles querem deixar o povoado e ir para a cidade procurar emprego. Então encontramos uma solução ótima: treinar as avós. Qual é a melhor forma de comunicação no mundo atualmente? Televisão? Não. Telégrafo? Não. Telefone? Não. Diga a uma mulher. Então fomos ao Afeganistão pela primeira vez, e escolhemos 3 mulheres e dissemos, “Queremos levá-las para a Índia.” Disseram, “Impossível. Elas nem saem dos seus quartos, e vocês querem levá-las para a Índia.” Eu disse, “Farei uma concessão. Levarei os maridos também.” Então eu trouxe os maridos juntos. É claro que as mulheres são muito mais inteligentes que os homens. Em seis meses, como mudamos estas mulheres? Língua de sinais. Não escolhemos a palavra escrita. Não escolhemos a palavra falada. Usamos a língua de sinais. E em 6 meses elas podem se tornar engenheiras de energia solar. Elas retornam e eletrificam seus povoados com energia solar. Esta mulher retornou e eletrificou o primeiro povoado com energia solar. estabeleceu uma oficina – o primeiro povoado a ter eletrificação solar no Afeganistão [foi o trabalho] das 3 mulheres. Esta mulher é uma avó extraordinária. Tem 55 anos e eletrificou 200 casas para mim com energia solar no Afeganistão. E não desabaram. Ela até foi a um departamento de engenharia no Afeganistão e ensinou ao chefe do departamento a diferença entre AC DC. Ele não sabia. Estas 3 mulheres treinaram mais 27 mulheres e eletrificaram 100 povoados com energia solar no Afeganistão. Fomos para a África, e fizemos a mesma coisa. Lá estavam as mulheres sentadas à mesa, vindas de oito, nove países, todas batendo papo uma com a outra, sem entender nada, porque falavam línguas diferentes. Mas a linguagem do corpo era fantástica. Elas conversavam entre si e tornavam-se engenheiras de energia solar. Fui a Serra Leoa, e lá estava esse ministro dirigindo tarde da noite – passa por esse povoado. Retorna, entra no povoado e diz, “Bem, o que está acontecendo?” Responderam, “Essas duas avós.” “Avós?” O ministro não podia acreditar no que estava acontecendo. “Para onde elas foram?” “Foram para a Índia e voltaram.” Ele foi direto ao presidente. Disse, “Sabia que tem um povoado eletrificado com energia solar em Serra Leoa?” Ele disse, “Não.” Metade do gabinete de ministros foi visitar as avós no dia seguinte. “O que está acontecendo?” Ele me chamou e disse, “Pode treinar 150 avós para mim?” Eu disse, “Não posso, Sr. Presidente. Mas elas podem. As avós farão isto.” Então ele construiu o primeiro centro de treinamento Barefoot em Serra Leoa. E 150 avós foram treinadas em Serra Leoa. Gâmbia: fomos selecionar uma avó na Gâmbia. Fomos a esse povoado. Eu sabia qual era a mulher que gostaria de trazer. A comunidade reuniu-se e disse, “Leva essas duas.” Eu disse, “Não, eu quero esta aqui.” Perguntaram, “Por que? Ela não sabe a língua. Você não a conhece.” Eu disse, “Gosto da linguagem do corpo. Gosto da maneira como ela fala.” “Marido difícil; não é possível.” Chamaram o marido, ele veio vangloriando-se, político, celular na mão. “Não é possível.” “Por que não? “A mulher, olha como ela é bonita.” Eu disse, “Sim, ela é muito bonita.” “O que vai acontecer se ela fugir com um indiano?” Este era o seu maior medo. Eu disse, “Ela ficará feliz. Ela ligará para você no seu celular.” Ela foi como uma avó e voltou como um tigre. Desceu do avião e falou para a imprensa inteira como se fosse uma veterana. Ela lidou com a imprensa nacional, e virou uma estrela. Quando eu voltei depois de 6 meses eu disse, “Onde está o marido?” “Ah, por aí. Não importa.” Uma história de sucesso. Vou finalizar dizendo apenas que acho que não precisamos procurar soluções lá fora. Procure soluções no interior. e ouça as pessoas que têm as soluções na sua frente. Elas estão no mundo inteiro. Não se preocupe. Não ouça ao Banco Mundial, ouça às pessoas ao seu redor. Elas têm todas as soluções. Vou terminar com uma citação de Mahatma Gandhi. “Primeiro eles ignoram você, depois riem de você, depois brigam, e então você vence.” Obrigado.
pt
401
A AlloSphere. É um esfera de metal de três partes em uma câmara acústica. Pense na AlloSphere como um grande, microscópio digital multifuncional conectado a um supercomputador. 20 pesquisadores podem ficar na ponte suspensa dentro da esfera, e completamente imersos em seus dados. Imagine se um time de físicos pudessem entrar em um átomo e ver e ouvir os elétrons girando. Imagine se um grupo de escultores pudessem entrar na estrutura dos átomos e esculpir a matéria. Imagine se uma equipe de cirurgiões pudessem voar pelo cérebro, como se fosse um mundo, e ver tecidos como paisagens, e escutar os níveis sanguíneos como música. Esse é um estudo que vocês estão prestes a ver e que nós chamamos de AlloSphere. Mas primeiro um pouco desse grupo de artistas, cientistas, e engenheiros, que trabalharam juntos. Eu sou um compositor, um maestro, e inventor da AlloSphere. Com meus colegas artistas, nós projetamos algoritmos matemáticos complexos apresentados no tempo e espaço, em forma visual e sonora. Nossos colegas cientistas estão procurando novos padrões na informação. E nossos colegas engenheiros estão construindo um dos maiores computadores multifuncionais do mundo para todo tipo de exploração de dados. Vou passear por cinco projetos de pesquisa na AlloSphere que vão levar você do nível macroscópico até ao nível dos elétrons. O primeiro projeto chama-se AlloBrain. E nossa tentativa de quantificar a beleza investigando quais regiões do cérebro são atingidas quando vislumbramos a beleza de alguma coisa. Você irá viajar através do córtex cerebral dos meus colegas. Nossa narrativa é baseada em dados reais de ressonância magnética que foram projetados de forma visual e sonora. O cérebro agora é um mundo que podemos atravessar e interagir. Você pode ver 12 programas inteligentes, que são pequenos retângulos que passeiam no cérebro com você. Eles representam os níveis de densidade do sangue. E eles são apresentados em forma de som. Níveis altos de densidade significam mais atividade naquele ponto do cérebro. Eles sinalizam essas densidades a você de forma que sons altos representam altas densidades. Vamos agora de dados biológicos reais para algoritmos biológicos que criam a natureza artificial na nossa próxima apresentação científica e artística. Nessa apresentação, os algoritmos biológicos estão nos ajudando a entender a geração espontânea e crescimento. Muito importante para simulações da nanociência. Para artistas, estamos criando novos mundos que podemos descobrir e explorar. Com esse algoritmos crescendo a cada dia, eles interagem e se comunicam como um enxame de insetos. Nossos pesquisadores estão interagindo com esses dados injetando código bacteriano, que são programas de computador, que permitem que essas criaturas cresçam a cada dia. Nos vamos agora de um mundo biológico e macroscópico, para o mundo atômico, onde passeamos na estrutura atômica. Esses são dados reais de um microscópio atômico dos meus colegas no centro de energia luminosa e estado solido. Eles descobriram um nova liga, um novo material para células solares transparentes. Nos passeamos através de 2. 000 estruturas atômicas -- Oxigênio, hidrogênio e zinco. Você vê a ligação no triângulo. Ela está nos 4 átomos de zinco azul ligados com um átomo de hidrogênio branco. Você vê o fluxo de elétrons em linhas que nós como artistas geramos para os cientistas. Permite encontrar os nós de ligação em qualquer estrutura atômica. Imaginamos isso com uma bela arte em estrutura. O som que vocês estão ouvindo é o atual espectro de emissão desses átomos. Nós mapeamos eles em faixas de áudio. E eles cantam para vocês. Oxigênio, hidrogênio e zinco tem suas próprias assinaturas. Vamos agora um pouco mais longe como se fossemos dessa estrutura atômica para um único átomo de hidrogênio. Trabalhamos com nossos colegas físicos que nos forneceram cálculos matemáticos da equação de tempo de Schrödinger em 3D. O que estão vendo agora é a superposição de um elétron nas três órbitas internas do átomo de hidrogênio. Nós estamos ouvindo e vendo o fluxo de elétrons em linhas. Os pontos brancos são as ondas de probabilidades que mostrarão a você onde o elétron está em um certo ponto do espaço-tempo nessa configuração particular de três órbitas. Em um minuto vamos para uma configuração de duas órbitas. E vocês vão notar uma pulsação. E vão ouvir uma ondulação no som. Isso é na verdade um emissor de luz. Assim que o som começa a pulsar e contrair, nossos físicos podem dizer quando um fóton será emitido. Eles começam a procurar por novas estruturas matemáticas nesses cálculos. E eles descobrem mais sobre a matemática quântica. Vamos um pouco mais longe, para um único elétron girando. Esse é o último projeto que mostrarei a vocês. Nossos colegas no centro de computação quântica e spintrônica, estão medindo com laser a incoerência em um único giro de elétron. Nós obtivemos essa informação e fizemos um modelo matemático por fora. Na verdade vocês estão vendo e ouvindo o fluxo de informação quântica. Isso é muito importante para o próximo passo para simular computadores quânticos e tecnologia da informação. Esses exemplos resumidos que eu mostrei dão uma idéia do tipo de trabalho que estamos fazendo em Santa Bárbara, na Universidade da Califórnia. para unir arte, ciência, e engenharia. numa nova era de matemática, ciência e arte. Esperamos que todos venham conhecer a AlloSphere. Nos inspire a pensar em novas formas que podemos usar esse instrumento único que criamos em Santa Bárbara. Muito Obrigado.
pt
402
Quando você tem 21 minutos para falar, 2 milhões de anos parece muito tempo. Mas na evolução, 2 milhões de anos é nada. mesmo assim em 2 milhões de anos o cérebro humano quase triplicou sua massa, dos 650g do nosso ancestral Homo Habilis, para os quase 1, 5 Kg que todos temos entre as orelhas. Por que a natureza teve tanta vontade de nos dar um cérebro tão grande? Acontece que quando cérebros triplicam em tamanho, não ficam só 3 vezes maiores, ganham novas estruturas. Uma das maiores razões para ficar tão grande, é ter uma nova parte, chamada lobo frontal. E particularmente uma parte chamada córtex pré-frontal. O que o córtex pré-frontal faz por você para justificar toda a remodelagem do crânio humano em um breve momento evolucionário? O córtex pré-frontal faz muitas coisas, uma das mais importantes é ser um simulador de experiências. Pilotos praticam em simuladores de vôo para que não cometam erros em aviões reais. Seres humanos têm uma adaptação maravilhosa para simular experiências em suas cabeças antes de tentar na vida real. É um truque que nenhum de nossos ancestrais podia fazer, que nenhum outro animal pode fazer como nós. É uma adaptação sensacional. É como polegares opositores, ficar de pé e ter uma linguagem é uma das coisas que fizeram nossos ancestrais descer das árvores e ir aos shoppings. -- Todos já passaram por isto. Por exemplo, Não existe um sabor fígado-e-cebola de sorvete. E não é porque eles provaram um pouco e disseram "ugh". É porque, sem sair da sua poltrona, você pode simular o sabor e dizer "ugh" antes de fazer este sabor. Vejamos como seu simulador de experiências funciona. Vamos fazer um diagnóstico rápido antes de continuar. Aqui estão dois diferentes futuros que eu lhes convido a contemplar, e vocês podem tentar imaginar e dizer qual vocês preferem. Um é ganhar a loteria, US$ 314 Milhões. O outro é se tornar paraplégico. Pensem um pouco. Vocês devem achar que não precisam de um momento. O interessante é que existem informações sobre estes dois grupos, que dizem quão felizes são. E isto é o que vocês esperavam, certo? Mas estes não são os dados. Eu os inventei! Estas são as informações verdadeiras. Vocês falharam no teste, mal viram cinco minutos de aula Porque o fato é que um ano depois de perder controle das pernas, e um ano depois de ganhar a loteria, sortudos e paraplégicos estão igualmente felizes com suas vidas. Agora, não se sinta tão mal sobre seu erro no teste, porque todo mundo falha em testes o tempo todo. A pesquisa que meu laboratório tem feito, que economistas e psicólogos pelo país têm feito, revelou algo notável para nós. algo que chamamos viés do impacto, a tendência do simulador de funcionar mal. de fazer você acreditar que resultados diferentes são mais diferentes que de verdade. Dos estudos de campo a estudos em laboratório, nós vemos que ganhar ou perder uma eleição, começar ou terminar um namoro, ganhar ou não ganhar uma promoção, passar ou não em um vestibular, e tudo mais, tem muito menos impacto, menos intensidade e muito menos duração que as pessoas esperam que tenha. Na verdade um estudo recente -- - isto quase me resume -- um estudo recente mostrando quanto grandes traumas da vida afetam as pessoas sugere que se aconteceu há mais de três meses, com poucas exceções, não tem nenhum impacto na sua felicidade. Por que? Porque a felicidade pode ser sintetizada. Sir Thomas Brown escreveu em 1642, "eu sou o homem vivo mais feliz Eu tenho algo em mim que pode converter pobreza em riqueza, adversidade em prosperidade. eu sou mais invulnerável que Aquiles. O azar não tem como me atingir" Que máquina notável esse homem tinha na sua cabeça? Acontece que é precisamente a mesma máquina notável que todos nós temos. Seres humanos têm algo que podemos considerar um sistema imunológico psicológico. Um sistema que conduz seus processos, principalmente inconscientes, que os ajudam a mudar suas visões de mundo, para que possam se sentir melhor sobre o mundo em que estão. Como sir Thomas você tem esta máquina. Ao contrário dele você parece não saber. Nós sintetizamos felicidade, mas pensamos que ela precisa ser encontrada. Vocês não precisam que eu lhes dê que muitos exemplos notórios de pessoas sintetizando felicidade, eu suspeito. Eu vou lhes mostrar algumas provas experimentais, Você não precisa procurar muito longe por provas. Eu, como desafio pessoal, como eu falo isto algumas vezes em aulas, Peguei um exemplar do New York Times e tentei encontrar alguns exemplos de pessoas sintetizando felicidade. E aqui estão três caras sintetizando felicidade. “Estou muito melhor, fisicamente, financeiramente, mentalmente, em todos os outros sentidos.” “Não me lamento um minuto, foi uma experiência gloriosa.” “Eu acredito que o que aconteceu foi o melhor.” Quem são essas pessoas tão felizes? Bem, a primeira é Jim Wright. Alguns de vocês têm idade suficiente para lembrar: ele era o presidente da Câmara dos Deputados e ele renunciou em desgraça quando o jovem republicano Newt Gingricht descobriu um negócio obscuro que ele fez. Ele perdeu tudo. O democrata mais poderoso do país, perdeu tudo. Perdeu seu dinheiro, perdeu seu poder, O que ele tem a dizer depois destes anos sobre isso? “Estou muito melhor, fisicamente, financeiramente, mentalmente em todos os outros sentidos.” Que outro sentido haveria? Vegetalmente, mineralmente, animalmente? Ele já falou tudo. Moreese Bickham, alguém de quem você nunca ouviu falar. Moreese Bickham pronunciou estas palavras quando foi solto. Ele tinha 78 anos. Ele passou 37 anos em uma Penitenciária da Louisiana por um crime que não cometeu. Ele foi finalmente inocentado, aos 78 anos, por provas de DNA. O que ele tinha a dizer sobre a experiência? “Eu não lamento um minuto, foi uma experiência gloriosa.” Gloriosa! Este cara não disse, “Bem, tinha uns caras legais, tinha sala de ginástica.” É "glorioso," A palavra que geralmente reservamos para uma experiência religiosa. Harry S. Langerman disse estas palavras, você poderia tê-lo conhecido mas não conheceu, porque em 1949 ele leu um artigo em um jornal sobre um quiosque de hambúrguer que aqueles irmãos McDonalds tinham. E ele pensou “é uma bela idéia!” Então se encontrou com eles. E eles disseram, “lhe damos a franquia disto por 3000 dólares.” Harry voltou a Nova Iorque e pediu a seu irmão, um banqueiro, um empréstimo de 3000 dólares, E as palabras imortais de seu irmão foram: “você é um idiota, ninguém come hambúrgueres.” Ele não emprestou o dinheiro, e claro que seis meses depois Ray Kroc teve exatamente a mesma idéia. Acontece que as pessoas comem hambúrgueres, e Ray Kroc por um tempo foi o homem mais rico da América. E então finalmente -- o melhor de todos os mundos possíveis -- alguns de vocês reconhecem o jovem na foto, é Pete Best, que era o baterista original dos Beatles, Até que eles o mandaram pro espaço e foram embora e pegaram Ringo em uma turnê. Já em 1994 quando Pete Best foi entrevistado -- sim, ele ainda é baterista, sim, ele é músico de estúdio -- ele tinha isto para dizer: “eu sou mais feliz que se estivesse com os Beatles” OK. Há algo importante para aprender com estas pessoas, que é o segredo da felicidade. Aqui está, finalmente revelado. Primeiro: ganhe riqueza, poder e prestígio. Então perca tudo. Segundo: passe o máximo possível da sua vida na cadeia. Terceiro: torne outra pessoa muito, muito rica. E finalmente, nunca, nunca mesmo, entre para os Beatles. OK, agora, como Ze Frank, eu posso adivinhar seu pensamento, que é: “É, claro.” Porque quando as pessoas sintetizam felicidade, como estes senhores parecem ter feito, nós todos sorrimos para eles, mas então olhamos para o lado e dizemos, “Claro, você não queria mesmo aquele emprego.” “Claro, você não combinava mesmo com ela" vocês não tinham nada em comum, e você percebeu tudo isso bem na hora em que ela atirou a aliança na sua cara.” Nós rimos porque acreditamos que felicidade sintética não é da mesma qualidade da que chamaríamos felicidade natural. Que significam esses nomes? Felicidade natural é o que obtemos quando temos o que queríamos, felicidade sintética é o que criamos quando não temos o que queríamos. E nossa sociedade acredita fortemente que felicidade sintética é de qualidade inferior. Por que temos essa crença? Bem, é simples. Que tipo de máquina econômica continuaria trabalhando se acreditássemos que não ter o que queremos poderia nos fazer tão felizes quanto ter? Com todas as desculpas a meu amigo Matthieu Ricard, um shopping cheio de monges budistas não seria lucrativo porque eles não querem coisas suficientes. Quero sugerir a você que felicidade sintética é, em todos os aspectos, tão real e durável quanto a felicidade que você obtém quando conquista exatamente o que queria. Eu sou um cientista, então vou fazer isto não com retórica, mas mergulhando você em informação. Deixe-me primeiro mostrar um paradigma experimental que é usado para demonstrar a síntese da felicidade entre pessoas comuns. Isto não é meu. É um paradigma de 50 anos de idade, chamado livre escolha. É simples. Você mostra seis objetos e pede ao entrevistado que ordene do que ele gosta mais para menos. Neste caso, porque o experimento que vou mostrar usa, gravuras de Monet. Então todos ordenam estas gravuras de Monet da que mais gostam para a que menosgostam. E você tem uma escolha: "Por acaso temos algumas gravuras a mais no depósito. vamos lhe dar uma grátis." "temos o número 3 e número 4," dizemos ao entrevistado. É uma escolha difícil, nenhuma delas é preferência absoluta sobre a outra, mas naturalmente tendem a escolher o 3, porque gostaram um pouco mais que do 4. Algum tempo depois -- pode ser 15 minutos ou 15 dias -- você mostra a mesma coisa ao entrevistado, e lhe pedimos para classificar novamente as gravuras "Diga-nos de quais você gosta mais agora." O que acontece? Vejam a felicidade ser sintetizada. Este é um resultado que tem sido reproduzido várias vezes. Vocês estão vendo felicidade ser sintetizada Querem ver de novo? Felicidade! "O meu é melhor que eu pensava! O que eu não tenho é uma droga!". Esta é a síntese da felicidade. Agora, qual é a resposta correta para isso? “É. claro!” Agora, este é o experimento que fizemos, e eu espero lhe convencer que “É. claro!” não é a resposta certa. Repetimos o experimento com pacientes que têm amnésia antrógrada. São pacientes hospitalizados. muitos deles têm síndrome de Kosarkoff, uma psicose poli-neurótica que -- por que eles beberam demais, e agora não conseguem construir novas memórias. Eles conseguem lembrar a infância, mas se você chegar e se apresentar, e sair da sala, quando voltar eles não lembrarão quem você é. Levamos nossas gravuras de Monet ao hospital. e pedimos aos pacientes para classificar do que gostaram mais para o que gostaram menos. Então demos a escolha entre o número 3 e o número 4 Como todos os outros eles disseram, "puxa, obrigado doutor, ótimo, eu quero a gravura. vou ficar com o 3.” Nós dizemos que vamos enviar pelo correio; pegamos as coisas e saimos do quarto, e esperamos meia hora. De volta ao quarto, dizemos “oi, voltamos!” os pobres pacientes dizem, “doutor, desculpe, eu tenho falta de memória, é por isso que estou aqui. Se nos vimos antes, não me lembro” “Sério, Jim, não se lembra? Estivemos aqui com as gravuras de Monet?” “Desculpe, doutor, não tenho idéia” "Sem problema, Jim, só preciso que você classifique isto para mim do que você gosta mais para o que gosta menos.” O que eles fazem? Vamos primeiro ver se têm amnésia mesmo. Pedimos a eles para dizer qual gravura eles têm, Qual eles escolheram da última vez, qual é deles. E o que descobrimos: pacientes com amnésia apenas chutam. Estes são grupos de controle, se eu fizesse com vocês, vocês saberiam quais escolheram. Mas se eu faço com os pacientes amnésicos, eles não têm idéia. eles não conseguem escolher sua gravura na lista. Isto é o que os grupos de controle normais fazem, sintetizam felicidade. Certo? Esta é a mudança no grau de preferência, a mudança da primeira vez que escolheram para a segunda. Vistos os normais -- esta é a mágica que lhes mostrei, agora visto em gráfico -- "o que eu tenho é melhor que pensei. O que não tenho, o que rejeitei, não é tão bom quanto pensei." Amnésicos fazem exatamente a mesma coisa. Pense neste resultado. estas pessoas preferem o que elas têm, mas eles não sabem qual elas têm. “É. claro!” não é a resposta certa! O que estas pessoas fizeram ao sintetizar felicidade é que elas sinceramente mudaram suas reações estéticas, hedônicas, afetivas sobre o pôster. Eles não dizem só porque são donos, porque não sabem que são donos. Agora, quando psicólogos mostram a você gráficos, você sabe que estão mostrando médias de muitas pessoas. E ainda assim, todos nós temos estes sistemas imunológicos psicológicos, esta capacidade de sintetizar felicidade, mas alguns de nós executamos o truque melhor que outros. E algumas situações permitem qualquer um executar melhor que em outras situações. Acontece que a liberdade -- a possibilidade de ter opinião e mudar de opinião -- é amiga da felicidade natural, porque permite escolher entre tantos maravilhosos futuros e encontrar o que mais gosta. Mas a liberdade de escolha -- mudar e rever sua opinião -- é inimiga da felicidade sintética. Quero lhes mostrar por quê. Dilbert já sabe é claro. vocês estão lendo a tira enquanto falo. “Suporte técnico. Como posso abusar de você?” “A impressora ejeta uma página em branco após o documento” “Qual o problema, papel grátis?” “Grátis? Você está me dando meu próprio papel?” “Deus! Olhe a qualidade do papel grátis perto do seu mísero papel comum! "Só um burro ou mentiroso diriam que são iguais!" “Agora que você mencionou, ele até parece mais sedoso!” “O que você está fazendo?” “Ajudando as pessoas a aceitar coisas que não podem mudar.” Realmente. O sistema imunológico psicológico funciona melhor quando estamos totalmente presos, encurralados. É a diferença entre estar namorando e ter casado, certo? Se você sai com um cara, e ele mete o dedo no nariz, você não sai mais. Você está casada com um cara que mete o dedo no nariz? Certo, ele é um coração de ouro; Não toque no bolo! Certo. Você encontra um jeito de ser feliz com o que acontece. Agora, o que quero mostrar para vocês é que as pessoas não conhecem a si mesmas, e isso é uma suprema desvantagem para elas mesmas. Aqui está um experimento que fizemos em Harvard. Criamos um curso de fotografia, para fotos em preto e branco, e nós deixamos os estudantes entrar em uma sala escura e usá-la. Demos a eles câmeras, eles percorreram o campus, tiraram doze fotos de seus professores preferidos, alojamentos, cachorros, e todas as coisas que queriam ter como lembrança de Harvard. Eles nos trouxeram a câmera, fizemos uma folha de contatos, e eles escolheram as duas melhores fotos, e gastamos seis horas ensinando a usar a sala escura, e eles ampliaram dois deles, fizeram dois lindos retratos de 8x10 de coisas importantes para eles e dissemos, “qual dos dois você vai nos dar?” Eles disseram: “tenho de dar um?” “Sim, precisamos para registro deste projeto. Você tem de me dar um. Precisa escolher. Escolha um deles e me dê o outro.” Há dois grupos neste experimento. Em um caso dizemos aos estudantes, “Mas, sabe, se quiser mudar de idéia, eu vou ter o outro aqui, nos próximos quatro dias, antes de eu mandar para a central, Eu poderei -- -- é, "central" -- "Eu poderei trocar ela com você. Na verdade, Eu vou ao seu alojamento levar -- só me mande um e-mail. Melhor, eu verifico com você. "não se preocupe se mudar de idéia, a escolha é reversível" A outra metade dos estudantes ouve o exato contrário: "Faça sua escolha. Aliás, o correio está saindo, céus, em dois minutos para a Inglaterra. Em dois minutos sua foto estará sobre o Atlântico. Você nunca a verá de novo." Para metade dos estudantes em cada grupo pedimos para fazer previsões sobre quanto acham que vão gostar da foto que escolheram comparada com a que entregaram. Outros estudantes simplesmente são dispensados e os acompanhamos entre três a seis dias sobre sua satisfação e apreço a respeito das fotos. Vejam o que descobrimos. Primeiro, isto é o que eles acham que vai acontecer. Eles acham que eles vão gostar da foto que escolheram um pouco mais que da outra mas estas diferenças não são estatisticamente significantes. Realmente é só uma pequena diferença e realmente não importa se eles estão na condição reversível ou irreversível. Errado! Simulador mau! Isto é o que realmente acontece. Seja logo antes da troca como cinco dias depois, As pessoas que estão presas à foto, que não têm escolha, não podem mudar de idéia, realmente adoram sua escolha! E as pessoas que estão deliberando -- “Devo trocar? Escolhi a melhor? Talvez esta não seja melhor? Será que deixei a melhor lá? -- se odeiam. Elas não gostam da foto que têm, e, na verdade depois da oportunidade de trocar ter passado, elas ainda não gostam da foto que escolheram. Por que? Porque a condição reversível não é compatível com a síntese da felicidade. Aqui está a parte final do experimento. Escolhemos um novo grupo de estudantes ingênuos de Harvard e dizemos: "Estamos dando um curso de fotografia,” e podemos fazer de dois modos pode ser de modo que você tira duas fotos, e tem 4 dias para mudar de idéia, ou fazemos outro curso onde você tira duas fotos e faz sua escolha na hora e não pode mudar depois. Que curso você quer fazer? e 66% dos estudantes, 2/3, preferem o curso em que têm a oportunidade de mudar de idéia. Sério! 66% dos estudantes escolheram estar em um curso em que eles vão ao final, ficar profundamente insatisfeitos com a foto. Porque eles não conhecem as condições de produção da felicidade sintética. O poeta disse tudo mais bonito, claro, e ele apresenta meu argumento aqui mas com hipérbole: “Não existe nada bom ou ruim / mas pensar faz com que seja” É bom na poesia, mas não pode estar certo. Não existe mesmo nada bom ou ruim? É mesmo verdade que uma cirurgia renal e uma viagem a Paris são a mesma coisa? Parece um teste de QI com só uma pergunta. Bom e mau não podem ser a mesma coisa. Em prosa mais empolada, mas mais verdadeira, o pai do capitalismo moderno, Adam Smith, disse isso. E vale a pena contemplar: "A grande fonte de tanto miséria quanto desordem da vida humana parece vir de superestimar a diferença entre uma situação permanente e outra. Algumas dessas situações podem, sem dúvida, merecer serem preferidas das outras, mas nenhuma delas pode merece ser perseguida com tanta paixão que nos leve a violar as regras da prudência ou da justiça, ou corromper a tranqüilidade futura de nossas mentes, tanto por vergonha da lembrança de nossa leviandade, quanto pelo remorso do horror de nossa própria injustiça." Em outras palavras: sim, algumas coisas são melhores que outras. Nós devemos ter preferências que nos levem para um futuro em lugar de outro. Mas quando essas preferências nos dominam com muita rapidez e rigidez porque estamos superestimando a diferença entre esses futuros, estamos em risco. Quando nossa ambição é contida, ela nos leva a trabalhar com prazer. Quando nossa ambição é ilimitada, nos leva a mentir, enganar, roubar, ferir os outros, sacrificar coisas realmente valiosas. Quando nossos medos são contidos, nós somos prudentes, cautelosos, ponderados. Quando nossos medos são ilimitados e reforçados, somos irresponsáveis, e somos covardes. A última coisa que eu quero deixar com vocês, destes dados é que nossos bens e preocupações são ambos em algum grau superestimados, porque nós temos dentro de nós a capacidade de fabricar o principal produto que estamos sempre caçando quando escolhemos experiências. Obrigado.
pt
403
De dia, sou investidor de risco. Nos finais de semana, amante de foguetes. Eu amo fotografia, eu amo foguetes, e eu vou falar a vocês sobre um hobby que pode decolar e mostrar algumas fotos que tirei ao longo dos anos com crianças como essas, crianças que espero cresçam amando foguetes e eventualmente se tornem outro Richard Branson ou Diamandis. Meu filho desenhou um foguete que tornou-se estável -- um foguete bola de golfe. Penso que foi um experimento interessante nos princípios da ciência do foguete, e ele voa reto como uma flecha. Bicabornato de sódio e vinagre. Os voos noturnos são lindos, passando pela Ursa Maior e pela Via Láctea. Foguete de dois estágios, foguetes com câmeras de vídeo computadores de bordo registram seus voos. Foguete planador que voa de volta para a terra. Eu uso RockSim para simular o voo antes de irem para ver se quebram a barreira do som ou não e então voar com computadores de bordo para verificar a performance. Mas para lançar os maiores, devemos ir ao meio do nada -- O deserto Black Rock, onde coisas perigosas acontecem. E os garotos se tornam homens, e os foguetes ficam maiores. E usam motores Eles literalmente usam turbinas de mísseis. Eles tremem a barriga e impressionam até os fotógrafos incrédulos observando o espetáculo. Esses foguetes usam motores experimentais de óxido nitroso. Usam propulsores solidos mais frequentemente. E um estranho tipo de amor. Temos o site Rocketmavericks. com com minhas fotos, se vocês quiserem aprender mais sobre isso -- participar, ser um espectador. Mavericks. Nós tinhamos que o chamar de Foguete Mavericks. Esse foi incrivel. Foi a 30 mil metros, mas não por muito tempo -- na verdade, ele afundou 3, 6 metros no barro solido, e tornou-se uma bomba subterrânea, penetrando no barro -- tivemos que escavar para o retirar Foguetes saem do controle em espiral se você coloca muito propulsor neles. Esta foi uma corrida de arrancadas. A noite pode ver o que aconteceu em um segundo, de dia os chamamos de tubarões terrestres. Algumas vezes eles apenas explodem em sua frente ou caem na velocidade supersônica Para fazer esta foto, eu fiz o que costumo fazer, ir para longe da plataforma onde não estão nenhum dos espectadores. Se pudermos rodar o vídeo, mostrarei o que se sucedeu para ter essa tomada da DreamWorks. Video: Vozes: Sim. Sensacional. Steve Jurvetson: Isso é raro. Aqui eles perceberam que o computador falhou. Eles gritam para jogar. Eles gritam para jogar. Vozes: Ou droga. SJ: Isto é quando eles percebem que tudo a bordo está fora de ordem. Vozes: Está indo sem direção. Ou droga. SJ: Agora fico em silêncio. Vozes: Não. Sobe, sobe, sobe. SJ: E esse aqui sou eu, tirando fotos por todo lado. Coisas dão errado. Algumas pessoas assistem o evento por uma fascinação tipo NASCAR com coisas queimando, retorcendo, o pára-quedas queimando – isso foi no último final de semana. Este subiu, chegou a velocidade do som e a quilha se partiu, venda de garagem no céu e coisas de metal queimando voltaram. Essas coisas podem cair do céu por todo fim de semana de lançamentos, após lançamentos, após lançamentos. é um ritmo que vocês nem imaginam. E de diversas formas, eu tento capturar os choques -- é o desafio da fotografia quando essas coisas acontecem em uma fração de segundos. Porque fazem isso? Por coisas como esta: Gene do Alabama viaja até aqui com este foguete que construiu, com sensores de raio-x, câmera de vídeo, enfeitado com eletrônicos e tem sucesso chegando a 30 mil metros, deixar a atmosfera, vendo a tênue linha azul do espaço. Esta é uma imagem excitante -- sucesso é claro -- isso nos motiva. E motiva crianças a seguir e entender a ciência dos foguetes, para entender a importância da física e matemática, e em muitas maneiras sentir-se maravilhado na exploração das fronteiras do desconhecido. Obrigado.
pt
404
Quando eu soube que viria aqui falar com vocês, eu pensei, "Eu tenho que ligar para minha mãe." Eu tenho uma pequena mãe Cubana -- ela é grande assim. Um metro e vinte -- nada maior do que a soma de suas partes figurativas. Vocês aindam estão comigo? Eu liguei pra ela, "Olá, como vai você, baby?" "Ei, Mãe, eu tenho que falar com você." "Você já está falando comigo. Qual é o problema?" Eu disse, "Eu tenho que falar para um monte de gente legal." "Você está sempre falando com gente legal, exceto quando você foi à Casa Branca --" "Mãe, não começa!" E eu contei a ela que eu estava indo ao TED, e ela disse, "Qual é o problema?" E eu disse, "Bem, eu não sei bem." Eu disse, "Eu tenho que falar com eles sobre estórias. Sobre Tecnologia, Entretenimento e Design." E ela disse, "Bem, você desenha uma estória quando você a inventa, é entretenimento quando você a conta, e você vai usar um microfone." Eu disse, "Você é um docinho, Mãe. O Pai tá aí?" "Qual é o problema? As pérolas de sabedoria saltando de meus lábios como roedores não são boas para você?" Então meu Pai chegou. Meu Pai -- ele é uma daquelas almas velhas, você sabe -- um velho homem cubano de Camaguey. Camaguey é uma província de Cuba. Ele é da Florida. Ele nasceu lá em 1924. Ele cresceu em uma cabana de chão sujo, e a estrutura era o tipo usado pelos Tainos, nossos velhos ancestrais Arawak. Meu pai é ao mesmo tempo sagaz, perversamente engraçado, e então uma comoção chega de surpresa e deixa você sem fôlego. "Papi, socorro." "Eu já ouvi sua mãe. Eu acho que ela está certa." "Depois do que eu acabei de te contar?" Minha vida inteira, meu pai esteve lá. Então nós conversamos por alguns minutos, e ele disse, "Por que você não conta a eles em que você acredita?" Eu adorei isso, mas nós não temos tempo. Contar bem uma estória é elaborar uma estória que alguém quer ouvir. Uma grande estória é a arte de deixar acontecer. Então eu vou contar a vocês uma pequena estória. Lembre, essa tradição chega até nós não do tempo das brumas de Avalon, mas de ainda mais longe, antes de nós estarmos rabiscando essas estórias em papirus, ou de nós estarmos fazendo os pictogramas nas paredes de cavernas úmidas e molhadas. Naquela época, nós tinhamos um anseio, uma necessidade, de contar a estória. Quando a Lexus quer vender a você um carro, eles estão contando uma estória. Vocês têm visto os comerciais? Porque cada um de nós tem esse desejo, de uma vez -- pelo menos uma vez -- de contar nossa estória e ter nossa estória ouvida. Há estórias que você conta de peças. Há estórias que você pode contar em um pequeno grupo de pessoas com um bom vinho. E há estórias que você conta para um amigo tarde da noite, talvez uma única vez em sua vida. E então há estórias que nós sussurramos em uma escuridão infernal. Eu não vou contar a vocês essa estória. Eu vou contar essa aqui. Chama-se, "Você vai sentir falta de mim." É sobre conexão humana. Minha mãe cubana, que eu brevemente apresentei a vocês nesse pequeno esboço de personagem, veio para os Estados Unidos 1000 anos atrás. Eu nasci em 19 -- Eu esqueci, e eu vim para este país com eles como consequência da Revolução Cubana. Nós viemos de Havana, Cuba, para Decatur, Georgia. E Decatur, um pequeno município do sul da Georgia. E naquela pequena cidade sulista, eu cresci, e cresci ouvindo essas estórias. Mas esta estória apenas aconteceu alguns anos atrás. Eu liguei para minha mãe. Era uma manhã de sábado. E eu estava ligando para saber como fazer Ajiaco. É um prato cubano. É delicioso. É saboroso. Faz a saliva espumar nos pequenos cantos da sua boca. E deixa suas axilas molhadas, sabia? Esse tipo de comida, yeah. Essa é a parte sensorial do programa, gente. Eu liguei para minha mãe, e ela disse, "Carmen, preciso que você venha aqui, por favor. Eu preciso ir ao shopping, e você conhece seu pai, a essa hora, ele tira uma soneca a tarde, e eu tenho que ir. Eu tenho algo a fazer." Deixem-me fazer uma pausa com parênteses aqui e contar a vocês -- Esther, minha mãe, tinha parado de dirigir vários anos atrás, para o alívio coletivo de toda a cidade de Atlanta. Qualquer passeio veicular com aquela mulher desde o tempo que eu era uma jovem criança -- gente, naturalmente incluia luzes policiais. Mas ela tinha se tornado adepta de iludir os homens de farda, e quando ela os encontrava, oh, ela tinha uma maravilhosa -- bem, uma afinidade. Minha senhora, você sabia que ultrapassou o sinal? "Você não fala inglês?" "Não." Mas nem todo dia é um dia de sorte, e ela acabou em um tribunal de trânsito, onde ela negociou com o juiz por um desconto. Há um marco histórico. Mas agora ela era uma septuagenária, ela tinha parado de dirigir. E isso significava que todos na família tinham que aparecer para levá-la para tingir os cabelos, você sabe, aquela peculiar coloração de azul que combina com o terno de poliéster dela, você sabe, a mesma cor do Buick. Alguém aí? Tudo bem. Pequenas partes escolhidas nas pernas, onde ela faz suas costuras e deixa pequenos laços. Rockports -- elas são pra isso. É por isso que eles os chamam assim. Esse é o traje dela. E esta é a mulher que quer que eu apareça no sábado de manhã quando tenho muitas coisas a fazer, mas não demorou muito porque a culpa cubana é pesada. Não me tornando político com você mas -- assim vou para casa da minha mãe. Eu apareço. Ela está na garagem. Claro que eles tem uma garagem. Do tipo com telhado ondulado, você sabe. O Buick está estacionado fora, e ela está sacudindo, chacoalhando um molho de chaves. "Eu tenho uma surpresa para você, baby!" "Nós vamos levar seu carro?" "Nós não, eu." E ela enfia as mãos no bolso e tira uma catástrofe. Narrativa de alguém. Arte interativa. Você pode falar comigo. Oh, a carteira de motorista -- uma carteira de motorista perfeitamente válida. Emitida, evidentemente, pela delegacia de seu próprio distrito de Gwinnett. Estúpidos *#$%* idiotas. Eu falei, "Essa coisa é de verdade?" "Eu acho que é." "Você consegue enxergar?" "Eu suponho que devo." "Oh, Jesus." Ela entra no carro, ela se senta em duas listas telefônicas. Eu não posso nem mesmo inventar essa parte porque ela é assim minúscula. Ela projetou um guarda-chuva para que ela possa --bam!-- fechar a porta com força. A filha dela, eu, -- a idiota do interior com casquinha de sorvete no meio da testa -- ainda está lá de pé, boquiaberta. "Você vem? Não vem?" "Oh, meu Deus." eu disse. "OK, tudo bem. Papai sabe que você está dirigindo?" "Você está brincando comigo?" "Como você fez isso?" "Uma hora ele tem que dormir." E assim nós deixamos meu pai dormindo, porque eu sabia que ele me mataria se eu a deixasse ir sozinha, e nós entramos no carro. Coloca a ré. 55 saindo da garagem, de ré. Eu estou colocando os cintos de segurança da frente, Eu estou arrancando os de trás, eu estou dando nós duplos. Eu quero dizer, estou com uma boca tão seca quanto o deserto do Kalahari. Estou me agarrando à porta cheia de medo. Você sabe do que estou falando? E ela está assobiando, e finalmente eu faço o tipo de respiração de parto -- você sabe, aquele tipo? Apenas umas poucas mulheres estão uh-huh, uh-huh. Certo. E eu falei, "Mãe, dá pra ir mais devagar?" Porque agora ela pegou a auto-estrada 285, o perímetro em volta de Atlanta, que abrange agora -- sete pistas -- ela está em todas elas, Eu disse, "Mãe, escolha uma pista!" "Eles dão a você sete pistas, eles esperam que você as use." E lá vai ela, certo. Não acredito nem um minuto que ela está nas ruas e não foi parada. Então eu penso, ei, nós podemos conversar. Isso vai ser uma diversão. Isso vai ajudar minha respiração. Vai fazer algo para a minha pressão, talvez. "Mãe, eu sei que você tem sido parada." "Não, não, o que você está falando?" "Você tem uma habilitação. Há quanto tempo você está dirigindo?" "Quatro ou cinco dias." "Sim. E não foi parada?" "Eu não recebi nehuma multa." Eu disse, "Sim, sim, sim, sim, mas vamos lá, vamos lá, vamos lá." "Ok, então eu parei em um semáforo e lá estava um cara, você sabe, atrás." "Teria esse cara, por acaso, um uniforme azul e um olhar terrível em sua face?" "Você não estava lá, não comece." "Vamos, lá. Você recebeu uma multa?" "Não." Ela explicou -- "O homem" -- Eu tenho que contar a vocês como ela fez porque perde-se algo se eu não contar, você sabe -- "Ele chega até a janela, e ele faz uma coisa assim -- que me diz que ele é bem velho, você sabe. Então eu olho pra cima e estou pensando, talvez ele ainda vai achar que eu sou, bonitinha." "Mãe, você ainda está fazendo isso?" "Se funciona, funciona, baby." Então, eu digo, "Bem, você não adivinharia, ele esteve em Honduras pelo Corpo de Paz." Então ele está conversando com ela, e em algum ponto ela diz, "Então, você sabe, foi isso. Foi isso. Estava feito." "Sim? O que? Ele te deu uma multa? Ele não te deu uma multa? O que?" "Não. Eu olhei para cima, e a luz, ela muda." Você deveria estar apavorada. Agora, eu não sei se ela está brincando comigo, tipo como um gato rebatendo um rato, rebatendo um rato -- pata esquerda, pata direita, pata esquerda, pata direita. Mas agora nós chegamos no shopping. Agora, vocês todos já estiveram em um shopping durante os feriados, não? Falem comigo. Sim. Sim. Vocês podem dizer sim. Audiência: Sim. Certo, então vocês sabem que agora vocês entraram em um estacionamento tipo purgatório, rezando para o santo da disponibilidade perpétua que ao você se juntarem a essa linha sinuosa de carros engatinhando, algum cara vai acender as luzes do freio, assim que você parar atrás dele. Mas isso não acontece na maioria das vezes, correto? Então, primeiro eu falo, "Mãe, por que estamos aqui?`" "Você quer dizer, como, no carro?" "Não, não -- por que estamos aqui hoje? É sábado. É um feriado." "Porque eu tenho que trocar a cueca do seu pai." Agora, veja, isso é, um tipo de pensamento maquiavélico, que você realmente tem que -- você sabe, em minha mente isso é um labirinto de coelhos, a mente dessa mulher. Vou eu querer andar lá porque a menos que eu tenha o fio de Ariadne para me ancorar -- metáforas suficiente para vocês? -- em algum lugar, eu posso não sair. Mas vocês sabem -- "Por que temos que levar a cueca do pai agora? E por que? O que está errado com ela?" "Isso vai te chatear." "Não vai me chatear. Por que? O que é? É alguma coisa errada com ele?" "Não, não, não. A única coisa errada com ele é que ele é um idiota. Eu mandei ele na loja -- o que foi meu primeiro erro -- e ele foi comprar a cueca, e ele comprou a grippers, e ele deveria comprar boxers.`` "Por que?" "Eu li na Internet. Você não pode ter filhos." "Oh, meu Deus!" Olivia? Huh? Huh? Mas agora nós engatinhamos outro metro e meio, e minha mãe finalmente diz para mim, "Eu sabia, eu sabia. Eu sou uma imigrante. Nós tomamos espaço. O que eu digo a você? Bem ali." E ela aponta para a janela do passageiro, e eu olho para fora, e três -- três -- corredores abaixo -- "Olhe, o Chevy." Você quer rir, mas você não sabe -- você é tão politicamente correto assim -- você notou? Vá na outra direção agora, está bem. "Olhe, o Chevy -- ele está vindo pra cá." "Mama, mama, mama, espere, espere, espere. O Chevy está três corredores distante." Ela olha para mim como se eu fosse, você sabe, a criança débil mental dela -- a cretina, aquela com quem ela teve que falar muito lenta e pausadamente. "Eu sei disso, querida. Saia do carro e fique na vaga do estacionamento até eu chegar lá." Ok, quero uma votação. Vamos lá, vamos. Não, não. Quantos de vocês uma vez em suas -- você foi uma criança, você foi um adulto -- ficou em uma vaga de estacionamento guardando-a para alguém? Vêem, nós somos um clube secreto com um aperto de mão secreto. E anos de terapia depois, estamos indo muito bem. Estamos indo muito bem. Estamos indo bem. Bem, eu a enfrentei. Isto é -- você sabe, você pensaria agora que eu estou -- e -- ainda resistindo? Eu disse, "Sem chances, mãe, você tem me envegonhado a vida inteira." Claro, a resposta dela é, "Quando eu envergonhei você?" E ela ainda está falando enquanto ela coloca o carro na vaga, puxa com tudo o freio de emergência, abre a porta, e com uma agilidade espantosa para uma mulher da idade dela, pula do carro, derruba as listas telefônicas, e então ela anda -- ela está carregando sua bolsa barata com ela -- em torno da frente do carro. Ela tem uma velocidade em terra surpreendente para a idade dela, também. Antes que eu me desse conta, ela já cruzou o estacionamento e entre os carros, e as pessoas atrás de mim com aquele tipo de misericórdia religiosa comum que os feriados nos trazem, biiih-biiih biiih-biiiiih "Estou chegando." Sinais de mão italiana acompanham. Eu corro. Fecho a porta. Deixo as listas telefônicas. Isso é novo e rápido, só assim você -- você ainda está com a gente? Esperaremos pelos lentos. Ok. Eu começo -- e isso é onde uma criança me diz -- e a estória não ia funcionar se eu tivesse falado sobre ela antes. Porque essa é minha lacônica criança. Uma brevidade, uma concisão de tudo com essa criança. Você sabe, ela come pequenas porções. Linguagem é uma coisa para ser concedida, administrada em pequenos fonemas, você sabe -- apenas um pequeno hmm-hmm-hmm. Ela carrega um pobre caderno espiral e uma caneta. Ela exerce um grande poder. Ela escuta, porque isso é o que pessoas que contam estórias fazem primeiro. Mas ela faz uma pausa ocasionalmente e diz, "Como você soletra isso? Que ano? Ok." Quando ela faz uma revelação em cerca de 20 anos, não acredite em uma única palavra. Mas essa é minha filha Lauren, minha excepcional filha, minha criança com síndrome de Asperger. Abençoo você, Dr. Watson. Ela diz, "Mãe, você tem que olhar!" Agora, quando essa criança diz que eu tenho que olhar, você sabe. Mas não é como eu não tenha visto essa cena do crime antes. Eu cresci com essa mulher. Eu disse, "Lauren, você sabe de uma coisa, me faça uma narração. Eu não posso --" "Não, mãe, você tem que olhar." Eu tenho que olhar. Você tem que olhar. Você não quer olhar? Lá está ela. Eu olho em desnorteada reverência -- Ela está de pé, aquelas botinhas ligeiramente separadas, mas firmes no chão. Ela está segurando aquela bolsinha barata, e ela a está brandindo. Ela está aguentando toneladas de aço com a força bruta de sua pequena personalidade, com aquela voz de mulher idosa, dizendo coisas como, "Para trás, camarada! Não, está reservado!" Prontos? Se abracem. Aqui vai. "Não, minha filha, ela está vindo no Buick. Querida, sente-se para que eles possam vê-la." Oh Jesus. Oh, Jesus. Eu finalmente chego, e agora é o Sul. Eu não sei em que parte do país vocês vivem. Eu acho que todos nós secretamente amamos estórias. Todos nós secretamente queremos nosso cobertor mágico e nosso par perfeito. Queremos nos enrolar e dizer, "Conte para mim, conte para mim. Vamos lá, doçura, conte para mim." Mas no Sul, nós amamos uma boa estória. As pessoas se puxam de lado, Quero dizer, elas saem daquelas filas, elas abrem os porta-malas, tiram as cadeiras e bebidas geladas. Apostas são feitas. "Eu estou com a pequena senhora. Maldição!" E ela está me trazendo com um ligeiro movimento de salsa. Ela é -- afinal de contas -- cubana. Estou pensando, "Freio acelerador. Freio acelerador." Como você nunca pensou isso em sua vida? Certo? É. Eu puxo, coloco o carro na vaga. O motor ainda está funcionando -- o meu, não o do carro. Eu pulo perto dela gritando "Não se mexa!" "Eu não estou indo a lugar algum." Ela toma a poltrona da frente como em uma tragédia grega. Eu saio, e lá está Esther. Ela está abraçando a bolsa. "Que?" o que significa, "O que?" -- e muito, muito mais. "Mãe, você não tem vergonha? As pessoas estão nos olhando de todos os lados, certo." Agora, algumas delas -- você tem que inventar, gente. Segredo de estado. Adivinha o que? Algumas dessas estórias eu mexo um pouco aqui e ali. Algumas, estão bem ali, bem ali. Coloque-as bem ali. Ela diz isso para mim. Depois de eu dizer -- deixe me lembra-los -- "Você não tem vergonha?" "Não. Eu a abandonei com a meia-calça -- ambas prendem demais." Sim, vocês podem aplaudir, mas vocês estão a cerca de meio minuto do final. Eu estou para arrebentar como um pequeno galho, quando alguém repentinamente me dá um tapinha no ombro. Alma intrépida. Eu penso, "É a minha criança. Como ela ousa? Ela pulou daquele carro." Está OK, porque minha mãe grita comigo, eu grito com ela. É uma bonita hierarquia, e funciona. Eu me viro, mas não é uma criança. É uma jovem mulher. Um pouco mais alta que eu. Olhos verdes e palidos que sorriem. Com ela está um jovem rapaz -- marido, irmão, amante -- não me interessa. E ela diz, "Perdão, senhora -- isso é como falamos lá em baixo -- "essa é sua mãe?" Eu digo, "Não, eu persigo pequenas velhas senhoras em estacionamentos por aí para ver onde elas vão parar. Sim, ela é minha mãe!" O rapaz, agora, ele diz. "Bem, o que minha irmã quis dizer" -- eles olham um para o outro -- é aquele olhar de conhecimento -- "Deus, ela é louca!" Eu digo, e a jovem moça e o jovem rapaz dizem, "Não, não, querida, nós apenas queremos saber apenas mais uma coisa." Eu disse, "Olhem, por favor, deixem-me tomar conta dela, OK, porque eu a conheço, e acreditem, ela é como uma pequena arma atômica, vocês sabem, você quer apenas lidar com ela realmente com muita cautela." E a moça continua, "Eu sei, mas, quero dizer, eu juro por Deus, ela nos lembra nossa mãe." Eu quase perco isso. Ele se vira para ela rapidamente. É um meio-suspiro, "Deus, sinto falta dela." Eles se viram então, ombro a ombro, e vão embora, perdidos em seus próprios devaneios. Memórias de uma enlouquecedora mulher que foi a sorte do destino de seus DNAs. E eu me viro para Esther, que está se balançando naquelas botinhas, e diz, "Sabe uma coisa, querida?" "O que mãe?" "Eu vou deixar você louca provavelmente por mais 14, 15 anos mais ou menos, se você tiver sorte, mas depois disso, querida, você vai sentir minha falta."
pt
405
Então, hoje falarei de duas estórias. Uma é como precisamos usar preços de mercado para afetar a demanda e usar tecnologias sem fio para reduzir dramaticamente nossas emissões no setor de transporte. E a outra é que há uma oportunidade incrível, se escolhermos as tecnologias sem fio corretas, como podemos gerar um novo motor para o crescimento econômico e reduzir dramaticamente o CO2 nos outros setores. Estou realmente amedrontada. Precisamos reduzir por 80% as emissões de CO2 de 10 a 15 anos a fim de evitar efeitos catastróficos. E eu estou espantada pelo fato de estar aqui para lhes dizer isso. Quais são os efeitos catastróficos? Uma mudança climática que aumente três graus centígrados que resultará em extinção de 50 por cento das espécies. Isto não é um filme. Isto é vida real. E eu estou preocupada, porque quando as pessoas falam sobre carros -- dos quais eu sei algo -- a imprensa, e políticos e as pessoas nesta sala estão todas pensando, "Vamos usar carros que economizem combustível." Se começássemos hoje, daqui a 10 anos, no fim desta janela de oportunidade, aqueles carros econômicos iriam reduzir nossas necessidades de combustíveis fósseis em quatro por cento. Isto não é suficiente. Mas agora irei falar de algumas coisas mais agradáveis. Estas são algumas formas de fazermos algumas mudanças dramáticas. Então ZipCar é uma empresa que fundei sete anos atrás, mas é um exemplo de algo chamado compartilhamento de carros. O que ZipCar faz é. nós estacionamos carros pelas densas áreas urbanas para membros reservarem por uma hora, ou por um dia, em vez de usarem seus próprios carros. Como é ser usuário de um ZipCar? Significa que eu pago apenas pelo que preciso. Todas essas horas por um carro ocioso, eu não estou pagando. Significa que eu posso escolher um carro exatamente para aquela viagem particular. Então, esta é uma mulher que reservou uma MiniMia, e ela tirou proveito dela. Posso pegar uma BMW quando estou me encontrando com clientes. Posso dirigir um Toyota Element quando for surfar. E a outra coisa notável é que eu acho que este é o mais alto status em ser proprietário de um automóvel. Eu não apenas tenho uma frota de carros à minha disposição em sete cidades do mundo que eu posso ter à minha inteira disposição, mas, Deus me livre, eu jamais manteria ou lidaria com o conserto ou teria nada a ver com isso. É como o carro que você sempre quis, que sua mãe disse que você não poderia ter. Eu fico com todas as coisas boas e nada das ruins. Então, qual é o resultado social disto? O resultado social é que atualmente a ZipCar tem 100. 000 membros dirigindo 3. 000 carros estacionados em 3. 000 vagas. Em vez de dirigir 19 mil km por ano, que é a média de um morador da cidade, eles dirigem 800 km por ano. Eles estão contentes? A empresa dobrou de tamanho desde que a fundei, ou mais. As pessoas adoram a empresa e é melhor, Sabe? Eles gostam. Então, como é que as pessoas foram de 19 mil km por ano pra 800 km? É porque elas disseram. São de 8 a 10 dólares por hora e 65 por dia. Se vou comprar sorvete, será que eu realmente quero gastar 8 dólares para comprar sorvete? Ou talvez possa passar sem ele? Talvez eu tivesse comprado o sorvete quando eu fiz outros passeios. Então, pessoas realmente respondem muito rapidamente a isto, aos preços. E meu último ponto é mostrar que o ZipCar não seria possível sem tecnologia. Foi necessário que o processo fosse completamente trivial, que ele levasse 30 segundos para alugar. para reservar o carro, ir pegá-lo e dirigí-lo. E pra mim, como um provedor de serviço, eu jamais seria capaz de lhes prover um carro por uma hora se tivesse algum custo de transação. Então, sem estas tecnologias sem fio, este é um conceito que jamais poderia existir. Então, este é um outro exemplo. Esta empresa é a GoLoco. Estou lançando em três semanas. E espero fazer para compartilhamento de viagem o que fiz para carros. Isso se aplicará para pessoas em todos os lugares dos EUA. Hoje, 75 por cento dos veículos trafegam com apenas uma pessoa. Mesmo assim, 12 por cento das viagens para o trabalho são compartilhamento com colegas. E acho que podemos aplicar redes sociais e sistemas de pagamento online para mudar completamente o as pessoas acham de compartilhamento de viagem e tornar as viagens muito mais eficientes. Então quando penso no futuro, pessoas pensarão que compartilhar a viagem com outro alguém é um evento social incrível. Bem, como você veio ao TED? Você veio com outros "TEDianos". Que fabuloso! Por que razão você algum dia imaginaria em ir sozinho no seu próprio carro? Como você veio ao supermercado? Você veio com seu vizinho, que evento social formidável! Isto irá transformar a maneira como vemos os deslocamentos. E também irá, eu acho, melhorar nossas liberdade de locomoção. Aonde eu posso ir hoje? E com quem? Estas é o tipo de coisa que você observará e sentirá. E os benefícios sociais. A taxa de veículos ocupados por apenas uma pessoa é, como já falei antes, 75 por cento; Nós achamos que podemos diminuir em 50 por cento. A demanda por estacionamento, claro, diminui, assim como os congestionamentos e as emissões de CO2 Um último comentário sobre isso, é claro, é que tudo isto é possibilitado por tecnologias sem fio. E é o custo de dirigir que está fazendo com que as pessoas queiram ser capazes de fazer isto. O americano, em média, gasta 19 por cento de sua renda com seu carro. E há uma pressão para que estes custos sejam reduzidos, mesmo assim eles ainda não têm uma solução. Assim, o último exemplo disso é a tarifação do congestionamento, muito famoso em Londres, quando você cobra um imposto para as pessoas trafegarem em ruas congestionadas. Em Londres, no dia em que eles implementaram o pedágio, houve uma diminuição de 25 por cento no congestionamento de um dia para o outro. E isto persistiu pelos quatro anos nos quais eles têm cobrado a tarifa de congestionamento. E novamente, as pessoas gostam do resultado? Ken Livingston foi reeleito. Então, novamente, podemos ver que o preço desempenha um papel enorme para reduzir o comportamento dos condutores. A distância que dirigíamos foi triplicada desde 1970 e dobrou desde 1982. Há uma falha enorme neste sistema. Com o preço adequado podemos revertê-la. Tarifação de congestionamento tem sido discutida nas maiores cidades do mundo e -- novamente -- permitidos pelas tecnologias sem fio. Você não iria colocar pedágio por toda a cidade de Londres e abrir e fechar os portões. A tarifação de congestionamento é um teste tecnológico e psicológico para algo chamado imposto de tráfego. O imposto de tráfego é a direção na qual teremos de ir. Porque hoje temos que pagar pela manutenção das ruas com impostos sobre os combustíveis. E à medida que nossos carros se tornam mais econômicos, a receita dos impostos sobre os combustíveis será reduzida, então precisaremos taxar as pessoas pelos quilômetros que elas dirigem. O que acontece com a tarifação de congestionamento é que estas tecnologias acontecerão com imposto de tráfego. Por que nos deslocamos tanto? Andar de carro é barato e então os carros são usados demais. Precisamos melhorar esta resposta do mercado. E se chegarmos lá, você irá decidir quantos quilômetros dirigir, que tipo de viagem, onde morar e trabalhar. E tecnologias sem fio possibilitam que isto ocorra em tempo real. Então quero ir à segunda parte da minha estória, que é, quando começaremos a implementar esta tarifa de congestionamento? O imposto de tráfego está prestes a chegar. Quando o implementaremos? Vamos esperar de 10 a 15 anos para que isto aconteça? Ou vamos finalmente ter a vontade política de fazer isto acontecer nos próximos dois anos? Esta será uma ferramenta de reduzir nosso uso do carro da noite pro dia. E que tipo de tecnologia sem fio iremos usar? Esta é a minha grande visão. Há uma ferramenta que pode nos ajudar a superar as barreiras digitais, responder a emergências, manter o tráfego em movimento, prover um novo motor de crescimento econômico e reduzir dramaticamente as emissões de CO2 em todos os setores. E este é um momento do "The Graduate". Você se lembra deste momento? Vocês serão o garoto jovem e bonito, e eu serei o empresário sábio. "Quero lhe dizer uma palavra, apenas uma palavra." "Sim, senhor?" "Você está ouvindo?" "Estou sim." "Redes sem-fio auto-configuráveis peer-to-peer Ad-hoc." Elas também são chamadas redes de malha. E em uma malha, todo dispositivo contribui para, e expande a rede, e eu acho que vocês devem ter ouvido dela antes. Vou dar alguns exemplos. Vocês irão ouvir mais tarde do Alan Kay. Estes laptops, quando uma criança os abre, elas se comunicam com todas as outras crianças na sala, dentro daquela escola, naquela vila. E qual é o custo daquele sistema de comunicação? Zero dólares por mês. Aqui está outro exemplo. Em Nova Orleans, câmeras utilizaram redes de malha de maneira que podessem monitorar crimes na parte francesa do centro da cidade. Quando o furacão veio, o único sistema de comunicação funcionando foi a rede de malha. Voluntários voaram pra lá e adicionaram um monte de dispositivos. E pelos próximos 12 meses, redes de malha foram as únicas redes sem fio em Nova Orleans. Outro exemplo é em Portsmouth, UK. Eles implementaram redes de malha em 300 ônibus. E eles podem falar com estes terminais inteligentes você pode olhar pro terminal e poder ver precisamente onde o seu ônibus está, e quando ele está vindo, e você pode comprar seus bilhetes em tempo real. Novamente, tudo possibilitado por redes de malhas. Custo mensal: zero. Então, a beleza das redes de malha: Podemos ter estes dispositivos a baixíssimo custo. Custo zero pra manter as comunicações. Altamente expandível. Podemos simplesmente ir adicionando, como no Katrina, também podemos diminuí-los; enquanto existirem alguns, ainda podemos nos comunicar. Eles são resilientes. A redundância deles é construída neste design fabuloso descentralizado. Quais são as fraquezas inacreditáveis? Não há ninguém em Washington fazendo lobby para que isto aconteça, ou nestas municipalidades, para implementar estas redes sem fio nestas cidades, porque o custo de manter estas comunicações é zero. Então, os exemplos que acabei de citar são ilhas de redes de malha, e redes são interessantes apenas quando são grandes. Como criamos uma grande rede? Estão prontos de novo -- "The Graduate"? Vocês vão fazer o papel do cara jovem e bonito, mas eu serei a mulher sexy. Estas são as duas próximas falas no filme. "Onde você fez isso?" "No carro dele." Então, você sabe, quando você fixa esta idéia -- -- Onde poderíamos esperar que eu, Robin Chase, estivesse pensando é, imagine que nós colocássemos um dispositivo de rede de malha em cada carro pelos Estados Unidos. Poderíamos ter um sistema de comunicação sem fio de costa-a-costa. Acho que eu só quero que vocês pensem sobre isso. E por que isto irá acontecer? Porque iremos fazer a tarifação do congestionamento; iremos cobrar pedágios; e impostos sobre combustíveis se tornarão impostos de tráfego. Estas coisas irão acontecer. Qual é a tecnologia sem fio que iremos usar? Talvez devêssemos usar uma boa. Quando iremos fazer isso? Talvez não devêssemos esperar de 10 a 15 anos para que isto aconteça. Poderíamos antecipá-la. Eu gostaria que lançássemos a sistema de malha de internet interestadual sem fio. E requerer que esta rede seja disponível a todos, com padrões abertos. No prezado momento, no setor de transportes, estamos criando estes dispositivos sem fio. Suponho que vocês talvez tenham FastPass ou EasyLane, que são dispositivos para um único propósito em redes fechadas. E para que serve? Estamos transferindo poucos bits de dados quando estamos controlando o tráfego, imposto de tráfego. Nós temos essa incrível capacidade em excesso. Então podemos prover o meio mais barato de implementar internet sem fio de costa-a-costa. Podemos ter sistemas resilientes de comunicação nacional. Temos uma nova ferramenta para a criação de eficácia em todos os setores. Imagine o que acontece quando o custo de obter informação de qualquer lugar para outro é próximo de zero. O que você pode fazer com esta ferramenta. Nós podemos criar uma máquina econômica. Informação deveria ser gratuita e o acesso à ela também, e deveríamos cobrar as pessoas por poluição. Acho que esta é uma ferramenta mais poderosa que o "Ato das Auto-estradas Interestaduais" e acho que isto é tão importante e transformador para nossa economia quanto a eletrificação. Se eu tivesse o poder de decisão, poderíamos ter uma versão com código aberto além dos padrões abertos. E esta versão com código aberto significa que poderia ser -- se trabalharmos brilhantemente -- poderia ser usado por todo o mundo muito rapidamente. Então, voltando a uma das minhas idéias anteriores. Imagine se todos estes ônibus em Lagos fossem parte de uma rede de malha. Quando vim esta manhã ao "TEDTalk prize" do Larry Brilliant -- suas redes fabulosas -- imagine se houvesse um dispositivo de comunicações de malha com código aberto que pudesse ser inserido nestas redes, para possibilitar tudo isso. Poderíamos fazer isso, se pudéssemos superar o fato de que alguém está -- com esta pequena fatia de coisas que serão gratuitas, e além disso poderíamos lucrar bilhões de dólares. Mas esta fatia particular de necessidades de comunicações precisa ter código aberto. Então, vamos assumir o controle deste pesadelo. Implementar um imposto sobre os combustíveis imediatamente. Mudar para pedágios com malha sem fio, por todo o país. Pedir que esta malha seja aberta a todos, com padrões abertos. E, é claro, usemos redes de malha. Obrigada.
pt
406
Essa é a estória admirável: ela começa cerca de 40 anos atrás, quando minha mãe e meu pai vieram ao Canadá. Minha mãe deixou Nairobi, Quênia. Meu pai deixou uma pequena vila perto de Amritsar, Índia. E eles chegaram aqui no fim dos anos 60. Eles se instalaram num subúrbio escuro a uma hora de Toronto. E eles começaram uma nova vida. Eles viram seu primeiro dentista, eles comeram seu primeiro hamburger, e eles tiveram seus primeiros filhos. Minha mãe e eu crescemos aqui, e nós tivemos infâncias calmas e felizes. Nós tivemos uma família próxima, bons amigos, uma rua calma. Nós crescemos tendo um monte de coisas que meus pais não puderam ter quando eles cresceram -- coisas como energia sempre ligada em nossas casas, coisas como escolas do outro lado da rua e hospitais perto de casa e picolés no quintal. Nós crescemos, e amadurecemos. Eu fui ao colégio. Eu me formei. Eu me mudei e consegui um emprego, encontrei uma garota e casei -- e eu percebi que isso soa como um seriado ruim ou uma canção do Cat Stevens. Mas a vida foi muito boa. A vida foi muito boa. 2006 foi um ano ótimo. Sob o céu claro e azul de julho na região de vinhos de Ontário, eu me casei, cercado por 150 familiares e amigos. 2007 foi um ano ótimo. Eu me formei na faculdade, e fui para uma viagem com dois dos meus amigos mais próximos. Aqui está uma foto minha com meu amigo, Chris, na costa do oceano Pacífico. Nós realmente vimos focas da janela do carro, e nós estacionamos para tirar uma foto delas e depois as bloqueamos com nossas cabeças gigantes. Então vocês não podem vê-las, mas isso foi impressionante, acreditem em mim. 2008 e 2009 foram um pouco difíceis. Eu sei que foram difíceis para um monte de gente, não só eu. Em primeiro lugar, as notícias eram bem pesadas. Ainda são pesadas agora, e eram pesadas antes disso, mas quando você abria um jornal, quando você ligava a TV, era sobre geleiras derretendo, guerras acontecendo no mundo, terremotos, furacões e uma economia que estava cambaleando na beira de um colapso, e depois afundou realmente, e assim muitos de nós perderam suas casas, e seus empregos, e suas aposentadorias, e seu meio de vida. 2008 e 2009 foram anos pesados para mim por outra razão também. Eu estava passando por vários problemas pessoais na época. Meu casamento não estava indo bem, e nós estávamos cada vez mais distantes. Um dia minha esposa chegou do trabalho e juntou coragem, em meio a várias lágrimas, para ter uma conversa muito honesta. E ela disse: "eu não te amo mais". E essa foi uma das coisas mais dolorosas que eu ouvi e certamente a coisa mais devastadora que eu ouvi até um mês mais tarde, quando eu ouvi algo ainda mais devastador. Meu amigo Chris, de quem eu mostrei uma foto a vocês, estava lutando contra uma doença mental por um tempo. E para aqueles cujas vidas foram tocadas por doenças mentais, vocês sabem o quanto isso pode ser desafiador. Eu falei com ele ao telefone às 22: 30 num domingo à noite. Nós conversamos sobre o programa de TV que vimos naquela tarde. E na segunda feira de manhã, eu descobri que ele desapareceu. Tristemente, ele acabou com a própria vida. E essa foi uma época muito dura. E enquanto as nuvens negras me circulavam, e eu estava achando muito, muito difícil pensar em qualquer coisa boa, eu disse a mim mesmo que eu precisava de uma maneira para focar em algo positivo de qualquer jeito. Então voltando para casa do trabalho uma noite, e me conectei ao computador, e comecei um pequeno website chamado 1000awesomethins. com. Eu estava tentando lembrar a mim mesmo dos pequenos prazeres universais simples que todos nós amamos, mas nós simplesmente não falamos o suficiente disso -- coisas como garçons e garçonetes que trazem bebidas grátis sem perguntar, ser a primeira mesa a ser atendida no jantar de um casamento, vestir uma cueca quentinha que saiu da secadora, ou quando os caixas abrem uma fila nova no mercado e você é o primeiro da fila -- mesmo que você fosse o último da outra fila, caiu lá direto. E lentamente, com o tempo meu humor começou a melhor. Quero dizer, 50 mil blogs são iniciados por dia. E meu blog era só mais um desses 50 mil. E ninguém o lia a não ser minha mãe. Apesar de que meu tráfego decolou e aumentou 100 por cento quando ela o repassou para meu pai. E então eu fiquei animado quando comecei a receber dezenas de visitas. E fiquei animado quando comecei a receber dúzias e depois centenas e depois milhares e depois milhões de visitas. Ele começou a ficar maior e maior e maior. E daí eu recebi uma ligação, e a voz do outro lado disse: "Você acaba de ganhar o prêmio de melhor blog do mundo." Eu estava tipo, isso soava totalmente falso. Para qual país africano você quer que eu mande meu dinheiro? Mas acontece que eu entrei num avião, e acabei andando num tapete vermelho entre Sarah Silvermann e Jimmy Fallon e Martha Stewart. E fui ao palco receber um prêmio Webby pelo Melhor Blog. E depois a surpresa e o deslumbramento daquilo só foi ofuscado pelo meu retorno a Toronto, quando, no meu e-mail, 10 agentes de editoras estavam me esperando para conversar sobre colocar isso num livro. Pulando para o ano seguinte e "O Livro do Admirável" agora era o número 1 na lista de melhor best-seller por 20 semanas seguidas. Mas vejam, eu disse que eu queria fazer três coisas com vocês hoje. Eu disse que queria dizer a vocês a história Admirável, eu queria compartilhar os 3 As de Admirável, e eu queria deixá-los com uma reflexão de conclusão. Então vamos falar sobre esses 3 As. Ao longo dos últimos anos, eu não tive muito tempo para refletir bem. Mas ultimamente eu tive a oportunidade de dar um passo para trás e me perguntar: O que é isso que nos últimos anos me ajudou a desenvolver meu website, mas também a me desenvolver? E eu resumi essas coisas, para mim pessoalmente, como 3 As. Eles são atitude, autoconsciência e autenticidade. Eu adoraria falar sobre cada um rapidamente. Então atitude: Vejam, todos nós vamos ter machucados, e todos nós vamos ter baques. Nenhum de nós pode prever o futuro, mas sabemos uma coisa sobre ele que é que ele não vai ser de acordo com o plano. Nós vamos ter altos triunfos e grandes dias e momentos de orgulho com sorrisos em estágios de graduação, danças de pais e filhas em casamentos e bebês saudáveis berrando na sala de parto, mas entre esses altos triunfos, também podemos ter machucados e baques. É triste, e não é agradável falar sobre isso, mas seu marido pode deixar você, sua namorada pode te trair, suas dores de cabeça podem ser mais sérias do que você pensava, ou seu cachorro pode ser atropelado por um carro na rua. Não é um pensamento feliz, mas suas crianças podem se envolver em gangues ou situações ruins. Sua mãe pode ter câncer, seu pai pode ficar mesquinho. E há épocas na vida quando você será jogado no fundo do poço também, com embrulhos no estômago e vazios no coração. E quando as más notícias chegam a você, e quando a dor te sufocar, eu realmente espero que vocês sintam que vocês sempre têm duas escolhas. Uma, você pode dar voltas e mais voltas, e se abater e condenar para sempre, ou dois, você pode se lamentar e depois encarar o futuro com novos olhos sóbrios. Uma ótima atitude é escolher a opção número dois, e escolher, não importa quão difícil seja, não importa quanta dor te atinja, escolher seguir em frente e continuar e andar passo a passo para o futuro. O segundo A é auto consciência. Eu adoro brincar com crianças de 3 anos. Eu adoro o jeito que eles veem o mundo, porque eles estão vendo o mundo pela primeira vez. Eu adoro o jeito que eles olham um inseto cruzando a calçada. Eu adoro o jeito que eles olham de boca aberta no seu primeiro jogo de beisebol com os olhos bem abertos e uma luva na mão, suando no punho do bastão e mastigando amendoins e o cheiro dos cachorros-quentes. Eu adoro o jeito que eles gastam horas colhendo dentes-de-leão no quintal e os pondo num vaso bonito no jantar de Ações de Graças. Eu adoro o jeito que eles veem o mundo, porque eles estão vendo o mundo pela primeira vez. Ter um sentido de autoconsciência é abraçar sua criança interior de 3 anos. Porque todos vocês foram crianças de 3 anos. Aquele menino ainda é parte de você. Aquela menina ainda é parte de você. Eles estão lá dentro. E estar consciente é apenas lembrar que você viu tudo o que tinha visto uma vez pela primeira vez. Então houve uma época quando foi sua primeira vez a passar por uma série de semáforos verdes no caminho para o trabalho. Houve uma primeira vez que você entrou numa padaria e sentiu o cheiro dos pães, ou a primeira vez que você tirou uma nota de 20 dólares do bolso da sua jaqueta velha e disse: "Dinheiro achado." O último A é autenticidade. E para esse, eu quero contar a vocês uma história rápida. Vamos voltar para o ano de 1932 quando, numa fazenda de amendoim na Gerogia, um bebezinho chamado Roosevelt Grier nasceu. Roosevelt Grir, ou Rosey Grier como as pessoas o chamavam, cresceu e se tornou um linebacker da NFL de 2 metros e 135 kg. Ele é o número 76 da foto. Aqui ele é fotografado com o "quarteto temível". Havia quatro caras no L. A. Rams nos anos 60 que você não gostaria de jogar contra. Eles eram jogadores de futebol durões que faziam o que amavam, que era esmagar crânios e separar ombros no campo de futebol. Mas Rosey Grier também tinha outra paixão. Em seu ego profundo e autêntico, ele também adorava tricotar. Ele adorava costurar. Ele dizia que isso o acalmava e relaxava, isso tirou seu medo de voar e o ajudou a encontrar garotas. Isso foi o que ele disse. Quero dizer, ele adorava tanto isso, que depois de se aposentar da NFL ele começou a participar de clubes. E ele chegou a publicar um livro chamado "Rosey Grier's Needlepoint for Men". É uma bela capa. Se você perceber, ele está na verdade tricotando seu rosto. E o que eu adoro nessa história é que Rosey Grier é uma pessoa autêntica. E é sobre isso que é autenticidade. É sobre ser você e ser feliz com isso. E eu acho que se você é autêntico, você acaba seguindo seu coração, e você se coloca em lugares e situações e conversas que você adora e curte. Você encontra pessoas com quem gosta de conversar. Vai a lugares que você sonhava ir. E você acaba seguindo seu coração e se sentindo completo. Então esses sãos os 3 As. Para a reflexão de conclusão, eu quero levá-los de volta aos meus pais vindo ao Canadá. E não sei como seria vir a um novo país quando você está com 20 e poucos anos. Eu não sei, porque nunca fiz isso. Mas imagino que isso demanda muita atitude. Eu imaginaria que você deve estar muito consciente do seu redor e apreciar as pequenas maravilhas que você começa a ver no seu novo mundo. E acho que você teria de ser muito autêntico, você teria de ser verdadeiro consigo mesmo para passar por aquilo que você está sendo exposto. Eu gostaria de pausar minha TEDTalk por uns 10 segundos agora, porque você não tem muitas chances na vida de fazer algo assim, e meus pais estão sentados na primeira fila. Então gostaria de pedir a eles, se não se importam, de se levantar. E gostaria de dizer muito obrigado a vocês dois. Quando eu estava crescendo, meu pai adorava contar a história de seu primeiro dia no Canadá. E é uma história ótima, porque o que aconteceu foi que ele saiu de um avião no aeroporto de Toronto, e ele foi recepcionado por um grupo de voluntários, que estou certo que o gerente deve estar nessa sala. E esse grupo de voluntários fez um grande almoço de boas vindas para todos os imigrantes novos no Canadá. E meu pai disse que saiu do avião e foi para esse almoço e havia essa mesa enorme. Havia pães, havia esses mini picles, azeitonas, cebolinhas. Havia fatias enroladas de peru, de presunto, de rosbife e cubinhos de queijo. Havia sanduíches de atum e de salada de ovo e sanduíches de salada de salmão. Havia lasanhas, tortas salgadas, brownies, butter tarts, e havia tortas, um monte de tortas. E quando meu pai contou a história, ele disse: "A coisa mais louca foi que eu nunca tinha visto nada daquilo antes, a não ser o pão." Eu não sabia o que era carne, o que era vegetariano. Eu comia azeitonas com torta." "Eu não podia acreditar em quantas coisas havia ali." Quando eu tinha 5 anos de idade, meu pai costumava me levar para fazer compras no mercado. E ele ficava olhando para as etiquetas nas frutas e verduras. Ele dizia: "Olha, você acredita que aqui tem manga do México? Tem maçãs da África do Sul. Você acredita que tem tâmaras de Marrocos?" Ele: "E você sabe onde fica o Marrocos?" Eu eu dizia: "Eu tenho cinco anos. Eu nem sei onde estou. Isso é uma fábrica?" E ele dizia: "Eu também não sei onde fica o Marrocos, mas vamos descobrir." E então a gente comprava as tâmaras, e voltávamos para casa. E a gente pegava um atlas da estante, e o folheava até que a gente achasse esse país misterioso. E quando a gente achava, meu pai dizia: "Você acredita que alguém subiu numa árvore aqui, pegou essa coisa daí, colocou num caminhão, levou isso até as docas e navegou por todo esse caminho através do Oceano Atlântico e depois colocou isso em outro caminhão e levou para uma mercadinho do lado de nossa casa, para que pudesse vender isso por 25 centavos?" E eu dizia: "Eu não acredito nisso." E ele: "Eu também não acredito nisso. As coisas são fantásticas. Há tanta coisa que nos faz felizes." Quando eu paro para pensar sobre isso, ele está absolutamente certo. Há muitas coisas que nos faz felizes. Nós somos a única espécie da terra do universo inteiro, que já vimos, capazes de experimentar tantas coisas assim. Quero dizer, nós somos os únicos com arquitetura e agricultura. Nós somos os únicos com joalheria e democracia. Nós temos aviões, pistas de rodovias, decoração e signos de horóscopo. Nós temos revistas de moda, festas em casa. Você pode ver um filme de terror com monstros. Você pode ir a um concerto e ouvir guitarristas improvisando. Nós temos livros, bufês e ondas de rádio, noivas e montanhas russas. Você pode dormir em lençóis limpos. Você pode ir ao cinema e pegar bons lugares. Você pode sentir o cheiro da padaria, passear com cabelo molhado de chuva, estourar bolhas de plástico ou tirar uma soneca ilegal. Você tem tudo isso, mas só temos 100 anos para aproveitar isso. E essa é a parte triste. Os caixas no seu mercado, o capataz em sua contrução, o cara que segue você até em casa da estrada, o telemarketing ligando para você no jantar, cada professor que você já teve, todo mundo que já acordou do seu lado, cada político de cada país, cada ator em cada filme, cada pessoa única em sua família, cada um que você ama, cada um nessa sala e você estarão mortos em cem anos. A vida é tão especial que só temos um pequeno intervalo para experimentar e aproveitar todos esses pequenos momentos que a fazem tão doce. E o momento é agora mesmo, e esses momentos estão em contagem regressiva, e esses momentos estão sempre, sempre passando. Você nunca será tão jovem quanto você é agora. E é por isso que acredito que se você vive sua vida com uma ótima atitute, escolhendo ir para frente e para frente mesmo que a vida lhe dê um golpe, viver com um senso de autoconsciência do mundo ao seu redor, abraçando sua criança de 3 anos e vendo essas pequenas alegrias que fazem a vida tão doce e sendo autêntico consigo mesmo, sendo você e estando bem com isso, deixando seu coração levá-lo e colocá-lo em experiências que lhe satisfazem, então eu acho que você viverá uma vida que é rica e é satisfatória, e acho que você vive uma vida que é verdadeiramente admirável. Obrigado.
pt
407
Kurt Andersen: Como muitos arquitetos, David é ansioso pelos holofotes, mas é suficientemente discreto para pedir uma entrevista ao invés de uma palestra. De fato, o tema que iremos abordar, na minha opinião, é algo que é melhor exposto em uma conversa do que em um monólogo. E creio que temos alguns trechos de notícias para mostrar antes. Dan Rather: Desde o ataque de 11 de Setembro ao World Trade Center, muitas pessoas rumaram para o centro de Nova Iorque para ver e prestar condolências para aquilo que é um cemitério de 64 mil metros quadrados. Atualmente, como Jim Axelrod da CBS aponta, eles estão dando os toques finais em uma nova maneira de visitar e observar o local. Jim Axelrod: Esqueça o Empire State Building ou a Estátua da Liberdade: há um novo local em Nova Iorque que é o favorito das multidões - o Ground Zero. Turista: eu trouxe a minha enteada de Indianápolis para cá. Este foi, de todas as atrações turísticas de Nova Iorque, o favorito dela. JA: atualmente, milhares fazem fila na baixa Broadway. Turista: Tive a vontade de vir para cá desde que [o ataque] aconteceu. JA: Mesmo nos dias mais frios do inverno. Para honrar e lembrar. Turista: isto é a realidade, isto é a gente. Aconteceu aqui. Isto é nosso. JA: São tantos que, na verdade, a observação tornou-se um certo problema. Turista: Acho que as pessoas estão muito frustradas por não conseguirem se aproximar para ver o que está acontecendo. JA: Mas isto está para mudar. Em tempo recorde, um grupo de arquitetos e trabalhadores da construção desenharam e construíram uma plataforma de observação para diminuir a frustração e trazer as pessoas para mais perto. Homem: eles terão um panorama incrível. E compreenderão, de maneira mais completa na minha opinião, a totalidade da destruição do local. JA: Se você pensar bem, o Ground Zero é distinto de qualquer outra atração turística dos EUA. Ao contrário do Grand Canyon ou do Monumento a Washington, as pessoas vêm para cá para observar aquilo que não existe mais. David Rockwell: A primeira experiência que as pessoas terão aqui, quando observarem isso tudo, não é um canteiro de obras, mas sim um incrível cemitério em movimento. JA: As paredes são vazias de propósito, para que as pessoas possam preenchê-las com seus próprios memoriais, da mesma maneira que fizeram em volta do perímetro atual. Turista: De coração, [isso] nos afetou também. JA: As rampas são feitas de material simples, o tipo de compensado utilizado em canteiros de obras, o que faz todo o sentido. Frente à pior destruição dos EUA, as pessoas estão construindo novamente. Jim Axelrod, Noticiário da CBS, Nova Iorque. KA: Este não é um tema óbvio no segmento sensorial, mas certamente, David, você é conhecido como - eu sei, um termo que você odeia - um arquiteto do entretenimento. Seu trabalho é altamente sensorial, até mesmo hedonista. DR: eu gosto dessa palavra. KA: OK. Diz respeito ao prazer: cassinos, hotéis e restaurantes. Como o choque que todos nós, especialmente aqueles de Nova Iorque, sentimos no 11 de Setembro transformou-se em um desejo seu de criar isso? DR: Bem, a verdade é que, após o 11 de Setembro, me senti neste papel - primeiramente, como alguém que vive em Tribeca e que teve a sua vizinhança devastada, e como alguém que trabalha a menos de um quilômetro de lá - que eu estava com o papel de forçar 100 pessoas que trabalham comigo, em minha firma, a continuar a ter o mesmo nível de entusiasmo para criar os lugares que temos criado. De fato, estamos terminando um livro que se chama "Prazer", cujo tema é o prazer sensorial nos espaços. Mas tenho que te contar: ficou impossível fazer aquilo. Estávamos realmente paralisados. Encontrei-me na sexta-feira após o 11 de Setembro, dois dias depois, literalmente incapaz de motivar qualquer um ou de fazer qualquer coisa. Demos alguns dias de folga no escritório. Discutindo isso com outros arquitetos, vimos pessoas na imprensa dizendo que deveriam reconstruir as torres como elas eram antes, que deveriam reconstruí-las com 50 andares a mais. Imaginei que era incrível especular, como se estivesse em uma competição, sobre uma ferida que ainda estava aberta. Tive uma série de discussões - primeiro com Rick Scofidio e Liz Diller, que colaboraram conosco nisso, e muitas outras pessoas - e realmente senti como se tivéssemos de encontrar relevância em uma atividade. E como pessoas que criam locais, a melhor maneira de ajudar não era dando palpites ou inventando situações possíveis, mas sim ajudando no momento atual. Então, tentamos planejar uma maneira, como grupo, de ter uma espécie de tropa de elite do design. E esta foi a missão que acabamos encontrando. KA: Você estava consciente de, subitamente, como um designer cujo trabalho é marcado pela satisfação de necessidades, estar satisfazendo necessidades? DR: Bem, eu estava consciente de uma só coisa, dessa necessidade enorme de agir naquele momento. E fomos convidados a participar de alguns projetos antes deste. Havia uma escola, PS 234, que fora evacuada no Ground Zero. Eles se mudaram para uma escola abandonada. Reunimos 20 ou 30 arquitetos, designers e artistas, durante quatro dias - foi como um mutirão urbano - para renová-la, e todos queriam ajudar. Foi simplesmente extraordinário. Tom Otterness ajudou, Maira Kalman ajudou e esta se tornou uma experiência catártica para nós. KA: E ela foi terminada, efetivamente, em três semanas, em 8 de Outubro ou coisa parecida? É. KA: Obviamente: o que você encarou ao tentar fazer algo tão substancial quanto este projeto - e este é apenas um dos quatro que você planejou para cercar o local - você deve ter se chocado contra algo incrivelmente bizantino, burocracias entrincheiradas e figuras de grande poder das imobiliárias e da política de Nova Iorque? DR: Bom, é engraçado. Terminamos a PS 234, e jantamos com um grupo pequeno. Convidaram-me para um posto de liderança em um comitê do AIA [Instituto Americano de Arquitetos] para a reconstrução. Frequentei várias reuniões. Havia uma grande variedade de planos grandiosos e complicados que tinham a ver com estrutura a longo prazo e reconstrução da cidade inteira. E a verdade é que haviam feridas abertas e necessidades a serem satisfeitas, e havia conversas sobre inclusão e o desejo de tornar este um processo inclusivo. E este não era um grupo inclusivo. E então dissemos, o que é. KA: Não era um grupo inclusivo? DR: Não era um grupo inclusivo. Era um grupo predominantemente branco, rico, e associado a empresas que não representava a cidade. KA: Chocante! DR: É, chocante. Então, Rick, Liz, Kevin e eu tivemos essa ideia. Foi a prefeitura que nos contatou, na verdade. Contatamos prefeitura sobre o Píer 94. Vimos como a PS 234 funcionou. As famílias, as vítimas das famílias, iam para este píer, que era incrivelmente desumano. KA: No rio Hudson. DR: É. E a prefeitura, na realidade - através de Tim Zagat no começo, e então através de Christyne Nicholas, e então pelo Giuliani - disse: "Sabe, não queremos fazer nada com o Píer 94 agora, mas temos uma plataforma de observação para famílias, lá no Ground Zero, que seria uma experiência mais digna para as famílias, e uma maneira de protegê-las do clima." Então, fui para lá com Rick, Liz e Kevin, e tenho de dizer: foi a experiência mais emocionante de minha vida. Foi devastador ver a plataforma simples, de compensado, com uma grade em volta dela, aonde as famílias das vítimas deixavam bilhetes para elas. Não houve mediação entre nós e a experiência. Não houve filtro. Lembrei-me do 11 de Setembro, na 14th Street, o telhado de nosso prédio - podemos ver as torres do World Trade com facilidade - e eu vi o primeiro prédio desmoronar de uma sala de reuniões no oitavo andar, em uma televisão que ligamos. Então, todos estavam no telhado, e corri para lá. E foi incrível como foi ainda mais difícil de acreditar na vida real do que na televisão. Havia algo no conforto do filtro e, você sabe, quanta informação estava entre nós e a experiência. Ver isso de uma maneira muito simples e digna foi uma experiência muito poderosa. Voltei para a prefeitura e disse, "Não estamos particularmente interessados na atualização disso para uma plataforma VIP", mas ficamos algum tempo por lá. Ao mesmo tempo, a cidade tem essa necessidade. Eles estavam procurando uma solução para lidar com 30 ou 40 mil pessoas por dia que estavam indo para lá, que não tinham para onde ir. E não havia maneira de lidar com o trânsito em volta do local. Então, lidar com aquilo era apenas um plano-mestre imediato. Havia uma maneira - deveria haver uma maneira - de fazer as pessoas se mexerem em volta do local. KA: Mas então vocês tinham de planejar uma maneira - vamos ignorar o processo insanamente tedioso de conseguir permissões e colocar todos nisso - de simplesmente financiar essa coisa. Isso parece, sabe, algo bem simples. Mas este era um projeto de meio milhão de dólares? DR: Bom, sabíamos que se não houvesse investimentos privados, não ia acontecer. Também sabíamos, francamente, que se não acontecesse até o fim do governo Giuliani, então todo mundo com quem negociamos no Departamento de Trânsito, no Departamento de Polícia, e todos os. estávamos nos encontrando com 20 ou 30 pessoas e com a prefeitura ao mesmo tempo. E isso foi organizado pelo escritório de Planejamento Emergencial. Esta ação incrível por parte deles, porque eles realmente queriam, e perceberam que o projeto precisava acontecer. KA: E havia, obviamente, este relógio que não parava? Porque Giuliani claramente sairia três meses depois disso? DR: Sim. Então a primeira coisa que devíamos fazer era encontrar uma saída para conseguir isso - tivemos de trabalhar com as famílias das vítimas, na cidade inteira, para ter certeza que eles sabiam que isso estava acontecendo. Porque não queríamos que isso fosse uma surpresa. Tivemos também de permanecer o mais longe possível dos radares em Nova Iorque, porque o importante era não levantar muitas objeções e trabalhar o mais silenciosamente possível. Tivemos a ideia de estabelecer uma fundação, principalmente porque quando encontramos uma empreiteira que poderia construir o projeto, ela não aceitou, mesmo que pagássemos. Havia a necessidade de ter uma fundação. Então, conseguimos uma fundação, e o que aconteceu na verdade foi que um grande empreiteiro de Nova Iorque. KA: Que deve permanecer anônimo, suponho? DR: É. Suas iniciais são J. S, e ele é o dono do Rockefeller Center se isso ajuda alguém, ofereceu-se para ajudar. Nos encontramos com ele. Os preços das empreiteiras estavam entre 500 e 700 mil dólares. E a Atlantic-Heydt, que é a maior construtora de andaimes do país, ofereceu-se para construir sem lucro. E então este empreiteiro disse: "Quer saber? Vamos cobrir a despesa toda." Dissemos: "Isto é incrível!" Acho que era o dia 21, e sabíamos que a plataforma deveria estar construída e funcionando no dia 28. Tínhamos de começar a construção no dia seguinte. Tivemos uma reunião, naquela noite, com a empreiteira que ele escolheu, e ela apareceu com desenhos da plataforma que tinham metade do tamanho daqueles que havíamos desenhados. KA: Mais ou menos na cena do [filme] "Spinal Tap" quando você vê aquela Stonehenge minúscula, imagino? DR: Na verdade, foi como se fossem fazer andaimes para lavar janelas. Não havia a percepção de que este era, assim como a Capela de São Paulo, que este era um lugar que realmente precisava ser dignificado, que precisava ser um lugar para refletir e relembrar. E eu tenho que dizer, durante o planejamento, assistindo as multidões que se encontravam na Capela de São Paulo - o que é correto - e andando em volta do local. E eu vivi por lá, então ficamos observando por muito tempo as necessidades. E eu acho que as pessoas ficaram impressionadas com duas coisas: Acho que elas ficaram impressionadas com a destruição, mas penso que havia um sentimento de descrença em relação ao heroísmo dos novaiorquinos que foi muito emocionante. Era como o heroísmo cotidiano dos novaiorquinos. Então estávamos nessa reunião, e a empreiteira disse, literalmente, "Eu vou trancar a porta, porque o empreiteiro não deixará que vocês saiam até que vocês tenham assinado tudo." E nós respondemos: "Bom, isso tem metade do tamanho, não tem nenhuma das características de design que foram aceitas por todos - todos nessa cidade. Temos que voltar ao começo para fazer isso." Eu a convenci que deveríamos deixar a sala com o acordo de construir conforme o projeto original. No dia seguinte, recebi o email do empreiteiro, dizendo que ele estava retirando todos os investimentos. Não sabíamos o que fazer, mas decidimos lançar uma rede muito larga. Enviamos cartas e emails para o maior número de pessoas que conseguimos, muitas delas que estão aqui na plateia, que foram muito prestativas. KA: Não havia o pensamento de abandonar o navio naquela hora? DR: Não. Na verdade, eu falei para o empreiteiro ir em frente. Ele já havia encomendado materiais de construção, baseado nas minhas estimativas. Sabíamos que, de um jeito ou de outro, isso ia acabar acontecendo. E sentimos que deveríamos deixar acontecer. KA: Vocês estavam financiando-se, então, com contribuições e com essa fundação. Richard, creio que de maneira correta, deixou tudo bem claro no começo - antes de todas os designers de cadeiras aparecerem - sobre a história dos designers de cadeiras imporem soluções estéticas para o problema banal, universal e comum de sentar. Parece-me que, com essa sua ação, houve o completo oposto dessa solução estética. Porque este era um problema singular, sem precedentes, de design. DR: Bem, este é o problema. Sabíamos que isto não estava na maneira de. Nós pensamos sobre o local, e pensamos na necessidade de um memorial. Era importante que este projeto não fosse categorizado como um memorial. Este é um local para as pessoas refletirem, relembrarem. Uma espécie de local tranquilo. Isto nos levou a usar soluções de design que criava o mínimo possível de filtros entre o observador - como dissemos sobre a plataforma para as famílias - e a experiência. Era apenas material incrivelmente simples. Eram andaimes e compensado. E eles permitiam. De forma parecida com uma procissão, subindo pela Capela de São Paulo e descendo pelo outro lado, eram cerca de 90 metros de comprimento para ficar 3 metros acima do chão, aonde haveria a visão panorâmica. Mas o design fora planejado de forma a ser rápido, barato, seguro, respeitoso e flexível. Outra coisa: ele foi desenhado para ser movido. Porque quando olhamos para as quatro plataformas em volta do local, uma das quais é uma atualização da plataforma das famílias, sabíamos que elas deveriam ser movimentáveis de forma a responder a mudanças climáticas, e a mudança daquilo que o Ground Zero é. KA: Seu trabalho. Quero dizer, nós já falamos sobre isso antes. Muito de seu trabalho, eu penso, é guiado pela sua crença, ou seu foco, na temporariedade e evanescência de todas as coisas. Uma espécie de "comamos, bebamos e sejamos felizes, pois amanhã morreremos" como orientação para a existência. Esta, de maneira muito clara, não é uma obra que ficará para a posteridade. Você sabe, daqui a alguns anos esta obra não estará aqui. Enquanto arquiteto, esta obra pediu uma nova maneira de pensar sobre o que você estava fazendo? Pensá-la como uma instalação completamente temporária? DR: Não, eu acho que não. Creio que isso seja, obviamente, substancialmente diferente de tudo que já pensamos em fazer antes, apenas pela sua natureza. A obra se sobrepõe a pensamentos em geral sobre a nossa obra em um ponto específico: a noção de colaboração como uma maneira de fazer as coisas. E Kevin Kennon, Rick Scofidio, Liza Diller e todas as pessoas dessa cidade - Norman Lear, com quem falei por quatro horas antes de nosso limite para investimentos, nos ofereceu um empréstimo para nos ajudar a superar isso. A noção de colaboração. Acho que isso reforça o quão importante ela é. E em termos de sua natureza temporária, nossa meta não foi criar algo que existiria por mais tempo do que deveria. Creio que o que nos interessava mais era a promoção de um tipo de diálogo que sentimos que não estava acontecendo o suficiente na cidade, sobre o que estava acontecendo de fato por lá. E um dia ou dois antes de inaugurarmos, foi o discurso de despedida de Giuliani, no qual ele propôs a ideia do Ground Zero inteiro ser um memorial. Foi muito controverso, mas teve ecos entre muitas pessoas. Creio que independente de qual seja a posição sobre como este terreno sagrado deva ser usado, fazer com que ela apareça após um contato real com este terreno, na minha opinião, torna o diálogo mais poderoso. E é nisso em que estamos interessados. E aquilo, em grande parte, está no reinado das coisas pelas quais já me interessei. KA: Para mim, parece, entre outras coisas, uma obra louvável de infraestrutura cívica. Ela permite que o diálogo se torne mais sério. E seis meses após o acontecimento, e apenas a alguns meses do local ser limpo, estamos, rapidamente, chegando ao ponto no qual essas conversas sobre o que deve ser feito por lá começam a ficar sérias. Você tem, após ter se envolvido fisicamente neste trabalho da maneira que você fez, durante esse projeto, alguma ideia sobre o que deveria ou não deveria ter sido feito? DR: Bem, penso que uma coisa que não deveria ter sido feito é julgar. Creio que nesse momento a discussão é muito fechada, centrada sobre o plano principal. A Protetch Gallery, recentemente, teve uma exposição sobre ideias para edifícios, que tinha algumas ideias inventivas para eles. KA: Mas tinha também algumas ideias terríveis. DR: Também senti um pouco como se fosse uma competição de ideias, quando na verdade o foco deveria ser no planejamento principal e usos. Eu acho que deveria ser um pouco mais aberta - o que ela está começando a ser. O diálogo está abrindo-se para. "onde este local realmente gostaria de estar?" Acredito verdadeiramente que enquanto a questão do memorial é discutida, será muito difícil ter uma discussão inteligente. Há poucas discussões agora e acredito que isso é muito positivo, sobre rebaixar a West Side Highway e conectar a oba, de forma a criar um trecho de terra ininterrupto. KA: Bom, isso me parece interessante. E leva para outra questão que provavelmente seria inapropriada para a discussão seis meses atrás, mas talvez não seja atualmente, que é: não são muitos que gostavam do World Trade Center como uma obra de arquitetura, por causa do que fez a esta cidade, e aquela praça enorme. Seria esta uma oportunidade, uma possibilidade de esperança. uma possibilidade de esperança, aqui, de reconstruir algum outro perímetro urbano mais tradicional, ou não? DR: creio que exista uma oportunidade real de entrar em uma discussão sobre por que de vivermos em cidades. E por que vivemos em locais em que pessoas tão diferentes colidem-se conosco a cada dia? Não creio que isto tenha a ver com os milhares de escritórios novos, a despeito do número real deles. Então, sim, acho que seja uma chance de olhar novamente sobre o que pensamos das cidades. E, de fato, há uma proposta na mesa sobre o edifício número sete [do complexo World Trade]. KA: Que é o prédio ao norte das torres gêmeas? DR: Sim, aquele que foi atingido por elas. E a razão pela qual isso está parado é o sentimento de ultraje da comunidade, que impede a reabertura da rua para conectá-la novamente ao resto da cidade. Então penso em um diálogo público - eu penso, você sabe, eu gostaria de ver uma competição internacional, e uma chamada para ideias de utilização. KA: Seja arte, habitações, ou algum tipo de centro comercial? DR: Correto. E procuramos também outras coisas. A pequena fundação que erguemos está procurando por outras maneiras de ajudar. Isso inclui adquirir um pequeno terreno adjacente ao local e convidar 10 arquitetos que atualmente não possuem voz em Nova Iorque para fazerem habitações artísticas. E encontrar outras maneiras de encorajar a discussão e ser contra soluções monolíticas e monopolizantes, e torná-la mais alinhada à multiplicidade das coisas. KA: Antes de terminarmos, sei que você tem um vídeo digital sobre a experiência de estar na plataforma? DR: John Karmen - que está aqui, aliás - fez um filme de dois minutos e meio que mostra a plataforma sendo utilizada. Pensei que seria bom encerrar a conversa com ele. DR: Estamos olhando da Fulton Street, no oeste. Uma das questões difíceis que tivemos com a administração de Giuliani foi como eu tinha esquecido o quão anti-pichações ele era. E, essencialmente, nossa estrutura foi desenhada para ser escrita. KA: Como você disse, não é um memorial. Mas você tinha consciência dos memoriais? O Memorial do Vietnã? Esse tipo de forma? DR: Certamente pesquisamos o máximo que pudemos, e tínhamos noção dos outros memoriais. E também tínhamos noção da complexidade e do tempo que eles tomam para serem concluídos. São 350 pessoas no comitê de Oklahoma City, e é por isso que pensamos nisso como uma solução espontânea e informal, que se expandia pela Union Square e por outros locais que já eram memoriais informais. Os andaimes que você pode ver construídos na rua são desmontáveis. O que é interessante agora é que a natureza do local mudou radicalmente, para que você tenha a noção de que não é apenas a destruição dos edifícios do Ground Zero, mas também a dos edifícios em volta dele, e das cicatrizes nos edifícios em volta, que são enormes. Aqui, temos a Capela de São Paulo na esquerda. KA: Eu gostaria de agradecê-lo em nome dos novaiorquinos, por fazer isso acontecer e terminá-lo. Mas este tipo de construção de natureza virtualmente instantânea, e a sua existência por lá, bem antes de que você pudesse acreditar que uma resposta desta magnitude pudesse ser concluída, é parte de sua, eu penso extraordinária, eu não sei se beleza é a palavra certa, mas presença. DR: Foi uma honra fazê-lo. E estamos muito satisfeitos de mostrá-lo aqui.
pt
408
Quero apenas contar-lhes minha história. Utilizo muito tempo ensinando adultos a usar linguagem visual e a rabiscar no local de trabalho. E, naturalmente, encontro muita resistência, porque isso é considerado como anti-intelectual e contrário ao aprendizado sério. Mas eu tenho um problema com esta crença, porque sei que rabiscar tem um profundo impacto na maneira como processamos informação e na maneira como resolvemos problemas. Estava curiosa sobre por que há um desencontro entre o modo que nossa sociedade percebe o rabiscar e como é a realidade. Então, descobri algumas coisas muito interessantes. Por exemplo, não existe nenhuma definição elogiosa para um rabisco. No século XVII, a palavra designava um simplório ou um tolo -- como em 'Yankee Doodle'. No século XVIII, ela se tornou um verbo e significava enganar ou ridicularizar ou fazer troça de alguém. No século XIX, era um político corrupto. Hoje, temos o que talvez seja a definição mais ofensiva, ao menos para mim, que é a seguinte: Fazer garatujas significa oficialmente vadiar, embromar, vagabundear, fazer riscos sem sentido, fazer algo de pouco valor, conteúdo ou importância, e -- minha favorita -- fazer nada. Não admira que as pessoas tenham aversão a rabiscar no trabalho. Fazer nada no trabalho é aparentado com masturbar-se no trabalho; é totalmente inadequado. Além disso, tenho ouvido histórias de terror de pessoas cujos professores ralhavam com elas, é claro, por rabiscar nas aulas. E elas têm chefes que as repreendem por rabiscar na sala de reuniões. Há uma norma cultural poderosa contra o rabiscar em locais em que devemos aprender algo. E, infelizmente, a imprensa tende a reforçar essa norma: quando reportam uma cena de alguém rabiscando -- uma pessoa importante em uma audiência de confirmação e coisas assim -- eles tipicamente usam palavras como "descoberto", "apanhado" ou "revelado", como se houvesse algum tipo de ato criminoso sendo cometido. E acrescente-se, há uma aversão psicológica ao rabiscar -- obrigada, Freud. Nos anos 30, Freud nos disse que poderíamos analisar a psique das pessoas baseados em suas garatujas. Isto não é categórico, mas realmente aconteceu a Tony Blair no Fórum de Davos, em 2005, quando suas garatujas foram, é claro, "descobertas" e ele foi etiquetado com os seguintes rótulos. Agora, sabe-se que eram os rabiscos de Bill Gates. E Bill, se você está aqui, ninguém acha que você é megalomaníaco. Mas, isso realmente contribui para que as pessoas não queiram compartilhar seus rabiscos. E aqui está o verdadeiro problema. Eis o que acredito. Penso que nossa cultura é tão intensamente focada na informação verbal que somos quase cegados para o valor do rabiscar. E não me sinto confortável com isso. E por causa dessa crença que eu acho que precisa ser explodida, estou aqui para remeter-nos rapidamente de volta à verdade. E eis a verdade: rabiscar é uma ferramenta incrivelmente poderosa e é uma ferramenta que precisamos lembrar e reaprender. Aqui está uma nova definição para o rabiscar. E espero que haja aqui alguém do dicionário inglês Oxford porque quero conversar com ela mais tarde. Aqui está a definição real: Rabiscar é realmente fazer riscos espontâneos para ajudá-lo a pensar. É por isso que milhões de pessoas rabiscam. Aqui vai uma outra verdade interessante sobre a garatuja: pessoas que rabiscam quando estão expostas a informação verbal retêm mais dessa informação do que a contraparte que não rabisca. Pensamos que o rabiscar é algo que você faz quando perde o foco, mas, na verdade, é uma medida preventiva para evitar que você perca o foco. Além disso, tem um profundo efeito na solução criativa de problemas e no processamento profundo de informação. Há quatro maneiras pelas quais aprendizes absorvem informação para que possam tomar decisões. Elas são visual, auditiva, por meio de leitura e escrita e cinestésica. Para que possamos realmente mastigar uma informação e fazer algo com ela, temos que nos engajar em pelo menos duas dessas modalidades ou temos que nos engajar em uma dessas modalidades combinada com uma experiência emocional. A incrível contribuição da garatuja é que ela envolve todas as quatro modalidades de aprendizado simultaneamente com a possibilidade de uma experiência emocional. Esta é uma contribuição muito sólida para um comportamento equiparado a fazer nada. Isto é tão tolo, mas me fez chorar quando o descobri. Fizeram uma pesquisa antropológica do desdobramento da atividade artística em crianças e descobriram que, através do espaço e do tempo, todas as crianças exibem a mesma evolução na lógica visual à medida que crescem. Em outras palavras, elas compartilham uma complexidade crescente na linguagem visual que acontece numa ordem previsível. Acho que isto é incrivel. Penso que isso significa que o rabiscar é inato em nós e estamos simplesmente negando a nós mesmos esse instinto. Finalmente, muitas pessoas não sabem disso, mas a garatuja é um precursor de alguns de nossos maiores bens culturais. Este é apenas um deles: este é o precursor do arquiteto Frank Gehry para o Guggenheim em Abu Dhabi. Aqui está minha propositura: Sob nenhuma circunstância o rabiscar deve ser erradicado de uma sala de aula ou de uma sala de reuniões ou até mesmo de uma sala de comando de guerra. Ao contrário, o rabiscar deveria ser estimulado precisamente nessas situações em que a densidade das informações é muito alta e a necessidade de processar essas informações é também muito alta. E vou mais além. Por ser o rabiscar tão universalmente acessível e não ser intimidante como uma forma de arte, ele poderia ser estimulado como um portal através do qual moveríamos as pessoas para níveis mais elevados da alfabetização visual. Meus amigos, o rabiscar nunca foi a nêmese do pensamento intelectual. Na verdade, é um de seus maiores aliados. Obrigada.
pt
409
Então, aconteceu uma coisa engraçada na minha caminhada para tornar-me uma brilhante, neuropsicóloga mundialmente conhecida: eu tive um bebê. E não é para dizer que eu prossegui na jornada de me tornar uma neuropsicóloga famosa mundialmente. Desculpe TED. Mas eu realmente prossegui para ser razoavelmente astuta, indiscutivelmente uma precupada mundialmente famosa. Uma de minhas amigas no curso de doutorado, Marie, disse: "Kim, eu entendi. Não é que você seja mais neurótica que os outros, é que você é mais honesta sobre o quão neurótica você é". Assim, com o sentido de plena divulgação, Eu trouxe algumas imagens para compartilhar. ohhhhhh. Vou só dizer, julho. Zzzzzip para segurança. Bóias de braço -- uma polegada de água. E então, finalmente, tudo pronto para uma viagem de 90 minutos a Montanha Copper. Então você pode ter um tipo de sentimento em relação a isso. Meu bebê, Vander, que agora tem 8 anos. Em vez de ser amaldiçoado com minha inabilidade atlética, ele joga futebol. Ele se interessa em jogar futebol americano. Ele quer aprender a andar em um monociclo. então por que se preocupar? Porque isto é o que eu faço. Isto é o que eu ensino. Isto é o que eu estudo. Isto é o que eu trato. E eu sei que crianças têm concussões todos os anos. Na verdade, mais de 4 milhões de pessoas sofrem uma concussão todos os anos, e este dado é apenas entre crianças menores de 14 anos que foram tratadas em prontos-socorros. E quando essas crianças sofrem uma concussão, estamos falando sobre eles serem feridos ou terem seu sino tocando, mas o que é isto que estamos realmente falando? Vamos dar uma olhada. Sim: "Starsky e Hutch" sem dúvida. Sim. Um acidente de carro. cerca de 65 quilometros por hora se chocando em uma barreira fixa -- 35 força G. Um boxeador peso pesado te dá um soco bem no meio da cara -- 58 força G. Caso tenha perdido isso, vamos olhar de novo. Olhe para o lado direito da tela. O que você diria? Quanto de força G? Perto. 72. Seria loucura saber, 103 de força G. A média do impacto concussivo é de 95 de força G. Agora, quando a criança da direita não levanta, nós sabemos que ela teve uma concussão. Mas e a criança da esquerda, ou o atleta que deixa o campo de jogo? Como nós sabemos se ele ou ela sofreu uma concussão? Como sabemos que a legislação que exigiria que eles fossem retirados do jogo, permite que voltem ao jogo, se aplica à eles? A definição de concussão na verdade não exige a perda de consciência. Exige apenas uma mudança de consciência, e que pode ser qualquer um ou um número de sintomas. inclusive sentir a vista nebulosa, sentir-se tonto, ouvir um barulho no seu ouvido, ser mais impulsivo ou hostil que o usual. Então dadas todas essas circustâncias e o quão terrivelmente neurótica eu sou, como eu consigo dormir? Porque eu sei que nossos cérebros são fortes. Eles são feitos para se recuperarem de um machucado. Se, que Deus não permita, qualquer um de nós saísse daqui esta noite com uma concussão, a maioria de nós teria uma plena recuperação dentro de algumas horas ou até algumas semanas. Mas as crianças são mais vulneráveis às lesões cerebrais. Na verdade, atletas adolescentes são três vezes mais suscetíveis a terem machucados catastróficos comparado aos seus colegas de profissão nas universidades, e demora mais tempo para retornar para uma base livre de sintomas. após o primeiro machucado, o risco do segundo é exponencialmente maior. Daí, o risco de um terceiro, fica ainda maior a assim por diante. E eis aqui a parte realmente alarmante: nós não compreendemos totalmente o impacto de longo prazo de múltiplas lesões. Vocês podem estar familiarizados com esta pesquisa que está sendo publicada pela NFL. Em poucas palavras, esta pesquisa sugere que entre os jogadores aposentados da Liga com três ou mais concussões na carreira, a incidência de doenças demenciais precoces é muito maior do que para a maioria da população. Todos vocês já devem ter visto - New York Times, vocês já viram. O que vocês podem não estar reconhecendo é que a pesquisa foi liderada pelas esposas de jogadores da NFL que disseram, "Não é estranho que meu marido de 46 anos de idade esteja sempre perdendo suas chaves? Não é estranho que meu marido de 47 esteja sempre perdendo o carro? Não é estranho que meu marido de 48 anos de idade esteja sempre se perdendo a caminho de casa no carro, na estrada?" Eu devo ter esquecido de mencionar que meu filho é somente uma criança. Será muito importante que ele possa me levar de carro por aí algum dia. Então como garantir a segurança de nossas crianças? Como podemos garantir 100% a segurança de nossos filhos? Deixe me contar com o que me deparei. Se somente. Meu menininho bem alí, ela tá pensando, "Ela não está brincando. Ela definitivamente não está brincando." Com toda a seriedade, meu filho deve jogar futebol americano? o seu filho deve jogar futebol americano? Eu não sei. Mas eu sei que há três coisas que você pode fazer. A primeira é estudar. Você tem que se familiarizar com as questões que estamos discutindo hoje. Há alguns grandes recursos por aí. O CDC tem um programa, Heads-Up. Está no site CDC. gov Heads Up é especificamente sobre concussões em crianças. O segundo é um recurso que eu pessoalmente tenho muito orgulho. Isso só nos ocorreu nos últimos meses -- CO Crianças com Lesões Cerebrais. Este é um grande recurso para estudantes atletas, professores, pais, profissionais, equipe atletica e treinadores. É um ótimo lugar para começar se você tem perguntas. A segunda coisa é falar. Há apenas duas semanas, um projeto de lei apresentado pelo Senador Kefalas que exigiria que atletas, crianças, menores de 18 anos deveriam usar um capacete quando andam em suas bicicletas morreu no comitê. Morreu em grande parte porque faltaram constituintes comprando a idéia, faltou tração das partes interessadas Agora eu não estou aqui para dizer-lhes que tipo de legislação nós deveríamos, ou não, apoiar, mas vou dizer-lhes que, se isso interessa a vocês, seus legisladores deveriam saber disso. Falem também com a comissão técnica. Pergunte que tipo de equipamento preventivo está disponível. Qual é o orçamento para equipamento de proteção? Qual é a idade do equipamento? Talvez se oferecer para levantar fundos para comprar novos equipamentos. O que leva a nos equipar; usar um capacete. A única forma de prevenir um resultado ruim é prevenir que a primeira lesão ocorra. Recentemente, um dos meus alunos graduandos, Tom, Tom me disse, "Kim, eu decidi usar um capacete de ciclista no meu caminho para a aula." E o Tom sabe que um pouco de espuma em um capacete de ciclista pode reduzir o impacto da força G pela metade. Pensei que isso fosse porque eu tenho esta convincente cruzada pelo capacete, certo, esta é a epifania do Tom. Como resultado, o Tom teve um custo de 20 dólares com o capacete que é uma boa forma de proteger 100. 000 dólares de custos de pós-graduação. E então, Vander deve jogar futebol americano? Eu não posso dizer não, mas eu posso garantir que toda vez que ele sai de casa essa criança tá usando um capacete -- como para o carro, ou para a escola. Então quer seja atleta, estudante, criança super-protegida, mãe neurótica, ou o que for, aqui está meu bebê, Vander, para lembrá-los a se importar com o assunto. Obrigada.
pt
410
Senhoras e senhores: A história da música e televisão na Internet em três minutos. Uma bagunça no TED Uma BagunTED ♫ São nove da noite do Sábado ♫ ♫ A loja de discos está fechada ♫ ♫ Então liguei minha velha loja de músicas do iTunes ♫ ♫ E logo estava me sentindo bem ♫ ♫ Sei que Steve Jobs pode me encontrar uma melodia ♫ ♫ A um dolár, o que é o máximo ♫ ♫ Posso procurar a música e encontrar o nome do albúm ♫ ♫ Enquanto estou de pijama e meias ♫ ♫ Nos venda uma música, você é o cara dá música ♫ ♫ Meu iPod ainda tem 10 gigs pela frente ♫ ♫ Sim, nós preferimos compatibilidade ♫ ♫ Mas Steve gosta de fazer um show ♫ ♫ Escutei que o Desperate Housewives foi bom ontem a noite ♫ ♫ Mas eu estava passando mal ♫ ♫ Assim que vomitei minha comida, eu pensei, "Não tem problema" ♫ ♫ Assistirei hoje no meu iPod ♫ ♫ E agora todas as redes estão aderindo ♫ ♫ Um trocado por programas sem comercial ♫ ♫ É um mercado que esses caras sempre quiseram tentar ♫ ♫ Mas só Steve Jobs teve o culhão ♫ ♫ Eles dizem "você é jovem, não assiste TV" ♫ ♫ Eles dizem que só ficamos na Internet ♫ ♫ Mas isso não é verdade, eles não entenderam ♫ ♫ Veja, nossos programas só tem dois minutos de duração ♫ ♫ Hey ♫ ♫ Eu tenho YouTube ♫ ♫ Eu tenho YouTube ♫ E agora, senhoras e senhores. um tributo a "Associação da Indústria de Gravação da América" a RIAA! ♫ Jovem, você navegava por aí ♫ ♫ Então, jovem, você baixou uma música ♫ ♫ E então, burro, você a copiou para seu iPod ♫ ♫ Então você recebe uma ligação. ♫ ♫ Você acaba de ser processado pela R-I-A-A ♫ ♫ Você acaba de ser intimidado pela R-I-A-A ♫ ♫ Os advogados deles dizem que você cometeu um crime ♫ ♫ E que é melhor não acontecer de novo -- ♫ ♫ Eles perderam a noção na R-I-A-A ♫ ♫ A justiça é cega na R-I-A-A ♫ ♫ Você está arruinando as bandas ♫ ♫ Você está aprendendo a roubar ♫ ♫ Você não pode fazer o que quiser ♫ ♫ A venda de CDs cai a cada ano ♫ ♫ Eles não são gananciosos, eles apenas estão com medo ♫ ♫ Com certeza, e se o fim deles estiver próximo ♫ ♫ E nós baixarmos todas as suas músicas ♫ ♫ Sim, você irritou a R-I-A-A ♫ ♫ Sem discos de plástico da R-I-A-A ♫ ♫ Que maneira de fazer amigos ♫ ♫ É um plano infalível ♫ ♫ Todos os seus clientes para a cadeia ♫ ♫ Quem será o próximo para a R-I-A-A? ♫ ♫ O que mais está incomodanto a R-I-A-A? ♫ ♫ Talvez assoviar uma canção? ♫ ♫ Talvez murmurar uma canção? ♫ ♫ Talvez zombar deles em uma canção? ♫
pt
411
Para mim, esta história começa cerca de 15 anos atrás, quando era médico de um asilo na Universidade de Chicago. E cuidava de pessoas que estavam morrendo, e suas famílias, na parte sul de Chicago. E estava observando o que acontecia às pessoas e suas famílias durante o curso de suas doenças terminais. No meu laboratório, eu estava estudando o efeito da viuvez, que é um conceito muito antigo nas ciências sociais, datando de uns 150 anos, e conhecido como "morrer de um coração partido". Assim, quando eu morrer, o risco de morte de minha esposa pode dobrar, por exemplo, no primeiro ano. E eu tinha ido tratar um paciente em particular, uma mulher que estava morrendo de demência. E, neste caso, diferentemente deste casal, ela estava sendo cuidada pela sua filha. E a filha estava exausta por cuidar de sua mãe. E o marido da filha, ele também estava doente do cansaço de sua esposa. E eu estava dirigindo de volta à minha casa certo dia, quando recebo um telefonema do amigo do marido, que me ligava porque estava deprimido por conta do que estava acontecendo com o amigo dele. Ou seja, recebo uma ligação desse rapaz desconhecido que está tendo uma experiência, e que, por sua vez, está sendo influenciada por pessoas em certa distância social. Assim, de repente, dei-me conta de duas coisas muito simples. Primeiro, o efeito da viuvez não estava restrito a maridos e esposas. E segundo, não estava restrito a pares de pessoas. E comecei a ver o mundo de uma forma totalmente nova, como pares de pessoas se conectavam uns aos outros. E então compreendi que esses indivíduos estariam conectados em grupos de quatro pessoas a outros pares de pessoas próximas. E então, de fato, essas pessoas estavam inseridas em todos os tipos de relacionamentos, de casamento e união, de amizade e outros tipos de vínculos. E que, de fato, essas conexões eram vastas, e que nós estávamos todos inseridos nesse amplo conjunto de conexões uns com os outros. Assim, comecei a ver o mundo por um prisma totalmente novo, e fiquei obcecado com isso. Fiquei obcecado com como poderia ser que estávamos inseridos nessas redes sociais, e como elas afetavam nossas vidas. Assim, as redes sociais são essas coisas complexas de beleza, e são tão elaboradas e tão complexas e tão onipresentes, na realidade, que alguém precisa perguntar a que propósito elas servem. Por que estamos inseridos nessas redes sociais? Ou seja, como elas se formam? Como elas operam? E como elas nos afetam? E assim, meu primeiro tópico, com relação a isto, não foi a morte, mas a obesidade. E de repente, tinha se tornado moda falar sobre a "obesidade epidêmica". E, juntamente com meu colaborador, James Fowler, começamos a ponderar se a obesidade era realmente uma epidemia, e se poderia se espalhar de pessoa a pessoa como no caso das quatro pessoas que mencionei anteriormente. Assim, este é um slide com alguns de nossos resultados iniciais. São 2. 200 pessoas no ano 2000. Cada ponto representa uma pessoa. O tamanho do ponto é proporcional ao tamanho do corpo da pessoa. Pontos maiores representam, assim, pessoas maiores. Adicionalmente, se o tamanho do seu corpo, se o seu IMC, ou seja, se o seu índice de massa corpórea for superior a 30, se você for clinicamente obeso, também pintamos os pontos de amarelo. Dessa forma, se vocês olharem esta imagem agora, poderão ver que há grupos de pessoas obesas e não-obesas na imagem. Mas a complexidade visual ainda é muito alta. Não é óbvio o que está exatamente acontecendo. Além disso, algumas questões são imediatamente levantadas. Quantos agrupamentos existem? Há mais agrupamentos do que poderiam existir somente pelo acaso? Quão grandes são os grupos? Qual o alcance deles? E, sobretudo, o que causa os agrupamentos? Assim, fizemos alguns cálculos para estudar o tamanho desses grupos. Este aqui mostra, no eixo Y, o aumento na probabilidade de uma pessoa ser obesa, em virtude de um de seus contatos sociais ser obeso. E no eixo X, os graus de separação entre essas duas pessoas. E no extremo esquerdo, vocês verão uma linha roxa. Ela diz que, se seus amigos forem obesos, seu risco de obesidade é 45% mais alto. E a próxima barra acima, na linha laranja, diz que, se os amigos de seus amigos forem obesos, seu risco de obesidade é 25% mais alto. E a próxima linha acima diz que, se os amigos dos amigos de seu amigo, alguém que você provavelmente nem conheça, for obeso, seu risco de obesidade é 10% mais alto. E somente quando vocês chegam aos amigos dos amigos dos amigos dos amigos dos seus amigos, que a relação deixa de existir entre o tamanho do corpo da pessoa e tamanho do seu próprio corpo. Bem, o que pode estar causando este agrupamento? Há no mínimo três possibilidades. Uma delas é que, na medida em que ganho peso, isso faz com que você ganhe peso, um tipo de indução, um tipo de propagação de pessoa a pessoa. Outra possibilidade, muito óbvia, é a homofilia, ou "diga-me com quem andas.". Aqui, eu formo meu vínculo a você pois você e eu partilhamos de um tamanho de corpo similar. E a última possibilidade é o que chamamos de confusão, pois confunde nossa habilidade de entender o que está acontecendo. E aqui, a ideia não é que meu aumento de peso está lhe fazendo ganhar peso, nem que eu preferencialmente forme um vínculo com você porque você e eu partilhamos do mesmo tamanho de corpo, mas sim que partilhamos de uma exposição comum a algo como uma academia que faz com que nós percamos peso ao mesmo tempo. E quando examinamos esses dados, encontramos indícios de todas essas coisas, inclusive por indução. E constatamos que, se seu amigo se torna obeso, isso aumenta seu risco de obesidade em cerca de 57% no mesmo período de tempo. E podem existir muitos mecanismos para esse efeito. Uma possibilidade é que seus amigos lhe digam algo do tipo -- vocês sabem, eles adotam um comportamento que se propaga a você, como, por exemplo, eles dizem, "Vamos comer muffins e tomar cerveja", que é uma combinação horrível, mas você adota essa combinação, e então começa a ganhar peso como eles. E outra possibilidade mais sutil é que eles começam a ganhar peso e isso muda seus conceitos sobre qual tamanho de corpo é aceitável. E, aqui, o que está se propagando de pessoa a pessoa não é um comportamento, mas sim uma norma. Um conceito se espalha. Bem, as manchetes de jornais fizeram um dia de festa com nossos estudos. Acho que a manchete no New York Times foi, "Você está engordando? Culpe seus amigos gordos." O que nos pareceu interessante foi que a manchete dos jornais europeus tinha uma abordagem diferente; eles disseram, "Seus amigos estão engordando? Talvez você deva se culpar." E achamos que este era um comentário interessante sobre a América, e meio cômoda, um fenômeno do tipo "não é minha responsabilidade". Bem, eu quero deixar muito claro que não achamos que nosso trabalho deva ou possa justificar o preconceito contra pessoas com diferentes tamanhos de corpo. Assim, nossas próximas questões foram: Podemos efetivamente visualizar essa difusão? O ganho de peso de uma pessoa estava efetivamente levando ao ganho de peso em outra pessoa? E isso era complicado porque devíamos considerar o fato de que a estrutura da rede, a arquitetura de seus vínculos, estava mudando com o tempo. E, adicionalmente, porque a obesidade não é uma epidemia unicêntrica, não há um "paciente zero" da epidemia de obesidade -- se encontrássemos esse cara, haveria uma difusão de obesidade a partir dele. É uma epidemia multicêntrica. Muitas pessoas estão fazendo coisas ao mesmo tempo. E estou prestes a lhes mostrar um vídeo de animação de 30 segundos que levou 5 anos para James e eu criarmos. E assim, novamente, cada ponto representa uma pessoa. Cada vínculo entre elas é um relacionamento. E vamos colocar tudo isso em movimento agora, fazendo cortes diários na rede por cerca de 30 anos. O tamanho dos pontos vão aumentar. Vocês verão uma invasão de pontos amarelos. Verão pessoas nascerem e morrerem; pontos aparecerão e desaparecerão. Vínculos se formarão e se romperão. Casamentos e divórcios, surgimentos e desaparecimentos de amizades, muita complexidade, muito está acontecendo no período de apenas 30 anos, que inclui a epidemia da obesidade. E no fim, vocês verão os agrupamentos de pessoas obesas e não-obesas dentro da rede. Agora, depois de olhar para isso, mudei a forma de enxergar as coisas, porque essa coisa, essa rede, que está mudando através dos tempos, tem uma memória, ela se move, as coisas fluem dentro dela, ela tem um tipo de consistência; as pessoas podem morrer, mas ela não morre; ela ainda persiste. E tem um tipo de resiliência que a permite persistir através dos tempos. E assim, cheguei a enxergar esses sinais das redes sociais como entes vivos, entes vivos que podemos colocar debaixo de um tipo de microscópio e estudar, analisar e entender. E usamos uma variedade de técnicas para fazer isso. E começamos a explorar todos os tipos de fenômenos. De modo que olhamos comportamentos de fumantes e de consumo de bebidas alcóolicas, e comportamentos de votação, e divórcio, que podem se espalhar, e altruísmo. E, consequentemente, nós nos interessamos pelas emoções. Bem, quando temos emoções, demonstramo-nas. Por que demonstramos nossas emoções? Quero dizer, deveria haver uma vantagem em experimentar nossas emoções internamente, vocês sabem, raiva ou felicidade, mas não somente as experimentamos, nós as demonstramos. E não somente as demonstramos, mas os outros podem percebê-las. E, não somente podem percebê-las, mas também as copiam. Há um contágio emocional que acontece nas populações humanas. E essa função de emoções sugere que, adicionalmente a outros propósitos que possam servir, elas são um tipo primitivo de comunicação. E que, de fato, se quisermos realmente entender as emoções humanas, precisamos pensar nelas dessa maneira. Bem, estamos acostumados a pensar nas emoções dessa maneira, em períodos simples, curtos de tempo. Assim, por exemplo, Estava dando uma palestra recentemente na cidade de Nova York, e disse, "Você sabem, como quando vocês estão no metrô, e a outra pessoa do outro lado do vagão lhes sorri, e vocês instintivamente sorriem de volta." E eles me olharam e disseram, "Não fazemos isso em Nova York." E eu disse, "Em todas as outras partes do mundo, esse é um comportamento humano normal." De modo que há um meio muito instintivo pelo qual brevemente transmitimos emoções uns aos outros. E, de fato, o contágio emocional pode ser ainda maior, ou seja, poderíamos ter pontuado expressões de raiva, como em tumultos. A questão que queríamos nos indagar era: Pode a emoção se espalhar, de maneira mais sustentável do que tumultos, através dos tempos e envolver grandes números de pessoas, não somente esse par de pessoas que está sorrindo um ao outro no metrô? Talvez haja um tipo de tumulto calmo abaixo da superfície que nos movimenta a todo o tempo. Talvez haja um estouro de emoções que se movimenta através das redes sociais. Talvez, de fato, as emoções têm uma existência coletiva, não somente uma existência individual. E esta é uma das primeiras imagens que nós fizemos para estudar esse fenômeno. Novamente, uma rede social, mas agora nós colorimos as pessoas de amarelo se elas estão felizes e de azul, se elas estão tristes, e de verde, se estão entre uma coisa e outra. E se vocês olharem para esta imagem, poderão enxergar imediatamente grupos de pessoas felizes e infelizes, novamente, espalhando-se por 3 graus de separação. E você poderão intuir que as pessoas infelizes ocupam uma localização estrutural diferente dentro da rede. Assim, existe um meio e um limite para esta rede, e as pessoas infelizes parecem estar localizadas nos limites. Assim, para invocar outra metáfora, se vocês imaginarem as redes sociais como um tipo de amplo tecido de humanidade -- Estou conectado a você e você a ela, de forma infinita e sucessiva -- esse tecido é, na verdade, como uma velha colcha de retalhos americana, que tem retalhos, retalhos felizes e infelizes. E ficar feliz ou não depende em parte de estar em um retalho feliz. Assim, este trabalho com emoções, que são fundamentais, levou-nos a pensar que, talvez, as causas fundamentais de as redes sociais estarem de algum modo codificadas em nossos genes. Porque as redes sociais humanas, sempre que são mapeadas, sempre se parecem a isso, a foto da rede, mas nunca se parecem a isso. Por que não se parecem a isso? Por que não formamos redes sociais que se pareçam a treliças regulares? Bem, os padrões marcantes das redes sociais, suas onipresenças, e seus propósitos aparentes imploram por questões sobre se evoluímos para ter redes sociais em primeiro lugar, e se evoluímos para formar redes com uma estrutura particular. E notem, primeiramente. E assim, para entendermos isso, entretanto, precisamos primeiramente dissecar um pouco a estrutura da rede. E notem que cada pessoa nessa rede tem exatamente a mesma localização estrutural que as demais pessoas. Mas esse não é o caso nas redes verdadeiras. Assim, por exemplo, aqui está uma rede verdadeira de estudantes universitários de uma universidade de elite do nordeste. E agora estou iluminando alguns pontos. e se vocês olharem para os pontos, comparem o nodo B, no campo superior esquerdo, com o nodo D, no campo extremo direito. E B tem quatro amigos saindo dele. E D tem seis amigos saindo dele. E assim, aqueles dois indivíduos têm números diferentes de amigos -- isso é muito óbvio, todos sabemos disso. Mas certos outros aspectos da estrutura das redes sociais não são tão óbvios. Comparem o nodo B no campo superior esquerdo ao nodo A no inferior esquerdo. E agora aquelas pessoas têm ambas quatro amigos, mas todos os amigos de A se conhecem, e os amigos de B não. Assim, o amigo de um dos amigos de A, é um amigo de A, ainda que um amigo de um amigo de B não seja um amigo de B, é mais distante na rede. Isso é conhecido como transitividade nas redes. E, finalmente, comparem os nodos C e D. C e D têm ambos 6 amigos. Se vocês falarem com eles, e disserem, "Como é sua vida social?" Eles podem dizer, "Tenho seis amigos. Essa é minha experiência social." Mas agora nós, com a visão do todo, olhando para essa rede, podemos ver que eles ocupam mundos sociais muito diferentes, E posso incitar aquela intuição em vocês simplesmente ao perguntar-lhes: Quem vocês gostariam de ser se um germe letal estivesse se espalhando pela rede? Vocês gostariam de ser C ou D? Vocês gostariam de ser D, no limite da rede. E agora, quem vocês gostariam de ser se uma fofoca picante, não sobre vocês, estivesse se espalhando pela rede? Bem, vocês gostariam de ser C. Assim, localizações estruturais diferentes têm implicações diferentes nas suas vidas. E, de fato, quando fazemos alguns experimentos olhando para isso, descobrimos que 46% da variação de quantos amigos vocês têm se explica pelos seus genes. E isso não é surpreendente. Sabemos, algumas pessoas nascem tímidas e algumas nascem sociáveis. Isso é óbvio. Mas também sabemos algumas coisas não tão óbvias. Por exemplo, 47% da variação de se seus amigos se conhecem uns aos outros é atribuída aos seus genes. Se seus amigos se conhecem uns aos outros não tem somente a ver com os genes deles, mas também com os seus. E achamos que o motivo para isso é que algumas pessoas gostam de apresentar seus amigos uns aos outros -- vocês sabem como vocês são -- e outros de vocês os mantêm separados e não apresentam seus amigos uns aos outros. E assim, algumas pessoas constroem redes ao redor de si mesmas, criando um tipo de emaranhado denso de vínculos nos quais se encontram confortavelmente inseridos. E finalmente, descobrimos ainda que 30% da variação se as pessoas estão ou não no meio ou na extremidade da rede pode também ser atribuída aos seus genes. Assim, se você se virem no meio ou na extremidade, isso também é parcialmente hereditário. Bem, qual o ponto disso? Como isso nos ajuda a entender? Como isso nos ajuda a compreender alguns dos problemas que estão nos afetando atualmente? Bem, o argumento que eu gostaria de sustentar é que as redes têm valor. Elas são um tipo de capital social. Novas propriedades emergem porque estamos inseridos nas redes sociais, e essas propriedades são inerentes, na estrutura das redes, não somente nos indivíduos dentro delas. Assim, pensem sobre esses dois objetos comuns. São ambos feitos de carbono, e, no entanto, um deles tem átomos de carbono em si que estão organizados de uma forma particular, na esquerda, e vocês conseguem grafite, que é macio e escuro. Mas se vocês pegarem os mesmos átomos de carbono e os interconectarem de outra forma, obterão um diamante, que é claro e duro. E aquelas propriedades de maciez e dureza e escuridão e clareza não residem nos átomos de carbono. Residem nas interconexões entre os átomos de carbono, ou no mínimo surgem por conta das interconexões entre os átomos de carbono. Assim, similarmente, o padrão de conexões entre as pessoas confere sobre os grupos de pessoas diferentes propriedades. São os vínculos entre as pessoas que fazem o todo muito maior que a soma de suas partes. E assim, não é apenas o que está acontecendo a essas pessoas, se estão perdendo ou ganhando peso, ou se tornando ricas ou pobres, ou felizes ou infelizes, que nos afeta; é também a arquitetura real dos vínculos em torno de nós. Nossa experiência do mundo depende da estrutura real das redes em que residimos e em todos os tipos de coisas que transitam e fluem através da rede. Bem, a razão, acredito, para isso é que os seres humanos se agrupam e formam um tipo de superorganismo. Bem, superorganismo é um tipo de coletivo de pessoas que mostram ou evidenciam comportamentos ou fenômenos que não são redutíveis ao estudo das pessoas e devem ser entendidos por referência a, e pelo estudo da coletividade, como, por exemplo, uma colmeia de abelhas que está buscando um novo lugar para nidificação, ou uma revoada de pássaros que está fugindo de um predador, ou uma revoada de pássaros que é capaz de juntar sua sabedoria e navegar para encontrar um pequeno ponto de uma ilha no meio do pacífico, ou uma matilha de lobos que é capaz de derrubar uma grande presa. Os superorganismos têm propriedades que não podem ser entendidas apenas pelo estudo das pessoas. Acho que entender as redes sociais e como se formam e operam, pode nos ajudar a compreender, não somente a saúde e as emoções, mas todos os outros tipos de fenômenos como crimes e guerras e fenômenos econômicos como corridas aos bancos e quebras dos mercados e a adoção de inovações e a difusão da adoção de produtos. Bem, olhem para isso. Acho que formamos redes sociais pois os benefícios de uma vida conectada são maiores que os custos. Se eu fosse sempre violento com você ou lhe desse informações erradas, ou o entristecesse, ou lhe infectasse com germes letais, você cortaria seus vínculos comigo, e a rede se desintegraria. Assim, a difusão de coisas boas e valiosas é exigida para sustentar e alimentar as redes sociais. Similarmente, as redes sociais são exigidas para a difusão de coisas boas e valiosas como amor e ternura e felicidade e altruísmo e ideias. Acho, de fato, que se percebêssemos quão valiosas as redes sociais são, passaríamos mais tempo alimentando-as e sustentando-as pois acredito que as redes sociais estão fundamentalmente relacionadas ao bem, e o que acho que o mundo precisa agora é de mais conexões. Obrigado.
pt
412
Eu me chamo Jon M. Chu e eu não sou dançarino. Não sou coreógrafo, na verdade eu sou um cineasta, um contador de histórias. Dirigi um filme há dois anos atrás chamado "Step Up To The Streets." Alguém conhece? Alguém? Sim! Durante aquele filme eu conheci uma tonelada de dançarinos hip-hop -- maravilhoso, os melhores no mundo -- e eles me trouxeram a uma sociedade, um tipo de cultura de rua de submundo que me surpreendeu. Eu quero dizer que são realmente seres humanos com força e habilidades super-humanas. Eles podem voar. Eles podem dobrar o cotovelo ao contrário. Ele podem rodopiar sobre suas cabeças 80 voltas de uma vez só. Eu nunca tinha visto algo assim. Enquanto eu crescia, meus heróis eram pessoas como Fred Astaire, Gene Kelly, Michae Jackson. Eu cresci em uma família musical. E esses caras, eram como os melhores heróis. Sendo um garoto asiático, magricelo, tímido e pequeno crescendo no Vale do Silício com baixa auto-estima, esses caras me fizeram acreditar em algo maior. Esses caras me fizeram querer, como, "Eu vou fazer esse moonwalk no bar mitzvah hoje a noite para aquela garota." E parece que aquele heróis da dança desapareceram, como que relegados ao segundo plano das estrelas pop e dos vídeos musicais. Mas, depois de ver o que eu vi, a verdade é que eles não desapareceram de jeito nenhum. Eles estão aqui, melhorando a cada dia. E a dança progrediu. É insano com a dança é hoje em dia. A dança nunca teve um amigo tão bom quanto a tecnologia. Vídeos online e redes sociais. dançarinos criaram um laboratório online para dança, garotos no Japão estão copiando os movimentos de um vídeo do YouTube criado em Detroit, criando em cima disso em dias e lançando um vídeo novo, enquanto adolescentes na Califórnia estão pegando o vídeo japonês e remixando com um talento ímpar para criar todo um novo estilo de dança em si. E isto está acontecendo todo dia. E direto desses quartos, salas e garagens, e com câmeras web baratas, estão os maiores dançarinos de amanhã. Nossos Fred Astaires, nossos Gene Kellys nossos Michael Jacksons estão ali, ao alcance de nossos dedos, e podem não ter a oportinidade, a não se por nós. Então, criamos o LXD, um tipo de Legião dos Dançarinos Extraordinários, um liga da justiça de dançarinos que acreditam que a dança pode ter um efeito transformador no mundo. Uma série de revista de quadrinhos viva, mas ao contrário do Homem-Aranha e o Homem de Ferro, esses caras podem fazer tudo de verdade. E nós vamos mostrar para vocês algumas dessas coisas hoje. Então, permitam-me apresentar alguns de nossos heróis agora. Temos Madd Chadd, Lil' C, Kid David, e J Smooth. Por favor, aproveitem, fiquem felizes, gritem, berrem. Sras e Srs, o LXD: Madd Chadd: Quando as pessoas me vêem recebo uma variedade de reações. Algumas vezes você pode pensar que os garotos iriam gostar, mas as vezes ele se assustam. E, não sei porque, acabo ficando por fora um pouco. J Smooth: Quando eu estou na área, estou dançando e fazendo estilo livre, E vejo realmente uma espécie de linhas e as movimento. Eu meio que penso em Transformers, como se fossem painéis que abrem e dobram, eles dobram e então você fecha aqueles painéis. E então outra coisa abre. E você a fecha. Kid David: É como se, honestamente, na maioria das vezes eu não soubesse o que está acontecendo quando estou dançando Porque naquele ponto é como se fosse meu corpo e a música. Na verdade não é uma decisão consciente, "Eu vou fazer isto agora e depois eu vou fazer isto." É como esse outro nível onde você não pode mais fazer escolhas, e é somente seu corpo reagindo a certos sons na música. Eu ganhei meu nome por ser muito novo. Eu era jovem quando comecei. Eu era mais novo que muitas das pessoas com quem eu dançava. Então sempre me chamavam de garoto David, por que eu era o garoto. L'il C: Eu digo a eles para criarem uma bola, e então você simplesmente usa aquela boa de energia. E ao invés de jogá-la fora, as pessoas poderiam pensar que este é um movimento de dança de rua. Este não é um movimento de dança de rua. Você joga ele fora. Você joga fora, e segura. E deixa ir, e bem na hora que você vê o rabo você o agarra pelo rabo e trás de volta Você acabou de pegar este pedaço de energia e você fica mexendo com ele. Sabe, você cria a energia e a doma.
pt
413
Estou aqui para apresentar minhas fotografias dos Lakota. Muitos de vocês já ouviram sobre os Lakota, ou pelo menos o grande grupo de tribos indígenas conhecida como Sioux. Os Lakotas são uma das muitas tribos que foram removidas de suas terras para campos de prisioneiros de guerra hoje chamadas de Reservas. A Reserva Pine Ridge, é o tema principal da minha apresentação de slides, e se encontra a 120 quilômetros a sudeste da região montanhosa chamada Black Hills, em Dakota do Sul. Também é chamada como Campo de Prisioneiros de Guerra de Número 334, e é onde os Lakotas vivem hoje. Agora, se algum de vocês já ouviu falar de MIA, o Movimento Indígena Americano, ou de Russell Means, ou Leonard Peltier, ou da resistência em Oglala, então você sabe que Pine Ridge é o epicentro dos assuntos Indígenas nos EUA. Me pediram que hoje eu falasse um pouco sobre a minha ligação com os Lakota, e isso é muito difícil para mim. Isso porque, se você ainda não percebeu pela cor de minha pele, eu sou branco, e isso é uma grande barreira numa Reserva Indígena. Hoje você verá muitas pessoas em minhas fotografias, e eu me tornei muito próximo delas, e elas me receberam como se eu fosse da família. Eles me chamam de irmão e tio e há mais de 5 anos sempre me convidam a estar com eles. Mas em Pine Ridge, eu sempre serei o que é chamado de wasichu, e wasichu é um termo Lakota para os 'não índios', mas outra versão desse termo quer dizer: "aquele que fica com a melhor carne para si". E é nisso que quero focar -- aquele que fica com a melhor parte da carne. Ganancioso é seu significado. Então olhem para os presentes neste auditório hoje. Estamos numa escola particular no Oeste americano, sentados em poltronas de veludo vermelho com dinheiro em nossas carteiras. E se olharmos para nossas vidas, de fato fomos nós que pegamos a melhor parte da carne. Então vejamos esse conjunto de fotografias de um povo que perdeu para que nós pudessemos ganhar, e perceber que quando olharmos para os rostos dessas pessoas que não representam somente imagens dos Lakota, e, sim, que representam todo o povo Indígena. Neste pedaço de papel está a história do jeito que aprendi de meus amigos e da minha família Lakota. O que veremos é uma cronologia de tratados feitos, tratados quebrados e massacres disfarçados de batalhas. Vou começar em 1824. "O que é conhecido como a Agência dos Assuntos Indígenas foi criado dentro do Ministério da Guerra, estabelecendo desde o princípio o tom agressivo em nosso relacionamento com os Indígenas Americanos. 1851: O primeiro tratado de Fort Laramie estabelece fronteiras bem definidas para a Nação Lakota. De acordo com o tratado essas terras seriam de uma nação soberana. Se as fronteiras desse tratado tivessem sido reais -- e há uma base legal que diz que assim deveria ser -- então este seria o mapa dos EUA hoje. Mas 10 anos depois, o Decreto Homestead, assinado pelo Presidente Lincoln, inundou as terras Indígenas com uma enxurrada de colonos brancos. 1863: Um levante dos Santee Sioux em Minnesota termina com o enforcamento de 38 homens Sioux, a maior execução em massa da história dos EUA. A execução foi por ordem do Presidente Lincoln apenas dois dias após ele ter assinado a Proclamação de Emancipação. Em 1866, com a construção da linha férrea transcontinental -- iniciava-se uma nova era. Tomamos posse de terras para estradas de terra e de ferro e assim cortar caminhos no coração da Nação Lakota. Os tratados foram jogados pela janela. Em resposta, três tribos lideradas pelo cacique Lakota Nuvem Vermelha atacou e derrotou o exército americano por muitas vezes. Eu quero repetir essa parte. Os Lakota derrotaram o exército americano. Em 1868: O segundo tratado do Fort Laramie definitivamente garante a soberania da Grande Nação Sioux e a propriedade pelos Lakota das sagradas Black Hills. O governo também promete terra e direitos à caça nos estados circunvizinhos. Prometemos a eles que a região do Rio Powder seria então fechada para todos os brancos. O tratado parecia um vitória completa para Nuvem Vermelha e os Sioux. De fato, esta foi a única guerra na história americana em que o governo negociou a paz concedendo tudo que o inimigo demandou. 1869: A linha férrea transcontinental é concluída. Começou por transportar, entre outras coisas, um grande número de caçadores que inauguraram a grande matança de búfalos, eliminando uma fonte de comida, vestimenta e abrigo para os Sioux. 1871: O Decreto de Apropriação Indígena torna todos os índios responsabilidade do governo federal. E mais, os militares emitem ordens proibindo os índios do Oeste de deixar suas reservas. Todos os índios do Oeste nesta altura eram prisioneiros de guerra. Também em 1871, encerramos a era de fazer tratados. O problema dos tratados é que eles permitem às tribos existirem como nações soberanas, e nós não podemos conviver com isso; nós tinhamos outros planos. 1874: General George Custer anuncia a descoberta de ouro em território Lakota, especificamente em Black Hills. A notícia do ouro faz com que uma grande massa de colonos brancos invada a Nação Lakota. Custer recomenda ao Congresso que ache uma maneira de terminar com os tratados com os Lakota o mais cedo possível. 1875: A guerra Lakota inicia-se por causa da violação do tratado de Fort Laramie. 1876: Em 26 de julho, a caminho para atacar o assentamento Lakota, a Sétima Cavalaria de Custer é massacrada na batalha de Little Big Horn. 1877: O grande guerreiro e cacique Cavalo Louco se rende em Fort Robinson. Mais tarde ele é morto enquanto sob custódia. No ano de 1877 também é quando conseguimos contornar os tratados de Fort Laramie. Um novo acordo foi apresentado para os caciques Sioux e aos homens em comando numa campanha conhecida como "venda ou morra de fome". Assine o papel, ou nada de alimentos para sua tribo. Somente 10 porcento da população adulta assinou. O tratado do Fort Laramie determinava que no mínimo três quartos da tribo teriam que assinar a entrega das terras. A cláusula foi obviamente ignorada. 1887: O Decreto Dawes. Cessa a propriedade comunitária das terras da reserva. As áreas da reserva são divididas em seções de 210 hectares e distribuídas aos índios de maneira individual, descartando o saldo remanescente. As tribos perderam milhões de hectares. O sonho americano da propriedade individual de terras tornou-se um jeito bem esperto de dividir a reserva até que nada sobrasse. Essa ação destruiu as reservas, tornando viável e fácil novas subdivisões para venda com a chegada das novas gerações. Grande parte do saldo de terras e muitos dos pequenos lotes dentro das reservas estão agora nas mãos de fazendeiros brancos. Mais uma vez, a parte gorda da terra fica com o wasichu. 1890, uma data que creio que seja da maior importância na minha apresentação. Este é o ano do massacre de Wounded Knee. Dia 29 de dezembro, as tropas americanas cercam um acampamento Sioux no riacho Wounded Knee e massacram o cacique Pé Grande e 300 prisioneiros de guerra, usando uma nova arma de fogo rápido que dispara balas explosivas chamada de metralhadora Hotchkiss. Nesta batalha assim chamada foram dadas 20 Medalhas Congressionais de Honra por bravura para a Sétima Cavalaria. Até o dia de hoje, nunca tantas Medalhas de Honra foram agraciadas por conta de uma única batalha. Mais Medalhas de Honra foram dadas pelo massacre indiscriminado de mulheres e crianças do que em qualquer outra batalha na Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, Coreia, Vietnam, Iraque ou Afeganistão. O massacre de Wounded Knee é considerado o término das guerras indígenas. Sempre que visito o local da vala comum em Wounded Knee, eu não vejo somente uma sepultura para os Lakota ou para os Sioux, mas vejo um cemitério de todos os povos indígenas. O pajé Alce Negro disse, "Eu não sabia então o quanto foi eliminado. Quando olho para trás agora desde esta alta colina de minha idade avançada, eu ainda posso ver as mulheres e crianças ensanguentadas amontoadas e espalhadas preenchendo a ravina tortuosa assim tão claro como quando eu os vi com olhos ainda jovens. E posso ver que algo a mais morreu ali na lama de sangue e foi enterrado na nevasca. O sonho de um povo morreu ali, e era um sonho lindo." Com esse evento, uma nova era na história Indígena Americana começou. Há duas metades a considerar: antes e depois de Wounded Knee. Porque foi nesse momento específico com os dedos nos gatilhos das metralhadoras Hotchkiss que o governo dos EUA abertamente manifestou sua posição sobre os direitos Indígenas. Estavam cansados de tratados. Estavam cansados de montanhas sagradas. Estavam cansados de danças de fantasmas. E estavam cansados das inconveniências dos Sioux. Então trouxeram seus canhões. "Você quer ser um índio agora," eles disseram, com o dedo no gatilho. 1900: A população Indígena americana chega a seu ponto mais baixo -- menos de 250. 000, comparado com estimados oito milhões em 1492. Rapidamente para a frente. 1980: A mais longa causa submetida a uma corte na história dos EUA, a Nação Sioux contra os Estados Unidos, foi julgada pela Suprema Corte Americana. A corte determinou que, quando os Sioux foram enviados para as reservas e os nove milhões e trezentos mil hectares de suas terras foram liberados para interessados na compra e rancheiros, os termos do segundo tratado de Fort Laramie havia sido violado. A corte estabeleceu que as Black Hills foram ilegalmente tiradas e que o preço inicial ofertado mais os juros deveria ser pago à Nação Sioux. Como pagamento por Black Hills, a corte concedeu somente 106 milhões de dólares para a Nação Sioux. Os Sioux recusaram o dinheiro com um grito de guerra: "As Black Hills não estão à venda." 2010: As estatísticas sobre a população Indígena hoje, mais de um século após o massacre de Wounded Knee, revelam a herança da colonização, a migração forçada e as violações dos tratados. O desemprego na Reserva Indígena de Pine Ridge flutua entre 85 e 90 porcento. A agência da habitação não consegue construir novas estruturas, e as existentes estão se despedaçando. Muitos são sem-teto, e aqueles com casas estão empilhados em construções podres onde vivem até cinco famílias. Em Pine Ridge, 39 porcento dos lares não tem eletricidade. Pelo menos 60 porcento das casas nas reservas estão infestadas com mofo venenoso. Mais de 90 porcento da população vive abaixo da linha da pobreza nacional. O índice de tuberculose em Pine Ridge é aproximadamente oito vezes mais alto do que a média nacional dos EUA. O índice de mortalidade infantil é o mais alto do continente e é cerca de três vezes mais alto do que a média nacional dos EUA. Câncer cervical é cinco vezes mais alto que a média nacional dos EUA. O abandono escolar é de 70%. A rotatividade dos professores é oito vezes maior do que a média dos EUA. É comum avós criando os seus netos porque diante do alcoolismo, da violência doméstica e da apatia generalizada, os pais são incapazes. Metade da população acima de 40 anos sofre de diabetes. A expectativa de vida para os homens fica entre 46 e 48 anos de idade -- praticamente a mesma que no Afeganistão e Somália. O último capítulo de qualquer bem sucedido genocídio é aquele em o opressor pode recolher suas mãos e dizer, "Meu Deus, o que essas pessoas estão fazendo com si mesmas? Elas estão se matando. Se matam enquanto nós assistimos elas morrerem." Foi desse jeito que tomamos posse desses Estados Unidos. Este é o legado do Destino Manifesto. Ainda nascem prisioneiros nos campos de prisioneiros de guerra mesmo depois que os sentinelas já se foram. Esses são os ossos que sobraram após a melhor carne ter sido retirada. Há muito tempo, uma série de eventos foi iniciado por pessoas que se parecem fisicamente comigo, pelos wasichu, ávidos em tirar terras, água e o ouro das colinas. Esses eventos levaram a um efeito dominó que ainda não terminou. Por mais distante que nós da sociedade dominante nos sintamos de um massacre de 1890, ou uma série de tratados quebrados há 150 anos, eu ainda tenho que lhe perguntar algo, como você está se sentindo diante dessas estatísticas? Qual a conexão entre essas imagens de sofrimento e a história que acabei de ler para vocês? E quanto dessa história você deve se apropriar? Será, hoje, sua responsabilidade? Me dizem que deve ser possível fazer algo a respeito. Deve haver uma chamada para a ação. Porque por tanto tempo tenho me posicionado à margem me contentando em ser uma testemunha, simplesmente tirando fotografias. Porque a solução parece que está tão profunda no passado, eu precisaria de algo como uma máquina do tempo para chegar até ela. O sofrimento desses povos indígenas não é algo fácil de resolver. Não é algo que qualquer um possa simplesmente apoiar como fazemos quando vamos ajudar o Haiti, a terminar com a AIDS, ou combater a fome. Para resolver de maneira definitiva, é muito mais difícil para uma sociedade dominante do que por exemplo, um cheque de 50 dólares ou a excursão de uma igreja para pintar as casas pichadas de grafite, ou uma família de classe média doando uma caixa de roupas que eles não vão mais usar. Onde isso nos deixa? Dando de ombros no escuro? Os Estados Unidos continuam numa constância diária a violar os termos do tratado assinado com os Lakota em 1851 e 1868 no Fort Laramie. A chamada para a ação que ofereço hoje -- o meu desejo TED -- é este: Honrem os tratados. Devolvam as Black Hills. Não é da sua conta o que eles vão fazer com elas.
pt
414
Como pesquisadores, às vezes, nos deparamos com algo um pouco desconcertante. E isso é algo que muda o nosso entendimento do mundo que nos cerca, e nos ensina que estamos totalmente errados sobre algo que acreditamos profundamente. Esses são momentos infelizes, porque vamos dormir naquela noite mais ignorantes que quando acordamos. Esse é, portanto, o verdadeiro objetivo da minha palestra, em primeiro lugar, informá-los desse momento, e em segundo lugar, fazer com que deixem esta sessão um pouco mais ignorantes que quando entraram. Espero conseguir fazer isso. O incidente que descreverei realmente começou com uma diarréia. Faz muito tempo que conhecemos a causa da diarréia. É por isso que temos um copo de água lá em cima. Para nós, nesta sala, é um problema; para bebês, é mortal. Faltam-lhes nutrientes e a diarréia os desidrata. O resultado de tudo isso é uma alta mortalidade, muita mortalidade. Na Índia, em 1960, a taxa de mortalidade infantil era 24%; muita gente morria. Isso era muito triste. Um dos maiores motivos dessa mortalidade era a diarréia. Houve um grande empenho para resolver esse problema. E apareceu uma grande solução. Essa solução já foi chamada de "Possivelmente o mais importante avanço médico deste século." A solução acabou sendo simples. Era o chamado soro caseiro. Muitos de vocês provavelmente já usaram isso. É genial. É uma forma de reunir sódio e glicose. Quando se acrescenta água, a criança consegue absorver a mistura, mesmo se tiver diarréia. Isso teve um impacto extraordinário na mortalidade. Uma grande solução para o problema. Vamos saltar alguns anos. De 24% de mortalidade infantil em 1960, chegamos a 6, 5% hoje. Um grande número, uma queda imensa. Parece que o problema tecnológico foi resolvido. Contudo, mesmo assim, hoje ainda temos cerca de 400 mil mortes relacionadas a diarréia. Isso apenas na Índia. O que está acontecendo? A resposta fácil é que simplesmente o soro caseiro não está chegando a essas pessoas. Isso não é bem verdade. Se analisarmos as regiões onde há ampla disponibilidade do soro caseiro, isso é, o preço é zero ou quase zero, a mortalidade ainda está presente. Talvez exista uma resposta biológica. Talvez esses sejam casos que não podem ser resolvidos apenas pela reidratação. Mas isso também não é verdade. Muitas dessas mortes poderiam ter sido totalmente evitadas. E é isso que considero o aspecto desconcertante, o chamado problema da "última milha". Vejam, gastamos muita energia em muitas áreas. Tecnológica, científica, muito empenho, criatividade, engenhosidade humana, para resolver importantes problemas sociais com tecnologia. Essas foram as descobertas dos últimos 2. 000 anos. É a humanidade avançando. Neste caso, achamos a solução, mas uma grande parte do problema permanece. Tudo foi bem por 999 milhas. Mas a última milha está se revelando extremamente teimosa. Estamos falando do soro caseiro. Talvez seja algo peculiar à diarréia. O problema é que as coisas ficam ainda mais desconcertantes, porque o problema não é peculiar à diarréia. Não é peculiar mesmo aos pobres da Índia. Temos um exemplo de vários contextos. Tenho vários exemplos. Posso começar com insulina, medicamente contra diabete nos EUA. Tudo bem, população americana. Se você é pobre, tem o sistema de saúde pública. Se tiver um plano de saúde, é simples obter insulina. É disponível em comprimidos ou injeções. É preciso tomá-la todos os dias, para manter o nível de açúcar no sangue. Grande avanço tecnológico. Transformou uma doença mortal em algo administrável. Taxas de aderência. Quantas pessoas tomam insulina todos os dias? Na média, uma pessoa típica a toma 75% das vezes. Com isso, 25 mil pessoas ficam cegas a cada ano, centenas de milhares perdem membros, a cada ano, em razão de algo que é administrável. Tenho vários outros exemplos. Todos sofrem do problema da última milha. Não é uma questão apenas da medicina. Temos um outro exemplo da tecnologia. Agricultura. Acreditamos que existe um problema de alimentos. Portanto, criamos novas sementes. Pensamos que existe um problema de renda. Portanto criamos novas formas de agricultura que aumenta a renda. Veremos as formas antigas, que já foram solucionadas. Lavoura consorciada realmente aumenta a renda. Já foram obtidos tremendos aumentos na produtividade do arroz quando diferentes tipos são cultivados lado a lado. Muitas pessoas já fazem isso, outras não. O que está acontecendo? É a última milha. Em todos os casos, a última milha é problemática. OK, qual é o problema? O problema é essa máquina de menos de 1. 400 gramas atrás de seus olhos e entre suas orelhas. É uma máquina muito estranha, e uma consequência disso é que as pessoas são esquisitas. Fazem um monte de coisas inconsistentes. Fazem um monte de coisas inconsistentes. E essas inconsistências criam, essencialmente, esse problema da última milha. Quando lidamos com nossa biologia, bactérias, genética, as coisas aqui dentro, o sangue, isso tudo é complexo, mas administrável. Mas quando estamos lidando com este povo aqui, a mente é mais complexa. Isso não é administrável. E é este o nosso problema. Vamos falar novamente sobre a diarréia. Esta é uma pergunta feita na Pesquisa Nacional por Amostragem, feita junto a muitas mulheres na Índia. "Seu filho tem diarréia. Você deve aumentar, manter ou reduzir a quantidade de fluídos?" Para vocês não passarem vergonha, vou dar a resposta certa. É aumentar. Diarréia é interessante porque existe há milhares de anos, desde quando a humanidade passou a viver aglomerada suficiente para haver água poluída. Uma estratégia romana muito interessante, e que lhes dava uma boa vantagem comparativa, era proibir que seus soldados bebessem águas mesmo ligeiramente turvas. Porque se as suas tropas estão com diarréia, elas não são muito eficientes no campo de batalha. Portanto, a vantagem comparativa dos romanos eram as suas couraças e seus escudos, mas também beber a água certa. Portanto, temos essas mulheres, que viram seus pais lutarem com diarréia, elas mesmas lutarem com diarréia. Viram muitas mortes. Como devem responder a pergunta? Na Índia, entre 35 e 50% respondem "reduzir". Por um momento, pensem no que isso representa. Entre 35 e 50% das mulheres esquecem-se do soro caseiro, elas estão aumentando, estão aumentando a possibilidade de seus filhos morrerem por suas ações. Como isso é possível? Bem, uma possibilidade -- penso que é assim que a maioria das pessoas reagem -- é dizer: "É muita burrice". Não penso que é burrice. Penso que há algo profundamente certo no raciocínio dessas mulheres. O raciocínio é: não se coloca água em um balde que está vazando. Considerem o modelo mental por trás da redução de líquidos. Não faz sentido. O modelo é intuitivamente correto. Embora não seja certo para o mundo. Mas faz muito sentido em um nível muito profundo. E, para mim, este é o desafio fundamental. A última milha. O primeiro desafio é o que chamo de desafio da persuasão. Persuadir as pessoas a fazer algo, usar o soro caseiro, plantar em consórcio, qualquer coisa. Não é um gesto de informação. "Vamos dar-lhes os dados e quando tiverem os dados farão a coisa certa." Não é tão simples. Se quiserem entender como é mais complexo, vou começar com algo bastante interessante. Vou dar-lhes um problema de matemática. E quero que vocês gritem a resposta o mais rápido possível. Um taco e uma bola custam juntos $ 1, 10. O taco custa um dólar a mais que a bola. Quando custa a bola? Rápido, vamos. Alguém disso cinco. Muitos disseram 10. Vamos pensar um pouco sobre os 10. Se a bola custa 10, o taco custa. é fácil, $ 1, 10. Sim. Juntos custariam $ 1, 20. Que tal, todos vocês, com boa escolaridade, em teoria. A maioria parece inteligente. A combinação disso produz algo que, na verdade, vocês erraram. Como isso é possível? Vamos ver outro problema. Sei que álgebra pode ser complicada. Vamos voltar, então. Que tal quinta ou quarta séries? Vamos voltar ao jardim de infância. Tudo bem? Existe um ótimo programa na televisão americana que vocês deveriam assistir. Chama-se "Você é mais inteligente que um aluno da quinta série?" Acho que agora já sabemos a resposta. Vamos para o jardim de infância. Vamos ver se somos mais inteligentes que crianças de cinco anos. Vou fazer o seguinte. Vou colocar objetos na tela. Quero que vocês me digam a cor do objeto. É só isso. Tudo bem? Quero que o façam rápido. E respondam alto comigo. E o façam rapidamente. Vou dar uma fácil para começar. Pronto? Preto. Nos próximos, façam rapidamente e respondam em voz alta. Prontos? Já. Público: Vermelho. Verde. Amarelo. Azul. Vermelho. Sendhil Mullainathan: Está ótimo. Quase saindo do jardim de infância. O que isso nos diz? Aqui, e no problema do taco e da bola, o que está acontecendo é que temos formas intuitivas de interagir com o mundo, existem alguns modelos que usamos para entender o mundo. Assim como um balde furado, esses modelos funcionam bem na maioria das situações. Penso que a maioria de vocês, espero que seja o seu caso, sabem adicionar e subtrair bem no mundo real. Encontrei um problema, um problema específico que encontrou um erro nesse modelo. Diarréia, e muitos outros problemas da última milha, são assim. São situações nas quais o modelo mental não combina com a realidade. Mesma coisa aqui, sua resposta intuitiva foi muito rápida. Vocês leram azul e queriam dizer azul, mesmo sabendo que a sua pergunta era vermelho. Faço isso porque é divertido. Mas é mais profundo que isso. Vou dar-lhes um bom exemplo de como afeta a persuasão. Uma BMW é um carro bem seguro. Estão pensando: "Segurança é bom. Queremos anunciar segurança. Com devemos anunciar segurança?" "Poderíamos dar estatísticas. Nossos carros se saem bem em testes de colisões." Mas para falar a verdade, vocês olham para o carro, e ele não se parece com um Volvo. Não se parece com um Hummer. Portanto, nos próximos minutos quero que pensem como transmitir a segurança de uma BMW. Tudo bem? Enquanto estão pensando, vou dar-lhes uma segunda tarefa. A segunda tarefa é economia de combustível. Tudo bem? Tenho outro problema para vocês. Uma pessoa entra em uma concessionária, pensando em comprar um Toyota Yaris. Pensa: "Este carro faz 15 km por litro de gasolina. Vou pensar no meio ambiente e comprar um Prius, que faz 21 km por litro." Outra pessoa entra na concessionária. Pensa em comprar um Hummer, que faz menos de 4 km por litro, cheio dos opcionais, luxo puro. E diz: "Pensando melhor, será que preciso de um turbo. de um carro deste tamanho?" Vou fazer algo de bom para o meio ambiente, e vou comprar um Hummer menor, que faz quase 5 km por litro." Quais destas pessoas fez mais pelo meio ambiente? Vocês têm um modelo mental. 21 para 15 é uma grande coisa; menos de 4 para quase 5? Calma lá. Vão para casa e façam as contas. Menos de 4 para quase 5 é uma mudança maior. Essa pessoa economizou mais combustível. Por que? Porque o importante não são km por litro; são litros por km. Pensem na importância disso se quiserem estimular economia de combustível. Quilômetros por litro é como deve ser apresentado. Se quisermos estimular uma mudança de comportamento, litros por quilômetro é mais eficaz. Pesquisadores já acharam este tipo de anomalia. Tudo bem, de volta à BMW. O que eles devem fazer? O problema da BMW é que este carro parece seguro. Este outro carro, que é o meu Mini, não parece tão seguro. Mas a BMW teve uma idéia brilhante que incorporou à sua campanha. Mostraram uma BMW descendo a rua. Há um caminhão à direita. Caixas caem do caminhão. O carro desvia para evitar as caixas e portanto não se acidenta. A BMW sabe que na mente das pessoas, a segurança tem dois componentes. Você fica seguro porque sobrevive em uma colisão, ou fica seguro porque evita um acidente. Uma campanha de muito sucesso. Mas reparem na sua força. Conseguiu captar algo que vocês acreditam. Contudo, mesmo se os convenci a fazer algo, às vezes é difícil obter uma ação em resultado. Provavelmente vocês quiseram acordar, digamos, 6: 30, 7: 00. É uma luta de todos nós, todos os dias, juntamente com o esforço de ir à academia. Isso é um exemplo dessa luta, e nos ajuda a lembrar que intenções nem sempre acabam em ações, Portanto, um dos principais desafios é como devemos realmente fazer isso. Tudo bem? Vou falar sobre o problema da última milha. Até agora, fui bem negativo. Tentei mostrar a vocês as singularidades do comportamento humano. Talvez esteja sendo muito negativo. Talvez seja a diarréia. Talvez o problema da última milha deva ser encarado como oportunidade da última milha. Vamos voltar à diabetes. Esta é uma típica injeção de insulina. Levar isso para lá e para cá é complicado. É preciso levar o frasco, a seringa. Também é doloroso. Talvez vocês pensem: "Se a minha visão dependesse disso, obviamente eu usaria isso todo dia." Mas a dor, o desconforto, prestar atenção, lembrar de colocar isso na bolsa, quando viajamos, isso é uma questão do dia-a-dia, e isso representa um problema. Temos aqui uma inovação, uma inovação de design. É uma caneta, uma caneta de insulina, pré-carregada. A agulha é especialmente afiada. Basta levar esta caneta. É mais fácil de usar, menos dolorosa. Existe um aumento na aderência entre 5 e 10%, apenas em resultado disto. É disto que estou falando, quando falo da oportunidade da última milha. Costumamos achar que o problema foi resolvido, quando resolvemos o problema tecnológico. Mas a inovação humana, o problema humano ainda permanece, e essa é a grande fronteira que resta. Não estamos falando da biologia das pessoas, Estamos falando da mente, da psicologia das pessoas. As inovações precisam continuar, até a última milha. Tenho outro exemplo. Isso vem de uma empresa chamada Positive Energy. É para eficiência energética. Estamos investindo muito tempo em células de combustível. Essa empresa manda cartas para as casas das pessoas dizendo: "Este é o seu uso de energia, este é o uso do seu vizinho, você está indo bem." Carinha de sorriso. "Você não está indo tão bem." Carinha carrancuda. A casa recebe apenas esta carta, nada mais. E isso resulta em uma redução de 3% no uso de energia. Pensem no valor social disso, em termos de compensação de carbono, redução no uso de eletricidade, 900 milhões de dólares por ano. Por que? Porque é gratuito, não é uma nova tecnologia. É uma carta, que produz um grande efeito no comportamento. Como resolvemos a última milha? Penso que isso nos dá uma oportunidade. Acredito que para tomar essa oportunidade, precisamos combinar psicologia, marketing, e arte; já vimos isso. Mas sabem do que precisamos para combinar com isso? Precisamos combinar isso com o método científico. O que realmente me intriga e frusta na última milha, é que as primeiras 999 milhas são pura ciência. Ninguém diz: "Acho que esse remédio funciona, vamos usá-lo." Temos testes, laboratórios, novos testes, refinamento. Mas sabem o que fazemos na última milha? "Isso é uma ótima idéia. As pessoas vão gostar. Vamos vendê-la." É um absurdo o volume de recursos que empenhamos. Investimos bilhões de dólares em tecnologias de eficiência de combustível. Mas quanto estamos investindo em mudança do comportamento de energia, de forma crível, sistemática e testada? Penso que estamos prestes a ver algo grande. Prestes a ver uma nova ciência social. Uma ciência social que reconhece, assim como a ciência reconheceu a complexidade do corpo, a biologia reconheceu a complexidade do corpo, reconheceremos a complexidade da mente humana. Testes, retestes, projetos cuidadosos. Vamos abrir panoramas de entendimento, complexidades, coisas difíceis. E essas vistas criarão uma nova ciência, e uma mudança fundamental em como vemos o mundo, nos próximos cem anos. Muito bem. Muito obrigado. Chris Anderson: Sendhil, muito obrigado. Essa nova era é tão fascinante. Às vezes penso que, ao ouvir economistas comportamentais, eles estão criando, no mundo acadêmico, o que os grandes profissionais de marketing sabem intuitivamente há muito tempo. O seu campo está falando com os grandes profissionais de marketing sobre suas idéias da psicologia humana? Porque eles já notaram isso. Sendhil Mullainathan: Sim, falamos muito com profissionais de marketing. E penso que 60% disso é exatamente o que você disse. Existem idéias a serem vislumbradas. 40% disso é marketing. Marketing é vender um anúncio a uma empresa. Assim, de certa forma, muito do marketing é convencer um presidente que essa é uma boa campanha publicitária. Há uma certa discrepância. Mas isto é apenas um aviso. É diferente de uma campanha realmente eficaz. E uma das novas tendências de marketing é medir a eficácia. Estamos sendo eficazes? CA: Você traz as suas idéias e as integra nos modelos de negócios existentes, nas vilas da Índia, por exemplo. SM: O método científico do qual falei é muito importante. Colaboramos com empresas que têm capacidade operacional, ou entidades sem fins lucrativos que têm capacidade operacional. E dizemos a elas: "Vocês querem mudar o comportamento. Vamos pensar em algumas idéias, testá-las, ver quais funcionam, testá-las novamente, sintetizá-las, e tentar achar algo que funcione." E então conseguimos ampliar a escala com parceiros. É um modelo que tem funcionado em outros contextos. Se existem problemas biológicos, tentamos corrigi-los, ver se funciona e ampliar a escala. CA: Obrigado, Sendhil, por vir ao TED. Muito obrigado.
pt
415
Eu estive aqui quatro anos atrás, falando sobre a relação entre design e felicidade. No final, eu mostrei uma lista sob aquele título. Eu aprendi muitas poucas coisas desde então -- mas transformei várias destas em projetos. Isso são macacos infláveis em todas as cidades da Escócia -- "Todos acham que estão certos." Eles foram combinados na mídia. "As drogas são legais no começo, mas depois viram uma droga." Estamos usando mídias mutáveis. Essa é uma projeção que pode ver a pessoa enquanto ela passa. Você acaba rasgando aquela teia de aranha. Tudo isso são peças de design gráfico. Nós as fazemos para nossos clientes. São encomendadas. Eu nunca teria dinheiro para pagar pela instalação ou pagar por toda a divulgação ou produção delas. Então sempre há um cliente por trás delas. Isso são 65. 000 cabides em uma rua cheia de lojas de roupa. "Preocupar-se não resolve nada" "O dinheiro não me faz feliz." Apareceu primeiro em várias páginas duplas de uma revista. O impressor perdeu o arquivo e não nos contou. Quando eu recebi uma cópia da revista, eram 12 páginas sequenciais dizendo: "O dinheiro me faz faz feliz." Um amigo meu da Áustria ficou tão triste por mim que convenceu o dono do maior cassino de Linz a nos deixar embalar seu prédio. Essa é uma grande área de pedestres em Linz e diz apenas "Dinheiro". Se você olhar da rua lateral, você vê "não me faz feliz." Tivemos uma mostra, viemos para Nova Iorque na semana passada, nós embaçamos janelas permanentemente, e a cada hora nós tinhamos um designer diferente escrevendo algo que aprenderam na janela embaçada. Todos participaram -- Milton Glaser. Massimo Vignelli. Cingapura estava em discussão. Esse é um pequeno vídeo que filmamos lá para ser passado em telões em Cingapura. E claro que essa peça mexe muito comigo porque todos esses sentimentos, alguns banais, outros mais profundos, saíram originalmente do meu diário. E eu sempre consulto meu diário para refletir se quero mudar alguma coisa daquela situação. E se eu refletir por tempo suficiente, eu realmente faço algo a respeito. E o último é um painel. Esse é o telhado do nosso estúdio em Nova Iorque. Isto é papel jornal com estêncil por cima O deixamos um tempo no sol. E como sabem, o papel jornal amarela bastante no sol. Depois de uma semana, tiramos os estênceis, enviamos o painel para Lisboa, em um local bem ensolarado. Então, no primeiro dia, o painel dizia: "Reclamar é tolo. Aja ou esqueça" Três dias depois começou a sumir, e uma semana depois, mais nenhuma reclamação. Muito obrigado.
pt
416
Eu acredito muito na educação prática Mas você precisa ter as ferramentas certas. Se eu vou ensinar eletrônica para a minha filha, Eu não vou dar uma solda na mão dela. E com placas de ensaio, o problema é o mesmo, porquê elas são impróprias e frustrantes por causa de suas mãos pequenas. Então, eu e uma maravilhosa estudante, Sam, decidimos usar a coisa mais fácil em que pudemos pensar: massinha de modelar. Então, nós passamos um verão inteiro procurando receitas diferentes para massinha de modelar caseira. Essas receitas podem parecer familiares para um de vocês que já tenha feito massinha em casa - pois usa ingredientes comuns nas suas cozinhas. Nós temos duas receitas favoritas uma que tem água, farinha, sal, óleo vegetal e creme de tártaro e uma segunda, que usa açúcar em vez de sal. E elas são ótimas. Nós podemos fazer lindas pequenas esculturas com elas. Mas legal mesmo é quando você junta elas. Sabe, aquela massinha bastante salgada conduz eletricidade. E isso não é nenhuma novidade. Na verdade, a massinha vendida comercialmente conduz eletricidade também, e professores de física vêm usando elas por anos. Mas a nossa massinha caseira tem metade da resistência da massinha comercial. E a massinha doce? Bem, ela é 150 vezes mais resistente à corrente elétrica que a massinha salgada. Então o que isso significa? Significa que, se você junta as duas, você tem circuitos -- circuitos que as mais criativas pequenas mãozinhas podem construir sozinhas. Então eu quero fazer uma pequena demonstração para vocês. Se eu pegar essa massinha salgada - repetindo, é como a massinha que você já deve ter feito em casa - e eu ligo elas a uma bateria - umas bateria comum, daquelas que você compra em qualquer supermercado - nós podemos então, realmente, acender as coisas. Mas, se algum de vocês estudou engenharia elétrica, nós podemos fazer um curto-circuito. Se eu junto essas duas, a luz apaga porqquê a corrente passa pela massinha, não pelo LED. Se eu as separo de novo, temos luz. Agora, se eu pego aquela massinha doce, ela não conduz eletricidade. É como uma parede, um isolamento. Se eu coloco ela no meio, todas as massinhas estão se tocando, mas se eu coloco a lâmpada de volta, eu tenho luz. Na verdade, eu posso até adicionar movimento à minha escultura. Se eu quiser uma parte giratória, pegamos um motor. coloco um pouco de massinha, enfio na escultura e temos rotação. E, quando você já sabe o básico, pode começar a fazer um circuito um pouquinho mais complicado. O nome desse é circuito sushi. É muito popular com as crianças. Eu ligo de novo a energia nele, e temos circuitos série e circuitos paralelos. Eu posso plugar várias lâmpadas, e podemos começar a falar em carga elétrica O que acontece se eu plugo várias luzes e adiciono um motor? Sua corrente vai variar. Nós podemos colocar até microprocessadores e usar isso como uma entrada e criar músicas com os circuitos. Você pode fazer circuitos série e paralelos para crianças, usando isso. Tudo isso está na cozinha da sua casa. Nós tentamos transformar ela num laboratório caseira de engenharia elétrica. Nós temos um site, está tudo lá. Essas são as receitas caseiras. Nós temos vídeos, mas vocês também podem fazer os seus E vem sendo bem legal saber onde eles foram paras. Nós soubemos de uma mãe em Utah que usou eles com os filhos, um pesquisador do Reino Unido e até educadores no Havaí. Então eu sugiro pra todos vocês que peguem massinha, sal, açúcar e comecem a brincar. Nós geralmente não pensamos na nossa cozinha como um laboratório de engenharia, ou em nossos filhos como desenvolvedores de circuitos, mas talvez nós devíamos. Divirtam-se. Obrigado.
pt
417
Meu assunto favorito é atalhos O mestre dos atalhos, é claro, é a natureza Mas irei demonstrar modos diferentes de. se livrar das dificuldades e ir direto ao ponto. De encontrar a resposta provavelmente bem mais rápido que o Arthur. Então. primeiro. primeiro violamos o senso comum, a lógica. Todos vocês, se colocarem suas mãos assim, 90 graus, Todos vocês. Não, você, não. Certo? Palma para cima. Se vocês fizerem isso. o comum -- a lógica diz que vocês devem mexer o pulso. Vocês concordam? Bom. Mas primeiro eu ensinarei um. um método: como vocês podem fazê-lo sem mexer o pulso, e depois o atalho. Para vocês fazerem de modo imediato, certo? Segurem as mãos assim, palma para cima. Não mexa o puslo. O pulso é. Eu não falo muito, mas faço o melhor que consigo. Você diria fixo, pra descrever? Isso foi uma piada, na verdade. E eu. OK Segure a palma para cima. Faça assim, não mexa o pulso. Acima do coração, não mexa o pulso. Para frente, não mexa o pulso. Para cima, não mexa o pulso. Acima do coração, não mexa o pulso. E para frente. É! Agora. lógica -- logicamente, logicamente, vocês foram desta posição para esta, sem mexer o pulso. Agora, o atalho. Foram seis. seis movimentos, agora com um movimento. Eu começo aqui, palma para baixo, vocês podem acompanhar. E então, olhem para mim. É! Um movimento. OK. Então. esse foi o aquecimento. Agora. eu preciso de uma assistente. Eu falei com uma garota legal antes, Sui. Ela saiu. Não! Muitas palmas. Bom. Legal. E você pode sentar aqui do lado. Um dos tópicos aqui foi água, certo? E eu prestarei minha homenagem a água. É, isso de água é o bastante pra mim. E os outros podem falar. saúde. Cerveja tem cerca de. tem um monte de água na cerveja. Então, agora eu irei demonstrar diferentes modos de memorização memorização, controle de cartas e assim por diante. E. eu irei tirar isto aqui. Eu trabalho com um método especial para fazer isso rápido. Eu trabalho com. precisão -- desculpe -- controle. e. um poderoso sistema de. memorização, certo? Então. se. Eu estudei o pôquer -- eu gosto de apostar. Oficialmente, eu não aposto, mas. Então, se nós. fôssemos cinco pessoas, e jogássemos um pôquer com cinco cartas. Agora eu irei interagir. Então uma pessoa diferente. cada vezes. Assim a mesma pessoa não pode responder. Então temos um acordo. Qual terá uma boa mão de pôquer? Qual número? Um, dois, três, quatro ou cinco? Lennart Green: Três -- bom. E -- aqui. Eu tenho um pano aqui para -- o momento crítico é -- perdão. Se um trambiqueiro juntar as cartas, imediatamente quando ele -- antes de distribuí-las. Agora. eu acho, número três, Eu arranjei elas em um "full house". Com as Damas e -- está certo. Damas e 10. Isto é um desafio, eu gosto disto. Explicarei depois. Um, dois, três, quatro, cinco. Eu começo com as três Damas. Então aqui vocês podem ver o contraste quando mexo com as cartas. E dois 10. É. Obrigado. Mas a outra mão também é boa, se todos os outros tiverem mão boas também. Então esses caras, na verdade tem uma mão mais forte: Três Ás e dois Reis. Esse cara derrota os dois -- quatro iguais, com o 2 -- 2. Sem reação? Essa, mesmo com -- OK, e esse. Em ordem, eu -- espero. É. Três, quatro, cinco, seis, sete. E -- Mas claro, eu terei a mão vencedora. 10, Valete, Dama, Rei, Ás. É. Então -- bom. A mão que parecia tão boa no começo, número três, no final era na realidade a pior mão. É a vida, certo? Então, por favor -- embaralhe. Agora, se vocês estiverem interessados, demonstrarei técnicas pouco divulgadas. Sim? Eu trabalho com. tipo uma, estimativa? Seguir embaralhamento -- ah, bom. Er -- impressioante. Obrigado. Então, primeiro -- o primeiro é a estimativa. Aqui, eu posso estimar exatamente quantas cartas estão entre o meu -- meu "royal flush". Claro, eu posso contar as cartas, mas assim é muito mais rápido. Certo? Vocês concordam. Então aqui eu tenho, de fato -- Eu sei exatamente onde estão as cartas. Então, aqui eu posso fazer uma aposta, e esse é na verdade o momento que eu consigo meu dinheiro. Então aqui: 10, Valete, Dama, Rei, Ás. OK. Depois tem um termo -- Eu faço rápido. Eu chamo de roubar. Então, aqui, eu acho -- eu -- Eu sei onde estão as cartas. Eu irei espalhar as cartas, e você diz pare, quando eu apontar pra elas, certo. Aponto, diga pare. Sui: Pare. LG: Aqui -- vocês vê que estão faltando algumas? Isso é chamado roubar as cartas, o que eu fiz -- OK. Agora, outro termo chamado seguir o embaralhamento. Seguir o embaralhamento significa eu sigo as cartas, mesmo que outra pessoa -- outro embaralhe. Isso é meio arriscado Então -- porque se vocês observarem, eu ainda consigo ver. Vocês concordam? Mas se você ajeitar -- ajeite e embaralhe -- e então corte. Então aqui, para seguir minhas cartas, eu preciso olhar desde o começo -- ah, nós começaríamos juntos -- tá certo, tá certo. Agora -- não, não, não. Eu estou brincando, tá? Qualquer estilo -- é -- bom. Aqui eu calculei, mas na verdade eu não gosto de calcular. Eu trabalho direto com o lado direito do cérebro. Se você passar para o lado esquerdo, você precisa seguir a lógica e o senso comum. Diretamente no lado direito, é muito melhor. Então -- Arhur Benjamin, fez um -- fez um pouco da mesma coisa. Se você lidar com isso, no clima certo, com humor, você tem -- essa é a senha para o banco cósmico da sabedoria onde encontramos a solução para qualquer problema OK. Agora, eu deixo as cartas caírem, e você diz pare, certo? Não na última carta. Sui: Pare. LG: Isso. Quando eu estou sóbrio faço muito mais rápido, mas veremos. Ah, não estão em ordem -- isso foi um erro. Não, estou brincando. Não -- aqui e ali eu faço um erro, só para enfatizar o quanto é difícil. Certo? É, noite passada esqueci disso. Isso foi um erro. Mas agora estou feliz por me lembrar. Então -- este baralho foi comprado aqui -- desculpe -- Eu tenho um pequeno apoio para fazê-lo mais suave. Este baralho foi comprado aqui nos EUA é chamado -- Bicicleta. E ele é muito flexível, mas poucas pessoas sabem. Se você observar -- se você pressionar nos -- nos lugares certos, você vee como ele é fino e flexível, certo? Agora, você pode levá-lo na carteira, então -- Vocês não veem, não reagem? Então -- mas aqui -- e -- a câmera está pegando coisas demais? Não. É? LG: Perdão. Mas então, quando vocês pegarem de novo façam isso. Mas não demais. Então apertem pra lá de novo. Aqui, por favor. Se você apertar estas -- pilhas, todos veem -- pressione-os juntos para que se intercalem, certo? É, bom. Perfeito. Só aperte eles juntos, bom. Obrigado. E então eu demonstrarei uma coisa dos. satélites russos. Roubado -- provavelmente copiado dos EUA, mas vocês verão. Aqui -- Atalhos. Eu me refiro a atalhos. Agora, eu vou muito rápido. através do baralho e tento achar um padrão. A nova teoria do caos já é velha, certo? Mas vocês sabem, penso que estão familiarizados com -- familiarizados com -- fractais: as espirais de Mandelbrot e estas coisas. E é muito mais fácil memorizar cartas em um padrão assim, e não concentrar. Se você concentra e calcula, então vai -- para -- então é o lado esquerdo do cérebro. Se você olha e conversa em outra língua -- é, ótimo. Acho que peguei tudo. Agora, pessoas diferentes, peçam. Por favor, digam uma carta, qualquer uma. LG: Valete de espadas. Valete de espadas. Eu acho que valete de espadas é o 12 a partir do topo. Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, 10, 11 -- 12. É, certo. Então, oh, valete de espadas. Você disse espadas? LG: Ah. Minha culpa, não aplaudam, esse foi paus. Então, valete de espadas. Eu acho. 23 -- 24, desculpe, 24 Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23 -- ah, 25, sim. É a última. Agora, eu faço mais rápido, melhor. OK. Outra pessoa. Opa, me esqueci, eu não deveria embaralhar, mas acho -- -- na verdade, minha técnica é espiar, o tempo todo. Quando eu levanto o monte, eu espio. Vocês veem, é -- perfeito. Três, quatro, cinco, seis -- então eu calculo -- é, bom. Outra pessoa, outra carta. LG: Sete de ouros. Perfeito, meu favorito, é, sete -- Então eu faço rápido -- muito rápido. Mas em câmera lenta para que acompanhem. Sete de -- LG: Ouros, bom. Ouros, bom. Eu começo aqui. Bom, obrigado. O que eu fiz -- eu espiei. Eu sei onde as cartas estão, então eu escolho. Outra pessoa, outra carta. Outra pessoa. LG: Desculpe-me? LG: 10 de ouros, é. Eu acho que farei do mesmo modo, gosto de -- Assim eu sei onde está. 10 de ouros. Mas agora eu faço na -- velocidade normal, certo? 10 de ouros. Bom. Talvez você poderia cortar? Levante. Excelente. Então, obrigado. Outra pessoa, outra carta. LG: Desculpe-me? LG: Cinco de paus. Não é a mesma pessoa, mesmo sendo do mesmo lugar. Vamos pegar alguém de lá depois. Agora eu deixo as cartas caírem. E você diz pare, em qualquer lugar. Entendeu? Cinco de paus. Não na última. Sim, fica difícil de encontrar a carta ali. Faremos de novo. A pessoa que disse cinco de paus, diga pare. com as cartas no ar, certo? LG: Muito bom. OK. OK, tive de usar um pouco de força ali. Eu penso que -- vamos reservar o cinco de paus. E agora uma carta com contraste com cinco de paus. LG: Dama de copas, é. Excelente. Eu amo essa carta. Aqui, farei o mais difícil. Por exemplo, você está sentado em Las Vegas, e está apostando, e você deixa outras pessoas pegarem esta carta por engano. Sinta -- é uma carta comum. E agora, quando eu levanto essa carta, vai ser a sua carta. Qual foi sua carta? LG: Dama de --? Dama de copas. Então isso é um desafio, certo? Então aqui, eu pego -- conhecem essa? Cinco de paus. e dama de copas. É! Essa é difícil, porque aqui eu devo me aproveitar do -- Eu troco uma pelo cinco de paus. Então -- agora, uma contagem falsa. Qual carta devo usar? Dama ou cinco? Sui: A dama. LG: Dama, isso. Então, eu uso a dama, e aqui está o cinco de paus. A contagem falsa e o número um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito -- você diz a mesma carta todas as vezes. Oito, nove, 10, Esse é um lance meio óptico, certo? Quando ponho uma carta na mesa, olhe -- é uma carta. É -- olhe, é um bando de cartas que dão essa -- impressão. É. Agora algumas coisas difíceis. Eu acho que deixamos a dama aqui, é. Agora, para as coisas dos satélites. Isto -- oh, desculpe, não olhe para o feixe, falha minha. Isto é laser de alta frequência, e basta uma fração de um segundo para destruir a retina completamente. Certo, desculpe, meu -- eu devia ter mencionado isso, é. Mas você pode relaxar, porque leva meia hora até para fazer efeito, então você tem bastante tempo pra ver toda minha performace. Agora. Eu ponho o laser aqui, e -- agora, quando eu coloco as cartas no laser eu sei onde estão mas -- sim? A câmera pegou? Não? Elas não pegaram? O que aconteceu? LG: OK, eu pegarei outro grupo. As câmeras estão pegando as cartas agora? Não? LG: Mas vocês veem a mão. Ah, bom, bom, bom. Mas agora. Então agora. Esse foi o motivo, certo? Vocês veem as cartas? Sim. É, bom. Agora -- -- um cara riu. Agora eu encontro a dama -- faça desse jeito, pegue de volta a outra, pegue a dama de volta. É, interessante -- mas um pouco perigoso. Eu gosto disso. Agora -- um pouco mais difícil. Digam -- qualquer digam, por favor, uma marca. LG: Espadas? Espadas, bom. Então aqui, aqui eu tenho de espiar, muitas cartas. Eu acho que tem muitas -- eu não sei quantas -- mas 10, 15 espadas no baralhos, no mínimo, né? Então todas vez que eu levanto o monte, eu espio, certo. Então eu as arrumo para que possa pegá-las rápido -- perfeito, excelente. Então eu começo com o ás -- É, ás. Ah, sim -- espadas? Mesmo erro de antes, né? Então -- eu arrumo as espadas -- os paus. Eu tento fazer bem aqui. Primeiro pego as espadas -- voces veem, eu não lido com reputação, então sempre cometo erros. Não importa para mim. E de vez em qunado ganho uns pontos extras de simpatia, né? Um, dois, três, quatro -- sim, a câmera pegou? -- cinco, seis, sete, oito -- ah. Nove, 10, o valete, valete de espadas, dama de -- Eu gosto dos risos -- é! Bom. Dama. Espere, espere -- por favor pegue qualquer carta. Pegue uma, rápido, rápido, bom. E trocamos isso pelo rei. Ás de ouros. E agora, ás de ouros irá guiar -- para que eu encontre. rei de espadas. Ali foi o lugar -- e aqui é rei de espadas, certo? É? OK. Agora, uma coisa mais difícil. Talvez vocês pensem que eu já tenho as cartas em ordem, então você me ajuda a embaralhar de novo. Outra marca, por favor. LG: Desculpe-me? LG: Foi depois de me vendar. Eu gosto desse cara, é. OK. Isso deveria ser meu último truque, mas OK. Armani -- quem disse Armani? Você? Eu deixo as cartas cairem e você -- que tamanho? Que tamanho? É moleza, eu gosto de desafios. Que tamanho? LG: Extra G, OK. Diga pare. LG: É, Armani. OK. Ah, esse é difícil. OK, uma marca. Eu peguei paus antes, espadas. Outra marca. LG: Ouros, perfeito. Então nesse caso, Eu tento -- localizar os ouros. Eu olhos as cartas, e OK. Nos tentamos. É, você me ajuda. Se eu derrubar a carta para cima, assim, você vira. Sui: OK. LG: OK, agora. Faça com as duas mãos, rápido. É, bom, bom. Eu acho que conseguimos. É -- bom, bom. Então aqui -- ouros, copas -- não, ouros. Bom, bom. Pare. Você vê o padrão? Não? Agora? Sim, sim, OK. Eu trabalho com padrões. Desculpe, eu derrubei -- talvez seja importante, sim, nove de ouros, OK. nove de ouros, OK. Agora -- eu sempre pergunto, por quê eu me ponho nessa poisção? Eu tenho que adivinhar tantos quando eu faço algumas tentativas, mas -- Eu permitirei isso. Agora -- eu farei isso -- tentarei encontrar -- encontrar os -- os -- ouros, mas eu farei do jeito difícil. É muito fácil fazer do jeito direto, certo? Eu acho que eu farei. vendado. A essa distância funciona imediatamente. Aargh! Fita crepe. Eu -- balance as -- cartas, para que não -- Vá em frente. É, bom. Eu gosto da empatia. Empatia. Mas foi -- vocês ouviram, foi uma voz de mulher. Ouçam os caras -- é, mais, mais, mais. É, bom. É. Pode pegar as narinas também, porque alguns caras pensam -- -- alguns caras pensam que eu espio pelas narinas, então -- mais -- vai, vai. Certo? Bom. Satisfeitos? Parece bom -- como o Batman. Oh! Não, com dignidade e elegância, certo? Mas eu gosto dela, é. Eu disse para ela ser um pouco durona. E foi bem. Mais um? O último. OK. Certo. Agora vocês devem concordar que eu -- Eu devo confiar em outros sentidos, certo? Eu trabalho com vibrações. Então -- qual foi a carta? Ouros. Ah, eu memorizei ouros. Então agora tenho que -- improvisar novamente. Talvez eu me levante. Até a metade. Ouros -- eu vou começar com ás de ouros. Estou brincando, aquecimento. Rei de ouros. E eu lhe dou os ouros, para que -- você ponha eles aqui em uma sequência certa. Agora vocês veem, né? Bom. Ás de ouros, sim? Sui: É. LG: Bom. Bom. Dois -- Obrigado. Eu nunca erro o dois. É interessante. Sempre eu encontro o dois, mas na cor errada. Espadas, desculpe. E -- o baralho é um presente para você depois, então os céticos daqui, nesse -- possam examinar, certo? Me lembre. É um presente. Dois -- e foi de espadas, certo? Desculpe, dois de ouros. Eu farei rápido agora. Três -- três de ouros. Sim! Quatro -- Eu gosto de desafios, sim. É -- bom. Chris Anderson: Você está espiando. LG: Como? CA: Você está espiando. Você tem de -- é um pedido da senhorita lá trás. LG: Ok. Tente isso. É. Também escute. OK -- agora. Talvez isso seja meio difícil. Nós tentaremos. Sim? Bom? OK. Então -- quantas cartas? Cinco? Sui: Quatro. LG: Quatro. Cinco é a próxima carta? Sui: Cinco de ouros, é. LG: Não está aí? Sui: Não está aqui. LG: Oh. Então aqui -- todas as cartas estão para baixo -- vocês concordam? LG: Sim? Vocês veem isso na tela? E essa para cima, e não está na parte de baixo aqui. Então a próxima carta será -- foi cinco? Sui: Cinco. LG: É -- eu -- Eu irei virar para cima aqui. Sim? Sui: É. Seis -- seis com o dedão. Sete. É, eu faço isso. Eu sei onde está, porque eu espiei antes e então faço isso. Certo? Oito. Se -- e então o nove, certo? É. Ontem -- anteontem eu estava em Vegas, e eu usei isso na verdade. Nove? É? Certo? Não? Sim! Eu vou de novo. 10 -- Mais uma vez, eu amo esse movimento John Wayne. É. Valete -- você. o valete? Valete -- de Ouros, certo? LG: Sim? E. Dama! Dama, com direção errada. Direção errada. É? E então, rei -- em exatamente. cinco segundos. É. Cinco. Cinco segundos. Um, dois, três, quatro -- mmmm! Confira. Sim? CA: Rei de ouros. LG: Ah! Bom. Oh. Me toque, sinta -- ah ah, você sabe! CA: Senhoras e senhores, Lennart Green!
pt
418
Provavelmente muitos de vocês conhecem a história dos dois vendedores que foram à África em 1900 Eles foram enviados para ver se havia alguma oportunidade para vender sapatos E eles escreveram telegramas de volta para Manchester. Um deles escreveu: "Situação desesperançosa. Parem. Eles não usam sapatos." E o outro escreveu: "Gloriosa oportunidade. Eles não usam sapatos ainda." Agora, existe uma situação similar no mundo da música clássica, porque existem algumas pessoas que acham que música clássica está morrendo E há algum de nós que acha que vocês não viram nada ainda. E no lugar de entrar em estatísticas e tendências♫ e contar a vocês sobre todas as orquestras que estão fechando e as gravadoras que estão acabando. Eu acho que nós deveríamos fazer uma experiência esta noite -- uma experiência. Na verdade, não é realmente uma experiência porque eu sei o resultado. Mas é como um experimento. Agora, antes que nós -- -- antes de começarmos eu preciso fazer duas coisas. A primeira é que eu quero lembrá-los de qual é o som de uma criança de sete anos quando toca piano. Talvez você tenha essa criança em casa. Ela toca mais ou menos assim. Eu vejo que alguns de vocês reconhecem essa criança. Agora, se ele praticar por um ano e receber lições, agora ela tem oito anos ela toca assim. então ele pratica por mais um ano e faz aulas; agora ela tem nove. Então ela pratica por mais um e estuda; agora ela tem dez. A essa altura eles geralmente desistem. Agora, se você tivesse esperado, se tivesse esperado por mais um ano, você iria escutar isso: Agora, o que aconteceu talvez não seja o que pensou, que é: ele, de repente se tornou apaixonado, engajado, envolvido, arranjou um novo professor, alcançou a puberdade, ou o que for. O que na verdade aconteceu é que os impulsos foram reduzidos. Veja, a primeira vez ele estava tocando com um impulso em cada nota. e a segunda com um impulso a cada duas notas. Você pode ver isso olhando para a minha cabeça. A de nove anos de idade, a de nove anos coloca um impulso em cada quatro notas. e a de dez anos de idade a cada oito notas. e a de 11 anos, um impulso para a frase inteira. Eu sei -- Eu não sei como chegamos nessa posição. Eu não disse: eu vou levantar os meus ombros, mexer meu corpo. Não, a música que me moveu, e por isso que eu chamo de: tocando em uma-nádega Pode ser a outra nádega. Sabem, um senhor estava uma vez assistindo a uma apresentação que eu estava fazendo quando eu estava trabalhando com um jovem pianista. Ele era o presidente de uma corporação em Ohio. E eu estava trabalhando com esse jovem pianista e eu disse: "O problema com você é que você é um instumentista de duas nádegas. Você devia ser um instrumentista de uma nádega." E eu mexi seu corpo dessa forma enquanto ele estava tocando. E repentinamente a música saiu. Pegou vôo. Houve uma surpresa no público quando eles escutaram a diferença. E então eu recebi uma carta desse senhor. ele dizia; "eu fiquei tão comovido. Que voltei e transformei toda a minha empresa em uma companhia de uma nádega. Agora, a outra coisa que eu queria fazer é falar para vocês sobre vocês. Aqui há 1600 pessoas, eu acredito. Minha estimativa é que, provavelmente, 45 de vocês são absolutamente apaixonados por música clássica. Vocês adoram música clássica. Sua FM está sempre naquele canal de clássicos. e você tem CDs em seu carro, e você vai a sinfonias. e suas crianças estão praticando instrumentos. Vocês não podem imaginar sua vida sem música clássica. Esse é o primeiro grupo; é um grupo bem pequeno. Então tem um outro grupo, um grupo maior. Essas são as pessoas que não se incomodam com música clássica. Sabe, você chegou em casa de um dia longo e você pega um copo de vinho e levanta seus pés. Um pouco de Vivaldi no fundo não faria nenhum mal. Esse é o segundo grupo. Agora vem o terceiro grupo. Essas são as pessoas que nunca escutam música clássica. Simplesmente não faz parte da sua vida. Você pode ouvir como um barulho de fundo no aeroporto, mas -- -- e talvez um pouco de uma marcha da Aida quando você chega em algum lugar. Mas, de outra forma, você nunca escuta. Esse é provavelmente o maior grupo de todos. E então existe um grupo muito pequeno. Essas são pessoas que acreditam que não reconhecem as notas musicais. Um enorme grupo de pessoas acredita que elas não reconhecem as notas. Na verdade, eu escuto um monte, "meu marido é surdo." Na verdade, você não pode ser surdo para as notas. Ninguém é surdo para as notas. Se você não pudessem reconhecer as notas, você não poderia trocar as marchas de seus carros, em um carro não automático. Você não saberia dizer a diferença entre alguém do Texas e alguém de Roma. E o telefone. O telefone. Se sua mãe te liga no miserável telefone, ela te liga e diz "olá," você não só sabe dizer quem é, mas também o humor em que ela está. Você tem um ouvido fantástico. Todo mundo tem um ouvido fantástico. Então, ninguém é surdo para as notas musicais. Mas eu te digo. Não funciona para mim em prosseguir com isso com um abismo tão grande entre aqueles que entendem, adoram e são apaixonados por música clássica, e aqueles que não possuem relação nenhuma com ela. As pessoas que não conseguem reconhecer as notas musicais, elas não estão mais aqui. Mas mesmo entre aquelas três categorias, existe um abismo muito grande. Então eu não vou continuar até que cada pessoa nessa sala, nos degraus de baixo e em Aspen, e todo mundo mais que está olhando, vir a adorar e entender música clássica. Então é isso que nós vamos fazer. Agora, você percebe que não a mínima dúvida na minha mente que isso vai funcionar se olhar para o meu rosto, certo? É uma das características de um líder, a de que ele não duvide em qualquer momento da capacidade das pessoas que ele está liderando de compreenderem o que ele está sonhando. Imagina se Martin Luther King tivesse dito: "Eu tenho um sonho. Claro, mas eu não tenho certeza se eles vão estar prontos para ele." Tudo bem. Então eu vou pegar uma peça de Chopin. É um lindo prelúdio de Chopin. Alguns de vocês vão reconhecê-lo. ♫ Sabe o que eu acho que provavelmente aconteceu nessa sala? Quando eu comecei, vocês pensaram: "Que bonito esses sons." ♫ "Eu não acho que nós deveríamos ir para o mesmo lugar nas nossas férias de verão no ano que vem." É engraçado, não é? É engraçado como esses pensamentos surgem em sua cabeça. e é claro -- -- e é claro, se essa peça é longa e você teve um dia cheio, você pode querer, na verdade, dormir Então seu companheirio vai te cutucar e dizer, "Acorde! É cultura!" E você se sente ainda pior. Mas já te ocorrou que a razão pela qual você se sente sonolento quando escuta música clássica é por causa de você, e não por causa de nós? Alguém pensou, enquanto eu estava tocando, "Porque ele está usando tantos impulsos?" Se eu tivesse feito isso com minha cabeça, você certamente iria ter pensado. ♫ E pelo resto da sua vida, toda vez que você escutar música clássica você vai poder reconhecer se escutar esses impulsos. Então vamos ver o que realmente está acontecendo aqui. Nós temos um si. Isso é um Si. A próxima nota é um Dó. E o trabalho do Dó é fazer o Si triste. E ele faz, não faz? Compositores sabem disso. Se eles querem música triste eles simplesmente tocam essas duas notas. ♫ Mas, basicamente, é só um Si, com quatro tristezas. Agora, ele desce para Lá. Agora para Sol, e então para Fá. Então nós temos Si, Lá, Sol, Fá. E se temos Si, Lá, Sol, Fá, qual a próxima nota que devemos esperar? oh! isso deve ser alguma sorte Vamos tentar novamente. Ooh, o coral do TED. Percebe que ninguém é surdo para as notas, certo? Ninguém é. Sabe, toda cidade em Bangladesh e todo vilarejo na China. Todo mundo sabe: da, da, da, da--- daa. Todo mundo sabe que se está esperarando esse Mi. Agora, Chopin não queria chegar no Mi lá, porque o que iria acontecer? Iria acabar, como Hamlet. Se lembra de Hamlet? Ato1, cena 3: ele descobriu que seu tio matou seu pai. Lembra que ele fica indo atrás de seu tio e quase o mata. E então ele volta, e ele vai pra cima dele novamente e quase o mata. E os críticos, todos que estão sentados lá na fila de trás, eles precisam ter uma opinião, então dizem: "Hamlet é um procrastinador." Ou eles dizem, "Hamlet tem complexo de Édipo." Não, de outra forma a peça estaria terminada, estúpido. Esse é o motivo pelo qual Shakespeare coloca todas aquelas coisas em Hamlet. Você sabe, Ophelia enlouquecendo e a peça dentro da peça, e a caveira de Yorick, e os coveiros. Isso é feito para atrasar -- até o Ato5 ele consegue matar o tio. É o mesmo com Chopin. Ele está para alcançar o Mi, e ele diz, "oops, melhor voltar e fazer de novo." Então ele faz de novo. Agora ele fica excitado -- essa excitação, você não precisa se preocupar com ela. Agora ele chega a Fá sustenido e finalmente ele desce para Mi, mas é o acorde errado. Porque o acorde que ele está procurando é esse, ao invés ele faz. agora, nós chamamos isso de cadência de engano porque ela nos engana. Eu sempre falo para meus alunos, "se você tem uma cadência de engano se assegure em levantar suas sobrancelhar para que todos percebam." Certo. Então ele chega em Mi, mas é o acorde errado. Agora, ele tenta Mi de novo. Esse acorde não funciona. E ele tenta Mi novamente. Esse acorde não funciona. E ele tenta mais uma vez o Mi, e o acorde não funciona. E então, finalmente. Tem um senhor na primeira fila que fez, "Mmm." É o mesmo gesto que ele faz quando chega em casa depois de um longo dia, desliga a chave de seu carro e diz: "Aah, estou em casa." Porque todos nós sabemos onde é nossa casa. Então essa é uma peça que vai vem de longe para casa. E eu vou tocá-la por todo o percruso e você vai seguir. Si, Dó, Si, Dó, Si, Dó, Si -- desce para Lá, desce para Sol, desce para Fá. Quase chega em Mi, já que de outra forma a peça estaria finalizada. Ele sobe novamente para Si. Fica excitado. Vai para Fá sustenido. Vai para Mi. É o acorde errado. É o acorde errado. É o acorde errado. E finalmente chega em Mi, e está em casa. E o que você vai ver é uma execução com uma nádega Porque para mim, para juntar o Si com o Mi, Eu tenho de parar de pensar sobre cada nota ao longo do caminho e começar a pensar sobre a longa, longa linha entre Si e Mi. Você sabe, nós estávamos na África do Sul, e você não pode ir para a África do Sul sem pensar em Mandela na cadeia por 27 anos. e sobre o que ele estava pensando? Almoço? Não, ele estava pensando sobre sua visão para a África do Sul e pelos seres humanos. Isso que manteve -- isso é sobre visão; isso é sobre a longa linha. Como o pássaro que voa sobre o campo e não se importa com as cercas abaixo, tudo bem? Então agora você vai seguir a linha por todo o caminho de Si para Mi. E eu tenho um último pedido antes de tocar essa peça inteira. Você poderia pensar em alguém que adora, mas que não está mais aqui? Uma avó querida, um amor, alguém em sua vida que você ama com todo o seu coração, mas essa pessoa não está mais com você. Trazer essa pessoa em sua mente, e ao mesmo tempo seguir a linha completa de Si para Mi, e você vai escutar tudo o que Chopin tinha para dizer. ♫ Agora, vocês podem estar imaginando, vocês podem estar imaginando o porque eu estou batendo palmas. Bem, eu fiz isso em uma escola em Boston com aproximadamente 70 alunos da sétima série -- 12 anos de idade. E eu fiz exatamente o que fiz com vocês, e contei para eles e expliquei e tudo mais. E no final eles ficaram malucos, batendo palmas. Eles estavam batendo palmas. Eu estava batendo palmas. Eles estavam. Finalmente, eu disse, "porque estou batendo palmas?" e um das pequenas crianças disse, "porque nós estávamos escutando." Pense nisso. 1600 pessoas, pessoas ocupadas, envolvidas em todos os tipos de negócios. Escutando, entendendo a sendo tocadas por uma peça de Chopin. Isso é algo. Agora, eu tenho certeza que cada pessoa acompanhou, entendeu, e foi tocado por pela peça? Claro que não posso ter certeza. Mas eu vou te contar o que aconteceu comigo. Eu estava na Irlanda durante os problemas de 10 anos atrás, e eu estava trabalhando com algumas crianças católicas e protestantes na resolução do conflito. E eu fiz isso com eles. Algo arriscado para fazer, porque eles eram crianças de ruas. e uma delas veio até mim na manhã seguinte e disse, "Sabe, eu nunca escutei música clássica na minha vida, mas quando você tocou aquela peça de "shopping"." Ele disse, "Meu irmão foi morto com um tiro ano passado e eu não chorei por ele. Mas noite passada, quando você tocou aquela peça, era nele em quem eu estava pensando. e eu senti as lágrimas correndo em meu rosto. E você sabe, foi realmente bom ter chorado pelo meu irmão." Então me ocorreu naquele momento que música clássica é para todo mundo. Todo mundo. Agora, como você vai andar -- porque você sabe, minha profissão, o profissional de música não ve isso dessa maneira. Eles dizem que 3 % da população gosta de música clássica. Se pudéssemos apenas transformar em 4% nossos problemas estariam resolvidos. Eu digo, "Como você andaria? Como você falaria? Como você poderia ser se acha que 3% da população gosta de música clássica? Se pudessemos mudar para 4%. Como você andaria? Como você conversaria? Como seria se você pensasse que todos adoram música clássica -- e eles só não descobriram ainda." Vê, esses são mundos totalmente diferentes. Agora, eu tenho uma fantástica experiência. Eu tinha 45 anos, Eu tinha sido maestro por 20 anos, e de repente eu despertei. O maestro de uma orquestra não faz nenhum som. Minha foto aparece na frente do CD -- -- mas o maestro nãa faz nenhum som. Ele depende do seu poder na habilidade de fazer as outras pessoas poderosas. E isso mudou tudo para mim. Foi uma total transformação. Pessoas na minha orquestras chegavam para mim e diziam, "Ben, o que aconteceu?" Foi isso que aconteceu. Eu percebi que meu trabalho era de despertar possibilidades nas outras pessoas. E e é claro, eu queria saber se eu estava fazendo isso. E você sabe como descobrir? Você olha para os olhos deles. Se os seus olhos estão brilhando, você sabe que está fazendo seu trabalho. Você pode acender uma cidade com os olhos desse moço. Certo. Então se os olhos estão brilhando, você sabe que está conseguindo. Se os olhos não estão brilhando, você precisa se fazer uma pergunta. E essa pergunta é: Quem eu estou sendo que os olhos dos meus instrumentistas não estão brilhando? Podemos fazer isso com nossas crianças também. Quem eu estou sendo que os olhos das minhas crinças não estão brilhando? Isso é um mundo totalmente diferente. Agora, está para acabar essa semana mágica na montanha, e nós voltaremos para o mundo. E eu digo, é apropriado para nós fazermos a pergunta: O que seremos quando voltarmos para o mundo? E você sabe, eu tenho uma definição de sucesso. Para mim é muito simples. Não está relacionado a dinheiro fama e poder. Está ligado a quantos olhos brilhando eu tenho ao redor de mim. Então, agora eu tenho um último pensamento, que é que realmente faz diferença o que dizemos. As palavras que saem de nossas bocas. Eu aprendi isso de uma mulher que sobreviveu Auschwitz, uma dos raros sobreviventes. Ela foi para Auschwitz quando tinha 15 anos de idade, e seu irmão tinha oito, e os pais estava perdidos. E ela me contou isso, ela disse, "Nós estávamos no trem indo para Auschwitz e eu olhei para baixo e vi que os sapatos do meu irmão estavam faltando. e eu disse, "Porque você é tão estúpido, não pode manter as suas coisas juntas por deus?" -- da maneira que uma irmã mais velha pode falar com um irmão mais novo. Infelizmente, isso foi a última coisa que ela disse para para ele porque ela nunca mais viu ele novamente. Ele não sobreviveu. E quando ela saiu de Auschwitz, ela fez uma promessa. Ela me falou isso. Ela disse, "Eu sai de Auschwitz com vida e eu fiz uma promessa. E a promessa era: Eu nunca vou dizer nada que não possa se sustentar como a última coisa que eu diga." Agora, nós podemos fazer isso? Não - e enganamos a nós mesmos e aos outros. Mas essa é uma possibilidade que podemos viver. Obrigado Olhos brilhando, olhos brilhando. Obrigado, obrigado
pt
419
Essa é uma escultura que fiz, que é uma maneira de, tipo, libertar a forma em um objeto que tem diferentes graus de liberdade. Assim, ele pode se equilibrar em um ponto. Essa é uma bola de bronze, um braço de alumínio aqui, e então esse disco de madeira. E o disco de madeira foi realmente pensado como algo que você gostaria de se segurar, e facilmente deslizar pelas suas mãos. O alumínio porque é bem leve. O bronze é bonito e duro, material durável que pode rolar no chão. Dentro da bola de bronze há um peso mestre que balança livremente em um eixo que está sobre dois rolamentos que passa entre, através, como isso, que contrabalança seu peso. Então isso permite que ele role. E a esfera tem aquele balanço próprio que é sempre como estar parada e parecer a mesma de todas as direções. Mas se você puser algo sobre ele perde o equilíbrio e tombaria. Mas, nesse caso, como o interior balança livremente em relação à esfera, ela pode ficar de pé em um ponto. E então houve um segundo nível para esse objeto, que é -- Eu queria que isto carregasse certas proporções nas quais eu estava interessado, que é o diâmetro da Lua e o diâmetro da Terra em proporção um com o outro. Eu estava explorando, bem recentemente, querendo fazer coisas flutuar no ar. E eu tive um monte de idéias. Essa escultura que eu fiz -- levita magneticamente. O problema é que ela é ligeiramente perigosa. Normalmente ela fica isolada por um cordão em um museu. Mas é, mmm --- Vamos ver se eu consigo manipulá-la um pouco sem, mm -- opa -- Bom, isto está apenas flutuando, flutuando em um permanente campo magnético, que se estabiliza em todas as direções. Exceto que há uma débil corrente aqui, que a impede de subir acima do limite do campo. É como surfar em um campo magnético na crista de uma onda. E é isso que suporta o objeto e o mantém estável. Acho que nós podemos rolar o filme, diretor. I tenho várias coleções de vídeos que eu fiz em diferentes instalações, que eu poderia narrar. Essa é uma escultura do Sol e da Terra, em proporção. Representando que oito minutos e meio é o que leva para a luz e a gravidade conectar os dois. Então aqui está a Terra. É pouco menor que um milímetro que foi transformado em bronze sólido. E aqui está uma escultura similar. Esse é o Sol, no fim. E então, em uma série de 55 bolas, que se reduzem, proporcionalmente, cada bola e os espaços entre elas, reduz proporcionalmente, até elas chegarem a essa pequena Terra. Isso está em um parque de esculturas em Tajeon. Essa é uma sobre a Lua. E então a distância até a Terra, em proporção também. Essa é uma pequena bola de pedra, flutuando. Como você pode ver a pequena corrente, que também levita magneticamente. E essa é a primeira parte de -- essas são 109 esferas, pois o Sol tem 109 vezes o diâmetro da Terra. E então esse é o tamanho do Sol. E então cada uma dessas pequenas esferas são do tamanho da Terra em proporção com o Sol. Ela é feita de de 16 cascas concêntricas. Cada uma tem 92 esferas. Esse é o pátio de um alquimista do século 12. Eu estava pensando que o Sol é um tipo de alquimista definitivo. Então isso, novamente, tem a ver -- um corte da Terra na altura do equador. E então a Lua no centro. E está flutuando. E isso é na França. Isso está em Sapporo. Ele está balançando numa haste e uma bola, bem no centro de gravidade, ou pouco acima do centro de gravidade, que significa que a metade de baixo do objeto é um pouco mais pesada. Você pode ver isto rotacionando aqui. Isto pesa aproximadamente uma tonelada ou mais. É feito de aço inoxidável, bem duro. Mas está balançando assim em equilíbrio. É suscetível ao movimento pelas correntes de ar. Essa é uma outra espécie do trabalho que eu faço. São essas matrizes. Essas esferas estão todas suspensas. Mas tem ímãs horizontais dentro delas. que faz de todas elas, bússolas. Assim todos os lados vermelhos, por exemplo, indicam um sentido; sul. E o lado azul, o complemento, indica o outro sentido. Assim, à medida que você se vira, você vê diferentes cores. Isso é baseado na estrutura do diamante. Foi uma célula de estrutura de diamante o ponto de partida. E então havia muito espaço vazio entre os átomos. E então eu coloquei mais um elemento entre elas. Estas eram esferas brancas. Assim eu tinha projetores de vídeo que estavam projetando intermitentemente sobre as esferas. Assim elas poderiam pegar partes de imagens, e fazer um tipo de volumes coloridos em tridimensionais, à medida que você anda através disto, através do objeto. Isso é algo que eu fiz de um sistema de comunicação tátil. Foi uma ideia de isolar o componente tátil de uma escultura, e então colocá-lo dentro de um sistema de comunicação. Essa é a ideia de mover uma escultura, uma bola, que seria direcionada ao redor da sala por um computador. Esse é um relógio que eu desenhei. Ele tem um mapa de Buckminster Fuller´s Dymaxion editado, nele. Ele se vira uma vez por dia em sincronia com a Terra. E então, esses são projetos que são mais difíceis de construir. Isso tinha um lago de "fundo de diamante". Então isto é uma ilha flutuante com água, água fresca, que pode voar de lugar a lugar. Isso se desenvolveria, eu suponho, com nanotecnologia no futuro, algum dia. No decurso de meu trabalho Eu tenho uma larga gama de interesses. E alguns deles são apenas ideias de criar mídia -- mídia como escultura, algo que mantivesse a escultura fresca e sempre mutante, apenas criando a mídia da qual a escultura é feita. E eu tive um monte de ideias -- sempre interessado no conceito de uma bola de cristal. E a ideia de que você poderia ver coisas dentro de uma bola de cristal e predizer o futuro -- ou um televisor, que é como uma caixa mágica onde tudo pode aparecer. Eu pensei, há muito tempo, nos anos 60, quando eu estava apenas começando, Que eu estava sob a influência de pensar no grande projeto de Buckminster Fuller para um globo elétrico através as Nações Unidas -- e outras coisas que estavam acontecendo, o programa espacial na época, e o "Catálogo do Mundo Todo", coisas como essas. Eu estava pensando sobre produção em massa de televisores esféricos que estariam conectados a cameras satélites orbitais. Então, se pudermos rolar o próximo filme aqui. Isso evoluiu durante os anos em muitas e diferentes iterações. Mas esta, a versão atual, é uma nave voadora que tem por volta de 35 metros de diâmetro, quase 110 pés de diâmetro. Toda superfície é coberta com 60 milhões de diodos, vermelho, azul e verde, que permite termos uma imagem de alta resolução, visível à luz do dia. Eu fiz um plano. Eu o levei para a companhia AeroVironment de Paul MacCready. para fazer um estudo de viabilidade, e então analisá-lo e surgiram um monte de ideias inovativas de como propelí-lo Agora nós temos um plano físico de como fazer a coisa acontecer. Essa é a sala de controle dentro da nave. A ideia de um gênio do ar, é algo que pode se transformar e tornar-se qualquer coisa. É como um show viajante. Ele tem auto falantes. E ele tem câmeras sobre a sua superfície. Assim ele pode ver seu ambiente, e então imitá-lo e desaparecer. Aqui as pernas estão sendo retraídas. A cabine fica aberta ou fechada, como você quiser. Ele pesa em torno de 20 toneladas. Ele tem geradores "on-board". Que podem gerar em torno de 1 milhão de quilowatts, de modo a se tornar brilhante o suficiente para ser visível à luz do dia. A ideia disto é fazer um tipo de show viajante. Ele realmente seria dedicado às artes e à interação. Ficariam à bordo uma equipe de artistas, músicos. Que permitiriam a coisa se tornar na verdade uma espécie de objeto consciente que responderia ao momento, e agiria como uma entidade que está consciente, que poderia se comunicar. Ela é completamente silenciosa e não poluente. Ela tem motores elétricos com um novo sistema de propulsão. Ele poderia interagir com grandes multidões de modos diferentes. "A priori" eu estava interessado em como interagir com, digamos, ir a um campus da faculdade, e então usá-la como uma diferente maneira de falar sobre as ciências da Terra, sobre o mundo, sobre a situação do globo. A imagem padrão do objeto, provavelmente seria uma imagem da Terra em alta resolução. Mas alguém poderia interagir com ela, e mostrar placas tectônicas ou questões sobre aquecimento global, ou migrações -- todas as coisas que nos preocupam hoje. E então, à noite, a idéia seria usá-la em festas rave, onde as pessoas poderiam se perder, na música, nas luzes e tudo mais. Ela poderia pousar em um parque, por exemplo. Ou ela poderia representar uma "faculdade verde". E então ela teria um "website" correspondente que mostraria seu itinerário E assim, interagindo com o mesmo tipo de imaginário. Ela poderia também ter um "código aberto", assim as pessoas poderiam interagir com ela. Ela teria um fórum para as pessoas discutirem o que elas gostariam de ver em uma tela gigante desse tipo. É mais ou menos isso. Certo. Obrigado.
pt
420
Preciso fazer uma confissão para vocês. Um pouco mais de 20 anos atrás Fiz algo de que me arrependo, algo que não estou particularmente orgulhoso, algo que, de muitas formas, gostaria que ninguém soubesse, mas me sinto obrigado a revelar. No final da década de 1980, em um momento de indiscrição juvenil, entrei para uma faculdade de Direito. Agora, na América direito é um diploma profissional. Você pega o seu diploma universitário. E vai para para faculdade de direito. E quando cheguei na faculdade de direito, Não me saí bem. Para amenizar, não fui muito bem. Eu, na verdade, formei na parte da faculdade de direito que fez os top 90 por cento possível. Obrigado. Nunca advoguei um dia na minha vida. Na verdade nunca me foi permitido. Mas hoje, contra meu bom senso, contra o conselho de minha própria esposa, quero tentar tirar a poeira de algumas dessas habilidades jurídicas, ou o que sobrou delas. Não quero lhes contar um história. Quero apresentar um caso. Quero apresentar um caso envolvente, prático e baseado em evidências, ouso dizer um caso legal, por repensar como conduzimos nossos negócios. Então, senhoras e senhores do júri, olhem isso. Isso é chamado de o problema da vela. Alguns de vocês podem ter visto isso antes. Foi criado em 1945 por um psicólogo chamado Karl Dunker. Karl Duncher criou esse experimento que é usado em uma enorme variedade de experimentos na ciência comportamental. E funciona assim. Suponha que eu seja o experimentador. Te levo para uma sala. Te dou uma vela, algumas tachinhas e alguns fósforos. E te digo,"Seu trabalho é prender a vela na parede para que a cera não pingue na mesa." E agora o que você faz? Agora muitas pessoas começam a tentar usar as tachinhas para prender a vela na parede. Não funciona. Alguém, alguma pessoas, e vi alguém tentando fazer o movimento por aqui. Algumas pessoas têm a ótima ideia e acendem um fósforo, derretem o lado da vela e tentam aderi-la na parede. É uma excelente ideia. Não funciona. E eventualmente, após cinco ou 10 minutos, A maior parte das pessoas resolvem o problema, Que você pode ver aqui. A chave para superar o que é chamado de funcionalidade fixa. Você vê a caixa somente como um compartimento para as tachinhas. Mas ela também pode ter outra função, como uma plataforma para a vela. O problema da vela. Agora quero lhes contar sobre um experimento usando o problema da vela, feito por um cientista chamado Sam Glucksberg, que está agora na Universidade de Princeton nos Estados Unidos. Isto mostra o poder dos incentivos. Aqui está o que ele fez. Ele juntou participantes. E disse, "Vou cronometrá-los. Quão rápido resolvem esse problema?" Para um grupo ele disse, vou cronometrá-los para estabelecer normas, médias de quanto tempo leva normalmente para alguém resolver esse problema. Para o segundo grupo ele ofereceu recompensas. Ele disse, "Se estiverem entre os 25 por cento mais rápidos ganharão cinco dólares. Se for o mais rápido de todos que estamos testando hoje ganha 20 dólares." Agora isso aconteceu alguns anos atrás, ajuste a inflação. É uma quantia decente de dinheiro por alguns minutos de trabalho. É um bom motivador. Pergunta: Quão mais rápido este grupo resolveu o problema? Resposta: Eles demoraram na média, três minutos e meio mais. Três minutos e meio mais. Agora isso não faz sentido, certo? Quero dizer, sou Americano. Acredito no livre mercado. Não era para funcionar assim. Certo? Se quiser que as pessoas se saiam melhor, você as recompensa. Certo? Bônus, comissões, o próprio reality show. Incentive-os. É assim que os negócios funcionam. Mas isso não está acontecendo aqui. Você tem um incentivo feito para afiar o pensamento e acelerar a criatividade. E ele faz justamente o oposto. Ele cega o pensamento e bloqueia a criatividade. E o que é interessante sobre esse experimento é que não é uma aberração. Já foi reproduzido várias e várias e várias vezes, por quase 40 anos. Esses contingentes motivadores, se fizer isso, receberá aquilo, funcionam em algumas circustâncias. Mas para muitas tarefas, eles realmente não funcionam ou, frequentemente, eles prejudicam. Essa é uma das descobertas mais robustas em ciência social. E também uma das mais ignoradas. Passei os últimos dois anos estudando essa ciência da motivação humana. Particularmente a dinâmica dos motivadores extrínsicos e motivadores intrísicos. E te digo, não está nem perto. Se olhar para a ciência, há um desencontro entre o que a ciência sabe e o que fazemos nos negócios. E o que é alarmante é que nosso sistema operacional de negócios -- pense no conjunto de suposições e protocolos por baixo de nossos negócios, como motivamos pessoas, como usamos nossos recursos humanos -- foi construido completamente sobre estes motivadores extrínsicos, sobre bater e assoprar. Isto funciona bem para muitos tipos de atividades no século 20. Mas para tarefas no século 21, aquela mecanicista abordagem da recompensa e punição não funciona, frequentemente não funciona, e geralmente causa danos. Deixe-me mostrar o que quero dizer. Glucksberg fez outro experimento semelhante a esse onde ele apresentou o problema de uma forma ligeiramente differente, como isso aqui. Ok? Prender a vela na parede para que a cera não caia sobre a mesa. Mesma coisa. Você: Estamos cronometrando para normas. Você: Estamos incentivando. O que aconteceu dessa vez? Dessa vez, o grupo incentivado deu uma surra no outro grupo. Por que? Porque quando as tachinhas estão fora da caixa é bem fácil não é? Se-então recompensas funcionam bem para esses tipos de tarefas, onde há um grupo simples de regras e um objetivo claro para alcançar. Recompensas, por natureza, estreita nosso foco, concentra a mente. Por isso funciona em tantos casos. E então, para tarefas assim, um foco estreito, onde você enxerga somente o objetivo a sua frente, e faz um zoom em sua direção, funcionam muito bem. Mas para o problema da vela você não quer ficar olhando dessa forma. A solução não está lá. A solução está na visão periférica. Você precisa olhar em volta. Aquela recompensa na verdade estreita seu foco e restringe nossas possibilidades. Deixe me lhe dizer porque isso é tão importante. Na Europa ocidental. em muitas partes da Ásia, na América do Norte, na Austrália, trabalhadores especializados estão fazendo menos desse tipo de trabalho, e mais deste tipo de trabalho. Aquela rotina, baseada em regras, trabalho do lado esquerdo do cérebro, certos tipos de contabilidade, certos tipos de análises finaceiras certos tipos de programação de computadores, têm se tornado muito fácil de tercerizar, bem fácil de automatizar. Software pode fazer isso mais rápido. Provedores com baixo custo pelo mundo podem oferecer mais barato. Então o que realmente interessa são os cérebros-direitos criativos, habilidades do tipo conceituais. Pense sobre seu própio trabalho. Pense sobre seu própio trabalho. Os problemas que você encara, ou até mesmo os problemas que estamos falando aqui, estes tipos de problemas -- eles têm regras claras, e uma única solução? Não. As regras são misteriosas. A solução, se existir para começar, é surpreendente e nada óbvia. Todos nessa sala estão lidando com sua própia versão do problema da vela. E para problemas da vela de todos os tipos, em qualquer área, aquelas se-então recompensas, as coisas nas quais construimos nossos negócios em volta, não funcionam. Agora, isso me deixa louco. E isto não é -- a coisa é o seguinte. Isso não é um sentimento. Ok? Sou um advogado. Não acredito em sentimentos. Isso não é filosofia. Sou Americano. Não acredito em filosofia. Isso é fato. ou, como dizemos em minha terra natal Washington D. C, um fato verdadeiro. Deixe-me dar um exemplo do que quero dizer. Deixe me defender a evidência aqui. Porque não estou lhes contando uma história. Estou apresentando um caso. Senhoras e senhores do júri, algumas evidências: Dan Ariely, um dos maiores economistas de nossos tempos, ele e três colegas fizeram um estudo com alunos do MIT. Eles deram para os alunos do MIT um monte de jogos. Jogos que envolviam criatividade, habilidades motora e concentração. E eles ofereceram aos alunos, por performance, três níveis de recompensas. pequena recompensa, média recompensa e grande recompensa. Ok? Se você se sair muito bem ganha a grande recompensa e assim por diante. O que aconteceu? Enquanto as tarefas envolviam somente habilidades mecânicas bônus funcionaram como esperado: quanto maior o pagamento, melhor a performance. Ok? Mas uma tarefa pedia por uma habilidade cognitiva até rudimentar, uma recompensa maior os levou para uma performace mais fraca. E eles disseram, "Vamos ver se existe um elemento cultural aqui. Vamos para Madurai, Índia testar isso," Padrão de vida é mais baixo. Em Madurai, uma recompensa que é modesta nos padrões Norte Americanos, é mais significativa lá. Mesma coisa. Montes de jogos, três níveis de recompensas. O que aconteceu? Pessoas a quem se ofereceu recompensas de nível médio não se sairam melhor que as que foram oferecidas pequenas recompensas. Mas dessa vez, as pessoas que foram oferecidas as maiores recompensas, tiveram os piores resultados. Em oito das nove tarefas que examinamos através dos três experimentos, incentivos mais altos levaram a resultados piores. É algum tipo de frescura conspiração socialista acontecendo aqui? Não. Eles são economistas do MIT, da Carnegie Mellon, da Universidade de Chicago. E sabe quem finaciou essa pesquisa? O Banco Central dos Estados Unidos. Essa é a experiência Americana. Vamos até a Faculdade de Economia de Londres. LSE, Faculdade de Economia de Londres. Alma mater de 11 laureados do prêmio Nobel em Economia Local de treinamento para grandes pensadores em economia como George Soros, e Friedrich Hayek, e Mick Jagger. Mês passado, somente mês passado, economistas da LSE olharam 51 estudos de planos que pagam por performance, dentro das companhias. Aqui está o que os economistas de lá falaram,"Nós achamos que incentivos finaceiros podem resultar em um impacto negativo na performance como um todo." Há um desencontro entre o que a ciência sabe e o que negócios fazem. E o que me preocupa, enquanto ficamos de pé aqui nos destroços do colapso econômico, é que muitas organizações estão tomando suas decisões, suas políticas sobre talento e pessoas, baseado em suposições desatualizadas, sem verificação, e baseadas mais em folclore que em ciência. E se realmente queremos sair dessa bagunça econômica, e se realmente queremos alta performance naquelas tarefas definitivas do século 21, a solução não é fazer mais das coisas erradas. Atiçar as pessoas com recompensas melhores, ou ameaçá-las com punições mais severas. Precisamos de uma abordagem nova. E a boa notícia sobre isso é que os cientistas que têm estudado motivação nos deram uma nova abordagem. É uma forma construida mais em torno da motivação intrínseca. Em torno de uma vontade de fazer as coisas porque elas importam, porque nós gostamos, porque elas são interessantes, porque são parte de algo importante. E em minha mente, aquele novo sistema operacional para nossos negócios gira em torno de três elementos: autonomia, domínio e propósito. Autonomia, o desejo de direcionar nossas própias vidas. Domínio, o desejo de melhorar cada vez mais fazendo algo que importa. Propósito, o desejo de fazer o que fazemos para que sirva a algo maior que nós mesmos. Estas são as peças para um sistema operacional completamente novo para nossos negócios. Quero falar hoje apenas sobre autonomia. O século 20 chegou com essa ideia de gerenciamento. Gerenciamento não emanou da natureza. Gerenciamento é como -- não é uma árvore. É como uma tv. Ok? Alguém o inventou. E não significa que vai funcionar para sempre. Gerenciamento é ótimo. Noções tradicionais de gerenciamento são ótimas Se quiser conformidade. Mas se quiser engajamento, auto-direcionamento funciona melhor. Deixe-me dar alguns exemplos um pouco radicais de noções de auto-direção. O que isso significa -- não se vê muito disso, mas você vê o início de algo bem interessante acontecendo. Porque o que significa é pagar as pessoas adequadamente e de uma forma justa, absolutamente. Tirando a questão do dinheiro da frente. E então dando muita autonomia para as pessoas. Deixe-me dar alguns exemplos. Quantos de vocês ouviram falar da companhia Atlassian? Parece que menos da metade. Atlassian é uma firma Australiana de software. E ele fazem algo incrivelmente bacana. Algumas vezes ao ano eles dizem para seus engenheiros, "Vá e trabalhe nas próximas 24 horas em qualquer coisa que quiser, contanto que não seja em algo que é parte de seu trabalho regular. Trabalhe em qualquer coisa que quiser." Assim os engenheiros usam esse tempo para pensarem em uma forma legal de códigos, inventam uma estante elegante. Depois eles apresentam tudo que desenvolveram para seus colegas e para o resto da companhia, nessa atmosfera vigorosa todas as mãos se encontram ao final do dia. E então, sendo Australinos, todos tomam cerveja. Eles chamam de Dias FedEx. Por que? Porque têm de entregar algo de um dia para outro. É lindo. Nada mal. É uma grande violação de marca. Mas é muito inteligente. Esse um dia de intensa autonomia produziu uma gama de soluções para software que talvez nunca existissem. E funciona tão bem que Atlassian levou a idéia para um próximo nível para 20% do tempo. Feito, conhecidamente, na Google. Onde engenheiros podem trabalhar 20% de seu tempo trabalhando no que quiserem. Eles têm autonomia sobre seu próprio tempo, suas tarefas, seus times, suas técnicas. Ok? Quantidades radicais de autonomia, E na Google, como muitos sabem, cerca da metade de seus produtos em um ano típico nasceram durante os 20% do tempo. Coisas como Gmail, Orkut, Google News. Deixe-me dar um exemplo ainda mais radical. Algo chamado "Somente Resultados no Ambiente de Trabalho". O ROWE. Criado por duas consultoras Americanas, em operação em cerca de uma dúzia de companhias pela América do Norte. Em ROWE as pessoas não têm horários. Chegam quando querem. Eles não têm de estar no escritório em um horário específico ou a qualquer hora. Eles têm que simplesmente fazer o trabalho. Como fazem isso, quando fazem, onde fazem é escolha deles. Reuniões em ambientes desse tipo são opcionais. O que acontece? Quase que no geral, a produtividade cresce. o engajamento dos trabalhadores cresce, sua satisfação cresce, a rotatividade de empregados cai. Autonomia, domínio e propósito, Essas são as peças de uma nova forma de se fazer as coisas. Agora alguns de vocês podem olhar e dizer, "Hmm, isso soa bem. Mas é utópico." E eu digo, "Não. Eu tenho a prova." Em meados dos anos 90, a Microsoft iniciou uma enciclopédia chamada Encarta. Eles deram todos os incentivos corretos. Todos os incentivos corretos. Pagaram profissionais para escreverem e editarem milhares de artigos. Bem pagos gerentes supervisavam a coisa toda para terem certeza que tudo acontecia de acordo com o orçamento e tempo. Alguns anos mais tarde uma outra enciclopéida começava. Modelo diferente, certo? Faça por diversão. Ninguém recebe um centavo, ou Euro ou Yen. Faça porque você gosta de fazer. Agora se fosse, somente 10 anos atrás, se você encontrasse um economista, em qualquer lugar, E disesse, "Oi, tenho dois modelos para criar enciclopédias. Se apostassem cabeça a cabeça, quem ganharia?" 10 anos atrás você não conseguiria achar um único economista sóbrio em lugar algum no planeta Terra, que previsse o modelo da Wikipédia. É uma batalha titânica entre esses dois modelos. É o Ali-Frazier da motivação. Certo? Isso é a batalha final, o Thrilla' in Manila. Tudo bem? Motivadores intrínsecos versus motivadores extrínsecos. Autonomia, domínio e propósito, Versus recompensa e castigo. E quem ganha? Motivação intrínseca, autonomia, domínio e propósito, por knockout. Deixe-me terminar. Há um desencontro entre o que a ciência sabe e o que os negócios fazem. E aqui está o que a ciência sabe. Um: Aquelas recompensas do século 20, aquele motivadores que pensamos ser parte natural dos negócios, funcionam, mas somente em uma faixa surpreendentemente estreita de circunstâncias. Dois: Esse tipo de recompensa frequentemente destrói a criatividade. Três: O segredo para alta performance não é recompensas e punições, mas aquele desejo invísivel intrínseco. O desejo de fazer as coisas por si. O desejo de fazer as coisas que importam. E aqui está a melhor parte. Aqui está a melhor parte. Já sabemos disso. A ciência confirma o que sabemos em nossos corações. Então, se repararmos esse desencontro entre o que a ciência sabe e o que os negócios fazem, se nós trouxermos nossa motivação, noções de motivação para o século 21, se passarmos essa preguiçosa, perigosa, ideologia de recompensas e punições, podemos fortalecer nossos negócios, Podemos resolver muitos problemas da vela, e tavez, talvez, talvez possamos mudar o mundo. Encerro meu caso.
pt
421
O momento mágico, o momento mágico de reger. Que é. Você sobe em um palco, tem uma orquestra sentada. Eles estão fazendo aquelas coisas, esquentando, afinando. E eu subo no púlpito. Que é o pequeno escritório do maestro. ou melhor, um cubículo, um cubículo aberto, com um monte de espaço. E na frente de todo aquele barulho, você faz um pequeno gesto. alguma coisa assim, não muito pomposa ou sofisticada, só isso. E, de repente, do caos - ordem. Barulho vira música. E isso é fantástico. E é tão tentador pensar que tudo é culpa minha. Todos aqueles grandes músicos, virtuosos, só sabem fazer barulho, e precisam de mim para tocar. Não é verdade. Porque se fosse, Eu ia poupar vocês desse papo, e ensinar esse gesto. Daí você poderia sair pelo mundo e fazer esse negócio em qualquer empresa, ou onde você quiser e ia ter perfeita harmonia. Não funciona. Vamos ver o primeiro video. Espero que vocês percebam que é um bom exemplo de harmonia. E depois eu falo um pouco sobre de onde ela vem. ♪ Música ♪ Não é bonito? Então isso foi um certo sucesso. Agora, a quem devemos agradecer por esse sucesso? Quer dizer, obviamente aos músicos da orquestra tocando maravilhosamente, É a Filarmônica de Viena. Eles, em geral, nem olham para o maestro. E aí você tem esse público batendo palmas, realmente contribuindo com a música. Vocês sabem, em geral o público vienense não interfere na música. Isso aqui é o mais próximo de um festival de dança do ventre que você pode ter em Viena. Diferente de, por exemplo, Israel, onde a platéia tosse o tempo todo. Arthur Rubinstein, o pianista, dizia que "No mundo todo, as pessoas, quando ficam resfriadas, vão ao médico. Em Tel Aviv, elas vêm ao meu concerto. Então é uma espécie de tradição. Mas a plateia vienense não faz isso. Aqui eles simplesmente saem do normal só para tomar parte, para se tornar parte da orquestra, e isso é ótimo. Sabem, platéias como vocês é que fazem o evento. Mas e quanto ao maestro? O que podemos dizer que o maestro estava fazendo, de verdade? Hmmm. Ele estava feliz. E eu sempre mostro isso para a alta gerência e as pessoas se irritam. "Você vem trabalhar. Como você está tão feliz?" Algo deve estar errado, não? Mas sim, ele está espalhando felicidade. E eu acho que a felicidade, o mais importante é que essa felicidade não vem apenas da sua própria história e do seu amor pela música. A alegria é trazer à tona as histórias dos outros para serem ouvidas ao mesmo tempo. Você tem a história da orquestra, como instituição. Você tem a história do público como uma comunidade, não? Você tem as histórias das pessoas na orquestra e no público. E você tem outras histórias, ocultas. De pessoas que construíram essa sala de concertos linda. De pessoas que fizeram aqueles Stradivarius, Amati, todos aqueles instrumentos bonitos. E todas aquelas hitórias estão sendo ouvidas ao mesmo tempo. Essa é a real experiência de um concerto ao vivo. Esse é um motivo para sair de casa, não? E nem todos os maestros fazem isso. Vamos ver outra pessoa, um ótimo maestro, Riccardo Muti, por favor. ♪ Música ♪ É, esse foi bem curto. Mas vocês viram que é uma figura completamente diferente, não? Ele é incrível. Está no comando, não? Tão claro. Talvez até claro demais. Vamos fazer uma demonstração? Vocês podem ser minha orquestra, rapidinho? Vocês podem cantar, por favor, a primeira nota de Don Giovanni? Vocês cantam "Aaaaaaah" e eu digo quando parar. Ok? Prontos? Platéia: ♫ Aaaaaaah. ♫ Pera aí, comigo. Se vocês fizerem sem mim eu vou me sentir mais redundante ainda. Então, por favor, esperem pelo maestro. Agora olhem aqui. "Aaaaaah" e eu digo para parar. Vamos. Platéia: ♫ Aaaaaaah. ♫ Bom, a gente vai ter uma conversa depois. Mas. Olha acho que abriu uma vaga para. Mas -- -- Vocês viram que se pode parar uma orquestra com um dedo. Agora, como faz o Riccardo Muti? Alguma coisa assim. E depois só falta. Então, não é só a instrução que é clara, mas a sanção também, o que acontece se vocês não me obedecerem. E funciona? Sim, funciona -- até certo ponto. Quando perguntam a ele, "Por que você rege assim?" Ele diz, "Eu sou o responsável." Responsável perante a ele. Não, ele não quis dizer ELE. Ele quis dizer o Mozart, que está -- -- tipo, a três cadeiras da central. Então ele diz, "Se eu -- Aplausos Se eu sou o responsável pelo Mozart, essa vai ser a única história que será contada. Será Mozart, como eu, Riccardo Muti, o compreende." E vocês sabem o que aconteceu com o Muti? Há três anos, ele recebeu uma carta assinada por todos os 700 funcionários da La Scala quero dizer, os músicos, dizendo, "Você é um ótimo maestro. Não queremos trabalhar com você. Por favor, demita-se." "Por quê? Porque você não nos deixa desenvolver. Você está nos usando como instrumentos, não como parceiros. E nossa alegria vem da música, etc, etc." E ele teve que se demitir. Ótimo, não? Ele é um cara legal. Ele é muito legal. Bom, você pode reger com menos controle, ou com um tipo de controle diferente? Vamos ver o próximo maestro, Richard Strauss. ♪ Música ♪ Vocês devem estar achando que eu o escolhi porque ele é velho. Não é verdade. Quando ele era jovem, aos 30, ele escreveu o que ele chamou de "Os Dez Mandamentos para Maestros" O prieiro era: Se você está suando no final do concerto você deve ter feito alguma coisa errada. Esse é o primeiro, mas acho que vocês vão gostar mais do quarto. Ele diz: Nunca olhe para os trombones -- isso só os encoraja. Então a idéia toda é realmente deixar acontecer. Não intervir. Mas como fazer isso? Vocês viram ele virando as páginas da partitura? Bom, ou ele está senil, e não se lembra da sua própria música - porque ele escreveu a música - ou ele está dando uma mensagem muito clara para os músicos, dizendo: "Pessoal, vocês devem tocar o que está escrito. Então não é sobre a minha história, nem a sua. É apenas a execução da música escrita, sem interpretações." Interpretação é a história do instrumentista. E ele não quer isso. É um tipo diferente de autoridade. Vamos ver outro super-regente, Um super-regente alemão, Herbert von Karajan, por favor. ♪ Música ♪ Qual a diferença? Vocês viram os olhos? Fechados. Vocês viram as mãos? Vocês viram esse tipo de movimento? Deixe eu reger vocês. Duas vezes. Uma como o Muti, e vocês vão -- -- só uma vez. E depois como Karajan. Vamos ver o que acontece, ok? Como Muti. Prontos? Porque o Muti. Ok? Prontos? Vamos lá. Público: Itay Talgam: Hmm. de novo. Público: Itay Talgam: Bom. Agora como Karajan. Já que vocês já estão treinados. Deixe-me concentrar, fechar os olhos. Vamos, vamos. Público: Itay Talgam: Porque não juntos? Porque vocês não sabiam quando tocar. Agora, eu posso dizer, nem a Filarmônica de Berlim sabe quando tocar. Mas vou contar como eles fazem. Sem cinismo. Essa é uma orquestra alemã, não? Eles olham para Karajan. E então olham uns para os outros. "Vocês entendem o que esse cara está querendo?" E depois de fazer isso, eles realmente olham uns pros outros, e os primeiros músicos da orquestra lideram todo o grupo para tocarem juntos. E quando perguntam para o Karajan a esse respeito ele diz, "Sim, a pior coisa que eu posso fazer com minha orquestra é dar um comando claro. Porque isso iria evitar que o conjunto se ouça e isso é essencial numa orquestra." Agora isso é lindo. E os olhos? Porque os olhos estão fechados? Tem uma história linda sobre o Karajan regendo em Londres. e ele sinaliza para um flautista assim. E o cara não tem idéia do que fazer. Maestro, com todo respeito, quando eu devo começar?" O que vocês acham que ele respondeu? Quando eu devo começar? Ah, sim. Ele disse, "Quando você não estiver mais aguentando." Quer dizer, você não tem autoridade para mudar nada. A música é minha. A música real só existe na cabeça do Karajan. E você vai ter que adivinhar como ela é. Então é uma pressão tremenda porque eu não dou instruções, e, ainda assim, você tem que acertar. Então é um controle diferente, bem espiritual, mas bem rígido. Podemos fazer isso de outro jeito? Claro que sim. Voltemos para o primeiro maestro que nós vimos: Seu nome, Carlos Kleiber. Próximo vídeo por favor. ♪ Música ♪ Sim. Bem, é diferente. Mas ele não está no controle da mesma maneira? Não, não está. Porque ele não está dizendo a eles o que fazer. Quando ele faz isso, não significa, "Pegue seu Stradivarius e, como Jimi Hendrix, quebre-o no chão." Não é isso. Ele diz, "Este é o gesto da música. Estou abrindo um espaço para você fazer um outro modo de interpretação." Esta é outra história. Mas como isso funciona se ele não lhes dá instruções? É como estar uma montanha russa. Não? Você não recebe nenhuma instrução. Mas as forças desse processo por si só mantém você no caminho. Isso é o que ele faz. O interessante é que a montanha russa não existe de fato. Não é algo material. Está na cabeça dos músicos. E isso é o que transforma-os em parceiros. Você tem o plano na sua cabeça. Você sabe o que fazer, mesmo que Kleiber não esteja lhe conduzindo. Você sabe o que fazer. E você se torna um parceiro construindo a montanha russa, sim, com som, como se você de fato pegasse uma carona. Isso é muito emocionante para aqueles músicos. Eles realmente precisam ir para um sanatório por duas semanas, depois. Isso é realmente cansativo. Não é? Mas é a melhor música que se faz. Claro que isso não é uma questão apenas de motivação e oferecer a eles muita energia. Você também precisa ser muito profissional. E olhe novamente para isso, Kleiber. Podemos ver o próximo vídeo, rápido? Vocês verão o que acontece quando há um erro. ♪ Música ♪ Novamente vocês vêem a linda linguagem corporal. ♪ Música ♪ E agora há um trompetista que faz alguma coisa não exatamente do modo que deveria ser feito. Siga o vídeo. Veja. Viram? Pela segunda vez para o mesmo músico. E agora, pela terceira vez para o mesmo músico. "Espere por mim depois do concerto. Eu tenho um pequeno aviso para você." Percebem? Quando é necessária, a autoridade está lá. Isto é muito importante. Mas autoridade não é suficiente para transformar pessoas em parceiros. Vejamos o próximo vídeo, por favor. Veja o que acontece aqui. Vocês devem ter ficado surpresos vendo Kleiber como uma pessoa tão hiperativa. Eles está regendo Mozart. ♪ Música ♪ Toda a orquestra está tocando. ♪ Música ♪ Agora algo diferente. ♪ Música ♪ Viram? Ele está lá 100%, mas não está mandando, não está dizendo o que fazer. E sim desfrutando o que o solista está fazendo. ♪ Música ♪ Outro solo agora. Vejam o que vocês conseguem pegar, ♪ Música ♪ Vejam os olhos. Ok. Vocês viram aquilo? Primeiro de tudo, é um tipo de elogio que todos nós gostamos de receber. Não é feedback. É um "Hmmm." Sim, isso vem daqui. Então é algo bom. E o segundo ponto é sobre estar verdadeiramente no controle, mas de um modo bem especial. Quando Kleiber faz. vocês viram os olhos, saindo daqui? Vocês sabem o que acontece? A gravidade deixa de existir. Kleiber não cria somente o processo, mas cria também as condições no mundo no qual este processo acontece. Então novamente, o tocador de oboé é completemante autônomo. e portanto feliz e orgulhoso do seu trabalho, e criativo e tudo o mais. E a posição na qual Kleiber está no controle é uma posição diferente. Então controle não é um jogo de soma zero. Você tem esse controle. Você tem controle. E ao juntar tudo isso, numa parceria, você consegue a melhor música. Então Kleiber diz respeito a processo. Kleiber diz respeito a condições no mundo. Mas você precisa ter processo e conteúdo para criar significado. Lenny Bernstein, meu maestro pessoal já que ele era um grande professor, Lenny Bernstein sempre começava pelo significado. Vejam isso por favor. ♪ Música ♪ Vocês se lembram da face de Muti, no começo? Bem, ele tinha uma expressão maravilhosa, mas só uma. Vocês viram a face de Lenny? Vocês sabem por quê? Porque o significado da música é dor. E você está tocando um som doloroso. E você olha para Lenny e ele está sofrendo. Mas não de um modo que você queira parar. É um sofrimento do tipo. como se estivesse desfrutando num modo judio, como eles dizem. Mas você consegue ver a música no seu rosto. Você consegue ver que a batuta é deixada de lado. Ele a abandona. Agora é a sua vez, músico, de contar a história. Agora o sentido é inverso. Você está contando a história. E você está contando a história. E mesmo que breve, você torna-se o contador da história ao qual as pessoas, todas as pessoas, estão escutando. E Bernstein permite isso. Não é maravilhoso? Agora, se você estiver fazendo tudo isso de que nós falamos, de forma conjunta, e talvez ainda outras mais, você pode chegar a esta maravilhosa situação de fazer sem fazer. E para o último vídeo, eu penso esse ser simplesmente o melhor título. Meu amigo Peter diz, "Se você ama alguma coisa, deixe-a ir." Então, por favor, ♪ Música ♪
pt
422
Como cultura, nós contamos muitas histórias sobre o futuro, e para onde podemos seguir a partir deste ponto. Algumas dessas histórias dizem que alguém vai resolver tudo por nós. Outras histórias dizem que tudo está a ponto de dar errado. Mas eu quero contar uma história diferente hoje. Como todas histórias, ela tem um começo. Meu trabalho, por muito tempo, envolve educação, ensinando a pessoas habilidades práticas para sustentabilidade, ensinando pessoas a serem responsáveis por plantarem parte do que comem, como construir prédios usando materiais locais, como gerar sua própria energia, etc. Eu morei na Irlanda, construí as primeiras casas de fardos de feno no país e algumas casas de adobe e esse tipo de coisa. Mas meu trabalho por muitos anos foi focado na ideia que sustentabilidade basicamente significa olhar para o modelo de crescimento econômico globalizado, e moderar o que entra em uma das pontas, e moderar os resultados da outra ponta. E então eu descobri um jeito de olhar para as coisas que realmente mudou tudo profundamente. E para mostrá-los este modelo, eu tenho algo aqui que vou revelar, que é uma das grandes maravilhas da era moderna. E é algo tão espantoso e surpreendente que talvez enquanto eu removo o pano um suspiro de assombro seria apropriado. Se vocês podessem me ajudar com isso seria fantástico. Isto é um litro de óleo. Esta garrafa de óleo, destilada por centenas de milhões de anos geológicos, luz do Sol antiga, contém a energia do equivalente a cinco semanas de trabalho manual pesado -- equivalente a 35 pessoas fortes trabalhando para você. Podemos transformar isso em uma impressionante variedade de materiais, remédios, vestuário moderno, laptops, uma variedade de coisas. E nos dá um retorno de energia jamais imaginado. Nós baseamos o desenho de nossas cidades, nossos modelos econômicos, planos de transporte, até a ideia de crescimento econômico, alguns diriam, na crença de que teremos isto para sempre. Porém, temos que dar um passo para trás e olhar no curso da história para o que chamamos de intervalo do petróleo, é um curto período na história onde descobrimos este material extraordinário, e então construímos uma forma de viver em função dele. Mas ao ocuparmos o topo desta montanha de energia, neste estágio, nós partimos de um ponto onde nosso sucesso econômico, nosso senso de valor e bem-estar individual está diretamente ligado ao quanto disto consumimos, para o ponto onde o grau de nossa dependência do óleo é nosso grau de vulnerabilidade. E é cada vez mais claro que nós não vamos poder confiar no fato de que nós teremos isto ao nosso dispor para sempre. Para cada quatro barris de óleo que consumimos nós só descobrimos um. E o número continua a crescer. E há também o fato de que a quantidade de energia que recuperamos do óleo que descobrimos está caindo. Na década de 1930, conseguíamos 100 unidades de energia para cada unidade investida na extração. Algo sem precedentes. Esta relação já caiu para 11 unidades. E é por isso que, agora, os novos avanços, as novas fronteiras em termos de extração de óleo estão crescendo em Alberta, ou no fundo dos oceanos. Existem 98 nações que produzem óleo no mundo. Mas destas, 65 já ultrapassaram seu pico. No momento que o mundo em média ultrapassar este pico, as pessoas se perguntam quando isso irá acontecer. E existe uma crescente impressão de que talvez seja o que aconteceu julho passado quando o preço do óleo estava tão alto. Mas será que o mesmo brilhantismo e criatividade e adaptabilidade que nos levou ao topo da montanha de energia irá de alguma forma misteriosamente evaporar quando tivermos que desenvolver uma maneira criativa para descer para o outro lado? Não. Mas o que temos que inventar tem que se basear numa avaliação realista de onde estamos. Há também a questão das mudanças climáticas, que é outro fato que sustenta essa abordagem de transição. Mas o que eu noto quando falo com cientistas do clima, é o crescente olhar de pavor que eles têm em seus olhos, à medida que os dados são computados, que estão muito além do que o IPCC vem falando. O IPCC disse que poderemos ver uma quebra significativa do gelo ártico em 2100, na pior das hipóteses. Na verdade, se as tendências atuais continuarem, poderia desaparecer em cinco ou dez anos. Se apenas 3% do carbono alojado no permafrost do ártico for liberado à medida que o mundo fica mais quente, isso iria equivaler a toda a economia que temos que fazer, em carbono, ao longo de 40 anos para evitar uma drástica mudança climática. Não temos outra escolha a não ser a urgente "descarbonização". Mas sempre me interessei em pensar em quais serão as histórias que as gerações futuras irão contar sobre nós, a geração que viveu no topo da montanha, que se divertiu tanto e abusou de sua herança. E uma das maneiras que gosto de fazer isso é olhar para as histórias que as pessoas contavam antes de termos óleo barato, antes dos combustíveis fósseis, e pessoas contavam com sua própria força e energia dos animais, ou um pouco de energia do vento ou da água. Tínhamos histórias como "As Botas de Sete Léguas": em que o gigante que tinha as botas, quando as calçava, a cada passo que dava conseguia andar sete léguas, ou 34 km, um tipo de viagem impossível de imaginar para pessoas sem aquele tipo de energia à disposição. Histórias como "A Panela Mágica de Mingau", em que se tinha uma panela que, se você soubesse as palavras mágicas, faria toda a comida que você quisesse, sem que você tivesse que trabalhar, desde que você se lembrasse da outra palavra mágica para parar de fazer mingau. Senão você inundaria a cidade toda com mingau de aveia. Tem a história "Os Duendes e o Sapateiro". Os sapateiros vão dormir e, ao acordarem de manhã, descobrem que os sapatos estavam prontos, de forma mágica. Era algo inimaginável para as pessoas da época. Agora temos as botas de sete léguas na forma de Ryanair e Easyjet. Temos o pote mágico de aveia na forma de Walmart e Tesco. E temos os duendes na forma da China. Mas não percebemos que coisa surpreendente isso foi. E quais são as histórias que contamos a nós mesmos agora, ao olharmos para frente e vermos para onde estamos indo. E eu diria que há quatro. Existe a ideia de "negócios como sempre", que o futuro será como o presente, só um pouco mais do mesmo. Mas como vimos no ano passado, é uma ideia que vem sendo questionada a cada dia. E em termos de mudanças climáticas, é algo que não é muito viável. Existe a ideia de bater contra o muro, de que tudo é na verdade tão frágil que talvez vá tudo por água abaixo. É uma história popular em alguns lugares. A terceira história é que a tecnologia pode resolver tudo, e de alguma forma vai nos ajudar a atravessar este estágio. E é uma ideia que acredito ser predominante nesses TEDtalks, de que podemos inventar algo para sair de uma profunda crise econômica e de energia, que uma mudança para uma economia de conhecimento pode de alguma forma evitar as restrições de energia, a ideia de que descobriremos alguma nova fonte de energia fabulosa que poderá acabar com todas as preocupações sobre segurança de energia, a ideia de que podemos entrar sem problemas em um mundo completamente renovável. Mas o mundo não é o Second Life. Não podemos criar novos terrenos e sistemas de energia com um clique. E ao mesmo tempo que estamos aqui sentados trocando ideias, existem pessoas extraindo carvão para alimentar os servidores, extraindo minerais para fazer todas essas coisas. O café-da-manhã que tomamos enquanto lemos nossos emails pela manhã ainda é transportado por grandes distâncias, às custas dos sistemas de comida locais e mais resilientes que teriam fornecido alimento no passado, os quais desvalorizamos e desmantelamos de maneira tão eficiente. Podemos ser incrivelmente engenhosos e criativos. Mas vivemos num mundo com restrições e demandas bem reais. Energia e tecnologia não são a mesma coisa. Eu estou envolvido na "resposta de Transição". Isso significa basicamente encarar de frente os desafios do pico da extração de óleo e mudanças climáticas, e responder com a criatividade, adaptabilidade e imaginação que nós realmente precisamos. É algo que se espalhou de forma incrivelmente rápida. E algo que tem diversas características. É viral. Parece espalhar-se de forma despercebida muito rapidamente. É um código aberto, algo que todos que estão envolvidos desenvolvem e passam adiante enquanto vão trabalhando. E organiza-se por si só. Não existe uma organização central que faz o trabalho: as pessoas pegam uma ideia e a colocam em prática, implementando-a onde estão. É focado em soluções e voltado para o que as pessoas podem fazer onde estiverem, para responder a isso. É sensível à localização, e à escala. A transição é completamente diferente. Grupos de transição no Chile, nos EUA ou aqui, o que fazem é bem diferente em cada lugar que vamos. Eles aprendem muito com seus erros. E há um sentimento histórico. Tenta-se criar um sentido de que essa é uma oportunidade histórica de fazer algo realmente extraordinário. E é um processo muito prazeroso. As pessoas se divertem muito, reconectando-se a outras pessoas à medida que o fazem. Algo que sustenta isso é a ideia de resiliência. E acredito que de várias maneiras, essa ideia é um conceito mais útil do que a ideia de sustentabilidade. A ideia de resiliência vem do estudo da ecologia. E tem a ver com como sistemas e assentamentos recebem o impacto de fora. Quando encontram o impacto de fora e simplesmente não se destroem ou despedaçam. E acho que é um conceito mais útil do que sustentabilidade. Quando os supermercados têm somente dois ou três dias de comida estocados a qualquer momento, muitas vezes a sustentabilidade tende a focar na eficiência enérgetica das geladeiras e embalagens nas quais os alfaces estão embrulhados. Olhando pela lente da resiliência, nos perguntamos como nós chegamos numa situação que é tão vulnerável. Resiliência é muito mais profunda: é implantar módulos no que fazemos, proteções na maneira em que organizamos as coisas básicas que nos sustentam. Esta é uma foto da Associação dos Plantadores do Distrito de Bristol, em 1897. Foi numa época em que a cidade de Bristol, que fica bem perto daqui, era rodeada de pequenas plantações comerciais, que ofereciam significativas quantidades de comida consumida na cidade e que também geravam muitos empregos. Havia um grau de resiliência naquela época que agora só podemos olhar com certa inveja. Então, como essa ideia de transição funciona? Basicamente você tem um grupo de pessoas entusiasmadas pela ideia. Elas pegam algumas ferramentas que desenvolvemos. Começam um programa para aumentar a conscientização vendo como isso pode funcionar na cidade. Mostram filmes, fazem palestras, etc. É um processo divertido e criativo e informativo. Então começam a formar grupos de trabalho, olhando para diferentes aspectos, e daí surgem diversos outros projetos e então o próprio projeto de transição começa a apoiar e facilitar. Começou como um trabalho que fiz na Irlanda, onde eu lecionava, e foi se espalhando desde então. Existem agora mais de 200 projetos de transição formais. E existem milhares no estágio de "pensamento". Pensando se vão levar o projeto adiante. E na verdade muitos deles estão fazendo várias coisas. Mas o que eles realmente fazem? É uma ideia legal, mas o que eles realmente fazem na prática? Bem, acho importante salientar que na verdade isso não é algo que se faz por si só. Precisamos de legislação internacional de Copenhague, entre outras coisas. Precisamos de respostas nacionais e dos governos locais. Mas todas essas coisas vão ser muito mais fáceis se existirem comunidades entusiasmadas e contribuindo com ideias. E liderando o caminho, fazendo políticas tornarem-se possíveis nos próximos 5 ou 10 anos. Algumas coisas que surgem disso são projetos de comida locais, como esquemas de agricultura sustentada pela comunidade, plantações urbanas, criação de diretórios locais de comida, etc. Muitos lugares estão começando a criar suas próprias companhias de energia, companhias de energia da própria comunidade, onde a comunidade investe dinheiro nela própria, e começa a construir a infraestrutura de energia renovável que precisamos. Muitos lugares trabalham com as escolas locais. Newent em Forest of Dean: construíram túneis de polietileno para a escola. As crianças estão aprendendo a plantar comida. Promovendo reciclagem, coisas como "compartilhamento de jardins". que junta passoas que não têm um jardim com gente que quer plantar comida e possuem jardins ociosos. Plantando árvores frutíferas em espaços urbanos. E também começando a pensar na ideia de moedas alternativas. Esta é Lewes, em Sussex, que recentemente lançou a Libra Lewes, uma moeda que só pode ser usada dentro da cidade, como uma maneira de circular dinheiro dentro da economia local. Em outros lugares a moeda não vale nada. Mas dentro da cidade você começa a criar ciclos econômicos muito mais eficientes. Outra coisa que fazem é o plano de desaceleração da energia. Que consiste, basicamente, em desenvolver um plano B para a cidade. A maioria das nossas autoridades, quando sentam para planejar para os próximos 5, 10, 15, 20 anos de uma comunidade ainda partem do pressuposto de que teremos mais energia, mais carros, mais casas, mais trabalhos, mais crescimento, etc. Como ficamos se este não for o caso? E como podemos aceitar isso e e de fato criar algo que pudesse ajudar a sustentar todo mundo? Como um amigo meu diria: "A vida é uma série de coisas para as quais você não está preparado." E esta tem sido minha experiência com transição há três anos, que de apenas uma ideia tornou-se algo que praticamente se espalhou pelo mundo todo. O governo tem se interessado por isso. Ed Miliband, o Ministro de Energia da Inglaterra, foi convidado para uma conferência nossa como um importante ouvinte. E ele ouviu -- -- e desde então tornou-se um grande defensor da ideia. Existem duas autoridades locais neste país que se declararam autoridades locais de transição, em Leicestershiere e Somerset. E em Stroud, o grupo de transição escreveu o plano de alimentação do governo local. E o chefe do conselho disse: "Se não tivéssemos o Transition Stroud, teríamos que bolar toda a infraestrutura da comunidade pela primeira vez." À medida que isso se espalha, vemos centros nacionais surgindo. Na Escócia, o fundo de mudança climática do governo escocês fundou o Transition Scotland como uma organização nacional apoiando o trabalho. E vemos isso por todos os lugares agora. Mas a chave para a transição não é pensar que temos que mudar tudo agora, mas sim que as coisas já estão inevitavelmente mudando, e o que precisamos fazer é trabalhar de forma criativa com isso, sabendo fazer as perguntas certas. E gostaria de voltar neste final à ideia de histórias. Acho que histórias são vitais aqui. E na verdade as histórias que contamos a nós mesmos, temos uma grande defasagem de histórias sobre como seguir adiante daqui. E uma das coisas chave que a transição faz é revelar histórias do que as pessoas estão fazendo. Histórias sobre a comunidade que produziu sua própria nota de 21 libras, por exemplo, a escola que transformou o estacionamento em uma pequena plantação, a comunidade que criou sua própria companhia de energia. E para mim, uma das melhores foi a família Obama cavando o gramado sul da Casa Branca para criar sua plantação. Porque a última vez que isso foi feito, com Eleanor Roosevelt, levou à criação de 20 milhões de plantações em jardins nos EUA. Então a questão que eu quero deixar com vocês é -- levando em conta todas as coisas que suas comunidades precisam para terem sucesso, como isso pode ser feito de tal maneira que reduza dramaticamente a emissão de carbono, ao mesmo tempo que aumenta a resiliência? Pessoalmente, fico muito agradecido por ter vivido na época do óleo barato. Tive uma sorte incrível, nós tivemos uma sorte incrível. Mas vamos honrar o que conseguimos adquirir e seguir adiante deste ponto. Porque se continuarmos a depender disso e pressupor que isso sustenta nossas escolhas, o futuro que nos é apresentado é realmente inviável. E ao amar e deixar tudo o que o óleo fez por nós e o que a era do óleo fez por nós, poderemos então começar a criação de um mundo que é mais resiliente, com mais alimento, e no qual nos vemos mais em forma, com mais habilidades e mais conectados uns aos outros. Muito obrigado.
pt
423
Bem, isto é sobre orçamentos estaduais. Este é, provavelmente, o tópico mais entediante de toda a manhã. Mas eu quero dizer a vocês, eu acho que é um tópico importante que precisamos nos preocupar. Orçamentos estaduais São muito, muito dinheiro -- Eu vou mostrá-los os numeros -- Sujeitos a um controle muito pequeno. O entendimento é muito baixo. Muitas das pessoas envolvidas têm interesses especiais ou interesses a curto prazo que os fazem não pensar sobre o que as implicações das tendências são. E esses orçamentos são a chave para o nosso futuro; eles são a chave para nossas crianças. A maioria dos fundos de educação -- desde o ensino infantil até o fundamental, as grandes universidades ou faculdades comunitárias -- a maior parte do dinheiro para essas coisas está saindo destes orçamentos estaduais. Mas nós temos um problema. Aqui está o quadro geral. A economia americana é enorme -- 14, 7 trilhões. Observando este gráfico, o governo gasta 36 por cento. Portanto, esta é a combinação de nível federal, que é a maior, o nível estadual e o nível local. E é realmente desta forma combinada que você tem um sensação geral do que está acontecendo, porque há um monte de coisas complexas como o Medicaid e dinheiro de pesquisa que flui ao longo dessas fronteiras. Mas estamos gastando 36 por cento. Bem, o que estamos levando nisso? Simples questão de negócios. A resposta é 26 por cento. O que deixa um déficit de 10 por cento. Um numero bem surpreendente. E alguns desses numeros, de fato, são devidos a recessão econômica pela qual passamos. As receitas cairam, alguns programas de gasto subiram, mas a maioria não é por causa disso. A maior parte é por causa das maneiras que as responsabilidades estão construindo e as tendências, e isso cria um enorme desafio. Na verdade, esse é o quadro de previsão. Há várias coisas aqui, Eu poderia dizer que poderia levantar mais receita, ou que a inovação médica vai tornar os gastos ainda maiores. É um quadro cada vez mais difícil, mesmo considerando que a economia vai muito bem -- provavelmente melhor do que ela vai fazer. Isto é o que vocês vêem neste nível global. Agora, como nós chegamos aqui? Como vocês poderiam ter um problema como este? Afinal de contas, pelo menos no papel, há essa noção de que esses orçamentos do Estado são equilibrados. Apenas um estado diz que eles não têm de equilibrar o orçamento. Mas o que isso realmente significa é que há uma pretensão. Não há equilíbrio real e verdadeiro acontecendo. E em certo sentido, os jogos que eles fazem para esconder esse tópico atualmente tão obscuro em que as pessoas não enxergam as coisas que na verdade são desafios bastante diretos. Quando Jerry Brown foi eleito, Este foi o desafio que foi colocado para ele. Ou seja, através de diversos artifícios e coisas, um assim chamado orçamento equilibrado o levou a ter 25 bilhões faltando do total de 76 bilhões em gastos propostos. Agora ele colocou alguns pensamentos: Cerca de metade do que ele vai cortar, outra metade, talvez em um conjunto muito complexo de etapas, impostos serão aprovados. Mas mesmo assim, enquanto você sai para os anos futuros, variados custos de pensões, despesas de saúde sobem bastante, e as receitas não sobem o suficiente. Então você passa por um grande aperto. Quais foram as coisas que nos permitiram esconder isso? Bem, alguns truques pequenos bem legais. E estes foram um pouco notados. O jornal disse: "Não é muito equilibrado." "Tem buracos." "Isso perpetua a despesa de déficit". "Está repleto de truques." E realmente quando você chegar até ele, os caras da Enron nunca teriam feito isso. Isso é tão descarado, tão extremo. Alguém está prestando atenção para algumas das coisas que esses caras fazem? Eles pegam dinheiro emprestado. Eles não deveriam fazer, mas descobriram uma maneira. Eles fazem você pagar mais na retenção apenas para ajudar seu fluxo de dinheiro sair. Eles liquidam os recursos. Eles adiam os pagamentos. Eles liquidam as receitas do tabaco. E a Califórnia não é a única. Na verdade, há cerca de cinco estados que são piores e apenas quatro estados que não encaram esse grande desafio. Portanto, isso é sistêmico em todo o país. É, na verdade vem do fato de de que certas obrigações de longo prazo -- planos de saúde onde a inovação o torna mais caro, aposentadoria antecipada e pensões, onde a estrutura etária fica pior para você, e apenas generosidade -- que essas coisas de contabilidade permitem formular ao longo do tempo, que você tem um problema. Estes são os benefícios do plano de saúde para aposentados. Três milhões deixados de lado, 62 bilhões de dólares de responsabilidade - muito pior do que as companhias de carro. E todo mundo olhou para isso e sabia que isso estava indo em direção a um enorme problema. A previsão para a peça da saúde sozinho é passar de 26 por cento do orçamento para 42 por cento. Bem, o que que vai dar? Bem, a fim de acomodar isso, você teria que cortar os gastos em educação ao meio. É realmente esse jovem contra o velho até certo ponto. Se você não mudar esse quadro de receitas, se você não resolver o que está fazendo na área da saúde, você vai ser 'desinvestir' nos jovens. O grande sistema universitário da Universidade da Califórnia, as grandes coisas que passaram, não vai acontecer. Até o momento que significou demissões, aumento no tamanho de turmas. Dentro da comunidade da educação há essa discussão, "Deveria ser apenas os professores jovens que são demitidos, ou os professores menos bons serem demitidos?" E há uma discussão: se você estiver indo para aumentar a dimensão das turmas, quando você faz isso? Quão muita influência que isso tem? E, infelizmente, conforme você entra nisso, as pessoas ficam confusas e pensam, "Bem, talvez você pense que está tudo bem." Na verdade, não, gastos com educação não deve ser cortado. Há formas, se for temporário, de minimizar o impacto, mas é um problema Também é realmente um problema para onde precisamos ir. A tecnologia tem um papel a desempenhar. Bem precisamos de dinheiro para experimentar com isso, para obter essas ferramentas lá. Há a idéia de pagar os professores por eficácia, medi-los, dando-lhes um retorno, gravar vídeos na sala de aula. Isso é algo que eu acho que é muito, muito importante. Bem, você tem que distribuir dólares para esse sistema e para esse pagamento de incentivos. Em uma situação onde você tem o crescimento, colocar o dinheiro novo para isso - ou mesmo se você estiver estancado, você pode transferir dinheiro para ele. Mas com o tipo de cortes que estamos falando, vai ser muito, muito mais difícil de obter estes incentivos por excelência, ou para mover-se sobre usar a tecnologia de nova forma. Então o que está acontecendo? Onde está a confiança de cérebro isso é um erro aqui. Bem, realmente não há confiança de cérebro. É uma espécie de eleitores, que é uma espécie de nós aparecendo. Basta olhar para esta despesa. Califórnia vai gastar mais de 100 bilhões, Microsoft, 38, Google, cerca de 19. A quantidade de QI em uma boa análise numérica, tanto no interior como Google e Microsoft e fora, com os analistas e as pessoas de opiniões diferentes - eles deveriam ter gasto com isso? Não, eles desperdiçaram seu dinheiro com isso. E sobre esta coisa? -- É realmente fenomenal. Todo mundo tem uma opinião. Há um ótimo feedback. E os números são usados para tomar decisões. Se você ultrapassar o orçamento em educação e orçamento em saúde -- particularmente estas tendências a longo prazo - você não tem esse tipo de envolvimento em um número que é mais importante em termos de equidade, em termos de aprendizagem. Então o que precisamos fazer? Nós precisamos de ferramentas melhores. Podemos tirar algumas coisas na Internet. Eu vou usar o meu site para colocar algumas coisas que irão dar a imagem de base. Precisamos de muito mais. Há alguns bons livros, um sobre os gastos da escola e de onde o dinheiro vem -- como isso mudou com o tempo, e o desafio. Precisamos de uma contabilidade melhor. Precisamos levar em consideração que os atuais funcionários, as responsabilidades futuras que eles criam, que deve sair do orçamento atual. Precisamos entender por que eles fizeram a contabilização de pensões da maneira que eles têm. Deveria ser mais como a contabilidade privada. É o padrão-ouro. E, finalmente, precisamos realmente premiar políticos. Sempre dizem que há esses problemas a longo prazo, nós não podemos dizer, "Oh, você é o mensageiro de más notícias? Nós apenas atiramos você." Na verdade, existem alguns como estes: Erskine Bowles, Alan Simpson e outros, que passaram e tendo em conta as propostas para este problema federal generalizado de gastos estaduais de saúde. Mas, na verdade, seu trabalho era uma espécie de empurrado. Na verdade, as semana posteriores, alguns cortes de impostos foram feitos o que tornou a situação ainda pior que os seus pressupostos. Por isso, precisamos dessas peças. Agora eu penso que este é um problema solucionável. É um país grande com muitas pessoas. Mas temos que atrair essas pessoas, porque isso é sobre educação. E olha só o que aconteceu com as mensalidades na Universidade da Califórnia e projetão isso para mais três, quatro, cinco anos. É caro demais. E esse é o tipo de coisa -- o investimento nos jovens -- que nos faz grandes, nos permite contribuir. Ele nos permite fazer a arte, a biotecnologia, o software e todas essas coisas mágicas. E assim a linha de fundo é que nós precisamos nos preocupar com os orçamentos de Estado porque eles são críticos para as nossas crianças e o nosso futuro. Obrigado.
pt
424
O que é que eu sei que poderia me levar, um cientista discreto do meio oeste, a ter sido preso durante um protesto em frente da Casa Branca? O que você faria se soubesse o que eu sei? Comecemos por saber como cheguei a este ponto. Tive sorte em crescer numa época em que não era difícil para um filho de um fazendeiro chegar a uma universidade estadual. E eu tive muita sorte de ir para a Universidade de Iowa onde pude estudar com o professor James Van Allen que construiu instrumentos para o primeiros satélites americanos. Provessor Van Allen me falou sobre as observações de Venus, de que havia uma intensa radiação de microondas. Isto significava que Venus tinha uma ionosfera? Ou que Venus é extremamente quente? A resposta correta, confirmada pela nave espacial soviética Venera, era que Venus era muito quente -- 482ºCelcius. E se mantinha quente devido a uma grossa atmosfera de dióxido de carbono. Tive a felicidade de trabalhar na NASA e propus um voo experimental a Venus e foi aceito. Nosso instrumento tirou esta foto do véu de Vênus, que depois descobriu-se que era uma nuvem de ácido sulfúrico. Mas enquanto nosso instrumento era construído, eu acabei me envolvendo em cálculos do efeito estufa aqui na Terra, porque descobrimos que a composição de nossa atmosfera estava mudando. Finalmente, eu me retirei do papel de principal investigador do nosso experimento de Vênus porque um planeta se modificando em frente dos nossos olhos é mais interessante e importante. Suas mudanças afetarão toda a humanidade. O efeito estufa tinha sido bem entendido há mais de um século. O físico britânico John Tyndall, na década de 1850, fez medidas em laboratório da radiação infravermelha, que é calor. Ele mostrou que gases do tipo CO2 absorvem o calor, portanto agem como um cobertor aquecendo a superfície da Terra. Trabalhei com outros cientistas para analisar as observações climáticas da Terra. Em 1981, publicamos um artigo na revista Science concluindo que o aquecimento observado de 0, 4ºCelcius no século passado era consistente com o efeito estufa devido ao aumento do CO2. A Terra deveria aquecer na década de 1980, e o aquecimento deveria exceder o nível de ruído aleatório do clima por volta do final do século. Nós também dissemos que no séc. XXI veriámos uma mudança das zonas climáticas, a criação de regiões propensas a seca na América do Norte e Ásia, erosão de geleiras, aumento do nível do mar e a abertura da famosa Passagem Noroeste. Todos estes impactos ou aconteceram ou estão a caminho. Este artigo foi mencionado na primeira página do New York Times e me levou a testemunhar no Congresso na década de 1980, testemunho no qual enfatizei que o aquecimento global aumenta ambos os extremos do ciclo das águas na Terra. Ondas de calor e seca de um lado, diretamente do aquecimento, mas também, pois o aquecimento da atmosfera retem mais vapor de água com sua energia latente, as chuvas se tornarão mais violentas. Haverá tempestades mais fortes e maiores inundações. O alarido do aquecimento global consome muito tempo e me distraiu do fazer ciência -- parte porque eu reclamava que a Casa Branca alterou meu testemunho. Daí decidi voltar a fazer somente ciência e deixar a comunicação para os outros. Por volta de 15 anos depois, evidências do aquecimento global eram muito mais fortes. A maioria das coisas mencionadas no nosso artigo de 1981 eram fatos. Tive o privilégio de falar duas vezes com o presidente da força tarefa do clima. Mas as políticas de energia continuam restritas a em achar mais combustível fóssil. Naquela época tínhamos dois netos, Sophie e Connor. Decidi que não queria que eles no futuro dissessem: 'Vovô entendia o que estava acontecendo, mas ele não deixou claro.' Então decidi dar uma palestra criticando a falta de uma política de energia. Eu dei uma palestra na Universidade de Iowa em 2004 e no encontro de 2005 da União Americana de Geofísica. Isto levou a chamadas da Casa Branca para a central da NASA e foi me dito que não poderia dar palestras ou conversar com a midia sem uma prévia aprovação explicita da central da NASA. Depois informei ao New York Times de tais restrições, e a NASA foi obrigada a encerrar esta censura. Mas houve consequências. Eu andei usando a primeira linha da missão da NASA, 'Para entender e proteger o planeta morada,' para justificar minhas palestras. Logo a primeira linha da missão foi apagada, e nunca mais apareceu. Nas semanas seguintes eu me empenhei mais e mais em tentar comunicar a urgência de mudar as políticas de energia, enquanto pesquisava a física da mudança climática. Deixe-me descrever as conclusões mais importantes da física -- primeiro, do equílibrio da energia da Terra e, segundo, da história do clima da Terra. Adicionando CO2 ao ar e como se colocassemos mais um cobertor na cama. Reduz a radiação de calor da Terra para o espaço, portanto há um desequilíbrio momentaneo de energia. Mais energia entra do que sai, até que a Terra esquenta o suficiente para novamente irradiar para o espaço tanta energia quanto ela absorve do Sol. Portanto a quantidade chave é a do desequilibrio de energia da Terra. Há mais energia vindo do que saindo? Se sim, mais calor está por vir. Acontecerá sem aumentar os gases de efeito estufa. Agora finalmente, podemos medir precisamente o desequilíbrio de energia da Terra. medindo a quantidade de calor nos reservatórios de calor da Terra. O maior reservatório, o oceano, era o menos medido, até que mais de 3. 000 argos boiaram eram distribuido entre os oceanos do mundo. Estas boias mostraram que a metade superior do oceano esta ganhando calor a uma taxa expressiva. As profundezas também estão ganhando calor a uma taxa menor, e energia está indo para derreter o gelo em todo o planeta. E na terra, nas profundidades de dezenas de metros, também está aquecdendo. O total do desequilíbiro de energia agora é de aproximadamente. 6 watt por metro quadrado. Não parece ser muito, mas o somatório de todo o mundo, é enorme. É aproximadamente 20 vezes maior que a taxa de energia usada por toda a humanidade. É equivalente à explosão de 400. 000 bombas de Hiroshima por dia 365 dias por ano. Este é o tanto de energia extra que a Terra ganha por dia. Este desequilíbrio, se nós queremos estabilizar o clima, significa que temos de reduzir o CO2 de 391ppm. partes por milhão, para 350ppm. Essa é a mudança necessária para restaurar o equilíbrio e previnir mais aquecimento. Os contestadores das mudanças climáticas argumentam que o Sol é a principal causa das mudanças climáticas. Mas a medição do desequilíbrio de energia ocorreu durante a menor atividade solar registrada, quando a enegia do Sol atingiu a Terra em seu mínimo. Ainda assim, há mais enegia chegando do que saindo. Isto mostra que o efeito das variações do Sol no clima é secundário pelo crescimento do efeito estufa, principalmente pela queima de combustível fóssil. Considere a história do clima na Terra. Estas curvas da temperatura global, CO2 da atmosfera e nível do mar foram obtidos do centro dos oceanos e do centro do gelo Antártico, dos sedimentos dos oceanos e dos flocos de neve que se empilham ano após ano por mais de 800. 000 anos formando uma geleira de 3, 2km de espessura. Como vê, há uma alta correlação entre temperatura, CO2 e nível do mar. Um exame cuidadoso mostra que a mudança de temperatura influi um pouco na mudança de CO2 por alguns séculos. Os contestadores da mudança climática gostam de usar este fato para confundir e trapacear as pessoas dizendo, 'Veja, a temperatura causa uma mudança no CO2, e não o contrário.' Mas esse atraso é exatamente o que se espera. Pequenas mudanças na órbita da Terra que ocorrem durante dezenas de centenas de milhares de anos alteram a distribuição da insolação na Terra. Quando há mais insolação nas altas latitudes no verão, as geleiras derretem. O encolhimento das geleiras tornam o planeta mais escuro, daí ele absorve mais luz solar e aquece. Um oceano mais quente solta CO2, exatamente como uma Coca-Cola morna. E mais CO2 causa mais aquecimento. Portanto CO2, metano e geleiras são realimentações que amplificam a mudança da temperatura global fazendo com que estas antigas oscilações climáticas sejam enormes, apesar de a mudança climática ter se iniciado por uma força bem fraca. O ponto importante é que estas mesmas realimentações ocorrerão hoje. A física não muda. Enquanto a Terra aquece, agora devido a quantidade extra de CO2 que colocamos na atmosfera, o gelo derreterá, e o CO2 e o metano serão liberados pelo aquecimento dos oceanos e o derreter de geleiras eternas. Enquanto não podemos dizer exatamente o quão rápido estas realimentações positivas ocorrerão, é certo que ocorrerão, a menos que paremos o aquecimento. Há evidências que as realimentações já começaram. Medidas precisas feita por GRACE, o satélite de gravidade revela que tanto Groelandia quanto Antártica estão perdendo massa, centenas de quilômetros cúbidos por ano. E a taxa vem acelerando desde que as medições se iniciaram há nove anos. O metano também está começando a escapar das geleiras permanentes. O quanto podemos esperar de aumento do nível do mar? Antes o nível de CO2 era de 390ppm, hoje, o nível do mar estava mais alto pelo menos 15m, 50 pés. Onde vocês estão sentados agora poderá estar submerso. Muitas estimativas indicam, este século, que teremos ao menos um metro. Acho que será mais se continuarmos a queimar combustível fóssil, talvez até 5m, ou seja 18pés. neste século ou pouco depois. O ponto importante é que nós iniciamos o processo que está fora do controle humano. As geleiras continurão a desintegrar-se por séculos Não haverá uma fronteira com o mar estável. As consequêcias econômicas são quase impensáveis. Centenas de devastações similares a New Orleans pelo mundo. O que pode ser mais repreensivo, se a recusa do clima continuar, é a extinção de espécies. A borboleta real pode ser uma das 20 a 50% de todas as espécias que o Painel Intergovernamental da Mudança Climática estima que estão marcadas pela extinção no final do século se continuarmos no mesmo nível de uso de combustível fóssil. O aquecimento global já está afetando as pessoas. A onda de calor e seca no Texas, Oklahoma e México ano passado, Moscou no ano retrasado e na Europa em 2003 foram todos eventos excepcionais, mais que três desvios padrão fora do normal. Há cinqüenta anos, tais anomalias cobriam apenas de 2 a 3 décimos de 1% da área de terra. Ultimamente, por causa do aquecimento normal, elas cobrem perto de 10% -- uma aumento pelo fator de 25 a 50. Portanto podemos dizer com algum grau de certeza que as serevas ondas de calor no Texas e em Moscou não são naturais; foram causadas pelo aquecimento global. Um grande impacto, se o aquecimento global continuar, acontecerá na alimentação de nosso pais e no mundo, o meio oeste e a grande planície, que se espera ficarão sujeitas a fortes secas, pior que o Dust Bowl, dentro de poucas décadas, se permitirmos a continuidade do aquecimento global. A medida que fui indo mais fundo numa tentativa de comunicar, dando palestras em 10 países, sendo preso, usando as férias que acumulei em mais de 30 anos? Mais netos me ajudaram. Jake é muito positivo, um garoto entusiasmado. Na idade de dois anos e meio, ele acha que pode proteger sua irmã de dois dias e meio. Seria imoral abandonar estes jovens com um sistema climático saindo do controle. Agora a tragédia sobre a mudança climática é que nós podemos resolve-la com uma simples, honesta abordagem de aumentar gradualmente a taxa do carbono cobrado das companhias de combustível fóssil e distribuindo 100% eletronicamente todos os meses aos residentes legais com base per capita sem o governo reter um centavo. A maioria das pessoas conseguiria um dividendo mensal maior do que pagariam com o aumento dos preços. Esta taxa e dividendo estimulariam a economia e a inovação, criando milhões de empregos. O principal requisito para nos levar rapidamente a um futuro de energia limpa. Muitos dos principais economistas são coautores desta proposta. Jim DiPeso dos Republicanos a favor da proteção ambiental descreve deste modo: 'Transparente. Baseado no mercado. Não aumenta o governo. Deixa as decisões sobre energia para os indivíduos. Parece ser uma plano conservador para o clima.' Mas em vez de sugerir um aumento de taxa para emissão de carbono para fazer o combustível fóssil pagar seu real custo para a sociedade, nossos governantes forçam as pessaos a subdisiar o combustível fóssil com 400 a 500 bilhões de dólares por ano mundo afora, encorajando assim a extração de todo o combustível fóssil -- removendo montanhas, mineração de carvão, fracking, alcatrão, betumem, perfuração profunda no oceano Ártico. Este caminho, se continuar, garantirá que passaremos o ponto levando ao desgelo das geleiras que acelerará a uma condição sem controle para as futuras gerações. Uma grande fração das espécias irão à extinção. O aumento da intensidade das secas e inundações terão um forte impacto na alimentação do mundo, causando fome em massa e um declínio econômico. Imagine um asteróide gigante em curso de colisão direta com a Terra. Isso é o equivalente ao que enfrentamos agora. Ainda, vacilamos, não agimos para desviar o asteróide, apesar de que o quanto mais esperamos, mais difícil e caro fica. Se tivéssemos começado em 2005, teria exigido uma redução de emissão de 3% ao ano para restaurar o equilíbrio energético do planeta e estabilizar o clima neste século. Se começarmos no próximo ano, será 6% ao ano. Se esperarmos 10 anos, será 15% ao ano -- extremamente difícil e caro, talvez impossível. Mas não estamos nem começando. Agora vocês sabem o que eu sei que me faz soar este alarme. Claro, eu não tenho esta mensagem clara. A ciência é clara. Eu preciso de sua ajuda para comunicar a gravidade e a urgência desta situação e sua solução mais eficazmente. Devemos isto aos nossos filhos e netos. Obrigado.
pt
425
Eu estou muito animado por ter tido a oportunidade de vir e falar com vocês hoje sobre o que eu considero ser a maior acrobacia da terra. Ou talvez, nem tanto da terra. Um salto de paraquedas do limite do espaço. Mais sobre isto um pouco mais tarde. O que eu gostaria de fazer primeiro e levar vocês através de uma curta viagem de helicóptero ao mundo dos dublês e da indústria de dublês no cinema e na televisão. E mostrar como a tecnologia começou a se interconectar com as habilidades físicas do dublê ator de uma maneira que torna a acrobacia maior e na verdade mais segura do que jamais foi antes Eu sou um dublê profissional há 13 anos. Eu sou um coordenador de dublês. Assim como um executor de acrobacias. Eu frequentemente as planejo. Durante este tempo, saúde e segurança se tornaram tudo no meu trabalho. É indispensável agora que quando uma batida de carro acontece' não é somente a segurança do dublê que temos que garantir, mas de toda a equipe Nós não podemos matar um câmera. Nós não podemos matar um dublê. Nós não podemos matar ninguém ou ferir ninguém no local de filmagem ou alguém passando. Então segurança é tudo. Mas nem sempre foi assim nos velhos tempos do cinema mudo Harold Lloyd aqui, na famosa cena pendurado no relógio muitos desses caras faziam suas próprias acrobacias. Eles eram simplesmente notáveis. Eles não tinham segurança, não tinham tecnologia. A segurança que eles tinham era muito escassa. Esta é a primeira mulher dublê, Rosie Venger, uma mulher incrível. Vocês podem ver pelo slide, ela era muito forte. Ela realmente abriu o caminho num tempo quando ninguém fazia acrobacias, muito menos mulheres. O meu favorito e meu verdadeiro herói é Yakima Canutt. Yakima Canutt verdadeiramente criou a dublagem de lutas. Ele trabalhou com John Wayne e muitos daqueles velhos socos que vocês viram nos faroestes, Yakima estava lá, ou ele coordenava as acrobacias. Esta é uma cena tirada de "No Tempo das Diligências", onde Yakima Canutt está realizando uma das mais perigosas acrobacias que eu jamais vi. Não há segurança, nenhum suporte, nenhuma almofada, nenhum tapete acolchoado, nenhum saco de areia no chão. Esta é uma das mais perigosas acrobacias com cavalos, certamente. Falando sobre acrobacias perigosas e trazendo as coisas ligeiramente para o presente. uma das mais perigosas acrobacias que nós fazemos como dublês são as cenas com fogo. Nós não poderíamos fazê-las sem tecnologia. Aquelas são particularmente perigosas porque não há mascará no meu rosto. Elas foram feitas para uma tomada de fotos. Uma para um jornal de domingo, outra para uma revista masculina. Altamente perigoso, mas vocês vão notar que não parece que eu esteja usando alguma coisa debaixo da minha roupa As roupas de fogo de antigamente, as volumosas vestimentas, as grossas roupas de lã foram substituídas por materiais modernos como Nomex e mais recentemente Carbonex Materiais fantásticos que nos permitem como dublês profissionais queimar por mais tempo, parecer mais espetacular e em completa segurança. Aqui um pouco mais. Tem um cara com um lança-chamas lá, me dando um banho Uma das coisas que um dublê frequentemente faz e vocês verão isto todas as vezes em grandes filmes é ser jogado através do ar Bem, nós costumávamos usar trampolins. Nos velhos tempos era tudo o que se tinha. Isso é uma rampa. Pule sobre a coisa e voe através do ar E com esperança você vai fazê-lo parecer bom. Agora nos adquirimos tecnologia. Esta coisa é chamada de carneiro pneumático. É uma assustadora peça de equipamento para um dublê iniciante. Porque ela vai quebrar suas pernas muito muito rapidamente se você pisar sobre ela de forma errada. Diga-se que ela trabalha com nitrogênio comprimido. E aqui está, na posição para cima. Quando você pisa sobre ela tanto por controle remoto, ou com a pressão do seu pé, ela irá projetar você, dependendo da pressão do gás, alguma coisa entre cinco metros a 30 metros. Eu poderia, literalmente, projetar-me para a galeria. O que, eu estou certo, vocês não iriam querer. Não hoje. Acrobacias com carros é outra área onde os avanços na tecnologia e engenharia tem tornado nossas vidas mais fáceis e seguras. Nós podemos fazer maiores acrobacias com carros do que jamais foram feitas Ser atropelado nunca é fácil É uma antiga, difícil, enérgica, acrobacia física Mas nós temos almofadas e fantásticos absorvedores de choques coisas como Sorbothane Materiais que nos ajudam, quando somos atingidos dessa maneira, não nos machucamos muito. A fotografia no canto direito da base é de alguns testes de impacto com boneco que eu estava fazendo Mostrando como os dublês trabalham realmente em diferentes áreas. E testando impactos em postes de sinalização. Uma empresa fabrica um pilar de Lattix. O qual é uma rede um tipo de pilar plano que cai quando é atingido. O carro na esquerda atingiu o pilar de aço. E vocês podem ver, o motor está no colo do motorista. Eles fizeram isto com controle remoto. Eu dirigi o outro a 96 km por hora, exatamente a mesma velocidade e claramente passei por ele. Rolar um carro é outra área onde nós usamos tecnologia. Nós costumávamos dirigir sobre uma rampa. E algumas vezes ainda fazemos assim. Mas agora nós temos um canhão de nitrogênio comprimido. Vocês podem ver, debaixo do carro, tem uma vara preta no chão pela roda do outro carro. Aquele é o pistão que foi acionado do chão. Nós podemos virar caminhões, motorhomes, ônibus, qualquer coisa com um canhão de nitrogênio carregado. É realmente um grande trabalho. Nós nos divertimos Vocês deveriam ouvir algumas conversas que tenho com pessoas no meu Bluetooth na loja "Sim, nós podemos virar o ônibus, nós podemos explodi-lo em chamas, e quanto a alguém, você sabe, uma grande explosão". E as pessoas estão procurando isto. Um tipo de esqueça o quanto são estranhas aquelas conversas. A próxima coisa que eu quero mostrar a vocês é algo que a Dunlop pediu-me para fazer no começo deste ano, com o nosso Canal Cinco e o programa "Quinta Marcha" O maior círculo vertical do mundo. Somente uma pessoa já realizou isto antes. A solução para esta acrobacia nos velhos tempos seria. "Vamos atingir isto o mais rápido que pudermos, 96 km por hora. Vamos nessa. Pisando até o fundo". Bem, você vai morrer se fizer isto. Nós fomos a Universidade de Cambridge, e falamos com um doutor de engenharia mecânica lá, um físico que nos ensinou que teria que ser a 59 Km por hora Mesmo assim eu peguei uma constante gravitacional 7, e perdi um pouco a consciência na subida. É uma queda alta, se você fizer errado. Aquela foi certa Então de novo, a ciência nos ajuda. E a engenharia também. Na adaptação no carro e nas rodas Quedas altas, elas são acrobacias dos velhos tempos. O que é interessante sobre quedas altas é que embora nos usemos sacos de ar, e alguns, vocês sabem, são bem avançados, eles são projetados para que não se escorregue pela borda, como acontecia, se você aterrissasse de maneira errada. Então eles são uma proposição muito segura. Basicamente pensando. É uma peça básica de equipamento. É um castelo inflável com aberturas do lado para permitir que o ar saia. É tudo que é, um castelo inflável. É a única razão pela qual fazemos isto. Vêem é muito divertido este trabalho. O que é interessante é que nós ainda usamos caixas de papelão. Costumava-se usar caixas de papelão anos atrás, e nós ainda as usamos. E isto é interessante porque elas são quase uma retrospectiva. Elas são ótimas para pegar você de uma certa altura. E do outro lado da cerca aquela arte física, a execução física do dublê tem interconexão com a maior tecnologia em Informação Tecnológica e software. Não as caixas de papelão, mas a tela verde. Está é uma tomada do filme O Exterminador do Futuro. Dois dublês fazendo o que eu considero ser uma acrobacia tranquila. São nove metros. É água. É muito simples. Com a tela verde nós podemos colocar qualquer coisa do mundo de fundo movendo-se ou parada. E eu asseguro a vocês, hoje em dia vocês não podem ver a junção Este é um paraquedista com outro paraquedista fazendo exatamente a mesma coisa. Completamente na segurança de um estúdio, e ainda com a tela verde, nós podemos ter algumas imagens em movimento que um skydiver fez e colocá-las movendo-se no céu com as nuvens voando. Fios e equipamentos desaceleradores. Nós usamos muito. Nós fazemos pessoas voar em fios como este. Este cara não está mergulhando no espaço. Ele está sendo levado como uma pandorga, ou movendo-se ao redor, como uma pandorga. E este é uma tentativa de Recorde Mundial do Ghinness Eles me pediram para abrir o show no seu quinquagésimo aniversário em 2004. E novamente, a tecnologia permitiu que eu pudesse fazer o mais rápido rapel de 100 metros e parar a poucos centímetros do chão, sem derreter a corda com a fricção, i por causa das ligas que eu usei no equipamento de descida. E este é o Centre Point, em Londres. Nós levamos Oxford street e Tottenham Court Road à paralisação. Acrobacias de helicópteros são sempre divertidas quaisquer que sejam, pendurados do lado de fora. E acrobacias aéreas. Nenhuma acrobacia aérea seria a mesma sem paraquedismo. O que nos trás, agradavelmente, para o motivo pelo qual estou aqui hoje. O Projeto Salto do Espaço. Em 1980, Joseph Kittenger da Força Aérea dos Estados Unidos realizou o mais espetacular feito. Ele fez um salto de 30 mil metros, para ser mais preciso, 31 mil metros. E ele fiz isto para testar sistemas de altas altitudes para pilotos militares na nova serie de aeronaves que atingem altitudes ao redor de 24 mil metros E eu vou mostrar à vocês um pequeno filme do que ele fez naquela época. E tenham em mente o quanto ele foi corajoso em 1960. Isto foi chamado Projeto Excelsior. Foram feitos três saltos. Primeiro eles lançaram alguns bonecos. Este é o balão, o grande balão de gás. Ele tem esta forma porque o gás hélio tem que se expandir. O meu balão vai se expandir 500 vezes, e parecer como uma grande abóbora quando estiver cheio. Aqueles são os bonecos sendo jogados de 30 mil metros. E lá está a câmera amarrada a eles. Vocês podem ver claramente a curvatura da terra àquela altitude. E eu estou planejando ir a 36 mil metros. O que é cerca de 35 quilômetros Você está próximo do vácuo naquele ambiente. O que é menos 50 graus. Então é um lugar extremamente inóspito para se estar. Este é Joe Kittenger. Tenham em conta, senhoras e senhores, isto foi em 1960 Ele não sabia se iria viver ou morrer. Ele é realmente uma pessoa muito corajosa. Eu falei com ele por telefone há alguns meses atrás. Ele é muito humilde e um ser humano extraodinário. Ele me mandou um e-mail dizendo, " Se você tirar essa coisa do chão eu te desejo o melhor". E ele assinou "Feliz Aterrissagem" O que foi muito amável. Ele está na faixa dos 80 anos e vive na Flórida. É um cara incrível. Este é ele em um traje pressurizado. Agora um dos desafios para se chegar a uma altitude destas quando se chega a nove mil metros - é fantástico não é - Quando se chega a nove mil metros só se pode usar oxigênio Acima de nove mil metros até aproximadamente 15 mil metros precisa-se de respiração com pressão, que é onde se usa um traje de astronauta. Este é ele lá no seu velho jeans rock-and-roll, empurrando-o para dentro apareceu o jeans. Você precisa um traje pressurizado. Você precisa um sistema de respiração pressurizada com um traje de astronauta que comprime você, o que o ajuda a respirar e o ajuda a exalar. Acima de 15 mil metros precisa-se de um traje espacial, um traje pressurizado. Certamente a 30 mil metros nenhuma aeronave consegue voar. Nem mesmo um motor a jato. Ele precisa seer movido por um foguete, ou alguma coisa semelhante, um imenso balão a gás. Levou-me um tempo, levou-me anos para achar a equipe certa para um balão para construir um balão que fizesse este trabalho. Eu agora achei esta equipe na America. E eles o fizeram de polietileno, então ele é bem fino. Nós teremos dois balões para cada um dos meus testes de salto. E dois balões para o salto principal, porque eles notoriamente rasgam na decolagem. Eles são tão delicados. Este é o salto. Está escrito naquela coisa, "O maior salto do mundo" E como aquilo deve ser sentido? Eu estou excitado e assustado. Os dois ao mesmo tempo e na mesma medida. E esta é a câmera que ele tinha quando ele caiu antes que o paraquedas piloto abrisse e o estabilizasse. O paraquedas piloto é um pequeno paraquedas que o ajuda a manter -se na posição correta. Vocês podem vê-lo lá, abrindo-se. Aquele é o paraqquedas piloto. Ele tem três deles. Eu fiz muitas pesquisas. E vocês podem vê-lo em um segundo lá, ele vem direto para o chão. Agora para dar-lhes uma perspectiva deste balão, os pequenos pontos pretos são pessoas. Ele tem dezenas de metros. É enorme. Isto é no Novo México Isto é o Museu da Força Aérea. E eles fizeram um boneco dele. É exatamente como ele parece. A minha gôndola será mais simples que aquela. É basicamente uma caixa de três lados. Então eu tive que treinar muito. Estas são as montanhas Atlas, no Marrocos, o ano passado, treinando em preparação para alguns saltos de grandes altitudes. Esta é a vista de como vai ser a 27 mil metros, para mim. Agora vocês podem pensar que isto é apenas uma viagem a procura de emoções, uma viagem de prazer, como o maior dublê do mundo. Mas tem um pouco mais do que aquilo tudo. Tentar achar um traje espacial para fazer isto me dirigiu a uma área de tecnologia que eu nunca imaginei quando eu planejei fazer isto. Eu fiz contato com uma companhia americana que fabrica trajes para a NASA. Aquele é um traje atual. Este sou eu o ano passado com o engenheiro chefe. Aquele trajei me custaria cerca de um milhão e meio de dólares. E ele pesa 136 quilos e não se pode saltar com ele. Então eu fiquei emperrado. Nos últimos 15 anos eu tenho procurado um traje espacial que realizasse este trabalho, ou alguém que fizesse um. E alguma coisa revolucionária aconteceu há pouco tempo atrás, na mesma empresa. Aquele é o protótipo do paraquedas. Eu agora consegui que eles fizessem um O único deste tipo no mundo. E aquele é o único traje deste tipo no mundo. Ele foi feito por um russo que projetou a maioria dos trajes dos últimos 18 anos para os soviéticos. Ele deixou a companhia porque ele viu como outras pessoas na indústria espacial, um emergente mercado de trajes espaciais para turistas espaciais. Se você estiver numa aeronave a nove mil metros e a cabine se despressurizar, você não tem oxigênio. Se você estiver a 30 mil metros você morre. Em seis segundos se perde a consciência. Em 10 segundos se morre. O seu sangue começa a ferver. Isto é chamado vaporização. O corpo incha. É terrível. Então nós esperamos - não é muito divertido. Nós esperamos, e outros esperam, que talvez a Administração Federal da Aviação, a Associação Atlética Universitária possam dizer, "Vocês precisam colocar alguém em um traje que não seja inflável, que seja conectado a aeronave. Então eles vão ficar confortáveis, eles terão uma boa visão, com este grande visor. E então se a cabine se despressurizar quando o avião estiver vindo direto para baixo em qualquer medida de emergência, todos estarão bem. Eu gostaria que o Costa entrasse agora. Para mostrar-lhes o único deste tipo no mundo. Eu iria vesti-lo. Mas eu pensei em deixar Costa, meu simpático assistente, fazê-lo. Muito obrigado. Ele é muito sexy. Obrigado Costa. Este é o comunicador de ouvido que vocês verão em inúmeros trajes espaciais. É um traje de duas camadas. Os trajes da NASA 13 camadas. Este é um traje extremamente leve. Ele pesa cerca de 6 quilos e 800 gramas. É quase nada. Foi especialmente projetado para mim. É um protótipo de trabalho. Eu vou usá-lo em todos os saltos. Por favor Costa, de um pequeno giro. Muito Obrigado. E ele não fica muito diferente quando é inflado. Como vocês podem ver pela fotografia lá. Eu tenho praticado acrobacias com ele em um túnel de vento. O que significa que eu posso praticar qualquer coisa que eu precise em segurança, antes que eu faça qualquer salto. Muito obrigado Costa. Senhoras e senhores, isto é tudo que eu tinha. A posição da minha missão, no momento, é que ela ainda precisa de um patrocinador maior. Eu estou confiante que nós encontraremos um Eu acho que isto é um grande desafio. E eu espero que vocês concordem comigo. É a maior acrobacia da terra. Muito obrigado pelo seu tempo.
pt
426
Bom dia. Como estão? Tem sido ótimo, não tem? Fiquei maravilhado com a coisa toda. Na verdade, estou indo embora. Existem três tópicos abordados ao longo da conferência que são relevantes para o que eu vou falar. O primeiro é a extraordinária evidência da criatividade humana em todas as apresentações que tivemos e em todas as pessoas presentes. Sua variedade e multiplicidade. O segundo é o fato de que não fazemos a menor idéia do que vai acontecer no futuro. Nenhuma idéia do que nos espera. Eu me interesso por educação. Na verdade, eu descobri que todo mundo se interessa por educação. Vocês não? Eu acho isso muito interessante. Se você estiver numa festa e disser que trabalha com educação. Na verdade, você não vai a muitas festas se trabalha com educação. Não é convidado. E curiosamente ninguém te convida de novo. Acho isso estranho. Mas se você estiver, e contar para alguém. Quando perguntam "O que você faz?", e você responde que trabalha com educação, dá pra ver a pessoa ficar pálida na hora. Elas pensam: "Ai meu Deus! Por que eu? Logo hoje que eu saí de casa." Mas se você perguntar sobre a educação deles, eles te põem contra a parede. Porque é uma dessas coisas arraigadas nas pessoas, estou certo? Como religião, dinheiro e outras coisas. Eu tenho um grande interesse em educação, e acho que todos temos. Nos interessamos tanto por ela em parte porque é da educação o papel de nos conduzir a esse futuro misterioso. Se formos pensar, as crianças entrando na escola esse ano estarão se aposentando em 2065. Ninguém tem noção, apesar de todo conhecimento que vimos nos últimos quatro dias, de como o mundo vai estar em cinco anos. E ainda assim devemos educá-los para esse mundo. A imprevisibilidade, pra mim, é extraordinária. A terceira coisa é que nós todos concordamos, apesar de tudo, com a capacidade extraordinária que as crianças têm. Sua capacidade de inovação. Sirena ontem a noite foi uma maravilha, não foi? Ver do que ela é capaz. Ela é excepcional, mas não acho, por assim dizer, que seja uma exceção entre todas as crianças. O que vemos ali é uma pessoa de extrema dedicação que achou seu talento. Minha convicção é que todas as crianças têm um talento tremendo. E o desperdiçamos, implacavelmente. Por isso eu quero falar sobre educação e quero falar sobre criatividade. Minha convicção é que a criatividade hoje é tão importante na educação como a alfabetização, e deve ser tratada com a mesma importância. Obrigado. Era isso, a propósito. Muito obrigado. Então. Quinze minutos sobrando. Eu nasci. Não. Ouvi uma história excelente há pouco. Adoro contá-la. É de uma menininha que estava numa aula de desenho. Ela tinha seis anos e estava lá no fundo, desenhando. A professora disse que essa menininha quase nunca prestava atenção na aula, e dessa vez ela prestou. A professora ficou fascinada, foi até ela e perguntou: "O que você está desenhando?" E a menina respondeu: "Estou desenhando Deus." E a professora disse: "Mas ninguém conhece a aparência de Deus." E a menina disse: "Vão conhecer num minuto." Quando meu filho tinha quatro anos na Inglaterra. Na verdade ela tinha quatro anos em qualquer lugar, pra ser sincero. Para sermos exatos, onde quer que ele fosse, ele tinha quatro anos na ocasião. Ele estava numa peça de Natal. Se lembram da história? Sério, foi importante. Foi uma grande história. Mel Gibson fez a sequência. Talvez vocês tenham visto: "Natal 2". Mas o James ganhou o papel de José, o que nos deixou empolgados. A gente considerava ser um dos protagonistas. Lotamos o teatro com representantes usando camisetas: "James Robinson É José!" Ele não tinha nenhuma fala, mas vocês conhecem a parte onde chegam os Reis Magos. Eles carregam presentes, e trazem ouro, incenso e mirra. Isso aconteceu de verdade. Estávamos lá sentados e eu acho que eles não seguiram a ordem porque nós conversamos com o garotinho depois e perguntamos: "Tudo certo?" E ele disse: "Claro! Por quê? Estava errado?" Eles trocaram a ordem, só isso. Enfim, os três garotos entraram, crianças de quatro anos com toalhas na cabeça, e colocaram as caixas no chão. O primeiro garoto disse: "Eu trago ouro." O segundo garoto disse: "Eu trago mirra." E o terceiro garoto disse: "O Frank mandou isso." O que essas histórias tem em comum é que as crianças correm riscos. Se elas não sabem, elas chutam. Estou certo? Elas não tem medo de errar. Não estou dizendo que estar errado é o mesmo que ser criativo. O que sabemos é que se você não estiver preparado para errar, você nunca terá uma idéia original. Se não estiver preparado para errar. E quando chegam a fase adulta, a maioria das crianças perdeu essa capacidade. Elas têm pavor de estarem erradas. E as empresas são administradas assim, por sinal. Nós estigmatizamos os erros. E hoje administramos os sistemas educacionais de um jeito em que errar é a pior coisa que pode acontecer. O resultado disso é que estamos educando as pessoas para serem menos criativas. Picasso disse uma vez que todas as crianças nascem artistas. O problema é permanecer artista enquanto crescemos. Eu acredito apaixonadamente que não aumentamos nossa criatividade, a diminuímos. Ou melhor, somos educados a abandoná-la. Mas por quê? Eu morei em Stratford-on-Avon até cinco anos atrás. Na realidade, mudamos de Stratford para Los Angeles. Vocês podem imaginar a mudança suave que foi. Na verdade, nós moramos numa cidade chamada Snitterfield, na periferia de Stratford, que foi onde o pai do Shakespeare nasceu. Vocês tiveram um estalo? Eu tive. Você nunca pensou que Shakespeare teve um pai, pensou? Pensou? Porque você nunca pensou no Shakespeare criança, pensou? Shakespeare com sete anos? Eu nunca tinha pensado. Quero dizer, ele algum dia teve sete anos. E aprendeu inglês na aula de alguém, não aprendeu? Como isso seria irritante? "Se esforce mais." Ser mandado para cama com o pai dizendo "Para cama, agora!", para William Shakespeare. "Larga esse lápis. E para de falar desse jeito. Ninguém entende nada." Enfim, nos mudamos de Stratford para Los Angeles, e eu só quero dizer uma coisa sobre essa transição. Meu filho não queria vir. Eu tenho dois filhos. Ele agora tem 21 e minha filha 16. Ele não queria vir para Los Angeles. Ele adorava, mas tinha uma namorada na Inglaterra. Era o amor de sua vida, Sarah. Eles se conheciam por um mês. Vejam bem, eles já tinham celebrado seu quarto aniversário, porque isso é muito tempo aos 16. Em todo caso, ele estava chateado no avião e disse: "Eu nunca mais vou encontrar uma garota como a Sarah." E nós ficamos bastante contentes com isso, francamente. Porque ela era a principal razão de estarmos deixando o país. Uma coisa chama atenção quando se vem para os EUA e quando se viaja pelo mundo: todo sistema educacional do planeta tem a mesma hierarquia de disciplinas. Todos eles. Não importa aonde vamos. Você pensa que seria diferente, mas não é. No topo estão a matemática e as línguas, depois as humanas e por último as artes. Qualquer lugar do planeta. E praticamente em qualquer sistema existe uma hierarquia dentre as artes. Arte e música normalmente tem uma importância maior nas escolas do que drama e dança. Não existe um sistema educacional no planeta que ensina dança diariamente às crianças da mesma forma que ensina matemática. Por quê? Por que não? Eu acho bastante importante. Eu acho que matemática é importante, mas dança também. As crianças dançam o tempo todo se deixarem. Nós todos dançamos. Nós todos temos corpos, não temos? Eu faltei uma reunião? Sério, o que acontece é que à medida que as crianças crescem, nós começamos a educá-las progressivamente da cintura para cima. E depois nos focamos na cabeça. E levemente para um lado. Se você visitasse nossas escolas, como um ET, e se perguntasse: "Para que serve a educação pública?" Eu acho que a conclusão obrigatória seria, olhando para o resultado, que quem é bem sucedido, quem faz tudo o que deve, quem ganha as estrelinhas, quem são os vencedores, eu acho que a conclusão seria de que o objetivo da educação pública ao redor do mundo é produzir professores universitários. Não é? Eles que saem por cima. E eu costumava ser um, pra constar. Eu gosto de professores universitários, mas nós não devemos colocá-los no topo das realizações humanas. É só uma forma de vida, outra forma de vida. Mas eles são peculiares, e eu digo isso com todo carinho. Existe uma coisa curiosa com os professores, na minha experiência. Não todos, mas tipicamente, eles vivem em suas cabeças. Eles vivem lá em cima e levemente para um lado. Eles saíram do corpo, quase literalmente. Eles vêem o próprio corpo como uma forma de transporte para a cabeça. Não é assim? É um jeito de levarem suas cabeças às conferências. Se você quiser evidências concretas de experiências extra-corpóreas, por sinal, é só participar de uma conferência de acadêmicos sênior, e aparecer na discoteca na noite final. E lá você vai ver, homens e mulheres maduros, se contorcendo incontrolavelmente, fora do ritmo. Só esperando que o evento acabe e eles possam escrever um artigo a respeito. Nosso sistema educacional atual se baseia na idéia da habilidade acadêmica. E existe uma razão para isso. O sistema foi concebido, e no mundo todo, não existiam sistemas públicos de educação antes do Séc. XIX. Todos eles foram criados para atender a demanda da industrialização. Então a hierarquia está apoiada em duas idéias. A primeira é que as disciplinas mais úteis para o trabalho estão no topo. Então você era bondosamente afastado na escola quando era criança de certas coisas, coisas que gostava, com a premissa que você nunca iria conseguir um emprego fazendo aquilo. Correto? Não faça música, você não vai ser músico. Não faça arte, você não vai ser artista. Conselho benigno. Hoje, profundamente errado. O mundo inteiro está envolto numa revolução. A segunda é a aptidão acadêmica, que veio a dominar nossa visão de inteligência, porque as universidades planejaram o sistema à sua própria imagem. Se você for pensar, todo o sistema de educação pública ao redor do mundo é um extensão do processo de ingresso à universidade. A consequência disso é que muitas pessoas altamente talentosas brilhantes e criativas, pensam que não são, porque aquilo que elas eram boas na escola não era valorizado, ou era até estigmatizado. Eu acho que não podemos nos dar ao luxo de ir por esse caminho. Nos próximos 30 anos, de acordo com a UNESCO, mais gente ao redor do mundo irá se formar através da educação do que desde o princípio da história. Mais gente. E isso é a combinação de tudo que já falamos. A tecnologia e seu efeito modificador no trabalho, e a demografia e a enorme explosão populacional. De repente, diplomas não valem mais nada. Não é verdade? Quando eu estudava, quem tinha um diploma, tinha um emprego. Quem não tinha um emprego, era porque não queria. E eu não queria, francamente. Mas agora garotos com diplomas estão voltando para casa para jogar video game porque pedem mestrado para o trabalho que necessitava bacharelado, e doutorado para o trabalho que necessitava mestrado. É um processo de inflação acadêmica. E é um indicativo de que toda a estrutura educacional está mudando na frente do nosso nariz. Precisamos repensar radicalmente nossa visão de inteligência. Sabemos três coisas sobre inteligência. Um, é variada. Pensamos a respeito do mundo de todas as formas que o vivenciamos. Pensamos visualmente, pensamos auditivamente, pensamos cinestesicamente. Pensamos em termo abstratos, pensamos em movimento. Dois, inteligência é dinâmica. Se formos olhar as interações do cérebro humano, conforme ouvimos ontem em várias apresentações, a inteligência é maravilhosamente interativa. O cérebro não se divide em compartimentos. De fato, criatividade, que eu defino como o processo de ter idéias originais que possuem valor, com bastante frequência se manifesta através da interação de como as diferentes disciplinas vêem as coisas. O cérebro é intencionalmente. Por sinal, existe um feixe de filamentos nervosos que conecta os dois lados do cérebro chamado corpo caloso. É mais espesso nas mulheres. Completando o que a Helen falou ontem, eu acho que esta é a razão pela qual as mulheres são melhores em multitarefa. Porque vocês são, não são? As pesquisas são abundantes, mas eu sei por experiência própria. Quando minha esposa está cozinhando, o que acontece pouco, ainda bem. Mas enfim, ela está lá. Sério, ela é boa em algumas coisas. Mas quando ela está cozinhando, ela está falando no telefone, está falando com as crianças, está pintando o teto, está fazendo cirurgia cardíaca. Quando eu cozinho, a porta está fechada, as crianças saíram, o telefone está fora do gancho, se ela aparece eu me irrito. Eu digo: "Terry, por favor, estou tentando fritar um ovo aqui. Me deixa em paz." Conhecem aquele velho postulado filosófico? Se uma árvore cai na floresta e ninguém ouve, será que aconteceu? Lembram dessa piada velha? Vi uma camiseta excelente esses dias que dizia: "Se um homem fala o que pensa numa floresta, e nenhuma mulher escuta, ele continua errado?" O terceiro ponto sobre a inteligência é que é distinta. Estou escrevendo um livro atualmente chamado "Epifania", que é baseado numa série de entrevistas que eu fiz sobre como as pessoas descobriram seus talentos. Sou fascinado por como elas chegaram onde estão. Fui motivado por uma conversa que tive com uma mulher maravilhosa que talvez muitas pessoas nunca tenham ouvido falar. Ela se chama Gillian Lynne, já ouviram falar dela? Alguns já. Ela é uma coreógrafa e todo mundo conhece seu trabalho. Ela trabalhou em "Cats", e "O Fantasma da Ópera". Ela é maravilhosa. Eu estava no conselho do Royal Ballet, na Inglaterra, como podem ver. Gillian e eu almoçamos um dia e eu perguntei: "Gillian, como você se tornou dançarina?" E ela respondeu que foi interessante, quando ela estava na escola, ela estava desanimada. E a escola, nos anos 30, escreveu para os pais dizendo: "Achamos que a Gillian tem dificuldade de aprendizado." Ela não conseguia se concentrar, era inquieta. Eu acho que hoje diriam que ela tinha TDAH. Não acham? Mas eram os anos 30, e TDAH não tinha sido inventado ainda. Não era uma doença disponível. As pessoas não sabiam que podiam ter aquilo. Então a mandaram para um especialista. A sala era toda em madeira. Ela estava com sua mãe, e a puseram numa cadeira no canto, e ela sentou sobre as mãos por 20 min enquanto um homem conversava com sua mãe sobre os problemas que a Gillian vinha tendo na escola. E no final. Porque ela estava perturbando as pessoas, as tarefas estavam sempre atrasadas, e assim por diante, um criança de oito anos. No final o médico sentou ao lado da Gillian e disse: "Gillian, eu ouvi todas as coisas que sua mãe me disse, e eu preciso conversar a sós com ela." Ele disse: "Espere aqui, já voltamos. Não vai demorar.", e eles deixaram ela sozinha. Mas enquanto eles saiam da sala, ele ligou o rádio que estava sobre a mesa. E quando eles saíram da sala, ele disse para a mãe: "Só a escute e a observe." E assim que eles deixaram a sala, ela disse, ela estava de pé, se movendo com a música. Eles observaram por alguns minutos e ele se virou para a mãe e disse: "Sra. Lynne, a Gillian não está doente, ela é uma dançarina. Leve-a para uma escola de dança." Eu perguntei: "O que aconteceu?" Ela respondeu: "Ela levou. Não consigo descrever como foi maravilhoso. Entramos numa sala cheia de pessoas como eu. Pessoas que não conseguiam ficar paradas. Pessoas que precisavam se mexer para pensar. Precisavam se mexer para pensar. Eles ensinavam ballet, sapateado, jazz, dança moderna, contemporânea. Ela eventualmente fez um teste para a Royal Ballet School, se tornou uma solista e teve uma carreira fantástica na Royal Ballet. Ela eventualmente se formou na Royal Ballet School, fundou sua própria empresa, a Companhia de Dança Gillian Lynne, e conheceu Andrew Lloyd Weber. Ela foi responsável por alguns dos musicais mais bem sucedidos na história, deu alegria para milhões, e é multimilionária. Outra pessoa poderia ter receitado um remédio e dito para ela se acalmar. Hoje, eu acho. Eu acho que se resume a isso: Al Gore falou outra noite sobre ecologia, e a revolução desencadeada por Rachel Carson. Eu acredito que nossa única esperança para o futuro é a adoção de uma nova concepção de ecologia humana, uma em que começamos a reconstituir nossa concepção da riqueza da capacidade humana. Nosso sistema educacional explorou nossas mentes como exploramos a terra: em busca de um recurso específico. E para o futuro, isso não serve. Temos que repensar os princípios fundamentais que baseamos a educação de nossas crianças. Existe uma frase maravilhosa de Jonas Salk, que diz: "Se todos os insetos desaparecessem da terra, dentro de 50 anos, toda vida na Terra desapareceria Se todos os humanos desaparecessem da Terra, dentro de 50 anos todas as formas de vida floresceriam." Ele está certo. O que a TED celebra é a dádiva da imaginação humana. Temos que ser cuidadosos e usar essa dádiva com sabedoria, de modo e evitar alguns dos cenários que falamos a respeito. E a única maneira de fazer isso é encarando nossa capacidade criativa pela riqueza que ela representa e nossas crianças pela esperança que elas representam. Nossa tarefa é educá-las em sua totalidade, preparando-as para esse futuro. A propósito, talvez não vejamos esse futuro, mas elas verão. E o nosso trabalho é ajudá-las a tirar proveito dele. Muito obrigado.
pt
427
Esta palestra é sobre corrigir escritas erradas. Não, o som não é um erro -- corrigir escritas erradas. O Oriente Médio é enorme, e com todos nossos problemas, uma coisa é certa: nós amamos rir. Eu acho que o humor é uma grande forma de celebrar nossas diferenças. Precisamos assumir nossas responsabilidades seriamente, mas não a nós mesmos. Não me entenda mal: não é que não tenhamos comédia no Oriente Médio. Eu cresci em uma época em que atores icônicos do Kuwait, da Síria e do Egito, usavam a risada para unir a região, assim como o futebol faz. Agora é hora de nós rirmos de nós mesmos, antes que outros riam conosco. Esta é a história da ascensão da comédia stand-up no Oriente Médio -- um levantamento da revolta, se preferir. Trabalhando em Londres como realizador e escritor de TV eu rapidamente percebi que a comédia conecta audiências. Atualmente, o melhor celeiro de escrita da boa comédia é o circuito da comédia stand-up, onde eles costumam dizer que você mata quando você se sai bem e você bombou quando você se sai mal. Uma infeliz conexão para nós talvez, mas isto me lembra que gostaríamos de agradecer a um homem por, nas últimas décadas, ter trabalhado incansavelmente para apoiar comediantes em todo o mundo, especialmente comediantes com um passado no Oriente Médio. Como meus bons amigos, Dean e Maysoon, na parte de baixo da tela, que, dois anos após 11/09, iniciaram um festival para mudar a forma como as pessoas do Oriente Médio eram vistas no mundo. Ainda está se fortalecendo. Com uma imprensa positiva de morrer. Também tem, três caras trabalhando há anos em Los Angeles, um Iraniano, um Palestino e um Egípcio, criaram seu ato sob o esperto nome de Eixo da Comédia do Mal. E onde quer que eles passem eles matam. Bom, eu não comecei esse fogo, mas eu joguei petróleo nele. Eu mudei para Dubai como chefe de conteúdo original de uma rede de TV Ocidental. Meu trabalho era conectar a marca com uma audiência do Oriente Médio. Agora, a chefia de programação americana queria uma comédia árabe local. Em pesado sotaque árabe, meu cérebro disse, "Berfeito." Bom, tenho amigos nos E. U. A. que iniciaram uma bem sucedida nova tribo. E eu tinha toda intenção de tirá-los do anonimato no Oriente Médio e empurrá-los até o topo em direção ao sucesso. Bem, como toda nova ideia, não foi fácil. Eu tinha quatro fases para este plano. Primeiro, tinhamos que comprar conteúdo do Ocidente e exibi-lo. Então, eu traria meus amigos e mostraríamos a amadores locais como se faz. Filmaríamos isto e exibiriamos, e então eu poderia trabalhar com os amadores locais e escrever uma nova comédia. Eu apresentei isso empolgadamente ao chefão, e a reação dele foi, "Hum, eu não entendi." Então me recolhi novamente em minha caverna e continuei a apoiar e produzir comédia e deixei meus amigos usarem meu sofá como central regional de operações. Bem, adiantando dois anos, até o início de 2007. A Terra rodou, assim como nossa empreitada. E como que por intervenção divina, as coisas se juntaram para ajudar essa revolução a tomar forma. Aqui está como os pontos se conectaram. Primeiro, os caras do Eixo gravaram uma Central de Comédia especial que foi exibido nos estados unidos, e que estava se tornando um hit no YouTube. Nosso novo CEO francês acreditava no poder da RE. positiva e em ideias baratas. Vamos apenas dizer "valor do dinheiro." Eu produzi em Dubai um show para Ahmed Ahmed para exibir seu especial do "Eixo" em uma sala lotada. Eu convidei nosso novo CEO, E tão logo ele percebeu que tínhamos uma sala cheia de risonhos infiéis, sua reação foi muito simples: "Vamos fazer isso acontecer. E mais uma coisa: Não estrague tudo." Então rapidamente eu fui trabalhar com um grande time ao meu redor. Aconteceu de descobrir um cara engraçado para apresentar o show em árabe, que originalmente era Coreano, uma escolha perfeita para o Eixo do Mal. Isto é tudo verdade. Agora, enquanto preparava o tour, eu tive que lembrar os caras de serem culturalmente sensíveis. Eu usei os três B's proibidos em uma comédia stand-up como eu os chamo no Oriente Médio -- Pornografia, mantenha-se livre -- crenças, não religião, e o terceiro B, bolítica. Fique longe de bolítica no Oriente Médio. É claro, você pode pensar, o que sobrou sem bolítica, sexo e religião, que pode fazer o público rir? Eu diria, veja qualquer bem sucedia e bem escrita, série de família-amigos no Ocidente e terá sua resposta. Agora, o Eixo foi bem-sucedido? Em cinco países, em menos de um mês, tivemos centenas de fãs fanáticos que vieram para vê-los ao vivo. Tivemos milhões que os viram na TV ou nos noticiários de TV. Na Jordânia, tivemos Sua Majestade o Rei que veio vê-los. Na verdade, eles fizeram tanto sucesso que você podia comprar uma cópia pirata do DVD deles, antes mesmo dele ser lançado no Oriente Médio. Onde quer que se fosse. Então em todo lugar que íamos, fazíamos testes com amadores. Filmamos esse processo e exibimos um documentário. Eu chamei de "Três Caras e Wonho." Este realmente é o nome dele. E toda essa exposição na TV e na internet nos levou a conseguir muitos recrutas para nossa causa. Em Dubai este ano, acabamos de ter o primeiro show de comédia stand-up inteiramente com mulheres. E percebam que duas delas estão usando lenço na cabeça, e sim, mesmo elas podem rir. Dubai, para mim, é como uma mão que apoia qualquer um que quer fazer as coisas acontecerem. 20 anos atrás, ninguém tinha ouvido falar disso. Veja agora. Com um líder inspiracional, acredito que este ano, a abertura da maior torre do mundo irá meio que adicionar um dedo a esta mão, que aponta para aqueles que espalham falsas histórias sobre nós. Agora, em três curtos anos, nós percorremos um longo caminho com shows de comédia stand-up acontencendo até na Arábia Saudita. Esses cômicos vão agora para o Festival de Nova York. E o Libanês, brilhante libanês, Nemr Abou Nassar, que se apresentou em nosso primeiro tour, está se apresentando em L. A. em lendários clubes de comédia. Evidentemente, de dentro, estamos fazendo o melhor para mudar nossa imagem, e está explodindo. Então, para os de fora que nos procuram, assistam a matéria da CNN sobre o segundo Festival de Comédia de Anman. A repórter fez um grande trabalho e eu a agradeço, mas alguém esqueceu de mandar um e-mail positivo de RP para a pessoa que estava operando o ticker de matérias que aparece embaixo da tela. Por exemplo, quando Dean fala, o ticker diz, "U. S: Suspeito contesta intel." Bem, se você está acostumado a escutar comediantes, então eu não estou surpreso. Infelizmente, isso me levou a outros três B's que representam como a mídia do Ocidente fala de nós como homens-bomba, bilionários e dançarinas de dança do ventre. Chega. Nós não somos todos fanáticos raivosos que querem matar o infiel. Temos uma história positiva para contar e imagens para vender. Na verdade, uma coisa é certeza, na minha experiência, nós amamos rir à beça. Aqui estão três perguntas que gosto de usar para testar a verdade da nossa representação em qualquer história na mídia. Um: O Oriente Médio tem sido mostrado num tempo atual e contexto correto? Dois: Os personagens do Oriente Médio riem ou sorriem sem mostrar o branco de seus olhos? Três: O personagem do Oriente Médio tem sido interpretado por um? Claramente, existem erros que precisam ser concertados. Nós começamos em nossa região. Meu desafio ao resto do mundo é que por favor comecem a usar imagens positivas do Oriente Médio em suas histórias. Para inspiração, vá até um de nossos festivais, vá online, dê-nos um retorno. Vamos mudar a narrativa juntos e vamos começar a corrigir escritas erradas. Eu gostaria de finalizar, antes de voltar ao Oriente Médio, com uma frase de um dos maiores Sheiks que já colocou a pena em um pergaminho. Como meu pai gosta de chamá-lo, "Asheikh Azubare," como minha mãe diz, "Shakespeare." "E agora vamos felizes para a liberdade e não para a punição." Obrigado.
pt
428
Apresento-me hoje diante de vocês com toda humildade, desejando compartilhar com vocês minha jornada dos últimos seis anos na área de serviços e educação. Não possuo treinamento acadêmico. Também não sou uma veterana no trabalho social. Estive durante 26 anos no mundo corporativo, tentando tornar as organizações lucrativas. E então, em 2003, comecei com a Parikrma Humanity Foundation a partir da mesa da minha cozinha. A primeira coisa que fizemos foi percorrer as favelas. Vocês sabe, por falar nisso, que existem dois milhões de pessoas em Bangalore, vivendo em 800 favelas. Nós não conseguiríamos ir a todas as favelas mas tentamos cobrir tantas quanto pudemos. Nós percorremos essas favelas, identificamos as casas onde as crianças jamais iriam para a escola. Falamos com os pais, tentamos convencê-los a mandarem seus filhos para a escola. Brincamos com as crianças, e voltamos para casa realmente cansados, exaustos, mas com imagens de rostos alegres, olhares faiscantes, e fomos dormir. Estávamos todos ansiosos para começar. Mas daí os números nos atingiram. 200 milhões de crianças entre 4 e 14 anos que deveriam estar frequentando a escola, mas não estavam. 100 milhões de crianças que vão à escola mas não são capazes de ler. 125 milhões que não sabem a matemática elementar. Também ouvimos dizer que 250 bilhões de rúpias indianas eram destinadas às escolas públicas. 90 por cento disso era gasto em salários de professores e salários de administradores. E, mesmo assim, a Índia tem praticamente o maior absenteísmo de professores no mundo, com um de cada quatro professores não comparecendo à escola por todo o ano acadêmico. Esses números eram absolutamente perturbadores, avassaladores, e nós éramos constantemente questionados "Quando vocês vão começar? Quantas escolas vocês vão abrir? Quantas crianças vocês vão receber? Como vocês vão expandir? Como vocês vão multiplicar?" Era muito difícil não ficarmos apavorados, não ficarmos desanimados. Mas nós insistimos e dissemos, "Não estamos no negócio dos números." Nós queremos pegar uma criança de cada vez e conduzir essa criança direitinho através da escola, mandando-a para a universidade, e deixá-las preparadas para viverem melhor, para uma profissão valorizada. Desse modo, começamos a Parikrma, a primeira escola Parikrma começou numa favela onde haviam 70. 000 pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza. Nós começamos, nossa primeira escola ficava sobre a laje de um prédio dentro da favela, um prédio de dois andares, o único prédio de dois andares na favela. E aquela laje não tinha nenhum forro, só a metade era coberta apenas por uma folha de metal. Aquela foi nossa primeira escola: 165 crianças. O ano acadêmico na Índia começa em junho. Então, em junho chove, assim, muitas vezes todos nós ficávamos espremidos sob o telhado de metal, esperando que a chuva parasse. Céus, que exercício de união isso foi. E todos nós que ficamos embaixo daquele telhado, estamos ainda aqui, juntos, hoje. Então veio a segunda escola, a terceira escola, a quarta escola, e uma faculdade de tecnologia. Passados seis anos, agora temos quatro escolas, uma faculdade tecnológica, 1. 100 crianças provenientes de 28 favelas e de quatro orfanatos. Nosso sonho é muito simples, enviar cada uma dessas crianças, prepará-las para viverem, para serem educadas, mas também para viverem pacificamente, satisfeitas neste mundo competitivo caótico e globalizado. E então, quando se fala de globalização é preciso falar inglês. E assim todas as nossas escolas são escolas de língua inglesa. Mas eles sabem que existe esse mito de que as crianças das favelas não podem falar bem o inglês. Ninguém nas famílias delas falava inglês. Ninguém da geração delas falava inglês. Mas como isso está errado. Vídeo: Garota: Eu gosto de livros de aventuras, e um dos meus favoritos eu gosto de Alfred Hitchcock e [confuso] e Hardy Boys. E esses três são parecidos, se bem que sejam parecidos em contextos diferentes, um é como mágica, os outros dois são como investigações, eu gosto desses livros porque eles têm alguma coisa especial, o vocabulário usado nesses livros, e a maneira, o estilo de escrever. Quero dizer que uma vez que pego um livro não consigo largá-lo até que acabe o livro inteiro. Mesmo que leve umas quatro horas e meia, ou três horas e meia para terminar o livro, eu faço isso. Menino: eu fiz uma boa pesquisa e consegui a informação sobre os carros mais velozes do mundo. Eu gosto da Ducati ZZ143, porque ela é a mais veloz, a moto mais veloz do mundo. E gosto da Pulsar 220 DTSI porque é a moto mais rápida da Índia. Bem, aquela garota que vocês viram, o pai dela vende flores na beira da estrada. E esse garotinho está frequentando a escola há cinco anos. Mas não é uma coisa estranha que garotinhos em todas as partes do mundo adorem motocicletas velozes? Ele jamais viu uma delas. Ele certamente jamais andou numa delas, mas ele fez um bocado de pesquisas através do Google. Vocês sabem, quando começamos com nossas escolas de língua inglesa nós também decidimos adotar o melhor currículo possível, E, novamente, algumas pessoas riam de mim e diziam, "Você está louca de escolher um currículo tão difícil para esses estudantes? Eles jamais vão conseguir acompanhar." Nossas crianças não apenas acompanham muito bem, mas elas são excelentes. Vocês deveriam nos visitar para ver como nossas crianças vão bem. Também existe o mito que os pais das favelas não estão interessados em que seus filhos frequentem a escola, eles achariam melhor colocá-las trabalhando. Isso é uma bobagem completa. Todos os pais em todo o mundo querem que seus filhos tenham uma vida melhor do que a deles. Mas eles precisam acreditar que essa mudança é possível. Vídeo: Shukla Bose: Nós tivemos 80 por cento de frequência em todas as nossas reuniões de pais e professores. Algumas vezes chega a 100 por cento, muito mais que muitas escolas privilegiadas. Os pais começaram a comparecer. É muito interessante. Quando começamos nossa escola os pais assinavam a lista de presença com impressões digitais. Agora eles começaram a escrever suas assinaturas. As crianças ensinaram a eles. É extraordinário o quanto as crianças são capazes de ensinar. Aconteceu, há alguns meses, na verdade, no final do ano passado, algumas mães nos procuraram e disseram, "Vocês sabem, nós queremos aprender a ler e escrever, vocês podem nos ensinar?" Assim, nós começamos a oferecer aulas no final do período para os nossos pais, para as mães. Tivemos 25 mães que vinham regularmente depois das aulas, para estudar. Queremos continuar com esse programa e estendê-lo a todas as nossas outras escolas. 98 por cento de nossos pais são alcoólatras. Assim, vocês podem imaginar como são traumatizados e disfuncionais os lares de onde vêm nossas crianças. Precisamos mandar os pais para laboratórios de desintoxicação e quando eles voltam geralmente sóbrios, precisamos encontrar empregos para eles para que eles não regridam. Temos uns três pais que foram treinados como cozinheiros. Ensinamos a eles nutrição, higiene. Nós os ajudamos a equipar a cozinha e agora eles estão fornecendo a comida para todas as nossas crianças. Eles fazem um bom trabalho porque os filhos deles estão comendo a comida deles, mas o mais importante é que essa é a primeira ocasião em que eles foram respeitados, e eles sentem que estão fazendo uma coisa que vale a pena. Mais de 90 por cento de nossa equipe de apoio são todos pais e famílias estendidas. Implantamos vários programas só para nos assegurarmos de que as crianças compareçam à escola. Programa de habilidades vocacionais para os irmãos mais velhos de modo que os menores não sejam impedidos de vir para a escola. Também existe um mito de que as crianças das favelas não conseguem integrar-se à cultura dominante. Vejam esta garotinha que foi uma das 28 crianças de todas as escolas privilegiadas, as melhores escolas do país que foi selecionada pela Universidade Duke em seu programa de identificação de talentos e foi enviada para I Am Amedabad. [Eu Sou Amedabad] Vídeo: Garota [confuso] Sempre que vemos isso [confuso] foi um grande orgulho para nós irmos e participarmos daquele acampamento. E nós fomos lá. Todos foram muito amigáveis, especialmente eu fiz muitos amigos. E senti que meu inglês melhorou bastante indo lá e batendo papo com amigos e tudo mais. Lá eles encontraram crianças que estão com um padrão diferente e tudo mais, uma mentalidade diferente, uma sociedade completamente diferente. Eu me relaciono quase com todo mundo. Eles foram muito amigáveis. Eu tinha ótimos amigos lá, que são de Delhi, que são de Mumbai. Até agora continuamos em contato através do Facebook. Depois desta viagem a Amedabad eu fiquei totalmente diferente participando com as pessoas e tudo mais. Antes eu sentia que não era assim. Eu não me relacionava, nem começava a falar com as pessoas tão depressa. Meu sotaque no inglês melhorou um bocado, e eu aprendi futebol, voleibol, frisbee, um monte de jogos. E eu não queria voltar a Bangalore. Deixem-me ficar aqui. Uma comida tão linda. Eu gostei. Era tão bonito. Eu gostei de comer comida assim [confuso] vinha e me perguntava, "Sim, senhora, o que a senhora quer?" Era tão bom ouvir isso! Essa menina trabalhava como doméstica antes de vir para a escola. E hoje ela quer ser uma neurologista. Nossas crianças estão se saindo brilhantemente nos esportes. Eles estão mesmo excelentes. Existe uma competição atlética entre escolas que é realizada a cada ano em Bangalore, na qual participam 5. 000 crianças das 140 melhores escolas da cidade. Nós obtivemos o prêmio da melhor escola por três anos consecutivos. E nossas crianças estão voltando para casa com as malas cheias de medalhas, com muitos admiradores e amigos. No ano passado houveram alguns alunos de escolas de elite que vieram pedir admissão na nossa escola. Nós também temos o nosso próprio time dos sonhos. Porque isso está acontecendo? Qual a razão dessa confiança? Será a exposição? Nós temos professores do MIT, Berkeley, Stanford, Instituto de Ciências da Índia que vêm ensinar a nossas crianças um bocado de fórmulas científicas, experimentos, muito além das salas de aulas. Arte, música são consideradas terapia e meios de expressão. Nós também acreditamos que o conteúdo é o mais importante. Não é a infraestrutura, não são os banheiros, não são as bibliotecas, mas é o que realmente acontece na escola que é o mais importante. Criar um ambiente de aprendizagem, de questionamento, de exploração isso é a verdadeira educação. Quando começamos com a Parikrma não tínhamos idéia nenhuma sobre a direção que estávamos tomando. Não contratamos a Mackenzie para fazer um plano de negócios. Mas estávamos certos de que o que queremos fazer hoje é cuidar de uma criança de cada vez, não ficarmos atolados em números, e efetivamente cuidar para que a criança complete o círculo da vida, e libere todo seu potencial. Nós não acreditamos em escala porque acreditamos em qualidade, e a escala e os números vão acontecer automaticamente. Temos empresas que nos apoiaram, e somos capazes, agora, de abrir mais escolas. Mas começamos com a idéia de uma criança de cada vez. Este é o Parusharam, tem cinco anos. Ele estava mendigando perto de um ponto de ônibus, há alguns anos, foi recolhido e agora está em um orfanato, tem frequentado a escola pelos últimos quatro meses e meio. Ele está no jardim de infância. Ele aprendeu a falar inglês. Temos um sistema pelo qual as crianças são capazes de falar inglês e entender inglês num prazo de três meses. Ele consegue contar histórias em inglês, da vaca que tinha sede, do crocodilo, e da girafa. E se vocês perguntarem o que ele gosta de fazer ele vai responder, "Eu gosto de dormir. Eu gosto de comer. Eu gosto de brincar." E se vocês perguntarem o que ele quer fazer ele vai dizer, "Eu quero cavalar." Bem, cavalar quer dizer que está esperando um passeio de cavalo. Assim, Parusharam vem a meu escritório todos os dias. Ele vem para esfregar a barriga, porque ele acredita que isso vai me dar sorte. Quando fundei a Parikrma comecei com um bocado de arrogância, de transformar o mundo. Mas hoje fui eu que me transformei. Eu fui transformada com minhas crianças. Eu aprendi tanto com elas, amor, compaixão, imaginação, e tanta criatividade. Parusharam é Parikrma com um início simples mas um longo caminho a percorrer. Eu prometo a vocês que Parusharam vai falar na conferência do TED daqui a alguns anos. Muito obrigada.
pt
429
Acho que eu deveria falar sobre meu novo livro, que se chama "Blink", e fala sobre decisões instantâneas e primeiras impressões. Ele será lançado em Janeiro, e espero que cada um de vocês compre três. Mas eu estava pensando sobre isso, e me dei conta de que embora meu novo livro me deixe feliz, e acho que deixará minha mãe feliz, ele não é exatamente sobre felicidade. Então decidi que em vez disso, falarei sobre alguém que eu acho que fez tanto para deixar os Americanos felizes como talvez nenhum outro nos últimos 20 anos. Um homem que é um grande herói para mim. Alguém chamado Howard Moskowitz, que é mais famoso por ter reinventado o molho de espaguete. Howard é mais ou menos desta altura, é rendondo, está com seus sessenta anos, usa óculos enormes tem cabelo grisalho e ralo, e tem um tipo maravilhoso de exuberância e vitalidade, ele tem um papagaio, e ama ópera, e é um grande fã de história medieval. E de profissão, ele é um psicofisiologista. Bem, eu devo dizer que não faço ideia do que seja um psicofisiologista, se bem que já cheguei a namorar uma garota por dois anos que estava fazendo doutorado em psicofisiologia. Isso deve contar algo sobre aquele relacionamento. Até onde eu sei, a psicofisiologia trata de medir coisas. E Howard se interessa muito por medir as coisas. Ele conseguiu seu título de doutor em Harvard, e montou uma pequena consultoria em White Plains, Nova Iorque. E um de seus primeiros clientes -- isto foi há vários anos, no início dos anos 70 -- um de seus primeiros clientes foi a Pepsi. E a Pepsi chegou para Howard e disse, "Você sabe, existe essa coisa nova chamada aspartame, e nós queremos produzir a Pepsi Diet. Nós gostaríamos que você descobrisse quanto aspartame devemos colocar em cada lata de Pepsi Diet, para ter a bebida perfeita." Certo? Esta parece uma pergunta incrivelmente direta para se responder, e foi o que Howard pensou. Porque a Pepsi lhe disse, "Olhe, nós estamos trabalhando numa faixa entre oito e 12 por cento. Qualquer coisa abaixo de oito por cento a doçura não fica doce o suficiente, e qualquer coisa acima de 12 por cento a doçura fica doce demais. Nós queremos saber, qual o ponto ideal de doçura entre oito e 12?" Agora, se eu lhes desse esse problema para resolver, todos diriam que é muito simples. O que fazemos é arrumar uma grande quantidade de Pepsi experimental, em todos os graus de doçura -- oito por cento, 8. 1, 8. 2, 8. 3, até chegar a 12 -- e nós testamos isso com milhares de pessoas, marcamos os resultados em um gráfico, e escolhemos a concentração mais popular. Certo? Muito simples. Howard fez o experimento, colocou os dados coletados em um gráfico, e de repente percebeu que não era uma bela curva com forma de sino. Na verdade, os dados não faziam sentido algum. Era uma bagunça. Estava tudo espalhado. Agora, a maioria das pessoas nesse negócio, no mundo de testar alimentos e essas coisas, não se desanimam quando os dados ficam bagunçados. Eles pensam, bem, você sabe, descobrir o que as pessoas pensam sobre refrigerantes não é tão fácil Você sabe, talvez fizemos algo errado no meio do caminho. Sabe como é, vamos fazer uma suposição bem educada, e eles simplesmente apontam e decidem pelos 10 por cento, bem no meio. Howard não se satisfaz tão facilmente. Howard é um homem com um certo grau de padrões intelectuais. E isto não estava bom o suficiente para ele, e essa pergunta perturbou ele durante anos. E ele refletia sobre isso e dizia, o que estava errado? Por que não podíamos compreender esse experimento com a Pepsi Diet? Um dia, ele estava sentado em um restaurante em White Plains, prestes a tentar imaginar algum trabalho para Nescafe. E de repente, como um relâmpago, a resposta veio. E ela era que, quando eles analizaram os dados da Pepsi Diet, eles estavam fazendo a pergunta errada. Eles estavam procurando pela Pepsi perfeita, e eles deveriam ter procurado pelas Pepsis perfeitas. Confiem em mim. Esta era uma enorme revelação. Esta foi uma das mais brilhantes descobertas em toda a ciência alimentícia. E Howard imediatamente pegou a estrada, e foi para conferências pelo país, levantava-se e dizia, "Vocês têm procurado pela Pepsi perfeita. Vocês estão errados. Vocês deviam procurar pelas Pepsis perfeitas." E as pessoas olhavam para ele com uma expressão vazia, e lhe diziam, "O que você está dizendo? Isso é uma loucura." E eles diziam, você sabe, "Saia! Próximo!" Tentava fazer negócios, mas ninguém contratava ele -- mas ele estava obsecado, e ele falava sobre isso, e falava sobre isso, e falava sobre isso. Howard ama a expressão ídiche "para um verme em uma raiz-forte, o mundo é uma raiz-forte" Esta era a sua raiz-forte. Ele estava obsecado por isso! E finalmente, ele teve uma descoberta. Vlasic Pickles veio para ele, e eles disseram, "Sr. Moscowitz -- Doutor Moskowitz -- nós queremos fazer o picles perfeito." E ele disse, "Não existe o picles perfeito, existem apenas os picles perfeitos." E ele chegou para eles e disse, "Vocês não precisam apenas melhorar o seu tradicional, vocês precisam criar sabores." E foi aí que surgiu o picles picante. Então a próxima pessoa veio, e era a Campbell's Soup. E isto era ainda mais importante. De fato, foi na Campbell's Soup que Howard construiu sua reputação. Campbell's fabricava Prego, e no início da década de 80, Prego estava lutando próxima a Ragu, que era o molho de tomate dominante nas décadas de 70 e 80. Agora, na indústria -- eu não sei se vocês se importam sobre isso, ou quanto tempo eu tenho para falar sobre isso. Mas ele era, tecnicamente falando -- este é um aparte -- o Prego era um melhor molho de tomate que o Ragu A qualidade da pasta de tomate era muito melhor, a mistura de temperos era muito superior, ele aderia na massa de uma maneira muito mais prazeirosa. De fato, eles fizeram um famoso teste da tigela com Ragu e Prego, na década de 70. Você tinha um prato de espaguete, e você derramava ele em cima, certo? E o Ragu ia todo para o fundo do prato, e o Prego ficava por cima. Isso é chamado "aderência." E, de alguma maneira, apesar do fato de que eles era muito superiores em aderência, e a qualidade da sua pasta de tomate, Prego estava lutando. Então eles vieram para Howard, e disseram, conserte-nos. E Howard olhou para sua linha de produtos, e disse, o que vocês tem é uma sociedade de tomates mortos. Então ele disse, isso é o que eu quero fazer. E ele se reuniu com a cozinha da Campbell's Soup, e ele fez 45 variedades de molho de tomate. E ele mexeu neles de acordo com todas as maneiras concebíveis que um molho de tomate podia variar. Pela doçura, pelo nível de alho, de acidez, de amargor, pelos tomates, pelos sólidos visíveis -- meu termo predileto no ramo dos molhos de espaguete. Tudo que podia variar num molho de tomate, ele variou no molho de tomate. E ele pegou todo esse grupo de 45 molhos de espaguete, e ele pegou a estrada. Ele foi para Nova Iorque, ele foi para Chicago, para Jacksonville, ele foi para Los Angeles. E ele trazia pessoas aos montes. Para grandes salas. E ele deixava eles sentados por duas horas, e dava, no período dessas duas horas, dez tigelas. Dez pequenas tigelas de macarrão, com um molho de espaguete diferente em cada uma. E depois de comer cada tigela, eles tinham que classificar, de 0 a 100, quanto eles achavam que o molho era bom. Ao final do processo, após fazer isso por meses e meses, ele tinha uma montanha de dados sobre como o povo americano queria o molho de espaguete. E então ele analisou esses dados. Agora, ele estava procurando pela variedade de molho de espaguete mais popular? Não! Howard não acredita que exista tal coisa. Ao invés, ele olhou para os dados, e ele disse, vamos ver se nós podemos agrupar esses diferentes pontos. Vamos ver se eles se reunem em volta de certas ideias. E certamente, se você sentasse e analizasse todos esses dados sobre molho de espaguete, você perceberia que todos os americanos se encaixam em um de três grupos. Tem pessoas que gostam de seu molho de espaguete uniforme, tem pessoas que gostam de seu molho de espaguete picante e tem pessoas que gostam dele com pedaços inteiros. E desses três fatos, o terceiro era o mais significativo. Porque, na época, no início da década de 80, se você fosse para um supermercado, você não encontraria molho de espaguete com pedaços. E Prego chegou para Howard, e eles disseram, "Você está me falando que um terço dos americanos suplica por molho de espaguete com pedaços inteiros e ainda assim ninguém está atendendo suas necessidades?" E ele disse sim! E Prego então voltou, e reformulou completamente seu molho de espaguete, e lançou uma linha de molhos com pedaços que dominou o mercado de molhos de espaguete neste país imediatamente. E nos 10 anos seguintes, eles fizeram 600 milhões de dólares de sua linha de molhos extra grossos. E todo mundo na indústria viu o que Howard tinha feito, e eles disseram, "Meu deus! Nós estávamos entendendo tudo errado!" E foi aí que você começou a ter sete tipos diferentes de vinagre, e 14 tipos diferentes de mostarda, e 71 tipos diferentes de azeite -- e então, um tempo depois, até Ragu contratou Howard, e Howard fez para a Ragu exatamente a mesma coisa que ele fez para a Prego. E hoje, se você vai ao supermercado, um bom de verdade, e se você olhar quantos Ragus tem lá -- Você sabe quantos serão? 36! Em seis variedades: Queijo, Light, Robusto, Rico e Encorpado, Tradicional do Velho Mundo, Jardim dos Pedaços. Este é o feito de Howard. Este é o presente de Howard para o povo americano. Agora, por que isso é importante? Isso é, na verdade, extremamente importante. Eu vou lhes explicar o por quê. O que Howard fez foi mudar fundamentalmente a forma como a indústria de alimentos pensa sobre como nos fazer feliz. A premissa número um na indústria de alimentos era que a forma de descobrir o que as pessoas querem comer -- o que as fará felizes -- é perguntar a elas. E por anos e anos e anos e anos, Ragu e Prego fizeram grupos focais, e eles colocavam as pessoas sentadas, e eles diziam, "O que você quer em um molho de espaguete? Diga-nos o que você quer em um molho de espaguete." E por todos esses anos -- 20, 30 anos -- através de todas essas sessões de grupos focais, ninguém disse que queria pedaços inteiros. Mesmo que pelo menos um terço deles, no fundo de seus corações, realmente quisesse. As pessoas não sabem o que querem! Certo? Como Howard adora dizer, "A mente não sabe o que a lingua quer." É um mistério! E um passo criticamente importante em compreender os nossos desejos e gostos é entender que não podemos sempre explicar o que queremos de verdade. Se eu lhes perguntasse, por exemplo, nessa sala, o que vocês querem em um café, vocês sabem o que diriam? Cada um de vocês diria "eu quero um escuro, forte e bem torrado" é o que as pessoas sempre dizem quando você lhes pergunta o que eles querem em um café Do que você gosta? Escuro, forte, e bem torrado! Qual porcentagem de vocês realmente gosta de um escuro, forte, e bem torrado? De acordo com Howard, algo entre 25 e 27 porcento de vocês. A maioria de vocês gosta de café fraco e com leite Mas vocês nunca vão dizer o que querem a quem perguntar -- que "eu quero um café fraco e com leite". Então essa foi a primeira coisa que Howard fez. A segunda coisa que Howard fez foi nos fazer perceber -- é um outro ponto bastante crítico -- ele nos fez perceber a importância do que ele gosta de chamar de segmentação horizontal. Por que isso é crítico? É crítico porque esta é a maneira como a indústria de alimentos pensava antes de Howard. Certo? No que eles estavam obsecados, no início dos anos 80? Eles estavam obsecados por mostarda. Em particular, eles estavam obsecados com a história da Grey Poupon. Certo? Antes, existiam duas mostardas. A French's e a Gulden's. O que elas eram? Mostarda amarela. O que tem na mostarda amarela? Sementes de mostarda amarela, açafrão e páprica. Isso era mostarda. Grey Poupon veio com uma Dijon. Certo? Sementes de mostarda marrom muito mais voláteis, um pouco de vinho branco, uma pancada no nariz, aromas muito mais delicados. E o que eles fazem? Eles a colocam em um pequeníssimo pote de vidro, com um maravilhoso rótulo esmaltado fizeram ela parecer francesa, mesmo sendo fabricada em Oxnard, Califórnia. E ao invés de cobrar um dólar e cinquenta centavos por um pote de 226 gramas, como a French's e Gulden's faziam, eles decidiram cobrar quatro dólares. E eles tinham aqueles anúncios, certo? Com um cara em um Rolls Royce, E ele estava comendo Grey Poupon, um outro Rolls Royce encostava, e ele dizia, você tem alguma Grey Poupon? E essa coisa toda, depois que eles fizeram isso, Grey Poupon deslanchou! Tomou o negócio das mostardas! E a lição de casa de todos, a partir daí, foi que a forma de fazer as pessoas felizes é dá-las algo que seja mais caro, algo que elas desejem. Certo? É fazer eles darem as costas ao que eles pensam que gostam agora, e se esforcem para alcançar algo mais alto na hierarquia das mostardas. Uma mostarda melhor! Uma mostarda mais cara! Uma mostarda com mais sofisticação, cultura e significado. E Howard olhou para isso e disse, isso está errado! A mostarda não tem uma hierarquia. A mostarda existe, assim como o molho de tomare, em um plano horizontal. Não existe uma boa mostarda, ou uma má mostarda. Não existe uma mostarda perfeita, nem uma mostarda imperfeita. Existem apenas diferentes tipos de mostarda que servem diferentes tipos de pessoas. Ele fundamentalmente democratizou a maneira como nós pensamos sobre gosto. E por isso, também, nós devemos a Howard Moskowitz um grande voto de agradecimento. A terceira coisa que Howard fez, e talvez a mais importante, foi que Howard confrontou a noção do prato Platônico. O que eu quero dizer com isso? Por um longuíssimo período na indústria de alimentos, existia a ideia de que existia uma forma, a forma perfeita, de se preparar um prato. Você vai ao Chez Panisse, eles lhe dão o sashimi de cauda-vermelha com sementes de abóbora tostadas, em uma redução de alguma coisa Eles não lhe dão cinco opções de redução, certo? Eles não dizem, você quer a redução extra-grossa, ou você quer a -- não! Você tem apenas a redução. Por quê? Por causa do chefe de Chez Panisse possui uma noção Platônica sobre sashimi de cauda-vermelha Esta é a forma como deve ser. E ela serve dessa forma todo o tempo, e se você discutir com ela, ela lhe dirá, "Você sabe de uma coisa? Você está errado! Esta é a melhor maneira que ele deve ser aqui nesse restaurante." Agora, a mesma ideia também alimentava a indústria de alimentos comerciais. Eles tinham uma noção, uma noção Platônica, do que era o molho de tomate. E de onde ela vinha? Ela vinha da Itália. O que é o molho de tomate italiano? Ele é misturado, é fino. A cultura do molho de tomate era fina. Quando se falava sobre o autêntico molho de tomate, na década de 1970, nós falávamos sobre o molho de tomate italiano. Nós falávamos sobre os primeiros ragus. Que não possuia partes sólidas visíveis, certo? Que eram finos, e você colocava apenas um pouco em cima e ele afundava para o fundo da massa. Era isso que ele era. E por que nós éramos ligados a isso? Porque nós achávamos que o que era necessário para fazer as pessoas felizes era A, oferecer o molho de tomate mais culturalmente autêntico, e B, nós pensávamos que se nós déssemos a eles o molho de tomate culturalmente autêntico, elas iriam adotá-lo. E era isso que deveria agradar o maior número de pessoas. E a razão de nós pensarmos assim -- em outras palavras, as pessoas no mundo da cozinha estavam procurando por cozinhas universais. Eles procuravam uma única forma de tratar a todos. E há uma boa razão para eles estarem obsecados com essa ideia de universalismos, porque toda a ciência, durante o século 19 e boa parte do 20, era obsecada por universalidade. Psicólogos, cientistas médicos, economistas, estavam todos interessados em descobrir as regras que governam a forma como todos nós nos comportamos. Mas isso mudou, certo? Qual é a grande revolução da ciência nos últimos 10, 15 anos? É a mudança, da busca pelo universalismo, para a compreensão da variabilidade. No campo médico, agora, nós não queremos saber como necessariamente -- apenas como o câncer funciona, nós queremos saber como o seu câncer é diferente do meu câncer. Eu pesquiso meu câncer diferente do seu câncer. A genética abriu as portas para o estudo da variabilidade humana. O que Howard Moskowitz estava fazendo era dizer que essa mesma revolução precisava acontecer no mundo do molho de tomate. E para isso, nós lhe devemos um grande voto de agradecimento. Vou lhes dar uma última ilustração de variabilidade, e ela é -- oh, desculpe. Howard não apenas acreditava nisso, mas ele deu um segundo passo, que foi dizer que quando nós buscamos princípios universais nos alimentos, nós não estamos apenas errando, na verdade estamos nos fazendo um enorme desserviço.® E o exemplo que ele usou foi o café. E café é algo com o que ele ele fez muitos trabalhos, com a Nescafe. se eu pedisse a todos vocês para tentar e criar uma marca de café -- um tipo de café, uma mistura -- que fizesse todos vocês felizes, e depois eu pedisse para vocês avaliarem o café, a nota média nesta sala para o café seria cerca de 60, em uma escala de 0 a 100. Se, entretando, vocês me permitissem dividí-los em grupos de cafés, talvez três ou quatro grupos de cafés, e eu pudesse fazer um café específico para cada um dos grupos, sua nota iria de 60 para 75 ou 78. A diferença entre café a 60 e café a 78 é a diferença entre café que faz você fazer careta, e café que te deixa delirantemente feliz. Esta é a última, e eu acho que mais bela, lição de Howard Moskowitz. Que ao abraçar a diversidade dos seres humanos, nós encontraremos um caminho mais garantido para a felicidade de verdade. Obrigado.
pt
430
Dos cinco sentidos a visão é o que eu aprecio mais e é também o que eu menos posso ignorar. Acho que isso em parte é devido ao meu pai, que era cego. Era fato que ele não fazia muito caso a respeito. Uma vez na Nova Escócia, quando nós fomos ver um eclipse total do sol -- sim, o mesmo da música do Carly Simon, que pode ou não se referir a James Taylor, Warren Beatty ou Mick Jagger, realmente não temos certeza. Entregaram esses visores de plástico escuro que nos permitiam olhar diretamente para o sol sem machucar nossos olhos. Mas papai ficou realmente assustado: Ele não queria a gente fazendo aquilo. Ele quis que usássemos esses visores baratos de cartão. para que não houvesse nenhuma chance de que nossos olhos fossem machucados. Confesso que achei um pouco estranho na época. O que eu não sabia naquela época era que meu pai tinha na verdade nascido com a visão perfeita. Quando ele e a irmã dele Martha eram muito pequenininhos a mãe deles os levou para ver um eclipse total -- ou melhor, um eclipse solar -- e não muito depois disso, ambos começaram a perder sua visão. Décadas mais tarde, descobriu-se que a fonte de sua cegueira era muito provavelmente alguma espécie de infecção bacteriana E pelo que podemos dizer, não teve absolutamente nada a ver com o eclipse solar, mas até aí minha avó já tinha ido para seu túmulo pensando que havia sido culpa dela. Então papai se formou em Harvard em 1946, casou com minha mãe, e compraram uma casa em Lexington, Massachusetts, de onde os primeiro tiros saíram contra os britânicos em 1775, embora na verdade nós não tenhamos acertado nenhum deles até o Concord. Ele arranjou um emprego trabalhando para a Raytheon, desenhando sistemas de orientação, que eram parte do eixo high-tech da Rota 128 naqueles dias -- então o equivalente ao Silicone Valley nos anos 70. Papai não fazia o estilo militar; ele apenas se sentiu realmente mal por não poder lutar na II Guerra Mundial por causa da sua deficiência, embora eles tenham deixado ele passar em vários exercícios físicos de longa duração até que finalmente chegaram ao último teste, que era o de visão. Então, papai começou a registrar todas essas patentes e a ganhar a reputação de um gênio cego, cientista maluco, inventor. Mas para nós ele era apenas papai, e nossa vida em casa sempre foi bem normal. Quando criança, eu assistia a muita televisão. e tinha muitos hobbies nerds. como mineralogia e microbiologia e o programa espacial e também um pouco de política. Eu jogava bastante xadrez. Mas aos 14, um amigo despertou meu interesse por histórias em quadrinhos, e eu decidi que era aquilo que queria fazer para ganhar a vida. Então, eis meu pai: um cientista, um engenheiro e um servidor militar. Então ele tem quatro filhos, certo? Um cresce e se torna um cientista de computadores, um cresce e entra para a marinha, um cresce e se torna engenheiro, e então tem eu: o artista dos gibis. Que, por acaso, me faz o oposto de Dean Kamen, porque eu sou artista dos gibis, filho de um inventor, e ele é um inventor, filho de um artista dos gibis. Fazer o que, é verdade. O engraçado é, papai tinha muita fé em mim. Ele tinha fé nas minhas habilidades como cartunista, mesmo que ele não tivesse a menor evidência direta de que eu fosse realmente bom: tudo que ele via era apenas um borrado. O que me dá um significado verdadeiro para a expressão "fé cega" que não tem a mesma conotação negativa para mim que tem para outras pessoas. Agora, fé nas coisas que não podem ser vistas, que não podem ser provadas, não é o tipo de fé que eu já tenha me relacionado muito, até hoje. Minha tendência é gostar de ciência, onde o que nós vemos e podemos nos certificar são a fundação do que nós sabemos. Mas tem um meio-termo também. Um meio-termo trilhado por pessoas como o pobre e velho Charles Babbage e seus computadores a vapor que nunca foram construídos Ninguém realmente entendeu o que era aquilo que ele tinha em mente, exceto por Ada Lovelace, e ele foi para seu túmulo tentando perseguir aquele sonho. Vannevar Bush com seu Memex -- esta ideia de todo o conhecimento humano na ponta dos seus dedos -- ele teve esta visão. E eu acho que muitas pessoas da época dele provavelmente pensavam que ele era meio "esquisito". E, sim, nós podemos olhar para trás e dizer, sim, hahaha, vocês sabem -- está tudo num microfilme. Mas isso -- isso não é ponto. Ele compreendeu a forma do futuro. Assim como J. C. R. Liklider e suas noções para interação homem-computador. A mesma coisa: ele entendeu a forma do futuro, mesmo que fosse algo que só seria implementado por pessoas muito depois. Ou Paulo Barron, e sua visão para a troca de pacotes. Quase ninguém o escutou na sua época. Ou mesmo as pessoas que realmente fizeram funcionar, as pessoas da Bolt, Beranek e Newman em Boston, que simplesmente iriam esboçar essas estruturas daquilo que viria a ser uma rede mundial, e esboçando coisas no verso de guardanapos e em folhas soltas e discutindo no jantar no Howard Johnson -- na Rota 128 em Lexington, Massachusetts, a apenas duas milhas de onde eu estava estudando o Queen's Gambit Deferred e ouvindo Gladys Knight & the Pips cantando "Midnight Train to Georgia," enquanto -- -- na minha cadeira conforável do papai, sabem? Então, três tipos de visão, certo? Visão baseada naquilo que ninguém pode ver: a visão do jamais-visto e desconhecido. A visão daquilo que já foi provado e pode ser certificado. E este terceiro tipo de visão, de algo que pode ser, que talvez seja, baseada em conhecimento, mas ainda não foi provado. Vimos muitos exemplos de pessoas que estão perseguindo este tipo de visão na ciência, mas eu também acho que é verdade nas artes, é verdade na política, e é tão verdade quanto nas relações pessoais Na verdade tudo se resume a quatro princípios básicos: aprenda de todos, não siga ninguém, procure padrões e trabalhe MUITO. Eu acho que esses são os quatro princípios que vão nisso. E é no terceiro, especialmente, onde as visões do futuro começam a se manifestar. O que é interessante nesta maneira particular de ver o mundo, é, eu acho, apenas uma de quatro diferentes maneiras que se manifestam em diferentes campos de relacionamentos. Nos quadrinhos, eu sei que é o resultado de uma atitude formalista em direção a tentar entender como funciona. E então tem outra atitude, mais clássica, que abraça a beleza e a técnica. Uma outra acredita na pura transparência do conteúdo. E então outra que enfatiza a autenticidade da experiência humana -- e a honestidade e a crueza. São quatro maneiras diferentes de olhar para o mundo. Eu até dei nomes para elas. O classicista, o animista, o formalista e o iconoclasta. Interessante, pois corresponde mais ou menos às quatro subdivisões de Jung do pensamento humano. E elas refletiram a dicotomia entre arte e prazer na esquerda e na direita; tradição e revolução no topo e embaixo. E se você for na diagonal, você tem o conteúdo e a forma -- e então a beleza e a verdade. E provavelmente isso se aplica tanto quanto à música e ao cinema e às belas artes, que não tem nada a ver com a visão, ou caso importe nada a ver com o tema da conferência "Inspirado pela Natureza" -- exceto até a extensão da fábula do sapo que dá uma carona para o escorpião nas suas costas para atravessar o rio porque o escorpião promete não lhe picar, mas então o escorpião lhe pica mesmo assim e ambos morrem, mas não antes de o sapo lhe perguntar por que e o escorpião responder, "Porque é da minha natureza" -- neste sentido, sim. Então -- esta foi minha natureza. A coisa era, eu via que a rota que eu tomei para descobrir este foco no meu trabalho e quem eu era, Eu a via assim como esta estrada para a descoberta. Na verdade, eu estava apenas abraçando a minha natureza, o que significa que eu não estava na verdade tão longe daquela árvore no final das contas. Então o que uma "mente científica" faz nas artes? Bem, eu comecei fazendo quadrinhos, mas eu também tentei entendê-los, quase imediatamente. E uma das coisas mais importantes sobre quadrinhos, eu descobri, era que os quadrinhos são uma mídia visual, mas eles tentam abraçar todos os sentidos dentro dela. Então, os diferentes elementos dos quadrinhos, como desenhos e palavras, e os diferentes símbolos e tudo nesse meio que os quadrinhos apresentam são todos afunilados por meio do condutor único da visão. Então você tem coisas como a semelhança, onde coisas que se assemelham ao mundo físico podem ser abstraídas em um par de diferentes direções: abstraído da semelhança, mas ainda retendo o significado completo, ou abstraído tanto da semelhança quanto do significado, em direção ao plano pictórico. Coloque esses três juntos e você tem um mapinha legal de todo o campo da iconografia visual que os quadrinhos podem abraçar. E se você se move para a direita você também tem a linguagem, porque ela está abstraindo para ainda mais longe da semelhança, mas ainda mantendo significado. A visão é chamada para representar o som e para compreender as propriedades comuns desses dois e sua herança comum, da mesma forma. E também para tentar representar a textura do som; para capturar seu caráter essencial por meio dos visuais E existe também um equilíbrio entre o visível e o invisível nos quadrinhos. Os quadrinhos são um tipo de chamada-e-resposta no qual o artista lhe dá algo para ver dentro dos quadros, e algo para imaginar entre os quadros. Além disso, há outra noção que a visão dos quadrinhos representa, e é o tempo. A sequência é um aspecto muito importante para os quadrinhos. Os quadrinhos apresentam uma espécie de mapa temporal. E este mapa temporal era algo que energizava os quadrinhos modernos, mas eu estava imaginando se talvez ele também energizasse outros tipos de formas, e eu encontrei algumas na história. E você pode ver este mesmo princípio operando nestas versões antigas da mesma idéia. O que está acontecendo é: a forma de arte está colidindo com a tecnologia dada, quer seja pintura na pedra, como na Tumba dos Escritos no Egito antigo, ou uma escultura em relevo em uma coluna de pedras ou um bordado de 60m de comprimento ou uma pintura na pele de alce e cascas de árvores ao longo de 88 páginas dobradas em sanfona. O interessante é, uma vez que você aperta imprimir -- e, aliás, isto é de 1450 -- todos os artefatos dos quadrinhos modernos começam a se apresentar: disposições retilíneas de requadros, desenhos de linhas simples e sem cor e uma sequência de leitura da esquerda para a direita. E em 100 anos, você já começa a ver balões de texto e legendas, e é realmente um salto de lá para cá. Então eu escrevi um livro sobre isso em 93, mas quando eu estava terminando o livro, eu tinha que fazer alguns ajustes tipográficos, e estava cansado de ir até minha gráfica local para fazê-lo então eu comprei um computador. E era uma coisa pequena -- não era bom para quase nada além de texto -- mas meu pai tinha me contado sobre a Lei de Moore, sobre a Lei de Moore lá nos anos 70, e eu sabia o que viria pela frente. E então eu mantive meus olhados abertos para ver se o tipo de mudanças que aconteceram quando fomos dos quadrinhos pré-impressão para os quadrinhos impressos aconteceriam quando nós fôssemos mais além, aos quadrinhos pós-impressão. Então, uma das primeiras coisas que foram propostas é que nós poderíamos misturar os visuais dos quadrinhos com som, animação e interatividade dos CD-ROMs que estavam sendo feitos naqueles dias. Isso aconteceu antes da Web. E uma das primeiras coisas que eles fizeram foi, eles tentaram pegar a página do gibi como ela era e transplantá-la para os monitores, o que foi um erro McLuhanesco clássico de se apropriar dos formatos da tecnologia anterior como o conteúdo da nova tecnologia. E então, o que eles faziam era o seguinte, eles tinham essas páginas de quadrinhos parecidas com quadrinhos impressos, e eles introduziam todo este som e movimento. O problema era, se você segue esta idéia -- esta idéia básica de que espaço é igual a tempo nos quadrinhos -- o que acontece é que quando você introduz som e movimento, que são fenômenos que só podem ser representados ao longo do tempo, eles quebram com a continuidade de apresentação. A interatividade era outra coisa. Havia os quadrinhos hipertexto. Mas a coisa a respeito do hipertexto é que tudo no hipertexto está aqui, ou não está aqui, ou conectado a aqui; ele é profundamente não-espacial. A distância de Abraham Lincoln para um penny Lincoln, para Penny Marshall para o Plano Marshall para o "Plano 9" para nove vidas: é a mesma. E -- mas nos quadrinhos, nos quadrinhos, cada aspecto do trabalho, cada elemento do trabalho tem uma relação espacial para com todos os outros elementos, a todo momento. Então a pergunta era: havia alguma maneira de preservar aquela relação espacial e ainda tirar vantagem de todas essas coisas que o digital tinha a nos oferecer? E eu encontrei minha resposta pessoal para isso nos quadrinhos antigos que eu estava mostrando para vocês. Cada um deles tem uma única linha de leitura não-fraturada, nem que seja indo em zigue-zague ao redor das paredes or subindo em espiral numa coluna ou diretamente da esquerda para direita, ou mesmo indo num zigue-zague ao contrário ao longo daquelas 88 páginas dobradas em sanfona. A mesma coisa está acontecendo, e isto é que a ideia basica de que enquanto você se move pelo espaço, você se move pelo tempo está sendo transmitida sem nenhuma perda, mas houve perdas quando a impressão chegou. Espaços próximos não eram mais momentos próximos, então a idéia básica dos quadrinhos estava sendo quebrada de novo e de novo e de novo e de novo. E eu pensei, OK, bem, se isto for verdade, existe alguma maneira, quando nós formos além da impressão de hoje, de alguma forma trazer isto de volta? Agora, o monitor é tão limitado quanto a página, tecnicamente, certo? É uma forma diferente, mas além disso é a mesma limitação básica. Mas isso é somente se você olhar para o monitor como uma página, mas não se você olhar para o monitor como uma janela. E foi isso que eu propus: que talvez nós pudéssemos criar estes quadrinhos num tela infinita: ao longo do eixo X e do eixo Y e escadas. Poderíamos fazer narrativas circulares que fossem literalmente circulares. Poderíamos fazer uma virada na história que literalmente fosse uma virada. Narrativas paralelas poderiam ser literalmente paralelas. X, Y e também Z. Então eu tinha todas essas noções. Isto foi no final dos anos 90. e outras pessoas no meu ramo acharam que eu estava ficando maluco, mas outras tanta levaram a sério e tomaram o desafio. Eu irei mostrar algumas agora. Este foi um primeiro gibi de colagens feito por um colega chamado Jason Lex. E perceba o que está acontecendo aqui. O que eu estou procurando é por uma mutação durável -- isto é o que todos nós estamos buscando. Ao passo em que a mídia entra nesta nova era, nós estamos procurando por mutações que sejam duráveis, que tenham algum tipo de energia de pertencimento. Agora, nós estamos levando esta idéia básica de apresentar quadrinhos numa mídia visual, e então estamos fazendo-a percorrer todo o caminho, do início ao fim. Isso é aquela história inteira que vocês acabaram de ver está na tela agora. Mas ainda que estejamos somente experimentando um pedaço por vez, é apenas onde a tecnologia se encontra agora. À medida em que a tecnologia evolui, à medida em que você consegue displays completamente imersivos e o que mais vier, esse tipo de coisa só vai crescer. Ele se adaptará. Ele Ele se adaptará a seu ambiente: é uma mutação durável. Aqui está outra que vou lhe mostrar. Esta é feita por Drew Weing; Esta é chamada "Pop Contempla a Morte por Calor do Universo." Veja o que está acontecendo aqui à medida em que desenhamos essas histórias numa tela infinita vocês criam uma expressão mais pura da especificidade desta mídia. Iremos chegar ao fim já já -- você vai ver a ideia. Eu só quero chegar ao último quadro. Aqui está. Só mais um. Pense numa tela infinita! É feito por um cara chamado Daniel Merlin Goodbrey na Inglaterra. Por que isso é importante? Eu acho que isso é importante porque a mídia, toda a mídia, nos fornece uma janela de volta para nosso mundo. Agora, poderia ser que filmes -- a realidade virtual, ou algo equivalente a ela -- alguma espécie de display imersivo, nos entregue a fuga mais eficiente do mundo em que vivemos. É por isso que a maioria das pessoas conta histórias, para escapar. Mas a mídia nos fornece uma janela de volta para o mundo em que vivemos. E quando a mídia evolui de modo que a identidade da mídia se torne cada vez mais única. Porque o que você está avistando, você está olhando para quadrinhos cúbicos: você olha para quadrinhos que são mais parecidos com quadrinhos. Quando isso acontece, você fornece às pessoas caminhos múltiplos de re-entrar no mundo por meio de diferentes janelas, e quando você faz isso, lhes permite triangular o mundo em que eles vivem e ver a sua forma. E é por isso que eu acho que isso é importante. Uma das muitas razões, mas eu tenho que ir agora. Obrigado por estarem comigo.
pt
431
Muito obrigada a vocês. Agora, tenho uma história para contar. Quando cheguei do avião, depois de uma longa viagem do Oeste da Inglaterra, meu computador, meu querido laptop, tinha ficado doido, e tinha -- oh! -- mais ou menos assim! -- e a tela dele -- de qualquer modo, tudo estava arruinado. E eu procurei o pessoal de TI aqui e um cavalheiro consertou meu computador, e daí ele perguntou, "O que você está fazendo aqui?" e eu respondi "Vou tocar o cello e cantar um pouco," e ele disse, "Oh, eu também toco um pouquinho de cello." E eu disse, "Você toca mesmo?" De qualquer modo, vocês ganharam um brinde, porque ele é fantástico, e o nome dele é Mark. E também está comigo meu parceiro de crimes, Thomas Doby. Esta canção chama-se "Mais longe que o Sol." ♫ Atada no vento eu chamava por você ♫ ♫ mas você não ouvia.♫ ♫ E você é uma planta que precisa solo pobre♫ ♫ e eu o tratei bem demais ♫ ♫ para desistir de flores. ♫ ♫ Ah, eu fui fértil demais para você. ♫ ♫ Mais longe de mim que o sol ♫¥ ♫ Mais longe que eu imaginava ♫ ♫ Quando vou para o norte sinto tanto frio ♫ ♫ Meu coração é lava sob a rocha ♫ ♫ Você não merece ♫ ♫ Você não merece. ♫ ♫ Com seus olhos calculistas ♫ ♫ tecendo números ♫ ♫ você não consegue me ver. ♫ ♫ Você não consegue me ver.♫ ♫ E se disser bastante pra mim mesma ♫ ♫ vou acreditar nisso. ♫ ♫ Você não merece. ♫ ♫ O mar, ele congela sua superfície. ♫ ♫ para prender a luz ♫ ♫ E eu amo estar amando ♫ ♫ e você nunca foi o homem certo ♫ ♫ Aos olho de Gerda ♫ ♫ Fragmentos do que você se transformou ♫ ♫ E todas as mariposas que voam à noite ♫ ♫ acreditam que a luz elétrica é clara ♫ ♫ Você não merece ♫ ♫ Você não merece ♫ ♫ Com seus olhos calculistas ♫ ♫ Tecendo números ♫ ♫ Você não consegue me ver, não ♫ ♫ E se disser bastante pra mim mesma ♫ ♫ Vou acreditar nisso. ♫ ♫ Você não merece. ♫ ♫ Mais longe de mim que o sol ♫ ♫ Mais longe que eu imaginava ♫ ♫ Quando vou para o norte sinto tanto frio ♫ ♫ Meu coração é lava sob a rocha ♫ ♫ Você não merece ♫ ♫ Você não merece ♫ ♫ Com seus olhos calculistas ♫ ♫ Tecendo números ♫ ♫ Você não consegue me ver, não. ♫ ♫ E se disser bastante pra mim mesma, vou acreditar nisso. ♫ Muito obrigada.
pt
432
Gabriel García Marquez é um dos meus escritores favoritos, pela forma de contar a história, mas ainda mais, penso, pela beleza e precisão de sua prosa. E quer seja a primeira linha de "Cem Anos de Solidão" ou o fantástico fluxo de consciência em "O Outono do Patriarca", no qual as palavras correm, página após página de imagens sem pontuação, arrastando o leitor junto, como um rio selvagem retorcendo-se por uma selva sul-americana primitiva, ler Marquez é uma experiência visceral. Que me atingiu de forma especialmente singular durante um período com o romance quando percebi que eu estava sendo arrastado junto nessa jornada intensa, extraordinária, na tradução. Eu estudei literatura comparada na faculdade, o que é como estudar inglês, só que ao invés de ficar estudando Chaucer por três meses, podíamos ler a grande literatura, traduzida, do mundo todo. E, embora esses livros fossem ótimos, você sempre podia perceber que não chegava perto do efeito total. Mas não é assim com Marquez que uma vez elogiou as versões de seu tradutor como sendo melhores que as dele mesmo, o que é um elogio espetacular. Então, quando eu soube que o tradutor, Gregory Rabassa, tinha escrito um livro sobre o assunto, mal pude esperar para lê-lo. O nome vem do adágio italiano que retirei da introdução dele, "If This Be Treason". E é uma leitura encantadora. É altamente recomendado para todos que estejam interessados na arte da tradução. Mas a razão por que menciono isto é que, logo no início, Rabassa apresenta esta asserção elegantemente simples: "Todo ato de comunicação é um ato de tradução." Bem, talvez isso seja óbvio para todos vocês de longa data, mas para mim, que muitas vezes encontrei essa mesma dificuldade no dia-a-dia, eu nunca tinha visto o desafio inerente da comunicação sob uma luz tão cristalina. Desde que consigo me lembrar refletindo conscientemente sobre coisas assim. a comunicação foi minha paixão fundamental. Mesmo quando criança, lembro-me de que o que realmente mais queria na vida era ser capaz de entender tudo e então comunicar isso a todos. Sem problemas com o ego. É engraçado, minha esposa, Daisy, cuja família é cheia de esquizofrênicos -- e quero dizer cheia mesmo deles -- disse-me uma vez: "Chris, eu já tenho um irmão que pensa que é Deus. Não preciso de um marido que queira sê-lo." De qualquer forma, quando mergulhei pelos meus 20 anos muito consciente de quão inatingível era a primeira parte da minha ambição de infância, foi naquela segunda parte, ser capaz de comunicar a outros com sucesso qualquer conhecimento que obtinha, que a futilidade da minha busca de fato se tornou aparente. Uma vez após outra, sempre que me preparei para compartilhar uma grande verdade com um beneficiário prestes a ficar agradecido, obtive o resultado contrário. Interessante, quando iniciamos comunicação com: "Ei, escute bem, porque vou derramar sobre você um conhecimento importante", é impressionante quão rápido você descobre tanto o gelo quanto o pelotão de fuzilamento. Finalmente, depois de uns 10 anos distanciando igualmente amigos e estranhos, afinal compreendi, uma nova verdade pessoal toda minha, que, se ia comunicar bem a outras pessoas as ideias que conquistava, era melhor eu encontrar uma maneira diferente de tratar disso. E foi quando descobri a comédia. A comédia viaja em um comprimento de onda distinto de outras formas de linguagem. Se eu tivesse que colocá-la em um espectro arbitrário, diria que fica em algum lugar entre a poesia e as mentiras. E não estou falando de todas as comédias aqui, porque, claro, há muito humor que brilha com segurança dentro dos limites do que conhecemos e sentimos. Aquilo de que quero falar é da habilidade única que a melhor comédia e sátira têm ao contornar nossas perspectivas arraigadas -- a comédia como pedra filosofal. Ela pega o metal base de nosso senso comum e a transforma pelo ridículo numa forma diferente de ver e, por fim, de ser no mundo. Porque é isso que tiro do tema desta conferência: 'Gained in Translation'. Isso é sobre a comunicação que não só produz maior compreensão dentro do indivíduo, mas também conduz à mudança verdadeira. O que, em minha experiência, significa comunicação que consegue explicar e expandir nosso conceito de interesse próprio. Agora, sou ótimo falando do interesse próprio das pessoas porque somos todos estruturados para isso. É parte de nosso pacote de sobrevivência, e é por isso que se tornou tão importante para nós, e é por isso que estamos sempre ouvindo nesse nível. E também porque é aqui que, em termos de nosso próprio interesse, finalmente começamos a compreender nossa capacidade de responder, nossa responsabilidade para com o resto do mundo. Já o que quero dizer com a melhor comédia e sátira, quero dizer trabalho que vem, primeira e principalmente, de um ponto de honestidade e integridade. Agora, se recordarem das imitações de Tina Fey, no Saturday Night Live, da recém-nomeada candidata à vice-presidência, Sarah Palin, elas foram devastadoras. Fey demonstrou muito mais efetivamente que qualquer expoente político a fundamental falta de seriedade da candidata, consolidando uma impressão que a maioria do público americano mantém ainda hoje. E o detalhe chave disto é que os roteiros de Fey não foram escritos por ela e não foram escritos pelos redatores do SNL. Eles foram retirados textualmente dos próprios comentários de Palin. Ali estava uma imitadora de Palin citando Palin palavra por palavra. Ora, isso é honestidade e integridade, e é também por que as apresentações de Fey deixaram uma impressão tão duradoura. No outro lado do espectro político, a primeira vez que ouvi Rush Limbaugh referir-se ao esperançoso presidenciável John Edwards como 'Breck girl' soube que ele tinha dado um golpe certeiro. Bem, não é com muita frequência que vou associar as palavras honestidade e integridade com Limbaugh, mas é muito difícil questionar essa frase de efeito. A descrição capturou perfeitamente a vaidade pessoal de Edwards. E, adivinhem só? Esse acabou sendo o exato traço de personalidade no âmago do escândalo que encerrou sua carreira política. Já o 'The Daily Show' com John Stewart é de longe o -- é de longe o exemplo melhor documentado de eficácia nesse tipo de comédia. Pesquisa atrás de pesquisa, desde 'Pew Research' até 'Annenberg Center for Public Policy', assinalam que espectadores do Daily Show são melhor informados sobre fatos atuais que espectadores de todas as maiores redes de notícias. Agora, se isso diz mais sobre o conflito entre integridade e rentabilidade do jornalismo corporativo do que sobre a atenção dos espectadores de Stewart, permanece como característica mais ampla que o material de Stewart é sempre fundamentado em um compromisso com os fatos -- não porque seu objetivo seja informar. Não é. Sua intenção é ser engraçado. Acontece que a marca do humor de Stewart não funciona a menos que os fatos sejam verdadeiros. E o resultado é a grande comédia que também é um sistema de distribuição de informação que pontua acentuadamente mais alto tanto em credibilidade quanto em retenção do que a mídia profissional de notícias. Ora, isso é duplamente irônico quando você considera que o que dá agudeza à comédia ao atingir as defesas que cercam as pessoas é a forma deliberada com que ela utiliza a conclusão incorreta. Uma grande comédia é um truque de mágica verbal, no qual você pensa que está indo para cá e, então, de repente você é transportado para lá. E ocorre aquele deleite mental que é seguido pela resposta física da risada, que, não coincidentemente, libera endorfinas no cérebro. E num instante, você foi seduzido por uma forma diferente de olhar para algo porque as endorfinas colocaram abaixo suas defesas. Isso é exatamente o oposto da forma com que a raiva, o medo e o pânico, todas as reações do estado de luta ou fuga, operam. O estado de luta ou fuga libera adrenalina, que joga nossas defesas lá para cima. E a comédia se materializa lidando com muitas das mesmas áreas nas quais nossas defesas são mais fortes -- raça, religião, política, sexualidade -- é somente pela abordagem delas através do humor que, ao invés de adrenalina, obtemos endorfinas e a alquimia da risada transforma nossas paredes em janelas, revelando um ponto de vista novo e inesperado. Agora vou dar um exemplo de minha apresentação. Tenho um material sobre a chamada agenda 'gay' radical, que começa com a pergunta: quão radical é a agenda 'gay'? Porque até onde eu sei, as três coisas que os 'gays' americanos mais querem são alistar-se no exército, casar-se e formar uma família. Três coisas que tentei evitar toda a minha vida. Divirtam-se, seus canalhas radicais. A área é toda de vocês. E isso é seguido por estas frases sobre adoção 'gay': Qual é o problema com a adoção 'gay'? Por que isso é remotamente polêmico? Se você tem um bebê e acha que esse bebê é 'gay', deveriam permitir que você o colocasse para adoção. Você deu à luz a uma abominação. Tire-a de sua família. Tomando o epíteto bíblico "abominação" e anexando-o à imagem definitiva da inocência, um bebê, esta piada causa curto-circuito na fiação emocional por trás do debate e dá à audiência a oportunidade, através da risada, de questionar sua validade. Desorientação não é o único truque que a comédia tem na manga. Economia de linguagem é um outro aspecto verdadeiramente forte da grande comédia. Há poucas frases que conseguem juntar uma dose mais concentrada de assunto e símbolo que a perfeita frase de efeito. Bill Hicks -- e se vocês não conhecem seu trabalho, deveriam pesquisá-lo no Google -- Hicks tinha um 'sketch' sobre envolver-se nessas disputas de bazófias infantis no 'playground', até que, por fim, a outra criança diz para ele: "É? Bom, meu pai pode surrar seu pai", ao que Hicks responde: "Verdade? Que horas?" Isso é uma infância inteira em três palavras. Para não mencionar o que isso revela sobre o adulto que o diz. E um último atributo poderoso que a comédia tem como comunicação é que ela é inerentemente viral. As pessoas mal podem esperar para passar adiante aquela nova piada ótima. E este não um fenômeno novo de nosso mundo conectado. A comédia tem cruzado o país com uma velocidade extraordinária bem antes da Internet, da mídia social, até mesmo da TV a cabo. Lá por 1980, quando o comediante Richard Pryor acidentalmente pôs fogo em si mesmo quando estava purificando cocaína, eu estava em Los Angeles um dia depois que isso aconteceu e, então, em Washington D. C. dois dias depois disso. E ouvi exatamente a mesma piada nos dois extremos do país -- algo sobre o "Ignited Negro College Fund". [Trocadilho: United -- Ignited ] Claro, isso não surgiu de um monólogo no 'Tonight Show'. E minha suposição aqui -- e não tenho pesquisa sobre isso -- é que se você retrocedesse e pudesse pesquisar isso, descobriria que a comédia é a segunda mais antiga profissão viral. Primeiro foram os tambores e depois os trocadilhos e jogos de palavras. Mas, é quando você coloca todos esses elementos juntos -- quando você tem o apelo viral de uma grande piada com uma tirada poderosa que é trabalhada com honestidade e integridade, que ela pode ter um verdadeiro impacto mundial na mudança de uma conversa. Bem, tenho um amigo próximo, Joel Pett, que é o cartunista do editorial do Lexington Herald-Leader. E ele trabalhava no USA Today segunda de manhã. Eu estava conversando com Joel no fim de semana antes da abertura da conferência de Copenhague sobre a mudança climática, em dezembro de 2009. E Joel me explicava que, porque o USA Today era um dos quatro jornais americanos autorizados, ele poderia ser examinado por praticamente todos os presentes à conferência, o que significava que, se ele fizesse um ótimo trabalho com seu cartum na segunda-feira, o dia de abertura da conferência, ele poderia circular no mais alto nível entre aqueles que realmente tomam decisões. Então começamos a conversar sobre a mudança climática. E acontece que Joel e eu estávamos incomodados pela mesma coisa, que era quanto do debate ainda estava focado na ciência e o quanto era completo ou não era, o que, para nós dois, parecia algo intencionalmente fora do objetivo. Porque, antes de mais nada, há essa premissa falsa de que existe essa coisa de ciência completa. Ora, o Governador Perry, do meu recém-adotado estado do Texas, estava forçando essa mesma fala no verão passado, no início de sua campanha 'opa-azarão' para a indicação republicana à presidência, proclamando repetidamente que a ciência não estava completa ao mesmo tempo em que 250 dos 254 condados no estado do Texas estavam em chamas. E a solução política de Perry foi pedir ao povo do Texas para rezar por chuva. Pessoalmente, eu estava rezando por mais quatro incêndios para que pudéssemos afinal completar essa maldita ciência. Mas, de volta a 2009, a questão a que Joel e eu voltávamos repetidas vezes era por que, àquela altura do jogo, tanta energia estava sendo gasta falando sobre a ciência, quando as políticas necessárias para lidar com a mudança climática eram sem dúvida benéficas para a humanidade no longo prazo independentemente da ciência. Então, fomos batendo bola até que Joel produziu isto. Cartum: "E se isso for um grande trote e criarmos um mundo melhor por nada?" Vocês têm que adorar essa ideia. Que tal isso? Que tal criarmos um mundo melhor por nada? Não por Deus, não pelo país, não pelo lucro -- somente como medida básica na tomada de decisão global. E este cartum atingiu o alvo em cheio. Logo depois que a conferência terminou, Joel recebeu um pedido de uma cópia assinada do chefe da EPA, em Washington, em cuja parede ele está agora. E não muito depois disso, ele recebeu outro pedido de cópia do chefe da EPA na Califórnia que a usou como parte de sua apresentação numa conferência internacional sobre mudança climática, em Sacramento, no ano passado. E não parou aí. Até o presente, Joel recebeu pedidos de mais de 40 grupos ambientais, nos Estados Unidos, Canadá e Europa. E no início deste ano, ele recebeu um pedido do Partido Verde, na Austrália, que o usou em sua campanha, onde se tornou parte do debate que resultou na adoção, pelo parlamento australiano, de um regime de taxação de carbono mais rigoroso do que em qualquer outro país no mundo. Isso é muito impacto para 14 palavras. Assim, minha sugestão para vocês aqui que estão seriamente focados em criar um mundo melhor é pegar um pouquinho de tempo todo dia e praticar o pensamento divertido, porque vocês podem encontrar a questão que estão procurando. Obrigado.
pt
433
Bem, eu também estou envolvido em outros assuntos além da física. De fato, agora, basicamente mais em outros assuntos. Um deles é sobre as distantes relações entre linguagens humanas. E os lingüistas históricos profissionais nos EUA e na Europa Ocidental, em grande parte, mantém distância de quaisquer das relações distantes; grandes grupos, ramos de idiomas que se conectam desde longínquos tempos, mais longínquos do que as famílias propriamente ditas. Eles não gostam disso; eles consideram o assunto obscuro. Eu não o acho obscuro. E existem lingüistas brilhantes, principalmente os russos, que estão trabalhando com este tema no Instituto Santa Fé e em Moscou. e eu adodaria saber onde isto nos levará. Será que realmente nos leva a um único ancestral cerca de 20, 25. 000 anos atrás? E o quê se dirá, então, se voltarmos no tempo além deste ponto, quando se presume ter havido uma competição entre muitos idiomas? Até quando se tem que regressar no tempo para isso? A quantas dezenas de milênios atrás? Chris Anderson: O senhor tem alguma idéia ou esperança quanto à resposta a esta pergunta? Murray Gell-Mann: Bom, eu imaginaria que a linguagem moderna deva ser mais antiga do que as pinturas, entalhes e esculturas das cavernas, do que os passos de dança marcados no barro das cavernas da Europa Ocidental no período Aurignácio cerca de 35. 000 anos atrás, ou antes. Não posso crer que eles fizeram todas estas coisas e não tiveram também uma língua moderna. Então eu estimaria que a verdadeira origem seja tão antiga quanto isso, ou talvez mais. Mas isso não significa que todas, ou muitas, ou a maioria das línguas testadas até hoje não descendam, talvez, de alguma outra que seja muito mais nova do que isto, por exemplo, 20. 000 anos, ou algo nesse estilo. É o que chamamos de gargalo. CA: Bom, pode ser que Philip Anderson tenha estado certo. Pode ser que você saiba mais sobre as coisas do que todos. Então, foi uma honra. Obrigado Murray Gell-Mann.
pt
434
Meu trabalho é um jogo. E eu brinco quando desenho. Eu até procurei no dicionário, para ter certeza que eu realmente faço isso, e a definição de jogo, número um, é envolverse-se em uma atividade ou aventura infantil, e número dois é apostar. E eu percebo que faço as duas coisas quando estou desenhando. Eu sou uma criança e estou apostando o tempo todo. E eu penso que se você não está, provavelmente há alguma coisa essencialmente errada. com a estrutura ou a situação em que você está, se você é um designer. Mas a parte séria é o que me moveu, e eu não consegui realmente entender isso, até que eu lembrei de uma dissertação. E é uma dissertação que li 30 anos atrás. Foi escrita por Russel Baker, que escrevia a coluna "Observer" no jornal The New York Times. Ele é um humorista maravilhoso. E vou ler para vocês essa dissertação, ou um trecho dela porque realmente me marcou. Aqui está uma carta de conselhos de amigo. Seja sério, fala. O que isso significa, com certeza, é, seja solene. Ser solene é facil. Ser sério é difícil. Crianças quase sempre começam sendo sérias, é o que faz com que sejam tão divertidas quando comparadas com adultos como uma classe. Adultos, em geral, são solenes. Na Política, o raro candidato que é sério, como Adlai Stevenson, é facilmente superado por aquele que é solene, como Eisenhower. Isso ocorre porque é difícil para a maioria das pessoas reconhecer a seriedade, que é raro, mas é mais confortável aceitar a solenidade, que é comum. Correr, que é comum, e amplamente aceito como bom para você, é solene. Poker é sério. A cidade de Washington DC é solene. Nova Iorque é séria. Atender à conferências educacionais para lhe dizer algo sobre o futuro é solene. Fazer uma longa caminhada sozinho, durante a qual você planeja um esquema infalível para assaltar a Tiffany's, é sério. Agora, quando eu aplico a definição de Russel Baker sobre solenidade e seriedade ao design, ela não necessariamente define algum ponto sobre qualidade. Design solone é geralmente importante e muito eficaz. Design solene é também socialmente correto, e é aceito por públicos apropriados. Os designers que pensam direito e todos os clientes estão lutando por isso. Design sério, brincadeira séria, é outra coisa. Primeiro, geralmente acontece espontaneamente, intuitivamente, acidentalmente ou incidentalmente. Isso pode ser atingido por inocência, ou arrogância, ou por egoísmo, às vezes por falta de cuidado. Mas na maioria dos casos, é atingido através de todas as partes meio loucas do comportamento humano que realmente não fazem nenhum sentido. Design sério é imperfeito. É cheio do tipo de regras quando alguma coisa é a primeira do seu tipo. Design sério é também – muitas vezes – bastante mal sucedido do ponto de vista solene. Isto é porque a arte de brincar seriamente é sobre invenção, mudança, revolução – e não perfeição. Perfeição acontece durante brincadeiras solenes. Agora, eu sempre vi carreiras em design como escadarias surreais. Se você olhar para a escadaria, vai ver que nos seus 20 os espelhos são muito altos e os degraus são muito curtos, e você faz descobertas enormes. Você meio que avança muito rápido na sua juventude. Isso é porque você não sabe nada e você tem muito a aprender, e qualquer coisa que você faça é uma experiência de aprendizado e você está simplesmente pulando lá pra cima. Enquanto você envelhece, os epelhos ficam mais rasos e os degraus mais largos, e você começa se mover em um ritmo mais lento porque você está fazendo menos descobertas. E a medida que você fica mais velho e mais decrépito, você meio que rasteja nessa longa e depressiva escadaria, te levando ao esquecimento. Eu acho que realmente está ficando muito difícil ser séria. Eu sou contratada para ser solene, mas eu acho mais e mais que eu sou solone quando eu não preciso ser. E nos meus 35 anos de experiência profissional, eu acho que eu fui verdadeiramente séria quatro vezes. E eu vou mostrá-las a vocês agora, porque elas surgiram de condições muito específicas. É ótimo ser uma criança. Quando eu estava com 20 e poucos anos, eu trabalhei no ramo fonógrafico, projetando capas de discos para a CBS Records, e eu não fazia idéia do maravilhoso trabalho que tinha. Eu achava que todo o mundo tinha um trabalho como aquele. E que – a maneria que eu enxergava o design e a forma que eu enxergava o mundo, o que estava acontecendo à minha volta e as coisas que vieram quando eu entrei no mundo do design eram o inimigo. Eu realmente, realmente odiei a fonte Helvetica. Eu pensei a fonte Helvetica era a fonte mais limpa, mais chata, mais fascista, e realmente repressiva, e eu odiei tudo que era projetado em Helvetica. E quando eu estava na faculdade esse era o tipo de desenho que estava na moda e popular Esta é uma capa de livro bastante bonita de Rudi de Harra*, mas eu odiava ela, porque estava feita com Helvetica, e eu não gostava dela. Eu só acreditava que era, sabe, completamente entediante. Então -- então, meu objetivo na vida era fazer coisas que não fossem com Helvetiva E fazer coisas sem utilizar Helvetica era realmente bastante dificil porque você precisava achá-las. E não existiam muitos livros sobre a historia do design nos anos 70. Não existiam -- não existia variedade de publicações de design Você precisava ir nas lojas de antiguidades. Você precisava ir para Europa. Precisava ir nos lugares e buscar as coisas E o que eu gostava foi, sabe, Art Nouveau, ou deco, ou tipografia victoriana, ou coisas que fossem completamente diferentes da Helvetica. E ensinei design para mim mesma desta maneira, e estes foram meus primeiros anos, e usei essas coisas em muitas maneiras extranhas em álbums de música e no meu desenho Não estava formada, Simplesmente juntei estas coisas Misturei desenhos victorianos com pop e misturei Art Nouveau com outra coisa. E eu fiz estas capas de discos muito exuberantes e elaboradas, não porque eu fosse pós-modernista ou uma historicista -- porque eu não sabía o que era isso. Eu simplesmente odiava Helvetica. E esse tipo de paixão me levou a jogar sério, um tipo de jogo que eu nunca podería fazer agora porque estou muito bem educada. E existe um lado maravilhoso sobre esse tipo de juventude, onde você pode se permitir crescer e brincar, e ser realmente infantil, e então realizar coisas. No fim dos anos 70, realmente, isto se tornou conhecido. Quero dizer, estas capas apareceram no mundo inteiro, e começaram a ganhar prémios, e as pessoas as conheciam. E de repente me tornei pós-modernista, e comecei uma carreira como tal - no meu próprio negócio. E no começo fui elogiada, depois fui criticada, mas a questão foi, eu me tornei solene. Não fiz o que acho que foi um trabalho sério novamente por uns 14 anos. Passei a maior parte dos anos 80 sendo bastante solene, fazendo este tipo de desenhos que se esperava que fissesse porque essa era eu. e eu estava vivendo este ciclo de passar de séria a solene de banalizada a morta, e sendo redescoberta de novo. Então, aqui veio a segunda condição pela que acho que realizei um jogo sério. Existe um filme do Paul Newman que eu amo, chamado "O Veredito" Não sei quantos de vocês assistiram, mas é uma beleza. E no filme, ele é um advogado mal sucedido que se torna um advogado de porta de cadeia. E ele é contratado um caso de má prática médica para resolver que é um caso bastante fácil, e enquanto ele tenta fazer seu trabalho, começa a empatizar e a se identificar com o seu cliente, e recupera sua moralidade e propósito, e acaba ganhando o caso. No fundo da aflição, na metade do filme, quando parece que ele não consegue resolver este caso, e ele precisa deste caso, precisa tanto ganhar este caso. Existe uma toma do Paul Newman sozinho, no seu escritorio, dizendo, "Este é o caso. Não existem outros casos. Este é o caso. Não existem outros casos." E nesse momento de vontade e foco, ele pode ganhar. E esta é uma sitação maravilhosa para criar uma jogada séria. Eu tive este momento no ano 1994 quando encontrei um diretor de teatro chamado George Wolf, que ia me deixar desenhar uma identidade para o Festival de Shakespeare de Nova Iorque como era conhecido naquela época e que se tornou o Teatro Público. E comecei a mergulhar neste projeto como nunca tinha feito. Assim que pareciam as publicidades de teatro naquela época. Assim apareciam nos jornais e no New York Times. Então, isto é um comentario sobre aquela época. E o Teatro Público realmente tinha melhor publicidade que isto aqui. Não tinha logotipo nem identidade, mas tinha estes posters muito icónicos pintados pelo Paul davis. E George Wolf Assumiu o cargo despois de outro diretor e queria fazer mudanças no teatro, e quería torná-lo urbano e barulhento e um lugar que fosse inclusivo. Então, chamada pelo meu amor pela tipografía, me submergi neste projeto. E o que foi diferente dele foi a totalidade dele eu virei a voz, a voz virtual, de um lugar de uma maneira que nunca tinha feito anteriormente, onde cada aspecto -- a publicidade mais pequena, as entradas, o que for -- era desenhado por mim. Não tinha formato. Não tinha um departamento dentro do teatro onde eram pedidas estas coisas. Durante 3 anos eu fiz literalmente tudo -- cada pedaço de papel, cada coisa que aparecia online, que este teatro fazia. E foi o único trabalho, mesmo quando eu estava fazendo outros. que eu vivia e respirava de uma maneira que não tinha feito com um cliente desde então. Me permitiu me expresar e crescer E acho que vocês sabem quando você vai ser contratado para esta posição, e é raro, mas quando você consegue e você tem esta oportunidade, é hora de jogo sério. Eu fiz estas coisas, e ainda faço. Ainda trabalho para o Teatro Público. Estou na diretoria, e ainda estou envolvida com eles. O momento importante do teatro Público, acho que foi no ano 1996, dois anos depois de eu ter feito, Foi a campanha "traga o barulho" "Traga o Funk" que estava por toda parte em Nova Iorque. Mas alguma coisa aconteceu, e o que aconteceu foi, que se tornou muito popular. E é como o beijo da morte para uma coisa séria porque a torna solene. E o que aconteceu foi uma identidade, poque Nova Iorque, até certo ponto, comeu minha identidade porque as pessoas começaram a copiá-la. Aqui está uma publicidade no New York Times que alguém fez para uma peça chamada "Jogos Mentais" Depois Chicago apareceu, usou mais elementos gráficos, e a identidade do Teatro Público foi totalmente engolida e tirada dele, o que me fez ter que trocá-la. Então, mudei para ser diferente a cada temporada, e continuei fazendo estes posters, mas eles nunca tiveram a seriedade da primeira identidade porque eram individuais de mais, e já não tinha aquele peso de ser tudo igual. Agora -- e desde o Teatro Público, acho que devo ter feito mais de uma dúzia de identidades culturais para grandes organizações, e acho que nunca, nunca, cheguei a alcançar aquela seriedade novamente -- Faço para organizações grandes e importantes da cidade de Nova Iorque. As organizações são solenes, e assim também é o desenho. Estão mais bem feitas que as do Teatro Público e investem mais dinheiro nelas, mas eu acho que aquele momento chega e vai embora. A melhor maneira de realizar desenho serio -- o que acho que todos temos a oportunidade de fazer -- é de ser total e completamente desqualificados para o trabalho. E não acontece isso com muita frequência, mas aconteceu para mim no ano 2000, quando por um motivo ou outro, um monte de arquitetos começaram a me pedir para desenhar o interior dos teatros junto com eles, onde eu pegaria os gráficos ambientais e os converteria em prédios. Nunca tinha feito este tipo de trabalho. Não sabía ler um plano de arquitetura, Não sabia o que estavam falando, e não podia acreditar que um trabalho -- um único trabalho -- pudesse demorar quatro anos porque estava acostumada com imediatismo do desenho gráfico, e aquela atenção ao detalhe era muito ruim para alguém como eu, com DDA Então, foi difícil -- difícil de levar, mas eu me apaixonei com o processo de realmente integrar desenho gráfico com arquitetura porque eu não sabía o que estava fazendo pensei: "Por que as indicações não podem aparecer no piso?" Os Nova Iorquinos olham para baixo. E depois descobri que os atores e atrizes realmente lêem suas indicações do piso, então estes tipos de sistemas de sinalização começaram a fazer sentido. Se integraram ao prédio de formas bem peculiares. Passavam pelas esquinas, subiam pelos lados dos prédios, e se fundiam com a arquitetura, Este é o Espaço Sinfónico na rua 90 e Broadway, e a tipología está integrada com o aço inox é iluminada de trás com fibra ótica. E o arquiteto, Jim Polshek, esencialmente me deu uma tela para brincar com a tipografía. E era jogo sério. Este é o museu de crianças de Pittsburgh, Pennsylvania, feito com materiais realmente baratos, A tipografía está iluminada com luzes de neon. Coisas que eu nunca tinha feito, nunca tinha construido. Simplesmente pensei que sería divertido de fazer. As paredes dos doadores feita com acrílico E depois, sinais baratos. Acho que a minha preferida destas foi este trabalhinho em Newark, Nova Jersey, É uma escola de artes cénicas. Este é o prédio que - eles estavam sem dinheiro, e precisavam fazer uma reforma, e falaram para mim, se dermos 100. 000 dólares, o que você consegue fazer com isso? E eu fiz um Photoshop, e falei, Bom, acho que podemos pintar o prédio. E fizemos. E foi um jogo. E aqui está o prédio. Tudo foi pintado -- tipografía sobre o prédio inteiro, incluindo os tubos de ar condicionado. Contratei uns caras que pintaram os lados de garagens para pintar o prédio, e eles amaram. Eles se envolveram - tomaram o trabalho com seriedade. Costumavam subir no prédio e me chamar e dizam que tinham de corrigir minha tipografia - que os espaços estavam errados, e eles as consertavam, e fizeram coisas maravilhosas. Eram muito sérios. Foi maravilhoso. Na época eu fiz sede da Bloomberg meu trabalho tinha começado a ser aceito As pessoas o queriam em lugares gandes e caros. E aquilo começou a fazé-lo solene. Bloomberg tinha tudo a ver com números, e colocamos números grandes por todos lugares e os números eram projetados num LED espetacular que a minha socia Lisa Strausfeld programou. Mas foi o fim da seriedade do jogo, e começou, mais uma vez, a se tornar solene. Este é um projeto atual em Pittsburgh, Pennsylvania, onde posso ser engraçada. Fui convidada para desenhar um logo para este bairro, chamado de "Lado Norte", e achei que era bobo para um bairro ter um logo. Acho que é um pouco arrepiante de verdade. Por que um bairro teria um logo? Um bairro tem uma coisa -- um ponto de interesse, um lugar, um restaurante. Não um logo. Quer dizer, o que isso seria? Então eu precisava dar esta apresentação para o conselho da cidade e os representantes do bairro, e fui para Pittsbourgh e falei, "Sabem, o que vocês tem aqui e todos esses túneis que separam o bairro do centro da cidade. Por que não celebrá-los, e fazer deles pontos de interesse?" Então comecei a fazer esta apresentação maluca destas instalações -- instalações potenciais -- nestes túneis, e fiquei na frente do conselho da cidade -- e estava com um pouco de medo, Tenho que admitir. Mas estava tão pouco preparada para este projeto, e era tão ridículo, e ignorei o que foi pedido para fazer que acho que eles abraçaram de coração, completamente porque eu fui tão divertida. E este é o túnel que eles estão realmente pintando e preparando neste momento. Vai mudar a cada seis messes, e vai ser uma instalação artística no lado norte de Pittsburgh, e seguramente vai se tornar um ponto de interesse do bairro. John Hockenberry falou para vocês um pouco do meu trabalho para Citibank, esta é hoje uma relação de 10 anos, e ainda trabalho para eles. E realmente me divirto com eles e gosto deles, e acho que para ser uma empresa muito, muito, muito, muito grande realmente conseguem manter o material gráfico muito bonito. Eu desenhei o logo para Citibank num guardanapo na nossa primeira reunião. Foi a parte de jogo do trabalho. E depois passei um ano indo para longas, tediosas, intermináveis reuniões, tentando vender este logo para uma empresa imensa até o ponto das lágrimas. Pensei que ia ficar maluca no fim desse ano. A gente fez apresentações idiotas mostrando como o logo do Citi fazia sentido, e como o logo vinha da ideia de um guarda-chuva, e a gente fez animações com estas coisas, e fomos de ida e volta, ida e volta, ida e volta. E valeu a pena, porque finalmente foi aceito, e foi utilizado numa escala tão grande, e é tão conhecido internacionalmente, mas para mim foi um ano muito muito deprimente. Na verdade, eles realmente nunca aceitaram o logo até que Fallon o colocou na campanha "Viva uma vida cheia", e então todos o aceitaram no mundo inteiro. Então neste período eu precisava um tipo de balanço para esta existência maluca, doida, de participar de todas estas reuniões idiotas. E estava na minha casa de campo, e por algum motivo, comecei a pintar estes mapas muito grandes, complexos, laboriosos, complicados do mundo inteiro, listando cada lugar do planeta, e colocando-os, e escrevendo errado, e colocando lugares no espaço errado, e controlando completamente a informação, e me enlouquecendo completamente com eles. Cada um me levaria uns seis messes no inicio, e depois comecei a fazer eles mais rápido. Aqui está o mapa dos Estados Unidos. Cada uma das cidades dos Estados Unidos está aqui. E foi colocado durante uns oito messes no Copper-Hewitt, e as pessoas se aproximavam, e apontavam para um lugar no mapa, e falavam "Eu estive aqui" E, claro, não poderiam ter estado porque estava tudo no lugar errado. Mas o que eu gostei daquilo foi, eu estava controlando a minha própria informação idiota, e estava criando a minha própria paleta de informação, e estava total e completamente no jogo. Um dos meus preferidos foi este quadro da Florida que eu fiz depois das eleições do ano 2000 que tinha os resultados das eleições flutuando na água, Tenho isto como prova. Alguém foi na minha casa e viu estes quadros e me recomendou para uma galeria, Tive a minha primeira mostra uns dois anos e meio atrás, e mostrei estes quadros que estou mostrando aqui. E uma coisa divertida aconteceu -- eles foram vendidos. Foram vendidos rapidamente, e se tornaram bastante populares. Começamos a fazer impressões deles. Este é o quadro de Manhattan, um da série. Este é um dos Estados Unidos que a gente fez nas cores vermelho, branco e azul. Comezamos a fazer estas impressões grandes, e também foram vendidos. Então, a galeria queria que eu tivesse outra amostra em dois anos, o que queria dizer realmente que precisava fazer estes quadros muito mais rápido do que eu tinha feito. E eu -- começaram a ser mais políticos, e escolhi áreas que estavam nos jornais ou os que eu gostava, e comecei a fazer estas coisas. E uma coisa curiosa aconteceu. Percebi que já não estava mais num jogo. Estava nesta paisagem solene de cumprir com as expectativas para um show, que não é da maneira que comecei a fazer. Então, enquanto se tornaram conhecidos, Sei como fazê-los, já não sou iniciante, e eles já não são mais serios -- se tornaram solenes. E este é o fator que dá medo -- quando você começa uma coisa e se torna assim -- porque quer dizer que a única coisa que você precisa fazer é voltar e procurar qual é a próxima coisa que você pode criar, ou inventar, que você desconheça, que você possa ser arrogante, que você possa fracassar, e que você possa ser doido. Porque no fim, essa é a maneira de crescer, e isso e tudo que importa. Então vou acabar por aqui -- e vou ter que explodir as escadas. Muito obrigada.
pt
435
Eu gostaria de começar esta noite com algo completamente diferente, convidando-os a saírem da terra firme e a pularem no oceano por um momento. 90 porcento do espaço vivo deste planeta está nos oceanos, e é onde a vida -- o título do seminário de hoje -- começou. E é um lugar vivo e amável, mas estamos rapidamente modificando-o com -- não apenas nossa pesca exagerada e irresponsável, nossa adição de poluentes como fertilizantes, que escoam da terra. Mas também, recentemente, com a mudança climática, e Steve Schneider, estou certa, entrará em detalhes nisso. Agora, enquanto continuamos a remexer com os oceanos, mais e mais relatórios indicam que o tipo de mar que estamos criando será adequado a animais de pouca energia, como águas-marinhas e bactérias. E este pode ser o tipo de oceano que teremos. As águas-marinhas são extremamente hipnóticas e belas, e vocês verão muitas e deslumbrantes no aquário, na sexta, mas elas machucam muito, e o sushi e sashimi de águas-marinhas não vai encher suas barrigas. Cerca de 100 gramas de águas-marinhas dá apenas quatro calorias. Então pode ser bom para a silhueta, mas não vai nos saciar por muito tempo. E um mar lotado de águas-marinhas não é bom para as outras criaturas que vivem nele, a menos que eles comam águas-vivas. E aqui está este predador voraz se lançando em um ataque furtivo sobre esta pobre e pequena criatura, uma velejadora. Este predador é o peixe sol gigante, o Mola mola, cuja presa principal é a água-marinha. Este animal está no livro "Guiness de Recordes Mundiais" como o peixe vertebrado mais pesado. Ele chega a pesar 2. 268 kg -- comendo quase apenas águas-marinhas. E acho que é uma boa pequena convergência cosmológica, que o Mola mola -- o nome comum do peixe sol -- tenha como prato principal a água marinha lunar. É interessante, o sol e a lua unindo-se desta maneira, mesmo que seja comendo um ao outro. O peixe sol é tipicamente avistado assim, daí saiu seu nome. Eles gostam de tomar sol, não podemos culpá-los. Eles ficam deitados na superfície da água e achamos que estão doentes, ou com preguiça, mas é um comportamento típico, eles deitam e se aquecem na superfície. Seu outro nome, Mola mola, é -- soa havaiano, mas significa pedra de moinho, em latim, o que pode ser atribuído à sua forma arredondada e bizarra, inacabada. É como se, ao crescer, tivessem esquecido a parte da cauda. E é o que na verdade me atraiu aos Mola em primeiro lugar, sua forma terrivelmente bizarra. Sabem, ao vermos tubarões, eles fazem sentido, são lisos, e se olharmos o atum, lembramos de torpedos -- sua forma mostra a função. Servem à migração e à força, então vemos o peixe sol. E é tão elegantemente misterioso, é -- ele esconde o jogo bem mais que, digamos, o atum. Então fiquei intrigada com isso -- sabem, qual a história deste animal? Bem, assim como tudo em biologia, nada faz sentido, exceto à luz da evolução. Os Mola não são exceção. Eles apareceram logo depois da extinção dos dinossauros, 65 milhões de anos atrás, numa época em que as baleias ainda tinham pernas, e vêm de uma pequena facção rebelde de baicus -- permitam-me uma pequena historinha à moda Kipling, aqui. Claro que a evolução é meio ao acaso, e, sabem, cerca de 55 milhões de anos atrás havia esta pequena facção rebelde de baicus, que disseram, ah, danem-se os corais -- vamos para o grande mar. E, muitas gerações depois, após muitos ajustes eles viraram os Mola. Sabe, se você der tempo suficiente à mãe natureza, isto é o que ela fará. Eles parecem -- talvez meio préhistóricos e inacabados, abreviados, talvez, mas de fato, eles são -- eles estão entre os peixes mais evoluídos do mar, bem ao lado dos peixes chatos. Eles -- todas as coisas neste peixe foram modificadas. E, em termos de peixes -- peixes datam de 500 milhões de anos atrás, e são bem modernos, então, apenas 50 milhões de anos atrás -- é interessante notar que mostram sua herança ao se desenvolverem. Começam como pequenos ovos, e estão no livro Guiness de Recordes novamente, por ter o maior número de ovos entre qualquer vertebrado do planeta. Uma única fêmea de 1. 2 metros pôe 300 milhões de ovos, pode carregar 300 milhões de ovos em seus ovários -- imaginem -- que chegam a medir 3 metros. Imaginem só! E deste pequeno ovo, eles passam deste estágio de peixe porco espinho, reminiscente de sua origem, e desenvolvem-se -- este é seu estado adolescente. Eles aprendem em bando na puberdade, e tornam-se gigantes solitários quando adultos. Isto é um mergulhador, no canto. Estão novamente no livro Guiness, por serem os campeões em crescimento dentre os vertebrados. Do pequeno tamanho de seus ovos, passando pelo estágio de larvas até alcançarem a maioridade, eles aumentam 600 milhões de vezes seu peso inicial. 600 milhões. Agora imaginem-se dando a luz a um bebê, e você tem que alimentar esta coisa. Isso significa esperar que seu filho pese o equivalente a seis Titanics. Não sei como alimentar uma criança assim, mas -- não sabemos o quão rápido os Molas crescem soltos, mas estudos de crescimento em cativos do Monterey Bay Aquarium -- um dos primeiros lugares a abrigá-los -- eles tiveram um que ganhou 363 kg em 14 meses. Eu disse, bem, isso é verdadeiramente americano. Então ser solitário é ótimo, principalmente nos mares de hoje porque andar em bandos costumava ser a salvação para os peixes, mas hoje é suicídio. Mas infelizmente para os Mola, mesmo que não andem em bandos, ainda são pegos em redes sem querer. Se vamos salvar o mundo da dominação das águas-vivas, temos que entender o que os predadores de águas-vivas -- como vivem, como os Mola. E, infelizmente, eles são grande parte da pesca involuntária da Califórnia -- cerca de 26 porcento dela. E no Mediterrâneo, em pescaria de peixes-espada, eles chegam a ser 90 porcento. Então temos que entender como vivem. E como fazer isto? Como fazer isto com um animal -- pouquíssimos lugares no mundo. Esta é uma criatura de mar aberto. Não tem fronteiras -- não vem à terra. Como obter informação? Como seduzir uma criatura livre como esta a revelar seus segredos? Bem, existe uma ótima tecnologia agora que recém se tornou disponível, e que é de grande ajuda para captar informação de animais oceânicos. E está nesta foto. Este pequeno grampo. Este grampo grava temperatura, profundidade e intensidade de luz, em relação ao tempo, e daí podemos conseguir localizações. E pode gravar dados por até dois anos, e mantê-los no grampo, soltar-se em um tempo pré-programado, flutuar até a superfície, enviar todos os dados, toda a navegação, via satélite, que a transmite diretamente para nossos computadores, e temos todos os preciosos dados. Sem ao menos -- apenas marcamos o animal e fomos pra casa, sentar em nossas mesas. Então o que é ótimo nos Mola é que quando colocamos os grampos -- podem ver aqui -- está saindo, aqui é onde colocamos o grampo. E isto parece um parasita pendurado no Mola. Os Mola são conhecidos por serem hospedeiros de parasitas. Eles são hotéis de parasitas, até seus parasitas têm parasitas. Acho que Donne escreveu um poema sobre isto. Mas eles têm 40 gêneros de parasitas, entáo pensanos que apenas mais um não seria problema para eles. Então eles por acaso são ótimos portadores de equipamento oceanográfico. Eles não parecem se importar, até aqui. Então o que tentamos descobrir? Focamos no Pacífico. Mapeamos a costa da Califórnia, e mais em Taiwan e Japão. E estamos interessados no uso que estes animais fazem das correntes, o uso da temperatura e do mar aberto para viver suas vidas. Adoraríamos rastrear os de Monterey. Monterey é um dos poucos lugares do mundo onde eles são encontrados em grandes números. Não nesta época do ano -- mais pra Outubro. E adoraríamos mapeá-los lá -- esta é uma vista aérea de Monterey -- mas infelizmente, os Molas daqui terminam assim. Porque outra espécie local realmente gosta dos Molas, mas da maneira errada. O leão marinho californiano captura os Molas assim que chegam à baía, arranca suas nadadeiras, e transforma-os em frisbee, e os joga para todos os lados. E, não estou exagerando -- e às vezes nem os comem, é só por diversão. E, sabe, os nativos acham o comportamento terrível, é simplesmente horrível ver isto acontecer todos os dias. Os pobres Mola chegam, são feitos em pedaços, então fomos mais ao sul, em San Diego. Não há muitos leões marinhos californianos aqui. E os Mola daqui, podem ser facilmente avistados de avião, e eles gostam de ficar debaixo de algas flutuantes. E ali -- é por isso que eles gostam é o spa dos Mola. Assim que chegam a estas algas, os peixes esfoliadores vêm. E eles dão aos Mola -- vocês podem ver que eles ficam nesta posição engraçada que diz, "não estou ameaçando, mas preciso de uma massagem." E eles levantam suas nadadeiras, e rolam seus olhos, os peixes vêm e simplesmente limpam, limpam, limpam -- porque os Mola, sabem, têm uma quantidade avassaladora de parasitas. E é também um ótimo lugar para migrar porque a água é mais quente, e os Mola são mais amigáveis aqui. Digo, que outro peixe, quando você se aproxima apropriadamente, diria, "Ótimo, coce aqui." Você pode realmente nadar até um Mola, eles são muito gentis, e se você chegar da maneira correta, pode até acariciá-lo, e ele vai gostar. Então rastreamos parte do Pacífico, fomos a outra parte, e rastreamos Taiwan e no Japão. E, nestes lugares, os Mola são capturados em redes. Mas não são devolvidos, viram comida. Fomos servidos de uma refeição de nove pratos de Mola após rastreá-los. Bem, não o que rasteamos! E tudo, dos rins aos testiculos, aos ossos, às vertebras, aos músculos das nadadeiras -- acho que todo o peixe -- é comido. Então a parte mais difícil do rastreamento agora, é que depois de colocar o grampo, temos que esperar meses. E você se pergunta, oh, será que este está a salvo? Espero que ele consiga sobreviver durante a gravação do grampo. Cada grampo custa 3500 dólares, mais 500 dólares pelo uso do satélite, então ficamos torcendo para que o grampo esteja bem. Por isso a espera é a pior parte. Vou mostrar nossos mais novos dados. E não foram publicados ainda, então é totalmente exclusivo para a TED. E ao mostrar isso, sabe, quando analisamos estes dados, pensávamos, será que estes animais atravessam o equador? Eles vão de um lado a outro do Pacífico? E descobrimos que eles são meio caseiros. Não migram muito. Estas são suas rotas: soltamos o grampo em Tóquio, e em um mês o Mola, meio que entrou na corrente de Kuroshio, e ficou ali. E após quatro meses, foi para o Norte do Japão. E este é o tipo de alcance que eles têm. Isto é importante, porque se há pressão de muita atividade pesqueira, esta população não é repovoada. Então estes dados são muito importantes. Mas também é importante notar que eles não são peixes preguiçosos. Eles são super diligentes. E aqui está um dia na vida de um Mola -- eles ficam pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo até 40 vezes por dia. Assim que o Sol aparece, eles começam a mergulhar. Pra baixo -- e quanto mais claro o dia, mais fundo eles vão. Eles chegam a descer até 600 metros, a temperaturas de um grau centígrado, e é por isso que os vemos na superfície -- é muito frio lá embaixo. Eles têm que subir, se aquecer, pegar energia solar, e então mergulhar novamente nas profundesas, subir e descer. E eles atingem uma camada lá embaixo, o falso fundo -- que tem uma variedade completa de alimentos. Então ao invés de ser apenas um preguiçoso que toma sol o dia inteiro, ele realmente é diligente, que dança esta dança selvagem entre a superfície e o leito, e entre temperaturas. Vemos o mesmo padrão -- agora com estes grampos vemos padrões similares em peixes espada, arraias, atum, uma dança em três dimensões. Isto é parte de um programa bem maior, chamado Censo da Vida Marinha, em que vão rastrear mundo afora e o Mola vai estar incluso. E o que é empolgante -- vocês que viajam, sabem a melhor coisa das viagens é conhecer os nativos, e achar os melhores lugares através do conhecimento nativo. Bem, com o Censo da Vida Marinha, podemos conhecer os nativos e explorar 90 porcento de nosso espaço com vida, com conhecimento dos nativos. Nunca houve uma época em que ser biólogo fosse mais empolgante ou vital. O que me leva ao último tópico, e o que eu acho o mais divertido. Fiz um website porque recebia muitas perguntas sobre os Mola. Então achei que seria um bom lugar para responder às perguntas, e agradecer aos meus patrocinadores, como National Geographic e Lindbergh. Mas as pessoas contribuíam com o site, com todo tipo de -- todo tipo de histórias sobre estes animais, e querendo me ajudar a conseguir amostras para análise genética. O que eu achei mais empolgante é que todos compartilhavam amor e interesse pelos oceanos. Eu recebia depoimentos de freiras católicas, rabinos judeus, muçulmanos, cristãos -- todos me escreviam, unidos pelo seu amor à vida. E para mim, isso -- não posso dizer melhor que o bardo imortal: "Um toque da natureza faz do mundo uma família." E, claro, pode ser apenas um grande e tolo peixe, mas está ajudando. Se está ajudando a unir o mundo, definitivamente é o peixe do futuro.
pt
436
Em 1952, Buckminster Fuller apresentou uma proposta particularmente audaciosa para o Geoscope. Era uma esfera geodésica de 60 metros de diâmetro a ser suspensa sobre o Rio East na cidade de Nova york, sendo vista inteiramente das Nações Unidas. Era uma grande idéia, com certeza, e ele sentiu que ela poderia realmente informar e definitivamente afetar o processo de decisões deste grupo através de animações com dados, previsões e outras informações relativas ao mundo, nesta esfera. Hoje, 45 anos depois, nós claramente ainda temos a necessidade deste tipo de clareza e perspectiva, mas o que temos são tecnologias melhoradas. Atualmente, não precisamos mais de um milhão de lâmpadas para criar uma tela esférica Podemos usar LEDS. LEDs são menores, mais baratos, duram mais e são mais eficientes. E o mais importante é que são mais rápidos. E esta velocidade, combinada com a alta-performance dos micro-controladores atuais permitiu que realmente simulássemos, nesta peça, mais de 17. 000 LEDs -- usando apenas 64. E a maneira que isto acontece é através do fenômeno da persistência da visão. Mas como este anel gira a 1. 700 RPM -- o que é 28 vezes por segundo. A velocidade equatorial é, na verdade, 96 km/h. Há quatro micro-controladores embarcados que, cada vez que o anel gira, assim que passa por trás da tela, ele capta um sinal de posicionamento e a partir disto, os micro-controladores embarcados podem extrapolar a posição do anel em todos os pontos ao redor da volta completa e mostrar imagens e animações arbitrárias. Mas este é apenas o início. Além de versões com maior resolução desta tela, meu pai e eu estamos trabalhando em um novo projeto com patente pendente para uma tela totalmente volumétrica usando o mesmo fenômeno. Ela consegue isto ao rotacionar os LEDs em dois eixos. De forma que, como podem ver aqui, esta é uma placa de circuito impresso de 28 centímetros. Estes blocos representam LEDs. E você também pode ver que enquanto o disco gira neste eixo, irá criar um disco luminoso que podemos controlar. Não há nada de novo nisto, é um relógio de propulsão. É como as calotas que você compra para o seu carro. Mas o que tem de novo, é que quando rotacionamos o disco neste eixo, agora o disco de luz realmente se torna uma esfera luminosa. Assim, podemos controlar isto com os micro-controladores e criar uma tela tridimensional, totalmente volumétrica, com apenas 256 LEDs. Esta parte está, atualmente, em progresso -- e estará pronta em Maio, mas o que nós fizemos foi criar uma pequena demonstração, apenas para mostrar a translação de pontos dentro de uma esfera. Eu tenho este pequeno vídeo para mostrar-lhes, mas não se esqueça de que este não tem controle eletrônico, e que ele tem apenas quatro LEDs. Isto é, realmente, apenas 1, 5% do que será a tela final em Maio. Então, vejam. E aqui você pode vê-la girando apenas sobre o eixo vertical, criando círculos. E assim que o outro eixo entra em ação, o volume cria-se gradualmente. E a velocidade de disparo da câmera faz com que ele seja menos eficaz neste caso. Mas este produto estará pronto em Maio. Estará a mostra no evento Interactive Telecommunications Spring Show em Greenwich Village na cidade de Nova York -- estará aberto ao público, definitivamente, convido todos vocês para vir e presenciar -- é um evento fantástico. Há centenas de estudantes inovadores com projetos fantásticos. Este produto, na realidade, estará a mostra no Lounge Sierra Simulcast nos intervalos entre agora e o final do evento. Eu adoraria conversar com todos vocês, e convidá-los a comparecer e ver de perto. É uma honra estar aqui, muito obrigado.
pt
437
Certo dia uma macaca de um só olho chegou à floresta. Sob uma árvore ela viu uma mulher que meditava fervorosamente. A macaca reconheceu a mulher, uma Sekhri. Era a esposa de um famoso brâmane. Para observar melhor, a macaca subiu na árvore. Então, com um estrondo, os céus se abriram. E o deus Indra saltou para a clareira. Indra viu a mulher, uma Sekhri. Ah-ha. A mulher não prestou atenção nele. Então Indra, sentindo-se atraído, jogou-a no chão e a estuprou. Então Indra desapareceu. E o marido da mulher, o brâmane, apareceu. Ele entendeu imediatamente o que havia acontecido. Ele então rogou aos deuses superiores por justiça. Então o deus Vishnu surgiu. "Há alguma testemunha?" "Somente a macaca de um só olho", disse o brâmane. E a macaca de um só olho realmente queria justiça para a mulher Sekhri, por isso contou exatamente o que havia acontecido. Vishnu deu seu veredito. "O deus Indra cometeu um pecado, e cometeu um pecado contra. um brâmane. Que ele seja convocado para pagar por seus erros." E Indra apareceu e fez o sacrifício do cavalo. E assim se fez, um cavalo foi sacrificado, um deus se livrou de seus pecados, o ego de um brâmane foi apaziguado, uma mulher. ficou arruinada, e uma macaca de um só olho ficou. muito confusa com o que os homens chamam de justiça. Na Índia há um estupro a cada três minutos. Na Índia, apenas 25 por cento dos estupros chegam às delegacias de polícia, e desses 25 por cento que são denunciados, somente quatro por cento levam a condenações. São muitas mulheres que não obtêm justiça. E não são apenas mulheres. Olhem ao seu redor, em seus próprios países. Há um certo padrão em quem é condenado por crimes. Se estiver na Austrália, em geral são aborígenes na cadeia. Se estiver na Índia, ou são muçulmanos ou adivasis, nossas tribos, os naxalitas. Se estiver nos E. U. A, em geral são os negros. Há um padrão aqui. E os brâmanes e os deuses, como em minha estória, sempre contam suas versões como sendo A Verdade. Todos nós nos tornamos macacos de um só olho, ainda que com dois? Nós não enxergamos mais a injustiça? Bom dia. Eu já contei essa estória umas 550 vezes, para platéias em 40 países, para estudantes, em jantares da fundação Smithsonian, e por aí vai, e todas as vezes há uma reação. Mas se eu chegasse para a mesma platéia e dissesse: "Gostaria de falar com vocês sobre justiça e injustiça," eu ouviria: "Muito obrigado, mas temos mais o que fazer." E esse é o surpreendente poder da arte. A arte vai a lugares incríveis. Não há barreiras, pois ela vai além de preconceitos, além de todas as máscaras que usamos, quando dizemos: "Sou assim, sou assado." Não, ela vai além disso tudo. E tem mais alcance que qualquer outra coisa. Num mundo onde é tão difícil mudar as atitudes, nós precisamos de uma linguagem que tenha esse alcance. Hitler sabia disso; ele usou Wagner para fazer com que os nazistas se sentissem mais arianos. E o Sr. Berlusconi sabe disso, bem acomodado em seu império de mídia e televisão, e por aí vai. E todas as mentes criativas em todas as agências de propaganda, que ajudam empresas a nos vender coisas totalmente desnecessárias, elas também conhecem o poder da arte. Para mim aconteceu bem cedo. Quando era criança, minha mãe, que era coreógrafa, ficou preocupada com algo que aconteceu. Foi quando jovens noivas começaram a cometer suicídio na área rural de Gujarat, porque eram forçadas a trazer cada vez mais dinheiro para as famílias dos noivos. Ela então criou um balé que depois foi visto pelo primeiro-ministro Nehru. Ele virou para ela e perguntou: "Do que se trata?" Ela contou a ele e ele estabeleceu a primeira investigação do que chamamos hoje de Dança do Dote. Imaginem um balé feito para investigar algo que até hoje mata milhares de mulheres. Anos depois, quando eu estava trabalhando com o diretor Peter Brook em "O Mahabharata", no papel de uma feminista feminina chamada Draupadi, tive experiências semelhantes. Algumas matronas negras do Bronx chegavam e diziam: "É isso aí!" E algumas jovens antenadas de Sorbonne diziam: "Senhora Draupadi, não somos feministas, mas isso? É isso!" E mulheres aborígenes na África chegavam e diziam: "É isso aí!" E eu pensei: "É disso que precisamos, uma linguagem." Alguém falou sobre saúde pública. Devdutt também mencionou o assunto. Bem, milhões de pessoas em todo o mundo morrem de doenças transmitidas pela água a cada ano. Isso acontece porque não há água limpa para beber, ou em países como a Índia, as pessoas não sabem que devem lavar as mãos depois de defecar. Então o que elas fazem? Elas bebem a água que sabem estar suja, e têm cólera, diarréia, icterícia, e morrem. Os governos não proporcionam água potável. Eles tentam construir encanamentos, mas não dá certo. Multinacionais dão máquinas que eles não podem manter. O que fazer então? Deixá-los morrer? Bem, alguém teve uma ótima ideia. Uma ideia simples. Uma ideia que não traria lucro a ninguém mas ajudaria em todas as áreas da saúde. A maioria das casas na Ásia e na Índia tem uma peça de roupa de algodão. Já foi comprovado, e a OMS confirma, que um tecido de algodão dobrado oito vezes pode reduzir as bactérias em 80 por cento na filtragem. Então por que os governos não estão alardeando isso na tevê? Por que não publicam isso em todas as esquinas do terceiro mundo? Porque não há lucro nisso. Porque ninguém tem um retorno. Mas é preciso que isso alcance as pessoas. E aqui está uma das maneiras de fazê-lo. [Video] Mulher: Então me dê um desses purificadores de água sofisticados. Homem: Você sabe que eles são muito caros. Eu tenho uma solução que não precisa nem de máquina, nem de madeira, nem de gás de cozinha. Mulher: Que solução é essa? Homem: Escuta, procure aquele sari de algodão que você tem. Menino: Vovô, me conte qual é a solução, por favor. Homem: Eu direi a todos vocês. Esperem um pouco. Mulher: Aqui está, pai. Mulher: Sim, claro. Homem: Então faça como eu estou mandando. Dobre o sari 8 vezes. Mulher: Claro, pai. Homem: E você, você conte para ter certeza que ela está fazendo direito. Homem: Um, dois, três, quatro vezes dobramos. E todos os germes da água nós tiramos. Coro: Um, dois, três, quatro vezes dobramos. E todos os germes da água nós tiramos. Cinco, seis, sete, oito vezes dobramos. E nossa água de beber segura tornamos. Cinco, seis, sete, oito vezes dobramos. E nossa água de beber segura tornamos. Mulher: Pai, aqui está o sari de algodão dobrado 8 vezes. Homem: Então este é o sari de algodão. E através dele, teremos água limpa. Acho que podemos dizer que todos aqui estamos preocupados com o crescimento da violência cotidiana. Enquanto as universidades criam cursos de solução de conflitos, e governos tentam acabar com as escaramuças nas fronteiras, nós estamos cada vez mais rodeados por violência, seja no trânsito, seja violência doméstica, seja um professor espancando e matando uma aluna pois ela não fez o dever; a violência está em todo lugar. Por que não estamos fazendo nada para encarar o problema em nossa vida cotidiana? O que estamos fazendo para que as crianças e os jovens percebam que nós nos entregamos à violência, que nós podemos acabar com ela, e que há outras maneiras de transformar a violência, a raiva, as frustrações em coisas que não prejudiquem outras pessoas. Bem, aqui está uma delas. Vocês são pacíficos. Seus pais são pacíficos. Seus avós são pacíficos. Tanta paz em um só lugar? Como poderia ser diferente? Mas e se. Sim. E se. Um pequeno gene em você estivesse tentando se manifestar? Desde os primórdios na África, através das gerações, pode ter sido passado a você, na sua criação. É um impulso secreto, guardado bem lá no fundo. E se está em você, está em mim também. Nossa. É o que fez você dar uma palmada em seu irmãozinho, esmagar uma barata, arranhar sua mãe. É o sentimento que cresce em você quando seu marido chega bêbado em casa e você quer espancá-lo. É o ciclista que você quer atropelar quando vai trabalhar, e a prima que você quer estrangular porque ela é uma chata. Nossa. E os forasteiros, brancos, negros, mulatos, queremos castigá-los e açoitá-los para fora da cidade. É um pequeno gene. Minúsculo e malvado. Muito pequeno para ser detectado, sua proteção interna. Adrenalina, morte. O desejo de matar. Sim, é melhor encarar isso porque você não pode eliminá-lo. Você é V-I-O-L-E-N-T-O. Pois você é uma vítima, ou então está no topo como eu. Adeus, Abraham Lincoln. Adeus, Mahatma Gandhi. Adeus, Martin Luther King. Olá, gangues da vizinhança matando outras gangues da vizinhança. Olá governos de países ricos vendendo armas para governos de países pobres que sequer podem pagar por comida. Olá civilização. Olá século 21. Olhe só o que nós. olhe só o que eles fizeram. A forma de arte mais visível, o cinema, é usada em todo o mundo para falar sobre questões sociais. Há alguns anos fizeram um filme chamado Rang De Basanti, que repentinamente fez milhares de jovens se tornarem voluntários em busca de mudanças sociais. Na Venezuela, uma das novelas mais populares tem uma heroína que se chama Crystal. E quando Crystal teve câncer de mama, 75. 000 jovens mulheres resolveram fazer mamografias. E claro, o conhecido "Monólogos da Vagina". E há também comediantes que falam sobre questões raciais e étnicas. Então por que será, se todos nós concordamos que queremos um mundo melhor, um mundo mais justo, por que será que não usamos a única linguagem que consistentemente nos mostra que podemos quebrar barreiras, que podemos alcançar as pessoas? O que eu preciso dizer aos poderosos do mundo, aos governos, aos estrategistas, é: "Vocês tratam as artes como se fosse a cobertura do bolo. Mas elas deveriam ser o fermento." Porque qualquer planejamento futuro, se 2048 é o ano que desejamos alcançar, a menos que a arte ande passo a passo com cientistas, com economistas, com todos aqueles que preparam o futuro, não chegaremos lá. E a menos que isso esteja internalizado, não vai acontecer. Então, o que é necessário? Do que precisamos? Nós temos que desconstruir nossa visão do que são os urbanistas, de qual é o caminho correto a seguir. Depois de todos esses anos tentando fazer um mundo melhor, nós falhamos. Há mais pessoas sendo estupradas. Há mais guerras. Há mais pessoas morrendo de causas banais. Então algo precisa ser feito. E isso é o que eu quero. Pode retornar a faixa de áudio, por favor? Era uma vez uma princesa que assobiava lindamente. Seu pai, o rei, dizia: "Não assobie." Sua mãe, a rainha, dizia: "Não assobie." Mas a princesa continuava assobiando. Os anos se passaram e a princesa cresceu e se tornou uma linda jovem, que assobiava ainda melhor. Seu pai, o rei, dizia: "Quem vai casar com uma princesa que assobia?" Sua mãe, a rainha, dizia: "Quem vai casar com uma princesa que assobia?" Mas o rei teve uma ideia. Ele anunciou um Swayamvara. Convidou todos os príncipes para derrotar sua filha no assobio. "Aquele que derrotar minha filha terá metade de meu reino e a mão dela em casamento!" Logo o palácio se encheu de príncipes assobiando. Alguns assobiavam mal. Outros assobiavam bem. Mas ninguém conseguiu derrotar a princesa. "E agora o que faremos?" perguntou o rei. "E agora o que faremos?" perguntou a rainha. Mas a princesa disse: "Pai, mãe, não se preocupem. Eu tenho uma ideia. Eu vou falar com cada um desses jovens e perguntar a eles se eles foram realmente derrotados. Se algum deles responder corretamente, será o escolhido." Então ela perguntou a cada um: "Você aceita a derrota para mim?" E eles disseram: "Eu? Derrotado por uma mulher? Nunca, isso é impossível! Não, não e não! Não é possível." Até que um príncipe disse: "Princesa, eu concordo, você me derrotou." "Ah-ha." disse ela. "Pai, mãe, esse homem será minha esposa." Obrigada.
pt
438
Ano passado eu contei a vocês, em sete minutos, a história do Projeto Orion, que foi esta tecnologia muito implausível que poderia ter funcionado tecnicamente, mas enfrentou um ano de janela política onde poderia ter acontecido, mas não aconteceu. Foi um sonho que não se realizou. Este ano eu contarei a história do nascimento da computação digital. Esta foi uma perfeita introdução. E foi uma história que funcionou. Ela se realizou, e as máquinas estão todas ao nosso redor. E foi uma tecnologia inevitável. Se as pessoas dessa história que irei contar -- se elas não tivessem realizado isso, outras pessoas o fariam. Então foi o tipo de idéia certa, na hora certa. Esse é o universo de Barricelli. Esse é o universo em que vivemos. É o universo em que essas máquinas estão agora fazendo todas essas coisas, até mesmo mudanças na biologia. Começarei a história com a primeira bomba atômica em Trinity, que era o Projeto Manhattan. Era um pouco parecido com o TED: uma junção de pessoas muito inteligentes. E três das pessoas mais inteligentes eram Stan Ulam, Richard Feynman e John von Neumann, e foi von Neumann que disse, após a bomba, que ele estava trabalhando em algo muito mais importante do que bombas: ele estava pensando em computadores. Ele não estava apenas pensando sobre eles; ele construiu um. Esta é a máquina que ele construiu. Ele construiu essa máquina, e tivemos uma bela demonstração de como essa coisa realmente funciona, com estes pequenos bits. E é uma idéia que surgiu muito antes. A primeira pessoa a realmente explicar isso foi Thomas Hobbes, que em 1651, explicou como a aritmética e a lógica são a mesma coisa, e se você quer ter um pensamento artificial e uma lógica artificial, você pode fazer tudo com a aritmética. Ele disse que era necessário adição e subtração. Leibniz, que veio um pouco depois - em 1679 - mostrou que nem a subtração era necessária. Você poderia fazer a coisa toda com a adição. Aqui nós temos toda a aritmética e lógica binária que conduziu a revolução dos computadores, e Leibniz foi a primeira pessoa a realmente falar sobre construir essa máquina. Ela falou sobre contruí-la com bolas de gude, tendo portas e aquilo que chamamos agora de registros de deslocamento, onde você alterna as portas e as bolas de gude caem nos trilhos. E é isso que todas essas máquinas estão fazendo, exceto que em vez de bolas de gude, estão fazendo com elétrons. E então nós pulamos até von Neumann, 1945, quando ele praticamente reinventa a mesma coisa. E 1945, depois da guerra, a eletrônica existia possibilitando a construção da tal máquina. Junho de 1945. Na verdade, a bomba ainda não foi lançada, e von Neumann está organizando toda a teoria para construir essa coisa, que também remete à Turing, quem, antes disso, deu a idéia de que você poderia fazer tudo isso com uma máquina bem pequena e sem cérebro, apenas lendo uma fita sequencialmente. O outro tipo de genesis que von Neumann criou foi a dificuldade com a previsão do tempo. Lewis Richardson percebeu como poderia fazer isso com um leque celular de pessoas, dando a cada uma delas uma pequena cabeça, e coletando-os. Aqui nós temos um modelo elétrico ilustrando uma mente que possui arbítrio, mas capaz apenas de duas idéias. E esse é o computador mais simples. É basicamente a razão da necessidade do qubit, porque possui apenas duas idéias. E se você coloca muitos desses juntos, você têm a essência de um computador moderno. a unidade aritmética, o controle central, a memória, o meio de gravação, o input e o output. Mas tem uma sacada. Esta é a fatal -- nós vimos ao iniciar esses programas. As instruções que governam essa operação precisam ser apresentadaa em detalhes absolutamente exaustivos. Então a programação precisa ser perfeita, ou então não funciona. Se você olhar para as origens disso, a história clássica leva tudo de volta ao ENIAC aqui embaixo. Mas na verdade a máquina sobre a qual falarei, a máquina do Institute for Grand Study, que está bem lá em cima, na verdade deveria estar aqui embaixo. Então eu estou tentando rever a história, e dar a esses caras um pouco mais de crédito do que eles tiveram. Tal computador abriria universos que atualmente, estão fora do alcance de quaisquer instrumentos, então eles abrem um novo mundo, e essas pessoas enxergaram isso. O cara que deveria construir essa máquina era o cara do meio, Vladimir Zworykin, da RCA. RCA, em provavelmente uma das decisões de negócio mais tolas de todos os tempos, decidiu não investir em computadores. Mas o primeiro encontro, novembro de 1945, aconteceu na RCA. A RCA iniciou a coisa toda, e disse as televisões são o futuro, não os computadores. A essência estava toda ali -- todas as coisas que fazem essas máquinas funcionar. Von Neumann, junto com um lógico e um matemático do exército se organizaram. Mas eles precisavam de um local para a construção. Quando a RCA disse não, eles decidiram construir em Princeton, onde Freeman trabalhava no Instituto. Foi lá que eu passei minha infância. Lá estou eu, minha irmã Esther, que se apresentou anteriormente, então nós dois regressamos ao nascimento dessa coisa. Aquele é Freeman, muito tempo atrás, e aquele sou eu. E esses são von Neumann e Morgenstern, que escreveu a Teoria dos Jogos. Todas essas forças se juntaram, em Princeton. Oppenheimer, que construiu a bomba. A máquina era na verdade usada principalmente para operar cálculos das bombas. E Julian Bigelow, que tomou posse como engenheiro para descobrir, usando eletrônicos, como poderiam construir essa coisa. O time completo de pessoas que apareceu para trabalhar, e mulheres na frente, que na verdade fizeram a maior parte dos códigos, foram as primeiras programadoras. Esses eram os geeks da prototipação, os nerds. Eles não se enquadravam no Instituto. Aqui está uma carta do diretor, preocupado com -- "especialmente injustos no que concerne ao açucar". Vocês podem ler o texto. Os hackers se metendo em confusão pela primeira vez. Esses não eram físicos teóricos. Esses caras realmente colocaram a mão na massa, e eles construiram esta coisa. E nós subestimamos agora que cada uma dessas máquinas possui bilhões de transístores, fazendo milhões de ciclos por segundo sem falhar. Eles usavam tubos de vácuo, técnicas bastante rudimentares para alcançar o compartamente binário a partir desses tubos de vácuo de rádio. Eles na verdade usaram 6J6, o tubo de rádio padrão, porque eles descobriram que eram mais confiáveis do que os tubos mais caros. E o que eles fizeram no Instituto foi publicar tudo o que se fazia. Relatórios foram publicados, fazendo com que esta máquna fosse clonada em 15 outros locais ao redor do mundo. E foi mesmo. Era o microprocessador original. Todos os computadores de hoje são cópias desta máquina. A memória ficava em tubos catódicos - uma porção de pontos na face do tubo, muito, muito sensíveis a perturbações electromagnéticas. Então, há 40 desses tubos, como um motor V-40 executando a memória. A entrada e a saída eram feitas inicialmente com fitas teletipo. Este é um disco, usando rodas de bicicletas. Este é o arquétipo do disco rígido que está em sua máquina hoje. Então eles mudaram para um tambor magnético. Aqui é a modificação do equipamento IBM, que é a origem de toda a indústria de processamento de dados, mais tarde na IBM. E este é o início da computação gráfica. O "Graph'g-Beam Turn On." Esse próximo slide, esse é - até onde sei - o primeiro display digital bitmap, 1954. Então, Von Neumann já estava em uma nuvem teórica fazendo estudos abstratos sobre como você pode construir máquinas confiáveis a partir de componentes não-confiáveis. Aqueles caras bebendo todo o chá com açúcar escreviam em seus diários tentando fazer essa coisa funcionar, com todos estes 2. 600 tubos de vácuo que falhavam metade das vezes. E isso é o que tenho feito nos últimos seis meses, lendo os diários. "Duração: dois minutos. Entrada, Saída: 90 minutos." Isso inclui uma grande quantidade de erros humanos. Estão sempre tentando descobrir o que é erro da máquina? O que é erro humano? O que é código, o que é hardware? Esse é um engenheiro hipnotizado pelo tubo número 36, tentando descobrir por que a memória não está ajustada. Ele teve que ajustar a memória - parece ok. Então, ele teve que ajustar cada tubo só fazer a memória funcionar, sem contar os problemas de software. "Inútil, fui pra casa". "Impossível acompanhar a coisa, onde está um diretório?" Já estavam reclamando dos manuais: "antes de fechar em desgosto". A aritmética geral - os registos de funcionamento, trabalhando até altas horas. MANIAC, que se tornou o acrônimo da máquina, Mathematical And Numerical Integrator And Calculator, "perdeu sua memória". "MANIAC recuperou sua memória quando a energia caiu", "máquina ou humano?" "Aha!" Então eles descobriram: é um problema de código: "Encontrei o problema no código, eu espero." "Erro de código, a máquina é inocente". "Diabos, eu posso ser tão teimoso como esta coisa.". "E veio o amanhecer." Eles trabalhavam a noite inteira. Funcionava 24 horas por dia, executando principalmente cálculos de bomba. "Tudo até agora foi tempo perdido." "Qual o objetivo? Boa noite." "Controle mestre desligado. Que se dane. Tô caindo fora". "Algo está errado com o ar condicionado -- cheiro de correias queimadas no ar". "Uma rapidinha - não ligue a máquina". "Máquina IBM jogando fumaça sobre os carros. A fumaça vêm do telhado". Então, eles realmente estavam trabalhando sob condições duras. Aqui, "Um rato entrou no ventilador por trás do regulador, ativou o ventilador. Resultado: adeus rato". "Aqui jaz rato. Nascido? Morto 4: 50am, Maio 1953". Há uma piada interna que alguém anotou: "Aqui jaz Marston Mouse". Se você é matemático, vai entender a piada, porque Marston era um matemático que opôs-se ao computador estar lá. "Peguei um vaga-lume no tambor, correndo em dois kilociclos". Isso dá dois mil ciclos por segundo - "sim, sou galinha" - então dois kilociclos era velocidade baixa. A velocidade alta era 16 kilociclos. Eu não sei se vocês lembram de um Mac que tinha 16 Megahertz. Aquilo era velocidade baixa. "Eu dupliquei os resultados. Como saberei qual é o certo, considerando um resultado como correto? Essa agora é a terceira saída diferente. Eu sei que eu tô ferrado". "Nós duplicamos erros anteriormente". "Máquina funcionando bem. Código não". "Só acontece quando a máquina está ligada". E algumas vezes as coisas vão bem. "Máquina está uma beleza e uma alegria constante". "Funcionamento perfeito". "Pensamento: quando existirem erros maiores e melhores, nós os teremos". Portanto, ninguém deveria saber, de fato, que estavam projetando bombas. Estavam projetando bombas de hidrogénio. Mas alguém nos diários, no final de uma noite, finalmente desenhou uma bomba. Então esse foi o resultado. Mike, a primeira bomba termonuclear, em 1952. Que foi projetada naquela máquina, nos bosques atrás do Instituto. Então von Neumann convidou uma gangue inteira de malucos de todas as partes do mundo para trabalhar nesses problemas. Barricelli, que veio a fazer o que chamamos hoje, verdadeiramente, de vida artificial, tentando ver se, nesse universo artificial - ele foi um geneticista-viral - bem, bem, bem à frente do seu tempo. Ele continua à frente de algumas das coisas que estão sendo feitas agora. Tentando conceber um sistema genético artificial funcionando no computador. Começou - seu universo teve início em 3 de março de 1953. Então é quase exatamente - são 50 anos na próxima terça, eu acho. E ele visionou tudo em termos de -- Ele era capaz de ler o código binário direto da sua máquina. Ele tinha um relacionamento maravilhoso. Outras pessoas não conseguiam fazer a máquina funcionar. Ela sempre clamava por ele. Até os erros eram duplicados. "Dr. Barricelli afirma que a máquina está errada, o código está certo". Então ele projetou esse universo, e fez funcionar. Quando as pessoas da bomba foram embora, ele foi autorizado a entrar. Ele rodava a máquina a noite inteira, executando essas coisas. Se alguém lembra de Stephen Wolfram, que reinventou essa coisa. E ele publicou isso. Não estava restrito e desaparecido. Estava publicado na literatura. "Se é assim tão fácil criar organismos vivos, por que não criar um pouco de si mesmo?" Então ele decidiu tentar, começar essa biologia artifical funcionando nas máquinas. E ele descobriu todos esses, tipos de -- Era como se aparecesse um naturalista e enxergasse esse universo minúsculo de 5. 000 bits e vendo todas essas coisas acontecendo que nós vemos no mundo normal, na biologia. Aqui são algumas gerações de seu universo. Mas eles permaneceram como números; não se transformavam em organismos. Eles precisavam de algo. Você possui um genótipo e preciso de um fenótipo. Eles precisam sair e fazer alguma coisa. E ele passou a fazer isso, começou a dar aos pequenos organismos numéricos coisas com que podiam brincar, jogar xadrez com outras máquinas e coisas do tipo. E elas começaram a evoluir. E ele cruzou o país depois disso. Toda vez que surgia uma máquina nova, rápida, ele passava a usar, e viu exatamente o que está acontecendo agora: que os programas, em vez de serem desligados - quando você abandona o programa, você o deixaria funcionando e, basicamente, todos os tipos de coisas que o Windows está fazendo -- funcionando como um organismo multi-celular em muitas máquinas -- ele visionou isso acontecendo. E ele viu que essa evolução era um processo inteligente. Não era uma inteligência a partir de um criador, mas a coisa em si era uma computação paralela gigante que deveria ter alguma inteligência. E ele saiu de seu caminho para dizer que ele não estava dizendo que isso era como a vida, ou um novo tipo de vida; era apenas uma outra versão da mesma coisa acontecendo. E na verdade não há diferença entre o que ele estava fazendo no computador e o que a natureza fez bilhões de anos atrás. E você poderia fazer novamente hoje? Então quando eu fui vendo esses arquivos, surpreendentemente, o arquivista apareceu um dia, dizendo, "eu acho que encontramos outra caixa que havia sido jogada fora". E era o seu universo em cartões perfurados. Aí estão, 50 anos depois, expostos ali. Uma espécie de animação suspensa. Essas são as instruções de funcionamento -- que é na verdade o código fonte de um desses universos, com uma nota de um dos engenheiros dizendo que eles tinham alguns problemas. "Deve haver algo sobre esse código que você não explicou ainda." E eu acho que é realmente a verdade. Continuamos a não compreender como essas instruções tão simples podem levar a uma complexidade crescente. Esse é o divisor de águas entre quando é vívido e quando está realmente vivo? Esses cartões, agora, graças ao meu aparecimento, estão sendo salvos. E a questão é, devemos executá-los ou não? Poderíamos fazê-los funcionar? Devemos deixá-los livres na internet? Essas máquinas pensariam que -- esses organismos, se eles voltassem a vida agora, mesmo se já morreram e foram para o paraíso, existe um universo -- meu laptop é 10 bilhões de vezes o tamanho do universo em que viviam quando Barricelli largou o projeto. Ele estava pensando muito a frente, em como isso realmente se tornaria um novo tipo de vida. E é isso que está acontecendo! Quando Juan Enriquez nos contou sobre estes 12 trilhões de bits que são transferidos de lá para cá, de todos os dados genômicos indo para o laboratório proteômico, isso é o que Barricelli imaginou: que esse código digital presente nessas máquinas está na verdade começando a criar código - já está codificando a partir de ácidos nucléicos. Nós temos feito isso desde que começamos o PCR e sintetizando pequenas tiras de DNA. E em breve estaremos sintetizando as proteínas, e como Steve nos mostrou, isso abre um mundo inteiramente novo. Um mundo que von Neumann visionou. Isso foi publicado depois de sua morte: suas anotações sobre máquinas auto-reprodutoras. O que é preciso fazer para que as máquinas iniciem o estágio onde começarão a reproduzir. Foi necessário apenas três pessoas: Barricelli concebeu a idéia do código como uma coisa viva. Von Neumann viu como as máquinas poderiam ser construídas. Agora, dados recentes, quatro milhões dessas máquinas de von Neumann são construídas a cada 24 horas. E Julian Bigelow, que faleceu 10 dias atrás -- esse é o obituário de John Makoff para ele -- ele foi uma importante ligação esquecida, o engenheiro que apareceu e sabia como colocar os tubos de vácuo juntos e fazê-los trabalhar. E todos nossos computadores possuem, dentro deles, as cópias da arquitetura que ele tinha acabado de projetar um dia, com um papel e um lápis. E nós devemos um tremendo crédito a isso. E ele explicou, de maneira bastante generosa, o espírito que uniu todas essas pessoas diferentes para o Instituto de Estudos Avançados nos anos 40 para realizar esse projeto, e torná-lo livre, isento de patentes e restrições, sem disputas sobre propriedade intelectual, para todo o mundo. Esse é o último registro no diário quando a máquina foi desligada, em julho de 1958. E era Julian Bigelow quem estava operando até meia noite quando a máquina foi oficialmente desligada. E esse é o fim. Muito obrigado.
pt
439
Isto é uma coisa muito incomum no TED, mas vamos dar o pontapé incial com uma mensagem de um patrocinador misterioso. Anônimos: Caro Fox News, chegou a nossa infeliz atenção que tanto o nome quanto a natureza de Anônimos foram destruídos. Nós somos cada um. Nós somos nenhum. Nós somos anônimos. Nós somos legião. Nós não perdoamos. Nós não esquecemos. Nós somos porém a base do caos. Misha Glenny: Anônimos, senhoras e senhores -- um grupo sofisticado de hackers motivados politicamente que emergiram em 2011. E eles são bastante assustadores. Vocês nunca sabem quando eles atacarão a seguir, quem ou qual serão as consequências. Mas interessantemente, eles possuem senso de humor. Esses caras invadiram a conta de Twitter da Fox News para anunciar o assassinato do Presidente Obama. Agora vocês podem imaginar o pânico que deve ter gerado na sala de notícias da Fox. "O que fazemos agora? Usamos uma braçadeira preta, ou estouramos um champagne? E é claro, quem poderia escapar da ironia de um membro da Empresa de Notícias de Rupert Murdoch ser uma vítima de um hacker pra variar. Algumas vezes você liga os noticiários e se pergunta, "sobrou alguém para ser haqueado?" Rede Sony Playstation -- feito o governo da Turquia -- marcado, Uma Séria Agência de Crime Organizado da Inglaterra -- fácil, A CIA -- caiu. Na verdade, um amigo meu da indústria de segurança me disse outro dia que há dois tipos de companhias no mundo: aquelas que sabem que foram haqueadas, e aquelas que não sabem. Quero dizer que três empresas que fornecem serviços de ciber-segurança para o FBI foram haqueadas. Não há mais nada sagrado, pelo amor de Deus? De qualquer forma, o misterioso grupo Anônimos -- e eles mesmos diriam isso -- eles estão prestando um serviço de demonstrar o quão ineficientes as companhias são na proteção de nossas informações. Mas há também um aspecto muito sério para Anônimos -- eles são movidos ideologicamente. Eles alegam que estão lutando uma conspiração covarde Eles dizem que o governo está tentando tomar a internet e controlá-la, e que eles, Anônimos, são a autêntica voz da resistência -- ser contra as ditaduras do Oriente Médio, contra as corporações globais de mídia. ou contra agências de inteligência, ou o que quer que seja. E a política deles não é totalmente desinteressante. Ok, eles são um pouco insipientes. Há uma forte onda de anarquismo meia-boca sobre eles. Mas uma coisa é verdade: estamos no início de uma batalha poderosa pelo controle da Internet. A Web conecta tudo, e muito em breve mediará a maioria das atividades humanas. Porque a Internet colocou na moda um ambiente novo e complicado para um velho dilema que confronta as exigências de segurança com o desejo de liberdade. Agora, esta é uma batalha muito complicada. E infelizmente, para mortais como você e eu, nós provavelmente não consigamos entender isso muito bem. No entanto, em um ataque inexperadado de arrogância há alguns anos, Eu decidi que eu deveria tentar e fazer isso. E eu meio que consegui. Havia várias coisas que eu estava procurando enquanto eu tentava entender. Mas para tentar e explicar a coisa toda, Eu precisaria de outros 18 minutos ou mais, então vocês terão que confiar no que eu digo a este respeito, e eu asseguro a vocês que todas essas questões estão envolvidas com segurança cibernética e controle da Internet de uma forma ou de outra, mas em uma configuração que até Stephen Hawking provavelmente teria dificuldade tentando entender. Então aqui estão vocês. E como podem ver, no meio, está nosso velho amigo, o hacker. O hacker é absolutamente central para muitas das questões políticas, sociais e econômicas afetando a Net. E eu pensei comigo, "Bem, esses são os caras com quem eu quero falar". E o que vocês sabem, ninguém fala com os hackers. Eles são completamente anônimos, por assim dizer. Então, apesar do fato que nós estarmos começando a derramar bilhões, centenas de bilhões de dólares, em segurança cibernética -- para a maioria das soluções técnicas extraordinárias -- ninguém quer falar com esses caras, os hackers, que estão fazendo tudo. Ao invés disso, nós preferimos essas soluções tecnológicas realmente deslumbrantes, que custam uma quantidade enorme de dinheiro. E nada vai para os hackers. Bem, eu digo nada, mas na verdade há uma minúscula unidade de pesquisa em Turin, Itália chamada "Hackers Profiling Project". E eles estäo fazendo algumas pesquisas fantásticas de características, de habilidades e socialização dos hackers. Mas porque fazem parte de uma operação da ONU, talvez seja esta a razão porque governos e corporações não estejam tão interessados neles. Porque é uma operação da ONU, é claro, falta recursos. Mas eu penso que eles estão fazendo um trabalho muito importante. Porque onde nós temos excesso de tecnologia na indústria de segurança cibernética, nós temos uma definitiva falta de -- chamem-me de ultrapassado -- inteligência humana. Agora, já que mencionei os hackers Anônimos que são um grupo de hackers motivados politicamente. É claro, o sistema de justiça criminal os tratam como velhos criminosos. Mas interessantemente, Anônimos não utilizam a informação haqueada para ganhos financeiros. Mas e os verdadeiros criminosos cibernéticos? O crime bem organizado da Internet já existe há 10 anos quando um grupo de talentosos hackers Ucranianos desenvolveram um website, que levou a industrialização de crime cibernético. Bem-vindos ao agora esquecido reino da CarderPlanet. Assim era como eles estavam se divulgando há dez anos na Net. A CarderPlanet era muito interessante. Os criminosos cibernético podiam entrar comprar e vender detalhes de cartões de créditos, trocar informações sobre novos malware que estavam na rede. E lembrem-se, este é um tempo quando estamos vendo pela primeira vez o famoso malware de prateleira. Ele está pronto para uso, tirou da caixa, usou, que você pode instalar mesmo se você não for um hacker terrivelmente sofisticado. E assim a CarderPlanet tornou-se um tipo de supermercado para cibercriminosos. E seus criadores foram incrivelmente espertos e empresariais, porque eles deram de cara com um enorme desafio como ciber-criminosos. E o desafio é: Como você faz negócios, como você confia em alguém na Rede com quem você quer fazer negócios quando você sabe que ele é um criminoso? É evidente que eles são desonestos e que eles vão querer tentar depená-lo. Então a família, como coração da CarderPlanet era conhecida, saiu com esta brilhante ideia chamada de sistema de depósito. Eles indicam uma pessoa que faz a mediação entre o vendedor e o comprador. O vendedor, diz, possuia detalhes de cartões de créditos roubados; o vendedor queria adquirí-los. O comprador enviaria ao agente administrativo alguns dólares digitalmente, e o vendedor venderia os detalhes do cartão de crédito roubado, e o agente então verificava se o cartão de crédito roubado funcionava. E se funcionasse, ele então transferia o dinheiro para o vendedor e o cartão de crédito roubado para o comprador. E foi assim que houve uma completa revolução do crime-cibernético na Web. E depois disso, as coisas ficaram uma loucura. Tivemos uma década de champagne para pessoas que nós conhecêmos como Carders. Agora eu falei para um desses Carders a quem nós chamaremos RedBrigade -- embora este nem fosse seu apelido propriamente -- mas eu prometi que eu não revelaria quem ele era. E ele me explicou como, em 2003 e 2004 ele poderia ir para a farra em Nova Iorque, levando $10. 000 de um caixa eletrônico aqui, $ 30. 000 de um caixa dali, usando cartões de crédito clonados. Ele estava fazendo, numa média semanal, de $150. 000 -- livre de impostos é claro. E ele disse que ele tinha tanto dinheiro escondido em um ponto em seu apartamento no alto de East side que ele simplesmente não sabia o que fazer com aquilo e realmente caiu em depressão. Mas esta é uma estória um pouco diferente, que eu não vou entrar nela agora. Agora a questão interessante sobre a RedBrigade é que não ele não era um hacker de nível avançado. Ele meio que entendia a tecnologia, e se deu conta que segurança era muito importante se você vai se tornar um Carder, mas ele não perdeu seus dias e noites inclinado sobre um computador, comendo pizza, tomando coca-cola e este tipo de coisa. Ele estava por aí na cidade tendo um tempo maravilhoso curtindo o melhor da vida. E isto porque os hackers são somente um elemento na empresa do crime cibernético. E frequentemente eles são o elemento mais vulnerável de todos. E quero explicar isto a vocês lhes apresentando seis personagens que eu encontrei enquanto eu estava fazendo esta pesquisa. Dimitri Golubov, também conhecido como SCRIPT -- nascido em Odessa, Ucrânia em 1982. Ele desenvolveu sua bussóla social e moral no porto Black Sea durante a década de 90. Ele estava num ambiente afogar-ou-nadar, onde o envolvimento com o crime ou atividades corruptas eram inteiramente necessárias se você quisesse sobreviver. Como um hábil usuário de computadores, o que Dimitri fez foi transferir o capital de gangsters de sua cidade natal para a web no mundo inteiro. E ele fez um ótimo trabalho. Vocês precisam compreender no entanto que desde seu nono aniversário, o único ambiente que ele conhecia era o criminoso. Ele não conhecia outra forma de ganhar a vida e fazer dinheiro. E então nós temos Renukanth Subramaniam, também conhecido como JiLsi -- fundador do DarkMarket nasceu em Colombo, Sri Lanka. Com oito anos de idade, ele e seus pais foram para a capital do Sri Lanka porque grupos criminosos Sinegaleses estavam rondando a cidade. procurando por Tamils como Renu para matar. Ao 11 anos, ele foi interrogado pelo exército do Sri Lanka, acusado de ser um terrorista, e seus pais o mandaram sozinho para a Inglaterra como um refugiado buscando asilo político. Aos 13, com pouco Inglês e sofrendo bullying na escola, ele se refugiou no mundo dos computadores, onde demonstrou uma grande habilidade técnica, mas foi rapidamente seduzido por pessoas na Internet. Ele foi condenado por fraudes de hipoteca e cartão de crédito, e ele será libertado da prisão Wormwood Scrubs em Londres em 2012. Matrix001, que foi um administrador do DarkMarket. Nasceu no Sul da Alemanha em uma estável e bem respeitada família de classe média, sua obsessão por jogos quando adolescente o levou a haquear. E logo ele estava controlando enormes servidores ao redor do mundo onde ele armazenava seus jogos que ele tinha invadido e pirateado. Sua entrada para a criminalidade foi aumentando. E quando ele finalmente se deu conta de sua situação e compreendeu as implicações, ele já estava bem no fundo. Max Vision, também conhecido como ICEMAN o cérebro da CardersMarket. Nascido em Meridian, Idaho. Max Vision foi um dos melhores testadores de invasão trabalhando em Santa Clara, California no final da década de 90 para empresas particulares e voluntariamente para o FBI. No final da década de 90, ele descobriu a vulnerabilidade de todas as redes do governo dos EUA, e ele entrou no sistema e começou a consertá-lo -- porque isto incluia instalações de pesquisas nucleares -- evitando ao governo Americano um enorme problema de segurança. Mas também, porque era um hacker inveterado, ele deixou um minúsculo vírus digital através do qual somente ele poderia rastrear. Mas isto foi descoberto por um investigador com olhos de águia, e ele foi condenado. Em sua prisão aberta, ele foi influenciado por fraudadores financeiros, e esses fraudadores financeiros o persuadiram para que trabalhasse para eles quando foi solto. E este homem com um cérebro do tamanho do planeta está agora cumprindo uma pena de 13 anos na California. Adewale Taiwo, vulgo FeddyBB -- mestre em invadir contas bancárias de Abuja na Nigéria. Ele montou seu grupo prosaicamente entitulado, fraudesbancárias@yahoo. co. uk antes de chegar a Inglaterra em 2005 para fazer um Mestrado em Engenharia Química na Universidade de Manchester. Ele impressionou o setor privado, desenvolvendo aplicações químicas para a indústria petrolífera enquanto cometia simultaneamente uma operação de fraude em um banco mundial e de cartão de crédito que custou milhões até que foi preso em 2008. E então finalmente, Cagatat Evyapan, vulgo Cha0 -- um dos hackers mais notáveis de todos os tempos, De Ankara, na Turquia. Ele combinava as tremendas habilidades de um nerd com a suave habilidade da engenharia social de um mestre do crime. Uma das pessoas mais espertas que eu já conheci. Ele também tinha o mais eficiente acordo de segurança de rede privada virtual que a polícia já encontrou entre os criminosos cibernéticos do mundo. Agora o fato importante sobre todas essas pessoas é que eles compartilham certas características apesar do fato de que eles vêm de ambientes diferentes. Todos eles são pessoas que aprenderam suas habilidades de hackers no início da adolescência. Eles todos são pessoas que demonstraram habilidades avançadas em matemática e ciências. Lembrem-se que, quando eles desenvolveram essas habilidades de hackers, seus conceitos morais ainda não estavam desenvolvidos. E a maioria deles, com exceção do SCRIPT e do Cha0, eles não demonstraram nenhum talento social real no mundo exterior -- somente na Web. E a outra coisa é a alta incidência de hackers como esses que possuem características que são consistentes com a síndrome de Asperger. Eu discusti isso com o Professor Simon Baron-Cohen que é professor de desenvolvimento da psicopatologia em Cambridge. E que desenvolveu um trabalho desbravador sobre autismo e confirmou, também para as autoridades aqui, que Gary McKinnon -- que é procurado pelos Estados Unidos por haquear o Pentágono -- sofre de Asperger e uma condição segundária de depressão. E Baron-Cohen explicou que certas deficiências podem se manifestar na forma de haqueamento no mundo dos computadores como uma tremenda habilidade, e que não deveríamos jogar na prisão pessoas que possuem tais deficiências e habilidades porque eles perderam seu caminho socialmente ou foram enganados. Agora eu acho que estamos perdendo algo aqui, porque eu não acho que pessoas como Max Vision deveriam estar na cadeia. E deixe-me ser franco sobre isto. Na China, na Rússia e em um monte de outros países que estão desenvolvendo capacidades ciber-ofensivas, isto é exatamente o que eles estão fazendo. Eles estão recrutando hackers tanto antes quanto depois de eles se envolverem em atividades criminosas e espionagem industrial -- estão os mobilizando em nome do Estado. Nós precisamos engajar e encontrar formas de oferecer orientação a esses jovens, porque eles são uma raça notável. E se dependermos, como estamos fazendo neste momento, somente no sistema de justiça criminal e ameaças de sentenças punitivas, estaremos alimentando um monstro que não podemos controlar. Muito obrigado por ouvirem. Chris Anderson: Então sua ideia que vale disseminar é contratar hackers. Como alguém supera este tipo de medo de que o hacker que eles contrataram possa preservar o buraquinho de minhoca? MG: Eu acho que até certo ponto, vocë precisa entender que isto é axiomático entre os hackers que fazem isso. Eles são apenas persistentes e obsessivos sobre o que fazem. Mas todas as pessoas com quem eu falei que caíram em desgraça com a lei, todos eles disseram, "por favor, por favor nos dêem uma chance de trabalhar na indústria legítima. Nós nunca soubemos como chegar lá, o que estávamos fazendo. Queremos trabalhar com vocës." Chris Anderson: Ok, isto faz sentido. Muito obrigado, Misha.
pt
440
Infelizmente, nos próximos 18 minutos em que estarei conversando com vocês, quatro Americanos que agora estão vivos vão morrer por causa do alimento que eles comeram. Meu nome é Jamie Oliver. Tenho 34 anos de idade. Sou de Essex na Inglaterra e durante os últimos sete anos trabalhei incansavelmente para salvar vidas, do meu jeito. Não sou um médico. Sou um cozinheiro, não tenho equipamentos caros ou remédios. Eu uso informação, educação. Acredito profundamente que o poder dos alimentos ocupa um lugar privilegiado em nossos lares que nos conecta aos melhores pedaços da vida. Temos uma pavorosa, pavorosa realidade agora mesmo. América, você está no topo da lista. Este é um dos países menos saudáveis do mundo. Por favor, posso pedir que ergam as mãos todos aqueles nesta sala que têm filhos? Por favor, levantem as mãos. Tias, tios, podem continuar. Ergam suas mãos. Tias e tios também. A maioria de vocês. Muito bem. Nós, os adultos das quatro últimas gerações, abençoamos nossos filhos com o destino de uma vida mais curta que a de seus próprios pais. Os filhos de vocês viverão uma vida dez anos mais curta do que vocês por causa do ambiente alimentar que nós construímos ao redor deles. Dois terços desta sala, hoje, na América, estão estatisticamente acima do peso ou obesos. Vocês aí, vocês estão bem, mas vamos pegar vocês também, não se preocupem. Certo? As estatísticas das doenças são claras, muito claras. Passamos nossas vidas ficando paranóicos sobre morte, assassinato, homicídio, escolham o tipo de evento que quiserem. Está na primeira página de todos os jornais, na CNN. Vejam o homicídio lá em baixo, pelo amor de Deus. Certo? Cada uma dessas em vermelho é uma doença relacionada à dieta. Qualquer médico, qualquer especialista dirá isso a vocês. Fato. Doenças relacionadas à dieta são o maior matador nos Estados Unidos, agora mesmo, aqui, hoje. Este é um problema global. É uma catástrofe. Está se espalhando pelo mundo. A Inglaterra está logo atrás de vocês, como de costume. Sei que eles estão perto, mas não tão perto. Precisamos uma revolução. México, Austrália, Alemanha, Índia, China, todos têm problemas enormes de obesidade e má saúde. Pensem no fumo. Custa muito menos que a obesidade agora. A obesidade custa para vocês, americanos 10 por cento das suas contas de saúde. 150 bilhões de dólares por ano. Em 10 anos, deverá dobrar. 300 bilhões de dólares por ano. E vamos ser honestos, gente, vocês não estão com todo esse dinheiro. Eu vim aqui para começar uma revolução na comida na qual tenho uma crença profunda. Nós precisamos isso. O momento é agora. Estamos na hora da virada. Venho fazendo isso há sete anos. Venho tentando na América por sete anos. Agora é o momento em que isso está maduro -- maduro para colher. Eu fui ao olho do furacão. Fui a Virginia Ocidental, o estado menos saudável da América. Ou era no ano passado. Este ano é um outro, mas vamos trabalhar com ele na próxima temporada. Huntington, Virginia Ocidental. Linda cidade. Eu queria colocar coração e alma e gente, o público de vocês, ao redor das estatísticas às quais ficamos tão acostumados. Quero apresentar vocês a algumas das pessoas com as quais me preocupo. O público de vocês. Seus filhos. Quero mostrar a vocês uma foto de minha amiga Brittany. Ela tem 16 anos. Ela tem seis anos de vida por causa da comida que ela comeu. Ela é da terceira geração de americanos que não cresceram num ambiente alimentar em que foram ensinados a cozinhar em casa ou na escola, nem a mãe dela, ou a mãe da mãe dela. Ela tem apenas seis anos para viver. Ela está "comendo seu fígado", rumo a morte. Stacy, da família Edwards. Esta é uma família normal, gente. Stacy faz o melhor que pode, mas ela também é da terceira geração; ela nunca aprendeu a cozinhar em casa nem na escola. A família é obesa. Justin, aqui, 12 anos de idade. Ele pesa 159 kg. Ele é assediado moralmente, pelo amor de Deus. A filha aqui, Katie, ela tem quatro anos de idade. Ela já é obesa mesmo antes de chegar à escola primária. Marissa. Ela está bem. Ela é da nossa turma. Mas sabem de uma coisa? O pai dela, que era obeso, morreu nos braços dela. E então o segundo homem mais importante na sua vida o tio dela, morreu de obesidade. E agora o padrasto dela é obeso. Vejam, a coisa é obesidade e doenças relacionadas ao tipo de alimentação não atingem apenas as pessoas que sofrem delas; são todos os amigos delas, famílias, irmãos, irmãs. Pastor Steve. Um homem inspirador. Um dos meus primeiros aliados em Huntington, Virginia Ocidental. Ele está no fio da navalha desse problema. Ele precisa sepultar as pessoas, certo? E ele está cansado disso. Ele está exausto de sepultar seus amigos, sua família, sua comunidade. Quando chega o inverno, morrem três vezes mais pessoas. Ele está enjoado disso. Essa doença pode ser prevenida. Desperdício de vidas. E por falar nisso, é assim que eles são sepultados. Nós não estamos preparados para uma coisa assim. Não se pode sequer tirá-los pela porta, e estou falando sério. Não dá para colocá-los lá. Empilhadeira. Certo, vejo isso como um triângulo, certo? Esta é a nossa paisagem de comida. Preciso que vocês entendam isso. Vocês provavelmente já ouviram isso antes, mas vamos retornar a isto um pouco. Pelos últimos 30 anos, o que aconteceu que destroçou o coração deste país? Vamos ser francos e honestos. Muito bem. A vida moderna. Vamos começar pela rua principal. O fast food tomou conta de todo o país. Sabemos disso. As grandes marcas são algumas das influências mais importantes, influências poderosas neste país. Os supermercados também. Grandes empresas. Grandes empresas. Há 30 anos, a maior parte da comida era principalmente local e quase toda fresca. Agora é quase toda processada e cheia dos mais diversos tipos de aditivos, ingredientes extras, e vocês sabem o resto da história. O tamanho das porções é obviamente um enorme, enorme problema. Rotulagem é um enorme problema. A rotulagem neste país é uma desgraça. Eles querem ser auto. Eles querem se auto-policiarem eles mesmos. A indústria quer se auto-policiar. Como, numa situação destas? Eles não merecem isso. Como se pode dizer que uma coisa tem baixo teor de gordura quando está cheia de muito açúcar? Casa. O maior problema com as casas é que elas costumavam ser o coração da difusão da comida e da cultura da comida, que acontecia na nossa sociedade. Isso não acontece mais. E vocês sabem que, à medida que vamos para o rabalho e a vida muda, e como a vida sempre evolui, nós precisamos olhar para isso holisticamente -- dar um passo para trás, e reavaliar o equilíbrio. Isso não está acontecendo. Não tem acontecido nos últimos 30 anos. Quero mostrar-lhes uma situação que é muito normal agora mesmo. A família Edwards. Jamie Oliver: Vamos conversar. Todas essas coisas passam por você e pelo corpo de sua família a cada semana. E preciso que vocês entendam que isso vai matar seus filhos bem cedo. Como vocês se sentem? Stacy: Eu me sinto simplesmente triste e deprimida agora. Mas você sabe como é, quero que meus filhos sejam bem-sucedidos na vida e isso não vai fazer que eles cheguem lá. Mas eu os estou matando. JO: Sim, você está. Você está. Mas podemos parar com isso. Normal. Vamos às escolas, uma coisa na qual eu sou bastante especializado. Certo. Escola. O que é a escola? Quem a inventou? Qual é o propósito da escola? A escola sempre foi inventada para nos armar com as ferramentas que nos façam criativos, para fazermos coisas maravilhosas, fazer que ganhemos nossas vidas, etc, etc, etc. Vocês sabem, ela ficou nessa espécie de caixa fechada por um longo, longo tempo. Certo? Mas nós na verdade não a fizemos evoluír para lidar com as catástrofes da saúde na América, certo? A comida da escola é uma coisa que a maioria das crianças -- na verdade 31 milhões por dia, na verdade -- consome duas vezes por dia, com muita frequência, o café da manhã e o almoço, 180 dias por ano. Então podemos dizer que a comida da escola é realmente muito importante, a julgar pelas circunstâncias. Antes de entrar na minha pregação, pela qual certamente vocês estão esperando. Preciso dizer uma coisa, que é tão importante na mágica que, esperamos, vai acontecer e se desenvolver nos próximos três meses. As "lunch ladies", as cozinheiras dos almoços da América. Ofereço a mim mesmo como embaixador delas. Não estou sendo negligente com elas. Elas estão fazendo o melhor que podem. Estão fazendo o máximo que sabem. Mas estão fazendo o que dizem para elas fazerem, e o que estão dizendo para elas fazerem está errado. O sistema está sendo operado sob o comando de contadores. São insuficientes, ou inexistentes, as pessoas com conhecimentos sobre comida no negócio. Existe um problema. Se você não é um perito em alimentação, e você tem um orçamento apertado, e está ficando mais apertado, então você não tem como ser criativo, você não tem como se virar e fazer as coisas de maneira diferente. Você é um contador e um bilheteiro, a única coisa que você consegue fazer nessas circunstâncias é comprar merda mais barata. Bem, a realidade é, o alimento que seus filhos consomem a cada dia é fast food, é muito processado, não há alimentos frescos suficientes neles, de modo algum. Vocês sabem, a quantidade de aditivos, códigos numéricos, ingredientes em que vocês não acreditariam. Não há vegetais suficientes de modo algum. Até batatas fritas são consideradas vegetais. Pizza no café da manhã. Sequer oferecem louças para eles. Facas e garfos? Não, eles são muito perigosos. Eles têm tesouras na sala de aula mas facas e garfos, não. E a maneira como vejo isso é, se vocês não têm facas e garfos na sua escola, vocês estão endorsando, ao nível do Estado, o fast food. Porque fast food se come com as mãos. E sim, por falar nisso, é fast-food. São lanches gordurosos, são hambúrgeres, são cachorros-quentes, são pizzas, são todas essas coisas. 10 por cento das nossas despesas com saúde, como disse anteriormente, é por causa da obesidade. E isso vai dobrar. Não estamos ensinando nossas crianças. Não existe regulamentação para ensinar as crianças sobre alimentação, no ensino básico nem no médio. Certo? Nós não ensinamos as crianças sobre alimentação. Certo? E este é um breve vídeo de uma escola básica, que é muito comum na Inglaterra. Vídeo: Quem sabe o que é isto? Criança: Batatas. Jamie Oliver: Batata? Será que vocês pensam que isso são batatas? Vocês sabem o que é aquilo? Você sabe o que é aquilo? Criança: Brócolis? JO: Você sabe o que é isso? Nosso bom e velho amigo. Você sabe o que é isso querida? Criança: Aipo. JO: Não. O que você pensa que isto é? Criança: Cebola. JO: Cebola? Não. Jamie Oliver: Imediatamente você consegue sentir de modo claro se as crianças sabem alguma coisa sobre de onde vêm os alimentos. Vídeo: JO: Quem sabe o que é isso? Criança: Hmm, pêra. JO: O que você pensa que isto é? Criança: Não sei. JO: Se as crianças não sabem o que as coisas são, é porque elas nunca as comeram. JO: Normal. Inglaterra e América, Inglaterra e América. Imaginem o que corrigiu isso. Imaginem o que corrigiu isso. Duas sessões de uma hora. Precisamos começar a ensinar nossas crianças sobre alimentos nas escolas, ponto final. Quero contar a vocês uma coisa, quero contar uma coisa que de certa forma resume a dificuldade em que estamos, pessoal. Certo? Quero falar sobre uma coisa tão básica como o leite. Todas as crianças têm o direito de receber leite na escola. Seus filhos vão tomar leite na escola, no café da manhã e no almoço. Certo? Eles vão tomar duas garrafas. Certo? E a maioria das crianças toma. Mas o leite já não é mais suficientemente bom. Porque alguém na comissão do leite, certo, -- e não me entendam mal, sou a favor do leite, mas alguém na comissão do leite, provavelmente pagou um monte de dinheiro para algum cara concluir que se você colocar um monte de sabores e cores e açúcar no leite, certo, mais crianças vão beber. Pois é. E obviamente essa coisa agora vai pegar. A comissão da maçã vai concluir que se eles fizerem maçãs carameladas eles também vão comer mais maçãs. Vocês entendem o que quero dizer? Para mim, não há necessidade de colocar sabor no leite. Certo? Existe açúcar em tudo. Eu conheço todos os detalhes desses ingredientes. Estão em tudo. Nem mesmo o leite escapou desse tipo de problema dos tempos modernos. Aí está o nosso leite. Aí está a nossa caixinha. Nisso aí existe quase tanto açúcar quanto numa lata dos seus refirgerantes favoritos. E elas estão tomando duas por dia. Então, deixem-me mostrar a vocês. Temos uma criança, aqui, tomando, vocês sabem, oito colheres de sopa de açúcar por dia. Vocês sabem, numa semana é isso aí. Num mês é isso. E tomei a liberdade de colocar apenas o açúcar correspondente aos cinco anos de ensino fundamental, só o que vem com o leite. Bem, não sei como vocês encaram isso, mas julgando s circunstâncias, certo, qualquer juiz em todo o mundo, examinaria as estatísticas e as evidências, e iria concluir que qualquer governo de adultos™ é culpado de maltratar as crianças. Essa é minha convicção. Pois bem, se eu chegasse aqui, e eu gostaria de chegar hoje aqui, e mostrar uma cura para AIDS ou câncer, vocês estariam briagndo e se empurrando para falar comigo. Isto, todas essas más notícias, pode ser prevenido. Essas são as boas notícias. É muito, muito possível prevenir. Então, vamos pensar sobre o caso, temos aqui um problema, precisamos recomeçar. Muito bem, então, no meu mundo, o que precisamos fazer? É isto aqui, certo. Não pode vir de uma única fonte. Para recomeçar e produzir mudanças reais, tangíveis, mudanças de verdade, para que eu possa olhar vocês nos ollhos e dizer "daqui a 10 anos, a história das vidas dos seus filhos, felicidade -- e não vamos esquecer, vocês são inteligente se vocês comem bem, vocês sabem que vão viver mais, todas essas coisas, vão ser muito diferentes. Certo? E então, supermercados. Onde mais vocês fazem compras religiosamente? Uma semana após a outra. Quanto dinheiro vocês gastam, nas suas vidas, em supermercados? Gostamos deles. Eles simplesmente nos vendem o que queremos. Tudo bem. Eles devem a nós, colocar um embaixador da alimentação em cada grande supermercado. Eles precisam ajudar-nos a comprar. Eles precisam nos mostrar como cozinhar, refeições rápidas, saborosas, para cada estação para pessoas muito ocupadas. Isso não custa caro. Isso é feito por alguns. E precisa ser feito em toda parte na América com urgência, bem depressa. As grandes marcas, vocês sabem, as marcas de alimentos, precisam instalar a educação alimentar no coração de seus negócios. Eu sei, é mais fácil dizer do que fazer. É o futuro. É o único jeito. Fast food. Com o setor de fast food vocês sabem, é muito competitivo. Eu tenho montes de documentos secretos e transações com restaurantes de fast food. Eu sei como eles fazem. Quero dizer que eles basicamente nos habituaram a essas doses de açúcar, sal e gordura, e x, y e z. E todo mundo adora essas coisas. Certo? Então, esses caras vão fazer parte da solução. Mas precisamos por o governo para trabalhar com todos os fornecedores de fast-food e a indústria de restaurantes. E ao longo de um período de cinco, seis, sete anos livrar-nos do hábito de todas essas quantidades exageradas de gordura, açúcar e todos os demais ingredientes não nutrientes. Agora, além disso, voltemos ao caso das grandes marcas, rotulagem, já disse antes, é uma farsa absoluta, e precisa ser organizada. OK, escola. Obviamente, nas escolas, devemos a eles assegurar que aqueles 180 dias do ano, desde aquela preciosa idade de quatro anos, até os 18, 20, 24 ou seja o que for, é preciso cozinhar para eles comida fresca e apropriada de fornecedores regionais. Certo? É preciso estabelecer um novo padrão de comida fresca e adequada para seus filhos. Sim? Nas circunstâncias atuais, é profundamente importante que cada criança americana saia da escola sabendo como cozinhar 10 receitas que vão salvar as vidas delas. Habilidades para a vida, Isso quer dizer que eles podem ser estudantes, jovens pais, e serem capazes de se virar e mergulhar nos fundamentos da culinária, não importa que recessão venha a atingi-los da próxima vez. Se vocês sabem cozinhar o dinheiro da recessão não importa. Se você sabe cozinhar, o tempo não importa. O local de trabalho. Nós realmente não falamos sobre isso. Vocês sabem, chegou a hora da responsabilidade corporativa prestar atenção às coisas com que alimentam ou que colocam à disposição de seus funcionários. Os funcionários são as mães e pais das crianças americanas. Marissa, o pai dela morreu em suas mãos, creio que ela ficaria muito feliz se as corporações americanas pudessem começar a alimentar seus funcionários adequadamente. Certamente eles não deveriam ser abandonados. Vamos voltar aos lares. Agora vejam, se fizermos todas essas coisas, e nós podemos, é tão viável. Você pode cuidar e ser comercial. Absolutamente. Mas os lares precisam começar a difundir a cozinha novamente, com certeza. Com certeza, difundir como uma filosofia. E para mim isso é muito romântico. Mas o caso é que se uma pessoa ensinar outras três como cozinhar alguma coisa, e daí elas ensinam três de seus companheiros, isso só precisa repetir-se 25 vezes, para chegar a toda população da América. Sim, romântico, mas extremamente importante, trata-se de conseguir que as pessoas percebam que cada um dos seus esforços individuais faz uma diferença. Temos que repor o que foi perdido. Cozinha de Huntington. Huntington, onde realizei este programa, vocês sabem, conseguimos esse programa inicial na esperança de que vá inspirar as pessoas a realmente participarem dessa mudança. Eu sinceramente acredito que a mudança vai acontecer. Cozinha de Huntington. Eu trabalho com uma comunidade. Eu trabalhei nas escolas. Encontrei apoio financeiro local sustentável para tirar cada uma das escolas da área, da comida-lixo para comida fresca. Seis mil e quinhentos dólares por escola. Basta isso. Seis mil e quinhentos dólares por escola. A cozinha em 25 mil dólares por mês. Certo? Isso pode atender 5. 000 pessoas por ano, que é 10 por cento da população deles. E trata-se de pessoas com pessoas. Vocês sabem, são cozinheiros locais ensinando pessoas locais. São aulas gratuitas de culinária, pessoal, aulas gratuitas de culinária na rua principal. Isso é mudança de verdade, tangível, mudança real e tangível. Por toda a América, se observarmos agora, existem muitas coisas maravilhosas acontecendo. Existem muitas coisas esplêndidas acontecendo. Existem anjos por toda América, fazendo coisas formidáveis, em escolas, parcerias de escolas com fazendas, parcerias com jardins, educação. Já existem pessoas extraordinárias fazendo isso. O problema é que eles querem expandir o que estão fazendo para a próxima escola, e então para outra. Mas não têm dinheiro. Precisamos reconhecer os peritos e os anjos rapidamente, identificá-los, e permitir que eles encontrem os recursos com facilidade para continuar expandindo o que eles já estão fazendo, e fazendo bem. As empresas da América precisam ajudar A Sra. Obama a fazer as coisas que ela pretende realizar. Vejam só, sei que é estranho ver um inglês diante de vocês falando sobre tudo isso. Só posso dizer que me incomodo. Sou pai. E amo este país. E sinceramente acredito, de verdade, que se as mudanças puderem acontecer neste país, coisas maravilhosas vão acontecer por todo o mundo. Se a América fizer isso. Acredito que outras pessoas vão segui-la. É incrivelmente importante. Quando eu estava em Huntington, tentando fazer algumas coisas andarem, quando elas não estavam funcionando, pensei que se tivesse uma varinha mágica o que faria? E então pensei, vocês sabem no que? Eu adoraria estar diante de alguns dos mais formidáveis líderes e agitadores da América. E um mês depois disso, o TED me telefonou e me deu este prêmio. E aqui estou. Assim, meu desejo. Disléxico, por isso sou um pouco lento. Meu desejo é que vocês apoiem um forte movimento sustentável para educar cada criança sobre alimentação, para inspirar as famílias a cozinharem novamente, e motivas as pessoas em toda parte a combater a obesidade. Muito obrigado.
pt
441
Aposto que estão preocupados. Eu estava preocupada. Foi por isso que comecei esta peça. Eu estava preocupada com vaginas. Estava preocupada com o que pensamos sobre vaginas e mais preocupada ainda com o que não pensamos sobre elas. Eu estava preocupada com minha própria vagina. Ela precisava de um contexto, uma cultura, uma comunidade de outras vaginas. Há tanta escuridão e mistério ao redor delas. Como o Triângulo das Bermudas, ninguém parece nunca ter mandado notícias de lá. Em primeiro lugar, não é fácil achar sua própria vagina. As mulheres passam dias, semanas, meses, sem olhar para ela. Eu conversei com uma importante executiva e ela me disse que não tinha tempo. "Olhar sua própria vagina" ela me disse, "é trabalho para um dia inteiro." "Você tem que sentar-se apoiada para trás, em frente a um espelho, de preferência grande. Voce tem que achar a posição perfeita, com a luz perfeita, pois ela pode ficar na sombra, dependendo do ângulo. Voce tem que forçar sua cabeça para frente, arquear-se, é exaustivo." Ela é muito ocupada, não tem tempo. Então eu decidi conversar com as mulheres sobre suas vaginas. Começamos com conversas informais, que acabaram tornando-se os "Monólogos da Vagina". Conversei com mais de 200 mulheres. Conversei com mulheres idosas, com mulheres jovens, mulheres casadas, lésbicas, solteiras. Conversei com profissionais de empresas, professoras, atrizes, profissionais do sexo, conversei com mulheres afro-americanas, ásio-americanas, mulheres nativas, mulheres caucasianas, mulheres judias. Ok, de início as mulheres estavam um pouco tímidas, um pouco relutantes em falar, mas uma vez que começavam você não conseguia pará-las. As mulheres adoram falar sobre suas vaginas, gostam mesmo. Principalmente porque ninguém nunca havia lhes pedido isto antes. Vamos começar com a palavra vagina – vagina, vagina. Na melhor das hipóteses parece nome de infecção. Ou um instrumento cirúrgico. "Depressa, enfermeira, traga a vagina." Vagina, vagina, vagina, não importa quantas vezes você diga a palavra, ela nunca soa como uma palavra que você queira falar. É uma palavra ridícula, completamente não sexy. Se você for dizê-la durante o sexo, tentando ser politicamente correta, "Querido, voce poderia acariciar minha vagina?", você mataria o ato na hora! Estou preocupada com os nomes que damos e não damos a elas. Em algumas partes de Nova York são chamadas de 'gatinha' Uma mulher contou-me que sua mãe costumava lhe falar: "Não use calcinhas sob seu pijama voce precisa arejar sua 'gatinha'. Tem lugar em que ela é periquita, outros perereca. Chama-na caixinha, derriere, coquinha, chavasca, xoxota, boceta, poderosa, perseguida, Chamam-na didinha, pombinha, encrenca, elazinha, colega, fofa, xereca, priquita, xibiu, xota, siririca, amada, ursinha náspregas, doninha. Estou preocupada com vaginas. É assim que começa "Monólogos da Vagina". Mas não começou exatamente assim. Tudo começou com uma conversa com uma mulher. Conversávamos sobre menopausa, e acabamos falando sobre sua vagina – o que acaba acontecendo quando se conversa sobre menopausa. E ela me disse coisas sobre sua vagina que realmente me chocaram; que estava seca, acabada, e morta, e eu fiquei muito chocada. Então casualmente falei a uma outra amiga: "Bem, o que você pensa sobre sua vagina?" E esta mulher falou algo ainda mais surpreendente e a próxima falou algo ainda mais incrível, e antes que me desse conta, cada mulher estava me contando. Eu tinha que falar com alguém sobre sua vagina porque ela tinha uma história surpreendente e eu fui sugada pela trilha da vagina. E acho que ainda não saí de lá. Penso que se alguém me dissesse quando eu era mais jovem, que um dia eu estaria numa loja de sapatos, e as pessoas gritariam para mim dizendo: "É ela, a Mulher da Vagina", eu não sei se essa seria a minha ambição na vida. Mas eu também quero falar um pouco sobre felicidade e a relação com toda esta jornada sobre a vagina porque esta tem sido uma extraordinária jornada que começou há oito anos. Acho que, antes de fazer os "Monólogos da Vagina", eu definitivamente não acreditava em felicidade. Eu pensava, honestamente, que só os idiotas eram felizes. Lembro-me quando comecei a praticar o Budismo, quatorze anos atrás, e me disseram que esta prática me levaria à felicidade. e disse: "Como ser feliz e viver neste mundo de sofrimento, e viver neste mundo cheio de dor?". Eu confundia felicidade com muitas outras coisas, como paralisação, decadência ou egoísmo. E o que aconteceu durante os "Monólogos da Vagina" acho que foi me fazendo compreender um pouquinho mais sobre a felicidade. Existem três qualidades sobre as quais quero falar. A primeira é ver o que está bem a sua frente e falar sobre isso, relatar. Acho que o que eu aprendi falando sobre a vagina e conversando sobre a vagina, foi a coisa mais óbvia – ela está no centro do meu corpo e no centro do mundo -- e isso foi o que ninguém falou. A segunda coisa que conversar sobre a vagina fez, foi abrir essa porta que me possibilitou ver que havia um caminho para contribuir, para melhorar um pouco o mundo. E é daí que atualmente vem minha alegria mais profunda. E há um terceiro princípio de felicidade, do qual me dei conta recentemente. Há oito anos, este 'momentum' e esta energia, esta "onda-V" começou – e eu só consigo descrevê-la como "onda V" porque, para ser honesta, eu ainda não a entendi completamente. Sinto-me a serviço dela. Mas esta onda começou e se eu a questionasse, ou tentasse detê-la, ou tentasse olhar para trás, é como se eu ficasse tonta ou pudesse quebrar o pescoço. Mas se eu fosse junto com a onda, se eu confiasse nela e me movesse junto com ela, eu chegaria à próxima estação. E isto acontece de maneira lógica, orgânica, verdadeira. E eu comecei esta peça com histórias e narrativas, e eu estava conversando com uma mulher, o que me levou a outra mulher e a outra, e então fui escrevendo estas histórias e as fui mostrando a outras pessoas. E no início, a cada apresentação do espetáculo, as mulheres literalmente faziam fila após a peça porque elas queriam me contar suas histórias. De início pensei: "Legal, vou ouvir histórias de orgasmos fantásticos, de vidas sexuais incríveis e de como as mulheres amam suas vaginas". Mas o fato é que as mulheres não faziam fila para isto, mas para me contar de como eram estupradas, de como eram espancadas, de como eram surradas, e de como sofriam estupros coletivos em estacionamentos, e de como sofriam incesto de seus tios. E eu quis parar de fazer os "Monólogos da Vagina" porque era muito desanimador. Sentia-me como um fotógrafo de guerra que fotografa acontecimentos terríveis, mas não intervém. E então, em 1997 eu disse: "Vamos reunir as mulheres. O que podemos fazer com a informação de que todas estas mulheres estão sendo violentadas?" E vira daqui e dali, após pensar e investigar, descobri – e a ONU publicou isso recentemente – que uma em cada três mulheres neste planeta será estuprada ou espancada ao menos uma vez na vida. A mulher é o gênero que simboliza essencialmente os recursos do planeta. Então em 1997, juntamos todas estas mulheres incríveis e perguntamos: "Como podemos usar esta peça, esta energia, para parar a violência contra as mulheres?" E fizemos um evento na cidade de Nova York, em um teatro, onde vieram grandes atrizes – desde Susan Sarandon, Glenn Close, a Whoopi Goldberg – e fizemos uma apresentação numa noite, que catalizou esta onda, esta energia. E em cinco anos esta coisa maravilhosa começou a acontecer. Uma mulher pegou esta energia e disse: "Quero levar esta energia aos 'campus', e então ela pegou a peça e disse: "Vamos usar a peça e apresentá-la uma vez por ano onde consigamos dinheiro para parar a violência contra as mulheres em comunidades por todo o mundo." E em um ano a peça foi a 50 faculdades, e então expandiu-se. E nestes últimos seis anos ela expandiu-se ainda mais e mais, e mais, e mais por todo o mundo. Aprendi duas coisas. Uma é que a violência contra as mulheres é epidêmica e chocante. É global, tão profunda e devastadora, e é assim em cada pedacinho de chão, em cada pequena sociedade, que nós nem a reconhecemos mais porque tornou-se banal. Esta jornada levou-me ao Afeganistão, onde tive a honra e privilégio extraordinários de conhecer partes do Afeganistâo sob o regime Talibã – eu usei uma burka – e conheci um grupo extraordinário chamado Associação Revolucionária de Mulheres do Afeganistão, e vi, em primeira mão, o quanto as mulheres foram roubadas em cada um dos direitos que uma mulher pode ser roubada. Desde receberem estudo, de ter emprego, e até, acreditem, de tomarem sorvete. Para vocês que não sabiam disto, é ilegal tomar sorvete sob o regime talibã. E eu encontrei mulheres que foram chicoteadas por terem sido pegas tomando sorvete de baunilha. E fui levada a um lugar secreto para tomar sorvete, em uma pequena cidade, onde fui levada a um aposento nos fundos onde as mulheres estavam sentadas, e puxaram uma cortina em torno de nós, e então serviram sorvete de baunilha. E as mulheres levantaram suas burkas e tomaram esse sorvete, e acho que nunca compreendi o que era prazer até aquele momento, e como as mulheres encontraram um modo de manter vivo seu prazer. Esta jornada me levou a Islamabad, onde testemunhei e conheci mulheres com seus rostos desfigurados. Esta jornada me levou a Juarez, no México, onde estava há uma semana atrás, e onde estive em estacionamentos onde ossos de mulheres têm sido desovados junto a garrafas de coca-cola. Esta jornada tem me levado a universidades por todo este país onde as moças são estupradas e drogadas. Eu tenho visto violências terríveis, terríveis. Mas também compreendi, no processo de ver toda essa violência, que estar frente a frente com ela e olhar o que está bem na nossa frente é o antídoto para a depressão e o sentimento de desânimo e de não valer nada. Porque antes dos "Monólogos da Vagina", eu posso dizer que 80% da minha consciência estava fechada para aquilo que estava de fato acontecendo. E esta inconsciência tirava minha vitalidade e minha energia de vida. O que também aconteceu durante estas viagens – e que foi extraordinário – é que em cada um dos lugares que eu fui no mundo, encontrei novos grupos. E eu realmente adorei ouvir cada um desses grupos que permaneciam desconhecidos. E fiquei pensando como seria estar com estas pessoas extraordinárias neste painel em particular que está sob, além e entre a vagina e de como poderia me ajustar a cada categoria dessas. Mas uma coisa que percebi nestes grupos – é um novo paradigma que não é apresentado pela imprensa nem pela mídia porque acho que as boas novas não são notícia, e penso que as pessoas que estão transformando o planeta não são o que faz subir os índices de audiência na TV. Mas em cada país onde eu estive – e nos últimos seis anos eu passei por 45 países, e em muitas pequenas cidades e vilas – eu encontrei algo que chamo de "Guerreiras da Vagina". Uma "Guerreira da Vagina" é uma mulher ou um homem amigável a vaginas, que testemunhou ou sofreu incrível violência, e ao invés de pegar um AK-47 ou uma arma de destruição em massa ou um machete, guardaram a violência em seus corpos, lamentaram isto, viveram isto, e então eles saem e dedicam suas vidas para que aquilo não aconteça a ninguém mais. Eu encontrei mulheres assim por todo o planeta. E gostaria de contar-lhes algumas histórias pois acredito que contar as histórias é um modo de transmitir informações, que levaremos em nossos corpos. E eu acho que uma das coisas muito interessantes de estar aqui no TED é que eu vivo muito em meu corpo, e não vivo muito mais na minha cabeça. e aqui é um lugar muito 'cabeça'. E está sendo muito interessante estar em minha cabeça pois nos últimos dois dias eu tenho estado bastante desorientada – porque penso que o "mundo V" é muito mais no corpo. É um mundo do corpo, e os grupos existem realmente nos corpos, e penso que é muito significativo para nós unir nossas cabeças e nossos corpos – esta separação criou uma divisão que tem afastado intenção e ação. E a conexão entre corpo e mente sempre mantém unidas estas duas coisas. Eu quero falar de três pessoas em particular, três "Guerreiras da Vagina" que realmente transformaram minha compreensão de todo este princípio e ideias. A primeira é uma mulher chamada Marsha Lopez. Marsha Lopez é uma mulher que encontrei na Guatemala. Ela tinha 14 anos de idade, e estava em um casamento em que seu marido a espancava regularmente, e ela não podia sair por ser dependente da relação e ela não tinha dinheiro. Sua irmã era mais jovem do que ela e inscreveu-se – nós fizemos o debate "Parem os Estupros" alguns anos atrás em Nova York – e ela inscreveu-se na esperança de ser uma das finalistas e ela poderia trazer sua irmã. De fato ela foi uma finalista, ela trouxe Marsha a Nova York. E nesta ocasião nós fizemos esse extraordinário "Dia V" no Madison Square Garden, quando vendemos todos os ingressos, 18. 000 pessoas levantando-se para dizer "Sim" às vaginas, o que foi uma incrível transformação. E ela veio, deu seu depoimento, e decidiu que voltaria e deixaria seu marido, e que levaria o "Dia V" para a Guatemala. Ela tinha vinte e um anos. Eu fui à Guatemala e ela havia lotado todo o Teatro Nacional da Guatemala. E eu a vi caminhar pelo palco em seu vestido vermelho, e saltos altos, e ali ela parou e disse: "Meu nome é Marsha. Eu fui espancada por meu marido por cinco anos. Ele quase me matou. Eu o deixei e vocês também podem fazer isto." E aquelas 2. 000 pessoas ficaram completamente loucas. Há uma mulher chamada Esther Chavez que encontrei em Juarez, Mexico. E Esther Chavez era uma brilhante contadora na Cidade do México, e tinha 72 anos de idade, e planejava aposentar-se. Ela foi a Juarez cuidar de uma tia doente, e durante sua estadia lá ela começou a descobrir o que estava acontecendo com as mulheres assassinadas e desaparecidas de Juarez. Ela deixou sua vida e mudou-se para Juarez, e começou a escrever as histórias das mulheres desaparecidas. 300 mulheres tinham desaparecido numa cidade da periferia porque eram pardas e pobres. E não havia nenhuma verificação desses desaparecimentos, e ninguém havia sido responsabilizado. Ela começou a documentar, e abriu um centro chamado Casa Amiga, e em seis anos ela literalmente trouxe isto à consciência do mundo. Nós estávamos lá há uma semana atrás, quando haviam 7. 000 pessoas nas ruas o que era um verdadeiro milagre, e enquanto caminhávamos pelas ruas o povo de Juarez, que normalmente não sai às ruas por elas serem muito perigosas, literalmente estava ali e chorava por ver pessoas de outros lugares do mundo olhando para a sua comunidade. Há uma outra mulher chamada Agnes. E Agnes, para mim, epitomiza, simboliza o que é uma "Guerreira da Vagina". Eu a conheci há tres anos no Quênia. E Agnes foi mutilada quando era criança, ela sofreu mutilação genital contra a sua vontade quando tinha 10 anos de idade, e então ela tomou a decisão de que não queria que esta prática continuasse em sua comunidade. Então, quando ela cresceu ela criou uma coisa incrível, uma escultura anatômica de um corpo de mulher, a metade de um corpo de mulher, e foi andar por Rift Valley, e a escultura tinha vagina e partes da vagina que se encaixavam para ela ensinar às meninas e a seus pais e aos meninos como era uma vagina sadia, e como era uma vagina mutilada. E durante sua viagem ela literalmenete andou por oito anos por Rift Valley, enfrentando poeira, dormindo no chão – porque os Masais são nômades, e ela tinha que os encontrar, e eles mudam todo o tempo, e ela os encontrava – ela salvou 1. 500 meninas da mutilação genital. E nesta época ela criou um ritual alternativo para as meninas que aproximavam-se da idade da mutilação. Quando a encontramos há três anos perguntamos a ela o que o "Dia V" poderia fazer para ajudá-la e ela disse: "Bem, se voces me conseguissem um jipe eu poderia andar muito mais rapidamente". Então lhe compramos um jipe. E no ano em que ela ganhou o jipe ela salvou 4. 500 meninas da mutilação genital. Então lhe dissemos, "Agnes, o que mais nós podemos fazer por voce?" E ela disse, "Bem, Eve, você sabe, se você me desse algum dinheiro, eu poderia abrir uma casa e as meninas poderiam fugir e serem salvas." E eu queria contar esta pequena história sobre meu próprio começo porque está muito relacionada a felicidade e a Agnes. Quando eu era uma menina – e eu cresci em uma comunidade rica, uma comunidade branca de classe média alta – tudo muito bonito e aparentemente perfeito, maravilhoso, uma vida maravilhosa. E supunha-se que todo mundo fosse feliz naquele lugar mas de fato minha vida era um inferno. Eu vivia com um pai alcoólatra que me espancava e me molestava, e tudo ali dentro. E quando criança eu tinha a fantasia de que alguém um dia viria me resgatar. Eu criei um personagem chamado Sr. Alligator. Eu poderia chamá-lo quando as coisas ficassem realmente difíceis, e diria que era a hora dele vir me buscar. E então eu pegaria uma pequena mala e esperaria Sr. Alligator chegar. Bem, o Sr. Alligator nunca veio, mas a idéia do Sr. Alligator realmente salvou minha sanidade e permitiu que eu seguisse porque eu acreditava que de algum modo alguém viria salvar-me. Corte para 40 anos depois, vamos ao Quênia, e nós fomos andando e chegamos à inauguração desta casa – e Agnes não havia me permitido conhecer a casa por dias – porque estavam preparando toda a festa. E quero contar uma grande estória, quando Agnes começou a lutar para acabar com a mutilação genital em sua comunidade. ela foi proscrita, exilada e caluniada e toda a comunidade voltou-se contra ela. Mas sendo uma "Guerreira da Vagina", ela seguiu. E ela seguiu, comprometendo-se a transformar consciências. Na sociedade Masai bodes e vacas são as posses mais valiosas. São como as Mercedez-Benz do Rift Valley. E ela contou que dois dias antes da casa abrir, duas pessoas diferentes foram lhe dar um bode cada uma, e ela me disse: "Eu soube então que a mutilação genital feminina um dia acabará na África". De qualquer modo, quando chegamos, haviam centenas de meninas vestidas de vermelho, vestidos simples-- na cor dos Massai e do Dia V-- e elas nos saudaram, e cantaram canções que falavam do fim do sofrimento, e do fim da mutilação, e aproximaram-se. Era um lindo dia sob o sol africano, e as meninas dançando levantavam poeira, e havia a casa com os dizeres "Casa de Ajuda do Dia V para meninas". E me dei conta naquele momento que haviam passado 47 anos e o Sr. Alligator finalmente apareceu. E ele apareceu de uma maneira que levei muito tempo para compreender que é quando damos ao mundo o que mais queremos, nós curamos a parte machucada de nós mesmos. E eu sinto nestes últimos oito anos que esta jornada, esta incrível jornada pela vagina, ensinou-me uma coisa tão simples, é que a felicidade existe na ação, ela existe dizendo a verdade e dizendo qual é a sua verdade, e existe quando voce dá aquilo que mais quer. E eu sinto que este conhecimento e esta jornada tem sido um extarordinário privilégio, e me sinto realmente abençoada por estar aqui hoje falando com vocês. Muitíssimo obrigada. Aplausos
pt
442
"Yo napot, pacak!" que alguém aqui deve saber que significa "O que está acontecendo, pessoal?" em Magyar, peculiar língua não-Indo-Européia falada por Húngaros -- a qual, dado o fato que diversidade linguística está tão ameaçada quando a biodiversidade neste planeta, poucos imaginariam algum futuro mesmo 1 ou 2 séculos atrás. Mas aí está: "Yo napot, pacak!" Eu disse que alguém aqui deve conhecê-la, pois apesar de não existirem tantos Húngaros assim, e pelo que eu saiba, não há uma única gota de sangue Húngaro nas minhas veias, nas mais importantes encruzilhadas de minha vida um amigo ou mentor Húngaro esteve ao meu lado. Eu até tenho sonhos que se desenrolam em paisagens que reconheço de filmes Húngaros, especialmente dos primeiros filmes de Miklos Jancso. Então, como posso explicar esta misteriosa conexão? Talvez seja porque a minha terra natal, a Carolina do Sul, que não é muito menor que a atual Hungria, certa vez sonhou em ser um país independente. E como consequência desta presunção, minha cidade natal fora queimada inteira por um exército, uma experiência que aconteceu a muitas vilas Húngaras através de sua longa e problemática história. Ou talvez teria sido porque quando era um adolescente nos anos 50, meu tio Henry, que denunciara a Ku Klux Klan -- fora perseguido e teve até cruzes queimadas em frente de sua casa -- e vivendo sob promessa de morte, levou sua família para o seguro Estado de Massachusetts e voltou a Carolina do Sul para encarar a KKK sozinho. Aquilo era algo tipicamente Húngaro de se fazer, algo que qualquer um que viveu em 1956 concordaria comigo. E é claro, o tempo passou e Húngaros inventaram a sua própria Klan. Pois bem, parece que esta presença Húngara na minha vida é algo difícil de se explicar, mas que no fim a relaciono a minha admiração por pessoas de profunda consciência moral -- com uma herança de culpa e derrota enfrentada com desafio e bravura. Não é esta a mentalidade da maioria dos Americanos. Mas é forçosamente típica de quase todos Húngaros. Então, "Yo napot, pacak!" Voltei para o Estado da Carolina do Sul 15 anos depois, e me encontrei sozinho, no final dos anos 60, com aquele impulsivo desdém daquela era, achando que poderia salvar meu povo. Sem falar que eles eram lentos em reconhecer que precisavam ser salvos. Trabalhei naqueles vinhedos por 1/4 de século antes de trilhar meu caminho até um "pequeno reino" no norte da Carolina do Sul, uma instituição de educação superior afiliada a Igreja Metodista chamada Faculdade de Wofford. Não sabia nada sobre Wofford, e menos ainda sobre Metodismo, Mas fora tranquilizado no primeiro dia que lecionei na escola ao encontrar, dentre os auditores na minha sala, um Húngaro de 90 anos, rodeado por um bando de Européias de meia-idade que pareciam servir como as "Ninfas do Rio Reno". O nome dele era Sandor Teszler. Ele era um viúvo levado, com esposas e filhos já mortos e com netos que moravam longe. Sua aparência lembrava Mahatma Gandhi sem os trajes típicos, e com botas ortopédicas. Ele nasceu em 1903 nas províncias do antigo Império Austro-Húngaro, que posteriormente virou a Yugoslávia. Ele era excluído quando criança, não por ser Judeu -- seus pais não era muito religiosos -- mas porque nascera com os pés tortos, condição médica que na época requeriu internação e uma série de dolorosas cirurgias de 1 aos 11 anos de idade. Ele estudou numa escola de segundo grau com ênfase em negócios ainda jovem em Budapeste. E lá estava ele, inteligente e humilde, e assim colhera os frutos de seu considerável sucesso. Depois da formatura, entrou no campo de Engenharia têxtil, e o sucesso continuara. Construiu várias fábricas. Ele casou e teve 2 filhos. Tinha amigos em posição privilegiada que afirmavam que ele era de grande valor para a economia. Certa vez, e como tinha instruido-o fora chamado no meio da noite por um de seus vigias em uma de sua fábricas. O vigia pegou um dos empregados roubando meias era uma fábrica de roupas íntimas, e o ladrão parou um caminhão e estava enchendo-o com montanhas de meias. Sr. Teszler foi lá e confrontou o ladrão e disse, " Por que roubas de mim? Se precisasse de dinheiro era só pedir." O vigia, vendo o desenrolar da trama e ficando indignado, disse " Vamos chamar a polícia, nao é?" mas Sr. Teszler respondeu, "Não, não será necessário. Ele não roubará de nós novamente." Talvez ele confiava demais, porque ficou por lá muito depois da anexação da Áustria pelos Nazistas, e muito depois que prisões e deportações começaram em Budapeste. Ele tomou a simples precaução de ter cápsulas de cianeto colocadas em pendentes que poderiam ser usadas por ele e sua família. E o dia chegou: ele e sua família foram presos, e levados a uma "casa da morte" as margens do Rio Danúbio. No início da Solução Final, era brutalidade feita com as mãos -- pessoas espancadas até a morte e jogadas no rio -- e nunca ninguém havia saído dali com vida. E numa reviravolta digna de um filme de Steve Spielberg, o supervisor do campo era o mesmo ladrão que estava roubando meias da fábrica do Sr. Teszler. Era um espancamento brutal. E no meio da brutalidade toda, um de seus filhos, Andrew, olhou para cima e disse, " Agora podemos tomar a cápsula, papai?" E osupervisor, que depois desaparece da história, abaixou e sussurrou no ouvido do Sr. Teszler, "Não tome o cianeto. Ajuda está vindo" E continuaram os espancamentos. Mas sim, ajuda estava a caminho, e pouco tempo depois um carro chegou da Embaixada Suiça. Eles foram levados para uma região segura. Foram reclassificados como cidadãos Yugoslavos e conseguiram ficar um passo adiante de seus perseguidores durante a guerra inteira, sobrevivendo fogo e bombardeios, e no final da guerra, sobrevivendo a uma prisão pelos Soviéticos. Provavelmente o Sr. Teszler tinha algum dinheiro na Suiça, porque conseguiu levar sua família para a Inglaterra, e depois para Long Island - Nova Iorque, e depois para o centro da indústria têxtil no Sul dos EUA. e foi parar, como o aleatório o faria, em Spartanburg na Carolina do Sul onde fica a Faculdade de Wofford. E lá o Sr. Teszler começou tudo de novo, e novamente obteve sucesso tremendo, especialmente depois de inventar um processo de fabricação de um novo tipo de tecido de dupla costura. Então -- no final dos anos 50, na esteira do conflito de "Brown contra o Conselho Diretor da Educação" na mesma época que a Klan estava resurgindo no Sul Sr. Teszler disse, " Eu já escutei esta conversa antes." E ele chamou seu principal conselheiro e perguntou, "Onde você considera, nesta região, o lugar onde o racisco mais contamina?" " Bem, não sei exatamente, Sr. Teszler. Mas penso que seja Kings Mountain." "Bom. Compre terras naquela região, e divulgue que abriremos uma grande fábrica lá." O homem seguiu as órdens, e depois de um tempo Sr. Teszler recebeu uma visita do Prefeito branco de Kings Mountain. Agora, saiba que naquela época a indústria têxtil no Sul era notoriamente segregada. O prefeito branco disse ao Sr. Teszler, " Sr. Teszler, acredito que o senhor irá contratar muitos funcionários brancos." E Sr, Teszler disse, " Traga-me os melhores trabalhadoes que encontrar, e se eles forem bons o suficiente, eu os contratarei." Ele também recebeu visita do líder na comunidade negra, um pastor, que disse, " Sr. Teszler, tenho esperança que contratará alguns negros para sua nova fábrica." Ele recebeu a mesma resposta. "Me traga seus melhores trabalhadores, e se forem bons o suficiente, eu os contratarei." e como aconteceu, o pastor negro fez um trabalho melhor que o prefeito branco, Mas isso não fez a diferença. O Sr. Teszler contratou 16 homens, 8 brancos e 8 negros. Eles seria seu grupo semente, futuros líderes de equipe. Ele já havia instalado todo o maquinário pesado para os processos têxteis numa loja vazia na periferia de Kings Mountain. e por 2 meses estes 16 homens viveriam e trabalhariam juntos, especializando-se nos novos processos. Ele reuniu a turma após o tour inicial e perguntou se existiam perguntas que queriam fazer. E começaram murmúrios hesitantes, pés inquietos, e daí um dos brancos deu um passo a frente e disse, "Pois bem, sim. Olhamos pra todo lado -- e há só um lugar pra dormir, só um lugar pra comer, só um banheiro, e só um bebedouro. Esta fábrica será integrada ou o que?" Sr. teszler disse, "Você esta sendo pago o dobro de outra fábricas na região, e é assim que fazemos negócios por aqui. Você tem alguma outra pergunta?" "Nao tenho não." E 2 meses depois, quando a fábrica abriu e centenas de funcionários, brancos e negros, entraram para vê-la pela primeira vez, eles foram recebidos pelos 16 chefes, brancos e negros, alinhados ombro-a-ombro. Eles fizeram um tour da fábrica e foram perguntados se tinham alguma dúvida. E inevitavelmente, a mesma pergunta fora levantada: "Esta fábrica é integrada, ou o que?" Um dos chefes brancos deu um passo a frente e disse, " Vocês estão sendo pagos o dobro de qualquer um na região, e é assim que fazemos negócios por aqui. Tem mais alguma pergunta?" E não tiveram mais perguntas. De uma só vez, Sr. teszler integrou a indústria têxtil naquela região do Sul. Era um feito digno de Mahatma Gandhi, conduzido com a perspicácia de um advogado e o idealismo de um santo. Já com mais de 80 anos, Sr. Teszler, já aposentado, adotou a Faculdade de Wofford -- fazendo auditorias em aulas todo semestre. E, porque ele tinha tendência em beijar tudo que movia, ficou sendo carinhosamente conhecido como Opi -- que significa Avô em Húngaro -- por todos e mais alguns. Quando cheguei lá, a biblioteca da universidade ja tinha sido nomeada em homenagem ao Sr, teszler, e depois em 1993 professores decidiram homenagear a escola, nomeando Sr. Teszler como um dos professores. Um pouco porque a esta altura ele já tinha feito todos cursos da grande curricular, mas principalmente porque ele era tão evidentemente mais sábio que qualquer um de nós. Para mim, era imensamente confortante que o espírito dirigente desta pequena faculdade Metodista no norte da Carolina do Sul era um sobrevivente do honocausto da Europa Central. Sábio ele era, realmente, assim como tinha maravilhoso senso de humor. Uma vez, para um curso interdisciplinar, eu estava no processo de seleção para um segmento de o "Sétimo Selo" de Bergman. Quando o cavaleiro medieval Antonius Blok voltava daquela busca sem sentido que eram as cruzadas, e chegou a rochosa costa Sueca, apenas para dar de cara com a morte que o esperava, Sr. teszler estava sentado no escuro com seus alunos. E quando a Morte abriu sua capa para encobrir o cavaleiro num abraço horripilante, escutei a voz tremulante de Sr. Teszler: "Oh, oh," ele disse, "isso não é muito bom não." E era música sua grande paixão, especialmente ópera, e na primeira vez que visitei sua casa ele me deu a honra de escolher qual música escutaríamos. E eu o elegrei quando rejeitei "Cavalerria Rusticana" a favor de "Bluebeard´s Castle" de Bela Bartok. Eu amo a música de Bartok e o Sr. Teszler também, e ele tinha virtualmente todas gravações existentes de Bartok. E foi em sua casa que escutei pela primeira vez o terceiro concerto de piano de Bartok, e aprendi de Sr. Teszler que a composição fora feita na vizinha Asheville, Carolina do Norte, no último ano da vida do compositor. Ele estava morrendo de leucemia e sabia disso, e dedicou o concerto a sua esposa, Dita, que era uma pianista de concerto. E no segundo e lento movimento musical, chamado de "adagio religioso," ele incorporou sons de pássaros que ele escutou pela sua janela no que sabia ser sua última primavera. Ele estava imaginando um futuro para ela que ele não seria parte. E claramente esta composição fora seu último relato para ela -- A composição foi apresentada depois de sua morte -- por ela, para o mundo. E com a mesma clareza, a composição está expressando, "Esta tudo bem. Foi tudo tão maravilhoso. Quando você escutar isso, eu estarei lá." Só depois que Sr. Teszler morreu que descobri que a lápide no túmulo de Bartok em Hartdale, Nova Iorque fora paga por Sandor Teszler. "Yo napot, Bela!" Não muito antes dele morrer aos 97 anos, ele me escutou discorrer sobre a perversidade humana. Eu dei uma palestra na qual descrevia a história que como um todo era uma onda gigante de sofrimento e brutalidade, e o Sr. Teszler veio a mim depois, repreendendo-me gentilmente: "Sabe doutor, seres humanos são bons em sua essência." E eu fiz um voto de confiança a mim, naquele momento, que se aquele homem que tinha tudo para acreditar no contrário ainda chegou a esta conclusão, Eu não ousaria discordar até que ele me permitisse. E agora ele se foi, então estou preso aos meus votos. "Yo napot, Sandor!" Eu tinha pensado que minha meada de mentores Húngaros havia acabado, mas quase que imediatamente conheci Francis Robicsek, um médico Húngaro -- na verdade um cirurgião cardíaco de Charlotte, naquela época com quase 80 anos -- que havia sido um pioneiro em cirurgias de coração, e que, fazendo experiências de fundo de quintal, havia inventado muitos dos aparatos hoje padrão nestes procedimentos. Ele é também um colecionador de arte extraordinário, que começara como um estagiário em Budapeste colecionando arte holandesa e pinturas Húngaras dos séculos 16 e 17, e quando veio para os EUA, trocou para arte colonial Espanhola, imagens Russas e no final, cerâmicas Maias. Ele é o autor de 7 livros, 6 deles em cerâmicas Maia. Foi ele que decodificou o codex Maia, proporcionando estudiosos correlacionar os pictógrafos das cerâmicas com os hieróglifos das escrituras Maia. Na ocasião de minha primeira visita, fizemos o tour por sua casa e observamos centenas de trabalhos de qualidade de museu, e daí paramos defronte uma porta fechada e o Dr. Robicsek disse, orgulhosamente, "Agora vamos ao prato principal." E ele abriu a porta, e entramos num quarto sem janelas de 6x6m com prateleiras do chão ao teto, lotada com sua coleção de cerâmicas Maia. Agora, não sei absolutamente nada de cerâmicas Maia, mas queria se o mais agradável possível. Então disse, "Dr. Robicsek, isso é simplesmente fantástico." "Sim," ele disse. "Foi isso que o Louvre disse. Eles me perturbaram até que cedesse uma das peças, mas não foi uma das boas." Bem, passou por minha mente convidar Dr. Robicsek para dar uma palestra na Faculdade de Wooford com o tema - O que mais? -- Leonardo da Vinci. Além disso, pensei em apresentá-lo ao meu mais antigo donatário, que se formou em história Francesa em Yale uns 70 e poucos anos antes, e aos 89 anos, ainda liderava a maior indústria têxtil privada do mundo, com pulso de ferro. Ele se chama Roger Milliken. E Sr. Milliken concordou, e Dr. Robicsek concordou. E Dr. Robicsek veio e deu sua palestra, e fora um deslumbrante sucesso. Depois nos reunimos na casa do Presidente da faculdade com Dr. Robicsek de um lado, e Sr. Mimlliken do outro. E foi só naquele momento, enquanto sentávamos para jantar, que percebi a imensidão do risco que havia criado. Pois colocar estes dois titãs, estes dois mestres do universo juntos era como colocar Mothra a Godzilla sobre os céus de Tóquio. Se eles não se gostassem, estaríamos todos mortos. Mas sim. Eles acabaram gostando um do outro. Eles se deram muito bem -- até bem no fim da refeição, e eles se engajaram numa furiosa discussão. E o que eles discutiam era o seguinte: Se o segundo filme de Harry Potter era melhor que o primeiro. Sr. Milliken dizia que não era. Dr. Robicsek descordava. Eu ainda estava tentando entender o que levava estes titãs e mestres do universo, em seu tempo livre assistir a filmes do Harry Potter e quando Sr. Milliken pensou que ele venceria o argumento dizendo, "Você acha que o segundo é melhor porque não lera o livro." A o Dr. Robicsek sentou-se, pensou sagazmente, recurvou-se e disse, "É verdade, mas aposto que assistiu-o acompanhado de um netinho." "Sim, verdade," concedeu Mr. Milliken. "A rá!" disse Sr, Robicsek. " Eu fui ao cinema sozinho." E percebi, neste momento de revelação, que o que estes homens estava mostrando era o segredo de seus sucesso extraordinário, cada um de seu jeito. E está precisamente nesta curiosidade insaciável, aquele irrepreensível desejo pelo saber - seja qual for o assunto, não importando o custo, mesmo numa era que os "guardadores do relógio do fim dos tempos" estão dispostos a apostar que a raça humana não estará aqui para imaginar algo sequer no ano 2100, a curtos 93 anos do agora. "Viva cada dia como se fosse seu último," disse Mahatma Ghandi. "Aprenda como se fosse viver eternamente." Esta é minha paixão. Precisamente. É este inextinguível e destemido apetite para aprender e experimentar, sem importar o quão ridículo, ou esotérico, ou quão sedutor pareça ser. Isso define o futuro que nosso amigos Húngaros imaginaram, Robicsek, Teszler e Bartok, assim como define o meu. Como define, suspeito, o futuro de todos aqui. Para o qual devo só dizer, " Ez a mi munkank; es nem is keves." Esta é nossa tarefa. Sabemos que será árdua. "Ez a mi munkank; es nem is keves." Yo napot, pacak!
pt
443
Nos últimos 50 anos, estivemos construindo subúrbios com várias consenquências não intencionais. E eu vou falar sobre algumas dessas consequências e apresentar alguns projetos realmente interessantes que eu acredito que nos deem razões imensas para sermos realmente otimistas de que o próximo grande projeto de design e construção dos próximos 50 anos será a adaptação dos subúrbios. Então, seja reformando shoppings morimbundos ou reabitando grandes lojas ou restaurando mangues onde fizeram estacionamentos, eu creio que um número crescente de espaços vazios e subutilizados especialmente, locais de venda de varejo nos subúrbios nos dá, na verdade, uma grande oportunidade de pegar nossa pouco sustentável paisagem de hoje e transformá-la em locais mais sustentáveis. E no processo, o que nos permite fazer é redirecionar muito mais do nosso crescimento de volta às comunidades existentes no passado que pudéssemos usar como impulso, e ter a infraestrutura no lugar, em vez de continuar a derrubar árvores e empurrar os espaços verdes para fora da periferia. Então, por que isto é importante? Eu acredito que haja muitas razões. Eu não vou entrar em detalhes, mas apenas mencionar alguns. Apenas da perspectiva de mudanças climáticas a média dos moradores urbanos dos Estados Unidos possui um terço da pegada de carbono comparado à média dos moradores do subúrbio, principalmente porque moradores dos subúrbios dirigem muito mais, e residem em edificações separadas você tem muito mais superfície externa para dar vazão à energia. Assim, estritamente do ponto de vista de mudanças climáticas, as cidades já são relativamente verdes. A grande oportunidade para reduzir as emissões de gases do efeito estufa está, na verdade, na urbanização dos subúrbios. Todo este percurso que fazemos saindo dos subúrbios, duplicamos a quantidade de quilômetros que dirigimos. Aumentou nossa dependência do petróleo estrangeiro apesar dos ganhos em eficiência energética Estamos apenas dirigindo mais, não temos sido capazes de nos atualizar tecnologicamente. A saúde pública é outra razão para considerar a adaptação. Pesquisadores do Centro de Controle de Doenças e outras instituições veem cada vez mais conectando os padrões de desenvolvimento suburbano com estilos de vida sedentários. E estão conectando esses estilos com um alarmante aumento das taxas de obesidade, mostradas nestes mapas aqui, e que a obesidade também vem desencadeando grandes aumentos de doenças cardíacas e diabetes ao ponto onde uma criança nascida hoje tem uma chance em três de desenvolver diabetes. E essa taxa vem aumentando na mesma proporção do número de crianças que não caminham mais para a escola, novamente, por causa dos padrões de construção. E finalmente há a questão do custo. Quero dizer, quão econômico é continuar a morar em subúrbios com o aumento dos preços dos combustíveis? A expansão do subúrbio para terras baratas pelos últimos 50 anos -- sabem, os terrenos baratos nas periferias -- contribuiu para gerações de familias desfrutarem do sonho Americano. Mas cada vez mais as economias prometidas de melhora da qualidade de vida o que é basicamente nosso modelo -- aquelas economias foram varridas quando você considera o preço do transporte. Por exemplo, aqui em Atlanta, cerca da metade das residências têm renda entre 20. 000 e 50. 000 por ano. E estão gastando 29% de suas rendas em habitação e 32% em transporte. Digo, estes são números de 2005. Isto foi antes de chegarmos a 4 dólares o galão. Sabem, nenhum de nós tem realmente a tendência de fazer os cálculos com nossos gastos com transporte. E os números não vão diminuir de uma hora para outra. Quer você ame a frondosa privacidade dos subúrbios ou odeie seus monótonos centros comerciais, há razões porque é importante a readaptação. mas é prática? acho que sim. June Williamson e eu pesquisamos sobre este assunto por mais de uma década. E encontramos mais de 80 diferentes projetos. Mas todos estão realmente impulsionados pelo mercado. O que está particularmente impulsionando o mercado -- Número um é a grande mudança demográfica. Todos nós temos a tendência de pensar nos subúrbios como naquele lugar projetado para famílias. Mas este não é mais o caso. Desde 2000, cerca de dois terços das residências nos subúrbios não possuem crianças. Nós apenas não nos demos conta da realidade dos fatos. A razão disto tem muito a ver com o domínio de dois grandes grupos demográficos do momento, a aposentadoria dos Baby Boomers, e então há uma lacuna, Geração X, que é uma geração pequena. Eles ainda estão tendo filhos. Mas a Geração Y ainda nem começou a atingir a idade de ter filhos. Eles são a outra grande geração. Então, como resultado disto os demógrafos predizem que até 2025, 75% a 85% das residências não terão crianças. E a pesquisa de mercado, e pesquisa de consumo ao perguntar aos Boomers e à Geração Y o que eles desejam, como eles gostariam de viver, nos diz que haverá uma enorme demanda -- e já estamos vendo isto -- por estilos de vida mais urbanos dentro dos subúrbios. Que basicamente os Boomers desejam envelhecer no local, e que a Geração Y gostaria de viver um estilo de vida urbano, mas a maioria dos empregos continuarão a ser fora dos subúrbios. A outra grande dinâmica da mudança é a pura performance do asfalto ineficiente. Estou pensando agora que este seria um ótimo nome para uma banda de rock independente. mas imobiliárias geralmente utilizam isto para se referirem aos estacionamentos subutilizados. E os subúrbios estão cheios deles. Quando os primeiros subúrbios pós-guerra foram construídos nas áreas baratas longe dos centros, fazia sentido construir estacionamentos térreos. Mas este locais estão sendo deixados para trás e ultrapassados novamente, uma vez que continuamos a expandir. E eles agora possuem uma localização relativamente central. Não faz mais sentido. A terra é mais valiosa que apenas estacionamentos térreos. Agora faz sentido voltar, constuir um edifício-garagem naqueles lugares. Então o que você faz com um shopping morto, escritórios mortos? Todos os tipos de coisas. Em uma economia lenta como a nossa, a reabitação é uma das estratégias mais populares. Portanto este é um shopping morto em St. Louis que foi transformado em um espaço de artes. Agora abriga estúdios de artistas, grupos teatrais e trupes de dança. Não dá mais tanta receita tributária quanto antes. Mas está servindo à comunidade. Está mantendo as luzes acessas. Está se tornando, creio eu, realmente uma grande instituição. Outros shoppings foram transformados em lares para idosos, em universidades, e em todos tipos de espaço corporativo. Também encontramos muitos exemplos de grandes lojas mortas que foram transformadas em várias formas de atender a comunidade -- muitas escolas, muitas igrejas muitas bibliotecas como esta. Este era um pequeno mercado, o mercado Food Lion que agora é a biblioteca pública. Além disso, eu acho que fazendo uma bela reutilização adaptativa, eles acabaram com alguns espaços destinados a estacionamento, instalaram bio filtros para coleta e limpeza das calhas, construiram mais calçadas para conectar os bairros. E transformaram o que era apenas uma loja em um centro comercial, em um centro de encontros comunitário. Este é um pequeno shopping center em formato de L em Phoenix, Arizona. Realmente tudo o que fizeram foi dar uma nova cobertura de tinta brilhante, uma mercearia gourmet, e instalaram um restaurante em uma antiga agência de correio. Nunca subestime o poder da comida para mudar completamente o lugar e torná-lo um ponto de encontro. Tem sido tão bem sucedido que eles agora assumiram o outro lado da rua. E os anúncios imobiliários na vizinhança todos orgulhosamente proclamam, "Distância a pé do Le Grande Orange," porque deu à vizinhança o que os sociólogos gostam de chamar "um terceiro lugar". Se o lar é o primeiro lugar e o trabalho o segundo lugar, o terceiro lugar é onde você vai para curtir e se socializar. E especialmente como os subúrbios estão se tornando cada vez menos centralizados em famílias, residências familiares, há uma fome real por mais terceiros lugares. Então, as modernizações mais dramáticas são realmente aquelas na próxima categoria, a próxima estratégia, reconstrução. Agora, durante o boom, houve vários projetos de reformas realmente dramáticas onde o edifício original foi posto ao chão e um novo local foi reconstruído com uma densidade significativamente maior, um tipo compacto, bairros urbanos possíveis de se caminhar. Mas alguns deles foram muito mais graduais. Este é o Mashpee Commons, a readaptação mais velha que encontramos. E apenas gradualmente, nos últimos 20 anos construiu urbanismo em cima de seus estacionamentos. A foto em preto em branco mostra o típico shopping center dos anos 60. E então os mapas acima que mostram sua transformação gradual em uma compacta vila New England de uso misto, e agora possui planos que foram aprovados para conectá-lo a novos bairros residenciais por meio de vias arteriais e de um lado a outro. Então, sabem, às vezes é gradual. Às vezes é tudo de uma vez. Este é outro projeto de construção em áreas vazias de estacionamentos, este outro de um conjunto de escritórios na periferia de Washington D. C. Quando a empresa metroviária expandiu as linhas para os subúrbios e abriu uma estação próxima a este local, os proprietários decidiram construir um novo edifício garagem e colocar no lugar de seus estacionamentos térreos uma nova rua comercial, vários apartamentos e condomínios, enquanto mantinham os prédios de escritórios existentes. Aqui está o lugar em 1940. Era apenas uma pequena fazenda na vila de Hyattsville. Em 1980 ela foi subdividida em um grande mercado de um lado e um conjunto de escritórios do outro. e algumas zonas neutras para uma biblioteca e uma igreja à extrema direita. Hoje, transporte público, a rua comercial e novas moradias foram todas construídas. Eventualmente eu espero que as ruas provavelmente se estenderão através de uma remodelagem do shopping. Já anunciaram planos para construção de prédios de apartamentos com jardins em cima do shopping que será reformado. O transporte público é um grande responsável por adaptações. Então aqui está como ele deverá ser. Vocês podem ver aqui os novos condominios de prédios não convencionais entre os edifícios de escritórios e o espaço público e a rua comercial. Este é um dos meu favoritos, Belmar. Acredito que eles realmente construiram um lugar atraente aqui e utilizaram toda a construção verde. Há muitas fileiras de painéis solares nos telhados assim como turbinas eólicas. Este é um grande mercado numa superquadra de 40 hectares. Agora são 22 quadras urbanas de pedestres com ruas públicas, dois parques públicos, oito linhas de ônibus e uma variedade de tipos de habitação. Assim ele deu a Lakewood, no Colorado o centro da cidade que este subúrbio em particlar nunca teve. Aqui era o shopping em seu auge. Eles faziam seus bailes no shopping. Adoravam o lugar. Aqui está o local em 1975 com o shopping. Em 1995 o lugar havia morrido. A loja de departamentos foi mantida. E descobrimos que isto foi verdadeiro em muito casos. As lojas de departamentos são multi-lojas; elas foram bem construídas. Elas são fáceis de serem readaptadas. Mas essas coisas de um só andar. elas realmente se foram. Então aqui está uma construção projetada. Este projeto, penso, possui grande conectividade com os bairrros existentes. Está fornecendo 1, 500 habitações com a opção de um estilo de vida mais urbano. Dois terços já foram construídos até agora. Aqui está a nova aparência da rua comercial. É um sucesso. E ajudou a impulsionar oito dos treze shoppings regionais que Denver possui agora, ou anunciou planos de readaptar. mas é importante notar que todas essas readaptações não estão ocorrendo -- apenas escavedeiras estão chegando e avançando por toda a cidade. Não, é um bolsão de locais para caminhar em lugares de propriedades sub-utilizadas. E também está dando mais opções às pessoas. Mas não está retirando as escolhas. Mas também não e o suficiente apenas criar bolsões de locais para pedestres. Você também quer tentar obter transformações mais sistêmicas. Precisamos também readaptar os próprios corredores. Este é um que foi readaptado na Califórnia. Eles pegaram o centro comercial mostrado nas imagens em preto e branco abaixo e construíram um boulevard que se tornou a rua comercial da cidade deles. E transformou de um feio, inseguro, e endereço não desejável, em um belo atraente, bom e digno endereço. Significa que agora esperamos começar a ver -- Eles já constuíram a prefeitura, atraíram dois hotéis. Consigo imaginar bonitas residências construídas nessas direção aqui sem derrubar outra árvore. Há muitas coisas ótimas. Mas adoraria ver outros corredores sendo readaptados. Mas a densificação não funcionará em todos os locais. Às vezes tornar verde novamente é realmente a melhor resposta. Há muito que se aprender de em cidades como Flint, em Michigan. Há também um movimento crescente de subúrbios agrícolas do tipo jardins vitorianos casando com a internet. mas talvez um dos aspectos mais importantes da recuperação do verde seja a oportunidade de restaurar a ecologia local, como neste exemplo fora de Minneapolis. Quando o shopping center fechou, a cidade restaurou os mangues originais do local criando uma propriedade à beira do lago a qual atraiu então investimentos particulares, o primeiro investimento privado neste bairro de baixíssima renda nos últimos 40 anos. Assim eles conseguiram recuperar a ecologia local e a economia local ao mesmo tempo. Este é outro exemplo de restauração verde. Também faz sensitido em mercados muito fortes. Este em Seattle está no local do estacionamento de um shopping adjacente a uma nova parada de trânsito. E a linha ondulada é um caminho ao longo de um riacho que foi recuperado. O riacho tinha sido canalizado sob o estacionamento. Mas recuperando nossos riachos realmente melhora a qualidade das águas e contribui para o habitat. Eu mostrei a vocês alguns exemplos da primeira geração de readaptação. E depois? Acredito que tenhamos três desafios para o futuro. O primeiro é planejar a readaptação muito mais sistematicamente em escala metropolitana. Precisamos ser capazes de focar em quais áreas realmente deveriam ser recuperadas. Onde deveríamos reformar? E onde deveríamos encorajar a reabitação? Esses slides mostram apenas duas imagens de um projeto maior que parece que estão tentando fazer em Atlanta. Chefio uma equipe que foi solicitada a imaginar Atlanta daqui a 100 anos. E escolhemos reverter a expansão através de três movimentos simples -- caros, mas simples. Um, em cem anos, transporte público nos principais corredores de trem e rodoviários Dois, em cem anos, trezentos metros de recuo em todas as margens de córregos. É um pouco extremista, mas temos um probleminha de água. Em cem anos, subdivisões que simplesmente acabam muito próximo à água ou muito longe do transporte público, não serão viáveis. E assim criamos a transferência de acre ecológico para transferir direitos de desenvolvimento para os corredores de transporte público e permitir a restauração do verde daquelas primeiras subdivisões para produção alimentícia e energética. Assim o segundo desafio é melhorar a qualidade de design arquitetônico das readaptações. E encerro com esta imagem da democracia em ação. Este é um protesto que está acontecendo em uma readaptação em Silver Spring, Maryland em um parque de grama artificial. Agora, as readaptações são frequentemente acusadas de serem exemplos de falsos centros e urbanismos instantâneos. e não sem razão; não há nada mais falso quem um parque de grama artificial. Tenho que dizer, esses são lugares muito híbridos. São novos, mas tentando parecer velhos. Eles possuem ruas projetadas para pedestres, mas taxas de estacionamento suburbanas. Suas populações são mais diversas que dos suburbios típicos, mas eles são menos diferentes que das cidades. e eles são lugares públicos, mas que são administrados por companhias privadas. E apenas a aparência superficial é - como a grama artificial aqui -- eles me fazem estremecer. Então, como sabem, eu fico orgulhosa de que o urbanismo esteja fazendo seu trabalho. O fato do protesto estar acontecendo realmente significa que o layout das quarteirões, ruas e quadras, colocadas em espaço público, comprometido como pode ser, é ainda algo muito legal. Mas tivermos que melhorar a arquitetura, O desafio final é para todos vocês. Quero que se unam ao protesto e comecem a exigir mais subúrbios sustentáveis -- mais locas sustentáveis, ponto final. Mas culturalmente, tendemos a acreditar que os centros deveriam ser dinâmicos, e esperamos isso. Mas parece que temos uma expectativa de que os subúrbios deveriam ficar congelados para sempre em qualquer formato adolescente em que eles surgiram primeiramente. É hora de deixá-los crescer. Então eu quero que vocês apoiem as mudanças de zoneamento, restrições de uso de estradas, melhorias de infraestrutura e as readaptações que estarão chegando em breve em bairros perto de vocês Obrigada.
pt
444
Hawa Abdi: Muitas pessoas – há 20 anos na Somália – estiveram guerreando. Então não havia trabalho, nem comida. As crianças, a maioria delas, ficavam subnutridas, como essa. Deqo Mohamed: Como vocês sabem, sempre em uma guerra civil, os mais afetados são as mulheres e crianças. Então nossos pacientes são mulheres e crianças. E eles estão em nossa vizinhança. É nossa casa, nós os acolhemos. Esse é o acampamento que temos agora 90 mil pessoas, onde 75 por cento delas são mulheres e crianças. Pat Mitchell: E esse é seu hospital. Esse é o interior. HA: Nós estamos fazendo cesáreas e operações diferentes porque as pessoas precisam de alguma ajuda. Não há governo para protegê-las. DM: Cada manhã temos cerca de 400 pacientes, talvez mais ou menos. Mas às vezes somos apenas 5 médicos e 16 enfermeiros, e estamos ficando fisicamente exaustos de atender a todos. Mas nós cuidamos dos casos mais severos, e reagendamos os outros para o dia seguinte. É muito difícil. E como podem ver, são as mulheres que carregam as crianças, são as mulheres que vêm aos hospitais, são as mulheres que constroem as casas. Essa é a casa delas. E temos uma escola. Essa é nossa brilhante – nós abrimos nos últimos dois anos um escola fundamental onde temos 850 crianças, e a maioria são mulheres e garotas. PM: E os médicos têm algumas regras importantes sobre quem pode ser tratado na clínica. Você poderia explicar as regras de admissão? HA: As pessoas que vêm até nós, nós as acolhemos. Nós compartilhamos com elas tudo o que temos. Mas há apenas duas regras. Primeira regra: não há distinção de clã e divisão políticia na sociedade somali. Nós expulsamos quem quer que faça isso. A segunda: nenhum homem pode bater na sua mulher. Se ele bate, nós o colocamos na cadeia, e nós chamamos os mais velhos. Até que eles identifiquem o caso, nós não o libertamos. Essas são as duas regras. A outra coisa que eu percebi, é que a mulher é a pessoa mais forte de todo o mundo. Porque nos últimos 20 anos, a mulher somali se afirmou. Elas foram as líderes, e nós somos as líderes de nossa comunidade e a esperança de nossas futuras gerações. Nós não somos apenas as vítimas carentes da guerra civil. Nós podemos reconciliar. Nós podemos fazer qualquer coisa. DM: Como minha mãe disse, nós somos a futura esperança, e os homens estão apenas matando na Somália. Então nós viemos com essas duas regras. Num acampamento com 90 mil pessoas, você precisa vir com algumas regras ou haverá alguns conflitos. Então não há divisão de clãs, e nenhum homem pode bater na sua mulher. E temos um pequeno depósito que nós transformamos em cadeia. Então se você bater na sua mulher, você vai parar lá. Assim damos poder e oportunidade às mulheres – nós estamos lá para elas. Elas não estão sozinhas nisso. PM: Você administra uma clínica médica. Ela trouxe cuidados médicos muito, muito necessários às pessoas que não podiam tê-los. Você também admnistra uma sociedade civil. Você criou suas próprias regras, nas quais mulheres e crianças recebem um sentido diferente de segurança. Me fale sobre sua decisão, Dra. Abdi, e sua decisão, Dra. Mohamed, de trabalhar juntas – para você se tornar uma médica e trabalhar com sua mãe nessas circunstâncias. HA: Na minha idade – pois eu nasci em 1947 – nós tínhamos, na época, governo, lei e ordem. Mas um dia, eu fui ao hospital – minha mãe estava doente – e eu vi o hospital, como eles estavam tratando os médicos, como eles estavam comprometidos em ajudar as pessoas doentes. Eu os admirava, e decidi me tornar uma médica. Minha mãe morreu, infelizmente, quando eu tinha 12 anos. Então meu pai me deixou seguir com minha esperança. Minha mãe morreu devido a uma complicação ginecológica, então eu decidi me tornar uma especialista em ginecologia. É por isso que me tornei uma médica. Agora a Dra. Deqo tem que explicar. DM: para mim, minha mãe estava me preparando quando eu era criança a me tornar uma médica, mas eu realmente não queria. Talvez eu devesse me tornar uma historiadora, ou talvez uma repórter. Eu adorava isso, mas não deu certo. Quando a guerra começou – guerra civil – eu vi como minha mãe ajudava e como ela realmente precisava de ajuda, e como o cuidado é essencial para a mulher ser uma médica na Somália e ajudar as mulheres e crianças. E eu pensei, talvez eu possa ser uma repórter e médica ginecologista. Então eu fui à Rússia, e minha mãe também, durante a época da União Soviética. Então parte de nosso caráter, talvez nós viemos com um forte contexto soviético de treinamento. Então foi assim que decidi fazer o mesmo. Minha irmã foi diferente. Ela está aqui. Ela também é médica. Ela também se formou na Rússia. E voltar e trabalhar com nossa mãe é só o que vimos na guerra civil – quando eu tinha 16 anos, e minha irmã tinha 11 e a guerra civil começou. Então foi a necessidade e as pessoas que vimos no começo dos anos 90, que nos fez voltar e trabalhar para elas. PM: Então qual é o maior desafio ao trabalhar, mãe e filha, em situações perigosas e às vezes apavorantes? HA: Sim, eu trabalhava numa situação difícil, muito perigosa. E quando eu vi as pessoas que precisavam de mim, eu ficava com elas para ajudar, porque eu podia fazer algo por elas. A maioria das pessoas fugiu para o exterior. Mas eu fiquei com essas pessoas, e eu tentava fazer algo – qualquer coisinha que pudesse fazer. Eu fui bem sucedida no meu lugar. Agora meu lugar tem 90 mil pessoas que se respeitam entre si, que não estão brigando. Mas nós tentamos nos manter em pé, fazer alguma coisa, coisinhas, que podemos fazer por nosso povo. E eu sou grata a minhas filhas. Quando elas vieram a mim, elas me ajudaram a tratar as pessoas, a ajudar. Elas fizeram tudo por elas. Elas fizeram o que eu desejei fazer por elas. PM: Qual é a melhor parte de trabalhar com sua mãe, e a parte mais desafiante para você? DM: Ela é muito difícil, isso é bem desafiante. Ela sempre espera que nós façamos mais. E realmente quando você pensa que não pode fazer isso, ela vai insistir com você, e eu posso fazer isso. Essa é a melhor parte. Ela nos treina como fazer e como ser melhor uma pessoa melhor e como ficar longas horas em cirurgia – 300 pacientes por dia, 10, 20 cirurgias, e você ainda precisa gerenciar o acampamento – é assim que ela nos treina. Não é como belos escritórios aqui, 20 pacientes, você está cansada. Você atende 300 pacientes, 20 cirurgias e 90 mil pessoas para cuidar. PM: Mas você faz isso por boas razões. Espere. Espere. HA: Obrigada. DM: Obrigada. HA: Muito obrigada.
pt
445
A primeira pergunta é: Nosso país tem dois programas de exploração. Um é a NASA com missão de explorar o grande além, explorar os céus, para aonde todos queremos ir se tivermos sorte. E vocês podem ver que tivemos o Sputnik e o Saturno e outras manifestações da exploração espacial. Bem, existe um outro programa noutra agência do governo, em exploração oceânica. É na NOAA, a Adminstração Oceânica e Atmosférica Nacional. E minha pergunta é: "Por que ignoramos os oceanos?" Eis a razão, ou a falta de, mas eis porque faço esta pergunta. Se você comparar o orçamento anual da NASA para exploração dos céus, aquele orçamento anual financiaria a NOAA para explorar os oceanos por 1. 600 anos. Por que? Por que olhamos para cima? É porque lá é o paraíso? E o inferno está lá embaixo? É uma questão cultural? Por que as pessoas têm medo do oceano? Ou somente aceitam que o oceano é só um lugar escuro com nada a oferecer? Levarei vocês numa viagem de 16 minutos a 72% do planeta, apertem os cintos! OK. E o que faremos é imergir em meu mundo. E tentarei. Espero fazer as seguintes considerações. Farei agora no caso de esquecer: Tudo que irei apresentar-lhes não estava nos meus livros didáticos de escola. E mais que isto, nem mesmo nos meus livros de faculdade. Sou um geofísico e todos meus livros de ciência terrestre quando estudante, tive que assinalar a resposta errada para conseguir um 10. Costumávamos rídicularizar a deriva continental. Ríamos dela. Aprendemos sobre o ciclo geossinclinal de Marshall Kay, uma bela porcaria. No contexto atual é um monte de porcaria mas era a lei da geologia, tectonismo vertical. Tudo pelo que iremos passar em nossas explorações e descobertas dos oceanos foram na maior parte descobertas por acaso. A maioria das descobertas foi por acidente. Procuravamos algo e achamos algo diferente. E tudo de que iremos falar representa uma visão de um décimo de um porcento, pois é tudo que vimos. Tenho uma representação. Esta é a representação do que pareceria se removêssemos a água. Dá a falsa impressão de ser um mapa. Não é um mapa. De fato, tenho uma outra versão no meu escritório e pergunto às pessoas: "Por que existem montanhas aqui nesta área mas nenhuma por aqui?" Eles responde: "Pô, cara, sei lá". E dizem: "É uma zona de fratura? É um ponto quente?" Não, não, é somente o lugar onde esteve um navio. A maioria do hemisfério sul é inexplorado. Tinhamos mais navios de expedição lá embaixo no tempo do capitão Cook do que agora. É espantoso. Assim vamos imergir nos 72% do planeta porque, como sabem, é muito ingênuo achar que o Coelhinho da Páscoa deixou todos os recursos naturais nos continentes. Vocês sabem, é tão ridículo. Estamos constantemente jogando soma-zero. Saibam que vamos extrair algo mais. Creio em só enriquecer a economia. E estamos deixando muito na mesa, 72% do planeta. E como vou demostrar depois na apresentação, 50% dos Estados Unidos repousa sob o mar. 50% de nosso país que possuímos, temos jurisdição legal, temos todo direito de fazer o que quisermos, repousa sob o mar. e temos mapas melhores de Marte que desses 50%. Por quê? OK. Iniciei minhas exploração do jeito difícil. Voltando então. na verdade minha primeira expedição foi quando tinha 17 anos. Foi há 49 anos atrás. Façam as contas, tenho 66. E saí para navegar num barquinho e quase fomos afundados por uma onda gigante devastadora, e eu era tão novo para estar - vocês sabem, achava o máximo! Eu pegava jacaré e pensei: "Uau, que onda incrível!" E quase afundamos o navio, mas fiquei entusiasmado em organizar expedições. E nos últimos 49 anos fiz cerca de 120, 121 -- e continuo fazendo -- expedições. Mas no começo a única maneira de chegar ao fundo era engatinhando para dentro de um pequeno submarino, e descer até o fundo. Mergulhei em todo tipo de submersível de grande profundidade. Alvin e Sea Cliff e Cyana, e todos os principais submersíveis que temos, que são cerca de 8. De fato, em um dia bom podíamos ter 4 ou 5 seres humanos a uma profundidade média da terra - talvez 4 ou 5 seres humanos escolhidos entre bilhões que podíamos enviar. E então é muito difícil ir lá se tiver que ser fisicamente. Mas estava entusiasmado, e em meus anos de faculdade ocorreu o crepúsculo das placas tectônicas. E percebi que a maior cordilheira de montanhas da terra repousa sob o mar. A Cordilheira Mesoceânica circunda como a costura de uma bola de basquete. Isto esta em uma projeção de Mercator. Mas se dispusermos em uma projeção de áreas iguais, vocês veriam que a Cordilheira Mesoceânica cobre 23% do total da área da superfície terrestre. Praticamente ¼ do planeta é ocupado por uma única cordilheira e nós não fomos lá antes de Neil Armstrong e Buzz Aldrin terem ido à Lua. Aí fomos à Lua, jogamos golfe lá em cima, antes de irmos ao item mais largo de nosso planeta. E nosso interesse nesta cordilheira, como cientistas naqueles dias era não só em virtude de seu tremendo tamanho dominando o planeta, mas o papel que desempenha na gênese da epiderme da Terra. Porque ela está ao longo do eixo da Cordilheira Mesoceânica onde as grandes placas crustais estão se separando. E, como um organismo vivo, quando se rasga sangra sua lava, se eleva para cicatrizar aquela ferida da astenosfera, solidifica, forma novos tecidos e se move lateralmente. Mas, na verdade, ninguém foi lá embaixo para dentro do verdadeiro sítio na fronteira da criação como chamamos - dentro da Vale da Fenda - até que um grupo de sete de nós engatinhou para dentro de nosso pequeno submarino no verão de 1973/1974 e fomos os primeiros seres humanos a entrar no Grande Vale da Fenda. Descemos dentro do Vale da Fenda, tudo bem preciso exceto por uma coisa - é extremamente escuro. É completamente escuro porque os fótons não conseguem atingir a profundidade média dos oceanos, que é 4. 000 metros. A do Vale da Fenda é 3. 000 metros. A maior parte de nosso planeta não sente o calor do Sol. A maior parte de nosso planeta está na escuridão eterna. E por esta razão não há fotossíntese no mar profundo. E com a ausência de fotossíntese não há vida vegetal, e como resultado, há pouca vida animal neste submundo. Ou assim pensávamos. E aí nossas explorações iniciais foram totalmente focadas na exploração da fronteira da criação, observando atividades vulcânicas ao longo de 8. 800 km. Percorrendo o total de 8. 800 km há dezenas de milhares de vulcões ativos. Dezenas de milhares de vulcões ativos. Existem mais vulcões ativos embaixo d'água que em terra em duas ordens de magnitude. Assim, é uma região de atividade fenomenal, não é só um lugar escuro e chato. É um lugar bem ativo. E está, assim, se rasgando. Mas estávamos lidando com um problema científico particular então. Não podíamos entender porque havia uma montanha sob tensão. Na teoria das placas tectônicas sabíamos que se placas colidem, fazia sentido, elas se esmagariam uma na outra, engrossando a crosta, elevando-a. É por isso que tem, vocês sabem, conchas do mar no Monte Everest. Não foi uma enchente, foram empurradas lá para cima. Entendíamos montanhas sob compressão, mas não podíamos entender porque tinhamos uma montanha sob tensão. Não deveria haver. Até que um de meus colegas disse: "Para mim parece como uma bolha térmica, e a Cordilheira Mesoceânica deve ser uma bola esfriando." Dissemos: "Vamos decobrir." Afundamos um punhado de sondas térmicas. Tudo fazia sentido, exceto que no eixo estava faltando calor. Faltando calor. Era quente. Não era quente o bastante. Então levantamos múltiplas hipóteses, tem homenzinhos verdes lá embaixo roubando calor. Tem várias coisas acontecendo. Mas a única lógica era que havia fontes quentes. Assim deveria haver fontes submarinas quentes. Organizamos uma expedição para procurar o calor faltante. E aí percorremos a cordilheira numa área ao longo da Fenda de Galápagos, e conseguimos achar o calor faltante. Era impressionante. Estas chaminés gigantes. Gigantescas chaminés. Fomos acima delas com nosso submersível. Queríamos colocar uma sonda térmica, enfiamos uma lá dentro, olhamos - estorou a escala. O piloto fez uma grande observação: "Tá quente, hein!" E então percebemos que a sonda foi feita do mesmo material - poderia ter derretido. Mas aconteceu que a temperatura na saída era 350° Celsius, calor suficiente para derreter chumbo. Isto é como se parece de verdade Estamos olhando para um incrível orgão de tubos de químicas sendo expelidas no oceano. Tudo que se vê nesta foto é de valor comercial: cobre, chumbo, prata, zinco e ouro. Daí que o coelho da páscoa escondeu coisas no fundo do oceano, e há enormes depósitos de metais pesados que estamos fazendo nesta cordilheira. Estamos fazendo grandes descoberta de larga escala comercial ao longo desta cordilheira, mas isso foi menos que descobrimos. Descobrimos uma profusão de vida em um mundo em que não deveria existir. Vermes tubulares gigantes, 3 metros de altura. lembro que usei vodka - minha própria vodka - para conservá-lo porque não tínhamos formol. Fomos e achamos estes incríveis canteiros de bivalves repousando sobre rochas - grandes bivalves, e quandos as abrimos não pareciam bivalves. E quando disecamos elas não tinham a anatomia de uma bivalve. Sem boca, sem intestino, sem sistema digestório. Seus corpos totalmente tomados por outro organismo, uma bactéria, que achou um modo de replicar a fotossíntese no escuro através de um processo que agora chamamos quimiossíntese. Nada disso em nossos livros didáticos. Não conhecíamos este sistema de vida. Não prevíamos isto. Topamos com isto, procurando pelo calor faltante. Assim queríamos acelerar o processo. Queríamos largar esta viagem boba e descer num submarino. Profundidade média do oceano 4. 000 metros, 2 horas e meia para chegar ao trabalho pela manhã. 2 horas e meia de volta para casa. 4 horas de deslocamento ao trabalho. Três horas de fundo, distância média percorrida: 1, 7 km. Em uma cordilheira de 8. 800 km de extensão. Trabalho bem seguro, mas não é o jeito de fazer. Então comecei a desenhar uma nova tecnologia de telepresença usando sistemas robóticos para replicar a mim mesmo, assim não teria que pedalar meu sistema veicular. Começamos a introduzí-la em nossas explorações, e continuamos a fazer descobertas fenomenais com as novas tecnologias robóticas. Novamente, procurando algo mais, mudando de uma parte da Cordilheira Mesoceânica para outra. Os cientistas estavam olhando de fora e se depararam com incríveis formas de vida. Se depararam com novas criaturas que nunca havia visto. Porém mais importante eles descobriram edificações lá embaixo que não entenderam. Que não faziam sentido. Não estavam em cima de uma câmara magmática. Não deveria estar lá. E colocamos o nome de Cidade Perdida. E a Cidade Perdida foi composta por estas incríveis formações cálcareas e piscinas invertidas. Olhem isso. Como se faz isso? A água está de cabeça para baixo. Entramos por baixo e coletamos, e descobrimos que tinha pH de desinfetante. O pH era 11, e ainda assim tinha bactéria quimiossintética vivendo lá neste meio ambiente extremo. E as aberturas hidrotermais estavam em um ambiente ácido. Todo o caminho até a outra saída em um ambiente alcalino com pH de 11, existia vida. Então a vida era muito mais criativa do que jamais pensamos. Novamente, descoberto por acidente. Apenas dois anos atrás trabalhando ao largo de Santorini, onde as pessoas tomavam sol na praia, desavisados da presença da caldeira ali perto. Descobrimos sistemas de aberturas hidrotermais fenomenais e mais sistemas de vida. Isto foi a 2 milhas de onde as pessoas vão tomar banho de sol, inconscientes da existência desse sistema. Novamente, vocês sabem, paramos na borda da água. Recentemente, mergulhando perto do Golfo do México, achando piscinas desta vez não de cabeça para baixo, de cabeça para cima. Bingo. Você julgaria estar no ar até um peixe passar nadando. Vocês estão olhando para piscinas salobras formadas por depósitos de sal. Perto ali havia metano. Nunca havia visto vulcões de metano. Em vez de expelir lava eles estavam expelindo grandes bolhas de metano. E eles estavam criando estes vulcões, e havia jorros, não de lava, mas de lama saindo de dentro da Terra. Nunca havia visto isto antes. Mudando de assunto, há mais que só história natural no fundo do mar. História humana. Nossas descobertas do Titanic. A percepção de que o mar profundo é o maior museu da Terra. Contém mais história que todos os museus em terra juntos. A ainda assim estamos somente agora penetrando neles. Avaliando o estado de preservação. Localizamos o Bismarck a 5. 300 metros. Localizamos o Yorktown. As pessoas sempre perguntam: "Vocês acharam o navio certo?" Estava escrito Yorktown na popa. Mais recentemente, achando Idade Antiga. Quantos marinheiros daquele período tiveram um dia ruim? O número é um milhão. Temos feito estas descobertas nas antigas rotas comerciais onde não se supunha que estivessem. Este destroço naufragou 100 anos antes do nascimento de Cristo. Este naufragou levando um templo Romano pré-fabricado da Home Depot. E aqui está um naufrágio do tempo de Homero em 750 a. C. Mais recentemente, no Mar Negro onde estamos explorando. Porque não há oxigênio lá, é o maior reservatório de sulfeto de hidrogênio da Terra. Naufrágios estão perfeitamente preservados. Toda matéria orgânica está perfeitamente conservada. Começamos a escavar. Esperamos começar a retirar corpos em perfeito estado com seus DNA. Reparem o estado de preservação. Permanece a assinatura do carpinteiro. Olhem para o estados destes artefatos. Vocês ainda conseguem ver cera de abelha escorrendo. Quando derramavam ela, selavam. O navio afundou há 1. 500 anos atrás. Felizmente, temos conseguido convencer o Congresso. Começamos a ir ao Capitólio fazer lobby. E recentemente roubamos um navio da Marinha dos Estados Unidos. O Okeanos Explorer em sua missão. Sua missão é tão boa quanto possam imaginar. Sua missão é ir aonde ninguém jamais foi antes no planeta Terra. E estava olhando para ele ontem, está ancorado em Seattle. OK. Estará online este verão, e começa sua jornada de exploração. Mas não fazemos idéia do que iremos encontrar quando chegarmos lá com nossa tecnologia. Mas certamente será uma ida à América desconhecida. Esta é a parte dos Estados Unidos que repousa sob o oceano. Possuímos todos aquele azul e ainda, como disse, particularmente a faixa territorial oeste, não temos mapas de lá. Não temos mapas de lá. Temos mapas de Vênus mas não do mar territorial. Do jeito que conduziremos, não temos idéia do que iremos descobrir. Não temos idéia do que iremos descobrir. Vamos descobrir um naufrágio antigo, um fenício na costa do Brasil, ou uma nova formação rochosa, uma nova vida. Assim iremos conduzir como um hospital de emergências. Conectaremos nossa central de comando via satélite por banda larga ao prédio que estamos construindo na Universidade de Rhode Island chamado Centro Interespacial. E com isto estaremos conduzindo exatamente como se conduz um submarino nuclear, com time de ouro, alternando turnos, operando 24 horas por dia. Feita uma descoberta, essa descoberta é instantaneamente vista na central de comando em um segundo. Mas aí conectado à internet tambem. à nova internet que faz a internet versão 1 parecer um estrada empoeirada na rodovia da informação. com 10 Gigabits de banda. Iremos a locais desconhecidos. Uma grande folha em branco no nosso planeta. Mapearemos em horas, e disseminaremos para as principais universidades. Acontece que 90% de todo o intelecto oceanográfico deste país está em 12 universidades. Todos em 12. Poderemos, então, construir uma central de comando. Esta é a central remota da Universidade de Washington. Ela está conversando com o piloto. Ela está 5. 000 milhas de distância mas assumiu o comando. Mas a beleza reside também em podermos disseminar às crianças. Podemos disseminar. Eles conseguem seguir a expedição. Comecei um programa. Onde você está, Jim? Jim Young quem ajudou a começar um programa chamado o Projeto Jason. Mais recentemente, começamos um programa com o Clube das Meninas e Meninos da América asisim podemos usar exploração, e o entusiasmo da exploração ao vivo, para motivá-los e empolgá-los e então dar a eles o que eles já estão esperando. Não deixaria um adulto guiar meu robô. Vocês não tem a experiência de videogames necessária. Mas eu deixarei um garoto sem carteira pegar o controle de meu sistema veicular. Porque queremos criar. Queremos criar a sala de aula de amanhã. Temos uma disputa acirrada e precisamos motivar e é tudo que fazemos. É perder ou ganhar uma engenheiro ou cientista na oitava série. O jogo não acabou. Termina na oitava séria. não é o começo. Precisamos não apenas ficar orgulhosos de nossas universidades. Precisamos ficar orgulhosos de nossas escolas médias. E quando temos a melhor escola média do mundo, teremos os melhores garotos produzidos por este sistema. Porque isto é o que queremos. Isto é o que queremos. Eis uma moça, não está assistindo futebol, não está assistindo basquete. Está assistindo exploração ao vivo milhares de milhas distantes, e só está começando a captar o que está vendo. E quando se tem um queixo caído pode-se transmitir. Pode-se colocar muita informação naquela mente, em modo de recepção total. Aí, espero, um futuro engenheiro ou um futuro cientista na batalha pela verdade. E minha pergunta final: por que não estamos pensando em nos mudar para o mar? Por que temos planos de construir habitações em Marte, e temos programas visando colonizar a Lua, mas não temos um programa visando como colonizar nosso planeta? E a tecnologia está ao alcance. Muito obrigado.
pt
446
Vou falar sobre mim mesma, coisa que raramente faço porque. em primeiro lugar, prefiro falar sobre coisas que desconheço. E segundo porque sou uma narcisista em reabilitação. Eu não sabia que era narcisista. Achava que narcisismo era amar a si mesmo. Aí alguém me disse que tinha uma pegadinha. É mais assustador que amor a si próprio. É amor a si não correspondido. E eu não posso ter uma recaída. Mas eu gostaria de explicar como cheguei a esse tipo de comédia porque já passei por diferentes fases. Comecei com improviso. Um tipo específico de improviso chamado jogos teatrais, que tinha uma regra, que eu sempre achei uma regra excelente para a ética de uma sociedade. E a regra era que não se podia negar a realidade alheia, só construir em cima dela. Vivemos numa sociedade que sempre contradiz a realidade das outras pessoas. Sempre há contradição, e por isso sou tão sensível a contradições em geral. Eu as vejo em toda parte. Como pesquisas. Sempre me chamou a atenção que, em pesquisas de opinião pública, a porcentagem de americanos que não sabem a resposta é sempre dois por cento. 75 por cento dos americanos acham que o Alasca é parte do Canadá. Mas apenas dois por cento não sabem o efeito que a crise na Argentina terá na política monetária do FMI. Me parece contraditório. Ou esse anúncio que li no New York Times: "Usar um relógio refinado diz muito sobre sua posição na sociedade. Comprá-lo aqui diz muito mais sobre seu bom gosto." Ou esse que vi numa revista chamada "California Lawyer", um artigo claramente voltado aos advogados da Enron. "Sobrevivendo à Prisão: O Que Fazer e o Que Não." "Não use palavras sofisticadas." "Aprenda a lingua franca." É. Aprenda isso aqui. E acho que é uma contradição eu falar sobre ciência se nem sei matemática. Porque, sabe - aliás, eu agradeço a Dean Kamen por mostrar que uma das razões, que há razões culturais para que mulheres e minorias não se aventurem na área de ciência e tecnologia - porque por exemplo, a razão da minha aversão à matemática é que aprendi matemática ao mesmo tempo que aprendia a ler. Você tem seis anos, lendo Branca de Neve e os Sete Anões. Fica bem óbvio que há apenas dois tipos de homem no mundo, anões e príncipes encantados. E as chances são de sete para um de se encontrar o príncipe. Por isso garotas não gostam de matemática. É muito deprimente. Claro, falando sobre ciência eu posso, como aconteceu outro dia, incorrer na ira de alguns cientistas que ficaram muito irritados comigo. Eu usei a palavra pós-moderno, achando que estava tudo bem. E eles ficaram muito irritados. Acho que um deles queria começar uma discussão séria. Mas eu não entro em discussões sérias. Não as aprovo porque discussões, claro, são sobre contradições. E são embasadas em valores. Eu tenho dúvidas sobre os valores da ciência newtoniana. Como a racionalidade, você deve ser racional durante uma discussão. Bem, a racionalidade é construída pelo que Christie Hefner estava falando hoje, a divisão mente e corpo. Lembram? A cabeça é boa, o corpo é ruim. A cabeça é o ego, o corpo é o id. Quando digo "eu," - como quando Rene Descartes dizia, "Eu penso, logo existo," - falamos da cabeça. E quando David Lee Roth canta em "Apenas um Gigolô," "Eu não tenho ninguém." Assim se encontra a racionalidade. E é por isso que o humor se baseia tanto no corpo tentando se afirmar sobre a mente. É por isso que há tanto humor escatológico e sexual. É por isso que os Irmãos Raspyni ficam golpeando os genitais de Richard. E nós rimos ainda mais porque ele é o corpo, mas também. Voz nos bastidores: Richard. Emily Levine: Richard. O que foi que eu disse? Richard. Sim, mas também é a mente, o cabeça da conferência. Esse é outro tipo de humor. como Art Buchwald detonando chefes de estado. Não é tão lucrativo quanto o humor físico, tenho certeza. mas mesmo assim, nós o apreciamos e adoramos. Há também uma contradição na racionalidade nesse país, que é, não importa o quanto reverenciemos a mente, nós somos muito anti-intelectuais. Sei disso porque li no New York Times, a fundação Ayn Rand pegou uma página inteira depois do 11 de setembro, e publicou, "O problema não é o Irã ou o Iraque, o problema nesse país, que assola esse país, são os professores universitários e suas crias." Então eu resolvi reler "A Nascente." Não sei quantos aqui o leram. Não sou especialista em sadomasoquismo. Mas gostaria de ler só umas partes da página 217. "O ato de um mestre que a possuía com requintes de desprezo, era o tipo de êxtase que ela desejava. Quando eles se deitavam, era, como tinha de ser, como a natureza do ato pedia, um ato de violência. Era um ato de ódio, de dentes cerrados. Era insuportável. Nem um carinho, mas uma onda de dor. A agonia como um ato de paixão." Então vocês podem imaginar minha surpresa ao ler na revista 'The New Yorker' que Alan Greenspan, Diretor do Banco Central, afirma que Ayn Rand é sua mentora intelectual. É como descobrir que sua babá é uma dominatrix. Já foi péssimo ter que ver J. Edgar Hoover num vestido. Agora temos que imaginar Alan Greenspan num espartilho de couro preto, com uma tatuagem na bunda dizendo, "Chicoteie a inflação." E Ayn Rand, claro, é famosa por sua filosofia, o Objetivismo, que reflete outro valor da física Newtoniana, que é a objetividade. A objetividade é construída da mesma forma que um momento S&M. É o sujeito subjugando o objeto. É assim que você se impõe. Você se transforma na voz ativa. E o objeto é o passivo sem voz. Eu fiquei fascinada pelo comercial da Oxygen. Não sei se sabem disso, mas - talvez seja diferente agora, ou talvez alguém estivesse tentando provar um ponto - mas em muitas maternidades do país, até bem recentemente, segundo um livro de Jessica Benjamin, as plaquinhas nos berços dos meninos dizia, "Sou um menino." E as plaquinhas nos berços das meninas dizia, "É uma menina." A passividade já era culturalmente projetada nas meninas. E continua do mesmo jeito que eu comentei ano passado. Há uma pesquisa que prova isso. Houve uma pesquisa da revista "Time", perguntaram somente a homens: "Você já fez sexo com uma mulher que você não gostasse?" E claro que sim. Bem, 58 por cento disseram sim, o que eu acho um número bastante inflacionado aliás, porque a maioria dos homens, se você perguntar, "Você já fez sexo." "Já!" Eles nem eperam pelo resto da pergunta. E claro que dois por cento não sabiam se já tinham. Essa é a primeira parte no meu salto quádruplo. Então essa coisa toda de sujeito e objeto é de grande interesse para mim porque é a razão para eu acreditar no politicamente correto. Acredito. E acho que pode haver exageros. Acho que os Irmãos Ringling exageraram com um anúncio na Revista do New York Times. "Temos um compromisso emocional e financeiro com nossos parceiros Elefantes Asiáticos." Talvez longe demais. Mas sabe, eu não acho que uma pessoa negra fazer piada com brancos é a mesma coisa que uma pessa branca fazer piada com negros. Ou mulheres fazendo piadas com homens, não é o mesmo que homens. Ou pobres gozando de ricos, e o mesmo para os ricos. Acho que você pode fazer piada com quem tem e não com quem não tem, e é por isso que vocês não me veem fazendo piada do Kenneth Lay e de sua charmosa esposa. Qual é a graça de só ter quatro casas? Eu realmente aprendi a lição durante os escândalos sexuais do governo Clinton. Ou como eu chamo, os bons e velhos tempos. Quando as pessoas que eu conhecia, pessoas que se diziam liberais, e tudo mais, ficavam fazendo piada com Jennifer Flowers e Paula Jones. Faziam piada delas dizendo que eram branquelas vadias, lixo branco. Parece, a princípio, preconceito inofensivo e que não está afetando ninguém. Até você ler, como eu li, um anúncio no Los Angeles Times. "Promoção: Compactador de lixo branco." Então essa coisa toda de sujeito e objeto é relevante para o humor nesse caso. Eu li um livro de uma mulher chamada Amy Richlin, que é diretora do departamento de História Clássica da USC. O livro se chama "O Jardim de Príapo." E ela diz que o humor romano espelha a construção da sociedade romana. A sociedade romana era muito hierarquizada, e a nossa também, até certo ponto. O humor também era. Sempre havia o alvo da piada. Então era o humorista, tipo Juvenal ou Marshall, representando a platéia, e fazendo piada com alguém de fora, alguém que não tivesse o mesmo status. E na comédia stand-up, claro o comediante deve dominar a platéia. Muito da provocação vem da tensão de tentar assegurar que o comediante vai dominar e derrotar o provocador. Eu fiquei boa nisso quando fiz stand-up. Mas eu sempre odiei porque os outros ditavam os termos da interação. Da mesma forma que se envolver numa briga séria determina, de certa forma, o conteúdo do que se discute. Eu estava buscando um formato que não tivesse isso. Eu queria alguma coisa que fosse mais interativa. Sei que essa palavra está meio fora de moda agora porque é tão usada pelos marqueteiros da Internet. Eu sinto falta dos tele-marqueteiros agora, sabem. É verdade. Pelo menos a gente tinha uma chance, entende? Eu desligava o telefone na cara deles. Mas aí eu li na coluna da Dear Abby que isso era grosseiro. Então na próxima vez que um ligou eu o deixei ir até a metade do blá-blá-blá e disse, "Que voz sexy." Ele desligou na minha cara! Mas a interatividade permite que a platéia molde o que você vai fazer da mesma forma que você molda a experiência que elas terão. E é isso que eu estou procurando. E quando eu comecei a analisar o que exatamente eu faço, eu li um livro chamado "O Ardiloso Faz o Mundo", de Lewis Hyde. Foi como uma sessão de psicanálise. Estava tudo lá. Aí vim a essa conferência, e percebi que quase todo mundo aqui compartilha as mesmas qualidades, porque uma pessoa ardilosa é um agente de mudança. O ardiloso é o agente de mudança. E as qualidades que eu vou descrever são as qualidades que tornam a mudança possível. E uma delas é ultrapassar fronteiras. Eu acho que isso é o que enfureceu os cientistas. Mas eu gosto de cruzar fronteiras. Como eu disse, gosto de falar sobre coisas que desconheço. Espero que seja meu agente, porque vocês não estão me pagando nada. Eu acho bom falar sobre coisas que desconheço porque eu falo sob um ponto de vista totalmente novo. Eu posso ver a contradição de uma forma que você talvez não consiga. Como por exemplo esse mímico - ou 'mime' como ele se denominava. Era um mime muito egoísta. E ele disse que eu tinha que mostrar mais respeito porque levou 18 anos para ele aprender mímica direito. E eu disse: "Bem, é assim que sabemos que só gente meio burra faz isso." Leva só dois anos para aprender a falar. E sabem, esse é o problema com a abre aspas, objetividade, fecha aspas. Quando você está rodeado de pessoas que usam o mesmo linguajar ou que têm as mesmas crenças que você, você começa a pensar que essa é a realidade. Como os economistas e sua definição de racional, que todos nós agimos por interesse econômico próprio. Bom, veja então Michael Hawley, ou Dean Kamen, ou mesmo minha avó. Minha avó sempre agiu no interesse de outras pessoas, quisessem elas ou não. Se houvesse uma Olimpíada de altruísmo, minha avó perderia de propósito. "Não, fique com o prêmio. Você é jovem, eu estou velha. Quem vai ver esse prêmio? O que eu vou fazer? Vou morrer logo." Bem, esse é o primeiro - cruzar fronteiras, ser o mensageiro. Fritz Lanting, acho que é o nome, disse que ele era um mensageiro. Na verdade é uma qualidade do ardiloso. Uma outra é: estratégias não-oposicionistas. Isso ao invés da contradição. Quando você nega a realidade do outro, você tem um paradoxo quando você permite a coexistência de mais de uma realidade. Acho que essa é outra construção filosófica. Não sei como se chama. Mas um exemplo dela é uma placa que vi numa joalheria. Dizia: "Furamos sua orelha enquanto espera." Aqui a alternativa é simplesmente alucinante. "Não, obrigada. Prefiro deixá-las aqui. Muito obrigada. Tenho umas coisas para fazer. Volto para buscá-las lá pelas cinco, tudo bem? Hã? Quê? Não entendi." Outro atributo do ardiloso é a pura sorte. Acidentes, foi Louis Kahn que falou sobre acidentes, essa é outra qualidade do ardiloso. Sua mente está preparada para o inesperado. Sim, e vou dizer aos cientistas que o ardiloso tem a habilidade de deixar a mente leve para que ideias novas possam entrar ou para ver as contradições ou os problemas escondidos nessas ideias. Não tenho nenhuma piada para encaixar aqui. Só queria colocar os cientistas em seu devido lugar. Mas é aqui que eu queria fazer a mudança, no estabelecimento de conexões. Isso é o que eu enxergo mais, até mais que contradições. Por exemplo, como se chamam os dedos da lagartixa? Sim, os dedos da lagartixa, se curvando e desenrolando como os dedos de Michael Moschen. Adoro conexões. Leio que um dos dois atributos da matéria no universo Newtoniano - há dois atributos da matéria no universo Newtoniano - um deles é ocupação de espaço. A matéria ocupa espaço. E quanto mais matéria você tem, mais espaço você ocupa, o que explica o fenômeno dos utilitários esportivos. E o outro atributo é a impermeabilidade. Bem, na Roma antiga, a impermeabilidade era um critério da masculinidade. A masculinidade dependia de você ser o penetrador ativo. E também, na economia, há o produtor ativo e o consumidor passivo, o que explica por que as empresas sempre têm que penetrar em novos mercados. Foi por isso que forçamos a China a abrir seu mercado. E não foi bom? Agora estamos sendo penetrados. As empresas biotécnicas estão de fato entrando em nós e plantando suas sementes em nossos genes. Você sabe que está sendo penetrado. E eu suspeito que por alguém que não gosta muito de nós. Essa é a segunda do quádruplo. Claro que vocês entenderam. Muito obrigada. Mas ainda está faltando. O que eu espero, ao fazer essas conexões, é dar uma guinada no pensamento das pessoas. Fazer com que vocês não sigam a linha de associação normal, mas sim reconectar. Literalmente - quando falam sobre o choque do reconhecimento, é literalmente o re-conhecimento, reconectando o seu pensamento. Eu tinha uma uma piada sobre isso e esqueci. Desculpem-me. Estou ficando como a mulher daquela piada. já ouviram a piada da mulher que estava no carro com sua mãe? E a mãe já era de idade. E a mãe passa direto por um sinal vermelho. A filha não quer falar nada. Ela não quer ser do tipo chata, "Você está muito velha para dirigir." E a mãe passa por outro sinal vermelho. Aí a filha diz, cheia de dedos, "Mãe, você viu que acabou de passar por dois sinais vermelhos?" E a mãe diz: "Ah! Sou eu que estou dirigindo?" E esse é o choque do reconhecimento que vem do choque de re-conhecimento. E assim completamos o quádruplo. Gostaria de dizer mais duas coisinhas. A primeira, é que outra característica do ardiloso é que ele tem que andar na corda bamba. Ele tem que ter desenvoltura. O maior obstáculo para mim, no que faço, é construir minha apresentação de forma que seja preparada e não-preparada. Achar o equilíbrio entre essas coisas é sempre perigoso porque você pode se inclinar muito na direção do não-preparado. Mas estar preparado demais também não deixa espaço para os 'acidentes' acontecerem. Eu estava pensando no que Moshe Safdie disse ontem sobre beleza, porque em seu livro, Hyde diz que às vezes o ardiloso se inclina para a beleza. Mas para isso você precisa perder todas as outras qualidades porque uma vez que você se incline à beleza você entra num caminho sem volta. Num caminho que ocupa espaço e toma tempo. É aquilo e pronto. E é sempre extraordinário ver a beleza. Mas se você não fizer isso, se você permitir que acidentes continuem acontecendo, você tem a possibilidade de entrar numa onda. Gosto de pensar em mim como uma onda de probabilidades. Quando você focaliza a beleza, a onda de probabilidades se transforma em apenas uma. E eu gosto de explorar todas as possibilidades na esperança de estar na mesma onda da platéia. E a última qualidade que eu gostaria de dizer sobre um ardiloso é que ele não tem um lar. Ele está sempre com o pé na estrada. Gostaria de dizer, Richard, para finalizar, que aqui no TED você encontrou um lar. E obrigada por me convidar. Muito obrigada.
pt
447
Eu estava pensando sobre o meu lugar no universo, e sobre o meu primeiro pensamento sobre o que o inifinito pode significar, quando eu era uma criança. E eu pensei que se o tempo pudesse alcançar o futuro e o passado infinitamente, isso não quer dizer que cada ponto no tempo é realmente infinitamente pequeno, e portanto, de alguma forma sem sentido. Então nós realmente não temos um lugar no universo, tanto quanto em uma linha do tempo. Mas mais nada tem também. Portanto cada momento realmente é o momento mais importante que já aconteceu, incluindo esse exato momento. E então essa música que vocês irão ouvir pode ser a música mais importante que você já ouviu na sua vida. Obrigada. Para aqueles que eu terei o prazer de encontrar mais tarde vocês podem evitar de comentar, "Ai meu deus, você é tão mais baixa na vida real." Porque é como se o palco fosse uma ilusão ótica, de alguma forma. Um pouco como a curvatura do universo. Eu não sei o que é. Me perguntam muito isso em entrevistas, "Meu deus, suas guitarras são gigantes!" "Você deve mandar faze-las desse tamanho enorme, especial, sob encomenda" Muito Obrigada.
pt
448
Os avanços que têm ocorrido na astronomia, cosmologia, e biologia, nos últimos dez anos são realmente extraordinários - até o ponto em que sabemos muito mais sobre o universo e como ele funciona do que muitos de vocês podem imaginar. Mas há algo mais que eu observei conforme essas mudanças estão acontecendo, conforme as pessoas estão começando a descobrir que hmm, sim, que realmente há um buraco negro no centro de cada galáxia. Os escritores centíficos e editores - eu não deveria dizer escritores científicos, deveria dizer pessoas que escrevem sobre ciência - e editores se sentariam para algumas cervejas, depois de um dia duro de trabalho, e começariam a conversar sobre algumas dessas percepções incríveis sobre como o universo funciona. E elas inevitavelmente terminariam no que eu penso ser um lugar muito bizarro, que são os caminhos pelos quais o mundo poderia terminar de repente. E é sobre isso que eu quero falar Ah, vocês riem, seus tolos Voz nos bastidores: Podemos terminar um pouco mais cedo? Sim, precisamos do tempo! Primeiro tudo parecia um pouco fantasioso para mim, mas depois de desafiar muitas dessas ideias, começava a levar algumas delas a sério. E então aconteceu o 11 de setembro, e pensei, ai, meu Deus. Eu não posso ir a uma conferência do TED e falar sobre como o mundo vai terminar. Ninguém quer ouvir isso. Não depois disto! E isso me levou a uma discussão com outras pessoas, outros cientistas, sobre talvez alguns outros assuntos, e um dos caras com quem eu falei que era neurocientista, disse, sabe, acho que há muitas soluções para os problemas que você levantou, e me lembrou da palestra de Michael ontem e de sua mãe dizendo que você não pode ter uma solução se não tem um problema Então continuamos a procurar por soluções para as formas pelas quais o mundo pode terminar amanhã, e então, vejam, nós as encontramos. O que me leva a um videotape de uma entrevista coletiva do presidente Bush de algumas semanas atrás. Podemos rodar isso, Andrew? Presidente Bush:"Qualquer que seja o custo para defender nossa segurança, e qualquer que seja o custo para defender nossa liberdade, devemos pagá-lo." Concordo com o presidente. Ele quer dois trilhões de dólares para nos proteger dos terroristas no próximo ano e e dois trilhões de dólares do orçamento federal que irão nos levar de volta ao deficit bem rápido - mas os terroristas não são a única ameaça que enfrentamos. Há calamidades realmente graves nos encarando sobre as quais estamos no mesmo tipo de negação que estávamos sobre o terrorismo e o que poderia ter acontecido em 11 de setembro. Eu proporia, portanto, que se pegássemos dez milhões de dólares daquele orçamento de 2, 13 trilhões de dólares - que é um ou dois centésimos desse orçamento - e designarmos um bilhão de dólares para cada um desses problemas sobre os quais irei falar -a vasta maioria pode ser resolvida, e podemos lidar com o resto. Então, espero que vocês achem isso fascinante - sou fascinado por esse tipo de coisa, tenho que admitir - para mim são - as baratas do Richard. Mas também espero - porque acho que as pessas nesta sala podem literalmente mudar o mundo - espero que vocês levem algo disso com vocês, e quando vocês tiverem uma oportunidade de ser influentes, que vocês tentem conseguir que seja gasto um bom dinheiro nessas ideias. Vamos começar. Número 10. Perdemos o desejo de sobreviver. Vivemos um uma época incrível da medicina moderna; somos todos muito mais saudáveis do que éramos há 20 anos. As pessoas por todo o mundo estão conseguindo remédios melhores - mas mentalmente estamos desmoronando. A Organização Mundial de Saúde estima que uma em cinco pessoas no planeta está clinicamente deprimida. E a OMS também diz que a depressão é a maior epidemia que a humanidade já enfrentou. Em brevem descobertas genéticas e medicamentos ainda melhores irão permitir pensarmos em 100 anos como uma expectativa de vida normal. Uma criança do sexo feminino nascida amanhã irá em média viver 83 anos. Nossa longevidade crescer em quase um ano a cada ano que passa. Agora o problema com todo esse envelhecimento é que as pessoas com mais de 65 anos têm mais probabiidade de cometer suicídio. Então quais são as soluções? Não temos plano de saúde para problemas mentais neste país e isso é - isso é realmente um crime. Cerca de 98 por cento de todas as pessoas com depressão - e eu quero dizer depressão grave - eu tenho um amigo com depressão impressionantemente grave - essa é uma doença curável, com medicina atual e tecnologia atual. Mas é com frequência uma combinação de terapia e comprimidos. Os comprimidos apenas não curam, especialmente nas pessoas clinicamente deprimidas Você tem que poder ir a um psiquiatra - ou psicólogo - e pagar dez dólares e ser tratado, do mesmo jeito que você faz quando corta o braço. É ridículo. Em segundo lugar, as empresas farmacêuticas não vão desenvolver drogas psicoativas realmente sofisticadas. Sabemos que a maior parte das doenças mentais tem componentes com os quais podemos lidar. E agora sabemos muito mais sobre o cérebro do que sabíamos há dez anos. Precisamos de um empurrão do governo federal através do NIH e National Science - NSF- e lugares assim para começar a ajudar as empresas farmacêuticas a desenvolver algumas dorgas psicoativas avançadas. Continuando. Número nove - não riam - alienígenas invadem a terra. 10 anos atrás, você não encontraria um astrônomo - bem, alguns astrônomos - no mundo que dissesse que há qualquer planeta fora do nosso sistema solar. Em 1995 achamos 3, o número agora supera 80, estamos encontrando cerca de 2 a 3 por mês. Todos os que encontramos, a propósito, estão nesse cantinho em que vivemos, na Via Láctea. Deve haver milhões de planetas na Via Láctea. e como Carl Sagan insistiu por muitos anos, e riram dele por isso, deve haver bilhões e bilhões no universo. Em alguns anos a NASA vai lançar quatro ou cinco telescópios até Júpiter, onde há menos poeira e começar a procurar por planetas semelhantes à Terra que não podemos ver com a tecnologia atual, nem detectar. Está ficando óbvio que a chance de que não exista vida em nenhum outro lugar do universo e provavelmente bem perto de nós, é uma ideia bem remota. E a chance de algumas delas não sejam mais inteligentes do que nós também é uma ideia remota Lembrem-se, somente somos uma civilização avançada - uma civilização industrial, se quiser considerar - há 200 anos, embora todas as vezes em que vou a Pompeia fico impressionado de que eles tivessem uma equivalente de McDonald's em cada esquina também. Então eu não sei quanto a civilização realmente progrediu desde 79 DC. mas há uma grande probabilidade - eu realmente acredito nisso, e eu não acredito em alienígenas, mas - e não acredito que haja algum alienígena na terra ou algo assim. Mas há uma probabilidade de que confrontemos uma civilização que é mais inteligente do que a nossa. Agora, o que irá acontecer? E se eles vierem para, sabe, sugar nossos oceanos por causa do hidrogênio? E nos matar como moscas, do jeito que matamos moscas quando entramos na floresta tropical e começamos a cortar árvores. Podemos olhar nossa própria história - o falecido físico Gerard O'Neill disse, "A civilização ocidental adiantada teve um efeito destrutivo sobre todas as civilizações primitivas com as quais teve contato, mesmo naqueles casos em que foram feitas todas as tentativas de proteger e guardar a civilização primitiva." Se os alienígenas nos visitassem, nós seríamos a civilização primitiva. Então quais são as soluções para isso? Graças a Deus todos vocês podem ler! Pode parecer ridículo, mas temos um histórico realmente ruim de prever coisas desse tipo e de fato nos prepararmos para elas. Quanta energia e dinheiro são necessários para de fato ter um plano para negociar com uma espécie mais avançada? Em segundo lugar, e vocês vão me ouvir falar mais sobre isso - temos que nos tornar uma nação que olha para fora, que viaja para o espaço. Temos que desenvolver a ideia de que a terra não durará para sempre, nosso sol não durará para sempre - se queremos que a humanidade dure para sempre temos que colonizar a Via Láctea E isso não é algo que esteja além de nossa compreensão nesse momento. Também irá nos ajudar muito se encontramos uma civilização avançada no caminho se estivermos tentando ser uma civilização avançada. Número oito - Voz nos bastidores: Steve, isso é o que vou fazer depois do TED Você conseguiu! Você conseguiu o emprego. Número oito: o ecossistema entra em colapso. Julho passado, em "Science", o periódico "Science", 19 oceanógrafos publicaram um artigo muito incomum - não era na verdade um relatório de pesquisa, era uma dissertação. Dizem, estivemos olhandoos ocenaos por muito tempo agora, e queremos contar a vocês que eles não estão com problema, estão próximos do colapso. Muitos outros ecossistemas na Terra estão em perigo real. Estamos vivendo uma época de extinção em massa que supera o registro de fósseis por um fator de 10. 000. Perdemos 25 por cento de espécies únicas no Havaí nos últimos 20 anos. Espera-se que a Califórnia perca 25 por cento de suas espécies nos próximos 40 anos. Em algum lugar na Amazônia está a árvore marginal. Se você cortar aquela árvore, a floresta tropical entra em colapso como ecossistema. Há realmente uma árvore assim lá fora. Isso é realmente o que acontecerá. E quando o ecossistema entrar em colapso, pode levar um ecossistema maior com ele como nossa atmosfera. Então, o que faremos a esse respeito? Quais são as soluções? Há algumas modelagens de ecossistemas acontecendo agora. O problema ocm os ecossistemas é que nós os entedemos tão mal que não sabemos que eles estão realmente com problemas, até que seja praticamente muito tarde Precisamos saber antes que eles estão com problemas e que precisamos transformar possíveis soluções em modelos E que com o tipo de poder computadorizado que temos agora - há, como eu digo, alguma coisa acontecendo, mas precisa de dinheiro. A National Science Foundation precisa dizer - sabem, quase todo o dinheiro que é gasto com ciências neste país vem do governo federal, de um jeito ou de outro. E eles têm que priorizar, sabe? Há pessoas na National Science Foundation que dizem que essa é a coisa mais importante. Essa é uma das coisas sobre as quais deveriam pensar mais. Em segundo lugar, precisamos criar imensas reservas de biodiversidade no planeta e começar a movimentá-las. Há uma experiência nos últimos 4 ou 5 anos em Georges Bank - ou o Grand Banks da Terra Nova. É uma área proibida para pescaria. Não podem pescar lá em um raio de 200 milhas E uma coisa incrível aconteceu - quase todos os peixes voltaram e estão se reproduzindo feito loucos. Temos que começar a fazer isso ao redor do planeta. Temos que ter as zonas "não" Temos que dizer nçao mais corte de árvores na Amazônia por 20 anos. Deixe-a se recuperar, antes de começarmos a cortar novamente. Número sete. Contratempos com aceleradores de partículas. Vocês todos se lembram de Ted Kaczynski, o Unabomber: Uma das coisas sobre as quais ele se enfureceu que que um experimento com aceleradores de partícular poderia descontrolar-se e provocar uma reação em cadeia que destruiria o mundo. Um monte de físicos moderados, acreditem ou não, tiveram exatamente o mesmo pensamento. Nesta primavera, há um acelerador de partículas em Long island - nesta primavera haverá um experimento no qual ele cria buracos negros. Eles esperam criar pequenos buracos negros. Eles esperam que eles se evaporem Espero que estejam certos Outros experimentos com aceleradores - há um que vai acontecer no próximo verão em CERN - tem a possibilidade de criar algo chamado fragmentos, que são o tipo de antimatéria que o que quer que atinjam, destroem e apagam. A maioria dos físicos diz que os aceleradores que temos agora nao têm realmente força suficiente para criar buracos negros e fragmentos que precisamos nos preocupar, e eles provavelmente estão certos. Mas - em todo o mundo, no Japão, no Canadá- fala-se disso - de reviver isso nos Estados Unidos. Paramos um que iria ser grande. Mas ouve-se falar que estamos construindo grandes aceleradores O que podemos fazer a respeito? quais são as soluções? Temos a raposa observando o galinheiro aqui. Precisamos - precisamos do conselho dos físicos de partículas para falar dos física de partículas e o que deve ser feito em física de partículas mas precisamos de algum pensamento externo e de cães de guarda sobre o que está acontecendo com essas experiências. Em segundo lugar, temos um laboratório natural circundando a terra. Temos um campo eletromegnético ao redor da terra, e é constantamente bombardeado por partículas de alta enertgia, como prótons. E nós não- na minha opinião - não gastamos tempo suficiente olhando para o laboratório natural e imaginando o que é seguro fazer na Terra. Número seis: Desastre da Biotecnologia. É um dos meus favoritos, porque temos várias histórias aobe o milho BT O milho BT é um milho que cria seu próprio pesticida para matar broca de milho Você deve ter ouvido falar nele - ouviu que chamava Starling. especialmentre quando aqueles tacos foram retirados dos supermercados cerca de um ano e meio atrás. Essa coisa supostamente deveria ser dada apenas para animais nos EUA e entrou no fornecimento de comida humana, e alguém deve ter percebido que entraria no suprimento de comida humana muito facilmente. Mas o que é alarmente é que alguns meses atrás, no México, onde o milho BT e todo milho geneticamente alterado é completamente ilegal, eles encontraran genes do mlho BT nos pés de milho. Agora em milho originado, achamos, no México. Esse é o armazem de biodiversidade genética de mulho. Isso traz de volta um ceticismo que tinha sumido recentemente, que super semnetes e superpesticidas podem se espalhar pelo mundo da biotecnologia, que literalmente poderia destruir o suprimento de comida do mundo em pouco tempo. Então o que faremos a respeito? Tratamos a biotecnoogia com o mesmo escrutínio que aplicamos às usinas nucleares. Simples assim. Esse é um campo impressiomente sem regulamentação Quando aconteceu o desastre do Starling, houve uma batalha entre o EPA e a FDA sobre quem de fato tinha autoridade, e sobre que partes disso e eles não esclareceram por meses. Isso é meio doido Número cinco, um dos meus favoritos. Inversão do campo magnético da terra Acredite ou não, isso acontece a cada centenas de milhares de anos e aconteceu muitas vezes em nossa história - O polo Norte vai para o Sul, o Polo Sul vai para o Norte, e vice-versa. Mas o que acontece, conforme isso ocorre, e que perdemos nosso campo magnético ao redor da terra por um período de 100 anos e isso quer dizer que todos aqueles raios e partículas cósmicas que vem em ondas para nós do sol que esse campo que nos protege, nós vamos - bom, basicamente, vamos fritar Voz nos bastidores: Steve, tenho alguns chapéus adicionais lá embaixo Então o que podemos fazer a esse respeito? A, a propósito, estamos atrasados - faz 780. 000 anos que aconteceu. Então, deveria ter acontecido cerca de 480. 000 anos atrás. Ah, e tem outra coisa os cientistas acham que nosso campo magnético pode ter diminuído cerca de cinco por cento. Então talvez estejamos à beiro disso. Um dos problemas de tentar descobrir o quanto a terra está saudável, é que temos, sabe, não temos bons dados sobre o clima de 60 anos atrás, muito menos dados sobre coisas como a camada de ozônio. Então, há uma solução bem simples para isso. Vai ter monte de foguetes baratos que vão aparecer em cerca de seis ou sete anos que vai nos levar para a atmosfera baixa por um preço muito baixo. Sabe, podemos fabricar ozonio de escapamentos de carros. Não é difícil - são apenas três átomos de oxigênio. Se você trouxer toda a camada de ozônio para a superfície da terra, seria da espessura de duas moedas, 7 quilos por polegada quadrada. Não precisamos disso tudo por aqui. Precisamos aprender como reparar e preencher de novo a camada de ozônio da terra. Número quatro: explosões solares gigantes. Explosões solares são enormes explosões magnéticas do sol que bombardeiam a terra com partículas subatômicas de alta velocoidade. Até agora nossa atmosfera tem - e nosso campo magnético tem - feito um bom trabalho nos protegendo disso. Ocasionalmente, há uma explosão no sol que causa problemas nas comunicações e tal, e na eletricidade. Mas a coisa alarmante é que os atrônomos recentemente estão estudando estrelas que são semelhantes ao nosso sol, e descobriram que vários deles, quando têm cerca da mesma idade do nosso sol, brilham por um fator de até 20. Não dura muito. E acham que essas superexplosões, milhões de vezes mais poderosas do que quaisquer explosões que houve do nosso sol até agora. Obviamente não queremos uma dessas Ha o outro lado da moeda em estudar estrelas como o nosso sol, descobrimos que elas passam por períodos de diminuição, quando a quantidade total de energia que é expelida por elas cai para abaixo de um por cento Um por cento não parece muito, mas causaria uma tremenda era do gelo aqui. Então, o que podemos fazer a respeito disso? Começar a transformar Marte, Esse é um dos meus assuntos favoritos escrevi uma história sobre isso na revitsa "Life" em 1993. Isso é ciência, mas nao ciência difícil Tudo o que precisamos para criar uma atmosfera em Marte e para criar um planeta habitável em Marte, provavelmente está lá. Você tem apenas que, literalmentem, enviar fábricas nucleares para lá que engolem o óxido de ferro da superfície de Marte e cospem o oxigênio. O problema é que leva 300 anos para transformar Marte, no mínimo. Na verdade mais algo como 500 anos para fazer isso certo. Não há razão para que não comecemos agora. Número três - isso não é legal? - uma nova epidemia global. As pessoas têm estado em guerra com germes desde que há pessoas e de tempos em tempos os germes com certeza ganham. Em 1918, tivemos uma epidemia de gripe nos Estados Unidos que matou 20 milhões de pessoas Que era quando a população era de cerca de 100 milhões de pessoas. A peste bubônica na Europa, na Idade Média, matou um em cada quatro europeus. A AIDS está voltando, o Ebola parece estar levantando a cabeça com muita frequência. e doenças antigas como cólera estão se tornando resistentes a antibióticos. Todos aprendemos o tipo de pânico que pode ocorrer quando uma doença se reergue, como antraz. A pior possibilidade é que um germe muito simples, como estafilococo para o qual temos um antiobiótico que ainda funciona, sofra mutação. E sabemos que estafilococos podem fazer coisas incríveis Uma célula de estafilococo pode estar próxima a uma células muscular do seu corpo e pegar genes emprestados dela quando os antibióticos vierem, e mudam e sofrem mutações. O perigo é que algum germe como o estafilococo sofra mutação para algo que seja realmente virulento, muito contagioso. e varra populações antes que possamos fazer algo a respeito. Isso aconteceu antes. Cerca de 12. 000 anos atrás, houve uma onda maciça de extinção de mamíferos nas Américas, e acreditava-se que tinha havido uma doença virulenta. Então o que podemos fazer sobre isso? É loucura, Damos antobióticos Para cada vaca, cada ovelha, cada galinha, elas recebem antibióticos todos os dias sabe, você vai a um restaurante você come peixe, tenho novidades para você é tudo de catveiro, Sabe, você tem que perguntar quando vai a um restaurante se o peixe é selvagem porque eles não vão tre dizer. Estamos entregando o código - é como estar em guerra, e dar a alguém seu código secreto. Estamos dizendo que os germes estão aí fora para lutar conosco. vamos arrumar isso. Vamos tornar isso fora da lei agora Em segundo lugar, nosso sistema de saúde pública, como vimos com o antraz, é um verdadeiro desastre. Temos uma grande epidemia de doença nos EUA não estamos preparados para lidar com isso. Agora há dinheiro no orçamento federal, ano que vem, para erguer o serviço de saúde pública. Mas eu não acho que na extensão em que realmente precisa ser feito. Número dois - meu favorito - encontramos um buraco negro invasor. Sabe, dez anos atrás - ou 15 anos atrás, de fato - você entrava em uma convenção de astronomia, e dizia, "Sabe, há provavelmente um buraco negro no centro de cada galáxia." e eles te expulsariam do palco. E agora se você entrar em uma dessas convenções e disser, "Bom, eu acho que não há buracos negros lá fora," eles expulsarão você do palco. Nossa ocmpreensão sobre a forma como o universo trabalha é realmente cresceu inacreditavelmente em anos recentes. Achamos que há cerca de 10 milhões de estrelas mortas apenas na Via Láctea nossa galáxia E essas estrelas se comprimiram para ficar com cerca de 14, 16 quilômetros de extensão e saõ os buracos negros. E elas estão engolindo tudo ao redor delas incluindo luz, e é por isso que não podemos vê-las. A maioria delas deve estar em órbita ao redor de alguma coisa Mas as galáxias são lugares muito violentos, e as coisas podem sair da órbita e também, o espaço é incrivelmente vasto. Então mesmo que se um milhão dessas coisas sair de órbita, as chances de que uma delas de fato nos atinja é bem remota. Mas, ela tem apenas que chegar perto, cerca de 1, 6 bilhões de quilômetros de distância, uma dessas coisas Cerca de 1, 6 bilhões de quilometros, eis o que ocorre na órbita da terra- se torna elíptica em vez de circular. E por três meses no ano, a temperatura da superfície vai de 150 a 180 F. por três meses do ano vai para 50 F abaixo de zero. Isso não funciona muito bem, O que podemos fazer sobre isso? E essa é minha pergunta mais assustadora E não tenho uma boa resposta para essa Novamente, temos que pensar que somos uma raça colonizadora E finalmente número um - o maior perigo para a vida como a conhecemos, acho, um asteroide realmente grande se dirige para a terra. A coisa importante a lembra aqui - não é uma questão de se, é uma questão de quando, e de que tamanho. Em 1908, um pedaço de 600 metros de um cometa - explodiu na Sibéria e esmagou florestas por cerca de 2 quilômetros Teve o efeito de cerca de 1. 000 bombas de Hiroshima Os astrônomos estimam que pequenos asteroides como esse aparecem a cada cem anos em 1989 um asteroide grande passou a cerca de 600. 000 km da terra Nada para precupar, certo? passou direto através da órbita da terra. Estávamos observando cerca de seis horas antes um pequeno asteroide, diigamos uns 800 metros de largura, começaria incêndios seguidos por aquecimento global grave dos detritos - A coisa do inverno nuclear de Carl Sagan um asteroide de 8 quilometros de largura causa extinção em massa - achamos que o que pegou os dinossauros tinha cerca de 8 quilometos de largura. Onde estão? Há algo chamado cinturão de Kuiper, que - algumas acham que Plutão não é um planeta, que é onde fica Plutão, no cinturão de Kuiper. Há também uma coisa um pouco mais distante chamada de nuvem de Oort. Há cerca de 100. 000 bolas de gelo e rocha - cometas, na verdade - lá fora, que têm cerca de 100 quilômetros de diâmetro u mais e regularmene eles dão um giro na direção do sol e passam razoavelmente perto de nós. Para preocupar mais, eu acho, é que os asteroides que existem entre Marte e Júpiter As pessoas no Sloan Digital Sky Survey nos disse no último outono - estavam fazendo o primeiro mapa do universo - um mapa tridimensional do universo. e há provavelmente 700. 000 asteroides entre Marte e Júpiter que tem cerca de 800 metros de largura ou um pouco maiores. Então você diz, bem, quais sao de fato as chances disso acontecer? Andrew, você colocar o gráfico? Esse é um gráfico que o Dr. Clark Chapman do Southwestern Research Institute apresentou ao Congresso há alguns anos. Você observará que a chance do impacto de um asteroide barra cometa matar você é cerca de uma em 20. 000 de acordo com o trabalho que fizeram. Agora olhe para o que vem abaixo. Queda de avião de passageiros, uma em 20. 000. Gastamos uma quantia absurda de dinheiro para nos certificarmos de que não morreremos em acidentes de avião, e não estamos gastando praticamente nada nisso. E no entanto, isso é completamente evitável. Finalmente tivemos, apenas ano passado, a tecnologia para parar isso Poderíamos ter soluções A NASA está gastando três milhões de dólares por ano - três milhões - que é tipo troco - para procurar asteroides Porque podemos de fato descobrir cada asteroide que está lá fora e se pode atingir a terra, e quando pode atingir a terra. E estão tentando fazer isso. Mas vaoi levar 10 anos, gastando 3 mlhões de dólares por ano e mesmo assim eles dirão que só tem cerca de 80 por cento catalogados. Os cometas são jogo duro. Não temos de fato a tecnologia para prever trajetórias de cometa ou quando um com o nosso nome nele chegará. Mas teríamos muito tempo, se víssemos que está chegando. Realmente precisamos de um observatório dedicado Vocês podem notar que um monte de cometas recebe o nome de pessoas das quais nunca ouvimos falar astrônomos amadores? É porque ninguém está procurando por eles, exceto amadores. Precisamos de um observatório dedicado a procurar cometas. A parte dois das soluções - pecisamos decobrir como explodir um asteroide, ou alterar sua trajetória. Agora, um ano atrás fizemos uma coisa impressionante Enviamos uma sonda para esse cinturão de asteroides chamado NEAR E esses caras orbitaram a 55 - ou não, a 40 quilometros ao longo do asteroide Eris. E então, claro, sabe, eles puxaram uma daquelas coisas delicadas da NASA onde les têm baterias extra, e combustível extra a bordo e tudo o mais, e então pousaram naquele último minuto - quando a missão tinha terminado eles de fato pousaram na coisa. Pousamos um foguete em um asteroide. Não é grande coisa. Agora o problema com simplesmente enviar uma bomaba para essa coisa, é que você não tem nada para fazer pressão no espaço, porque não há ar. Uma explosão nuclear é tão quente quanto, mas não temos na verdade nada tão grande para derreter um asteroide de 35 quilômetros. Ou vaporizá-lo, seria mais como isso. Mas podemos aprender a pousar nesses asteroides que têm nossos nomes neles e colocar alguma coisa como um pequeno motor a propulsão nele, que suave e vagarosamente, após um tempo, iria impulsioná-lo para uma trajetória diferente. que, se tivermos feito os cálclos corretos, evitaria que ele atingisse a terra. É apenas uma questão e encontrar, ir até lá, e fazer algo a respeito. Eu sei que sua cabeça está tonta com tudo isso. Nossa! tantas grandes ameaças! A coisa, eu acho, para lembrar, é 11 de setembro. Não queremos ser pegos de calças curtas de novo. Sabemos a respeito. A ciência tem o poder de prever o futuro em muitos casos agora. Saber é poder. A primeira coisa que pode dizer é, nossa, tenho o suficiente para me preocupar sem ter que me preocupar com um asteroide. Esse é um erro que poderia literalmente nos custar o futuro. Obrigado.
pt
449
Neste momento, o que preciso fazer é projetar algo na tela da sua imaginação. Nós estamos no século 17 no Japão na costa oeste, e um pequeno, sábio monge está se apressando por volta de meia noite para o topo de um pequeno monte. Ele chega ao pequeno monte encharcado de água. Ele fica lá, e o olhar dele percorre a ilha, Sado. E o olhar dele percorre o oceano, e ele olha para o céu. Então diz para si mesmo, muito tranquilamente, "[Turbulento mar,] [Se estendendo até Sado] [A Via Láctea]" Basho era um homem brilhante. Ele disse mais com menos que qualquer humano que eu jamais li ou com quem conversei. Basho, em 17 sílabas, justapôs um mar turbulento agitado por uma tempestade que já passou, e capturou a quase impossível beleza da galáxia que habitamos com milhões de estrelas, provavelmente centenas e centenas -- quem sabe ao certo -- de planetas, talvez até um oceano que daqui a algum tempo provavelmente vamos chamar de Sylvia. Quando a morte dele estava próxima, seus discípulos e seguidores continuaram perguntando a ele, "Qual é o segredo? Como você consegue fazer poemas haiku tão belos de forma tão fácil?" E próximo ao fim, ele disse, "Se você quiser conhecer o pinheiro, vá até o pinheiro." Só isso. Sylvia disse que devemos usar todas capacidades que temos para conhecermos os oceanos. Se pudermos conhecer os oceanos, devemos ir aos oceanos. E hoje eu gostaria de falar alguma coisa a vocês sobre transformar realmente o relacionamento, ou a interação, entre os humanos e os oceanos com uma nova capacidade que certamente ainda não tem nada de rotina. Espero que ela venha a ser [rotina]. Existem alguns pontos chave. Um deles é que os oceanos são fundamentais para a qualidade da vida na terra. Outra é que existem meios ousados e novos de estudar os oceanos que ainda não foram bem utilizados. E a última dessas novas formas ousadas que estamos explorando como uma comunidade vai transformar a forma como vemos nosso planeta, nossos oceanos, e eventualmente como administramos provavelmente o planeta inteiro, por sua importância. Então o que os cientistas fazem quando começam é iniciar pelo sistema. Eles definem qual é o sistema. O sistema não é a Baía de Chesapeake. Não é o Caro Arc. Nem mesmo todo o Pacífico É o planeta inteiro, o planeta inteiro, continentes e oceanos juntos. Esse é o sistema. E basicamente, nosso desafio é otimizar os benefícios e mitigar os riscos de viver em um planeta que é alimentado por apenas dois processos, duas fontes de energia, uma delas é a solar, que empurra os ventos, as ondas, as nuvens, as tempestades e a fotosíntese. A segunda é a energia interna. E essas duas estão em guerra uma contra a outra quase contínuamente. Cordilheiras, placas tectônicas, movem os continentes, formam as reservas de minérios. Vulcões entram em erupção. Esse é o planeta em que vivemos. Ele é imensamente complexo. Agora, não espero que todos percebam todos esses detalhes, mas o que eu quero que vejam é que isso é cerca de 10% dos processos que operam dentro dos oceanos quase continuamente, e tem sido assim pelos últimos 4 bilhões de anos. Este é um sistema que está aí há muito tempo. E eles co-evoluíram. O que quero dizer com isso? Eles interagem entre eles constantemente. Todos eles interagem uns com os outros. Então a complexidade desse sistema que estamos considerando, o alimentado pelo sol -- parte superior, principalmente -- e a parte inferior é alimentada em parte pela entrada de calor de baixo e por outros processos. Isso é muito, muito importante porque esse é o sistema, é o cadinho, de onde saiu a vida no planeta. E agora está na hora de entendermos isso. Nós temos que entendê-lo. Esse é um dos temas dos quais Sylvia nos faz lembrar, entender esse nosso oceano, o sistema básico de suporte da vida, o sistema dominante de suporte da vida no planeta. Vejam essa complexidade aqui. Esta é apenas uma das variáveis. Se vocês podem ver a complexidade. Você pode ver como minúsculos, pequenos redemoinhos e grandes redemoinhos e o movimento -- isto é apenas a temperatura na superfície do mar, mas é imensamente complicada. Agora, descendo uma camada, as outras duas ou três centenas de processos que estão todos interagindo, em parte em função da temperatura, em parte como função de todos os demais fatores, e vocês chegam a um sistema complicado de verdade. Esse nosso desafio é entender, entender o sistema e os comportamentos dos fenômenos. E há uma urgência nisso. Parte da urgência vem do fato de que, aproximadamente, um bilhão de pessoas no planeta atualmente estão subnutridos ou passando fome. E parte do problema é para o Cody -- que está aqui -- com 16 anos de idade -- e tenho autorização para passar este número. Quando ele, daqui a 40 anos, tiver a idade de Nancy Brown, vão haver outros dois e meio bilhões de pessoas no planeta. Nós não somos capazes de resolver todos os problemas apenas observando os oceanos, as se nós não entendermos o sistema fundamental de suporte da vida deste planeta muito mais completamente do que entendemos agora, então as pressões que todos nós precisaremos enfrentar, e que Cody vai enfrentar, e até Nancy, que vai viver até os 98 anos, vão realmente problemas para lidar com elas. Pois bem, vamos falar de outra perspectiva sobre a importância dos oceanos. Observem este diagrama, que mostra as águas quentes em vermelho, as águas frias em azul, e nos continentes, o que vocês vêem em verde claro é o crescimento da vegetação, e em verde oliva, a vegetação murchando. E no canto de baixo, à esquerda, há um relógio contando de 1982 a 1998 e então repetindo o ciclo de novo. O que vocês vão observar é que os ritmos do crescimento, da vegetação -- um subconjunto da qual são os alimentos nos continentes -- está diretamente ligado aos ritmos das temperaturas na superfície do mar. Os oceanos controlam, ou pelo menos influenciam significativamente, estão correlacionados com os padrões de crescimento e os padrões de secas e os padrões de chuvas nos continentes. Assim, as pessoas no Kansas, em um campo de trigo no Kansas, precisam entender que os oceanos são fundamentais também para eles. Outra complexidade: esta é a idade dos oceanos. Vou sobrepor a isto as placas tectônicas. A idade do oceano, placas tectônicas, dá origem a um fenômeno completamente novo do qual ouvimos falar nesta conferência. E quero partilhar com vocês um vídeo em definição muito alta que obtivemos em tempo real. Alguns segundos após a filmagem deste vídeo, as pessoas em Pequim, as pessoas em Sidnei, as pessoas em Amsterdam, as pessoas em Washington estavam vendo isso. Agora, vocês ouviram falar de fossas hidrotermais, mas a outra descoberta é que nas profundezas abaixo do solo marinho existe um vasto reservatório de atividade microbiológica que acabamos de descobrir, e que praticamente não temos como estudar. Algumas pessoas fizeram a estimativa de que a biomassa encerrada nesses micróbios vivendo nos buracos e rachaduras do solo oceânico e abaixo é da mesma ordem do total de biomassa viva na superfície do planeta. É uma percepção assombrosa. E só descobrimos isso recentemente. Isso é muito, muito excitante. Pode ser a próxima floresta tropical, em termos de medicamentos. Sabemos pouco ou nada sobre isso. Bem, Marcel Proust disse esta frase maravilhosa que "A verdadeira viagem de descobrimento não consiste tanto em procurar novos territórios, mas possivelmente em obter novos conjuntos de olhos," novas maneiras de ver as coisas, um novo panorama mental. E muitos de vocês lembram-se dos estágios iniciais da oceanografia, quando precisávamos usar o que tínhamos nas pontas dos dedos. E isso não era fácil. Não era fácil naqueles dias. Alguns de vocês lembram-se disso, tenho certeza. E, agora, temos um conjunto completo de ferramentas que são realmente bem poderosas -- navios, satélites, ancoradouros. Mas eles não resolvem completamente. Eles não nos dão tudo que precisamos. E o programa do qual quer falar a vocês brevemente, nesta ocasião, foi patrocinado, e envolve veículos autônomos como esse que atravessa a base dessa imagem. Modelagem: do lado direito, há um complexo modelo computacional. Do lado esquerdo, há um novo tipo de ancoradouro que vou mostrar-lhes em um segundo. E nas bases de vários pontos, os oceanos são complexos e são fundamentais para a vida na terra. Eles estão mudando depressa, mas não de modo previsível. E os modelos que precisamos para predizermos o futuro não dispõem de dados suficientes para serem refinados. O poder computacional é formidável. Mas, sem dados, esses modelos jamais serão previstos. E isso é o que realmente precisamos. Por uma variedade de razões eles são perigosos, mas sentimos que a OOI, esta Iniciativa de Observação dos Oceanos, que a Fundação Nacional das Ciências começou a patrocinar, tem o potencial para realmente transformar as coisas. E o objetivo do programa é iniciar uma era de descobertas científicas e entendimento das bacias oceânicas, dentro delas e entre elas, utilizando recursos amplamente acessíveis e interativos de telepresença. É um mundo novo. Estaremos presentes por todo o volume do oceano, conforme desejarmos, comunicando-nos em tempo real. E isso é o que o sistema envolve, um número de locais no hemisfério sul, mostrados naqueles círculos. E no hemisfério norte há quatro locais. Não vou falar muito sobre a maioria deles nesta ocasião. Mas aquele na costa oeste, que está na caixa, é chamado de centro de escala regional. E já foi chamado de Netuno. E deixem que eu mostre a vocês o que está atrás dele. Fibras, os meios de comunicação da próxima geração. Vocês podem ver as terminações de cobre dessas coisas. A gente pode transmitir energia, mas a largura de banda desses minúsculos, pequenos fios Cujo diâmetro é menor do que os cabelos nas cabeças de vocês. E este conjunto aqui, particularmente, pode transmitir algo da ordem de três a cinco terabits por segundo. Essa é uma largura de banda fenomenal. E o planeta fica assim. Nós já ligamos os enlaces como se estivéssemos num colete de fibras óticas, se quiserem. É assim que ela fica. E os cabos vão realmente de continente a continente. É um sistema muito poderoso, e a maioria de nossas comunicações consiste nisso. Então esse é o sistema do qual estou falando, a partir da costa oeste -- coincide com a placa tectônica, a placa tectônica Juan de Fuca. E isso vai prover energia abundante e uma largura de banda sem precedentes através de todo o volume -- na parte superior do oceano, no solo oceânico e abaixo do solo do oceano. Largura de banda e energia e uma grande variedade de processos que estarão operando. Isso é o que um daqueles centros primários apresenta. E isso é como uma subestação com energia e largura de banda que pode se espalhar por uma área do tamanho de Seattle. E o tipo de ciência que pode ser feito será determinado por uma variedade de cientistas que quiserem estar envolvidos e forem capazes de conseguir a instrumentação neccessária. Eles vão trazê-la e ligá-la nisso. Será, de certo modo, como ter tempo num telescópio, exceto que que cada um terá sua própria porta. Mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, oxigênio dissolvido, ciclo do carbono, correntes ascendentes nas costas, dinâmica da pesca -- todo o espectro das ciências da terra e ciências do oceano simultaneamente no mesmo volume. Assim, qualquer um que chegue depois simplesmente acessará a base de dados e podera retirar a informação que precisar sobre qualquer coisa que tenha acontecido. E esse é apenas o primeiro deles. Em conjunto com nossos colegas canadenses, implantamos este. Agora quero levar vocês até a cratera. Ali do lado esquerdo é um grande vulcão chamado Montanha Marítima Axial. E vamos descer dentro da Montanha Marítima Axial usando animação. Eis aqui como esse sistema vai ficar com os fundos de que dispomos para a construção, neste momento. Muito poderoso. Aquilo é um elevador que está constantemente subindo e descendo, mas ele pode ser controlado pelas pessoas em terra que são responsáveis por ele. Ou eles podem transferir o controle para alguém na Índia ou na China que pode assumir por algum tempo. Porque tudo vai ser conectado diretamente através da internet. Haverá quantidades enormes de dados fluindo para terra, todos disponíveis para qualquer um que tenha interesse em usá-los. Isso vai ser muito mais poderoso do que ter um único navio num só lugar e daí mover-se para um novo lugar. Estamos voando através do solo da cratera. Há vários sistemas robóticos. Há câmeras que podem ser ligadas ou desligadas quando desejado, se seus experimentos forem assim. Os tipos de sistemas que estarão lá, os tipos de instrumentos que estarão no solo do oceano, consistem de -- se vocês puderem ler ali -- haverá câmeras, haverá sensores de pressão, fluorômetros, haverá sismômetros. É um espectro completo de ferramentas. Agora, aquela elevação ali realmente tem esta aparência. Isto é como ela realmente se apresenta. E isso é o tipo de atividade que podemos ver com vídeo de alta definição, porque a largura de banda desses cabos é tão enorme que poderíamos ter cinco a dez sistemas de HD estereofônicos operando continuamente e, novamente, direcionados através de técnicas robóticas a partir da terra. Muito, muito poderoso. E essas são as coisas que temos recursos para fazer hoje. E então, o que poderemos fazer no futuro? Estamos a ponto de pegar a onda das oportunidades tecnológicas. Existem tecnologias emergentes por todos os campos relacionados à oceanografia, que iremos incorporar à oceanografia, e, através dessa convergência, transformaremos a oceanografia em alguma coisa ainda mais mágica. Os sistemas robóticos são inacreditáveis nos dias de hoje, absolutamente inacreditáveis. E vamos introduzir todo tipo de robótica no oceano. Nanotecnologia: esse é um pequeno gerador. É menor que um selo de correio, e ele consegue gerar energia simplesmente ao ser fixado à camisa da gente, quando a gente se move. É só a gente se mover que ele gera energia. Existem vários tipos coisas que podem ser usadas no oceano, continuamente. Geração de imagens: muitos de vocês sabem mais sobre esse tipo de coisa do que eu mas geração de imagens espaciais com quatro vezes mais definição do que temos em HD será rotineira em cinco anos. E esta é a coisa mágica. Como resultado do processo do genoma humano, estamos numa situação em que os eventos que acontecem no oceano -- como um vulcão em erupção ou coisa semelhante -- podem efetivamente ser amostrados. Nós bombeamos o fluido através de um desses sistemas, e apertamos o botão, e ele é analisado quanto aos caracteres genômicos. E isso é transmitido de volta à terra imediatamente. Assim, no volume do oceano, nós saberemos, não apenas a física e a química, mas a base da cadeia alimentar vai ser transparente para nós com dados numa base contínua. Computação em grade: o poder dos computadores em grade vai ser simplesmente extraordinário aqui. Logo estaremos usando computação em grade para fazer quase tudo, como ajustar os dados e tudo mais que está relacionado com os dados. A geração de energia virá do próprio oceano. E a próxima geração de fibra será simplesmente mágica. Será muito além do que temos agora. Assim, a presença de energia e a largura de banda no ambiente permitirão que todas essas novas tecnologias convirjam de uma maneira simplesmente sem precedentes. Assim, daqui a cinco ou sete anos, vejo que nós teremos uma capacidade de estarmos completamente presentes por todo o oceano e teremos tudo isso conectado à internet, de modo que poderemos chegar a muitas, muitas pessoas. Entregar a energia e a largura de banda no oceano vai acelerar dramaticamente a adaptação. Eis aqui um exemplo. Quando ocorrem terremotos, enormes quantidades desses nóvos micróbios que jamais vimos antes saem do solo do oceano. Temos uma maneira de lidar com isso, uma nova maneira de lidar com isso. Determinamos a partir da atividade sísmica que vocês estão vendo aqui que o topo daquele vulcão está em erupção, e daí despachamos nossas tropas. O que são essas tropas? As tropas são veículos autônomos, é claro. E eles voam para dentro do vulcão em erupção. eles colhem amostras dos fluidos que estão saindo do solo marinho durante uma erupção, que contêm os micróbios que jamais estiveram na superfície do planeta anteriormente. Eles ejetam isso para a superfície na qual ela flutua, e isso é recolhido por um aeroplano autônomo, e é trazido parao laboratório num prazo de 24 horas da erupção. Isso é factível. Todos os elementos estão aí. Um laboratório: muito de vocês souberam do que aconteceu em 7 de setembro. Alguns médicos em Nova Iorque removeram a vesícula biliar de uma mulher na França. Nós seríamos capazes de fazer coisas no solo marítimo que seriam assombrosas. E isso seria na TV ao vivo, se tivermos coisas interessantes para mostrar. Assim poderemos oferecer uma telepresença completamente nova ao mundo, por todo o oceano. Isso -- mostrei a vocês o solo marítimo. Mas o objetivo aqui são interações em tempo real com os oceanos, a partir de qualquer lugar na terra. Vai ser extraordinário. E prosseguindo aqui, quero mostrar o que podemos colocar nas salas de aulas, e, afinal, o que podemos colocar nos bolsos de vocês. Muitos de vocês não pensam nisso ainda, mas o oceano estará nos bolsos de vocês. Isso não vai demorar. Isso não vai demorar. Agora, permitam que eu deixe vocês com algumas palavras de outro poeta, se me permitem. Em 1943, T. S. Eliot escreveu "Quatro Quartetos." Ele ganho o Prêmio Nobel de literatura em 1948. Em "Little Gidding" ele diz -- falando, creio eu, pela raça humana, mas certamente para a Conferência TED e Sylvia -- "Não vamos parar de explorar, e o final de todas nossas explorações será chegar onde nós começamos e conhecer o lugar pela primeira vez, chegar através do portão desconhecido da memória em que a última terra que falta decobrir é aquela que foi o princípio. Na nascente do mais longo dos rios a voz de uma cascata oculta desconhecida porque não foi buscada, mas ouvida, semi-ouvida no silêncio sob as ondas do mar." Obrigado.
pt
450
Começarei com minha musa favorita, Emily Dickinson, que disse que fascinação não é conhecimento nem ignorância. É algo que fica suspenso entre o que nós acreditamos que podemos ser, e uma tradição que podemos ter esquecido. E penso, quando ouço estas pessoas incríveis aqui, que fui tão inspirado, são tantas ideias incríveis, tantas visões. E mesmo assim, quando olho para o ambiente lá fora, pode-se ver o quanto a arquitetura é resistente à mudança. Você vê o quanto a arquitetura é resistente a estas mesmas ideias. Nós podemos pensar sobre estas ideias. Nós podemos criar coisas incríveis. E mesmo assim, no final das contas, é tão difícil mudar uma parede. Nós aplaudimos a "caixa" bem comportada. Mas criar um espaço que nunca existiu é meu interesse maior. Criar algo que nunca esteve lá. Um espaço que nunca entramos, exceto em nossas mentes e espíritos. E na minha opinião é realmente nisso que a arquitetura se baseia. A arquitetura não é baseada em concreto, aço e nos elementos do solo. É baseada em fascinação. E esta fascinação é o que realmente criou as melhores cidades, os mais incríveis espaços que já tivemos. E eu penso que isso é o que a arquitetura realmente é. É uma estória. A propósito, é uma estória que é contada através de seus materiais sólidos. Mas é uma estória de dedicação e luta contra improbabilidades. Se você pensar nas maiores construções, nas catedrais, nos templos, nas pirâmides, nos pagodes asiáticos, nas cidades da Índia e for ainda mais além, você pensa em o quão incrível é isto que foi realizado não por alguma idéia abstrata, mas por pessoas. Então, qualquer coisa que foi feita pode ser desfeita. Qualquer coisa que foi feita pode ser melhorada. É isto: as coisas em que eu realmente acredito têm importância arquitetônica. Estas são as dimensões com as quais gosto de trabalhar. É algo muito pessoal. Talvez não sejam as dimensões apreciadas por críticos de arte, ou críticos de arquitetura, ou urbanistas. Mas eu creio que estes sejam o oxigênio necessário para que vivamos em edificações, em cidades, para nos conectarmos em um espaço social. E por esta razão acredito que o otimismo é o que move a arquitetura adiante. É a única profissão que exige que você acredite no futuro. Você pode ser um general, um político, um economista que está deprimido, um músico numa clave menor, um pintor em cores escuras. Mas a arquitetura é o completo êxtase no qual o futuro pode ser melhor. E esta crença é o que eu acredito que move a sociedade. E hoje nós temos um tipo de pessimismo evangélico ao redor de nós. E mesmo assim, são em tempos como estes que eu penso que a arquitetura pode prosperar com grandes ideias. Ideias que não são pequenas. Pense nas grandes cidades. Pense no Empire State Building, no Rockefeller Center. Eles foram construídos em épocas que de certa forma não foram realmente as melhores épocas. Mas mesmo assim a energia e o poder da arquitetura geraram um espaço social e político, ocupado por estas construções. Então, mais uma vez, acredito no expressivo. Nunca fui fã do que é neutro. Não gosto da neutralidade na vida, em nada. Eu penso em expressão É como café expresso, sabe, extraímos a essência do café. E isso é expressão. E está faltando em muitas coisas da arquitetura porque pensamos que arquitetura é o reino dos neutralizados, o reino de um tipo de estado que não tem opinião, que não tem valor. E mesmo assim, eu acredito que é a expresão, a expressão da cidade, a expressão de nosso próprio espaço, que dá significado à arquitetura. E, é claro, espaços expressivos não são mudos. Espaços expressivos não são aqueles que simplesmente confirmam o que já sabemos. Espaços expressivos podem nos perturbar. E eu acho que isso também é parte da vida. A vida não é apenas um anestésico que nos faz sorrir. Mas para transpor o abismo da história, ir a lugares que nunca estivemos, e poderíamos talvez ter estado lá, se não fossemos tão sortudos. Então, novamente, radical versus conservador. Radical, o que significa? É algo que é enraizado. E também algo profundamente enraizado em uma tradição. E é isto o que penso que a arquitetura seja, ela é radical. Não é apenas uma conserva em formol de formas mortas. Mas sim uma conexão viva ao evento cósmico do qual fazemos parte, e uma estória que está certamente em curso. Não é algo que tenha um final bom ou ruim. De fato, é uma estória em que nossos próprios atos impulsionam a estória em uma certa direção. Então mais uma vez, creio na arquitetura radical. Você sabe, a arquitetura soviética daquela construção é a conservação. É como a velha Las Vegas costumava ser. É sobre conservar emoções, conservar tradições que obstruíram a mente em progredir e é claro que o radical é confrontá-las. E acredito que nossa arquitetura seja um confronto com nossos próprios sentidos. Então acredito que não deva ser frio. Existe muita admiração para o tipo de arquitetura que é fria. Eu sempre fui contra. Eu penso que a emoção é necessária. A vida sem emoções não seria a vida. Mesmo a mente é emocional. Não existe razão que não tome posição na esfera ética, no mistério filosófico do que somos. Então eu penso que a emoção é uma dimensão que é importante introduzir no espaço urbano, na vida urbana. E é claro, somos todos envolvidos na luta das emoções. E eu entendo que isso é que faz do mundo um lugar fascinante. É claro que o confronto do frio, do apático com a emoção, é uma conversa que, acredito, as próprias cidades cultivaram. Acredito que isso seja o progresso das cidades. Não são apenas as formas das cidades, mas o fato de que elas encarnam emoções, não apenas dos que as construíram, mas também daqueles que nelas vivem. Inexplicável versus entendido. Você sabe, exageradamente queremos entender tudo. Mas a arquitetura não é a linguagem de palavras. É uma linguagem. Mas não é uma linguagem que pode ser reduzida a uma série de notas programáticas que podemos verbalmente escrever. Muitas construções que vocês vêem do lado de fora que são tão banais te contam uma estória, mas a estória é tão curta. Dizem: "Nós não temos nenhuma estória para te contar" Então de fato a coisa mais importante, é introduzir as verdadeiras dimensões arquitetônicas, que podem ser totalmente inexplicáveis em palavras. Porque elas operam em proporções, em materiais, em iluminação. Elas se conectam em várias origens, em um tipo de matriz vetorial complexa que não é realmente aparente mas sim embutida nas vidas, e na história de uma cidade, e de um povo. Então, a noção que uma obra deveria ser apenas explícita creio que seja uma noção falsa, que reduziu a arquitetura à banalidade. Mão versus computador. É claro, o que seria de nós sem computadores? Nossa profissão inteira depende da computação. Mas o computador não deveria ser apenas a luva que veste a mão, a mão deveria ser na verdade a condutora do poder computacional Porque eu acredito que a mão em toda sua primitividade, em toda sua obscuridade fisiológica, tem uma origem, embora esta origem seja desconhecida, embora não tenhamos que ser místicos sobre isso, entendemos que a mão vem nos recompensando por forças que vão além de nossa própria autonomia E eu reflito enquanto faço desenhos que podem até imitar o computador, mas não são produzidos por computadores, desenhos que podem vir de origens totalmente desconhecidas, anormais, invisíveis, Mesmo assim a mão -- e isto é o que eu realmente, para todos vocês que estão trabalhando -- como podemos fazer o computador responder à nossa mão ao invés de ter que fazer nossa mão responder ao computador. Eu acho que isto é parte do que é a complexidade da arquitetura. Porque certamente nós nos acostumamos àquela propaganda que diz que o simples é o melhor. Mas eu não acredito. Ouvindo vocês todos, a complexidade de pensamentos, a complexidade das camadas do conhecimento é avassaladora. E na arquitetura não deveríamos nos intimidar. Você sabe, cirurgia cerebral, teoria atômica, genética, economia são campos muito complexos. Não existe razão para que a arquitetura se intimide e apresente este mundo ilusório da simplicidade. É complexa. O espaço é complexo. O espaço é algo que se desdobra de si mesmo em mundos completamente novos. E por mais fascinante que seja, não pode ser reduzido a um tipo de simplificação que frequentemente acabamos admirando. E mesmo assim, nossas vidas são complexas. Nossas emoções são complexas. Nossos desejos intelectuais são complexos. Então acredito que a arquitetura, como a vejo, necessita espelhar esta complexidade em todos os espaços que temos, em toda intimidade que possuímos. É claro que isto significa que a arquitetura seja política. A politica não é uma inimiga da arquitetura. A [inaudível] é a cidade. Somos todos nós juntos. E eu sempre acreditei que o ato da arquitetura, mesmo uma casa privada, quando alguém mais a vir, é um ato político. Porque se torna visível a outras pessoas. E vivemos num mundo que está nos conectando cada vez mais. Então novamente, a evasão daquela esfera que está sendo tão endêmica àquele tipo de arquitetura pura, a arquitetura autônoma que é apenas um objeto abstrato nunca me interessou. E acredito que esta interação com a história, uma história que muitas vezes é muito difícil, de se brigar, de se criar uma posição que está além de nossas expectativas usuais e criar assim uma crítica. Porque a arquitetura é também fazer perguntas. Não é apenas o ato de dar respostas É também, assim como a vida, o ato de fazer perguntas. Então é importante que seja real. Você sabe, podemos simular quase tudo. Mas uma coisa que não poderá nunca ser simulada é o coração humano, a alma humana. E a arquitetura é tão intimamente entrelaçada com eles porque nascemos em algum lugar e morremos em algum lugar. Então a realidade da arquitetura é visceral. Não é intelectual. Não é algo que vem a nós de livros e teorias. É o real, é o que tocamos, a porta, a janela, a soleira, a cama. Objetos tão banais. E mesmo assim, eu tento, em todas as obras, pegar aquele mundo virtual, que é tão enigmático e tão rico, e criar algo no mundo real. Criar um espaço para um escritório, um espaço de sustentabilidade que funcione de fato entre aquela virtualidade e mesmo assim possa ser compreendido como algo real. Inesperado versus habitual O que é um hábito? São como algemas para nós mesmos. É um veneno auto-induzido. O inesperado é sempre inesperado. Você sabe, é verdade, as catedrais por exemplo, como inesperadas, serão sempre inesperadas. Como as obras de Frank Gehry, que continuarão sempre inesperadas no futuro. Então não é a arquitetura habitual que nos instiga um falso tipo de estabilidade, mas uma arquitetura que é cheia de tensão, uma arquitetura que vai além dela mesma para atingir a alma humana e o coração humano, e que nos livra das algemas dos hábitos. E é claro que hábitos são impostos pela arquitetura. Quando vemos o mesmo tipo de arquitetura nos tornamos acostumados naquele mundo daqueles ângulos, daquelas iluminações, daqueles materiais. Nós pensamos que o mundo realmente se parece com nossos prédios. E mesmo assim nossos prédios são limitados pelas técnicas e maravilhas que têm sido parte deles. Então, o inesperado também é o crú. E eu penso sempre no crú e no refinado. O que é crú? O crú, eu diria é a experiência nua, intocada pelo luxo, intocada pelos materiais caros, intocada pelo tipo de refino que associamos com alta cultura. Então o crú, na minha opinião, no espaço, o fato de que a sustentabilidade pode realmente, no futuro se traduzir em um espaço crú, um espaço que não é decorado, um espaço que não é formado de origem alguma, um espaço que pode ser frio em termos de sua temperatura, mas pode ser refratário para nossos desejos. Um espaço que nem sempre nos segue como um cachorro que foi treinado para nos seguir, mas segue em frente em direções de demonstrar outras possibilidades, outras experiências, que nunca fizeram parte do vocabulário da arquitetura. E é claro que esta justaposição é de grande interesse para mim porque cria um tipo de faísca de nova energia. E eu gosto do que é afiado, não cego, sem corte, algo que tem foco na realidade, algo que tem o poder, através de sua influência, de transformar até mesmo um espaço minúsculo. Então a arquitetura talvez não seja tão grande, como a ciência, mas através de seu ponto focal pode se nivelar de forma Arquimédica no que pensamos sobre o que o mundo realmente é. E muitas vezes é necessário apenas uma construção para mudar nossa experiência sobre o que poderia ter sido feito, o que foi feito, como o mundo permaneceu ao mesmo tempo entre a estabilidade e a instabilidade. E é claro que construções têm suas formas. Aquelas formas são difíceis de mudar. E mesmo assim, acredito em todo espaço social em todo espaço social, existe um desejo de se aumentar a comunicação que apenas daquele pensamento brando, daquela técnica cega. Mas algo que aponta na direção correta, e pode apontar em várias direções para frente, para trás, para os lados e ao redor. Então é realmente uma [inaudível] memória. Então eu acredito que meu maior interesse é a memória. Sem memória seríamos amnésicos. Não saberíamos em que direção estávamos indo, e a razão pela qual estamos indo para onde estamos indo. Então nunca me interessei no reaproveitamento esquecível, revisitando as mesmas coisas muitas e muitas vezes. Que, é claro, obtém o reconhecimento de críticos. Críticos gostam que a performance seja repetida da mesma forma, repetidamente. Mas eu prefiro fazer algo que nunca se tenha ouvido falar antes, e mesmo que tenha defeitos, do que repetir a mesma coisa várias vezes, algo que foi esvaziado pela sua irrelevância. Então novamente, a memória é a cidade, a memória é o mundo. Sem a memória não haveria estória para contar. Não existiria uma saída. O memorável, na minha opinião, é realmente nosso mundo, o que pensamos que o mundo seja. E não é apenas nossa memória, mas também aqueles que se recordam de nós. O que significa que a arquitetura não é muda. É um tipo de comunicação. Conta uma estória. A estória pode atingir desejos obscuros. Pode atingir origens que não estão explicitamente disponíveis. Pode atingir tempos distantes que foram enterrados, e os retornam em uma justa e inesperada equidade. Então novamente, penso que a noção que a melhor arquitetura é silenciosa nunca me atraiu. O silêncio pode ser bom para um cemitério mas não para uma cidade. Cidades devem ser cheias de vibração, cheias de som, cheias de música. E esta na verdade é a missão arquitetônica que acredito ser importante, criar espaços que são vibrantes, que são pluralistas, que possam transformar as atividades mais banais, e elevá-las a uma expectativa completamente diferente. Criar um shopping center, um centro aquático que se assemelhe mais a um museu do que ao entretenimento. E estes são nossos sonhos. E é claro o risco. Na minha opinião a arquitetura deve ser arriscada. Você sabe que custa muito dinheiro e tudo mais, mas de fato, não deve ser cautelosa. Nao deve ser cautelosa porque neste caso não está nos movendo na direção de onde desejamos estar. E na minha opinião, é claro, o risco é o fundamento do mundo. Em um mundo sem riscos não valeria a pena viver. Então sim, eu acredito que o risco que tomamos em todas as construções. Arriscando criar espaços que nunca foram suportados daquela maneira. Arriscando criar espaços que nunca foram tão estonteantes, como deveriam ser, para uma cidade pioneira. Riscos que realmente movem a arquitetura mesmo com todas suas falhas, em um espaço que é muito melhor que a mesmice repetida o vazio de algo pronto, pré-fabricado. E é claro que isso é o que finalmente acredito que seja a arquitetura. É sobre espaço. Não sobre moda. Não é sobre decoração. É sobre poder criar com o mínimo possível algo que não pode ser repetido, não pode ser simulado em nenhuma outra esfera. E este é claro é o espaço que precisamos para respirar, é o espaço que necessitamos para sonhar. Estes são os espaços que são não apenas espaços luxuosos para alguns de nós, mas que são importantes para todos neste mundo. Então, não estamos falando de mudanças na moda, mudanças em teorias. É sobre entalhar um espaço para árvores. É entalhar um espaço onde a natureza possa entrar no mundo doméstico de uma cidade. Um espaço onde algo que nunca viu a luz do dia possa entrar nos mecanismos de uma densidade. E eu acho que isso seja realmente a natureza da arquitetura. Creio também na democracia. Não gosto de edifícios lindos que foram construídos para regimes totalitários. Onde as pessoas não podem falar, não podem votar, não podem fazer nada. Nós admiramos estas obras excessivamente. Nós pensamos que elas são belas. Então quando penso na pobreza de uma sociedade que não dá liberdade para seu povo, eu passo a não admirar estas construções. Eu acredito na democracia, por mais difícil que ela seja. E, é claro, no Ponto Zero, o que vem agora? É um projeto tão complexo. É emocional. Existem tantos interesses. É político. Existem tantos partidos neste projeto. Existem tantos interesses. Há dinheiro. Há poder político. Existem as emoções das vítimas. E mesmo assim, mesmo com toda essa bagunça, com todas as dificuldades, Eu não gostaria que alguém tivesse me dito: "Esta é a tábula rasa, senhor arquiteto. Faça o que bem entender." Eu acho que nada aproveitável sairia disso. Eu acho que arquitetura envolve consenso. E envolve também a palavra suja "compromisso". Compromisso não é ruim. Compromisso, se é artístico, se é capaz de conviver com suas estratégias -- e aí está meu primeiro rascunho e a renderização à esquerda -- não está tão longe. E mesmo assim, compromisso, consenso, estas são as coisas em que acredito. E o Ponto Zero, apesar de todas as dificuldades, está seguindo adiante. É difícil. 2011, 2013. A Torre da Liberdade, o memorial. E aqui é onde termino. Fui inspirado quando vim para cá como imigrante num navio como milhões de outras pessoas, olhando para a América daquele ponto de vista. Isto é a America. Isto é liberdade. Isto é o que sonhávamos. Sua individualidade, demonstrada pelos prédios no horizonte. Sua resiliência. E finalmente, é a liberdade que a América representa, não apenas para mim, como um imigrante, mas para todos no mundo. Obrigado. Chris Anderson: Eu tenho uma pergunta: Você já se conformou com o processo que aconteceu no Ponto Zero e com a perda daquele design original incrível que você tinha criado? Daniel Libeskind: Veja bem. Nós temos que nos curar da noção que somos autoritários, que podemos determinar tudo que acontece. Temos que confiar em outras pessoas e moldar o processo da melhor forma possível. Eu vim do Bronx. Fui ensinado a não ser um perdedor, a não ser alguém que simplesmente foge da raia. Você tem que brigar pelas coisa que acredita. Você não vence sempre tudo aquilo o que você deseja vencer. Mas você pode guiar o processo. E eu acredito que o que será construído no Ponto Zero será muito significativo, será inspirador, comunicará a outras gerações sobre os sacrifícios, do significado deste evento. Não apenas para Nova Iorque, mas para o mundo. Chris Anderson: Muito obrigado.
pt
451
Na África nós dizemos "Deus deu ao homem branco um relógio" e ao homem negro deu o tempo." Eu penso, como é possível para um homem com tanto tempo contar esta história em 18 minutos. Acredito que será um desafio para mim. A maioria das histórias africanas hoje em dia, falam sobre fome, HIV e AIDS, pobreza ou guerra. Mas minha história que gostaria de compartilhar com vocês hoje é uma sobre sucesso. É sobre um país no sudoeste da África chamado Namíbia. Namíbia tem 2, 1 milhões de pessoas, mas tem apenas a metade do tamanho da Califórnia. Venho de uma região da remota região do noroeste do país. É conhecida como a região Kuene. E no centro da região Kuene encontra-se a vila de Sesfontain. Esse é o lugar em que nasci. É de onde eu venho. A maioria das pessoas que estão acompanhando a história da Angelina Jolie e do Brad Pitt saberão onde fica a Namíbia. Eles amam a Namíbia pelas suas belas dunas, que são até mais altas que o Empire State. O vento e o tempo transformaram nossa paisagem em muitas formas estranhas. E estas formas estão pintadas com vida selvagem que se adaptaram a esta terra áspera e esthanha. Sou um Himba. Você deve estar pensando, por que você está usando essas roupas ocidentais? Sou um Himba e Namibiano. O Himba é um dos 29 grupos étnicos na Namíbia. Adotamos um estilo de vida bem tradicional. Cresci pastoreando, cuidando de nossa criação -- cabras, caneiros e gado. E um dia, meu pai me levou pra dentro do mato. Ele disse, "John, Quero que se transforme em um bom pastor. Cara, se você está cuidando de sua criação e você vê um guepardo comendo sua cabra, guepardos são muito apreensivos. Apenas os espante. Espante-os e bata em suas costas." "E ele abandonará a cabra e vai embora." Mas então ele disse, "Garoto, se você topar com um leão, não se mexa. Não se mexa. Mantenha-se estático. Encha o peito e apenas olhe o nos olhos e ele pode não querer lutar com você." Mas então, ele disse, "Se você ver um leopardo, garoto, é melhor você correr como o cão." "Imagine você correndo mais rápido do que as cabras que você cuida." Dessa forma -- Dessa forma, eu comecei a aprender sobre a natureza. Sabe, além de ser um Namibiano comum e além de ser um Himba Também sou um conservacionista treinado. E é muito importante se você está no campo saber o que confrontar e do que fugir. Nasci em 1971. Vivíamos sob o regime do apartheid. Os brancos podiam ter fazenda, pastos e caçar como quisessem, mas nós os negros, não éramos considerados como responsáveis a usar a vida selvagem. Quando tentávamos caçar, éramos chamados de caçadores ilegais. E como resultado, éramos multados e colocados na cadeia. Entre 1966 e 1990, os interesses dos EUA e dos Soviéticos brigaram pelo controle de meu país. E vocês sabe, durante tempos de guerra, existem militares, exércitos, que ficam se movimentando nas redondezas. E o exército caçava valiosos chifres de rinocerontes e presas. E eles poderiam vender essas coisas por algo em torno de 5. 000 dólares americanos por kilo. Durante o mesmo ano quase todo Himba tinha um riffle. Porque eram tempos de guerra, o riflle britânico. 303 estava espalhado por todo o pais. Então na mesma época, por volta de 1980, tivemos uma seca bem grande. Matou quase tudo que ainda restava. Nossa criação foi quase aos limites da extinção, protegida também. Estávamos famintos. Lembro-me de uma noite quando um leopardo faminto entrou na casa de um de nossos vizinhos e pegou seu filho que estava dormindo na cama. É uma história muito triste. Mas até hoje, aquela memória ainda está na mente das pessoas. Eles podem apontar a localidade exata onde isso tudo aconteceu. Então, no mesmo ano, quase perdemos tudo. E meu pai disse, "Por que você não vai pra escola?" E me mandaram para a escola, só pra me manter ocupado lá. E no ano em que fui para a escola, meu pai conseguiu um emprego numa organição não governamental chamada IRDNC -- Desenvolvimento Rural e Conservação da Natureza Integrados. Eles de fato passavam muito tempo por ano nas comunidades. Eles tinham a confiança das comunidades locais como o nosso líder, Joshua Kangombe. Joshua Kangombe viu o que estava acontecendo: a vida selvagem desaparecendo, a caça ilegal estava disparando, e a situação parecia bem desesperadora. Morte e desespero circundavam Joshua e nossas comunidades inteiras. Mas então, as pessoas da IRDNC propuseram a Joshua: E se pagássemos pessoas que você confie para tomar conta da vida selvagem? Você tem alguém nas suas comunidades, ou pessoas, que conhecem bem a mata e que conhecem bem a vida selvagem? O líder disse "Sim. Nossos caçadores ilegais." "Han? Os caçadores ilegais?" "Sim. Nossos caçadores ilegais." E aquele era o meu pai. Meu pai tinha sido um caçador ilegal por um bom tempo. Ao invés de pagar as dívidas dos caçadores ilegais como eles estavam fazendo em outras partes da África, IRDNC ajudou aos homens a recuperarem suas habilidades a organizar seus povos, e seus direitos para ser donos e administrar a vida selvagem. E assim, à medida que as pessoas começaram a se sentirem donas da vida selvagem o número de animais começou a aumentar, e isto vem se transformando em uma fundação para a conservação na Namíbia. Com independência, a abordagem da comunidade inteira envolvida foi adotada pelo nosso novo governo. Três coisas que de fato ajudaram a construir essa fundação: A primeira de todas é honrar as tradições e estar aberto a novas idéias. Aqui está nossa tradição. Em cada vila Himba, tem um fogo sagrado. E nesse fogo sagrado, o espírito de nossos ancentrais falam através do líder e nos aconselha onde encontrar água, onde encontrar pastos, e onde ir caçar. E eu acho que esse é o melhor jeito de nos regularmos em relação ao meio ambiente. E aqui estão as novas idéias. Transportar rinocerontes usando helicópteros Acho que é muito mais fácil que falar por meio de um espírito que você não vê, não é? E essas coisas nos foram ensinadas por estrangeiros. Aprendemos essas coisas de estrangeiros. Precisávamos de novas fronteiras para descrever nossas terras tradicionais; precisávamos de aprender mais coisas como GPS apenas para ver se o GPS consegue refletir nossas verdadeira percepção da terra ou se isso era apenas mais uma coisa feita no Ocidente? E então queríamos ver se podíamos combinar nossos mapas ancestrais com mapas digitais feitos em algum outro lugar do mundo. E através disso, começamos a realizar nossos sonhos e continuamos a honrar nossas tradições mas ainda estávamos abertos a novas idéias. O segundo elemento é que queríamos ter uma vida, uma vida melhor onde podíamos nos beneficiar por meio de muitas coisas. A maioria dos caçadores ilegais, como meu pai, eram pessoas de nossa própria comunidade. Eles não eram pessoas de fora. Essas eram nosssas próprias pessoas. E algumas vezes, quando eram pegos, eles eram tratados com respeito, e trazidos de volta às comunidades e eram transformados em partes de sonhos maiores. O melhor de tudo, como meu pai -- não estou fazendo campanha para o o meu pai -- eles foram condenados por impedirem outros de caçarem ilegalmente. E quando essa coisa começou, começamos a nos transformar em uma só comunidade; sabíamos de nossas conexão com a natureza. E aquilo era uma coisa muito, muito forte na Namíbia. O último elemento que ajudou a desenvolver estas coisas foram as parcerias. Nosso governo deu legalidade as nossas terras tradicionais. Os outros parceiros que tivemos são as comunidades dos negócios. Comunidades de negócios ajudou a colocar a Namíbia no mapa e eles também ajudaram a fazer da vida selvagem um uso da terra muito valioso como outros tipos de uso da terra como agricultura. E a maioria dos meus colegas da conservação hoje que você encontra na Namíbia foram treinados pela iniciativa, através do envolvimento do Fundo Mundial para a Vida Selvagem [WWF] nas práticas conservacionistas mais atuais. Também tem fornecido fundos por duas décadas a esse programa inteiro. E até agora, com o apoio do Fundo Mundial para a Vida Selvagem fomos capazes de aumentar em escala programas muito pequenos a programas nacionais hoje. Namíbia. Ou, Sesfontein não era mais uma vila isolada em algum lugar, escondida na Namíbia. Com esses ativos agora somos parte da vila global. Trinta anos se passaram desde o primeiro trabalho de meu pai como guarda de caça comunitária. É infeliz que ele morreu e não pode ver o sucesso como eu e meus filhos vemos hoje. Quando terminei a escola em 1995, haviam apenas 20 leões em todo o noreoeste -- em nossa área. Mas hoje, há mais de 130 leões. Então por favor, se forem à Namíbia, certifiquem-se de ficar em cabanas. Não ande por aí a noite! O rinoceronte-negro -- eles estavam quase extintos em 1982. Mas hoje, Kunene tem a maior concentração de rinocerontes-negros -- rinocerontes-negros livres -- no mundo. Essa é a parte externa da área protegida. O leopardo -- eles estão agora em grandes números mas estão agora longe de nossa vila, porque a planície natural se multiplicou, como zebras, cabra-de-leque e tudo. Eles ficam muito distante porque essas outras coisas se multiplicaram de menos de mil a dezenas de milhares de animais. E, o que começou como algo muito pequeno, guardas comunitários envolvendo a comunidade, se transformou em algo que chamamos de 'conservancies'. 'Conservancies' são intituições legalmente estabelecidas pelo governo, e são administradas pelas próprias comunidades, para o seu próprio benefício. Hoje, temos 60 'conservancies' que administram e protegem mais de 13 milhões de hectares de terra na Namíbia. Já remodelamos a conservação no país inteiro. Em lugar nenhum no mundo comunidades adotaram conservação nessa escala. Em 2008, 'conservancy' gerou 5, 7 milhões de dólares. Essa é nossa nova economia -- uma economia baseada no respeito pelos nossos recursos naturais. E, somos capazes de usar esse dinheiro para muitas coisas. Muito importante, aplicamos em educação. Segundo, aplicamos em infra-estrutura. Comida. Muito importante também -- investimos esse dinheiro em educação em AIDS e HIV. Vocês sabem que a África está afetada por esses virus. E essa é a boa notícia da África que temos que gritar de nossos telhados. E agora, o que o mundo realmente precisa é que nos ajudem a levar o que aprendemos com a Namíbia para outros lugares com problemas similares: lugares como o Mongólia, ou até mesmo no fundo dos nossos quintais, as Grandes Planícies do norte, onde búfalos e outros animais tem sofrido e muitas comunidades estão em declínio. Gosto dessa. Namíbia servindo de modelo para a África, e África servindo de modelo para os Estados Unidios. Fomos bem sucedidos na Namíbia porque sonhamos com um futuro que era muito mais que uma vida selvagem saudável Sabíamos que a conservação iria falhar se não trabalhasse para melhorar as vidas das comunidades locais. Então, venham até mim para conversar sobre a Namíbia, e melhor ainda, venha para a Namíbia e veja você mesmo como fizemos isso. E por favor, visitem nosso site na web para aprenderem mais e verem como podem ajudar o CBNRM na África e por todo o mundo. Muito obrigado.
pt
452
Na maior parte do tempo, arte e ciência se olham através de um abismo de incompreensão mútua. Há grande confusão quando as duas se observam. A Arte, claro, vê o mundo pelo psíquico, pelas emoções - mesmo as inconscientes - e também pelo estético. A Ciência tende a olhar o mundo pelo lado racional, quantitativo -- coisas que podem ser medidas e descritas -- mas que dão a arte um magnífico contexto de entendimento. Na pesquisa de Grandes Geleiras, Nós nos dedicamos a trazer estas duas partes do conhecimento humano unidas, fundindo arte e ciência com o propósito de nos ajudar a entender a natureza e melhorar o relacionamento da humanidade com a natureza. Especificamente, como pessoa sendo fotógrafo profissional da natureza por toda minha vida adulta, eu estou certo em acreditar que a fotografia, o vídeo e a filmagem têm grande potencial em nos ajudar a entender, e moldar a perspectiva que pensamos sobre a natureza e a perspectiva de nós mesmos, relacionando-nos com a natureza. Neste projeto, estamos especificamente interessados, claro, no gelo. Estou fascinado pela beleza dele, por sua capacidade de mudar, sua maleabilidade, e seus modos fabulosos nos quais pode se fundir. A primeira imagem é da Groelândia. Mas o gelo tem outro significado. É o canário na mina global de carvão. É o lugar em que podemos ver, tocar, ouvir e sentir a mudança climática acontecendo. Mudança climática é algo realmente abstrato na maior parte do mundo. Escolher acreditar nela baseia-se no seu senso de se está chovendo mais, ou chovendo menos, se está ficando mais quente, ou mais frio. Ou no que dizem os modelos de computador sobre isto, aquilo e aquela outra medida. Deixe isto tudo de lado. No mundo ártico e nos ambientes alpinos, onde o gelo é real e está presente. As mudanças estão acontecendo. Elas são bem visíveis. São fotografáveis. São mensuráveis. 95% das geleiras no mundo estão se retraindo ou diminuindo. Isto fora da Antártica. 95% das geleiras no mundo estão se retraindo ou diminuindo. porque os parâmetros de precipitação e de temperatura estão mudando. Não há desacordos relevantes sobre isto. Está sendo observada e medida. É informação à prova de balas. E a grande ironia e tragédia de nosso tempo é que grande parte da opinião pública pensa que a ciência ainda está discutindo isto. A Ciência não está discutindo isto. Nestas imagens, vemos gelos de enormes geleiras, camadas de gelo que tem centenas de milhares de anos se desfazendo em pedaços, e mais pedaços e pedaços desfazendo-se em icebergs, elevando os níveis do mar. Então, tendo visto tudo isto em 30 anos de carreira, eu ainda era cético sobre a mudança climática até 10 anos atrás, porque eu pensava que esta história de mudança era baseada em modelos computacionais. Eu não me dei conta de que era, de fato, uma medida concreta de como os paleoclimas - os climas antigos - eram, eles que estão gravados em camadas de gelo, nos sedimentos oceânicos, gravados em sedimentos lacustres, em anéis de árvores, e em outras diversas formas de medir a temperatura. Quando me dei conta que era real, que não era baseado em modelos de computador, decidi que um dia iria criar um projeto que buscasse manifestar esta mudança climática em fotografias. E isto me fez seguir com este projeto. Inicialmente, eu trabalhava em uma missão para a National Geographic, convencional, uma pose, fotografia sem movimento. E num desses dias, eu tive a idéia que devia -- depois de terminar meu trabalho -- eu tive a idéia que devia tirar fotos intercaladas que devia posicionar uma câmera, ou duas, numa geleira e deixa-la tirando fotos a cada 15 minutos, a cada hora, ou outro intervalo e observar essa progressão da paisagem com o passar do tempo. Bem, passadas 3 semanas, de repente mudei a idéia de 2 câmeras de fotografias intercaladas para 25 câmeras de fotografias intercaladas. E os próximos 6 meses da minha vida foram os mais difíceis de minha carreira, tentando desenhar, construir e instalar estas 25 câmeras em seus locais. Elas são movidas a energia solar. Painéis solares as mantém funcionando. A energia vai até uma bateria. Foi feito um computador sob medida que diz para a câmera quando disparar. E estas câmeras estão posicionadas em rochas laterais às geleiras, e elas olham para as geleiras de uma posição sólida e fixa, e observam a evolução da paisagem. Dispusemos nossas câmeras pelas geleiras da Groelândia. De fato, perfuramos buracos bem abaixo da superfície de descongelamento e as deixamos lá, até mês passado ou algo assim. Aliás, ainda há câmeras lá, bem agora. De todo modo, as câmeras fotografaram a cada hora a cada meia hora, cada 15 minutos, cada 5 minutos. Aqui são fotos intercaladas das câmeras intercaladas sendo feitas. Risadas Particularmente, fiquei obsecado por cada parafuso, porca e arruela nessas coisas malucas. Passava metade do meu dia em lojas de hardware durante os meses em que estas unidades eram construídas. Estamos trabalhando na maioria das grandes regiões de geleiras no hemisfério norte. Nossas câmeras intercaladas estão no Alasca, nas Rochosas, Groelândia e Islândia e nós tínhamos posições de fotografias por repetição, que eram lugares que só visitávamos anualmente, na Colúmbia inglesa, nos Alpes e Bolívia. É um grande empreendimento. Eu me apresento aqui, nesta noite como um embaixador de todo o meu time. Tem muita gente trabalhando nisto bem agora. Nós temos 33 câmeras lá fora, neste momento. Há meia hora, 33 fotografias foram tiradas por todo o hemisfério norte, observando o que está acontecendo. E temos gastado muito tempo em campo. É uma fantástica quantidade de trabalho. Já estamos lá há 2 anos e meio, e ainda ficaremos mais 2 anos e meio. E isto é apenas metade do trabalho. A outra metade é contar a história para o público global. Os cientistas já tem uma quantidade de informação coletada através de muitos anos, mas muito fica apenas no meio científico. Paralelamente, muitos projetos artísticos ficam apenas em seu próprio meio, e eu sinto muita responsabilidade em mecanismos como TED, e em nosso relacionamento com a presidência de Obama, no senado, em conjunto com John Kerry, tentando influenciar tanto quanto for possível a política com estas imagens. Fizemos filmes, fizemos livros. E temos mais por vir. Temos um site no Google Earth O Google Earth foi generoso nos dando isto, tudo porque nós sentimos muito a necessidade de contar esta história, porque a evidência de que o clima está mudando neste exato momento é imediata. Agora, um pouco de ciência antes de entrarmos nas visualizações. Se todos no mundo desenvolvido entendessem esses gráficos, se isto fizesse uma marca dentro de suas cabeças não haveria mais discussão sobre a mudança climática porque esta é a história que conta. Todo resto que você ouve é apenas propaganda e confusão. Questão central: isto é um arquivo de 400. 000 anos. Estes são exatamente os mesmos padrões que vemos agora quase um milhão de anos antes de nossa atualidade. E muitas coisas são importantes. Número 1: temperatura e dióxido de carbono na atmosfera vão para cima e para baixo basicamente em sincronia. Isto pode ser visto nas linhas laranja e azul. A natureza permite níveis de dióxido de carbono no valor de 280 partes por milhão. Este é o ciclo natural. Vai até 280 e ai cai por muitas razões que não são importantes de discutir agora. Mas 280 é o pico. Agora, se você olhar no topo do gráfico, no canto direito, nós estamos com 385 partes por milhão. Estamos muito, muito acima do normal, da variação natural. A Terra está com febre. Nos últimos séculos, a temperatura da Terra subiu 1, 3 graus Fahrenheit, 0, 75 graus Celsius e ainda se elevará mais porque estamos despejando combustíveis fósseis na atmosfera. Num ritmo de 2, 5 partes por milhão por ano. Está sendo um aumento cruel e constante. Nós temos que reverter isto. Este ponto é crucial, e eu espero emplacar isto pela Times Square em Nova York e em muitos outros lugares. De todo modo, vamos para o mundo do gelo. Estamos na Geleira Colúmbia, no Alasca. Esta é uma vista do que chamamos de face de desmoronamento. Isto é o que nossas câmeras viram no curso de alguns meses. Você vê a geleira fluindo da direita, despejando-se no oceano, a câmera fotografando a cada hora. E se você olhar lá no meio da imagem de fundo. verá que a face da geleira sobe e desce como um ioiô. Isto significa que a flutuação da geleira é instável, e você está prestes a ver as consequências dessa instabilidade. Para lhe dar um senso de escala, esta face desmoronante nesta imagem tem 99 metros. São 32 andares. Não é uma pequena subida. Isto é um grande prédio empresarial em um centro urbano. A face desmoronante é a muralha visível do gelo que se desprende, mas de fato, isto tem outros 600 metros de profundidade abaixo da linha do mar. Então, tem uma muralha de gelo de várias centenas de metros de gelo de profundidade indo até o leito rochoso, na base rochosa de solo, ou flutuando, se não está em solo firme Aqui estão os acontecimentos em Colúmbia. Isto é no centro-sul do Alasca. Esta foi uma foto aérea que tirei, em um dia de junho, três anos atrás. Esta é a imagem aérea que fizemos neste ano. E esta é a retração desta geleira. O fluxo principal, o fluxo da geleira está vindo da direita e este fluxo está aumentando rapidamente. Nós estaremos lá em cima em algumas semanas, e acreditamos que terá retrocedido mais uns 800 metros, mas se eu for lá e descobrir que isto desmoronou e que se retrocedeu outros 8 quilômetros, eu não ficaria nem um pouco surpreso. É difícil sentir o tamanho da dimensão destes lugares porque se as geleiras -- um dos detalhes de áreas como o Alasca e a Groelândia é que são muito vastas, não são paisagens normais -- mas se geleiras estão se retraindo, elas estão também murchando, como um balão que deixa vazar o ar. Então, há detalhes impressionantes nessas paisagens. Há uma risca, no meio desta imagem, logo acima de onde aquela seta surge, e isto consegue lhe mostrar um pouco disto. Aqui está uma marca, chamada de linha de referência sob nossa pequena marcação vermelha ali. Isto é algo que nenhum fotógrafo de perspectiva jamais faria -- você por uma ilustração boba nessa foto, certo? ainda assim, temos que o fazer para darmos uma proporção destes eventos. Mas, de todo modo, a diminuição desta geleira desde 1984 foi maior que a Torre Eiffel, maior que o prédio do Empire State. Uma enorme quantidade de gelo escorreu por estes vales enquanto o gelo se retraia e diminuía, deixando apenas os vales. Estas mudanças no mundo alpino estão se acelerando Não são estáticas. Em especial nos mares glaciais, a taxa de mudança está fora das previsões de alguns anos atrás então, ou o processo está se acelerando ou as previsões foram muito abaixas, para começar. De todo modo, há grandes, grandes mudanças acontecendo enquanto falamos. Então, aqui outra foto intercalada de Colúmbia. E você vê onde o gelo terminava, num destes dias de primavera, Junho, Maio, então Outubro. Agora, ligamos nosso tempo intercalado. Esta câmera fotografava a cada hora. Processos geológicos estão acontecendo aqui. E todos dizem, "Bem, o gelo não avança mar adentro no inverno?" Não. Está se retraindo através do inverno, porque esta não é uma geleira saudável. Finalmente consegue se recompor, e avançar. Você pode ver estas imagens uma vez após a outra porque há uma estranha, bizarra fascinação em ver estas coisas que não seriam vistas ganhando vida normalmente. Temos conversado sobre ver para crer e ver o não visto nas palestras TED. E é isto que você vê com estas câmeras. Estas imagens transformam em visível o invisível. Abrem-se fendas enormes. Estas grandes ilhas de gelo se partem -- e agora, assista isto. Isto era na primavera deste ano -- um imenso colapso. Isto aconteceu em cerca de um mês, a perda de todo este gelo. Então, aqui que começamos três anos atrás, bem lá para a esquerda, e aqui é onde terminamos alguns meses atrás, na última vez que fomos a Colúmbia. Para transmitir a magnitude da retração, fizemos outra ilustração. Com ônibus de dois andares ingleses. Se você alinhasse 295 desses ônibus, é aproximadamente isto que o gelo retrocedeu. É uma grande distância. Para a Islândia. Uma das minhas geleiras favoritas, a Sólheimajökull E aqui, se assistirmos, podemos ver a retração na base, podemos ver esse rio sendo formado, pode-se ver o gelo diminuindo. Sem este processo fotográfico, você nunca veria isto. Seria invisível. Poderia ficar lá, observando a vida toda e nunca se dar conta disto, mas a câmera consegue gravar isto. Então, voltamos no tempo agora. Voltamos 2 anos no tempo. Aqui é onde começamos. Aqui é onde terminamos, alguns meses atrás. E agora, na Groelândia. Quanto menor a quantidade de gelo, mais rapidamente ele responde ao clima. Groelândia demorou um pouco para começar a se retrair em resposta ao aquecimento do clima no século passado, mas seu ritmo ficou galopante há 20 anos atrás. E houve um tremendo aumento de temperatura lá. É um lugar imenso. Puro gelo. Todas essas cores são gelo e há espessuras de mais de 3 quilômetros, uma doma gigante que emerge e aumenta em seu miolo. Mas há essa geleira na Groelândia que despeja mais gelo nos oceanos que todas as outras geleiras do hemisfério norte combinadas: a Geleira Ilulissat. Temos umas câmeras na borda sul de Ilulissat, observando a face desmoronante enquanto ela se retrai dramaticamente. Aqui está uma gravação de como isto aconteceu nos últimos 2 anos. O helicóptero está na em frente a face desmoronante só para comparação, e ele fica diminuto rapidamente Esta fenda tem 7, 2 km de ponta a ponta e nesta tomada, enquanto nos afastamos, estamos vendo apenas 2, 4 km dela toda. Então, imagine como isto é grande e quando gelo ela está soltando. O interior da Groelândia é para a direita. O fluxo vai para o Oceano Atlântico, para a esquerda. Icebergs muitas, muitas vezes maior que este prédio estão partindo para mar aberto. Baixamos estas imagens poucas semanas atrás como você pode ver, 25 de Junho, com um evento de desmoronamento monstruoso acontecendo. Vou-lhes mostrar um destes em um segundo. Esta geleira dobrou sua velocidade de escoamento nos últimos 15 anos. Agora, está indo a 38 metros por dia, despejando todo este gelo no oceano Costumam acontecer em pulsos a cada 3 dias, mas na média, 38 metros por dia, duas vezes a velocidade de 20 anos atrás. Ok. Temos uma equipe olhando esta geleira, e nos gravamos o maior evento de desmoronamento jamais filmado. Tínhamos 9 câmeras posicionadas. E isto é que duas delas viram. Um desmoronamento com 120 metros de altura de gelo se partindo. Imensos, imensos icebergs deslizando. Bem, quão alto é isto? Difícil ter uma idéia. Então mais uma ilustração traz a sensação da proporção. 1, 6 km de retração em 75 minutos por esta face, em uma abertura em particular de 4, 8 km de comprimento. O bloco tinha 960 metros de profundidade e se você comparar a expansão desta face desmoronante à Tower Bridge de Londres, são quase 20 pontes de largura. Ou se pegar uma referência nos Estados Unidos, como o Capitólio você poderia colocar 3000 deles naquele bloco para ter uma idéia do volume que aquele bloco tinha. Tudo isto em 75 minutos. Agora eu concluo após um longo tempo aprendendo sobre a mudança climática que nós não temos um problema econômico, tecnológico ou de políticas públicas. Nós temos um problema de percepção. A política, economia e tecnologia são questões realmente sérias, mas de fato nós podemos lidar com elas. Estou certo que nós podemos. Mas o que temos é um problema de percepção porque um número insuficiente de pessoas realmente entenderam. Vocês são uma audiência elitizada. Vocês entendem. Felizmente, muitos líderes políticos nos mais proeminentes países do mundo são espectadores elitizados que também entendem isto. Mas ainda assim, precisamos trazer muitas pessoas para junto de nós. E é isto que eu penso de organismos como o TED, assim como a pesquisa em Grandes Geleiras, que podem ter um grande impacto na percepção do homem e nos fazer unir. Porque acredito que agora nós temos uma oportunidade. Estamos a beira de uma crise, mas ainda temos a oportunidade de encarar o maior desafio de nossa geração, de nosso século, de fato. Isto é uma convocação para que façamos a coisa certa para nós e para o futuro. E eu tenho esperança que nosso conhecimento deixe os anjos de uma natureza melhor se levante na ocasião e façam o que tem que ser feito. Obrigado.
pt
453
Sustentabilidade representa o quê, o onde e o como do que é tomado. O quê e o por quê são os mais importantes para mim. Eu quero conhecer as pessoas por trás de minhas escolhas do jantar. Eu quero saber como os impacto. Eu quero saber como eles me impactam. Eu quero saber por que eles pescam. Eu quero saber como eles dependem da água para sua sobrevivência. Entender tudo isso nos habilita a aprimorar nossa percepção sobre os frutos do mar de uma commodity para uma oportunidade de restaurar nosso ecossistema. Isso nos possibilita celebrar os frutos do mar que nós também temos a sorte de comer. Então como chamamos a isso? Eu acho que chamamos de frutos do mar restaurativos Onde a sustentabilidade é a capacidade de suportar e manter, retaurativa é a habilidade de prover e progredir Frutos do mar restaurativos permitem um sistema evolutivo e dinâmico reconhecendo nossa relação com o oceano como um recurso, sugerindo que nos engajemos em abastecer o oceano e em estimular sua resiliência. É uma maneira mais esperançosa, mais humana e mais útil de entender nosso ambiente. Guias de bolso -- típicos no mundo da conservação marinha -- são muito convenientes, são uma maravilhosa ferramenta. Listas verdes, amarelas e vermelhas de espécies de frutos do mar. A associação é muito fácil: compre verde, não compre vermelho, pense duas vezes sobre o amarelo. Mas em minha mente, não é suficiente apenas comer da lista verde. Nós não podemos sustentá-lo sem medir nosso sucesso em mudar o destino das espécies na [lista] amarela e na vermelha Mas e se nós comermos apenas da lista verde? Teríamos um atum pescado com vara aqui -- vindo de um estoque sustentável. Pescado com vara -- sem captura incidental Bom para os pescadores. Muito dinheiro. Sustentando a economia local. Mas ele é um leão do mar. É um predador de topo. Qual é o contexto desta refeição? Eu estou sentado num restaurante para uma porção de 450g disso? Eu faço isso três vezes por semana? E posso ainda estar na lista verde, mas eu não estou fazendo a mim mesmo, ou a você, ou aos oceanos nenhum favor. O fato é que temos que ter um contexto, uma medida para nossas ações em tudo isso. Exemplo: Eu ouvi que o vinho tinto é bom para minha saúde -- antioxidantes e minerais -- bom para o coração. Isso é ótimo! Eu amo vinho tinto! Eu vou beber muito. Eu vou ser saudável. Bem, quantas garrafas antes de você me dizer que eu tenho um problema? Pessoal, nós temos um problema com proteinas. Nós perdemos a sensibilidade em relação à nossa comida, e estamos pagando um preço. O problema é que escondemos o preço sob as ondas. Estamos escondendo o custo por detrás da aceitação social de expandir nossa cintura. E escondemos o custo sob o monstro dos lucros. Assim a primeira coisa a respeito dessa ideia dos frutos do mar restaurativos é que ela realmente leva em consideração nossas necessidades. Frutos do mar restaurativos podem ser melhor represendados, não por Tubarão, ou Flipper, ou "Gordon's fisherman" mas sim, por "Jolly Green Giant". Vegetais: eles podem salvar os oceanos. Sylvia gosta de dizer que o azul é o novo verde. Bem eu gostaria de respeitosamente dizer que o verde-brócolis pode ser o novo azul. Devemos continuar comento os melhores frutos do mar possíveis. Mas também temos que comê-los com uma tonelada de vegetais A melhor parte dos frutos do mar restaurativos é que vêm em conchas com um vidro de Tabasco e fatias de limão Vêm em uma porção de tílápia de 140g empanada com mostarda Dijon e farinha de rosca crocante e uma pilha fumegante de pilaf de quinoa e pecan com brócolis grelhado, crocante tão leve e doce e tostado e defumado por fora com a penas um toque de pimenta Uau! É uma venda fácil. E o melhor é que todos estes ingredientes estão disponíveis a toda família vizinha do Walmart. Jamie Oliver está em campanha para salvar a América de sua maneira de comer. Sylvia está em campanha para salvar os oceanos da maneira como nós comemos. Há um padrão aqui. Esqueça o holocausto nuclear. é com o garfo que devemos nos preocupar. Temos devastado a Terra e então usado a comida da qual viemos para nos prejudicar em mais de uma forma. Então, eu acho que estamos equivocados em nosso modo de comer. Então eu penso que é hora de mudarmos o que esperamos de nossa comida. A sustentabilidade é complicada, mas jantar é uma realidade que todos nós entendemos, então vamos começar aí. Tem havido muitos movimentos recentes em tornar verde nosso sistema alimentar. Dan Barber e Alice Waters estão liderando apaixonadamente a Revolução Deliciosa da comida saudável Mas comida saudável frequentemente representa uma forma de ignorarmos a responsabilidade como alimentados. Apenas porque vem de uma fonte verde não significa que possamos menosprezar o prato. Temos camarão eco-amigo. Podemos produzí-lo; temos a tecnologia. Mas nunca poderemos ter um rodízio de camarão eco-amigo. Não funciona. Um jantar saudável ao coração é uma parte muito importante dos frutos do mar restaurativos. Enquanto tentamos manejar o declínio das populações marinhas, a mídia recomenda aumentar o consumo de frutos do mar. Estudos dizem que dezenas de milhares de avós, avôs, mães e pais americanos devem estar por perto para mais um aniversário se incluírmos mais frutos do mar. Essa é uma recompensa que eu quero. Mas não se trata apenas dos frutos do mar. é sobre como olhamos para nossos pratos. Como chef, eu percebi que a coisa mais fácil para eu fazer é reduzir o tamanho das porções de meus pratos. Algumas coisas aconteceram, Eu ganhei mais. As pessoas começaram a comprar aperitivos e saladas porque elas sabiam que não iriam se satisfazer apenas com as entradas. As pessoas gastaram mais tempo em suas refeições, relacionando-se umas com as outras em suas refeições. As pessoas conseguiram, em resumo, mais daquilo que foram procurar, embora tenham recebido menos proteínas Eles receberam mais calorias ao longo de uma refeição diversificada. Ficaram mais saudáveis. Eu ganhei mais dinheiro. Isso é ótimo. Consideração ambiental foi servida com cada prato, mas servida com uma montanha de consideração pelos interesses humanos ao mesmo tempo Uma outra coisa que fizemos foi começar a diversificar as espécies que servimos -- manjubinhas, anchova, cavala, sardinha eram comuns Mariscos, mexilhões, ostras, lambretas, tilápias, bacalhau -- eram as espécies comuns. Nós fomos direcionando os paladares para opções mais restaurativas, mais resilientes. Isso é o que devemos favorecer. É o que a lista verde diz. Mas é também como poderemos começar a restaurar o meio ambiente. Mas e esses grandes predadores, essas espécies fascinantes, daquele atum da lista verde que eu falei antes? Bem, se você quiser, eu tenho uma receita para você. Funciona bem com quase todo peixe grande do oceano, lá vamos nós. Comece com uma porção de 450g de um peixe grande. Pegue uma faca. Corte em 4 porções. Ponha em 4 pratos. Encha esses 4 pratos com vegetais e então abra a melhor garrafa de Burgundy que você tem, acenda as velas e comemore. Comemore a oportunidade de poder comê-lo. Convide seus amigos e vizinhos e repita isso uma vez por ano, talvez. Eu espero muito da comida. Eu espero saúde e alegria e família e comunidade. Eu espero que produzir ingredientes, preparar pratos e comer as refeições tudo seja parte da comunhão dos interesses humanos. Eu tenho muita sorte que meu pai seja um cozinheiro fantástico. E ele me ensinou desde cedo sobre o privilégio que representa comer. Eu me lembro bem das refeições de minha infância. Elas eram porções razoáveis de proteína servidas com grande quantidades de vegetais e uma pequena porção de amido, geralmente arroz. Essa é a forma como ainda me alimento hoje. Eu fico doente quando eu vou a "churrascarias" Eu fico exalando a carne. É como uma ressaca de proteína. É nojento. Mas de todas as notícias terríveis que você vai ouvir e que você ouviu do estado dos oceanos, eu tenho o desafortunado fardo de dizer a você possivelmente o pior disso, e que acontece toda hora, é que sua mãe estava certa. Coma suas verduras. É muito simples. Então o que você procura em uma refeição? Bem, para saúde, eu procuro ingredientes integrais que são bons para meu corpo. Para alegria, procuro por manteiga e sal e as coisas "sexy" para que tenha menos gosto de penitência Para familia, procuro por receitas que se curvem diante de minha história pessoal. Para a comunidade, porém, voltamos ao começo. Não há como escapar ao fato tudo que comemos tem um impacto global Então tente e aprenda o melhor que puder qual é o impacto e depois dê o primeiro passo para minimizá-lo. Nós vimos uma imagem de nosso planeta azul, nosso banco mundial. Mas ele é mais que um repositório de recursos; ele é também a geografia global da comunhão que chamamos de jantar. Então se nós pegarmos apenas o que precisamos, poderemos começar a repartir o resto, podemos começar a celebrar, podemos começar a restaurar. Precisamos saborear verduras. Precisamos saborear porções menores de frutos do mar. e devemos salvar o jantar. Obrigado.
pt
454
Thomas Dolby: Por puro prazer por favor recebam a adorável, a deleitável, e a bilíngue Rachelle Garniez. ♫ Quando ele me pega em seus braços ♫ ♫ Ele me sussurra, ♫ ♫ Eu vejo a vida em rosa. ♫ ♫ Ele me disse palavras de amor, ♫ ♫ Palavras de todos os dias, ♫ E isso me toca. ♫ Entrou no meu coração ♫ ♫ Um pouco de felicidade ♫ ♫ Que sei a causa. ♫ ♫ É ele para mim. Eu para ele ♫ ♫ Na vida, ♫ ♫ Ele me disse, jurou pela vida. ♫ ♫ E assim que eu o vejo ♫ ♫ Então sinto em mim ♫ ♫ Meu coração que bate ♫
pt
455
Esta é uma tirinha cômica recente do "Los Angeles Times". Qual a piada? "Por outro lado, eu não tenho que levantar às quatro todo dia de manhã para ordenhar meu Labrador." Esta é uma capa recente da "New York Magazine". Melhores hospitais onde médicos dizem que iriam para tratamento de câncer, partos, derrames, problemas coronários, substituições de quadril, emergências às 4 da manhã. E esta é uma miscelânea musical que eu compilei -- Vocês já notaram que quatro da manhã se tornou um tipo de meme ou abreviação? Significa algo como estar acordado na pior hora possível. Um horário para inconvenientes, contratempos, saudades. Um horário para planejar atacar o chefe de polícia, como nessa clássica cena de "O Poderoso Chefão." O script de Coppola descreve esses caras como "exaustos com as mangas arregaçadas. É quatro da manhã." Um horário para coisas ainda mais assustadoras que isso, como autópsias e embalsamamentos na obra de Isabel Allende "A casa dos espíritos". Após a impressionante Rosa, dos cabelos verdes, ser assassinada, os médicos preservam-na com unguentos e pomadas. Eles trabalharam até as 4 horas Um horário para coisas ainda mais assustadoras que isso, como na revista "New Yorker" de Abril último, esse curto pedaço de ficção de Martin Amis começa, "Em 11 de setembro de 2001, ele abriu seus olhos às 4 da manhã em Portland, Maine, e o último dia de Mohammed Atta começou." Para um horário que eu acho a mais tranquila hora do dia, e sem ocorrências especiais, quatro da manhã com certeza recebe demasiadamente bastante publicidade negativa -- vinda de vários diferentes meios de comunicação e de vários grandes nomes. E me deixou desconfiado. Eu percebi, com certeza, algumas das mentes artísticas mais criativas do mundo, não estão recorrendo a esta alegoria fácil como se eles a tivessem inventado, certo? Poderia ser que há algo mais acontecendo aqui? Algo proposital, algo secreto, e quem, afinal, começou com essa acusação injusta sobre 4 da manhã? Eu digo, este cara -- Alberto Giacometti, mostrado aqui com algumas das suas esculturas na nota de 100 francos suíços. Ele o fez com esta famosa obra do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. O título -- "O palácio às quatro da manhã -- 1932. Não somente a primeira menção oculta às quatro da manhã que eu pude encontrar. Eu acredito que essa suposta primeira escultura surrealista pode oferecer uma chave incrível para praticamente todos as descrições artísticos de quatro da manhã que a sucederam. Eu chamo isso de "O Código Giacometti", exclusivo do TED. Não, fiquem à vontade para acompanhar com seus Blackberries ou com seus iPhones se vocês têm um. Funciona um pouco assim -- essa é uma recente busca no Google por quatro da manhã. Os resultados variam, claro. Mas isso é bem típico. Os primeiros 10 resultados lhe dão quatro referências à música de Faron Young, "É Quatro da Manhã", três referências ao filme de Judi Dench, "Quatro da Manhã", uma referência ao poema de Wislawa Szymborska, "Quatro da Manhã". Mas o quê, vocês perguntam, uma poeta polonesa, uma dama inglesa, e um famosíssimo cantor de música country têm em comum além desta excelente posição no Google? Bem, vamos começar com Faron Young -- que nasceu, a propósito, em 1932. Em 1996, ele se matou com um tiro na cabeça em nove de dezembro -- que, a propósito, é o dia do aniversário de Judi Dench. Mas ele não morreu no dia do aniversário de Dench. Ele padeceu até a tarde seguinte quando ele finalmente sucumbiu a um tiro supostamente dado por si mesmo aos 64 anos -- que, a propósito, era a idade de Alberto Giacometti quando ele morreu. Onde estava Wislawa Szymborska durante isso tudo? Ela tem o álibi mais impenetrável do mundo. Neste mesmo dia, 10 de dezembro de 1996, enquanto o Sr. Quatro da Manhã, Faron Young, estava batendo as botas em Nashville, Tennessee, a Srta. Quatro da Manhã -- ou uma delas -- Wislawa Szymborska estava em Estocolmo, Suécia, recebendo o prêmio Nobel de literatura. Exatamente 100 anos após a morte do próprio Alfred Nobel. Coincidência? Não, é horripilante. Coincidência para mim é uma mágica muito mais simples. É como eu contar para você, "Ei, você sabia que o prêmio Nobel foi estabelecido em 1901, que coincidentemente é o mesmo ano em que Alberto Giacometti nasceu?" Não, nem tudo se encaixa perfeitamente no paradigma, mas isso não signifca que não haja nada acontencendo nos níveis mais altos possíveis. Na verdade, há pessoas neste recinto que podem não querer que eu mostre para vocês este clipe que vocês verão agora. Vídeo: Nós temos uma quadra de tênis, uma piscina, uma sala de projeção -- Você quer dizer que, seu eu quiser costelinhas de porco, mesmo no meio da noite, seu cara irá fritá-las para mim? Claro, ele é pago para isso. Agora, você precisa de toalhas, lavanderia, empregadas? Espere, espere, espere, espere -- deixa eu ver se entendi direito. É o dia de Natal, 4 da manhã. E tem um barulho no meu estômago. Homer, por favor. Espere, espere, espere, espere. Deixa eu ver se eu entendi isso direito, Matt. Quando o Homer Simpson precisa imaginar o momento mais remoto possível, não só no relógio, mas no calendário inteiro, ele me aparece com 0400 no aniversário do bebê Jesus. E não, eu não sei como funciona no grande e estarrecedor esquema das coisas, mas obviamente, eu reconheço uma mensagem codificada quando eu vejo uma. Eu disse, eu reconheço uma mensagem codificada quando eu vejo uma. E pessoal, vocês podem comprar uma cópia do "Minha vida" de Bill Clinton, na livraria aqui no TED. Analisem-no do começo ao fim procurando por quaisquer referências escondidas que vocês queiram. Ou vocês podem ir para o website da editora Random House onde há esse trecho. E vocês se perguntam quanto precisam descer na página para chegar no bilhete premiado? Vocês acreditariam, cerca de doze parágrafos? Essa é a página 474 do seus livros em brochura, se vocês estiverem seguindo: "Apesar de que estava ficando melhor, eu ainda não estava satisfeito com o discurso de posse. Meus escritores de discurso deviam estar arrancando seus cabelos porque enquanto trabalhávamos entre uma e quatro da manhã no dia da posse, eu ainda o estava modificando." Claro que você estaria, porque você se preparou sua vida inteira para esse evento histórico que se passa a cada quatro anos que chega, de repente, de surpresa. E então -- três parágrafos depois nós obtemos esta belezinha: "Nós voltamos para a Blair House para rever o discurso uma última vez. Ele tinha melhorado bastante desde as 4 da manhã". Bem, como poderia não ter melhorado? Pela sua própria descrição, esse homem estava ou sonolento em um encontro para rezar com Al e Tipper, ou aprendendo como lançar um míssel nuclear a partir de uma maleta. O que acontece com presidentes americanos às 0400 no dia de posse? O que aconteceu com William Jefferson Clinton? Nós talvez nunca saibamos. E eu percebi, ele não está exatamente por aqui hoje para responder a perguntas difíceis. Poderia ficar embaraçoso, certo? Quero dizer, afinal de contas, todo esse negócio aconteceu sob sua vista. Mas se ele estivesse aqui -- ele poderia nos lembrar, como ele o faz no fechamento de sua bela autobiografia, que neste dia, Bill Clinton começou uma jornada -- uma jornada que o viu continuar para se tornar o primeiro presidente democrata eleito a dois mandatos consecutivos em décadas. Em gerações. O primeiro, desde este homem, Franklin Delano Roosevelt, que iniciou sua própria jornada sem precedentes lá atrás em sua própria primeira eleição, lá atrás numa época mais simples, lá atrás em 1932 -- o ano em que Alberto Giacometti criou "O Palácio às Quatro da Manhã." O ano, relembremos, que esta voz, agora falecida, primeiro apareceu chorando neste grande, velho, e maluco mundo que é o nosso.
pt
456
Todos, em nossa vida em sociedade, somos tocados pelo câncer -- se não pessoalmente, então por meio de alguém que amamos, um familiar, um colega, um amigo. E uma vez que nossas vidas são tocadas pelo câncer, nós rapidamente aprendemos que existem basicamente três armas, ou três ferramentas, disponíveis para combater a doença: cirurgia, radiação e quimioterapia. E uma vez que nos envolvemos nas decisões terapêuticas, novamente, quer pessoalmente ou juntamente com pessoas que amamos e familiares, nós também aprendemos rapidamente os benefícios, as concessões e as limitações dessas ferramentas. Sou muito grato a Jay e Mark e a equipe do TEDMED por me convidarem hoje para descrever uma quarta ferramenta, uma nova ferramenta, que chamamos de Campos de Tratamento de Tumor Os Campos de Tratamento de Tumor foram inventados por Dr. Yoram Palti, professor emérito da Technion em Israel. E eles usam campos elétricos de baixa intensidade para combater o câncer. Para entender como os Campos de Tratamento de Tumor funcionam, nós precisamos primeiramente entender o que são campos elétricos. Deixem-me primeiro apresentar alguns equívocos populares. Em primeiro lugar, os campos elétricos não são uma corrente elétrica que está em curso através do tecido. Os campos elétricos não são radiação ionizante, como raios-X ou feixes de prótons, que bombardeiam o tecido para romper o DNA. E os campos elétricos não são magnetismo. O que os campos elétricos são são campos de força. E essas forças afetam, atraem corpos que têm uma carga elétrica. A melhor maneira de visualizar um campo elétrico é pensar na gravidade. A gravidade também é um campo de forças que afeta as massas. Todos nós podemos imaginar os astronautas no espaço. Eles flutuam livremente em três dimensões sem nenhuma força os afetando. Mas assim que a nave espacial retorna à Terra e os astronautas entram no campo gravitacional da Terra, eles começam a sentir os efeitos da gravidade. Eles começam a ser atraídos para a Terra. E assim que aterrizam, eles ficam completamente alinhados ao campo gravitacional. Estamos, é claro, todos presos ao campo gravitacional da Terra, nesse instante. Por isso todos vocês estão em suas cadeiras. E esse é o motivo de usarmos nossa energia muscular para levantar, para caminhar e para levantar coisas. No câncer, as células se dividem rapidamente o que resulta em um crescimento descontrolado do tumor. Podemos pensar em uma célula, numa perspectiva elétrica, como se fosse uma mini estação espacial. E nessa estação espacial temos o material genético, os cromossomos, dentro de um núcleo. E na sopa citoplasmática nós temos proteínas especiais que são necessárias para a divisão celular, que flutuam livremente nessa sopa em três dimensões. Essencialmente, essas proteínas especiais estão entre os objetos que recebem cargas mais elevadas no nosso corpo. Quando a divisão celular inicia o núcleo se desintegra, os cromossomos se alinham no meio da célula e essas proteínas especiais são submetidas a uma sequência tridimensional pela qual elas se juntam e elas, literalmente se encaixam uma depois da outra para formar cadeias. Essas cadeias então se desenvolvem e ligam-se ao material genético e o afastam de uma célula em duas células. E é exatamente assim que uma célula cancerosa se torna duas células cancerosas, duas células cancerosas tornam-se quatro células cancerosas, e por fim temos crescimento tumoral descontrolado. Os Campos de Tratamento de Tumor usam transdutores colocados externamente ligados a um gerador de campo para criar um campo elétrico artificial nessa estação espacial. E, quando esta estação espacial celular está dentro do campo elétrico, ela afeta essas proteínas altamente carregadas e as alinham. Isso as impede de formar essas cadeias, estes fusos mitóticos, que são necessários para puxar o material genético para as células filhas. O que observamos é que as células tentarão dividir-se durante várias horas. E, depois, ou entram no chamado suicídio celular, morte celular programada, ou formam células filhas doentes que entram em apoptose assim que são divididas. E isso nós podemos observar. A seguir, vou mostrar-lhes dois experimentos in vitro. Estas são culturas, culturas idênticas de células cervicais cancerosas. Nós tingimos essas culturas com tintura verde fluorescente para que possamos observar essas proteínas que formam tais cadeias. As primeiras imagens mostram uma divisão celular normal sem os Campos de Tratamento de Tumor. O que vemos são, primeiramente, uma cultura muito ativa, muitas divisões, e, depois, núcleos muito nítidos assim que as células se separam. E, podemos as ver se dividindo em toda parte. Quando aplicamos esses campos -- de novo, numa escala de tempo idêntica à uma cultura idêntica -- vocês verão algo diferente. As células se curvam para se dividirem, mas ficam muito estáticas naquela posição Nós vamos ver duas células na parte superior da tela tentando se dividir. Aquela dentro do círculo consegue. Mas vejam quanto da proteína ainda está por todo o núcleo, até mesmo na célula que se divide. Aquela em cima nem consegue dividir-se. E depois, este borbulhar da membrana, é a marca típica da apoptose da célula. A formação de fusos mitóticos saudáveis é necessária para a divisão, em todos os tipos de células. Nós aplicamos os Campos de Tratamento de Tumor em mais de 20 diferentes tipos de câncer no laboratório, e vemos este efeito em todos eles. Agora, o importante é que este Campo de Tratamento de Tumor não tem efeito nas células normais que não se dividem. 10 anos atrás, Dr. Palti fundou a companhia Novocure para desenvolver sua descoberta numa terapia prática para pacientes. Naquela época, a Novocure desenvolveu 2 sistemas -- um para os cânceres da cabeça e outro para os cânceres do tronco. O primeiro câncer em que focalizamos foi o câncer letal do cérebro, glioblastoma multiforme. glioblastoma multiforme afeta cerca de 10. 000 pessoas nos EUA a cada ano. É uma sentença de morte. A sobrevida esperada de 5 anos é menor que 5%. E o paciente comum. com a melhor terapia sobrevive pouco mais de um ano e apenas uns sete meses a partir do data que o câncer foi tratado pela primeira vez e depois regressa e começa a crescer novamente. A Novocure conduziu três experimentos clínicos aleatórios na sua primeira fase em pacientes com glioblastoma multiforme recorrente. Então, esses pacientes que tinham sido operados, receberam altas doses de radiação na cabeça e quimioterapia de primeira linha, que tinha falhado e os tumores tinham voltado a crescer. Dividimos os pacientes em dois grupos. O primeiro recebeu quimioterapia de segunda linha, que se espera dobrar a expectativa de vida, se comparado a nenhum tratamento. E o segundo grupo apenas recebeu a terapia Tratamento de Campo do Tumor. O que vimos neste experimento foi que a expectativa de vida nos dois grupos -- o grupo tratado com quimioterapia e o grupo do Campo de Tratamento de Tumor -- era a mesma. Mas principalmente, o grupo do Campos de Tratamento de Tumor não sofreu nenhum efeito colateral comum em pacientes da quimioterapia. Não sentiram dores, não tiveram nenhuma infecção. Não tiveram náusea, diarréia, prisão de ventre, fadiga que seria esperado. Baseado neste experimento, em abril deste ano, O FDA aprovou o uso do Campos de Tratamento de Tumor para o tratamento de pacientes com glioblastoma multiforme recorrente. Muito importante dizer que esta foi a primeira vez que o FDA incluiu na sua lista de aprovação de um tratamento oncológico, uma reivindicação de qualidade de vida. Vou lhes mostrar agora um dos pacientes desse experimento. Robert Dill-Bundi é um famoso campeão suíço de ciclismo. Ele ganhou a medalha de ouro em Moscou, na corrida de bicicleta de 4. 000 metros. E cinco anos atrás, Robert foi diagnosticado com glioblastoma multiforme. Ele foi tratado com tratamentos padrões. Foi operado. Recebeu alta dose de radiação na cabeça. E recebeu quimioterapia de primeira linha. Um ano após este tratamento -- na verdade, esta é sua linha de base de ressonância magnética. Vocês podem que ver que as regiões pretas no quadrante superior direito são as áreas em que ele foi operado. E, um ano após esse tratamento, o tumor voltou a crescer de forma vigorosa. Esta massa branca nebulosa que veem é o reaparecimento do tumor. Nessa altura, ele foi informado pelos médicos que tinha cerca de 3 meses de vida. Ele entrou no nosso estudo. E, aqui podemos vê-lo sendo tratado com a terapia. Primeiramente, esses eletrodos não são invasivos. Eles são colocados na pele, na área do tumor. Aqui vocês podem ver que uma técnica os coloca como uma atadura de gaze. Os pacientes aprendem a fazer isso eles próprios e depois os pacientes podem continuar suas atividades cotidianas. Não há nenhum cansaço. Não há nada daquilo que chamamos de "cabeça de químio". Não há sensação. Ele não interfere com computadores ou equipamentos elétricos. E a terapia é contínua, em casa, sem necessidade de ir ao hospital quer periódica ou continuamente. Estas são as ressonâncias magnéticas de Robert, de novo, somente sob o tratamento Campos TT. Essa é uma terapia que demora a funcionar. É um dispositivo médico, funciona quando está ligado. Mas o que podemos ver é que no mês 6, o tumor respondeu e começou a desaparecer. Ainda está lá. Lá pelo mês 12, poderíamos questionar se há um pouco de material em volta das bordas, mas ele, praticamente, desapareceu. Passaram-se 5 anos desde o diagnóstico e Robert está vivo, mas o que é importante é que ele está saudável e está trabalhando. Vou deixá-lo, neste curto clipe, descrever as suas impressões acerca da terapia com suas próprias palavras. Robert Dill-Bundi: A minha qualidade de vida, considero o que tenho hoje um pouco diferente do que a maioria das pessoas suporia. Sou o mais feliz, a pessoa mais feliz do mundo. E todas as manhãs eu aprecio a vida. Todas as noites eu adormeço muito bem, e sou, repito, o homem mais feliz do mundo, e sou grato por estar vivo. BD: A Novocure também está trabalhando com câncer do pulmão como segundo alvo. Fizemos um estudo clínico de segunda fase na Suíça novamente, em pacientes recorrentes -- pacientes que receberam terapia padrão e que o câncer tinha retornado. Vou mostrar-lhes um outro clipe de uma mulher chamada Lydia. Lydia é uma agricultora de 66 anos na Suíça Ela foi diagnosticada com câncer do pulmão cinco anos atrás. Passou por quatro regimes diferentes de quimioterapia durante dois anos, dos quais nenhum produziu efeito. O câncer continuou crescendo, Três anos atrás, ela entrou para a pesquisa de câncer de pulmão da Novocure. Vocês podem ver, no caso dela, ela usa uma série de transdutores, um na frente do seu peito, um nas costas, e um segundo par lado a lado sobre o fígado. Vocês podem ver o gerador de campo do Campo de Tratamento de Tumor, mas, principalmente, também a vemos vivendo sua vida. Ela cuida da sua fazenda. Ela interage com seus filhos e netos. E, quando falamos com ela, ela disse que quando estava fazendo quimioterapia, tinha que ir ao hospital todo mês para fazer as infusões. Toda a família sofria quando o sintoma dos efeitos colaterais vinham e desapareciam. Agora ela pode conduzir todas as atividades em sua fazenda. É só o começo. No laboratório, observamos uma sinergia extraordinária entre a quimioterapia e os Campos de Tratamento de Tumor. Há pesquisas ocorrendo agora na Faculdade de Medicina de Harvard para escolher os pares ideais para maximizar o benefício. Também acreditamos que os Campos de Tratamento de Tumor funcionarão com radiação e interromperão os mecanismos de auto-reparação que possuímos. Uma nova pesquisa está sendo conduzida agora no Karolinska, na Suécia para provar essa hipótese. Temos mais estudos planejados para câncer do pulmão, câncer do pâncreas, câncer no ovário e câncer de mama. E eu acredito veementemente que nos próximos 10 anos os Campos de Tratamento de Tumor serão uma arma disponível para médicos e pacientes para todos estes tumores sólidos mais difíceis de tratar. Também tenho muita esperança que nas próximas décadas, faremos grandes avanços na redução da taxa de mortalidade que tem sido o grande desafio dessa doença. Obrigado.
pt
457
No tocante a emoções, não devemos nos apressar no deserto. Portanto, primeiramente, temos um anúncio da casa: por favor, desliguem os seus programas de verificação de bom inglês instalados em seus cérebros. Sejam bem-vindos ao Deserto Dourado, na Índia. É o lugar onde menos chove no país, a menor precipitação. Caso estejam à vontade com polegadas, é nove polegadas, centímetros, 16 polegadas. O lençol de água está a 300 pés de profundidade, ou 100 metros. Na maioria dos lugares a água é salgada, não própria para beber. Não é possível instalar bombas manuais ou cavar poços, mesmo não havendo eletricidade na maioria dos vilarejos. Mas suponhamos que se use de tecnologia verde, bombas à energia solar -- elas de nada valem nessa região. Sejam bem-vindos ao Deserto Dourado. Raramente as nuvens visitam essa região. Mas existem 40 diferentes nomes para nuvens no dialeto local. Existem várias técnicas para colher chuva. Este é um trabalho novo, é um programa novo. Mas para a sociedade do deserto, isso não é um programa; isso é a vida deles. E essas pessoas colhem chuva de várias formas. Este é o primeiro dispositivo que usam para colher chuva. Chama-se kunds; em alguns lugares chama-se [ininteligível]. Podemos observar que eles criaram um tipo de área de captação. Lá está o deserto, as dunas de areia, alguns pequenos campos. Aqui temos essa grande plataforma elevada. Podem observar os pequenos orifícios. A água cai sobre a área de captação e corre pela desnível. Às vezes, nossos engenheiros e arquitetos não se preocupam com os desníveis em nossos banheiros, mas nesse caso, eles terão essa preocupação. E a água escorrerá para onde deve. O reservatório tem uma profundidade de 40 pés [12 metros]. É perfeitamente impermeável. é melhor do que o feito nas cidades, porque nem uma única gota de água deve ser desperdiçada. Eles coletam 100 mil litros em uma temporada. É água potável e pura. Abaixo da superfície a água é salgada. Com isso, pode-se ter água o ano inteiro. São duas casas. Muitas vezes usamos o termo estatutos. Porque gostamos de ter as coisas por escrito. Mas aqui a lei não é escrita. E as pessoas constroem suas casas e os tanques de armazenamento de água. Existem plataformas elevadas como estas. Na verdade, têm uma profundidade de 15 pés [4, 5 metros], e coletam água da chuva pelo telhado, através de um tubo, e de seus quintais. Em uma boa monção, também pode coletar perto de 25 mil litros. Outra grande área de coleta. Esta, é claro, está fora do deserto mais árido. É próxima de Jaipur. É chamada de Forte Jaigarh. Essa pode coletar seis milhões de galões de água da chuva em uma única temporada. Tem 400 anos. Portanto, há 400 anos vem oferecendo quase seis milhões de galões de água por temporada. Pode-se calcular o preço dessa água. Coleta água de uma rede de 15 km de canais. Ao lado, podem ver uma rodovia moderna, com menos de 50 anos. Às vezes quebra. Mas este canal com 400 anos, que coleta água, tem sido mantido por muitas gerações. Claro, se quisermos entrar no reservatório, as duas portas estarão fechadas. Mas podem ser abertas para o pessoal da TED. E assim pedimos. Podemos ver uma pessoa subindo com duas latas de água. E o nível da água -- as latas não estão vazias -- a água chega a esse nível. É de dar inveja a muitos municípios a cor, o sabor e a pureza dessa água. É por isso que é chamada de água do tipo Zero B, porque vem das núvens, é água pura, destilada. Vamos agora para um breve intervalo comercial, para então voltar aos nossos sistemas tradicionais. O governo achou que essa região é muito atrasada e pensou em criar um projeto de vários milhões de dólares para trazer água dos Himalaias. É por isso que eu falei que seria um intervalo comercial. Mas iremos voltar às coisas tradicionais. Portanto, água que vem de 300 ou 400 km de distância, logo fica assim. Em muitas partes, com jacintos-da-água cobrindo totalmente esses grandes canais. Claro, a água chega a alguns lugares. Não estou falando que ela não chega a lugar algum. Mas a região mais longínqua, a área de Jaisalmer, vocês verão em Bikaner coisas como estas: Onde os jacintos-da-água não cresceram, a areia flui nesses canais. O lado bom é que podemos encontrar vida selvagem em seu entorno. Tivemos anúncios de página inteira, cerca de 25-30 anos atrás, quando o canal foi construído. Disseram que podíamos dispensar nossos sistemas tradicionais, Esses novos tanques de cimento fornecerão água encanada. É um sonho. E também tornou-se um sonho. Porque logo a água não pode mais chegar a essas regiões. E as pessoas passaram a reformar suas próprias estruturas. Essas são estruturas de água tradicionais, que não poderão ser explicadas no breve tempo disponível. Mas podem ver que não há mulheres em pé sobre eles. Elas estão fazendo tranças no cabelo. Jaisalmer. Este é o coração do deserto. Essa cidade foi fundada há 800 anos. Não sei se naquela época Existiam Bombaim ou Delhi, ou mesmo Chennai ou Bangalore. Este era o ponto final da rota da seda. Há 800 anos, era conectada com toda a Europa. Nenhum de nós foi capaz de viajar para a Europa, mas Jaisalmer era bem conectada à Europa. Aqui, chove apenas 16 centímetros. Tão pouca chuva, e havia vida muito colorida nessas áreas. Vocês não verão água neste slide. É invisível. Em algum ponto, um riacho ou um córrego passa por aqui. Se quiserem pintar, podem pintar tudo de azul, porque cada telhado que estão vendo nesta foto coleta gotas de chuva, depositando a água nos quartos. Além desse sistema, eles criaram 52 lindos corpos de água em torno dessa cidade. No que podemos chamar parceria pública-privada, pode-se também acrescentar o estado. Portanto, um empreendimento estatal, público e privado funcionou conjuntamente para construir esse belíssimo corpo de água. E é um corpo de água para todas as estações. Vocês o admirarão. Vejam a beleza durante todo o ano. O nível de água sobe ou desce, e a beleza continua. Outro corpo de água, seco, claro, durante o verão, mas vocês podem ver como a sociedade tradicional combina engenharia com estética, usando o coração. Essas estátuas, maravilhosas, dão uma idéia do lençol freático. Quando chega a chuva e a água enche este tanque, ela cobrirá essas lindas estátuas, naquilo que hoje chamamos "comunicação em massa". Isso era para comunicação em massa. Todos na cidade sabiam que quando esse elefante estava coberto por água, haveria água por sete ou nove meses, ou até 12 meses. As pessoas vinham até esta lagoa para venerá-la, mostrar respeito e gratidão. Outro pequeno corpo de água, chamado [incompreensível]. É difícil de ser traduzido para o inglês, especialmente o meu inglês. O termo mais próximo seria "glória", uma reputação. No deserto, este pequeno corpo de água tem a reputação de jamais secar. Mesmo durante grandes secas, ninguém jamais viu este corpo de água secar. E talvez eles sabiam o futuro. Isto foi criado há cerca de 150 anos. Mas talvez eles sabiam que em 6 de novembro de 2009, haveria uma sessão TED verde e azul, de forma que a pintaram com essas cores. Corpo de água seco. As crianças estão sobre um dispositivo difícil de explicar. É chamado kund. Em inglês, temos os termos para água de superfície e água subterrânea. Mas isto não é água subterrânea. Podemos obter água subterrânea de qualquer poço. Mas este não é um poço comum. Ele espreme a umidade oculta na areia. Chamamos esta água um terceiro tipo, chamado [incompreensível]. E existe uma faixa de gesso abaixo dela. Foi depositada pela grande mãe Terra, há cerca de 3 milhões de anos. E sempre que encontramos essa faixa de gesso, podemos colher essa água. Este é o mesmo corpo de água seco, Não veremos nenhum kund; estão todos submersos. Mas quando a água baixar, eles poderão obter água dessas estruturas durante todo o ano. Este ano, choveu apenas 6 centímetros. Seis centímetros de chuva, e eles podem telefonar para você, se você tiver qualquer problema com água em sua cidade, Delhi, Bombaim, Bangalore, Mysore, venham até nossa região, com seus 6 cm de chuva, e podemos dar-lhes água. Como são mantidos? Existem três coisas: conceito, planejamento e realização do projeto, mas também a manutenção. É uma estrutura mantida há séculos, por gerações, sem qualquer departamento, ou verbas, O segredo é "[incompreensível]", respeito. Sua própria coisa, não um bem pessoal, meu bem, sempre. Esses pilares de pedra são para lembrar que estamos entrando em uma área de água. Não cuspa, não faça nada errado, para que a água limpa possa ser coletada. Outro pilar, um pilar de pedra à sua direita. Se subirmos estes três, seis degraus, encontraremos algo muito bonito. Isto foi feito no século 11. É preciso descer mais. Dizem que uma imagem vale mil palavras, portanto, podemos dizer mil palavras agora, e outras mil palavras. Se o lençol freático descer, você vai encontrar mais escadarias. Se subir, alguns degraus ficarão submersos. Assim, durante todo o ano, este lindo sistema nos dará prazer. Três lados, tais degraus, no quarto lado existe um prédio de quatro andares onde poderá ser realizada uma conferência TED a qualquer momento. Desculpem-me, quem construiu essas estruturas? Estão à sua frente. Os melhores engenheiros civis, os melhores planejadores, os melhores arquitetos. Podemos dizer que graças a eles, graças a seus ancestrais, a Índia conseguiu sua primeira faculdade de engenharia em 1847. Não havia escolas de ensino médio em inglês naquela época, nem escolas em híndi, nem escolas [incompreensível] Mas tais pessoas, obrigadas pelas Companhia das Índias Ocidentais, que vieram até aqui por negócios, um negócio muito sujo. Mas não para criar faculdades de engenharia, mas graças a eles, foi criada a primeira faculdade de engenharia, em uma pequena vila, não uma cidade. Um último ponto, todos aprendemos na escola primária que o camelo é o navio do deserto. Assim, usando seu jipe, vocês podem achar um camelo e uma carroça. Esse pneu veio de um avião. Portanto, vejam a beleza da sociedade do deserto, que consegue colher água da chuva, e também criar algo com um pneu de um avião a jato, para ser usado em uma carroça de camelo. A última foto é uma tatuagem, uma tatuagem de 2. 000 anos. Usavam-na em seu corpo. Houve uma época que a tatuagem era coisa de gente na lista negra, coisa de presidiário, mas agora está na moda. Vocês podem copiar essa tatuagem e fazer posters com ela. O centro da vida é a água. Essas são ondas lindas. Essas são as lindas escadarias. que vimos em um dos slides. Essas são árvores. E essas são as flores que acrescentam fragrância às nossas vidas. Portanto, esta é a mensagem do deserto. Muito obrigado. Chris Anderson: Em primeiro lugar, gostaria de ter a sua eloquência -- verdade -- em qualquer língua. Esses artefatos e projetos são inspiradores. Você acredita que podem ser usados em outros lugares, que o mundo pode aprender com isso? Ou servem apenas para este lugar? Anupam Mishra: Não, a idéia básica é utilizar a água que cai em nossa região. Portanto, as lagoas, os corpos de água abertos, estão em todos os lugares, de Sri Lanka a Cashemira, e também outras partes. E esses [incompreensível], que armazenam água, existem dois tipos de coisas. Uma recarrega, a outra armazena. Portanto, depende do terreno. Mas o kund, que utiliza uma faixa de gesso, para isso é preciso que vocês voltem no tempo, três milhões de anos. Se houver essa faixa de gesso, pode ser feito já. Se não houver, não pode ser feito. CA: Muito obrigado.
pt
458
Bom dia. Eu acho que, como sou um ranzinza do Leste Europeu, Eu fui trazido aqui para bancar o pessimista esta manhã. Então, tenham paciência. Bem, eu venho da antiga República Soviética de Belarus, que, como alguns de vocês podem saber, não é exatamente um oásis da democracia liberal. É por isso que eu sempre fui fascinado com o quanto a tecnolologia poderia remodelar e abrir sociedades autoritárias como as nossas. Então, quando me formei na universidade e, me sentindo muito idealista, decidir me unir à ONG que estava usando a nova mídia para promover democracia e reforma na imprensa em grande parte da antiga União Soviética. Entretanto, para minha surpresa, Eu descobri que ditaduras não se desmancham tão fácil. De fato, algumas delas sobreviveram ao desafio, e algumas ficaram ainda mais repressivas. Foi então que acabou meu idealismo e decidi deixar meu trabalho na ONG, e estudar, de verdade, como a Internet poderia impedir a democratização. Eu preciso dizer a vocês que isso nunca foi um argumento muito popular. E provavelmente não é muito popular ainda com alguns de vocês sentados na platéia. Ele nunca foi popular com muitos líderes políticos, especialmente aqueles nos EUA que de algum jeito pensaram que a nova mídia seria capaz de fazer o que os mísseis não poderiam. Isto é, promover a democracia em lugares difíceis onde tudo o mais já havia sido tentado, e falhou. Eu acho que até 2009, estas notícias finalmente chegaram à Grã-Bretanha. Então eu provavelmente deveria adicionar Gordon Brown a essa lista também. No entanto, há um argumento subjacente sobre logística, que direcionou muito desse debate. Certo? Se vocês olharem isso bem de perto, verão que, na verdade, muito disso se trata de Economia. Os "ciber-utópicos" dizem, de forma parecida com o que máquinas de fax e xerox fizeram na década de 1980, blogs e redes sociais tem transformado radicalmente a dinâmica dos protestos. As pessoas iriam inevitavelmente se rebelar. Para simplificar, a premissa até aqui tem sido que, se você der às pessoas conectividade suficiente, se você der a elas aparelhos suficientes, a democracia inevitavelmente acompanhará. E pra dizer a verdade, eu nunca realmente acreditei nesse argumento, em parte porque eu nunca vi três presidentes americanos concordar com qualquer outra coisa no passado. Mas, você sabe, além disso, se você pensar sobre a lógica subjacente a isso, é algo que eu chamo de "liberalismo de iPod". Onde nós presumimos que qualquer indivíduo iraniano ou chinês que casualmente tenha e ame seu iPod amará também a democracia liberal. Novamente, eu penso que isso é um pouco falso. Mas eu acho que um problema muito maior com isso é que essa lógica -- de que deveríamos estar mandando iPods e não bombas -- Quer dizer, seria um título fascinante para o novo livro de Thomas Friedman. Mas isso é raramente um bom sinal, certo? Então, o maior problema com essa lógica é que ela confunde o uso desejado com o verdadeiro uso da tecnologia. Para vocês que pensam que a nova mídia da internet poderia de alguma forma nos ajudar a evitar o genocídio, não precisam ir além de Ruanda. Onde, nos anos 1990, foram duas estações de rádio que foram responsáveis por inflamar muito do ódio étnico inicialmente. Mas mesmo além disso, voltando para a internet, o que vocês podem ver é que certos governos dominaram o uso do ciber-espaço para propósitos de propaganda. Certo? E eles estão construindo o que eu chamo de "spinternet" Uma combinação de spin [manipulação], de um lado, e da Internet do outro. Governos como os da Rússia, China e Irã estão contratando, treinando e pagando blogueiros para que deixem comentários ideológicos e criem um monte de posts ideológicos para comentar em temas políticos sensíveis. Você pode se perguntar: por que diabos eles estariam fazendo isso? Por que eles estão lidando com o ciber-espaço? Bem, minha teoria é que isso está acontecendo porque a censura, na verdade, é menos efetiva do que se pensa que é na maioria desses lugares. No momento que se coloca algo crítico em um blog, e mesmo que você consiga banir isso imediatamente, isso vai se espalhar por milhares e milhares de outros blogs. Então, quanto mais você bloqueia, mais isso influencia pessoas a evitar a censura e assim, vencer nesse jogo de rato-e-gato. Então, a única forma de controlar essa mensagem é tentar manipulá-la e acusar qualquer um que escreveu algo crítico de ser, por exemplo, um agente da CIA. E, de novo, isso está acontecendo de forma bastante frequente. Só para dar um exemplo de como isso funciona na China, por exemplo. Houve um grande caso, em Fevereiro de 2009 chamado "Iluda o Gato". Para vocês que ainda não o conhecem, eu vou fazer um pequeno sumário. O que aconteceu foi que um homem de 24 anos, um homem chinês, morreu enquanto estava preso. E a polícia disse que isso aconteceu porque ele estava brincando de esconde-esconde, que é chamado "iluda o gato" na gíria chinesa, com outros prisioneiros, e bateu sua cabeça contra a parede. O que não foi uma explicação que satisfez muitos dos blogueiros chineses. Então, eles imediatamente começaram a postar muitos comentários críticos. De fato, o QQ. com, que é um site popular na China, tinha 35. 000 comentários sobre esse assunto em questão de horas. Mas então as autoridades fizeram algo muito esperto. Ao invés de tentar eliminar esses comentários, eles tentaram se aproximar dos blogueiros. E eles disseram: "Olhem aqui. Nós gostaríamos que vocês se tornassem investigadores". E 500 pessoas se inscreveram e quatro foram selecionadas para realmente ir e inspecionar o prédio em questão, e depois disso, blogar sobre a experiência. Dentro de dias o incidente inteiro tinha sido esquecido, o que nunca teria acontecido se eles simplesmente tivessem bloqueado o conteúdo. As pessoas continuariam falando sobre isso por semanas. E isso é coerente com outra teoria interessante sobre o que está acontecendo em estados autoritários, e em seu ciber-espaço. Isso é o que cientistas políticos chamam de deliberação autoritária. E acontece quando os governos se aproximam de seus críticos e deixando que eles debatam entre si online. Nós geralmente pensamos que de alguma forma isso vai prejudicar essas ditaduras, mas em muitos casos isso apenas as fortalece. E você pode se perguntar por quê. Eu darei apenas uma pequena lista de razões sobre por que a deliberação autoritária pode, na verdade, ajudar os ditadores. Primeiro, é bastante simples. A maioria delas opera em um completo vácuo de informações. Elas não tem realmente todos os dados que precisam para identificar ameaças emergentes que o regime enfrenta. Então, encorajar as pessoas a ir online e dividir informações e dados em blogs e wikis é ótimo porque, de outra forma, operações secretas e burocratas continuarão escondendo o que está acontecendo de verdade no país, certo? Por essa perspectiva, ter blogs e wikis produzindo conhecimento tem sido ótimo. Segundo, envolver o público em qualquer tomada de decisão também é ótimo porque isso ajuda a dividir a culpa para políticas que eventualmente falhar. Porque eles dizem, "Olhem, nós perguntamos a vocês, nós consultamos vocês, vocês votaram nisso Vocês colocaram isso na capa de seu blogs. Bem, ótimo. Vocês é que devem ser culpados". E finalmente, o propósito de qualquer esforço de deliberação autoritária é normalmente aumentar a legitimidade dos regimes, tanto nacionalmente como fora. Convidar pessoas para todo o tipo de fórum público, fazê-las participar nas tomadas de decisão, é ótimo. Porque o que acontece é que então você pode apontar essa iniciativa e dizer, "Bem, nós estamos tendo uma democracia. Nós temos um fórum". Só para dar um exemplo, uma das regiões russas, por exemplo, agora envolve seus cidadãos no planejamento de sua estratégia até o ano de 2020. Certo? Eles podem ir online e contribuir com idéias sobre o que a região deve parecer até o ano de 2020. Qualquer um que esteve na Rússia saberia que não havia planejamento para a Rússia para o mês seguinte. Então, ter pessoas envolvidas com o planejamento para 2020 não vai necessariamente mudar nada. Porque os ditadores ainda são os que controlam o poder. Só para dar um exemplo do Irã. Nós todos ouvimos sobre a revolução do Twitter que aconteceu lá. Mas se você olhar de perto, você verá que muitas das redes e blogs e Twitter e Facebook, estavam operacionais. Elas podem ter se tornado devagares, mas os ativistas ainda podiam acessá-las e conversar sobre o fato de que ter acesso a elas é ótimo para muitos estados autoritários. E é ótimo simplesmente porque eles podem reunir inteligência "código aberto". No passado, levaria semanas, se não meses, para identificar como os ativistas iranianos se conectariam. Agora, é possível saber como eles se conectam olhando para suas páginas no Facebook. A KGB, e não apenas a KGB, costumava usar tortura para conseguir essas informações. Agora tudo está disponível online. Mas eu acho que o maior erro conceitual que os ciber-utópicos cometeram foi o que diz respeito aos nativos digitais, pessoas que cresceram online. Nós frequentemente ouvimos sobre ciber-ativismo, como as pessoas estão se tornando mais ativas por causa da internet. Raramente ouvimos sobre ciber-hedonismo, por exemplo, como as pessoas estão se tornando passivas. Por quê? Porque elas, de alguma forma, presumem que a internet será um motor de mudanças que impulsionará jovens às ruas, quando, de fato, ela pode ser o novo ópio para as massas que manterá as mesmas pessoas em seus quartos baixando pornografia. Essa opção não é considerada de forma muito séria. Então, para cada revoltado digital que se revolta nas ruas de Teerã, pode haver dois prisioneiros digitais que só estão se rebelando no World of Warcraft. E isso é realista. E não há nada errado com isso porque a Internet deu poder a muitos desses jovens. E ela ocupa um papel social completamente diferente para eles. Se você olhar para algumas pesquisas sobre como os jovens se beneficiam da internet, você verá que o número de adolescentes na China, por exemplo, para quem a Internet expandiu suas vidas sexuais, é três vezes maior do que nos Estados Unidos. Então, ela ocupa um papel social, mesmo que isso não necessariamente leve ao engajamento político. O jeito como eu costumo pensar sobre isso é como uma hierarquia de "ciber-necessidades" no espaço. Uma cópia descarada de Abraham Maslow. Mas o argumento aqui é que quando se coloca um remoto lugarejo russo online, o que levará as pessoas à internet não será os relatos do Human Rights Watch. Será a pornografia, Sex in the City, ou talvez assistir a vídeos engraçados de gatos. Isso é algo que você precisa reconhecer. E o que nós podemos fazer sobre isso? Eu acho que nós precisamos parar de pensar sobre o número de iPods per capita e começar a pensar sobre maneiras de dar poder a intelectuais, dissidentes, ONGs, e aos membros da sociedade civil. Porque mesmo que isso esteja acontecendo até agora com a spinternet e a deliberação autoritária, existe uma grande chance que essas vozes não serão ouvidas. Eu acho que devemos destruir algumas de nossas premissas utópicas e começar a fazer algo de verdade. Obrigado.
pt
459
Eu cresci em Nova Iorque, entre Harlem e o Bronx. Como meninos, nos ensinavam que homens precisam ser valentes, fortes, precisam ser corajosos, dominantes. Sem dor, sem emoções, com exceção da raiva, e definitivamente sem medo. Que os homens estão no comando, e isso significa que as mulheres não. Que os homens lideram, e você deve fazer o que eles falam. Que homens são superiores, mulheres inferiores. Que homens são fortes, mulheres são fracas. Que mulheres têm menos valor, são propriedades dos homens, são objetos, particularmente objetos sexuais. Mais tarde descobri que essa era a socialização coletiva dos homens, mais conhecida como a "caixa de macho." A caixa de macho tem todos os ingredientes que definem o que significa ser um homem. Antes quero dizer, sem dúvida alguma, que há coisas maravilhosas, muito boas mesmo, em ser homem. Mas ao mesmo tempo existem algumas coisas que estão erradas. E precisamos começar a questionar, olhar para ela e entender o processo de desconstrução, redefinição, do que conhecemos como masculinidade. Estes são meus dois filhos, Kendall e Jay. Eles têm 11 e 12 anos. Kendall é um ano e três meses mais velho. Houve um período que minha esposa, Tammie, e eu ficamos muito ocupados e "coisa e tal": Kendall e Jay. Quando eles tinham uns cinco e seis anos, quatro e cinco, Jay vinha até mim, vinha chorando. Não importava o porquê ela chorava, ela podia sentar no meu colo, assoar o nariz na minha manga, só chorava, colocava para fora. Papai está aqui. Isso é tudo o que importa. Mas Kendall, por outro lado -- e como disse, ele é só um ano mais velho que ela -- ele vinha chorando, e no momento que eu o ouvia chorar o cronômetro ligava. Dava ao garoto cerca de 30 segundos, o que significava que quando ele chegava eu já estava dizendo, "Por que está chorando?" Levante a cabeça. Olhe para mim. Fale o que está errado. Fale o que está errado. Não consigo entender. Por que está chorando?" E com minhas próprias frustrações no meu papel e responsabilidade de educá-lo como um homem para se adequar às estruturas definidas na caixa de macho, eu me pegava dizendo coisas como, "Vá para seu quarto. Vá direto para o seu quarto, Sente-se lá, engula esse choro e venha falar comigo quando conseguir falar como um --" O quê? "como um homem." E ele estava com cinco anos. Enquanto o tempo passava eu dizia para mim mesmo, "Meu Deus, o que está errado comigo?" O que estou fazendo? E eu me lembrava. Lembrava de meu pai. Houve um tempo em minha vida quando houve uma experiência horrível em nossa família. Meu irmão, Henry, morreu tragicamente quando nós éramos adolescentes. Vivíamos em Nova Iorque. Morávamos no Bronx na época. O enterro foi em um lugar chamado Long Island, era duas horas de viagem. Enquanto estávamos nos preparando para voltar do enterro, o carro parou em um banheiro para as pessoas que precisavam ir antes da longa viagem de volta. A limusine se esvaziou. Minha mãe, minha irmã e minha tia, todas saíram, mas meu pai e eu ficamos na limusine. E assim que as mulheres sairam ele caiu no choro. Ele não queria chorar na minha frente. Mas sabia que não ia conseguir aguentar até a cidade, e era melhor na minha frente a expressar suas emoções na frente das mulheres. E esse é um homem que, dez minutos antes, tinha acabado de enterrar seu filho. Algo que eu não consigo imaginar. A lembrança que mais marcou é dele se desculpando para mim por ter chorado na minha frente. E ao mesmo tempo me dava elogios, me colocava para cima, por não estar chorando. Cheguei a ver isto, este medo que nós homens temos, este medo que nos deixa paralisados, nos prendendo a esta caixa de macho. Lembro de ter falado com um jogador de futebol de 12 anos e eu perguntei a ele, "Como se sentiria se, em frente aos outros, seu técnico falasse que joga como uma garota?" Esperava que ele falasse algo como, "ficaria triste, bravo, com raiva," ou algo assim. Não. Ele disse, o garoto disse para mim, "Iria me destruir." E eu disse a mim mesmo, "Deus, se iria destruí-lo ser chamado de uma garota, o que estamos ensinando a ele em relação as garotas?" Isso me levou de volta para quando eu tinha 12 anos. Cresci em um cortiço no centro da cidade. Na época morávamos no Bronx. No prédio vizinho ao nosso tinha um cara chamado Johnny. Ele tinha uns 16 anos. E nós tínhamos uns 12 -- crianças. Ele andava com as crianças. Este cara, não era dos melhores. Era o tipo de garoto que os pais se preocupavam, "O que este garoto de 16 está fazendo com os de 12 anos?" E ele ficava muito tempo fazendo coisas ruins. Era um garoto problemático. A mãe dele morreu de overdose. Ele foi criado pela avó. O pai não estava presente. A avó dele tinha dois empregos. Ele ficava bastante sozinho. Mas vou dizer. Nós garotos, admirávamos ele. Ele era legal. Estava de boa. Era o que as irmãs diziam, "Ele está de boa." Ele fazia sexo. Todos nós o admirávamos. Um dia, eu estava na calçada fazendo qualquer coisa -- brincando, fazendo algo -- não sei o quê. Ele olhou pela janela, me chamou e disse, "Anthony." Chamavam-me de Anthony quando criança. "Anthony, suba aqui." Johnny chamou, você vai. Corri para lá. Quando abri a porta ele disse, "Quer um pouco?" Imediatamente eu sabia o que significava. Porque crescendo naquela época, com nosso relacionamento a caixa de macho, quer um pouco significa duas coisas: Sexo ou drogas -- e nós não estávamos nas drogas. Minha caixa, minha credencial, credencial de masculinidade, estava em perigo. Duas coisas: Primeiro, eu nunca tinha feito sexo. Homens não falam sobre isso. Você só diz para seu melhor amigo, jurando segredo, a primeira vez que fez sexo. Para o resto, nós andamos como se tivéssemos feito desde os dois anos. Nunca houve primeira vez. A outra coisa que não podia contar é que eu não queria. Isto é o pior. Deveríamos sempre estar disponível. Mulheres são objetos, especialmente objetos sexuais. Eu não podia falar isso para ele. Como minha mãe dizia, resumindo a história: Eu apenas disse ao Johnny, "Sim." Ele disse para ir no quarto dele. Eu entro. Na cama havia uma garota do bairro chamada Sheila. Ela tinha 16 anos. Estava pelada. Hoje sei que ela era deficiente mental, algumas vezes mais lúcida, outras não. Tínhamos muitos apelidos para ela. Johnny havia acabado de fazer sexo com ela. Na verdade ele a estuprou, mas falava que havia feito sexo. Porque, mesmo Sheila nunca tendo dito não, ela nunca disse sim. Ele me ofereceu a oportunidade de fazer o mesmo. Quando entrei no quarto, fechei a porta. Amigos, eu estava paralisado. Fiquei parado na porta para Johnny não entrar no quarto e ver que eu não estava fazendo nada. E fiquei ali o suficiente para poder fazer alguma coisa. Não estava mais pensando no que eu ia fazer, estava pensando em como eu iria sair daquele quarto. Nos meus 12 anos de sabedoria, abri o zíper da minha calça e saí do quarto. E reparem, enquanto eu estava no quarto com Sheila, o Johnny estava na janela chamando os caras. A sala estava cheia de garotos. Parecia a sala de espera do médico. E eles perguntavam como tinha sido. E eu dizia, "Foi bom." Levantei meu zíper na frente deles, e fui em direção à porta. Agora digo isso com remorso, e eu estava com muito remorso naquela época, porque enquanto eu estava com remorso, estava feliz, porque eu não tinha sido pego, mas eu me sentia mal pelo o que tinha acontecido. Este medo entrando na caixa de macho cobrindo-me totalmente. Era mais importante para mim minha caixa e eu do que Sheila e o que havia acontecido com ela. Coletivamente, nós enquanto homens somos ensinados a dar pouco valor às mulheres, para vê-las como objetos dos homens. Vemos isso como uma equação que resulta em violência feminina. Nós homens, bons homens, a maioria dos homens, agimos nas fundações de tudo isso. Nós nos vemos como separados, mas somos parte disso. Precisamos entender que dar pouco valor e materialização é a fundação e que violência só acontece com isso. Somos em grande parte a solução mas também o problema. O centro de controle às doenças diz que violência masculina contra a mulher é epidêmica, é o maior perigo às mulheres neste país e em outros. Rapidamente, gostaria de dizer, que esta é o amor da minha vida, minha filha Jay. O mundo que eu vejo para ela, como vou querer que os homens ajam? Preciso de você nessa. Preciso de você comigo. Que trabalhe comigo e eu trabalhe com você em como criamos nossos filhos os ensinando a serem homens -- que está bem não ser dominante; Que está bem ter sentimentos e emoções; que está bem promover igualdade; que está bem ter mulheres que são só amigas; que está bem ser íntegro; que minha liberdade como homem está presa a sua liberdade como mulher. Lembro de perguntar a um garoto de nove anos. Perguntei a um garoto de nove anos, "Como a vida seria para você, se não estivesse preso a caixa de macho?" E ele respondeu, "Eu estaria livre." Obrigado.
pt
460
Como indiano, e agora como político e ministro de Estado eu fiquei mais preocupado com os exageros que ouvimos sobre nosso país, toda essa conversa sobre a Índia se tornar líder mundial, até mesmo a próxima superpotência. Na verdade, os editores americanos de meu livro, "The Elephant, The Tiger and the Cellphone", adicionaram o subtítulo injustificado: "Índia: A próxima potência do século XXI". E eu não acho que a Índia seja isso, e nem mesmo deveria ser. O que me preocupa realmente é a essa ideia de liderança mundial, parece uma ideia bastante arcaica. Isso me cheira a filmes de James Bond e a baladas Kipling. Afinal de contas, o que constitui um líder mundial? Se é a sua população, nós estamos na direção do topo do gráfico. Devemos ultrapassar a China por volta de 2034. É o seu poder militar? Bem, nós temos o 4º maior exército do mundo. É a tecnologia nuclear? Nós sabemos que a possuímos. Inclusive os americanos reconheceram isso, em um acordo. É a economia? Bem, hoje nós somos a 5ª maior economia do mundo em termos da paridade do poder de compra. E nós continuamos a crescer. Enquanto o resto do mundo levou uma surra no ano passado, nós crescemos 6, 7 %. Mas, por algum motivo, nada disso me convence de que isso é o que a Índia realmente pode almejar contribuir para o mundo, nesta parte do século XXI. Então eu me perguntei, se podia ser que a Índia do futuro fosse uma combinação de todas essas coisas aliadas a algo mais, o poder do exemplo, a atração pela cultura da Índia, o que, em outras palavras, as pessoas chamam de "soft power". Soft power é um conceito criado por um acadêmico de Harvard, Joseph Nye, um amigo meu. E, de forma simples, eu estou resumindo por causa do limite de tempo aqui, é essencialmente a habilidade de um país de atrair os outros em razão de sua cultura, seus valores políticos, sua política externa. E, vocês sabem, vários países fazem isso. Ele estava inicialmente escrevendo sobre os E. U. A, mas nós sabemos que a Aliança Francesa é o soft power francês, o Conselho Britânico. A olimpíada de Beijing foi um exercício de soft power chinês. Os americanos têm a Voz da América e as bolsas de estudo da Fullbright. Mas, o fato é que, na realidade, provavelmente Hollywood, MTV e McDonalds fizeram mais pelo soft power americano ao redor do mundo do que qualquer atividade governamental específica. Então o soft power é algo que realmente emerge em parte por causa dos governos, e em parte apesar dos governos. E na era da informação na qual vivemos hoje, o que poderíamos chamar de era TED, eu diria que os países estão cada vez mais sendo julgados por um público global que está sendo alimentado por uma dieta incessante de notícias na internet, de imagens televisivas, de vídeos no celular, de fofocas no email, em outras palavras, todos os tipos de dispositivo de comunicação estão nos contando as histórias dos países queiram ou não os países em questão que estas histórias circulem. Pois bem, nesta era, repito, os países com acesso a múltiplos canais de comunicação e informação têm uma vantagem específica. E é claro que, às vezes, eles têm mais influência sobre como eles são vistos. A Índia tem mais canais de TV de notícias que qualquer país no mundo, de fato, mais que a maioria dos países desta parte do mundo juntos. Mas ainda assim, não se trata somente disso. Para ter o soft power é necessário estar conectado. Pode-se argumentar que a Índia tornou-se um país surpreendentemente conectado. Eu acho que vocês já ouviram a respeito das estatísticas. Estamos vendendo 15 milhões de celulares por mês. Atualmente há 509 milhões de celulares em mãos de indianos, na Índia. O que faz nosso mercado de telefones ser maior que o dos EUA. Na verdade, esses 15 milhões de celulares são mais conexões do que qualquer país, inclusive os EUA e a China, jamais estabeleceu na história das telecomunicações. Porém, o que talvez alguns de vocês não compreendam é o quão longe nós fomos para chegar até aqui. Vocês sabem, quando eu era pequeno, na Índia os telefones eram uma raridade. De fato, eles eram tão raros que os membros eleitos do Parlamento tinham o direito de alocar 15 linhas telefônicas em favor daqueles que eles considerassem merecedores. Se você tivesse a sorte de ser um rico empresário ou um jornalista influente, ou um médico, ou algo assim, você talvez tivesse um telefone. Às vezes, porém, ele apenas estava lá. Eu fui à escola secundária em Calcutá. E nós admirávamos esse instrumento colocado no saguão de entrada. Mas a metade das vezes que nós tirávamos o fone do gancho com um olhar esperançoso em nossos rostos, estava sem linha. Se tivesse linha e você discasse um número, as chances seriam duas em três de não conseguir falar com o número chamado. Na verdade, a palavra "engano" era bem mais comum que "alô". Se você quisesse se conectar com outra cidade então, digamos que você quisesse ligar de Calcutá para Nova Deli, você tinha de pedir uma ligação interurbana e aí sentar-se ao lado do telefone durante todo o dia, esperando conseguir. Ou você podia pagar oito vezes o valor da tarifa padrão por algo denominado chamada relâmpago. Mas os relâmpagos eram bem demorados no nosso país naquela época, então, era preciso esperar mais ou menos meia hora para conseguir a ligação. Na verdade, o nosso serviço telefônico era tão ruim que, em 1984, um membro do parlamento levantou-se e reclamou. E o então ministro de comunicações respondeu de maneira arrogante que em um país em desenvolvimento as comunicações eram um luxo, não um direito, que o governo não tinha nenhuma obrigação de oferecer serviços melhores e se o honorável membro não estivesse satisfeito com o seu telefone, poderia fazer o favor de devolver já que havia uma lista de espera de oito anos para adquirir telefones na Índia. Agora, avançado para os dias atuais, O que você vê: 15 milhões de celulares por mês. O que é mais impressionante, contudo, é saber quem possui esses celulares. Se forem visitar seus amigos nos subúrbios de Deli, nas ruas secundárias você encontrará um homem com uma carrocinha que parece ter sido projetada no século XVI, manejando um ferro com carvão em brasa que talvez tenha sido inventado no século XVIII. É conhecido como isthri wala. Mas tem um aparelho do século XXI. Ele tem um celular porque a maioria das ligações que recebe são gratuitas, e é a forma de ele receber os pedidos da vizinhança, para saber onde pegar as roupas para passar. Outro dia eu estava em Kerala, o estado onde nasci, na chácara de um amigo, cerca de 20 quilômetros distante de qualquer lugar que se considere urbano. Era um dia quente e ele disse, "Ei, você quer água de coco fresca?" Isso é a melhor, mais nutritiva e refrescante coisa que você pode beber em um dia quente nos trópicos, então eu disse: claro. Ele sacou seu celular, digitou o número, e uma voz disse, "Estou aqui em cima". E logo ali em cima do coqueiro mais próximo, com uma machadinha em uma mão e um celular na outra estava um apanhador local de toddy, que nos trouxe cocos para beber. Os pescadores vão para o mar e levam os seus celulares. Quando eles pegam os peixes, ligam para os mercados ao longo da costa para descobrir onde conseguem os melhores preços. Os agricultores costumavam gastar metade de um dia extenuante de trabalho para descobrir se o mercado da cidade estava aberto, se o mercado estava funcionando, se o produto que haviam colhido podia ser vendido e a que preço. Eles normalmente enviavam um menino de oito anos em uma caminhada penosa rumo ao mercado municipal para obter a informação e retornar, aí eles carregavam a carroça. Hoje eles economizam a metade de um dia de trabalho com uma chamada de dois minutos. Assim este ganho de poder das classes menos favorecidas é o resultado real de a Índia estar conectada. E essa transformação forma parte da direção que a Índia está tomando hoje. Mas, é claro que não é apenas isso que a Índia está divulgando. Nós temos Bollywood. Minha posição sobre Bollywood é bem resumida pela fábula que duas cabras estavam no depósito de lixo de Bollywood -- Sr. Shekhar Kapur, desculpe-me -- e elas estavam mastigando latas de celulóides descartadas por um estúdio de Bollywood. Aí a primeira cabra, dando uma dentada, diz: "Sabe, este filme não é ruim." E a segunda cabra diz: "Não, o livro é melhor." Eu normalmente tendo a achar que o livro é melhor, mas, uma vez dito isso, o fato é que agora Bollywood está levando um certo aspecto de "indianidade" e cultura indiana por todo o mundo, não apenas à diáspora indiana nos EUA e no Reino Unido, mas às telas de árabes e africanos, de senegaleses e de sírios. Em Nova Iorque, conheci um jovem cuja mãe, analfabeta, que vive no interior do Senegal, pega um ônibus uma vez por mês para a capital do país, Dacar, somente para ver um filme de Bollywood. Ela não entende o diálogo. Como é analfabeta, não consegue ler a legenda em francês. Mas esses filmes são feitos para serem entendidos apesar de tais obstáculos, então ela se diverte muito com a música, a dança e a ação, e, assim, ela vai embora maravilhada com a Índia. E isso vem acontecendo cada vez com mais frequência. O Afeganistão, conhecemos o sério problema de segurança que o Afeganistão representa para muitos de nós no mundo. A Índia não tem base militar aí. Sabem qual tem sido o maior trunfo da Índia no Afeganistão nos últimos sete anos? Um fato simples: você não pode ligar para um afegão às 20h30min. Por quê? Porque era a hora que passava a novela indiana, dublada em dari, na Todo TV. E foi o programa de televisão mais popular na história afegã. Todas as famílias afegãs queriam ver. Eles tinham de suspender os trabalhos às 20h30min. Soube-se de casamentos que foram interrompidos para os convidados se reunirem em frente ao aparelho de TV, e então voltar sua atenção à noiva e ao noivo. Os crimes aumentavam às 20h30min. Li um despacho da Reuters -- vejam que não é propaganda indiana, é uma agência de notícias britânica -- sobre como os ladrões na cidade de Musarri Sharif* arrancaram de um carro os limpadores de parabrisas, as calotas, os espelhos retrovisores, qualquer parte móvel que eles puderam encontrar, às 20h30min, porque os vigias estavam muito ocupados vendo TV ao invés de cuidar da loja. E eles rabiscaram no parabrisas em alusão à heroína do programa, "Tulsi Zindabad": "Vida longa à Tulsi." Isto é soft power. E isso é o que a Índia está desenvolvendo por meio da letra "E" de TED: sua própria indústria de entretenimento. O mesmo ocorre claro -- nós não temos tempo para muitos exemplos mais -- mas é o que acontece com nossa música, nossa dança, nossa arte, yoga, ayurveda, até mesmo com a cozinha indiana. Quero dizer, a proliferação de restaurantes indianos desde a primeira vez que eu fui ao exterior como estudante, na metade dos anos 70, comparado com o que vejo hoje. Não se pode ir a uma cidade de porte médio na Europa ou na América do Norte e não encontrar um restaurante indiano. Pode não ser muito bom. Mas hoje, na Grã-Bretanha, por exemplo, os restaurantes indianos empregam mais pessoas que as minas de carvão, a construção de navios e as indústrias de ferro e aço juntas. Então o império pode contra-atacar. Com a crescente conscientização da Índia, com vocês, comigo, e assim por diante, com os contos como o do Afeganistão, vem algo vital na era da informação, o sentido de que no mundo de hoje não é o lado que tem o maior exército que vence, é sim o país que conta a melhor história. E a Índia é, e deve permanecer, em minha opinião, a terra da melhor história. Estereótipos estão mudando. Como disse antes, quando fui para os EUA como estudante na metade dos anos 70, conheci a imagem da Índia de então, se é que houvesse uma. Hoje, as pessoas do Vale do Silício e em toda parte falam de IITs, os Institutos Indianos de Tecnologia, com a mesma reverência que costumavam se referir ao MIT. Às vezes isso pode ter consequências inesperadas. OK. Eu tenho um amigo, formado em História como eu, que foi abordado no aeroporto Schiphol em Amsterdam por um inquieto europeu que transpirava e disse a ele: "Você é indiano, você é indiano! Pode me ajudar a consertar meu laptop?" Viemos da india cuja imagem era terra de faquires deitados em camas de prego, e encantadores de serpentes com o truque indiano da corda, à imagem da Índia de terra de gênios da matemática, magos da computação, gurus do software. Isso também está transformando a história da Índia pelo mundo. Há algo mais substantivo que isso, entretanto. A história se apoia em uma plataforma fundamental de pluralismo político. Para começar, é uma história da civilização. Porque a Índia tem sido uma sociedade aberta há milênios. A Índia foi o refúgio de judeus que fugiram da destruição do primeiro templo pelos babilônios, e depois pelos romanos. De fato, a lenda diz que quando o cético Tomás, o apóstolo, São Tomás chegou à costa de Kerala, minha terra natal, por volta do ano 52 A. D, uma moça judia que tocava flauta lhe deu as boas-vindas. E até hoje permanece como a única diáspora judia na história do povo judeu, que nunca teve um único incidente de anti-semitismo. Esta é a história da Índia. O islã chegou pacificamente até o sul, a história do norte é um pouco mais complicada. Mas, todas essas religiões tiveram espaço e foram bem-vindas na Índia. Como sabem, nós acabamos de celebrar, este ano, nossas eleições gerais, o maior exercício de direito a voto democrático da história da humanidade. E o próximo será ainda maior porque nossa população de eleitores segue crescendo 20 milhões por ano. Mas o fato é que as últimas eleições, cinco anos atrás, mostraram ao mundo o fenômeno extraordinário de uma eleição ter como vencedora uma mulher, líder política, de origem italiana e católica romana, Sonia Gandhi, que então abriu caminho a um sikh, Mohan Singh, ser nomeado primeiro ministro, por um muçulmano, o Presidente Abdul Kalam, em um país que tem 81% de hindus. Isto é a Índia, e é claro que isto causa mais impacto porque quatro anos depois todos nós aplaudimos os EUA, a mais antiga democracia no mundo moderno, com mais de 220 anos de eleições livres e justas, que levou até o ano passado para eleger um presidente ou um vice-presidente, que não fosse branco, homem e cristão. Então, talvez, -- oh, perdão, ele é cristão, peço desculpas -- e ele é homem, mas não é branco. Todos os outros tinham sido o conjunto dos três. Todos os antecessores dele tinham sido todos os três, e este era o ponto que eu queria chegar. Mas, a questão é que quando usei esse exemplo, não se trata de falar sobre a Índia, não é propaganda. Porque no fim, esse resultado eleitoral não tem nada a ver com o resto do mundo. Era essencialmente a Índia sendo ela mesma. E no final, tenho a sensação, que sempre funciona melhor que propaganda. Os governos não são muito bons em contar histórias. Mas as pessoas enxergam uma sociedade pelo que ela é, e isto, me parece, é o que no final fará diferença na era da informação dos dias de hoje, na era TED de hoje. Então a Índia agora não é mais o nacionalismo de etnia ou língua ou religião, porque nós temos todas as etnias conhecidas pela humanidade, praticamente, temos todas as religiões conhecidas pela humanidade, com a possível exceção do xintoísmo. Apesar de ter alguns elementos hindus em alguma parte. Nós temos 23 línguas oficiais que são reconhecidas em nossa Constituição. E aqueles que trocaram seu dinheiro aqui podem ter se surpreendido em ver quantos escritos há na nota da rúpia, para dar as denominações. Temos tudo isso. Nós nem temos uma geografia que nos une. Porque a geografia natural do subcontinente enquadrada pelas montanhas e pelo mar foi rompida pela separação do Paquistão em 1947. De fato, não se pode nem mesmo dar por certo o nome do país. Porque o nome "Índia" vem do rio Indo, que corre no Paquistão. Mas, o importante é que a Índia é o nacionalismo de uma ideia. É a ideia de uma terra eterna, surgida de uma civilização antiga, unida por uma história comum, mas sustentada, acima de tudo, pela democracia pluralista. É uma história tanto do século XXI como também antiga. E é o nacionalismo de uma ideia que diz essencialmente que se podem suportar diferenças de casta, credo, cor, cultura, cozinha, costume e vestimenta, em consonância, até o ponto que interessa, e ainda assim se unir em torno de um consenso. E o consenso se baseia em um princípio muito simples, que em uma democracia pluralista diversificada como a Índia você não precisa necessariamente concordar com tudo o tempo todo, basta concordar com as regras básicas de como discordar. O grande sucesso da história da Índia, um país que tantos estudiosos e jornalistas acreditavam que se desintegraria nos anos 50 e 60, é que conseguiu manter o consenso sobre como sobreviver sem consenso. Pois bem, esta é a Índia que está surgindo no século XXI. E eu quero salientar que se há algo que valha a pena ser celebrado a respeito da Índia, não é a força militar, nem o poder econômico. Tudo isso é necessário, mas nós ainda temos uma grande quantidade de problemas a superar. Alguém disse que nós somos super pobres e super poderosos. Nós não podemos ser as duas coisas. Temos de superar nossa pobreza. Temos de lidar com o hardware do desenvolvimento, os portos, as rodovias, os aeroportos, todas as infraestruturas que devemos fazer, e o software do desenvolvimento, o capital humano, a necessidade de uma pessoa comum na Índia ser capaz de receber duas refeições substanciais por dia, ser capaz de enviar seus filhos a uma escola decente, e sonhar em trabalhar em um posto que lhes proporcione oportunidades em suas vidas que possa transformá-los. Mas, tudo está acontecendo, essa grande aventura de enfrentar esses desafios, esses desafios reais que nenhum de nós pode fazer de conta que não existe. Mas tudo está acontecendo em uma sociedade aberta, em uma civilização rica, diversa e pluralista, em uma que está decidida a liberar e satisfazer a energia criativa de seu povo. É por isso que a Índia está em TED, e é por isso que TED está na Índia. Muito obrigado.
pt
461
Há 4 ou 5 anos atrás, eu estava em um palco na Filadélfia, acho que era lá, com uma sacola parecida com esta aqui. Eu tirei um modelo de molécula da sacola, e disse: vocês não conhecem esta molécula direito. Mas o corpo de vocês a conhecem muito bem. E eu pensava que nosso corpo a odiava, naquela hora. Porque temos grande imunidade a ela. Ela é chamada de Alpha-gal Epitope. E o fato que válvulas de coração suíno tem muitas destas é a razão da dificuldade de transplantá-las em humanos. Na verdade, nossos corpos não a odeiam. Nossos corpos a amam! Ele as come! Quero dizer, as células do nosso sistema imune estão sempre com fome. E se anticorpos estão aderidos a uma destas moléculas numa célula, isso quer dizer "comida." Dái eu estava pensando comigo mesmo sobre isso: temos uma fortíssima reação imunológica a esta molécula que o corpo não produz, e nós a vemos em vários outros animais. Mas não se pode acabar com isso. Porque todo mundo que tentou transplantar válvulas suínas viram que não tem jeito de se livrar da reação imunológica. E pensei: por que não usamos ela a nosso favor? E se conseguíssemos grudar esta molécula numa bactéria patogênica a mim, e que acabou de invadir meus pulmões? Assim eu poderia imediatemente utilizar uma resposta imunológica que já existente. Não precisaria de 5 u 6 dias para a resposta se desenvolver. O sistema imunológico agiria imediatamente onde a molécula estivesse presente. É parecido com o que acontece quando você, é parado por um policial em Los Angeles, e ele planta uma sacola de maconha no banco de trás do carro, e te autua por posse de drogas. É uma forma super eficiente de tirar pilantras das ruas. Então é so pegar uma bactéria que não tem nada haver com a produção da molécula, e se conseguir colocar uma das moléculas na bactéria conseguimos tirar a bactéria de circulação. E para algumas bactérias não existem mais formas eficientes de combatê-las. Nossos antibióticos estão "acabando". E, pelo jeito, o mundo está acabando também. Então provavelmente não importa daqui a 50 anos; Streptococus e outros reinarão absolutos, porque não estaremos aqui. Mas se estivermos -- precisaremos de fazer algo sobre bactérias. Então comecei a trabalhar nesta idéia, com uma porção de colaboradores. Tentamos anexar essa molécula a coisas que elas mesmas se ligavam, por zonas especificas, e as bactérias que não gostamos. E me sinto como George Bush. quando disse "Missão Cumprida." Posso estar sendo burro, como ele. Mas basicamente o que falei agora, conseguimos fazer funcionar. E está matando bactérias. Está comendo-as. A molécula é anexada, como este triângulo verde lá em cima, que simboliza ela. Podemos liga-la em algo chamado de DNA Aptamer. E este tal DNA Aptamer se anexará especificamente a um alvo que foi selecionado. Então achamos algo ou bactéria que não gostamos, como a Estafilococus. Esta eu não gosto especialmente porque ela tirou a vida de um professor amigo meu no ano passado. Ela não reage a antibióticos. Então não gosto dela. E estou fazendo um aptamer que terá a molécula anexa a ele. Ele sabera como achar a Estaficolocus dentro de seu corpo, e alertará seu sistema imunológico para atacá-la. Olha o que acontece: estão vendo a linha no topo com os pontinhos? Isso é um monte de ratos cobaia que foram envenenados por colegas cientistas no Texas, na Brooks Air Base, com Antraz. E também receberam doses de uma droga que fizemos que atacaria antraz especificamente, e apontaria seu sistema imunológico até ele. Veja que todos eles viveram, os da linha de cima. É uma taxa de sobrevivência de 100%. E eles até viveram mais outros 14 dias, ou 28 até que finalmente os sacrificamos, e os dissecamos para descobrir o que tinha dado errado. Porque não morreram? Porque não tinham mais Antraz. Conseguimos. Ok? Missão cumprida!
pt
462
Hoje vou falar a vocês sobre meu trabalho na área de animação suspensa. Ora, geralmente, quando menciono animação suspensa, as pessoas fazem a saudação dos habitantes de Vulcano para mim e riem. Mas acontece que não estou falando de apagar as pessoas para viajar a Marte ou mesmo Pandora, por mais que isso possa ser divertido. Estou falando sobre o conceito de utilizar a animação suspensa para ajudar as pessoas a superar traumatismos. Assim, o que tenho em vista quando digo "animação suspensa"? É o processo pelo qual os animais des-animam, parecem mortos, e então podem acordar novamente sem sofrer danos. Muito bem, então esta é a grande idéia. Se vocês observarem a natureza, descobrirão que quando vocês tendem a encontrar animação suspensa, vocês tendem a encontrar imortalidade. E assim, aquilo de que vou falar a vocês é uma maneira de perceber uma pessoa que está em uma situação de trauma -- achar uma maneira de des-animá-las um pouco de modo que elas fiquem um pouco mais imortais quando elas tiverem aquele ataque cardíaco. Um exemplo de um ou dois organismos, que são praticamente imortais seriam sementes de plantas ou esporos de bactérias. Essas criaturas são algumas das formas de vida mais imortais em nosso planeta, e elas tendem a ficar a maior parte do seu tempo em animação suspensa. Esporos de bactérias são agora considerados pelos cientistas como existindo na forma de células individuais que estão vivas, mas em animação suspensa por até 250 milhões de anos. Para sugerir que todas estas, tipo, pequenas, minúsculas criaturas eu quero trazer isso para perto de nós. Na linha germinativa imortal dos seres humanos, a saber os óvulos que permanecem nos ovário, eles realmente ficam lá em um estado de animação suspensa por até 50 anos na vida de cada mulher. E então há também meu exemplo favorito de animação suspensa. São os kikos marinhos. Aqueles de vocês que têm filhos, vocês os conhecem. Se vocês forem a uma pet-shop ou loja de brinquedos, vocês podem comprar essas coisas. Vocês simplesmente abrem o saquinho e despejá-los no aquário de plástico, e depois de uma semana, vocês terão pequenos camarões nadando ali. Bem, eu não estava interessado por eles nadarem. Meu interesse era no que acontecia naquele saquinho, o saquinho na prateleira da loja de brinquedos onde aqueles camarões ficavam em animação suspensa, indefinidamente. Assim, essas idéias de animação suspensa não se limitam a células e pequenos organismos estranhos. Ocasionalmente, seres humanos são des-animados por um tempo curto, a as histórias de pessoas que são momentaneamente des-animadas que mais me interessaram são aquelas que têm a ver com o frio. Há 10 anos, houve uma esquiadora na Noruega que ficou presa numa queda dágua gelada. E ela ficou lá por duas horas, antes de ser retirada. Ela estava muito fria, e não tinha batida cardíaca. Para todos efeitos e propósitos ela estava morta, congelada. Sete horas mais tarde, ainda sem batida cardíaca, eles a trouxeram de volta à vida, e ela veio a tornar-se a radiologista chefe do hospital onde foi tratada. Alguns anos mais tarde -- e eu fico mesmo muito entusiasmado com essas coisas -- alguns anos mais tarde, houve uma garotinha de 13 meses de idade, ela era do Canadá. O pai dela tinha saído no inverno, ele estava trabalhando no turno da noite, e ela o seguiu fora de casa usando apenas uma fralda. E ela foi encontrada horas mais tarde congelada, sem vida. E eles a trouxeram de volta à vida. Houve uma mulher de 65 anos em Duluth, Minnesota, no ano passado que foi encontrada congelada e sem pulso no seu jardim, numa manhã de inverno, e eles a trouxeram de volta à vida. No dia seguinte, ela se sentia tão bem que quiseram fazer testes nela. Ela implicou e simplesmente voltou para casa. Então, esses são milagres, certo. Essas são coisas verdadeiramente milagrosas que acontecem. Os médicos dizem uma coisa que, de fato, você não está morto enquanto não estiver quente e morto. E isso é verdade. É verdade. No New England Journal of Medicine, foi publicado um estudo mostrando que com reaquecimento adequado, pessoas que sofreram ficando sem batida cardíaca por três horas, poderiam ser trazidas de volta à vida sem quaisquer problemas neurológicos. E isso com mais de 50 por cento de chance. Então, o que eu estava tentando fazer era pensar como poderíamos estudar a animação suspensa pensar numa maneira de reproduzir, talvez, o que aconteceu com a esquiadora. Bem, preciso dizer uma coisa muito estranha a vocês, é que ser exposto a uma baixa concentração de oxigênio nem sempre mata. Assim, nesta sala, há 20 por cento de oxigênio ou coisa assim. E, se reduzirmos a concentração de oxigênio, todos nós morreremos. E, de fato os animais com os quais trabalhamos no laboratório, essas pequenas minhocas de jardim, nematóides, elas também morreram quando as submetemos a baixo oxigênio. E aqui está a coisa que vai deixar vocês desorientados. É que, quando reduzimos a concentração de oxigênio ainda mais de 100 vezes, a 10 partes por milhão, elas não morreram, elas ficaram em animação suspensa, e fomos capazes de trazê-las de volta à vida sem qualquer dano. E essa concentração específica de oxigênio, 10 partes por milhão, que causou a animação suspensa, é mantida. Podemos observá-las numa variedade de organismos diferentes. Uma das criaturas em que a observamos é um peixe. E somos capazes de ligar e desligar suas batidas cardíacas entrando e saindo da animação suspensa, como vocês fariam com um interruptor de luz. Assim, foi bastante chocante para mim que fossemos capazes de fazer isso. E assim fiquei imaginando, quando estávamos tentando reproduzir o trabalho com a esquiadora, que nós percebemos, é claro, que ela não tinha consumo de oxigênio, e assim talvez ela estivesse num estado de animação suspensa semelhante. Mas, é claro, ela também estava extremamente fria. Assim, ficamos imaginando o que aconteceria se pegássemos nossos animais suspensos e os expuséssemos ao frio. E assim, o que descobrimos foi que, se pegarmos animais que estão animados como vocês e eu, e os colocarmos no frio -- quer dizer, isso foi com as minhocas de jardim -- então eles morreram. Mas se eles estiverem em animação suspensa, e então forem colocados no frio, eles permanecem vivos. E aqui está a coisa mais importante: se vocês querem sobreviver ao frio, vocês precisam estar em suspensão. Certo? Isso é uma coisa realmente boa. E assim, estávamos pensando nisso, nessa relação entre essas coisas, e pensando se isso tinha ou não acontecido com a esquiadora. E daí imaginamos: poderia existir algum agente que existe em nós, algo que nós mesmos produzimos que nos permita regular nossa própria flexibilidade metabólica de tal modo que sejamos capazes de sobreviver quando ficamos extremamente frios, e sem isso morreríamos. Achei que poderia ser interessante sair à caça de coisas assim. Vocês sabem? Devo mencionar aqui brevemente que os livros-texto de fisiologia nos quais vocês podem ler sobre isso vão dizer-lhes que é uma espécie de heresia sugerir isso. Nós sabemos, desde o momento em que recebemos uma palmada no traseiro até exalarmos nosso último suspiro -- quer dizer, desde que somos recém-nascidos até quando estamos mortos -- não somos capazes de reduzir nossa taxa metabólica abaixo do que é chamado de padrão, ou taxa metabólica basal. Mas eu sabia que houveram exemplos de criaturas, inclusive mamíferos, que efetivamente reduzem suas taxas metabólicas como esquilos terrestres e ursos. Eles reduzem suas taxas metabólicas durante o inverno, quando eles hibernam. Então eu imaginei: seríamos capazes de encontrar algum agente ou gatilho que fosse capaz de induzir um estado assim em nós? E assim, saímos em busca dessas coisas. E esse foi um período em que fracassamos tremendamente. Ken Robinson está aqui. Ele falou sobre as glórias do fracasso. Bem, nós tivemos muitas destas. Tentamos muitas substâncias e agentes químicos, e falhamos uma vez depois da outra. Então, numa ocasião, eu estava em casa vendo televisão, enquanto minha mulher estava colocando as crianças na cama, e eu estava vendo um programa de televisão. Era um programa de televisão -- era o NOVA na PBS -- sobre cavernas no Novo México. E aquela caverna particular era a Lechuguilla, e aquela caverna era extremamente tóxica para seres humanos. Os pesquisadores tinham que vestir trajes só para entrar nela. Ela é cheia desse gás tóxico, sulfeto de hidrogênio. Pois bem, o sulfeto de hidrogênio, curiosamente, está presente em nós. Nós o produzimos. A maior concentração é nos nossos cérebros. No entanto, ele era usado como um agente de guerra química na Primeira Guerra Mundial. É uma coisa extremamente tóxica. Na verdade, em acidentes químicos, sabe-se que o sulfeto de hidrogênio é capaz de -- se vocês respiram uma quantidade muito grande, vocês desabam no chão, vocês parecem mortos, mas se vocês forem trazidos a uma atmosfera normal, vocês podem ser reanimados sem danos, se fizerem isso bem depressa. Então pensei, caramba, preciso arranjar um pouco disso. Acontece que estamos na América pós-11 de setembro, e quando vocês vão a um instituto de pesquisas e dizem, "Alô, eu gostaria de comprar alguns cilindros de gás comprimido de um gás letal concentrado porque eu tenho umas idéias, vejam só, de pretender colocar pessoas em estado de suspensão. Vai ficar realmente tudo bem." Então esse é um momento difícil, mas eu disse, existe mesmo alguma base para pensar porque a gente gostaria de fazer isso. Como eu disse, esse agente existe em nós, e, de fato, aqui está uma coisa curiosa, ele se liga ao mesmo lugar dentro de nossas células ao qual o oxigênio se liga, e onde ele é queimado, e que a gente faz isso para viver. E então nós pensamos, como no jogo da dança das cadeiras, se conseguiríamos dar a uma pessoa um pouco de sulfeto de hidrogênio, e se ele seria capaz de ocupar aquele lugar, como num jogo de dança das cadeiras, onde o oxigênio se ligaria, e como não dá mais para o oxigênio se ligar, talvez a pessoa pare de consumi-lo, e então talvez isso reduza a demanda de oxigênio. Quero dizer, quem sabe? Então -- Então, aí está o pedacinho sobre a dopamina e sendo um pouco, como se diz, delirante e vocês poderiam sugerir que foi isto. E então queríamos verificar se seríamos capazes de usar sulfeto de hidrogênio na presença do frio, e queríamos observar se poderíamos reproduzir essa esquiadora num mamífero. Acontece que mamíferos são criaturas de sangue quente, e quando ficamos frios, nos agitamos e trememos, certo. Tentamos manter nossa temperatura interna a 37 graus efetivamente queimando mais oxigênio. Assim, foi interessante para nós quando aplicamos sulfeto de hidrogênio a um rato, quando também estava frio porque aconteceu que a temperatura interna do rato ficou fria. Ele parou de se mexer. Ele parecia morto. Sua taxa de consumo de oxigênio caiu a um décimo. E aqui está o ponto realmente importante. Eu disse a vocês que o sulfeto de hidrogênio existe em nós. Ele é metabolizado rapidamente, e tudo que precisa ser feito depois de ficar seis horas nesse estado de animação suspensa é simplesmente colocar a coisa no ar ambiente, e ela se aquece, e não fica com nenhum estrago. Bem, isso foi cósmico. Realmente. Porque tínhamos encontrado um meio de des-animar um mamífero. E isso não causou nenhum mal a ele. Assim, tínhamos achado uma maneira de reduzir o consumo de oxigênio a níveis muito baixos, e tudo estava bem. Agora, nesse estado de des-animação, ele não poderia sair dançando, mas ele não estava morto, e ele não sofreu nenhum mal. Então começamos a pensar: Será que foi esse o agente que poderia estar presente naquela esquiadora, e ela poderia tê-lo em maior quantidade que outras pessoas e poderia ter sido capaz de reduzir a demanda dela por oxigênio antes que ela ficasse tão fria que de outra forma, tivesse morrido, como constatamos em nossos experimentos com minhocas? Então, ficamos imaginando: Será que podemos fazer alguma coisa útil com essa capacidade de controlar a flexibilidade metabólica? E uma das coisas que nos intrigou -- estou certo de que alguns de vocês são economistas, e sabem tudo sobre oferta e demanda. E quando a oferta é igual à demanda, tudo vai bem, mas quando a oferta cai -- neste caso, de oxigênio -- e a demanda continua alta, você morre. Então, o que acabei de dizer a vocês é que agora somos capazes de reduzir a demanda. Nós devemos reduzir a oferta a níveis sem precedentes sem matar o animal. E com o dinheiro que conseguimos do DARPA, podemos mostrar exatamente isso. Se dermos aos ratos sulfeto de hidrogênio, podemos reduzir a demanda deles por oxigênio, e podemos colocá-los em concentrações de oxigênio tão baixas como as de 1. 500 m acima do Monte Everest, e eles podem ficar lá por horas, e não há problema algum. Bem, isso era realmente formidável. Também descobrimos que podíamos submeter animais a perdas de sangue que, de outro modo, seriam letais, e podíamos salvá-los se déssemos a eles sulfeto de hidrogênio. Assim, esses experimentos de prova de conceito me levaram a pensar que eu deveria fundar uma empresa, e deveríamos levar isso a um campo de atuação mais amplo. Fundei uma empresa chamada Ikaria com a ajuda de outras pessoas. E essa empresa, a primeira coisa que ela fez foi preparar uma formulação líquida de sulfeto de hidrogênio em forma injetável que podíamos embalar e enviar para cientistas médicos em todo o mundo que trabalham em modelos de tratamento de pacientes críticos e os resultados foram incrivelmente positivos. Em um modelo de ataque cardíaco, animais aos quais foi aplicado sulfeto de hidrogênio apresentaram uma redução de 70 por cento dos cardíacos comparados àqueles que receberam o tratamento padrão que eu e vocês receberíamos se tivéssemos uma ataque cardíaco aqui, hoje. O mesmo é verdadeiro para falência de órgãos quando se tem perda da função devido a deficiência na perfusão do rim, do fígado, síndrome da angústia respiratória aguda e danos sofridos em cirurgias de revascularização cardíacas Assim, aí estão os líderes na medicina de trauma em todo o mundo dizendo que isso é verdade, assim, parece que a exposição ao sulfeto de hidrogênio reduz os danos que se sofre devido a exposição a baixo oxigênio que, de outro modo, seria letal. E devo dizer que as concentrações de sulfeto de hidrogênio necessárias para obter esse benefício são baixas, incrivelmente baixas. De fato, tão baixas que os médicos não precisarão reduzir ou atenuar o metabolismo das pessoas significativamente para observarem os benefícios que acabei de mencionar, o que é uma coisa magnífica, se vocês estiverem pensando em adotar isso. Vocês não querem ficar apagando as pessoas só para salvá-las, é realmente perturbador. Então, quero dizer que estamos nos testes humanos. Agora, e assim -- Muito obrigado. A fase um dos estudos de segurança foi concluída, e estamos indo muito bem, estamos agora avançando. Precisamos chegar à fase dois e à fase três. Vai nos levar alguns anos. Tudo isso aconteceu muito depressa, e as experiências com ratos com os ratos em hibernação aconteceu em 2005, os primeiros estudos com humanos foram feitos em 2008, e num par de anos devemos saber se funciona ou não. E tudo isso aconteceu muito depressa mesmo por causa de muita ajuda de muitas pessoas. Quero mencionar, em primeiro lugar, minha esposa, sem ela esta apresentação e meu trabalho não seriam possíveis, por isso, muito obrigado. Assim como os brilhantes cientistas que trabalham no meu laboratório e também outros membros da equipe, o Centro de Pesquisas de Câncer Fred Hutchinson em Seattle, estado de Washington, um lugar maravilhoso para trabalhar. E também os maravilhosos cientistas e administradores de negócio do Ikaria. Uma coisa que o pessoal fez lá foi pegar essa tecnologia de sulfeto de hidrogênio, que é essa empresa em implantação, que está queimando capital de risco bem depressa, e eles fundiram com outra empresa que vende outro gás tóxico que é mais tóxico que o sulfeto de hidrogênio, e eles o aplicam a bebês recém-nascidos que de outro modo morreriam de uma incapacidade de oxigenar seus tecidos adequadamente. E esse gás, que é fornecido a mais de mil hospitais de tratamentos críticos em todo o mundo, agora está aprovado, rotulado, e salva milhares de bebês a cada ano da morte certa. Assim, é mesmo fantástico para mim fazer parte disso. E quero dizer que acredito estarmos no caminho de entender a flexibilidade metabólica de uma maneira fundamental, e que num futuro não muito distante, um técnico em medicina de emergência poderá dar uma injeção de sulfeto de hidrogênio, ou algum composto semelhante, a uma pessoa sofrendo de traumatismos severos, e essa pessoa poderá ficar um pouco des-animada, e elas poderão ficar um pouco mais imortais. O metabolismo delas vai cair como se estivéssemos diminuindo um comutador numa lâmpada de casa. E então, elas terão o tempo, isso vai oferecer-lhes o tempo para serem transportados ao hospital para obterem o tratamento de que precisam. E então, depois que elas tenham recebido o tratamento, como o rato, como a esquiadora, como a mulher de 65 anos, elas irão acordar. Um milagre? Esperamos que não, ou pelo menos esperamos apenas tornar os milagres um pouco mais comuns. Muito obrigado a vocês.
pt
463
Eu viajo ao redor do mundo dando palestras sobre Darwin, e geralmente eu falo sobre a estranha inversão de raciocínio de Darwin. Este título, esta frase, vem de um crítico, um crítico pioneiro, e este é um trecho que eu adoro, e gostaria de ler para vocês. "Na teoria com a qual temos que lidar, Ignorância Absoluta é a artífice; de modo que podemos enunciar como o princípio fundamental de todo o sistema, que, a fim de fazer uma máquina perfeita e bela, não é requisito saber como fazê-la. Esta proposição será encontrada em um exame cuidadoso, para expressar, em uma forma condensada, o propósito essencial da Teoria, e para expressar em poucas palavras todo o significado do Sr. Darwin; quem, por uma estranha inversão de raciocínio, parece pensar que a Ignorância Absoluta é totalmente qualificada para tomar o lugar da Sabedoria Absoluta nas realizações da habilidade criativa." Exatamente. Exatamente. E é uma estranha inversão. Um panfleto criacionista tem uma formidável página: "Teste Dois: Você conhece alguma construção que não tinha um construtor? Sim Não. Você conhece alguma pintura que não tinha um pintor? Sim Não. Você conhece algum carro que não tinha um fabricante? Sim Não. Se você respondeu "SIM" para alguma das acima, especifique." A-ha! Quero dizer, é realmente uma estranha inversão de raciocínio. Você teria pensado que parece lógico que design requer um designer inteligente. Mas Darwin mostra que isso é simplesmente falso. Hoje, porém, eu vou falar sobre outra inversão de raciocínio de Darwin, a qual é igualmente intrigante de início, mas de certa forma tão importante quanto. Parece lógico que adoramos bolo de chocolate porque ele é doce. Rapazes tentam conseguir garotas como estas porque elas são sexy. Adoramos bebês porque eles são tão fofos. E, naturalmente, nos divertimos com piadas porque elas são engraçadas. Isto está invertido. Está sim. E Darwin nos mostra o porquê. Vamos começar com doce. Nosso apetite por doce é basicamente um detector de açúcar evoluído, porque açúcar é energético, e foi apenas conectado até a preferência para colocar de forma crua, e é por isso que gostamos de açúcar. Mel é doce porque gostamos dele, não "nós gostamos dele porque mel é doce." Não há nada de intrinsecamente doce sobre o mel. Se você olhasse para moléculas de glicose até cansar, você não veria porque elas são doces. Você deve olhar dentro do cérebro para entender porque elas são doces. Então se você acha que primeiro existia a doçura, e depois nós evoluímos para gostar de doçura, você entendeu invertido; isso é simplesmente errado. É o contrário. Doçura nasceu com a fiação que evoluiu. E não existe nada intrinsecamente sensual sobre estas jovens. E é bom que não existe, porque se existisse, então a Mãe Natureza teria um problema: Como conseguir fazer chimpanzés acasalarem? Agora você talvez pense, ah, existe uma solução: alucinações. Isso seria uma maneira de fazer, mas há uma maneira mais rápida. Apenas faça com que os chimpanzés gostem daquele aspecto, e aparentemente eles gostam. Isso é tudo. Ao longo de seis milhões de anos, nós e os chimpanzés evoluímos nossos caminhos diferentes. Nós ficamos sem pelos, curiosamente; por uma ou outra razão, eles não ficaram. Se nós não tivéssemos, então provavelmente esse seria o auge do sexy. Nosso apetite por doce é uma evoluída e instintiva preferência por alimentos energéticos. Ele não foi programado para bolo de chocolate. Bolo de chocolate é um estímulo supranormal. O termo pertence a Niko Tinbergen, que fez seus famosos experimentos com gaivotas, onde ele verificou que aquela mancha laranja no bico da gaivota -- se ele fizesse uma maior, mancha laranja os filhotes de gaivota bicariam nela ainda mais forte. Isso foi um hiper estímulo para eles, e eles adoraram. O que nós vemos com, digamos, bolo de chocolate é um estímulo supranormal para ajustar nosso projeto de fiação. E existem muitos estímulos supranormais; bolo de chocolate é um. Existem muitos estímulos supranormais para a sensualidade. E existem até estímulo supranormal para fofura. Aqui está um bom exemplo. É importante que adoremos bebês, e que não seja adiado por, digamos, fraudas sujas. Então bebês tem que atrair nosso afeto e nossa proteção, e eles atraem. E, por sinal, um estudo recente mostra que mães preferem o cheiro das fraudas sujas do seu próprio bebê. Então a natureza trabalha em vários níveis aqui. Mas agora, se bebês não parecessem do jeito que são, se bebês parecessem com isto, Isso seria o que nós acharíamos adorável, isso seria o que nós encontraríamos -- nós pensaríamos, nossa, eu jamais iria querer abraçar aquilo. Isto é a estranha inversão. Bem agora, finalmente o que dizer sobre graça. Minha resposta é, é a mesma estória, a mesma estória. Esta é a mais difícil, a que não é óbvia. Por isso que eu deixei ela para o final. E eu não vou ser capaz de falar muito sobre ela. Mas você deve pensar evolutivamente, você deve pensar, que trabalho duro tem que ser feito -- É um trabalho sujo, alguém tem que fazer -- é tão importante nos dar uma recompensa tão poderosa e incorporada para isso quando formos bem sucedidos. Agora, eu acho que nós encontramos a resposta, eu e alguns dos meus colegas. É um sistema neural que é conectado para recompensar o cérebro por fazer um trabalho administrativo sujo. Nossa mensagem para este ponto de vista é que isto é o prazer da depuração. Agora eu não vou ter tempo para esclarecer tudo, mas eu vou apenas dizer que só alguns tipos de depuração recebem recompensa. E o que nós estamos fazendo é usar o humor como um tipo de sonda neurocientífica por ligar e desligar o humor, por classificar uma piada -- Agora não é engraçado. oh, agora é mais engraçado. agora nós vamos girar o botão um pouco mais. agora não é engraçado -- desta forma, poderemos realmente aprender algo sobre a arquitetura do cérebro, a arquitetura funcional do cérebro. Matthew Hurley é o primeiro autor disto. Nós o chamamos de o Modelo Hurley. Ele é um cientista da computação, Reginald Adams é psicólogo, e lá estou eu, e nós estamos juntando isso em um livro. Muito obrigado.
pt
464
Então este cara, este cara é um cara chamado Bob McKim E ele era pesquisador de criatividade nos anos 60 e 70, e também liderou o programa de design em Stanford. Na verdade, meu amigo e fundador da IDEO, David Kelley, que está por aí em algum lugar, foi seu aluno em Stanford. E ele gostava de fazer um exercício com seus alunos em que ele fazia os alunos pegarem um pedaço de papel e desenhar a pessoa sentada ao lado deles, seus vizinhos, muito rápido, o mais rápido que conseguissem. Na verdade, nós vamos fazer esse exercício agora. Vocês todos têm um pedaço de papelão eu um pedaço de papel. Ele tem uns círculos em cima. Eu preciso que vocês virem esse papel, vocês vão descobrir que é branco do outro lado, OK? E deve haver um lápis. E eu quero que vocês escolham alguém sentado ao seu lado, e quando eu disser "já" vocês têm 30 segundos para desenhar seu vizinho, OK? Então, todos prontos? OK. Lá vamos nós. Vocês tem 30 segundos, melhor serem rápidos. Vamos lá, essas obras de arte. OK? Parem. Tudo bem, certo. Sim, muitos risos. Sim, exatamente. Muitas risadas, um pouco de vergonha? Estou escutando uns "Me desculpe"? Eu acho que estou ouvindo alguns "Me desculpe". É, É, eu acho que é bem provável que estou. E é exatamente isso que sempre acontece, sempre que se faz isso com adultos. E McKim descobriu isso sempre que fazia com seus alunos. Ele conseguiu a mesma reação: muito e muitos "Me desculpe" E ele mostraria isso como prova que nós tememos o julgamento de nossos iguais, e que sentimos vergonha sobre, mais ou menos, mostrar nossas idéias para pessoas que consideramos iguais, para aqueles ao nosso redor. E é esse medo que nos faz ser conservadores no nosso pensamento Então podemos ter uma idéia louca, mas nós sentimos medo de compartilhá-la. OK, se você tentar o mesmo exercício com crianças, eles não vão ter vergonha alguma. Eles mostram felizes suas obras de arte para quem quiser ver. Mas quando eles aprendem a ser adultos, tornam-se muito mais sensíveis à opinião dos outros, e perdem aquela liberdade e então começam a ficar envergonhados. E em estudos de crianças jogando, se mostra que sempre, essas crianças sentem-se seguras, que estão numa espécie de ambiente confiável, elas sentem maior liberdade para jogar. E se você estiver começando um estúdio de Design, vamos dizer, então você provavelmente também quer criar, sabe, um lugar onde as pessoas tem a mesma segurança. Onde têm a mesma segurança para correr riscos. Talvez ter a mesma segurança para brincar. Antes de fundar o IDEO, David disse que o que ele queria fazer era formar uma companhia onde todos empregados fossem meus melhores amigos. Agora, aquilo não era autogratificão. Ele sabia que amizade é um atalho para criatividade. E ele sabia que ela nos dá uma sensação de confiança, e nos permite então correr os riscos criativos que precisamos correr como designers. Então essa decisão de trabalhar com seus amigos -- agora ele tem 550 deles -- foi o que começou a IDEO. E nossos estúdios, como, eu acho, muito locais de criação hoje, são feitos para ajudar as pessoas a sentirem-se relaxadas. Familiarizadas com seus arredores, comfortáveis com as pessoas com quem estão trabalhando. Leva mais do que decoração, mas eu acho que nós já vimos isso, sabe, empresas de criação normalmente têm símbolos no loca de trabalho que lembram as pessoas a serem brincalhonas, e isso é um ambiente tolerante. Então seja essas sala de reuniões micro-ônibus que temos em nossos prédios na IDEO, ou na Pixar onde animadores trabalham em cabanas de madeira e cavernas decoradas. Ou no Googleplex onde, vocês sabem, é famoso por suas quadras de vôlei de praia. e até esse enorme esqueleto de dinossauro com flamingos rosas. Não sei o porquê dos flamingos rosas, mas, eles estão no jardim. Ou até nos escritórios do Google na Suíça, que talvez tenham as idéias mais loucas de todas. E a minha teoria é que assim os suíssos podem provar para os seu colegas californianos que eles não são chatos Então eles têm um escorregador, e um poste de bombeiro. Não sei o que eles fazem com ele, mas eles têm um. Todos esses lugares têm seus símbolos. Nosso grande símbolo na IDEO é na verdade não um lugar, mas uma coisa. É na verdade algo que inventamos faz alguns anos, ou criamos faz alguns anos. É um brinquedo. E se chama "Dedo Explosivo" E eu esqueci de trazer um comigo. Então se alguém puder pegar embaixo da cadeira ao seu lado, vocês encontrarão algo embaixo dela. Ótimo. Se vocês puderem me dar ele. Obrigado, David, agradecido. Então isto é um "Dedo Explosivo", e vocês vão descobrir que todos vocês têm um embaixo da sua cadeira. E eu vou fazer um pequeno experimento. Outro pequeno experimento. Mas antes de começarmos, eu preciso colocar isso. Obrigado. Certo. Agora, o que vou fazer é isso, eu vou ver como-- eu não consigo ver com isso, OK. Eu vou ver quantos de vocês no fundo conseguem alcançar o palco. O jeito que eles funcionam, você só coloca o dedo nele, puxa, e atira. Então, não olhem para trás. Essa é a minha única recomendação. Quero ver quantos alcançam o palco, Então vamos! Isso, isso. Obrigado. Obrigado. Oh. Tenho outra idéia. Eu queria -- aqui vamos nós. Vamos lá. Obrigado, obrigado, obrigado. Nada mal, nada mal. Nenhum machucado sério até agora. Bem, eles ainda estão vindo lá do fundo; eles ainda estão vindo. Alguns de vocês ainda não atiraram. Vocês não descobriram como, ou algo do tipo? Não é tão difícil. A maioria dos filhos de vocês saberia fazer nos primeiro 10 segundos, quando eles pegassem ele. Certo. Muito bom, muito bom. OK, certo. Vamos -- Acho melhor que. É melhor eu limpar isso aqui ou eu vou levar um tombo. Certo. Então o resto de vocês pode usar eles quando eu falar algo muito chato, então vocês atiram eles em mim. Certo. Acho que eu vou tirar isso agora, porque eu não consigo ver nada quando -- sim, certo. Então, ah, isso foi divertido. Certo, bom. Então, OK, por que? Nós temos esses brinquedos, outros tem dinossauros, você sabe. Por que temos eles? Bem, como eu disse, nós temos eles porque achamos que a brincadeira é importante. Mas por que é importante? Nós usamos de uma maneira bem pragmática, pra ser honesto. Nós achamos que a brincadeira nos ajuda a achar soluções criativas. Nos ajuda a fazer nossos trabalhos, a ajuda a nos sentirmos melhor quando trabalhamos. Agora, quando um adulto encontra uma nova situação -- quando encontramos uma nova situação temos a tendência de categorizar ela o mais rápido possível. E há uma razão para isso. Nós queremos chegar a uma resposta. A vida é complicada. Nós queremos entender o que gira ao nosso redor tão rápido. Eu acredito, na verdade, que os biólogos evolucionistas provavelmente têm muitas razões de porque categorizar coisas novas rapidamente, muito rápido. Um deles pode ser, sabe, quando vemos algo listrado, isso é um tigre pulando em nós para nos comer? Ou são só sombras estranhas de uma árvore? Precisamos descobrir bem rápido. Bem, ao menos, precisamos um dia. A maioria de nós não precisa mais, acredito. Isso é papel alumínio, certo? Você o usa na cozinha. É isso que é, certo? Claro que é, claro que é. Bem, não necessariamente. Crianças estão mais abertas às possibilidades. Eles certamente -- quando encontram algo novo, vão se perguntar, o que é isso? Claro que vão. Mas eles também irão se perguntar, o que posso fazer com isso? E sabem, os mais criativos podem chegar a exemplos muitos interessantes. E essa desenvoltura é o começo da brincadeira exploratória. Há pais de crianças pequenas aqui? Devem haver alguns. Sim, achei que sim. Então todos já vimos isso, não é? Nós todos contamos histórias de quando, na manhã de natal, nossos filhos acabaram brincando com as caixas muito mais que com os brinquedos dentro delas. E sabe, de uma perspectiva exploratória, esse comportamento faz muito sentido. Porque você pode fazer muito mais com uma caixa do que com um brinquedo. Até um, Elmo com Cócegas, que, contrário a sua ingenuidade, só faz uma coisa, enquanto caixas ofereçem infinitas possibilidades. Então outra vez, isso é outra daquelas atividades brincalhonas, que quando envelhecemos, começamos a esquecer e temos de reaprender. Então um dos exercícios favoritos de Bob McKim se chama "Teste dos 30 Círculos" Então voltamos ao trabalho. Vocês vão trabalhar de novo. Virem o papel com seu desenho, para cima, e vocês vão encontrar 30 círculos no papel. Deve parecer assim. Vocês devem estar olhando para algo assim. O que eu vou fazer, é lhes dar um minuto, e eu quero que adaptem quantos círculos puderem, em qualquer objeto. Então por exemplo, você pode transformá-lo numa bola, ou outro num sol. O que me interessa é a quantidade. Eu quero que vocês façam o máximo possível, no minuto que vou lhes dar. Então todos prontos? OK? Vamos lá. Certo. Guardem seu lápis. Então, quem conseguiu mais de cinco? Espero que todos? Mais de 10? Mantenham suas mãos levantadas se conseguiram. 10. 15? 20? Alguém conseguiu todos 30? Não? Ah, alguém conseguiu. Fantástico. Alguém fez uma variação de um tema? Como uma cara feliz? Rosto feliz? Rosto triste? Rosto sonolento? Alguém fez isso? Alguém usou meus exemplos? O Sol e a bola? Muito Bom. O que me interessava era a quantidade. Não me interessava se eles eram todos diferentes. Eu só queria que vocês fizessem o máximo de círculos. E uma das coisas que fazemos quando adultos, outra vez, é editar as coisas. Nós paramos de fazer coisas. Nós mesmos cortamos nossas idéias. E em alguns casos, o desejo de ser original é uma forma de editar. E não é necessariamente ser brincalhão. Essa habilidade de tentar e explorar várias coisas, mesmo que não se pareçam diferentes umas das outras, é na verdade algo que crianças fazem, é uma forma de brincadeira. Então agora, Bob McKim fez outra -- outra versão deste teste, num experimento conhecido nos anos 60. Alguém sabe o qué é isso? É um cactus de peiote. É uma planta da qual você pode criar mescalina, uma droga psicodélica. Vocês com 60 anos devem conhecer ela bem. McKim publicou um tracalho em 1966 descrevendo um experimento em que ele e seus colegas conduziram, para testar os efeitos de drogas psicodélicas na criatividade. Então ele escolheu 27 profissionais. Eles eram, engenheiros, físicos, matemáticos, arquitetos, designers de móveis e até artistas. E ele pediu que viessem uma noite e trouxesem um problema em que eles estavam trabalhando. Deu a eles um pouco de mescalina, e os fez escutar um pouco de música relaxante. E o que eles fizeram foi o Teste Purdue de Criatividade. Você o pode conhecer como, quantas utilidades tem um clipe de papel? É basicamente a mesma coisa dos 30 círculos que fizeram. Agora, na verdade, ele fez o teste antes da mescalina, e depois, para ver como -- que diferença havia nas pessoas, como, facilidade e velocidade de criação de ideias. E os pediu para que trabalhassem nesses problemas que trouxeram. E eles teriam várias soluções interessantes, e até, soluções válidas para os problemas que eles haviam tendo. E algumas das coisas que descobriram, algum deles descobriu. Em um caso um novo prédio comercial e planejamento para casas que foram aceitos pelos clientes. Um desenho de uma sonda solar experimental. Uma repensagem do acelerador de elétrons tradicional, uma melhoria no gravador de fita magnético. Dá para perceber que foi há algum tempo. A finalização da linha de móveis, e até um novo modelo conceitual do fóton. Então foi uma noite muito produtiva. De fato, talvez este experimento foi a razão de porque o Vale do Silicone teve um bom começo em inovação. Não sabemos, talvez. Temos de perguntar à uns CEOs se eles estiveram envolvidos em experimentos com mescalina. Mas na verdade, não foram as drogas o importante, mas a idéia de que o que as drogas fizeram ajudaria as pessoas a mudar seu jeito normal de pensar. E deixá-los, mais ou menos, esquecer seu comportamento adulto. Que ficava no caminho das suas ideias. Mas é difícil perder hábitos, nosso hábitos adultos. Na IDEO nós temos nossas regras para brainstorm nas paredes. Regras como, "Nada de julgar" ou "Vá pela quantidade" E de algum modo isso parece errado. Quero dizer, há regras de criatividade? Bem, parece que precisamos de regras para nos ajudar a quebrar as regras antigas que de outra maneira traríamos para o processo criativo. E certamente aprendemos, que se tem um brainstorm melhor, que as pessoas são mais criativas quando se seguem essas regras. Agora, claro, muitos designers, que trabalham sozinhos, conseguem isso de uma maneira mais orgânica. Eu acho que os Eames são ótimos exemplos de experimentação. E eles experimentaram com compensados por muitos anos sem necessariamente ter um objetivo em mente. Eles estavam explorando seguir o que era interessante para eles. E criaram talas para soldados machucados vindos da 2ª Guerra mundial e da guerra na Coréia, acho. E desse experimento foram para cadeiras. E através várias experimentações com materiais, criaram um grande número de soluções icônicas que conhecemos hoje, e até resultando em, claro, sua lendária "Eames lounge chair". Agora, se os Eames tivessem parado com a a primeira solução, então não teríamos sido beneficiados, sabe, por tantos designs incríveis hoje. E claro, eles usaram experimentaçao em todos aspectos do seu trabalho. De filmes para construções, de jogos para gráficos. Então são grandes exemplos, acho, de exploração e experimentação no design. Agora, enquanto os Eames exploraram essas possibilidades, eles tambem estavam explorando objetos físicos. E eles estavam fazendo isso através da construção de protótipos. E construir é a próxima das atitudes que gostaria de falar. Então o aluno Ocidental mediano de primeira série gasta metade do seu tempo livre fazendo parte da chamada "jogo construtivo." Jogo construtivo -- é uma brincadeira, claro, mas também um modo poderoso de aprender. Quando é sobre construir torre com blocos, a criança começa a aprender sobre torres. E quando eles começam a derrubar e começar de novo, o aprendizado está acontecendo como um efeito colateral da brincadeira. É o clássico aprender fazendo. Agora, David Kelley chama esse comportamento, quando feito por designers, de "pensar com as mãos." E tipicamente envolve fazer vários protótipos de baixa resolução bem rápido. Sabe, juntar muito elementos base muitas vezes traz uma solução. Num de seus primeiros projetos, o grupo estava sem idéias, e criaram um mecanismo feito de um desodorante roll on cortado. Isso se tornou o primeiro mouse de computador para o Apple Lisa e o Macintosh. Então eles conseguiram esse conhecimento criando protótipos. Outro exemplo foi um grupo de designers que estavam trabalhando em um instrumento cirúrgico. Eles estavam junto com os cirurgiões, conversando com eles sobre o que era necessário para aquele instrumento. E um dos designers saiu da sala pegou um pincel e uma caixa de filme -- o que está se tornando um método de protótipo incrível -- e um prendedor de roupas. Passou fita neles, e voltou para a sala e disee, você quer algo assim? E o cirurgiões pegaram o instrumento e disseram, bem, eu quero segurá-lo assim ou dessa forma. E nesse momento uma conversa produtiva estava acontecendo sobre design em volta de um objeto tangível. E no fim se transformou num instrumento de verdade. Esse comportamento é todo sobre conseguir algo rapidamente no mundo real, e ter seu pensamento melhorado como resultado. Na UDEO há uma sensação de-volta-ao-jardim às vezes no ambiente. Os carrinhos de protótipos cheios de papel colorido e massa de modelar e cola e outras coisas. Quero dizer, eles têm mesmo uma sensação de jardim de infância. Mas a ideia importante é, está tudo à mão. Tudo à sua volta. Então quando designers tabalham com suas idéias eles podem construir o que eles quiserem quando quiserem. Não precisam ir em uma oficina formal para fazê-lo. E acreditamos que isso é muito importante. E a coisa triste é, embora na pré-escola as crianças tenham essas qualidades, assim que passam pelas séries tudo isso é tirado delas. Elas perdem essa coisas que facilita um modo de pensar brincando e construindo. E claro, quando se chega à um local de trabalho normal, talvez a melhor ferramenta de contrução que temos são os Post-its. Não há muitos. Mas dando para grupos de trabalho e clientes permissão de pensar com suas mãos, ideias bem complexas vem a tona e são executadas muito mais facilmente. Esta é uma enfermeira usando um protótipo muito simples de massa de modelar, explicando o que ela quer de um sistema de informação portátil para um grupo de tecnólogos e designers que estão trabalhando com ela no hospital. E ter este simples protótipo a permite descrever o que quer de uma forma mais eficaz. E claro, construindo protótipos rapidamente, podemos levar nossas ideias para os consumidores e usuários muito mais rápido do que se estivéssemos tentando descrevê-las por palavras. Mas como isso se aplica no design de algo que não é físico? Algo como um serviço ou uma experiência? Algo que existe através de varias interações pelo tempo? Em vez de construir, isso pode ser aplicado interpretando. Então se está criando uma interação entre duas pessoas como, pedir comida num fast food ou algo, você precisar estar pronto para imaginar como essa experiência vai ser sentida com o tempo. E acho que a melhor maneira de conseguir isso, e perceber as falhas de seu design, é atuá-lo. Fazemos muito isso na IDEO tentando convencer nossos clientes disso. Eles podem ser um pouco céticos, e já falo sobre isso. Mas um lugar, onde o esforço vale a pena é onde as pessoas lutando com sérios problemas. Coisas como educação, segurança, finanças ou saúde. Este é outro exemplo em um ambiente hospitalar de médicos e enfermeiras e designers simulando um atendimento a um paciente. Mas sabem, muitos adultos são bem relutantes com esse faz de conta. Parte por vergonha e parte por que eles não acreditam que o que resulta disso é válido. Eles negam uma interação interessante dizendo, você sabe, isso só está acontecendo porque eles estão atuando. Pesquisas sobre o comportamento de crianças sugere que é importante levar a atuação, o faz de conta a sério. Porque quando crianças atuam elas seguem regras sociais atentamente que aprenderam de nós adultos. Se uma brinca de loja, e outra esta brincando de casinha, então todo tipo de brincadeira acaba. Então eles se acostumam, bem rápido, a aprender as regras de interação social, e na verdade são bem prestativos em mostrar quando são quebradas. Enão quando, como adultos, nós atuamos, então temos muitas dessa regras já internalizadas. Passamos por muitas experiências na vida. E elas nos dão uma forte intuição de se uma interação vai dar certo. Então somos muito bons em interpretar uma solução, e perceber se algo perdeu a autenticidade. Então interpretar é, acho, muito importante quando se fala em pensar sobre experiências. Outra maneira para nós, como designers, para explorar a interpretação é nos colocar em uma experiência em que estamos trabalhando, e nos projetar nela. Aqui estão alguns designers tentando entender como deve ser dormir em um espaço pequeno em um avião. Então eles pegam uns materiais bem simple, como podem ver, e fizeram essa interpretação, bem simples, só para sentir como seria para passageiros se eles estivessem em pequenos espaços nos aviões. Este é um de nossos designers, Kristian Simsarian, e ele está se fazendo de paciente de UTI. Agora, isso é um hospital de verdade, em um atendimento de emergência. Uma das razões ele escolheu levar essa grande câmera com ele, porque ele não quis que os médicos e enfermeiras pensassem que ele estava doente de verdade e dessem algo para ele que ele se arrependeria depois. De qualquer jeito, ele foi lá com essa câmera, e é interessante o que ele trouxe de volta. Porque o que vimos quando ele voltou, foi 20 minutos disso. E o incrível desse vídeo, assim que você vê ele, imediatamente se projeta na experiência. E sabe o que é, toda essa incerteza quando você é deixado no corredor enquanto médicos estão lidando com casos mais urgentes em um dos quartos, se perguntando o que está acontecendo. Essa noção de usar interpretação, ou nesse caso, meio que viver a experiência de modo a criar empatia, particularmente quando esse vídeo é usado, é muito poderoso. Ou outro de nossos designers, Altay Sendil, ele está depilando seu peito, não porque é vaidoso. mas ele é sim. Não, estou brincando. Mas para entender a dor dos pacientes que têm sua pele removida. E então certas vezes essas experiências análogas, essa interpretação diferente, pode ser válida. Então quando uma criança se veste como um bombeiro, sabe, ele está experimentando aquela identidade. Ele quer saber como é ser um bombeiro. Nós fazemos o mesmo como designer. Nós estamos vestindo essas experiências. E então a ideia de interpretar não só cria empatia, mas também ajuda com os protótipos. E você sabe, nós admiramos quem faz isso na IDEO de qualquer jeito. Não porque nos levam a respostas sobre a experiência, mas também por causa de sua vontade de explorar e sua habilidade para, de certo modo inconscientemente se render para a experiência. Resumindo, admiramos sua vontade de jogar. Então, jogos de exploração, construção e interpretação. Essas são algumas maneiras que designers usam o jogo no seu trabalho. E, eu admito, isso pode parecer que é uma mensagem para sair e brincar como uma criança. E de certo modo é, mas eu quero enfatizar algumas ideias. A primeira é lembrar que jogar não é uma anarquia. Jogos tem regras, principalmente quando são em grupo. Quando crianças brincam de casinha, ou de polícia e ladrão, eles estão seguindo um roteiro que concordaram. E lidar com essas regras que leva a um jogo produtivo. Se lembram do desenho do início da palestra? O rosto, o retrato que fizeram? Bem, imaginem a mesma atividade com amigos enquanto bebem em um bar. Mas todos concordaram em jogar que o pior retratista compra a próxima rodada de bebidas. Essas regras tornariam uma situação difícil, e embaraçosa em um jogo divertido. E como resultado, sabe, todos nos sentiríamos seguros e nos divertiríamos -- mas porque nós todos entendemos as regras e concordamos com elas. Mas não há somente regras sobre como jogar, há regras para quando jogar. Crianças não jogam sempre, óbvio. Elas transitam entre jogar e não. E professores, bom professores gastam muito tempo pensando em como levar as crianças entre essas experiências. E como designers, precisamos conseguir fazer essa transição também. E se estamos liderando estúdios de design nós precisamos descobrir, como transitar outros designers entre essas diferentes experiências? Acho que isso é particularmente verdade se pensarmos sobre. Eu acho o que é bem diferente sobre design é que passamos por esses dois modos distintos de operação. Nós passamos por um modo em que geramos, e exploramos várias ideias. Então nós, meio que, nos remontamos, e procuramos por aquela solução, e a desenvolvemos. Eu acho que são dois modos bem diferentes. Divergência e convergência. E é provavelmente no modo divergente que precisamos brincar mais. Talvez quando convergimos precisamos ser mais sérios. E então precisamos nos mover entre eles pois é muito importante. Então aí é aonde um modo diferente de ver os jogos é necessário. Porque é muito fácil cair na armadilha de tornar essas ideias absolutas. Ou você é brincalhão, ou é sério, não pode ser os dois. Mas isso não é verdade. Você pode ser um profissional adulto sério, e, as vezes, ser brincalhão. Não é um "ou", é um "e". Você pode ser sério e jogar. Então finalizando, precisamos confiar para jogar, e precisamos confiar para ser criativos, então há uma conexão. E há uma série de comportamentos que aprendemos como crianças, e que se tornam muito úteis para nós designers. Elas incluem exploração, o que é bom para quantidade. Construir e pensar com as mão. E interpretar, onde atuar nos ajuda a ter mais empatia para as situações em que criamos. e para criar serviços e experiências que pareçam autênticas. Muito obrigado
pt
465
Por que tantas pessoas atingem o sucesso e então fracassam? Uma das grandes razões é, pensamos que o sucesso é uma via de mão única. Então fazemos tudo que leve ao sucesso. Mas então chegamos lá. Percebemos que conseguimos, nos acomodamos em nosso conforto, e realmente paramos de fazer tudo que nos fez bem sucedidos. E não demora muito para descambar. E eu posso afirmar que isto acontece. Porque aconteceu comigo. Alcançando o sucesso, trabalhei duro, me esforcei. Mas então eu parei, porque me dei conta, "Ah, sabe, consegui. Posso sentar e relaxar." Alcançando o sucesso, eu sempre tentei melhorar e fazer um bom trabalho. Mas então parei porque vi, "Ei, já sou bom o suficiente. Não preciso melhorar mais." Alcançando o sucesso, eu era muito bom em ter boas idéias. Porque eu fazia todas estas coisas simples que me levam a idéias. Mas então eu parei. Porque vi que era este cara genial. e não deveria me esforçar para ter boas idéias. Elas deveriam aparecer como mágica. E a única coisa que apareceu foi bloqueio criativo. Eu não conseguia mais ter idéias. Alcançando sucesso, eu sempre tive foco nos clientes e projetos, e ignorei o dinheiro. Então todo aquele dinheiro começou a aparecer. E eu fui distraído por ele. E subitamente eu estava no telefone com meu corretor e minha imobiliária, quando deveria estar falando com meus clientes. E alcançando o sucesso, sempre fiz o que amava. Mas então eu me meti em coisas que não amava, como gestão. Eu sou o pior gestor do mundo. Mas achei que eu devesse fazer. Porque eu era, afinal, o presidente da empresa. Bem, logo uma nuvem escura se formou sobre minha cabeça e aqui estava eu, externamente bem sucedido, mas internamente muito deprimido. Mas eu sou o cara, eu sabia como consertar isso. Eu comprei um carro veloz. Não ajudou. Eu corria mais, mas estava igualmente deprimido. Então fui ao médico. Eu disse, "Doutor, eu posso comprar o que quiser. Mas não estou feliz. Estou deprimido. É verdade o que dizem, e eu não acreditava até acontecer comigo. Mas dinheiro não compra felicidade." Ele disse, "Não. Mas pode comprar Prozac." E me pôs sob antidepressivos. E a nuvem negra dissipou um pouco. Mas também todo o trabalho. Porque eu estava disperso. Eu não me importava se os clientes ligavam. E os clientes não ligavam. Porque eles viam que eu não mais servia a eles, eu servia apenas a mim mesmo. Então levaram seu dinheiro e seus projetos para outros que os serviriam melhor. Bem, não demorou muito para o negócio afundar como uma pedra. Meu sócio e eu, Tom, tivemos de dispensar nossos funcionários. Ficamos só nós dois, e estávamos em vias de cair mais. E isso foi ótimo. Porque sem funcionários, não havia ninguém para eu gerenciar. Então eu voltei a fazer os projetos que amava. Eu me divertia de novo. Eu trabalhei ainda mais duro. E resumindo a história: fiz todas as coisas que me levaram de volta ao sucesso. Mas não foi uma viagem curta. Demorou sete anos. Mas no fim, o negócio cresceu mais que antes. E quando eu voltei a seguir estes oito princípios, a nuvem escura sobre minha cabeça desapareceu completamente. E eu acordei um dia e disse, "Não preciso mais de Prozac." E eu joguei ele fora e não precisei nunca mais desde então. Eu aprendi que o sucesso não é uma via de mão única. Ele não se parece com isso. Ele se parece mais com isto. Uma jornada contínua. E se quisermos evitar a "síndrome do sucesso-fracasso." Precisamos continuar seguindo estes oito princípios. Porque é não apenas como atingimos o sucesso, é como o sustentamos. Então, ao seus sucessos contínuos. Muito obrigado.
pt
466
Eu queria ser um astro do ‘rock’. Eu sonhava com isto, era tudo com o que eu sonhava. Para ser mais exato, eu queria ser um astro ‘pop’. Isto foi no final da década de 80. E mais que tudo eu queria ser o quinto membro do 'Depeche Mode' ou 'Duran Duran'. Eles não me aceitariam. Eu não sabia ler música, mas tocava sintetizadores e baterias eletrônicas. E fui criado numa cidadezinha agrícola do interior no norte de Nevada. E eu estava certo de que aquela seria minha vida. E quando entrei na faculdade, na Universidade de Nevada, Las Vegas, eu tinha, então, 18 anos, E fiquei surpreso ao descobrir que não havia uma disciplina de "Introdução para astros ‘pop’", ou mesmo, uma licenciatura para este tipo de interesse. E o maestro do coro de lá sabia que eu cantava e convidou-me para participar do coro. e eu disse: "Sim, eu adoraria. Parece muito bom." e saí da sala e pensei: “De jeito nenhum.” As pessoas do coro da minha escola eram muito estranhas, e, de modo algum, eu teria algo a ver com este tipo de gente. E cerca de uma semana depois, um amigo meu veio até mim e disse: “Escuta, você tem que entrar no coro. No final do semestre, viajaremos para o México, todas as despesas pagas. E a seção de sopranos é simplesmente lotada ‘gatas’ gostosas.” E então pensei que pelo México e pelas ‘gatas’, eu faria qualquer coisa. e eu fui para o meu primerio dia no coro, e sentei-me junto aos baixos e olhei, assim, por cima do ombro, para ver o que eles estavam fazendo. Eles abriram suas partituras, o maestro deu o andamento, e, buum, eles se lançaram no Kyrie [Senhor, tende piedade.] do "Requiem" de Mozart. Em toda a minha vida eu enxergara em Preto & Branco, e, de repente, tudo era um colorido maravilhoso. A mais transformadora experiência que já tive -- naquele momento único, ouvindo dissonância e harmonia e as pessoas cantando, todas juntas, a visão compartilhada. E senti pela primeira vez na minha vida que era parte de algo maior do que eu. E havia um monte de garotas bonitas na seção de sopranos, como pude constatar. Eu decidi escrever uma peça para o coro dois anos depois como um presente para este maestro que havia mudado minha vida. Nessa altura eu já havia aprendido a ler música, ou melhor, lentamente aprendia a ler música. E a peça foi publicada, então, escrevi outra peça, que também foi publicada. E depois, comecei a reger, e acabei fazendo meu mestrado na ‘Juilliard School’. E agora, encontro-me na improvável posição de estar defronte a todos vocês como um compositor e maestro profissional de música erudita. Bem, uns dois anos atrás um amigo meu me mandou um ‘email’ um ‘link’, um ‘link’ do ‘YouTube’, e disse: "Você tem que ver isso." E era esta garota, que, como minha fã, postou este vídeo para mim, cantando a parte de soprano de uma peça minha chamada “Sono”. Britlin Losee: Oi, Sr. Eric Whitacre. Meu nome é Britlin Losee, e este é um vídeo que eu gostaria de fazer para você. Aqui estou eu, cantando "Sono." Estou um pouco nervosa, só pra você saber. ♫ Se há ruídos ♫ ♫ na noite ♫ Eric Whitacre: Eu fiquei impressionado. Britlin era tão inocente e tão doce, e sua voz tão pura. E adorei inclusive ver o que estava atrás dela. Eu podia ver seu ursinho de pelúcia sobre o piano, no fundo do quarto. Um vídeo tão íntimo. E eu tive a ideia: e se eu conseguisse 50 pessoas para que todos fizessem a mesma coisa, cantassem seus trechos -- soprano, alto, tenor e baixo -- onde quer que estivessem no mundo, postassem seus vídeos no ‘YouTube’, poderíamos editá-los, todos juntos, e criarmos um coro virtual. Então, eu escrevi no meu blog: “OMD OMD” Eu escrevi literalmente: "Oh Meu Deus!" espero que pela primeira e última vez, em público. E espalhei este pedido entre os cantores. E tornei grátis o ‘download’ da música de uma peça que escrevi no ano 2000 chamada "Lux Aurumque", que significa "luz e ouro." E vejam só, as pessoas começaram a postar seus vídeos. Agora, eu devo dizer que antes disso, o que fiz foi postar uma faixa de maestro comigo mesmo conduzindo. E em silêncio absoluto, enquanto a filmava, porque eu só ouvia a música na minha cabeça, imaginando o coro que um dia viria a existir. Em seguida, gravei uma faixa-guia no piano para que os cantores tivessem algo para escutar. E então, à medida que os vídeos começaram a chegar. Esta é Cheryl Ang de Cingapura. Esta é Evangelina Etienne de Massachusetts. Stephen Hanson da Suécia. Este é Jamal Walker de Dallas, Texas. Tinha até mesmo um pequeno solo para soprano na peça, então fiz as audições. E muitos sopranos enviaram suas partes. Fiquei sabendo depois, inclusive, por muitos dos cantores que estiveram envolvidos nisto, que, às vezes, eles gravavam 50 ou 60 diferentes tomadas até que obtivessem a tomada certa -- que eles postavam. Aqui está nossa vencedora do solo de soprano. Esta é Melody Myers do Tenessee. Eu adoro o discreto sorriso que ela dá, bem no ponto alto da nota -- do tipo: “Sem problema, está tudo bem.” E da multidão, emergiu este jovem rapaz, Scott Haines. E ele disse: "Olha, este é o projeto que estive procurando por toda minha vida. Gostaria de ser a pessoa que vai editar tudo isso." Eu disse, "Obrigado, Scott. Fico feliz por você ter me encontrado." E Scott agregou todos os vídeos. Ele limpou o áudio. Certificou-se que tudo estava alinhado. E então, postamos este vídeo no ‘YouTube’, cerca de um ano e meio atrás. Esta é "Lux Aurumque" cantada pelo Coro Virtual. Vou parar por aqui, por causa do nosso tempo. Obrigado. Obrigado. Obrigado. Mas tem mais. Tem mais. Muito obrigado mesmo. E eu tive a mesma reação que vocês tiveram. Na verdade, cheguei às lágrimas na primeira vez que vi. Eu simplesmente não conseguia acreditar na poesia de tudo isso -- estas almas, todas em suas ilhas desertas, enviando, mensagens eletrônicas em garrafas, entre si. E o vídeo tornou-se viral. Tivemos um milhão de acessos no primeiro mês e ganhamos muita atenção para ele. e, por conta disso, muitos cantores começaram a perguntar: “Tudo bem, mas que tal um Coro Virtual 2. 0?” Então, eu resolvi fazer o Coro Virtual 2. 0 no qual eu escolheria a mesma peça que a Britlin estava cantando, “Sono”, que é um outro trabalho que escrevi no ano 2000 -- com letra do meu querido amigo Charles Anthony Silvestri. E, novamente, postei o vídeo do maestro, e começamos a aceitar inscrições. Desta vez tivemos alguns membros mais maduros. E alguns mais jovens. Soprano: ♫ Sobre meu travesseiro ♫ ♫ À salvo na cama ♫ EW: Essa é a Georgie da Inglaterra. Ela só tem nove. Não é a coisa mais doce que vocês já viram? Teve um que fez os oito vídeos -- um baixo cantando até as partes de soprano. Este é Beau Awtin. Beau Awtin: ♫ À salvo na cama ♫ EW: E nosso objetivo -- era algo como um objetivo arbitrário -- havia um vídeo da MTV onde todos cantavam "Lollipop" e eles conseguiram pessoas do mundo todo, apenas para cantar aquela pequena melodia. E havia cerca de 900 pessoas envolvidas. Então, eu disse para os cantores: “Este é o nosso objetivo. Este é o número que temos que superar." Encerramos as inscrições em 10 de janeiro, e nossa contagem final foi 2. 051 vídeos de 58 diferentes países. Obrigado. De Malta, Madagascar, Tailândia, Vietnam, Jordânia, Egito, Israel, de tão ao norte como o Alasca, quanto tão ao sul com a Nova Zelândia. E também colocamos uma página no ‘Facebook’ para que os cantores escrevessem seus testemunhos, como foi para eles, suas experiências cantando isto. E eu escolhi apenas alguns deles aqui. “Minha irmã e eu cantávamos sempre juntas em corais. Agora, ela trabalha na força aérea e viaja constantemente. Foi tão maravilhoso cantarmos juntas de novo!" Eu adoro a ideia dela cantar com sua irmã: "Além da bonita música, É ótimo saber que faço parte de uma comunidade mundial de pessoas que nunca vi antes, mas que mesmo assim estão conectadas.” E minha favorita: “Quando contei ao meu marido que eu participaria disto, ele me disse que eu não tinha voz pra tanto." É, tenho certeza que vocês já ouviram isso também. Eu também. “Isto doeu muito e eu derramei algumas lágrimas, mas algo dentro de mim queria fazer isto, apesar das palavras dele. É um sonho realizado fazer parte deste coro, já que nunca participei de um. Quando eu coloquei um marcador no mapa do Google Earth, eu teria que ir até a cidade mais próxima, que fica a mais de 600 km de onde moro. Como estou na ‘Great Alaskan Bush’, o satélite é minha conexão com o mundo." Enfim, duas coisas tocaram-me profundamente sobre isto: A primeira é que seres humanos farão o que for preciso para se encontrarem e conectarem uns aos outros. Não interessa a tecnologia. A segunda é que as pessoas parecem vivenciar uma conexão real. Não foi um coro virtual. Existem pessoas agora online que são amigas; elas nunca se encontraram. Mas, eu sei por mim mesmo também, eu sinto este ‘espírito de grupo virtual’, como queiram, com todos eles. Sinto uma proximidade com este coro -- quase como uma família. Eu gostaria que o encerramento hoje fosse a primeira exibição de “Sono”, pelo Coro Virtual 2. 0. Esta hoje, será a estréia. Não finalizamos o vídeo ainda. Vocês podem imaginar que, com 2. 000 vídeos sincronizados do ‘YouTube’, o tempo de montagem é simplesmente atroz. Mas temos os três primeiros minutos. E é uma tremenda honra para mim poder mostrá-lo, em primeira mão aqui, para vocês. Vocês são as primeiríssimas pessoas a ver isto. Este é “Sono”, o Coro Virtual. Coro Virtual: ♫ A noite aguarda ♫ ♫ abaixo da lua ♫ ♫ Um fio prateado sobre uma duna enegrecida ♫ ♫ De olhos fechados e cabeça reclinada ♫ ♫ Eu sei que o sono está chegando ♫ ♫ Sobre meu travesseiro ♫ ♫ À salvo na cama,♫ ♫ mil imagens enchem minha cabeça ♫ ♫ Não posso dormir ♫ ♫ Minha mente está aflita ♫ ♫ e ainda, meus braços parecem de chumbo ♫ ♫ Se há barulhos pela noite ♫ Eric Whitacre: Muito, muito obrigado mesmo. Obrigado. Muito obrigado Chris. Obrigado. Obrigado.
pt
467
Se querem saber como brincar de lagosta, temos algumas aqui. E não é piada, temos sim. Podem vir depois e eu mostro como bancar uma lagosta. Na verdade, comecei a trabalhar com as chamadas tamarutacas ou 'camarão mantis' poucos anos atrás porque elas fazem sons. Esta é uma gravação que fiz de uma tamarutaca que se encontra no litoral da Califórnia. E embora seja um som absolutamente fascinante, acabou se tornando um projeto muito difícil. E enquanto eu lutava para descobrir como e porquê as tamarutacas, ou estomatópodes, produzem sons, comecei a pensar em seus apêndices. E elas são chamadas de camarões louva-a-deus porque parecem um louva-a-deus, que também tem um apêndice de ataque rápido. E comecei a pensar, bem, talvez seja interessante, enquanto ouço seus sons, descobrir como estes animais desenvolveram golpes tão rápidos. E é assim que hoje falaremos sobre o golpe radical do estomatópode, trabalho feito em colaboração com Wyatt Korff e Roy Caldwell. Existem duas variedades de tamarutacas: tem as arpoadoras e as esmagadoras. Esta é uma tamarutaca arpoadora, ou estomatópode. Ela vive na areia, e apanha coisas que passam acima dela. Um golpe rápido assim. E se reduzirmos um pouco a velocidade, é uma tamarutaca -- mesma espécie -- gravado a 1. 000 quadros por segundo, reproduzido a 15 quadros por segundo. Podem ver uma espetacular extensão dos membros, explodindo para o alto para capturar um pedaço de camarão morto que ofereci. O outro tipo de tamarutaca é o estomatópode esmagador, e esses caras abrem caramujos para viver. Esse cara coloca o caramujo na posição certa e dá uma boa porrada. Vou passar mais uma vez. Ele o coloca no lugar, arrasta com seu nariz, e esmaga. Depois de alguns golpes, a casca está quebrada e ele consegue uma boa janta. O apêndice de ataque esmagador pode apunhalar com a ponta, ou pode esmagar com o calcanhar. Hoje, vou falar sobre o golpe do tipo esmagador. E a primeira questão que surgiu foi, quão rápido pode ser este movimento? Porque já está bem rápido nesse vídeo. E imediatamente encontrei um problema. Cada um dos sistemas de vídeo em alta velocidade do departamento de biología da Universidade de Berkeley não era rápido o suficiente para capturar este movimento. Simplesmente não conseguíamos capturar em vídeo. E ficamos nessa situação por bastante tempo. Então uma equipe da BBC cruzou pelo departamento de biologia, procurando uma história sobre novas tecnologias em biologia. Então fizemos um acordo. Eu disse, "Se vocês alugarem este sistema de vídeo em alta velocidade que possa capturar estes movimentos, vocês podem nos filmar coletando as informações." Acreditem ou não, eles toparam. Assim conseguimos este sistema incrível de vídeo. Tecnologia muito recente -- saiu cerca de um ano atrás -- que permite filmar em velocidade altíssima com pouca luz. E pouca luz é um problema crítico quando se filma animais, porque se a luz está muito forte, você os alarma. Esta é a tamarutaca. Os olhos ficam aqui em cima, e aqui está o apêndice de ataque, e aqui o calcanhar. E essa coisa está saindo para golpear e esmagar o caramujo. E o caramujo está espetado numa vara, então fica bem mais fácil para filmar. E -- sim. Espero que não haja nenhum ativista defensor dos direitos dos caramujos por perto. Isto foi filmado a 5. 000 quadros por segundo, e estou reproduzindo a 15. Então foi reduzido 333 vezes. E como perceberam, ainda é danado de rápido reduzido 333 vezes. É um movimento incrivelmente poderoso. O membro todo se estende. O corpo flexiona para trás -- um movimento espetacular. O que fizemos, nós olhamos estes vídeos, e mensuramos a rapidez que o membro se movia para voltar àquela primeira questão. E tivemos nossa primeira surpresa. Calculamos que os membros se moviam em velocidades que variam de 10 metros por segundo até 23 metros por segundo. Para aqueles que preferem milhas por hora, é acima de 45 milhas por hora na água. É realmente muito rápido. De fato, é tão rápido que colocamos uma nova marca no espectro de movimentos extremos dos animais. E a tamarutaca tem oficialmente o golpe mais rápido medido de qualquer grupo animal. Foi nossa primeira surpresa. Isso foi muito legal e bem inesperado. Vocês devem estar se perguntando, como elas fazem isso? Na verdade, esse trabalho foi feito nos anos 60 por um famoso biólogo chamado Malcolm Burrows. O que ele demonstrou nesses camarões é que eles usam o que se chama de mecanismo de trava, ou de clique. E que basicamente consiste em um grande músculo que demora para se contrair, e um trinco que previne qualquer movimento. Assim o músculo contrai, e nada acontece. Uma vez que o músculo está totalmente contraído, com tudo dentro -- o trinco sobe, e temos o movimento. Basicamente é o que se chama de um sistema de amplificação de força. Demora bastante para o músculo se contrair, e muito pouco tempo para que o membro seja lançado. Eu pensei que esse seria o fim da história. Era assim que as tamarutacas faziam esses golpes tão velozes. Mas então eu visitei o Museu Nacional de História Natural. Se alguém tiver a oportunidade, os bastidores do Museu Nacional de Histôria Natural tem uma das melhores coleções de tamarutacas preservadas. E que -- isso é muito sério pra mim. Então -- o que eu vi, em cada membro de tamarutaca, tanto da arpoadora como da esmagadora, foi uma bonita estrutura em forma de sela na parte superior do membro. Podem ver bem aqui. Parece bem uma sela que se colocaria em um cavalo. É uma estrutura bem bonita. E é cercada por áreas membranosas. E essas áreas sugerem que talvez seja algum tipo de estrutura dinamicamente flexível. Isso meio que me deixou coçando a cabeça por um tempo. Fizemos uma série de cálculos, e então pudemos demonstrar que essas tamarutacas tinham que ter uma mola. Tinha que ser algum tipo de mecanismo que acionado por uma mola para poder gerar a quantidade de força que observamos, e a velocidade que observamos, e o resultado do sistema. Então pensamos, OK, isto deve ser uma mola -- a sela bem que pode ser uma mola. E voltamos aos vídeos em alta-velocidade, e na verdade visualizamos a sela comprimindo e estendendo. Vou passar mais uma vez. Se vocês olharem o vídeo -- é um pouco difícil de ver - está realçado em amarelo. A sela está realçada em amarelo. Na verdade podem vê-la se estendendo durante o percurso do golpe, na verdade se hiper-estendendo. Assim, tínhamos evidências muito sólidas demonstrando que a estrutura em forma de sela na verdade comprimia e estendia, e de fato, funciona como uma mola. A sela também é conhecida como superfície parabolóide hiperbólica, ou uma superfície anticlástica. Que é muita bem conhecida pelos engenheiros e arquitetos, porque é uma superfície muito forte quando comprimida. Ela tem curvas em duas direções, uma curva para cima e oposta transversalmente a outra, assim qualquer tipo de perturbação espalha as forças pela superfície deste tipo de forma. Bem conhecida pelos engenheiros, mas não muito pelos biólogos. É também conhecida por alguns joalheiros, porque requer bem pouco material para construir este tipo de superfície, e é muito forte. Se você vai construir uma estrutura de ouro fina, é muito bom ter um formato que seja forte. E é também conhecida pelos arquitetos. Um dos mais famosos é Eduardo Catalano, que popularizou esta estrutura. E o que temos aqui é um teto em forma de sela que ele construiu com cerca de 26 metros de largura. Tem pouco mais de 6 cm de espessura, e dois apoios. Um dos motivos para ele projetar tetos assim é porque -- ele achou fascinante que se pudesse construir um estrutura tão forte feita de tão poucos materiais e sustentada por tão poucos apoios. E estes são os mesmos princípios que se aplicam à mola em forma de sela nos estomatópodes. Em sistemas biológicos é importante não precisar de muito material extra para se construir. Paralelos muito interessantes entre o mundo da biología e o da engenharia. E o mais interessante, acabou sendo -- o estomatópode acabou sendo a primeira mola parabolóide hiperbólica biológica já descrita. É um pouco longo, mas é interessante. Assim, a próxima e última questão era, bem, quanta força uma tamarutaca produz se ela consegue quebrar uma casca de caramujo? Então eu preparei o que se chama uma célula de carga. Uma célula de carga mede forças, e na verdade é uma célula piezoeletrônica com um pequeno cristal por dentro. Quando este cristal é pressionado, suas propriedades elétricas mudam na proporção das forças que entram. Assim estes animais são maravilhosamente agressivos, e famintos o tempo todo. Tudo o que tive de fazer foi grudar esse camarãozinho na frente da célula, e eles a bateram. E este é um vídeo comum do animal arrebentando toda a célula de carga. E agora podiamos tirar algumas medições de força. E novamente, fomos pegos de surpresa. Eu adquiri uma célula com limite de até 45 kg, pensando, nenhum animal deste porte poderia produzir mais que 45 kg de força. Não podia saber, eles imediatamente sobrecarregaram a célula. Estas são na verdade uns dados antigos onde tive que encontrar os menores animais do laboratório, e éramos capazes de medir forças de mais de 45 kg geradas por um animal deste tamanho. Na verdade, só semana passada consegui uma célula para medir até 140 kg funcionando, e medimos estes animais gerando mais de 90 kg de força. De novo, penso que será um recorde mundial. Tenho que fazer mais algumas medições, mas penso que será a maior soma de energia produzida por um animal dada a sua massa corporal. Forças incríveis mesmo. Isso nos leva de volta a importância daquela mola para armazenar e liberar tanta energia neste sistema. Mas esse não foi o final da história. Falando assim parece fácil, mas é bastante trabalho. Eu tinha todas essas medições de força, então passei a observar a força liberada pelo sistema. É bem simples -- tempo está no eixo X e a força no eixo Y. Vocês podem ver dois picos. E isso me deixou muito intrigada. O primeiro pico, obviamente, é o membro atingindo a célula. Mas há um grande segundo pico meio milissegundo após, e eu não sabia o que podia ser. Poderia se esperar um segundo pico por outras razões, mas não meio milissegundo depois. Novamente, de volta aos vídeos de alta-velocidade, existe uma boa dica do que poderia ser. Aqui está na mesma orientação que vimos antes. O apêndice de ataque -- o calcanhar, que está se lançando para atingir a célula. E eu gostaria que nesta tomada, vocês mantivessem os olhos nisto, na superfície da célula, enquanto o membro vai se aproximando. Espero que consigam ver o que na verdade é um flashe de luz. Audiência: Uau. Sheila Patek: Se nós pegarmos este quadro, o que se pode ver ali ao final da seta amarela é uma bolha de vapor. E o que é? É cavitação. E cavitação é um fenômeno fluidodinâmico extremamente potente que ocorre quando se tem áreas de aǵua movendo-se em velocidades extremamente diferentes. Quando acontece, pode ocorrer áreas de pressão muito baixa, que resultam em água literalmente vaporizada. E quando essa bolha explode, ela emite som, luz e calor, e é um processo muito destrutivo. E está no estomatópode. Novamente, é uma situação onde engenheiros estão bem familiarizados com o fenômeno, porque ele destrói propulsores de barco. Pessoas lutaram por anos para testar e projetar um propulsor de alta rotação que não cause cavitação e literalmente rasgue o metal e faça buracos nele, como mostram estas fotos. Então é uma força potente em sistemas de fluídos, e só para nos adiantar um paso a frente, mostrarei a tamarutaca se aproximando do caramujo. Isto foi obtido a 20. 000 quadros por segundo e o crédito vai todo para o câmera da BBC, Tim Green, por preparar esta tomada, porque eu nunca podería ter feito isso nem num milhão de anos. Uma das vantagens de se trabalhar com profissionais. Podem vê-la se aproximando, e um incrível flashe de luz, e toda a cavitação espalhando-se pela superfícíe do caramujo. De verdade, uma imagem estupenda, extremamente desacelarada, para uma velocidade muito lenta. De novo, podemos ver ligeiramente diferente daqui, com a bolha se formando e explodindo entre as duas superfícies. Vocês devem ter visto alguma cavitação subindo ao final do membro. Para resolver essa charada de dois picos de força: o que eu penso que ocorre é, o primeiro impacto na verdade é o membro acertando a célula, e o segundo na verdade é o estouro da bolha de cavitação. Estes animais podem muito bem fazer uso de não só da força e energia armazenadas em sua mola especializada, mas dos limites da dinâmica de fluídos. E na verdade podem usar a dinâmica de fluídos como segunda força para quebrar a casca. Uma paulada dupla, por assim dizer, vinda desses animais. Algo que sempre me pedem após esta conversa -- presumo que tenho que responder agora -- é, o que acontece com o animal? Porque obviamente, se ele quebra cascas, o pobre membro deve estar se desintegrando, E de fato está. Esta é a parte que esmaga em ambas as imagens, e que se desgasta. De fato, temos visto elas desgastarem o calcanhar até a carne. Mas uma das coisas convenientes de ser um artrópode é que tem a fase da muda. E a cada cerca de três meses esses animais mudam, e constroem um novo membro e pronto. Uma solução muito conveniente para este tipo de problema. Gostaria de terminar com uma nota meia doida. Talvez tudo tenha sido doido pra vocês, não sei. As selas, essa mola em forma de sela -- na verdade era bem conhecida dos biólogos já faz tempo, não como uma mola mas como um sinal. Na verdade há um espetacular ponto colorido no centro das selas de muitas espécies de estomatópodes. E é bem interessante, encontrar origens evolucionárias de sinais visuais no que de fato, em todas as espécies, é sua mola. Penso que uma explicação nos levaria de volta ao fenômeno da muda. Estes animais passam por um período de muda onde não podem atacar -- seus corpos tornam-se muito macios. E eles literalmente estão incapazes de golpear ou se auto-destroem. Sério. E o que eles fazem é, enquanto não chega o período em que não podem golpear, eles se tornam rudes e desagradáveis, e atacam tudo pela frente, não importa quem ou que seja. E no segundo em que atingem o ponto em que não podem mais atacar, eles sinalizam. Eles acenam com suas pernas. Este é um dos exemplos clássicos do comportamento animal de blefe. É um fato bem estabelecido que estes animais na verdade blefam. Eles não podem atacar, mas eles fingem. E eu estou muito curiosa pra saber se esses pontos coloridos no centro das selas estão transmitindo algum tipo de informação sobre sua habilidade de atacar, ou sua força de ataque, e algo sobre o período de tempo no ciclo da muda. É interessante e estranho encontrar uma estrutura visual bem no meio de suas molas. Para terminar, mais que tudo quero reconhecer meus dois colaboradores, Wyatt Korff e Roy Caldwell, que trabalharam junto comigo. Também o Instituto Miller de Pesquisa Fundamental em Ciência, que me deu três anos de verbas para fazer ciência o tempo todo, e pelo qual sou muito grata. Muito obrigada a todos.
pt
468
Eu acredito que o futuro deste planeta depende dos seres humanos, não da tecnologia, e já temos o conhecimento. Estamos quase no fim do jogo com o conhecimento, mas não estamos nem perto do fim do jogo quando se trata da nossa percepção. Ainda temos um pé na era da escuridão. E quando ouvimos algumas das apresentações aqui e a capacidade extraordinaria do homem, nosso conhecimento, e logo contrasta com o fato que ainda chamamos este planeta de Terra. É bastante extraordinário. Temos um pé na era da escuridão. Só rápidamente, Aristóteles, a teoria dele foi: não é plano, idiota, é redondo. Galileo, tinha a inquisição na época, então precisou ser mais cuidadoso. Ele falou: Sabe, não é bem no meio. E Hawkes: Não é terra, idiota, é oceano. Este é um planeta oceano. TS Elliott realmente falou para mim -- e isto deveria dar arrepios em vocês: Não deveriamos deixar de explorar e o final da nossa exploração será a volta ao lugar onde começamos e conhecer esse lugar pela primeira vez E as linhas seguintes são: Através da porta desconhecida lembrada onde o último canto da terra foi descoberto é o começo Então eu tenho uma mensagem Acho que estamos todos na direção errada Para os astronautas na plateia Eu amo o que vocês fazem, admiro a coragem, admiro o valor, mas os seus foguetes estão direcionados na direção errada! E é só uma questão de perspectiva. Deixa eu tentar explicar Não é minha intenção insultá-los, mas olha, se eu -- e não estou fazendo isto de verdade porque seria um insulto, então eu vou fazer de conta, para fazer mais leve. Vou falar para vocês o que vocês estão pensando Se eu tivesse um quadrado de 30cm, a cor da terra, e eu tivesse outro quadrado raiz de dois quadrado, então é uma vez e meia maior, e seria da cor dos oceanos e eu perguntasse, qual é o valor relativo destas 2 coisas? Bem, é de importancia relativa. Vocês poderiam dizer, sim sim, já sabemos disso. A água cobre duas vezes a superficie do planeta de terra firme. Mas é uma questão de percepção. E se é isso que vocês estão pensando, se isso é o que vocês acham que eu quero dizer quando falo que este é um planeta oceano idiotamente chamado de terra. Se vocês acham que aquela é a importancia relativa, dois a um, então vocês estão errados por factor de dez! Agora, você não é tão burro, mas você soa assim quando você diz "Terra", porque aquela demonstração, se eu virasse de lado assim, o plano da Terra seria tão fino como uma folha de papel. É um filme fino, uma existência em duas dimensões. A representação do oceano teria uma profundidade. E se você erguesse as duas coisas você poderia encontrar a escala relativa das duas de 20 para 1. Resulta que um pouco mais de 94% da vida na terra é aquática. Isso significa que nós terrestres ocupamos uma minoria. O problema que temos em acreditar nisso é que simplesmente temos que abandonar a noção que esta terra foi criada para nós. Porque é um problema que temos. Se esse é um planeta oceano e nós só temos uma pequena minoria do planeta, interfere em muito de que a humanidade pensa. OK. Deixe-me criticar isso. Não estou falando de James Cameron, porém eu poderia, mas não vou. Vocês realmente deveriam assistir o último filme dele, Alienígenas da Profundidade. É incrível. Ele mostra dois desses vehículos profundos, e eu posso criticá-los porque essas coisas lindas são minhas. Este, penso eu, representa um dos mais belos submarinos clásicos construidos. Se você olhar o submarino você ve uma esfera. É uma esfera acíclica. Ele gera toda a flutuabilidade, toda a carga para a embarcação, e as baterias estão aqui penduradas embaixo, exatamente como um balão. Este é o envelope e esta é a carga. Também chegando mais tarde para a crítica, essas imensas luzes. E este realmente traz dois grandes manipuladores. Ele é realmente um submarino de trabalho muito bom, para isso que ele foi desenhado. O problema com ele é, e o motivo que eu nunca vou construir um como ele, é um produto de pensamento bidimensional. E o que os humanos fazemos quando vamos no oceano como engenheiros. Levamos todas as nossas limitações terrestres, todas as nossas restrições e, sobretudo, essas restrições bidimensionais que temos, e eles são tão limitadas que nem sequer o compreendêmos, e levamos elas embaixo d'água. Você percebe que Jim Cameron está sentado em uma cadeira. Uma cadeira funciona em um mundo bidimensional onde a gravidade empurra você sobre o assento, está bom? E num mundo bidimensional, nós sabemos sobre a terceira dimensão mas não utilizamos ela porque ir para cima requer de uma quantidade de energia enorme contra a gavidade. E ai as nossas mães falam, cuidado para não cair, porque você vai cair. Agora, vá para a atmosfera real do planeta. Este planeta tem uma atmosfera interna de água. É o seu ambiente interno. Tem dois ambientes. A menor, atmosfera gasosa exterior, mais leve. A maior parte da vida na Terra está nessa atmosfera interna. E essa vida tem uma existência tridimensional o que é estranho para nós. Os peixes não se sentam em assentos. Eles não sentam. As mães peixes não dizem aos peixinhos, cuidado para não cair. Eles não caem. Eles não caem. Eles vivem num mundo tridimensional onde não há diferença na energia entre ir por aqui, por lá, ou por aquele outro caminho. É realmente um espaço tridimensional. E nós estamos apenas começando a entendê-lo. Eu não sei de nenhum outro submersível, ou mesmo à distância, que leva vantagem que este é um espaço tridimensional. Esta é a maneira que deveriamos estar indo nos oceanos. Esta é uma máquina tridimensional. O que precisamos fazer é mexer no oceano com a liberdade dos animais, e mover-se neste espaço tridimensional. Bom, isso é muito bom. Esta é a primeira tentativa do homem a voar debaixo d'água. Agora, eu estou apenas caindo sobre esta arraia linda, grande, gigante. Ela tem o dobro da envergadura que eu tenho. Estou chegando, ela me vê. E só perceber como ela rola por baixo e gira. Ela não senta lá para tentar soprar ar num tanque e tipo de fluxo para cima ou para afundar, ela só rola. E o que eu sou - Isto não tinha sido mostrado antes. Chris pediu para mostrar coisas que não tenham sido mostradas antes. Eu queria que você percebesse que ela realmente virou-se para voltar para cima. Lá estou eu, vendo ela voltar, chegando debaixo de mim. Coloquei ré e vou delicadamente para baixo. Estou tentando fazer tudo muito delicadamente. Passamos cerca de três horas e ela está começando a confiar em mim. E esta dança é controlada por esta senhora aqui. Ela chega perto e, em seguida, ela se afasta, Então agora eu tento ir atrás dela, mas eu estou praticando vôo. Esta é a primeira máquina de voar. Este foi o primeiro protótipo. Este era um vôo por fio. Tem asas. Não há tanques bobos de flutuação. É permanentemente, positivamente flutuante. E, em seguida, movendo através da água é capaz de assumir esse controle. Agora, olhe para isso. Olha, ela simplesmente me surprendeu. Ela só rolou imediatamente por baixo, e realmente esse é o único verdadeiro mergulho que eu fiz nessa máquina. que demorou 10 anos para construir. Mas esta senhora aqui me ensinou, me ensinou tanto. Nós temos aprendido muito em três horas na água lá. Eu precisei sair e construir outra máquina. Mas olhe aqui. Ao invés de tanques que sopram agua e chegando devagar, sem pensar nisso, É um pouco de pressão, e o sub só volta em linha reta para fora da água. Esta é uma câmera Sony interna. Obrigado, Sony. Eu não sou tão feio, mas a câmera está tão perto que distorce. Agora, lá vai ela, bem em cima. Esta é uma câmera de ângulo largo. Ela está a apenas alguns centímetros em cima da minha cabeça. "Aah, ah, ah, ele sacabou de atravessar por cima da minha cabeça, não sei quanto, mas bem perto. " Eu volto para cima, não para pegar ar. "Este é um encontro incrível com uma manta. Estou sem palavras. Nós ficamos apenas a uns pés de distancia. Estou voltando agora." Bom, podemos parar isso? Luzes de volta, por favor. Tentando voar e manter-se com o animal, Não foi a falta de maneabilidade que tínhamos, foi o fato de ela ir tão devagar. Eu realmente tinha projetado isso para avançar mais rapidamente através da água. porque eu pensei que isso era o que precisariamos fazer: movernos rapidamente e obter escala. Mas depois desse encontro eu realmente queria voltar com esse animal e dançar. Ela queria dançar. E assim o que precisávamos fazer era aumentar a área das asas de modo que só tinha mais aderência, desenvolver as forças superiores. Assim, o sub que estava fora no ano passado, era esse aí Você vê a maior área de asa aqui. Além disso, claramente, era uma coisa tão poderosa, queríamos tentar trazer outras pessoas e descobrimos como fazê-lo. Então abrimos a primeira escola do mundo de vôo. A ideia racional para a primeira escola do mundo de vôo é algo assim, quando a guarda costeira vêm até mim e diz: - eles costumavam nos deixar em paz quando estávamos mergulhando estas pequenas coisas estranhas esféricas. Mas quando começamos a voar em caças submarinos ficaram um pouco nervosos. E eles se aproximam e dizem, você tem permissão para isso? E eu coloco meus óculos de sol na barba que estava toda crescida, e falo, Não preciso de permissão alguma. Escrevi a danada permissão, de verdade. Para Bob Gelfons por aqui -- E alguém da platéia tem a permissão número 20. São uns dos primeiros aviadores submarinos. Então temos duas escolas de vôo Onde chegaremos com isso, não sei, mas é bem divertido. O que vem daqui 30 segundos? Não sei, Mas a patente de vôo submarino, Karen e eu estávamos pesquisando. Alguns parceiros de negócios queriam que patentássemos. Não tínhamos certeza disso, Decidimos que vamos deixar em aberto. Achamos errado tentar patentar. a liberdade de voar embaixo da água. Então qualquer um que queira nos copiar e se juntar a nós, seja bemvindo. A outra coisa e que temos custos bem menores temos desenvolvido uma outra tecnologia chamada optica aranha, e Craig Ventner pediu para anunciar aqui hoje que vamos construir uma versão pequena e linda deste aparelho, sem condutor, para andar em grandes profundidades, para que seu barco possa pegar DNA do fundo dos oceanos. Obrigado.
pt
469
Tenho paixão pela paisagem americana e como a forma física da terra, do grande Vale Central da Califórnia aos alicerces de Manhattan, realmente moldaram nossa história e nosso caráter. Mas uma coisa é clara. Somente nestes últimos 100 anos, nosso país - e este é um mapa espalhado dos EUA - nosso país sistematicamente nivelou e homogeneizou a paisagem a tal ponto que esquecemos nossa relação com as plantas e animais que convivem conosco e a terra sob nossos pés. E a maneira como vejo meu trabalho contribuindo é tentando literalmente re-imaginar essas conexões e fisicamente reconstruí-las. Este gráfico representa com o que estamos lidando agora no ambiente construído. E é realmente a confluência de crescente população urbana, biodiversidade em queda livre e, claro, níveis dos oceanos subindo e mudança climática. Quando eu penso sobre design, penso em tentar revisar e reconectar as linhas deste gráfico de forma mais produtiva. E vocês podem ver a seta aqui indicando aonde vocês estão aqui, estou tentando misturar e juntar esses dois campos divergentes, urbanismo e ecologia, e juntá-los de uma maneira nova e empolgante. Então a era de grande infraestrutura acabou. Digo, essas soluções globais, monofuncionais e caras não irão resolver. Precisamos de novas ferramentas e abordagens. De forma similar, a ideia de arquitetura como um objeto no campo, sem contexto, realmente não é - desculpe, é bem evidente - realmente não é a abordagem que precisamos ter. Precisamos de novas histórias, novos heróis e novas ferramentas. Então quero apresentá-los à minha nova heroína na guerra global da mudança climática, e é a ostra americana. Embora seja uma criatura muito pequena e muito modesta, esta criatura é incrível, pois consegue se aglomerar entre estruturas de mega-recifes, ela cresce, vocês podem cultivá-la, e eu mencionei que são deliciosas? A ostra foi a base para um projeto de design urbano tipo manifesto que eu fiz sobre o Porto de Nova York chamado "ostra-tura." A ideia principal da ostra-tura é capturar o poder biológico dos mexilhões, erva marinha e ostras - espécies que vivem no porto - e ao mesmo tempo, capturar o poder das pessoas que vivem na comunidade para fazer mudanças. Aqui está um mapa da minha cidade, Nova York, mostrando uma inundação de vermelho. E vou falar sobre a área que está circulada, o Canal Gowanus e a Ilha do Governador. Se vocês olharem neste mapa, tudo que está em azul está na água, e tudo em amarelo representa planalto. Mas podem ver, e mesmo intuir a partir deste mapa, que o porto foi dragado e achatado, indo de um mosaico rico e tridimensional para lama plana em uma questão de anos. Outras paisagens do próprio Canal Gowanus. Agora o Gowanus é particularmente mal cheiroso, vou admitir. Há problemas de transbordamento de esgoto e contaminação, mas eu argumentaria que quase todas as cidades têm este mesmo problema, e é um problema que estamos todos enfrentando. E aqui está um mapa do problema, mostrando os contaminantes em amarelo e verde, exacerbado por este novo fluxo de tempestade e aumento do nível do mar. Realmente tínhamos muito com que lidar. Quando começamos este projeto, uma das ideias centrais era olhar para trás na história e tentar entender o que tinha lá. E vocês podem ver por este mapa, há esta incrível assinatura geográfica de uma série de ilhas que existiam no porto e a matriz de pântanos e praias que serviam como um atenuante de ondas natural para o assentamento do planalto. Também descobrimos que podia-se comer ostras do tamanho de um prato no próprio Canal Gowanus. Então nosso conceito é realmente de volta para o futuro, capturando a inteligência daquele padrão de assentamento de terra. E a ideia tem dois estágios centrais. Primeiro é desenvolver uma nova ecologia artificial, um recife no porto, que protegeria novos padrões de assentamento no território e Gowanus. Pois se temos água mais limpa e mais devagar, podemos imaginar um novo modo de vida com essa água. Então o projeto realmente trata dessas três questões principais de uma maneira nova e empolgante, eu acho. Aqui estamos, de volta com nossa ostra heroína. E de novo, é um animal incrivelmente empolgante. Aceita algas e detritos por um lado, e através deste lindo e glamoroso conjunto de órgãos, do outro lado sai água mais limpa. E uma ostra pode filtrar até 190 litros de água por dia. Recifes de ostras também cobriam cerca de um quarto do porto e eram capazes de filtrar a água no porto em questão de dias. Eram peças chave em nossa cultura e economia. Basicamente, Nova York foi construída nas costas dos pescadores de ostras, e nossas ruas foram literalmente construídas sobre conchas de ostras. Esta imagem é a imagem de um carrinho de ostras, que é agora tão omnipresente quanto a carrocinha de cachorro-quente é hoje. De novo, ficamos com a pior parte. Finalmente, as ostras podem atenuar e se aglomerar umas com as outras e formar incríveis estruturas de recifes naturais. Realmente tornam-se as atenuantes de ondas da natureza. E elas tornam-se os alicerces de qualquer ecossistema de portos. Muitas espécies dependem delas. Então fomos inspirados pela ostra, mas também fui inspirada pelo ciclo de vida da ostra. Pode mover-se de um óvulo fertilizado para uma jovem ostra, que é quando flutuam pela água, e quando estão prontas para se fixarem em outra ostra, uma ostra adulta macho ou fêmea dali algumas semanas. Nós re-interpretamos este ciclo de vida na escala de nossa vista e transformamos o Gowanus em um gigante berçário de ostras onde as ostras foram cultivadas no Gowanus, e então moveram-se no seu estágio de jovem ostra e se proriferaram no Recife Bayridge. Então a ideia principal aqui foi começar do zero e regenerar uma ecologia que era regenerativa e limpa e produtiva. Como o recife funciona? Bem, é muito simples. O conceito central aqui é que mudança climática não é algo que - as respostas não cairão do céu. E com o valor de 20 milhões de dólares devemos simplesmente começar a trabalhar com o que temos agora e o que está na nossa frente. Então esta imagem é só ilustrativa, é um campo de pilares marinhos interconectados com redes entrelaçadas. O que são redes entrelaçadas, vocês perguntam? Apenas isso; é essa coisa muito barata, disponível em sua loja de ferramentas, e é muito barata. Então imaginem que vocês poderiam de fato potencialmente até promover uma venda de bolos para começar nosso novo projeto. Então no estúdio, ao invés de desenhar, começamos a aprender a tricotar. O conceito era realmente tricotar esta rede e desenvolver esta nova infraestrutura maleável para as ostras poderem crescer. Podem ver no diagrama como cresce com o tempo de um espaço infraestrutural para um novo espaço urbano público. E isso cresce com o tempo dinamicamente com a ameaça da mudança climática. Também cria esta nova praça anfíbia incrivelmente interessante, eu acredito, onde pode-se imaginar o trabalho, pode-se imaginar recriação de uma nova maneira. No fim, o que percebemos que estávamos fazendo era um novo parque aquoso azul esverdeado para o próximo século aquoso - um parque anfíbio, se preferirem. Então coloquem seus Tevas. E imaginem mergulharem aqui. Esta é uma imagem de estudantes do ensino médio, mergulhadores que trabalharam com nossa equipe. Então imaginem uma nova maneira de viver com uma nova relação com a água, e também "hibridização" de programas de recreação e ciência em termos de monitoramento. Outra palavra para o admirável mundo novo: Esta é a palavra "sisafflu". É a abreviação de "sistema de afloramento flutuante". E este dispositivo glorioso e prontamente disponível é basicamente uma balsa flutuante com um berçário de ostras embaixo. Então a água passa por essa balsa. Vocês podem ver as oito câmaras do lado que abriga ostras bebê e essencialmente as alimenta. Então ao invés de ter 10 ostras, você tem 10, 000 ostras. Então elas são semeadas. Este é o futuro de Gowanus com as balsas de ostras nas costas - a "sisafflusão" do Gowanus. Nova palavra. E também mostrar o cultivo de ostras para a comunidade ao longo das margens. E finalmente, o quão divertido seria olhar a parada "sisafflu" e festejar as pequenas ostras à medida que passam pelo recife. Pessoas me fazem duas perguntas sobre o projeto. A primeira é por que não está acontecendo agora. E a segunda é quando elas podem comer as ostras. E a resposta é: ainda não, elas estão trabalhando. Mas imaginamos, com nossos cálculos, que em 2050, vocês poderão dar uma dentada nas ostras de Gowanus. Para concluir, esta é só uma parte de um pedaço da cidade, mas meu sonho, minha esperança é que quando vocês todos voltarem para suas cidades que possamos começar a trabalhar juntos e colaborar na reforma de uma nova paisagem urbana em direção a um futuro mais sustentável, vivível e delicioso. Obrigada.
pt
470
Se você ainda não pediu, é mais apropriado pedir rigatoni com molho de tomate apimentado para combinar com as doenças do intestino delgado. Minhas desculpas - mas este arranjo de palco me sugere comédia 'stand-up'. Não - o que eu quero é levá-los de volta a 1854 em Londres, pelos próximos minutos, e contar a história - resumidamente - da epidemia, que de várias maneiras, penso eu, ajudaram a criar o mundo em que vivemos hoje, e em particular o tipo de cidade que vivemos hoje. Esse período em 1854, no meio do século 19, é surpreendentemente interessante para a história de Londres por uma série de razões. Mas creio que a mais importante de todas é que Londres era uma cidade de 2 e meio milhões de pessoas, e era a maior cidade na face do planeta em seu tempo. Mas também era a maior cidade que tinha sido construída. Então os ingleses da era Vitoriana estavam tentando meio que viver e ao mesmo tempo inventar um nova maneira de se morar: numa escala de vida, que sabemos, hoje chama-se vida metropolitana. E que de várias maneiras foi para os anos 1850, um desastre completo. Era basicamente uma mistura de viver na cidade com um tipo moderno de metrópole industrial com a infraestrutura pública da era Elizabethiana. Então as pessoas, por exemplo, só para deixar vocês enojados por um segundo, tinham nos seus porões fossas de dejetos humanos, de 30 a 60 cm de profundidade. E eles simplesmente despejavam os baldes nas fossas e esperavam que de algum jeito aquilo fosse embora, e é claro - isso nunca acontecia. E toda essa 'coisa', basicamente, se acumulou a um ponto que era um escândalo incrível só de se andar pela cidade. Era uma cidade exageradamente fedida. Não somente por causa das fossas, mas também o imenso rebanho de animais na cidade era um choque para as pessoas. Não somente os cavalos, mas os moradores tinham vacas no sotão para tirar leite, que de uma certa forma eles conseguiam subi-las e mantê-las no sotão até que literalmente tirassem todo o leite para depois elas morrerem, e daí eles iriam arrastá-las até o fim da rua para os caldeirões de fervura. Então, se você estivesse andando nas ruas em Londres à época você ficaria horrorizado com o mal cheiro. E aconteceu de, em função do tipo de sistema de saúde pública que se formava se concluiu que era o cheiro que estava matando todo mundo, que estava criando essas doenças e que poderia se espalhar pela cidade a cada três ou quatro anos. E o cólera era o grande assassino da época. Chegou em Londres em 1832, e a cada quatro ou cinco anos cada nova epidemia levava 10, 20 mil vidas dos moradores de Londres e pelo Reino Unido. Então as autoridades se convenceram que o problema estava no mau cheiro. Tínhamos que acabar com o fedor. Então, de fato, eles combinaram ações, imaginem, como que inaugurando as intervenções de saúde pública no sistema da cidade, uma delas sendo o Ato de Intervenção, no qual todas as pessoas teriam que ir o mais longe possível para esvaziar suas fossas, despejando todos os dejetos no rio. Pois se tirarmos das ruas, o cheiro será bem melhor, e - ah certo, nós bebemos do rio. Então o que acabou acontencendo na verdade, foi que simplesmente aumentou a erupção da cólera porque, como agora sabemos, o coléra de fato está na água. É uma doença que nasce na água, não algo que esteja no ar. Não é algo que você cheira ou inspira. E algo que você ingere. E então um dos momentos chaves que inaugura o que seria a saúde pública no século 19 efetivamente envenena o abastecimento de água de Londres muito mais eficientemente que qualquer bioterrorista dos tempos modernos pudesse sonhar. Então esse era o estado de Londres em 1854, e no meio dessa carnificina e condições repugnantes, e no meio de toda essa confusão científica sobre o que de fato matava as pessoas. Foi John Snow uma pessoa multidisciplinar e talentosa, típica do século 19, um médico local de Soho em Londres, que argumentava já há uns quatro ou cinco anos que o cólera era na verdade uma doença que vinha da água, mas sem sucesso de convencer alguém sobre isso. As autoridades de saúde pública haviam de longe ignorado o que ele dizia. E ele argumentava através de escritos, assim como concluia pesquisas, mas nada parecia convencer. E em parte isso - o que me pareceu muito interessante nessa história é que de certa forma, é um grande caso de estudo de como a mudança cultural acontece. Como uma boa ideia eventualmente se torna vencedora sobre as piores ideias. E Snow trabalhou um bom tempo com essa grande sacada que tudo mundo ignorava. E daí em um dia, 28 de agosto de 1854, um bebezinho, uma garota de 5 meses e cujo nome desconhecemos, sabemos tão somente que a chamavam de Bebê Lewis, contraiu o coléra. O coléra a pegou na Rua Broad, 40. Não dá para ver no mapa, mas este é o mapa que se torna o foco central na segunda metade do meu livro. É bem no meio do Soho, nesse bairro de operários. Essa bebezinha contrai a doença e justamente porque a fossa, que eles ainda mantinham, apesar do Ato de Intervenção, ficava ao lado de uma bomba d'água muito popular, uma bica que vinha de um buraco, e que reconhecidamente era a melhor água de todo o Soho, que todos os moradores do Soho e os seus vizinhos próximos iam até lá. Então, sem ter noção, deram para a bebezinha a água contaminada extraída dessa bomba popular, e uma das erupções mais violentas da história da Inglaterra se explode cerca de dois a três dias depois. Literalmente, 10% do bairro morre em sete dias, e muitos outros morreriam se as pessoas não tivessem abandonado o bairro após essa explosão inicial da epidemia. Foi um evento calamitoso e terrivel. Cenas de famílias inteiras morrendo em menos de 48 horas de cólera, sozinhos em seus apartamentos de um quarto, seus pequenos cubículos. Uma cena extraordinariamente terrível. Snow morava por ali, e ao saber da erupção, e num ato fantástico de coragem foi diretamente para o núcleo da besta porque ele pensou que a erupção que se concentrava poderia potenciamente convencer as pessoas que de fato o verdadeiro vilão do cólera era o suprimento de água e não o ar. Ele suspeitava que tendo a erupção se concentrado que ela deveria estar vindo de uma fonte única. Uma coisa só - que todos tivessem buscando porque não tinha aquela lentidão costumeira de contaminação que voce esperaria de infecções. Então ele foi no meio do bairro e começou a entrevistar pessoas. Ele eventualmente recrutou a ajuda dessa figura notável, que é um outro protagonista do livro, Esse sujeito é Henry Whitehead, que foi um clérico local, que não era nem um pouco um homem da ciência, mas tinha uma conexão social fantástica. Ele conhecia todas as pessoas do bairro, e ele deu um jeito de rastrear - Whitehead fez - muitos dos casos de pessoas que haviam bebido da água da bomba, ou que não haviam bebido da água da bomba. E aconteceu do Snow fazer um mapa da erupção. Ele descobriu que a maioria das pessoas que bebiam da bomba contraíam a doença. E pessoas que não bebiam da bomba, não estavam ficando doentes. Ele então imaginou em apresentar como um tipo de tabela estatística das pessoas que moravam nos diferentes bairros, pessoas que não tinham contraindo o cólera e seus percentuais, mas daí um ideia luminosa lhe veio à mente que ele precisava de algo que as pessoas pudessem ver. Algo que daria sentido num nível mais alto da visão de todos esses acontecimentos nos bairros. E então ele criou esse mapa, que ao final veio representar todas as mortes nos bairros com as barras pretas em cada endereço. E você pode ver nesse mapa, que a bomba se localiza bem no centro dele e você pode ver que uma das casas por aqui tinha 15 pessoas mortas. E o mapa na verdade é um pouco maior. E quanto mais se distanciava da bomba, as mortes aconteciam com menor e menor freqüência. E voce pode ver algo de venenoso que emana da bomba - só de olhar de relance. E então, com a ajuda desse mapa, e com a ajuda de um tipo diferente de evangelização que ele fez nos anos seguintes e que o Whitehead eventualmente fez, na verdade as autoridades aos poucos começaram a se aproximar. Levou mais tempo do que achamos às vezes, que deveria ser nessa história, mas por 1866, quando a erupção seguinte de cólera chega a Londres as autoridades já haviam se convencido - em parte por causa dessa história, e em parte por causa desse mapa - que de fato o problema estava na água. E eles já haviam iniciado a construção de esgotos em Londres, e imediatamente eles acompanharam a erupção e fizeram a população ferver a água. E assim foi a última vez que Londres teve uma erupção de coléra. Então parte da história, penso eu - bem é uma história terrivel, que é uma história escura e é uma história que continua em muitas das cidades de países em crescimento. E é na verdade uma história fundamentalmente otimista, na qual podemos dizer que é possível resolver esses problemas se ouvirmos a razão, se ouvirmos o tipo de sabedoria desses mapas, se ouvirmos de pessoas como Snow e Whitehead, se ouvirmos dos que são locais, que entendem o que se passa nesses tipos de situações. E a grande lição ao final, foi criar a ideia de que o viver em larga escala na metrópole deve ser sustentável. Quando as pessoas vêem 10% dos moradores de seus bairros morrendo num prazo de sete dias, o consenso geral era de que isso não podia continuar, que pessoas não poderiam morar em cidades de 2, 5 milhões de habitantes. Mas por causa do que Snow fez em função desse mapa, por causa da série de reformas que aconteceram na mesma época desse mapa, agora achamos natural ter cidades de 10 milhões de pessoas. Cidades como esta são de fato sustentáveis. Não nos preocupamos se Nova York vai ter um colapso por sua conta como na verdade, você sabe, aconteceu com Roma, e ficar 10 porcento do seu tamanho em 100 ou 200 anos. Então este é o ultimo legado deste mapa. Um mapa de mortes que ao final criou uma nova maneira de vida, a vida que usufruimos hoje aqui. Muito obrigado.
pt
471
Um fato saiu do MIT, um par de anos atrás. Ken Hale, que é um lingüista, disse que dos 6. 000 idiomas falados na Terra agora, 3. 000 não são falados pelas crianças. De modo que em uma geração, nós vamos reduzir à metade a nossa diversidade cultural. Ele passou a dizer que a cada duas semanas, uma pessoa idosa vai para a sepultura carregando a última palavra dessa cultura. Assim, toda uma filosofia, uma área de conhecimento sobre o mundo natural que tinham sido, empiricamente, recolhidos ao longo dos séculos, desaparece. E isto acontece a cada duas semanas. Assim, nos últimos 20 anos, desde a minha experiência com odontologia, Eu tenho viajado o mundo e voltando com histórias sobre algumas dessas pessoas. E -- o que eu gostaria de fazer agora é compartilhar algumas dessas histórias com vocês. Esta é Tamdin. Ela é uma freira de 69 anos de idade. Ela foi jogada na prisão no Tibete por dois anos por colocar um pequeno cartaz protestando contra a ocupação de seu país. E quando eu a conheci, ela tinha acabado de voltar de uma caminhada até o Himalaia de Lhasa, a capital do Tibete, até o Nepal, cruzando a Índia - 30 dias -- para se encontrar com o seu líder, o Dalai Lama. O Dalai Lama vive em Dharamsala, na Índia. Então eu tirei essa foto três dias após a sua chegada, e ela tinha esse par de tênis surrado, com os dedos de fora. E ela cruzou em março, e há um monte de neve em 5 650 metros, em março. Este é Paldin. Paldin é um monge de 62 anos de idade E ele passou 33 anos na prisão. E ele estava -- todo o seu monastério foi jogado na prisão no período do levante, quando o Dalai Lama teve que fugir do Tibete, e ele foi espancado, passou fome, foi torturado -- perdeu todos seus dentes na prisão. E quando eu o conheci, ele era velhinho doce e gentil. E isso realmente me impressionou -- Eu o conheci duas semanas depois que ele saiu da prisão -- que ele passou por essa experiência, e acabou tão dócil e gentil. Então, eu estava em Dharamsala encontrando estas pessoas, e eu fiquei cerca de cinco semanas lá, e eu estava ouvindo histórias semelhantes destes refugiados que haviam sido expulsos do Tibete em Dharamsala. E por acaso, na quinta semana, Houve uma palestra pública do Dalai Lama. E ele -- e eu estava observando essa multidão de monges e freiras, muitos dos quais eu tinha acabado de entrevistar, e ouvir suas histórias, e observei seus rostos, e me deram um pequeno rádio FM, e nós podíamos ouvir a tradução de seus ensinamentos. E o que ele disse foi: tratem seus inimigos como se fossem jóias preciosas, porque são seu eles que constroem a sua tolerância e paciência no caminho para sua iluminação. E eu não pude -- aquelas palavras me afetaram tanto, dizer às pessoas que haviam passado por essa experiência. Então, dois meses depois, fui para o Tibete, e comecei a entrevistar as pessoas de lá, tirando minhas fotos. Isso é o que eu faço. Eu entrevisto e tiro retratos. E -- e esta é uma menina. Tirei seu retrato em cima do Templo Jokhang. E eu tinha me escondido -- porque é totalmente ilegal ter um retrato do Dalai Lama no Tibete -- é a maneira mais rápida de ser preso. Assim enfiei um monte de fotos pequenas do Dalai Lama na carteira, e eu dava estas fotos. E então eu as dei à essa gente, elas as seguravam em seu coração, ou seguravam na sua cabeça e simplesmente deixavam-na ali. E é isto -- bem, na época foi assim -- isto foi há 10 anos -- foi 36 anos após o Dalai Lama tinha fugido. Daí Eu estava entrevistando essas pessoas e tirando seus retratos. Estes são Jigme e sua irmã, Sonam. E vivem em Chang Tang, no planalto tibetano, ele fica na parte ocidental do país. Está a 5. 200 metros. E eles tinham acabado de descer das altas pastagens, a 5. 500 metros. Mesma coisa: dei a ela uma foto, ela a segurou sobre a testa. E eu geralmente dou Polaroids quando eu as tiro, porque eu preciso acertar a iluminação e eu checava a iluminação. e então eu mostrei a ela uma Polaroid, ela gritou e fugiu para a sua tenda. Este é Tenzin Gyatso, foi encontrado para ser o Buda da Compaixão com 2 anos de idade, na casa de um camponês, no meio do nada. Aos quatro anos de idade, ele foi nomeado o 14º Dalai Lama. Quando adolescente, ele enfrentou a invasão de seu país, e teve de lidar com ela -- ele era o líder do país. Oito anos depois, quando descobriram que havia um complô para matá-lo, vestiram-no como um mendigo e levaram-no escondido para fora do país em um cavalo, e fez a mesma jornada que Tamdin fez. E ele vive - e ele nunca foi para o seu país desde então. E Se você pensar sobre esse homem, 46 anos depois, que ainda defende a postura não-violenta para um grave problema de direitos políticos e humanos. E os jovens, jovens tibetanos, estão começando a dizer "olha, isso não funciona, Sabe, a violência como instrumento político é tudo o que temos agora." E ele ainda está mantendo essa linha. Então este é o nosso ícone de não-violência em nosso mundo -- um de nossos ícones vivos. Este é um outro líder de seu povo. Trata-se de Moi. Isto é na Amazônia do Equador. E Moi tem 35 anos de idade. E nesta área da Amazônia equatoriana -- petróleo foi descoberto em 1972. E neste período de tempo -- desde esta época -- tanto petróleo, ou duas vezes mais petróleo, quanto foi derramado no acidente do Exxon Valdez foi derramado nesta pequena área da Amazônia, e as tribos nesta área tiveram que se mudar várias vezes. E Moi pertence à tribo Huaorani, e eles são conhecidos como muito bravos, eles são conhecidos como "auca". E eles conseguiram afastar os sismólogos e o petróleo - os trabalhadores do petróleo com lanças e zarabatanas. E eu passei -- nós passamos -- eu estava com uma equipe - duas semanas com esses caras na selva observando-os caçar. Esta foi em uma caça a macacos, caça com curare na ponta dos dardos. E o conhecimento que essas pessoas têm sobre o ambiente natural é incrível. Eles podiam ouvir coisas, cheirar coisas, ver coisas que eu não podia ver. E eu não conseguia nem mesmo ver os macacos que eles caçavam com estes dardos. Esta é Yadira. e Yadira têm cinco anos de idade. Ela está em uma -- uma -- tribo que é vizinha dos Huaorani. E sua tribo teve de se mudar três vezes nos últimos 10 anos por causa de vazamentos de petróleo. E nunca ouvimos falar sobre isso. E as últimas infrações contra estas pessoas é, como parte do Plano Colômbia, estamos pulverizando Paraquat ou Round Up, ou seja lá o que for -- estamos desfolhando milhares de acres da Amazônia equatoriana em nossa guerra contra as drogas. E essas pessoas são as pessoas que suportam o pior de tudo. Este é Mengatoue. Ele é o Xamã dos Huaorani, e ele -- Ele -- ele disse para nós, "você sabe, eu sou um homem mais velho agora, Eu estou ficando cansado, você sabe, estou cansado de atacar destes trabalhadores do petróleo, Eu desejo que eles vão embora." E eu estava -- eu costumo viajar sozinho quando eu faço meu trabalho, mas eu fiz isto -- Eu apresentava um programa para a Discovery. e quando eu desci com a equipe, Fiquei bastante preocupado indo com um grupo inteiro de pessoas, especialmente em relação aos Huaorani, bem dentro do território da tribo Huaorani. E como se viu, esses caras realmente me ensinaram uma coisa ou duas sobre se enturmar com os nativos. Uma das coisas que fiz pouco antes de 11 de setembro - Em agosto de 2001 -- Eu levei meu filho, Dax, que tinha 16 anos na época, e eu o levei para o Paquistão. Porque no começo eu queria -- você sabe, eu o levei a um par de viagens, mas eu queria que ele visse pessoas que vivem com um dólar por dia ou menos. Eu queria que ele tivesse essa experiência no mundo islâmico e eu também queria que ele -- Eu estava indo lá para trabalhar com um grupo, fazer uma história sobre um grupo chamado Kalash, que são um grupo de animistas, 3. 000 animistas, que vivem numa área muito pequena cercada pelo Islã - há 3. 000 destes Kalash, eles são pessoas incríveis. Então foi uma grande experiência para ele. Ele ficou a noite toda com eles, batucando e dançando. E trouxe uma bola de futebol, e tivemos jogos de futebol todas as noites nesta pequena aldeia. E então subimos e encontramos o seu xamã. À proposito. Mengatoue era o xamã de sua tribo. E este é John Doolikahn, que é o xamã do Kalash. E ele está nas montanhas, bem na fronteira com o Afeganistão. De fato, no outro lado é a área, Tora Bora, a área onde Osama bin Laden supostamente está. Esta é uma área tribal. E nós assistimos e ficamos com John Doolikahn. E o xamã -- eu fiz uma série sobre o xamanismo, que é um -- um fenômeno interessante. Em vários lugares do mundo, pessoas entram em transe de diferentes maneiras, e no Paquistão, a forma como eles fazem isso é queimando folhas do zimbro e eles sacrificam um animal, derramam o sangue do animal sobre as folhas e então inalam a fumaça. E eles estão todos rezando aos deuses da montanha quando eles -- enquanto entram em transe. Isto foi -- você sabe, fazer que as crianças se acostumem com realidades diferentes, acho que é tão importante. O que Dan Dennett disse outro dia -- ter um currículo, onde estudam as diferentes religiões -- apenas para ter uma flexibilidade mental -- dar-lhes uma flexibilidade mental em sistemas de crenças diferentes. Acho que isso é tão necessário no mundo de hoje onde você vê esses choque de crenças acontecendo. E todas as questões de segurança que elas -- elas nos causam. Portanto, uma coisa que fizemos há cinco anos: começamos um programa para conectar as crianças em comunidades indígenas com as crianças nos Estados Unidos. Então, a principio conectamos a um -- um lugar na Nação Navajo, com uma sala de aula, em Seattle. Temos agora 15 locais. Temos um em Katmandu, Nepal; Dharamsala, Índia; Takaungu, Quênia -- Takaungu que é um terço cristão, um terço muçulmano e um terço animista, a comunidade é -- Ollantaytambo, Peru, e Aldeia Árctica, no Alasca. Este é Daniel, ele é um dos nossos alunos na aldeia Árctica, no Alaska. Ele mora em uma cabana de troncos: sem água corrente, sem aquecimento -- sem janelas e uma conexão de alta velocidade à Internet. E esta é -- isto é -- Eu vi isto e vários lugares -- este é o nosso site em Ollantaytambo, no Peru, há quatro anos, onde eles viram pela primeira vez os seus primeiros computadores; Agora, eles têm computadores em suas salas de aula. E a maneira que nós fizemos isso -- nós ensinamos estas crianças a serem contadores de histórias em meio digital. E nós pedimos a elas para contar histórias sobre os problemas de sua comunidade os problemas que as preocupam. E este é, no Peru, onde as crianças contaram a história sobre um rio que eles limparam. E a maneira que nós fazemos isto, fazemos em oficinas, e trazemos as pessoas que querem aprender sobre o fluxo de trabalho digital e narrativa, e fazemos com que eles trabalhem com as crianças. E só no ano passado conseguimos um grupo de adolescentes, e isso tem funcionado melhor. Portanto, nosso sonho é trazer os adolescentes em conjunto, assim eles terão uma experiência de serviço comunitário bem como uma experiência transcultural, como ensinar as crianças nestas áreas e ajudá-los a construir sua infra-estrutura de comunicação. Esta é um aula de Photoshop para crianças -- as crianças da aldeia tibetana em Dharamsala. Temos o site, onde todos as crianças fazem a sua homepage. Estes são seus filmes. Temos cerca de 60 filmes que essas crianças têm feito, e eles são absolutamente incríveis. O que eu quero mostrar -- depois de levá-los a fazer os filmes, temos uma noite onde mostramos os filmes para a comunidade. E este é em Takaungu -- temos um gerador e um projetor digital, e estamos projetando contra um galpão, uma mostra dos filmes que eles fizeram. E se tiver oportunidade, você pode ir ao nosso site, e você verá o incrível trabalho que essas crianças fizeram. As crianças de nossa -- uma outra coisa: Eu queria dar uma voz aos povos indígenas. Esse foi um dos grandes fatores de motivação. Mas o outro fator motivador é a natureza insular do nosso país. National Geographic terminou um estudo na faixa de 18 a 26 anos no nosso país e em outros nove países industrializados. Foi um estudo de dois milhões de dólares. Estados Unidos ficaram em penúltimo lugar em conhecimento geográfico. 70 por cento das crianças não conseguiram encontrar o Afeganistão ou o Iraque em um mapa, 60 por cento não conseguia encontrar a Índia; 30 por cento não conseguia encontrar o Oceano Pacífico. E este é um estudo que foi feito apenas há alguns poucos anos. Então o que eu gostaria de mostrar agora, nos poucos minutos restantes, é um filme que um aluno fez na Guatemala. Nós só tínhamos uma oficina na Guatemala. Uma semana antes de chegarmos à oficina, um grande deslizamento de terra, causada pelo furacão Stan, em outubro do ano passado, aconteceu e soterrou 600 pessoas vivas na sua aldeia. E esse garoto morava na aldeia -- ele não estava lá na hora -- e este é o filme que ele conseguiu juntar sobre isso. E ele nunca tinha visto um computador antes Nós fizemos este filme. Nós lhe ensinamos o Photoshop e -- Sim, podemos passa-lo. Este é um velho canto maia para funerais que ele aprendeu de seu avô. Muito Obrigado
pt
472
Eu achei que iria pensar em mudar sua perspectiva do mundo um pouco, e mostrar a vocês alguns dos designs que temos na natureza. Assim, tenho meu primeiro slide para falar sobre a aurora do universo e o que eu chamo a investigação da cena cósmica, ou seja, examinar as relíquias da criação e inferir o que aconteceu no início, e então seguir a trilha e tentar entendê-lo. Portanto uma das questões que eu perguntei a vocês é, quando olham à sua volta, o que vêem? Bem, vêem este espaço que é criado por designers e pelo trabalho de pessoas, mas o que realmente vêem é um monte de material que já estava aqui, sendo remoldado de alguma forma. Portanto a questão é: como aquele material chegou aqui? Como ele chegou à forma que ele tinha antes de ser remoldado, e assim por diante? É a questão de o que é a continuidade? Então uma das coisas que tento descobrir é, como o universo começou e se formou? Qual foi o processo geral na criação e evolução do universo para chegar ao ponto em que temos estes tipos de materiais? Esta é uma parte, e deixem-me prosseguir e lhes mostrar o Hubble de Campo Ultra Profundo. Se observarem esta imagem, o que verão é um monte de escuridão com alguns objetos luminosos nela. Quatro destes objetos são estrelas, e vocês podem vê-las ali -- pequenas cruzes. Esta é uma estrela, esta é uma estrela, todo o resto é uma galáxia, OK? Portanto há alguns milhares de galáxias vocês podem ver facilmente aqui. E quando eu olho em particular para esta galáxia, que parece muito com a nossa, imagino se existe uma conferência de uma escola de arte acontecendo, e seres inteligentes lá pensando sobre, sabem, que designs devem fazer, e podem existir alguns cosmólogos, tentando entender de onde o próprio universo veio, e podem mesmo existir alguns naquela galáxia olhando para a nossa tentando imaginar o que está acontecendo aqui. Mas existem muitas outras galáxias, e algumas estão próximas, e elas têm uma cor similar à do Sol, e algumas estão mais distantes e elas são um pouco mais azuis, e etc. Mas uma das questões é -- deveria ser, para vocês -- como existem tantas galáxias? Porque isto representa uma fração bem clara do céu. Aqui estão só 1000 galáxias. Acreditamos que existem da ordem -- visíveis ao telescópio Hubble, se vocês tiverem tempo de percorrê-las -- em torno de 100 bilhões de galáxias. Certo? É um número muito grande de galáxias. E isto é aproximadamente o número de estrelas que existem em nossa galáxia. Mas quando vocês olham para algumas destas regiões como esta, verão mais galáxias que estrelas, o que é uma espécie de contrasenso. Então a questão que deveria vir à cabeça é, que tipo de design, sabe, que tipo de processo criativo e que tipo de design produziu o mundo assim? E então vou mostrar a vocês que é na verdade bem mais complicado. Vamos tentar seguir essa linha. Temos uma ferramenta que realmente nos ajuda neste estudo, e é o fato de que o universo é tão incrivelmente grande que é uma máquina do tempo, de certo modo. Desenhamos este conjunto de esferas aninhadas recortadas para vocês verem. Coloquem a Terra no centro destas esferas, apenas porque é onde estamos fazendo as observações. E a lua está apenas dois segundos distante, então se você fotografa a lua usando luz comum, é a lua de dois segundos atrás, e não importa. Dois segundos é como o presente. O Sol está oito minutos atrás. Não é muita coisa, certo, exceto se há explosões solares chegando então você quer sair do caminho. Você gostaria de ter uma aviso com antecedência. Mas você chega a Jupiter está 40 minutos distante. É um problema. Você ouviu falar de Marte, é um problema se comunicar com Marte. porque demora à luz tanto tempo para chegar lá. Mas se você procura a constelação mais próxima, as 40 ou 50 estrelas mais próximas, é em torno de 10 anos. Então se você tira uma foto do que acontece, é de 10 anos atrás. Mas você olha para o centro da galáxia, é mil anos atrás. Se você olha para Andromeda, que é a grande galáxia mais próxima, são dois milhões de anos atrás. E se você tirasse uma foto da Terra dois milhões de anos atrás, não haveria nenhum sinal de humanos, porque não acho que existissem humanos então. Isto dá a vocês a escala. Com o telescópio espacial Hubble, estamos olhando para centenas de milhões de anos a um bilhão de anos. mas se fôssemos capazes de ter uma idéia de como olhar mais longe -- existem algumas coisas ainda mais distantes, e é isso que fiz em muito do meu trabalho, desenvolver as técnicas -- podemos olhar para ainda antes épocas antes de existirem estrelas e antes de existirem galáxias, no tempo em que o universo era quente e denso e muito diferente. Então este é o tipo de sequência, e eu tenho uma impressão mais artística disto. Existe a galáxia no meio, que é a Via Láctea, e por ali está o Hubble -- próximo, sabe, como galáxias, e existe uma esfera que marca cada diferente tempo. E atrás daquilo estão algumas galáxias mais modernas. Conseguem ter uma visão geral? O começo do tempo é engraçado -- está do lado de fora, certo? E então existe a parte do universo que não podemos ver porque é tão denso e tão quente, que a luz não consegue sair. É como você não conseguir ver o centro do Sol, você tem de usar outras técnicas para saber o que acontece dentro do Sol. Mas você consegue ver a superfície do Sol, E o universo é do mesmo jeito, você pode ver isso. Então você vê como que um modelo da área em torno do exterior, e esta é a radiação vindo do Big Bang, que é mesmo incrivelmente uniforme. O universo é praticamente uma esfera perfeita, mas existem estas variações muito pequenas que nós mostramos aqui bastante exageradas. E delas na sequência de tempo vamos chegar destas minúsculas variações a estas galáxias irregulares e primeiras estrelas para estas galáxias mais avançadas, e eventualmente o sistema solar, e etc. Portanto é um grande trabalho de design, mas veremos como as coisas estão acontecendo. Assim a forma como estas medições foram feitas, existe um conjunto de satélites, e isto é onde você consegue ver. Havia o satélite COBE, que foi lançado em 1989, e nós descobrimos estas variações. Então em 2000, o satélite MAP foi lançado -- o WMAP -- e ele produziu imagens razoavelmente melhores. E mais tarde este ano -- esta é a versão legal, a que tem realmente algumas belas características de design, e vocês devem ver -- o satélite Planck será lançado, e ele vai produzir mapas de altíssima resolução. E isso vai ser a sequência de compreensão do início absoluto do universo. E o que vimos era, vimos estas variações, e nos disseram os segredos, tanto sobre a estrutura do espaço-tempo, e sobre o conteúdo do universo, e sobre como o universo começou em seus movimentos originais. Assim temos esta imagem, que é bem espetacular, e voltarei ao início, onde iremos ter alguns processos misteriosos que impulsionaram o universo no início. E nós vamos atravessar um período de expansão acelerada, e o universo expande e esfria até chegar ao ponto onde ele fica transparente, então para as eras escuras, e então as primeiras estrelas acendem, e elas evoluem em galáxias, e então mais tarde elas alcançam galáxias maiores. E em algum ponto nesse período é quando nosso sistema solar começou a se formar. E está amadurecendo até o momento atual. E existem algumas coisas espetaculares. E esta parte do cesto, é para representar o que a estrutura do espaço-tempo em si está fazendo durante este período. Portanto é um modelo bem estranho, certo? Que tipo de prova temos para isso? Deixem-me lhes mostrar alguns dos padrões da natureza que são o resultado disto. Eu sempre penso no espaço-tempo como sendo a substância real do espaço, e as galáxias e as estrelas são como a espuma no oceano. É um marcador de onde as ondas interessantes estão e o que aconteceu. Então aqui está o Sloan Digital Sky Survey mostrando a localização de um milhão de galáxias. Existe um ponto aqui para cada galáxia. Eles apontam o telescópio para o céu, tiram uma foto, identificam quais são as estrelas e as tiram fora, procuram pelas galáxias, estimam quão longe elas estão, e plotam elas. e apenas exibindo radialmente elas ficam daquele jeito. E vocês vêem estas estruturas, esta coisa nós chamamos a Grande Muralha, mas existem vazios e estas coisas, e elas como que desvanecem porque o telescópio não é sensível o suficiente para elas. Agora vou lhes mostrar isto em 3D. O que acontece é, você tira fotos enquanto a Terra gira, você obtém uma fatia ao longo do céu. Existem alguns lugares que vocês não podem ver por causa da nossa própria galáxia, ou porque não existem telescópios disponíveis para fazê-lo. Então a próxima imagem mostra a vocês versões tridimensionais desta rotação. Vocês vêem as varreduras em cone feitas ao longo do céu? Lembrem-se, cada ponto aqui é uma galáxia, e vocês vêem as galáxias, sabem, como que nossa vizinhança, e dá para ver a estrutura. E vocês vêem que esta coisa que chamamos Grande Muralha, E vocês vêem a complicada estrutura, e estes vazios. Existem lugares onde não existem galáxias e existem lugares em que há milhares de galáxias amontoadas, certo. Então há um padrão interessante, mas nós não temos dados suficientes aqui para realmente ver o padrão. Temos apenas um milhão de galáxias, certo? Então estamos mantendo como um milhão de bolas no ar mas, o que está acontecendo? Existe outra pesquisa que é bem similar a esta, chamada Two-degree Field of View Galaxy Redshift Survey. Agora vamos voar através dela em velocidade warp de um milhão. E sempre que existir uma galáxia -- nesta posição há uma galáxia -- e se sabemos algo sobre a galáxia, o que é fato, porque existe um desvio para vermelho na medição e tudo, você coloca o tipo da galáxia e a cor, então esta é uma representação real. E quando você está no meio das galáxias é difícil ver o padrão; é como estar no meio da vida. É difícil ver o padrão no meio da audiência, é difícl ver o padrão disto. Então vamos sair e dar a volta e olhar para isto. E vocês verão, primeiro, a estrutura da pesquisa, e então vocês começarão a ver a estrutura das galáxias que vemos ali. E de novo, vocês podem ver a extensão desta Grande Muralha de galáxias aparecendo aqui. Mas vocês podem ver os vazios, vocês podem ver a estrutura complicada, e dirão, bem, como isto aconteceu? Suponha que você é o designer cósmico. Como você vai por as galáxias lá em um padrão como aquele? Não é só atirar elas aleatoriamente. Existe um processo mais complicado acontecendo aqui. Como você vai acabar fazendo aquilo? E então agora estamos prontos para o jogo sério. Que é, temos de seriamente brincar de Deus, não apenas mudar a vida das pessoas, mas fazer o universo, certo? Então se esta é sua responsabilidade, como você vai fazer aquilo? Que tipo de técnica vai usar? Que tipo de coisa você está para fazer? Então vou mostrar a vocês os resultados de uma simulação de grande escala do que como pensamos que o universo é, usando essencialmente, alguns dos princípios de jogo e alguns dos princípios de design que, sabem, humanos trabalharam tão duro para obter, mas aparentemente a natureza sabia como fazer desde o começo. E isto é, você começa com ingredientes muito simples e algumas regras simples, mas você tem de ter ingredientes suficientes para tornar complicado. E então coloca alguma aleatoriedade, algumas flutuações e alguma aleatoriedade, e descobre um enorme conjunto de diferentes representações. Portanto o que vou fazer é mostrar a vocês a distribuição da matéria em função das escalas. Vamos ampliar, mas este é um desenho do que é. E tivemos de adicionar uma coisa mais para fazer o universo sair certo. É chamada matéria escura. Que é matéria que não interage com a luz do modo típico como a matéria normal faz, do modo como a luz está brilhando sobre mim no palco. é transparente à luz, mas para que vocês vejam ela, vamos torná-la branca, OK? Então a coisa que nesta imagem é branca, isso é matéria escura. Deveria ser chamada matéria invisível, mas a matéria escura nós tornamos visível. E as coisas que estão na cor amarela, essas são o tipo de matéria normal que está transformada em estrelas e galáxias. Então vou mostrar a vocês no próximo filme. Então é isto -- vamos ampliar. Notem este padrão e prestem atenção a este padrão. Vamos ampliar e ampliar. E vocês verão que existem todos estes filamentos e estruturas e vazios. E quando um número de filamentos se encontram em um nó, isso produz um super aglomerado de galáxias. É nisso que estamos aproximando é algo entre 100. 000 e um milhão de galáxias naquela pequena região. Então vivemos no subúrbio. Não vivemos no centro do sistema solar, não vivemos no centro da galáxia e nossa galáxia não está no centro do aglomerado. Então vamos ampliar. Esta é uma região que provavelmente tem mais de 100. 000, da ordem de um milhão de galáxias naquela região. Vamos continuar ampliando. OK. E eu esqueci de lhes contar a escala. Um parsec é 3. 26 anos-luz. Portanto um gigaparsec é três bilhões de anos-luz -- esta é a escala. significa que demora três bilhões de anos para a luz viajar essa distância. Agora estamos em uma distância como entre aqui e aqui. Essa é a distância entre nós e Andrômeda, certo? Estes pequenos grãos que vocês vêem aqui, eles são galáxias. Agora vamos afastar novamente, E vocês podem ver esta estrutura que, quando chegamos bem longe, parece muito regular, mas é feita de muitas variações irregulares. Elas são peças de construção simples. Existe um fluido muito simples para começar. Ele tem matéria escura, ele tem matéria normal, ele tem fótons e ele tem neutrinos, que não têm muita influência mais tarde no universo. E isto é apenas um fluido simples e isto, com o tempo desenvolve nesta estrutura complicada. E assim vocês sabem quando vocês viram esta imagem na primeira vez não significava muito para vocês. Aqui vocês estão olhando através de um por cento do volume do universo visível e vocês estão vendo bilhões de galáxias, certo, e nós, mas vocês percebem que elas não são nem a estrutura principal. Existe um chassi, que é a matéria escura, a matéria invisível, que está ali e que realmente une tudo. Então vamos voar através dela, e vocês podem ver quão mais difícil é quando você está no meio de algo para perceber isto. Então aqui está o mesmo resultado final. Vocês vêem um filamento, Vocês vêem o claro, é a matéria invisível, e o amarelo são as estrelas ou as galáxias aparecendo. E vamos voar em torno, e voar em torno, e vocês verão ocasionalmente um par de filamentos entrelaçar, e você tem um grande aglomerado de galáxias. E então vamos voar dentro para onde o grande aglomerado está, E vocês podem ver como se parece. Então de dentro, parece bem complicado, certo? É apenas quando você olha para ele em uma escala muito grande, e explora ele e etc, percebe que é muito intrincado, um tipo complicado de design, certo? E ele está amadurecido de alguma forma. Então a questão é, Quão difícil seria montar isto, certo? De que tamanho a equipe do seu empreiteiro precisaria ser para construir o universo, certo? Esta é a questão, certo? Então aqui estamos. Vocês vêem como o filamento -- vêem como vários filamentos estão se unindo, portanto produzindo um super aglomerado de galáxias. E vocês têm de entender, isto não é como realmente pareceria Se vocês -- primeiro, não dá para viajar tão rápido, tudo seria distorcido, mas isto é usando coisas como artes gráficas. Isto é como, se vocês levassem bilhões de anos para percorrer, ele pareceria para vocês, certo? E se vocês pudessem ver a matéria invisível, também. Então a idéia é, sabem, como você construiria o universo de uma forma bem simples? Vamos começar e perceber que o universo visível inteiro, tudo que podemos ver em todas as direções com o Telescópio Espacial Hubble mais nossos outros instrumentos, estava antes em uma região que era menor que um átomo. Começou com minúsculas flutuações quânticas, mas expandindo a uma taxa tremenda. E essas flutuações foram esticadas para tamanhos astronômicos, e essas flutuações eventualmente são as coisas que vemos no fundo cósmico de microondas. E então nós precisávamos de algum modo tornar estas flutuações em galáxias e aglomerados de galáxias e fazer esses tipos de estruturas prosseguirem. Então vou mostrar a vocês uma simulação menor. Esta simulação foi executada em 1000 processadores por um mês. Para fazer apenas este simples visual. Então vou lhes mostrar um que pode ser executado em um desktop em dois dias na próxima imagem. Então você começa com minúsculas flutuações quando o universo era a este ponto, agora quatro vezes menor, e assim por diante. E vocês começam a ver estas redes, esta teia cósmica de estrutura formando. E esta é uma simples, porque não tem a matéria normal e tem apenas matéria escura nela. E vocês vêem como a matéria escura embola, e a matéria normal só segue atrás. E é isto. No começo é muito uniforme. As flutuações são uma parte em 100. 000. Existem uns poucos picos que são uma parte em 10. 000, e então depois de bilhões de anos, a gravidade simplesmente puxa de volta. Isto é leveza contra densidade, puxa o material em torno dela. Que puxa mais material e mais material. Mas as distâncias no universo são tão grandes e as escalas de tempo são tão grandes que demora um longo tempo para isto formar. E continua formando até que o universo é aproximadamente metade do tamanho que é hoje, em termos de expansão. E a esse ponto, o universo misteriosamente começa a acelerar sua expansão e interrompe a formação de estruturas de maior escala. Então estamos vendo uma estrutura de escala tão grande quanto podemos, e então apenas coisas que já haviam começado a se formar vão se formar, e então daí por diante vão continuar. Conseguimos fazer esta simulação, mas isto é dois dias em um desktop. Precisamos, sabem, 30 dias em 1000 processadores para o tipo de simulação que eu lhes mostrei antes. Então temos uma idéia de como jogar sério, criando o universo começando com essencialmente menos que uma gota de material, e criamos tudo que podemos ver em qualquer direção, certo, de praticamente nada -- isto é, algo extremamente minúsculo, extremamente pequeno -- e isto é quase perfeito, exceto tem estas mínimas flutuações de uma parte em 100. 000, que acabam por produzir os interessantes padrões e designs que vemos, isto é, galáxias e estrelas e tudo mais. Então temos um modelo, e podemos calculá-lo, e podemos usá-lo para criar designs do que achamos que o universo realmente parece. E esse design é como algo além do que nossa imaginação original dele era. Então isto é como começamos 15 anos atrás, com o Cosmic Background Explorer -- fizemos o mapa superior direito, que basicamente mostrou a nós que existiam flutuações de bem grande escala, e na verdade flutuações em diversas escalas. Vocês podem ver isso. Desde que tivemos o WMAP, Que apenas nos dá resolução angular maior. Vemos a mesma estrutura de grande escala, mas vemos estruturas adicionais de escala menor. E o inferior direito é se o satélite estivesse de cabeça para baixo e mapeasse a Terra, que tipo de mapa teríamos da Terra. Vocês podem ver, bem, podem ter uma idéia todos os principais continentes, mas isto é tudo. Mas o que esperamos quando tivermos o Planck, é ter resolução quase equivalente à resolução que vemos a terra ali, onde você pode realmente ver o complicado padrão que existe na Terra. E pode também dizer, por causa das bordas definidas e da forma como as coisas se encaixam, que existem alguns processos não-lineares. Geologia tem estes efeitos, Que é mover as placas por aí e tudo. Vocês podem ver isso só pelo mapa. Queremos chegar ao ponto em nossos mapas do universo primordial de podermos ver se existem quaisquer efeitos não-lineares que estão começando a se mover, a modificar, e estão nos dando uma dica sobre como o próprio espaço-tempo realmente foi criado nos momentos iniciais. Então é onde estamos hoje, e é do que eu queria lhes dar uma amostra. Dar a vocês uma visão diferente sobre como o design e como todo o resto se parece. Obrigado.
pt
473
Eu inventei minha própria definição de sucesso em 1934, quando lecionava numa escola secundária em South Bend, Indiana. Estando um pouco decepcionado, e talvez desiludido pela maneira com que os pais dos jovens nas minhas aulas de inglês esperavam que os seus filhos tirassem um A ou um B. Eles achavam que um C era suficiente para os filhos dos vizinhos, porque os filhos dos vizinhos são todos medianos. Mas eles não se contentavam quando seus próprios filhos -- faziam com que o professor sentisse que tinha fracassado, ou que o jovem tinha fracassado. E isso não está correto. O nosso Senhor em sua sabedoria infinita não nos criou todos iguais em termos de inteligência, assim como não nos criou iguais em tamanho ou aparência. Nem todo mundo poderia tirar um A ou um B, e eu não gostava dessa forma de julgamento. Eu sabia como os alunos de várias escolas nos anos 30 julgavam os técnicos e as equipes esportivas. Se você ganhasse tudo, você era considerados razoavelmente bem sucedido. Não completamente. Porque descobri que -- tivemos alguns anos na UCLA em que não perdemos sequer um jogo. Mas parecia que não vencíamos cada jogo pela margem que alguns de nossos alunos tinham previsto. E muito frequentemente, eu -- -- muito frequentemente eu realmente sentia que eles tinham apoiado as suas previsões em uma maneira mais materialista. Mas isso era verdade nos anos 30, então eu entendi isso. Mas eu não gostava e não concordava com isso. E eu queria descobrir algo que eu esperava, pudesse me fazer um professor melhor, e dar aos jovens sob minha supervisão -- quer nos esportes ou nas aulas de inglês -- algo que pudessem desejar, e que não fosse tão somente uma nota mais alta na sala de aula, ou mais pontos numa competição esportiva. Eu pensei sobre isso durante um bom tempo, e eu queria descobrir algo que fosse de minha autoria. Achei que isso poderia ajudar. E sabia como o Webster o definia: como o acúmulo de bens materiais ou o obtenção de um posição de poder ou prestígio, ou algo do tipo. Feitos notáveis talvez, mas na minha opinião, não necessariamente indicativo de sucesso. Então, eu quis propor algo próprio. Eu recordo, eu fui criado em uma pequena fazenda no sul de Indiana. E meu pai tentou ensinar, a mim e aos meus irmãos, que você nunca deveria tentar ser melhor do que outra pessoa. Eu tenho certeza que na época ele fez isso, eu não -- não -- bem, em algum lugar, imagino que em recessos ocultos da minha mente, isso apareceu anos mais tarde. Nunca tente ser melhor do que outra pessoa, sempre aprenda com os outros. Nunca pare de tentar ser o melhor que você pode ser -- isso está sob o seu controle. Se você se ficar muito absorto, envolvido e preocupado com as coisas sobre as quais você não tem controle, isso vai desfavoravelmente afetar as coisas sobre as quais você tem controle. Então eu por acaso encontrei esse simples verso que dizia, "Ao escabelo de Deus para se confessar, uma pobre alma se ajoelhou e abaixou sua cabeça. 'Eu falhei!' - ele exclamou. O Senhor disse, 'Tu fizeste o teu melhor, isso é sucesso.'" A partir dessas coisas, e de uma outra talvez,♪ eu inventei minha própria definição de sucesso. Que é: paz de espírito obtida somente através de satisfação própria em saber que você se esforçou para fazer o melhor do que você é capaz. Acredito que isso é verdadeiro. Se você fizer o esforço para fazer o melhor que você é capaz, para tentar e melhorar a situação que existe para você, eu acredito que isso é sucesso. E não acho que os outros podem julgar isso. Acho que isso é como caráter e reputação. Sua reputação é como você é visto; seu caráter é o que você realmente é. E acho que o caráter é muito mais importante do que como você é visto. Você espera que ambos sejam bons. Mas eles não serão necessariamente os mesmos. Bem, essa era a minha ideia que eu iria tentar transmitir aos jovens. Eu encontrei outras coisas. Eu amo ensinar, e foi mencionado pelo palestrante anterior que eu aprecio poesia, e eu me interesso um pouco por ela e a amo. Existem algumas coisas que me ajudaram, eu penso, a ser melhor do que eu teria sido. Eu sei que não sou o que deveria ser, não o que eu deveria ser. Mas acho que sou melhor do que eu teria sido se não tivesse encontrado certas coisas. Uma foi apenas um pequeno verso que dizia, "Nenhuma palavra escrita, nenhum apelo dito, podem ensinar aos nossos jovens o que eles deveriam ser. Nem todos os livros em todas as prateleiras -- é o que os professores são eles próprios. " Isso deixou uma impressão em mim nos anos 30. E tentei usar isso mais ou menos em meu ensino, quer fosse nos esportes, ou nas aulas de inglês. Eu amo poesia e sempre tive interesse nela, de alguma maneira. Talvez porque meu pai costumava ler para nós à noite Lamparina a óleo - não tínhamos eletricidade em nossa casa da fazenda. E meu pai lia poesia para a gente. Então eu sempre gostei. E mais ou menos na mesma época em que encontrei esse verso, Eu encontrei um outro. Alguém perguntou a uma jovem professora por que ela lecionava. E ela -- após algum tempo, disse que queria pensar a respeito. Então ela apareceu e disse, "Eles me perguntam por que eu leciono e eu respondo, 'Onde poderia encontrar tal esplêndida companhia?' Ali se senta um homem de estado, forte, imparcial, sábio. Um outro Daniel Webster, eloquente. Um médico se senta ao lado dele, cuja mão destra e firme pode reparar um osso, ou estancar o fluxo do sangue da vida. E ali, um construtor. Para cima eleva-se o arco de uma igreja que ele constrói, onde aquele ministro poderá pregar a palavra de Deus e conduzir uma alma cambaleante para tocar o Cristo. E tudo sobre uma reunião de professores, fazendeiros, comerciantes, trabalhadores. Aqueles que trabalham e votam e constroem e planejam e oram por um grande amanhã. E eu posso dizer, eu posso não ver a igreja, ou ouvir a palavra ou comer a comida que as mãos deles podem cultivar. Mas ainda de novo eu posso. E mais tarde eu posso dizer, Eu o conheci uma vez, e ele era fraco, ou forte, ou corajoso ou orgulhoso ou alegre. Eu o conheci outrora, mas nessa época, ele era um garoto. Eles me perguntam por que eu leciono e eu respondo, 'Onde eu poderia encontrar tal esplêndida companhia?'" E eu acredito que a profissão de ensino -- é verdade, você tem tantos jovens. E eu tenho que pensar nos meus jovens na UCLA -- uns 30 advogados, 11 dentistas e médicos, muitos, muitos professores e outras profissões. E isso dá a você um enorme prazer, vê-los seguir adiante. Eu sempre tentei fazer com que os jovens sintam que estão lá para ter uma educação, em primeiro lugar. O basquetebol estava em segundo lugar, porque estava custeando o caminho deles, e eles precisam de um pouco de tempo para as atividades sociais, mas se você deixar as atividades sociais prevalecerem um pouco sobre as outras duas você não vai ter nenhuma muito tempo. Assim, essas eram as ideias que tentei transmitir aos jovens sob minha supervisão. Eu tinha três regras que eu praticamente segui durante todo o tempo. Eu tinha aprendido elas antes de vir para a UCLA, e eu decidi que elas eram muito importantes. A primeira era -- nunca chegue atrasado. Nunca chegue atrasado. Mais tarde, eu disse certas coisas -- Eu tinha -- jogadores, se estivéssemos saindo para algum lugar, tinham de estar arrumados e limpos. Houve um tempo em que eu os fiz usar paletós, camisas e gravatas. Então eu vi o nosso reitor chegando à escola em jeans e camisas de gola olímpica, e eu pensei, não está certo eu manter essa regra. Assim eu somente insisti para que eles estivessem arrumados e limpos. Eu tive um de meus maiores jogadores que vocês provavelmente já ouviram falar, Bill Walton. Ele chegou para pegar o ônibus, estávamos indo jogar em algum lugar. E ele não estava limpo e arrumado de modo que não o deixei ir. Ele não pode entrar no ônibus. Ele teve que ir para a casa se arrumar para ir ao aeroporto. Então eu fui um defensor disso. Eu acreditava nisso. Acredito em pontualidade. É muito importante. Acredito que devemos chegar na hora. Mas eu senti que na prática, por exemplo, nós começamos na hora, nós terminamos na hora.♪ Os jovens não tinham de sentir que iríamos segurá-los mais. Quando eu falo em eventos para treinadores, eu geralmente falo aos jovens treinadores - e em eventos de treinadores, mais ou menos, eles serão os treinadores mais jovens iniciando na profissão. A maioria deles é jovem, vocês sabem, e provavelmente recém-casados. E digo a eles, "Não comecem os treinos atrasados. Porque vocês voltarão para a casa de mau humor. E isso não é bom, para um jovem recém-casado ir para casa de mau humor." Quando você fica mais velho, isso não faz nenhuma diferença. Mas -- De modo que sempre acreditei na pontualidade. Acredito em começar na hora, e acredito em terminar na hora. E outra regra que eu tinha era, nenhuma palavra de profanação. Uma palavra de profanação, e você está fora daqui pelo resto do dia. Se eu vejo isso em um jogo, você vai sair e vai sentar no banco. A terceira regra era, nunca critique um colega de equipe. Eu não queria isso. Eu costumava dizer a eles que eu era pago para fazer isso. Esse é meu trabalho e sou pago para fazer isso. Muito mal, mas sou pago para isso. Não como os treinadores de hoje, pela graça de Deus, não. É um pouco diferente do que era no meu tempo. Essas eram as três coisas que eu seguia de muito perto todo o tempo. E elas vieram, na verdade, de meu pai. Isso é o que ele tentou ensinar a mim e aos meus irmão certa vez. Eventualmente eu desenvolvi uma pirâmide, que eu não tenho tempo para falar sobre ela. Mas que me ajudou, eu penso, a me tornar um professor melhor. É algo assim: Eu tinha blocos na pirâmide. E as fundações sendo diligência e entusiasmo, trabalhando duro e apreciando o que você estã fazendo. Chegando até o ápice. De acordo com a minha definição de sucesso. E bem no topo - fé e paciência. E eu digo a vocês, em qualquer coisa que estejam fazendo, vocês devem ter paciência. Vocês devem ter a paciência para -- nós queremos que as coisas aconteçam. Nós falamos sobre nossos jovens serem muito impacientes. E eles são. Eles querem mudar tudo. Eles acham que toda mudança é progresso. E nós ficamos um pouco mais velhos -- nós tipo, deixamos as coisas acontecerem. E nos esquecemos que não há progresso sem mudança. Então vocês precisam ter paciência. E eu acredito que nós temos que ter fé. E eu creio que nós temos que acreditar, verdadeiramente acreditar. Não apenas da boca pra fora; acreditar que as coisas vão funcionar como deveriam, contanto que façamos o que deveríamos. Eu acho que nossa tendência é esperar que as coisas vão acontecer do jeito que queremos, na maioria das vezes. Mas nós não fazemos as coisas que são necessárias para que essas coisas se tornem realidade. Eu trabalhei nisso por cerca de 14 anos, e eu acho que isto ajudou a me tornar um professor melhor. Mas tudo girou em torno daquela definição original de sucesso. Sabem, alguns anos atrás, havia um árbitro da Liga de Beisebol Principal cujo nome era George Moriarty. Ele soletrava Moriarty com apenas um "i". Eu nunca tinha visto isso antes, mas ele já. Jogadores da Grande liga de beisebol -- eles reparam muito nessas coisas, e eles notaram que ele tinha somente um "i" ["eye" ] em seu nome. Vocês ficariam surpresos quantos disseram a ele que esse era um a mais do que ele tinha na cabeça dele em várias ocasiões. Mas ele escreveu algo que acho que ele fez enquanto eu tentava fazer essa pirâmide. Ele o chamou de "A Estrada em Frente, ou A Estrada Atrás." Ele disse, "Às vezes, creio que os Destinos devem rir quando nós os denunciamos e insistimos que a única razão para não ganharmos, é que os próprios Destinos falham. Ainda há vida na antiga afirmação: nós ganhamos ou perdemos dentro de nós mesmos. Os troféus cintilantes nas nossas prateleiras nunca podem ganhar o jogo de amanhã. Você e eu sabemos bem lá no fundo, há sempre uma chance de ganharmos a coroa. Mas quando nós falhamos em dar nosso melhor, nós simplesmente não satisfazemos o teste, de dar tudo e poupar nada até que o jogo esteja realmente ganho. De mostrar o que significa garra. De seguir jogando enquanto outros desistem. De seguir jogando e não se entregar. É aguentando que se ganha a taça. De sonhar que há um objetivo à frente. De acreditar quando nossos sonhos estão mortos. De rezar quando nossas esperanças se foram. No entanto perder, sem medo de cair, se corajosamente nós tivermos dado nosso máximo. Pois quem pode exigir mais de um homem do que dar tudo o que está ao seu alcance. Dar o máximo, me parece, não é tão longe da vitória. E assim os destinos raramente estão errados, independentemente do quanto mudem e girem. É você e eu que fazemos nossos destinos -- nós abrimos ou fechamos as portas na estrada em frente ou na estrada atrás. " Isso me lembra um outro conjunto de três regras que meu pai tentou nos passar. Não fiquem se lamentando. Não se queixem. Não arranjem desculpas. Apenas saiam lá, e independentemente do que estiverem fazendo, façam no melhor de suas habilidades. E ninguém pode fazer mais do que isso. Tentei passar isso também -- meus oponentes não dizem a vocês - vocês nunca me ouviram mencionar vencer. Nunca mencionem vencer. Minha ideia é que você pode perder quando ganha de alguém num jogo. E você pode ganhar quando você for vencido. Eu me senti dessa maneira em certas ocasiões, várias vezes. E eu apenas queria que eles fossem capazes de manter a cabeça erguida depois de um jogo. Eu costumava dizer que quando um jogo termina, e você vê alguém que não sabia o resultado, Esperava que eles não pudessem dizer pelas suas ações se você ganhou de um oponente ou se o oponente ganhou de você. Isso é o que realmente importa: se você se esforçar para fazer o melhor que você pode regularmente, os resultados serão aproximadamente o que deveriam ser. Não necessariamente o que você espera que sejam, mas serão aproximadamente o que devem ser, e somente você saberá se pode fazer isso. E isso é o que eu queria deles mais do que qualquer outra coisa. E a medida em que o tempo passava, e eu aprendia mais sobre outras coisas, eu acho que funcionou um pouco melhor, em termos de resultados. Mas eu queria que o resultado de um jogo fosse o subproduto dessas outras coisas, e não o fim em si. Acredito que foi -- um grande filósofo disse -- não, não. Cervantes. Cervantes disse, "A viagem é melhor que o fim. " E eu gosto disso. Acho que é -- é o chegar lá. Algumas vezes, quando chegamos lá, há quase uma frustração. Mas o chegar até lá que é a diversão. Eu gostava de nossos - como treinador de basquetebol na UCLA, eu gostava que os nossos treinos fossem a viagem, e o jogo fosse o final. O resultado final. Gostava de subir e me sentar nas arquibancadas e ver os jogadores jogarem e ver se eu tinha feito um trabalho decente durante a semana. Novamente, é fazer os jogadores obterem aquela auto-satisfação, de saber que eles tinham feito o esforço para fazer o melhor do que eles são capazes. Às vezes me perguntam quem foi o melhor jogador que eu tive, ou os melhores times. Nunca posso responder isso, relativamente aos indivíduos. Uma vez me perguntaram sobre isso, e eles disseram, "Suponha que você de algum modo pudesse -- pudesse criar o jogador perfeito. O que você gostaria? " E eu disse, "Bem, gostaria de um que soubesse por que ele estava na UCLA: para obter uma educação, que ele fosse um bom aluno, realmente soubesse por que ele estava lá em primeiro lugar. Mas eu gostaria de um que pudesse jogar também. Eu gostaria de um que percebesse que a defesa geralmente ganha campeonatos, e que trabalhasse duro na defesa. Mas eu gostaria de um que jogasse no ataque também. Eu gostaria que ele não fosse egoísta, e buscasse o passe primeiro e não arremessasse o tempo todo. E eu gostaria de um que pudesse passar e passasse. Eu tive alguns que podiam e não o faziam, E tive alguns que faziam e não conseguiam. Eu queria que eles fossem capazes de arremessar do lado fora. E eu queria que eles fossem bons por dentro também. Eu gostaria que eles fossem capazes de rebater bem de ambos os lados, também. E por que não pegar alguém como Keith Wilkes e ficar por aqui. Ele tinha as qualificações. Não o único, mas ele era um que eu usava naquela categoria particular, porque eu acho que ele se esforçou para se tornar o melhor [indefinível]. Eu menciono em meu livro, "They Call Me Coach." Dois jogadores que me deram grande satisfação; que chegaram tão perto do que eu acho de alguém que eu jamais tive, de atingir o seu potencial completo: um foi Conrad Burke. E outro foi Doug McIntosh. Quando eu os vi como calouros, em nosso time de calouros -- nós não tínhamos -- calouros não podiam jogar com o time principal quando eu ensinava. E eu pensei, "Oh meu Deus, se esses dois jogadores, qualquer um deles" -- eles eram de anos diferentes, mas pensei sobre cada um na sua época -- "Oh, se alguma vez ele chegar à equipe principal, a nossa equipe principal deve ser bastante deplorável, se ele for bom o suficiente para chegar lá. " E vocês conhecem um deles foi jogador titular durante uma temporada e meia. O outro foi - no seu ano seguinte, jogou 32 minutos num jogo do campeonato nacional, e fez um trabalho tremendo por nós. E no ano seguinte, foi titular no time do campeonato nacional. E eu que pensava que ele nunca jogaria um minuto, quando ele estava -- então essas são as coisas que dão a você uma grande alegria, e uma grande satisfação Nenhum daqueles jovens sabia arremessar muito bem. Mas eles tinham excepcionais porcentagens de arremesso, porque eles não forçavam. E nenhum deles conseguia saltar muito bem, mas eles tinham -- mantinham boa posição, e assim eles iam bem rebatendo. Eles lembravam que cada arremesso que é tomado, eles assumiam seria perdido. Eu tive muitos que ficam em volta e esperam para ver se perdiam, então eles vão e é tarde demais. Outro jogador já está lá na frente deles. E eles não eram muito rápidos, mas se posicionavam bem, mantinham um bom equilíbrio. E assim eles jogavam muito bem na defesa para nós. Então eles tinham qualidades que -- eles chegaram perto de -- tão perto de alcançar possivelmente o potencial completo deles como nenhum jogador que eu tive. De modo que eu os considero tão bem sucedidos quanto Lewis Alcindor ou Bill Walton, ou muitos dos outros que nós tivemos -- e houve alguns fora de série -- jogadores fora de série. Eu divaguei o suficiente? Disseram-me que quando ele aparece, eu deveria calar a boca.
pt
474
Há realmente uma grande crise de saúde hoje em termos da escassez de órgãos. O fato é que nós estamos vivendo mais. A medicina tem feito um trabalho muito melhor nos fazedo viver por mais tempo. E o problema é que, à medida que envelhecemos, nossos órgãos tendem a falhar mais. E assim hoje não há órgãos suficientes para todos. De fato, nos últimos 10 anos, o número de pacientes que necessitam de um órgão dobrou, enquanto que no mesmo tempo, o número de transplantes mal subiu. E isso é agora uma crise de saúde pública. Então é aí que este campo que chamamos de medicina regenerativa entra. Ele envolve diferentes áreas. Você pode usar moldes, biomateriais - eles são como um pedaço da sua blusa ou camisa - mas são materiais específicos que você realmente pode implantar em pacientes e eles vão funcionar e ajudarão na regeneração. Ou podemos usar apenas células tanto as suas próprias células como as de células-tronco. Ou podemos usar os dois; podemos usar biomateriais e as células juntos. E é aí que o campo está hoje. Mas na verdade não se trata de um campo novo. Curiosamente, este é um livro que foi publicado em 1938. Seu título é "A Cultura de Órgãos". O primeiro autor, Alexis Carrel, recebeu o prêmio Nobel. Na verdade, ele inventou algumas das mesmas tecnologias usadas hoje para suturar vasos sanguíneos. E alguns dos enxertos de vasos sanguíneos que usamos hoje foram desenhado por Alexis. Mas eu quero que você observe seu co-autor: Charles Lindbergh. É o mesmo Charles Lindbergh que passou o resto de sua vida trabalhando com Alexis no Instituto Rockefeller, em Nova York na área da cultura de órgãos. Então, se o campo existe há tanto tempo, por que ocorreram tão poucos avanços clínicos? Isso realmente tem a ver com muitos desafios diferentes. Mas se eu fosse apontar três desafios, o primeiro é o design de materiais que poderiam ser implantados em seu corpo e funcionar corretamente ao longo do tempo. E com muitos avanços, agora podemos fazer isso muito facilmente. O segundo desafio foram as células. Nós não conseguíamos obter um número suficiente de células para desenvolver fora do seu corpo. Nos últimos 20 anos, nós basicamente resolvemos isso. Muitos cientistas agora podem desenvolver vários tipos diferentes de células - e ainda temos as células-tronco. Mas mesmo agora, em 2011, ainda existem certas células que nós não podemos desenvolver a partir do paciente. As células do fígado, as células nervosas, as células pancreáticas - nós ainda não podemos cultivá-las. E o terceiro desafio é a vascularização e o fornecimento de sangue real para permitir que esses órgãos ou tecidos sobrevivam depois de regenerados. Portanto, nós podemos utilizar biomateriais agora. Este é um biomaterial. Nós podemos tecê-los, tricotá-los, ou nós podemos desenvolvê-los como você vê aqui. Ela parece com uma máquina de algodão doce. Você viu o spray entrando. Isso é como as fibras do algodão doce criando essa estrutura, essa estrutura tubular. que é um biomaterial que podemos usar para ajudar seu corpo a regenerar usando suas próprias células para isso. E isso é exatamente o que fizemos aqui. Este é um paciente que apresentou um órgão falecido, e então nós criamos um desses biomateriais inteligentes, e, em seguida nós usamos esse material para substituir e raparar o órgão desse paciente. O que nós fizemos foi na verdade o uso do biomaterial como uma ponte de modo que as células do órgão poderiam andar sobre a ponte, e ajudar a preencher o vazio para regenerar esse tecido. E você vê aquele paciente agora, seis meses depois, com um raio-X que mostra o tecido regenerado, que está totalmente regenerado quando você o analisa pelo microscópio. Podemos também usar apenas células. Estas são células que nós obtivemos. Estas são as células-tronco que criamos a partir de fontes específicas, e nós podemos conduzi-las para que se tornem células cardíacas. E eles começam a bater dentro da cultura. Então elas sabem o que fazer. As células geneticamente sabem o que fazer, e eles começam a bater juntas. E hoje, muitos ensaios clínicos estão usando diferentes tipos de células-tronco para doenças cardíacas. Então isso está nos pacientes agora. Ou, se utilizarmos estruturas maiores para substituir as estruturas maiores, podemos então usar as células do próprio paciente, ou alguma população de células, e os biomateriais, os moldes, juntos. Então aqui está o conceito: se você tiver um órgão morto ou ferido, nós retiramos um pequeno pedaço desse tecido, menos da metade do tamanho de um selo postal. Nós então isolamos as células e fazemos elas se desenvolverem fora do corpo. Nós pegamos a matriz, o biomaterial, novamente, ele se parece muito com um pedaço da sua blusa ou camiseta. Depois nós damos forma ao material, e em seguida usamos essas células para codificar o material uma camada de cada vez - é como fazer um bolo de camadas. Nós o colocamos num dispositivo para aquecê-lo e assim nós conseguimos criar essa estrutura e trazê-la para fora. Esta é uma válvula cardíaca que nós construímos. E você pode ver aqui, temos a estrutura da válvula cardíaca nós a semeamos com células e então exercitamos ela. Você vê os folhetos abrindo e fechando - dessa válvula cardíaca que atualmente está sendo usada experimentalmente para tentar levá-la para estudos posteriores. Outra tecnologia que temos utilizado em pacientes envolve bexigas. Nós retiramos um pedaço muito pequeno da bexiga do paciente - menor que a metade do tamanho de um selo postal. E então nós desenvolvemos as células fora do corpo pegamos o molde, vestimos com células - células do próprio paciente, dois tipos diferentes de células. Em seguida, colocamos elas nesse aparelho semelhante a um forno. Ele tem as mesmas condições de um corpo humano - 35 graus centígrados, 95 por cento de pressão parcial de oxigênio. Poucas semanas depois, você tem seu órgão artificial que nós somos capazes de implantar de volta no paciente. Para esses pacientes específicos, nós apenas suturamos esses materiais. Nós fazemos análises a partir de imagens tridimensionais mas na verdade nós criamos esses biomateriais à mão. Mas agora temos métodos melhores para criar essas estruturas com as células. Agora nós usamos algumas tecnologiais que para órgãos sólidos, como por exemplo o figado, o que fazemos é usar fígados descartados. Como vocês sabem, muitos órgãos são descartados, não são utilizados. Então nós podemos pegar esses fígados que não serão utilizados, e os colocamos em em uma estrutura como uma máquina de lavar que fará com que as céluas sejam retiradas. Duas semanas depois, você tem algo que se parece com um fígado. Você pode segurá-lo como um fígado, mas ele não tem células, é apenas o esqueleto do fígado. E então nós podemos irrigar o figado com células preservando os vasos sanguíneos. Então nós perfundimos primeiro a árvore vascular com células vasculares do próprio paciente, e então nós infiltramos o parênquima com células hepáticas. E então nós somos capazes de mostrar a criação do tecido hepático humano exatamente no mês passado usando essa tecnologia. Outra tecnologia que nós usamos é a da impressão. Esta é de fato uma impressora a jato de tinta mas ao invés de usar tinta, estamos usando células. E aqui você pode ver a cabeça de impressão passando e imprimindo essa estrutura, e demora cerca de 40 minutos para imprimi-la. E há um elevador 3D que se move para baixo, uma camada por vez a cada vez que a cabeça de impressão passa. E então, finalmente, você é capaz de tirar essa estrutura. Você pode tirar a estrutura da impressora e implantá-la. E este é um pedaço de osso que eu vou mostrar neste slide que foi criado com uma impressora e implantado como você pode ver aqui. Esse é o novo osso que foi implantado utilizando essas técnicas. Outra tecnologia mais avançada que nós estamos olhando agora, nossa próxima geração de tecnologias, são as impressoras mais sofisticadas. Esta impressora em especial que estamos projetando agora é capaz de imrpimir direto sobre o paciente. Então o que você vê aqui - Eu sei que soa engraçado, mas essa é a forma como ela funciona. Porque, na verdade, o que você quer fazer é ter o paciente na cama com a ferida, e você com um scanner, basicamente como um scanner de mesa. Isso é o que você vê aqui no lado direito; você vê uma tecnologia de scanner que primeiro examina a ferida do paciente e depois ele volta com as cabeças de impressão imprimindo as camadas que você necessitar sobre os próprios pacientes. É assim que ele funciona. Aqui está o scanner passando e digitalizando a ferida. Uma vez identificada, ele envia informações sobre as camadas de células exatamente onde eles precisam estar E agora você vai ver aqui uma demonstração disso acontecendo em uma representação de uma ferida. E nós fazemos isso usando gel, de modo que você possa levantar esse material. Assim, uma vez que essas células estão sobre o paciente eles vão ficar onde eles precisam estar. E essa é uma nova tecnologia ainda em desenvolvimento. Também estamos trabalhando em impressoras mais sofisticadas. Porque na verdade nosso maior desafio são os órgãos sólidos. Eu não sei se vocês sabem disso, mas 90 por cento dos pacientes na lista de transplantes estão esperando por um rim. Pacientes morrem todos os dias porque não temos a quantidade suficiente de órgãos para oferecer. Então isso é mais difícil - um órgão grande, vascular, um grande suprimento de vasos sanguíneos muitas células presentes. Assim, a estratégia aqui é - essa é uma tomografia computadorizada, um raio-X - e nós vamos camada por camada, por meio de análise morfométrica de imagens computadorizadas e reconstrução 3D para ir direto aos rins do paciente. E então nós somos capazes de digitalizá-los, fazer uma rotação de 360 graus para analisar o rim em todas as suas características volumétricas, e então somos capazes de obter essa informação e digitalizá-la de forma que possa ser impressa. Nós vamos camada por camada analisando cada uma delas enquanto nós passamos pelo órgão. E então nós podemos enviar essa informação, como você vê aqui pelo computador e de fato desenhar esse órgão para o paciente. Aqui você vê a impressora. E aqui aquela impressão. Na verdade, nós temos a impressora bem aqui. Enquanto nós conversamos hoje, vocês podem ver a impressora aqui atrás do palco. Essa é a impressoa atual, que vem imprimindo esse rim que você vê aqui. A impressão de um rim demora aproximadamente sete horas, e este está há aproximadamente três horas lá dentro. E o Dr. Kang vai entrar no palco agora, e nós vamos mostrar para vocês um desses rins que nós imprimimos mais cedo hoje. Vou colocar um par de luvas aqui. Obrigado. Vá para trás. Então, essas luvas estão pequenas em mim, mas aqui está. Vocês podem ver o rim como ele foi impresso hoje. Ele tem certa consistência. Esse é o Dr. Kang, que está trabalhando com a gente nesse projeto e faz parte da nossa equipe. Obrigado, Dr. Kang. Então essa é a nova geração. Essa é a impressora que você vê aqui no palco. E essa é a nova tecnologia que nós estamos desenvolvendo. E pra falar a verdade, agora nós temos uma longa história fazendo isso. Eu vou compartilhar um vídeo com vocês sobre a tecnologia que nós temos usado em pacientes há pouco tempo. Esse é um vídeo curto - apenas 30 segundos - de um paciente que recebeu um órgão. Luke Massella: Eu estava muito doente. Eu mal conseguia sair da cama. Eu estava sentindo falta da escola. Era uma situação miserável. Eu não podia sair e jogar basquete durante o recreio sem sentir como se eu fosse morrer quando eu voltava pra dentro. Eu me sentia muito doente. Eu estava enfrentando um período de diálises, e eu não gosto de pensar sobre como minha vida seria se eu eu ainda estivesse daquele jeito. Então depois da cirurgia, a vida ficou muito melhor para mim. Eu era capaz de fazer mais coisas. Eu conseguia lutar na escola. Eu me tornei o capitão do time, e isso foi muito legal. Eu conseguia ser uma criança normal com meus amigos. E como eles usaram minhas próprias células para fazer essa bexiga, ela vai ficar comigo. Eu tenho ela para a minha vida toda, então eu estou pronto para o que der e vier. Juan Enriquez: Essas experiências as vezes funcionam e é muito legal quando isso acontece. Luke, venha aqui por favor. Então, Luke, antes de ontem à noite, quando foi a última vez que você viu o Tony? LM: há 10 anos, quando eu tive a minha cirurgia - e é realmente ótimo encontrá-lo. JE: Fale um pouco sobre o que você anda fazendo. LM: Bem, agora eu estou na faculdade da Universidade de Connecticut. Eu estou no segundo ano da faculdade e estudando comunicação, TV e mídias de massa. E basicamente tentando viver a vida como um jovem normal, o que eu sempre quis enquanto crescia. Mas era dificíl viver daquele jeito porque que eu nasci com spina bifida e os meus rins e bexiga não estavam funcionando. Eu passei por cerca de 16 cirurgias, e parecia que seria impossível quando eu tinha 10 anos e meu rim estava com problemas. E essa cirurgia veio e, basicamente, me fez ser quem eu sou hoje e salvou minha vida. JE: E o Tony tem feito centenas dessas cirurgias? LM: Pelo que eu sei, ele está trabalhando muito em seu laboratório e apresentando coisas malucas. Eu sei que eu fui uma das dez primeiras pessoas a fazer essa cirurgia. E quando eu tinha 10 anos eu não sabia como aquilo era incrível. Eu era um garotinho, e pensava "Tudo bem. Eu vou fazer isso aí. Vou fazer a cirurgia" Tudo que eu queria era melhorar, e eu não percebi o quão incrível isso tudo foi até agora que eu estou mais velho e eu vejo as coisas incríveis que ele está fazendo. JE: Quando você recebeu o convite - o Tony é muito tímido, e foi preciso insistir muito para conseguir alguém modesto como Tony para nos deixar trazer o Luke aqui. Então Luke, você vai até seus professores de comunicação - você está estudando comunicação - e você pede a eles permissão para participar do TED, que pode estar um pouco relacionado com comunicação, e qual foi a reação deles? LM: A maioria dos meus professores gostou da ideia e eles falaram, "traga fotos e me mostre os vídeos" e "eu estou feliz por você". Alguns deles foram um pouco teimosos, mas eu fui falar com eles. Eu fiz eles mudarem de ideia. JE: Bom, é uma honra e um privilégio conhecê-lo. Muito obrigado. JE: Obrigado, Tony.
pt
475
Então hoje vou falar à vocês sobre o crescimento do consumo cooperativo. Vou explicar o que é e tentar convencê-los -- em apenas 15 minutos -- que essa não é uma idéia fraca, ou uma modinha, mas uma força cultural e econômica poderosa, que está reinventando não apenas o que consumimos, mas a forma como consumimos. Vou começar com um exemplo enganosamente simples. Levantem as mãos -- quantos de vocês têm livros, CD's, DVD's, ou vídeos espalhados pela casa que provavelmente não vão usar de novo, mas não conseguem jogar fora? Não posso ver todas as mãos, mas parece que são todos vocês. Nas estantes em minha casa, temos um caixa de DVD's da série "24 horas" -- sexta temporada para ser precisa. Eu acho que foi comprada para nós cerca de três anos atrás como presente de Natal. Meu marido, Chris, e eu amamos essa série. Mas sejamos sinceros, quando você assistiu uma vez -- talvez, ou duas vezes -- você não quer realmente assistir de novo, porque você sabe como Jack Bauer vai derrotar os terroristas. Então lá está ela parada na nossa estante obsoleta para nós, mas com valor real e imediato para outra pessoa. Agora, antes de prosseguirmos, tenho uma confissão a fazer. Eu vivi em Nova Iorque por 10 anos, e sou uma grande fã de "Sex and the CIty". Eu adoraria assistir ao primeiro filme de novo como uma espécie de aquecimento para a sequência que vai estrear semana que vem. Então com que facilidade eu poderia trocar nossa cópia indesejada de "24 horas" por uma cópia desejada de "Sex and the City"? Agora vocês podem ter notado que há um novo setor emergindo chamado 'swap trading'. A melhor analogia para 'swap trading' é como um serviço de namoro virtual para toda sua mídia indesejada. O que ele faz é usar a internet para criar um mercado infinito para combinar o que a pessoa A tem com o que a pessoa C quer, o que quer que sejam. Outra semana, fui em um desses sites, apropriadamente chamado Swaptree. E haviam mais de 59. 300 itens que eu poderia trocar instantaneamente pela minha cópia de "24 horas". Prestem atenção, lá em Reseda, CA estava Rondoron que queria trocar sua cópia de "Sex and the City" 'quase nova' pela minha cópia de "24 horas". Então, em outras palavras, o que está acontecendo aqui é que o Swaptree resolve o meu problema de amontoar as coisas, um problema que os economistas chamam de "a coincidência dos quereres", em aproximadamente 60 segundos. O que é mais surpreendente é que ele imprime uma etiqueta de compra na hora, porque ele sabe o peso do objeto. Agora, há camadas de maravilhas técnico por trás de sites como o Swaptree, mas esse não é meu interesse, e nem o 'swap trading'' em si. Minha paixão, e a que me dediquei a pesquisar nos últimos anos, são os comportamentos cooperativos e a mecânica da confiança inerente a esses sistemas. Quando você pensa a respeito, teria parecido uma idéia louca, mesmo alguns anos atrás, que eu trocaria minhas coisas com um estranho cujo verdadeiro nome eu não sei e sem nenhuma troca financeira. Ainda assim, 99 porcento das trocas no Swaptree tem êxito. E o um por cento que é classifcado de forma negativa, é por razões relativamente pequenas, como o produto não chegar no prazo. Então o que está acontecendo aqui? Uma dinâmica extremamente poderosa que tem implicações comerciais e culturais enormes está em andamento. Especialmente, essa tecnologia está possibilitando confiança entre estranhos. Agora vivemos em uma vila global onde podemos imitar os tratos que costumavam acontecer cara a cara, mas em uma escala e de maneiras que nunca foram possíveis antes. Então o que está realmente acontecendo é que as redes sociais e as tecnologias em tempo real estão nos levando de volta. Estamos permutando, trocando, barganhando, compartilhando, mas eles estão sendo reinventados em formas dinâmicas e atraentes. O que acho fascinante é que nós conectamos nosso mundo para compartilhar, seja em nossa vizinhança, em nossa escola, em nosso escritório, ou em nossa rede no Facebook. E isso é criar uma economia em que o que é meu é seu. Do poderoso eBay, o avô dos mercados de troca, à empresas de compartilhamento de carros como a GoGet, onde você paga uma taxa mensal para alugar carros por hora, até plataformas sociais de empréstimo como a Zopa, que levarão qualquer um do auditório com $100 para emprestar, e ligá-los a alguém que precise em qualquer lugar do mundo, estamos compartilhando e colaborando de novo de maneiras que acredito serem mais modernas do que hippies. Eu chamo isso de tendência de consumo cooperativo. Agora antes de eu explorar os diferentes sistemas do consumo cooperativo, eu gostaria de tentar responder a pergunta que a todo autor é legitimamente perguntada, que é: de onde essa idéia veio? Eu gostaria de dizer que acordei uma manhã e disse, "Vou escrever sobre o consumo cooperativo." Mas na verdade foi uma rede complicada de idéias aparentemente desconexas. Pelo próximo minuto, vocês verão algo parecido com uma chuva de conceitos de todos os pontos que estiveram em minha cabeça. A primeira coisa que comecei a notar: quantos grandes conceitos estavam emergindo -- da sabedoria das multidões a grupos inteligentes -- e quão ridiculamente fácil é formar grupos por um motivo. E ligada a essa mania de multidões estavam exemplos por todo o mundo -- desde a eleição de um presidente até a infame WIkipedia, e tudo que permeia isso -- no que o poder dos números poderia realizar. Agora, sabem quando vocês aprendem uma nova palavra e ela começa a aparecer em todo lugar? Isso foi o que aconteceu comigo quando eu percebi que estávamos migrando de consumidores passivos para criadores, para colaboradores altamente capacitados. O que está acontecendo é que a Internet está removendo o intermediário, tanto que qualquer um desde um designer de camisas até um costureiro pode sobreviver vendendo diretamente ao consumidor. E a força onipresente dessa revolução da comunicação direta significa que o compartilhamento está acontecendo a taxas fenomenais. Quero dizer, é incrível pensar que, em cada minuto dessa fala, 25 horas de vídeos serão adicionados no YouTube. O que acho fascinante sobre esses exemplos é como eles estão realmente indo de acordo com nossos instintos primatas. Quero dizer, somos macacos, e nascemos e fomos criados para compartilhar e cooperar. E temos feito isso por milhares de anos, seja quando caçamos em grupo, ou cultivamos em cooperativas, antes do surgimento desse enorme sistema de consumo exacerbado e construímos essas cercas e criamos nossos próprios pequenos feudos. Mas as coisas estão mudando, e uma das razões são os nativos da era digital, ou geração-Y. Eles crescem compartilhando -- arquivos, jogos, conhecimento; isso é natual para eles. Então nós, os 'millennials' -- eu sou apenas uma 'millennial' -- somos como soldados de infantaria, nos mudando de uma cultura do 'eu', para uma cultura do 'nós'. O motivo pelo qual isso está acontecendo tão rapido é a colaboração móvel. Vivemos agora em uma era conectada onde podemos localizar qualquer um, a qualquer hora, em tempo real, de um pequeno aparelho em nossas mãos. Tudo isso estava passando por minha cabeça ao fim de 2008, quando, é claro, a grande crise financeira aconteceu. Thomas Friedman é um dos meus colunistas favoritos do New York Times, e ele comentou de forma pungente que 2008 foi quando batemos no muro quando a mãe natureza e o mercado ambos disseram, "Não mais." Agora nós sabemos que uma economia construída sobre o consumo exacerbado é uma fraude; é uma casa de cartas. Mesmo assim, é muito dificil para cada um de nós saber o que fazer. Então tudo isso é um monte de tuítes, certo? Bem foi muito barulho e complexidade na minha cabeça, até que eu percebi que tudo isso estava acontecendo por causa de 4 pontos chave. Um, uma crença renovada na importância da comunidade, a uma redefinição do que amigo e vizinho realmente significam. Uma torrente de redes sociais e tecnologias em tempo real, mudando fundamentalmente a maneira que nos comportamos. Três, preocupações ambientais não resolvidas E quatro, uma recessão global que chocou radicalmente comportamentos de consumo. Esses quatro pontos estão se fundindo e criando a grande mudança -- longe do século 20, definido pelo consumo exacerbado, em direção ao século 21, definido pelo consumo cooperativo. Eu acredito que estamos em um ponto de inflexão onde os comportamentos de partilha -- através de sites como o Flickr e o Twitter que estão se tornando uma segunda casa online -- estão sendo aplicados a áreas 'offlines' do nosso dia a dia. Da forma como nos deslocamos até o jeito que a moda é criada até a maneira como cultivamos comida, estamos consumindo e colaborando de novo. Então meu co-autor, Roo Rogers, e eu temos, na verdade, reunido milhares de exemplos de todas as partes do mundo do consumo cooperativo. E apesar deles variarem enormemente em escala de maturidade e propósito, quando nos mergulhamos neles, percebemos que eles poderiam realmente ser organizados em três sistemas. O primeiro são mercados de redistribuição. Mercado de redistribuição -- assim como o Swaptree -- é quando você pega um produto usado e o tira de um lugar onde ele não é necessário e leva para algum lugar onde ele é. Eles são crescentemente imaginados como os cinco 'R' -- reduzir, reutilizar, reciclar, reparar e redistribuir -- porque eles prolongam o ciclo de vida do produto e consequentemente reduzem a produção de lixo. O segundo são estilos de vida cooperativos. Esse é o compartilhamento de recursos tais como dinheiro, habilidades e tempo. Aposto que, em alguns anos, frases como trabalho em grupo e 'couch surfing' e bancos de tempo se tornarão parte do vernáculo do dia a dia. Um dos meus exemplos favoritos de estilos de vida cooperativos é chamado Landshare. É um esquema no Reino Unido que liga o Sr. Jones, com algum espaço livre no seu jardim, com a Sra. Smith, aspirante a agricultora. Juntos eles cultivam a própria comida. É uma dessas idéias simples, mas ainda assim brilhantes, que você se pergunta por que isso não foi feito antes. Agora o terceiro sistema é o sistema de serviços de produto. Esse é o lugar onde você paga pelo benefício do produto -- o que ele faz a você -- sem precisar ter o produto completamente, Essa idéia é particularmente poderosa para coisas que tem alta capacidade ociosa. E isso pode ser qualquer coisa, desde coisas para bebês para moda para -- Quantos de vocês tem uma furadeira? Possuem uma furadeira? Certo. Essa furadeira será usada por cerca de 12 a 13 minutos em toda sua vida útil. É meio ridículo, não é? Porque você precisa é do buraco, não da furadeira. Então por que você não aluga uma furadeira, ou, melhor ainda, aluga sua furadeira para outras pessoas e tira algum dinheiro disso? Esses três sistemas estão vindo juntos, permitindo às pessoas compartilhar recursos sem sacrificar seus estilos de vida, ou sua estimada liberdade pessoal. Não estou pedindo às pessoas para compartilharem gentilmente na caixa de areia. Então eu apenas quero lhes dar um exemplo de quão poderoso o consumo cooperativo pode ser para mudar comportamentos. O carro padrão custa $8. 000 por ano para rodar. Mesmo assim esse carro fica ocioso 23 horas por dia. Então quando você considera esses dois fatos, começa a fazer um pouco menos de sentido o fato de termos de ter um carro imediatamente. Então é aí que as empresas de compartilhamento de carros como a Zipcar e a GoGet entram. Em 2009, a Zipcar levou 250 participantes de 13 cidades -- e todos são viciados confessos em carros e iniciantes no compartilhamento de carros -- e os levou a desistir das suas chaves por um mês. Ao invés disso, essas pessoas teriam de andar, pedalar, pegar um trem, ou outras formas de transporte público. Elas apenas poderiam usar sua conta no Zipcar quando absolutamente necessário. Os resultados desse desafio após apenas um mês foram surpreendentes. É incrível que 187 kg foram perdidos apenas do exercício extra. Mas minha estatística favorita é que 100 dos 250 paricipantes não quiseram suas chaves de volta. Em outras palavras, os viciados em carro tinham perdido seu desejo de possuir. Sistema de serviços de produtos têm estado por aí há anos. Pense nas bibliotecas e nas lavanderias. Mas eu acho que elas estão entrando em uma nova era, porque a tecnologia torna a partilha suave e engraçada. Há uma citação ótima que foi escrita no New York Times que dizia, "Compartilhar está para posse assim como o iPod está para a fita cassete, como a energia solar está para a mina de carvão." Eu acredito também que, nossa geração, nossa relação em satisfazer o que queremos está muito menos tangível do que em qualquer outra geração anterior. Eu não quero o DVD, quero o filme que ele contém. Eu não quero uma desajeitada secretária eletrônica, eu quero a mensagem que ela gravou. Eu não quero um CD, quero a música que ele toca. Em outras palavras, eu não quero coisas, eu quero as necessidades ou experiências que elas proporcionam. Isso está abastecendo uma mudança maciça onde o uso supera a posse -- ou como Kevin Kelly, o editor da revista Wired, coloca: "Onde o acesso é melhor que a posse." Agora, a medida que nossas propriedades desmaterializam na nuvem, uma linha embaçado está aparecendo entre o que é meu, o que é seu e e o que é nosso. Quero lhes dar um exemplo que mostra a rapidez com que isso tem acontecido. Isso representa um intervalo de tempo de oito anos. Fomos da tradicional posse de um carro à empresas de compartilhamento de carros -- como a Zipcar e GoGet -- até plataformas de compartilhamento de veículos que ligam veículos a mais nova entrada, que é o aluguel de carro diretamente, onde você pode realmente ganhar dinehiro alugando aquele carro que fica ocioso 23 horas por dia ao seu vizinho. Agora todos esses sistemas requerem um grau de confiança, e a base para que isso funcione é reputação. Agora no sistema de consumo antigo, nossa reputação não importava muito, porque nossa saúde financeira era muito mais importante que qualquer tipo de avaliação pessoal. Mas agora com a Web, deixamos um rastro. Cada spammer que denunciamos cada ideia que divulgamos, comentários que compartilhamos, estamos realmente sinalizando a qualidade da nossa colaboração, e se somos ou não confiáveis. Voltemos ao meu primeiro exemplo, Swaptree. Posso ver que o Rondoron já realizou 553 trocas com uma taxa de sucesso de 100 por cento. Em outras palavras, eu posso confiar nele. Agora, prestem atenção, é uma questão de tempo antes que sejamos capazes de pesquisar no Google e termos uma foto cumulativa da nosso capital de reputação. E esse capital de reputação vai determinar nosso acesso ao consumo cooperativo. É uma nova moeda social, de certa forma, que pode se tornar tão importante quanto nossa avaliação de crédito. Agora como um pensamento para fechar, eu acredito que realmente estamos em um período em que estamos acordando dessa ressaca enorme do vazio e do desperdício, e estamos dando um salto para criar um sistema mais sustentável construído para servir às nossas necessidades inatas pela comunidade e identidade individual. Eu acredito que ele vai ser citado como uma revolução, de certa forma -- quando a sociedade, encarando grandes desafios, fez uma mudança sísmica do pegar e gastar individual para o redescobrimento do bem coletivo. Estou em uma missão para tornar o compartilhamento legal. Estou em uma missão para o tornar moderno. Porque eu realmente acredito que ele pode desfazer modos de negócios obsoletos, nos ajudar a saltar sobre formas de consumo exacerbado ineficazes e nos ensinar quando o suficiente realmente é suficiente. Muito obrigada.
pt
476
Vou mostrar algumas imagens do que eu considero ser as cidades do amanhã. Esta é Kibera, a maior favela em Nairobi. Esta é a favela em Sanjay Gandhi National Park em Bombaim, Índia, chamada de Mumbai agora. Esta é a Rocinha, a maior e mais urbanizada favela no Rio de Janeiro. E esta é Sultanbelyi, uma das maiores comunidades em Istambul. Elas são o que considero ser as cidades do amanhã, o novo mundo urbano. Mas por que eu digo isso? Para falar disso, preciso falar sobre este cara aqui, O nome dele é Julius. Conheci Julius na última semana em que vivi em Kibera. Eu morei lá por quase três meses, e eu andava pela cidade visitando diferentes favelas e o Julius andava junto comigo, e ele estava impressionado e em certos momentos nós andávamos e ele segurava minha mão por apoio, algo que a maioria dos quenianos jamais fariam. Eles são muito educados e não fariam este gesto tão cedo. E eu descobri que era o primeiro dia de Julius em Nairobi, e ele é um de muitos. Cerca de 200 mil pessoas por dia migram das áreas rurais para as urbanas. E eu serei justo com as estatísticas mostradas esta manhã: não é quase 1, 5 milhão de pessoas por semana, mas sim quase 1, 4 milhão de pessoas. Como sou jornalista e nós exageramos. quase 1, 5 milhão de pessoas por semana, cerca de 70 milhões de pessoas por ano. E se fizermos os cálculos, são 130 pessoas por minuto. Então, em cerca de 18 minutos de duração da palestra aqui, entre 2 mil e 3 mil pessoas terão ido para as cidades. E aqui estão as estatísticas. Hoje -- um bilhão de pessoas em favelas, uma em cada seis pessoas no planeta. Em 2030 -- dois bilhões, uma em quatro pessoas no planeta. E é estimado que em 2050 serão três bilhões de pessoas. Uma em cada três pessoas no planeta. Estas são as cidades do futuro e temos que engajá-las. E estava pensando esta manhã na boa vida, e antes de mostrar o resto da minha apresentação, vou quebrar as regras do TED e ler uma parte tirada do meu livro o mais rápido possível. Pois acho que diz algo sobre reverter nossa percepção do que achamos ser a boa vida. "O barraco era feito de metal enrugado, em uma placa de concreto. Era um espaço de 3m por 3m. Armstrong O'Brian Jr dividia com outros três homens. Armstrong e seus amigos não tinham água, eles compravam de uma torneira de um vizinho. Sem banheiro, as famílias nesta área dividiam uma latrina e sem esgoto ou saneamento. Eles tinham eletricidade, mas era um "gato" que só tinha energia para uma lâmpada fraca. Esta era Southland, uma comunidade carente na parte oeste de Nairobi, Quênia. Mas poderia ser em qualquer lugar da cidade, pois mais da metade de Nairobi vive desta maneira. 1. 5 milhão de pessoas amontoadas em barracos de lama ou metal sem serviços, sem banheiros, sem direitos. Armstrong explicou a dura realidade da situação deles, eles pagavam 1. 500 shillings de aluguel -- 20 dólares por mês um preço relativamente alto para uma favela no Quênia, e eles não podiam atrasar o aluguel. 'Se você atrasa um mês, o dono vem com seus capangas e expulsam todos. Ele confisca suas coisas', disse Armstrong. 'Não um mês, um dia,' disse o colega Hilary Kibagendi Onsomu, que cozinhava ugali, uma mistura esponjosa de fubá que é a principal comida do país. Eles chamavam o dono do barraco de Wabenzi, uma pessoa que tem dinheiro suficiente para dirigir um Mercedes-Benz. Hilary servia o ugali com uma fritada de carne e tomates, o sol era forte sobre o fino telhado de aço, e suávamos enquanto comíamos. Depois que terminamos, Armstrong ajeitou a gravata, vestiu uma jaqueta esporte de lã e seguimos pelo clarão. Lá fora uma montanha de lixo separava Southland e a vizinhança legalizada de Langata. Tinha talvez 2, 5m de altura, 12m de comprimento e 3m de largura. E ficava em um lodaçal mais largo. Ao passarmos, vimos dois meninos escalar o monte Quênia de lixo. Eles não tinham mais do que cinco ou seis anos. Estavam descalços, e a cada passo seus pés afundavam no lodo espantando centenas de moscas que estavam sobre a pilha. Achei que eles estavam brincando de "O Rei do Pedaço", mas estava errado. Uma vez no topo, um dos garotos baixou os shorts, se agachou e defecou. As moscas vieram famintas para as suas pernas. Quando 20 famílias -- cerca de 100 pessoas -- dividem uma latrina, um garoto defecando numa pilha de lixo não é grande coisa. Mas era um tremendo contraste do que Armstrong disse enquanto comíamos -- que ele gostava da qualidade de vida da sua vizinhança. Para Armstrong, Southland não era constrangida pelas condições materiais. Ao invés, o espírito humana radiava das paredes de metal e pilhas de lixo para oferecer algo que nenhuma comunidade legalizada podia -- liberdade. 'Este lugar é muito viciante,' disse ele. 'É uma vida simples, mas ninguém tem restrições. Ninguém controla o que você faz. Uma vez que você fica aqui, não quer voltar atrás.' Ele quis dizer "atrás", além da montanha de lixo, para a cidade legal, os prédios legais, com aluguel e direitos legais. 'Uma vez que você fica aqui,' ele disse, você pode ficar pelo resto da vida'." Ele tem esperança, e é daí que estas comunidades começam. Esta é talvez a comunidade mais primitiva que se vê em Kibera, um pouco mais de um barraco de pau e lama perto de um monte de lixo. Este está sendo preparado para as monções em Bombaim, Índia. Isto é uma boa reforma! Colocar plástico sobre o telhado. Isto é no Rio de Janeiro e está ficando melhor, certo? Vemos pedaços de telhas e pequenos pedaços de placas, e reboco sobre os tijolos, alguma cor, e esta é a casa de Sulay Montakaya em Sultanbelyi, e fica ainda melhor. Ele tem uma cerca, conseguiu uma porta. E tem telhas novas no telhado. E então temos a Rocinha e vemos que está ficando ainda melhor. As casas aqui têm vários andares. Elas desenvolvem -- podemos ver no lado direito uma que parece estar empilhada sobre outra, peça sobre peça, sobre peça. E o que fazem é contruir suas casas em um ou dois andares e então vendem os direitos de sua laje, e outra pessoa constrói em cima de sua casa, e então esta pessoa vende a sua laje, e outra pessoa constrói em cima de sua casa. Todas as construções são feitas de concreto reforçado e tijolo. E então vemos Sultanbelyi, na Turquia, onde até é construído com um certo design. O que vemos na frente é espuma de colchão, e vemos isso por toda Turquia. As pessoas secam ou arejam a espuma nos telhados. Mas o prédio verde, atrás, vemos que o topo não está ocupado, as pessoas constroem com a possibilidade de expansão. E é construído em um alto padrão de design. E finalmente vemos casas como esta, construída no modelo "classe-média". É a casa de somente uma família na comunidade. Também fica em Istambul, Turquia. São lugares muito vivos, estas comunidades. Esta é a rua principal da Rocinha, a Estrada da Gávea, e tem uma linha de ônibus que atravessa, muitas pessoas na rua. Estas comunidades nestas cidades são mais vivas do que as comunidades ilegais. Mais coisas acontecem por lá. Este é um típico caminho na Rocinha -- um beco -- é assim que se anda pela comunidade. Fica em terreno bem íngrime. São construídos nos morros, fora das praias do Rio, e vemos que as casas são apoiadas sobre obstruções naturais. Esta é uma pedra sobre o morro. E os becos são geralmente lotados, e as pessoas levam móveis para cima, geladeiras, todo o tipo de coisa. Cerveja é carregada sobre os ombros. Cerveja é algo muito importante no Brasil. Este é um comércio no Quênia, ao longo dos trilhos do trem, tão perto dos trilhos que os vendedores precisam tirar a mercadoria do caminho. Este é um mercado, também no Quênia, Mercado Toi, muitos vendedores, tudo o que você queira comprar. As coisas verdes no chão são mangas. Esta é uma rua de compras em Kibera, e vemos um vendedor de refrigerante, um posto de saúde, dois salões de beleza, um bar, dois mercadinhos, uma igreja, e muito mais. É uma típica rua central, só que foi contruída à revelia. Isto aqui, no lado direito da tela, é chamado -- se olharem as letras pequenas sob o toldo -- é um hotel. E no Quênia e Índia, hotel significa um lugar para comer. Então, é um restaurante. As pessoas roubam eletricidade -- isto é o Rio. As pessoas fazem um "gato" e há ladrões chamados de grilos que roubam a eletricidade e conectam a vizinhança. As pessoas queimam os resíduos para se livrarem do lixo, e cavam seus próprios esgotos. Há mais sacolas plásticas do que plâncton, e às vezes há o lixo natural. E quando têm mais dinheiro eles cimentam as ruas, e colocam esgotos e tubulações de água e coisas do gênero. Isto é água no Rio, pessoas colocam as tubulações por todos os lados, e aquele barraco tem uma bomba, e é isso que eles fazem. Roubam eletricidade, instalam bombas e pegam água da tubulação geral e bombeiam para as casas. Então, a questão é como vamos da vila de barracos de lama, para uma cidade mais desenvolvida, para a ainda mais desenvolvida Sultanbelyi? Digo que há duas coisas. Pessoas precisam garantia de que não serão despejadas. Isto não significa necessariamente direitos de propriedade, e eu discordo de Hernando de Soto nesta questão, pois propriedade cria muitas complicações, são vendidas para as pessoas e elas acabam endividadas e precisam pagar as dívidas, e às vezes têm que vender sua propriedade para poder pagar as dívidas. Há várias outras razões que propriedade às vezes não funciona nestes casos, mas eles precisam de algum seguro de propriedade. E pecisam de acesso à política, e isso significa duas coisas. Significa comunidade se organizando de baixo, mas também significa possibilidades de cima. E digo isso porque o sistema na Turquia é notável. A Turquia tem duas leis que protegem os moradores. Uma delas, chamada gecekondu em turco, que significa "contruir durante a noite", e se você faz isso na Turquia, você não pode ser despejado sem um processo, se não o pegarem durante a noite. E outra é que quando você tem 2. 000 pessoas na comunidade, você pode entrar com uma petição para ser reconhecido como uma sub-municipalidade legal. E quando se é uma sub-municipalidade legal, de repente há política. Você pode ter um governo eleito, recolher impostos, oferecer serviços municipais e é isso que eles fazem. Então, estes são os líderes civis do futuro. A mulher no centro é Geeta Jiwa. Ela vive uma dessas tendas na estrada em Bombaim. Esta é Sureka Gundi, vive com a família numa tenda ao longo da estrada. Elas são muito diretas, muito ativas. Elas podem ser líderes comunitárias. Esta é Nine, que significa avó em turco, e tinham três senhoras que viviam -- esta é sua casa atrás -- e elas vivem lá há 30 ou 40 anos, e elas são a espinha dorsal da comunidade. Este é Richard Muthama Peter, ele é um fotógrafo itinerante em Kibera. Ele ganha a vida tirando fotos da vizinhança, e das pessoas da vizinhança, e é um grande recurso na comunidade. E finalmente meu candidato para prefeito do Rio é Zezinho, o vendedor de frutas com seus dois filhos, e não conheço homem mais honesto, generoso e bondoso. O futuro dessas comunidades está nas pessoas e na nossa habilidade de trabalhar com elas. Então a mensagem que tiro, do que eu li do livro, do que Armstrong disse, e de todas essas pessoas, é que essas são vizinhanças. A questão não é pobreza urbana. A questão não é o que é englobado. A questão é que temos que reconhecer estas comunidades. Esta é uma forma legítima de desenvolvimento urbano, e as cidades devem engajar esses residentes, pois eles estão construindo as cidades do futuro. Muito obrigado.
pt
477
Meu nome é Joseph, sou membro do Parlamento no Quênia. E imagine uma vila em Masai. Uma noite, os soldados do governo chegaram cercando a vila, e pediram que cada ancião trouxesse um garoto para a escola. Foi desta forma que entrei para a escola -- basicamente um cara do governo apontou uma arma e falou para o meu pai, "Faça sua escolha.". Então eu fui confortavelmente para esta escola missionária, que era dirigida por um missionário americano, e a primeira coisa que o missionário americano meu deu foi um doce. Eu nunca tinha provado um doce em toda a minha vida. Então eu falei para mim mesmo, entre várias centenas de garotos, aqui é o meu lugar. Então eu fiquei, enquanto todos os outros abandonavam os estudos. Minha família se mudou. Nós éramos nômades. Toda a vez que a escola fechava, era uma espécie de internato, e eu tinha 7 anos, você tinha que viajar até encontrar sua família. 80 Km, 60 Km, não importava. Você dorme no arbusto, mas você continua indo. Mas eu fiquei. Eu não sei por que fiquei, mas fiquei. E de repente, eu passei no exame nacional, e lá estava eu numa bela escola secundária no Quênia. E terminei o segundo grau. E estava apenas andando quando encontrei um homem que me deu uma bolsa para estudar nos Estados Unidos. Minha mãe ainda vivia em um barraco de esterco, nenhum dos meus irmãos iam para escola e este homem me disse, "Aqui, vá." Então eu ganhei a bolsa para a Universidade de Saint Lawrence, ao norte de Nova Iorque. Terminei a universidade, e fui para Harvard. Terminado Harvard, trabalhei um pouquinho em Washington DC. Escrevi um livro para a National Geographic, e ensinei História dos EUA. E cada vez que eu voltava para casa, eu ouvia os problemas destas pessoas, doentes, sem água, todas estas coisas. E cada vez que retornava aos EUA, eu ficava pensando sobre tudo aquilo. Então um dia, um ancião me contou uma história, e esta história é algo assim: Há muito tempo atrás, havia uma grande guerra entre as tribos. E havia uma tribo que tinha muito medo de uma outra tribo, chamada Luhya. E toda vez eles enviavam vigilantes para terem certeza de que não seriam atacados. Então um dia, os vigilantes voltaram correndo para alertar aos da vila, "Os inimigos estão vindo e em apenas meia hora estarão aqui." Então o povo correu, juntou suas coisas de pronto e partiu. Mas havia dois homens, um era cego, o outro não tinha pernas desde o nascimento. O líder da tribo disse, "Não, lamento, não podemos levá-los, vocês irão nos atrasar. Temos que fugir com nossas mulheres e crianças, precisamos correr." E foram deixados para trás, esperando a morte. Mas este dois homens pensaram em algo. O cego disse, "Veja, eu sou um homem muito forte, mas não posso enxergar." O homem sem pernas disse, "Eu posso ver tão longe quanto o fim do mundo, mas não posso correr nem mesmo de um gato, ou qualquer animal." Então o homem cego abaixou-se, meio assim, e falou para o homem sem pernas para arragar-se às suas costas. O homem nas costas pode ver, o homem cego pode andar. E estes dois homens fugiram, seguindo as pegadas do seu povo, até que os encontraram e passaram à frente deles. E isto me foi contado numa reunião de anciões. E é realmente uma área muito pobre, eu represento o norte do Quênia -- a maioria são nômades de áreas tão remotas que você não consegue encontrar. E o ancião me falou, "Então, aqui está você, você teve uma boa educação nos Estados Unidos, você tem uma boa vida nos Estados Unidos, o que você fará por nós? Queremos que você seja nossos olhos, nós te daremos as pernas. Nós te levamos, você nos guia." Então a oportunidade veio, e eu fiquei sempre pensando sobre aquilo, como posso ajudar meu povo? Toda vez que você vai a um lugar com 43 anos de independência, mas nós ainda não temos a infraestrutura básica de saúde. Uma pessoa precisa ser transportada em uma carroça por 20, 30 quilômetros até um hospital. Sem água potável. Então eu falei, "Vou dedicar minha vida, vou me mudar dos EUA. Vou concorrer na eleição do Quênia." Então em julho passado -- Eu saí dos EUA em junho, concorri a eleição em julho no Quênia e fui eleito. E eu vim por eles, esse é meu objetivo. E justamente agora, me encarreguei nestes nove meses do plano para que em 5 anos, cada nômade tenha água potável para beber. Estamos construindo postos de saúde naquela região. Eu peço ajuda aos meus amigos americanos trazendo enfermeiros e médicos para nos auxiliar. Estou tentando melhorar a infraestrutura. Estou usando o conhecimento que recebi nos Estados Unidos e da minha comunidade para dar lhes progresso. Estou tentado desenvolver soluções caseiras para nossos problemas. Porque sabemos, entendemos que pessoas de fora podem vir e nos ajudar, mas se nós não ajudarmos a nós mesmos, nada poderemos fazer. Então meu plano agora, eu continuo iniciando estudantes em diferentes áreas de estudo -- alguns serão médicos, outros advogados -- queremos formar um grupo de pessoas abrangente, estudantes, que possam voltar e ajudar nossa comunidade a crescer isto tudo no meio desta enorme recessão econômica. Então eu continuo como um membro do Parlamento, e eu continuo escutando o que vocês dizem sobre botânica, sobre saúde, sobre democracia, sobre novas invenções, Eu espero que um dia, em minha pequena comunidade -- que tem 26 mil quilômetros quadrados, talvez 5 vezes o tamanho de Rhode Island, sem estradas -- seremos capazes de nos tornar um modelo que ajude outros a se desenvolverem. Muito obrigado.
pt
478
A menos que façamos algo para prevenir, nos próximos 40 anos enfrentaremos uma epidemia de doenças neurológicas em escala global. Numa perspectiva animadora. Neste mapa, cada país pintado de azul tem mais de 20% de sua população com idade acima de 65. Este é o mundo em que vivemos. E este é o mundo em que nossos filhos viverão. Por 12. 000 anos, a distribuição etária na população humana pareceu como uma pirâmide, com os mais velhos no topo. Ela está achatando. Em 2050, será uma coluna e começará a inverter. Isto é o que está acontecendo. A média de vida mais do que dobrou 1840, e está crescendo atualmente na taixa de aproximadamente cinco horas por dia. E é por esta razão que isto não é inteiramente bom: porque acima dos 65 anos, seu risco de contrarir Alzheimer ou Parkinson aumenta exponencialmente. Em 2050, serão cerca de 32 milhões de pessoas nos EUA com 80 anos, e a menos que façamos algo sobre isto, metade deles terá Alzheirmer e três milhões terão Parkinson. No momento, estas e outras doenças neurológicas -- para as quais não temos cura ou prevenção -- custam em torno de trezentos e trinta bilhões de dólares por ano. Este valor será bem maior do que um trilhão de dólares em 2050. A doença de Alzheimer inicia quando a proteína que deveria ser dobrada apropriadamente, dobra-se em um tipo de origami monstruoso. Então uma abordagem que estamos usando é criar drogas que funcionem como uma fita adesiva molecular, para manter a proteína na forma apropriada. Isto evitaria de formar as degenerações que parecem matar grandes sessões do cérebro quando acontecem. De forma interessante, outras doenças neurológicas que afetam partes bem diferentes do cérebro também mostram degenerações por proteínas mal dobradas, o que sugere que a abordagem tomada pode ser usada de forma geral, e poderá ser o meio de curar muitas doenças neurológicas, não apenas Alzheimer. Há também uma conexão fascinante com o câncer aqui, porque pessoas com doenças neurológicas têm uma incidência muito baixa da maioria dos tipos de câncer. E esta é uma conexão que a maioria das pessoas não estão estudando no momento, mas pela qual estamos fascinados. Os trabalhos mais importantes e mais criativos nesta área são financiados por filantropos privados. E há uma grande necessidade de ajuda privada aqui, porque o governo deixou a bola cair em muitas destas questões, infelizmente. Enquanto isso, enquanto esperamos por todas estas coisas acontecerem, aqui está o que vocês podem fazer por si mesmos. Se você quer diminuir o seu risco de contrair Parkinson, a cafeína protege até um certo ponto, ninguém sabe por quê. Ferimentos na cabeça são ruins para você. Podem levar a ter Parkinson. A febre aviária também não é uma boa idéia. Para se proteger contra Alzheimer, bem, descrobiu-se que óleo de peixe tem o efeito de reduzir o seu risco de contrair Alzheimer. Você também deveria manter sua pressão sangüínea baixa, porque pressão alta crônica é o maior fator de risco individual para Alzheimer. É também o maior fator de risco para glaucoma, que é nada mais do que a Alzheimer do olho. E claro, quando se fala dos efeitos cognitivos, "use ou atrofia" se aplica, então você vai querer manter-se mentalmente estimulado. Mas, ei, você está me ouvindo. Então você tem esta parte garantida. E um item final. Desejem sorte para pessoas como eu, certo? Porque o relógio está rodando para todos nós. Obrigado.
pt
479
Eu sou um vigário da Igreja da Inglaterra. Eu já sou vigário há 20 anos. Na maior parte do tempo, eu venho lutando e me abraçando com perguntas a respeito da natureza de Deus. Quem é Deus? E eu sei muito bem que quando você fala a palavra Deus, muita gente vai se fechar imediatamente. E a maioria das pessoas, dentro e fora da igreja organizada, ainda tem uma imagem de um controlador celestial um fazedor de regras, um policial no céu que manda em tudo e que faz tudo acontecer. Ele vai proteger o seu povo, e vai responder às preces dos crentes. E na adoração da minha igreja, o adjetivo mais frequentemente usado a respeito de Deus é "todo poderoso". Mas eu tenho um problema com isso. Eu tenho ficado cada vez mais incomodado com essa percepção de Deus ao longo dos anos. Será que a gente acredita mesmo nesse tipo de Deus chefão que nós viemos mostrando nas nossas liturgias e louvores ao longo dos anos? É claro, existiram pensadores que tem sugerido maneiras diferentes de olhar para Deus. Explorando o lado feminino e cuidadoso da divindade. Sugerindo que Deus expressa-se através da impotência ao invés do poder. Reconhecendo que Deus é desconhecido e incompreensível por definição. Encontrando profundas ressonâncias com outras religiões e filosofias e maneiras de olhar para a vida como parte dessa global e universal busca por sentido. Essas idéias são bem conhecidas nos círculos acadêmicos liberais, mas os cléricos como eu tem sido relutantes em divulgá-las, por medo de criar uma tensão ou divisão nas comunidades de nossa igreja; por medo de aborrecer a fé simples dos crentes mais tradicionais Eu escolhi não agitar muito as coisas. Então, em 26 de dezembro do ano passado, apenas dois meses atrás, um terremoto sub-aquático deflagrou o tsunami. E duas semanas depois, numa manhã de domingo, 9 de janeiro, eu estava de frente para minha congregação -- gente Cristã inteligente, bem intencionada, esclarecida -- e eu precisava expressar, em nome deles, nossos sentimentos e nossos questionamentos. Eu tinha minhas respostas pessoais, mas eu também tinha um papel público, e algo precisava ser dito. E foi isso o que eu disse. Logo após o tsunami eu li um artigo num jornal escrito pelo Arcebispo de Canterbury -- belo cargo -- a respeito da tragédia no sul da Ásia. Em essência o que ele dizia era isso: Que as pessoas mais afetadas pela devastação e perda de vidas não precisavam de teorias intelectuais a respeito de como Deus deixou que isso acontecesse. Ele escreveu, "Se algum gênio religioso vier com uma explicação de como exatamente todas essas mortes fazem sentido, será que vamos nos sentir mais felizes, mais seguros ou mais confiantes em Deus?" Se o homem na foto que apareceu nos jornais, segurando a mão de seu filho morto estivesse em pé a nossa frente agora, não ia ter palavras que nós pudéssemos dizer a ele. Uma resposta verbal não seria apropriada. A única resposta apropriada seria um silêncio com compaixão e algum tipo de ajuda prática. Não é o momento de uma explicação, ou de pregação ou de teologia. É um momento para lágrimas. É verdade. E ainda assim, aqui estamos, minha igreja em Oxford, meio que desligados dos eventos que aconteceram bem longe daqui, mas com a nossa fé arranhada. E nós queremos uma explicação de Deus. Nós exigimos uma explicação de Deus. Alguns chegaram a conclusão que só podemos acreditar num Deus que compartilha a nossa dor. De algum jeito, Deus deve sentir a angústia, e a mágoa, e a dor física que nós sentimos. De algum jeito, o Deus eterno deve ser capaz de entrar na alma dos seres humanos e experimentar o tormento que tem lá dentro. E se isso for verdade, então Deus também conhece o júbilo e a exaltação do espírito humano. Nós queremos um Deus que possa chorar junto com aqueles que choram, e rejubilar-se com aqueles que se rejubilam. Isso parece-me ao mesmo tempo uma manifestação profundamente tocante e convincente da crença cristã em Deus. Por centenas de anos, a ortodoxia prevalecente, a verdade geralmente aceita, era que Deus Pai, o Criador, é imutável e portanto, por definição, não pode sentir dor ou tristeza. Agora o Deus imutável me parece um tanto frio e indiferente para mim. E os eventos devastadores do século XX forçaram as pessoas a questionarem esse Deus frio, insensível. O assassinato de milhões nas trincheiras e nos campos de extermínio levaram as pessoas a questionar, onde está Deus diante disso tudo? Quem é Deus nisso tudo? E a resposta era, "Deus está conosco, ou Deus não merece mais nossa submissão." Se Deus é um espectador, que observa mas não se envolve, então Deus pode até existir, mas nós não queremos saber dele. Muitos judeus e cristãos sentem-se assim agora, eu sei. Estou entre eles. Então nós temos um Deus que sofre. Um Deus que está intimamente conectado com esse mundo, e com cada alma vivente. Eu me identifico com essa idéia de Deus. Mas não é suficiente. Eu preciso fazer mais perguntas, e eu espero que estas sejam questões que alguns de vocês também queiram fazer. Ao longo das últimas semanas eu fui afetado pelo número de vezes que as palavras em nosso louvor pareciam um tanto inapropriadas, um pouco conversa mole. Nós temos uma missa na praça nas manhãs de terça-feira para mães e seus filhos em idade pré-escolar. E na semana passada nós cantamos com as crianças um dos hinos favoritos, "O Sábio construiu sua casa sobre a rocha." Talvez alguns de vocês conheçam. A letra diz algo mais ou menos assim: "O homem tolo construiu sua casa sobre a areia/ e as cheias vieram/E a casa sobre a areia ruiu." Então, na mesma semana, num funeral, nós cantamos o familiar hino "Nós aramos a terra e espalhamos", um hino bem Inglês. No segundo verso temos "O vento e as ondas obedecem a Ele." Será que obedecem? Eu não acho que podemos cantar essa canção de novo numa igreja, depois do que aconteceu. Então a primeira grande pergunta é a respeito de controle. Será que Deus tem um plano para cada um de nós? Deus está no controle? Deus ordena cada momento? Será que os ventos e as ondas obedecem a Ele? De tempos em tempos, ouvimos cristãos contando histórias de como Deus organizou as coisas para eles, para que tudo terminasse bem. Alguma dificuldade superada, alguma doença curada, algum problema evitado, uma vaga de estacionamento encontrada num momento crucial. Me lembro de uma mulher dizendo para mim, com seus olhos brilhando de entusiasmo com a maravilhosa confirmação de sua fé e da bondade de Deus. Mas se Deus é capaz de fazer ou se fará essas coisas -- intervir para mudar o fluxo dos eventos -- então ele com certeza poderia ter parado o tsunami. Será que temos um Deus local que pode fazer pequenas coisas como achar uma vaga no estacionamento mas não coisas grandes como uma onda de 800km/h? Isso simplesmente não é aceitável para cristãos inteligentes, e nós temos que reconhecer isso. Ou Deus é responsável pelo tsunami, ou Deus não está em controle. Depois da tragédia, histórias de sobrevivência começaram a aparecer. Você provavelmente ouviu algumas delas. Um homem que surfou a onda. Uma adolescente que percebeu o perigo porque ela tinha acabado de aprender sobre tsunamis na escola. E teve aquela congregação que saiu do prédio usual da igreja a beira-mar para fazer a missa nas colinas. O pastor ministrou um sermão extra longo, de modo que eles ainda estavam fora de perigo quando a onda veio. Depois alguém disse que Deus devia estar olhando por eles. Então a próxima pergunta é sobre parcialidade. Podemos merecer os favores de Deus por adorá-lo ou acreditar nele? Será que Deus demanda lealdade, como um tirano medieval? Um Deus que olha pelos seus filhos, de modo que os cristãos ficam OK, enquanto todos os outros perecem? Um "nós x eles" cósmico, um Deus que é culpado do pior tipo de favoritismo? Isso seria apavorante, e esse seria o ponto em que eu cancelaria a minha afiliação. Tal Deus seria moralmente inferior aos mais altos ideais da humanidade. Então, quem é esse Deus senão o grande marionetista ou o protetor tribal? Talvez Deus permita que tais coisas aconteçam para que o heroísmo e a compaixão possam ser demonstrados. Talvez Deus esteja testando a gente: testando nossa caridade, ou nossa fé. Talvez haja um grande plano cósmico que permita sofrimento horrível para que tudo fique OK no fim. Talvez, mas essas idéias são apenas variações sobre o tema de Deus controlando tudo. Um comandante supremo brincando com unidades descartáveis numa grande campanha. Nós ainda ficamos com um Deus que pode fazer um tsunami e permitir Auschwitz. No seu grande romance, "Os irmãoz Karamazov", Dostoevsky dá essas falas a Ivan, quando ele fala a seu ingênuo e devotado irmão mais novo, Alyosha: "Se o sofrimento de crianças entra na soma de sofrimentos necessários para a compra da verdade, então eu digo logo que toda a verdade não vale esse preço. Não podemos pagar tão caro por essa entrada. Não é a Deus que eu não aceito. Eu meramente, e muito respeitosamente, devolvo a Ele o ingresso." Ou talvez Deus pôs o mundo a funcionar no começo e depois renunciou ao controle, para sempre, para que os processos naturais pudessem ocorrer e a evolução seguisse seu curso. Parece mais aceitável, mas ainda assim deixa para Deus a responsabilidade moral final. Será que Deus é um espectador frio e insensível? Ou um amante impotente, assistindo com uma compaixão infinita as coisas que Deus é incapaz de controlar ou alterar? Será que Deus está intimamente envolvido no nosso sofrimento, de modo que Ele sente em Seu próprio ser? Se acreditarmos nisso, temos que abandonar completamente o marionetista, tirar umas férias do controlador todo-poderoso, abandonar os modelos tradicionais. Precisamos pensar novamente sobre Deus. Talvez Deus não faça coisa alguma. Talvez Deus não seja um agente assim como nós somos agentes. O pensamento religioso mais antigo concebia Deus como um tipo de pessoa super-humana, fazendo coisas em todo os lugares. Derrotando os egípcios, afogando-os no Mar Vermelho, devastando cidades, ficando com raiva. O povo conhecia seu Deus através de seus atos poderosos. Mas e se Deus não age? E se Deus não faz coisa alguma? E se Deus estiver nas coisas? A alma amorosa do universo. Uma presença piedosa que habita e sustenta todas as coisas. E se Deus estiver nas coisas? Na infinitamente complexa rede de relações e conexões que constituem a vida. No ciclo natural de vida e morte, na criação e destruição que devem acontecer continuamente. No processo de evolução. Na incrível e magnífica complicação do mundo natural. No inconsciente coletivo, a alma da raça humana. Em você, em mim; mente, corpo e espírito. No tsunami, nas vitimas. No âmago das coisas. Na presença e na ausência. Na simplicidade e na complexidade. Na mudança, no desenvolvimento e no crescimento. Como essa permeabilidade, essa penetração, essa interioridade de Deus funciona? É difícil de conceber e clama por mais perguntas. Será Deus apenas outro nome para o universo, sem existência independente alguma? Eu não sei Até onde podemos atribuir uma personalidade a Deus? Eu não sei No fim, temos que dizer, "Eu não sei." Se soubéssemos, Deus não seria Deus. Ter fé nesse Deus seria mais como confiar numa benevolência essencial no universo, e menos como acreditar num sistema doutrinário de afirmações. Não é irônico que os cristãos afirmem acreditar num ser infinito, desconhecido, e depois limitem Deus a um sistema fechado e a doutrinas rígidas? Como alguém pode praticar essa fé? Através da busca do Deus interior. Cultivando minha própria interioridade. Em silêncio, em meditação, no meu interior, no meu eu que sobra quando eu gentilmente coloco de lado as emoções passageiras, idéias e preocupações. Na conscientização dessa conversa interior. E como é que poderíamos viver essa fé? Como eu poderia viver essa fé? Buscando uma conexão íntima com nossa essência. O tipo de relacionamento que o profundo fala ao profundo. Se Deus está em todas as pessoas, então existe um ponto de encontro onde a minha relação com você se torna um encontro a três. Existe uma saudação indiana, que eu tenho certeza que alguns de vocês conhecem: "Namastê", acompanhada de uma respeitosa reverência, que traduzida rusticamente significa "O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você." Namastê. E como alguém pode aprofundar essa fé? Buscando a essência que há em todas as coisas. Na música e poesia, no mundo natural de beleza e nas coisas simples da vida existe uma presença profunda que as habita e que as torna excepcionais. Isso requer uma uma atenção profunda e uma espera paciente. Uma atitude comtemplativa, uma generosidade e abertura e aqueles cujas experiências são diferentes das nossas. Quando eu me levantei para falar para a minha paróquia a respeito de Deus e do tsunami, Eu não tinha respostas para oferecer a eles. Nenhum pacote pronto, com referências bíblicas para prová-lo. Apenas dúvidas, questionamentos e incertezas. Eu tinha algumas sugestões a dar -- novas maneiras de pensar sobre Deus. Maneiras que podem nos permitir prosseguir ao longo de uma nova e desconhecida estrada. Mas no fim, a única coisa que eu podia dizer com certeza era "Eu não sei," e esta pode ser a mais profunda declaração religiosa de todas. Obrigado.
pt
480
Muito obrigado a todas as pessoas do TED, Chris e Amy em particular. Não acredito que estou aqui. Não durmo há semanas. Neil e eu estávamos ali comparando o pouco que temos dormido na expectativa disso aqui. Eu nunca estive tão nervoso e eu faço isso quando estou nervoso, acabei de notar. Então, eu vou falar sobre o que nos fizemos nessa organização chamada 826 Valencia, e depois vou falar sobre como nós poderemos nos juntar e fazer coisas semelhantes. Anos atrás em 2000, eu estava morando no Brooklyn tentando acabar meu primeiro livro, andava sonâmbulo o dia inteiro porque escrevia da meia-noite às 5h da manhã Então perambulava tonto durande o dia. Eu não tinha nenhuma capacidade mental para falar durante o dia, mas tinha o horário flexível. Na vizinhança onde morava no Brooklyn, Park Slope, existem muitos escritores - uma proporção muito alta de escritores por quantidade de pessoas normais Por outro lado, eu cresci ao redor de muitos professores. Minha mãe era professora, minha irmã se tornou professora e depois da faculdade muitos de meus amigos se tornaram professores. Eu estava sempre os ouvindo falar sobre suas vidas e como eram inspiradoras, e eles eram do tipo mais trabalhadores e constantemente as pessoas mais inspiradoras que eu conhecia. Mas eu conhecia muitos dos obstáculos que eles enfrentavam, muitas das batalhas que eles travavam. E uma dessas era que vários dos meus amigos que estavam ensinando em escolas municipais estavam tendo dificuldades para que seus alunos se mantivessem acima da média, principalmente com escrita e leitura. Muitos desses estudantes vinham de lares onde o inglês não era falado dentro de casa, onde vários deles tinham diferentes necessidades especiais, e problemas de aprendizado. E, é claro, eles estavam trabalhando em escolas que por vezes e muito freqüentemente eram sub financiadas. Então conversando comigo eles diziam: "Sabe, o que realmente precisamos é mais gente, mais corpos, mais dedicação um-a-um, mais horas, mais conhecimento de pessoas que tenham habilidade com o inglês e possam trabalhar com esses estudantes de modo individual." Então eu dizia: "Tudo bem, por que vocês não trabalham com eles individualmente?" E eles diziam: "Bem, nós temos cinco turmas de 30 a 40 alunos cada. Isso pode chegar a 150, 180, 200 alunos por dia. Como teríamos condições de dar para cada aluno pelo menos uma hora por semana de atenção individual?" Você teria de multiplicar enormemente a semana e clonar os professores." Então começamos a conversar sobre isso. Ao mesmo tempo, eu pensava a respeito desse enorme grupo de pessoas que conhecia: escritores, editores, jornalistas, estudantes de pós-graduação, jovens professores, vocês sabem. Todas essas pessoas que tinham horários mais ou menos flexíveis e um interesse na língua inglesa. Eu espero ter algum interesse na língua inglesa, mas eu não estou falando muito bem agora. Estou tentando. Aquele relógio me persegue. Mas todos que eu conhecia tinham um interesse primordial na palavra escrita como forma de fomentar a democracia, fomentar uma vida iluminada. E eles tinham, sabem, o tempo e o interesse, mas ao mesmo tempo não havia um canal que eu tivesse conhecimento que juntasse essas duas comunidades. Então quando me mudei de volta para São Francisco, alugamos esse edifício. A idéia era colocar lá McSweeney's McSweeney's Quarterly, revista Literária que públicavamos duas ou tres vezes por ano e umas poucas outras revistas Pela primeira vez nos mudaríamos para um escritório. Costumava ser na minha cozinha no Brooklyn. Nós nos mudaríamos para um escritório, e dividirámos espaço com com um centro de acompanhamento Então pensamos: "Teremos todos esses escritores e editores e todo mundo -- uma espécie de comunidade de escreventes entrando no escritório de qualquer jeito, por que não simplesmente abrimos a frente do edifício para que os estudantes venham depois da aula, ter uma ajudinha extra com seus para casas, de forma que não haveria basicamente nenhuma fronteira entre essas duas comunidades?" Então, a idéia era que estaríamos trabalhando em seja lá o que for que estivéssemos fazendo às 14: 30h os estudantes encheriam a sala e você colocaria de lado o que estivesse fazendo ou passaria para alguém, ou trabalharia um pouco mais tarde, ou qualque coisa do gênero Você daria aquelas horas da tarde para os estudantes da vizinhança Então, tínhamos esse lugar, alugamos esse lugar o proprietário estava entusiasmado. Nós tinhamos esse mural, é um mural de Chris Ware, que basicamente explica a história inteira da palavra escrita, em forma de mural - leva-se um bom tempo para entender e você tem de ficar em pé no meio da rua Então alugamos esse espaço. Tudo ia muito bem até que o proprietário disse: O lugar está em uma área destinada ao comércio, vocês tem de dar um jeito." Vocês tem de vender alguma coisa Vocês não podem simplesmente ter um centro de acompanhamento." Então nós pensamos: " Ah! Verdade! E não conseguíamos pensar em nada necessariamente para vender, mas fizemos toda a pesquisa necessária. O lugar costumava ser uma academia, então havia pisos de borracha tratamento acústico no teto, e luzes fluorescentes. Pusemos tudo isso a baixo e descobrimos pisos de madeira lindos vigas caidas e tinha uma aparência enquanto reformavamos o lugar, alguém disse "Sabe, isso parece bem o casco de um navio." Olhamos em volta e outra pessoa disse: Bem, vocês deveriam vender suprimentos para bucaneiros" E então foi isso o que fizemos. Então isso fez todo mundo rir, e dissemos: Tem uma razão para isso. Vamos vender suprimentos para piratas". Essa é a loja de suprimentos para pirata Esse é um esboço que eu fiz em um guardanapo. Um ótimo carpinteiro construiu tudo isso e vejam, nós fizemos parecer uma especie de armazém pirata Aqui você vê tábuas vendidas a metro e temos mantimentos para combater escorbuto ali nós temos pernas de páu que são feitas à mão e na medida para você; ali em cima vocês vêem o display dos tapa-olhos aquela coluna de pretos para serem usados no dia a dia, seu tapa ollho normal, e então você tem também os pastéis e outras cores para sair à noite - ocasiões especiais, Bar Mitzavahs, e o que for. Então abrimos esse lugar que enchemos de tesouros para estudantes mergulharem neles: estes são olhos postiços no caso de você perder um estes são alguns avisos que temos para todo lado na loja "Brincadeiras de Piratas." enquanto você está lendo o aviso, nós puchamos a corda atrás do balcão e oito esfregões caem na sua cabeça Isso foi minha única idéia - eu disse que nós tínhamos de ter alguma coisa que caísse na cabeça das pesoas. Essas coisas vieram a ser esfregões. E isso é o teatro de peixes, que não é nada mais que um aquário de agua salgada e três assentos. e logo atrás disso nós montamos esse espaço. Que era o centro de acompanhamento. Ali está o centro de acompanhamento e ali atrás estão os escritórios da McSweeney's, onde todos nós estaríamos trabalhando na revista e edição de livros e coisas assim. As crianças entrariam - ou pensávamos que eles entrariam. Vou voltar um pouco. Nós arrumamos o lugar, abrimos, passamos meses e meses reformando esse lugar. Tínhamos mesas, cadeiras computadores, e tudo mais. Eu entrei num leilão de empresas ". com" com no Holiday Inn em Palo Alto e comprei 11 G4s num só lance. Bem, nós compramos, montamos tudo e então esperamos. Eu comecei com mais ou menos 12 amigos, pessoas que conhecia há anos que eram escritores na vizinhança. E nós sentamos. E as 14: 30h colocamos uma placa na calçada em frente que dizia basicamente o seguinte: "Acompanhamento grátis para necessidades relacionadas com Inglês e escrita. É só entrar, é totalmente grátis" E nós pensamos: "Ah, eles irão arrebentar as portas" e eles vão adorar," E nada. E então esperamos, sentamos nas mesas e esperamos. Todos estavam cada vez mais desencorajados porque foram semanas e semanas que nós esperamos e ninguém entrou. E então alguém nos alertou para o fato que talvez houvesse uma questão de confiança porque estávamos funcionando atrás de uma loja de produtos piratas. Nós não pensamos nisso, e vocês? Então, depois depois um tempo, eu convenci uma mulher chamada Nineveh Caligari, uma experiente educadora de São francisco - que estava lecionando na Cidade do México, ela tinha toda a experiência necessária sabia tudo sobre educação tinha relação com todos os professores e membros da vizinhança. Eu a convenci a se mudar da Cidade do México onde ela estava lecionando. e ela assumiu como diretora executiva Imediatamente, ela construiu as pontes para os professores e com os pais e com os estudantes e tudo mais, e então, de uma hora para outra, estávamos lotados todos os dias E o que estávamos tentando oferecer todos os dias era atenção corpo-a-corpo. O objetivo era ter uma proporção de um-para-um com cada um desses estudantes. Sabem, foi provado que 35 a 40 horas em um ano de atenção individual, os estudantes podem um aproveitamento muito melhor. Para a maior parte desses estudantes, inglês não é falado em casa, eles vão lá, e muitas vezes seus pais - não dá para ver, mas há um banco de igreja que eu comprei em um leilão em Berkeley - os pais as vezes assistem enquanto seus filhos são acompanhados. Portanto, a base disto foi atenção individual. E acabamos lotados de crianças todos os dias. Se você estiver na Rua Valencia naqueles poucos quarteirões por volta das 14: 00h, 14: 30h, você freqüentemente será atropelado pelas crianças e suas grandes mochilas, literalmente correndo para esse espaço. O que é bem estranho porque, de uma forma ou de outra, é uma escola. Mas há alguma coisa psicológica acontecendo ali que é um pouco diferente. E outra coisa é que não há estigma. As crianças não estão indo para o "Centro Para Crianças que Precisam de Mais Ajuda" ou algo do gênero. Era para Valencia 826. Antes de tudo era uma loja de suprimentos piratas, o que era insano E segundo, havia uma editora nos fundos E portanto nossos estagiários estavam literalmente trabalhando nas mesmas mesas muito freqüentemente ombro-a-ombro, computador ao lado de computador, com os estudantes E então virou um centro de acompanhamento centro de edição, como nós chamamos - e um centro de escrita. Eles entram e podem trabalhar com um estudante de segundo grau efetivamente trabalhando em um romance - porque há crianças muito talentosas tambem. Então não há estigma. Eles estão todos trabalhando ao lado uns dos outros. É tudo um esforço criativo Eles observam esses adultos e modelam seus comportamentos Esses adultos estão trabalhando em suas áreas. Eles podem se aproximar e fazer uma pergunta para um desses adultos e então é como se cada um alimentasse o outro. Há muita polinização cruzada. O único problema, especialmente para os adultos trabalhando na McSweeney's que não foram comunicados disso tudo quando foram contratados, era que havia apenas um banheiro. Com 60 crianças por dia, isso é um problema. Sabem, tem uma coisa com as crianças terminando seus deveres de casa em um dado dia, recebendo toda essa atenção eles vão para casa, já terminaram. Eles não empacam, não fazem seus deveres de casa na frente da TV. Podem ir para casa às 17: 30h e aproveitar a família, curtir seus outros passatempos, sair, brincar. E isso faz uma família feliz. Um monte de famílias felizes em uma vizinhança é uma comunidade feliz. Um monte de comunidades felizes juntas é uma cidade feliz e um mundo feliz. Então a chave para isso tudo é o dever de casa! Está aí, vocês sabem, - atenção individual. Então, nós começamos com 12 voluntários, e então já tínhamos mais ou menos 50. e então umas poucas centenas E agora temos 1400 voluntários na nossa lista. E tornamos a filiação incrivelmente simples. A chave é, mesmo que você tenha apenas duas horas por mês, essas duas horas ombro-a-ombro, ao lado de um estudante, atenção focada, dando luz ao seu trabalho, aos seus pensamentos, suas formas de se expressar, serão absolutamente transfomadoras, porque muitos desses alunos nunca tiveram isso antes. Então nás dizemos: "Mesmo que você tenha duas horas um domingo a cada seis meses, isso não interessa. Será suficiente. Isto é parte do motivo que fez o time de tutores crescer tão rápido. Então falamos: "Bem, o que faremos com esse espaço durante o dia, por que ele tem de ser usado antes das 14: 30?" Então começamos a trazer turmas durante o dia. Então todo dia, tem uma visita de campo onde eles juntos criam um livro; vocês podem vê-lo sendo digitado acima. Essa é uma turma ficando super exitada com a escrita. Basta apontar uma camera para uma turma, e sempre se parece com isso. Então, esse é um dos livros que eles fizeram. Notem o título do livro, "O Livro Que Nunca Foi Retirado: Titanic" E a primeira linha desse livro é: "Era uma vez um livro chamado Cindy, era a respeito do Titanic." Então, enquanto isso, há um adulto no fundo digitando-o, levando-o totalmente a sério, o que os deixa alucinados. Então, ainda tínhamos mais tutores disponíveis Essa é uma foto de apenas alguns dos tutores durante um desses eventos. Os professores com os quais trabalhamos - e tudo é diferente para os professores - eles nos dizem o que fazer. Nós entramos lá pensando: "Nós somos, no fundo, completamente maleáveis. Vocês nos dizem, os pais nos dizem, os professores nos dizem como somos mais úteis." Então eles disseram: " Por que vocês não vem às escolas? E quanto aos alunos que não vão até vocês, aqueles que não tem pais realmente ativos para levá-los, ou não estão suficientemente perto?" Então nos começamos dizendo, Bem, temos 1400 pessoas na nossa lista de de tutores. Vamos espalhar a idéia." Um professor dirá: "Eu preciso de 12 tutores para os próximos 5 domingos. Nós trabalharemos nas redações para a faculdade. Mande-os para cá." Então nós os botamos nas ruas: 1400 tutores. Quem puder comparecer se inscreve. Eles chegam meia hora antes da aula. Os professores lhes dizem o que fazer, como fazer, qual é o treinamento e qual é a proposta até agora. Eles trabalham sob a liderança do professor, e é tudo uma grande sala. E isso é na verdade o grosso do que fazemos, pessoas indo direto do trabalho, direto de casa, direto para sala de aula e trabalhando diretamente com os alunos. Então, nós somos capazes de trabalhar com mais milhares e milhares de alunos. Então outra escola disse: Bem, e se te déssemos uma sala de aula e vocês pudessem trabalhar nela o dia inteiro? Então essa é a Sala dos Escritores da Escola Everett Que foi decorada no estilo bucaneiro. É bem ao lado da biblioteca. E lá atendemos todos as 529 crianças dessa escola secundária. Esse é o jornal deles: "A Notícia direta" que tem uma coluna do prefeito Gavin Newsom em ambas as línguas, inglês e espanhol. Então um dia Isabel Allende nos escreveu dizendo? "Ei, por que vocês não fazem um livro com os estudantes secundaristas? Eu gostaria que eles escrevessem sobre como alcançar a paz no mundo." E então fomos à Escola Secundaria Thurgood Marshall, que é uma escola que tínhamos trabalhado junto em algumas outras coisas, e demos a tarefa para os alunos. E falamos: Isabel Allende lerá todas as suas redações no final. e as publicará em um livro. Ela patrocinará a publicação na forma de livro. E estará a venda em todas as livrarias da Região de São Francisco E no mundo inteiro através da Amazon e outras. E então essas crianças trabalharam mais duro do que elas jamais haviam trabalhado na vida. porque havia essa audiência externa, havia Isabel Allende na outra ponta. Eu acho que tínhamos 170 tutores trabalhando nesse livro com eles, e então funcionou incrivelmente bem. Nós fizemos uma grande festa no final. Esse é um livro que se encontra em qualquer lugar. E esse deu origem a uma série. Amy Tan patrocinou o próximo, "Eu posso chegar a algum lugar" E isso virou um fluxo. Mais e mais livros. Agora estamos viciados na coisa do livro. As crianças trabalharão mais do que jamais trabalharam na vida se souberem que será permanente, que estará em uma prateleira, que ninguém pode rebaixar o que eles pensaram e disseram, que nós honramos suas palavras e seus pensamentos com centenas de horas em cinco rascunhos, seis rascunhos toda essa atenção dada aos seus pensamentos. E uma vez que eles tenham alcançado esse nível, uma vez que eles tenham escrito nesse nível eles não conseguem voltar. É absolutamente transformador. E então eles são vendidos na loja. Isso é próximo as pranchas. Nós vendemos todos os livros dos estudantes. Onde mais vocês os colocariam, certo? Então nós os vendemos e então uma coisa estranha tem acontecido com as lojas. A loja na verdade - apesar de ter começado como uma brincadeira - a loja na verdade deu lucro. De repente ela estava pagando o aluguel Talvez isso seja coisa só de São Francisco, Não sei, não quero julgar. Mas as pessoas entravam e isso foi antes dos filmes piratas e tudo mais! Ela estava fazendo muito de dinheiro. Não tanto dinheiro, mas pagando o aluguel e pagando um funcionário em horário integral. Lá estão mapas do oceano vocês podem ver a esquerda. E ela virou uma porta de entrada para comunidade. As pessoas entravam e diziam, - "O que é isso?" Não quero falar palavrão na rede. Isso é uma regra? Não sei. Eles diziam, "- O que é isso?" E as pessoas entravam e aprendiam mais a respeito dela. E então logo atrás - normalmente há uma pequena corrente ali - logo atrás, eles viam as crianças tendo acompanhamento. Essa é uma excursão acontecendo. E então eles estariam nas compras e talvez estivessem mais dispostos a comprar alguma gordura. ou algum milho para seus papagaios, ou vocês sabem, um gancho, ou um protetor de gancho para a noite, todas essas coisas que vendemos. Então a loja na verdade foi muito bem. Ela trouxe para dentro tantas pessoas: professores, patrocinadores, voluntários, todo mundo. Porque era no nível da rua, aberta para o público. Não era uma sem fins lucrativos enterrada, vocês sabem, no 30º andar de um prédio no centro. Era bem ali na vizinhança estava funcionando e estava aberta ao público o tempo inteiro. Então isso se tornou uma espécie de estranho acidente feliz. Então todas aquelas as pessoas que eu conhecia no Brooklyn perguntaram: Por que não temos um lugar como esse aqui?" Muitos deles foram educadores, ou seriam educadores, então eles se juntaram com um tanto de designers locais, escritores locais eles independentemente pegaram a idéia e fizeram sua própria iniciativa. Eles queriam vender suprimentos piratas eles não achavam que isso funcionaria ali. Então, conhecendo a comunidade de combatentes do crime de Nova York, eles abriram a Compania de Suprimentos para Super Heróis do Brooklyn. Esse belo design foi feito por Sam Pott. E isso foi para fazer parecer com uma daquelas pequenas oficinas que tem todo tipo de serviço. Eles desde sempre ofereceram, vocês sabem, todo tipo de serviços. Então eles abriram esse lugar. Dentro é como uma Costco para super heróis - todos os suprimentos com uma cara meio básica. Esses são todos feitos a mão. Esses são todos outros produtos refuncionalizados, ou algo assim. Todas as embalagens foram feitas por SamPotts. Ali temos a unidade de aprisionamento de vilões, onde as crianças põe os seus pais. Temos o escritório. Essa é uma pequena passagem - você tem de por seus produtos ali dentro, ele sobe por um elevador elétrico e o cara atrás do balcão lhe diz que você tem de recitar os juramentos do heroísmo, o que você faz, se você quiser comprar qualquer coisa. E isso realmente limita suas vendas. Pessoalmente, eu acho que isso é um problema. Porque eles tem de fazer isso com a mão no coração e e tudo mais. Esses são alguns produtos, são todos feitos a mão. Esse é um kit de identidade secreta. Se você quiser assumir a identidade de Sharon Boone uma americana executiva de marketing de Hoboken, Nova Jersey. Esse é um dossiê completo com tudo que você precisaria saber sobre Sharon Boone. Então, essa é a caperia onde você pode experimentar sua capa, você sobe nesses três degraus gradeados e nós ligamos três ventiladores hidráulicos de todos os lados então você pode ver a capa em ação. Não há nada pior que, chegar lá em cima e a capa ficar embolando ou algo assim. Então, a porta secreta - essa é uma das prateleiras que você não vê quando você entra mas ela abre vagarosamente. Você pode vê-las ali no meio ao lado dos ganchos com hastes telescópicas. Ela abre e então esse é o centro de acompanhamento no fundo. Então dá para ver o efeito completo! Mas isso é - só para enfatizar - financiado localmente, construído localmente Todos os designers, todos os construtores todo mundo era da vizinhança, todo o trabalho foi voluntário. Eu só vim visitar e disse: "Vocês estão fazendo um trabalho bacana" ou coisa assim. E era isso. Vocês podem ver as horas em todos os cinco distritos de Nova York lá atrás. Então, esse é o espaço durante as horas de acompanhamento. É muito ocupado. Mesmos princípios: atenção individual, devoção completa para o trabalho dos estudantes e um otimismo desmedido e pelo menos uma possibilidade para criatividade e para as idéias. E essa chave é ligada na cabeça deles quando eles andam através desses seis metros dessa loja bizarra, não é? Então, aqui é escola mas não é escola. Claramente não é escola, apesar de estarem trabalhando ombro-a-ombro nas mesas, lápis e papel, o que for. Esse é um dos alunos, Khaled Hamdan. Você pode ler essa citação. Viciado em videogames e TV. Não conseguia se concentrar em casa. Veio para cá. Teve essa atenção concentrada E não conseguiu escapar. Logo logo ele estava escrevendo. Terminava seu dever de casa cedo - ficou realmente viciado em terminar o dever de casa. É uma coisa viciante, ficar livre ter o dever conferido por alguém, saber que vai passar e estará pronto para as aulas do dia seguinte. Então ele foi fisgado por isso, e então começou a fazer outras coisas. Ele agora foi publicado em cinco livros. Ele co-escreveu um falso documentário sobre super-heróis fracassados "Super aposentados." Ele escreveu uma série sobre o "Pinguim Balboa" que é um pinguim lutador - um boxeador. E então ele fez uma leitura há umas poucas semanas para 500 pessoas no Synphony Space, em benefício da 826 Nova York. Ele está lá todos os dias. Ele é evangelista a respeito disso. Agora ele trouxe seus primos. Existem quatro membros da família que vem aqui todos os dias. Então, vou passar por isso muito rapidamente. Isso é em Los Angeles, Mercado de Viagem no Tempo de Echo Park "Seja quando você estiver nós ja estivemos." É uma espécie de 7-11 para viajantes do tempo. Então vocês podem ver, é exatamente como uma 7-11 seria. Sangue sugas. Pedaços de mamute. Eles tem até uma maquina do tempo: "Com defeito. Volte ontem." Bem, vou passar para frente. Esses são espaços que são somente afiliados a nós, fazendo a mesma coisa: Word Street em Pittsfield, Massachusetts Ink Spot em Cincinnati. Youth Speaks, em SãoFrancisco, California, que nos inspirou. Studio St. Louis, St Louis. BatCaverna de Austin. Palavras Lutadoras em Dublin, Irlanda, fundada por Roddy Doyle; que abrirá em abril. Agora vou para o TED Wish - tudo bem? Tudo bem, eu tenho um minuto, Então o TED Wish: Eu desejo que você - você pessoalmente e todo indivíduo criativo e organização que você conhece - encontre um caminho para se engajar diretamente com um escola pública na sua área e que você então conte a história de como você se envolveu, de forma que dentro de um ano nós tenhamos mil exemplos - mil! - de parcerias transformadoras. Avanços profundos! E podem ser coisas que vocês já estejam fazendo. Eu sei que muitas pessoas nessa sala já fazem coisas realmente interessantes. Eu sei isso de verdade. Então nos conte essas histórias e inspire outras pessoas através do site. Nós criamos um site, Vou mudar para "nós" ao invés de "eu" espero: Nós temos esperança que os participantes dessa conferência apontem uma nova era de participação em nossas escolas públicas. Nós temos esperança que vocês tomarão a lideranca em partilhar sua experiência e espírito inovador com o de educadores inovadores em suas comunidades. Sempre deixem os professores indicarem o caminho. Eles lhe dirão como ser útil. Eu espero que vocês se apresentem e ajudem. há milhões de maneiras. Vocês podem ir até as escolas e consultar os profesores. Eles sempre lhe dirão como ajudar. Então esse é o Hot Studio em São francisco, eles fizeram esse trabalho fenomenal. Esse site já tem um tanto de histórias, um monte de idéias. Ele se chama Uma vez em uma escola, que é um título ótimo, eu acho Esse site vai documentar cada projeto que vier a partir dessa conferência e do mundo inteiro. Então temos o site, podemos ver um tanto de idéias. Vocês podem se inspirar nelas então vocês adicionam seus próprios projetos uma vez que tenham começado. Hot Studio fez um ótimo trabalho em um prazo muito apertado, então visite o site. Se tiverem qualquer questão, vocês podem perguntar a este sujeito, que é nosso diretor de programas nacionais. Ele estará no telefone. Se escreverem um email, ele responderá qualquer questão que você possa fazer. Ele lhe motivará e te colocará no caminho. e lhe guiará através do processo de forma que você atinja mudanças. E isso pode ser divertido! Esse é o sentido dessa palestra-- não precisa ser estéril Vocês conseguem e podem usar os talentos que tem. As escolas precisam de vocês. Os professores precisam de vocês Alunos e pais precisam de vocês. Eles precisam da sua pessoa: sua pessoa física e suas mentes abertas e ouvidos abertos e compaixão desmedida sentados ao lado deles, ouvindo e balançando a cabeça e fazendo perguntas por horas as vezes. Algumas dessas crianças simplesmente não sabem o quanto elas são boas: como são espertas e o tanto que elas tem a dizer. Vocês podem contar a eles. Vocês podem acender essa luz neles, uma interação humana de cada vez. Então nós esperamos que vocês se juntem a nós. Muito obrigado.
pt
481
Eu quero falar sobre minhas investigações sobre o que a tecnologia significa em nossas vidas, não apenas nossa vida imediata, mas num sentido cósmico, no contexto da longa história do mundo e de nosso lugar no mundo, o que é isso? O que ela significa? E desse modo, quero passar pela minha pequena história do que descobri. E uma das primeiras coisas que comecei a investigar foi a história do nome da tecnologia. E nos Estados Unidos existe um discurso sobre o estado da União que vem sendo feito por cada presidente desde 1970. E cada um deles é realmente uma espécie de resumo das coisas mais importantes para os Estados Unidos naquela época. Se vocês fizerem uma busca pela palavra "tecnologia" ela não foi usada até 1952. Assim, a tecnologia estava ausente do pensamento das pessoas até 1952, que por acaso é o ano de meu nascimento. E obviamente, a tecnologia já existia antes disso, mas nós não estávamos prestando atenção nela. E assim foi uma espécie de despertar dessa força em nossas vidas. Eu efetivamente pesquisei para encontrar a primeira utilização da palavra "tecnologia", e vi que foi em 1829. E ela foi inventada por um indivíduo que estava dando início a um currículo, um curso, reunindo todos os tipos de artes e ofícios, e indústrias. E ele chamou isso de tecnologia. E essa foi a primeira vez que essa palavra foi usada. Assim, o que é essa coisa pela qual somos todos consumidos, e incomodados? Alan Kay a define, "Tecnologia é qualquer coisa que foi inventada depois que você nasceu." Que é o tipo de idéia que normalmente temos sobre o que é tecnologia. São todas essas coisas novas. Não são as estradas e a penicilina, ou pneus manufaturados. São as coisas novas. Meu amigo Danny Hilis disse uma coisa meio parecida, ele disse, "Tecnologia é qualquer coisa que ainda não funciona." O que é, novamente, um senso de que são as novidades. Mas nós sabemos que ela simplesmente não é nova. Ela na verdade começou antes. E o que eu quero sugerir é que ela começou muito antes. Então, outra maneira de pensar sobre tecnologia, o que ela significa, é imaginar um mundo sem tecnologia. Se nós pudéssemos eliminar cada pequeno item de tecnologia no mundo de hoje, e quero dizer tudo, desde lâminas a raspadores e a tecidos, nós como espécie não viveríamos muito. Nós morreríamos aos bilhões, e muito depressa. Os lobos nos pegariam. Nós seríamos indefesos. Nós seríamos incapazes de cultivar comida suficiente, ou de encontrar comida suficiente. Mesmo os caçadores-coletadores usavam algumas ferramentas elementares. E assim, eles tinham uma tecnologia mínima, mas eles que já era alguma tecnologia. E ao estudarmos essas tribos de caçadores-coletadores e os Neandertais, que eram muito semelhantes aos humanos primitivos, nós encontramos uma coisa muito curiosa sobre esse mundo sem tecnologia, e esta é uma espécie de curva da média de idade deles. Não existem fósseis Neandertais que tenham mais de 40 anos de idade que já tenham sido encontrados. E a idade média da maioria dessas tribos de caçadores catadores é de 20 a 30 anos. Há muito poucas crianças porque elas morrem, alta taxa de mortalidade, e existem muito poucas pessoas velhas. E assim o perfil é algo como a média da sua vizinhança de São Francisco. Muitas pessoas jovens. E se você for lá, você vai dizer, "Ha, todos são realmente muito saudáveis." Bem, isso é porque eles são todos jovens. E a mesma coisa com as tribos de caçadores-coletadores e humanos primitivos é que não se vive além da idade de 30 anos. Assim, é um mundo sem avôs. E avôs são muito importantes, porque eles são os transmissores da evolução cultural e das informações. Imaginem um mundo em que basicamente todos tivessem 20 a 30 anos de idade, quanto vocês conseguiriam aprender? Não se pode aprender muito ao longo da própria vida, ela é tão curta. E não existe ninguém para transferir o que você venha a aprender. Assim, esse é um aspecto. Era uma vida muito curta. Mas ao mesmo tempo os antropólogos sabem que a maioria das tribos de caçadores coletores do mundo com muito pouca tecnologia, realmente não despendiam um tempo muito longo para coletar o alimento de que eles precisavam. Três a seis horas por dia. Alguns antropólogos chamam isso de sociedade afluente original. Porque eles basicamente tinham um horário de bancários. Assim, era possível conseguir alimentos suficientes. Mas quando a escassez chegava quando os altos e baixos e as secas vinham, então as pessoas sofriam de inanição. E era por isso que elas não viviam muito. Assim, o que a tecnologia proporcionou, através de ferramentas muito simples como estas ferramentas de pedra aqui, mesmo coisas pequenas como esta, os bandos primitivos de humanos foram efetivamente capazes de eliminar, de extinguir cerca de 250 animais da megafauna na América do Norte quando eles chegaram pela primeira vez, há 10. 000 anos atrás. Assim, muito antes da era industrial estivemos afetando o planeta numa escala global, mesmo com uma quantidade muito pequena de tecnologia. A outra coisa que os humanos primitivos inventaram foi o fogo. E o fogo foi usado para desmatar, e novamente, afetou a ecologia da relva de continentes inteiros, e foi usado para cozinhar. Ele nos permitiu comer efetivamente todos os tipos de coisas. Isso foi, num certo sentido, no sentido de McLuhan, um estômago externo. No sentido de que estavam cozinhando comida que não poderia ser comida de outro modo. E se nós não tivéssemos fogo, nós atualmente não conseguiríamos viver. Nossos corpos se adaptaram a essas novas dietas. Nossos corpos mudaram nos últimos 10. 000 anos. Assim, com aquele pouquinho de tecnologia, os humanos passaram de um pequeno bando de mais ou menos 10. 000, o mesmo número de todos os Neandertais em todas partes, e subitamente explodimos, com a invenção da linguagem, há uns 50. 000 anos atrás o número de humanos explodiu, e muito depressa tornou-se a espécie dominante no planeta. E eles migraram pelo resto do mundo à razão de dois quilômetros por ano até que em várias dezenas de milhares de anos nós ocupamos cada uma das bacias hidrográficas do planeta e nos tornamos a mais dominante das espécies, com uma quantidade muito pequena de tecnologia. E mesmo nessa época, com a introdução da agricultura, há 8. 000 - 10. 000 anos atrás começamos a ver as mudanças climáticas. Assim, as mudanças climáticas não são coisas novas. O que é novo é apenas o grau delas. Mesmo durante a era agrícola, havia mudanças climáticas. E assim, pequenas quantidades de tecnologia já estavam transformando o mundo. E o significado disso, e o ponto ao qual quero chegar é que a tecnologia tornou-se a mais poderosa força no mundo. Todas as coisas que vemos hoje que estão mudando nossas vidas, podemos encontrar suas origens na introdução de alguma tecnologia nova. Assim, é uma força, quer dizer, a mais poderosa das forças que foi desencadeada em nosso planeta. E em tal grau que acredito que ela tornou-se nossa, o que nós somos. De fato, nossa humanidade, e tudo que pensamos sobre nós mesmos é algo que inventamos. Assim, nós inventamos a nós mesmos. De todos os animais que nós domesticamos o animal mais importante que domesticamos fomos nós mesmos. Confere? Desse modo, a humanidade foi nossa maior invenção. Mas é claro que ainda não terminamos. Ainda estamos inventando. E isso é o que a tecnologia está permitindo que façamos. É nos reinventarmos continuamente. É uma força muito, muito forte. Eu chamo essa coisa inteira, nós humanos e nossa tecnologia, tudo que fizemos, artifícios em nossas vidas, chamamos isso o Technium. Isso é este mundo. Minha definição funcional de tecnologia é qualquer coisa útil que uma mente humana faz. Não é apenas martelos e dispositivos como notebooks. Mas também a Lei. E, é claro, cidades são meios para fazer as coisas mais úteis para nós. Ao mesmo tempo que isso é algo que se origina em nossas mentes, isso também tem raízes profundas no cosmo. Isso vem do passado. As origens e raízes da tecnologia vão até o Big Bang, deste modo, por serem parte dessa sucessão auto-organizada que começou no Big Bang e continua através das galáxias e estrelas até a vida e até nós. E as três fases principais do universo primitivo foram, primeiro a energia, quando a força dominante era energia. Então ela se tornou, a força dominante, quando ela resfriou-se, tornou-se matéria. E então, com a invenção da vida, há quatro bilhões de anos, a força dominante em nossa vizinhança tornou-se a informação. Isso é o que a vida é. É um processo de informação que foi reestruturando e produzindo uma nova ordem. Assim, aquela energia e aquela matéria que Einstein mostrou serem equivalentes, e agora as novas ciências da computação quântica mostram que entropia e informação e matéria e energia estão todas interrelacionadas, assim isso é um longo contínuo. Você coloca energia no tipo certo de sistema, e sai daí a entropia do calor desperdiçado, e exotropia, que é ordem. É o aumento da ordem. E então, de onde vem essa ordem? Suas raízes vêm de longe. Nós realmente não sabemos. Mas sabemos que toda tendência auto-organizadora através do universo é longa, e começou com coisas como galáxias. Elas mantiveram sua ordem por bilhões de anos. Estrelas são basicamente máquinas de fissão nuclear que se auto-organizam e se auto-sustentam por bilhões de anos. Essa ordem contra a exotropia do mundo. E flores e plantas são a mesma coisa, extendida. E a tecnologia é basicamente uma extensão da vida. Assim, uma tendência que notamos em todas essas coisas é que a quantidade de energia por grama, por segundo que flui através disso, está efetivamente aumentando. A quantidade de energia está aumentando através desta pequena sequência. E a quantidade de energia por grama, por segundo, que flui através da vida é atualmente maior que uma estrela, por causa do longo período de vida da estrela, a densidade de energia na vida é realmente maior que uma estrela. E a maior densidade de energia que vemos, que vemos em qualquer lugar do universo encontra-se atualmente num circuito integrado de computador pessoal. Existe ali mais energia fluindo, por grama por segundo, do que qualquer coisa com a qual tenhamos qualquer tipo de experiência. Assim, minha sugestão seria, se vocês querem ver para onde vai a tecnologia, nós continuamos nessa trajetória, e dizemos, bem, o que vai tornar-se mais denso em energia, é para lá que estamos indo. E assim o que eu fiz foi, tomei as mesmas espécies de coisas e examinei outros aspectos da vida evolutiva e disse quais são as tendências gerais da vida evolutiva. E existem coisas movendo-se em direção a maior complexidade, movendo-se em direção a maior diversidade, movendo-se em direção a maior especialização, consciência, ubiquidade e, mais importante, capacidade de evoluir. Exatamente essas mesmas coisas estão também presentes na tecnologia. É para lá que a tecnologia está indo. De fato, a tecnologia está acelerando todos os aspectos da vida. E nós podemos ver isso acontecendo. Do mesmo modo como existe diversidade na vida, existe mais diversidade nas coisas que fazemos. As coisas na vida começam sendo uma célula genérica, e elas tornam-se especializadas. Vocês têm células de tecidos. Vocês têm células musculares, cerebrais. E as mesmas coisas acontecem com digamos, um martelo, que inicialmente é de uso geral e então torna-se mais específico. Assim, eu gostaria de dizer que enquanto existem seis reinos da vida, podemos pensar na tecnologia basicamente como um sétimo reino da vida. É uma ramificação da forma humana. Mas a tecnologia tem sua própria agenda, como tudo, como a própria vida. Por exemplo, agora mesmo, três quartos da energia que usamos está sendo efetivamente usada para alimentar o próprio technium. No transporte, não é para mover a nós, é para mover as coisas que fazemos ou compramos. Uso a palavra "querer". A tecnologia quer. Este é um robô que quer plugar-se para obter mais energia. O gato de vocês quer mais comida. Uma bactéria, que não tem nenhuma espécie de consciência quer mover-se em direção à luz. Ela tem um impulso. E a tecnologia tem um impulso. Ao mesmo tempo, ela quer nos oferecer coisas. E o que ela nos oferece é basicamente progresso. Vocês podem pegar todos os tipos de curvas, e todas elas estão apontando para cima. Realmente não existe polêmica em relação ao progresso, se descontarmos o custo disso. E isso é o que incomoda a maioria das pessoas, é que o progresso é mesmo real, mas nos preocupamos e indagamos quais são os custos ambientais disso. Eu fiz um levantamento dos tipos de artefatos que se encontram em minha casa. E existem 6. 000. Outras pessoas chegaram a 10. 000. Quando o Rei Henrique da Inglaterra morreu, ele tinha 18. 000 coisas em sua casa. Mas isso era toda a fortuna da Inglaterra. E com toda aquela fortuna da Inglaterra, o Rei Henrique não podia comprar antibióticos. Ele não podia comprar refrigeração. Ele não podia comprar uma viagem de mil milhas. Enquanto este puxador de riquixá na Índia pode economizar e comprar antibióticos. E ele poderia comprar refrigeração. Ele poderia comprar coisas que o Rei Henrique, com toda sua riqueza, jamais poderia comprar. É para isso que o progresso serve. Portanto, a tecnologia é egoísta. A tecnologia é generosa. Esse conflito, essa tensão vai estar conosco para sempre. Pois algumas vezes ela vai querer fazer o que ela quiser. E algumas vezes ela vai fazer coisas para nós. Ficamos confusos sobre o que pensar sobre uma nova tecnologia. Agora mesmo, a posição normal quando uma nova tecnologia aparece, é nós -- as pessoas falam sobre o princípio da precaução. O que é muito comum na Europa. Que diz, basicamente, "Não faça nada." Quando você encontrar uma nova tecnologia, pare, até que se consiga provar que não há mal. E creio que isso não leva a lugar nenhum. Mas creio que o melhor caminho é, como eu o chamo, o princípio proativo. A saber, você se envolve com a tecnologia. Você a experimenta. Você obviamente faz o que o princípio da precaução sugere, você tenta antecipar. Mas depois de antecipar, você a avalia constantemente, não apenas uma vez, mas eternamente. E quando ela diverge do que você quer, nós priorizamos o risco, nós avaliamos não apenas as coisas novas, mas também as coisas antigas. Nós corrigimos. Mas o mais importante, nós a relocamos. E com isso quero dizer que encontramos uma nova finalidade para ela. Energia nuclear, fissão, é mesmo uma má idéia para bombas. Mas pode ser uma idéia muito boa, re-alocada relocada como energia nuclear sustentável para eletricidade, em vez de queimar carvão. Quando temos uma idéia ruim, a reação a uma idéia ruim não é nenhuma idéia, é não parar de pensar. A resposta a uma má idéia, como, digamos, uma lâmpada incandescente, é uma idéia melhor. Confere? Assim, idéias melhores realmente são sempre as melhores respostas a tecnologias das quais não gostamos são basicamente tecnologias melhores. Na verdade, de certo modo, a tecnologia é uma espécie de método para gerar idéias melhores, se vocês podem pensar sobre ela desse modo. Assim, talvez pulverizar DDT sobre colheitas seja realmente uma idéia ruim. Mas o DDT pulverizado localmente nas casas, não há nada melhor para eliminar a malária, ao lado dos mosquiteiros impregnados de DDT. Mas essa é uma ideia realmente boa. Essa é uma boa tarefa para a tecnologia. Assim, nossa tarefa, como humanos, é cuidar da prole de nossas mentes, encontrando bons amigos para elas, encontrando bons trabalhos para elas. E assim, cada tecnologia é uma espécie de força criativa em busca da melhor tarefa. Esse é realmente o meu filho, aqui mesmo. Não existem tecnologias ruins. Assim como não existem crianças ruins. Nós não dizemos que as crianças são neutras, ou crianças são positivas. Só precisamos encontrar o lugar certo para elas. E assim, o que a tecnologia nos dá, ao longo de um longo prazo, ao longo de uma espécie de evolução estendida, a partir do início dos tempos, através da invenção das plantas e dos animais, e da evolução da vida, a evolução dos cérebros, o que isso está nos dando constantemente, são diferenças crescentes. É diversidade crescente. São opções crescentes. São escolhas crescentes, oportunidades, possibilidades e liberdades. Isso é o que obtemos da tecnologia o tempo todo. É por isso que as pessoas deixam o interior e vão para as cidades, é porque elas estão sempre gravitando em direção a mais escolhas e possibilidades. E estamos atentos ao preço. Nós pagamos um preço por isso, mas estamos atentos a isso e, de modo geral, teremos de pagar o preço pelos aumentos das liberdades, escolhas e oportunidades. Mesmo a tecnologia quer água limpa. Será que a tecnologia é diametralmente oposta à natureza? Como a tecnologia é uma extensão da vida, ela é paralela, e alinhada com as mesmas coisas que a vida quer. Assim, creio que a tecnologia ama a biologia, se permitirmos isso, também. Grande movimento que começou há milhões de anos no passado, está se movendo através de nós, e continua avançando. E nossa escolha, por assim dizer, na tecnologia, é mesmo nos alinharmos com essa força muito maior do que nós mesmos. Assim, a tecnologia é mais do que uma coisa no bolso de vocês. É mais do que dispositivos. É mais do que simplesmente as coisas que as pessoas inventam. É efetivamente parte de uma história muito longa, uma grande história, que começou há bilhões de anos atrás, e moveu-se através de nós, esta auto-organização. E nós a estamos estendendo e acelerando. E podemos fazer parte dela alinhando a tecnologia, que é feita por nós, com ela. E eu realmente aprecio a atenção de vocês hoje. Obrigado.
pt
482
Eu acordei no meio da noite com o estrondo de uma explosão pesada. Era alta noite. Não lembro a hora. Só lembro do barulho era tão pesado e tão chocante. Tudo tremia no meu quarto – meu coração, minhas janelas, minha cama – tudo. Eu olhei do lado de fora das janelas, e vi um semi-círculo completo de explosão. Eu pensava que era exatamente como nos filmes, mas os filmes não transmitem as imagens fortes como as que eu estava vendo – cheias de vermelho vivo e laranja e cinza, e um círculo completo de explosão. E fiquei com o olhar fixo naquilo até desaparecer. Voltei para a minha cama. e rezei, e agradeci a Deus secretamente que aquele míssil não caiu na minha casa, que não matou a minha família naquela noite. Trinta anos se passaram, e ainda sinto-me culpada por causa dessa oração, pois no dia seguinte, eu soube que aquele míssil tinha atingido a casa de um amigo do meu irmão e o tinha matado e o seu pai, mas não matou a mãe ou a irmã dele. Uma semana depois a mãe dele apareceu na sala de aula do meu irmão e implorou à crianças de 7 anos que compartilhassem com ela qualquer foto que tivessem do seu filho, pois ela tinha perdido tudo. Isso não é uma história de um sobrivente de guerra sem nome, e refugiados sem nomes, cujas imagens estereotípicas vemos em nossos jornais e em nossa TV com roupas esfarrapadas caras sujas, olhos amedrontados a história dele não é a de um sem nome qualquer que viveu em alguma guerra, de quem nada sabemos sobre suas esperanças, seus sonhos, suas realizações, suas famílias, suas crenças, seus valores. Esta é a minha história Eu era aquela menina. Eu sou uma outra imagem e visão de outro sobrevivente de guerra. Eu sou aquela refugiada, Eu sou aquela menina. Vejam, cresci num Iraque devastado pela guerra, e creio que existem dois lados das guerras e somente vemos um lado. Nós só falamos sobre um lado. Mas existe um outro lado que presenciei como alguém que viveu nela e alguém que acabou trabalhando nela. Eu cresci com as cores da guerra – as cores de fogo e sangue, os tons marrons da terra no momento em que explode em nossos rostos e a cor prata perfurante de um míssil explodido, tão brilhante que nada pode proteger os seus olhos. Eu cresci Com os sons de guerra – o staccato dos sons do tiroteio, os estrondos penosos das explosões, zunidos ameaçadores de jatos sobrevoando e o som dos alarmes angustiosos das sirenes. Esses são os sons que vocês esperariam, mas esses são também os sons de concertos dissonantes de um bando de pássaros guinchando na noite, os gritos honestos e agudos das crianças e o trovejante, insuportável, silêncio. “A guerra,” um amigo meu disse, “não se trata de som, Na verdade se trata do silêncio, o silêncio da humanidade.” Desde então sai do Iraque e fundei um grupo chamado ‘Women for Women International’ que trabalha com mulheres sobreviventes de guerras. Nas minhas viagens e em meu trabalho, do Congo ao Afeganistão, do Sudão a Rwanda, Eu sei, não somente, que as cores e os sons da guerra são os mesmos, mas os medos da guerra são os mesmos. Sabem, existe o medo de morrer, e não acreditem em nenhum personagem dos filmes cujo herói não tem medo. É muito assustador ter essa sensação de que “estou prestes a morrer” ou “eu poderia morrer nesta explosão.” Mas também existe o medo de perder os que amamos, e creio que isso seja pior ainda. É muito doloroso; você não quer pensar nisso. Mas acho que o pior medo é o medo – como Samia uma vez me contou, uma bosniana que sobreviveu os 4 anos de estado de sítio em Sarajevo. Ela disse, “O medo de perder o eu em mim, o medo de perder o eu em mim.” Era isso que a minha mãe no Iraque costumava dizer para mim. É como morrer de dentro para fora. Uma palestina uma vez me disse, “Não era o medo de uma morte,” ela disse, “as vezes sinto que eu morro 10 vezes em um dia,” quando descrevia os soldados marchando e os sons das balas deles. E ela disse, “ Mas não é justo, porque só existe uma vida, e deveria existir apenas uma morte.” Nós temos visto só um lado da guerra. Somente temos discutido e consumido com preocupações de alto nível sobre os níveis de tropas, linhas do tempo para redução de tropas, escaladas militares e operações encobertas, quando deveríamos estar examinando os detalhes de onde o tecido social foi mais destruído, onde a comunidade improvisou e sobreviveu e mostrou atos de resiliência e uma coragem impressionante para simplesmente continuar a viver a vida. Temos sido tão consumidos pelas discussões, aparentemente objetivas de política, táticas, armas, dólares e casualidades. Esta é a linguagem de esterilidade. Como nós, casualmente tratamos as casualidades no contexto deste tópico. Aqui é onde concebemos estupros e casualidades como inevitáveis. 80% dos refugiados no mundo são de mulheres e crianças. Oh! 90% das casualidades da guerra moderna são de civis – dos quais 75% são mulheres e crianças. Que interessante! Oh, meio milhão de mulheres em Rwanda são estupradas em 100 dias. Ou, enquanto nós falamos agora, centenas de milhares de congolesas estão sendo estupradas e mutiladas. Que interessante! Esses tornam-se apenas números aos quais nos referimos. A frente das guerras é cada vez mais de olhos não humanos espreitando os nossos inimigos concebíveis do espaço, mísseis guiados em direção a alvos invisíveis, enquanto que a conduta humana da orquestra das relações da mídia em caso que esse míssil por controle remoto atinja um aldeão em vez de um extremista. É um jogo de xadrez. Vocês aprendem a brincar de escola de relações internacionais, na sua saída e ascenção à liderança nacional e internacional. Xeque-mate. Está faltando, completamente, o outro lado das guerras. Está faltando a história da minha mãe, que fazia questão, em cada sirene, em cada incursão, em cada corte de luz, de brincar, comigo e com os meus irmãos, de marionetes, para que assim não tivéssemos medo dos barulhos das explosões. Está faltando a história de Fareeda, uma professora de música, uma professora de piano em Sarajevo, que assegurou que manteria a escola de música aberta todos os dias durante os 4 anos de estado de sítio em Sarajevo e ia a pé para a escola, apesar dos franco-atiradores atirando na escola e nela, e manteve o piano, o violino, o celo tocando durante todo o período da guerra, com os estudantes vestindo luvas, chapéus e casacos. Essa era a sua luta. Essa era a sua resistência. Está faltando a história de Nehia, uma palestina em Gaza que, no momento em que houve um cessa-fogo no último ano da guerra, ela saiu de casa, pegou toda a farinha e assou pão suficiente para todos os vizinhos no caso de não haver um cessar-fogo no dia seguinte. Está faltando as histórias de Violet que, apesar de ter sobrevivido genocídio no massacre da igreja, ela não parou e continuou, enterrando corpos, limpando casas, limpando ruas. Está faltando as histórias das mulheres que literalmente continuam a viver a vida no meio de guerras. Vocês sabem – Vocês sabem que as pessoas se apaixonam em guerras e vão para a escola e vão para as fábricas e hospitais e se divorciam e vão dançar e vão brincar e vivem a vida? E aqueles que guardam essa vida são as mulheres. Existem dois lados da guerra. Há o lado que luta, e há o lado que mantém as escolas as fábricas e os hospitais abertos. Há um lado que é focado em ganhar batalhas, e há o lado que é focado em ganhar vidas. Há o lado que lidera as discussões sobre a linha de frente, e há o lado que lidera as discussões de linha de trás Há um lado que pensa que a paz é o fim da luta, e há o lado que pensa que a paz é a chegada de escolas e empregos. Há um lado que é liderado por homens, e há um lado que é liderado por mulheres. E para que possamos entender, como construir uma paz duradoura, temos que entender guerra e paz de ambos os lados. Devemos ter um cenário completo do que aquilo significa. Para que possamos entender o que a paz [realmente] significa, precisamos entender, como uma sudanesa uma vez me disse, “A paz é o fato que as unhas dos meus pés estão crescendo de novo.” Ela cresceu no Sudão, no sul do Sudão, durante os 20 anos de guerra, onde um milhão de pessoas foram mortas e 5 milhões de refugiados ficaram deslocados. Muitas mulheres foram feitas de escravas pelos rebeldes e soldados, como escravas de sexo e também forçadas a carregar as munições, a água e a comida para os soldados. Então, aquela mulher caminhou durante 20 anos, para não ser raptada de novo. E somente quando houve uma epécie de paz, suas unhas dos pés cresceram de novo. Nós precisamos entender a paz da perspectiva das unhas do pé. Nós precisamos entender que realmente não podemos ter negociações do final das guerras ou paz sem incluir as mulheres plenamente em mesas de negociações Acho isso incrível que o único grupo de pessoas que não está lutando e matando e não está pilhando e não está queimando e estuprando, e o grupo de pessoas que mais – mas não exclusivamente – que continuam a viver a vida no meio de guerras, não são incluídas em mesas de negociações. E eu argumento que as mulheres lideram a discussão da linha de trás mas também há homens que são excluídos dessa discussão. Os médicos que não estão lutando, os artistas, os estudantes, os homens que se recusam a pegar uma arma, esses são excluídos das mesas de negociações. De maneira nenhuma podemos falar sobre uma paz duradoura, construir uma democracia, economias sustentáveis, qualquer tipo de estabilidade, se não incluirmos as mulheres plenamente em mesas de negociações. Não uma, mas 50%. De maneira nenhuma podemos falar sobre a construção de estabilidade se não começarmos a investir em mulheres e meninas. Vocês sabiam que um ano de despesas militares mundiais é igual a 700 anos do orçamento da ONU e é igual a 2. 928 anos do orçamento da ONU alocados para as mulheres? Se simplesmente revertêssemos essa distribuição de fundos, talvez pudéssemos ter uma paz duradoura melhor nesse mundo. E por último, mas não menos importante, precisamos investir em paz e em mulheres, não só porque é a coisa correta a se fazer, não só porque é a coisa correta a se fazer para todos nós construirmos uma paz sustentável e duradoura hoje, mas isso é para o futuro. Uma congolesa, que me contava sobre como os seus filhos viram o pai ser morto em frente deles e viram ela sendo estuprada em frente deles e mutilada em frente deles e seus filhos viram um dos irmãos deles, de 9 anos, ser morto em frente deles, como eles estão o. k. agora. Ela se envolveu com o programa Women for Women International. Ela entrou em uma rede de apoio. Ela aprendeu sobre os seus direitos. Nós a ensinamos habilidades vocacionais e empresariais. E a ajudamos a conseguir um emprego. Ela estava ganhando 450 dólares. Ela estava bem. Os filhos iam para a escola – tinha um novo lar. Ela disse, “Mas o que mais me aflige não é nada disso. O que me aflige é que meus filhos tenham ódio em seus corações, e quando crescerem, eles queiram lutar contra os assassinos do pai e do irmão deles.” Precisamos investir em mulheres, porque essa é a única chance que temos para que não haja mais guerra no futuro. Aquela mãe tem uma chance maior de cicatrizar os seus filhos do que qualquer acordo de paz. Há notícias boas? Claro que há. Existem muitas notícias boas. Para começar, essas mulheres que lhes falei dançam e cantam todos os dias, e se elas assim fazem, quem somos nós para não dançar. Aquela menina sobre a qual falei acabou criando o grupo Women for Women International que impactou um milhão de pessoas, enviou US$ 80 milhões, e eu comecei isso de zero, nada, nada, [confuso]. Essas são mulheres que estão em pé a despeito das suas circunstâncias, não por causa disso. Pensem como o mundo poderia ser um lugar melhor se, para variar, nós tivéssemos uma igualdade melhor, nós tivéssemos igualdade nós tivéssemos uma representação e nós endendéssemos a guerra, de ambas as discussões da linha de frente e da linha de trás. Rumi, um poeta sufi do XIII século, dizia, “Fora além das ideias de impecabilidades e transgressões, há um campo. Eu o encontrarei lá. Quando a alma se deita nessa grama, o mundo está cheio demais para falar. Ideias, linguagem, mesmo a expressão “um ao outro” não faz qualquer sentido.” Eu humildemente acrescento – humildemente acrescento que fora além dos mundos de guerra e paz, há um campo, onde há muitas mulheres e homens que lá se encontram. Vamos fazer esse campo um lugar muito maior. Vamos todos nos encontrar nesse campo. Muito obrigada.
pt
483
Sobre a simplicidade. Uma grande maneira de começar. Primeiramente, eu venho observando essa tendência em que há livros como "Isso ou Aquilo pra Leigos" Vocês conhecem esses livros, "Isso ou Aquilo para leigos"? Minha filha reparou que sou bem parecido, o que é um problema Eu estava procurando na Amazon. com, por outros livros desse tipo. Sabe, há também uns chamados "O guia completo para os idiotas"? Há um tipo de modelo de negócio sobre ser idiota de alguma maneira. Por alguma razão estranha, nós gostamos quando a tecnologia nos faz sentir mal. Mas eu realmente gosto disso, então escrevi um livro chamado "As leis de simplicidade" Semana passada estive em Milão, para o lançamento italiano. É um tipo de livro sobre perguntas - perguntas sobre a simplicidade. Muito poucas respostas. Eu mesmo me pergunto: o que é simplicidade? É bom? Ruim? Complexidade não é melhor? Não tenho certeza. Depois de escrever "As Leis da Simplicidade" Eu fiquei bem cansado de simplicidade, como vocês podem imaginar. E então descobri em minha vida que tirar férias é a técnica mais importante para qualquer pessoa de sucesso. Pois suas empresas sempre roubarão sua vida, mas nunca suas férias, ao menos em teoria. Então, no último verão, eu fui a Cape para me esconder da simplicidade, e também fui à Gap, porque eu só tinha calças pretas. Eu fui e comprei bermudas cáqui ou algo do gênero, mas infelizmente o posicionamento da marca era todo sobre "Mantenha a vida Simples" Eu abri uma revista e o posicionamento da marca Visa era "Negócios dependem de Simplicidade" Eu relevei fotografias e a KODAK dizia "Mantenha Simples" Diante disso, me senti estranho, já que a simplicidade parecia me perseguir. Então, eu liguei a TV, e normalmente eu não vejo muita TV. e aí estava essa pessoa - Paris Hilton, aparentemente. E ela tem um programa, "The Simple Life" Eu assisti o programa e não é muito simples, na realidade é um pouco confuso. Então, procurei um programa diferente para assistir. Eu abri o Guia da TV, e no Canal E, esse programa, "A Vida Simples", é bastante popular. Eles repetem o programa várias e várias vezes. Bom, na verdade, foi traumatizante. Eu queria escapar mais uma vez, então peguei meu carro, e em Cape Cod as ruas são perfeitas — e qualquer um aqui sabe dirigir. E quando você dirige, essas sinalizações são bastante importantes. Uma, simples, diz "Estrada" e "Estrada se aproximando" Então eu estou dirigindo tranquilamente, e aí vi esta placa. Com tudo isso, pensei que a complexidade estava me atacando, aí pensei, "Hum, simplicidade — muito importante" Mas também pensei "Hum simplicidade, como seria isso em uma praia? E se o céu fosse 41% cinza — não seria esse o céu perfeito?" Digo um céu simples. Mas, na realidade, o céu se parecia com isto; era um céu bonito, complexo. Sabe, com tons rosas e azuis. Não tem como não adorar a complexidade. Nós somos seres humanos; nós amamos coisas complexas. Amamos relacionamentos. Nós somos muito complexos. Então adoramos esse tipo de coisa. Estou eu nesse lugar chamado Laboratório de Mídia. Talvez alguns de vocês já tenham escutado sobre esse lugar. Ele foi desenhado por I. M. Pei, um dos mais importantes arquitetos modernistas. Modernismo significa caixa branca e essa é uma caixa branca perfeita. E alguns de vocês são empreendedores, etc, tanto faz. Mês passado eu estava no Google, e. que cantina! Aqui no Vale do Silício vocês tem coisas como opções de ações. Já na vida acadêmica nos temos títulos, um monte de títulos. Ano passado no TED, estes foram todos os meus títulos. Eu tive vários títulos. Eu tenho um título padrão de pai de um monte de filhas. Este ano no TED, estou feliz de relatar que tenho novos títulos que se somam aos meus títulos anteriores Mais um título de Diretor-associado de Pesquisa. E isso também aconteceu, então agora tenho 5 filhas. Essa é a minha bebê, Reina. Muito obrigado. Então minha vida é muito mais complexa por causa do bebê, na verdade, mas tudo bem. Nós vamos continuar casados, eu acho. Agora — olhando para o passado, quando eu era criança — eu cresci em uma fábrica de tofu, em Seattle. Talvez muitos de vocês não gostem de tofu porque vocês não comeram tofu bom, mas tofu é uma ótima comida. É um tipo muito simples de comida. É um trabalho muito duro fazer tofu. Quando criança, nós costumávamos acordar à uma da manhã e trabalhar até as seis da noite, 6 dias por semana. Meu pai era tipo Andy Grove, paranóico com competição. Muitas vezes, 7 dias por semana. Negócio familiar significa trabalho infantil. Nós éramos um bom exemplo disso. Por isso, eu adorava ir à escola. A época de escola era ótima, e talvez frequentar a escola me ajudou a chegar a esse Laboratório de Mídia, não tenho certeza. Obrigado. Mas o Laboratório de Mídia é um lugar interessante, e é importante para mim porque, na graduação, eu era um estudante de Ciência da Computação, e eu descobri o Design mais tarde na minha vida. E havia esta pessoa, Muriel Cooper. Quem conhece Muriel Cooper? Muriel Cooper? Ela não era demais? Muriel Cooper. Ela era excêntrica. E ela era uma TEDster, exato, e ela nos mostrou — ela mostrou ao mundo como transformar o computador em algo bonito novamente. E ela é muito importante na minha vida, porque ela é a pessoa que me disse para deixar o MIT e ir para a Escola de Artes. Foi o melhor conselho que eu já recebi. Então eu fui para a Escola de Artes, por causa dela. Ela faleceu em 1994, e eu voltei ao MIT contratado para ocupar seu lugar, mas é tão difícil. Essa pessoa incrível, Muriel Cooper. Quando eu estava no Japão — eu fui para uma Escola de Artes no Japão — eu tinha uma situação agradável, porque de algum modo eu estava conectado a Paul Rand. Alguns de vocês conhecem Paul Rand, o melhor designer gráfico — desculpem-me — que existe. O grande designer gráfico Paul Rand: criou o logo da IBM, da Westinghouse — ele basicamente disse "Eu criei de tudo." E também Ikko Tanaka foi um mentor muito importante em minha vida — o Paul Rand do Japão. Ele criou a maioria dos grandes ícones do Japão como a marca da Issey Miyake, e também da Muji. Quando você tem mentores — e ontem Kareem Abdul-Jabbar falou sobre mentores, essas pessoas na sua vida — o problema com os mentores é que todos eles morrem. Isso é uma coisa triste, mas é na verdade uma coisa feliz, de certo modo, porque você pode se lembrar deles em sua forma pura. Eu acredito que os mentores que cada um de nós conhece nos humaniza, de certa forma. Quando você fica mais velho, e você está todo desesperado, coisa assim, os mentores nos tranquilizam. E eu sou agradecido por meus mentores, e eu tenho certeza de que vocês o são também. Porque a questão humana é muito difícil quando você está no MIT. O T não quer dizer "humano", quer dizer "tecnologia." E por causa disso, eu sempre pensei sobre essa questão humana. Eu sempre procuro no Google por essa palavra, "humano", para ver quantos resultados eu encontro. E em 2001 eu conseguia 26 milhões de resultados, e para "computador", porque computadores são um pouco contra os humanos, eu conseguia 42 milhões de resultados. Deixem-me imitar Al Gore aqui. Então, se você compara isso, assim, você verá que computador-versus-humano — eu vim rastreando isso durante o último ano — computador-versus-humano mudou ao longo do último ano. Costumava ser próximo a 2 para 1. Agora, os humanos estão tirando a diferença. Muito bem, nós humanos: estamos alcançando os computadores. No âmbito da simplicidade, também é interessante, se você comparar complexidades e simplicidade, a simplicidade também está tirando a diferença, de certa forma. Então, de alguma forma, humanos e simplicidade estão relacionaos, eu acho. Eu tenho uma confissão: eu não sou um homem de simplicidade. Eu passei todo o ínicio da minha carreira fazendo coisas complexas. Muitas coisas complexas. Eu escrevia programas de computador para fazer gráficos complexos como este. Eu tinha clientes no Japão para quem eu fazia coisas realmente complexas como esta. E eu sempre me senti um pouco mal por causa disso. Então me escondi numa dimensão temporal: eu construí coisas em uma dimensão gráfica-temporal. Eu fiz esta séries de calendários para Shiseido. Este é um calendário com tema floral em 1997, e este é um calendário de fogos de artifício. Então você lança o número no espaço, porque os japoneses acreditam que quando você vê fogos de artifício você é mais legal, por alguma razão. É por isso que eles soltam fogos de artifício no verão. Uma cultura muito extrema. Finalmente, este é um calendário baseado no outono, porque eu tenho muitas folhas no meu jardim. Então isto são as folhas no meu jardim, essencialmente. Então, eu fiz muitas coisas do tipo. Eu tive sorte de ter estado lá antes que as pessoas fizessem esse tipo de coisas, e eu fiz todas essas coisas que bagunçam a vista. E eu me sinto um pouco mal por isso. Amanhã, Paola Antonelli vai falar; eu adoro a Paola. Ela atualmente tem essa mostra no MoMA onde alguns desses trabalhos iniciais estão expostos aqui no MoMA, nas paredes. Se você está em Nova Iorque, por favor, vá ver essa exposição. Mas eu tive problemas porque eu faço todas essas coisas voadoras e as pessoas dizem, "Ah, eu conheço seu trabalho, você é o cara que faz visuais bonitinhos." E quando dizem isso para você, você se sente meio estranho. "Visuais bonitinhos" — meio pejorativo, não acham? Então eu digo "Não, eu faço visuais com conteúdo". E visual com conteúdo é algo diferente, mais consistente, uma coisa mais poderosa, talvez. Mas o que seria isso, visual com conteúdo? Eu tenho me interessado por programas de computador a vida inteira, na verdade. Programas de computador são essencialmente árvores, e quando você faz arte com um programa de computador, há um problema. Quando quer que você faça arte com um programa, você sempre estará na árvore, e o paradoxo é que para uma arte excelente, você tem que estar fora da árvore. Então, esse é o tipo de complicação que eu encontrei. Para descer da árvore, eu comecei a usar meus computadores antigos. Eu levei estes para Tóquio em 2001 para fazer objetos para computador. Este é uma nova maneira de digitar, no meu antigo Classic colorido. Você não consegue digitar muito nisso. Eu também descobri que um mouse infra-vermelho responde a emissões de monitores CRT e começa a se mover sozinho, então essa é uma máquina que desenha sozinha. E também num ano, aquele G3 azul Bondi, aquela bandeja saía, meio perigosa, meio doida, assim. Mas eu pensei "Isto é muito interessante. E se eu fizesse como um teste de batida de carros?" Então eu tenho um teste de batidas. E medi o impacto. Coisas assim são coisas que eu fiz só para entender o que essas coisas são. Logo depois disso, aconteceu o 7 de setembro, e eu fiquei muito deprimido. Eu estava preocupado com arte comtemporânea que era toda sobre porcarias, e meio que coisas muito tristes, e eu queria pensar sobre uma coisa feliz, então eu foquei em comida como minha área — como essa coisa de descascar tangerinas. No Japão, é uma coisa maravilhosa tirar a casca da tangerina em uma peça inteira. Quem aqui já fez isso antes? Casca numa peça só? Ah, você estão perdendo se ainda não fizeram isso. Era muito bom, e eu descobri que podia fazer esculturas disso, em formas diferentes. Se você as secar rapidamente, você consegue fazer elefantes, bois e tal, e minha esposa não gostava disso porque elas mofam, então eu tive que parar com isso. Então eu voltei para o computador, e comprei 5 porções grandes de batatas fritas, e as escaneei todas. E eu estava procurando por um tipo de tema envolvendo comida, e eu escrevi um programa para automaticamente arranjar imagens de batatas fritas. E quando criança, eu ouvia aquela música, sabe, "Oh bela, pelos céus espaçosos, pelas ondas âmbar de trigo," então eu fiz essa imagem de ondas âmbar. É meio que um milharal do centro-oeste, feito de batatas fritas. Quando criança, eu era o mais gordo da turma da escola, e eu adorava Cheetos. Ah, eu amava Cheetos, hmmm. Então, eu queria brincar com Cheetos de alguma maneira. Eu não tinha certeza sobre aonde ir com isso. Eu inventei pintura Cheeto. Pintura Cheeto é uma maneira muito simples de pintar com Cheetos. Eu descobri que Cheetos são um material de boa expressividade. E com esses Cheetos eu comecei a pensar, "O que eu posso fazer com esses Cheetos?" Então eu comecei a aparar pedacinhos de batatas fritas, e também pretzels. Eu estava procurando por algum tipo de forma, e no final eu fiz 100 "batatoletas". Entenderam? E cada "batatoleta" é composta por peças distintas. As pessoas me perguntam como se faz a antena. Algumas vezes elas encontram cabelo na comida; esse é o meu cabelo. Meu cabelo é limpo — tudo bem. Eu sou um professor concursado, o que significa, basicamente, que eu não preciso mais trabalhar. É um modelo de negócio estranho. Eu posso vir para o trabalho todo dia e grampear cinco pedaços de papel e só ficar olhando para meu café. Fim de papo. Mas eu percebi que essa vida poderia ser chata, então eu tenho pensado sobre a vida, e eu percebi que a minha câmera — minha câmera digital versus o meu carro — uma coisa muito estranha. O carro é tão grande, a câmera é tão pequena, ainda assim o manual da câmera é muito maior que o manual do carro. Não faz o menor sentido. Então, eu estava em Cape uma vez, e digitei a palavra "simplicity", e descobri, de um jeito estranho, meio M. Night Shyamalan, que eu encontrei as letras "M-I-T", conhecem a palavra? Nas palavras "simplicity" e "complexity", "M-I-T" ocorrem na mesma sequência. É um pouco estranho, não? Então eu pensei em talvez fazer isso pelos próximos, sei lá, 20 anos. E eu escrevi um livro, "As Leis da Simplicidade" — é um livro bem pequeno e simples. Há 10 leis e 3 pontos-chave. As 10 leis e os 3 pontos-chave eu não vou abordar porque é por isso que eu tenho um livro, e também isso está disponível na internet gratuitamente. Mas as leis são, de certo modo, como sushi: existem de todas as espécies. No Japão, eles dizem que sushi é desafiante. Você sabe que a unidade é o mais desafiante, então o número 10 é desafiante — as pessoas odeiam o número 10 porque elas odeiam, na verdade, a unidade. Os 3 pontos-chave são fáceis de comer, então são como o anago. Já vêm pronto, bem fácil de comer. Então aproveite seu sushi mais tarde, com as Leis da Simplicidade. Porque eu quero simplificá-las para você. Porque essa é a razão de tudo: eu preciso simplificar esta coisa. Então, se eu simplifico as Leis da Simplicidade, eu tenho o que é chamado situação "biscoito ou roupa lavada". Qualquer um que tenha filhos sabe que se você oferece a uma criança um biscoito grande ou um biscoito pequeno, qual biscoito ela vai escolher? O biscoito grande. Você poderia dizer que o biscoito pequeno tem gotas de chocolate Godiva, mas não funciona. Ela quer o biscoito grande. Mas se você oferece às suas crianças duas pilhas de roupa lavada para dobrar, a pilha pequena e a pilha grande, qual elas vão escolher? Estranhamente, não a pilha grande. Então eu acho que é simples assim. Sabe, quando você quer mais, é porque você quer aproveitar; quando você quer menos, é porque envolve trabalho. Então, pra resumir, simplicidade tem a ver com viver a vida aproveitando mais e sofrendo menos. Eu acho que isso é uma versão simples de mais-versus-menos. Basicamente, sempre depende. Eu escrevi este livro porque eu quero entender a vida. Eu amo a vida. Eu amo estar vivo. Eu gosto de ver coisas. E a vida é uma grande questão, eu acho, sobre simplicidade, porque você está tentando simplificar sua vida. E eu amo ver o mundo. O mundo é um lugar incrível. Só de estar no TED nós vemos tantas coisas de uma só vez. E eu não posso negar o prazer que é observar tudo no mundo. Como tudo o que você vê, cada vez que acorda. É tanta alegria só de experimentar tudo no mundo. Desde tudo na entrada esquisita de hotel, a um plástico sobre a sua janela, a este momento em que a estrada na frente da minha casa foi pavimentada em preto, e essa mariposa branca estava sentada lá, morrendo no sol. E então, essa coisa toda me fez achar empolgante estar aqui, porque a vida é finita. Isso me foi dado pelo presidente da Shiseido. Ele é um expert em envelhecimento. O eixo horizontal é a sua idade — 12 anos de idade, 24 anos de idade, 74, 96 anos de idade — e esses são alguns dados médicos. Então a força do cérebro cresce até os 60, e depois dos 60, ela meio que diminui. Meio depressivo, de certo modo. Além disso, se você olhar a sua força física. Sabe, existem muitos calouros metidos no MIT, então eu digo a eles, "Ah, seus corpos estão mesmo ficando mais e mais fortes, mas nos seus vinte e tantos, trinta anos, as células morrem." OK. Às vezes isso faz com que eles se esforçem mais. E se você prestar atenção na sua visão, a visão é interessante. Conforme você passa da infância, sua visão melhora, e talvez depois da sua adolescência, vinte e poucos anos você está procurando por um par, e sua visão se vai depois disso. Sua responsabilidade social é muito interessante. Então conforme você envelhece, você pode ter filhos, sei lá. E então seus filhos se formam, e você não tem mais responsabilidade nenhuma — isso também é muito bom. Mas se qualquer um de vocês perguntar, "O que aumenta? Alguma coisa aumenta?" Qual o lado positivo disso, sabe? Eu acho que a sabedoria sempre aumenta. Eu amo esses caras e mulheres de 80, 90 anos. Eles têm tantos pensamentos, e eles têm tanta sabedoria, e eu acho — sabe, essa coisa do TED, eu ter vindo aqui. E esta é a quarta vez, e eu venho aqui pela sabedoria, eu acho. Este efeito todo do TED, ele meio que eleva sua sabedoria, de algum modo. E eu estou feliz por estar aqui, e estou muito agradecido por estar aqui, Chris. E esta é uma experiência incrível para mim também.
pt
484
A apresentação que fiz aqui dois anos atrás já foi vista umas 2000 vezes. Estou fazendo uma apresentação mais curta esta manhã e a estou fazendo pela primeira vez, então. Eu não quero nem preciso elevar meu próprio padrão; Na verdade, estou tentando abaixá-lo. Pois eu amontoei isso tudo aqui para tentar alcançar o objetivo desta sessão. E a fantástica apresentação de Karen Armstrong me fez lembrar que a religião, devidamente compreendida, não é simples questão de crença, mas de comportamento. Talvez devêssemos dizer a mesma coisa sobre o otimismo. Como ousamos ser otimistas? O otimismo por vezes é caracterizado como uma crença, uma postura intelectual. Como Mahatma Gandhi disse, "Você deve ser a mudança que deseja ver no mundo". E o resultado sobre aquilo a que desejamos dedicar nosso otimismo não será criado somente pela crença, embora em certo nível a crença possa criar novo comportamento. Mas a palavra "comportamento" também é, penso eu, algumas vezes má compreendida neste contexto. Eu defendo muito a troca das lâmpadas incandescentes e a compra dos carros híbridos, e Tipper e eu colocamos 33 painéis solares em casa, cavamos poços geotérmicos, e tudo mais. Mas, apesar de ser importante mudar as lâmpadas, é mais importante mudar as leis. E quando mudamos o nosso comportamento diariamente, algumas vezes esquecemos da parte da cidadania e da parte da democracia. Para podermos ser otimistas sobre isto, precisamos ser incrivelmente ativos como cidadãos em nossa democracia. Para resolver a crise climática, precisamos resolver a crise democrática. E nós temos uma. Estou tentando contar essa história há muito tempo. Uma senhora recentemente me fez lembrar disso. Ela passou pela mesa onde eu estava sentado, olhando para mim. Devia ter seus setenta anos, com um rosto gentil. Não havia pensado em nada até ver pelo canto do olho que ela estava voltando e continuava a olhar para mim. Então eu disse, "Como vai?" E ela disse, "Sabe, se você tingir seu cabelo de preto, você vai ficar igual ao Al Gore." Muitos anos atrás, quando eu era um jovem congressista, passei muito, muito tempo lidando com o desafio do controle de armas nucleares -- a corrida armamentista nuclear. E os historiadores militares me ensinaram, durante aquela busca, que os conflitos militares são normalmente distribuídos em três categorias: batalhas locais, regionais, em teatros de guerra, e as raras, mas importantes, guerras globais, mundiais. Conflitos estratégicos. E cada nível de conflito requer uma alocação diferente de recursos, uma abordagem diferente, um modelo organizacional diferente. Desafios ambientais entram nas mesmas três categorias, e em geral pensamos mais nos problemas ambientais locais: poluição do ar, da água, e depósitos de resíduos tóxicos. Mas também existem problemas ambientais regionais, como chuva ácida do centro-oeste ao nordeste dos EUA, da Europa Ocidental ao Ártico, e do centro-oeste pelo Mississippi até a zona morta do Golfo do México. E existem muitos desses problemas. Mas a crise climática é o raro, mas importante, conflito global, ou estratégico. Tudo é afetado. E precisamos organizar a nossa resposta adequadamente. Precisamos de uma mobilização mundial, global por energia renovável, conservação, eficiência, e uma transição global para uma economia de baixo carbono. Temos trabalho a fazer. E podemos mobilizar recursos e determinação política. Mas a determinação política precisa ser mobilizada para que possamos mobilizar os recursos. Permitam-me mostrar esses slides. Vamos começar com o logotipo. O que está faltando aqui, obviamente, é a calota polar norte. Só restou a Groenlândia. Há 28 anos, a calota polar, a calota polar norte, estava assim no final do verão, no equinócio do outono. Neste último outono, fui ao Snow and Ice Data Center em Boulder, Colorado, e conversei com os pesquisadores, aqui em Monterey, no Naval Postgraduate Laboratory. Aqui está o que aconteceu nos últimos 28 anos. Para compararmos, em 2005 foi feito o último registro. Aqui está o que aconteceu no último outono e que realmente desanimou os pesquisadores. A calota polar norte tem o mesmo tamanho, geograficamente. Não tem a mesma forma, mas é exatamente do mesmo tamanho dos EUA, menos uma área praticamente igual à do estado do Arizona. A quantidade que desapareceu em 2005 é equivalente a todo o território ao leste do Mississippi. A quantidade extra que desapareceu no último outono é equivalente a esta porção. O gelo volta no inverno, mas não como gelo permanente: volta como gelo fino. Vulnerável. A quantidade restante pode acabar completamente no verão em pouco tempo, cerca de cinco anos. Isso coloca muita pressão na Groenlândia. Nesse exato momento, ao redor do Círculo Ártico -- Esta é uma famosa vila no Alasca. Esta é uma cidade em Newfoundland. Antarctica. Últimos estudos da NASA. A dimensão de um derretimento de neve entre moderado e grave de uma área equivalente à da Califórnia. "Foram os melhores e os piores anos": a mais famosa frase de abertura na literatura inglesa. Quero compartilhar brevemente um "Conto de Dois Planetas". Terra e Vênus têm exatamente o mesmo tamanho. O diâmetro da Terra é aproximadamente 400 quilômetros maior, mas o tamanho é praticamente o mesmo. Têm exatamente a mesma quantidade de carbono. Mas a diferença é que, na Terra, a maioria do carbono foi drenada da atmosfera com o passar do tempo, e foi depositada no solo como carvão, petróleo, gás natural, etc. Em Vênus, a maioria está na atmosfera. A diferença é que a nossa temperatura é de 15 graus em média. Em Vênus, é de 457 graus. Isto é relevante para a nossa estratégia atual de extrair o máximo de carbono do solo o mais rápido possível e jogá-lo na atmosfera. E não é por Vênus estar ligeiramente mais perto do sol. É três vezes mais quente do que Mercúrio, que fica ao lado do sol. Agora, rapidamente, aqui temos uma imagem que vocês já viram antes, mas mostro outra vez para podermos fazer um CSI: Clima. A comunidade científica global diz que a poluição criada pelo homem, lançada na atmosfera, engrossa isso e retém mais do infravermelho que devia sair. Todo mundo sabe disso. No último resumo do IPCC, os cientistas queriam dizer, "Qual é o percentual de certeza?" Eles queriam responder "99%". Os chineses se opuseram, então ficou em "mais de 90%". Os céticos dirão, "Espere um pouco, isso pode ser devido a variações nessa energia vinda do sol". Se isso fosse verdade, a estratosfera seria aquecida tanto quanto a atmosfera inferior, se estivéssemos recebendo mais. Se temos mais retenção do que saída, então o esperado é que fique mais quente aqui e mais frio aqui. Aqui é a atmosfera inferior. Aqui está a estratosfera: mais fria. CSI: Clima. Agora, boas notícias. 68% dos americanos acreditam agora que a atividade humana é responsável pelo aquecimento global. 69% acreditam que a Terra está aquecendo substancialmente. É um progresso, mas aqui está o principal: quando apresentamos uma lista dos desafios a confrontar, o aquecimento global está em penúltimo lugar. O que está faltando é um senso de urgência. Se você concorda com a análise real, mas não sente a urgência, aonde isso leva você? Bem, a Alliance for Climate Protection, que eu dirijo junto com a CurrentTV, que fez esse serviço voluntário, promoveu um concurso mundial para escolher o melhor comercial que comunicasse isso. Este é o vencedor. A NBC -- vou mostrar todas as redes aqui. Os jornalistas principais da NBC fizeram 956 perguntas em 2007 para os candidatos à presidência: duas foram sobre a crise climática. ABC: 844 perguntas, duas sobre a crise climática. Fox: duas. CNN: duas. CBS: zero. "Dos risos às lágrimas", diz este que é um dos mais antigos comerciais de cigarro. Aqui está o que temos feito. Este é o consumo de gasolina em todos estes países. E o nosso. Mas não são somente os países desenvolvidos. Os países em desenvolvimento agora estão nos seguindo e acelerando o ritmo. E na verdade, as emissões cumulativas deles este ano são equivalentes às nossas em 1965. E eles estão nos alcançando dramaticamente. Em termos de concentrações totais: até 2025, eles estarão essencialmente onde nós estávamos em 1985. Se os países ricos não estivessem sendo contabilizados, ainda assim teríamos esta crise. Mas demos aos países em desenvolvimento as tecnologias e as formas de raciocínio que estão criando a crise. Isto é na Bolívia. Em um período de trinta anos. Esta é a pesca em alguns segundos. Nos anos sessenta. 70, 80, 90. Precisamos parar com isto. E a boa notícia é que podemos. Temos as tecnologias. Precisamos ter uma visão unificada de como agir: a luta contra a pobreza no mundo e o desafio de reduzir as emissões dos países ricos, têm uma única e simples solução. As pessoas perguntam, "Qual é a solução?". Aqui está. Colocar um preço no carbono. Precisamos de um imposto sobre o CO2, que não vise a geração de divisas, para substituir impostos sobre emprego, que foram inventados por Bismark. E algumas coisas mudaram desde o século 19. No mundo pobre, precisamos integrar as respostas à pobreza com soluções para a crise climática. Planos para combater a pobreza em Uganda são discutíveis se não resolvermos a crise climática. Mas essas ações podem, na verdade, fazer uma grande diferença nos países pobres. Esta é uma proposta que tem sido muito comentada na Europa. Isto é da Nature Magazine. Estas são usinas de concentração de energia solar renovável, conectadas através de uma rede chamada "supergrid" para fornecer toda a energia elétrica necessária na Europa, proveniente em grande parte dos países em desenvolvimento. Corrente contínua de alta voltagem. Isso não é sonho; isso pode ser feito. Precisamos fazer isto pela nossa própria economia. Os últimos números mostram que o modelo antigo não está funcionando. Há muitos investimentos que podem ser feitos. Se você estiver investindo em areia betuminosa ou xisto betuminoso, então você tem um portfolio lotado de ativos de carbono de alto risco. E tem um modelo antigo como base. Drogados encontram veias nos dedos dos pés quando as dos braços e pernas já não aguentam. Desenvolver areia betuminosa e xisto betuminoso é o equivalente. Aqui temos só alguns dos investimentos que eu pessoalmente acho que fazem sentido. Eu tenho participação nestes, então preciso de um termo de isenção de responsabilidade para mencioná-los. Mas geotérmicos, concentração solar, fotovoltaicos avançados, eficiência e conservação. Você já viu este slide antes, mas há uma alteração. Os únicos dois países que não aprovaram, e agora só um. Na Austrália houve uma eleição. E houve uma campanha na Austrália que envolveu comerciais na TV, Internet e rádio para aumentar o senso de urgência das pessoas. E treinamos 250 pessoas para fazer a apresentação com slides em cada vilarejo, município e cidade da Austrália. Muitas outras coisas contribuíram, mas o novo primeiro-ministro anunciou que sua principal prioridade seria mudar a posição da Austrália com relação a Kyoto, e assim foi. Mas eles alcançaram uma conscientização parcialmente devido à terrível seca que enfrentaram. Este é o lago Lanier. Meu amigo Heidi Cullins disse que se déssemos nomes às secas como damos aos furacões, chamaríamos a seca na região sudeste de Katrina, e diríamos que está indo em direção a Atlanta. Não podemos esperar pelo tipo de seca que a Austrália teve para mudar a nossa cultura política. Aqui temos mais boas notícias. As cidades apoiando Kyoto nos EUA já chegam a 780. Pensei ter visto uma ali, e acho que vocês a conhecem. E é uma boa notícia. Agora, para terminar, há alguns dias ouvimos sobre o valor de se fazer do heroísmo individual algo tão comum que ele passa a ser banal, ou rotina. O que precisamos é de outra geração de heróis. Nós, que estamos vivos especialmente nos Estados Unidos da América hoje, mas também no resto do mundo, precisamos de alguma forma compreender que a história nos apresentou uma escolha, tal como Jill Bolte Taylor tentava descobrir como salvar sua vida enquanto se distraía com a incrível experiência pela qual estava passando. Agora temos uma cultura de distração. Mas temos uma emergência planetária. E temos que encontrar uma maneira de criar, na geração dos que estão vivos hoje, um senso da missão de toda essa geração. Gostaria de encontrar palavras para transmitir isto. Essa foi outra geração de heróis que trouxe a democracia para o planeta. Outra que acabou com a escravidão. E que deu às mulheres o direito ao voto. Podemos fazer isto. Não me diga que não temos a capacidade para tal. Se tivéssemos o valor do que gastamos só durante uma semana na guerra do Iraque, poderíamos estar caminhando para a solução deste desafio. Temos capacidade para fazer isto. Uma última observação. Eu sou otimista, pois acredito que temos a capacidade, em momentos de grande necessidade, de colocar de lado os eventos distrativos e encarar o desafio que a história nos propõe. Às vezes ouço pessoas responderem aos fatos perturbadores da crise climática dizendo, "Ah, é tão terrível. É um fardo que carregamos". Eu gostaria de pedir a vocês que reformulassem isso. Quantas gerações em toda a história da humanidade tiveram a oportunidade de encarar um desafio que compense todos os nossos esforços? Um desafio que pode extrair de nós mais do que sabemos que podemos fazer? Penso que devíamos abordar este desafio com um senso de profunda alegria e gratidão por integrarmos a geração que, dentro de mil anos, orquestras filarmônicas, poetas e cantores vão celebrar dizendo, "eles foram os que agiram visando resolver esta crise, e criaram o alicerce para um futuro brilhante e otimista da espécie humana. Vamos fazer isto. Muito obrigado. Chris Anderson: Para muitos na TED, é uma tristeza ver que uma mera questão de design -- no fim das contas, um problema de design em uma cédula eleitoral -- um simples problema no papel impossibilitou sua voz de ser ouvida dessa forma pelos últimos oito anos, em um cargo onde você poderia ter feito com que essas coisas se tornassem realidade. Isso dói. Al Gore: Você não tem idéia. CA: Quando você vê o que os principais candidatos do seu partido estão fazendo agora. Você está entusiasmado com os planos deles concernentes ao aquecimento global? AG: Responder a essa pergunta é complicado para mim porque, por um lado, eu acho que deveríamos nos sentir bem com o fato de que o candidato republicano -- candidato já definido -- John McCain, e ambos os finalistas para a nomeação democrata -- todos os três têm uma posição diferente e inclinada ao avanço com relação à crise climática. Todos os três ofereceram liderança, e todos os três são muito diferentes da abordagem da administração atual. E eu acho que todos os três também têm sido responsáveis ao apresentar planos e propostas. Mas o diálogo da campanha, como ilustrado pelas perguntas que foram apresentadas pela League of Conservation Voters, a propósito, a análise de todas as perguntas -- A propósito, os debates foram todos patrocinados por algo que traz uma etiqueta Orwelliana, "Clean Coal". Carvão Limpo. Alguém reparou nisto? Cada debate foi patrocinado pela "Clean Coal". "Agora, com emissões ainda menores!" A riqueza e a plenitude do diálogo na nossa democracia não criou a base para o tipo de iniciativa audaz que é realmente necessária. Então, eles estão dizendo as coisas certas e podem -- quem quer que seja eleito -- fazer o que é certo, mas devo dizer: quando eu voltei de Kyoto em 1997, com um sentimento de grande felicidade por termos feito tantos avanços lá, e depois confrontei o Senado dos EUA, somente um dos 100 senadores estava disposto a votar para confirmar, aprovar o tratado. O que quer que os candidatos digam, precisará da voz do povo para lhe dar apoio. Este desafio é parte da construção de toda a nossa civilização. O CO2 é a expiração da nossa civilização, literalmente. E agora, mecanizamos este processo. Mudar o padrão requer um escopo, uma escala, uma velocidade de mudança que está além do que fizemos no passado. Por isso comecei dizendo, seja otimista no que você faz, mas seja um cidadão ativo. Exija. Mude as lâmpadas, mas mude as leis. Mude os tratados globais. Precisamos nos manifestar. Precisamos resolver essa democracia. Temos esclerose na nossa democracia. E precisamos mudar isto. Use a Internet. Navegue pela Internet. Contate as pessoas. Tornem-se cidadãos ativos. Exijam uma suspensão. Não deve ser criada nenhuma nova usina que utilize a queima de carvão e que não consiga capturar e armazenar CO2. O que significa que precisamos construir rapidamente estas fontes renováveis. Ninguém está conversando nessa escala. Mas eu acredito que entre agora e novembro, isso possa mudar. A Alliance for Climate Protection vai lançar uma campanha nacional -- mobilização nas ruas, anúncios de TV, anúncios na Internet, rádio, jornais -- com parcerias com todo mundo, desde escoteiras a caçadores e pescadores. Precisamos de ajuda. Precisamos de ajuda. CA: Em termos do seu papel pessoal nesse avanço, AI, há mais alguma coisa que você gostaria de estar fazendo? AG: Eu tenho rezado para encontrar a resposta para esta pergunta. O que eu posso fazer? Buckminster Fuller escreveu, "Se o futuro de toda a civilização humana dependesse de mim, o que eu faria? Como eu seria?". Depende de todos nós, mas novamente, não somente com troca de lâmpadas. Nós, a maioria de nós aqui, somos americanos. Temos uma democracia. Podemos mudar as coisas, mas temos que mudar ativamente. O que é realmente necessário é um nível mais elevado de conscientização. E é difícil de fazer -- É difícil criar isso. Mas está caminhando. Existe um antigo provérbio africano que alguns podem conhecer, que diz, "Se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá acompanhado". Precisamos ir longe, rapidamente. Portanto, precisamos mudar a consciência. Uma mudança no compromisso. Um novo senso de urgência. Uma nova gratidão pelo privilégio de podermos aceitar esse desafio. CA: Al Gore, muito obrigado por vir à TED. AG: Obrigado. Muito obrigado.
pt
485
Adoro design; Sou curadora de arquitetura e design. Trabalho no Museu de Arte Moderna, mas o importante -- sobre o que vamos falar hoje é o design. Designers realmente bons são como esponjas. São realmente curiosos e absorvem cada tipo de informação que aparece pelo caminho, e a transforma para que pessoas como nós possam usá-las. E isso me dá a oportunidade, pois cada mostra de design que eu curo meio que foca em mundos diferentes. E é fantástico, pois parece que a cada vez mudo de trabalho. E o que vou fazer hoje hoje é dar à vocês uma amostra da próxima mostra que estou organizando, que se chama "Design e a Mente Elástica." O mundo que decidi focar desta vez é o mundo da ciência e da tecnologia. Tecnologia está sempre presente quando design entra em cena mas a ciência, menos. Mas designers são ótimos para pegar grandes revoluções e transformá-las de forma que possamos usá-las. E essa é como a mostra será. Se você pensa sobre sua vida hoje, você passa diariamente por vários níveis, muitas mudanças de ritmo e passo. Você trabalha em fusos horários diferentes, fala com pessoas muito diferentes, faz várias tarefas ao mesmo tempo. Sabemos disso, e fazemos meio que automaticamente. Algumas das mentes nessa platéia são super elásticas, outras são mais devagar, outras têm estrias, mas mesmo assim essa é uma platéia excepcional deste ponto de vista. Outras pessoas não são tão elásticas. Não consigo fazer com que meu pai na Itália trabalhe com Internet. Ele não quer colocar internet em casa. E isso é porque existe um pouco de medo, um pouco de resistência ou somente mecanismos atravancados. Então designers trabalham nessa preguiça que temos, esses tipos de disconfortos que temos, e tentam facilitar a vida para nós. Elasticidade da mente é algo que realmente necessitamos, sabe, realmente necessitamos, que cuidamos e trabalhos nela. E essa mostra é sobre o trabalho de designers que nos ajuda a sermos mais elásticos, e também de designers que realmente trabalham nessa elasticidade como uma oportunidade. E uma última coisa é que não são apenas designers, mas os cientistas também. E antes de começar a mostrar alguns dos slides e a preview da mostra, gostaria de esclarecer esse belo detalhe sobre cientistas e design. Pode-se dizer que a relação entre ciência e design acontece há séculos. Pode-se falar é claro de Leonardo da Vinci, e outros homens e mulheres da renascença, e existe uma história enorme por trás. Mas de acordo com um ótimo historiador científico que devem conhecer, Peter Galison -- ele ensina em Harvard -- aquilo que, particularmente, a nanotecnologia e a física quântica trouxeram para designers é esse interesse renovado, essa paixão por design. Então, basicamente, a idéia de ser capaz de construir objetos do início, átomo por átomo, os transformou em tinkerers. E de uma hora para outra, cientistas estão procurando por designers, da mesma forma que designers estão procurando por cientistas. É uma nova história de amor que estamos tentando cultivar no MOMA, junto com Adam Bly, fundador da revista Seed-- que é agora uma empresa multimedia, vocës devem conhecer-- fundamos há mais ou menos um ano um encontro entre designers e cientistas, e é bem bonito. E Keith foi, e Jonathan também, e muitos outros. E foi ótimo, pois no começo foi uma festa de desculpas, sabem, cientistas diziam para designers, sabe, não sei o que é estilo, não sou muito elegante. E designers respondiam, oh, não sei resolver uma equação, não entendo do que está falando. E de repente, eles começaram a falar a mesma língua, e agora estamos no ponto em que eles colaboram. Conhecem Paul Steinhardt, um físico de Nova Iorque, e os arquitetos Aranda/ Larsch, colaboradores em uma instalação em Londres na Galeria Serpentine. E é interessantíssimo ver como isso funciona. A mostra vai discutir trabalhos de ambos designers e cientistas, e mostrar como estes apresentam possibilidades do futuro para nós. E sabem, estou mostrando para vocës agora partes diferentes da mostra, só para dar-lhes um gostinho de como será, mas nanofísica e nanotecnologia, por exemplo, realmente abriram as mentes dos designers. Nesse caso mostro mais o trabalho dos designers, pois eles foram os que mais foram estimulados. Muitos dos objetos na mostra são conceitos, não objetos que já existem. Mas o que você está vendo aqui é o trabalho de alguns cientistas da Universidade da Califórnia. Esse tipo de sopa de alfabeto é o novo modo de classificar proteínas, não somente por cores mas literalmente por letras alfabéticas. Então eles as constróem, e podem construir todos os tipos de formas na escala nano. Nesse caso é o trabalho de estudantes de design da Escola de Belas Artes de Londres que trabalharam com o seu tutor, Tony Dunne, e com um bocado de cientistas da Grã-Bretanha nas possibilidades da nanotecnologia no design no futuro. Novos elementos de sentidos no corpo. Pode crescer cabelos nas suas unhas, e assim agarrar algumas partículas de outra pessoa. Eles parecem muito, muito obcecados em descobrir mais sobre o parceiro ideal. Então eles estão trabalhando em melhorar tudo -- toque, odor, tudo que podem, para poder encontrar o parceiro perfeito. Muito interessante. E esse é um designer tipográfico de Israel que desenvolveu -- ele os chama "tipoesperma." Ele está pensando -- é claro que é tudo um conceito -- de injetar letras no esperma, e dentro do espermatozóide --- não sei como falar em Inglês --- espermatozóide, para torná-los -- para quase ter uma música ou um poema inteiro com cada ejaculação. Eu disse, designers são realmente fantásticos, sabem. Então, design de tecidos. Nesse caso também, você tem uma mistura de cientistas e designers. Esse faz parte do mesmo laboratório da Escola de Belas Artes de Londres. A EBA é realmente uma escola extraordinária nesse ponto de vista. Um dos projetos era trabalhar com carne in-vitro. Sabem que já podem crescer carne in-vitro. Na Austrália fizeram -- essa empresa de pesqusa, chamada SymbioticA, O problema é que é uma peça muito feia. Por isso, o trabalho para os estudantes era, como o bife do futuro deveria ser? Quando não precisará mais matar vacas e o bife pode ter qualquer forma, como deveria ser? Então esse aluno, James King, passeou pelo lindo campo inglês, escolheu a melhor, melhor vaca, e a colocou numa máquina de ressonância magnética. E então pegou os scanners dos melhores orgãos e fez as carnes. Claro, esse foi feito por uma empresa japonesa que faz comida em resina, mas sabem, no futuro poderá ser feito melhor. Mas esse exemplo reproduz o melhor E esse elemento aqui é muito mais banal. Algo que vocês sabem que já pode ser feito. que é crescer osso para fazer uma aliança de casamento do osso do seu amado -- literalmente. Então, este é feito mesmo de osso humano. Isto é SymbioticA, e como sabem, eles estão com a mão na massa, foram os primeiros a fazer a carne in-vitro, e agora também fizeram um casaco in-vitro, um casaco de couro. É minúsculo, mas é um casaco de verdade. Tem a forma de um. Então não teremos mais desculpas de usar tudo em couro no futuro. Um dos temas mais importantes da mostra, sabem, como em tudo na nossa vida hoje, podemos analisá-lo por vários pontos de vista, e vários níveis. Um dos conceitos mais importantes e interessantes é a idéia de escala. Mudamos dimenções muitas vezes, mudamos a resolução de monitores, e nós não -- não temos dificuldades em fazê-lo, fazemos bem confortavelmente. Então você vem, mesmo na mostra, desde a idéia da nanotecnologia e escala nano a manupulação de grandes quantidades de informação; o mapeamento e a etiquetagem do universo e do mundo. E nesse caso particularmente, uma seção será designada para o design da informação. E aqui vêem o trabalho do Ben Fry. Este é humano contra chimpamzés. os poucos cromossomos que nos distingue deles. Foi uma bela visualização que ele fez para a revista Seed. E aqui está o código inteiro do Pac-Man visualizado com todos os vá-para, volte-para, também transformado em uma bela coreografia. E também gráficos feitos por cientistas, esse bonito diagrafo de homologia protéica. Cientistas estão começando a considerar a estética. Estávamos discutindo com Keith Shrubb esta manhã o fato que muitos cientistas geralmente não usam nada adornado nas suas apresentações, se não eles têm medo de serem considerados loiras burras. Então eles escolhem os piores planos de fundo de qualquer PowerPoint, o pior tipo de letra. Só recentemente que este casamento entre design e ciência está produzindo as primeiras--- se podemos dizer assim -- apresentações científicas bonitinhas. Outro aspecto do design contemporâneo que penso ser promisor e será realmente o futuro do design, que é a idéia de design coletivo. Sabem, o XO laptop, o projeto Um Laptop por Criança, é baseado na idéa de colaboração e grupo e networking. Então, quanto mais, melhor. Quanto mais computadores, mais forte o sinal, e as crianças trabalham na modelagem das telas então tudo é baseado em fazer tudo juntos, tarefas juntas. Então a idéia de design coletivo é algo que se tornará ainda maior no futuro, e esse foi escolhido como exemplo. Em relação a idéia do design coletivo e do novo equilíbrio entre o indivíduo e a atividade coletiva, é a idéia da existência máxima. Este é um termo que inventei alguns anos atrás enquanto estava pensando quanto vivemos uns em cima dos outros e ao mesmo tempo como esses objetos pequenos, como, primeiramente, o Walkman e depois o iPod, cria bolhas de espaço ao nosso redor e nos deixam ter um espaço metafísico muito maior que o nosso espaço físico. Pode estar no metro e estar completamente isolado. e ter seu próprio espaço em seu iPod. E esse é o trabalho de vários designers que realmente aumenta a idéia de solidão e expansão pelo meio de várias técnicas. Esse é o telefone spa. A idéia é que tornou-se tão difícil ter uma conversa em privacidade em qualquer lugar que você vai a um spa, faz uma massagem, limpeza de pele, talvez uma esfoliação, e depois tem essa bela piscina com a temperatura perfeita, e você pode ter uma conversa nesse tanque de isolamento com quem quer que você tem desejado falar, por bastante tempo. E o mesmo aqui, Tele-presença Social. Na verdade já é um pouco utilizado por militares, mas é a idéia de poder estar em outro lugar com seus sentidos enquanto é removido dele fisicamente. E esse se chama Encontro às escuras. Então se você é muito tímido para um encontro de verdade, você fica à distância com suas flores e outra pessoa te substitui no encontro. Produção rápida é outra área importante em que tecnologia e design são, eu acho, feitas para mudar o mundo. Já ouviu falar várias vezes antes. Produção rápida é um arquivo de computador enviado diretamente do computador para a máquina de produção. Era chamado de protótipo rapido, modelo rápido. Começou nos anos 80, mas no começo eram máquinas modelando a partir de um bloco de isopor um modelo que era muito, muito frágil, e não tinha nenhum uso real. Devagar e sempre, os materias se tornaram melhores -- melhores resinas. As técnicas se tornaram melhores -- não só modelando mas também o uso de stereolitografia e laser, solidificando todos os tipos de resinas, em pó ou líquido. E as máquinas ficaram cada vez maiores, ao ponto de agora podermos fazer cadeiras de verdade feitas por produção rápida. Levam sete dias para se fabricar uma cadeira, mas sabem? Um dia, levará sete horas. E então o sonho é que você poderá, de casa, individualizar sua cadeira. Sabem, empresas e designers desenharão as matrizes ou as margens que respeitam ambas qualidade e a marca, e a identidade do design. E então poderá enviar para a loja da esquina e ir buscar a sua cadeira. Agora, as implicações são enormes, não somente a respeito à participação do consumidor final no processo do design, mas também sem rastreamento, sem armazém, sem desperdício de materiais. E também, imagino que muitos empresas de design terão de reanalisar seus próprios planos de negócio e talvez investir na loja da esquina. Mas é realmente uma grande mudança. E aqui mostro uma foto da revista WIRED, sabem, a parte dos Artefatos do Futuro que amo tanto, que mostra que você poderá ter sua impressora 3D e imprimir sua própria bola de basquete. Mas aqui temos exemplos, você já pode imprimir tecidos em 3D, o que é muito interessante. Esse é um toque muito legal -- chamado de prototipagem lenta. É um designer que coloca 10. 000 abelhas para trabalhar e elas fazem esse vaso. Elas tinham uma forma que deveriam respeitar. Mapeando e etiquetando. Com a capacidade das memórias de computador sempre aumentando, e o crescimento da capacidade de nossas mentes nem tanto, descobrimos que temos de etiquetar tanto quanto pudermos para que possamos traçar nossos caminhos. Também fazemos para compartilhar informação com outras pessoas. Novamente, esse senso de experiência comunal que parece tão importante nos dias de hoje. Portanto, várias formas de mapeamento e identificação são trabalhos de muitos designers hoje em dia. Os sentidos. Designers e cientistas trabalham para tentar expandir nossas capacidades sensoriais para que possamos alcançar mais. E tambem sentidos animais, de certa forma. Esse objeto em particular que muitas pessoas amam tanto é na verdade baseado num tipo de experimento científico -- o fato que as abelhas tem um olfato muito forte, e então -- assim como cachorros que podem cheirar tipos de câncer -- as abelhas também podem ser treinadas por reflexo Pavloviano para detectar um tipo de câncer, e também gravidez. Então esse estudante da Academia Real de Belas Artes desenhou esse belo objeto de vidro onde as abelhas movem de um compartimento a outro se detectam um cheiro particular que significa, nesse caso, gravidez. Outra forma é usada para câncer. Design em Debate é uma área muito interessante que designers criaram para si próprios. Alguns designers não desenham objetos, produtos, coisas que vamos realmente usar, ao invés, eles desenham cenários que são baseados em objetos. São bastante úteis. Eles ajudam empresas e outros designers a pensar melhor sobre o futuro. E geralmente são acompanhados por vídeos. Esse é muito bonito. É Dunne e Raby, "Todos os Robôs." São uma série de robôs que devem ser cuidados. Sempre pensamos que robôs tomarão conta de nós, e ao invés eles desenharam esses robôs que são muito, muito carentes. Precisa pegar um no colo e olhá-lo nos olhos por mais ou menos cinco minutos antes que ele faça algo. Outro fica muito, muito nervoso se você entra no quarto, e começa a tremer, então tem que acalmá-lo. Então é realmente um modo de nos fazer pensar mais sobre o que robôs significam para nós. "Noam Toram" e "Acessórios para o Homem Só." A idéia é que quando você perde seu amado ou termina feio com alguém, o que você realmente sente saudade sâo as coisas irritantes que você odiava quando estava com a outra pessoa. Então ele desenhou todos esses acessórios. Como esse que tira seu lençol a noite. E tem outro que respira no seu pescoço. Outro que atira pratos e os quebra. Então é só a idéia do que realmente sentimos saudade na vida. Elio Caccavale -- por sua vez, pegou a idéia daquelas bonecas que explicam leucemia. Está trabalhando em bonecas que explican transplante, e também no gene de aranha em cabra, de alguns anos atrás. Ele está trabalhando em uma série de bonecas para a mostra que explicam à crianças de onde os bebês se originam. Pois não é mais mamãe, papai, as flores e as abelhas e então nasce o bebê. Não, podem ser duas mães, três pais, in-vitro -- a idéia toda de como os bebês podem ser feitos hoje em dia mudou. Portanto é uma coleção de bonecas que ele está trabalhando agora. Uma das coisas mais bonitas é que designers não trabalham realmente em vida, mesmo que levem tecnologia em conta. E muitos designers têm trabalhado recentemente na idéia de morte e luto, e o que podemos fazer hoje em dia com novas tecnologias. Ou como deveríamos nos comportar perante isso com novas tecnologias. Esses três objetos ali são discos rígidos com uma conexão Bluetooth. Mas são na realidade artefatos muito, muito bem esculpidos que contém todo o desktop e a memória do computador de alguém que faleceu. Então, ao invés de ter somente fotos, poderá colocar esse objeto ao lado do seu computador e de uma hora para outra, sabe, ter a vida inteira e todos os arquivos da Gertrude e a sua agenda telefônica. Esse é ainda melhor. Esse é do Auger-Loizeau, "Vida após a Morte." É a idéia de que algumas pessoas não acreditam em vida após a morte. Então para dar-lhes algo tangível para mostrar-lhes que existe algo depois da morte, eles pegam os sucos gástricos de falecidos e os concentra, e os coloca em uma bateria que pode ser usada para dar energia a lanternas. Usadas também em -- você sabe, brinquedos sexuais, etc. É incrível como esses objetos podem fazê-lo sorrir, rir, e algumas vezes chorar. Mas espero que essa mostra em especial poderá traçar um novo perfil do futuro do design, no qual é sempre, espero, um perfil adiantado do mundo que está para vir. Muito obrigada.
pt
486
Ao olharmos na mídia à nossa volta, vendo notícias do Iraque, Afeganistão, Serra Leoa, estes conflitos nos parecem incompreensíveis. E também era assim que pareciam para mim quando comecei este projeto. Mas como um físico, eu pensei, bem, se vocês me derem dados, talvez eu possa compreender isso. Estabelecer um ponto de partida. Então, como um neozelandês ingênuo, eu pensei: vou para o Pentágono. Vocês podem me dar algumas informações? Não. Então tive que pensar mais a fundo sobre o assunto. E uma noite em Oxford eu estava assistindo ao noticiário. E olhei para o tagarelar dos apresentadores do meu canal preferido. E percebi que havia informação ali. Havia dados no meio dos fluxos de notícias que nós consumimos. Todo esse ruído à nossa volta, na verdade possui informação. Então comecei a pensar que talvez haja algo como inteligência aberta e livre aqui. Se nós conseguirmos compilar uma quantia suficiente destes fluxos de informação talvez consigamos começar a entender a guerra. Então foi exatamente isso que eu fiz. Começamos a juntar uma equipe, um time interdisciplinar de cientistas, economistas e matemáticos. Juntamos esse pessoal e começamos a tentar resolver este problema. Nós o fizemos em três etapas. A primeira etapa foi coletar. Coletamos 130 fontes diferentes de informação -- desde relatórios de ONGs até jornais e noticiários televisivos. Coletamos estes dados brutos e então os filtramos. Extraímos as partes-chave de informação para construir um banco de dados. Esse banco de dados continha a data dos ataques, o local, o tamanho e as armas utilizadas. Está tudo nos fluxos de informação que consumimos diariamente, só precisamos saber como extraí-la. E uma vez que tínhamos isto, podíamos começar a fazer umas coisas bem bacanas. E se olhássemos para a distribuição dos tamanhos dos ataques? O que isto nos diria? Então começamos a fazer isso. E vocês podem ver aqui, no eixo horizontal, temos o número de pessoas mortas em um ataque ou o tamanho de um ataque. E no eixo vertical, temos o número de ataques. Então colocamos os dados no gráfico para ilustrar isso. E pode-se ver um tipo de distribuição aleatória -- talvez 67 ataques, uma pessoa foi morta, ou 47 ataques onde 7 pessoas foram mortas. Fizemos exatamente a mesma coisa para o Iraque. E não sabíamos o que iríamos obter para o Iraque. Acontece que o encontramos é bastante surpreendente. Pega-se tudo sobre o conflito, todo o caos, todo o ruído, e a partir disso obtém-se esta precisa distribuição matemática sobre a maneira como os ataques são ordenados neste conflito. Isso nos deixou perplexos. Por que um conflito como o Iraque deveria ter isso como sua marca característica? Por que deveria haver ordem na guerra? Nós não entendemos isso com certeza. Nós pensamos que talvez haja algo especial sobre o Iraque. Então olhamos para alguns outros conflitos. Analisamos a Colômbia, analisamos o Afeganistão, analisamos o Senegal. E o mesmo padrão emergiu em cada um dos conflitos. Isso não deveria estar acontecendo. Essas são guerras diferentes, com facções religiosas diferentes, facções políticas diferentes, e problemas socioeconômicos diferentes. Mas ainda assim, os padrões fundamentais destes conflitos são os mesmos. Então fomos um pouco além. Olhamos por todo o mundo para todos os dados que fôssemos capazes de conseguir. Desde o Peru até a Indonésia, observamos este mesmo padrão novamente. E concluímos que não apenas as distribuições eram essas retas, mas a inclinação destas retas se acumulavam em torno deste valor de alfa igual a 2, 5. E conseguimos gerar uma equação que poderia prever as chances de um ataque. O que estamos dizendo aqui é qual a probabilidade de um ataque matar X número de pessoas em um país como o Iraque, é igual a uma constante, vezes o tamanho do ataque, elevado a menos alfa. E menos alfa é a inclinação daquela reta que eu lhes mostrei anteriormente. Mas e daí? Isso é dados, estatística. O que isso nos diz sobre estes conflitos? Esse foi um desafio que tivemos que encarar como físicos. Como explicamos isso? E o que encontramos foi que alfa se pensarmos bem sobre ele, se refere à estrutura organizacional da revolta. Alfa é a distribuição dos tamanhos dos ataques, que é na verdade a distribuição da força do grupo causando os ataques. Então analisamos um processo de dinâmica de grupos -- aglutinação e fragmentação. Grupos se juntando. Grupos se separando. E começamos a analisar os números sobre isso. Podemos simulá-los? Podemos criar os tipos de padrões que estamos vendo em lugares como o Iraque? Acontece que conseguimos fazer um trabalho razoável. Podemos rodar estas simulações. Podemos recriar isto usando um processo de dinâmica de grupos para explicar os padrões que observamos nos conflitos por todo o mundo. Então, o que está acontecendo? Por que estes conflitos diferentes -- aparentemente diferentes -- deveriam ter os mesmos padrões? O que eu acredito que esteja acontecendo é que as forças rebeldes, elas evoluem ao longo do tempo. Elas se adaptam. E acontece que há somente uma solução para se vencer um inimigo muito mais forte. E se você, sendo uma força rebelde, não encontra essa solução, você não existe. Então toda força rebelde existente, todo conflito existente, vai se parecer com algo assim. E isto é o que acreditamos que esteja acontecendo. Olhando para o futuro, como mudamos isso? Como acabamos com uma guerra como a do Iraque? Como ela se parece? Alfa é a estrutura. Em estado estável a 2, 5. É assim que as guerras se parecem quando elas continuam. Nós temos que mudar isso. Podemos forçar para cima. As forças se tornam mais fragmentadas. Há mais delas, mas são mais fracas. Ou podemos forçar para baixo. Elas se tornam mais robustas. Há menos grupos. Mas talvez possamos sentar e dialogar com eles. Então este gráfico aqui, que vou mostrar agora. Ninguém nunca o viu antes. Literalmente, é material que produzimos semana passada. E vemos a evolução do alfa ao longo do tempo. Vemos ele começar. E o vemos crescer até o estado estável com que se parecem as guerras ao redor do mundo. E permanece ali naquele nível através da invasão da Falluja até os bombardeios de Samarra nas eleições iraquianas de 2006. E o sistema é perturbado. Ele se move para cima para um estado fragmentado. Aqui foi quando o aumento de tropas aconteceu. E dependendo de quem você questiona, o aumento deveria forçar o alfa para cima ainda mais. O oposto aconteceu. Os grupos se tornaram mais fortes. Eles se tornaram mais robustos. Então pensei, ótimo, vai continuar a ir para baixo. Nós podemos dialogar com eles. Podemos chegar a uma solução. Mas o oposto aconteceu. E foi para cima novamente. Os grupos estão mais fragmentados. E isso me diz uma de duas coisas. Ou estamos de volta ao ponto onde começamos, e o aumento de tropas não teve efeito. Ou finalmente os grupos se fragmentaram a tal ponto que podemos começar a pensar em talvez sairmos de lá. Não sei qual é a resposta para isso. Mas eu sei que deveríamos estar olhando para a estrutura da revolta para responder a essa questão. Obrigado.
pt
487
♫ Acredito estar pronto para meu papo ♫ ♫ Acredito estar pronto pera as oportunidades ♫ ♫ Estive comendo fora e totalmente estressado ♫ ♫ De acordo com as circunstâncias. Entende? ♫ ♫ Eu tenho que levantar, levantar, levantar ♫ ♫ Acordar, acordar, acordar, acordar ♫ ♫ Entendo o que você esta dizendo ♫ ♫ Mandamos uma demo para o mundo, falaram que soa como Take 6 ♫ ♫ Eu disse "Espera ai, aguarde um minuto, voltarei com o remix" ♫ ♫ Olharam achando graça, nós não podemos fazer dinheiro ♫ ♫ Nos custou anos entender que tratavamos com iniciantes ♫ ♫ Eles não entendem o som do Bronx, esse é o boogie down ♫ ♫ para Huntsville, Alabama, não a marcas na minha agenda, então ♫ ♫ Era a hora de produzir, então nos juntamos com Townsend ♫ ♫ Fizemos acordo com John Neal, na estrada vendemos dez mil ♫ ♫ WBA, ou seja uma viagem a Nashville ♫ ♫ Festplatte apareceu e disse que esses garotos tem o dom ♫ ♫ Você escuta o que eles ouviam? Vê o que eles viam? ♫ ♫ Do Bronx a Berlin, nos fizemos o tour Europeu ♫ ♫ Tudo vocalizado sim, nós fizemos, chamamos o album de "O que é isso?" ♫ ♫ Com Sarah Connor, o objetivo era ser o numero um e conseguimos ♫ ♫ Mas agora é Kev, Sim, Drew, Stew, hora de um novo dia ♫ ♫ Soa o alarme, procure-os no Skype ou por dois caminhos ♫ ♫ Cantando pelas palavras, estamos prontos para voar! ♫ ♫ Voe Querida! É hora de dexar o ninho ♫ ♫ Voe Querida! Não há tempo para descansar ♫ ♫ Vamos lá voe querida, temos trabalho a fazer ♫ ♫ Aqui vamos nós, estender minhas asas e.♫ ♫ Voe Querida! É hora de dexar o ninho ♫ ♫ Voe Querida! Não há tempo para descansar. Vamos ♫ ♫ Voe querida, temos trabalho a fazer ♫ ♫ Aqui vamos nós, estender minhas asas e voar. Mais uma vez ♫ ♫ Voe Querida! É hora de dexar o ninho ♫ ♫ Voe Querida! Não há tempo para descansar ♫ ♫ Voe querida, temos trabalho a fazer ♫ ♫ Aqui vamos nós, estender minhas asas e.♫ ♫ Voce querida! Voe querida voe ♫ ♫ Voce querida! Voe alto querida ♫ ♫ Voce querida! Ate o céu ♫ ♫ Estender minhas asas e voar ♫ Instrumental! ♫ Estamos prontos para voar! ♫ Muito obrigado.
pt
488
Um dos meus personagens favoritos de desenho animado é o Snoopy. Eu amo o jeito que ele senta-se e fica em seu canil contemplando as coisas boas da vida. Então quando pensei sobre compaixão, minha mente me levou a uma das historias do desenho animado onde ele está deitado e diz, "Eu realmente entendo e realmete aprecio como alguém deve amar seu vizinho como a sí próprio. O único problema é que meu vizinho, eu não o suporto." Isto, de certa forma, é um dos desafios de como interpretar uma ideia realmente boa. Acredito que todos nós pensamos em compaixão. Se você olhar para todas as religiões do mundo, todas as principais religiões do mundo, você vai encontrar nelas algum ensinamento sobre a compaixão. Assim, no judaísmo, aprendemos na Torá, que deve amar ao seu vizinho como a sí mesmo. E dentro dos ensinamentos judaicos, os ensinamentos rabínicos, temos Hillel, que ensinou que você não deve fazer aos outros o que você não gosta que façam com voce mesmo. E todas as pricipais religioes têm ensinamentos semelhantes. E novamente, dentro do Judaismo, Temos um ensinamento sobre Deus que é chamado de O Compassivo, Ha-rachaman. Afinal, como o mundo poderia existir se Deus não fosse compassivo? E nós, como nos foi ensinado através do Torá, que somos feitos à imagem de Deus, portanto, nós também temos que ser compassivo. Mas o que significa isso? Como isso impacta nossa vida diária? Ás vezes, é claro, ser compassivo pode produzir sentimentos dentro de nós que são muito difíceis de controlar. Eu sei que muitas vezes quando tive que realizar um funeral, ou quando estava com os enlutados ou com pessoas que estavam morrendo, e estava envolvida pela tristeza, pela dificuldade, o desafio que é para a família, para a pessoa. E fico tão emocionada que as lágrimas enchem meus olhos. Mas ainda, se eu somente me permiti ficar envolvida por esses sentimentos, eu não estaria fazendo o meu trabalho, porque tenho que ser forte para eles e ter certeza que os rituais aconteçam, que os aspectos práticos sejam resolvidos. E ainda, por outro lado, se não sentisse compaixão, acho que seria hora de aposentar a minha batina e desistir de ser rabina. E estes mesmos sentimentos estão lá para todos nós enquanto encaramos o mundo. Quem não é tocado pela compaixão, quando vemos os terríveis resultados da guerra, da fome, terremotos e tsunamis? Sei que alguns dizem "Bem, você sabe que há tanta coisa acontecendo lá fora, eu não posso fazer nada. e não vou nem começar a tentar." E há alguns trabalhadores de entidades de caridade que chamam a compaixão de fadiga. Há outros que sentem que não podem mais confrontar a compaixão, e desligam a TV para não assitirem. No judaísmo, porém, temos a tendência de sempre dizer que tem que haver um meio-termo. Voce precisa, entretanto, estar consciente das necessidades dos outros, mas precisa se conscientizar de tal forma que consiga levar sua vida a diante e ajudar as pessoas. Assim, parte da compaixão tem que ser uma compreensão do é que faz as pessoas se moverem. E, claro, você não pode fazer isso a menos que você compreenda a si mesmo um pouco mais. E há uma bela interpretação rabínica dos primórdios da Criação Que diz que quando Deus criou o mundo, Deus pensou que seria melhor criar o mundo somente com o divino atributo da justiça. Porque, afinal, Deus é justo. Portanto, deveria haver justiça em todo o mundo. E então Deus olhou para o futuro e percebeu Se o mundo fosse criado apenas com a justiça, o mundo não poderia existir. Então, Deus pensou: "Não, eu vou criar o mundo apenas com compaixão." E aí Deus olhou para o futuro e percebeu que, Na verdade, se o mundo fosse apenas cheio de compaixão, haveria anarquia e caos. Tem de haver limite para tudo. Os rabinos descrevem isso como um rei que tem uma bela taça frágil de vidro. Se você colocar muita água fria dentro, ela quebrará. Se colocar água fervendo dentro, ela quebrará O que voce tem que fazer? Por uma mistura das duas. Então Deus pôs ambas possibilidades no mundo. Há algo mais, no entanto, que tem que estar lá. E isto é a tradução dos sentimentos que podemos ter sobre compaixão no mundo mais complexo, em ação. Você sabe, como Snoopy, não podemos simplesmente ficar lá deitados e termos grandes pensamamentos sobre nossos vizinhos. Temos realmente que fazer alguma coisa sobre isso. Também há, dentro do judaísmo, essa noção de amor e gentileza que se torna muito importante. Chesed. Todas estas três coisas tem que ser fundidas. A idéia de justiça, que dá limites para nossas vidas e nos dá uma sensação do que é certo sobre a vida, o que é certo sobre o viver, O que deveríamos estar fazendo, justiça social. Tem que haver uma vontade de fazer boas ações, mas não, é claro, ás custas de nossa própria sanidade. Você sabe, não há como você fazer nada por ninguém, Se você exagerar. E equilíbrando todas elas no centro, é a noção de compaixão. Que tem que estar lá, se preferem, em nossa raízes. A ideia de compaixão vem até nós Porque fomos feitos á imagem de Deus. Que é afinal, o que mais tem compaixão. O que implica essa compaixão? Emplica em compreender as dores dos outros. Até mais que isso, Significa entender nossa ligação com a todalildade da Criação, e entender que somos parte dessa Criação, que há uma unidade subjacente a tudo o que vemos, tudo que ouvimos, que sentimos. Eu chamo isso de unidade com Deus. E que essa unidade é algo que liga toda a criação. E é claro, no mundo moderno, com o movimento ambientalista, estamos nos tornando mais conscientes da conectividade das coisas, que algo que faço aqui, na verdade, afeta a África, que se eu usar muito do meu subsídio de carbono, parece, que estamos causando uma grande falta de chuva na África Central e Oriental. Então há conectividade. E tenho que entender que como parte da criação, como parte de eu ter sido feita à imagem de Deus. E tenho que entender que minhas necessidades às vezes têem que ser sublimadas as outras necessidades. Este discurso de 18 minutos, acho fascinate Porque no judaísmo, a palavra, o número 18, em letras hebraicas, significa vida, a palavra vida. Então, de certa forma, 18 minutos me desafiam a dizer em vida, isso é o que é importante em termos de compaixão, mas algo mais também. Na verdade, 18 minutos são importante. Porque na Páscoa, quando temos de comer pão ázimo, rabinos dizem o que é a diferença entre a massa que é convertida em pão, e massa que é convertida em pão ázimo, matzá. E eles dizem que é 18 minutos. Porque esse é o tempo que leva para que esta massa seja levedada. O que significa, a massa torna-se levedada? Significa que se enche de ar quente. O que há de matzá? O que é pão ázimo? Voce não entende. Simbolicamente, o que os rabinos dizem, é que na Páscoa, o que temos a fazer é tentar nos livrar do nosso ar quente, nosso orgulho, nosso sentimento de que somos as pessoas mais importantes no mundo todo, e que tudo deve girar em torno de nós. Então tentamos nos livrar deles, e assim, tentar se livrar dos hábitos, das emoções, das idéias que nos escravisam, fecham nossos olhos, nos dão uma visão reduzida para não vermos as necessidades dos outros, e nos libertar de tudo isso. E isso também é uma base para se ter compaixão, para entender nosso lugar no mundo. Agora, há, no judaísmo, uma história linda de um homem rico que se sentou na sinagoga um dia e, como muitas pessoas fazem, ele estava cochilando durante o sermão. E enquanto ele cochilava, eles estavam lendo o livro de Levítico na Torá. e eles estavam dizendo que nos tempos antigos, no templo em Jerusalém, os sacerdotes costumavam ter pães, que eles colocavam em uma mesa especial no templo em Jerusalém. O homem estava dormindo, mas ele ouviu as palavras pão, templo, Deus, e acordou. Ele disse: "Deus quer pão. Isso mesmo. Deus quer pão. Eu sei que Deus quer." E ele correu para casa. E depois do Sabbath, ele fez 12 pães, levou-os para a sinagoga, entrou na sinagoga, abriu a arca e disse: "Deus, eu não sei porque você quer esse pão, mas aqui está." E ele colocou na arca com os pergaminhos da Torá. E foi para casa. O faixineiro entrou na sinagoga. "Oh Deus, eu estou com tantos problemas. Eu tenho filhos para alimentar. Minha esposa está doente. Eu não tenho dinheiro. O que vou fazer? " Ele vai para a sinagoga. "Deus tu vais me ajudar? Ah, que cheiro maravilhoso." Ele vai até a arca e a abre. "Lá estava o pão! Deus, você respondeu o meu apelo. Tu já respondeste à minha pergunta." Ele pega o pão e vai para casa. Enquanto isso, o rico pensa consigo mesmo, "Eu sou um idiota. Deus quer pão? Deus, Aquele que governa o universo inteiro, quer o meu pão? " Ele corre para a sinagoga. "Eu vou tirá-los da Arca antes que alguém os encontre." Ele chega lá e nada. E ele diz: "Deus, você realmente queria. Você queria o meu pão. Na próxima semana, com passas." Durou anos. Toda semana, o homem trazia pão com passas, com todo tipo de coisas boas, colocava na arca. Toda semana, o faxineiro vinha. "Deus você respondeu minha orações novamente." Ele pegou o pão e levou para casa. Durou até que um novo rabino veio. Rabinos sempre estragam as coisas. O rabino veio e viu o que estava acontecendo. E chamou os dois em seu escritório. E ele disse, você sabe, "Isto é o que está acontecendo." E o homem rico - oh, meu Deus - cabisbaixo. "Quer dizer que Deus não queria o meu pão?" E o pobre homem disse: "E você quer dizer que Deus não respondeu as minhas petições?" E o rabino disse, "Você me entendeu mal". "Você entendeu completamente errado", ele disse "Claro, o que você está fazendo", disse ao homem rico, "está respondendo os pedidos de Deus que devemos ter compaixão." "E Deus", ele disse ao homem pobre ", está respondendo suas orações que as pessoas precisam ter compaixão e dar." Ele olhou para o homem rico segurou as suas e disse: "Não entende?" ele disse: "Estas são as mãos de Deus". Então esta é a forma que sinto, que eu só posso tentar abordar esta noção de ter comapixão, compreendendo de que existe uma ligação, que existe uma unidade neste mundo, E eu quero tentar servir a essa unidade, e que eu possa tentar fazer isso através da compreensão, espero, tentando entender um pouco da dor dos outros, mas entender que existem limites, que as pessoas têm de assumir a responsabilidade por alguns dos problemas que as afetam, e que eu tenho que entender que há limites para a minha energia, para o quanto eu posso dar. Tenho que reavaliá-los, tentar separar as coisas materiais e minhas emoções que podem escravizar-me, para que possa ver o mundo claramente. E, então, procurar ver em quais caminhos posso fazer destas as mãos de Deus. E assim tentar trazer compaixão para a aivda, neste mundo.
pt
489
Sou pediatra e anestesista, portanto adormeço crianças profissionalmente. E sou acadêmico, portanto adormeço platéias de graça. Mas o que realmente mais faço é administrar o serviço de administação de dor no Packard Children's Hospital em Stanford em Palo Alto. E é desta experiência de 20 a 25 anos que eu gostaria, esta manhã, de falar para vocês, que a dor é uma doença. Bom, a maioria das vezes, nós pensamos na dor com um sintoma de uma doença. E na maioria das vezes isto é verdade. É o sintoma de um tumor ou de uma infecção ou de uma inflamação ou de uma operação. Mas em aproximadamente 10 por cento das vezes, depois que o paciente se recuperou desses casos, a dor persiste. Ela persiste por meses e algumas vezes por anos. E quando isso acontece, ela é a própria doença. Antes de contar como achamos que isto acontece e o que podemos fazer neste caso, eu quero mostrar como os meus pacientes a sente. Imagine, então, que estou tocando seu braço com uma pena, como estou tocando meu braço agora. Agora, quero que imagine que estou tocando com isto. Por favor, mantenham-se sentados. Uma sensação muito diferente. Mas o que isto tem a ver com a dor crônica? Imagine estas duas imagens ao mesmo tempo. Imagine como seria a sua vida se você fosse tocado com esta pena, mas seu cérebro dissesse que você sente isto - isso é o que sentem meus paciente de dor crônica. Na verdade, imagine algo muito pior. Imagine que eu estava tocando o braço de seus filhos com esta pena, e cérebro deles dizendo a eles que eles estavam sentido esta chama. Essa foi a experiência de minha paciente, Chandler, que vocês veem nesta foto. Como podem ver, ela é uma linda jovem. Ela tinha 16 anos quando a vi, no ano passado, e ela desejava ser uma dançarina profissional. Durante um dos seus ensaios de dança, ela caiu sobre seu braço estendido e torceu o pulso. Vocês provavelmente imaginam, como ela o fez, que torcer o pulso é algo comum na vida de uma pessoa. Imobilize com uma bandagem, tome algum iboprofeno por uma ou duas semanas, e ponto final. Mas no caso de Chandles, era apenas o começo da história. Era assim que estava o braço dela quando ela foi ao meu consultório três meses depois da torção. Vocês podem notar que o braço esta descolorido, arroxeado. E estava gelado como se estivesse morto. Os músculos estavam congelados, paralizados - distônico, como dizemos. A dor havia se espalhado do seu pulso para suas mãos, para ponta dos dedos, de seu pulso até o cotovelo, quase chegando ao seu ombro. Mas a pior parte não era a dor espontânea que sentia 24 horas por dia. O pior era que ela tinha alodinia, termo médico para o fenômeno que expliquei com a pena e a chama. O menor toque em seu braço - o toque de uma mão, mesmo o toque da manga, da roupa, quando ela se vestia - causava uma dor aguda, queimava. Como o sistema nervoso pode se confundir tanto? Como pode o sistema nervoso desvirtuar uma sensação inocente como o toque de uma mão e transformá-lo em uma sensação ruim como a de uma chama. Bem, você provavelmente imagina que o sistema nervoso de uma pessoa se parece com a fiação de sua casa. Em sua casa, os fios correm pelas paredes, do interruptor para a caixa de distribuição no teto e da caixa de distribuição para a lâmpada. Quando você liga o interruptor, a lâmpada acende. Quando você desliga o interruptor, a lâmpada apaga. Daí as pessoas imaginam que o sistema nervoso se comporta dessa maneira. Se você martela o dedão, os fios de seu braço - que, claro, chamamos de nervos - transmitem a informação para a caixa de distribuição na medula espinhal no qual novos fios, novos nervos, levam a informação para o cérebro e então você toma consciência de que seu dedão está machucado. Mas a realidade, claro, no corpo humano é muito mais complexa que isso. Em vez de ser o caso no qual a caixa de distribuição na medula espinhal é simplesmente um nervo se conectando com o próximo nervo soltando pequenos pacotes marrons de informações químicas chamadas neurotransmissores de modo linear de um para um, na verdade, o que acontece é que os neurotransmissores transmitem em três dimensões - lateralmente, verticalmente, subindo e descendo pela medula espinhal - e começam a interagir com outras células adjacentes. Essas células, chamadas células glia, imaginava-se que eram elementos estruturais sem importância da medula espinhal que nada mais faziam além de manter as coisas importantes juntas, como os nervos. Mas na verdade as células glia tem um papel vital na modulação, amplificação e, no caso da dor, a distorção da experiencia sensorial. As células glia se tornarm ativas. Seu DNA começa a sintetizar um nova proteina, que se espalha e interage com os nervos adjacentes. E eles começam a liberar seus neurotransmissores. E esses neurotransmissores se espalham e ativam as células glia adjacentes, e assim por diante, até termos uma realimentação positiva. É quase como se alguém entrasse em sua casa e passasse uma nova fiação, de modo que da proxima vez que fosse ligar a luz, daria descarga no toalete a três portas de onde está, ou seu lava-louças ligaria, ou o monitor do computador desligaria. É algo maluco, mas é isso que acontece, de fato, com a dor crônica. E é por isso que a dor se torna em si uma doença. O sistema nervoso é maleável. Ele se modifica, se adapta em resposta ao estímulo. Bom, o que fazemos então? Que podemos fazer em casos como o de Chandler? Tratamos estes paciente de um modo primitivo atualmente. Nos os tratamos com drogas modificadores de sintomas - analgésicos - que não são, francamente, muito eficientes para este tipo de dor. Nós tomamos os nervos que são ruidosos e ativos que deviam estar quietos, e os adormecemos com anestésicos locais. E mais importante, o que fazemos é que usamos um rigoroso, e geralmente desconfortável, processo de uma terapia física e de uma terapia ocupacional para frear os nervos do sistema nervoso de responder normalmente às atividades e experiencias sensorias que fazem parte de nosso dia a dia. E nós embasamos tudo isso com um programa intensivo de psicoterapia que atua na inadequação, desespero e depressão que sempre acompanha dores severas, crônicas. É um sucesso, como podem ver neste vídeo de Chandles, que, dois meses depois da primeira consulta, esta fazendo um giro invertido. Eu almocei com ela ontem, pois ela é uma aluna do colegial estudando dança aqui em Long Beach. Ela está muito muito bem. Mas o futuro na verdade é mais brilhante. O futuro promete que novas drogas serão desenvolvidas que não são drogas modificadores de sintomas que simplesmente mascaram o problema, como as que temos hoje, mas serão drogas modificadores da doença que atuarão realmente na raiz do problema e atacarão as células glia, ou as proteinas perniciosas que as células glia sintetizam, que se espalham e causam este transtorno no sistema nervoso central, ou na maleabilidade, que é capaz de distorcer e amplificar a experiência sensorial que chamamos dor. Tenho esperaça de que no futuro, as proféticas palavras de George Carlin serão verdade, ele disse: 'Minha filosofia: Sem dor, sem dor.' Muito obrigado.
pt
490
(Video: Narrador: Um evento observado por um ponto de vista dá uma impressão. Por outro ponto de vista, dá uma impressão bem diferente. Mas é apenas quando você tem o cenário completo que pode entender totalmente o que está acontecendo.) Sasa Vucinic: é um ótimo clipe, não? E eu descobri que em 29 segundos, diz mais sobre o poder, e a importância, da mídia independente que eu poderia dizer em uma hora. Por isso pensei que seria bom começar com ele. E também começar com um pouco de estatística. Segundo importantes pesquisadores, 83% da população deste planeta vive nas sociedades sem imprensa independente. Pensem sobre este número: 83% da população de todo o planeta não sabe realmente o que acontece nos seus países. A informação que obtêm é filtrada por alguém que ou distorce essa informação, ou colore essa informação, faz algo com ela. Assim eles estão privados da compreensão da própria realidade. Isso é apenas para entender o quão grande e importante este problema é. Agora aqueles de vocês que têm a sorte de viver nestas sociedades que representam 17%, acho que deveriam aproveitá-las enquanto duram. Sabem, domingo de manhã abram o jormal, tomem seu cappuccino. Aproveitem enquanto dura. Porque como ouvimos ontem, países podem perder estrelas das suas bandeiras, mas eles podem também perder liberdade de imprensa, como acho que Americanos dentre nós podem contar mais a respeito. Mas este é totalmente outro e diferente tópico. Então vou voltar para minha história. Minha história começa -- a história que quero contar -- começa em 1991. Na época eu dirigia o B92, a única mídia independente, e na prática a única mídia eletrônica do país. E acho que compartilhávamos -- tínhamos aquela vida normal da única mídia independente do país, operando em um ambiente hostil, onde o governo realmente quer tornar sua vida miserável. E existem modos diferentes. Sim, este era o coquetel típico. Um pouco de ameaças, um pouco de conselhos de amigo, um pouco de policiamento financeiro, um pouco de censura. Então você sempre tem alguém que nunca sai do seu escritório. Mas o que eles realmente faziam, que era poderoso, e que é o que governos no final dos anos 90 começaram a fazer se eles não gostam de empresas de mídia independente -- sabem, eles ameaçam os anunciantes. Uma vez que ameacem seus anunciantes as forças do mercado estão, na prática, sabem, destruídas, e os anunciantes não querem mais aparecer -- não importa quanto faça sentido para eles -- não querem publicar propaganda. E você tem um problema para fechar as contas. E naquela época no começo dos anos 90, tivemos esse problema, que era, sabem, sobreviver sob esta situação. mas o que foi mesmo doloroso para mim foi, lembrem-se, começo dos anos 90, a Iugoslávia estava desintegrando. Nós estávamos sentados lá com um país no abismo, em um abismo em câmera lenta. E todos nós tínhamos tudo gravado. Tivemos a capacidade de entender o que acontecia. Estávamos de fato registrando a história. O problema era que tínhamos de regravar aquela história uma semana depois; porque se não o fizéssemos, não conseguiríamos comprar fitas para manter arquivos da história. Então se consegui lhes passar a imagem, não quero me demorar nisso. Naquele contexto um senhor foi ao meu escritório na época. Ainda era 1991. Ele estava dirigindo uma organização de sistemas de mídia que ainda está em operação. O homem ainda trabalha nela. E o que eu sabia na época sobre sistemas de mídia? Eu pensava que sistemas de mídia eram organizações, o que significa que elas deveriam ajudar você. Então eu preparei dois planos para o encontro, dois planos estratégicos. O pequeno e o grande. O pequeno era: eu só queria que ele nos ajudasse a obter as malditas fitas, para poder manter aquele arquivo pelos próximos 50 anos. O grande plano era pedir a ele um empréstimo de um milhão de dólares. Porque eu pensei, e ainda acredito que empresas de mídia sérias e independentes são um ótimo negócio. E eu pensei que B92 iria sobreviver e ser uma grande empresa quando Milosevic se fosse, o que tornou-se realidade. É agora provavelmente, ou a maior, ou a segunda maior empresa de mídia do país. E eu acho que a única coisa de que precisávamos na época era um empréstimo de um milhão de dólares para atravessar os tempos difíceis. Para encurtar a história, o homem chegou no meu escritório, perfeito terno e gravata. Eu dei a ele o que eu pensava ser uma explicação brilhante da situação política e expliquei quão dura e difícil a guerra seria. Na verdade, subestimei as atrocidades, preciso admitir. Não obstante, depois de toda, grande, longa explicação, a única pergunta que ele tinha para mim -- e isto não é piada -- foi: estamos pagando royalties para tocar música de Michael Jackson? Esta era realmente a única pergunta que ele tinha. Ele saiu, e me lembro de me sentir mesmo muito bravo comigo mesmo porque pensei que deveria haver uma instituição no mundo que oferecesse empréstimos para empresas de midia. É tão óbvio, bem na sua frente, e alguém deveria ter pensado nisso, Alguém deveria ter começado algo assim. E eu pensei, é porque sou burro que não consigo encontrá-la. Sabem, em minha defesa, não havia Google na época; Não era possível usar Google em 91. Então pensei que era mesmo meu problema. Agora saímos dali, avançamos para 1995. Eu tive -- saí do país, tive um encontro com George Soros, tentando pela terceira vez convencer ele de que deveria -- sua fundação deveria investir em algo que deveria operar como um banco da mídia. E basicamente o que eu dizia era muito simples. Sabem, esqueça da caridade, não funciona; esqueça sobre doações, 20. 000 dólares não ajudam ninguém. O que você deveria fazer é tratar empresas de mídia como um negócio. É um negócio em qualquer lugar. Negócios de mídia, ou quaisquer outros, precisam ser capitalizados. E do que estes caras precisam, realmente, é acesso ao capital. Então na terceira reunião, os argumentos foram bem expostos. No final da reunião ele diz, veja, não vai funcionar, você nunca vai ter o dinheiro de volta. Mas minhas fundações vão alocar 500. 000 dólares para que você possa testar a idéia. Ver e -- ver que não vai funcionar. Ele disse, vou dar corda para você se enforcar. Eu sabia de duas coisas depois daquela reunião. Primeiro, sob nenhuma circunstância queria me enforcar. E segundo, que eu não tinha idéia de como fazer funcionar. Vejam, no nível de um conceito, era um ótimo conceito. Mas é uma coisa ter um conceito, é uma coisa totalmente diferente de fato fazer funcionar. Então eu não tinha nenhuma idéia de como poderia funcionar. Tinha a idéia errada, pensei que podíamos ser um banco. Vocês sabem, bancos, não sei se existe um banqueiro aqui, peço desculpas de antemão, mas é o melhor trabalho do mundo. Sabem, você acha alguém que é respeitável e tem muito dinheiro. Você dá a eles mais dinheiro; eles pagam de volta após um tempo. Você cobra juros e não faz nada até lá. Então pensei, por que não entrar nesse negócio? Então estávamos com nosso primeiro cliente, brilhante. Primeiro jornal independente da Eslováquia. O governo os boicotando de todas as gráficas em Bratislava. Aqui está o jornal diário, que tem de ser impresso a 400 quilômetros da capital. É um jornal diário com fechamento às 16: 00h. Significa que eles não têm esportes, eles não têm noticias recentes, a circulação cai é como uma forma gentil, sofisticada de estrangular economicamente um jornal diário. Eles vieram a nós com um pedido de empréstimo. Eles queriam -- a única forma de sobreviverem era ter uma gráfica. E dissemos, há -- está bem, vamos nos encontrar, vocês nos trazem seu plano de negócio, que eventualmente fizeram. Começamos a reunião. Eu recebi estas duas páginas, não como esta, formato A4, que é bem maior. Muitos números ali. Um bocado de números. Mas, não importa como os arranjasse, sabem, os números não faziam sentido. E aquilo era o melhor que eles podiam fazer. Nós éramos o melhor que eles poderiam fazer. Então foi assim que entendemos qual era nosso método. Não é um banco. Tivemos na verdade de entrar nessas empresas e ganhar nosso retorno consertando-as -- estabelecendo sistemas administrativos, fornecendo todo o conhecimento, como tocar um negócio de um lado -- enquanto eles todos sabiam como tocar, como criar conteúdo. Vou seguir direto para os resultados. Por estes 10 anos, 40 milhões de dólares em financiamento acessível, taxa média de juros de 5 a 6 por cento. Ultimamente, estamos mais arrojados, cobrando 7 por cento às vezes. Fazemos isso em 17 países do mundo em desenvolvimento. E aqui está o número mais impressionante. Taxa de retorno -- aquela com que Soros estava tão preocupado -- 97 por cento. 97 por cento de todas as amortizações foram recebidas no prazo. O que nós tipicamente financiamos? Financiamos tudo que uma empresa de mídia precisaria, de gráficas a transmissores. O que é mais importante é fazermos seja na forma de empréstimos, debêntures, leasing -- o que quer que seja apropriado, sabem, apoiar qualquer um. Mas o que é mais importante aqui é, quem financiamos? Acreditamos que nestes 10 anos empresas que nós financiamos são mesmo as melhores empresas de mídia no mundo em desenvolvimento. Esta é a lista "Quem é quem." E eu posso passar horas falando sobre elas, porque elas são todas como heróis. E eu posso, mas eu -- eu vou lhes dar apenas, talvez um, e dependendo do tempo talvez possa dar dois exemplos de com quem trabalhamos. Vejam que começamos trabalhando na Europa Central e Oriental, e fomos para a Rússia. Nosso primeiro empréstimo na Rússa foi em Chelyabinsk. Aposto que metade de vocês nunca ouviram falar desse lugar. No sul da Rússia existe um cara chamado Boris Nikolaivich [.] que dirigia um jornal independente lá. A cidade estava fechada até o começo dos anos 90 por muitos motivos, eles produziam vidro para aviões militares. Enfim, ele dirigia um jornal independente lá. Depois de dois anos trabalhando conosco, ele se torna o jornal mais respeitado daquele pequeno lugar. O governador visita ele um dia, na verdade o convida a visitar seu gabinete. Ele vai e encontra o governador. O governador diz, Boris Nikolayevich, eu sei que você está fazendo um ótimo trabalho, e vocês são o jornal mais respeitado de nosso distrito. E eu quero lhe oferecer um negócio. Você pode me dar seu jornal pelos próximos nove meses, porque eu terei eleições -- existem eleições marcadas para daqui nove meses. Eu não vou concorrer, mas é muito importante para mim quem vai me suceder. Então me dê o seu jornal por nove meses, eu lhe devolverei. Eu não tenho interesse em estar no negócio de mídia. Quanto isso vai custar? Boris Nikolayevich diz, "Não está à venda." O governador diz, "Vamos fazê-lo fechar." Boris Nikolayevich diz, "Não, você não pode fazer isso." Seis meses depois o jornal estava fechado. Por sorte tivemos tempo suficiente para ajudar Boris Nikolayevich retirar todos os ativos daquela empresa e levá-los para uma nova, levar todas as listas de assinantes, recontratar os funcionários. Então o que o governador conseguiu era uma casca vazia. Mas isso é o que acontece se você está no negócio de mídia independente, e se você é um banqueiro para mídia independente. Então soa como uma ótima história. Em algum ponto no caminho abrimos um centro de gestão de mídia. Começamos nosso laboratório de mídia, soa como uma ótima história. Mas existe outro ângulo para isso. O segundo ângulo, como neste clipe. Se você pega a câmera de cima, começa a pensar sobre estes números de novo. 40 milhões de dólares por 10 anos espalhados em 17 países. Não é muito, certo? É realmente uma gota no oceano. Porque quando você pensa sobre a importância, algumas das coisas de que estávamos falando na noite passada -- esta última sessão que tivemos sobre a África e seus hipotéticos 50 bilhões de dólares destinados à África. De tantos, não todos, metade desses problemas mencionados noite passada -- fiscalização do governo, corrupção, como combater corrupção, dar voz aos que não são ouvidos, aos pobres -- é por isso que a mídia independente está no mercado. E é por isso que foi inventada. Então dessa perspectiva, o que fizemos é apenas realmente uma gota no mar daquela necessidade que podemos identificar. Agora a nossa é só uma história. Tenho certeza de que neste auditório existem, digamos, 15 outras histórias maravilhosas. de ONGs fazendo trabalho espetacular. Eis onde o problema está, e vou explicar a vocês tão bem quanto posso qual é o problema. E chama-se captação de recursos. Imaginem que este terço do auditório está cheio de pessoas que representam diferentes fundações. Imagimem dois terços aqui dirigindo excelentes organizações, fazendo trabalho muito importante. Agora imaginem que de cada duas pessoas aqui uma é surda, não ouve, e desligue as luzes. Isto é quão difícil é unir pessoas deste lado do auditório com pessoas daquele lado do auditório. Então pensamos que algum tipo de grande idéia é necessária para reformar, para totalmente repensar a captação de recursos. Sabem, em lugar de pessoas correndo no escuro, tentando encontrar sua contraparte, que esteja disposta, que tenha as mesmas metas em lugar disso ocorre-nos que há -- algo novo que precisa ser inventado. E nós tivemos esta idéia de emitir títulos financeiros, títulos financeiros para liberdade de imprensa. Se existem investidores propensos a financiar O déficit orçamentário dos Estados Unidos, por que não encontraríamos investidores propensos a financiar o déficit da liberdade de imprensa? Nós estamos decididos a fazer isto neste outono. vamos emití-los, provavelmente com valor facial de 1000 dólares. Eu não quero fazer muita divulgação, não é essa a idéia. Mas a idéia é, se nós sobrevivermos para emití-los, encontrar investidores suficientes para que isto seja considerado um sucesso, não há nada que impeça a próxima organização a começar a emitir títulos na próxima primavera. E esses podem ser títulos ambientais. E então duas semanas depois, Iqbal Quadir pode emitir seus titulos para eletricidade em Bangladesh. E antes que vocês percebam, qualquer causa social poderia realmente ser financiada deste modo. Vamos agora sonhar às 11: 30, faltando 55 segundos. Mas vamos avançar a idéia. Vocês fazem isto, vocês começam isto nos Estados Unidos, porque são, sabem, são conceitos muito, muito próximos das mentes Americanas. Mas vocês podem mesmo levar à Europa também. Vocês podem levar à Ásia. Vocês podem, uma vez que tenham todos estes diferentes pontos, podem tornar fácil para investidores. Colocar todos estes títulos em um lugar e então sentar-se e clicar. Uma vez que tenha mais de 10 deles você tem de desenvolver algum tipo de matriz. O que os investidores recebem? De um lado, retorno financeiro, do outro, retorno social. Então isto leva a idéia a algum tipo de agência de rating, Do tipo Morningstar. Que diz, sabem, o impacto social aqui é espetacular, cinco estrelas. Financeiramente lhe dá um por cento, só uma estrela. Agora levamos isto ao próximo passo. Tendo você tudo isto combinado, não há razão para não ter realmente um mercado para tudo isso onde você pode vender todos estes títulos de um modo bem rápido. E deste modo você organiza o financiamento para que não existam salas escuras, nem pessoas cegas correndo por aí para encontrar umas às outras. Obrigado.
pt
491
Quero falar a vocês sobre algo meio grande. Começamos aqui. Há 65 milhões de anos os dinossauros tiveram um dia ruim. Um pedaço de rocha de seis milhas, movendo-se mais ou menos a 50 vezes a velocidade de uma bala de rifle, chocou-se com a Terra. Liberou toda sua energia de uma vez, e foi uma explosão paralisante. Se você pegar cada arma nuclear produzida no pico da Guerra Fria amontoá-las e explodi-las ao mesmo tempo, isso seria um milionésimo da energia liberada naquele momento. Os dinossauros tiveram realmente um dia péssimo. Ok? Agora, uma rocha de seis milhas é muito grande. Todos vivemos aqui em Boulder. Se você olhar pela sua janela você pode ver o Long´s Peak, provavelmente ele é familiar a você. Agora, escave o Long´s Peak e coloque-o lá no espaço. Pegue o Meeker, Monte Meeker. Junte-o e coloque isso no espaço também, e o Monte Everest, e o K2, e os picos indianos. Então você começa a ter uma ideia de quanta rocha estamos falando, ok? Sabemos que era desse tamanho por causa do impacto que teve e da cratera que deixou. Ele se chocou no que agora conhecemos como Yucatan, o Golfo do México. Você pode ver aqui, há a Península de Yucatan, se você reconhece Cozumel ali na costa leste. Aqui o tamanho da cratera que ficou. Era imensa. Para dar-lhes uma ideia da escala, ok, lá vai. A escala aqui é 50 milhas no topo, cem quilômetros na base. Essa coisa tinha 300 quilômetros -- 200 milhas -- uma enorme cratera que escavou imensa quantidade de terra que se espalhou ao redor do globo e provocou incêndios por todo o planeta, levantou poeira o bastante para esconder o sol. Liquidou com 75 por cento de todas as espécies na Terra. Agora, nem todos os asteroides são desse tamanho. Alguns deles são menores. Aqui está um que surgiu sobre os Estados Unidos, em outubro de 1992. Ele apareceu numa sexta-feira à noite. Por que isso é importante? Porque, à época, as câmeras de vídeo estavam começando a ficar populares, e as pessoas as carregavam, pais as levavam aos jogos de futebol dos filhos para filmar as crianças jogando futebol. E como isso apareceu em uma sexta-feira, eles conseguiram fazer essa filmagem legal dessa coisa se desintegrando enquanto passa sobre a Virgínia, Maryland, Pensilvânia e New Jersey até que fez isso num carro em New York. Bem, isso não é uma cratera de 200 milhas, mas você pode ver aí a rocha que está bem aqui, mais ou menos o tamanho de uma bola de futebol, que atingiu esse carro e fez esse estrago. Agora essa coisa provavelmente era mais ou menos do tamanho de um ônibus escolar quando apareceu. Ela se fragmentou com a pressão atmosférica, desintegrou-se e os pedaços se separaram e causaram alguns danos. Você não iria querer isso caindo em seu pé ou em sua cabeça, porque ela faria isso. E isso seria péssimo. Mas ela não iria dizimar, vocês sabem, toda a vida na Terra, então tudo bem. Mas acontece que você não precisa de algo com seis milhas de extensão para ter um grande estrago. Há um ponto médio entre rochas pequenas e rochas gigantes e, na verdade, se qualquer um de vocês já esteve perto de Winslow, no Arizona, há uma cratera lá no deserto que é tão icônica que é realmente chamada de Cratera Meteoro. Para dar-lhes uma ideia da escala, ela tem mais ou menos uma milha. Se você olha de cima, isso é um estacionamento e aqueles são veículos de passeio bem ali. Assim, tem mais ou menos uma milha, 600 pés de profundidade. O objeto que formou isso tinha provavelmente mais ou menos de 30 a 50 jardas, portanto aproximadamente o tamanho do Auditório Mackey aqui. Apareceu com uma velocidade tremenda, bateu no chão, estourou e explodiu com a energia de aproximadamente uma bomba nuclear de 20 megatons -- uma bomba muito pesada. Isso aconteceu 50. 000 anos atrás, dessa forma ele deve ter destruído alguns búfalos, ou antílopes ou algo assim lá no deserto, mas provavelmente não teria causado devastação global. Acontece que essas coisas não têm que atingir o chão para fazer muito estrago. Assim, em 1908, sobre a Sibéria, perto da região de Tunguska -- para os que são fãs de Dan Aykroyd e assistiram "Caçadores de Fantasmas", quando ele fala da maior falha dimensional desde a explosão na Sibéria, em 1909, ele erra a data, mas tudo bem. Foi em 1908. Certo. Aguento isso. Outra rocha surgiu na atmosfera da Terra e esta explodiu acima do solo, várias milhas acima da superfície da Terra. O calor da explosão pôs fogo na floresta abaixo, então a onda de choque desceu e destruiu árvores por centenas de milhas quadradas, ok? Isso fez um estrago monumental. Novamente, essa era provavelmente uma rocha mais ou menos do tamanho desse auditório em que estamos. Na Cratera Meteoro, ela era de metal, e o metal é muito mais duro, então ela chegou até o chão. Aquela sobre Tunguska era provavelmente de rocha, que se quebra mais facilmente, daí ela explodiu no ar. De qualquer forma, essas são explosões tremendas, 20 megatons. Agora, quando essas coisas explodem, elas não vão provocar danos ecológicos globais. Elas não vão fazer algo como a que liquidou os dinossauros fez. Elas não são grandes o bastante. Mas elas causarão danos econômicos globais, porque elas não têm que bater, necessariamente, para provocar esse tipo de prejuízo. Elas não têm que causar devastação global. Se uma dessas coisas atingisse qualquer lugar, ela causaria pânico. Mas se ela vier sobre uma cidade, uma cidade importante -- não que qualquer cidade seja mais importante que outra, mas dependemos mais de algumas como base econômica global -- isso poderia provocar um enorme dano para nós como civilização. Bom, agora que eu os assustei bastante. o que podemos fazer sobre isso? Certo? Essa é uma ameaça potencial. Deixem-me dizer que não tivemos um impacto gigante como o que dizimou os dinossauros por 65 milhões de anos. Eles são muito raros. Os pequenos acontecem mais frequentemente, mas provavelmente a cada milênio, dentro de alguns séculos ou dentro de alguns milhares de anos, mas ainda é algo com que se deve ter cuidado. Bem, o que fazemos sobre eles? A primeira coisa que temos de fazer é encontrá-los. Esta é a imagem de um asteroide que passou por nós em 2009. Está bem aqui. Mas vocês podem ver que é extremamente esmaecido. Não sei mesmo se vocês podem ver isso nas filas de trás. Estas são as estrelas. Esta é uma rocha que tinha mais ou menos 30 jardas, portanto aproximadamente o tamanho daquelas que explodiram sobre Tunguska e atingiram o Arizona 50. 000 anos atrás. Essas coisas são pouco nítidas. São difíceis de ver, e o céu é realmente grande. Precisamos encontrar essas coisas primeiro. Bem, a boa notícia é que estamos procurando por elas. A NASA destinou dinheiro para isso. A National Science Foundation, outros países estão muito interessados em fazer isso. Estamos construindo telescópios que estão procurando pela ameaça. Este é um ótimo primeiro passo, mas qual é o segundo passo? O segundo passo é que se virmos um se encaminhando para nós, temos que pará-lo. O que fazemos? Vocês provavelmente ouviram a respeito do asteroide Apofis. Se ainda não ouviram, vão ouvir. Se ouviram sobre 2012, o apocalipse Maia, vocês vão ouvir sobre Apofis, porque estão todos focados em redes de Julgamento Final de qualquer forma. Apofis é um asteroide que foi descoberto em 2004. Tem aproximadamente 250 jardas, portanto é bem grande -- tamanho grande, sabem, maior que um estádio de futebol -- e vai passar pela Terra em abril de 2029. E vai passar tão perto de nós que realmente vai chegar abaixo de nossos satélites meteorológicos. A gravidade da Terra vai inclinar a órbita dessa coisa tanto que se estiver aqui, se ela passar através dessa região do espaço, esta região em forma de feijão chamada de buraco de fechadura, a gravidade da Terra o inclinará o bastante para que sete anos depois, em 13 de abril, que é uma sexta-feira, acrescento, no ano 2036. -- você não pode planejar esse tipo de coisa -- Apofis vai nos atingir. E ele tem 250 metros, ele faria um estrago inacreditável. Agora a boa notícia é que a probabilidade de que ele realmente passe através desse buraco de fechadura e nos atinja é de uma em um milhão, aproximadamente -- probabilidade muito, muito baixa, portanto, pessoalmente não vou ficar acordado à noite me preocupando com isso de forma nenhuma. Não acho que Apofis seja um problema. Na verdade, Apofis é uma bênção disfarçada, porque nos despertou para o perigo dessas coisas. Essa coisa foi descoberta somente alguns anos atrás e poderia atingir-nos daqui a alguns anos. Não atingirá, mas nos dá a chance de estudar esses tipos de asteroides. Nós realmente não entendíamos esses buracos de fechadura, agora entendemos e acontece que isso é realmente importante, porque como você para um asteroide igual a esse? Bem, deixe-me perguntar-lhe o que acontece se você está parado no meio da estrada e um carro vem em sua direção? O que você faz? Você faz isto. Certo? Você se move. O carro passa por você. Mas não podemos mover a Terra, pelo menos não facilmente, mas podemos mover um pequeno asteroide. E acontece que fizemos mesmo isso. No ano de 2005, a NASA lançou uma sonda chamada Impacto Profundo, que atingiu -- um pedaço dela atingiu o núcleo de um cometa. Cometas são muito parecidos com asteroides. O propósito não era empurrá-lo para fora de sua órbita. O propósito era fazer uma cratera para escavar o material e ver o que estava abaixo da superfície desse cometa, sobre o qual aprendemos bastante. Nós de fato movemos o cometa um pouquinho, não muito, mas esse não era o propósito. Entretanto, pense nisso. Essa coisa está orbitando o sol a 10 milhas por segundo, 20 milhas por segundo. Atiramos uma sonda espacial sobre ela e acertamos. Ok? Imagine o quão difícil isso deve ser, e nós fizemos isso. Isso significa que podemos fazer novamente. Se precisarmos, se virmos um asteroide vindo em nossa direção, que se encaminha diretamente para nós, e temos dois anos para isso, bum! Nós o atingimos. Podemos tentar -- sabem, se veem filmes, vocês podem pensar, por que não usamos uma arma nuclear? É o caso, bem, você pode tentar isso, mas o problema é a cronometragem. Se você dispara uma arma nuclear nessa coisa, você tem que explodi-la dentro de alguns milissegundos de tolerância ou você o perderá. E há muitos outros problemas com isso. É muito difícil de fazer. Mas, só atingir algo? Isso é bem fácil. Acho que até a NASA pode fazer isso, e eles provaram que podem. O problema é o que aconteceria se você atingisse esse asteroide, se você alterasse a órbita, você calcula a órbita e daí você descobre, oh, sim, você acabou de empurrá-lo para o buraco de fechadura e agora ele vai nos atingir em três anos. Bem, é minha opinião, certo. Ok? Não vai nos atingir em seis meses. Isso é bom. Agora temos três anos para fazer mais alguma coisa. E podemos atingi-lo novamente. Isso é meio desajeitado. Você poderia empurrá-lo para um terceiro buraco de fechadura ou coisa parecida, portanto você não faz isso. E esta é a parte, esta é a parte que eu adoro. Depois que o machão diz "Rrrr BAM! Vamos bater na cara dessa coisa", aí você apresenta as luvas de pelica. Há um grupo de cientistas e engenheiros e astronautas e eles chamam a si mesmos de Fundação B612. Para aqueles que leram "O Pequeno Príncipe", vocês entendem essa referência, espero. O pequeno príncipe morava em um asteroide que era chamado B612. Esses são sujeitos espertos -- homens e mulheres -- astronautas, como eu disse, engenheiros. Rusty Schweickart, que era um astronauta na Apolo 9, está nisto. Dan Durda, meu amigo que fez esta imagem, trabalha aqui no Southwest Research Institute, em Boulder, na Rua Walnut. Ele criou esta imagem para isto, e ele é realmente um dos astrônomos que trabalha para eles. Se nós virmos um asteroide que vai atingir a Terra e tivermos tempo bastante, podemos atingi-lo para colocá-lo numa órbita melhor. Então o que fazemos é: lançamos uma sonda que tem que pesar uma tonelada ou duas. Não tem que ser enorme -- algumas toneladas, não tão grande -- e você a estaciona perto do asteroide. Você não pousa nele, porque essas coisas vivem dando cambalhotas. É muito difícil pousar neles. Em vez disso, você fica perto dele. A gravidade do asteroide atua sobre a sonda, e a sonda tem algumas toneladas de massa. Ela tem só um pouquinho de gravidade, mas é o suficiente para que possa puxar o asteroide, e você ajusta seus foguetes, para que você possa -- oh, você mal pode vê-los aqui, mas há foguetes alinhados -- e você basicamente, esses sujeitos estão conectados pelas próprias gravidades, e se você move a sonda muito vagarosamente, muito, muito suavemente, você pode delicadamente afastar essa rocha para uma órbita segura. Você pode mesmo colocá-la numa órbita ao redor da Terra onde poderíamos fazer mineração nela, se bem que essa é uma coisa completamente diferente, não falarei disso. Mas ficaríamos ricos! Então, pense nisso, certo? Há essas rochas gigantes voando lá fora, e elas vão nos atingir, vão provocar grandes danos para nós, mas descobrimos como fazer isso, e todas as peças estão preparadas para fazer isso. Temos astrônomos, a postos, com telescópios procurando por elas. Temos pessoas inteligentes, pessoas muito, muito espertas, que estão preocupadas com isso e imaginando como resolver o problema, e temos a tecnologia para fazer isso. Essa sonda, de fato, não pode usar foguetes químicos. Foguetes químicos proporcionam muita impulsão, muito empuxo. A sonda arremeteria para longe. Inventamos algo chamado tração a íon, que é um motor de impulsão muito, muito baixa. Ele gera a força que um pedaço de papel teria em sua mão, incrivelmente leve, mas pode funcionar por meses e anos, fornecendo aquele empurrão suave. Se alguém aqui é fã da série "Star Trek" original, eles toparam com uma nave alienígena que tinha tração a íon, e Spock disse: "Eles são muito sofisticados tecnicamente. Estão cem anos à nossa frente com essa tração." Sim, agora temos a tração a íon. Não temos a Enterprise, mas temos a tração a íon. Spock. Então. essa é a diferença, essa é a diferença entre nós e os dinossauros. Isso aconteceu com eles. Não tem que acontecer conosco. A diferença entre os dinossauros e nós é que temos um programa espacial e podemos votar, e assim podemos mudar nosso futuro. Temos a capacidade de mudar nosso futuro. Daqui a 65 milhões de anos, não precisamos ter nossos ossos ajuntando poeira em um museu. Muito obrigado.
pt
492
Obrigado por colocar essas imagens dos meus colegas aqui. Nós falaremos deles. Vou tentar um experimento. Eu não faço isso normalmente, sou um teórico. Mas vou ver o que acontece se eu apertar esse botão. Ótimo. OK. Eu costumo trabalhar nesse campo das partículas elementares. O que acontece com a matéria se você a picar bem fininho? De que ela é feita? E as leis dessas partículas são válidas por todo universo, e elas estão extremamente conectadas com a história do universo. Nós sabemos muito sobre as 4 forças. Deve haver muito mais, mas estas agem em distâncias muito, muito pequenas, e nós não interagimos muito com elas ainda. A coisa principal que eu quero falar é isso: que nós tivemos essa experiência extraordinária nesse campo da física. que a beleza é um critério adequado para escolher a teoria certa. E por que diabos é assim? Bem, aqui está um exemplo da minha própria experiência. É bastante interessante, na verdade, isto ter acontecido. Três ou quatro de nós, em 1957, apresentamos uma teoria parcialmente completa de uma das forças, a força fraca. E foi contra a sete -- sete, vejam, sete experimentos. Todos os experimentos estavam errados. E nós publicamos antes de saber disso, porque nós a imaginamos tão bela, que tinha que estar certa! Os experimentos tinham que estar errados, e estavam. Agora nosso amigo ali, Albert Einstein, Costumava prestar muito pouca atenção quando as pessoas dizem, "Sabe, tem um cara com um experimento que parece ir contra a relatividade especial. um tal de DC Miller. E então?" E ele dizia, "Ah. isso vai desaparecer." Por que este tipo de coisa funciona? Essa é a questão. Bem, o que nós queremos dizer com beleza? Essa é uma coisa. Tentarei esclarecer -- parcialmente. Por que deveria funcionar, e será que isto tem a ver com os seres humanos? Vou deixar a resposta da última que coloquei, e que é, não tem nada a ver com os seres humanos. Em algum outro planeta, orbitando alguma estrela distante, talvez em outra galáxia, devem existir seres que são, pelo menos, tão inteligentes como nós, e estão interessados em ciência. Não é impossível; provavelmente existem muitos. Provavelmente nenhum deles perto suficiente para interagir conosco. Mas eles podem estar por lá, certamente. E supondo que tenham, sabe, diferentes dispositivos sensoriais, e tudo mais. Eles tem sete tentáculos, e tem 14 pequenos olhos engraçados, e um cérebro no formato de um pretzel. Eles deveriam ter leis físicas diferentes? Existem muitas pessoas que acreditam nisso, e eu acho que estão enganadas. Acho que existem leis lá fora, e nós, é claro, não as entendemos muito bem até agora mas tentamos. E tentamos chegar cada vez mais perto. E algum dia, nós deveremos entender a teoria unificada fundamental das partículas e forças, que eu chamo de "lei fundamental". Nós não devemos estar tão longe dela. Mas mesmo se não formos atrás dela nessa vida, podemos ainda pensar que existe uma lá fora, e estamos tentando chegar cada vez mais perto dela. Eu acho que é o ponto principal. Nós expressamos essas coisas matematicamente. E quando a matemática é bem simples Quando, em termos de notação matemática, você pode escrever a teoria em um pequeno espaço, sem muita complicação -- é essencialmente o que chamamos de beleza ou elegância. É o que eu estava dizendo sobre as leis. Elas estão lá. O Newton certamente acreditava nisso. E dizia, aqui, "Encontrar essas leis é o trabalho da filosofia natural". A lei básica, digamos -- aqui uma suposição. A suposição é que a lei básica realmente tem a forma de uma teoria unificada de todas as partículas. Agora, alguns chamam de Teoria de Tudo. Que é errado, porque a teoria é mecânica quântica. E eu não vou entrar em detalhes da mecânica quântica, como ela é, etc. De qualquer jeito, já ouviram várias coisas erradas sobre ela. Existem até filmes sobre ela com várias coisas erradas. Mas a parte principal é que ela prevê probabilidades. Algumas vezes essas probabilidades são quase certezas. E em vários casos comuns, com certeza são. Mas outras vezes não são, e temos apenas probabilidades de resultados diferentes. Isso significa que a história do universo não é determinada apenas pela lei fundamental. É pela lei fundamental e uma série de inacreditáveis acidentes, ou ao acaso, que também estão lá. E a teoria fundamental não inclui esses acasos, eles estão a mais. Assim não é a teoria de tudo. E, de fato, um monte de informações no universo à nossa volta vêm desses acidentes, e não apenas de leis fundamentais. Agora, se fala em chegar mais e mais perto das leis fundamentais, examinando fenômenos em energias baixas, e depois em energias altas, e então em energias mais altas, ou em distâncias curtas, e então em distâncias mais curtas, e assim por diante, é como descascar uma cebola. E nós continuamos fazendo isso, e construímos máquinas mais poderosas, aceleradores de partículas. Nós olhamos mais e mais fundo, dentro da estrutura das partículas, e dessa forma provavelmente cada vez mais perto da lei fundamental. O que acontece é que conforme fazemos isso, conforme descascamos a cebola, nós chegamos mais e mais perto da lei básica, nós vemos que cada casca tem algo em comum com a anterior, e com a próxima. Nós as escrevemos matematicamente, e vemos que elas são semelhantes. Elas tem uma matemática muito semelhante. Isso é absolutamente incrível, e é uma característica central do que estou tentando dizer hoje. Newton chamou isso -- é o Newton, aliás -- aquele ali. Esse aqui é o Albert Einstein. Olá Al! Enfim, ele disse, "a natureza se assemelha a ela mesma" -- personificando a natureza no feminino. E então o que acontece é que o novo fenômeno, as novas cascas, a casca mais interna das menores cascas da cebola que nós temos, parece ligeiramente com as cascas maiores. e o tipo de matemática que temos na casca anterior é quase a mesma que precisamos para a próxima casca. E é por isso que as equações parecem tão simples. Porque usamos uma matemática que já existe. Um exemplo trivial: Newton descobriu a lei da gravidade, que atua inversamente proporcional ao quadrado da distância das coisas em questão. Coulomb, na França, encontrou a mesma lei nas cargas elétricas. Aqui está um exemplo dessa semelhança. Você olha para a gravidade, vê uma certa lei. Então olha para a eletricidade. Com certeza. A mesma regra. Esse é um exemplo muito simples. Existe vários exemplos mais sofisticados. Simetria é muito importante nessa discussão. Vocês sabem o que significa. Um círculo, por exemplo, é simétrico na rotação a partir do centro do círculo. Vocês rotacionam o círculo pelo centro, e ele não se modifica. Peguem uma esfera, em três dimensões, rodem pelo centro da esfera, e todas as rotações não modificam a esfera. São simetrias da esfera. Assim dizemos, em geral, que existe simetria sob certas operações se essas operações mantém o fenômeno, ou sua descrição, inalterados. As equações de Maxwell, é claro, são simétricas em todas as rotações pelo espaço. Não importa se viramos todo o espaço em algum ângulo, elas não deixam -- não muda o fenômeno da eletricidade ou do magnetismo. Há uma nova notação no século XIX que mostra isso, e se vocês usarem essa notação, a equação fica simples. Então Einstein, com sua teoria especial da relatividade, olhou para o conjunto de simetrias das equações de Maxwell, e as chamou de relatividade especial. E aquelas simetrias, então, fizeram as equações mais curtas e, portanto, mais belas. Vejam. Vocês não tem que saber o que isso significa, não faz diferença. Mas podem olhar apenas a forma. Podem olhar para a forma. Ali em cima, no topo, uma lista de várias equações com 3 componentes em 3 direções do espaço: x, y e z. Então, usando análise vetorial, simetria rotacional, temos o próximo conjunto. Então usando a simetria da relatividade especial temos um conjunto mais simples aqui embaixo, mostrando que a simetria deixa cada vez melhor. Quanto mais simetria, melhor mostramos a simplicidade e elegância da teoria. As duas últimas, a primeira diz que cargas e correntes elétricas dão origem a todos os campos elétricos e magnéticos. A próxima -- segunda -- equação mostra que não existe outro magnetismo. O único magnetismo vem de cargas e correntes elétricas. Algum dia podemos achar alguma falha nessa afirmação. Mas nesse momento, é isso que temos. Agora, temos um desenvolvimento fabuloso de que muitos não ouviram falar. Eles deviam ter ouvido, mas é um pouco difícil de explicar em detalhe, por isso não vou fazer isso. Vou só mencioná-la. Mas Chen Ning Yang, conhecido por "Frank" Yang -- e Bob Mills apresentaram, 50 anos atrás, essa generalização das equações de Maxwell, com uma nova simetria. Um simetria completamente nova. Matematicamente parecida, mas tinha toda uma nova simetria. Esperavam que, de alguma forma, fosse contribuir para a física de partículas -- não. Sozinhas não contribuíram para a física de partículas. Mas alguns de nós a generalizamos mais tarde. E então funcionou. E isso nos deu uma bela descrição da força forte e da força fraca. Dizemos então, novamente, o que dissemos antes: que cada casca da cebola tem uma semelhança com as adjacentes. Então a matemática para cascas adjacentes é parecida com a que precisamos para a nova casca. E portanto isso demonstra beleza. Porque nós já sabemos como escrevê-la de uma forma fascinante e concisa. Estes são os temas. Acreditamos existir uma teoria unificada escondida em toda essa regularidade. Os passos em direção à unificação mostram simplicidade. Simetria evidencia esta simplicidade. E então há semelhança através das escalas - em outras palavras, de uma casca de cebola para a outra. Semelhança por elementos próximos. E isso responde por esse fenômeno. E isto responde sobre a questão porque a beleza é um critério de sucesso para selecionar a teoria certa. Aqui está o que Newton dizia: "A natureza é muito uniforme e semelhante a ela mesma". O que ele estava pensando é algo que a maioria de nós tem certeza hoje, mas no tempo dele não era tido como certo. Tem uma história, que certamente não é verdade, mas um monte de gente conta. Quatro fontes disseram. Que quando teve a praga em Cambridge, e ele foi para a fazenda da mãe -- porque a universidade estava fechada -- ele viu uma maçã cair de uma árvore, ou na sua cabeça, ou algo assim. E ele percebeu subitamente que a força que fez a maçã cair poderia ser a mesma que regula o movimento dos planetas e da lua. Uma tremenda unificação para a época, embora hoje seja trivial pra nós. Essa é a mesma teoria da gravidade. Então ele disse que esse princípio da natureza: "Esse princípio da natureza sendo muito distante da concepção dos filósofos, evitei descrevê-lo nesse livro, ao menos que eu quisesse ser considerado uma aberração extravagante." É com isso que temos que nos preocupar. Especialmente nessa palestra. ". e assim causar preconceito em meus leitores quanto ao propósito principal do livro." Atualmente, quem diria que isso é um capricho da mente humana? Que a força que causa a queda da maçã é a mesma responsável pelos movimento dos planetas e da lua, e assim por diante? Todos sabem disso. É uma característica da gravitação. Não é algo da mente humana. A mente humana pode, é claro, apreciá-la usá-la, mas não é -- não emana da mente humana. Ela emana da característica da gravidade. E essa verdade vale para tudo que falamos. Elas são propriedades da lei fundamental. A lei fundamental é tal que as diferentes cascas da cebola se parecem, e portanto a matemática de uma casca lhe permite representar de maneira bela e simples o fenômeno da próxima casca. Eu diria que Newton fez muita coisa naquele ano: gravidade, leis do movimento, cálculo, luz branca composta de todas as cores do arco-íris. E deveria ter escrito um explêndido artigo "O que e fiz nas minhas férias de verão.". Assim não temos que assumir esses princípios como postulados metafísicos separados. Eles são consequência da teoria fundamental. Eles são o que chamamos de propriedades emergentes. Você não precisa -- não precisa de algo mais para obter algo a mais. É o que emergência significa. A vida pode emergir da física e da química, com mais um monte de acidentes. A mente humana pode surgir da neurobiologia e vários acidentes, do mesmo jeito que as ligações quimicas surgem da física e certos acidentes. Saber que estes assuntos são consequência de coisas mais fundamentais, mais alguns acidentes, não diminui sua importância. É uma regra geral, e extremamente importante para perceber isto. Você não precisa algo mais para obter algo a mais. As pessoas me questionam isso quando lêem meu livro "O quark e o Jaguar" E dizem: "Tem certeza que não mais alguma coisa por trás de tudo?" Provavelmente, querem dizer algo sobrenatural. De qualquer forma, não há. Não é preciso algo mais para explicar algo a mais. Muito obrigado.
pt
493
De fato, passei minha vida pesquisando sobre a vida de presidentes que não estão mais vivos. Acordando com Abraham Lincoln pela manhã, pensando sobre Franklin Roosevelt quando ia para a cama à noite. Mas quando tento pensar sobre o que aprendi sobre o significado da vida, minha mente vagueia de volta para um curso que fiz quando ainda era estudante de graduação em Harvard com um grande psicólogo chamado Erik Erikson. Ele nos ensinou que as vidas mais ricas e completas tentam alcançar um equilíbrio interno entre três esferas: trabalho, amor e jogo. E perseguir apenas uma dessas áreas à custo de outra, é abrir a si mesmo para a melancolia quando estiver mais velho. Enquanto que perseguir as três com a mesma dedicação, é fazer possível uma vida cheia, não apenas de conquistas, mas de serenidade. Então, já que conto estórias, deixe-me falar sobre a vida de dois dos presidentes que estudei para ilustrar esse ponto de vista -- Abraham Lincoln e Lyndon Johnson. Quanto à primeira esfera, o trabalho, acredito que a vida de Abraham Lincoln sugere que uma ambição ardente é uma boa coisa. Ele tinha uma ambição imensa. Mas não era simplesmente por cargos, poder, celebridade ou fama -- era a ambição de fazer algo que realmente valesse suficientemente a pena durante a vida para que ele pudesse fazer o mundo um lugar um pouco melhor e tivesse valido a pena ter vivido nele. Mesmo quando criança, parecia que Lincoln sonhava feitos heróicos. Ele tinha que escapar daquela mísera fazenda onde ele nasceu. Para ele, foi impossível assitir à escola, com exceção de algumas semanas aqui, e algumas semanas ali. Mas ele lia livros em todo tempo livre que pudesse achar. Dizem que quando ele pegou uma cópia da Bíblia do Rei James ou das Fábulas de Esopo, ficou tão feliz que não podia dormir. Ele não podia comer. O grande poeta Emily Dickinson disse certa vez, "Não há fragata como um livro para nos levar para outras terras." Como isto era verdade para Lincoln. Embora nunca viajasse para a Europa, ele foi com os reis de Shakespeare para a Inglaterra, foi com a poesia do Lord Byron para a Espanha e para Portugal, A literatura le permitiu transcender a sua realidade. Mas houve tantas perdas na sua vida enquanto era jovem que ele foi assombrado pela morte. A sua mãe morreu quando ele tinha apenas nove anos de idade. A sua única irmã, Sarah, morreu no nascimento alguns anos depois. E o seu primeiro amor, Ann Rutledge, com apenas 22 anos. Além disso, quando a sua mãe morreu ela não lhe deu esperança de encontrá-la após a morte. Ela simplesmente lhe disse, "Abraham, estou indo para longe de você agora, e nunca mais retornarei." Como resultado disto, ele se tornou obcecado pelo pensamento de que quando morresse a sua vida seria varrida completamente. Apenas quando ele cresceu um pouco é que ele desenvolveu uma certa consolação que partia de uma antiga noção grega -- mas seguida por outras culturas também -- de que se você executasse algo que realmente valesse a pena durante a sua vida, você poderia continuar a viver na memória dos outros. A sua honra e a sua reputação iriam se sobreviver à sua existência terrena. E esta respeitável ambição se tornou a sua estrela-guia. Ela o guiou através de uma grande depressão que ele sofreu quando tinha 30 e poucos anos. Três coisas se combinaram para deixá-lo abatido. Ele tinha terminado seu noivado com Mary Todd, incerto de que estava pronto para casar-se com ela, mas sabendo o quão devastador isto foi para ela. O seu único amigo íntimo, Joshua Speed, estava saindo de Illinois e voltando para o Kentucky pois seu pai havia morrido. E sua carreira política na Assembléia Legislativa estava em uma espiral decrescente. Ele estava tão depressivo que seus amigos acharam que ele poderia se suicidar. Eles pegaram todas as facas, navalhas e tesouras de seu quarto. E seu melhor amigo, Speed, se aproximou e disse, "Lencoln, você precisa se reanimar ou vai acabar morrendo." Ele disse, "Podería morrer agora mesmo, mas ainda não fiz nada para que algum ser humano se lembre que algum dia eu vivi" Impulsionado por esta ambição, ele retornou para a Assembléia Legislativa. Conseguiu ganhar um assento no Congresso. Então se candidatou duas vezes para o Senado, perdeu as duas. "Todos são falidos pela vida", Ernest Hemingway disse certa vez, "mas algumas pessoas são mais fortes em momentos de dificuldade." Então ele surpreendeu o país com uma agitada vitória para a presidência em cima de três candidatos rivais com muita mais experiência, muito melhor educados, e muito mais renomados. E assim, quando ganhou as eleições gerais, ele impressionou o país mais uma vez ao indicar cada um destes três rivais para o seu gabinete. Este foi um ato sem precedentes naquele tempo, pois todos pensavam, "Ele vai parecer um fantoche comparado àquelas pessoas." Falaram, "Porque você está fazendo isso, Lincoln?" E ele disse, "Veja bem, estas são as pessoas mais fortes e mais capazes do país. O país está em perigo. Eu preciso deles do meu lado." Mas talvez meu velho amigo, Lyndon Johnson, tivesse colocado isto de uma maneira menos honrosa, "Melhor ter seus amigos dentro da barraca e urinando para fora, do que tê-los fora e urinando para dentro." Mas se tornou rapidamente claro que Abraham Lincoln surgiria como o líder indiscutível desta indomável equipe. Rapidamente cada um deles percebeu que Lincoln possuía um inigualável conjunto de força emocional e habilidade política que se provaram bem mais importantes que a escassez do seu currículo. Primeiramente, ele possuía uma habilidade especial de sentir empatía e pensar sobre o ponto de vista das outras pessoas. Ele reparava mágoas que poderiam ter se agravado até uma hostilidade permanente. Ele dividia o crédito facilmente, assumia a responsabilidade pelo fracasso de seus subordinados, reconhecia constantemente seus erros e aprendia com suas falhas. Estas são as qualidades que deveríamos procurar em nossos candidatos para 2008. Ele se recusava a ser provocado por pequenas ofensas. Ele nunca cedeu ao ciúme ou se preocupou com desrespeito. E ele expressava suas convicções inabaláveis nas falas do dia-a-dia, em metáforas, em estórias. E a beleza da sua fala, quase como que Shakespeare e a poesia que ele tanto amou quando criança, tivessem entrado na sua alma. Em 1863, quando a Proclamação da Independencia foi assinada, ele trouxe seu velho amigo, Joshua Speed, de volta à Casa Branca. E relembrou aquela conversa de décadas atrás, quando ele estava tão triste. E ele, apontando para a Independencia, disse "Acredito que nesta medida, as minhas mais profundas esperanças serão realizadas." Mas quando ele estava próximo a assinar a Proclamação sua mão estava dormente e tremendo pois ele havia apertado milhares de mãos aquela manhã em uma recepção de Ano Novo. Então ele colocou a caneta de lado. E disse, "Se a minha alma esteve algum dia em uma lei, é nesta lei. Mas se eu assiná-la com a mão tremendo, a posteridade dirá, 'Ele hesitou''. Então ele esperou até que ele pudesse pegar a caneta e assinar com a mão firme e destemida. Mas mesmo em seus sonhos mais ousados, Lincoln nunca poderia ter imaginado o quão longe a sua reputação chegaría. Eu fiquei tão feliz ao encontrar uma entrevista com o grande escritor Russo, Leo Tolstoy, em um jornal novaiorquino do início do século XX. E nela, Tolstoy falou sobre uma viagem que ele havia feito recentemente para uma região muito remota do cáucaso, onde havia apenas bárbaros selvagens, que nunca haviam saído daquela parte da Rússia. Sabendo que Tolstoy estava entre eles, eles pediram para que contasse estórias sobre os grandes homens da história. Então Tolstoy disse, "Eu lhes contei sobre Napoleão, Alexandre O Grande, Frederico II da Prússia e Júlio César, e eles adoraram. Mas antes que eu terminasse, o chefe dos bárbaros se levantou e disse, "Mas espere, você não nos contou sobre o maior governador de todos eles. Nós queremos escutar sobre o homem que falou com a voz do trovão, que sorriu como o nascer do sol, que veio daquele lugar chamado América, que é tão longe daqui, que se um jovem viajasse para lá, ele seria velho quando completasse sua jornada. Nos conte sobre aquele homem. Fale sobre Abraham Lincoln." Ele estava impressionado. Ele lhes contou tudo que podia sobre Lincoln. Então na entrevista ele disse, "O que fez o Lincoln ser tão importante? Não foi um general tão importante quanto Napoleão, não foi um estadista tão importante quanto Frederico II da Prússia." Mas a sua grandeza consistia, e os historiadores vão concordar plenamente, na integridade do seu caráter e na fibra moral de seu ser. Então no final aquela poderosa ambição que guiou Lincoln através de sua infância sombría finalmente se realizou. Aquela ambição que permitiu que ele se educasse a si mesmo arduamente e lhe permitiu superar aquela série de fracassos políticos e os dias mais difíceis da guerra. A sua estória seria contada. Então voltando à segunda esfera, não a do trabalho, mas a do amor -- abrangendo família, amigos e colegas -- isto, também, requer trabalho e compromisso. O Lyndon Johnson que eu vi nos últimos dias de sua vida, quando o ajudei em suas memórias, foi um homem que gastou tantos anos de sua vida na perseguição do trabalho, poder e sucesso individual, que ele não tinha absolutamente nenhum recurso emocional ou psíquico restando para viver uma vez que a Presidencia acabou. Meu relacionamento com ele começou de uma maneira bastante curiosa. Fui selecionada para ser estagiaria da Casa Branca quando tinha 24 anos de idade. Nós tivemos uma grande festa na Casa Branca. O Presidente Johnson dançou comigo naquela noite. Não que eu fosse especial -- havia apenas três mulheres entre os 16 estagiarios da Casa Branca. Mas ele sussurrou em meu ouvido que ele queria que eu trabalhasse diretamente com ele na Casa Branca. Mas não seria tão simples assim. Porque durante os meses previos à minha seleção, assim como muitos jovens, fui ativista no movimento anti guerra do Vietnã, e havia escrito um artigo contra Lyndon Johnson, que infelizmente foi publicado no jornal 'The New Republic' dois dias depois da festa na Casa Branca. E o tema do artigo era sobre como tirar o Lyndon Johnson do poder. Então, estava certa de que ele iria me tirar do programa. Mas em vez disso, de maneira surpreendente, ele disse, "Traga ela para cá durante um ano, e se eu não conseguir conquistá-la, ninguém pode" Então, no final, acabei trabalhando para ele na Casa Branca. Eventualmente, o acompanhei na sua fazenda para ajudá-lo com as memórias, nunca entendi completamente o porquê de ele ter me escolhido para passar tantas horas com ele. Gosto de acreditar que foi por eu ser uma boa ouvinte. Ele era um excelente contador de estórias. Fabulosas, coloridas, estórias surpreendentes. Entretanto, houve um problema com essas estórias, que só pude descobrir depois, que metade delas não eram verdade. Mas elas eram boas, apesar de tudo. Então acho que parte de sua atração por mim era que eu adorava escutar seus contos exagerados. Mas também me preocupava que parte do interesse podía ser que eu ela naquele tempo uma jovem moça. E ele tinha tido de alguma maneira uma reputação de mulherengo. Então, eu contava sempre para ele sobre namorados, mesmo quando não tinha nenhum. Tudo estava correndo perfeitamente bem, até que certo dia ele me disse que gostaria de discutir a nossa relação. Pareceu muito ameaçador quando ele me levou perto do lago, convenientemente chamado de Lago Lyndon Baines Johnson. Lá havia vinho, queijo e uma toalha de mesa à quadros vermelha -- todos os enfeites românticos. E ele começou, "Doris, mais que qualquer outra mulher que conheci." E meu coração afundou. Então ele disse, "Você me lembra da minha mãe." Isto foi bastante constrangedor, levando em conta o que eu estava pensando. Mas devo dizer, quanto mais velha eu fico, mais eu percebo o quão incrível foi ter o privilégio de ter passado tantas horas com este grande homem. Um vencedor em tantas conquistas, três grandes leis de direitos humanos, Medicare, ajuda à educação. E ainda, inteiramente derrotado no final pela guerra no Vietnã. E por ele estar tão triste e vulnerável, ele se abriu para mim de forma que ele nunca teria feito se o conhecesse no ápice de seu poder -- compartilhando seus medos, suas tristezas e suas preocupações. Gostaria de acreditar que este privilégio me provocou o desejo de entender o interior da pessoa por detrás da figura pública, o que tentei trazer para cada um de meus livros desde então. Mas isto também me trouxe lições as quais Erik Erikson tentou inspirar em todos nós, sobre a importância de acharmos equilíbrio na vida. Já que na superficie, Lyndon Johnson deveria ter tido todas as coisas do mundo para se sentir bem nos seus últimos anos, na medida em que ele havia sido eleito Presidente. Ele possuía todo o dinheiro que ele podia precisar para qualquer atividade recreativa que desejasse fazer. Ele era dono de uma fazenda grande no interior, uma cobertura na cidade. Veleiros, lanchas. Ele tinha empregados para responder a qualquer pedido, e uma família que o amava profundamente. Ainda assim, anos de concentração inteiramente dedicada ao trabalho e ao sucesso individual significaram que em sua aposentadoria ele não encontrava nenhum consolo na família, em seus passatempos, no esporte ou nos hobbies. Era como se o buraco em seu coração fosse tão grande que mesmo o amor de sua família, sem o trabalho, não pudesse preenchê-lo. Enquanto seu espírito afundava, seu corpo se deteriorava até que, eu acredito, ele vagarosamente trouxe a sua própria morte. Nestes últimos anos, ele falou que estava tão triste ao ver o povo americano admirar um novo presidente e esquecer dele. Ele falava com uma tristeza imensa em sua voz, dizendo que talvez ele devesse ter passado mais tempo com seus filhos, e seus netos. Mas já era tarde demais. Apesar de todo aquele poder, toda aquela riqueza, ele estava sozinho quando finalmente morreu -- o seu temor se concretizou. Então sobre aquela terceira esfera, a do jogo, a qual ele nunca aprendera a curtir, aprendi no decorrer dos anos que mesmo esta área requer comprometimento de tempo e energia. O suficiente para que um hobby, um esporte, o amor pela música, ou pela arte, ou literatura, ou qualquer forma de recreação, possa trazer prazer verdadeiro, relaxamento, e renovação. Tão profundo, por exemplo, foi o amor de Abraham Lincoln por Shakespeare, que ele fez tempo para ir ao teatro mais de cem noites, mesmo durante aqueles dias negros da guerra. Ele dizia, que quando as luzes se apagavam e uma peça de Shakespeare começava, durante aquelas preciosas horas ele podia se imaginar de volta ao tempo do Prince Hal. Mas uma forma ainda mais importante de relaxamento para ele, coisa que Lyndon Johnson nunca apreciaria, foi, de alguma maneira, o amor pelo humor. E ainda, sentir quantos momentos hilariantes a vida pode oferecer como uma alternativa para a tristeza. Ele uma vez falou que sorria para não chorar. Que uma boa estória era para ele melhor que um gole de uísque. O seu poder para contar estórias foi reconhecido pela primeira vez quando ele estava em um circuito em Illionois. Advogados e juízes viajavam de uma cidade para outra, e quando alguém sabia que Lincoln estava na cidade, eles vinham de quilômetros de distância para escutá-lo contar estórias. Ele ficava em pé com suas costas para o fogo e entreteria a multidão por horas com seus contos envolventes. Assim, todas essas estórias se tornaram parte de seu banco de memória, e ele podia usá-las sempre que ele precisasse. E elas não seriam exatamente o que você esperaria de nosso monumento de mármore. Uma de suas estórias favoritas, por exemplo, tinha a ver com o seu herói de guerra revolucionário, Ethan Allen. da maneira que Lincoln contava a estória, O Sr. Allen foi para Inglaterra depois da guerra. Onde o povo britânico ainda estava chateado por perderem a revolução, então eles decidiram envergonhá-lo um pouco, colocando uma imensa imagem de George Washington no único banheiro, onde ele certamente o veria. Os britânicos imaginavam que ele ficaria chateado com o ultraje de George Washington estar em um banheiro. Mas ele saiu do banheiro sem estar nem um pouco chateado. E então eles disseram, "E aí, você viu George Washington lá no banheiro?" "Ah, sim", disse ele, "um lugar perfeitamente apropriado para ele." "O que você quer dizer?" eles disseram. "Bem", ele disse, "não há nada melhor para fazer um britânico defecar rápido do que a visão do General George Washington." Então você pode imaginar, se você estivesse no meio de uma reunião de gabinete -- e ele tinha centenas dessas estórias -- você teria que relaxar. Entre as caminhadas noturnas ao teatro, a sua habilidade de contar estórias, seu senso de humor extraordinário, e seu amor por citar a poesia de Shakespeare, ele encontrou aquela forma de jogo, que o levaria pela vida. Na minha própria vida, eu sempre serei grata por ter achado uma forma de passatempo, no meu amor irracional pelo beisebol. O que me permite, desde o começo do treinamento de primaveira até o final da temporada, no outono, ter outra atividade para ocupar a minha mente e o meu coração, além do trabalho. Isto tudo começou quanto eu tinha apenas seis anos de idade, e meu pai me ensinou a misteriosa arte de levar a pontuação enquanto escutava jogos de beisebol. De forma que quando ele ia para o trabalho em Nova Iorque durante o dia, eu podia gravar para ele a história do jogo da tarde dos Brooklyn Dodgers. Agora, quanto você tem apenas seis anos de idade, e seu pai chega à casa todos as noites e escuta você -- como agora eu percebo que eu, com detalhes torturantes, contava todos os jogos de todos os pontos do jogo que havia acontecido durante a tarde. Mas ele me fazia sentir como se eu estivesse contando uma estória fabulosa. Isto faz você pensar que existe algum tipo de mágica na história para manter a atenção de seu pai. De fato, estou convencida que aprendi a arte da narração a partir daquelas sessões noturnas com o meu pai. Pois no começo, eu estava tão feliz que deixava escapar, "Os Dodgers venceram!" ou, "Os Dodgers perderam!" O que tirava muito do drama de uma estória de duas horas. Finalmente aprendi que você tem que contar uma estória do começo para meio, para o fim. Eu devo dizer que meu amor foi tão fervoroso para com os velhos Brooklyn Dodgers durante aqueles dias, que eu tive que confessar na minha primeira confissão dois pecados que eram relacionados ao beisebol. O primeiro ocorreu porque o o pegador dos Dodgers, Roy Campanella, veio até a minha cidade natal no Rockville Centre em Long Island, justamente enquanto eu estava na preparação para a minha primeira comunhão. E eu estava tão feliz -- a primeira pessoa que veria fora do campo Ebbets. Mas aconteceu de ele falar em uma igreja protestante. Quando você é criada como católica, você pensa que se você algum dia colocar um pé numa igreja protestante, você cairá morta na soleira da porta. Então fui até o meu pai chorando, "O que iremos fazer?" Ele disse, "Não se preocupe. Ele falará em um salão na paróquia. Nós estamos sentados em cadeiras dobráveis. Ele está falando sobre esportismo. Não é um pecado." Mas quando saí durante a noite, estava certa de que de alguma maneira eu havia trocado a vida de minha alma eterna por essa noite com Roy Campanella. E não havia indulgências que eu pudesse comprar. Então eu tinha esse pecado na minha alma quando fui à minha primeira confissão. Eu falei para o padre diretamente. Ele disse, "Sem problemas. Não era um serviço religioso." Mas então, infelizmente, ele disse, "E o que mais, minha criança?" E aí veio meu segundo pecado. Eu tentei mascarar ele entre os pecados de falar muito na igreja, desejar mal aos outros, ser má com as minhas irmãs. E ele falou, "A quem você desejou mal?" Assim, tive que falar que desejei mal a vários jogadores do New York Yankees, que eles quebrassem braços, pernas, tornozelos -- -- para que os Brooklyn Dodgers pudessem vencer o seu primeiro "World Series". Ele disse, "Com que frequência você faz estes desejos horrorosos?" E tive que dizer, todas as noites enquanto fazia minhas preces. Assim, ele falou, "Olhe, vou lhe dizer algo. eu amo o Brooklyn Dodgers, assim como você, mas prometo a você que eles ganharão algum dia de maneira honesta e justa. Você não precisa desejar mal aos outros para que isso aconteça." "Ah, sim", eu disse. Mas felizmente, minha primeira confissão -- para um padre amante do beisebol! Bem, embora meu pai tenha morrido de um ataque do coração súbito quando eu tinha 20 e poucos anos, antes de eu casar e ter meus três filhos, eu transmiti minhas memórias -- assim como minha paixão pelo beisebol -- para meus meninos. Embora tenha perdido a fé no beisebol quando os Dodgers nos abandonaram para irem para L. A, perdi fé no beisebol até me mudar para Boston e me tornar uma irracional torcedora dos Red Socks. E preciso dizer que, mesmo agora, quando me sento com meus filhos com os nossos ingressos da temporada, eu posso às vezes fechar meus olhos contra o sol e me imaginar uma pequena garota mais uma vez, na presença de meu pai, assistindo aos jogadores da minha juventude no campo coberto de grama. Jackie Robinson, Roy Campanella, Pee Wee Reese e Duke Snider. Devo dizer que existe uma magia nestes momentos. Quando abro meus olhos e vejo meus filhos no lugar onde meu pai costumava sentar, eu sinto uma lealdade e um amor invisível conectando meus filhos ao avô, cuja face eles nunca tiveram a chance de ver, mas cujo coração e alma eles chegaram a conhecer através de todas as estórias que contei. Que é o motivo pelo qual, no final, eu devo ser sempre grata por essa curiosidade e amor pela história, que me permitiram viver minha vida refletindo sobre o passado. Permitindo que eu aprendesse destes grandes homens sobre a batalha pelo significado da vida. Permitindo que eu acreditasse que as pessoas que nós amamos e perdemos nas nossas famílias, e as figuras públicas que respeitamos em nossa história, assim como Abraham Lincoln acreditava, podem realmente continuar vivendo, conquanto que nós continuemos a contar e recontar as estórias de suas vidas. Obrigado a todos por me deixarem ser esta contadora de estórias hoje. Obrigado.
pt
494
As coisas que fazemos têm uma qualidade suprema, elas vivem mais que nós. Nós perecemos, elas sobrevivem; nós temos uma vida, elas têm muitas vidas, e em cada vida elas podem significar coisas diferentes. O que quer dizer que, enquanto todos nós temos uma biografia, elas têm muitas. Quero, esta manhã, falar sobre a história, a biografia -- ou melhor, as biografias -- de um objeto em particular, uma coisa extraordinária. Ele, concordo, não parece muito Tem aproximadamente o tamanho de uma bola de rúgbi, É feito de argila e foi modelado numa forma cilíndrica, recoberto com uma escrita de caracteres muito próximos e então secado ao sol. Como podem ver, levou algumas pancadas, o que não é surpresa porque foi feito dois mil e quinhentos anos atrás e foi escavado em 1879. Mas hoje, esta coisa é, acredito, uma peça chave na política do Oriente Médio. E é um objeto com histórias fascinantes e histórias que de modo algum estão terminadas. A história começa na guerra Irã-Iraque e naquela série de eventos que culminaram na invasão do Iraque por forças estrangeiras, na remoção de um governante despótico e mudança instantânea de regime. E quero começar com um episódio daquela sequência de eventos com o qual muitos de vocês estariam familiarizados, o banquete de Baltazar -- porque estamos falando sobre a guerra Irã-Iraque de 539 A. C. E os paralelos entre os eventos de 539 A. C. e 2003 e no intervalo são surpreendentes. O que estão vendo é uma pintura de Rembrandt, agora na Galeria Nacional, em Londres, ilustrando o texto do profeta Daniel nas escrituras hebraicas. E todos vocês conhecem a história em linhas gerais. Baltazar, o filho de Nabucodonosor, Nabucodonosor que conquistou Israel, saqueou Jerusalém, capturou o povo e levou os judeus de volta à Babilônia. Não apenas os judeus, ele levou os cálices do templo. Ele saqueou e profanou o templo. E os grandes cálices de ouro do templo em Jerusalém foram levados à Babilônia. Baltazar, seu filho, decide fazer um banquete. E para torná-lo ainda mais excitante, ele acrescenta um pouquinho de sacrilégio ao restante da diversão, e traz os cálices do templo. Ele já está em guerra com os iranianos, com o rei da Pérsia. E naquela noite, Daniel nos conta, no alto das festividades uma mão apareceu e escreveu na parede: "Você foi pesado na balança e julgado em falta, e seu reino será passado aos medas e persas." E naquela mesma noite Ciro, rei dos persas, entrou na Babilônia e todo o regime de Baltazar caiu. É, claro, um grande momento na história do povo judeu. É uma grande história. É história que todos conhecemos. "A escrita na parede" é parte de nossa linguagem cotidiana. O que aconteceu a seguir foi notável, e é quando nosso cilindro entra na história. Ciro, o rei dos persas, entrou na Babilônia sem uma batalha -- o grande império da Babilônia, que abrangia do centro-sul do Iraque até o Mediterrâneo, cai ante Ciro. E Ciro faz uma declaração. E isso é o que este cilindro é, a declaração feita pelo governante guiado por Deus que derrubou o déspota iraquiano e ia trazer liberdade ao povo. Em sonoro babilônio -- foi escrito em babilônio -- ele diz: "Eu sou Ciro, rei de todo o universo, o grande rei, o poderoso rei, rei da Babilônia, rei dos quatro cantos do mundo." Eles não se acanham com hipérboles, como podem ver. Esta é provavelmente a primeira autêntica declaração à imprensa por um exército vitorioso que temos. E é escrita, como veremos no momento devido, por consultores de relações públicas muito habilidosos. Assim, a hipérbole não é de fato surpreendente. E o que o grande rei, o poderoso rei, o rei dos quatro cantos do mundo vai fazer? Ele continua a dizer que, tendo conquistado a Babilônia, ele permitirá, de uma vez, que todos os povos que os babilônios - Nabucodonosor e Baltazar -- capturaram e escravizaram sejam livres. Ele permitirá que retornem a seus países. E mais importante, ele permitirá a todos eles recuperar os deuses, as estátuas, os cálices do templo que tinham sido confiscados. Todos os povos que os babilônios tinham reprimido e deslocado irão para casa, e levarão com eles seus deuses. E eles poderão restaurar seus altares e adorar seus deuses a seu modo, em seu próprio local. Este é o decreto, este objeto é a evidência para o fato de que os judeus, após o exílio na Babilônia, os anos que passaram à beira das águas da Babilônia, chorando quando se lembravam de Jerusalém, àqueles judeus foi permitido ir para casa. Foi-lhes permitido retornar a Jerusalém e reconstruir o templo. É um documento fundamental na história dos judeus. E o Livro de Crônicas, o Livro de Ezra nas escrituras hebraicas relatou em termos sonoros. Esta é versão judia da mesma história. "Então disse Ciro, rei da Pérsia: 'Todos os reinos da terra foram-lhe dados pelo Senhor Deus do céu e ele me encarregou de construir-lhe uma casa em Jerusalém. Quem entre vocês é de seu povo? Que o Senhor Deus esteja com ele, e permitam-lhe levantar-se." "Levante-se" -- aaleh. O elemento central, ainda, da noção do retorno, uma parte fundamental da vida do judaísmo. Como todos sabem, aquele retorno do exílio, o segundo templo, Judaísmo reformulado. E aquela mudança, aquele grande momento histórico, foi tornado possível por Ciro, o rei da Pérsia, relatado a nós, pelos hebreus, nas escrituras e, pelos babilônios, em argila. Dois grandes textos, e a política? O que estava acontecendo era uma mudança fundamental na história do Oriente Médio. O império do Irã, os medas e os persas, unidos sob Ciro, tornaram-se o primeiro grande império mundial. Ciro começa em 530 AC. E à época de seu filho Dario, todo o Mediterrâneo oriental está sob o controle persa. Este império é, de fato, o Oriente Médio como o conhecemos, e é o que forma o Oriente Médio como o conhecemos. Foi o maior império que o mundo tinha conhecido até então. Muito mais mportante, foi o primeiro estado com múltiplas culturas, múltiplas crenças numa escala formidável. E tinha que ser conduzido de uma forma bastante nova. Tinha que ser conduzido em diferentes línguas. O fato de que este decreto está em babilônio diz algo. E tinha que reconhecer seus diferentes hábitos, diferentes povos, diferentes religiões, diferentes crenças religiosas. Tudo isso é respeitado por Ciro. Ciro estabelece um modelo de como conduzir uma grande sociedade de múltiplas nacionalidades, crenças, culturas. E o resultado disso foi um império que incluiu as áreas que veem na tela, e que sobreviveu por 200 anos de estabilidade até que foi aniquilado por Alexandre. Deixou o sonho do Oriente Médio como uma unidade, e uma unidade na qual povos de diferentes crenças poderiam viver juntos. As invasões gregas acabaram com isso. E é claro, Alexandre não pôde sustentar um governo e ele se fragmentou. Mas o que Ciro representou manteve-se absolutamente fundamental. O historiador grego Xenofonte escreveu o livro "Ciropédia" promovendo Ciro como o grande governante. E por toda a cultura europeia mais tarde, Ciro permaneceu como modelo. Esta é a imagem do século XVI para mostrar-lhes quão difundida realmente era a veneração por ele. E o livro de Xenofonte sobre Ciro de como você conduz uma sociedade diversificada foi um dos grandes livros que inspirou os Pais Fundadores da Revolução Americana. Jefferson era um grande admirador -- os ideais de Ciro, obviamente falando para aqueles ideais do século XVIII, de como você cria tolerância religiosa em um novo estado. Entretanto, de volta à Babilônia, as coisas não iam bem. Depois de Alexandre, os outros impérios, a Babilônia declina, cai em ruínas, e todos os traços do grande império babilônico perdem-se -- até 1879, quando o cilindro é descoberto por um bolsista do Museu Britânico, cavando na Babilônia. E ele entra agora em uma outra história. Ele entra naquele grande debate no meio do século XIX: As escrituras são fidedignas? Podemos confiar nelas? Só sabíamos do retorno dos judeus e do decreto de Ciro pelas escrituras hebraicas. Nenhuma outra evidência. De repente, isto apareceu. E grande agitação para um mundo no qual aqueles que acreditavam nas escrituras tiveram a sua fé na criação abalada pela evolução, pela geologia, aqui estava a prova de que as escrituras eram historicamente verdadeiras. É um grande momento no século XIX. Mas -- e isso, claro, é quando ele se torna complicado -- os fatos eram verdadeiros, viva para a arqueologia, mas a interpretação era bem mais complicada. Porque o relato do cilindro e o relato da Bíblia hebraica diferem em um aspecto chave. O cilindro babilônico é escrito pelos sacerdotes do grande deus da Babilônia, Marduk. E, sem surpresas, eles dizem a você que tudo isso foi feito por Marduk. "Marduk, nós sustentamos, chamou Ciro pelo seu nome." Marduk leva Ciro pela mão, convoca-o para conduzir seu povo e lhe dá as leis da Babilônia. Marduk diz a Ciro que ele fará essas coisas grandes e generosas de libertar o povo. E é por isso que devemos todos ser gratos a ele e adorar Marduk. Os escritores hebreus no Velho Testamento, vocês não ficarão surpreendidos ao saber, têm uma visão bem diferente disto. Para eles, é claro, não pode ser Marduk que fez tudo isso acontecer. Só pode ser Jeová. E assim em Isaías, temos os maravilhosos textos dando todo o crédito disto, não a Marduk, mas ao Senhor Deus de Israel -- o Senhor Deus de Israel que também chamou Ciro pelo nome, também toma Ciro pela mão e lhe diz para conduzir seu povo. É um notável exemplo de duas apropriações clericais diferentes do mesmo evento, duas assunções religiosas diferentes de um fato político. Deus, nós sabemos, geralmente está ao lado dos grandes batalhões. A questão é: que deus era esse? E o debate causa inquietação a todos no século XIX e leva a perceber que as escrituras hebraicas são parte de um mundo de religião muito mais amplo. E está muito claro que o cilindro é mais velho que o texto de Isaías, e ainda assim, Jeová está falando com palavras muito semelhantes àquelas usadas por Marduk. E há uma ligeira percepção de que Isaías sabe disso, porque ele diz, isto é Deus falando, claro, "Chamei-te pelo teu nome embora tu não me conheças." Penso que se reconhece que Ciro não percebe que ele está agindo sob ordens de Jeová. E igualmente, teria se surpreendido que estivesse agindo sob ordens de Marduk. Porque interessantemente, claro, Ciro é um bom iraniano com um conjunto de deuses completamente diferente que não são mencionados em nenhum desses textos. Isso é 1879. 40 anos à frente e estamos em 1917, e o cilindro entra em um mundo diferente. Desta vez, a política real do mundo contemporâneo -- o ano da Declaração Balfour, o ano em que o novo poder imperial no Oriente Médio, a Grã-Bretanha, decide que irá anunciar um lar nacional judeu, permitirá que os judeus retornem. E a resposta a isto pela população de judeus na Europa Oriental é arrebatadora. E por toda Europa Oriental, judeus expõem quadros de Ciro e de George V lado a lado -- os dois grandes governantes que permitiram o retorno a Jerusalém. E o cilindro de Ciro volta aos olhos do público e o texto como uma demonstração de por que o que ia acontecer depois que a guerra acabasse, em 1918, é parte de um plano divino. Todos vocês sabem o que aconteceu. O estado de Israel é criado, e 50 anos depois, ao final dos anos 60, está claro que o papel da Grã-Bretanha como poder imperial está acabado. E uma outra história do cilindro começa. A região, o Reino Unido e os Estados Unidos decidem, tem que ser mantida a salvo do comunismo, e o super poder que será criado para fazer isso seria o Irã, o Xá. E assim o Xá inventa uma história iraniana, ou um retorno à história iraniana, que o coloca no centro de uma grande tradição e cunha moedas exibindo a si mesmo com o cilindro de Ciro. Quando realiza grandes celebrações, em Persépolis, ele convoca o cilindro e o cilindro é emprestado pelo Museu Britânico, vai para Teerã, e é parte dessas grandes celebrações da dinastia Pahlavi. O cilindro de Ciro: o avalista do Xá. Dez anos mais tarde, uma outra história: revolução iraniana, 1979. Revolução islâmica, sem Ciro; não estamos interessados nessa história, estamos interessados no Irã islâmico -- até que o Iraque, o novo superpoder que todos nós decidimos que deveria haver na região, ataca. Então uma outra guerra Irã-Iraque. E torna-se crítico para os iranianos lembrar seu grande passado, seu grande passado quando lutaram contra o Iraque e venceram. Torna-se crítico encontrar um símbolo que unirá todos os iranianos -- muçulmanos e não muçulmanos, cristãos, zoroastrianos, judeus vivendo no Irã, pessoas que são devotos, não devotos. E o emblema óbvio é Ciro. Assim quando o Museu Britânico e o Museu Nacional de Teerã cooperaram e trabalharam juntos, como temos feito, os iranianos pediram apenas uma coisa como um empréstimo. É o único objeto que eles querem. Eles querem emprestar o cilindro de Ciro. E no ano passado, o cilindro de Ciro foi a Teerã pela segunda vez. Mostra-se sendo apresentado aqui, colocado em seu estojo pela diretora do Museu Nacional de Teerã, uma das muitas mulheres no Irã em posições elevadas, sra. Ardakani. Foi um evento formidável. Este é o outro lado dessa mesma foto. Foi vista em Teerã por de um a dois milhões de pessoas no espaço de poucos meses. Isto está além de qualquer exibição de muito sucesso no Oeste. E é o tópico de um vasto debate sobre o que significa este cilindro, o que significa Ciro, mas, acima de tudo, Ciro como articulado através deste cilindro -- Ciro como o defensor da terra natal, o campeão, é claro, da identidade iraniana e dos povos iranianos, tolerante com todas as crenças. E no Irã atual, zoroastrianos e cristãos têm assentos garantidos no parlamento iraniano, algo para se ter muito, muito orgulho. Para ver este objeto em Teerã, milhares de judeus vivendo no Irã vieram a Teerã vê-lo. Tornou-se um grande emblema, um grande tópico de debate sobre o que o Irã é em casa e no exterior. O Irã ainda é o defensor dos oprimidos? O Irã libertará os povos que os tiranos escravizaram e expropriaram? Isto é retórica nacional arrebatada, e tudo foi colocado junto numa grande apresentação pública lançando o retorno. Aqui vocês veem este cilindro de Ciro ampliado no palco com grandes figuras da história iraniana juntos para tomar seus lugares na herança do Irã. Foi a narrativa apresentada pelo próprio presidente. E para mim, levar este objeto ao Irã, ser autorizado a levar este objeto ao Irã foi ser autorizado a ser parte de um debate extraordinário conduzido nos níveis mais altos sobre o que o Irã é, quais diferentes Irãs há e como as diferentes histórias do Irã poderiam moldar o mundo hoje. É um debate que ainda continua, e continuará a soar com estrondo, porque este objeto é uma das grandes declarações da aspiração humana. Destaca-se com a constituição americana. Certamente diz muito mais sobre reais liberdades que a Carta Magna. É um documento que pode significar tantas coisas, para o Irã e para a região. Uma réplica disto está nas Nações Unidas. Em New York, neste outono, ele estará presente quando os grandes debates sobre o futuro do Oriente Médio ocorrerem. E quero finalizar perguntando-lhes qual será a próxima história na qual este objeto figurará. Aparecerá, certamente, em muitas histórias mais do Oriente Médio. E qual história do Oriente Médio, qual história do mundo, vocês querem ver refletindo o que é dito, o que expresso neste cilindro? O direito dos povos de viver juntos no mesmo estado, adorando de forma diferente, livre -- um Oriente Médio, um mundo, no qual a religião não é assunto de divisão ou de debate. No mundo do Oriente Médio no momento, os debates são, como sabem, estridentes. Mas penso que é possível que a voz mais poderosa e mais sábia de todas elas pode bem ser a voz desta coisa muda, o cilindro de Ciro. Obrigado.
pt
495
Eu estava basicamente preocupado com o que estava acontecendo no mundo. Não conseguia compreender a fome, a destruição, a matança de pessoas inocentes. Dar sentido a essas coisas é algo muito difícil de se fazer. E quando eu tinha 12 anos, me tornei ator. Era um dos piores da turma. Sem qualificações. Me disseram que eu era disléxico. Na verdade, tenho qualificações. Tirei um D em cerâmica, que foi a única coisa que consegui -- e que foi útil, obviamente. E é da preocupação que vem tudo isso. E como ator, eu fazia todo tipo de coisa. E senti que o conteúdo do trabalho no qual estava envolvido realmente não era suficiente, que deveria haver algo mais. Nessa época, li um livro de Frank Barnaby, um físico nuclear maravilhoso, e ele disse que a mídia tinha uma responsabilidade, que todos os setores da sociedade tinham uma responsabilidade de tentar fazer as coisas progredirem, avançarem. E isso me fascinou, porque havia passado grande parte da vida mexendo com uma câmera. E então pensei, talvez eu possa fazer algo. Talvez possa me tornar um cineasta. Talvez possa usar o filme de forma construtiva e de alguma maneira fazer a diferença. Talvez haja uma pequena mudança na qual eu possa me envolver. Então eu comecei a pensar na paz, e, como disse, ficava bastante tocado com essas imagens, tentando entendê-las. Será que poderia falar com pessoas mais velhas e sábias que me diriam como elas entendem esses acontecimentos? Porque é incrivelmente assustador. Mas eu percebi, por ter brincado com a estrutura como um ator, que uma série de chavões não seria o suficiente, que precisaria haver uma montanha para escalar, que precisaria haver uma jornada a ser percorrida. E se eu fosse nessa jornada não importava se ela falhasse ou tivesse êxito, isso seria completamente irrelevante. O importante era que eu teria algo para conectar as perguntas -- será a humanidade fundamentalmente má? A destruição do mundo é inevitável? Devo ter filhos? É algo responsável de se fazer? Etc, etc. Então eu pensava sobre a paz, e pensava, bem qual será o ponto de partida para a paz? E foi quando tive a ideia. Não havia um ponto de partida para a paz. Não havia um dia de unidade global. Não havia um dia de cooperação intercultural. Não havia um dia em que a humanidade se reunisse, em separado de todas essas coisas e compartilhasse simplesmente -- que estamos juntos nisso, e que se nos unirmos e cooperarmos interculturalmente, então talvez haja a chave para a sobrevivência da humanidade. Isso pode mudar o nível de consciência ao redor das questões fundamentais que a humanidade enfrenta -- se o fizermos apenas por um dia. Então obviamente não tínhamos dinheiro. Eu morava na casa da minha mãe. E começamos escrevendo cartas para todo mundo. Você logo se dá conta do que tem que fazer para chegar à solução. Como você cria um dia com o voto de todos os Chefes de Estado do mundo para criar o primeiro dia de cessar fogo e não-violência, 21 de setembro? E eu queria que fosse em 21 de setembro porque era o número favorito de meu avô. Ele foi um prisioneiro de guerra. Viu a bomba explodir em Nagasaki. Ela envenenou seu sangue. Ele morreu quando eu tinha 11 anos. Ele era meu herói. E a razão de ele ter escolhido o número 21: 700 homens partiram, 23 retornaram, dois morreram no barco e 21 chegaram em terra. É por isso que queríamos que a data fosse 21 de setembro. Então começamos essa jornada, e a lançamos em 1999. Escrevemos para Chefes de Estado, seus Embaixadores, ganhadores de Prêmio Nobel, ONGs, grupos religiosos, várias organizações -- escrevemos literalmente para todos. E rapidamente, algumas cartas começaram a retornar. E começamos a defender essa causa. E me lembro da primeira carta. Uma das primeiras cartas foi a do Dalai Lama. E claro que não tínhamos dinheiro; nós tocávamos guitarra e assim conseguíamos o dinheiro para os selos que usávamos nas cartas. Chegou uma carta do Dalai Lama dizendo, "Isso é uma coisa incrível. Venha me ver. "Gostaria de conversar com você sobre o primeiro dia de paz." E não tínhamos dinheiro para o vôo. Liguei para Sir Bob Ayling, que era Diretor Executivo da BA na época, e disse, "Cara, temos este convite. Poderia me dar uma passagem? Porque vamos lá vê-lo." E claro, nós fomos e o vimos e foi maravilhoso. E então Dr. Oscar Arias nos apoiou. E na verdade, deixe voltar àquele slide, porque quando a lançamos em 1999 -- esta ideia de criar o primeiro dia de cessar fogo e não-violência -- nós convidamos milhares de pessoas. Bem não milhares -- centenas de pessoas, muitas pessoas -- a imprensa toda, porque íamos tentar criar o primeiro Dia Mundial da Paz, um dia de paz. E convidamos todo mundo, e não apareceu ninguém da imprensa. Havia 114 pessoas lá -- a maioria eram meus amigos e familiares. E o lançamento dessa coisa foi mais ou menos assim. Mas isso não importava, porque estávamos documentando, e isso que era importante. Para mim, o importante era o processo. Não o resultado final. E é essa a beleza da câmera. Costumavam dizer que a caneta é mais poderosa que a espada. Penso que é a câmera. E simplesmente estar presente naquele momento foi algo belo e realmente grandioso. De qualquer modo, começamos nossa jornada. E aqui vemos pessoas como Mary Robinson, fui vê-la em Genebra. Cortava meu cabelo, ele ficava mais curto e mais longo, porque toda vez que via Kofi Annan, eu me preocupava tanto que ele pensasse que eu era um hippie que o cortava. E era isso que estava acontecendo. É, não me preocupo mais com isso. Então Mary Robinson, ela me disse, "Chegou a hora dessa ideia. Ela deve ser criada." Kofi Annan disse, "Isso será benéfico para minhas tropas que estão em terra." O Organização da União Africana na época, dirigida por Salim Ahmed Salim, disse, "Tenho que conseguir envolver os países africanos." Dr. Oscar Arias, ganhador do Nobel da Paz, atual presidente da Costa Rica, disse, "Farei tudo que puder." Então fui ver Amr Moussa na Liga dos Estados Árabes. Conheci Mandela nas conversações de paz de Arusha. E assim sucessivamente -- enquanto eu defendia minha causa para provar que esta ideia fazia sentido. E ouvíamos as pessoas. Íamos documentando tudo por toda parte. Visitei 76 países nos últimos 12 anos, E sempre converso com as mulheres e crianças por onde vou. Gravei 44. 000 jovens. Gravei cerca de 900 horas de seus pensamentos. Sei bem como os jovens se sentem. quando conversamos com eles sobre esta ideia de ter um ponto de partida para suas ações por um mundo mais pacífico através de sua poesia, arte, literatura, música, esporte, o que seja. E ouvíamos todo mundo. E foi incrível, trabalhar com a ONU. e trabalhar com ONGs e defender esta causa. Senti que estava apresentando um caso em nome da comunidade global para tentar criar este dia. E quanto mais forte e detalhada estivesse a causa, melhor chance tínhamos de criar este dia. E foi isso, onde na verdade eu no começo pensava que independentemente do que acontecesse, pouco importava. Não importava se o dia de paz não fosse criado. Na verdade, se eu tentasse e não conseguisse, então poderia declarar o quão relutante a comunidade global era em se unir -- até que estive na Somália, segurando essa menina. E essa criança de quem haviam amputado quase 4 centímetros de sua perna sem antisépticos, e aquele menino que era um soldado infantil, me disse que havia matado pessoas -- ele tinha uns 12 anos -- essas coisas me fizeram perceber que isso não era um filme que eu poderia interromper. E que na verdade, naquele momento algo aconteceu comigo, que obviamente me fez decidir, "Vou documentar. Se este for meu único filme, eu o documentarei até que ele se torne uma realidade." Porque temos que parar, temos que fazer algo onde nos unimos -- a despeito de política e religião que, sendo jovem, é algo que me confunde. Não sei como me envolver nesse processo. E então em 7 de setembro, fui convidado a ir a Nova York O governo da Costa Rica e o governo britânico haviam adiantado para a Assembléia Geral das Nações Unidas, com 54 co-patrocinadores, a ideia do primeiro dia de cessar fogo e não-violência, como uma data fixa no calendário, o dia 21 de setembro, e foi unanimamente adotado por todos os Chefes de Estado do mundo. É, mas houve centenas de pessoas que fizeram com que isso fosse uma realidade. E agradeço a todos eles. Foi um momento incrível. Eu estava bem no alto na Assembleia Geral olhando lá embaixo as coisas acontecendo. E como mencionei, quando isso começou, nós estávamos no Globe, e não havia imprensa. E agora eu pensava, "bem, a imprensa vai realmente querer escutar esta história." E subitamente, começamos a institucionalizar este dia. Kofi Annan me convidou na manhã de 11 de setembro. para uma coletiva com a imprensa. E eram 8: 00 da manhã quando cheguei lá. Eu estava esperando ele descer, e sabia que ele estava a caminho. Mas obviamente ele não desceu. Nunca houve a declaração. O mundo nunca soube que havia um dia mundial de cessar fogo e não-violência. E foi obviamente um momento trágico pelas milhares de pessoas que perderam suas vidas, lá e subsequentemente por todo o mundo. Não houve. E me lembro de pensar, "É exatamente por este motivo que devemos trabalhar ainda mais. E temos que fazer com que este dia funcione. Ele foi criado; ninguém sabe. Mas temos que continuar essa jornada, e temos que dizer as pessoas, e temos que provar que ele pode funcionar." E fui embora de Nova York assustado, mas na verdade convencido. E me senti inspirado pelas possibilidades de que se ele existisse, talvez não veríamos algo assim. Lembro-me de ter exibido esse filme e perceber algum cinismo. Estava mostrando o filme, e me lembro que estava em Israel e fui totalmente criticado por algumas pessoas que assistiram ao filme -- de que era só um dia de paz, que não significava nada. Não iria funcionar; você não vai acabar com a guerra no Afeganistão; o Taliban não irá lhe ouvir, etc, etc. Isso não passa de simbolismo. E isso foi ainda pior em muitos aspectos, do que o que havia acabado de acontecer, porque ele poderia não funcionar. Havia falado na Somália, Burundi, Gaza, Cisjordania, India, Sri Lanka, Congo, onde fosse, e eles todos me diziam, "Se você conseguir criar uma janela de oportunidade, nós podemos promover ajuda, podemos vacinar crianças. As crianças podem conduzir seus projetos. Elas podem se unir. Podem se juntar. Se as pessoam pararem, vidas serão salvas." Foi o que me disseram. E ouvi isso das pessoas que realmente compreendiam como era o conflito. Então voltei às Nações Unidas. Eu decidi que continuaria filmando e faria outro filme. E retornei às Nações Unidas por mais uns 2 anos. Começamos a nos movimentar pelos corredores da ONU, governos e ONGs, tentando desesperadamente encontrar alguém que se voluntariasse para fazer uma tentativa, para ver se poderíamos torná-lo possível. E após muitas e muitas reuniões obviamente, fiquei encantado com este homem, Ahmad Fawzi, um de meus heróis e mentores, ele conseguiu convencer a UNICEF a se envolver. E a UNICEF, Deus os abençoe, eles disseram, "OK, vamos tentar." E então UNAMA se envolveu no Afeganistão. Foi algo histórico. Será que funcionaria no Afeganistão com UNAMA e a OMS e a sociedade civil, etc, etc, etc? E eu ia filmando e gravando tudo, e pensava, "É isso. É a possibilidade disso talvez funcionar. Mas mesmo que não funcione, ao menos a porta está aberta e há uma chance." E então voltei a Londres, e fui ver esse cara, Jude Law. E fui vê-lo porque ele era um ator, eu era um ator. Eu tinha uma conexão com ele, porque precisávamos atingir a mídia, precisávamos dessa atenção, precisávamos que a mídia se envolvesse. Porque se começássemos a aparecer, talvez mais pessoas nos escutassem e além disso -- quando fôssemos em certas áreas, talvez houvesse mais pessoas interessadas. E talvez conseguíssemos um pouco mais de ajuda financeira, algo que estava sendo extremamente difícil. Não entrarei nesse assunto. Então Jude disse, "OK, farei algumas declarações para vocês." Enquanto filmávamos as declarações, ele me disse, "Qual é seu próximo passo?" Eu disse, "Vou para o Afeganistão." Ele disse, "Sério?" E eu pude perceber um certo interesse em seus olhos. Então disse a ele, "Quer vir comigo?" Seria bem interessante se você viesse. Ajudaria a atrair atenção. E essa atenção ajudaria a influenciar a situação, em todos os aspectos." Penso que há um certo número de pilares para o sucesso. Um é ter uma grande ideia. O outro é ter apoio das pessoas, ter condições financeiras, e ter a habilidade de sensibilizar. E de fato, eu mesmo nunca consegui sensibilizar, independentemente do que tivesse conquistado. Por isso esses caras seriam fundamentais. Então ele disse sim, e nós fomos para o Afeganistão. Foi realmente incrível que quando aterrissamos lá, eu conversava com várias pessoas, e elas me diziam "Você tem que conseguir que todos aqui se envolvam. Você não pode esperar que isso funcione assim. Você tem que ir e batalhar." E assim fizemos, e viajamos por aí, e conversamos com idosos, médicos, enfermeiras, participamos de coletivas com a imprensa, estivemos com soldados, nos reunimos com a ISAF, com a OTAN, nos reunimos com o governo do Reino Unido. Quero dizer, conversamos basicamente com todo mundo -- dentro e fora das escolas, com Ministros da Educação, dando essas coletivas de imprensa, que é claro, agora estavam lotadas de jornalistas, todo mundo estava lá. Havia um interesse no que estava acontecendo. Esta mulher fantástica, Fatima Magalani, foi absolutamente fundamental no que aconteceu já que ela foi porta voz da resistência contra os russos. E sua rede afegã estava em toda parte. E ela foi realmente crucial em transmitir a mensagem. Então voltamos para casa. Já tínhamos feito a nossa parte. Agora tínhamos que esperar e ver o que acontecia. E cheguei em casa, e me lembro que alguém da equipe me trouxe uma carta do Taliban. Aquela carta basicamente dizia, "Nós vamos observar este dia. Nós observaremos este dia. Nós o vemos como uma janela de oportunidade. E não participaremos de nada. Não faremos nada." E isso significava que os trabalhadores humanitários não seriam sequestrados ou mortos. Então subitamente, eu soube naquele momento que havia uma chance. E dias depois, 1. 6 milhões de crianças foram vacinadas contra pólio como consequência de todos terem parado. E assim como na Assembléia Geral, foi obviamente o momento mais maravilhoso. E então nós terminamos as filmagens e montamos o filme porque tínhamos que retornar. Nós o traduzimos em Dari e Pashto. Nós o colocamos em diferentes dialetos. Retornamos ao Afeganistão, porque o ano seguinte se aproximava e queríamos dar apoio. Mas o mais importante, nós queríamos retornar, porque essas pessoas no Afeganistão são os heróis. Elas são as pessoas que acreditaram na paz e em suas possibilidades, etc, etc. -- e a fizeram acontecer. E queríamos voltar lá e mostrar o filme a eles e dizer, "Vejam, vocês tornaram isso possível. E muito obrigado." E terminamos o filme. Obviamente ele foi exibido, e foi incrível. E então naquele ano, em 2008, essa declaração da ISAF em Kabul no Afeganistão, em 17 de setembro: "General Stanley McChrystal, comandante das Forças de Assistência à Segurança Internacional no Afeganistão, anunciou hoje que a ISAF não conduzirá operações militares ofensivas em 21 de setembro." Eles disseram que parariam. E então houve essa outra declaração que veio do Departamento de Segurança dizendo que, no Afeganistão, por causa deste trabalho, a violência havia baixado em 70%. 70% de redução na violência pelo menos neste dia. E isso me impressionou muitíssimo quase mais que tudo. E me lembro que fiquei preso em Nova York, nessa época por causa do vulcão, que obviamente era bem menos prejudicial. E eu ficava lá pensando no que estava acontecendo. E repensava sobre esses 70%. 70% de redução na violência -- no que todos disseram que seria totalmente impossível e que não conseguíriamos. E isso me fez pensar que, se conseguimos 70% no Afeganistão, então certamente podemos conseguir 70% de redução em todo lugar. Temos que ir atrás de uma trégua mundial. Temos que utilizar este dia de cessar fogo e não-violência e ir atrás de uma trégua global, ir atrás do maior cessar de hostilidades já registrado, tanto a nível nacional como internacional, já registrado. É exatamente o que devemos fazer. E em 21 de setembro deste ano, nós vamos lançar essa campanha no O2 Arena para perseguir esse processo, de tentar criar o maior cessar de hostilidades já registrado. E nós vamos utilizar todos os tipos de coisa -- dança e mídias sociais e visitas no Facebook e visitas no website, assinar a petição. E será nos 6 idiomas oficiais da ONU. E iremos criar um link global com organizações do governo, não governamentais, educação, associações, esportes. E vocês podem ver o símbolo da educação ali. No momento temos recursos em 174 países tentando fazer com que os jovens sejam a força motriz por trás da visão dessa trégua global. E obviamente salvam-se mais vidas, o conceito ajuda. A vinculação com os Jogos Olímpicos -- Eu fui ver Seb Coe. Eu disse, "Londres 2012 será a respeito da trégua. Em última análise, é disso que se trata." Por que não nos unimos todos? Por que não damos vida à trégua? Por que não apoiamos o processo da maior trégua global? Faremos um novo filme sobre este processo. Vamos utilizar esportes e futebol. No Dia de Paz, haverá milhares de jogos de futebol, realizados, das favelas do Brasil a qualquer outro lugar que seja. Então utilizando todos estes meios para inspirar ações individuais. E finalmente, temos que tentar isso. Nós temos que trabalhar juntos. E quando eu fico aqui em frente a todos vocês, e das pessoas que verão essas coisas, eu me entusiasmo, em nome de todos que conheço, de que há uma possibilidade de nosso mundo se unir, de que possamos todos ser um, de que possamos elevar o nível de consciência em torno de questões fundamentais, trazida por indivíduos. Eu estive com Brahimi, Embaixador Brahimi. Eu o considero um dos homens mais incríveis em matéria de política internacional -- no Afeganistão, no Iraque. É um homem fantástico. E conversei com ele há algumas semanas. E lhe disse, "Mr. Brahimi, é loucura, buscar uma trégua global? Isso é possível? É realmente possível fazermos isso?" Ele disse, "É completamente possível." Eu disse, "O que você faria? Você iria aos governos e lobby e usaria o sistema?" Ele disse, "Não, eu falaria com os indivíduos." Trata-se de indivíduos. Trata-se de você e eu. Trata-se de parcerias. Trata-se de círculos eleitorais, dos nossos negócios. Porque juntos, trabalhando juntos, penso seriamente que podemos começar a mudar as coisas. E há um homem maravilhoso sentado nesta platéia, não sei onde ele está, que me disse há alguns dias -- porque eu ensaiei um pouco -- e ele disse, "Tenho pensado sobre este dia e o imaginando como um quadrado com 365 quadrados, e um deles é branco." E ele então me fez pensar num copo de água, que é transparente. Se você coloca uma gota, uma gota de qualquer coisa, nessa água, ela muda para sempre. Trabalhando juntos, nós podemos um dia criar a paz. Obrigado TED. Obrigado. Obrigado. Muito obrigado. Muito obrigado. Obrigado.
pt
496
Como muitos de vocês aqui presentes, estou buscando contribuir para uma nova vida na África. A questão da transformação na África realmente consiste em uma questão de liderança. A África somente poderá se transformar por meio de líderes esclarecidos. E, na minha opinião, a maneira pela qual formamos nossos líderes é fundamental ao progresso nesse continente. Gostaria de contar-lhes algumas histórias que explicam meu ponto de vista. Todos ouvimos sobre a importância das histórias ontem. Este ano, uma amiga americana voluntariou-se como enfermeira em Gana. E, num período de três meses, chegou a uma conclusão sobre o estado de liderança na África que eu havia levado mais de uma década para entender. Em duas ocasiões ela esteve envolvida em cirurgias durante as quais faltou energia elétrica no hospital. Os geradores de emergência não funcionaram -- não havia sequer uma lanterna ou vela. Completa escuridão. Nas duas ocasiões, o paciente completamente aberto. Na primeira vez, foi durante uma cesariana. Felizmente, o bebê havia sido retirado -- mãe e criança estavam a salvos. A segunda vez foi num procedimento que envolvia anestesia local. O anestésico perdera seu efeito e o paciente começou a sentir dor. Ele chorou, gritou e então rezou. Completa escuridão. Nem uma vela, nem uma lanterna. E o hospital poderia ter comprado lanternas. Eles poderiam ter comprado essas coisas, mas não o fizeram. E isso aconteceu em duas ocasiões. Em outra ocasião, ela presenciou horrorizada enquanto duas enfermeiras assistiam uma paciente morrer porque se recusaram a lhe administrar oxigênio que elas tinham. Assim, três meses mais tarde, um pouco antes de retornar aos Estados Unidos, os enfermeiros em Acra entram em greve. E sua recomendação é de aproveitarem a oportunidade para demitir todo mundo e começar tudo de novo. Começar tudo de novo. Bom, o que isto tem a ver com liderança? Vejam, as falhas do ministério da saúde, dos administradores dos hospitais, dos médicos, dos enfermeiros -- eles encontram-se entre apenas 5 por cento dos seus colegas que obtêm uma formação após o ensino secundário. Eles são a elite. Eles são nossos líderes. Suas decisões, suas ações importam. E quando eles falham, uma nação, literalmente, sofre. Assim, quando falo sobre liderança, não estou tratando simplesmente de líderes políticos. Já ouvimos muito sobre isso. Estou falando da elite. Aqueles que foram treinados. Cujo trabalho é de ser os guardiães da sua sociedade. Os advogados, os juízes, os policiais, os médicos, os engenheiros, os servidores públicos -- esses são os líderes. E precisamos treiná-los corretamente. Bem, minha primeira experiência identificável e memorável com liderança em Gana ocorreu quando eu tinha 16 anos. Tínhamos acabo de sofrer um golpe militar, e os soldados haviam penetrado em nossa sociedade. Eles eram uma presença por todas as partes. Um dia, vou ao aeroporto para encontrar meu pai e, na medida em que estou subindo por um gramado a partir do estacionamento em direção ao terminal, sou detido por dois soldados carregando armas de ataque do tipo AK-47. E eles me pedem para me juntar a um grupo de pessoas que estavam subindo e descendo por este terreno. Por quê? Porque o caminho que havia tomado era considerado fora dos limites. Não havia qualquer sinalização nesse sentido. Bem, eu tinha 16 anos. Estava muito preocupado sobre o que meus colegas de escola pensariam caso me vissem correndo para cima e para baixo dessa colina. Estava especialmente preocupado com o que as garotas pensariam. Assim comecei a discutir com esses homens. Foi um pouco imprudente, mas, como vocês sabem, eu tinha 16 anos. Tive sorte. Um piloto da Ghana Airways é envolvido na mesma situação desagradável. Mas devido ao seu uniforme, eles o tratam de maneira diferente, e lhe explicam estarem somente seguindo ordens. Ele então toma o rádio deles, fala com o superior, e consegue nos liberar a todos. Que lição vocês tirariam de uma experiência desse tipo? Algumas, para mim. Liderança é importante. Aqueles homens estavam seguindo as ordens de um oficial superior. Aprendi algo sobre coragem. Foi importante não olhar para aquelas armas. E também aprendi que pensar em garotas pode ajudar. Assim, alguns anos após este evento, consigo uma bolsa de estudos e deixo Gana para ir ao Swarthmore College obter minha formação. Foi um alívio. Vocês sabem, o corpo docente de lá não queria que memorizássemos as informações e as repetíssemos para eles, como era de costume em Gana. Eles queriam que pensássemos de maneira crítica. Queriam que fôssemos analíticos. Queriam que nos preocupássemos com questões sociais. Em minhas aulas de economia, obtive notas altas devido ao meu conhecimento dos princípios básicos de economia. Mas aprendi algo mais profundo do que isso, ou seja, que os líderes -- os gestores da economia de Gana -- estavam tomando, surpreendentemente, más decisões que haviam levado nossa economia à beira de um colapso. E assim, aqui está essa lição novamente -- liderança é importante. Significa muito. Mas realmente não entendi por completo o que tinha acontecido comigo em Swarthmore. Tinha uma suspeita. Mas eu não me dei completamente conta disso até que ingressei no mercado de trabalho, e fui trabalhar para o Grupo Microsoft. E fazia parte desse time - esse time pensante e aprendiz cujo trabalho era desenvolver e implementar novos softwares que agregassem valor ao mundo. E era incrível fazer parte desse time. Era incrível. Compreendi exatamente o que tinha me ocorrido em Swarthmore, essa transformação -- a habilidade de enfrentar problemas, problemas complexos, e desenvolver soluções àqueles problemas. A habilidade de criar é a coisa mais empoderadora que pode acontecer a uma pessoa. E fiz parte daquilo. Bem, enquanto estava na Microsoft, as receitas anuais da empresa cresceram mais do que o PIB da República de Gana. E, a propósito, continua sendo assim. E a diferença crescou desde que saí. Bom, já discorri sobre uma das razões porque isso ocorreu. Ou seja, é o povo de lá que trabalha duro e é persistente, criativo e empoderado. Mas houve também alguns fatores externos: mercados livres, o sistema jurídico, infraestrutura. Essas coisas foram fornecidas por instituições dirigidas por pessoas que classifico como líderes. E aqueles líderes não surgiram espontaneamente. Alguém os treinou para realizar o trabalho que fazem. Bem, enquanto estava na Microsoft, algo engraçado aconteceu, eu me tornei pai. E pela primeira vez, a África se tornou mais importante para mim do que jamais antes. Porque me dei conta que o estado do continente africano significaria muito para meus filhos e os filhos deles. Que o estado do mundo -- o estado do mundo depende do que está acontecendo na África, no que dissesse respeito aos meus filhos. E naquele momento em que eu estava passando pelo que chamo de minha fase "pré-crise da meia-idade" a África estava uma bagunça. A Somália se desintegrara numa anarquia. Ruanda estava vivenciando as dores dessa guerra genocida. E me parecia que aquele era o caminho errado, e que eu precisava voltar para ajudar. Eu não podia simplesmente ficar em Seattle e criar meus filhos num bairro de classe média-alta, e me sentir bem com isso. Esse não era o mundo no qual queria que minhas crianças crescessem. Decidi então engajar-me e o primeiro passo que tomei foi retornar a Gana, conversar com muitas pessoas e realmente tentar entender quais eram os verdadeiros problemas. E três coisas surgiam de forma recorrente para cada problema: corrupção, instituições fracas e as pessoas que as governavam -- os líderes. Bem, fiquei um pouco com medo pois quando vemos aqueles três problemas, eles parecem realmente difíceis de se lidar. E eles podem dizer, veja, nem tente. Mas, para mim, indaguei-me, "Bem, de onde estão surgindo esses líderes? O que acontece em Gana que gera líderes anti-éticos ou incapazes de resolver problemas?" Dessa forma, lancei-me a analisar o que estava acontecendo em nosso sistema educacional. E era o mesmo -- aprendizado inconsciente -- da escola primária até o doutorado. Muito pouca ênfase em ética. E em média, vocês sabem, o típico graduado de uma universidade em Gana tem um senso mais forte de autoridade do que de responsabilidade. Isso está errado. Decidi então me dedicar a este problema específico. Porque me parece que toda sociedade, toda sociedade, deve proceder segundo seus propósitos quando treina seus líderes. E Gana não estava prestando a atenção suficiente. E, na realidade, isso é verdade por toda a região da África abaixo do Saara. Assim, isso é o que estou fazendo atualmente. Estou tentando trazer a experiência que vivi em Swarthmore para a África. Gostaria que existisse uma faculdade de ciências humanas em cada país da África. Acho que faria uma grande diferença. E o que a Universidade de Ashesi está tentando fazer é treinar uma nova geração de líderes éticos e empreendedores. Estamos tentando treinar líderes com integridade excepcional, que tenham a habilidade de enfrentar problemas específicos, fazer as perguntas certas, e surgir com soluções plausíveis. Devo admitir que há vezes em que isso parece uma "Missão Impossível". Mas temos de acreditar que essas crianças são espertas. Que se as envolvermos em suas formações, se as pusermos para discutir os problemas reais que elas enfrentam -- que toda nossa sociedade enfrenta -- e se lhes fornecermos habilidades que as capacitem a se comprometerem pelo mundo real, essa mágica acontecerá. Bem, um mês após o início desse projeto, tínhamos apenas começado as aulas. E um mês desde o início, chego ao escritório e encontro o seguinte e-mail de um de nossos alunos, que dizia, muito simplesmente, "Agora estou pensando". E ele assina, "Obrigado". É uma afirmação realmente simples. Mas que me emocionou a ponto de quase chorar pois eu entendi o que estava acontecendo com esse jovem. E é algo incrível poder fazer parte do processo de empoderamento de alguém dessa forma. Agora estou pensando. Este ano, desafiamos nossos alunos a desenvolverem eles próprios um código de honra. Há um debate muito vigoroso em curso no campus atualmente para definir se eles devem ter um código de honra, e se for o caso, como deveria ser. Um dos alunos levantou uma questão que simplesmente acalentou meu coração. Podemos criar uma sociedade perfeita? Seu entendimento de que um código de honra criado por um estudante constitui um avanço em direção à perfeição é incrível. Bem, não podemos atingir a perfeição. Mas se a buscarmos, então poderemos atingir a excelência. Não sei por fim o que eles farão. Não sei se decidirão ter esse código de honra. Mas as conversas que estão travando agora -- sobre como a boa sociedade deles deve ser, a que a excelente sociedade deles deve se parecer -- é algo realmente bom. Ultrapassei o tempo? OK. Bem, quero somente deixar aquele "slide" exposto porque é importante que pensemos sobre ele. Estou muito entusiasmado com o fato de que cada aluno da Universidade de Ashesi desenvolve serviços à comunidade antes de se graduarem. Isso para muitos deles tem representado uma experiência de vida transformadora. Esses jovens futuros líderes estão começando a entender o conceito verdadeiro de liderança. O privilégio verdadeiro da liderança, que é, afinal, o de servir a humanidade. Estou ainda mais entusiasmado pelo fato de que no ano passado nosso corpo estudantil elegeu uma mulher para ser a chefe do Conselho Estudantil. É a primeira vez na história de Gana que uma mulher foi eleita chefe do Conselho Estudantil em qualquer universidade. Isso diz muito sobre ela. Diz muito sobre a cultura que está se formando no campus. Diz muito sobre seus colegas que a elegeram. Ela venceu com 75 por cento de votos. E isso me dá muita esperança. Ocorre que a África Ocidental corporativa também aprecia o que está acontecendo com nossos estudantes. Graduamos duas turmas de estudantes até o momento. E cada um deles foi colocado no mercado de trabalho. E estamos obtendo ótimas respostas do mundo corporativo de Gana, da África Ocidental corporativa. E o que mais os impressiona é a ética de trabalho. Ou seja, a paixão pelo que eles estão fazendo. A persistência, a habilidade deles de lidar com ambiguidade, a habilidade de encarar os problemas que não tinham enfrentado antes. Isso é bom pois, como vocês sabem, nos últimos cinco anos, houve momentos em que senti que essa era uma "Missão Impossível". E tem sido simplesmente maravilhoso ver, de certo modo, esses sinais da promessa do que pode acontecer se treinarmos nossas crianças corretamente. Acho que os líderes atuais e futuros da África têm uma oportunidade incrível de propiciar um grande renascimento ao continente. É uma oportunidade incrível. Não existem muitas outras oportunidades como esta no mundo. Acredito que a África chegou num ponto de inflexão com uma marcha de democracia e mercados livres por todo o continente. Chegamos num momento do qual se pode emergir uma grande sociedade a partir de uma geração. Isso dependerá de liderança inspirada. E é minha opinião que a maneira pela qual treinamos nossos líderes fará a diferença. Obrigado e Deus os abençoe.
pt
497
Tenho estado no Afeganistão por 21 anos. Trabalho para a Cruz Vermelha e sou um fisioterapeuta. Meu trabalho é fazer braços e pernas -- bem, isso não é totalmente verdade. Fazemos mais que isso. Provemos aos pacientes, os afegãos mutilados, primeiro a reabilitação física, depois a reintegração social. É um plano muito lógico, mas não foi sempre assim. Por muitos anos, estávamos apenas fornecendo a eles os membros artificiais. Levou muitos anos para o programa se tornar o que é agora. Hoje, gostaria de contar-lhes uma história, a história de uma grande mudança, e a história das pessoas que tornaram essa mudança possível. Cheguei ao Afeganistão em 1990 para trabalhar em um hospital de vítimas da guerra. E depois, não apenas para vítimas da guerra, mas para qualquer tipo de paciente. Eu também estava trabalhando no centro ortopédico, como o chamanos. Este é o local onde fazemos as pernas. Naquela época eu me encontrava numa situação estranha. Eu não me sentia muito pronto para aquele trabalho. Havia tanto a aprender. Havia tantas coisas novas para mim. Mas era um trabalho incrível. Bem, assim que os combates se intensificaram, a reabilitação física foi suspensa. Havia tantas outras coisas a fazer. Dessa forma o centro ortopédico foi fechado porque a reabilitação física não foi considerada uma prioridade. Era uma situação estranha. De qualquer forma, sabem, cada vez que conto isto -- não é a primeira vez -- é uma emoção. É algo que surge do passado. São 21 anos, mas eles estão todos ali ainda. Não importa, em 1992, o Mujahideen tomou o Afeganistão. E o centro ortopédico foi fechado. Fui designado para trabalhar com os desabrigados, com as pessoas desalojadas. Então, um dia, algo aconteceu. Eu estava voltando de uma grande distribuição de comida em uma mesquita onde dezenas e dezenas de pessoas rastejavam em condições terríveis. Queria ir para casa. Estava dirigindo. Sabem, quando você quer esquecer, você não quer ver nada, você só quer ir para seu quarto, trancar-se lá dentro e dizer: "Basta". Uma bomba caiu não muito longe do meu carro -- bem, um pouco longe, mas com muito barulho. E todo mundo desapareceu da rua. Os carros também desapareceram. Eu me escondi. E uma única figura humana permaneceu no meio do caminho. Era um homem em uma cadeira de rodas tentando desesperadamente sair dali. Bem, não sou uma pessoas particularmente corajosa, tenho que confessar isso, mas eu não podia ignorá-lo. Então, parei o carro e fui ajudar. O homem não tinha pernas e tinha apenas um braço. Atrás dele havia uma criança, seu filho, com o rosto vermelho no esforço de empurrar o pai. Levei-o para um local seguro. E perguntei: "O que você estava fazendo na rua nessa situação?" "Eu trabalho", ele disse. Disse a mim mesmo, que trabalho? A seguir, fiz uma pergunta ainda mais estúpida: "Por que você não tem as próteses? Por que você não tem as pernas artificiais?" E ele disse: "A Cruz Vermelha fechou." Sem pensar, eu lhe disse: "Venha amanhã. Providenciaremos a você um par de pernas." O homem, seu nome era Mahmoud, e a criança, cujo nome era Rafi, se foram. Aí eu disse: "Oh, meu Deus. O que eu disse? O centro está fechado, não há pessoal por lá. Talvez o maquinário esteja quebrado. Quem vai fazer as pernas para ele?" Então esperei que ele não viesse. Esta é uma rua de Kabul naquela época. Daí pensei: "Bem, eu lhe darei algum dinheiro." No dia seguinte, fui ao centro ortopédico. E falei com um porteiro. Tinha um roteiro pronto para dizer-lhe: "Veja, se alguém assim assim vier amanhã, por favor, diga-lhe que foi um engano. Nada pode ser feito. Dê-lhe algum dinheiro." Mas Mahmoud e seu filho já estavam lá. E não estavam sozinhos. Havia 15, talvez 20, pessoas como ele esperando. E havia alguns da equipe também. Entre eles estava meu auxiliar direto, Najmuddin. E o porteiro contou-me: "Eles vêm todos os dias ver se o centro vai abrir." Eu disse: "Não. Temos que ir embora. Não podemos ficar aqui." Estavam bombardeando -- não muito perto -- mas você podia ouvir o barulho das bombas. "Não podemos ficar aqui, é perigoso. Não é prioridade." Mas Najmuddin me disse: "Veja bem, estamos aqui. Pelo menos podemos começar a consertar as próteses, as próteses quebradas das pessoas e talvez tentar fazer algo pelas pessoas como Mahmoud." Eu disse: "Não, por favor. Não podemos fazer isso. É realmente perigoso. Temos outras coisas para fazer." Mas eles insistiram. Quando você tem 20 pessoas à sua frente, olhando para você, e você é aquele que tem que decidir. Então começamos a fazer alguns consertos. Um dos fisioterapeutas relatou que Mahmoud poderia ter as pernas, mas não imediatamente. As pernas estavam inchadas e os joelhos estavam rígidos, por isso ele necessitaria uma preparação longa. Acreditem-me, eu estava preocupado porque estava infringindo as regras. Estava fazendo algo que não era para eu fazer. À noite, fui falar com os chefes no quartel-general, e disse a eles -- eu menti -- disse a eles: "Vejam, vamos começar com algumas horas por dia, apenas uns consertos." Talvez alguns deles estejam aqui agora. Assim começamos. Eu estava trabalhando, ia todo dia trabalhar com os desabrigados. E Najmuddin ficava lá, fazendo tudo e relatando sobre os pacientes. Ele me dizia: "Os pacientes estão vindo." Sabíamos que muitos pacientes não poderiam vir, impedidos pelo combate. Mas as pessoas estavam vindo. E Mahmoud vinha todos os dias. E devagar, lentamente, semana após semana, suas pernas estavam melhorando. O molde da prótese foi feito, e ele estava começando a verdadeira reabilitação física. Ele vinha todos os dias, cruzando a linha de frente. Algumas vezes, cruzei a linha de frente no mesmo local onde Mahmoud e seu filho atravessavam. Vou lhes dizer, era algo tão sinistro que eu ficava abismado que ele pudesse fazer isso todos os dias. Mas, finalmente, o grande dia chegou. Mahmoud ia ser liberado com suas novas pernas. Era abril, eu me lembro, um dia muito bonito. Abril em Kabul é lindo, cheio de rosas, cheio de flores. Não conseguíamos ficar dentro de quatro paredes, com todos aqueles sacos de areia nas janelas. Muito triste, escuro. Escolhemos um cantinho no jardim. E Mahmoud colocou suas próteses, e outros pacientes fizeram o mesmo, e começaram a praticar pela última vez antes de serem liberados. De repente, começaram a combater. Dois grupos de Mujahideen começaram a combater. Podíamos ouvir no ar as balas passando. Então corremos, todos nós, em direção ao abrigo. Mahmoud agarrou seu filho, agarrei mais alguém. Todo mundo estava agarrando alguma coisa. E corremos. Sabem, 50 metros pode ser uma longa distância se você está completamente exposto, mas conseguimos alcançar o abrigo. Dentro, todos nós arquejando, sentei por um momento e ouvi Rafi dizendo a seu pai: "Pai, você pode correr mais rápido que eu." E Mahmoud: "É claro que posso. Posso correr e agora você pode ir para a escola. Não precisa ficar comigo o dia inteiro empurrando minha cadeira de rodas." Mais tarde, nós os levamos para casa. E nunca esquecerei Mahmoud e seu filho caminhando juntos, empurrando a cadeira de rodas vazia. Então entendi, a reabilitação física é prioridade. A dignidade não pode ficar esperando por tempos melhores. Daquele dia em diante, nunca mais fechamos um único dia. Bom, algumas vezes fomos suspensos por algumas horas, mas nunca, nunca fechamos novamente. Encontrei Mahmoud um ano depois. Estava em boa forma -- um pouco mais magro. Precisava trocar suas próteses -- um novo par de próteses. Perguntei-lhe do filho. Ele me disse: "Está na escola. Está indo muito bem." Entendi que ele queria me dizer alguma coisa. E lhe perguntei: "O que é que há? Ele estava suando. Sem dúvida, estava envergonhado. Estava em pé à minha frente, com a cabeça baixa. Disse: "Você me ensinou a andar. Muito obrigado. Agora ajude-me a não mais ser um pedinte." Esse era o emprego. "Minhas crianças estão crescendo. Sinto vergonha. Não quero que sejam perturbadas na escola pelos outros alunos." Eu disse: "Ok." Pensei, quanto dinheiro tenho no bolso? Para dar-lhe algum dinheiro. Era a forma mais fácil. Ele leu meus pensamentos e disse: "Estou pedindo um emprego." Então acrescentou algo que nunca esquecerei pelo resto de minha vida. Disse: "Sou um resto de homem, mas se você me ajudar, estou pronto para fazer qualquer coisa, mesmo que eu tenha que me arrastar no chão." Então, sentou-se. Sentei-me também, com urticária por todo lugar. Sem pernas, um único braço, analfabeto, não treinado -- qual trabalho para ele? Najmuddin me disse: "Bem, temos uma vaga na carpintaria." "O quê?", eu disse. "Pare." "Sim, nós precisamos aumentar a produção de pés. Precisamos empregar alguém para colar e parafusar a sola dos pés. Precisamos aumentar a produção." "Como é que é?" Eu não podia acreditar. Então ele disse, Bem, podemos modificar a bancada de trabalho, talvez colocar um banquinho especial, uma bigorna especial, uma garra especial, e talvez uma chave de fenda elétrica." Eu disse: "Veja, é loucura. E é ainda mais cruel pensar em algo assim. Isso é uma linha de produção e bastante rápida. É cruel oferecer-lhe um emprego sabendo que ele vai fracassar." Mas com Najmuddin não se pode discutir. Portanto a única coisa que consegui obter foi uma espécie de compromisso. Uma única semana -- uma semana de experiência e nem um dia a mais. Uma semana depois, Mahmoud era o mais rápido na linha de produção. Eu disse a Najmuddin: "Isso é trapaça. Não acredito nisso." A produção aumentou 20 por cento. "É trapaça, é trapaça", eu disse. Assim, pedi uma verificação. Era verdade. O comentário de Najmuddin era que Mahmoud tinha algo a provar. Entendi que eu estava errado novamente. Mahmoud parecia mais alto. Lembro-me dele sentado atrás da bancada de trabalho, sorrindo. Era um novo homem, alto novamente. Claro, entendi que o que o fizera empertigar-se -- sim, foram as pernas, muito obrigado -- mas como primeiro passo, foi a dignidade. Ele tinha recuperado toda sua dignidade graças àquele trabalho. Assim, é claro, entendi. Então começamos uma nova política -- uma nova política completamente diferente. Decidimos empregar tantos mutilados quanto fosse possível para treiná-los em qualquer trabalho possível. Tornou-se uma política de "discriminação positiva", como a chamamos agora. E querem saber? É bom para todo mundo. Todos se beneficiam disso -- aqueles empregados, claro, porque conseguem um trabalho e dignidade. Mas também para os recém-chegados. Eles são 7. 000 todo ano -- pessoas que vêm pela primeira vez. E deveriam ver o rosto dessas pessoas quando notam que aqueles que os assistem são como eles. Algumas vezes você os vê, eles parecem: "Oh." E você vê os rostos. Então a surpresa se torna esperança. E para mim é fácil também treinar alguém que já passou pela experiência da incapacitação. Puxa, eles aprendem muito mais rápido -- a motivação, a empatia que eles podem estabelecer com o paciente é completamente diferente, completamente. Restos de homens não existem. Pessoas como Mahmoud são agentes de mudança. E quando você começa a mudar, você não pode parar. Empregar pessoas, sim, mas também começamos projeto programados de microfinanças, educação. Quando você começa, você não pode parar. Assim fazemos treino vocacional, educação no lar para aqueles que não podem ir à escola. Terapias físicas podem ser feitas, não apenas no centro ortopédico, mas também nas casas das pessoas. Há sempre uma maneira melhor de fazer as coisas. Esse é Najmuddin, o de casaco branco. O terrível Najmuddin, é esse mesmo. Aprendi muito com pessoas como Najmuddin, Mahmoud, Rafi. Eles são meus professores. Tenho um desejo, um grande desejo, que esta maneira de trabalhar, esta forma de pensar, vá ser implementada em outros países. Há muitos países em guerra como o Afeganistão. É possível e não é difícil. Tudo que temos a fazer é ouvir as pessoas que temos que assistir, para fazê-las parte do processo de decisão e então, é claro, adaptar. Este é meu grande desejo. Bem, não pense que as mudanças no Afeganistão acabaram; não mesmo. Continuamos. Recentemente começamos um programa, um programa de esportes -- basquete para usuários de cadeiras de rodas. Transportamos cadeiras de rodas para todo lugar. Temos vários times na parte principal do Afeganistão. No início, quando Anajulina me disse: "Gostaríamos de começar", hesitei. Disse: "Não", como vocês podem imaginar. Disse: "Não, não, não, não, não podemos." Aí fiz a pergunta usual: "É prioridade? É realmente necessário?" Bem, vocês deveriam me ver agora. Nunca perco um único treinamento. Na noite anterior à partida, fico muito nervoso. E vocês deveriam me ver durante o jogo. Grito feito um verdadeiro italiano. O que vem a seguir? Qual vai ser a próxima mudança? Bem, não sei ainda, mas tenho certeza de que Najmuddin e seus amigos, eles já tem isso em mente. Essa foi minha história. Muito obrigado.
pt
498
Sistemas planetários distantes do nosso são como cidades longínquas cujas luzes podemos ver brilhando, mas em cujas ruas não podemos caminhar. No entanto, estudando essas luzes cintilantes, podemos aprender como estrelas e planetas interagem para formar seu próprio ecossistema e produzir hábitats que são favoráveis à vida. Nesta imagem do perfil de Tóquio, escondi, em um quadro, informações vindas do mais novo telescópio espacial que procura por planetas, a Missão Kepler. Podem vê-la? Aqui está. Esta é apenas uma pequenina parte do céu que Kepler vasculha, onde ele procura por planetas, medindo a luz de mais de 150. 000 estrelas, todas de uma vez, a cada meia hora, e com muita precisão. E o que procuramos é o minúsculo obscurecimento da luz, causado por um planeta que, ao passar em frente a uma dessas estrelas, não permite que parte daquela luz da estrela chegue até nós. Em apenas pouco mais de dois anos de operações, encontramos mais de 1. 200 potenciais sistemas planetários novos ao redor de outras estrelas. Para dar-lhes uma perspectiva, nas duas décadas anteriores à pesquisa, conhecíamos apenas cerca de 400, anteriormente à Kepler. Quando observamos esses mínimas variações na luz, podemos definir uma série de coisas. Não só podemos determinar que há um planeta lá como também quão grande aquele planeta é e quão distante está da estrela-mãe. Essa distância é realmente importante porque ela nos diz quanta luz o planeta recebe no todo. E conhecer essa distância e a quantidade de luz é importante, porque é mais ou menos como você ou eu sentado ao redor de uma fogueira. Você quer estar perto o bastante da fogueira para ficar aquecido, mas não perto demais para não ser torrado ou queimado. Contudo, há mais para saber sobre a estrela-mãe do que apenas quanta luz se recebe no total. E vou mostrar-lhes por quê. Esta é nossa estrela. Este é nosso Sol. Aqui ele se apresenta na luz visível. Essa é a luz que se pode perceber com o olho humano. Você notará que ele se parece muito com uma bola amarela -- aquele ícone do Sol que todos nós desenhamos quando éramos crianças. Mas você perceberá alguma coisa mais, e isso é que essa face do Sol tem sardas. Essas sardas são chamadas de manchas solares, e elas são apenas uma das manifestações do campo magnético do Sol. Elas também fazem com que a luz vinda da estrela varie. E podemos medir isto muito, muito precisamente com Kepler e rastrear seus efeitos. Entretanto, isto é apenas a ponta do iceberg. Se tivéssemos visão ultravioleta ou visão de raio X, poderíamos realmente ver os efeitos dinâmicos espetaculares da atividade magnética de nosso Sol -- a mesma coisa que acontece em outras estrelas também. Apenas lembre, mesmo quando está nublado lá fora, esses tipos de eventos estão acontecendo no céu acima de nós o tempo todo. Então, quando queremos saber se um planeta é habitável, se ele poderia ser adequado à vida, queremos saber não apenas quanta luz total ele recebe e quão quente ele é mas também queremos saber sobre seu clima espacial -- essa radiação de alta energia, os raios X e ultravioleta, que são criados por seu sol e que o mergulham neste banho de radiação de alta energia. Então, na verdade, não podemos observar os planetas ao redor de outras estrelas com o mesmo tipo de detalhes que podemos perceber nos planetas em nosso próprio sistema solar. Apresento aqui Vênus, Terra e Marte -- três planetas em nosso sistema solar que são aproximadamente do mesmo tamanho, mas apenas um deles é, de fato, um bom lugar para se viver. O que podemos fazer por enquanto é medir a luz de nossas estrelas e aprender sobre esse relacionamento entre os planetas e suas estrelas-mãe para deduzir, a partir dessas indicações, quais planetas poderiam ser bons lugares para se procurar por vida no universo. Kepler não encontrará um planeta ao redor de cada estrela que ele examina. Mas, na verdade, cada mensuração que faz é preciosa, porque está nos ensinando sobre o relacionamento entre estrelas e planetas, e como realmente é a luz das estrelas que prepara o palco para a formação da vida no universo. Ainda que seja Kepler, o telescópio, o instrumento que observa, somos nós, vida, que estamos procurando. Obrigada.
pt
499